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Yeshua morreu realmente

pelos nossos pecados?

Shalom! Nesse estudo vamos analisar o conceito cristão da morte de


Yeshua/Jesus pelos pecados da humanidade. O conceito cristão é que a
morte de Yeshua foi um sacrifício expiatório substituindo de uma vez por
todas os sacrifícios feitos no templo por meio de animais (cordeiros,
novilhos, pombinhas e etc). Alguns no meio cristão acreditam que a morte
de Yeshua já estava consumada desde o inicio dos tempos e que os
animais eram apenas sombras do verdadeiro sacrifício. Afinal se Yeshua
não morreu pelos nossos pecados, por quem ele morreu?

Antes de iniciarmos o estudo, quero lembrar ao leitor que nosso tema


será baseado na toráh, se você não aceita a toráh como regra e base de
sua fé, então esse estudo de nada trará proveito para sua vida espiritual.
Vale lembrar que a toráh aqui referida por mim não é apenas os cinco (5)
livros escritos pelo profeta Moshe, mas todo o Tanach (antigo
testamento). Para nós Israelitas todos os escritos que se intitulam
“sagrados” devem passar pela peneira da toráh e caso assim não proceda,
não poderemos ter certeza que o tal escrito ou doutrina é realmente
valida e intitulada como “sagrado”. Para nosso povo a toráh (instrução
divina) não pode se contradizer e não podemos aceitar qualquer doutrina
que entra em guerra com as sagradas instruções(leis) que foram dadas
pelo nosso Criador por meio dos profetas.

Qual objetivo da morte de um animal?


Qual o objetivo de matar um ser vivo para que alguém seja absolvido da
culpa? Por que o Criador permitiria tal matança? Será mesmo que o
Eterno precisa de sangue como forma de absolvição do pecado?

A morte de um animal vai além do efeito espiritual, é didático, ao pecador


ver um animal que sem culpa morreu pelos seus erros, sua alma era posta
em aflição ele afligia seu ser para não mais cometer aquele ato, por outro
lado sangue se paga com sangue.

Os vários tipos de sacrifícios

Existe um erro comum entre os estudantes da bíblia ele acreditam que


todo o sacrifício serve para o mesmo fim - A expiação. Porém ao estudar
as sagradas escrituras entendemos que existem no mínimo três (3) tipos
de sacrifícios aceito pelo Eterno.

1. Os tipos de sacrifícios

a) O sacrifício de pacto (aliança)

Um sacrifício de pacto é uma aliança feita entre o Eterno e o ser


humano, observamos em muitas passagens das sagradas
escrituras onde um animal é sacrificado para realização de um
pacto. Quando Abraham fez um pacto com o Eterno um novilho
foi sacrificado, não para expiação pelos pecados, mas para afirmar
a aliança. Veja o que diz o texto: “Também eu me lembrarei da
minha aliança com Jacó, e também da minha aliança com
Isaque, e também da minha aliança com Abraão me
lembrarei, e da terra me lembrarei. Levítico 26:42” Veja mais
em Gn 15:17-18, Gn 31:50-55.
Quando o Eterno pede a Abraham seu filho Isaque em
sacrifício, não era no intuito de expiação pelos pecados nem tão
pouco uma tipificação da morte de Yeshua, mas como afirmação
da aliança (por mais que o Eterno não aceita sacrifícios
humanos). O objetivo de pedir o filho não era expiatório e sim de
comprovação, não porque o Eterno tinha dúvidas, mas para fazer
Abraham crescer na fé. Isso fica claro nessa fala, veja: “ ‘Não
toque no rapaz’, disse o Anjo. ‘Não lhe faça nada. Agora sei
que você teme a Deus, porque não lhe negaste seu filho, o
seu único filho.’ ” Gn 22:12. Leia todo o capitulo 22 de gênesis
para compreender essa questão.

b) O sacrifício de redenção

Outro sacrifício a ser destacado é o de redenção ou ações de


graça por motivo de salvação, um bom exemplo disso é o
sacrifício feito por Noach (Noé). Ele não fez holocausto para
expiação dos pecados, mas fez para agradecer e adorar o Criador
pela salvação concedida. Existem na Bíblia inúmeros exemplos de
sacrifício de redenção.
Quando nosso povo estava no Egito eles fizeram um grande
sacrifício para o livramento da morte. O anjo da morte mataria
todo o primogênito (primeiro filho) da família. Para livrar os
primogênitos da morte os Israelitas tiveram que sacrificar um
cordeiro e passar o sangue no umbral (Mezuzah) da porta, assim
o Anjo pouparia a casa concedendo ao primeiro filho a redenção.
Veja o texto: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas
em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de
vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando
eu ferir a terra do Egito.” Ex 12:13

Para salvar outras pessoas é permitido que um ser humano se


sacrifique, em troca de livramento, um bom exemplo é o
sacrifício de Sansão, ele foi um corbã ou seja uma oferta para que
os restantes dos israelitas pudessem viver. Os filisteus queriam
a morte do juiz de Israel que era Sansão e assim ficaria livre o
caminho para o extermínio do povo israelita, mas o sacrifício de
Sanção foi um livramento para o nosso povo porque naquele dia
muitos dos generais e príncipes filisteus foram mortos.

c) O sacrifício de expiação

O terceiro e último sacrifício é o mais conhecido e


requisitado. A expiação é o ato de retirar do pecador seus
pecados transferindo-os para o animal a ser sacrificado. No ato
da expiação o culpado perde a culpabilidade transferindo a
punição de morte para o animal.

Vamos entender sobre os tipos de punição para cada tipo de


pecado, porque um pecado de inveja não pode ser punido com o
apedrejamento. E um pecado de assassinato não poderia ser
punido com uma pena leve. Entenderemos agora os dois tios de
punição; pecado de morte e o pecado que não é para morte.

Pecado de morte.
Analise o texto: “Há pecado para morte, e por
esse não digo que ore.” 1 João 5:16

Quando uma pessoa cometia um pecado que não era de morte, exemplo:
Mentira, ela não precisava pagar com a vida, o único pecado que era pago
com a vida eram os pecados de morte, tais como: Assassinar, estuprar,
adulterar e etc. A toráh nos dá uma lista de todos os pecados que tinham
como punição a morte do transgressor. Em muitos casos para que uma
pessoa não morresse um ato de expiação deveria ser realizado para pagar a
culpa, transferido para o animal a ser sacrificado.

Pecado que não para morte.

Analise o texto “Toda a iniquidade[a-nomos] é pecado, e


há pecado que não é para morte.
” 1 João 5:17

Quando um homem matava um animal ele era punido pagando


em dinheiro ou se vendendo como escravo para pagar a dívida.
Quando um homem era pego roubando uma casa ele recebia
como punição o dever de restituir o dono da casa afetado ou o
assaltante deveria se vender como escravo para pagar a dívida.
Observe que esses pecados não eram de morte e por isso não era
necessário a morte de nenhum animal. Ver Êxodo 22:1-2
Analise: “Logo para esse tipo de pecado a morte de Yeshua não
serve”

Como era feito a transferência do pecado para um animal?


Para fazer uma expiação é necessário seguir algumas regras
descritas na toráh e deve ser da forma como o Eterno pediu,
qualquer animal puro deve ser usado de acordo com as regras
dadas a nós por meio do profeta Moshe.

Peço que leia atentamente o seguinte texto do livro de Devarim


(deuteronômio) :

Analise o texto “DT -6 : 25 E será justiça para nós, se tivermos cuidado de


cumprir todos estes Mitzvot(mandamento) perante Yhwh nosso Criador,
como ele nos ordenou.”

Os sacrifícios devem ser feitos da forma como é exigido na toráh, qualquer


sacrifício fora das regras não servirão para justificar o homem, visto que a
expiação serve para justificação o ato de expiação deve ser
meticulosamente feito seguindo o livro sagrado.

As regras (leis) do sacrifício expiatório.

Para fazer o sacrifício da forma como o Eterno pede deve-se obedecer às


seguintes regras:

01. Não sacrificar fora do local designado – ‘…cuida-te de não sacrificares


teus holocaustos…’ – Dt 12:13.
02. Não degolar animais a serem sacrificados fora do lugar designado – ‘O
homem que degolar um touro ou um carneiro, sem trazê-lo ao portal do
Tabernáculo…’ – Lv 17:3,4.
03. Não designar animais defeituosos para sacrifícios – ‘Todo o que tenha
defeito, não apresentareis para sacrifício…’ – Lv 22:20. – Esta proibição é
concernente apenas à designação em si.
04. Não degolar defeituosos para sacrifícios – ‘…não sacrificareis estes
para Elohim…’ – Lv 22:22.
05. Não lançar o sangue dos animais defeituosos sobre o Altar – ‘…não
apresentareis…’ – esta é a proibição do lançamento do sangue. – Lv 22:24.
06. Não sacrificar animal que tenha defeito passageiro – ‘Não sacrificareis
para teu Elohim touro ou cordeiro…’ – Dt 17:1.
07. Não sacrificar animal defeituoso que haja sido apresentado pelo
gentio – ‘…da mão do estrangeiro não apresentareis para sacrifício.’ – Lv
22:25.
08. Não causar defeito nos animais a serem sacrificados – ‘…defeito não
haverá nele…’ – Lv 22:21 – Quer dizer, não farás com que haja nele.
09. Confessar perante Elohim por toda transgressão que haja realizado ‘E
confessarão sua transgressão…’ – Nm 5:6.
10. Sacrificar todos os sacrifícios unicamente no Templo – ‘Ali farás …’ –
Dt 12: 14
11. Comer a carne dos sacrifícios ‘chatat’ e ‘acham’ – ‘Comê-las-ão, as que
através delas tenham obtido expiação…’ – Lv 29:33.

Existem muitas regras para o sacrifício expiatório e segundo a própria


toráh elas são perpetuas, ou seja, se uma pessoa deseja oferecer sacrifício
deve obedece-las, você se lembra do versículo de DT 6:25 que acabamos
de ler?

Vamos agora “incendiar” nosso estudo com algumas comparações


entre a morte de Yeshua e o sacrifício expiatório feito com animais.

01. Não sacrificar fora do local Yeshua foi sacrificado fora do


designado – ‘…cuida-te de não templo. : Quando chegaram ao
lugar chamado Gólgota, que quer
sacrificares teus holocaustos…’ dizer, lugar da
– Dt 12:13. Caveira, Mateus 27:33
02. Não sacrificar animal que Yeshua foi sacrificado depois de
tenha defeito passageiro – muita tortura, depois de ser surrado
‘Não sacrificareis para teu e maltratado. “Nisso, pois, Pilatos
Elohim touro ou cordeiro…’ – tomou a Jesus, e mandou açoitá-
Dt 17:1. lo. João 19:1”
03. Confessar perante Elohim Sobre Yeshua no ato do “sacrifício”
por toda transgressão que haja ninguém confessou algum pecado.
realizado ‘E confessarão sua
transgressão…’ – Nm 5:6.
04. Não sacrificar animal Yeshua foi morto pelas mãos dos
defeituoso que haja sido romanos, nenhum sacerdote
apresentado pelo gentio – ‘…da realizou o ritual.
mão do estrangeiro não
apresentareis para sacrifício.’ –
Lv 22:25.

05. Comer a carne dos A carne de Yeshua de forma literal


sacrifícios ‘chatat’ e ‘acham’ – não foi consumida.
‘Comê-las-ão, as que através
delas tenham obtido
expiação…’ – Lv 29:33
06. O sacrifício deveria ser Yeshua não foi morto sobre um altar
sobre um altar dedicado ao dedicado ao Eterno e seu sangue não
Eterno. “oferecerás os teus foi aspergido sobre o altar.
holocaustos, a carne e o sangue
sobre o altar do Yahwh teu D-
us; e o sangue dos teus
sacrifícios se derramará sobre
o altar do Senhor teu Deus,
porém a carne comerás.
“Deuteronômio 12:27

Por enquanto vamos ficar apenas com essas comparações.

Algumas pessoas poderiam dizer as seguintes objeções:

• Yeshua não é um animal, as regras não se aplicam a ele.


• Yeshua fez um sacrifício diferente.
• As regras da toráh não se aplica ao sacrifício Yeshua.
• Jefter ofereceu sua filha em sacrifício
• Isaias 53 deixa claro do sacrifício de Yeshua
• Livro de Hebreus fala que sem sangue não há remissão de
pecado.

A toráh não nos fala nada sobre sacrifícios humanos para expiação dos
pecados alheios.

Antes de responder a essas objeções, preciso reforçar novamente o que é


expiação

(Texto inacabado)

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