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20/07/2020 :: 510003283769 - eproc - ::

Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária do Rio de Janeiro
23ª Vara Federal do Rio de Janeiro
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PROCEDIMENTO COMUM Nº 5036236-90.2020.4.02.5101/RJ


AUTOR: LYGIA MARIA COLLOR JOBIM
RÉU: UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO
RÉU: REGINA BLOIS DUARTE

DESPACHO/DECISÃO

I - LYGIA MARIA COLLOR JOBIM, ajuizou a presente Ação de Reparação de


Danos Morais c/c Obrigação de Fazer em face de UNIÃO e de REGINA BLOIS DUARTE,
visando a reparação de danos morais no valor de R$ 70.000,00 e obrigação de fazer retratação
pública.

Como causa de pedir, a autora alega que a segunda ré, na qualidade de


Secretária de Cultura, concedeu entrevista exclusiva ao canal de televisão CNN Brasil, no dia
7/5/2020, tendo feito comentários desrespeitos às vítimas do regime ditatorial, cujas
falas diminuíram e ridicularizaram o sofrimento da autora e de seus familiares, causando-
lhe dano moral por reviver a morte de José Jobim, pai da autora, o qual segundo apurado
pela Comissão Nacional da Verdade, que o óbito ocorrido por volta de 24/3/1979, se deu em
razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto de
perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao
regime ditatorial de 1964 a 1985.

Pede a gratuidade de justiça e prioridade de tramitação.

Decisão do ev. 6 deferindo a gratuidade de justiça e a prioridade de tramitação,


intimando a autora para esclarecer a legitimidade passiva da ré REGINA BLOIS DUARTE.

Petição do ev. 9 com esclarecimentos da autora, sustentando que a tese da dupla


garantia construída pelo STF deve se dar em proveito do particular.

Decido.

Cumpre indeferir a inicial em relação à ré REGINA BLOIS DUARTE nos


termos do art. 330, II, do CPC, com fundamento no art. 37, §6º da Constituição Federal.

Com efeito, o STF, no julgamento do RE nº 1.027.633/SE, Rel. Min. Marco


Aurelio Mello, com acórdão publicado em 6/12/2019, submetido à sistemática da repercussão
geral, produziu a Tese 940 que afasta a legitimidade passiva do agente público nas ações
movidas em face do Estado com base no art. 37, p. 6o da Constituição:

A teor do disposto no art. 37, §6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por
agente público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado
prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
5036236-90.2020.4.02.5101 510003283769 .V19
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Os fundamentos de responsabilização do ente público e do agente que praticou
o ato em nome daquele são diversos e a tese da dupla garantia consagrada pelo STF
viabiliza que o particular ajuíze ação somente contra o ente público aplicando a Teoria da
Responsabilidade Objetiva do Estado, deixando ao ente público o encargo de discutir dolo e
culpa em eventual ação de regresso, já que a responsabilidade civil do agente público é
subjetiva.

Sendo assim, indefiro em parte a inicial e julgo extinto o processo em relação a


ré REGINA BLOIS DUARTE, e consequentemente em relação ao item e do pedido, com
fundamento na Tese 940 do Eg. STF e nos arts. 330, II e 485, I e VI do CPC. Sem honorários
por não ter sido completada a relação processual.

II- Considerando que a matéria não comporta autocomposição, deixo de


designar audiência de conciliação, conforme art. 334, §4º, II do NCPC.

III - Cite-se a União.

Se na contestação forem alegadas quaisquer das matérias dos artigos 337 ou


350 do NCPC, dê-se vista ao autor na forma do art.351, devendo ainda identificar e justificar
as provas que pretende produzir, no prazo de 15 (quinze) dias. Em seguida, a ré sobre provas
pelo mesmo prazo.

Caso não seja hipótese de manifestação na forma do artigo 351 do NCPC, às


partes no prazo comum de 5 (cinco) dias sobre provas.

Nada sendo requerido, venham conclusos para sentença. (MA/al)

Documento eletrônico assinado por MARIA AMELIA ALMEIDA SENOS DE CARVALHO, Juíza Federal, na forma
do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 2ª Região nº 17, de 26 de março de
2018. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico https://eproc.jfrj.jus.br,
mediante o preenchimento do código verificador 510003283769v19 e do código CRC ca9798c7.

Informações adicionais da assinatura:


Signatário (a): MARIA AMELIA ALMEIDA SENOS DE CARVALHO
Data e Hora: 20/7/2020, às 15:14:30

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