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CASO CLÍNICO 1 - CONTINUAÇÃO

SINAIS E SINTOMAS JUSTIFICAÇÃO


Lombossacralgia Lesão Sacroilíaca e de L4-L5: A lesão em TID do
sacro fixa o ilíaco direito em posterioridade,
criando uma tensão nos ligamentos
iliolombares, originando a dor.
Diafragma: O músculo diafragma conecta-se ao
músculo psoas pelo ligamento arqueado
medial e ao quadrado lombar pelo ligamento
arqueado lateral. Essas estruturas ligam-se até
á pélvis, sendo contíguas com o diafragma
pélvico, através das expansões fasciais dos
músculos ílio, ísquio e pubococcígeo. Assim,
uma disfunção no músculo diafragma reflecte-
se no diafragma pélvico com sintomatologia
dolorosa na região lombossagrada.
Disfunção sacro: Justificação apresentada na
resolução do caso clínico nas páginas 11 e 12.
Traumatismo discal: Apesar de o trauma por
whiplash posterior raramente provocar
protusão ou hérnia discal lombar não é de todo
possível descartar pequenas lesões no anel
fibroso, acentuadas pela torção em TID do
sacro e consequente adaptação da vértebra L5
no sentido de rotação contralateral (direita),
que irão aferir no nervo meningeal recorrente,
inflamando-o, justificando as queixas álgicas.
Whiplash Membranoso: a perda de
sincronismo sacro-craniano irá provocar uma
tensão ao nível das membranas (dura-máter).
Pela sua fixação em S2 poderá repercutir em
sintomatologia álgica lombossacra.
Dores Abdominais Diafragma (C3-C4): A hiperextensão cervical
decorrente da colisão pode provocar uma
hiperexcitabilidade nociceptiva do nervo
frénico ao longo do seu trajecto, provocando
espasmo do diafragma com consequente dor
epigástrica.
Estômago (T4-T5): Justificação apresentada na
resolução do caso clínico nas páginas 11 e 12.
X - Nervo vago: O encastramento do occipital
entre os temporais favorece o fechamento dos
buracos rasgados posteriores e comprometer o
Nervo Vago (Ricard, Tratado de Osteopatía
Craneal - Análisis Ortodóntico. Diagnóstico y
Tratamiento Manual de los Síndromes
Craneomandibulares, 2002), provocando
parassimpaticotonia.
Alterações ao longo do Tendão Central: uma
desarmonia do mecanismo crânio-sacro, pela
flexão do occipital e extensão do sacro impede
o movimento síncrono. Há um estiramento do
tendão central de todos os planos da dura-
máter que passam pelos orifícios da base do
crânio (Livro Madrid algias).
Dorsalgia Interescapular Anterioridade Vertebral de T4 a T6 (Lesão em
Extensão): O movimento de aceleração,
quando do impacto posterior, e consequente
extensão das vertebras cervicais baixas e
dorsais médias podem acometer a
sintomatologia apresentada. (Ricard,
Tratamiento Osteopático de las Algias de
origen Craneo-cervical, 1990).
Rigidez Cervical Stress emocional: Alterações nas respostas
musculares podem ser explicadas pelo modelo
cognitivo-comportamental de "medo de
movimento/lesão”. Esse medo leva à protecção
da área lesionada e à diminuição da capacidade
de relaxar os músculos (Nederhand, 2002);
XI Par no BRP: O Nervo Acessório pode ser
perturbado por uma disfunção do Temporal
que estreita o Buraco Rasgado Posterior, o que
pode produzir um aumento no tónus muscular
e facilitação da inervação do ECOM e do
trapézio (tratado de osteopatia cranial).
Lesão de C7-T1 e Lesão de C5-C6 (Disco):
Embora raro, existe um risco de herniação
discal (livro Osteopathy Models, pág. 315), que
poder-se-á dever a uma alteração da curvatura
cervical em “C” para uma curvatura em “S”,
decorrente do impacto, e que resultará numa
compressão intervertebral aumentada com
eventual dano discal. (Kongsted A, Sorensen JS,
Andersen H, Keseler B, Jensen TS, Bendix T. Are
early MRI findings correlated with long-lasting
symptoms following whiplash injury? A
prospective trial with 1-year follow-up. Eur
Spine J. 2008;17(8):996-1005.). Por outro lado,
as disfunções de anterioridade na dorsal
média, causadas pelo impacto, reproduzem
numa menor capacidade de dissipação de
forças na região da charneira cervico-torácica,
traduzindo-se numa maior rigidez muscular.
Enxaqueca Músculos Suboccipitais: Uma cefaleia tensional
unilateral provocada por comprometimento do
nervo occipital, por tensão ou espasmo dos
músculos cervicais (Tanaka, et al., 2018).
Lesão de C0-C1 (Artéria Auditiva Interna e
Artéria Vertebral):
Lesão de C0-C1 poderá acarretar um fluxo
sanguíneo insuficiente da artéria vertebral, e
subsequentemente da artéria basilar. Sendo a
artéria auditiva interna um ramo desta última,
as mesmas repercussões poderão aqui
manifestar-se. Por outro lado, a incursão da
artéria auditiva interna no penhasco temporal
(que se encontra em disfunção) comprometerá
o suprimento vascular das estruturas
correspondentes, levando, assim, ao
surgimento de enxaquecas e outros quadros
sintomatológicos vestibulares.
Lesão de C7-T1 (Gânglio Simpático): Uma
disfunção ao nível da charneira cervico-torácica
poderá aferir na cadeia ganglionar simpática,
especificamente no gânglio estrelado (gânglio
cervical inferior e 1º gânglio torácico), um dos
responsáveis pelo controle da vascularização
cervical e do crânio, justificando o
aparecimento das enxaquecas.
Lesão da Sutura Occipito-Mastoideia e BRP
(Veia Ocular e Drenagem Venosa): O
encastramento do osso temporal com o osso
occipital, na 1ª fase do whiplash, traduz-se
numa maior tensão na sutura occipito-
mastóidea e subsequente estreitamento do
BRP que terá repercussões na veia jugular,
responsável por 95% da drenagem venosa do
crânio, levando assim a uma estase sanguínea,
inclusive nas veias distais, tais como as veias
oculares, que poderá justificar o aparecimento
de cefaleias (enxaqueca).
Artéria Vertebral: Trata-se de um síndrome
isquémico funcional e reversível, causada pelo
trauma, na região C0-C1-C2 ou nos buracos
transversos (e-book). Consequentemente a
irrigação será comprometida e levará ao
surgimento da enxaqueca.
Perda de sincronismo do MRP:
Este assincronismo remete para alterações no
fluxo do LCR, bem como na sua distribuição
pelos ventrículos, o que causará uma menor
nutrição dos tecidos neurais, através dos vasa
nervorum, provocando episódios de
enxaqueca crónica decorrentes de whiplash.
Vertigens e Tonturas Disfunção do Temporal (Centros Labirínticos): A
rotação interna do temporal provoca
alterações nos centros labirínticos ou no
próprio n. Vestibulococlear (Tratado de
osteopatia cranial)
BRP (Estômago, Vesícula Biliar...): O
estreitamento do buraco rasgado posterior
compromete o nervo vago e causa uma crise
vagotonia e consequente tontura.
Ortossimpático Cervical: Informações cervicais
aferentes perturbadas estão relacionadas com
tonturas e déficits no equilíbrio. A principal
fonte de informação aferente cervical é
formada por mecanorreceptores na coluna
cervical superior. (Ischebeck et al, 2016);
Perda do sincronismo Crânio-Sacro (MRP):
Assincronismo crânio-sacro compromete toda
a biomecânica craniana. Através das suas
relações anatómicas, o osso temporal,
implicado na lesão por whiplash, poderá influir
na neurofisiologia do nervo Vestibulococlear,
produzindo os sintomas de vertigens e
tonturas.
Cansaço, falta de Compressão da SEB (reacção endócrina -
atenção e Hipófise): A compressão da SEB vai repercutir
concentração. na sela turca, onde se encontra a hipófise. Na
adeno-hipófise é produzida a ACTH, que
estimula as glândulas supra-renais, que
produzem a adrenalina, noradrenalina e
dopamina. A perturbação da produção destas
hormonas pode conduzir à apresentação
destes sintomas.
Reacção Vagal: A generalizada
parassimpaticotonia e consequente reacção
vagal, após as disfunções por whiplash,
desencadeia uma cascata de alterações neuro-
endócrinas conducentes à apresentação
anímica da paciente.
Stress emocional: Decorrentemente de um
whiplash podemos encontrar um stress pós-
traumático, que se traduz em alterações
biopsicossociais, responsáveis pelo neurastenia
e déficit de concentração e atenção.
Perda do MRP: Remete para alterações no
fluxo do LCR e consequente menor nutrição
nos tecidos neurais que, em conjunto com os
factores supra referidos, potenciam o
aparecimento da sintomatologia em causa.
Dor de Garganta Vértebras Cervicais em Extensão C5-C6: As
tensões nas estruturas cervicais provocam
tensão e alongamento dos músculos cervicais
anteriores (como os músculos longos do
pescoço). A hiperexcitabilidade nociceptiva
subsequente também reproduzirá sintomas
álgicos na faringe, a qual também recebe
inervação do plexo faríngeo, tal como os
músculos supra referidos.
Espasmo dos Músculos Hióideos: Maioria dos
músculos hióideos são inervados pelos pares
de nervos cranianos (VII e IX), sendo que o par
IX está comprometido no BRP.
Desvio lateral esquerdo Hipertonia do Pterigóide Externo e Côndilo
da Mandíbula na Mandibular Anterior à direita: justificação
abertura da boca apresentada na resolução do caso clínico nas
páginas 11 e 12.
Crepitação da ATM Subluxação anterior do Menisco direito.
direita Hipertonia do Pterigóide Externo direito.
Temporal Extensão.
Justificação apresentada na resolução do caso
clínico nas páginas 11 e 12.
Dor Submandibular à Músculos Hióideos: Desvio mandibular à
direita esquerda provoca espasmo muscular dos
hióideos contralaterais, ocasionando dor
submandibular à direita.
Dores Retro-Orbitais Compressão da SEB (Nervos oculares, Seios
Cavernoso e drenagem do Olho): Uma lesão de
compressão da SEB afecta todos os orifícios da
base do crânio com nervos e artérias, (tratado
de osteopatia) repercutindo-se, assim, na
circulação venosa e arterial que causará as
dores retro-orbitais.
BRP: O estreitamento deste orifício, após o
trauma, irá afectar toda a drenagem venosa do
crânio, pela estenose da veia jugular,
responsável por 95% da circulação venosa do
crânio.
Fecho da Fissura Orbital Superior - Esfenóide e
artéria/veia oftálmica e nervos oculares:
Qualquer disfunção da SEB repercute-se
sempre nos ossos da base do crânio, do qual
fazem parte o occipital e o esfenóide. Esta
condição irá condicionar a passagem de
estruturas nobres. No que concerne à fissura
orbital superior esta irá afectar a passagem do
nervo oculomotor, nervo troclear, ramo
oftálmico do nervo trigémeo e nervo
abducente, bem como veia oftálmica.
C0-C1 (Gânglio Cervical Superior,
vascularização do Olho): irritação do gânglio
cervical superior – Síndrome de Barré-Liéou
(vertigem, ataxia, vasodilatação e dor nos
olhos) resulta da hiperactividade simpática e da
disfunção proprioceptiva que geralmente
segue lesões por chicotadas. (Chila)