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CURSO INTENSIVO DE DIDÁCTICA DO ENSINO SUPERIOR

MÓDULO III – Ética

Tema: Ética no Ensino Superior

Autor: Ademar Anjo Joaquim Abreu

Formador
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Osvaldo A. C. Mame
Caála, 2020
Índice

INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 1

1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................................ 2

1.1 Historial do estudo da ética ............................................................................................................ 2

1.2 Ética – definição e etimologia ........................................................................................................ 3

1.3 Objecto e objectivo da ética ........................................................................................................... 3

1.4 A formação do docente universitário ............................................................................................. 3

2. A dimensão ética da docência .......................................................................................................... 4

2.1 O docente como sujeito ético ......................................................................................................... 5

3. A ética na pesquisa científica ........................................................................................................... 6

3.1 Papel do docente x ética no ensino superior .................................................................................. 7

2. METODOLOGIA ............................................................................................................................ 8

2.1 Tipo de pesquisa ............................................................................................................................ 8

2.2 Métodos.......................................................................................................................................... 8

CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................... 9

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................... 10

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Resumo

O presente artigo apresenta informações sobre a ética em geral e ética no ensino superior. E
enquadra – se no módulo III do Curso Intensivo de Didáctica do Ensino Superior, ministrado no
instituto Superior Politécnico da Caála. Quanto aos procedimentos técnicos, é uma pesquisa
bibliográfica, uma vez que fez-se recurso a várias literaturas relativas ao assunto em estudo, artigos
publicados na internet e que possibilitaram que este artigo fosse escrito. Para a sua realização
utilizou – se o método teórico que foram: indução e dedução - para processar a informação, elaborar
critérios e considerações finais; análise e síntese - permitiu analisar, sintetizar ou resumir os
conteúdos relacionados com os artigos pesquisados sobre a ética no geral e a ética no ensino
superior, assim como a sistematização dos fundamentos teóricos e análises bibliográficas - na
consulta e estudo das diferentes fontes relacionadas sobre a ética no geral e no ensino superior.
Concluiu – se que a ética e a responsabilidade social têm vindo assumir um papel nas sociedades,
organizações, impondo a todos profissionais comportamentos éticos no exercício das suas funções.
As instituições de ensino superior desempenham um papel fundamental, dinamizando a formação
dos estudantes nesta vertente. A importância da ética no ensino superior é evidente, pois ela visa
garantir uma educação comprometida, de qualidade, que forme cidadãos de responsabilidade, com
princípios, já que circunda todos os valores que norteiam a acção estabelecendo regras para o bem
comum, tanto individual como colectivo.

Palavras – chaves: Ética, Ensino, Superior.

ii
Abstract

This article presents information on ethics in general and ethics in higher education. And it fits in
module III of the Intensive Course of Didactics of Higher Education, given at the Higher
Polytechnic Institute of Caála. As for technical procedures, it is a bibliographic search, since it was
made use of several literatures related to the subject under study, articles published on the internet
and that allowed this article to be written. For its realization, the theoretical method was used,
which were: induction and deduction - to process the information, elaborate criteria and final
considerations; analysis and synthesis - allowed to analyze, synthesize or summarize the contents
related to the researched articles on ethics in general and ethics in higher education, as well as the
systematization of theoretical foundations and bibliographic analyzes - in the consultation and study
of the different sources related to the ethics in general and in higher education. It was concluded
that ethics and social responsibility have come to assume a role in societies, organizations, imposing
ethical behavior on all professionals in the exercise of their functions. Higher education institutions
play a fundamental role, boosting the training of students in this area. The importance of ethics in
higher education is evident, as it aims to guarantee a committed, quality education that trains
citizens with responsibility, with principles, since it surrounds all the values that guide the action,
establishing rules for the common good, both individual and collective

Key - words: Ethics, Teaching, Higher Education.

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INTRODUÇÃO

Toda relação interpessoal requer ética. Nas últimas décadas, talvez pela intensificação de assuntos
sociais, a palavra ética é ouvida com grande frequência. Entendemos de modo consistente o
significado da palavra, mas as práticas dos valores morais e éticos precisam, por vezes, ser
exploradas. Em tal contexto nasce a expectativa e os anseios acerca da ética colocada em prática em
nosso cotidiano e, principalmente, no contexto educacional que deve ser voltado para a formação de
pessoas que estruturarão a nossa sociedade (Rocha, 2006).

A postura ética é um fenômeno que ocorre no interior de cada um de nós, assim ela ultrapassa um
pensamento individualista e emerge para o social, distribuindo valores morais e estimulando
comportamentos que transformam a sociedade (Silva, 2014).

O docente, além de seus conhecimentos técnicos e científicos, é tido como referência de conduta, ou
seja, moral para seus alunos. Buscando aporte na História da Educação narrada nas correntes
pedagógicas, o mestre é um espelho que reflete para o aluno exemplificações de postura, decisões,
pensamentos e conceitos.

Assim, o professor, também no contexto universitário, não se deve restringir apenas aos
conhecimentos acadêmicos contemplados em sua área de conhecimento, pois ele é, constantemente,
tido como referencial de conduta para seus alunos.

Logo cabe – me averiguar, por meio de pesquisas bibliográficas pertinentes, a relação entre docente,
discente e a ética percebendo os conflitos existentes e as possibilidades de uma educação voltada
para a transformação social.

O artigo aqui apresentado possui como objectivo geral abordar a ética na profissão docente,
explanando os valores morais e as responsabilidades dos educadores e das instituições de ensino
superior na formação do cidadão.

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1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1.1 Historial do estudo da ética

Aristóteles, filósofo grego nascido em 384 a.c., foi o primeiro a escrever um tratado sistemático
sobre ética, onde associa o conceito de hábito ou costume à terminologia ethos, sendo o primeiro a
falar da ética como um ramo específico da filosofia. Mas tarde este conceito foi traduzido para o
latim que utilizou a expressão mos, moris (deu origem a palavra portuguesa moral), que equivale
também a hábitos ou costumes. Por essa razão o conceito hábito e moram encontram – se muitas
vezes associados, embora hoje em dia o conceito de moral mas associado a princípios normativos e
dogmáticos que fazem a distinção entre o bem e o mal enquanto que o conceito d ética se encontra
associado a um processo comportamental (Guedes, Aleixo e Soares, 2006).

O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder
à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser
formulada, mas difícil de ser respondida, e que é a questão central da ética (Brasil, 1997).

Ao longo do tempo, o tema ética foi muito estudado e sua definição foi sendo modificada em cada
momento da sociedade. Segundo Aristóteles, a ética inicia-se com o estabelecimento da noção de
felicidade. Neste sentido, pode ser considerada uma ética eudemonista por buscar o que é o bem
agir em escala humana, o agir segundo a virtude (Fontes e Batista, 2005).

Na Idade Média, predomina a ética cristã, impregnada de valores religiosos e baseada no amor ao
próximo, que incorpora as noções gregas de que a felicidade é um objectivo do homem e a prática
do bem, um meio de atingi-la. Para os filósofos cristãos, a natureza humana tem destino
predeterminado e Deus é o princípio da felicidade e da virtude. Os critérios de bem e mal estão
vinculados à fé e à esperança de vida após a morte (Baptista ,2005),

Entre a Idade Média e a Moderna, destaca-se o trabalho de Nicolau Maquiavel, que rompe com a
moral cristã, a qual impõe os valores espirituais como superiores aos políticos. Defende a adoção de
uma moral própria em relação ao Estado. O que importa são os resultados, e não a acção política em
si. Por isso, considera legítimo o uso da violência contra os que se opõem aos interesses estatais
(Nalini, 1999).

Os principais filósofos a discutir a ética, nos séculos XVIII e XIX, são o francês Jean-Jacques
Rousseau e os alemães Immanuel Kant e Friedrich Hegel. Segundo Rousseau, o homem é bom por
natureza e seu espírito pode sofrer aprimoramento quase ilimitado. Para Kant, a ética está centrada
na noção de dever. Parte das ideias da vontade e do dever, conclui então pela liberdade do homem,
cujo conceito não pode ser definido cientificamente, mas que tem de ser postulado sempre, sob pena

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de o homem se rebaixar a um simples ser da natureza. Kant também reflete sobre a felicidade e
sobre a virtude, mas sempre em função do conceito de dever. Hegel divide a ética em subjetiva ou
pessoal e objetiva ou social. A primeira é uma consciência do dever; a segunda, formada por
costumes, leis e normas de uma sociedade (Imbert ,2002).

Na época contemporânea, o filósofo inglês Bertrand Russell afirma que a ética é subjetiva, não
contendo afirmações verdadeiras ou falsas. Defende, porém, que o ser humano deve reprimir certos
desejos e reforçar outros se pretende atingir a felicidade ou o equilíbrio.

Segundo Assmann (2000), o compromisso ético resulta da consciência emergente no ser humano de
que ele precisa construir uma sociedade onde caibam todos, pois, de acordo com Freire (2001,
p.36), “ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho; os seres humanos se libertam em
comunhão, mediatizados pelo mundo.” Neste sentido, a ética pode ser compreendida como uma
permanente reflexão a respeito dos valores que orientarão a travessia humana.

1.2 Ética – definição e etimologia

A ética é um ramo da filosofia que lida com o que é moralmente bom ou mau, certo ou errado. As
palavras ética e moral têm a mesma base etimológica: a palavra grega ethos e a palavra latina
moral, ambas significam hábitos e costumes (Nash, 1993, p.6).

A ética, como expressão única do pensamento correcto conduz à ideia da universalidade moral, ou
ainda, à forma ideal universal do comportamento humano, expressa em princípios válidos para todo
pensamento normal e sadio (Saldanha, 1998).

1.3 Objecto e objectivo da ética

A ética, enquanto ramo do conhecimento, tem por objecto o comportamento humano do interior de
cada sociedade. O estudo desse comportamento, com o fim de estabelecer os níveis aceitáveis que
garantam a convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objectivo da ética.

1.4 A formação do docente universitário

A área de formação de professores tem se preocupado em estudar os processos pelos quais os


professores aprendem e desenvolvem sua competência profissional tanto individual quanto
coletivamente, estudando os processos pelos quais os professores adquirem ou melhoram seus
conhecimentos para intervirem profissionalmente no desenvolvimento do seu ensino, do currículo e
da instituição (Pachane, 2006).

Segundo Sobrinho (1998), os cursos intensivos ou de pós-graduação, mesmo sem descuidar de seus
conteúdos particulares, não poderiam negligenciar, ou melhor, deveriam mesmo incluir em sua

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agenda a prioridade da formação de professores, para que estes pudessem contribuir para a
construção de uma universidade crítica e socialmente relevante.

2. A dimensão ética da docência

A acção educativa é profundamente imbuída de significado ético. Sacristán (1999) realiza uma
sólida reflexão e, para nós, profundamente inspiradora, a respeito do caráter moral da ação
educativa. Essa reflexão, cujos principais argumentos sintetizamos aqui, nos leva a pensar na
importância dessas questões para a formação de professores.

O autor argumenta que, se pensarmos a acção docente como algo que é movido por motivos, temos
como consequência a consideração do ensino como um assunto moral, uma vez que opera sobre
seres humanos e para isso é preciso que haja critérios sobre o que se possa fazer com eles. É preciso
deixar claro que isso não quer dizer que o ensino deva tratar da transmissão

de valores morais, mas sim de que o ensino em si mesmo é um problema moral. O ensino
compreendido dessa forma integra uma autonomia que exige opções e compromissos.

Segundo o Gimeno Sacristán (1999), a única prática educativa aceitável é a prática boa, a que busca
o bem humano. Essa afirmação baseia-se em Aristóteles (1979, p.49), para quem “toda arte e toda
investigação, assim como toda escolha, têm em mira um bem qualquer”.

Qualquer que seja a acção ou proposta de mudanças em relação à formação do docente


universitário, a principal mudança deveria ocorrer em termos de instituição universitária como um
todo. Como bem argumenta Santos (2000), a universidade deveria pautar-se por três princípios: a
prioridade da racionalidade moral prática e da racionalidade estético-expressiva sobre a
racionalidade cognitivo-instrumental, tirando as humanidades da marginalidade na produção e
distribuição dos saberes universitários.

A reflexão a respeito do valor ético que compõe o ensino é essencial para a boa prática, para a
formação e aperfeiçoamento dos professores, resgatando o ensino do círculo das práticas
improvisadas, da técnica de valor universal transposta para qualquer situação, da tecnologia baseada
em leis científicas externas. Mediante a reflexão esclarecem-se os fins e desejos pessoais e coletivos
após cuja avaliação decide-se em prol de determinados compromissos, pois “ainda que atuemos em
contextos predeterminados que nos condicionam, cada acção é sempre radicalmente única e
incorpora a necessidade de orientar-se por critérios (Sacristán, 1999, p.45).

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2.1 O docente como sujeito ético

As hipóteses que podem sustentar estas características desejáveis estão fundamentadas em alguns
princípios orientadores, tais como: conscientização, autonomia, intencionalidade, responsabilidade,
competência e compromisso. Com estes pressupostos, consideramos desejável que todo docente de
ensino superior:

 Se reconheça como professor, o que nem sempre acontece. Como nos alertam Batista e
Batista (2002) discutir a formação do professor universitário é estar atento às exigências
sociais e às circunstâncias históricas e contextuais em que se desenrola essa formação. É
também trabalhar para a concretização de uma demanda historicamente construída: a
necessidade de o professor universitário reconhecer e assumir a docência como profissão!
 Esteja consciente do significado deste papel e saiba que este é indissociado do papel de
educador. Para tanto, seria necessário conceber a educação como projeto de
desenvolvimento humano e social e agir comprometido com esse projeto, com os fins que
orientam a educação. Tenha a oportunidade de aprimorar conhecimentos a respeito de ética
em geral, e ética profissional aplicada à docência. Estes conhecimentos poderiam
desencadear a reflexão necessária que possibilitaria uma conscientização sobre a
importância da conduta ética na profissão e, sobretudo sobre as consequências dos atos
educativos.
 Seja estimulado a refletir com propriedade sobre sua própria prática, verificando até que
ponto age determinado pelas circunstâncias, contingências e demandas externas, em certos
casos, de lógica de mercado que prevalecem atualmente, ou se é movido por uma
intencionalidade que se traduz em objectivos educacionais mais amplos que a simples
obrigação de cumprir a meta imediata de transmissão de conteúdos.
 Perceba a necessidade de distanciar-se das práticas improvisadas e saiba que o ensino deve
se orientar por critérios. Observe que cada ação no magistério tem um significado, gera
consequências. Cada acção, cada escolha, é uma possibilidade, entre outras, e por isso
mesmo deve ser calculada, planejada, baseada em critérios e objetivos educacionais.
 Possa desenvolver estudos que envolvam ética e ciência e a partir disso, possa reconhecer
que o conhecimento não é neutro e que cientistas e intelectuais podem, muitas vezes, sem
saber, estar a serviço de outros interesses que nem sempre são defensáveis, do ponto de vista
ético.
 Dê o devido valor ao ensino, reconheça a centralidade deste para a docência e sua
importância como possibilidade de intervenção na formação de mentalidades.

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 Reconheça-se como autor de suas ações e escolhas na condução de suas práticas educativas
e assuma-se como responsável pelas consequências geradas por estas.
 Seja livre e tenha autonomia para posicionar-se diante das complexas questões educativas e
aja em consonância com princípios e valores éticos, aplicando estes princípios e valores em
a sua prática cotidiana. Dessa forma, seu trabalho, na área educativa, revelaria o
compromisso com um projecto educativo vinculado com um projeto de sociedade mais justo
e mais digno para todos os homens.
 Assuma a responsabilidade de seu papel de educador e conceba a tarefa educativa como
indissociável do trabalho docente, uma vez que não há neutralidade em educação. Seja
consciente de que não é possível para nenhum professor ser apenas um mero repassador de
conteúdos e técnicas, atuando apenas no plano objetivo ou “científico” do conhecimento,
pois durante todo o tempo de sua ação, estará lidando com subjetividades, sentimentos e
valores.

Nesse aspecto, Freire (1979) destaca que é papel do educador assumir seu compromisso em
colaborar com um processo de transformação da sociedade.

 Seja capaz de realizar o trabalho docente com competência, realizando uma articulação
dialética entre a competência técnica e a competência política, tendo à ética como mediadora
dessa articulação (RIOS, 1995). Para Freire (1998), a competência do docente é uma
exigência ética e é ela que lhe confere a força e a autoridade moral para exercer sua tarefa.

3. A ética na pesquisa científica

Creswell e Clark (2014), alertam para o facto de que as questões éticas devem ser consideradas
durante todo o processo de elaboração de uma proposta, inclusive antes mesmo da realização do
próprio estudo. Portanto, trata-se de uma preocupação que deve ser antecipada nas diversas fases da
investigação. Neste sentido, os autores apresentam uma relação das questões éticas que devem ser
consideradas em cada uma das quatro fases da pesquisa, divididas em início do estudo, coleta de
dados, análise de dados e no relato, compartilhamento e armazenamento de dados.

Segundo Campos e Costa (2007), a pesquisa se tornou uma denominação genérica para a recolha de
dados e produção de informações em áreas variadas. Para os autores a questão de confiabilidade das
fontes e rigor dos métodos utilizados tem transcendido a importância dada ao uso dos resultados
produzidos. Portanto, ética na pesquisa não se refere apenas à concepção do como fazer, mas
também com a preocupação do porquê e para quem fazê-lo.

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Ao encontro deste entendimento, Spink (2012) apresenta dois pontos a serem considerados ao se
tratar de ética na pesquisa. O autor aponta que ética na pesquisa se refere primordialmente, à
utilidade do conteúdo investigado e para quem ele será direcionado. Ainda alerta para o facto de
que quando um pesquisador se propõe a realizar um trabalho científico, inevitavelmente ele assume
questões morais e éticas simultaneamente, para tal é necessário que o pesquisador evite alguns
exemplos de má conduta tais como: autoria indevida (por meio de plágio, Autoplágio, abuso de
autoridade); conflitos de interesse que podem comprometer os resultados da pesquisa e Falsificação
ou manipulação de dados/resultados.

3.1 Papel do docente x ética no ensino superior

Quando se fala em ética e o papel do docente do ensino superior, a principal palavra que define esta
relação é reflexão. É a reflexão que permite aos professores o desenvolvimento consciente e
informado de revelações sobre sua prática, atingindo maior competência profissional e ética.

Um educador forma através dos próprios valores, sendo ele próprio um modelo. Mais do que suas
palavras, será a sua postura ética o principal modelador de valores para seus alunos.

Para isso, o perfil do docente do ensino superior não deve se restringir a apenas deter
conhecimentos técnicos referentes à sua disciplina, pois ele, a todo o momento, é tido como
referencial de conduta para os seus acadêmicos. Portanto, é de fundamental importância que o
professor se perceba como agente transformador, para poder, de forma consciente, intervir na
formação dos alunos sob sua responsabilidade.

Conforme Rios (1997), é preciso pensar que o educador ético e competente é um educador
comprometido com a construção de uma sociedade justa, democrática, na qual saber e poder tenham
equivalência enquanto elementos de interferência no real e na organização de relações de
solidariedade, e não de dominação entre os homens. Uma visão clara, abrangente e profunda do
papel que desempenha na sociedade permite ao educador uma atuação mais completa e coerente. A
atitude crítica do docente sobre os meios e os fins de sua atuação o ajudará a caminhar mais
seguramente na direção de seus objectivos.

Segundo a UNESCO (2000), o professor deve estabelecer uma nova relação com quem está
aprendendo; passar do papel de solista ao de acompanhante, tornando-se não mais alguém que
transmite conhecimentos, mas aquele que ajuda os seus alunos a encontrar, organizar e gerir o
saber, guiando, mas não modelando os espíritos, demonstrando grande firmeza quanto aos valores
fundamentais que devem orientar toda a vida.

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2. METODOLOGIA

2.1 Tipo de pesquisa

De acordo com Köche, (1997), a pesquisa possibilita uma aproximação e um entendimento da


realidade a investigar, como um processo permanentemente inacabado. Ela se processa através de
aproximações sucessivas da realidade, fornecendo subsídios para uma intervenção no real.

Quanto aos procedimentos técnicos, o presente artigo é uma pesquisa bibliográfica, uma vez que
fez-se recurso a várias literaturas relativas ao assunto em estudo, artigos publicados na internet e
que possibilitaram que este artigo tomasse forma para a sua realização.

Segundo Marconi e Lakatos (1992), a pesquisa bibliográfica é o levantamento de toda a bibliografia


já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. A sua finalidade é
fazer com que o pesquisador entre em contacto directo com todo o material escrito sobre um
determinado assunto, auxiliando o cientista na análise de suas pesquisas ou na manipulação de suas
informações. Ela pode ser considerada como o primeiro passo de toda a pesquisa científica.

2.2 Métodos

Para Silva e Menezes (2005, p. 20), “o método científico é o conjunto de processos ou operações
mentais que se devem empregar na investigação”.

Para a elaboração do presente artigo utilizou – se o método teórico onde se destacam:

 Indução e dedução: para processar a informação, elaborar critérios e considerações finais.


 Análise e síntese: permitiu analisar, sintetizar ou resumir os conteúdos relacionados com os
artigos pesquisados sobre a ética no geral e a ética no ensino superior, assim como a
sistematização dos fundamentos teóricos.
 Análises bibliográficas: na consulta e estudo das diferentes fontes relacionadas sobre a ética
no geral e no ensino superior.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim como em toda relação interpessoal, é sabido que nem sempre a relação professor e aluno é
salubre e promove um vínculo adequado. Todavia, os professores universitários, quando
conscientes de seu papel carregam consigo a responsabilidade e a gana por uma sociedade mais
justa. Sendo assim, toda a jornada da relação professor e aluno deve ser vivenciados com base nos
valores vitais para a vida social: respeito, cordialidade, ética, empatia e educação.

A educação, pautada numa postura ética, exige dos educadores uma acção com responsabilidade, ou
seja, habilidades de oferecer respostas mais adequadas às demandas, à medida que essas se
apresentam. Compete à educação elevar o desenvolvimento humano, possibilitar a formação de
sujeitos participativos e responsáveis pelas mudanças e conquistas sociais.

A importância da ética no ensino superior é evidente, pois ela visa garantir uma educação
comprometida, de qualidade, que forme cidadãos de responsabilidade, com princípios, já que
circunda todos os valores que norteiam a ação estabelecendo regras para o bem comum, tanto
individual como colectivo.

As atitudes diárias, baseadas em tais valores, estabelecem a confiança entre professor e aluno,
tecendo fios que fortalecem uma relação permeada pela ética. Sendo assim, juntamente com os
conhecimentos técnicos e científicos, o professor transmite para o aprendiz os saberes morais e
éticos, que lhes proporcionará uma formação global, corroborando para a sua postura profissional e
cidadã.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Aristóteles. (1979). Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural.


2. Assmann, H. (2000). REENCANTAR A EDUCAÇÃO: RUMO À SOCIEDADE
APRENDENTE.
3. Baptista, I. (2005). DAR ROSTO AO FUTURO: A EDUCAÇÃO COMO COMPROMISSO
ÉTICO.
4. BRASIL. (1997). PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: APRESENTAÇÃO DOS
TEMAS TRANSVERSAIS, ÉTICA.
5. Campos, A. M. S. M., & Costa, I. S. A. (2007). Espaços e caminhos para a pesquisa em
administração: estimulando a prática da reflexividade.
6. Creswell, J. W., & Clark, V. L. P. (2014). Designing and conducting mixed methods
research.
7. Fontes, C. L., Batista, H. M. (2005). ÉTICA NA DOCÊNCIA: UM ESTUDO NAS
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DE NATAL/RN.
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PEDAGOGIA DO OPRIMIDO.
9. Guedes, M.A., Aleixo, M. C., & Soares, M.H. (2006). Ética: ensino eresponsabilidade
social.
10. Imbert, F. (2002). A QUESTÃO DA ÉTICA NO CAMPO EDUCATIVO.
11. Köche, J. C. (1997). Fundamentos de metodologia científica: teoria e prática da pesquisa.
Gil, A. C. (2007). Métodos e técnicas de pesquisa social.
12. Marconi, M. A., & Lakatos, E. M. (1992). Metodologia do trabalho científico.
13. NALINI, J. R. (1999). ÉTICA GERAL E PROFISSIONAL. 2 ED. SÃO PAULO: RT
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14. Nash, L. (1993). Ética nas empresas.
15. Pachane, G. G. (2006). Teoria e prática na formação de professores universitários:
elementos para discussão.
16. Rios T. A. (1995). Ética e competência.
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18. Rocha, C. B. R.; Correia, G. C. S. (2006). ÉTICA NA DOCÊNCIA DO ENSINO
SUPERIOR.
19. Rocha, C. B., Correira, G. S. (2006). Ética na docência do Ensino Superior.
20. Sacristán, G. J. (1999). Poderes instáveis em educação.

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22. Santos, B. S. (2000). Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade.
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dissertação.

24. Silva, M. S. (2014). Um Pensar Sobre a Ética nas Relações Docente e Aluno no Ensino
Superior.

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26. Spink, P. K. (2012). Ética na pesquisa científica.
27. Triviños, A. N. S. (1987). Introdução à pesquisa
28. UNESCO (2000). Os sete saberes necessários à educação do futuro.

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