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PBL - PROBLEM BASED LEARNING HYBRID

UMA PARÁBOLA PARA A ECONOMIA MODERNA


Texto adaptado de: “MANKIW, N. G. Interdependência e ganhos de
comércio. In:_____. Introdução à economia. 6.ed. São Paulo: Cengage
Learning, 2014. p.47-60”.

Para entender por que as pessoas optam por depender dos outros para os bens e serviços de que precisam e como
essa escolha melhora a vida delas, vamos examinar uma economia simples. Imaginemos que existam dois bens no
mundo: carne e batatas. E que haja duas pessoas no mundo - uma pecuarista e um plantador de batatas - que gostariam
de comer tanto carne como batatas.
Os ganhos comerciais ficam mais claros se a pecuarista só puder produzir carne e se o agricultor só puder produzir
batatas. Neste cenário, ambos poderiam optar por não ter nada a ver um com o outro. Mas, passados vários meses
comendo só carne assada, cozida, grelhada e frita, o pecuarista poderia concluir que a autossuficiência não é tão boa
assim. O agricultor, que vinha comendo batatas fritas, assadas, cozidas e purê de batatas, provavelmente concordaria.
É fácil perceber que o comércio permitiria a eles desfrutar de uma maior variedade: cada um poderia, então, comer um
bife com batata assada ou um hambúrguer com fritas.
Embora essa cena ilustre com a máxima simplicidade como todos podem se beneficiar com o comércio, os ganhos
seriam similares se tanto a pecuarista quanto o agricultor pudessem produzir também o outro bem, mas a um custo
maior. Suponha, por exemplo, que o produtor de batatas seja capaz de criar gado e produzir carne, mas que ele não
seja muito bom nisso. De forma similar, suponha que a pecuarista seja capaz de cultivar batatas, mas que sua terra não
seja muito apropriada para isso. Nesse caso, é fácil perceber que cada um deles se beneficiaria caso se especializasse
naquilo que faz melhor e depois comerciasse com o outro.
Mas os ganhos advindos do comércio não são tão óbvios assim quando uma pessoa é melhor na produção de todos
os bens. Suponhamos, por exemplo, que a pecuarista seja melhor que o agricultor tanto no trato do gado quanto no
cultivo de batatas. Nesse caso, será que um dos dois optaria pela autossuficiência?
Ou, ainda, haveria motivo para comerciarem um com o outro? Para respondermos a essa pergunta, precisamos
analisar mais detalhadamente os fatores que afetam a decisão.

Possibilidades de produção:
Suponhamos que o agricultor e a pecuarista trabalhem 8 horas por dia cada um e possam dedicar esse tempo ao
cultivo de batatas, à criação de gado ou a uma combinação das duas coisas. A tabela na Figura 1 mostra a quantidade
de tempo que cada um deles precisa para produzir 1 kg de cada um dos bens. O agricultor pode produzir 1 kg de
batatas em 15 minutos e 1 kg de carne em 60 minutos. A pecuarista, que é mais produtiva nas duas atividades,
consegue produzir 1 kg de batatas em 10 minutos e 1 kg de carne em 20 minutos. As duas últimas colunas da tabela na
Figura 1 mostram a quantidade de carne ou de batatas que o agricultor e a pecuarista conseguirão produzir se
trabalharem 8 horas por dia produzindo um só tipo de alimento.
O painel (b) da Figura 1 ilustra as quantidades de carne e de batatas que o agricultor consegue produzir. Se ele
dedica todas as 8 horas de seu dia de trabalho ao cultivo de batatas, produz 32 kg de batatas (medidos no eixo
horizontal) e não produz carne. Se dedica todo o seu tempo à produção de carne, produz 8 kg de carne (medidos no
eixo vertical) e não produz batatas. Se divide seu tempo igualmente entre as duas atividades, dedicando 4 horas a cada
uma, produz 16 kg de batatas e 4 kg de carne. A figura mostra os três resultados possíveis c outras possibilidades
intermediárias.
Esse gráfico é a fronteira de possibilidades de produção do agricultor. As fronteiras de possibilidades de produção
representam as diversas combinações de produtos que uma economia pode produzir. Aqui o agricultor enfrenta um
tradeoff entre produzir carne ou batatas.
O painel (c) da Figura 1 mostra a fronteira de possibilidades de produção da pecuarista. Se ela dedica todas as 8
horas de seu dia à produção de batatas, produz 48 kg de batatas e não produz carne. Se dedica todo o seu tempo à
produção de carne, produz 24 kg de carne, mas não produz batatas. Se divide seu tempo, dedicando 4 horas a cada
atividade, ela produz 24 kg de batatas c 12 kg de carne. Novamente, a fronteira de possibilidades de produção mostra
todos os resultados possíveis.
Se o agricultor e a pecuarista optam pela autossuficiência e não por comerciar um com o outro, cada um consome
exatamente o que produz. Nesse caso, a fronteira de possibilidades de produção também representa a fronteira de
possibilidades de consumo. Ou seja, sem o comércio, a Figura 1 mostra as possíveis combinações de carne e batatas
que o agricultor e a pecuarista podem produzir e consumir.
Essas fronteiras de possibilidades de produção são úteis para demonstrar os tradeoffs que o agricultor e a
pecuarista precisam enfrentar, porém elas não nos dizem o que eles efetivamente farão. Para determinarmos suas
escolhas, precisamos conhecer os gostos da pecuarista e do agricultor. Vamos supor que eles escolham as
combinações identificadas pelos pontos A e B da Figura 1: o agricultor produz e consome 16 kg de batatas e 4 kg de
carne, e a pecuarista produz e consome 24 kg de batatas e 12 kg de carne.
Especialização e comércio
Depois de vários anos comendo a combinação B, a pecuarista tem uma ideia e conversa com o agricultor:
PECUARISTA: Agricultor, meu amigo, tenho uma ótima proposta para fazer! Sei como podemos melhorar nossa vida.
Penso que você deveria parar de criar gado e dedicar todo o seu tempo ao cultivo de batatas. Pelos meus cálculos,
se você trabalhar 8 horas por dia cultivando batatas produzirá 32 kg delas. Se me der 15 kg desses 32 kg de
batatas, darei, em troca, 5 kg de carne. No fim das contas, você terá para comer 17 kg de batatas e 5 kg de carne
por dia, em vez dos 16 kg de batatas e 4 kg de carne que tem hoje em dia. Se resolver participar do meu plano, terá
mais de ambos os alimentos.
AGRICULTOR: (em tom cético) Parece uma boa ideia. Mas não entendo por que você está me oferecendo isso. Se o
negócio é tão bom para mim, ele não pode ser bom para você também.
PECUARISTA: Ah, mas é! Suponhamos que eu passe 6 horas por dia cuidando do gado e 2 horas por dia cultivando
batatas. Então posso produzir 18 kg de carne e 12 kg de batatas. Depois de lhe dar 5 kg da minha carne em troca
de 15 kg de suas batatas, ficarei com 13 kg de carne e 27 kg de batatas, em vez dos 12 kg de carne e 24 kg de
batatas que agora produzo. Assim, também poderei consumir maior quantidade dos dois bens que atualmente
produzo. (Ela aponta para o painel (b) da Figura 2.)
AGRICULTOR: Não sei... Isso parece muito bom para ser verdade.
PECUARISTA: Não é tão complicado quanto pode parecer à primeira vista. Veja, resumi minha proposta em uma tabela
bem simples. (A pecuarista mostra ao agricultor uma cópia da tabela da Figura 2.)
AGRICULTOR: (depois de uma pausa para estudar a tabela) Os cálculos parecem estar certos, mas estou confuso. Como
esse negócio pode ser bom para nós dois?
PECUARISTA: Nós dois nos beneficiamos porque o comercio permitirá que a gente se especialize no que fazemos
melhor. Você vai passar mais tempo cultivando batatas e menos cuidando do gado. Vou passar mais tempo
cuidando do gado e menos cultivando batatas. O resultado dessa especialização e do comércio é que cada um de
nós poderá consumir mais carne c mais batatas sem precisar trabalhar um maior número de horas.
Leve em consideração dois países: os EUA e o Japão. Dois bens: computadores e trigo. Um recurso: mão de obra,
medido em horas. Vamos ver quantos, de ambos os bens, cada país produz e consome se o país escolher ser
autossuficiente ou se comercializar com o outro país. Possibilidades de produção nos EUA: eles possuem 50.000 horas
de mão de obra por mês disponível para produção, sabe-se que a produção de um computador requer 100 horas de
mão de obra e a produção de uma tonelada de trigo requer 10 horas de mão de obra.
Para construção da Fronteira de Possibilidades de Produção (FPP) dos EUA leve em consideração que os EUA
empreguem metade de sua mão de obra para produzir e consumir cada um dos dois bens sendo autossuficiente e
marque como ponto “A”. Seu gráfico deve medir computadores no eixo horizontal.
Agora, suponha que os EUA se especializem e produzam 3.400 toneladas de trigo, quantos computadores os EUA
seriam capazes de produzir com a mão de obra remanescente? Desenhe o ponto representando essa combinação de
computadores e trigo na FPP norte-americano e marque como ponto “B”.
O Japão possui 30.000 horas de mão de obra por mês disponível para produção, sabe-se que a produção de um
computador requer 125 horas de mão de obra e a produção de uma tonelada de trigo requer 25 horas de mão de obra.
Desenhe um novo gráfico da fronteira de possibilidades de produção em que os computadores fiquem no eixo X.
Agora, suponha que o Japão use metade de sua mão de obra para produzir cada um dos bens sendo
autossuficiente, ponto “A”. Na sequência, suponha que o Japão se especialize e produza 240 computadores, quantas
toneladas de trigo o Japão seria capaz de produzir com a mão de obra remanescente (ponto B)? Desenhe estes pontos
no FPP do Japão.
Com as duas fronteiras construídas, analise o comercio internacional a partir da especialização e depois compare
com a autossuficiência: Suponha que os EUA exporte 700 toneladas de trigo para o Japão e importe 110 computadores
de lá. (Então, o Japão importa 700 toneladas de trigo e exporta 110 computadores.)
Quanto de cada bem é consumido nos EUA (ponto “C”)? Desenhe essa combinação na FPP dos EUA. Quanto de
cada bem é consumido no Japão (ponto “C”)? Desenhe essa combinação na FPP do Japão.
Com essas informações definam como o comércio pode tornar, ou não, ambos os países melhores. Demostre as
vantagens que cada país obteve com o comércio, quanto cada um ganhou ou perdeu?