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Canto das baleias

As baleias-jubarte são muito conhecidas por seus cantos.

O canto das baleias é o som produzido por elas para se comunicarem. A


palavra "canção" é usada particularmente para descrever o padrão de sons
habituais e predizíveis produzidos por algumas espécies de baleias
(particularmente a jubarte) de maneira muito semelhante às regras rítmicas
em composições musicais feitas por humanos.[1]
Os mecanismos utilizados para produzir som variam de uma família
de cetáceos para outra. Mamíferos marinhos, como
as baleias, golfinhos e marsuínos, dependem muito mais do som para
comunicação e percepção do meio que os mamíferos terrestres, em razão de
outros sentidos serem efetivamente limitados na vida submersa. A visão é
limitada para os mamíferos marinhos pela forma como a água refrata a luz.
O olfato também é limitado, pelo fato de as moléculas dispersarem-se mais
lentamente na água do que no ar. Além disso, a velocidade do som na água é
aproximadamente quatro vezes maior do que na atmosfera ao nível do mar.

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Índice

• 1Produção do som
o 1.1Produção do som pelas baleias dentadas
o 1.2Níveis sonoros das baleias dentadas
o 1.3Produção do som pelas baleias de barbatana
o 1.4Níveis sonoros das baleias de barbatana
• 2Função dos sons
• 3O canto da baleia-jubarte
• 4Outros sons de baleias
• 5Interação humana
• 6Mídia
• 7Notas e Referências
• 8Ver também
• 9Bibliografia
o 9.1Discografia selecionada
o 9.2Outros
• 10Ligações externas

Produção do som[editar | editar código-fonte]


Os seres-humanos produzem som ao expelir ar pela laringe. As cordas
vocais dentro da laringe se abrem e se fecham de acordo com a necessidade
para separar a corrente de ar em pequenos bolsões de ar. Esses bolsões são
moldados pela garganta, língua e lábios nos sons desejados.
A produção de som pelos cetáceos é notavelmente diferente desse
mecanismo. O mecanismo preciso difere nas duas maiores subordens de
cetáceos: os Odontoceti (baleias dentadas, incluindo os golfinhos) e
os Mysticeti (baleias de barbatana, ou baleias verdadeiras, incluindo as
grandes baleias, como a baleia-azul).
Produção do som pelas baleias dentadas[editar | editar código-
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Esquema da cabeça de um golfinho mostrando as regiões envolvidas na produção do som.

As baleias dentadas não produzem os sons longos e em baixa-freqüência


como os conhecidos cantos das baleias. Em vez disso, produzem rápidas
seqüências de assobios e estalidos ("clicks") em alta-freqüência. Os estalidos
curtos são geralmente usados para ecolocalização animal enquanto que
estalidos seguidos e assobios são usados para comunicação. Embora um
grande grupo de golfinhos possa fazer uma legítima algazarra de diferentes
ruídos, muito pouco é conhecido sobre o significado desses sons. Frankel[2] cita
um pesquisador comparando esses sons com o de um grupo de crianças em
um parquinho escolar.
Os vários sons são produzidos pela passagem de ar por estruturas conhecidas
em inglês como phonic lips ("lábios fônicos"), uma estrutura na cabeça
bastante parecida com a passagem nasal humana. O nome francês para lábios
fônicos é museau de singe ("lábios de macaco"), assim chamado pela
semelhança que se pensou haver entre com os lábios dos macacos quando
essa estrutura foi descoberta. À medida que o ar passa por essa passagem
estreita, as membranas dos lábios fônicos são sugadas juntas, fazendo
o tecido circundante vibrar. Essas vibrações podem ser controladas, como as
vibrações na laringe humana, conscientemente com grande precisão. As
vibrações passam pelos tecidos da cabeça para o órgão do espermacete, que
molda e direciona o som para um feixe de som para ecolocalização. Todas as
baleias dentadas, exceto o cachalote, têm dois conjuntos de lábios fônicos e
são capazes de produzir, assim, dois sons de forma independente. Uma vez
que o ar passa pelos lábios fônicos ele entra no saco vestibular. A partir daí o
ar pode ser reciclado e voltar para a parte baixa do complexo nasal, pronto
para ser usado para a produção do som novamente, ou sair pelo espiráculo.
Novas análises cranianas usando varreduras feitas por tomografia
computadorizada e tomografia computadorizada por emissão de fóton único,
em 2004, mostraram que, ao menos no caso do golfinho, o ar pode ser
fornecido ao complexo nasal pelo pulmão, a partir do esfíncter palatofaríngeo,
permitindo que o processo de criação do som continue tão demorado quanto à
capacidade do golfinho de respirar.[3]
Níveis sonoros das baleias dentadas[editar | editar código-fonte]
Os níveis sonoros das baleias dentadas variam de 40 Hz a 325 kHz.[4] Uma lista
de níveis de intensidade típicos é mostrada na tabela abaixo.

Fonte do canto Níveis de intensidade da fonte (dB re 1


Pa a 1 m)[5]

Estalido do cachalote 163-223

Estalido de ecolocalizacão da baleia-branca 206-225 (amplitude pico-a-pico)

Estalido de ecolocalizacão do golfinho-de-


194-219 (amplitude pico-a-pico)
bico-branco

Estalido pulsante do golfinho-rotador 108-115

Assobio do golfinho-comum 125-173

Produção do som pelas baleias de barbatana[editar | editar


código-fonte]
As baleias de barbatana não possuem lábios fônicos. Em vez disso, elas têm
uma laringe que parece desempenhar alguma função na produção do som.
Entretanto, elas não possuem cordas vocais e os cientistas continuam incertos
quanto ao exato mecanismo de produção sonora. O processo, entretanto, pode
não ser completamente análogo aos humanos porque as baleias não precisam
exalar para produzir som. É possível que elas reciclem ar em torno do corpo
para esse fim. Seios cranianos também podem ser usados para criar sons,
mas, novamente, pesquisadores não estão esclarecidos quanto a isso.
Níveis sonoros das baleias de barbatana[editar | editar código-
fonte]
Os sons produzidos pelos mamíferos marinhos variam entre 10 Hz e
31 kHz.[4] Uma lista de níveis típicos é mostrada na tabela abaixo.

Fonte do canto
Níveis de intensidade da fonte (dB re 1 Pa a 1 m)[5]

Baleia-fin 155-186

Baleia-azul 155-188

Baleia-cinzenta 142-185

Baleia-da-groenlândia 128-189

Função dos sons[editar | editar código-fonte]


Acredita-se que, enquanto os complexos e inesquecíveis sons da baleia-jubarte
(e algumas baleias azuis) sejam principalmente utilizados na época de seleção
sexual (ver seção abaixo), os sons mais simples de outras baleias são
utilizados durante todo o ano. Ao passo que muitas baleias dentadas são
capazes de usar a ecolocalização para detectar o tamanho e natureza dos
objetos, essa habilidade nunca foi demonstrada em baleias de barbatana. Além
disso, diferentemente de alguns peixes, como os tubarões, o olfato não é muito
desenvolvido nas baleias. Deste modo, dada a fraca visibilidade dos meios
aquáticos e o fato de o som deslocar-se muito melhor na água, sons audíveis
para os humanos podem desempenhar um papel importante para a
sua navegação. Por exemplo, a profundidade da água ou a existência de uma
grande obstrução à frente podem ser detectados pelos sonoros sons
produzidos pelas baleias de barbatana.

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