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Título : Preços – Pesquisa de mercado – Amplitude – Único preço – IN nº 05/14 da


SLTI/MPOG.

PERGUNTAS E RESPOSTAS - 204/252/FEV/2015

PERGUNTA 9 - PREÇOS

Com base na última alteração da IN nº 05/14, que trata da pesquisa de preços, é possível
afirmar que apenas um preço pode referenciar o valor praticado em uma licitação?

O processo de contratação pública desenvolve-se a partir da existência de uma necessidade da


Administração que precisa ser satisfeita por meio da contratação de um terceiro. A Administração
dispõe da fase de planejamento do processo de contratação (fase interna da licitação) para identificar
essa necessidade e definir a solução capaz de promover sua satisfação com a melhor relação
benefício-custo.

A identificação dessa relação requer a avaliação de custo de cada solução possível de ser eleita.
Cabe à Administração realizar ampla e cuidadosa pesquisa de mercado visando à avaliação do ônus
financeiro da futura contratação, tendo como parâmetro a realidade encontrada no mercado.

A realização de uma ampla pesquisa de preços pela Administração tem por finalidade básica
estimar/definir o valor da contratação a ser realizada, servindo, ainda, para o controle dos preços
ofertados pelos licitantes, uma vez que é com base nos valores pesquisados que a Administração
Pública poderá estabelecer os critérios para aceitação das propostas e desclassificar as ofertas que
consignarem preços inexequíveis ou excessivos.

Para auxiliar órgãos e entidades integrantes da Administração Pública federal direta, autárquica e
fundacional no exercício dessa atividade, foi publicada a Instrução Normativa nº 5, de 27 de junho de
2014, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, a qual instituiu os procedimentos administrativos básicos para realizar pesquisa
de preços para a aquisição de bens e contratação de serviços em geral.

De acordo com a disciplina contida no § 1º do art. 2º dessa Instrução Normativa, quando os


preços forem pesquisados no Portal de Compras Governamentais –
www.comprasgovernamentais.gov.br, será admitida a definição do valor estimado da futura
contratação com base em um único preço.

A rigor, não parece possível apontar, de plano, suposta ilegalidade desse dispositivo. Isso porque,
presumindo-se a legalidade dos atos administrativos, o contrato adotado como paradigma tem seu
valor adequado tanto quanto serão os demais contratos cujos valores sejam equivalentes.

Contudo, deve-se ressaltar o risco de pautar a avaliação de preços em uma única pesquisa, pelas
especificidades e dificuldades que envolvem a verificação de condições de similaridade entre as
especificações e as demais condições ajustadas para o contrato cujo valor se pretende adotar como
referência. Ademais, o dia a dia da Administração tem revelado que a clareza e a segurança em torno
dos preços praticados no mercado exigem a avaliação de mais de uma contratação e de mais de um
preço referencial.

Conforme determinou o Tribunal de Contas da União no Acórdão nº 2.908/2013 – 2ª Câmara, a


Administração deve aprimorar “a metodologia de pesquisa de preços de mercado, atentando, entre
outros aspectos, para a necessidade de definir precisamente as características e os quantitativos do
objeto a ser licitado, de modo a obter preços estimados próximos à realidade de mercado”.

Para evitar o risco de adotar como paradigma o valor de um contrato cujas especificações não

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sejam equivalentes com aquelas fixadas para a contratação pretendida ou que não retratem os preços
reais para encargo a ser contratado, o ideal é que a Administração realize a pesquisa no Portal de
Compras Governamentais, ampliando o número de contratos para coleta de preços, não se limitando,
portanto, a apenas um único preço de referência.

Além da ampliação do número de contratos para pesquisa de preços no Portal de Compras


Governamentais, em determinados casos, diante da limitação de preços de contratações similares no
sistema, da dificuldade na verificação de condições de similaridade ou diante da discrepância entre os
preços disponíveis, deve a Administração ampliar as fontes de pesquisa de preços a serem utilizadas.

Para isso, é preciso pesquisar valores de contratos similares adotando metodologia que expresse
os preços efetivamente praticados no mercado, incluindo a avaliação de valores de contratos de outros
órgãos da Administração Pública, de contratações anteriores do próprio órgão, de valores registrados
em atas de registro de preços, bem como daqueles parametrizados em indicadores setoriais, tabelas
de fabricantes, valores oficiais de referência, tarifas públicas ou outros equivalentes, deixando para
último caso, se essas fontes não forem suficientes, a realização de consultas de preços junto a
empresas privadas que atuam no mercado.

A ampliação de fonte de pesquisa é prática recomendada na jurisprudência recorrente do Tribunal


de Contas da União, conforme precedentes abaixo citados:

Acórdão nº 265/2010 – Plenário

9.1. determinar à (...) que:

(...)

9.1.12. realize uma detalhada estimativa de preços com base em pesquisa fundamentada em
informações de diversas fontes propriamente avaliadas, como, por exemplo, cotações específicas com
fornecedores, contratos anteriores do próprio órgão, contratos de outros órgãos e, em especial, os
valores registrados no Sistema de Preços Praticados do SIASG e nas atas de registro de preços da
Administração Pública Federal, de forma a possibilitar a estimativa mais real possível, em
conformidade com os arts. 6º, inciso IX, alínea “f”, e 43, inciso IV, da Lei nº 8.666/97;

Acórdão nº 959/2012 – Plenário

9.3. determinar, nos termos do art. 43, inc. I, da Lei 8.443/92, c/c. art. 250, inc. II, do Regimento
Interno/TCU, à (...) que, quando da realização de novo pregão, em substituição ao Pregão Presencial
48/2011, ou de outro procedimento licitatório, observe os seguintes parâmetros:

(...)

9.3.3. estimativa de preços, conforme art. 7º, § 2º, inciso II, e Acórdãos TCU 1375/2007, 1100/2008,
265/2010, 280/2010 todos do Plenário, baseada em metodologia que expresse os preços efetivamente
praticados no mercado, incluindo as consultas de preços junto a empresas privadas, os valores
pertinentes a licitações anteriores no âmbito do próprio órgão e também os de outras licitações no
âmbito da administração pública.

Acórdão nº 3.395/2013 – 2ª Câmara

1.6. Determinar à (...) que:

(...)

1.6.2. ao estimar o custo de contratação, adote como base, preferencialmente, os preços praticados
em contratações similares, bem como aqueles parametrizados em indicadores setoriais, tabelas de
fabricantes, valores oficiais de referência, tarifas públicas ou outros equivalentes, se for o caso, nos
termos do art. 15, inciso XII, “b”, da IN SLTI 2/2008, valendo-se de consultas de preços diretamente
junto a potenciais fornecedores somente quando não for possível utilizar-se dos citados expedientes;

Dessa forma, não obstante a impossibilidade de apontar, de plano, a ilegalidade do procedimento


descrito no § 1º do art. 2º da IN SLTI/MPOG nº 05/14 – segundo o qual seria possível estabelecer o
valor estimado da futura contratação com base em apenas um referencial de preço, desde que este se
trate de um valor cuja fonte seja o Portal de Compras Governamentais –, não parece que essa seja a

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conduta mais recomendável. A Administração deve definir o preço estimado com base em mais de um
contrato pesquisado no Comprasnet e, em determinadas situações, deve ampliar as fontes de
pesquisa para definir a estimativa mais real possível em face dos valores de mercado.

REFERÊNCIA

MENDES, Renato Geraldo. LeiAnotada.com. Lei nº 8.666/93, nota ao art. 65, inc. I, “a”, categoria
Doutrina. Disponível em: <http://www.leianotada.com>. Acesso em: 09 dez. 2014.

Como citar este texto:


Preços – Pesquisa de mercado – Amplitude – Único preço – IN nº 05/14 da SLTI/MPOG. Revista Zênite
– Informativo de Licitações e Contratos (ILC), Curitiba: Zênite, n. 252, p. 204, fev. 2015, seção
Perguntas e Respostas.

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