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Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia – PUCRS

Curso de Medicina Veterinária


Cirurgia Veterinária I

28) PROLAPSO RETAL

# CONCEITO:

É a protrusão do reto através do ânus, com eversão da mucosa retal (Fig. 09).

Fig. 09 – Prolapso retal em


um eqüino. Observe o edema
da porção prolapsada e a
presença de laceração na
mucosa retal.

# ETIOLOGIA:

• parasitismo intenso: enterite, diarréia severa (aumento do peristaltismo),


tenesmo/obstrução;
• parto distócico;
• urolitíase;
• enemas: substâncias irritantes para a mucosa retal;
• neoplasias intestinais;
• corpos estranhos intestinais;
• doenças hipertróficas prostáticas;
• hérnia perineal;
• defeitos congênitos, etc.

# SINAIS CLÍNICOS:

• reto prolapsado, com exposição da mucosa;


• contrações abdominais constantes.

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# DIAGNÓSTICO:

Inspeção: massa cilíndrica, coloração vermelho brilhante em nível do ânus.

# TRATAMENTO:

1. NÃO CIRÚRGICO:
Este tratamento é baseado na correção do prolapso retal, o qual dependerá da
viabilidade do tecido exposto e do tamanho do prolapso. Um pequeno prolapso de
aparência viável (sem úlceras, nem áreas de necrose) pode ser reduzido manualmente. A
aplicação tópica de uma solução hiper-saturada de açúcar por 20 a 30 minutos e a
lubrificação do tecido irão auxiliar na diminuição do edema e facilitarão a redução do
prolapso. Após a redução do prolapso, o mesmo é mantido através do fechamento parcial
do esfíncter anal com uma sutura em bolsa de tabaco. Em grandes animais a analgesia
epidural facilita a introdução do prolapso, diminuindo a resistência do esfíncter anal. A
sutura deve ser mantida por um período mínimo de 48h. De duas a três vezes por dia deve-
se afrouxar a sutura para o animal defecar.

2. AMPUTAÇÃO RETAL (AMPUTAÇÃO DO PROLAPSO):


Quando um prolapso não pode ser reduzido manualmente ou quando a viabilidade
intestinal da porção prolapsada encontra-se comprometida, a ressecção total e a anastomose
estão indicadas. Este procedimento é realizado sob anestesia geral para pequenos animais
ou sob tranqüilização e analgesia epidural para os grandes animais.
Dois pontos são colocados na forma de cruz, em torno de 1 a 2 cm do ânus,
atravessando todas as camadas e a luz do intestino prolapsado. O prolapso é seccionado
logo caudal a esses pontos. A secção deve ser feita por camadas (mucosa, submucosa,
muscular e serosa), ligando todos os vasos calibrosos que forem seccionados (categute 2.0).
Após a completa secção da porção prolapsada os pontos em cruz são cortados na luz da
víscera, formando 4 pontos isolados simples. A anastomose é realizada em toda a
circunferência (categute 3.0 ou 2.0) com pontos isolados simples, certificando-se que a
submucosa seja incluída nos pontos. A zona de anastomose é introduzida para dentro do
ânus e mantida por meio de sutura em bolsa de tabaco (mononylon 2.0).
Quando o prolapso retal é recidivante e o tecido retal encontra-se ainda viável, uma
celiotomia é realizada, e o prolapso é manualmente reduzido com uma cuidadosa tração no
cólon. Uma colopexia (cólon descendente) é realizada na parede abdominal, após a redução
do prolapso, para evitar recorrência (categute 2.0 ou 3.0, pontos isolados simples).

# PÓS-OPERATÓRIO:

• administração de pomadas anestésicas retalmente, para evitar tenesmo;


• tratar a causa:
1. em casos de tenesmo: dieta líquida com lubrificantes das fezes durante uma
semana;
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2. em casos de diarréia: tratar enterite, administrar antiespasmódicos e


combater os parasitas.

SUGESTÃO DE LEITURA:

ARCHIBALD, J. Canine surgery. 2. ed., Santa Barbara: Am.Vet.Pub., 1974.

ENGEN, H. M. Management of rectal prolapse. In: BOJRAB, M. J. Current techniques in


small animal surgery. 3. ed., Philadelphia: Lea & Febiger. Cap. 14, p. 259-260, 1990.

VAN SLUIJS, F. J. Atlas de cirurgia de pequenos animais. São Paulo: Manole, 1992.
143 p.

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