Você está na página 1de 26

Documento 109 (CNBB) – Subsídios para estudo pastoral das novas diretrizes 2019 – 2023

1. 07 ENCONTROS POPULARES

2. LEITURA TEMÁTICA DAS DIRETRIZES

3. LEITURA RÁPIDA – PARÁGRAFO POR PARÁGRAFO – DO DOCUMENTO 109

1º SUBSÍDIO - 07 ENCONTROS POPULARES (documento 109 CNBB)

ORIENTAÇÕES GERAIS:  Estes encontros têm por objetivo possibilitar a todas as pequenas comunidades o contato com as
ideias principais das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (2019 – 2023). Ao final da apresentação do conteúdo é
proposta uma pergunta que ajudará os presentes a refletirem de forma espontânea as ideias apresentadas. Obviamente
que outras perguntas podem surgir.

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da
Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em pequenas comunidades missionárias, à luz da
evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da casa comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude.
*Rezar um Pai Nosso e dez Aves Maria seguido do Glória e Ó meu Jesus…

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: Esta oração é parecida com o terço. As Aves Maria são substituídas por frases que
são repetidas por dez vezes.

PRIMEIRO MISTÉRIO – *Que nossos corações se abram à Palavra de Deus /*Pai Nosso (1x) /*Tua Palavra é lâmpada para
os meus pés e luz para o meu caminho (10x) /*Glória… seguido do Ó meu Jesus…

SEGUNDO MISTÉRIO – *Nossas casas são Igreja Doméstica /*Pai Nosso (1x) /*Eu e minha casa serviremos ao Senhor
(10x) /*Glória… seguido do Ó meu Jesus…

TERCEIRO MISTÉRIO – *Somos todos missionários enviados pelo Senhor /*Pai Nosso (1x) /*Quem irá falar em nome do
Senhor? Respondi: eis-me aqui, envia-me (10x) /*Glória… seguido do Ó meu Jesus…

QUARTO MISTÉRIO – *Onde há o amor e a caridade, Deus aí está. /*Pai Nosso (1x) /*Tudo o que fizeram ao menor dos
irmãos foi a mim que o fizeram (10x) /*Glória… seguido do Ó meu Jesus…

QUINTO MISTÉRIO – *Somos testemunhas do amor de Deus para o mundo /*Pai Nosso (1x) /* Senhor fazei-me
instrumento de vossa Paz (10x) /*Glória… seguido do Ó meu Jesus…

Terminar com “Salve Rainha” e o cântico de consagração a Nossa Senhora.

1º ENCONTRO – A igreja nas casas

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....

LEITOR 1 – A casa foi um dos lugares privilegiados para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores com as pessoas.
Nas casas Ele curava e perdoava os pecados (Mc 2,1-12), partilhava a mesa com publicanos e pecadores (Mc 2,18-22),
refletia sobre assuntos importantes como o jejum (Mc 2,18-22), orientava sobre o comportamento na comunidade (Mc
9,33 ss; 10,10) e a importância de se ouvir a Palavra de Deus (Mt 13,17.43).

LEITOR 2 – Os encontros de Jesus nas casas alargam as relações fraternas e comunitárias nos ambientes domésticos por
onde ele passa (Mt 8,14; Lc 10, 38-42; Lc 19,1-10). A casa é assim assumida como lugar para cultivo e vivência dos valores
do Reino.

TODOS: Na Igreja vivida nas casas, ninguém passava necessidade, pois tudo era partilhado conforme a necessidade de cada
um (At 4,34-35).

LEITOR 1 – As comunidades nas casas eram organizadas, a partir de uma ordem fraterna com a participação ativa das
mulheres e cuidado especial para com os mais fracos e pobres. Eles não queriam o isolamento, mas a responsabilidade de
favorecer um testemunho capaz de atrair outras pessoas (1 Cor 14,23; 1 Ts 4,12).

LEITOR 2 – A casa permitiu que o cristianismo primitivo se organizasse em pequenas comunidades, com poucas pessoas,
que se conheciam e compartilhavam a mesa da refeição cotidiana. A hospitalidade era aberta também a pecadores e
pagãos.
TODOS: Na Igreja vivida nas casas, ninguém passava necessidade, pois tudo era partilhado conforme a necessidade de cada
um (At 4,34-35).

LEITOR 1 – Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,38-42: (ler na Bíblia)

Palavra do Senhor – Todos: Graças a Deus.

PERGUNTA QUE AJUDA A REFLETIR: O que podemos fazer para que a nossa pequena comunidade se pareça com aquelas
que os primeiros cristãos reuniam em suas casas?

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: é parecida com o terço.

2º ENCONTRO – O que podemos encontrar na casa dos cristãos que se abrem para acolher as pequenas comunidades

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....

 CASA: lugar da ternura

LEITOR 1: Em nossas comunidades a afetividade, a empatia, a ternura com o irmão devem ser as marcas desta casa da
fraternidade que o Papa Francisco chama de revolução da ternura.

TODOS: Os cristãos eram um só coração e uma só alma (At 4,32).

LEITOR 2: Por comungarmos do mesmo pão, na Eucaristia, na Palavra e na vida, somos irmãos que caminham juntos e nada
que diga respeito à alegria e à dor do outro pode nos ser indiferente (Lc 10,25-37; 16,19-31 cf Jo 3,17).

LEITOR 1: Em um mundo marcado pela violência e ódio crescentes, com a destruição como resposta aos problemas, a
comunidade cristã se torna profeta ao viver a fraterna e solidária convivência como resposta à violência.

TODOS: Os cristãos eram um só coração e uma só alma (At 4,32).

 CASA: lugar das famílias

LEITOR 2: A proximidade com as famílias em sua condição real de vida ajudará a experimentar a misericórdia de Deus que,
em Jesus, se aproximou da viúva que enterrava seu filho único (Lc 7, 11-17), da sogra de Pedro, que sofria doente (Lc 4, 38-
40), de Jairo e de sua filha que estava morrendo (Lc 8, 40-56) e de outras famílias e pessoas que necessitavam da sua
presença, da sua palavra e da sua consolação.

TODOS: Os cristãos eram um só coração e uma só alma (At 4,32).

LEITOR 1: A comunidade cristã missionária pode, de fato, acontecer nos lares e grupos de famílias que se tornam núcleos
comunitários onde a Igreja se reúne para meditar a Palavra, rezar, partilhar o pão e a vida. A formação de núcleos
familiares que formem pequenas comunidades é o ideal de toda ação missionária das comunidades.

TODOS: Os cristãos eram um só coração e uma só alma (At 4,32).

LEITOR 2: Leitura do Livro Atos dos Apóstolos 2, 42-45: (ler na Bíblia).

Palavra do Senhor. TODOS: Graças a Deus

PERGUNTA QUE AJUDA A REFLETIR: O que podemos fazer na nossa pequena comunidade para que exista mais partilha
não só de tempo, mas de carinho e ternura entre nós?

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: parecida com o terço.

3º ENCONTRO – quatro pilares da evangelização: PRIMEIRO PILAR: ==A PALAVRA

“Eles eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos”. (At 2,42)

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....

LEITOR 1: O livro dos Atos dos Apóstolos relata que os cristãos ouviam a Palavra nas casas e discerniam a experiência da
vida em Deus, conscientes de que a fé provém da escuta (Rm 10,17). Descobrem pela leitura Bíblica que é Deus quem toma
a iniciativa de comunicar seu amor salvífico. Os primeiros cristãos assim faziam a iniciação cristã através do encontro
pessoal e comunitário com Jesus Cristo através da celebração da Palavra e pela leitura orante da Bíblia.

TODOS: Senhor, que a vossa Palavra transforme a nossa vida.

LEITOR 2: Também hoje, a partir do encontro com a Palavra e da experiência de vida fraterna na comunidade que se reúne
na casa, as pessoas são introduzidas no processo da iniciação da vida cristã. O Batismo, pelo qual somos configurados a
Cristo, incorporados na Igreja e feitos filhos de Deus, é a porta de acesso a todos os sacramentos.

TODOS: Senhor, que a vossa Palavra transforme a nossa vida.

LEITOR 1: Iniciação à Vida Cristã e Palavra de Deus estão intimamente ligadas. É importante ter consciência de que a
Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir a comunhão. Sendo uma Palavra que se dirige a cada um
pessoalmente, é também uma palavra que constrói comunhão, que constrói a Igreja.

TODOS: Senhor, que a vossa Palavra transforme a nossa vida.

LEITOR 2: O contato intensivo e vivencial com a Palavra de Deus confere à comunidade cristã um caráter de formação
discipular. O Evangelho passa a ser o critério decisivo para o discernimento em vista da vivência cristã.

TODOS: Senhor, que a vossa Palavra transforme a nossa vida.

LEITOR 1: Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (10, 8b.-10.14b,-15): (ler na Bíblia)

Palavra do Senhor. TODOS: Graças a Deus

PERGUNTA QUE AJUDA A REFLETIR: Quais as transformações que aconteceram nas nossas casas a partir do momento que
passamos a nos reunir para refletir a Palavra de Deus? Nossa vizinhança melhorou a partir das nossas reflexões sobre a
Palavra?

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: parecida com o terço

4º. ENCONTRO – segundo PILAR ==O PÃO

“Eles eram perseverantes (…) na fração do pão e nas orações”. (At 2,42)

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....

LEITOR 1: Entre os primeiros cristãos, a comunhão se expressava principalmente na celebração da Eucaristia. A celebração
eucarística alimentava a esperança do mundo que há de vir (1 Cor 11,17-32). Essa realidade implicava em trilhar um
caminho pascal, para viver no mundo sem ser do mundo (Jo 17.14-16).

TODOS: Nós precisamos perseverar na fração do pão e nas orações

LEITOR 2: A mesa Eucarística no centro da celebração da fé cristã indica-a como núcleo transformador das pessoas em
discípulas missionárias, que vivem a fraterna convivência e se dispõem a anunciar o amor ao mundo. Assim é que tomam
consciência de que são colaboradores de Deus na missão e são impelidos a saírem ao encontro das pessoas e à prática da
misericórdia.

TODOS: Nós precisamos perseverar na fração do pão e nas orações

LEITOR 1: É preciso sempre pedir ao Senhor: “ensina-nos a orar” (Lc 11,1). Orar, antes de ser o resultado de um esforço
humano, é a ação do Espírito Santo em nós (Gl 4,6).

TODOS: Na pastoral, é preciso superar a ideia de que o agir já é uma forma de oração. Não se pode reduzir tudo ao fazer,
nos contentando apenas com reuniões, planejamentos e eventos. Muitas atividades podem facilmente levar os cristãos a
caírem em tentações como ativismo, vaidade, ambição e o desejo do poder.

LEITOR 2: A Espiritualidade cristã se traduz na busca da santidade e alimenta um jeito de ser Igreja. Jesus deseja uma Igreja
servidora, samaritana, pobre com os pobres, que somente pode ser alimentada através da oração e da contemplação.
Somente o agir, desvinculado da oração, pode esvaziar a coragem e audácia missionária para o enfrentamento de desafios
somente superados por um ardor vivo mantido pela oração.

TODOS: Nós precisamos perseverar na fração do pão e nas orações.


LEITOR 1: Os desafios dos nossos tempos são novos, mas a dor humana continua a mesma que sensibilizou e continua a
impactar os santos e santas de todos os tempos, impelindo-os a uma saída efetiva do seu lugar em direção ao lugar onde o
outro se encontra.

LEITOR 2: Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (6,32-35.51): (ler na Bíblia)

Palavra do Senhor. TODOS: Graças a Deus

PERGUNTA QUE AJUDA A REFLETIR: O que de fato significa comungar a Santa Eucaristia? Como podemos fazer a Eucaristia
que comungamos tornar-se vida nova em nosso dia a dia?

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: parecida com o terço

5º ENCONTRO –  terceiro PILAR: ==A CARIDADE

“Eles eram perseverantes (…) na comunhão fraterna”. (At 2,42)

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....

LEITOR 1: Na fé cristã a espiritualidade está centrada na capacidade de amar a Deus e ao próximo. Rezar e servir, amar e
contemplar são realidades indispensáveis para o discípulo missionário de Jesus Cristo. Somente contemplando o mundo
com os olhos de Deus é possível perceber e acolher o grito que emerge das faces da pobreza e da agonia da criação.

TODOS: Fazei Senhor, que a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos no serviço aos que
sofrem.

LEITOR 1: Saber chorar com os outros é santidade. Nós queremos chorar para que a sociedade também seja mais maternal
para que, em vez de matar, aprenda a dar à luz.

TODOS: Fazei Senhor, que a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos no serviço aos que
sofrem.

LEITOR 2: Anunciar Jesus é ensinar o que ele nos mandou: “aprendei a fazer o bem, buscai o direito, socorrei ao oprimido,
fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,17). A evangelização do mundo urbano não pode prescindir da
questão do trabalho. A solidariedade com quem sofre as consequências do desemprego e do trabalho precário é, pois, uma
expressão importante de caridade, devendo se manifestar pela atuação organizada dos cristãos leigos e leigas.

TODOS: Fazei Senhor, que a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos no serviço aos que
sofrem.

LEITOR 1: Igualmente a caridade se expressa no empenho e na atuação política dos cristãos e das comunidades cristãs. A
boa política é um meio privilegiado para promover a paz e os direitos humanos fundamentais. A omissão dos cristãos neste
campo traz gravíssimas consequências para a ação transformadora na Igreja e no mundo (CNBB Doc 105 cap. III).

TODOS: Fazei Senhor, que a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos no serviço aos que
sofrem.

LEITOR 2: Leitura do Profeta Isaías (1, 16-18): (ler na Bíblia)

Palavra do Senhor. TODOS: Graças a Deus

PERGUNTA QUE AJUDA A REFLETIR: Há alguma família na nossa vizinhança que necessita de algum cuidado especial
nosso? Nem sempre este cuidado significa coisas materiais…

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: parecida com o terço

6º ENCONTRO – continuação do terceiro PILAR: A CARIDADE

“Eles eram perseverantes (…) na comunhão fraterna”. (At 2,42)

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....
LEITOR 1: O Papa Francisco diz que deseja uma Igreja pobre para os pobres. Obedecendo aos apelos do Para, e somente
assim, a Igreja será casa dos pobres como proclamou São João Paulo II ao afirmar que os pobres são os destinatários
privilegiados do Evangelho.

TODOS: É missão da comunidade cristã a promoção da cultura da vida

LEITOR 1: Contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres significa comprometer-se com todos os que sofrem,
buscando compreender as causas de seus flagelos, especialmente as que os jogam na exclusão.

TODOS: É missão da comunidade cristã a promoção da cultura da vida

LEITOR 2: A ausência do sentido da vida é fonte de sofrimento. Também os cristãos são afetados por essa crise de sentido
que gera cansaço, depressão, pânico, transtornos de personalidade e até suicídio. Essa situação ocorre porque se vive em
uma sociedade que sustenta tudo ser possível, especialmente com o avanço de novas tecnologias indiferentes aos
sofrimentos de muitos excluídos.

TODOS: É missão da comunidade cristã a promoção da cultura da vida

LEITOR 2: A situação dos migrantes e refugiados preocupa a Igreja. Uma comunidade cristã precisa ter as portas abertas
para o migrante, pois seus membros devem reconhecer que a acolhida ao estrangeiro é expressão concreta do amor que
salva (Mt 25 cf. Hb 11,13).

TODOS: É missão da comunidade cristã a promoção da cultura da vida

LEITOR 1: A Igreja também olha para os povos indígenas, quilombolas e pescadores, reconhece e defende seus direitos,
entre os quais a permanência em seus territórios. Reconhece a presença dos nômades e defende seus direitos. Esta
pluralidade de culturas em nada ameaça a soberania nacional, ao contrário, enriquece uma grande nação formada por
diversos povos.

TODOS: É missão da comunidade cristã a promoção da cultura da vida

LEITOR 2: Leitura do livro dos Hebreus (13,1-3) (ler na Bíblia)

Palavra do Senhor. TODOS: Graças a Deus

PERGUNTA QUE AJUDA A REFLETIR: O que podemos fazer para promover mais convivência entre as famílias que vivem ao
redor da nossa pequena comunidade?

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: parecida com o terço

7º ENCONTRO – quarto pilar: ==A AÇÃO MISSIONÁRIA

“Passando adiante, anunciava o Evangelho a todas as cidades”. (At 8,40)

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS: Senhor, queremos evangelizar no Brasil cada vez mais urbano.....

LEITOR 1: A realidade urbana é porta para o Evangelho e as comunidades cristãs precisam ter um olhar propositivo sobre
essa realidade, cientes de que Deus preparou uma cidade para eles (Hb 11,16; Ap 3,20). Cabe especialmente à Igreja como
sacramento de união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, guiada pelo Espírito Santo, incentivar a descoberta
das sementes do Verbo, presentes nas várias culturas e promover o encontro dessas culturas com Jesus Cristo que as
ilumina.

TODOS: Muitos irmãos nossos vivem sem a força e a consolação da amizade com Jesus Cristo. Que possamos levar esta luz
para eles.

LEITOR 2: Precisamos perceber que, se alguma coisa nos deve santamente preocupar a nossa consciência, é que haja
tantos irmãos nossos que vivem sem a força e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que
os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.

TODOS: Muitos irmãos nossos vivem sem a força e a consolação da amizade com Jesus Cristo. Que possamos levar esta luz
para eles.
LEITOR 1: Infelizmente, os conhecimentos básicos da fé cristã não só deixaram de existir, como são até, frequentemente
negados em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

TODOS: Muitos irmãos nossos vivem sem a força e a consolação da amizade com Jesus Cristo. Que possamos levar esta luz
para eles.

LEITOR 2: A comunidade expressa sua missionariedade quando assume a humanização das relações sociais, tais como
gestos de acolhida, amparo nas tribulações, consolo no luto, defesa de direitos, sede de justiça. Merecem atenção especial
os lugares de pobreza em suas diversas formas, nas grandes cidades e demais regiões do país.

TODOS: Muitos irmãos nossos vivem sem a força e a consolação da amizade com Jesus Cristo. Que possamos levar esta luz
para eles.

LEITOR 1: Leitura de 2 Timóteo (4, 1-5) … (ler na BíBlia)

Palavra do Senhor. TODOS: Graças a Deus

PROPOSTAS DE AÇÃO: Quais atividades podem tornar a nossa ação missionária mais eficaz junto às famílias que ainda não
decidiram participar da nossa pequena comunidade?

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS: parecida com o terço

CÂNTICOS

1- EIS-ME AQUI SENHOR! Eis-me aqui, Senhor! Pra fazer Tua Vontade, pra viver do Teu Amor / Pra fazer Tua Vontade,
pra viver do Teu amor / Eis-me aqui, Senhor!

1. O Senhor é o Pastor que me conduz / Por caminhos nunca vistos me enviou / Sou chamado a ser fermento, sal e luz
/ E por isso respondi: aqui estou!

2. Ele pôs em minha boca uma canção / Me ungiu como profeta e trovador / Da história e da vida do meu povo / E
por isso respondi: aqui estou!

3. Ponho a minha confiança no Senhor / Da esperança sou chamado a ser sinal / Seu ouvido se inclinou ao meu
clamor / E por isso respondi: aqui estou!

2- PELAS ESTRADAS DA VIDA

1. Pelas estradas da vida, nunca sozinho estás / Contigo pelo caminho, Santa Maria vai – REFRÃO – Ó vem conosco,
vem caminhar, Santa Maria vem / Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem

2. Se pelo mundo os homens, sem conhecer-se vão / Não negues nunca a tua mão a quem te encontrar / REFRÃO – Ó
vem conosco, vem caminhar…

3. Mesmo que digam os homens, tu nada podes mudar / Luta por um mundo novo de unidade e paz – REFRÃO – Ó
vem conosco, vem caminhar…

4. VEJAM! EU ANDEI PELAS VILAS

5. Vejam: Eu andei pelas vilas, apontei as saídas como o Pai me pediu / Portas eu cheguei para abri-las, eu curei as
feridas como nunca se viu

Refrão= Por onde formos também nós que brilhe a tua luz / Fala, Senhor, na nossa voz, em nossa vida / Nosso caminho
então conduz, queremos ser assim / Que o pão da vida nos revigore em nosso sim.

 Vejam: Fiz de novo a leitura das raízes da vida que meu Pai vê melhor / Luzes acendi com brandura, para a ovelha
perdida não medi meu suor – Refrão= Por onde formos…

 Vejam: Procurei bem aqueles que ninguém procurava e falei de meu Pai / Pobres, a esperança que é deles eu não
quis ser escravo de um poder que retrai – Refrão

 Vejam: Procurei ser bem claro; o meu reino é diverso, não precisa de Rei / Tronos, outro jeito mais raro de juntar
os dispersos o meu Pai tem por lei –  Refrão

4- SENHOR SE TU ME CHAMAS EU QUERO TE OUVIR. / SE QUERES QUE EU TE SIGA, RESPONDO: EIS-ME AQUI. 
1. Profetas te ouviram e seguiram tua voz,  / andaram mundo afora e pregaram sem temor.  / seus passos tu
firmastes sustentando seu vigor.  / profeta tu me chamas: vê Senhor, aqui estou. 
B- Nos passos do teu Filho toda Igreja também vai,  / seguindo teu chamado de ser santa qual Jesus.  / apóstolos e
mártires se deram sem medir.  / apóstolo me chamas: vê Senhor, estou aqui. 
C- Os séculos passaram, não passou, porém tua voz  / que chama ainda hoje, que convida a te seguir. / há homens
e mulheres que te amam mais que a si,  / e dizem com firmeza: vê Senhor, estou aqui. 

5- VEM, VEM, VEM, ESPÍRITO SANTO / Transforma a minha vida, quero renascer (2x) Quero abandonar-me em seu amor /
Encharcar-me em seus rios, Senhor / Derrubar as barreiras do meu coração (2x)

6- EU TE PEÇO DESTA ÁGUA QUE TU TENS, és água viva meu senhor! / tenho sede, tenho fome de amor, e acredito nesta
fonte de onde vens. / vens de Deus, estás em Deus, também és Deus. / E Deus contigo faz um só, eu, porém, que vim da
terra e volto ao pó, / quero viver eternamente ao lado teu.
És água viva, és vida nova, / e todo dia me batizas outra vez, / me fazes renascer, me fazes reviver, eu quero água desta
fonte de onde vens!(bis)

2º SUBSÍDIO - LEITURA TEMÁTICA DAS DIRETRIZES

1. MUNDO URBANO – o ambiente da Ação Missionária

 “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estarei, no meio deles” (Mt 18,20)

A fé ensina que Deus vive na cidade, em meio a alegrias, desejos e esperanças, como também em meio a dores e
sofrimentos. Cabe à Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, contemplar esta realidade, distinguindo nela o que esse mesmo
Espírito já está dizendo e fazendo (Ap 2,7.11.17.29), identificando as sombras que negam o Reino de Deus e as luzes, sinais
do que o próprio Senhor está realizando. xx

Para pensar a Igreja no Brasil, um país continental, é necessário ter algum parâmetro (ponto comparativo) que, nas DGAE
2019/2023 será a realidade urbana.  E a área rural? Fica de fora?– perguntará alguém. A resposta é que aonde chegam
energia e internet, hoje, chegam também os valores do mundo urbano, trazendo junto o individualismo e a solidão,
geradores também de suicídios que é um grande apelo à atuação da Igreja. Mas, temos que ter um cuidado no parâmetro
(ponto comparativo) das cidades:

== Não cair na generalização de achar que todas as cidades sejam iguais ou que mantenham alguma identificação com o
modelo das cidades do passado.

== Podemos afirmar que, hoje, há diferenças de uma cidade para outra.

== Embora com características diferenciadas, as cidades atuais são locais onde as pessoas escolhem caminhos para o
sentido de suas vidas. Fazem escolhas motivadas pelo imediatismo de forma diversificada e fragmentada.

Devido a esta complexidade, a ação evangelizadora deve estar atenta aos efeitos da urbanização sobre as pessoas, grupos e
sobre a sociedade como um todo. À Igreja cabe incentivar a descoberta de sementes do Verbo, presentes nas várias
culturas que coexistem nas cidades e promover o encontro delas com Jesus para que a Palavra do Filho de Deus as ilumine.

ATENÇÕES IMPORTANTES NA EVANGELIZAÇÃO DAS CIDADES:

1- A evangelização do mundo urbano sobre a questão do trabalho. A solidariedade para com quem sofre as dores do
desemprego e do trabalho precário é, pois, uma expressão importante de caridade da Igreja. 

2- Igualmente a evangelização e caridade vividas nas cidades na atuação política dos cristãos e comunidades cristãs. A boa
política é um meio privilegiado para viver a caridade e promover a paz e os direitos humanos fundamentais. A omissão dos
cristãos neste campo traz gravíssimas consequências para a ação transformadora na Igreja e no mundo (CNBB Doc 105 cap.
III).

3- Evangelização junto às pessoas que vivem a mobilidade social, forçada ou não. A vida das pessoas nas cidades já não
acontece mais em um único local. Elas trabalham, moram, tem lazer e praticam a fé em bairros ou até mesmo cidades
diferentes.  Isso é bom na medida em que se multiplicam as fontes da experiência da vida. Mas, são sombras, quando a
mobilidade é forçada, como para as pessoas em situação de rua, refugiados e outros.

JESUS E OS DISCÍPULOS NAS CIDADES: Jesus percorria todas as cidades e povoados ensinando em suas sinagogas,
proclamando o Evangelho do Reino. (Mt 9,35; At 8,40).
Os discípulos missionários são convocados a escutar e compreender a mentalidade urbana atual e perceber que Deus já
está presente no meio de muitos grupos. Contudo, muitas vezes a comunidade cristã também se assusta com fenômenos
que afetam as pessoas nas cidades. Eis alguns sustos:

O INDIVIDUALISMO QUE ASSUSTA

No mundo, há séculos, teorias acentuam a dimensão individual da existência. É certo que cada pessoa possui uma
dignidade irrenunciável e insubstituível, fruto da ação criadora de Deus. Por outro lado, a dimensão individual não pode
ficar isolada ou diminuir a fraternidade e a comunhão entre as pessoas. Quando isso acontece surge o individualismo que
só valoriza outras pessoas enquanto são úteis e capazes de produzir e oferecer algo.

O individualismo enfraquece as instituições, principalmente a família. Quando importa para o indivíduo somente seus
“quereres”, a vida comunitária familiar perde o valor. Eis o grande desafio da evangelização: enfrentar a mentalidade que
afirma claramente ser a família uma realidade ultrapassada.

COMO ENFRENTAR MISSIONARIAMENTE O INDIVIDUALISMO

Em contraponto ao individualismo que se espalha nas cidades a Igreja, junto aos que sofrem especialmente os que sequer
têm direito à sobrevivência, é chamada a reproduzir a imagem do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37). 

A EXCLUSÃO QUE ASSUSTA

A redução da função social do Estado fere a dignidade das pessoas e enfraquece o exercício dos direitos humanos.
Crianças, adolescentes, idosos, enfermos, deficientes ou pessoas com pouca escolaridade são as mais desprotegidas
socialmente. O Estado se distancia destas pessoas e se aproxima só dos interesses do mercado. Modifica-se ao mesmo
tempo o papel tradicional da família e da comunidade na transmissão dos valores humanos e cristãos. O grande valor
apregoado é a produção e geração de riquezas.

COMO ENFRENTAR A MISSIONARIAMENTE A EXCLUSÃO

A comunidade cristã deve ser a voz dos que clamam por vida digna. Terra, trabalho e teto são três palavras chave,
expressão das preocupações do Papa Francisco com a situação dos excluídos do mundo contemporâneo. Por isso a
comunidade cristã não pode acovardar-se diante das lutas por terra, trabalho e moradia.

O CONSUMISMO QUE ASSUSTA

O grande valor apregoado é o consumo desenfreado. As pessoas passam a ser avaliadas em virtude de sua capacidade de
participar do mercado como consumidoras. Essa individualização consumista da vida está diretamente ligada a diversos
fenômenos que nos assustam cada dia mais. == Corruptos que pensam somente em seus próprios interesses. ==
Traficantes que destroem pessoas e famílias, buscando recursos para consumos desenfreados. == A busca pela legalização
da morte de quem ainda nem nasceu. == O aumento do número dos grupos de extermínio na busca pelo conforto de
indivíduos. Tudo isso chega às portas dos hospitais públicos sem recursos para atender à demanda de pessoas fora do
núcleo consumista. As cidades são divididas em áreas: algumas controladas pelo Estado de Direito e outras pelo poder
paralelo. Neste sentido é que se pode afirmar que individualismo/consumismo e violência são dois lados da mesma moeda.

COMO ENFRENTAR MISSIONARIAMENTE O CONSUMISMO

Em meio a esta mentalidade consumista, pela fé, reconhecemos o Senhor presente e atuante junto a nós (Jo 14,18). Se por
um lado == constatamos a expansão da mentalidade do “indivíduo consumista”, por outro == verificamos atitudes culturais
de resistência, que valorizam mais as pessoas que o consumo, mais a obediência a Deus que adesão às tendências e
modismos do momento presente (At 5,29). Ser discípulo implica deixar-se encontrar pelo Senhor e com ele estar (Mc 8,13-
15) e formar comunidade com os outros discípulos e discípulas (At 2, 42-47).

As luzes que se enxergam na ação da Igreja são as pessoas que não medem distância para o encontro entre as
comunidades. Nestes encontros acontece a ajuda solidária, não só de recursos financeiros como também humano.

CONCLUINDO- Existem muitos modos de compreender as cidades e com elas interagir. Como evangelizadores devemos
olhar para cada pessoa, em especial a que sofre, nela enxergando o Cristo Senhor (Mt 25,40) e, por isso, agindo
firmemente em vista da superação de todo sofrimento.

ENCAMINHAMENTOS
1- Ter pessoas atentas ao acompanhamento da cidade, reconhecendo novas coisas ou novos ambientes onde a
evangelização precisa chegar.

2- Desenvolver visitas missionárias em áreas e ambientes distantes da vida da Igreja. Estabelecer uma agenda (cronograma)
de visitas de modo que se possa acompanhar o amadurecimento das pessoas e estimular a formação de novas pequenas
comunidades. 

3- Favorecer a comunicação das Paróquias que atuam numa mesma cidade para troca de experiências e possíveis trabalhos
em comum.  

4- Valorizar urgentemente como espaços missionários hospitais e velórios, escolas, universidades, o mundo da cultura e
das ciências, os presídios e outros lugares de detenção. Em espaços assim, a presença fraterna e orante é o ponto de
partida para o anúncio e a formação de comunidades.

5- Priorizar a pessoa como “objetivo da ação missionária”. (Lc 24,13-35)

1. UM NOVO JEITO DE SER IGREJA:

A IMAGEM DA IGREJA COMO “CASA”

No momento atual a conversão pastoral se apresenta como desafio irrenunciável que se concretiza na formação de
pequenas comunidades cristãs missionárias em variados ambientes, inclusive nas casas.

As DGAE 2019-2023 orientam que as pequenas comunidades missionárias se configurem como casas da Palavra, do Pão, da
Caridade e abertas constantemente à missão. Esta abertura missionária possibilita o crescimento na fé e consequente
comunhão fraterna e engajamento de seus membros para a transformação social.

JESUS E OS DISCÍPULOS PRESENTE NAS CASAS

A casa, como o espaço familiar, foi lugar privilegiado para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores com diversas
pessoas. Nas casas Ele curava e perdoava os pecados (Mc 2,1-12), partilhava a mesa com publicanos e pecadores (Mc 2,18-
22), refletia sobre assuntos importantes como o jejum (Mc 2,18-22), orientava sobre o comportamento na comunidade (Mc
9,33ss; 10,10) e a importância de se ouvir a Palavra de Deus (Mt 13,17.43).

Os encontros de Jesus nas casas criavam oportunidades para experiências nas relações fraternas e comunitárias nos
ambientes domésticos por onde ele passava (Mt 8,14; Lc 10,38-42; Lc 19,1-10).

A casa é lugar privilegiado para viver os valores do Reino Divino.

A Igreja nas casas, na experiência dos primeiros cristãos, garantia o senso de pertença à família de Deus (Mc 3,31-35), já
não importando ser judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, mas somente ser de Cristo (Cl 3,11; Gal 3,28).
Entre eles ninguém passava necessidade, pois tudo era partilhado e distribuído conforme a necessidade de cada um (At
4,34-35). Na primeira Carta aos Coríntios, São Paulo transmite a saudação da comunidade que se reúne na casa de Priscila e
Áquila (1 Cor 16,19). Naquela casa a Igreja escutava a convocação de Cristo celebrando os Mistérios Sagrados.

PEQUENA COMUNIDADE MISSIONÁRIA: lugar da iniciação à vida cristã

Tendo a missão como eixo fundamental, as comunidades vividas nas casas são a Casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da
Missão. A partir do encontro com a Palavra e da experiência de vida fraterna na comunidade doméstica, as pessoas
partilham suas alegrias e tristezas e como o encontro com o Senhor Jesus transformou suas vidas. É justamente esta
partilha que possibilita a introdução no processo da iniciação da vida cristã das pessoas recém-chegadas à comunidade. Por
isso a pequena comunidade é o lugar privilegiado para a iniciação à vida cristã, do cuidado para com os pobres, abertura
aos jovens e, principalmente, o anúncio do Evangelho à Família, tornando-se verdadeiramente sal da terra e luz do mundo
(Mt 5,13-14).

A casa permitiu que o cristianismo primitivo se tornasse local privilegiado para a iniciação à vida cristã. Por isso é que houve
a intenção de uma organização em pequenas comunidades, com poucas pessoas, que se conheciam e compartilhavam a
vida e a fé na mesa da refeição cotidiana. Nas primeiras comunidades a hospitalidade era aberta também a pecadores e
pagãos como forma de despertá-los para o encontro com o Senhor Jesus. Outra característica das primeiras comunidades
cristãs era a organização, a partir de uma ordem fraterna, com mulheres atuantes na sua organização e todos, homens e
mulheres, cuidadores dos membros mais fracos e pobres.
A Iniciação à Vida Cristã e a escuta à Palavra de Deus não podem ser separadas. Na pequena comunidade os catecúmenos
vivenciam a partilha do pão e, pela escuta da Palavra e testemunho dos cristãos com mais tempo de caminhada, podem
viver o querigma, catecumenato, purificação-iluminação e mistagogia. Este itinerário fundamentado na Escritura e na
Liturgia é capaz de educar para a escuta da Palavra, para a oração pessoal e para o compromisso social.

As pequenas comunidades, hoje, enquanto casa da comunhão, são chamadas a celebrar o perdão e a misericórdia do
Senhor. A experiência do amor misericordioso de Deus faz dos discípulos do Senhor embaixadores da misericórdia, abertos
ao diálogo, acolhida, compreensão e compaixão (Lc 15,11-32). Igualmente é necessário formar comunidades dispostas a
percorrer um caminho de discernimento espiritual, buscando a verdade do Evangelho.

           COMPROMISSO DA IGREJA NO BRASIL:

A Igreja no Brasil, na ação evangelizadora, assume o compromisso de formar pequenas comunidades que vivam como Casa
da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária. As pequenas comunidades que queremos devem ser espaços do
encontro, da ternura e da solidariedade, o lugar da família que têm suas portas abertas. Abrir as portas para acolher os
irmãos e as irmãs é um sinal profético que deseja mudar um mundo onde o individualismo, consumismo, medo da violência
e o predomínio das relações através de celulares tornam as casas menos vivenciais. Neste contexto, ser comunidade é, em
si, profecia.

Nossas comunidades precisam ser oásis de misericórdia no deserto da história, casas de oração profunda de mergulho no
sagrado mistério revelado pelo Amor do Pai.

Nas pequenas comunidades cristãs a afetividade, a empatia, a ternura com o irmão devem ser as marcas desta casa da
fraternidade que o Papa Francisco chama de revolução da ternura.

CONCLUINDO – Enfim, nossa ação evangelizadora pressupõe atitude discipular para escutar o que o Mestre está pedindo à
Igreja no Brasil, na certeza de que:== se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os que a constroem; ==se o
Senhor não guardar a cidade, em vão vigia aquele que a guarda (Salmo 127[126], 1).

ENCAMINHAMENTO

1- A ação pastoral junto às famílias e aos jovens deve abrir espaços para diferentes formas de vivência da mesma fé,

2- Investir em pequenas comunidades missionárias que vão além de uma pastoral de manutenção. Novos lugares, novos
horários, linguagem renovada e pastoral adequada às novas exigências da população são algumas características das
respostas esperadas.

3- Os Conselhos de Pastoral Paroquial e Comunitários e os Conselhos Missionários Paroquiais devem ser articuladores da
colhida e presença do espírito missionário nas pequenas comunidades por meio da programação, execução e revisão das
ações missionárias.

4- Valorizar a devoção mariana e outras formas de piedade popular na evangelização e missionariedade da Igreja junto às
pequenas comunidades, considerando que Maria foi a primeira missionária, que animou a comunidade primitiva com sua
presença, fé e esperança.

1. PÃO – LITURGIA: Os cristãos eram um só coração e uma só alma (At 4,32).

MUITO IMPORTANTE: ==Em qualquer realidade brasileira o modelo principal para nossa ação é e sempre será a
comunidade dos primeiros cristãos, perseverantes na escuta dos apóstolos, na comunhão fraterna, na partilha do pão, nas
orações e na missão (At 2,42; 8,4).

A credibilidade das primeiras comunidades cristãs se embasava no testemunho de comunhão e fidelidade ao ensinamento
dos apóstolos, na liturgia, na caridade fraterna assumida pela fé e comprometimento com a justiça do Reino de Deus, na
autêntica vida cristã que é missão, profecia e serviço.

A EVANGELIZAÇÃO DA IGREJA NO BRASIL

Em um mundo marcado pela violência e ódio crescentes, com a destruição como resposta aos problemas, a comunidade
cristã se torna profeta ao viver e celebrar a fraterna e solidária convivência como resposta à violência.

==A ação pastoral só terá eficácia e sustentabilidade na afeição, no bem querer, no desejo de estar juntos e de partilhar a
vida, inspirando-nos na vivência fraterna e solidárias das primeiras comunidades que celebravam e se alimentavam
espiritualmente com o Pão Eucarístico.
Por comungarmos do mesmo Pão e da mesma Palavra, somos irmãos que caminham juntos e nada que diga respeito à
alegria e à dor do outro pode nos ser indiferente (Lc 10,25-37; 16,19-31 cf Jo 3,17). Dito isto, fica claro que a Igreja no
Brasil, em sua ação evangelizadora, assim como os primeiros cristãos, assume o compromisso de formar comunidades que
vivam como Casa da do Pão Eucarístico, iluminada pela Palavra, provocadora da Caridade e da Ação Missionária. Enquanto
casa, as comunidades devem provocar o encontro, a ternura e solidariedade sempre com suas portas abertas.

CELEBRAR O QUE SE VIVE E VIVER O QUE SE REZA

Ao celebrar a liturgia, a Igreja, dirigindo-se ao Pai, recorda que Jesus sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos
pequenos e pobres, doentes e pecadores. Por isso a Igreja reza na Oração Eucarística VI-D: “Dai-nos olhos para ver as
necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos(ãs); inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e
oprimidos e fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos no serviço a eles”. Ouvindo a
“catequese litúrgica” os cristãos se abrem à dimensão da vivência dos sacramentos. Por isso que Eucaristia e Palavra são
elementos essenciais e insubstituíveis para a vida cristã (Jo 6,35).

A liturgia é o coração da comunidade e é ela que remete ao Mistério e compromisso fraterno e missionário. Em
consequência as comunidades cristãs precisam valorizar o domingo, o Dia do Senhor, o dia em que a família cristã se reúne
para o encontro com Cristo. Por isso, no dia do Senhor, as portas das Igrejas devem estar abertas com equipes de acolhida
de prontidão. Necessário também é criar horários celebrativos alternativos para acolher e atender as pessoas com agendas
diferenciadas. Favorecer a celebração da Palavra onde a celebração Eucarística não for possível. Destaque deve ser dado
para as equipes de liturgia que devem preparar com amor e afinco as celebrações com leituras bem proclamadas, homilias
bem feitas e qualidade dos cânticos.

É URGENTE: == promover uma liturgia que possibilite o verdadeiro encontro com Jesus Cristo, evitando-se ações litúrgicas
frias ou demasiadamente subjetivistas e emotivas. As celebrações devem ter os pés firmados na realidade da vida das
pessoas levando-as a mergulhar no mistério de Deus.

ENCAMINHAMENTOS:

1- Resgatar o Domingo como o Dia do Senhor. 

2- É preciso que as celebrações contemplem as esperanças, alegrias, tristezas e derrotas da comunidade em sua realidade
sócio-política.  

3- Incentivar a piedade popular como caminho de aprofundamento da fé e não apenas como realidade cultural ou
folclórica. 

4- Valorizar o canto litúrgico, o espaço sagrado e tudo o que diz respeito ao belo serviço à vida espiritual. Incentive-se a
comunhão entre as pastorais litúrgicas e a Catequese. 

5- Zelar pela qualidade das homilias.

1. PALAVRA

==A Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela (Jo 1,14). Por isso a Sagrada Escritura precisa estar sempre
presente nos encontros, nas celebrações e nas mais variadas reuniões.

IMPORTANTE:== Não devemos esquecer que a Igreja, sacramento universal da salvação anuncia sempre o mesmo
evangelho. E dialoga a partir da Palavra de Deus com a realidade à qual é enviada para evangelizar. Só a partir deste diálogo
ela é capaz de fazer com que a Boa Nova chegue aos corações das pessoas, às estruturas sociais e às diversas culturas.

No momento atual a conversão pastoral, diálogo da comunidade com a realidade a ser evangelizada, se apresenta como
desafio irrenunciável. Esta conversão pastoral se realiza na formação de pequenas comunidades cristãs que se deixam
tocar pela Palavra nos mais variados ambientes, sendo sempre casas da Palavra, do Pão, da Caridade e abertas
constantemente à missão que possibilita o crescimento na fé e consequente comunhão fraterna e engajamento de seus
membros para a transformação social. A Palavra revela que a vivência cotidiana do amor fraterno e solidário em
comunidade constitui forma privilegiada de testemunho cristão (Jo 13,35; At 2,44-47; 4,32).

Rompendo com a “pastoral de conservação” e tocada pelo diálogo entre a Palavra e a realidade a ser missionada, as
comunidades cristãs se tornam oásis de misericórdia no deserto da história, casas de oração profunda de mergulho no
sagrado mistério revelado pelo Amor do Pai. Comunidades que fazem o processo da conversão pastoral deixam de lado
toda burocratização que afasta, assim como abandona a aparência de empresa que presta serviços religiosos. Estas
comunidades assumem o compromisso de serem instrumentos de transformação da vizinhança em lugar do encontro com
Deus.

O encontro com Deus se dá na celebração cheia de vida, no silêncio que permite a escuta reveladora da plena beleza de
Deus. O encontro com Deus é também intermediado pelo encontro com o irmão que tem nome, história, dores, alegrias,
sonhos, conquistas e deseja ser acolhido, tornando-se presença significativa na vida da comunidade. Este cuidado mútuo é
que santifica cada membro porque o amor torna real a presença do Ressuscitado.

A PALAVRA É QUE TRANSFORMA A VIDA COMUNITÁRIA

O livro dos Atos dos Apóstolos relata que os cristãos, nas casas ouviam a Palavra e, iluminados por ela, discerniam a
experiência da vida em Deus, conscientes de que a fé provém da escuta (Rm 10,17). É indispensável, pois, a leitura orante
comunitária da Palavra de Deus que evita o risco de uma abordagem individualista, tendo presente que a Palavra de Deus
nos é dada precisamente para construir a comunhão. Sendo Palavra que se dirige a cada pessoa, é também palavra que
constrói comunhão da Igreja.

O contato intensivo, vivencial e orante com a Palavra de Deus confere à pequena comunidade um caráter de formação
discipular. O Evangelho passa a ser critério decisivo para o discernimento em vista da vivência cristã.

Na comunidade, em torno da mesa Eucarística, vive-se uma verdadeira vida de oração, enraizada na Palavra de Deus. Assim
é que tomam consciência de que são colaboradores de Deus na missão e são impelidos a saírem ao encontro das pessoas e
à prática da misericórdia.

VIVER A PALAVRA HOJE –

Atualmente, diante da complexidade urbana e mudança de época, retoma-se a indicação do Documento de Aparecida
sobre as pequenas comunidades cristãs, consideradas o ambiente propício para escutar a Palavra de Deus, viver a
fraternidade, animar a oração, aprofundar processos de formação continuada da fé, fortalecer o firme compromisso do
apostolado na sociedade de hoje (DAp n. 309; At, 2,42-47; 4, 32-37).

A partir do encontro com a Palavra e experiência de vida fraterna da comunidade reunida na casa, pessoas, antes distantes
da vida da Igreja e que foram atraídas pelo testemunho dos cristãos, podem ser introduzidas no processo da iniciação da
vida cristã.

==A Palavra de Deus não é de forma alguma letra morta. Ela entra na mente, toca o coração, nutre o espírito e transforma
a vida tornando o critério da experiência comunitária e da ação missionária. ==Através da sua Palavra, Deus convoca os
cristãos das mais variadas denominações a se unirem, buscando na prática ecumênica caminhar na superação do escândalo
da divisão.

ENCAMINHAMENTOS:

1- Revisar, a partir dos desafios do mundo urbano, o dinamismo das comunidades cristãs missionárias, possibilitando que o
anúncio de Jesus Cristo transforme pessoas, famílias, ambientes, instituições e estruturas sociais.   

2- É preciso apresentar o querigma de forma constante, mesmo para pessoas que já tenham recebido os três sacramentos
da iniciação cristã.   

3- Sem ser só teoria, o anúncio precisa possibilitar experiências concretas da vida cristã a partir do relacionamento fraterno
(At 2,4-5), diante de um forte contexto de individualização e consumo, inclusive religioso. 

4- Incentivar iniciativas ecumênicas (denominações cristãs) de encontros fraternos e de formação bíblica em nossas
comunidades.

5- Facilitar o acesso à Bíblia para as pessoas tornando-a fonte de estudo, oração, celebração, etc.

6- Assumir a leitura orante da Palavra como método por excelência. 

7- Implantar centros de estudo sobre a Palavra de Deus tais como Escola da fé Paroquial ou Escolas de Teologia Paroquial e
Diocesana. 

 CARIDADE – primeiro testemunho missionário

==O serviço da caridade é dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria essência.
A credibilidade das primeiras comunidades se embasava no seu testemunho de comunhão que se exprimia na fidelidade ao
ensinamento dos apóstolos, na liturgia celebrada, na caridade fraterna, no martírio assumido pela fé e comprometimento
com a justiça do Reino de Deus, na autêntica vida cristã que se faz missão, profecia e serviço.

O Papa Francisco insiste numa Igreja pobre para os pobres. Atendendo ao Para Francisco a Igreja será casa dos pobres
como proclamou São João Paulo II ao afirmar que os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho.

Na Sagrada Escritura a misericórdia é a palavra chave para indicar o agir de Deus para conosco. A misericórdia é critério de
credibilidade para a nossa fé, pois a credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo de
Deus.

Devemos destacar que a misericórdia é a compreensão diante das fraquezas do próximo. A caridade é ação, que movida
pela misericórdia, se volta para o próximo apesar de suas fraquezas. É a misericórdia que nos torna caridosos mesmo para
com aquelas pessoas que nos fizeram algum mal (Lc 6,28-31)

A vivência do amor fraterno e solidário em comunidade constitui uma forma privilegiada de testemunho cristão (Jo 13,35;
At 2,44-47; 4,32). A vida fraterna em pequenas comunidades – abertas e acolhedoras, misericordiosas e caridosas–
constitui fundamento sólido para o testemunho da fé, que faz brilhar a Palavra de Jesus através da caridade que é ir ao
encontro dos sofredores e ter capacidade de perdoar para manter a unidade da comunidade cristã.

VIVER A CARIDADE A PARTIR DA EUCARISTIA

Jesus sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, doentes e pecadores. Por isso a Igreja reza em
sua liturgia (Oração Eucarística VI-D): “Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos(ãs);
inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos e fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu
mandamento, nos empenhemos no serviço a eles.

Saber chorar com os outros é santidade. Não sejamos Igreja que não chora diante dos dramas dos seus filhos. Nós
queremos chorar para que a sociedade também seja mais maternal para que, em vez de matar, aprenda a dar à luz.

A Igreja anuncia o Evangelho da Paz, que é Jesus Cristo em pessoa e proclama o que ele nos mandou: “aprendei a fazer o
bem, buscai o direito, socorrei ao oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,17).

OUTRAS FACES DA CARIDADE POUCO REFLETIDAS

1- A evangelização do mundo urbano precisa também ser solidária com quem sofre as consequências do desemprego e do
trabalho precário. Esta é uma expressão importante de caridade, devendo se manifestar pela atuação organizada dos
cristãos leigos e leigas para ajudar quem assim sofre.

2- A Caridade também se expressa na atuação política dos cristãos e das comunidades. A boa política é instrumento
privilegiado para viver a caridade que promove a paz e os direitos humanos fundamentais. A omissão neste campo traz
consequências para a ação transformadora na Igreja e no mundo (CNBB Doc 105 cap. III).

3- A Igreja, diante da crescente propagação de novas formas de segregacionismo e racismo é conclamada a ser testemunha
do amor de Cristo e a cumprir e inspirar gestos que possam contribuir para construir sociedades fundadas no princípio da
sacralidade da vida humana e no respeito pela dignidade de cada pessoa, na caridade, na fraternidade e na solidariedade.

ENCAMINHAMENTOS

1- Contrapondo ao individualismo a Igreja é chamada à solidariedade aos que sofrem – Igreja como a imagem do Bom
Samaritano (Lc 10, 25-37). 

2- A pastoral junto às famílias e jovens deve estar presente em todas as comunidades, abrindo-espaços para diferentes
formas da vida da mesma fé,

3- Devemos ter atenção para com as inúmeras e novas formas de sofrimentos e exclusões – pois, em cada irmão que sofre,
é o Senhor sofrendo nele.

4- Criar grupos de apoio às vítimas da violência, especialmente dependentes químicos, as que perderam entes queridos em
razão da violência etc.
5- Encorajar leigos a continuar o empenho apostólico, inspirado na Doutrina Social da Igreja, pela transformação da
realidade a partir do engajamento consciente em todas as realidades temporais: política partidária, pastorais sociais,
conselhos paritários, cuidado com a natureza, etc.

6- Contribuir para o resgate do espaço público das cidades como local da vivência da plena cidadania.

7- Colocar como uma das prioridades da comunidade cristã o cuidado com o meio ambiente, quem sabe implantado a
Pastoral da Ecologia.

8- Em um mundo que está todo em movimento, a questão migratória tem que ter atenção das comunidades cristãs.

9- Assumir como prioridade a promoção da paz, favorecendo a unidade das pessoas nos Conselhos de Segurança, ajudando
nas reconciliações, etc.

10- A comunidade cristã deve ser a voz dos que clamam por vida digna. Terra, trabalho e teto são três palavras chave,
expressão das preocupações do Papa Francisco com a situação dos excluídos do mundo contemporâneo.

11- Firmar e fortalecer, a partir da identidade cristã, as iniciativas de diálogo ecumênico e inter-religioso, empenhados na
defesa dos direitos humanos e na promoção de uma cultura de paz e caminhar decididamente para formas comuns de
anúncio, de serviço e de testemunho.

COMPROMISSO DA IGREJA NO BRASIL:

A Igreja no Brasil, na ação evangelizadora, assume o compromisso de formar pequenas comunidades que vivam como Casa
da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária. As pequenas comunidades que queremos devem ser espaços do
encontro, da ternura e da solidariedade, o lugar da família que têm suas portas abertas. Abrir as portas para acolher os
irmãos e as irmãs é um sinal profético que deseja mudar um mundo onde o individualismo, consumismo, medo da violência
e o predomínio das relações através de celulares tornam as casas menos vivenciais. Neste contexto, ser comunidade é, em
si, profecia.
3º SUBSÍDIO - LEITURA RÁPIDA –DO DOCUMENTO 109 (NOVAS DIRETRIZES 2019 – 2023)
A preocupação da Igreja, com as novas diretrizes, não é com a quantidade, mas com a qualidade de cristãos que, tendo
feito a experiência do encontro com Cristo, sejam testemunhas da alegria no mundo carente de sentido.  O eixo
fundamental das novas diretrizes é a recuperação do sentido da casa da Misericórdia onde moram também a Comunhão e
a Caridade. “A imagem da casa da Misericórdia tem um sentido pedagógico e é entendida como lar e espaço de vida”. A
casa, no texto das diretrizes, é entendida como comunidade eclesial missionária sustentada por quatro pilares:

Primeiro Pilar: A Palavra – que aprofunda a iniciação à vida cristão e a iniciação bíblica e a ideia de ter comunidades
fundadas em torno da palavra;  
Segundo Pilar: O Pão – que aprofunda a liturgia e a busca por viver a espiritualidade rumo à santidade que nos leva,
obrigatoriamente, ao encontro do outro;
Terceiro Pilar: A Caridade – Baseado no que disse Paulo VI na ONU: “Que a Igreja é especialista em humanidade”, o texto
das diretrizes aponta a necessidade das comunidades se preocuparem com os que mais sofrem e a defesa da vida em todos
os sentidos. 
Quarto Pilar: A ação Missionária – A exemplo do que pede o papa, o sentido da comunidade se realiza quando ela sai em
missão e vai ao encontro das periferias existenciais.

Como pensar a Igreja no Brasil, um país continental? Por isto é necessário ter um parâmetro. O Parâmetro será a realidade
urbana.  E a área rural? – Perguntará alguém. A resposta é que aonde chega a energia e a internet hoje chegam os valores
do mundo urbano, trazendo junto os valores do individualismo e a solidão, que gera também suicídios que é um grande
apelo à atuação da Igreja.

O ponto central das novas diretrizes é a proposta de uma experiência de Igreja que seja comunitária em oposição a uma
fé que é vivida de forma “privatizada”. A ideia do humanismo integral e solidário, presente na Doutrina Social da Igreja, é
expressa nas diretrizes nos desafios que falam de uma sociedade mais justa e fraterna.

CAPÍTULO 1 – O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo


Jesus percorria todas as cidades e povoados ensinando em suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino (Mt 9,35)
10. O mundo urbano atual é lugar da presença de Deus, espaço aberto para a vivência do Evangelho e a consequente
coexistência fraterna: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estarei, no meio deles” (Mt 18,20)
11. Inserida na vida de pessoas e povos, a Igreja busca escutar suas angústias e alegrias, interpelando seus contra valores.
Por isso ela anuncia e testemunha o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus. O testemunho e o anúncio rejuvenescem a
Igreja.
1.1 FIDELIDADE A JESUS CRISTO, MISSIONÁRIO DO PAI
12. “Para mim, de fato, o viver é Cristo” (Fl 1,21). Somos todos convidados a renovar o encontro pessoal com Cristo. Esse
encontro provoca uma conversão de vida que leva à convivência na comunidade cristã que impele os
discípulos/missionários a saírem em missão.
13. O anúncio de Cristo tem como horizonte e centro de sua vida e a pregação o Reino De Deus. (1Cor 3,9;1Ts3,2)
14. (Por isso) não se pode conceber Cristo sem o Reino que Ele veio trazer. A missão que a Igreja recebeu requer o
compromisso de construir com Cristo este Reino de amor, justiça e paz para todos.
15. A compreensão deste princípio fundamental torna atraente o Evangelho e sua mensagem, sal da terra e luz do mundo
(Mt 5,14). Não é a capacidade humana do evangelizador que torna atraente o anúncio, mas sim a ação da graça que
ilumina aquele que anuncia o Reino de Deus.
16. Temos que ter a certeza de que o dom da graça ultrapassa as capacidades da Inteligência e as forças da vontade
humana.
17. A experiência dessa graça, deste amor gratuito e transformador gera a fraternidade nas comunidades de fé fortalecidas
pela vida de oração e em estado permanente de missão que sai ao encontro das pessoas chegando mesmo às
encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos.
18. Dois verbos marcam a relação de Jesus com os discípulos: “vinde” e “ide”. Jesus chama os discípulos para estarem
consigo e também os envia em missão. As primeiras comunidades acolherem esta integração entre a experiência
comunitária da fé e a ação missionária (At 5,42; 12,1-5).
1.2 – IGREJA: comunidade de discípulos missionários de Cristo
19. A Igreja é a comunidade dos discípulos missionários de Jesus Cristo, que é a luz única para pessoas e povos (Jo 14,6 ; 1Jo
1,3-4). A Igreja é consciente de que é enviada ao mundo para evangelizar e testemunhar, com entusiasmo e esperança, que
a plenitude de vida, experimentada na comunidade fraterna, é dádiva oferecida por todas as pessoas.
20. A experiência do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, dom salvífico para toda a humanidade, acontece através
da mediação dos outros (Rm 10,14). Sabedores de que somos todos peregrinos neste mundo, torna-se urgente superar –
pelo testemunho do amor fraterno – o escândalo da divisão entre os seguidores de Jesus através do respeito, do diálogo
para realizar a oração de Jesus: “Pai, que todos sejam um, para que o mundo creia” (Jo 17,21).
1.3- MISSÃO: anúncio que se traduz em palavras e gestos
21. Com as palavras: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei” (Mt 28,19-20ª), Jesus conferiu aos discípulos/missionários uma
identidade que os projeta para além de si, na comunhão com a Santíssima Trindade, em favor do mundo inteiro, por meio
do testemunho, do serviço e do anúncio do Reino de Deus.
22. A missão da Igreja tem sua fonte e origem em Deus mesmo (Jo 3,16; Jo 1,14; Fl 2,5; 2 Cor 8,9; Jo 20,22-23). Esta obra
reconciliadora no decurso do tempo humano foi confiada aos Apóstolos e à Igreja. E é o Espírito Santo quem permanece o
sujeito protagonista transcendente da realização dessa obra, no espírito do homem e na história do mundo.
23. A missão da Igreja sempre parte do encontro com Cristo e a Ele conduz. Por isso esta missão não pode ser
compreendida como um negócio, um projeto empresarial ou uma organização humanitária. A missão é a partilha de uma
alegria que deve atrair as pessoas especialmente através da solidariedade.
24. A vida fraterna em pequenas comunidades – abertas e acolhedoras, misericordiosas que, pelo espírito missionário, vão
ao encontro dos sofredores e, pelo espírito da Caridade, mantem a unidade pelo perdão mútuo. Somente unidos pela
caridade os cristãos podem sair em missão.
25. Por isso o serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria
essência.
26. Na Sagrada Escritura a misericórdia é a palavra chave para indicar o agir de Deus para conosco. Por isso a Igreja tem a
missão de anunciar a misericórdia de Deus. A misericórdia é critério de credibilidade para a nossa fé, pois a credibilidade da
Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo de Deus.
1.4 CULTURA URBANA: desafio à missão
27. Quando diz “ide” (Mc 16,15), Jesus nos aponta a origem trinitária da missão. A cada época há desafios específicos para
obedecer ao “Ide”. Nos dias atuais, há o relativismo que retira a forma da essência dos valores humanos, tornando-os
adaptáveis aos “quereres” de cada pessoa (liquidez dos valores) o que induz ao indiferentismo diante dos sofrimentos de
outros.
28. Nosso mundo vai se tornando cada vez mais urbana cuja cultura relativista acirra ainda mais o individualismo. Isso
acontece não só porque as pessoas tendem a residir nas cidades, mas também porque a mentalidade do ambiente da
cidade (relativista e individualista) se espalha até pelos rincões mais distantes através dos meios de comunicação.
29. As cidades atuais são ambientes onde as pessoas escolhem caminhos para o sentido de suas vidas e fazem estas
escolhas motivadas pelo imediatismo de forma diversificada e fragmentada. São cidades diferentes das de outras épocas,
exigindo, portanto, que a ação evangelizadora leve em conta sua complexidade.
30. O olhar missionário identifica nas cidades de hoje muitas formas de sofrimento: desemprego, pobreza, condições
precárias de trabalho e moradia, falta de saneamento básico, violência, solidão. Como evangelizar e ser missionário neste
ambiente?
31. Quando a Igreja fala em evangelização da cultura urbana, não se trata de propagar aleatoriamente a Boa Nova, mas de
fazer com que este anúncio atinja e possa modificar, pela força do Evangelho, a realidade do sofrimento das pessoas.
32. Os discípulos missionários são convocados a escutar e compreender a mentalidade urbana atual. As cidades, embora
algumas vezes consideradas assustadoras, devem ser vistas como um ambiente a ser contemplado na busca dialogal por
perceber Deus já presente no meio delas.
1.5 – Comunidades eclesiais missionárias no contexto urbano
33. No momento atual a conversão pastoral se apresenta como desafio irrenunciável. Esta conversão pastoral se realiza na
formação de pequenas comunidades cristãs missionárias, nos mais variados ambientes, para serem casas da Misericórdia
alimentadas pela Palavra, o Pão e a Caridade sempre abertas à missão. Esta abertura missionária é que possibilita o
crescimento na fé e consequente comunhão fraterna e engajamento de seus membros para a transformação social.
34. É importante que estas pequenas comunidades estejam em profunda comunhão com a Paróquia e que os
coordenadores recebam formação.
35. Nas pequenas comunidades muitas pessoas podem encontrar o ambiente para partilhar suas angústias, alegrias e
necessidades que podem ser supressas pela Igreja. A grande comunidade só pode romper com o anonimato das pessoas –
que sentando próximas, não se conhecem – através das atividades das pequenas comunidades.
36. A formação de pequenas comunidades missionárias – como prioridade da ação evangelizadora possibilita aos cristãos
leigos (as) a participação na Vida da Igreja Particular para que vivam de forma responsável sua vocação e missão. Podem os
cristãos, nas pequenas comunidades, receber formação adequada e permanente para o seu ministério e por isso são
espaços propícios para o crescimento espiritual através da partilha da experiência de fé e da fidelidade a Cristo e a seu
Evangelho.
37. É importante ter presente o que indica o Papa Francisco a respeito dos tipos de pessoas (interlocutores) que os
missionários podem encontrar: a- os que frequentam regularmente a comunidade e os que conservam a fé católica,
mesmo sem participar assiduamente (devem ser despertados ao compromisso cristão); b- os que foram batizados, porém,
não vivem mais de acordo com a sua fé (devem ser chamados à conversão); c- os que não conhecem Jesus Cristo ou que o
recusaram (têm o direito de receber o Evangelho como partilha da alegre experiência do encontro com Jesus Cristo).
38. Importa evangelizar não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital,
chegando às raízes das culturas. Inculturar o Evangelho é anunciar a Boa Nova para que este anúncio provoque uma nova
síntese com a cultura onde o anúncio se faz.
39. Todo o povo de Deus deve ter participação ativa na vida e na missão da Igreja, exercendo os diversos e específicos
ministérios e carismas, unidos todos na energia do único Senhor (1 Cor 15,45).
40. Sabemos bem que a vida com Jesus se torna plena e, com Ele, é mais fácil encontrar o sentido para a vida. É por isso
que evangelizamos.

CAPÍTULO 2 – Olhar de discípulos missionários


2.1 – Contemplar para sair em missão em um mundo que se transforma
41. A Igreja, sacramento universal da salvação anuncia sempre o mesmo evangelho. E dialóga a partir da Palavra de Deus
com a realidade à qual é enviada para evangelizar. Só a partir deste diálogo ela é capaz de fazer com que a Boa Nova
chegue aos corações das pessoas, às estruturas sociais e às diversas culturas.
42. A Igreja como discípula missionária sempre procura compreender o que está ocorrendo à sua volta. Sabe que o
ressuscitado a envia ao mundo repleto de luzes e sombras. E se pergunta: Em que aspectos o atual momento histórico
interpela o modo de viver a sua missão?
43. Estamos em uma mudança de época. Estão em mudança as compreensões a respeito da vida, de Deus, do ser humano,
da família e de toda realidade. Neste sentido preocupa a difusão da ideologia de gênero, que ignora e subverte a inviolável
compreensão do que seja o ser humano, atingindo o próprio futuro da família, célula mãe da sociedade.
44. Os rumos do futuro desta época de mudança ainda estão em aberto. Por isso buscamos compreendê-la para melhor
interagir, em vista do crescimento do Reino de Deus. Esta é a missão de toda a Igreja.
45. Em um mundo que se torna cada vez mais urbano, cresce o papel das grandes cidades. Por isso a ação evangelizadora
deve estar ainda mais atenta aos efeitos da urbanização sobre as pessoas, grupos e sobre a sociedade como um todo.
2.2. Uma cidade onde Deus habita
46. O discípulo missionário reconhece a presença amorosa de Deus entre as pessoas que o adoram e vivem nas cidades.
Aliás, o mundo vai se tornando uma grande cidade onde, mesmo os mais distantes pontos do planeta, principalmente em
decorrência do influxo dos atuais meios de comunicação, influem no comportamento das pessoas.
47. A fé nos ensina que Deus vive na cidade, em meio a suas alegrias, desejos e esperanças, como também em meio a suas
dores e sofrimentos. Cabe à Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, contemplar esta realidade, distinguindo nela o que esse
mesmo Espírito já está dizendo e fazendo (Ap 2,7.11.17.29), identificando as sombras que negam o Reino de Deus e as
luzes, sinais do que o próprio Senhor está realizando.
48. Existem muitos modos de compreender as cidades e com elas interagir. Como evangelizadores, preocupam-nos, acima
de tudo, os critérios de julgar, os valores escolhidos, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes
inspiradoras e os modelos de vida da humanidade. A partir destes aspectos, olhamos para cada pessoa, em especial a que
sofre, nela enxergando o Cristo Senhor (Mt 25,40) e, por isso, agindo firmemente em vista da superação de todo
sofrimento.
2.3- A vida na grande cidade mundial
49. Há séculos o mundo é atingido por processos sociais e culturais que acentuam a dimensão individual da existência. É
certo que cada pessoa possui uma dignidade irrenunciável e insubstituível, fruto da ação criadora de Deus. Por outro lado,
o destaque da dimensão do indivíduo não pode diminuir a fraternidade e a comunhão entre as pessoas. Quando isso
acontece surgem atitudes de agudo individualismo, onde as outras pessoas só têm valor e contam enquanto são úteis e
capazes de produzir e oferecer algo.
50. A redução da função social do Estado fere a dignidade das pessoas e enfraquece o exercício dos direitos humanos.
Idosos, crianças, adolescentes, enfermos, deficientes ou pessoas com pouca escolaridade são aquelas cada vez mais
desprotegidas socialmente. O Estado se distancia destas pessoas e se aproxima mais e mais dos interesses do mercado.
Modifica-se ao mesmo tempo o papel tradicional da família e da comunidade na transmissão dos valores humanos e
cristãos. O grande valor apregoado é a produção e geração de riquezas.
51. O grande valor apregoado é o consumo desenfreado. As pessoas passam a ser avaliadas em virtude de sua capacidade
de participar dos mecanismos do mercado como efetivas consumidoras.
52. Essa individualização consumista da vida está diretamente ligada a diversos fenômenos que nos assustam cada dia
mais. Corruptos que pensam somente em seus próprios interesses. Traficantes que destroem pessoas e famílias, buscando
recursos para consumos desenfreados. A busca pela legalização da morte de quem ainda nem nasceu e o aumento do
número dos grupos de extermínio na busca pelo conforto de indivíduos. Tudo isso chega às portas dos hospitais públicos
sem recursos para atender à demanda de pessoas fora do núcleo consumista. As cidades são divididas em áreas: algumas
controladas pelo Estado de Direito e outras pelo poder paralelo. Neste sentido é que se pode afirmar que individualismo e
violência são dois lados da mesma moeda.
53. O individualismo enfraquece muitas instituições. Aquela mais afetada é, sem dúvida, a família. Quando o que importa é
somente o indivíduo e seus “quereres”, a vida familiar já não importa. Esse é o grande desafio da evangelização: enfrentar
uma mentalidade que afirma claramente ser a família uma realidade ultrapassada.
54. Outra marca do nosso tempo é a pluralidade, que é uma coisa boa na medida em que permite à pessoa exercer o dom
da liberdade nas suas escolhas. Porém, quando a pluralidade é assumida a partir do individualismo consumista, não se
pensando mais nos outros ou no planeta, os resultados são catastróficos.
55. Entristece ver que, em um mundo de individualismo consumista, até mesmo a religião é, às vezes, assumida sob a ótica
comercial e da prosperidade financeira (Jo 12, 2-17; Lc 9, 53-55).
56. O combate do cristão é sempre ao pecado pessoal e social. O empenho é sempre pela paz. Neste sentido, somos
convocados a utilizar expressões e manifestações religiosas marcadas pela fraternidade, perdão e amor, que não são
instrumentalizadas para justificar mais violência.
57. As grandes cidades são ainda locais de alta mobilidade. A vida já não acontece mais em um único local. Isso é luz, na
medida em que as pessoas se encontram com diferentes modos de lidar com a vida. Mas, são sombras, quando a
mobilidade é forçada, como para as pessoas em situação de rua. Os refugiados, especialmente nas áreas pressionadas pelo
mercado imobiliário ou outros interesses econômicos.
58. Um mundo marcado pelo individualismo consumista gera enormes desigualdades sociais, com excluídos para os quais
não existe alternativa ou esperança de viver a não ser no próprio Deus que lhes ouve o clamor (Lc 10, 31-37). = Não é
autêntica a experiência religiosa que não se concretiza na solidariedade.
59. A pobreza se alarga desde a fecundação até a morte natural. A crise do sentido existencial gera a desesperança,
esgotamento existencial, depressão, chegando até ao suicídio, realidade que ninguém está isento, nem mesmo ministros
religiosos.
60. A pobreza se alarga, enfim, para o modo como lidamos com o planeta e seus recursos. A degradação ambiental está
diretamente ligada à degradação social. O gemido da irmã terra se une ao gemido dos abandonados do mundo, um
lamento que reclama de nós outro rumo.
61. As conquistas tecnológicas e científicas são inegáveis, mas não podem isentar os dirigentes do cuidado com o planeta.
Por isso é urgente repensar a exploração da natureza, como exemplo, a mineração que tem gerado tantas mortes. Esses
elementos geram uma verdadeira dívida ecológica que lança profundos questionamentos à evangelização e presença da
Igreja nos cenários urbanos.
62. Em meio a tudo isso se percebe o desafio experimentado pelos jovens. Os jovens movem-se entre abordagens tão
extremas quanto ingênuas. Muitos são induzidos a pensar que o destino social já foi escrito e não pode ser modificado.
Também são motivados a uma ação competitiva sem fim, desordenada e violenta.
63. Diante da aguda fragilidade de referências, a verdade é relativizada e individualizada. Tudo fica à mercê da demanda
oportunista do mercado. Valores como honestidade, integridade e abnegação correm o risco de serem absorvidos pela
mentalidade de só pensar em si, sem se preocupar com as consequências para o futuro e mesmo para o presente. A busca
pelo dinheiro com vistas ao consumo fica desprovida da ética e da função social.
64. Vivemos em um sistema social e econômico que é injusta em sua raiz. É o mal cristalizado nas estruturas sociais injustas
que, em si mesmas, geram exclusão.
65. Em todo o mundo, e também no Brasil, vive-se um tempo em que se faz necessário redescobrir os caminhos da
democracia, que tem os olhos voltados para o bem comum, respeito às diferenças e à liberdade de expressão e,
principalmente, a preocupação para com os mais frágeis.
66. Devemos lembrar-nos de que peregrinamos juntos, cristãos e membros de outras religiões. Por isso devemos abrir os
corações ao companheiro de estrada, sem medos nem desconfianças e olhar primariamente para o que procuramos: a paz
no rosto do único Deus.
2.4- O Senhor está no meio de nós
67. Em meio a esta complexa conjuntura, pela fé, reconhecemos o Senhor presente e atuante junto a nós (Jo 14,18). Se por
um lado constatamos a expansão da mentalidade individualista e consumista, por outro verificamos também atitudes
culturais de resistência, que valorizam mais as pessoas que o consumo, mais a obediência a Deus que adesão às tendências
e modismos do momento presente (At 5,29).
68. A luz do Senhor se manifesta também nos esforços por compreender o mundo das cidades e sua influência sobre a vida
de todo o país e do planeta. As conclusões do 14º Intereclesial das CEBs nos convidam a olharmos com alegria e esperança
todas as iniciativas que se voltam para as cidades, buscando compreender seu jeito de pensar, sentir e agir, nelas
intervindo com o óleo da solidariedade que cura as feridas (Lc 10,34), com a palavra profética que interpela e chama à
conversão (Mq 3,3) e com o anúncio do Evangelho a quem nunca o ouviu ou dele se esqueceu.
69. Os Documentos da CNBB, diretamente ligados à urgência da ação evangelizadora, têm impulsionado as Igrejas
particulares a darem passos rumo a um estilo novo de evangelizar.
70. Reconhecendo o bem que tem feito ao longo da história, o que se convencionou chamar de pastoral de conservação,
somos atualmente interpelados a perceber que não é mais possível continuar somente com este modelo pastoral.
71. Este breve olhar sobre a atual realidade do Brasil mostra que a ação evangelizadora necessita investir ainda mais no
discipulado e na missionariedade. O discipulado implica deixar-se encontrar pelo Senhor e com ele estar (Mc 8,13-15) e
formar comunidade com os outros discípulos e discípulas (At 2, 42-47). As luzes que se enxergam na ação da Igreja são as
pessoas que não medem distância para o encontro entre as comunidades. As sombras, entretanto, ainda existentes, são a
falta de diálogo entre as paróquias e também entre suas comunidades. O fechamento de pastorais só nos seus interesses
imediatos ou a pouca motivação destas em assumir os desafios de ir ao encontro das periferias sociais e existenciais,
buscando somente uma religiosidade difusa e consumista.
72. Em meio a tudo isso, o discípulo missionário afirma: Deus habita a cidade, isto é, Ele está no meio de nós (Mt 28,20).  Se
a realidade se manifesta embaçada, com dores que parecem invencíveis, os discípulos missionários reconhecem,
testemunham e anunciam que o Senhor não está inerte, que Ele não nos abandonou à própria sorte. Pela força do seu
Espírito, o Reino anunciado por Jesus se faz presente como a pequena semente que pode chegar a transformar-se numa
grande árvore, como um punhado de fermento que leveda uma grande massa e, como a boa semente que cresce no meio
do joio. Por isso não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é urgente ir em todas as direções
para proclamar que o amor é mais forte.

CAPÍTULO 3 – A igreja nas casas


3.1 – A casa da comunidade
73. A casa enquanto espaço familiar foi um dos lugares privilegiados para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores
com diversas pessoas. Nas casas Ele curava e perdoava os pecados (Mc 2,1-12), partilhava a mesa com publicanos e
pecadores (Mc 2,18-22), refletia sobre assuntos importantes como o jejum (Mc 2,18-22), orientava sobre o comportamento
na comunidade (Mc 9,33ss; 10,10) e a importância de se ouvir a Palavra de Deus (Mt 13,17.43).
74. Os encontros de Jesus, ao longo do seu caminhar, criam oportunidades para experiências que reforçam e alargam as
relações fraternas e comunitárias nos ambientes domésticos por onde ele passa (Mt 8,14; Lc 10,38-42; Lc 19,1-10). A casa é
assim assumida como lugar para cultivo e vivência dos valores do Reino.
75. Os discípulos de Jesus reuniam-se nas casas, a exemplo do Cenáculo, onde eles se encontravam no dia de Pentecostes
(At 2,1-3).
76. A Igreja nas casas, na experiência dos primeiros cristãos, garantia o senso de pertença à família de Deus (Mc 3,31-35), já
não importando ser judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, mas somente ser de Cristo (Cl 3,11; Gal 3,28).
Entre eles ninguém passava necessidade, pois tudo era partilhado e distribuído conforme a necessidade de cada um (At
4,34-35).
77. As comunidades que se reuniam nas casas eram organizadas, a partir de uma ordem fraterna, com participação ativa
das mulheres, e cuidado especial para com os membros mais fracos e pobres.
78. Na primeira Carta aos Coríntios, São Paulo transmite a saudação da comunidade que se reúne na casa de Priscila e
Áquila (1 Cor 16,19). Naquela casa a Igreja escuta a convocação de Cristo celebrando os Mistérios Sagrados.
79. O estilo de vida dos cristãos não tinha como finalidade o isolamento, mas a responsabilidade de favorecer um
testemunho capaz de atrair outras pessoas (1 Cor 14,23; 1 Ts 4,12).
80. A casa permitiu que o cristianismo primitivo se organizasse em pequenas comunidades, com poucas pessoas, que se
conheciam e compartilhavam a mesa da refeição cotidiana. A hospitalidade era aberta também a pecadores e pagãos.
81. A credibilidade da comunidade se embasava no seu testemunho de comunhão que se exprimia na fidelidade ao
ensinamento dos apóstolos, na liturgia celebrada, na caridade fraterna, no martírio assumido pela fé e comprometimento
com a justiça do Reino de Deus, na autêntica vida cristã que se faz missão, profecia e serviço.
3.2 – COMUNIDADE DE COMUNIDADES
82. Atualmente, diante da complexidade urbana e da mudança de época, retoma-se a indicação do Documento de
Aparecida sobre as pequenas comunidades eclesiais, consideradas o ambiente propício para escutar a Palavra de Deus,
viver a fraternidade, animar a oração, aprofundar processos de formação continuada da fé, fortalecer o firme compromisso
do apostolado na sociedade de hoje (DAp n. 309; At, 2,42-47; 4, 32-37).
83. Tendo a missão como eixo fundamental, essas comunidades são configuradas como a Casa da Palavra, do Pão, da
Caridade e da Missão. É também o lugar privilegiado para a iniciação à vida cristã, do cuidado para com os pobres, abertura
aos jovens e, principalmente, o anúncio do Evangelho à Família, tornando-se verdadeiramente sal da terra e luz do mundo
(Mt 5,13-14).
84. As pequenas comunidades eclesiais missionárias devem se configurar como verdadeira rede, em comunhão com a
Paróquia e a Diocese.
85. A participação na mesma celebração da Eucaristia, juntamente com outras comunidades, é a expressão da comunhão
de todas as pequenas comunidades com a Igreja local.
86. Quem coordena a pequena comunidade deve sentir-se pertencente à Igreja e amá-la (Rm 16,3-5).
87. O ministro ordenado (Bispo, Padre, Diácono) há de ser o cuidador e o animador das pequenas comunidades
missionárias, promovendo a unidade entre todas e também descentralizando as decisões, que devem sempre ser
iluminadas pelos projetos missionários de toda a Igreja.
3.2.1 – PILAR DA PALAVRA: iniciação à vida cristã e animação Bíblica da vida e da Pastoral “Eles eram perseverantes nos
ensinamentos dos apóstolos”. (At 2,42)
88. O livro dos Atos dos Apóstolos relata que os cristãos, nas casas, ouviam a Palavra e, por estarem iluminados discerniam
a experiência da vida em Deus, conscientes de que a fé provém da escuta (Rm 10,17). É Deus quem toma a iniciativa de
comunicar seu desígnio salvífico de amor. Por isso, todo esse processo de iniciação cristã supõe um encontro pessoal e
comunitário com Jesus Cristo, proporcionado de forma privilegiada pela celebração da Palavra e pela leitura orante da
Bíblia.
89. A partir do encontro com a Palavra e da experiência de vida fraterna na comunidade que se reúne na casa, as pessoas
são introduzidas no processo da iniciação da vida cristã. O Batismo, pelo qual somos configurados a Cristo, incorporados na
Igreja e feitos filhos de Deus, é a porta de acesso a todos os sacramentos. Disto resulta a firme decisão da comunidade
cristã, coragem e criatividade para trilhar os caminhos de uma verdadeira iniciação cristã aos que são atraídos à
comunidade pelo testemunho dos cristãos.
90. A Iniciação à Vida Cristã e a Palavra de Deus estão intimamente ligadas. Os processos de Iniciação e formação dos
agentes evangelizadores precisam levar em conta as etapas que lhes são próprias: querigma, catecumenato, purificação-
iluminação e mistagogia. Assim, este itinerário fundamentado na Sagrada Escritura e na Liturgia é capaz de educar para a
escuta da Palavra, para a oração pessoal e para o compromisso social.
91. É indispensável uma leitura orante comunitária da Palavra de Deus que evite o risco de uma abordagem individualista,
tendo presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir a comunhão. Sendo uma Palavra que se
dirige a cada um pessoalmente, é também uma palavra que constrói comunhão, que constrói a Igreja.
92. O contato intensivo, vivencial e orante com a Palavra de Deus confere à reunião da comunidade um caráter de
formação discipular. O Evangelho passa a ser o critério decisivo para o discernimento em vista da vivência cristã.
3.2.2 – PILAR DO PÃO: liturgia e espiritualidade: “Eles eram perseverantes (…) na fração do pão e nas orações”. (At 2,42)
93. Entre os primeiros cristãos, a comunhão se expressava principalmente na celebração da Eucaristia. A celebração
eucarística alimentava a esperança do mundo que há de vir (1 Cor 11,17-32). Essa realidade implicava em trilhar um
caminho pascal, para viver no mundo sem ser do mundo (Jo 17.14-16).
94. A mesa Eucarística no centro da celebração da fé cristã indica-a como núcleo transformador das pessoas em discípulas
missionárias, que vivem a fraterna convivência e se dispõem a anunciar o amor ao mundo,
95. Na comunidade, em torno da mesa Eucarística, vive-se uma verdadeira vida de oração, enraizada na Palavra de Deus.
Assim é que tomam consciência de que são colaboradores de Deus na missão e são impelidos a saírem ao encontro das
pessoas e à prática da misericórdia.
96. É preciso sempre pedir ao Senhor: “ensina-nos a orar” (Lc 11,1). Orar, antes de ser o resultado de um esforço humano,
é a ação do Espírito Santo em nós (Gl 4,6).
97. Na pastoral, é preciso superar a ideia de que o agir já é uma forma de oração. Muitas atividades podem facilmente levar
os cristãos a caírem em tentações como ativismo, vaidade, ambição e o desejo do poder.
98. A Espiritualidade cristã se traduz na busca da santidade e alimenta um jeito de ser Igreja. Jesus deseja uma Igreja
servidora, samaritana, pobre com os pobres, que somente pode ser alimentada através da oração e da contemplação.
Somente o agir, desvinculado da oração, pode esvaziar a coragem e audácia missionária para o enfrentamento de desafios
somente superados por um ardor vivo mantido pela oração.
99. Os desafios dos nossos tempos são novos, mas a dor humana continua a mesma que sensibilizou e continua a impactar
os santos e santas de todos os tempos, impelindo-os a uma saída efetiva do seu lugar em direção ao lugar onde o outro se
encontra.
100. A piedade popular há de ser valorizada na comunidade como uma força evangelizadora que não podemos
desconsiderar. É preciso, porém, ter atenção para os riscos de instrumentalização da piedade popular, quando é
apresentada de modo intimista, consumista e imediatista.
101. Enquanto casa da comunhão, a comunidade é chamada a celebrar frequentemente o perdão e a misericórdia do
Senhor. A experiência do amor misericordioso de Deus faz dos discípulos do Senhor embaixadores da misericórdia. Estes
são impelidos a constituir comunidades de discípulos missionários abertos ao diálogo, à acolhida, à compreensão e à
compaixão (Lc 15,11-32). Igualmente é necessário formar comunidades dispostas a percorrer um caminho de
discernimento espiritual, buscando a verdade do Evangelho.
3.2.3 – PILAR DA CARIDADE: serviço à vida plena “Eles eram perseverantes (…) na comunhão fraterna”. (At 2,42)
102. Na fé cristã a espiritualidade está centrada na capacidade de amar a Deus e ao próximo. Rezar e servir, amar e
contemplar são realidades indispensáveis para o discípulo missionário de Jesus Cristo. Somente contemplando o mundo
com os olhos de Deus é possível perceber e acolher o grito que emerge das faces da pobreza e da agonia da criação.
103. A Igreja reza em sua liturgia, dirigindo-se ao Pai, recordando que Jesus sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos
pequenos e pobres, doentes e pecadores. Por isso a Igreja reza em sua liturgia (Oração Eucarística VI-D): “Dai-nos olhos
para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos (ãs); inspirai-nos palavras e ações para confortar os
desanimados e oprimidos e fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos no serviço a
eles.
104. Saber chorar com os outros é santidade. Não sejamos uma Igreja que não chora diante dos dramas dos seus filhos.
Nós queremos chorar para que a sociedade também seja mais maternal para que, em vez de matar, aprenda a dar à luz.
105. A Igreja anuncia o Evangelho da Paz, que é Jesus Cristo em pessoa. A justiça é fidelidade à vontade de Deus e se
concretiza especialmente no compromisso com os excluídos e demais marginalizados que vivem nas periferias. Anunciar
Jesus é ensinar o que ele nos mandou: “aprendei a fazer o bem, buscai o direito, socorrei ao oprimido, fazei justiça ao
órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,17).
106. A evangelização do mundo urbano não pode prescindir da questão do trabalho. A solidariedade com quem sofre as
consequências do desemprego e do trabalho precário é, pois, uma expressão importante de caridade, devendo se
manifestar pela atuação organizada dos cristãos leigos e leigas.
107. Igualmente a caridade se expressa no empenho e na atuação política dos cristãos e das comunidades cristãs. A boa
política é um meio privilegiado para promover a paz e os direitos humanos fundamentais. A omissão dos cristãos neste
campo traz gravíssimas consequências para a ação transformadora na Igreja e no mundo (CNBB Doc 105 cap. III).
108. O Papa Francisco insiste em dizer que deseja uma Igreja pobre para os pobres. Obedecendo aos apelos do Para
Francisco, e somente assim, a Igreja será casa dos pobres como proclamou São João Paulo II ao afirmar que os pobres são
os destinatários privilegiados do Evangelho.
109.  É missão da comunidade cristã a promoção da cultura da vida através do enfrentamento dos desafios que a ela se
impõe: a violência, falta de moradia digna, migrações, falta de perspectiva para os jovens, etc.
110. Contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres significa comprometer-se com todos os que sofrem, buscando
compreender as causas de seus flagelos, especialmente as que os jogam na exclusão. A ausência do sentido da vida é fonte
de sofrimento. Também os cristãos são afetados por essa crise de sentido que gera cansaço, depressão, pânico, transtornos
de personalidade e até suicídio. Essa situação ocorre porque se vive em uma sociedade que sustenta tudo ser possível,
especialmente com o avanço de novas tecnologias indiferentes aos sofrimentos de muitos excluídos.
111. A situação dos migrantes e refugiados preocupa a Igreja. Uma comunidade cristã precisa ter as portas abertas para o
migrante, pois seus membros devem reconhecer que a acolhida ao estrangeiro é expressão concreta do amor que salva
(Mt 25 cf. Hb 11,13).
112. A Igreja, diante da crescente propagação de novas formas de segregacionismo e racismo é conclamada a tornar-se
testemunha humilde e laboriosa do amor de Cristo e a cumprir e inspirar gestos que possam contribuir para construir
sociedades fundadas no princípio da sacralidade da vida humana e no respeito pela dignidade de cada pessoa, na caridade,
na fraternidade e na solidariedade.
113. A Igreja igualmente preocupa-se com os povos indígenas, quilombolas e pescadores, reconhece e defende seus
direitos, entre os quais a permanência em seus territórios. Reconhece a presença dos nômades e defende seus direitos.
Esta pluralidade de culturas em nada ameaça à soberania nacional, ao contrário, enriquece uma grande nação formada por
diversos povos.
3.2.4 – PILAR DA AÇÃO MISSIONÁRIA: Estado Permanente de Missão - “Passando adiante, anunciava o Evangelho a
todas as cidades” (At 8,40)
114. Um mundo cada vez mais urbano, embora possa assustar, é, na verdade, porta para o Evangelho e as comunidades
cristãs que precisam ter um olhar propositivo sobre essa realidade, cientes de que Deus preparou uma cidade para eles (Hb
11,16; Ap 3,20). Cabe especialmente à Igreja, guiada pelo Espírito Santo, incentivar a descoberta das sementes do Verbo,
presentes nas várias culturas e promover o encontro dessas culturas com Jesus Cristo que as ilumina.
115. Precisamos perceber que, se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja
tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé
que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.
116. Atualmente o querigma não pode ser dado como pressuposto. Os conhecimentos básicos da fé cristã não só deixaram
de existir, como são até, frequentemente negados em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que
atingiu muitas pessoas.
117. A comunidade expressa sua missionariedade quando assume a humanização das relações sociais, tais como gestos de
acolhida, amparo nas tribulações, consolo no luto, defesa de direitos, sede de justiça. Merecem atenção especial os
cinturões de pobreza em suas diversas formas, nas grandes cidades e demais regiões do país.
118. Para ser missionária a comunidade cristã também necessita se inserir ativa e coerentemente nas redes sociais. Por isso
é necessário restituir à comunicação uma perspectiva ampla, baseada na pessoa, onde a interação é entendida sempre
como diálogo e oportunidade de encontro com o outro.
119. A Igreja e o mundo podem ouvir a voz de Deus também por meio dos jovens. O testemunho deles pode contribuir
para renovado ardor espiritual e o vigor apostólico das comunidades. Nessa comunhão os jovens poderão ser ainda mais
missionários entre os jovens.
3.3 – RUMO À CASA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
121. A Igreja peregrina atua na sociedade porque se autocompreende como sacramento universal de salvação que tem um
fim escatológico. Salvação que se entende integral: da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os
homens. Essa dimensão escatológica suscita a esperança que vence a morte. Por isso a comunidade cristã reúne um povo
de peregrinos a caminho do Reino de Deus, rumo à Pátria Trinitária (Fl 3,20).
122. O povo da Nova Aliança cumpre papel preponderante, criando por meio de sua participação responsável,
especialmente na vida pública, novas condições de existência promissoras de uma nova humanidade. Assim acontece a
vitória do amor de Cristo sobre os mecanismos da morte.
123. Em seu empenho missionário, a ação evangelizadora da Igreja no Brasil tem como fundamento o querigma e expressa
a necessidade de fortalecer a esperança dos cristãos como testemunhas da ressurreição de Cristo em um mundo carente
de sentido e de ética. Pela esperança fomos salvos (Rm 8,24), por isso a Igreja, lar dos cristãos, vive da certeza de que
habitará na tenda divina, casa da Trindade, em uma aliança eterna e definitiva com Deus (Ap 21, 2-5).

CAPÍTULO 4: A Igreja em Missão


124. As dimensões do Brasil nos levam a acreditar que é impossível pensar de maneira uniforme a ação evangelizadora.
125. Em qualquer realidade brasileira o modelo principal para nossa ação é e será sempre a comunidade dos primeiros
cristãos, perseverantes na escuta dos apóstolos, na comunhão fraterna, na partilha do pão, nas orações e na missão (At
2,42; 8,4).
126. Existem muitas possibilidades para aplicar as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Todas partem da
comunidade e continuam a fazer referência a ela. Pequenas ou grandes no campo ou na cidade, a partir de paróquias ou de
grupos reconhecidos pela autoridade eclesial, a comunidade é o ambiente de testemunho determinante para anunciar a
Boa Nova e acolher quem dela se aproxima e ir ao encontro das pessoas.
127. É necessário que os planos de pastoral sejam cronologicamente elaborados para períodos curtos para poderem
acompanhar e se adequarem às rápidas transformações em um mundo cada vez mais urbano.
128. A vida comunitária é terreno fértil para o anúncio e o encontro com Jesus Cristo. Ela interpela o individualismo
reinante, o subjetivismo que potencializa o eu como parâmetro da verdade, o egoísmo que gera e se alimenta da cultura da
morte, evitando que o homem e a mulher contemporâneos virem náufragos de si mesmos. O empenho por constituir
comunidades cristãs maduras na fé deve, portanto, ser a meta das dioceses, paróquias, CEBs, comunidades novas,
movimentos, associações, serviços e famílias.
4.1 – A COMUNIDADE CASA
129. A Igreja no Brasil, em sua ação evangelizadora, assume o compromisso de formar comunidade que viva como Casa da
Misericórdia, alimentada pela Palavra, o Pão e a Caridade e que assume a Ação Missionária como tarefa de todos.
Enquanto casa, as comunidades que queremos são espaços do encontro, da ternura e da solidariedade, o lugar da família e
têm suas portas abertas.
130. Abrir as portas para acolher os irmãos e as irmãs é um sinal profético em um mundo no qual o individualismo, o medo
da violência e o predomínio das relações virtualizadas, e no qual os espaços físicos das casas se tornam cada vez menores e
menos vivenciais. Neste contexto, ser comunidade é, em si, profecia.
131. As comunidades eclesiais missionárias se reúnem também em espaços que não sejam residências, por exemplo, salões
comunitários, espaços nas igrejas, espaços públicos e até mesmo improvisados. As relações fraternas, e não o local em que
se reúnem, é que são significadas pela imagem da casa.
4.1.1 – CASA: espaço do encontro
132. Nossas comunidades precisam ser oásis de misericórdia no deserto da história, casas de oração profunda de mergulho
no sagrado mistério revelado pelo Amor do Pai. Devem deixar de lado a burocratização que afasta e toda aparência de
empresa que presta serviços religiosos para caminhar apressadamente no compromisso de se transformarem em lugar do
encontro com Deus.
133. Este encontro com Deus se dá na celebração cheia de vida, no silêncio que permite a escuta, na harmonia que revela a
plena beleza de Deus. O encontro com Deus é também intermediado pelo encontro com o irmão que tem nome, história,
dores, alegrias, sonhos, conquistas e deseja ser acolhido, tornando-se presença significativa na vida da comunidade. Este
cuidado mútuo é que santifica cada membro porque o amor torna real a presença do Ressuscitado na comunidade.
4.1.2 – CASA: lugar da ternura
134. Em nossas comunidades a afetividade, a empatia, a ternura com o irmão devem ser as marcas desta casa da
fraternidade que o Papa Francisco chama de revolução da ternura.
135. Os cristãos eram um só coração e uma só alma (At 4,32). Por comungarmos do mesmo pão, na Eucaristia, na Palavra e
na vida, somos irmãos que caminham juntos e nada que diga respeito à alegria e à dor do outro pode nos ser indiferente
(Lc 10,25-37; 16,19-31 cf Jo 3,17).
136. Nossa ação pastoral só terá eficácia e sustentabilidade na afeição, no bem querer, no desejo de estar juntos e de
partilhar a vida, inspirando-nos na vivência fraterna e solidárias das primeiras comunidades.
137. Em um mundo marcado pela violência e ódio crescentes, com a destruição como resposta aos problemas, a
comunidade cristã se torna profeta ao viver a fraterna e solidária convivência como resposta à violência.
4.1.3 – CASA: lugar das famílias
138. A Exortação Apostólica Amoris Laetitia nos impele a ir ao encontro das famílias com atenção especial e ternura de
quem coloca uma ovelha ferida no colo. Ir ao encontro das famílias, em sua realidade concreta, com as luzes e sombras,
com as contradições próprias à condição humana e acolhê-las na comunidade cristã há de ser meta de toda ação pastoral.
139. A proximidade com as famílias em sua condição real de vida ajudará a experimentar a misericórdia de Deus que, em
Jesus, se aproximou da viúva que enterrava seu filho único (Lc 7, 11-17), da sogra de Pedro, que sofria doente (Lc 4,38-40),
de Jairo e de sua filha que estava morrendo (Lc 8, 40-56) e de outras famílias e pessoas que necessitavam da sua presença,
da sua palavra e da sua consolação.
140. A comunidade cristã missionária pode, de fato, acontecer nos lares e grupos de famílias que se tornam núcleos
comunitários onde a Igreja se reúne para meditar a Palavra, rezar, partilhar o pão e a vida. A formação de núcleos
familiares que formem pequenas comunidades é o ideal de toda ação missionária das comunidades.
4.1.4- CASA: lugar de portas sempre abertas
141. Não poderá haver uma comunidade autenticamente cristã que não seja Porta da Misericórdia para todos que
precisam, É chegada a hora de multiplicar essas portas nas igrejas, capelas, obras sociais, escolas… É hora de assumirmos
com maior radicalidade a proposta de descentralização da experiência da comunidade cristã gerando redes de
comunidades conforme apresentado no Documento de Aparecida (n. 172 e 372) e pelo documento Comunidade de
Comunidades: uma nova paróquia.
142. Não basta só abrir as portas e esperar. É preciso ir ao encontro do outro onde quer que ele esteja. Seguindo o
exemplo do mestre, que alcança os discípulos que voltavam desanimados para Emaús (Lc 24, 13-35), precisamos praticar
um acolhimento ativo (Lc 15), que vá ao encontro dos que precisam de socorro.
143. Naquele “ide” de Jesus (Mt 28,19) estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora
da Igreja e, hoje, todos somos chamados a esta nova saída missionária. Sair implica em ter ousadia missionária. Esta santa
ousadia impulsiona a novas atitudes e novas posturas, à descoberta de novos lugares e de antigas possibilidades
esquecidas, de novos interlocutores, no desejo ardente de fazer o outro experimentar o amor de Deus que se revela na
atitude misericordiosa.
4.2 – OS PILARES DA COMUNIDADE
144. A comunidade cristã missionária, como ambiente de vivência da fé e forma da presença da Igreja na sociedade é
sustentada por quatro pilares fundamentais: PALAVRA; PÃO; CARIDADE; AÇÃO MISSIONÁRIA.
4.2.1- PILAR DA PALAVRA: Iniciação à vida cristã e animação bíblica da vida e da pastoral
145. A iniciação à vida cristã se refere, principalmente, à adesão a Jesus Cristo, não se esgotando na preparação aos
sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. Fundamenta-se na centralidade do querigma, o primeiro anúncio.
Primeiro anúncio significa que é o principal, que sempre se tem de voltar a anunciar. Nossas comunidades precisam ser
mistagógica, lugar por excelência da iniciação à vida cristã, preparadas para favorecer que o encontro com Jesus Cristo se
faça e se refaça permanentemente.
146.  A Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela (Jo 1,14 – centralidade na Palavra que se fez carne e
habitou entre nós). Por isso a Sagrada Escritura precisa estar sempre presente nos encontros,  nas celebrações e nas mais
variadas reuniões.
147. Em consequência, a Igreja deve se esforçar para introduzir os discípulos em um percurso de iniciação à vida cristã, com
inspiração catecumenal, centrado na leitura orante da Palavra de Deus. Esse itinerário é decisivo para dar respostas
adequadas aos desafios da catequese em nosso tempo. É a centralidade na Palavra que também anima as comunidades a
buscarem as águas mais profundas.
148. A Palavra de Deus não é de forma alguma letra morta. Ela entra na mente, toca o coração, nutre o espírito e
transforma a vida tornando o critério da experiência comunitária e da ação missionária.
149. Através Palavra de Deus, patrimônio comum de todas as igrejas cristãs, convoca os cristãos das mais variadas
denominações a se unirem, buscando na prática ecumênica seu único Senhor e caminhar na superação do escândalo da
divisão.
4.2.2 – PILAR DO PÃO: liturgia e espiritualidade
160. A Eucaristia e a Palavra são elementos essenciais e insubstituíveis para a vida cristã (Jo 6,35). A liturgia é o coração da
comunidade. Ela remete ao Mistério e ao compromisso fraterno e missionário.
161.  Em consequência as comunidades cristãs precisam valorizar o domingo, o Dia do Senhor, como o dia em que a família
cristã se reúne para o encontro com Cristo. Por isso, no dia do Senhor, as portas das Igrejas devem estar abertas com
equipes de acolhida de prontidão. Necessário também é a flexibilização dos horários celebrativo para acolher e atender as
pessoas com agendas diferenciadas. Favorecer a celebração da Palavra onde a celebração Eucarística não for possível.
Destaque deve ser dado para as equipes de liturgia que devem preparar com amor e afinco as celebrações, bem como o
ministérios da música cuidar da qualidade dos cânticos.
162. É necessário promover uma liturgia que possibilite o verdadeiro encontro com Jesus Cristo, evitando-se ações
litúrgicas frias ou demasiadamente subjetivistas e emotivas. As celebrações devem ter os pés firmados na realidade da vida
das pessoas levando-as a mergulhar no mistério de Deus.
163. Em tempos de individualismo extremo, em que o eu parece ser o centro de tudo, é preciso dar u salto para uma
espiritualidade comunitária. É preciso evi8tar a separação entre o culto e a misericórdia, liturgia e ética, celebração e
serviço aos irmãos.
4.2.3- PILAR DA CARIDADE: serviço à vida
171. Em atenção à Palavra de Jesus e ao ensinamento da Igreja, especialmente sua doutrina social, nossas comunidades
devem ser defensoras da vida desde a fecundação até o seu fim natural. O cuidado para com os direitos humanos, as
políticas públicas que sustentam sua aplicação, hão de estar hão horizonte da ação dos discípulos de Jesus, chamados a
realizar as obras de misericórdia tanto no âmbito pessoal quanto comunitário social.
172. As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de
todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo e nada
existe de verdadeiramente humano que não encontre eco em seu coração. Todas as pessoas, especialmente quando
feridas pelas marcas da cultura de morte que existe devido ao pecado, estejam no âmbito do nosso olhar pastoral.
173. É cada vez mais comum em muitas famílias haver membros de várias Igrejas e até de diferentes religiões. A
solidariedade pode ser vivenciada por todos, por isso, maior testemunho haverá se, na defesa da vida e no cuidado para
que ela seja vivida com dignidade, os cristãos trabalharem juntos em projetos comuns.
4.2.4- PILAR DA AÇÃO MISSIONÁRIA: estado permanente de missão
186. Onde Jesus nos envia? Não há fronteiras, não há limites: envia a todos. Por isso o Papa Francisco apresenta um
modelo missionário para os nossos tempos: a iniciativa de procurar as pessoas necessitadas da alegria e da fé;
envolvimento com sua vida diária e seus desafios, tocando nelas a carne sofredora de Cristo; o acompanhamento paciente
em seu caminho de crescimento na fé; o reconhecimento dos frutos, mesmo que imperfeitos; a alegria e a festa de cada
pequena vitória.
187. O cristão e convidado a comprometer-se missionariamente, como tarefa diária, em levar o Evangelho às pessoas com
quem se encontra, tanto aos mais íntimos como aos desconhecidos, de forma informal, durante uma conversa,
espontaneamente em qualquer lugar, de modo respeitoso e amável. O primeiro momento é o diálogo, que estimula a
partilhar alegrias, esperanças e preocupações. O segundo momento é a apresentação da Palavra, sempre recordando  o
anúncio fundamental: o amor de Deus que se fez homem, entregou-se por nós e, vivo, oferece sua salvação e sua amizade.
O último momento, se parecer prudente e houver condições, é bom que esse encontro fraterno e missionário se conclua
com uma breve oração que se relacione com as preocupações que a pessoa manifestou.
188. Só podemos imaginar comunidade de fé, que segue os passos de Cristo Jesus e busca nele o seu modo de vida, se
vamos ao encontro do outro no seu lugar concreto, anunciando o próprio Senhor com sua presença amorosa. Uma palavra
que seja vida é a mais eloquente ação missionária. É esta presença e este testemunho que o mundo espera das
comunidades cristãs. Um desejo de cheiro de ovelha deve permear toda missão e preparar o caminho para o anúncio
explícito de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO
203. Estas Diretrizes foram elaboradas para ajudar a Igreja no Brasil a responder aos desafios evangelizadores de Brasil
cada vez mais urbano. Como resposta inculturada a esses desafios, as Diretrizes destacam a centralidade das comunidades
cristãs com a imagem da casa sustentada por quatro pilares: Palavra; Pão; Caridade; Ação Missionária.
204.  O sucesso da implantação das Diretrizes nos ambientes diocesano e paroquiais requer que os membros das
comunidades cristãs se sintam Povo de Deus a caminho do Reino, em processo que é iluminado, agora com as indicações
destas Diretrizes.
205. Os pilares – Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária – correspondem à natureza mesma da Igreja, que busca em seu
tesouro coisas novas e velhas (Mt 13,52). Em um tempo em rápida mutação, no qual se valoriza a novidade pela novidade,
os quatro pilares podem deixar a impressão de que se está apenas repetindo o que sempre foi dito. No entanto, não se
trata de inventar um programa novo. O programa já existe: é o mesmo de sempre, expresso no Evangelho e na Tradição
viva. Concentra-se, em última análise, no próprio Cristo que temos de conhecer, amar e imitar para nele viver a vida
trinitária e com Ele transformar a história até a sua plenitude na Jerusalém celeste. Mas, é necessário que cada
comunidade ajuste estas orientações à sua realidade.
206. Por isso, importa transformar estas Diretrizes em projetos pastorais que, respeitando a unidade da Igreja em todo o
Brasil, respondam às realidades regionalmente diversificadas. Uma recepção criativa levará em conta o que ora é
apresentado; avaliará o caminho pastoral feito até o momento e realizará um planejamento aberto à participação de todas
as pessoas que atuam nos vários âmbitos da Igreja.
207. Essas Diretrizes precisão inspirar a formação, o planejamento e as práticas de todas as instâncias da Igreja.
208. Por isso, além de uma leitura pessoal atenta dessas Diretrizes, é indispensável a realização de encontros reflexivos e
estudo delas em todos os grupos, de forma separada. Depois, a realização de assembleia que colha as reflexões e avalie as
escolhas dos encaminhamentos de cada um dos quatro pilares: Palavra; Pão. Caridade; Ação Missionária. Novamente os
grupos avaliam as escolhas e por fim, realiza-se a grande assembleia para a elaboração do plano de ação pastoral com
todas as indicações de o que se fará, quando fará, quem fará, com que recursos serão realizadas as tarefas.
209.  Estas Diretrizes foram elaboradas com a participação de diversos segmentos da Igreja no Brasil, em uma dinâmica
sinodal, que significa a corresponsabilidade de todos que das reflexões participaram e na execução de todas as tarefas
listadas. Neste momento em que a Igreja volta seu olhar para a Amazônia, elevamos ações de graças a Deus pelos
incontáveis missionários e missionárias que, entregando suas vidas, algumas vezes silenciosamente e outras de forma
martirial, mantém vivo, na realidade amazônica, o anúncio do Evangelho da vida e da paz.
210. Sob a proteção da Bem aventurada Virgem Maria, Senhora da Conceição Aparecida, a Igreja se coloca confiante, na
esperança de que as Diretrizes cumpram a função para a qual foram elaboradas, e sirvam como instrumento para
manifestar a alegria do Evangelho a todos os corações, especialmente os sofridos e desesperançados. Enfim, toda a nossa
ação evangelizadora pressupõe uma atitude discipular para escutar o que o Mestre está pedindo à Igreja no Brasil, na
certeza de que se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os que a constroem; se o Senhor não guardar a cidade,
em vão vigia aquele que a guarda (Salmo 127[126], 1).