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ESTADO DE SANTA CATARINA

SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL – JOINVILLE


GERÊNCIA DE EDUCAÇÃO
RUA ANTONIO SILVA, 4935 – IRIRIÚ – JOINVILLE.
FONE: (47) 3481-2424/3481-2423
E-MAIL: eebdrtufidippe@sed.sc.gov.br

Professor: André Felipe Meyer.


Disciplina: História.
Turma: 1º 11, 2º 9, 2º 10.

Atividade: patrimônio histórico e cultural


Olá pessoal! Tudo bem? Nesta semana, iremos realizar atividade sobre o processo de
tombamento de patrimônios históricos em Joinville. Envio abaixo um projeto de lei que
estava tramitando na Câmara de Vereadores de Joinville, e causou bastante alvoroço no
meio cultural, pela possibilidade de cancelar o tombamento dos patrimônios históricos,
presente no projeto de lei. O projeto está atualmente arquivado. Envio também pequeno
texto sobre o que é tombamento. Leiam o texto e a lei para resolverem as atividades que
seguem junto.

Abraços! Cuide-se!
Professor André – História.
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Tombamento

Por Jéssica Ramos Farineli

O tombamento consiste em uma intervenção branda do Estado na propriedade


privada com o fim de preservar bens móveis, imóveis, corpóreos ou incorpóreos que
detenham relevante valor histórico, científico, tecnológico, artístico, cultural,
arquitetônico e ambiental para a população, conforme dispõe exemplificativamente o
artigo 216 Constituição Federal e em seus incisos.
O proprietário do bem tombado deverá preservar e manter as características do
mesmo, entretanto, não é vedada sua alienação, desde que o Poder Público seja
devidamente notificado e exerça seu direito de preferência na compra do bem.
Entretanto, as possíveis obras realizadas para a conservação do bem deverão ser
previamente aprovadas pelo órgão que efetuou o tombamento. A aprovação está
vinculada ao nível de conservação do bem. [...].
Fonte: https://www.infoescola.com/direito/tombamento/. Acesso em 08/06/2020.

ATIVIDADE:

1 – Explique o que é e para que serve o processo de tombamento de um bem


considerado de valor histórico, científico, tecnológico, artístico, cultural, arquitetônico e
ambiental para a população.

2 – Qual é a importância de um patrimônio histórico na cidade onde você vive? Cite um


exemplo de patrimônio da sua cidade, e justifique sua importância.

PROJETO DE LEI ORDINÁRIA Nº 27/2020


Dispõe sobre o Tombamento de bens para a preservação do Patrimônio Cultural
Material, Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural, do Município de Joinville e
revoga a Lei nº 1.773, de 01 de dezembro de 1980. O Prefeito Municipal de Joinville,
no exercício de suas atribuições, conforme artigos 42 e 68, VI da Lei Orgânica do
Município, faz saber que a Câmara de Vereadores de Joinville aprovou e ele sanciona a
presente lei ordinária:

Capítulo I
DO PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL, HISTÓRICO, ARQUEOLÓGICO,
ARTÍSTICO E NATURAL DO MUNICÍPIO

Art. 1º Constituem o Patrimônio Cultural Material, Histórico, Arqueológico, Artístico e


Natural do Município de Joinville os bens móveis e imóveis, existentes em seu
território, cuja conservação seja de interesse público, por seu valor cultural, a qualquer
título.
§ 1º Equiparam-se aos bens a que se refere o "caput" deste artigo, sendo, por
conseguinte, sujeitos ao tombamento, os monumentos naturais, bem como os sítios e
paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido
dotados pela natureza, especialmente os sambaquis, respeitada a legislação permanente.
§ 2º Os bens a que se refere o presente artigo passarão a integrar o Patrimônio Cultural
Material aqui entendido em sua acepção mais ampla, como sua inscrição, isolada ou
agrupada, no Livro Tombo.

Art. 2º Esta Lei se aplica às coisas pertencentes tanto às pessoas físicas quanto jurídicas
de direito privado ou público.

Art. 3º Os bens tombados pela União e pelo Estado sê-lo-ão também pelo Município, de
ofício.

Art. 4º É de competência da Secretaria de Cultura e Turismo - SECULT, fundamentada


pelos procedimentos da Área de Patrimônio Cultural, ouvida a Comissão Municipal do
Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural do Município - COMPHAAN,
a aplicação e o cumprimento deste diploma legal.

Capítulo II
DO TOMBAMENTO

Art. 5º A Secretaria de Cultura e Turismo - SECULT possui um Livro Tombo criado


pela Lei nº 1.773, de 01 de dezembro de 1980, onde estão e continuarão sendo inscritos
os bens cuja preservação se busca na presente Lei.

Art. 6º O tombamento dos bens pertencentes ao próprio Município, inclusive de seus


órgãos administrativos descentralizados ou autarquias, far-se-á de ofício, por ordem da
Secretaria competente, dando-se plena ciência do ato às autoridades que estiverem na
posse do bem, assim como, ao Prefeito Municipal.

Art. 7º O tombamento do bem pertencente às pessoas naturais ou jurídicas de direito


privado ou público será feito voluntária ou compulsoriamente.

Art. 8º O tombamento voluntário é o de iniciativa espontânea de seu proprietário ou,


ainda, quando ocorrer a anuência expressa e pacífica do proprietário, após o
recebimento da notificação para registro do bem no Livro Tombo.
§1º Para requerer o tombamento voluntário, o proprietário deverá solicitar
expressamente seu interesse.
§2º Os requerimentos serão obrigatoriamente analisados pela Área de Patrimônio
Cultural da SECULT que concluirá, mediante procedimento administrativo, se o bem
possui os requisitos necessários para integrar o Patrimônio Cultural do Município, cuja
fundamentação positiva deverá ser apreciada pela COMPHAAN.
§ 3º No caso de manifestação favorável da COMPHAAN, a SECULT deverá
encaminhar o processo para homologação do tombamento por Decreto do Prefeito,
seguindo-se, após sua publicação, do respectivo registro do Bem no Livro do Tombo.
§ 4º Será liminarmente indeferido pela SECULT o requerimento que tenha por objeto
bem insuscetível de tombamento.

Art. 9º Proceder-se-á ao tombamento compulsório, caso o proprietário se oponha à


inscrição do bem no referido Livro.

Art. 10. O tombamento compulsório terá início com a notificação do proprietário para
anuir ao tombamento, no prazo de 30 (trinta) dias úteis, a contar do seu recebimento ou,
querendo impugná-lo, oferecer suas razões em igual prazo.

Art. 11. Oferecida tempestivamente a impugnação, caberá à SECULT sustentar o


fundamento da necessidade da inscrição, através de Laudo Pericial favorável, assinado
por, no mínimo, três servidores da Área de Patrimônio Cultural, contendo elementos
técnicos que evidenciem a configuração de alguma das circunstâncias fáticas delineadas
na lei.
§ 1º Na ausência de número mínimo de técnicos, servidores da Área de Patrimônio
Cultural, para a assinatura do Laudo Pericial de que trata o presente artigo, poderá ser
feita a designação, para o ato, de servidor lotado em outras áreas da SECULT, por meio
de Portaria do Secretário, desde que o referido servidor possua competência técnica para
tal.
§ 2º a impugnação tempestiva e o laudo pericial serão remetidos à COMPHAAN para
deliberação.
I - da decisão da COMPHAAN pelo indeferimento do tombamento, o processo será
arquivado;
II - caso a COMPHAAN delibere pelo deferimento do tombamento, caberá recurso ao
Prefeito no prazo de 15 (quinze) dias úteis;
III - em sendo mantida a decisão, o tombamento será aprovado por Decreto do Prefeito,
seguindo-se, após sua publicação, do registro definitivo do Bem no Livro Tombo.
IV - da decisão do Prefeito pelo indeferimento do tombamento, o processo seguirá para
o arquivo da SECULT.

Art. 12. Decorrido o prazo estabelecido no art. 10, sem a manifestação do proprietário,
ou com impugnação intempestiva, o processo será remetido para análise da
COMPHAAN.
I - da decisão da COMPHAAN pelo indeferimento do tombamento, o processo será
arquivado;
II - da decisão da COMPHAAN pelo deferimento do tombamento, o processo será
enviado para homologação por Decreto do Prefeito.

Art. 13. Equiparam-se ao proprietário, para efeitos da presente Lei, o Titular do domínio
útil bem como assim o possuidor, o depositário e o detentor a qualquer título do bem
tombável.

[...]

Capítulo IV
DO CANCELAMENTO DO TOMBAMENTO
Art. 24. O ato de tombamento poderá ser revogado pelo Prefeito Municipal, ouvida
previamente a COMPHAAN, nas seguintes hipóteses:
I - quando se provar o perecimento do bem tombado, ocasionado por fatores naturais ou
similares, não se admitindo, entretanto, o cancelamento do tombo decorrente de
qualquer ação dolosa com o fito de causar dano irreversível ao patrimônio cultural;
II - quando se provar o desaparecimento do valor atribuído ao bem, levando-se em
consideração que o valor se altera no tempo e no espaço, podendo, em casos
excepcionais, ser retirado por meio de critérios técnico-científicos em processo
administrativo próprio;
III - em atendimento de interesse público superveniente.

Art. 25. O procedimento para o cancelamento do tombamento será iniciado por qualquer
pessoa física ou jurídica interessada, em proposição fundamentada dirigida à SECULT,
que realizará consulta pública com a participação popular, cuja conclusão será levada à
COMPHAAN para deliberação.
§ 1º No caso de decisão da COMPHAAN favorável ao cancelamento do tombamento,
serão os autos encaminhados para homologação pelo Prefeito, por meio de Decreto.
§ 2º Após publicação do Decreto, averbar-se-á o cancelamento no Livro do Tombo,
mantendo-se a inscrição de tombamento intacta, a fim de preservar o registro histórico e
documental de tal ato.
§ 3º No caso de decisão da COMPHAAN contrária ao cancelamento do tombamento,
cabe recurso da parte interessada, de que trata o "caput" do presente artigo, dirigido ao
Prefeito, no prazo de 15 (quinze) dias úteis da ciência da decisão.
§ 4º O acolhimento do recurso pelo Prefeito, gera o encerramento do processo e a
devida averbação do cancelamento do tombamento na matrícula do imóvel.

[...]

Art. 32. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 33. Fica revogada a Lei nº 1.773, de 01 de dezembro de 1980.

Udo Döhler
Prefeito

ATIVIDADE:

3 – Do que fala o Projeto de Lei Ordinária de Joinville Nº 27/2020?


4 – Sobre o capítulo IV (art. 24), do cancelamento do tombamento, quais são os
possíveis motivos para cancelar um tombamento?
5 - Na sua visão, a possibilidade de cancelar tombamentos poderia ser um problema
para certos patrimônios que representam identidades culturais (como povos negros,
indígenas, quilombolas, imigrantes) diversas na sua cidade? Por que?
6 – Você vê problemas na possibilidade de cancelar o tombamento um patrimônio
histórico? Justifique sua resposta.