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Colégio Pedro II – CAMPUS Humaitá II

Apostila de Artes Visuais


Elaborada em 2019 pelo Prof. Leandro Souza
Coordenadora de Disciplina Profa. Ma. do Carmo Potsch

Planitz , Mosteiro de São Bento, RJ

A Arte Brasileira
entre os séculos XVI e XVIII

Arquitetura
e Arte no
Brasil Colonial
e Barroco Manoel da Costa Athayde, Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto, MG)

8º ano do Ensino Fundamental

Aleijadinho, Santuário de Bom Jesus de Matosinho, Congonhas do Campo (MG)

Estudante: __________________________________________________________ No: _____ Turma: _____ Data: ___ / ___ / ___
ARQUITETURA E ARTE
no Brasil Colonial

Arjan Martins, O triângulo do Atlântico

De maneira bastante explícita as pinturas de Arjan evidenciam as dores da colonização e


da opressão escravocrata – ainda tão presentes em nossos conflitos sociais cotidianos –
mas fazem isso com uma exuberância violenta da forma, que não se deixa domesticar em
ilustração. A violência da sensação e não a do espetáculo, como dizia Deleuze. Ser mais
que ilustração e espetáculo é o que nos puxa para dentro das pinceladas, nos retêm a
atenção, nos põem em um estado de intensidade maravilhada diante do mero aparecer de Use o leitor de códigos
formas e cores. As imagens intensificam as formas e vice-versa. nas imagens e veja a
Por Luiz Camillo Osorio (http://agentilcarioca.com.br/artista/arjan-martins) versão original.

Para pensar...
A obra do artista contemporâneo Arjan
Martins nos desperta o olhar quanto ao
processo de colonização e sobre suas
consequências nas manifestações
artísticas e culturais em nosso país.
No entanto, o artista subverte a visão
clássica e eurocêntrica da história
hegemônica da formação socioespacial
do Brasil, cuja ocupação se deu a partir
da extensa costa brasileira.
N
Você sabe quais estados foram
marcados pela ocupação
portuguesa?

A Arte Brasileira entre os séculos XVI e XVIII: Arquitetura Colonial e Barroco | 8º ano do Ensino Fundamental 2
Contexto SÉCULOS
XVI a XVIII

O termo ARTE COLONIAL se refere a um conjunto de manifestações


artísticas ocorridas no nosso país no período em que éramos colônia
de Portugal. Diz respeiro à criação artística que servia ao
pensamento dos colonizadores, a partir do modelo de exploração
europeu. Este período vai de 1534, momento da implantação das
primeiras Capitanias Hereditárias, até 1822, ano da proclamação da
nossa independência. O termo “Colonial” diz respeito à situação
política do Brasil naquele momento, isto é, ao fato de sermos uma
colônia de Portugal.

MANIFESTAÇÕES FASES
ARTÍSTICAS ESTILOS
do Brasil Colonial
MISSIONÁRIA
Pintura (1500 A 1700)
Colonial
Arquitetura
Barroco
Urbanismo Acervo fotográfico pessoal, Prof. Leandro Souza
Rococó BARROCA (Acima: São Miguel das Missões – RS e abaixo, Congonhas do Campo, MG))
Música
Neoclássico (1700 A 1808)
Literatura

Quando...
Entre os séculos XVI e XVIII uma vasta literatura e iconografia foi produzida. Alguns artistas documentaram
visualmente a fauna, flora, geografia e povos que aqui havia para que o imaginário europeu fosse saciado
com imagens.
A partir de 1530 a colonização é impulsionada pela criação da política de colonização com as Capitanias
Hereditárias e fundação das primeiras vilas. Em 1549 é fundada a cidade de São Salvador da Bahia de
Todos os Santos, capital do estado da Bahia, e destaca-se por sua criação em terreno elevado, onde foram
construídos o palácio do governador, residências e a maioria de conventos e igrejas.
Ainda no século XVI foram fundadas Olinda, em 1535 e o Rio de Janeiro, em 1565, as quais tem em
comum o fato de terem sido criadas perto do mar, mas sobre terrenos elevados, onde na parte alta
abrigava-se a área habitacional e administrativa e na parte baixa, o comércio e a zona portuária. Tal
organização lembra as principais cidades portuguesas, como Lisboa, Porto e Coimbra. Este processo dura
até 1822, quando é proclamada a independência de Portugal.

Atividades econômicas
Extração vegetal (Pau-Brasil e diversas
madeiras de lei), fumo, cana-de-açucar,
pequenas lavouras, mineração e café.

É importante lembrar que...


Este período da história brasileira é marcado
pela escravidão de povos originários, ou seja,
os ameríndios que aqui habitavam e
posteriormente, pelos povos africanos.
Engenho com capela, Frans Post, 1667

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Pintura
Até a independência, a pintura deste período era essencialmente religiosa, com exceção da pintura por meio
dos pintores holandeses que estavam com o príncipe Maurício de Nassau, na ocasião da invasão de
Pernambuco, junto aos demais cientistas e militares. No século XVII, os artistas Frans Post e Albert
Eckhout criaram registros artísticos do cenário brasileiro da época por meio de pinturas, gravuras e
desenhos. Entre 1637 e 1644, Eckhout e Post estiveram no Brasil como criando imagens que apresentam
o Nordeste brasileiro, retratando a topografia, as paisagens, a fauna, a flora e as habitantes do Brasil daquele
período. Os quadros produzidos por apresentam simultaneamente um caráter documental, porque nos
permite “ver” o Brasil daquele período, conhecer sua topografia, sua vegetação, sua paisagem, as principais
frutas, ainda desconhecidas da Europa, as atividades econômicas daquele período da história brasileira.
Além de uma feição artística em que podemos ver a luminosidade e a presença da natureza exuberante.
São raros testemunhos de uma realidade nunca antes observada, telas com o inevitável impacto da
revelação da natureza dos trópicos para o mundo europeu. Apresentam habilidades artísticas inegáveis, em
composições de grande qualidade cromática, de luminosidade e de desenho.

Paisagem de Pernambuco com Casa-Grande , 1665 , Frans Post

Artistas Viajantes
A produção visual destes artistas está ligada ao ato de viajar.
Seus desenhos, gravuras e pinturas tem compromisso
documental e acompanham deslocamentos no espaço,
descobertas de paisagens e tipos humanos. Estão integrados às
expedições artísticas e científicas nas Américas.
Eckhout, Homem Tupi, 1643

Frans Post, Rio São Francisco, 1638 Frans Post, Recife e Itamaracá, 1647

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Azuleijaria
O tipo de pintura de natureza cerâmica muito utilizada no Brasil durante a primeira fase da colonização
estava vinculado à azulejaria. O azulejo pode ser descrito como uma placa vidrada e pintada em uma das
faces, enquanto no lado oposto apresenta fendas ou relevos que permitem a sua fixação com algum tipo
de argamassa a uma parede. O termo tem origem árabe e está relacionado a cor AZUL, e se presta à
composições decorativas de diversos temas. Como forma de ornamento foi muito utilizado na Península
Ibérica, local de onde herdamos seu uso. No Brasil o azulejo era utilizado como forma de ornamentação de
duas maneiras: como revestimento ou decoração de fachadas e como representação de temas sagrados,
relacionados à religião.

Imagens do Museus do Azuleijo, Lisboa

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Arquitetura
É importante lembrar que a manifestação artística no Brasil colonial, entre os séculos XVII e XVIII, enquanto
colônia portuguesa, deu-se pela pintura e também pela arquitetura de forma bem distinta devido à forte
influência do estilo arquitetônico de Portugal.

Urbanismo
A ocupação do território brasileiro não
trouxe consigo uma tradição firme ou bem
definida de planejamento urbano (BURRY,
1990). Até os dias atuais, nossas cidades
são marcadas pelo modo como foram
ocupadas, e por este motivo, é importante
conhecermos a evolução urbanística e
arquitetônica do Brasil para que possamos
compreender as origens do desenho e do
modo de vida das nossas cidades.

Pateo do Collegio, São Paulo

No século XVI, o Brasil foi bastante negligenciado pelos portugueses, pois sua madeira e açúcar não se
equiparavam às especiarias do Oriente e nem mesmo ao ouro aos escravos da África – como fonte de
riqueza. O desastroso resultado da guerra com os holandeses no Oriente, a perda do tráfico nas especiarias
e a ruína de Goa, como centro comercial, obrigaram Portugal a voltar sua atenção a suas possessões no
continente americano. O deslocamento do interesse das Índias para o Brasil, na segunda metade do século
XVII, explica por que os exemplos mais interessantes da arquitetura colonial portuguesa do século XVI e
início do XVII se encontram em Goa e arredores, enquanto as obras mais notáveis do fim do século XVII e
do XVIII foram corrigidas em Salvador e nas capitais de suas províncias subsidiárias. (BURY, 1990)

No início, ruas, cidades e demais


espaços eram construídos a partir da
geografia local e de acordo com seus
acidentes geográficos, ou seja, o relevo
terrestre e suas possibilidades definia o
que seria erguido no local. Sendo assim,
não havia planejamento antecipado ou
uma forma geométrica que definisse o
desenho da organização espacial.
Neste contexto, destacam-se os fortes e
igrejas, os quais eram construídos em
locais altos ou estratégicos, por motivos
de segurança, e próximos ao litoral,
como entrada ou fundos de baías, de
modo que fosse garantidos o domínio e
a defesa da terra.

Urbs Salvador, John Ogilby, 1600-1676

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Arquitetura Militar Principais características
Receberam mais investimento em termos de
mão de obra pois eram desenvolvidos pelos Localização estratégica Simplicidade da forma
engenheiros militares e tinha como função a
proteção do território. Suas principais Uso das formas geométricas Simetria
contruções são os fortes e as fortalezas.
Estão em espaços cuja localização
possibilita a vigilância e a ampla visibilidade Paredes caiadas de branco Estabilidade
como altos de montanhas, entradas de baías
e ilhas. Formas estáticas e regulares Materiais resistentes

Fortaleza de Santa Cruz, Niterói


Forte de Caopacabanca, Rio de Janeiro

Vistas Superiores da Fortaleza de Santa Cruz, Niterói

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Arquitetura Civil
Marcada pela simplicidade, a arquitetura civil brasileira utilizava materiais improvisados e precários, e
também mão de obra sem especialização, nos moldes europeus. Afim de baratear as construções, eram
utilizadas a taipa de pilão nas paredes externas, as casas geminadas e fachadas pintadas de branco,
para assemelhar-se às igrejas. Somente portas e janelas recebiam cores. A distinção entre casa e igreja se
dava no tamanho dos prédios, sendo a igreja muito maior em escala. Devido às chuvas constantes em clima
tropical, a criação de telhados de barro moldados manualmente, utilizando as coxas dos escravos, sendo
esta a origem da expressão “fazer nas coxas”. O método produzia peças abauladas e alongadas, porém
desiguais e, portanto, criava telhados desiguais. Foi muito importante para escorrer a água das chuvas dos
trópicos. São também características do estilo colonial: jardim interno arborizado, portas e janelas voltados
para a rua, cantaria de pedra aparente e nos sobrados as portas eram amplas na parte térrea.

Espaco Urbano
Baseava-se essencialmente na mão de obra de pessoas escravizadas, era simplificada e com adaptações
tecnológicas de acordo com a disponibilidade de materiais, conforme vimos acima. Nas pequenas cidades e
vilarejos, as ruas possuíam aspecto uniforme, com casas e sobrados. Suas diferenças fundamentais
consistiam no tipo de piso: assoalho no sobrado e chão batido na casa térrea. Definiam-se assim as relações
entre os tipos de habitações e os estratos sociais. Sobrado significava riqueza e casa térrea, pobreza. Por
essa razão, os andares térreos dos sobrados eram utilizados por escravos, animais ou ficavam vazios. Os
exemplares mais ricos apresentavam maiores dimensões e maior número de peças. Os exemplares mais
ricos ficavam nas esquinas, com variações mais importantes, havendo a possibilidade de aproveitar as duas
fachadas sobre a rua. A preocupação estrutural demonstrava a intenção colonizadora de garantir às vilas e
cidades brasileiras uma aparência portuguesa. As casas eram construídas seguindo um padrão de
dimensões, portas, janelas, altura alinhadas com as edificações vizinhas.

TAIPA DE PILÃO
A parede de taipa é constituída de
blocos de barro comprimido dentro de
uma forma de madeira chamada taipal.
Abriam-se valas no chão e aí se socava
o barro. A seguir armavam-se os taipais,
em formas de caixas dentro do qual o
barro seria comprimido e adquiria a
forma retangular do tijolo.

CASA GEMINADA
Construção de residências ligadas
umas as outras, simétrica que
compartilha a mesma estrutura,
alvenaria e telhado uma com a outra.
Arquitetura de casa e sobrados em São Luís do Maranhão

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Arquitetura Colonial
residencial térrea

- parades brancas;
- janelas com vidros quadrados;
- janelas com arco abatido;
- sobrancelha;
- porta com arco abatido;
- telhado aparente;
- cantaria;
- cunhal;
- beiral;
- cor somente nas portas, beirais e
detalhes.

Paraty, Rio de Janeiro

Arquitetura Colonial
Residencial de sobrado

- parades brancas;
- amplas portas com arco
abatido;
- janelas com arco abatido;
- balcão ou guarda-copo em
ferro ou madeira, com detalhes
simples;
- cantaria em pedra;
- cunhal;
- telhado aparente;
- cor nas portas, janelas ou
detalhes;
- treliças.
Rua dos Judeus, Recife

O arruamento seguia um desenho determinado pelos acidentes geográficos, com as casas geminadas e
uma pequena calçada em frente ao casario. As ruas eram pavimentadas com pedras de formatos
irregulares no passeio que eram denominadas de ‘pé-de-moleque’. Veja abaixo mais exemplos de
arquitetura civil brasileira:

Sobrado da Madalena, Recife Aqueduto da Carioca, Marc Ferrez, 1896

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Espaco Rural
As fazendas, dedicadas à cana-de-açúcar, também
conhecidas como engenhos, abrigavam: fábrica, casa-
grande, senzala e capela, principalmente. Entre os
séculos XVI e XIX, estas construções ocuparam quase
todo o litoral brasileiro, com maior concentração nos
estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São
Paulo. A construção de destaque nos engenhos mais
ricos ficava por conta das capelas, cuja concepção
artística e arquitetônica incluía a utilização de materiais
nobres e profusamente decorada.
Engenho de Açúcar, Nordeste brasileiro, Henry Foster, 1816

Arquitetura Religiosa
Denominação das construções arquitetônicas que servem à realização de cultos religiosas e rituais. No
Brasil colonial são organizados basicamente em capelas, igrejas e mosteiros ligados ao catolicismo.

Enquanto a arquitetura civil do período colonial foi


marcada por enorme simplicidade em suas soluções, Principais características
a arquitetura religiosa, representada por diferentes
- frontão triangular;
ordens (jesuítas, Beneditinos, Franciscanos e - paredes caiadas de branco;
Carmelitas) produziu obras de grande beleza que - simetria;
perduram até hoje. Isso se deve à preocupação de - construção em terreno elevado ou no centro das praças;
fazer da igreja uma instituição forte e de grande - uso de azulejo como revestimento ornamental;
poderio. Durante muito tempo, inclusive, as igrejas - pintura no teto das igrejas;
foram enviadas para cá, pedra por pedra, de Portugal, - nas regiões mais pobres apenas uma torre sineira;
sendo apenas montadas no Brasil por arquitetos - escala de altura superior as das casas;
locais ou portugueses. - imaginária (imagem de santos) trazida de Portugal;

Capela Santa Bárbara, Niterói Igreja de Santa Rita, Paraty

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Barroco e Rococó

Celacanto provoca maremoto, Adriana Varejão

A obra de Adriana Varejão promove uma articulação entre pintura, escultura e arquitetura, revisitando elementos e referências
históricos e culturais. Especialmente criada para o espaço a partir de um painel original em apenas uma parede, a obra
Celacanto Provoca Maremoto (2004-2008) vale-se do barroco e da azulejaria portuguesa como principais referências históricas,
mas também da própria história colonial que une Portugal e Brasil: afinal de contas aqui estamos nos domínios do mar, o grande
elemento de ligação entre velho e novo mundos no período das grandes navegações. Colocados nos painéis formando um grid,
os azulejões fazem referência à maneira desordenada e casual com a qual são repostos os azulejos quebrados dos antigos
painéis barrocos. Assim, o maremoto e as feições angelicais impressas nas pinturas formam esta calculada arquitetura do caos,
com modulações cromáticas e compositivas, remetendo à cadência entre ritmo e melodia.
Em https://www.inhotim.org.br/inhotim/arte-contemporanea/obras/celacanto-provoca-maremoto/

Para pensar...
A artista contemporânea Adriana
Varejão traz à tona em sua obra muito
da visualidade e história do estilo
Barroco. Ao ler o trecho acima
percebemos o que a artista retoma em
suas obras. A obra Celacanto provoca
maremoto está no pavilhão da
destinado à artista em Inhotim, maior
museu de arte a céu aberto da américa
latina. Descreva quais elementos
visuais do Barroco compõem esta
grande obra da artista.

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Características
Contexto do Barroco Europeu

O movimento artístico se desenvolveu inicialmente na


Itália (por volta de 1580), e depois se espalhou por
URBANISMO
toda Europa, assim como foi trazido para as colônias - Movimento e ideia de totalidade do espaço;
portuguesas e espanholas na América e na Ásia. - A cidade é concebida como uma obra de arte;
Enquanto a norma básica do Renascimento - Diálogo entre as diversas edificações e avenidas,
equilibrava razão e emoção, o Barroco enfatizava a ao associar a linha reta à perspectiva e ainda, as
emoção, voltava-se para a empolgação e formas circulares e elípticas;
sentimentalismo dos espectadores. Nesse aspecto, foi
um estilo utilizado para persuadir e arrebatar as
multidões. Na Europa se espalhou por vários países,
sempre usado para enfatizar algum aspecto
considerado importante por alguma instituição.
Prestava-se a persuasão e propagando de aspecto
religioso, de aspecto político e econômico. O Barroco
apelava para o realismo e a dramaticidade, a partir do
uso de contrastes violentos de claro/escuro, das
formas dinâmicas, uso cenográfico de elementos na Praça do Vaticano, Roma, Itália
decoração e ainda, representação de posturas
corporais dramáticas na pintura e escultura. No
continente europeu o movimento atendia diversas
demandas: nos países católicos era adotado com dois
propósitos, para empolgar e emocionar o fiel -
principalmente na Contrarreforma e também para
traduzir o poderio dos reis absolutistas em imagens.
Nos países protestantes, seu intenso realismo
apresentava o fruto do trabalho, por meio da
acumulação de riquezas, fartamente representadas
nas pinturas de interior e nas naturezas-mortas
retratados por seus artistas.

Igreja de São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro

Fonte dos Quatro Rios,

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ARQUITETURA
- Fachadas ondulantes com transições entre as superfícies côncavas e convexas criando jogos de luz
e sombra;
- Os ornamentos de aspecto exuberante, de alta complexidade construtiva;
- Colunas torsas ou salomônicas;
- Volutas e frontões recortados, os medalhões e outros ornamentos que trazem movimento visual às
superfícies;
- As formas, geralmente de aparência circular ou espiraladas, trazem ao espírito do espectador
sensações ligadas à vertigem e ao infinito;

Pavilhão de Zwinger em Dresden, Alemanha

Igreja de San Carlo, Roma, Itália

Coluna Salomônica
Voluta

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PINTURA ESCULTURA
- Predominância das linhas curvas e inclinadas; - Realismo das cenas e formas;
- Formas dinâmicas que conferiam as telas um - Conjuntos escultóricos dramáticos;
aspecto de movimento e ação; - Representação de sentimentos marcada pela
- Intenso realismo; tensão entre as figuras;
- - Feição dramática; - Cenas com drama e emoção por meio das
- Contraste acentuado entre claro x escuro; posições corporais;
- Regularidade clássica do Renascimento X - Linhas enfatizando movimento, circularidade,
deslocamento espacial em direção a lateral; formas retorcidas e diagonais;
- A linha que delimita as formas apresentadas nem - Rosto expressivo, profundamente emocional
sempre é possível visualizar;
- Variação de temas (Religião: Itália, Portugal e
Espanha / Realeza: Espanha e França / Cotidiano:
Flandres).

Narciso, Caravaggio
O rapto de Proserpina, Bernini

Natureza morta com pescado, Clara Peeters


Beata Ludovica Albertoni, Bernini

A Arte Brasileira entre os séculos XVI e XVIII: Arquitetura Colonial e Barroco | 8º ano do Ensino Fundamental 14
Barroco Brasileiro
O estilo barroco chega ao Brasil pelas mãos dos colonizadores, sobretudo portugueses, leigos e religiosos.
Seu desenvolvimento pleno se dá no século XVIII, 100 anos após o surgimento do Barroco na Europa,
estendendo-se até as duas primeiras décadas do século XIX. Como estilo, constitui uma mistura de
diversas tendências barrocas, tanto portuguesas quanto francesas, italianas e espanholas. Tal mistura é
acentuada nas oficinas laicas, multiplicadas no decorrer do século, em que mestres portugueses se unem
aos filhos de europeus nascidos no Brasil e seus descendentes caboclos e mulatos para realizar algumas
das mais belas obras do barroco brasileiro. Pode-se dizer que o amálgama de elementos populares e
eruditos produzido nas confrarias artesanais ajuda a rejuvenescer entre nós diversos estilos, ressuscitando,
por exemplo, formas do gótico tardio alemão na obra de Aleijadinho (1730-1814). O movimento atinge o
auge artístico a partir de 1760, principalmente com a variação rococó do barroco mineiro.

O Barroco no Brasil foi uma arte religiosa ligada ao catolicismo e a contrarreforma. Nessa afirmativa,
encontra-se a primeira diferença entre o estilo internacional europeu e o estilo nativo do Brasil.
Desenvolveu-se em nossa terra principalmente na região mineradora, e transformou o ouro em matéria
prima para grande parte da ornamentação (pintura) das talhas e elementos escultóricos no interior das
igrejas. Suas obras tinham o intuito de emocionar o espectador, como tentativa de operar convencimento
tanto na esfera religiosa, quanto na esfera política.

As primeiras manifestações do espírito barroco no resto do país estão presentes em fachadas e frontões,
mas principalmente na decoração de algumas igrejas, também em meados do século XVII. A talha barroca
dourada em ouro, de estilo português, espalha-se pela Igreja e Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro,
construída entre 1633 e 1691. Os motivos folheares, a multidão de anjinhos e pássaros, a figura dinâmica
da Virgem no retábulo-mor, projetam um ambiente barroco no interior de uma arquitetura clássica. São
inúmeras as edificações desse período que nos mostram a variedade de repertório do movimento no Brasil.
As igrejas apresentam uma unidade Arco formal, todas as suas partes apresentam uma harmonia com o
conjunto geral que é percebido como um todo indiferenciado. As fachadas apresentam ornamentos que
estavam ausentes no período colonial, o frontão apresenta aspectos decorativos com volutas, curvas e
contra-curvas, que abrandam seu aspecto geométrico.

A Arte Brasileira entre os séculos XVI e XVIII: Arquitetura Colonial e Barroco | 8º ano do Ensino Fundamental 15
Veja na imagem acima as O Retábulo é um
diferenças entre o frontão A voluta é um tipo de
altar, em que ficam
colonial e barroco. Esse ornato em forma de rolo
as imagens dos
aspecto das fachadas se de papel ou espiralado,
santos. No Brasil
repete com maior que se aplica tanto
muitas vezes tem a
profusão no interior das à arquitetura quanto à
forma de um nicho,
edificações nas talhas, talha no barroco, período
são intensamente
nas colunas, nos colonial as formas eram
ornamentados no
retábulos, na nave, no mais simples.
período barroco.
altar-mor, nos nichos, e
demais elementos
decorativos como
medalhões e almofadas
que integram as igrejas
barrocas. Escultura
Tem como características as talhas e relevos com
representações da flora e da fauna, dialogando com a
simbologia católica. Há uma quantidade excessiva de
elementos, vertiginosamente intensos e estimulantes em
termos visuais, sonoros e olfativos. As formas são inclinadas
e com linhas curvas, o que provoca a sensação de movimento.
O rosto é expressivo, deseja emocionar o fiel. Apresenta a
concepção de mobilidade e circularidade, aludindo muitas
vezes às nuvens do céu.

Artistas
O Barroco nacional contou com a produção visual de artistas negros e mulatos, os quais
conferiram características próprias às suas criações. Muitas cidades do estado de Minas
Gerais estavam em pleno desenvolvimento cultural e artístico, devido a rota do ouro, cuja
exploração conferiu ainda mais riqueza e visibilidade à arte nestes lugares. Neste contexto,
destacam-se Aleijadinho e Mestre Ataíde.

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“ ALEIJADINHO
Antônio Francisco Lisboa (Vila Rica, atual Ouro Preto, Minas Gerais, 1738 - idem, 1814). Escultor,
entalhador, arquiteto, carpinteiro.

As informações disponíveis sobre sua história dizem que Aleijadinho começa cedo a trabalhar como artesão
e a fazer serviços nas igrejas de Ouro Preto e nas de cidades vizinhas, como Mariana e São João del-Rei.
Por ser filho bastardo de pai português e mãe escrava, encontra dificuldades para ser valorizado nos
primeiros anos em que exerce seu ofício. Mesmo assim, suas obras ganham reconhecimento e realiza
trabalhos grandes, como a fachada e a decoração da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto,
concluídas nos anos 1790. Embora siga o traçado português das igrejas matrizes, abandona o chamado
estilo jesuítico, característico das construções religiosas da primeira metade do século XVIII no Brasil. Nesse
estilo, as fachadas são retilíneas com elementos decorativos simplificados e escassos. A decoração feita
por Aleijadinho, que talha pedra e madeira, é marcada pela presença do dourado e repleta de detalhes,
como rocalhas1 e querubins. Menor e com formas mais arredondadas, com torres que apresentam recuo em
relação à fachada, a igreja é considerada um dos maiores ícones do barroco brasileiro.

Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8614/aleijadinho

VEJA AS
REFERÊNCIAS E
MUITO MAIS!

A Arte Brasileira entre os séculos XVI e XVIII: Arquitetura Colonial e Barroco | 8º ano do Ensino Fundamental 17
“ MESTRE ATAÍDE
Manoel da Costa Athaide (Mariana MG 1762 - idem 1830). Pintor, dourador, encarnador, entalhador. É
considerado importante artista do barroco mineiro. Em sua obra observam-se referências aos modelos das
bíblias e catecismos europeus, como as gravuras de Jean-Louis Demarne (ca.1752 - 1829) e Francesco
Bartolozzi (1727 - 1815).

Como os artistas-artesãos da época, Athaide segue cânones importados de Portugal. Em geral, as cenas a
serem executadas eram copiadas de gravuras e estampas de missais e livros sagrados, sendo o artista
responsável apenas pela adaptação da imagem ao espaço e aos recursos técnicos disponíveis. Por
exemplo, no caso dos seis painéis imitando azulejo (executados entre 1803 e 1804), que representam cenas
da vida de Abraão e decoram a capela-mor da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, Athaide
copia seis gravuras de uma edição francesa da Bíblia ilustrada por Demarne.
No que diz respeito à pintura de perspectiva de forro, o artista mineiro segue esquema de inspiração rococó
elaborado em meados da segunda metade do século XVIII, em Minas Gerais: medalhão em forma de "quadro
recolocado" emoldurado de rocalhas e colocado no centro do teto, sendo sustentado por maciços elementos
arquitetônicos (pilastra, coluna, arco e frontão curvilíneo), que assentam na parte média das paredes reais
da igreja. O espaço arquitetônico ilusório tende a ser recheado de anjos, figuras bíblicas, concheados,
laçarias, ramalhetes de flores e outros motivos delicados que se prendem uns aos outros por curvas e
contracurvas, dando leveza e ritmo à totalidade da composição. Do mesmo modo, a paleta do artista, rica
em tons de vermelho, azul, branco, amarelo, sépia e marrom, deve ser compreendida segundo os padrões
do período.

Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8486/manoel-da-costa-athaide

Fonte:

VEJA AS
REFERÊNCIAS E
MUITO MAIS!

A Arte Brasileira entre os séculos XVI e XVIII: Arquitetura Colonial e Barroco | 8º ano do Ensino Fundamental 18
“ MESTRE VALENTIM
Valentim da Fonseca e Silva (Serro MG ca.1745 - Rio de Janeiro RJ 1813). Escultor, entalhador, arquiteto,
urbanista. Em 1748, é levado por seu pai a Portugal, onde aprende o ofício de escultor e entalhador. Retorna
ao Rio de Janeiro e, por volta de 1770, abre uma oficina no centro comercial.

O nome do artista aparece pela primeira vez como entalhador na obra de decoração da Igreja da Ordem
Terceira de Nossa Senhora do Carmo, em 1772, como discípulo de Luís da Fonseca Rosa. Apesar dos
acréscimos ornamentais ecléticos do século XIX, ainda são identificáveis características do estilo de Mestre
Valentim. A talha dourada sobre fundo claro do retábulo-mor é amplamente decorada com motivos rococós
como guirlandas, buquês de flores, festões de folhas, laços, cabecinhas de querubins, que permitem uma
sensação óptica de movimento da superfície. Os anjos-meninos caracterizam-se, entre outras coisas, pelo
rosto arredondado, feições levemente amulatadas, bochechas e olheiras marcadas, lábios com contornos
definidos, pescoço grosso e curto, olhos saltados e caídos, cabelos abundantes e fios marcados, sinalizando
o estilo de querubins de Valentim. Destaca-se no conjunto a inclusão de colunas salomônicas típicas do
barroco joanino no lugar de colunas retas de acordo com um gosto rococó mais classicizante.

No âmbito da arte civil, o artista realiza tanto obras de embelezamento público quanto de saneamento e
abastecimento de água, executando trabalho originalmente de engenheiros militares. Seu principal
solicitante é o vice-rei, Dom Luís de Vasconcelos e Sousa. De todas as suas obras, a mais marcante, sem
dúvida, é o conjunto formado pelo Passeio Público (1783), primeiro jardim de lazer do carioca, e pelo
Chafariz das Marrecas (1785, destruído em 1896). Seu projeto reporta-se às idéias iluministas de bem-estar,
civilidade, higienização, progresso, que deveriam transformar a capital brasileira numa cidade moderna. Tal
projeto simboliza também uma natureza dominada pela razão e ação do homem.

Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa215791/mestre-valentim

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REFERÊNCIAS E
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A Arte Brasileira entre os séculos XVI e XVIII: Arquitetura Colonial e Barroco | 8º ano do Ensino Fundamental 19
Fontes
Apostilas do DAV – Departamento de Artes Visuais do Colégio Pedro II
CHICO MENDES, CHICO VERÍSSIMO E WILLIAM BITTAR – Arquitetura no Brasil de Cabral a Dom João VI\
Enciclopedia ItauCultural – http://enciclopedia.itaucultural.org.br
JOHN BURY – Arquitetura e Arte no Brasil Colonial
MYRIAM A. R. DE OLIVEIRA, SONIA G. PEREIRA E ANGELA A. DA LUZ – História da Arte no Brasil: textos
de síntese
NIREU CAVALCANTI – O Rio de Janeiro setecentista
PAULO SANTOS - A formação da cidade no Brasil Colonial

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