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Projeto de Sistemas Térmicos

Brasília-DF.
Elaboração

Samuel José Casarin

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário
APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA..................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA............................................................................. 11
CAPÍTULO 1
PROJETOS EM ENGENHARIA.................................................................................................... 11
CAPÍTULO 2
PROJETOS EM ENGENHARIA: ESTUDO DAS VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM UM PROJETO E SUA
FORMA DE OTIMIZAÇÃO......................................................................................................... 18
CAPÍTULO 3
CUSTOS E ANÁLISE DE VIABILIDADE EM UM PROJETO: NOÇÕES GERAIS.................................... 27
UNIDADE II
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS....................................................................................................... 39
CAPÍTULO 1
VARIÁVEIS DE PROJETO........................................................................................................... 39
CAPÍTULO 2
DIMENSIONAMENTO E MEMORIAL DE CÁLCULO...................................................................... 50
CAPÍTULO 3
APLICAÇÃO DE PROGRAMAS COMPUTACIONAIS PARA PROJETOS DE SISTEMAS TÉRMICOS...... 89
UNIDADE III
ESTUDOS DE CASOS (EC)...................................................................................................................... 97
CAPÍTULO 1

EC1 - DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO SOLAR DE ÁGUA PARA

APLICAÇÕES INDUSTRIAIS........................................................................................................ 97
CAPÍTULO 2
EC2 - TORRES DE RESFRIAMENTO.......................................................................................... 105
CAPÍTULO 3
EC3 - PROJETO DE INSTALAÇÃO DE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO SOLAR........................... 108
CAPÍTULO 4
EC4 - ISOLAMENTO PARA RECIPIENTES ISOTÉRMICOS DE CURTO PRAZO................................. 117

REFERÊNCIAS................................................................................................................................. 128
Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da
Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade


dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

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Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos
Cadernos de Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

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Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
Bem-vindo ao mundo dos projetos, mais especificamente ao mundo dos projetos
de sistemas térmicos! Conhecer, saber usar e interpretar as variáveis e ferramentas
envolvidas em um projeto de engenharia são fatores indispensáveis para que um
engenheiro mecânico (ou não) tenha um diferencial para se manter ou se colocar no
mercado de trabalho!

Segundo o art. 1o da Resolução no 218/1973, que discrimina atividades das diferentes


modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, compete ao
engenheiro mecânico, industrial e até mesmo o de produção mecânica, entre outras
atividades, estudo, planejamento, projeto e especificação, estudo de viabilidade
técnico-econômica. Tais competências são fundamentais para projetos de sistemas
térmicos que aqui abordaremos!

Entre os diversos significados da palavra PROJETAR, segundo o dicionário


on-line de português DICIO, destacam-se: arrojar, fazer um projeto ou uma
planta de, planejar, figurar ou representar por meio de projeções. Note que na
definição não há os termos cálculo e dimensionamento, no entanto essas são
partes indispensáveis em qualquer projeto mecânico.

Podemos entender projeto como uma descrição escrita e detalhada (memorial)


de um empreendimento a ser realizado. Pode ser entendido também como algo
programado, com início, meio e fim, visando obter um produto final. Logo, em
qualquer projeto há o fator tempo (prazo) para sua realização/desenvolvimento/
execução. Todo projeto tem que ter um prazo para começar e acabar. Desenham-se
os requisitos específicos para sua concretização: recursos, limitações, prazos etc.

O material didático que aqui é apresentado foi dividido em duas partes muito distintas:
a primeira,trata de conceitos relacionados a projetos; pontos de vistaderivados da
área de gestão de projetos, pois o engenheiro tem que ter consciência de que projetar
não é somente o ato de elaborar cálculos complexos (dimensionamento) e desenhos,
mas envolve uma gama de noções sobregerir um projeto. Na segunda parte, tratamos,
especificamente, de projetos de sistemas térmicos, adentrando nos conceitos
fundamentais da termodinâmica, os quais permitem a realização do dimensionamento
de tais sistemas que, como o próprio nome diz, são sistemas que envolvem calor e
fluidos.

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Falando mais especificamente de projetos de sistemas térmicos, temos que
entender, primeiramente, o que são sistemas térmicos. Isso veremos ao longo
da nossa disciplina. Além disso, quais variáveis devem ser levadas em conta?
Quais conhecimentos da termodinâmica clássica precisamos para podermos
desenvolver um projeto nessa área? Quais as implicações ambientais de um
projeto de um sistema térmico?

Assim, ao longo do nosso curso teremos a oportunidade de estudarmos os seguintes


tópicos:

»» Conceitos gerais de projetos.

»» Projetos em engenharia: Estudo das variáveis que influenciam um projeto


e sua forma de otimização.

»» Custos e análise de viabilidade em projetos.

»» Noções gerais de custos envolvidos em um projeto de sistemas térmicos.

»» Análise de viabilidade.

»» Projetos em sistemas térmicos.

»» Variáveis de projeto.

»» Dimensionamento e memorial de cálculos.

»» Estudos de Casos (EC): casos particulares que tratam de projetos de


sistemas térmicos e simulações/aplicações.

Gostaria de destacar, aqui, que, embora a nossa disciplina seja PROJETO DE


SISTEMAS TÉRMICOS voltados para um Engenheiro Mecânico, alguns tópicos
iniciais abordados nesse momento são voltados, também, para o Engenheiro de
Produção Mecânica que, além da parte técnica (propriamente dita) atua na área de
Gestão de Projetos.

Finalmente, concluo convidando você a estudar de forma concentrada e


disciplinada para o melhor aproveitamento do nosso conteúdo.

Bons estudos!

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Objetivos

Objetivos Gerais

»» Permitir ao aluno a compreensão e domínio dos conceitos gerais de


projetos, seus fundamentos teóricos e aplicações de forma a torná-lo
capaz e hábil em avaliar viabilidades e desenvolver projetos.

»» Fornecer habilidades ao aluno para proporcionar o entendimento


da elaboração e execução de projetos em engenharia mecânica,
preparando-o para compreender, interpretar e resolver situações de
forma racional e sistêmica.

Objetivos Específicos

»» Compreender e saber aplicar os conceitos de projetos em engenharia


mecânica focado em sistemas térmicos.

»» Ser capaz de analisar as variáveis envolvidas, modelá-las e analisá-las


matematicamente.

»» Fornecer ferramentas para o entendimento dos conhecimentos básicos


de projetos de sistemas térmicos.

»» Saber avaliar riscos e custos em projetos de engenharia mecânica.

»» Capacitar o aluno para realizar o dimensionamento e desenvolver o


memorial de cálculo em projetos de sistemas térmicos.

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CONCEITOS GERAIS
DE PROJETOS DE UNIDADE I
ENGENHARIA

CAPÍTULO 1
Projetos em engenharia

Noções gerais de projetos e sua gestão


“Projeto de engenharia é uma atividade orientada para o atendimento
das necessidades humanas, principalmente daquelas que podem ser
satisfeitas por fatores tecnológicos da nossa cultura”. (ASIMOW, 1968)

O que é um projeto? Muito se fala e se lê sobre projetos de diversas coisas, mas na


prática, o que vem a ser?

Por exemplo, construir uma ponte pode ser um projeto; construir um avião
supersônico também pode ser um projeto. Assim, projeto envolve a construção/
produção de alguma coisa! Fazemos um projeto quando pretendemos modelar e dar
forma a algum objeto ou produto.

Projetar envolve também a questão do planejamento, e isso pode ser, inclusive,em


termos pessoais: como vou estar daqui a dois ou dez anos? Temos que planejar
nossas vidas para oque projetamos ser daqui a dois ou dez anos. Portanto, projeto e
planejamento andam juntos; complementam-se.

De modo formal, podemos definir PROJETO conforme prevê a norma NBR ISO
10.006, segundo a qual: “Projeto é um processo único, consistindo em um grupo
de atividades coordenadas e controladas, com datas para início e fim, empreendido
para alcance de um objetivo, conforme requisitos específicos, incluindo limitações de
tempo, custo e recursos”.

Um projeto é único porque cada qual tem suas particularidades, embora haja
projetos semelhantes, mas não iguais!

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UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

É fundamental que um projeto tenha atividades coordenadas, isto é,


alguém responsável pelo seu controle, que estabeleça prazo de início e
fim, acompanhando seu andamento, cobrando resultados, fazendo ajustes
necessários. Um projeto não pode ficar “aberto” indefinidamente, logo precisa
de um cronograma de execução. É claro que ao longo desse prazo ajustes
possam ser necessários, mas tais ajustes são partes do desenvolvimento do
mesmo.

Os objetivos de um projeto só podem ser alcançados caso os requisitos específicos


possam ser atendidos e cumpridos.

Finalmente,deve-se levar em consideração a existência de limitações de tempo, custo


e recursos, como já citamos aqui. Tempo está associado ao prazo, custo está associado
ao “quanto vai custar?” e, recursos leva em conta o quanto tenho financeiramente,
materialmente e humanamente disponíveis para sua realização.

Para o PMBOK (Guia de Conhecimento e Gerenciamento de Projetos), projeto é


um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado
exclusivo. Trata-se de um esforço temporário por causa do prazo. Assim, uma
outra definição de PROJETO é: “um empreendimento temporário, instituido única
e exclusivamente para alcançar um objetivo” (PMBOK, 2000, p.3).

Vejamos algumas das principais características de um projeto:

»» São executados por pessoas capacitadas.

»» Possuem recursos limitados.

»» Precisam ser planejados, executados e controlados.

»» Possuem propósitos e objetivos distintos.

»» São de duração limitada, com prazo início e término.

»» Possuem recursos próprios.

»» Possuem administração (gestão) e estruturas próprias.

É importante destacar que o controle é realizado em cima de métricas, ou seja, em


variáveis possíveis de serem mensuradas.

Exemplos de projetos:

»» Pessoais.

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CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

»» Corporativos.

»» Operacionais.

»» Pesquisa e Desenvolvimento (PeD).

»» Projetos de Engenharia.

»» Projetos de TI e de Telecomunicações.

Por outro lado,temos uma série de situações que exemplificam “não projetos”, ou seja,
são PROCESSOS! Vejamos alguns exemplos:

»» Fabricação de um carro.

»» Venda de produtos.

»» Pagamento de fornecedores.

Estes e outros exemplos são de “não projetos” porque todos são atividades rotineiras
e repetitivas; deixam de ser projetos para se caracterizarem como processos.

A Figura 1 a seguir ilustra, resumidamente, as principais fases de um projeto.

Figura 1. Principais fases de um projeto.

Fonte: Adaptada de Belini, A. (s/d).

A fase “idealizar”, é quando se detecta uma necessidade ou se identifica algo a ser


realizado.

Na etapa de “planejar”, estipula-se todas as fases e recursos necessários para sua


realização; determina-se também as limitações do projeto e seu cronograma.

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UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

A etapa “executar”. é a da mão de obra, na qual deve haver um controle (fase


“controlar”) para corrigir eventuais desvios, podendo exigir replanejamento.
Assim, a fase “controlar” está intimamente associada à QUALIDADE!

Feitos todos os ajustes necessários no planejamento e na execução – caso


necessário – chega-se à fase de “conclusão” ou “finalizar”! Mesmo nessa etapa,
nem sempre finaliza-se 100% o projeto pois, posteriormente à essa fase, pode
ainda ocorrer a necessidade de um novo ajuste.

A Figura 2 ilustra as principais variáveis de um projeto.

Figura 2. Principais variáveis de um projeto.

ESCOPO

CUSTO

TEMPO

INTERSECÇÃO DAS VARIÁVEIS

Fonte: Adaptada de Belini, A. (s/d).

Da Figura 2 temos:

»» ESCOPO – refere-se ao que o projeto abrange e quais as suas limitações.

»» CUSTO – refere-se a qual valor a ser investido nesse projeto. Quanto ele
vai custar?

»» TEMPO – qual o prazo? Qual o tempo para a realização desse projeto?

Essas três variáveis se interrelacionam, e a região de intersecção entre elas é a


REGIÃO IDEAL na qual se tem pleno controle do projeto (suas variáveis) e tem
garantido a qualidade do projeto!

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CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

Podemos, ainda, classificar os projetos quanto ao tipo de setor e suas características


associadas. Tal classificação segue resumida no Quadro 1.

Quadro 1. Classificação de projetos e suas características.

Características Tipo de Projeto / Setor


1 2 3 4 5 6
Nececessidade de habilidades interpessoais Baixa Baixa Alta Alta Alta Baixa
Importância da estrutura organizacional Baixa Baixa Baixa Baixa Alta Baixa
Dificuldades de gerenciamento de tempo Baixa Baixa Alta Alta Alta Baixa
Número de reuniões Excessiva Baixa Excessiva Excessiva Alto Médio
Supervisor do gerente de projeto Média Gerência Alta Gerência Alta Gerência Alta Gerência Média Gerência Média Gerência
Presença de patrocinador do projeto Sim Não Sim Sim Não Não
Intensidade de conflitos Baixa Baixa Alta Alta Alta Baixa
Nível de controle de custos Baixo Baixo Alto Alto Baixo Baixo
Planejamento e programação – cronograma Apenas marcos Apenas Plano Plano Apenas marcos Apenas marcos
marcos Detalhado Detalhado

Legenda: (1) PeD Interno; (2) Pequenas construções; (3) Grandes construções; (4) Aeroespacial / Defesa; (5) Sistemas de
Informação; (6) Engenharia.

Fonte: Kerzner, H. (2011, p.18).

Para os setores orientados a projetos, tais como o setor aeroespacial e o setor de


grandes construções, o alto valor de um projeto obriga a uma abordagem de
gerenciamento mais rigorosa. Para setores não orientados a projetos, estes podem
ser gerenciados de forma mais informal, principalmente se nenhum lucro imediato
estiver envolvido (KERZNER, H., 2011, pp. 17-18).

Atualmente, as empresas estão sob enorme pressão para introduzir novos


produtos no mercado porque os ciclos de vida desses produtos estão se
reduzindo. Como resultado, as organizações não se dão mais ao luxo de
executar trabalho em série. Surge, nesse cenário, o conceito de Engenharia
Simultânea.

Engenharia Simultânea ou Concorrente é uma tentativa de realizar trabalho em


paralelo ao invés de série. Isso requer que o marketing, o P&D, a engenharia
e a produção estejam todos envolvidos ativamente durante as fases iniciais do
projeto e que desenvolvam planos, mesmo antes que o design do produto esteja
finalizado. O conceito de engenharia simultânea acelera o desenvolvimento de
produtos, mas traz riscos sérios e dispendiosos, sendo que o maior deles é o custo
de retrabalho (KERZNER, 2011, p.20).

Esses são alguns conceitos de projetos e gestão. A seguir vamos estudar como se
desenvolve um projeto de engenharia.

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UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

Segundo Ashby (2012), nem sempre é necessário começar um projeto do “zero”!


O projeto original precisa de envolvimento com uma nova ideia ou princípio de
funcionamento. Novos materiais podem oferecer novas e exclusivas combinações
de propriedades que habilitam o projeto original. Assim, o silício de alta pureza
habilitou o transistor; o vidro de alta pureza, a fibra ótica; magnetos de alta
força coercitiva, o minúsculo fone de ouvido; lasers de estado sólido, os discos
compactos. Às vezes, o novo material sugere o novo produto. Em outras, ao
contrário, o novo produto demanda o desenvolvimento de um novo material: a
tecnologia nuclear impulsionou o desenvolvimento de uma série de novas ligas
de zircônio e aços inoxidáveis de baixo teor de carbono; a tecnologia espacial
estimulou o desenvolvimento de compósitos leves; a tecnologia da turbina a gás
impulsiona ligas de alta temperatura e revestimento cerâmico.

Ainda segundo Ashby (2012), quase todos os projetos são adaptativos ou


desenvolvimentistas. O ponto de partida é um produto ou um grupo de produtos
existente. O motivo de refazer o projeto pode ser aprimorar o desempenho, reduzir
custo ou adaptá-lo às mudanças nas condições do mercado. O projeto adaptativo
toma um conceito existente e procura um avanço incremental no desempenho
mediante um refinamento do princípio de funcionamento.

O projeto variante envolve uma mudança de escla ou dimensão, ou detalhamento


sem mudança de função, ou do método de consegui-la: o aumento do tamanho
das caldeiras, ou dos vasos de pressão, ou das turbinas por exemplo. Mudanças
de escala ou de circunstâncias de uso podem exigir mudanças de material: botes
pequenos são feitos de fibras de vidro, navios grandes são feitos de aço; pequenas
caldeiras são feitas de cobre e as grandes de aço.

Para atender as exigências de um projeto, são utilizadas as chamadas “ferramentas


de projeto”. As ferramentas habilitam a modelagem e a otimização de um projeto,
aliviando os aspectos rotineiros de cada fase. Modeladores de função sugerem
estruturas de função viáveis. Otimizadores de configuração sugerem ou refinam
formas. Pacotes de modelagem geométrica e de sólidos em três dimensões
permitem visualização e criam arquivos que podem ser baixados para sistemas de
prototipagem e fabricação controlados numericamente. Softwares de otimização
do tipo DFM (Design for Manufacture) – Projeto para Fabricação ou DFA (Design
for Assembly) – Projeto para Montagem e os softwares de estimativa de custo
permitem o refinamento de aspectos de fabricação.

Pacotes de Elementos Finitos (FE) e de dinâmica de fluidos por computador (CFD)


permitem análises mecânicas e térmicas precisas, mesmo quando a geometria é

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CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

complexa, as deformações são grandes e as temperaturas variam. Há uma progressão


natural na utilização das ferramentas de projeto a medida que o projeto evolui: análise
e modelagem aproximadas no estágio conceitual; modelagem e otimização mais
sofisticadas no estágio de corporificação do produto e; análise precisa (exata) na fase de
projeto detalhado.

Ashby (2012) estabeleu uma relação FUNÇÃO-MATERIAL-FORMA-PROCESSO.


Segundo essa relação, para obter forma, o material é submetido a processos
que, normalmente, são chamados de “fabricação”: incluem processos primários
de conformação (fundição e forjamento, por exemplo), processos de remoção
de material (usinagem e furação), processo de união (soldagem e rebitagem) e
processos de acabamento (pintura ou eletrogalvanização, por exemplo). Assim,
as variáveis função, material, forma e processo interagem (Figura 3). A função
influencia a escolha do material; a escolha do material influencia o processo em
razão da capacidade de um material ser fundido, moldado, soldado ou tratado
termicamente. O processo determina a forma, o tamanho, a precisão e, é claro, o
custo. Essas interações são de duas vias: a especificação da forma restringe a escolha
de material e processo; porém, igualmente, as especificações de processo limitam a
escolha de material e as formas acessíveis. Quanto mais sofisticado o projeto, mais
rigorosas as especificações e maiores as interações.

Figura 3. Interação entre as variáveis função, material, forma e processo em um projeto.

FUNÇÃO

MATERIAL FORMA

PROCESSO

Fonte: Ashby (2012, p.21).

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CAPÍTULO 2
Projetos em engenharia: Estudo das
variáveis que influenciam um projeto e
sua forma de otimização

Podemos afirmar que Projeto é a essência de qualquer Engenharia (Mecânica, Civil,


Elétrica, Naval etc.), pois visa a elaboração de:

»» um novo produto;

»» sistema ou processo; ou

»» a melhoria de produtos ou sistemas.

Projetar é estabelecer um conjunto de procedimentos e especificações que


resultam em algo concreto ou em um conjunto de informações, sempre fazendo
uso de uma metodologia de resolução de problemas. Projeto é diferente de
invenção ou de descoberta! No entanto, estas podem estar em um projeto.

A engenharia não é uma ciência exata, pois há de se considerar que ela faz uso
de ciências exatas, tais como matemática, física e química, além de conceitos
de economia, administração, meio-ambiente e outras disciplinas humanas e
biológicas. Os procedimentos e técnicas aplicados em projetos de engenharia são
fundamentados em todas essas disciplinas, com uma estrutura própria, baseada
em métodos objetivos, experimentais e práticos, com uma base racional e dedutiva.

Na engenharia, a definição do problema nem sempre é perfeita e pode ser


constantemente aprimorada ao longo do tempo. As soluções para um problema
não atendem necessariamente a todos os requisitos, e há sempre múltiplas
alternativas para solução de um problema, algumas não tão claras e fáceis de
serem vislumbradas ou descritas. Lembre-se de que um problema nem sempre
está plenamente resolvido, pois as soluções podem ser sempre aprimoradas,
os requisitos podem se modificar ao longo do tempo, ou mesmo as técnicas de
solução podem evoluir.

Dentro do conceito de Projeto de Engenharia alguns autores consagrados


estabeleceram suas definições. Vejamos algumas delas:

18
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

“Projeto é um processo inovador e altamente interativo e iterativo; é


também um processo de tomada de decisões e é multidisciplinar”
(SHIGLEY, J. E., 2005).

“Projeto de engenharia é uma mistura de ciência e arte” (COLLINS, J.


A., 2008).

“O projeto mecânico é uma ciência aplicada que faz uso do “julgamento


da engenharia”” (JUVINALL; MARSHEK, 2008).

Na engenharia, o projeto pode ser tratado como serviço ou produto, de tal forma que:

»» Em Serviço, as principais características estão relacionadas a


intangibilidade (onde se deve avaliar a qualidade a princípio), a
perecibilidade (pois não é estocável e tem prazo de validade), a
heterogeneidade (onde se leva em conta a variabilidade de resultados),
a simultaneidade (ligada a produção e consumo) e a importante relação
cliente-fornecedor.

»» Em Produto, há de se considerar a definição de conteúdo mínimo e a


forma de apresentação das informações. Não elimina a necessidade de
estabelecer padrões de projeto como produto; esses padrões devem ser
estabelecidos, verificados e, eventualmente, corrigidos.

Dentre as características de um produto, este deve desempenhar funções para


satisfazer as necessidades e as demandas, atendendo a certos requisitos que, em geral,
são conflitantes. Requisitos típicos: desempenho, consumo de energia, resistência
mecânica, durabilidade, fabricação, formas de operação, manutenção, econômicos,
legais, de saúde, segurança, conforto, estética, entre outros (e-Disciplina, 2016).

Qualquer projeto em (ou de) engenharia envolve análise e síntese, sendo que: (I) a
análise trata da simplificação do sistema físico real, conduzindo a definição de um
modelo; e (II) a síntese, por sua vez, é a composição dos resultados obtidos em
decorrência da solução do problema, em uma resposta conclusiva.

As resoluções de problemas de engenharia requerem soluções multidisciplinares.


Para se resolver problemas de engenharia, utilizam-se ferramentas por meio de
métodos que englobam:

»» Uma abordagem metódica, por etapas.

»» Lidar com problemas vultuosos e complexos.

19
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

»» Aplicar um processo heurístico e cognitivo, envolvendo conhecimento,


experiências anteriores, planejamento, estratégias e aproximações por
tentativa e erro.

»» Ciência + Arte + Experiência + Tecnologia.

Como uma subclassificação, os projetos em engenharia ainda podem ser subdivididos


em projeto por evolução e projeto por inovação. O primeiro envolve a adaptação ou
a variação de algo já existente. O segundo deriva da aplicação de conhecimentos não
experimentados anteriormente.

Dentro de um processo de um projeto temos as seguintes etapas:

1. Identificação de uma necessidade.

2. Definição do problema.

3. Coleta de informações.

4. Concepção.

5. Avaliação.

6. Especificação da solução proposta.

7. Comunicação.

De (1) a (3), temos a fase de análise; na definição do problema é necessário a


identificação de necessidades e demandas e o estabelecimento de seus requisitos.
É preciso fazer o levantamento de dados (pesquisa). Da fase (4) em diante,
envolve a síntese e a formação de alternativas de solução, e as fases restantes
complementam as etapas. Métricas e avaliação devem ser estabelecidas, nas
quais haverá a definição de critérios e métodos para comparação das alternativas.
Na especificação da solução da proposta, é realizada a escolha, detalhamento e
comunicação da solução ideal. Finaliza-se com a implementação, que envolve a
fabricação, operação e manutenção.

A identificação da necessidade gera um escopo fundamental para a definição do


problema a ser solucionado no projeto. Segue a coleta de informações (dados)
fundamentais para a concepção (dimensionamento, desenho e ajustes). A fase de
avaliação pode contemplar testes (protótipos) que podem redirecionar o projeto que
levará à especificação da solução proposta dentro de uma forma de comunicação oral,
escrita e gráfica (desenho).

20
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

Não se pode deixar de considerar uma etapa importante: o descarte, que envolve o
manejo da solução após término de sua vida útil.

A última etapa – Comunicação – é uma das mais importantes, pois engloba, entre
outras coisas:

»» Memorial descritivo.

»» Objetivos, funções e localização de componentes.

»» Características básicas da solução final.

»» Indicação de valores previstos e particularidades.

»» Detalhes construtivos e operacionais.

»» Desenhos detalhados de componentes, subsistemas e sistemas.

»» Memorial de cálculo – dimensionamento/normas.

»» Lista de materiais.

»» Cronogramas.

»» Orçamento do projeto.

»» Informações gerais.

Some-se a essas etapas:

»» Planejamento do processo de produção.

»» Planejamento da distribuição do produto no mercado consumidor.

»» Planejamento do consumo.

»» Planejamento da retirada do produto do mercado.

No Memorial de Cálculo completo de um projeto, deve constar a parte descritiva, os


cálculos, desenhos, eventualmente solicitação de patente e anexos.

A abordagem de problemas de engenharia deve levar em conta a definição clara


do problema para a realização de um estudo aprofundado da situação, fazendo o
levantamento de requisitos e das demais etapas envolvidas no projeto (por exemplo,
documentação).

21
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

Em qualquer problema de engenharia, as recomendações a seguir são de


importância crucial para o desenvolvimento do projeto:

»» Listar todas as informações do problema abordado.

»» Fazer uma relação do que deve ser determinado pela solução do


problema.

»» Elaborar esquemas de visualização (rascunhos e croquis).

»» Verificar as leis básicas que regem o fenômeno e elaborar formulário


matemático que auxilie a aplicar hipóteses simplificadoras para o
problema.

»» Testar soluções e verificar hipóteses simplificadoras.

»» Verificar validade da solução adotada.

Projetos aplicando o método de engenharia envolvem processo de transformação que


resulta na criação de produtos. Não envolvem apenas cálculos, desenhos e esquemas
executados pelo engenheiro, envolve, antes, a identificação das necessidades e
demandas e, depois, a fabricação, a disponibilização e o futuro descarte do produto
após o término de sua vida útil (e-Disciplina, 2016).

Algumas questões são relevantes em um projeto para atendimento a uma


determinada necessidade ou demanda, há várias alternativas de produtos, cada
um atendendo aos requisitos estabelecidos, de forma diferente, assim:

»» Qual alternativa escolher? Existe uma melhor?

»» Quais requisitos são fundamentais e qual a ordem de importância entre


eles?

»» Como quantificar requisitos não técnicos? Ex.:: impacto ambiental,


impacto social.

»» Como compatibilizar as graduações relativas aos diversos requisitos para


efeitos de comparação?

Aspectos importantes a serem considerados:

»» Para perceber o problema: identificar o problema é, basicamente,


preencher a frase:

›› <QUEM?> precisa <DO QUE?> pois <PROPÓSITO?>

22
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

»» Na pesquisa e levantamento de dados: uso de informações


consistentes, sólidas, de referências conhecidas, creditadas e
devidamente citadas.

»» Na documentação de todo o processo: para rastreamento


das atividades de cada etapa e estabelecimento de uma base de
conhecimento para uma evolução futura.

»» Comunicação: aplicação de linguagem técnica, universal, inteligível,


padronizada, acessível.

»» Esclarecer: qual é o problema? Quem tem o problema? Por qual razão


é importante resolvê-lo?

Na fase de levantamento de dados para um dado problema formulado, recomenda-se:

»» Estudar de forma mais aprofundada os conceitos envolvidos.

»» Aprender através de experiências prévias, de outras iniciativas e relatos,


evitar tentativa infrutíferas e erros.

»» Colecionar dados e parâmetros quantitativos e qualitativos para uso


futuro em análises.

»» Observar análises de resultados e conclusões de pesquisas e trabalhos


anteriores.

»» Obter informações, das mais diversas, através de:

›› Pesquisas bibliográficas em livros, periódicos, revistas, teses,


dissertações e monografias.

›› Pesquisas em bases de dados científicas (portais Capes, Scielo, teses


USP, IBICT/BDTD, IEEE, IET, Elsevier).

›› Busca na internet (Google, Science Direct, IEEEXplore, Scopus,


Springer, Citeseer).

›› Pesquisas ativas em campo, entrevistas pessoais, procura e contato


com especialistas.

›› Identificar o estado da arte e das tecnologias.

23
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

A Figura 4 a seguir resume o que tratamos até o momento no que se refere ao


Método de Engenharia para projetos.

Figura 4. Método de Engenharia para projetos.

Método de engenharia para projetos

Definir o problema

Pesquisar o estado da arte


referente ao problema

Especificar os requisitos

Brainstorn, avaliação e
escolha de solução Baseado nos
resultados e dados,
fazer o projeto, alterar
Desenvolver e prototipara protótipo, testar
solução novamente e rever os
novos dados

Testara solução

Solução atende os Solução atende


requisitos parcialmente os requisitos
ou nenhum deles

Comunicar resultados

Fonte: Adaptado de e-Disciplina (2016, p.13).

Entre os atributos de um engenheiro está a concepção e o projeto de sistemas, mas,


para isso, é fundamental um processo de capacitação desse profissional. Aliás, ao
longo do nosso texto, é a primeira vez que falamos de “projeto de sistemas”, mas o
que vem a ser “sistemas”?

Do latim systema, sistema é um conjunto ordenado de elementos que se encontram


interligados e que interagem entre si. Trata-se de um conjunto de conceitos, como
objetos reais dotados de organização (Conceito.de, 2011). Um sistema conceitual ou
ideal é um conjunto organizado de definições, símbolos e outros instrumentos do
pensamento (como a matemática, a notação musical e a lógica formal).

Um sistema real, no entanto, é uma entidade material formada por componentes


organizados que interagem de tal forma que as propriedades do conjunto não
podem ser deduzidas por completo das propriedades das partes (denominadas
propriedades emergentes – Conceito.de, 2011).

24
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

Como estamos iniciando os estudos de projetos de sistemas térmicos e, até aqui,


desenvolvemos os conceitos relacionados a projetos, surge a necessidade de
definirmos e entendermos, afinal, o que vem a ser “sistemas térmicos”?

Sistemas térmicos são conjuntos nos quais estão envolvidos o armazenamento


e o fluxo de calor por condução, convecção ou radiação. A rigor, sempre estão
envolvidas, simultaneamente, as três formas de transferência de calor. Entretanto,
na prática, tem-se, em geral, a preponderância de uma forma sobre as demais ou
então a preponderância de duas formas sobre a terceira, o que é mais comum.
Exemplos clássicos de sistemas térmicos são os sistemas de arrefecimento do motor
de um automóvel, o refrigerador doméstico, o sistema de condicionamento de ar de
um escritório etc. (IME-USP, s/d). A Figura 5 mostra um exemplo de um sistema
térmico complexo.

Figura 5. Sistema térmico – sistema clássico de gerador de potência.

Componente
Sistema

Fluxo

Turbina

Água
Fonte de
Potência
Aquecedor

Processo

Fonte: Copetti (2013).

A Figura 5 nos mostra os princípios de um projeto termo-hidráulico de sistemas


térmicos. Este projeto está associado aos princípios da termodinâmica,
transferência de calor e mecânica dos fluidos. Dentre os principais equipamentos,
podemos destacar: bombas, ventiladores, compressores, motores, turbinas,
trocadores de calor, reatores, tubulações etc.

25
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

O Sistema, em linhas gerais, engloba:

»» Geração: geração de potência (térmica, solar, nuclear).

»» Rejeição: remoção de calor, refrigeração, ar condicionado, bombas de


calor, resfriamento de componentes eletrônicos, torres de resfriamento.

»» Utilização: fabricação, motores de automóveis, aviões, transporte de


fluidos, indústrias de processo (alimentos, químicas etc.).

26
CAPÍTULO 3
Custos e análise de viabilidade em um
projeto: Noções gerais

Do ponto de vista da engenharia, um dos principais problemas em projetos de


sistemas térmicos é a determinação da taxa de transferência de calor para uma
diferença de temperatura especificada. Para estimar o custo, a viabilidade e o
tamanho do equipamento necessário para transferir uma determinada quantidade
de calor especifica em um determinado tempo é necessário efetuar uma análise
detalhada de transferência de calor.

As dimensões de caldeiras, aquecedores, refrigeradores e trocadores de calor


dependem não só da quantidade de calor a ser transmitida, mas também da
taxa na qual o calor é transferido sob determinadas condições. Por sua vez, por
exemplo, a operação bem-sucedida de componentes de equipamentos como
palhetas de turbinas ou paredes de câmara de combustão depende de como
ocorre o resfriamento de certas peças metálicas por meio da remoção contínua
de calor de uma superfície a uma taxa rápida.

Nos projetos de sistemas térmicos, como em outros ramos da engenharia, a


solução bem-sucedida de um problema impõe algumas premissas e idealizações.
É importante ter em mente as premissas, idealizações e aproximações feitas
no decorrer de uma análise quando os resultados finais forem interpretados.
Algumas vezes, informações insuficientes sobre as propriedades físicas dos
fluidos e corpos envolvidos no sistema exigem a utilização de aproximações de
engenharia para solucionar um problema. Por exemplo, no projeto de peças de
máquinas para operação em temperaturas elevadas, pode ser necessário estimar
o limite proporcional ou a resistência à fadiga dos materiais a partir de dados
em baixa temperatura. Para garantir a operação satisfatória de uma peça em
particular, o projetista deve aplicar um fator de segurança aos resultados obtidos
a partir da análise desses objetos. Em projetos de sistemas térmicos, propriedades
físicas como a condutividade térmica ou a viscosidade variam com a temperatura,
mas se forem selecionados valores médios adequados, os cálculos podem ser,
consideravelmente, simplificados sem a introdução de um erro apreciável nos
resultados.

Em mais um exemplo, quando o calor é transferido de um fluido para uma parede,


como em uma caldeira, forma-se uma incrustação com a operação contínua que

27
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

reduz a taxa de fluxo de calor. Para garantir a operação satisfatória durante um longo
período de tempo, um fator de segurança deve ser aplicado para levar em conta essa
contingência.

Quando é necessário fazer uma suposição ou aproximação na solução de


um problema de projeto, o engenheiro deve confiar na sua criatividade e
experiência anterior. Não existem guias simples para solucionar problemas
novos ou inexplorados, e uma suposição válida para um problema pode não o
ser para outro. A experiência tem demonstrado que o primeiro requisito para
fazer suposições ou aproximações de engenharia adequadas é a compreensão
física completa e perfeita do problema em questão. Em projetos de sistemas
térmicos, isso significa familiaridade não só com as leis e mecanismos físicos
de calor, como também da mecânica dos fluidos, da física e da matemática.

Falando mais especificamente sobre custos de projetos, a Norma NBR ISO 10006 faz
algumas considerações sobre esse tema que reproduzimos a seguir.

Processos relacionados ao custo

Estes processos visam prever e gerenciar os custos do Projeto, garantindo sua


conclusão dentro das limitações do orçamento. Tais processos são:

»» Estimativa de custos: desenvolver estimativas de custos para o Projeto.

»» Orçamento: utilizar os resultados da estimativa de custos para produzir


o orçamento do Projeto.

»» Controle de custo: controlar os custos e desvios sobre o orçamento do


Projeto.

Estimativa de custos

Convém que todos os custos do Projeto sejam claramente identificados


(atividades, bens e serviços) e estimados considerando as fontes pertinentes
de informação, bem como se relacionando à estrutura analítica do Projeto. É
necessário que a estimativa de custos a partir de experiências anteriores seja
verificada para garantir adequação às condições atuais do Projeto e que os
custos sejam documentados e rastreáveis até as respectivas fontes. É importante,

28
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

também, que seja dada atenção particular à alocação de custos suficientes para
as práticas de qualidade.

A estimativa de custos deve considerar o ambiente econômico (por exemplo:


inflação, tributação e taxas de câmbio).Quando a estimativa de custos envolver
incerteza significativa, convém que os riscos sejam avaliados e minimizados,
sendo incorporadas às estimativas as tolerâncias apropriadas para os riscos
restantes.

A estimativa de custos deve permitir o estabelecimento e o desenvolvimento dos


orçamentos de acordo com procedimentos contábeis aprovados, e também com as
necessidades do gerenciamento do Projeto.

Orçamentação

O orçamento deve ser baseado nas estimativas de custos e cronogramas, com um


procedimento definido para a sua aprovação.

Convém que o orçamento seja consistente com os requisitos do Projeto, sendo


quaisquer hipóteses, tolerâncias e contingências identificadas e documentadas.

Mais ainda, o orçamento deve incluir todos os custos autorizados e ter um formato
adequado ao controle de custos do Projeto.

Controle de custos

Antes de quaisquer gastos, recomenda-se que os procedimentos a serem seguidos


no sistema de controle de custos sejam estabelecidos, documentados e comunicados
aos responsáveis pela autorização do trabalho ou da despesa.

É interessante que no momento das análises críticas, a frequência de aquisição de


dados e as projeções sejam estabelecidas para assegurar um controle adequado sobre
as atividades do Projeto e das informações relacionadas.

Verificar se o trabalho restante para a conclusão pode ser realizado dentro do


orçamento ainda disponível é uma ação destacada.

Qualquer desvio constatado no orçamento deverá ser justificado e, se tal desvio for
um excedente a um limite previamente definido, deverá ser analisado e revisado.

29
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

As causas fundamentais de variações no orçamento, favoráveis ou desfavoráveis,


uma vez identificadas, deverão ser tomadas medidas para garantir que as variações
desfavoráveis não afetem os objetivos do Projeto. As causas de ambos os tipos
de variações, favoráveis ou desfavoráveis, devem ser utilizadas como base para a
melhoria contínua.

Recomenda-se que as tendências de custo do Projeto sejam analisadas utilizando-se


técnicas como análise de valor agregado, e que o plano para o trabalho restante seja
revisto para antecipar riscos e oportunidades.

Convém que as decisões sobre as ações a serem tomadas sejam feitas após as
considerações sobre as implicações nos outros processos e objetivos do Projeto,
sendo as alterações no custo do Projeto adequadamente autorizadas antes da
execução dos gastos.

As revisões sobre as projeções orçamentárias devem ser coordenadas com os


outros processos do Projeto durante desenvolvimento de um plano para o trabalho
restante. E é fundamental que a informação necessária para garantir a liberação
apropriada de fundos seja disponibilizada e fornecida como entrada do processo
de controle de recursos.

Finalmente, é desejável que a administração do Projeto realize análises críticas


regulares dos custos, em relação aos valores definidos no plano do Projeto,
considerando ainda quaisquer outras análises financeiras (por exemplo: revisões
externas pelas partes interessadas pertinentes).

Processos relacionados aos recursos

Estes processos visam planejar e controlar os recursos. Eles ajudam a identificar


quaisquer possíveis problemas com os recursos. Exemplos de recursos incluem
programas de computador, equipamento, utilidades, finanças, sistemas de
informação, materiais, pessoal, serviços e ambiente. Estes processos são os
seguintes:

»» Planejamento de recursos: identificar, estimar, programar e alocar os


recursos relevantes;

»» Controle de recursos: comparar a utilização real e planejada dos recursos,


tomando providências onde for necessário.

30
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

Planejamento de recursos

Os recursos necessários ao Projeto devem ser identificados, e os planos de alocação


de recursos devem demonstrar quais deles serão necessários para o Projeto e quando
serão solicitados, de acordo com o cronograma.

Os planos precisam indicar como e de onde os recursos serão obtidos, alocados e, se


aplicável, os métodos de disposição para recursos em excesso. Importa verificar se
estes planos serão adequados ao controle dos e que a validade das entradas para o
planejamento dos recursos seja verificada.

É recomendável que a estabilidade, capacidade e qualidade das organizações


fornecedoras sejam avaliadas durante a identificação dos recursos necessários ao
Projeto.

As limitações de recursos devem ser levadas em consideração. Exemplos de


limitações incluem disponibilidade, segurança, considerações ambientais
e culturais, acordos internacionais, acordos trabalhistas, regulamentações
governamentais, reservas de capital e o impacto do Projeto sobre o ambiente.

O planejamento de recursos deverá ser documentado, incluindo estimativas,


alocações e limitações, em conjunto com as hipóteses feitas.

Controle de recursos

Os momentos das análises críticas, a frequência de coleta dos dados e as projeções


devem ser estabelecidas para garantir controle adequado sobre o fornecimento dos
recursos e, também, para garantir que o restante seja suficiente para alcançar os
objetivos do Projeto.

Convém que as decisões sobre as ações a serem tomadas somente sejam feitas
após serem consideradas as implicações sobre outros processos e objetivos do
processo, sendo as alterações que afetam os objetivos do Projeto aceitas pelo
cliente e pelas partes pertinentes antes de serem implementadas. Finalizando, as
causas fundamentais da falta ou excesso de recursos precisam ser identificadas e
utilizadas para a melhoria contínua.

Análise de viabilidade.

Segundo o Dicionário Michaelisonline, viabilidade é a “qualidade de viável”. Segundo


a mesma fonte, a palavra viável significa: “(…) 2 Que pode ter bom resultado; exequível,

31
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

realizável. 3 Passível de bom êxito“. Assim sendo,podemos entender que análise de


viabilidade de algo nada mais é do que a análise de como algo (projeto, produto,
serviço, ideia, solução,etc.) pode ser exequível, pode alcançar bons resultados, pode
ter êxito.

De acordo com Oliveira (2015), partindo do conceito aqui exposto, pode-se analisar
a viabilidade de algo (especialmente projetos) sob diversas perspectivas. Existem,
dentre outros, os seguintes tipos de análises de viabilidade:

»» Econômico-financeira.

»» Técnica ou tecnológica.

»» Legal.

»» Operacional.

»» Ambiental.

»» Mercadológica (de marketing, ou de mercado).

»» Política.

»» Fiscal.

»» De localização.

»» Social.

»» Outros.

Vamos focar nossos estudos de viabilidade de projetos, centrado nos tópicos


econômico-financeiro; técnico ou tecnológico; operacional e ambiental.

Sendo assim, vamos ver uma breve descrição de cada uma dessas quatro (4) tipo de
análise de viabilidade, segundo Oliveira (2015).

Viabilidade econômico-financeira

A análise de viabilidade financeira tem como finalidade determinar se o projeto tem


condições de atender as expectativas e as demandas dos investidores, para que a
decisão de investir seja tomada ou não. Visa apoiar na escolha da melhor alternativa,
ou das melhores, e ainda demonstrar se é ou não viável investir.

32
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

A análise de viabilidade econômico-financeira compara alternativas de


investimento de forma a verificar se determinado projeto tem a capacidade de
gerar a recuperação do capital (retorno do investimento) e a sua remuneração
(retorno sobre o investimento).

Viabilidade Técnica ou Tecnológica

A análise da capacidade de determinado projeto ser exequível. É onde se verifica


se existem recursos técnicos e/ou tecnologia que possibilitam produzir as entregas
(produto, serviço ou ideia) atendendo às especificações.

Viabilidade Operacional

Muito próxima da técnica, como o próprio nome já diz, é uma a análise em que se
verifica a viabilidade operacional. Por exemplo, em determinada empresa, ou setor,
existem recursos (pessoas, energia elétrica, equipamentos, materiais, matéria prima,
insumos etc), em qualidade e quantidade suficiente, que permitam que determinado
projeto/serviço/ideia/ seja executado?

Viabilidade Ambiental

Muito exigida por bancos, fundos de investimento e órgãos públicos como pré-
requisito. A viabilidade ambiental geralmente é apresentada na forma de Estudo
de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Os agentes
financeiros e/ou órgão públicos exigem geralmente a Licença Prévia (LP) ou a
Licença de Instalação (LI) para só então analisarem o projeto e, para a liberação
dos recursos irão exigir a LO, que é a Licença de Operação.

Razões do porquê se fazer a análise de viabilidade

Ainda segundo Elismar (2015), embora possa parecer óbvio, muita gente não sabe o
principal objetivo de se fazer a análise de viabilidade. Muitos projetistas só fazem os
estudos de viabilidade para captar recursos juntos às fontes financiadoras. Mas no
fundo uma grande maioria não faria a análise de viabilidade se tivesse a disponibilidade
de recursos para os investimentos necessários. São várias as razões que justificam a
elaboração de análises de viabilidade, dentre elas podemos citar:

»» Captar recursos junto a fontes de financiamento (aqui são projetos


e/ou business plans para bancos, fundos, investidores).

»» Verificar/assegurar a viabilidade (elevando as chance de sucesso).

33
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

»» Definir o mercado (clientes, concorrentes, fornecedores).

»» Analisar riscos e alternativas.

»» Comparar alternativas de investimento e outros fatores.

»» Definir o tamanho/porte do projeto.

»» Definir localização.

»» Definir tecnologia.

»» Verificar operacionalização.

»» Assegurar a legalidade.

»» Reduzir/mitigar impactos ambientais.

Os itens em destaque, usualmente, competem aos engenheiros projetistas.


Geralmente a análise de viabilidade é utilizada para comparar alternativas de
investimentos. Estas são confrontadas dentro de cenários previamente definidos,
de forma a possibilitar a escolha da alternativa que possa melhor atender as
expectativas do empreendedor/investidor. Reduzindo risco, otimizando o uso de
recursos.

Algumas das Principais Técnicas

De acordo com Oliveira (2015), as técnicas usadas dependem de cada tipo de análise
de viabilidade. Apesar de existir um leque de opções de técnicas que podem ser
utilizadas, abaixo seguem algumas das mais utilizadas:

»» Análise de Investimentos (análise de fluxo de caixa: VPL, TIR, ROI,


Payback, MTIR).

»» Análises de elasticidade

»» Análise de Cenários

»» Testes de sensibilidade.

»» Simulações.

»» Técnicas de priorização.

34
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

»» Análise de Relação Custo-Volume-Lucro (break-even point, ou ponto de


equilíbrio).

»» Estatística Aplicada (estatística descritiva, regressão linear, regressão


múltipla).

»» Programação Linear.

»» Pesquisa Operacional.

»» Teoria das Restrições Reais (TOR).

»» Técnicas de pesquisa de mercado.

»» Entrevistas.

»» Brainstorming.

»» Outras.

Segundo Madureira (s/d), deve-se fazer uma análise de viabilidade técnica de


projetos, pois não é possível imaginar um projeto viável economicamente sem ser
tecnicamente viável. Apresenta-se a seguir um roteiro para a condução metódica da
Análise Técnica da Viabilidade.

1. Em um contexto organizado de condução de projetos, o estudo da


viabilidade é seguido da fase inicial de planejamento do projeto
onde objetivos técnicos, econômicos e financeiros terão sido
consensualmente estabelecidos pela empresa.

2. O estudo completo da viabilidade inicia-se pela explicitação das


funções a serem exercidas pelo produto (ou processo, serviço ou
sistema) e a correspondente nomeação dos subsistemas que as
exercerão.

3. A seguir, serão propostas soluções possíveis para cada uma dessas


funções, em sessões de “palpitagem” coletiva (“brainstorming” ou
“brainwriting”). É nessa etapa que as inovações poderão surgir, como
respostas diretas à liberdade de expressão e estímulo à criatividade
que a empresa proporcione aos seus colaboradores.

4. A organização das soluções propostas para cada função permitirá


a montagem em uma matriz de síntese, formando um conjunto de
possíveis soluções técnicas para o produto.

35
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

5. A análise técnica começará pela avaliação da capacidade de cada uma


das soluções possíveis em atender os requisitos técnicos funcionais e
operacionais estabelecidos no planejamento. Essa tarefa consiste em
verificar se cada solução proposta poderá atender requisitos como
desempenho, segurança, confiabilidade e todos os outros. Cada análise
produzirá conclusões positivas ou negativas, a serem completamente
documentadas. Essa função será mais simples em projetos evolutivos,
mas exigirá empenho, competência e poderosos recursos técnicos no
caso de soluções inovadoras. Os relatórios terão portes bem diferentes:
desde uma simples nota sobre pesquisa bibliográfica até extensos
conteúdos baseados nos resultados de testes e simulações. O produto
desse trabalho será um conjunto de soluções viáveis em termos de
atendimento aos requisitos técnicos. Nessa etapa, ocorrerá a pesquisa
de patentes e, muito importante, o envio ao INPI (Instituto Nacional
da Propriedade Industrial) dos pedidos de registro de patentes de
eventuais soluções inovadoras.

6. Mas a viabilidade técnica ainda não está assegurada. É preciso também


verificar a viabilidade de projeto, fabricação (e/ou implantação) e
fornecimento, na qualidade, prazo e volume necessários para o projeto.

7. A viabilidade de projeto verificará a capacidade técnica da empresa


de projetar, prototipar, testar e certificar a solução. A equipe técnica
da empresa pode ou não deter ou desenvolver a tecnologia; a
contratação de novos técnicos ou, ainda, a terceirização de parte do
projeto podem ou não ser possíveis pela existência de competência
externa disponível no prazo previsto para o desenvolvimento. Nessa
verificação, será imprescindível a participação ativa das áreas de
suprimentos e recursos humanos da empresa.

8. A viabilidade de fabricação e fornecimento será verificada pelas


áreas de processos e suprimentos da empresa sobre as soluções
sobreviventes à etapa anterior. Nesse momento do projeto, impõe-se
fortemente a chamada Engenharia Simultânea, pela qual as áreas de
projeto transferem à manufatura todas as informações necessárias
para a síntese de soluções de fabricação e suprimento. Nessa fase,
repetem-se de forma análoga às etapas 2, 3, 4 e 5 supracitadas,
incluindo a geração de inovações para os processos de fabricação.
A participação e o comprometimento de todas as áreas, em especial
a dos fornecedores mais importantes, é mandatória. As soluções

36
CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA │ UNIDADE I

sobreviventes são consideradas viáveis em termos de fabricação e


fornecimento.

9. O estudo da viabilidade técnica, aqui terminado, fornece as soluções


tecnicamente viáveis, as quais (e somente elas) passarão à análise de
viabilidade econômica e financeira do projeto.

10. Assim, fica claro que não há sentido algum em executar análises
econômica e financeira de soluções ainda não viáveis tecnicamente.

O ponto de partida de um projeto é uma necessidade de mercado ou uma nova ideia:


o ponto final é a especificação completa de um produto que atende a necessidade
ou encorpora a ideia. Antes de satisfazer uma necessidade, é preciso identificá-la. É
essencial definir a necessidade com exatidão na forma, por exemplo, “precisamos de
um dispositivo para executar a tarefa X” Entre a declaração e a especificação do produto
encontram-se os estágios mostrados na Figura 6: conceito, corporificação e projeto
detalhado (Ashby, 2012, p.14).

Figura 6. Fluxograma de projeto segundo Ashby (2012).

Necessidade de Mercado:
Requisitos de Projeto.

Determinar a estrutura da função.


Procurar princípios de CONCEITO
funcionamento.
Avaliar e selecionar conceitos

Desenvolver layout,escala e forma.


Modelar e analisar unidades. CORPORIFICAÇÃO
Avaliar e selecionar layouts.

Analisar componentes DETALHES


detalhadamente.
Otimizar desempenho e custo.
Escolha final de material e
processos

Especificação do
Interar
produto

Fonte: Ashby (2012, p.15).

O produto em si é denominado “sistema técnico”, que consiste em subunidades


e componentes reunidos de modo tal a executar a tarefa exigida na necessidade.
Esse modelo de “sistema técnico” funciona como se estivéssemos descrevendo um
gato (o sistema), dizendo que é composto de cabeça, corpo, rabo, quatro patas e

37
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS DE PROJETOS DE ENGENHARIA

assim por diante (as subdivisões) e, cada uma, formada por componentes: fêmures,
quadríceps, garras, pele etc. Essa subdivisão é uma forma útil de analisar um
projeto existente (analisar sua viabilidade, entre outras coisas). Mas, melhor do
que trabalhar com esse modelo, é aplicar uma subdivisão baseada nas ideias das
análises de sistemas que considera os insumos, fluxos e saídas de informações,
energia e materiais tal,conforme ilustrado na Figura 7.

Figura 7. Estrutura de função para análise de projeto.

Sistema técnico
Saídas
Insumos

Energia Função 2 Função 3 Energia


Material Material
Informações Informações

Função 1 Função 6

Função 4 Função 5

Subsistemas

Fonte: Ashby (2012, p.16).

Esse projeto converte os insumos nas saídas (ou resultados). Um motor elétrico, por
exemplo, converte energia elétrica em energia mecânica; uma prensa mecânica de
forjar, pega o material e lhe dá outra forma; um alarme contra roubo coleta informações
e as converte em ruídos. Nessa abordagem da Figura 7, o sistema é subdividido em
subsistemas conectados e cada qual desempenha uma função específica. O arranjo
resultante é denominado “estrutura de função” ou “subdivisão de função” do
sistema. Projetos alternativos ligam as funções unitárias (Função iésima) de modos
alternativos, combinam funções ou as subdividem. A estrutura de função dá um meio
sistemático de avaliar opções de projeto. (ASHBY, 2012, p.16).

Se as estimativas iniciais e a exploração de alternativas sugerirem que o conceito é


viável, o projeto passa para o estágio de corporificação: princípios de funcionamento
são selecionados, tamanho e layout são decididos e são feitas estimativas iniciais de
desempenho e custo. Se o resultado for bem sucedido, o projetista passa para o estágio
de projeto detalhado: otimização de desempenho, análise completa de componentes
críticos, preparação de desenhos de produção detalhados, especificações de tolerância,
precisão, montagem e métodos de acabamento.
38
PROJETOS EM UNIDADE II
SISTEMAS TÉRMICOS

CAPÍTULO 1
Variáveis de projeto

Relembrando um pouco a disciplina de Transferência de Calor, há três maneiras


pelas quais o calor pode fluir de uma substância para outra ou de um meio para
outro: condução, convecção e radiação. Na transferência de calor por condução ou
convecção, o fluxo de calor q, em kcal/s, é dado por:

q = K.(T2 – T1) = K.ΔT

Onde:

»» ΔT = gradiente de temperatura (graus Kelvin) entre dois meios [K]

»» K = coeficiente de condutividade térmica [kcal/s.K]

No processo de condução de calor:

K = k.A/Δx

No processo de convecção de calor:

K = h.A

Onde:

»» k = condutividade térmica [kcal/s.m.K]

»» A = área normal ao fluxo de calor [m2]

»» h = coeficiente de transferência de calor por convecção [kcal/m2.s.K]

»» Δx = espessura do condutor [m]

39
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Na transferência de calor por radiação temos:

q = kr.(T14 – T24)

Onde:

»» q = fluxo de calor [kcal/s]

»» kr = coeficiente de proporcionalidade [kcal/s.K4] – este fator depende da


emissividade, tamanho e configuração da superfície.

»» T1 = Temperatura do emissor [K]

»» T2 = Temperatura do receptor [K]

Para fins de simplificação, neste estudo iremos considerar apenas as transferências de


calor por condução e convecção, desprezando os efeitos da radiação.

Variáveis térmicas a serem consideradas, inicialmente, em um projeto de sistemas


térmicos:

a. Temperatura (T): em Kelvin [K]. Lembrando que T[oC] = T[K] – 273,15.

b. Fluxo de calor (q): em Watts [W]. Lembrando que 1 W = 1 J/s = 0,238


cal/s.

As temperaturas em vários pontos de um corpo variam com a localização, o que


significa que o sistema térmico é, inerentemente, um sistema com parâmetros
distribuídos. Em consequência, os modelos matemáticos são constituídos por
equações diferenciais parciais, pois as propriedades são distribuídas e não
concentradas. Na modelagem e na análise, entretanto, para simplificar o problema,
é conveniente admitir que um sistema térmico podeser representado por um
modelode parâmetros concentrados, no qual as substâncias que são caracterizadas
pela resistência ao fluxo de calor têm capacitância térmica desprezível e que as
substâncias que são representadas pela capacitância térmica têm resistência
desprezível ao fluxo de calor. Isso nos conduzirá a modelos regidos por equações
diferenciais ordinárias (IME-USP, s/d)

Um parâmetro importante, adimensional, em sistemas térmicos é o Número Biot


(Bi), que serve de critério para definir se um sistema térmico pode ser admitido como
de parâmetros concentrados. Ele é definido como:

Bi = h.Lc / k

40
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Onde h e k já foram definidos anteriormente e Lc é um comprimento característico


de um sólido, tal que:

Lc = V / As

Onde:

»» V = volume do sólido [m3]

»» As = área da superfície de contato entre sólido e fluido (no caso de


transferência de calorpor convecção), dada em [m2]

Importante: Lc depende da geometria do sólido. Vejamos alguns exemplos:

»» Para esfera de raios r:

›› Lc = (4/3)π.r3 / 4.π.r2 = r/3

»» Para cilindros maciços de comprimento L e raio r:

›› Lc = π.r2.L / (2πrL + 2πr2) = r.L / 2(r + L)

»» Para cubos de aresta L:

›› Lc = L3 / 6L2 = L/6

Um critério aceitável para que a temperatura no interior de um sólido não varie com
alocalização é que:

Bi = (h.Lc / k) < 0,10

Variáveis incrementais

Para a maioria dos sistemas térmicos existe uma condição de equilíbrio que define
o ponto de operação do sistema. Assim, podemos definir uma temperatura
incremental – θ(t) e um fluxo de calor incremental – Q(t) como:

θ(t) = T(t) – T

Q(t) = q(t) – q

Onde: T e q são os valores das variáveis temperatura e calor no ponto de operação.

41
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Capacitância Térmica (CT)

Existe uma relação entre a temperatura de um corpo físico e o calor nele armazenado.
Não havendo mudança de fase e desde que a faixa de temperaturas não seja excessiva,
tal relação pode ser considerada linear. Assim, sendo qi(t) o fluxo de calor que entra em
um corpo e qo(t) o fluxo de calor que sai do mesmo corpo, o calor líquido (no sentido
contábil) armazenado no corpo entre dois instantes de tempo t0 e t é dado por:

Vamos assumir que o calor armazenado durante esse intervalo de tempo é igual a uma
certa constante C multiplicada pela variação de temperatura, ou seja:

onde T(to) é a temperatura do corpo no instante de referência to. Podemos rescrever a


equação acima como:

Onde:

»» C = Capacitância Térmica do corpo dada em [J/K].

»» λ = “variável muda” de integração.

Para um corpo de massa M e calor específico c, a capacitância térmica é dada por:

CT = M.c

Onde:

»» M em [kg].

»» c em [J/kg.K].

Diferenciando a equação de T(t), obtemos:

dT(t)/dt = (1/C).[qi(t) – qo(t)]

Resistência Térmica (RT)

No caso de transferência de calor por condução, a Lei de Fourier estabelece que o fluxo
de calor q(t) entre dois corpos com temperatura T1(t) > T2(t), separados por um meio
condutor, é dado por:

42
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

q(t) = K.A.[T1(t) – T2(t)] / e (*)

Onde:

»» K = condutividade térmica do material condutor [J/m.s.K] ou [W/m.K].

»» A= área normal ao fluxo de calor [m2].

»» e = espessura do condutor [m].

A mesma equação (*) pode ser assim reescrita:

q(t) = (1/R)[T1(t) – T2(t)] (**)

Lembrando que:

RT = resistência térmica do meio condutor, e depende do material e das dimensões do


meio condutor. Assim:

RT = e / A.K

Logo: [RT] = [1/m.K]

Aequação (**) só pode ser aplicada quando não há armazenamento de energia


térmica no meio condutor. Caso isso aconteça, deve se incluir a capacitância
térmica do meio condutor no modelo matemático.

Devemos também lembrar que o conceito de Resistência Térmica pode ser


interpretado de maneira análoga ao conceito de Resistência Elétrica. Vejamos:
considere dois meios com temperaturas T1(t) > T2(t) separados por dois corpos
(duas resistências térmicas) conforme ilustra a Figura 8:

Figura 8. Transferência de calor entre dois meios, separados por dois corpos.

Fonte: autor.

43
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Os corpos (1) e (2), de materiais diferentes, possuem resistência térmica R1 e R2,


respectivamente. O fluxo de calor q(t) que flui através deles é dado por:

Igualando as duas expressões de TB:

T1 - q.R1 = q.R2 + T2

T1 – T2 = q.(R1 + R2)

Assim:

q = (T1 – T2)/(R1 + R2)

Sendo que (R1 + R2) = Req = Resistência Térmica Equivalente

Assim, na Figura 8 temos um modelo de resistências térmicas em série, sendo que


Req pode ser calculado pela expressão geral:

Req = ∑Ri

Onde i varia de 1 a n.

A fonte térmica ideal adiciona ou retira energia térmica do sistema. No primeiro caso,
o fluxo de calor qi(t) é positivo e, no segundo caso, qi(t) é negativo. A fonte térmica
ideal é representada pela Figura 9.

Figura 9. Modelo de fonte térmica ideal.

Fonte:Adaptada de IME-USP (s/d).

Vamos ver como podemos modelar, para fins de projeto, alguns exemplos de sistemas
térmicos. Vamos começar por um pequeno forno elétrico.

A Figura 10 mostra uma capacitância térmica C isolada do ambiente por uma


resistência térmica equivalente R. A temperatura interna é θ, considerada
uniforme, enquanto que a temperatura ambiente é θ a, também uniforme. Calor

44
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

é adicionado ao interior do sistema com um fluxo qi(t). No ponto de operação,


os valores de qi(t) e θ(t) são qi e θ, respectivamente. Queremos desenvolver
um modelo matemático para o sistema em termos das variáveis incrementais.
Vejamos o sistema térmico na Figura 10:

Figura 10. Sistema térmico – forno elétrico – a ser modelado.

Fonte:IME-USP (s/d).

Podemos escrever a seguinte relação aqui já estudada:

qo(t) = (1/R).[θ(t) – θa)]

Substituindo essa expressão na relação dθ(t)/dt = (1/C).[qi(t) – qo(t)] temos:

dθ(t)/dt = (1/C).{qi(t) – (1/R). [θ(t) – θa]}

C. dθ(t)/dt = qi(t) – (1/R). [θ(t) – θa]

C. dθ(t)/dt = {R.qi(t) – [θ(t) – θa]} / R

R.C. dθ(t)/dt = R.qi(t) – [θ(t) – θa]

R.C. dθ(t)/dt + θ(t) = R.qi(t) + θa

Vejamos um segundo exemplo:

A Figura 11 mostra um vaso indeformável de volume V, no qual um líquido de


massa específica ρ e calor específico c escoa através dele. Um “mixer” assegura
que a temperatura do líquido permaneça uniforme em todo o reservatório
e igual a θ(t). O líquido entra no reservatório com uma vazão volumétrica
constante w à temperatura θi(t). Ele sai do reservatório com a mesma vazão
volumétrica à temperatura θ o(t), considerada igual à temperatura do líquido

45
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

θ(t), devido à mistura perfeita feita pelo “mixer”. A resistência térmica do vaso
é R e a temperatura ambiente é constante e igual a θ a.

Figura 11. Sistema térmico de um vaso indeformável com escoamento de fluido.

Mixer

Fonte: IME-USP (s/d).

Vamos analisar as variáveis envolvidas:

»» Líquido: massa específica (ρ), calor específico (c), e temperatura uniforme


θ(t).

»» Na entrada do vaso: vazão (w) e temperatura θi(t).

»» Na saída do vaso: vazão (w) e temperatura θo(t) = θ(t)

»» Resistência térmica do vaso (R).

»» Temperatura ambiente constante (θa).

»» Calor emitido pela fonte: qh(t)

O calor que entra no vaso pode ser assim equacionado:

qi(t) = qh(t) + w.ρ.c.θi(t) (i)

Por sua vez, o calor que sai do vaso é dado pela relação:

qo(t) = (1/R).[θ(t) – θa] + w.ρ.c.θ(t) (ii)

A capacitância térmica (C) do vaso é dada por:

C = M.c = ρ.V.c (iii)

Substituindo as relações (i), (ii) e (iii) na equação dθ(t)/dt = (1/C).[qi(t) – qo(t)]

46
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Teremos:

dθ(t)/dt = (1/ρ.c.V).{[qh(t) + w.ρ.c.θi(t)] – [(1/R).[θ(t) – θa] + w.ρ.c.θ(t)]}

Rearranjando a equação acima, teremos:

dθ(t)/dt +[(w/V) + 1/(R.C)].θ(t) = (w/V).θi(t) + (1/C).qh(t) + 1/(R.C).θa

A constante de tempo é dada por:

= 1 / [(w/V) + 1/(R.C)]

E o equacionamento final fica assim:

dθ(t)/dt + (1/ ).θ(t) = (w/V).θi(t) + (1/C).qh(t) + 1/(R.C).θa

Ciclos de Vapor Comprimido

Os refrigeradores e bombas de calor mais amplamente utilizados são os que usam


vapor liquefeito como refrigerante. Os processos de condução e evaporação ocorrem
quando o fluido está recebendo e rejeitando entalpia (h) específica de vaporização e
estes estão em um estado de temperatura e pressão constantes. Este ciclo é daqueles
em que os dois processos (condução e evaporação) correspondem aos dos ciclos de
Carnot reversíveis para vapores, e isso permite que o intervalo de temperaturas para
um dado serviço permaneça baixa.

A resistência à transferência de calor durante a mudança de estado líquido para


vapor, ou de vapor para líquido é menor do que aquela para o refrigerante nos
estados líquido ou gasoso.

As propriedades dos vários refrigerantes devem ser consideradas quando uma


seleção for feita para um projeto em particular. Uma alta entalpia específica de
vaporização na temperatura do evaporador significa uma taxa de fluxo de massa
menor para um dado efeito de refrigeração.

Considerações práticas conduzem a diversas modificações no ciclo térmico ideal


quando se usa o vapor como fluido operante. Isso é o que veremos na sequência.

O uso de válvula de estrangulamento

O escoamento de um fluido é dito estar “estrangulado” quando existe uma


restrição ao fluxo, quando as velocidades antes e após a restrição são iguais ou

47
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

são desprezíveis (por serem muito pequenas) e quando há uma perda de calor
desprezível para a vizinhança.

A restrição ao fluxo pode ser uma válvula parcialmente aberta, um orifício ou


qualquer redução súbita através da seção transversal do escoamento.

Um exemplo de estrangulamento é mostrado na Figura 12. O fluido escoa ao longo


de uma tubulação e passa por um orifício na seção X-X. Assumindo que o tubo é bem
isolado, podemos admitir que não há fluxo de calor para ou a partir do fluido.

Figura 12. Fluido escoando em tubulação com estrangulamento.

Isolante

Isolante

Fonte: Adaptado de EASTOP e McCONKEY (1993, p.76).

A equação de escoamento que pode ser aplicada entre qualquer duas seções do
comprimento do tubo é tal que, assumindo que Q = 0 e W = 0, então:

h1 + v12/2 = h2 + v22/2

Quando as velocidades v1 e v2 são pequenas, ou quando v1 é, aproximadamente, igual a


v2, então a variação da energia cinética pode ser desprezada. Daí:

h1 + v12/2 = h2 + v22/2 h1 = h2 + v22/2 - v12/2 = h2 + ½(v22 –v12)

Como ½(v22 –v12) = 0, temos que:

h1 = h2

Portanto, para o processo de estrangulamento, a entalpia inicial é igual a entalpia


final. O processo é adiabático e altamente irreversível por causa do afunilamento
do fluido ao redor do orifício (estrangulamento) em X-X. Entre a seção 1-1 e X-X
a entalpia diminui e a energia cinética aumenta com o fluido acelerando através

48
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

do orifício. Entre a seção X-X e 2-2, a entalpia aumenta com a energia cinética do
fluido diminuindo.

Para um gás perfeito:

cp.T1 = cp.T2 T2 = T1

Sabendo que h = cp.T

Assim, no estrangulamento do fluxo de um gás perfeito, as temperaturas inicial e final


são iguais.

49
CAPÍTULO 2
Dimensionamento e memorial de
cálculo

É importante esclarecer aqui que o dimensionamento de um sistema térmico


depende, é óbvio, de qual sistema térmico se trata, visto que há variados tipos. Sendo
assim, nos nossos estudos focaremos o dimensionamento e seu correspondente
memorial de cálculo em alguns exemplos de sistemas térmicos, que nos darão
a medida exata da complexidade e das variáveis que deveremos selecionar ao
realizar tais procedimentos em projetos.

Vamos, portanto, dar início a esse dimensionamento estudando um sistema


de condensação – evaporação, pois o mesmo envolve uma série de variáveis
termodinâmicas que precisam ser levadas em conta em um projeto de um sistema
desse porte.

Quando um vapor saturado entra em contato com uma superfície a uma


temperatura mais baixa, ocorre o fenômeno da condensação. Sob condições
normais, um escoamento contínuo de líquido é formado sobre a superfície e o
condensado escoa na direção descendente sob influência da gravidade. Em geral,
o calor é transferido da interface vapor-líquido para a superfície pelo processo
de condução. Forma-se sobre a superfície um filme líquido (vapor condensado)
e a taxa de fluxo de calor através da superfície depende da espessura desse filme.

Quando estamos avaliando o fenômeno da condesação na superfície de uma placa


de altura L, podemos obter o coeficiente médio de transferência de calor hc, tal que:

hc = 0,943.{[ρl.(ρl – ρv).g.h’fg.K3] / [μl.L.(Tsv – Ts)]}1/4 (I)

Onde:

»» hc = coeficiente médio de transferência de calor dos vapores em


condensação [J/kg].

»» ρl = densidade do líquido (kg/m3)

»» ρv = densidade do vapor (kg/m3)

»» g = aceleração da gravidade (m/s2)

»» K = condutividade térmica do líquido (W/m.oC)

50
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

»» μl = viscosidade do líquido (N.s/m2)

»» L = altura da placa (m)

»» Tsv = temperatura do vapor saturado (oC)

»» Ts = temperatura da superfície da placa (oC)

»» hfg = calor latente de condensação ou vaporização (J/kg)

»» h´fg = hfg + 3/8.[cpl.(Tsv – Ts)]

»» cpl = calor específico do líquido (J/kg.oC)

No entanto, a mesma análise pode ser realizada para a condensação em superfícies


internas e externas de tubos e em esferas. Assim, a expressão anterior sofre uma
pequena alteração, passando a ter a seguinte formulação:

hc = c.{[ρl.(ρl – ρv).g.h’fg.K3] / [μl.D.(Tsv – Ts)]}1/4 (II)

Onde:

»» c = constante, tal que:

›› c = 0,815 para esferas;

›› c = 0,725 para tubos.

»» D = diâmetro da esfera ou diâmetro externo do tubo (m).

No projeto de um condensador o cálculo dos coeficientes de transferência de


calor dos vapores em condensação, seja pela equação (I), seja pela equação
(II), pressupõe o conhecimento da temperatura da superfície de condensação
(temperatura da superfície da placa, da esfera ou das paredes do tubo). Nos
problemas práticos, essa temperatura em geral não é conhecida, pois seu
valor depende da ordem de magnitude relativas das resistências térmicas do
sistema inteiro. O tipo de problema encontrado na prática, seja ele um cálculo
de desempenho para um componente de equipamento existente ou um projeto
de equipamento para um processo específico, exige cálculo simultâneo das
resistências térmicas nas superfícies interna e externa de um tubo ou da parede
de um duto.

Na maior parte dos casos, a configuração geométrica é especificada, como no


caso de um componente de um equipamento já existente, ou presumida, como no

51
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

projeto de um novo equipamento. Quando a taxa de condensação é especificada,


o procedimento normal é calcular a área superficial total necessária e, a seguir,
selecionar um arranjo adequado para uma combinação de tamanho e número de
tubos que atenda a especificação de área preliminar.

A taxa de escoamento do refrigerante normalmente é determinada pela queda de


pressão ou do aumento de temperatura permitidos. Uma vez conhecida a taxa de
escoamento, as resistências térmicas do refrigerante e da parede do tubo podem ser
calculadas.

Entretanto, o coeficiente de transferência de calor do fluido de condensação


depende da temperatura da superfície de condensação, que pode ser calculada
somente após se conhecer o coeficiente de transferência de calor. Por tentativa
e erro, pressupomos uma temperatura superficial ou, se for mais conveniente,
estimamos o coeficiente de transferência de calor no lado de condensação
e calculamos a temperatura superficial correspondente. Com essa primeira
aproximação da temperatura superficial, o coeficente de transferência de calor
é recalculado e comparado com o valor assumido. Uma segunda aproximação
normalmente é suficiente para obter a precisão satisfatória. (Kreith &Bohn,
2013, pp. 598-599).

A Figura 13 a seguir mostra um esquema de um tubo de calor e os mecanismos de


escoamento de fluido muito comum em sistemas térmicos de transferência de calor
(energia).

Figura 13. Tubo de calor e escoamentos associados.

Remoção de calor
Adição de calor no no condensador
evaporador Isolante

qm qsaída

Legenda da Figura 13: (1) Recipiente; (2) Escoamento de líquido; (3) Pavio; (4) Escoamento de vapor.

Fonte: Adaptado de Kreith e Bohn (2013, p.600).

52
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

O tubo de calor é um dispositivo que pode transferir grandes quantidades de


calor por meio de pequenas áreas superficiais, com pequenas diferenças de
temperatura. O método de operação de um tubo de calor está ilustrado na
Figura 13. O dispositivo consiste de um tubo circular com uma camada anular
de material poroso que atua como um pavio (3) recobrindo a parte interna. O
núcleo do sistema é a cavidade central que permite a livre passagem do fluido
de trabalho a partir da extremidade de adição de calor à esquerda, para a
extremidade de remoção de calor à direita. A primeira equivale a um evaporador
e a segunda a uma condensador.

O condensador e o evaporador estão conectados por meio de uma seção isolada


de comprimento L. O líquido permeia o pavio por meio de uma ação capilar
e, quando o calor é adicionado à extremidade do evaporador do tubo de calor,
o líquido é vaporizado no pavio e se move por meio do núcleo central para a
extremidade do condensador, onde o calor é removido. Na sequência, o vapor
condensa novamente para dentro do pavio e o ciclo se repete.

O Quadro 2 a seguir nos orienta na seleção de material do recipiente em função do


fluido de trabalho e das temperaturas de operação.

Quadro 2. Características de tubos (recipiente) de calor.

Material do Recipiente Fluido de Trabalho Faixa de Temperatura de Operação (K)


Cobre, Níquel e Aço Inoxidável Metanol 230 – 400
Cobre e Níquel Água 280 – 500
Aço Inoxidável Mercúrio 360 – 850
Níquel e Aço Inoxidável Potássio 673 – 1073
Níquel e Aço Inoxidável Sódio 773 – 1173

Fonte: Adaptado de Kreith e Bohn (2013, p.600).

Para que um tubo de calor funcione, o desnível máximo de bombeamento capilar


(ΔPc)max deve ser capaz de superar a queda total de pressão no tubo de calor, que
consiste de:

»» A queda de pressão necessária para o retorno do líquido do condensador


para o evaporador: ΔPe

»» A queda de pressão necessária para movimentar o vapor do evaporador


para o condensador: ΔPv

»» O desnível de potencial em função da diferença na elevação entre o


evaporador e o condensador: ΔPg

53
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

A condição para o equilíbrio das pressões pode, portanto, ser expressa na forma:

(ΔPc)max ≥ ΔPe + ΔPv + ΔPg

Se essa condição não for satisfeita, o pavio secará na região do evaporador e o tubo de
calor deixará de funcionar.

A queda de pressão do líquido por meio de uma camada porosa homogênea pode ser
calculada a partir da expressão:

ΔPe = (μl.Lef. ) / (ρl.Kw.Aw)

Onde:

»» μl = viscosidade do líquido.

»» ṁ = taxa de escoamento de massa.

»» ρl = densidade do líquido.

»» Kw = permeabilidade do pavio ou fator de pavio.

»» Aw = área da seção transversal do pavio.

»» Lef = comprimento efetivo entre o evaporador e o condensador, podendo


ser assim calculado: Lef = L + (Le + Lc)/2.

Onde:

»» Le = comprimento do evaporador.

»» Lc = comprimento do condensador.

Uma correlação bastante utilizada entre a transferência de calor máxima atingível


por um tubo de calor e suas dimensões e parâmetros operacionais dominantes é a
seguinte:

qmax = (Aw.hfg.g.ρl2.lw.Kw) /(μl.Lef)

Onde:

»» Aw = área da seção transversal do pavio.

»» hfg = calor de vaporização do líquido.

»» g = aceleração da gravidade.

54
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

»» ρl = densidade do líquido.

»» lw = altura do fluido no pavio.

»» Kw = permeabilidade do pavio.

»» μl = viscosidade do líquido.

Para obter um tratamento mais completo da teoria e da prática dos tubos de


calor, recomenda-se aprofundar seus estudos consultando o Capítulo 10 da
referência Kreith, F.; Bohn,M.S. Princípios de Transferência de Calor. Cengage
Learning, 2013, pp. 559-614.

Refrigeradores e Bombas de Calor


A finalidade de um refrigerador é transferir calor a partir de uma câmara fria
que está a uma temperatura inferior à das suas vizinhanças. Um gradiente
de temperatura é estabelecido das vizinhanças para a câmara e o calor flui
naturalmente nesta direção.

A refrigeração consiste em um processo cíclico, com uma mesma quantidade de


fluido operando, chamado “refrigerante”, em circulação contínua.

Se o refrigerante recebe energia na câmara fria a uma temperatura inferior a das


vizinhanças, então essa energia pode ser rejeitada antes do refrigerante poder
retornar para a mesma câmara fria no seu estado inicial. Essa energia rejeitada deve
ser conduzida para uma temperatura acima daquela das vizinhanças. A energia na
rejeição é de melhor qualidade (por causa das temperaturas maiores) que aquela
recebida na câmara fria. Essa energia pode ser usada para fins de aquecimento e
refrigeração e, quando projetadas inteiramente para essas finalidades constituem
as chamadas “bombas de calor”.

O termo “bomba de calor” é adequado, pois o sistema atua transferindo energia


em direção contrária ao gradiente de temperatura, indo de uma menor para uma
maior temperatura; é análogo à bomba d´água que envia energia de um nível
menor para um nível maior, ou seja, contra o gradiente de força gravitacional.
Ambos requerem um “input” de energia.

Não há diferença na forma de operação de um refrigerador e de uma bomba de


calor (também conhecida como bomba térmica). Em relação ao refrigerador, a
quantidade de energia removida da câmara fria é chamada de “efeito refrigerante”
e, com a bomba de calor a energia será rejeitada pelo refrigerante para fins de

55
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

aquecimento. A máquina pode ser usada para ambas finalidades e uma unidade
doméstica provê resfriamento e aquecimento de água.

A escolha do refrigerador depende da finalidade a que ele se destina, visto que


há certos requisitos a serem atendidos para sua aplicação específica. Várias
substâncias são utilizadas como refrigerantes e muitas são utilizadas no estado
líquido ou vapor. A escolha do refrigerante adequado depende não somente
de fatores termodinâmicos e de transferência de calor, além de propriedades
químicas, como também da toxidade e da inflamabilidade do refrigerante.
Vazamentos podem ocorrer durante a operação de serviço e as pessoas que estão
envolvidas com a fabricação e/ou manipulação do refrigerante podem estar
sujeitas a gases tóxicos (venenosos) e perigosamente inflamáveis.

Há um grupo de refrigerantes – chamados CFCs – que, embora não sejam


inflamáveis e nem tóxicos, são particularmente responsáveis pela diminuição da
camada de ozônio da atmosfera terrestre, levando a um aumento na incidência de
radiação ultravioleta que atinge a superfície da Terra.

Ciclos Motores reversíveis de Calor

De acordo com a primeira Lei da Termodinâmica, “quando um sistema realiza


um ciclo termodinâmico, o calor total fornecido para o sistema a partir de suas
vizinhanças somado ao trabalho fornecido ao sistema pelas mesmas vizinhanças,
é igual a zero”.

A Figura 14 mostra um ciclo reversível.

Figura 14. Ciclo reversível.

Máquina de Calor
Reversível

Fonte: Adaptada de Eastop e Mcconkey(1993, p.486).

56
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

A máquina de calor reversível transfere uma quantidade de calor Q1 a partir de


uma fonte fria na temperatura T1. Tal máquina atende todos os requisitos de um
refrigerador e, aplicando a 1a Lei da Termodinâmica ao sistema da Figura 14 temos:

Q1 + Q2 + W = 0 W + Q1 = - Q 2

Para o refrigerador, a quantidade de calor Q1 que interessa é a fornecida para o


sistema, e para a bomba de calor o que interessa é o calor (-Q2) rejeitado pelo sistema.

A potência de entrada (W) é importante porque é a quantidade que tem que ser
despendida e constitui o item principal de operação do sistema.

As performances do refrigerador (COPR) e da bomba de calor (COPBC) são definidas por


meio do coeficiente de performance (COP), dado por:

»» Para o refrigerador: COPR = Q1 / W

»» Para a bomba de calor: COPBC = (-Q2) / W

Observação: COP é, algumas vezes, chamado de “razão de performance”.

O melhor índice COP será obtido por um ciclo, que é um Ciclo de Carnot, operando
entre uma dada condição de temperatura. Tal ciclo usa vapor puro como substância de
trabalho e podemos ver esse ciclo na Figura 15.

Figura 15. Ciclo reversível de Carnot operando com vapor.

Condensador

Motor Compressor

Evaporador

Fonte: Adaptada de Eastop e Mcconkey(1993, p.487).

As variações nas propriedades termodinâmicas do refrigerante ao longo do ciclo


estão indicadas no diagrama T x S (Figura 15 b). As etapas desse ciclo são as
seguintes:
57
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

»» (1 2): o vapor no estado (1) entra no compressor e é comprimido


isoentropicamente (S1 = S2) para o estado (2); o trabalho nesse processo
é representado por W1,2.

»» (2 3): o vapor entra no condensador no estado (2) e são condensadas


a pressão e temperaturas (T2 = T3) constantes para o estado (3), quando
está complemente líquido. O calor rejeitado pelo refrigerante é (- Q2).

»» (3 4): o líquido expande isoentropicamente (S3 = S4) no pistão do


motor, realizando um trabalho (- W3,4).

»» (4 1): nas pressões e temperaturas baixas do estado (4) o refrigerante


entra no evaporador, onde o calor necessário para a evaporação do líquido
é Q1 (fornecido pela fonte fria).

Sendo assim, o trabalho total de entrada para o sistema é dado por:

∑W = W1,2 + W3,4

O calor total fornecido para o sistema é:

∑Q = Q2 +Q1

E vale também: ∑Q + ∑W = 0

Logo:

W1,2 + W3,4 = -Q2 – Q1 = - (Q2 + Q1)

E assim:

COPR = Q1/∑W = Q1 / -(Q2+ Q1)

COPBC = -Q2/∑W = - Q2 / - (Q2 + Q1) = Q2 / (Q2 + Q1)

Podemos obter COP para o refrigerador e para a bomba de calor a partir das
temperaturas do ciclo, ou seja:

COPR = T1/(T2 – T1)

COPBC = T2/(T2 – T1)

Vamos exemplificar:

58
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Um refrigerador trabalha nas seguintes temperaturas: - 30 oC no evaporador


e 32 oC no condensador. Queremos, para fins de projeto, calcular qual o COP
máximo (COP mx) possível para esse refrigerador.

Além disso, se esse refrigerador irá operar a 75% do COPmx, qual seria a potência
necessária de entrada para uma refrigeração efetiva de 5 kW?

Solução:

Primeiramente, vamos calcular as temperaturas do evaporador e do condensador


em K (Kelvin):

Tevaporador = T1 = - 30 + 273 = 243 K

Tcondensador = T2 = 32 + 273 = 305 K

Assim:

COPR = T1/(T2 – T1) = 243 / (305 – 243) = 3,92

Mas o refrigerador opera a 75% do COPmx, logo:

COPR = 0,75 x 3,92 = 2,94

Como:

COPR = Q1 / ∑W ∑W = Q1 / COPR = 5 / 2,94 = 1,75 kW = potência de entrada


necessária.

Da Figura14, podemos escrever que:

- Q2 = Q 1 + W

Dividindo ambos os termos por W temos:

(-Q2)/W = Q1/W + 1

COPBC = COPR + 1 (*)

A relação (*) indica que o efeito de aquecimento da bomba de calor (BC) é maior do
que o trabalho de entrada (fornecido ao sistema),sugerindo sua caracterização como
aquecedor. Como o efeito de aquecimento pode ser obtido de várias maneiras, uma

59
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

análise econômica cuidadosa é necessária antes de decidir se uma bomba de calor é


financeiramente viável.

Deve se observar que a bomba de calor usada para aquecimento é muito menos
efetiva quando usa atmosfera como sua fonte de calor de baixa temperatura. Isto
está ilustrado na Figura 16.

Figura 16. Ponto de equilíbrio em bomba de calor.

T
A
X Ponto de
A Equilíbrio
Aquecimento da
de bomba de calor

E
N
E
R
G
I
A
Perda de calor
T
É
R
M
I Temperatura
C Ambiente
A

Fonte: Adaptado de Eastope e Mcconkey(1993, p.489).

A performance (desempenho) de uma bomba de calor varia com a temperatura da


fonte que fornece calor, como mostra a Figura 16; a perda de calor varia linearmente
com a temperatura ambiente. Existe um único ponto, chamado de “ponto de
equilíbrio” (ou “ponto de balanço”), no qual a bomba de calor irá satisfazer (atender)
a demanda. Nas temperaturas ambiente acima do ponto de equilíbrio (Tamb> θ), a
bomba fornece muito mais calor, e nas temperaturas abaixo do ponto de equilíbrio
(Tamb< θ) uma fonte de aquecimento suplementar será necessária para manter a
temperatura interna requerida.

Uma bomba de calor usada para aquecimento será muito mais efetiva se a
temperatura da fonte de menor temperatura for constante ou, aproximadamente
constante ao longo da estação de aquecimento; este é o caso de lençóis freáticos,
rios, lagos ou mar, que podem ser usados como fonte.

Bombas de calor estão sendo usadas em um número crescente para recuperação


de energia e também em locais que tanto aquecimento, como refrigeração são
requisitados (um supermercado, por exemplo).

60
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Das equações de COPR e COPBC como função de T1 e T2, nota-se a diminuição desses
coeficientes de desempenho com a elevação do gradiente de temperatura (T2 – T1).
Em um projeto de uma unidade esta diferença de temperaturas é aumentada a
valores acima daquela entre a fonte e o receptor. Para esclarecer melhor, a Figura
17(a) mostra uma bomba de calor que capta energia de uma grande fonte (um rio,
por exemplo) e a utiliza para aquecer um local (uma construção, por exemplo). As
diferenças de temperaturas requeridas estão indicadas no diagrama T x S da Figura
17(b). Observa-se que:

(T2 – T1) = (313 – 273) = 40 K > (Tb – Ta)

Onde:

»» Ta = temperatura do ar.

»» Tb = temperatura do rio.

Um fluido secundário é necessário para levar o calor rejeitado pelo refrigerante no


condensador e rejeitá-lo no espaço a ser aquecido. Se as temperaturas extremas
(limites) do refrigerante são 273 K (0oC) e 373 K (40 oC), como indicado na Figura
17(b), então o coeficiente ideal de performance da bomba de calor é dado por:

COPBC = 313/(313-273) = 313/40 = 7,825

O valor de COPBC aqui calculado (7,825) é para um sistema térmico que não faz uso de
um fluido secundário.

Figura 17. Bomba de calor operando em um ciclo de Carnot reversível.

Fonte: Adaptado de Eastope e McConkey (1993, p.490).

61
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Se for proposto usar água quente como fluido secundário, a temperatura de


333 K (60 oC) e aquecer o espaço usando radiadores, então o COP BC passará a
ser:

COPBC = 333/(333 – 273) = 333/60 = 5,55

Os valores calculados para COPBC são ideais, e a diferença entre eles pode ser devido
à modificações realizadas no ciclo ideal, portanto levam em conta os valores de
temperaturas especificadas no projeto.

Vejamos mais dois exemplos de cálculos.

Exemplo 1:

O compartimento de alimentos de um refrigerador, mostrado na Figura 18,


é mantido a 4°C por meio da remoção de calor a uma taxa de 360kJ/min. Se a
potência elétrica fornecida ao compressor do ciclo for de 2 kW, determine:

a. O coeficiente de desempenho (performance) do refrigerador e;

b. A taxa com a qual o calor é rejeitado na sala em que está instalado o


refrigerador.

Figura 18. Compartimento de alimentos de um refrigerador.

Cozinha

Compartimento de
Alimentos (4 °C)

Fonte: Moreira (s/d).

62
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Solução do Exemplo 1:

a. O CPOR (para o refrigerador) é:

COPR = QL / W = (360/2) / 2 = 3

b. A taxa com que o calor é rejeitado na sala em que está instalado o


refrigerador é determinada pelo principio de conservação de energia
para dispositivos cíclicos:

QH = QL + W = 360 kJ/min + 2 kW. (60 kJ/min / 1 kW) = 480 kJ/min

Exemplo 2:

Uma bomba de calor é utilizada para atender às necessidades de aquecimento


de uma casa (Figura 19), mantendo-a a 20 °C. Nos dias em que a temperatura
externa cai para -2 °C, estima-se uma perda de calor da casa a uma taxa de 80000
kJ/h. Se a bomba de calor nessas condições tiver um COP BC de 2,5, determine:

a. A potência consumida pela bomba de calor e;

b. A taxa com que o calor é removido do ar frio externo.

Figura 19. Bomba de calor é utilizada para atender As necessidades de aquecimento de uma casa.

Casa (20 °C)

80.000 kJ/h
Perda de calor

BC

Ar exterior (- 2 °C)

Fonte: Moreira, (s/d).

63
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Solução do exemplo 2:

a. Qual seria a potência elétrica consumida se o aquecimento se desse por


meio de resistências elétricas?

Pot = Pelétrica = QH = 80000 kJ / 3600s = 22,2,kW

b. A casa esta perdendo calor a uma taxa de 80000 kJ/h. Se a casa for
mantida a uma temperatura constante de 20 °C, a bomba de calor deverá
entregar calor à casa na mesma taxa, isto é, a uma taxa de 80000 kJ/h.
Então, a taxa de transferência de calor do ambiente externo se torna:

W = QH / COPBC = 80000 kJ/h / 2,5 = 32000 kJ/h =8,9 kW

QL = QH – W = 80000 – 32000 = 48000 kJ/h

Exemplo 3

Os desuperaquecedores são utilizados para produzir vapor saturado a partir da


mistura de vapor superaquecido com água no estado líquido. A Figura 20 mostra
o esboço de um projeto do equipamento desse tipo que é alimentado com 2 kg/s
de vapor d’água a 200°C e 300 kPa e com água líquida a 20°C. Quer se obter a
vazão em massa de água líquida para que o desuperaquecedor descarregue vapor
saturado a 300kPa. Procura-se também calcular a taxa de geração de entropia
nesse processo de mistura.

Figura 20. Desuperaquecedor: (a) esboço do sistema; (b) diagrama T x S do sistema.

Fonte: Moreira (s/d).

Outras informações importantes do projeto:

64
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

»» Volume de controle: Desuperaquecedor.

»» Estados nas entradas: conhecidos.

»» Estado na saída: ps conhecida.

»» Processo: Regime permanente, adiabático e sem realização de trabalho.

»» Modelo: Tabelas de vapor de água.

Tabela 1. Propriedades do vapor de água saturado a pressão de 3 bar (300 KPa).

Pressão = 3,00 Bar


Temp. de Saturação = 133,56 °C
Temp. Volume Espec. Energia Interna Entalpia Entropia
°C m3/Kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K
Sat. 0,606 2543,5 2725,3 6,992
120,0 0,001 503,5 503,8 1,528
160,0 0,651 2586,9 2782,1 7,127
200,0 0,716 2650,2 2865,1 7,311
240,0 0,780 271,6 2946,7 7,476
280,0 0,844 2775,0 3028,1 7,629
320,0 0,907 2837,8 3109,8 7,772
360,0 0,969 2901,2 3191,9 7,906
400,0 1,032 2965,4 3274,9 8,033
440,0 1,094 3030,5 3358,7 8,154
500,0 1,187 3130,1 3486,1 8,325
600,0 1,341 3301,1 3703,5 8,590

Fonte: Disponível em <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4408897/mod_folder/content/0/A7b%20Tabelas_de_Vapor%20


NPSH.pdf?forcedownload=1>. Acesso em: 16/5/2019.

Tabela 2. Propriedades da água saturada – Tabela de Temperatura.

Volume Específico Energia Interna Entalpia Entropia


m3/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K
Temp. Pressão Liq. Vapor Liq. Vapor Liq. Liq-Vap Vapor Líq. Vapor
oC Bar Sat. Sat. Sat. Sat. Sat. - Sat. Sat. Sat.
VL.103 VV UL UV hL hLV hV sL sV
0.0 0,006 1,0002 206,1292 0,00 2374,5 0,00 2500,5 2500,5 0,0000 9,1544
4.0 0,008 1,0001 157,1259 16,82 2380,0 16,82 2491,1 2507,9 0,0611 9,0492
5.0 0,009 1,0001 147,0239 21,02 2381,4 21,02 2488,7 2509,7 0,0763 9,0236
6.0 0,009 1,0001 137,6472 25,22 2382,8 25,22 2486,3 2511,5 0,0913 8,9981
8.0 0,011 1,0002 120,8466 35,61 2385,6 35,61 2481,6 2515,2 0,1213 8,9479

10.0 0,012 1,0003 106,3229 41,99 2388,3 41,99 2476,9 2518,9 0,1510 8,8986
11.0 0,013 1,0004 99,8076 46,17 2389,7 46,17 2474,5 2520,7 0,1657 8,8743

65
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Volume Específico Energia Interna Entalpia Entropia


m3/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K
12.0 0,014 1,0005 93,7398 50,36 2391,1 50,36 2472,2 2522,6 0,1804 8,8502
13.0 0,015 1,0006 88,0857 54,55 2392,4 54,55 2469,8 2524,4 0,1951 8,8263
14.0 0,016 1,0008 82,8143 58,73 2393,8 58,73 2467,5 2526,2 0,2097 8,8027

15.0 0,017 1,0009 77,8971 62,92 2395,2 62,92 2465,1 2528,0 0,2242 8,7792
16.0 0,018 1,0011 73,3079 67,10 2396,6 67,10 2462,8 2529,9 0,2387 8,7560
17.0 0,019 1,0012 69,0227 71,28 2397,9 71,28 2460,4 2531,7 0,2532 8,7330
18.0 0,021 1,0014 65,0193 75,47 2399,3 75,47 2458,1 2533,5 0,2676 8,7101
19.0 0,022 1,0016 61,2772 79,65 2400,7 79,65 2455,7 2535,3 0,2819 8,6875

20.0 0,023 1,0018 57,7777 83,83 2402,0 83,83 2453,3 2537,2 0,2962 8,6651
21.0 0,025 1,0020 54,5034 88,02 2403,4 88,02 2451,0 2539,0 0,3105 8,6428
22.0 0,026 1,0023 51,4384 92,02 2404,8 92,02 2448,6 2540,8 0,3247 8,6208
23.0 0,028 1,0025 48,5678 96,38 2406,1 96,38 2446,2 2542,6 0,3388 8,5990

Fonte: Disponível em <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4408897/mod_folder/content/0/A7b%20Tabelas_de_Vapor%20


NPSH.pdf?forcedownload=1>. Acesso em: 16/5/2019.

Solução do Exemplo 3:

Análise preliminar: vamos admitir que a pressão na água é uniforme e igual a 300
kPa. Como o processo ocorre em regime permanente, é adiabático e não apresenta a
interação trabalho, temos:

Equação da continuidade: m1 + m2 = m3

Primeira lei da termodinâmica: m1h1 + m2h2 = m3h3 = (m1 + m2).h3

Segunda lei da termodinâmica: m1S1 + m2S2 + Sger = m3S3

Vamos à solução:

A entalpia e a entropia do estado 2 vão ser consideradas iguais as do estado saturado a


20°C. Utilizando as tabelas de vapor de água, obtemos:

Da Tabela 1 (para T = 200 oC):

h1 = 2865,1 kJ/kg e S1 = 7,311 kJ/kg.K

Da Tabela 1 (para T = Sat):

h3 = 2725,3 kJ/kg e S3 = 6,992 kJ/kg.K

Da Tabela 2 (para T = 20 oC, líquido saturado):

h2 = 83,84 kJ/kg e S2 = 0,2962 kJ/kg.K

66
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

A vazão em massa de líquido pode ser calculada com a 1ª lei da termodinâmica,


ou seja:

m2 = m1.(h1 – h2) / (h3 – h2) = 2. (2865,1 – 2725,3)/(2725,3 – 83,84) = 0,106 kg/s

m3 = m1 + m2 = 2,0 + 0,106 = 2,106 kg/s

A taxa de geração de entropia no processo pode ser calculada com a 2a lei da


termodinâmica, ou seja:

Sger = m3S3 – m1S1 – m2S2

Sger = (2,106 . 6,992) – (2 . 7,311) – (0,106 . 0,2962) = 0,072 kW/K

Isolamento Térmico

Existem muitas situações em projetos de engenharia nas quais o objetivo é reduzir a


taxa de calor. Alguns exemplos são o isolamento de edifícios para reduzir a perda de
calor no inverno, uma garrafa térmica para manter o café ou o leite aquecido e uma
jaqueta de esqui para evitar a perda excessiva de calor pelo esquiador. Todas essas
situações exigem a utilização de isolamento térmico.

Os materiais de isolamento térmico devem apresentar baixa condutividade


térmica. Na maioria dos casos, ela é obtida pelo aprisionamento do ar ou de
algum outro gás dentro de pequenas cavidades em um sólido. Algumas vezes,
porém, o mesmo efeito pode ser produzido pelo preenchimento do espaço,
através do qual o fluxo de calor deve ser reduzido, com pequenas partículas
sólidas, entre as quais o ar é aprisionado. Esses tipos de materiais de isolamento
térmico utilizam a condutividade térmica baixa inerente a um gás para inibir o
fluxo de calor. Entretanto, como os gases são fluidos, o calor pode também ser
transferido por convecção natural dentro das bolsas de ar e por radiação entre as
paredes de fechamento sólido. A condutividade térmica dos materiais isolantes,
portanto, não é realmente uma propriedade do material, mas o resultado de
uma combinação de mecanismos de fluxo de calor. A condutividade térmica do
isolamento é um valor efetivo Kef, que se altera não só com a temperatura, mas
também com a pressão e as condições ambientais; a umidade, por exemplo. A
variação de Kef com a temperatura pode ser bastante acentuada, especialmente
a temperaturas elevadas, quando a radiação desempenha papel importante no
processo global de transporte de calor.

67
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Existem, basicamente, três tipos de materiais de isolamento: fibrosos, celulares e


granulares. Vamos ver, brevemente, cada um deles.

»» Fibrosos:os materiais fibrosos consistem de partículas de filamento


de baixa densidade e pequeno diâmetro, que podem ser colocadas
em uma lacuna como “enchimento solto” ou moldadas em painéis,
acolchoados e cobertores. Os materiais fibrosos apresentam
porosidade muito alta (aproximadamente 90%). A lã mineral é um
material fibroso comum para aplicações a temperaturas abaixo de
700 oC, e a fibra de vidro é normalmente utilizada a temperaturas
abaixo de 200 oC.Para a proteção térmica, a temperatura entre 700
o
C e 1700 oC,

pode-se utilizar fibras refratárias, como alumina (Al2O3) ou sílica (SiO2).

»» Celulares:os isolamentos celulares são materiais celulares fechados


ou abertos que normalmente se apresentam na forma de painéis
estendidos flexíveis ou rígidos. Eles podem também ser espumados
ou pulverizados no local para atingir as formas geométricas desejadas.
O isolamento celular tem a vantagem de apresentar baixa densidade,
baixa capacidade calorífica e resistência à compressão relativamente
boa. São exemplos de celulares: poliuretano e espuma de poliestireno
expandido.

»» Granulares: o isolamento granular consiste de pequenos flocos


ou partículas de materiais inorgânicos unidos em formatos pré-
estabelecidos, ou utilizados na forma de pós. São exemplos de
granulares o pó de perlite, a sílica diatomácea e a vermiculite.

Para utilização a temperaturas criogênicas, os gases em materiais celulares podem


ser condensados ou congelados para criar um vácuo parcial, que melhora a eficácia
do isolamento. Os isolamentos fibrosos e granulares podem ser colocados sob
vácuo para eliminar a convecção e a condução, diminuindo de forma apreciável
a condutividade efetiva. A Figura 21 mostra os intervalos de condutividade
térmica efetiva para isolamentos sob vácuo ou não, bem como do produto entre a
condutividade térmica e a densidade aparente, que algumas vezes é importante nos
projetos.

Além dos três tipos de materiais isolantes supracitados, pode-se também obter
isolamento com a utilização de chapas refletoras. Nessa abordagem, duas ou mais

68
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

chapas finas de metal com baixa emitância entre si são colocadas em paralelo para
refletir a radiação de volta à sua origem. Um exemplo é a garrafa térmica, em que
se aplica vácuo no espaço entre as superfícies refletoras para suprimir a condução
e a convecção, ficando a radiação como único mecanismo de transferência de calor.

Figura 21. Intervalos de condutividade térmica dos isolantes térmicos e dos produtos entre a condutividade

térmica e a densidade aparente.

Sob vácuo Sem vácuo

Condutividade Térmica Efetiva Kef (W/m.K)

Legenda da Figura 21: (I) pós, fibras, espumas (sem vácuo); (II) pós, fibras, espumas (sob vácuo); (III) pós opacificados sob
vácuo; (IV) multicamadas de isolamento sob vácuo; (a) multicamadas de isolamento; (b) pós e fibras opacificados; (c) pós,
fibras e espumas; (d) pós, fibras, espumas e cortiças.

Fonte: Adaptado de Kreithe Bohn(2013, p.36).

A propriedade mais importante a ser considerada na seleção de um material de


isolamento térmico é a condutividade térmica efetiva, porém densidade, limite
superior de temperatura, rigidez estrutural, degradação, estabilidade química
e, é claro, custo, também são fatores importantes. As propriedades físicas dos
materiais isolantes geralmente são fornecidas pelos fabricantes do produto
ou em manuais. Infelizmente, com frequência os dados são muito limitados,
especialmente a temperaturas elevadas. Nesses casos, necessário extrapolar as
informações disponíveis e utilizar um fator de segurança no projeto final.

69
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Os valores de condutividade térmica efetiva para vários materiais de isolamentos


fibrosos e celulares, comuns a baixas temperaturas, estão mostrados na Figura 22. Os
valores mais baixos são para as baixas temperaturas, os valores mais altos são para
as temperaturas no limite superior permitido para uso. Todos os valores são válidos
para materiais novos. O poliuretano e o poliestireno geralmente perdem entre 20%
a 50% da sua qualidade de isolamento durante o primeiro ano de uso. Alguns outros
materiais apresentam aumentos em suas condutividades térmicas efetivas como
resultado de absorção de umidade em ambientes de alta umidade ou de perda de
vácuo. Observa-se que, com exceção do vidro celular, os materiais isolantes celulares
são plásticos baratos e leves, isto é, apresentam densidade da ordem de 30 kg/m3.
Todos os materiais celulares são rígidos e podem ser obtidos em praticamente todos
os formatos desejados.

Figura 22. Intervalos de condutividade térmica efetiva para isolamentos fibrosos e celulares típicos.

Fibrosos

Celulares

Condutividade Térmica Efetiva Kef (W/m.K)

Legenda da Figura 22: (I) Lã mineral; (II) Celulose; (III) Fibra de vidro unida com resina; (IV) Fenólicos; (V) Poliuretano; (VI)
Poliestireno expandido; (VII) Formaldeídos de uréia; (VIII) Vidro celular.

Fonte: Adaptado de Kreithe Bohn(2013, p.37).

Observar que as temperaturas máximas aproximadas de uso estão listadas à


direita dos isolamentos.

70
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Para aplicações em altas temperaturas, são utilizados materiais refratários.


Eles vêm na forma de tijolos e podem suportar temperaturas de até 1700 oC. As
condutividades térmicas efetivas variam de 1,5 W/m.K para a argila refratária
a aproximadamente 2,5 W/m.K para o zircônio. Os tipos de isolamento para
enchimento solto apresentam condutividades térmicas efetivas muito baixas,
porém a maior parte só pode ser utilizada em temperaturas abaixo de 900 oC.
Materiais para preenchimento solto tendem também a “sedimentar”, causando
problemas potenciais em locais de difícil acesso.

Na prática da engenharia, especialmente para materiais de construção, o isolamento


normalmente é caracterizado por um termo denominado “valor-R”. A diferença de
temperatura dividida pelo valor-R fornece a transferência de calor por área unitária.
Para uma grande chapa ou placa:

valor-R =(espessura) / (condutividade térmica média efetiva)

O valor-R é fornecido em unidades do sistema inglês, e é dado por:

[valor-R] = h.ft2.F /BTU

Onde:

»» h = entalpia

»» ft (pés) = espessura da chapa ou placa

»» F = temperatura em graus Fahrenheit

»» BTU = British thermal unit (Unidade térmica britânica); que é uma


unidade de medida não métrica utilizada principalmente nos Estados
Unidos e no Reino Unido. É uma unidade de energia tal que: 1 BTU =
252,2 calorias =1055,06 joules.

Como exemplo, para uma chapa de fibra de vidro (fiberglass), com 3,5 polegadas de
espessura e Kef = 0,035 BTU/h.ft.F, o valor-R é:

valor-R = [(3,5 pol).h.ft.F / 0,035 BTU].(ft/12pol) = 8,3 h.F.ft2/BTU

Os valor-R também podem ser atribuídos a estruturas compostas como janelas de


vidraças duplas ou paredes de madeira com isolamento entre os suportes.

Em alguns casos, o valor-R é fornecido “por polegada”. Desse modo, ele é expresso em
unidades de h.ft2.F/BTU.pol.

71
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

No exemplo anterior, o valor-R por polegada da fibra de vidro é 8,3/3.5 = 2,4


h.ft2.F/BTU.pol.

Deve se tomar cuidado ao utilizar a literatura dos fabricantes para os valor-R,


pois eles podem estar fornecendo o valor por polegadas, mesmo que a
propriedade possa ser denominada simplesmente por valor-R. Por meio do
exame das unidades fornecidas para a propriedade deve ficar claro qual valor-R
está sendo fornecido.

Dimensionamento de tubulações de vapor


(TORREIRA, 1998, pp. 178-180)

O dimensionamento de uma tubulação de vapor deve ser feito visando obter no


final das linhas, pressões compatíveis com o uso que se deseja fazer do vapor,
isto é, uma perda de carga tal que ainda se possa utilizar o vapor nas condições
desejadas. Haverá alguns casos em que a diferença entre as pressões inicial e final
será muito grande, podendo levar ao desejo de dimensionar a tubulação com uma
perda de carga que o vapor chegará ao ponto de consumo na pressão desejada.
Uma rede de distribuição de vapor nunca deve ser encarada como uma válvula
redutora de pressão. A máxima perda de carga admissível para o vapor é de 0,5
kg/cm2 por cada 100 metros. Acima disso passa a ver uma erosão sensível da
tubulação, o que reduz sua vida útil.

A maioria das válvulas utilizadas em instalações de vapor tem como única finalidade
abrir ou fechar o vapor, isto é, ou estão completamente abertas ou completamente
fechadas. Estas são chamadas de “válvulas de bloqueio”. Em alguns casos, há
necessidade de se exercer algum controle sobre o fluxo, isto é, modulá-lo como
no caso de uma válvula de derivação, quando a válvula deverá ser utilizada em
situações de emergência para substituir o controle existente.

Há, basicamente, três tipos de válvulas: de gaveta, de esfera e globo. A perda de


carga das válvulas globo é de 40 a 60 vezes maior que a das de gaveta. A perda de
carga das válvulas de esfera é aproximadamente igual à das válvulas de gaveta.

Conclui-se daí que se deve sempre procurar fazer a utilização correta das válvulas
para um ou outro serviço, a fim de evitar perdas de cargas absurdamente altas.

Existem várias fórmulas e formas para dimensionamento de tubulações de vapor.


Foram criadas fórmulas, tabelas e ábacos para dimensionamento de tubulações de
vapor. Tal dimensionamento pode ser feito levando em conta a velocidade ou então
a perda de carga, isto é, determina-se qual a velocidade ou a perda de carga desejada
para uma determinada vazão e, com esses dados calcula-se o diâmetro necessário.

72
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Dimensionamento pela velocidade

Esse método só deve ser usado para dimensionamento de trechos curtos de


tubulação (no máximo, 20 metros), pois ao não se considerar a perda de carga,
corre-se o risco de obter pressões muito baixas no final da linha. Como velocidades
usuais em vapor saturado, pode-se indicar algo entre 20 a 30 m/s. Para vapor
superaquecido admite-se velocidades um pouco superiores, porém, deve se evitar
ultrapassar os 40 m/s.

Para o cálculo do diâmetro usa-se a seguinte relação:

D = K.[(Q.ν)/V]1/2

Onde:

»» D = diâmetro em [cm];

»» K = constante adimensional = 112,83

»» Q = vazão mássica (kg/s)

»» ν = volume específico (m3/kg)

»» V = velocidade (m/s)

Dimensionamento pela perda de carga.

Esse método sempre utiliza fatores empíricos (determinados praticamente) e, sendo


assim, a relação a seguir é uma possibilidade:

ΔP = (K.v.L.Q2) / d5

Onde:

»» ΔP = perda de carga [psi].

›› K = 3625.[(1 + 3,6/d)/1011]

»» v = volume específico (pé3/lb).

»» L = comprimento equivalente (pé).

»» Q = Vazão de vapor (lb/h).

»» d = diâmetro interno do tubo (pol).

Deve se tomar cuidado especial com as unidades dessa fórmula, pois ela não é
homogênea e, portanto só é válida para as unidades especificadas.

73
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Como nas tubulações existem, normalmente, válvulas, curvas, filtros etc., é necessário
a consulta de tabelas e ábacos que fornecem a perda localizada em comprimento
equivalente de tubo retilíneo de mesmo diâmetro. Somando-se esses comprimentos
ao comprimento real da tubulação, obtém-se o comprimento equivalente (L).

Caldeiras
Segundo Pinho (2014), uma caldeira é um equipamento térmico em que os gases
provenientes da queima de um combustível cedem energia térmica a um fluido a
aquecer, em outras palavras é, de modo geral, um trocador de calor no seio do qual
existe uma fornalha que se dá uma reação de combustão, seguida de uma região
dedicada, exclusivamente, à transferência térmica. Em muitas circunstâncias, o
calor é transferido dos gases de combustão para o fluido a aquecer ainda na região
da fornalha, sendo que, neste caso, as paredes atuam como trocador de calor.

Em termos mais gerais, utiliza-se a designação de caldeira (Figura 23), para


um trocador de calor onde se aproveita a energia térmica disponibilizada por
uma corrente de gases em alta temperatura, normalmente provenientes de um
forno ou fornalha, para aquecer um determinado fluido, não existindo, neste
caso, necessariamente, qualquer reação de combustão no interior da caldeira
recuperadora.

Figura 23. Esquema de uma caldeira.

Gases
Saída de vapor Quentes
Caldeira

Fornalha Chaminé

Fonte: Pinho (2014, p.114).

74
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

O principal componente de uma instalação de termofluído é a caldeira. Do ponto de


vista construtivo, as caldeiras de termofluído mais seguras são as que apresentam o
feixe tubular sob a forma de uma ou mais serpentinas dispostas concentricamente,
evitando-se, assim, curvas de pequeno raio de curvatura, mais propícias à formação
de depósitos, com a consequente formação de incrustações por oxidação ou pirólise do
termofluido e posterior ruptura.

Para se evitar sobreaquecimentos do termofluido dentro do tubular, quando


o fluido atravessa as zonas de maior intensidade de transferência térmica, a
velocidade do termofluido no interior dos tubos nunca deverá ser inferior a 3 m/s.
As Figuras 24 e 25 ilustram dois exemplos de caldeiras de termofluído.

Figura 24. Caldeira de termofluido preparada para queimar resíduos lenhosos.

Fonte: Pinho (2014, p.350).

Figura 25. Caldeira de termofluído queimando combustíveis líquidos ou gasosos.

Fonte: Pinho (2014, p.350).

75
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Ainda em termos de disposição construtiva, a grande diferença existente entre os


vários tipos de caldeiras situa-se no modo como os gases quentes ou de combustão
escoam. Se estes escoam no interior do feixe de tubos, a caldeira diz-se de tubos de
fumo ou pirotubular, ao passo que se os gases quentes ou de combustão escoam
pelo exterior do tubular, de modo que no interior deste circule o fluido a aquecer,
a caldeira diz-se de tubos de água ou aquotubular. Esta definição pressupõe que o
fluido a aquecer seja água, o que nem sempre é o caso. Em termos gerais, poderá se
dizer que, nestas circunstâncias, a caldeira é do tipo “fluido-tubular”.

Ainda segundo Pinho (2014, p.115), a natureza do fluido a ser aquecido define por
esse motivo uma categorização de caldeiras. Assim, uma primeira classificação de
caldeiras leva em consideração a natureza do fluido a ser aquecido:

»» Caldeiras de água quente têm por objetivo a produção de água quente


a uma pressão suficientemente elevada para garantir que esta não
vaporize.

»» Caldeiras de vapor de água ou geradores de vapor, que se destinam à


produção de vapor de água, úmido, saturado ou sobreaquecido.

»» Caldeiras de ar, que se destinam à produção de ar quente.

»» Caldeiras de termofluido em que o fluido a aquecer é um óleo térmico


que evolui sempre na fase líquida. O uso deste tipo de fluidos se
refere aos que permitem o transporte de energia térmica a elevadas
temperaturas, mas a pressões relativamente baixas, minimizado custos
e riscos operacionais.

Outra classificação das caldeiras leva em consideração o seu timbre, isto é, a


pressão máxima que não pode ser excedida, ou pressão de serviço. Assim, as
caldeiras dizem-se de:

»» Baixa pressão: se operam até 0,5 bar (relativos), ou seja 1,5 bar (absolutos).

»» Média pressão: se operam entre 0,5 bar (relativos) e 87 bar relativos (1,5
a 88 bar absolutos).

»» Alta pressão: se operam acima dos 87 bar (relativos), 88 bar (absolutos).

Conforme a circulação do fluido a ser aquecido, as caldeiras classificam-se como de


convecção natural ou de convecção forçada. Por outro lado, há caldeiras móveis ou
fixas conforme sejam ou não facilmente transportáveis.

76
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Outra classificação das caldeiras diz respeito ao tipo de combustível ou fonte quente:

»» Combustível sólido.

»» Combustível líquido.

»» Combustível gasoso.

»» Se usa os gases de um forno ou motor, designando-se então por caldeira


recuperadora.

»» Se usa energia solar térmica.

»» Se usa o efeito de Joule, designando-se então por caldeira elétrica.

»» Se usa a energia nuclear.

No que diz respeito aos combustíveis, a sua origem permitirá também uma distinção
do tipo de caldeiras:

»» Combustível fóssil.

»» Combustível residual.

»» Biomassa (a grande maioria dos resíduos pode ser considerada como


biomassa).

Em termos globais pode, portanto, dizer-se que uma caldeira é identificada por
uma série de parâmetros:

»» Natureza do fluido a aquecer.

»» Timbre e pressão de serviço.

»» Temperatura do fluido a aquecer.

»» Combustível.

»» Potência térmica nominal.

»» Superfície de aquecimento.

»» Capacidade, isto é, fluxo do fluido a ser aquecido.

»» Número de passagens do fluido quente, isto é quantos percursos é que


este fluido faz no interior da caldeira.

77
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

»» Tipo de câmara de inversão, sendo esta a câmara onde os gases quentes


da combustão invertem o seu sentido de escoamento.

»» Rendimento térmico.

As caldeiras também são classificadas de acordo o número de passagens dos gases


de combustão. No caso da fornalha se encontrar dentro do corpo da caldeira, esta
conta como a primeira passagem.

Conforme o tipo de câmara de inversão, Figura 26, as caldeiras são classificadas em


caldeiras com câmara de inversão:

»» seca.

»» úmida.

»» parcialmentes seca.

Figura 26. Câmaras de inversão de caldeiras: (a) Câmara de inversão seca; (b) Câmara de inversão úmida.

Vapor Vapor
Água líquida
Água líquida
Segunda passagem
Segunda passagem

Fornalha, 1ª passagem
Fornalha, 1ª.passag
em
Água líquida
Água líquida

Fonte: Pinho (2014, p.120).

Podemos observar, pela variedade de tipos de caldeira e seus elementos, que para
um correto dimensionamento em um projeto precisamos ter bem definido qual o
tipo de caldeira que pretendemos projetar.

De acordo com Pinho (2014, p. 126), o primeiro componente da caldeira é


a fornalha ou câmara de combustão, no interior da qual se dão as reações de
combustão do combustível que alimenta a caldeira. Na grande maioria das
situações, o comburente é o oxigênio do ar; apesar de que hoje em dia, e em termos
de investigação científica e tecnológica, se esteja a equacionar a possibilidade de
se utilizar ar enriquecido com oxigênio, ou até mesmo a queima exclusivamente
em oxigênio, com o fim de minimizar o fluxo de inertes nos gases de escape

78
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

(concretamente o N 2) de forma a reduzir os custos de captura do CO 2. No entanto,


esta ideia ainda não foi concretizada em casos reais, sendo bem provável que
tal nunca venha a acontecer, dados os custos inerentes à extração do azoto
do ar para se levar a cabo a “oxi-combustão”, nome pela qual se designa esta
técnica de queima. Como dito anteriormente, a colocação da fornalha, interna ou
externamente à caldeira, condicionará a classificação desta.

Nas caldeiras pirotubulares, a fornalha constitui a primeira passagem do


escoamento dos gases de combustão, sendo, por isso, em aço. Quando há a queima
de combustível sólido, principalmente em grelha, parte da fornalha poderá ser em
tijolo refratário e parte em aço. O tijolo refratário tem a função de atuar como um
dispositivo de ignição do empilhamento de combustível sólido recém-chegado ao
interior da fornalha. Com efeito, energia térmica é irradiada do leito de combustível
sólido incandescente para a parede refratária que, por sua vez, re-irradia a energia
térmica para as camadas frias do combustível existentes no interior da fornalha.

O escoamento dos gases de combustão segue uma sequência muito simples de


diversas passagens. Por seu lado, a água de alimentação entra pela parte inferior da
caldeira, e o vapor saturado é retirado pela parte superior da caldeira. Quando se
pretende produzir vapor sobreaquecido com este tipo de caldeiras, existirá um feixe
de transferência de calor, normalmente situado em uma das câmaras de inversão.
Quando há um pré-aquecimento da água de alimentação, este processo ocorre no
economizador.

Nas caldeiras aquotubulares, as paredes da fornalha são normalmente


revestidas por uma camada de tubos de aço no interior dos quais circula água,
tanto na fase líquida como na fase de vapor. Estas paredes são denominadas
paredes de membrana. A água circula no sentido ascendente e, à medida que vai
sendo aquecida, passa à fase de vapor, havendo, por consequência, escoamento
difásico. Os tubos ascendentes destas paredes de membrana estão ligados a
coletores e estes a reservatórios cilíndricos horizontais chamados barriletes.
Nestes barriletes, separam-se o líquido e o vapor saturado.

Rendimento térmico de caldeiras ( )

O rendimento térmico de uma caldeira ou gerador de calor define-se como o


quociente entre a energia térmica existente à saída do gerador e a energia térmica
fornecida a ele, ou seja:

ηc = (energia térmica na saída) / (energia térmica fornecida)

79
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Em uma análise mais rigorosa, para a quantificação da energia entrada na caldeira,


seria necessário contabilizar todas as formas de energia entradas nesta, e não somente
a energia térmica do combustível. Assim, nesta ótica, qualquer energia elétrica de
acionamento de componentes da caldeira devia ser devidamente considerada. Estão
dentro desta categoria as energias consumidas nos seguintes equipamentos:

»» Ventilador de insuflação de ar.

»» Bomba de alimentação de água.

»» Queimadores e respectivos sistemas de bombeamento de combustível


ou sistemas de alimentação de combustível, quando a caldeira é
alimentada com combustível sólido.

»» Equipamentos de regulação do funcionamento da caldeira, que


recorram a válvulas e outros dispositivos de variação de registros.

Do ponto de vista prático, a avaliação do rendimento de uma caldeira é mais simples


e esta é analisada apenas sob o ponto de vista térmico, ou seja, compara-se a energia
térmica que o fluido de trabalho ganhou ao passar através da caldeira com a energia
térmica libertada na queima do combustível. Assim sendo, o rendimento da caldeira
será definido como:

»» ηc = (energia térmica fornecida ao fluido de trabalho) / (energia térmica


do combustível)

Em termos matemáticos a relação acima pode ser assim escrita:

»» ηc = (hsai – hentra).mf / (PCI.mcomb) (*)

Onde:

»» hsai e hentra = entalpias do fluido na saída e na entrada da caldeira,


respectivamente.

»» mf = fluxo do fluido.

»» mcomb = fluxo mássico de combustível.

»» PCI = poder calorífico inferior.

Vale aqui uma nota (Souza, s/d): O Poder Calorífico (PC) de combustíveis é
definido como a quantidade de energia interna contida no combustível, sendo
que, quanto mais alto for o poder calorífico, maior será a energia contida.

80
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Um combustível é constituído sobretudo de hidrogênio e carbono, tendo o


hidrogênio o poder calorífico de 28700 Kcal/kg, enquanto o carbono é de 8140
Kcal/kg, por isso, quanto mais rico em hidrogênio for o combustível maior será
o seu poder calorífico.

Há dois tipos de poder calorífico:

1. Poder Calorífico Superior (PCS).

2. Poder Calorífico Inferior (PCI).

1. Poder Calorífico Superior (PCS)

»» É a quantidade de calor produzida por 1 kg de combustível, quando


este entra em combustão, em excesso de ar, e os gases da descarga
são resfriados de modo que o vapor de água neles seja condensado.

2. Poder Calorífico Inferior (PCI)

»» É a quantidade de calor que pode produzir 1kg de combustível, quando


este entra em combustão com excesso de ar e gases de descarga são
resfriados até o ponto de ebulição da água, evitando, assim, que a
água contida na combustão seja condensada.

Como a temperatura dos gases de combustão é muito elevada nos motores


endotérmicos, a água contida neles se encontra sempre no estado de vapor,
portanto o que deve ser considerado é o poder calorífico inferior, e não o superior.

Quando se verifica o pré-aquecimento do ar de combustão ou até mesmo dos


reagentes, esta energia térmica adicional que entra na caldeira deverá que ser
devidamente considerada na avaliação do rendimento da caldeira e, por isso, no
denominador da equação (*) entrarão as parcelas adicionais necessárias a esta
quantificação.

O cálculo do rendimento térmico da caldeira também poderá ser efetuado através


da avaliação das perdas, situação em que rendimento térmico poderá ser definido
por:

ηc = 1 - ∑perdas = 100 - ∑perdas(%)

As perdas (Figura 27) a serem consideradas na avaliação do desempenho da


caldeira são as seguintes:

»» Perda por não queimados existentes no resíduo sólido - Psnq.

81
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

»» Perda por não queimados existentes na escória liquefeita - Pesc.

»» Perda por não queimados nos gases à saída da caldeira – Pgnq.

»» Perda sensível nos gases que saem pela chaminé –Psch.

»» Perda por condução, convecção e radiação –Pccr.

»» Perda pelas purgas –Ppur.

Figura 27. Perdas em uma caldeira tradicional.

Vapor de água 70%

Perda nos gases de escape

20%
Purgas
6%

Perdas por radiação e convecção


2%

Outras perdas 2%
Fonte: Pinho (2014, p.133).

A expressão do rendimento ficará então dada por:

ηc = 1 – (Psnq + Pesc + Pgnq + Psch + Pccr + Ppur)

Vamos analisar e calcular cada uma dessas perdas, individualmente.

Perda por sólidos não queimados (Psnq)

Esta perda está relacionada com os resíduos sólidos da fornalha, ou com as cinzas
volantes resultantes da queima de um combustível sólido, ou mesmo de um combustível
líquido pesado em que aparece carbono por queimar.

Psnq = (mres.Yc.PCC) / (mcomb.PCI)

82
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Onde:

»» mres= fluxo mássico de resíduos sólidos.

»» mcomb = fluxo mássico de combustível consumido pela caldeira.

»» Yc = fração mássica de carbono existente nos resíduos sólidos da


combustão.

»» PCC = poder calorífico do carbono.

»» PCI = poder calorífico inferior do combustível.

A equação Psnq pode ser substituída pela seguinte aproximação:

Psnq= (Ycin.Yc.PCC) / [(1 – Yc).PCI]

Onde:

»» Ycin = fração mássica de cinzas existentes no combustível.

Perdas por escória liquefeita (Pesc)

Há situações em que as cinzas resultantes do processo de combustão são fundidas,


facilitando o processo de extração da fornalha. Neste caso, será necessário conhecer o
teor em cinzas e em escória que se formam para o combustível em questão para, assim,
poder se calcular o calor perdido neste processo.

Qesc = mesc.cesc.(Tesc – Ta)

Onde:

»» Qesc = calor perdido pela escória.

»» mesc = fluxo de escória liquefeita à saída da fornalha.

»» cesc = calor específico mássico da escória (1,2 kJ/kg. K).

»» Tesc = temperatura da escória à saída da fornalha.

»» Ta = temperatura ambiente.

Assim:

Pesc = [mesc.cesc.(Tesc – Ta)] / (mcomb.PCI)

83
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Perdas por gases não queimados (Pgnq)

Normalmente, a combustão não é completa, encontrando-se quer componentes


do combustível original, quer produtos intermediários da combustão, no seio
da corrente dos gases queimados. Há, assim, uma perda energética que, em
alguns casos, não pode, nem deve ser menosprezada. De modo geral,os não
queimados de importância significativa em termos de energia perdida são o CO
e os hidrocarbonetos (HC’s). A composição destes é complexa, e se empregam,
normalmente, analisadores de compostos orgânicos voláteis, recorrendo a
detectores de ionização de chama, que dão o resultado da análise sob a forma de
metano equivalente ou propano equivalente. Conforme o caso, o poder calorífico a
empregar deverá ser convenientemente escolhido.

A energia perdida nos gases de escape devido aos gases não queimados será dada por:

Qgnq = mgq.(YCO +PCCO + YHC.PCIHC)

E a perda é assim calculada:

Pgnq = mgq.(YCO +PCCO + YHC.PCIHC) / mcomb.PCI

Perdas por radiação, convecção e condução (PCCR)

De todas as perdas, esta é a que apresenta maiores dificuldades práticas de cálculo,


já que são inúmeros os fatores que influenciam o seu valor, e no seu cálculo entram
aproximações bastante grosseiras que darão origem a erros razoáveis. A melhor tática
seria efetuar medições cuidadosas do fluxo de combustível consumido e das perdas
associadas aos gases de escape, cinzas e escória para então chegar ao valor da perda
por condução, convecção e radiação, por meio do balanço energético.

No entanto, na grande maioria das situações encontradas na vida real é preferível


tentar chegar a um valor para estas perdas de modo mais simples. Segundo Pinho
(2014), a norma DIN 1942 apresenta uma solução relativamente acessível, em que
esta perda é calculada através da expressão:

PCCR = C.Qg0,7 /mcomb.PCI

Onde:

»» C = coeficiente empírico definido na referida norma e que se apresenta


na Tabela 3.

»» Qg = potência térmica máxima, em valor absoluto, do gerador em MW.

84
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Tabela 3. Valores do coeficiente empírico C segundo a Norma DIN 1942.

C.T (KW/m2) Combustível Gasoso Combustível Líquido Carvão


≤ 10 25 - -
≤ 20 18 15 -
≤ 30 15 12 15
≤ 35 14 11 15
≤ 50 12 9 -

CT = Carga térmica na superfície de aquecimento.

Fonte: Pinho (2014, p.138).

Perda de calor sensível pela chaminé (Psch)

Os gases de combustão têm de sair da caldeira a uma temperatura relativamente


elevada para se evitar a formação de condensados. Para combustíveis com
elevados teores em enxofre, o ponto de orvalho ácido destes produtos da
combustão está entre 150 e 180 ºC. De modo a se garantir um funcionamento
seguro da caldeira e se evitar a condensação dos ácidos existentes em fase gasosa
no seio dos gases queimados, raramente a temperatura mínima atingida por estes
gases de combustão é inferior a 180 ºC. Haverá, assim, perdas térmicas sensíveis
significativas. O seu valor será calculado por:

Qsch = mgq.cpgq.(Tg – Ta)

Onde:

»» cpgq = calor específico a pressão constante e médio (entre as temperaturas


Tg e Ta) dos gases queimados.

»» Tg = temperatura dos gases queimados à saída da caldeira.

»» Ta = temperatura ambiente.

E a perda (Psch) é dada por:

Psch = mgq.cpgq.(Tg – Ta) / mcomb.PCI

Perdas pelas purgas (Ppur)

Nas caldeiras a vapor, a concentração de sais na água líquida existente no interior


destas vai aumentando com o funcionamento, devido à passagem da água da fase
líquida para a fase de vapor. Com efeito, os sais dissolvidos na fase líquida não
acompanham logicamente a mudança de fase da água, aumentando-se a salinidade
da fase líquida. Acrescenta-se a isto, nas instalações em que o fluido de trabalho

85
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

é a água, a necessidade de se controlar a sua dureza adicionando-se sais para o


tratamento da água.

Tudo isto atua no sentido do aumento do teor de sais no líquido contido no interior
da caldeira. Para evitar este inconveniente, fazem-se descargas periódicas de líquido
pela parte inferior da caldeira, onde, a princípio, a concentração de sais é mais elevada.
Como o líquido sai a temperatura elevada, e esta descarga se dá ou em contínuo, ou
periodicamente, há aqui uma perda de calor sensível que deve ser considerada.

A Figura 28 ilustra uma válvula de purga de uma caldeira.

Figura 28. Válvula de purga de uma caldeira.

Caldeira

Válvula de purga
automática

Fonte: ASINTISOL. Disponível em <http://www.asintsol.com/produtos/central_de_vapor/purga_de_fundo.html>.(Acesso em: 23-


05-2019).

A potência térmica assim perdida será determinada por:

Qpur = mpur.(hp – ha)

Onde:

»» mpur = fluxol mássico de purgas.

»» ha = entalpia da água de alimentação da caldeira.;

86
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

»» hp = entalpia do líquido saturado à pressão existente no seu interior.

Logo:

Ppur = mpur.(hp – ha) / mcomb.PCI

Assim, finalizamos os cálculos de todas as perdas possíveis em uma caldeira.

Assim, dentro da ideia inicial deste capítulo de estudar o dimensionamento e o


memorial de cálculo para um sistema térmico, vamos visualizar o seguinte exemplo a
seguir.

Exemplo:

Propõe-se construir uma central termoelétrica com potencia de 1000 MW,


utilizando vapor de água como fluido de trabalho. Os condensadores devem ser
resfriados com água de um rio (ver Figura 29). A temperatura máxima do vapor
será de 550 °C e a pressão nos condensadores será de 10 kPa. Como consultor de
engenharia, você é solicitado a estimar o aumento da temperatura na água do rio
(entre montante e jusante da usina). Qual é a sua estimativa?

Figura 29. Central termoelétrica.

Central
termoelétrica

Admissão Descarga

8 m de
profundidade Velocidade média do rio
10 m/min

Fonte: Moreira (s/d).

Solução

Sabe-se que:

η = W/QH

87
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Da Primeira Lei da Termodinâmica: QH = W + QL.

Assim, substituindo na relação do rendimento (eficiência):

QL = W[(1/η) – 1].

Por outro lado, vamos estimar o rendimento a partir da expressão de Carnot (já que não
temos outros elementos para calcular o rendimento térmico real):

η = ηc = 1 – TL/TH

Mas, TL é a temperatura de condensação, Tsat (P=10 kPa) = 45,81 oC = 318,96 K e TH=550


°C = 823,15 K.

Logo:

η = 1 – 318,96 / 823,15 = 0,613

No condensador temos:

QC = 10+6.[(1/0,613) – 1] = 632618 kW

Todo calor do condensador vai para o rio. De tal forma que:

QC = mrio.Cp.ΔTrio

mrio = ρ.V.A (admitindo aqui que ρágua =1000 kg/m3)

mrio = 1000. (10/6). 60.8 = 80.000 kg/s

ΔTrio = QC / (mrio.Cp) = 632618 / (80000.4,18) = 1,9 oC

No caso real, o rendimento térmico será menor do que o de Carnot e, portanto, a taxa
de calor a ser rejeitada seria maior. De forma que o aumento de temperatura da água
do rio também seria maior.

88
CAPÍTULO 3
Aplicação de programas
computacionais para projetos de
sistemas térmicos

Não é objetivo deste capítulo desenvolver conteúdos de programação


computacional, visto que trata-se de um tema amplo e complexo, exigindo
disciplina específica para tal. No entanto, é importante conhecer alguns
softwares utilizados em projetos de sistemas térmicos, seja no seu
dimensionamento, seja no seu design, seja na simulação, seja na análise de
variáveis térmicas envolvidas.

Segundo Copetti (2013), a importância da simulação envolve:

»» Avaliar diferentes projetos para a seleção de um aceitável.

»» Avaliar o comportamento do sistema sob condições fora das especificadas


no projeto.

»» Determinar os limites de segurança para o sistema.

»» Determinar os efeitos de diferentes variáveis de projeto para a otimização.

»» Melhorar ou modificar os sistemas existentes.

»» Investigar a sensibilidade do projeto para diferentes variáveis.

A simulação do sistema desempenha um importante papel em sua otimização, as


saídas do sistema devem ser obtidas para diferentes variáveis de projeto, a fim de
selecionar o projeto ótimo.

Porém, no que diz respeito à simulação de sistemas térmicos, é preciso lembrar


que estudamos no nosso curso a disciplina MODELAGEM COMPUTACIONAL EM
SISTEMAS TÉRMICOS, disciplina na qual são apresentados conceitos relacionados
à modelagem de equipamentos: trocadores de calor, turbomáquinas, secadores,
destiladores, torres de resfriamento, tubulações e componentes; simulação de sistemas
e componentes, simulação estática e dinâmica e técnicas de otimização. Portanto, essa
parte será negligenciada na nossa atual disciplina para não haver sobreposição de
conteúdos.

89
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Sendo assim, vamos começar a falar de um tema importante em projetos de sistemas


térmicos: a análise térmica.

Análise Térmica

A análise térmica calcula a temperatura e a transferência de calor no ambiente e


entre os componentes do seu projeto. Esta é uma consideração importante, visto
que muitos produtos e materiais têm propriedades dependentes da temperatura.
A segurança do produto também deve ser levada em consideração, pois se um
produto ou componente fica muito quente, você pode ter que adicionar uma
proteção sobre ele.

Lembre-se que sempre que há variações de temperatura em um sistema/estrutura,


sempre haverá alterações dimensionais nos componentes dela: dilatação ou contração
que ocorre em função da transferência de calor entre dois corpos (ou sistemas).

Existem dois tipos de análise de transferência de calor (IST Sistemas, s/d):

»» Análise térmica em estado estável: se concentra nas condições


térmicas do corpo quando ele atinge o equilíbrio térmico. O tempo que
ele leva para atingir este equilíbrio não é de interesse.

»» Análise térmica transiente: se concentra no estado térmico do corpo


em diferentes instâncias no tempo.

Análise de tensão térmica

Mudanças de temperatura podem induzir tensões significativas em um corpo. A


análise de tensão térmica calcula as tensões, esforços e deslocamentos, devido a
efeitos térmicos.

O Solidworks® é um software conhecido e muito aplicado em projetos mecânicos


diversos e entre suas principais ferramentas há a de análise térmica, cuja forma de
utilização segue resumida:

Para executar a análise térmica, deve-se seguir os seguintes procedimentos (DASSAUT


SYSTEMES, 2018):

1. Crie um estudo térmico. Clique com o botão direito no ícone superior da


árvore de estudos do Simulation e selecione Estudo para abrir a caixa de

90
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

diálogo Estudo. Defina as Propriedades do estudo para definir seu tipo


(transiente ou estado estável), a interação com o SOLIDWORKS Flow
Simulation e o Solver.

2. Defina o material para cada sólido e casca. Para definir o material de um


sólido ou casca, clique com o botão direito em seu ícone na árvore de
estudos do Simulation e selecione Aplicar/Editar material.

3. Você precisa definir a condutividade térmica (K) para os estudos


térmicos de estado estável. A densidade e o calor específico também
podem ser necessários para estudos transientes. Especifique as
propriedades dependentes da temperatura, se for o caso.

4. Defina as cargas térmicas/restrições. É possível definir as temperaturas,


convenção, fluxo de calor, potência do calor e radiação. Para obter um
resumo das cargas térmicas e restrições, consulte Resumo das condições
de limite térmico. Para estudos transientes, você especifica as cargas
térmicas e restrições como uma função do tempo.

5. Você pode determinar a temperatura em faces, arestas e vértices.


Especifique a energia térmica como fluxo térmico ou potência térmica.
Convecção e radiação são aplicadas como condições de limite. Quando
especificar a convecção, você precisa inserir o coeficiente de convecção e a
temperatura ambiente do fluido ou gás. De forma semelhante, para radiação
você precisa especificar a emissividade e a temperatura circundante. A
constante de Stefan-Boltzmann é definida automaticamente.

6. Para estudos transientes, você pode definir um termostato (que veremos


em detalhes adiante).

7. Para montagens e peças com corpos múltiplos, certifique-se de definir


as configurações de contato apropriadas. As condições de contato
afetam o fluxo térmico através das áreas de contato. Você pode definir
a “thermal contact resistance” (resistência térmica de contato) entre
as faces em contato.

8. Gere a malha do modelo e execute o estudo. Antes de executar o estudo,


você pode usar Opções de resultado para solicitar a geração automática
de plotagens. Se você executar um estudo antes de gerar a malha, o
programa irá gerá-la, automaticamente, antes de executar o estudo.

91
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Também é possível solicitar a execução do estudo marcando a opção


Executar análise após geração da malha no “Property Manager” de
Malha.

Veja os resultados:

»» Para exibir uma plotagem, clique duas vezes em seu ícone.

»» Para definir uma nova plotagem, clique com o botão direito na pasta
Resultados e selecione Definir plotagem térmica. É possível plotar
temperatura, gradientes de temperatura e fluxo térmico.

»» Para listar os resultados, clique com o botão direito na pasta Resultados


e selecione Listar térmico.

»» Para gerar um relatório, clique com o botão direito na pasta Relatório e


selecione Definir.

»» Para estudos transientes, você pode traçar gráficos usando a ferramenta


Sonda.

Quando você executa um estudo que não tem nenhuma pasta de resultados, o
software cria as pastas e plotagens especificadas nas opções de resultado do tipo
de estudo. Se existirem pastas de resultados, o software atualizará as plotagens
existentes.

Para visualizar de forma mais consistente com elaborar uma simulação de


análise térmica no Solidworks®, assista ao vídeo https://www.youtube.com/
watch?v=qJnnZlHQJd0, que mostra a aplicação do software no estudo de calor
em uma jarra térmica. Vale a pena conferir!

Termostato (DASSAUT SYSTEMES, 2018)

Para estudos térmicos transientes, todas as atribuições de potência térmica e fluxo


de calor podem ser controladas por um mecanismo de termostato definido em um
vértice por um intervalo de temperatura desejável. Para cada etapa de solução, o
estado da condição de potência térmica ou fluxo térmico (ligado/desligado) é baseado
na temperatura no vértice especificado na etapa anterior. Você pode usar vários
termostatos em um estudo.

92
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Se o valor do poder calorífico ou do fluxo de calor for positivo, o aparelho atua


como um aquecedor que tenha sido ligado durante a fase seguinte da solução
se a temperatura corrente do sensor (vértice) for mais baixa do que a mais alta
temperatura desejada. Caso contrário, a condição de aquecimento é desligada.

Se o valor do poder calorífico ou da condição de fluxo de calor for negativa, o


aparelho atua como um resfriador que tenha sido ligado durante a fase seguinte da
solução se a temperatura atual do sensor (vértice) for mais alta do que a mais baixa
temperatura desejada. Caso contrário, a condição de resfriamento é desativada.

Se o termostato estiver trabalhando adequadamente, o gráfico de temperatura em


relação ao tempo no local do termostato deve oscilar como ilustrado na Figura
30, desde que seja usada uma adequada solução para o tempo. Se a temperatura
excessiva em um ou em ambos os lados dos limites for grande, você deverá modificar
as propriedades do estudo para usar um intervalo de tempo menor e executar
novamente o estudo.

Figura 30. Gráfico de temperatura em relação ao tempo no local do termostato.

Definição de
Temperatura temperatura
excessiva

Temperatura máx.
desejada

Temperatura mín.
desejada

Tempo

Fonte: DASSAUT SYSTEMES. Disponível em http://help.solidworks.com/2018/portuguese-brazilian/SolidWorks/cworks/


xxf1450460427630.image. Acesso em: 5/5/2019.

Se a temperatura no local do termostato convergir para uma temperatura fora ou


dentro do intervalo desejado (como nas curvas 1 e 2 da Figura 31), o termostato
especificado não desempenhará nenhum papel no controle da fonte de calor.
Modifique a fonte de calor, as outras cargas térmicas ou restrições, as propriedades
do material ou o local do termostato.

93
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

Figura 31. Gráfico de Temperatura x Tempo mostrando o intervalo de temperatura [1-2] desejado para um
termostato.
Temperatura

Temperatura máx.
desejada

Temperatura mín.
desejada

Tempo

Fonte: DASSAUT SYSTEMES. Disponível em http://help.solidworks.com/2018/portuguese-brazilian/SolidWorks/cworks/


fqg1450460428101.image. Acesso em: 5/5/2019.

Se a temperatura no local do termostato se aproximar de um dos limites de


temperatura com uma inclinação sem cruzá-la (como nas curvas 3 e 4), aumente o
tempo da solução e reinicie o estudo.

Tratando mais especificamente de softwares para projetos de sistemas térmicos,


não podemos esquecer dos tradicionais CAD, CAE e CAM: Projeto Assistido por
Computador, Engenharia Auxiliada por Computador e Manufatura Assistida por
Computador, respectivamente, pois são softwares que permitem realizar o projeto e
fazer uma série de simulações térmicas e de fluidos.

Como exemplo, podemos citar a ferramenta intuitiva de CFD (Computational


Fluid Dynamics – Dinâmica de Fluidos Computacional) que permite simular
o fluxo de líquidos e gases em condições reais, execução de diversos cenários
e análise eficiente das condições de fluxo, transferência de calor e forças
relacionadas aos componentes (Figura 32).

Figura 32. Aplicação de CFD em análise de fluidos em equipamentos mecânicos.

Fonte: IST Sistemas. Disponível em http://istsistemas.com.br/wp-content/uploads/2017/04/flow_simulation.jpg. Acesso em:


5/5/2019.

94
PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS │ UNIDADE II

Esse software possibilita comparação entre variações de projetos para tomada


de decisões fundamentadas em parâmetros técnicos e precisos. Oferece também
recursos avançados para análise de radiação e conforto térmico em estudos de
ar condicionados, além de uma biblioteca extensa de materiais para estudos de
resfriamento de componentes eletrônicos.

Existem também ferramentas para gerenciamento de documentos de projetos,


tal como o PDM – Product Data Management (Gerenciamento de Dados de
Produto). Trata-se de uma ferramenta focada no gerenciamento e sincronização
dos documentos relacionados ao projeto de toda a equipe de desenvolvimento,
estendendo o alcance no compartilhamento das informações, seja local
ou à distância, desde a fabricação até a venda, protegendo e armazenando
automaticamente as informações e dados gerados, com rastreamento integrado e
controle de versão e revisão.

Programas e suas aplicações para simulações de projetos completos ou elementos


de um projeto são de grande importância para o sucesso de um projeto, pois tais
simulações permitem (COPETTI; MACAGNAN, 2013):

»» Avaliar diferentes projetos para a seleção de um aceitável.

»» Avaliar o comportamento do sistema sob condições fora das


especificadas no projeto;

»» Determinar os limites de segurança para o sistema.

»» Determinar os efeitos de diferentes variáveis de projeto para a


otimização.

»» Melhorar ou modificar os sistemas existentes.

»» Investigar a sensibilidade do projeto para diferentes variáveis.

A simulação do sistema desempenha um importante papel em sua otimização, as


saídas do sistema devem ser obtidas para diferentes variáveis de projeto, a fim de
selecionar o projeto ótimo.

Considerações sobre a simulação de sistemas térmicos segundo Copettie Macagnan,


2013:

»» As características de desempenho dos componentes, assim como as


propriedades do material, fazem parte de um modelo e a simulação do
sistema é realizada por meio deste modelo.

95
UNIDADE II │ PROJETOS EM SISTEMAS TÉRMICOS

»» Estas características podem estar disponíveis na forma de dados ou


como equações que correlacionam estes dados.

»» As equações podem ser algébricas, diferenciais ordinárias ou parciais,


integrais, ou uma combinação destas.

»» Um modelo numérico é desenvolvido para resolver as equações, muitas


das quais são tipicamente não-lineares para sistemas térmicos.

As considerações acima nos levam a pensar também na importância de se aplicar


ferramentas baseadas em FE (Finite Elements - Elementos Finitos). A análise por FE
poderá ser aplicada levando em conta que a análise dos sistemas térmicos pode ser:

»» Dependente do tempo.

»» Multidimensional.

»» Mecanismos não lineares.

»» Geometrias complexas.

»» Condições de contorno complicadas.

»» Escoamento turbulento.

»» Mudança de fase.

»» Perdas de energia e irreversibilidades.

»» Propriedades variáveis.

»» Influência das condições ambientais.

»» Variedade de fontes de energia.

96
ESTUDOS DE CASOS UNIDADE III
(EC)

CAPÍTULO 1
EC1 - Dimensionamento de um sistema
de aquecimento solar de água para
aplicações industriais

Este primeiro Estudo de Caso – EC1 foi extraído do trabalho de Barbosa e


Carvalho (2018). Segundo o trabalho desenvolvido pelas autoras, é apresentado
um roteiro de dimensionamento de um Sistema de Aquecimento Solar (SAS) com
foco em aplicações industriais, elaborado com base em referências bibliográficas
consistentes. O objetivo do trabalho é facilitar o dimensionamento de sistemas
de aquecimento solar de água para aplicações não residenciais. Destaca-se a
importância da consideração das condições climáticas ao longo do ano, bem como
a relevância de se utilizar dados confiáveis de radiação solar e o potencial deste
tipo de aplicação no Brasil para a diversificação da matriz energética brasileira e
racionalização dos recursos energéticos com a contribuição da energia solar.

A partir dos elementos mínimos necessários exigidos pela Associação Brasileira


de NormasTécnicas (ABNT) e utilizando as informações da Associação Brasileira
de Refrigeração, ArCondicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA, 2008),
as autoras construíram uma metodologia para oprojeto e para análise da
viabilidade técnica da implantação de um SAS de água para processos industriais,
e definiram-se as ferramentas necessárias para sua execução. A Figura 33 foi
elaborada pelas autoras com base nas informações da ABNT e ABRAVA.

97
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Figura 33. Roteiro para execução de um projeto SAS.

Demanda de Demanda de
Visita Técnica água quente energia

Critérios de
Especificações do
Desenhos e Radiação solar
Produto
Projeto disponível

Fonte: Barbosa e Carvalho (2018, p.217).

Para o desenvolvimento do trabalho e exemplificação da metodologia


recomendada,, foi considerado o perfil de consumo de água quente em uma
indústria têxtil, localizada em João Pessoa, Paraíba. A indústria opera durante
24 horas diárias, com pausas programadas apenas por 24 horas a cada um mês
para manutenção preventiva dos equipamentos e por um período de recesso de
15 dias entre os meses de dezembro e janeiro, sendo a parada de 7 e 8 dias,
respectivamente. A indústria apresenta uma demanda mensal de água quente,
com temperaturas entre 50 a 60ºC, variando entre aproximadamente 230 a
300 m³/mês (cerca de 10 m³/dia), o que equivale a uma vazão de consumo de
aproximadamente 0,12 kg/s.

O comportamento é pouco variável ao longo dos meses, o que implicará em uma


demanda de energia para aquecimento da água com comportamento similar.
No entanto, para determinar com melhor precisão a energia útil associada ao
atendimento da demanda de água, é necessário conhecer as condições climáticas
do local durante todo o ano. Para tanto, as autoras montaram uma tabela com
valores médios mensais, ao longo de um ano, de temperatura mínima e máxima,
umidade relativa, velocidade do vento, insolação e nebulosidade.

O próximo passo consistiuna estimativa da energia solar disponível. Há softwares


eplanilhas de cálculo disponíveis gratuitamente na internet, que a partir das
coordenadasgeográficas de uma determinada cidade fornecem valores médios
mensais e anuais da radiaçãosolar disponível para diferentes inclinações e
orientações. Neste trabalho, utilizou-se o software RadiaSol 2 (UFRGS, 2010).

Para obter os valores de radiação solar por meio do RadiaSol 2, além da


localizaçãogeográfica, devem-se especificar a inclinação, a orientação da superfície

98
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

e o albedo das superfíciesadjacentes aos coletores. Aqui se considerou o albedo do


telhado da indústria de 0,6, com ainclinação dos coletores de 16°N e a orientação de
180°N (ângulo azimutal).

Dimensionamento do SAS
A NBR 15669 (2008) apresenta em sua metodologia de cálculo duas alternativas
para o dimensionamento de sistemas de aquecimento solar, dependendo
da finalidade do sistema: I) residências unifamiliares, ou II) demais casos. A
metodologia seguida no caso III) é o método fChart segundo Duffie e Beckman
(2014). Porém, com o objetivo de observar as perdas presentes em cada parte
do SAS e a identificação dos motivos, incluíram-se mais detalhes a fim de
propor possíveis soluções e, assim, um SAS mais eficiente. Cada uma das etapas
necessárias ao dimensionamento do SAS estão descritas a seguir.

Primeira etapa: Volume de Armazenamento.

O volume de armazenamento (Varmaz) pode ser calculado pela Equação 1 (ABNT, 2008):

Varmaz = [Vconsumo (Tconsumo − Tamb)]/(Tarmaz − Tamb) (1)

Na equação 1:

»» Vconsumo = consumo diário (m³).

»» Tconsumo = temperatura de consumo de utilização (ºC).

»» Tarmaz = temperatura de armazenamento da água (Tarmaz> Tconsumo) (ºC) e.

»» Tamb = temperatura ambiente média anual do local da instalação (ºC).

2° Etapa: Demanda Diária de Energia Útil (Eútil).

A demanda diária de energia útil é a quantidade de energia utilizada para aquecer a


quantidade de água necessária por dia até a temperatura desejada. Segundo a NBR
15669 (ABNT, 2008) a Eútil pode ser determinada, em kWh/dia:

Na equação 2:

»» ρ = a massa específica da água (1000 kg/m³).

»» Cp = o calor específico da água a pressão constante (4,18 kJ/kg K).

99
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

»» Varmaz= consumo médio diário(para esse cálculo) em m³/dia.

»» Tarmaz= temperatura requerida no processo industrial (para esse cálculo)


(ºC).

»» Tamb= a temperatura média do ambiente (ºC) (considerase que a água


está inicialmente na mesma temperatura).

3° Etapa: SAS Proposto sem perdas.

A Figura 34 mostra um esboço do esquema proposto para a instalação do sistema


de aquecimento solar. O sistema proposto apresenta circulação forçada direta, ou
seja, é feito o uso de bombas para circulação da água e a água que circula nos
coletores que é a mesma do consumo.

Figura 34. Esquema de funcionamento proposto do SAS.

Armazenamento
Térmico Tconsumo<Tprocesso

Tconsumo
Sistema de
Tprocesso Processo
Aquecimento
Industrial
Coletor Auxiliar
Solar
Tconsumo=Tprocesso

Tarmaz

Tambiente

Bomba

Água de Alimentação

Fonte: Barbosa e Carvalho (2018, p.220).

Para determinação da área de coletores, deve ser feita uma estimativa inicial,
que serão considerados os valores médios da radiação, da temperatura
ambiente local e serão desconsideradas as perdas causadas pelo vento. Os
valores inicialmente calculados serão usados como ponto inicial de sucessivas
interações e serão obtidos a partir de balanços de energia nos principais
componentes do sistema proposto.

100
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

A seguir, por meio da 1a Lei da Termodinâmica, em cada um dos componentes do


sistema, considerando a conservação da massa e regime permanente, são obtidas as
equações que formarão um sistema de equações a ser resolvido posteriormente.

Balanço de energia nos coletores solares:

0 = I.Ac.n – mc.Cp.(TC2 – TC1) (3)

Na equação 3:

»» I = a irradiação solar (W/m2).

»» Ac = a área dos coletores (m2).

»» n = o número de coletores (unidades).

»» mc = a massa de água na entrada dos coletores (kg/s).

»» Cp = o calor específico da água a pressão constante (4,18 kJ/kg K).

»» TC2 e TC1 = respectivamente, as temperaturas na entrada e saída dos


coletores (ºC).

Balanço de Energia no Tanque de Armazenamento

0 = mcCp(TC2 − TC1) – mconsumoCp(Tconsumo − Tambiente) (4)

Na equação 4:

Mconsumo = vazão mássica da água de alimentação em kg/s e,

Tconsumo e Tambiente= respectivamente, as temperaturas (ºC) de consumo e do ambiente.

A Equação 2 foi aplicada considerando a temperatura do tanque de armazenamento


constante, porém é importante considerar que esta temperatura não será uniforme, o
que torna necessária a determinação de uma temperatura média de armazenamento,
Tarmaz.

O tanque tende a apresentar uma temperatura estratificada que varia entre a


temperatura de alimentação e a temperatura de consumo. Para considerar este efeito,
é determinando um coeficiente adimensional (Earmaz) que será igual a 0 quando Tarmaz =
Tambiente, e igual a 1 quando Tarmaz = Tconsumo. Essa estratificação ocorre devido à diferença
de densidade da água no tanque, a água mais quente e menos densa fica na parte
superior do tanque enquanto que a águe fria e mais densa fica na parte inferior.

101
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

A variação do coeficiente de estratificação térmica no tanque, ET, pode ser calculada


pela Equação 5:

Earmaz = (Tconsumo − Tarmaz)/(TC2 − Tarmaz) (5)

Realizando um balanço de energia considerando a estratificação térmica do tanque


de armazenamento, obtém-se:

0 = mcCpTC2 + mconsumoCpTambiente = (mc + mconsumo)CpTarmaz (6)

Logo, a temperatura média de armazenamento do tanque pode ser calculada:

Tarmaz = (mcTC2 + mconsumoTambiente)/(mc + mconsumo) (7)

A área coletora necessária é determinada pela relação entre a energia solar, que
é efetivamente usada para aquecer a água do sistema, e a energia necessária para o
aquecimento da água nas condições desejadas:

𝑓 = [mconsumoCp(Tarmaz − Tambiente)]/[mconsumoCp(Tconsumo − Tambiente)]

𝑓 = (Tarmaz − Tambiente)/(Tconsumo − Tambiente) (8)

𝑓 é um índice que determina a contribuição solar do sistema de aquecimento e varia de


acordo com a configuração e a localização do sistema. O número de coletores solares
necessários é calculado pela Equação 9:

𝑁𝑐𝑜𝑙𝑒𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠 = 𝐴𝑐/𝐴𝑡𝑐 (9)

Atc é a área da cobertura de vidro do coletor, também chamada de área transparente.

Os seguintes dados são conhecidos:

»» Radiação Incidente no plano inclinado (W/m2).

»» Eficiência dos coletores solar usados (%).

»» Temperatura da água de alimentação (Tambiente).

»» Temperatura requerida no processo (Tprocesso = 60°C).

»» Vazão de consumo (mcons= 0,12 kg/s).

»» Propriedades do fluido de trabalho (água).

»» Área transparente dos coletores (m2).

102
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

As variáveis desconhecidas são:

»» Temperatura de entrada dos coletores (TC1, ºC).

»» Temperatura de saída dos coletores (TC2, ºC).

»» Vazão mássica necessária no banco de coletores (kg/s).

»» Temperatura média do tanque de armazenamento (Tarmaz, ºC).

»» Temperatura de consumo (Tconsumo, ºC) e.

»» Área coletora (Ac, m2).

A resolução das equações 3 a 9 é feita a partir de um sistema de equações,


resolvido no Software Engineering Equation Solver (EES, 2017), considerando
inicialmente uma fração solar de 80% e T C1 20% maior do que T ambiente (estratificação
térmica no tanque de armazenamento). Após determinada a primeira estimativa
da área coletora, podem-se fazer estimativas da fração solar para todos os
meses do ano, por meio da resolução do mesmo sistema de equações usado
anteriormente no EES.

Uma vez proposto o SAS em condições ideais, é necessário calcular as perdas que
ocorrem no sistema, e inclui-las no dimensionamento final. As perdas dividem-se
em duas partes principais, de acordo com o local da instalação onde ocorrem: I)
perdas nos coletores solares (considerada no cálculo da energia útil coletada), e II)
perdas no armazenamento.

O trabalho completo das autoras desse Estudo de Caso ainda avança nos seguintes
cálculos:

»» Cálculo de energia útil coletada.

»» Cálculo de perdas no armazenamento.

»» Cálculo da fração solar do SAS.

»» Discussão dos resultados calculados.

»» Conclusões, aqui reproduzidas parcialmente.

Conclusões

“(...) Com relação ao dimensionamento desenvolvido neste estudo, observou-se


que a maior parte da energia solar foi perdida ainda na área coletora, devido

103
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

principalmente a incidência de ventos nos coletores, além da contribuição das


propriedades radiantes dos seus materiais construtivos (já que definem seu
comportamento quanto a radiação incidente - absortividade, transmissividade
e refletividade - e ao ganho térmico de energia, emissividade). As perdas no
armazenamento foram menos significantes, pois se dão principalmente por
radiação térmica, uma vez que, diferente dos coletores, os tanques podem ser
instalados em áreas fechadas de forma a diminuir as perdas convectivas.

Verificou-se que a relação da fração solar do SAS com o volume de armazenamento


adotado é muito importante: com um volume de 8 m³, mesmo sem consideração das
perdas, verificou-se uma menor contribuição do sistema do que quando adotado o
dobro desse valor e contabilizando as perdas. Partindo do pressuposto de que um
Sistema de Aquecimento Solar de Água é viável tecnicamente quando apresenta uma
fração solar mínima de 50%, o SAS dimensionado mostrou-se apto do ponto de vista
técnico e operacional.

O cenário energético atual realça a necessidade do desenvolvimento de estudos


específicos visando um melhor conhecimento dos sistemas energéticos, para seu uso
racional e melhor desempenho (...)”.

Recomenda-se estudar/pesquisar o texto completo desse Estudo de Caso em


BARBOSA, Rafaela R.; CARVALHO, Mônica. Dimensionamento de um sistema de
aquecimento solar de água para aplicações industriais. ENGEVISTA, v. 20, n.2,
pp. 214-238, Abril 2018. Disponível em http://www.engenharia.uff.br/files/docs/
Engevista20x02/14.pdf Acessado em 13-04-2019.

Boa leitura!

Encerramos aqui o nosso primeiro Estudo de Caso.

104
CAPÍTULO 2
EC2 - Torres de resfriamento

Este segundo Estudo de Caso foi extraído do livro Applied Thermodynamics


for Engineering Technologists, de Eastop e McConkey, pp. 553-556 (veja em
detalhes).

Alguns processos industriais requerem grandes quantidades de água refrigerada.


A localização da planta industrial pode ser tal que uma adequada fonte de
abastecimento de água (rio, por exemplo) não esteja disponível nas proximidades
e, portanto, torna-se necessário um sistema circulatório. Uma parte fundamental
desse sistema é um cooler que refrie a água circulante. Um meio de refriamento é
necessário eeste meio é, invariavelmente, a atmosfera.

Seria possível realizar o resfriamento por meio de algum trocador de calor, com a
água circulando através dele e o ar atmosférico circulando sobre esse trocador. Um
método mais satisfatório emprega o efeito de resfriamento, que é um fenômeno
produzido quando a água evapora. Isto é feito por um spray de água do reservatório
ou através de uma corrente de ar que passa pela torre de resfriamento. Nesta
segunda opção,n uma corrente de ar se eleva de forma natural ou forçada através
da torre de resfriamento e a água quente entra em algum ponto e é lançada em
spray no ar. O efeito de resfriamento é maior na corrente de ar forçada, devido
ao aumento de fluxo de ar. Assim que a água cai, uma parte se evapora e auxilia
o processo; por sua vez, a torre de resfriamento possui uma estrutura que quebra
o fluxo. A água aquecida é resfriada, a temperatura do ar é elevada, tornando-
se completamente saturada com vapor d´água. A água de resfriamento pode,
teoricamente, ser resfriada para a temperatura do bulbo de entrada de ar, mas
há uma relação a ser respeitada entre a quantidade de resfriamento alcançado e o
tamanho da torre, e o modelo usado no projeto para a água refrigerada deixando a
torre é cerca de 8 K (oito graus Kelvin) acima da temperatura do bulbo da entrada
de ar. Torres de resfriamento induzidas e natural estão esquematizadas nas Figura
35 e 36, respectivamente.

105
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Figura 35. Torre de resfriamento induzida.

Saída de Ar

Entrada de
Ar

Água
Ar

Fonte disponível em: http://www.torreresfriamento.com.br/torre-de-resfriamento/torreresfriamento02_clip_image009.gif. Acesso


em: 3/5/2019.

Figura 36. Torre de resfriamento natural.

Tubulação de Água quente

Bacia de captação de água fria

Fonte disponível em:: http://www.torreresfriamento.com.br/torre-de-resfriamento/torreresfriamento02_clip_image006.gif. Acesso


em: 3/5/2019.

106
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

A estrutura da torre é composta, usualmente, de ripas de madeira. Torres projetadas


de forma moderna empregam material celulósico impregnado com plástico, que tem
a qualidade de elevada capacidade de absorção de água e uma vida útil de operação
maior. Para um dado emprego, o tamanho de uma torre usando este tipo de estrutura
é cerca de 1/5 daquela que usa ripas de madeira, sendo também uma construção mais
leve.

Um projeto mais compacto permite que a torre possa estar situada no topo de uma
construção sem a necessidade de uma estrutura especial para sustentá-la. Com este
design, que é do tipo induzido, a água quente circula pela estrutura a partir de um
cabeçote rotativo. Um pouco de água resfriada é perdida na atmosfera no processo
de evaporação em todas as torres de resfriamento, criando a necessidade de uma
alimentação extra de água.

107
CAPÍTULO 3
EC3 - Projeto de Instalação de um
Sistema de Aquecimento Solar

A ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação


e Aquecimento –apresenta um roteiro de cálculo e de orientações para projetos de
instalação de sistemas de aquecimento que é a base deste terceiro Estudo de Caso.

A Norma NBR 15569 estabelece os requisitos para o sistema de aquecimento solar


(SAS), considerando aspectos de concepção, dimensionamento, arranjo hidráulico,
instalação e manutenção, onde o fluido de transporte é a água.

Documentação do projeto (NBR 15569): a documentação do projeto deve contemplar


no mínimo os seguintes elementos:

1. premissas de cálculo;

2. dimensionamento;

3. fração solar;

4. memorial descritivo;

5. volume de armazenamento;

6. pressão de trabalho;

7. fontes de abastecimento de água;

8. área coletora;

9. ângulos de orientação e de inclinação dos coletores solares;

10. estudo de sombreamento;

11. previsão de dispositivos de segurança;

12. massa dos principais componentes;

13. considerações a respeito de propriedades físico-químicas da água;

14. localização, incluindo endereço;

15. indicação do norte geográfico;

16. planta, corte, isométrico, vista, detalhe e diagrama esquemático,


necessários para perfeita compreensão das interligações hidráulicas e
interfaces dos principais componentes;

108
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

17. esquema, detalhes e especificação para operação e controle de


componentes elétricos (quando aplicável);

18. especificação dos coletores solares e reservatórios térmicos;

19. especificação de tubos, conexões, isolamento térmico, válvulas e


motobomba;

20. tipos e localização de suportes e métodos de fixação de equipamentos,


quando aplicável.

O dimensionamento de instalações solares térmicas depende principalmente:

»» das condições climáticas locais.

»» da demanda de calor.

»» da fração solar desejada.

Rendimento da instalação e sua configuração

O objetivo do dimensionamento é determinar qual é a área coletora e o volume do


sistema de armazenamento necessário para atender à demanda de energia útil de um
determinado perfil de consumo.

É necessário fazer ou ter um levantamento do consumo de água quente dentro de um


histórico de consumo/hora, consumo/dia e consumo/mês indicados, por exemplo, em
histogramas como os da Figura 37.

Figura 37. Histograma de consumo de água quente: (a) por hora, (b) por dia e (c) por mês.

Horário Diário Mensal

Fonte: Adaptado de ABRAVA (p.25).

109
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

É necessário fazer também o cálculo da demanda diária de energia para se ter


uma estimativa do consumo de energia ao longo de um mês. A expressão para tal
é a seguinte:

Dmês = ρ.Vmês.Cp.(TQ – Tamb)/3,6.106 [kWh/mês]

Onde:

»» Dmês = demanda de energia mensal.

»» ρ = densidade da água [1000 kg/m3].

»» Vmês = volume de água quente requerido por mês em [litros].

»» Cp = calor específico da água a pressão constante (4,18 kJ/kg.oC).

»» TQ = temperatura da água quente.

»» Tamb = temperatura ambiente.

Fundamentos de solarimetria

O cálculo da energia solar incidente em cada cidade e nas condições específicas


da obra que receberá o aquecedor solar é imprescindível na análise de viabilidade
técnica e econômica de sua implantação.

A Figura 38 mostra que a energia solar advinda da radiação solar é inesgotável e


amplamente superior àquela gerada por outras fontes.

Figura 38. Comparativo da energia térmica radiativa do sol com a de outras fontes.

Urânio

Gás
Natural

Irradiação Petróleo
Solar Anual

Carbono

Consumo
energético
mundial

Fonte: ABRAVA (2008, p.29).

110
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

Dentre os coletores solares, destacam-se, entre outros, os vidros lisos. O diagrama da


Figura 39 mostra curvas típicas de transmissividade espectral para vidros lisos com
diferentes espessuras.

Figura 39. Curvas típicas de de transmissividade espectral para vidros lisos com diferentes espessuras.
Transmissividade (%)

Comprimento de Onda (μm)

Legenda da Figura 39: (1) Vidro [0,71 mm]; (2) Vidro [3,05 mm].

Fonte: ABRAVA (2008, p.31).

Define-se a constante solar (GSC) como a energia incidente por unidade de tempo e
área, em uma superfície instalada fora da atmosfera da Terra, de modo a receber os
raios solares com incidência normal. O valor de GSC = 1370 W/m2.

Temos, ainda, duas classes de radiação.

»» Radiação solar direta (GB): definida como a fração da irradiação


solar que atravessa a atmosfera terrestre sem sofrer qualquer alteração
em sua direção original.

»» Radiação difusa (GD): refere-se à componente da irradiação solar que,


ao atravessar a atmosfera, é espalhada por aerossóis, poeira, ou mesmo
refletida pelos elementos constituintes dessa atmosfera.

Radiação Global = Radiação Direta + Radiação Difusa

GG = GR + GD

111
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Principais instrumentos de medição de radiação


solar

»» Heliógrafo – horas de sol.

»» Piranômetro – radiação global (GG).

»» Piranômetro de radiação difusa – radiação difusa (GD).

»» Pireliômetro – radiação direta (GD).

Para se ter uma noção do quão rico nosso país é em possibilidades de uso de energia
solar, a menor média anual de irradiação solar no Brasil (em Santa Catarina) é cerca
de 30% acima da maior média de irradiação anual da Alemanha, um dos lideres do
mercado Europeu nesse segmento, (CEPEL, 2006 apud ABRAVA,2008). Por sua vez,
se fosse toda coberta por energia solar, a superfície da cidade de São Paulo (1524 km2),
seria capaz de produzir mais de 50% de todo o consumo de energia elétrica do Brasil.

No projeto de um sistema de aquecimento em uma residência é preciso levantar os


seguintes dados/informações:

»» Qual radiação solar incide nos diferentes telhados dacasa?

»» Qual a localidade?

»» Quais os ângulos solares?

»» Qual sombreamento?

Posicionar corretamente os coletores solares visa promover:

»» Maior período diário de insolação sobre a bateria de coletores.

»» Maior captação da radiação solar em determinadas épocas do ano ou


em médias anuais, dependendo do tipo de aplicação requerida ou de
particularidades do uso final da água quente.

É extremamente importante garantir que o coletor solar irá “enxergar” o Sol por
mais horas durante todas as estações do ano. Para tanto, algumas informações se
fazem necessárias: localização, os movimentos da Terra, o fenômeno da declinação
solar. Com tais dados, fica mais fácil projetar a inclinação da placa coletora conforme
ilustrado na Figura 40.

112
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

Figura 40. Instalação e inclinação de placas coletoras no telhado de residência.

Fonte: ABRAVA (2008, p.53).

Quanto de energia o coletor pode produzir? A resposta a essa questão dependerá do


Fluxo de Energia, conforme indicado na Figura 41, e que iremos dimensionar a seguir.

Figura 41. Fluxos de energia.

Fonte: ABRAVA (2008, p. 66).

Legenda da Figura 41: Eo = Irradiação solar; E1 = Perdas óticas; Q1 e Q2 perdas


térmicas por convecção e condução, respectivamente; Q3 = Aproveitamento
(rendimento útil).

A eficiência (η) de um coletor pode ser calculada da seguinte maneira:

η = QN/E

113
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Onde:

»» QN = Potência térmica disponível (W/m2).

»» E = Irradiação que atinge a cobertura de vidro (W/m2).

Sendo que a potência térmica disponível é assim calculada:

QN = E N – Q V

Onde:

»» EN = Irradiação disponível (W/m2).

»» QV = Perdas térmicas (W/m2).

A irradiação disponível (EN) é dada por:

EN = E.Ƭ.α

Onde:

»» E = Irradiação que atinge a cobertura de vidro (W/m2).

»» Ƭ = Coeficiente de transmissividade do vidro.

»» α = Coeficiente de absorvidade (absorsor).

QV = UL. ΔT

Onde:

»» UL = Coeficiente global de perdas [W/K.m2].

»» ΔT = Diferença de temperatura do absorsor e do ar.

Assim, a eficiência de um coletor pode ser assim generalizada:

η = ηo – UL.ΔT/E

As perdas térmicas dependem da diferença de temperatura do absorsor e do ar e em


uma primeira aproximação para absorsores de baixa temperatura esta relação é linear.

Para absorsores de alta temperatura, as perdas térmicas não aumentam linearmente


com a diferença de temperatura, mas aumentam mais (através de uma potência
quadrática) como podemos ver na relação a seguir:

η = ηo – UL1.ΔT/E - UL2.ΔT2/E

114
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

A Figura 42 ilustra um balanço de energia em placas coletoras com as indicações de


calores envolvidos.

Figura 42. Balanço de energia em sistema de placas coletoras.

Fonte: ABRAVA (2008, p.70).

Da Figura 42 temos:

Qabsorvido = Ƭc.αp.G.A

Qperdas = UL.A.(Tp – Tamb)

UL = Utopo + Ubase + Ulaterais

Qútil = A.[ Ƭc.αp.G – UL.(Tp – Tamb)]

A Figura 43 a seguir é um gráfico com curvas de eficiência para aquecimentos


diversos.
Figura 43. Curva de eficiência em função do local a ser aquecido.
Eficiência (%)

Temperatura (°C)
Fonte: ABRAVA (2008, p.73).

115
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Legenda da Figura 43:

»» (1) = Aquecimento de piscina.

»» (2) = Aquecimento para banho.

»» (3) = Aquecimento de ambiente.

»» (4) = Aquecimento para processos industriais.

»» (A) = Coletor com tubo evacuado.

»» (B) = Coletor fechado.

»» (C) = Coletor aberto.

Recomenda-se estudar/pesquisar o texto completo desse Estudo de Caso


em ABRAVA. Projetando uma instalação de aquecimento solar passo a passo.
Disponível em http://www.forumclima.pr.gov.br/arquivos/File/curso2.pdf.
Acesso em: 21/4/2019. O texto detalha em profundidade todas as etapas
necessárias para tal dimensionamento, além de dar boas dicas. Vale a pena
conferir!

Boa leitura!

116
CAPÍTULO 4
EC4 - Isolamento para recipientes
isotérmicos de curto prazo

Este quarto e último Estudo de Caso foi extraído do livro de Ashby, M. Seleção de
Materiais no Projeto Mecânico, pp. 152-154, e nos mostra como devemos proceder para
selecionar um material isolante para um dispositivo eletrônico. Vamos a ele!

Cada membro da tripulação de uma aeronave militar carrega, para emergências,


um sinalizador de rádio. Se forçado a se ejetar, o membro da tripulação poderia se
encontrar em circunstâncias difíceis – em água a 4°C, por exemplo (grande parte da
superfície da Terra é oceano cuja temperatura média é aproximadamente essa). O
sinalizador guia serviços de salvamento propícios, minimizado o tempo de exposição.

Porém, metabolismos microeletrônicos (como os dos seres humanos) são


perturbados por baixas temperaturas. No caso do sinalizador de rádio, são as suas
frequências de transmissão que começam a variar. A especificação de projeto para a
embalagem oval que contém os elementos eletrônicos (Figura 44) exige que, quando
a temperatura da superfície externa sofrer uma mudança de 30°C, a temperatura
da superfície interna não deve mudar significativamente durante 1 hora. Para
manter o dispositivo pequeno, a espessura da parede, w, é limitada a 20 mm. Qual
é o melhor material para a embalagem? Um frasco de Dewar está descartado – é
demasiadamente frágil.

Figura 44. Dispositivo eletrônico na “embalagem” de isolamento a ser projetada.

Isolamento Componentes
eletrônicos

Espessura da
parede
Temp Ti

TempTo

Fonte: Ashby, M. (2012, p.152).

117
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Algum tipo de espuma, talvez. Porém, este é um caso no qual a intuição nos induz ao
erro. Portanto, vamos formular os requisitos de projeto (Quadro 3) e fazer o serviço da
maneira adequada.

Quadro 3. Requisitos de projeto para isolamento de curto prazo.

Função Isolamento térmico de curto prazo


Restrição Espessura da parede não deve exceder w.
Objetivo Maximizar o tempo t antes de a temperatura interna mudar quando a temperatura externa cair repentinamente.
Variável Livre Escolha do material.

Fonte: Ashby, M. (2012, p.b152).

Modelamos o recipiente como uma parede de espessura w, condutividade térmica λ.


O fluxo de calor q que atravessa a parede, uma vez atingido um estado estável, é dado
pela primeira lei de Fick:

q = - K (dT/dx) = K.(Ti – To)/w

Onde To é a temperatura da superfície externa, Ti é a da interna e dT/dx é o gradiente


de temperatura (Figura 44). A única variável livre aqui é a condutividade térmica, K.
O fluxo é minimizado escolhendo um material para a parede que tenha o menor valor
possível de λ. O diagrama K – α (Figura 45) mostra que esse material é, de fato, uma
espuma.

Figura 45. Mapa de seleção de materiais.

Fonte: Ashby (2012, p.153).

118
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

Porém, respondemos à pergunta errada. A diretriz geral do projeto não era minimizar
o fluxo de calor que atravessa a parede, mas maximizar o tempo até a temperatura
da parede interna variar de uma quantidade apreciável. Quando a temperatura da
superfície de um corpo muda repentinamente, uma onda de temperatura, por assim
dizer, propaga-se para dentro.

A distância x à qual ela penetra no tempo t é, aproximadamente, √2at. Aqui a é a


difusividade térmica, definida por:

a = K/ρ.Cp

Onde ρ é a densidade e Cp é o calor específico. Igualando essa expressão à espessura da


parede w, temos:

t ≈ w2/2ª (*)

O tempo é maximizado escolhendo o menor valor da difusividade térmica, a, e não da


condutividade, K.

A seleção

A Figura 45 mostra que as difusividades térmicas de espumas não são


particularmente baixas; isso porque elas têm pouca massa e, por consequência,
pouca capacidade térmica. A difusividade de calor em um polímero ou elastômero
sólido é muito mais baixaporque esses materiais têm calores específicos
excepcionalmente grandes.

Uma embalagem feita de borracha sólida, neopreno ou isopreno daria – se tivesse


a mesma espessura – uma vida útil ao sinalizador 10 vezes maior do que uma feita
de (digamos) uma espuma de poliestireno – sebem que, claro, seria mais pesada.
O quadro 4 resume as conclusões. Você pode confirmar usando a Equação (*), que
22 mm de neopreno (a = 5 × 10−8 m2/s, lidos na Figura 45) permitirão um intervalo
de tempo de mais de 1 hora após uma mudança na temperatura externa antes de
alterarem muito a temperatura interna.

Quadro 4. Materiais para isolamento térmico de curto prazo.

Material Comentários
Elastômeros: borracha butílica, neopreno e isopreno são exemplos. Melhor escolha para isolamento de curto prazo.
Polímeros comerciais: polietilenos e polipropilenos. Menos caros do que os elastômeros, porém não tão bons para isolamento de
curto prazo.
Espumas de polímeros. Não tão boas quanto elastômeros para isolamento de curto prazo; melhor
escolha para isolamento de longo prazo em regime permanente.

Fonte: Ashby, M. (2012, p.154).

119
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Observação

Podemos fazer melhor do que isso. O truque é explorar outros modos de absorver
calor. Se pudermos encontrar um líquido – uma cera de baixo ponto de fusão, por
exemplo – que se solidifique a uma temperatura igual à temperatura de operação
mínima desejada para o transmissor (Ti), ele pode ser usado como um “dissipador
de calor latente”. Canais escavados na embalagem são enchidos com o líquido;
a temperatura interna só pode cair abaixo da temperatura de operação desejada
quando todo o líquido tiver se solidificado. O calor latente de solidificação deve
ser fornecido para fazer isso, o que dá à embalagem um grande calor específico
(aparente) e assim uma difusividade excepcionalmente baixa para calor à
temperatura Ti. A mesma ideia é usada, do modo contrário, em “bolsas térmicas”
que se solidificam quando colocadas no compartimento do congelador de um
refrigerador e permanecem frias (por fusão, a 4°C) quando acondicionadas ao
redor de latas de cerveja mornas em um refrigerador portátil.

Encerramos aqui nosso último Estudo de Caso.

Considerações finais sobre projetos de


sistemas térmicos
Encerramos nossa disciplina de Projetos de Sistemas Térmicos onde estudamos
uma grande variedade de conceitos e conteúdos fundamentais para a compreensão,
desenvolvimento e implementação de tais projetos. Vamos, aqui, fazer uma pequena
síntese dos principais pontos abordados.

Pudemos entender projeto como uma descrição escrita e detalhada (memorial) de um


empreendimento a ser realizado. Discutimos projetos segundo duas frentes distintas:
uma que trata de conceitos relacionados a projetos e sua gestão e, em uma segunda
frente tratamos, especificamente, de projetos de sistemas térmicos adentrando nos
conceitos fundamentais da termodinâmica que conduzem aos dimensionamentos de
tais sistemas que envolvem calor e fluidos.

Reforça-se, aqui, que, embora a nossa disciplina seja Projeto de Sistemas Térmicos
voltados para um Engenheiro Mecânico, alguns tópicos iniciais abordados foram
direcionados também para outras categorias de engenheiro: Engenheiro de Produção
Mecânica, Engenheiro Industrial e os que atuam na área de Gestão de Projetos.

Dentre os diversos conceitos de projetos, definimos PROJETO conforme prevê a


norma NBR ISO 10.006, segundo a qual: “Projeto é um processo único, consistindo

120
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

em um grupo de atividades coordenadas e controladas, com datas para início e fim,


empreendido para alcance de um objetivo, conforme requisitos específicos, incluindo
limitações de tempo, custo e recursos”.

Vimos que dentre os tipos de projetos temos os pessoais, corporativos, operacionais,


de Pesquisa e Desenvolvimento (PeD), Projetos de Engenharia, projetos de TI e de
Telecomunicações entre outros!

Destaque para a Engenharia Simultânea ou Concorrente, que é uma tentativa de


realizar trabalho em paralelo, ao invés de série. O conceito de engenharia simultânea
acelera o desenvolvimento de produtos, mas traz riscos sérios e dispendiosos, sendo
que o maior deles é o custo de retrabalho.

Segundo Ashby (2012), nem sempre é necessário começar um projeto do “zero”.


O projeto original precisa de envolvimento com uma nova ideia ou princípio de
funcionamento; quase todos os projetos são adaptativos ou desenvolvimentistas.

Para atender as exigências de um projeto, são utilizadas as chamadas “ferramentas


de projeto”. As ferramentas habilitam a modelagem e a otimização de um projeto,
aliviando os aspectos rotineiros de cada fase. Softwares de otimização do tipo DFM
(Design for Manufacture) – Projeto para Fabricação ou DFA (Design for Assembly) –
Projeto para Montagem e os softwares de estimativa de custo permitem o refinamento
de aspectos de fabricação. Não se pode esquecer de pacotes de Elementos Finitos
(FE) e de dinâmica de fluidos por computador (CFD) permitem análises mecânicas e
térmicas precisas.

Qualquer projeto em (ou de) engenharia envolve análise e síntese, tal que: (I) a
análise trata da simplificação do sistema físico real, conduzindo a definição de
um modelo; (II) a síntese, por sua vez, é a composição dos resultados obtidos em
decorrência da solução do problema, em uma resposta conclusiva.

Dentro de um processo de um projeto, temos as seguintes etapas: identificação de


uma necessidade, definição do problema, coleta de informações, concepção, avaliação,
especificação da solução proposta e comunicação

Uma etapa importante deve ser considerada: o descarte que envolve o manejo da
solução após término de sua vida útil.

No Memorial de Cálculo completo de um projeto deve constar a parte descritiva, os


cálculos, desenhos, eventualmente solicitação de patente e anexos.

121
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Projetos aplicando o método de engenharia, envolve processo de transformação que


resulta na criação de produtos. Não envolve apenas cálculos, desenhos e esquemas
executados pelo engenheiro, envolve, antes, a identificação das necessidades e
demandas e, depois, a fabricação, a disponibilização e o futuro descarte do produto
após o término de sua vida útil.

Para perceber o problema: identificar o problema, basicamente é preencher a frase:

<QUEM?> precisa <DO QUE?> pois <PROPÓSITO?>

Mas o que vem a ser “sistemas”? Do latim systema, um sistema é um conjunto


ordenado de elementos que se encontram interligados e que interagem entre si.
Trata-se de um conjunto de conceitos, como objetos reais dotados de organização
(Conceito.de, 2011).

Vimos que Sistemas térmicos são sistemas nos quais estão envolvidos o
armazenamento e o fluxo de calor por condução, convecção ou radiação. A rigor,
sempre estão envolvidas simultaneamente as três formas de transferência de
calor. Entretanto, na prática, tem-se, em geral, a preponderância de uma forma
sobre as demais ou então a preponderância de duas formas sobre a terceira, o
que é mais comum. Exemplos clássicos de sistemas térmicos são os sistemas de
arrefecimento do motor de um automóvel, o refrigerador doméstico, o sistema de
condicionamento de ar de um escritório etc.

Nos projetos de sistemas térmicos, como em outros ramos da engenharia, a solução


bem sucedida de um problema impõe algumas premissas e idealizações.

Falando mais especificamente sobre custos de projetos, a Norma NBR ISO 10006 faz
algumas considerações sobre esse tema. Destacamos: Processos relacionados ao custo
(Estimativa de custos, Orçamentação e Controle de custos); Processos relacionados
aos recursos (planejamento de recursos e controle de recursos); Análise de viabilidade
(Econômico-financeira; Técnica ou tecnológica; Legal; Operacional; Ambiental;
Mercadológica (de marketing, ou de mercado); Política; Fiscal; De localização; Social;
Outros).

É necessário fazer uma análise de viabilidade técnica de projetos, pois não é possível
imaginar um projeto viável economicamente sem ser tecnicamente viável.

Na Unidade: Projetos de Sistemas Térmicos – Variáveis de Projeto (capítulo 1)


fizemos uma ampla revisão de conceitos da Termodinâmica que são fundamentais,
principalmente os relacionados aos fenômenos de Transferência de Calor e seu
equacionamento/modelamento matemático. Destaques para:

122
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

Fluxo de calor: q = K.(T2 – T1) = K.ΔT

Variáveis térmicas a serem consideradas, inicialmente, em um projeto de sistemas


térmicos:

»» Temperatura (T): em Kelvin [K]. Lembrando que T[oC] = T[K] – 273,15

»» Fluxo de calor (q): em Watts [W]. Lembrando que 1 W = 1 J/s = 0,238


cal/s

Número Biot (Bi), que serve de critério para definir se um sistema térmico pode ser
admitido como de parâmetros concentrados. Bi = h.Lc / k

Variáveis incrementais: para a maioria dos sistemas térmicos existe uma condição de
equilíbrio que define o ponto de operação do sistema. Assim, podemos definir uma
temperatura incremental – θ(t) e um fluxo de calor incremental – Q(t) como:

θ(t) = T(t) – T

Q(t) = q(t) – q

Onde: T e q são os valores das variáveis temperatura e calor no ponto de operação.

Capacitância Térmica (CT): Para um corpo de massa M e calor específico c, a capacitância


térmica é dada por: CT = M.c

Resistência Térmica (RT): RT = e / A.K

Ciclos de Vapor Comprimido: os refrigeradores e bombas de calor mais


amplamente utilizados são aqueles que usam vapor liquefeito como refrigerante.
Os processos de condução e evaporação ocorrem quando o fluido está recebendo
e rejeitando entalpia (h) específica de vaporização e estes estão em um estado de
temperatura e pressão constantes. Este ciclo é daqueles em que esses dois processos
(condução e evaporação) corresponde àqueles dos ciclos de Carnot reversíveis
para vapores, e isso permite que o intervalo de temperaturas para um dado serviço
permaneça baixa.

No Capítulo 2, estudamos o dimensionamento e memorial de cálculo e vimos que o


dimensionamento de um sistema térmico depende, é óbvio, de qual sistema térmico se
trata, visto que há variados tipos.

Refrigeradores e Bombas de Calor: a finalidade de um refrigerador é transferir


calor a partir de uma câmara fria que está a uma temperatura inferior à das suas
vizinhanças. A refrigeração consiste em um processo cíclico, com uma mesma

123
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

quantidade de fluido operando, chamado “refrigerante”, em circulação contínua.


A energia rejeitada pela câmara fria pode ser usada para fins de aquecimento e
refrigeração e, quando projetadas inteiramente para essas finalidades constituem as
chamadas “bombas de calor”.

Ciclos motores reversíveis de calor: de acordo com a primeira Lei da


Termodinâmica, “quando um sistema realiza um ciclo termodinâmico, o calor total
fornecido para o sistema a partir de suas vizinhanças somado ao trabalho fornecido ao
sistema pelas mesmas vizinhanças, é igual a zero”.

A potência de entrada (W) é importante porque é a quantidade que tem que ser
despendida e constitui o item principal de operação do sistema.

As performances do refrigerador (COPR) e da bomba de calor (COPBC) são definidas por


meio do coeficiente de performance (COP), dado por:

»» Para o refrigerador: COPR = Q1 / W

»» Para a bomba de calor: COPBC = (-Q2) / W

Podemos obter COP para o refrigerador e para a bomba de calor a partir das
temperaturas do ciclo, ou seja:

COPR = T1/(T2 – T1)

COPBC = T2/(T2 – T1)

Os materiais de isolamento térmico devem apresentar baixa condutividade térmica.


Na maioria dos casos, ela é obtida pelo aprisionamento do ar ou de algum outro gás
dentro de pequenas cavidades em um sólido. Interessante que a condutividade térmica
dos materiais isolantes, não é realmente uma propriedade do material, mas o resultado
de uma combinação de mecanismos de fluxo de calor.

Existem, basicamente, três tipos de materiais de isolamento: fibrosos, celulares e


granulares. Além dos três tipos de materiais isolantes aqui citados, pode-se também
obter isolamento com a utilização de chapas refletoras.

A propriedade mais importante a ser considerada na seleção de um material de


isolamento térmico é a condutividade térmica efetiva; porém, densidade, limite superior
de temperatura, rigidez estrutural, degradação, estabilidade química e, é claro, custo,
também são fatores importantes.

124
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

Na prática da engenharia, especialmente para materiais de construção, o isolamento


normalmente é caracterizado por um termo denominado “valor-R”. A diferença de
temperatura dividida pelo valor-R fornece a transferência de calor por área unitária.
Para uma grande chapa ou placa:

Valor-R =(espessura) / (condutividade térmica média efetiva)

O valor-R é fornecido em unidades do sistema inglês, e é dado por:

[valor-R] = h.ft2.F /BTU

Dimensionamento de tubulações de vapor: o dimensionamento de uma


tubulação de vapor deve ser feito visando obter no final das linhas, pressões
compatíveis com o uso que se deseja fazer do vapor, isto é, uma perda de carga tal que
ainda se possa utilizar o vapor nas condições desejadas.

a) Dimensionamento pela velocidade: para o cálculo do diâmetro usa-se a seguinte


relação:

D = K.[(Q.ν)/V]1/2

b) Dimensionamento pela perda de carga:

ΔP = (K.v.L.Q2) / d5

Caldeiras: Segundo Pinho (2014), uma caldeira é um equipamento térmico em que


os gases provenientes da queima de um combustível cedem energia térmica a um
fluido a aquecer, em outras palavras, é de um modo geral um trocador de calor no seio
do qual existe uma fornalha onde se dá uma reação de combustão, seguida de uma
região dedicada, exclusivamente, à transferência térmica. Em muitas circunstâncias, o
calor é transferido dos gases de combustão para o fluido a aquecer ainda na região da
fornalha, sendo que neste caso as paredes desta atuam como trocador de calor.

Uma primeira classificação de caldeiras leva em consideração a natureza do fluido


a ser aquecido.

Em termos globais pode, portanto, dizer-se que uma caldeira é identificada por
uma série de parâmetros: natureza do fluido a aquecer; timbre e pressão de serviço;
temperatura do fluido a aquecer; combustível; potência térmica nominal; superfície
de aquecimento; capacidade, isto é fluxo do fluido a ser aquecido; número de
passagens do fluido quente; tipo de câmara de inversão e rendimento térmico.

125
UNIDADE III │ ESTUDOS DE CASOS (EC)

Pela variedade de tipos de caldeira e seus elementos que para um correto


dimensionamento em um projeto precisamos ter bem definido qual o tipo de caldeira
que pretendemos projetar.

Rendimento térmico de caldeiras (ηc): o rendimento térmico de uma caldeira ou


gerador de calor define-se como o quociente entre a energia térmica existente à saída
do gerador e a energia térmica fornecida ao mesmo, ou seja:

ηc = (energia térmica na saída) / (energia térmica fornecida)

Do ponto de vista prático, a avaliação do rendimento de uma caldeira é mais simples


e esta é analisada apenas sob o ponto de vista térmico, ou seja, compara-se a energia
térmica que o fluido de trabalho ganhou ao passar através da caldeira com a energia
térmica libertada na queima do combustível. Assim sendo, o rendimento da caldeira
será definido como:

ηc = (energia térmica fornecida ao fluido de trabalho) / (energia térmica do combustível)

Em termos matemáticos a relação acima pode ser assim escrita:

ηc = (hsai – hentra).mf / (PCI.mcomb)

ηc = 1 - ∑perdas = 100 - ∑perdas(%)

As perdas a considerar na avaliação do desempenho da caldeira são as seguintes:


perda por não queimados existentes no resíduo sólido - Psnq; perda por não
queimados existentes na escória liquefeita – Pesc; perda por não queimados nos
gases à saída da caldeira – Pgnq; perda sensível nos gases que saem pela chaminé –
Psch; perda por condução, convecção e radiação – Pccr; perda pelas purgas – Ppur.

A expressão do rendimento ficará então dada por:

ηc = 1 – (Psnq + Pesc + Pgnq + Psch + Pccr + Ppur)

Quanto a aplicação de programas computacionais para projetos de sistemas térmicos


(Capítulo 3 da Unidade 2), vimos que é importante conhecer alguns softwares
utilizados em projetos de sistemas térmicos, seja no seu dimensionamento, seja no
seu design, seja na simulação, seja na análise de variáveis térmicas envolvidas. Tais
programas podem ser aplicados para:

126
ESTUDOS DE CASOS (EC) │ UNIDADE III

Análise Térmica:

»» Análise térmica em estado estável: se concentra nas condições térmicas


do corpo quando ele atinge o equilíbrio térmico. O tempo que ele leva
para atingir este equilíbrio não é de interesse.

»» Análise térmica transiente: se concentra no estado térmico do corpo em


diferentes instâncias no tempo.

Análise de tensão térmica: o Solidworks® é um software conhecido e muito


aplicado em projetos mecânicos diversos e entre suas principais ferramentas há a de
análise térmica.

Termostato: para estudos térmicos transientes, todas as atribuições de potência


térmica e fluxo de calor podem ser controladas por um mecanismo de termostato
definido em um vértice por um intervalo de temperatura desejável. Para cada etapa de
solução, o estado da condição de potência térmica ou fluxo térmico (ligado/desligado)
é baseado na temperatura no vértice especificado na etapa anterior. Você pode usar
vários termostatos em um estudo.

Tratando mais especificamente de softwares para projetos de sistemas térmicos


não podemos esquecer dos tradicionais CAD, CAE e CAM: Projeto Assistido por
Computador, Engenharia Auxiliada por Computador e Manufatura Assistida por
Computador, respectivamente, pois são softwares que permitem realizar o projeto e
fazer uma série de simulações térmicas e de fluidos.

Existem também ferramentas para gerenciamento de documentos de projetos, tal


como o PDM – Product Data Management (Gerenciamento de Dados de Produto).

Finalizamos nossa disciplina com a apresentação de quatro Estudos de Casos:

»» EC1 – Dimensionamento de um sistema de aquecimento solar de água


para aplicações industriais.

»» EC2 – Torres de resfriamento.

»» EC3 – Projeto de Instalação de um Sistema de Aquecimento Solar.

»» EC4 – Isolamento para recipientes isotérmicos de curto prazo.

Destacamos, finalmente, que o estudo de Projetos de Sistemas Térmicos é muito


amplo e complexo, pois envolve um conhecimento profundo da Termodinâmica. Para
um maior aprofundamento nos estudos, recomenda-se a consulta às bibliografias
indicadas ao final do nosso material.

127
Referências

ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e


Aquecimento. Projetando uma instalação de aquecimento solar passo a
passo. ABRAVA, 2008. Disponível em: http://www.forumclima.pr.gov.br/arquivos/
File/curso2.pdf. Acesso em: 21/4/2019).

ASHBY, Michael. Seleção de materiais no projeto mecânico. Rio de Janeiro:


Elsevier, 2012.

ASINTISOL. Purga de fundo da caldeira. Disponível em: http://www.asintsol.


com/produtos/central_de_vapor/purga_de_fundo.html. Acesso em: 23/5/2019.

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