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Aula 03

Direitos Humanos p/ Polícia Civil - MG


Professor: Alyson Barros
05608175760 - Maria Rita Catonio Barbosa
Investigador PC - Minas
Gerais Direitos Humanos
Professor Alyson Barros

Direitos Humanos para a


Polícia Civil de Minas Gerais
Professor: Alyson Barros
Aula 03

O Sistema Internacional de Proteção dos


Direitos Humanos e a Redefinição da Cidadania
no Brasil.

Estudamos bastante o sistema internacional de proteçã o dos direitos humanos no


encontro passado. Nessa aula dedicaremos atençã o especial ao tó pico de Cidadania no
Brasil. Um tó pico á spero, mas que com a malemolência certa certamente nos trará bons
frutos. Esqueça tudo o que você sabe sobre cidadania! Vamos estudar um conceito
abstrato e pouco relacionado com a realidade, combinado?
Aqui nó s temos de fazer, necessariamente, algumas apostas. Considerando que
estamos tratando de um curso que nã o pede aprofundamentos doutriná rios
socioló gicos, e que na sua prova tem alguma chance de evidenciarmos jurisprudências,
irei traçar um panorama geral do que é pedido e depois adentrar especificamente no que
o STF tem dito sobre os assuntos comuns da cidadania. Mas, antes de adentrarmos nos
conceitos principais desse tó pico, nó s devemos caracterizar a perspectiva socioló gica e,
por conseguinte, a sociologia do direito. É rá pido e indolor, prometo.

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05608175760 - Maria Rita Catonio Barbosa


Considerações acerca da perspectiva sociológica de direitos humanos

A sociologia é uma ciência que estuda o comportamento social em busca de


padrõ es comuns e explicaçõ es acerca da realidade social em que vivemos. Ela estuda o
modo como os indivíduos, grupos e instituiçõ es interagem e produzem a sociedade.
Apenas recentemente a sociologia começou a estudar de forma enfá tica os temas de
direitos humanos (antes era monopó lio quase exclusivo da teoria geral do direito, da
filosofia do direito e do direito internacional). E, hoje em dia, podemos dizer que a
perspectiva socioló gica busca entender como os direitos humanos sã o aplicados.
É salutar destacar que no conceito de "instituições" temos tanto o Estado quanto
o pró prio conjunto de Direitos Humanos. Mas Alyson, como os Direitos Humanos sã o
entendidos como instituiçõ es? Nã o sou eu que responderei isso. Veja:
Na linguagem socioló gica, os direitos humanos podem ser descritos como uma
instituição. Em sociologia, tal conceito nã o indica simplesmente um complexo de
normas, mas sim um complexo de expectativas reais de comportamento efetivadas no
contexto de um papel social e que podem contar com o consenso social. O catá logo dos
direitos humanos, inscrito nas constituiçõ es e nas convençõ es internacionais, simboliza
expectativas de comportamento institucionalizadas e efetivá veis em situaçõ es concretas.
As instituiçõ es sã o expectativas de comportamento generalizadas nas dimensõ es
temporal, material e social, formando, enquanto tal, a estrutura dos sistemas sociais.
Sob esse aspecto - e somente sob esse aspecto - constituem um possível objeto de
positivaçã o jurídica. Ao mesmo tempo, c05608175760 omo
componentes estruturais, levantam a questã o de sua funçã o na ordem social, que, por
sua vez, permite controlar, do ponto de vista conceitual, o processo de positivaçã o.
Fonte: PANNARALE, Luigi. Premissas Para uma Sociologia dos Direitos humanos.
Veredas do Direito, Belo Horizonte, " v.S"n.9/10"p.31-44"Janeiro-Dezembro de 2008.

Entendido isso, podemos também compreender os direitos humanos como


disciplinas normativas que julgam as condutas dos atores sociais. Desse modo, a
sociologia surge como uma disciplina que complementa a visã o puramente positivista e

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dogmá tica ao analisar e compreender a construçã o e aplicaçã o desses direitos. Essa
interdisciplinaridade entre os direitos humanos e a sociologia é fundamental para o
desenvolvimento da sociedade e da aplicabilidade desse direito positivado. E qual o
objetivo dessa interdisciplinaridade? A construçã o de uma consciência coletiva, onde a
pró pria sociedade construa um conjunto de parâ metros universais e aplicá veis que
garantam, efetivamente, a aplicaçã o dos direitos humanos.
Vejamos alguns conceitos importantes para o seu domínio do assunto:
Fato Social: é uma relaçã o de coerçã o social sobre os indivíduos (É mile Durkheim). É
algo exterior ao indivíduo e existe em toda a sociedade, ou em grandes grupos definidos.
Em outras palavras, é uma norma coletiva com independência e poder de coerçã o sobre
o indivíduo. Sendo assim, ele é caracterizado pela maneira de agir, pensar e sentir que
sã o exteriores ao indivíduo e que sã o aprendidos por este. Sã o fatos sociais: o
casamento, o suicídio, o direito, etc. Para Durkheim, os fatos sociais sã o o objeto de
estudo da sociologia e devem ser estudados para a correta interpretaçã o da sociedade.
Eles possuem coerçã o, exterioridade e generalidade.
Coerção: forte influência que os padrõ es culturais exercem sobre o
comportamento do indivíduo. Nã o há outra soluçã o a nã o ser seguir esses
padrõ es, pois o custo de traçar condutas alternativas é muito alto.
Exterioridade: os padrõ es da cultura sã o exteriores aos indivíduos
(independentes das suas consciências).
Generalidade: os fatos sociais existem nã o para um indivíduo específico, mas
para a coletividade.
Dominação: Weber define a dominaçã o como "a possibilidade de encontrar pessoas
determiná veis, prontas a obedecer a uma ordem". Assim, a dominaçã o é a existência
efetiva de um indivíduo que manda em outros com sucesso.

Igualdade Jurídica

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Esse é um princípio atrelado à universalidade de aplicaçã o do direito: todos sã o
iguais diante da lei. Essa igualdade está insculpida em nossa Constituiçã o Federal de
1988:
Art. Sº Todos sã o iguais perante a lei, sem distinçã o de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...]
O que isso significa para os nossos estudos em termos prá ticos? Os direitos
humanos que promovem a igualdade devem prevalecer sobre os que tendem a
consolidar e estabilizar as diferenças. Sabemos que os direitos humanos surgem como os
mais inclusivos de todos os direitos - ninguém pode estar excluído do conceito de
humanidade - e sã o justamente a positivaçã o da necessidade de superaçã o da exclusã o
social.
Isso significa que os Direitos Humanos sã o sempre direitos de toda a humanidade
e nã o direitos de grupos, correto? Errado. Os Direitos Humanos sã o, antes de tudo,
direitos das minorias contra os superpoderes das maiorias. Isso significa que é um freio
aos poderes tanto dos Estados quanto de grupos sociais com maiores poderes. A
Constituiçã o Federal em si prescreve mais direitos específicos a grupos que à totalidade
de populaçã o, exemplo: direitos apenas a trabalhadores, crianças, desvalidos, mulheres,
índios, etc. Implícito a essa opçã o do constituinte está a intençã o de que nenhuma
maioria e nem mesmo a unanimidade pode decidir a aboliçã o ou a reduçã o dos direitos
que tutelam as minorias.
Mas Alyson, quais sã o as principais jurisprudências que podem cair em minha
prova em relaçã o a esse tema de igualdade jurídica? Vejamos:
1. O princípio da isonomia nã o necessita de regulamentaçã o para ser observado
pela administraçã o pú blica em qualquer um dos seus três poderes.

O princípio da isonomia, que se reveste de auto-aplicabilidade, nã o é - enquanto


postulado fundamental de nossa ordem político-jurídica - suscetível de regulamentaçã o
ou de complementaçã o normativa. Esse princípio - cuja observâ ncia vincula,
incondicionalmente, todas as manifestaçõ es do Poder Pú blico - deve ser considerado,
em sua precípua funçã o de obstar discriminaçõ es e de extinguir privilégios (RDA
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SS/114), sob duplo aspecto: (a) o da igualdade na lei e (b) o da igualdade perante a lei.
A igualdade na lei - que opera numa fase de generalidade puramente abstrata - constitui
exigência destinada ao legislador que, no processo de sua formaçã o, nela nã o poderá
incluir fatores de discriminaçã o, responsá veis pela ruptura da ordem isonô mica. A
igualdade perante a lei, contudo, pressupondo lei já elaborada, traduz imposiçã o
destinada aos demais poderes estatais, que, na aplicaçã o da norma legal, nã o poderã o
subordiná -la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou discriminató rio. A eventual
inobservâ ncia desse postulado pelo legislador imporá ao ato estatal por ele elaborado e
produzido a eiva de inconstitucionalidade. (MI S8, Rel. Min. Celso de Mello, DJ
19/04/91)

2. O princípio da igualdade jurídica nã o é absoluto. Apesar de todos serem tratados


de acordo com a lei, alguns casos podem apresentar colisõ es de direitos
fundamentais que necessitam de relativizaçã o.

Os direitos e garantias individuais nã o têm cará ter absoluto. Nã o há , no sistema


constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de cará ter absoluto,
mesmo porque razõ es de relevante interesse pú blico ou exigências derivadas do
princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a
adoçã o, por parte dos ó rgã os estatais, de medidas restritivas das prerrogativas
individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela pró pria
Constituiçã o. O estatuto constitucional das liberdades pú blicas, ao delinear o regime
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jurídico a que estas estã o sujeitas - e considerado o substrato ético que as informa -
permite que sobre elas incidam limitaçõ es de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a
proteger a integridade do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência
harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser exercido em
detrimento da ordem pú blica ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros.
(MS 23.4S2, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 12/0S/00)

3. É possível a realizaçã o de concurso pú blico com limitaçã o de idade, especificaçã o


de sexo ou escolaridade se tais limitaçõ es forem justificá veis apenas se houver
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indispensá vel relaçã o com a funçã o que será executada. É possível, ainda,
estabelecimento de critérios diferenciados de promoçã o no serviço pú blico de
acordo com o sexo.

Razoabilidade da exigência de altura mínima para ingresso na carreira de delegado de


polícia, dada a natureza do cargo a ser exercido. Violaçã o ao princípio da isonomia.
Inexistência. (RE 140.889, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 1S/12/00)

Concurso Pú blico - Fator altura. Caso a caso, há de perquirir-se a sintonia da exigência,


no que implica fator de tratamento diferenciado com a funçã o a ser exercida. No â mbito
da polícia, ao contrá rio do que ocorre com o agente em si, nã o se tem como
constitucional a exigência de altura mínima, considerados homens e mulheres, de um
metro e sessenta para a habilitaçã o ao cargo de escrivã o, cuja natureza é estritamente
escriturá ria, muito embora de nível elevado. (RE 1S0.4SS, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ
07/0S/99). No mesmo sentido: AI 384.0S0-AgR, DJ 10/10/03; RE 194.9S2, DJ 11/10/01.

Promoçã o de militares dos sexos masculino e feminino: critérios diferenciados: carreiras


regidas por legislaçã o específica: ausência de violaçã o ao princípio da isonomia:
precedente (RE 22S.721, Ilmar Galvã o, DJ 24/04/2000). (AI S11.131-AgR, Rel. Min.
Sepú lveda Pertence, DJ 1S/04/0S)

4. É possível estabelecer políticas pú blicas desiguais para grupos diferentes para


promover a igualdade.

O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, nã o é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art.
4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. (RE
343.446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 04/04/03)

S. Estrangeiros residentes no país gozam dos direitos e garantias fundamentais.

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A teor do disposto na cabeça do artigo Sº da Constituiçã o Federal, os estrangeiros
residentes no País têm jus aos direitos e garantias fundamentais. (HC 74.0S1, Rel. Min.
Marco Aurélio, DJ 20/09/96)

Ainda dando prosseguimento a esse tó pico, e entrando na parte dos movimentos


sociais, devo fazer algumas breves consideraçõ es sobre a desigualdade social. As lutas
de outros grupos sociais, como mulheres, crianças, idosos, deficientes, índios, pessoas
em vulnerabilidade social, é, em muitos sentidos, semelhante a luta dos
afrodescendentes no país. Deixo claro que nenhuma luta de qualquer grupo social é mais
ou menos importante que a luta de outros grupos sociais. Porém, é no movimento de
afirmaçã o de políticas pú blicas para a promoçã o da igualdade racial que encontramos
um dos maiores acervos histó ricos de legislaçõ es e referências nacionais e
internacionais (junto com as discussõ es sobre gênero).
Segundo a Convençã o Internacional para a Eliminaçã o de todas as Normas de
Discriminaçã o Racial da ONU, ratificada pelo Brasil em 27 de março de 1968, a
discriminaçã o racial, conforme seu artigo 1º:
"significa qualquer distinçã o, exclusã o, restriçã o ou preferência baseada na raça,
cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de
impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade,
aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econô mico,
social, cultural ou qualquer outra á rea da vida pú blica".

E no Brasil?

No Brasil, a questã o racial foi ignorada pela Constituiçã o republicana, a de 1891.


Por sua vez, a Carta Política de 1934 veio afirmar a igualdade de todos perante a lei, sem
distinçã o de raça, art. 113, entretanto ignorou essa isonomia logo em seguida em dois
pontos: seja na promoçã o da educaçã o eugênica enquanto dever do Estado brasileiro a
ser observado nas futuras legislaçõ es, art. 138, seja nos critérios de etnia para efeito de
fixaçã o de cotas de imigrantes, art. 121. As Leis Maiores posteriores, seja a 1937, a
polaca, seja a 1946, que marcaria a redemocratizaçã o do país no pó s-guerra,
mantiveram a igualdade racial.
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Depois disso, veio a ser instituída a primeira lei antidiscriminaçã o, a Lei Afonso
Arinos, em 19S4, que considerava como contravençã o penal a conduta de recusar, por
motivo racial, emprego ou atendimento em estabelecimentos de prestaçã o de serviços
ao pú blico. De efeitos prá ticos desconhecidos, caiu logo em descrédito, nã o tendo sido
levada a sério por ninguém, inclusive, o que é de pasmar, pelo pró prio jurista e político
de quem levava o nome. Tal demonstraçã o acontecera na cidade do Rio de Janeiro, em
1977, quando o estudante negro de medicina Otelino de Souza, impedido, por razõ es
racistas, de estagiar em clínica psiquiá trica, entrou com processo contra o diretor desta,
baseado naquela lei. Embora tivesse apresentado robusta prova da discriminaçã o que
sofrera, pois gravara eletronicamente a fala da confissã o do dirigente do
estabelecimento, veio a perder a açã o exatamente porque Arinos testemunhou por
escrito em favor do réu, empenhando sua palavra na afirmaçã o de que este nã o era
racista. Além da derrota, sucedeu algo ainda pior: a vítima terminou ameaçada de
processo por calú nia (ECCLES, 1991).
Fonte: Martins, Paulo Cezar Borges. Introduçã o à sociologia jurídica da luta pela
cidadania e direitos humanos do negro no Brasil. Cadernos de Ciências Sociais Aplicadas,
Vitó ria da Conquista, Ano III, n. 3 p. 71-80. 200S.
E como comprovamos os efeitos da desigualdade racial no Brasil? O melhor
estudo produzido nos ú ltimos anos é o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no
Brasil 2009-2010.
Ele está disponível nesse site: http://www.laeser.ie.ufrj.br/PT/relatorios
%20pdf/Relat%C3%B3rio_2009-2010.pdf
Segundo esse relató rio, temos problemas sérios de saú de ligados à questã o racial,
como as dificuldades de acesso à saú de e a prevalência de doenças em negros e pardos
em estado de pobreza, maiores mortalidades em funçã o de acidentes e violência, etc. Sã o
dados que, conjugados com outras pesquisas recentes, demonstram tanto que a questã o
da desigualdade racial é patente no Brasil quanto o governo tem se se esforçado em
reduzir essas desigualdades.
Ainda sobre esse relató rio, veja um breve resumo:
Marcelo apresentou todos os capítulos do relató rio, que retrata a situaçã o das e
dos afrodescendentes no país entre os anos de 1998 e 2008. O Relató rio trata do
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diagnó stico das principais causas de mortalidade entre a populaçã o negra. O estudo
revela que nos anos 2006 e 2007, das 96 mil pessoas assassinadas no Brasil, 63% eram
pretas ou pardas. Em 2007, o nú mero de assassinatos entre as mulheres negras era
41,3% superior que o observado entre as mulheres brancas.
O relató rio também traz informaçõ es sobre os índices de mortalidade materna no
país e dá conta que, em 2007, a cada 100 mil nascidos vivos, SS mulheres morreram em
decorrência de problemas relacionados à maternidade. As mulheres negras
representavam S9% desse total. O estudo ainda revela que as negras estã o em piores
condiçõ es quanto à realizaçã o de exames preventivos e de pré-natal. Entre as mã es
brancas, 70,1% realizaram sete ou mais consultas, enquanto entre as negras o nú mero é
de 42,6%.
Além desses dados, a pesquisa revela avanços em relaçã o à escolaridade da
populaçã o negra. Em 20 anos (1988 - 2008), a média de anos de estudos de pretos e
pardos, com idade superior a 1S anos, foi de 3,6 para 6,S anos. Em relaçã o ao acesso ao
ensino superior, os nú meros sã o expressivos; entre as mulheres negras passou de 4,1%
para 20% e entre os homens negros de 3,1% para 13%.
Fonte: http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2011/setembro/relatorio-
anual-de-desigualdades-raciais-e-apresentado-na-camara

E entre homens e mulheres? Ainda existem diferenças? Podemos falar em


igualdade jurídica? Em teoria sim, mas as desigualdades ainda sã o acentuadas.
No Brasil, as mulheres sã o mais da m 05608175760 etade da populaçã o e já estudam mais que
os homens, mas ainda têm menos chances de emprego, ganham menos do que o
universo masculino trabalhando nas mesmas funçõ es e ocupam os piores postos. Nos
ú ltimos anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a distribuiçã o de renda melhorou, mas a desigualdade entre homens e mulheres,
ainda é muito significativa.
Fonte: http://www.brasil.gov.br/secoes/mulher/desigualdade-de-generos

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Os movimentos feministas nã o sã o recentes na histó ria da humanidade. Esses
movimentos sã o sempre sexuados (com base no gênero) e buscam superar:
As discriminaçõ es sexistas
A sociedade patriarcal
A misoginia (desprezo ao sexo feminino)
As diferenças de trabalho e salá rio entre homens e mulheres.
Para esses movimentos, as relaçõ es sociais entre homens e mulheres devem
mudar e isso significa uma transformaçã o global das relaçõ es sociais.
Por fim:

Um trabalhador assalariado homem ganha 2S,7% mais, na média, do que uma


mulher assalariada. Já o trabalhador, homem ou mulher, com curso superior ganha em
média 220% mais do que quem nã o tem faculdade. Os dados foram divulgados nesta
sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referem-se a
2011, extraídos do Cadastro Central de Empresas (Cempre).
O salá rio médio do trabalhador homem foi de R$ 1.962,97, enquanto as mulheres
tiveram remuneraçã o de R$ 1.S61,12. Do total de assalariados, S7,7% sã o homens e
42,3%, mulheres. Já os empregados com curso superior ganhavam R$ 4.13S,06, contra
R$ 1.294,70, na média dos trabalhadores sem faculdade.
Fonte: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?
option=com_content&view=article &id=48SS&catid=44

Direitos de Cidadania

Cabe definir, primeiramente, o que é cidadania. Do ponto de vista da sociologia


do direito, cidadania é o exercício pleno dos direitos civis, políticos e sociais. A
prá tica da cidadania envolve muito mais a coletividade do que o individual (embora
também o seja) e deve, portanto, ser compreendida sob a ó tica coletiva. Esses direitos de
cidadania fazem parte dos direitos humanos e podem ser descritos como os direitos

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civis, políticos, sociais e coletivos. Ou seja, engloba quase todo o rol de direitos
fundamentais. Nada mais justo, pois os direitos humanos nada mais sã o que os direitos
mínimos para a promoçã o da dignidade humana e nã o há como ser cidadã o sem essa
dignidade mínima.
Sobre essa definiçã o, é salutar destacar um texto adotado em uma questã o de
outra banca, brilhantemente elaborada:

Concurso para Professor de Sociologia SEAD/SEEC/PB (CESPE-2009)


Afinal, o que é cidadania?
Nunca se falou tanto sobre cidadania, em nossa sociedade, como nos ú ltimos
anos. Mas, afinal, o que é cidadania?
Segundo o Dicioná rio Aurélio da Língua Portuguesa, "cidadania é a qualidade ou
estado do cidadã o". Entende-se por cidadã o "o indivíduo no gozo dos direitos civis e
políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este".
No sentido etimoló gico da palavra, cidadã o deriva da palavra civita, que, em latim,
significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos- aquele que
habita na cidade.
No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa de participar das
decisõ es sobre os destinos da cidade através daekklesia (reuniã o dos chamados de
dentro para fora) na á gora(praça pú blica onde os que eram chamados se organizavam
para, de comum acordo, deliberar sobre decisõ es). Nessa concepçã o, surge a democracia
grega, onde somente 10% da populaçã o determinava os destinos de toda a cidade (eram
excluídos os escravos, as mulheres e os artesã os).
A mídia confunde muito o direito do Cidadã o com o direito do Consumidor, por
isso questiono o aspecto ideoló gico dessa confusã o.
Vejamos neste quadro sintético uma percepçã o pessoal sobre como se processa a
"evoluçã o" do Ser Humano até o Ser Cidadã o.

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Conclusã o: o direito do Consumidor é direito de propriedade e o direito do
Cidadã o é direito de acesso. É do direito de acesso que o povo brasileiro necessita e nã o
de leis que garantam a uma minoria (elite brasileira) suas grandes e ricas propriedades.
Um dos grandes problemas no Brasil, além da impunidade e da corrupçã o
endêmicas, é a má distribuiçã o de renda, situaçã o em que muitos têm pouco e poucos
têm muito.
Vanderlei de Barros Rosas. Internet:
<www.mundodosfilosofos.com.br> (com adaptaçõ es).

O texto ilustra uma visã o bem estruturada sobre cidadania. Porém, devo salientar
que além dessa definiçã o, o candidato deve entender que a construçã o da cidadania nã o
ocorre pelas benesses políticas, mas pela afirmaçã o de grupos sociais excluídos
socialmente que lutaram na conquista de direitos. Como movimentos sociais mais fortes
na histó ria da humanidade, por exemplo, temos a luta dos afrodescendentes pela
construçã o da cidadania brasileira. Essa luta, no contexto brasileiro é, ainda, contínua e
baseada em vá rios pontos de debate, como a contestaçã o direta da discriminaçã o,
igualdade salarial, cotas, mudanças culturais para contestar açõ es dissimuladas de
negaçã o do racismo, etc.
E sobre a jurisprudência? Vejamos.

1. É dever do cidadã o, e nã o direito, opor-se à ordem ilegal.

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Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, ou a ela se submeter, ainda que emanada de
autoridade judicial. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal; caso contrá rio,
nega-se o Estado de Direito." (HC 73.4S4, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 07/06/96)

2. Certidõ es de nascimento e ó bito sã o gratuitas

Os atos relativos ao nascimento e ao ó bito relacionam-se com a cidadania e com seu


exercício e sã o gratuitos na forma da Lei. Portanto, nã o há direito constitucional à
percepçã o de emolumentos por todos os atos que delegado do poder pú blico pratica;
nã o há obrigaçã o constitucional do Estado de instituir emolumentos para todos esses
serviços; os serventuá rios têm direito de perceber, de forma integral, a totalidade dos
emolumentos relativos aos serviços para os quais tenham sido fixados." (ADI 1.800-MC,
Rel. Min. Nelson Jobim, DJ 06/04/98)

Pluralismo Jurídico

Pluralismo Jurídico (dualismo e pluralismo) é um conceito que descreve a


existência de dois ou mais sistemas jurídicos, dotados de eficá cia, concomitantemente
em um mesmo ambiente. Apesar dessa definiçã o ainda ser pouco precisa na doutrina e
das dificuldades de sua aplicabilidade concreta, o pluralismo jurídico se apresenta como
uma alternativa de fontes formais dos dir05608175760 eitos (oficiais
ou nã o) para o exercício dos direitos humanos. O Brasil é favorá vel a esse tipo de
paralelismo de sistemas normativos. Assim, qualquer grupo organizado, mesmo que de
traficantes, por exemplo, possui direitos que podem ser reivindicados. Absurdo? Sim,
claro que esse é um exemplo extremo, mas é o que as bancas e o governo atual pensam:
todo grupo possui direitos, independente da legalidade ou da ética desse grupo.
O pensamento do pluralismo jurídico revela a convicçã o da existência de diversas
ordens jurídicas em um ambiente social. Esse pluralismo jurídico é contrá rio à visã o
monista, que acredita que a ú nica ordem que interessa é a ordem proveniente do Estado.

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O monismo e o pluralismo jurídico sã o teorias que coexistem na doutrina, apesar de
apresentarem diversas contradiçõ es entre si.
Veja suas principais:
Concepção Monista Concepção Pluralista

A realidade é unitá ria, homogênea e A realidade é mú ltipla, existem vá rios


centralizadora. Existe grupos sociais, as formas de atuaçã o
uma prá tica sã o variadas e em cada realidade
interdependência entre a realidade e as deve-se observar as particularidades
leis. específicas do grupo e da situaçã o. Existe
uma independência e interdependência
entre a realidade e as leis.
O Estado é o ú nico produtor de direitos A sociedade gera suas pró prias normas e
este direito nã o deve ser considerado
inferior ao direito estatal.

Para o politólogo - estudioso das ciências sociais -, fica claro que cada grupo
social possui um conjunto de leis pró prias e que existem traços comuns que devem
ser evidenciados em um ordenamento comum, o ordenamento do Estado.
Mas Alyson, eu nã o consigo ver onde existe o pluralismo jurídico. Onde ele está
em nossa sociedade? Se você for buscar tal ordenamento jurídico pelas Leis nacionais e
pela Constituiçã o Federal, dificilmente encontrará , pois tais instrumentos sã o a
representaçã o monista do direito. Fica claro o entendimento que os direitos positivos
sã o as normas impostas ou reconhecidas pela classe dominante a partir da produçã o
normativa das classes sociais. Porém, como falado anteriormente, existe o pluralismo
jurídico no Brasil.
Para identificarmos a existência do pluralismo jurídico em nosso país, temos de
procurar em grupos sociais distintos e que podem, ou nã o, ter seu conjunto de regras
sociais escritas. Como exemplo, temos as igrejas, as tribos indígenas e até as
comunidades pacificadas no Rio de Janeiro. Esses grupos apresenta sua pró pria ordem
normativa. Essa ordem é contrá ria ao Estado? Nã o, Nem sempre, mas certamente tem

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regras além do que está descrito no ordenamento jurídico positivado. Na visã o de
Oliveira (2003), todo grupo consistente está habilitado a elaborar normas, mesmo que
eventualmente sejam mais que regulamentos, consistindo em verdadeiras normas
jurídicas.
Apesar de termos mecanismos de reconhecimento das diversidades dos grupos
sociais e participaçã o do cidadã o - democracia representativa, separaçã o dos poderes,
federalismo presidencialista e orçamento participativo - seus efeitos sã o pífios para a
diminuiçã o das profundas desigualdades existentes entre as oligarquias e a maioria
pobre da populaçã o. Ainda no bojo da dimensã o real, sabemos que o que nã o contribui
para reduzir a exclusã o social, amplia a mesma. Assim, reconhecemos a pluralidade
jurídica, mas... Nada é feito de fato.
Temos um contrassenso nesse ponto. O Estado define, de forma permanente, o
papel da sociedade civil e exercita com exclusividade seu monopó lio de produçã o
jurídica. Como a sociedade, entã o, pode emancipar direitos fundamentais de grupos
sociais? Nã o cabe a mim responder, mas cabe a você entender essa necessidade de
reconhecimento de direitos para além dos previstos pelo Estado.
O fundamento da pluralidade de ordenamentos reside na existência de diversos
segmentos sociais, isto é, a sociedade sempre é dividida em estamentos - classes sociais
- e está em constante luta para a afirmaçã o de direitos. Destaco que o Pluralismo
Jurídico nã o se contrapõ e à existência do ordenamento estatal. Insurge-se essa teoria
contra a reduçã o do Direito à lei do Estado. Essa perspectiva reconhece como legítimas
as relaçõ es jurídicas criadas por grupos "marginais" no plano da luta social por direitos e
pela democracia, como, por exemplo, as lutas dos grupos pró -moradia, pró -cidadania,
etc. (Oliveira, 2003).
Para Wolkmer (Oliveira, 2003), o pluralismo é uma multiplicidade de prá ticas
existentes num mesmo espaço só cio-político, interagidas por conflitos ou consensos,
podendo ser ou nã o oficiais e tendo sua razã o de ser nas necessidades existenciais,
materiais e culturais. Essa é uma concepçã o ética, moral e socioló gica que o direito deve
considerar no estudo da realidade social. É possível observar (Oliveira, 2003) que esta
concepçã o agrega novos elementos que compõ em o conceito de pluralismo jurídico.
Além da pluralidade de normatividades no mesmo espaço só cio-político, o pluralismo
Professor Alyson Barros 1S
defendido por Wolkmer é produzido por novos sujeitos sociais, caracterizados pela
cultura da descentralizaçã o, democracia, participaçã o política e açã o direta, movidos por
necessidades fundamentais de natureza existencial, material e cultural, à luz de uma
ética da alteridade.
Qual a importâ ncia do conhecimento dessa pluralidade de normas existentes em
grupos sociais? A afirmaçã o de direitos humanos. É assim que grupos sociais reduzem a
exclusã o social e conquistam direitos. Nesse fluxo de conquistas através do
reconhecimento (positivaçã o) de direitos que antes eram extra estatais.
A luta dos grupos sociais no Brasil é, de forma geral, caracterizada pela busca da
satisfaçã o de necessidades fundamentais. Essas necessidades ultrapassam as simples
liberdades constitucionalmente previstas e alcançam, entre inú meras outras coisas, o
reconhecimento da identidade de um grupo e a consequente reconhecimento e garantia
desses novos direitos. Assim, assumir o paradigma do pluralismo jurídico é, antes de
tudo, assumir o direito de emancipaçã o dos grupos sociais existentes em nossa naçã o.
Temos limites para a emancipaçã o desses grupos sociais? Sim, o "estado paralelo"
do narcotrá fico do Rio jamais será reconhecido como um grupo social de direito, pois
nã o possuem o referencial ético mínimo de necessidade de resguarde de necessidades
fundamentais.
Também podemos falar desse pluralismo jurídico do ponto de vista
internacional? Sim, e aqui os papéis sã o os mesmos e os atores sã o outros. Enquanto os
organismos internacionais buscam uma unicidade jurídica através do Direito
Internacional - raramente conseguida - os Estados apresentam legislaçõ es paralelas à
ordem internacional e entre si. A tese de existência de pluralismo jurídico pode ser
corroborada mediante a apresentaçã o dos seguintes fatos:
a) A existência de diferenças constitucionais entre os Estados.
b) A existência de um grande nú mero de tribunais e de ó rgã os que criam suas regras
para os nichos nos quais operam (ONU, OMS, OMC, OIT, etc.);
c) A influência do Direito Internacional de Direitos Humanos e da sociedade civil
organizada na "soberania" dos Estados.
Temos jurisprudência? Apenas uma e, ainda assim, apenas para exemplificar.

Professor Alyson Barros 16


Vendas a termo - usos e costumes. I. Nas operaçõ es de venda de cacau a termo, os usos e
costumes preenchem o vazio das disposiçõ es legais, que reconhecem a licitude desses
negó cios inevitavelmente expostos a especulaçã o da bolsa de mercadorias. Ii. Nenhuma
lei reserva ao produtor, que vende a termo, a mais valia decorrente da alta de preços
entre o fechamento e a liquidaçã o do negó cio. Iii. Nã o nega vigência aos arts. 1.092 e
1.130, do có digo civil, o acó rdã o, que, interpretando clausulas contratuais e os usos e
costumes da praça, decidiu que o comprador, depois de interpelar o vendedor, nã o
estava obrigado a depositar previamente o preço para exigir a entrega da mercadoria.
(STF - RE: 79S4S BA , Relator: ALIOMAR BALEEIRO, Data de Julgamento: 21/11/1974,
PRIMEIRA TURMA, Data de Publicaçã o: DJ 08-01-197S PP-*****)

Acesso à Justiça

O acesso à justiça é um direito humano fundamental para a garantia de direitos.


Onde nã o há amplo acesso a uma Justiça efetiva e transparente, a democracia e a
condiçã o humana está em risco e o exercício da cidadania está comprometido. O acesso à
justiça engloba nã o só a busca de direitos, mas o conhecimento desses direitos.
O princípio do acesso à justiça significa que o legislador nã o pode criar obstá culos
a quem teve seu direito lesado, ou esteja sob a ameaça de vir a tê-lo, de submeter sua
pretensã o ao Poder Judiciá rio. Contudo, o legislador pode estabelecer condiçõ es para o
exercício deste direito.
Esse princípio está expresso na Co05608175760 nstituiçã o
Federal de 1988 em seu art. Sº, inciso XXXV: "a lei nã o excluirá da apreciaçã o do
Poder Judiciá rio lesã o ou ameaça a direito".
Todos, indistintamente podem pleitear as suas demandas junto aos ó rgã os do
Poder Judiciá rio, desde que obedecidas as regras estabelecidas pela legislaçã o
processual para o exercício do direito.
Observe que este inciso tem relaçã o direta com outras garantias:
a) A possibilidade de que a lesã o ou ameaça de lesã o a direito possa ser
submetida à apreciaçã o do Poder Judiciá rio (inciso XXXV, art. Sº).

Professor Alyson Barros 17


b) O amparo estatal dado à quelas pessoas que, por sua condiçã o de
hipossuficiência, nã o podem arcar com encargos da demanda, como custas de
honorá rios advocatícios (inciso LXXIV, art. Sº).
c) A todos, no â mbito judicial e administrativo, sã o assegurados a razoá vel
duraçã o do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitaçã o
(LXXVIII, art. Sº).
Por esse ú ltimo inciso, temos a garantia constitucional da celeridade processual
no judiciá rio. Nã o vale rir...
Quais sã o os principais problemas do acesso à justiça no Brasil?
a) Morosidade do sistema judiciá rio.
b) Corrupçã o existente no sistema judiciá rio (em todos os poderes, na verdade, esse
é um problema pú blico!).
c) Custas processuais (advogado, por exemplo), que excluem pessoas com baixo
poder aquisitivo.
d) Nã o temos Defensorias Pú blicas funcionando em todos os Estados da Federaçã o
(contrariando o art. 134 da Constituiçã o), o que dificulta o acesso à justiça.

Temos jurisprudências importantes sobre o acesso à justiça. Confira:

1. Taxas Judiciá rias devem ter limites (valor da causa, custo do serviço e proveito do
contribuinte).
Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdiçã o a taxa judiciá ria calculada sem
05608175760

limite sobre o valor da causa. (SÚ M. 667)

Taxa judiciá ria e custas. Necessidade da existência de limite que estabeleça a


equivalência entre o valor da taxa e o custo real dos serviços, ou do proveito do
contribuinte. Valores excessivos: possibilidade de inviabilizaçã o do acesso de muitos à
Justiça, com ofensa ao princípio da inafastabilidade do controle judicial de lesã o ou
ameaça a direito. (ADI 1.772-MC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 08/09/00)

2. A Constituiçã o nã o assegura o acesso indiscriminado ao Poder Judiciá rio.


Professor Alyson Barros 18
O proprietá rio do prédio vizinho nã o ostenta o direito de impedir que se realize
edificaçã o capaz de tolher a vista desfrutada a partir de seu imó vel, fundando-se, para
isso, no direito de propriedade. A garantia do acesso à jurisdiçã o nã o foi violada pelo
fato de ter-se declarado a carência da açã o. O art. Sº inc. XXXV da Constituiçã o nã o
assegura o acesso indiscriminado ao Poder Judiciá rio. (RE 14S.023, Rel. Min. Ilmar
Galvã o, DJ 18/12/92)

3. Nã o é necessá rio esgotar a via administrativa para adentrar na via judiciá ria.
Quanto à alegada preclusã o, o prévio uso da via administrativa, no caso, nã o é
pressuposto essencial ao exercício do direito de interposiçã o do mandado de segurança.
Condicionar a possibilidade do acesso ao Judiciá rio ao percurso administrativo,
equivaleria a excluir da apreciaçã o do Judiciá rio uma possível lesã o a direito individual,
em ostensivo gravame à garantia do art. Sº, XXXV da Constituiçã o Federal. (MS 23.789,
voto da Min. Ellen Gracie, DJ 23/09/0S)

4. Necessidade de motivaçã o para atos que reprovem candidatos em concursos


pú blicos.
Exame e avaliaçã o de candidato com base em critérios subjetivos, como, por exemplo, a
verificaçã o sigilosa sobre a conduta, pú blica e privada, do candidato, excluindo-o do
concurso sem que sejam fornecidos os motivos. Ilegitimidade do ato, que atenta contra
o principio da inafastabilidade do conhecimento do Poder Judiciá rio de lesã o ou ameaça
a direito. É que, se a lesã o é praticada com base em critérios subjetivos, ou em critérios
05608175760

nã o revelados, fica o Judiciá rio impossibilitado de prestar a tutela jurisdicional, porque


nã o terá como verificar o acerto ou o desacerto de tais critérios. Por via oblíqua, estaria
sendo afastada da apreciaçã o do Judiciá rio lesã o a direito. (RE 12S.SS6, Rel. Min. Carlos
Velloso, DJ 1S/0S/92)

S. Problemas na celeridade do processo


Habeas corpus. Constitucional. Processual Penal. Crime de homicídio qualificado
na modalidade tentada. Artigo 121, § 2º, inciso II, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Có digo
Penal. Condenaçã o. Pena de 4 (quatro) anos de reclusã o em regime inicial fechado.
Professor Alyson Barros 19
Nulidade da condenaçã o imposta ao paciente, em decorrência de eventual cerceamento
de defesa ocorrido no curso do processo. Alegada possibilidade de o paciente cumprir a
pena em regime inicial aberto. Questõ es nã o analisadas em definitivo pelo Superior
Tribunal de Justiça. Impetraçã o dirigida contra decisã o daquela Corte de Justiça que
indeferiu medida liminar em habeas corpus. Incidência da Sú mula nº 691 desta Suprema
Corte. Apreciaçã o per saltum. Impossibilidade. Supressã o de instâ ncia. Precedentes.
Excesso de prazo para o julgamento do writ impetrado no Superior Tribunal de Justiça.
Constrangimento ilegal configurado. Nã o observâ ncia da norma constitucional da
razoá vel duraçã o do processo (art. Sº, inciso LXXVIII, da Constituiçã o da Repú blica).
Precedente.
1. Configuraria verdadeira supressã o de instâ ncia analisar os argumentos acerca
do suposto constrangimento ilegal imposto ao paciente em decorrência de suposta
nulidade da condenaçã o a ele imposta, do eventual cerceamento de defesa ocorrido no
curso do processo, e da alegada possibilidade de o paciente cumprir a pena em regime
inicial aberto, por se entender preenchidos os seus requisitos. Com efeito, nã o tendo os
temas sido apreciados em definitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, nã o pode esta
Suprema Corte, em exame per saltum, analisá -los. Incidência, na espécie, do enunciado
da Sú mula nº 691 desta Suprema Corte.
2. É da jurisprudência da Corte o entendimento de que "a comprovação de
excessiva demora na realização do julgamento de mérito do habeas corpus
impetrado no Superior Tribunal de Justiça configura constrangimento ilegal, por
descumprimento da norma constitucional da razoável duração do processo (art.
Sº, inc. LXXVIII, da Constituição da República), viabilizando, excepcionalmente, a
concessão de habeas corpus" (HC nº 101.896/SP, Primeira Turma, Relatora a
Ministra Cármen Lúcia, DJe de 21/S/10).
3. Ordem parcialmente conhecida e, nessa parte, concedida, para determinar ao
Superior Tribunal de Justiça que a autoridade coatora apresente o habeas corpus em
mesa para julgamento até a Sª sessã o subsequente à comunicaçã o da presente
determinaçã o.
(HC N. 111.171-DF. Relator Ministro Dias Toffoli)

Professor Alyson Barros 20


Vamos para as questõ es?

Questões

1. FUMARC - 2014 - CBM-MG - Oficial Bombeiro Militar


De acordo com os estudiosos da temá tica "Direitos Humanos", o problema da
criminalidade praticada por adolescentes e que impacta a segurança pú blica da
sociedade brasileira pode ser solucionado com a adoçã o da seguinte medida:
a) Aumento do policiamento nas vilas e nos aglomerados.
b) Construçã o de presídios de segurança má xima.
c) Implementaçã o de políticas pú blicas voltadas para a efetivaçã o dos direitos
individuais, políticos, econô micos, sociais e culturais que sejam capazes de intervir nas
diversas situaçõ es de vulnerabilidade que acometem grande parte dos adolescentes
brasileiros.
d) Reduçã o da maioridade penal.

2. NUCEPE - 2013 - PM-PI - Cabo (ADAPTADA)


[...] o fenô meno da cidadania é complexo e historicamente
definido. [...] O exercício de certos direitos, como a liberdade de
pensamento e o voto, nã o gera automaticamente o gozo de outros,
como a segurança e o emprego. O exercício do voto nã o garante a
existência de governos atentos aos problemas bá sicos da
populaçã o. Dito de outra maneira: a liberdade e a participaçã o nã o
levam automaticamente, ou rapidamente, à resoluçã o de
problemas sociais. Isto quer dizer que a cidadania inclui vá rias
dimensõ es e que algumas podem estar presentes sem as outras.
Professor Alyson Barros 21
Uma cidadania plena, que combine liberdade, participaçã o e
igualdade para todos, é um ideal desenvolvido no Ocidente e talvez
inatingível. Mas ele tem servido de parâ metro para o julgamento da
qualidade da cidadania em cada país e em cada momento histó rico
(José Murilo de Carvalho. Cidadania no Brasil, 2007, p.08).
No contexto da Segurança Pú blica a categoria cidadania é muito importante,
assim, analise as afirmaçõ es a seguir e identifique (V) para as afirmativas Verdadeiras, e
(F) para as Falsas, e ao final marque a alternativa com a sequência CORRETA, tendo
como base um Estado Democrá tico de Direito Social:
I. A política centralizadora se traduz pela tentativa de homogeneizaçã o da
sociedade, o que é impossível, em virtude da pluralidade humana. A centralizaçã o
faz com que as propostas venham de cima para baixo, e essa é uma tradiçã o das
políticas sociais no Brasil.
II. As Políticas Pú blicas ainda hoje nã o sã o acessíveis a toda a populaçã o,
negando, assim, o exercício pleno da cidadania. Os municípios mais carentes
vivenciam as dificuldades de açõ es governamentais que priorizam pequenos
segmentos da sociedade, detentores do poder político e econô mico, o que afeta o
exercício dos direitos humanos e a garantia dos mesmos.
III. No Estado Democrá tico de Direito cada vez mais é preciso a participaçã o da
sociedade civil nas questõ es de interesse social, torna-se inevitá vel a abertura do
debate sobre a Segurança Pú blica como condiçã o de acesso à cidadania plena.
IV. Em uma perspectiva democrá tica, quanto mais atores sociais ou institucionais
fizerem parte do curso político, mais amplo ele será , sendo a política pú blica o
resultado das relaçõ es estabelecidas entre eles.
V. Entende-se por Controle Social a participaçã o da sociedade no
acompanhamento e verificaçã o das açõ es da gestã o pú blica na execuçã o das
Políticas Pú blicas, avaliando objetivos, processos e resultados.

a) V, V, V, V, F
b) V, V, V, V, V
c) V, V, V, F, F
Professor Alyson Barros 22
d) V, V, F, F, F
e) V, F, F, F, F

3. ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Á rea - Auditoria e


Fiscalizaçã o - Prova 2
Por seu impacto sobre a cidadania social, a política social acaba por apresentar
conseqü ências relevantes para as demais dimensõ es da cidadania. Analise os enunciados
abaixo e indique a resposta correta.
1 - O mercado ao mesmo tempo depende e reforça os direitos individuais, fornecendo
uma base para a expansã o de uma dimensã o da cidadania, a civil, que equaliza as
pessoas diante da lei, independentemente de seu status.
2 - As liberdades de ir e vir, de firmar contratos, inclusive contratos de trabalho, de
possuir, dispor e transacionar propriedades, de ter opiniõ es e crenças e expressá -las sã o
manifestaçõ es de cidadania política.
3 - A cidadania política se define como o direito de influir nas decisõ es sobre os destinos
coletivos mediante participaçã o direta no exercício do poder ou por intermédio das
instituiçõ es representativas dos governos local e nacional.
4 A cidadania social compreende o conjunto de direitos e obrigaçõ es que possibilita a
participaçã o igualitá ria de todos os membros de uma comunidade nos seus padrõ es
bá sicos de vida.
a) Apenas os enunciados 1, 3 e 4 estã o corretos.
b) Apenas os enunciados 3 e 4 estã o corretos.
c) Apenas os enunciados 1 e 2 estã o corretos.
d) Apenas os enunciados 2,3 e 4 estã o corretos.
e) Apenas os enunciados 1,2 e 3 estã o corretos.

4. CESPE - 2009 - PM-DF - Soldado da Polícia Militar


Cidadania é, essencialmente, a consciência de direitos e deveres e o exercício da
democracia: direitos civis, direitos sociais, direitos políticos.
Acerca dos temas cidadania e ética, julgue os itens que se seguem.

Professor Alyson Barros 23


Analisando-se a cidadania sob a ó tica de diferentes funçõ es e dimensõ es do
Estado, é correto afirmar que cidadania emancipada refere-se à quela que a elite
econô mica e política admite, ou seja, a cidadania que é concedida aos cidadã os.
( ) Certo ( ) Errado

S. ESAF - 2004 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Á rea - Auditoria e


Fiscalizaçã o - Prova 3
Numere a segunda coluna de acordo com a primeira. Em seguida, assinale a
opçã o que contém a seqü ência correta.
(1) Conjunto de decisõ es e açõ es relativas à alocaçã o de recursos pú blicos
visando a mitigar ou eliminar desigualdades permanentes e autoreproduzidas,
bem como assistir e fortalecer os segmentos mais vulnerá veis da sociedade.
(2) Direitos necessá rios ao exercício da liberdade individual, como por exemplo,
o de ir e vir, de contratar, de empreender e de possuir propriedades.
(3) Relaçã o jurídico-política que define direitos e deveres de cada indivíduo,
frente aos outros indivíduos e frente ao Estado.
(4) Direitos que possibilitam a participaçã o igualitá ria dos membros de uma
sociedade nos seus padrõ es bá sicos de vida.
(S) Conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relaçõ es de
poder e que se destinam à resoluçã o pacífica dos conflitos quanto a bens
pú blicos.
(6) Direitos que asseguram o exercício da capacidade de influir nas decisõ es
políticas, seja diretamente por meio de atividade governamental ou associativa,
seja indiretamente, por meio do voto.
( ) Cidadania política
( ) Política social
( ) Cidadania social
( ) Cidadania civil
a) 6, S, 4, 3
b) 6, 1, 4, 2
c) 3, S, 2, 4
Professor Alyson Barros 24
d) S, 1, 4, 2
e) S, 1, 2, 4

6. CESPE - 2009 - PM-DF - Soldado da Polícia Militar


Cidadania é, essencialmente, a consciência de direitos e deveres e o exercício da
democracia: direitos civis, direitos sociais, direitos políticos. Acerca dos temas cidadania
e ética, julgue os itens que se seguem.
A cidadania moderna é construída a partir de processos de acumulaçã o de
direitos por parte dos integrantes de uma sociedade, o que leva, em contrapartida, ao
aumento das limitaçõ es do Estado e à incorporaçã o de camadas cada vez mais amplas da
populaçã o à condiçã o de cidadã os.
( ) Certo ( ) Errado

7. CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia


"Cidadania, portanto, engloba mais que direitos humanos, porque, além de incluir
os direitos que a todos sã o atribuídos (em virtude da sua condiçã o humana), abrange,
ainda, os direitos políticos. Correto, por seguinte, falar-se numa dimensã o política, numa
dimensã o civil e numa dimensã o social da cidadania". (Prof. J. J. Calmon de Passos)
Ao alargar a compreensã o da cidadania para as três dimensõ es supra-referidas, o
prof. Calmon de Passos
a) inova, ao focar somente o cará ter educacional da cidadania plena na Grécia.
b) contribui, doutrinariamente, para que a noçã o da cidadania ultrapasse a clá ssica
concepçã o que a restringia tã o-somente ao exercício dos direitos políticos.
c) restringe o entendimento da cidadania ao exercício dos direitos de primeira geraçã o -
especialmente quanto à igualdade.
d) promove reflexã o crítica em torno dos interditos proibitivos à construçã o de uma
sociedade respeitosa para com as nuanças de sexo, gênero, raça e idade.
e) contradiz a noçã o fundamental de extensã o da cidadania a todos sem distinçã o -
mulheres especialmente.

8. FCC - 2010 - DPE-SP - Agente de Defensoria - Cientista Social


Professor Alyson Barros 2S
Historicamente, o processo de ampliaçã o da cidadania produziu a incorporaçã o
progressiva de diferentes segmentos populacionais à igualdade formal e a expansã o da
codificaçã o de direitos nas instituiçõ es dos estados nacionais. De acordo com essa
perspectiva, o conceito de cidadania incluiu sucessivamente:
a) direitos políticos, direitos civis e direitos sociais.
b) direitos civis, direitos sociais e direitos políticos.
c) direitos civis, direitos políticos e direitos sociais.
d) direitos sociais, direitos civis e direitos políticos.
e) direitos humanos, direitos políticos e direitos civis.

9. VUNESP - 2011 - SAP-SP - Analista Sociocultural - Pedagogia


A noçã o de cidadania normalmente está associada, de maneira incorreta ou
insuficiente, à ideia de ter direitos, entretanto, em termos legais, os direitos nã o sã o
privilégios de determinadas classes sociais, grupos sociais ou dos indivíduos. Portanto, a
concepçã o de cidadania ultrapassa a postulaçã o de direitos humanos, correspondendo a
I. prover os indivíduos de instrumentos para a plena realizaçã o da
participaçã o motivada e competente;
II. garantir a associaçã o entre interesses pessoais e sociais;
III. ter convicçã o de seus direitos sociais estabelecidos pela Constituiçã o
Federal;
IV. relacionar-se com a disseminaçã o de valores e a sua articulaçã o entre
os projetos individuais e coletivos.
Sã o verdadeiras apenas as afirmaçõ es contidas em
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

10. FUNCAB - 2009 - Prefeitura de Porto Velho - RO - Médico - Cardiologia

Professor Alyson Barros 26


"...cidadania pressupõ e a comunicaçã o entre os vá rios setores da
que
: sociedade, exigindo uma comunicaçã o capaz de integrar Estado, governo e
sociedade em prol de políticas pú blicas que procurem atender as
necessidades sociais". (Oliveira, J. M. C.)
A comunicaçã o pú blica, dentro da proposta de construçã o da cidadania, é aquela
a) é praticada pelo governo com o objetivo de prestar contas;
b) adota o "marketing" político, buscando atingir a opiniã o pú blica através de métodos
publicitá rios em busca de respostas rá pidas e efeitos imediatos;
c) envolve o cidadã o de maneira mais diversa, participativa, estabelecendo um fluxo de
relaçõ es comunicativas entre Estado e sociedade;
d) define técnicas persuasivas para abordar os assuntos e a forma como eles serã o
apresentados aos cidadã os;
e) adota as novas tecnologias para atrair cidadã os e formar opiniã o.

11. CESPE - 2011 - Correios - Analista de Correios - Assistente Social


Com relaçã o à seguridade social e à previdência social brasileiras, julgue os itens
seguintes.
O termo cidadania regulada relaciona-se à estratificaçã o ocupacional e vincula
cidadania a profissã o regulamentada. Para a concepçã o subjacente a esse termo, os
direitos do cidadã o restringem-se aos direitos do lugar que ocupa no processo
produtivo, tal como reconhecido por lei.
( ) Certo ( ) Errado

12. FCC - 2012 - TRF - 2ª REGIÃ O - Analista Judiciá rio - Serviço Social
No final dos anos de 1970, a nova cidadania, ou cidadania ampliada, que começou a
ser formulada pelos movimentos sociais, pode ser compreendida como
a) uma concepçã o que se limita à provisã o de direitos legais e ao acesso a direitos
definidos previamente.

Professor Alyson Barros 27


b) vinculada a uma estratégia das classes dominantes e do Estado de incorporaçã o
política gradual dos setores excluídos.
c) constituiçã o de sujeitos sociais ativos - agentes políticos -, definindo o que consideram
ser seus direitos e lutando para seu reconhecimento.
d) uma ideia baseada e fixada em uma referência central e no significado do conceito
liberal.
e) aquela que está mais confinada dentro dos limites das relaçõ es com o Estado, ou entre
Estado e indivíduos.

13. CESPE - 2012 - PC-CE - Inspetor de Polícia - Civil


Acerca da teoria geral dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana,
julgue os itens a seguir.
A dignidade da pessoa humana é um fundamento da Repú blica Federativa do Brasil.
( ) Certo ( ) Errado

14. CESPE - 2010 - DPU - Soció logo


Com relaçã o aos movimentos sociais, assinale a opçã o correta.
a) As lutas do movimento feminista na contemporaneidade focam, em todas as esferas
sociais, as discriminaçõ es sexistas, o patriarcado, a misoginia ou a divisã o sexual do
trabalho.
b) O movimento feminista é considerado um movimento social recente.
c) Apenas alguns movimentos sociais devem ser considerados sexuados.
d) O papel das mulheres como sujeito coletivo em movimentos sociais mistos é central e
visível.
e) O movimento das mulheres em bloco rejeita a ideia de que a igualdade com os
homens supõ e a transformaçã o global das relaçõ es sociais.

1S. CESPE - 2010 - DPU - Soció logo


No que se refere à cidadania, assinale a opçã o correta.
a) O primeiro a rejeitar a admissã o das mulheres ao direito à cidade, no momento da
Revoluçã o Francesa, foi Condorcet.
Professor Alyson Barros 28
b) A tradiçã o do civismo republicano sublinha os direitos civis e políticos, isto é, direitos
e liberdades que o indivíduo possui, em face de intervençã o do Estado, e que garantem
sua autonomia.
c) A cidadania é identidade, ou seja, o sentimento de pertencer a uma comunidade
política definida pela nacionalidade ou por determinado territó rio.
d) A cidadania, desde a década de 80 do século passado, foi considerada por soció logos e
politó logos sob o â ngulo das relaçõ es sociais de sexo.
e) A questã o da cidadania foi tema tradicional de pesquisa do movimento feminista.

Questões Comentadas e Gabaritadas

1. FUMARC - 2014 - CBM-MG - Oficial Bombeiro Militar


De acordo com os estudiosos da temá tica "Direitos Humanos", o problema da
criminalidade praticada por adolescentes e que impacta a segurança pú blica da
sociedade brasileira pode ser solucionado com a adoçã o da seguinte medida:
a) Aumento do policiamento nas vilas e nos aglomerados.
b) Construçã o de presídios de segurança má xima.
c) Implementaçã o de políticas pú blicas voltadas para a efetivaçã o dos direitos
individuais, políticos, econô micos, sociais e culturais que sejam capazes de intervir nas
diversas situaçõ es de vulnerabilidade que acometem grande parte dos adolescentes
brasileiros.
d) Reduçã o da maioridade penal.
Gabarito: C
Comentários: Para a corrente mais moderada dos estudiosos, prevalente nas bancas e
no governo, a criminalidade irá reduzir através de políticas preventivas e de promoçã o
dos direitos humanos. As políticas repressivas, por outro lado, pouco contribuem para a
efetiva reduçã o da criminalidade.
Atenção: independente de concordarmos ou nã o com isso, é o que a FUMARC pensa.

2. NUCEPE - 2013 - PM-PI - Cabo (ADAPTADA)

Professor Alyson Barros 29


[...] o fenô meno da cidadania é complexo e historicamente
definido. [...] O exercício de certos direitos, como a liberdade de
pensamento e o voto, nã o gera automaticamente o gozo de outros,
como a segurança e o emprego. O exercício do voto nã o garante a
existência de governos atentos aos problemas bá sicos da
populaçã o. Dito de outra maneira: a liberdade e a participaçã o nã o
levam automaticamente, ou rapidamente, à resoluçã o de
problemas sociais. Isto quer dizer que a cidadania inclui vá rias
dimensõ es e que algumas podem estar presentes sem as outras.
Uma cidadania plena, que combine liberdade, participaçã o e
igualdade para todos, é um ideal desenvolvido no Ocidente e talvez
inatingível. Mas ele tem servido de parâ metro para o julgamento da
qualidade da cidadania em cada país e em cada momento histó rico
(José Murilo de Carvalho. Cidadania no Brasil, 2007, p.08).
No contexto da Segurança Pú blica a categoria cidadania é muito importante,
assim, analise as afirmaçõ es a seguir e identifique (V) para as afirmativas Verdadeiras, e
(F) para as Falsas, e ao final marque a alternativa com a sequência CORRETA, tendo
como base um Estado Democrá tico de Direito Social:
I. A política centralizadora se traduz pela tentativa de homogeneizaçã o da
sociedade, o que é impossível, em virtude da pluralidade humana. A centralizaçã o
faz com que as propostas venham de cima para baixo, e essa é uma tradiçã o das
políticas sociais no Brasil.
II. As Políticas Pú blicas ainda hoje nã o sã o acessíveis a toda a populaçã o,
negando, assim, o exercício pleno da cidadania. Os municípios mais carentes
vivenciam as dificuldades de açõ es governamentais que priorizam pequenos
segmentos da sociedade, detentores do poder político e econô mico, o que afeta o
exercício dos direitos humanos e a garantia dos mesmos.
III. No Estado Democrá tico de Direito cada vez mais é preciso a participaçã o da
sociedade civil nas questõ es de interesse social, torna-se inevitá vel a abertura do
debate sobre a Segurança Pú blica como condiçã o de acesso à cidadania plena.

Professor Alyson Barros 30


IV. Em uma perspectiva democrá tica, quanto mais atores sociais ou institucionais
fizerem parte do curso político, mais amplo ele será , sendo a política pú blica o
resultado das relaçõ es estabelecidas entre eles.
V. Entende-se por Controle Social a participaçã o da sociedade no
acompanhamento e verificaçã o das açõ es da gestã o pú blica na execuçã o das
Políticas Pú blicas, avaliando objetivos, processos e resultados.

a) V, V, V, V, F
b) V, V, V, V, V
c) V, V, V, F, F
d) V, V, F, F, F
e) V, F, F, F, F
Gabarito: B
Comentários: Vejamos cada uma:
I. A política centralizadora se traduz pela tentativa de homogeneizaçã o da
sociedade, o que é impossível, em virtude da pluralidade humana. A centralizaçã o
faz com que as propostas venham de cima para baixo, e essa é uma tradiçã o das
políticas sociais no Brasil.
A política social centralizadora é aquela que parte de apenas um
ponto de um Estado e que afeta ele como um todo. Ela, ao contrá rio da
política descentralizada, tende a conceber planos de gestã o pú blica a
partir das necessidades que pressupõ e existir. A política social
descentralizada, por sua vez, é exercida pelos entes de cada localidade
(municípios, por exemplo) e ajudam a configurar políticas mais
democrá ticas e diferenciadas de acordo com as necessidades locais.
Apesar do governo brasileiro buscar fomentar a gestã o pú blica
descentralizada, como ocorreu com a criaçã o dos municípios, as políticas
sociais de nosso Estado sã o eminentemente orientadas pela centralizaçã o
da Uniã o e ocorrem, em sua quase totalidade absoluta, de cima para baixo.
Assertiva correta.

Professor Alyson Barros 31


II. As Políticas Pú blicas ainda hoje nã o sã o acessíveis a toda a populaçã o,
negando, assim, o exercício pleno da cidadania. Os municípios mais carentes
vivenciam as dificuldades de açõ es governamentais que priorizam pequenos
segmentos da sociedade, detentores do poder político e econô mico, o que afeta o
exercício dos direitos humanos e a garantia dos mesmos.
O exercício da cidadania no Brasil é afetado tanto pela localidade
onde o cidadã o mora quanto pelas suas condiçõ es sociais, políticas e
econô micas. Assertiva correta.
III. No Estado Democrá tico de Direito cada vez mais é preciso a participaçã o da
sociedade civil nas questõ es de interesse social, torna-se inevitá vel a abertura do
debate sobre a Segurança Pú blica como condiçã o de acesso à cidadania plena.
Assertiva correta. Sem comentá rios.
IV. Em uma perspectiva democrá tica, quanto mais atores sociais ou institucionais
fizerem parte do curso político, mais amplo ele será , sendo a política pú blica o
resultado das relaçõ es estabelecidas entre eles.
Correto. Essa assertiva define a ideologia do conceito de
participaçã o social.
V. Entende-se por Controle Social a participaçã o da sociedade no
acompanhamento e verificaçã o das açõ es da gestã o pú blica na execuçã o das
Políticas Pú blicas, avaliando objetivos, processos e resultados.
Correto novamente. Essa definiçã o de Controle Social merece seu
grifo.

3. ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Á rea - Auditoria e


Fiscalizaçã o - Prova 2
Por seu impacto sobre a cidadania social, a política social acaba por apresentar
conseqü ências relevantes para as demais dimensõ es da cidadania. Analise os enunciados
abaixo e indique a resposta correta.

Professor Alyson Barros 32


1 - O mercado ao mesmo tempo depende e reforça os direitos individuais, fornecendo
uma base para a expansã o de uma dimensã o da cidadania, a civil, que equaliza as
pessoas diante da lei, independentemente de seu status.
2 - As liberdades de ir e vir, de firmar contratos, inclusive contratos de trabalho, de
possuir, dispor e transacionar propriedades, de ter opiniõ es e crenças e expressá -las sã o
manifestaçõ es de cidadania política.
3 - A cidadania política se define como o direito de influir nas decisõ es sobre os destinos
coletivos mediante participaçã o direta no exercício do poder ou por intermédio das
instituiçõ es representativas dos governos local e nacional.
4 A cidadania social compreende o conjunto de direitos e obrigaçõ es que possibilita a
participaçã o igualitá ria de todos os membros de uma comunidade nos seus padrõ es
bá sicos de vida.

a) Apenas os enunciados 1, 3 e 4 estã o corretos.


b) Apenas os enunciados 3 e 4 estã o corretos.
c) Apenas os enunciados 1 e 2 estã o corretos.
d) Apenas os enunciados 2,3 e 4 estã o corretos.
e) Apenas os enunciados 1,2 e 3 estã o corretos.
Gabarito: A
Comentários: Qual o erro da 2? Lembre-se que temos três tipos de cidadania: a social, a
civil e a política1. Todos os itens expostos pela assertiva sã o exemplos de cidadania
CIVIL.

4. CESPE - 2009 - PM-DF - Soldado da Polícia Militar


Cidadania é, essencialmente, a consciência de direitos e deveres e o exercício da
democracia: direitos civis, direitos sociais, direitos políticos.
Acerca dos temas cidadania e ética, julgue os itens que se seguem.

1
Classificação de Marshall.
Professor Alyson Barros 33
Analisando-se a cidadania sob a ó tica de diferentes funçõ es e dimensõ es do
Estado, é correto afirmar que cidadania emancipada refere-se à quela que a elite
econô mica e política admite, ou seja, a cidadania que é concedida aos cidadã os.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Jamais podemos falar de cidadania emancipada aqui. Nesse tipo de
cidadania o cidadã o é ativo na conquista de seus direitos, é esclarecido e nã o depende,
via de regra, da concordâ ncia das elites para autorizar ou nã o seus direitos. Em verdade,
a assertiva trata da cidadania tutelada, pois refere-se a aquisiçã o de direitos mediante
autorizaçã o da elite econô mica e política.

S. ESAF - 2004 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Á rea - Auditoria e


Fiscalizaçã o - Prova 3
Numere a segunda coluna de acordo com a primeira. Em seguida, assinale a
opçã o que contém a seqü ência correta.

(1) Conjunto de decisõ es e açõ es relativas à alocaçã o de recursos pú blicos


visando a mitigar ou eliminar desigualdades permanentes e autoreproduzidas,
bem como assistir e fortalecer os segmentos mais vulnerá veis da sociedade.
(2) Direitos necessá rios ao exercício da liberdade individual, como por exemplo,
o de ir e vir, de contratar, de empreender e de possuir propriedades.
(3) Relaçã o jurídico-política que define direitos e deveres de cada indivíduo,
frente aos outros indivíduos e frente ao Estado.
(4) Direitos que possibilitam a participaçã o igualitá ria dos membros de uma
sociedade nos seus padrõ es bá sicos de vida.
(S) Conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relaçõ es de
poder e que se destinam à resoluçã o pacífica dos conflitos quanto a bens
pú blicos.

Professor Alyson Barros 34


(6) Direitos que asseguram o exercício da capacidade de influir nas decisõ es
políticas, seja diretamente por meio de atividade governamental ou associativa,
seja indiretamente, por meio do voto.
( ) Cidadania política
( ) Política social
( ) Cidadania social
( ) Cidadania civil
a) 6, S, 4, 3
b) 6, 1, 4, 2
c) 3, S, 2, 4
d) S, 1, 4, 2
e) S, 1, 2, 4
Gabarito: B
Comentários: O que a questã o quer é a identificaçã o dos conceitos e o seu correto
ordenamento. Desse modo, temos:
CIDADANIA POLÍTICA - Direitos que asseguram o exercício da
capacidade de influir nas decisõ es políticas, seja diretamente por meio de
atividade governamental ou associativa, seja indiretamente, por meio do
voto.
POLÍTICA SOCIAL - Conjunto de decisõ es e açõ es relativas à alocaçã o de
recursos pú blicos visando a mitigar ou eliminar desigualdades
permanentes e autoreproduzidas, bem como assistir e fortalecer os
segmentos mais vulnerá veis da sociedade.
CIDADANIA SOCIAL - Direitos que possibilitam a participaçã o igualitá ria
dos membros de uma sociedade nos seus padrõ es bá sicos de vida.
CIDADANIA CIVIL - Direitos necessá rios ao exercício da liberdade
individual, como por exemplo, o de ir e vir, de contratar, de empreender e
de possuir propriedades.
O os outros? O que sã o? Vejamos:
POLÍTICA: Conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relaçõ es de
poder e que se destinam à resoluçã o pacífica dos conflitos quanto a bens pú blicos.
Professor Alyson Barros 3S
(não sei, dependendo do contexto pode ser tanto a função do estado quanto o
conceito de nacionalidade): Relaçã o jurídico-política que define direitos e deveres de
cada indivíduo, frente aos outros indivíduos e frente ao Estado.

6. CESPE - 2009 - PM-DF - Soldado da Polícia Militar


Cidadania é, essencialmente, a consciência de direitos e deveres e o exercício da
democracia: direitos civis, direitos sociais, direitos políticos. Acerca dos temas cidadania
e ética, julgue os itens que se seguem.
A cidadania moderna é construída a partir de processos de acumulaçã o de
direitos por parte dos integrantes de uma sociedade, o que leva, em contrapartida, ao
aumento das limitaçõ es do Estado e à incorporaçã o de camadas cada vez mais amplas da
populaçã o à condiçã o de cidadã os.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentá rios: Definiçã o correta. Entra aqui, também, o conceito de pluralismo jurídico,
que significa o direito natural que as classes sociais têm de pleitear mais direitos.

7. CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia


"Cidadania, portanto, engloba mais que direitos humanos, porque, além de incluir
os direitos que a todos sã o atribuídos (em virtude da sua condiçã o humana), abrange,
ainda, os direitos políticos. Correto, por seguinte, falar-se numa dimensã o política, numa
dimensã o civil e numa dimensã o social da cidadania". (Prof. J. J. Calmon de Passos)
Ao alargar a compreensã o da cidadania para as três dimensõ es supra-referidas, o
prof. Calmon de Passos
a) inova, ao focar somente o cará ter educacional da cidadania plena na Grécia.
b) contribui, doutrinariamente, para que a noçã o da cidadania ultrapasse a clá ssica
concepçã o que a restringia tã o-somente ao exercício dos direitos políticos.
c) restringe o entendimento da cidadania ao exercício dos direitos de primeira
geraçã o -
especialmente quanto à igualdade.
Professor Alyson Barros 36
d) promove reflexã o crítica em torno dos interditos proibitivos à construçã o de uma
sociedade respeitosa para com as nuanças de sexo, gênero, raça e idade.
e) contradiz a noçã o fundamental de extensã o da cidadania a todos sem distinçã o -
mulheres especialmente.
Gabarito: B
Comentários: A visã o da cidadania, como vimos, era limitada ao conceito de cidadania
política. A definiçã o apresentada alarga esse conceito e integra as dimensõ es da
cidadania social e civil.

8. FCC - 2010 - DPE-SP - Agente de Defensoria - Cientista Social


Historicamente, o processo de ampliaçã o da cidadania produziu a incorporaçã o
progressiva de diferentes segmentos populacionais à igualdade formal e a expansã o da
codificaçã o de direitos nas instituiçõ es dos estados nacionais. De acordo com essa
perspectiva, o conceito de cidadania incluiu sucessivamente:
a) direitos políticos, direitos civis e direitos sociais.
b) direitos civis, direitos sociais e direitos políticos.
c) direitos civis, direitos políticos e direitos sociais.
d) direitos sociais, direitos civis e direitos políticos.
e) direitos humanos, direitos políticos e direitos civis.
Gabarito: C
Comentários: Estamos falando da sucessã o de direitos de primeira, segunda e terceira
geraçã o. Ou seja: civis, políticos e sociais.

9. VUNESP - 2011 - SAP-SP - Analista Sociocultural - Pedagogia


A noçã o de cidadania normalmente está associada, de maneira incorreta ou
insuficiente, à ideia de ter direitos, entretanto, em termos legais, os direitos nã o sã o
privilégios de determinadas classes sociais, grupos sociais ou dos indivíduos. Portanto, a
concepçã o de cidadania ultrapassa a postulaçã o de direitos humanos, correspondendo a
I. prover os indivíduos de instrumentos para a plena realizaçã o da
participaçã o motivada e competente;
II. garantir a associaçã o entre interesses pessoais e sociais;
Professor Alyson Barros 37
III. ter convicçã o de seus direitos sociais estabelecidos pela Constituiçã o
Federal;
IV. relacionar-se com a disseminaçã o de valores e a sua articulaçã o entre
os projetos individuais e coletivos.
Sã o verdadeiras apenas as afirmaçõ es contidas em
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
Gabarito: D
Comentários: Ter convicçã o de direitos prescritos na CF ou qualquer outro documento
é insuficiente para definir o conceito de cidadania, uma vez que o exercício da cidadania
independe, cotidianamente, do domínio desses documentos.

10. FUNCAB - 2009 - Prefeitura de Porto Velho - RO - Médico - Cardiologia


"...cidadania pressupõ e a comunicaçã o entre os vá rios setores da
sociedade, exigindo uma comunicaçã o capaz de integrar Estado, governo e
sociedade em prol de políticas pú blicas que procurem atender as
necessidades sociais". (Oliveira, J. M. C.)
A comunicaçã o pú blica, dentro da proposta de construçã o da cidadania, é aquela
que:
a) é praticada pelo governo com o objetivo de prestar contas;
b) adota o "marketing" político, buscando atingir a opiniã o pú blica através de métodos
publicitá rios em busca de respostas rá pidas e efeitos imediatos;
c) envolve o cidadã o de maneira mais diversa, participativa, estabelecendo um fluxo de
relaçõ es comunicativas entre Estado e sociedade;
d) define técnicas persuasivas para abordar os assuntos e a forma como eles serã o
apresentados aos cidadã os;
Professor Alyson Barros 38
e) adota as novas tecnologias para atrair cidadã os e formar opiniã o.
Gabarito: C
Comentá rios: A ú nica assertiva que é coerente com a essência da cidadania é a C. As
outras ultrapassam o objetivo da cidadania ou até distorcem sua finalidade.

11. CESPE - 2011 - Correios - Analista de Correios - Assistente Social


Com relaçã o à seguridade social e à previdência social brasileiras, julgue os itens
seguintes.
O termo cidadania regulada relaciona-se à estratificaçã o ocupacional e vincula
cidadania a profissã o regulamentada. Para a concepçã o subjacente a esse termo, os
direitos do cidadã o restringem-se aos direitos do lugar que ocupa no processo
produtivo, tal como reconhecido por lei.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Vejamos o que diz a Escola Nacional de Governo2:
Cidadania Regulada: É um tipo de cidadania que se construiu no Brasil a partir
de 1930 que estipulava regras e pré-requisitos para a aquisiçã o dos direitos de
cidadã o. Esse tipo de inclusã o social levou em consideraçã o o modelo de
sociedade existente na época, que por sua vez guardava vínculos muito pró ximos
com o Brasil Colô nia, impedindo assim que as riquezas fossem plenamente
exploradas. Por esta razã o, o Estado adotou medidas para viabilizaçã o da
cidadania por meio de um conjunto de normas e valores políticos, organizando
assim um sistema de estratificaçã o ocupacional definido por norma legal. Ou seja,
eram cidadã os aqueles que tinham qualquer ocupaçã o reconhecida e definida na

2 GLOSSÁ RIO DA DISCIPLINA: POLÍTICAS E PERSPECTIVAS DE PROTEÇÃ O SOCIAL

Profª. Maria Lú cia Werneck . Disponível em:


http://www.enap.gov.br/downloads/ec43ea4fglossario_Maria_Lucia_Werneck.pdf

Professor Alyson Barros 39


lei. A cidadania passou a ser referenciada tendo como base três elementos: a
regulamentaçã o da profissã o; a associaçã o compulsó ria a um sindicato e a
carteira profissional de trabalho. Os que nã o possuíam profissã o regulamentada
nã o eram considerados cidadã os e recebiam amparo da assistência social, que era
feita através das Igrejas e da filantropia.

12. FCC - 2012 - TRF - 2ª REGIÃ O - Analista Judiciá rio - Serviço Social
No final dos anos de 1970, a nova cidadania, ou cidadania ampliada, que começou a
ser formulada pelos movimentos sociais, pode ser compreendida como
a) uma concepçã o que se limita à provisã o de direitos legais e ao acesso a direitos
definidos previamente.
b) vinculada a uma estratégia das classes dominantes e do Estado de incorporaçã o
política gradual dos setores excluídos.
c) constituiçã o de sujeitos sociais ativos - agentes políticos -, definindo o que consideram
ser seus direitos e lutando para seu reconhecimento.
d) uma ideia baseada e fixada em uma referência central e no significado do conceito
liberal.
e) aquela que está mais confinada dentro dos limites das relaçõ es com o Estado, ou entre
Estado e indivíduos.
Gabarito: C
Comentários: Baseada nos movimentos sociais, essa nova visã o da cidadania implicou
na maior participaçã o social no desenho das politicas e na busca da consolidaçã o dos
direitos previstos. Nã o podemos falar aqui da visã o liberal, do protagonismo do Estado
ou de classes dominantes ou da delimitaçã o de direitos previamente definidos. Fazendo
uma analogia, o GIGANTE havia acordado naquela década, e permaneceu acordado até o
lançamento da CF/88, e depois dormiu de novo!
13. CESPE - 2012 - PC-CE - Inspetor de Polícia - Civil

Professor Alyson Barros 40


Acerca da teoria geral dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana,
julgue os itens a seguir.
A dignidade da pessoa humana é um fundamento da Repú blica Federativa do Brasil.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Tem o que pensar aqui? Nã o tem. Está no primeiro artigo da CF/88:
Art. 1º A Repú blica Federativa do Brasil, formada pela uniã o indissolú vel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrá tico
de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituiçã o.

14. CESPE - 2010 - DPU - Soció logo


Com relaçã o aos movimentos sociais, assinale a opçã o correta.
a) As lutas do movimento feminista na contemporaneidade focam, em todas as esferas
sociais, as discriminaçõ es sexistas, o patriarcado, a misoginia ou a divisã o sexual do
trabalho.
b) O movimento feminista é considerado um movimento social recente.
c) Apenas alguns movimentos sociais devem ser considerados sexuados.
d) O papel das mulheres como sujeito coletivo em movimentos sociais mistos é central e
visível.
e) O movimento das mulheres em bloco rejeita a ideia de que a igualdade com os
homens supõ e a transformaçã o global das relaçõ es sociais.
Gabarito: A

Professor Alyson Barros 41


Comentários: Guarde essa definiçã o. Falou em movimento social feminista, temos a luta
contra discriminaçõ es sexistas, patriarcado, misoginia e divisã o sexual do trabalho.
Assim, temos uma identidade que caracteriza esses movimentos na contemporaneidade,
independente do local. Mas Alyson, qual o erro da "D"? As mulheres participam pouco
de movimentos sociais em prol de direitos de igualdade uai.

1S. CESPE - 2010 - DPU - Soció logo


No que se refere à cidadania, assinale a opçã o correta.
a) O primeiro a rejeitar a admissã o das mulheres ao direito à cidade, no momento da
Revoluçã o Francesa, foi Condorcet.
b) A tradiçã o do civismo republicano sublinha os direitos civis e políticos, isto é, direitos
e liberdades que o indivíduo possui, em face de intervençã o do Estado, e que garantem
sua autonomia.
c) A cidadania é identidade, ou seja, o sentimento de pertencer a uma comunidade
política definida pela nacionalidade ou por determinado territó rio.
d) A cidadania, desde a década de 80 do século passado, foi considerada por soció logos e
politó logos sob o â ngulo das relaçõ es sociais de sexo.
e) A questã o da cidadania foi tema tradicional de pesquisa do movimento feminista.
Gabarito: C
Comentários: Vou grifar essa definiçã o de cidadania para o CESPE: A cidadania é
identidade, ou seja, o sentimento de pertencer a uma comunidade política definida pela
056081 757 60

nacionalidade ou por determinado territó rio.


E qual o erro das outras?
a) O primeiro a rejeitar a admissã o das mulheres ao direito à cidade, no momento da
Revoluçã o Francesa, foi Condorcet. [foi ele quem publicou "Sobre a admissão das
mulheres ao direito à cidadania"]
b) A tradiçã o do civismo republicano sublinha os direitos civis e políticos, isto é, direitos
e liberdades que o indivíduo possui, em face de intervençã o do Estado, e que garantem
sua autonomia. [a assertiva exemplifica apenas direitos civis e não fala de direitos
políticos, liberdade é apenas direito civil!]
Professor Alyson Barros 42
c) A cidadania é identidade, ou seja, o sentimento de pertencer a uma comunidade
política definida pela nacionalidade ou por determinado territó rio.
d) A cidadania, desde a década de 80 do século passado, foi considerada por soció logos e
politó logos sob o â ngulo das relaçõ es sociais de sexo. [podemos dizer que a perspectiva
do gênero na cidadania é considerada desde, pelo menos, a Revolução Francesa, e, mais
acentuadamente, desde o início do século passado]
e) A questã o da cidadania foi tema tradicional de pesquisa do movimento feminista. [o
tema central dos movimentos feministas é a igualdade de gêneros, secundariamente
podemos falar em cidadania]

Professor Alyson Barros 43

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