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Ensino Médio - 3a série - 4 º B

Angelica C. Di Maio, Marli Cigagna, Fábio Ferreira, Jaqueline


Botelho e Roberto Estabile

O Rio de Janeiro no contexto regional – dimensões política,


econômica, ambiental e sociocultural

1. Uma conversa inicial

O Estado do Rio de Janeiro possui 92 municípios em 8 regiões de governo:


Região das Baixadas Litorâneas, Região Centro-Sul Fluminense, Região da Costa
Verde, Região do Médio Vale do Paraíba Fluminense, Região Metropolitana
Fluminense, Região Norte Fluminense e Região Serrana. Cada região tem suas
particularidades físicas, políticas e sociais.
No Estado do Rio de Janeiro, historicamente observa-se grande diferença entre a
metrópole e o interior; no entanto, hoje já se pode perceber um processo de
interiorização dos investimentos, embora ainda estejam restritos a algumas atividades
em locais estratégicos (MARAFON et al., 2011). Segundo esses autores, em seu livro
Geografia do Estado do Rio de Janeiro: da compreensão do passado aos desafios do
presente, deve-se buscar uma visão mais integradora do estado, aproximando o
núcleo metropolitano de seu interior, o que poderia ser conseguido por meio da
cooperação entre as instâncias municipais.
Conhecer o nosso estado nos dá condições para contribuir com seu
desenvolvimento. Esta unidade abordará como o Estado do Rio de Janeiro tornou-se
um cenário importante na história de nosso país. Entretanto, precisamos, antes de
tudo, conhecer alguns aspectos fundamentais que fizeram com que nosso estado
assumisse um papel significativo por sua história, seus aspectos físicos e
socioeconômicos, ocasionando mudanças no cenário nacional. Não realizaremos uma
profunda análise teórico-conceitual, mas apontaremos, ao final, leituras que possam
ser feitas nesse sentido.
Mesmo assim, para qualquer análise precisamos primeiramente compreender e
relacionar as características históricas, físicas e socioeconômicas do estado.

2. Revisitando
2.1 Identificando cartograficamente o Estado do Rio de Janeiro

A Geografia tem por tarefa descrever, analisar e predizer os acontecimentos


terrestres. A descrição, análise ou predição geográfica dos fenômenos é sempre
realizada tendo em vista suas coordenadas espaciais. Como o conceito geográfico de
espaço coincide com o de toda a Terra, o geógrafo teve necessidade de recorrer à
representação da superfície terrestre para realizar seus estudos (OLIVEIRA, 1977).
Para essa autora, representar os fenômenos estudados foi sempre uma
necessidade básica em Geografia. Pode-se afirmar que sua história está intimamente
relacionada à representação espacial; os progressos científicos e tecnológicos da
ciência geográfica têm influído na Cartografia, ao mesmo tempo que dela recebem
influência. Segundo a autora, a grande maioria dos geógrafos, não importando a
época ou o ponto de vista, concorda que o mapa é uma representação indispensável
aos seus trabalhos. Assim, a expressão de Harvey (1969) sintetiza, em geral, o
pensamento dos geógrafos: “Geographers possess a number of techniques for
portraying, representing, storing and generalising information. Of these there is none
quite so dear to the hearts and minds of geographers as maps”.
Os geógrafos, por muitos anos, abarcaram o estudo dos mapas e
frequentemente sugeriram os mapas como o coração da disciplina Geografia. Por
exemplo, o geógrafo Carl O. Sauer (1956) escreveu: “Show me a geographer who
does not need them [maps] constantely and want them about him, and I shall have my
doubts as to whether he has made the rigth choice in life. The map speaks across the
barriers of language”.
Para Oliveira (1988), a participação da Geografia na Cartografia não se
restringe somente à elaboração de mapas temáticos. A carta topográfica oriunda de
uma cobertura regular de fotografias aéreas é a base inequívoca do binômio
Geografia-Cartografia.
Segundo Martinelli (1986), atualmente a produção de mapas temáticos
consolidou-se como um importante ramo da Cartografia. Tais mapas constituem-se
não apenas em meios de registro da informação, mas também como instrumentos de
pesquisa e em formas de divulgação dos resultados obtidos com estudos em ciências
que se preocupam com distribuições espaciais. O objeto de estudo da Geografia é o
espaço geográfico; portanto, o objeto da representação da Cartografia Temática de
interesse da Geografia é esse espaço, um espaço social resultante da produção
humana ao longo do tempo.
Para Le Sann (1997), considerando o papel fundamental da Cartografia, ou
seja, localizar, representar, evidenciar relações lógicas e possibilitar explicações, os
mapas são mal utilizados nas escolas, e os educadores necessitam encontrar
caminhos que facilitem e incentivem a sua plena utilização. Existe a necessidade,
portanto, de haver, por parte dos professores, certo domínio cartográfico a partir do
domínio da linguagem da representação gráfica que auxilie na leitura e entendimento
imediato da representação cartográfica, mediante técnicas de percepção visual. Matias
(1996) reforça que os mapas representam importante instrumento para o
conhecimento e a representação da realidade; sendo assim, são indispensáveis ao
trabalho geográfico. Como linguagem visual, apresenta características insuperáveis
para a representação do fenômeno espacial, sendo necessário conhecer sua
gramática.
Essa gramática, associada a uma forma de representação dinâmica do espaço,
com a ajuda da tecnologia, proporciona um meio atrativo de entendimento da
linguagem gráfica da representação do espaço.
O aprendizado cartográfico propicia uma aproximação com o objeto de estudo;
se a escola tem a função de proporcionar condições de acesso aos conhecimentos e
habilidades para o exercício da cidadania, à Geografia cabe a responsabilidade de
alfabetizar para leitura de mapas ou educação cartográfica.
O mapa é tão velho quanto a história da humanidade e está presente em todas
as sociedades. Segundo Taylor (1991), a exigência para o entendimento da
complexidade da sociedade moderna é grande e há poucas disciplinas como a
Cartografia que respondem a essa demanda, uma vez que o mapa é um meio de
navegação de fundamental importância em um “mar turbulento de dados e
informações de uma larga gama de tópicos”. O mapa permite fazer a relação entre
dados qualitativos e quantitativos, facilitando a organização, análise, apresentação,
comunicação e uso desses dados como nenhum outro produto. Para o autor, o
advento do sistema de informação geográfica (SIG) melhorou a cognição cartográfica;
alguns aspectos do processo têm sido quantificados, mas ainda há muito para
pesquisar nessa área, principalmente no que se refere à percepção que o cérebro
humano tem dessas imagens eletrônicas, que são bem diferentes dos tradicionais
produtos analógicos. O autor recomenda, então, pesquisas nas áreas de processos
cognitivos voltados para o campo da comunicação cartográfica, uma vez que as novas
tecnologias permitem o estabelecimento de relações interessantes e inovadoras entre
cognição e comunicação.
Para o autor, a ênfase na questão visual tem o potencial de revitalizar a
Cartografia, na qual se observa uma tendência de ir além do uso do SIG e da
Cartografia automatizada, ou seja, o uso de sistemas de multimídia e atlas eletrônicos
interativos nos quais o SIG participa como uma das tecnologias úteis na criação de
novos produtos e mesmo na geração de novos produtos derivados de outros produtos
digitais. Para Taylor (1985), o impacto real de uma Nova Cartografia na educação está
no modo como ela será utilizada para estimular pensamentos visuais e para criar
novos desafios.
Essas inovações tecnológicas e científicas têm levado a uma revisão do
conceito tradicional de cartografia, que passa a ser vista como a organização,
apresentação, comunicação e utilização de geoinformação em forma gráfica, digital ou
táctil (Taylor, 1991a). Esse autor cita ainda que, "em futuro próximo, o mapa será visto
como instrumento de multimídia eletrônica, com apresentação simultânea de textos,
dados numéricos, gráficos, imagens e sons", ou seja, o mapa como instrumento de
organização de dados que permita ao usuário navegar pelo conhecimento. Isso hoje já
é uma realidade.

O Rio de Janeiro no mapa!

Observe as Figuras 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

Figura 1: O Rio de Janeiro no mundo

Fonte: Autor
Figura 2: O Rio de Janeiro na América do Sul
Fonte: Autor

Figura 3: O Rio de Janeiro no mapa do Brasil


Fonte: Autor
Figura 4: O Rio de Janeiro na Região Sudeste
Fonte: Autor

Figura 5: As regiões do Estado do Rio de Janeiro


Fonte: IBGE
Figura 6: O Rio de Janeiro e seus 92 municípios
Fonte:
http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/info_territorios/div_poli/Estado_RJ_2010_Jubileu.jpg.
Acesso em 09 jan. 2014.

2.2 Compreendendo e relacionando as características históricas, físicas e


socioeconômicas do Estado do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro uma cidade muitas histórias!

O Estado do Rio de Janeiro encontra-se na região mais populosa do país, com


características peculiares; é considerado patrimônio histórico, com belezas naturais
únicas e uma história que o coloca como centro do nosso país, uma vez que, depois
que Cabral desembarcou no Brasil, Gaspar de Lemos desbravou o território brasileiro
e chegou à Baía de Guanabara, que foi denominada Rio de Janeiro, pois os
colonizadores acreditavam estar na frente de um grande rio1. Como era o primeiro dia
do ano, chamaram-no Rio de Janeiro.

1
Entretanto, é preciso esclarecer que a palavra “rio”, no passado, era empregada com vários significados, entre eles o
de “barra”. É difícil acreditar que os portugueses, tão acostumados a descobrimentos marítimos, confundissem uma
baía com um rio (SIEBERT, 2005, p. 52).
A história do Estado do Rio de Janeiro confunde-se com a história do Brasil, já
que em 1532 Portugal criou as Capitanias de São Tomé e São Vicente, onde hoje é o
território fluminense. Quando, em 1555, ocorreu a invasão dos franceses na Baía de
Guanabara, a Coroa Portuguesa reagiu enviando uma expedição comandada por
Estácio de Sá, com os objetivos de retomar e povoar a região.

Os índios tamoios, que estavam sendo escravizados, uniram forças com os


franceses para tentar combater os portugueses. Porém o governador geral do Brasil,
Mem de Sá, reforçou as tropas de Estácio de Sá e os índios perderam a luta, com a
morte de seu grande guerreiro, Aimberê.

A Guerra dos Tamoios contribuiu para que os portugueses povoassem as


atuais cidades de Niterói, Angra dos Reis, Magé, Maricá, Araruama, São Pedro da
Aldeia e Cabo Frio. Tal acontecimento colaborou para desenhar a atual configuração
econômica dos municípios.

Outro fato que direcionou as mudanças no estado foi a descoberta de ouro e


diamante em Minas Gerais, que eram escoados pelo porto do Rio de Janeiro; isso fez
com que o estado aumentasse sua importância no cenário econômico e político do
país. Em 1763, em função disso, a capital do Brasil, que era Salvador, foi transferida
para o Rio de Janeiro, que se tornou capital do Brasil-Colônia.

Crescia a produção de café, que se expandiu para a Baixada Fluminense e o


Vale do Paraíba. A cana-de-açúcar foi responsável pelo surgimento das atividades
agrícolas no norte-fluminense e em Campos. A economia girava em torno do comércio
marítimo entre o Rio de Janeiro e Lisboa e os portos da África, na Guiné, em Angola e
Moçambique.

Com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, o estado contava apenas


com duas cidades: Rio de Janeiro e Cabo Frio, e as vilas de Angra dos Reis, Parati,
Magé, Macau, São Salvador e São Gonçalo. Foi decidido que a cidade do Rio de
Janeiro passaria a ter a função de capital do Reino de Portugal.

Em 1822, o Rio de Janeiro passou a sediar o Império do Brasil, depois de


proclamada a Independência. Porém, em 1834, durante o período regencial, a capital
foi transformada em Municipio Neutro, para ter a segurança de que não sofreria
nenhuma interferência do governo da Província do Rio de Janeiro, que teve como
capital, a partir de 1835, a cidade de Niterói2.

Com a Proclamação da República, em 1889, o Governo Provisório Republicano


transformou as províncias em estados. O Estado do Rio de Janeiro continuou a ter a
cidade de Niterói como capital. O Municipio Neutro foi elevado a Distrito Federal, tendo
a cidade do Rio de Janeiro como sede do Governo Federal.

Em 1960, a capital foi transferida para Brasília; o Rio de Janeiro perdeu seu
destaque de capital do Brasil. O antigo Distrito Federal transformou-se em Estado da
Guanabara, tendo como capital a cidade do Rio de Janeiro.

No governo de Ernesto Geisel, em 1975, o Estado do Rio de Janeiro e o


Estado da Guanabara3 transformaram-se em Estado do Rio de Janeiro, tendo a cidade
do Rio de Janeiro como capital fluminense – capital do Estado do Rio de Janeiro.

Fique de olho!
A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada no século XVI, em 1565. O
crescimento da sua importância política, administrativa e econômica foi decisivo para que se
tornasse sede do vice-reino e capital da colônia em 1763, após a transferência do status antes
pertencente a Salvador. A centralidade exercida pela cidade desde o período colonial foi
decisiva para que o Rio de Janeiro se tornasse a base geopolítica do Brasil. Ao longo do
tempo, foi palco dos mais importantes momentos políticos da formação do país: capital do vice-
reino, corte imperial, capital da República. Dessa forma, a história da cidade se confunde com
a história política, social e cultural brasileira.

Determinante para a transformação da cidade e para a formação do país foi a mudança da


corte portuguesa, em 1808, fato que não encontra similar em todo o mundo. Além de
representar novos horizontes políticos e econômicos, especialmente a partir da Abertura dos
Portos, a presença da corte no Rio de Janeiro colocou fim ao isolamento intelectual e cultural
da cidade. Foram fundadas bibliotecas públicas, academias científicas, filosóficas e literárias,
escolas e teatros, além da remodelação urbana e arquitetônica realizada. Milhares de
imigrantes aportaram na capital no mesmo período, e a vinda de mercadorias estrangeiras,
bem como as facilidades econômicas, contribuíram para alterar a vida material e o cotidiano
carioca, transformando a cidade em um centro cosmopolita.

Com a Proclamação da República, em 1889, o Rio de Janeiro manteve seu posto de sede
política e administrativa; era, à época, a maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes.
No alvorecer do século XX, a capital brasileira inaugurou uma remodelação urbana, com a
abertura de grandes avenidas e a produção de uma arquitetura eclética, com inspiração Art
Nouveau, que influenciou todo o país. Com a transferência da capital para o Planalto Central,
em 1960, o Rio de Janeiro perdeu a condição de centro político, mas manteve-se como
metrópole mundialmente conhecida por sua excepcional interação entre cultura e natureza.
Com a exuberância de suas praias e montanhas, sua musicalidade expressa no samba, no
choro, na bossa nova, na culinária típica, a capital carioca é um dos principais destinos
turísticos do mundo e o que mais recebe visitantes no Brasil. Representa a imagem do
patrimônio mais difundida no mundo. São características tão marcantes e únicas que

2
Antiga Vila Real da Praia Grande.
3
Ver em SIEBERT, 2005, p. 123.
garantiram à cidade o título inédito de Patrimônio Mundial na categoria de Paisagem Cultural
Urbana, dado pela Unesco.

Fonte:http://www.copa2014.gov.br/pt-br/brasilecopa/cultura/riodejaneiro_patrimonio. Extraído
em 22/02/2014

A reportagem retirada do Portal da Copa – site do Governo Federal brasileiro


sobre a Copa do Mundo da Fifa 2014 – demonstra o quanto é importante pensarmos
na história de nosso estado. Como foi apontado, decisões importantes foram tomadas;
nossa identidade cultural está intimamente enraizada aos acontecimentos e à
exuberância natural deste estado maravilhoso, que é o Rio de Janeiro, o que marca
uma combinação importante entre os elementos naturais, socioeconômicos e culturais
de um povo.

Divisão regional do Estado do Rio de Janeiro

Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro é subdividido em 92 municípios e oito


regiões de governo, mencionadas no início: Região Metropolitana do Rio de Janeiro
(RMRJ), a Região Noroeste, a Região Norte, a Região das Baixadas Litorâneas, a
Região Serrana, a Região Centro-Sul, a Região do Médio Paraíba e a Região da
Costa Verde.
O Governo Federal criou a Lei Complementar nº 14/73, que instituiu oito
regiões metropolitanas e definiu algumas regras básicas para o funcionamento dessas
instituições no País. Essa lei:

• Criou regiões metropolitanas, definindo os municípios que as compõem, dando-lhes


tratamento simétrico.

• “Definiu os serviços de interesse comum, independente de peculiaridades regionais:


saneamento básico, transporte e sistema viário e aproveitamento dos recursos
hídricos, entre outros. A escala da definição era bastante ampla, indo da produção e
distribuição de gás combustível canalizado até planejamento integrado do
desenvolvimento econômico e social” (IPEA, 1976, p. 153).

• Subordinou o uso do solo metropolitano a esse planejamento.

• Priorizou, para fins de acesso a recursos federais e estaduais, inclusive a


empréstimos, os municípios que participem de projetos integrados e dos serviços
comuns.
Em 2012, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro abrange 17 municípios. Os
que reivindicaram mais recentemente sua emancipação apresentam baixíssimo
desempenho econômico e alto grau de precariedade nas condições de reprodução
dos seus habitantes e na capacidade de gestão pública local.

Região Metropolitana do Rio de Janeiro e suas características

A que tradicionalmente se atribui à metrópole; assim, quando esse espaço está


integrado, contíguo socioeconomicamente e conectado com outras cidades, forma
uma região metropolitana. Trecho sem sentido!

O termo região metropolitana foi criado durante o Governo Militar, com base no
intenso processo de urbanização nas décadas de 1960 e 1970, no contexto de
planejamento para o desenvolvimento econômico, utilizando órgãos de pesquisas do
governo e partidos políticos. Para o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas
(Ipea), o crescimento acentuado foi responsável pela formação de aglomerações
urbanas que se reuniam a partir da influência de um núcleo metropolitano,
evidenciando carências e problemas que se expandiram devido ao próprio fluxo
migratório, que necessitaria de novas vagas de emprego, política de habitação e uso
do solo.

O Rio de Janeiro atravessou momentos de instabilidade econômica nas últimas


décadas; no entanto, considerando fatores atuais, é importante destacar uma
mudança na sua dinâmica territorial, constatando significativo crescimento de sua
economia, recuperando-se de perdas históricas e destacando novas economias em
regiões fora da metrópole.

Inserindo a formação das regiões metropolitanas, especificamente a do Rio de


Janeiro, no processo de confecção do trabalho, é necessário retornar ao processo de
urbanização brasileiro, principalmente no momento de sua maior aceleração, que se
manteve paralelo à concentração das atividades industriais, por interferência direta de
oportunidades do mercado e por conhecidos fatores locacionais, como o contingente
de mão de obra oferecido nesses grandes centros urbanos.

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro é a que apresenta os maiores


índices de concentração de população e de produto interno bruto (PIB) em relação ao
estado em que se situa. A partir da década de 1990, porém, esses índices entraram
em queda. Em 1991, a RMRJ concentrava 76,63% da população fluminense, sendo
42,79% só na cidade do Rio de Janeiro. Em 2000, segundo dados do Ipea, esses
índices baixaram para 75,69% e 40,70%, respectivamente.

A polarização da metrópole carioca, caracterizada por essa concentração de


atividades, promoveu a formação de um centro de atração de migrantes que se
deslocam em busca de trabalho ou até mesmo estudo; alguns habitam municípios da
Região Metropolitana e deslocam-se diariamente, caracterizando um movimento
pendular e transformando seus municípios em cidades-dormitório.

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro sempre se destacou por concentrar


complexa atividade econômica, que no passado sofreu desaceleração mas que vem
sendo remontada, baseada em políticas públicas de recuperação estrutural a partir de
vultosos projetos concedidos pelo Governo Federal, como afirma Oliveira:

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no período de


2007 a 2010, foi potencializador do crescimento das atividades
econômicas, envolvendo empreendimentos de origens diversas e
indutores do acirramento de problemas sociais, como os vinculados
ao aumento exacerbado do valor da terra, aos limites de absorção
populacional no mercado de trabalho e possivelmente a promoção de
importantes impactos ambientais. Esses investimentos também
envolvem os processos sociais na parte oeste da Região
Metropolitana, (...) municípios nos quais predomina a ocupação
residencial por trabalhadores de baixa renda (2008, p. 48).

A reestruturação econômica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro


recebeu importante auxilio do Governo Federal, mas também se consolidou por
características particulares de alguns municípios e da própria metrópole do Rio de
Janeiro. No entanto, é possível afirmar que essa reorganização se concretiza por
seguir dois vetores principais de crescimento, como descreve Oliveira (2008):

• o de investimentos em atividades mais dependentes de recursos humanos,


pesquisas e equipamentos tecnológicos de última geração, como os setores
industriais químicos e farmacêuticos – principalmente para a implantação do
Polo Gás-Químico, ligado ao setor petroquímico, das empresas químicas
ligadas ao polo Rio Polímeros e à ampliação da Refinaria Duque de Caxias, da
Petrobras, no município de Duque de Caxias; e,

• no núcleo metropolitano, o das atividades de turismo, eventos e congressos


científicos, cultura, pesquisa e tecnologia informacional, observadas nas duas
principais cidades da região – Rio de Janeiro e Niterói.
No entanto, os principais investimentos produtivos em infraestrutura se mantêm
direcionados aos municípios do núcleo metropolitano, mas agora não mais visando à
produção industrial e sim com objetivo de potencializar os recursos técnicos e de
pesquisas realizadas pelas muitas instituições de pesquisa existentes no núcleo
metropolitano, que voltam sua atenção aos setores industriais que utilizam alta
tecnologia, como os setores químico e de telecomunicações, entre outros (OLIVEIRA,
2008).

Por outro lado, intensificam-se os investimentos na circulação e edificações


voltadas a consolidar a metrópole como centro turístico, de comunicação e serviços,
atingindo toda a base de empregos antes existentes no núcleo.

A concretização do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e a formação de


um arco metropolitano também fazem parte desse processo de desenvolvimento da
Região Metropolitana do Rio de Janeiro que integra o território, por meio da
consolidação de infraestrutura, como o projeto de construção do anel viário, passando
pela Baixada Fluminense, formando um importante eixo industrial, ligando o Porto de
Sepetiba adequadamente à Via Dutra (BR-116) e à estrada Rio-Juiz de Fora (BR-040),
no município de Duque de Caxias, já que, atualmente, o porto só é acessado pela BR-
101 e pela RJ-155. O objetivo se resume a potencializar o uso do Porto de Sepetiba,
no município de Itaguaí (fora da RMRJ) e agilizar a comunicação rodoviária com
outros estados como São Paulo e Minas Gerais, além de promover a interligação da
RMRJ à Região Serrana, pois se ligará à BR-116, que corta a região, e propiciará o
acesso mais ágil à Região do Médio Paraíba ao porto (OLIVEIRA, 2008).

Região Noroeste Fluminense

A Região Noroeste Fluminense faz divisa com os Estados de Minas Gerais e


do Espírito Santo. Está situada entre as serras da Mantiqueira (em Minas Gerais) e do
Mar, localizando-se nas depressões dos rios Pomba e Muriaé (afluentes do Rio
Paraíba do Sul). Esses rios, que nascem em Minas Gerais e cortam a região,
possuíam grande importância no passado; foram o berço da colonização e certamente
ainda possuem força no presente (SOFFIATI; CRUZ, 1997); a região possui 13
municípios: Porciúncula, Varre-Sai, Natividade, Itaperuna, Bom Jesus de Itabapoana,
Laje do Muriaé, Miracema, São José do Ubá, Santo Antônio de Pádua, Cambuci,
Italva, Aperibé e Itaocara. Como afirma Barata (2008, p. 117),
durante o período colonial, o Noroeste Fluminense fazia parte da
Capitania de Pero Góis da Silveira, doada por D. João III em 1540.
Como os índios puris/goitacazes eram extremamente perigosos e
habitavam todo o Norte e o Noroeste Fluminenses, a região demorou
quase 300 anos para ser desbravada e só começou a ser ocupada
por volta de 1830.

Alguns municípios tiveram emancipações recentes: Italva, fundada em 1986, foi


desmembrado de Campos dos Goytacazes; Aperibé foi emancipado de Santo Antônio
de Pádua em 1992; Varre-Sai foi emancipado de Natividade em 1993; São José de
Ubá foi fundada em 1997, após emancipação de Cambuci (SOUZA et al., 2007).
A região possui pequena participação no PIB do estado; isso se deve a uma
estrutura agrária tradicional, ocasionada por um processo histórico observado até o
presente momento. Conforme Barbosa (2008, p. 117):

a primeira atividade econômica foi o cultivo do café, e o crescimento


da produção trouxe migrantes de outros estados e até de outros
países, principalmente da Itália e da Síria. A pecuária de corte
também se desenvolveu de forma expressiva, e ainda hoje, com a
pecuária leiteira, é a principal atividade da região.

A Região Noroeste tem ligação histórica com a pecuária leiteira, pois desde o
período colonial essa atividade exerceu papel central na organização política,
econômica e social na região, o que trouxe significativo fluxo migratório para as
cidades.
Na atualidade, o governo estadual busca mecanismos para amenizar tal
problemática, com destaque para o Projeto Frutificar4, que, por meio de incentivos,
procura mudanças para a melhoria do quadro social da região.
É bem verdade que o Noroeste Fluminense vem apresentando sensível
melhora em seus aspectos econômicos, com projetos e indústrias, como a Parmalat5 e
Universidades6 que buscam contribuir com atividades e cursos direcionados à
realidade local.

4
O Projeto Frutificar é um programa que visa à correção das desigualdades regionais, ao aumento da
produção e produtividade de frutas no Estado do Rio de Janeiro, permitindo o acesso a novas variedades e
o aporte de modernas tecnologias, através de linha de crédito específica para financiamento de projetos de
fruticultura irrigada. Criado no ano 2000, o Frutificar foi responsável pela incorporação de 5 mil hectares
de lavouras de frutas irrigadas no estado e pela geração de cerca de 20 mil postos de trabalho diretos e
indiretos. Atualmente o programa financia a implantação das seguintes culturas: abacaxi, banana, caju,
citros (laranja, limão e tangerina), coco verde, goiaba, manga, maracujá, pêssego e uva (consultar
http://www.rj.gov.br/web/seapec/exibeconteudo?article-id=167019). Acesso em 10 mar. 2014.
5
Parmalat é a empresa que compra a maior parte do leite produzido na região.
6
Unig, Redentor, Fundação São José, Cecierj/Cederj e UFF.
Fique de olho!

Rochas ornamentais no Noroeste Fluminense

Garantia deve elevar em até 70% o valor das pedras Carijó, Madeira e Cinza

Três rochas ornamentais extraídas no Noroeste Fluminense receberam a indicação


geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Com o selo de
qualidade – o primeiro desse tipo obtido pelo Estado do Rio de Janeiro –, as pedras
Carijó, Madeira e Cinza passam a ter suas próprias marcas de procedência. Com a
garantia comprovada, o valor do produto agregado pode aumentar até 70%.

Sugestão: Assista ao vídeo disponível em:


http://www.youtube.com/watch?v=pn8xemsRC5g.
Fonte: http://www.rj.gov.br/web/imprensa/exibeconteudo?article-id=786711. Acesso
em 10 mar. 2014.

Região do Médio Paraíba

Segundo o Ceperj – Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de


Servidores Públicos do Rio de Janeiro, a Região do Médio Paraíba do Sul é composta
pelos municípios de Barra Mansa, Itatiaia, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis,
Resende, Rio Claro e Volta Redonda. Totaliza uma superfície de 6.205,2 km2 (14,13%
da área estadual). Foram estes os diferentes ciclos econômicos do Médio Paraíba:

a) O primeiro período se deu ainda no século XVII, a partir da dinâmica da


economia mineradora, que instaurou na região uma importante área de trânsito
do ouro para os portos do Rio e de São Paulo;

b) O segundo ciclo se caracterizou, no século XVIII/XIX, pelo desenvolvimento da


economia cafeeira, que promoveu mudanças como a abertura de novos
caminhos ligando o interior ao litoral para o escoamento da produção; núcleos
urbanos surgiram a partir dos entroncamentos e entrepostos comerciais, além
de imprimirem ritmo acelerado ao processo de urbanização, em conjunto com o
crescimento da importância dessa região no cenário nacional;

c) O terceiro ciclo retrata o processo de integração campo-cidade, pois, com o


desenvolvimento da pecuária leiteira na região a partir do século XIX e sua
expansão até o século XX, foi possível a instalação de indústrias alimentícias e
de laticínios, promovendo o desenvolvimento industrial dessa área;

d) O quarto e último ciclo foi caracterizado pela expansão industrial do século XX,
com a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que assegurou
em definitivo o processo de industrialização do Médio Paraíba.

Com a decadência da economia cafeeira, a pecuária leiteira se concretizou


como alternativa econômica, tornando-se a principal fonte de renda da região. Isso
favoreceu a instalação de indústrias de produtos alimentícios, fator importante para a
construção do eixo rodoferroviário Rio-Minas-São Paulo; mesmo assim, somente a
construção da CSN promoveu sensível desenvolvimento, atraindo novas indústrias e,
principalmente, mão de obra.

O ciclo industrial centralizou o processo instaurador no município de Barra


Mansa, como afirma Moreira (2002), com a instalação ali do Moinho Fluminense (atual
sede da Prefeitura de Barra Mansa) em 1932. Em 1937 surgiram três grandes
indústrias nessa cidade: a Companhia Nestlé de Alimentos, atraída pela grande
produção leiteira; a Siderúrgica Barra Mansa, do Grupo Votorantim; e a Companhia
Metalúrgica Barbará, atual Saint-Gobain Canalização, atraídas pela existência do
entroncamento ferroviário da E. F. Central do Brasil e da Rede Mineira, além da
proximidade e conexão com os grandes mercados consumidores – Rio de Janeiro e
São Paulo. Barra Mansa foi a primeira cidade fluminense a receber uma indústria
siderúrgica, ficando conhecida como “a Manchester Fluminense” (MOREIRA, 2002).

Mas a grande transformação está diretamente relacionada à instalação da


CSN, que assegurou definitivamente o processo de industrialização da região, o que
atraiu grande quantidade de mão de obra, formada por pessoas simples que saíam do
campo para trabalhar na construção e operação das fábricas, provocando o rápido
aumento da população e um acelerado processo de urbanização. Com isso, alterou-se
a economia e modo de vida na região – do rural para o urbano (BENTES, 2008).
O processo de industrialização influenciou diretamente as taxas de urbanização
do Médio Paraíba, ratificando sua função urbana no estado, como afirmam os dados
do Censo do IBGE. Na década de 1980, a população da região tornou-se a segunda
maior proporção de população urbana do estado, com 85,1%, mantendo-se ainda
como a segunda população total do Rio de Janeiro, com aproximadamente 600 mil
habitantes; fica atrás apenas da Região Metropolitana. A taxa de urbanização das
principais cidades do Médio Paraíba cresceu: Volta Redonda, 98,1%; Barra Mansa,
88,9%; Resende, 83,7%.

Nessa década, ocorreu a estagnação da economia brasileira, o que se refletiu


nos dados do Censo de 1991, com menor crescimento da população do estado
(13,4%) e do Médio Paraíba (15,7%). Entretanto, a taxa de urbanização continuou a
crescer, com a região alcançando 91,5%, o que demonstra maior saída da população
do campo. As principais cidades da região apresentavam taxas de urbanização
crescentes: Volta Redonda, 99,9%; Barra Mansa, 97,3%; Resende, 87,2%; e Barra do
Piraí, 93,6%.

Na passagem do milênio, o Brasil já possuía 81,23% da sua população em


áreas urbanas, com o Estado do Rio de Janeiro apresentando 94,9%; a Região do
Médio Paraíba tinha 93% de urbanização, sendo a segunda maior população urbana
do estado. O município de Volta Redonda possui 100% de sua população urbana, com
a maior densidade demográfica dos municípios do interior do estado: 1.330 hab./km2;
só está atrás dos municípios da Região Metropolitana. A maioria dos municípios do
Médio Paraíba apresenta taxas de urbanização acima de 80%.

Na contagem realizada pelo IBGE em 2007, a população do estado foi


estimada em cerca de 15.420.000 habitantes, e a do Médio Paraíba fluminense em
aproximadamente 845.000, sendo cerca de 256 mil em Volta Redonda, representando
30,3% dos habitantes da região (IBGE, 2008). Segundo Santos (2002), a localização
foi fator decisivo também para a instalação das primeiras indústrias de última geração
no Médio Vale do Paraíba fluminense, em alguns momentos pelos mesmos motivos
daqueles do período da instalação da CSN.

Dentre eles, podemos citar:


• O fato de essa região se localizar entre os dois principais polos da economia
nacional: Rio de Janeiro e São Paulo;

• A existência de um suporte logístico facilitado pela importante rede rodoviária


que corta a região (BR-116, BR-393 e outras), pela ferrovia (administrada pela
MRS Logística), pela proximidade dos maiores portos do país (Santos, Rio de
Janeiro, Sepetiba, Angra dos Reis);

• Abastecimento de energia (a região é cortada por um gasoduto e conta com


uma usina termelétrica da CSN). A estagnação econômica da década de 1980
fez surgir a necessidade de políticas públicas para estímulo à reorganização da
capacidade produtiva. No Estado do Rio de Janeiro, o aspecto principal dessa
reorganização esteve relacionado a uma política de incentivos fiscais, com o
objetivo de buscar novos empreendimentos e promover a recuperação
econômica. O resultado dessa política pública foi a chegada da Volkswagen,
que mudou a história e a geografia da Região do Médio Vale do Paraíba
fluminense; além dela, a Peugeot-Citroën e fornecedoras de peças
incrementaram a economia da região, consolidando assim o polo
automobilístico e metal-mecânico.

A reestruturação produtiva no Médio Vale do Paraíba, com a formação do polo


automotivo do Estado do Rio de Janeiro, tem um significado importante em termos de
organização da produção, do trabalho e da economia regional. As transformações
propostas e consolidadas marcaram diretamente os dois lados desse processo: o lado
das empresas em associação com instituições públicas e com o governo; e o lado dos
trabalhadores, moradores, migrantes, pessoas que se tornam mais pacientes do que
agentes das mudanças que vivenciam.

Tal reestruturação resultou na atual situação de desenvolvimento do polo


metal-mecânico do Médio Paraíba e atinge com toda força a sociedade, o território e
as formas de poder neles existentes: a população, os trabalhadores, os empresários,
as instituições públicas (universidade, bancos, órgãos de fomento, poder público) e
privadas (instituições de ensino técnico, universidades, setor de serviços e comércio
local etc.).

Região da Costa Verde

A Região da Costa Verde é constituída oficialmente pelos municípios de


Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba. O nome é dado devido à expressiva presença
de Mata Atlântica que ainda existe nesse trecho do litoral brasileiro. Paraty e Angra
dos Reis fazem parte de uma microrregião denominada Baía da Ilha Grande.
Mangaratiba, juntamente com Itaguaí, faz parte de outra microrregião – a da Baía de
Sepetiba (CEPERJ, 2010). A região é reconhecida por suas belezas naturais, que
favorecem o desenvolvimento do turismo, principalmente na microrregião da Baía da
Ilha Grande. A ilha pode ser lembrada pela magnificência das praias, muitas delas
quase intocadas, o que vem favorecendo, nas duas últimas décadas, intenso processo
de expansão turística, bem dissonante do encontrado em Paraty, que, mesmo com
uma Secretaria de Turismo bastante ativa, de cidade detentora de uma disposição
natural e espontânea para o descanso, mantém vocação para o turismo histórico, na
interação com a própria História do Brasil.

O processo de construção político-administrativa e social de Paraty e Angra


dos Reis caracteriza-se pela presença da agricultura, praticada em moldes
tradicionais, principalmente a cultura da banana, e pelas colônias de pescadores
espalhadas ao longo do litoral.

O município de Angra dos Reis tem importante vocação econômica,


impulsionada principalmente por sua paisagem mundialmente divulgada e conhecida.
A beleza natural é fator de grande atratividade; no entanto, eventos de chuvas
intensas que comumente ocorrem nessa área ocasionaram no início de 2010 uma
série de eventos de movimentos gravitacionais de massa, que são resultantes também
da elevada fragilidade natural da morfologia local (POCIDONIO; SILVA, 2011).

Por um período relativamente pequeno (década de 1990), vislumbrou-se a


possibilidade de crescimento econômico alavancado fortemente pela indústria de
construção naval, atividade que viveu um período de crise e que se encontra
atualmente em rápida recuperação, com os investimentos oriundos da exploração do
petróleo no pré-sal.

Esse retorno dos investimentos na área naval, ligado às encomendas de


embarcações e plataformas, não significa melhorias diretas para os trabalhadores,
motivo pelo qual a região tem vivenciado várias greves nos estaleiros (Verolme-
Brasfels, como destaque dos investimentos do setor), alguns controlados ou em
regime de parceria com grupos internacionais, mostrando que o crescimento
econômico não caminha necessariamente junto com o desenvolvimento social e
ambiental.

Região Serrana
A Região Serrana é composta por 14 municípios que apresentam forte
heterogeneidade. Podem ser identificadas duas unidades espaciais (MARAFON et al.,
2005, p. 110). A primeira é formada pelos municípios da antiga microrregião
homogênea definida pelo IBGE – Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo –, setor mais
dinâmico da atual Região Serrana. A segunda é constituída pelos demais municípios:
Bom Jardim, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Macuco, Nova Friburgo,
Petrópolis, Santa Maria Madalena, São José do Vale do Rio Preto, São Sebastião do
Alto, Sumidouro e Trajano de Morais.
Essa região apresenta uma dinâmica econômica extremamente diversificada,
marcada por atividades agrícolas, industriais e turísticas.

Atividades agrícolas
A Região Serrana transformou-se num importante eixo de circulação e de
escoamento para os produtos hortícolas e olerícolas que abastece principalmente a
Região Metropolitana. Isso ocorre pela ligação por rodovias como a RJ-130 e a BR-
040, entre outras, algumas criadas pelos próprios agricultores e depois asfaltadas pelo
governo, com o objetivo de valorizar essa atividade comercial (Figura 7). A produção
escoada chega à cidade do Rio de Janeiro, convergindo para o mercado produtor do
Ceasa, principal distribuidor da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Figura 7: Imagem de satélite apresentando estradas que cortam a Região


Serrana do Estado do Rio de Janeiro e sua ligação com a Região Metropolitana.
Fonte: Google Earth.
A Região Serrana vem passando por profundas transformações, que vão da
melhoria do acesso à Região Metropolitana à intensificação da produção agrícola, à
ampliação dos fluxos turísticos e de veraneio e ao significativo crescimento industrial e
do setor de serviços nas cidades da região.

Atividades industriais
O esvaziamento econômico do Estado do Rio de Janeiro e a própria
centralização industrial na capital promoveram uma reestruturação produtiva que
gerou importantes mudanças na organização industrial do estado, passando a
privilegiar o interior e diversificando algumas de suas atividades, já que algumas delas
foram sendo abandonadas por falta de investimentos, como ocorreu com o polo
cimenteiro de Cordeiro e Cantagalo e principalmente com o setor metalúrgico-
mecânico da Região Serrana.
Os investimentos governamentais foram fundamentais para desenvolver
atividades como a indústria têxtil, que já estava pouco expressiva na Região
Metropolitana e ganhou expressão nos municípios da Região Serrana, como Nova
Friburgo e Petrópolis, também associada à indústria de vestuário. Petrópolis, que
apresenta economia mais diversificada, em que o turismo vem ganhando expressão,
teve no setor têxtil cerca de 30% de seu PIB; Nova Friburgo, que se especializou em
moda íntima feminina, sendo marcada com esse perfil, apresentou aproximadamente
35% do seu PIB ligado a essa atividade.
Tornar a Região Serrana um polo tecnológico também fez parte dos
investimentos governamentais, com a criação do LNCC – Laboratório Nacional de
Computação Científica (em Petrópolis).

Atividades turísticas
A riqueza histórica da imigração europeia na Região Serrana do Rio de Janeiro
é um importante fator de fortalecimento da atividade turística nessa área. Nova
Friburgo recebeu os primeiros imigrantes europeus no século XIX, os suíços, enquanto
Petrópolis é a Cidade Imperial e por isso apresenta funções culturais importantes. A
fertilidade das terras, a excelência do clima, o espírito empreendedor dos colonos e a
presença do imperador e sua corte, nos meses de verão, fizeram com que o município
sofresse um rápido desenvolvimento, tanto que em 1950 a população contava 108.307
habitantes e em 2010 somava 296.044. Outro fator determinante para o favorecimento
da atividade turística nessa região é o clima: os visitantes buscam temperaturas mais
baixas, atividades e peculiaridades proporcionadas por essa área.
As questões ambientais
O pior desastre ambiental da Região Serrana ocorreu com as intensas chuvas
que, entre a noite do dia 11 e a madrugada de 12 de janeiro de 2011, atingiram os
municípios de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro e São José do Vale
do Rio Preto. Não é possível avaliar de forma precisa as ameaças e vulnerabilidades a
desastres nesses municípios, mas é sabido que os eventos adversos têm
consequências mais graves em comunidades de baixo poder aquisitivo, moradores em
áreas delimitadas de risco, cujas habitações são quase sempre precárias. No evento
de 2011, contudo, diferentes grupos sociais foram gravemente afetados pelo desastre,
inclusive empresas e o setor hoteleiro, impactando enormemente a economia da
região.
O histórico de enchentes e de ocorrências de deslizamentos nesses municípios
situa os eventos decorrentes de fortes chuvas como foco para ações de gestão de
riscos de desastres nessas localidades. É de se notar que o intervalo entre os eventos
está diminuindo; entre os fatores que contribuem para o risco de desastres estão:
• Ocupação das margens de rios e córregos;
• Modos de construção inadequados para regiões de encosta;
• Problemas de drenagem de água;
• Acúmulo de lixo nas encostas e desmatamento;
• Urbanização e falta de terrenos próprios para ocupação em áreas seguras.

Boxe Atenção
A Região Serrana sofreu importantes transformações com a reestruturação do
processo produtivo do Estado do Rio de Janeiro; algumas de suas antigas atividades
se enfraqueceram e foram sendo suplantadas por outras. Hoje é possível observar
que a atividade agrícola ainda é muito importante no abastecimento da metrópole do
Rio de Janeiro, que a indústria têxtil e de roupas íntimas e principalmente o turismo
são a base da estrutura econômica da Região Serrana, que nos últimos anos vem
apresentando sensível crescimento.
Os problemas ambientais ocorridos com a chuva no ano de 2011 tiveram
grandes impactos no meio ambiente da Região Serrana e em sua economia, o que
mobilizou o governo no que diz respeito à reconstrução e ativou as questões
referentes à falta de fiscalização desse mesmo governo em relação ao processo de
ocupação de áreas de risco e falta de infraestrutura. Alguns municípios foram mais
afetados e ainda tentam se reestruturar, como Nova Friburgo, um dos mais atingidos
pelas chuvas.

Região Centro-Sul

Esta região é formada pelos municípios de Sapucaia, Engenheiro Paulo de


Frontin, Areal, Miguel Pereira, Paty do Alferes, Comendador Levy Gasparian, Paraíba
do Sul, Três Rios, Mendes e Vassouras.

É uma região com grande beleza natural, que contribui para diversas atividades
tanto econômica como sociais voltadas ao turismo. Em meados do século XIX, os
cafezais se alastraram na região, sendo responsáveis pelo desenvolvimento nesse
período. Devido ao café, a região foi rapidamente ocupada, impulsionando a
construção de estradas e novos caminhos. Surgiram várias vilas, pousadas que
acabaram se tornando cidades.

A cidade de Vassouras ficou conhecida como “Cidade dos Barões do Café” e


“Princesinha do café7” por ter atingido grande produção cafeeira na década de 1850.

A Mata Atlântica, vegetação original, favorece o turismo com a presença de


magníficas cachoeiras e rios de águas claras. Atualmente, a região é uma grande
produtora de tomate e pimentão, o que contribui para o desenvolvimento econômico
da região.

Boxe Enriquecimento
O texto a seguir foi extraído do site do Museu Casa da Hera, em Vassouras.
Residência da família do comissário de café Joaquim José Teixeira Leite, uma das
mais importantes no século XIX, a Casa da Hera, em Vassouras, é o símbolo de uma
época dourada do Vale do Café.

No século XIX, graças ao café, o Brasil viveu um de seus períodos de maior


prosperidade econômica: a exploração do grão auxiliou na estabilização da economia
e gerou recursos para que se pudesse investir em uma indústria incipiente e na
melhora da infraestrutura. A produção também foi responsável por mudanças de
caráter social, pois criou uma nova aristocracia – os barões do café – e gerou um
grande afluxo de escravos para o país. Com esses grupos vieram novos hábitos e
novos costumes que marcaram os modos de viver do século XIX e ajudaram a formar
as bases de nossa cultura.
O Vale do Paraíba, com destaque para Vassouras, foi palco de todas essas grandes
transformações, pois foi, principalmente a partir de 1850, a maior região produtora de

7
Consultar http://pt.wikipedia.org/wiki/Vassouras. Acesso em 17/03/2014.
café do mundo. O patrimônio artístico dessas cidades, com seus palacetes, sedes de
fazenda e igrejas, é o registro de um período em que o Vale se tornou o centro
econômico do país, um local por onde transitavam alguns dos homens e mulheres mais
ricos de sua época, como os membros das famílias Teixeira Leite e Corrêa e Castro.

Família
A Casa da Hera pertenceu a Joaquim José Teixeira Leite (1812-1872), um dos mais
importantes comissários de café da região. Por volta de 1840, a casa passou a ser
propriedade dos Teixeira Leite e lá passaram a viver Joaquim José e sua esposa, Ana
Esméria Pontes França. Ele foi um destacado “capitalista do café” e acumulou grande
fortuna. Era filho de Francisco José Teixeira, o primeiro Barão de Itambé, e Francisca
Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro; teve como irmão o Barão de Vassouras,
Francisco José Teixeira Leite. Era bacharel em Direito e um erudito; foi presidente da
Câmara de Vassouras por 11 anos e vice-presidente da província do Rio de Janeiro.
Seus negócios permitiram que acumulasse grande fortuna. A forma como optou por
ser retratado no quadro presente no salão comercial da casa, a variedade e amplitude
de temas de sua biblioteca revelam ter sido ele um homem letrado. Ao longo de sua
vida, envolveu-se com os projetos para construção da Estrada de Ferro D. Pedro II
(futura Central do Brasil) e defendeu a implantação de núcleos de colonos na região
de Vassouras.
Ana Esméria Teixeira Leite (1827-1871) era filha de Laureano Corrêa e Castro, Barão
de Campo Belo, e Eufrásia Joaquina do Sacramento Andrade; ela, portanto, pertencia
a uma das principais famílias de cafeicultores da região. Após o casamento, a
residência da família se converteu em um dos principais palcos por onde transitavam
homens e mulheres ilustres da época. A casa foi cenário de festas e saraus, um local
onde se fazia comércio e se discutia finanças e política.
Ali nasceram as duas filhas do casal, Francisca Bernardina (1845-1899) e Eufrásia
Teixeira Leite (1850-1930). Elas viveram na casa até 1873, quando, após a morte dos
pais, partiram a bordo de um vapor para Paris, onde passaram a residir. Eufrásia é
uma das figuras mais conhecidas da história de Vassouras. Quando vão à Casa da
Hera, muitos visitantes buscam encontrar a imagem de Eufrásia. Poucos sabem, no
entanto, que seu desejo ao doar a residência e seus pertences era preservar não sua
própria memória, mas a de seu pai,Joaquim José Teixeira Leite. Ao longo de sua vida,
mesmo quando já não residia no Brasil, ela procurou manter o local como havia sido
na época em que seus pais viviam ali; em diversas cartas ela determinou que “não se
mexa na casa de meus pais”. Por essa razão, o que o visitante encontra na Casa é a
memória daqueles que ali habitaram no século XIX e todo o luxo que puderam
desfrutar graças à prosperidade do café. No entanto, isso não significa que se deva
esquecer a imagem de Eufrásia, pois foi graças a ela que esse patrimônio chegou até
nós.
No centro do Salão Vermelho, encontra-se um quadro com técnica em pastel da jovem
Eufrásia Teixeira Leite. Após a morte dos pais, ela viajou para a França, entrou para o
mundo dos negócios e chegou a triplicar sua herança, tornando-se acionista de
empresas de diferentes países. Elegante, independente, inteligente e voluntariosa,
Eufrásia Teixeira Leite frequentou a aristocracia francesa, ganhou uma legião de
admiradores e se relacionou durante alguns anos com o político pernambucano
abolicionista Joaquim Nabuco. Eufrásia nunca se casou e morreu sem herdeiros. Suas
cartas revelam um espírito inconformista que a levou a uma vida fora dos padrões de
sua época.
“É demais a opinião de minha gente, que não compreende como eu não sou a mais
feliz das criaturas; parece que para isso só me falta ser como todo mundo”, disse
Eufrásia Teixeira Leite.

Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/apresentacao-espaco/museu-casa-da-hera Acessado em


17/03/2014.
Baixadas Litorâneas

A Região das Baixadas Litorâneas abrange treze municípios: Araruama,


Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Iguaba, Rio das
Ostras, São Pedro da Aldeia, Saquarema e Silva Jardim. De acordo com o Ceperj
(2012), a atividade turística tem se tornado uma importante atividade econômica para
os municípios litorâneos nos últimos anos.

A região conta com lagos e um cenário de lindas praias de areias branca e fina.
Cabo Frio é uma das principais cidades da região, com a economia voltada para a
produção de sal e um dos principais polos turísticos do Brasil. Atualmente a região é
visitada por muitos turistas do mundo inteiro. Com uma geografia privilegiada, conta
com cenários de raríssima beleza, como a cidade de Arraial do Cabo, conhecida como
a “capital do mergulho”8; sua fauna marinha decorre de um fenômeno conhecido como
ressurgência9. O município conta com uma área preservada, a restinga de
Massambaba, onde são encontradas espécies raras de orquídeas.

Vale ressaltar que a região não tem apenas praias; encontramos o morro São
João, localizado em Barra de São João, onde existe um vulcão extinto que possui
altitude de 781m10. Nesse município existem trilhas ecológicas em meio à Mata
Atlântica, ambiente deslumbrante.

Fique de olho!

Trilha em vulcão extinto é opção turística em Barra de São João

Publicado em 3 de fevereiro de 2010 - 07:00

Uma programação para quem curte a natureza e gosta de aventura. Esta é a trilha
ecológica do morro São João, um vulcão extinto, localizado em Barra de São João,
distrito de Casimiro de Abreu. Possui 816m de
altitude, de acordo com o marco do IBGE, e do topo podem ser vistos vários
municípios das Baixadas Litorâneas, como Rio das Ostras, Cabo Frio e Búzios. São
cerca de seis horas de caminhada em meio à Mata Atlântica nativa, em
aproximadamente seis quilômetros, ida e volta.

8
http://www.arraial.rj.gov.br/prefeitura/?local=geografia&submenu=ativo. Acessado em 30/03/2014.
9
O afloramento ou ressurgência (ou exsurgência ou surgência) é um fenômeno oceanográfico que
consiste na subida de águas profundas, muitas vezes ricas em nutrientes, para regiões menos profundas do
oceano. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ressurg%C3%AAncia. Acessado em 30/03/2014.
10
http://www.lagossaojoao.org.br/nc-relevo.htm. Acessado em 30/03/2014
Muitos rios e água de nascente refrescam o calor da caminhada. As saídas, sob
agendamento, costumam ser às 7h, a partir da Fazenda São João, que recentemente
virou Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

O guia de turismo Daniel Zanuzzio revela que durante a trilha, de complexidade


média/alta, é possível observar diversas espécies da fauna e da flora. “Muitos
cogumelos comestíveis e o cogumelo coral (que é uma espécie rara) são comuns de
encontrar”. Espécies endêmicas também habitam o morro.

O guia também conta que o macaco bugio (também conhecido como guariba), cobras,
lagarto teiú, esquilo, porco-espinho e tatus são alguns animais que fazem parte do
habitat do São João. Entretanto, não costumam aparecer com a presença de trilheiros.

A novidade é que um grupo de pesquisadores (biólogo, engenheiro florestal e


turismólogo), financiados pela empresa Eco-aventura e pelo Hotel Fazenda São João,
está catalogando as espécies vegetais e animais do morro São João.

Os interessados em fazer a trilha podem se hospedar na Fazenda São João. A cerca


de quatro quilômetros da estrada RJ-162, sentido Palmital, o local faz parte da história
do município de Casimiro de Abreu, pois preserva um casario do século 18, quando
ainda era uma fazenda de café. Chalés no estilo colonial, ofurô, hidromassagem, sala
de jogos, salão de convenções, academia, piscina e sauna são alguns dos atrativos
oferecidos pelo hotel fazenda.

Mais informações pelos telefones (22) 2778-1571/ 2774-5550 ou 2764-1786.

Fonte: Assessoria de Comunicação de Casimiro de Abreu, em 02/02/2010.

http://ideias.org.br/index.php?page=/informativo/trilha-em-vulcao-extinto-e-opcao-
turistica-em-barra-de-sao-joao. Acessado em 30/03/2014.

Região Norte

A Região Norte é composta por nove municípios: Campos dos Goytacazes,


Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Macaé, Quissimã, São Fidelis,
São Francisco do Itabapoana e São João da Barra.

Limita-se a oeste com o Noroeste Fluminense, ao norte com o Espírito Santo, a


sudoeste com a Região Serrana, ao sul com a Região dos Lagos e a leste com o
Oceano Atlântico.
Temos o Rio Paraíba do Sul como grande destaque na região. Conta ainda
com a Lagoa Feia11, que abastece de água potável o município de Quissimã, além de
ser fonte de pescado da região com espécies como a tilápia e o morobá. As cidades
de destaque são Campos dos Goytacazes e Macaé.
O relevo da região é marcado por uma grande planície de solo massapê, o que
contribui para a cultura da cana-de-açúcar. Outra cultura que merece destaque é a do
abacaxi, principalmente em cidades como Carapebus e Quissamã.
A Bacia de Campos, na plataforma continental oceânica, é a maior reserva de
petróleo do Brasil. A descoberta pela Petrobras, na década de 1970, deu um impulso
significativo para o desenvolvimento econômico da região.
Os municípios produtores, em conjunto, são os maiores beneficiários do
pagamento dos royalties do petróleo.

Fique de olho!

A lei que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde foi
publicada na edição da terça-feira 10 de setembro do Diário Oficial da União. O texto ainda
prevê que 50% do Fundo Social do Pré-Sal também devem ir para as áreas da educação e
saúde.
A matéria havia sido sancionada sem vetos na véspera pela presidente Dilma Rousseff, em
cerimônia no Palácio do Planalto. O projeto fora aprovado na Câmara em 14 de agosto, depois
de ter sido votado no Senado.
O primeiro repasse de royalties para educação e saúde, de acordo com o Executivo federal,
será de R$ 770 milhões e deverá ser feito ainda em 2013. A verba oriunda da exploração
petrolífera deverá alcançar R$ 19,96 bilhões em 2022 e totalizará R$ 112,25 bilhões em uma
década.
Os royalties que serão destinados para educação e saúde se referem apenas aos novos
contratos da União com comercialidade declarada a partir de 3 de dezembro de 2012.
Royalties de campos em atividade há mais tempo, como nos estados produtores do Rio de
Janeiro e Espírito Santo, continuarão a ser aplicados pelos governos estaduais.
PRINCIPAIS PONTOS DA LEI
Distribuição dos royalties - 75% para a educação e 25% para a saúde
Origem dos recursos - Dos contratos com "declaração de comercialidade" a partir de
3 de dezembro de 2012
Fundo Social - 50% do total do Fundo Social para educação e saúde
Fonte: Câmara dos Deputados

Entenda
A Lei dos Royalties obriga o Governo Federal, estados e municípios a aplicar esses
recursos, obtidos como compensação ao Poder Público pela produção de petróleo, em
duas áreas específicas: 75% para a educação e 25% para a saúde.

A verba virá, em primeiro lugar, do que for auferido em royalties e participação


especial de novos contratos com comercialidade declarada a partir de 3 de dezembro
de 2012.

11
A Lagoa Feia é o corpo d’água regulador de uma vasta região hidrográfica, constituída por dezenas de
lagoas interconectadas por uma complexa rede de canais naturais e artificiais.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa_Feia. Acessado em 30/03/2014.
Os royalties são tributos pagos ao Governo Federal pelas empresas que exploram
petróleo como compensação por possíveis danos ambientais causados pela extração.
Participação especial é reparação ligada a grandes campos de extração, como da
camada pré-sal descoberta na costa brasileira recentemente.

A lei também prevê que, até que sejam cumpridas as metas estabelecidas pelo Plano
Nacional de Educação, metade dos recursos e dos rendimentos do Fundo Social irá
para educação e saúde.

Criado em 2010, o Fundo Social é um fundo soberano, destinado a receber a parcela


dos recursos do pré-sal que cabem ao Governo Federal, como royalties e
participações especiais. Por lei, o fundo deveria ser uma poupança do governo para
quando o dinheiro do petróleo diminuir, o que ajudaria a financiar o desenvolvimento
do país e serviria ainda para reduzir os efeitos de uma possível "enxurrada" de dólares
no país por conta da exportação do petróleo do pré-sal.

Caminho
O texto-base do projeto sobre o destino dos recursos do petróleo determinava que
esse dinheiro ficaria nessa poupança e que o governo destinaria 50% dos rendimentos
desse investimento para a educação. O capital principal do fundo, fruto dos depósitos,
permaneceria guardado para gerar rendimentos financeiros.

A Câmara dos Deputados, no entanto, aprovou um substitutivo que determina que


50% da própria “poupança” sejam destinados à educação e à saúde – diminuindo o
tamanho do capital principal do fundo.

A nova legislação destaca que os recursos da exploração petrolífera que passarão a


turbinar as áreas de educação e saúde não podem ser contabilizados para compor o
mínimo legal de aplicação previsto pela Constituição para esses setores.

O texto sancionado na segunda-feira também ressalva que as verbas destinadas à


educação devem ser aplicadas exclusivamente na educação pública. Além disso, ficou
estabelecido que esse dinheiro não poderá ser empregado para pagar dívidas com a
União ou salários de profissionais da rede pública de ensino.

Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/09/governo-publica-lei-dos-royalties-do-
petroleo.html.

3 Reconhecendo as diferentes formas de regionalização do Brasil e


identificando as particularidades regionais do Estado do Rio de Janeiro

Entender o conceito de região é associá-lo em primeiro lugar às atividades


administrativas, como a arrecadação de impostos e gestão (e controle) do espaço. Ao
analisar a história da Geografia, observa-se como esse conceito é incrementado de
significados diferentes.
A região, sob qualquer visão que lhe seja conferida, relaciona-se com a noção
de espaço. A polissemia da palavra permite uma variada rede de sentidos apropriados
em diferentes acepções, em diversas áreas do conhecimento ou em diversas
situações da existência. Logo, para compreensão das análises desenvolvidas aqui, o
“espaço geográfico” é privilegiado e entendido como Corrêa se refere a ele (2001, p.
15): expressão “estando associada a uma porção específica da superfície da Terra
identificada pela sua natureza, seja por um modo particular como o homem ali
imprimiu as suas marcas, seja com referência à simples localização”.
A região natural, conceito abarcado pela corrente determinista ambiental, é
aquela em que “as condições naturais, especialmente as climáticas, e dentro delas a
variação de temperatura ao longo das estações do ano, determinam o comportamento
do homem, interferindo na sua capacidade de progredir” (CORRÊA, 1995, p. 9). Esta
concepção baseia-se na ideia de que unidades espaciais podem ser reunidas em
decorrência de determinadas características uniformes – geográficas, econômicas ou
sociais – que levam à designação de “regiões homogêneas”, determinadas em torno
de fatores geográficos (como a predominância de determinados recursos naturais,
topografia e clima), de estruturas econômicas (produção semelhante, padrões
homogêneos de consumo, distribuição similar de força de trabalho) ou incluir variáveis
como atitudes sociais uniformes, identidade regional ou concepção política
semelhante.
Ao determinismo geográfico de Ratzel, opunha-se na França, no século XIX,
Vidal de la Blanche, defensor da corrente “possibilista”, que focaliza as relações entre
a natureza, fornecedora de possibilidades para que o homem a modifique. e a ação
desse agente no seu meio, com seu acervo de técnicas, hábitos, usos e costumes que
lhe permitem utilizar os recursos naturais disponíveis. Nessa concepção, o homem é o
principal agente geográfico.
A região, na visão possibilista, conforme Corrêa (1995, p. 27), “é sem dúvida
uma região humana vista na forma de geografia regional que se torna seu próprio
objeto. A região considerada é concebida como sendo, por excelência, a região
geográfica”.
Nos últimos anos, por influência da Geografia Crítica, muito baseada na
transformação da realidade social e interferência do materialismo histórico e dialético,
a “região” torna-se um importante elemento para que se possa compreender uma
realidade individual a partir de um panorama global, em que as características
históricas, aspectos culturais e outras conexões façam a diferença e sejam captados
na totalidade do processo.
Num estudo regional se deve tentar detalhar sua composição como organização
política, econômica e cultural, abordando os fatos concretos para reconhecer como a
área se insere na ordem internacional, levando em conta o preexistente e o novo para
captar o elenco de causas e consequências do fenômeno (SANTOS, 1997, p. 48).
A região continua a existir, mas com um nível de complexidade jamais visto
pelo homem. Agora, nenhum subespaço do planeta pode escapar ao processo
conjunto de globalização e fragmentação, isto é, de individualização e regionalização
(SANTOS, 1999, p. 16).
Não pensamos que a região haja desaparecido. O que esmaeceu foi a nossa
capacidade de reinterpretar e de reconhecer o espaço em suas divisões e recortes
atuais, desafiando-nos a exercer plenamente aquela tarefa permanente dos
intelectuais, isto é, a atualização dos conceitos (SANTOS, 1994, p. 102).
Logo, ao longo da história do pensamento geográfico a região caminhou com
interpretações diferenciadas ou valorizadoras das diferenças e posições mais
nomotéticas ou que enfatizavam as generalizações. Como conceito, foi majoritária,
sobretudo nos momentos mais idiográficos ou voltados para a realidade empírica,
numa valorização da região como fato, em que a região adquiriu um papel mais
analítico do que de realidade efetivamente construída e/ou vivida.
Regionalização é a divisão do espaço geográfico em regiões, em partes
menores, com aspectos naturais, culturais e socioeconômicos comuns.
A abordagem regional, necessariamente renovada e muito mais complexa
nesse período de globalização, apresenta validade e importância ainda maiores, visto
que, contraditoriamente, no processo de globalização ocorrem concomitantemente
fragmentação e compartimentação do espaço (SANTOS, 2006).
É assim que a análise regional renovada e crítica permite reconhecer
importantes questões políticas necessárias à compreensão das tendências de
modernização e fragmentação do território hoje.

Verbete
Conceito de região

Áreas determinadas levando em consideração a combinação entre elementos


naturais, a economia e espaços sociais;
Delimitação elaborada antropicamente de um espaço qualquer contendo
características desse espaço;
Divisão política, econômica e territorial;
Área que demonstra certa homogeneidade interna: cultural, social, econômica,
física etc.;
Recortes de determinados territórios onde estão localizados os lugares com
características semelhantes;
Região - determinada teoricamente. Regionalizar = classificar regiões.

3.1 Regionalizações do Brasil


As diversas formas de regionalização existentes no Brasil é um excelente
exemplo para observar como o conceito de região é interpretado e como a influência
das vertentes da Geografia propõem a cada momento um novo Brasil (Figuras 8 e 9).
Um aspecto importante a ser inserido no processo de regionalização do país é a sua
formação territorial no período colonial, tendo como base o Tratado de Tordesilhas, a
expansão para o interior e a concretização das fronteiras, finalizada somente no
século XX, como o Barão do Rio Branco.
O IBGE estruturou uma das primeiras regionalizações do território brasileiro,
tendo como base conceitual o determinismo geográfico, caracterizado pela Região
Natural.
Os estudos da Divisão Regional do IBGE tiveram início em 1941, sob
a coordenação do Prof. Fábio Macedo Soares Guimarães. O objetivo
principal de seu trabalho foi sistematizar as várias "divisões
regionais" que vinham sendo propostas, de forma que fosse
organizada uma única Divisão Regional do Brasil para a divulgação
das estatísticas brasileiras. Com o prosseguimento desses trabalhos,
foi aprovada, em 31/01/42, através da Circular nº1 da Presidência da
República, a primeira Divisão do Brasil em Regiões, a saber: Norte,
Nordeste, Leste, Sul e Centro-Oeste. A Resolução 143, de 6 de julho
de 1945, por sua vez, estabeleceu a Divisão do Brasil em Zonas
Fisiográficas, baseadas em critérios econômicos do agrupamento de
municípios. Essas zonas fisiográficas foram utilizadas até 1970 para
a divulgação das estatísticas produzidas pelo IBGE e pelas unidades
da Federação. Já na década de 1960, em decorrência das
transformações ocorridas no espaço nacional, foram retomados os
estudos para a revisão da Divisão Regional, a nível macro e das
Zonas Fisiográficas. (Fonte:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/default_div_int.sh
tm. Acesso em: 10 jan. 2014 ).
Figura 8: Divisão regional do Brasil
Fonte: Anuário Estatístico do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1999. p. 1-43.
Regionalização do Brasil segundo Pedro Pinchas Geiger, 1967.

A classificação que leva em conta a formação histórico-econômica do país


considera também a recente modernização econômica que ocorreu no espaço urbano
e no campo e estabeleceu novas formas de vínculo entre os lugares do território
brasileiro.

Figura 9: Organização regional do Brasil


Fonte: Pedro Pinchas Geiger. Organização regional do Brasil. Revista
Geográfica. Rio de Janeiro, nº 61, p. 51, jul./dez. 1964. Em: MAGAGNO, Angélica
Alves. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 57, nº 4, p. 77, out./dez. 1995
(adaptado).

3.1.1 Regionalização do Brasil segundo Roberto Lobato Corrêa – 1989


As grandes regiões (Figura 10) são uma expressão da DTT:
A nova divisão territorial do trabalho desfaz e refaz a organização
espacial e a cada etapa a desigualdade socioespacial é refeita; a
regionalização é refeita, desfazendo antigas regiões que tiveram
existência sob outros processos e condições (CORRÊA, 2001).

Figura 10: Regionalização do Brasil


Fonte: SILVA, Simone Affonso, 2010.

3.1.2 Regionalização do Brasil segundo Milton Santos

As diferenciações no território (Figura 11):

A noção de desigualdade territorial persiste nas condições atuais.


Todavia, produzir uma tipologia de tais diferenciações é, hoje, muito
mais difícil do que nos períodos históricos precedentes. As
desigualdades territoriais do presente têm como fundamento um
número de variáveis bem mais vasto, cuja combinação produz uma
enorme gama de situações de difícil classificação (SANTOS, 2001).
Figura 11: Regionalização do Brasil.

Fonte: SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e


sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001. p. 268-
273 (adaptado).

Fique de olho!

O site do IBGE traz importantes informações, como dados sobre o censo


demográfico, questões econômicas e estruturais e principalmente uma diversidade de
mapas, gráficos e tabelas que enriquecerão o seu trabalho como docente.

Consulte: http://www.ibge.gov.br/home/

3.2 A regionalização do Rio de Janeiro

Em primeiro lugar, é necessário citar o Ceperj, fusão entre a antiga Fundação


Cide (responsável pelas estatísticas e informações socioeconômicas do estado) e a
Fesp (órgão que tinha como objetivo formar e avaliar o funcionalismo estadual). A
Fundação Ceperj, além de manter suas características de Escola de Governo, agora
também é responsável pelo sistema estadual de estatística do Estado do Rio de
Janeiro, função exercida pelo Ceep – Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas,
uma de suas diretorias.

No desempenho de sua função, o Ceep deve prover o estado e seus


municípios, bem como a sociedade em geral, com dados e informações necessárias
ao conhecimento e acompanhamento de suas realidades sociais, econômicas,
ambientais, físicas e territoriais, visando à realização de estudos e pesquisas para a
execução, acompanhamento e avaliação de políticas públicas
(http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/ent/oqueeceep.html. Acesso em 09 jan. 2014).

O Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas tem como finalidades:

I - Prover o Estado do Rio de Janeiro de todo o acervo de dados e informações


básicas necessários ao conhecimento e acompanhamento da realidade física,
territorial, ambiental, econômica, cartográfica, demográfica e social do Estado;
II - Formular, implementar, executar e avaliar programas, projetos e atividades
voltados a estudos e pesquisas, em suas formas primária e derivada, sobre a
realidade do Estado do Rio de Janeiro, nos âmbitos social, econômico, ambiental,
físico e territorial, bem como a elaboração de produtos cartográficos, que resultem
em dados e informações para subsidiar o Governo Estadual e prefeituras
municipais em suas políticas públicas, dirigir e supervisionar atividades
administrativas e técnicas, de secretaria, de acompanhamento conjuntural e
pesquisas econômicas, de estudos e pesquisas geográficas, sociais e ambientais,
de apoio à gestão municipal, de informações geoespaciais, de gestão da
informação, dados e sistemas da Fundação Ceperj;
III - Coletar, organizar e tratar dados estatísticos, geográficos e cartográficos de
interesse público, bem como registros administrativos procedentes de órgãos
setoriais públicos e privados;
IV - Estabelecer metodologias para a construção de bases de dados e manter
atualizadas as informações demográficas, sociais, econômicas, físicas, territoriais,
ambientais e cartográficas do Estado do Rio de Janeiro, como elaborar normas de
construção de bases de dados estatísticos e geográficos, cartográficos e
ambientais do Estado e difundir sua utilização;
V - Dar suporte técnico à demarcação das divisas do estado e demarcar
os limites de seus municípios, calcular e divulgar as áreas municipais, implantar e
conservar marcos territoriais, atualizar e publicar a divisão político-administrativa
do Estado;
VI - Coordenar a elaboração, execução e manutenção do Plano Cartográfico do
Estado do Rio de Janeiro, acompanhando a produção cartográfica dos órgãos
estaduais, zelando por sua qualidade e propriedade técnico-operacional;
VII - Articular e dar apoio à produção de dados setoriais e registros administrativos
nos órgãos públicos e privados produtores de informações e dados sobre o Estado
do Rio de Janeiro, bem como elaborar indicadores setoriais para apoiar o
planejamento e a tomada de decisões dos setores público e privado, em especial,
na administração estadual;
VIII - Submeter à Assessoria Jurídica matéria da área de administração para
análise e pronunciamento, quando for o caso;
IX - Executar outras atividades que forem determinadas pelo presidente da
Fundação (http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/ent/oqueeceep.html. Acesso em 9 jan.
2014).

3.3 Municipalização

O Estado Rio de Janeiro pode ser considerado um importante exemplo desse


cenário de fusão e desmembramentos, mesmo antes da definição da Constituinte de
1988. Com a criação do Estado da Guanabara (1960-1975), de acordo com
documentos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, 1960), “O Estado da
Guanabara foi criado pela Lei San Tiago Dantas, de 14 de março de 1960, e sua
composição geográfica abrangia o território da antiga capital”. Com os
desmembramentos municipais, o estado, que no início do século XX apresentava 48
municípios, atualmente soma 92 municípios, praticamente o dobro do século passado.

O governo municipal tem sido o elo mais próximo do exercício do poder político
e as questões da população; por isso precisa ter estruturas mais sólidas para que
possa suprir de forma eficiente e favorável esses interesses. Porém os municípios não
são idênticos, apresentam histórias, culturas, poder econômico e população distintos,
por isso se mantém o “mito” da autonomia municipal, a qual tem se mostrado
“politicamente eficiente e explorável”.

O processo de municipalização iniciado com a promulgação da Constituição de


1988 ratificou a necessidade de novamente regionalizar o estado e adequar as
mudanças no número de municípios às suas características naturais e
socioeconômicas (Figura 12).
Figura 12: Desmembramentos municipais

Fonte:
http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/info_territorios/div_poli/Desmembramentos_Municipais
.pdf. Acesso em 09 jan. 2014.

Verbete
Macrocefalia urbana

Processo de concentração populacional no grande centro urbano, tendo como


exemplo maior a metrópole do Rio de Janeiro, que já concentrou 50% de toda a
população do estado.

O Estado do Rio de Janeiro está dividido em oito regiões de governo. Essa


divisão está apoiada na Lei n° 1.227/87, que aprovou o Plano de Desenvolvimento
Econômico e Social 1988/1991. Desde então, foram feitas algumas alterações tanto na
denominação quanto na composição dessas regiões. São elas: Metropolitana,
Noroeste Fluminense, Norte Fluminense, Baixadas Litorâneas, Serrana, Centro-Sul
Fluminense, Médio Paraíba e Costa Verde (Fonte:
http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/info_territorios/divis_regional.html. Acesso em 09 jan.
2014).

Fique de olho
Assim como o site do IBGE, o portal do Ceperj também traz importantes
informações sobre o Estado do Rio de Janeiro, estatísticas, mapas, gráficos e tabelas
fundamentais para enriquecer o processo de ensino.

Visite: http://www.ceperj.rj.gov.br/

Região não é um dado da natureza, mas uma construção intelectual. No


entanto, esse conceito foi desenvolvido com o tempo, já que sempre foi difundido o
conceito de região natural. O conceito de região está historicamente vinculado à ideia
de diferenciação entre áreas, sendo esta primeiramente resultante das diferenças
naturais entre os lugares. A “humanização do conceito de região” (iniciada por La
Blache e seus seguidores) se dá ao largo do século XX, enquanto a regionalização se
caracteriza pelo ato de construir, intelectualmente, regiões; sendo assim, pode ser
motivada pelas mais diversas razões (as mais comuns são: finalidade didática,
estatística; planejamento territorial).
No Brasil existem pelo menos quatro regionalizações. A mais conhecida e
utilizada nos livros didáticos é a do IBGE, que inicialmente adota como critério os
aspectos naturais, e, posteriormente, a integração entre os aspectos naturais e
socioeconômicos. No entanto, as divisões regionais propostas por Geiger (1967),
Lobato (1989) e Santos (1999) expõem um novo paradigma e relacionam a recente
modernização econômica que ocorreu no espaço urbano e no campo e estabeleceu
novas formas de vínculo entre os lugares do território brasileiro.
No Estado do Rio de Janeiro, o processo de regionalização se consolida após
o processo de municipalização, já que, depois da Constituição de 1988, o estado
passou a abrigar 92 municípios e a antiga Fundação Cide (Centro de Informações e
Dados Estatísticos) passou a ser responsável por definir essas regiões para
planejamento.

4. Turismo

O Estado do Rio de Janeiro apresenta importante potencial turístico, já que


existem inúmeros elementos que favorecem essa característica; o primeiro é o seu
quadro físico muito diversificado, em contraponto à limitada extensão
territorial (CIDE, 1997). Nesse sentido, há uma sucessão de paisagens, que
condiciona, em grande parte, a variedade do clima e da cobertura vegetal, entre outros
elementos. Sendo assim, é importante citar as principais unidades físicas que definem
o potencial turístico do estado: o trecho litorâneo, o conjunto montanhoso e o planalto
ondulado até o Vale do Paraíba.
• O trecho litorâneo abrange a linha costeira e a região das baixadas, em direção
à parte setentrional do estado, constituído por lagoas e cordões litorâneos, com
vegetação de restinga. Parte dessa área integra a região turística denominada
Costa do Sol, iniciando-se nos limites da Região Metropolitana (município de
Maricá) até o município de Rio das Ostras; a parte meridional, de constituição
rochosa e muito recortada em baías e enseadas, prolonga-se até o município
de Paraty. Esse litoral apresenta-se afogado, estreito e alto, constituindo a
chamada Costa Verde, a partir do município de Mangaratiba até o município de
Paraty. Nesta unidade física, a modalidade de turismo mais desenvolvida é a
do aproveitamento das praias e das práticas náuticas.

• O conjunto montanhoso da Serra do Mar, representado pela frente escarpada e


seu reverso, atravessando quase todo o estado, com altitudes de até 2.000m
(Serra dos Órgãos), em alguns pontos, é caracterizado por temperaturas mais
amenas, quando comparado com as demais unidades físicas, imprimindo
características peculiares às diferentes modalidades turísticas. Essa
porção é conhecida como Região Serrana.

• Planalto ondulado, que perde altitude até o Vale do Paraíba do Sul, rio que
representa o traço mais marcante nessa paisagem, cortando o território
fluminense de sul para norte, formando uma depressão encaixada entre as
escarpas das Serras do Mar e da Mantiqueira, esta exibindo o paredão do Pico
das Agulhas Negras, com aproximadamente 2.800m de altitude, muito
aproveitado para diferentes modalidades de turismo.

O contexto histórico possibilita ratificar a tendência turística do Estado do Rio


de Janeiro, primeiro pela consolidação do porto que se tornou importante atrativo do
país; ao mesmo tempo, a atividade aurífera contribuiu para o aparecimento de vilas –
embriões para futuras cidades – que serviram de passagem para o interior, como
Vassouras, Paraíba do Sul e Paty do Alferes, entre outras (RAHY, op. cit.).
No século XVIII, do ponto de vista histórico e político, merece destaque para a
antiga Província do Rio de Janeiro a transferência da sede do governo colonial de
Salvador para o Rio de Janeiro (1763), em decorrência do comércio do ouro das Minas
Gerais, além das condições geográficas.
Algumas atividades econômicas foram importantes, e o ouro é uma delas; no
entanto, a economia cafeeira foi fundamental para o desenvolvimento do interior, já
que no Médio Paraíba fluminense teve seu plantio expandido para várias direções,
sendo cultivado ao norte em Entre Rios (atual município de Três Rios), seguindo para
Nova Friburgo e Cantagalo, na Região Serrana, terminando sua expansão em Itaocara
e São Fidélis, seguindo a direção da Zona da Mata Mineira e do Espírito Santo.
As encostas foram ocupadas com cafezais e o fundo dos vales com as sedes
das fazendas e instalações de beneficiamento do produto. Atualmente, muitas dessas
fazendas, principalmente aquelas localizadas no Médio Paraíba, nos municípios de
Vassouras, Valença e Paraíba do Sul, entre outros, estão sendo resgatadas para a
atividade turística, como a instalação dos hotéis fazenda e parques.
Outro aspecto determinante para o desenvolvimento das atividades turísticas
foi a estruturação dos transportes previamente às redes rodoviárias. As rodovias
concretizaram-se, notadamente a partir da década de 1970, com a construção da
Ponte Presidente Costa e Silva, ligando as duas principais cidades do estado, Rio de
Janeiro e Niterói; com a abertura da BR-101 e a duplicação das rodovias Presidente
Dutra (BR-116) e da Washington Luís (BR-040), esta ligando a capital do estado às
cidades mineiras de Juiz de Fora e Belo Horizonte.
Com a implantação da BR-101 em território fluminense, concretizou-se a
vertente da atividade turística em direção ao litoral sul (Costa Verde) e ao litoral norte
(Costa do Sol). Esses são dois grandes vetores de expansão do turismo litorâneo,
secundados pela BR-116, que corta a região do Vale do Paraíba.
A reunião de todos esses fatores – o quadro natural diversificado, os
condicionantes históricos e a rede de transporte – ensejou a difusão da atividade
turística por municípios fluminenses, conforme mostra o Quadro 1 e o mapa da Figura
13 que seguem, tornando-os verdadeiros lugares para o consumo.
Existem novas propostas para classificação das características turísticas do
Estado do Rio de Janeiro; as pesquisas e estudos desenvolvidos pelo Núcleo de
Estudos de Geografia Fluminense (Negef) mostram que o estado seria subdividido nas
seguintes áreas turísticas:
Ecoturismo: está ligado ao desenvolvimento de práticas ecoturísticas no noroeste do
estado.

Praia e ecoturismo: nesta área destacam-se principalmente os municípios de Angra


dos Reis e Paraty.

Praia e rural: nesta área destacam-se as práticas turísticas relacionadas às praias e


os municípios que possuem elementos históricos e/ou rurais, permitindo o
desenvolvimento de atividades relacionadas a esses elementos.

Praia: aqui se desenvolvem atividades de praia, e é marcante a presença de imóveis


de segunda residência.

Serra e mar: encontramos algumas atividades relacionadas à atividade rural e à praia.

Serra: dividida em Serra de Turismo Consolidado e Não-Consolidado, esta área


engloba os municípios serranos, caracterizados pela existência de atividades
históricas, pela presença de museus, igrejas, fazendas, além de seus espaços rurais
serem usados como hotéis-fazenda, pesque-pague e atividades voltadas para vida
rural.

Serrana da Mantiqueira: o turismo adentra a área serrana da Mantiqueira pautando-


se na questão ecológica. O município de Itatiaia, único constituinte desta área, possui
estreita relação com a serra, e por isso seu clima é permeado por amenidades
advindas da altitude, favorecendo, dessa forma, a atividade turística.

Baixada Fluminense: apesar de não ter a prática turística como atividade


consolidada, esta área apresenta grande potencial de exploração de um turismo
pautado na história e na cultura dos municípios.

Diversificado: incorporadora dos municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, a área de


turismo diversificado configura-se como um território de intenso apelo e interesse
turístico.

Vale do Café: possuem destaque as atividades de resgate da memória do período


cafeeiro no Brasil. As práticas turísticas estão relacionadas à visitação de fazendas e
casarios históricos, ao consumo de produtos de época e produtos rurais etc.

Quadro 1: Atividades turísticas por municípios fluminenses


Fonte: Negef, 2008.

O turismo é próprio da modernidade e da sociedade de consumo; com isso


existe uma apropriação de lugares e elementos que servem para vender momentos e
práticas. Ao analisar o turismo e suas funções, destaca-se a valorização de áreas
interioranas dando suporte à economia dos municípios, pensando em políticas
públicas que deem apoio a esta atividade.
Figura 13: Atividades Turísticas no Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Base Cartográfica, IBGE; Organizado por Negef, 2009.

A expansão da atividade turística depende de um planejamento adequado à


realidade do desenvolvimento sustentado do local, capaz de atender às necessidades
dos turistas com base nos recursos disponíveis. Sendo assim, torna-se crucial o
levantamento do acervo da infraestrutura e dos atrativos turísticos, com o
detalhamento do setor de turismo, bem como o acompanhamento de sua evolução.
Portanto, a informação estatística é um instrumento essencial para a definição de
políticas públicas e a avaliação dos seus impactos, assim como para orientar os
negócios de empresas privadas.

4. O processo de ocupação do território fluminense com os problemas


ambientais recorrentes no estado (enchentes, erosão, deslizamentos etc.)

O megadesastre 11 da Região Serrana do Rio de Janeiro foi um


evento catastrófico na história do Brasil. A ocorrência de chuvas
intensas em um curto período de tempo, aliado aos altos volumes
acumulados no mês antecedente, desencadeou eventos geológicos
e hidrológicos em larga escala que deixaram um enorme rastro de
destruição – 912 vítimas e mais de 45.000 pessoas desalojadas e
desabrigadas. Essas consequências lastimáveis foram responsáveis
por uma mudança de paradigma no que tange à gestão dos
desastres naturais. A maneira de pensar, tanto da população quanto
das autoridades, mudou drasticamente e trouxe à tona a importância
da prevenção, mitigação e criação de cidades mais resilientes, ou
seja, que suportem melhor as adversidades naturais e diminuam as
vulnerabilidades às quais a população está exposta (MINISTÉRIO
DA INTEGRAÇÃO, 2011).

Segundo Marcelino (2007), os desastres são resultados de eventos adversos


que causam grandes impactos na sociedade, sendo distinguidos em função de sua
origem, isto é, da natureza do fenômeno que o desencadeia. A defesa civil no Brasil,
obedecendo às normativas da Política Nacional da Defesa Civil, classifica os
desastres em naturais, humanos e mistos. Basicamente, a diferenciação nessa
conceituação está na participação ou não do homem.

Os desastres humanos são aqueles gerados pelas ações ou omissões


humanas, como os acidentes de trânsito, incêndios industriais, contaminação de rios.
Os acidentes naturais são causados pelo impacto de um fenômeno natural de grande
intensidade sobre uma área ou região povoada, podendo ser agravado ou não pelas
atividades antrópicas (MARCELINO, 2007).

Dentro dessa discussão, um conceito bastante interligado é o de risco, já que


os desastres remetem à ideia de prejuízos irreparáveis ao homem. Capalbo (2013)
define risco como a magnitude e probabilidade de um efeito adverso ocorrer. Dessa
forma, para avaliar o risco deve-se determinar o dano (isto é, que tipo de dano o
agente causará) e a exposição (isto é, que população estará exposta ao agente, em
que concentração e a duração da exposição). Essa avaliação tem como base a
proteção da saúde humana, e seu objetivo é proteger o indivíduo na sociedade e,
conseqüentemente, a sociedade como um todo. Para Dagnino e Carpi Junior (2007),
são vários os riscos, porém quatro devem ser enfatizados: os riscos naturais, os
tecnológicos, os sociais e os ambientais.

Os riscos naturais fazem referência àqueles riscos que não podem ser
facilmente atribuídos ou relacionáveis à ação humana. Embora, nos dias de hoje, essa
seja uma tarefa cada vez mais difícil, apresenta a seguinte tipologia de riscos naturais:
riscos tectônicos e magmáticos; riscos climáticos; riscos geomorfológicos, os mais
típicos, tais como ravinamento, de movimentações de massa, como desabamento ou
deslizamento, e outros riscos geomorfológicos (como os decorrentes da erosão eólica
e do descongelamento de neves de altitude) e os riscos hidrológicos.

A abordagem dos riscos tecnológicos, segundo Sevá Filho (1988, apud


Dagnino e Carpi Junior, 2007), deve levar em conta três fatores indissociáveis: o
processo de produção (recursos, técnicas, equipamentos e maquinários), o processo
de trabalho (relações entre direções empresariais e estatais e assalariados) e a
condição humana (existência individual e coletiva, ambiente). Equivale a dizer, grosso
modo, que onde pelo menos um desses fatores for encontrado haverá risco
tecnológico ou a probabilidade de um problema causado por ele.

Segundo Vieillard-Baron (2007, apud Dagnino e Carpi Junior, 2007), pode-se


qualificar como risco social a maior parte dos riscos, “quer nos atenhamos às suas
causas sociais, quer atentemos para suas consequências humanas”. Nesse sentido, o
autor distingue dois tipos de riscos principais que podem afetar ou ser afetados pelos
riscos sociais e a sociedade humana: são os chamados riscos endógenos
(relacionados aos elementos naturais e às ameaças externas, como terremotos,
epidemias, secas e inundações) e os riscos exógenos (relacionados diretamente ao
produto das sociedades e às formas de política e administração adotadas, como o
crescimento urbano e a industrialização, a formação de povoamentos e a densidade
excessiva de alguns bairros).

O quarto tipo seria o risco ambiental, que, segundo Veyret e Meschinet de


Richemond (2007, apud Dagnino e Carpi Junior, 2007), resulta “da associação entre
os riscos naturais e os riscos decorrentes de processos naturais agravados pela
atividade humana e pela ocupação do território.

Independentemente das definições acadêmicas, segundo Pereira (2010), cada


pessoa (indivíduo) ou uma comunidade no seu conjunto tem uma noção subjetiva de
risco, que envolve as noções de receio e de perigo, o grau de possibilidade de
ocorrência do evento desfavorável e a avaliação de perdas ou prejuízos.

São fatores que condicionam a apreciação do risco, perante a segurança e a


incerteza no futuro: culturais, psicológicos e valores sociais, entre outros.

A percepção do risco depende, em nível individual, da experiência vivida e da


postura perante a vida, além de fatores como idade, sexo, educação e condição física
e psicológica.

A possibilidade de opção voluntária em relação à exposição do perigo em


causa é um fator determinante na valorização subjetiva do risco. Um risco voluntário é
mais aceitável psicologicamente do que um risco imposto, como é o caso, na
generalidade, dos habitantes das áreas sujeitas a processos geológicos ativos. O
Quadro 2 e o Fluxograma 1 apresentam os tipos de desastre e os tipos de risco,
segundo Pereira (2010).

Quadro 2: Tipos de desastres naturais

Desastres naturais

Geotectônicos Meteorológicos Outros tipos

Terremotos Cheias Fogos


florestais

Maremotos Inundações Desertificação


litorais

Avalanches furacões Formação de


estepes

Erupções Granizo e Secas


vulcânicas relâmpago

Deslizamento

Fonte: Pereira, 2010.


Riscos naturais Riscos antrópicos

Riscos geológicos Riscos climáticos


População

Equipamentos
Riscos
geomorfológicos Organização social e
econômica

Recursos naturais
Riscos ambientais

Vulnerabilidade do
território

Figura 14: Fluxograma de tipos de riscos


Fonte: Pereira, 2010.

Um tipo específico de risco é geológico, definido por Cerri (1993) como "situação de
perigo, perda ou dano, ao Homem e suas propriedades, em razão da possibilidade de
ocorrência de processos geológicos, induzidos ou não". Nascimento (2014) define
risco geológico como aquele associado aos processos geológicos que podem estar
relacionados à geodinâmica interna ou externa (Figura 15).

Processos geodinâmicos

Processos erosivos e de
Movimentos de transporte de massa assoreamento

Agente transportante (água, gelo e ar) Erosão pluvial, fluvial, eólica, glacial

Escorregamentos: frente livre


Movimentos gravitacionais de massa de movimentação (encostas)

Sem agente transportante

Subsidências. colapsos:
movimentos verticais sem
frente livre de movimentação
Figura 15: Fluxograma de processos geodinâmicos
Fonte: Nascimento, 2014.

Alguns conceitos importantes são os de evento, perigo, vulnerabilidade,


susceptibilidade, risco e áreas de risco, bem definidos pelo Ministério das Cidades:

• Evento - Fenômeno com características, dimensões e localização geográfica


registradas no tempo.

• Perigo (hazard) - Condição com potencial para ter consequência


desagradável.

• Vulnerabilidade - Grau de perda para um dado elemento ou grupo dentro de


área afetada por um processo.

• Suscetibilidade - Indica a potencialidade de ocorrência de processos naturais


e induzidos em áreas de interesse ao uso do solo, expressando-se segundo
classes de probabilidade de ocorrência.

• RISCO - Probabilidade de ocorrer um efeito adverso de um processo sobre um


elemento. Relação entre perigo e vulnerabilidade, pressupondo sempre a
perda.

• Área de risco - Área passível de ser atingida por processos naturais e/ou
induzidos que causem efeito adverso. As pessoas que habitam essas áreas
estão sujeitas a danos à integridade física, perdas materiais e patrimoniais.
Normalmente essas áreas correspondem a núcleos habitacionais de baixa
renda (assentamentos precários).

Nascimento (2014) acrescenta outros conceitos interessantes: de acidente (fato


já ocorrido no qual foram registradas consequências sociais e/ou econômicas
relacionadas diretamente ao fato; um acidente ocorre quando o acontecimento se
efetiva, gerando danos) e de ameaça (risco imediato de desastre; prenúncio ou indício
de um evento desastroso).

Alveirinho (2000) apresenta os riscos geológicos (Quadro 3) e traz algumas


informações bastante interessantes, como: o risco será tanto maior quanto mais
ocupada estiver a área afetada; os riscos geológicos antropogênicos foram fortemente
amplificados desde a Revolução Industrial, e o risco associado a determinado
acontecimento tem aumentado de forma significativa com a passagem do tempo
(devido ao crescimento demográfico).

Quadro 3: Tipos de riscos geológicos

Tipo Exemplos

• cheias

• sismos

• vulcões

Riscos naturais • deslizamentos

• radioatividade natural

• elementos dissolvidos na água

• queda de meteoritos

• sismicidade induzida
Riscos
antropicamente • amplificação de cheias
amplificados
• contaminantes na cadeia alimentar

Riscos • resíduos nucleares


tecnológicos • produtos sintéticos

Para Tominaga (2009), no Brasil os principais fenômenos relacionados a


desastres naturais são derivados da dinâmica externa da Terra, tais como inundações
e enchentes, escorregamentos de solos e/ou de rochas e tempestades. Esses
fenômenos ocorrem normalmente associados a eventos pluviométricos intensos e
prolongados nos períodos chuvosos que correspondem ao verão na Região Sul e
Sudeste e ao inverno na Região Nordeste.

Antes de apresentar os desastres no Estado do Rio de Janeiro, vamos


compreender melhor os mais frequentes.

Os escorregamentos, também conhecidos como deslizamentos, são processos


de movimento de massa envolvendo materiais que recobrem as superfícies das
vertentes ou encostas, tais como solos, rochas e vegetação. Esses processos estão
presentes nas regiões montanhosas e serranas em várias partes do mundo,
principalmente naquelas onde predominam climas úmidos. Os movimentos de massa
consistem em importante processo natural que atua na dinâmica das vertentes,
fazendo parte da evolução geomorfológica em regiões serranas (TOMINAGA, 2009).
No Brasil, são mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

Entretanto, o crescimento da ocupação urbana indiscriminada em áreas


desfavoráveis, sem o adequado planejamento do uso do solo e sem a adoção de
técnicas adequadas de estabilização, está disseminando a ocorrência de acidentes
associados a esses processos que muitas vezes atingem dimensões de desastres
(TOMINAGA, 2009).

Boxe Verbete

Movimento de massa

É o movimento de solo, rocha e/ou vegetação ao longo da vertente sob a ação direta
da gravidade. A contribuição de outro meio, como água ou gelo, se dá pela redução da
resistência dos materiais de vertente e/ou pela indução do comportamento plástico e
fluido dos solos (TOMINAGA, 2009).

Quadro 4: Tipologia dos movimentos de massa

• vários planos de deslocamento


(internos)
• velocidades muito baixas (cm/ano) a
baixas e decrescentes com a
Rastejos profundidade
• movimentos constantes, sazonais ou
intermitentes
• solo, depósitos, rocha alterada/fraturada
• geometria indefinida
• poucos planos de deslocamento
(externos)
• velocidades médias (m/h) a altas (m/s)
• pequenos a grandes volumes de
material
• geometria e materiais variáveis:
Planares – solos pouco espessos,
Escorregamentos solos e rochas com um plano de
fraqueza;
Circulares – solos espessos
homogêneos e rochas muito
fraturadas
Em cunha – solos e rochas com
dois planos de fraqueza
Quedas
• sem planos de deslocamento
• movimentos tipo queda livre ou em
plano inclinado
• velocidades muito altas (vários m/s)
• material rochoso
Quedas
• pequenos a médios volumes
• geometria variável: lascas, placas,
blocos etc.
Rolamento de matacão
Tombamento
• muitas superfícies de deslocamento
• movimento semelhante ao de um líquido
viscoso
• desenvolvimento ao longo das
drenagens
Corridas • velocidades médias a altas
• mobilização de solo, rocha, detritos e
água
• grandes volumes de material
• extenso raio de alcance, mesmo em
áreas planas
Fonte: TOMINAGA, 2009.

Inundações

Segundo Amaral e Ribeiro (2009), as inundações e enchentes são eventos


naturais que ocorrem com frequência nos cursos d’água, comumente deflagrados por
chuvas fortes e rápidas ou chuvas de longa duração.

Segundo UN-ISDR 2002, as inundações e enchentes (Figura 14) são


problemas geoambientais derivados de fenômenos ou perigos naturais de caráter
hidrometeorológico ou hidrológico, ou seja, aqueles de natureza atmosférica,
hidrológica ou oceanográfica. Sabe-se hoje que as inundações estão relacionadas à
quantidade e à intensidade da precipitação atmosférica (SOUZA, 1998). A magnitude
e a frequência das inundações ocorrem em função da intensidade e da distribuição da
precipitação, da taxa de infiltração de água no solo, do grau de saturação do solo e
das características morfométricas e morfológicas da bacia de drenagem.

Em condições naturais, as planícies e fundos de vales estreitos apresentam


lento escoamento superficial das águas das chuvas, e nas áreas urbanas esses
fenômenos têm sido intensificados por alterações antrópicas, como a
impermeabilização do solo, retificação e assoreamento de cursos d’água. Nesse
modelo de urbanização, com a ocupação das planícies de inundação e
impermeabilizações ao longo das vertentes, o uso do espaço afronta a natureza e,
mesmo em cidades de topografia relativamente plana, onde teoricamente a infiltração
seria favorecida, os resultados são catastróficos (TAVARES; SILVA, 2008, apud
AMARAL; RIBEIRO, 2009).

Figura 15: Diferentes classificações para as cheias dos rios

Fonte: Amaral e Ribeiro, 2009.

Na literatura, inundação, alagamento e enchente aparecem muitas vezes como


sinônimos – por exemplo, na página do Ministério da Integração (2014); entretanto, há
fontes em que são feitas suas, como Amaral e Ribeiro (2009).

Verbete

Conceitos importantes:
Inundação representa o transbordamento das águas de um curso d’água, atingindo
a planície de inundação ou área de várzea.
Enchentes ou cheias são definidas pela elevação do nível d’água no canal de
drenagem devido ao aumento da vazão, atingindo a cota máxima do canal, porém,
sem extravasar.
Alagamento é um acúmulo momentâneo de água em determinados locais por
deficiência no sistema de drenagem.
Enxurrada é escoamento superficial concentrado e com alta energia de transporte,
que pode ou não estar associado a áreas de domínio dos processos fluviais
(Amaral; Ribeiro, 2009).

Erosão costeira
Dados relativos à década de 1990 mostram que, já naquela época, 70% das
praias arenosas do planeta estavam em erosão, 20% em deposição e apenas 10% se
encontravam em relativa estabilidade (BIRD, 1999, apud SOUZA, 2009). As razões
para essa predominância de erosão ou retrogradação da linha de costa no mundo
foram atribuídas a causas naturais e antrópicas. Entretanto, a maioria dos autores
acreditava e ainda acredita que a principal causa esteja relacionada à elevação do
nível relativo do mar (NM) durante o último século (SOUZA, 2009).

Erosão Costeira é o processo de erosão ou retrogradação da linha de costa


devido a causas naturais e antrópicas. Conforme Souza et al. (2005), as áreas com
problemas de erosão costeira/praial são aquelas que apresentam pelo menos uma das
seguintes características:

• altas taxas de erosão ou erosão recente significativa;

• taxas de erosão baixa ou moderada em praias com estreita faixa de areia e


localizadas em áreas altamente urbanizadas;

• praias que necessitam ou que já possuam obras de proteção ou contenção de


erosão;

• praias reconstruídas artificialmente e que seguem um cronograma de


manutenção.

Colocamos a seguir alguns exemplos de desastres no Estado do Rio de


Janeiro (Figuras 16, 17, 18). Em quais regiões você acha que cada uma delas
ocorreu?
Figura 16: Movimento de massa “tipo Rasteira”, ao largo da BR-492, Nova Friburgo,
RJ.

Fonte: Dourado, Arraes e Silva, 2012.

Figura 17: Mapa de cicatrizes de escorregamento da região da Conquista, Nova


Friburgo.

Fonte:Ministério da Integração, 2011.


Figura 18: Fotografia obliqua mostrando erosão de praia.

Fonte: Felício Antonio Medeiros Valiengo/Defesa Civil – São João da Barra. (RIBEIRO,
2007).

Os processos externos são conhecidos e ocorrem naturalmente. Seu


papel de destruição do relevo por meio de seus agentes – rios, chuvas, ventos,
gelo, ondas – remodela a superfície da Terra, gerando diversas novas formas.
O grande problema é que nesse constante trabalho entra o homem, que, ao
sentir seus efeitos, sofre com as suas perdas.

5. Impactos das transformações socioespaciais observadas no Estado do


Rio de Janeiro

Até agora vimos que o nosso estado vem passando por muitas transformações
ao longo do tempo, de caráter físico, social ou econômico, mas sabemos também que
a superfície da Terra está em constante transformação; nada nela é imutável. As
imagens de satélite, as fotografias aéreas e terrestres e a cartografia nos permitem
acompanhar e analisar essas mudanças, seja qual for a escala temporal na qual elas
se produzem. A dificuldade consiste em representar em um plano imóvel os
deslocamentos que se fazem no espaço ou as transformações que se sucedem no
tempo. Trata-se de sugerir uma cinemática com o auxílio de documentos estáticos,
sem sacrificar a precisão ou a legibilidade (JOLY, 1990).

A cartografia, alimentada por uma grande quantidade de dados orbitais


(imagens de satélite) multitemporais, suborbitais (fotografias aéreas) e terrestres,
associada aos sistemas de informações geográficas que possibilitam a aquisição,
armazenamento, recuperação, transformação e saída de dados digitais
georreferenciados, facilita a compreensão e a análise dos dados, de caráter dinâmico,
obtidos do recorte espacial de interesse.

A representação gráfica como linguagem de comunicação visual não pode ficar


alheia à preocupação com as transformações que estão ocorrendo no meio ambiente.
Ela deve participar mediante a confecção de documentos cartográficos que
transcrevam a realidade do presente, comparando-se com as condições que havia no
passado, e alertem para conseqüências futuras.

"O ensino de Geografia pode levar os alunos a compreender de forma mais


ampla a realidade, possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e
propositiva". "Nesse sentido, a análise da paisagem deve enfocar as dinâmicas de
suas transformações, e não a descrição e o estudo de um mundo estático.” "A
Geografia trabalha com imagens, recorre a diferentes linguagens na busca de
informações e como forma de expressar suas interpretações, hipóteses e conceitos.
Pede uma Cartografia conceitual, apoiada numa fusão de múltiplos tempos e numa
linguagem específica, que faça da localização e da espacialização uma referência da
leitura das paisagens e seus movimentos" (MEC, 1998).

O estudo da linguagem cartográfica tem cada vez mais reafirmado sua


importância, desde o início da escolaridade. Contribui não apenas para que os alunos
venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da Geografia (os mapas)
como também para desenvolver capacidades relativas à representação e interpretação
do espaço. A Cartografia é um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a Pré-
História até os dias de hoje. Por intermédio dessa linguagem é possível sintetizar
informações, expressar conhecimentos e estudar situações, entre outras coisas –
“sempre envolvendo a ideia da produção do espaço: sua organização e distribuição"
(MEC, 1999).

O trabalho escolar precisa considerar que é fundamental que cada sujeito


possa utilizar diferentes linguagens de comunicação para possibilitar as diversas
formas de entender, interpretar, sintetizar e explicar o mundo real (RANGEL;
TARGINO, 1997). Dentro dessa perspectiva, a representação gráfica como linguagem
de comunicação visual – lógica – tem um papel preponderante no que se refere à
compreensão das mudanças no espaço geográfico. É a compreensão do mundo real
por meio do "mundo de papel" e agora também por intermédio do “mundo digital”.

O mapa não é a realidade; é um modelo que permite vislumbrar a realidade de


forma sintética. Segundo Lacoste (1988), "saber interpretar um mapa é saber agir
sobre o terreno, podendo nele se orientar e até nele interferir". Saber interpretar um
mapa é, portanto, uma questão de cidadania! "Cartas, para quem não aprendeu a lê-
las e utilizá-las, sem dúvida, não têm qualquer sentido, como não teria uma página
escrita para quem não aprendeu a ler" (LACOSTE, 1988).

Poder-se-ia dizer uma leitura de mundo de um indivíduo analfabeto. E uma


leitura de mundo requer um instrumento básico para a compreensão dos modos de
organização do espaço geográfico, e "o mapa é a possibilidade de trazer o mundo até
nós" (OLIVEIRA, 1977).

Compreender as questões do espaço geográfico é fundamental, pois, segundo


Milton Santos (1987), é no espaço que estão inseridas todas as formas de reprodução
social, e o conhecimento da Geografia fornece elementos para o reconhecimento, em
diferentes escalas, das mazelas sofridas em nosso país. Com isso, podemos levar em
consideração que o conhecimento do espaço é fundamental ao exercício pleno de
todos os direitos de um cidadão, tornando necessário o esforço de trazer à discussão
o papel do conhecimento geográfico na formação de nossa sociedade e de uma
possível emancipação social, buscando solucionar os problemas pertencentes à
realidade muitas vezes trágica, injusta e desigual que aflige o país.

Buscando e entendendo as transformações e seus impactos

Sugestões:

1- Leituras

SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987.

LEITÃO, Gerônimo. Transformações na estrutura socioespacial das favelas cariocas: a


Rocinha como um exemplo. Cadernos metrópole, nº 18, p. 135-155, 2º sem. 2007.
Disponível em: http://www.cadernosmetropole.net/download/cm_artigos/cm18_108.pdf
GATTO et al. Rio de Janeiro, do porto ao aeroporto: transformações da paisagem
urbana sob a ótica da Cartografia Histórica. 2011. Disponível em:
https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/GATTO_AMANDA_F_ET_AL.pdf.

Anais do evento (Universidade Federal Fluminense/Geografia) O estado do Rio de


Janeiro no início do século XXI: olhando para o futuro, 2001. Faltam informações para
a referência.

2 – Vídeos

http://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM
(Globalização por Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá).

http://www.youtube.com/watch?v=G9WoAjHEGBc
(Milton Santos no programa Roda Viva).

3 - Websites

- www.rio.rj.gov.br/ipp
Site do Instituto Pereira Passos, que apresenta informações e materiais audiovisuais
sobre a história e a ocupação da cidade do Rio de Janeiro.

- www.inea.rj.gov.br
Site do Instituto Estadual do Ambiente, que apresenta pesquisas realizadas no nosso
estado, uma biblioteca virtual com artigos e livros, acervo de mapas e imagens, dados
estatísticos sobre a nossa fauna e flora, condições atuais dos parques e áreas de
proteção ambiental e outros.

- http://portalgeo.rio.rj.gov.br/eourbana/
Site interativo com imagens e mapas que ilustram as transformações espaciais
ocorridas em alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro.

- www.sosmatatlantica.org.br
Site com informações sobre os principais impactos ambientais no nosso estado e
informações atuais sobre desmatamento e condições dos parques e APAs. Há espaço
disponível para postar denúncias e sugestões.

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