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ATOS DOS APÓSTOLOS / CAP.

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ATOS 2: 1 A pergunta é: - Porque Deus escolheu o Dia de Pentecoste para derramar
sobre o seu povo o Espírito Santo? Por que Pentecoste era a festa da colheita e esta
festa acontecia cinquenta dias depois da Páscoa Dt. 16: 1 – 12. Nesta festa e neste
dia o derramar do Espírito da inicio o tempo da colheita,
Atos dos Apóstolos Cap. 2 mostra a revelação de Deus: O tempo de colher Jõ. 4:
33 – 35; Jl. 3: 13 e 14; Mt. 9: 35 – 38. Ap. 22: 17. A manifestação do Espírito Santo
não significa barulho, ficar fechado entre quatro paredes ou formar uma religião,
mas sim testemunhar a Jesus, deve- se observar que testemunhar a Jesus é
diferente de dar testemunho Atos 1: 8. Testemunhar a Jesus é ser revestido do
Poder fazendo a obra movido por um Poder sobrenatural Atos 5: 1 – 16; Atos 8: 1 –
13; Rm. 15: 14 – 19; Atos 2: 17 – 19.

Precisamos buscar o Poder da Igreja Primitiva, pois sem este Poder não somos
pentecostais, podemos falar em línguas estranhas, mas somos semelhantes aos
tradicionais temos Palavras temos as línguas, mas não temos os Dons e a Unção.
Podemos dar bons testemunhos, mas não somos as testemunhas. Podemos dar bons
frutos, mas não damos os frutos que permanece , podemos criar organizações,
denominações, congregações, grupos, e clubes, mas jamais seremos parecidos com a
Igreja de Atos. Jõ. 14: 12. Eles eram unânimes: (o mesmo ideal, o mesmo objetivo)
perseverante cheio de alegria e unção.

Em Atos 1: 1 a importância de se reunir, de fazer parte da igreja, de participar dos


cultos de permanecer no mesmo lugar clamando até descer do céu a resposta para a
sua vida e para a igreja Sl. 133; Jr. 33: 3. Isto era a essencial para esta igreja.

ATOS 2: 2 – 12 – Querer entender os acontecimentos de Atos dos Apóstolos Cap.2


ver 2 a 12 seguindo as linhas teológicas que existem parece difícil, pois existem
várias interpretações, o melhor caminho para a interpretação é justamente a
interpretação do texto.

1º.  Vamos interpretar o que se ouve Atos 2: 2.


O barulho do vento é algo que se ouviu som é algo que não se vê, mas apenas se
ouve. O barulho de um vento, não era vento, mas sim o som como de um vento que
encheu toda a casa não deixou nenhum lugar vazio e atingiu a todos. Podemos
entender que é do desejo de Deus que a sua obra atinja a todos os lugares e a todos.
João 3: 8.

2º. Vamos interpretar o que se vê em Atos 2: 3.                                                 


E viram línguas repartidas (divididas), as línguas aqui não são no sentido de som,
voz,
mas sim algo visível observe “E viram línguas repartidas como de fogo era algo
visível, no meu entendimento era chamas de fogo que pousava sobre a cabeça de
todos os discípulos que estavam naquele lugar Lc. 3: 16. Vamos fazer uma
comparação com o batismo do Senhor Jesus Mt. 3: 13 –1 6.
Observe que o Espírito Santo pousou sobre Jesus na forma de uma pomba
Lc. 3: 21 e 22 aqui o Espírito Santo desceu de uma forma corpórea de uma pomba
algo visível, a pomba em Jesus e chamas de fogo nos discípulos, visível.

                                                              AS
LÍNGUAS                                                                  
Todos foram cheio do Espírito Santo completo, mergulhado, imergidos totalmente
possuídos pelo Espírito Santo. Observamos que em Atos 2: 4 Que eles falaram em
outras línguas (plural), aqui não estão falando no singular como em I Co. 14: 2 – 4,
por aqui dão para entender que as línguas faladas no Dia de pentecoste não é a
mesma língua mencionada pelo Apostolo Paulo em I Co. 14: 2 – 4. Outra coisa a
observar que estas línguas eram concedidas pelo Espírito Santo, ou seja, era algo de
Deus para os homens Ef. 4: 1 – 8; ao contrário da língua mencionada pelo Apóstolo
Paulo em I Co. 14: 2 – 4 e 13 – 19 que é dos homens para Deus. As línguas faladas em
Atos no dia de Pentecoste tinham como objetivo edificar a Igreja, ou seja, para a
utilidade da Igreja I Co. 12: 4 – 7, Ef. 4: 7 – 12 ao contrário da língua falada em I
Corintios que tinha como único objetivo a edificação do crente I Co. 14: 4.

Em I Co. 14: 2 A língua falada é o homem se dirigindo a Deus em mistério ninguém
entende.  I Co. 4: 13
Em Atos 2: 4 O Espírito Santo concede aos discípulos as línguas para serem dirigidas
aos homens, em línguas que os homens entenderiam Atos 2: 5 – 8; I Co. 14: 19 e 20.
Interpretar que eles falavam em uma mesma língua, mas as pessoas ouviam em suas
próprias línguas não é o correto, pois em Atos 2: 4; I Co. 14: 21 - 25 dizem que eles
falavam em outras línguas, ou seja, em Variedades de Línguas.
I Co. 12: 10.

No meu entendimento o Espírito Santo dirigia os discípulos a determinados grupos de


pessoas de uma determinada nação e concedia a eles o falar do nome de Jes us, da
salvação pelo nome de Jesus e das maravilhas do Reino no idioma de determinada
nação, assim foi feito com todos que estavam participando daquela festa. Atos 2: 5 –
11.
As línguas mencionadas pelo Apóstolo Paulo em I Co. 14: 2 – 4 não é um sinal
pentecostal, pois o sinal pentecostal é o poder da testemunha de Cristo, mas sim
sinal do relacionamento do crente com Deus em uma dimensão espiritual.
I Co. 14: 2 – 15; I Co. 2: 15.

DISCURSO DE PEDRO NO DIA DE PENTECOSTE

Atos 2: 14 – 19: Pedro aqui traz o cumprimento da Profecia de Joel, embora haja
várias profecias no VT. Sobre o derramar do Espírito Santo Pv. 1: 23; Is. 32: 12 – 15;
Is. 44: 3; Ez. 39: 29; Jl. 2: 28 e Zc. 12: 10.
Após o derramar do Espírito Santo em Atos 2 não há nenhuma profecia sobre um
novo derramar. Por isso entendemos que o derramar do Espírito Santo em Atos 2 é a
chegada do Espírito Santo para morar, para ficar nos homens judeus ou gentios Atos
10; I Co. 3: 16; I Co. 6: 19 e 20. Este acontecimento é o cumprimento de todas as
profecias do derramar relacionadas no VT. E também cumprimento da promessa de
Jesus Atos 1: 4; Lc. 24: 48 e 49. Vamos observar em Jõ. 16: 7 Jesus anuncia a
promessa.

Em Atos 1: 4 Jesus os lembra da promessa e da importância deles ficarem em


Jerusalém, pois a promessa era para Jerusalém.
Em Atos 1: 9 Jesus sobe para o céu.

Em Atos 2: 1 – 4 dez dias depois já no céu Jesus cumpre a promessa enviando o seu
Espírito Santo, por esta causa o Espírito Santo é chamado o Espírito da Promessa Ef.
1: 13. O Espírito Santo é para todos os que aceitam Jesus se arrepende e batiza
todos sem exceção: judeus e gentios Atos 2: 37 – 39; Rm. 10: 8 – 13.

Atos 2: 20 e 21: A luz do Evangelho seria escurecida pelas trevas morais, pelas
perseguições, o sangue dos Apóstolos, discípulos e dos cristãos seriam derramados
(Sol: luz do Evangelho; Lua: a Igreja, os Discípulos Apóstolos e Cristãos) Ap. 12: 1 – 6
(obs. Dados teológicos).

Atos 2: 22 -36: Aqui podemos ver o inicio de um grande avivamento, avivamento


este que é o cumprimento de uma profecia de Ezequiel 37: 1 – 10 este avivamento
seria responsável para a Palavra chegar até os nossos dias. A Igreja começa com a
chama de fogo e do Poder de Deus na vida dos Apóstolos, sendo cada Apóstolo todos
os discípulos cada crente templo do Deus vivo II Co. 6: 16 Uma Igreja assim movida
por este Poder, habitação do Deus vivo o crescimento é inevitável, a multidão
diante de tanta glória ouvia a mensagem ousada dos Apóstolos anunciando à vida
(Rema) a morte à ressurreição do Senhor e exaltação de Cristo como Rei dos reis e
Senhor dos senhores não tem alternativa se não aceitarem a fé  Atos 2: 41; Atos 4:
4.

Jesus Cristo era pregado anunciado e exaltado todos os dias e em todos os lugares
Atos 5: 42; Atos 3: 1 – 26; I Co. 1: 17 – 31; I Co. 2: 1 – 5

Atos 2: 37 – 45: Nestes versículos podemos ver o Poder da mensagem quando Cristo


é o centro da pregação, a mensagem centralizada em Cristo muda o ouvinte o
deixando sem alternativa. A mensagem centralizada em Cristo liberta, cura
transforma é uma mensagem de Poder I Co. 1: 23 e 24.
Quando o pregador prega Cristo ele renuncia a toda sabedoria humana a todo
conhecimento humano, ele prega o verdadeiro Evangelho Is. 52: 7; Cl. 2: 1 – 3.

Quando o homem prega a Jesus Cristo não precisa ser uma pregação técnica, bem
elaborada basta uma pregação simples, veja a pregação de Pedro, simples e três mil
se converteram
 I Co. 2: 4 – 5; Atos 4: 4.
O Começo da Igreja - Atos 2

Se quiséssemos fazer uma lista dos dez maiores dias na História da humanidade,
certamente o Pentecostes S o primeiro Pentecostes após a ressurreição de Jesus S
teria de estar na lista.  O Pentecostes foi o começo (Atos 11:15).  Foi o início daquilo
que estava proposto, não na mente do homem, mas na mente de Deus; não como um
pensamento que ocorreu depois, mas desde a eternidade.

Em todas as épocas, Deus havia visualizado um corpo de pessoas que se


assemelhariam à imagem de seu Filho; as quais chamaria, justificaria e glorificaria
(Romanos 8:29-30); as quais seriam compradas pelo sangue de seu Filho (Atos
20:28); seriam santificadas e purificadas, libertas da mancha, da ruga e do defeito,
sendo a noiva de seu Filho (Efésios 5:25-27); as quais seriam "raça eleita, sacerdócio
real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus" (1 Pedro 2:9); as quais
seriam uma demonstração de sua multiforme sabedoria, não só para os homens, mas
para os principados e as potestades nas regiões celestes (Efésios 3:10-11).  Essas
pessoas seriam a sua igreja.

Por volta de nove meses antes de morrer, Jesus disse:  "Sobre esta pedra edificarei a
minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16:18). 
Pedro havia acabado de confessar:  "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo".  Sobre
esse fundamento de verdade a igreja de Cristo seria edificada.  Sobre esse
fundamento seriam colocadas pedras vivas (1 Pedro 2:5), pedras que juntas
formariam o templo de Deus.  Mas o trabalho de edificação ainda não havia
começado.  O valor da compra ainda não tinha sido pago.  O agente santificador e
purificador ainda não estava à disposição.  O processo de edificação tinha de
aguardar sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão ao céu, onde, como
Sumo Sacerdote, ele ofereceria o seu próprio sangue como expiação do pecado.

O palco estava posto dez dias após a ascensão de Jesus.  O Dia do Pentecostes
chegava.  Os apóstolos estavam reunidos.  Os judeus, homens religiosos, tinham se
reunido em Jerusalém vindos das mais diversas nações ao redor do mundo.  O
Espírito Santo desceu sobre os apóstolos.  Eles falaram em línguas.  Multidões
afluíram para aquele local.  Ficaram estupefatos e se prepararam para escutar a
explicação do fenômeno que estavam presenciando e escutar a mensagem que se
seguiria.  Pedro, com os outros onze apóstolos, falou a respeito de Jesus, provando
que aquele a quem o povo tinha crucificado era Senhor e Cristo.  As multidões se
convenceram, sendo profundamente tocadas.  "Que faremos, irmãos", perguntavam
todos.

Nenhuma mudança de voz podia representar o terror que teriam sentido ao


levantarem a pergunta.  Já tinham ouvido falar do fogo que consumiu Nadabe e Abiú,
da terra que se abriu para engolir Coré a aqueles que com ele se tinham rebelado, da
morte súbita de Uzá.  Agora estavam sendo convencidos do pior dos pecados, a
crucificação de seu Messias.  Qual seria o fim deles?
Só podemos imaginar a alegria deles quando Pedro falou da remissão dos pecados: 
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para
remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (Atos 2:38). 
Perto de 3.000 pessoas alegremente aceitaram a palavra e foram batizadas (Atos
2:41).

Salvaram-se 3.000 almas aquele dia.  Três mil pedras vivas se fixaram sobre o sólido
fundamento.  Cristo tinha começado agora o processo de edificar a igreja.  Mas o que
havia começado no Pentecostes se mostraria um processo contínuo:  "Acrescentava-
lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (Atos 2:47).

O processo de construir continua até hoje.  Sempre que alguém é convencido pelo
evangelho, arrepende-se e é batizado, ele é salvo e se torna mais uma pedra viva a
ser acrescentada pelo Senhor à sua igreja.  O processo continuará até a última
pessoa se converter antes que o Senhor venha.  Nessa hora, a igreja do Senhor
estará completa.

Para entendermos corretamente o que é a igreja do Senhor obviamente precisamos


pensar em termos celestiais e não terrenos.  Alguém está muito errado quando pensa
na igreja de Cristo como um mero aglomerado de todas as "boas" igrejas.   A visão
dessa pessoa é muito limitada se ela pensar na igreja de Cristo como o povo fiel de
Deus entre esta nossa geração. A igreja de Cristo é um corpo celeste constituído de
seguidores fiéis de todas as épocas, alguns ainda na terra, outros já no paraíso, mais
todos juntos compreendendo a sua igreja.  É um corpo de pessoas que inclui Paulo,
Pedro, Barnabé, Maria, Priscila, Áqüila, os vitoriosos que conhecemos em nossos
dias e que já passaram, bem como os fiéis desta terra, os quais ainda lutam,
esforçam-se e vencem em Cristo.  Que comunidade temos na igreja de Cristo!  E tudo
começou no primeiro Pentecostes após a ressurreição de Cristo.

Atos dos Apóstolos - EB 2:37-47

Estudo bíblico Atos 2:37-47


Os Atos dos Apóstolos é o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecida
apenas como Atos, ele descreve a história da Era Apostólica. O
autor étradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista.

Uma das evidencias é a menção de Teófilo em Lucas 1:1-4 e Atos 1:1-2 que significa
amigo de Deus.

Afinal o que é um apóstolo? Aquele que foi enviado para anunciar a palavra de Deus.

Desta forma o principal objetivo do livro de Atos dos apóstolos é relatar os grandes


feitos daqueles que foram enviados a proclamar o evangelho até os confins da terra.

Principais acontecimentos

1) O Livro de Atos inicia-se com a ascensão de Jesus, o qual determinou aos seus
discípulos que permanecessem em Jerusalém até que fossem revestidos com por
uma unção celestial que é descrita nos fatos ocorridos durante o dia de Pentecostes. 

A escolha do discípulo Matias que foi precedida do suicídio de Judas

Nos versículos de 1:16 -20 Pedro fala sobre o campo (Aceldama) que ele adquiriu
com as 30 moedas de prata.

Pentecostes: fato comemorado pelos Cristãos por receber o espírito santo, ou seja
para que seja testemunhado e que a sua palavra seja proclamada. O espirito
não é adorado, mas é o espírito que promove a adoração, a fé e o testemunho de
Jesus.

É comemorado 50 dias após o domingo de Páscoa, a ressurreição. 10 dia após a


ascensão de Cristo.

Este fato marca o início da igreja cristã.

2) Os capítulos seguintes relatam os primeiros momentos da igreja primitiva na


Palestina sob a liderança de Pedro, as primeiras conversões de judeus e depois dos
gentios, o violento martírio de Estevão por apedrejamento, a conversão do
perseguidor Saulo de Tarso (Paulo) que se torna a partir de então um apóstolo,
mencionando depois as missões deste pelas regiões orientais do mundo romano,
mais precisamente pela Ásia Menor, Grécia e Macedônia, culminando com a sua
prisão e julgamento quando retorna para Jerusalém e, finalmente, fala sobre sua
viagem para Roma.
 
3) Pode-se dizer que do começo até o verso 25 do capítulo 12, o Livro de Atos dá um
enfoque maior ao ministério de Pedro, em que, depois da ressurreição de Jesus Cristo
e do Pentecostes, o apóstolo pregou corajosamente e realizou muitos milagres,
relatando, em síntese, o estabelecimento e a expansão da Igreja pelas regiões da
Judeia e de Samaria, seguindo para alguns países da Ásia Menor.

Já a outra metade da obra centraliza-se mais no ministério de Paulo (do capítulo 13
ao final) e poderia ser subdividido em seis partes: 

1. A primeira viagem missionária liderada por Paulo e Barnabé; 


2. O Concílio de Jerusalém - reunião com o intuito de libertar das crenças judaicas;
3. A terceira viagem missionária de Paulo em que o Evangelho é levado à Europa; 
4. A terceira viagem missionária; 
5. O julgamento de Paulo; 
6. A viagem de Paulo a Roma.

Importante destacar que no livro de Atos é narrada a rejeição contínua do Evangelho


pela maioria dos judeus, o que levou à proclamação das Boas Novas aos povos
gentios, principalmente por Paulo.

Leitura de Atos 2:37-47

1) O chamado ao arrependimento confronta o coração Hebreus 4:12 - o


arrependimento (37)
2) Aqueles que são tocados pela palavra são orientados - o perdão dos pecados e o
receber do espirito santo (38-41)
3) O espirito santo efetua a comunhão (42-43)

Aqui ficam definidos os quatro pilares da igreja primitiva:

a) permanecer na doutrina dos apóstolos, ou seja na permanência da palavra de


Deus como testemunhas de Cristo, iluminar o seu caminho através da palavra
b) permanecer em comunhão com os irmãos, unir-se em família e corpo de Cristo
c) no repartir o pão, lembrar de Cristo no repartir o pão, sacrificado por nós para
remissão dos nossos pecados
d) nas orações, mesmo antes de receber o espirito santo os discípulos permaneceram
em oração, ainda mais agora que somos inspirados por ele. A oração é o respirar da
vida espiritual, do crescimento e do resultado das vitorias em Cristo.

O fato é que neste momento deixamos de andar com Jesus fisicamente e passamos


a viver com o espirito santo, e a partir dele em comunhão com os irmãos.

Este viver em comunhão é a premissa da igreja primitiva:

1) sem distinção social - Hebreus 13:1-3


2) o ajudar um ao outro, não apenas espiritual mas também física - 1 João 4:7-8
3) se responsabilizar um pelo o outro - Hebreus 10:25
Quando a igreja se mantém unida em Cristo pelo lado de dentro ela tem respeito e
autoridade no lado de fora.

Ler 1 João 4:12


O Nascimento da Igreja, uma análise de atos dos apóstolos Cap. 2 e 3
Detalhes
 
Data de publicação
Escrito Por Pr. Ozório R. Gonçalves 
Categoria: Artigos
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O NASCIMENTO DA  IGREJA, UMA ANÁLISE DE


ATOS DOS APÓSTOLOS CAPS. 2 , 3.
Postado por: Pr. Ozório R. Gonçalves
(osoriobr@hotmail.com)
EM UM APARTAMENTO DO TEMPLO – 2:1-47
1 - Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam
todos reunidos no mesmo lugar;
2 - de repente veio do céu um som, como de um
vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.
3 - E apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre
cada um deles.
4 - Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas,
conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
a) O Batismo no Espírito Santo
1. Chegara o grande dia. O dia para o qual apontava todo o plano e todo o programa
do Senhor Jesus. Sua morte e ressurreição não teria significado sem sua respectiva
propagação; e esse era o dia em que os dois grandes fatos seriam declarados
publicamente pela primeira vez. Estando em Cesareia de Filipe, Jesus fez aquela
gloriosa promessa: “... edificarei a minha Igreja...” (Mateus 16:18); naquela ocasião
Jesus tinha em vista o dia de Pentecostes. O termo Igreja (em grego: ekklesia)
significa, em sua raiz, “os chamados” do mundo por intermédio da pregação da
Palavra a fim de que se tornassem possessões do Senhor Jesus Cristo, para
começar a formar, dessa forma, Seu corpo de “separados do mundo”, isto é a Sua
Igreja. Jesus não foi explícito sobre o número de dias que os apóstolos deveriam
demorar-se em Jerusalém aguardando a descida do Espírito Santo. Simplesmente
disse que não seria “muito depois destes dias” (1:5). É interessante notar, entretanto,
a mão divina na seleção daquele dia particular:
a) As Pessoas Apropriadas para aquele dia estavam presentes: “homens piedosos”
(2:5), muito mais prontos para receber a mensagem que lhes seria dirigida.
b) Os Pregadores Apropriados estavam presentes: aqueles que o próprio Jesus
designara – Seus doze apóstolos. Esses eram os homens que Jesus selecionara e
ensinara, preparando-os todo o tempo para aquela momentosa ocasião.
c) O Poder Apropriado estava presente. O prometido poder que seria dado por
ocasião do batismo no Espírito Santo, foi recebido pelos apóstolos. A questão do
batismo no Espírito Santo deve ser considerado como um estudo especial. É
suficiente, contudo, dizer o seguinte:
(1) Jesus prometera aos apóstolos que eles haveriam de receber o poder do alto
(1:5).
(2) Que a construção gramatical de 1:26 e 2:1 mostra que somente os apóstolos
receberam aquela experiência;
(3) Quando nos lembramos que os manuscritos originais não continham os capítulos
e versículos e parágrafos existentes nas versões modernas, e quando lemos o fim do
primeiro capítulo, ignorando-o, entretanto, fica claro que Lucas quis dizer que foram
os recipientes do batismo no Espírito Santo. Note-se que os trechos em questão
dizem assim:
“E (eles) os lançaram em sortes, vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então
votado lugar com os onze apóstolos. Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam
todos (eles) reunidos no mesmo lugar” (Atos 1:26 – 2:1).
O fato que o antecedente de qualquer pronome se refere ao nome mais próximo, com
o qual concorda em pessoa, número e caso, deixa definitivamente claro que somente
os apóstolos receberam o batismo no Espírito Santo.
Parece razoável apenas dizer, agora, onde estavam reunidos os apóstolos. A
Escritura diz que eles “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (2:1b); mas, que
“lugar” era esse? Bem, é de extrema importância notar que deve ter sido qualquer
outro lugar que não o cenáculo, referido em 1:13, pois, tivesse sido esta ocasião uma
mera continuação da ação que tomou lugar do cenáculo, não haveria necessidade de
dizer que estavam reunidos todos no mesmo lugar, visto que isso já seria fato
conhecido.
Estamos inclinados a afirmar que esse lugar era algum apartamento do templo.
Mantemos essa opinião pelos seguintes motivos:
(1) A circunstância dos apóstolos terem pregado para milhares de pessoas não teria
sido possível caso tivesse sucedido numa residência particular. Por outro lado, se os
doze estivessem em algum apartamento do templo, tudo quanto tinham que fazer era
apenas se voltarem para o pátio do apartamento, havendo ali espaço suficiente para
acomodar a multidão.
(2) Visto que aquele era dia de grande festa religiosa entre os judeus, o templo era o
melhor lugar para a celebração (Lucas 24: 53), e não parece lógico que os apóstolos
estivessem em casa em tal ocasião.
(3) Além disso, Lucas estabelece que eles perseveravam continuamente no templo,
louvando a Deus. Que ocasião mais apropriada do que essa, de estar no templo
adorando ao Senhor naquele grande dia de festa dos primeiros frutos?
2-4. Note-se que houve “um som, como de um vento impetuoso”. Lucas não diz, aqui,
que houve um vento forte, e sim, um som como de um vento impetuoso. Esse som
soou justamente no lugar onde eles estavam sentados. Imediatamente precedendo o
som, ou aparecendo simultaneamente com o mesmo, surgiram as línguas “como de
fogo” que se distribuíram sobre os apóstolos. Essas línguas como de fogo eram como
o som do vento, e não eram línguas de fogo verdadeiras. A razão para essa
espantosa manifestação tinha em vista, sem dúvida alguma, emprestar esplendor à
situação, a qual assim, atrairia a atenção e o interesse, ao mesmo tempo que
manifestaria, a todos os que a vissem ou ouvissem, que a mão de Deus estava
naquela experiência. Podemos ter a certeza absoluta de que o versículo 4 do
segundo capítulo é o cumprimento literal do versículo 5 do primeiro capítulo. Jesus
prometera o batismo no Espírito Santo e aqui estava o cumprimento da promessa.
Consideremos, finalmente, um ponto importante: Qual o significado da palavra
“batismo”, aqui usada? Os objetos do batismo acima foram os apóstolos... e
o elementodo batismo foi o Espírito Santo. Quais partes dos apóstolos foram
imersos no Espírito Santo? Um momento de reflexão nos leva à conclusão de que as
suas mentes foram as porções imersas no Espírito Santo. Dessa maneira, a
personalidade do Espírito Santo imergiu literalmente as personalidades dos doze e
eles falaram, não de seus espíritos, mas somente conforme seus espíritos, imersos
no Espírito Santo, eram controlados por Ele. Realmente as palavras de Jesus, em
Mateus 10:20, encontraram um cumprimento: “Visto que não sois vós os que falais,
mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós”.
b) O Resultado Desse Batismo
5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as
nações debaixo do céu,
6 quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de
perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7 Estavam, pois, atônitos, e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura,
galileus todos esses que estão aí falando?
8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna,
9 partos, medos e elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto
e Ásia;
10 da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia nas imediações de Cirene,
e romanos que aqui residem,
11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes; como os ouvimos falar em
nossas próprias línguas as grandezas de Deus?
12 Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer?
13 Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!
5-13. Já temos observado o resultado do batismo no Espírito Santo sobre os
apóstolos, e agora verificaremos o resultado do mesmo sobre os que a tudo
observam.
Notemos os presentes e que testemunharam a cena:
“... judeus, homens piedosos, de todas as nações debaixo do céu...”, v. 5.
Conforme já comentamos, o dia de Pentecostes era o dia em que milhares de judeus
deixavam seus lares e seus torrões a fim de virem a Jerusalém a fim de participar
daquela festa anual. Que eram homens piedosos concluímos pelo fato que estavam
profundamente interessados pelas coisas pertencentes a Jeová. Não poderia ser
imaginado melhor solo para implantar a semente do reino. Em seguida Lucas
esclarece sobre o que atraiu a multidão – “... quando, pois, se fez ouvir aquela voz...”
isto é, o som como de um vento impetuoso. Parecia estar localizado em certa parte
do templo. Isso atraiu numerosa multidão para investigar o que estava acontecendo.
Quando chegaram, imagine-se a sua surpresa por não encontrarem os efeitos de
algum poderoso vento; mas o que viram nunca antes tinha sido visto por olhos
humanos, e ouviram o que ninguém ainda tinha ouvido.
Podemos imaginar um judeu da Capadócia, por exemplo, correndo para aquela parte
do templo. Enquanto se aproxima tem que parar de vez em quando para não colidir
com estranhos. Há um aumento sempre crescente da multidão que se avoluma, todos
se esforçando para chegar ao local do fenômeno. Enquanto ele ouve a babel de
vozes e exclamações, parece-lhe que não há dois dialetos parecidos. Pensa ele: “Ah!
como seria bom estar novamente entre o meu povo e ouvi-los falar outra vez a minha
língua!...” Estava ele perto do templo quando foi atraído por aquele som, e agora já se
acha bem perto do local de onde ele provém. Há um pequeno grupo de homens
reunidos debaixo do balcão de um dos apartamentos do templo. Olha e vê ali alguns
homens de aparência bastante comum. “Mas, que é aquilo sobre as cabeças deles?
Parecem línguas de fogo. Estão falando, mas que estão eles dizendo?” Subitamente
o nosso judeu da Capadócia verifica que pode compreender o que eles dizem –
estão falando em seu próprio dialeto nativo! Como é bom ouvi-lo novamente, e eles
estão declarando as poderosas obras de Deus. Ouve por um momento e, enchendo-
se de curiosidade, olha ao seu redor. Estampado nas faces de todos há o maior
espanto. Todos parecem sentir-se tremendamente confusos. Logo o choque da
primeira impressão passa, e ele vê em cada mão o sinal de que todos os que estão
naquele ajuntamento compreendem o que aqueles homens estão dizendo. “Como
pode ser isso? Esses homens aí não são da Galileia? Como pode ser que cada
homem presente os ouça em sua própria língua nativa? Ora, aqui há homens de
todas as partes: Há partos e medos e elamitas, e moradores da Mesopotâmia, da
Judeia e da Capadócia, como eu e outros. Há outros que vieram de Ponto, da Ásia,
da Frígia, da Panfília, do Egito e das partes da Líbia perto de Cirene, e viajantes
vindos de Roma, tanto judeus como prosélitos, e até mesmo cretenses e árabes.
Todos ouvem o que eu ouço e compreendem aqueles homens, cada qual em sua
própria língua... Que significa isso?”
Aqui deixamos nosso judeu imaginário, apenas para adicionar que todas as
testemunhas do fenômeno estavam confusas e espantadas. As perguntas feitas pelo
nosso amigo da Capadócia eram as perguntas de todos, igualmente, faziam. Nós,
todavia, embora compreendemos a importância e o significado da cena, também nos
espantamos deveras ao lermos que houve zombadores que tiveram a ousadia de
fazer zombaria da divina demonstração de poder. Disseram com a mais estúpida falta
de entendimento: “Estão embriagados!”
c) O Sermão de Pedro
14 Então se levantou Pedro, com os onze; e erguendo a voz,   advertiu-os nestes
termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto
e atentai nas minhas palavras.
15 Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a
terceira hora do dia.
16 Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel:
14-16. Evidentemente a zombaria dos zombadores foi alta e distinta bastante para
que os apóstolos a ouvissem, pois agora observamos Pedro levantando-se e
defendendo o grupo apostólico das acusações tolas dos zombadores. Suas primeiras
palavras são ousada negação da acusação, e então segue-se a resposta dupla.
“Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando”, porque:
1. São somente nove horas da manhã. Quem jamais ouviu falar de judeus
embriagados numa festa religiosa sagrada? A acusação de embriaguez não podia ser
verdadeira, visto que tal falta importaria numa violação estrita da lei judaica que
vedava o uso de bebidas e intoxicantes em qualquer dia de festa.
2. Isso que estais vendo e ouvindo é o cumprimento de uma profecia. “O que ocorre é
o que foi dito por intermédio do profeta Joel”. E em seguida o apóstolo Pedro cita as
palavras do profeta.
Verificaremos seu significado e importância, versículo por versículo:
17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito sobre
toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e
sonharão vossos velhos.
18 Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito
naqueles dias, e profetizarão.
17-18. Os últimos dias, referidos nesses versículos, devem ser associados ao
contexto para que obtenhamos seu significado exato. A palavra de Joel, bem como as
palavras de muitos dos outros profetas, se referem a Judá e Jerusalém, pelo que
podemos afirmar que, os “últimos dias” se referem aos últimos dias de Judá como
tribo (o termo “Judá”, às vezes, se refere, igualmente, a toda Israel, como nação), e
aos últimos dias de Jerusalém como cidade. O cumprimento exato dessas palavras
se torna aparente ao meditarmos que apenas trinta e cinco ou quarenta anos depois,
a contar do dia em que Pedro falou, veio a completa destruição de Jerusalém e a
dispersão da nação israelita.
As palavras “derramarei do meu Espírito sobre toda a carne” foram potencialmente
cumpridas no dia de Pentecostes. É impossível exigir mais que isso. A referência de
“toda carne”, certamente se refere à recepção do Espírito Santo, tanto pelos judeus
como pelos gentios. Dizer que “toda carne”, naquele dia, recebeu do derramamento
do Espírito Santo, é um absurdo, visto que somente judeus estavam presentes.
Como, então, se pode afirmar que as palavras do profeta foram cumpridas? Parece
dizer melhor que, porque os apóstolos foram batizados no Espírito Santo, também
foram autorizados a pregar a Boa-mensagem tanto aos gentios como aos judeus, e
que, através da obediência à Boa-mensagem, tanto os judeus como os gentios
receberam, como dom da parte de Deus, o Espírito Santo (2:38,39). Dessa forma
pode-se afirmar que “toda carne” recebeu o Espírito Santo através do que ocorreu no
dia de Pentecostes.
Em seguida encontraremos a profecia de que os filhos e filhas profetizaram e teria
visões. Como podem essas coisas ser ligadas com o dia de Pentecostes e com os
acontecimentos desse dia? A resposta é encontrada quando percebemos que,
através do batismo no Espírito Santo, os apóstolos receberam o poder de impor as
mãos sobre outros crentes e transmitir-lhes os chamados “dons espirituais” (I
Coríntios 12:1-11). Esses dons incluem profecia, sabedoria, conhecimento, etc. A
afirmação dos versículos 17 e 18, relativa à capacidade de profetizar e ver visões
pode ser compreendida como os dons espirituais que eram proporcionados pela
imposição das mãos dos apóstolos.
Tudo isso sucedeu como resultado do batismo no Espírito Santo.
19 Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra; sangue, fogo e
vapor de fumo.
20 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e
glorioso dia do Senhor.
21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
19-21. Muitas e diversas são as afirmações que se tem feito a respeito desses
versículos. Não entraremos na arena da controvérsia, mas nos contentaremos em
dizer que parece provável que as palavras desses três versículos poderia muito bem
ser aplicadas ao dia da festa de Pentecostes. Note-se as diversas expressões e como
elas encontram cumprimento na celebração:
1. “Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra...” e então segue-se
a descrição desses prodígios e sinais... “... sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se
converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do
Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.
Uma explicação de Atos 2:19-21 é: O sangue e o fogo e o vapor de fumo certamente
poderiam ser encontrados naquele dia festivo. O sangue certamente era dos altares,
correndo como rios, enquanto milhares de animais estavam sendo sacrificados. O
fogo e o vapor de fumo ascendiam dos mesmos altares, enquanto os mesmos
sacrifícios eram queimados. Enquanto os grandes rolos de fumo enchiam o ar de
Jerusalém, o sol, muito literalmente, se converteu “em trevas”, ficando escondido por
causa da fumaça que intoxicava a atmosfera. A lua, vista através da fumaça, parecia
da cor de sangue. Tudo isso teve lugar antes da pregação do primeiro sermão da
Boa-mensagem; a pregação da mensagem da redenção fez com que o dia de
Pentecostes fosse chamado de “o dia do Senhor”. E então pode ser dito que, “todo
aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Como é que essa invocação do
nome do Senhor teve lugar, é melhor ler o resto do capítulo.
A resposta de Pedro à acusação de embriaguez, formou o início para o resto de sua
pregação. Tendo mostrado que todos aqueles acontecimentos sucediam em
cumprimento às profecias, dá prosseguimento à sua mensagem, entrando
imediatamente no corpo do seu sermão. Aqueles que ouviu Pedro, por essa altura, já
deveriam ter compreendido que ele e os onze falavam por inspiração divina, e que a
mensagem que proclamavam vinha da parte de Deus. Apenas uma pergunta deve ter
ficado pendentes em suas mentes: Devemos admitir, realmente, que esses homens
estão falando liderados divinamente, mas, qual o propósito disso tudo? Qual o
motivo atrás dessas coisas? Certamente a ocasião tinha em vista mais do que
simplesmente declarar em diversas línguas, “as poderosas obras de Deus”. Essa
questão não foi respondida pelo apóstolo Pedro. Podemos dizer, entretanto, que a
intenção de todo aquele divino esplendor era em preparação para a declaração de
Jesus como Ungido de Deus e Senhor.
22 Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado
por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus
realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis;
23 sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o
matastes, crucificando-o por mãos de iníquos;
24 ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não
era possível fosse ele retido por ela.
22-24. São os versículos que contém o tema da mensagem de Pedro. Os versículos
25-36 são um mero desdobramento e desenvolvimento dos fatos estabelecidos nos
versículos 22-24. Considere-se os fatos seguintes, dos versículos 22-24: “Varões
israelitas, atendei a estas palavras”. Uma observação preparatória, que chamou a
atenção dos ouvintes para as palavras importantes que se seguiram: Esse Jesus de
Nazaré foi homem aprovado por Deus com sinais e prodígios da parte de Deus, os
quais foram realizados pelo poder de Deus, no meio do povo que agora ouvia a
Pedro. Eles, e especialmente os “habitantes de Jerusalém”, haviam testemunhado
muito dos milagres operados por Jesus de Nazaré, e por conseguinte, sabiam que as
palavras de Pedro diziam a verdade. O verdadeiro propósito daquelas obras,
maravilhas e sinais, evidentemente haviam escapado da percepção dos que os
testemunharam, pois Pedro esclarece, agora, o seu verdadeiro significado. Todas
aquelas coisas foram feitas afim de demonstrar ao povo que Jesus gozava da
aprovação de Deus. Provavam que Deus O havia destacado acima de todos os
outros homens, concedendo-Lhe Sua sanção divina e Seu selo. Isso, para a mente
dos judeus não podia significar outra coisa senão a descrição mesma do Messias, ou
Cristo, o Ungido de Deus.
Em seguida Pedro proferiu aquelas palavras que convenceram as mentes e
despertaram intensamente a culpa nos corações de seus ouvintes. Que o Nazareno
era poderoso em palavras e obras não podia ser negado; mas, que Lhe havia
sucedido? Sim, essa era a questão; e todos os que estavam ali presentes sabiam
perfeitamente bem o que havia acontecido a Jesus. Deveria ter sido um daqueles
acontecimentos conhecidos e falados por todos. Certamente todos comentavam que
Jesus de Nazaré, há poucas semanas anteriores, havia sido crucificado fora dos
muros de Jerusalém. Ninguém, entretanto, havia meditado nas terríveis
consequências daquela morte, até que as palavras de Pedro sobre o assunto, tiveram
o dom de despertar a compreensão dos ouvintes. Pedro lhes declarou que o próprio
Deus havia dirigido a morte de Jesus, mas que, contudo, os judeus, (seus ouvintes)
eram responsáveis de Seu assassinato. Sucede, entretanto, que Jesus não ficara
preso pela morte, pois a Ele “Deus ressuscitou”. Pois Jesus não podia ficar retido
pelos grilhões da morte. Rompeu esses grilhões e saiu vitoriosamente do sepulcro,
vencendo, assim, a morte e a sepultura. Que notícia chocante! Eles haviam
crucificado o próprio Messias! E todavia, Deus havia determinado de antemão que
as coisas fossem assim. O mais espantoso de tudo, entretanto, é que Jesus estava,
agora, vivo novamente.
Quatro foram os fatos estabelecidos por Pedro, na introdução do seu sermão: (1)
Jesus foi homem aprovado por Deus com obras poderosas, maravilhas e sinais. (2)
Foi crucificado pelos judeus, que usaram as mãos “iníquas” dos romanos. (3) Deus
havia predeterminado tudo isso. (4) Deus levantou ao Senhor Jesus dentre os mortos.
Dos quatro fatos acima, os dois primeiros não precisavam ser aprovados, pois eram
fatos incontestáveis; os últimos dois, entretanto, necessitavam de maiores evidências
para que fosse verificados autênticos.
25-32. Os versículos 25-32 contêm as evidências escriturais para os fatos três e
quatro mencionados pelo apóstolo Pedro. A maneira mais fácil de convencer a
qualquer judeu que Deus havia predeterminado um acontecimento era citar o Antigo
Testamento, mostrando-lhe, ali, uma palavra profética que se aplicasse ao ponto
disputado.
25 Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está
à minha direita, para que eu não seja abalado.
26 Por isso se alegrou o meu coração e a minha língua exultou; além disto também a
minha própria carne repousará em esperança,
27 porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja
corrupção.
Esse é o procedimento que Pedro usa aqui. O salmista Davi foi invocado como
testemunha do que Deus havia previamente determinado – de que uma certa pessoa
seria ressuscitada dentre os mortos. Os versículos 25, 26, contêm as proféticas
palavras de Davi, escritas cerca de quinhentos a setecentos anos antes de Cristo
Jesus. Na citação do salmo de Davi temos, nos versículos 25, 26, uma observação
introdutória para o verdadeiro ponto dessa profecia, que é o versículo 27. Nas
palavras que Davi usou para referir-se a Cristo, ele usa a primeira pessoa gramatical.
Note essas palavras:
“Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não
seja abalado. Por isso se alegrou o meu coração e a minha língua exultou; além disto
também a minha própria carne repousará em esperança”.
Visto que a pessoa aqui referida na primeira pessoa gramatical é Cristo, concluímos
que essas palavras se referem à Sua pré-existência. Enquanto naquele estado “via
sempre o Senhor” diante dEle. Jeová Lhe estava bem perto, e era a Sua força. Essa
aproximação e harmonia faziam com que Seu coração fosse tornado de alegria e
também causaram-Lhe palavras de regozijo. Então, olhando para Sua vinda a esta
terra, que ainda jazia no futuro, Cristo pode dizer, por causa de sua prévia perfeita
harmonia com o Pai que, quando Se tornou carne, pode viver em esperança. Isso nos
leva ao tema mesmo da profecia: que, embora o espírito de Cristo tivesse que
afastar-se do Seu corpo, não ficaria, entretanto, para sempre no lugar dos espíritos
apartados, isto é, no “hades”; nem o Seu corpo experimentaria corrupção. Isso fala da
ressurreição, o retorno do espírito ao corpo, antes que este pudesse corromper-se. E
assim os dois fatos – a pré-determinação de Deus, e a ressurreição de Cristo –
foram estabelecidos.
Restava a Pedro, agora, apenas fazer a aplicação direta dessas evidências à pessoa
de Jesus de Nazaré.
28 Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua
presença.
29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente, a respeito do patriarca Davi, que
ele morreu e foi sepultado e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.
30 Sendo, pois, profeta, e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus
descendentes se assentaria no seu trono;
31 provendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte,
nem seu corpo experimentou corrupção.
32 A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
O versículo 28 se refere ao fato que a vida do Ungido de Deus, enquanto viveu neste
mundo, foi dirigida por Jeová... visto que Ele assim permitiu ser dirigido, podia
contemplar, no futuro, a alegria de contemplar a face do Pai, lá na glória.
O pensamento que, nessa profecia, Davi estava descrevendo uma ressurreição, não
podia ser negado. A única questão que restava na mente dos ouvintes de Pedro, era:
“De quem falava o profeta Davi: de si mesmo ou de algum outro?” Visto que o
salmista usou a primeira pessoa gramatical, era necessário demonstrar que Davi não
se referia a si mesmo. Disso é que Pedro agora trata: era fato bem conhecido que
Davi tanto faleceu como foi sepultado, e que seu sepulcro poderia ser verificado por
qualquer interessado. Pelo que não podia ser dito que a profecia da ressurreição se
cumpriu em Davi. A solução pode ser encontrada no ofício que Davi ocupava, pois
sendo profeta, podia ver detalhadamente os eventos futuros. Sabia que Deus lhe
havia feito certa promessa, de que, de seus lombos viria Um que ocuparia o eterno
trono dos céus. Sabendo, por conseguinte, esse fato, então falou nos termos do
salmo dezesseis. Nesse salmo Davi se refere à ressurreição do Ungido de Deus, o
qual nem foi deixado no hades nem sua carne experimentou corrupção. Com que
propósito, pois, é a ressurreição aqui tratada? A resposta é bem evidente: porque
somente um ser glorificado pela ressurreição poderia ocupar tal trono.
Agora começava a tornar-se cada vez mais manifesto aos ouvintes de Pedro que,
sobre Cristo, foram preditos os seguintes fatos:
1. Cristo haveria de morrer. 2. Contudo, Seu espírito não permaneceria no
hades. 3. Nem Seu corpo experimentaria decomposição. 4. Além disso, Ele haveria
de ressuscitar a fim de assentar-se no trono celestial, à mão direita de Deus Pai.
33 Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito
Santo, derramou isto que vedes e ouvis.
34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu
Senhor: Assenta-te à minha direta,
35 até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.
36 Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus que
vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
33. A conclusão final foi apresentada, e agora Pedro procura enfatizar o que
certamente já estava enraizado nas mentes dos seus ouvintes judeus. Jesus havia
preenchido todas as qualificações que pertenciam ao Ungido de Deus, e agora
restava apenas falar sobre a Sua exaltação à mão direita do Pai. E disso, Pedro diz
sobre Jesus em termos que não admitiam qualquer dúvida:
“Exaltado, pois, à destra de Deus”. Então prossegue Pedro explicando que, em
relação direta com a atual exaltada posição de Jesus e com as circunstâncias
presentes do dia de Pentecostes, o Senhor Jesus, de Seu trono, recebeu o
cumprimento da promessa do Pai, isto é, o Espírito Santo. A demonstração do
Espírito Santo, que atuou naquele dia, era o resultado do cumprimento da promessa
feita por Jesus de Nazaré não é outro senão o próprio ungido de Deus.
Os seguintes fatos tiveram cumprimento em somente uma pessoa – Jesus de
Nazaré – pois:
1. Ele foi crucificado. 2. Seu corpo não se corrompeu na sepultura. 3. Seu espírito
não permaneceu no hades. 4. Estava sendo testemunhado que Ele fora ressuscitado
dentro os mortos por Deus.
Certamente, então, Jesus de Nazaré deveria ser o Ungido de Deus. Agora Ele estava
à mão direita de Deus Pai. Essa conclusão de Pedro é transmitida aos seus ouvintes
nestas palavras cheias de significação:
“A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas”.
Previamente Pedro havia dito que Deus ressuscitara a Jesus de entre os mortos (v.
24), mas agora declara o motivo porque fora Ele assim ressuscitado. E dá as provas
de Sua ressurreição: “Sabemos que Deus O ressuscitou dentre os mortos”, diz Pedro,
pois “todos nós (os apóstolos) somos testemunhas” da Sua ressurreição.
34-35. A prova profética final se encontra no versículo 34. Pedro mostra que, o que é
dito ali do Ungido de Deus, nunca poderia ter sido tido sobre Davi, pois este nunca
havia subido ao céu. Além disso, Davi rebateu qualquer ideia de que havia ele subido
aos céus, quando disse, no Salmo 110:1, que Jeová estava falando ao seu (de Davi)
Senhor, ao convidar o Ungido para assentar-se à Sua direita, até que todos os Seus
inimigos fossem postos debaixo dos Seus pés. As palavras de exaltação a Jesus, que
o salmista escreveu, pois elas certamente se aplicam a Jesus de Nazaré, emprestam
sólido fundamento e grande poder às palavras conclusivas de Pedro:
36. “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus que
vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”.
O impacto que essas palavras produziram nas mentes e nos corações dos ouvintes
de Pedro, quase não pode ser imaginado por mim ou por ti. Aquele por quem todos
os judeus do passado haviam esperado, por quem todos haviam orado, chegara,
mas, tão somente para ser crucificado por aqueles por causa de quem Ele viera.
Agora esboçaremos o sermão de Pedro. Note-se:
A introdução do sermão 2:14-21. Resposta de Pedro aos que zombavam.
1. Pedro primeiro chamou a atenção de seus ouvintes para o que ele tinha a dizer, v.
14.
2. Primeira resposta de Pedro às acusações contra o grupo de apóstolos, baseada na
hora do dia, v. 15.
3. Segunda resposta de Pedro, baseada no fato que os eventos daquele dia eram
cumprimento da profecia de Joel, v. 16-21.
O tema do sermão “Jesus é o Ungido de Deus”.
Desenvolvimento do sermão 2:22-35:
1. As obras, maravilhosas e sinais operados por Jesus, demonstraram a aprovação
de Deus, v. 22.
2. A morte de Jesus fora predeterminada por Jeová, e foi levada a efeito pelas
criminosas mãos dos romanos, impelidas pelo ódio dos judeus, v. 23.
3. Deus, entretanto, ressuscitou a Jesus dentre os mortos, v. 24.
4. Davi falou detalhadamente sobre a ressurreição e exaltação do Ungido de Deus, o
que não foi cumprido na pessoa do próprio Davi, mas sim, na pessoa de Jesus de
Nazaré, v. 25-31.
5. Jesus ressuscitou dos mortos, fato que era atestado por testemunhas oculares, v.
32.
6. Jesus, tendo sido exaltado conforme fora profetizado, recebeu Sua posição
exaltada a fim de, entre outras coisas, receber a promessa do Espírito Santo, para
derramar a manifestação do Espírito Santo sobre os apóstolos, v. 33.
7. Davi falou sobre a exaltação do Cristo em outro de seus salmos (110:1). O próprio
Davi não havia ascendido aos céus, mas disse que o seu Senhor foi convidado pelo
Senhor a assentar-se à Sua direita até que os Seus inimigos fossem subjugados, v.
34.
Conclusão do sermão de Pedro 2:36: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a
casa de Israel de que a este Jesus”, etc., visto que:
1. Jesus foi aprovado por Deus, v. 22.
2. A predição da morte do Ungido de Deus acha cumprimento na pessoa de Jesus.
3. Deus o ressuscitou dentre os mortos, conforme Davi profetizou que sucederia ao
Cristo, vs. 24, 28.
4. Mais ainda, Jesus estava agora exaltado, de conformidade com que Davi dissera a
Seu respeito, vs. 29-31.
5. Nós, os apóstolos, somos testemunhas oculares dessa ressurreição de Jesus, v.
32.
6. O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes, foi enviado por esse
Jesus, em vista de Sua nova exaltada posição, v. 33.
7. Finalmente, Davi não falou acerca de si mesmo ao dizer que Senhor (Jeová) disse
ao Senhor (Jesus) que se assentasse à Sua direita até que Seus inimigos fossem
subjugados, mas sim, falou acerca do Ungido de Deus, palavras essas que só
encontraram cumprimento na pessoa de Jesus de Nazaré, v. 34.
“Em vista disso tudo, nós, os apóstolos, vos afirmamos que Deus fez Jesus, a quem
vós crucificastes, tanto Senhor como Ungido”.
d) Os Resultados Desse Sermão
37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e
aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome
de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados e recebereis o dom do Espírito
Santo.
39 Pois para vós é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão
longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar.
40 Com muitas outras palavras deu testemunho, e exortava-os, dizendo: Salvai-vos
desta geração perversa.
41 Então os que lhe aceitaram a palavra foram batizados; havendo um acréscimo
naquele dia de quase três mil pessoas.
37-41. “Os resultados imediatos, foram: primeiro, convicção e interrogação; segundo,
instrução e exortação; e, finalmente, obediência e adição à Igreja daqueles que
receberam o Espírito” (G. Campbell Morgan, página 87). Estas palavras nos fornecem
ótimo esboço dos resultados da mensagem de Pedro. Notamos esse esboço em
detalhe:
As últimas palavras de Pedro, foram: ... “a este Jesus que vós crucificastes, Deus o
fez Senhor e Cristo”. Agora os seus ouvintes sabiam com clareza a quem haviam
crucificado... Não poderemos nos colocar no lugar dos ouvintes de Pedro? Eles
haviam crucificado o seu Messias. E, contudo, isso havia sido predito – que o Ungido
de Deus haveria de sofrer. Isso, todavia, não abrandava a culpa de Seus
crucificadores. Para quem poderiam eles, agora voltar-se? Poderiam eles ousar
voltar-se para Deus, uma vez que o sangue do Filho unigênito de Deus manchava-
lhes as mãos? Achavam-se em desesperada necessidade de perdão. Como obtê-lo,
entretanto, é que era a pergunta para a qual não atinavam com a resposta. É natural,
portanto, a pergunta que fizeram: “Que faremos, irmãos?” que fariam sobre o que?
Qual era a necessidade da qual a multidão tinha ciência? Bem, o que precisavam era
perdão. Podemos, por conseguinte, afirmar que estavam interrogando sobre uma
única questão – o perdão.
Notemos agora a instrução e a exortação de Pedro, em resposta à interrogação feita
pelos judeus convictos.
Pedro deu-lhes uma resposta direta e sem hesitação. Disse-lhes sem rodeios e
exatamente o que “deviam fazer” para que fossem perdoados e tivessem garantida a
remissão de seus pecados: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em
nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados”, disse-lhes Pedro. Como é
que se pode imaginar que o batismo não tem ligação com o perdão dos pecados
quando Pedro tão claramente respondeu sobre as condições do perdão em forma tão
clara?
(Um estudo completo sobre a conexão entre o batismo a remissão dos pecados é
dada por McGarvey em seu “New Commentary on Acts”, Vol. I, páginas 243-262).
Pedro informou a seus inquiridores que, em adição à bênção do perdão, pelo
arrependimento e pelo batismo, deveriam receber um dom de Deus – nada menos
que o “Espírito Santo”. Explicou-lhes que a promessa da remissão e o dom do
Espírito Santo lhes foi expressamente provida, como também para seus filhos e para
todos os que estavam longe (sem dúvida se referindo aos gentios), tantos quantos o
Senhor Deus chamasse para Si mesmo. Quanto à forma pela qual Deus chamaria
essas almas para Si mesmo, melhor maneira de sabermos é lendo o resto do registro
sagrado, notando que Deus chama tanto judeus como gentios, igualmente, para Si
próprio, por intermédio da pregação da Boa-Mensagem II Tess. 2:14.
Temos acabado de dar atenção às palavras de instrução dos versículos 38 e 39;
agora notemos as palavras de exortação do versículo 40. Não foi suficiente
estabelecer em muitas palavras as condições de perdão, pois os ouvintes não tinham
conhecimento prévio do plano de salvação pela graça de Deus. Eis porque o apóstolo
Pedro passou não pouco tempo, conforme verificamos no versículo 40, nem usou
poucas palavras, testificando e exortando a respeito da grande salvação. Sem dúvida
alguma ele traçou o plano de redenção pro meio da morte substituta do Ungido de
Deus. As palavras por ele pronunciadas, puderam, então, ser chamadas pelo escritor
sagrada, de “testemunho” e de “exortação”, ou seja, uma apresentação lógica dos
fatos evangélicos que salvam a alma. Então em palavras exortativas, isto é, em apelo
apaixonado, mostrou aos seus ouvintes a necessidade urgente do arrependimento e
do batismo, para que, dessa maneira, pudessem apropriar-se dos benefícios
advindos do sangue do Ungido. Dizendo: “Salvai-vos desta geração perversa”, Pedro,
sem dúvida alguma, se referia aos que havia dito no versículo 38, quando exigiu ação
da parte dos seus ouvintes – arrependimento e batismo. Quanto às palavras: “Salvai-
vos desta geração perversa”, certamente evidenciam a verdade que a geração, como
um todo, estava eternamente perdida, e que seus ouvintes deviam salvar-se da
mesma, como alguém se salva de um “navio que afunda”.
Finalmente os convictos das palavras e Pedro, obedeceram à Boa-mensagem e
foram adicionados. O “receber da Palavra” pode ser compreendido no sentido que
eles ficaram determinados a seguir à sua palavra e a cumprir as exigências da Boa-
mensagem, o que explica porque foram eles batizados.
Alguns têm levantado objeções quanto ao número de batizados naquela ocasião –
três mil almas – baseando-se num suposto número excessivo, à falta de água, ao
tempo disponível, etc. Todas essas dificuldades, entretanto, se tornam em nada ao
levarmos em consideração certos fatos históricos sobre a cidade de Jerusalém.
Quanto à última parte do versículo 41, podemos dizer, nas palavras de Adam Adcock:
“Quanto nada existe, somente Deus pode originar alguma coisa por meio da criação.
A fim de formar a raça humana do nada, Deus teve que CRIAR o primeiro homem e a
primeira mulher. A fim de por em existência a Igreja de Cristo, o Senhor CRIOU os
primeiros cristãos no dia de Pentecostes, pelo poder sobrenatural do Espírito Santo.
Não nos podemos admirar que as multidões tenham ficado maravilhadas,
confundidas e perplexas. Nunca havia sucedido cenas como naquela ocasião. Nem
nunca mais houve repetição das mesmas, desde que Deus pôs o mundo em seu
curso. Dizer que o dia de Pentecostes é o dia do “nascimento da Igreja” é impróprio,
pois nada pode ser nascido sem antecedentes ou precedentes da mesma espécie.
Adão e Eva não tiveram ancestrais; nem a Igreja os teve. A Igreja é uma nova
criação. A raça humana foi ORIGINADA, no primeiro par; a Igreja foi CRIADA nos
primeiros cristãos, os doze apóstolos originais. Dizer, pois, que a Igreja “nasceu” no
dia de Pentecostes, é usar uma figura imprópria; dizer que a Igreja foi CRIADA
naquele dia é dar uma descrição própria de sua origem. Mas o Senhor cria apenas
quando se torna necessário. Criação não é um processo semelhante ao nascimento.
Não há a menor indicação que os doze apóstolos originais tenham recebido qualquer
outro batismo além do batismo de João. O primeiro pai e a primeira mãe tiveram que
ser CRIADOS; todos os outros seres humanos são NASCIDOS. A Igreja foi criada na
pessoa dos primeiros cristãos, os apóstolos; todos os outros cristãos são feitos tal
pelo NOVO NASCIMENTO. A criação é essencialmente miraculosa;
o NASCIMENTO, seja velho ou novo, é sempre uma operação de lei” (Atos
Analisados, páginas 28, 29).
E assim, aqueles três mil convertidos foram adicionados à Igreja criada. Nasceram na
família de Deus “da água e do Espírito”. Por outro lado, os apóstolos foram criados
como os primeiros membros da família de Deus.
42 E perseveraram na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas
orações.
42. A palavra final sobre os resultados do sermão de Pedro pode ser verificada nos
seus frutos. A Boa-mensagem dominou de tal maneira as vidas daqueles primeiros
convertidos, que continuaram perseverantemente na adoração a Deus. Essa
adoração é expressa nos quatro itens seguintes: (1) a doutrina dos apóstolos; (2) a
comunhão, ou seja, a aproximação que uns sentiam pelos outros, em luta por uma
causa comum; (3) o partir do pão, isto é, a Ceia do Senhor; e (4) as orações.
e) A Unidade da Congregação
43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio
dos apóstolos.
44 Todos os que creram tinham juntas todas as coisas que lhes eram comuns.
45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à
medida que alguém tivesse necessidade.
46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa, e
tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,
47 louvando a Deus, e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso,
acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.
43-47. O motivo dessa unidade pode ser encontrado no versículo 43ª “Em cada alma
havia temor”.
O temor do Senhor não é apenas o “princípio da sabedoria”, mas também o princípio
da unidade entre os irmãos na fé. Quando Jeová é considerado em alta estima e
reverência, quando Ele é amado mais que qualquer posição ou possessão terrena,
pelos Seus filhos, então pode existir unidade entre eles. Pois então fica estabelecido
um só padrão comum, cada qual se considera pessoalmente responsável a Deus, e,
quando todos pensam e agem por esse princípio, então todos se sentem um.
Os resultados dessa unidade podem ser encontrados nos versículos 43b-47. Note-se:
1. Os apóstolos puderam trabalhar com maior sucesso (v. 43b). Isso não teria sido
possível caso houvesse divisões.
2. Todos os que creram estavam juntos, e o egoísmo não prevalecia (v. 44).
3. Aqueles crentes não somente tinham ideia da unidade, como também a punham
em demonstração prática (v. 45).
4. Essa união com Deus e uns com os outros, os levava a adorar a Deus diariamente,
não somente no templo, como também em seus próprios lares. Sua reverência a
Deus permitia que o cumprimento de seus deveres diários se tornassem em outras
tantas alegrias (v. 46).
5. O resultado final e inevitável dessa unidade divina era a salvação de muitas almas.
Visto que adoravam e louvavam ao Senhor com seus lábios e com suas vidas,
alcançaram a simpatia e o favor do povo comum. E Deus adicionava ao seu número,
diariamente, aqueles que se iam salvando. Seus nomes se achavam escritos no livro
da vida do cordeiro, e isso desde o momento em que O aceitavam como Salvador.
Quando Jeová contempla aquela grande lista de nomes, deve dizer para Consigo
mesmo: “Estes são os meus chamados, a minha Igreja”.
PERGUNTAS
36. Por que podemos considerar que o dia de Pentecostes foi o dia escolhido para o
qual apontava todo o plano e o programa do Senhor Jesus?
37. Explica como a Igreja foi estabelecida no dia de Pentecostes.
38. Dê três evidências da mão divina interferindo na seleção do dia de Pentecostes
como dia próprio para o estabelecimento da Sua Igreja.
39. Por que podemos dizer que a construção gramatical de Atos 1:26 e 2:1
demonstra que somente os doze apóstolos receberam o batismo no Espírito Santo?
40. Como podemos saber que a reunião dos apóstolos, no dia de Pentecostes se
verificou em algum outro local que não o cenáculo?
41. Quais razões podem ser oferecidas em apoio à opinião que o batismo no Espírito
Santo ocorreu em algum apartamento do templo?
42. O som como de um vento impetuoso foi um som geral ou local?
43. Por qual motivo essas manifestações miraculosas sucederam nessa ocasião?
44. Qual afirmação de Jesus foi cumprida naquele dia?
45. Explica o significado e uso da palavra “batismo”, quando usada em conexão com
o batismo no Espírito Santo.
46. Que espécie de judeus estavam presentes no dia de Pentecostes e que os atraiu
para que ouvissem as palavras de Pedro e dos demais apóstolos?
47. Usando um Dicionário ou Enciclopédia Bíblica, examina algum diagrama do
templo, e formula, em tua mente, a localização da área do templo, dos apartamentos
e do santuário.
48. Quais as três palavras que descrevem os resultados do fato de cada homem ter
ouvido falar em sua própria língua?
49. Usando um Dicionário ou Enciclopédia Bíblica, localiza, no mapa, onde ficavam
as nações referidas em Atos 2:9-11.
50. Será que os apóstolos falaram ao mesmo tempo em quinze idiomas diferentes, ou
será que o Espírito Santo operou, naquela ocasião, um milagre?
51. Qual razão levou certos homens a dizerem: “Estão embriagados”?
52. Em que sentido é que as palavras de Pedro, referentes à hora do dia, respondem
às acusações dos zombadores?
53. A qual período de tempo se referem as palavras “últimos dias”, usados no
versículo 17?
54. Como é que as palavras de João acharam cumprimento no dia de Pentecostes,
isto é, aquelas palavras que dizem: “Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”?
55. Quando foram consumados esses “últimos dias”?
56. Como é que a capacidade de profetizar e de ter visões foi cumprida no dia de
Pentecostes?
57. Onde foram cumpridos os sinais e maravilhas da profecia?
58. Com a Bíblia aberta lê os versículos 19 e 20 do capítulo dois, e então, de
memória, mostra como essas coisas foram cumpridas no dia de Pentecostes, com
uma nota especial a respeito do dia do Senhor.
59. Depois da pergunta acusadora sobre a suposta embriaguez dos apóstolos, qual a
pergunta natural da mente de todo judeu inteligente ali presente?
60. Qual o verdadeiro propósito por detrás de todo aquele divino esplendor?
61. Em quais versículos temos o tema e a proposição da mensagem de Pedro? Na
tua opinião, qual é o tema dele? E a proposição?
62. Por qual motivo as palavras de Pedro, encontradas nos versículos 22-24
implicariam convicção nos corações de seus ouvintes?
63. Diz de memória, com tuas palavras, os quatro fatos dados por Pedro na
introdução do seu sermão.
64. Qual o propósito dos versículos 25-32?
65. Qual o motivo de Pedro ter usado tal método para convencer os judeus sobre os
pontos 3 e 4 de seu sermão?
66. Explica, com tuas próprias palavras, a aplicação dos versículos 25 e 26 à pessoa
de Cristo.
67. Mostra como os dois últimos pontos de Pedro, a saber, os pontos três e quatro,
são evidenciados com uma simples afirmação.
68. Explica o versículo 28.
69. Que relação entre o versículo 29 e a profecia de Davi?
70. Qual a conexão entre a promessa de Deus a Davi e a ressurreição do Ungido de
Deus?
71. Mostra como o que estava predito do Ungido de Deus achou cumprimento na
pessoa de Jesus de Nazaré.
72. Que conexão teve a manifestação do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, com
a exaltação de Cristo?
73. Explica os versículos 34 e 35.
74. Mostra como os versículos 34 e 35 formam base sólida para o versículo 36.
75. Por que é que as palavras do versículo 36 causaram tal impacto nos ouvintes de
Pedro?
76. Dê de memória, o esboço da mensagem de Pedro.
77. Dê, em forma de esboço, os três resultados do sermão de Pedro.
78. Descreve as causas que levaram os ouvintes de Pedro a exclamar: “Que faremos,
irmãos”?
79. Sobre o que estavam eles perguntando, ao dizer: “Que faremos?”
80. Qual o primeiro pensamento apresentado na instrução que Pedro lhes deu?
81. Que significa a expressão: “o dom do Espírito Santo”?
82. Explique o versículo 39 com suas próprias palavras.
83. Qual a diferença entre “palavras de testemunho” e “palavras de exortação”?
84. Que associação tem as palavras “Salvai-vos” com o que já foi dito antes?
85. Que significa a expressão: “Então os que lhe aceitarem a palavra”?
86. Como se pode explicar que 3.000 almas foram adicionadas à Igreja, se esses
foram os primeiros membros da Igreja?
87. Que conexão com a adoração tem os quatro itens mencionados no versículo 42?
88. Qual o motivo da unidade descrita em 2:43-47?
89. Com a Bíblia aberta prepare um esboço dos cinco resultados conseguidos.
90. Deveria ser praticada a comunhão de bens descrita nesses versículos hoje em
dia? Caso negativo, por que não?
91. Por que é lógico imaginar o Senhor Jeová olhando a lista de nomes do livro da
Vida e dizendo conSigo mesmo: “Estes são os meus chamados, a minha Igreja”?
NA PORTA CHAMA FORMOSA – 3:1-10
1 Pedro e João subiam ao templo para a oração da hora nona.
2 Era levado um homem, coxo de nascença, o qual punham diariamente à porta do
templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam.
3 Vendo ele a Pedro e João que iam entrar no templo, implorava que lhe dessem
uma esmola.
4 Pedro, fitando-o, juntamente como João, disse: Olha para nós.
5 Ele os olhava atentamente, esperando receber alguma coisa.
6 Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te
dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!
7 E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se
firmaram;
8 de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e
louvando a Deus.
9 Viu-o todo o povo a andar e a louvar a Deus,
10 e reconheceram ser ele mesmo que esmolava, assentado à porta Formosa do
templo; por isso encheram-se de admiração e assombro, pelo que lhe acontecera.
1. O grande dia de Pentecostes havia passado, mas seu poder ainda perdurava.
Assim é que deve ser em toda experiência religiosa. Agora vemos o poder do dia de
Pentecostes em ação, nas vidas diárias dos servos de Deus. Visto que Pedro e João
eram judeus, observavam as três horas hebraicas para oração – às nove da manhã,
ao meio dia e às três horas da tarde.
2. O templo de Jerusalém era o local próprio para as reuniões e orações públicas de
todos os judeus da cidade. Sucedeu, pois, na hora vespertina de oração, que dois
dos apóstolos de Jesus estavam subindo a escadaria do templo. Essa escadaria ia
ter em certa porta do templo, cognominada de Formosa, sem dúvida por causa de
sua bela construção. Diariamente era levado um coxo pedinte até essa mesma porta,
e ali era deitado a fim de pedir esmolas daqueles que entravam no templo. Lucas
descreve a condição física daquele homem como coxo desde o ventre materno, e tão
aleijado que era necessário que alguns viessem carrega-lo até àquela porta a fim de
mendigar.
3. O motivo porque os olhos do pobre homem caíram sobre Pedro e João, e porque
implorou-lhes que lhe dessem uma esmola, entre todos os da multidão que entrava
no templo, somente Aquele que observa a queda dos passarinhos pode saber.
Ouvindo as penalizantes palavras do pobre indivíduo prostrado no chão, os corações
de Pedro e João foram tocados pelo mesmo Espírito que enchera as suas vidas no
grande dia dos primeiros frutos; eles perceberam que ali estava um homem que,
entre os outros homens, seria usado agora por Deus para glorificar Seu servo Jesus.
Oh, amigos meus, que possamos enxergar naquela pobre alma, que jazia do lado de
fora da porta Formosa, a vós e a mim – nós que nada possuímos capaz de
recomendar-nos como mediadores para a graça de Deus, embora Ele faça conhecida
a Sua glória por nosso intermédio. Maravilha das maravilhas! “Onde, pois, a
jactância? Foi de todo excluída”. Como a jactância dos homens está longe da
salvação de suas almas...
4-6. O coxo contemplou as faces daqueles dois estranhos de olhar penetrante mas
compassivo, observando-os de sua humilde postura. O olhar do aleijado era o olhar
de esperançosa expectativa, porém, em nada diferia do olhar que ele lançava a
qualquer outro judeu benevolente. O desapontamento e a curiosidade provavelmente
aguçaram a atenção do infeliz judeu ao ouvir as palavras que Pedro começou a
dirigir-lhe: “Não possuo nem prata nem ouro...” Poderia ele ter pensado: “Não tem
dinheiro? Então para que chamar minha atenção? Para que incomodar-me? Estou
aqui com um propósito apenas; nada mais quero”. Então vieram as palavras
seguintes: “... mas o que tenho, isso te dou:” Teria o esmoler pensado novamente:
“Que tens tu? Não te vejo meter a mão nas vestimentas, nem há coisa alguma em tua
mão estendida”. Todos esses pensamentos podem ter surgido na mente do pobre
indivíduo, entre as frações de segundo que separavam as palavras de Pedro. Talvez
nem chegarem a ser expressos em sua mente, mas tão somente sentidos em seu
coração. E então, tudo aconteceu de repente. Ele ouviu as inesquecíveis palavras de
poder e vida:
“... em nome de Jesus Cristo, o Nazareno ANDA!”
O apoio firme da mão de Pedro, e então a força, a alegria que literalmente invadiu
sua alma, a experiência e o êxtase de poder saltar, pôr-se de pé, andar!
7-10. Lucas, com sua costumeira exatidão médica, descreve a ação da cura como
sendo imediata, tendo atingido os pés e os artelhos do enfermo. Quantos gritos de
alegria e louvor não devem ter sido ouvidos no templo, naquele dia, quando o ex-
coxo deu entrada no templo, juntamente com Pedro e João, “saltando e louvando a
Deus...” Que espanto não teria sido o da reverente multidão que estava no templo...
“Essa é a maneira para alguém comportar-se em tal local e em tal hora?” Mas, então,
olhando mais cuidadosamente, reconheceram algo de familiar no exuberante
indivíduo. “Mas, não é esse o mendigo que vimos, ao entrarmos no templo pela porta
Formosa? Será que esse é realmente o mesmo indivíduo que há momentos atrás nos
pediu uma esmola? Sim, realmente é ele mesmo!” Então ficaram as testemunhas do
sucedido cheias de “admiração e assombro, pelo que lhes acontecera”.
PERGUNTAS
92. Por qual motivo podemos afirmar que o poder do dia de Pentecostes se
manifestou no caso sucedido à porta Formosa?
93. Nomeia as três horas próprias para oração.
94. Quais as duas características da condição física do esmoler nos são fornecidas
pelo dr. Lucas?
95. Mostra a comparação que existe entre aquele coxo e eu e tu na qualidade de
pecadores.
96. Descreve a cura do homem coxo, desde as primeiras palavras de Pedro, até que
todos entram no templo.
97. Há alguma razão para crer que o coxo curado pelo Senhor, por intermédio de
Pedro e João, era bem conhecido na população de Jerusalém?
NO PÓRTICO DE SALOMÃO – 3:11-26
11 Apegando-se ele a Pedro e a João, todo povo correu atônito para junto deles no
pórtico chamado de Salomão.
12 À vista disto, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: Israelitas, por que vos maravilhais
disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade
o tivéssemos feito andar?
13 O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu
Servo Jesus, e quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia
decidido soltá-lo.
14 Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um
homicida.
15 Dessarte matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do
que nós somos testemunhas.
16 Pela fé em o nome de Jesus, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que
agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus, deu a este saú de
perfeita na presença de todos vós.
17 E agora, irmão, eu sei que o fizeste por ignorância, como também as vossas
autoridades;
18 mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas
que o seu Cristo havia de padecer.
19 Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,
20 a fim de que da presença do Senhor venham tempos de refrigério, e que envie ele
o Cristo, que já vos foi designado, Jesus,
21 ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da ressurreição de todas
as cousas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a
antiguidade.
22 Disse, na verdade, Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um
profeta semelhante a mim; a ele ouvires em todo quanto vos disser.
23 Acontecerá que toda alma que não ouvir a esse profeta, será exterminada do meio
do povo.
24 E todos os profetas, a começar com Samuel, assim como todos quantos depois
falaram, também anunciaram estes dias.
25 Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos
pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da
terra.
26 Tendo Deus ressuscitado ao seu servo, enviou-o primeiramente a vós outros para
vos abençoar, no sentido de cada um se aparte das suas perversidades.
11. Deve ser notado que a cura do homem coxo ocorreu à entrada no templo; a porta
Formosa foi o local exato da ocorrência, a esta dava a corte das mulheres. O
incidente descrito sob o título acima ocorreu no pórtico de Salomão, localizado do
lado de fora da porção judaica do templo.
Devemos concluir, por conseguinte, ao ler o texto, que depois de ser curado, o
homem entrou no templo juntamente com Pedro e João (comparar com o versículo
8). Então os apóstolos saíram do recinto sagrado, sem dúvida por causa do tumultuo
causado pelo milagre, e enquanto estavam no pórtico de Salomão, o  ex-coxo se
abraçou a eles. Talvez o homem tenha chamado a multidão propositalmente, embora
isso não seja aqui mencionado.
12-13a. Pedro, observando as circunstâncias, percebeu que o espanto e admiração
do povo estavam focalizados nele mesmo e em João, e não em Deus, a quem
serviam. A coragem, sabedoria e humildade de Pedro podem ser vistas nos quatro
versículos seguintes. Sua coragem é ilustrada no fato que, apesar das circunstâncias
um tanto adversas, aproveitou a ocasião para pregar a  Boa-Mensagem. Sua
sabedoria pode ser verificada pela maneira com que ele desenvolveu o seu sermão,
e a sua humildade é percebida na introdução de sua mensagem. Pedro, na
introdução de seu sermão, dá a Deus o crédito pelo milagre:
“... por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o
tivéssemos feito andar? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos
pais é Quem operou o que vedes”.
13b-19. Segue-se, então, o corpo da pregação. Por qual motivo foi feito tão tremendo
sinal? E eis a resposta: Para glorificar a Seu “Servo Jesus”. Pedro não perdia ocasião
para deixar claro a elevadíssima posição do Senhor Jesus.
As palavras de Pedro poderiam ter sido as seguintes: “O Senhor Jeová está
glorificando ao Seu Servo Jesus, Aquele a quem vós, judeus, negastes e
atraiçoastes. Destes preferência a um homicida. E matastes, assim, o próprio Autor e
Príncipe da vida. Deus, entretanto, O ressuscitou dentre os mortos, o que é fato
testemunhado por todos os apóstolos”.
A questão de como a cura do coxo reverteu em glória para o Senhor Jesus, só pode
ser respondida no versículo 16.
A verdade é que quando o coxo foi curado, toda a glória reverteu a Jesus, pois foi
unicamente pela fé em Seu nome que o milagre ocorreu. Naturalmente levante-se a
pergunta: “Quem exerceu essa fé?” Um momento de consideração a respeito do caso
nos revela que o coxo nada sabia a respeito de Jesus, e, segundo Lucas nos diz, não
estava ele interessado em outra coisa que não fosse esmola.
Por conseguinte, a única resposta lógica para aquela pergunta, é: A fé de Pedro e
João, em Jesus, foi a causa humana do milagre. Isso está em perfeito acordo com
Marcos 16:14-20, onde Jesus repreende os apóstolos por causa de sua falta de fé ao
mesmo tempo que lhes promete sinais maravilhosos, caso cressem. O poder de fazer
milagres foi dado aos apóstolos por virtude do batismo no Espírito Santo, porém,
precisavam exercer fé a fim de que tal poder se manifestasse.
Pedro se refere a outra verdade, em adição ao pensamento anterior – fala, agora, da
morte pré-determinada de Jesus. Essa mesma verdade já tinha sido apresentada
por ele anteriormente, no dia de Pentecostes. Tinha grande efeito sobre as mentes
dos judeus sempre que era apresentada, porque transmitia-lhes profundo sentimento
da veracidade do fato. Temperando um pouco a sua mensagem, disse, pois, o
apóstolo Pedro: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também
as vossas autoridades”. A fim de mostrar no ato de seus ouvintes o cumprimento da
profecia, disse que os profetas falaram dos sofrimentos que sobreviriam ao Messias,
ficando assim, claro aos ouvintes de Pedro, que tais profecias haviam sido realmente
cumpridas, v. 18. Os judeus estavam convencidos de que Jesus era o Ungido de
Deus, não somente pelo que foi dito a respeito de Sua ressurreição e de Seu poder
de curar. Ficaram, igualmente convencidos de pecado por meio das palavras de
Pedro que descreviam a tragédia de haver entregue o Senhor Jesus – o Messias – a
um governador estrangeiro, negando assim ao Ungido de Deus, além de terem dado
preferência a um assassino. Isso queria dizer, portanto, que eles haviam morto o
próprio Autor e Príncipe da vida. Então, sim, Pedro pode exortá-los fortemente ao
arrependimento e à obediência. Note-se as palavras do apóstolo: “Arrependei-vos,
pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que da
presença do Senhor venham tempos de refrigério”.
Não é necessário interrogarmos a respeito do significado das primeiras palavras
dessa exortação de Pedro, pois todos conhecem, em maior ou menor grau, o
significado da palavra “arrependimento” (Esse termos quer dizer uma mudança de
mente, a qual, por sua vez, provoca uma completa mudança de atitude e de conduta).
Mas, para que será que Pedro os exortava a que se “convertessem”? para começar,
notemos que, ao se arrependerem e se converterem, aqueles judeus haveriam de
receber exatamente o que lhes fora prometido no dia de Pentecostes, quando as
condições apresentadas foram “arrependimento e batismo”. Veja-se o paralelo: Em
Atos 2:38 foram recomendados e se arrependeram e a batizar-se para que
recebessem remissão dos seus pecados e dom de Espírito Santo. Em Atos 3:19
foram exortados a se arrependerem e se converterem para que seus pecados
fossem cancelados e para que viessem tempos de refrigério da presença do
Senhor. Parecerá lógico que Pedro tenha requerido arrependimento e batismo, no dia
de Pentecostes, para que fosse alcançado o perdão dos pecados, e que aqui, no
pórtico de Salomão, dirigindo-se ao mesmo povo, apresentasse alguma outra coisa
para alcançar o mesmo resultado? Afirmamos, portanto, que o significado real atrás
da exortação “e convertei-vos” é, nada mais nada menos que o “batismo”. Os judeus,
sem dúvida alguma, vinham presenciando batismos diários de arrependidos (comprar
com 2:47); pelo que, quando o apóstolo os exortou a que se arrependessem e se
convertessem, sabiam exatamente o que Pedro lhes quisera dizer. Discussão
completa do ponto em foco pode ser encontrado em J. W. McGarvey’s New
Commentary, às páginas 58-63. (Discutiremos mais completamente o assunto na
segunda parte de nossas anotações).
20-21. Pedro fala de outro resultado. Quando se arrependessem e se convertessem,
seus pecados seriam cancelados. E então viriam, da presença do Senhor, tempos de
refrigério, pelo Espírito de Deus, enviado de Sua presença. Além disso, entretanto,
Deus haveria de enviar-lhes o próprio “Cristo”. Qual o significado dessa promessa?
Certamente não se referia à primeira vinda do Senhor, pois Ele já tinha vindo e já
tinha retornado aos céus; também não se referia à presença de Cristo por intermédio
do Espírito Santo, pois já tinha sido feita a promessa de recepção do Espírito. Só
poderia referir-se por conseguinte, à segunda vinda do Senhor Jesus Cristo. Todos os
judeus aguardavam o Messias como grande Rei dominando o Seu reino. Ele deveria
vir a fim de conquistar e subjugar todos os reinos e domínios. E isso, efetivamente o
fará, quando vier em Seu segundo advento; pelo que concluímos que as palavras de
Pedro aos seus ouvintes hebraicos é que a sua esperança seria materializada na
segunda vida do Senhor Jesus Cristo.
Não em um reino temporal, terreno, mas na triunfante glória do rei conquistador e
eterno, em Seu Reino. E quando Ele vier não será outro senão o próprio Jesus de
Nazaré, a quem haviam crucificado.
Mas, diz Pedro: “... é necessário que o céu receba (a Jesus) até ao tempo da
restauração de todas as coisas, de que falou Deus por boca dos seus santos profetas
deste a antiguidade”. Sobre este ponto particular, dizemos juntamente com J. W.
McGarvey:
“É difícil determinar com exatidão a significação da palavra restauração, aqui usada; é
expressão que está limitada, entretanto, por esta outra: “de que Deus falou por boca
dos seus santos profetas” o que nos leva a concluir que deve consistir do
cumprimento das predições do Antigo Testamento; e que a observação de Pedro
deixa claro que o Senhor Jesus não retornará enquanto aquelas predições não forem
todas cumpridas” (página 63).
O que sejam essas predições e quais as suas conexões, não é nosso propósito
discutir neste volume.
22-26. Pedro termina seu sermão da mesma forma que começou – usando provas,
do Antigo Testamento, que esse Jesus de Nazaré é o Messias, ungido de Deus. A
predição de Moisés, lida por todos os judeus por centenas de anos, encontrava,
agora, o seu cumprimento. Moisés disse:
1. O Senhor Deus haveria de levantar um profeta, o que efetivamente fez na pessoa
de Jesus.
2. Esse profeta apareceria e seria enviado aos israelitas, o que também foi cumprido
em Jesus.
3. O tal profeta surgiria de entre os seus irmãos, isto é, de entre o povo hebraico; ora,
Jesus é de tribo de Judá.
4. Seria, ainda, semelhante a Moisés. As comparações entre Moisés e Jesus não são
por demais numerosas para serem enumeradas. Moisés também predisse os terríveis
resultados da rejeição daquele profeta.
Pedro chegou ao clímax de seu sermão com a afirmação esclarecedora e definitiva
que, todos os profetas, desde o primeiro – Samuel – até o último deles, predisseram
os dias do Filho do homem.
Então o apóstolo lança o seu apelo. Paulo atinge o coração mesmo dos judeus ao
relembrá-los da entesourada verdade que eles são filhos dos profetas e da aliança
que Deus fizera com seus pais, dizendo a Abraão: “Na tua descendência serão
abençoadas todas as nações da terra”. A forte inferência é que a promessa de
bênção ao mundo, feito por Deus por intermédio dos judeus, era para ser cumprida,
nada mais nada menos, na pessoa de Jesus Cristo. Jesus veio à esta terra por
meio do povo hebraico, pois era filho de mãe judia e agora, todas as nações da terra
são abençoadas por causa de Sua obra de redenção. Eles realmente haviam sido
honrados e abençoados, pois o Senhor Deus lhes enviara o Seu Ungido em primeiro
lugar, bem como O enviara por seu intermédio, para que desviasse cada um deles de
suas iniquidades. Jesus, pois, trouxera o bálsamo pelo qual os seus corações
ansiavam, isto é, o cancelamento dos seus pecados.
Observemos, agora, um esboço da pregação de Pedro:
Circunstâncias da pregação, v. 11.
Tema: “Glorificação de Jesus, o Servo de Deus”.
Introdução: A pergunta inicial de Pedro, fazendo a atenção do povo desviar-se de
sua pessoa e de João e centralizar-se em Deus, que fora o verdadeiro Autor da cura
do coxo, v. 12.
I. Deus, vosso Pai, fez este milagre por intermédio de Jesus, v. 13-16.
1. Mas vós O entregastes e negastes, v. 13.
2. Em Seu lugar pedistes um homicida, v. 14.
3. Matastes o próprio Príncipe da Vida, v. 15a.
4. Mas Deus O ressuscitou dos mortos, e nós somos testemunhas do fato, 15b.
5. Nossa fé em Jesus é que possibilitou este milagre, v. 16.
II. Jesus foi morto por vossa ignorância, mas isto apenas cumpriu as profecias, v.
17,18.
III. Exortação de arrependimento e obediência, para que os seus pecados fossem
cancelados e para que recebessem o dom do Espírito Santo, v. 19.
IV. Se houver obediência da vossa parte, as bênçãos da segunda vida do Ungido de
Deus vos pertencerão. Este deve permanecer nos céus até que todas as coisas que o
Antigo Testamento diz sobre Ele sejam cumpridas, v. 20,21.
V. Mais evidências proféticas de que Jesus é o Messias, v. 22-24.
1. Moisés e o que ele disse a Seu respeito, v. 22,23.
2. Todos os profetas falaram a respeito de Seus dias, v. 24.
VI. Uma exortação aos judeus, relembrando-os que são filhos dos profetas e da
aliança, para que aceitem a Cristo Jesus e assim entrem no gozo de todas as
promessas dos profetas e da aliança, v. 25,26.
Lucas, naturalmente, nos oferece apenas pequeno resumo das palavras do apóstolo
Pedro. Sem dúvida Pedro desenvolveu cada um desses pontos, usando, também de
muitas aplicações.
PERGUNTAS
98. Onde é que Pedro pregou seu segundo sermão?
99. Pedro, João e o ex-coxo chegaram a entrar no templo? Por que, então, tornaram
a sair?
100. Na tua opinião, qual o motivo que levou o ex-coxo a apegar-se a Pedro e a
João?
101. Quais os elementos do caráter de Pedro podem ser vislumbrados no sermão e
na maneira de pregá-lo?
102. Qual o propósito do milagre, segundo o apóstolo Pedro?
103. Nomeia três coisas que Pedro disse que os judeus fizeram ao Senhor Jesus.
104. De que modo a cura do homem coxo reverteu em glória ao Senhor Jesus?
105. Explica como esse milagre foi operado por intermédio da fé. De que modo o
batismo no Espírito Santo participa desse incidente?
106. Qual a segunda verdade apresentada no sermão de Pedro?
107. Por que foi próprio que Pedro exortasse os judeus ao arrependimento e à
obediência na ocasião em que o fez?
108. Qual a significação da palavra “arrependimento”?
109. Qual o significado da expressão “convertei-vos”? prova tua resposta.
110. Qual o apelo do apóstolo Pedro, no fim de sua mensagem?
111. Qual o tema do sermão de Pedro?
112. Escreve, de memória, os pontos principais do esboço do sermão de Pedro.
A Descida do Espírito Santo no dia Pentecostes em Atos (Cap. 2: 1-4).
Escrito por Lucas companheiro de Paulo entre as segunda e terceiras viagem.
O tema geral do livro é “O Senhor irá difundir a sua obra em Jerusalém, em toda
Judéia e Samaria e até os confins da terra”
Embora muitos estudiosos têm destacado que na narrativa do livro de Atos, há em
Lucas a intenção de defender o cristianismo ou demonstrar que este não representa
uma ameaça ao Império Romano.
Pentecoste significa qüinquagésimo, a festa era celebrada cinqüenta dias após a
Páscoa (que era a libertação do Egito), mas era conhecida também por Festas das
Primícias ou Festa das Colheitas.
As primícias eram da colheita do trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e
tamaras, produtos oriundos da terra de Israel.
Estas festas eram celebradas em gratidão a Deus por sua proteção e abundância de
alimentos extraídos do solo de Israel e separadas as primícias como oferendas a
Deus.

1° A Descida do Espirito Santo no Pentecostes (At 2:2)

“E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e


encheu toda a casa em que estavam assentados”.

Quando Lucas usa a expressão “COMO DE UM VENTO”, ele esta usando uma


simbologia de um acontecimento sobrenatural para dar ênfase da presença e o
poder divino entre os galileus ali reunidos, era um poder em forma de dádiva,
revestimento de poder entregue aos reunidos para anunciar as boas novas.
1.1 O Espirito Santo troxe uma expêriencia sobrenatural.

Provavelmente a grande maioria era de judeus, homens piedosos que visitavam


Jerusalém para a Festa de Pentecostes. E a multidão ficava maravilhada e atonita
com o fato de galieus serem de origem rural e terem seus sotaques peculiares
estivessem falando em outras linguas estrangeiras, e falando para povos em seu
proprio indioma das grandezas de Deus e do messias prometido.

2° A Multiforme ação do Espírito Santo.

O Espirito Santo veio sobre os 120 perseverantes, de forma tão poderosa que os
defora ficavam atonitos e dizendo que eles estavam embriagados (At 1:13). Porém a
1°hora para o judeu começava a 6 da manhã , isto faz enterder que este
acontecimento estava se realizando sobre as vidas dos 120 ali reunidos estivesse
acontecendo entre as 9 ou 10 horas da manhã, como era costume os judeus
jejuarem nos dias de festa até pelo menos a 4° hora, então a embiaguez era pouco
provavel. Era o poder o Espirito Santo mesmo testificando a Jesus Cristo ressureto!

2.1 Um rio para todos

Quando Jesus junto a fonte de Jacó com a samaritana, Lhe oferece uma água que
jámais ela tornaria a ter sede, ele está falando do gozo que ele proporciona ao
convertido, este gozo inesgotavel de testemunhar da maravilha de ser salvo, é o
gozo que os apóstolos em (Jo 7:37-39) entenderam que “do seu interior fluirão
rios de água viva” que corre de dentro de quem recebe o batismo no Espirito Santo
essa vontade é inesgotavel de testemunhar e anunciar a maravilhosa salvação em
Cristo.

3° Jesus e o Espirito Santo, uma poderosa parceria.

Jesus afirma em em (Lc 4:18-19) que o Espirito Santo está sobre Ele, nos dando a
entender uma parceria poderosa, poder este com segue os vercículos abaixo.
“O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os
pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, a pregar liberdade aos
cativos, E restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a
anunciar o ano aceitável do SENHOR”.

Jesus está citando (Is 61:1), afirmando que o Espirito do Senhor estava sobre ele,
que ele era o messias prometido e era ungido para pregar as boas novas aos pobres e
aos nescessitados, restarar os contritos de coração dar liberdade aos cativos e a
abertura da prisão aos que estavão presos em trevas aguardando a salvação através
do messias, ELE ERA A ESPERANÇA, ELE ERA A LUZ QUE ESTAVA FALTANDO, o
momento tinha chegado como o Senhor tinha prometido e falado aos profetas.

3.1 O Poder que Procede do Espirito é Vivo e Transformador


Portanto não existe avivamento sem atuação do Espírito Santo, quando o
avivamento vem sobre a igreja de Deus ele vem sobre a operação direta do Espirito
Santo, nós não conseguimos realizar um avivamento por conta prória, ele sempre
veio e sempre virá pela atuação do Espirito Santo, se um avivamento vier por
atuação própria ele é fogo estranho, vemos em “(At 2:4) Todos ficaram cheios do
Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes
concedia que falassem”.

4° Ele é o Consolador (PARÁKLETOS)

A um paralelismo entre Jesus e o “outro parákletos”, sugerindo que Este


representa o“retorno” de Jesus para os Seus discípulos, a fim de permanecer com
eles, conforme havia prometido. O parákletos é o verdadeiro elo entre a Igreja e
Jesus desde o Pentecostes até a“consumação do século”.
O parákletos testemunhará de Jesus (Jo 15:26). Ele tornará evidente o erro do
mundo acerca do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8-11), isto nos da idéia de
ajudador deles em relação ao mundo.
Quando o apostolo Paulo fala nos versículos abaixo, ele justamente está falando
dessa ajuda que está à disposição do salvo em Cristo, uma ajuda descrita de forma
que precisamos da ajuda incontestável do Espírito Santo, pois o salvo não esta só
aparte dele sem a Sua ajuda, ele mesmo confortou seus discípulos em (Jo 14:16)
acerca deste consolador e que eles não a sós por muito tempo.
Romanos 8:26-27 “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa
fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito
intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.E aquele que sonda
os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus
é que ele intercede pelos santos”.

Conclusão

Estes foram os sinais externos e visíveis que Lucas usa a expressão ficaram cheios
para descrever a experiência do derramamento do Espírito Santo e Atos capitulo 2,
um revestimento inicial para capacitá-las para o serviço de Deus, o Espírito Santo os
capacitou a falarem noutras línguas, línguas estas, humanas conforme O concedia
que falassem, não línguas inteligíveis como alguns sugerem, os versículos 6, 8 e 11
diz na sua própria língua materna das nações ali representadas.

Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Soli Deo Gloria.
Espírito Santo - Estudo Completo
Tipo: Estudos bíblicos / Autor: Pr. Paulo César

  O Espírito Santo se apresenta como:


Deus;
Pessoa;
Fruto;
Dom.

O Espírito Santo só habita no indivíduo, quando ele nasce de novo:


(Romanos 8:9): “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é
que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito
de Cristo, esse tal não é dele.”
(Romanos 8:1-5): “Portanto, agora nenhuma condenação há para os
que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas
segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me
livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei,
visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em
semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na
carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos
segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a
carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o
Espírito para as coisas do Espírito.”
(Romanos 10:14-20): “Como, pois, invocarão aquele em quem não
creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão,
se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?
como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho
de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos
têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na
nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra
de Deus. Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois Por
toda a terra saiu a voz deles, 

E as suas palavras até aos confins do mundo. Mas digo: Porventura


Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes
com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à
ira. E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam,
Fui manifestado aos que por mim não perguntavam." 

O Espírito Santo é divino, prova-se a sua divindade pelos seguintes


fatos:

1)Ele é Eterno (Hebreus 9:14): “Quanto mais o sangue de Cristo, que


pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará
as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”
2)Ele é Onipresente (Salmos 139:7-10): “Para onde me irei do teu
espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás;
se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar
as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão
me guiará e a tua destra me susterá.'' 
3)Ele é onipotente (Lucas 1:35): “E, respondendo o anjo, disse-lhe:
Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com
a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será
chamado Filho de Deus.”
4)Ele é Onisciente (I Coríntios 2:10,11): “Mas Deus no-las revelou pelo
seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as
profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do
homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também
ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”

As Obras do Espírito Santo

Criação (Gênesis 1:2); 


Regeneração (Atos 2:2);
Ressurreição (Romanos 8:1).

Os Símbolos do Espírito Santo

Fogo (Lucas 3:16); 


Vento (Atos 2:2);
Água (João 7|:37-39);
Selo (Efésios 1:13, I Timóteo 2:19);
Azeite (Zacarias 4;2-6);
Pomba (Mateus 3:16,17).

Os nomes do Espírito Santo

Espírito Santo (Atos 1:15); 


Espírito de Cristo (Romanos 8;9);
Espírito da Promessa;
Consolador (João 14:26);
Espírito da Verdade;
Espírito de Graça;
Espírito de Vida (Romanos 8:2).

O Espírito Santo como Pessoa

O Espírito Santo é uma pessoa, ou apenas uma influência?


Muitas vezes, descreve-se o Espírito Santo de uma maneira impessoal,
como o sopro que preenche, unção que unge, fogo que ilumina e
aquece, água, etc... Isto faz parte das suas operações. O Espírito Santo
exerce atributos de personalidade, Ele faz coisas que o mostram como
uma pessoa distinta e não como poder impessoal. A personalidade
envolve três fatores:

Conhecimento (Inteligência - Romanos 8:27); 


Sentimentos (afeto - Efésios 4:30);
Vontade (I Coríntios 12:11).

Atividades Pessoais lhe são atribuídas

Ele Revela (II Pedro 1:21); 


Ele Ensina (João 14;26);
Ele Clama (Gálatas 4:6);
Ele Intercede (Romanos 8:26);
Ele Diz (Apocalipse 2:7);
Ele Ordena (Atos 16:6,7);
Ele Testifica (João 15:26);
Ele se Ofende (Atos 5:3).

O Espírito Santo como Dom

Não confunda Dom de Deus com Dom do Espírito. O Dom do Espírito


Santo é dado a que já é salvo (batismo com o Espírito Santo), mas o
Dom de Deus é o mesmo espírito, mas com relação à salvação.

Dom do Espírito (Atos 2:3-7);


Dom do Espírito (Atos 10:45);
Dom do Espírito (Atos 11:16-18);
Dom de Deus (Efésios 2:8);
Dom de Deus (Romanos 6:23).

Pela generosidade do Espírito Santo, Ele nos concede nove dons (I


Coríntios 12;1-11).

Palavra de Sabedoria;
Palavra de Ciência;
Fé;
Dons de Curar;
Operação de Maravilhas;
Profecia;
Discernimento;
Variedade de línguas;
Interpretação de línguas.
Os dons do Espírito são as manifestações deste batismo.

Classificação Geral dos Dons 


do Espírito Santo

1) Dons de Revelação:
Palavra de Sabedoria; 
Palavra de Conhecimento; 
Discernimento de Espíritos. 

2) Dons de Poder:
Fé; 
Dons de Curar; 
Operação de Milagres.

3) Dons de Evolução:
Profecia; 
Variedade de Línguas; 
Interpretação de Línguas. 

O Espírito Santo como Fruto

O que é o fruto do Espírito na vida do crente? 


- É a reprodução do caráter de Cristo na vida do homem.

Como é produzido o fruto ? 


- Através do novo nascimento, pela habitação do espírito, como
conseqüência da pela plena liberdade que o crente dá ao Espírito Santo.

Mas, o fruto do Espírito é:

Amor - amor aqui é ágape, o que caracteriza esse amor é sacrifício (João
13:1);
Gozo – é diferente da alegria, o gozo é de dentro para fora, e a alegria é
de fora para dentro (Filipenses 4:11 – I Timóteo 6:6);
Paz – na Bíblia não significa ausência de guerra, como diz o dicionário,
mas significa plenitude, algo que está completo realização, no Grego
Eirene;
Longanimidade - significa paciência divina;
Benignidade – significa disposição de ser bom, isso vem de dentro;
Bondade – É amor na prática;
Fé – significa fidelidade;
Mansidão – significa saber suportar;
Temperança – significa domínio próprio, equilíbrio, moderação.

No versículo 23, diz que contra estas coisas não há lei, ou seja, não há
proibição:

Gozo é o amor obedecendo;


Paz é o amor repousando;
Longanimidade é o amor sofrendo;
Benignidade é o amor em teoria;
Bondade é o amor em prática;
Fé é o amor confiado;
Mansidão é o amor suportando;
Temperança é o amor controlando.

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