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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL

FACULDADE DE DIREITO DE ALAGOAS – FDA

CURSO DE DIREITO
PERÍODO: 6º
DISCIPLINA : DIREITO TRIBUTÁRIO II
Prof. Dr. Manoel Cavalcante de Lima Neto

MÓDULO II – 2ª PARTE - TRIBUTO – CONCEITO E CLASSFICAÇÕES.

1. Tributo
1.1. A Constituição Federal não define o que é tributo. Remete para a Lei Complementar
(art. 146, III)
1.2. Definição legal – art. 3º do CTN (Tributo é toda prestação pecuniária compulsória,
em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato
ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada).
a) Prestação pecuniária - Prestação tendente a assegurar ao Estado os meios
financeiros de que necessita para consecução de seus objetivos.
a.1. Remete para uma relação obrigacional que afasta a mera relação de
poder, já que prestação constitui o objeto da obrigação tributária.
a.2. Nos sistemas tributários modernos não há mais tributo in natura, pago
em serviços ou bens diversos do dinheiro.
a.3. Obrigação de dar (obrigação principal) e não de fazer.
b) Compulsória - A prestação tributária é obrigatória.
b.1. Nenhum tributo é pago voluntariamente, mas por determinação legal
(obrigação "ex lege"). Independe da vontade.
b.2. As obrigações contratuais também são obrigatórias, mas nascem da
vontade das partes (voluntárias).
c) Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir - Prestações em dinheiro. Não se
admite os tributos in natura e in labore.
c.1. A liquidação da obrigação pode ser feita pela entrega de bens (dação
em pagamento). Os bens são avaliados pelo seu valor em moeda.
c.2. Prestação de serviço obrigatória como o "serviço militar" não é
tributária, já que não se relaciona com prestação pecuniária.
d) Que não constitua sanção de ato ilícito – Distingue o tributo da multa que
representa uma sanção pela prática de ilícito.
d.1. Tributação do ilícito (art. 118, CTN). A) A lei não pode incluir na
hipótese de incidência tributária o elemento ilicitude (Hugo de Brito, p. 79).
Na exploração de jogo de azar ocorre incidência levando em conta a
aquisição de disponibilidade econômica. B) Renda de ilícito criminosos não
deve incidir tributo, mas o sequestro dos bens para a União (Mizabel Derzi,
p. 715, Renato Becho).
d.2. IPTU progressivo no tempo - Art. 182, § 4º, da CF.
O constituinte é expresso ao se referir ao imposto como uma pena (Luis
Eduardo Schoueri, p. 142).
O dispositivo constitucional pode ser interpretado como autorização apenas
para a instituição de um tributo extrafiscal proibitivo (Hugo, p. 80).
e) Instituída em lei - Só a lei pode instituir tributo. Princípio da legalidade. Fato
gerador, base de cálculo, sujeitos da obrigação, etc.
f) Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada - Atividade
discricionária - conveniência e oportunidade. Atividade vinculada – a lei
estabelece os requisitos e condições para sua realização. Lançamento tributário.

1.3. Outras definições


1.3.1. Lei nº 4.320/1964 (art. 9º). Tributo é a receita derivada instituída pelas
entidades de direitos público, compreendendo os impostos, as taxas e
contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria
financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de atividades geraisa ou
específicas exercidas por essas entidades.
1.3.2. Modelo de Código Tributário para a América Latina – Art. 13. Tributos são
prestações em dinheiro, que o Estado, no exercício do seu poder de império,
exige com o objetivo de obter recursos para o cumprimento de seus fins.
1.3.3. Ricardo Lobo Torres – Tributo é o dever fundamental, consistente em
prestação pecuniária, que, limitado pelas liberdades fundamentais, sob a
diretiva dos princípios constitucionais da capacidade contributiva, do custo-
benefício ou da solidariedade do grupo e com a finalidade principal ou
acessória de obtenção de receita para as necessidades públicas ou para
atividades protegidas pelo Estado, é exigido de quem tenha realizado o fato
descrito em lei elaborada de acordo com a competência específica outorgada
pela Constituição (RLT, 321).
2. Espécies de tributos
2.2. Quanto às espécies – classificação baseada na Constituição Federal
2.2.1. Impostos - tem por fato gerador uma situação independente de
atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.
a) Especificados (arts. 145, I, 153, 155, e 156).
b) Residuais (art. 154, I).
c) Extraordinários de guerra (art. 154, II).
2.2.2. Taxas
a) Em razão do exercício do poder de polícia (art. 145, II).
b) Pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e
divisíveis (art. 145, II).
2.2.3. Contribuição de melhoria (art. 145, III) – decorrentes de obras públicas.
2.2.4. Empréstimos compulsórios (art. 148)
2.2.5. Contribuições (art. 149)
2.2.5.1. Contribuições Sociais
a) Contribuições para a Seguridade Social
b.1. Com materialidade expressa na CF (arts. 195, I, II,
III).
b.2. Residuais (art. 195, § 4º)
b.3. Custeio do regime previdenciário dos servidores
públicos (art. 149, § 1º).
b.4. Contribuição Previdenciária dos Servidores Inativos e
Pensionistas (EC nº 41, art. 4º - art. 40, § 18º).
b) Contribuições Sociais Gerais (art. 149, – 212, § 5º, 239,
240).
2.2.5.2. Contribuições de intervenção no domínio econômico (art. 149).
2.2.5.3. Contribuição de interesse das categorias profissionais ou
econômicas (art. 149). Lei nº 13.467/2017 – Reforma
Trabalhista - CLT - Art. 578 - contribuição sindical, pagas,
recolhidas e aplicadas na forma estabelecida neste Capítulo,
desde que prévia e expressamente autorizadas.
2.2.5.4. Contribuição para custeio do serviço de iluminação pública
(art. 149 – A).

2.3. Quanto à competência impositiva


a) Federais;
b) Estaduais;
c) Municipais.
2.4. Quanto à vinculação do fato gerador com a atividade estatal
a) Vinculados (taxa, contribuição de melhoria);
b) Não-vinculados (impostos).
2.5. Quanto à função
a) Fiscais;
b) Extrafiscais.
2.6. Outras classificações
a) Diretos e indiretos;
b) Pessoais e reais;
c) Monofásicos ou plurifásicos;
d) Cumulativos ou não cumulativos.
2.7. Natureza jurídica do tributo (art. 4º, CTN).
2.7.1. Determina-se pelo fato gerador. São irrelevantes a denominação e a
destinação legal do produto de sua arrecadação.
2.7.2. Relevância jurídica da destinação de recursos.
2.7.3. Fato gerador de taxa (Lei nº 4.418/82)
Art. 368 - Constitui fato gerador das Taxas e Emolumentos por Atos da
Junta Comercial do Estado de Alagoas, a execução dos serviços de
registro do comércio e atividade afins, com fundamento na Lei Federal nº
4.726, de 13 de julho de 1965, compreendendo:I - Taxa de Arquivamento;
I - Taxa de Registro;III - Taxa de Matrícula;IV - Taxa de Fiscalização; V -
Taxa de Cadastro; VI - Taxa de Expediente; VII - Taxa de Autenticação;
2.7.4. Fato gerador de imposto (Lei nº 5.172/66 – CTN)
Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos
de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da
disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o
produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de
proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos
patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.