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FREIRE, Silene de Moraes. MARCOJE, Laís M. (Organização).

Anais do VII Seminário Internacional Direitos Humanos,


Violência e Pobreza: a situação de crianças e adolescentes na américa Latina hoje. Rio de Janeiro, Editora
Rede Sírius/UERJ, 2019. ISBN 978-85-5676-022-7

GT II – Políticas Públicas, Cidadania e Direitos Humanos


Título: Fluxo para o atendimento inicial: garantia ou violação dos direitos dos
adolescentes apreendidos no município do Rio de Janeiro?
Autoras: Flávia Alt do Nascimento - Assistente Social. Especialista em Direito da
Criança e do Adolescente pela FEMPERJ/MPRJ. Ministério Público do Estado do
Rio de Janeiro.
Liliane Irencio Brotto - Assistente Social. Especialista em Serviço Social e Saúde
pela UERJ. Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Resumo: Este trabalho apresenta o fluxo de atendimento


inicial aos (às) adolescentes a quem se atribui autoria de ato
infracional no município do Rio de Janeiro. As normativas
afetas à temática indicam a importância de garantir que o
atendimento inicial seja o mais célere possível através da
articulação de todos os atores do Sistema de Garantia de
Direitos que estão envolvidos no atendimento ao (a)
adolescente. Para tanto, são consideradas as ações
diferenciadas e praticadas pela proposta de atendimento
efetuado na Capital Fluminense através do Núcleo de
Audiência e Apresentação e os aspectos previstos nas
normativas nacionais para a execução de um Núcleo de
Atendimento Integrado.

ABSTRACT: This paper presents the initial flow of care to


adolescents who are attributed authorship of an offense in the
city of Rio de Janeiro. The regulations related to the theme
indicate the importance of ensuring that initial care is as fast as
possible through the articulation of all actors of the Rights
Guarantee System who are involved in the care of this
adolescent. The differentiated actions taken by the service
proposal made in Capital Fluminense through the Audience and
Presentation Center and the aspects provided for in the national
regulations for the implementation of an Integrated Service
Core.

Este artigo trata de uma breve análise acerca do fluxo de atendimento


realizado ao (a) adolescente a quem se atribui a autoria de ato infracional desde a
apreensão ao atendimento inicial nas unidades socioeducativas localizadas no
município do Rio de Janeiro. Para tanto, serão utilizados dados coletados durante as
vistorias técnicas realizadas nas unidades de privação e restrição de liberdade
geridas pelo Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE), órgão
estadual responsável pela execução das medidas socioeducativas vinculado à
Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC).

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FREIRE, Silene de Moraes. MARCOJE, Laís M. (Organização). Anais do VII Seminário Internacional Direitos Humanos,
Violência e Pobreza: a situação de crianças e adolescentes na américa Latina hoje. Rio de Janeiro, Editora
Rede Sírius/UERJ, 2019. ISBN 978-85-5676-022-7

O trabalho de assessoramento técnico prestado pela equipe de Serviço Social


do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e da
Juventude (CAOPJIJ) aos Promotores de Justiça com atribuição na matéria
infracional na Capital Fluminense1, vem possibilitando a identificação de elementos
fundamentais para a realização de análises e estudos acerca do sistema
socioeducativo.
Sendo assim, é fundamental esclarecer que os dados ora exibidos são parte
de documento técnico elaborado pela equipe de Serviço Social do CAOPJIJ
intitulado: Análise Sintética - Unidades de Atendimento Socioeducativo da Capital
Fluminense. O documento trata das condições de atendimento destinadas aos (às)
adolescentes em medida cautelar e em cumprimento de medidas socioeducativas de
semiliberdade e internação e traz informações acerca do fluxo de atendimento inicial
que vem sendo executado na Capital Fluminense.
Segundo Lima (2013), o atendimento inicial do (a) adolescente a quem se
atribui autoria de ato infracional, realizado de forma integrada e articulada é a porta
de entrada e ao mesmo tempo o cerne que pode movimentar e mobilizar todo o
funcionamento do sistema de atendimento socioeducativo. O desenvolvimento desta
política pública requer parâmetros de gestão, procedimentos e fluxos de
atendimento específicos.
A Lei Federal nº 8.069/1990 que institui o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), no artigo 88 – inciso V apresenta como diretrizes da política de
atendimento a integração operacional de órgão do Judiciário, Ministério Público,
Defensoria Pública, Segurança Pública e Assistência Social, preferencialmente em
um mesmo local, para efeito de agilização do atendimento inicial a este adolescente
(1990, grifos nossos).
Na mesma direção, a Lei nº 12.594/2012, que institui o Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (SINASE) assegura a implantação de um núcleo de

1 Trata-se de processo de fiscalização realizado pelas representações ministeriais em atendimento à


periodicidade bimestral estabelecida na Resolução do Conselho Nacional do Ministério Público -
CNMP n° 67/2011, alterada pela Resolução n° 97/2013, que dispõe sobre a “Uniformização das
fiscalizações em unidade de cumprimento de medidas socioeducativas de internação e semiliberdade
pelos Membros do Ministério Público”, prevendo ainda o assessoramento técnico especializado nas
áreas de Serviço Social e Psicologia.
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atendimento inicial como forma de dar agilidade ao atendimento inicial de


adolescentes a quem se atribui autoria de ato infracional:

Artigo 4º - inciso VII - garantir o pleno funcionamento do plantão


interinstitucional, nos termos previstos no inciso V, artigo, 88, ECA.
Artigo 5º – inciso VI – cofinanciar, conjuntamente com os demais entes
federados, a execução de programas e ações destinados ao atendimento
inicial de adolescente apreendido para apuração de ato infracional, bem
como aqueles destinados a quem foi aplicada medida socioeducativa.

Quanto ao suporte e estrutura para desempenho efetivo desta política de


atendimento, destaca-se que o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo
(2014-2023), apresenta como prioridade a implantação do atendimento inicial
Integrado através do Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) 2, visando favorecer a
melhoria e a efetividade do atendimento socioeducativo. Este núcleo de atendimento
prevê o atendimento integrado dos atores que compõem o Sistema de Garantia de
Direitos (SGD) e acolhe ao determinado no artigo 88, inciso V do ECA em caráter
célere e adequado ao (à) adolescente autor (a) de ato infracional.
Portanto, a indicação de implantação do NAI pressupõe agilidade do
atendimento inicial e atuação efetiva dos órgãos supramencionados, em regime de
plantão, inclusive em finais de semana e feriados. Salienta-se ainda, que o NAI
possui o papel de desenvolver ações, no momento da apreensão do adolescente
pela autoridade policial, atuando na acolhida desde o desencadeamento do
processo de apuração e acompanhamento até o momento da aplicação, ou não, de
uma medida socioeducativa.
A implantação e ampliação de NAI’s nas Capitais, Distritos Federais e
Municípios das Regiões Metropolitanas é um dos objetivos do Plano Nacional de
Atendimento Socioeducativo, embora ainda não ocupe o espaço que lhe cabe dentro
do SINASE. Parcialmente implantado com a articulação apenas do Sistema de
Justiça, os NAI’s ainda não atingiram todas as capitais3.
Neste contexto, importa salientar que em 1º de junho de 2016, foi inaugurado
o Núcleo de Audiências e Apresentação (NAAP), fruto de parceria entre o Tribunal
de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJERJ), o Ministério Público (MPRJ), a

2
O Atendimento integrado também apresenta as seguintes nomenclaturas: CIA – Centro Integrado de
Atendimento e NAM – Núcleo de Atendimento Multidisciplinar.
3 O Levantamento SINASE, publicado anualmente pelo Ministério dos Direitos Humanos, ainda não

traz o panorama da cobertura do atendimento inicial por unidade federativa.


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Defensoria Pública (DPERJ), a Polícia Civil (PCRJ) e a Prefeitura do Rio de Janeiro,


através do Termo de Cooperação Técnica para a Reestruturação das Audiências de
Apresentação dos Adolescentes em Conflito com a Lei e do Ato Infracional de
Instituição do Núcleo de Audiência de Apresentação da Comarca da Capital.
A criação do NAAP na Capital Fluminense, ao que parece, é uma proposta
de atendimento com base nas determinações previstas pelo ECA acerca de
audiência de apresentação, tão logo o (a) adolescente envolvido (a) em prática de
um ato infracional seja apreendido (a) pela autoridade policial. Entretanto, a
estratégia criada no município do Rio de Janeiro ainda está distante de contemplar,
na plenitude, os aspectos previstos para o funcionamento de um NAI.

Metodologia

Os dados apresentados neste artigo foram coletados através de 06 (seis)


vistorias técnicas realizadas no período de setembro a novembro de 2017 nas
unidades de atendimento em privação de liberdade localizadas no município do Rio
de Janeiro, quais sejam: Centro de Socioeducação Gelson de Carvalho Amaral
(CENSE GCA)4 e Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da
Costa (CENSE PACGC)5, bem como no espaço destinado para o pernoite de
adolescentes do sexo masculino, ANEXO-CENSE GCA. Cumpre salientar que a
escolha pelas duas unidades se justifica em função de serem estas responsáveis
pelo acautelamento de adolescentes, na ocorrência de ingresso sem a determinação
judicial.
Para tanto, foi utilizado roteiro de orientação específico elaborado pela equipe
de Serviço Social do CAOPJIJ com o objetivo de coletar informações referentes ao
fluxo de atendimento para ingresso dos (as) adolescentes nas unidades de
atendimento. Durante as vistorias realizadas nas unidades supracitadas, a equipe
buscou coletar junto aos representantes institucionais de que forma o fluxo de
atendimento para ingresso nas unidades vinha sendo operacionalizado, sobretudo,
após a implantação do NAAP na Capital Fluminense.

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Unidade de privação de liberdade destinada para recepção dos adolescentes do sexo masculino.
5 Única unidade de atendimento feminino no Estado do Rio de Janeiro.
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O Cenário identificado no Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro, diferente dos outros Estados da Região


Sudeste6, ainda não apresenta a implantação de nenhum NAI, apesar de também
assegurar no Plano Decenal de Atendimento Socioeducativo (2015-2024) uma meta
específica para este fim, conforme exposto abaixo:

Implementar em todas as Comarcas da Vara de Infância e Juventude


e, gradativamente, em todos os municípios os Núcleos de
Atendimento Integrado ao adolescente que se atribua ato infracional
condicionados à prévia existência de efetivo funcionamento de
centros Integrados de atendimento de Adolescentes em Conflito com
a Lei (Art. 88, inc. V do ECA), inclusive em plantões noturnos e fora
dos horários forenses (2015, p. 64).

A criação do NAAP apesar de reestruturar o processo de realização de


audiências de apresentação dos (as) adolescentes a quem se atribui a autoria de ato
infracional apresenta funcionamento diferenciado do previsto para execução de um
núcleo de atendimento integrado. O funcionamento do núcleo não prevê
atendimento em horário integral - com funcionamento em plantão noturno e nos
finais de semana – o que contribui para a inserção de adolescentes em espaço
destinado para o pernoite e/ou nas unidades de privação de liberdade CENSE GCA
e CENSE PACGC.
Cabe destacar que dentro das atribuições previstas no Termo de Cooperação
Técnica supracitado, está inserido o espaço para pernoite denominado ANEXO–
CENSE GCA, administrado pelo DEGASE, para recebimento e apresentação
posterior dos adolescentes ao NAAP. Apesar da denominação utilizada, o local está
situado em área distante do CENSE GCA, ainda que esteja vinculado
administrativamente à unidade de recepção. No espaço não há planejamento para
desenvolvimento de qualquer ação que esteja direcionada para atendimento técnico,

6
Os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo já possuem Centro Integrado de
Atendimento, conforme exposto nos respectivos Planos Estaduais de Atendimento Socioeducativo.
Em São Paulo, há 03 (três) modelos de atendimento inicial: NAI (Núcleo Integrado de Atendimento);
CAI (Centro de Atendimento Integrado) e CAIP (Centro de Atendimento Integrado e Internação
Provisória).
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familiar ou de saúde. No quadro funcional consta somente a composição de agentes


socioeducativos e funcionários administrativos.
Importa destacar que o atendimento realizado por um técnico especializado
nas primeiras horas de apreensão, possibilita a avaliação e orientação tanto para o
adolescente quanto para a família. A ausência de profissional de saúde no espaço
também tem indicado importantes óbices para o atendimento aos adolescentes,
tendo em vista o ingresso de adolescentes com situações de saúde gravosas nos
espaços privativos de liberdade, sem que estes tenham condições adequadas para
garantia deste atendimento.
Ressalta-se ainda, que o atendimento está direcionado exclusivamente para o
público masculino, trazendo alterações acerca do fluxo efetuado na inserção dos
adolescentes nas unidades de atendimento socioeducativo. Não obstante, nos casos
de apreensão de adolescentes do sexo feminino, o fluxo se manteve inalterado. Na
ocorrência de impedimento de apresentação à autoridade judiciária imediata, as
adolescentes permanecem sendo inseridas na unidade de internação provisória
através da Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), ainda que
não haja determinação judicial para tanto.
A esse respeito, Nascimento (2017) salienta que

[...] as meninas são inseridas em unidades de privação de liberdade,


sem haver classificação de espaço de atendimento diferenciado
daqueles destinados para medida socioeducativa de internação e
internação provisória por determinação judicial. A falta de oferta de
atendimento para as meninas pelo NAAP denota o tratamento
desigual aos adolescentes a quem se atribui a autoria do ato
infracional já no início do fluxo de atendimento socioeducativo
(NASCIMENTO, 2017, p. 96-97).

Outro aspecto que reflete fragilidade no atendimento inicial, diz respeito ao


fluxo entre as Delegacias. Durante o processo de vistorias técnicas realizadas no
ANEXO-CENSE GCA, identificou-se entraves significativos no processo de
apuração do ato infracional, uma vez que o espaço de pernoite recebe
recorrentemente adolescentes com ocorrências que infringem o art. 175 §1º da Lei
8069/90, em especial, quanto ao prazo estabelecido para apresentação à autoridade
judiciária.
De acordo com as informações coletadas durante as vistorias e consultadas
nos Registros de Ocorrências disponibilizados pelos funcionários lotados no
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ANEXO-CENSE GCA, há casos de adolescentes que permaneceram por até cinco


dias nos departamentos policiais. Verificou-se ainda, situações em que adolescentes
aguardavam viatura para translado após 36 horas da apreensão.
No caso das adolescentes do sexo feminino, ressalta-se que a unidade de
privação de liberdade feminina não possui dados sistematizados acerca da
permanência das adolescentes em unidades policiais por tempo superior a 24 horas.
O cenário exposto evidencia as dificuldades no fluxo realizado entre as
unidades policiais que impactam na efetivação do direito de apresentação imediata
do adolescente em processo de apuração do ato infracional, uma vez que o
encaminhamento efetuado pelas delegacias comuns para a repartição policial
especializada não está sendo realizado de forma célere.
Diante dos aspectos e entraves identificados, torna-se fundamental observar
as indicações para o atendimento inicial efetuado através do NAI e a proposta em
vigor na Capital Fluminense que vem sendo executada através do NAAP:

Indicações para funcionamento: NAI Proposta do atendimento: NAAP7


Atendimento articulado e integrado,  Indica o atendimento articulado e integrado
em um mesmo espaço, entre as entre as instituições: Segurança Pública
instituições: Segurança Pública (Polícia Civil); Judiciário; Ministério Público;
(Polícia Militar e Civil); Judiciário; Defensoria Pública; Secretaria Municipal de
Ministério Público; Defensoria Pública; Assistência Social e Órgão Estadual de
Secretarias Municipais de Assistência Atendimento Socioeducativo; não dispõe de
Social, Educação, Saúde, Esporte e participação das demais secretarias
Cultura; Órgão Estadual de municipais e do Conselho Tutelar;
Atendimento Socioeducativo;  Espaço para o Sistema de Justiça,
Conselho Tutelar; podendo contar, atendimento técnico, contenção dos (as)
ainda, com outras parceiras; adolescentes; área comum; o espaço para
Espaços Essenciais para: recepção; pernoite (ANEXO-CENSE GCA) está
acolhida; atendimento da delegacia localizado em área diversa do núcleo e não
especializada; atendimento da equipe prevê alojamentos para atendimento
técnica (Serviço Social e Psicologia); feminino, inserindo as adolescentes no
gabinetes, salas para oitivas, CENSE PACGC; Não há, ainda, espaço

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Referência às informações coletadas nas vistorias realizadas no ANEXO-CENSE GCA e na RAD
(Regras Administrativas que se aplica ao NAAP).
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atendimentos e audiências (destinadas destinado para a DPCA, impactando no


para MP, Defensoria e Judiciário); alas longo período para apresentação após a
para acomodação para meninos e apreensão.
meninas; alojamentos com  Funcionamento no horário predeterminado
dormitórios, banheiros e guarda de forense, com o recebimento dos (as)
pertences, para e meninos e meninas adolescentes, através da DPCA e do
que necessitem do pernoite; ala para ANEXO-CENSE GCA, para apresentação
internação provisória e espaços em horário de corte estabelecido para até às
comuns: salas de espera, sala de 10h. Apreensão realizada após o horário de
reunião, cozinha, refeitório e áreas de corte implica no pernoite na unidade
serviço. socioeducativa CENSE PACGC e/ou no
Funcionamento permanente por 24h ANEXO-CENSE GCA, sem prever
por dia. atendimento técnico e/ou familiar no local.
Não há funcionamento nos feriados e finais
de semana.
Fonte: Análise Sintética: Unidades de Atendimento Socioeducativo da Capital Fluminense, 2018 .

Importa ainda salientar que o atendimento inicial integrado, preferencialmente


em um mesmo local, também visa garantir os princípios de excepcionalidade e
brevidade da internação provisória, de forma a evitar a que os (as) adolescentes
permaneçam privados de liberdade quando a lei não o exigir ou permaneçam nas
unidades de atendimento por período superior ao determinado no artigo 108 da Lei
nº 8.069/1990 (45 dias).

Considerações:

No âmbito do fluxo de atendimento inicial evidencia-se que, apesar da


implantação do NAAP, ainda são identificadas fragilidades no atendimento aos (às)
adolescentes. Inaugurado com o objetivo de garantir atendimento célere, o NAAP
carece de aprimoramento para adequar-se à política pública do SINASE quanto à
implantação do atendimento inicial, em virtude da organização e horário para
funcionamento.
Conforme exposto, o espaço do ANEXO-CENSE GCA é destinado ao
pernoite de adolescentes do sexo masculino que ficam inviabilizados de
encaminhamento dentro do horário de funcionamento do NAAP. Porém, não há
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previsão para adolescentes do sexo feminino na mesma condição. Estas


permanecem sendo encaminhadas para a unidade CENSE PACGC ainda que não
tenha determinação judicial para tanto, sem previsão de acomodação em espaço
diferenciado daquelas que já estão em medida cautelar ou em cumprimento de
MSE.
Ainda sobre este aspecto, destaca-se que o fluxo realizado entre as
delegacias no processo de apuração do ato infracional merece melhor alinhamento
quanto ao encaminhamento para repartição policial especializada, bem como na
garantia de apresentação do adolescente no prazo de 24 horas à autoridade
judiciária, em virtude dos entraves recorrentes que são evidenciados quanto à
permanência por longos períodos em unidades policiais.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público. Resolução nº 67, de 16 de março


de 2011. Brasília, 2011.
_______. Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do
Adolescente.
_______. Lei Federal nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012. Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (SINASE).
_______. Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo: Diretrizes e eixos
operativos para o SINASE. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência
da República, 2013.
_______. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Resolução nº
119 de 11 de dezembro de 2006. Brasília: Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente, 2006.
BROTTO, Liliane Irencio & NASCIMENTO, Flávia Alt. Análise Sintética: Unidade de
Atendimento Socioeducativo da Capital Fluminense. Rio de Janeiro: Ministério
Público do Estado do Rio de Janeiro, janeiro 2018.
LIMA, Agnaldo Soares. Guias para implantação do atendimento inicial ao
adolescente a quem se atribui autoria de ato infracional. Ed. Dom Bosco, Brasília:
2013.

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NASCIMENTO, Flávia Alt. Atendimento Socioeducativo destinado às Adolescentes


em Privação de Liberdade no Estado do Rio de Janeiro: Elas Existem? In: Revista
do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro nº 67 jan./mar. 2018. Rio de
Janeiro, p. 73-116, 2018.
RIO DE JANEIRO. Plano Decenal Estadual de Atendimento Socioeducativo do
Estado do Rio de Janeiro (2015-2024). Rio de Janeiro. Conselho Estadual de Defesa
da Criança e do Adolescente (CEDCA), 2014.

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