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Economia

Economia

1ª edição
2017
Palavras do professor
Olá, aluno (a)!
Seja bem-vindo (a) à disciplina de Economia! Nela, faremos uma aborda-
gem dos fatores macro e microeconômicos, entendendo a sua interação
com o mercado. Você terá a oportunidade de estudar os fundamentos da
demanda e da oferta no contexto dos agregados macroeconômicos sobre
o desenvolvimento das nações e a maximização do bem-estar social.
Nesta disciplina, você conhecerá a macroeconomia, ou seja, as contas
nacionais, como o PIB e as políticas econômicas que os governos podem
adotar. Com isso, você verá como elas podem influenciar nas empresas e
nas nossas vidas. Também compreenderemos o que é a microeconomia,
que aborda as interações entre consumidores e produtores, analisando
como os consumidores têm suas decisões afetadas por vários fatores,
inclusive pelo comportamento dos produtores.
A Economia é uma ciência social muito importante para o administra-
dor, pois estabelece as bases de análise do cenário externo à empresa.
Sendo assim, o estudo dessa área nos auxilia a entender a nossa realidade,
principalmente por nos permitir o conhecimento da macroeconomia, da
microeconomia, do desenvolvimento econômico e da sustentabilidade
nas organizações que venhamos a gerenciar, analisando as políticas eco-
nômicas adotadas pelos governos municipal, estadual ou federal. A partir
dos estudos de Economia, você poderá utilizar esses conhecimentos em
sua vida pessoal, conhecendo melhor a realidade em que vive. Portanto,
a ciência que aqui vamos estudar propicia não somente a boa gestão das
organizações, como também uma melhor administração da vida pessoal;
ela nos permite analisar melhor nosso processo de escolha, de forma que
possamos definir nossas preferências de maneira mais eficiente. Ao estu-
darmos Economia, temos a oportunidade de conhecer como definimos
aquilo que vamos consumir, bem como avaliar nossas decisões sobre a
administração de nossos recursos financeiros, de nosso tempo e de nos-
sos bens materiais.
Esperamos que você aproveite bastante esta disciplina e aprenda muito
com ela!
Bons estudos!

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Unidade 1
Introdução à Economia

Para iniciar seus estudos


1
Nesta unidade, trataremos de alguns conceitos básicos da Economia,
para que você possa começar a se familiarizar com o assunto. Assim, serão
apresentados temas como: o conceito de Economia, os problemas econô-
micos fundamentais que a Economia se preocupa em solucionar, os sis-
temas econômicos. Conheceremos também a curva de possibilidade de
produção, que mostra a capacidade máxima de produção de uma socie-
dade, evidenciando a alocação de recursos escassos. Além disso, veremos
como se dá o fluxo real e monetário da Economia, bem como a definição
dos vários tipos de bens.

Objetivos de Aprendizagem

• Entender o conceito de Economia;


• Conhecer o que são problemas econômicos fundamentais;
• Compreender os sistemas econômicos;
• Analisar a curva de possibilidade de produção;
• Entender a diferença entre fluxo real e fluxo monetário;
• Conhecer os tipos de Mercado na área da Economia.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

1.1 Conceito de Economia


Economia é uma ciência social que estuda como os recursos escassos são produzidos e distribuídos entre os
grupos da sociedade para a satisfação das necessidades humanas.
Vasconcellos e Garcia (2014, p. 2) afirmam que a “Economia deriva do grego oikonomía (de óikos, casa; e nómos,
lei), que significa a administração de uma casa, ou do Estado.”
Os estudos de Economia se baseiam em conceitos como: escassez, necessidades, recursos, produção, escolhas
e distribuição.
É importante entendermos que os recursos de produção sempre são limitados, sejam eles matérias-primas, terra
ou mão de obra. Em contrapartida, as necessidades humanas são ilimitadas e, sempre que supridas, iniciam-se
novamente, seja pelo desejo de aumento do padrão de vida ou pelo crescimento da população.
Veja que o problema central da Economia é exatamente este: como atender ao maior número possível de neces-
sidades humanas com recursos escassos? Por isso, a Economia é conhecida como a ciência da escassez, sendo
uma área que estuda a produção, a circulação e o consumo dos bens e serviços que são utilizados para satisfazer
às necessidades humanas.

1.2 A subdivisão do estudo da Economia


O estudo da Teoria Econômica subdivide-se em Microeconomia e Macroeconomia, áreas que vamos conhecer
agora. Acompanhe!

1.2.1 Microeconomia

A Microeconomia estuda o comportamento econômico dos agentes individuais, os produtores e os consumidores.


A partir dessa visão, este campo de estudo explica o sistema de preços e as forças do mercado. Além disso, analisa
a demanda e a oferta de bens e serviços, bem como a determinação de seus preços.

1.2.2 Macroeconomia

A Macroeconomia estuda a Economia do ponto de vista agregado: a produção total, o desemprego global, taxas
de inflação e desenvolvimento econômico.
Neste segmento , estudam-se também as estratégias de crescimento e a satisfação do padrão de vida ao longo
do tempo. Afora isso, a Macroeconomia ilustra a Economia Internacional, que trata da interação entre as várias
economias de países individuais, no que tange à troca de bens, serviços e recursos financeiros.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

1.3 Problemas econômicos básicos


Um dos principais problemas econômicos é a dúvida sobre o que, quando e quanto deve ser produzido pelas
empresas. Devido à escassez existente, a sociedade deverá sempre definir a quantidade e quais são os produtos
que devem ser produzidos.
Então, perguntamo-nos o seguinte: como deve ser a produção destes itens?
Devido à concorrência, os produtores devem escolher qual o método que será utilizado para se fazer a produção.
Geralmente, essas empresas optam por meios que apresentem uma tecnologia mais avançada e que impliquem na
redução de custos. Porém, é a sociedade quem escolhe quais são os bens e serviços que precisam ser fabricados.
Mas ainda há outra questão: para quem devemos produzir? Precisamos produzir aos membros da sociedade que
participam da distribuição da renda, sejam os proprietários que adquirem os lucros, os empregados da empresa
que recebem o salário ou os bancos, que arrecadam juros pelos empréstimos.
Para solucionar a todas essas questões, os países contam com o que chamamos de sistema econômico, fator que
detalharemos na sequência de nossas discussões.

1.4 Sistemas econômicos


De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014, p. 4), um sistema econômico é a “[...] forma política, social e econô-
mica pela qual está organizada uma sociedade.”
Este sistema determina o método de organização da produção, distribuição e consumo de bens e serviços dentro
daquilo que é adotado por uma sociedade, visando ao maior bem-estar possível das pessoas que a integram.
É muito importante lembrar que existem vários elementos que compõem este meio, os quais serão alocados e admi-
nistrados de formas diferentes em sistemas econômicos distintos, sendo eles, segundo Vasconcellos e Garcia (2014):
a. a quantidade disponível de fatores de produção, como:
»» recursos humanos: são as capacidades físicas e intelectuais das pessoas. Essas habilidades intervêm
no processo produtivo, representadas basicamente pela força de trabalho e capacidade de gerencia-
mento empresarial;
»» capital: terra, reservas naturais e tecnologia são exemplos de capital.
b. o conjunto das unidades de produção, que são as empresas;
c. as instituições que se constituem nos pilares organizacionais da sociedade, por exemplo: instituições
políticas, jurídicas, econômicas e sociais.
Segundo Vasconcellos e Garcia (2014), os sistemas econômicos são classificados da seguinte forma:
• Sistema capitalista: também conhecido como economia de mercado, este sistema possui uma econo-
mia regida pelas forças de mercado, ou seja, a intervenção governamental não é predominante. Nele,
os fatores de produção são de propriedade privada e a livre iniciativa prevalece. Além disso, os preços e
salários são determinados pelas forças da oferta e da demanda, sem intervenção governamental.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

• Sistema socialista ou economia centralizada: neste sistema, há um órgão central de planejamento,


predominando a propriedade governamental dos fatores de produção, abrangendo os meios de fabri-
cação, terras, prédios, bancos e matérias-primas. Afora isso, os preços e os salários não são decididos
pelo mercado, e sim pelo Governo, que também detém a grande maioria dos fatores de produção (terra,
capital e máquinas).
• Sistema de economia mista: neste sistema, as forças de mercado prevalecem, mas o Governo cuida da
produção dos bens públicos, como educação, saúde, saneamento, justiça, defesa nacional etc.
Na verdade, nos sistemas ditos capitalistas, prevalece a Economia Mista, uma vez que o Estado atua na alocação
e na distribuição de recursos em algumas áreas, como infraestrutura, energia, saneamento, telecomunicações e
transporte.
Quanto ao Socialismo, nos dias atuais, apenas Cuba e a Coréia do Norte parecem se encaixar nas característi-
cas de economias centralizadas. Outras economias, que anteriormente se caracterizavam como centralizadas,
passaram por um processo de abertura à iniciativa privada. Este é o caso da China e da Rússia. Esses dois países,
apesar de ainda manterem características políticas do sistema socialista, passaram a ter suas economias regidas,
cada vez mais, pelas forças de mercado. Pode-se dizer que existe regime político comunista, mas com uma eco-
nomia de mercado (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

Existem diversos textos e vídeos sobre os sistemas econômicos, porém sugerimos o seguinte
link para que você conheça, resumidamente, alguns aspectos importantes sobre este assunto:
<http://mundosefazcomhistoria.blogspot.com.br/2012/01/capitalismo-e-o-socialismo.
html>. Boa leitura!

1.5 Curva de Possibilidade de Produção (CPP)


A CPP é a expressão da capacidade máxima de produção de uma sociedade, em que se utilizam todos os recursos
de fabricação que estão disponíveis em um determinado momento.
Devido à escassez de recursos disponíveis em certas sociedades, há um limite para a capacidade produtiva da
Economia, que é quando ocorre o pleno emprego dos recursos produtivos: todos os trabalhadores estão empre-
gados, assim como os demais fatores de produção. Neste caso, não há capacidade ociosa, ou seja, não há recur-
sos sobrando e que poderiam ser utilizados para se produzir mais.
Dada essa limitação, a sociedade terá que fazer escolhas, ou seja, deve optar por uma ou outra alternativa de
produção.
Vasconcellos e Garcia (2014, p. 6-7) apresentam como exemplo uma Economia que só produz máquinas e ali-
mentos. Ela deve definir como alocar seus fatores de produção entre estes dois únicos produtos.
Conforme apresentado na Figura 1.1, a curva que contém os pontos A, B, C, D e E indica todas as possibilidades
potenciais de fabricação de máquinas ou de alimentos nessa Economia, contando com o pleno emprego de seus

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

recursos. Qualquer ponto dessa curva indica que a Economia está trabalhando em sua capacidade máxima. Se
estiver produzindo no ponto A, ela está fabricando 25 mil máquinas e zero de alimentos. No ponto C, ela está
produzindo 15 mil máquinas e 47,5 toneladas de alimentos, e assim por diante. As combinações são explicitadas
na Tabela 1.1, conforme você verá mais adiante.
No ponto F, ou em qualquer ponto dentro da curva de possibilidade de produção, a Economia está trabalhando
com capacidade ociosa, ou seja, há desemprego, e não estão sendo utilizados todos os seus fatores de produção.
No ponto F, ela estaria produzindo 30 toneladas de alimentos e 10 mil máquinas. Há uma subutilização dos fato-
res de produção, ou seja, a Economia não está aproveitando seu máximo potencial.
O ponto G, por outro lado, assim como qualquer outro acima e à direita da curva, é impossível de ser atingido com
os recursos que a Economia possui no momento atual. Esse ponto representa uma combinação de 50 toneladas
de alimentos e 25 mil máquinas, o que é uma alternativa que não se conseguiria atingir, pois isso requer fatores
de produção e tecnologia acima daquelas que estão disponíveis. Esse sinal poderia ser atingido apenas em longo
prazo, caso ocorresse o aumento da força de trabalho e de outros fatores de produção ou, ainda, evoluções tec-
nológicas.

Figura 1.1 – Curva de Possibilidade de Produção

Legenda: No eixo Y do gráfico, temos a produção de alimentos em toneladas; no eixo X, existem máqui-
nas, em milhares. Os pontos A, B, C e D representam a produção a pleno emprego. Por sua vez, o ponto
F representa a capacidade ociosa, sendo que o ponto G não pode ser atingido no curto prazo.
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p. 7).

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

Os pontos dispostos na Figura 1.1 são detalhados na Tabela 1.1. Acompanhe!

Tabela 1.1. Possibilidades de produção

Alternativas de Produção Máquinas (milhares) Alimentos (toneladas)

A 25 0,0

B 20 30,0

C 15 47,5

D 10 60,0

E 0 70,0

Legenda: A, B, C, D e E representam diferentes combinações de produção de máquinas e alimentos.


Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p. 6).

Será que com o que você estudou até agora é possível iniciar a resolução do Fórum Desafio?
Não deixe de compartilhar as suas considerações com os outros colegas no Ambiente Virtual
de Aprendizagem (AVA)!

1.5.1. Custo de oportunidade

Da Curva de Possibilidade de Produção advém um conceito bastante importante em Economia, que é o de custo
de oportunidade.
Este tipo de custo pode ser definido de forma simples, como ocorre quando você faz uma escolha e renuncia a
algo, por exemplo: o que você tem que sacrificar para obter outra coisa diferente?
No exemplo da CPP, vimos que para ir do ponto A para o ponto B, foi necessário “sacrificar” 5 mil máquinas para
produzir 30 toneladas a mais de alimentos. Para ir do ponto B para o C, deixou-se de produzir mais 5 mil máquinas
em troca de 17,5 toneladas a mais de alimentos.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), espera-se que os custos de oportunidade sejam crescentes, uma
vez que, para aumentar a quantidade produzida de um determinado bem, devem ser transferidos fatores de
produção de um bem para outro, os quais se tornam cada vez menos aptos para desempenhar a nova atividade.
Com isso, a transferência vai ficando cada vez mais onerosa.
O conceito de custo de oportunidade é primordial para todas as decisões econômicas e, por que não dizer, para
todas as decisões que tomamos na vida? Para priorizar uma escolha, é importante lembrarmos que sempre pre-
cisamos sacrificar outra.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

No caso de nossas finanças pessoais, como a nossa renda é limitada, precisamos tomar deci-
sões a todo momento sobre o que e quanto iremos consumir, o que iremos poupar, onde
iremos investir (escolher um investimento implica abrir mão de outro), e assim por diante.
Como você lida com o custo de oportunidade no seu dia a dia?

1.5.2. O deslocamento da CPP e o crescimento econômico

A Curva de Possibilidade de Produção se deslocará para a direita, no caso de crescimento econômico, o que pode
ocorrer devido a vários fatores:
• aumento de quantidade física dos fatores de produção;
• melhor aproveitamento dos fatores existentes: progresso tecnológico, maior eficiência produtiva e orga-
nizacional das empresas, melhoria no grau de qualificação da mão-de-obra.
Neste contexto, é valido salientar também que a Curva de Possibilidade de Produção desloca-se para cima e para
a direita, permitindo que a Economia tenha quantidades maiores de ambos os bens (pode elevar a produção de
um deles sem diminuir a produção do outro bem).

Figura 1.2 – Crescimento econômico.

Legenda: Eixo Y= alimentos, em toneladas; Eixo X= máquinas, em milhares. Como você foi
capaz de observar, o gráfico representa duas curvas de possibilidade de produção.
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p. 8).

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1.6 Fluxos reais e monetários da Economia de Mercado


O fluxo real de uma Economia, conforme ilustrado na Figura 1.3, pode ser explicado da seguinte forma: sem qualquer
tipo de interferência, as empresas, que são os agentes produtores, recebem o fornecimento dos fatores de produção
das famílias. As famílias, por sua vez, recebem os produtos das empresas, também chamados de bens e serviços.
Este fluxo que ocorre entre as empresas e famílias é o que chamamos de fluxo econômico real.

Figura 1.3 – Fluxo real da Economia.

Legenda: No fluxo circular da renda, as famílias vendem para as empresas sua força de tra-
balho, terra e capital (mercado de fatores de produção). As empresas demandam esses fato-
res e pagam por eles. Com a remuneração, as famílias compram produtos das empresas.
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p. 9).

Já o fluxo monetário é composto principalmente pela moeda que serve para remunerar os fatores de produção
das empresas e das famílias. Neste sistema, os recursos são recebidos pelos trabalhadores na forma de salários e
voltam paras as empresas quando as famílias consomem os bens e serviços por elas oferecidos.

Figura 1.4 – Fluxo monetário da Economia.

Legenda: O fluxo monetário representa a movimentação de recursos financeiros entre famílias e empresas.
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p.10).

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

Quando unimos os fluxos real e monetário da Economia, chegamos ao fluxo circular da renda, conforme você
poderá observar na Figura 1.5.
Tanto no mercado monetário como no mercado real, atuam conjuntamente as forças da oferta e da demanda.
Dessa forma, no mercado de bens e serviços, são formados os preços destes elementos destinados ao consumo.
Por outro lado, no mercado de fatores de produção, formam-se os preços dos salários, aluguéis, lucros, juros,
dentre outros.

Figura 1.5 – Fluxo circular da renda.

Legenda: A Figura 1.5 ilustra a junção do lado real (fluxo de bens, serviços e fatores de produção) com
o fluxo monetário (fluxo de remuneração de fatores e do pagamento por bens e serviços).
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p. 10).

Conforme pudemos observar, o fluxo apresentado na Figura 1.5 é o considerado básico, pois no fluxo circular da
renda em uma Economia real, há ainda que se considerar os setores público e externo e o sistema financeiro.

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1.7 Fatores de produção


Como já foi mencionado, os fatores de produção são os meios necessários à fabricação, quais sejam: os recursos
humanos (trabalho, inteligência empresarial), a terra, a tecnologia e o capital.
Para cada fator de produção, existe uma recompensa. O trabalho, por exemplo, é remunerado pelo salário; a terra
é remunerada pelo aluguel; a tecnologia, pelos seus royalties; e o capital, pelo juro.

Glossário

Royalty é o termo utilizado para designar a importância paga ao detentor ou proprietário de


um território, recurso natural, produto, marca, tecnologia, patente de produto, processo de
produção ou obra original, pelos direitos de exploração, uso, distribuição ou comercialização.

Quadro 1 – Fatores de produção e remuneração.

Fator de produção Tipo de remuneração

Trabalho Salário

Capital Juro

Terra Aluguel

Tecnologia Royalty

Capacidade empresarial Lucro

Legenda: O quadro mostra a remuneração dos fatores de produção, que pode ser sintetizada da seguinte
forma:Trabalho = salário; capital = juro; terra= aluguel; tecnologia = royalty; capacidade empresarial = lucro.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

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1.8 Definição dos tipos de bens

1.8.1 Bens de capital

Os bens de capital são aqueles utilizados para a fabricação de outros, mas que não se desgastam totalmente no
processo de produção, ou seja, eles podem ser reutilizados muitas vezes no processo produtivo, sendo conheci-
dos como um ativo fixo das empresas. São exemplos de bens de capital: as instalações, máquinas e equipamentos
industriais. Portanto, é necessário lembrar que a sua função principal é contribuir com a produtividade.

1.8.2 Bens de consumo

Os bens de consumo são aqueles que têm como função suprir às necessidades humanas diretamente. Eles podem
ser subdivididos em bens de consumo duráveis e não duráveis. No primeiro grupo, encaixam-se produtos como
geladeira, fogão ou automóveis; no segundo, estão os alimentos, energia elétrica, produtos de higiene pessoal etc.

1.8.3 Bens intermediários

Os bens intermediários são aqueles consumidos completamente no processo produtivo, sendo agregados à pro-
dução de outros bens; são as matérias-primas e insumos.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

1.9 Introdução ao estudo dos mercados


O mercado é o local onde se encontram os vendedores e compradores de determinados bens e serviços. Ele pode
ser subdividido, de acordo com alguns critérios, em: concorrência perfeita, monopólio, oligopólio, monopsô-
nio, oligopsônio e concorrência monopolística. Acompanhe agora a definição destes mercados. Vamos lá!

1.9.1 Concorrência perfeita

Este tipo de mercado tem várias características específicas. Na prática, pode-se dizer que a concorrência perfeita, con-
forme a sua definição na Teoria Econômica, é praticamente inexistente. Porém, suas premissas são bastante úteis para que
alguns conceitos econômicos possam ser entendidos. Pode-se dizer que o mercado de concorrência perfeita é o “labo-
ratório” para se estudar Economia, no qual todas as condições ideais são respeitadas. Essas premissas são as seguintes:
a. existe um grande número de pequenos vendedores e compradores que, sozinhos, representam uma fra-
ção extremamente pequena do total do mercado;
b. o produto negociado nesse mercado é homogêneo, o que significa que todas as empresas fabricam pro-
dutos iguais que não se distinguem por qualidade, marca ou características especiais de embalagem;
c. há livre entrada e saída de empresas no mercado. Além disso, não há restrições para a entrada de concor-
rentes, bem como práticas desleais de preços ou associações para impedir a entrada de novas empresas;
d. há uma transparência perfeita no mercado, ou seja, há o conhecimento, pela parte de compradores e ven-
dedores, de tudo o que ocorre no mercado. Por exemplo, se uma empresa conseguir um avanço tecnológico,
as demais empresas terão conhecimento imediato do fato;
e. há perfeita mobilidade dos recursos produtivos, ou seja, a mão-de-obra e os outros insumos utilizados
podem ser deslocados facilmente da fabricação de um produto para outro;
f. nenhum vendedor ou comprador tem influência sobre o preço de mercado;
g. nenhum vendedor conseguirá vender seu produto por preço superior ao de mercado, pois o comprador
simplesmente comprará de uma empresa concorrente.

1.9.2 Monopólio

O monopólio é o mercado que se caracteriza pela existência de um único vendedor. Existem dois casos tipos de
monopólio: o legal e o técnico.
O monopólio legal ocorre quando a lei assegura ao vendedor a prioridade do mercado. Um exemplo é o da Petro-
brás, que até 1995 era a única empresa que podia explorar a extração de petróleo no Brasil.
Por sua vez, o monopólio técnico acontece quando o meio mais barato de produção é quando se dá por uma
única empresa. Um exemplo é a energia elétrica.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

1.9.3 Oligopólio

O oligopólio ocorre quando existe no mercado um número muito pequeno de produtores ou vendedores de um
determinado bem. Ele pode, ainda, ser definido como um mercado em que, apesar de haver muitos produtores/
vendedores, apenas um pequeno número deles domina o mercado. São exemplos de oligopólio as indústrias
automobilística e de bebidas.

Fique atento! Muitas pessoas confundem um conceito com outro, mas oligopólio é diferente
do conceito de cartel. Veja que cartel é definido como
“[...] acordos explícitos ou tácitos entre concorrentes dentro de um mesmo
mercado, determinando politicas em torno de itens como preços, cotas de pro-
dução e distribuição e divisão territorial, para todas as empresas desse setor”
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2014, p. 300).

1.9.4 Monopsônio

O monopsônio é um mercado em que há um único comprador. Um exemplo é quando, em uma determinada


região, há vários produtores de leite e apenas uma grande usina onde o leite é pasteurizado.

1.9.5 Oligopsônio

O oligopsônio ocorre em casos em que há poucos compradores e um grande número de vendedores. Um exem-
plo é o mercado automobilístico, em que as grandes montadoras compram os produtos das autopeças de mui-
tos vendedores. Outro exemplo deste tipo de mercado é quando grandes beneficiadoras de produtos agrícolas
compram de muitos agricultores.

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Economia | Unidade 1 - Introdução à Economia

1.9.6 Concorrência monopolística

A concorrência monopolística é o tipo mais comum de mercado, aquele que mais se assemelha ao mundo real.
Nele, existe um grande número de compradores e muitos vendedores e, além disso, os produtos são diferencia-
dos, ou seja, eles podem ser semelhantes, mas são diferenciados por algumas características particulares, como
a marca, as características de design, dentre outras.
O acesso ao mercado é livre e as empresas se valem de estratégias de publicidade para diferenciar seus produtos
aos olhos dos consumidores.

Agora que você concluiu a primeira unidade da disciplina Economia, não deixe de incluir
as suas considerações no Fórum Desafio!

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Considerações finais
Nesta primeira Unidade de nossa disciplina, vimos que Economia é uma ciên-
cia social que estuda como os recursos escassos são produzidos e distribuídos
entre os grupos da sociedade para a satisfação das necessidades humanas.
Entendemos que os estudos sobre a Economia têm base em conceitos
como: escassez, necessidades, recursos, produção, escolhas e distribui-
ção. Neste sentido, compreendemos que o estudo da Teoria Econômica
divide-se em microeconomia e macroeconomia.
Na sequência, percebemos que um dos principais problemas econômi-
cos é a dúvida do que deve ser produzido, quando e quanto deve ser pro-
duzido pelas empresas. Para isso, devemos produzir para os membros da
sociedade que participam da distribuição da renda, sejam os proprietários
que recebem os lucros, os empregados da empresa que recebem o salário
e os bancos que arrecadam juros pelos empréstimos.
Para solucionar todas essas questões, os países contam com o sistema eco-
nômico, que é quem determina o sistema de organização da produção, dis-
tribuição e consumo de bens e serviços dentro de que é adotado por uma
sociedade, visando ao maior bem-estar possível de seus participantes.
Conhecemos também a curva de possibilidade de produção (CPP), uma
expressão da capacidade máxima de produção de uma sociedade, em
que se utilizam todos os recursos de produção que estão disponíveis em
determinado momento.
Falamos também do fluxo real de uma economia, que pode ser explicado
da seguinte forma: sem qualquer tipo de interferência, as empresas, que
são os agentes produtores, recebem o fornecimento dos fatores de pro-
dução das famílias.
Entendemos que o fluxo monetário é composto principalmente pela
moeda que serve para remunerar os fatores de produção das empresas e
das famílias. Assim, quando unimos os fluxos real e monetário da Econo-
mia, chegamos ao fluxo circular da renda.
Vimos também que os fatores de produção são os recursos de produção:
os recursos humanos (trabalho, inteligência empresarial), a terra, a tecno-
logia e o capital. Para cada fator de produção, é dada uma remuneração.

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Considerações finais
Outro ponto importante abordado na unidade foi a definição dos tipos
de bens. Os bens de capital são aqueles utilizados para a fabricação de
outros, mas que não se desgastam totalmente no processo de produção,
ou seja, eles podem ser reutilizados muitas vezes no processo produ-
tivo e são conhecidos como ativo fixo das empresas. Por sua vez, os bens
de consumo são aqueles que têm como função suprir às necessidades
humanas diretamente, e os bens intermediários, aqueles que consumidos
completamente no processo produtivo, sendo agregados à produção de
outros bens, como as matérias-primas e insumos.
Fechamos esta unidade falando um pouco sobre o conceito de mercados.
Compreendemos que o mercado é o local onde se encontram os vende-
dores e compradores de determinados bens e serviços, podendo ser ser
subdividido em: concorrência perfeita, monopólio, oligopólio, monopsô-
nio, oligopsônio e concorrência monopolística.

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Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de; GARCIA, Manuel E. Funda-
mentos de economia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

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Unidade 2
Microeconomia

Para iniciar seus estudos


2
Nesta Unidade, serão apresentados conceitos referentes à microecono-
mia. Desse modo, estudaremos como funciona a demanda, ou a quanti-
dade procurada de um determinado bem, entendo como se dá a relação
entre a demanda e o preço deste bem. Além disso, veremos quais são os
fatores que afetam a demanda, bem como o conceito de oferta e sua
relação com o preço do bem. Você terá a oportunidade de conhecer tam-
bém como ocorre o equilíbrio de mercado. Examinaremos ainda o con-
ceito de elasticidade, classificada em: elasticidade-preço da demanda,
elasticidade-renda da demanda, elasticidade-preço cruzada da demanda
e elasticidade-preço da oferta.

Objetivos de Aprendizagem

• Conhecer os conceitos básicos de microeconomia;


• Entender os mecanismos da demanda e oferta;
• Conhecer como se dá o equilíbrio geral;
• Entender o conceito de elasticidade;
• Conhecer os tipos de elasticidade.

22
Economia | Unidade 2 - Microeconomia

2.1. Microeconomia
A microeconomia é a análise da interação existente entre o consumidor e a empresa, no que diz respeito à quan-
tidade e ao preço dos bens e serviços ofertados em um mercado específico. Essa área também costuma ser cha-
mada de teoria dos preços.
Vale ressaltar que a microeconomia nunca pode ser confundida com a Economia exercida nas empresas, pois tem
como objetivo a oferta e a demanda, em relação à formação do preço. Já a Economia das empresas é mais voltada
para o contexto contábil e financeiro da formação do preço do produto, com base nos custos de produção.

2.1.1. Base da análise da microeconomia

Como observam Vasconcellos e Garcia (2014), o alicerce da microeconomia é a teoria valor-utilidade. Mas vamos
entender melhor o que são estes elementos.
A utilidade é o valor particular, ou a satisfação pessoal, que um consumidor atribui a um bem ou serviço. Como é
subjetiva, a utilidade difere de um indivíduo para outro (alguns preferem chá, por exemplo, outros, café).
De acordo com a teoria valor-utilidade, o valor de um bem é formado por sua demanda, ou seja, pela satisfação
que ele pode proporcionar ao consumidor.
teoria é muito importante lembrarmos que essa teoria complementou a teoria do valor-trabalho, a qual pressupõe
que o valor dos bens é determinado apenas com base nos custos para produzi-lo, desconsiderando a sua demanda.

2.1.1.1. Utilidade total e utilidade marginal

De acordo com a teoria do valor-utilidade, a utilidade total proporcionada por um bem ou serviço tende a aumen-
tar, conforme a sua quantidade total consumida for se elevando. Observe como isso ocorre no Gráfico 2.1.

Gráfico 2.1 – Utilidade Total

Legenda: A ilustração pode ser sintetizada da seguinte maneira: eixo y= utilidade total; eixo x= quantidade con-
sumida de um determinado produto. A curva mostra que a utilidade cresce a taxas decrescentes.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

23
Economia | Unidade 2 - Microeconomia

Porém, é importante perceber que a utilidade marginal, ou a satisfação adicional, proporcionada pelo consumo
de uma unidade adicional do bem vai diminuindo, conforme você observou no Gráfico 2.2.

Gráfico 2.2 – Utilidade marginal

Legenda: O gráfico mostra que a relação entre a utilidade marginal e a quantidade consumida é decrescente.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

A relação demonstrada no gráfico anterior enfatiza uma dinâmica decrescente no que se refere ao consumo.
Vejamos um exemplo: a quantidade de água do primeiro copo consumido quando se está com sede é bem maior
do que a do terceiro copo.
Neste contexto, veja que o estudo das teorias microeconômicas engloba uma série de análises e conceitos. Den-
tre eles, podemos destacar a oferta, a demanda e o equilíbrio de mercado.

2.2. Demanda de mercado


De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014, p. 39. Grifo dos autores), “A demanda ou procura é definida como a
quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor deseja adquirir em certo período de tempo.”
Assim, é válido frisar que a demanda por um bem ou serviço é influenciada por diversos fatores, como:
• o preço do bem (Px);
• a renda do consumidor (Y);
• o preço de outros bens (Pz); e
• os gostos ou preferências dos consumidores (G).
Sabemos que o consumidor tem seu orçamento limitado pelo seu nível de renda e, portanto, deve fazer a melhor
combinação possível entre os bens e serviços que deseja adquirir, não é mesmo? Assim, é possível que ele maxi-
mize a sua renda para ter maior satisfação.

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

Matematicamente, podemos demonstrar a demanda do bem x pela seguinte expressão:


Dx = f (Px, Y, Pz, G etc.)
A fórmula que você acabou de conhecer ilustra o seguinte: a demanda pelo bem x (Dx) é função, ou seja, depende
do preço do bem x, da renda, do preço de outros bens, dos gostos dos consumidor e de outras variáveis.
No entanto, para que seja possível estudar a influência de cada uma dessas variáveis na demanda do bem x, é
necessário que façamos algumas simplificações. Sendo assim, vamos separar cada um dos fatores apresentados
para poder estudar a sua influência individual sobre a demanda daquele bem.
Para tanto, assumiremos a hipótese coeteris paribus, um princípio muito importante e conhecida no campo da
Economia. Coeteris paribus significa “tudo o mais constante”, ou seja, ao se estudar uma variável, todas as outras
permanecem imutáveis.

Glossário

Coeteris paribus é uma expressão do Latim, que significa tudo o mais constante. Quando esta-
mos estudando, por exemplo, o efeito de variações no preço de um bem sobre a demanda do
consumidor por este bem, percebemos que apenas o preço está se alterando e que nenhuma
das demais variáveis se alterou. Dessa forma, tudo continua o mesmo: a renda do consu-
midor, a qualidade do produto, a utilidade do produto. Fazemos isso, pois somente deste
modo teremos a real dimensão da quantidade demandada frente a diferentes preços. Fonte:
<http://www.economiaerealidade.com/2008/08/o-que-ceteris-paribus.html>.

Então, com base na hipótese coeteris paribus, ou tudo o mais permanecendo constante, a demanda é função do
preço, ou seja:
Qdx =f (Px)
De acordo com a lei geral da demanda, há uma relação inversa entre o preço do bem e a quantidade deman-
dada: a quantidade demandada do bem varia inversamente ao comportamento do seu preço, ou seja, se o preço
do bem aumentar, a quantidade demandada diminuirá, e se o preço do bem diminuir, a quantidade procurada
do bem se elevará.
Matematicamente, pode-se dizer que a demanda do bem x é uma função inversa ou decrescente do seu preço.
Quando o preço do bem x cai, sobrarão mais recursos para o consumidor, quer dizer, ele ficará mais “rico”. Este é
o chamado efeito-renda.

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Além disso, quando o preço do bem cai, ele fica mais barato em relação aos seus substitutos. Assim, os consumi-
dores deverão aumentar seu desejo de comprá-lo (efeito-substituição). Observe a seguir a curva da demanda
,representada no Gráfico 2.3.

Gráfico 2.3 – Curva da demanda

Legenda: No eixo y, está representado o preço do bem e no eixo x está representada a sua quan-
tidade. A relação entre eles é inversa, portanto, a curva de demanda é descendente.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Tendo como base a ilustração anterior, fica evidente que, caso haja uma elevação no preço do bem x, a quantidade
demandada do bem diminuirá. Veja que, no Gráfico 2.3, se o preço passar de R$ 20,00 para R$ 50,00, a quantidade
demandada do bem cairá de 500 para 100 unidades. Ou seja, conforme forem ocorrendo mudanças no peço, haverá
uma variação na quantidade demandada . Notamos, portanto, mudanças ao longo da curva de demanda do bem.

2.2.1. Exceções à lei da demanda

Uma das exceções à lei da demanda é representada pelos Bens de Giffen (Robert Giffen foi o criador desse con-
ceito), que são bens de pequeno valor, mas de grande importância para os consumidores de baixa renda, como
é o caso do pão. Antes do aumento deste produto, os consumidores pobres podiam comprar alguns outros bens
mais caros que o pão, mas quando seu preço aumenta, não sobra renda suficiente para adquirir outros alimentos.
Como consequência, o consumo do pão terá que aumentar, visto que ele é o alimento mais barato.
Há também os Bens de Veblen (Thorstein Veblen foi o criador do conceito), que são bens de consumo de luxo, tais
como obras de arte, joias e automóveis de luxo. Quanto mais caros forem estes produtos, mais procurados eles
serão, pois o consumidor destes bens deseja mostrar que tem um grande poder aquisitivo.

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2.3. Demais variáveis que afetam a demanda de um bem


Conforme exposto no item anterior, as mudanças no preço do bem x provocará mudanças na quantidade deman-
dada, ocasionando movimentos ao longo da curva de demanda.
No entanto, caso ocorram mudanças nas variáveis, antes supostas como constantes, haverá um deslocamento
na curva da demanda. Ou seja, a curva de demanda se desloca em relação à sua posição original quando acon-
tecem mudanças na renda, no preço dos outros bens ou no gosto do consumidor. Por outro lado, a curva se des-
locará para a direita quando a mudança do valor da variável contribuir para o aumento da demanda. Da mesma
forma, será movida para a esquerda quando contribuir para a diminuição da demanda.

2.3.1. Mudança na renda dos consumidores

Dependendo do tipo de bem em questão, haverá um efeito distinto na sua demanda, caso ocorra uma alteração
na renda do consumidor.

Muitas vezes, a reação dos consumidores não é tão racional como dita a teoria econômica. Há
muitos fatores emocionais envolvidos, principalmente, quando a queda da renda se dá, por
exemplo, pela perda de emprego. Neste caso, nota-se que a grande maioria dos indivíduos tende
a manter seu patamar de consumo e seu estilo de vida por vários meses após o desligamento
do emprego. É difícil admitir para si mesmo, para a família e para a sociedade que ele não pode
mais ter determinados tipos de gastos, e, por isso, ele continua com o mesmo nível de despesas
que tinha quando estava empregado. Ele acaba gastando o que recebeu das indenizações da
demissão dentro de um curto prazo de tempo. Essa demora no ajuste dos gastos pode levar a
uma situação financeira difícil, caso uma nova oportunidade demore a aparecer. E no seu caso?
Se você sofresse uma diminuição de renda, por qualquer motivo, qual seria sua reação?

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a. Bens normais
Os bens normais são aqueles cujo consumo se eleva conforme o aumento da renda do consumidor. Lati-
cínios, chocolates e carne de primeira são exemplos destes produtos.
Assim, supondo que haja um aumento na renda dos consumidores, deverá ocorrer uma elevação na
quantidade demandada daquele bem x, mesmo que não tenha havido uma diminuição do seu preço,
uma vez que o consumidor tem mais renda para gastar. Portanto, a curva da demanda se deslocará.
Observe agora o Gráfico 2.4.

Gráfico 2.4 – Deslocamento na curva de demanda – bem normal

Legenda: No eixo y, tem-se o preço; no eixo x, a quantidade demandada do produto X. O gráfico mos-
tra o deslocamento da curva da demanda, para a direita e para cima, com a elevação de renda.

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Conforme você pôde observar na Figura 2.2, a nova curva ficará à direita da curva antiga, indicando que, a
cada nível de preço possível, os consumidores estarão dispostos a adquirir maiores quantidades do bem,
porque estão “mais ricos” do que antes.
Se a renda do consumidor diminuir, o raciocínio é inverso: a curva se deslocará para esquerda, ou seja, ao
mesmo preço. Dessa forma, o consumidor irá demandar uma quantidade do bem menor do que antes,
uma vez que está “mais pobre”, com a diminuição de renda sofrida.

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b. Bens inferiores
Os bens inferiores, ao contrário dos normais, experimentam a queda em sua demanda quando o nível de
renda do consumidor aumenta. Por outro lado, eles conhecem a elevação da demanda quando a renda do
consumidor cai. Um exemplo clássico é o preço da carne de segunda. Se a renda do consumidor aumenta,
ele diminui a procura por carne de segunda. Se a sua renda diminui, ocorre o inverso: ele reduz o consumo
de carne de primeira e aumenta o da carne de segunda.
Assim, com o aumento da renda dos consumidores, a curva se desloca para a esquerda: ao mesmo preço,
a quantidade demandada do bem diminui, devido ao efeito da elevação de renda. Portanto, Um decrés-
cimo na renda dos consumidores terá consequências inversas.

Gráfico 2.5 – Deslocamento na curva de demanda – bem inferior

Legenda: No eixo y, tem-se o preço e no eixo x, a quantidade demandada do produto X. O gráfico mos-
tra o deslocamento da curva da demanda, para baixo e para a esquerda, com a elevação de renda.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Fique atento! Não confunda Bem de Giffen com bem inferior. O Bem de Giffen é aquele de
grande importância para consumidores de baixa renda, e o aumento no seu preço deve ele-
var a sua demanda, uma vez que sobram menos recursos para serem gastos em outros bens.
Por outro lado, o bem inferior é aquele cuja demanda cai quando a renda aumenta.

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

2.3.1. Mudança nos preços de outros bens

Vamos chamar os outros bens existentes na Economia de bem Z, o qual pode ter as seguintes relações com o
bem X:
a. Z pode ser um bem de consumo independente de X;
b. Z pode ser um substituto de X;
c. Z pode ser um complementar de X.
a. Bens independentes
Quando Z e X forem independentes, o preço de Z nada terá a ver com a demanda de X. Assim, por exem-
plo, leite, computadores e automóveis são bens de consumo independentes, uma vez que alterações no
preço do leite não provocarão modificações na demanda por computadores e vice-versa.
Porém, quando Z e X forem substitutos ou complementares, modificações no preço de um ocasionarão
mudanças na demanda do outro.
b. Bens substitutos
Como o próprio nome diz, estes bens são aqueles passíveis de substituição, tendo em vista que o con-
sumo de um deles exclui (ou diminui) o consumo do outro. Manteiga e margarina, café e chá, carne de
vaca e carne porco são exemplos destes bens.
Se Z e X forem substitutos, o aumento no preço do bem Z tornará seu consumo menos atrativo que o do
bem X, de maneira que a demanda por X, ao mesmo preço, deverá se elevar. Se o preço de Z diminuir, a
demanda por X também deverá se reduzir, conforme você poderá observar no Gráfico 2.6.
Da mesma forma que ocorre com relação à renda, variações no preço de Z levarão a deslocamentos da
curva de demanda do bem X.

Gráfico 2.6 – Deslocamento na curva de demanda - bem substituto

Legenda: No eixo y, tem-se o preço, e no eixo x, a quantidade demandada do produto X. O gráfico mos-
tra o deslocamento da curva da demanda, para a direita e para cima, com a elevação do preço de Z.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

c. Bens complementares
Os bens complementares são aqueles que, em geral, são adquiridos de maneira simultânea, ou seja, o
consumo de um complementa o outro. No caso do pão e manteiga, café e leite, caderno e caneta, perce-
bemos o consumo de ambos está associado de alguma maneira e, por isso, são complementares.
Se Z e X forem complementares, o aumento no preço de Z provocará uma diminuição no seu consumo
no mercado. Como o seu consumo está associado ao de X, a demanda de X também tenderá a diminuir,
deslocando a curva para a esquerda e provocando a queda no preço e na quantidade de equilíbrio do
mercado de X. Efeitos inversos ocorrerão se o preço de Z diminuir.

Gráfico 2.7 – Deslocamento na curva de demanda – bem complementar

Legenda: No eixo y, tem-se o preço, e no eixo x, a quantidade demandada do produto X. O gráfico mos-
tra o deslocamento da curva de demanda, para a esquerda e para baixo, com a elevação do preço de Z.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

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d. Hábitos e gostos dos consumidores


Os hábitos e gostos dos consumidores podem ser influenciados por variáveis diversas. No entanto, as
ações de marketing costumam ter um considerável efeito sobre eles, impulsionando o consumo de um
determinado bem. Por exemplo, se é lançada uma propaganda enaltecendo os benefícios que o bem X
pode ter à saúde, a demanda desse bem deverá aumentar, provocando um deslocamento da curva para
a direita, conforme ilustra o Gráfico 2.8.

Gráfico 2.8 – Deslocamento na curva de demanda – hábitos e gostos

Legenda: No eixo y, tem-se o preço, e no eixo x, a quantidade demandada do produto X. O gráfico mos-
tra o deslocamento da curva da demanda, para a direita e para cima, com a propaganda do produto X.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Cada assunto estudado é importante para ajudá-lo a entender e solucionar o Fórum Desa-
fio. Não deixe de compartilhar as suas opiniões com os seus colegas no Ambiente Virtual
de Aprendizagem (AVA)!

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2.4. Oferta de mercado


De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), a oferta é a quantidade de bens e serviços que os produtores/
empresas desejam colocar à venda no mercado em determinado período.
De acordo com a lei da oferta, a quantidade ofertada de determinado bem ou serviço é diretamente proporcional
ao seu preço, coeteris paribus. Ou seja, quanto maior for o preço, mais elevada será a quantidade a ser ofertada no
mercado pelos produtores/empresas, conforme você poderá observar no Gráfico 2.9.

Gráfico 2.9 – Oferta de mercado

Legenda: No eixo y, tem-se o preço, e no eixo x, a quantidade do produto X. O gráfico mostra a rela-
ção direta entre preço e quantidade, no caso da oferta de x, representada por uma curva ascendente.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

É importante evidenciarmos que os fatores que determinam a oferta de um bem são:


1. preço do bem (Px);
2. custos dos fatores de produção (insumos) – PI;
3. aumento do número de empresas no mercado – E;
4. tecnologia – T;
5. preço de outros bens – Pz.
Então, a função completa de oferta de um bem x será dada por:

QOx = f (Px, PI, E, T, Pz etc.)


Mas, coeteris paribus, ou seja, considerando todos os demais fatores constantes, a função da oferta é representada por:
Qox=f (Px);
• Qox = quantidade ofertada de um determinado bem ou serviço (produto x), em um dado período;
• Px= preço do bem ou serviço (produto x).
A expressão significa que a quantidade ofertada – Q – é uma função f do preço P, isto é, depende do preço P,
coeteris paribus.
Alterações no preço do bem provocarão mudanças ao longo da curva de oferta. Porém, modificações em quais-
quer das outras variáveis acarretarão deslocamentos da curva da oferta para a direita ou para a esquerda.

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

Gráfico 2.9.1 – Deslocamento da curva de oferta

Legenda: No eixo y, tem-se o preço, e no eixo x, a quantidade do produto X. O grá-


fico mostra um exemplo de deslocamento da curva da oferta.
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

2.5. Equilíbrio de mercado


Partindo da hipótese de que o mercado está em concorrência perfeita (nem empresas e nem consumidores
individuais têm poder para influenciar o preço de mercado), o preço de equilíbrio (ponto em que a quantidade
demandada se iguala à quantidade ofertada) no mercado será determinado pelas forças de oferta e demanda.
Caso haja um excesso de demanda, ou uma escassez do produto, haverá uma competição entre os consumido-
res, e o preço do bem tenderá a subir. Isso acarretará uma queda de demanda, e o mercado ficará equilibrado.
De forma análoga, se houver um excedente de produção (um aumento não programado de estoques), haverá
uma competição entre os produtores para desovar esse estoque elevado. Assim, o preço tenderá a cair, levando
o mercado para o equilíbrio.
Vamos analisar um exemplo apresentado no Gráfico 2.9.2.

Gráfico 2.9.2 – Equilíbrio de mercado

Legenda: No eixo y, tem-se o preço, e no eixo x, a quantidade do produto X. O equilíbrio se dá quando


o preço estiver em 60 e a quantidade, em 10. Nesse ponto, oferta e demanda se encontram.
Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/77045/

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

Supondo que o mercado comece com o preço 80 e, como ele, os vendedores ofereçam 15 unidades do bem, mas os
compradores só desejam adquirir 5 unidades. A quantidade transacionada no mercado ao preço 80 será, portanto,
de 5 unidades e haverá um excedente (sobra) de 10 unidades (15 unidades ofertadas menos 5demandadas).
Com isso, os vendedores tiveram um estoque indesejado de 10 unidades. Para se livrar desse estoque, eles terão
que baixar os preços, o que revela que este mercado não está em equilíbrio.
Inversamente, vamos supor que o mercado comece com o preço 40. Ocorrerá uma escassez (excesso de quanti-
dade demandada sobre a ofertada), pois os consumidores estão demandando 15 unidades do bem, enquanto os
vendedores estarão dispostos a vender apenas 5 unidades (escassez de 10 unidades). Os consumidores oferece-
rão preços maiores para conseguir os bens. Logo, o preço do bem irá aumentar.
O preço de 60 corresponde ao cruzamento das duas curvas, ou seja, é o ponto em que ocorre o equilíbrio de mer-
cado. Nesse caso, portanto, ao preço de 60, tanto os consumidores desejam adquirir 10 unidades do bem como
os vendedores desejam ofertar as mesmas 10 unidades.
Portanto, caso haja escassez (excesso de demanda) ou excedente (excesso de oferta), os preços se alterarão até
que o equilíbrio de mercado seja atingido.

2.5.1. Determinação do preço e quantidade de equilíbrio

As curvas de demanda e de oferta também podem ser expressas linearmente, por meio de equações, apresen-
tadas na sequência.
A equação da demanda de X pode ser representada por:
QDx = a - bPx
Onde:
• QDx = quantidade demandada do bem X
• Px = preço do bem X
O parâmetro de Px é sempre negativo, pois a relação entre o preço e a quantidade demandada do bem é inversa
(se o preço aumentar, a quantidade demandada diminuirá).
A equação da oferta pode ser representada por:
QOx = c + dPx
Onde:
• QOx = quantidade demandada (ou procurada) do bem X
• Px = preço do bem X
O parâmetro de Px é positivo, pois a relação entre o preço e a quantidade ofertada do bem é direta (se o preço
aumentar, a quantidade ofertada aumentasse elevará).

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

Digamos que se queira encontrar o preço de equilíbrio de mercado para o bem x e que suas equações de demanda
e de oferta sejam, respectivamente, as seguintes:
QDx = 50 - 6Px (demanda)
QOx = 10 + 8Px (oferta)
Para determinarmos o preço de equilíbrio de X, devemos igualar as duas equações, pois sabemos que esse preço
é aquele que iguala a quantidade demandada e a quantidade ofertada. Observe:
50 - 6Px = 10 + 8Px
50 – 10 = 8Px+ 6Px
40 = 14 Px
Px =
Px= R$ 2,86
Portanto, o preço de equilíbrio será de R$ 2,86. Para que se obtenha a quantidade de equilíbrio, basta que se
substitua Px em qualquer uma das equações a seguir:
QDx = 50 – (6 x 2,86) = 32,8 unidades demandadas
QOx = 10 + (8 x 2,86) = 32,8 unidades ofertadas

Não deixe de participar do Fórum Desafio! Você está quase concluindo esta unidade e já
possui muitos conhecimentos que vão ajudá-lo a resolver o problema proposto.

2.6 Conceito de elasticidade


E elasticidade, em Economia, mede a sensibilidade na quantidade demandada ou ofertada do bem com relação
à mudança em quaisquer dos fatores da função demanda, quando os demais permanecem constantes.
Nós já vimos que o aumento de preços deve levar à diminuição da demanda do bem x, mas, por exemplo, se o
preço subir 10%, quanto deverá ser a queda nas unidades demandadas?
Se analisarmos sob o ponto de vista da renda, sendo x um bem normal, qual deverá ser o aumento na sua quan-
tidade demandada, se a elevação na renda do consumidor foi de 15%?

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

São justamente a essas questões que o cálculo da elasticidade nos ajuda a responder. Vamos conhecer agora os
tipos de elasticidade, que são quatro.
a. Elasticidade-preço da demanda;
b. Elasticidade-renda da demanda;
c. Elasticidade-cruzada da demanda;
d. Elasticidade-preço da oferta.
a. Elasticidade-preço da demanda (EPD)
O coeficiente de elasticidade-preço da demanda tem por objetivo medir a sensibilidade da demanda de
um bem X em relação a variações no seu preço.
Se o valor absoluto de EPD for:
»» maior que 1, a demanda do bem será considerada elástica em relação ao seu preço. Geralmente, são
considerados produtos supérfluos: uma elevação de preços gera uma queda mais do que proporcional
na demanda do bem, por exemplo: o preço subiu 10% e a sua demanda caiu 15%.
»» menor que 1, a demanda do bem será considerada inelástica em relação ao seu preço. Geralmente,
são produtos de subsistência ou muito necessários: uma elevação de preços gera uma queda menos
do que proporcional na demanda do bem, por exemplo: o preço subiu 10% e a sua demanda caiu 5%.
»» igual a 1, a demanda do bem apresentará elasticidade unitária em relação ao preço. A elevação de pre-
ços gerará uma proporcional na demanda do bem, por exemplo: o preço subiu 10% e a sua demanda
caiu 10%. Observe a seguinte fórmula.

Exemplo:
Elasticidade-preço da demanda do bem A:

Elasticidade-preço da demanda do bem B:

De acordo com o exemplo apresentado, a demanda do bem A é elástica ao preço, ou seja, um aumento
de 10% no preço leva a uma queda de 20% na demanda ou, analogamente, a uma diminuição de 10%
no preço do bem leva a um aumento de 20% na quantidade demandada.

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Economia | Unidade 2 - Microeconomia

O bem B, por sua vez, tem demanda inelástica ao preço. Um aumento de 10% no preço leva a uma queda
de apenas 5% na demanda ou, analogamente, a uma diminuição de 10% no preço do bem leva a um
aumento de 5% na quantidade demandada.
b. Elasticidade-renda da demanda (EY)
O coeficiente de elasticidade-renda da demanda tem por objetivo medir a sensibilidade da demanda de
um bem X em relação a variações na renda Y do consumidor, observe:

c. Elasticidade-cruzada da demanda (EXZ)


O coeficiente de elasticidade-cruzada da demanda tem por objetivo medir a sensibilidade da demanda de
um bem X em relação a variações no preço de bem Z, o qual pode ser substituto ou complementar a x. Caso
seja independente, variações em PZ não terão efeito na quantidade demandada de X. Veja um exemplo:

d. Elasticidade-preço da oferta (EPO)


O coeficiente de elasticidade-cruzada da oferta tem por objetivo medir a sensibilidade da oferta de um
bem X em relação a variações no seu preço.

Para que você conheça, resumidamente, alguns aspectos importantes sobre a demanda e a
oferta, acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=2FdEBPCxmvM>.

38
Considerações finais
Nesta unidade, apresentamos os principais conceitos sobre microecono-
mia que é a análise da interação existente entre o consumidor e a empresa
no que diz respeito à quantidade e ao preço dos bens e serviços ofertados
em um mercado específico ou, simplesmente, a “teoria dos preços”.
O estudo das teorias microeconômicas engloba uma série de análises e
conceitos. Dentre eles, podemos destacar a oferta, a demanda e o equilí-
brio de mercado.
Demanda ou “procura”, conforme Vasconcellos e Garcia (2014, p. 39),
é definida como a quantidade de um determinado bem ou serviço que
o consumidor deseja adquirir em certo período. Oferta, por sua vez, é a
quantidade de bens e serviços que os produtores/empresas desejam
colocar à venda no mercado em determinado período. Já equilíbrio de
mercado é o ponto em que a quantidade demandada se iguala à quanti-
dade ofertada.
Falamos também das demais variáveis que afetam a demanda de um
bem, ou seja, as mudanças no preço que um determinado bem que esta-
belecem as mudanças na quantidade demandada, provocando movi-
mentos ao longo da curva de demanda. Isso quer dizer que, caso ocorram
mudanças nas variáveis antes supostas como constantes, haverá um des-
locamento na curva da demanda.
Vimos também que os bens são divididos em: bens normais (aqueles cujo
consumo se eleva conforme a renda do consumidor aumenta) e bens
inferiores (que, ao contrário dos normais, experimentam queda em sua
demanda quando o nível de renda do consumidor aumenta, e elevação
da demanda, quando a renda do consumidor cai).
Finalizamos a unidade falando um pouco sobre o conceito de elasticidade
que, em Economia, mede a sensibilidade na quantidade demandada ou
ofertada do bem com relação à mudança em quaisquer dos fatores da
função demanda, quando os demais permanecem constantes.

39
Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de; GARCIA, Manuel E. Funda-
mentos de economia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

40
Unidade 3
Teoria da produção –
Custos de produção
3
Para iniciar seus estudos

Nesta unidade, serão apresentados os conceitos referentes à teoria dos


custos de produção, que também é chamada de teoria da oferta da firma
individual. Para tanto, estudaremos o conceito de produção; a função de
produção; o conceito de fatores fixos e variáveis de produção; a Lei dos
Rendimentos Decrescentes; a economia de escala, ou rendimentos de
escala; o conceito de custos de produção; os custos totais de produção;
os custos de curto prazo; os custos de longo prazo; os custos privados e os
custos sociais; custos e despesas e a maximização de lucros.

Objetivos de Aprendizagem

• Entender o conceito de produção;


• Conhecer a função de produção;
• Conhecer os fatores fixos e variáveis de produção;
• Entender a Lei dos Rendimentos Decrescentes;
• Compreender os conceitos de economia de escala ou rendimen-
tos de escala;
• Conhecer os custos de produção
• Entender os custos privados e custos sociais;
• Conhecer a diferença entre custos e despesas
• Entender a maximização de lucros.

42
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

3.1. Teoria da produção


A teoria dos custos de produção ou teoria da oferta da firma individual, é a base para a análise das relações entre
a análise dos fatores de produção, sua alocação e seus custos, o que se torna essencial para a formação de
preços dos produtos.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014, p.66):
A teoria da produção propriamente dita preocupa-se com a relação técnica ou tecnológica entre
a quantidade física de produtos (outputs) e de fatores de produção (inputs), enquanto a teoria
de custos de produção relaciona a quantidade física de produtos com os preços dos fatores de
produção. Ou seja, a teoria da produção trata apenas das relações físicas, enquanto a teoria dos
custos de produção envolve também os preços dos insumos.

3.1.1. Produção e a função de produção

A produção, segundo Vasconcellos (2015, p. 109), pode ser definida como o processo pelo qual uma empresa
transforma os fatores de produção adquiridos e suas matérias-primas em produtos ou serviços para a venda
no mercado. Ou seja, a empresa compra os insumos (fatores de produção e matérias-primas), combina-os de
acordo com o processo de produção escolhido e os coloca no mercado.

Apesar de a palavra “produção” reportar a uma ideia física, os serviços também fazem parte
desse conceito abrangendo atividades como transportes, atividades financeiras, comércio, etc.

A função de produção é a relação técnica entre a quantidade física de fatores de produção e a quantidade física
do produto em determinado período de tempo (VASCONCELLOS, 2015, p.111).
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), a função de produção assume que o empresário está combinando
os fatores de produção da forma mais eficiente que possa haver a fim de conseguir a maior quantidade produzida
possível.
Assim, a quantidade produzida do bem é função (ou depende) de diversos fatores de produção.
Q= f (quantidade dos fatores de produção)
ou
Q = f (N,K,M)

43
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Onde:
Q= Quantidade produzida
N= Quantidade de mão e obra
K = Capital físico
M = Matérias-primas
Todas essas variáveis (Q, N, K, M) são expressas em um fluxo de tempo, como por exemplo: quantidade mensal (ou
trimestral, ou anual) produzida e os fatores utilizados nesse mesmo período de tempo.

3.1.2. Fatores de Podução

Para analisarmos os fatores de produção, é muito importante que levemos em conta o prazo, já que alguns fato-
res de produção podem ser classificados como
Os fatores de produção fixos são aqueles que permanecem inalterados quando a produção varia, ou seja, a
quantidade destes permanece inalterada com o aumento ou a diminuição da quantidade produzida. Podem ser
considerados como fatores fixos: máquinas, instalações e tecnologia, os quais não se alteram no curto prazo.
Já os fatores de produção variáveis são os que se alteram com a variação da quantidade produzida. Quanto
maior a quantidade que se decide produzir de um bem, maior a quantidade de matérias-primas e de mão de obra
para produzi-lo.
Na função de produção, há fatores fixos e fatores variáveis, se analisarmos o curto prazo. Considera-se que, no
curto prazo, haja pelo menos um fator de produção fixo, porém, no longo prazo, todos os fatores variam. Ou seja,
a empresa pode decidir comprar mais máquinas, adquirir novas instalações, novas tecnologias podem ser desco-
bertas e aplicadas à produção, e assim por diante.

3.1.3. Análise de curto prazo


Na análise de curto prazo, a função de produção é simplificada e considera apenas dois fatores de produção: mão
de obra (N) e capital (K). No entanto, apenas a mão de obra é variável; o capital (equipamentos e instalações) é
fixo.
Simplificadamente, a função de produção pode ser expressa por:
Q = f(N, K)

onde,
Q= Quantidade produzida
N= Quantidade de mão-de-obra (fator variável)
K = capital (fator fixo)

44
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Contudo, como K é fixo, a função de produção, no curto prazo, é expressa por:


Q = f(N)
Caso a quantidade utilizada de um fator de produção seja mantida constante e a quantidade de outro fator varie,
passará a acontecer o que se conhece como Rendimentos Decrescentes.
De acordo com a Lei dos Rendimentos Decrescentes, se um fator de produção for mantido fixo e forem acrescen-
tados fatores variáveis, no início, a produção crescerá a taxas crescentes. Depois que determinada quantidade
produzida for atingida, a produção começará a crescer a taxas cada vez menores (decrescentes), chegará a um
limite máximo e, por fim, começará a decrescer.
Por exemplo, se a empresa aumentar cada vez mais o número de trabalhadores e mantiver fixas as quantidades
de máquinas, ferramentas e o tamanho das instalações, chegará a um ponto em que não haverá material de tra-
balho ou espaço para todos, o que atrapalhará a produtividade, fazendo com que a quantidade produzida acabe
por decrescer.
Para que possamos entender melhor, é necessário entender os conceitos de produto total, produtividade média
e produtividade marginal.

3.3.2. Produto total, produtividade média e produtividade marginal

O produto total é a quantidade total produzida com a utilização do fator variável (trabalho), sendo que os demais
fatores são mantidosfixos.
A produtividade média do fator trabalho é dada pela produção total, dividida pelo número de fatores. Repre-
senta a contribuição média de cada trabalhador. Se fôssemos medir a produção média do capital (K), estaríamos
medindo a contribuição média de cada máquina.

PmeN=produtividade média do fator


Q= Quantidade Produzida
N = Mão de obra
A produtividade marginal é a contribuição marginal, ou adicional, de cada fator de produção. No exemplo do
Quadro 3.1, há a contribuição adicional do fator trabalho, dada a entrada de sempre um trabalhador a mais.
Pmg = Produção marginal (variação da produção total dividida pela variação da mão de obra).

45
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Pmg = Produtividade marginal


Pmg = Produtividade marginal
∆Q= Variação na quantidade produzida
∆N= Variação na quantisade de mão-de-obra
No Quadro 3.1, pode ser observado um exemplo em que a produção baseia-se apenas em dois fatores: um deles
é mantido fixo (terra), já a mão de obra é o fator variável.
No exemplo, o capital (K) se mantém fixo (10 alqueires de terra), o que indica ser uma abordagem de curto prazo.
Com esses 10 alqueires, à medida que se aumenta o número de trabalhadores (N), a produção total aumenta até
certo ponto, assim como a produção média e a produção marginal. Depois, seu crescimento é paralisado e vai
se tornar negativo. Isso se deve ao fato de que não haverá mais espaço suficiente para todos os trabalhadores
produzirem de forma eficiente.

Quadro 3.1 – Produção, produtividade média, produtividade marginal

Terra – Mão de obra Produção Produtividade Produtividade


alqueires em milhares de total média (toneladas marginal
(K) trabalhadores (toneladas) por mil (toneladas por mil
(N) trabalhadores) trabalhadores)
Fator fixo (3)
(1) Fator variável (4) (5)

(2)

10 1 6 6 6

10 2 14 7 8

10 3 24 8 10

10 4 32 8 8

10 5 38 7,6 6

10 6 42 7 4

10 7 44 6,3 2

10 8 44 5,5 0

10 9 42 4,7 -2

Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p.71)


Legenda: O quadro mostra, na primeira coluna, a manutenção de um fator fixo (terra), enquanto se aumenta a quanti-
dade de mão de obra. A produção total (terceira coluna) passa a crescer, e a produtividade média (quarta coluna) cresce
e depois decresce; a produtividade marginal (quinta coluna) cresce para, depois, decrescer e tornar-se negativa.

46
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

A situação citada no exemplo pode ser visualizada no Gráfico 3.1, em que a produção total vai aumentando, per-
manece constante num segundo momento e, posteriormente, começa a cair.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), a Lei dos Rendimentos Decrescentes é um fenômeno típico de curto
prazo, pois, se no exemplo anterior a quantidade de terra fosse variável, a produção poderia continuar crescendo
a taxas crescentes.

As empresas nem sempre operam com uma boa produtividade. Principalmente os pequenos
empresários, muitas vezes, acabam levando suas empresas à baixa produtividade pelo fato
de que não administram bem os seus recursos: há desperdícios de tempo e dinheiro, proble-
mas ligados à organização e métodos, assim como falta de planejamento. Você consegue
elencar algumas medidas que essas empresas poderiam tomar para elevar a sua produtivi-
dade?

Gráfico 3.1- Produtividade total, média e marginal

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014)


Legenda: Legenda: No eixo Y, tem-se o produto; no eixo X, as unidades do insumo variável. O gráfico mostra as linhas de
produção total, produtividade média e produtividade marginal.

47
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

3.2. Análise de longo prazo


No longo prazo, podemos considerar a função de produção simplificada a seguir, com a suposição de que tanto
N como K são fatores de produção variáveis.
Q = f(N, K)
Onde:
Q= Quantidade produzida
N= Quantidade de mão de obra (fator variável)
K = Capital (fator variável)

3.2.1. Rendimentos de escala

Os rendimentos de escala, também conhecidos como economias de escala, representam os resultados, positivos
ou negativos, que a empresa atinge, no longo prazo, ao aumentar seu tamanho, ampliando tanto sua estrutura
produtiva quanto a utilização de mais mão de obra.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), os rendimentos de escala podem ser:
• crescentes: acontecem quando há um aumento na produção mais do que proporcional ao aumento
da quantidade de fatores de produção. Por exemplo, uma elevação de 10% na quantidade de mão de
obra, ou 10% na quantidade de capital, resultaria em um aumento de mais de 10% na produção;
• decrescentes: ocorrem quando todos os fatores de produção crescem numa mesma proporção, e a
pro-dução cresce numa proporção menor. Por exemplo, o aumento no capital e mão de obra foi de
10%, e o aumento da produção foi menor do que 10%;
• rendimentos constantes de escala: nesse caso, todos os fatores de produção cresceram na mesma
pro-porção (por exemplo 10%), e a produção também cresceu na mesma proporção. Nessa situação, a
pro-dutividade média dos fatores de produção é constante.

3.2.2 - Produção: isoquanta de produção

A isoquanta pode ser definida como sendo uma linha ao longo da qual a mesma quantidade do bem é produzida,
porém, com combinações diferentes de cada fator de produção. Nesse contexto, isoquanta significa “de igual
quantidade”.
Assim, uma firma pode apresentar várias isoquantas de produção (mapa de produção), sendo que escolherá uma
isoquanta dependendo dos custos de produção e da demanda pelo produto.
Como pode ser observado no Gráfico 3.2, ao longo da isoquanta “q1”, por exemplo, a mesma quantidade (1.000
unidades) é produzida, com diferentes combinações dos fatores de produção K e N. Se a empresa combinar 6 K
com 50 N, 4K com 80 N ou 2 K com 150 N, ela produzirá as mesmas 1.000 unidades do bem. Para passar para a
segunda isoquanta, ela deverá aumentar tanto as quantidades utilizadas de K como de N.

48
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Gráfico 3.2 - Isoquanta

Fonte: Vasconcellos (2015, p. 128).


Legenda: No eixo Y tem-se o fator de produção K e, no eixo X, o fator de produção N. Dependendo da combinação entre os
dois, tem-se isoquantas diferentes, que mostram quantidades produzidas crescentes.

3.3. Custos de produção


As empresas buscam sempre maximizar seus resultados, ou seja, atingir a melhor produção que é possível, dado
um nível de utilização de fatores. Como pontuam Vasconcellos e Garcia (2014), a empresa pode otimizar seus
resultados de duas formas: maximizando a produção total com o mínimo custo ou minimizando o custo para
determinada produção total.
Em Economia, consideram-se, além dos custos explícitos, também os custos implícitos; enquanto na Contabili-
dade são considerados apenas aqueles que envolvem desembolso monetário (explícitos). Além disso, em Eco-
nomia são considerados também os custos de oportunidade (implícitos). Por exemplo, se o imóvel que abriga a
empresa é próprio, deve ser levado em conta o valor do aluguel que o empresário ganharia caso a empresa não
estivesse no imóvel. Outro custo de oportunidade seria a própria remuneração do empresário caso escolhesse se
dedicar a outra atividade.
Os custos podem ser definidos como o que foi investido em todos os bens materiais, trabalho e serviços consu-
midos pela empresa na produção de bens e serviços e na manutenção de suas instalações.

3.4. Custo Total, Custo Médio e Custo Marginal


Assim como no caso da produção, devemos analisar os custos tanto sob a ótica do curto como do longo prazo.

49
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

3.4.1. Custos de curto prazo

No Curto Prazo, tem-se os custos fixos e os custos variáveis de produção.


Custo Variável Total (CVT): é a parcela do custo que varia quando a produção varia. É a parcela que depende
da quantidade produzida, por exemplo, gastos com salários e despesas com matérias-primas. Assim, o custo
variável é função da quantidade produzida:
CVT = f(Q)
Custo Fixo Total (CFT): é a parcela do custo que se mantém fixa quando a produção varia, ou seja, são os gastos
com fatores fixos, como aluguel e depreciação.
Custo Total (CT): é a soma do Custo Variável Total com o Custo Fixo Total. CT = CVT + CFT.

Gráfico 3.3 – Custos totais

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014).


Legenda: No eixo Y, tem-se os custos totais; no eixo X, a quantidade produzida. O gráfico mostra as linhas de Custo Total,
Custo Variável Total e Custo Fixo Total.

O Custo Médio é dado pelo Custo Total dividido pela quantidade produzida.

Custo Variável Médio (CVMe) é dado pelo Custo Variável Total dividido pela quantidade produzida.

50
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Custo Fixo Médio (CFMe) é dado pelo Custo Fixo Total dividido pela quantidade produzida.

Gráfico 3.4 – Custos médios

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014).


Legenda: No eixo Y, tem-se os custos médios; no eixo X, a quantidade produzida. O gráfico mostra as linhas de Custo Total
Médio, Custo Variável Médio e Custo Fixo Médio.

O Custo Marginal (CMg): é a variação do Custo Total ou ΔCT. É o custo de se produzir uma unidade extra do
produto ou, em outras palavras, é a variação do Custo Total dividido pela variação na quantidade produzida.
No curto prazo, como os custos fixos são invariáveis, apenas os custos variáveis influenciam o Custo Marginal.

51
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Gráfico 3.5 – Custos marginais

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014).


Legenda: No eixo Y, tem-se o Custo Marginal; no eixo X, a quantidade produzida. O gráfico mostra a linha do Custo Margi-
nal.

Os custos médios e marginais, em uma etapa da produção, primeiro decrescem para depois crescerem.

3.5. Custos de longo prazo


No longo prazo, não existem custos fixos, pois todos os custos são variáveis. Assim, o empresário opera no curto
prazo e planeja no longo prazo. De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), o longo prazo é um horizonte de
planejamento, e não aquilo que está efetivamente sendo realizado.
Por isso, os empresários, ao elaborarem o planejamento estratégico da empresa, analisam várias possibilidades
de produção no curto prazo, com diferentes escalas de produção, as quais representam escolhas que eles farão
ao longo do tempo.
Nesse sentido, os empresários têm um elenco de possibilidades de produção de curto prazo, com diferentes
escalas de produção (tamanho), que podem escolher.
Pode-se observar que, no longo prazo, o formato da curva do Custo Médio e do Custo Marginal é o formato em
U, e o tamanho da empresa está variando em cada ponto da curva. No início, a empresa está subutilizando seus
equipamentos e começa a ter rendimentos crescentes de escala, à medida que sua produção cresce, ou seja, o
Custo Médio vai diminuindo. Após esse ponto ótimo, o Custo Médio de longo prazo tende a crescer, levando a
rendimentos decrescentes ou a deseconomias de escala.

52
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Gráfico 3.6 - Custo Médio de longo prazo

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014).


Legenda: No eixo Y, tem-se os custos; no eixo X, a quantidade produzida. O gráfico mostra o Custo Médio de longo prazo.

3.6 – Custos privados e custos sociais


A empresa, ao produzir determinado bem, deve desenvolver dois tipos de análise: a análise privada e a social.
A avaliação privada corresponde à avaliação específica dos custos e benefícios que a produção daquele bem trará
à empresa. Por exemplo, a produção de automóveis: qual o retorno financeiro que isso trará à empresa?
Por outro lado, existe também a avaliação social que a empresa deve fazer: quais as consequências de sua produ-
ção para a sociedade como um todo?
As consequências sociais geradas pela empresa podem ser benéficas ou prejudiciais à sociedade. Por exemplo,
ela pode instalar uma fábrica em determinada cidade e dar emprego à maioria dos seus habitantes, pode abrir
estradas e trazer progresso. Estas seriam externalidades positivas proporcionadas pela empresa.
Por outro lado, a empresa pode estar poluindo os rios locais, causando congestionamentos e poluição. Estes são
os custos sociais pelos quais a empresa não está pagando.

Glossário

Externalidade: pode ser definida como custos ou benefícios que um agente econômico
pode proporcionar à sociedade. A externalidade positiva ocorre, por exemplo, quando uma
empresa proporciona benefícios à sociedade sem receber nada por isso. Por outro lado, uma
externalidade negativa é quando a empresa impõe custos sociais sem pagar por isso.

53
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

3.7. Custos versus despesas


São considerados custos aqueles gastos da empresa diretamente ligados à fabricação do bem, por exemplo, cus-
tos com máquinas ou com a mão de obra do chão de fábrica.
Despesas, por sua vez, são os gastos da empresa que não estão diretamente ligados à fabricação do produto,
porém, são necessários para que a empresa continue funcionando. Por exemplo: gastos com o pessoal adminis-
trativo, com propaganda etc.

3.8. A maximização do Lucro Total


De acordo com a teoria microeconômica, as empresas têm como objetivo maior a maximização dos lucros, tanto
no curto como no longo prazo.
Assim, o lucro é maximizado quando a diferença entre a Receita Total (valor total do faturamento) e o Custo Total
da produção for a maior possível.
LT = RT – CT
Onde,
LT = Lucro Total;
RT = Receita Total de vendas;
CT = Custo Total de produção.
Assume-se aqui que a maximização dos lucros é buscada em um contexto de concorrência perfeita.
Na Unidade 1, vimos que há vários tipos de estrutura de mercado. Convém recapitular que estamos tomando
como base a concorrência perfeita para o estudo da produção das empresas.
De acordo com Vasconcellos (2015, p. 139), as principais características da concorrência perfeita são:
• mercado atomizado: o mercado tem infinitos vendedores e compradores, de forma que um agente iso-
lado não tem condições de afetar o preço de mercado. Assim, o preço de mercado é um dado fixado para
empresas e consumidores (são price-takers, isto é, tomadores de preços pelo mercado);
• produtos homogêneos: homogêneos: todas as firmas oferecem um produto semelhante, homogêneo.
Não há diferenças de embalagem e qualidade nesse mercado;
• mobilidade de firmas: não há barreiras para o ingresso de empresas no mercado;
• racionalidade: os agentes econômicos são sempre racionais. Enquanto os consumidores buscam maxi-
mizar seu bem-estar, os empresários buscam a maximização dos lucros;
• transparência do mercado: todas as informações relevantes estão à disposição de todos os agentes eco-
nômicos, quer sejam eles consumidores ou produtores.
Outra característica da concorrência perfeita é que apenas há lucro extraordinário no curto prazo. Esses lucros
extraordinários atraem novas empresas, portanto, com a elevação do número de concorrentes no mercado,
a tendência é que os lucros extraordinários desapareçam e que se tenha apenas os lucros normais (VASCON-
CELLOS, 2015, p. 151).

54
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

3.8.1. Receita Total, Receita Média e Receita Marginal

A Receita Total é dada por:


RT = Preço unitário de venda x quantidade vendida
RT = P x Q
A Receita Média (RMe), por sua vez, é a receita por unidade de produto vendida, ou Receita Unitária.
A Receita Marginal é a variação da Receita Total, quando varia a quantidade vendida, ou seja, a receita extra,
quando se vende uma unidade a mais do produto.

3.8.2. Receita Marginal, Custo Marginal e Maximização dos lucros

De acordo com Vasconcellos (2015), a maximização do lucro ocorre, em um nível de produção tal que a receita
marginal da última unidade produzida seja igual ao custo marginal desta última unidade produzida.
RMg = CMg
“Sabemos que o empresário racional sempre aumentará a produção quando isso significar maior
lucro. Então, se: receita adicional > custo adicional, o lucro marginal aumenta e a quantidade deve
ser aumentada, pois o lucro aumentará; receita adicional < custo adicional, a quantidade q não
será aumentada, pois o lucro cairá (ou o prejuízo aumentará). Portanto, no equilíbrio RMg = CMg”
(VASCONCELLOS, 2015, p. 143/144).

Gráfico 3.7- Maximização de lucros

Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2015).


Legenda: No eixo Y, tem-se os custos; no eixo X, a quantidade produzida. O gráfico mostra a curva de
Custo Marginal, de Custo Total Médio e a curva de Receita Marginal, que iguala a Receita Média.

55
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Observe, no exemplo do Quadro 3.2, que o lucro máximo (de R$ 15,00) acontece quando a Receita Marginal
iguala o Custo Marginal.

Quadro 3.2 – Maximização do Lucro Total

Legenda: Na coluna 1, tem-se a produção e as vendas por dia; na coluna 2, o Custo Total; na coluna 3, o preço unitário;
na coluna 4, a Receita Total; na coluna 5, o Lucro Total, na coluna 6, o Custo Marginal e, na coluna 7, a Receita Marginal.
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p.87).

3.9. Lucro normal e lucro econômico


Uma característica do mercado em concorrência perfeita é que, em longo prazo, não existem lucros extras ou
extraordinários, apenas os chamados lucros normais, que representam a remuneração implícita do empresário,
o seu custo de oportunidade, ou o que ele ganharia se aplicasse seu capital em outra atividade (VASCONCELLOS,
2015).
Os lucros extras ou extraordinários (também chamados de lucro econômico) podem ser definidos como aqueles
representados pela diferença entre a Receita e o Total dos custos contábeis (explícitos ou efetivamente incorri-
dos) e os custos de oportunidade (o que o empresário ganharia se aplicasse seu capital em outra atividade).

56
Economia | Unidade 3 - Teoria da produção – Custos de produção

Os consumidores estão cada vez mais conscientes e preocupados com as consequências


que a atuação das empresas pode trazer ao meio ambiente e sobre a sociedade de uma
forma geral. Por isso, a questão das externalidades tem ganhado cada vez mais espaço e
importância nas discussões sobre o assunto. Clique no link e conheça mais sobre a questão
das externalidades geradas pelas empresas. http://www.ecycle.com.br/component/con-
tent/article/67-dia-a-dia/2646-o-que-sao-externalidades-negativas-positivas-como-
-afetam-vida-sociedade-efeitos-indiretos-problemas-beneficios-sociais-economicos-
-ambientais-bens-produto-servico-diferenca-custos-privados-lucros-empresa-prejudi-
cam-consumo-sustentavel-consciente-.html.

57
Considerações finais
Nesta unidade, você conheceu os principais conceitos sobre a teoria dos
custos de produção, que também é chamada de teoria da oferta da firma
individual, base para a análise das relações entre a análise dos fatores de
produção, sua alocação e seus custos, o que se torna essencial para a for-
mação de preços dos produtos.
Para Vasconcellos (2015, p. 109), a produção pode ser definida como o
processo pelo qual uma empresa transforma os fatores de produção
adquiridos e suas matérias-primas em produtos ou serviços para a venda
no mercado. Ou seja, a empresa compra os insumos (fatores de produção
e matérias-primas), combina-os de acordo com o processo de produção
escolhido e os coloca no mercado.
A função de produção é a relação técnica entre a quantidade física de
fatores de produção e a quantidade física do produto em determinado
período de tempo, assim, a quantidade produzida do bem é função (ou
depende) de diversos fatores de produção que são divididos em: fixos
(aqueles que permanecem inalterados quando a produção varia) e variá-
veis (os que se alteram com a variação da quantidade produzida).
Na função de produção, há fatores fixos e fatores variáveis, se analisar-
mos o curto prazo. Considera-se que, no curto prazo, haja pelo menos um
fator de produção fixo.
Porém, no longo prazo, todos os fatores variam, ou seja, a empresa pode
decidir comprar mais máquinas, adquirir novas instalações, novas tecno-
logias podem ser descobertas e aplicadas à produção, e assim por diante.
Para entender melhor o conceito de curto prazo é necessário conhecer
um pouco sobre produto total, produtividade média e produtividade mar-
ginal.
O produto total é a quantidade total produzida com a utilização do fator
variável (trabalho), sendo que os demais fatores são mantidos fixos. A pro-
dutividade média do fator trabalho é dada pela produção total dividida
pelo número de fatores. Já a marginal é a contribuição marginal ou adicio-
nal de cada fator de produção.
Em Economia, consideram-se, além dos custos explícitos, também os
custos implícitos.

58
Considerações finais
Assim como no caso da produção, devemos analisar os custos tanto sob
a ótica do curto como do longo prazo. No curto prazo, tem-se os custos
fixos e os custos variáveis de produção, já no longo prazo, não existem
custos fixos, pois todos os custos são variáveis.
Além disso, a empresa, ao produzir determinado bem, deve desenvolver
dois tipos de análise: a privada e a social.
São considerados custos aqueles gastos da empresa diretamente ligados
à fabricação do bem. Despesas, por sua vez, são os gastos que não estão
diretamente ligados à fabricação do produto, porém, são necessários
para que a empresa continue funcionando.
De acordo com a teoria microeconômica, as empresas têm como objetivo
maior a maximização dos lucros, tanto no curto como no longo prazo.
O lucro é maximizado quando a diferença entre a Receita Total (valor
total do faturamento) e o Custo Total da produção for a maior possível.
Assume-se aqui que a maximização dos lucros é buscada em um con-
texto de concorrência perfeita.

59
Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia Micro e Macro. 4. ed. São Paulo:
Atlas, 2015.

______; GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia. 3. ed. São Paulo:


Saraiva, 2014.

______; TONETO JR., R.; SAKURAI, S. Economia Fácil. São Paulo: Saraiva,
2015.

MANKIW, N. G. Introdução à Economia. São Paulo: Cengage Learning,


2010.

60
Unidade 4
Macroeconomia

Para iniciar seus estudos


4
Nesta unidade, estudaremos a macroeconomia, e você verá como o
governo pode interferir nas decisões dos agentes econômicos a partir das
políticas econômicas adotadas. Também estudará os objetivos econômi-
cos que levam o governo a adotar essas políticas. Nesse sentido, o obje-
tivo é que você perceba e questione algumas políticas econômicas que
observa no seu dia a dia ao ouvir e ler nos jornais, por exemplo, sobre o
aumento ou redução da taxa Selic. Apesar de ser comum ouvirmos sobre
o aumento e/ou redução dessa taxa, pouco se explica como ela afeta a
nossa vida. Nesta unidade, ainda, você verá que a taxa Selic é um dos prin-
cipais instrumentos de política monetária.

Objetivos de Aprendizagem

• Identificar as áreas de estudo da macroeconomia.


• Conhecer as políticas econômicas que podem ser adotadas.
• Conhecer os instrumentos de política econômica.
• Analisar como as políticas econômicas podem afetar o ambiente
das empresas.

62
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

4.1. Macroeconomia
A macroeconomia estuda os agregados econômicos e como as escolhas individuais afetam os agregados nacio-
nais. No entanto, não é só isso, ela também se preocupa em estudar a economia regional ou nacional como um
todo. Sendo assim, a contabilização dos agregados nacionais, chamada de contabilidade nacional, é feita pelos
órgãos governamentais, como o IBGE, e órgãos estatísticos, como a FGV, os quais servem como parâmetro para
que o governo faça os ajustes necessários na economia.
Os países não interferem na economia somente por causa do desemprego ou para regulamentar o mercado. De
acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), também são motivos para a participação do governo na economia:
• crescimento da renda per capita: o aumento da renda per capita faz com que ocorra um aumento da
demanda de bens e serviços públicos (saúde, lazer, educação, segurança etc.);
• mudanças tecnológicas: a invenção do telefone demandou a instalação de rede de telefonia fixa. No
primeiro momento, essa rede foi ofertada pelo governo, pois as empresas privadas não tinham capital
suficiente e, tampouco, alcance nacional para as obras de infraestrutura necessárias;
• mudanças populacionais: alterações na taxa de crescimento da população levam a um aumento nos
gastos do Estado, devido ao aumento de sua despesa com saúde, lazer, educação, segurança etc.;
• efeitos da guerra: durante a guerra, a presença do Estado na economia aumenta, devido à necessidade
de financiar os esforços de guerra (armas, alimentação, transporte, saúde para os soldados etc.);
• fatores políticos e sociais: o surgimento de novos grupos sociais na política nacional faz com que se
exija do governo maior investimento em bens públicos (escolas, creches, hospitais etc.);
• mudanças da previdência social: a ampliação do papel da previdência social acarretou aumento dos
gastos do governo para a manutenção do mecanismo previdenciário. Inicialmente a previdência social
foi concebida somente para a aposentadoria, porém atualmente é um instrumento que serve também
para distribuição de renda.
Podemos inserir como um fator que já foi relevante o contexto histórico, no qual se discutiu sobre o papel do
governo na economia, assim como a criação dos mercados financeiros e também a maior participação dos países
no comércio internacional. Esses novos mercados tornaram as relações econômicas mais complexas e também
trouxeram o aspecto da incerteza e da especulação nos mercados (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
Até aqui, você viu quais são as razões para o governo participar da economia mais ativamente. Agora, verá quais
são as funções do governo na economia.

4.2. Funções do governo na economia


Essas funções são:
1. alocativa está relacionada com a alocação dos recursos do governo para oferecer bens e serviços que não
são oferecidos adequadamente à população pelo mercado, ou seja, os bens públicos. Tais bens podem se
dividir em bens públicos puros e bens semipúblicos, ou meritórios:
»» bens públicos puros são aqueles cuja utilização não é excludente, ou seja, o fato de você consumir
não impossibilita que outra pessoa também o consuma (ou diminui a quantidade disponível). Pode-
mos citar como exemplo o serviço de despoluição de um rio, pois o benefício que trará para você não

63
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

impossibilita outro de usufruir desse mesmo benefício. O mesmo acontece com a segurança nacional
e os serviços de meteorologia;
» bens semipúblicos ou meritórios são aqueles cuja utilização é excludente (o seu consumo diminui
a quantidade física disponível ou impossibilita que outras pessoas consumam), porém são oferecidos
pelo governo. Os exemplos para esse tipo de bem são a saúde, a educação, o saneamento etc.;
2. distributiva dtem relação com a redistribuição de renda. Isso ocorre porque o mercado, pelo sistema de
preços e salários, via de regra, não distribui a renda de maneira igual entre os diversos setores da socie-
dade. Em decorrência dessa má distribuição de renda, o governo age através da tributação para corrigir
essa falha, retirando recursos dos agentes mais ricos da sociedade (pessoas, setores ou regiões) e trans-
ferindo para os mais pobres (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014);
3. estabilizadora: tem como objetivo interferir na economia para alterar o comportamento dos níveis de
preço e de emprego. Essa intervenção ocorre através das políticas econômicas: política fiscal, monetária,
cambial, comercial e de rendas.
Portanto, a macroeconomia se preocupa em estudar os motivos que levam os governos a interferirem na econo-
mia, assim como a maneira pela qual essa intervenção deve ser feita.

4.3. Política econômica


O governo pode escolher interferir na economia a partir dos instrumentos de política econômica que tem à dis-
posição. Mas o que é política econômica?
• Podemos considerar como objetivos econômicos:
• alto nível de emprego;
• estabilidade de preços;
• distribuição de renda socialmente justa;
• crescimento econômico.
O emprego e a inflação são questões trabalhadas na política econômica no curto prazo, já a distribuição de renda
e o crescimento econômico são trabalhados no longo prazo, pois dependem de mudanças estruturais na eco-
nomia do país.
Para que a política econômica consiga atingir seus objetivos, ela dispõe de cinco instrumentos: a política fiscal, a
monetária, a cambial, a comercial e a política de rendas (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
A política fiscal efere-se aos instrumentos de que o governo dispõe para arrecadar tributos e controlar suas des-
pesas. Esse instrumento não só interfere no nível de tributação como também é um meio de estimular ou inibir o
consumo das famílias e empresas, através da manipulação da alíquota e estrutura de impostos.
A política monetária é a atuação do governo sobre a quantidade de moeda e títulos públicos na economia
(VASCONCELLOS, 2015).
Os instrumentos utilizados são: emissão de moeda, reserva compulsória, open market (compra e venda de títulos
públicos), redescontos (empréstimos do Banco Central aos bancos comerciais) e regulamentação sobre crédito e
taxa de juros. Em julho de 2015, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) decidiu aumentar a
taxa básica de juros, Selic, para 8,5% ao ano, a fim de controlar a inflação.

64
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

Na política cambial,ocorre atuação do governo sobre a taxa de câmbio, podendo ser ela fixa (determinada pelo
governo) ou flexível (determinada pelo equilíbrio de mercado).
A taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira em relação à moeda nacional e é determinada nesse mercado,
ou seja, a partir da demanda e oferta por moeda estrangeira. Nesse sentido, esse mercado se caracteriza por ter
empresas e pessoas demandando moeda estrangeira e empresas e pessoas ofertando moeda nacional, pois,
como exemplo, as empresas estão vendendo produtos no mercado externo e suas receitas são em dólar.
O preço da moeda nacional em relação à moeda internacional é chamado de taxa de câmbio (R$/US$). Nesse
contexto, as políticas cambial e comercial atuam sobre as variáveis do setor externo da economia.
A política de rendas refere-se à intervenção direta do governo na formação de renda (salários, aluguéis) com
o controle e congelamento de preços. Durante o governo Sarney (1985-1990), tivemos o congelamento dos
preços com a intenção de conter a inflação. Atualmente, temos a determinação do salário mínimo como uma
ferramenta de controle dos salários.
A partir da identificação das políticas econômicas e de como elas podem afetar a economia, você já poderá com-
preender como a economia funciona a partir de fluxos e como esses fluxos alteram os indicadores da economia,
chamados de agregados macroeconômicos. Na próxima unidade, você estudará os fluxos da renda, dispêndio e
do produto, assim como os agregados macroeconômicos e a relação entre eles. Continue estudando!

4.3.1. Política monetária e seus instrumentos

Uma das ferramentas que o governo possui para regular a economia do país é a política monetária. Assim, é atra-
vés desse instrumento que o governo interfere na quantidade de moeda no mercado. Para isso, o governo conta
com: emissão de moeda, reserva compulsória, open market, redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa
de juros (VASCONCELLOS, 2007).
O controle das emissões de moeda é feito pelo Banco Central do Brasil com a intenção de controlar o volume
de moeda manual da economia. Já os depósitos compulsórios, ou reservas obrigatórias são os depósitos obri-
gatórios dos bancos comerciais no Banco Central. Esses depósitos são realizados a partir de um percentual dos
depósitos à vista recebidos pelos bancos. Esse percentual é determinado pelo Banco Central.
Nesse sentido, o aumento ou diminuição do percentual do depósito compulsório influencia o volume de emprés-
timo bancário (VASCONCELLOS, 2007).
As operações com mercado aberto, chamadas de open market, consistem na compra e venda de títulos públicos
e obrigações pelo governo. O Banco Central mantém uma carteira de títulos para realizar operações reguladoras
da oferta de moeda. Quando o governo coloca mais títulos à venda, reduz os meios de pagamento; quando com-
pra os títulos de volta, amplia os meios de pagamento (VASCONCELLOS, 2007).

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Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

Para conhecer os títulos governamentais, acesse a página do Tesouro Direto. Disponível


em: <https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/o-que-sao-titulos-publicos>. Acesso em:
06/01/2017

As operações de redesconto envolvem a liberação de recursos pelo Banco Central aos bancos comerciais, que
podem ser empréstimos ou redesconto de títulos. Por exemplo, para estimular a compra de máquinas agrícolas o
Banco Central abre uma linha de crédito pela qual os bancos comerciais emprestam (descontam) aos produtores
rurais e redescontam o título no Banco Central (VASCONCELLOS, 2007).
Além disso, o Banco Central também pode influenciar através da regulamentação da moeda e do crédito,
fixando taxas de juros, exigindo maior rigor na concessão de crédito e alterando os limites de prazos para o cré-
dito ao consumidor. Esses artifícios são exemplos de como o Banco Central pode regulamentar a oferta de moeda
(VASCONCELLOS, 2007).
Tais instrumentos são utilizados para atingir os objetivos de política econômica, que são o alto nível de emprego,
a estabilidade de preços, o crescimento econômico e a distribuição de renda socialmente justa.
Nesse sentido, as políticas monetárias são as mais utilizadas no Brasil, visto que são de fácil implementação, e os
resultados podem ser mensurados mais facilmente.
Podemos observar nos últimos anos o aumento da taxa de juros básica da economia, a taxa Selic, que passou de
8,5% para 14,25% até maio de 2016. Havia uma preocupação com a inflação, porém, dado o desaquecimento da
economia, em outubro de 2016, a taxa Selic teve a primeira queda, desde 2012, e foi para 14% ao ano. No mês
seguinte, uma nova queda ocorreu e a taxa Selic foi para 13,75%. Além da taxa de juros, o governo tem reduzido
a emissão de moeda e colocado mais títulos públicos à venda.

4.3.2. Inflação e suas consequências


A inflação é conceituada como um processo de aumento contínuo e generalizado nos níveis de preços. A
mudança nos preços afeta o valor da moeda e, consequentemente, o poder de compra nas transações econô-
micas. Portanto, quando o nível de preços aumenta, as pessoas têm que pagar mais pelos bens e serviços que
adquirem, pois com uma aula monetária real se compra menos quantidade de bens e serviços (VASCONCELLOS;
GARCIA, 2014).
A ocorrência da inflação na economia traz diversas consequências sobre os agentes econômicos. A primeira
delas refere-se à distribuição de renda, pois alguns setores têm rendimentos fixos com prazos para os reajustes,
o que ocasiona uma perda em seu poder aquisitivo (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

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Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

Você já pensou em como o processo inflacionário afeta a distribuição de renda? Os mais


pobres, aqueles que não têm condições de aplicar seu dinheiro para ter alguma proteção de
seu valor, veem seu poder aquisitivo ser corroído quando há um processo inflacionário. Sim-
plesmente, o que eles conseguiam comprar no mês anterior com uma determinada quantia
de recursos já não é mais possível de ser adquirido, pelo mesmo valor, no mês seguinte.

O segundo efeito diz respeito ao balanço de pagamentos, pois, se a taxa de inflação for superior ao aumento dos
preços internacionais, o bem produzido internamente se tornará mais caro em relação ao importado, ocasio-
nando um aumento das importações e uma redução das exportações (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
O terceiro efeito é conhecido como “custos de menu”. Isto porque algumas empresas fixam os preços de seus
bens e os mantêm inalterados durante certo período, pois a alteração desses valores envolve custos, tais como o
de impressão de novas listas de preços (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
Outro efeito da inflação relaciona-se à formação de expectativas sobre o futuro. A instabilidade e imprevisibili-
dade da evolução do nível de preço dificultam o planejamento empresarial.
Nesse contexto, de acordo com o fator causador da inflação, foram formuladas diferentes teorias de inflação:
inflação de demanda, inflação de custos, inflação estrutural e inflação inercial (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
Veja a explicação de cada uma delas a seguir:
• a inflação de demanda acontece pelo excesso de demanda agregada em relação à oferta de bens e
serviços disponíveis na economia, ocorrendo normalmente quando a economia se encontra próxima do
pleno emprego dos seus recursos;
• a inflação de custos é considerada inflação de oferta, que ocorre quando o aumento dos custos das
empresas é repassado para os preços;
• a inflação estrutural teve sua formulação teórica na América Latina, por causa de problemas surgidos
com a industrialização dos países latino-americanos, devido à incapacidade estrutural de determinados
setores produtivos para responder às alterações na demanda.
A inflação inercial surgiu nos anos 1980. Segundo essa teoria, a persistência da inflação é proveniente de meca-
nismos de indexação formal, ou informal, que atrelam os preços atuais à inflação passada.
A partir do entendimento dos efeitos da inflação e de como ela se origina, você já pode entender como as altera-
ções na taxa de juros definida pela política monetária podem influenciar o comportamento das empresas quanto
à disposição em realizar investimentos.

67
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

4.3.3. Taxas de juros x investimentos


As decisões dos empresários com relação à compra de máquinas, manutenção de estoques e capital de giro
serão determinadas pelo nível atual da taxa de juros e pela sua expectativa futura. Se o empresário tiver uma
expectativa pessimista sobre a taxa de juros, ou seja, entender que no futuro ela estará maior, vai diminuir seus
estoques e seu capital de giro no presente, pois no futuro ficará mais caro mantê-los (VASCONCELLOS; GARCIA,
2014).
Esse fato também interfere nos investimentos em bens de capital, afinal, se as taxas estiverem muito altas, isso
poderá inviabilizar a tomada de empréstimos, e o empresário poderá preferir a aplicação de recursos no mercado
financeiro.
Para os consumidores a taxa de juros também é importante, pois, quanto menor essa taxa, maior o poder de
compra do consumidor. Ao comprar uma televisão nova, se a taxa de juros estiver alta, o consumidor vai preferir
guardar seu dinheiro e pagar à vista. Caso a taxa de juros esteja baixa, o consumidor poderá antecipar esse con-
sumo e pagar de forma parcelada (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
Além disso, uma alta taxa de juros pode interferir na propensão marginal a consumir e a poupar, pois os con-
sumidores estarão mais dispostos a preferir a poupança em relação ao consumo, enviando suas economias ao
mercado financeiro.

Apesar de a taxa básica da economia ser dada pela Selic, é possível encontrar investimentos
com remunerações variadas. Atualmente, não é um bom negócio investir na caderneta de
poupança, pois sua remuneração está muito baixa. Um investimento que tem ganhado força
e popularidade é o Tesouro Direto, o qual permite que pessoas físicas invistam diretamente
nos títulos do governo, com uma remuneração mais atraente do que a da Poupança.

4.4. Política fiscal e seus efeitos


A política fiscal, como vimos brevemente na Unidade 2, é aquela em que o governo utiliza seus instrumentos de
arrecadação de impostos e controle de despesas para estimular ou inibir os gastos de consumo do setor privado.
Esses instrumentos são chamados de tributos, os quais são constituídos por taxas, contribuições de melhoria e
impostos. As taxas têm como função a cobrança pela utilização de serviços públicos específicos prestados ao
contribuinte ou colocados à disposição para sua utilização. Um exemplo de taxa é a taxa de lixo, em que cada resi-
dência paga um valor de acordo com a quantidade em quilos de lixo produzido (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
A contribuição de melhoria é cobrada quando uma obra pública aumenta o valor dos imóveis na região bene-
ficiada pela obra. Os exemplos para contribuição de melhoria são: asfaltamento, calçamento, rede de água e
esgoto etc. Quanto aos impostos, eles podem ser divididos em duas categorias: impostos diretos e indiretos.

68
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

• Os impostos diretos são aqueles pagos diretamente ao governo e que incidem sobre a renda e o
patrimônio. Os impostos sobre a riqueza (patrimônio) incidem sobre o estoque acumulado de riqueza do
contribuinte. São exemplos de impostos diretos: o IPTU (Imposto sobre Propriedade predial e Territorial
Urbana) e o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). Já o imposto sobre a renda incide
sobre os fluxos mensais, ajustados para valores anuais, sobre a renda do contribuinte. Como exemplo, há
o Imposto de Renda (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
• O imposto indireto refere-se à cobrança de imposto sobre as transações de mercadorias e serviços.
Nessa categoria, o destaque é dado para o momento em que ocorre a cobrança do imposto (sobre o
produtor ou consumidor) e qual o método de cálculo (no valor total da transação ou no valor adicionado
ao produto). Os exemplos são: ISS (Imposto Sobre Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Para conhecer mais sobre os impostos aplicados no Brasil, acesse o site do Governo Fede-
ral, que está disponível no seguinte endereço: <http://www.brasil.gov.br/sobre/economia/
impostos>. Nele são descritos todos os impostos federais utilizados pelo governo.

Outra classificação possível dos impostos é com relação à sua incidência. De acordo com essa classificação eles
podem ser impostos regressivos, progressivos e proporcionais (ou neutros).
• Os impostos regressivos são aqueles em que quanto maior a renda menor é o aumento proporcional
de contribuição (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014). Essa proporção menor de contribuição ocorre nos
impostos indiretos porque utilizam a mesma alíquota de imposto para todos os contribuintes, agindo no
preço da mercadoria, e não na renda. Os contribuintes de menor renda pagam proporcionalmente esses
impostos, em relação aos contribuintes de maior renda.
• Os impostos proporcionais são aqueles em que a relação entre a carga tributária e a renda permanece
constante, ou seja, um aumento na renda leva a um aumento na contribuição tributária na mesma
proporção. No Brasil não temos exemplos desses tipos de impostos (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
• Os impostos progressivos são aqueles em que se tem um aumento na contribuição tributária
proporcionalmente maior do que o aumento na renda. Nesses impostos as classes de maior poder aquisi-
tivo são mais sobrecarregadas de impostos do que as classes de menor poder aquisitivo. Os exemplos são
os impostos de renda de pessoa física e jurídica.
Esses instrumentos da política fiscal podem ser utilizados para atingir os seguintes objetivos da economia: redu-
ção da taxa de inflação, crescimento econômico e melhoria na distribuição de renda. Vamos abordar cada um
deles.
Nos casos em que o governo pretende reduzir a taxa de inflação, os instrumentos de política fiscal podem auxiliar
na inibição do consumo, o que tende a causar uma redução do nível de preços no mercado.
Para atingir esse resultado, os instrumentos mais utilizados são a redução dos gastos públicos e o aumento da
carga tributária. Além disso, esses instrumentos podem ser usados em conjunto ou isoladamente, dependendo
do quanto alteram o consumo.

69
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

Para que haja o crescimento econômico, o governo precisa aumentar a demanda agregada e, para isso, ele utili-
zará como instrumentos o aumento de gastos públicos e/ou a redução da carga tributária.
O governo brasileiro tem feito isso nos últimos anos através das obras públicas do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) e da redução de alguns impostos. Assim, a redução de impostos é realizada em setores que
afetam diretamente o consumo e que são considerados pelo governo como essenciais, pois também interferem
em outros setores, como o metalúrgico e o de bens de capitais. Podemos citar como exemplos as reduções de IPI
nos setores automobilístico e de eletrodomésticos da linha branca.
Na política fiscal utilizada para atingir o objetivo de melhoria da distribuição de renda, os instrumentos utilizados
podem ser desde o aumento dos gastos públicos até o aumento/redução da carga tributária, porém utilizados de
forma seletiva. Essa seleção deve ser feita em prol dos mais necessitados da distribuição de renda.
Os exemplos que podemos citar são as políticas de impostos progressivos e o aumento de gastos públicos nas
regiões mais atrasadas do país. Também é possível ocorrer isenção de impostos para determinados níveis de
renda, como acontece no Imposto de Renda e na conta de luz.
Importa lembrar que as mudanças nas políticas tributárias só podem ocorrer no ano seguinte ao de sua apro-
vação no Congresso Nacional, e essa regra decorre de um princípio constitucional conhecido como princípio da
anterioridade. Em decorrência disso, as políticas fiscais não são tão comumente utilizadas para a resolução de
problemas de curto prazo, como o aumento da inflação.
Esta unidade permitiu discutirmos sobre os efeitos das políticas monetárias e fiscais acerca do crescimento eco-
nômico, inflação, emprego e distribuição de renda. Isto porque todos esses objetivos econômicos compõem o
desenvolvimento econômico de um país.

4.5. Política de rendas


É caracterizada como política de rendas a intervenção direta do governo na formação de renda por meio,
por exemplo, de congelamento de preços, controle de salários ou aluguéis. Essa política tem por objetivo a
redistribuição de renda na economia.

4.6. Política cambial e comercial


A política cambial e comercial tem por objetivo administrar as contas externas do país.
Tal política compreende a atuação do governo sobre a taxa de câmbio, refletindo o valor a que um país aceita
negociar sua moeda. Assim, a taxa de câmbio pode incentivar ou desestimular as trocas internacionais, ou seja,
os movimentos de mercadorias, serviços e capitais entre os países, o que impactará o resultado da Balança
Comercial.
O governo de um país deve estabelecer o seu regime cambial, que pode ser fio, flutuante ou de flutuação suja
(dirty float).

70
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

Glossário

Dirty float, ou flutuação suja, ocorre quando o Banco Central entra no mercado cambial
comprando ou vendendo moeda para puxar a cotação para cima ou para baixo. Nesse caso,
apesar de o câmbio não ser administrado, a autoridade monetária pode influenciar as cota-
ções intervindo no mercado com compras ou vendas. A maioria dos países que tem o regime
de câmbio flutuante, na verdade, trabalha com a dirty float, pois é muito arriscado deixar a
moeda flutuar livremente sem intervenção alguma. .

No regime de câmbio fixo, a taxa de câmbio é atrelada a um referencial, como ouro ou dólar. Dessa forma, a
autoridade monetária fixa a taxa de câmbio e se compromete a comprar e/ou vender moeda à taxa estipulada. A
manutenção desse regime pode ser difícil de ser administrada, pois há o risco de ocorrerem ataques especulati-
vos à moeda e de o governo precisar utilizar as reservas para manter a cotação da moeda nacional.
O regime de câmbio flutuante, por sua vez, é aquele em que as taxas de câmbio acompanham livremente as
oscilações de mercado, sem intervenção da autoridade monetária. Assim, o valor da taxa de câmbio flutua em
decorrência da entrada ou saída de dólares no país.
No regime de flutuação suja (Dirty Float), o Banco Central se reserva o direito de intervir no câmbio em determi-
nadas circunstâncias. Não existe uma meta para a taxa do dólar, como no caso do câmbio fixo, mas a autoridade
monetária poderá intervir comprando ou vendendo moeda para administrar o mercado. Este é o atual regime de
câmbio no Brasil, assim em como em diversas outras economias do mundo.
A política comercial, por sua vez, compreende os incentivos ou desestímulos à exportação e à importação. Por
exemplo: taxas de juros subsidiadas aos exportadores, barreiras à importação, elevação ou queda de impostos
sobre produtos importados.

4.5. Estrutura de análise macroeconômica


Em geral, os economistas subdividem o modelo macroeconômico em quatro mercados distintos, de forma a
facilitar a análise de cada um e a interação entre eles:
1. mercado de bens e serviços;
2. mercado de trabalho;
3. mercado financeiro;
4. mercado de divisas (também chamado de mercado de câmbio).
Alguns autores, no entanto, fazem uma segmentação um pouco diversa, em cinco mercados: de bens e serviços,
de trabalho, monetário, de títulos e de divisas. Nesta unidade, contudo, a segmentação será feita em quatro mer-
cados, tratando o mercado monetário e o de títulos como parte do mercado financeiro. A justificativa para essa
escolha é que esses mercados estão de tal forma interligados que a análise conjunta parece facilitar o entendi-
mento.

71
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

No lado “real” da economia estão o mercado de bens e serviços e o mercado de trabalho. No mercado de bens e
serviços são determinados a produção (ou oferta) agregada e nível geral de preços.
Já o lado monetário da economia compreende o mercado financeiro, que abrange o mercado monetário e de
títulos, assim como o mercado de divisas.
Em conjunto, esses mercados determinam variáveis econômicas de grande importância, que são as mais noticia-
das em jornais e revistas sobre o tema: inflação, desemprego, taxas de juros e taxas de câmbio.
O grande desafio de se estudar macroeconomia é que um mercado influencia os demais, ou seja, para que uma
análise correta seja feita, deve ser levada em conta a interação entre os mercados. Dessa forma, a taxa de juros,
determinada no mercado financeiro, afeta a demanda no mercado de bens e serviços, o que afetará o nível de
renda que, por sua vez, influenciará o mercado de títulos, o qual pertence ao mercado financeiro. Enfim, as vari-
áveis e os mercados macroeconômicos estão todos interligados.
Assim, a macroeconomia tem como funções: a) explicar como esses mercados funcionam e como eles intera-
gem; b) em que velocidade as forças da oferta e da demanda poderão levá-los ao equilíbrio; c) estudar como os
instrumentos de política macroeconômica podem agilizar o direcionamento destes em direção ao equilíbrio.
A aplicação das políticas macroeconômicas não é óbvia, pois, dada a interação entre os mercados, para combater
o desemprego, por exemplo, o governo poderia atuar no mercado de bens e serviços por meio de uma redução de
impostos (política fiscal) e, no mercado financeiro, por meio da diminuição das taxas de juros (política monetária).
No entanto, para fins didáticos, a análise da macroeconomia é realizada em etapas, de forma que cada mercado é
analisado isoladamente, como se os demais mercados estivessem estáveis, ou constantes. Após o entendimento
de cada um dos mercados de forma individual, a análise das interações entre eles fica menos complexa.

4.5.1. Mercado de bens e serviços

Fonte: http://conceitos.com/producao/

No mercado de bens e serviços, são determinados o nível de produção agregada e o nível de preços, os quais
estão condicionados ao nível de demanda e oferta agregada.

72
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

Lembrando que a demanda agregada é a demanda conjunta de todos os agentes econômicos: consumidores,
governo, empresas e setor externo, sendo este último o representante dos demandantes de produtos exportados
pelo país.
Quanto à oferta agregada, esta é representada por todos os bens e serviços produzidos no país. Essa oferta
depende da evolução do nível de emprego, do nível de renda; da capacidade instalada da economia; do nível de
preços, do consumo agregado, da poupança agregada; dos investimentos agregados, das exportações totais e
das importações totais.
Para que haja equilíbrio, a demanda agregada deve ser igual à oferta agregada.

4.5.2. Mercado de Trabalho

Fonte: http://www.ncst.org.br/

Na análise macroeconômica do mercado de trabalho, não se distinguem os diferentes tipos de atividades e nem
há segmentação pela qualificação dos trabalhadores. Isto porque o mercado de trabalho trata todos os trabalha-
dores como parte de um único conjunto.
As variáveis determinadas nesse mercado são o nível de emprego e os salários nominais.
Assim, a demanda por mão de obra depende de seu custo efetivo e do nível de produção desejado pelas empre-
sas. Já a oferta depende do nível de salários oferecidos e da evolução da população economicamente ativa.
O equilíbrio é atingido quando a demanda agregada iguala a oferta agregada.

73
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

4.5.3. Mercado Financeiro

Fonte: http://negocioslucrativosonline.com/tags/mercado-financeiro/

O mercado financeiro abrange o mercado monetário e o mercado de títulos.


No mercado monetário são determinados a taxa de juros e o estoque de moeda, ou meio de pagamentos. A
oferta de moeda é determinada pelo Banco Central e pelos bancos comerciais.
No mercado de títulos, os agentes superavitários compram títulos dos deficitários. Tais títulos podem ser emiti-
dos tanto pelos governos como por empresas.
Além disso, o mercado de títulos e o mercado monetário estão conectados, pois, quando o governo deseja, por
exemplo, colocar mais moeda no mercado ou aumentar o crédito, ele recompra títulos públicos; quando deseja
enxugar liquidez do mercado, vende títulos, geralmente, oferecendo uma taxa de juros maior, ou seja, mais atra-
tiva. Portanto, a taxa de juros é determinada tanto pelo mercado de títulos como pelo mercado monetário.

74
Economia | Unidade 4 - Macroeconomia

4.5.4. Mercado de divisas

Fonte: <http://jornalggn.com.br/noticia/os-riscos-do-endividamento-em-moeda-estrangeira-nos-emergentes-por-luiz-
-gonzaga-belluzzo>.

O mercado de divisas compreende as transações de um país com o resto do mundo.


A oferta de divisas é composta pelos recursos advindos das exportações e pela entrada de capital financeiro
(investimentos em mercado financeiro e de capitais). Já a demanda de divisas é composta pelo volume de impor-
tações e pela saída de capital financeiro.
A variável que é determinada nesse mercado é a taxa de câmbio, ou seja, o preço da moeda nacional em termos
de outras moedas.
Como já foi comentando, no Brasil, o regime cambial é o de Dirty Float, por meio do qual o Banco Central pode
interferir nesse mercado, por exemplo, comprando ou vendendo moedas quando julgar adequado ou necessário

Para revisar alguns pontos abordados sobre macroeconomia, acesse o seguinte endereço:
<https://www.youtube.com/watch?v=NdPxDNmHJ8U>.

75
Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia Micro e Macro. 4. ed. São Paulo:
Atlas, 2015.

______. Manual de Economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

______; GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia. 3. ed. São Paulo:


Saraiva, 2014.

______; TONETO JR., R.; SAKURAI, S. Economia Fácil. São Paulo: Saraiva,
2015.

MANKIW, N. G. Introdução à Economia. São Paulo: Cengage Learning,


2010.

76
Unidade 5
Contabilidade nacional

Para iniciar seus estudos


5
Como já vimos na unidade anterior, a macroeconomia estuda os agrega-
dos econômicos, e a medição desses agregados é realizada pela contabi-
lidade nacional, conhecida também como contabilidade social.
Nesta unidade, estudaremos como os agregados econômicos são medi-
dos a partir de valores já realizados, ou seja, ex post, ou já ocorridos. Como
observam Vasconcellos e Garcia (2014), na macroeconomia, os valores
são teóricos, previstos ou planejados, isto é, trabalha-se com o conceito
ex ante, ou antes de ocorrerem.
A contabilidade nacional trata o país como se fosse uma grande empresa
que produz um único produto, o Produto Nacional Bruto, ou seja, o agre-
gado de tudo o que é produzido no país.

Objetivos de Aprendizagem

• Entender os princípios básicos das contas nacionais.


• Compreender os fluxos pela ótica da renda, do produto e da des-
pesa e da renda;
• Conhecer as principais formas de medir os agregados macroeco-
nômicos.
• Identificar conceitos importantes, como Produto Nacional, Con-
sumo, Investimento, Poupança e PIB.

78
Tópicos de estudo

A contabilidade social ou contabilidade nacional registra a atividade eco-


nômica global de um país num período determinado. É realizada pelo
método das partidas dobradas (um crédito pede um débito), e os países
seguem um modelo determinado pela Organização das Nações Unidas
(ONU).
Para que possamos entender melhor a contabilidade nacional, é necessá-
5
rio que alguns conceitos sejam esclarecidos.

79
Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.1. Setores da Economia e Agentes Econômicos


Os setores da economia podem ser divididos em: setor primário, setor secundário e setor terciário.
• Primário: abrange a produção da agricultura, pecuária, pesca e extração vegetal.
• Secundário: faz parte desse setor a produção da indústria e da extração mineral.
• Terciário: serviços, comércio, transportes, comunicações e serviços públicos.
Já os agentes econômicos podem ser definidos como as entidades que realizam as transações econômicas. Estão
classificados em empresas, famílias, governo e o resto do mundo.
• Empresas: como já foi visto, são os agentes produtores de bens e serviços. Para produzir bens e serviços,
compram os fatores de produção das famílias (terra, capital e trabalho), pagando a estas uma remune-
ração.
• Famílias: são as entidades que fornecem os fatores de produção às empresas e, numa economia com-
pleta, também ao governo.
• Governo: é constituído pelos órgãos da Administração Direta, de nível federal, estadual e municipal, que
prestam serviços que são consumidos pela coletividade, como a defesa nacional, a administração da jus-
tiça, a educação etc. O governo não tem o objetivo de obter lucro, e suas empresas públicas e de socie-
dade mista estão incluídas como empresas.
• Resto do mundo: são todas as entidades que praticam atos econômicos com o país em que se elabora a
contabilidade social e que tenham a sua residência fora das fronteiras geográficas deste. Se estivermos
trabalhando com a contabilidade social do Brasil, o resto do mundo são os agentes dos outros países.
Todos esses participantes levam ao fluxo circular da renda, como já foi abordado anteriormente.

5.2. Fluxo circular do produto, da renda e do dispêndio


A macroeconomia utiliza o fluxo circular da renda para estudar como são formados o produto e a renda gerados
pela atividade econômica.
Como foi abordado resumidamente na Unidade 1, o fluxo circular da renda se dá pela interação entre os agentes
econômicos: famílias, empresas, governo e setor externo (VASCONCELLOS, 2007).
Podemos medir o resultado da atividade econômica do país por três óticas:
• a ótica da produção e venda de bens e serviços finais na economia, conhecida como ótica do produto
(que observa os bens e serviços produzidos) e do dispêndio (que observa a economia pelas despesas
para a produção dos bens e serviços). A ótica do produto e a do dispêndio são medidas pelo mercado de
bens e serviços
• a ótica da renda gerada no processo de produção é chamada de ótica da renda. É medida pelos fatores de
produção, ou seja, salários, juros, aluguéis e lucros.
Para compreender melhor essa questão pense numa família que representa o conjunto de famílias existentes na
economia. Vamos avaliar o fluxo circular dessa família pela ótica do produto e do dispêndio.

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

A família trabalha na empresa A, ou seja, fornece seu serviço de mão de obra para a empresa A. Por sua vez, a
empresa A utiliza essa mão de obra e os insumos que vai adquirir na produção do produto AB. Com o produto
pronto, a empresa A oferece o produto AB ao mercado de bens e serviços, os quais serão comprados pela família.
Este é o fluxo circular do produto e do dispêndio, o qual pode ser visualizado na Figura 5.1..

Figura 5.1 – Fluxo circular do produto e dispêndio

Fonte: Adaptada de Vasconcellos (2007).

Agora que você já visualizou o funcionamento do fluxo circular do produto e do dispêndio, veja como funciona o
fluxo circular pela ótica da renda.
A empresa A, do exemplo anterior, paga um salário para a família fornecer sua mão de obra. Assim, para essa
família, o salário é a sua renda e será gasto na compra do produto AB. Por seu turno, o salário gasto para o con-
sumo do produto AB será a receita da empresa A. Visualize melhor o fluxo circular da renda na Figura 5.2, a seguir.

Figura 5.2 – Fluxo circular da renda

Fonte: Adaptada de Vasconcellos (2007).

Agora que já você pôde compreender como funcionam os fluxos circulares pelas duas óticas, veja a seguir como
o consumo das famílias e as outras despesas são incorporados aos agregados nacionais.

81
Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.3. Produto Nacional


O produto de uma economia é representado pelo valor de todos os bens e serviços finais produzidos em deter-
minado período de tempo.
Bens finais porque não se consideram os bens e serviços intermediários, como matéria-prima e componentes,
para que não haja múltipla contagem.
O produto é definido por um período de tempo, ou seja, o produto brasileiro de 2016 são todos os bens e serviços
produzidos e realizados em 2016. Os estoques anteriores a esse ano não contam como produto de 2016, e sim
numa conta de variação de estoques. O produto de uma economia é a soma dos produtos do setor primário,
secundário e terciário.

Onde:
• PN= Produto Nacional
• psp= preço unitário dos bens do setor primário
• pss = preço unitário dos bens do setor secundário
• pst = preço unitário dos serviços do setor terciário
• qsp = quantidades produzidas dos bens no setor primário
• qss = quantidades produzidas dos bens no setor secundário
• qst = quantidades produzidas serviços do setor terciário
O setor primário corresponde à agricultura, pecuária, pesca e extração vegetal; o setor secundário abrange a
indústria e a extração mineral; já o setor terciário engloba os serviços, comércio, transportes e comunicação.
O Produto Nacional, por seu turno, engloba todos os setores e pode ser representado por:

Onde:
• i = bens e serviços finais
• pi = preço unitário dos bens e serviços finais
• qi = quantidade dos bens e serviços finais

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.4. Despesa Nacional


A Despesa Nacional (DN) revela quais são os setores compradores do Produto Nacional, ou seja, representa os
gastos dos agentes econômicos ou quais os setores compradores do Produto Nacional.
Suponha que o país produza apenas soja e trigo e que as famílias, as empresas, o governo e alguns países de fora
comprem o que nossa simples economia produziu.
Esta seria a Despesa Nacional, que é o gasto dos agentes econômicos com o Produto Nacional. Mais especifica-
mente:
Despesa Nacional = despesas das famílias (c) + despesas das empresas (i) + despesas do governo (g) + despesas
líquidas do setor externo (X – M)
DN = C + I + G + X – M
Onde:
• C = despesas ou consumo das famílias (bens que as famílias compram)
• I = despesas das empresas, ou simplesmente, investimento.
• G = despesas ou gastos do governo para sua manutenção e para a coletividade.
• (X – M) = despesas do setor externo, onde X = exportações e M= importações.
(*) Deveria ser computado somente os gastos que o resto do mundo teve comprando a mercadoria do nosso país,
mas as nossas empresas também gastaram – compraram (importaram) – mercadorias ou serviços dos outros
países, os quais devem ser excluídos da equação.

5.5. Renda Nacional


Como mencionado anteriormente, o consumo das famílias ocorre a partir da renda obtida das empresas. Assim,
podemos afirmar que a renda das famílias, também chamada de Renda Nacional, representa a soma dos rendi-
mentos pagos aos fatores de produção no período analisado. Ou seja, é o total de pagamentos feitos aos fatores
de produção que foram utilizados para a obtenção do produto da economia. Assim, as remunerações dos fatores
de produção são pagas às famílias.
Os rendimentos que compõem essa equação são os salários (w), os aluguéis (a), os juros pagos (j) e o lucro das
empresas (l).
Definidas as variáveis, podemos representar a equação da Renda Nacional da seguinte maneira:

83
Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

Vejamos um exemplo do envolvimento entre produto e renda. Supondo uma economia que seja composta ape-
nas de uma empresa agrícola que use trabalho, terra, máquinas e equipamentos e capital de giro emprestado
para produzir soja e trigo. O produto e a renda dessa economia seriam, por exemplo:

Quadro 5.1 – Produto e renda

PRODUÇÃO RENDA

Valor total da produção de soja = 600.000 Total dos pagamentos de salários= 800.000
Valor total da produção de trigo = 400.000 Aluguel da terra = 80.000
Juros pagos = 20.000
Lucros = 100.000
1.000.000 1.000.000

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014)

O Produto Nacional, a renda e a despesa representam as três óticas para medir o resultado
da atividade econômica de um país, em um determinado período. É importante lembrar que
PRODUTO = RENDA = DESPESA.

Outra forma de medir o resultado das atividades econômicas de um país é o Valor Adicionado. Essa forma é a
mais usada por estatísticos e caracteriza-se por ser mais prática, mais operacional.

5.6. Valor Adicionado


De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), o Valor Adicionado, ou valor agregado, é aquele que se adiciona ao
produto em cada estágio da sua produção.
O método do Valor Adicionado (VN) consiste em calcular o que cada ramo de atividade adicionou ao valor do
produto final, em cada etapa do processo produtivo.
VALOR ADICIONADO = VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO (receita de vendas) – CONSUMO
DE PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS (MATÉRIA-PRIMA E COMPONENTES)
O Valor Bruto da Produção (VBP) é o faturamento, a receita de vendas de cada setor produtivo. É a renda gerada
por cada setor de atividade na cadeia de produção. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de
bens intermediários, o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor. Vamos ver um exemplo:

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

Quadro 5.2 – Fator de produção

TRIGO FARINHA PÃO

a) Receita de vendas 100.000 400.000 1.000.000 PN = DN = 1.000.000

b) Compras
intermediárias 0 100.000 400.000

Valor Adicionado 1.000.000 = RN


(a – b) 100.000 + 300.000 + 600.000 =

renda paga pelo renda paga renda paga


setor de trigo pelo setor de pelo setor de
aos fatores de farinha aos panificação
produção (VA fatores de aos fatores
trigo) produção (VA de produção
farinha) (VA pão)

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014)

Portanto:
PN = DN = RN = VA = 1.000.000
Mais um exemplo pela ótica do produto:

Quadro 5.3 – Fator de produção

Unidades Valor da Compra de bens Valor Adicionado


Produtoras Produção intermediários

(1) (2) (3) (4) = (2) – (3)

A 200 - 200
B 380 200 180
C 520 220 300

TOTAL 1.100 420 680

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014)

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E pela ótica da renda:

Quadro 5.4 – Fator de produção

Remunerações Empresa A Empresa B Empresa C Total

Salários 100 90 160 350


Juros 30 10 20 60
Aluguéis 20 15 5 40
Lucros 50 65 115 230

Total = Valor 200 180 300 680


Adicionado

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014)

Você pode estar se perguntando o que acontece se parte da produção não for vendida.
Nesse caso, a produção não vendida faz parte do produto, pois foi fabricada no período em
questão. Mas, como Produto Nacional e Despesa Nacional são iguais, os bens que não foram
vendidos deverão ser comprados pelos próprios fabricantes e tidos como estoques. Isso não
é absurdo. Mais tarde, no outro ano, se as despesas forem maiores que o produto (contrário)
haverá uma variação de estoques negativa, consumindo os estoques iniciais. Há um item
especial na contabilidade social voltado apenas para essa situação, chamado variação de
estoques..

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.7. Formação de Capital: Poupança, Investimento e


Depreciação
Como é destacado por Vasconcellos e Garcia (2014), vamos admitir que as famílias não gastem toda a sua renda
em bens de consumo. Ou seja, elas também guardam recursos sob a forma de poupança, para que possam
consumir no futuro. Por outro lado, as empresas também não produzem apenas bens de consumo, mas também
bens de capital, os quais elevarão a capacidade produtiva daquela economia.
Assim, devemos introduzir em nossa análise os conceitos de Poupança, Investimento e Depreciação, em nível
agregado.

5.7.1. Poupança agregada

A poupança agregada (S) representa a parte da renda, ou do Produto Nacional, não utilizada para consumo no
período de análise. Ou seja, ela representa a poupança que fazemos para cobrir imprevistos ou para gastos futu-
ros de maior valor. Sua formulação matemática é representada por:
S = PN – C
Onde:
• S= Poupança agregada
• RN = Produto Nacional
• C = Consumo agregado

5.7.2. Investimento agregado

Investimento é o gasto com bens de capital novos (representam aumento na capacidade produtiva) pelas
empresas com o objetivo de ampliar ou melhorar a sua capacidade produtiva. Além dos gastos com bens de capi-
tal (máquinas e equipamentos novos) na economia, quando as famílias compram imóveis novos, estes também
são considerados investimentos porque aumentam a capacidade de consumo da economia. Esses dois tipos de
investimento também são chamados de Formação Bruta de Capital Fixo.
Quando há variação de estoques na economia, ou seja, quando não foi consumido tudo o que foi produzido,
essas variações são consideradas também investimentos, sendo contabilizadas, conforme já dissemos como
Variação de Estoques. A soma da Formação Bruta de Capital Fixo mais a Variação de Estoques é igual ao
Investimento Total.
Investimento Total = Investimento em Bens de Capital + Variação de Estoques
Com a introdução do conceito de Investimento (I), o Produto Nacional (PN) fica:
PN = C + I
Ou seja, as empresas produzem bens de consumo (C) e bens de capital (I).

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

Não confunda o investimento em ações – CDB ou Poupança em bancos comerciais – com o


investimento econômico explicado anteriormente! Os investimentos em produtos financei-
ros representam transferências financeiras, pois não estão impactando diretamente a capa-
cidade produtiva da economia. No caso, por exemplo, do investimento em ações de empre-
sas, estas poderão usar os recursos das vendas de suas ações para comprar equipamentos
e elevar sua capacidade produtiva. Porém, o conceito de investimento, no sentido macro-
econômico, acontece quando há compra dos equipamentos, e não a compra das ações
por parte do investidor da Bolsa. Além disso, o investimento em equipamentos de segunda
mão também não entra no investimento agregado, pois não se trata da produção de novas
máquinas, estas apenas trocaram de mãos.

5.7.3. Depreciação

Depreciação é o consumo do estoque de capital físico em dado período. Note que as máquinas e equipamentos
também sofrem desgaste, mas as empresas computam esse desgaste (Depreciação) em parcelas, as quais são
abatidas do lucro das empresas.
Então, o Investimento é contabilizado de duas maneiras diferentes, incluindo ou não a Depreciação:
Investimento Bruto = Investimento sem descontar a Depreciação;
Investimento Líquido, ou Formação Líquida de Capital ou Acumulação Líquida de Capital, é o investimento
total, ou bruto, menos a depreciação:
Investimento Líquido (IL) = Investimento Total ou Bruto (IB) – Depreciação
IL = IB – D
Sendo assim, podemos também dizer que Produto Nacional Bruto menos a Depreciação é igual ao Produto
Nacional Líquido.
PNL = PNB – D
Ou seja, pode-se considerar no produto apenas o aumento da capacidade produtiva em termos brutos, ou então
considerar o seu desgaste (Depreciação).

88
Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.7.4. Identidade contábil entre Poupança e Investimento

Esta é uma das principais identidades macroeconômicas. Então se Produto Nacional (PN) é igual a Consumo (C)
mais Investimento (I):
PN = C + I
E Produto Nacional (PN) é igual a Consumo (C) mais Poupança (S),
PN = C + S
Pode-se concluir que Consumo mais Investimento é igual a Consumo mais Poupança:
C+I=C+S
Portanto, Investimento deve ser igual à Poupança:
I=S
Então, como você deve estar concluindo, são as poupanças das famílias que financiam os investimentos das
empresas, e a ponte entre ambos é feita pelo mercado financeiro. A renda não consumida pelas famílias é apli-
cada na aquisição de ativos financeiros, como depósitos, títulos, fundos de investimento, que rendem juros.
Assim, as instituições financeiras colocam esse dinheiro à disposição das empresas, que realizam os seus inves-
timentos. Além disso, os lucros que as empresas não distribuem por algum motivo e os gastos em Depreciação
também são investimentos.

Entenda qual o papel do mercado financeiro na economia, clicando aqui: <https://visaoeco-


nomica.wordpress.com/2010/03/24/o-que-e-intermediacao-financeira/>.

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.8. Os agregados relacionados ao setor público


Vamos agora incluir mais um participante no nosso modelo que contava apenas com as famílias e as empresas.
Com a inclusão do governo, poderemos introduzir os conceitos de Receita Fiscal e gastos do governo.

5.8.1. Receita Fiscal

A receita do governo é composta principalmente pela arrecadação de impostos, mas, também por algumas
outras receitas:
• impostos indiretos: incidem sobre as transações com bens e serviços, como o Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços (ICMS);
• impostos diretos: incidem sobre pessoas físicas e jurídicas. Por exemplo, Imposto de Renda;
• contribuições à previdência social: tanto por parte de empregados como por parte de empregadores;
• outras receitas: por exemplo, taxas, multas, pedágios, aluguéis.

5.8.2. Gastos do governo

Os gastos do governo dividem-se em três categorias (Vasconcellos e Garcia, 2014):


• gastos de ministérios e autarquias;
• Gastos das empresas públicas e sociedades de economia mista;
• gastos com transferências e subsídios.

5.8.3. Superávit ou déficit público

Quando o governo tem um total de arrecadação maior do que os gastos públicos, consideramos que ocorreu
superávit das contas públicas; quando ocorre o oposto temos déficit das contas públicas. Ao descontarmos do
total arrecadado dos gastos públicos e excluirmos os juros da dívida pública (interna e externa), temos o conceito
de superávit primário ou déficit primário.
Se forem incluídos os juros nominais sobre a dívida, tem-se o conceito de superávit ou déficit total ou nominal.
Porém, se forem considerados apenas os juros reais (ou seja, sem a taxa de inflação e a variação cambial), chega-
-se ao conceito de superávit ou déficit operacional (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

Glossário

O déficit ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, e o superávit ocorre quando
o governo arrecada mais do que aquilo que gasta. .

O conceito de déficit ou superávit primário é relevante, pois faz parte das metas negociadas entre os países e o
Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o FMI, um país que tem superávit primário está com as contas nacio-
nais equilibradas e pode honrar seus compromissos, assim, pode negociar sua dívida externa com juros maiores
e prazos menores (VASCONCELLOS, 2007).
Os gastos do governo representam um retorno de recursos deste para a população, pois, ao pagarmos os impos-
tos, estamos financiando as atividades do governo, que, ao gastar esses valores em atividades com serviços
essenciais, como saúde, educação, com transferência de renda ou até mesmo com as empresas mistas, gera um
aumento da atividade econômica. Por isso, no que se refere à demanda agregada, consideramos os gastos do
governo como um acréscimo.
Após conhecermos a participação do governo resta conhecermos o setor externo, composto pelas exportações
e importações.

5.9. Os agregados relacionados ao setor externo


Para que se complete o esquema da contabilidade social, faz-se necessário considerar os conceitos relacionados
à economia aberta. São eles: exportações, importações e renda líquida do exterior. Ao considerarmos a economia
aberta, é possível introduzir ainda a diferença entre produto interno e Produto Nacional.

5.9.1. Exportações e importações

Os conceitos de exportações e importações são bastante simples: as exportações representam as vendas, para
estrangeiros, de mercadorias produzidas no país; as importações são as compras que fazemos de produtos
estrangeiros.
Assim, as exportações trazem renda para o país, enquanto as importações levam a Renda Nacional para o exte-
rior. Portanto, somamos as exportações na demanda agregada e subtraímos as importações.

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Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

5.10. Produto Interno Bruto, Produto Nacional Bruto e Renda


Líquida do exterior.
O principal indicador de crescimento econômico de um país é o seu Produto Interno Bruto (PIB).
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território nacional, num dado período, a
preço de mercado.
Em termos matemáticos, o PIB nada mais é do que uma identidade da oferta agregada. Podemos representá-lo
a partir da seguinte expressão:
PIB = C + I + G + (X – M)
Onde:
• PIB = Produto Interno Bruto
• C= Consumo agregado
• G = gastos do governo
• X = exportações
• M = importações realizadas no período de análise
Você poderá se deparar também com a expressão “PIB per capita”, o qual consiste no PIB de um país dividido por
seu número de habitantes. Esse conceito deve ser analisado com cuidado, pois ele não pode ser tomado como
um indicador da renda média efetivamente recebida por habitante, uma vez que a renda gerada é distribuída de
forma desigual.
Na produção desses bens e serviços podem ter sido utilizados fatores de produção que são de propriedade de
residentes ou de não residentes. Dessa forma, o PIB engloba a remuneração de fatores de produção do exterior,
os quais são remunerados por juros, royalties e lucros. Porém, também existem residentes que possuem fatores de
produção fora do país e recebem por isso renda do exterior (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

Observe que nem toda a renda fica retida no país, pois parte dela retorna ao país de origem
através do lucro das empresas multinacionais instaladas no país; pagamento de royalties
para utilização de tecnologia estrangeira e pagamento de juros pela utilização de dinheiro
obtido no exterior (dívida externa).

92
Economia | Unidade 5 - Contabilidade nacional

Ao descontarmos a Renda Enviada ao Exterior (REE) da Renda Recebida do Exterior (RRE), temos a Renda Líquida
Enviada ao exterior (RLE). Podemos representá-la por:
RLE = RRE – REE
Ao somarmos a Renda Líquida Enviada ao exterior ao PIB, temos o Produto Nacional Bruto (PNB), que representa
a renda que efetivamente pertence aos residentes do país (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
PNB = PIB + RLE

O PIB pode ser calculado tanto do ponto de vista da oferta como da demanda agregada.
Para saber mais, clique aqui: <http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,entenda-
o-que-e-o-pib-e-como-ele-e-calculado,82627e>. .

Todos os agregados macroeconômicos estudados nesta unidade vão ajudá-lo a analisar melhor a economia e
perceber como as alterações de política econômica afetarão sua vida e sua empresa.

93
Considerações finais
Nesta unidade, entendemos que o fluxo circular da economia mostra a
interação entre os agentes econômicos e que o fluxo circular da renda
observa como as empresas e as famílias interagem a partir da renda
gerada durante as trocas.
Estudamos também como o consumo das famílias demonstra a relação
com a variável Despesa Nacional, que mede os gastos dos agentes eco-
nômicos na economia.
Compreendemos que a Renda Nacional representa a soma dos rendi-
mentos pagos aos fatores de produção; a poupança agregada representa
a parte da renda não utilizada para consumo; e o investimento agregado
é a soma dos investimentos das empresas em estoque e bens de capital.
Também aprendemos que o investimento agregado representa o acrés-
cimo ao estoque de capital que leva ao crescimento da capacidade pro-
dutiva.
Os gastos do governo, por sua vez, ocorrem para a manutenção de seus
ministérios, das empresas públicas e das transferências de renda.
Estudamos também o PIB, que representa a soma de todos os bens e ser-
viços finais produzidos dentro do território nacional, num dado período, a
preço de mercado.
O PNB, por sua vez, representa a renda que efetivamente pertence aos
residentes do país.

94
Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Manual de economia. 6. ed. São Paulo:
Saraiva, 2007. Disponível em: <http://integrada.minhabiblioteca.com.br/
books/9788502135062>. Acesso em: 19 jan. 2016.

______; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo:


Saraiva, 2014.

95
Unidade 6
Mercado de bens e serviços

Para iniciar seus estudos

Na unidade anterior, estudamos a contabilidade social, que trabalha com


6
os valores ex post, ou seja, que já aconteceram. Enquanto isso, a teoria
macroeconômica lida com valores ex ante, ou seja, antes que eles ocorram.
Após a quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, a economia experi-
mentou uma queda enorme de atividade, a qual deixou uma capacidade
ociosa sem precedentes, com elevadíssimos níveis de desemprego. Foi aí
que surgiu a discussão de que o mercado, por si só, não conseguiria sair da
crise e que seria necessária a intervenção do Estado.
A partir de então, as teorias do economista John Maynard Keynes começaram
a ganhar força. Keynes pregava que era necessária a intervenção governa-
mental para que a economia fosse levada ao pleno emprego no curto prazo.
As idéias de Keynes serviram de base para um modelo macroeconômico.
Essa parte do estudo econômico é chamada de teoria da determinação
do equilíbrio da Renda Nacional, ou modelo keynesiano básico, que se
divide em lado real (mercado de bens e serviços e mercado de trabalho) e
lado monetário (mercado monetário e de títulos).
Nesta unidade, estudaremos o lado real do modelo.

Objetivos de Aprendizagem

• Apresentar o modelo macroeconômico de bens e serviços, de


acordo com Keynes.
• Definir o equilíbrio entre demanda agregada e oferta agregada, de
acordo com o modelo keynesiano.
• Definir consumo agregado, investimento agregado, poupança
agregada.
• Entender o multiplicador keynesiano de gastos.

97
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

O mercado de bens e serviços: o lado real (modelo


keynesiano básico)
A corrente keynesiana surge a partir de uma crise do sistema de produção capitalista. Na visão de John M. Keynes
(1883-1946), formulada no livro “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, publicado em 1936, o capita-
lismo não pode ser regido somente pelo livre mercado. Keynes aponta que o Estado deve ter um papel na econo-
mia, desenvolvendo políticas de intervenção, promoção e regulação no sentido de promover o desenvolvimento
capitalista (VASCONCELLOS, 2007).

Figura 6.1: Crise de 1929

Legenda: Foto com fila de desempregados, na crise de 1929.

Fonte: Portal do Professor (2017). Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/dis-


covirtual/galerias/imagem/0000001352/0000016097.jpg>. Acesso em: 14 jan. 17.

Keynes aponta em sua obra que o volume de emprego e o nível de produção nacional de uma economia são
determinados pela demanda agregada ou efetiva, que é composta pelos totais gastos em consumo e investi-
mento. Portanto, Keynes derruba a lei de Say (toda oferta cria sua demanda), pois para ele o consumo e o inves-
timento é que movimentam a economia de um país.

98
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

De acordo com Jean-Baptiste Say, economista de pensamento clássico, toda oferta cria
sua demanda, o que ficou conhecido como Lei de Say. Nessa perspectiva, estava presente a
crença de que tudo o que se produz gera condições para aquisição, pois, no início da Revo-
lução Industrial, era esse o comportamento do consumidor, que estava deslumbrado com os
modernos produtos industriais. Para saber mais sobre esse assunto, leia o texto do professor
José Luis Oreiro, clicando aqui.
<http://joseluisoreiro.com.br/site/link/27f53902530089de64eaa572ed3aeebcfda41a87.pdf>.

As decisões de investimento ocorrem a partir da expectativa futura de rendimento em relação à taxa de juros no
mercado. Se antes de investir em uma empresa se tem uma expectativa de retorno desse valor investido maior do
que o pagamento da taxa de juros num ativo financeiro, o investimento será feito; caso contrário, o dinheiro será
utilizado no mercado financeiro e não na produção de bens/serviços.

6.1. Hipóteses do modelo keynesiano


O modelo keynesiano tem alguns pressupostos, ou hipóteses, a partir das quais o modelo é construído. São eles:
existe o desemprego de recursos (ou subemprego); o nível geral de preços é constante; a oferta agregada poten-
cial é fixa no curto prazo; há o princípio da demanda efetiva, o qual será detalhado mais adiante.

6.1.1. Desemprego de recursos ou subemprego

O modelo macroeconômico básico criado por Keynes pressupõe a possibilidade do desemprego, ou do equilíbrio
abaixo do pleno emprego, assim, quando a produção está abaixo do seu potencial, as empresas estão com capa-
cidade ociosa e parte dos trabalhadores está desempregada (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

6.1.2. Nível geral de preços constante

Dado que a economia está em nível de subemprego, as empresas não elevam os preços de seus produtos. E, na
fase de recuperação, caso haja um aumento de demanda, as empresas aumentarão a produção e não os preços.
Uma vez que a economia está em subemprego, ou seja, há capacidade ociosa, não há razão para que as empresas
elevem os seus preços. Em caso de elevação da demanda, haverá aumento da produção, ou seja, utilização dos
fatores que estão ociosos.

99
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Como observam Vasconcellos e Garcia (2014), em consequência desse pressuposto, todas as variáveis monetá-
rias do modelo são iguais às variáveis reais, uma vez que os preços estão fixos. Não há, portanto, diferenças entre
variáveis reais e nominais no modelo.

6.1.3. Curto prazo

No curto prazo, assume-se que os fatores de produção são fixos, ou seja, que o estoque de fatores de produção
(mão de obra, capital, tecnologia) permanece constante. Como é observado por Vasconcellos e Garcia (2014, p.
156), pode existir, por exemplo, um estoque de 80 milhões de trabalhadores disponíveis, mas apenas 10% não
estão sendo utilizados. Dessa forma, ao supor a existência do desemprego, nesse modelo, o objetivo principal da
política econômica é criar empregos para esses 10% de mão de obra desempregado, no curto prazo.

6.1.4. Oferta agregada

Vimos anteriormente a demanda agregada, que representa os gastos dos agentes econômicos. Em contrapar-
tida, a oferta agregada (OA) demonstra o valor total da produção de bens e serviços finais colocados à disposi-
ção da coletividade num dado período.
Além disso, a oferta agregada varia em função da disponibilidade dos fatores de produção. São eles: mão de
obra, estoque de capital e nível de tecnologia. Existe uma diferença entre a oferta agregada potencial e a oferta
agregada efetiva. Observe que:
• na oferta agregada potencial, temos a produção máxima da economia, ou seja, quando são utilizados
todos os fatores de produção. Na OA potencial toda a população economicamente ativa está empregada,
não há capacidade ociosa nas empresas e a tecnologia disponível está sendo empregada, ou seja, não há
como aumentar a produção de bens e serviços nessa economia;
• na oferta agregada efetiva, temos a produção que realmente está sendo utilizada pelo mercado,
podendo ocorrer sem a utilização total dos fatores de produção. Na OA efetiva ela atende à demanda do
mercado, mesmo que apresente algum nível de desemprego, alguma capacidade ociosa e possibilidade
de atualização da tecnologia.
No curto prazo, a teoria keynesiana supõe que a oferta agregada potencial permanece constante, pois o estoque
dos fatores de produção é considerado constante. Embora a força de trabalho e a capacidade produtiva instalada
sejam fixas, seus níveis de utilização variam.
Como pode ser observado no Gráfico 6.2, a Curva de Oferta Agregada de Bens e Serviços, a qual representa a
quantidade de bens e serviços que os produtores estão dispostos a colocar no mercado, comporta-se da seguinte
forma:

100
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

• no ponto A, em que existe capacidade ociosa, há o aumento da produção a preços constantes, pois há
fatores de produção disponíveis;
• o ponto B representa uma situação intermediária, pouco antes do pleno emprego;
• no ponto C, no qual a economia já está no pleno emprego de recursos, a quantidade produzida fica cons-
tante e ocorre a elevação de preços.

Gráfico 6.1 – Curva de Oferta Agregada de Bens e Serviços (OA)

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2014).

Legenda: Curva de Oferta Agregada de Bens e Serviços (OA): quantidade de bens e serviços que os produtores estão
dispostos a colocar no mercado. Eixo Y= nível geral de preços; Eixo X= produção da economia. OA = Renda Nacional =
Produto Nacional Real
Ponto A: aumenta Q, com P constante, caso haja desemprego de recursos;
Ponto B: situação intermediária;
Ponto C: aumenta P, com Q constante, caso os recursos estiverem plenamente empregados.
Fonte: elaborado pela autora, com base em Vasconcelos e Garcia(2014).

101
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Gráfico 6.2 – Curva Simplificada de Oferta Agregada de Bens e Serviços

Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2007).


Legenda:
A: trecho keynesiano (desemprego)
C: trecho clássico (pleno emprego)
Desemprego: quando a DA é insuficiente para absorver a produção agregada de pleno emprego.
Fonte: elaborado pela autora, com base em Vasconcellos (2007)

6.1.5. Demanda agregada

A demanda agregada, também chamada de despesa nacional, quando se encontra completa, com as despesas
de todos os agentes econômicos, representa todos os gastos planejados de todos os quatro agentes macroe-
conômicos: famílias (C), empresas (I), governo (G) e setor externo (X e M). Ela pode ser calculada pela seguinte
expressão:
N=DA=C+I+G+(X-M)
Onde,
• C = consumo (famílias e empresas)
• I = investimento (bens de capital)
• G = gastos do governo (saúde, investimento, etc)
• X = exportações (bens e serviços)
• M = importações (bens e serviços
É importante observar que as despesas nacionais (DN) são iguais à demanda agregada (DA), que contém os gas-
tos das famílias com bens de consumo (C), o investimento agregado das empresas (I), os gastos do governo (G) e
as exportações líquidas, ou seja, as exportações menos as importações (X-M).

102
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

No curto prazo:

Gráfico 6.3 – Curva de Demanda Agregada

Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2007).


Legenda: Curva de Demanda Agregada de Bens e Serviços (DA): composta pela demanda dos qua-
tro agentes macroeconômicos. No eixo y do gráfico, temos o nível geral de preços da econo-
mia e no eixo x, temos a renda real (renda nominal dividida pelo nível geral de preços)
Fonte: Elaborado com base em Vasconcellos (2007)

Renda Nominal Y  Y
Renda Real = 
Nível de Preços P  P

Numa Situação de desemprego, a política econômica deve buscar elevar a demanda agregada, para que as
empresas possam utilizar seu potencial.

103
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

6.1.6. Análise da oferta e demanda agregada

Uma vez que, no curto prazo, os fatores de produção são fixos e há a hipótese de subemprego destes, as varia-
ções na Renda Nacional e no Produto Nacional ocorrerão somente por meio de variações na demanda agregada.
Chamamos isso de princípio da demanda efetiva.
Como pode ser observado no Gráfico 6.4, quando há desemprego de recursos, a demanda agregada (DA) situa-
-se à esquerda da oferta agregada (OA) de pleno emprego. Deve ser observado que os preços são considerados
constantes, portanto, as variáveis são consideradas em valores reais.
A curva de oferta agregada (AO) é fixa, o que decorre da hipótese de que os fatores de produção são fixos no curto
prazo. Assim, não há deslocamentos da curva OA, apenas movimentos ao longo da curva.
Dessa forma, no curto prazo, apenas a demanda agregada provoca variações no nível de equilíbrio da Renda
Nacional. Para tirar a economia de uma situação de desemprego, em curto prazo, deve-se procurar elevar a DA,
pois esta é mais sensível no curto prazo do que a OA.

Para Keynes, a Demanda agregada determina a produção, e não o contrário. Com isso, Key-
nes inverte um dos principais postulados da Teoria Clássica, a chamada Lei de Say, pela qual
a oferta agregada é que determina a procura. Princípio da Demanda Efetiva.

Como pode ser observado no gráfico 6.4, a curva da demanda se desloca de DA0 para DA1, enquanto a curva da
oferta se mantém a mesma.

104
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Gráfico 6.4 - Oferta e demanda agregada

Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2007).


Legenda: No curto prazo, o estoque dos fatores de produção é considerado constante. Embora a força de tra-
balho e a capacidade produtiva instalada sejam fixas, seus níveis de utilização variam. A curva de OA é fixada,
apenas a curva DA se desloca, indo de DA0 para DA1. Como esses fatores de produção são constantes, em
curto prazo, a OA permanece fixa (não há deslocamentos, apenas movimentos ao longo da curva). A curto
prazo, apenas a demanda agregada provoca variações no nível de equilíbrio da Renda Nacional.

6.2. Equilíbrio macroeconômico


Para determinação do equilíbrio, há algumas observações importantes a serem feitas (VASCONCELLOS, 2007):
• a renda de equilíbrio ocorre quando a oferta agregada iguala a demanda agregada (OA = DA), e não
necessariamente é a renda de pleno emprego;
• do exposto no item anterior decorre que o equilíbrio não indica necessariamente algo desejável, pois
pode estar existindo um grande volume de recursos não empregados;
• é um equilíbrio macroeconômico esperado, planejado (ex ante), e não o equilíbrio efetivo (ex post).

Assim, no curto prazo, o equilíbrio é determinado pela demanda agregada (DA).
Como pode ser observado no Gráfico 6.5, a renda de equilíbrio é dada por y*, ponto em que a demanda agregada
iguala a oferta agregada (DA=OA). Já a renda de pleno emprego (ype) se dá em um ponto mais à direita no gráfico.

105
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Conheça mais sobre os princípios do modelo e keynesiano em: <http://www.continentale-


conomics.com/files/Macroeconomia_de_Keynes2._Antony_Mueller._UFS_2013.pdf>.

Gráfico 6.5. Equilíbrio no modelo keynesiano

Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2007).


Legenda: Determinação do equilíbrio: o equilíbrio é determinado pela DA (curto prazo).
Onde: y* = renda de equilíbrio (DA=OA); ype = renda de pleno emprego
Fonte: elaborado pela autora, com base em Vasconcellos (2007)

6.2. Comportamento dos agregados macroeconômicos no


mercado de bens e serviços
Para que a política macroeconômica possa ser estabelecida, é necessário que se tente estabelecer relações de
causa e efeito entre as variáveis. Apenas assim, as autoridades econômicas podem administrar sobre os instru-
mentos de política econômica.

106
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Vejamos quais são essas relações.

6.2.1. Consumo Agregado

De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), o consumo global, ou agregado, de um país é influenciado por
vários fatores. São eles: a Renda Nacional, o estoque de riqueza (ou patrimônio), a taxa de juros de mercado, a
disponibilidade de crédito, as expectativas sobre a renda futura e a rentabilidade das aplicações financeiras.

Glossário

“Patrimônio pode ser definido como o conjunto de bens ou valores de interesse econômico
pertencentes a uma pessoa, instituição ou empresa”. Fonte: <https://www.infopedia.pt/
dicionarios/lingua-portuguesa/patrim%C3%B3nio>. Acesso em: 16 jan. 2017.

Apesar disso, os estudos empíricos mostram que as decisões de consumo da coletividade são influenciadas prin-
cipalmente pela Renda Nacional disponível, a qual é definida como a Renda Nacional menos os impostos (VAS-
CONCELLOS; GARCIA, 2014). Ou seja, a renda disponível é aquela que o consumidor pode usar livremente, seja
para poupar ou para consumir. Portanto, há uma relação direta entre consumo e renda, isto é, quando a renda
aumenta, o consumo também se eleva.
Assim, pode-se dizer que o consumo agregado (C) é função crescente do nível de Renda Nacional disponível (Y).
O modelo mais simples supõe o consumo como uma função linear da renda, a qual pode ser representada por:
C = f(Y)
Onde,
• C= Consumo agregado
• Y= Renda Nacional disponível
Keynes define como propensão marginal a consumir (PMgC) o acréscimo de consumo, dado a um acréscimo na
Renda Nacional. É a variação esperada no consumo, dada uma variação na renda.

• Pmgc = Propensão marginal a consumir


• ∆C = Variação do consumo agregado
• ∆Y = Variação da Renda Nacional disponível

107
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Como exemplificam Vasconcellos e Garcia (2014), uma propensão marginal a consumir de 0,8 indica que, caso
haja um aumento na Renda Nacional de R$ 100 milhões, o consumo aumentará em R$ 80 milhões, ou seja, em
0,8 de 100 milhões.

6.2.2. Poupança Agregada

A poupança pode ser definida como uma parte residual da Renda Nacional que não é gasta em bens de consumo,
em dado período de tempo (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014). Ela pode ser expressa como:
S = f (Y)
Onde:
• S= Poupança agregada
• Y = Renda Nacional disponível
A partir daí, é possível definir também a propensão marginal a poupar, que é a relação entre a poupança agregada
e a renda disponível.

• Pmgp = Propensão marginal a poupar


• ∆S = Variação da poupança agregada
• ∆Y = Variação da Renda Nacional disponível
Vasconcellos e Garcia (2014) exemplificam uma situação em que o aumento da renda foi de 100 milhões e a pro-
pensão marginal a poupar é de 0,2. Portanto, o valor poupado, nessa situação, deve ser de 20 milhões.
Retomando o exemplo do tópico anterior, com uma variação de 100 milhões na renda, 80% desse valor iria para
o consumo e 20% para a poupança.

108
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Quando falamos de poupança agregada, estamos nos referindo à parcela da renda que não
é gasta em consumo. Não estamos fazendo alusão à caderneta de poupança, que pode ser
um dos destinos dados aos recursos poupados.

6.2.3. Investimento agregado

De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), o investimento agregado pode ser definido como o estoque de
capital que leva ao crescimento da capacidade produtiva.
O investimento pode ser dividido em:
• investimento visto como elemento da demanda agregada: é a fase que gasta apenas com instalações,
equipamentos etc., antes do investimento maturar e resultar em acréscimos de produção;
• investimento visto como elemento da oferta agregada: ocorre quando aumenta a capacidade produ-
tiva, após a maturação do investimento.
Hipóteses:
• em curto prazo, o investimento afeta apenas a demanda agregada;
• o investimento é autônomo ou independente da Renda Nacional.
Função investimento (I): bens e serviços que visam a aumentar a produção futura. É também conhecido como
Formação Bruta de Capital Fixo. O investimento pode ser dividido em:
• investimento visto como elemento da demanda agregada: é a fase que gasta apenas com instalações,
equipamentos etc, antes de o investimento maturar e resultar em acréscimos de produção;
• investimento visto como elemento da oferta agregada: ocorre quando aumenta a capacidade produ-
tiva, após a maturação do investimento.
Hipóteses:
• em curto prazo, o investimento afeta apenas a demanda agregada;
• o investimento é autônomo ou independente da Renda Nacional.

6.2.4. Outras variáveis autônomas com relação à Renda Nacional

Podem ser citadas as seguintes variáveis como sendo autônomas com relação à Renda Nacional:
• função gastos do governo (G): os gastos do governo são autônomos em relação à Renda Nacional, ou
seja:

109
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

G = constante ou G ≠ f(y)
• função impostos ou tributação (T): no modelo simplificado, a tributação é autônoma, ou seja, não é indu-
zida pela Renda Nacional:
T = constante ou T ≠ f(y)
• função exportação (X) e importação (M): são variáveis autônomas em relação à Renda Nacional (modelo
simplificado):
X = constante ou X ≠ f(y*)
M = constante ou M ≠ f(y)

6.2.4. Vazamentos e injeções de Renda Nacional

Tendo em mente o fluxo circular da renda, ou seja, a ligação já estudada sobre a relação entre os fatores de pro-
dução e as empresas, imagine que vazamentos e injeções podem ocorrer nesse processo.
Os vazamentos são todos os recursos retirados do fluxo básico, ou seja, toda renda recebida pelas famílias que
não é dirigida às empresas nacionais na compra de bens de consumo. Ou seja, os vazamentos são representados
por recursos direcionados à poupança, aos impostos e às importações.
Vaz = S + T + M
Onde:
• Vaz= vazamentos
• S = poupança agregada
• T = tributos ou impostos
• M = importações
As injeções são representadas por todo recurso que é injetado no fluxo básico e que não é originado da venda de
bens de consumo às famílias: novos investimentos, gastos públicos e exportações.
Inj = I + G + X
Onde:
• Inj= injeções
• I = investimento agregado
• G = gastos do governo
• X = exportações
Determinação do equilíbrio, igualando vazamentos com injeções:
• Vaz < Inj = crescimento da Renda Nacional
• Vaz > Inj = queda da Renda Nacional
• Vaz = Inj = equilíbrio estacionário

110
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

Gráfico 6.6 - Equilíbrio igualando vazamentos e injeções

Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2007).


Legenda: Determinação do equilíbrio com vazamentos e injeções. Eixo Y: vazamentos e injeções. Eixo X: renda. Reta I+G+X
(injeções) é constante. Vazamentos = S+T+M dependem da renda, tendo relação direta com esta.

6.3. Multiplicador keynesiano de gastos


O multiplicador de gastos foi um dos principais conceitos criados por Keynes.
As hipóteses do multiplicador são as seguintes:
• o processo é iniciado por uma variação autônoma da demanda agregada - DA, ou seja, um deslocamento
da DA devido à variação autônoma de algum de seus elementos (C, I, G, X, M) ou devido a alguma injeção
ou vazamento do fluxo de renda;
• o funcionamento do multiplicador supõe uma economia em desemprego;
• o lado monetário é invariável;
• o multiplicador tem um efeito perverso: assim como a renda aumenta em um múltiplo, para aumentos da
DA, o contrário também é válido. Ou seja, quedas da renda levarão a quedas maiores na DA.

Onde:
• k = multiplicador de gastos
• ∆Y = variação da renda

111
Economia | Unidade 6 - Mercado de bens e serviços

• ∆DA = variação da demanda agregada


Há também o multiplicador de Investimentos e o multiplicador de gastos do governo, os quais, de forma seme-
lhante, levariam a efeitos multiplicados na renda.

A existência do multiplicador keynesiano de gastos pode ter impacto considerável em uma


economia. Imagine que o multiplicador de gastos do governo seja igual a 5 e que o governo
aumente seus gastos em $ 100 milhões. Isso resultaria em um aumento da Renda Nacional
de $ 500 milhões ou 5 x 100 milhões.

112
Considerações finais
Nesta unidade, foram expostos os princípios básicos da teoria keynesiana,
do economista John Maynard Keynes.
Keynes pregava que era necessária a intervenção governamental para
que a economia fosse levada ao pleno emprego no curto prazo. E, com
base em suas idéias, foi criado um modelo macroeconômico.
O modelo keynesiano básico se divide em lado real (mercado de bens e
serviços e mercado de trabalho) e lado monetário (mercado monetário e
de títulos). Nesta unidade, estudamos o lado real do modelo.
Foi abordado: o equilíbrio entre demanda agregada e oferta agregada, de
acordo com o modelo keynesiano.
Foram definidos: consumo agregado, investimento agregado e poupança
agregada.
Também foi exposto o conceito do multiplicador keynesiano de gastos.

113
Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Manual de economia. 6. ed. São Paulo:
Saraiva, 2007. Disponível em: <http://integrada.minhabiblioteca.com.br/
books/9788502135062>. Acesso em: 19 jan. 2016.

______; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo:


Saraiva, 2014.

114
Unidade 7
Mercado monetário

Para iniciar seus estudos


7
Na Unidade 6, vimos o modelo keynesiano básico para o lado real da eco-
nomia. Nesta unidade, veremos como funciona o lado monetário, par-
tindo do conceito de moeda, passando pela oferta e demanda de moeda,
taxa de juros, assim como pelo conceito e algumas definições sobre o sis-
tema financeiro.

Objetivos de Aprendizagem

• Entender o mercado monetário.


• Compreender o conceito de moeda.
• Entender qual o papel da taxa de juro.
• Compreender o funcionamento do sistema financeiro.

116
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

7.1. Conceito de moeda


De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), pode-se conceituar moeda como um instrumento que é aceito
pela sociedade para o pagamento de bens e serviços, ou seja, a moeda intermedeia as transações econômicas.
É compulsoriamente aceita, pois sua aceitação é garantida por lei. Essa aceitação por força da lei torna a moeda
fiduciária, o que quer dizer que ela é aceita por confiança, uma vez que não tem lastro em metais preciosos ou
demais objetos de valor.
Antes do surgimento da moeda, praticava-se o escambo, ou seja, a simples troca de mercadoria por mercadoria:
quem produzia milho, por exemplo, trocava sua mercadoria com quem criava bois, e assim por diante.
Depois da fase do escambo, veio a fase da moeda-mercadoria: algumas mercadorias passaram a ser mais procu-
radas do que outras e, como eram aceitas por todos, assumiram a função de moeda. Eram as moedas-mercado-
rias: boi, sal, dentre outros.
Posteriormente, os metais eram usados com a função de moeda. Com isso, devido ao seu alto valor, as pessoas
passaram a preferir deixar os metais depositados em um ourives e transportar os certificados emitidos por eles,
o que deu origem ao papel moeda, no século XVII, quando surgiram os bancos comerciais (VASCONCELLOS;
GARCIA, 2014).
Depois, o Estado passou a monopolizar a emissão de papel moeda, que era lastreada em ouro, ou seja, a capaci-
dade de emitir moeda estava limitada pela quantidade de ouro existente. Vasconcellos e Garcia (2014) observam
também que, a partir de 1920, o padrão ouro foi abolido, porém, em 1944, com o Acordo de Bretton Woods,
houve uma nova tentativa de vincular a emissão de moeda ao ouro, mesmo que indiretamente. Por meio desse
acordo, o dólar americano estava vinculado ao ouro, e as demais moedas tinham suas paridades fixadas com
relação ao dólar. Porém, em 1971, a convertibilidade foi suspensa e a maioria das moedas no mundo passou a
ser fiduciária.

Legenda: Barras e moedas de ouro.


Fonte: <https://jornaldiabo.com/esclarecimento/o-ouro-do-estado-novo/>.

117
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

7.2 Funções da moeda


De acordo com Vasconcellos e Garcia, (2014, p. 177-178)(**) , as principais funções da moeda são as seguintes:
• instrumento de troca: como já pontuado anteriormente, a moeda serve como um meio para troca de
bens e serviços;
• unidade de medida (ou unidade de conta): todos os valores de bens e serviços podem ser expressos em
unidades monetárias, representando, portanto, uma medida-padrão;
• reserva de valor: os agentes econômicos podem acumular moeda para adquirir bens ou serviços em
datas futuras.

7.3 Oferta de moeda


De acordo com Vasconcellos (2007, p. 290), a oferta da moeda é sinônimo de meios de pagamento, e pode ser
definida como “[...] o estoque de moeda disponível para uso da coletividade (setor privado não bancário) a qual-
quer momento”.
Estão inclusos nos meios de pagamento a moeda que está em poder do público mais a moeda que está deposi-
tada em bancos comerciais sob a forma de depósitos à vista.
M = PMPP + DV
Onde:
M = meios de pagamento
PMPP = papel-moeda em poder do público (ativo de maior liquidez)
DV = depósito à vista (moeda escritural ou moeda bancária), é o valor que o correntista tem depositado.

Perceba que, no conceito de meios de pagamento, não está incluída a moeda que representa
a moeda em posse das autoridades monetárias e dos bancos comerciais. A moeda em depó-
sitos à vista nos bancos pertence aos correntistas, e não aos bancos. Os recursos monetários
que pertencem aos bancos são seus encaixes e suas reservas, sendo estas representadas
pelos valores que os bancos comerciais têm depositado no Banco Central (VASCONCELLOS;
GARCIA, 2014).

Também é observado por Vasconcellos e Garcia (2014) que, na definição dos meios de pagamentos, também
se excluem os depósitos em caderneta de poupança e em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) porque
rendem juros e porque não têm liquidez imediata. Assim, esses autores chamam a atenção para o fato de que

118
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

existem várias definições para moeda, e cada uma delas inclui ou exclui determinados recursos. Dependendo do
que o conceito inclui ou exclui, pode-se estar falando da moeda classificada como M1, M2, M3 ou M4.
As definições, de acordo com Vasconcellos e Garcia (2014) e Vasconcellos (2007), são as seguintes:
• conceito M1:
Moeda em poder do público (+) depósitos à vista nos bancos comerciais;
• conceito M2:
M1 (+) depósitos especiais remunerados (+) depósitos de poupança
(+) títulos emitidos por instituições privadas (depósitos a prazo, letras hipotecárias etc.);
• conceito M3:
M2 (+) fundos de renda fixa (+) operações compromissadas com títulos federais;
• conceito M4:
M3 (+) fundos de renda fixa (+) títulos públicos federais, estaduais e municipais.

Glossário

No mercado de títulos de renda fixa, operações compromissadas são operações de compra


(ou venda) de títulos com compromisso de revenda (ou recompra) dos mesmos títulos em
uma data futura, anterior ou igual à data de vencimento dos títulos (<https://www.bcb.gov.
br/glossario.asp?Definicao=153&idioma=P&idpai=GLOSSARIO>).

7.3.1 Monetização e desmonetização da economia

Vasconcellos e Garcia (2014) observam que pode ocorrer a monetização ou desmonetização da economia. A
inflação provoca a desmonetização, pois, nesse caso, as pessoas buscam aplicações que lhes deem rentabilidade
para, assim, proteger seu dinheiro da corrosão inflacionária. Quando não há inflação, as pessoas tendem a man-
ter mais recursos em conta-corrente, ou seja, sem rentabilidade.
Há outros fatores que podem levar à criação ou destruição de moeda, conforme o Quadro 7.1.
Quando, por exemplo, os exportadores trocam dólares (ou moeda estrangeira, de forma geral) por reais, há cria-
ção de moeda, assim como quando os bancos comerciais fazem empréstimos ao setor privado. Já quando o
Banco Central (BC) vende dólares aos importadores, recebendo reais, há uma destruição de moeda. O mesmo
ocorre quando há o resgate (ou pagamento) de um empréstimo bancário, ou quando ocorrem depósitos em
longo prazo. Por outro lado, quando ocorrem saques por meio de cheques ou quando uma empresa paga seus
funcionários sacando de seus próprios depósitos à vista, não há criação nem destruição de moeda (VASCON-
CELLOS, 2007).

119
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

Quadro 7.1

Fatores que levam à criação ou à destruição de moeda, sendo: Criação (C), Destrui-
ção (D) e (N) para quando não houve criação nem destruição de moeda.
Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2007).

De acordo com Vasconcellos (2007), o setor bancário pode criar ou destruir moeda. Como os bancos comerciais
têm permissão para emprestarem os valores depositados em conta-corrente pelos seus clientes, eles conseguem
emprestar uma quantia maior do que aquelas que eles têm como suas reservas monetárias. Dessa forma, conse-
guem multiplicar a moeda em circulação e disponível ao público em geral (pessoas físicas e empresas).
Já o chamado setor não bancário (famílias, empresas, governo, sistema financeiro não monetário) não consegue
criar moeda, pois apenas transfere os recursos entre si (VASCONCELLOS, 2007).

7.4 Oferta de moeda pelo Banco Central

No Brasil, a autoridade monetária é representada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central.
O CMN coloca as normas que devem ser seguidas, e o Banco Central as executa e fiscaliza, sendo o responsável
por executar a política monetária e cambial do país.
Segundo Vasconcellos e Garcia (2014, p. 183-184) e Vasconcellos, (2007, p. 293), as funções do Banco Central
são as seguintes:
• execução de política monetária: controlar a oferta de moeda e crédito, a qual corresponde à sua pri-
meira e mais importante função;
• banco emissor: é o único responsável pela emissão de moeda (papel ou metálica), ou seja, tem o mono-
pólio das emissões;
• banco dos bancos: como os bancos podem ter excesso ou falta de recursos, o Banco Central aceita
depósitos dos demais bancos e, se necessário, supre a sua falta de recursos;
• banco do governo: recebe depósitos do governo e pode lhe conceder créditos;
• controle e regulação da oferta de moeda: é por meio do Banco Central que o governo coloca em prá-
tica a política monetária;
• execução da política cambial e administração do câmbio: administra o câmbio e as reservas de divisas
internacionais do país, ou seja, coloca em prática a política cambial;

120
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

• fiscalização das instituições financeiras.


O Banco Central lança mão de vários instrumentos para poder cumprir suas várias funções, e esses ins-
trumentos de política monetária são: as emissões, os depósitos compulsórios, as operações de mercado
aberto, as operações de redesconto e a regulamentação da moeda e do crédito.
• Controle de emissões
O Banco Central controla o volume de moeda manual da economia (papel-moeda e metal).
• Depósitos compulsórios
Depósitos compulsórios, ou reservas compulsórias, são o percentual dos depósitos à vista que devem ser
mantidos obrigatoriamente pelos bancos comerciais no Banco Central.
Por meio dos depósitos compulsórios, o Banco Central pode administrar a quantidade de moeda dis-
ponível, assim, um aumento da taxa de depósitos compulsórios leva a uma queda dos meios de paga-
mento, pois, ao ter que depositar um valor maior no Banco Central, os bancos comerciais terão menos
dinheiro para emprestar ao público. O governo fará isso se quiser diminuir o consumo, provavelmente,
com o intuito de deter a inflação. Porém, se o governo desejar expandir a economia, diminuirá a taxa de
depósitos compulsórios, pois sobrará mais dinheiro aos bancos para emprestarem à população (VAS-
CONCELLOS, 2007).
• Operações de mercado aberto (open market)
O Banco Central compra e vende títulos públicos para injetar ou tirar dinheiro do mercado. Quando o
Banco Central vende títulos, capta dinheiro do mercado, portanto, tira moeda de circulação. Quando o
Banco Central compra títulos públicos, joga moeda no mercado. Portanto, no primeiro caso, está prati-
cando uma política monetária restritiva e, no segundo, uma política monetária expansionista.
• Operações de redesconto
A taxa de redesconto é a taxa cobrada pelo Banco Central para emprestar dinheiro aos bancos comerciais
quando estes estão com eventuais problemas de liquidez.
Se a taxa cobrada pelo Banco Central for baixa, ele estará incentivando a tomada de recursos pelos ban-
cos comercias e utilizando esse instrumento para uma política monetária expansionista. Caso contrário,
se estipular taxas mais elevadas, estará buscando tirar liquidez do mercado e terá optado por uma política
monetária restritiva.

7.5. Oferta de moeda pelos bancos comerciais


Os bancos comerciais, apesar de não emitirem moeda, também podem interferir na oferta de moeda na econo-
mia. Como observam Vasconcellos e Garcia (2014), os bancos têm uma carta patente que lhes permite emprestar
mais do que têm em depósitos.
Assim, apesar de não emitir moeda física, o banco comercial cria moeda porque pode fazer promessas de paga-
mento com os recursos que são depositados pelo público. Esse fato permite que se crie um mecanismo multipli-
cador dos depósitos realizados nos bancos

121
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

7.5.1. Multiplicador monetário

Os bancos comerciais podem, então, aumentar a oferta de meios de pagamento não com a emissão de moeda
física, mas, escritural. Ou seja, o sistema bancário pode criar moeda em valores múltiplos de uma quantia mone-
tária inicial que tenha sido depositada pelos clientes.

Glossário

“Moeda escritural é o nome que se dá ao uso dos depósitos bancários usados como meio de
pagamento. A partir do século XIX começaram a surgir os serviços de compensação bancária
e de transferências (diretas ou através de cheques) entre contas-correntes dos depositantes.
Com isso, os depósitos à vista passaram a ter valor de moeda, chamada de moeda escritural.
A moeda escritural cumpre satisfatoriamente o papel de meio de troca, diferenciando-se do
papel-moeda apenas por não ter curso forçado, sendo, portanto, uma moeda fiduciária, pois
seu valor é devido apenas à confiança depositada no seu banco emissor.
Seu principal meio de movimentação hoje em dia são os cheques e os cartões eletrônicos.
No Brasil, outras formas de movimentação da moeda escritural incluem as transferências
de crédito, as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED) os Documentos de Crédito (DOC)
e os boletos de cobrança, mais conhecidos como pagamentos com código de barra”. Fonte:
<http://dicionario.sensagent.com/Moeda%20escritural/pt-pt/>. Acesso em: 20 jan. 2017.

Se analisarmos um exemplo, fica mais fácil o entendimento desse processo.


O exemplo numérico dado por Vasconcellos e Garcia (2014) é exposto no Quadro 7.2.
Imagine que um cliente deposite R$ 100.000 no Banco do Brasil. Desse valor, 40% (R$ 40.000) o banco deve
deixar como compulsório junto ao Banco Central. Portanto, sobram R$ 60.000 para que o banco empreste para
outros clientes. O cliente que tomou os R$ 60.000 emprestados deposita esse valor no Bradesco.
O Bradesco reserva 40% dos R$ 60.000, ou R$ 24.000, para depósito compulsório e empresta os R$ 36.000 res-
tantes. O cliente que pega os R$ 36.000 emprestados deposita-os no Banco Itaú.
O Banco Itaú faz o depósito compulsório de R$ 14,4 mil (40% de R$ 36.000) e empresta R$ 21,6 mil, e assim por
diante.
No final, como podemos perceber no Quadro 7.2, um empréstimo inicial de R$ 100.000 transformou-se em R$
250.000 (primeira coluna do Quadro 7.2).
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), o efeito multiplicador da moeda escritural é, então, dado por uma
progressão geométrica decrescente e pode ser representado, de forma simplificada, pelo inverso da porcenta-
gem da reserva bancária:

122
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

Onde:
m = multiplicador monetário
r = porcentagem de reserva dios bancos comerciais sobre os depósitos à vista.

Quadro 7.2 – Multiplicador bancário

Legenda: Na primeira coluna, tem-se os bancos; na segunda coluna, depósitos à vista; na ter-
ceira, a reserva compulsória; e na quarta coluna, os empréstimos efetuados pelos bancos.
Fonte: Vasconcellos e Garcia (2014, p. 187).

No entanto, segundo Vasconcellos e Garcia (2014), a fórmula mais conhecida é a do multiplicador da base mone-
tária. A base monetária pode ser definida como o somatório da moeda em poder do público e das reservas ban-
cárias, que são as reservas técnicas, as voluntárias e as compulsórias.
P = saldo da moeda em poder do público;
R = total das reservas bancários;
D = saldo dos depósitos à vista;
M = saldo dos meios de pagamento = P + D;
B = saldo da base monetária = P + R;

123
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

M=mxB
Onde:
m = multiplicador da base monetária.
Portanto:

Figura 7.1 – Efeito multiplicador

Legenda: Representação do efeito multiplicador.


Fonte: <http://www.mundodosbancos.com/moeda-escritural-e-o-efeito-multiplicador/>.

Como é ressaltado por Vasconcellos e Garcia (2014), o multiplicador monetário não tem rela-
ção com o multiplicador keynesiano de gastos visto na Unidade 6. O multiplicador keyne-
siano refere-se ao efeito de gastos no nível de renda e não de moeda.

124
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

7.6. Modelo Keynesiano de Demanda por Moeda


A demanda por moeda corresponde à quantidade de moeda que o setor privado não bancário retém: o público,
os cofres de empresas, os depósitos à vista nos bancos comerciais (VASCONCELLOS E GARCIA, 2014).
A pergunta que se coloca é: por que reter moeda, se existem alternativas mais rentáveis para guardar os recursos
financeiros, já que investimento em ativos geram rentabilidade?
Para o modelo keynesiano, os motivos são:
• transações: necessidade de manter moeda para pagar compromissos do dia a dia: alimentação, trans-
porte, aluguel, dentre outros;
• precaução: devido às incertezas quanto às datas de recebimentos e de pagamentos ou a imprevistos;
• especulação ou portfólio: para aproveitar oportunidades de investimento (títulos, imóveis etc.). A moeda
é um ativo que não rende juros, mas possui liquidez, portanto, ao deixar uma parte de seu portfólio em
moeda, torna-se possível aproveitar oportunidades em outros mercados. Os títulos pagam rendimento,
mas seu valor oscila em função de mudanças da taxa de juros. Quando os juros sobem, o preço dos títulos
cai. Quando os juros estão baixos e um investidor espera (especula) que subam logo, ele vende títulos e
demanda moeda, visando a preservar o valor de seu patrimônio por meio da busca de novas aplicações.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), os motivos de precaução e transação dependem diretamente do
nível de renda, sendo que quanto maior a renda, maior a necessidade de moeda para transações e precaução.
Quanto ao motivo especulação, quanto menor a taxa de juros, maior será a quantidade de moeda (sem remune-
ração) que o aplicador vai reter em seu portfólio.
Assim, a demanda por moeda é função direta da renda e inversa da taxa de juros. A taxa de juros pode ser vista
como o custo de oportunidade de reter moeda (VASCONCELLOS, 2007).
Onde:
Md = k.Y - h.i
onde,
Md = Demanda por moeda
k = sensibilidade da demanda monetária em relação à variação na renda.
h = sensibilidade da demanda por moeda em relação à variação na taxa de juros.

125
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

Gráfico 7.1 – Curva da demanda por moeda com relação à taxa de juros

Legenda: Eixo y = taxa de juros, eixo x = quantidade de moeda. A relação é inversa, portanto, a curva é descendente.
Fonte: Adaptada de Vasconcellos (2007).

7.7 O papel das taxas de juros


A taxa de juros representa o valor do dinheiro no tempo. É uma taxa de rentabilidade para os aplicadores, e o
custo do empréstimo, para os tomadores. Uma taxa de juros alta gera como consequências:
1. aumento do custo para os tomadores de fundos;
2. aumento do custo de oportunidade em estocar mercadorias, dada a atratividade de aplicar no mercado
financeiro;
3. incentivo ao ingresso de recursos de outros países;
4. freio na atividade econômica, ao desestimular o consumo e o investimento, estimulando a especulação
no mercado financeiro;
5. aumento do custo da dívida pública interna.
Em outras palavras, a taxa de juros impacta a economia e a vida dos agentes econômicos de várias formas.
Para as empresas, as taxas de juros impactam as decisões de investimento. Se elas estiverem elevadas (e também
suas expectativas futuras), as decisões de investimento do empresário em máquinas e estoques provavelmente
serão adiadas. Se ele tiver dinheiro disponível poderá optar por ganhar a rentabilidade dos juros no mercado
financeiro em vez de produzir. Ou, caso ele não tinha recursos, não se animará a tomá-los emprestados a uma
taxa de juros elevada. A situação contrária ocorre quando a taxa de juros está baixa.
Os consumidores, por sua vez, também evitarão pegar crédito para o consumo se as taxas estiverem elevadas ou,
caso possuam recursos, optarão por aplicá-los no mercado financeiro em vez de consumir.
As taxas de juros afetam também o movimento dos capitais internacionais. Tudo o mais constante, se a taxa de
juros brasileira estiver alta, em comparação aos demais países, isso atrairá um fluxo de capitais para o país.

126
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

7.7.1. Taxa de juros nominal e taxa de juros real

A taxa de juros nominal é aquela divulgada nos jornais, cobrada pelos bancos, nos crediários de loja, no cheque
especial etc.
Porém, existe a taxa real de juros, que é obtida descontando-se da taxa nominal a inflação do período.
Por exemplo, se a taxa Selic está em 13,75% ao ano e a inflação é de 5% ao ano, a taxa nominal de juros é de
13,75%, porém a taxa real é diferente. Isso significa que 5% daquele rendimento de um ativo que paga a taxa
Selic está sendo corroído pela inflação.
Para calcular a taxa real, devemos, conforme Vaconcellos e Garcia (2014), usar a seguinte fórmula:

Onde:
r = taxa nominal de juros.
i = taxa real de juros.
p = taxa de inflação.
Assim, a taxa real de juros do exemplo pode ser calculada da seguinte forma:

Ou seja, a taxa real de juros é de 8,33% ao ano, dada a taxa nominal de 13,75% e a inflação de 5% ao ano.

Você sabia que a taxa de juros real brasileira é uma das mais altas do mundo? Leia este artigo
para saber mais sobre o assunto: <http://oglobo.globo.com/economia/brasil-tem-maior-
taxa-de-juro-real-do-mundo-19754404>.

127
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

7.8 O sistema financeiro


O sistema financeiro representa o canal que permite a transferência de recursos dos agentes econômicos supera-
vitários (os poupadores) para os agentes econômicos deficitários (investidores) (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
Os chamados investidores são aqueles dispostos a investirem na economia produtiva, empresas, fábricas etc. Eles
demandam recursos para levar a cabo esses seus investimentos.
Assim, pode-se dizer que o sistema financeiro representa um sistema de intermediação entre esses dois tipos de
agentes econômicos. Sem a existência desse sistema, o crescimento econômico seria dificultado, pois os agentes
teriam que buscar, individualmente, alguém que estivesse disposto a emprestar ou a tomar emprestado recursos
para o prazo e condições que lhes fosse mais convenientes. Porém, o sistema financeiro viabiliza a realização de
financiamentos para prazos distintos, minimizando riscos e atendendo às necessidades das partes envolvidas
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

7.8.1. Segmentos do sistema financeiro

O mercado financeiro pode ser segmentado em cinco grandes mercados: o mercado monetário, o mercado de
crédito, o mercado de capitais, o mercado cambial e o mercado de seguros, capitalização e previdência privada
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
• Mercado monetário
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), esse mercado abrange as operações de curtíssimo prazo,
as quais suprem a necessidade de recursos de vários agentes econômicos. As operações nesse mercado
evitam variações acentuadas de liquidez para os bancos. Abrangem as operações de open market, hot
money, Certificado de Depósitos Interfinanceiros (CDI, os quais são caracterizados por empréstimos de
curtíssimo prazo entre bancos).
• Mercado de crédito
Segundo Vasconcellos (2007, p. 317), esse mercado tem a função de atender às necessidades de crédito
a curto, médio e longo prazo, sendo as operações mais frequentes aquelas relacionadas ao crédito ao
consumidor para a compra de bens duráveis e ao financiamento de capital de giro para as empresas.
A oferta de crédito nesse segmento vem principalmente das instituições bancárias. No caso de emprés-
timos de prazo mais longo, em geral, estes são supridos principalmente pelo Banco do Brasil e Banco
Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

128
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

• Mercado de capitais (ou mercado de valores mobiliários)

Legenda: Mesa de negociação no mercado de capitais.


Fonte: <https://www.tororadar.com.br/blog/mercado-de-capitais-o-que-e-e-como-ele-funciona>.

O mercado de capitais financia, em sua maioria, as necessidades de capital de médio e de longo prazo das empre-
sas, ou seja, necessidades relacionadas à produção, abrangendo poucos títulos de curto prazo, porém, também
relacionados às necessidades de capital de empresas. São recursos, em geral, direcionados à produção e inter-
mediados por instituições não bancárias, como as corretoras e bolsas de valores. De acordo com Vasconcellos e
Garcia (2014), os títulos de curto prazo negociados nesse mercado são os commercial papers.
Nesse mercado, são negociadas também debêntures (títulos de médio e longo prazo emitidos por empresas) e
ações, que são representativas do capital da empresa. É interessante ressaltar que as ações não são títulos de
dívida, são pequenas partes da empresa negociadas no mercado. Ou seja, o acionista não é um credor, mas um
sócio da empresa.
Os ativos denominados derivativos também são considerados valores mobiliários. São contratos de liquidação
futura cujo valor deriva de outro ativo e permitem negociar as expectativas de preços de ativos e mercadorias. Os
derivativos são de vários tipos: termos, futuros, opções e swaps.

O mercado acionário norte-americano é muito líquido e dele participam até mesmo empre-
sas pequenas e novas no mercado. No Brasil, o mercado acionário é bem menor, e as empre-
sas menores não têm acesso a esse mercado. Por que será que isso acontece? Seria por que
o processo para emissão de ações é longo e caro demais ou por que os brasileiros não têm o
hábito de investir em ações?

129
Economia | Unidade 7 - Mercado Monetário

• Mercado cambial
De acordo com Vasconcellos (2007), o mercado cambial é onde se determina a taxa de câmbio, influen-
ciada pela oferta e pela demanda de divisas (moedas estrangeiras) e pela política cambial que as autori-
dades determinam. O mercado cambial está sob a alçada do Banco Central, sendo autorizados a operar
nesse mercado os bancos e as casas de câmbio.
• Mercado de seguros, capitalização e previdência privada
No mercado de seguros, capitalização e previdência privada, negociam-se ativos destinados à cobertura
de finalidades específicas ligados à segurança e proteção de patrimônio (seguros) e obtenção de aposen-
tadorias e pensões, ou os produtos de previdência privada (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

7.9 Mercado primário e mercado secundário


É importante ressaltar que os ativos podem ser negociados tanto no mercado primário como no mercado secun-
dário.
Quando o ativo é emitido e negociado pela primeira vez, está sendo negociado no mercado primário. Já quando
quem o adquiriu vende-o para um terceiro, trata-se do mercado secundário.
Por exemplo, no mercado acionário, quando a empresa emite as ações e as vende ao público pela primeira vez, é
uma operação de mercado primário. Quando esses primeiros investidores revendem as ações a terceiros, trata-
-se de operações do mercado secundário.

130
Considerações finais
Nesta unidade, vimos como funciona o lado monetário da economia. Para
isso, foram vistos os seguintes tópicos:
• o conceito e as funções da moeda, que representa, além de um
instrumento de troca, uma unidade de medida e uma forma de
reserva de valor;
• a oferta de moeda, o conceito de meios de pagamento, a mone-
tização e desmonetização da economia, assim como a oferta de
moeda pelo Banco Central;
• as funções do Banco Central, que são: execução de política mone-
tária, emissão de moeda (papel ou metálica), ou seja, tem o mono-
pólio das emissões, controle e regulação da oferta de moeda, exe-
cução da política cambial e administração do câmbio, assim como
fiscalização das instituições financeiras, dentre outras funções;
• os instrumentos de política monetária: controle de emissões;
depósitos compulsórios; operações de mercado aberto (open
market) e operações de redesconto;
• o multiplicador monetário;
• o papel das taxas de juros;
• taxa de juros nominal e taxa de juros real;
• o sistema financeiro e seus segmentos:
»» mercado monetário;
»» mercado de crédito;
»» mercado de capitais (ou mercado de valores mobiliários);
»» mercado cambial;
»» mercado de seguros, capitalização e previdência privada;
• O conceito de mercado primário e mercado secundário.

131
Referências bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Manual de economia. 6. ed. São Paulo:
Saraiva, 2007. 1 recurso online. ISBN 9788502135062. Disponível em:
<http://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788502135062>.
Acesso em: 19 jan. 2016.

______; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo:


Saraiva, 2014.

132
Unidade 8
Setor externo

Para iniciar seus estudos


8
Nesta unidade, você aprenderá conceitos importantes sobre o setor
externo da economia. Com o avanço da globalização, torna-se cada vez
mais fundamental entender as variáveis que afetam o mercado interna-
cional, quer seja ele de produtos ou de recursos financeiros.

Objetivos de Aprendizagem

• Entender os fundamentos do comércio internacional.


• Compreender a taxa de câmbio.
• Entender as exportações e as importações e conhecer o balanço
de pagamentos.

134
Economia | Unidade 8 - Setor Externo

Setor externo e a globalização


O mundo tem se apresentado cada vez mais interligado, seja por fluxos comerciais ou fluxos financeiros, dessa
forma, o estudo da economia internacional passou a ter um grau de destaque, já que se preocupa em medir os
benefícios existentes para cada um dos envolvidos nas negociações.
Para começar a estudar o setor externo, é interessante que você conheça um pouco mais sobre globalização.

8.1 Globalização
No entendimento da economia, a globalização nada mais é do que o aumento das trocas de informação, ao
aumento das transações econômicas e da difusão dos valores políticos e morais em escala mundial. O processo
de globalização proporciona o aumento das trocas de informação que afetam as pessoas, as empresas, os movi-
mentos sociais e os governos. Além disso, a globalização influencia numa maior troca de bens, serviços e investi-
mentos ao redor do mundo, assim como nos valores morais e políticos de todo o mundo.
Assim, a partir da globalização, as barreiras geográficas e temporais diminuem, repercutindo não só no nosso
contato com culturas e notícias ao redor do mundo, mas também na dinâmica da economia. Do ponto de vista
econômico, há o fluxo de produtos, de investimento direto (multinacionais) e o fluxo financeiro, caracterizado
pelos investimentos em Bolsa de Valores e em outros produtos financeiros do mercado. Há também a maior
presença da política internacional nos governos locais e pelo maior consumo de bens e de tecnologia importada
(VASCONCELLOS, 2007).
Portanto, a globalização pode ser dividida nas seguintes esferas ou áreas de influência:
• globalização tecnológica;
• financeira;
• produtiva;
• comercial.
A globalização tecnológica analisa como os avanços tecnológicos impactam nas relações econômicas e sociais
entre os países e seus habitantes. A globalização financeira analisa os movimentos dos capitais entre os países.
Já a globalização produtiva estuda o movimento de globalização na produção dos bens e serviços consumidos ao
redor do mundo. Por fim, a globalização comercial estuda a participação do comércio internacional dentro dos
países.
Portanto, não é possível atualmente a um país sobreviver de forma independente dos demais. Isso porque é
necessário estar incluído no cenário internacional e poder participar do movimento de capitais, de pessoas e
de produtos e serviços. Logo, um país que não recebe investimento de empresas estrangeiras não consegue
se autofinanciar em todos os setores da economia necessários para o bom desenvolvimento das relações de
consumo internamente. Perceba que um país tende a não ser relevante dentro do cenário internacional se não
importar os produtos que o seu país não produz.
Porém, é importante que você perceba que a globalização não ocorre de maneira uniforme em todos os países.
Além disso, a globalização não busca promover uma igualdade entre os países (VASCONCELLOS, 2007). Quando
pensamos em globalização, podemos notar que a parte econômica tende a se desenvolver de maneira mais
rápida, pois temos empresas multinacionais. Os países realizam o comércio internacional desde antes do desco-
brimento do Brasil, e os investidores estão dispostos a investir nas bolsas de valores do mundo todo para conse-

135
Economia | Unidade 8 - Setor Externo

guir ganhos extras de capital. Apesar disso, as condições econômicas dos países continuam desiguais, ou seja,
ainda temos países mais desenvolvidos comercializando com países menos desenvolvidos.

A globalização permite que os avanços tecnológicos e sociais cheguem com muita rapidez
aos quatro cantos do mundo. Permite também que haja um fluxo financeiro bastante amplo
entre todos os países do mundo. Porém, alguns problemas, como crises econômicas, por
exemplo, têm a chance de se alastrarem rapidamente para os demais países do mundo. O
que você acha disso? Os aspectos positivos da globalização ultrapassaram ou não os poten-
ciais efeitos negativos?

Já na área política, notamos que a globalização caminha a passos mais lentos, e isso se dá pela influência de
vários fatores, inclusive a troca de presidente nos países. Assim, a cada eleição presidencial local, os candidatos
precisam buscar apoio no cenário internacional para que, se eleitos, possam governar e manter as boas relações
com os países com que realizam comércio e têm acordos diplomáticos. Outro fator que influencia a globaliza-
ção política são os movimentos sociais. Existem diversos movimentos sociais que lutam contra os organismos
internacionais, como a OMC e o FMI, pela diminuição da globalização e dos seus efeitos (DORNBUSCH; FISCHER;
STARTZ, 2013).
Em decorrência da globalização, as transformações sociais em alguns países têm caminhado a passos mais
lentos. Isso ocorre devido ao aumento do desemprego, da informalidade, das privatizações e também devido à
redução da importância dos movimentos sindicais (VASCONCELLOS, 2007). Cada país terá suas características
em relação a desemprego, informalidade e pobreza, porém, essas características têm sido encontradas em vários
países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento.
Podemos notar a conexão entre os países quando os Estados Unidos decidem reduzir suas taxas de juros e, em
consequência, normalmente temos uma vinda maciça de capitais ao Brasil, o que impacta numa valorização do
real frente ao dólar. Essa valorização afeta diretamente nossas exportações, que ficam prejudicadas, visto que
será mais caro comprar produtos brasileiros. Outras decisões desse nível também impactam na economia de
outros países em desenvolvimento como o Brasil. Portanto, podemos notar que os países em desenvolvimento
normalmente estão expostos às decisões dos países chamados desenvolvidos.
No entanto, a globalização é um movimento que pode progredir assim como regredir. Ela pode continuar avan-
çando até uma completa globalização dos aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais, como também
pode regredir caso alguns países decidam se concentrar em desenvolver esses aspectos somente dentro das bar-
reiras geográficas de seu território, cortando as relações econômicas, políticas, sociais e culturais com os demais.
Porém, esse movimento dificilmente aconteceria, pois, com o uso da internet e a maior interdependência dos
países, dificilmente um ou alguns países isolados sobreviveriam sem afetar drasticamente a qualidade de vida da
sua população. Como regredir seria difícil, esse movimento pode se estagnar e ficar limitado a alguns aspectos,
não eliminando assim todas as barreiras entre as nações (DORNBUSCH; FISCHER; STARTZ, 2013).
A globalização é um fato, e o mundo terá que lidar com ela da melhor forma possível, sabendo que, apesar dos
seus inúmeros benefícios, alguns custos terão que ser pagos.

136
Economia | Unidade 8 - Setor Externo

A crise do subprime, em 2008, apesar de ter se originado no setor imobiliário americano,


acabou por afetar os mercados financeiros mundiais. Para saber mais sobre a crise do sub-
prime, entender suas origens e consequências, acesse o link: <https://jlcoreiro.wordpress.
com/2011/09/13/origem-causas-e-impacto-da-crise-valor-economico-13092011/>.

8.2 Fundamentos do comércio internacional


A economia explica que as vantagens observadas nas transações internacionais vão desde as melhores condi-
ções de produção, passando pela possibilidade de redução de custos e indo até a economia de escala com itens
de mercado global.
Classicamente, a explicação paira no princípio das vantagens comparativas, segundo o qual cada país deve se
especializar na produção das mercadorias em que é mais eficiente para exportá-las; já por outro lado, deverá
importar aquilo em que for menos especialista. Essa visão tem a limitação de ser estática e não levar em conta
a evolução das estruturas de oferta e demanda, bem como da relação de preços entre os produtos negociados
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

8.3 Taxa de câmbio


De acordo com Vasconcellos (2007), a taxa de câmbio nominal é o preço da moeda (divisa) estrangeira, em ter-
mos da moeda nacional.
Por exemplo, se a cotação ou preço do dólar estiver em R$ 3,40, isso significa que, para comprar um dólar preci-
samos de três unidades e quarenta centavos da moeda nacional.
A taxa de câmbio é a medida de conversão da moeda nacional na moeda de outros países, e isto se faz necessário
para que se fixe a relação de troca entre elas. As taxas de câmbio podem ser determinadas de dois modos: por
meio das autoridades econômicas com a fixação de taxas, ou pelo funcionamento do mercado no qual as taxas
flutuam automaticamente em decorrência da pressão de oferta e demanda.
Quando a taxa de câmbio encontra-se elevada, significa dizer que a moeda nacional encontra-se desvalorizada,
e o inverso também poderá acontecer, então, nesse caso, a moeda desvalorizada será a moeda estrangeira frente
à moeda nacional.
A inflação pode ser controlada pela taxa de câmbio, pois se a moeda nacional está valorizada, as importações
passam a competir com os produtos nacionais que, por sua vez, são forçados a manter preços competitivos com
os produtos importados e, dessa forma, mantendo a inflação sob controle.

137
Economia | Unidade 8 - Setor Externo

Taxa de câmbio nominal e taxa de câmbio real

As transações internacionais são influenciadas pelos preços internacionais. De acordo com Vasconcellos (2007),
os dois preços internacionais mais importantes são a taxa de câmbio nominal e a taxa de câmbio real.
A taxa de câmbio nominal é a taxa pela qual se pode trocar a moeda de um país pela moeda de outro país, já a
taxa de câmbio real é a taxa pela qual se pode trocar os bens e serviços de um país pelos bens e serviços de outro
país, ou seja, compara o preço de bens domésticos e internacionais na economia doméstica. A taxa de câmbio
real é o preço em reais de uma cesta de bens estrangeiros em relação a uma cesta brasileira. Portanto, a taxa de
câmbio real é um fator-chave na determinação de quanto um país exporta e importa (VASCONCELLOS, 2007).

Onde:
e = taxa de câmbio nominal.
Exemplo:
Preço de um automóvel produzido no Brasil = R$ 15.000,00.
Preço de um automóvel produzido nos EUA = US$ 12.000,00.
e = taxa de câmbio nominal = R$ 1,00/US$ 1,00.
R = taxa de câmbio real = (1,00 X 12.000) / 15.000 = 0,8.
Assim, conclui-se que o automóvel norte-americano é 20% mais barato do que o brasileiro.
Supondo agora e = R$ 1,25/US$ 1,00 ⇒ R = 1,0
Desvalorização real da moeda brasileira: o automóvel norte-americano passou a ter o mesmo preço que o bra-
sileiro.

8.3.2. Valorização e desvalorização cambial

A taxa de câmbio é determinada pela oferta e demanda de divisas. A oferta de divisas depende do volume de
exportações e da entrada de capitais externos; a demanda de divisas depende do volume das importações e da
saída de capitais externos (amortização de empréstimos, remessa de lucros, pagamentos de juros etc.).
Por exemplo, imagine que a taxa de câmbio no Brasil seja de R$ 3,10/US$ 1,00. Isso significa que no exterior
bastam US$ 0,31 para comprar R$ 1,00. Um aumento da taxa de câmbio implica desvalorização, e uma redução
implica valorização (VASCONCELLOS, 2007).
Exemplo: U$ 1,00 = R$ 3,10 ⇒ U$ 1,00 = R$ 3,50 → Desvalorização

138
Economia | Unidade 8 - Setor Externo

8.4. Políticas externas


O governo pode atuar na área externa por meio de duas políticas, a cambial e comercial. A política cambial diz
respeito às modificações da taxa de câmbio, e a política comercial se refere aos mecanismos de interferência no
fluxo de mercadorias e serviços.
• Política cambial
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), a política cambial depende do regime de taxas de câmbio
que um país decide adotar.
Pode-se dizer que há dois grandes tipos de regime cambial, o de taxas fixas e o de taxas flutuantes de
câmbio (VASCONCELLOS, 2007).
»» Taxas fixas de câmbio: a taxa de câmbio é fixada antecipadamente pelo Banco Central e compro-
mete-se a prover o mercado (exportadores, turistas etc.) negociando as moedas estrangeiras (divisas)
à taxa fixada. Como a taxa está fixa, o que se ajusta são a oferta e a demanda ao valor fixado (VASCON-
CELLOS, 2007).
»» Taxas de câmbio flutuantes ou flexíveis: a taxa de câmbio varia de acordo com o mercado, ou seja, de
acordo com a demanda e a oferta de divisas. Portanto, ocorre o oposto do que ocorria no caso anterior:
é a taxa de câmbio que se ajusta ao mercado, e não ao contrário. Assim, o Banco Central não tem o
compromisso de comprar divisas no mercado (VASCONCELLOS, 2007).
Na verdade, a maioria dos países que adota a taxa de câmbio flutuante está, na verdade, adotando um
regime intermediário entre as taxas fixas e flutuantes, que é conhecido como flutuação suja, ou dirty flo-
ating. Nesse caso, como observa Vasconcellos (2007), é adotado o regime de câmbio flutuante, ou seja,
o mercado determina a taxa, porém, há intervenções do Banco Central, que pode comprar ou vender
divisas para que a taxa de câmbio possa ser mantida de acordo com que ele julga adequado para evitar
oscilações bruscas.
Vasconcellos (2007) observa ainda que há outro regime intermediário entre as taxas fixas e flutuantes. É
o regime de bandas cambiais, no qual se admite flutuação dentro de limites fixados pelo Banco Central.
Esse regime se enquadraria nas regras do câmbio fixo, uma vez que o Banco Central continua tendo a
obrigação de disponibilizar reservas, se isso for necessário, para que o mercado seja atendido.

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Economia | Unidade 8 - Setor Externo

O Quadro 8.1 mostra as características principais dos regimes cambiais, bem como suas vantagens e desvantagens.

Figura 8.1. Regimes Cambiais (vantagens e desvantagens)

CÂMBIO FIXO CÂMBIO FLUTUANTE (FLEXÍVEL)

• BC fixa a taxa de câmbio; • O mercado determina a taxa de câmbio;

CARACTERÍSTICAS • BC é obrigado a • BC não é obrigado a disponibilizar reservas


disponibilizar reservas cambiais.
cambiais.

• Maior controle de inflação. • Política monetária mais independente do


câmbio;
VANTAGENS
• Reservas cambiais mais protegidas de ataques
especulativos.

• Reservas cambiais • A taxa de câmbio fica muito mais dependente


vulneráveis a ataques da volatilidade do mercado financeiro nacional
especulativos; e internacional;
DESVANTAGENS
• A política monetária fica • Maior dificuldade de controle das pressões
dependente do volume de internacionais devido às desvalorizações
reservas cambiais. cambiais.

Legenda: A figura apresenta as características e as vantagens e desvanta-


gens do regime de câmbio fixo e o de câmbio flutuante.
Fonte: Adaptada de Vasconcellos (2007, p.361).

• Política comercial
Alem da política cambial, o governo administra a política econômica externa por meio também da política
comercial.
De acordo com Vasconcellos (2007), a política comercial lança mão de mecanismos que influenciam ou
que interferem no fluxo de mercadorias e serviços com outros países. Há várias ferramentas que podem ser
usadas pelo governo para colocar em prática a política comercial externa, dentre elas, podem ser citadas:
»» tarifas sobre importações: se a política adotada visar a proteger a produção interna da concorrência
de produtos importados, em geral, isso é feito pela elevação do Imposto de Importação e de outros
tributos e taxas sobre os produtos importados. Porém, caso o objetivo seja a abertura comercial ou a
liberalização das importações, as tarifas sobre produtos importados são fixadas em patamares inferio-
res (VASCONCELLOS, 2007);
»» regulamentação do comércio exterior: podem ser colocados entraves burocráticos que dificultam
as transações com o exterior, ou o estabelecimento de cotas ou proibições às importações de deter-
minados produtos, o que representa barreiras qualitativas às importações (VASCONCELLOS, 2007);
»» subsídios fiscais e/ou monetários para exportações. Nesse caso, o governo dá incentivos aos expor-
tadores para que os produtos nacionais fiquem mais competitivos no comércio externo.

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Economia | Unidade 8 - Setor Externo

Cabe lembrar que as políticas comerciais adotadas pelos países devem se sujeitar à Organização Mundial do
Comércio (OMC), que estabelece normas para regular as práticas comerciais internacionais. Essa instituição tem
como objetivo combater as práticas nocivas ao bom andamento do comércio entre países, como, por exemplo, o
dumping, que ocorre quando um país vende seus produtos a preços menores do que os próprios custos de produ-
ção para que consiga uma fatia maior do mercado internacional.
Vasconcellos (2007) observa que a OMC tem tido dificuldades de aplicar suas normas por ter que lidar com um
fenômeno relativamente recente, chamado de dumping social, que é praticado principalmente por países do
Sudeste Asiático, como Vietnã, e pela China Continental. Os salários da mão de obra são tão baixos que permitem
que esses países tenham vantagens competitivas no comércio internacional.

Glossário

“Dumping é uma palavra, quando utilizada em termos comerciais (especialmente no Comér-


cio Internacional), designa a prática de colocar no mercado produtos abaixo do custo com
o intuito de eliminar a concorrência e aumentar as quotas de mercado”, Fonte: https://
www.significados.com.br/dumping/, acesso em 22/01/16..

8.5 Exportações e importações


As exportações representam o ingresso de divisas no país pelas transações comerciais realizadas. De forma aná-
loga, as importações representam a saída de dividas do país, por meio de compras de bens e serviços do país no
mercado internacional.
• Exportações:
Vasconcellos e Garcia (2014) observam que as exportações são influenciadas, ceteris paribus, pelos
seguintes fatores:
»» preços externos em dólares: caso os preços dos produtos nacionais se elevem no mercado inter-
nacional, os exportadores se sentirão impelidos a produzir mais e a vender mais, portanto, os preços
externos provocarão um aumento das exportações nacionais;
»» preços internos em reais: se o preço dos produtos potencialmente exportáveis se elevarem no mer-
cado nacional, os exportadores podem ser impelidos a vender dentro do país, e não no mercado
externo;
»» taxa de câmbio nominal (reais por dólar): se a taxa de câmbio nominal subir, ou seja, caso seja
necessário mais reais para comprar uma unidade de moeda estrangeira, as exportações deverão ser
estimuladas, pois os exportadores receberão mais reais pela mesma quantidade de dólares. Por exem-
plo, um exportador que receba 500.000,00 dólares à taxa de câmbio de R$ 2,00 por dólar, receberá, em
reais, R$ 1.000.000,00. Porém, se o dólar estiver valendo mais (portanto, o real estará valendo menos),
ele receberá mais reais pelos 500 mil dólares. Por exemplo, se a taxa de câmbio estiver em R$ 3,00/US
1,00, ele receberá R$ 1.500.00,00 pela mesma quantia de dólares.

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Economia | Unidade 8 - Setor Externo

Outra forma pela qual a desvalorização cambial pode estimular as exportações é pela maior demanda de
compradores externos, uma vez que, com a mesma quantidade de dólares, eles poderão comprar mais
produtos brasileiros:
»» renda mundial: caso ocorra uma elevação da renda mundial, o comércio internacional será estimu-
lado, o que deverá ter um impacto positivo nas exportações brasileiras, uma vez que os compradores
estão com mais recursos para adquirirem nossos produtos. O oposto também é verdadeiro: a queda da
renda mundial deverá ter um impacto negativo nas nossas exportações;
»» subsídios e incentivos às exportações: o governo pode optar por lançar mão de incentivos às expor-
tações para estimulá-las, por exemplo, por meio de subsídios, como a concessão de empréstimos a
exportadores com taxas de juros menores (subsidiadas), ou o aumento à disponibilidade de financia-
mentos. Também podem ser utilizados outros incentivos, tais como os fiscais, por exemplo, e isenções
de impostos.
As importações, por sua vez, de acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), ceteris paribus, são influenciadas
por:
»» preços externos: se os preços em dólares aumentarem no exterior, deverá ocorrer uma retração das
importações brasileiras;
»» preços internos, em reais: uma elevação interna dos preços dos produtos incentivará a compra de
produtos similares estrangeiros, o que fará com que as importações cresçam;
»» taxa de câmbio nominal: caso ocorra um aumento da taxa de câmbio nominal, ou seja, caso haja
uma desvalorização cambial, os importadores terão que pagar mais reais pela mesma quantidade de
dólares pelos mesmos produtos comprados, mesmo que os preços em dólares dos mesmos produtos
tenham sido mantidos;
»» renda e produto nacional (y): ao contrário das exportações, que são bastante afetadas pela renda do
resto do mundo, as importações estão relacionadas à renda dos residentes, ou seja, à renda interna.
Um crescimento da renda nacional levará o país a aumentar a produção interna, demandando maté-
rias-primas e até mesmo máquinas importadas para suprir a elevação da demanda interna por bens.
Também deverá ocorrer mais compras de bens finais importados. Em ambas as situações, as importa-
ções são favorecidas;
»» tarifas e barreiras às importações: pode ocorrer a imposição de barreiras quantitativas (elevação
das tarifas sobre importações), ou qualitativas (proibição da importação de certos produtos, estabe-
lecimento de quotas, ou entraves burocráticos), as quais impactarão negativamente as importações
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

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Economia | Unidade 8 - Setor Externo

8.6. Balanço de pagamentos no Brasil


O balanço de pagamentos é o registro sistemático estatístico-contábil das transações econômicas realizadas entre
residentes e não residentes de um país durante determinado período de tempo (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
São computadas em determinado período todas as transações de pagamentos incluindo fretes, seguros e emprés-
timos obtidos no exterior com mercadorias, serviços, capitais físicos e financeiros entre o país e o mundo.
Os residentes de um país são:
• as pessoas físicas, nacionais ou não, cujo centro de interesse é o país, ou seja, pessoas que vivem perma-
nentemente no país (incluindo os estrangeiros que aqui trabalham), os funcionários em serviço no exte-
rior (oficiais de chancelaria, diplomatas etc.) e demais pessoas que se encontram transitoriamente fora
do país em viagens de negócios, educação (bolsista de pós-graduação) e o turista brasileiro no exterior;
• pessoas jurídicas de direito privado sediadas no país, isto é, empresas nacionais ou multinacionais ins-
taladas no país, por exemplo: sucursais ou filiais de empresas estrangeiras no Brasil e instituições norte-
-americanas de ensino aqui instaladas; as embaixadas do país no mundo, por exemplo: embaixada brasi-
leira em Paris, embaixada brasileira em Buenos Aires;
• todos os órgãos públicos do país.
Os não residentes no país são:
• turistas estrangeiros no país;
• empresas nacionais instaladas fora do país (exemplo: filial da Gerdau, no Chile, e a filial da Camargo Cor-
rêa, em Angola);
• as embaixadas estrangeiras no país (exemplo: embaixada americana em Brasília);
• todos os órgãos e instituições de outros países.

O fato de um país possuir um balanço de pagamentos negativo não necessariamente o torna


menos eficiente. Na verdade, o fato de o balanço figurar com déficit significa que o país se
utiliza de recursos externos para seu desenvolvimento. .

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Economia | Unidade 8 - Setor Externo

O Balanço de Pagamentos está subdividido em:


• balança comercial
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014, p. 221), essa conta compreende o comércio de mercadorias.
Se as exportações FOB (Free on Board, isto é, isentas de fretes e seguros) excedem as importações FOB,
temos um superávit no balanço de comércio; se ocorrer o inverso, um déficit;
• balanço de serviços e rendas
São registrados os serviços pagos e/ou recebidos pelo Brasil, como:
fretes, seguros, lucros, juros, royalties e assistência técnica, viagens internacionais (VASCONCELLOS;
GARCIA, 2014);
• transferências unilaterais correntes
Podem também ser chamadas de conta de donativos: registram as doações interpaíses. Os donativos
podem ser em divisas (como os que os “dekasseguis” enviam do Japão ao Brasil) ou em mercadorias inter-
nacionais (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014);
• balanço de transações correntes
O somatório dos balanços comercial, de serviços e de transferências unilaterais resulta no saldo em
conta-corrente e/ou balanço de transações correntes. Se o balanço de transações correntes for positivo,
indica que enviamos mais bens e serviços para o exterior do que recebemos. Em termos reais, é uma pou-
pança externa negativa (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014);
• conta capital e financeira
Nessa conta são registrados: os investimentos diretos de empresas multinacionais, de empréstimos e
investimentos para projetos de desenvolvimento do país e de capitais financeiros de curto prazo, apli-
cados no mercado financeiro nacional, transações financeiras puras (ações e quota-parte do capital das
empresas), quotas de participação governamental em organismos internacionais, títulos de outros paí-
ses, empréstimos em moeda etc. (VASCONCELLOS, 2007, p. 371);
• erros e omissões
Representa a diferença entre o saldo do balanço de pagamentos e a variação de reservas, que surge
quando se tenta compatibilizar transações físicas e financeiras e as várias fontes de informações (Banco
Central, Departamento de Comércio Exterior, Receita Federal etc.). A regra internacional é admitir para
“erros e omissões” um valor de, no máximo, 5% da soma das exportações com as importações (VASCON-
CELLOS, 2007).

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Figura 8.2. Exemplo simplificado de Balanço de Pagamentos

1 – Balanço comercial
Exportações de mercadorias (FOB) + 48,5 + 15,5
Importações de mercadorias (FOB) - 33,0

2 – Balanço de serviços
Fretes e seguros - 2,1 - 18,1
Outros serviços - 3,8
Viagens internacionais - 1,2
Juros - 6,2
Lucros - 4,8

3 – Transferências unilaterais
Donativos recebidos + 1,7 + 1,7
___________
4 – Balanço de transações correntes (1 + 2 + 3) - 0,9

5 – Balanço de capitais autônomos + 2,3


Empréstimos + 2,5
Investimentos diretos + 6,3
Amortização - 9,2
Refinanciamento + 1,5
Reinvestimento + 1,2

6 – Erros e omissões 0
___________
7 – Balanço de pagamentos + 1,4

8 - Balanço de capitais compensatórios - 1,4

Legenda: Exemplo da estrutura do balanço de pagamentos (medido em US$ bilhões).


Fonte: Adaptada de Dellamura (2010, p.48).

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Economia | Unidade 8 - Setor Externo

Neste link do Banco Central do Brasil é possível ver como anda nosso balanço de pagamen-
tos em 2016: <https://www.bcb.gov.br/htms/notecon1-p.asp>. Acesso em: 20 jan. 2017.

8.7. Órgãos internacionais


Alguns eventos de grandes proporções influenciaram as economias de praticamente todos os países do mundo,
o que se refletiu nas relações internacionais. Esses eventos foram as duas guerras mundiais e a Grande Depressão
de 1930 (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
A partir daí a necessidade de mudanças era clara. Em 1944, da Conferência de Bretton Woods, nasceu um novo
Sistema Monetário Internacional, o que teve grande fomento do comércio mundial, servindo de base para o cres-
cimento econômico do pós-guerra. O objetivo do Sistema Monetário Internacional era tornar viáveis as transa-
ções entre os vários países com regras e convenções que passaram a regular as relações econômico-financeiras
sem que fossem gerados entraves ao desenvolvimento mundial (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
Foi nesse contexto que surgiram três organizações bastante importantes para o fomento e a regularização do
comércio internacional:
• o Fundo Monetário Internacional (FMI);
• o Banco Mundial; e
• a Organização Mundial do Comércio (OMC).
• Fundo Monetário Internacional (FMI)
O Fundo Monetário Internacional foi criado com o objetivo de evitar as instabilidades cambiais e estabe-
lecer a estabilidade financeira e socorrer países afetados pelo desequilíbrio transitório em seus balanços
de pagamentos (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
• Banco Mundial
O Banco Mundial tem como missão auxiliar a reconstrução de países após a guerra e promover o cres-
cimento de países em desenvolvimento. Subscrevem o capital do Banco Mundial os países credores, na
proporção de sua importância econômica. Com esse capital o banco empresta, a taxas reduzidas, recur-
sos para execução de projetos de infraestrutura em países que estejam em desenvolvimento (VASCON-
CELLOS; GARCIA, 2014).
• Organização Mundial do Comércio (OMC)
A Organização Mundial do Comércio estabeleceu como princípios de regras básicos o de reduzir as barrei-
ras comerciais, a não discriminação comercial entre os países, a compensação dos países prejudicados por
aumentos de tarifas alfandegárias e arbitragem de conflitos comerciais (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).

146
Considerações finais
Nesta unidade, você estudou vários itens de grande importância para o
entendimento de como ocorrem as relações entre países, principalmente
do ponto de vista econômico-financeiro.
Foram abordados os seguintes tópicos:
• a globalização que ocorre em várias esferas inter-relacionadas:
globalização tecnológica; financeira; produtiva; comercial;
• fundamentos do comércio internacional: nesse tópico foram
estudados a taxa de câmbio nominal e real, bem como a valoriza-
ção e desvalorização cambial;
• políticas externas: foram abordadas nesse item a política cambial
– a qual pode ser de taxas fixas, flutuantes, havendo possibilidades
intermediárias, como o dirty floating e o sistema de bandas cam-
biais – e a política comercial. Vimos as tarifas sobre importações,
a regulamentação do comércio exterior, os subsídios fiscais e/ou
monetários;
• exportações e importações: as exportações representam o
ingresso de divisas no país pelas transações comerciais realizadas.
De forma análoga, as importações representam a saída de dividas
do país, por meio de compras de bens e serviços do país no mer-
cado internacional;
• balanço de pagamentos: é o registro sistemático estatístico-con-
tábil das transações econômicas realizadas entre residentes e não
residentes de um país, durante determinado período de tempo;
• órgãos internacionais: órgãos que surgiram para o fomento e a
regularização do comércio internacional, sendo os mais impor-
tantes o Fundo Monetário Internacional (FMI); o Banco Mundial e
a Organização Mundial do Comércio (OMC).

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Referências bibliográficas
DELLAMURA, A. Material de Estudos para Economia. São Paulo: 2010.
Disponível em: <https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=Z
GVmYXVsdGRvbWFpbnxwcm9mZXNzb3JkZWxsYW11cmF8Z3g6MzA0Mj
gzYTk1YWEzYTlmNw>. Acesso em: 10 jan. 2017.

DORNBUSCH R., FISCHER, S., STARTZ, R. Macroeconomia. Rio de Janeiro:


Editora Mcgraw Hill, 2013.

VASCONCELLOS, M. A. S. de. Manual de economia. 6. ed. São Paulo:


Saraiva, 2007. Disponível em: <http://integrada.minhabiblioteca.com.br/
books/9788502135062>. Acesso em: 19 jan. 2016.

______; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo:


Saraiva, 2014.

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