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DIREITO ELEITORAL

JUSTIÇA ELEITORAL

Por Priscilla Von Sohsten


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SUMÁRIO

1 PONTOS INICIAIS.........................................................................................................................................3

1.1 ORGANIZAÇÃO E EXERCÍCIO DOS DIREITOS POLÍTICOS.......................................................................4

1.2 REGRAS DO VOTO OBRIGATÓRIO........................................................................................................8

1.2.1 OBRIGATORIEDADE DO VOTO.....................................................................................................8

2 ORGÃOS DA JUSTIÇA ELEITORAL...............................................................................................................11

2.1 CARACTERÍSTICAS DA JUSTIÇA ELEITORAL.........................................................................................11

2.2 FUNÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL......................................................................................................12

2.3 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL.......................................................................................................13

2.3.1 COMPETÊNCIA JUDICIAL ORIGINÁRIA DO TSE............................................................................16

2.3.2 COMPETÊNCIA JUDICIAL RECURSAL DO TSE...............................................................................20

2.3.3 COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVA, CONSULTIVA E NORMATIVAS DO TSE................................21

2.4 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL.......................................................................................................23

2.4.1 COMPETÊNCIA ORIGINAL JUDICIÁRIA DO TRE...........................................................................26

2.4.2 COMPETÊNCIA RECURSAL DO TRE.............................................................................................27

2.4.3 COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVA, CONSULTIVA E NORMATIVA DO TRE..................................28

2.5 JUÍZES ELEITORAIS.............................................................................................................................31

2.5.1 COMPETÊNCIA DOS JUÍZES ELEITORAIS.....................................................................................32

2.6 JUNTAS ELEITORAIS...........................................................................................................................33

2.6.1 COMPETÊNCIA DAS JUNTAS ELEITORAIS....................................................................................35

2.7 MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL......................................................................................................36

3 DISPOSITIVOS PARA CICLO DE LEGISLAÇÃO..............................................................................................37

4 BIBLIOGRAFIA UTILIZADA.........................................................................................................................37
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ATUALIZADO EM 27/04/2018

JUSTIÇA ELEITORAL

Pessoal, Justiça Eleitoral é um dos temas mais importantes do Direito Eleitoral. Se esta matéria estiver
no seu edital, com certeza alguma pergunta de sua prova vai estar nesta FUC. De início, vamos tratar dos 11
primeiros artigos do Código Eleitoral. São dispositivos que trazem algumas regras gerais e orientações iniciais
quanto ao Código Eleitoral.

1 PONTOS INICIAIS

Primeiramente devemos saber que o Código Eleitoral foi editado quando vigorava no Brasil a
Constituição de 1946. Desse modo, o CE foi elaborado segundo as diretrizes estabelecidas naquela Constituição.
Houve sucessivos textos constitucionais, mas o CE manteve-se lá e está em vigor até os dias atuais. Contudo,
para que possa ser aplicado atualmente, deve respeitar a Constituição Federal de 1988.
Segundo a Constituição de 1988, a organização e competência de tribunais, juízes de direito e juntas
eleitorais, deve ser tratada mediante lei complementar. É o que dispõe o art. 121, caput, da CF:

Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das
juntas eleitorais.

O CE, contudo, foi editado como uma lei ordinária. E ai, como fica, coach? Embora tenha sido editado
na origem como lei ordinária, foi recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar na parte que
disciplina a organização e competência da Justiça Eleitoral.
#IMPORTANTE: percebam que a parte recepcionada como lei complementar é apenas aquela que disciplina a
organização e competência da Justiça Eleitoral. As demais normas do Código permanecem como lei ordinária e
devem ser confrontados com a legislação eleitoral, primeiramente em relação à CF e, depois, com a Lei das
Eleições e a Lei dos Partidos Políticos.

1.1 ORGANIZAÇÃO E EXERCÍCIO DOS DIREITOS POLÍTICOS

Prevê o art. 1º do Código Eleitoral:

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As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de
diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos,
porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do
material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas
jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos
eventos anteriormente citados.
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Art. 1º Este Código contém normas destinadas a assegurar a organização e o exercício de direitos políticos
precipuamente os de votar e ser votado.
Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá Instruções para sua fiel execução.

O Direito Eleitoral cuida das diversas regras relativas ao exercício dos direitos políticos, especialmente,
aqueles relativos às eleições. Deste modo, o CE, como principal diploma de Direito Eleitoral, disciplina regras
relativas à organização e ao exercício dos direitos políticos. O CE é norma geral, que estabelece uma série de
regras que serão aplicadas juntamente com a Lei das Eleições, Lei das Inelegibilidades, Lei dos Partidos Políticos,
entre outros. Ademais, são editadas resoluções que tem por finalidade regulamentar a execução da legislação
eleitoral.
O art. 2º, por sua vez, possui redação semelhante ao art. 1º, parágrafo único, da CF, ao estabelecer
que:

Art. 2º Todo poder emana do povo e será exercido em seu nome, por mandatários escolhidos, direta e
secretamente, dentre candidatos indicados por partidos políticos nacionais, ressalvada a eleição indireta nos
casos previstos na Constituição e leis específicas.

De acordo com a doutrina, esse dispositivo retrata o princípio democrático, ao conferir ao povo o
exercício da soberania. A soberania é exercida direita ou indiretamente pelo povo brasileiro. O exercício direto
da soberania remete ao estudo do plebiscito, do referendo e da iniciativa popular, que é objeto de legislação
específica. Já o exercício indireto ou representativo da soberania será exercido pelo voto, cuja disciplina consta
do CE.
Os arts. 3º ao 6º do CE disciplinam a aquisição dos direitos políticos e a capacidade eleitoral ativa e
passiva, com os requisitos e condições previstos na CF e na legislação. O art. 3º do CE trata da capacidade
eleitoral passiva (direito de ser votado) nos seguintes termos:

Art. 3º Qualquer cidadão pode pretender investidura em cargo eletivo, respeitadas as condições constitucionais
e legais de elegibilidade e incompatibilidade.
Para o cidadão concorrer às eleições, ele deverá observar algumas regras específicas. Essas regras são
agrupadas em duas categorias: condições de elegibilidade e hipóteses de inelegibilidade (notem que o CE fala
em incompatibilidade).
As condições de elegibilidade estão previstas na CF, no CE e também na Lei das Eleições. São
pressupostos que o candidato deverá preencher para poder concorrer a mandatos eletivos. Entre os exemplos
de condições de elegibilidade temos o domicílio eleitoral na circunscrição, idade mínima a depender do cargo
para o qual concorra, filiação a partido político, entre outros.
As hipóteses de inelegibilidade constituem impedimentos, que impedem o acesso a cargos públicos
em razão da conduta imoral ou ilegal adotada pelo cidadão. Por exemplo, se o cidadão for condenado por
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improbidade administrativa, ficará inelegível. Do mesmo modo, se condenado por crime de corrupção, também
sofrerá o impedimento. Essas regras são disciplinadas na CF, mas principalmente na Lei de Inelegibilidades.
O art. 4º do CE trata da capacidade eleitoral ativa, que é o direito de exercer o voto.

Art. 4º São eleitores os brasileiros maiores de 18 anos que se alistarem na forma da lei.

Em relação à expressão “maiores de 18 anos”, deverá ser lida com a regra específica, prevista na CF,
segundo a qual poderão alistar-se, de forma facultativa, os maiores de 16 anos e menores de 18.
Os arts. 5º e 6º, por sua vez, estabelecem uma série de requisitos para que a pessoa possa se alistar,
ou seja, possa votar. Parte desses dispositivos, no entanto, não se aplica dada a incompatibilidade com a CF:

Art. 5º Não podem alistar-se eleitores:


I - os analfabetos;
II - os que não saibam exprimir-se na língua nacional;
III - os que estejam privados, temporária ou definitivamente dos direitos políticos.

Conforme consta da CF, os analfabetos são eleitores facultativos, ou seja, não estão impedidos de
alistar-se como consta do dispositivo acima. Já a expressão “não saibam se exprimir na língua nacional” deve ser
analisada com ressalvas. Há posicionamento do TSE que afirma que esse dispositivo é inaplicável, pois exclui os
indígenas não-integrados, a quem deveria ser assegurado o direito de votar.
Quanto à inalistabilidade, devemos aplicar o art. 14, §2º, da CF:
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os
conscritos.

São inalistáveis
Estrangeiros
segundo a
Constituição
Federal Conscritos
Também é inaplicável o parágrafo único do artigo 5º do CE, senão vejamos:
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Parágrafo único - Os militares são alistáveis, desde que oficiais, aspirantes a oficiais, guardas-marinha,
subtenentes ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de
oficiais.

Em relação ao alistamento dos militares, devemos aplicar a regra constante do art. 14, §8º, da CF:

§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:


I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

Portanto, a regra constitucional acima é muito diferente do que prevê o parágrafo único do art. 5º do
CE.

Art. 6º O alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de um e outro sexo, salvo:
I – quanto ao alistamento:
a) os inválidos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os que se encontrem fora do país.
II – quanto ao voto:
a) os enfermos;
b) os que se encontrem fora do seu domicílio;
c) os funcionários civis e os militares, em serviço que os impossibilite de votar.

O artigo 6º do Código Eleitoral dispõe que o alistamento e o voto serão obrigatórios aos maiores de 18
anos. Até aí, está plenamente compatível com a CF. No entanto, na sequência elenca três situações em que o
alistamento não será obrigatório:
 Inválidos: essa expressão é equivocada, na verdade, refere-se à pessoa com deficiência. No
entanto, o parágrafo primeiro do art. 76 do Estatuto da Pessoa com Deficiência estipula que “à
pessoa com deficiência será assegurado o direito de votar e de ser votada...” Ao mesmo
tempo, dispõe o artigo 1º da Resolução 21.920 do TSE que “O alistamento eleitoral e o voto
são obrigatórios para todas as pessoas portadoras de deficiência”.
 Maiores de 70 anos: não apenas o alistamento, como o voto são facultativos conforme se
extrai da CF.
 Quem se encontra fora do país: quem tiver domicílio fora do país deverá votar apenas nas
eleições presidenciais. Logo, não é aplicável a regra do CE.
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#ATENÇÃO #CAIUEMPROVA #TJPR2017: Apesar do exposto acima, o CESPE considerou como correta a seguinte
assertiva: “o alistamento eleitoral é obrigatório para os brasileiros, sem distinção de sexo, salvo os inválidos, os
maiores de setenta anos de idade e os que se encontrem fora do país.” A banca adotou a redação literal do
artigo 6º do CE! E ai? O que fazer? Calma! Se a assertiva mencionar expressamente o Código Eleitoral, você deve
marcar a opção que reproduz literalmente o dispositivo daquele diploma legal. No entanto, se o examinador
não mencionar a legislação que deve ser levada em conta para a resolução da questão, e dentre as opções de
respostas, houver outra assertiva correta, esta deverá ser assinalada.

Em relação às hipóteses que o voto não é obrigatório, o CE também prevê três hipóteses. Aqui não
temos uma situação de incompatibilidade material em relação à CF, mas impropriedade técnica.
 Enfermos: caso a pessoa esteja doente e não possa votar no dia das eleições, terá o prazo de
60 dias após o pleito para comparecer à Justiça Eleitoral e comprovar a situação impeditiva.
 Fora do domicílio: quem estiver fora do domicílio deverá justificar a abstenção, sob pena de
multa.
 Funcionários civis/militares impossibilitados de votar: deverão justificar a impossibilidade
perante a Justiça Eleitoral.

1.2 REGRAS DO VOTO OBRIGATÓRIO

Quanto às regras que definem o alistamento e voto obrigatório, facultativo ou não permitido,
devemos levar em consideração o art. 14, §1º, da CF.

1.2.1 OBRIGATORIEDADE DO VOTO

Em regra, o exercício do voto é obrigatório. Em razão disso, se o eleitor não votar deverá justificar o
voto no prazo de 60 dias e não de 30 como prevê o CE. Essa regra vem insculpida no art. 7º da Lei nº 6.091/1974
que tem prevalência perante o CE uma vez que é lei posterior.

Art. 7º O eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral até 30 (trinta) dias após a
realização da eleição, incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o salário-mínimo da região,
imposta pelo juiz eleitoral e cobrada na forma prevista no art. 367.

E se o eleitor não votar e não justificar o voto no prazo de 60 dias, o que acontece?
 Deverá pagar uma multa entre 3 e 10% do salário mínimo.
 Não poderá inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-se ou empossar-
se neles;
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 Não receberá vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público,
autárquico ou para estatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de
qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público
delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição;
 Não poderá participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos Estados, dos Territórios,
do Distrito Federal ou dos Municípios, ou das respectivas autarquias;
 Não poderá obter empréstimos nas autarquias, sociedades de economia mista, caixas econômicas
federais ou estaduais, nos institutos e caixas de previdência social, bem como em qualquer
estabelecimento de crédito mantido pelo governo, ou de cuja administração este participe, e com essas
entidades celebrar contratos;
 Não poderá obter passaporte ou carteira de identidade;
 Não poderá renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo;
 Não poderá praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda.

#ATENÇÃO: a impossibilidade de obtenção do passaporte pelo eleitor que não votou, pagou ou justificou não
será aplicada aos eleitores que estiverem no exterior e que requeiram novo passaporte para identificação e
retorno ao Brasil, ou seja, embora esteja em falta com a Justiça Eleitoral, está sem o passaporte e não tem
documento de identificação para retornar ao Brasil.

Será cancelada a inscrição do eleitor que não votar em 3 eleições consecutivas, não pagar a multa ou
não se justificar no prazo de 6 meses, a contar da data da última eleição que deveria ter comparecido. Portanto,
a inscrição na Justiça Eleitoral será cancelada caso:
Cancelamento da
inscrição

NÃO PAGAR A MULTA


NÃO VOTAR POR 3
ELEIÇÕES CONSECUTIVAS
NÃO JUSTIFICAR O VOTO
NO PRAZO DE 6 MESES

Ainda não acabou! Vamos em frente! O art. 8º do CE dispõe:


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Art. 8º O brasileiro nato que não se alistar até os 19 anos ou o naturalizado que não se alistar até um ano depois
de adquirida a nacionalidade brasileira, incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o valor do
salário-mínimo da região, imposta pelo juiz e cobrada no ato da inscrição eleitoral através de selo federal
inutilizado no próprio requerimento.
Parágrafo único. Não se aplicará a pena ao não alistado que requerer sua inscrição eleitoral até o centésimo
primeiro dia anterior à eleição subsequente à data em que completar dezenove anos.

#CAIEMPROVA: esse dispositivo traz o denominado ALISTAMENTO INTEMPESTIVO. Embora com 18 anos
completos a pessoa seja obrigada a se alistar e a votar, sofrerá multa apenas se não se alistar até os 19 anos.
São duas coisas distintas, a obrigatoriedade do voto que ocorre a partir dos 18 e a multa pelo não alistamento
que será aplicável àquele que não se alistar até os 19.

É necessário, contudo, atentar-se para outra peculiaridade prevista na Resolução 21.538/2003, que
dispõe em seu art. 15, parágrafo único.

Parágrafo único. Não se aplicará a pena ao não-alistado que requerer sua inscrição eleitoral até o centésimo
quinquagésimo primeiro dia anterior à eleição subsequente à data em que completar 19 anos.

Segundo o artigo acima, a multa não será exigida se a pessoa requerer a inscrição eleitoral até o 151º
dia antes da eleição subsequente ao qual completar 19 anos. Aqui surge uma aparente contradição, uma vez
que a Resolução do TSE nº 21.538/2003 cria uma regra diferente da prevista no Código Eleitoral. Não se fala em
revogação, já que uma resolução não pode revogar uma lei complementar. No entanto, aplica-se o art. 15,
parágrafo único da Resolução TSE.

Assim, para a prova, não esquecer:

O VOTO É A PARTIR DOS 18


OBRIGATÓRIO ANOS

PAGA-SE A SE NÃO SE ALISTAR


ELEITOR ATÉ 151
MULTA CASO DIAS ANTES DAS
NÃO ALISTADO ELEIÇÕES

#DEOLHONOGANCHO: no caso de brasileiro naturalizado, o prazo para alistamento será de 1 ano a contar da
naturalização.
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Por fim, o art. 11 do CE facilita a regularização da situação eleitoral, na medida em que permite ao
interessado pagar a multa em qualquer zona eleitoral para fins de regularização. Embora, neste caso, a multa
será aplicada pelo valor máximo, a não ser que o interessado aguarde a solicitação de informações junto à zona
eleitoral de sua inscrição, uma vez que a competência para arbitrar o valor da multa é da zona eleitoral de
origem do eleitor.

2 ORGÃOS DA JUSTIÇA ELEITORAL

A justiça eleitoral encontra-se disciplinada nos arts. 118 a 121 da CF, bem como nos arts. 12 a 41 do
CE.

Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral:


I - o Tribunal Superior Eleitoral;
II - os Tribunais Regionais Eleitorais;
III - os Juízes Eleitorais;
IV - as Juntas Eleitorais.

O TSE é a instância máxima da Justiça Eleitoral, com jurisdição sobre todo o território nacional. Os
Juízes e as Juntas eleitorais estão na base da Justiça Eleitoral, a 2º instância é composta pelos TREs, que estão
presentes em cada um dos Estados e, Distrito Federal, exercendo jurisdição sobre o território respectivo.

2.1 CARACTERÍSTICAS DA JUSTIÇA ELEITORAL

 Justiça Especializada, assim como a Justiça Militar e a Justiça do Trabalho.


 Estrutura piramidal e hierárquica: a Justiça Eleitoral é distribuída em níveis. Na base estão os Juízes
eleitorais e Juntas eleitorais, os quais se encontram subordinados hierarquicamente ao TRE respectivo.
E os TREs estão subordinados ao TSE.
 Inexistência de magistratura própria na Justiça Eleitoral: os juízes que exercem a função eleitoral
provêm de outros ramos do Poder Judiciário, especialmente da justiça comum estadual.
 Existência de servidores próprios: o quadro de servidores é próprio do órgão, ocupado pelos técnicos e
analistas de cada tribunal.
 Periodicidade da investidura dos juízes: como não há carreira própria de magistrados foi estabelecido
um período de investidura de dois anos, permitida uma recondução pelo mesmo período.
 Competência definida por lei complementar.
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 Divisão territorial para fins eleitorais.

A Justiça Eleitoral será dividida em circunscrição estadual, zonas e seções eleitorais.

CIRCUNSCRIÇÃO ESTADUAL

ZONA ELEITORAIS
SEÇÕ
ES
ELEIT
ORAI
S

 Circunscrição Estadual: cada estado membro e o Distrito Federal constitui uma circunscrição,
sob a jurisdição do TER.
 Zonas Eleitorais: constituem a divisão de circunscrição estadual, que podem ou não coincidir
com a delimitação territorial da comarca, sob a jurisdição de um juiz eleitoral.
 Seções Eleitorais: são divisões da zona eleitoral para exercício de funções administrativas no
dia das eleições e para a votação.

2.2 FUNÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL

A função administrativa refere-se à preparação, organização e administração do processo eleitoral. No


exercício dessa função, destacam-se duas características: o poder de polícia e a atuação ex officio do Juiz
Eleitoral.

 Poder de polícia: para manter o processo eleitoral dentro da legalidade, o juiz eleitoral poderá restringir
alguns direitos individuais em benefício da coletividade.
 Atuação ex officio: ao juiz eleitoral é conferida a possibilidade de agir independentemente da vontade
das partes.

A função jurisdicional caracteriza-se pela solução, em caráter definitivo, dos conflitos submetidos ao
Estado-juiz, afirmando-se a vontade estatal em substituição à dos contendores.
A função normativa consiste na prerrogativa que a Justiça Eleitoral tem de expedir instruções para
regulamentar a legislação infraconstitucional, como, por exemplo, as resoluções do TSE.
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Por fim, a função consultiva consiste na prerrogativa conferida ao TSE e aos TREs para responder
consultas formuladas pelas partes no processo eleitoral.

#CAIEMPROVA: para que as consultas enviadas aos TREs e ao TSE sejam consideradas válidas, elas devem ser
formuladas por autoridade competente e NÃO podem estar relacionadas a uma situação concreta, já que
equivaleria à antecipação da tutela jurisdicional. A resposta à consulta deverá ser fundamentada. No entanto, o
TSE entende que tais consultas não tem caráter vinculante.

2.3 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

O Tribunal Superior Eleitoral possui dois poderes: Poder Regulamentar e Poder Consultivo. O Poder
Regulamentar se divide em Autônomo e Derivado.
O Poder Regulamentar Derivado é aquele que se conhece como a regra geral acima descrita, ou seja,
aquele que somente é exercido à luz de lei existente. Não inova no ordenamento jurídico e possui como
parâmetro a lei, não podendo ser objeto de controle de constitucionalidade.
O Tribunal Superior Eleitoral possui, ainda, o Poder Regulamentar Autônomo. Por meio desse poder, é
possível inovar no ordenamento jurídico
O Poder Consultivo, por sua vez, é a possibilidade de a Justiça Eleitoral manifestar-se, em tese, acerca
de alguma dúvida relativa a aplicação da legislação. Jamais deverá haver manifestações consultivas acerca de
casos concretos
O Tribunal Superior Eleitoral é o órgão máximo da Justiça Eleitoral. É disciplinado pela CF e pelo CE.

Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros, escolhidos:
I - mediante eleição, pelo voto secreto:
a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal;
b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça;
II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e
idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal.
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Composição do
TSE- MÍNIMO 7
membros

indicado pelo STF


e nomeados pelo
eleitos
Presidente da
República

3 dentre os 2 dentre os
2 advogados
Ministros do STF Ministros do STJ

Vamos esquematizar para fácil compreensão:

Composição:
 NO MÍNIMO 7 membros
 Tem duas formas de escolha:
 I - Eleição, pelo voto SECRETO:
o 3 STF
o 2 STJ
 II - Nomeação do PRESIDENTE
o 2 dentre 6 advogados INDICADOS PELO STF, com (STF indica e presidente nomeia)
o Notável saber jurídico e
o Idoneidade moral

Os advogados que compõem o TSE, apesar de não constar expressamente da CF, deverão ter, de
acordo com jurisprudência do TSE, dez anos de efetiva atividade profissional. Além disso, de acordo com o §2º
do art. 16 do Código Eleitoral, não poderão ser nomeados advogados que ocupem cargos públicos dos quais
sejam demissíveis ad nutum, que sejam diretores, proprietários ou sócios de empresas beneficiadas com
subvenções, privilégios, isenções ou favores em virtude de contrato com a administração pública, ou que
exerçam mandato de caráter político, federal, estadual ou municipal.
O Presidente e Vice-Presidente do TSE serão eleitos pelo TSE, dentre Ministros do STF e o Corregedor
Eleitoral será eleito pelo TSE, dentre Ministros do STJ. Os integrantes do TSE continuam a exercer suas
atividades no STF, STJ e advocacia de forma concomitante ao exercício das suas funções naquela corte. Aos
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advogados impede-se, tão somente, o exercício da advocacia na Justiça Eleitoral, durante o período dos seus
mandatos como magistrados eleitorais.

Ministro
Presidente
do STF

Vice- Ministro
Presidente do STF

Corregedor Ministro
Eleitoral do STJ

#DEOLHONAJURIS #AJUDAMMARCINHO: no julgamento de questão constitucional, vinculada a decisão do


Tribunal Superior Eleitoral, não estão impedidos os ministros do STF que tenham funcionado no mesmo
processo ou no processo originário.

Não podem fazer parte do TSE cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade, até
o quarto grau, excluindo-se, neste caso, o que tiver sido escolhido por último. Perante o TSE, qualquer
interessado poderá arguir a suspeição ou o impedimento dos seus membros, nos casos previstos na legislação
processual civil ou penal e também por motivo de parcialidade política, sendo ilegítima a suspeição quando o
excipiente a provocar ou, depois de manifestada a causa, praticar ato que importe aceitação do arguido.
O Corregedor Eleitoral é responsável pela fiscalização da regularidade dos serviços eleitorais em todo o
país e pela orientação de procedimentos e rotinas a serem observados pelas corregedorias eleitorais em cada
unidade da Federação e pelos cartórios eleitorais.
#CAIEMPROVA: o Corregedor Eleitoral se locomoverá para um Estado por:
 por determinação do TSE
 a pedido do TRE
 por requerimento de partido, após deferimento do TSE
 quando entender necessário

Por fim, as decisões do TSE serão tomadas por maioria de votos, desde que presentes a maioria dos
membros. No entanto, em relação a três matérias específicas, exige-se a presença de todos os membros para
que sejam votadas. Quais são essas matérias?
 interpretação do CE em face da CF.
 cassação de registro de partidos políticos
 recurso que importe anulação geral das eleições ou perda de diplomas
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2.3.1 COMPETÊNCIA JUDICIAL ORIGINÁRIA DO TSE

Art. 22. Compete ao Tribunal Superior:


I - Processar e julgar originariamente:
a) o registro e a cassação de registro de partidos políticos, dos seus diretórios nacionais e de candidatos à
Presidência e Vice-Presidência da República;

Notem que são três hipóteses:


 Cassação de registros de partidos políticos.
 Cassação de registro dos diretórios nacionais.
 Cassação do registro de candidatos à Presidência e vice-presidência.

b) os conflitos de jurisdição entre Tribunais Regionais e juízes eleitorais de Estados diferentes;

Nesse caso, embora se trate de conflito de jurisdição entre Zonas Eleitorais – órgãos da 1º instância da
Justiça Eleitoral – a competência para análise do conflito será do TSE, uma vez que envolvem circunscrições
estaduais diversas.

c) a suspeição ou impedimento aos seus membros, ao Procurador Geral e aos funcionários da sua Secretaria;
d) os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos cometidos pelos seus próprios juízes e pelos juízes
dos Tribunais Regionais;
Pelo dispositivo do CE, os crimes eleitorais e comuns conexos cometidos pelos ministros do TSE e pelos
juízes do TRE seriam julgados pelo TSE. Contudo, a alínea acima NÃO FOI RECEPCIONADA, em razão do que
dispõem os arts. 102, I, c, e 105, I, a, ambos da CF.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores,
os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade,
os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de
Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais
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e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da
União que oficiem perante tribunais;

A CF fala em crime comum e de responsabilidade, não mencionando especificamente crimes


eleitorais. Em razão disso, surgiu a seguinte dúvida: os crimes eleitorais devem ser julgados pelo TSE, tal como a
regra prevista no art. 22, I, a, do CE?
Não! O posicionamento pacificado pelo STF é no sentido de que os crimes eleitorais são espécies de
crimes comuns, e, em razão disso, os crimes comuns e de responsabilidade cometidos por membros do TSE
serão julgados pelo STF, observando as regras previstas no art. 102, I, c, e art. 105, I, a, acima transcritos.
Dessa forma, os crimes eleitorais praticados pelos membros do TSE serão julgados perante o STF e
os crimes comuns praticados pelos membros do TRE serão julgados perante o STJ.

#CAIUEMPROVA #DELEGADOPE2016: O CESPE considerou verdadeira a seguinte assertiva: em se tratando de


disputa de competência para o julgamento de crime eleitoral praticado na divisa de dois municípios, o conflito
de jurisdição será processado e julgado originariamente pelo TSE.

ATENÇÃO: Apesar da banca não ter anulado essa questão, houve grande polemica quando da realização do
certame. Ocorre que, o CESPE não especificou se os municípios seriam de estados diferentes. Caso os
municípios pertencessem a estados diferentes, a competência seria, realmente, originária do TSE. No entanto,
caso os munícipios pertencessem ao mesmo estado, a competência seria do TRE.

e) o habeas corpus ou mandado de segurança, em matéria eleitoral, relativos a atos do Presidente da República,
dos Ministros de Estado e dos Tribunais Regionais; ou, ainda, o habeas corpus, quando houver perigo de se
consumar a violência antes que o juiz competente possa prover sobre a impetração;

Nesse dispositivo, ao contrário do anterior, a inaplicabilidade é parcial. A parte destacada em negrito,


relativa ao habeas corpus está em plena consonância com a CF. No entanto, em relação ao mandado de
segurança contra atos do Presidente, dos Ministros de Estado e dos Membros do TRE a interpretação deve ser
feita à luz da Constituição e da jurisprudência do STF.
Então como fica?
 Em relação aos atos praticados pelo Presidente da República, caso ensejem habeas corpus, tais ações
serão processadas e julgadas perante o STF, por força do art. 102, I, d, da CF.
 Em relação aos habeas corpus contra ato do Ministro de Estado, a competência será do TSE, uma vez
que o art. 105, I, “c” da CF faz a ressalva da competência da Justiça Eleitoral.
 Em relação aos atos praticados pelos Ministros dos TREs permanece a competência do TSE, uma vez que
não há regra específica na Constituição atribuindo a competência a outro órgão.
17
Parece complicado, mas vamos esquematizar para ficar mais fácil.

HC EM MATÉRIA
ELEITORAL

ATOS PRATICADOS ATOS PRATICADOS


ATOS PRATICADOS
PELOS MINISTROS PELOS MEMBROS
PELO PRESIDENTE
DE ESTADO DOS TREs

STF JULGA TSE JULGA TSE JULGA

E a competência em relação ao mandado de segurança, como fica?


No tocante aos atos praticados pelo Presidente, caso ensejem mandado de segurança em matéria
eleitoral, a competência será do STF, por força do art. 102, I, d, da CF.
Em relação aos atos praticados pelos Ministros de Estado, se ensejarem mandado de segurança em
matéria eleitoral, a competência será do STJ, com fundamento no art. 105, I, “b”, da CF.
Por fim, em relação aos atos praticados por membros do TRE, se ensejarem mandado de segurança em
matéria eleitoral o próprio TRE, na sua composição plena, será o competente para julgamento.
Vamos esquematizar para facilitar a compreensão:

MS MATÉRIA
ELEITORAL

ATOS PRATICADOS ATOS PRATICADOS


ATOS PRATICADOS
PELOS MINISTROS PELOS MEMBROS
PELO PRESIDENTE
DE ESTADO DOS TREs

PLENO DO TRE
STF JULGA STJ JULGA
JULGA
18
Ainda não acabou, vamos em frente com a competência originária do TSE:

f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos, quanto à sua contabilidade e à
apuração da origem dos seus recursos;
g) as impugnações à apuração do resultado geral, proclamação dos eleitos e expedição de diploma na eleição de
Presidente e Vice-Presidente da República;
h) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos nos Tribunais Regionais dentro de trinta dias da
conclusão ao relator, formulados por partido, candidato, Ministério Público ou parte legitimamente interessada.

Essa alínea traz uma regra importante. A Justiça Eleitoral é informada pelo princípio da celeridade,
razão pela qual os processos devem ser solucionados com brevidade, não podendo ultrapassar um ano. Assim,
se o processo estiver com o relator no TRE por mais de 30 dias, é possível que a parte interessada no processo, o
Ministério Público, partido ou candidato ajuíze o pedido de desaforamento, para que o processo seja julgado no
TSE.
i) as reclamações contra os seus próprios juízes que, no prazo de trinta dias a contar da conclusão, não
houverem julgado os feitos a eles distribuídos.

Se o processo estiver com um ministro do TSE por mais de 30 dias sem julgamento será possível
postular a reclamação, que será julgada pelo colegiado do próprio TSE.

j) a ação rescisória, nos casos de inelegibilidade, desde que intentada dentro de cento e vinte dias de decisão
irrecorrível, possibilitando-se o exercício do mandato eletivo até o seu trânsito em julgado.

A última parte do dispositivo acima foi declarada inconstitucional pelo STF. Atualmente, a matéria é
tratada pela Lei de Inelegibilidades que será estudada nas próximas fucs.

#DEOLHONAJURIS: Não ofende a Constituição Federal a instituição de uma Ação Rescisória Eleitoral, como
prevista na alínea "j" do inc. I do art. 22 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737, de 15.07.1965), acrescentada pelo art.
1º da Lei Complementar nº 86, de 14.05.1996. 2. São inconstitucionais, porém, as expressões "possibilitando-se
o exercício do mandato eletivo até seu trânsito em julgado", contidas na mesma alínea "j", pois implicariam
suspensão, ao menos temporária, da eficácia da coisa julgada sobre inelegibilidade, em afronta ao inciso XXXVI
do art. 5º da Constituição Federal.

2.3.2 COMPETÊNCIA JUDICIAL RECURSAL DO TSE

A competência recursal do TSE está prevista no artigo 22, II do CE. Vamos analisar cada uma delas?
19

II - julgar os recursos interpostos das decisões dos Tribunais Regionais nos termos do Art. 276 inclusive os que
versarem matéria administrativa.

O TSE será competente para julgamento dos recursos cabíveis das decisões do TRE. Esses recursos
estão previstos no art. 121, §4º, da CF, e no art. 276 do CE.

#IMPORTANTE: As decisões do TSE são irrecorríveis, salvo as que:


 Declararem a invalidade de lei ou ato contrário à Constituição Federal
 Denegatórias de habeas corpus ou mandado de segurança, das quais caberá recurso ordinário para o
Supremo Tribunal Federal, interposto no prazo de 3 (três) dias.
CABE RECURSO DO TRE PARA

DECISÃO CONTRÁRIA À
CONSTITUIÇÃO OU LEI

ESPECIAL

DECISÃO COM INTERPRETAÇÃO DA


LEI DIVERGENTE DE OUTROS TREs
O TSE

DECISÕES EM INELEGIBILIDADE OU
EXPEDIÇÃO DE DIPLOMAS NAS
ELEIÇÕES FEDERAIS E ESTADUAIS

DECISÕES DE ANULAÇÃO DE
ORDINÁRIO DIPLOMAS OU PERDA DE MANDATOS
ELETIVOS FEDERAIS OU ESTADUAIS

DECISÕES DENEGATÓRIAS DE HC, MS,


HD OU MI

2.3.3 COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVA, CONSULTIVA E NORMATIVAS DO TSE

Art. 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior:


I - elaborar o seu regimento interno;
II - organizar a sua Secretaria e a Corregedoria Geral, propondo ao Congresso Nacional a criação ou extinção dos
cargos administrativos e a fixação dos respectivos vencimentos, provendo-os na forma da lei;
III - conceder aos seus membros licença e férias assim como afastamento do exercício dos cargos efetivos;

As três primeiras hipóteses acima correspondem ao que está previsto no art. 96, incisos I a III da CF.
São competências que tem por finalidade normatizar e organizar internamente o TSE.

IV - aprovar o afastamento do exercício dos cargos efetivos dos juizes dos Tribunais Regionais Eleitorais;
20
V - propor a criação de Tribunal Regional na sede de qualquer dos Territórios;
VI - propor ao Poder Legislativo o aumento do número dos juízes de qualquer Tribunal Eleitoral, indicando a
forma desse aumento;
VII - fixar as datas para as eleições de Presidente e Vice-Presidente da República, senadores e deputados
federais, quando não o tiverem sido por lei.

O inciso VII quase não tem aplicabilidade, pois as datas das eleições são pré-definidas na CF.

VIII - aprovar a divisão dos Estados em zonas eleitorais ou a criação de novas zonas;

Veremos adiante que ao TRE compete dividir a circunscrição em zonas eleitorais, bem como a criação
de novas zonas. No entanto, em ambos os casos, a aprovação da divisão ou criação de zonas será decidida pelo
TSE.

IX - expedir as instruções que julgar convenientes à execução deste Código;


X - fixar a diária do Corregedor Geral, dos Corregedores Regionais e auxiliares em diligência fora da sede;
XI - enviar ao Presidente da República a lista tríplice organizada pelos Tribunais de Justiça nos termos do art. 25;

Em relação a esse inciso, vamos fazer um esquema:

ELABORA A
TJ LISTA

ENCAMINHA
TRE AO TSE

ENCAMINHA
TSE AO
PRESIDENTE

NOMEIA UM
PRESIDENTE DOS TRÊS

XII - responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por autoridade com jurisdição,
federal ou órgão nacional de partido político;
XIII - autorizar a contagem dos votos pelas mesas receptoras nos Estados em que essa providência for solicitada
pelo Tribunal Regional respectivo;
XIV - requisitar a força federal necessária ao cumprimento da lei, de suas próprias decisões ou das decisões dos
Tribunais Regionais que o solicitarem, e para garantir a votação e a apuração;
XV - organizar e divulgar a Súmula de sua jurisprudência;
XVI - requisitar funcionários da União e do Distrito Federal quando o exigir o acúmulo ocasional do serviço de
sua Secretaria;
21
XVII - publicar um boletim eleitoral;
XVIII - tomar quaisquer outras providências que julgar convenientes à execução da legislação eleitoral.

2.4 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL

Os Tribunais Regionais Eleitorais constituem o órgão de segundo grau na Justiça Eleitoral. Os TREs são
organizados e estruturados em nível estadual, embora sejam órgãos federais.
A CF disciplina a composição dos TREs no art. 120:

Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal.
§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:
I - mediante eleição, pelo voto secreto:
a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça;
b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça;
II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não
havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo;
III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico
e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.
§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente- dentre os desembargadores.

Há um TRE para cada estado-membro da nossa Federação, bem como para o Distrito Federal, que será
composto, segundo a CF, por 7 membros.
Sobre a composição do TRE, o CE prevê:

Art. 13. O número de juízes dos Tribunais Regionais não será reduzido, mas poderá ser elevado até nove,
mediante proposta do Tribunal Superior, e na forma por ele sugerida.

O dispositivo acima é um pouco diferente da CF. Na Constituição vimos a composição exata, 7


membros. Já no CE há expressa previsão de que o número de Juízes do TRE poderá ser aumentado para nove.
Para fins de prova objetiva é relevante conhecer a distinção e saber que as questões poderão considerar tanto
um quanto outro corretos. De todo modo, os doutrina majoritária afirma que ambos os dispositivos serão
aplicados conjuntamente, uma vez que o CE apenas prevê a possibilidade de aumento do número de
integrantes do TRE.
22

TRE

INDICADO PELO TJ E
POR ESCOLHA DO TRF
ELEITOS PELO TJ NOMEADO PELO
RESPECTIVO
PRESIDENTE

2
DESEMBARGADORES 2 JUIZES DE DIREITO 1 JUIZ TRF/FEDERAL 2 ADVOGADOS
DO TJ

Vamos esquematizar:
Composição (art. 120, par 1º da CF)
3 critérios:
 I - Mediante eleição, pelo voto secreto:
o 2 juízes dentre desembargadores do TJ (um será o presidente e outro o vice)
o 2 juízes, dentre juízes de direito escolhidos pelo TJ (o TJ escolhe e eles são
submetidos a votação para aprovação perante o TRE)
 II - Por escolha do TRF
o 1 juiz do TRF com sede na Capital do Estado ou no DF, ou, não havendo (TRF no
estado, pois só temos em 5 estados!), 1 juiz federal escolhido pelo TRF respectivo;
 III – Indicação do TJ (nas provas as bancas colocar que a OAB indica, está ERRADO) e
nomeação do Presidente (as provas TROCAM POR governador)
o 2 dentre 6 advogados (2 listas tríplices)
o Notável saber jurídico e
o idoneidade moral

#ATENÇÃO #CAIEMPROVA: É NECESSÁRIO QUE O ADVOGADO INDICADO TENHA 10 ANOS DE PRÁTICA


PROFISSIONAL? Para fins de prova objetiva, não há previsão nesse sentido. Não devemos marcar uma
alternativa como incorreta pelo fato de mencionar apenas que os advogados deverão ter “idoneidade moral e
notório saber jurídico”. No entanto, alguns Regimentos Internos de TREs preveem tal requisito de forma
adicional. Além disso, há a Resolução do TSE nº 20.959/2001, que prevê exigência de 10 anos de prática
profissional para os advogados que integrarão os TREs. Assim, se a questão mencionar “de acordo com a
jurisprudência do TSE” você marcará o item como correto. Tranquilo?
23
Tanto os membros do TSE como do TRE, oriundos da advocacia, serão nomeados pelo Presidente da
República. Mesmo em se tratando de membros oriundos da advocacia, NÃO é a OAB quem fará a indicação
dos advogados.

#CAIUEMPROVA: Se o Presidente da República nomeia os membros do TSE oriundos da advocacia, então


competirá ao Governador do Estado nomear os membros da advocacia que integrarão o TRE respectivo. Essa
afirmativa é FALSA. Já vimos que quem nomeia os membros oriundos da advocacia no TER é o Presidente da
República.

Conforme vimos acima, o § 2º do art. 120 da CF prevê que o Presidente e vice-presidente serão
escolhidos entre os Desembargadores eleitos. Em razão disso, o art. 26, caput, do CE é aplicável apenas
parcialmente, pois ele fala na composição do TRE com três membros Desembargadores e, como já sabemos, são
apenas dois.
Os membros do TRE terão um mandato de 2 anos, permitida uma recondução por igual período. No
período compreendido entre a homologação da convenção partidária, quando há a efetiva escolha do sujeito
como candidato, até a diplomação dos eleitos (momento em que se encerra o período eleitoral), os membros
do TRE ficarão impedidos de atuar caso seja cônjuge ou parente até o 2º grau de candidato a cargo político-
eletivo na circunscrição.
Os substitutos dos membros efetivos dos Tribunais Eleitorais serão escolhidos, na mesma ocasião e
pelo mesmo processo, em número igual para cada categoria.
O Corregedor-Regional é responsável pela fiscalização da regularidade dos serviços eleitorais nos
estados. Ao contrário do que vimos em relação ao TSE, aquele que será escolhido Corregedor-Regional não está
expressamente disciplinado na CF, nem no CE (que embora mencione que será o terceiro membro
Desembargador do TRE, o que é inaplicável, como vimos acima). Dessa forma, a determinação de quem será o
Corregedor-Regional será disciplinada nos regimentos internos dos tribunais.

#CAIEMPROVA: o Corregedor-Regional se locomoverá para um Estado por:


 por determinação do TSE ou do TRE
 a pedido dos juízes eleitorais
 por requerimento de partido, após deferimento do TRE
 sempre que entender necessário

Por fim, as decisões do TRE serão tomadas por maioria de votos, desde que presentes a maioria dos
membros. No entanto, em relação a três matérias específicas, exige-se a presença de todos os membros para
que sejam votadas. Quais são essas matérias?
 Ações que importem cassação de registro.
 Ações que importem anulação geral das eleições
24
 Ações que importem perda de diplomas.

2.4.1 COMPETÊNCIA ORIGINAL JUDICIÁRIA DO TRE

Art. 29. Compete aos Tribunais Regionais:


I - processar e julgar ORIGINARIAMENTE:
a) o registro e o cancelamento do registro dos diretórios estaduais e municipais de partidos políticos, bem como
de candidatos a governador, vicegovernadores, e membro do Congresso Nacional e das Assembleias
Legislativas.

A competência do TRE restringe-se ao registro e cancelamento de diretórios estaduais e municipais.

#CUIDADO: não é da competência do Juiz Eleitoral registrar ou cancelar o registro de diretórios municipais, mas
sim do TRE da respectiva circunscrição.

Além disso, o registro e cancelamento de candidaturas abrange não apenas cargos estaduais
(Governador, vice-Governador e deputados estaduais), mas também os cargos do legislativo federal (Senador
da República e deputados federais).
Para não confundir a competência do TSE com a do TRE, vamos esquematizar:

TSE TRE

Cassação de registro de Cassação de registro dos


partido político. diretórios estaduais e
Cassação de registro dos municipais.
diretórios nacionais. Cassação de registro de
Cassação de registros de candidados à Governador,
candidatos à Presidencia e membro do Congresso
vice-Presidencia . Nacional e das Assembleias
Legislativas.

b) os conflitos de jurisdição entre juízes eleitorais do respectivo Estado;


c) a suspeição ou impedimentos aos seus membros ao Procurador Regional e aos funcionários da sua Secretaria
assim como aos juízes e escrivães eleitorais;
d) os crimes eleitorais cometidos pelos juízes eleitorais;
e) o habeas corpus ou mandado de segurança, em matéria eleitoral, contra ato de autoridades que respondam
perante os Tribunais de Justiça por crime de responsabilidade e, em grau de recurso, os denegados ou
concedidos pelos juízes eleitorais; ou, ainda, o habeas corpus quando houver perigo de se consumar a violência
antes que o juiz competente possa prover sobre a impetração;
Esquematiza ai, coach!
•HC ou MS contra ato de autoridade que responda por crime de responsabilidade perante o TJ.
25
•HC ou MS, em grau de recurso, quando denegados ou concedidos pelo Juízes Eleitorais.
•HC quando houver perigo de se consumar a violência antes que o Juiz Eleitoral possa decidir.

f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos, quanto a sua contabilidade e à
apuração da origem dos seus recursos;
g) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos pelos juízes eleitorais em trinta dias da sua conclusão
para julgamento, formulados por partido candidato Ministério Público ou parte legitimamente interessada sem
prejuízo das sanções decorrentes do excesso de prazo.

2.4.2 COMPETÊNCIA RECURSAL DO TRE

A competência recursal do TSE está prevista no artigo 29, II do CE.


II - julgar os recursos interpostos:
C A B IM E N T O D E R E C U R S O
a) dos atos e das decisões proferidas pelos juízes e juntas eleitorais.
b) das decisões dos juízes eleitorais que concederem ou denegarem habeas corpus ou mandado de segurança.
PRA O TRE

DECISÕES PROFERIDAS PELOS


JUÍZES E JUNTAS ELEITORAIS

DECISÕES DOS JUÍZES


ELEITORAIS EM HC E MS

Percebam que não há recurso das juntas eleitorais contra decisões em habeas corpus e mandado de
segurança, pois esse órgão da Justiça Eleitoral tem atuação específica e restrita ao dia das eleições.

*#ACONSTITUIÇÃOEOSUPREMO2:

§ 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso quando:
O acesso a esta Corte, considerada decisão proferida pela jurisdição cível ou penal eleitoral, pressupõe o
esgotamento dos recursos em tal âmbito. Pronunciamento de TRE não é passível de impugnação simultânea
mediante os recursos especial, para o TSE, e extraordinário, para o Supremo. [AI 477.243 AgR, rel. min. Marco
Aurélio, j. 30-6-2009, 1ª T, DJE de 28-8-2009.]

De acordo com a estrutura da Justiça Eleitoral brasileira, é competente o TSE para conhecer e julgar habeas
corpus impetrado contra ato supostamente ilegal ou abusivo, perpetrado por qualquer dos órgãos fracionários

2
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp?item=1217
26
do TRE, no caso, a Presidência da Corte regional. O STF, em algumas oportunidades, já assentou a orientação
acerca da competência do TSE para processar e julgar habeas corpus quando a autoridade apontada como
coatora for o presidente do TSE (...) ou quando o ato coator consistir em decisão condenatória do TRE (...), nos
termos do art. 121, § 4º, da CF, e art. 22, I, e, do Código Eleitoral. [HC 88.769, rel. min. Ellen Gracie, j. 9-9-2008,
2ª T, DJE de 26-9-2008.]

O STF – reputando essencial impedir que a interposição sucessiva de recursos, destituídos de fundamento
juridicamente idôneo, culmine por gerar inaceitável procrastinação do encerramento da causa – tem admitido,
em caráter excepcional, notadamente quando se tratar de processos eleitorais, que se proceda ao imediato
cumprimento da decisão recorrida, independentemente da publicação de acórdão e de eventual oposição
ulterior de embargos de declaração. Precedentes. [RE 247.416 EDv-ED-AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 29-6-
2000, P, DJ de 24-11-2000.] = AI 260.266 AgR-ED-ED, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 15-5-2000, 1ª T, DJ de 16-6-
2000 = RE 179.502 ED-terceiro, rel. min. Moreira Alves, j. 7-12-1995, P, DJ de 8-9-2000

I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei;

Contra acórdão de TRE somente cabe recurso para o TSE, mesmo que nele se discuta matéria constitucional. É o
que se extrai do disposto no art. 121, caput, e seu § 4º, I, da CF de 1988, e nos arts. 22, II, e 276, I e II, do Código
Eleitoral (Lei 4.737, de 15-7-1965). No âmbito da Justiça Eleitoral, somente os acórdãos do TSE é que podem ser
impugnados, perante o STF, em recurso extraordinário (arts. 121, § 3º, e 102, III, a, b e c, da CF). [AI 164.491
AgR, rel. min. Sydney Sanches, j. 18-12-1995, 1ª T, DJ de 22-3-1996.]

II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais;

III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais;

Controvérsia quanto à competência do TSE para examinar originariamente recursos contra a expedição de
diplomas decorrentes de eleições estaduais e federais. (...) O encaminhamento desses recursos ao TSE
consubstanciaria, segundo o arguente, contrariedade ao disposto nos incisos LIII, LIV, e LV do art. 5º, e nos
textos dos incisos III e IV do § 4º do art. 121 da Constituição do Brasil, vez que os tribunais regionais eleitorais
não teriam apreciado previamente as questões de que tratam. A relevância da controvérsia quanto à
competência do TSE para examinar originariamente recursos contra a expedição de diploma e o perigo de lesão
ensejaram o deferimento monocrático de medida liminar. O Tribunal dividiu-se quanto à caracterização do
fumus boni iuris e do periculum in mora e, contra o voto do ministro relator, não referendou a cautelar. [ADPF
167 MC-REF, rel. min. Eros Grau, j. 1º-10-2009, P, DJE de 26-2-2010.]

IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais;


27
Procedimento instituído pela Lei 11.719/2008, que alterou o CPP. Aplicação em matéria eleitoral, em primeiro
grau de jurisdição. Admissibilidade. (...) Crime eleitoral. Imputação a prefeito. Foro, por prerrogativa de função,
junto ao TRE. Competência dessa Corte para supervisionar as investigações. Súmula 702 do STF. Apuração
criminal em primeiro grau de jurisdição, com indiciamento do prefeito. Inadmissibilidade. Usurpação de
competência caracterizada. Impossibilidade de os elementos colhidos nesse inquérito servirem de substrato
probatório válido para embasar a denúncia contra o titular de prerrogativa de foro. Falta de justa causa para a
ação penal (art. 395, III, CPP). Questão de ordem que se resolve pela concessão de habeas corpus, de ofício, para
extinguir a ação penal, por falta de justa causa. [AP 933 QO, rel. min. Dias Toffoli, j. 6-10-2015, 2ª T, DJE de 3-2-
2016.]

V - Denegarem habeas-corpus, mandado de segurança, habeas-data ou mandado de injunção.


Crime eleitoral. Procedimento penal definido pelo próprio Código Eleitoral (lex specialis). Pretendida
observância do novo iter procedimental estabelecido pela reforma processual penal de 2008, que introduziu
alterações no CPP (lex generalis). (...) Nova ordem ritual que, por revelar-se mais favorável ao acusado (CPP,
arts. 396 e 396-A, na redação dada pela Lei 11.719/2008), deveria reger o procedimento penal, não obstante
disciplinado em legislação especial, nos casos de crime eleitoral. Plausibilidade jurídica dessa postulação. (...) a
previsão do contraditório prévio a que se referem os arts. 396 e 396-A do CPP, mais do que simples exigência
legal, traduz indisponível garantia de índole jurídico-constitucional assegurada aos denunciados, de tal modo
que a observância desse rito procedimental configura instrumento de clara limitação ao poder persecutório do
Estado, ainda mais se se considerar que, nessa resposta prévia – que compõe fase processual insuprimível (CPP,
art. 396-A, § 2º) –, torna-se lícita a formulação, nela, de todas as razões, de fato ou de direito, inclusive aquelas
pertinentes ao mérito da causa, reputadas essenciais ao pleno exercício da defesa pelo acusado (...). [HC
107.795 MC, rel. min. Celso de Mello, dec. monocrática, j. 28-10-2011, DJE de 7-11-2011.]

2.4.3 COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVA, CONSULTIVA E NORMATIVA DO TRE

Art. 30. Compete, ainda, privativamente, aos Tribunais Regionais:


I - elaborar o seu regimento interno;
II - organizar a sua Secretaria e a Corregedoria Regional provendo-lhes os cargos na forma da lei, e propor ao
Congresso Nacional, por intermédio do Tribunal Superior a criação ou supressão de cargos e a fixação dos
respectivos vencimentos;
III - conceder aos seus membros e aos juízes eleitorais licença e férias, assim como afastamento do exercício dos
cargos efetivos submetendo, quanto aqueles, a decisão à aprovação do Tribunal Superior Eleitoral;
IV - fixar a data das eleições de Governador e Vice-Governador, deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos,
vereadores e juízes de paz, quando não determinada por disposição constitucional ou legal;
V - constituir as juntas eleitorais e designar a respectiva sede e jurisdição;
28
VI - indicar ao tribunal Superior as zonas eleitorais ou seções em que a contagem dos votos deva ser feita pela
mesa receptora;
VII - apurar com os resultados parciais enviados pelas juntas eleitorais, os resultados finais das eleições de
Governador e Vice-Governador de membros do Congresso Nacional e expedir os respectivos diplomas,
remetendo dentro do prazo de 10 (dez) dias após a diplomação, ao Tribunal Superior, cópia das atas de seus
trabalhos;
VIII - responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas, em tese, por autoridade pública ou
partido político;
IX - dividir a respectiva circunscrição em zonas eleitorais, submetendo essa divisão, assim como a criação de
novas zonas, à aprovação do Tribunal Superior;

#ATENÇÃO - A divisão da circunscrição estadual em zonas eleitorais é atribuição do TRE, submetida,


entretanto, a aprovação pelo TSE. A criação de novas zonas eleitorais depende de pedido do TRE dirigido ao
TSE, que aprovará ou rejeitará a criação de novas zonas.

X - aprovar a designação do Ofício de Justiça que deva responder pela escrivania eleitoral durante o biênio;
XII - requisitar a força necessária ao cumprimento de suas decisões solicitar ao Tribunal Superior a requisição de
força federal;
XIII - autorizar, no Distrito Federal e nas capitais dos Estados, ao seu presidente e, no interior, aos juízes
eleitorais, a requisição de funcionários federais, estaduais ou municipais para auxiliarem os escrivães eleitorais,
quando o exigir o acúmulo ocasional do serviço;
XIV - requisitar funcionários da União e, ainda, no Distrito Federal e em cada Estado ou Território, funcionários
dos respectivos quadros administrativos, no caso de acúmulo ocasional de serviço de suas Secretarias;
XV - aplicar as penas disciplinares de advertência e de suspensão até 30 (trinta) dias aos juizes eleitorais;
XVI - cumprir e fazer cumprir as decisões e instruções do Tribunal Superior;
XVII - determinar, em caso de urgência, providências para a execução da lei na respectiva circunscrição;
XVIII - organizar o fichário dos eleitores do Estado.
XIX - suprimir os mapas parciais de apuração mandando utilizar apenas os boletins e os mapas totalizadores,
desde que o menor número de candidatos às eleições proporcionais justifique a supressão, observadas as
seguintes normas:
a) qualquer candidato ou partido poderá requerer ao Tribunal Regional que suprima a exigência dos mapas
parciais de apuração;
b) da decisão do Tribunal Regional qualquer candidato ou partido poderá, no prazo de três dias, recorrer para o
Tribunal Superior, que decidirá em cinco dias;
c) a supressão dos mapas parciais de apuração só será admitida até seis meses antes da data da eleição;
d) os boletins e mapas de apuração serão impressos pelos Tribunais Regionais, depois de aprovados pelo
Tribunal Superior;
29
e) o Tribunal Regional ouvira os partidos na elaboração dos modelos dos boletins e mapas de apuração a fim de
que estes atendam às peculiaridade locais, encaminhando os modelos que aprovar, acompanhados das
sugestões ou impugnações formuladas pelos partidos, à decisão do Tribunal Superior.

Aqui não é necessário analisar cada uma das alíneas, basta uma leitura atenta do dispositivo. No
entanto, é importante ter em mente que os mapas parciais de votação são resultados parciais das eleições que
são divulgados por ocasião da totalização dos votos nas zonas eleitorais. Pode ocorrer, entretanto, de a
divulgação dos resultados das eleições vir a prejudicar o caráter sigiloso do voto, de modo que é possível
restringir tais divulgações parciais.
Para finalizar a competência do TRE, vamos fazer um quadro comparativo entre o TSE e o TRE.
TABELA COMPARATIVA
TSE TRE
COMPOSIÇÃO: para o TSE a CF fala em NO MÍNIMO 7 COMPOSIÇÃO: tanto a CF quanto o CE mencionam 7
MEMBROS. MEMBROS. Contudo, prevê o CE que o número de
membros poderá ser elevado até 9 MEMBROS.
INTEGRANTES: INTEGRANTES:
 3 MIN STF  2 DES TJ
 2 MIN STJ  2 JUÍZES TJ
 2 ADVOGADOS  1 DES TRF  2 ADVOGADOS
Membros advogados são nomeados pelo Presidente da República, embora no TSE sejam indicados pelo STF e
no TRE sejam indicados pelo TJ.
PRESIDÊNCIA e VICE: O TSE escolhe entre os PRESIDÊNCIA E VICE: O TRE escolhe entre os Des. do
Ministros do STF. TJ.
LIMITAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE MEMBROS: até LIMITAÇÃO DE PARENTES ENTRE MEMBROS: até 4º
4º grau grau
CORREGEDOR: Ministro do STJ CORREGEDOR: previsto em Regimento Interno.
COMPETÊNCIAS MAIS IMPORTANTES COMPETÊNCIA MAIS IMPORTANTES
 Cassação de registro de partidos políticos e dos  Cassação de diretórios estaduais e municipais de
diretórios nacionais; partidos políticos;
 Cassação do registro de candidatos à Presidência e  Cassação de registro de candidatos à Governador,
Vice-Presidência. vice-Governador, Membro do Congresso Nacional
 Responder a consultas formuladas por autoridades (Senadores e Deputados Federais), e membros das
com jurisdição federal ou órgão nacional de partido. Assembleias Legislativas (Deputados Estaduais).
• Aprovar a divisão dos Estados em zonas  Responder a consultas formuladas por autoridade
eleitorais ou a criação de novas zonas política ou partido político.
• Dividir a respectiva circunscrição em zonas
eleitorais, submetendo essa divisão, assim como a
criação de novas zonas, à aprovação do Tribunal
Superior.
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2.5 JUÍZES ELEITORAIS

Os juízes eleitorais são órgãos de primeiro grau da Justiça Eleitoral que exercem a jurisdição perante
uma zona eleitoral. Os cargos são ocupados por magistrados estaduais.
Na hipótese de existir, em uma determinada comarca, mais de um juiz, o cargo eleitoral será ocupado
por um deles, por designação do TRE, de acordo com o critério da antiguidade. Esses juízes exercerão a
jurisdição dentro do espaço geográfico da zona eleitoral.

#DEOLHONOGANCHO: os juízes eleitorais possuem jurisdição no município? Não necessariamente. Os juízes


eleitorais exercem a jurisdição dentro do espaço geográfico delimitado pela zona eleitoral, ou seja, o município
poderá ser dividido em várias zonas eleitorais ou pode ser abrangido por uma zona eleitoral que integre outros
municípios.

Art. 32. Cabe a jurisdição de cada uma das zonas eleitorais a um juiz de direito em efetivo exercício e, na falta
deste, ao seu substituto legal que goze das prerrogativas do art. 95 da constituição.
Parágrafo único. Onde houver mais de uma vara o Tribunal Regional designara aquela ou aquelas, a que
incumbe o serviço eleitoral.

O dispositivo constitucional referido no artigo acima indica as garantias conferidas à magistratura:


vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio. Assim, numa leitura literal do dispositivo podemos
concluir que os juízes não-vitalícios, ou seja, aqueles que ainda não adquiriram a vitaliciedade, não poderiam ser
investidos na função eleitoral. No entanto, a doutrina majoritária e os tribunais superiores entendem que não
há incompatibilidade na designação dos mesmos.
O juiz eleitoral tem jurisdição sob a junta eleitoral e atua em uma repartição denominada de cartório
eleitoral. O cartório eleitoral é o local composto pela escrivania eleitoral cuja direção é exercida pelo chefe do
cartório eleitoral.

#IMPORTANTE: não podem ser chefe de cartório: membro de diretório de partido político e candidato ou seu
cônjuge ou familiar até 2º.
2.5.1 COMPETÊNCIA DOS JUÍZES ELEITORAIS

A competência dos Juízes eleitorais é disciplinada pelo art. 35 do CE, vejamos:

Art. 35. Compete aos juízes:


I - cumprir e fazer cumprir as decisões e determinações do Tribunal Superior e do Regional;
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II - processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhe forem conexos, ressalvada a competência
originária do Tribunal Superior e dos Tribunais Regionais;
III - decidir habeas corpus e mandado de segurança, em matéria eleitoral, desde que essa competência não
esteja atribuída privativamente a instância superior.

Notem que a competência do juiz eleitoral em relação a matérias criminais e em relação ao habeas
corpus e mandado de segurança é subsidiária, ou seja, versando sobre direito eleitoral, somente será da
competência do juiz eleitoral se não for da competência do TSE ou do TRE.

IV - fazer as diligências que julgar necessárias a ordem e presteza do serviço eleitoral;


V - tomar conhecimento das reclamações que lhe forem feitas verbalmente ou por escrito, reduzindo-as a
termo, e determinando as providências que cada caso exigir;
VI - indicar, para aprovação do Tribunal Regional, a serventia de justiça que deve ter o anexo da escrivania
eleitoral;
VIII - dirigir os processos eleitorais e determinar a inscrição e a exclusão de eleitores;
IX- expedir títulos eleitorais e conceder transferência de eleitor.

#CAIEMPROVA: a competência para expedir títulos eleitorais e conceder transferência de eleitor e do JUÍZ
ELEITORAL.

X - dividir a zona em seções eleitorais;

#NÃOCONFUNDIR: quando estudamos as atribuições do TRE vimos que compete a ele a divisão e criação de
zonas eleitorais desde que aprovadas pelo TSE. Já em relação à divisão da zona eleitoral em seções, a
competência pertence ao juiz eleitoral da respectiva zona eleitoral.

XI- mandar organizar, em ordem alfabética, relação dos eleitores de cada seção, para remessa a mesa receptora,
juntamente com a pasta das folhas individuais de votação;
XII - ordenar o registro e cassação do registro dos candidatos aos cargos eletivos municiais e comunicá-los ao
Tribunal Regional;

#NÃOCONFUNDIR: o registro e cassação de registro de candidatos a cargos municipais é competência do juiz


eleitoral, que após decidir, deverá comunicar ao TRE. Já a competência para a cassação de registro de diretórios
municipais de partidos políticos é atribuída ao TRE.

XIII - designar, até 60 dias antes das eleições os locais das seções;
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XIV - nomear, 60 dias antes das eleições, em audiência pública anunciada com pelo menos 5 (cinco) dias de
antecedência, os membros das mesas receptoras;

COMPETE AO JUIZ
ELEITORAL

EM ATÉ 60 DIAS
ANTES DO PLEITO

DESIGNAR AS SEÇÕES NOMEAR OS


ELEITORAIS DA ZONA MEMBROS DA MESA
ELEITORAL RECEPTORA

XV - instruir os membros das mesas receptoras sobre as suas funções;


XVI - providenciar para a solução das ocorrências que se verificarem nas mesas receptoras;
XVII - tomar todas as providências ao seu alcance para evitar os atos viciosos das eleições;
XVIII - fornecer aos que não votaram por motivo justificado e aos não alistados, por dispensados do alistamento,
um certificado que os isente das sanções legais;
XIX - comunicar, até às 12 horas do dia seguinte a realização da eleição, ao Tribunal Regional e aos delegados
de partidos credenciados, o número de eleitores que votarem em cada uma das seções da zona sob sua
jurisdição, bem como o total de votantes da zona.

#SELIGANASÚMULA
Súmula 374 STJ: Compete à Justiça Eleitoral processar e julgar a ação para anular débito decorrente de multa
eleitoral.
Súmula 368 STJ: Compete à Justiça comum estadual processar e julgar os pedidos de retificação de dados
cadastrais da Justiça Eleitoral.

2.6 JUNTAS ELEITORAIS

As juntas eleitorais são órgãos colegiados de primeira instância, cuja constituição ocorre próxima à
data do pleito eleitoral.
Art. 36. Compor-se-ão as juntas eleitorais de um juiz de direito, que será o presidente, e de 2 (dois) ou 4
(quatro) cidadãos de notória idoneidade.
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JUNTA ELEITORAL

2 OU 4 CIDADÃOS
1 JUIZ DE DIREITO DE NOTÓRIA
IDONEIDADE

#ATENÇÃO: serão 2 OU 4 membros. Assim, NUNCA poderão ser 3 membros.

Os membros das juntas eleitorais serão nomeados 60 (sessenta) dia antes da eleição, depois de
aprovação do Tribunal Regional, pelo presidente deste, a quem cumpre também designar-lhes a sede. § 2º Até
10 (dez) dias antes da nomeação os nomes das pessoas indicadas para compor as juntas serão publicados no
órgão oficial do Estado, podendo qualquer partido, no prazo de 3 (três) dias, em petição fundamentada,
impugnar as indicações.

EXTINÇÃO DA
JUNTA:
SURGIMENTO DA DIPLOMAÇÃO DOS
JUNTA: 60 DIAS ELEITOS PARA OS
ANTES DAS CARGOS
ELEIÇÕES MUNICIPAIS

TRANSITORIEDADE
DAS JUNTAS

#ATENÇÃO - Não podem ser nomeados membros das juntas:


 candidatos, seus cônjuges ou parentes até 2º grau;
 membros de diretorias de partidos políticos;
 autoridades e agentes policiais;
 funcionários que exerçam cargo de confiança no Executivo;
 quem pertencer ao serviço eleitoral

Em cada zona eleitoral haverá ao menos uma junta eleitoral. É possível a formação de tantas juntas
eleitorais quantos sejam os juízes de direito da comarca.
O juiz presidente da junta poderá designar escrutinadores e auxiliares para ajudar na marcha dos
serviços eleitoral. Essa designação será obrigatória quando houver nas zonas eleitorais mais de 10 urnas a
apurar.
34

2.6.1 COMPETÊNCIA DAS JUNTAS ELEITORAIS

Art. 40. Compete à Junta Eleitoral:


I - apurar, no prazo de 10 (dez) dias, as eleições realizadas nas zonas eleitorais sob a sua jurisdição.
II - resolver as impugnações e demais incidentes verificados durante os trabalhos da contagem e da apuração;
III - expedir os boletins de apuração mencionados no Art. 178;
IV - expedir diploma aos eleitos para cargos municipais.

EXPEDIÇÃO DE DIPLOMAS
E IMPUGNAÇÕES

NAS ELEIÇÕES PARA NAS ELEIÇÕES PARA NAS ELEIÇÕES PARA


PRESIDENTE E VICE- PREFEITO, VICE-PREFEITO
GOVERNADOR, VICE-
PRESIDENTE GOVERNADOR, E VEREADORES
DEPUTADOS FEDERAIS E
ESTADUAIS E SENADORES

TSE TRES JUNTAS ELEITORAIS

Em síntese, quanto à competência da Junta Eleitoral:


 apurar as eleições (no prazo e 10 dias).
 resolver impugnações durante os trabalhos de apuração.
 expedir boletins de urna.
 expedir diploma dos eleitos para cargos municipais.
2.7 MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

Entende-se que, devido à importância da matéria, o Ministério Público deverá atuar em todos os
procedimentos relativos ao Direito Eleitoral.
Tal como a Justiça Eleitoral, o MPE também se organiza em três níveis:
 Procurador-Geral Eleitoral: atua perante o TSE;
 Procurador Regional Eleitoral: atua perante o TRE;
 Promotor Eleitoral: atua perante o juiz eleitoral e a Junta Eleitoral.
35
Segundo o art. 18 do CE, juntamente ao TSE, o Procurador Geral Eleitoral, que será o Procurador da
República, exercerá suas funções, podendo designar outros membros do Ministério Público da União para
auxiliá-lo.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Compete ao juízo da vara federal com atuação na cidade de domicílio do


impetrante processar e julgar mandado de segurança impetrado por promotor de justiça contra ato
administrativo de procurador regional eleitoral, desde que não se trate de matéria eleitoral (Info. 746 do STF).

COMPETÊNCIAS DO PROCURADOR GERAL ELEITORAL


 Assistir às sessões, manifestando-se quando entender necessário ou quando solicitado;

 Exercer e promover a ação pública;

 Oficiar nos recursos encaminhados ao TSE;

 Defender a jurisdição do Tribunal e representar pela observância da legislação eleitoral;

 Requisitar diligências, certidões e esclarecimentos;

 Expedir instruções destinadas ao membros que atuarem perante os TREs;

 Acompanhar o Corregedor Geral quando solicitados (pessoalmente ou por intermédio de


procurador designado).

Em relação ao Ministério Público, no âmbito dos TREs, temos os Procuradores Regionais.

#CAIUEMPROVA: se no âmbito do TSE o Procurador Geral da República é o Procurador Geral Eleitoral, no


âmbito dos estados o Procurador Regional Eleitoral será o Procurador de Justiça? INCORRETO! O procurador
regional eleitoral será o Procurador da República designado pelo Procurador Geral da República no respectivo
estado.

Em relação à atuação do Ministério Público em primeira instância temos os promotores eleitorais.


Quanto a eles, nem a CF, nem o CE, trazem regras específicas. Devemos saber, no entanto que a designação dos
promotores eleitorais observa o princípio da delegação. Segundo esse princípio, as funções do promotor
eleitoral são exercidas por delegação entre os promotores do Ministério Público Estadual. Eles serão indicados
pelo Procurador-Geral de Justiça e designados pelo Procurador Regional Eleitoral.
Por fim, o promotor eleitoral atuará tanto perante o Juízo Eleitoral, como diante da Junta Eleitoral.
ORGÃO SERÁ OCUPADO PELO SERÁ ESCOLHIDO
TSE Procurador Geral Eleitoral O Procurador Geral da República
TRE Procurador Regional Eleitoral Entre Procuradores da República
JUIZES Promotor Eleitoral Entre promotores de justiça
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JUNTAS ELEITORAIS Promotor Eleitoral Entre promotores de justiça

#DEOLHONAJURIS #AJUDAMARCINHO: O art. 79 da LC 75/93, que confere ao Procurador Regional Eleitoral a


incumbência de designar os membros do Ministério Público estadual que atuarão junto à Justiça Eleitoral, é
constitucional tanto sob o ponto de vista formal como material. O Procurador-Geral da República detém a
prerrogativa, ao lado daquela atribuída ao Chefe do Poder Executivo, de iniciar os projetos de lei que versem
sobre a organização e as atribuições do Ministério Público Eleitoral. A designação de membro do Ministério
Público local (estadual) como Promotor Eleitoral por Procurador Regional Eleitoral, que é membro do Ministério
Público Federal, não afronta a autonomia administrativa do Ministério Público do Estado (Info 817 STF).

IMPORTANTE: No campo eleitoral, não existe prazo distinto para o MP eleitoral, tendo o mesmo prazo das
partes para ajuizamentos de ações eleitorais (AIRC, AIME, AIJE, RCD, Representações etc.) e manifestações.
Apenas a ciência dos atos judiciais mediante vista dos autos e não publicação pela imprensa é que se mantém
ao Ministério Público Eleitoral.

3 DISPOSITIVOS PARA CICLO DE LEGISLAÇÃO

DIPLOMA DISPOSITIVO
Constituição Federal Artigos 102, 105, 118-120
Código Eleitoral Artigos 12-41

4 BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

- GOMES, José Jairo. Direito eleitoral. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2015
- Anotações de aulas do Estratégia Concursos
- Anotações de aulas do Curso Ênfase
- Site do Dizer o Direito