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Prefeitura de Macaíba-RN

História recente do Brasil, do Estado do Rio Grande do Norte e Região. ............................................ 1


Notícias nacionais e internacionais atuais referentes a temas sócio/econômico/político/cultural,
veiculados pela imprensa nos últimos 12 (doze) meses ......................................................................... 48

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Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97


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História recente do Brasil, do Estado do Rio Grande do Norte e Região

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BRASIL REPÚBLICA

A palavra República possui várias interpretações, sendo a mais comum a identificação de um sistema
de governo cujo Chefe de Estado é eleito através do voto dos cidadãos ou de seus representantes, com
poderes limitados e com tempo de governo determinado.
A República tem seu nome derivado do termo em latim Res publica, que significa algo como “coisa
pública” ou “coisa do povo”.
Em 15 de novembro de 1889 foi instituída a República no Brasil. Entre os fatores responsáveis para o
acontecimento, estão a crise que se instalou sobre o império, os atritos com a Igreja e o desgaste
provocado pela abolição da escravidão. Com a Guerra do Paraguai e o fortalecimento do exército, os
ideais republicanos começaram a ganhar força, sendo abraçados também por parte da elite cafeicultora
do Oeste Paulista.

O Movimento Republicano e a Proclamação da República

Mesmo com a manutenção do sistema escravista e de latifúndio exportador, na segunda metade do


século XIX o Brasil começou a experimentar mudanças, tanto na economia como na sociedade.
O café, que já era um produto em ascensão ganhou mais destaque quando cultivado no Oeste Paulista.
Juntamente com o café na região amazônica a borracha também ganhava mercado.
Com a ameaça do fim da escravidão, começaram os incentivos para a vinda de trabalhadores
assalariados gerando o surgimento de um modesto mercado interno, além da criação de pequenas
indústrias. Surgiram diversos organismos de crédito e as ferrovias ganhavam cada vez mais espaço,
substituindo boa parte dos transportes terrestres, marítimos e fluviais.
As mudanças citadas acima não alcançaram todo o território brasileiro. Apenas a porção que hoje
abrange as regiões Sul e Sudeste foram diretamente impactadas, levando inclusive ao crescimento dos
núcleos urbanos. Em outras partes como na região Nordeste, o cultivo da cana-de-açúcar e do algodão,
que por muito tempo representaram a maior parte das exportações nacionais, entravam em declínio.
Muitos dos produtores e da população dessas regiões em desenvolvimento passavam a questionar o
centralismo político existente no império brasileiro que tirava a autonomia local. A solução para resolver
os problemas advindos da mudança pela qual o país passava foi encontrada no sistema federalista, capaz
de garantir a tão desejada autonomia regional. Não é de se espantar que entre os principais apoiadores
do sistema federalista estivessem os produtores de café do oeste paulista, que passavam a reivindicar
com mais força seus interesses econômicos.
Apesar das influências republicanas nas revoltas e tentativas de separação desde o século XVIII, foi
apenas na década de 1870, com a publicação do Manifesto Republicano, que o ideal foi consolidado
através da sistematização partidária.
O Manifesto foi publicado em 3 de dezembro de 1870, no jornal A República, redigido por Quintino
Bocaiúva, Saldanha Marinho e Salvador de Mendonça, e assinado por cinquenta e oito cidadãos entre
políticos, fazendeiros, advogados, jornalistas, médicos, engenheiros, professores e funcionários públicos.
Defendia o federalismo (autonomia para as Províncias administrarem seus próprios negócios) e criticava
o poder pessoal do imperador.
Após a publicação do Manifesto, entre 1870 e 1889 os ideais republicanos espalharam-se rapidamente
pelo país. Um dos principais frutos foi a fundação do Partido Republicano Paulista, fundado na Convenção
de Itu em 1873 e marcado pela heterogeneidade de seus membros e da efetiva participação dos
cafeicultores do Oeste Paulista.
Os republicanos brasileiros divergiam em seus ideais, criando duas tendências dentro do partido: A
Tendência Evolucionista e a Tendência Revolucionária.

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Defendida por Quintino Bocaiuva, a Tendência Evolucionista partia do princípio de que a transição
do império para a república deveria ocorrer de maneira pacífica, sem combates. De preferência após a
morte do imperador.
Já a Tendência Revolucionária, defendida por Silva Jardim e Lopes Trovão, dizia que a República
precisava “ser feita nas ruas e em torno dos palácios do imperante e de seus ministros” e que não se
poderia “dispensar um movimento francamente revolucionário”. A eleição de Quintino Bocaiúva (maio de
1889) para a chefia do Partido Republicano Nacional expurgou dos quadros republicanos as ideias
revolucionárias.
O final da Guerra do Paraguai (1870) aumentou os antagonismos entre o Exército e a Monarquia. O
exército institucionalizava-se. Os militares sentiam-se mal recompensados e desprezados pelo Império.
Alguns jovens oficiais, influenciados pela doutrina de Augusto Comte (positivismo) e liderados por
Benjamin Constant, sentiam-se encarregados de uma "missão salvadora" e estavam ansiosos por corrigir
os vícios da organização política e social do país. A "mística da salvação nacional" não era privativa deste
pequeno grupo de jovens. Generalizara-se entre os militares a ideia de que só os homens de farda eram
"puros" e "patriotas", ao passo que os civis, as “casacas” como diziam eram corruptos venais e sem
nenhum sentimento patriótico.
A Proclamação resultou da conjugação de duas forças: o exército descontente, e o setor cafeeiro da
economia, pretendendo este eliminar a centralização vigente por meio de uma República Federativa que
imporia ao país um sistema favorável a seus interesses.
Portanto, a Proclamação não significou uma ruptura no processo histórico brasileiro: a economia
continuou dependente do setor agroexportador. Afora o trabalho assalariado, o sistema de produção
continuou o mesmo e os grupos dominantes continuaram a sair da camada social dos grandes
proprietários. Houve apenas uma modernização institucional.
O golpe militar promovido em 15 de novembro de 1889 foi reafirmado com a proclamação civil de
integrantes do Partido Republicano, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Ao contrário do que
aparentou, a proclamação foi consequência de um governo que não mais possuía base de sustentação
política e não contou com intensa participação popular. Conforme salientado pelo ministro Aristides Lobo,
a proclamação ocorreu às vistas de um povo que assistiu tudo de forma bestializada.

O Governo Provisório e a República da Espada

Proclamada a República, o primeiro desafio era estabelecer um governo. O Marechal Deodoro da


Fonseca ficou responsável por assumir a função de Presidente até que um novo presidente fosse eleito.
Os primeiros atos decretados por Deodoro foram o banimento da Família Real do Brasil, estabelecimento
de uma nova bandeira nacional, separação entre Estado e Igreja (criação de um Estado Laico, porém não
laicista), liberdade de cultos, secularização dos cemitérios e a Grande Naturalização, ato que garantiu a
todos os estrangeiros que moravam no Brasil a cidadania brasileira, desde que não manifestassem dentro
de seis meses a vontade de manter a nacionalidade original.
No plano econômico, Rui Barbosa assumiu o cargo de Ministro da Fazenda lançando uma política de
incentivo ao setor industrial, caracterizada pela facilitação dos créditos bancários, a especulação de ações
e a emissão de papel-moeda em excesso. As medidas tomadas por Rui Barbosa que buscavam
modernizar o país, acabaram por gerar uma forte crise que provocou o aumento da inflação e da dívida
pública, a quebra de bancos e empobrecimento de pequenos investidores. Essa dívida ficou conhecida
como Encilhamento.
Em 24 de fevereiro de 1891 foi eleito um Congresso Constituinte, responsável por promulgar a primeira
Constituição republicana brasileira, elaborada com forte influência do modelo norte-americano. O Poder
Moderador, de uso exclusivo do imperador foi extinto, assim como o cargo de Primeiro-Ministro, a
vitaliciedade dos senadores, as eleições legislativas indiretas e o voto censitário.
Em relação ao poder do Estado, foi adotado o sistema de tripartição entre Executivo, Legislativo e
Judiciário, com um sistema presidencialista de voto direto com mandato de 4 anos sem reeleição. As
províncias, que agora eram denominadas Estados, foram beneficiadas com uma maior autonomia através
do Sistema Federalista.
Em relação ao voto, antes censitário, foi declarado o sufrágio universal masculino, ou seja, “todos” os
homens alfabetizados e maiores de 21 anos poderiam votar. Na prática o voto ainda continuava restrito,
visto que eram excluídos os mendigos, os padres e os praças (soldados de baixa patente). No Brasil de
1900, cerca de 35%1 da população era alfabetizada. Desse total ainda estavam excluídas as mulheres,

1
Souza, Marcelo Medeiros Coelho de. O analfabetismo no brasil sob enfoque demográfico. Cad. Pesqui. Jul 1999, no.107, p.169-186. ISSN 0100-1574

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já que mesmo sem uma regra explícita de proibição na constituição, “considerou-se implicitamente que
elas estavam impedidas de votar”2
A Constituição também determinava que a primeira eleição para presidente deveria ser indireta através
do Congresso. Deodoro da Fonseca venceu a eleição por 129 votos a favor e 97 contra, resultado
considerado apertado na época. Para o cargo de vice-presidente o Congresso elegeu o marechal Floriano
Peixoto.
A atuação de Deodoro foi encarada com suspeita pelo Congresso, já que ele buscava um
fortalecimento do Poder Executivo baseado no antigo Poder Moderador. Deodoro substituiu o ministério
que vinha do governo provisório por um outro, que seria comandado pelo Barão de Lucena, tradicional
político monárquico. Em 3 de novembro de 1891 o presidente fechou o Congresso, prometendo novas
eleições e a revisão da Constituição.
A intenção do marechal era limitar e igualar a representação dos Estados na Câmara, o que atingia os
grandes Estados que já possuíam uma participação maior na política. Sem obter o apoio desejado dentro
das forças armadas, Deodoro acabou renunciando em 23 de novembro de 1891, assumindo em seu lugar
o vice Floriano Peixoto.
Floriano tinha uma visão de República baseada na construção de um governo estável e centralizado,
com base no exército e no apoio dos jovens das escolas civis e militares. A visão de Floriano chocava-se
diretamente com a visão dos grandes fazendeiros, principalmente os produtores de café de São Paulo
que almejavam um Estado liberal e descentralizado. Apesar das diferenças, o presidente e os fazendeiros
conviveram em certa harmonia, pela percepção de que sem Floriano a República corria o risco de acabar,
e sem o apoio dos fazendeiros, Floriano não conseguiria governar.
Os dois primeiros governos republicanos no Brasil ganharam o nome de República da Espada devido
ao fato de seus presidentes serem membros do exército.

A Revolução Federalista
Desde o período imperial, o Rio Grande do Sul fora palco de protestos e indignações com o governo,
como pode ser observado na Revolução Farroupilha, que durou de 1835 até 1845. Com a Proclamação
da República, a política no Estado manteve-se instável, com diversas trocas no cargo de presidente
estadual. Conforme aponta Fausto, entre 1889 e 1893, dezessete governos se sucederam no comando
do Estado3, até que Júlio de Castilhos assumiu o poder no Estado.
Dois grupos disputavam o controle do Rio Grande do Sul: o Partido Republicano Rio-grandense (PRR)
e o Partido Federalista (PF).
O Partido Republicano era composto por políticos defensores do positivismo, apoiadores de Júlio de
Castilhos e de Floriano Peixoto. Sua base política era composta principalmente de imigrantes e habitantes
do litoral e da Serra do Rio Grande do Sul, formando uma elite política recente. Durante o conflito foram
conhecidos como Pica-paus.
O Partido Federalista defendia um sistema de governo parlamentarista e a revogação da constituição
do Estado, de caráter positivista. Foi fundado em 1892 e tinha como líder o político Silveira Martins,
conhecida figura política do Partido Liberal durante o império. A base de apoio do Partido Federalista era
composta principalmente de estancieiros de campanha, que dominaram a cena política durante o império.
Durante o conflito ganharam o apelido de Maragatos.
O conflito teve início em fevereiro de 1893, quando os federalistas, descontentes com a imposição do
governo de Júlio de Castilhos, pegaram em armas para derrubar o presidente estadual. Desde o início da
revolta, Floriano Peixoto, então presidente do Brasil, colocou-se do lado dos republicanos. Os opositores
de Floriano em todo o país passaram a apoiar os federalistas.
No final de 1893 os federalistas ganharam o apoio da Revolta Armada que teve início no Rio de Janeiro,
causada pelas rivalidades entre o exército e a marinha e o descontentamento do almirante Custódio José
de Melo, frustrado em sua intenção de suceder Floriano Peixoto na presidência.
Parte da esquadra naval comandada pelo almirante deslocou-se para o Sul, ocupando a cidade de
Desterro (atual Florianópolis), em Santa Catarina, e a partir daí ocupando parte do Paraná e a capital
Curitiba. O prolongamento do conflito, com grandes custos aos revoltosos, levou à decisão de recuar e
manter-se no Rio Grande do Sul.
A revolta teve fim somente em agosto de 1895, quando os combatentes maragatos depuseram as
armas e assinaram um acordo de paz com o presidente da república, garantindo a anistia para os
participantes do conflito. Apesar de curta, a Revolução Federalista teve um saldo de mais de 10.000
mortos, a maior parte deles de prisioneiros capturados em conflitos e mortos posteriormente, o que
garantiu o apelido de “revolução da degola”.
2
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1999. Página 251.
3
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1999.

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Características da Primeira República

O período que vai de 1889, data da Proclamação da República, até 1930, quando Getúlio Vargas
assumiu o poder, é conhecido como Primeira República. O período é marcado pela dominação de poucos
grupos políticos, conhecidos como oligarquias, pela alternância de poder entre os estados de São Paulo
e Minas Gerais (política do café-com-leite), e pelo poder local exercido pelos Coronéis.
Com a saída dos militares do governo em 1894, teve início o período chamado República das
Oligarquias. A palavra Oligarquia vem do grego oligarkhía, que significa “governo de poucos”. Os grupos
dominantes, em geral ligados ao café e ao gado, impunham sua vontade sobre o governo, seja pela via
legal, seja através de fraudes nas votações e criação de leis específicas para beneficiar o grupo
dominante.

O Coronelismo
Durante o período regencial, espaço entre a abdicação de D. Pedro I e a coroação de D. Pedro II,
diversas revoltas e tentativas de separação e instalação de uma república aconteceram no Brasil. Sem
condições de controlar todas as revoltas, o governo regencial, pela sugestão de Diogo Feijó, criou a
Guarda Nacional.
Com o propósito de defender a constituição, a integridade, a liberdade e a independência do Império
Brasileiro, sua criação desorganiza o Exército e começa a se constituir no país uma força armada
vinculada diretamente à aristocracia rural, com organização descentralizada, composta por membros da
elite agrária e seus agregados. Para compor os quadros da Guarda nacional era necessário possuir
amplos direitos políticos, ou seja, pelas determinações constitucionais, poderiam fazer parte dela apenas
aqueles que dispusessem de altos ganhos anuais.
Com a criação da Guarda e suas exigências para participação, surgiram os coronéis, que eram
grandes proprietários rurais que compravam suas patentes militares do Estado. Na prática, eles foram
responsáveis pela organização de milícias locais, responsáveis por manter a ordem pública e proteger os
interesses privados daqueles que as comandavam. O coronelismo esteve profundamente enraizado no
cenário político brasileiro do século XIX e início do século XX.
Após o fim da República da Espada, os grupos ligados ao setor agrário ganharam força na política
nacional, gerando uma maior relevância para os coronéis no controle dos interesses e na manutenção da
ordem social. Como comandantes de forças policiais locais, os coronéis configuravam-se como uma
autoridade quase inquestionável nas áreas rurais.
A autoridade do coronel, além de usada para manter a ordem social, era exercida principalmente
durante as eleições, para garantir que o candidato ou grupo político que ele representasse saísse
vencedor. A oposição ao comando do coronel poderia resultar em violência física, ameaças e
perseguições, o que fazia com que muitos votassem a contragosto, para evitar as consequências de
discordar da autoridade local, gerando uma prática conhecida como Voto de Cabresto.
Na república velha, o sistema eleitoral era muito frágil e fácil de ser manipulado. Os coronéis
compravam votos para seus candidatos ou trocavam votos por bens materiais. Como o voto era aberto,
os coronéis mandavam os capangas para os locais de votação, com o objetivo de intimidar os eleitores e
ganhar os votos. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais
eleitorais.
Os coronéis costumavam alterar votos, sumir com urnas e até mesmo patrocinavam a prática do voto
fantasma. Este último consistia na falsificação de documentos para que pessoas pudessem votar várias
vezes ou até mesmo utilizar o nome de falecidos nas votações.
Dessa forma, a vontade política do coronel era atendida, garantindo que seus candidatos fossem
eleitos em nível municipal e também estadual, e garantindo também participação na esfera federal.

Prudente de Morais

Floriano tentou garantir que seu sucessor fosse um aliado político, porém as poucas bases de apoio
de que dispunha não lhe foram suficientes para concretizar o desejo. No dia 1 de março de 1894 foi eleito
o paulista Prudente de Morais, encerrando o governo de membros do exército, que só voltariam ao poder
em 1910, com a eleição do marechal Hermes da Fonseca.
Prudente buscou desvincular o exército do governo, substituindo os cargos que eram ocupados por
militares por civis, principalmente representantes da cafeicultura, promovendo uma descentralização do
poder.
Suas principais bandeiras eram a de uma república forte, em oposição às tendências liberais,
antimonarquistas e antilusitanas.

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Campos Salles

Em 1898 o paulista Manuel Ferraz de Campos Salles assumiu a presidência no lugar de Prudente de
Morais. Antes mesmo de assumir o governo, Campos Salles renegociou a dívida brasileira, que vinha se
arrastando desde os tempos do império.
Para resolver a situação, ele se reuniu com os credores e estabeleceu um acordo chamado Funding-
Loan. Este acordo consistia no seguinte: o Brasil fazia empréstimos e atrasava o pagamento da dívida,
fazendo concessões aos banqueiros nacionais. Como consequência a indústria e o comércio foram
afetados e as camadas pobres e a classe média também foram prejudicadas.
A transição de governos consolidou as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais no poder. O único
entrave para um governo harmônico eram as disputas políticas entre as oligarquias locais nos Estados.
O governo federal acabava intervindo nas disputas, porém, a incerteza de uma colaboração duradoura
entre os Estados e a União ainda permanecia. Outro fator que não permitia uma plena consolidação
política era a vontade do executivo em impor-se ao legislativo, mesmo com a afirmação na Constituição
de que os três poderes eram harmônicos e independentes entre si.
A junção desses fatores levou Campos Salles a criar um arranjo político capaz de garantir a
estabilidade e controlar o legislativo, que ficou conhecido como Política dos Governadores.
Basicamente, a política dos governadores apoiava-se em uma ideia simples: o presidente apoiava as
oligarquias estaduais mais fortes, e em troca, essas oligarquias apoiavam e votavam nos candidatos
indicados pelo presidente.
Na Câmara dos Deputados, uma mudança simples garantiu o domínio. Conhecida como Comissão de
Verificação de poderes, essa ferramenta permitia decidir quais políticos deveriam integrar a Câmara e
quais deveriam ser “degolados”, que na gíria política da época significava ser excluído.
Quando ocorriam eleições para a Câmara, os vencedores em cada estado recebiam um diploma. Na
falta de um sistema de justiça eleitoral, ficava a cargo da comissão determinar a validade do diploma. A
comissão era escolhida pelo presidente temporário da nova Câmara eleita, o que até antes da reforma
de Campos Salles significava o mais velho parlamentar eleito.
Com a reforma, o presidente da nova Câmara deveria ser o presidente do mandato anterior, desde
que reeleito. Dessa forma, o novo presidente da Câmara seria sempre alguém ligado ao governo, e caso
algum deputado oposicionista ou que desagradasse o governo fosse eleito, ficava mais fácil removê-lo
do poder.

Convênio de Taubaté
Desde o período imperial o café figurava como principal produto de exportação brasileiro,
principalmente após a segunda década do século XIX. Consumido em larga escala na Europa e nos
Estados Unidos, o cultivo da planta espalhou-se pelo vale do Paraíba fluminense e paulista. Continuando
sua marcha ascendente, houve expansão dos cafeeiros na província de Minas Gerais (Zona da Mata e
sul do estado), ao mesmo tempo em que a produção se consolidava no interior de São Paulo,
principalmente no “Oeste Paulista”.
A grande oferta causada pela produção em excesso levou a uma queda do preço, visto que havia mais
produto no mercado e menos pessoas interessadas em adquiri-lo.
O convênio de Taubaté foi um acordo firmado em 1906, último ano do mandato de Rodrigues Alves
(1902-1906), entre os presidentes dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, na cidade
de Taubaté (SP), com o objetivo de pôr em prática um plano de valorização do café, garantindo o preço
do produto por meio da compra, pelo governo federal, do excedente da produção. O acordo foi firmado
mesmo contra a vontade do presidente, e foi efetivamente aplicada por seu sucessor, Afonso Pena.

O Tratado de Petrópolis e a Borracha


O espaço físico que constitui o Estado do Acre, era, até o início do século XX, considerado uma zona
não descoberta, um território contestado pelos governos boliviano e brasileiro.
Em 1839, Charles Goodyear descobriu o processo de Vulcanização, que consistia em misturar enxofre
com borracha a uma temperatura elevada (140ºC/150ºC) durante certo número de horas. Com esse
processo, as propriedades da borracha não se alteravam pelo frio, calor, solventes comuns ou óleos.
Apesar do surto econômico e da procura do produto, favorável para a Amazônia brasileira, havia um
sério problema para a extração do látex: a falta de mão-de-obra.
Isso foi solucionado com a chegada à região de nordestinos (Arigós) que vieram fugindo da seca de
1877. Prisioneiros, exilados políticos e trabalhadores nordestinos misturavam-se nos seringais do Acre,
fundavam povoações, avançavam e se estabeleciam em pleno território boliviano.

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A exploração brasileira na região incomodava o governo boliviano, que resolveu tomar posse definitiva
do Acre. Fundou a vila de Puerto Alonso, em 03 de janeiro de 1889, e foram instalados postos da
alfândega para arrecadar tributos originados da comercialização de borracha silvestre. Essa atitude
causou revolta entre os quase sessenta mil brasileiros que trabalhavam nos seringais acreanos.
Liderados pelo seringalista José Carvalho, do Amazonas, os seringueiros rebelaram-se e expulsaram as
autoridades bolivianas, em 03 de maio de 1889.
Após o episódio, um espanhol chamado Luiz Galvez Rodrigues de Aurias liderou outra rebelião, de
maior alcance político, proclamando a independência e instalando o que ele chamou de República do
Acre, no local conhecido como Seringal Volta da Empresa, em 14 de julho de 1889. Galvez, o “Imperador
do Acre”, como auto proclamava-se, contava com o apoio político do governador do Amazonas, Ramalho
Junior. Entretanto, a República do Acre durou apenas oito meses. O governo brasileiro, signatário do
Tratado de Ayacucho, de 23 de março de 1867, reconheceu o direito de posse da Bolívia, prendeu Luiz
Galvez Rodrigues de Aurias e devolveu o Acre ao governo boliviano.
Mesmo com a devolução do Acre aos bolivianos, a situação continuava insustentável. O clima de
animosidade persistia e aumentava a cada dia. Em 11 de julho de 1901, o governo boliviano decidiu
arrendar o Acre a um grupo de empresários americanos, ingleses e alemães, formado pelas empresas
Conway and Withridge, United States Rubber Company, e Export Lumber. Esse consórcio constituiu o
Bolivian Syndicate que recebeu da Bolívia autorização para colonizar a região, explorar o látex e formar
sua própria milícia, com direito de utilizar a força para atender seus interesses.
Os seringueiros brasileiros, a maior parte formada por nordestinos, não aceitaram a situação.
Estimulados por grandes seringalistas e apoiados pelos governadores do Amazonas e do Pará, deram
início, no dia 06 de agosto de 1902, a uma rebelião armada: a Revolta do Acre. Os seringalistas
entregaram a chefia do movimento rebelde ao gaúcho José Plácido de Castro, ex-major do Exército,
rebaixado a cabo por participar da Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, ao lado dos Maragatos.
A Revolta por ele liderada, financiada por seringalistas e por dois governadores de Estado, fortalecia-
se a cada dia, na medida em que recebia armamentos, munições, alimentos, além de apoio político e
popular. Em todo o país ocorreram manifestações em favor da anexação do Acre ao Brasil.
A imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo exigia do governo brasileiro imediatas providências em
defesa dos acreanos. Por seu lado, o governo brasileiro procurava solucionar o impasse pela via
diplomática, tendo à frente das negociações o diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão
do Rio Branco. Mas todas as tentativas eram inócuas e os combates entre brasileiros e bolivianos
tornavam-se mais frequentes e acirrados.
Em meio aos conflitos, o presidente da Bolívia, general José Manuel Pando, organizou sob seu
comando uma poderosa expedição militar para combater os brasileiros do Acre. O presidente do Brasil,
Rodrigues Alves, ordenou que tropas do Exército e da Armada Naval, acantonadas no Estado de Mato
Grosso, avançassem para a região em defesa dos seringueiros acreanos. O enfrentamento de tropas
regulares do Brasil e da Bolívia gerou a Guerra do Acre.
As tropas brasileiras, formadas por dois regimentos de infantaria, um de artilharia e uma divisão naval,
ajudaram Plácido de Castro a derrotar o último reduto boliviano no Acre, Puerto Alonso, hoje Porto Acre.
Em consequência, no dia 17 de novembro de 1903, na cidade de Petrópolis, as repúblicas do Brasil e da
Bolívia firmaram o Tratado de Petrópolis, através do qual o Brasil ficou de posse do Acre, assumindo o
compromisso de pagar uma indenização de dois milhões de libras esterlinas ao governo boliviano e mais
114 mil ao Bolivian Syndicate.
O Tratado de Petrópolis, aprovado pelo Congresso brasileiro em 12 de abril de 1904, também obrigou
o Brasil a realizar o antigo projeto do governo boliviano de construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré.
A Bolívia, aproveitando-se do momento político, colocou na pauta de negociações seu ambicionado
projeto. Em contrapartida, reconheceu a prioridade de chegada dos primeiros brasileiros à região e
renunciou a todos os direitos sobre as terras do Acre.

O declínio da borracha
Em 1876, Henry Alexander Wyckham contrabandeou sementes de seringueiras da região situada entre
os rios Tapajós e Madeira e as mandou para o Museu Botânico de Kew, na Inglaterra. Muitas das
sementes brotaram nos viveiros e poucas semanas depois, as mudas foram transportadas para o Ceilão
e Malásia.
Na região asiática as sementes foram plantadas de forma racional e passaram a contar com um grande
número de mão-de-obra, o que possibilitou uma produção expressiva, já no ano de 1900. Gradativamente,
a produção asiática foi superando a produção amazônica e, em 1912 há sinais de crise, culminando em
1914, com a decadência deste ciclo na Amazônia brasileira.

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Para a economia nacional, a borracha teve suma importância nas exportações, visto que em 1910, o
produto representou 40% das exportações brasileiras. Para a Amazônia, o primeiro Ciclo da Borracha foi
importante pela colonização de nordestinos na região e a urbanização das duas grandes cidades
amazônicas: Belém do Pará e Manaus.
Durante o seu apogeu, a produção de borracha foi responsável por aproximadamente 1/3 do PIB do
Brasil. Isso gerou muita riqueza na região amazônica e trouxe tecnologias que outras cidades do sul e
sudeste do Brasil ainda não possuíam, tais como bondes elétricos e avenidas construídas sobre pântanos
aterrados, além de edifícios imponentes e luxuosos, como o Teatro Amazonas, o Palácio do Governo, o
Mercado Municipal e o prédio da Alfândega, no caso de Manaus, o Mercado de São Brás, Mercado
Francisco Bolonha, Teatro da Paz, Palácio Antônio Lemos, corredores de mangueiras e diversos
palacetes residenciais no caso de Belém.

Industrialização e Greves
Ao ser proclamada a República em 1889, existiam no Brasil 626 estabelecimentos industriais, sendo
60% do ramo têxtil e 15% do ramo de produtos alimentícios. Em 1914, o número já era de 7.430 indústrias,
com 153.000 operários.
Após o incentivo para abertura de novas indústrias decorrentes do período de 1914 a 1918, em que a
Europa esteve em guerra, diversas empresas produtoras principalmente de matéria-prima iniciaram
atividades no Brasil. Em 1920, o número havia subido para 13.336, com 275.000 operários. Até 1930,
foram fundados mais 4.687 estabelecimentos industriais.
Há que se levar em conta que a industrialização se concentrou no eixo Rio-São Paulo e,
secundariamente, no Rio Grande do Sul. O empresariado industrial era oriundo do café, do setor
importador e da elite dos imigrantes.
Durante o período republicano fica evidente o descaso das autoridades governamentais com os
trabalhadores. O país passava por um momento de industrialização e os trabalhadores começam a se
organizar.
Em sua maioria imigrantes europeus que possuíam uma forte influência dos ideais anarquistas e
comunistas, os primeiros trabalhadores das fábricas brasileiras possuíam um discurso inflamado,
convocando os colegas a se unirem em associações que resultariam posteriormente na fundação dos
primeiros sindicatos de trabalhadores.
Os líderes dos movimentos operários buscavam melhores condições de trabalho para seus colegas
como redução de jornada de trabalho e segurança no trabalho. Lutavam contra a manutenção da
propriedade privada e do chamado “Estado Burguês”.
Ocorreram entre 1903 e 1906 greves de pouca expressão pelo país, através de movimentos de
tecelões, alfaiates, portuários, mineradores, carpinteiros e ferroviários. Em contrapartida, o governo
brasileiro criou leis para impedir o avanço dos movimentos, como uma lei expulsando os estrangeiros que
fossem considerados uma ameaça à ordem e segurança nacional.
A greve mais significativa do período ocorreu em 1917, a Greve Geral em São Paulo, que contou com
os trabalhadores dos setores alimentício, gráfico, têxtil e ferroviário como mais atuantes. O governo, para
reprimir o movimento utilizou inclusive forças do Exército e da Marinha.
A repressão cada vez mais dura do governo através de leis, decretos e uso de violência acabou
sufocando os movimentos grevistas, que acabaram servindo de base para a criação no ano de 1922,
inspirado pelo Partido Bolchevique Russo, do PCB, Partido Comunista Brasileiro. Os sindicatos também
começam a se organizar no período.

Revoltas

Guerra de Canudos
A revolta em Canudos deve ser entendida como um movimento messiânico, ou seja, a aglomeração
em torno de uma figura religiosa capaz de reunir fiéis e trazer a esperança de uma vida melhor através
de pregações.
Canudos formou-se através da liderança de Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido também por
Antônio Conselheiro, um beato que, andando pelo sertão pregava a salvação por meio do abandono
material, exigindo que seus fiéis o seguissem pelo sertão nordestino.
Perseguido pela Igreja, e com um número significativo de fiéis, Antônio Conselheiro estabeleceu-se no
sertão baiano, à margem do Rio Vaza-Barris, formando o Arraial de Canudos. Ali fundou a cidade santa,
à qual dera o nome de Belo Monte, administrada pelo beato, que contava com vários subchefes, cada
qual responsável por um setor (comandante da rua, encarregado da segurança e da guerra, escrivão de
casamentos, entre outros).

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A razão para o crescimento do arraial em torno da figura de Antônio Conselheiro pode ser explicada
pela pobreza dos habitantes do sertão nordestino, aliada à fome e a insatisfação com o governo
republicano, sendo o beato um aberto defensor da volta da monarquia.
A comunidade de Canudos, assim, sobrevivia e prosperava, mantendo-se por via das trocas com as
comunidades vizinhas.
Devido a um incidente entre os moradores do arraial e o governo da Bahia - uma questão mal resolvida
em relação ao corte de madeira na região - o governo estadual resolveu repreender os habitantes,
enviando uma tropa ao local. Apesar das poucas condições materiais dos moradores, a tropa baiana foi
derrotada, o que levou o presidente da Bahia a apelar para as tropas federais.
Canudos manteve-se firme diante das ameaças, derrotando duas expedições de tropas federais
municiadas de canhões e metralhadoras, uma delas comandada pelo Coronel Antônio Moreira César,
também conhecido como "corta-cabeças" pela fama de ter mandado executar mais de cem pessoas na
repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. A incapacidade do governo federal em conter os
revoltosos, com derrotas vergonhosas, gerou diversas revoltas no Rio de Janeiro.
Com a intenção de resolver de vez o problema, foi organizada a 4ª expedição militar ao vilarejo, com
8.000 soldados sob o comando do general Artur de Andrade Guimarães. Dotada de armamento moderno,
a expedição levou um mês e meio para vencer os sertanejos, finalmente arrasando o arraial em agosto
de 1897, quando os últimos defensores do vilarejo foram capturados e degolados.
Canudos foi incendiada para evitar que novos moradores se estabelecessem no local. Nos jornais e
também no pensamento do governo federal, a vitória sobre Canudos foi uma vitória “da civilização sobre
a barbárie”.
Os combates ocorridos em Canudos foram contados pelo Jornalista Euclides da Cunha, em seu livro
Os Sertões. O livro busca trazer um relato do ocorrido, através do ponto de vista do autor, que possuía
uma visão de “raça superior”, comum do pensamento científico da época. De acordo com esse
pensamento, o mestiço brasileiro seria uma raça de características inferiores, que estava destinada ao
desaparecimento por conta do avanço da civilização.
Não só Euclides da Cunha pensava da mesma forma. O pensamento racial baseado em teorias
científicas foi comum no Brasil da virada do século XX.

A Guerra do Contestado
Na virada do século XX uma grande parte da população que vivia no interior do estado era composta
por sertanejos, pessoas de origem humilde, que viviam na fronteira com o Paraná. A região foi palco de
um intenso conflito por posse de terras, ocorrido entre 1912 e 1916, que ficou conhecido como Guerra do
Contestado.
O conflito teve início com a implantação de uma estrada de ferro que ligaria o Rio Grande do Sul a São
Paulo, além de uma madeireira, em 1912, de propriedade do empresário Norte-Americano Percival
Farquhar.
A Brazil Railway ficou responsável pela construção da estrada de ferro que ligaria os dois pontos.
Como forma de remuneração por seus serviços, o governo cedeu à companhia uma extensa faixa de
terra ao longo dos trilhos, aproximadamente 15 quilômetros de cada margem do caminho.
As terras doadas pelo governo foram entregues à empresa na categoria de terras devolutas, ou seja,
terras não ocupadas pertencentes à união. O ato desconsiderou a presença de milhares de pessoas que
habitavam a região, porém não possuíam registros de posse sobre a terra.
Apesar do contrato firmado, de que as terras entregues à companhia pudessem ser habitadas somente
por estrangeiros, o principal interesse do empresário era a exploração da madeira que se encontrava na
região, em especial araucárias e imbuias, com alto valor de mercado. Não tardou para a criação da
Southern Brazil Lumber and Colonization Company, responsável por explorar a extração da madeira e
que posteriormente tornou-se a maior empresa do gênero na América do Sul.
A derrubada da floresta implicava necessariamente em remover os antigos moradores regionais,
gerando conflitos imediatos. Os sertanejos encontraram na figura de monges que vagavam pelo sertão
pregando a palavra de Deus a inspiração e a liderança para lutar contra o governo e as empresas
estrangeiras. O primeiro Monge que criou pontos de resistência ficou conhecido como José Maria.
Adorado pela população local, o monge era visto pelos sertanejos como um salvador dos pobres e
oprimidos, e pelo governo como um empecilho para os trabalhos de construção da estrada de ferro.
O governo e as empresas investiram fortemente na tentativa de expulsão dos sertanejos, e em 1912
próximo ao vilarejo de Irani ocorreu uma intensa batalha entre governo e população, causando a morte
do Monge. A morte do líder causou mais revolta nos sertanejos, que intensificaram a resistência, unindo
sua crença em outras figuras que despontavam como lideranças, como Maria Rosa, uma jovem de quinze

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anos de idade, que foi considerada por historiadores como Joana D'Arc do sertão. A jovem afirmava
receber ordens espirituais de batalha do Monge Assassinado.
O conflito foi tomado como prioridade pelo governo federal, que investiu grande potencial bélico na
contenção dos revoltosos, como fuzis, canhões, metralhadoras e aviões. O conflito acaba em 1916 com
a captura dos últimos lideres revoltosos. Assim como em Canudos, a Revolta do Contestado foi marcada
por um forte caráter messiânico.

A Revolta da Vacina
A origem dessa revolta ocorrida no Rio de Janeiro deve ser procurada na questão social gerada pelas
desigualdades sociais e agravada pela reurbanização do Distrito Federal pelo prefeito Pereira Passos.
O grande destaque do período foi a Campanha de Saneamento no Rio de Janeiro, dirigida por Oswaldo
Cruz. Decretando-se a vacinação obrigatória contra a varíola, ocorreu o descontentamento popular.
Isso ocorreu devido a forma que a campanha foi conduzida, onde os agentes usavam da força para
entrar nas casas e vacinar a população. Não houve uma campanha prévia para conscientização e
educação. Disso se aproveitaram os militares e políticos adversários de Rodrigues Alves.
Assim, irrompeu a Revolta da Vacina (novembro de 1904), sob a liderança do senador Lauro Sodré.
O levante foi rapidamente dominado, fortalecendo a posição do presidente.

Revolta da Chibata4
A Revolta da Chibata ocorreu em 22 de novembro de 1910 no Rio de Janeiro. Entre outros, foi motivada
pelos castigos físicos que os marinheiros brasileiros recebiam. As faltas graves eram punidas com 25
chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.
O estopim da revolta se deu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250
chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra
estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros,
desencadeou a revolta.
O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já
na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo.
O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o
fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso
não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de
Janeiro (então capital do Brasil).

Segunda Revolta5
Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos.
Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão
de alguns deles. A insatisfação retornou e no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta
na Ilha das Cobras.
Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram
presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida
eram desumanas alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a
Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.
O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de
Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que participaram
da revolta.

O Cangaço no Nordeste6
Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), ganharam força, no nordeste
brasileiro, grupos de homens armados, conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em
função principalmente das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio que concentrava
terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava a margem da sociedade a maioria da população.
Existiram três tipos de cangaço na história do sertão:

O defensivo, de ação esporádica na guarda de propriedades rurais, em virtude de ameaças de índios,


disputa de terras e rixas de famílias;
O político, expressão do poder dos grandes fazendeiros;
O independente, com características de banditismo.
4
http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/revolta-da-chibata
5
http://www.abi.org.br/abi-homenageia-filho-do-lider-da-revolta-da-chibata/
6
http://www.seja-ead.com.br/2-ensino-medio/ava-ead-em/3-ano/03-ht/aula-presencial/aula-5.pdf

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O Cangaço pode ser entendido como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por
parte dos cangaceiros, que andavam em bandos armados e espalhavam o medo pelo sertão nordestino.
Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção
de resgates. A população que respeitava e acatava as ordens dos cangaceiros era muitas vezes
beneficiada por suas atitudes. Essa característica fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até
mesmo admirados por parte da população da época.
Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos
policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação
cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que
possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou
obterem esconderijos.
Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o bando
comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do
Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930.
De 1921 a 1934, Lampião dividiu seu bando em vários subgrupos, dentre os quais os chefiados por
Corisco, Moita Brava, Português, Moreno, Labareda, Baiano, José Sereno e Mariano. Entre seus bandos,
Lampião sempre teve grande apreço pelo bando de Corisco, conhecido como “Diabo Loiro” e também
grande amigo de Virgulino.
Lampião morreu numa emboscada armada por uma volante7, junto com a mulher Maria Bonita e outros
cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais públicos,
pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.
A morte de lampião atingiu o movimento do Cangaço como um todo, enfraquecendo e dividindo os
grupos restantes. Corisco foi morto em uma emboscada no ano de 1940, encerrando de vez o cangaço
no Nordeste.

A Semana de Arte Moderna de 1922

O ano de 1922 representou um marco na arte e na cultura brasileira, com a realização da Semana de
Arte Moderna, de 11 a 18 de fevereiro. A exposição marcava uma tentativa de introduzir elementos
brasileiros nos campo da arte e da cultura, vistas como dominadas pela influência estrangeira,
principalmente de elementos europeus, trazidos tanto pela elite econômica quanto por trabalhadores
imigrantes, principalmente italianos que trabalhavam na indústria paulista.
Na virada do século XX, São Paulo despontava como segunda maior cidade do país, atrás apenas do
Rio de Janeiro, capital nacional. Apesar de ocupar o segundo lugar em tamanho, a cidade possuía grande
taxa de industrialização, mais até que a capital, principalmente pelos recursos proporcionados pela
produção de café.
O contato proporcionado pelos novos meios de transporte e de comunicação proporcionou o contato
com novas tendências que rompiam com a estrutura das artes predominante desde o renascimento. Entre
elas estavam o futurismo, dadaísmo, cubismo, e surrealismo.
No Brasil, o espírito modernista foi apresentado por autores como Euclides da Cunha, Monteiro Lobato,
Lima Barreto e Graça Aranha, que se desligaram de uma literatura de “falsas aparências”, procurando
discutir ou descobrir o “Brasil real”, frequentemente “maquiado” pelo pensamento acadêmico. As novas
tendências apareceram em 1917, em trabalhos: da pintora Anita Malfatti, do escultor Brecheret, do
compositor Vila Lobos e do intelectual Oswaldo de Andrade.
Os modernistas foram buscar inspiração nas imagens da indústria, da máquina, da metrópole, do
burguês e do proletário, do homem da terra e do imigrante.
Entre os escritores modernistas, o que melhor reflete o espírito da Semana é Oswald de Andrade. De
maneira geral, sua produção literária reflete a sociedade em que se forjou sua formação cultural: o
momento de transição que une o Brasil agrário e patriarcal ao Brasil que caminha para a modernização.
Ao lado de Oswald de Andrade, destaca-se como ponto alto do Modernismo a figura de Mário de Andrade,
principal animador do movimento modernista e seu espírito mais versátil. Cultivou a poesia, o romance,
o conto, a crítica, a pesquisa musical e folclórica.

7
Tropa ligeira, que não transporta artilharia nem bagagem.

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. 10
Os anos 1920 e a crise política8

Após a Primeira Guerra Mundial, a classe média urbana passava cada vez mais a participar da política.
A presença desse grupo tendia a garantir um maior apoio a políticos e figuras públicas apoiados em um
discurso liberal, que defendesse as leis e a constituição, e fossem capazes de transformar a República
Oligárquica em República Liberal. Entre as reivindicações estavam o estabelecimento do voto secreto, e
a criação de uma Justiça Eleitoral capaz de conter a corrupção nas eleições.
Em 1919, Rui Barbosa, que já havia sido derrotado em 1910 e 1914, entrou novamente na disputa
como candidato de oposição, enfrentando o candidato Epitácio Pessoa, que concorria como novo
sucessor pelo PRM (Partido Republicano Mineiro).
Permanecendo ausente do Brasil durante toda a campanha, devido à sua atuação na Conferência de
Paz da França, Epitácio venceu Rui Barbosa no pleito realizado em abril de 1919 e retornou ao Brasil em
julho para assumir a presidência da República.
Apesar da derrota, o candidato oposicionista conseguiu atingir cerca de um terço dos votos, sem
nenhum apoio da máquina eleitoral, inclusive conquistando a vitória no Distrito Federal.
Mesmo com o acordo de apoio conseguido com a Política dos Governadores, e o controle estabelecido
por São Paulo e Minas Gerais no revezamento de poder a partir da década de 1920, estados com uma
participação política e econômica considerada mediana resolveram interferir para tentar acabar com a
hegemonia da política do “Café com Leite”.
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia se uniram nas eleições presidenciais de 1922,
lançando um movimento político de oposição - a Reação Republicana - que lançou o nome do fluminense
Nilo Peçanha contra o candidato oficial, o mineiro Artur Bernardes.
A chapa oposicionista defendia a maior independência do Poder Legislativo frente ao Executivo, o
fortalecimento das Forças Armadas e alguns direitos sociais do proletariado urbano. Todas essas
propostas eram apresentadas num discurso liberal de defesa da regeneração da República brasileira.
O movimento contou com a adesão de diversos militares descontentes com o presidente Epitácio
Pessoa, que nomeara um civil para a chefia do Ministério da Guerra. A Reação Republicana conseguiu,
em uma estratégia praticamente inédita na história brasileira, desenvolver uma campanha baseada em
comícios populares nos maiores centros do país. O mais importante deles foi o comício na capital federal,
quando Nilo Peçanha foi ovacionado pelas massas.
Em outubro de 1921, os ânimos dos militares foram exaltados com a publicação de cartas no Jornal
Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, assinadas com o nome do candidato Artur Bernardes e endereçadas
ao líder político mineiro Raul Soares. Em seu conteúdo, criticavam a conduta do ex-presidente e Marechal
do Exército, Hermes da Fonseca, por ocasião de um jantar promovido no Clube Militar.
As cartas puseram lenha na fogueira da disputa, deixando os militares extremamente insatisfeitos com
o candidato. Pouco antes da data da eleição dois falsários assumiram a autoria das cartas e comprovaram
tratar-se de uma armação. A conspiração não teve maiores consequências, e as eleições puderam
transcorrer normalmente em março de 1922.
Como era de se esperar, a vitória foi de Artur Bernardes. O problema foi que nem a Reação
Republicana nem os militares aceitaram o resultado. Como o governo se manteve inflexível e não aceitou
a proposta da oposição de rever o resultado eleitoral, o confronto se tornou apenas uma questão de
tempo.

O Tenentismo9
Após a Primeira Guerra Mundial, vários oficiais jovens de baixa patente, principalmente tenentes (e
daí deriva o nome do movimento tenentista) sentiam-se insatisfeitos. Os soldos permaneciam baixos e o
governo não fazia menção de aumentá-los. Havia um grande número deles, e as promoções eram muito
lentas. Um segundo-tenente podia demorar dez anos para alcançar a patente de capitão.
Sua reinvindicações oficiais foram contra a desorganização e o abandono em que se encontrava o
exército brasileiro. Com o tempo os líderes do movimento chegaram à conclusão de que os problemas
que enfrentavam não estavam apenas no exército, mas também na política.
Com a intenção de fazer as mudanças acontecerem, os revoltosos pressionaram o governo, que não
se prontificou a atendê-los, o que gerou movimentos de tentativa de tomada de poder por meio dos
militares. Esse programa conquistou ampla simpatia da opinião pública urbana, mas não houve
mobilização popular e nem mesmo engajamento de dissidências oligárquicas à revolução (com exceção
do Rio Grande do Sul), daí o seu isolamento e o seu fracasso.

8
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CrisePolitica
9
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CrisePolitica/MovimentoTenentista

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Os 18 do Forte
Como citado anteriormente, a vitória de Artur Bernardes em março de 1922 não agradou os setores
oposicionistas. Durante o período em que aguardava para assumir a posse, que acontecia no dia 15 de
novembro, houveram diversos protestos contra o mineiro.
Em junho, o governo federal interveio durante a sucessão estadual em Pernambuco, fato que foi
extremamente criticado por Hermes da Fonseca. O presidente Epitácio Pessoa, que ainda exercia o
poder, mandou prender o ex-presidente e ordenou o fechamento do Clube Militar em 2 de julho.
As ações de Epitácio geraram uma crise que culminou em uma série de levantes na madrugada de 5
de julho. Na capital federal, levantaram-se o forte de Copacabana, guarnições da Vila Militar, o forte do
Vigia, a Escola Militar do Realengo e o 1° Batalhão de Engenharia; em Niterói, membros da Marinha e do
Exército; em Mato Grosso, a 1ª Circunscrição Militar, comandada pelo general Clodoaldo da Fonseca, tio
do marechal Hermes. No Rio de Janeiro, o movimento foi comandado pelos "tenentes", uma vez que a
maioria da alta oficialidade se recusou a participar do levante.
Os rebeldes localizados no Forte de Copacabana passaram a disparar seus canhões contra diversos
redutos do Exército, forçando inclusive o comando militar a abandonar o Ministério da Guerra. As forças
legais revidaram, e o forte sofreu sério bombardeio.
Os revoltosos continuaram sua resistência até a tarde de 6 de julho, quando resolveram abandonar o
Forte e marchar pela Avenida Atlântica, indo de encontro às forças do governo que enfrentavam.
Em uma troca de tiros com as forças oficiais, morreram quase todos os revoltosos, que ficaram
conhecidos como “Os 18 do Forte de Copacabana”. Apesar do nome atribuído ao grupo, as fontes de
informação da época não são exatas, com vários jornais divulgando números diferentes. Os únicos
sobreviventes foram os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes, com graves ferimentos.

A Revolta de 192410
Os participantes das Revoltas de 1922 foram julgados e punidos em dezembro de 1923, acusados de
tentar promover um golpe de Estado. Novamente o exército teve suas relações com o governo federal
agravadas, com uma tensão crescente que gerou uma nova revolta militar, novamente na madrugada,
em 5 de julho de 1924 em São Paulo, articulada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, pelo major
Miguel Costa, comandante do Regimento de Cavalaria da Força Pública do estado, e pelo tenente
Joaquim Távora, este último morto durante os combates. Tiveram ainda participação destacada os
tenentes Juarez Távora, Eduardo Gomes, João Cabanas, Filinto Müller e Newton Estillac Leal.
O objetivo do movimento era depor o presidente Artur Bernardes, cujo governo transcorria, desde o
início, sob estado de sítio permanente e sob vigência da censura à imprensa.
Entre as primeiras ações dos revoltosos, ganhou prioridade a ocupação de pontos estratégicos, como
as estações da Luz, da Estrada de Ferro Sorocabana e do Brás, além dos quartéis da Força Pública,
entre outros.
Logo após a ocupação, no dia 8 de julho o presidente de São Paulo, Carlos de Campos, deixou o
palácio dos Campos Elíseos, sede do governo paulista na época. No dia seguinte, os rebeldes instalaram
um governo provisório chefiado pessoalmente pelo general Isidoro. O ato foi respondido com um intenso
bombardeio das tropas legalistas sobre a cidade, principalmente em bairros operários de São Paulo na
região da zona leste. Os bairros da Mooca, Brás, Belém e Cambuci foram os mais atingidos pelo
bombardeio.
A partir do dia 16, sucederam-se as tentativas de armistício. Um dos principais mediadores foi José
Carlos de Macedo Soares, membro da Associação Comercial de São Paulo. Num primeiro momento, o
general Isidoro condicionou a assinatura de um acordo à entrega do poder a um governo federal provisório
e à convocação de uma Assembleia Constituinte. A negativa do governo federal, somada às
consequências do bombardeio da cidade, reduziu as exigências dos revoltosos à concessão de uma
anistia ampla aos revolucionários em 1922 e 1924. Entretanto, nem essa reivindicação foi atendida.
Como as exigências dos revoltosos não foram atendidas e a pressão do governo aumentava, a solução
foi mudar a estratégia. Em 27 de julho os revoltosos abandonaram a cidade, indo em direção a Bauru, no
interior do Estado. O deslocamento foi facilitado graças a eclosão de diversas revoltas no interior, com a
tomada de prefeituras.
Àquela altura, já haviam eclodido rebeliões militares no Amazonas, em Sergipe e em Mato Grosso em
apoio ao levante de São Paulo, mas os revoltosos paulistas desconheciam tais acontecimentos.
Em outubro, enquanto os paulistas combatiam em território paranaense, tropas sediadas no Rio
Grande do Sul iniciaram um levante, associadas a líderes gaúchos contrários à situação estadual. As

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http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CrisePolitica/Levantes1924

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forças rebeladas juntaram-se aos paulistas em Foz do Iguaçu, no Paraná, no mês de abril de 1925.
Formou-se assim o contingente que deu início à marcha da Coluna Prestes.

A Coluna Prestes
Enquanto alguns militares se rebelavam em São Paulo, Luís Carlos Prestes, também militar,
organizava outro grupo no Rio Grande do Sul. Em abril de 1925, as duas frentes de oposição, a Paulista
liderada por Miguel Costa, e a Gaúcha, por Prestes, uniram-se em Foz do Iguaçu e partiram para uma
caminhada pelo Brasil.
Sempre vigiados por soldados do governo, os revoltosos evitavam confrontos diretos com as tropas,
por meio de táticas de guerrilha.
Por meio de comícios e manifestos, a Coluna denunciava à população a situação política e social do
país. Num primeiro momento, não houve muitos resultados, porém o movimento ajudou a balançar as
bases já enfraquecidas do sistema oligárquico e a preparar caminho para a Revolução de 1930.
A Coluna Prestes durou 2 anos e 3 meses, percorrendo cerca de 25 mil quilômetros através de treze
estados do Brasil. Estima-se que a Coluna tenha enfrentado mais de 50 combates contra as tropas
governistas, sem sofrer derrotas.
A passagem da Coluna Prestes, gerava reações diversas na população. Como forma de desmoralizar
o movimento, o governo condenava os rebeldes e associavam suas ações a assassinos e bandidos.
Iniciando a marcha, a coluna concluiu a travessia do rio Paraná em fins de abril de 1925 e adentrou no
Paraguai com a intenção de chegar a Mato Grosso. Posteriormente percorreu Goiás, entrou em Minas
Gerais e retornou a Goiás.
Após a passagem por Goiás, a Coluna partiu para o Nordeste, chegando em novembro ao Maranhão,
ocasião em que o tenente-coronel Paulo Krüger foi preso e enviado a São Luís. Em dezembro, penetrou
no Piauí e travou em Teresina sério combate com as forças do governo. Rumando então para o Ceará, a
coluna teve outra baixa importante: na serra de Ibiapina, Juarez Távora foi capturado.
Em janeiro de 1926, a coluna atravessou o Ceará, chegou ao Rio Grande do Norte e, em fevereiro,
invadiu a Paraíba, enfrentando na vila de Piancó séria resistência comandada pelo padre Aristides
Ferreira da Cruz, líder político local. Após ferrenhos combates, a vila acabou ocupada pelos
revolucionários.
Continuando rumo ao sul, a coluna atravessou Pernambuco e Bahia e retornou para Minas Gerais,
pelo norte do Estado. Encontrando vigorosa reação legalista e precisando remuniciar-se. O comando da
coluna decidiu interromper a marcha para o sul e, em manobra conhecida como "laço húngaro11", retornar
ao Nordeste através da Bahia. Cruzou o Piauí, alcançou Goiás e finalmente chegou de volta a Mato
Grosso em outubro de 1926.
Àquela altura, o estado-maior revolucionário decidiu enviar Lourenço Moreira Lima e Djalma Dutra à
Argentina, para consultar o general Isidoro Dias Lopes quanto ao futuro da coluna: continuar a luta ou
rumar para o exílio.
Entre fevereiro e março de 1927, afinal, após uma penosa travessia do Pantanal, parte da coluna,
comandada por Siqueira Campos, chegou ao Paraguai, enquanto o restante ingressou na Bolívia, onde
encontrou Lourenço Moreira Lima, que retornava da Argentina. Tendo em vista as condições precárias
da coluna e as instruções de Isidoro, os revolucionários decidiram exilar-se.
Durante o tempo em que passou na Bolívia, Prestes dedicou-se a leituras em busca de explicações
para a situação de atraso e miséria que presenciara em sua marcha pelo interior brasileiro. Em dezembro
de 1927 foi procurado por Astrojildo Pereira, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, que fora
incumbido de convidá-lo a firmar uma aliança entre "o proletariado revolucionário, sob a influência do
PCB, e as massas populares, especialmente as massas camponesas, sob a influência da coluna e de
seu comandante".
Prestes, contudo, não aceitou essa aliança. Foi nesse encontro que obteve as primeiras informações
sobre a Revolução Russa, o movimento comunista e a União Soviética. A seguir, mudou-se para a
Argentina, onde leu Marx e Lênin.

A defesa do café
Os acordos para a manutenção do preço do café elevaram a dívida brasileira, principalmente após as
emissões de moeda realizadas entre 1921 e 1923 por Epitácio Pessoa, o que gerou uma desvalorização
do câmbio e o aumento da inflação. Artur Bernardes preocupou-se em saldar a dívida externa brasileira,
retomando o pagamento dos juros e da dívida principal a partir do ano de 1927.

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Recebia esse nome devido ao percurso da manobra lembrar o desenho aplicado na platina dos uniformes dos oficiais de antigamente, o “laço húngaro”.

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Com o objetivo de avaliar a situação financeira do Brasil, em fins de 1923 uma missão financeira
inglesa, chefiada por Edwin Samuel Montagu chegou ao país. Após os estudos, a comissão apresentou
um relatório à presidência da República, em que apresentava os riscos decorrentes da emissão
exagerada de moeda e o consequente receio dos credores internacionais.
A defesa dos preços do café representava um gasto entendido pelo governo federal como secundário
nesse momento, mesmo em meio às críticas de abandono proferidas pelo setor cafeeiro. A solução foi
passar a responsabilidade da defesa do café para São Paulo. Em dezembro de 1924 foi criado o Instituto
de Defesa Permanente do Café, que possuía a função de regular a entrada do produto no Porto de Santos
e realizar compras do produto para evitar a desvalorização.

O governo de Washington Luís

Em 1926, mantendo a tradicional rotação presidencial entre São Paulo e Minas Gerais, o paulista
radicado Washington Luís foi indicado para a sucessão e saiu vencedor nas eleições de 1926. Seu
governo seguiu com relativa tranquilidade, até que em 1929 uma série de fatores, internos e externos,
mudaram de maneira drástica os rumos do Brasil.
No plano interno, a insatisfação das camadas urbanas, em especial da classe média, crescia cada vez
mais. A estrutura de governo baseada no poder das oligarquias, dos coronéis e da predominância dos
grandes proprietários e produtores de café da região de São Paulo não atendia as exigências e os anseios
de boa parte da população, que não fazia parte ou não era beneficiada pelo sistema de governo.
Em 1926 surgiu o Partido Democrático, de cunho liberal. O partido desponta como oposição ao PRP
(Partido Republicano Paulista), que repudiava o liberalismo na prática. Seus integrantes pertenciam a
uma faixa etária mais jovem em comparação aos republicanos, o que também contribuiu para agradar
boa parte da classe média insatisfeita com o PRP.
Formado por prestigiados profissionais liberais e filhos de fazendeiros de café, o partido tinha como
pauta a reforma do sistema político, através da implantação do voto secreto, da representação de
minorias, a real divisão dos três poderes e a fiscalização das eleições pelo poder judiciário.

A Sucessão de Washington Luís


Voltando à política do Café-com-leite, em 1929 começava a campanha para a escolha do sucessor de
Washington Luís. Pela tradição, o apoio deveria ser dado a um candidato mineiro, já que o presidente
que estava no poder fora eleito por São Paulo.
Ao invés de apoiar um candidato mineiro, Washington Luís insistiu na candidatura do governador de
São Paulo, Júlio Prestes. A atitude do presidente gerou intensa insatisfação em Minas Gerais, e ajudou
a alavancar o Rio Grande do Sul no cenário político.
O governador mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, que esperava ser o indicado para a
sucessão presidencial, propôs o lançamento de um movimento de oposição para concorrer contra a
candidatura de Júlio Prestes. O apoio partiu de outros dois estados insatisfeitos com a situação política:
Rio Grande do Sul e Paraíba.
Do Rio Grande do Sul surgiu, após inúmeras discussões entre os três estados, o nome de Getúlio
Vargas – governador gaúcho eleito em 1927, que fora Ministro da Fazenda de Washington Luís – para
presidente, tendo como vice o nome do governador da Paraíba e sobrinho do ex-presidente Epitácio
Pessoa, o pernambucano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.
Definidos os nomes, foi formada a Aliança Liberal, nome que definiu a campanha. O Partido
Democrático de São Paulo expressou seu apoio à candidatura de Getúlio Vargas, enquanto alguns
membros do Partido Republicano Mineiro resolveram apoiar Júlio Prestes.
A Aliança Liberal refletia os desejos das classes dominantes regionais que não estavam ligadas ao
café, buscando também atrair a classe média. Seu programa de governo defendia o fim dos esquemas
de valorização do café, a implantação de alguns benefícios aos trabalhadores, como a aposentadoria
(nem todos os setores possuíam), a lei de férias e a regulamentação do trabalho de mulheres e menores
de idade. Além disso, insistiam no tratamento com seriedade pelo poder público das questões sociais,
que Washington Luís afirmava serem “caso de polícia”. Um dos pontos marcantes da campanha da
Aliança Liberal foi a participação do proletariado.

Reflexos da Crise de 1929 no Brasil


No plano externo, a quebra da bolsa de valores de Nova York, seguida da crise que afetou grande
parte da economia mundial, também teve repercussões no Brasil.
O ano de 1929 rendeu uma excelente produção de café, tudo que os produtores não esperavam. A
colheita de quase 30 milhões de sacas na safra 1927-1928 representava aproximadamente o dobro da

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produção dos anos anteriores. Esperava-se que, devido a alternância entre boas e más safras 1929
representasse uma colheita baixa, já que as três últimas safras haviam sido boas.
Aliada a ideia de uma safra baixa, estava a expectativa de lucros certos, garantidos pela Defesa
Permanente do Café, o que levou muitos produtores a contraírem empréstimos e aumentarem suas
lavouras.
A produção, ao contrário do esperado, graças às condições climáticas e a implantação de novas
técnicas agrícolas. O excesso do produto foi de encontro com a crise, que diminuiu o consumo, e
consequente o preço do café. O resultado foi um endividamento daqueles que apostaram em preços altos
e não quitaram suas dívidas.
Em busca de salvação para os negócios, o setor cafeeiro recorreu ao governo federal na busca de
perdão das dívidas e de novos financiamentos. O presidente, temendo perder a estabilidade cambial,
recusou-se a ajudar o setor, fator que foi explorado politicamente pela oposição.
Apesar do esforço em tentar combater o candidato de Washington Luís, a Aliança Liberal não foi capaz
de derrotar Júlio Prestes, que foi eleito presidente em 1º de Março de 1930.

A Revolução de 1930

Em 1º de março de 1930 Júlio Prestes foi eleito presidente do Brasil conquistando 1.091.709 votos,
contra 742.794 votos recebidos por Getúlio Vargas. Ambos os lados foram acusados de cometer fraudes
contra o sistema eleitoral, seja manipulando votos, seja impondo votos forçados através de violência e
ameaça.
A derrota Getúlio Vargas nas eleições de 1930 não significou o fim da Aliança Liberal e sua busca pelo
controle do poder executivo. Os chamados “tenentes civis” acreditavam que ainda poderiam conquistar o
poder através das armas.
Buscando agir pelo caminho que o movimento tenentista havia tentado anos antes, os jovens políticos
buscaram fazer contato com militares rebeldes, que receberam a atitude com desconfiança. Entre os
motivos para o receio dos tenentes, estava o fato de que alguns nomes, como João Pessoa e Osvaldo
Aranha, estiveram envolvidos em perseguições, confrontos e condenações contra o grupo.
Porém, depois de conversas e desconfianças dos dois lados, os grupos chegaram a um acordo com a
adesão de nomes de destaque dos movimentos da década de 20, como Juarez Távora, João Alberto e
Miguel Costa. A grande exceção foi o nome de Luís Carlos Prestes, que em maio de 1930 declarou-se
abertamente como socialista revolucionário, e recusou-se a apoiar a disputa oligárquica.
Os preparativos para a tomada do poder não aconteceram da maneira esperada, deixando o
movimento conspiratório em uma situação de desvantagem. Porém, em 26 de julho de 1930 ocorreu um
fato que serviu de estopim para o movimento revolucionário: por volta das 17 horas, na confeitaria “Glória”,
em Recife, João Pessoa foi assassinado por João Duarte Dantas.
O crime, motivado tanto por disputas pessoais como por disputas públicas, foi utilizado como
justificativa para o movimento revolucionário, sendo explorado seu lado público, e transformado João
Pessoa em “mártir da revolução”.
A morte de João Pessoa foi extremamente explorada por seus aliados como elemento político para
concretizar os objetivos da revolução. Apesar de ter morrido no Nordeste e ser natural da região, o corpo
do presidente da Paraíba foi enterrado no Rio de Janeiro, então capital da República, fator que reuniu
uma enorme quantidade de pessoas para acompanhar o funeral. A morte de João Pessoa garantiu a
adesão de setores do exército que até então estavam relutantes em apoiar a causa dos revolucionários.
Feitos os preparativos, no dia 3 de outubro de 1930, nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul
e no Nordeste, estourou a revolução comandada por Getúlio Vargas e pelo tenente-coronel Góes
Monteiro. As ações foram rápidas e não encontraram uma resistência forte. No Nordeste, as operações
ficaram a cargo de Juarez Távora, que contando com a ajuda da população, conseguiu dominar
Pernambuco sem esforços.
Em virtude do maior peso político que os gaúchos detinham no movimento e sob pressão das forças
revolucionárias, a Junta finalmente decidiu transmitir o poder a Getúlio Vargas. Num gesto simbólico que
representou a tomada do poder, os revolucionários gaúchos, chegando ao Rio, amarraram seus cavalos
no Obelisco da avenida Rio Branco. Em 3 de novembro chegava ao fim a Primeira República.

Candidato(a), segue abaixo a lista completa dos presidentes da República Velha com a cronologia
correta:

- 1889-1891: Marechal Manuel Deodoro da Fonseca;


- 1891-1894: Floriano Vieira Peixoto;

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- 1894-1898: Prudente José de Morais e Barros;
- 1898-1902: Manuel Ferraz de Campos Sales;
- 1902-1906: Francisco de Paula Rodrigues Alves;
- 1906-1909: Afonso Augusto Moreira Pena (morreu durante o mandato)
- 1909-1910: Nilo Procópio Peçanha (vice de Afonso Pena, assumiu em seu lugar);
- 1910-1914: Marechal Hermes da Fonseca;
- 1914-1918: Venceslau Brás Pereira Gomes;
- 1918-1919: Francisco de Paula Rodrigues Alves (eleito, morreu de gripe espanhola, sem ter assumido
o cargo);
- 1919: Delfim Moreira da Costa Ribeiro (vice de Rodrigues Alves, assumiu em seu lugar);
- 1919-1922: Epitácio da Silva Pessoa;
- 1922-1926: Artur da Silva Bernardes;
- 1926-1930: Washington Luís Pereira de Sousa (deposto pela Revolução de 1930);
- 1930: Júlio Prestes de Albuquerque (eleito presidente em 1930, não tomou posse, impedido pela
Revolução de 1930);
- 1930: Junta Militar Provisória: General Augusto Tasso Fragoso, General João de Deus Mena Barreto,
Almirante Isaías de Noronha.

Questões

01. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário – História – FCC) Seu Mundinho, todo esse tempo
combati o senhor. Fui eu quem mandou atirar em Aristóteles. Estava preparado para virar Ilhéus do
avesso. Os jagunços estavam de atalaia, prontos para obedecer. Os meus e os outros amigos, para
acabar com a eleição. Agora tudo acabou.
(In: AMADO, Jorge. Gabriela, cravo e canela)

O texto descreve uma realidade que, na história do Brasil, identifica o


(A) tenentismo, que considerava o exército como a única força capaz de conduzir os destinos do povo.
(B) coronelismo, que se constituía em uma forma de o poder privado se manifestar por meio da política.
(C) mandonismo, criado com o objetivo de administrar os conflitos no interior das elites agrárias do
país.
(D) messianismo, entidade com poderes políticos capaz de subjugar a população por meio da força.
(E) integralismo, que consistia em uma forma de a oligarquia cafeeira demonstrar sua influência e
poder político.

02. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário – História – FCC) Para responder à questão, considere
o texto abaixo.
... A forma federativa deu ampla autonomia aos Estados, com a possibilidade de contrair empréstimos
externos, constituir forças militares próprias e uma justiça estadual.
[...] A representação na Câmara dos Deputados, proporcional ao número de habitantes dos Estados,
foi outro princípio aprovado...
[...] A aceitação resignada da candidatura Prudente de Moraes, que marcou o início da república civil
oligárquica, consolidada por Campos Sales, se deu em um momento difícil, quando Floriano dependia do
apoio regional [...].
(Adaptado de: FAUSTO, Boris. Pequenos ensaios de História da República (1889-1945). São Paulo: Cebrap, 1972, p. 2-4)

O principal mecanismo para a consolidação da república a que o texto se refere foi a


(A) política de “salvação nacional", desencadeada pelos militares ligados aos grandes fazendeiros
mineiros e paulistas com a finalidade de fortalecer o poder das oligarquias estaduais do sudeste.
(B) “campanha civilista" que defendia a regulamentação dos preços dos produtos de exportação e
garantia os empréstimos contraídos no exterior aos fazendeiros das grandes propriedades.
(C) “política dos governadores", que consistia na troca de apoio entre governo federal e governos
locais, com a finalidade de manter no poder os representantes dos grandes fazendeiros.
(D) política do “café-com-leite", que incentivava uma disputa acirrada entre os representantes dos
pequenos Estados e enfraquecia o poder dos fazendeiros paulistas e dos mineiros.
(E) política de “valorização do café" realizada pelos Estados contribuía para o enfraquecimento do
poder local e garantia a troca de favores entre os fazendeiros e o governo federal.

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03. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário – História – FCC) Ao contrário do que sucedeu na
Capital da República, as primeiras manifestações do movimento operário em São Paulo surgiram já sob
a inspiração de ideologias revolucionárias ou classistas – o anarquismo e, em muito menor grau, o
socialismo reformista. As condições sócio-políticas tendiam a confirmar as ideologias negadoras da
organização vigente na sociedade aos olhos da marginalizada classe operária nascente, estrangeira em
sua grande maioria. (...) O anarquismo se converteria, entretanto, na principal corrente organizatória do
movimento operário, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo.
(FAUSTO, Boris. Trabalho urbano e conflito social. São Paulo: s/data, p.60-62)

A corrente ideológica a que o texto se refere, e que dominou a cena do movimento operário brasileiro
durante a segunda década do século XX,
(A) pode ser tratada como um sistema de pensamento social visando a modificações fundamentais na
estrutura da sociedade com o objetivo de substituir a autoridade do Estado por alguma forma de
cooperação não governamental entre indivíduos livres.
(B) investe contra o capital e o Estado capitalista, pretendendo substitui-lo por uma livre associação
de produtores diretos, possuidores dos meios de produção e na organização do sindicato único como
meio de promover a emancipação das classes trabalhadoras.
(C) defende a coletivização dos meios de produção, a violência nas lutas operárias e dá ênfase ao
papel que os sindicatos desempenhariam na obra emancipadora dos trabalhadores e da sociedade, e na
luta operária para a conquista do Estado.
(D) argumenta que o sindicalismo operário deve ser o articulador da autogestão e um instrumento do
plano econômico e da unidade de produção, e que as diversas associações produtivas devem ser
coordenadas pelas federações sindicais ligadas ao Estado.
(E) inclina-se pelo caminho revolucionário ao sustentar a necessidade de realizar de imediato a tese
marxista segundo a qual o critério de distribuição de bens e serviços deveria ser determinada pelas
assembleias sindicais de cada Estado da Federação.

04. (SEE/AC - Professor de Ciências Humanas – FUNCAB) Leia o texto.

“O São Francisco lá pra cima da Bahia


Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato
que dizia que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão.”
(Sobradinho. Sá e Guarabyra.)

A expressão “O sertão vai virar mar” está associada a uma personagem de um importante movimento
messiânico do início da República brasileira.
O personagem referido é:
(A) João Cândido.
(B) Beato José Maria.
(C) Antônio Conselheiro.
(D) Marcílio Dias.
(E) Barão de Drumond.
Gabarito

01.B / 02.C / 03.A / 04.C

Comentários

01. Resposta: B
Durante a República Velha os grandes fazendeiros(coronéis) impunham seu poder através de seus
exércitos particulares de jagunços. O voto era aberto e os eleitores que moravam nas grandes fazendas
eram forçados a votar no candidato do coronel.

02. Resposta: C
A política dos governadores foi um sistema político não oficial, idealizado e colocado em prática pelo
presidente Campos Sales (1898 – 1902), que consistia na troca de favores políticos entre o presidente da

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República e os governadores dos estados. De acordo com esta política, o presidente da República não
interferia nas questões estaduais e, em troca, os governadores davam apoio político ao executivo federal.

03. Resposta: A
O anarquismo é o movimento político que defende a supressão de todas as formas de dominação e
opressão vigentes na sociedade moderna, dando lugar a uma comunidade mais fraterna e igualitária,
fruto de um esforço individual a partir de um árduo trabalho de conscientização. O anarquismo é
frequentemente apontado como uma ideologia negadora dos valores sociais e políticos prevalecentes no
mundo moderno como o estado laico, a lei, a ordem, a religião e a propriedade privada.

04. Resposta: C
Antônio Conselheiro foi o líder do arraial de canudos, no interior da Bahia, local em que ocorreu a
guerra de canudos, revolta de grande repercussão no período republicano.

A ERA VARGAS

Dentro das divisões históricas do período republicano, a “Era Vargas” é dividida em três intervalos
distintos:
1 - um período provisório, quando assume o governo após o movimento de 1930;
2 - um período constitucional, quando eleito após a promulgação da Constituição de 1934, e;
3 - um autoritário, com o golpe de 1937, que deu início ao período conhecido como Estado Novo.

PERÍODO PROVISÓRIO

As Forças de oposição ao Regime Oligárquico


No decorrer das três primeiras décadas do século XX houveram uma série de manifestações operárias,
insatisfação dos setores urbanos e movimentos de rebeldia no interior do Exército (Tenentismo). Eram
forças de oposição ao regime oligárquico, mas que ainda não representavam ameaça à sua estabilidade.
Esse quadro sofreu uma grande modificação quando, no biênio 1921-30, a crise econômica e o
rompimento da política do café-com-leite por Washington Luís colocaram na oposição uma fração
importante das elites agrárias e oligárquicas. Os acontecimentos que se seguiram (formação da Aliança
Liberal, o golpe de 30) e a consequente ascensão de Vargas ao poder podem ser entendidos como o
resultado desse complexo movimento político.
Getúlio Vargas se apoiou em vários setores sociais liderados por frações das oligarquias descontentes
com o exclusivismo paulista sobre o poder republicano federal.

O Governo Provisório
Ao final da Revolução de 1930, com Washington Luís deposto e exilado, Getúlio Vargas foi empossado
como chefe do governo provisório. As medidas do novo governo tinham como objetivo básico promover
uma centralização política e administrativa que garantisse ao governo sediado no Rio de Janeiro o
controle efetivo do país. Em outras palavras, o federalismo da República Velha caía por terra.
Para atingir esse objetivo, foram nomeados interventores para governar os estados. Eram homens de
confiança, normalmente oriundos do Tenentismo, cuja tarefa era fazer cumprir em cada estado as
determinações do governo provisório.
Esse fato e o adiamento que Getúlio Vargas foi impondo à convocação de novas eleições
desencadearam reações de hostilidade ao seu governo, especialmente no Estado de São Paulo. As
eleições dariam ao país uma nova Constituição, um presidente eleito pela população e um governo com
legitimidade jurídica e política. Mas poderia também significar a volta ao poder dos derrotados na
Revolução de 30.

A Reação Paulista
A oligarquia paulista estava convencida da derrota que sofreu em 24 de outubro de 1930, mas não
admitia perder o controle do Executivo em “seu” próprio estado. A reação paulista começou com a não
aceitação do interventor indicado para São Paulo, o tenentista João Alberto. Às pressões pela indicação
de um interventor civil e paulista, se somou à reivindicação de eleições para a Constituinte. Essas teses
foram ganhando rapidamente simpatia popular.
As manifestações de rua começaram a ocorrer com o apoio de todas as forças políticas do Estado, até
por aquelas que tinham simpatizado com o movimento de 1930 (exemplo do Partido Democrático - PD).
Diante das pressões crescentes, Getúlio resolveu negociar com a oligarquia paulista, indicando um

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interventor do próprio Estado. Isso foi interpretado como um sinal de fraqueza. Acreditando que poderiam
derrubar o governo federal, os oligarcas articularam com outros estados uma ação nesse sentido.
Manifestações de rua intensificaram-se em São Paulo. Numa delas, quatro jovens, Miragaia, Martins,
Dráusio e Camargo (MMDC) foram mortos e se transformaram em mártires da luta paulista em nome da
legalidade constitucional. Getúlio, por seu lado, aprovou outras “concessões”: elaborou o código eleitoral
(que previa o voto secreto e o voto feminino), mandou preparar o anteprojeto para a Constituição e marcou
as eleições para 1933.

A Revolução Constitucionalista de 1932


A oligarquia paulista, entretanto, não considerava as concessões suficientes. Baseada no apoio
popular que conseguira obter e contando com a adesão de outros estados, desencadeou em 9 de julho
de 1932, a chamada Revolução Constitucionalista.
Ela visava a derrubada do governo provisório e a aprovação imediata das medidas que Getúlio
protelava. Entretanto, o apoio esperado dos outros estados não ocorreu e, depois de três meses, a revolta
foi sufocada. Até hoje, o caráter e o significado da Revolução Constitucionalista de 1932 geram polêmicas.
De qualquer forma, é inegável que o movimento teve duas dimensões:
No plano mais aparente, predominaram as reivindicações para que o país retornasse à normalidade
política e jurídica, baseadas numa expressiva participação popular. Nesse sentido, alguns destacam que
o movimento foi um marco na luta pelo fortalecimento da cidadania no Brasil.
Num plano menos aparente, mas muito mais ativo, estava o rancor das elites paulistas, que viam no
movimento uma possibilidade de retomar o controle do poder político que lhe fora arrebatado em 1930.
Se admitirmos que existiu uma revolução em 1930, o que aconteceu em São Paulo em 1932, foi a
tentativa de uma contra revolução, pois visava restaurar uma supremacia que durante mais de 30 anos
fez a nação orbitar em torno dos interesses da cafeicultura. Nesse sentido, o movimento era marcado por
um reacionarismo elitista, contrário ao limitado projeto modernizador de 1930.

As Leis Trabalhistas
Como forma de garantir o apoio popular, Getúlio Vargas consolidou um conjunto de leis que garantiam
direitos aos trabalhadores, destacando-se entre eles: salário mínimo, jornada de oito horas,
regulamentação do trabalho feminino e infantil, descanso remunerado (férias e finais de semana),
indenização por demissão, assistência médica, previdência social, entre outras.
A formalização dessa legislação trabalhista teve vários significados e implicações. Representou a
primeira modificação importante na maneira de o Estado enfrentar a questão social e definiu as regras a
partir das quais o mercado de trabalho e as relações trabalhistas poderiam se organizar. Garantiu, assim,
uma certa estabilidade ao crescimento econômico. Por fim, foi muito útil para obter o apoio dos
assalariados urbanos à política getulista.
Essa legislação denota a grande habilidade política de Getúlio. Ele apenas formalizou um conjunto de
conquistas que, em boa parte, já vigoravam nas relações de trabalho nos principais centros industriais.
Com isso, construiu a sua imagem como “Pai dos Pobres” e benfeitor dos trabalhadores.

O Controle Sindical
A aprovação da legislação sindical representou um grande avanço nas relações de trabalho no Brasil,
pois pela primeira vez o trabalhador obtinha individualmente amparo nas leis para resistir aos excessos
da exploração capitalista.
Por outro lado, paralelamente à sua implantação, o Estado definiu regras extremamente rígidas para
a organização dos sindicatos, entre as quais a que autorizava o seu funcionamento (Carta Sindical), as
que regulavam os recursos da entidade e as que davam ao governo direito de intervir nos sindicatos,
afastando diretorias se julgasse necessário. Mantinha, assim, os sindicatos sob um controle rigoroso.

PERÍODO CONSTITUCIONAL

Eleições Presidenciais de 1934


Uma vez promulgada a Constituição de 1934, a Assembleia Constituinte converteu-se em Congresso
Nacional e elegeu o presidente da República por via indireta: o próprio Getúlio. Começava o período
constitucional do governo Vargas.

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O Governo Constitucional e a Polarização Ideológica
Durante esse período, simultaneamente à implantação do projeto político do governo, foram se
desenhando duas ideologias para o país: uma defendia um nacionalismo conservador, a outra, um
nacionalismo revolucionário.

- Nacionalismo conservador
Esse movimento contava com o apoio das classes médias urbanas, Igreja e setores do Exército. O
projeto que seus apoiadores tinham em mente decorria da leitura que eles faziam da história do país até
aquele momento.
Segundo os conservadores, o aspecto que marcava mais profundamente a formação histórica do país
e do seu povo era a tradição agrícola. Desde o descobrimento, toda a vida econômica, social e política
organizou-se em torno da agricultura. Todos os nossos valores morais, regras de convivência social,
costumes e tradições fincavam suas raízes no modo de vida rural.
Dessa forma, tudo o que ameaçava essa “tradição agrícola” (estímulos a outros setores da economia,
crescimento da indústria, expansão da urbanização e suas consequências, como a propagação de novos
valores, hábitos e costumes tipicamente urbanos) representava um atentado contra a integridade e o
caráter nacional, uma corrupção da nossa identidade como povo e nação.
O movimento se caracterizava como nacionalista e conservador por ser contrário a transformações
modernizadoras de origem externa (induzidas pela industrialização, vanguardas artísticas europeias,
etc.).
Para que a coerência com a nossa identidade histórica fosse mantida, os ideólogos do nacionalismo
conservador propunham o seguinte: os latifúndios (grandes propriedades rurais) deveriam ser divididos
em pequenas parcelas de terras a ser distribuídas. Assim, as famílias retornariam ao campo tornando o
Brasil uma grande comunidade de pequenos e prósperos proprietários.
Podemos concluir a partir desse ideário, que eram antilatifundiários e antiindustrialistas. Na esfera
política, defendiam um regime autoritário de partido único.
Nesse contexto o maior defensor dessas ideias foi o movimento que recebeu o nome de Ação
Integralista Brasileira (AIB), cujo lema era Deus, Pátria e Família, que tinha como seu principal líder e
ideólogo Plínio Salgado.
Tradicionalmente, a AIB também é interpretada como uma manifestação do nazifascismo no Brasil,
pela semelhança entre os aspectos aparentes do integralismo e do nazifascismo: uniformes, tipo de
saudação, ultranacionalismo, feroz anticomunismo, tendências ditatoriais e apelo à violência eram traços
que aproximavam as duas ideologias.
Um exame mais atento, entretanto, mostra que eram projetos distintos. Enquanto o nazi fascismo era
apoiado pelo grande capital e buscava uma expansão econômico-industrial a qualquer custo, ao preço
de uma guerra mundial se necessário, os integralistas queriam voltar ao campo. Num certo sentido, o
projeto nazifascista era mais modernizante que o integralista. Assim, as semelhanças entre eles
escondiam propostas e projetos globais para a sociedade radicalmente distintos.

- Nacionalismo Revolucionário
Frações dos setores médios urbanos, sindicatos, associações de classe, profissionais liberais,
jornalistas e o Partido Comunista prestaram apoio a outro movimento político: o nacionalismo
revolucionário. Este defendia a industrialização do país, mas sem que isso implicasse subordinação e
dependência em relação às potências estrangeiras, como a Inglaterra e os Estados Unidos.
O nacionalismo revolucionário propunha uma reforma agrária como forma de melhorar as condições
de vida do trabalhador urbano e rural e potencializar o desenvolvimento industrial. Considerava que a
única maneira de realizar esses objetivos seria a implantação de um governo popular no Brasil. Esse
movimento deu origem à Aliança Nacional Libertadora, cujo presidente de honra era Luís Carlos Prestes,
então membro do Partido Comunista.

As Eleições de 1938
Contida a oposição de esquerda, o processo político evoluiu sem conflitos maiores até 1937. Nesse
ano, começaram a se desenhar as candidaturas para as eleições de 1938, destacando-se Armando Sales
Oliveira, paulista que articulava com outros estados sua eleição para presidente.
Getúlio Vargas, as oligarquias que lhe davam apoio e os militares herdeiros da tradição tenentista não
viam com bons olhos a possibilidade de retorno da oligarquia paulista ao poder. Uma vez mantido o
calendário eleitoral, isso parecia inevitável. Como forma de evitar que as eleições acontecessem, Getúlio
Vargas coloca em prática o famoso Plano Cohen.

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Segundo as informações oficiais, forças de segurança do governo tinham descoberto um plano de
tomada do poder pelos comunistas. Muito bem elaborado, esse plano colocava em risco as instituições
democráticas do país.
Para evitar o perigo vermelho, Getúlio Vargas solicitou ao Congresso Nacional a aprovação do estado
de sítio, que suspendia as liberdades públicas e dava ao governo amplos poderes para combater a
subversão.
PERÍODO AUTORITÁRIO

A Decretação do Estado de Sítio e o Golpe de 1937


A fração oligárquica paulista hesitava em aprovar a medida, mas diante do clamor do Exército, das
classes médias e da Igreja, que temiam a escalada comunista, o Congresso autorizou a decretação do
estado de sítio. A seguir, com amplos poderes concentrados em suas mãos, Getúlio Vargas outorgou
uma nova Constituição ao país, implantando, por meio desse golpe o Estado Novo.

Estado Novo (1937-1945)12


A ditadura estabelecida por Getúlio Vargas durou oito anos, indo de 1937 a 1945. Embora Vargas
agisse habilidosamente com o intuito de aumentar o próprio poder, não foi somente sua atuação que
gerou o Estado Novo. Pelo menos três elementos convergiam para sua criação:

1 - A defesa de um Estado forte por parte dos cafeicultores, que dependiam dele para manter os preços
do café;
2 - Os industriais, que seguiam a mesma linha de defesa dos cafeicultores, já que o crescimento das
indústrias dependia da proteção estatal;
3 - As oligarquias e classe média urbana, que assustavam-se com a expansão da esquerda e julgavam
que para “salvar a democracia” era necessário um governo forte.

Além disso Vargas tinha também o apoio dos militares, por alguns motivos:

- Por sua formação profissional, os militares possuíam uma visão hierarquizada do Estado, com
tendência a apoiar mais um regime autoritário do que um regime liberal;
- Os oficiais de tendência liberal haviam sido expurgados do exército por Vargas e pela dupla Góis
Monteiro-Gaspar Dutra13;
- Entre os oficiais do exército estava se consolidando o pensamento de que se deveria substituir a
política no exército pela política do exército. A política do exército naquele momento visava o próprio
fortalecimento, resultado atingido mais facilmente em uma ditadura.

Com todos esses fatores a seu favor, não houveram dificuldades para Getúlio instalar e manter por
oito anos a ditadura no país. Durante o período foi implacável o autoritarismo, a censura, a repressão
policial e política e a perseguição daqueles que fossem considerados inimigos do Estado.

Política econômica do Estado Novo14


Por meio de interventores, o governo passou a controlar a política dos estados. Paralelamente a eles,
foi criado em cada um dos estados um Departamento Administrativo, que era diretamente subordinado
ao Ministério da Justiça com membros nomeados pelo presidente da república.
Cada Departamento Administrativo estudava e aprovava as leis decretadas pelo interventor e
fiscalizava seus atos, orçamentos, empréstimos, entre outros. Dessa forma os programas estaduais
ficavam subordinados ao governo federal.
Na área federal foi criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Além de
centralizar a reforma administrativa, o Departamento tinha poderes para elaborar o orçamento dos órgãos
públicos e controlar a execução orçamentária deles.
Com a criação do DASP e do Conselho Nacional de Economia, não só a atuação administrativa e
econômica do governo passou a ser muito mais eficiente, como também aumentou consideravelmente o
poder do Estado e do presidente da república, agora diretamente envolvido na solução dos principais
problemas econômicos do país, inclusive com a criação de órgãos especializados: o instituto do Açúcar
e Álcool, o Instituto do Mate, Instituto do Pinho, etc.

12
Adaptado de MOURA, José Carlos Pires. História do Brasil.
13
Ambos foram ministros da Guerra no período em que Vargas estava no poder. Monteiro (1934-1935). Dutra (1936-1945)
14
Referência: < http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos37-45/PoliticaAdministracao/DASP>

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Por meio dessas medidas, o governo conseguiu solucionar de maneira satisfatória os principais
problemas econômicos da época. A cafeicultura foi convenientemente defendida, a exportação agrícola
foi diversificada, a dívida externa foi congelada, a indústria cresceu rapidamente, a mineração de ferro e
carvão expandiu-se e a legislação trabalhista foi consolidada.
Com essas medidas, as elites enriqueceram, a classe média melhorou seu padrão de vida e o
operariado ganhou a proteção que lutou por anos para conseguir. Dessa forma, mesmo com a repressão
e perseguição política em seu regime, Vargas atingiu altos níveis de popularidade.
No período de 1937 a 1940, a ação econômica do Estado objetivava racionalizar e incentivar atividades
econômicas já existentes no Brasil. A partir de 1940, com a instalação de grandes empresas estatais, o
Estado alterou seu papel passando a ser um dos principais investidores do setor industrial.
Os investimentos estatais concentravam-se na indústria pesada, principalmente a siderurgia química,
mecânica pesada, metalurgia, mineração de ferro e geração de energia hidroelétrica. Esses eram setores
que exigiam grandes investimentos e garantiam retorno somente no longo prazo, o que não despertou o
interesse da burguesia brasileira.
Como saída, existiam duas opções para sua implantação: o investimento do capital estrangeiro ou o
investimento estatal. O segundo foi o escolhido. A iniciativa teve êxito graças a um pequeno número de
empresários e também do exército, que associava a indústria de base com a produção de armamentos,
entendendo-a como assunto de segurança nacional.
A maior participação do Estado na economia gerou a formação de novos órgãos oficiais de
coordenação e planejamento econômico, destacando-se:
CNP – Conselho Nacional do Petróleo (1938)
CNAEE – Conselho Nacional de Aguas e Energia Elétrica (1939)
CME – Coordenação da Mobilização Econômica (1942)
CNPIC – Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial (1944)
CPE – Comissão de Planejamento Econômico (1944)

As principais empresas estatais criadas no período foram:


CSN – Companhia Siderúrgica Nacional (1940)
CVRD – Companhia Vale do Rio Doce (1942)
CNA – Companhia Nacional de Álcalis (1943)
FNM – Fábrica Nacional de Motores (1943)
CHESF – Companhia Hidroelétrica do São Francisco (1945)

Desse modo, apesar da desaceleração do crescimento industrial ocasionado pela Segunda Guerra
Mundial devido à dificuldade para importar equipamentos e matéria-prima, quando o Estado Novo se
encerrou em 1945, a indústria brasileira estava plenamente consolidada.

Características políticas do Estado Novo


Pode até parecer estranho, mas a ditadura estadonovista possuía uma constituição, que é uma
característica das ditaduras brasileiras, onde a constituição afirmava o poder absoluto do ditador.
A nova constituição foi apelidada de “Polaca”, elaborada por Francisco Campos, o mesmo responsável
por criar o AI-1 (Ato Institucional) em 1964, que deu origem à ditadura militar no Brasil. A constituição
“Polaca” era extremamente autoritária e concedia poderes praticamente ilimitados ao governo.
Em termos práticos, o governo do Estado Novo funcionou da seguinte maneira:
- O poder político concentrava-se todo nas mãos do presidente da república;
- O Congresso Nacional, as Assembleias Estaduais e as Câmaras Municipais foram fechadas;
- O sistema judiciário ficou subordinado ao poder executivo;
- Os Estados eram governados por interventores nomeados por Vargas, os quais, por sua vez,
nomeavam os prefeitos municipais;
- A Polícia Especial (PE) e as polícias estaduais adquiriram total liberdade de ação, prendendo,
torturando e assassinando qualquer pessoa suspeita de se opor ao governo;
- A propaganda pela imprensa e pelo rádio foi largamente usada pelo governo, por meio do
Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Os partidos políticos foram fechados (até mesmo o Partido Integralista que mudou seu nome para
Associação Brasileira de Cultura.). Em 1938 os integralistas tentaram um golpe de governo que fracassou
em poucas horas. Seus principais líderes foram presos, inclusive Plínio Salgado, que foi exilado para
Portugal.

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Nesse meio tempo, o DIP e a PE prosseguiam seu trabalho. Chefiado por Lourival Fontes, o DIP era
incansável tanto na censura quanto na propaganda, voltada para todos os setores da sociedade –
operários, estudantes, classe média, crianças e militares – abrangendo assuntos tão diversos quanto
siderurgia, carnaval e futebol.
Procurava-se assim, formar uma ideologia estadonovista que fosse aceita pelas diversas camadas
sociais e grupos profissionais e intelectuais. Cabia também ao DIP o preparo das gigantescas
manifestações operárias, particularmente no dia 1º de Maio, quando os trabalhadores, além de
comemorarem o Dia do Trabalho, prestavam uma homenagem a Vargas, apelidado de “o pai dos
pobres”15.

Leis trabalhistas no governo de Getúlio Vargas


As concessões garantidas por Getúlio criavam a imagem de Estado disciplinando ao mercado de
trabalho em benefício dos assalariados, porém também serviram para encobrir o caráter controlador do
Estado sobre os movimentos operários.
O relacionamento entre Getúlio e os trabalhadores era muito interessante, temperado pelos famosos
discursos do governante nos quais sempre começavam pela frase “trabalhadores do Brasil...”. Utilizando
um modelo de política populista, Vargas, de um lado, eliminava qualquer liderança operária que tentasse
uma atuação autônoma em relação ao governo, acusando-a de “comunista”, enquanto por outro lado,
concedia frequentes benefícios trabalhistas ao operariado.
Desse modo, por meio de uma inteligente mistura de propaganda, repressão e concessões, Getúlio
obteve um amplo apoio das camadas populares.

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) entrou em vigor em 1943, durante a típica comemoração
do 1º de maio. Entre seus principais pontos estão:
- Regulamentação da jornada de trabalho – 8 horas diárias.
- Descanso de um dia semanal, remunerado.
- Regulamentação do trabalho e salário de menores.
- Obrigatoriedade de salário mínimo como base de salário.
- Direito a férias anuais.
- Obrigatoriedade de registro do contrato de trabalho na carteira do trabalhador.

As deliberações da CLT priorizaram em 1943 as relações do trabalhador urbano, praticamente


ignorando o trabalhador rural que ainda representava uma grande parcela da população. Segundo dados
do IBGE, em 1940 aproximadamente 70% da população brasileira estava na zona rural.
Essas pessoas não foram beneficiadas com medidas trabalhistas específicas, nem com políticas que
facilitassem o acesso à terra e à propriedade.
Para organizar os trabalhadores rurais, a partir da década de 1950 surgiram movimentos sociais como
as Ligas Camponesas, as Associações de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, até o mais estruturado
destes movimentos, o MST (Movimento dos Trabalhadores dos Trabalhadores Rurais Sem Terra),
nascido nos encontros da CPT- Comissão Pastoral da Terra, em 1985, no Paraná.
Enquanto isso, a PE continuava agindo: prendia pessoas, sendo que a maioria jamais foi julgada,
ficando apenas presas e sendo torturadas durante anos a fio.
Após o fim do Estado Novo foi formada uma comissão para investigar as barbaridades cometidas pela
polícia durante o período de ditadura, chamada de “Comissão Parlamentar de Inquérito dos Atos
Delituosos da Ditadura”. Mas os levantamentos feitos pela comissão em 1946 e 1947, eram quase sempre
abafados, fazendo-se o possível para que caíssem no esquecimento, por duas razões:

1 - A maioria dos torturadores e assassinos permaneciam na polícia depois que a PE havia sido extinta,
sendo apenas transferidos para outros órgãos e funções;
2 - Muitos civis e militares envolvidos nas torturas e assassinatos fizeram mais tarde rápida carreira,
chegando a ocupar postos importantes na administração e na política.

Também era comum durante o período a espionagem feita por militares e civis, que eram conhecidos
como “invisíveis”. Sua função poderia ser a de espiar alguém em específico ou fazer uma espionagem
generalizada em escolas, universidades, fábricas, estádios de futebol, transporte público, cinemas, locais
de lazer, unidades militares e repartições públicas. Formaram-se milhares de arquivos pessoais com

15
Referência: < http://pessoal.educacional.com.br/up/50240001/1411397/12_TERC_7_HIST_265a326%20(1)-%20AULA%2075.pdf>

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informações minuciosas sobre as pessoas, que seriam utilizadas novamente 19 anos após o fim do
Estado Novo, na Ditadura Militar.

Fim do Estado Novo


O início da Segunda Guerra Mundial em 1939, possibilitou algumas variações ao Brasil.
Permitiu ao governo de Vargas neutralidade para negociar tanto com os Aliados (Estados Unidos,
Inglaterra, Rússia...) como com o Eixo (Itália, Alemanha e Japão). Conseguiu financiamento dos Estados
Unidos para a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda, a compra de armamentos alemães e
fornecimento de material bélico norte-americano.
Apesar da neutralidade de Getúlio, que esperava o desenrolar do conflito para determinar apoio ao
provável vencedor, em seu governo haviam grupos divididos e definidos sobre quem apoiar:
Oswaldo Aranha, que era ministro das Relações Exteriores era favorável aos Estados Unidos,
enquanto os generais Gaspar Dutra e Góis Monteiro eram favoráveis ao nazismo. Com a entrada dos
Estados Unidos na guerra em 1941 e o torpedeamento de vários navios mercantes brasileiros, o país
entra em guerra ao lado dos aliados em agosto de 1942.
Em 1944 foram mandados 25.000 soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Itália,
marcando a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Mais do que a vitória contra as forças do Eixo na Europa, a Segunda Guerra Mundial teve um efeito
na política brasileira. Muitos dos que lutavam contra o Fascismo na Europa não aceitavam voltar para
casa e viver em um regime autoritário.
O sentimento de revolta cresceu na população e muitas manifestações em prol da redemocratização
foram realizadas, mesmo com a forte repressão da polícia. Pressionado pelas reivindicações, em 1945
Vargas assinou um Ato Adicional que marcava eleições para o final daquele ano.
Foram formados vários partidos: UDN (União Democrática nacional), PSD (Partido Social
Democrático), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PCB (Partido Comunista Brasileiro) foi legalizado,
além de outros menores.
Apesar dos protestos para o fim do Estado Novo, muitas pessoas queriam que a redemocratização
ocorresse com a continuação de Getúlio no poder. Daí vem o movimento conhecido como “Queremismo”,
que vem do slogan “Queremos Getúlio”.

Questões

01. (MPE/GO – Secretário auxiliar – MPE/2017) Sobre o Estado Novo de Getúlio Vargas, é incorreto
afirmar:
(A) que foi implantado por Getúlio Vargas sob a justificativa de conter uma nova ameaça de golpe
comunista no Brasil.
(B) que tomado por uma orientação socialista, o governo preocupava-se em obter o favor dos
trabalhadores por meio de concessões e leis de amparo ao trabalhador.
(C) financiava o amplo desenvolvimento do setor industrial brasileiro, ao realizar uma política de
industrialização por substituição de importações e com criação das indústrias de base.
(D) para dar ao novo regime uma aparência legal, Francisco Campos redigiu uma nova Constituição
inspirada nas constituições fascistas italiana e polonesa.
(E) adotou o chamado “Estado de Compromisso”, onde foram criados mecanismos de controle e vias
de negociação política responsáveis pelo surgimento de uma ampla frente de apoio a Getúlio Vargas.

02. (IPEM/RO – Agente de Atividades Administrativas – FUNCAB) O processo histórico da


formação do estado de Rondônia possui muitos capítulos importantes, com diferentes atores. Um dos
marcos nesse processo foi a criação do Território Federal do Guaporé por meio do Decreto-Lei nº 5.812,
de 13 de setembro de 1943. O Presidente da República que assinou o referido documento foi:
(A) Getúlio Vargas.
(B) Gaspar Dutra.
(C) Juscelino Kubitschek.
(D) Jânio Quadros.
(E) João Goulart.

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03. (MPE/GO – Secretário Auxiliar – MPE/2017) Em 1945 chega ao fim o Estado Novo implantado
pelo presidente Getúlio Vargas. Entre as causas tivemos a(s)
(A) Revolução de 1945 realizada pelos sindicatos e apoiado pelo Partido Trabalhista Brasileiro daquela
época.
(B) Atuação do movimento estudantil, liderado pela UNE, que assumiu o poder apoiando o partido da
União Democrática Nacional.
(C) Pressões norte-americanas obrigando Getúlio Vargas a extinguir o Estado Novo e tornar o país
uma democracia.
(D) Adesão de Getúlio ao Fascismo, propiciando que ele implante no Brasil um regime semelhante
após 1945.
(E) Participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial ao lado das democracias, criando uma situação interna
contraditória, pois o país vivia, até aquele ano, uma ditadura.

04. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) Assinale a opção correta a respeito do Estado Novo,
implantado pela Constituição de 1937.
(A) Comparada à Constituição de 1934, a nova carta apresentava como característica nítida a
descentralização do poder.
(B) O Plano Cohen serviu de pretexto para o reforço do autoritarismo.
(C) A Lei de Segurança Nacional, até hoje vigente, foi proposta após a instauração da nova carta.
(D) Plínio Salgado, líder da Ação Integralista Brasileira, foi um dos grandes beneficiados pelo novo
regime político.
(E) Imediatamente após a implantação do Estado Novo, Getúlio Vargas substituiu todos os
governadores de estado.

05. (MPE/GO – Secretário Auxiliar – MPE/2017) “No dia 10 de novembro de 1937, tropas da polícia
militar cercavam o Congresso Nacional e impediram a entrada dos congressistas. O ministro da Guerra
– general Dutra – se opusera a que a operação fosse realizada por foças do Exército. À noite, Getúlio
anunciou uma nova fase política e a entrada em vigor de uma Carta constitucional, elaborada por
Francisco Campos” (trecho extraído do livro História do Brasil, de Boris Fausto). O período histórico
brasileiro narrado acima descreve o início:
(A) da Ditadura Militar
(B) da Política do Café com Leite
(C) do Tenentismo
(D) do Estado Novo
(E) da Revolta da Armada

Gabarito

01.B / 02.A / 03.E / 04.B / 05.D

Comentários

01. Resposta: B
Getúlio nunca escondeu sua simpatia pelo regime Fascista, e não pelo socialista. Seu governo teve
forte caráter populista, o que não deve ser confundido como um regime de cunho socialista. Vale lembrar
que apesar de sua simpatia pelos regimes fascistas, no período da Segunda Guerra, o Brasil ficou do
lado dos Aliados.

02. Resposta: A
Questão simples que não necessita de conhecimentos regionais (RO) para encontrar a questão
correta. É necessário apenas lembrar que durante do período de 1930 a 1945 Getúlio Vargas esteve no
poder. Em caráter provisório (1930-1934), em caráter legal (1934-1937) e em caráter inconstitucional
(1938 – 1945).

03. Resposta: E
O fato de o Brasil enviar seus soldados para lutar pelos estados que representavam a democracia na
2ª Guerra Mundial criou uma situação contraditória no país. Defendíamos a democracia lá fora e vivíamos
em uma ditadura aqui dentro. A mobilização popular contra essa situação ganhou força de modo que
Getúlio desistiu de seu governo permitindo eleições livres.

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04. Resposta: B
Percebendo que não teria sucesso nas próximas eleições, Getúlio Vargas colocou em prática o Plano
Cohen. Sob o pretexto de que os comunistas tinham um plano para controlar o Congresso Nacional,
Vargas, para garantir a integridade do país toma para si a responsabilidade de “limpar” o Brasil do perigo
comunista. Com plenos poderes e encorado por uma nova Constituição, o Estado Novo nasce nesse
contexto.

05. Resposta: D
O golpe ocorrido em novembro de 1937 foi a forma que Getúlio Vargas encontrou para continuar no
poder, uma vez que não venceria as eleições que ocorreriam no ano seguinte. Esse movimento ocorreu
quando da aplicação do já citado Plano Cohen. O Estado Novo durou até o ano de 1945, quando o próprio
Getúlio convoca novas eleições.

BRASIL REPÚBLICA – POPULISTA – DITADURA MILITAR

República Populista

O Governo de Eurico Gaspar Dutra

O governo Dutra foi marcado internamente pela promulgação da nova Carta Constitucional, em 18 de
setembro de 1946. De caráter liberal e democrático, a Constituição de 1946 iria reger a vida do país por
mais duas décadas16.
Em 18 de setembro de 1946 foi oficialmente promulgada a Constituição dos Estados Unidos do Brasil
e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o que consagrou liberdades que existiam na
Constituição de 1934, mas haviam sido retiradas em 1937.

Alguns dos dispositivos regulados pela Constituição de 1946 foram:


- A igualdade de todos os cidadãos perante a lei;
- A liberdade de expressão, sem censura, fora em espetáculos e diversões públicas;
- Sigilo de correspondência inviolável;
- Liberdade de consciência, crença e exercício de quaisquer cultos religiosos;
- Liberdade de associação para fins lícitos;
- Casa como asilo do indivíduo torna-se inviolável;
- Prisão apenas em flagrante delito ou por ordem escrita de autoridade competente e a garantia ampla
de defesa do acusado;
- Fim da pena de morte;
- Os três poderes são definitivamente separados.

A separação dos três poderes visava delimitar a ação de cada um deles. Esta nova lei, na verdade foi
elaborada devido à reflexão sobre os anos em que Vargas ampliou as atribuições do Poder Executivo e
obteve controle sobre quase todas as ações do Estado. Fora isso, o mandato do presidente se
estabeleceu em 5 anos, sendo proibida a reeleição para cargos do Executivo 17.
No que se referia às leis trabalhistas, a Constituição de 1946 manteve o princípio de cooperação dos
órgãos sindicais e diminuiu o controle dos mecanismos do Estado aos sindicatos e seus adeptos. Já no
que tocava à organização do processo eleitoral, a Carta de 1946 diluiu as bancadas profissionais de
Getúlio Vargas e aumentou a participação do voto das mulheres.
Sendo assim, a distribuição das cadeiras na Câmara dos Deputados foi alterada, aumentando-se as
vagas para Estados considerados “menores”. Porém, o Governo de Dutra feriu sua própria constituição,
que pregava o pluripartidarismo, ao iniciar uma cassação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).
A Constituição de 1946 ficou em vigência até o Golpe Militar em 1964. Nessa ocasião, os militares
passaram a aplicar uma série de emendas para estabelecer as diretrizes do novo regime até ser
definitivamente suspensa pelos Atos Institucionais e pela Constituição de 196718.
Com o avanço da redemocratização, o movimento operário ganhou vigor, com um aumento
significativo no número de sindicalizados e a eclosão de várias greves no país. Para barrar o avanço do

16
http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/governo-eurico-gaspar-dutra
17
SOARES, L. M. SILVA. A dimensão pedagógica da ação ideológica de uma instituição cultural do período de 1955 a 1964.
http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/1031/1/Silvia%20Leticia%20Marques%20Soares.pdf
18
https://unipdireito2015.files.wordpress.com/2015/11/sistema-eleitoral-e-jurisprudc3aancia.doc

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movimento sindical, que contava com forte apoio dos comunistas, Dutra, ainda no início do governo e
antes da promulgação da nova Constituição, baixou um decreto proibindo o direito de greve.
No primeiro ano do governo Dutra, por conta de uma conjuntura internacional favorável à cooperação
entre países capitalistas e socialistas, a atuação dos comunistas, apesar das restrições, foi tolerada. As
mudanças ocorridas no cenário internacional a partir de 1947, com o dissolvimento da aliança entre os
Estados Unidos e a União Soviética transformaram a situação, levando ao início da Guerra Fria. Segundo
o presidente americano Harry Truman, as potência mundiais da época estavam divididas em dois
sistemas nitidamente contraditórios: o capitalista e o comunista. E a política externa americana voltou-se
para o combate ao comunismo.
No Brasil, as repercussões da Guerra Fria foram imediatas. No dia 7 de maio de 1947, após uma
batalha judicial, o PCB teve seu registro cassado. Nesse mesmo dia, o Ministério do Trabalho decretou a
intervenção em vários sindicatos e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil criada pelo
movimento sindical em setembro de 1946 e não reconhecida oficialmente pelo governo.
A exclusão dos comunistas do sistema político partidário culminou em janeiro de 1948, com a cassação
dos mandatos de todos os parlamentares que haviam sido eleitos pelo PCB. Sob o impacto da cassação,
o PCB lançou um manifesto pregando a derrubada imediata do governo Dutra, considerado um governo
"antidemocrático", de "traição nacional" e "a serviço do imperialismo norte-americano"19.
A política econômica do governo Dutra foi guiada pelo plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte
e Energia), programa com grande incentivo dado à pesquisa, refino e distribuição do petróleo. Por meio
dessas ações de controle, o governo Dutra conseguiu atingir uma média anual de crescimento econômico
de 6%.
Em relação à política externa, a aliança com os Estados Unidos foi reforçada. Em decorrência disso,
o Brasil foi um dos primeiros países ocidentais a romper relações com a União Soviética (durante a época
da Guerra Fria, o país manteve-se aliado aos estadunidenses). O Brasil tomou parte da fase inicial da
Organização das Nações Unidas (ONU) como membro não permanente, participando da aprovação do
Estado de Israel, em 1947, tendo Oswaldo Aranha como Presidente da Segunda Assembleia Geral da
ONU.
Em nível de integração internacional, a atuação brasileira se fez presente na montagem do Sistema
Interamericano, iniciada no Rio de Janeiro, em 1947, com a Conferência para a Manutenção da Paz e da
Segurança, em que as nações do continente assinaram o Tratado Internamericano de Assistência
Recíproca e, no ano seguinte, na Conferência de Bogotá, com a aprovação da criação da Organização
dos Estados Americanos (OEA). Em 1948, com o intuito de estabelecer um foro de defesa de interesses
econômicos comuns, os países latino-americanos criaram a Comissão Econômica para a América Latina
(CEPAL)20.
O governo Dutra pregava a não intervenção do Estado na economia e a liberdade de ação para o
capital estrangeiro. Sua política econômica fez crescer a inflação e a dívida externa.
O liberalismo econômico adotado pelo presidente Dutra, dando facilidade à livre importação de
mercadorias, teve como consequência o esgotamento das divisas do país; mais tarde, o governo teve de
modificar sua posição, restringindo algumas importações.
O período que abrange os anos de 1946 a 1964, é considerado pelos historiadores e cientistas sociais
como a primeira experiência de regime democrático no Brasil. O período de existência da República
Oligárquica ou República Velha (1889-1930) esteve longe de representar uma experiência
verdadeiramente democrática devido aos incontáveis vícios políticos mascarados por princípios de
legalidade jurídica prescritos nas leis21.
Não obstante, o presidente Eurico Gaspar Dutra praticou uma política governamental deliberadamente
autoritária a partir de medidas que desrespeitou flagrantemente a Constituição vigente.
Chegando em 1950, os brasileiros preparavam-se para uma nova eleição para presidente da
República. Mais uma vez, assim como em 1945, o cenário político nacional experimentava a carência de
líderes políticos nacionais. De tal forma, o PSD (Partido Social Democrático) ofereceu a candidatura do
incógnito mineiro Cristiano Machado e a UDN (União Democrática Nacional) apostou novamente no
brigadeiro Eduardo Gomes. O PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) por sua vez, chegava à frente lançando
o nome de Getúlio Vargas, que venceu com 48% dos votos válidos.

19
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/DoisGovernos/CassacaoPC
20
http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/plenario/discursos/escrevendohistoria/old/serie-estrangeira-old
21
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-gaspar-dutra-1946-1951-democracia-e-fim-do-estado-novo.htm

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O governo democrático de Getúlio Vargas

Em 1950 Getúlio lança-se à presidência juntamente com Café Filho pelo PTB e PSP (Partido Social
Progressista). Com a fraca concorrência, é eleito presidente do Brasil, assumindo novamente o poder,
agora por vias democráticas, em 31 de janeiro de 1951.
De volta ao Palácio do Catete, Vargas adotou "uma fórmula nova e mais agressiva de nacionalismo
econômico”, tanto aos aspectos internos quanto aos externos dos problemas brasileiros. A fórmula do
nacionalismo radical propunha, como o próprio nome já diz, uma mudança radical na estrutura social e
econômica que vigorava, visto que a mesma era considerada exploradora pelos nacionalistas radicais.22
Após a década de 30, no primeiro governo de Vargas, começa-se a investir na “nacionalização dos
bens do subsolo” devido à presença de empresas estrangeiras. Um dos maiores incentivadores de tal
campanha foi um importante escritor brasileiro: Monteiro Lobato.
Ao voltar dos EUA, onde se encantara com a perspectiva de um país próspero para seus habitantes,
ele se tornou um grande articulador da conscientização popular através de palestras, artigos em jornais,
livros sobre o assunto e até cartas ao então presidente, Getúlio Vargas que, em 1939 cria o CNP –
Conselho Nacional de Petróleo – tornando o petróleo um recurso da União.
Mais tarde, no início da década de 50 a esquerda brasileira lança a campanha “O Petróleo é Nosso”
contra a tentativa dos chamados “entreguistas” de propugnar a exploração do petróleo brasileiro por
empresas ou países estrangeiros alegando que o país não possuía recursos nem técnica suficiente para
fazê-lo23.
Em resposta, Getúlio Vargas assina a Lei 2.004 de 1953, criando a Petrobras.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e o projeto de criação da Eletrobrás
também fazem parte da política nacionalista, industrialista e estatizante de novo governo de Getúlio.
Desde o início do seu mandato sofreu forte oposição, sem conseguir o apoio que precisava para
realizar reformas. Neste período Vargas entra em constantes atritos com empresas estrangeiras
acusadas de enviar excessivas remessas de lucro ao exterior. Em 1952 um decreto institui um limite de
10% para tais remessas.24
Em 1953 João Goulart foi nomeado para o ministério do Trabalho com o objetivo de criar uma política
trabalhista que aproximasse os trabalhadores do governo, aventando-se a possibilidade do aumento do
salário-mínimo em 100%. A campanha contra o governo voltou-se então contra Goulart.
Jango, como era conhecido, causava profundo descontentamento entre os militares que em 8 de
fevereiro de 1954 entregaram um manifesto ao ministério da Guerra (Manifesto dos Coronéis). Getúlio
pressionado e procurando conciliar os ânimos, aceitou demitir João Goulart.
Os ânimos contra Getúlio se acirraram e ele procurou mais do que nunca se amparar nos
trabalhadores, concedendo em 1º de maio de 1954 o aumento de 100% no salário-mínimo. A oposição
no congresso entra com um pedido de impeachment, porém sem sucesso.
Embora Vargas tivesse o apoio político do PTB, do PSD, dos militares nacionalistas, de segmentos da
burguesia, da elite agrária, dos sindicatos e de parte das massas urbanas, seu governo sofreu forte
oposição.
No meio político, o foco da oposição era a UDN. Para esse partido, "a indústria e a agricultura deveriam
desenvolver-se livremente, de acordo com as forças do mercado, além de valorizar o capital estrangeiro,
atribuindo-lhe o papel de suprir as dificuldades naturais do País.
A imprensa conservadora e particularmente o jornal Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda inicia uma
violenta campanha contra o governo. Em 5 de agosto de 1954, Lacerda sofre um atentado que matou o
major-aviador Rubens Florentino Vaz. O incidente teve amplas repercussões e resultou numa grave crise
política.25
As investigações demonstraram o envolvimento de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de
Getúlio. Fortunato acabou sendo preso.
A pressão da oposição tornou-se mais intensa no Congresso e nos meios militares, exigia-se a
renúncia de Vargas. Cria-se um clima de tensão que culmina com o tiro que Vargas dá no coração na
madrugada de 24 de agosto de 1954.
Antes de suicidar-se escreveu uma Carta-Testamento, na realidade seu testamento político. Onde diz
coisas como: “Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios (…) Não querem
que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente. (…) Eu vos dei a minha vida.

22
SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975
23
Federação da Agricultura do Estado do Paraná. http://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2017/06/BI-1253.pdf
24
https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=263288
25
http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/estado-novo

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. 28
Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da Eternidade
e saio da vida para entrar na História”.26

Governo Café Filho (1954-1955)

João Fernandes Campos Café Filho, ou simplesmente Café Filho, como era mais conhecido no meio
político, teve um curto mas agitado governo. Durante os poucos mais de 14 meses em que ocupou a
Presidência da República, Café Filho teve que conciliar os problemas econômicos herdados do governo
anterior com o acirramento político provocado pelo cenário aberto com a morte de Getúlio Vargas.

A sucessão presidencial
Em 1955, durante a disputa presidencial, o PSD, partido que Vargas fundara uma década antes, lançou
o nome de Juscelino Kubitscheck (JK) à Presidência da República. Na disputa para vice-presidente, que
na época ocorria em separado da corrida presidencial, a chapa apresentou o ex-ministro do Trabalho do
governo Vargas, João Goulart, do PTB, sigla pela qual o ex-presidente havia sido eleito em 1950.
Setores mais radicais da UDN, representados pelo jornalista Carlos Lacerda, receosos de que a vitória
de Juscelino Kubitscheck e Jango pudesse significar um retorno da política varguista, passaram a pedir
a impugnação da chapa. Lacerda chegou a declarar, na época, que "esse homem (JK) não pode se
candidatar; se candidatar não poderá ser eleito; se for eleito não poderá tomar posse; se tomar posse
não poderá governar".
A pressão da UDN para que Café Filho impedisse a posse dos novos eleitos intensificou-se logo após
a divulgação dos resultados oficiais, que davam a vitória à chapa PSD-PTB. De outro lado, entre os
militares, também surgiam divergências quanto ao resultado das urnas. A principal delas ocorreu quando
um coronel declarou-se contrário à posse de JK e Jango, numa clara insubordinação ao ministro da
Guerra de Café Filho, marechal Henrique Lott, que havia se posicionado a favor do resultado.27

Carlos Luz

A intenção de Lott em punir o coronel, entretanto, dependia de autorização do presidente da República,


que em meio a tantas pressões foi internado às pressas num hospital do Rio de Janeiro. Afastado das
atividades políticas, Café Filho foi substituído no dia 08 de novembro de 1955, pelo primeiro nome na
linha de sucessão, Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados.
Próximo à UDN, Carlos Luz decidiu não autorizar o marechal Lott a seguir em frente com a punição, o
que provocou sua saída do Ministério da Guerra.
A partir de então, Henrique Lott iniciou uma campanha contra o presidente em exercício, que terminou
na sua deposição, com apenas três dias de governo. Acompanhado de auxiliares civis e militares, Carlos
Luz refugiou-se no prédio da Marinha e, em seguida, partiu para a cidade de Santos, no litoral paulista.
Com a morte de Vargas, a internação de Café Filho e a deposição de Carlos Luz, o próximo na linha
de sucessão seria o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, que assumiu a Presidência da República
e reconduziu Lott ao cargo de ministro da Guerra.
Subitamente, Café Filho tentou reassumir o cargo, mas foi vetado por Henrique Lott e outros generais
que o apoiavam. Era acusado de conspirar contra a posse de JK e Jango. No dia 22 de novembro, o
Congresso Nacional aprovou o impedimento para que ele reassumisse a Presidência da República. Em
seu lugar, permaneceu o senador Nereu Ramos, que transmitiu, sob Estado de Sítio, o governo ao
presidente constitucionalmente eleito: Juscelino Kubitscheck, o "presidente bossa nova".28

Nereu de Oliveira Ramos

Nascido na cidade de Lages, em Santa Catarina, Nereu de Oliveira Ramos era advogado e assumiu a
presidência aos 67 anos. Em virtude do impedimento do Presidente Café Filho e do Presidente da Câmara
dos Deputados Carlos Luz, o Vice-Presidente do Senado Federal, assumiu a Presidência da República,
de 11/11/1955 a 31/01/1956.

26
http://www.culturabrasil.org/vargas.htm
27
Câmara Municipal de São Paulo. http://www.camara.sp.gov.br/memoria/wp-content/uploads/sites/20/2017/11/leg4_final_02.pdf
28
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-cafe-filho-1954-1955-os-14-meses-do-vice-de-vargas.htm

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. 29
Governo Juscelino Kubitschek (1956-1961)

Na eleição presidencial de 1955, o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB) se aliaram, lançando como candidato Juscelino Kubitschek para presidente e João Goulart para
vice-presidente. A União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Democrata Cristão (PDC) disputaram
o pleito com Juarez Távora.

O Plano de Metas
O governo de Juscelino Kubitschek entrou para história do país como a gestão presidencial na qual se
registrou o mais expressivo crescimento da economia brasileira. Na área econômica, o lema do governo
foi "Cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo".
Para cumprir com esse objetivo, o governo federal elaborou o Plano de Metas, que previa um acelerado
crescimento econômico a partir da expansão do setor industrial, com investimentos na produção de aço,
alumínio, metais não ferrosos, cimento, álcalis, papel e celulose, borracha, construção naval, maquinaria
pesada e equipamento elétrico.
O Plano de Metas teve pleno êxito, pois no transcurso da gestão governamental a economia brasileira
registrou taxas de crescimento da produção industrial (principalmente na área de bens de capital) em
torno de 80%.

A construção de Brasília
A ideia de estabelecer a capital do Brasil no interior do país nasceu ainda no século XVIII, algumas
décadas após Rio de Janeiro tornar-se o centro administrativo do país, título que até então pertencia a
Salvador. Os inconfidentes mineiros queriam que a capital da república, caso seu plano de separação
funcionasse, fosse a cidade de São João del Rey-MG. Mesmo com a independência do Brasil em 1822,
a capital permaneceu no Rio.
Já em meados do século XIX, o historiador Francisco Adolfo de Varnhagem reiniciou a luta pela
transferência, propondo que uma nova capital fosse construída na região onde hoje fica a cidade de
Planaltina-GO.
Após a Proclamação da República, a ideia de transferir a capital brasileira voltou a ser tema de debate,
principalmente pelos problemas sanitários e as epidemias de Febre Amarela que assolavam o Rio de
Janeiro durante o verão, e pela posição estratégica em caso de guerra, já que o acesso a uma capital no
interior do território brasileiro seria dificultado para os inimigos.
Os constituintes de 1891 estabeleceram nas Disposições Transitórias, essa determinação que, não
tendo sido executada em toda a Velha República, foi renovada na constituição promulgada em 1934.
Igualmente a carta de 1946 conservou aquele propósito, determinando a nomeação, pelo presidente da
República, de uma comissão de técnicos que visassem estudos localizando, no Planalto Central, uma
região onde fosse demarcada a nova capital.
Em maio de 1892, o governo Floriano Peixoto criou a Comissão Exploradora do Planalto Central e
entregou a chefia a Louis Ferdinand Cruls, astrônomo e geógrafo belga radicado no Rio de Janeiro desde
1874. Essa comissão tinha como objetivo, conforme disposto na constituição, proceder à exploração do
planalto central da república e à consequente demarcação da área a ser ocupada pela futura capital.29
Diversos problemas, entre eles a questão logística, impediram a construção da nova capital federal,
pois a dificuldade nos transportes e também no acesso ao Planalto Central tornavam a ideia inviável.
Ao assumir a presidência da República, Juscelino Kubitschek, logo após a sua posse, em Janeiro de
1956, afirmou o seu empenho “de fazer descer do plano dos sonhos a realidade de Brasília”.
Apresentando o projeto ao congresso como um fato consumado, em setembro do mesmo ano, foi
aprovada a lei nº 2.874 que criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (vulgarizada pela sigla
NOVA-CAP). As obras se iniciaram em Fevereiro de 1957, com apenas 3 mil trabalhadores – batizados
de “candangos”.
O arquiteto Oscar Niemeyer foi escolhido para a chefia do Departamento de Urbanística e Arquitetura,
recusando-se a traçar os planos urbanísticos de Brasília, insistindo na necessidade de um concurso para
a escolha do plano-piloto, aceito em março de 1957.

29
http://blogs.correiobraziliense.com.br/candangando/missao-cruls-exaltava-fartura-de-agua-na-nova-capital/

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. 30
Desenvolvimento e dependência externa
A prioridade dada pelo governo ao crescimento e desenvolvimento econômico do país recebeu apoio
de importantes setores da sociedade, incluindo os militares, os empresários e sindicatos trabalhistas. O
acelerado processo de industrialização registrado no período, porém, não deixou de acarretar uma série
de problemas de longo prazo para a econômica brasileira.
O governo realizava investimentos no setor industrial a partir da emissão monetária e da abertura da
economia ao capital estrangeiro. A emissão monetária (ou emissão de papel moeda) ocasionou um
agravamento do processo inflacionário, enquanto que a abertura da economia ao capital estrangeiro
gerou uma progressiva desnacionalização econômica, porque as empresas estrangeiras (as chamadas
multinacionais) passaram a controlar setores industriais estratégicos da economia nacional.
O controle estrangeiro sobre a economia brasileira era preponderante nas indústrias automobilísticas,
de cigarros, farmacêutica e mecânica. Em pouco tempo, as multinacionais começaram a remeter grandes
remessas de lucros (muitas vezes superiores aos investimentos por elas realizados) para seus países de
origem. Esse tipo de procedimento era ilegal, mas as multinacionais burlavam as próprias leis locais.
Portanto, se por um lado o Plano de Metas alcançou os resultados esperados, por outro, foi
responsável pela consolidação de um capitalismo extremamente dependente que sofreu muitas críticas
e acirrou o debate em torno da política desenvolvimentista.

Denúncias da oposição
A gestão de Juscelino Kubitschek não esteve a salvo de críticas dos setores oposicionistas. No
Congresso Nacional, a oposição política ao governo de JK vinha da UDN. A oposição ganhou maior força
no momento em que as crescentes dificuldades financeiras e inflacionárias (decorrentes principalmente
dos gastos com a construção de Brasília) fragilizaram o governo federal.
A UDN fazia um tipo de oposição ao governo baseada na denúncia de escândalos de corrupção e uso
indevido do dinheiro público. A construção de Brasília foi o principal alvo das críticas da oposição. No
entanto, a ação de setores oposicionistas não prejudicou seriamente a estabilidade governamental na
gestão de JK.30

Governabilidade e sucessão presidencial


Em comparação com os governos democráticos que antecederam e sucederam a gestão de JK na
presidência da República, o mandato presidencial de Juscelino apresenta o melhor desempenho no que
se refere à estabilidade política.
A aliança entre o PSD e o PTB garantiu ao Executivo Federal uma base parlamentar de sustentação
e apoio político que explica os êxitos da aprovação de programas e projetos governamentais. O PSD era
a força dominante no Congresso Nacional, pois possuía o maior número de parlamentares e o maior
número de ministros no governo. Era considerado um partido conservador, porque representava
interesses de setores agrários (latifundiários), da burocracia estatal e da burguesia comercial e industrial.
O PTB, ao contrário, reunia lideranças sindicais representantes dos trabalhadores urbanos mais
organizados e setores da burguesia industrial. O êxito da aliança entre os dois partidos deu-se ao fato de
que ambos evitaram radicalizar suas respectivas posições políticas, ou seja, conservadorismo e
reformismo radicais foram abandonados.
Na sucessão presidencial de 1960, o quadro eleitoral apresentou a seguinte configuração: a UDN
lançou Jânio Quadros como candidato; o PTB com o apoio do PSB apresentou como candidato o
marechal Henrique Teixeira Lott; e o PSP concorreu com Adhemar de Barros.
A vitória coube a Jânio Quadros, que obteve expressiva votação. Naquela época, as eleições para
presidente e vice-presidente ocorriam separadamente, ou seja, as candidaturas eram independentes.
Assim, o candidato da UDN a vice-presidente era Milton Campos, mas quem venceu foi o candidato do
PTB, João Goulart. Desse modo, ele iniciou seu segundo mandato como vice-presidente.31

Governo Jânio Quadros (1961)

A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, duraram sete meses e encerrou-se
com a renúncia. Neste curto período, Jânio Quadros praticou uma política econômica e uma política
externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e
outros segmentos sociais.

30
http://www.historia.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=217
31
http://www.historia.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=217

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. 31
A renúncia de Jânio Quadros desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história
republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros
militares e pelas classes dominantes.

A crise política
O governo de Jânio Quadros perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que
adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o
governo se deparou com uma crise financeira aguda devido a intensa inflação, déficit da balança
comercial e crescimento da dívida externa.
O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as
exportações. Mas foi na área da política externa que o presidente acirrou os ânimos da oposição ao seu
governo.
Nomeou para o ministério das Relações Exteriores Afonso Arinos, que se encarregou de alterar
radicalmente os rumos da política externa brasileira. O Brasil começou a se aproximar dos países
socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética (URSS).
As atitudes menores também tiveram grande impacto, como as condecorações oferecidas
pessoalmente por Jânio ao guerrilheiro revolucionário Ernesto "Che" Guevara (condecorado com a Ordem
do Cruzeiro do Sul) e ao cosmonauta soviético Yuri Gagarin, além da vinda ao Brasil do ditador cubano
Fidel Castro32. Apresentando assim indícios de alinhamento aos governos socialistas do período.

Independência e isolamento
De acordo com estudiosos do período, o presidente Jânio Quadros esperava que a política externa de
seu governo se traduzisse na ampliação do mercado consumidor externo dos produtos brasileiros por
meio de acordos diplomáticos e comerciais.
Porém, a condução da política externa independente desagradou o governo norte-americano e,
internamente, recebeu pesadas críticas do partido a que Jânio estava vinculado, a UDN, sofrendo também
uma forte oposição das elites conservadoras e dos militares.
Ao completar sete meses de mandato presidencial, o governo de Jânio Quadros ficou isolado política
e socialmente. Renunciou a 25 de agosto de 1961.

Política teatral
Especula-se que a renúncia foi mais um dos atos espetaculares característicos do estilo de Jânio. Com
ela, o presidente pretenderia causar uma grande comoção popular, e o Congresso seria forçado a pedir
seu retorno ao governo, o que lhe daria grandes poderes sobre o Legislativo. Não foi o que aconteceu.
A renúncia foi aceita e a população se manteve indiferente. Vale lembrar que as atitudes teatrais eram
usadas politicamente por Jânio antes mesmo de chegar à presidência. Em comícios, ele jogava pó sobre
os ombros para simular caspa, de modo a parecer um "homem do povo". Também tirava do bolso
sanduíches de mortadela e os comia em público.
No poder, proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume, criando polêmicas com questões
menores, que o mantinham sempre em evidência, como um presidente preocupado com o dia a dia do
brasileiro.

Governo João Goulart (1961-1964)

Com a renúncia de Jânio Quadros, a presidência caberia ao vice João Goulart, popularmente
conhecido como Jango. No momento da renúncia, se encontrava na Ásia, em visita a República Popular
da China.
O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu o governo provisoriamente. Porém,
os grupos de oposição mais conservadores representantes das elites dominantes e de setores das Forças
Armadas não aceitaram que Jango tomasse posse, sob a alegação de que ele tinha tendências políticas
esquerdistas. Não obstante, setores sociais e políticos que apoiavam Jango iniciaram um movimento de
resistência.33

Campanha da legalidade e posse


O governador do estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, se destacou como principal líder da
resistência ao promover a campanha legalista pela posse de Jango. O movimento de resistência, que se
iniciou no Rio Grande do Sul e irradiou-se para outras regiões do país, dividiu as Forças Armadas
32
https://cidadeverde.com/noticias/241078/reportagem-especial-janio-quadros-os-100-anos-de-um-politico-incomum
33
http://www.institutojoaogoulart.org.br/conteudo.php?id=73

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. 32
impedindo uma ação militar conjunta contra os legalistas. No Congresso Nacional, os líderes políticos
negociaram uma saída para a crise institucional.
A solução encontrada foi o estabelecimento do regime parlamentarista de governo que vigorou por
dois anos (1961-1962) reduzindo enormemente os poderes constitucionais de Jango. Com essa medida,
os três ministros militares aceitaram, enfim, seu retorno. Em 5 de setembro retorna ao Brasil, e é
empossado em 7 de setembro.

O retorno ao presidencialismo
Em janeiro de 1963, Jango convocou um plebiscito para decidir sobre a manutenção ou não do sistema
parlamentarista. Cerca de 80% dos eleitores votaram pelo restabelecimento do sistema presidencialista.
A partir de então, Jango passou a governar o país como presidente, e com todos os poderes
constitucionais a sua disposição.
Porém, no breve período em que governou o país sob regime presidencialista, os conflitos políticos e
as tensões sociais se tornaram tão graves que seu mandato foi interrompido pelo Golpe Militar de 1º de
abril de 1964.
Desde o início de seu mandato, não dispunha de base de apoio parlamentar para aprovar com
facilidade seus projetos políticos, econômicos e sociais, por esse motivo a estabilidade governamental foi
comprometida.
Como saída para resolver os frequentes impasses surgidos pela ausência de apoio político no
Congresso Nacional, adotou uma estratégia típica do período populista, recorreu a permanente
mobilização das classes populares a fim de obter apoio social ao seu governo.
Foi uma forma precária de assegurar a governabilidade, pois limitava ou impedia a adoção por parte
do governo de medidas antipopulares, ao mesmo tempo em que seria necessário o atendimento das
demandas dos grupos sociais que o apoiavam. Um episódio que ilustra de forma notável esse tipo de
estratégia política ocorreu quando o governo criou uma lei implantando o 13º salário. O Congresso não a
aprovou. Em seguida, líderes sindicais ligados ao governo mobilizaram os trabalhadores que entraram
em greve e pressionaram os parlamentares a aprovarem a lei.

As contradições da política econômica


As dificuldades de Jango na área da governabilidade se tornaram mais graves após o restabelecimento
do regime presidencialista. A busca de apoio social junto às classes populares levou o governo a se
aproximar do movimento sindical e dos setores que representavam as correntes e ideias nacional-
reformistas.
Por esta perspectiva é possível entender as contradições na condução da política econômica do
governo. Durante a fase parlamentarista, o Ministério do Planejamento e da Coordenação Econômica foi
ocupado por Celso Furtado, que elaborou o chamado Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico
e Social.
O objetivo do Plano Trienal era combater a inflação a partir de uma política de estabilização que
demandava, entre outras coisas, a contenção salarial e o controle do déficit público. Em 1963, o governo
abandonou o programa de austeridade econômica, concedendo reajustes salariais para o funcionalismo
público e aumentando o salário mínimo acima da taxa pré-fixada.
Ao mesmo tempo, tentava obter o apoio de setores da direita realizando sucessivas reformas
ministeriais e oferecendo cargos às pessoas com influência e respaldo junto ao empresariado nacional e
os investidores estrangeiros.

Polarização direita-esquerda
Ao longo do ano de 1963, o país foi palco de agitações sociais que polarizaram as correntes de
pensamento de direita e esquerda em torno da condução da política governamental. Em 1964 a situação
de instabilidade política agravou-se.
O descontentamento do empresariado nacional e das classes dominantes como um todo se acentuou.
Por outro lado, os movimentos sindicais e populares pressionavam para que o governo programasse
reformas sociais e econômicas que os beneficiassem.34
Atos públicos e manifestações de apoio e oposição ao governo eclodem por todo o país. Em 13 de
março, ocorreu o comício da estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, no Rio de Janeiro, que reuniu
300 mil trabalhadores em apoio a Jango.

34
http://www.institutojoaogoulart.org.br/conteudo.php?id=73

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Uma semana depois, as elites rurais, a burguesia industrial e setores conservadores da Igreja
realizaram a “Marcha da Família com Deus e pela Liberdade”, considerada o ápice do movimento de
oposição ao governo.
As Forças Armadas também foram influenciadas pela polarização ideológica vivenciada pela
sociedade brasileira naquela conjuntura política, ocasionando rompimento da hierarquia devido à
sublevação de setores subalternos.
Os estudiosos do tema assinalam que, a quebra de hierarquia dentro das Forças Armadas foi o
principal fator que ocasionou o afastamento dos militares legalistas que deixaram de apoiar o governo de
Jango, facilitando o movimento golpista.

Candidato(a), segue abaixo a lista completa dos presidentes da República Populista com a cronologia
correta:
- José Linhares (1945-1946 - interino)
- Eurico Gaspar Dutra (1946-1951)
- Getúlio Vargas (1951-1954)
- Café Filho (1954-1955)
- Carlos Luz (1955 - interino)
- Nereu Ramos (1955-1956 - interino)
- Juscelino Kubitschek (1956-1961)
- Jânio Quadros (1961)
- Ranieri Mazilli (1961 - interino)
- João Goulart (1961-1964)

Questões

01. (TRT/MG – Analista – FCC) O Ministro do Trabalho João Goulart provocou grande turbulência
política em 1954 ao
(A) ser nomeado para esse cargo à revelia da vontade de Vargas, uma vez que era o principal líder do
Partido Trabalhista, que nele via possibilidade de reverter o clima político desfavorável em razão da
oposição exercida pela União Democrática Nacional.
(B) propor um aumento de 100% no valor do salário mínimo, proposta que causou a indignação de
setores do Exército insatisfeitos com sua situação e incomodados com o fato de que o salário de um
operário, caso recebesse o aumento em questão, se aproximaria do salário de um oficial.
(C) comunicar o suicídio de Getúlio Vargas e ler, no rádio, sua carta-testamento, alegando que uma
conspiração política antivarguista havia influenciado a população que agora culpava a ele e ao ex-
presidente pela alta inflacionária e pela crise econômica em curso.
(D) renunciar a esse cargo diante da reação agressiva do empresariado e das Forças Armadas às
suas medidas trabalhistas, atitude que despertou o apoio da população a Jango e o clamor por sua
permanência no cargo, fenômeno apelidado de “queremismo”.
(E) atender às pressões dos sindicatos e propor amplas reformas de base, insubordinando-se à
autoridade de Getúlio Vargas por considerar que seu governo não estava tomando medidas
suficientemente favoráveis aos trabalhadores.

02. (SEDUC/PI – Professor-História – NUCEPE)

“Bossa nova mesmo é ser presidente


Desta terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original".
(Juca Chaves. Presidente Bossa Nova. RGE, 1957).

Considerando o período apresentado na composição, e o governo de Juscelino Kubitschek (1956-


1961), podemos afirmar CORRETAMENTE:
(A) Com seu Plano de Metas, o governo de Juscelino propunha romper com a política econômica do
governo Vargas, investindo com capitais nacionais nas áreas prioritárias para o governo, como energia,
transporte, indústria e distribuição de renda.
(B) Como efeito da euforia e do crescimento econômico, o governo de Juscelino conseguiu reduzir
drasticamente as disparidades econômicas e sociais do país, permitindo uma tranquilidade social que
perdurou até vésperas do Golpe Civil-Militar.

Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97


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(C) Apoiado em capitais externos, Juscelino pôde ampliar a base monetária do país e assim custear
investimentos produtivos que permitiram o controle do déficit do orçamento público e a redução da
inflação.
(D) Seu governo coincidiu com um período de forte otimismo, apoiado em uma visão de modernidade
industrializante, o que fez o presidente prometer 50 anos de desenvolvimento em 5 anos de mandato.
(E) Apesar de sua política populista, Juscelino agia de forma autoritária em sua forma de governar,
condição que pode ser exemplificada com o episódio em que puniu o ministro da Guerra, o general
Teixeira Lott, por ter contrariado um de seus aliados políticos, o coronel Jurandir Mamede, subordinado
do general.

03. (IF/AL – Professor – CEFET) O Governo João Goulart (1961/1964) foi marcado pela interrupção
e conseguinte instalação da ditadura militar no país. O governo Goulart, na prática, ficou caracterizado
em função das suas ações políticas, como um governo:
(A) Autoritário, com uma linha ideológica próxima ao socialismo chinês.
(B) Democrático, sendo apoiado durante todo seu curto período pelos partidos de esquerda, inclusive
o partido comunista.
(C) Conturbado, em que foi implantado o parlamentarismo, fato este, que não foi suficiente para
amenizar as crises políticas do período.
(D) Democrático, sendo apoiado incondicionalmente pelas forças armadas.
(E) Autor das reformas de base, sendo estas apoiadas por setores da chamada classe média, dos
trabalhadores e do empresariado mais progressista. Obteve, assim, êxito na proposta de modernizar o
país.

Gabarito

01.B / 02.D / 03.C

Comentários

01. Resposta: B
No início de 1954, Jango propôs um projeto de aumento do salário mínimo de 100%. Segundo ele,
devido à elevação do custo de vida, a questão salarial continuava explosiva e, para enfrentá-la, era
necessário elevar o salário mínimo de 1.200 para 2.400 cruzeiros. A reação contrária foi tamanha que
Jango acabou sendo exonerado do cargo em 22 de fevereiro do mesmo ano.

02. Resposta: D
O marco da proposta de campanha de JK foi o “Plano de Metas”, com previsões esperançosas para
acelerar o crescimento econômico através da indústria, produção do aço, alumínio, cimento, álcalis e
outros metais. Com a abertura do mercado estrangeiro a ampliação e investimentos na indústria se
tornariam ainda mais fáceis. O plano consistia de 31 metas, sendo a última, a construção de Brasília,
chamada de Meta Síntese.

03. Resposta: C
Além da implantação de um sistema parlamentar que não rendeu resultados, a aproximação de Jango
com figuras ligadas ao bloco comunista, como o revolucionário Che Guevara e o cosmonauta Yuri Gagarin
foram motivo de duras críticas da oposição.

O Regime Militar

O início do governo militar é marcado por grande perseguição política aos líderes de esquerda, tendo
por exemplo deputados e políticos seus mandatos cassados. Para tanto foi criado o SNI (Serviço Nacional
de Informação).
O SNI era o serviço secreto do Exército e contava com agentes infiltrados em vários setores como
jornais, sindicatos, escolas (...). Apesar das cassações de mandato o Congresso Nacional foi mantido e
mesmo após a constituição de 67, que institucionalizava o regime, os militares continuaram governando
através de atos institucionais35.
Foram eles:
35
O Golpe de 1964 e a Ditadura Militar em Perspectiva / Carlo José Napolitano, Caroline Kraus Luvizotto, Célio José Losnak e Jefferson Oliveira Goulart (orgs). - -
São Paulo, SP: Cultura Acadêmica, 2014

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. 35
AI-1: Ampliação dos poderes do presidente, eleição indireta e a cassação de parlamentares de
esquerda. O início da instalação da Ditadura. Perseguem lideranças opositoras (líderes camponeses,
estudantis, sindicais, partidários e intelectuais) e são cassados mandados políticos e cargos públicos.
AI-2: Instituiu bipartidarismo. Só podiam existir dois partidos: a ARENA e o MDB. Consolida as eleições
indiretas. Os voto dos congressistas para a presidência era aberto e declarado dito no microfone na
assembleia. Não havia oposição de fato. O congresso aprovava tudo o que os presidentes militares
mandavam.
AI-3: Estabelecia eleições indiretas para governadores de estado. Votavam os deputados estaduais
por voto aberto e declarado.
AI-4: Convocação urgente da assembleia para a aprovação da constituição de 67
AI-5: Concede poder excepcional ao presidente que pode cassar mandatos, cargos, fechar o
congresso e estabelece o estado de sítio. O AI-5 eliminou as garantias individuais.

Os presidentes eram escolhidos pelos próprios militares em colégio eleitoral, assim como os
governadores de estado e prefeitos de cidades com mais de 300 mil habitantes. O voto da população em
nível federal limita-se aos deputados e senadores que eram ou da ARENA (conhecido como “partido do
sim”) ou do MDB (conhecido como “partido do sim senhor”). Não havia oposição real e concreta no
congresso. Somente a permitida pelos militares.
Foram presidentes militares:
- Castelo Branco (64-67)
- Costa e Silva (67-69)
- Garrastazu Médici (69-74)
- Ernesto Geisel (74-79)
- Figueiredo (79-85)

A ditadura entre 1964 e 1967 durante o governo do Marechal Castelo Brancos foi um período mais
brando dentro do contexto do regime. Os partidos foram extintos (ficou o bipartidarismo) e a censura
ocorria, mas ainda que pequeno, havia um espaço para os trabalhadores e estudantes se manifestarem,
sobretudo os artistas. As manifestações proliferaram. Ocorreram grandes greves operárias em Contagem
(MG) e São Paulo.
O último ato de Castelo Branco foi a imposição de LSN (Lei de Segurança Nacional), que estabelecia
que certas ações de oposição ao regime seriam consideradas “atentatórias” à segurança nacional e
punidas com rigor.
Em dezembro de 1968, sob o governo do Marechal Costa e Silva foi instituído o AI-5, o mais duro e
repressor dos atos institucionais.
Alguns grupos políticos contra a ditadura passaram a atuar na clandestinidade. Alguns deles, devido
ao AI-5 optaram por partir para a revolta armada que adotou táticas de guerrilha.
Surgiram focos de guerrilha urbana (principalmente São Paulo) e guerrilha rural (na região do rio
Araguaia). A guerrilha nunca representou um grande problema de verdade, pois eram pequenos e poucos
grupos, mas forneceu o argumento que a ditadura precisava para manter e aumentar a repressão, pois
tínha inclusive um inimigo interno comunista. O risco não havia passado (lembra-se que o pretexto do
golpe era afastar o risco comunista?).

Milagre Econômico e Repressão


Durante o Governo do General Médici o país viveu a maior onda de repressões e torturas da ditadura.
O AI-5 era aplicado com toda a força e a censura era plena. Ao mesmo tempo o país vivia um período de
propaganda ufanista (nacionalismo e enaltecimento do Brasil) e experimentava um grande crescimento
econômico e urbano em razão do “milagre econômico”.
Foram contraídos empréstimos e concedidos créditos ao consumido, mas ao mesmo tempo os salários
foram congelados. Esta política nos primeiros anos de aplicação gerou um enorme consumo e
consequentemente gerou empregos (cada vez menos remunerados). Ao final da década de setenta o
país amargava uma grande inflação, salários cada vez mais defasados e um aumento da desigualdade
social.

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. 36
Movimentos de Resistência

O Movimento Estudantil
Entre os grupos que mais protestavam contra o governo de João Goulart para a implementação de
reformas sociais estavam os estudantes, mobilizados pela União Nacional dos Estudantes e União
Brasileira dos Estudantes secundaristas.
Quando os militares chegaram ao poder em 1964, os estudantes eram um dos setores mais
identificados com a esquerda comunista, subversiva e desordeira; uma das formas de desqualificar o
movimento estudantil era chamá-lo de baderna, como se seus agentes não passassem de jovens
irresponsáveis, e isso se justificava para a intensa perseguição que se estabeleceu.
Em novembro de 1964, Castelo Branco aprovou uma lei, conhecida como lei "Suplicy de Lacerda",
nome do ministro da Educação, reorganizando as entidades e proibindo-as de desenvolverem atividades
políticas.
Os estudantes reagiram, boicotando as novas entidades oficiais e realizando passeatas cada vez mais
frequentes. Ao mesmo tempo, o movimento estudantil procurou assegurar a existência das suas
entidades legítimas, agora na clandestinidade36.
Em 1968 o movimento estudantil cresceu em resposta não só repressão, mas também em virtude da
política educacional do governo, que já revelava a tendência que iria se acentuar cada vez mais no sentido
da privatização da educação, cujos efeitos são sentidos até hoje.
A política de privatização tinha dois sentidos: um era o estabelecimento do ensino pago (principalmente
no nível superior) e outro, o direcionamento da formação educacional dos jovens para o atendimento das
necessidades econômicas das empresas capitalistas (mão-de-obra e técnicos especializados).
Estas diretrizes correspondiam à forte influência norte-americana exercida através de técnicos da
Usaid (agência americana que destinava verbas e auxílio técnico para projetos de desenvolvimento
educacional) que atuavam junto ao MEC por solicitação do governo brasileiro, gerando uma série de
acordos que deveriam orientar a política educacional brasileira.
As manifestações estudantis foram os mais expressivos meios de denúncia e reação contra a
subordinação brasileira aos objetivos e diretrizes do capitalismo norte-americano. O movimento estudantil
não parava de crescer, e com ele a repressão.
No dia 28 de março de 1968 uma manifestação contra a má qualidade do ensino realizada no
restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro, foi violentamente reprimida pela polícia, resultando
na morte do estudante Edson Luís Lima Souto37.
A reação estudantil foi imediata: no dia seguinte, o enterro do jovem estudante transformou-se em um
dos maiores atos públicos contra a repressão; missas de sétimo dia foram celebradas em quase todas as
capitais do país, seguidas de passeatas que reuniram milhares de pessoas.
Em outubro do mesmo ano, a UNE (União Nacional dos Estudantes), na ilegalidade convocou um
congresso para a pequena cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo. A polícia descobriu a reunião,
invadiu o local e prendeu os estudantes.

Movimentos Sindicais
As greves foram reprimidas duramente durante a ditadura. Os últimos movimentos operários ocorreram
em 1968, em Osasco e Contagem, sendo reavivadas somente no fim da década de 1970, com a greve
de 1.600 trabalhadores no ABC paulista em 12 de maio de 1978, que marcou a volta do movimento
operário à cena política.
Em junho do mesmo ano, o movimento espalhou-se por São Paulo, Osasco e Campinas. Até 27 de
julho registraram-se 166 acordos entre empresas e sindicatos beneficiando cerca de 280 mil
trabalhadores. Nessas negociações, tornou-se conhecido em todo o país o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, Luís Inácio da Silva.
No dia 29 de outubro de 1979 os metalúrgicos de São Paulo e Guarulhos interromperam o trabalho.
No dia seguinte o operário Santos Dias da Silva acabou morrendo em confronto com a polícia, durante
um piquete na frente uma fábrica no bairro paulistano de Santo Amaro. As greves se espalharam por todo
o país.
Em consequência de uma greve realizada no dia 1º de Abril de 1980 pelos metalúrgicos do ABC
paulista e de mais 15 cidades do interior de São Paulo, no dia 17 de Abril o ministro do trabalho, Murillo
Macedo, determinou a intervenção nos sindicatos de São Bernardo do Campo e Santo André, prendendo
13 líderes sindicais dois dias depois. A organização da greve mobilizou estudantes e membros da Igreja.

36
http://repositoriolabim.cchla.ufrn.br/bitstream/123456789/111/16/O%20MOVIMENTO%20ESTUDANTIL%20BRASILEIRO%20DURANTE%20O%20REGIME%20
MILITAR%201968-1970.pdf
37
https://www.une.org.br/2011/09/historia-da-une/

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. 37
Ligas Camponesas
O movimento de resistência esteve presente também no campo. Além da sindicalização formaram-se
Ligas Camponesas que, sobretudo no Nordeste, sob a liderança do advogado Francisco Julião, foram
importantes instrumentos de organização e de atuação dos camponeses.
Em 15 de maio de 1984 cerca de 5 mil cortadores de cana e colhedores de laranja do interior paulista
entraram em greve por melhores salários e condições de trabalho. No dia seguinte invadiram as cidades
de Guariba e Bebedouro. Um canavial foi incendiado. O movimento foi reprimido por 300 soldados.
Greves de trabalhadores se espalharam por várias regiões do país, principalmente no Nordeste.

A Luta Armada
Militantes da Esquerda resolveram resistir ao regime militar através da luta armada, com a intenção de
iniciar um processo revolucionário. Entre os grupos mais notórios estão:

- Ação Libertadora Nacional (ALN), em que se destaca Carlos Marighella, ex-deputado e ex-
membro do Partido Comunista Brasileiro, morto numa emboscada em 1969;

- Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que era comandada pelo ex-capitão do Exército Carlos
Lamarca, morto na Bahia, em 17 de setembro de 1971. Em 1969 funde-se com o Comando de
Libertação Nacional (COLINA), e muda o nome para Vanguarda Armada Revolucionária Palmares
(VAR-Palmares), que teve participação também da presidente Dilma Rousseff;

- A Ação Popular, que teve origem em 1962 a partir de grupos católicos, especialmente influentes no
movimento estudantil;

- Partido Comunista do Brasil (PC do B), que surge de um conflito interno dentro do PCB.

Um dos principais feitos da ALN, em conjunto ao Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), foi
o sequestro do embaixador estadunidense Charles Ewbrick, em 1969. Em nenhum lugar do mundo um
embaixador dos EUA havia sido sequestrado. Essa façanha possibilitou aos guerrilheiros negociar a
libertação de quinze prisioneiros políticos. Outro embaixador sequestrado foi o alemão-ocidental Ehrefried
Von Hollebem, que resultou na soltura de quarenta presos.
A luta armada intensificou o argumento de aumento da repressão. As torturas aumentaram e a
perseguição aos opositores também. Carlos Marighella foi morto por forças policiais na cidade de São
Paulo. As informações sobre seu paradeiro foram conseguidas também através de torturas.
O VPR realizou ações no Vale do Ribeira em São Paulo, mas teve que enfrentar a perseguição militar
na região. Lamarca conseguiu fugir para o Nordeste, mas acabou morto na Bahia, em 1971.
O último foco de resistência a ser desmantelado foi a Guerrilha do Araguaia. Desde 1967, militantes
do PCdoB dirigiram-se para região do Bico do Papagaio, entre os rios Araguaia e Tocantins, onde
passaram a travar contato com os camponeses da região, ensinando a eles cuidados médicos e
auxiliando-os na lavoura.
As Forças Armadas passaram a perseguir os guerrilheiros do Araguaia em 1972, quando descobriu a
ação do grupo. O desmantelamento ocorreria apenas em 1975, quando uma força especial de
paraquedistas foi enviada à região, acabando com a Guerrilha do Araguaia.
No Brasil, as ações guerrilheiras não conseguiram um amplo apoio da população, levando os grupos
a se isolarem, facilitando a ação repressiva. Após 1975, as guerrilhas praticamente desapareceram, e os
corpos dos guerrilheiros do Araguaia também. À época, a ditadura civil-militar proibiu a divulgação de
informações sobre a guerrilha, e até o início da década de 2010 o exército não havia divulgado informação
sobre o paradeiro dos corpos.

Redemocratização do País e Diretas Já.


O General Geisel assume em 74. Foi o militar que deu início à abertura política, assinalando o fim da
ditadura. O fim do regime foi articulado pelos próprios militares que planejaram uma abertura “lenta,
segura e gradual”.
Nas eleições parlamentares de 74 os militares imaginaram que teriam a vitória da ARENA, mas o MDB
teve esmagadora maioria. Em razão deste acontecimento a ditadura lança a Lei Falcão e o Pacote de
Abril. A lei falcão acabava com a propaganda eleitoral. Todos os candidatos apareceriam o mesmo tempo
na TV, segurando seu número enquanto uma voz narrava brevemente seu currículo. Apesar de uma
oposição consentida o MDB estava incomodando e o pacote de abril serviu para garantir supremacia da
ARENA.

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. 38
A constituição poderia ser mudada somente por 50% dos votos (garante a vitória da ARENA). Um terço
dos senadores teriam o papel de “senador biônico”, ou seja, indicado pela assembleia (sempre
senadores da ARENA) e alterou o coeficiente eleitoral de forma que a região nordeste (que ainda ocorria
claramente o voto de “cabresto” e os eleitores votavam em peso na ARENA) tivesse um maior número de
deputados. Geisel pôs fim ao AI-5 em 1978.
Em 1979 assumiu a presidência o General Figueiredo, sob uma forte crise econômica resultado da
política econômica do milagre brasileiro. Em 79 foi aprovada a Lei da Anistia (perdão de crimes políticos),
que de acordo com o governo militar era uma anistia “ampla, geral e irrestrita”.
O que isso queria dizer?
Que todos os crimes cometidos na ditadura seriam perdoados, tanto o “crime” dos militantes políticos,
estudantes, intelectuais e artistas que se encontravam exilados (fora do país por motivos de perseguição
política), e puderam voltar ao Brasil, como os torturadores do regime.
Em 1979 são liberadas para a próxima eleição o voto direto aos governadores. Também foi aprovada
a “Lei Orgânica dos Partidos” que punha fim ao bipartidarismo e foram fundados novos 5 partidos:
- PDS (Partido Democrático Social)
- PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro)
- PTB (Partido Trabalhista Brasileiro)
- PDT (Partido Trabalhista Brasileiro)
- PT (Partido dos Trabalhadores)

Obs.: A lei eleitoral obrigava a votar somente em candidatos do mesmo partido, de vereador à
governador. A oposição ao regime, na eleição para governador de 1982, obteve vitória
esmagadora.

A Resistência às Reformas Políticas de Figueiredo


Assim como Geisel, o general Figueiredo teve de enfrentar resistência da linha-dura às reformas
políticas que estavam em andamento. As primeiras manifestações dos grupos que estavam descontentes
com a abertura vieram em 1980.
No final desse ano e no início de 1981, bombas começaram a explodir em bancas de jornal que
vendiam periódicos considerados de esquerda (Jornal Movimento, Pasquim, Opinião etc.). Uma carta-
bomba foi enviada à OAB e explodiu nas mãos de uma secretária, matando-a. Havia desconfianças de
que fora uma ação do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de
Defesa Interna), mas nunca se conseguiu provar nada.

O Caso Riocentro
Em abril de 1981, ocorreu uma explosão no Riocentro durante a realização de um show de música
popular. Dele participavam inúmeros artistas considerados de esquerda pelo Regime. Quando as
primeiras pessoas, inclusive fotógrafos, se aproximaram do local da explosão, depararam com uma cena
dramática e constrangedora.
Um carro esporte (Puma) estava com os vidros, o teto e as portas destroçados. Havia dois homens no
seu interior, reconhecidos posteriormente como oficiais do Exército ligados ao DOI-Codi. O sargento,
sentado no banco do passageiro, estava morto, praticamente partido ao meio. A bomba explodira na
altura de sua cintura. O motorista, um capitão, estava vivo, mas gravemente ferido e inconsciente.
O Exército abriu um inquérito Policial-Militar para apurar o caso e, depois de muitas averiguações,
pesquisas, tomadas de depoimentos, concluiu que a bomba havia sido colocada ali, dentro do carro e
sobre as pernas do sargento do Exército, por grupos terroristas. Essa foi a conclusão da Justiça Militar, e
o caso foi encerrado.
Em 1984 o deputado do PMDB Dante de Oliveira propôs uma emenda constitucional que restabelecia
as eleições diretas para presidente. A partir da emenda Dante de Oliveira tem início o maior movimento
popular pela redemocratização do país, as Diretas Já que pediam eleições diretas para presidente no
próximo ano.
Infelizmente a emenda não foi aprovada. Em 1985 ocorreram eleições indiretas e formaram-se chapas
para concorrer à presidência. Através das eleições indiretas ganhou a chapa do PMDB em que o
presidente eleito foi Tancredo Neves e seu vice José Sarney. Contudo Tancredo Neves passou mal na
véspera da posse e foi internado com infecção intestinal, não resistiu e morreu. Assumiria a presidência
da República em 1985 José Sarney.
O Governo de José Sarney foi um momento de enorme crise econômica, com hiperinflação, mas um
dos momentos mais fundamentais que coroaria a redemocratização, pois foi em seu governo que foi

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aprovada a nova constituição. Foi reunida em 1987 uma assembleia nacional constituinte (assembleia
reunida para escrever e promulgar uma nova constituição).

A constituição de 1988

A nova constituição foi votada em meio a grandes debates e diferentes visões políticas. Havia muitos
interesses em disputa. O voto secreto e direto para presidente foi restaurado, proibida a censura,
garantida a liberdade de expressão e igualdade de gênero, o racismo tornou-se crime e o estado
estabeleceu constitucionalmente garantias sociais de acesso a saúde, educação, moradia e
aposentadoria.
Ao final de 1989 foi realizada a primeira eleição livre desde o golpe de 1964. Foi disputada em dois
turnos. O segundo foi concorrido entre o candidato Fernando Collor de Mello (PRN – partido da renovação
nacional), contra Luís Inácio Lula da Silva. Collor ganhou a eleição, com apoio dos meios de comunicação
e governou até 1992 após ser afastado por um processo de impeachment. Ocorreram grandes
manifestações populares, sobretudo estudantis, conhecidas como o “movimento dos caras-pintadas”.

Questões

01. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário – História – FCC) O processo de abertura política no
Brasil, ao final do período de regime militar, foi marcado
(A) pela denominada “teoria dos dois demônios”, discurso oficial que culpava os grupos guerrilheiros
e o imperialismo soviético pelo endurecimento do autoritarismo no Brasil e nos países vizinhos.
(B) pelo chamado “entulho autoritário”, pois a Constituição outorgada em 1967 continuou vigente,
mantiveram-se os cargos “biônicos” e persistiu prática da decretação de Atos Institucionais durante a
década de 1980.
(C) pela lógica do “ajuste de contas”, pois, ainda que o governo encampasse uma abertura “lenta,
gradual e irrestrita”, os setores populares organizaram greves nacionais que culminaram na realização de
eleições diretas para presidente em 1985.
(D) pelo caráter de “transição negociada”, uma vez que prevaleceram pressões por parte dos setores
afinados com o regime e concessões dos movimentos pela democratização, em um complexo jogo
político que se estendeu pelos anos 1980.
(E) pela busca da “conciliação nacional” ao se instituírem as Comissões da Verdade que conseguiram,
com o aval do primeiro governo civil pós-ditadura, atender as demandas por “verdade, justiça e reparação”
da sociedade brasileira.

02. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário – História – FCC) A respeito dos Atos Institucionais
decretados durante o regime militar no Brasil,
(A) sucederam-se rapidamente totalizando cinco durante a ditadura, sendo o último, em 1968, o que
suspendeu a garantia do direito ao habeas corpus e instituiu a censura prévia.
(B) refletiram a intenção dos militares em preservar a institucionalidade da democracia, uma vez que
todos os atos eram votados pelo Congresso.
(C) prestaram-se a substituir a falta de uma nova Constituição, chegando a 20 decretações que se
estenderam até o governo Geisel.
(D) foram mais de dez e entre os objetivos de sua promulgação destaca-se o reforço dos poderes
discricionários da Presidência da República.
(E) concentraram-se nos dois primeiros anos de governo militar e instituíram o estado de sítio e o
bipartidarismo.

03. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário – História – FCC) O golpe de 1964, que deu início ao
regime militar no Brasil e que foi chamado pelos militares de “revolução de 64”, teve, entre seus objetivos
(A) refrear o avanço do comunismo apoiado pelo presidente Jango que, após ver concretizado seu
programa reformista, articulava-se para adaptar o Estado aos moldes socialistas, por meio do projeto de
uma nova constituição difundido e aplaudido no histórico Comício da Central do Brasil.
(B) reinstaurar o presidencialismo, uma vez que o regime parlamentarista pelo qual João Goulart
governava favorecia alianças entre partidos pequenos e grupos de esquerda liderados pelo PTB, que
tinha representação significativa na Câmara e no Senado.
(C) destituir o governo de João Goulart, contando com o apoio do governo dos Estados Unidos e de
parcelas da sociedade brasileira que apoiaram, dias antes, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade
organizada por setores conservadores da Igreja Católica.

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(D) restaurar a ordem no país e garantir a recuperação do equilíbrio econômico, uma vez que greves
paralisavam a produção nacional e movimentos de apoio à reforma agrária se radicalizavam, caso das
Ligas Camponesas que haviam iniciado a guerrilha do Araguaia.
(E) iniciar um processo autoritário de transição política e econômica nos moldes do neoliberalismo, por
meio de uma estratégia defendida por entidades como o FMI, a ONU e a Cepal, com o aval do
empresariado brasileiro insatisfeito com o governo vigente.

04. (VUNESP) A partir dessa época, a tortura passou a ser amplamente empregada, especialmente
para obter informações de pessoas envolvidas com a luta armada. Contando com a “assessoria técnica”
de militares americanos que ensinavam a torturar, grupos policiais e militares começavam a agredir no
momento da prisão, invadindo casas ou locais de trabalho. A coisa piorava nas delegacias de polícia e
em quartéis, onde muitas vezes havia salas de interrogatório revestidas com material isolante para evitar
que os gritos dos presos fossem ouvidos.
(Roberto Navarro – http://mundoestranho.abril.com.br.)

Os aspectos citados no texto permitem identificar a época a que ele se refere como sendo a da
(A) Repressão à Revolução Constitucionalista de 1932.
(B) Nova República, cujo primeiro presidente foi José Sarney.
(C) Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.
(D) Democracia populista, que durou de 1946 a 1964.
(E) Ditadura militar, iniciada com o golpe de 1964.

05. (VUNESP) A imagem a seguir refere-se a um movimento da década de 1980 que contou com
grande participação popular em várias cidades do Brasil.

(Http://www.oabsp.org.br/portaldamemoria/historia-da-oab/ a-redemocratizacao-e-o-processo-constituinte)

Assinale a alternativa que indica corretamente o objetivo deste movimento.


(A) Devolver à população o direito de votar nos candidatos à presidência do país.
(B) Anistiar os presos políticos e permitir o retorno dos exilados ao Brasil.
(C) Reajustar o salário-mínimo de acordo com os índices reais de inflação.
(D) Autorizar a justiça comum a punir políticos envolvidos em crimes de corrupção.
(E) Permitir que leis propostas pela população fossem discutidas no Congresso Nacional.

Gabarito

01.D / 02.D / 03.C / 04.E / 05.A

Comentários

01. Resposta: D
A ideia de uma abertura “Lenta, gradual e segura” foi utilizada pelo governo militar. No final da década
de 70 e início da década de 80 ocorreram muitas greves, principalmente na região do ABC paulista.
A primeira eleição direta para presidente após a abertura ocorreu em 15 de novembro de 1989.

02. Resposta: D
Os Atos Institucionais foram normas elaboradas no período de 1964 a 1969 durante o regime militar.
Foram editadas pelos Comandantes-Chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ou pelo Presidente
da República, com o respaldo do Conselho de Segurança Nacional. Foram 17 atos ao todo, sendo o mais
conhecido deles o AI-5, cuja descrição é: Suspende a garantia do habeas corpus para determinados
crimes; dispõe sobre os poderes do Presidente da República de decretar: estado de sítio, nos casos

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previstos na Constituição Federal de 1967; intervenção federal, sem os limites constitucionais; suspensão
de direitos políticos e restrição ao exercício de qualquer direito público ou privado; cassação de mandatos
eletivos; recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores;
exclui da apreciação judicial atos praticados de acordo com suas normas e Atos Complementares
decorrentes; e dá outras providências.

03. Resposta: C
Em 1º de abril de 1964 foi dado o golpe militar pelo exército. Contou com apoio de vários setores
sociais como o alto clero da Igreja Católica, ruralistas e grandes empresários urbanos. Devido a este
apoio este período também é chamado de Ditadura Civil-Militar (Ditadura militar com apoio civil). O
argumento para o golpe foi afastar o “risco comunista”.

04. Resposta: E
Citando a própria matéria referida na questão:
Uma pesquisa coordenada pela Igreja Católica com documentos produzidos pelos próprios militares
identificou mais de cem torturas usadas nos "anos de chumbo" (1964-1985). Esse baú de crueldades,
que incluía choques elétricos, afogamentos e muita pancadaria, foi aberto de vez em 1968, o início do
período mais duro do regime militar. Durante o governo militar, mais de 280 pessoas foram mortas -
muitas sob tortura. Mais de cem desapareceram, segundo números reconhecidos oficialmente. Mas
ninguém acusado de torturar presos políticos durante a ditadura militar chegou a ser punido.

05. Resposta: A
Em 1984 o deputado do PMDB Dante de Oliveira propôs uma emenda constitucional que restabelecia
as eleições diretas para presidente. A partir da emenda Dante de Oliveira tem início o maior movimento
popular pela redemocratização do pais, as Diretas Já que pediam eleições diretas para presidente no
próximo ano. Infelizmente a emenda não foi aprovada. Em 1985 ocorreram eleições indiretas e formaram-
se chapas para concorrer à presidência. Através das eleições indiretas ganhou a chapa do PMDB em que
o presidente eleito foi Tancredo Neves e seu vice José Sarney.

História e Geografia do Estado

O Rio Grande do Norte está localizado entre o Ceará, separado pelo rio Jaguaribe, e a Paraíba,
separado pela Baia da Traição, no Nordeste brasileiro. Tem como limites ao norte e leste o oceano
Atlântico, que banha todo o seu litoral38.
Mesmo sendo um dos menores Estados do Brasil, com seus 53.015 km², possui grande quantidade
de recursos naturais. No passado seu litoral era repleto de árvores de Pau-brasil, de grande valor durante
os primeiros contatos de europeus, o que levou os franceses a se instalarem na costa da região, antes
mesmo de se formar a Capitania do Rio Grande.
As atividades econômicas do Rio Grande do Norte, desde o início de sua colonização, sempre
estiveram ligadas a agricultura e a criação de gado, tendo como destaque na sua produção: o algodão,
sal marinho, sisal, cana de açúcar, milho, feijão, banana, batata doce, etc. É detentora das maiores salinas
do país e de um litoral de cerca de 410 km de extensão.
A sua localização inserida numa região sujeita à periódicas secas, prejudica bastante a sua população
que perde plantações e gado pela falta d água, e que, muitas vezes precisa fugir para as cidades em
busca de sobrevivência.
Natal, a capital do Rio Grande do Norte, sobressaiu-se bastante por ocasião da Segunda Guerra
mundial, quando se tornou centro das atenções nacionais e internacionais, não somente pela construção
da base aérea americana, mas, sobretudo pela presença dos soldados dos Estados Unidos, o que
modificou bastante os costumes locais com a introdução de muitos dos seus hábitos no dia a dia.
Historicamente, o Rio Grande do Norte surgiu com a divisão do Brasil em Capitanias hereditárias, em
1533, e a concessão por D. João III das terras que se estendiam a partir da Baia da Traição (limite sul)
até o rio Jaguaribe, ao cronista João de Barros, além de mais 50 léguas de parceria com Aires da Cunha.
Começava a existir a Capitania do Rio Grande, cuja conquista e colonização, depois de várias tentativas
frustradas, somente foi efetivada já no final do século, em 1598. Por conta da sua posição geográfica, as
terras do Rio Grande foram possivelmente um dos primeiros pontos visitados no litoral brasileiro, antes
mesmo da chegada dos portugueses. A necessidade de consolidar o domínio português nas terras que
se encontravam abandonadas, com a presença constante de visitantes estrangeiros no seu litoral, fez o

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https://bit.ly/2KUOALb

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governo português tomar novas medidas com relação a Capitania do Rio Grande, nessa altura já de
posse da Coroa, que a havia comprado aos filhos de João de Barros.
Dessa forma foram cumpridas as determinações reais aos donatários Mascarenhas Homem, de
Pernambuco e Feliciano Coelho da Paraíba, de conquistar as terras, construção de um forte para a sua
defesa e fundação de uma cidade para ser iniciada a obra da colonização. Foi construída a fortaleza dos
Reis Magos, concluída em 6 de janeiro, cuja planta da autoria de Frei Gaspar de Samperes, obedecia a
característica das construções coloniais portuguesas.
Em 24 de dezembro de 1599, foi fundada a cidade de Natal, tendo como ponto original o local elevado
onde hoje se localiza a Praça André de Albuquerque, Largo da Matriz. Ai foi erguida uma pequena capela
onde foi celebrada a missa, capela essa que através das reformas e do tempo permanece ainda hoje a
velha catedral.
A colonização foi lenta, estabelecendo-se oficialmente em 1611, com a passagem do Governado do
Brasil Diogo de Meneses, que fez as nomeações necessárias para a instituição da administração. Ao
longo dos anos a Capitania do Rio Grande acrescentou o complemento do Norte, devido existência de
uma outra capitania do Rio Grande, a do Sul.
Marcaram o processo histórico do desenvolvimento da capitania a presença dos holandeses, que
tendo invadido e se estabelecido em Pernambuco, conquistaram também o Rio Grande para apoiar a
conquista de Pernambuco, além da Capitania do Rio Grande servir para fornecer o gado, para consumo
das tropas e população em Pernambuco. Natal foi visitada pelo conde Mauricio de Nassau em 1637.
Os holandeses permaneceram na capitania por mais de vinte anos, mas nada foi realizado de positivo
que marcasse sua presença na região. Natal recebeu o nome de Nova Amsterdã, estabelecendo-se uma
fase que ficou marcada pelo abandono, violência, e rapinagem, responsável pelo atraso no
desenvolvimento local. O domínio invasor ficou conhecido pelas atrocidades de Cunhaú, Ferreiro Torto e
Uruaçu, que eram os núcleos populacionais da época.
Após a saída dos holandeses, inaugura-se uma nova fase na vida da capitania, que volta a sofrer
reveses, desta feita com uma revolta dos índios tapuias contra o domínio português, um movimento de
rebeldia considerado como um dos maiores da região nordeste, que ficou conhecida como Guerra dos
Bárbaros. O movimento, que persistiu por mais de vinte anos, se estendia pelas áreas das Capitanias do
Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, sendo que o foco da rebelião estava na
Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Em 1817, ocorreu o Movimento Republicano no nordeste brasileiro, tendo Pernambuco como o centro
de difusão do pensamento liberal, sob a liderança da elite agrária e religiosa da região, motivada por
interesses econômicos. Esse movimento teve ramificações em Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.
No caso do Rio Grande do Norte, cujo governador José Inácio Borges, ao condenar o movimento,
declarando esta separada de Pernambuco, para que fosse mantida a fidelidade ao rei, concretizou duas
antigas aspirações da população norte-riograndense: tornar-se independente da Capitania de
Pernambuco e a criação de uma Alfândega local, que até então não existia.
Mesmo com as providencias tomadas pelo governador Borges, André de Albuquerque Maranhão,
comandante da Divisão do Distrito Sul e senhor de Cunhaú, (o primeiro engenho do Rio Grande do Norte)
através de contatos com os insurretos de Pernambuco, aderiu assumindo a liderança do movimento e
entrou em Natal com suas tropas na tarde de 28 de março. No dia seguinte, no edifício da Provedoria da
Fazenda, André de Albuquerque Maranhão instalou o governo republicano do Rio Grande do Norte sob
sua presidência, governo esse que durou apenas um mês, quando então foi assassinado e a situação
voltou ao domínio português.
A independência do Brasil em 1822 transformou a capitania, assim como as demais, em Província,
estabelecendo-se nessa fase um crescimento fortalecido pelos poucos engenhos de cana de açúcar e as
fazendas de gado, principalmente.
A queda da monarquia e estabelecimento da república como regime político transformou as Províncias
em Estados e a situação política local, tal qual a do restante do país, consolidou as oligarquias que
caracterizaram a República Velha. No Rio Grande do Norte o sistema oligárquico funcionou com a
liderança de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, cujo grupo se manteve no poder até a década de
vinte, substituído por outro que se manteve no poder até o movimento de 1930.
Outro fato a se destacar na história do Rio Grande do Norte foi o movimento de 1935, conhecido como
Intentona Comunista, - três insurreições distintas, das unidades militares de Natal, Recife e Rio de Janeiro
- quando o governo foi interrompido por um movimento armado que instalou um Comitê Popular
Revolucionário, que durou apenas 4 dias.
A ocorrência da Segunda Guerra mundial (1939-1945), colocou o rio Grande do Norte, especificamente
Natal como local de destaque no panorama internacional. Com o apoio de Vargas, presidente do Brasil,
aos americanos, foram assinados acordos que incluíam a construção de bases militar no Brasil e Natal,

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pela sua posição estratégica de proximidade com a África, foi escolhida para instalação da defesa em
tempo de guerra. Foram instaladas a Base Naval de Natal em Refoles, no Alecrim, e a Base Aérea de
Natal, ao lado da qual foi construída a Base Aérea Americana, Parnamirim Field, como ficou conhecida.
Após o final da guerra surgiram os primeiros cursos universitários, 1947, com a criação das Faculdades
de Farmácia e Odontologia. Seguiram-se as faculdades de Direito, Filosofia, Serviço Social, Economia e
Medicina, todas públicas. Em 1958, no governo de Dinarte de Medeiros Mariz (1956/1961) foi criada a
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, inicialmente estadual e logo em seguida federalizada, em
dezembro de 1960 pelo presidente JK.

GEOGRAFIA

CAPITAL: NATAL;
ÁREA: 52. 796,791 KM²;
POPULAÇÃO (2018): 3.479.010 (estimativa);
MUNICÍPIOS MAIS POPULOSOS: NATAL, MOSSORÓ, PARNAMIRIM, SÃO GONÇALO DO
AMARANTE, MACAÍBA, CEARÁ- MIRIM, CAICÓ, ASSU, CURRAIS NOVOS E SÃO JOSÉ DE MIPIBU;
GENTÍLICOS: POTIGUAR, NORTE-RIO-GRANDENSE.
Relevo
A superfície do Estado do Rio Grande do Norte é formada, em grande parte, por um relevo plano;
aproximadamente 83% do espaço geográfico estadual não ultrapassam 300 metros acima do nível do
mar. O relevo norte-rio-grandense é composto por duas unidades de relevo: terras baixas e planalto. As
terras baixas são encontradas no leste, norte e oeste do Planalto da Borberema. O planalto se estabelece
no norte da Serra Borborema e se estende até o sul do Estado.

Clima
No Rio Grande do Norte, podem ser percebidos dois tipos de climas: tropical úmido litorâneo e tropical
semiárido. No litoral, o clima que predomina é o tropical úmido; as temperaturas apresentam uma média
anual de 20°C. Além disso, os índices pluviométricos são relativamente elevados, chegam a atingir
1.500mm por ano. Em contrapartida, a parte interiorana do Estado apresenta uma média de temperatura
mais elevada (algo em torno de 27°C), e os índices pluviométricos na região são baixos e não superam
os 800 mm ao ano.

Vegetação
Na região litorânea são identificadas duas características vegetais: os mangues e a floresta Atlântica
(áreas remanescentes). No oeste do Estado, onde as temperaturas são elevadas e a incidência de chuvas
é restrita, a cobertura vegetal predominante é a Caatinga.

Hidrografia
A hidrografia do Estado do Rio Grande do Norte é marcada pela temporariedade de seus rios, ou seja,
rios que secam em um período do ano em decorrência do desprovimento de chuvas. No entanto, também
existem rios de regime perene (que não secam) no agreste e no litoral. Dentre os rios que compõem a
hidrografia, os principais são: Mossoró, Apodi Assu, Piranhas, Potengi, Trairi, Jundiaí, Jacu, Seridó e
Curimataú.

Economia
Conforme dados do IBGE, em 1999 Natal respondia por 44% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado.
Hoje, a previsão é de que a participação da Capital tenha caído para 32%. Esse fato deve ser encarado
como um fator positivo, porque possibilitou a desconcentração da riqueza e da renda. O interior do Estado
vem apresentando crescente participação no PIB. Cidades como Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do
Amarante tiveram índices de crescimento superiores ao de Natal.
As atividades econômicas do estado contribuem da seguinte forma para o Produto Interno Bruto (PIB)
estadual: Agropecuária (5,1%), Indústria (24%) e Serviços (70,9%), assim destacadas:
A agricultura é bem diversificada, com enfoque para o cultivo de arroz, algodão, feijão, fumo, mamona,
cana-de-açúcar, mamão, melão, coco, mandioca, melancia, manga, acerola, banana, caju e milho. O
desenvolvimento de técnicas para a prática da fruticultura irrigada proporcionou um grande aumento da
produtividade, fortalecendo as exportações, especialmente para a Europa.
A agropecuária potiguar também representa um forte segmento econômico, representada pelos
rebanhos bovinos e suinos.

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A atividade industrial concentra-se na região metropolitana de Natal, com destaque para os produtos
têxteis, bebidas, agroindústrias e indústrias de automóvel. A indústria petrolífera é de fundamental
importância para a economia do Rio Grande do Norte, uma vez que o estado é o maior produtor nacional
de petróleo em terra, além de possuir três unidades de processamento de gás natural.
Com belas praias, o turismo é outro elemento importante na economia estadual. São mais de 2 milhões
de visitantes anualmente, sendo que os principais destinos são as praias de Ponta Negra, Pipa e
Genipabu. Essa atividade é responsável por empregar mais de 120 mil pessoas, além de estar vinculada
a outras 54 atividades, direta ou indiretamente.
A mineração destaca-se com a extração de sal marinho (cerca de 90% da produção nacional), calcário,
estanho, gás natural, petróleo e feldspato.
Outro segmento que merece destaque é a produção de camarão, a qual tem apresentado um quadro
bastante evolutivo. Atualmente, o estado é o maior exportador brasileiro do crustáceo.

Dados de exportação e importação do Rio Grande do Norte:


Exportação – 347,5 milhões de dólares.
Frutas frescas: 29%
Castanha de caju: 13%
Crustáceos: 11%
Combustíveis e lubrificantes para embarcações e aeronaves: 9%
Fios, tecidos e confecções: 7%
Açúcares: 7%
Produtos de confeitaria: 6%
Outros: 18%

Importações – 207,3 milhões de dólares


Plástico e seus produtos: 17%
Trigo: 15%
Máquinas e equipamentos: 13%
Tubos de ferro e aço: 8%
Máquinas têxteis: 7%
Geradores: 7%
Algodão: 5%
Embalagens de papel: 4%
Outros: 24%

O Produto Interno Bruto (PIB) estadual atingiu a marca de 22,9 bilhões de reais, visto que a economia
está em constante processo de desenvolvimento. No entanto, sua participação no PIB do Nordeste é de
apenas 6,6% e no âmbito nacional, essa marca atinge 0,9%.

FOLCLORE
Os principais eventos populares do estado são as exibições folclóricas: fandango, pastoris, lapinha,
chegança (do ciclo do Natal), boi-calemba, bambelô, congo. Danças típicas são o serrote, um xote
dançado por dois ou três pares apenas, e o baiano, uma dança viva com coreografia individual.
Na culinária destacam-se o acaçá, um bolo de fubá de milho ou arroz que é cozido com água e sal até
ficar gelatinoso; a alambica, jerimum cozido com toucinho; a aritica, feijão com rapadura, e o aluá, uma
bebida de origem indígena fermentada de abacaxi ou milho e açúcar.

SIMBOLOS

Bandeira
Criada pela Lei 2.160/1957, foi sancionada pelo então governador Dinarte de Medeiros Mariz. Sua
criação partiu de um grupo de pensadores ligados à cultura potiguar, cabendo ao historiador Luís da
Câmara Cascudo a missão de dar forma à bandeira.
A Bandeira do RN é constituída de um retângulo com 1,5m por 1m dividido em duas partes iguais no
sentido horizontal, sendo a parte superior de cor verde, idêntica à da Bandeira Nacional e a parte inferior
branca. Ao centro do retângulo, um campo amarelo em forma de escudo, servindo de fundo ao Brasão
do Estado, instituído pelo Decreto nº 201/1909.

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Brasão
Foi criado pelo Decreto nº 201/1909, durante a gestão do governador Alberto Maranhão. O Decreto de
oficialização determinou que o original fosse arquivado no Instituto Histórico e Geográfico do RN. Durante
o governo de Dinarte de Medeiros Mariz, em 1957, foi criada a Flor do Algodoeiro como Emblema Floral
do Estado (Lei 2.160/1957).

Hino
De autoria do senador José Augusto Meira Dantas, com música de José Domingos Brandão (ambos
de Ceará Mirim), foi declarado oficial pela Lei 2.161/1957, no governo de Dinarte Mariz. É constituído de
três estrofes de doze versos cada uma e um estribilho. A solenidade de oficialização aconteceu em frente
ao Palácio Potengi com uma apresentação da Banda de Música da Polícia Militar.

Rio Grande do Norte esplendente


Indomado guerreiro e gentil,
Nem tua alma domina o insolente,
Nem o alarde o teu peito viril !
Na vanguarda, na fúria da guerra
Já domaste o astuto holandês !
E nos pampas distantes quem erra,
Ninguém ousa afrontar-te outra vez!
Da tua alma nasceu Miguelinho,
Nós, como ele, nascemos também,
Do civismo no rude caminho,
Sua glória nos leva e sustém!

Estribrilho
A tua alma transborda de glória!
No teu peito transborda o valor!
Nos arcanos revoltos da história
Potiguares é o povo senhor!

II
Foi de ti que o caminho encantado
Da Amazônia Caldeira encontrou,
Foi contigo o mistério escalado,
Foi por ti que o Brasil acordou!
Da conquista formaste a vanguarda,
Tua glória flutua em Belém!
Teu esforço o mistério inda guarda
Mas não pode negá-lo a ninguém!
É por ti que teus filhos descantam,
Nem te esquecem, distante, jamais!
Nem os bravos seus feitos suplantam
Nem teus filhos respeitam rivais!

III
Terra filha de sol deslumbrante,
És o peito da Pátria e de um mundo
A teus pés derramar trepidante,
Vem atlante o seu canto profundo!
Linda aurora que incende o teu seio,
Se recama florida e sem par,
Lembra uma harpa, é um salmo, um gorjeio,
Uma orquestra de luz sobre o mar!
Tuas noites profundas, tão belas,
Enchem a alma de funda emoção,
Quanto sonho na luz das estrelas,
Quanto adejo no teu coração

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Questões

01. O Hino do Estado do Rio Grande do Norte, oficializado em 1957, faz referência a determinados
fatos e personagens históricos. Considere as afirmativas abaixo.

I. Os versos Na vanguarda, na fúria da guerra / Já domaste o astuto holandês! evocam a expulsão dos
holandeses, em 1654.
II. Os versos Foi de ti que o caminho encantado / Da Amazônia Caldeira encontrou evocam a expedição
que, sob o comando de Francisco Caldeira Castelo Branco, partiu do Rio Grande em 1615 e chegou ao
Pará.
III. Os versos Da conquista formaste a vanguarda, / Tua glória flutua em Belém! evocam o martírio do
padre Miguelinho, preso e executado na cidade de Belém, sob a acusação de inconfidência.

Está correto o que se afirma em


(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

02. Ao longo do século XVI,


(A) os franceses frequentaram assiduamente o litoral do Rio Grande do Norte, explorando o pau-brasil.
(B) os portugueses firmaram sólidas e fraternais alianças com os índios da região, os potiguares.
(C) a Capitania do Rio Grande coube ao donatário Duarte Coelho, que a transmitiu a seus
descendentes.
(D) os moradores de Pernambuco e Itamaracá uniram-se aos franceses, no contrabando de madeira.
(E) revelou-se a excepcional fertilidade das terras do Rio Grande para o cultivo da cana-de-açúcar.

03. Durante o período da ocupação holandesa no território que hoje corresponde ao Rio Grande do
Norte,
(A) ocorreu grande crescimento da produção açucareira, superando Pernambuco e Bahia.
(B) não houve crescimento econômico, restando dele, segundo Tavares Lyra, “apenas uma triste
lembrança”.
(C) iniciou-se, no litoral, a exploração do pau-brasil, produto de grande interesse comercial.
(D) houve convivência pacífica entre indígenas tapuias e potiguares e colonos luso-brasileiros, unidos
contra os invasores.
(E) foi criada a primeira alfândega brasileira em Natal, para controlar a entrada de produtos europeus.

04. Sobre a pacificação dos índios potiguares no território que compreendia o Rio Grande (mais tarde
do Norte), é correto afirmar:
(A) A pacificação deu-se por lento processo de mestiçagem, resultante do casamento de inúmeros
portugueses com índias potiguares, cujos descendentes povoaram o atual Rio Grande do Norte.
(B) Os índios potiguares rejeitaram a intermediação de missionários jesuítas nas negociações pelo
acordo de paz, aceitando apenas as tratativas feitas por Jerônimo de Albuquerque, mestiço de índio e
branco.
(C) Os violentos confrontos entre colonizadores e potiguares ficaram conhecidos na História do Brasil
como Guerra dos Bárbaros, que resultou, após o extermínio de grande parte da população indígena, na
pacificação.
(D) Após muitos combates violentos contra colonizadores luso-brasileiros, os índios potiguares
aceitaram acordo de paz em 1599, com intermediação de Jerônimo de Albuquerque e padres jesuítas.
(E) Usa-se a expressão “pacificação dos índios potiguares” para identificar o momento a partir do qual
a prática do canibalismo foi abandonada e a fé cristã foi adotada pelos índios.

05. Sobre o processo abolicionista no Rio Grande do Norte, é correto afirmar que
(A) Almino Afonso defendeu a ideia de que a Lei Áurea não passava de um ato de desapropriação,
devendo o Estado indenizar os ex-proprietários de escravos.
(B) Mossoró resistiu às iniciativas da Sociedade Emancipadora, negando-se a conceder cartas de
alforria aos escravos da região.

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(C) a Lei Áurea afetou muito pouco as atividades dos engenhos de açúcar, desenvolvidas por
populações indígenas assalariadas.
(D) a cidade de Natal, graças ao discurso proferido por Castro Alves na Igreja Matriz, libertou seus
numerosos escravos em 1884.
(E) a mão de obra escrava não foi determinante na vida econômica provincial, sobretudo em relação
à criação de gado e ao cultivo do algodão.

Gabarito

01.B / 02.A / 03.B / 04.D / 05.E

Notícias nacionais e internacionais atuais referentes a temas


sócio/econômico/político/cultural, veiculados pela imprensa nos últimos 12
(doze) meses

Sociedade
saúde
Ipea: 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam39

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que 23% dos jovens
brasileiros não trabalham e nem estudam (jovens nem-nem), na maioria mulheres e de baixa renda, um
dos maiores percentuais de jovens nessa situação entre nove países da América Latina e Caribe.
Enquanto isso, 49% se dedicam exclusivamente ao estudo ou capacitação, 13% só trabalham e 15%
trabalham e estudam ao mesmo tempo.
As razões para esse cenário, de acordo com o estudo, são problemas com habilidades cognitivas e
socioemocionais, falta de políticas públicas, obrigações familiares com parentes e filhos, entre outros. No
mesmo grupo estão o México, com 25% de jovens que não estudam nem trabalham, e El Salvador, com
24%. No outro extremo está o Chile, onde apenas 14% dos jovens pesquisados estão nessa situação. A
média para a região é de 21% dos jovens, o equivalente a 20 milhões de pessoas, que não estudam nem
trabalham.
O estudo Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar? sobre jovens latino-americanos foi
lançado hoje (03/12) durante um seminário no Ipea, em Brasília. Os dados envolvem mais de 15 mil
jovens entre 15 e 24 anos de nove países: Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Haiti, México, Paraguai,
Peru e Uruguai.

Nem-nem
De acordo com a pesquisa, embora o termo nem-nem possa induzir à ideia de que os jovens são
ociosos e improdutivos, 31% dos deles estão procurando trabalho, principalmente os homens, e mais da
metade, 64%, dedicam-se a trabalhos de cuidado doméstico e familiar, principalmente as mulheres. “Ou
seja, ao contrário das convenções estabelecidas, este estudo comprova que a maioria dos nem-nem não
são jovens sem obrigações, e sim realizam outras atividades produtivas”, diz a pesquisa.
Apenas 3% deles não realizam nenhuma dessas tarefas nem têm uma deficiência que os impede de
estudar ou trabalhar. No entanto, as taxas são mais altas no Brasil e no Chile, com aproximadamente
10% de jovens aparentemente inativos.
Para a pesquisadora do Ipea Joana Costa, os resultados são bastante otimistas, pois mostra que os
jovens não são preguiçosos. “Mas são jovens que têm acesso à educação de baixa qualidade e que, por
isso, encontram dificuldade no mercado de trabalhos. De fato, os gestores e as políticas públicas têm que
olhar um pouco mais por eles”, alertou.

Políticas públicas
A melhora de serviços e os subsídios para o transporte e uma maior oferta de creches, para que as
mulheres possam conciliar trabalho e estudo com os afazeres domésticos, são políticas que podem ser
efetivadas até no curto prazo, segundo Joana.

39
Andréia Verdélio. Ipea: 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam. EBC Agência Brasil. http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-12/ipea-23-
dos-jovens-brasileiros-nao-trabalham-e-nem-estudam. Acesso em 04 de dezembro de 2018.

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Com base nas informações, os pesquisadores indicam ainda a necessidade de investimentos em
treinamento e educação e sugerem ações políticas para ajudar os jovens a fazer uma transição bem-
sucedida de seus estudos para o mercado de trabalho.
Considerando a incerteza e os níveis de desinformação sobre o mercado de trabalho, para eles
[jovens] é essencial fortalecer os sistemas de orientação e informação sobre o trabalho e dar continuidade
a políticas destinadas a reduzir as limitações à formação de jovens, com programas como o Nacional de
Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). “Os programas de transferências condicionadas e
bolsas de estudo obtiveram sucesso nos resultados de cobertura”, diz o estudo.
De acordo com o Ipea, o setor privado também pode contribuir para melhorar as competências e a
empregabilidade dos jovens, por meio da adesão a programas de jovens aprendizes e incentivo ao
desenvolvimento das habilidades socioemocionais requeridas pelos empregadores, como autoconfiança,
liderança e trabalho em equipe.
No Brasil, por exemplo, segundo dados apresentados pelo Ipea, há baixa adesão ao programa Jovem
Aprendiz. De 2012 a 2015, o número de jovens participantes chegou a 1,3 milhão, entretanto esse é
potencial anual de jovens aptos para o programa.
É preciso ainda redobrar os esforços para reduzir mais decisivamente a taxa de gravidez de
adolescentes e outros comportamentos de risco fortemente relacionados com o abandono escolar entre
as mulheres e uma inserção laboral muito precoce entre os homens.
Conhecimento e habilidades
As oportunidades de acesso à educação, os anos de escolaridade média, o nível socioeconômico e
outros elementos, como a paternidade precoce ou o ambiente familiar, são alguns dos principais fatores
que influenciam a decisão dos jovens sobre trabalho e estudo, de acordo com a pesquisa. Em todos os
países, a prevalência de maternidade ou paternidade precoce é maior entre os jovens fora do sistema
educacional e do mercado de trabalho.
A pesquisa traz variáveis menos convencionais, como as informações que os jovens têm sobre o
funcionamento do mercado de trabalho, suas aspirações, expectativas e habilidades cognitivas e
socioemocionais. Para os pesquisadores, os jovens não dispõem de informações suficientes sobre a
remuneração que podem obter em cada nível de escolarização, o que poderia levá-los a tomar decisões
erradas sobre o investimento em sua educação. No caso do Haiti e do México, essa fração de jovens com
informações tendenciosas pode ultrapassar 40%.
A pesquisa aponta ainda que 40% dos jovens não são capazes de executar cálculos matemáticos
muito simples e úteis para o seu dia a dia e muitos carecem de habilidades técnicas para o novo mercado
do trabalho. Mas há também resultados animadores. Os jovens analisados, com exceção dos haitianos,
têm muita facilidade de lidar com dispositivos tecnológicos, como também têm altas habilidades
socioemocionais. Os jovens da região apresentam altos níveis de autoestima, de autoeficácia, que é a
capacidade de se organizar para atingir seus próprios objetivos, e de perseverança.
De acordo com a pesquisa, os atrasos nas habilidades cognitivas são importantes e podem limitar o
desempenho profissional dos jovens, assim como a carências de outras características socioemocionais
relevantes, como liderança, trabalho em equipe e responsabilidade. Soma-se a isso, o fato de que 70%
dos jovens que trabalham são empregados em atividades informais. Entre aqueles que estão dentro do
mercado formal há uma alta rotatividade de mão de obra, o que desmotiva o investimento do empregador
em capacitação.

Realidade brasileira
No Brasil há cerca de 33 milhões de jovens com idade entre 15 e 24 anos, o que corresponde a mais
de 17% da população. Segundo a pesquisadora do Ipea Enid Rocha, o país vive um momento de bônus
demográfico, quando a população ativa é maior que a população dependente, que são crianças e idosos,
além de estar em uma onda jovem, que é o ápice da população jovem.
“É um momento em que os países aproveitam para investir na sua juventude. Devemos voltar a falar
das políticas para a juventude, que já foram mais amplas, para não produzir mais desigualdade e para
que nosso bônus demográfico não se transforme em um ônus”, disse.
Além das indicações constantes no estudo, Enid também destaca a importância de políticas de saúde
específica para jovens com problemas de saúde mental, traumas e depressão.
A pesquisa foi realizada em parceria do Ipea com a Fundación Espacio Público, do Chile, o Centro de
Pesquisa para o Desenvolvimento Internacional (IRDC), o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), com apoio do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG).

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Brasil piora e já é o 9º do ranking global de desigualdade de renda40

Segundo relatório da organização internacional Oxfam, país perdeu uma posição em relação ao ano
anterior.
A edição 2018 do relatório da Oxfam Brasil "País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras",
divulgado nesta segunda-feira (26/11), mostra que, globalmente, o Brasil piorou seu desempenho em
relação à busca por igualdade de renda. O país já é o 9º mais desigual do planeta. Um ano antes, em
2016, ocupava a 10ª posição.
- Nosso relatório não só revela que o país estagnou em relação à redução das desigualdades, como
mostra que podemos estar caminhando para um grande retrocesso. E, novamente, quem está pagando
a conta são os mesmos de sempre: as pessoas em situação de pobreza, a população negra e as mulheres
- afirma Katia Maia, diretora-executiva da organização.
Rafael Georges, coordenador de Campanhas da Oxfam Brasil e autor do relatório, aponta onde o país
tem cometido erros:
- Cortamos gastos que chegam aos que mais precisam, em educação, saúde, assistência social, e não
mexemos no injusto sistema tributário que temos.
O estudo mostrou que 71% dos brasileiros são favoráveis ao aumento de impostos para o mais ricos.
Segundo a organização internacional de combate à pobreza, às desigualdades e às injustiças, é
a primeira vez que foi incluída na pesquisa uma pergunta sobre o tema: "o governo deve aumentar os
impostos somente de pessoas muito ricas para garantir melhor educação, mais saúde e mais moradia
para os que precisam?".
Realizada em parceria com o Datafolha, a pesquisa mostrou que, entre a população com menor renda,
o apoio é ainda maior: 74% das pessoas cujos rendimentos são de até um salário mínimo disseram ser
favoráveis, enquanto entre os com renda superior a cinco salários mínimos 56% disseram concordar com
a maior tributação sobre os mais ricos.
O Brasil é o país que menos tributa renda de patrimônio, se comparado ao total de sua carga tributária
bruta, dentre os 36 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Por aqui, de cada R$ 1 arrecadado, apenas R$ 0,22 vem de taxas sobre a renda e do patrimônio.
Nos demais países, essa mordida seria de R$ 0,40 para cada R$ 1 pago em tributos. Nos Estados
Unidos, por exemplo, 59,4% do que é arrecadado pelo Fisco vem de impostos sobre a renda e o
patrimônio da população. Isso significa que, no Brasil, a tributação recai muito mais sobre o consumo,
que basicamente é movido pelas famílias de renda menor. Assim, o sistema tributário acaba penalizando
os que têm rendimentos mais baixos.
"Em outras palavras, existe lastro na sociedade para políticas fiscais redistributivas – incluindo as
tributárias", ressaltou a Oxfam, no documento.
Segundo Georges, com algumas mudanças no sistema tributário, o Brasil poderia avançar de dois a
cinco anos em redução de desigualdades, considerando a média de redução verificada no país desde a
Constituição de 1988.
Ainda segundo o estudo, quase oito em cada dez brasileiros esperam que governos ajam para reduzir
desigualdades.
Na avaliação da organização, o Brasil tem um sistema fiscal mais efetivo (no sentido de reduzir mais
as desigualdades) que grandes economias da região como Colômbia e México, superior à média da
América Latina e Caribe e comparável ao da Argentina. No entanto, está bastante atrás de países da
OCDE e, ainda mais dos 15 países mais ricos da União Europeia.
"Há um grande espaço e uma inegável urgência para a reversão de privilégios no Brasil. Há décadas,
os mais ricos detêm uma enorme fatia da renda nacional, seja em contexto de crise ou de bonança", diz
o documento da Oxfam.
"Isenções fiscais, benevolentes benefícios e relações de compadrio com o Estado marcam a
composição da renda do topo da pirâmide social, enquanto o país tem um dos piores níveis de mobilidade
social do planeta. Portanto, é imperativo que soluções para as contas públicas perpassem pelo cerne da
questão, ou seja, a real discussão redistributiva no país, inserindo os direitos da base da pirâmide social
na equação fiscal", defende a Oxfam.

40
O Globo. Brasil piora e já é o 9º no ranking global de desigualdade de renda. O Globo. https://oglobo.globo.com/economia/brasil-piora-ja-o-9-do-ranking-global-de-
desigualdade-de-renda-23254951?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo. Acesso em 27 de novembro de 2018.

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Ministro Dias Toffoli sanciona lei que torna crime a importunação sexual41

Presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli substitui o presidente da República, Michel
Temer, que está em Nova York.
O constrangimento por que passam milhões de brasileiras no transporte público e em outros lugares
vai ser tratado de forma diferente desta segunda-feira (24/06) em diante. Os responsáveis pela chamada
importunação de natureza sexual vão responder a processo na Justiça, segundo uma nova legislação.
Agora é crime. O ato libidinoso contra alguém; denúncias de homens que se masturbam ou ejaculam
em mulheres no transporte público, por exemplo. A importunação sexual, até hoje, era contravenção, só
pagava multa. Agora dá prisão, pena de um a cinco anos. Isso se o ato não incluir crimes mais graves.
“Eles ficam atrás. Ficam esfregando. Outra hora, mesmo sentada na cadeira, ficam deslizando o braço.
Eu olho, eu falo, eu reclamo. Eu falo para a pessoa”, diz a auxiliar de serviços gerais Darcilena Francisca
da Silva. “Muitas pessoas encostam nas outras e aí fica assim, ficam aproveitando pelo fato do ônibus
estar cheio”, diz a secretária Vivian Maria Nogueira Gomes.
A lei foi sancionada nesta segunda-feira (24/09) pelo presidente interino, Dias Toffoli. O presidente do
Supremo Tribunal Federal substitui Michel Temer, que está em Nova York.
O texto também aumenta as penas nos casos de estupro coletivo, quando cometido por duas ou mais
pessoas. Divulgação de imagens de estupro, cenas de nudez, sexo ou pornografia, sem o consentimento
da vítima, prevê prisão. E dependendo do caso, pode ter a pena elevada.
Os frequentes casos de abuso, atos libidinosos contra mulheres, especialmente em ônibus, no metrô,
exigiram a mudança na lei. Não estavam previstos no Código Penal e, por isso mesmo, não podiam ser
devidamente punidos.
Foi o caso do ajudante de serviços gerais Diego Ferreira de Novaes, de 27 anos. Em 2017, ele ejaculou
em uma mulher dentro de um ônibus, em São Paulo. Foi preso e logo solto. Ele já tinha sido detido outras
15 vezes pelo mesmo motivo. Não era crime. Na mesma semana, ele atacou outra passageira, também
na Avenida Paulista. Acabou sendo declarado inimputável em laudo psiquiátrico e internado como medida
de segurança por um ano.
Para proteger as mulheres, já havia vagões exclusivos em trens e metrôs, mas faltava tipificar o crime
para acabar com a impunidade.
“Eu tenho uma filha de 15 anos, então eu me preocupo bastante com isso. Acho que vai mudar porque
aí a pessoa fica com medo de ir para uma prisão. Então, pode ser que faça a diferença”, diz o vigilante
Dielson Miranda Aguiar.

Uma em cada nove pessoas no mundo passa fome, diz ONU42

Número de pessoas afetadas pela fome retrocedeu a níveis de uma década atrás. Brasil está entre 51
países mais expostos a extremos climáticos e, portanto, mais suscetíveis a aumento de casos de
desnutrição.
O número de pessoas afetadas por desnutrição mundo afora aumentou pelo terceiro ano consecutivo
em 2017, retrocedendo a níveis de uma década atrás, aponta um relatório publicado por agências da
Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (11/09).
Um total de 821 milhões de pessoas, ou uma em cada nove no planeta, não tem o suficiente para
comer. Em 2016, 804 milhões de pessoas estavam nessa situação.
Mundo afora, quase 151 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade sofreram de
desnutrição no ano passado, ou 22% das crianças no mundo. Ao mesmo tempo, 672 milhões de adultos
no mundo – um em cada oito – estão obesos, ante 600 milhões em 2014.
No Brasil, a situação é considerada estável nos últimos anos, e o problema atinge hoje 2,5% da
população. De 2004 a 2006, a taxa registrada foi de 4,6%. Ao mesmo tempo, aumentou a percentagem
de adultos obesos no país, de 19,9% em 2012 para 22,3% em 2018.
De acordo com a ONU, mudanças climáticas e a ocorrência de conflitos impulsionam o retrocesso. A
maior variabilidade nas temperaturas usuais, chuvas intensas e mudanças no padrão das estações
impactam a quantidade e a qualidade de comida disponível e afetam principalmente os mais pobres.
O Brasil, por exemplo, registrou nos últimos anos várias ocorrências de temperaturas extremas em
áreas destinadas à agricultura e estiagens mais frequentes. O país está entre os 51 listados no relatório

41
Jornal Nacional. Ministro Dias Toffoli sanciona lei que torna crime a importunação sexual. G1 Jornal Nacional. https://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2018/09/24/ministro-dias-toffoli-sanciona-lei-que-torna-crime-a-importunacao-sexual.ghtml. Acesso em 25 de setembro de 2018.
42
Deutsche Welle. Uma em cada nove pessoas no mundo passa fome, diz ONU. https://www.dw.com/pt-br/uma-em-cada-nove-pessoas-no-mundo-passa-fome-diz-
onu/a-45441441. Acesso em 13 de setembro de 2018.

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da ONU como mais expostos a extremos climáticos em 2017, e, portanto, mais suscetível ao aumento de
casos de desnutrição.
A situação tem piorado principalmente na América do Sul e na maior parte da África, enquanto, na
Ásia, a situação é estável na maioria das regiões. A Ásia tem o maior número de pessoas desnutridas no
mundo – de 515 milhões – devido ao tamanho de sua população.
Em termos relativos, o leste da África é a região mais afetada, com 31,4% da população classificada
como desnutrida. Na América do Sul, 5% das pessoas se enquadram na categoria.
Na América do Sul, a ONU apontou a queda no preço de commodities, como o petróleo, como o
provável motivo das maiores taxas de desnutrição, já que houve menos recursos disponíveis para
importação de comida e investimentos na economia. A falta de alimentos levou cerca de 2,3 milhões de
pessoas a fugir da Venezuela até junho, afirmou a ONU.
O relatório foi publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), pelo Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização Mundial
da Saúde (OMS).

Brasil tem mais de 208,5 milhões de habitantes, segundo o IBGE43

Estimativa mais recente da população mostra que 24% dos brasileiros vivem nas capitais. Menos de
1% dos municípios têm mais de 500 mil habitantes e apenas 3 têm menos de mil.
A população brasileira foi estimada em 208,5 milhões de habitantes, conforme divulgado nesta quarta-
feira (29/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As estimativas da população para
estados e municípios, com data de referência em 1º de julho de 2018, foram publicadas no "Diário Oficial
da União".
Na comparação com 2001, quando havia pouco mais de 172,3 milhões de habitantes, a população
brasileira cresceu 21%. A taxa de crescimento em relação a 2017, quando a população somava 207,6
milhões, foi de 0,82%.

Principais destaques:
- 21,8% da população do país (45,5 milhões) vive no estado de São Paulo.
- Apenas 3 estados, todos no Norte, têm menos de 1 milhão de habitantes.
- 23,8% da população (49,7 milhões) vive nas 27 capitais.
- Mais da metade da população (57%) vive em apenas 5,7% dos municípios do país (317).
- Dos 5.570 municípios, apenas 46 (0,8%) têm mais de 500 mil habitantes.
- O município mais populoso é São Paulo (SP), com 12,2 milhões de habitantes.
- O município menos populoso é Serra da Saudade (MG), com apenas 786 habitantes.
- Além de Serra da Saudade, apenas outros dois municípios têm menos de mil habitantes: Borá (SP),
com 836, e Araguainha (MT), com 956.

43
Silveira, Daniel. Brasil tem mais de 208,5 milhões de habitantes, segundo IBGE. G1. https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/29/brasil-tem-mais-de-208-
milhoes-de-habitantes-segundo-o-ibge.ghtml. Acesso em 30 de Agosto de 2018.

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As estimativas da população brasileira foram calculadas com base na Projeção de População,
divulgada pelo IBGE em 25 de julho. Ela já indicava que os brasileiros somavam cerca de 208 milhões e
apontava que a população crescerá até 2047, quando chegará a 233 milhões e começará a encolher.

População nas capitais


De acordo com as estimativas do IBGE, juntas, as 27 capitais abrigam 49,7 milhões de habitantes, o
que representa 23,8% da população do país.
São Paulo é a mais populosa, com 12,2 milhões de habitantes, e a com menor número de habitantes
é Palmas (TO), com 292 mil pessoas.
Dentre as capitais, 14 têm mais de 1º milhão de habitantes. As outras 13 têm menos de 900 mil.

População nos estados


Os três estados mais populosos do Brasil estão na Região Sudeste. São Paulo ocupa o topo do
ranking, com 45,5 milhões de habitantes, o que equivale a 21,8% de toda a população do país. Ele é
seguido por Minas Gerais, com 21 milhões, e Rio de Janeiro, com 17,2 milhões.

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Outros três estados completam o grupo com mais de 10 milhões de habitantes: Bahia, com 14,8
milhões, Paraná, com 11,3 milhões, e Rio Grande do Sul, com também com 11,3 milhões.
Já Roraima, na Região Norte, é o estado menos populoso, com 576,6 mil habitantes (0,3% da
população total). Os outros dois menores estados também estão na Região Norte: Amapá, com 829 mil,
e Acre, com 869 mil. Estes três estados nortistas são os únicos com menos de 1 milhão de habitantes.

População nos municípios


O IBGE destacou que pouco mais da metade da população brasileira (57% ou 118,9 milhões de
habitantes) vive em apenas 5,7% dos municípios (317), que são aqueles com mais de 100 mil habitantes.
O país tem 46 municípios com mais de 500 mil habitantes, que concentram 31,2% da população do
país (64,9 milhões de habitantes). Por outro lado, a maior parte dos municípios brasileiros (68,4%) possui
até 20 mil habitantes e abriga apenas 15,4% da população do país (32,1 milhões de habitantes).
O município de São Paulo continua sendo o mais populoso do país, com 12,2 milhões de habitantes,
seguido pelo Rio de Janeiro (6,7 milhões de habitantes), Brasília e Salvador (cerca de 3,0 milhões de
habitantes cada).
Apenas 17 municípios brasileiros superam a marca de 1 milhão de habitantes. Juntos, eles somam
45,7 milhões de habitantes ou 21,9% da população do Brasil. Três deles não são capitais: Guarulhos
(SP), com 1,4 milhão, Campinas (SP), com 1,2 milhão, e São Gonçalo (RJ), com 1,1 milhão.
Quando se excluem estes 17 municípios com mais de 1 milhão de habitantes, os outros mais populosos
são Duque de Caxias (RJ), São Bernardo do Campo (SP), Nova Iguaçu (RJ), Santo André (SP), São José
dos Campos (SP), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Osasco (SP).
Serra da Saudade (MG) é o município brasileiro de menor população, com apenas 786 habitantes,
seguido de Borá (SP), com 836 habitantes, e Araguainha (MT), com 956 habitantes. Estes são os únicos
três municípios com menos de mil habitantes.

Corte Interamericana condena Brasil por morte de Vladimir Herzog44

Tribunal apontou o Estado brasileiro como responsável pela violação ao direito de conhecer a verdade
sobre o assassinato do jornalista
A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) condenou o Brasil pela falta de investigação
e sanção dos responsáveis pela morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante o regime militar,
informou o tribunal nesta quarta-feira (04/07).
O tribunal questionou a aplicação da lei de anistia de 1979 para encobrir os responsáveis pela morte
de Herzog e apontou o Estado brasileiro como responsável pela violação ao direito de conhecer a verdade
e a integridade pessoal em detrimento dos familiares da vítima.
O caso ocorreu após a detenção de Herzog, em 25 de outubro de 1975, quando foi interrogado,
torturado e assassinado "em um contexto sistemático e generalizado de ataques contra a população civil,
considerada como opositora à ditadura brasileira", segundo a corte, sediada em San José, na Costa Rica.

44
Carta Capital. Corte Interamericana condena Brasil por Morte de Vladimir Herzog. <https://www.cartacapital.com.br/politica/corte-idh-condena-brasil-por-morte-de-
vladimir-herzog-durante-ditadura> Acesso em 05 de julho de 2018.

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A instância ressaltou que as principais vítimas destes abusos eram jornalistas e membros do Partido
Comunista Brasileiro, durante a ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985.
Diretor de jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog foi convocado pelo DOI-Codi em 1975 a prestar
depoimento sobre seus vínculos com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). No dia seguinte, estava
morto. No mesmo dia da prisão, o Exército divulgou que Herzog tinha se suicidado e confirmou a versão
em uma posterior investigação da jurisdição militar. A versão oficial, supostamente corroborada por uma
foto do jornalista enforcado, não convenceu.
Na imagem, Vlado estava de joelhos dobrados, com a cabeça pendida para a direita e o pescoço preso
a uma tira de pano. A "fake news" da ditadura não resistiu à verdade indiscutível, testemunhada por
colegas jornalistas de Herzog também detidos: ele havia sido torturado e morto pelos militares.
O assassinato coincidia com uma greve estudantil em algumas das principais universidades de São
Paulo. Organizado por Dom Paulo Evaristo Arns, o ato inter-religioso em homenagem à Herzog reuniu 8
mil cidadãos na Catedral da Sé em outubro daquele ano. O número poderia ser maior não fosse o esforço
dos militares em dificultar o acesso da população ao local.
Novas investigações foram iniciadas em 1992 e 2007, mas as duas foram arquivadas em aplicação à
lei de anistia.
Durante as audiências perante o tribunal interamericano, "o Brasil reconheceu que a conduta estatal
de prisão arbitrária, tortura e morte de Vladimir Herzog causou aos familiares uma dor severa,
reconhecendo sua responsabilidade" no caso, informou a corte em um comunicado.
Em sua sentença, a Corte IDH determinou que a morte de Herzog foi um "crime contra a humanidade",
razão pela qual o Estado não podia invocar a prescrição do crime ou a lei de anistia para evitar sua
investigação e a sanção dos responsáveis.
Destacou ainda que o Brasil violou os direitos às garantias judiciais e à proteção da mulher e dos filhos
de Herzog, e que o país descumpriu sua obrigação de adequar sua legislação interna à Convenção
Americana de Direitos Humanos, ao manter a lei de anistia vigente.
O tribunal ordenou ao Brasil várias medidas de reparação, como a investigação dos fatos ocorridos
com a detenção de Herzog para identificar e sancionar os responsáveis por sua tortura e morte.

Governo federal lança pacto nacional contra LGBTfobia nesta quarta45

Portaria foi publicada na terça. Estados e DF terão de assinar adesão e criar estruturas locais, em
troca de consultoria e 'articulação de verbas' da União.
O governo federal lança nesta quarta-feira (16/05), em Brasília, um pacto nacional de enfrentamento
à violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – os grupos que compõem a sigla
LGBT. Os governos dos estados e do Distrito Federal terão de manifestar, individualmente, a adesão ao
programa.
Até a tarde desta terça (15/05), 12 estados tinham confirmado presença na cerimônia de assinatura,
segundo o Ministério dos Direitos Humanos. O pacto tem vigência prevista de dois anos, prorrogáveis por
igual período.
A portaria que institui o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência LGBTfóbica já foi publicada no
Diário Oficial da União. Nela, o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, cita tratados
internacionais, o Programa Nacional de Direitos Humanos instituído no país em 2009 e recomendações
das Nações Unidas sobre o tema.
De acordo com a portaria, o pacto "tem por objetivo promover a articulação entre a União, Estados e
Distrito Federal nas ações de prevenção e combate à LGBTfobia". O formato exato dessa articulação não
consta na portaria, e deve ser detalhado durante a cerimônia de lançamento, à tarde.
O lançamento do pacto nacional ocorre dois dias antes do Dia Nacional de Combate à Homofobia no
Brasil, celebrado em 17 de maio. Nesta mesma data, em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS)
retirou o termo "homossexualismo" da lista de doenças e problemas de saúde.

Adesão e compromissos
Junto com a portaria, o governo também publicou o modelo do Termo de Adesão a ser preenchido
pelos governos signatários do pacto. O documento lista alguns dos "direitos e deveres" gerados pela
medida.
As atribuições dos estados e do DF incluem a criação de estruturas para "promoção de políticas"
ligadas à população LGBT, assim como "equipamentos nos órgãos estaduais para atendimento
adequado" aos mesmos grupos.
45
Matheus Rodrigues. Governo Federal lança pacto nacional contra LGBTfobia nesta quarta. G1 Distrito Federal. < https://g1.globo.com/df/distrito-
federal/noticia/governo-federal-lanca-pacto-nacional-contra-lgbtfobia-nesta-quarta.ghtml> Acesso em 16 de maio de 2018.

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Os governos locais também terão de dar "pleno funcionamento" ao comitê gestor estadual, em até 60
dias após a assinatura do termo. A partir daí, começa um outro prazo, de 45 dias, para a apresentação
de um "plano de ação", com cronograma e estatísticas.
As ações não se resumem à burocracia. O governo que aderir ao pacto terá de incluir as políticas
LGBT no Plano Plurianual (PPA) – um documento elaborado de 4 em 4 anos, e que serve como base
para a elaboração dos orçamentos anuais de cada governo. Na prática, a inclusão no PPA funciona como
uma "garantia orçamentária" para o tema.
Os gestores que cumprirem os compromissos podem, em troca, exigir contrapartidas da União. A lista
de possibilidades inclui auxílio técnico para o cumprimento do pacto, o compartilhamento de dados de
denúncias do Disque Direitos Humanos (Disque 100) e a capacitação de gestores e gestoras.

Dinheiro 'a combinar'


O documento também fala em "contribuir com a articulação de recursos financeiros, seja em órgãos
do Poder Executivo e/ou Poder Legislativo para financiamento das ações propostas no Plano de Ação".
Isso não significa que a assinatura, por si só, gere verba pública. Na seção seguinte, a própria portaria
esclarece que a transferência de recursos será oficializada "por meio de convênio específico ou outro
instrumento adequado" – se, e quando acontecer.

Muito a percorrer
De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2017, o Disque 100 registrou 1.720 denúncias
de violações de direitos de pessoas LGBT.
A cada 10 casos, 7 são referentes a episódios de discriminação. A violência psicológica aparece em
53% das denúncias, e a física, em 31%. O somatório é maior que 100% porque, muitas vezes, um único
caso é composto de diferentes tipos de violação.
Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), em 2016, 343 pessoas foram mortas pela
LGBTIfobia. A sigla usada pela entidade inclui a letra I, de intersexual – alguém que, por razões genéticas
ou de desenvolvimento fetal, não se enquadra na definição típica de "masculino" ou "feminino".

50 milhões de brasileiros vivem na linha da pobreza, aponta IBGE46

Cerca de 25% da população possui renda familiar equivalente a R$ 387. Número de jovens que não
trabalham nem estudam cresce.
Cerca 50 milhões de brasileiros, o equivalente a 25,4% da população, vivem na linha de pobreza e
possuem renda familiar equivalente a R$ 387, ou US$ 5,5 por dia, valor adotado pelo Banco Mundial para
definir se uma pessoa é pobre.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (15/12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) e fazem parte da pesquisa SIS 2017 (Síntese de Indicadores Sociais 2017). Ela indica, ainda,
que o maior índice de pobreza se dá na região Nordeste do país, onde 43,5% da população se enquadram
nessa situação e, a menor, no Sul, com 12,3%.
A situação é ainda mais grave se levadas em conta os números envolvendo crianças de 0 a 14 anos
de idade. No país, 42% dos cidadãos nesta faixa etária se enquadram nestas condições e sobrevivem
com apenas US$ 5,5 por dia.
A pesquisa de indicadores sociais revela uma realidade: o Brasil é um país profundamente desigual e
a desigualdade gritante se dá em todos os níveis.
Seja por diferentes regiões do país, por gênero - as mulheres ganham, em geral, bem menos que os
homens mesmo exercendo as mesmas funções, por raça e cor: os trabalhadores pretos ou pardos
respondem pelo maior número de desempregados, têm menor escolaridade, ganham menos, moram mal
e começam a trabalhar bem mais cedo exatamente por ter menor nível de escolaridade.
Um país onde a renda per capita dos 20% que ganham mais, cerca de R$ 4,5 mil, chega a ser mais
de 18 vezes que o rendimento médio dos que ganham menos e com menores rendimentos por pessoa,
cerca de R$ 243.
No país, em 2016, a renda total apropriada pelos 10% com mais rendimentos (R$ 6.551) era 3,4 vezes
maior que o total de renda apropriado pelos 40% (R$ 401) com menos rendimentos, embora a relação
variasse dependendo do estado.

46
DIÁRIO DE S. PAULO. 50 milhões de brasileiros vivem na linha da pobreza, aponta IBGE. Diário de S. Paulo. Disponível em:
<http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2017/12/dia_a_dia/24209-50-milhoes-de-brasileiros-vivem-na-linha-da-pobreza-aponta-ibge.html> Acesso em 18 de
dezembro de 2017.

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. 57
Entre as pessoas com os 10% menores rendimentos do país, a parcela da população de pretos ou
pardos chega a 78,5%, contra 20,8% de brancos. No outro extremo, dos 10% com maiores rendimentos,
pretos ou pardos respondiam por apenas 24,8%.
A maior diferença estava no Sudeste, onde os pretos ou pardos representavam 46,4% da população
com rendimentos, mas sua participação entre os 10% com mais rendimentos era de 16,4%, uma diferença
de 30 pontos percentuais.

Desigualdade acentuada entre brancos e negros


No que diz respeito à distribuição de renda no país, a Síntese dos Indicadores Sociais 2017 comprovou,
mais uma vez, que o Brasil continua um país de alta desigualdade de renda, inclusive, quando comparado
a outras nações da América Latina, região onde a desigualdade é mais acentuada.
Segundo o estudo, em 2017 as taxas de desocupação da população preta ou parda foram superiores
às da população branca em todos os níveis de instrução. Na categoria ensino fundamental completo ou
médio incompleto, por exemplo, a taxa de desocupação dos trabalhadores pretos ou pardos era de 18,1%,
bem superior que o percentual dos brancos: 12,1%.
"A distribuição dos rendimentos médios por atividade mostra a heterogeneidade estrutural da
economia brasileira. Embora tenha apresentado o segundo maior crescimento em termos reais nos cinco
anos disponíveis (10,9%), os serviços domésticos registraram os rendimentos médios mais baixos em
toda a série. Já a Administração Pública acusou o maior crescimento (14,1%) e os rendimentos médios
mais elevados", diz o IBGE.

Questões

01. (CRQ – 5ª Região (RS) – Auxiliar Administrativo – FUNDATEC) A Declaração Universal dos
Direitos Humanos (DUDH) foi aprovada em 10 de dezembro de 1948 na Assembleia-Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU). O documento é a base de uma luta universal que visa a
igualdade e a dignidade de todas as pessoas e o combate à opressão e à discriminação. Os direitos
humanos são essenciais a todos os seres humanos e garantem as liberdades fundamentais que devem
ser aplicadas a cada cidadão do planeta. Dentre as alternativas abaixo, qual NÃO consta como um direito
proclamado no documento assinado pela maioria dos países do mundo?
(A) Direito à propriedade.
(B) Direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país; diretamente ou por intermédio
de representantes livremente escolhidos.
(C) Pagamento de salário igual por trabalho igual sem discriminação alguma.
(D) Direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu.
(E) Direito à legítima defesa.

02. (ESAF – Planejamento e Orçamento – ESAF) No Século XXI, o Trabalho Forçado, Trabalho
análogo ao Escravo e o Trabalho Infantil ainda são uma realidade no mundo e o Brasil não é uma exceção.
Existem inúmeras razões para a persistência do Trabalho Forçado e Trabalho análogo ao Escravo no
Brasil.
Não é uma das razões para persistência do Trabalho Forçado no Brasil.
(A) Sentimento de Impunidade para os promotores do Trabalho Forçado ou Trabalho análogo ao
Escravo, na maioria dos casos praticado em áreas distantes e/ ou desconhecidas dos trabalhadores
recrutados.
(B) São raros os casos de condenação criminal por Trabalho Forçado no Brasil. A lei tem dificuldade
em atingir o promotor do trabalho escravo, devido a existência de intermediários (“os gatos”)
encarregados da contratação.
(C) No Brasil, a lei penal é inadequada para a responsabilização dos infratores. Falta clareza ao
qualificar como crime de condição análoga à escravidão a submissão do empregado a uma jornada
exaustiva ou em situação degradante.
(D) A legislação penal brasileira está em descompasso com o conceito universal de trabalho escravo
em razão da não adesão pelo Brasil as Convenções Internacionais que tratam do tema.
(E) Dificuldade de fiscalizar um país com as dimensões territoriais do Brasil.

Gabarito

01.E / 02.D

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Comentários

01. Resposta: E
De acordo com a Declaração Universal dos Diretos Humanos:
Artigo 13°
1.Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um
Estado.
2.Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de
regressar ao seu país.
Artigo 17°
1.Toda a pessoa, individual ou coletiva, tem direito à propriedade.
2.Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Artigo 21°
1.Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios, públicos do seu país, quer
diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
Artigo 23°
1.Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e
satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2.Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.

02. Resposta: D
O Brasil trata o conceito de trabalho escravo com parâmetros próprios e seguindo as instituições
internacionais. Mas que fique claro, apesar de seguir alguns aspectos, a legislação brasileira referente ao
tema ainda é própria. Segue o link exemplificando que é usado ambos as situações <
http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2017-12/governo-publica-nova-portaria-sobre-trabalho-escravo>

Economia
saúde
66% das transações bancárias são feitas por internet banking, aplicativos ou call centers, diz
BC47

Estudo da instituição aponta que celular é o meio mais utilizado pelos usuários de serviços bancários.
Operações remotas dos clientes de bancos cresceram 21% entre 2016 e 2017.
Levantamento do Banco Central aponta que duas em cada três transações bancárias no país são
feitas, atualmente, por meio de aplicativos de celular, internet banking ou call centers, o que corresponde
a 66% do total de operações. Apenas um terço das transações ainda é realizada em pontos de
atendimentos dos bancos, destaca o estudo.
Segundo o Banco Central, o celular é o meio mais utilizado pelos clientes das instituições bancárias.
Com quase 25 bilhões de transações registradas no ano passado, os operações por meio de telefones
móveis representa 35% do total.
As informações fazem parte do Relatório de Cidadania Financeira, elaborado pelo Banco Central. O
estudo será divulgado nesta quarta-feira (07/11), às 10h, em Brasília.
De acordo com a autoridade monetária, essas operações remotas cresceram 21% entre 2016 e 2017.
Na segunda posição das transações remotas está o internet banking, quando a operação ocorre pelo
site da instituição bancária ou por aplicativos. O Banco Central informou que, em 2017, houve 20 bilhões
de operações pela internet.
“O futuro, no que diz respeito a acesso e uso de serviços financeiros, caminha para ser digital. O uso
de instrumentos eletrônicos pode contribuir para aumentar a inclusão financeira dos cidadãos [uma vez
que a tendência é que tenham custos mais baixos] e para maior eficiência e segurança no mercado de
pagamentos de varejo brasileiro”, avalia o relatório do Banco Central a que a TV Globo teve acesso
antecipadamente.

Atendimento presencial
Embora em menor ritmo, as transações em canais presenciais também cresceram, informou o estudo
do Banco Central. Conforme a instituição, em 2017, foi registrado um avanço de 7% nesses atendimentos,
após queda de 5% no ano anterior.

47
Yvna Souza. 66% das transações bancárias são feitas por internet banking, aplicativos ou call centers, diz BC. https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/11/07/66-
das-transacoes-bancarias-sao-feitas-por-internet-banking-aplicativos-ou-call-centers-diz-bc.ghtml. Acesso em 07 de novembro de 2018.

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Segundo o BC, todos os 5.570 municípios brasileiros têm, pelo menos, um ponto de atendimento físico.
Ao todo, informa o estudo, havia, até dezembro do ano passado, 257.570 pontos de atendimento físico,
que incluem agências bancárias, correspondentes bancários e caixas eletrônicos.
A instituição ressalta ainda que, apesar de a digitalização ser um movimento crescente, os bancos
precisam considerar que parte da população não tem acesso aos canais bancários digitais, como os
moradores de áreas distantes de centros urbanos. Esse perfil de usuário de serviços financeiros ainda
depende das agências físicas dos bancos ou de correspondentes bancários.
"A transformação para o digital, portanto, precisa ser acompanhada para que se garanta que esse
processo será, de fato, inclusivo”, diz trecho do relatório do BC.
O Banco Central também adverte no estudo que "o dinheiro em espécie continua sendo largamente
utilizado", mesmo com a expansão dos usuários de cartões de débito e crédito.
“Dados apontam que a utilização de canais presenciais, especialmente os correspondentes bancários,
para pagamentos de boletos e realização de transferências ainda é grande. Além disso, o dinheiro em
espécie continua sendo largamente utilizado", enfatiza o levantamento.

Marcelo Labuto é nomeado novo presidente do Banco do Brasil48

Labuto substituirá Paulo Caffarelli, que pediu demissão há cerca de dez dias. Funcionário do banco
desde 1992, novo presidente já exerceu cargos de diretor e gerente na instituição.
O "Diário Oficial da União" publicou em edição extra nesta segunda-feira (05/11) a nomeação de
Marcelo Augusto Dutra Labuto como novo presidente do Banco do Brasil.
Atual vice-presidente de Negócios de Varejo da instituição, Labuto substituirá Paulo Rogério Caffarelli,
que pediu demissão há cerca de dez dias.
A nomeação de Marcelo Labuto como novo presidente do Banco do Brasil é assinada pelo
presidente Michel Temer e pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

Currículo
De acordo com o site do banco, Labuto é funcionário da instituição desde 1992 e já ocupou os cargos
de diretor de Empréstimos e Financiamentos; gerente-geral da Unidade de Governança Estratégica; e
diretor-presidente da BB Seguridade S.A.
Ainda segundo o Banco do Brasil, Labuto é formado em administração e tem MBA em marketing.

Consumismo no Brasil: entenda o que realmente é e conheça o panorama no país

Entenda o panorama do consumismo no Brasil através de dados e pesquisas em relação ao


comportamento de consumo do brasileiro49.
Quando você vai ao shopping, consegue resistir às promoções e aos descontos? Já comprou aquele
produto novinho só porque estava com um preço mais em conta?
Ou você é mais controlado e só compra aquilo que realmente tem necessidade, ou seja, aquilo que já
tinha planejado antes de visitar a loja?
Esses são, basicamente, os 2 perfis que caracterizam a diferença entre consumismo e consumo.
Apesar de serem termos tão próximos, têm significados bastante distintos e que podem gerar algumas
confusões.

O que é consumo?
Atualmente, o consumo está mais relacionado ao seu sentido econômico: o ato de comprar levando
em consideração as nossas necessidades.
Ele remete aos tempos em que as pessoas começaram a se organizar em cidades, quando faziam
trocas comerciais para conseguirem abrigo, comida, água, roupas e outros suprimentos dos quais
realmente precisavam.
O consumo simplesmente faz parte da nossa sociedade.
Acontece que, com os acontecimentos da Revolução Industrial, tivemos a modernização dos
processos de produção, mudanças no transporte e circulação de bens (e pessoas) e a potencialização
das vendas em massa.
Foi uma transformação para as relações de consumo.

48
G1. Marcelo Labuto é nomeado novo presidente do Banco Central. G1 Economia. https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/11/05/diario-oficial-publica-
nomeacao-de-marcelo-labuto-como-novo-presidente-do-banco-do-brasil.ghtml. Acesso em 06 de novembro de 2018.
49
Redator Rock Content. Consumismo no Brasil: entenda o que realmente é e conheça o panorama no país. Marketingdeconteúdo.
https://marketingdeconteudo.com/consumismo-no-brasil/.

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As economias industriais passaram a se expandir e os salários dos trabalhadores aumentaram
gradativamente. Esses trabalhadores agora poderiam acumular renda e consumir bens, ajudando os
negócios a prosperarem.
Esse é o ciclo característico do sistema capitalista, e o consumidor é a peça-chave dessa engrenagem.
Por esse motivo, é tão comum dizermos que vivemos em uma sociedade do consumo.
Contudo, à medida que os consumidores foram se distanciando dos meios de produção, passaram a
se alienar também em relação ao real valor dos bens e à necessidade em adquiri-los.
E foi dessa alienação que o consumismo começou a aparecer.

O que é consumismo?
O consumismo é o hábito de adquirir produtos e serviços sem precisar deles. É a compra pelo desejo,
e não pela necessidade.
Geralmente, é marcado pelas compras por impulso e estimuladas pela ansiedade. Em casos mais
graves, pode vir a se tornar uma compulsão.
Além disso, o consumismo está ligado à noção de que comprar mais vai trazer sensações de felicidade
e prazer momentâneo.
É também resultado da influência de propagandas abusivas, que insistem em relacionar o consumo à
felicidade e, muitas vezes, criam uma imposição de necessidades, mostrando como certos produtos ou
serviços são capazes de tornar a vida das pessoas melhor.
O maior problema surge quando o consumismo fica tão intenso que evolui para um comportamento
compulsivo.
Por exemplo: há quem use as compras como um gatilho para ajudar a melhorar o humor e, por isso,
frequentam o shopping sempre que se sentem estressados ou angustiados.
São consumidores que precisam de ajuda, porque muitas vezes se endividam devido à falta de
planejamento financeiro e de prioridade de despesas.
Inclusive, o consumismo tem uma outra face — também problemática —, que é o consumismo infantil.
Quando os produtos são associados a brindes, a personagens famosos ou a campanhas de
publicidade que focam em despertar a atenção das crianças, os pequenos conseguem facilmente
influenciar a decisão dos pais, especialmente em datas comemorativas.
Mas sabemos que não é só no Dia das Crianças e no Natal que os consumidores compram além do
necessário.
O Dia das Mães, o Dia dos Pais e o Dia dos Namorados também são exemplos de datas em que as
pessoas se sentem induzidas a irem às compras.

Qual é o panorama do consumismo no Brasil?


De acordo com um estudo do SPC e da CNDL, cerca de 3 em cada 10 consumidores no Brasil
consideram as compras como o tipo de lazer favorito.
Esse levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes
Lojistas descobriu, ainda, que 40,2% dos entrevistados das classes A e B admitem que comprar é uma
forma de reduzir o estresse do cotidiano.
Em um outro estudo, realizado pelas mesmas instituições, revelou-se que as classes C, D e E são as
que mais compram sem necessidade, motivadas por promoções.
São números que deixam claro o quanto o consumismo está presente entre os brasileiros e que esse
comportamento do consumidor ocorre em todas as classes sociais. Mas por que ele ocorre?
Conforme a nossa sociedade foi criando padrões de comportamento que demonstram o quão bem-
sucedido um indivíduo é — padrões esses reforçados pela mídia —, pessoas de todas as classes sociais
passaram a ter vontades semelhantes em relação aos “sonhos de consumo”.
Porém, o acesso aos bens de consumo mais caros não é tão simples para os grupos de baixo poder
aquisitivo, que acabam gerando despesas superiores ao rendimento quando querem satisfazer esses
desejos.
De certa forma, podemos dizer que o consumismo ajuda a acentuar a diferença de classes no nosso
país.

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Bancos podem fechar contas de corretoras de criptomoedas sem justificativa, decide STJ50

Assunto também está sob investigação no Cade.


As instituições financeiras não violam a lei ao encerrarem contas de corretoras de moedas digitais sem
justificativa, uma vez que estão cumprindo regras definidas pela regulação bancária brasileira, decidiu
nesta terça-feira (09/10) uma turma de ministros do Superior Tribunal de Justiça, na primeira decisão
sobre o tema.
É a primeira vez que o Superior Tribunal de Justiça se debruça sobre o tema, segundo advogados. O
assunto também está sob investigação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que
poderá decidir se ao encerrar as contas os bancos violam a concorrência no mercado.
O caso específico envolve de um lado o banco Itaú Unibanco e de outro o Mercado Bitcoin, mas é
acompanhado de perto por outras corretoras de criptomoedas e pelo sistema financeiro, uma vez que o
mercado é incipiente e sem regulamentação no Brasil.
O Itaú argumentou no processo que precisa seguir leis e normas de prevenção à lavagem de dinheiro
e o modo de atuação das corretoras de moedas digitais não permite que isso seja feito de modo tão
eficiente. Tais normas exigem, por exemplo, a identificação dos clientes e notificação de operações de
pessoas politicamente expostas.
Além disso, uma norma do Conselho Monetário Nacional (CMN) permite aos bancos encerrar contas
após uma notificação ao cliente, sem necessidade de apresentar justificativa.
Na avaliação do Mercado Bitcoin, por outro lado, ao fechar a conta sem justificativa os bancos atuam
de forma prejudicial à concorrência no mercado. A empresa afirma ser a maior casa de moedas digitais
da América Latina, com mais de mais de 1 milhão de clientes.
A decisão foi tomada pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, por 4 a 1, e cabe recurso da
decisão no próprio tribunal.
Tanto Banco Central como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) não
regulamentam o comércio de criptomoedas no Brasil, levando bancos a pressionarem o governo por
normas específicas e monitorar de perto decisões judiciais sobre o tema, disse o presidente da Comissão
de Direito Bancário da OAB-DF, Pedro Henrique Pessanha Rocha.
"Honestamente, não acredito que os bancos temem a competição das exchanges, até por atuarem em
áreas distintas... eles têm receio com o controle frágil de compliance na prevenção à lavagem de dinheiro
(PLD)", afirmou Rocha.
"De certa forma, a decisão pode inibir, mas não sufocar a inovação, essa turma vai ter que ter mais
cautela e pensar suas inovações dentro da caixinha, pois não tem como operar no sistema financeiro sem
observar normas de PLD."
A prevenção à lavagem de dinheiro ganhou um novo capítulo para os bancos na semana passada,
quando veio à tona que o Reino Unido abriu investigação envolvendo o dinamarquês Dansk, após a
própria instituição financeira identificar problemas por meio de investigação interna.
Em caso de descumprimento da Lei de Lavagem de Dinheiro, os bancos podem ser punidos com a
inabilitação de diretores por até 10 anos, além de multas de até três vezes o valor das operações, criando
um passivo para o banco que não teria contato direto com os clientes das corretoras de criptomoedas,
disse Tiago Severo, secretário-executivo da comissão de direito bancário da OAB-DF.
"A responsabilidade é toda do banco... estamos num contexto em que várias instituições estão
reavaliando, reforçando os critérios de prevenção à lavagem de dinheiro", disse o advogado, citando
mudanças regulatórias mundiais e doméstica, além das grandes operações da Polícia Federal no Brasil.
Procurado, o Mercado Bitcoin não respondeu aos pedidos de comentários feitos pela reportagem. O
Itaú Unibanco não pode ser manifestar de imediato.

Por 7 a 4, STF aprova terceirização irrestrita51

Contratação nessa modalidade abrange todo tipo de atividade; decisão vale para processos
trabalhistas abertos antes da Lei da Terceirização.
O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou nesta quinta-feira, 30/08, por sete votos a quatro, a
terceirização de qualquer tipo de atividade, até mesmo das chamadas atividades-fim (que são as que
identificam a atuação de uma empresa ou de uma instituição).

50
Reuters. Bancos podem fechar contas de corretoras de criptomoedas sem justificativa, decide STJ. G1 Economia.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/10/09/bancos-podem-fechar-contas-de-corretoras-de-criptomoedas-sem-justificativa-decide-stj.ghtml. Acesso em 10 de
outubro de 2018.
51
PUPO, A. MOURA, R. M. Por 7 a 4, STF aprova terceirização irrestrita. Estadão Negócios. https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,por-7-a-4-stf-aprova-
terceirizacao-irrestrita,70002480546?utm_source=twitter:newsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-
sociais:082018:e&utm_content=:::&utm_term=::::. Acesso em 31 de agosto de 2018.

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A possibilidade de empresas contratarem trabalhadores terceirizados para desempenhar qualquer
atividade vale mesmo para processos trabalhistas abertos antes da Lei da Terceirização e da reforma
trabalhista, que entraram em vigor no ano passado. A prática permite, por exemplo, que uma empresa de
engenharia contrate engenheiros terceirizados.
A decisão vai destravar quase 4 mil processos que aguardavam a palavra do STF e deve gerar
“estabilidade jurídica” na Justiça do Trabalho, que, em parte, resiste às alterações de 2017, segundo
especialistas e ministros ouvidos pelo Estadão/Broadcast.
Também foi decidido que fica prevista, como na legislação atual, a responsabilidade subsidiária da
empresa contratante. Ou seja, só arcarão com as penalidades, como dívidas trabalhistas e
previdenciárias, na ausência da firma contratada (se estiver falida, por exemplo). Além disso, a decisão
não deve afetar ações em que não há mais recursos disponíveis (trânsito em julgado).
Durante cinco sessões, o STF debruçou-se sobre duas ações que contestavam decisões da Justiça
Trabalhista que vedaram a terceirização de atividade-fim com base na súmula 331 do Tribunal Superior
do Trabalho (TST). Antes da Lei da Terceirização e da reforma trabalhista, a súmula era a única
orientação dentro da Justiça do Trabalho em torno do tema.
No entanto, mesmo após às inovações de 2017, tribunais continuaram decidindo pela restrição da
terceirização, com base no texto do TST, que teve trechos declarados inconstitucionais pelo STF.
A tese aprovada pela maioria dos ministros foi concentrada no fato de a Constituição não fazer
distinção entre o que é atividade-meio ou fim, e não impondo nenhum modelo de produção específico.
Assim, a Corte concluiu que, mesmo antes da reforma, a súmula do TST não poderia ter restringido a
medida.
Essa interpretação sempre foi defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ela cita como
exemplo a indústria de produção de sucos. Apesar de ser responsável pela industrialização do suco,
algumas decisões judiciais consideraram a colheita da fruta como parte da atividade-fim desse tipo de
indústria.
“O STF declarou que a terceirização é possível sem que faça distinção aleatória de atividade-fim e
meio. De sorte que a lei veio para dispor nesse mesmo sentido”, afirmou o ex-ministro do STF Carlos
Velloso, representante da CNI, que participou como parte interessada no julgamento.
“A adoção da terceirização irrestrita prejudica enormemente todos os trabalhadores porque ao acabar
com os direitos pactuados, regidos por uma convenção coletiva em cada atividade profissional, ela cria
trabalhadores de segunda categoria, sem o amparo de uma legislação específica”, afirmou, em nota, o
presidente da Força Sindical, Miguel Torres.
Votaram a favor os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Celso de Mello, Gilmar
Mendes, Luís Roberto Barroso e a presidente Cármen Lúcia. Já os ministros Edson Fachin, Rosa Weber,
Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski foram contrários.

Dólar dispara e fecha acima de R$ 4,00 pela 1ª vez em mais de 2 anos52

No ano, o dólar acumula alta de mais de 20%, segundo o ValorPro. Analistas não descartam que
câmbio chegue perto de R$ 5 com incerteza eleitoral.
O dólar disparou nesta terça-feira (21/08) e fechou acima de R$ 4 pela primeira vez desde 29 de
fevereiro de 2016, após o resultado de pesquisa Ibope para a Presidência da República. Foi o quinto
pregão consecutivo de alta.
A moeda norte-americana terminou o dia em valorização de 2% em relação ao real, vendida a R$
4,0358. Na máxima do dia, chegou a bater R$ 4,0373.
No ano, o dólar acumula alta de 23,8%, segundo o ValorPro. O dólar turismo, sem cobrança de IOF,
era vendido a R$ 4,20 nesta terça.
Internamente, os investidores repercutiram ao longo da sessão a divulgação das primeiras pesquisas
de intenção de voto após a inscrição das chapas candidatas às eleições de outubro, que mostraram um
cenário ainda incerto sobre a disputa presidencial. Eles temem a liderança de candidatos considerados
menos comprometidos com as reformas fiscais.
"O novo patamar do dólar nesse novo cenário é entre R$ 4,20 e R$ 4,50", afirmou à Reuters o
economista da corretora Nova Futura, Pedro Paulo Silveira. Outros analistas ouvidos pelo G1 não
descartam que a cotação chegue próximo dos R$ 5.
Com as turbulências, a bolsa brasileira fechou em queda de 1,5% nesta terça-feira, ao redor dos 75
mil pontos.

52
G1. Dólar dispara e fecha acima de R$4,00 pela 1ª vez em mais de 2 anos. G1 Economia. https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/21/cotacao-do-dolar-
21082018.ghtml. Acesso em 22 de agosto de 2018.

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No exterior, o dólar recuava em relação a uma cesta de moedas e também ante divisas de países
emergentes após o presidente Donald Trump, em entrevista à Reuters na véspera, ter criticado a política
de aumento de juros do Federal Reserve, banco central norte-americano.
Diante da incerteza eleitoral, o mercado de juros futuros também sofreu forte ajuste nos preços dos
contratos nesta terça. Os DIs mais longos, com vencimento entre 2025 e 2027, tiveram alta de quase 0,5
ponto percentual, segundo o Valor Online.

Risco-país
A economia brasileira sofre os efeitos do calendário eleitoral devido à indefinição sobre o próximo
governo e a política econômica a ser adotada a partir do próximo ano. Com isso, cresce a percepção de
risco dos investidores internacionais em relação à economia brasileira. Entre as principais economias
latino-americanas, o risco do Brasil só subiu menos que o da Argentina.
O dólar em alta é o indicativo mais visível do crescimento da desconfiança dos investidores em relação
ao Brasil.

Atuação do BC
O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais,
equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 3,6 bilhões do total de US$ 5,255 bilhões que vence
em setembro.
Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.
"Não há pressão de demanda nem por proteção cambial e nem por demanda no mercado à vista,
sendo que a alta do preço decorre do emocional e psicológico, fatores imponderáveis, não alcançáveis
por intervenção do BC, que se ocorrer será inócua", disse à Reuters o economista e diretor-executivo da
NGO Corretora, Sidnei Nehme, questionado sobre a possibilidade de o Banco Central atuar por meio de
leilões extraordinários de swap.

Última sessão
Na véspera, o dólar fechou cotado a R$ 3,9566, na maior cotação desde fevereiro de 2016. Até então,
a última vez que o dólar tinha encerrado uma sessão acima de R$ 3,95 havia sido no dia 29 de fevereiro
de 2016 (R$ 4,0036).

Governo projeta salto de 30% na produção de grãos do Brasil em 10 anos53

Segundo estudo, safra deve alcançar 300 milhões toneladas até 2028 e área plantada deve ter
expansão de 13,3%.
A safra brasileira de grãos e oleaginosas deve atingir 302 milhões de toneladas em 2027/2028, o que
representará um crescimento de 30% na comparação com os atuais 232 milhões de toneladas, de acordo
com o estudo Projeções do Agronegócio do Brasil, do Ministério da Agricultura, divulgado na segunda-
feira (06/08).
A safra de soja do Brasil deve saltar para 156 milhões de t em 2027/2028, versus aproximadamente
120 milhões atualmente, enquanto a de milho crescerá para 113 milhões.
O ministério afirmou que a área com todas as lavouras passará de 75 milhões para 85 milhões de
hectares, uma alta de 13,3% em 10 anos, com crescimento de plantio em pastagens ou em áreas
degradadas.
"As maiores expansões devem ocorrer no plantio de soja, cana de açúcar e milho. Lavouras, como
arroz, feijão, mandioca e laranja, devem ter redução de área plantada. Ganhos de produtividade deverão
compensar as reduções, de modo que não haverá recuo de produção. O café deve apresentar certa
estabilização da área e os ganhos de produtividade obtidos nos últimos anos permitem obter produção
crescente, mesmo com tendência de redução de área", afirma o ministério.
O estudo projeta ainda uma produção de carnes de 34 milhões de toneladas em 2027/28, o que
representa acréscimo de 7 milhões de toneladas sobre 2018, ou alta de 25%. O maior crescimento deve
ocorrer nas carnes suína e de frango, seguidas por carne bovina.
A maior expansão deverá ocorrer no Centro Oeste e no Norte, com aumento de produção estimado
em 34,8% e 34%, respectivamente. Os maiores avanços deverão ocorrer nos estados de Rondônia,
Tocantins e Pará. Quanto à área plantada de grãos, os estados do Centro Oeste terão incremento de
28,2%; do Norte, 23% e do Sul, 7,5%.

5353
G1. Governo projeta salto de 30% na produção de grãos do Brasil em 10 anos. https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2018/08/07/governo-ve-salto-
de-30-na-producao-de-graos-do-brasil-em-10-anos.ghtml. G1 Agro. https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2018/08/07/governo-ve-salto-de-30-na-
producao-de-graos-do-brasil-em-10-anos.ghtml. Acesso em 07 de agosto de 2018.

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Projeção de exportações
A pesquisa também projeta um crescimento de mais de 30% nas exportações até 2028. Soja, milho e
carnes deverão continuar como destaque. Frutas, em especial manga, melão, mamão e uva, estão entre
os potenciais destaques nos próximos anos.
Cerca de 70% das exportações de soja devem seguir para a China, segundo o estudo.

Temer indica interino Ivan Monteiro para presidir Petrobras54

O presidente Michel Temer indicou nesta sexta-feira o engenheiro Ivan Monteiro como novo
presidente-executivo da Petrobras, em substituição a Pedro Parente, que pediu demissão do cargo nesta
manhã, em meio a ataques à política de preços da estatal.
Em breve pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer afirmou que não haverá qualquer
interferência do governo sobre a política de preços da Petrobras e apontou a nomeação de Monteiro,
antes diretor financeiro e de relações com investidores na companhia, como uma garantia de que o rumo
da petroleira seguirá inalterado.

Para baixar diesel, governo corta verba de programas de transplantes e de combate ao trabalho
escravo55

Mais Médicos, policiamento e programas ligados à Educação também serão afetados


BRASÍLIA — Para garantir a redução de R$ 0,46 no litro do óleo diesel nas refinarias, o governo retirou
recursos de áreas sensíveis como a fiscalização de trabalho escravo e trabalho infantil, programa Mais
Médicos, verba de policiamento e até do Sistema Nacional de Transplante. Áreas sociais e programas
ligados à Educação e ao Meio Ambiente também serão afetadas pelos cortes, que somam R$ 9,5 bilhões.
Para garantir o crédito extraordinário que será remanejado para os Ministérios de Minas e Energia e
da Defesa, o governo precisou retirar dinheiro de 19 ministérios, sendo que, ironicamente, o dos
Transportes foi o mais afetado: terá de cortar R$ 1,4 bilhão. Também houve corte em programas sociais
como políticas para juventude, violência contra mulheres, políticas sobre drogas e saúde indígena.
A redução do preço do diesel foi uma concessão do governo diante da pressão da greve dos
caminhoneiros que paralisou o país por nove dias. Só no Ministério da Educação os cortes serão de R$
R$ 55,1 milhões. O dinheiro estava previsto no orçamento para concessão de bolsas no Programa de
Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies). Houve ainda
um corte de R$ 150 milhões no fundo garantidor do financiamento estudantil.
Além de sofrer com cortes no programa de transplantes, no valor de R$ 1,3 milhão, o Ministério da
Saúde foi vai ter de retirar R$ 34 milhões do Programa Mais Médicos, R$ 11,8 milhões do programa de
gratuidade do Farmácia Popular e R$ 38,9 milhões do dinheiro que seria destinado à manutenção de
unidades de saúde. O montante do corte na pasta foi de R$179,6 milhões.
No Ministério do Meio Ambiente, chama a atenção a retirada de R$ 1,1 milhão da fiscalização ambiental
e de R$ 2,9 milhões do montante que seria aplicado em unidades de conservação. As informações sobre
as áreas e ministérios que sofreram cortes foram publicadas numa edição extra do Diário Oficial da União
de 30 de maio.
Temer também cortou R$ 3,8 milhões do programa "Criança Feliz". A inciativa da área social tinha
como embaixadora a primeira-dama, Marcela Temer, que resolveu recentemente se afastar dos holofotes.
No início de 2017, os marqueteiros do governo tinham um ambicioso plano para alavancar a popularidade
do presidente. Umas das ideias era escalar Marcela para participar de uma série de atos oficiais
relacionados ao “Criança Feliz”.
Na lista está ainda o corte de R$ 1,5 milhão para o "policiamento ostensivo nas rodovias e estradas
federais". A verba, que seria usada pela Polícia Rodoviária Federal, serviria, entre outros propósitos, para
operações de fiscalização do transporte de cargas e aumento do policiamento em feriados. Procurada
pela reportagem, a PRF disse que a decisão é recente e que ainda vai estudar como irá remanejar os
recursos para garantir o policiamento nas estradas.
O governo também retirou R$ 4,1 milhões para o combate ao tráfico de drogas e proteção de bens da
União. Na rubrica, ainda estava incluído o combate ao tráfico de seres humanos, à exploração sexual
infanto-juvenil e à pedofilia.

54
REUTERS. Temer indica interno Ivan Monteiro para presidir Petrobras. Economia. Terra. < https://www.terra.com.br/economia/temer-indica-ivan-monteiro-para-
presidir-petrobras-e-nega-que-havera-interferencia-na-estatal,c5d3729cd2d28185e0d24bb7b7a6df4cglgdcirz.html> Acesso em 04 de junho de 2018.
55
CAMPOREZ, P. BRESCIANI, E. GÓES, B. Para baixar diesel, governo corta verba de programas de transplantes e de combate ao trabalho escravo. O Globo.
Economia <https://oglobo.globo.com/economia/2018/05/31/2270-para-baixar-diesel-governo-corta-verba-de-programas-de-transplantes-de-combate-ao-trabalho-
escravo?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 01 de junho de 2018.

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. 65
Greve dos caminhoneiros afeta abastecimento e causa alta de preços56

Frigoríficos e abatedouros estão parados e foram interrompidas exportações calculadas em mais de


R$ 200 milhões.
No terceiro dia da greve dos caminhoneiros, a Petrobras acenou uma bandeira branca e tentou uma
trégua anunciando uma redução temporária do preço do óleo diesel. A paralisação no transporte de
mercadorias e o bloqueio de rodovias provocaram desabastecimento em todas as regiões do país.
Fogo de pneus incendiados. Rodovia Fernão Dias, na Grande São Paulo, no fim da tarde desta quarta-
feira (23/05). Mais cedo, a manifestação foi na Régis Bittencourt. A Advocacia Geral da União conseguiu
nove liminares para liberar seis rodovias federais. Outros 15 pedidos ainda não foram julgados.
A paralisação nas estradas já provoca desabastecimento. Leite desperdiçado. Os caminhões que iam
buscar cinco mil litros, no interior do Paraná, não chegaram. “É triste porque você trabalha com leite de
qualidade, produz, você quer a tua vaca produzindo leite e chegar e jogar fora”, lamenta a produtora rural
Margareth Coller.
Segundo as entidades dos produtores e exportadores de carnes, há pelo menos 129 frigoríficos e
abatedouros parados, e foram interrompidas exportações no valor de mais de R$ 200 milhões.
Em São Paulo, cena rara no maior entreposto de alimentos do país, a Ceagesp. No meio do dia, muitos
boxes fechados ou desertos. Frutas acabando, como mangas e melões. Mamão, que vem principalmente
do Nordeste, sumiu. O feirante perdeu a viagem: “Tem uns 20 boxes que vendem mamão papaia e não
descarregaram em lugar nenhum”, conta o feirante Célio Martins.
No setor que comercializa batata e cebola, a movimentação era muito pequena nesta quarta-feira.
Basicamente de saída de mercadoria, não de descarregamento. Um caminhão era praticamente o único
de cebola. Muitos comerciantes acabaram antecipando as encomendas já contando com a manifestação
dos caminhoneiros. Um dos caminhões, por exemplo, chegou na madrugada de domingo (20/05). O
problema, é que os estoques, que hoje são muito mais de cebola do que de batata, não devem durar
muito tempo. O efeito da antecipação já passou.
E o preço para quem conseguir novo fornecimento de batata? “Custava para nós a R$ 50 o saco, hoje
se está pagando R$ 130, R$ 140 o saco”.
Aumento que vai chegando ao supermercado. “Nesta quarta, nós estamos vendendo uma batata a R$
4, um tomate a R$ 3 reais. Esses preços, a partir de quinta-feira (24/05), vão ter que ser elevados pra R$
5 a R$ 5,50”, explica o gerente do supermercado Edgar Pimenta.
O transporte de combustível também parou em várias regiões do país. Em São Paulo, a prefeitura
informou que 40% dos ônibus urbanos não vão circular nesta quinta-feira (24/05). No Recife e no Rio isso
já aconteceu nesta quarta. O resultado para os passageiros foi atraso.
Filas enormes para abastecer em várias capitais, como no Vale do Paraíba, em São Paulo. Mesmo
com o preço da gasolina nas alturas, houve confusão em filas de postos em Macaé, no estado do Rio. E
nem era a gasolina mais cara. Olha o preço no Recife: R$ 8,99.
Caminhões foram escoltados pela polícia para abastecer aviões no Recife e em Brasília. Na capital
federal, a partir da tarde desta quarta, só podem pousar aviões que decolem de novo sem abastecimento.
Segundo um relatório da Infraero, outros cinco aeroportos só têm combustível para esta quarta: Recife,
Maceió, Aracaju, Palmas e Congonhas, em São Paulo.
No Porto de Santos, quase parado, os navios chegam. Os caminhões, não. Os motoristas defendem
a paralisação. “Os gastos são de 70% do frete, ficam na estrada: no diesel e nos pedágios”, conta o
caminhoneiro Nilson Oliveira.
Caminhões que transportam oxigênio de uso hospitalar não estão chegando a Juazeiro, na Bahia. A
maternidade, o hospital infantil e o pronto-socorro só têm estoque para mais dois dias. “Todas as cirurgias
eletivas vão ser canceladas e vamos atender na urgência apenas pacientes classificados como vermelho
e amarelo”, diz o diretor médico do hospital José Antônio Bandeira.
O Procon de Pernambuco interditou na noite desta quarta-feira (23/05) por 72 horas o posto que
cobrava gasolina a R$ 8,99 o litro e aplicou multa de R$ 500 mil.
A Agência Nacional de Aviação Civil recomenda que os passageiros com voos marcados consultem
as empresas aéreas antes de irem para os aeroportos por causa das dificuldades no abastecimento de
querosene de aviação.

56
G1. Greve dos caminhoneiros afeta abastecimento e causa alta de preços. G1 Jornal Nacional. <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/05/greve-dos-
caminhoneiros-afeta-abastecimento-e-causa-alta-de-precos.html> Acesso em 24 de maio de 2018.

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. 66
Questões

01. (TJ/SP – Assistente Social Jurídico – Vunesp) O presidente Michel Temer sancionou na noite
desta sexta-feira o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país.
A iniciativa foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União” e inclui vetos parciais a três pontos
da proposta.
(Folha de S.Paulo)
O projeto de lei sancionado
(A) Isenta as empresas contratantes e contratadas dos serviços terceirizados de qualquer ação no
âmbito da Justiça do Trabalho e determina que todos os trabalhadores terceirizados devem se constituir
em microempresários, dessa forma responsáveis pelos tributos relacionados ao trabalho.
(B) Determina que todas as empresas privadas podem terceirizar qualquer atividade profissional,
desde que todos os direitos trabalhistas sejam respeitados, e veta a utilização de trabalho terceirizado
para as empresas de economia mista e a administração pública, com exceção para a área de saúde.
(C) Limita a terceirização do trabalhador à denominada atividade-meio e, em caso de litígio trabalhista,
as empresas contratadas e contratantes devem ser acionadas conjuntamente na Justiça do Trabalho e
dividirão os custos das indenizações relacionadas a tais processos.
(D) Impede que a empresa de terceirização subcontrate outras empresas, prática denominada de
quarteirização, e amplia os direitos trabalhistas dos funcionários das empresas de terceirização, por
exemplo o aumento da multa sobre o valor dos depósitos do FGTS em caso de demissão sem justa
causa.
(E) Permite a terceirização de todas as atividades e autoriza a empresa de terceirização a subcontratar
outras empresas para realizar serviços de contratação, remuneração e direção do trabalho e atribui à
empresa terceirizada, em casos de ações trabalhistas, o pagamento dos direitos questionados na Justiça,
se houver condenação.

02. (PC/AP – Agente de Polícia – FCC) A Lei da Terceirização, foi sancionada pelo presidente Michel
Temer, em 31 de março. Essa lei dispõe que:

I. A terceirização poderá ser aplicada a qualquer atividade da empresa, tanto atividade-meio como
atividade-fim.
II. O tempo de duração do trabalho temporário não deve ultrapassar três meses ou 90 dias.
III. Após o término do contrato, o trabalhador temporário só poderá prestar novamente o mesmo tipo
de serviço à empresa após esperar três meses.

Está correto somente o que se afirma APENAS em


(A) I e III
(B) I
(C) I e II
(D) II e III
(E) III.

03. (BRDE – Analista de Projetos-Área Econômico-financeiro – FUNDATEC) O Banco Central do


Brasil está entre as principais autoridades monetárias do país e é integrante do Sistema Financeiro
Nacional. Quem é seu atual presidente?
(A) Alexandre Tombini.
(B) Armínio Fraga.
(C) Henrique Meirelles.
(D) Ilan Goldfajn.
(E) Michel Temer.

04. (PC/SP – Agente Policial – VUNESP-2018) A paralisação dos caminhoneiros vem perdendo força
e dá claros sinais de que está próxima do fim. A Polícia Federal Rodoviária (PRF) notificou nesta quinta-
feira, 31 de maio, uma grande redução dos pontos de concentração nas rodovias federais. Em todos os
Estados, a vida começa a voltar ao ritmo normal.
(Exame, 31.05.18. Disponível em: https://goo.gl/JsGcc2. Adaptado)
A paralisação dos caminhoneiros evidenciou
(A) a relevância e a extensão da malha ferroviária no Brasil.
(B) a dependência da economia brasileira em relação ao rodoviarismo.
(C) a força do transporte aéreo de cargas na reposição dos estoques.
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(D) o investimento crescente do Brasil no transporte fluvial.
(E) a perda de importância dos derivados de petróleo no abastecimento.

05. (Câmara Municipal de São José dos Campos/SP – Técnico Legislativo – Vunesp–2018) A
decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar os impostos de importação de aço e alumínio
pode abalar o comércio mundial e a economia brasileira.
(UOL, 09.03.2018. Disponível em:<https://goo.gl/Tn1QpE> . Adaptado)
Uma das possíveis consequências da decisão de Trump para o Brasil é
(A) o aumento da produção de aço nacional, devido à demanda de outros países.
(B) uma crise na oferta de aço, diante da escassez do produto no mercado.
(C) o impacto nas siderúrgicas nacionais, que exportam muito para os EUA.
(D) a interrupção da importação de produtos norte-americanos, como retaliação à decisão.
(E) a redução no consumo de petróleo, muito utilizado na produção de aço.

Gabarito

01.E / 02.A / 03.D / 04.B / 05.C

Comentários

01. Resposta: E
Seria algo como uma “quarteirização”. As novas regras permitem que uma empresa terceirizada
terceirize o serviço para o qual ela foi contratada ou para que essas empresas encontrem outras para
executar esse serviço. Segue o link explicativo < http://g1.globo.com/politica/noticia/temer-sanciona-com-3-vetos-projeto-da-camara-sobre-
terceirizacao.ghtml>

02. Resposta: A
A alternativa II está incorreta. “O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo
empregador, NÃO poderá exceder ao prazo de CENTO E OITENTA dias, consecutivos ou não.”.
Conforme Artigo 10 da mesma lei.

03. Resposta: D
Ilan Goldfajn (Haifa, 12 de março de 1966) é um professor e economista israelo-brasileiro. É o atual
presidente do Banco Central do Brasil.
De origem judaica, nasceu em Haifa, Israel. Parte de sua criação deu-se no Rio de Janeiro, onde
estudou no Colégio Israelita Brasileiro A. Liessin.
Em 17 de maio de 2016, foi indicado ao cargo de presidente do Banco Central pelo ministro da Fazenda
Henrique Meirelles. Seu nome foi submetido à aprovação no Senado Federal, contando com 53 votos
favoráveis e 13 contrários. Foi empossado no cargo em 9 de junho.

04. Resposta: B
A greve dos caminhoneiros evidenciou a grande dependência brasileira do transporte rodoviário (para
mercadorias e para passageiros). Reconhecidamente o transporte rodoviário é eficiente para pequenas
distancias, forma que não é a utilizada no Brasil, país de dimensões continentais. Um segundo problema
(mais grave) é que a dependência de um único sistema de transportes gera maiores problemas quando
em casos de paralização, como vimos agora.

05. Resposta: C
A decisão do presidente norte-americano Trump afeta o setor siderúrgico nacional porque o Brasil
ocupa a segunda posição entre os países exportadores de aço para a industrial estadunidense. <
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/03/09/trump-cria-taxa-para-aco-e-aluminio-que-impacto-isso-pode-ter-na-sua-vida.htm>

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Política
saúde
Temer sanciona reajuste dos ministros do STF, e Fux revoga auxílio-moradia para juízes e MP57

Temer tinha até esta semana para sancionar ou vetar o reajuste, aprovado pelo Senado no dia 07/11.
Fim do auxílio-moradia foi solução encontrada para reduzir impacto nas contas públicas.
O presidente Michel Temer sancionou nesta segunda-feira (26/11) o reajuste para ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux
revogou o auxílio-moradia para juízes, integrantes do Ministério Público, Defensorias Públicas e tribunais
de contas.
O reajuste para ministros do STF, de R$ 33 mil para R$ 39 mil, foi aprovado no Senado no dia 7 de
novembro. Temer tinha até esta semana para sancionar ou vetar.
Embora o Supremo tenha recursos no próprio orçamento para pagar o reajuste, o aumento causou
preocupação no governo federal e na equipe do próximo presidente, Jair Bolsonaro, que temiam o impacto
nas contas públicas.
Isso porque o reajuste de ministros do STF gera um "efeito cascata" nas carreiras do funcionalismo, já
que dispara um aumento automático para a magistratura e para integrantes do Ministério Público. O
salário de ministro do Supremo funciona como teto para o serviço público.
O fim do auxílio-moradia foi uma alternativa negociada entre o Palácio do Planalto e o STF para reduzir
o impacto do reajuste.
Fux já havia dito em entrevista à TV Globo, no começo de novembro, que os juízes não receberiam
cumulativamente o reajuste nos salários e o auxílio-moradia. Segundo ele, quando o aumento fosse
confirmado, o benefício do auxílio-moradia – nos moldes como é concedido atualmente – seria revogado.
O auxílio-moradia atualmente pago a juízes de todo o país é de R$ 4,3 mil.
Segundo Fux, o fim do pagamento do auxílio só ocorrerá quando o reajuste salarial previsto para os
ministros do STF chegar efetivamente à folha salarial.

Valores
Segundo estimativa feita por consultorias da Câmara e do Senado Federal, o reajuste para ministros
do Supremo terá um impacto de R$ 1,375 bilhão nas contas da União no ano que vem (R$ 4 bilhões
incluindo estados e municípios).
De acordo com estimativa da comissão de Orçamento, no Congresso, o gasto da União com auxílio-
moradia para juízes e integrantes do Ministério Público é de R$ 450 milhões por ano.

Medida 'muito justa'


Na noite desta segunda-feira, Fux participou de em um evento em uma faculdade de Avaré (SP).
Questionado sobre a sanção do reajuste, afirmou que a medida é "muito justa".
"Eu tive conhecimento de que foi sancionado o aumento, que era uma defasagem de muitos anos. O
percentual que foi [sancionado] foi de 16%, enquanto a defasagem era de 41%. Eu achei muito justa essa
revisão, só que tendo em vista o fenômeno, a crise pela qual estamos passando, não era possível pagar
as duas verbas: aumento e auxílio-moradia. Então, resolvi revogar o auxílio-moradia e dar ensejo à
incidência do aumento, que desonera o orçamento do Estado", afirmou.

Ensino Superior vai para Ciência e Tecnologia; saiba quais são os 15 ministérios definidos por
Bolsonaro58

Educação, Esportes e Cultura serão reunidos numa só pasta; Direitos Humanos fica em
Desenvolvimento Social
RIO - A estrutura do futuro Ministério do governo Jair Bolsonaro (PSL) já está quase totalmente
definida. Até agora, segundo interlocutores da equipe do presidente eleito, já estão definidas 15 pastas,
o que significa uma redução de quase 50% das atuais 29 pastas do governo Michel Temer (MDB). Este
número, conforme informações de aliados, ainda pode chegar a até 17.

57
Marcos, L. Mariana, O. Temer sanciona reajuste dos ministros do STF, e Fux revoga auxílio moradia para juízes e MP. G1 Política.
https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/26/temer-sanciona-reajuste-dos-ministros-do-stf-e-fux-extingue-auxilio-moradia-para-juizes.ghtml. Acesso em 28 de
novembro de 2018.
58
Jussara Soares. Ensino Superior vai para Ciência e Tecnologia; saiba quais são os 15 ministérios definidos por Bolsonaro. https://oglobo.globo.com/brasil/ensino-
superior-vai-para-ciencia-tecnologia-saiba-quais-sao-os-15-ministerios-definidos-por-bolsonaro-
23201813?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo. Acesso em 01 de novembro de 2018.

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O 'superministério' de Infraestrutura, englobando Transporte e Minas e Energia, foi descartado nesta
quarta-feira pelo vice-presidente eleito General Hamilton Mourão. Segundo ele, Minas e Energia seguirá
como uma pasta autônoma.
Seguem como ministérios independentes Defesa, Saúde, Trabalho, Relações Exteriores e o Gabinete
de Segurança Institucional.
Confira como devem ser os ministérios de Bolsonaro:
1) Casa Civil - assumindo funções do Governo
2) Economia - fusão de Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior
3) Defesa
4) Saúde
5) Ciência e Tecnologia (com ensino superior)
6) Educação, Esportes e Cultura
7) Trabalho
8) Minas e Energia
9) Justiça e Segurança
10) Integração Nacional (com Cidades e Turismo)
11) Infraestrutura, englobando Transportes
12) Gabinete de Segurança Institucional
13) Desenvolvimento Social (com Direitos Humanos)
14) Relações Exteriores
15) Agricultura e Meio Ambiente

O Brasil escolhe Jair Bolsonaro

Vitória de ex-capitão defensor do regime militar marca volta da extrema direita brasileira ao poder e
sucesso de campanha antissistema com estrutura heterodoxa. Resultado também é novo fracasso para
ex-presidente Lula59.
Após quatro anos de crise política e econômica, casos rumorosos de corrupção e uma campanha tensa
que demoliu antigos padrões eleitorais, os brasileiros elegeram neste domingo (28/10) um militar
reformado de extrema direita para o cargo máximo do país. Jair Bolsonaro (PSL), um deputado que por
mais de duas décadas foi considerado um pária no mundo político brasileiro, mas que soube aproveitar
o sentimento antissistema e antipetista de parte do eleitorado, foi eleito presidente com 55,13% dos votos
válidos. Seu adversário, o petista Fernando Haddad, que substituiu o ex-presidente Lula ao longo da
campanha, recebeu 44,87%.
O resultado representa um terremoto nos padrões de campanha no Brasil, explicita mais uma vez as
divisões do país e deve abrir um novo período de incerteza. Nunca desde a redemocratização um
candidato que expressa ideias autoritárias como Bolsonaro havia chegado tão longe. Ao longo da
campanha, ele prometeu aniquilar e exilar adversários e perseguir a imprensa, além de promover temas
controversos como a facilitação do acesso a armas de fogo, o aumento da violência policial e a
militarização da educação e de vários setores do governo.
Em seu discurso de vitória, Bolsonaro ignorou o seu adversário no segundo turno, e preferiu falar de
Deus e em "quebrar paradigmas". Ele prometeu governar "seguindo os ensinamentos de Deus ao lado
da Constituição". "Não poderíamos mais continuar flertando com o socialismo, com o comunismo e com
o populismo, e com o extremismo da esquerda", completou. Em frente à casa do presidente eleito,
centenas de apoiadores se reuniram para celebrar a vitória e entoar coros antipetistas.
Líder nas pesquisas desde que Lula teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, Bolsonaro, de
63 anos, contrariou as expectativas de que seria incapaz de manter a liderança. Ele conduziu uma
campanha improvisada, sem tantos recursos como seus principais adversários e sem estrutura partidária
– sua arrecadação oficial foi de apenas 2,5 milhões de reais.
Sua ascensão a partir de 2017 foi completamente subestimada pelas forças políticas tradicionais, que
chegaram a expressar o desejo de tê-lo como adversário, acreditando que seu radicalismo e o certo
amadorismo de sua campanha seriam facilmente rejeitados pela maior parte do eleitorado em um
confronto direto. Até setembro deste ano, era o futuro eleitoral de Lula que ainda monopolizava as
atenções.
Mas, alimentado sobretudo pelo crescente antipetismo e desprezo de parte do eleitorado aos políticos
tradicionais e compensando sua falta de recursos com forte presença nas redes sociais, Bolsonaro
continuou a crescer. Ele não adotou nenhuma tática mais moderada, preferindo explorar a retórica do

59
Deutsche Welle. O escolhe escolhe Jair Bolsonaro. DW. https://www.dw.com/pt-br/o-brasil-escolhe-jair-bolsonaro/a-46065651. Acesso em 29 de outubro 2018.

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confronto e apostando em declarações ultrajantes e de ódio aos adversários, que muitas vezes flertavam
com a violência política.
O próprio presidente eleito chegou a ser vítima de um episódio de violência ao longo da campanha e
por pouco não morreu. Atingido por um ataque a faca, Bolsonaro permaneceu a maior parte da campanha
afastado de atos públicos. Primeiro, transformou o hospital em quartel-general da campanha. Depois,
passou a comandar a candidatura de casa.
O ataque não diminuiu a retórica do candidato, que continuou a apostar nas táticas agressivas,
mesclando ainda populismo e nacionalismo. Nas redes sociais, compensou o tom vago das suas
propostas com uma verdadeira indústria de ataques aos adversários, que na maioria das vezes
promoviam mentiras grosseiras e boatos. Essa "tempestade perfeita" que levou Bolsonaro ao poder
também escondeu as próprias contradições do candidato, uma voz que pregava um discurso
antissistema, mas que era um político profissional com 28 anos na Câmara e que criou uma verdadeira
dinastia política, um defensor do Exército que cometeu atos de indisciplina e deslealdade contra a
instituição nos anos 1980.
Ao longo da campanha, ele também expressou desprezo pelos mecanismos tradicionais de discussão
política. Se recusou a comparecer a debates e passou a conceder entrevistas para veículos que
simpatizavam com sua candidatura. Também alimentou boatos sobre a legitimidade do processo eleitoral,
como a segurança das urnas eletrônicas e a legitimidade das pesquisas eleitorais. Em dado momento da
campanha, chegou a afirmar que não reconheceria o resultado caso fosse derrotado.
No primeiro turno, menos de quatro pontos percentuais o separaram da vitória. Apesar da sua visão
política e da sua antiga condição de deputado pouco influente, passou a receber apoios de grupos
políticos que antes se mantinham distantes, saindo do gueto de apoiadores de pouca expressão. No
segundo turno, foi escolhido como o candidato de bancadas influentes da Câmara e de vários
governadores.

Também se tornou com o tempo o candidato favorito do mercado, antes alinhado com Geraldo Alckmin
(PSDB). Foi apenas na área econômica que Bolsonaro fez alguma tentativa de "normalização". Passou
a promover o economista ultraliberal Paulo Guedes como seu homem de confiança na área. Apesar do
tom vago das propostas para a economia, representantes da indústria e do setor financeiro passaram a
considerar a opção Bolsonaro menos maléfica do que a candidatura do PT.
A vitória de Bolsonaro neste domingo também marca a volta da direita radical ao poder no Brasil.
Defensor do regime militar (1964-1985), Bolsonaro já defendeu a tortura e o assassinato de militantes
durante o período. Passando para a posição de chefe de Estado, ele deve garantir um protagonismo

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ainda maior de atuais e antigos membros das Forças Armadas. Diversos generais são cotados para
assumir ministérios e seu vice também é um militar reformado.
Ainda no primeiro turno, sua popularidade já havia impulsionado o seu partido, o então nanico PSL,
que se viu catapultado para a posição de segunda maior bancada da Câmara, com 52 deputados, vários
deles ex-militares como o presidente eleito. Com Bolsonaro na Presidência, a expectativa é que o partido
cresça ainda mais e se torne a maior bancada da Casa. A entrada no Palácio do Planalto também deve
aumentar a influência da sua família. Seu núcleo decisório é formado por parentes, contrastando com os
últimos presidentes, que tinham colegas de partido ou amigos como as figuras mais próximas. Seus três
filhos, um deputado federal, um senador eleito e um vereador, foram seus principais auxiliares na
campanha. É certo que eles vão ter voz ativa no governo.
No governo, Bolsonaro também já sinalizou que deve ter um relacionamento turbulento com a
imprensa. Ao longo da campanha, ele atacou a Rede Globo e o jornal Folha de S. Paulo. Também se
recusou a conceder entrevistas a diversos veículos. Seu apoiadores promoveram "linchamentos virtuais"
de jornalistas que publicaram reportagens investigativas sobre suspeitas que envolveram a campanha do
PSL.
O resultado também marca mais uma derrota para os partidos tradicionais do Brasil, que haviam sido
atingidos em cheio pela Operação Lava Jato. No primeiro turno, a onda bolsonarista já havia arrasado
siglas como MDB e PSDB e quebrado a velha polarização entre tucanos e petistas na disputa
presidencial. Já a vitória deste domingo quebra uma sequência de 16 anos de vitórias consecutivas do
PT na disputa pela Presidência. A derrota dos petistas também marca mais um fracasso de Lula, que
permanece preso e havia mesclado suas tentativas de sair da prisão com a estratégia do partido na
eleição presidencial.
Nos últimos dois anos, o PT permaneceu agarrado à ideia de que controverso processo de
impeachment contra Dilma Rousseff havia sido um "golpe" e apostou que a impopularidade e o marasmo
do governo do presidente Michel Temer e de seus aliados seriam convertidos em novos votos para o PT.
Os petistas também tentaram transformar o pleito em uma espécie de referendo sobre o legado do ex-
presidente e dos anos do PT no governo. No processo, acabaram alimentando animosidade com outros
representantes da esquerda, como Ciro Gomes (PDT), que se recursou a declarar seu apoio pessoal a
Haddad.
No final, foi Bolsonaro o principal herdeiro do crescente sentimento antissistema entre o eleitorado que
ganhou ainda mais força com a paralisação do governo Temer e que no primeiro turno já havia punido
diversas figuras conhecidas da política. A vitimização de Lula também não rendeu o resultado esperado
pelos petistas.
Após a derrota, Haddad afirmou que os brasileiros não devem ter medo e prometeu organizar a
oposição ao governo Bolsonaro. "Nós estaremos aqui. Nós estamos juntos", disse. "Contem conosco.
Coragem, a vida é feita de coragem. Viva o Brasil". Haddad também não ligou para Bolsonaro para
parabenizá-lo pela vitória.
O resultado explicitou mais uma vez divisões regionais entre o eleitorado brasileiro. Como ocorreu no
primeiro turno, Haddad venceu no Nordeste, região que concentra o maior índice de pobreza do país. Ele
também ficou à frente no Pará e no Tocantins, mas não venceu em nenhum estado das regiões Sul,
Centro-Oeste e Sudeste. Já Bolsonaro não venceu em nenhum estado nordestino. Seu melhor
desempenho foi em alguns dos estados mais ricos do Brasil, como Santa Catarina (75,92%) e o Distrito
Federal (69,99%), além de ter vencido em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Abstenção atinge 20,3%, maior percentual desde 199860

Número significa que quase 30 milhões de eleitores que estavam aptos não compareceram às urnas.
Maior colégio eleitoral do país, São Paulo teve aumento de 2 pontos percentuais nas abstenções.
Quase 30 milhões de eleitores não compareceram às urnas neste domingo (07/10), segundo dados
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O nível de abstenção, de 20,3%, é o mais alto desde as eleições de
1998, quando 21,5% do eleitorado não votou.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o índice de abstenção também subiu, dois pontos
percentuais, em relação ao último pleito, passando de 19,5% para 21,5%. Em número de eleitores, isso
representa mais de 850 mil pessoas, de 6,2 milhões em 2014 para 7,1 milhões este ano.

Histórico das últimas eleições

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André Paixão. Abstenção atinge 20,3%, maior percentual desde 1998. G1 Eleições 2018. https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-
numeros/noticia/2018/10/08/abstencao-atinge-203-maior-percentual-desde-1998.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1. Acesso em 08
de outubro de 2018.

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Em 1994, o percentual havia sido ainda maior: 29,3%, o que significa que 1 em cada 3 eleitores aptos
não compareceram.
A abstenção tem crescido desde 2006. Na ocasião, 16,8% dos eleitores não votaram. Quatro anos
depois, o índice subiu para 18,1%, e chegou aos 19,4% nas eleições presidenciais passadas, em 2014.
Em número de eleitores, a porcentagem desse ano representa 29,9 milhões de pessoas. No primeiro
turno de 2014, 27,7 milhões de votantes se abstiveram do voto.

Números por estado


Dos 26 estados, mais o Distrito Federal, o Mato Grosso aparece com o maior índice de abstenção,
com 24,6%. Isso significa que 1 em cada 4 eleitores aptos a votar não votaram.
Na direção oposta, o estado com o menor número de abstenções foi Roraima, 13,9%. Veja o índice
por estado:

Região Sul
Paraná - 17%
Rio Grande do Sul - 18,1%
Santa Catarina - 16,3%

Região Sudeste
Espírito Santo - 19,3%
Minas Gerais - 22,2%
Rio de Janeiro - 23,6%
São Paulo - 21,5%

Região Centro-Oeste
Distrito Federal - 18,7%
Goiás - 20,2%
Mato Grosso - 24,6%
Mato Grosso do Sul - 21,2%

Região Nordeste
Alagoas - 22,6%
Bahia - 20,7%
Ceará - 17,3%
Maranhão - 20,5%
Paraíba - 15%
Pernambuco - 17,9%
Piauí - 15,7%

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Rio Grande do Norte - 17,1%
Sergipe - 18,8%

Região Norte
Acre - 19%
Amapá - 16,7%
Amazonas - 19,4%
Pará - 20%
Rondônia - 22,3%
Roraima - 13,9%
Tocantins - 20%

Balanço dos estados


São Paulo foi estado com o maior aumento no número de eleitores que não votaram, com quase 870
mil ausências a mais, na comparação com as eleições de 2014. Em proporção, são dois pontos
percentuais a mais, de 19,5% para 21,5%.
No entanto, o Distrito Federal foi o local com o maior aumento percentual de abstenções, passando de
11,7% em 2014 para 18,7% este ano. O Amapá aparece como a segunda maior alta, de 10,4% para
16,7%.
Na comparação com o primeiro turno das eleições de 2014, cinco estados tiveram redução
proporcional das abstenções.
A maior delas foi no Piauí, que passou 18,9% há 4 anos para 15,7% neste ano. O Ceará saiu de 20,1%
para 17,3%. A Paraíba registrou 17,6% de abstenções em 2014. Esse ano, o índice foi de 15%. O Pará
teve queda de 21,1% para 20% este ano. Por fim, Santa Catarina teve redução de 0,1% nas abstenções,
de 16,4% para 16,3%.

Temer decreta uso das Forças Armadas em Roraima para reforçar segurança61

Presidente anunciou medida em pronunciamento no Planalto; ministro da Defesa informou que decreto
tem validade de duas semanas. Estado enfrenta crise com chegada de venezuelanos.
O presidente Michel Temer informou nesta terça-feira (28/08) ter decretado o uso das Forças Armadas
em Roraima para reforçar a segurança no estado.
Temer anunciou a medida em um pronunciamento no Palácio do Planalto. Segundo o ministro da
Defesa, Joaquim Silva e Luna, o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) tem validade de duas
semanas (até 12 de setembro) e a prorrogação poderá ser avaliada conforme a necessidade.
"Decretei hoje o emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem no estado de Roraima.
Naturalmente, para oferecer segurança aos cidadãos brasileiros e aos imigrantes venezuelanos que
fogem de seu país em busca de refúgio no Brasil", anunciou.
O anúncio foi feito dez dias após a cidade de Pacaraima (RR) registrar um ataque de um grupo de
brasileiros a acampamentos de venezuelanos.
Fronteira com a Venezuela, Roraima é a principal rota utilizada pelos imigrantes que entram no Brasil.
Os venezuelanos tentam fugir da crise política, econômica e social do país, com inflação alta e
desabastecimento.
Em julho, a Casa Civil informou que, entre 2015 e junho deste ano, 56,7 mil venezuelanos procuraram
a Polícia Federal para solicitar refúgio ou residência no Brasil.

Como vai funcionar?


Os ministros Joaquim Silva e Luna (Defesa) e Sergio Etchegoyen (GSI) explicaram que os militares
das Forças Armadas vão atuar nas fronteiras leste e oeste de Roraima e nas rodovias federais do estado.
A faixa de atuação contempla uma área de 150 quilômetros, a partir da fronteira. Neste espaço ficam
as cidades de Pacaraima e Boa Vista.
A GLO garante o poder de polícia aos militares nas duas faixas de fronteira e nas rodovias federais.
De acordo com Silva e Luna, o governo vai utilizar na ação militares da 1ª Brigada de Infantaria de
Selva, que fica em Boa Vista e já atua no trabalho de acolhimento dos venezuelanos.

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Guilherme Mazui. Temer decreta uso das Forças Armadas em Roraima para reforçar segurança. G1 Política. https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/08/28/temer-
decreta-uso-das-forcas-armadas-em-roraima-para-reforcar-seguranca.ghtml. Acesso em 29 de agosto de 2018.

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Quadro 'dramático'
Ao falar sobre a crise na Venezuela, Temer disse que o país enfrenta um quadro "dramático",
acrescentando que o "desastre humanitário" causado pela crise é resultado das "péssimas" condições às
quais o povo venezuelano está submetido.
"Devo dizer, desde logo, que o Brasil respeita a soberania dos estados nas ações, mas temos que
lembrar que só é soberano um país que respeita e cuida do seu povo", afirmou o presidente.
Em seguida, acrescentou que o Brasil fará "todos os esforços em todos os foros internacionais" para
melhorar a situação da Venezuela. "Vamos buscar apoio na comunidade internacional para adoção de
medidas diplomáticas firmes que solucionem esse problema", completou.
Mesmo diante do quadro, acrescentou o ministro Sérgio Etchegoyen (Segurança Institucional), o
governo não cogita fechar a fronteira para os venezuelanos nem decretar intervenção federal em
Roraima.

Governadora
De acordo com o ministro Joaquim Silva e Luna (Defesa), a governadora Suely Campos (PP) não
pediu a Temer a edição do decreto de GLO.
Em seguida, Sergio Etchegoyen disse que a governadora foi informada sobre a decisão antes do
anúncio de Temer à imprensa.
"A reação até agora [de Suely Campos] tem sido o silêncio e o não reconhecimento da questão da
necessidade por parte de Roraima. Não reconhece que precisa de ajuda na área de segurança ou pede
ajuda naquilo que nós não temos condições mais de dar", disse.

Crise migratória
A situação de Roraima é discutida desde 2016 no governo federal. Em fevereiro, Temer assinou um
decreto reconhecendo a "situação de vulnerabilidade" em Roraima e editou uma medida provisória (MP)
prevendo ações de assistência para os venezuelanos.
Além disso, foi deflagrada a Operação Acolhida para atender imigrantes recém-chegados ao Brasil e
transferir venezuelanos para outros estados.
Mais cedo, nesta terça, 187 venezuelanos foram transportados pela Força Aérea de Roraima para
Manaus (AM), João Pessoa (PB) e São Paulo (SP).
A governadora do estado, Suely Campos (PP), pediu o fechamento da fronteira ao Supremo Tribunal
Federal (STF), mas Temer já afirmou que a medida é "incogitável" e a ministra Rosa Weber entendeu
que a decisão cabe a ele.

Decreto cria cotas para presidiários e ex-detentos em contratos de serviços à União62

Decreto assinado nesta terça (24) pela presidente em exercício, Cármen Lúcia, define que empresas
com contratos acima de R$ 330 mil têm que oferecer entre 3% a 6% das vagas a presos.
A presidente da República em exercício, Cármen Lúcia, assinou nesta terça-feira (24/07) decreto para
determinar que empresas contratadas pelo governo federal para prestação de serviços ofereçam cotas
para presidiários e ex-presidiários sempre que os contratos ultrapassarem R$ 330 mil. O governo alegou
que a medida visa a estimular a ressocialização de apenados.
O decreto presidencial, de acordo com o governo, torna “obrigatória” a contratação de presos e ex-
presidiários por parte das empresas que vencerem licitações para serviços com a administração pública
federal direta e também com autarquias e fundações. Entre os serviços que poderão passar a ser
executados por detentos e ex-presidiários estão, por exemplo, atividades de consultoria, limpeza,
vigilância e alimentação.
A assessoria da Presidência informou que o decreto será publicado na edição desta quarta (25/07) do
“Diário Oficial da União”.
Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia está interinamente no comando do
Palácio do Planalto em razão de viagens ao exterior do presidente Michel Temer e dos presidentes da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).
O decreto assinado pela presidente em exercício institui a “Política Nacional de Trabalho no âmbito do
Sistema Prisional”, que foi apresentada nesta terça em uma entrevista coletiva concedida pelos ministros
Raul Jungmann (Segurança Pública) e Gustavo Rocha (Direitos Humanos).

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Guilherme Mazui. Decreto cria cotas para presidiários e ex-detentos em contratos de serviço à União. G1 Política.
https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/07/24/decreto-presidencial-cria-cotas-para-presos-e-ex-presidiarios-em-contratos-de-servicos-a-uniao.ghtml. Acesso em 25
de julho de 2018

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“Nos editais de licitação já haverá a previsão para contratação desses presos e, preenchidos os
critérios do edital, será obrigatório que essas empresas absorvam essa mão de obra de forma a permitir
uma maior ressocialização desse apenado ou desse egresso”, explicou Rocha.
A medida se aplica a presos provisórios, presos dos regimes fechado, semiaberto ou aberto, ou
egressos do sistema prisional. Conforme o decreto, as empresas terão de destinar um percentual de
vagas para presos e ex-presidiários em cada contratos firmados com o governo federal.

- 3% das vagas para contratos que exijam contratação de 200 ou menos funcionários;
- 4% das vagas para contratos que exijam contratação de 201 a 500 funcionários;
- 5% das vagas para contratos que exijam contratação de 501 a 1 mil funcionários;
- 6% das vagas para contratos que exijam a contratação de mais de 1 mil funcionários

Autorização judicial
O ministro de Direitos Humanos ressaltou na entrevista que caberá ao juiz responsável pela execução
da pena dos presos analisar se o detento tem condições de atuar na prestação de serviços para a
administração pública federal.
No caso de presidiários do regime fechado, o detento contratado deverá ter cumprimento, no mínimo,
um sexto da pena, ter autorização do juiz da vara de execuções penais e ainda terá que comprovar
"aptidão, disciplina e responsabilidade".
Gustavo Rocha afirmou ainda que, caso não haja presídios ou ex-presidiários em determinada região
onde o contrato com a União é executado, a empresa que ganha a licitação não precisará cumprir o
percentual mínimo de vagas.
"É possível que em determinados locais não haja presídios ou egressos do sistema prisional. Em razão
de uma impossibilidade de contratação, essa regra pode ser excepcionada", ponderou o ministro.

Ressocialização
Em meio à entrevista, Jungmann disse que a oferta de emprego para presos e ex-presidiários é
fundamental para criar uma "possibilidade real" de ressocialização e para combater o "recrutamento" de
facções nos presídios.
O ministro da Segurança Pública lembrou que o Brasil tem em torno de 726 mil presos, em um sistema
prisional dominado por cerca de 70 facções. Jungmann informou que, do total de apenados no Brasil,
12% trabalham e 15% estão em atividades educacionais.
"Se nós não implementarmos e não levarmos e ampliarmos um programa como esse, as facções
criminosas estarão sempre criando a dependência, seja dos presos seja dos egressos. Essa política tem
uma função fundamental", defendeu Jungmann.

Caminhoneiros autônomos se dizem satisfeitos com nova proposta de Temer63

Representantes da categoria se reuniram com o presidente em Brasília. Eles disseram que vão orientar
motoristas a encerrar greve após publicação das medidas no 'Diário Oficial'.
Representantes de caminhoneiros autônomos afirmaram que aprovam as medidas para a categoria
anunciadas mais cedo neste domingo (27/05) pelo presidente Michel Temer.
Com a nova proposta, detalhada por Temer durante pronunciamento, o governo espera encerrar a
greve dos caminhoneiros, que chegou neste domingo ao sétimo dia.
Entre as medidas está a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias e a isenção de
pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios. Apenas a redução de R$ 0,46 no
preço do diesel custará ao governo R$ 10 bilhões.
No pacote, estava prevista a edição de três medidas provisórias para atender à demanda dos
caminhoneiros. As MPs saíram em edição extra do Diário Oficial da União publicada no fim da noite deste
domingo.
Durante o pronunciamento de Temer, foram registrados panelaços no DF, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fim da greve?
"Saiu no 'Diário Oficial', a nossa recomendação é que aceitem [as propostas e liberem as estradas]",
afirmou Carlos Alberto Litti Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga
(Sinditac) de Ijuí (RS).

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FERNANDA CALGARO. Caminhoneiros autônomos se dizem satisfeitos com nova proposta de Temer. G1 Política.
<https://g1.globo.com/politica/noticia/caminhoneiros-autonomos-se-dizem-satisfeitos-com-nova-proposta-de-temer.ghtml> Acesso em 28 de maio de 2018.

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"Eles [caminhoneiros] só vão aceitar [o acordo proposto pelo governo] após saírem publicadas no
'Diário Oficial' as medidas que foram negociadas aqui", disse José da Fonseca Lopes, presidente da
Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), uma das entidades que não tinham assinado o acordo
na quinta-feira (24/05).
O grupo não tinha assinado o acordo proposto pelo governo na quinta-feira (24/05) por entender que
ele não atendia às suas reivindicações. Diante da manutenção da greve pelos caminhoneiros, as
entidades foram chamadas de volta a Brasília neste domingo para negociar a nova proposta.
De acordo com eles, com as estradas desobstruídas, serão necessários de 8 a 10 dias para normalizar
o abastecimento de combustível e alimentos no país.
"Daquilo que se propunha, o nosso movimento está contemplado. Nós queríamos piso mínimo de frete,
suspensão no preço do combustível do PIS-Cofins, que está contemplado, queríamos a suspensão por
60 dias de novos reajustes para ter previsibilidade e o setor se organizar. Está contemplado", afirmou
Dahmer.
Para ele, uma das principais conquistas para a categoria será a fixação de um valor mínimo para o
frete.
"Essa política de preço vai fazer com que a gente saiba a quanto está trabalhando e ninguém vai poder
nos explorar menos do que aquele valor, que será o nosso custo", disse.

Corte do PIS-Cofins e CIDE


A proposta anunciada por Temer prevê a redução de R$ 0,46 no litro do diesel, que terá validade por
60 dias. A partir daí, os reajustes no valor do combustível serão feitos a cada 30 dias, decisão que,
segundo o presidente, visa dar mais "previsibilidade" aos motoristas.
Ele informou que o corte de R$ 0,46 se dará com a redução a zero das alíquotas do PIS-Cofins e da
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre o diesel.
A proposta anterior, divulgada na quinta, já contemplava o corte na CIDE. A novidade, portanto, é a
suspensão da cobrança do PIS-Cofins sobre o diesel.
No caso do diesel, os valores praticados pela Petrobras são mais da metade (55%) do preço pago pelo
consumidor nos postos; 7% é o custo do biodiesel, que, por lei, deve compor 10% do diesel, e 9%
corresponde aos custos e lucro dos distribuidores, conforme os cálculos da Petrobras, que levam em
conta a coleta de preços entre os dias 6 e 12 de maio em 13 regiões metropolitanas do país.
Cerca de 29% são tributos, sendo:
- 16% ICMS, recolhido pelos Estados
- 13% Cide e PIS-Cofins, de competência da União.
O ministro Carlos Marun disse que o Procon vai fiscalizar se a redução anunciada por Temer chegará
às bombas.
"A redução vai chegar às bombas. O Procon está, inclusive, editando medida e vai fazer fiscalização
no sentido de que o nosso objetivo, de que essa redução chegue ao tanque do caminhoneiro, se torne
realidade", afirmou.

Eixo suspenso e fretes da Conab


Temer também anunciou a edição de três medidas provisórias para atender a outras demandas dos
grevistas. As MPs saíram em edição extra do Diário Oficial da União publicada na noite deste domingo e
preveem:
- Isenção da cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios, em rodovias federais,
estaduais e municipais;
- Determinação para que 30% dos fretes da Conab sejam feitos por caminhoneiros autônimos;
- Estabelecendo de tabela mínima dos fretes.
Medidas provisórias têm força de lei e começam a valer assim que o texto é publicado no "Diário Oficial
da União". A partir daí, o Congresso Nacional terá até 120 dias para analisar as MPs. Se isso não
acontecer no prazo, as medidas perderão validade.

Reoneração da folha
Durante o pronunciamento, o presidente afirmou que os pontos do acordo negociado na semana
passada seguem valendo, entre eles o que tira o setor de transporte rodoviário de carga da chamada
reoneração da folha.
A proposta, que na prática eleva a arrecadação federal, já foi aprovada pela Câmara e ainda depende
de análise do Senado. Vários setores que haviam sido atendidos com a desoneração perderão o
benefício. Segundo Temer, o setor dos caminhoneiros não estará entre esses setores.

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Aos 2 anos, governo Temer festeja economia, mas enfrenta impopularidade, denúncias e crise
política; relembre64

Reeleito vice-presidente em 2014, Temer assumiu Presidência interinamente em 12 de maio de 2016,


devido ao afastamento de Dilma. Três meses depois, foi efetivado após impeachment da petista.
Passados dois anos desde o afastamento de Dilma (o impeachment só foi aprovado em 31 de agosto
de 2016), Temer lidera um governo que ostenta queda da inflação e a redução da taxa de juros, mas que
tenta lidar com o aumento no número de desempregados e com os altos índices de rejeição.
Hoje, Temer conduz um governo alvo de denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR),
envolvido em crises políticas e no foco de investigações criminais.

Aprovação
Nove meses após tomar posse para o segundo mandato como vice-presidente, Temer afirmou num
evento, em setembro de 2015, que seria "difícil" Dilma Rousseff aguentar mais três anos no Palácio do
Planalto em razão da baixa popularidade. À época, ela tinha 8% de aprovação.
Temer assumiu a Presidência de maneira interina em maio de 2016 e no primeiro discurso afirmou
que, para governar, precisaria do "apoio do povo", que, por sua vez, precisaria "aplaudir" as medidas
adotadas.
Hoje, a aprovação do presidente, segundo o Datafolha, é de 6% - 70% consideram o governo ruim ou
péssimo.
Em recente entrevista, Temer afirmou que um publicitário disse a ele que "aproveite a impopularidade"
para fazer as reformas necessárias ao país.

Economia
O presidente apontou como maior desafio "estancar o processo de queda livre na atividade
econômica".
Em dois anos, Temer acostumou-se a badalar índices alcançados em sua gestão, como a alta do PIB
em 2017 (1%) após dois anos de retração e as quedas da inflação e da taxa básica de juros (6,5% ao
ano), a menor da série histórica do Banco Central, iniciada em 1986.
No mercado de trabalho, contudo, o governo não conseguiu reduzir o número de desempregados, pelo
contrário. Segundo o IBGE, quando Temer assumiu eram 11,4 milhões e hoje, 13,7 milhões.

Crises
Nesses dois anos à frente do Planalto, Temer enfrentou uma série de polêmicas causadas por
denúncias, delações, prisões de assessores mais próximos e investigações da Polícia Federal.
No ano passado, o presidente foi denunciado duas vezes ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela
Procuradoria Geral da República (PGR). Os crimes: corrupção passiva, organização criminosa e
obstrução de Justiça.
As denúncias, baseadas nas delações da JBS, fizeram Temer viver seu momento mais dramático no
governo.

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MAZUI G. MATOSO, F. MARTELLO, A. Aos 2 anos, governo Temer festeja economia, mas enfrenta impopularidade, denúncias e crise política; relembre. G1
Política. <https://g1.globo.com/politica/noticia/aos-2-anos-governo-temer-festeja-economia-mas-enfrenta-impopularidade-denuncias-e-crise-politica-
relembre.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 14 de maio de 2018.

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Segundo o Ministério Público, numa conversa com o dono da empresa, Joesley Batista, Temer deu
aval ao pagamento de dinheiro para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, o que o
presidente nega. O encontro aconteceu no fim da noite, fora da agenda, e foi gravado por Joesley.
O STF só poderia analisar as denúncias, porém, se a Câmara autorizasse. Nos dois casos, a maioria
dos deputados votou contra o prosseguimento dos processos e, com isso, as acusações contra Temer
só poderão ser analisadas após ele deixar o Planalto.

Investigações
Hoje, Temer é alvo de dois inquéritos que tramitam no STF. Com base nas delações de executivos da
JBS e da Obderecht, o presidente passou a ser investigado por suposto recebimento de propina na edição
do decreto dos portos e em contratos da Secretaria de Aviação Civil.
A pasta da Aviação foi comandada por Moreira Franco, atual ministro de Minas e Energia, e Eliseu
Padilha, atual chefe da Casa Civil, ambos do MDB, principais conselheiros de Temer e formalmente
denunciados pelo Ministério Público ao STF.
Além dos dois, outras pessoas muito próximas ao presidente passaram a ser investigadas e até foram
presas, entre as quais:
Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado e ex-assessor especial de Temer;
José Yunes, ex-assessor especial de Temer;
João Baptista Lima Filho, coronel aposentado da PM e amigo de Temer;
Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer.
O presidente nega qualquer tipo de envolvimento com irregularidades. Afirma ser vítima de uma
"campanha oposicionista" para enfraquecer o governo, acrescentando que é alvo de "vazamentos
irresponsáveis" de dados relacionados às investigações sobre ele.
Sobre se tem medo de ser preso ao deixar o cargo, o presidente diz que não, acrescentando que isso
seria uma "indignidade".

Julgamento do TSE
Em junho de 2017, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garantiu a continuidade do governo de Michel
Temer ao absolver, por 4 votos a 3, a chapa formada por ele e por Dilma da acusação de abuso de poder
político e econômico na campanha de 2014.
A ação foi apresentada pelo PSDB após a eleição e apontava mais de 20 infrações supostamente
cometidas pela coligação encabeçada por PT e PMDB (hoje MDB).
Com o placar apertado, cujo voto decisivo foi dado pelo ministro Gilmar Mendes, então presidente do
TSE, Temer escapou da perda do atual mandato e Dilma, da inelegibilidade por 8 anos.

Reformas e concessões
Temer chegou ao poder com discurso em favor das reformas trabalhista e previdenciária, tendo como
objetivo "o pagamento das aposentadorias e a geração de emprego".
Nesses dois anos:
Nova lei trabalhista entrou em vigor;
Reforma do ensino médio foi sancionada;
Reforma da Previdência parou no Congresso;
Reforma tributária não avançou na Câmara.

Temer também defendeu, ao assumir o governo, o incentivo às parcerias público-privadas (PPPs). O


presidente lançou um programa de concessões e privatizações.
Segundo dados oficiais, 74 projetos foram concluídos, o que inclui quatro aeroportos, linhas de
transmissão, terminais portuários e blocos para exploração de óleo e gás.
Dentro do programa de concessões, uma das principais apostas do governo para 2018 é a privatização
da Eletrobras, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Contas públicas
Quando Temer assumiu, afirmou ser preciso restaurar o equilíbrio das contas públicas "trazendo a
evolução do endividamento no setor público de volta ao patamar de sustentabilidade ao longo do tempo".
Desde então, foram anunciadas algumas medidas, como a instituição de um teto para os gastos
públicos; o aumento da tributação sobre a gasolina; a aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) – que
diminui, com o passar do tempo, o pagamento de subsídios pelo governo.
Também foram anunciados programas de parcelamento de tributos vencidos para empresas,
produtores rurais e estados e municípios. Esses parcelamentos, mesmo criticados pela área técnica da

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Receita Federal – pois influenciam para baixo o recolhimento mensal dos impostos –, contribuem para
elevar a arrecadação no curto prazo.

Intervenção federal
Em 16 de fevereiro, o presidente decretou a intervenção federal na área de segurança pública do Rio
de Janeiro, a primeira desde a Constituição de 1988.
Com a decisão, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) deixou de responder pela área, que ficou
sob a gestão do general do Exército Walter Braga Netto, escolhido por Temer como interventor.
No período, o fato de maior repercussão no Rio foi o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL),
cuja investigação segue em curso.
Temer também criou, neste ano, o Ministério da Segurança Pública. Com isso, a Polícia Federal saiu
da alçada do Ministério da Justiça e passou a ser subordinada à nova pasta.
Raul Jungmann, então ministro da Defesa, assumiu a Segurança Pública. Para o lugar dele, Temer
nomeou Joaquim Silva e Luna, primeiro militar a comandar a Defesa.

Programas sociais
Nos dois anos de Temer à frente do Planalto:
O Bolsa Família foi reajustado duas vezes;
O reajuste do salário mínimo ficou abaixo da inflação;
No Minha Casa, Minha Vida, de acordo com Ministério das Cidades, em 2016 foram contratadas
382.311 unidades habitacionais. Em 2017, o governo traçou como meta contratar 610 mil unidades
habitacionais, mas entregou 500 mil.
A meta para este ano é contratar 650 mil unidades – até agora, foram contratadas 125 mil unidades.

O foro privilegiado não acaba hoje65

A decisão do STF é apenas um primeiro (e modesto) passo para acabar com o absurdo incentivo à
impunidade – e ainda abre margem a dúvidas e manobras
Se tudo correr como programado, termina hoje, com o voto do ministro Gilmar Mendes, o julgamento
do Supremo Terminal Federal (STF) a respeito do foro privilegiado – ou, como preferem os puristas, foro
por prerrogativa de função.
Pela legislação brasileira, 58.660 cidadãos têm o direito de ser julgados em tribunais especiais, de
acordo com um levantamento do jornal Folha de São Paulo. Tal contingente inclui do presidente da
República ao defensor público de Taboão da Serra – passando por vereadores, oficiais das Forças
Armadas, juízes, procuradores, prefeitos, governadores e, naturalmente, deputados e senadores.
O processo em julgamento no STF examina apenas o que fazer em relação aos 594 deputados
federais e senadores. É provável que a decisão tenha implicação para os demais cargos, mas ela não
será automática. Dependerá de decisões posteriores da Justiça.

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GUROVITZ, HELIO. O foro privilegiado não acaba hoje. G1 Mundo. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/2018/05/03/o-foro-
privilegiado-nao-acaba-hoje.ghtml> Acesso em 04 de maio de 2018.

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Sete dos ministros já votaram em favor da nova interpretação proposta pelo relator, o ministro Luís
Roberto Barroso. Ela prevê a manutenção do foro especial apenas para crimes cometidos no cargo, em
função de atividades relativas ao cargo.
A divergência, iniciada pelo ministro Alexandre de Moraes, afirma que tal critério abrirá margem a
interpretações subjetivas quando casos concretos vierem a julgamento. Ele propôs que todo crime
atribuído a parlamentar seja julgado no STF a partir do momento da diplomação, até o fim do mandato,
não importando a natureza.
O argumento vitorioso de Barroso atém-se ao princípio do foro especial: ele existe para proteger o
cargo de ingerências políticas. O argumento de Alexandre é de ordem prática: a decisão poderá tornar
os julgamentos ainda mais complexos e morosos.
Ser julgado no STF é considerado um privilégio justamente por que, na visão predominante, lá os
processos costumam demorar mais, e os crimes prescrevem.
Um estudo da FGV-Rio, tão citado quanto criticado, constatou, com base na análise de 2.963 inquéritos
e 822 ações penais entre 2002 e 2016, que o tempo médio de tramitação até o julgamento definitivo caiu
para os primeiros (de 1.297 para 797 dias), mas cresceu num movimento constante para as segundas
(de 65 para 1.377).
O estudo levantou casos em que um processo espera mais de quatro anos por providências do relator.
Numa amostra de casos entre 2012 e 2016, verificou que menos de 6% começavam e terminavam no
STF. Apenas 5,44% preenchiam as duas condições propostas por Barroso. O fim do foro representaria,
portanto, um alívio na carga do tribunal, concebido como corte constitucional, não penal.
Em artigo no site Consultor Jurídico, o jurista Lenio Streck criticou o estudo por não determinar o
período de demora que cabe ao inquérito policial, ao oferecimento da denúncia pelos procuradores e ao
STF especificamente. Streck afirma que as regras para prescrição mudaram em 2010, dificultando as
manobras protelatórias e diz que a própria natureza do julgamento criminal no STF é distinta, feita em
instância única por um colegiado de juízes.
Num levantamento entre o primeiro semestre de 2015, quando já estavam consolidados a atual
estrutura de julgamentos em turmas e o uso de juízes auxiliares, e o início de 2017, ele verificou que 18
de 42 ações penais autuadas já haviam sido julgadas – num prazo em torno de 800 dias, eficácia bem
superior à verificada no estudo da FGV-Rio.
Num ponto, todos estão de acordo: as idas e vindas entre as instâncias judiciárias contribuem para
dilatar a duração dos processos. Barroso sugere, em seu voto, que o STF encerre todos os processos
cuja instrução já esteja concluída, mesmo que o parlamentar perca o mandato ou adquira foro noutra
instância do Judiciário.
Esse critério valeria para os processos da Operação Lava Jato que lá tramitam? Dependerá de como
o relator, ministro Edson Fachin, interpretar as novas condições aos processos. É provável que ele envie
a instâncias inferiores aqueles cujas acusações digam respeito a crimes cometidos fora do cargo hoje
ocupado.
Para novos processos por corrupção, a tendência é haver menos controvérsia – embora o ponto
levantado pela divergência do ministro Alexandre prometa doravante pairar sobre qualquer decisão,
abrindo brechas para advogados manobrarem em favor de seus clientes.
É preciso acabar com os absurdos do foro privilegiado no Brasil. Ele protege criminosos e promove a
impunidade. Mas a decisão de hoje não fará isso, ao menos não em definitivo. O melhor seria o Congresso
Nacional emendar a Constituição para resolver a questão em toda a sua extensão. Infelizmente, por causa
da intervenção federal no Rio de Janeiro, ele está impedido de examinar emendas constitucionais.

Lula chega a Curitiba para cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro66

Ex-presidente foi condenado em segunda instância no caso do triplex.


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na noite deste sábado (07/04) a Curitiba, onde
começará a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão pela condenação no caso do triplex em Guarujá
(SP).
Ele foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é o primeiro ex-presidente do
Brasil condenado por crime comum.
Por ordem de Moro, o ex-presidente ficará preso em uma sala especial de 15 metros quadrados, no 4º
andar do prédio da PF, com cama, mesa e um banheiro de uso pessoal. Também foi autorizada a
instalação de um TV no local.

66
G1 PR. Lula chega a Curitiba para cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro. G1 RPC. Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/lula-chega-
a-curitiba-para-cumprir-pena-por-corrupcao-passiva-e-lavagem-de-dinheiro.ghtml> Acesso em 09 de abril de 2018.

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. 81
O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Sérgio Moro no início da noite de quinta-feira (05/04) e, na
sequência, Lula seguiu para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo
(SP).
O ex-presidente se entregou à Polícia Federal quase 26 horas após o prazo dado pelo juiz para que
ele se apresentasse voluntariamente.
Lula saiu a pé do sindicato, às 18h42, e caminhou até um prédio próximo, onde equipes da Polícia
Federal o aguardavam. A saída teve de ser feita dessa maneira porque, por volta das 17h, Lula tentou
sair de carro, mas foi impedido pela militância.
De carro, Lula foi levado por agentes até a Superintendência da PF em São Paulo, onde realizou
exame de corpo de delito. Na sequência, seguiu de helicóptero para o aeroporto de Congonhas e, de lá,
decolou em avião com destino a Curitiba.
O ex-presidente anunciou que se entregaria neste sábado, em um discurso feito em frente à sede do
sindicato. A fala durou 55 minutos e ocorreu durante ato religioso em homenagem a ex-primeira-dama
Marisa Letícia, que completaria 68 anos neste sábado. Lula disse que não iria “correr”, “nem se esconder”.
Ele também criticou as decisões do Judiciário e disse que vai provar sua inocência.

Mandado de prisão
O ex-presidente é acusado de receber o triplex no litoral de SP como propina dissimulada da
construtora OAS para favorecer a empresa em contratos com a Petrobras. O ex-presidente nega as
acusações e afirma ser inocente.
Lula foi condenado por Moro na primeira instância, e a condenação foi confirmada na segunda
instância pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
A defesa tentou evitar a prisão de Lula com um habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal
(STF), mas o pedido foi negado pelos ministros, por 6 votos a 5, em votação encerrada na madrugada de
quinta.
Na tarde de quinta, o TRF-4 enviou um ofício a Moro autorizando a prisão, e o juiz expediu o mandado
em poucos minutos.
Os advogados de Lula, porém, questionaram a ordem de prisão porque ainda poderiam apresentar ao
TRF-4 os chamados "embargos dos embargos de declaração".
Depois, a defesa ainda tentou evitar a prisão com recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no
STF, que também foram rejeitados.

Deputados da UE pedem fim de acordo com Mercosul após morte de Marielle67

Grupo também denunciou a violência política no Brasil


Mais de 50 deputados do Parlamento Europeu pediram nesta quinta-feira (15/03) a suspensão
"imediata" das negociações para um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul por conta do
assassinato da vereadora Marielle Franco, uma conhecida ativista pelos direitos humanos do Rio de
Janeiro.
Deputados da UE protestam contra assassinato de Marielle. O documento foi divulgado pelo jornalista
Jamil Chade e é endereçado para a vice-presidente da Comissão Europeia, a italiana Federica Mogherini,
também responsável pela diplomacia do bloco.
"Esse assassinato se produz em um clima de crescente violência no Brasil e em particular na cidade
do Rio de Janeiro. A política de segurança do Governo brasileiro e do Estado do Rio de Janeiro, baseada
essencialmente no aumento da presença de corpos policiais e militares (e que culminou na intervenção
do Exército brasileiro), não fez mais do que agravar o clima de violência no país", diz a carta, que é
assinada pelo eurodeputado espanhol Miguel Urbán Crespo, do partido de esquerda Podemos.
O documento também é firmado por outros 51 europarlamentares e lembra que Marielle era relatora
da comissão municipal criada para fiscalizar a intervenção militar no Rio e crítica da violência policial na
cidade. "A defesa das populações oprimidas e discriminadas deve ser uma prioridade para a União
Europeia. O assassinato de Marielle Franco pretende amedrontar os defensores dos direitos humanos,
assim como influir nas eleições deste ano", diz o documento.
A carta se encerra com um pedido para que a Comissão Europeia, poder Executivo da UE, "suspenda
as negociações comerciais, de forma imediata", com o Mercosul, "exigindo do Brasil uma investigação
independente, rápida e exaustiva que permita alcançar a verdade e a justiça".

67
AGÊNCIAS ANSA. Deputados da EU pedem fim de acordo com Mercosul após morte de Marielle. ÉpocaNegócios. Disponível em:
<https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2018/03/deputados-da-ue-pedem-fim-de-acordo-com-mercosul-por-marielle.html> Acesso em 16 de março de 2018.

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Os signatários pertencem ao Grupo da Esquerda Unitária Europeia, que reúne 52 eurodeputados de
partidos comunistas e socialistas, como o Podemos, o grego Syriza, o irlandês Sinn Féin, o alemão Die
Link e o português Bloco de Esquerda. O grupo tem cerca de 7% dos assentos no Parlamento da UE.
Também nesta quinta, Urbán Crespo já havia usado o plenário de Estrasburgo para condenar o
assassinato da vereadora. Exibindo uma placa com a frase "Marielle Presente", que virou símbolo das
homenagens à política do Psol, Urbán Crespo afirmou que o Brasil vive um clima de "violência política
pré-eleitoral".
"Esta noite, assassinaram a vereadora do Psol Marielle Franco no Rio de Janeiro. Assassinaram uma
ativista feminista dos direitos humanos, anticapitalista, uma ativista assassinada em um clima de violência
política pré-eleitoral no Brasil", declarou o eurodeputado.
O espanhol ainda enviou "solidariedade" a seus "companheiros" no país latino-americano e exprimiu
sua "condenação a esse clima de violência no Brasil". Ao lado de Urbán Crespo, outros eurodeputados
do Podemos exibiram cartazes em memória de Marielle.
Assassinato
O crime ocorreu na noite da última quarta-feira (14/03) e também vitimou o motorista da vereadora,
Anderson Pedro Gomes. As características do homicídio - uma emboscada sem roubo - apontam para a
hipótese de execução, que é a principal linha de investigação da polícia.
Nascida e criada na favela da Maré, Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições
municipais de 2016, com 46.502 votos. Nos últimos dias, postou mensagens nas redes sociais
denunciando a violência policial no Rio.
"Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava
saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", escreveu no Facebook.
Ela também chamou o 41º Batalhão da Polícia Militar de "Batalhão da Morte" por causa de denúncias
de crimes no bairro de Acari. Marielle era crítica da intervenção militar do Governo Federal na segurança
pública do Rio de Janeiro.

Ficha Limpa passa a valer também para ocupantes de cargos eletivos68

Entendimento foi defendido pelo ministro Luiz Fux, relator da matéria e presidente do Tribunal Superior
Eleitoral.
Nesta quinta-feira (01/03), os ministros do Supremo derrubaram a chamada modulação da Lei da Ficha
Limpa. Na prática, isso quer dizer que a lei vale não só para os candidatos nas eleições, mas também
para os atuais ocupantes de cargos eletivos.
Por seis votos a cinco, os ministros do Supremo decidiram em outubro de 2017 que a Lei da Ficha
Limpa deve ser aplicada para políticos condenados por abuso de poder político e econômico antes de
2010, quando ela passou a vigorar. A lei tornou o condenado inelegível por oito anos.
Em 2017, o ministro Luiz Fux afirmou que ter a ficha limpa é uma pré-condição para uma pessoa se
candidatar, que inelegibilidade não é pena e que, por isso, não significa que a lei vai retroagir.
“Há de se entender que, mesmo no caso em que o indivíduo já foi atingido pela inelegibilidade, de
acordo com as hipóteses e prazos anteriormente previstos na lei complementar 64, vejam o grau de
cognição e discussão nas ações de controle da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, mesmo nesses
casos esses prazos poderão ser estendidos, se ainda em curso, ou mesmo restaurados para que
cheguem a oito anos por força da lex nova, desde que não ultrapasse esse prazo”.
Mas no julgamento de outubro, faltou decidir sobre a partir de quando essa decisão seria aplicada. É
o que se chama de modular a decisão. Nesta quinta, o ministro Ricardo Lewandowski defendeu que a lei
só fosse aplicada a partir das eleições de 2018.
“Fui informado pela liderança do governo na Câmara de que a prosperar a decisão da Suprema Corte,
alcançada por maioria muito estreita, de seis a cinco, nós atingiríamos o mandato de 24 prefeitos,
abrangendo cerca de 1,5 milhão, um número incontável de vereadores e também não se sabe ao certo
quantos deputados estaduais em exercício do mandato seriam atingidos”.
Os ministros Celso de Mello, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Alexandre de
Moraes manifestaram a mesma opinião de Lewandowski.
Os ministros Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Edson Fachin e a presidente do
Supremo, Cármen Lúcia, ficaram contra.

68
JORNAL NACIONAL. Ficha Limpa passa a valer também para ocupantes de cargos eletivos. G1 Jornal Nacional. Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2018/03/ficha-limpa-passa-valer-tambem-para-ocupantes-de-cargos-eletivos.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=jn>
Acesso em 02 de março de 2018.

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Fux argumentou que os candidatos que concorreram nas eleições passadas, apoiados em liminares
da Justiça, sabiam do risco que estavam correndo e defendeu que a Lei da Ficha Limpa seja aplicada a
todos os casos anteriores a ela.
“Qualquer modulação esbarraria, digamos assim, num custo político gravíssimo de termos impedido
várias pessoas de concorrer e ao mesmo tempo fechar os olhos para candidaturas eivadas de vício
gravíssimo, reprovadas por uma lei com amplo apoio da soberania popular e chancelada a sua
constitucionalidade. Não modulo”.
A Lei da Ficha Limpa só poderia ser modulada com os votos favoráveis de ao menos oito dos 11
ministros. Como apenas seis ministros votaram a favor da modulação, prevalece a decisão tomada pelo
Supremo em outubro de 2017. Políticos condenados por abuso do poder econômico e político, mesmo
antes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, ficam inelegíveis por oito anos, inclusive os eleitos nas
eleições passadas.

Questões

01. (TJM/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) De saída do governo, o ex-ministro da


Cultura, Marcelo Calero, acusa o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) de tê-lo pressionado para
favorecer seus interesses pessoais. Calero diz que o articulador político do governo Temer o procurou
pelo menos cinco vezes, por telefone e pessoalmente.
(Folha. Disponível em:<https://goo.gl/YjmzVm> . Adaptado)

Marcelo Calero acusa Geddel Vieira Lima de pressionar o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional), órgão subordinado à Cultura, a
(A) aprovar projeto imobiliário de interesse particular de Geddel localizado nas cercanias de bens
históricos tombados pelo patrimônio.
(B) financiar projetos de restauro de prédios históricos que pertencem a empresários próximos a
Geddel que pretendem explorá-los economicamente.
(C) rejeitar o tombamento de uma nova área que está em discussão no órgão para favorecer
empreendimentos que interessam a Geddel.
(D) direcionar projetos, investimentos e recursos voltados à preservação do patrimônio histórico na
região da base eleitoral de Geddel.
(E) nomear aliados e políticos próximos a Geddel para funções estratégicas e cargos de confiança do
órgão, favorecendo o loteamento de cargos.

02. (CRBio-1ª Região – Auxiliar Administrativo – Vunesp) O ministro (...) foi escolhido para ser o
novo relator dos processos da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), em sorteio
realizado nesta quinta-feira (02.02) por determinação da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.
O ministro vai herdar os processos ligados à operação que estavam com o ministro Teori Zavaski,
morto num acidente aéreo em janeiro. Estavam sob a relatoria de Teori 16 denúncias e outros 58
inquéritos relacionados à Lava Jato.
(Uol, https://goo.gl/NANZYF. Adaptado)
O novo relator escolhido por sorteio é o ministro
(A) Alexandre de Moraes
(B) Dias Toffoli
(C) Edson Fachin
(D) Gilmar Mendes
(E) Luiz Fux

03. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp) O governo endureceu as negociações com
os parlamentares e deu um basta a novas concessões na reforma da Previdência, rejeitando assim
o lobby pesado de algumas categorias do serviço público, sobretudo com altos salários.
(O Globo. Disponível em: <https://goo.gl/E79kQQ>. Adaptado)

(A) a aplicação do fator previdenciário para servidores públicos e o direito à aposentadoria com menos
anos de contribuição do que os trabalhadores privados.
(B) a integralidade, que garante a aposentadoria com o último salário da carreira, e a paridade, que
garante ao servidor aposentado reajustes salarias iguais ao do pessoal da ativa.
(C) o período mínimo de 25 anos de contribuição, que passaria para 35 com a reforma, e o mínimo de
50 anos de idade para aposentar-se, que poderia aumentar para 60 anos.

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(D) a estabilidade após dez anos de serviço e o pagamento, aos filhos, de pensão integral vitalícia no
caso de servidores públicos que venham a falecer.
(E) a não contribuição dos servidores com o INSS, destinado apenas à aposentadoria na iniciativa
privada, e o direito ao aumento real anual no valor da aposentadoria.

04. (TJ-MG – Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção – CONSUPLAN) A


denominada “Operação Lava Jato” trata, segundo o Ministério Público Federal, do maior caso de
corrupção e lavagem de dinheiro já apurado no Brasil, envolvendo um grande número de políticos,
empreiteiros e empresas, como a Petrobras, a Odebrecht, entre outras. O nome do magistrado
encarregado do julgamento em primeira instância, dos crimes apurados na mencionada operação é
(A) Sérgio Moro
(B) Rodrigo Janot
(C) Odilon de Oliveira
(D) Gilmar Mendes

05. (PC-AP – Agente de Polícia – FCC) O presidente Michel Temer sancionou em 24 de maio o
projeto da nova Lei da Migração. O texto será publicado no dia 25, no Diário Oficial da União.
(Adaptado de: http://brasil.estadao.com.br)

Sobre a lei da Migração são feitas as seguintes afirmações:


I. À semelhança do Estatuto do Estrangeiro, da década de 1980, a nova lei está voltada para a
segurança nacional.
II. A nova lei determina a existência de um visto temporário para pessoas que precisam fugir dos países
de origem, mas que não se enquadram na lei do refúgio.
III. A lei acaba com a proibição e garante o direito do imigrante de se associar a reuniões políticas e
sindicatos.
IV. Para especialistas, a legislação endurece o tratamento para os imigrantes, o que fere os direitos
humanos e incentiva a xenofobia.

Está correto somente o que se afirma APENAS em


(A) II e III
(B) I e II
(C) I e IV
(D) II e IV
(E) III e IV

Gabarito

01.A / 02.C / 03.B / 04.A / 05.A

Comentários

01. Resposta: A.
Segundo Calero, Geddel o procurou, em ao menos cinco ocasiões, em busca de conseguir, junto ao
Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a liberação de um projeto imobiliário em área
tombada de Salvador, na Bahia. Vieira Lima afirmou para Calero ser dono de um apartamento no prédio,
que dependia de aprovação federal, após ter sido liberado pelo Iphan da Bahia, comandado por seus
aliados.

02. Resposta: C
Como tem sido recorrente em notícias que envolvem política, é sabido que o ministro Edson Fachin foi
sorteado para a função de relator da Operação Lava Jato no lugar do ministro Teori Zavaski. Segue o link
com uma notícia do dia do sorteio <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,edson-fachin-sera-o-relator-da-lava-jato-no-stf,70001650453>

03. Resposta: B
Próximo a data da notícia, Temer já havia feito reuniões para manter a reforma sem alteração, mesmo
com as reivindicações de vários setores. <https://oglobo.globo.com/economia/temer-reune-lideres-determina-que-texto-da-reforma-da-
previdencia-sera-votado-como-esta-21246160> . Após suas recentes vitórias é provável que a base governista tenha força
para aprovar a reforma da maneira que está.

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04. Resposta: A
Desde março de 2014 Moro julga em primeira instancia os crimes cometidos na Operação Lava-Jato,
maior caso de corrupção e lavagem de dinheiro já apurado no Brasil, segundo o MPF. Sérgio Moro é Juiz
Federal da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

05. Resposta: A
O Estatuto do Estrangeiro proibia imigrantes de participarem de qualquer atividade de natureza
política. A nova lei acaba com a proibição e garante o direito do imigrante de se associar a reuniões
políticas e sindicatos.
A nova lei determina a existência de um visto temporário específico para o migrante em situação de
acolhida humanitária, para pessoas que precisam fugir dos países de origem, mas que não se enquadram
na lei do refúgio. A legislação também contempla migrantes que vêm ao Brasil para tratamentos de saúde
e menores desacompanhados.
Segue o link de uma notícia vinculada à questão: <http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,temer-sanciona-lei-da-migracao-com-
diversos-vetos,70001812512>

Cultura
saúde
Olá candidato(a). No conteúdo a respeito de Cultura dentro dos tópicos de atualidades, teremos
uma ordem um pouco diferente. Antes dos textos noticiados no período estipulado pelo edital,
traremos uma pequena introdução falando a respeito da cultura brasileira e sua diversidade. Caso
tenha alguma dúvida, por favor entre em contato conosco.

A cultura no Brasil é um reflexo da formação do país já no período colonial, quando começam a surgir
as primeiras relações entre portugueses e indígenas, nos primeiros anos do contato. Ao longo de mais
de cinco séculos de transformação, ela incorpora elementos de todos aqueles que ajudaram a criar o país
ou que vieram para o Brasil em buscas de vida nova. Do churrasco ao acarajé, catolicismo a umbanda,
norte ao sul, o Brasil é um país de contrastes, definidos por seus habitantes que convergem seus
costumes, crenças e práticas em território nacional.
Mesmo admitindo a existência de diversos estudos e discussões antropológicas sobre o conceito de
cultura, podemos considerá-la a grosso modo da seguinte forma: cultura diz respeito a um conjunto de
hábitos, comportamentos, valores morais, crenças e símbolos, dentre outros aspectos mais gerais, como
forma de organização social, política e econômica que caracterizam uma sociedade.
Dessa forma, podemos pensar na seguinte questão: o que caracteriza a cultura brasileira?
Certamente, ela possui suas particularidades quando comparada ao restante do mundo,
principalmente quando nos debruçamos sobre um passado marcado pela miscigenação racial entre
índios, europeus e africanos e que sofreu ainda a influência de povos do Oriente Médio e da Ásia. Na
prática isso reflete em aspectos religiosos, musicais, gastronômicos (...) em que apesar de serem
brasileiros, sofrem fortes influências europeias, indígenas e africanas.
A diversidade cultural reflete os diferentes costumes e práticas que compõem a sociedade brasileira.
O Brasil é um país de dimensões continentais, que passou por diversos processos de ocupação,
migração, imigração e emigração, incorporando os traços de diversos povos e sociedades para compor
uma cultura única e diversificada. Além disso, por conter um extenso território, apresenta diferenças
climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.

Textos noticiados:

Reggae jamaicano entra na lista de Patrimônio Imaterial da Unesco69

Ritmo alcançou proeminência na década de 1960 e tem em Bob Marley seu maior ícone.
O reggae, ritmo que nasceu na Jamaica e que tem em Bob Marley seu maior ícone, entrou nesta
quarta-feira (29/11), para a lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco.
O site da organização destaca que o gênero musical surgiu num espaço cultural de grupos
marginalizados, principalmente no oeste de Kingston, capital jamaicana.

69
G1. Reggae jamaicano entra na lista de Patrimônio Imaterial da Unesp. G1 Pop & Arte. https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2018/11/29/reggae-passa-a-
ser-patrimonio-cultural-da-humanidade-diz-unesco.ghtml. Acesso em 30 de novembro de 2018.

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A música, que alcançou proeminência na década de 1960, junta diversas influências: antigos ritmos
jamaicanos, músicas caribenhas, latinas, africanas e norte-americanas.
Embora em seu estado embrionário o reggae fosse a voz dos excluídos, ele acabou sendo incorporado
por toda a sociedade – vários gêneros, grupos étnicos e religiosos se identificaram.
A Unesco destaca que os jamaicanos aprendem a tocar o ritmo já nas escolas.
Festivais como como Reggae Sumfest e Reggae Salute também são vistos como oportunidade de
estudo e transmissão do conhecimento para futuros artistas e músicos.
O reconhecimento do reggae como patrimônio cultural leva em consideração a contribuição para a
discussão internacional sobre questões como a injustiça, a resistência, amor e humanidade.
Bob Marley é considerado o maior expoente do estilo. Sua música simboliza protesto, a emancipação
e a busca pela liberdade. O "rei do reggae" vendeu mais de 200 milhões de álbuns em todo o mundo. Ele
morreu em Miami, em 11 de maio de 1981, aos 36 anos de idade.

Stan Lee, criador de heróis da Marvel, morre aos 95 anos70

Quadrinista participou da criação de super-heróis icônicos como Homem-Aranha, Thor, Hulk, X-Men,
Pantera Negra, Demolidor, Homem de Ferro e Quarteto Fantástico.
Stan Lee, roteirista e editor da Marvel Comics, morreu aos 95 anos. A filha de Lee confirmou a morte
nesta segunda-feira (12/11).
Ele passou mal em sua casa em Los Angeles, nos EUA, e foi levado ao hospital, onde morreu. Ele
sofria de pneumonia e de problemas nos olhos.
Stanley Martin Lieber nasceu em 1922, em Nova York, nos Estados Unidos. Começou a trabalhar em
HQs com o pseudônimo de Stan Lee em 1939, contratado por John Goodman, fundador da Timely
Publications e primo de sua mulher, Joan.
Ele se tornou um dos nomes mais importantes dos quadrinhos americanos ao criar super-heróis como
Homem-Aranha, Thor, Hulk, X-Men, Pantera Negra, Homem de Ferro, Doutor Estranho e Demolidor.
Roteirista e editor da Marvel, foi um dos responsáveis por transformar a empresa na maior editora de
quadrinhos do mundo a partir de 1961.
Após a mudança do nome da editora, primeiro para Atlas Comics, e depois para Marvel Comics, Lee
revolucionou o mercado de quadrinhos ao modernizar o gênero de heróis com criações para um público
mais velho, como o lançamento de “Quarteto Fantástico”.
Com dramas familiares e heroísmos que utilizavam elementos de ficção científica, as histórias
ajudaram na fama de personagens mais complexos e realistas da Marvel em relação à sua principal
concorrente, a DC.
O mesmo aconteceu com o Homem-Aranha em 1962, um jovem adolescente que dividia suas
aventuras com problemas no colégio e contas a pagar, e que se tornou um dos heróis mais populares
dos quadrinhos.
Em parceria com artistas como Jack Kirby e Steve Ditko, Lee ainda criou outros personagens icônicos,
como Hulk, Thor, Homem de Ferro e Demolidor.
Em 1963, com a cabeça no movimento por direitos civis de negros no Estados Unidos, lançou os X-
Men, uma equipe de mutantes que eram marginalizados e hostilizados pelos humanos.

Dos quadrinhos para cinema e TV


Em 1981, Lee transformou seus heróis em desenhos animados exibidos por emissoras de TV.
Quando a Marvel Comics e a Marvel Productions foram adquiridas pela New World Entertainment em
1986, os horizontes do quadrinista foram se expandido ainda mais.
Lee teve a oportunidade de se envolver mais profundamente na criação e desenvolvimento de filmes
e seriados. Ele constantemente fazia aparições nas produções do estúdio.
"Meu pai amou todos seus fãs. Ele era o melhor homem e o mais decente", comentou a filha do editor,
Joan Celia Lee.

70
G1. Stan Lee, criador de heróis da Marvel, morre aos 95 anos. G1 Pop & Arte. https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2018/11/12/stan-lee-morre-aos-95-anos-diz-
site.ghtml. Acesso em 13 de novembro de 2018.

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Literatura de Cordel é reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil71

O gênero literário, que também é ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros,
a Literatura de Cordel, foi reconhecido pelo Conselho Consultivo como Patrimônio Cultural Brasileiro. A
decisão foi tomada nesta quarta-feira, 19 de setembro, por unanimidade pelo colegiado que está reunido
no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. A reunião também contou com a presença do Ministro da
Cultura, Sérgio Sá Leitão, da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan),
Kátia Bogéa e do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira.
Poetas, declamadores, editores, ilustradores (desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores) e
folheteiros (como são conhecidos os vendedores de livros) já podem comemorar, pois agora a Literatura
de Cordel é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
Apesar de ter começado no Norte e no Nordeste do país, o cordel hoje é disseminado por todo o Brasil,
principalmente por causa do processo de migração de populações. Hoje, circula com maior intensidade
na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas
Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível encontrar esta
expressão cultural, que revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas acerca
dos acontecimentos vividos ou imaginados.

Destruição de museu era 'tragédia anunciada', dizem pesquisadores72

Dirigentes e cientistas reclamam de falta de recursos para preservar patrimônio nacional


O incêndio no Museu Nacional revela a falta de cuidado do poder público com o acervo histórico e
científico do País e foi classificado como um desastre anunciado por pesquisadores e dirigentes de
instituições ouvidos pelo Estado neste domingo, 02/09. “A dúvida não era se algo assim poderia
acontecer, mas quando iria acontecer”, disse Walter Neves, antropólogo conhecido como “pai da Luzia”,
por ter descrito o fóssil que é considerado o fóssil humano mais antigo das Américas, com 11 mil anos –
item do acervo do local.
“O museu estava jogado apodrecendo, incluindo a parte elétrica”, criticou Neves, professor aposentado
da Universidade de São Paulo (USP), ainda abalado com a notícia. O incêndio, diz, “é uma consequência
direta do descaso do poder público.” O pesquisador criticou ainda o destino dos recursos. “Gastaram
milhões para construir um museu do futuro (Museu do Amanhã), enquanto um museu centenário, que
guarda a história do Brasil, ficou largado às traças.”
Segundo relatos de pesquisadores e funcionários da instituição, os problemas se acumulam há vários
anos. Frequentadora do prédio histórico há 21 anos, como estudante, pesquisadora e professora, a
antropóloga Adriana Facina disse que desde que lá chegou os funcionários relatam a falta da manutenção
que a construção merece. “É um descaso total com a pesquisa, o conhecimento e a cultura. É muito triste
ver o prédio em chamas”, disse ao Estado aos prantos, ao ver as imagens do incêndio.
Entre os dezenas de funcionários que acompanharam o incêndio, o clima era de desespero. “Minha
vida toda estava aí dentro”, disse o bibliotecário Edson Vargas, de 61 anos, que trabalha há 43 anos na
instituição.
Presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da
Cultura, Kátia Bogéa resumiu em uma frase o incêndio que consumiu o Museu Nacional: "Uma morte
anunciada". E sem conseguir esconder a tristeza, sentenciou: "Patrimônio não tem como reconstruir.
Acabou, acabou."
Ela disse que se o Museu Nacional já tivesse feito a obra de restauração pleiteada, que foi aprovada
há três meses pelo BNDES, isso não teria acontecido. "Ia ter todo um sistema de prevenção e combate
a incêndio, diminuiria em muito a destruição”, afirmou.
“Não tem investimento nessas áreas”, reclamou. “É o acervo de memória do País inteiro, mas não tem
recursos.” O Iphan, segundo ela, tem discutido com os grupamentos do Corpo de Bombeiros de cada
Estado a aprovação de um protocolo para orientar a atuação nos prédios históricos e acervos. "A gente
perdeu nossa memória, nossa história", continuou a presidente. "A gente não vai ter mais Luzia. Luzia
morreu no incêndio."
Segundo o zoólogo e paleontólogo Hussam Zaher, que foi aluno do museu nos anos 1980, houve um
incêndio na ala de herpetologia que só não se espalhou para a instituição inteira porque era um ambiente

71
IPHAN. Literatura de Cordel é reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil. http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/4833/literatura-de-cordel-e-reconhecida-
como-patrimonio-cultural-do-brasil. Acesso em 20 de setembro de 2018.
72
PUPO, A. GONÇALVEZ, A. ESCOBAR, H. PENNAFORT, R. Destruição de museu era ‘tragédia anunciada’, dizem pesquisadores. Estadão.
https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,destruicao-de-museu-era-tragedia-anunciada-dizem-
pesquisadores,70002485220?utm_source=twitter:newsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-sociais:092018:e&utm_content=:::&utm_term=.
Acesso em 03 de setembro de 2018.

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fechado. “Foi uma tragédia anunciada”, lamentou ele, que também viu de perto o incêndio que destruiu
quase toda a coleção de cobras do Instituto Butantã, em São Paulo.
“É a ciência brasileira indo embora”, resumiu o físico e historiador da ciência Ildeu Moreira, presidente
da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência. “A possibilidade de acontecer desastres como esse
aumenta a cada dia. O patrimônio brasileiro está sendo destruído todos os dias pelo descaso.”
Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o físico Luiz Davidovich, professor da
UFRJ, foi um "golpe duro na ciência nacional". Segundo ele, é um desastre irrecuperável, com
repercussão internacional. "É uma consequência do descaso das autoridades com a ciência, que afeta
agora não apenas o futuro, mas a memória do País."
Ele lembrou que o museu vinha lutando há tempos para se recuperar dos cortes orçamentários. "É
mais um capítulo da triste história do desmonte da ciência brasileira.”

Emergência
No Rio, outros museus com acervos importantes correm risco. O Instituto Brasileiro de Museus
(Ibram) tem adotado providências para reformar ou restaurar prédios antigos que abrigam coleções
históricas. Um exemplo é o Museu Nacional de Belas Artes, que recebeu impermeabilização em sua
cobertura e torre de arrefecimento. O Museu da República teve igualmente obras emergenciais
realizadas, sendo recuperada sua varanda e restaurada sua claraboia.
O Palácio Rio Negro, em Petrópolis, também passou por escoramento emergencial de sua varanda.
Já o Museu Imperial, na mesma cidade da região serrana fluminense, passou por obras emergenciais no
telhado de sua biblioteca.

Manifestantes protestam contra a exposição ‘Queermuseu’ no Rio de Janeiro73

Cerca de 40 pessoas se reuniram em frente ao Parque Lage para protestar contra obras de arte; mostra
recebeu 1,2 mil pessoas em menos de três horas
Cerca de 6,8 mil pessoas passaram pelas três salas da exposição Queermuseu: Cartografias da
Diferença na Arte Brasileira no Parque Lage, no Rio, entre sábado, 18/08, e domingo, 19/08. A mostra,
censurada em Porto Alegre no ano passado, abriu sua versão carioca neste sábado e fica por um mês
no espaço.
De acordo com o diretor da Escola de Artes Visuais (EAV), Fábio Szwarcwald, por enquanto, a
proibição de ingresso de menores de 14 anos, mesmo acompanhados pelos pais, se mantém. Os
organizadores apresentaram recurso, mas ainda na conseguiram derrubar a decisão.

A exposição ficará no Rio por um mês.


Mais cedo, cerca de 40 manifestantes de movimentos como Brasil Livre (MBL), Liga Cristã e
Templários da Pátria protestaram contra a exposição. A mostra abriu no Parque Lage depois de ficar
apenas 26 dias em cartaz em Porto Alegre no ano passado, de ser censurada pelo prefeito carioca,
Marcelo Crivela e de mobilizar a classe artística da cidade em torno de uma iniciativa de financiamento
coletivo.
Apesar dos manifestantes, não houve reforço na segurança do local. De acordo com o comando do
23° BPM (Leblon), policiais estão na área realizando patrulhamento. A assessoria da PM não informou o
tamanho do efetivo. A segurança dentro do Parque Lage é privada. De acordo com a organização do
evento são cerca de 20 homens.
O publicitário Marlom Aymes, do grupo Templários da Pátria, disse estar no Parque Lage para proteger
os manifestantes conservadores. Segundo ele, o grupo foi criado há cerca de quatro meses para cuidar
da segurança, “contra os ataques da esquerda nas manifestações”.
“Não estamos contra as pautas LGBT, mas contra algumas obras da exposição que incentivam a
pedofilia, pregam o vilipêndio religioso”, declarou. “O Templário é um grupo de segurança, não podemos
pregar a violência, mas se houver, precisamos nos defender”, disse.
A candidata a deputada estadual pelo PSOL, Carol Quintana, discutiu com vários manifestantes, mas
disse não temer violência. “Tem muita mídia. Eles estão contidos e controlados. Mas não podemos ser
silenciados por esse tipo de manifestação”, disse.
O diretor da Escola de Artes Visuais (EAV), Fábio Szwarcwald, disse que as manifestação contra
a Queermuseu já eram esperadas e, dentro dos limites da liberdade de expressão, faz parte

73
O Estado de São Paulo. Manifestantes protestam contra a exposição “Queermuseu” no Rio de Janeiro. https://cultura.estadao.com.br/blogs/radar-
cultural/manifestantes-protestam-contra-a-queermuseu/?utm_source=twitter:newsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-
sociais:082018:e&utm_content=:::&utm_term=. Acesso em 20 de agosto de 2018.

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da democracia. Segundo ele, além dos seguranças do Parque Lage, a exposição conta com uma equipe
de segurança privada extra e câmeras de segurança.
O diretor da EAV informou ainda que estão recorrendo contra a proibição de ingresso de menores de
14 anos mesmo acompanhados pelos pais. Segundo ele, essa não era a orientação do Ministério Público.

Curador da ‘Queermuseu’ acusa MBL de criar uma farsa contra a mostra


Na cerimônia de abertura da exposição, seu curador, Gaudêncio Fidelis, acusou o MBL de criar uma
farsa contra o evento. Segundo ele, por trás das manifestações “reside um movimento obscurantista com
pretensões eleitorais”.
“É uma investida fascista e fundamentalista, que cresce no País e ameaça as liberdades. A abertura
(da exposição) é uma das maiores derrotas para o fascismo” disse.
Para ele, o legado da exposição é reabrir o debate que foi negado por grupos fascistas e pelo
cancelamento da mostra em Porto Alegre.
“Impedir o acesso ao conhecimento não é uma alternativa. Só os covardes fazem isso”, criticou. “Diante
da censura não cabia outra coisa se não acreditar que o futuro reservava para nós essa vitória.”
De acordo com o curador, a exposição, que foi interrompida em Porto Alegre ficará no Rio apenas por
um mês, período correspondente ao tempo em que ficou fechada no Sul. Até este sábado, ele não
recebeu convites para levar para outras cidades.
“O Rio de Janeiro está de parabéns porque, historicamente, sempre esteve à frente dos movimentos
de vanguarda e porque representa bem a diversidade. Mas essa não é uma vitória apenas para o Rio. É
uma vitória para toda a sociedade brasileira”, disse Fidelis, que a todo momento fazia o sinal de vitória.
Acompanhado pelos dois filhos menores de 14 anos – que estiveram na cerimônia, mas não puderam
entrar na exposição, em cumprimento da decisão judicial, o diretor Szwarcwald disse que a mostra
reafirma o comprometimento da instituição com a liberdade de expressão.
“O prefeito disse que a exposição aconteceria no fundo do mar”, lembrou. “Não estamos em Atlântida,
e ela vai acontecer aqui”, declarou.

Em Oscar marcado por discursos a favor da diversidade, “A Forma da Água” vence74

O filme “A Forma da Água” foi o grande vencedor da cerimônia. O longa conquistou 4 das 13 categorias
que concorria. O evento foi marcado por protestos a favor da diversidade e da defesa de minorias.
Pela 2ª vez consecutiva, o apresentador norte-americano Jimmy Kimmel foi o anfitrião da cerimônia.
Ele mencionou o incidente de 2017, quando os envelopes foram trocados pela equipe de produção e o
filme errado foi anunciado como vencedor do Oscar. Segundo Kimmel, a empresa PwC, responsável pelo
acontecido, disse que o “foco singular será no show e entregar os envelopes corretos“. Os atores Faye
Dunaway e Warren Beatty apresentaram novamente a categoria de “Melhor Filme”.
O apresentador Jimmy Kimmel falou também sobre o caso de “Todo Dinheiro do Mundo”, em que o
ator Mark Wahlberg foi pago com US$ 1,5 milhão para regravar o filme enquanto Michelle Williams
recebeu US$ 80 por dia, pontuou que o caso é mais crítico pelos 2 atores serem representados pela
mesma agência (William Morris Endeavor – WME). O filme em questão passou por regravações após o
ator Kevin Spacey ser retirado da produção por denúncias de assédio sexual. Spacey foi substituído por
Christopher Plummer.
Ao mencionar a expulsão de Harvey Weistein da Academia, o magnata de Hollywood acusado de
inúmeros casos de assédio sexual, Kimmel mencionou os movimentos Me Too, Time’s Up e Never
Again. “Não podemos deixar que mau comportamento escape novamente”, disse. “Esta é uma mudança
positiva. Nosso plano é trazer luz para filmes excepcionais”.
Os atores Kumail Nanjiani e Lupita Nyong’o fizeram 1 discurso sobre imigração antes de apresentarem
o Oscar de “Melhor Design de Produção”. Ambos citaram seus países (México e Paquistão) e destacaram
que os imigrantes estão em Hollywood apesar de ainda serem esquecidos. Nanjiani declarou: “Sou do
Paquistão e de Iowa, 2 lugares que nenhuma pessoa em Hollywood sabe apontar no mapa“.

TIME’S UP
Após uma temporada de premiações marcadas por manifestações a favor de igualdade salarial e
contra o assédio sexual, o Oscar teve em 2018 discursos acentuados sobre 1 tempo de mudança.
Um dos momentos de destaque ocorreu na apresentação da música “Stand Up for Something”, do
filme “Marshall”. Common e Andra Day convocaram ativistas de diversos movimentos a favor de minorias,
como membros do Dream Act Now, a favor do DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals).
74
GOMES, R. IBARRA, P. Em Oscar marcado por discursos a favor da diversidade, “A Forma da Água” vence. Poder 360. Disponível em: <
https://www.poder360.com.br/internacional/em-oscar-marcado-por-discursos-a-favor-da-diversidade-a-forma-da-agua-vence/> Acesso em 05 de março de 2018.

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A fundadora do movimento Time’s Up, Tarana Burke, anunciou que algo diferente aconteceria pela
sua rede social.

RESUMO
O Poder360 compilou os vencedores da noite:
Melhor filme: “A Forma da Água”;
Melhor diretor: Guillermo del Toro, por “A Forma da Água”;
Melhor ator: Gary Oldman, por “Destino de uma Nação”;
Melhor ator coadjuvante: Sam Rockwell, por “Três anúncios para um crime”;
Melhor atriz: Frances McDormand, por “Três anúncios para um crime”;
Melhor atriz coadjuvante: Allison Janney, por “Eu, Tonya”;
Melhor roteiro original: “Corra!”;
Melhor roteiro adaptado: “Call Me By Your Name”;
Melhor Animação: “Viva – A Vida é Uma Festa”;
Melhor Animação em Curta-Metragem: “Dear Basketball”;
Melhor Fotografia: “Blade Runner 2049”;
Melhor Figurino: “Trama Fantasma”;
Melhor Maquiagem e Cabelo: “Destino de uma Nação”;
Melhor Mixagem de Som:”Dunkirk”;
Melhor Edição de Som: “Dunkirk”;
Melhores Efeitos Visuais: “Blade Runner 2049”;
Melhor Design de Produção: “A Forma da Água”;
Melhor Montagem: “Dunkirk”;
Melhor Trilha Sonora: “A Forma da Água”;
Melhor Canção Original: “Remember Me”, de “Viva – A Vida é Uma Festa”;
Melhor Filme Estrangeiro: “Mulher Fantástica”;
Melhor Curta-Metragem: “The Silent Child”;
Melhor Documentário: “Icarus”;
Melhor Documentário em Curta-Metragem: “Heaven is a Traffic Jam on the 405”.

Questões

01. (Prefeitura de Cipotânea/MG – Enfermeiro - REIS & REIS) “Apontada como um mecanismo
importante de financiamento cultural no Brasil, a ________________ é constantemente alvo de críticas e
voltou ao debate nacional por causa da extinção – agora revertida – do Ministério da Cultura na gestão
interina de Michel Temer. Esta Lei foi criada em 1991, durante o governo Collor, e permite que produtores
e instituições captem, junto a pessoas físicas e jurídicas, recursos para financiar projetos culturais. O valor
destinado a esses projetos pode ser deduzido integralmente do Imposto de Renda a pagar.”
Marque a alternativa que completa corretamente o enunciado acima:
(A) Lei Collor.
(B) Lei Rouanet.
(C) Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
(D) Lei Echer.

02. (TJ/CE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – IESES – 2018) As principais premiações
da indústria cinematográfica em 2018, o Globo de Ouro e o Oscar, foram marcadas por manifestações
contra o assédio sexual e a favor da igualdade de gênero e da diversidade. A respeito desses dois
eventos, é correto afirmar:
(A) O filme “Coco”, cujo título em português é “Viva – A Vida É uma Festa”, novo filme da Pixar
ambientado em Cuba e com um elenco totalmente latino, foi o vencedor do Oscar de melhor animação
do ano.
(B) A atriz Daniela Vega, transexual, ganhou o Oscar de melhor atriz por sua atuação no filme “Uma
mulher fantástica". Este foi o primeiro filme estrelado por uma pessoa transexual a levar um Oscar.
(C) Em uma noite dominada por mulheres e com fortes manifestações contra o assédio sexual e a
favor da igualdade de gênero em Hollywood, a minissérie "Big little lies" e o filme "Três anúncios para um
crime", com quatro prêmios cada, foram os principais ganhadores do Globo de Ouro 2018.
(D) O ator Gary Oldman, que fez um trabalho magnífico interpretando Winston Churchill, levou o Oscar
de melhor ator por sua atuação no filme “Dunkirk”.

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Gabarito

01.B / 02.C

Comentários

01. Resposta: B
Segue na íntegra a notícia onde ainda há debates a respeito da lei Rouanet (Referência: <
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36364789>)

02. Resposta: C
Os discursos dos vencedores (não apenas as mulheres) foram marcados pela forte crítica ao assédio
maquiado na indústria cinematográfica. Segue a premiação do Globo de Ouro na íntegra:
<https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/globo-de-ouro-2018-veja-vencedores.ghtml>

Relações Internacionais
saúde
Líderes da União Europeia aprovam acordo sobre Brexit em Bruxelas75

Bloco quer relação 'o mais estreita possível' com Reino Unido após divórcio. Decisão histórica inicia
processo de ratificação da 1ª saída de um país da UE.
Líderes da União Europeia decidiram neste domingo (25/11) aprovar um acordo sobre a saída da Grã-
Bretanha do bloco no próximo ano. É uma decisão histórica, que inicia o processo de ratificação da
primeira saída de um país do projeto europeu.
O Brexit é tema de uma cúpula em Bruxelas para endossar o acordo de retirada, que fixa os termos
para o divórcio da Inglaterra, em março do ano que vem.
O documento de 585 páginas, 185 artigos e três protocolos inclui questões como os direitos dos
cidadãos europeus no Reino Unido e vice-versa, a conta de 39 bilhões de libras que Londres deve pagar
e a solução para evitar uma fronteira com vigilância policial na ilha da Irlanda.
Eles também devem assinar um documento de 26 páginas descrevendo seus objetivos para futuras
relações depois da saída da Grã-Bretanha.
"A UE27 respaldou o Acordo de Retirada e a Declaração Política sobre a futura relação entre as
partes", tuitou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, cerca de meia hora após o início da
reunião.
A UE deseja uma relação comercial, política e de segurança "o mais estreita possível" com o Reino
Unido após o Brexit, segundo as conclusões da cúpula.
O acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos Britânico - um risco para May - e o Europeu.
Essas análises devem acontecer em dezembro e janeiro, respectivamente.

'Retirada ordenada'
A primeira-ministra britânica, Theresa May, elogiou o acordo como o início de um novo capítulo para a
Inglaterra. Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que a partida do país é
uma "tragédia".
Ele afirmou a repórteres, de acordo com a agência Associated Press, que o acordo é "o melhor
possível", mas a cúpula "não é um momento de celebração, é um momento triste".
Em uma declaração formal endossando o acordo, o bloco pediu que as instituições da UE "tomem as
medidas necessárias para garantir que o acordo entre em vigor em 30 de março de 2019, de modo a
prever uma retirada ordenada".
O negociador-chefe da UE, Michel Barnier, disse que, a partir de agora, a Grã-Bretanha e os demais
países do bloco devem trabalhar para "uma parceria ambiciosa e sem precedentes". "Agora é a hora de
todos assumirem suas responsabilidades", afirmou.

Acordo sobre Gibraltar


O último grande obstáculo para um acordo foi superado neste sábado (24/11), quando a Espanha
chegou a um acordo sobre o disputado território britânico de Gibraltar.

75
G1. Líderes da União Europeia aprovam acordo sobre Brexit em Bruxelas. G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/25/lideres-da-uniao-europeia-
aprovam-acordo-sobre-brexit-em-bruxelas.ghtml. Acesso em 26 de novembro de 2018.

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O país disputa com os britânicos a soberania sobre Gibraltar, um território no extremo sul espanhol
que abriga cerca de 30 mil pessoas e cuja economia é formada principalmente por bancos internacionais,
empresas de jogos de azar na internet e turismo. O local está sob domínio da Inglaterra há 300 anos.
A Espanha havia pedido mudanças no tratado de separação para que ficasse claro que qualquer
decisão sobre o território fosse tomada em conversas diretas com Madri.
Os países chegaram a um consenso após negociações de última hora, que ameaçavam provocar a
suspensão da reunião deste domingo. O documento "estabelece as bases de uma nova forma de abordar
a relação com Gibraltar a nível europeu", segundo o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
"Uma vez que a retirada do Reino Unido aconteça, a relação de Gibraltar com a União Europeia
passará pela Espanha", acrescentou ele.
Após as vitórias na Espanha e em Bruxelas, May deve se dedicar agora a aprovação do documento
no Parlamento britânico, onde tanto a oposição quanto os rebeldes de seu próprio Partido Conservador
se mostraram hostis ao acordo.
Em uma carta aberta à nação, a primeira-ministra disse que fará campanha de "coração e alma" para
conseguir o acordo do Brexit.

ONG estima que 85 mil crianças morreram de fome e doenças em guerra no Iêmen76

Confrontos entre rebeldes houthis e forças pró-governo levam escassez de comida e precarizam
atendimento médico no país.
HODEIDA — A ONG Save the Children estima que quase 85 mil crianças com menos de 5 anos
morreram de fome e doenças desde o início da guerra no Iêmen, em 2015. A organização alerta que, se
o conflito não for encerrado em breve, 14 milhões de pessoas correm o risco de grave carência de
alimentação. Segundo a ONG, pelo menos 84.700 crianças menores de 5 anos padeceram sob suspeita
de má nutrição entre abril de 2015 e outubro deste ano — o equivalente a toda a população infantil de
Birmingham, a segunda maior cidade britânica.
Segundo moradores, em Hodeida, atual linha de frente do confronto entre rebeldes houthis e tropas
do governo iemenita apoiadas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, o preço dos alimentos subiu
pelo menos 400%. Apenas dois hospitais funcionam na cidade portuária, com acesso dificultado pela
proximidade dos confrontos e bombardeios.
"Para cada criança morta por bombas e balas, dezenas morrem de fome, e isso é inteiramente possível
de prevenir", destacou o diretor da Save the Children para o Iêmen, Tamer Kirolos. "Por conta dos
confrontos, os pais demoram a levar as crianças para tratamento de má nutrição, quando seus órgãos
internos não funcionam, e elas têm múltiplas infecções provocadas pela fraqueza."

76
The Independent. ONG estima que 85 mil crianças morreram de fome e doenças em guerra no Iêmen. O Globo Mundo. https://oglobo.globo.com/mundo/ong-
estima-que-85-mil-criancas-morreram-de-fome-doencas-em-guerra-no-iemen-23248178?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo.
Acesso em 22 e novembro de 2018.

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Segundo Kirolos, quando a desnutrição chega a esse ponto há pouco que os médicos possam fazer
para salvar as crianças. A ONG alerta que o número de casos aumentou desde que a coalizão saudita
impôs um bloqueio de um mês ao país empobrecido, há um ano.
Em 15 de novembro, o pai Saleh al-Faqeh segurava as mãos da filha de 4 meses, Hajar, quando ela
dava os últimos suspiros no principal hospital de Sanaa. Ela havia sido levada na semana anterior ao
centro al-Sabeen com grave má nutrição. A família, moradora do reduto houthi de Saada, não conseguiu
recuperar a pequena em dois meses de internação no hospital local e decidiu transferi-la à capital, em
jornada perigosa por estradas frequentemente bombardeadas pela coalizão saudita.
Fouad al-Reme, enfermeira do al-Sabeen, recordou que Hajar chegou consciente ao hospital, mas
sofreu com baixos níveis de oxigênio. "Ela era pele e osso, seu corpo estava enfraquecido", lamentou a
profissional.
A aliança pró-saudita lançou bombardeios em 2015 contra os rebeldes houthis, apoiados pelo rival Irã,
que haviam tomado o controle do país e forçado o presidente Abed Rabbo Mansour Hadi a fugir e se
exilar em Riad. Desde então, as batalhas levaram o país à crise humanitária e o fizeram sucumbir à fome.
Os bombardeios mataram centenas de pessoas, embora as forças lideradas pelos sauditas digam não
mirar em civis.
Aliados ocidentais, incluindo os Estados Unidos, apelaram por um cessar-fogo diante de novos
esforços de paz da ONU. O cenário acompanha ainda a crescente reserva de governos sobre o conflito
desde o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita de Istambul, por ordens de altos
funcionários de Riad. O enviado das Nações Unidas para o conflito no Iêmen, Martin Griffiths, chegou à
capital Sanaa nesta quarta-feira para relançar as negociações de paz. A ideia é organizar reuniões na
Suécia.
Mais de dois terços da população hoje dependem de ajuda humanitária para sobreviver no Iêmen.
Segundo a ONU, 400 mil crianças correm risco de morrer de fome - 15 mil a mais que a previsão do ano
passado. Nos últimos cinco meses, o conflito se intensificou com a incursão das forças iemenitas e
sauditas para cercar Hodeidah, lar de 300 mil pessoas. Representante do Unicef no país, Meritxell Relano
destacou em setembro que 80% da população iemenita de menos de 18 anos estão vulneráveis a
escassez de comida, doenças e falta de acesso a serviços sociais básicos.
Pelo menos 80% da comida e dos suprimentos médicos do Iêmen chegam pela cidade portuária. Mas
as importações comerciais despencaram em meio às batalhas. Neste momento, os mantimentos que
entram no país só atendem a 16% da população, segundo a Save The Children.
Declarações públicas de houthis e forças governamentais deram esperança de cessar-fogo e abertura
à ajuda humanitária no começo da semana. O governo iemenita destacou na segunda-feira que
participaria das negociações de paz da ONU, marcadas para o próximo mês. Horas antes, o represente
dos rebeldes Mohammed Ali al-Houthi havia anunciado a suspensão de operações militares.
No mesmo dia, o Reino Unido apresentou um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da
ONU, no qual pede uma trégua imediata em Hodeida e dá às tropas o prazo de duas semanas para
eliminar todas as barreiras à ajuda humanitária na região, segundo texto obtido pela AFP. Apesar dos
apelos por paz, combates violentos irromperam horas depois em Hodeida. Os rebeldes lançaram fogo, e
as forças pró-governo responderam com ataques.

Por que Macron e Merkel defendem a criação de um exército europeu?77

Presidente da França e chanceler alemã enfrentam resistência da Otan e de parte dos países da União
Europeia.
O eixo franco-alemão une forças na defesa de um exército europeu que tornaria o bloco menos
dependente da Otan e, por consequência, dos Estados Unidos. A ideia não é nova, vem sendo defendida
desde a década de 1950. Na nova versão, tem o patrocínio de dois líderes que enfrentam problemas
internos em seus países -- o presidente Emmanuel Macron e a chanceler Angela Merkel.
Ambos advogam que o cenário atual é vulnerável e promissor para uma Europa unida e também
soberana. A militarização do bloco faria frente, por exemplo, às investidas do presidente dos EUA, Donald
Trump, que frequentemente entoa um mantra ameaçando a sobrevivência da aliança transatlântica. Com
29 países, a Otan, entre outros objetivos, protege a Europa desde a Guerra Fria.
O presidente americano exige mais contribuições financeiras de seus sócios europeus e reclama que
a maioria não pagou sua parte de 2% do PIB com gastos de defesa. Maior financiador da Otan, os EUA
de Trump já pularam fora de organismos e acordos multilaterais, como o do Irã e o do clima, deixando
seus tradicionais aliados em permanente posição de alerta.
77
Sandra Cohen. Análise: Por que Macron e Merkel defendem a criação de um exército europeu? G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/19/por-
que-macron-e-merkel-defendem-a-criacao-de-um-exercito-europeu.ghtml. Acesso em 20 de novembro de 2018.

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Internamente, a liderança da União Europeia também vem sendo abalada pela ascensão de grupos
nacionalistas e de extrema-direita, a seis meses das eleições para o Parlamento Europeu.
Há demandas do bloco, como combate a fluxo migratório, terrorismo e ataques cibernéticos, que já
não se encaixam às atribuições originais da Otan. Por isso, ministros de Relações Exteriores e de Defesa
da União Europeia estão reunidos por dois dias em Bruxelas para reforçar as bases desta independência
e negociar também um fundo comum de 13 bilhões de euros no campo militar e de segurança.
Mas daí a tornar viável a formação de um exército europeu, que rivalize com a Otan, é um árduo
caminho que já enfrenta resistência de boa parte dos países-membros e da própria aliança transatlântica.
A Otan é e continua a ser a pedra angular de nossa política de defesa”, resumiu o primeiro-ministro
holandês, Mark Rutte.
Evitar a duplicidade com a aliança atlântica acaba sendo o principal argumento dos que rejeitam a
ideia de uma força militar europeia. Macron e Merkel aproveitaram as comemorações do centenário do
fim da Primeira Guerra Mundial para, num esforço contraditório, defender a criação de um exército que
ponha a Europa no caminho da paz.

O que levou a Venezuela ao colapso econômico e à maior crise de sua história78

Veja quais foram as condições econômicas e políticas que levaram o país caribenho a uma das piores
recessões da história; êxodo de venezuelanos que sofrem com pobreza e fome já está próximo ao da
situação de refugiados na Europa, segundo a ONU.
A crise na Venezuela vem ganhando contornos de tragédia há alguns anos. A fome fez os
venezuelanos perderem, em média, 11 quilos no ano passado. A violência esvazia as ruas das grandes
cidades quando anoitece. E a situação provocou um êxodo em massa para países vizinhos. Esta semana,
uma reportagem da BBC News relatou a situação de corpos que explodem nos necrotérios pela falta de
eletricidade para refrigeração.
O país vizinho vive a maior recessão de sua história: são 12 trimestres seguidos de retração
econômica, segundo anunciou em julho a Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, que
atualmente é controlado pela oposição.
A dimensão do colapso pode ser vista nos números do Produto Interno Bruto. Entre 2013 e 2017, o
PIB venezuelano teve uma queda de 37%. O Fundo Monetário Internacional prevê que, neste ano, caia
mais 15%.
A situação tem sido explorada também na campanha eleitoral brasileira. Candidatos e eleitores de
oposição ao Partido dos Trabalhadores, que historicamente apoiou os governos de Hugo Chávez e
Nicolás Maduro, tentam usar o fracasso venezuelano como alerta do que poderia ocorrer no Brasil.
Fernando Haddad e a crise na qual está imerso o país caribenho. Os petistas, por sua vez, lembram que
Chávez era um militar e é com apoio e participação direta das Forças Armadas que seu sucessor governa.
Em agosto, a Organização Internacional para as Migrações, ligada à Organização das Nações Unidas,
disse que o aumento do número de pessoas deixando a Venezuela por causa do colapso econômico
hiperinflacionário faz o momento de crise estar próximo ao dos refugiados e migrantes que atravessam o
Mediterrâneo rumo à Europa.
Mas como a situação na Venezuela chegou a esse ponto?
A BBC News Brasil faz aqui um resumo de como a Venezuela entrou em colapso.

1 - Crise do petróleo
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo - e o recurso é praticamente a única fonte
de receita externa do país.
Após a Primeira Guerra Mundial, sucessivos governantes venezuelanos deixaram o desenvolvimento
agrícola e industrial de lado para focar em petróleo, que hoje responde por 96% das exportações - uma
dependência quase total.
A aposta no petróleo foi segura durante anos e deu bons resultados nos momentos em que o preço
do barril estava alto. Entre 2004 e 2015, nos governos de Hugo Chávez e no início do de Nicolás Maduro
- eleito em 2013 após a morte de seu padrinho político, no mesmo ano -, o país recebeu 750 bilhões de
dólares provenientes da venda de petróleo.
O governo chavista aproveitou essa chuva dos chamados "petrodólares" para financiar de programas
sociais a importações de praticamente tudo que era consumido no país.
Mas, em 2014, o preço do petróleo desabou. Em parte devido à recusa de Irã e Arábia Saudita - outros
dois dos grandes produtores - em assinar um compromisso para reduzir a produção. Outros fatores foram
78
BBC. O que levou a Venezuela ao colapso econômico e à maior crise de sua história. G1 Política. https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/10/22/o-que-levou-
a-venezuela-ao-colapso-economico-e-a-maior-crise-de-sua-historia.ghtml. Acesso em 23 de outubro de 2018.

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a desaceleração da economia chinesa e o crescimento, nos EUA, do mercado de produção de óleo e gás
pelo método "fracking" - o fraturamento hidráulico de rochas.
No início daquele ano, depois de ter alcançado um pico de US$ 138,54 em 2008, o preço do barril de
petróleo era negociado a cerca de US$ 100 dólares e caiu pela metade no fim do ano, mantendo essa
queda significativa até este ano, quando voltou a atingir o patamar de US$ 80.
Além de receber menos dinheiro por seu principal produto, a Venezuela também teve uma queda
significativa na produção. Quando Chávez assumiu pela primeira vez o país, em 1999, a produção era de
mais de 3 milhões de barris por dia. Hoje, é de cerca de 1,5 milhão, segundo a Organização dos Países
Exportadores de Petróleo (Opep) - é o pior nível em 33 anos.
Essa queda de produção aconteceu principalmente pela má gestão da PDVSA, a Petróleos de
Venezuela, estatal que gere a exploração do recurso no país com exclusividade. Em 2007, Chávez
ordenou que todas as empresas estrangeiras cedessem a maior parte do controle de suas atividades de
exploração ao Estado venezuelano. Companhias com o a Exxon não aceitaram, tiveram seus bens
confiscados e batalhas jurídicas por indenizações se desenrolam até os dias atuais.
Na PDVSA, Não houve investimento em infraestrutura e a empresa sofre com má gestão e alto grau
de corrupção. Para se ter uma ideia, desde agosto de 2017, a Justiça venezuelana processou 90 ex-
funcionários da petroleira por corrupção. Em setembro, o Ministério Público de lá mandou prender 9
diretores.
O Departamento de Justiça dos EUA também conduziu uma investigação com base em Miami que
revelou um esquema de lavagem de dinheiro da PDVSA que desviou US$ 1,2 bilhão, entre 2014 e 2015.
A operação chamada Fuga de Dinheiro contou com a cooperação de Reino Unido, Espanha, Itália e Malta.
Dois suspeitos foram presos.
Outra coisa que ajudou a prejudicar as finanças da PDVSA foi a criação, ainda no governo Chávez, da
Petrocaribe, uma iniciativa na qual a Venezuela se comprometia a fornecer petróleo a preços muito mais
baixos para países caribenhos aliados ao chavismo, com longos prazos para pagamento. Era como
emprestar dinheiro com retorno a perder de vista. Com o aprofundamento da crise, a iniciativa começou
a minguar e países como Jamaica e República Dominicana passaram a buscar outros contratos para seu
abastecimento.

2 - Dependência das importações e controle cambial


Com o foco voltado para o petróleo e usando parte do dinheiro arrecadado com as exportações do
combustível para sustentar programas sociais, o chavismo não se preocupou com o desenvolvimento
agrícola e industrial do país. O governo não investiu nem na própria indústria do petróleo - levando à
queda na produção de barris.
Chávez tomou uma série de medidas que acabaram emperrando o desenvolvimento da indústria local:
nacionalizou as indústrias de cimento e aço, entre outras, e expropriou centenas de empresas e de
propriedades rurais.
O setor privado foi levado a substituir a produção própria pelas importações mais baratas, subsidiadas
pelo governo. Além disso, o governo adotou uma política de controle de preços, segurando artificalmente
a inflação, o que ajudou ainda mais a acabar com a indústria local.
A Venezuela passou a depender mais e mais de importações - de alimentos e medicamentos até pneus
e peças de reposição para o sistema de metrô das grandes cidades. Nos dois últimos anos, com menos
dinheiro para importação, a questão do desabastecimento - e, consequentemente, da fome - se agravou.
O governo também implantou uma política cambial para segurar o valor do bolívar, a moeda local,
controlando a compra de dólares pela população, o que gerou um mercado paralelo da venda da divisa
americana.
Com o controle cambial veio um aumento significativo da corrupção, com desvio de dólares para o
mercado paralelo, onde a moeda valia até 12 vezes o preço do câmbio oficial. O governo tentou manobras
diversas para tentar conter a escalada do paralelo - como a criação de bandas cambiais distintas que
seriam aplicadas em diferentes situações. Mas não houve resultado concreto e o câmbio ilegal continuou
a corroer o já combalido sistema econômico.
"Chávez capitalizou um descontentamento social que existia desde governos passados, com uma
desigualdade social acentuada, e o início de seu governo marcado pelo peso elevado que deu ao Estado
e pelo aspecto populista. Isso se caracterizou por um repúdio à propriedade privada e a um menor papel
do mercado, o que resultou num estrito controle de preços e transações cambiais", afirma à BBC New
Brasil o economista Luis Arturo Bárcenas, da consultoria venezuelana Ecoanalítica.
"Ele satanizou o livre-mercado. O Estado passou a ser um grande aparato produtivo e centralizador.
Então, isso vem de um forte subsídio cambial, onde artificialmente se deu um valor à moeda local maior

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que as estrangeiras. Isso acabou tornando muito mais barato para os produtores locais importarem do
que produzir internamente."
O Estado também viu seus gastos públicos aumentarem para conseguir manter os programas sociais.
A dívida externa também aumentou em cinco vezes, com estimativa do FMI de bater os US$ 159 bilhões
neste ano - este montante inclui títulos de dívida pública emitidos pelo governo e pela PDVSA e créditos
com China e Rússia. Em 2015, a dívida era de US$ 31 bilhões, segundo estimativas do FMI.

3 - Hiperinflação
Ao tentar supervalorizar a moeda venezuelana, o governo provocou distorções de valores que, além
de causarem a crise de desabastecimento, contribuíram para um cenário de hiperinflação.
Além disso, com a queda do preço do petróleo e uma redução no fluxo de divisas, o governo passou
a imprimir mais dinheiro para cobrir o rombo nas contas públicas e isso foi gerando cada vez mais inflação.
A previsão do Fundo Monetário Internacional é que neste ano a inflação na Venezuela chegue a 1
milhão % (Isso significa você multiplicar por 10 mil o preço de um produto). Por dia, o FMI estima em 4%
o valor da inflação no país vizinho.
A hiperinflação fez com que faltassem até cédulas de dinheiro circulando, já que as pessoas passaram
a precisar de muito mais dinheiro para comprar qualquer coisa. Para tomar um café ou comprar um papel
higiênico, por exemplo, aqueles que não usam cartão de débito do banco, passaram a ter de carregar
pilhas de cédulas de bolívar - quando conseguiam sacar dinheiro.
"Com a escassez de divisas produtoras, recorremos muito mais a financiamentos e imprimimos muito
dinheiro, com o Estado gastando sem gerar mais recursos", diz o economista Bárcenas.
Com a deterioração da situação, o chavismo adotou uma espécie de controle artificial da inflação:
obrigava os comerciantes a adotarem um preço abaixo do que eles gastavam para produzir, porque
precisavam importar os insumos. Então, indústrias e comerciantes começaram a quebrar.
A hiperinflação provocou uma pulverização da renda e a pobreza aumentou. Em 2017, o índice de
pessoas na linha da pobreza no país de 30 milhões de habitantes chegou a 87%, um aumento de 40
pontos percentuais em três anos, segundo levantamento da Universidade Católica Andrés Bello.
Vale lembrar que na era Chávez, a pobreza na Venezuela havia caído em mais de 20%, de acordo
com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), e o país passou a registrar a menor
desigualdade entre ricos e pobres entre países latino-americanos, de acordo com relatório da ONU.

4 - Crise política
A Venezuela vive também uma intensa crise política. O país está dividido entre os chavistas e os
opositores, que esperam o fim dos 19 anos de poder do grupo que atualmente se reúne em torno do
Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Nos últimos anos, a independência entre os Poderes se
reduziu na prática, o que contribuiu ainda mais para a situação crítica atual.
Em 2007, em seu segundo mandato, Chávez conseguiu, por meio de um referendo com voto popular,
aprovação para alterar a Constituição e mudar a regra de reeleição para presidente. Desde então, os
presidentes venezuelanos passaram a poder concorrer a reeleições sem limites.
O chavismo, projeto de poder que se consolidou a partir da primeira eleição de Hugo Chávez, tem
como elementos centrais uma atuação muito maior do Estado e a defesa de medidas que ampliam a
participação social na política - um exemplo é a organização de "comunas" nos bairros mais carentes das
principais cidades, órgãos que se articulam, por sua vez, com o Legislativo local para apresentar
demandas e controlar o fluxo de entrada de alguns programas sociais.
Também é caracterizado por uma política "anti-imperialista", defendendo a integração dos povos sul-
americanos para combater a influência dos Estados Unidos na região. No chavismo, o mandatário tem
seu poder baseado num forte militarismo.
Depois da morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro, que era seu vice-presidente e também do
PSUV, já foi eleito e reeleito presidente com a promessa de dar continuidade às políticas do antecessor.
Só que Maduro herdou a Venezuela já entrando em colapso econômico e tomou medidas que
contribuíram mais para a crise.
No início de 2014, o país foi tomado por uma onda de protestos contra Maduro. A repressão do Estado
foi violenta. Entre fevereiro e junho, 43 pessoas morreram. O líder oposicionista Leopoldo López foi preso.
Em 2015, o chavismo perdeu o controle do Parlamento e isso fez com que a situação do país se
agravasse, já que Maduro acusa constantemente os oposicionistas de tentarem tirá-lo do poder por meio
de um golpe.
Após a derrota, ele decidiu convocar uma Assembleia Nacional Constituinte - na prática, uma manobra
para esvaziar totalmente o poder do Legislativo comandado pelos opositores e criar uma instância
paralela de decisão.

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E essa instância paralela funciona com ajuda do Judiciário, que é acusado pela oposição de ser
totalmente chavista, já que o governo indicou a maioria dos juízes - Chávez aumentou o número de
integrantes do Tribunal Supremo de Justiça (TSE), equivalente ao STF no Brasil, para compor uma
maioria com seus indicados.
Em março de 2017, o TSJ assumiu funções do Legislativo, acusando o Parlamento de desobediência.
A ação foi denunciada como golpe pela oposição e, dois dias depois, o tribunal voltou atrás.
A acusação é, portanto, de que não há independência entre os Poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário na Venezuela.
"Na Venezuela, o Judiciário é politizado e muito forte. Ele se transformou em um anexo do Executivo",
diz à BBC News Brasil Rafael Vila, professor da faculdade de relações internacionais da USP
(Universidade de São Paulo).
Em maio de 2017, após Maduro convocar a Assembleia Constituinte, dizendo que ela irá renovar o
Estado e redigir uma nova Constituição, a Venezuela viu mais uma vez uma onda de protestos violentos
tomar o país. Mais de 120 pessoas morreram e 2 mil ficaram feridas.
Em maio deste ano, para agravar a crise, Maduro foi reeleito com 68% dos votos numa eleição
contestada dentro e fora do país. O mandatário foi reconduzido ao cargo num pleito que teve 54% de
abstenção.
Na ocasião, o candidato derrotado da oposição, Henri Falcón, disse que não reconhecia a eleição e
acusou Maduro de usar o Estado para coagir os mais pobres a votarem.
Falcón acusou o governo de influenciar a votação através do Carnê da Pátria, documento que permite
que os venezuelanos recolham benefícios do governo e usem os serviços públicos. Maduro prometeu
que quem votasse no dia do pleito teria direito a um benefício extra concedido pelo governo.
A oposição acusou o governo de compra de votos e a maior parte dos oposicionistas boicotou o pleito.
O governo afirmou que as eleições foram "livres e justas". Com muitos candidatos-não governistas
impossibilitados de concorrer ou presos, a oposição disse que o pleito não tem legitimidade e que há
indícios para desconfiar de fraude eleitoral.
Toda essa instabilidade política contribuiu para agravar a crise venezuelana. Após a reeleição de
Maduro, a OEA (Organização dos Estados Americanos) pediu a suspensão da Venezuela da entidade. O
Brasil, além de EUA, Canadá, Argentina, Peru e México, entre outros, foi um dos países que pediu a
suspensão da Venezuela da organização continental, alegando desrespeito à Carta Democrática
Interamericana e ilegitimidade da reeleição de Maduro.
Os dois únicos países suspensos da OEA até hoje foram Cuba, em 62, quando Fidel Castro se aliou
à então União Soviética, e Honduras, em 2009, após o golpe de Estado que destituiu o presidente Manuel
Zelaya.
A Venezuela já havia se adiantado a esse processo e pedido seu desligamento da OEA em 2017,
alegando que a organização estaria dominada pelas "forças imperiais" americanas. Esse fato, no entanto,
não impede que o processo de suspensão continue e que o país sinta seus efeitos diplomáticos. A
suspensão significaria que todas as nações americanas confirmaram que a Venezuela não segue mais a
ordem democrática.
Se a suspensão for confirmada, o país terá ainda mais dificuldade para obter apoio internacional,
principalmente na Europa e na Ásia.
A Carta Democrática Interamericana foi criada em 2001 e regula o funcionamento das democracias
dos 35 países-membros da OEA. O documento prevê a possibilidade de suspensão em caso de
descumprimento dos princípios que a regem.
Em junho, quando houve a assembleia da OEA, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio
Nunes Ferreira, afirmou que o governo de Maduro tem características de um regime que não é
democrático, como perseguição da oposição, falta de liberdade de imprensa e ausência de liberdade de
organização política.

5- Poder militar e controle da imprensa


Um outro ponto que contribuiu para a crise venezuelana foi a forte presença do Exército na gestão do
Estado.
Em 25 anos, a Venezuela sofreu três tentativas de golpe de Estado pelos militares. Uma delas foi
deflagrada por um grupo do qual o então coronel Chávez era líder, em 1992.
Preso após a tentativa de golpe militar, ele foi solto anos depois e conseguiu se eleger em 1998.
Chávez trouxe as Forças Armadas para seu governo. Ele nomeou vários generais para cargos em
estatais, substituindo funcionários técnicos especializados.

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Uma das empresas que teve parte de seu corpo técnico substituído por militares foi a petroleira
PDVSA, o que, segundo especialistas, explica em parte o fato dela não ter investido em melhorias, não
ter se desenvolvido.
O chavismo também colocou militares para atuarem como ministros. Um terço do gabinete de Maduro
é composto por militares e ex-militares.
Pela Constituição venezuelana, as Forças Armadas deveriam ser apolíticas. Mas o ministro da Defesa,
general Vladimir Padrino, escreve em seus despachos "Chávez vive, a pátria continua. Independência e
pátria socialista".
Durante a crise de abastecimento iniciada em 2016, Maduro também passou o controle da produção,
importação e distribuição de alimentos para o Exército. Há graves acusações de corrupção envolvendo o
controle dos militares desse setor chave na crise.
Outro fator que contribuiu para a crise venezuelana é o estrito controle da imprensa. Veículos
considerados de oposição foram comprados por chavistas, enquanto outros foram fechados (caso da
emissora RCTV, que teve sua concessão cassada).
Em outros casos, o chavismo sufocou o suprimento de papel-jornal para veículos de linha editorial
opositora - o governo venezuelano controla, por meio de uma corporação estatal, a importação e a
distribuição do insumo.

Trump diz que 'todos os esforços' estão sendo feitos para deter migrantes hondurenhos79

Presidente dos Estados Unidos disse que grupo deve solicitar asilo no México. Mais cedo, vice-
chanceler hondurenha disse que mais de 2 mil pessoas decidiram voltar para casa.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou neste domingo (21/10) que "todos os esforços"
estão sendo feitos para "deter o ataque" de milhares de migrantes hondurenhos que caminham em
caravana do México com destino aos Estados Unidos. "Todos os esforços estão sendo feitos para impedir
que o ataque de estrangeiros ilegais atravesse nossa fronteira sul", publicou o presidente nas redes
sociais.
"Primeiramente, estas pessoas têm que solicitar asilo no México. Caso não o façam, os Estados Unidos
irão recusá-las", ressaltou Trump.
"As caravanas são uma desgraça para o Partido Democrata. Mudem agora as leis migratórias",
acrescentou, após acusar os democratas de terem incentivado as migrações em massa para os Estados
Unidos.
Milhares de hondurenhos avançavam neste domingo para os Estados Unidos a partir de Ciudad
Hidalgo, no sul do México, enquanto outros aguardavam em uma ponte fronteiriça para entrar legalmente
em território mexicano.
Autoridades mexicanas tiveram sucesso, em um primeiro momento, em bloquear a caravana, mas
muitos hondurenhos conseguiram entrar ilegalmente naquele país.

Volta voluntária
Mais 2 mil cidadãos de Honduras que integravam a caravana de imigrantes que saiu no dia 13 de seu
país com a intenção de chegar aos Estados Unidos decidiram retornar a seu país de maneira voluntária,
informou neste domingo a vice-chanceler hondurenha, Nelly Jerez, segundo a agência EFE.
"Até o momento, retornaram a Honduras mais de 2 mil compatriotas da Guatemala e da fronteira com
o México, que foram auxiliados e atendidos em suas necessidades básicas, o que garantiu um retorno
seguro e ordenado às suas comunidades de origem", destacou.
Além disso, Jerez afirmou que, nas próximas horas, será realizada a transferência de mais de 400
hondurenhos, que serão atendidos no Centro de Atendimento ao Migrante Retornado em Omoa.
Jerez indicou que devido à "mobilização irregular atípica", o governo hondurenho colocou à disposição
de seus cidadãos o Centro de Atendimento Móvel em Agua Caliente, a passagem fronteiriça entre
Honduras e Guatemala, que permanece fechada temporariamente desde ontem, depois que centenas de
imigrantes atravessaram a divisa e seguiram rumo ao país vizinho.

Caravana
Milhares de imigrantes que começaram a travessia no dia 13 retomaram neste domingo o caminho
para os Estados Unidos depois de passarem pelos trâmites migratórios do México, cujo governo advertiu
que irá deportar os que entrarem ilegalmente em seu território.

79
France Presse. Trump diz que ‘todos os esforços’ estão sendo feitos para deter migrantes hondurenhos. G1 Mundo.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/10/21/trump-diz-que-todos-os-esforcos-estao-sendo-feitos-para-deter-migrantes-hondurenhos.ghtml. Acesso em 22 de
outubro de 2018.

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De acordo com fontes da Defesa Civil do México, mais de 3 mil imigrantes estão percorrendo os quase
40 quilômetros entre Ciudad Hidalgo e Tapachula, a segunda cidade mais importante do estado mexicano
de Chiapas, onde anunciaram que passarão a noite.
O Ministério das Relações Exteriores do México informou que, até 19 de outubro, tinham chegado à
fronteira sul do país cerca de 4.500 imigrantes centro-americanos, que receberam atenção constante e
atendimento humanitário.
Exaustas e famintas, as pessoas que participam da caravana chegaram à fronteira depois de
caminharem centenas de quilômetros na chuva e no calor, comendo e dormindo como podiam.
Os imigrantes, entre os quais idosos, crianças e mulheres grávidas, cruzaram a ponte sobre o rio
Suchiate, que liga a Guatemala ao território mexicano, correndo, tomados pela euforia por terem
finalmente deixado a Guatemala para trás.
Pouco mais de 2.200 imigrantes se mantêm na ponte fronteiriça entre Ciudad Hidalgo (México) e Tecún
Umán (Guatemala). Segundo o Ministério de Relações Exteriores do México, os imigrantes estão
recebendo água e atendimento médico e já foram informados sobre os trâmites pelos quais devem passar
para entrar no país.

Greve geral contra governo Macri paralisa transportes e serviços na Argentina80

Bancos, comércios, escolas, universidades e repartições públicas foram fechados. Voos também foram
cancelados.
A quarta greve geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri, convocada pela
principal central sindical da Argentina, paralisa transportes e serviços nesta terça-feira (25/09) no país.
A greve foi convocada no momento em que Macri está em Nova York para participar da Assembleia
Geral da ONU e se reunir com investidores para tentar transmitir confiança.
Pelo menos 15 milhões de pessoas estão sendo afetadas pela paralisação, que afeta o funcionamento
de ônibus, metrô e trens. Desde o final da tarde de ontem, as seis linhas do metrô de Buenos Aires
estavam completamente paralisadas, aderindo a greve e não funcionarão novamente até amanhã,
informa a agência EFE.
Nos aeroportos, empresas como Aerolíneas Argentinas e Latam já anunciaram o cancelamento de
todos seus voos domésticos, por isso sugeriram aos clientes que reprogramem suas viagens. Não há
transporte de caminhões, bancos, comércios, escolas, universidades e repartições públicas foram
fechadas.
Nos hospitais públicos do país, devem funcionar os serviços mínimos para emergências. Os serviços
de coleta de lixo e postos de combustível também serão afetados pela paralisação.
A paralisação, promovida pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), visa protestar contra os ajustes
do governo em meio à crise que afeta o país pela desvalorização abrupta do peso argentino registrada
desde o final de abril, a alta inflação (que deve superar 40% em 2018), e a queda da atividade econômica.
Os líderes sindicais exigem reposição salarial e também rejeitam o acordo com o FMI.
As greves anteriores de 24 horas promovidas contra o atual governo por parte da CGT aconteceram
em abril e dezembro de 2017 e no final do último mês de junho.
O presidente argentino reiterou que este não é "um momento oportuno" para fazer uma nova greve,
que segundo as estimativas terá um custo econômico de aproximadamente 31,6 bilhões de pesos
argentinos (US$ 847,16 milhões), equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto.
A greve deve causar um prejuízo de US$ 850 milhões ao país, o equivalente a 0,2% do PIB, segundo
o próprio governo. Na verdade, alguns setores começaram a greve já na segunda-feira (24/09)
A expectativa é que até sexta-feira haja o anúncio de um novo acordo financeiro com o FMI. Em
entrevista para a Bloomberg TV na segunda-feira (24/09), Macri disse que o país estava perto de atingir
um acordo final com o FMI, e que havia "chance zero" de que a Argentina daria default em sua dívida
externa no próximo ano.

Crise na Argentina
Pouco mais de dois anos depois de encerrar a disputa com os chamados “fundos abutres”, a Argentina
se viu diante de um novo impasse financeiro. Com sua moeda despencando, o país subiu a taxa de juros
ao maior patamar do mundo, consumiu boa parte de suas reservas em dólares, buscou ajuda do Fundo
Monetário Internacional (FMI) e tentava buscar a confiança de investidores para evitar uma nova corrida
cambial.

80
Economia. Greve Geral contra governo Macri paralisa transportes e serviços na Argentina. G1 Economia. https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/09/25/greve-
geral-contra-governo-macri-paralisa-transportes-e-servicos-na-argentina.ghtml. Acesso em 25 de setembro de 2018.

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O custo desse acúmulo de problemas acaba pesando diretamente no bolso dos argentinos. A
expectativa é de disparada de inflação, superando as projeções iniciais. Além disso, o crescimento da
economia do país neste ano deve ser menor que o previsto. O ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne,
admitiu que "a Argentina terá mais inflação e menos crescimento num curto prazo".
Em junho, o governo argentino assinou um acordo com o FMI de US$ 50 bilhões. A primeira parcela,
de US$ 15 bilhões, foi liberada logo após a assinatura, enquanto os outros US$ 35 bilhões estavam
previstos para ser liberados ao longo dos três anos de duração previstos para o acordo.

Suprema Corte da Índia descriminaliza homossexualidade81

Em decisão histórica, juízes julgam inconstitucional lei da era colonial que punia "atos contra a
natureza" com até dez anos de prisão, numa grande vitória para os defensores dos direitos da
comunidade LGBT.
A Suprema Corte da Índia decidiu nesta quinta-feira (06/09) pela descriminalização das relações
sexuais entre pessoas do mesmo sexo no país. Os juízes revogaram uma lei do período colonial que
estabelecia que atos homossexuais poderiam ser puníveis com até dez anos de prisão, numa vitória
histórica para os defensores dos direitos dos membros da comunidade LGBT.
O tribunal anulou uma sentença de 2013 que validava uma lei britânica de mais de 150 anos que punia
os chamados "atos contra a ordem natural". Os cinco juízes que compõem a corte foram unânimes ao
considerar inválido o artigo 377 do Código Penal indiano que criminalizava as relações homossexuais.
Mesmo que poucas pessoas acabassem sendo presas, a lei era muitas vezes utilizada pelas
autoridades como uma ferramenta para reprimir a comunidade gay do país e justificar atos
discriminatórios. "O artigo 377 é arbitrário. A comunidade LGBT possui os mesmos direitos que os demais.
A visão majoritária e a moralidade geral não podem ditar os direitos constitucionais", afirmou o presidente
da Suprema Corte do país, Dipak Misra.
O advogado das cinco pessoas que entraram com recursos na Justiça pedindo a anulação do artigo
argumentou que a punição prevista no Código Penal era inconstitucional porque punia pessoas em idade
adulta que agem com consentimento mútuo.
Em 2009, um tribunal de Nova Déli havia declarado inconstitucional o artigo 377, mas três juízes da
Suprema Corte reverteram a decisão em 2013, afirmando que cabia ao Parlamento aprovar a medida.
Uma vez que não houve avanços, o governo pediu em julho que a Suprema Corte mais uma vez avaliasse
a questão.
Na última década, a aceitação dos gays na extremamente conservadora sociedade indiana vem
aumentando gradativamente, especialmente nos grandes centros urbanos. Até alguns filmes de
Bollywood passaram a tratar de temas relacionados aos gays, ainda que a homossexualidade ainda seja
vista como algo vergonhoso numa parte significativa do país.
O diretor e produtor de cinema de Bollywood Karan Johar festejou a decisão, afirmando que a história
está sendo escrita. "Descriminalizar a homossexualidade e abolir o artigo 377 é um grande sinal positivo
para a humanidade e pela igualdade dos direitos", afirmou.

Num tango eterno, economia argentina afunda sob batuta de Macri82

Enquanto crise se aprofunda, Justiça avança na versão local da Lava Jato.


Em abril, com 20 pesos argentinos era possível comprar um dólar. Na quarta-feira 22 de agosto o
mesmo dólar valia 30. Uma semana depois, 40. Em alguns dias chegou a roçar 42 pesos, mas recuou,
pressionado pela venda de centenas de milhões da moeda americana das mais que combalidas reservas
e, claro, de dinheiro emprestado pelo FMI. Já a taxa de juros chegou no finzinho de agosto a estonteantes
60% anuais.
Na segunda-feira 03/09, o presidente Mauricio Macri anunciou uma série de novas e drásticas medidas
destinadas a conter o gasto público e a diminuir o profundo déficit fiscal. Entre elas, a eliminação de 8 dos
18 ministérios do seu governo.
Num gesto mais do que significativo do momento argentino, Macri resolveu fazer desaparecer o
Ministério da Saúde, que passa a ser uma secretaria nacional da pasta de Desenvolvimento Humano.

81
DW. Suprema Corte da Índia descriminaliza homossexualidade. Deutsche Welle. https://www.dw.com/pt-br/suprema-corte-da-%C3%ADndia-descriminaliza-
homossexualidade/a-45380678. Acesso em 06 de setembro de 2018.
82
Nepomuceno, E. Num tango eterno, economia argentina afunda sob batuta de Macri. https://www.cartacapital.com.br/revista/1020/num-tango-eterno-economia-
argentina-afunda-sob-batuta-de-macri. Acesso em 13 de setembro de 2018.

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. 101
Desconheceu e atropelou uma frase dita em 1949 pelo então presidente Juan Domingo Perón, ao criar
a pasta agora dissolvida: “Como podemos ter um ministério para cuidar da saúde das vacas, sem termos
um para cuidar da saúde das pessoas?”
Outro ministério importante, principalmente para um país onde o desemprego cresce a cada dia,
também foi eliminado: o do Trabalho.
Ao mesmo tempo, o governo aumentou uma vasta série de impostos e criou outros, voltados
especialmente para as exportações. Também retirou os poucos subsídios sobreviventes da era Kirchner,
enquanto anunciava cortes e mais cortes em obras públicas e investimentos do Estado. Para completar,
aumentou o preço da gasolina, pressionando uma inflação que anda pelas nuvens.
E mais: confirmou que o acordo assinado com o FMI em junho será renegociado, e que a Argentina
pediria a liberação antecipada de novas parcelas. Dos 50 bilhões de dólares previstos, ao menos 15
bilhões foram liberados, sem que houvesse melhora alguma no cenário. Na verdade, o que houve foi uma
sensível piora.
Primeiro resultado: um dia depois, o dólar subiu de novo. Como disse o jornal Página 12, a cada
pronunciamento de Macri duas coisas se desvalorizam: o peso argentino e seu próprio governo.
Houve, porém, quem elogiasse o governo e expressasse sua “renovada confiança” em Macri: Donald
Trump.
Faltando três meses para que se cumpram três anos da chegada de Macri à Presidência com todas
as bênçãos e vênias do sacrossanto mercado financeiro, tanto o local quanto o de tudo que é canto, seu
governo desacreditado enfrenta uma crise de confiança profunda, inferior apenas à enfrentada por todo
o país.
Chama a atenção de qualquer visitante a quantidade de moradores de rua em Buenos Aires,
padecendo as agruras de um inverno especialmente duro. Cálculos de organismos independentes
indicam que o total de moradores de rua mais do que duplicou de janeiro para cá.
Os números de desempregados são atualizados semanalmente, e não se sabe ao certo quantos
comércios baixaram suas portas ao longo dos últimos 12 meses.
A explosão do câmbio levou a uma confusão sem fim, lembrando o acontecido durante a forte
desvalorização de 1991, no governo de Carlos Menem. Naquela ocasião, um cidadão contou, ao longo
de dez quarteirões de uma Rua Florida atopetada de turistas, nada menos que quatro mudanças na
cotação anunciada nas placas das casas de câmbio. Quase uma mudança a cada 2 minutos...
Ainda não se chegou a tanto, mas não são poucos os que acham muito elevado o risco de que
semelhante panorama se repita. Para tentar impedir a tragédia, o governo Macri torrou mais de 3 bilhões
dos escassos dólares das reservas em menos de um mês e meio.
Ao longo das últimas duas semanas repete-se o mesmo cenário de mais de 20 anos: os comerciantes
não sabem como calcular o preço do que vendem, pois não sabem qual será aquele da reposição dos
produtos. Mas produtores e comerciantes sabem que aumentos significativos, por mais necessários que
sejam, afastarão ainda mais os eventuais compradores, acelerando a profunda recessão.
No seu pronunciamento da segunda-feira 03/09, Macri anunciou solenemente que o déficit primário
estará zerado até o fim do próximo ano, que, aliás, será de eleições presidenciais. É difícil imaginar que
ele próprio acredite no que disse.
Quanto ao mercado financeiro, o ceticismo traduziu-se no dia seguinte, quando a moeda americana
tornou a subir e o governo optou por vender outros 358 milhões de dólares para tentar conter a escalada
alucinante.
Em um insólito gesto de autocrítica, Macri finalmente reconheceu o que era sabido por todos: houve,
da sua parte, um “otimismo excessivo”. O resultado será um retrocesso calculado até agora em 2,4% do
PIB, e a inflação anunciada com bumbos e clarins pelo governo – 15% – será de ao menos 42%, quase
o triplo.
Como se o descalabro da economia não bastasse para turvar um cenário esfrangalhado, na mesma
terça da desvalorização, o juiz Sebastián Casanello, espécie de Sergio Moro portenho, marcou para 18
de setembro o depoimento da atual senadora e ex-presidente Cristina Kirchner, investigada em diversas
frentes. Ela terá de responder à acusação de ser cúmplice de lavagem de dinheiro, em associação com
o empresário Lázaro Báez.
O enredo mais intrincado a envolver tanto Cristina quanto seu falecido marido e também ex-presidente
Néstor Kirchner é, no entanto, outro: o dos “cadernos de suborno”.
Tudo começou em 8 de janeiro último, quando – segundo seu próprio relato – “às 13h38” chegou às
mãos do jornalista Diego Cabot uma caixa com seis cadernos espirais, desse modelo comum usado em
qualquer colégio argentino, e um sétimo, de capa dura azul.
Cabot integra a equipe do jornal La Nación, de oposição feroz a qualquer coisa que não seja
absolutamente conservadora. Sua ojeriza ao casal Kirchner sempre foi evidente e palpável.

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Tratava-se de uma espécie de diário em vários volumes, todos escritos com a mesma caligrafia por
Oscar Centeno, ex-motorista de Roberto Baratta, o número 2 de Julio de Vido, influente ministro do
Planejamento de Kirchner.
Estão registrados todos os movimentos do ministro e de seu principal assessor, indicando dia, hora,
trajeto e conteúdo de bolsas transportadas em um Toyota Corolla. E, claro, quem recebia o conteúdo que,
sabe-se lá como, o motorista soube descrever em detalhes: dólares e mais dólares que, somados,
alcançam cifras estratosféricas (alguns jornais mencionam a marca de 13 bilhões de dólares ao longo dos
governos de Néstor e Cristina Kirchner, ou seja, entre 2003 e 2015).
Há, no entanto, incongruências nesse relato minucioso. Conforme comentou um político próximo da
ex-presidente, é estranho que “alguém escreva como Jorge Luis Borges e fale como Carlos Monzón”, em
referência ao escritor cheio de preciosismos e ao falecido boxeador cujo linguajar era constrangedor.
Além disso, não foi feito nenhum exame grafológico nos cadernos, que, segundo contou o motorista,
depois de lidos pelo repórter do La Nación foram devidamente xerocados para em seguida ir parar “na
churrasqueira dos fundos do meu quintal”.
Tampouco é crível que sacos e sacolas com até 800 mil dólares em espécie fossem entregues em
mãos tanto do falecido Néstor como da agora acusada Cristina Kirchner. E mais: não só no apartamento
particular do casal, no bairro portenho de Recoleta, mas na própria residência presidencial de Olivos, um
subúrbio de Buenos Aires.
Assim que essas notícias começaram a circular, apareceram também nomes de quem pagava os tais
milhões e milhões de dólares. Em sua maioria, empreiteiros e diretores de grandes construtoras que
obtinham contratos para obras dos governos Kirchner.
Como consequência imediata, começou a sucessão de “arrependidos”, versão local dos delatores
premiados brasileiros.
O estardalhaço levado adiante por magistrados de instâncias inferiores explodiu nos dois principais
jornais argentinos, o quase hegemônico Clarín e o próprio La Nación, além, claro, de emissoras de rádio
e televisão controlados pelo grupo do primeiro dos jornalões.
Dessa forma, uma Argentina em frangalhos enfrenta uma crise econômica profunda, enquanto
acompanha um escândalo judicial que encontra cada vez menos eco na opinião pública, conformada com
a ideia divulgada pelo grupo Clarín de que os governos Kirchner foram uma etapa de corrupção
generalizada, enquanto o de Macri ostenta, mas isso o jornal evita comentar, um cenário cada vez pior.
Como se não faltasse mais nada, justamente no país em que nasceu o atual papa cresce o número
de católicos que renunciam publicamente à sua igreja. Tudo começou com a pressão exercida
principalmente sobre senadores do interior pelos párocos locais para que derrubassem, como ocorreu, a
lei do aborto.
De acordo com essa lei, aprovada pelos deputados, caberia ao Estado o dever de fornecer assistência
às mulheres que optassem por abortar voluntariamente até o terceiro mês de gestação. Derrotado no
Senado, o projeto foi o motivo alegado por mais de 3 mil católicos para renunciar publicamente ao
catolicismo.
Sim, foram apenas 3 mil entre milhões. Mas o gesto foi mais que simbólico, e causou forte impacto no
conturbado país de Mauricio Macri. Os argentinos renunciam até à fé.

Conflitos na África podem ter matado 5 milhões de crianças, diz estudo83

Conflitos armados, as doenças e a fome que eles causam teriam provocado a morte de 5 milhões de
crianças menores de cinco anos entre 1995 e 2015; destas 3 milhões eram bebês de até 11 meses.
Os conflitos armados no continente africano, e as doenças e a fome que eles causam, podem ter
causado a morte de 5 milhões de crianças menores de cinco anos entre 1995 e 2015, segundo um estudo
publicado na sexta-feira (30/08).
Destas, cerca de três milhões eram bebês de até onze meses, isto é, o triplo das pessoas diretamente
mortas em um conflito no continente.
O estudo, publicado na revista médica The Lancet, não se apoia em nenhum efetivo real, mas que
compartilhou dados de 15.441 conflitos nos quais quase um milhão de pessoas morreram, segundo os
investigadores.
Os autores usaram estes dados para calcular o risco de morte de uma criança em um raio de 100 km
de um conflito armado e até oito anos depois. Em seguida, calcularam o número de mortes de crianças
atribuídos às muitas guerras na África.

83
France Presse. Conflitos na África podem ter matado 5 milhões de crianças, diz estudo. G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/08/30/conflitos-na-
africa-podem-ter-matado-5-milhoes-de-criancas-diz-estudo.ghtml. Acesso em 31 de agosto de 2018.

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A cifra de cinco milhões é muito superior a de estimativas anteriores, destacaram os autores, Eran
Bendavid, da Universidade Stanford, e seus colegas.
"Nos últimos 30 anos ocorreram na África conflitos armados mais frequentes e mais intensos que em
qualquer outro continente", afirmam.
"Esta análise mostra que os efetivos dos conflitos armados vão além da morte dos combatentes e da
devastação física: os conflitos armados aumentam consideravelmente o risco de morte de crianças jovens
durante um longo período".
Além de ferir diretamente as crianças, os conflitos contribuem para a morte e o atraso no crescimento
"durante muitos anos e em amplas zonas", segundo a equipe.
E isto, por causa da interrupção dos cuidados médicos para mulheres grávidas e recém-nascidos, a
propagação de doenças à medida que os serviços de saúde e as redes de água declinam, da falta de
medicamentos e da desnutrição provocada quando as provisões se esgotam.

Onda de calor se intensifica na Europa84

De norte ao sul do continente, termômetros continuam em alta. Cidades portuguesas marcam


temperaturas mais altas de sua história, e Espanha registra primeiras mortes.
A onda de calor que castiga há semanas a Europa levou neste sábado (04/08) a temperaturas recordes
em cidades portuguesas, causou três mortes na Espanha e chegou a derreter o asfalto na Holanda.
Em Portugal, a temperatura foi a mais alta registrada na história em 26 estações. Em Lisboa, foram 44
graus. Em Alvega, no distrito de Santarám, os termômetros chegaram a marcar 46,8ºC.
O atual recorde europeu foi registrado em 1977, em Atenas, quando os termômetros alcançaram 48°C.
O recorde na Espanha é de 47,3 graus, em Portugal, 47,4.
Em Lisboa, as autoridades fecharam parques e alertaram as pessoas a evitarem atividades ao ar livre
durante o auge do calor. Refúgios para desabrigados foram abertos mais cedo, para que moradores de
rua pudessem busca abrigo do calor.
Na Espanha, já ocorreram três mortes: em Murcia (sudeste) um homem de 78 anos morreu enquanto
realizava trabalhos agrícolas, vítima de insolação, e outro trabalhador, de 48 anos, também foi vítima das
altas temperaturas. Em Barcelona (nordeste) um homem de meia idade, aparentemente sem-teto,
morreu. Além disso, outro homem de 55 anos foi hospitalizado hoje em estado grave, após sofrer
insolação na região de Murcia.
Na França, mais da metade do país está em alerta laranja, e as autoridades recomendaram evitar a
exposição ao sol nos horários mais quentes do dia.
A Alemanha, cujas máximas diurnas chegaram a 38°, também está sofrendo com o excesso de calor,
além da estiagem, que já levou a perdas bilionárias na agricultura. Em julho praticamente não choveu no
oeste, norte e leste do país.
As águas do Mar Báltico no litoral alemão alcançaram temperaturas semelhantes às do litoral do
Mediterrâneo francês, com até 27°C, dez a mais que o habitual, Além disso, o nível de alguns rios caiu
para mínimos históricos, o que levou a restrições no transporte fluvial de mercadorias em alguns pontos
do Reno. As autoridades de Berlim anunciaram que distribuirão água e protetor solar entre os sem-teto.
O Meteoalarm, o site da União Europeia (UE) que oferece informação sobre fenômenos climáticos
adversos, emitiu alertas "vermelhos" por calor extremo em partes de Suíça, Croácia, Espanha e Portugal.
Este aviso, segundo o site, implica uma situação meteorológica "muito perigosa" e que "são prováveis
graves danos e acidentes, em alguns casos com risco para a vida das pessoas".
Além disso, o site mantém o alerta laranja em amplas partes de França, Bélgica, Áustria, Lituânia,
Estônia, Polônia, Noruega, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia e Grécia, por "situações perigosas
por fenômenos incomuns, como altas temperaturas, que podem causar danos às pessoas".
As elevadas temperaturas se devem ao sistema estacionário de alta pressão, um fenômeno que se
repetiu de forma constante nas condições meteorológicas europeias durante os dois últimos meses, disse
a porta-voz da Organização Meteorológica Mundial (OMM) Sylvie Castonguay.
A vice-secretária-geral da OMM, Elena Manaenkova, afirmou no último boletim da organização que "o
ano de 2018 será um dos mais quentes já registrados, com novos recordes de temperatura em muitos
países, o que não é surpreendente".
"As ondas de calor extremo que estamos vivendo são condizentes com os efeitos esperados da
mudança climática causada pelas emissões de gases do efeito estufa. Não se trata de um cenário futuro,
está acontecendo agora", disse a vice-secretária-geral da OMM.

84
Deutsche Welle. Onda de calor se intensifica na Europa. G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/08/05/onda-de-calor-se-intensifica-na-europa.ghtml.
Acesso em 06 de agosto de 2018.

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Israel aprova lei que o define como 'Estado-Nação' do povo judeu85

Por 62 votos a favor e 55 contra, a Knesset (Câmara israelense) aprovou a iniciativa depois de um
intenso debate.
O Parlamento israelense aprovou nesta quinta-feira (19/07) a polêmica lei que define o país como um
"Estado-nação do povo judeu" e que tem como sua capital “Jerusalém unificada”. A nova lei, defendida
pelo governo, ainda prevê apenas o hebraico como língua oficial do país.
A iniciativa foi aprovada no Knesset (parlamento israelense) por 62 votos a favor e 55 contra, depois
de uma longa discussão, já que críticos a descrevem como "discriminatória" por marginalizar minorias.
O objetivo da nova lei é "assegurar o caráter de Israel como o estado nacional dos judeus, a fim de
codificar em uma lei básica dos valores de Israel como um estado judeu democrático espírito dos
princípios da Declaração de Independência", explica a Knesset em seu site.
Isto inclui ainda o hino Hatikva (adaptado de um poema judeu, sobre o retorno do povo a Israel), a
bandeira branca e azul com a Estrela de Davi no centro, um menorá (candelabro judeu) de sete braços
com galhos de oliveira nos extremos como símbolo do país.
Até agora estava sendo evitada esta menção à identidade judaica por causa da oposição de algumas
correntes judaicas e da existência no país de minorias, como a árabe.
Os palestinos que ficaram no país após a criação do estado de Israel, em 1948, constituem 20% da
sua população – ou cerca de cerca de nove milhões de pessoas. A língua árabe, que deixa de ser oficial,
é reduzida a um caráter “especial”.
"Os árabes terão uma categoria especial, todos os judeus terão o direito de migrar a Israel e obter a
cidadania de acordo com as disposições da lei, o estado atuará para reunir os judeus no exílio e
promoverá os assentamentos judaicos em seu território e vai alocar recursos para esse fim", estabelece
a nova legislação, de acordo com a Efe.

‘Momento histórico’
O premiê israelense, premiê Benjamin Netanyahu, definiu a aprovação como um "momento histórico
na história do sionismo e da história do estado de Israel."
"Ultimamente, há pessoas que estão tentando desestabilizar os fundamentos da nossa existência e
dos nossos direitos. Então, hoje nós fizemos uma lei em pedra. Este é o nosso país. Esta é a nossa
língua. Este é o nosso hino e esta é a nossa bandeira. Viva o estado de Israel", comemorou Netanyahu.

Nova Constituição de Cuba reconhecerá propriedade privada86

Esboço de reforma apresentado em diário do Partido Comunista acena com mudanças profundas na
política, judiciário, economia e sociedade cubanas. Comissão encarregada é liderada por ex-presidente
Raúl Castro.
O governo de Cuba revelou novos detalhes sobre planos para reestruturar seu sistema governamental,
tribunais e a economia nacional, através de uma reforma constitucional a ser aprovada pela Assembleia
Nacional ainda em julho.
A reforma criará o cargo de primeiro-ministro, ao lado do de presidente, dividindo as funções de chefe
de Estado e de governo. Fica mantido o Partido Comunista como única força política no país, e o Estado
comunista como força econômica dominante. Passam a ser reconhecidos, todavia, o mercado livre e a
propriedade privada na sociedade cubana, e será criada uma nova presunção de inocência no sistema
judiciário.
A Constituição de 1976, ainda na era soviética, só reconhece a propriedade estatal, cooperativa, de
agricultor, pessoal e de sociedade conjunta. A propriedade privada era rejeitada, sendo considerada um
resquício do capitalismo.
A proposta de reforma constitucional é descrita na edição deste sábado (14/07) do diário Granma, do
Partido Comunista, devendo ser votada num referendo posterior à aprovação pelo Parlamento. Segundo
as autoridades cubanas, a atual Constituição já não reflete as mudanças atravessadas pelo país nos
últimos anos.
"As experiências adquiridas nestes anos de Revolução" e "os novos caminhos traçados" pelo Partido
Comunista são algumas das razões para a reforma da Constituição, lê-se no sumário do Granma. O

85
G1. Israel aprova lei que o define como ‘Estado-Nação’ do povo judeu. G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/07/19/israel-aprova-lei-que-o-define-
como-estado-nacao-do-povo-judeu.ghtml. Acesso em 19 de julho de 2018.
86
Deutsche Welle. Nova Constituição de Cuba reconhecerá propriedade privada. G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/nova-constituicao-de-cuba-
reconhecera-propriedade-privada.ghtml. Acesso em 16 de julho de 2018.

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esboço, elaborado por uma comissão encabeçada pelo ex-presidente e primeiro-secretário do Partido
Comunista, Raúl Castro, contém 224 artigos.
A nova Constituição manterá direitos como a liberdade religiosa, e explicitará o princípio da não
discriminação devido à identidade de gênero. O texto divulgado no Granma não especifica em que medida
o Estado reconhecerá os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Mais de 16 mil venezuelanos pedem refúgio em Roraima em seis meses, diz PF87

Número é 20% superior ao de todo o ano de 2017. Recorde foi registrado em maio, quando mais de 4
mil venezuelanos fizeram a solicitação.
Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 16 mil venezuelanos pediram refúgio em Roraima,
segundo a Polícia Federal. O número já é 20% maior do que o registrado em todo o ano de 2017, quando
foram recebidas pouco mais de 13,5 mil solicitações.
De acordo com a PF, entre janeiro e 22 de junho deste ano, foram recebidos 16.953 pedidos de refúgio
no estado. Desses, 16.523, ou 97% do total, são só de venezuelanos. Os demais são de cubanos (155),
haitianos (139) e cidadãos de outras nacionalidades (133).
O recorde de pedidos de refúgio de venezuelanos foi no mês de maio, quando o país foi às urnas e o
presidente Nicolás Maduro acabou reeleito. Só naquele mês foram 4.054 solicitações feitas junto à PF.

Em 2017, ano em que o índice de pedidos teve uma alta abrupta, foram recebidos 13.583 pedidos de
venezuelanos. No ano anterior foram 2.048 e 253 em 2015, quando começou a imigração de
venezuelanos para Roraima.
Uma vez feita uma solicitação de refúgio, o pedido segue para o Comitê Nacional para os Refugiados
(Conare), que analisa e reconhece ou não a condição de refugiado. Por isso, o G1 questionou o Conare
sobre o número de pedidos de venezuelanos examinados, mas não obteve resposta até a publicação
desta reportagem.

Imigrantes em trânsito
Apesar de ser um dado importante para mostrar o fluxo migratório, o número de pedidos de refúgio
não corresponde à quantidade exata de venezuelanos vivendo em Roraima, afirma Gustavo da Frota
Simões, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
No entendimento dele, nem todos os 16.523 venezuelanos que pediram refúgio à PF neste ano
continuam em Roraima, porque muitos estão seguindo viagem, principalmente para buscar trabalho.
"Os venezuelanos vêm para Roraima, às vezes ficam um tempo, se regularizam, e procuram emprego.
Quando não conseguem, fazem contatos, vão ouvindo outras pessoas e seguem viagem para outros
lugares", explicou Simões.
Para ele, a imigração venezuelana para o estado pode ser dividida em três fases: a pendular, de
permanência e de trânsito, que é a vivida atualmente.
Na primeira delas, entre 2015 e 2016, imigrantes cruzavam a fronteira para comprar mantimentos e
depois voltavam para o país de origem. Depois, em 2017, venezuelanos passaram a se mudar para o

87
Emily Costa. Mais de 16 mil venezuelanos pedem refúgio em Roraima em seis meses, diz PF. G1. Roraima. https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/mais-de-16-mil-
venezuelanos-pedem-refugio-em-roraima-em-seis-meses-diz-pf.ghtml. Acesso em 11 de julho de 2018.

Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97


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estadoem busca de melhores condições de vida. Já neste ano, conforme o professor, a imigração ganha
um novo caráter, que é o dos imigrantes em trânsito.
Apesar disso, na avaliação dele, o número de pedidos de refúgio ainda devem continuar aumentando,
porque ele acompanha o agravamento da crise política e econômica na Venezuela.

Venezuelanos em Roraima
A ONU estima que 800 venezuelanos cruzam a fronteira por dia. Já o Exército brasileiro calcula que a
média de entrada de venezuelanos em Roraima nos últimos cinco meses foi de 416 pessoas por dia.
- Rota da fome: o caminho dos venezuelanos
- A rota da fome em imagens
- Povoado indígena vira abrigo: 'Eles choram ao ver comida'
Ainda não há números precisos sobre a quantidade de venezuelanos vivendo em Roraima, mas um
levantamento da prefeitura de Boa Vista apontou que só na capital há 25 mil moradores venezuelanos -
o equivalente a 7,5% da população local, que é de 332 mil habitantes.
Antes desse estudo, a prefeitura estimava que 40 mil venezuelanos estavam na cidade. Nessa época,
só a praça Simón Bolívar - que foi cercada com tapumes e desocupada em maio - tinha cerca de 1,2 mil
venezuelanos acampados.
Atualmente, o estado tem nove abrigos públicos com cerca 4 mil pessoas, cinco deles abertos só neste
ano. Mesmo assim ainda há venezuelanos em situação de rua em 10 dos 15 municípios do estado.

Kim Jong-un se compromete com o fim das armas nucleares em encontro com Trump em
Singapura88

Comunicado com quatro itens foi assinado durante encontro histórico dos líderes dos EUA e Coreia
do Norte. Trump diz que Kim aceitou o seu convite para visitar a Casa Branca.
A Coreia do Norte se comprometeu com o desmonte do seu programa nuclear nesta terça-feira (12/06),
durante o encontro inédito de seu líder, Kim Jong-un, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
em Singapura.
Os dois países "decidiram deixar o passado para trás" e "o mundo verá uma grande mudança",
segundo Kim, que assinou uma declaração de quatro itens durante o encontro com o chefe de estado
americano.
O engajamento com o fim da produção de armas nucleares e a desnuclearização completa da
península coreana era uma condição imposta pelos EUA para a realização da histórica cúpula.
Porém, o documento final do encontro não estabelece metas ou detalhes de como o compromisso será
colocado em prática para que o abandono da produção seja feito de forma completa, irreversível e
verificável, como pedem os Estados Unidos.
O compromisso com o desmonte do programa nuclear já consta na Declaração de Panmunjon,
assinada após o encontro de líderes das duas Coreias, em abril.
O documento assinado por Trump e Kim nesta terça possui quatro pontos:

1 - EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer relações de acordo com o desejo de seus
povos pela paz e prosperidade;
2 - Os dois países irão unir seus esforços para construir um regime de paz estável e duradouro na
península coreana;
3 - Reafirmando a Declaração de Panmunjon, de 27 de abril de 2018, a Coreia do Norte se compromete
a trabalhar em direção à completa desnuclearização da península coreana;
4 - Os EUA e a Coreia do Norte se comprometem a recuperar os restos mortais de prisioneiros de
guerra, incluindo a imediata repatriação daqueles já identificados.

Na avaliação de Trump, as negociações com Kim foram "francas, diretas e produtivas" e o documento
está "bastante completo". O texto mostra, segundo o americano, que os países estabeleceram uma
ligação especial após a sua assinatura.
Em entrevista logo depois do encontro, o presidente americano afirmou que Kim aceitou o seu convite
para visitar a Casa Branca e que ele pretende visitar Pyongyang "em um certo momento".
"Aprendi que ele é um homem muito talentoso que ama muito seu país. É um negociador de valor, que
negocia em benefício de seu povo", afirmou.

88
G1. Kim Jong-um se compromete com o fim das armas nucleares em encontro com Trump em Singapura. G1 Mundo. https://g1.globo.com/mundo/noticia/kim-jong-
un-se-compromete-com-desnuclearizacao-completa-apos-encontro-com-trump-em-singapura.ghtml Acesso em 13 de junho de 2018.

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Sanções mantidas
O presidente americano disse que a Coreia do Norte "já está destruindo seus principais centros de
testes nucleares", mas que as sanções econômicas serão mantidas por enquanto. Adotadas entre 2017
e 2018, as sanções tem o objetivo de pressionar Pyongyang a reduzir seus programas nuclear e
armamentista.
Nesta terça, Trump afirmou que vai pressionar o país a abandonar a produção de armas nucleares o
mais rápido que puder, mas reconheceu que esse processo pode levar um tempo.
Trump disse que as sanções serão removidas "quando tivermos certeza de que as armas nucleares
não são mais um fator [de risco]". "Eu realmente estou ansioso para retirá-las [as sanções]", garantiu.

'Jogos de guerra'
O presidente americano também anunciou a suspensão dos "jogos de guerra" na península coreana,
fazendo referência aos exercícios militares feitos pelos EUA em conjunto com a Coreia do Sul. A Coreia
do Norte considera as manobras militares uma provocação.
Na avaliação de Trump, as manobras são caras e se tornaram inapropriadas face à nova relação
estabelecida pelos Estados Unidos com a Coreia do Norte.
Trump disse que espera retirar as forças dos EUA da Coreia do Sul, mas disse que essa medida não
está sendo discutida no momento. Atualmente, 28 mil soldados americanos estão no país.
Até o momento, as forças de segurança dos EUA na Coreia do Sul não receberam uma orientação
formal para a suspensão dos exercícios militares conjuntos, de acordo com Reuters, citando um
comunicado da tenente-coronel Jennifer Lovett.

Encontro inédito
Após uma série de testes balísticos norte-coreanos e uma verdadeira “guerra verbal” entre Kim e
Trump travada ao longo de 2017, o primeiro encontro dos líderes dos dois países parecia impossível.
O objetivo desta cúpula em Singapura era chegar a um consenso sobre o desmonte do programa
nuclear e balístico da fechada ditadura comunista, em troca de alívio econômico para o país atualmente
afetado por duras sanções.
Kim e Trump tiveram um encontro privado, uma reunião ao lado de seus assessores e um almoço ao
lado de suas respectivas comitivas. Os dois líderes caminharam juntos e se cumprimentaram várias vezes
diante das câmeras.
Quando se sentou ao lado de Kim pela primeira vez, Trump disse ter esperança de que a cúpula seria
"tremendamente bem-sucedida". "Teremos um ótimo relacionamento pela frente", acrescentou.
O ditador norte-coreano disse, em seguida, que havia enfrentado uma série de "obstáculos" para
realizar esse encontro. "Nós superamos todos eles e estamos aqui hoje", disse a repórteres, por meio de
um tradutor.
Mais tarde, em um breve pronunciamento, Trump disse que o encontro estava sendo "melhor do que
qualquer um poderia esperar". Em seguida, ele mostrou sua limusine ao norte-coreano e manteve o que
pareceu ser uma conversa bastante amistosa durante alguns minutos. Eles se separaram brevemente e
voltaram a encontrar na sala onde assinaram a declaração.
O local do encontro foi o luxuoso hotel Capella, na ilha de Sentosa, famosa por suas praias turísticas
e seus campos de golfe espetaculares. Singapura designou partes de sua região central como uma "zona
especial", implantando um rigoroso sistema de segurança. O espaço aéreo sobre a rica cidade-Estado
está temporariamente restrito durante partes dos dias 11, 12 e 13 de junho.

Redução nas tensões


A mudança de tom de Kim Jong-un com relação à vizinha Coreia do Sul começou em seu discurso de
ano novo, em janeiro de 2018, quando propôs o envio de uma equipe às Olimpíadas de Inverno, em
PyeongChang (Coreia do Sul).
A aproximação entre as coreias levou à organização do encontro de Panmunjon, zona desmilitarizada
entre os dois países, em que os dois países firmaram um primeiro compromisso de desnuclearização da
península e um acordo de paz para acabar com a guerra entre os países ainda em 2018.
O encontro foi visto como uma preparação para o encontro com o presidente do Estados Unidos. Na
época, Trump comemorou o avanço nas relações de paz, mas se mostrou ponderado. "Depois de um ano
furioso de lançamento de mísseis e testes nucleares, um encontro histórico entre Coreia do Norte e Coreia
do Sul está ocorrendo agora. Boas coisas estão acontecendo, mas só o tempo dirá", também afirmou no
Twitter.
Em abril, o então diretor da CIA e atual secretário de Estado americano, Mike Pompeo, viajou para a
Coreia do Norte, onde teve um encontro secreto com Kim Jong-un, mostrando um avanço nas relações

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entre os dois países. Ele voltou de lá com três americanos que tinham sido detidos por Pyongyang por
suspeita de atividades anti-estatais.

'Sim' vence em referendo sobre legalização do aborto na Irlanda89

Segundo pesquisa de boca de urna, 70% dos eleitores votaram a favor; porta-voz da campanha pelo
'não' reconheceu derrota antes mesmo de resultado oficial.
Segundo pesquisas de boca de urna, o "sim" protagonizou uma larga vitória no referendo sobre a
legalização do aborto na Irlanda, com a preferência de cerca de 70% dos eleitores. Os resultados oficiais
devem ser divulgados neste sábado (26/05), mas o porta-voz da campanha pelo "não", já reconheceu
sua derrota nesta manhã.
A maioria dos irlandeses optou pela legalização do aborto no país de forte tradição católica e que conta
com uma das legislações mais rígidas da Europa sobre a questão. Segundo pesquisas de boca de urna,
entre 68% e 69% dos eleitores votaram pelo "sim" - a favor da legalização do aborto -, enquanto 32%
teriam optado pelo "não" - para manter a lei atual.
O texto atual está em vigor desde 1983. Ele determina que uma mulher só pode interromper uma
gestação se estiver em perigo de vida real e iminente, inclusive sob risco de suicídio. Essa legislação de
35 anos não contempla o aborto quando há má-formação cerebral do feto ou em casos de estupro, como
ocorre no Brasil. Atualmente, uma irlandesa que decida interromper uma gravidez indesejada dentro do
país pode ser condenada a até 14 anos de prisão.
Na manhã deste sábado, John McGuirk, porta-voz da "Save The 8th Campain", a campanha para
manter a legislação atual, reconheceu sua derrota. "Não há nenhuma possibilidade que o texto [sobre a
legalização do aborto] não seja adotado", declarou em entrevista à TV irlandesa.
A taxa de participação é uma das mais altas registradas em referendos no país. Ela pode ultrapassar
os 61% da consulta realizada em 2015 que levou à legalização do casamento entre pessoas do mesmo
sexo. Na capital Dublin, a escolha pelo "sim" se mostra imensa, com 77% dos votos, segundo o jornal
Irish Times.

Revogação da 8ª Emenda
O objetivo do referendo era perguntar aos eleitores se eles concordam ou não em revogar a antiga
legislação, conhecida como 8ª Emenda. Ela determina que o direito à vida do feto é igual ao direito à vida
da mãe.
Com a revogação, o Parlamento passa a poder legislar sobre o assunto. Caso isso ocorra, a nova
legislação permitiria o direito aborto até 12 semanas, por decisão da mulher e com autorização médica.
Na sexta-feira (25/05), o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, a favor da legalização do aborto,
convocou a população a votar, classificando o referendo de "oportunidade única em uma geração" e
avisando que não haverá outra consulta qualquer que seja o resultado.

Sexto referendo desde 1983


Desde a instauração da 8ª Emenda, em 1983, este é o sexto referendo sobre o aborto na Irlanda. A
diferença dessa vez é que é a primeira consulta pública que contesta e, de fato, pode reverter a 8ª
Emenda.
O aborto é uma questão polêmica neste país com uma população de mais de 78% de católicos. Mas
casos recentes de mulheres que morreram por causa de uma gravidez de risco acabaram influenciando
a opinião pública.
Além disso, houve a constatação de que milhares de mulheres realizam o procedimento ilegalmente,
enquanto outras milhares viajam a cada ano para o Reino Unido ou para outros países para poder realizar
um aborto legalmente – mais de 3,2 mil em 2016.

América Latina condena em peso reeleição de Maduro90

Brasil e 13 países da região não reconhecem eleição na Venezuela e convocam seus embaixadores
em Caracas. Itamaraty diz que pleito careceu de "legitimidade e credibilidade". EUA e países europeus
também rejeitam votação.

89
RFI. ‘Sim’ vence em referendo sobre legalização do aborto na Irlanda. G1 Mundo. < https://g1.globo.com/mundo/noticia/sim-vence-em-referendo-sobre-legalizacao-
do-aborto-na-irlanda.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 28 de maio de 2018.
90
DW. América Latina condena em preso reeleição de Maduro. DW América Latina. <http://www.dw.com/pt-br/am%C3%A9rica-latina-condena-em-peso-
reelei%C3%A7%C3%A3o-de-maduro/a-43869715> Acesso em 22 de maio de 2018.

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrentou condenação internacional nesta segunda-feira
(21/05) após ser reeleito para mais seis anos de mandato num pleito boicotado pela oposição, que
questionou sua legitimidade, e contestado por vários países, muitos latino-americanos.
O chamado Grupo de Lima, composto por 14 países das Américas, anunciou que não reconhece o
resultado da votação, por considerá-la ilegítima. Maduro venceu com 68% dos votos, mas praticamente
não teve adversários. A participação não chegou a 50% dos eleitores.
"[Os governos] não reconhecem a legitimidade do processo eleitoral que teve lugar na República
Bolivariana da Venezuela, concluído em 20 de maio passado, por não estar em conformidade com os
padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente", diz a nota.
O grupo – do qual fazem parte Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala,
Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia – disse ainda que chamará para
consultas seus embaixadores em Caracas, além de convocar os representantes diplomáticos da
Venezuela em cada um dos países "para expressar seu protesto".
O bloco informou que se reunirá no Peru na primeira quinzena de junho para definir uma resposta
regional ao "aumento preocupante dos fluxos de venezuelanos que se veem obrigados a sair de seu
país", bem como ao impacto que essa situação acarreta sobre toda a região.
O texto ainda reitera preocupação com o "aprofundamento da crise política, econômica, social e
humanitária que deteriorou a vida na Venezuela", o que se reflete na "perda de instituições democráticas,
do Estado de Direito e na falta de garantias e liberdades políticas dos cidadãos".
O governo brasileiro emitiu um comunicado separado nesta segunda-feira reafirmando a posição do
Grupo de Lima e dizendo "lamentar profundamente" que Caracas não tenha atendido aos repetidos
chamados da comunidade internacional "pela realização de eleições livres, justas, transparentes e
democráticas".
"Nas condições em que ocorreu – com numerosos presos políticos, partidos e lideranças políticas
inabilitados, sem observação internacional independente e em contexto de absoluta falta de separação
entre os poderes –, o pleito careceu de legitimidade e credibilidade", diz a nota.
O texto acrescenta que as eleições deste domingo "aprofundam a crise política no país, pois reforçam
o caráter autoritário do regime, dificultam a necessária reconciliação nacional e contribuem para agravar
a situação econômica, social e humanitária que aflige o povo venezuelano".
O governo da Argentina, por sua vez, também condenou o processo eleitoral venezuelano, destacando
que o pleito "não foi democrático nem será reconhecido" pela maior parte da comunidade internacional.
"A Venezuela deve convocar eleições livres e democráticas e com a participação de todos os atores,
incluindo os líderes da oposição presos ou no exílio", afirmou o ministro argentino do Exterior, Jorge
Faurie, pedindo ainda a Maduro que "ouça o grito do povo venezuelano".

Críticas também de Europa e EUA


Países europeus também se uniram à onda de condenações às eleições venezuelanas. Antes do
pleito, a União Europeia (UE) havia pedido a suspensão da votação, convocada de forma antecipada pela
Assembleia Nacional Constituinte, um parlamento dominado pelo chavismo.
O governo da Espanha, um crítico do regime de Maduro, declarou que o processo eleitoral na
Venezuela "não respeitou os padrões democráticos mais básicos". "A Espanha e seus parceiros europeus
estudarão medidas adequadas e continuarão trabalhando para aliviar o sofrimento dos venezuelanos",
disse o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy.
Em declaração semelhante, o ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que "não houve
eleições livres, justas e transparentes, as quais o povo venezuelano merecia".
"Condenamos a intimidação a que foi submetida a oposição e que começou com a destituição do
Parlamento", disse o chefe da diplomacia alemã em Buenos Aires, onde participa de uma reunião de
ministros do G20.
O pleito também foi condenado pelos Estados Unidos, que no domingo anteciparam que não
reconheceriam o vencedor. O vice-secretário de Estado, John Sullivan, disse inclusive que Washington
está considerando impor sanções ao petróleo da Venezuela.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, por sua vez, classificou a votação de "fraudulenta"
e disse que ela "não mudará nada" no cenário do país latino-americano.
Maduro foi reeleito nesta segunda-feira para mais seis anos de mandato, após receber quase 6 milhões
de votos, segundo o Conselho Nacional Eleitoral, contra 1,8 milhão de seu principal adversário, o
dissidente chavista Henri Falcón – que furou o boicote da oposição ao registrar sua candidatura.
A eleição de domingo foi marcada por uma abstenção recorde – dados oficiais colocam a participação
eleitoral em 46% – e denúncias de fraude. Políticos da oposição acusam o governo de ter coagido os
venezuelanos a votar em Maduro em troca de recompensas.

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Confrontos em Gaza deixam mais de 50 mortos no dia em que EUA inauguram embaixada em
Jerusalém91

Donald Trump cumpre polêmica promessa de mudar representação diplomática no dia em que Israel
completa 70 anos. Confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram mais de 50 palestinos mortos.
Os Estados Unidos inauguraram sua embaixada em Jerusalém nesta segunda-feira (14/05), dia em
que o Estado de Israel completa 70 anos e em que confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram
dezenas de mortos.
Os palestinos protestam na fronteira desde o dia 30 de março, na chamada Grande Marcha do Retorno,
que evoca o direito dos palestinos de voltarem para os locais de onde foram removidos após a criação do
Estado de Israel, em 1948. Nesta segunda, ainda protestam contra a inauguração da representação
diplomática dos EUA em Jerusalém.
Até as 19h30, pela hora de Brasília, havia 58 mortos, segundo autoridades palestinas. O Ministério da
Saúde palestino informou ao jornal "Haaretz" que há mais de 2200 feridos. De acordo com o embaixador
palestino na ONU, entre os mortos há 8 crianças com menos de 16 anos.
O premiê israelense Benjamin Netanyahu defendeu o uso da força na Faixa de Gaza: “Todo país tem
a obrigação de defender o seu território. A organização terrorista Hamas proclama a sua intenção de
destruir Israel e envia com esse fim milhares de pessoas para forçar a fronteira”, disse pelo Twitter
reiterando que Israel segue atuando “com determinação” para impedir isso.
A Casa Branca também culpou o Hamas pela violência e afirmou que Israel tem o direito de se
defender.
Houve ainda protestos do lado de fora do prédio em que passa a funcionar a embaixada americana. A
polícia tentou conter e afastar os manifestantes, e 14 pessoas foram detidas.
A cerimônia de abertura foi conduzida pelo embaixador americano em Israel, David Friedman.
Em uma mensagem gravada em vídeo, o presidente Donald Trump disse que era necessário "admitir
o óbvio": que a capital de Israel é Jesusalém. Também afirmou que os EUA estão comprometidos com a
paz na região.
"Os EUA continuam totalmente comprometidos em facilitar um acordo de paz duradouro. Os EUA
sempre serão um grande amigo de Israel e um parceiro na causa da liberdade e da paz", disse Trump.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que estava "profundamente emocionado e
profundamente grato".
"Que dia glorioso. Lembrem este dia. Que dia histórico!", afirmou.
"Este é um momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer o que pertence à história, você fez
história", disse Netanyahu.
Entre as personalidades israelenses também estavam presentes o presidente de Israel, Reuven Rivlin,
e o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat. Entre a delegação americana, Ivanka Trump e Jared Kushner, filha
e genro e conselheiros do presidente americano, e Steven Mnuchin, secretário de Tesouro dos EUA.
A nova embaixada está no bairro de Arnona, em Jerusalém Ocidental, num prédio construído em 2010.
Parte do terreno era considerada, até a Guerra dos Seis Dias (1967), terra de ninguém.
Em uma primeira fase, a embaixada ficará dentro da seção de vistos do consulado-geral dos EUA em
Jerusalém. O imóvel sofreu adaptações para receber o embaixador David Friedman e sua equipe. Em
até um ano, um novo anexo será construído para ampliar o espaço da embaixada. O objetivo é construir
uma sede própria para a representação diplomática em até dez anos.

Confrontos em Gaza
Na fronteira com a Faixa de Gaza, milhares de palestinos se reuniram em diversos pontos e pequenos
grupos se aproximaram da cerca de segurança vigiada por soldados israelenses. Os grupos tentaram
avançar contra a barreira e lançaram pedras na direção dos soldados, que responderam com tiros.
Após os confrontos, o Exército de Israel anunciou que lançou bombardeios contra alvos do Hamas, o
movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza. "Os aviões atacaram os postos militares do
Hamas perto de Jabalia, depois que as tropas receberam disparos vindos do norte da Faixa. Nenhum
soldado ficou ferido", indicou o exército em comunicado.

91
G1. Confrontos em Gaza deixam mais de 50 mortos no dia em que EUA inauguram embaixada em Jerusalém. G1 Mundo. <https://g1.globo.com/mundo/noticia/eua-
inauguram-sua-embaixada-em-jerusalem.ghtml> Acesso em 15 de maio de 2018.

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Reação internacional

A Autoridade Palestina acusou Israel de cometer um "massacre horrível" na fronteira. A Anistia


Internacional pediu a Israel o fim da "abominável violação" dos direitos humanos na Faixa de Gaza. A
OLP (Organização para a Libertação da Palestina) anunciou uma greve geral nos territórios palestinos
para esta terça, em luto pelo "martírio" na Faixa de Gaza.
O alto comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, reagiu sobre os
confrontos em Gaza dizendo: "A morte chocante de dezenas de pessoas e os centenas de feridos por
tiros de munição real em Gaza devem parar imediatamente, e os autores dessas violações flagrantes dos
direitos humanos devem ser responsabilizados".
A União Europeia pediu "máxima moderação" depois das mortes em Gaza. O presidente da França,
Emmanuel Macron, condenou a violência das forças armadas israelenses contra os manifestantes
palestinos durante conversas por telefone com o presidente palestino Mahmoud Abbas e o rei Abudllah
da Jordânia.
O governo da África do Sul retirou até segunda ordem seu embaixador de Israel e o governo da Turquia
chamou para consultas seus embaixadores em Tel Aviv e Washington.
Os países árabes solicitaram, através do Kuwait, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança
da ONU, que deve ser realizada na terça-feira.

Decisão polêmica
A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de transferir a representação
diplomática de Tel Aviv para essa cidade é muito polêmica e foi criticada pela União Europeia e por países
árabes porque rompe com o consenso internacional de não reconhecer a cidade como capital da Palestina
ou de Israel até que um acordo de paz seja firmado entre as duas partes.
A liderança da Autoridade Palestina se recusa a conversar com os representantes do governo Trump
desde o anúncio da transferência da embaixada, nem sequer com o genro do presidente, Jared Kushner,
que havia sido designado para estimular o processo de paz.
Nesta segunda, o governo do Reino Unido ressaltou seu desacordo em relação à transferência da
embaixada americana e deixou claro que a delegação britânica continuará em Tel Aviv.
A Rússia expressou o temor de que a tensão aumente em toda a região do Oriente Médio. O Líbano
classificou a mudança como uma "nova catástrofe" para os palestinos.
O Irã condenou a mudança da embaixada e advertiu que esta medida só fortalecerá "a determinação
da nação palestina oprimida para resistir à ocupação" de Israel.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente preocupado" e pediu uma
"necessária contenção" perante as notícias sobre a morte de um "número significativo" de pessoas.

Entenda a disputa
No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais
sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas
negociações de paz.
Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da
cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.
Apesar de apelos por parte de líderes árabes e europeus, e de advertências que a decisão poderia
desencadear uma onda de protestos e violência, Trump resolveu adotar uma nova abordagem sobre o
tema, considerando que mesmo com a postura anterior dos EUA, a paz na região até hoje não foi atingida.
Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, justamente pela falta de
consenso na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém. A posição da maior parte da
comunidade internacional é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

Trump anuncia saída dos EUA do acordo nuclear com Irã92

Irã afirma que se prepara para voltar a enriquecer urânio, mas que vai conversar com outros signatários
do pacto.
WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, cumpriu hoje mais uma promessa de
campanha e anunciou que vai retirar os Estados Unidos do Acordo nuclear com o Irã. Assim, indicou que
as sanções contra Teerã que foram abandonadas em troca do fim do programa militar do país começam
a ser retomadas. Firmado em 2015 pelo presidente Barack Obama, França, Alemanha, Reino Unido,
92
BATISTA, G. H. Trump anuncia saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã. O Globo. Mundo. <https://oglobo.globo.com/mundo/trump-anuncia-saida-dos-eua-do-
acordo-nuclear-com-ira-22663972> Acesso em 09 de maio de 2018.

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. 112
Rússia e China, o acordo segue agora com várias incertezas sobre sua validade sem a maior potência
militar do planeta.
— Eu anuncio hoje que os Estados Unidos estão abandonando o acordo nuclear com o Irã — disse
Trump. — Depois dessas consultas, fica claro para mim que não podemos impedir que o Irã obtenha uma
bomba nuclear com a deteriorada e podre estrutura do atual acordo.
O presidente anunciou que, em seguida, assinaria um decreto retomando as sanções contra o Irã “no
mais alto nível”. O presidente americano afirmou, sem dar provas, que, mesmo com o acordo, Teerã
continuou construindo armas nucleares. De acordo com Trump, este acordo “era uma grande ficção”.
Trump afirmou que o Irã é um país que desestabiliza o Oriente Médio, apoiando grupos como Hezbollah
e Hamas. Ele afirmou que este “terrível” acordo deu ao regime iraniano, que promove o terror, “bilhões
de dólares”.
— O Irã é o maior exportador de terror do mundo — disse Trump. — Este acordo nunca trouxe calma,
nunca trouxe a paz.
Trump sempre criticou o acordo, firmado por Barack Obama. Por diversas vezes, disse que esse era
“o pior acordo já celebrado” pelos EUA. O presidente americano afirmou que o acordo tratava apenas da
situação nuclear, sem envolver temas como mísseis e outros armamentos convencionais iranianos e o
apoio iraniano a Bashar al-Assad, o ditador sírio. O fim das sanções ao Irã também iniciou uma redesenho
de forças no mundo árabe, com a Arábia Saudita temendo perder influência na região.
Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu que Trump
abandonasse o acordo, afirmando ter provas de que Teerã mentira sobre seu programa de armas
nucleares. Trump utilizou essa informação eu seu discurso para afirmar que o Irã poderia produzir a
bomba no futuro, quando acabaram algumas das restrições a seu programa de enriquecimento de urânio.
O entorno de Trump na Casa Branca também é majoritariamente contra o acordo. Mike Pompeo,
secretário de Estado, publicou uma nota minutos após a decisão de Trump. De acordo com o chefe da
diplomacia americana — que sempre foi contra o tratado — haverá agora uma ação conjunta com os
aliados europeus para encontrar uma "solução abrangente e duradoura" para a situação iraniana:
"Temos um interesse comum com nossos aliados na Europa e em todo o mundo para impedir que o
Irã desenvolva uma arma nuclear. Mas nosso esforço é mais amplo do que apenas a ameaça nuclear e
trabalharemos em conjunto com parceiros para eliminar a ameaça do programa de mísseis balísticos do
Irã; deter suas atividades terroristas em todo o mundo; e bloquear sua atividade ameaçadora em todo o
Oriente Médio e além", informou na nota.

'CURTO PERÍODO'
Os europeus, contudo, indicam que podem manter o acordo com os iranianos mesmo sem os
EUA. França, Alemanha e Reino Unido lamentaram a decisão dos Estados Unidos minutos depois do
anúncio, enquanto Israel apoiou a medida. O presidente francês, Emmanuel Macron, esteve em
Washington no mês passado na tentativa de convencer Trump a permanecer no acordo. Após o encontro
com o republicano, o presidente francês defendeu a implementação de uma reforma do pacto, o que tem
sido defendido pelos europeus.
O presidente do Irã, Hassan Rouhani, por sua vez, disse que há "um curto período" para negociar o
acordo nuclear com as outras potências. Segundo ele, os Estados Unidos "nunca respeitaram" o tratado.
— Ordenei à Organização de Energia Atômica do Irã para estar pronta para começar a enriquecer
urânio em níveis industriais. Vamos esperar algumas semanas e conversar com nossos aliados e com os
comprometidos com o acordo. Tudo dependerá de nossos interesses nacionais — disse Rouhani. — De
agora em diante, é um acordo entre o Irã e cinco países.
Rouhani classificou o anúncio como sendo "uma guerra psicológica", e que não deixaria Trump vencer.
De acordo com o presidente iraniano, Teerã vai esperar para ver como os demais signatários reagem.
— Se chegarmos à conclusão de que com a cooperação com os cinco países podemos manter o que
queremos, então o acordo continuará — disse Rouhani.
Teerã passou os últimos dias ameaçando os Estados Unidos caso Trump decida pela saída dos
americanos do tratado. No pronunciamento, Trump aproveitou para ameaçar Teerã, caso o regime
iraniano continue ameaçando os EUA:
— Se o regime continuar com sua aspiração nuclear, terá problemas maiores dos que jamais teve —
disse o republicano.

Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97


. 113
PERÍODO DE AJUSTE PARA EMPRESAS
Haverá um período de 90 a 180 dias para que empresas americanas com contratos com o Irã se
ajustem à decisão americana, informou o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton.
— Na zona econômica coberta pelas sanções, novos contratos não serão permitidos — disse. —O
Tesouro vai anunciar os prazos (de ajuste para contratos existentes). Alguns vão se estender por seis
meses. Outros por 90 dias.
Trump tinha até dia 12 de maio para informar ao Congresso americano seu posicionamento sobre o
pacto. O histórico acordo teve como objetivo encerrar as pretensões do Irã de desenvolver armas
nucleares em troca do fim das sanções econômicas que os países ocidentais aplicavam a Teerã. Desde
sua campanha presidencial em 2016, Trump sempre criticou o acordo, firmado por Obama.
Ainda que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, tenha atestado mais de
uma vez, ao longo da implementação do pacto, que o governo iraniano está cumprindo a sua parte, o
republicano critica o fato de o documento estar circunscrito ao programa nuclear do Irã, sem incluir um
corte no equipamento bélico convencional, sobretudo mísseis. Além disso, o americano sustenta que,
após o prazo que proíbe a construção de instalações nucleares por 15 anos, o Irã retomará tais projetos.
Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu que Trump
abandonasse o acordo, afirmando ter provas de que Teerã não havia abandonado o programa de bombas
nucleares. O entorno de Trump na Casa Branca também é majoritariamente contra o acordo.
A decisão de Trump já era esperada, e, antes de seu anúncio, a especulação em torno do
posicionamento americano gerou uma série de reações na Europa a favor da manutenção do pacto. A
União Europeia manifestou seu apoio para que "todas as partes" continuem aplicando o acordo nuclear
com o Irã durante uma reunião com o vice-chanceler iraniano. De acordo com a diplomacia do bloco, a
UE aproveita "essa oportunidade para reiterar seu apoio à aplicação plena e efetiva do acordo por todas
as partes".
Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha disse que era importante manter as
conversas nos próximos dias, para evitar uma "escalda descontrolada" depois do anúncio de Trump sobre
sua decisão. A reunião de Bruxelas foi parte de um "trabalho intensivo" para tentar manter o acordo
nuclear de 2015, que suspendeu as sanções em troca do compromisso do Irã de encerrar seu programa
nuclear, inclusive se os Estados Unidos abandonarem o acordo, disse a fonte alemã.
— Durante semanas, estivemos em estreito contato com parceiros dos três países em particular, desde
o nível de mesas de trabalho até o dos ministros das Relações Exteriores — disse a fonte alemã.

Novo presidente tem que avançar reformas em Cuba93

A confirmação de Miguel Díaz-Canel como novo presidente de Cuba sinaliza bem mais que o fim da
era dos irmãos Castro no comando do regime comunista. Candidato único, o engenheiro de 57 anos, que
ocupava a vice-presidência do Conselho de Estado, foi eleito pelos 604 delegados da Assembleia
Nacional de Cuba. Será o primeiro líder que não fez parte da geração que participou da revolução a
comandar o país. Muitos o veem como um sopro de renovação, que pode acelerar o processo de abertura
ensaiado desde as negociações com o ex-presidente americano Barack Obama, que resultaram na
reaproximação dos dois países, inimigos históricos.
Considerada um dos legados positivos de Obama, a iniciativa de mudar as relações diplomáticas entre
as duas nações começou em 2015, partindo da evidência incontornável de que o embargo econômico
imposto a Cuba não alcançou o objetivo de asfixiar a ditadura dos irmãos Castro. Também pesou a
demanda do setor privado americano, interessado em retomar relações comerciais e estabelecer
negócios com a Ilha. A histórica visita do então presidente americano, em março de 2016, concretizou o
acordo, com a exigência de abertura política como contrapartida.
Parte da comunidade cubana — especialmente as gerações mais velhas — que migrou para os
Estados Unidos após a revolução de 1959 e setores conservadores do Congresso americano criticaram
a reaproximação, acusando Obama de referendar uma ditadura, além de demonstrar fraqueza. Não foi,
portanto, uma surpresa que, após a vitória de Donald Trump, Washington voltasse a impor restrições.
Neste momento, o processo de reaproximação encontra-se paralisado.
As opiniões se dividem sobre Díaz-Canel. Alguns o veem como um reformista que fará avançar as
ainda tímidas mudanças iniciadas por Raúl Castro na esteira do acordo com Obama; outros temem que
ele seja apenas mais um burocrata linha-dura. Em seu discurso de posse, o novo presidente cubano
afirmou que “o mandato dado pelo povo a esta legislatura é dar continuidade à Revolução Cubana em

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O GLOBO. Novo presidente tem que avançar reformas em Cuba. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/opiniao/novo-presidente-tem-que-avancar-
reformas-em-cuba-22610942> Acesso em 20 de abril de 2018.

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um momento histórico crucial, que estará marcado por tudo o que devemos avançar na atualização do
modelo econômico”.
Trump poderia aproveitar a oportunidade histórica e se aproximar do novo presidente cubano, para
construir em cima do acordo Obama-Raúl Castro. Até agora, porém, ele tem evitado sinalizar o acerto do
rival democrata.
Seja como for, Díaz-Canel enfrentará muitos desafios, como a atual animosidade de Washington e a
sombra de Raúl Castro, que ocupará a secretaria-geral do Partido Comunista de Cuba.

Questões

01. (Câmara Municipal de São José dos Campos/SP – Técnico Legislativo – VUNESP-2018) O
país tem um novo leque de armas com capacidade nuclear, incluindo um míssil balístico intercontinental
que torna os sistemas de defesa “inúteis”, anunciou o presidente nesta quinta-feira (1° de março). Esse
míssil tem um alcance mais longo do que qualquer outro e pode atingir praticamente qualquer alvo no
mundo, enfatizou.
(G1, 01.03.2018. Disponível em: <https://goo.gl/tV6uMW> . Adaptado)

A notícia faz referência


(A) aos EUA
(B) à Coreia do Norte
(C) à China
(D) à Rússia
(E) ao Irã

02. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) A crise atual entre os EUA e a Coreia do
Norte se intensificou em 8 de abril, quando, após um teste de míssil frustrado pela Coreia do Norte,
Trump disse ter enviado uma “armada muito poderosa” para a península coreana, uma referência ao
porta-aviões USS Carl Vinson e a um grupo tático.
(Disponível em: <https://goo.gl/20hQJx>. Adaptado)
Entre as reações da Coreia do Norte a essa ação norte-americana, é correto identificar
(A) a decisão de interromper o programa nuclear, o convite público a agentes de inspeção da ONU e
a aproximação com os países vizinhos.
(B) a ruptura com a moderada e conciliatória China, a ameaça de invasão da Coreia do Sul e a
hostilização do Japão.
(C) o seu desligamento da ONU, a expulsão dos diplomatas dos países ocidentais e a aliança com
outros países comunistas.
(D) o pedido de intermediação da China, o recurso à ONU para negociação e o aceno aos EUA com
uma proposta de acordo.
(E) a exibição pública do seu arsenal militar, a realização de novos testes de mísseis e a ameaça de
um ataque nuclear preventivo.

03. (Banco da Amazônia – Técnico Bancário – CESGRANRIO-2018) Mais de 12 mil pessoas já


fugiram de Hamouria, cidade reduto rebelde de Ghouta Oriental, região nos arredores de Damasco que
se encontra cercada pelas forças do governo sírio. O regime cada vez avança mais dentro do território.
Homens, mulheres e crianças, muitos carregando malas, cobertores e pertences, caminhavam a pé, em
uma estrada suja, em direção a postos do exército sírio. Trata-se do primeiro êxodo em massa desde o
início da ofensiva militar, lançada há um mês.
Êxodo em Ghouta. Jornal do Brasil, Internacional, 16 mar. 2018, p. 14.
Na Síria, a situação mencionada é consequência direta do seguinte evento:
(A) desdobramento da guerra civil
(B) acolhimento de imigrantes africanos
(C) ataque da Rússia ao território nacional
(D) enfrentamento com o governo de Israel
(E) litígio com países muçulmanos vizinhos

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04. (Banco da Amazônia – Técnico Científico – CESGRANRIO-2018) Ao quebrar o consenso
internacional em torno do estatuto de Jerusalém, cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, o
presidente Donald Trump conduziu seu país ao isolamento. Uma ampla maioria da Assembleia Geral da
ONU criticou a decisão que coloca um obstáculo à paz. A decisão de Trump contraria uma resolução da
ONU, de 1980, que declarou nulas e sem efeito todas as medidas adotadas por Israel que “modificam o
caráter geográfico e histórico da Cidade Santa”.
ENDERLIN, C. Jerusalém, o erro fundamental. Le Monde Diplomatique Brasil, Ano 11, n. 126, jan. 2018, p. 10. Adaptado.
O texto acima refere-se à decisão do presidente Donald Trump, em dezembro de 2017, de
(A) determinar Jerusalém Oriental como palestina.
(B) transferir a embaixada dos EUA para Tel Aviv.
(C) consultar oficialmente a Autoridade Palestina.
(D) reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
(E) reativar a presença israelense na Faixa de Gaza.

05. (Prefeitura de Fraiburgo/SC – Auditor Fiscal – FEPESE) Em relatório das Nações Unidas, a
guerra civil da Síria foi classificada como “grande tragédia do século 21”.
Sobre a Síria e esse conflito, é incorreto afirmar:
(A) Apesar de ter assinado a Convenção de Armas Químicas, evidências apontam para o uso desse
tipo de armamento pelo governo sírio.
(B) De caráter político, a guerra civil na Síria não envolve divergências religiosas.
(C) Sucedendo seu pai Hafez al-Assad, Bashar al- -Assad está à frente do governo Sírio desde 2000.
(D) Na tentativa de fugir do conflito, milhares de sírios buscam refúgio em outros países, incluindo o
Brasil.
(E) A guerra civil da Síria iniciou-se como uma revolta popular contra a forte repressão do líder do
governo.

06. (Prefeitura de Barretos/SP – Agente de Comunicação Social – VUNESP-2018) A presidente da


Assembleia Constituinte determinou, neste sábado (23/12), a expulsão do embaixador do Brasil, o que
levou o governo brasileiro a se dizer disposto a tomar medida semelhante, abrindo uma crise diplomática
na relação entre os dois países, que já vinha tensa nos últimos anos.
(www.correiobraziliense.com.br – 23.12.17 – Acesso em 09.02.18. Adaptado)
O chanceler brasileiro, Ruy Carlos Pereira, considerado persona non grata foi expulso
(A) da Bolívia
(B) de Cuba
(C) do México
(D) da Argentina
(E) da Venezuela

07. (PC/SP – Auxiliar de Papiloscopista Policial – VUNESP-2018) O Fundo Monetário Internacional


(FMI) avalia como avançadas as negociações para um acordo com o país, que solicitou uma linha de
crédito “stand-by” para combater uma recente crise cambial e seguir adiante com as reformas econômicas
do governo.
(Valor, 4 jun.18. Disponível em: <https://goo.gl/QLCfJU>. Adaptado)
A notícia aborda a situação econômica
(A) Argentina
(B) Chilena
(C) Colombiana
(D) Uruguaia
(E) Paraguaia
Gabarito

01.D / 02.E / 03.A / 04.D / 05.B / 06.E / 07.A

Comentários

01. Resposta: D.
O novo armamento russo batizado de Samart, chegou para substituir o antigo Voyevoda, armamento
ainda da União Soviética e míssil mais pesado do mundo. O anuncio do novo armamento causou agitação
no restante do mundo devido a alegação do Samart ser “imparável”.
<https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/03/russia-testa-novo-missil-balistico-intercontinental.shtml>

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02. Resposta: E
Cerca de uma semana após esse episódio, Pyongyang dá uma resposta indireta ao presidente dos
Estados Unidos através de desfile organizado em comemoração à data de aniversário de seu avô. Segue
o link com a notícia na íntegra e imagens do arsenal exibido pelo líder exército norte-coreano.
03. Resposta: A
É uma questão relacionada aos conflitos que fazem parte da Guerra Civil na Síria, iniciada em 2011 e
ainda reflete na população. <https://oglobo.globo.com/mundo/milhares-de-sirios-fogem-de-ghouta-oriental-diante-de-avanco-pro-governo-22491573>

04. Resposta: D
Trump causou polêmica ao transferir a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. O
apoio aberto do líder estadunidense a Israel apenas inflamou um conflito já antigo entre palestinos e
israelenses. <https://g1.globo.com/mundo/noticia/entenda-por-que-o-reconhecimento-de-jerusalem-como-capital-de-israel-pelos-eua-e-tao-polemico.ghtml>

05. Resposta: B
No caso da Síria, a divisão, que não levou em consideração o complicado e milenar mosaico regional
de etnias e religiões, é vista por muitos como base dos conflitos sectários que corroem o país hoje. Mais
do que a maioria dos países árabes, a população da moderna Síria, que se tornou independente dos
franceses em 1946, é uma frágil teia de comunidades étnicas e sectárias. Dos 23 milhões de sírios, 90%
são árabes, mas também há curdos (9%) e pequenas comunidades armênias, circassianas e turcomanas.
Em termos de religião, a subdivisão é mais complicada: 74% dos sírios são muçulmanos sunitas, 16%
são muçulmanos xiitas (entre alauitas, drusos e ismaelitas) e 10%, cristãos (ortodoxos, maronitas ou
latinos). Junta-se a isso outra subdivisão, a dos clãs familiares, e se tem uma receita para desavenças.

06. Resposta: E
A presidente da Assembleia Constituinte e ex-chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, determinou,
neste sábado (23/12), a expulsão do embaixador do Brasil, Ruy Pereira, o que levou o governo brasileiro
a se dizer disposto a tomar medida semelhante, abrindo um crise diplomática na relação entre os dois
países, que já vinha tensa nos últimos anos. Com a decisão da Venezuela de expulsar Pereira, que está
de férias no Brasil, onde pretende passar as festas de fim de ano com a família, o Ministério das Relações
Exteriores (MRE) do Brasil divulgou nota na qual afirma que, confirmada a atitude do país vizinho,
"aplicará as medidas de reciprocidade correspondentes", o que significa expulsar de Brasília o
embaixador Alberto Efraín Castellar Padilla.
<https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/12/23/interna-brasil,649663/governo-da-venezuela-expulsa-embaixador-do-brasil-em-
caracas.shtml>

07. Resposta: A
A notícia aborda a situação econômica da Argentina. O país que conta com baixas reservas de dólares
teve de recorrer ao FMI para honrar seus compromissos internacionais. Macri sofre com a “saída” de
dólares do país, altas taxas de juros e desvalorização de sua moeda frente ao dólar.

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