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Produção Independente Salus in Caritate

Direitos reservados à Ana Paula Barros

Distribuição parcial ou completa desta edição, de qualquer forma, está proibida.

Qualquer menção a esse material em texto, áudio, vídeo ou qualquer meio de comunicação deve ser
acompanhado com às devidas referências a esse material

Viva Cristo Rei!


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SUMÁRIO

PEQUENA INTRODUÇÃO À ESCATOLOGIA - 11

Pregação do Evangelho pelo mundo todo

Os apóstolos dos últimos dias

Os avisos e sinais nos Céus

Penalidades: A Apostasia do Mundo e da Igreja

Conversão dos judeus

O Anticristo

O Reino do Nosso Senhor Jesus Cristo

A GRANDE BATALHA - 35

Pequena Introdução à Nova Ordem Mundial

EIS OS ESCRAVOS DO SENHOR - 42

Quem é a Santíssima Virgem Maria

Humildade

Louvor à Maria

Servir à Maria

Princípios dessa devoção

Devoções comuns

Prática da perfeita devoção mariana

Os 8 motivos para abraçar esta devoção

5 favores da santíssima virgem aos seus fiéis escravos

Práticas interiores e exteriores dessa devoção

PRONUNCIAMENTOS PAPAIS - 79

Pequeno índice de siglas e termos: TDV – Tratado da Verdadeira Devoção; CIC – Catecismo da Igreja
Católica; doutor da Igreja – atingiu grau elevado de conhecimento teológico e santidade, existem
somente 36 doutores da Igreja, não há erro em suas abordagens.
8

Soberana Humildade que tudo ensina! Vós que se deixa encerrar no Sacrário também está no Coração
Imaculado de Maria e lá Vos encontro. O Imaculado Coração Daquela que se tornou Senhora por abrigar
o Senhor deverá ser também a morada dos que são amantes de Vós.

Como é Bela a minha Senhora e como é belo o seu caminho. Para Vós, minha Senhora, entrego esse
labor que de fato fiz com lágrimas de amor, para que, se vos agradar, chegue aos meus irmãos que tanto
amais. Que essas singelas palavras do meu coração, prisioneiro da Sabedoria Eterna e Encarnada,
recebam o brilho da tua graça maternal para atingir os corações.
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Querido Leitor, peço-te que leias este prefácio. Este é um pequeno ensaio sobre escatologia católica e o
aumento considerável do número de consagrados à Santíssima Virgem Maria, devemos, portanto, sair
do medo de seres imaginários e nos depararmos com seu real significado na realidade e se o Bom Deu
me atender poderás crescer em fé após a leitura.

Para lhe fornecer um material profundo sobre a Total Consagração lhe entrego parte do estudo que até
então tenho feito. Como sei que muitos possuem vontade, no entanto, pouca coragem, peço que diante
de referências e transcrições que suscitem essas emoções você peça a graça de ser forte, pois nós
somos testemunhas de tempos difíceis e devemos ser mais corajosos para ver coisas que nos dão medo
e ainda sim dizer: “da barca de Pedro não sairei.”

Para elucidar alguns pontos e fazê-los ter contato com as aparições marianas aprovadas, e outras tantas,
faço extenso uso delas durante parte do segundo pilar de formação deste ensaio, ofereço às aparições o
lugar que a Igreja lhe confere, ou seja, um adendo a Revelação Definitiva e você, leitor, tem assegurado
a sua escolha de acreditar ou não em revelações, dado que não são matéria de doutrina e não
interferem na sua salvação, eu por minha parte me reservo o direito de utilizá-las conforme orienta a
Santa Madre Igreja sem me afastar nem para a direita e nem para a esquerda da Santa Doutrina, assim
encontrará os dados da liberação da Santa Sé e os responsáveis por cada uma ao término de cada
citação (Nihil Obstat significa que nada dito fere a Santa Doutrina ou a moral e Imprimatur e a
autorização da autoridade eclesial para que se divulgue).

Este ensaio se divide em: Introdução, Escatologia, Escola de Maria (em que desdobro os capítulos do
Tratado do Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria e as revisões catequéticas
necessárias para bem entende-lo) e a Conclusão.

Não tenho a intenção de fornecer um material completo e definitivo, pois seria um disparate, quero
somente auxiliar singelamente os irmãos que decidiram e decidirão adentrar ao Caminho Belo que é a
Verdadeira Devoção Mariana, este material também pode ser lido por aqueles que ainda estão a
conhecer tal devoção, leigos, padres e religiosos, mesmo sem intenção de se consagrar, para que
conheçam do que verdadeiramente se trata esta Devoção tão antiga na história da Santa Igreja, assim
ofereço tudo que posso a esse respeito, dado que já coloquei tudo nas Mãos da Santíssima Virgem e me
restou somente o desejo que as almas se salvem.

Singelamente.

Ana Paula Barros

ps: agradeço profundamente ao teólogo João Pedro Batalheiros Marques, da Universidade de Navarra, que olha
para vinda do Senhor com tanta alegria quanto eu, que me deu generosamente diretrizes sobre o assunto há três
anos, parte do esqueleto desse trabalho é o esqueleto de seus estudos não colocados no papel e que minha
pequenez tentou condensar aqui. Deus o conduza por um sacerdócio santo.

Tudo escrito aqui visa servir à Igreja, qualquer coisa que vá aqui que a Igreja – e somente ela e não os homens- diga
que precisa ser corrigido, considere já corrigido. Diante da sabedoria da Igreja Católica Apostólica Romana- e
somente diante dessa sabedoria - submeto este estudo já em obediência.
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"Há quem busque o saber por si mesmo, conhecer por conhecer: é uma indigna
curiosidade.

Há quem busque o saber para poder exibir-se: é uma indigna vaidade. Estes não
escapam a mordaz sátira que diz: 'Teu saber nada é, se não há outro que saiba que
sabes'.

Há quem busque o saber para vendê-lo por dinheiro ou por honras: é um indigno
tráfico.

Mas há quem busque o saber para edificar, e isto é amor. E há quem busque o saber
para se edificar, e isto é prudência".

São Bernardo de Claraval


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PEQUENA INTRODUÇÃO À
ESCATOLOGIA

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste
dos teus lábios, não se afaste de teu coração.

São Bernardo de Claraval


12

"As trevas atraem demasiados. Isso tem que acabar. Rezareis para que isso acabe e muitos de vós
rezaram para que isso acabasse. Esta é a maneira como nós erradicaremos o seu controle sobre o
mundo. É doloroso para vós assistir, mas sereis bastante recompensados. Louvai-Me em tudo o que
virdes. Quando virdes a bondade caluniada e perseguida, quando virdes a bondade rotulada como
maldade, quando virdes a bondade perseguida e castigada, então tereis que Me agradecer porque é
então que o tempo se aproxima. Fostes escolhidos para testemunhardes estes tempos. Não desejeis
estar em qualquer outro lugar porque Eu vos escolhi cuidadosamente. Tudo está bem. O vosso Deus vos
assegura, tudo está bem." Revelações de Jesus e Nossa Senhora a Anne, apóstola leiga. EUA, 2003-
2004. Nihil Obstat e Imprimatur, a 12 de Novembro de 2013, pelo Bispo de Kilmore, Leo O’Reilly

Começaremos este estudo, por motivos didáticos, em Apocalipse 19, 11-21. Revela-se nesse capítulo a
grande batalha entre o Senhor Jesus e o Inimigo:

"Vi ainda o céu aberto: eis que aparece um cavalo branco. Seu cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e é
com justiça que ele julga e guerreia. Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas e traz
escrito um nome que ninguém conhece, senão ele.Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu
nome é Verbo de Deus.Seguiam-no em cavalos brancos os exércitos celestes, vestidos de linho fino e de
uma brancura imaculada.De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações pagãs, porque
ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador.Ele
traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores!Vi, então, um anjo de pé sobre o
sol, a chamar em alta voz a todas as aves que voam pelo meio dos céus: Vinde, reuni-vos para a grande
ceia de Deus, para comerdes carnes de reis, carnes de generais e carnes de poderosos; carnes de
cavalos e cavaleiros; carnes de homens, livres e escravos, pequenos e grandes.Eu vi a Fera e os reis da
terra com os seus exércitos reunidos para fazer guerra ao Cavaleiro e ao seu exército.Mas a Fera foi
presa, e com ela o falso profeta, que realizara prodígios sob o seu controle, com os quais seduzira
aqueles que tinham recebido o sinal da Fera e se tinham prostrado diante de sua imagem. Ambos foram
lançados vivos no lago de fogo sulfuroso.Os demais foram mortos pelo Cavaleiro, com a espada que lhe
saía da boca. E todas as aves fartaram-se da suas carnes." (Apocalipse 19, 11-21)

Podemos notar que isso ocorre no capítulo 19 do livro da Revelação, assim, antes da batalha final,
existem 18 capítulos, que tratam dos acontecimentos que deveriam e deverão ocorrer antes desse
momento e da Santa Missa.

O Apocalipse faz parte da Revelação Definitiva mostrada por Deus, no entanto, a Tradição, a Doutrina e
as Revelações Marianas, pelos séculos, nos ajudam a enxergar com clareza cada passagem da Revelação.

"Ainda que a data da volta de Cristo é indefinida, foram-nos dados a conhecer os sinais que a
precederão. São eles: a pregação do Evangelho em todo o mundo, a conversão do povo judeu,
penalidades e tribulações da Igreja, a aparição do Anticristo, e o caos da criação. " M. Schmaus,
Dogmática. VII Los Novíssimos, Rialp, Madrid 1961.

Eis os cinco acontecimentos que antecedem a vinda do Reino do Senhor Jesus. Mas devemos, antes de
apontarmos cada um dos eventos, superficialmente, nos lembrarmos sobre a História da Igreja ou as 8
Idades da Igreja:

"Certamente, dizem-se sete eões [idades] de este mundo, desde a criação do céu e da terra até ao fim e
à ressurreição comum dos homens. Por uma parte, o final particular é a morte de cada um; por outra,
existe o final comum e perfeito, quando chegue a ressurreição dos homens. O oitavo eón [idade] é o
mundo futuro." (São João Damasceno, Doutor da Igreja, 676-749 d.C)

Segundo São Ireneo de Lyón (Doutor da Igreja, 130-202 d.C.), podemos classificar os eões ou idades da
História da Salvação em:
1- A idade que se inicia com a criação / aliança com Adão
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2- A idade que se inicia com a Aliança com Noé


3- A idade que se inicia com a Aliança com Abraão
4- A idade que se inicia com a Aliança com Moisés
5- A idade que se inicia com a Aliança com David
6- A idade que se inicia com a Nova Aliança, em Cristo (estamos no fim dessa idade)
7- A idade que se inicia com a Reino do Filho
8- A idade que se inicia com a Reino do Pai

"Ora, o eón a que Nosso Senhor se refere nas passagens do Evangelho de São Mateus... é aquele que
vem inaugurado com a Aliança Nova e Eterna no Seu Sangue. Em Mt 24,3 os discípulos perguntam a
Jesus qual será o signo da sua vinda e do “fim da idade”. Nosso Senhor Jesus Cristo responde:
"Proclamar-se-á esta Boa Nova do Reino no mundo inteiro, para dar testemunho a todas as nações. E
então chegará o fim" (Mt 24,14). Exatamente o mesmo conceito aparece em Mt 13,39, no contexto da
explicação do sentido da parábola do trigo e do joio (cf. Mt 13,36-43), quando Jesus diz que "a ceifa é o
fim da idade". E ainda em outra ocasião, em Mt 28,16-20 no contexto da missão universal que Cristo
confia aos onze. Afirma em 28,20b: "E sabei, Eu estou convosco todos os dias até ao fim da idade".
Nosso Senhor está a falar da sexta idade, do fim do sexto eón.

Ora, precisamente o livro do Apocalipse segundo São João é toda uma larga descrição da grande
tribulação que se vive neste fim do tempo do sexto eón. Culminará com a derrota do Anticristo a
quando da segunda vinda de Nosso Senhor Jesus , que é dizer com a inauguração da sétima idade ou do
sétimo eón (cf. Ap 19,11-20,6)." Teólogo João Pedro Batalheiro, Lisboa, Portugal.

Atualizado este conhecimento, sobre onde estamos e o que estamos a clamar incessantemente "Vem
Senhor Jesus". Nos resta apontar e esclarecer os eventos que iniciaram e ainda estão a ocorrer no fim
desta sexta idade da nossa História. Como vimos antes da vinda do Reino do Senhor Jesus, cinco
acontecimentos estão a se desenrolar de forma já bem avançada, devemos lembrar que não existe
necessariamente uma ordem:

Pregação do Evangelho em todo o mundo

"Cristo não virá até que a Boa Nova tenha sido pregada em todo o mundo (cf. Mc 10,13; Mt 24,14).
Assim foi determinado por Deus. Antes de que Cristo venha por segunda vez ao mundo, os povos serão
postos diante da decisão de com Ele ou contra Ele. No momento da sua volta só poderá haver amigos ou
inimigos de Cristo. Uns verão n’Ele o Rei por largo tempo desejado que por fim vem da cidade celestial e
os outros verão n’Ele o grande inimigo que, bruscamente, dará fim ao seu poder erigido com todos os
meios da força e da mentira.

Não está profetizado que cada homem em particular escutará a predicação de Cristo antes do “fim do
mundo”, nem que todos a aceitarão; a pregação do Evangelho será feita antes do fim, a todos os grupos
de homens, a todos os povos. O individuo recebe a Cristo em quanto membro do seu povo (cf. Mt
26,28). Cristo foi preparado por Deus como salvação aos olhos dos povos, luz para iluminar os povos
estranhos (Lc 2,30-31). [...]

Também não se pode dizer se o fim ocorrerá imediatamente depois que o Evangelho tenha sido
pregado a todo o mundo. Só está profetizado que o fim do mundo não acontecerá antes de que o
Evangelho tenha sido pregado a todos os povos. Seria compatível com esta profecia que passe um longo
período de tempo entre a predicação do Evangelho a todos os povos e o “fim do mundo”. M. Schmaus,
Dogmática. VII Los Novíssimos, Rialp, Madrid 1961.
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No caso quando se diz "fim do mundo" é o mesmo que "fim da idade", como já vimos. O que podemos
notar é que a palavra mundo tem dois sentidos nas Sagradas Escrituras, um positivo e outro negativo, o
primeiro tem relação a maravilha da criação que saiu das mãos de Deus, ou seja, tem relação com a
criação, e o segundo, por sua vez, trata-se do pecado e da mundanidade. Todo o apocalipse tem relação
com o fim do pecado, que ocorrerá no final da sexta idade da História do Mundo (ou seja, História da
Criação).

Também é possível notar a grande relevância que existe em relação a conversão dos povos, todo do
enredo do apocalipse se baseia em povos e nações que o reconhecem como Senhor ou não, logo
podemos vislumbrar com mais clareza um dos aspectos atuais mais importantes: as ideias que afastam
ou aproximam nações inteiras de Deus. Veremos mais sobre a importância desse aspecto futuramente.

Dentro desse acontecimento podemos enquadrar, por motivos didáticos, dois outros acontecimentos:
os apóstolos dos últimos dias e os avisos e sinais nos céus.

Os Apóstolos dos últimos dias

Foram profetizados por São Luís Grignon de Monfort, no Tratado da Verdadeira Devoção a Ss. Virgem
Maria e também pela própria Santíssima Virgem e por Nosso Senhor em diversas aparições, assim como
por Santa Teresa D’avilla e outros santos. Sobre eles sabemos:

Serão “ministros do Senhor” (Hb 1, 7; Sl 103, 4) que, qual fogo crepitante, levarão a toda parte as
chamas do Amor Divino. Serão “setas na mão do Poderoso” (Sl 126, 4), flechas agudas nas mãos
poderosas de Maria para trespassarem os seus inimigos. Serão “filhos de Levi” (Ml 3, 3), bem
purificados no fogo das grandes tribulações, bem apegados a Deus, que trarão o Ouro do Amor em
seus corações, o incenso da oração no espírito, e a mirra da mortificação no corpo. Serão por toda
parte o “bom odor de Jesus Cristo”: odor de vida para os pobres, os pequenos e os humildes; odor de
morte para os grandes, os ricos e orgulhosos mundanos (2 Cor 2, 15-16).

Serão “nuvens trovejantes” ( Mc 3, 17; Sl 103, 7), que voarão pelos ares ao menor sopro do Espírito
Santo. E, sem se apegarem a coisa alguma, nem se admirarem ou inquietarem, espalharão a chuva da
Palavra de Deus e da Vida Eterna. Bradarão contra o pecado, clamarão contra o mundo, fulminarão o
demônio e seus adeptos. Atravessarão de lado a lado, para a vida ou para a morte, com a espada de dois
gumes da Palavra de Deus (Ef 6, 17; Hb 4, 12), todos aqueles a quem forem enviados da parte do
Altíssimo.

Serão verdadeiros apóstolos dos últimos tempos, a quem o Senhor das virtudes dará a palavra e a força
para operar maravilhas e arrebatar gloriosos despojos ao inimigo. Dormirão sem ouro nem prata e, o
que é mais, sem cuidados, no meio dos outros sacerdotes eclesiásticos e clérigos (Sl 67). Terão, no
entanto, as asas prateadas da pomba, para irem, com a reta intenção da glória de Deus e da salvação
das almas, aonde o Espírito Santo os chamar. Deixarão após si, nos lugares onde tiverem pregado, o
ouro da caridade, que é o cumprimento de toda a Lei (Rm 13, 10).

Sabemos, enfim, que serão os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, que seguirão as pegadas da sua
pobreza, humildade, desprezo do mundo e caridade. Ensinarão o estreito caminho de Deus na pura
verdade, segundo o Santo Evangelho e não segundo as máximas do mundo, sem se colocar em
inquietação nem fazer acepção de pessoas, sem poupar, escutar ou temer nenhum mortal, por
poderoso que seja.

Terão nos lábios a espada de dois gumes, que é a Palavra de Deus; trarão aos ombros o estandarte
sangrento da Cruz, o crucifixo na mão direita, o Rosário na esquerda, os sagrados nomes de Jesus e
Maria no coração, e a modéstia e mortificação de Jesus Cristo em toda a sua conduta. Eis os grandes
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homens que hão de vir, mas que Maria suscitará por ordem do Altíssimo, para estender o seu Império
sobre o dos ímpios, idólatras e maometanos. Quando e como acontecerá isto?... Só Deus o sabe.
Quanto a nós, apenas nos compete calar, rezar, suspirar e esperar: “Esperei ansiosamente o Senhor”
(Sl 39, 2). (São Monfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n 55-59).

"O meu Coração Imaculado é o local deste novo, espiritual e universal Cenáculo. Deveis entrar nele com
o vosso ato de consagração, que vos entrega a Mim para sempre, a fim de que Eu possa unir a minha
voz às vossas no invocar sobre a Igreja e toda a humanidade o Dom de um segundo Pentecostes."
(Nossa Senhora a Pe Gobbi, 1984, Imprimatur do Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de
Guayaquil, Arcebispo Metropolitano de Pescara – Penne, D. Francesco Cuccarese, Cardeal Ignace
Moussa Daoud, Patriarca emérito de Antioquia dos Sírios e Prefeito da Congregação para as Igrejas
Orientais).

"Eu dirijo um apelo urgente à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus.
Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos
homens.
Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os
conduza ao meu Divino Filho, aqueles que levo, por assim dizer nos meus braços, aqueles que viveram
de acordo com o meu espírito.
Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no
desprezo do mundo e de si mesmos, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração
e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo. É
chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos
amados. Estou convosco e em vós, contanto que a vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de
desgraças. Que o vosso zelo vos faça como que sedentos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei,
filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins." (Nossa
Senhora em La Sallete, 1846)

Outras menções, sobre os apóstolos dos últimos dias, os filhos da Santa Virgem Maria, e o Exército do
Senhor, feitas pela Santa Mãe, estão abaixo, em outros pontos deste estudo.

Os Avisos: sinais no céu e o caos da Criação

"Escreve isto: Antes de vir como justo Juiz, venho como Rei da Misericórdia. E antes que chegue o dia da
Justiça, nos Céus será dado aos homens este sinal: apagar-se-á toda a luz no Céu e descerá uma grande
escuridão sobre a toda a Terra. Depois há-de aparecer o sinal da Cruz no céu e dos orifícios, onde foram
pregadas as mãos e os pés do Salvador, [sairão] grandes luzes, que, por algum tempo, hão de iluminar a
Terra. Isto acontecerá pouco antes do último dia." (Jesus a Santa Faustina - Diário 83)

“Vi quando ele abriu o sexto selo: houve um grande terramoto; o sol tornou-se preto como um pano
de crina, e a lua inteira como sangue; as estrelas do céu precipitaram-se sobre a terra, como a figueira
que deixa cair os seus frutos ainda verdes ao ser agitada por um vento forte; o céu afastou-se como
um livro que é enrolado; as montanhas todas e as ilhas foram removidas do seu lugar; os reis da terra,
os magnatas, os capitães, os ricos e os poderosos, todos os escravos e os homens livres, esconderam-
se nas cavernas e pelos rochedos das montanhas, dizendo aos montes e às pedras: “desmoronai sobre
nós e escondei-nos da face daquele que está sentado no trono, e da ira do Cordeiro, pois chegou o
Grande Dia da sua ira, e quem poderá ficar de pé?” (Apocalipse 6, 12)

"Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra, as nações estarão em angustia, inquietas pelo
bramido do mar e das ondas; os homens desfalecerão de medo, na expectativa do que ameaçará o
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mundo habitado, pois os poderes dos céus serão abalados. E então verão o Filho do Homem vindo
numa nuvem com poder e grande glória. Quando começarem a acontecer estas coisas, erguei-vos e
levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação." Lucas 21,25-28 ( idem em Marcos 13,24-27 e
Mateus 24,29-31)

"Tocai a trombeta em Sião, dai alarme na minha morada santa! Tremam todos os habitantes da terra,
porque está a chegar o dia de Javé! Sim, está próximo um dia de trevas e escuridão, um dia de nuvens
e de obscuridade! [...] Diante dele a terra se comove, os céus tremem, o sol e a lua escurecem e as
estrelas perdem o seu brilho! Javé levanta a sua voz diante do seu exército! Sim, o seu acampamento
é muito grande, o executor da sua palavra é poderoso. Sim, o dia de Javé é grande, extremamente
terrível! Quem poderá suportá-lo?" (Joel 2,1-2.10-11)

“Depois disto, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão, os vossos anciões terão sonhos, os vossos jovens terão visões. Até sobre os escravos e
sobre as escravas naqueles dias, derramarei o meu Espírito. Porei sinais nos céus e na terra, sangue,
fogo e colunas de fumaça”. O sol se transformará em trevas, a lua em sangue, antes que chegue o dia
de Javé grande e terrível! Então, todo aquele que invocar o nome de Javé, será salvo." (Joel 3,1-5).
Idem em: Ezequiel 32,7-8; Isaías 24,19-23; Isaías 13,9-13)

Nossa Senhora em Scoreal

(1981-2002, Aparições de Jesus Cristo e Nossa Senhora (atualmente em estudo a cargo do Arcebispo de Madrid, Carlos Osoro.
Com o Culto Eucarístico autorizado, no lugar das Aparições)

"Será um tempo em que os filhos vão lutar contra os pais, as noras contra as sogras e irmãos contra
irmãos. Morrerão muitos inocentes. Eu esperá-los-ei na Minha morada. As moradas estão preparadas
para os escolhidos, mas os calabouços do Inferno também estão preparados. A luta vai parecer-vos
muito longa e o Inimigo será, então, vencedor. Haverá três dias de escuridão; o Sol escurecerá e a Lua
dará uma luz muito ténue. Os verdadeiros filhos de Deus continuarão a rezar, não se esquecendo de
Deus. Esses dias serão terríveis! Será nesses momentos que se conhecerão os verdadeiros imitadores de
Cristo. Não desembainheis a vossa espada. Lembrai-vos que foi dito: "Quem com ferros mata, com
ferros morre". O que Eu vos peço é oração, pois com a oração salvar-vos-eis." (25.setembro,1981)

"Minha filha, repito-te como repeti a outras almas muitas vezes: sê humilde e segue o caminho que o
Meu Filho te traçou. Todos os que percorrem o caminho para a luz têm de carregar a cruz e seguir o
caminho do sofrimento. Mas os seres humanos não pensam em nada mais do que em divertir-se e
cometer pecados. Diz a todos que se não mudarem e não pedirem perdão dos seus pecados nem se
arrependerem, o Castigo está muito próximo. O toque das trombetas vai soar muito em breve e, nesse
momento, a terra tremerá, o Sol girará sobre si com grandes explosões, a Lua escurecer-se-á e em todo
o planeta terra ver-se-ão muitos fenômenos. Um astro iluminará a terra. Vai parecer que está envolta
em chamas e isto vai durar vinte minutos. O pânico propagar-se-á por toda a parte. Todos os que
acreditem em Deus e na Santíssima Virgem ficarão como em êxtase durante esses vinte minutos.
Tudo isto está muito próximo, Minha filha." (26.Fevereiro,1982)

"Os exércitos do Pai, formados por biliões e biliões [de Anjos], estão preparados. Basta o Pai mover o
Seu braço para descerem à terra e separarem o joio do trigo, lançando o joio nas profundezas dos
infernos e transportarem o trigo para os celeiros do Meu Filho. Por isso, diz a todos que estejam
preparados para quando chegar esse momento. Dentro de pouco tempo, o Sol deixará de brilhar e a Lua
deixará de alumiar." (7.Maio, 1983)

Nossa Senhora em La Salette

“As estações mudarão, a terra só dará maus frutos, os astros perderão os seus movimentos regulares, a
Lua não projetará senão uma débil luz avermelhada. A água e o fogo darão ao globo terrestre
movimentos convulsivos e horríveis tremores de terra que engolirão montanhas, cidades, etc.. Roma
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perderá a fé e se tornará sede do Anticristo. Os demônios do ar, junto com o Anticristo, farão grandes
prodígios na terra e nos ares. E os homens se perverterão cada vez mais.”

Penalidades e Tribulações da Igreja

(Grande Tribulação ou Grande Prova)

Apostasia no Mundo

Sobre o Dragão de Fogo ou o Dragão Vermelho


Depois apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e
com uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava grávida e gritava com as dores de parto e o
tormento de dar à luz. Apareceu ainda outro sinal no céu: era um grande Dragão de fogo com sete
cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças tinha sete coroas e, com a sua cauda, varreu a terça parte das
estrelas do céu e lançou-as à terra. (Apocalipse 12,1-4) .

Nossa Senhora ao Pe. Stefano Gobbi.

14 de Maio de 1989, Santuário de Tindari, Sicília. Festa de Pentecostes. Mensagens de Nossa Senhora, aos Sacerdotes, Seus fil hos
predilectos, através do Pe. Stefano Gobbi (1992). Imprimatur do Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de Guayaquil,
Arcebispo Metropolitano de Pescara – Penne, D. Francesco Cuccarese, Cardeal Ignace Moussa Daoud, Patriarca emérito de
Antioquia dos Sírios, e Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.

“O meu Coração Imaculado é o local deste novo, espiritual e universal Cenáculo. Deveis entrar nele com
o vosso ato de consagração, que vos entrega a Mim para sempre, a fim de que Eu possa unir a minha
voz às vossas no invocar sobre a Igreja e toda a humanidade o Dom de um segundo Pentecostes.

Só o Espírito do Senhor pode conduzir a humanidade à perfeita glorificação de Deus. Só o Espírito do


Senhor pode renovar a Igreja com o esplendor da sua unidade e da sua santidade. Só o Espírito do
Senhor pode vencer a potência e a força vitoriosa do enorme dragão vermelho, que, neste vosso século,
se desencadeou por toda a parte, de maneira terrível, para seduzir e enganar toda a humanidade.

O enorme dragão vermelho é o comunismo ateu que difundiu em toda a parte o erro da negação e da
obstinada recusa de Deus

O enorme dragão vermelho é o ateísmo marxista, que se apresenta com dez chifres, isto é, com a
potência de seus meios de comunicação, para conduzir a humanidade a desobedecer aos dez
mandamentos de Deus, e com sete cabeças, tendo sobre cada uma delas um diadema, sinal de poder e
realeza. As cabeças coroadas indicam as nações nas quais o comunismo ateu se estabeleceu e domina
com a força do seu poder ideológico, político e militar.
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A enormidade do dragão manifesta claramente a vastidão das terras ocupadas pelo domínio
incontestado do ateísmo comunista.

O enorme dragão vermelho, conseguiu, nestes anos, conquistar a humanidade com o erro do ateísmo
teórico ou prático, que já seduziu todas as nações da terra.

Conseguiu-se assim construir uma nova civilização sem Deus, materialista, egoísta, hedonista, árida e
fria, que traz em si os germes da corrupção da morte.

O enorme dragão vermelho tem a missão diabólica de subtrair toda a humanidade do domínio de Deus,
da glorificação da Santíssima Trindade, da plena atuação do desígnio do Pai que, por meio do Filho, a
criou para sua glória.

O Senhor revestiu-Me com a sua Luz e o Espírito Santo com o seu divino poder; assim apareço como um
grande sinal no céu, como a Mulher vestida de sol, porque tenho a missão de subtrair a humanidade do
domínio do enorme dragão vermelho e reconduzi-la toda à perfeita glorificação da Santíssima Trindade.

É por isso que formo o exército dos meus filhos mais pequeninos, em todas as partes do mundo, e peço-
lhes que se consagrem ao meu Coração Imaculado. Assim, levo-os a viver somente para a glória de
Deus, por meio da fé e da caridade, e cultivo-os, Eu mesma, zelosamente, no meu celeste jardim.

Apresento-me então, cada dia, diante do trono do meu Senhor numa atitude de profunda adoração, e
abro a porta de ouro do meu Coração Imaculado e ofereço nos meus braços todos estes meus filhos
dizendo: “Santíssima e Divina Trindade, na hora da vossa universal negação, Eu vos apresento a
homenagem da minha materna reparação, por meio de todos estes meus pequeninos que cada dia
formo para a vossa maior glorificação.” (Nossa Senhora ao Pe. Stefano Gobbi. 14 de Maio de 1989,
Santuário de Tindari, Sicília. Festa de Pentecostes)

Aparição de Nossa Senhora à Irmã Lúcia

13 de Junho de 1929, em Tuy (Espanha)

"Depois Nossa Senhora disse-me: É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer,
em união com todos os Bispos do Mundo, a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração,
prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados
contra Mim cometidos que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora.

Dei conta disto ao Confessor que me mandou escrever o que Nossa Senhora queria que se fizesse. Mais
tarde, por meio duma comunicação íntima, Nossa Senhora disse-me, queixando-se:

– Não quiseram atender ao Meu pedido!... Como o rei de França, arrepender-se-ão e fá-la-ão, mas será
tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras, perseguições à igreja:
o Santo Padre terá muito que sofrer."

Carta da Irmã Lúcia a João Paulo II

12 de Maio de 1982

"[...] A terceira parte do segredo, que tanto desejais conhecer, é uma revelação simbólica, que se refere
a esta parte da mensagem, ligada à aceitação ou não de aquilo que a própria mensagem diz: “Se
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escutam o meu pedido, a Rússia converter-se-á e haverá paz; se não, espalhará os seus erros pelo
mundo [...]”.

Portanto, visto que não tivemos em consideração este apelo, é necessário constatar o seu
cumprimento: a Rússia invadiu o mundo com os seus erros. E ainda que não alcancemos a ver o
cumprimento da parte final desta profecia, percebemos que nos vamos dirigindo a esse fim a grande
passos. Se não renunciamos ao caminho de pecado, de ódio, de vingança, de injustiça violando os
direitos da pessoa humana, de imoralidade e de violência, etc...E não digamos que é Deus que nos
castiga assim, porque são os homens sozinhos que se preparam eles mesmos o castigo. Deus adverte-
nos primorosamente e nos chama ao bom caminho, respeitando a liberdade que nos deu; por isso os
homens são responsáveis."

Carta da Irmã Lúcia

Agosto 1989

"João Paulo II escreveu a todos os bispos do mundo pedindo-lhes que se unissem a ele; fez levar a Roma
a estatua de Nossa Senhora de Fátima (a da Capelinha) e a 25 de Março de 1984, publicamente, em
união com os bispos que quiseram unir-se a ele, fez a consagração assim como Nossa Senhora tinha
pedido. Mais tarde foi-me perguntado se era conforme ao pedido de Nossa Senhora e eu respondi que
sim. Desde aquele momento a consagração é concluída."

Exatamente como Nossa Senhora havia dito, foi feito, no entanto de forma tardia, 60 anos depois e não
exatamente como Ela pediu. Obviamente que durante esse tempo as sementes do comunismo já
haviam se espalhado pelo mundo.

Nossa Senhora, 1959, Beata Elena Aiello

(Declarada Beata pelo Papa Bento XVI a 14 de Setembro de 2011)

"Para salvar as almas, desejo que se propague no mundo a consagração ao Imaculado Coração de Maria,
Medianeira dos homens, agradecidos à Misericórdia de Deus e à Rainha do Universo."

Sobre a Besta semelhante a uma pantera

"Vi, então, levantar-se do mar uma Fera que tinha dez chifres e sete cabeças; sobre os chifres, dez
diademas; e nas suas cabeças, nomes blasfematórios. A Fera que eu vi era semelhante a uma pantera:
os pés como de urso, e as fauces como de leão. Deu-lhe o Dragão o seu poder, o seu trono e grande
autoridade. Uma das suas cabeças estava como que ferida de morte, mas essa ferida de morte fora
curada. E todos, pasmados de admiração, seguiram a Fera e prostraram-se diante do Dragão, porque
dera seu prestígio à Fera, e prostraram-se igualmente diante da Fera, dizendo: Quem é semelhante à
Fera e quem poderá lutar com ela? Foi-lhe dada a faculdade de proferir arrogâncias e blasfêmias, e
foi-lhe dado o poder de agir por quarenta e dois meses. Abriu, pois, a boca em blasfêmias contra
Deus, para blasfemar o seu nome, o seu tabernáculo e os habitantes do céu. Foi-lhe dado, também,
fazer guerra aos santos e vencê-los. Recebeu autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação, e hão
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de adorá-la todos os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos desde a origem do mundo no
livro da vida do Cordeiro imolado. Quem tiver ouvidos, ouça!" (Apocalipse 13, 1-10)

Nossa Senhora ao Pe. Stefano Gobbi

(1973-1997). Imprimatur do Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de Guayaquil; Arcebispo Metropolitano de Pescara –
Penne, D. Francesco Cuccarese; Cardeal Ignace Moussa Daoud, Patriarca emérito de Antioquia dos Sírios, e Perfeito da
Congregação para as Igrejas Orientais. Milão, 3 de Junho de 1989, 1º Sábado e Festa do Imaculado Coração de Maria:

"Chegou o tempo em que o meu Coração Imaculado deve ser glorificado pela Igreja e por toda a
humanidade. Porque nestes tempos da apostasia, da purificação e da tribulação, o meu Coração
Imaculado é o único refúgio e o caminho que vos conduz ao Deus da salvação e da paz.

O meu Coração Imaculado torna-se hoje sobretudo, o sinal da minha segura vitória, na grande luta que
se combate entre os sequazes do enorme dragão vermelho e os da Mulher revestida de sol.

Nesta luta terrível, levanta-se do mar, para ajudar o dragão, uma besta semelhante a uma pantera (cf.
Ap 13,1-2).

Se o dragão vermelho é o ateísmo marxista, a besta negra é a maçonaria.

O dragão manifesta-se no vigor do seu poder, a besta negra, ao contrário, age na sombra, esconde-se,
oculta-se, de maneira a entrar em toda a parte. Tem patas de urso e boca de leão, porque atua em toda
a parte com astúcia e por meio dos meios de comunicação social, isto é, com a propaganda.

As sete cabeças indicam as várias lojas maçônicas, que agem em toda a parte de maneira astuciosa e
perigosa.

Esta besta negra tem dez chifres e sobre os chifres dez diademas que são sinais de domínio e de realeza.

É por meio dos dez chifres que a maçonaria domina e governa todo o mundo.

O chifre, no mundo bíblico, sempre foi um instrumento de amplificação, um modo de fazer ouvir mais
alto a própria voz, um forte meio de comunicação. Foi por isso que Deus comunicou a sua vontade ao
seu povo por meio de dez chifres que deram a conhecer a sua Lei, os dez Mandamentos. Quem os
acolhe e os observa, caminha na vida pela senda da vontade divina, da alegria e da paz.

Quem faz a vontade do Pai, acolhe a Palavra do seu Filho e participa na Redenção realizada por Ele.
Jesus dá as almas a própria Vida divina através da Graça que Ele nos alcançou com o seu Sacrifício
consumado no Calvário.

A Graça da Redenção é comunicada por meio dos sete Sacramentos. Através da Graça, são inseridas na
alma as sementes da vida sobrenatural, que são as virtudes. Entre estas, as mais importantes são as
três virtudes teologais e as quatro virtudes cardeais, a fé, a esperança a caridade, a prudência, a
fortaleza, a justiça e a temperança.

Estas virtudes germinam, crescem e desenvolvem-se cada vez mais ao sol divino dos sete dons do
Espírito Santo e conduzem assim as almas pelo caminho luminoso do amor e da santidade.

A tarefa da besta negra, isto é, da maçonaria, é combater de maneira astuciosa, mas tenaz, para impedir
que as almas percorram este caminho indicado pelo Pai e pelo Filho e iluminado pelos dons do Espírito
Santo.
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De fato, se o dragão vermelho age para levar toda a humanidade a prescindir de Deus, para a levar à
negação de Deus, difundindo, e por isso, o erro do ateísmo, o objetivo da maçonaria não é negar Deus,
mas blasfemar contra Ele.

A besta abre a boca para proferir blasfêmias contra Deus, para blasfemar contra o seu Nome e a sua
morada, contra todos aqueles que habitam no Céu (cf. Ap 13,6).

A maior blasfêmia é negar o culto devido só a Deus para o dar a outras criaturas e ao próprio satanás.

Eis o motivo por que, nestes tempos, por detrás de perversa ação da maçonaria, se difundem, por toda
a parte, as missas negras e o culto satânico.

Além disso, a maçonaria age por todos os meios para impedir que as almas se salvem e, deste modo,
pretende tornar vã a obra de Redenção realizada por Cristo.

Se o Senhor comunicou a sua Lei com os dez Mandamentos, a maçonaria difunde por toda a parte, com
o poder dos seus dez chifres, uma lei que é totalmente oposta à Lei de Deus.

Ao Mandamento do Senhor “Não terás outros deuses além de Mim” ela opõe-se, construindo outros
falsos ídolos, diante dos quais, hoje em dia, muitos se prostram em adoração.

Ao Mandamento “Não invocar o santo Nome de Deus em vão” ela opõe-se, blasfemando contra Deus e
o seu Cristo de muitos modos astuciosos e diabólicos, até ao ponto de reduzir o seu Nome a uma marca
comercial indecorosa e a fazer filmes sacrílegos sobre a sua vida e sobre a sua Divina Pessoa.

Ao Mandamento “Lembra-te de santificar as festas” ela opõe-se, transformando o domingo em


“weekend”, no dia do desporto, das competições e dos divertimentos.

Ao Mandamento “Honra pai e mãe” ela contrapõe um novo modelo de família, fundada sobre a
convivência até mesmo entre homossexuais.

Ao Mandamento “Não matar” ela opõe-se, conseguindo legitimar em toda a parte o aborto, levando a
acolher a eutanásia e fazendo quase desaparecer o respeito devido ao valor da vida humana.

Ao Mandamento “Não cometer atos impuros” ela opõe-se, justificando, exaltando e publicitando todas
as formas de impureza até ao ponto de justificar os atos impuros contra a natureza.

Ao Mandamento “Não furtar” ela opõe-se, agindo para que se propaguem cada vez mais os furtos, a
violência, os sequestros de pessoas e as rapinas.

Ao Mandamento “Não levantar falso testemunho” ela opõe-se, agindo para que se propague cada vez
mais a lei do engano, da mentira, da duplicidade.

Ao Mandamento “Não desejar as coisas e a mulher do próximo” ela opõe-se agindo para que corromper
no íntimo a consciência, enganando a mente e o coração do homem.

Deste modo, as almas são impelidas para o caminho perverso e mau da desobediência à Lei do Senhor,
são submersas pelo pecado e impedidas assim de receber o dom da Graça e da vida de Deus.

Às sete virtudes teologais e cardeais, que são o fruto de viver em Graça de Deus, a maçonaria opõe-se
com a difusão dos sete vícios capitais, que são o fruto de viver habitualmente em estado de pecado.

À fé, ela opõe a soberba; à esperança a luxúria; à caridade a avareza; à prudência a ira; à fortaleza a
preguiça; à justiça a inveja; à temperança a gula.
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Todo aquele que se torna vítima dos sete vícios capitais é conduzido gradualmente e eliminar o culto
que é devido só a Deus, para o dar a falsas divindades, que são a própria personificação de todos estes
vícios. E é nisto que consiste a maior e mais terrível blasfêmia.

Eis o motivo por que sobre cada cabeça da besta está escrito um título blasfemo.

Cada loja maçônica tem a tarefa de fazer adorar uma divindade diferente.

A primeira cabeça tem o título blasfemo da soberba, que se opõe à virtude da fé e leva a prestar o culto
ao deus da razão e do orgulho, da técnica e do progresso.

A segunda cabeça tem o título blasfemo da luxúria, que se opõe à virtude da esperança e leva a prestar
o culto ao deus do sexo e da impureza.

A terceira cabeça tem o título blasfemo da avareza, que se opõe à virtude da caridade e difunde por
toda a parte o culto ao deus do dinheiro.

A quarta cabeça tem o título blasfemo da ira, que se opõe à virtude da prudência e leva a prestar o culto
ao deus da discórdia e divisão.

A quinta cabeça tem o título blasfemo da preguiça, que se opõe à virtude da fortaleza e difunde o culto
ao ídolo do medo, da opinião pública e da exploração.

A sexta cabeça tem o título blasfemo da inveja, que se opõe à virtude da justiça e leva a prestar o culto
ao ídolo da violência e da guerra.

A sétima cabeça tem o título blasfemo da gula, que se opõe à virtude da temperança e leva a prestar o
culto ao ídolo tão exaltado do hedonismo, do materialismo e do prazer.

A tarefa das lojas maçônicas é atuar hoje, com grande astúcia, para levar a humanidade a desprezar em
toda a parte a santa Lei de Deus, a atuar em aberta oposição aos dez Mandamentos, a subtrair o culto
devido ao único Deus, para o prestar a falsos ídolos, exaltados e adorados por um número de homens
cada vez maior: a razão, a carne, o dinheiro, a discórdia, a supremacia sobre os outros, a violência, o
prazer.

Assim, as almas são precipitadas na tenebrosa escuridão do mal, do vício e do pecado e, no momento da
morte e do juízo de Deus, no pântano de fogo eterno que é o Inferno.

Compreendeis agora como o meu Coração Imaculado se torna, nestes tempos, o vosso refúgio contra o
terrível e insidioso ataque da besta negra —isto é, da maçonaria— e o caminho seguro que vos leva a
Deus?

No meu Coração Imaculado delineia-se a tática usada pela vossa Mãe Celeste para contra atacar a
astuciosa trama usada pela besta negra.

Por isso, formo os meus filhos na observância dos dez Mandamentos de Deus; na vivência à letra do
Evangelho; na prática frequente dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Comunhão
Eucarística, como auxiliares necessários para permanecer na Graça de Deus; no exercício forte das
virtudes, a fim de seguirem sempre pelo caminho do bem, do amor, da pureza e da santidade.

Assim, sirvo-Me de vós, meus pequenos filhos, que vos consagrastes a Mim, para desmascarar todas as
astuciosas insídias que a besta negra vos arma e para tornar, por fim, vão o grande ataque que a
maçonaria lançou hoje contra Cristo e a sua Igreja.
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E no final aparecerá, sobretudo na sua maior derrota, o triunfo do meu Coração Imaculado no mundo
em todo o seu esplendor."

Apostasia na Igreja

Besta semelhante a um cordeiro (Falso Profeta)

Papa Paulo VI

Segreto, Edizioni Paoline, 1983, pg. 152-153

"Há uma grande perturbação, neste momento, no mundo e na Igreja e o que está em causa é a fé.
Acontece-me vir repetidamente à mente a frase obscura de Jesus no Evangelho de São Lucas: “Quando
o Filho do homem voltar, encontrará ainda fé sobre a terra?” (cf. Lc 18, 8). Acontece que saem livros em
que a fé sobre alguns pontos importantes está em retirada, que os episcopados se calam, que não se
acham estranhos estes livros. Isto, segundo o meu parecer, é estranho. Releio, às vezes, o Evangelho do
fim dos tempos e constato que, neste momento, emergem alguns sinais deste fim. Estaremos próximos
do fim? Isto nunca o saberemos. É preciso estar sempre prontos, mas tudo pode durar ainda muito
tempo. Aquilo que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que no interior do
catolicismo, parece, às vezes, predominar um pensamento de tipo não católico, e pode acontecer que
este pensamento não católico, no interior do catolicismo, se torne, amanhã, o mais forte. Mas jamais
representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que
seja."

“Vi, então, outra Fera subir da terra. Tinha dois chifres como um cordeiro, mas falava como um
dragão.
Ela exercia todo o poder da primeira Fera, sob a vigilância desta, e fez com que a terra e os seus
habitantes adorassem a primeira Fera (cuja ferida de morte havia sido curada).
Realizou grandes prodígios, de modo que até fez descer fogo do céu sobre a terra, à vista dos
homens.” (Apocalipse 13, 11-13)

Nossa Senhora em La Salette, 1846

"No ano de 1864*, Lúcifer e um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé
pouco a pouco, até nas pessoas consagradas a Deus; cegá-las-ão de tal maneira que, salvo uma graça
particular, adquirirão o espírito desses maus anjos. Várias casas religiosas perderão inteiramente a fé e
se perderão muitas almas.
Os maus livros abundarão sobre a Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um
relaxamento universal em tudo o que se refere ao serviço de Deus. Eles terão grandíssimo poder sobre a
natureza. Existirão igrejas para dar culto a esses espíritos. Pessoas serão transportadas de um lugar a
outro por esses espíritos maus, até sacerdotes, porque não se terão conduzido pelo bom espírito do
Evangelho, que é um espírito de humildade, caridade e zelo pela glória de Deus. Far-se-ão ressuscitar
mortos e justos (quer dizer que esses mortos tomarão a figura das almas justas que viveram na Terra,
para seduzir mais eficazmente os homens; esses supostos mortos ressuscitados, que não serão outra
coisa senão o demônio encarnado nessas figuras, pregarão outro evangelho contrário ao do verdadeiro
Jesus Cristo, negando a existência do Céu, e ainda as almas dos condenados. Todas essas almas
aparecerão como unidas a seus corpos). Em todos os lugares haverá prodígios extraordinários, porque a
verdadeira fé se apagou e uma falsa luz ilumina o mundo. Ai dos príncipes da Igreja que então estarão
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ocupados apenas em amontoar riquezas acima de riquezas, em salvaguardar a sua autoridade e de


dominar com orgulho!"

(Nota: A bula papal "Syllabus" (1864) e o Concílio Vaticano 1° (1869-1870) consagraram a doutrina do
ultramantonismo, defendida pelo papa Pio 9º. Em linhas gerais, essa doutrina postulava a infalibilidade
do papa e combatia as ideias e instituições que defendiam a secularização e o anticlericalismo. Esse era
o caso, por exemplo, da Maçonaria. Contudo, no caso brasileiro, haviam inúmeros clérigos maçons. O
que gerou um grande conflito entre os bispos e padres, pela presença de maçons no clero. Em resumo
foi quando foi declarado uma oposição explicita a maçonaria e seus adeptos. Também houve nesse ano
um grande crescente do espiritismo. Aqui no Brasil, foi o ano de inicio da Guerra do Paraguai)

Mensagens de Nossa Senhora aos Sacerdotes


Seus filhos prediletos, através do Pe. Stefano Gobbi (1973-1997). Imprimatur do: Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de
Guayaquil; Arcebispo Metropolitano de Pescara – Penne, D. Francesco Cuccarese, Cardeal Ignace Moussa Daoud, Patriarca
emérito de Antioquia dos Sírios, e Perfeito da Congregação para as Igrejas Orientais. Dongo (Itália), 13 de Junho de 1989,
Aniversario da 2ª aparição em Fátima

"Como Mãe, quis-vos advertir sobretudo do grande perigo que ameaça hoje a Igreja, devido aos muitos
ataques diabólicos que se fazem contra ela para a destruir.

Para atingir este objetivo, vem da terra, para ajudar a besta negra que se levanta do mar, uma besta
com dois chifres semelhantes ao de um cordeiro (cf. Ap 13,11).

O cordeiro, na Sagrada Escritura, sempre foi o símbolo do sacrifício. Na noite do êxodo, o cordeiro é
sacrificado e, com o seu sangue, são aspergidos os umbrais das casas dos hebreus para os subtrair ao
castigo que, pelo contrário, atinge todos os egípcios. A Páscoa hebraica recorda este fato todos os anos
com a imolação de um cordeiro, que é sacrificado e consumido.

No Calvário, Jesus Cristo imola-Se pela Redenção da humanidade. Ele mesmo se faz a nossa Páscoa,
tornando-Se o verdadeiro Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. A besta tem na cabeça dois
chifres semelhantes a um cordeiro.

Ao símbolo do sacrifício está intimamente unido o do sacerdócio, representado pelos dois chifres.

No Antigo Testamento o sumo-sacerdote usava um turbante com um diadema em forma de dois


cornos.

Na Igreja, a mitra –com dois cornos– é usada pelos bispos, para indicar a plenitude do seu sacerdócio.

A besta negra semelhante a uma pantera indica a maçonaria; a besta com dois chifres semelhante a
um cordeiro indica a maçonaria infiltrada no interior da Igreja, isto é, a Maçonaria eclesiástica, que se
difundiu sobretudo entre os membros da Hierarquia.

Esta infiltração maçônica no interior da Igreja já vos tinha sido profetizada por Mim em Fátima, quando
vos anunciei que Satanás se introduziria até ao vértice da Igreja.

Se a tarefa da maçonaria é conduzir as almas à perdição, levando-as ao culto de falsas divindades, o


objetivo da maçonaria eclesiástica é antes destruir Cristo e a sua Igreja, construindo um novo ídolo,
isto é, um falso cristo e uma falsa igreja.

Jesus Cristo é o Filho de Deus vivo, é o Verbo Incarnado, é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem porque
une na sua Pessoa divina a natureza humana e a natureza divina.

Jesus, no Evangelho, deu de Si mesmo a definição mais completa, dizendo ser a Verdade, o Caminho e a
Vida.
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Jesus é a Verdade porque nos revela o Pai, nos diz a sua Palavra definitiva, levando toda a Revelação
divina ao seu perfeito cumprimento.

Jesus é a Vida porque nos dá a própria Vida divina, através da Graça, por Ele merecida com a Redenção,
e institui os Sacramentos como meios eficazes através dos quais é comunicada a Graça.

Jesus é o Caminho que conduz ao Pai por meio do Evangelho, que Ele nos deu como caminho a
percorrer para chegar à salvação.

Jesus é a Verdade, porque Ele –Palavra Viva– é a Fonte e o Selo de toda a Revelação divina.

Então a maçonaria eclesiástica age de maneira a obscurecer a sua Palavra divina por meio de
interpretações naturais e racionais e, na tentativa de a tornar mais compreensiva e
acolhedora, esvazia-a de todo o seu conteúdo sobrenatural.

É assim que se difundem os erros em toda a parte da própria Igreja Católica. É devido à difusão destes
erros que muitos se afastam hoje em dia da verdadeira fé. Ora, a perda da fé é a apostasia.

A maçonaria eclesiástica age de modo astucioso e diabólico para conduzir todos à apostasia.

Jesus é a Vida porque dá a Graça.

É objetivo da maçonaria eclesiástica justificar o pecado, apresentá-lo já não como um mal, mas como
um valor e um bem. Assim aconselha-se a cometê-lo como um modo de satisfazer as exigências da
própria natureza, destruindo a raiz da qual pode nascer o arrependimento, dizendo-se que já não é
necessário confessá-lo.

Fruto pernicioso deste maldito cancro, que se difundiu por toda a Igreja, é o desaparecimento da
confissão individual em toda a parte.

As almas são levadas a viver no pecado, recusando o dom da Vida que Jesus nos ofereceu. Jesus é o
Caminho que conduz ao Pai, por meio do Evangelho.

A maçonaria eclesiástica favorece as exegeses que dão interpretações racionalistas e naturais do


Evangelho, por meio da aplicação dos vários gêneros literários, despedaçando-o assim em todas as
suas partes.

No fim chega-se até ao ponto de negar a realidade histórica dos milagres e da sua Ressurreição e põe-
se em dúvida a própria divindade de Jesus e a sua missão salvadora.

Depois de ter destruído o Cristo histórico, a besta com dois chifres semelhantes a um cordeiro procura
destruir o Cristo místico que é a Igreja.

A Igreja instituída por Cristo é uma só: a Igreja Santa, Católica, Apostólica, Una, fundada sobre Pedro.

Tal como Jesus, também a Igreja fundada por Ele, que forma o seu Corpo Místico, é verdade, vida e
caminho.

A Igreja é verdade, porque foi somente a Ela que Jesus confiou a missão de guardar, na sua
integridade, todo o depósito da fé. Confiou-o à Igreja hierárquica, isto é, ao Papa e aos bispos unidos a
Ele.

A maçonaria eclesiástica procura destruir esta realidade com o falso ecumenismo, levando à aceitação
de todas as Igrejas cristãs, afirmando que cada uma delas possui uma parte da verdade. Cultiva o
projeto de fundar uma igreja ecumênica universal, formada pela fusão de todas as confissões cristãs,
entre as quais a Igreja Católica.
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A Igreja é vida porque dá a Graça e só ela possui os meios eficazes da Graça, que são os sete
Sacramentos.

É vida, especialmente porque foi só a Ela que foi dado o poder de gerar a Eucaristia, por meio do
sacerdócio ministerial e hierárquico. Jesus Cristo está realmente presente na Eucaristia com o seu
Corpo glorioso e com a sua divindade.

Então a maçonaria eclesiástica procura atacar, através de muitas maneiras astuciosas, a piedade
eclesial para com o Sacramento da Eucaristia. Desta só valoriza o aspecto da Ceia, tende a minimizar o
seu aspecto sacrificial e procura negar a presença real e pessoal de Jesus nas Hóstias consagradas.

É por isso que se foram suprimindo gradualmente todos os sinais exteriores indicativos da fé na
presença real de Jesus na Eucaristia, como as genuflexões, as horas de adoração pública, o santo
costume de rodear o santo Sacrário de luzes e flores.

A Igreja é caminho porque conduz ao Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo, pelo caminho da perfeita
unidade.

Assim como o Pai e o Filho são um só, assim também vós deveis ser uma só coisa entre vós.

Jesus quis que a sua Igreja fosse sinal e instrumento da unidade de todo o gênero humano. A Igreja
consegue permanecer unida, porque foi fundada sobre a pedra angular da sua unidade, isto é, sobre
Pedro e o Papa que sucede ao carisma de Pedro.

Então a maçonaria eclesiástica procura destruir o fundamento da unidade da Igreja, através do ataque
astucioso e insidioso ao Papa. Ela tece as tramas da dissensão e da contestação ao Papa; sustenta e
premeia aqueles que o vilipendiam e lhe desobedecem; difunde as críticas e as oposições a ele por parte
de Bispos e teólogos.

Deste modo é destruído o próprio fundamento da sua unidade e assim a Igreja é cada vez mais
despedaçada e dividida.

Filhos prediletos, convidei-vos a consagrar-vos ao meu Coração Imaculado e a entrar neste meu
refúgio materno, sobretudo para serdes preservados e defendidos desta terrível insídia.

Por isso vos solicitei, no ato de consagração do meu Movimento, que renunciásseis a qualquer
aspiração a fazer carreira. Assim, podereis subtrair-vos à mais forte e perigosa insídia usada pela
maçonaria para associar à sua seita secreta muitos dos meus filhos prediletos (Ela está a falar dos
padres).

Levo-vos a um grande amor a Jesus Verdade, tornando-vos corajosas testemunhas da fé; a Jesus Vida,
levando-vos a uma grande santidade; a Jesus Caminho, pedindo-vos que sejais na vida só Evangelho
vivido e anunciado à letra.

Depois, conduzo-vos ao maior amor à Igreja.

Faço-vos amar a Igreja-verdade, tornando-vos fortes anunciadores de todas as verdades da fé católica,


ao mesmo tempo que vos opondes, com força e coragem, a todos os erros.

Torno-vos ministros da Igreja-vida, ajudando-vos a ser sacerdotes fiéis e santos. Pondo-vos à disposição
das necessidades das almas, prestai-vos, com generosa abnegação, para o ministério da Reconciliação e
sede chamas ardentes de amor e de zelo para com Jesus presente na Eucaristia.

Volte-se a fazer com frequência, nas vossas igrejas, as horas de adoração pública e de reparação ao
Santíssimo Sacramento do altar.
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Torno-vos em testemunhas da Igreja-caminho e torno-vos instrumentos preciosos da sua unidade. Foi


por isso que vos dei como segundo compromisso do meu Movimento uma particular unidade ao Papa.

Por meio do vosso amor e da vossa fidelidade, voltará a resplandecer em todo o seu esplendor o
desígnio divino da perfeita unidade da Igreja.

Assim, à tenebrosa força que a maçonaria eclesiástica exerce hoje para destruir Cristo e a sua
Igreja, Eu oponho o forte esplendor do meu exército sacerdotal e fiel, para que Cristo seja amado,
escutado e seguido por todos e a sua Igreja seja cada vez mais amada, defendida e santificada.

É sobretudo nisto que resplandece a vitória da Mulher revestida de sol e o meu Coração Imaculado
alcança o seu mais luminoso triunfo."

No sacerdócio fiel e devoto da Santíssima Virgem está o triunfo do Imaculada Coração da Amada
Senhora, mesmo contra toda esperança podemos confiar que eles chegarão, Ela suscitará homens fiéis,
um exército sacerdotal.

Nossa Senhora, 11 Dezembro 1981, Scoreal

(Aparições de Jesus Cristo e Nossa Senhora atualmente em estudo a cargo do Arcebispo de Madrid, Carlos Osoro. Com o Culto
Eucarístico autorizado, no lugar das Aparições.)

"Minha filha, em cada dia que passa, os seres humanos são piores. Os ministros de Deus, os sacerdotes
e bispos, descuidaram a oração e a penitência, e o demônio apoderou-se deles. Tornaram-se essas
estrelas errantes que o velho dragão arrastará com a sua cauda para os destruir. Deus vai permitir a
Satanás semear a divisão entre os governantes, as sociedades e as famílias. Haverá muitos tormentos
físicos e morais. Deus abandoná-los-á a todos e mandar-lhes-á muitos castigos."

Nossa Senhora, 11 Fevereiro, 1982

"Meus filhos, rezai o santo Terço. O Terço tem muito poder. Quero que peçais por todos os bispos,
cardeais, arcebispos, porque, muitos deles, são políticos de destruição. Minha filha, apercebe-te que
estou a pedir constantemente pela conversão da Rússia. A Rússia está introduzida na Minha Igreja, em
alguns dos Meus bispos, dos Meus cardeais, dos Meus arcebispos e em muitos dos Meus sacerdotes.
Estão a destruir as coisas de Deus, Minha filha. Não imaginam o castigo que se avizinha. O Castigo está
próximo e consistirá em astros que chocarão contra a terra; estão prestes a destruir a maior parte da
Humanidade. O astro Eros iluminará toda a Humanidade. Será horrível, o mundo vai parecer estar em
chamas, durará apenas uns segundos, mas muitos dos seres humanos quereriam estar mortos nesse
momento. Até os justos o verão, mas não os afetará absolutamente em nada. Muitos seres humanos
também morrerão de grande susto. Será como chuva de fogo, toda a terra tremerá, Minha filha, será
horrível."

Nossa Senhora, 2 Agosto 1986

"O Dragão das sete cabeças está a apoderar-se da maior parte do mundo, especialmente das Minhas
almas consagradas que desempenham altos cargos na Igreja. Satanás intromete-se com o fim de as
arrebatar do Nosso Coração e elas deixam-se arrastar. Triunfaram no mundo os sete pecados capitais.
Os homens deixam-se levar pelas forças do mal. Intercedei junto do Meu Imaculado Coração, que há-de
reinar e triunfar; esmagará a cabeça do Dragão, quando estiver reunido o Nosso número de eleitos."

Conversão do Povo Judeu


28

São João Damasceno, Bispo e Doutor da Igreja, na sua Expositio Fidei IV, 26

"Além disso, serão enviados Enoch e Elias o tesbita, e dirigirão os corações dos pais aos filhos (Ml 4,6).
Isto quer dizer que a Sinagoga voltará a nosso Senhor Jesus Cristo e à predicação dos Apóstolos. Mas
serão mortos por ele [o Anticristo]. Então o Senhor virá do céu do mesmo modo como os Apóstolos o
viram subir ao céu: perfeito Deus e perfeito homem com glória e poder. Com o Espírito da sua boca
destruirá ao homem de iniquidade, o filho da perdição. Por isso que ninguém espere que o Senhor
venha da terra, mas do céu, como ele mesmo assegurou."
São Tomás de Aquino, Summa Theologie III, q. 49, a. 5, ad 2

"Elias foi arrebatado ao céu aéreo não ao céu empíreo, que é o lugar dos bem-aventurados. O mesmo se
deu com Enoch; foi arrebatado ao paraíso terrestre, onde cremos que vive junto com Elias até o advento
do Anticristo."

Nossa Senhora em La Salette (1846)

"A Igreja será eclipsada, o mundo estará na consternação. Mas aí estarão Enoch e Elias, cheios do
Espírito de Deus. Eles pregarão com a força de Deus, e os homens de boa vontade acreditarão em Deus
e muitas almas serão consoladas. Eles farão grandes progressos, pela força do Espírito Santo, e
condenarão os erros diabólicos do Anticristo."

Nossa Senhora Akita, Japão, 1973

"A obra do Diabo infiltrar-se-á até na Igreja de tal modo que vereis cardeais contra cardeais, bispos
contra bispos. Os sacerdotes que me veneram serão ridicularizados e receberão oposição dos outros
sacerdotes... igrejas e altares saqueados: a Igreja estará cheia daqueles que aceitam acordos, e o
Demônio pressionará muitos sacerdotes e almas consagradas para que deixem o serviço do Senhor. O
Demônio será especialmente implacável contra as almas consagradas a Deus. Pensar na perda de
tantas almas é a causa da minha tristeza. Se o pecado aumenta em número e gravidade, já não haverá
mais perdão para eles."

Nossa Senhora em El Escorial (1981-2002, Aparições de Jesus Cristo e Nossa Senhora atualmente em
estudo a cargo do Arcebispo de Madrid, Carlos Osoro. Com o Culto Eucarístico autorizado, no lugar
das Aparições.)

"A quarta morada está preparada para a luta. Nesses momentos Elias e Enoch estarão presentes e farão
grandes prodígios, para que os inimigos do Meu Filho se arrependam e voltem para Deus. […] Eu lanço-
vos um apelo, Meus filhos, tomai a cruz e segui o Meu Filho, que está muito cansado; ajudai-O a
encontrar alívio para a Sua Cruz. Sede constantes na oração e fazei sacrifícios. Elias e Enoch,
testemunhos de Jesus, serão de grande eficácia para a conversão da Humanidade. Serão mortos, mas
depois das suas mortes haverá um grande milagre, como está escrito: quem tiver olhos que veja e quem
tiver ouvidos que ouça. Quem tiver sede que acorra ao Meu Filho, que Ele é a Fonte da Vida. Quem
estiver sobrecarregado que acorra ao Meu Filho, que Ele o aliviará. Vinde ao Meu Filho, que Ele vos
levará à morada da vida. Nessa morada está escrito: "Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue
será salvo." (25 de Setembro de 1981).

Anticristo

Venerável Fulton Sheen


29

"Ele [Satanás] criará uma contra-igreja que será o macaco da Igreja, porque ele, o Diabo, é o macaco de
Deus. Ela terá todas as notas e as características da Igreja, mas no sentido inverso e esvaziada do seu
divino conteúdo. Será um corpo místico do anticristo que vai em todas as aparências assemelhando-se
ao corpo místico de Cristo. Em seguida, será verificado um paradoxo: as muitas acusações com que os
homens no século passado rejeitaram a Igreja, serão as razões pelas quais passarão a aceitar a contra-
igreja."

Nossa Senhora em La Salete, 1846

"Um precursor do Anticristo, com tropas de várias nações, guerreará contra o verdadeiro Cristo, único
Salvador do mundo; derramará muito sangue e tentará aniquilar o culto de Deus, para fazer-se
contemplar como um deus.
A Terra será atingida por toda espécie de flagelos (além da peste e da fome, que serão gerais). Haverão
guerras até à última guerra, que será movida pelos dez reis do Anticristo, cujo objetivo será o mesmo e
serão os únicos a governarem o mundo. Antes que isto aconteça, haverá uma espécie de falsa paz no
mundo. Não se pensará noutra coisa que em diversões; os maus se entregarão a toda sorte de pecados.
Mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, acreditarão no amor de Deus
e nas virtudes que me são mais caras. Felizes essas almas humildes conduzidas pelo Espírito Santo! Eu
combaterei junto a elas até que atinjam a plenitude da idade.
Muitos conventos não são mais casas de Deus, mas pastagens de Asmodeu e os seus [demônios].
Durante esse tempo nascerá o Anticristo de uma religiosa hebraica, uma falsa virgem que terá
comunicação com a velha serpente, o mestre da impureza; o seu pai será bispo. Ao nascer, vomitará
blasfêmias e terá dentes. Numa palavra, será o diabo encarnado. Dará gritos espantosos, fará prodígios,
alimentar-se-á só de impurezas. Terá irmãos que, embora não sejam como ele, outros demônios
encarnados, serão filhos do mal; aos doze anos eles far-se-ão notar pelas brilhantes vitórias que
obterão; logo estará cada um à cabeça de exércitos, assistidos por legiões do inferno. As estações
mudarão, a terra só dará maus frutos, os astros perderão os seus movimentos regulares, a Lua não
projetará senão uma débil luz avermelhada. A água e o fogo darão ao globo terrestre movimentos
convulsivos e horríveis tremores de terra que engolirão montanhas, cidades, etc...

Roma perderá a fé e se tornará sede do Anticristo.

Os demônios do ar, junto com o Anticristo, farão grandes prodígios na terra e nos ares. E os homens se
perverterão cada vez mais.

Deus tomará sob os seus cuidados os fiéis servidores e os homens de boa vontade, o Evangelho será
pregado por toda parte, todos os povos e todas as nações terão conhecimento da verdade."

Papa São Pio X , Encíclica E Supremis, 1903

"Quando tudo isto é considerado, existe uma boa razão para temer que esta grande perversidade possa
ser um preanuncio, e talvez o começo dos males que estão reservados para os últimos dias; e que habite
já nesta terra o “Filho da Perdição” de quem o Apóstolo fala (2 Tess 2,3). Em verdade, tamanha é a
audácia e tamanha a sanha com que por toda parte se lança o ataque à religião, com que se investe
contra os dogmas da fé, com que se tende obstinadamente a aniquilar toda a relação do homem com a
Divindade! Por outro lado, e de acordo como o mesmo Apóstolo, segundo o carácter próprio do
Anticristo, o homem, com uma temeridade sem nome, usurpou o lugar do Criador, elevando-se acima
de tudo o que traz o nome de Deus. E isso a tal ponto que, impotente para extinguir em si
completamente a noção de Deus, ele rejeita o jugo da Sua majestade, e dedica a si mesmo o mundo
visível como se fosse um templo onde pretende receber as adorações dos seus semelhantes. Senta-se
no templo de Deus, onde se mostra como se fosse o próprio Deus (2 Tess 2,2)". (nº5)
30

Catecismo da Igreja Católica n. 675-677

"Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos
crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o «mistério da
iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os
seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é,
dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao
Messias Encarnado.

Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a
esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A
Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de
milenarismo, e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, "intrinsecamente
perverso".

A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na
sua morte e ressurreição. O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja segundo
um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal, que fará
descer do céu a sua Esposa. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final,
após o último abalo cósmico deste mundo passageiro."

Tudo nos mostra que as últimas batalhas, já em curso, serão travadas no campo das ideias, da forma
como ocorre as batalhas angélicas em que satanás une os seus e conquista a muitos para bradar um
“não servirei”, de forma a propagar um religião que promove a crença em si mesmo, faz dos sete
pecados capitais seus deuses e adora ao anticristo, que muitos teólogos apontam como sendo um
sistema político e outros como uma pessoa mesmo que é a plenitude de tudo o que desagrada a Deus,
portanto, até o momento podemos dizer que as últimas batalhas ocorrem no meio político – ou melhor
espiritual que se reflete no político - justamente por ser a esfera em que se é possível dominar uma
grande quantidade de povos e propagar, incutir e incentivar formas de pensamento que são destinadas
a destruir a Igreja, afastar as almas de Deus e ainda esvaziar as próprias almas de si mesmas.

Mensagens de Nossa Senhora aos Sacerdotes


Seus filhos predilectos, através do Pe. Stefano Gobbi (1992). Imprimatur do Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de
Guayaquil, Arcebispo Metropolitano de Pescara – Penne, D. Francesco Cuccarese, Cardeal Ignace Moussa Daoud, Patriarca
emérito de Antioquia dos Sírios, e Perfeito da Congregação para as Igrejas Orientais.

"Deixai-vos educar docilmente por Mim, filhos prediletos.

Não passeis estas horas no barulho e na dissipação, mas no silêncio, no recolhimento, na contemplação.

Já vos anunciei várias vezes que se aproxima o fim dos tempos e a vinda de Jesus na glória. Quero agora
ajudar-vos a compreender os sinais descritos na Sagrada Escritura, que indicam já estar próximo o seu
glorioso retorno.

Estes sinais são claramente indicados nos Evangelhos, nas Cartas de S. Pedro e de S. Paulo e estão a
realizar-se nestes anos.

O primeiro sinal é a difusão dos erros, que levam à perda da fé e à apostasia.


Estes erros são difundidos por falsos mestres, por célebres teólogos que já não ensinam a verdade do
Evangelho, mas sim perniciosas heresias, baseadas em raciocínios humanos e errados.

É por causa do ensino dos erros que se perde a verdadeira fé e se difunde por toda a parte a grande
apostasía.
31

“Tomai cuidado para que ninguém vos engane. Porque virão muitos e hão-de enganar muita gente.
Surgirão falsos profetas que hão-de enganar a muitos” ( Mt 24,4-5.11).

“O Dia do Senhor não virá sem que primeiro venha a grande apostasia” ( 2Tes 2,3).

“Surgirão entre vós falsos mestres. Estes tentarão difundir heresias perniciosas e voltar-se até contra o
Senhor que os salvou. Muitos os ouvirão e levarão, como eles, uma vida imoral e, por sua culpa, a fé
cristã será desprezada. Movidos pela cobiça, hão-de enganar-vos com raciocínios errôneos” (2Pe 2,1-3).

O segundo sinal é o rebentar de guerras e de lutas fratricidas, que levam ao predomínio da violência e
do ódio e a um resfriamento geral da caridade, ao mesmo tempo que se hão-se tornar cada vez mais
frequentes as catástrofes naturais, como epidemias, fomes, inundações e terremotos.

“Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerras, não vos assusteis: é necessário que isto
aconteça. Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino, e haverá fomes e terramotos em
diversas regiões. Tudo isto será apenas o início de sofrimentos maiores. O mal estará tão difundido que
o amor se resfriará em muitos. Mas Deus salvará aquele que perseverar até ao fim” (Mt 24,6-13).

O terceiro sinal é a sangrenta perseguição daqueles que se mantêm fiéis a Jesus e ao seu Evangelho e
permanecem firmes na verdadeira fé. Entretanto o Evangelho será pregado por toda a parte do mundo.
Pensai, filhos prediletos, nas grandes perseguições que sofre a Igreja e no zelo apostólico dos últimos
Papas, sobretudo o meu Papa João Paulo II, em levar a todas as nações da terra o anúncio do Evangelho.
“Sereis presos, perseguidos e mortos. Sereis odiados por minha causa. Então, muitos abandonarão a fé,
odiar-se-ão e atraiçoar-se-ão uns aos outros. Entretanto a mensagem do Reino de Deus será proclamada
em todo o mundo; todos os povos deverão ouvi-la. E então virá o fim [da idade]” (Mt 24,9-10.14).

O quarto sinal é o horrível sacrilégio cometido por aquele que se opõe a Cristo, isto é, pelo anticristo.
Entrará no Templo santo de Deus e sentar-se-á, no seu trono, fazendo-se adorar ele mesmo como Deus.
“Levantar-se-á contra tudo aquilo que os homens adoram e que leva o nome de Deus. O homem iníquo
virá com o poder de Satanás, com toda a força de falsos milagres e falsos prodígios. Usará de toda a
espécie de engano maligno para fazer o mal” (2Tes 2,4-9).

“Vereis um dia no lugar santo aquele que comete o horrível sacrilégio de que falou o profeta Daniel.
Quem lê procure compreender” (Mt 24,15).

Filhos prediletos, para compreenderdes em que consiste este horrível sacrilégio, lede o que é predito
pelo profeta Daniel:

“Vai, Daniel, estas palavras estão escondidas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados,
tornar-se-ão cândidos e íntegros, mas os ímpios continuarão a agir impiamente. Nenhum dos ímpios
entenderá estas coisas, mas os sábios compreendê-lo-ão. Ora, desde o tempo em que for abolido o
sacrifício quotidiano e se instalar a abominação da desolação, haverá mil duzentos e noventa dias. Bem-
aventurado aquele que esperar com paciência e chegar aos mil trezentos e trinta e cinco dias” (Dn 12,9-
12).

A Santa Missa é o sacrifício quotidiano, a oblação pura que é oferecida ao Senhor em toda a parte,
desde o nascer ao pôr-do-sol.

O Sacrifício da Missa renova o Sacrifício consumado por Jesus no Calvário. Acolhendo a doutrina
protestante, dir-se-á que a Missa não é um Sacrifício, mas apenas a Santa Ceia, isto é, a recordação
daquilo que Jesus fez na sua Última Ceia. E assim será suprimida a celebração da Santa Missa. É nesta
abolição do Sacrifício quotidiano que consiste o horrível sacrilégio realizado pelo anticristo, cuja duração
será de cerca de três anos e meio, isto é, de mil duzentos e noventa dias.

O quinto sinal é constituído por fenômenos extraordinários que aparecem no firmamento do céu.
32

“O sol escurecer-se-á, e a lua perderá a sua luz, as estrelas cairão do céu e as potências do céu serão
abaladas” (Mt 24,29).
O milagre do céu ocorrido em Fátima, durante a minha última aparição, pretende indicar-vos que já
entrastes nos tempos em que se hão-de cumprir estes acontecimentos que vos preparam para o
retorno de Jesus na glória.
“Então ver-se-á no céu o sinal do Filho do Homem. Todos os povos da terra chorarão e os homens verão
o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e glória” ( Mt 24,30).

Meus prediletos e filhos consagrados ao meu Coração Imaculado, quis esclarecer-vos sobre estes sinais
que Jesus vos indicou no Evangelho, para vos preparar para o fim dos tempos, porque eles estão a
realizar-se nos vossos dias.
O ano que se encerra (1992) e aquele que se abre fazem parte do tempo da grande tribulação durante a
qual se difunde a apostasia, se multiplicam as guerras, sucedem em muitos lugares catástrofes naturais,
se intensificam as perseguições, o anúncio do Evangelho é levado a todos os povos, fenômenos
extraordinários acontecem no céu e se aproxima cada vez mais o momento da plena manifestação do
Anticristo.
Convido-os então a permanecerdes fortes na fé, firmes na esperança e ardentes na caridade.
Deixai-vos levar por Mim e recolhei-vos todos no refúgio seguro do meu Coração Imaculado, que Eu
vos prepararei precisamente para estes últimos tempos.

Lede comigo os sinais do vosso tempo e vivei na paz do coração e na confiança. Eu estou sempre
convosco, para vos dizer que a realização destes sinais vos indica com certeza que está próximo o fim
dos tempos, com o retorno de Jesus na glória.

“Aprendei esta parábola tirada da figueira: quando os seus ramos estão tenros e despontam as
primeiras folhas, compreendeis que está próximo o Verão. Do mesmo modo, quando virdes acontecer
estas coisas, sabei que a vossa libertação está próxima” (Mt 24, 32-33)."

Reino do Senhor Jesus

São Bernardo de Claraval

“Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última, há uma vinda intermédia.
Aquelas duas são visíveis; mas esta, não. Na primeira, o Senhor apareceu na terra e conviveu com os
homens; como Ele mesmo afirma, viram-n’O e não O quiseram receber. Na última, todo o homem verá a
salvação do nosso Deus e contemplarão Aquele que trespassaram. A intermédia é oculta e só os eleitos
a vêem em si mesmos, e por ela se salvam as suas almas.Na primeira, o Senhor veio revestido da nossa
fraqueza humana; na intermédia, vem espiritualmente, manifestando o poder da sua graça; na última,
virá com todo o esplendor da sua glória.
A vinda intermédia é, portanto, como que uma estrada que nos leva da primeira à última: na primeira,
Cristo foi a nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermédia, é nosso descanso e
consolação”. (São Bernardo de Claraval, Sermo 5 in Adventu Domini, 1-3: Opera omnia, Ed. cisterc. 4
(1966), 188-190).

São Bernardo esta a falar da Eucaristia, a vinda de Jesus que Reina nas almas.

"E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele
prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o
no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil
anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.
33

Vi também alguns tronos; e aos que neles estavam sentados foi dado o poder de julgar. Vi ainda as
almas dos que foram decapitados pelo testemunho de Jesus e pela Palavra de Deus, os quais não
adoraram a besta, nem a sua estátua, nem trouxeram na fronte ou na mão a marca da besta. Eles
reviveram e reinaram com Cristo durante mil anos. O resto dos mortos não voltou à vida antes de se
cumprirem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.
Felizes e santos os que tomam parte na primeira ressurreição”. Sobre eles a segunda morte não tem
qualquer poder; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele durante mil
anos." (Apocalipse 20,1-6).

São Cirilo de Jerusalém (315-386)

“Anunciamos o advento de Cristo. Não, porém, um só, mas também o segundo, muito mais glorioso que
o primeiro. Aquele revestiu um aspecto de sofrimento; este trará consigo o diadema do reino divino.
Sucede que quase todas as coisas são duplas em Nosso Senhor Jesus Cristo. Duplo é seu nascimento:
um, de Deus, desde toda a eternidade; outro, da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla também é a
sua descida: a primeira, na obscuridade e silenciosamente, como a chuva sobre a relva (Sal 72,6); a
outra, no esplendor da sua glória, que se realizará no futuro.

No seu primeiro advento, foi envolvido em faixas e deitado num presépio (Lc 2,7); no segundo, será
revestido com um manto de luz (cf. Sal 104,2a). No primeiro suportou a cruz, sem recusar a sua
ignomínia (Hebr 12,2); no segundo, aparecerá glorioso, escoltado pela multidão dos Anjos (cf. Mt 25,31).

Não nos detemos, portanto, a meditar só no primeiro advento, mas vivemos na esperança do segundo.
Assim como aclamamos no primeiro: Bendito o que vem em nome do Senhor (Mt 21,9), exclamaremos
também no segundo (cf. Mt 23,39), saindo ao encontro do Senhor juntamente com os Anjos, em atitude
de adoração:Bendito o que vem em nome do Senhor.

Virá o Salvador, não para ser novamente julgado, mas para chamar a juízo aqueles que O julgaram. Ele
que, ao ser julgado, guardou silêncio (Mt 27,12), lembrará as atrocidades dos malfeitores, que O
levaram ao suplício da cruz, e lhes dirá: Tudo isto fizestes e Eu calei-me (Sal 50,21).

Naquele tempo veio para cumprir o desígnio de amor misericordioso, ensinando e persuadindo os
homens com suavidade; no fim dos tempos, queiram ou não, todos se hão-de submeter ao seu reinado.
De ambos os adventos fala o profeta Malaquias: Depressa virá ao seu templo o Senhor a quem buscais
(Mal 3,1). Isto quanto ao primeiro advento.

A respeito do segundo diz assim: E o Anjo da aliança por quem suspirais. Eis que vem o Senhor
Onipotente. Quem poderá suportar o dia da sua vinda? Quem poderá resistir quando Ele aparecer?
Porque Ele virá como o fogo do fundidor, como a barrela dos lavandeiros. E sentar-se-á para fundir e
purificar (Mal 3,1-3). [...]

Escrevendo a Tito, também Paulo se refere aos dois adventos com estas palavras: Manifestou-se a graça
de Deus, fonte de salvação para todos os homens, ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos
mundanos, e a viver no mundo presente com toda a sobriedade, justiça e piedade, aguardando a ditosa
esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo (Tit 2,11-13). Vê
como falou do primeiro advento, pelo qual dá graças a Deus, e do segundo, que esperamos.

Por esse motivo, afirmamos na nossa profissão de fé, tal como a recebemos por tradição, que
acreditamos n’Aquele que subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai e que há-de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim.

Virá, portanto, do alto dos Céus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Virá no fim deste mundo, em sua glória, no
último dia. Será então o fim deste mundo criado e o início de um mundo novo.”
34

A GRANDE BATALHA
35

A realidade é espiritual e se expressa no social

Quando escutamos os ditos sobre a batalha dos últimos tempos nossa mente se enche de personagens
horríveis e medo, no entanto, vimos que assim como diz São João em suas três epistolas o pensamento
do Anticristo e vários deles já estão no meio de nós a muito tempo. O medo paralisa e cega e é
justamente por conta desse medo que muitos cristão não são capazes de fazer frente a esse exercito
que se levanta contra a Verdade: o comunismo ateu, a maçonaria, e a maçonaria eclesiástica.

O conflito entre Jesus e Satanás, foi estabelecido desde os primórdios. Satanás negou a Deus, tornou-se
portanto Príncipe desse mundo e o adversário declarado de Deus.

Para entender a batalha de Apocalipse 19 é preciso voltemos a Gênesis 3.

Quando, pois, Deus criou Adão e Eva tomou então, o demônio, a decisão de atingir o Criador, o
Inatingível, através de suas criaturas amadas.

E da incitação que Satanás exerceu sobre Eva para conseguir a queda de toda a humana, foi
estabelecida uma inimizade perpétua e declarada entre a Mulher e a Serpente. Entre a descendência da
Mulher e os que servem a Serpente.

Deus havia decretado, profetizado uma batalha entre a Mulher e a Serpente e também a derrota da
Serpente, pois esta seria pisada pelo calcanhar da Mulher.

A inimizade foi estabelecida, um ódio declarado entre duas criaturas, de modos diferentes, criaturas
especiais, Aquela graciosa criatura, criada Imaculada que disse "Eis a serva do Senhor faça-se em mim
segundo a Tua Palavra" e aquele anjo, o mais iluminado e próximo de Deus, que disse "não servirei".

A Mulher é claramente Maria Santíssima. Dados os sinais bíblicos dados pelo próprio Senhor Jesus,
quando a chama de Mulher nas bodas de Caná e depois novamente a chama de Mulher no alto da cruz
e permite que seu discípulo amado veja "uma Mulher vestida de sol" (Apo 12).

A descendência da mulher é Jesus e também todos nós. No fim de Apo 12, temos o início da ação de
Satanás, não conseguindo atingir sua adversária volta-se então para seus filhos: aqueles que
testemunham o evangelho e seguem os mandamentos.

A Guerra e Fátima

Devemos lembrar que a batalha ocorre através da manifestação de ideias. Ou seja, se analisarmos como
ocorreu a batalha entre São Miguel e Satanás percebemos que São Miguel combateu com um
forte "Quem como Deus?" e Lúcifer com um "Não servirei". Duas ideias que deram o combustível para
uma grande batalha.

Essa mesma realidade está presente em nosso mundo e em nossas vidas, somos então influenciados por
ideias e estas nos afastam de Deus ou nos aproximam de Deus.

Motivo pelo qual, Nossa Senhora nos revela que basicamente a ação de Satanás no mundo está ligada a
uma rede de ideias (por isso todos os seres do apocalipse tem chifres, que são sinal bíblico para
comunicação) que possuem um fio delgado que as unifica para um só objetivo.

De modo que o Comunismo incutiu no mundo uma mentalidade que está agora inserida em todos os
ciclos sociais, que se esconde atrás da igualdade, fraternidade e liberdade.
36

A maçonaria propaga uma grande teia para reduzir o senso de sagrado dos católicos, incutindo dentro
da Igreja ideias que minimizam o depósito da Santa Tradição e do Santo Magistério, em prol de um
modernismo satânico e de acordo com o sistema político guiado por um pensamento revolucionário que
em si é anti-cristão e principalmente anti-católico.

No entanto, devemos saber que as portas do inferno não prevalecerão sobre a Igreja.

A guerra, a grande batalha, que estamos a participar, muitos sem saber, ocorre no repudio a tudo que
fere e é contrário a Santa Tradição, mesmo que esteja envolto na malha do "politicamente correto", a
Santa Tradição é o nosso escudo e dele não devemos nos afastar, como cristãos apostólicos devemos
seguir o que nos foi ordenado pelos apóstolos: defender o depósito da fé custe o que custar.

Essa decisão possui uma importância radical. Todo o Ocidente está firmado nos valores judaico cristãos,
toda a estrutura do mundo conhecido, até mesmo de países não cristãos são mantidos ou recebem a
influência do cristianismo, principalmente do catolicismo, de modo que, a corrupção do cristianismo é o
mesmo que decretar a corrupção de toda a sociedade.

Para que você, Leitor, compreenda com mais clareza como devemos vislumbrar, ao menos
superficialmente, a situação atual é importante que lhe apresente um quadro geral.

Após a revolução Francesa o mundo passou por uma mudança gradativa no cenário político, cultural e
espiritual. Pois que após esse estopim do pensamento revolucionário surge a Beata Elena Guerra, que
no início do sec. XX, enviou um pedido ao Papa para que o século XX fosse consagrado ao Espírito Santo.
Em 1917, logo no início do século, Nossa Senhora apareceu em Fátima. Onde está no Espírito Santo ali
está também sua Esposa Fiel.

Em Fátima temos a revelação mariana mais profunda e cheia de informações que nos é confirmada e
explicada nas aparições posteriores, como é o caso das aparições já apresentadas.

Nossa Senhora fala basicamente do comunismo, da guerra e reforça muitas vezes a necessidade da
oração e da devoção ao seu Imaculado Coração. Na mensagem de Fátima temos algo nunca antes visto
tão claramente, o pensamento do mundo numa luta com a Vontade Divina. Em Fátima a Santíssima
Virgem surge como um sinal no Céu orientando o combate ao comunismo ateu que crescia
soberbamente como um dragão arrastando todos os povos.

No entanto, para que a ação do pensamento revolucionário se torne mais clara ao menos parcialmente,
gostaria de lhe apresentar alguns conceitos que foram alterados após a revolução francesa.

Antigamente tínhamos a estrutura social e o pensamento particular firmado sobre os pilares da crença
no Deus Criador, no Direito Natural e no Direito Individual. Após a revolução francesa a forma de
pensamento vigente alterou seu pilares de apoio gradativamente e forçosamente passando a se
sustentar na crença em um Ser Supremo, no Direito Laico e no Direito social.

Dessa forma se torna necessário a compreensão do significado de cada um desses termos:

Direito natural (Latim ius naturale) ou jusnaturalismo é uma teoria que procura fundamentar a partir da
razão prática, uma crítica a fim de distinguir o que não é razoável na prática do que é razoável e,
consequentemente, o que é realmente importante considerar na prática em oposição ao que não o é.

Direito Laico: Laico vem do grego laïkós e surge a partir do conceito de laicismo que representa a
autonomia de qualquer atividade humana. Laico é aquilo que pode se desenvolver sob suas próprias
regras, sem a interferência de ideias alheios. O significado de Estado Laico é, portanto, o Estado que não
está submetido às regras de nenhuma religião.

Direito individual: relativo a tudo quanto se refere à dignidade da pessoa humana, tal como a vida, a
liberdade, a segurança, a propriedade etc.
37

Direitos sociais são os direitos que visam a garantir, aos indivíduos, o exercício e usufruto de direitos
fundamentais em condições de igualdade para que tenham uma vida digna por meio da proteção e
garantias dadas pelo estado de direito.

Dessa forma, usando de todas as abordagens legais e culturais possíveis e alterando os pilares que são o
fundamento do pensamento particular e social, o comunismo se tornou vasto, mesmo que não possua
em todos os locais uma presença manifesta numa forma de governo que se auto intitula comunista.

O pensamento comunista faz parte do que chamamos em escatologia: a apostasia do mundo.

Podemos dividir sua presença na sociedade em alguns pontos:

PRIMEIRO PONTO:

As palavras são a forma que manifestamos nossas ideias, cada palavra é portadora de uma série de
ideias, de significados. Mas através de uma mudança gradativa no significado das palavras e até mesmo
de símbolos temos um novo fluxo de ideias que pode e muitas vezes é contrário ao significado original
daquela palavra. Poderíamos usar como exemplo diversas palavras, mas usaremos uma que depois de
alterada passou a fazer parte do pilar da revolução francesa, me refiro a palavra fraternidade, no
entanto, este exemplo pode ser visto, com clareza, nas palavras igualdade, liberdade, amor.

Vejamos então a alteração realizada no entendimento da palavra fraternidade:

Fraternidade Cristã: baseada nos ideais do evangelho (pobreza, castidade, obediência), nós somos uma
família e o Pai é Deus, todos fazem parte desta família basta ser humano, o Céu é o lar definitivo desta
família.
Fraternidade Laica de uma religião civil: baseado nas ideais da revolução francesa (fraternidade,
liberdade, igualdade), a humanidade é uma família e todos são iguais, não existe um pai pois o que os
une é uma ideologia em comum, a vivência perfeita dessa ideologia pode ser alcançada aqui.

Essa mudança que pode parecer insignificante para alguns visa tirar Deus do topo de comando e quando
isso acontece os homens passam a ser comandados por outros poucos homens. E esse poder é exercido
pela mídia e os meios de comunicação que propagam as informações que esse pequeno grupo deseja
ampliando assim o contato e a absorção de uma forma de pensamento destinada somente a corroer os
fundamentos do ocidente, ou seja, corroer todos os fundamentos cristão que sustentam e norteiam o
ocidente e todo o mundo conhecido.

SEGUNDO PONTO:

Essa ação é facilitada e impulsionada por Ongs e Órgãos Governamentais como a ONU. No entanto, a
ação acima descrita encontra apoio em algumas políticas públicas e governamentais. Como vimos
anteriormente nós devemos ter uma atenção particular ao que é definido como caminho a ser
percorrido por um povo ou nação, dado que todo o teor do que tratamos aqui tem seu estopim nas
escolhas dos povos e das nações. Dessa forma não nos parece estranho o esforço nas provações de leis
e planos que são em si contrários aos princípios do evangelho, pois impondo tais leis pode-se obter a
destruição dos valores cristãos, ao menos socialmente, com facilidade.

Basicamente as diretrizes incentivadas, principalmente pela ONU, são:

CONTROLE DEMOGRÁFICO: dentro dessa pauta está o aborto, a esterilização e a contracepção de


emergência. Também se enquadram aqui, como massa de manobra as pautas feministas, gayzista e a
abolição da restrição sexual (idade para relação sexual).
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Encontramos a recomendação para que os estados aceitem a elaboração de leis para casamentos de
pessoas do mesmo sexo, aceitando como casamento e possuindo os mesmos direitos.

Também orienta que se aceite do aborto, que encontra resistência nos valores das religiões
monoteístas, assim desempenha uma ação diferenciada em casa religião visando a sua aprovação: ao
lidar com o protestantismo incentiva a conversão total aos anticoncepcionais, com os muçulmanos
incentiva estudos que buscam encontrar textos do Corão favoráveis ao aborto, já com a Igreja Católica
quase não existe uma forma de alegação devido ao magistério coeso e as orientações claras do mesmo,
desse modo busca-se a abordagem da saúde da mulher, da proteção contra AID's, sem muito sucesso,
pois embora muitos católicos usem anti concepcional sabem que estão em pecado mortal, não possuem
o amparo da Igreja para o fazer, a Igreja continua dizendo que qualquer método que visa restringir o
número de filhos é errado e pecado grave assim como o aborto.

A Igreja Católica se torna, portanto, a maior inimiga desse projeto e toda a massa de manobra que o
propaga.

RELIGIÕES UNIVERSAIS: nesse tópico encontramos as meta religiões, ou seja, são religiões substitutivas.
Não se trata de ecumenismo, mas de uma religião da paz, é uma substituição e não uma união, embora
use esse meio para se instaurar. Essas religiões já existem chamam-se: Sociedade Teosófica, Parlamento
das Religiões e a Carta da Terra.

São religiões que combatem os fundamentos da religião, ou seja, religiões que acreditam em uma
Verdade Absoluta, dando a isso o nome de fundamentalismo religioso. Assim, se espalha uma aversão a
religiosidade e uma ideia de relativismo. Ou seja, é um ataque direto, a virtude da religião, essa virtude
que nos orienta a dar a Deus o que é de Deus e a César o que de César. Deus que se revelou a nós em
Jesus Cristo é substituo por nomes etéreos e gerais ou mesmo por criaturas que passam a obedecer ao
querer do homem, enfim surge uma religião egocêntrica. Reitero que isso não é ecumenismo, o
ecumenismo da forma como vemos atualmente, uma mistura de cristianismo e paganismo, é o caminho
para uma espiritualidade baseada numa falsa paz e que não exige nada de seus adeptos.

Toda arquitetura, que devo dizer não é tão planejada e organizada como aponto aqui, não devemos dar
a eles o crédito de eficiência ou controle total, conta com o investimento de algumas organizações, que
seriam chamados por São João, no Apocalipse, de discípulos da besta, são eles: Fundação Ford, Banco
Mundial, Unesco, Família Rockefeller, Visa Internacional, George Soros, os Kenedy e outras. Além dessas
organizações existe ainda uma rede de médicos, farmacêuticos e ativistas (feministas, gayzistas,
ambientalistas e outros militantes, principalmente ligados a mídia) que são usados como massa de
manobra para a propagação dessas ideias.

Assim depois dessas explicações, podemos compreender muito bem algumas frases do Papa Emérito
Bento XVI:

A Verdade não é determinada por maioria de votos. Quantas vezes os homens tentaram construir o
mundo sozinhos, sem o controle de Deus! O resultado foi marcado pela tragédia das ideologias que, por
fim, se revelaram contra o homem e sua profunda dignidade.
Ser persistente e paciente significa aprender a construir a história junto a Deus, porque somente
edificando sobre Ele e com Ele a construção está bem fundada, não instrumentalizada com fins
ideológicos, mas realmente digna do homem. (15.12.2011. Celebração de vésperas pela proximidade do
Natal.)

Os perigos do século são: o relativismo, o liberalismo e o ativismo.

Todos esses pontos estão relacionados com a Apostasia do Mundo e as batalhas travadas "em campo
aberto", ou seja, travadas no campo da política.
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No entanto, temos a esfera pessoal dessa batalha somada a Apostasia da Igreja. Como sabemos nada
repercute fora que antes não tenha nascido, crescido e frutificado no interior das almas. Assim, temos
no interior de cada homem e mulher as sementes que dão combustível e abertura à toda essa
arquitetura, já que boa parte da humanidade está afastada dos Sacramentos que colocam as sementes
sobrenaturais das virtudes em nossas almas, para uma vida em santidade, como diz Nossa Senhora.

O homem possuí um centro, um centro espiritual, basicamente toda a bagagem de certo e errado, o
fundo insubornável de cada ser humano (ou seja, aquilo que não aceita suborno moralmente) está
estruturado em uma base espiritual que cada indivíduo possui.

Assim, para esmorecer uma sociedade e controlá-la é preciso corroer o fundo insubornável dos
indivíduos, ou seja, fazê-lo acreditar que não se está burlando nada, que o errado é certo, que as coisas
ficarão melhores com concessões.

Isso gera uma sociedade que possui uma amnésia de si mesma, que esquece seus fundamentos, pois é
formada por pessoas que não possuem base espiritual e, portanto, também não possui base moral.

Em contrapartida as pessoas não sabem o caminho para a Igreja, pois lhes foi mostrado uma caricatura
do sagrado ou ainda uma igreja sem o sagrado, uma igreja mundana. Este último ponto conta com uma
série de atitudes, pequenas e grandes, que fizeram com que aos poucos muitos católicos se afastassem
da compreensão do sagrado mesmo estando dentro da Igreja.

Por exemplo, a Santa Missa é um momento sagrado, digo melhor O Momento Sagrado, no entanto,
existe toda uma tentativa de torná-la banal, um culto protestante sem a fé na presença real de Jesus na
Eucaristia, algo sem transcendência e principalmente o esquecimento completo de que se está
presenciando um milagre, o maior em toda a Terra. Isso ocorreu, primeiro pelas músicas, depois pelo
comportamento dos padres e leigos, pela arquitetura da Igreja e por fim, muitos se esquecem que a
Igreja é literalmente a casa de Deus e que a Santa Missa é o Santo Sacrifício, é um Rito Sagrado em que
Céu inteiro está presente, a igreja tornou-se um lugar de recreação.

Além desse ponto, existe todos os combates em relação a virtudes, digo melhor ao incentivo a vivência
da virtude, um menosprezo por tudo que é puro e uma exaltação à luxúria, principalmente, e também
ao sentimentalismo e ao ativismo como caridade

Enfim entendemos o que diz o Venerável Fulton Sheen, " a revolução cristã é uma revolução espiritual"
e São João Paulo II "precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e
boas do mundo, mas que não sejam mundanos".

A batalha conta com o conhecimento da apostasia que está a ocorrer dento da Igreja a largos passos,
mas também com a revolução espiritual de cada um, com a santidade. "Só os violentos herdarão ao
Reino do Céus". Violentos em santidade.

Esta batalha tem um viés politico e social, mas a vitória se alcança na vivência individual de uma
espiritualidade radicalmente católica voltada para a santidade.

A santidade é Vontade de Deus, "sejais santos porque eu sou santo". E Ele nos deu um caminho, uma
forma de chegar a Ele sem erro e purificados, a criatura mais excelsa, a sua Mãe, ela a criatura mais
perfeita diante de Deus, ela que nos ensinará os caminhos da santidade e nos dará os remédios contra
todos os pensamentos que são contrários aos pensamentos de seu Filho.

Quando São Luís escreveu o Tratado da Verdadeira Devoção, o Espirito Santo, fez dele uma arma, um
guia e uma fonte de profecias. O santo viu que o demônio queria destruir o livro e realmente esse livro
ficou escondido numa arca por 130 anos, isso aconteceu para que ficasse mais claro o ódio de Satanás
ao que o santo escrevia.

Papa Pio IX declarou que o tratado é isento de erro e outros papas concederam bênçãos e indulgência
aos que lerem e praticarem o que ali é ensinado.
40

E o que o santo ensina?

Ensina a Total Consagração a Santíssima Virgem Maria.

Sabendo que sua cabeça seria pisada pela Mulher e sua descendência. Fica fácil notar como é detestável
e pavoroso para Satanás ver espalhada pelo mundo uma prática que permite entrar nos moldes de
Maria, uma devoção que se bem vivida torna a alma cópia de Maria, a criatura que ele mais odeia e
teme depois do Senhor, ou ainda mais, como diz são Luís pois ela é uma criatura que atingiu um
patamar inimaginável, infinitamente acima dos anjos e demônios.

E justamente essa Consagração é a Vontade do Senhor.

"Meu Filho quer estabelecer no mundo a Devoção ao meu Imaculado Coração"

Ao ser questionada sobre o que seria esta devoção, Irmã Lúcia disse que trata-se de uma entrega
total. E a total consagração é justamente isso, uma entrega total dos bens espirituais que possuímos,
nosso corpo e faculdades da alma, para que a Vontade de Deus se cumpra.

E qual a Vontade de Deus?

Que as almas se salvem.

Lembre-se que toda essa arquitetura que estudamos tem um objetivo maior levar as almas a se
perderem, pois todas são envoltas por uma cultura do pecado e da morte envolta na ideia de que não
existe pecado, nem céu, nem inferno.

Percebe?

A batalha começa numa questão espiritual, Jesus e Maria contra Satanás que deseja colocar a perder o
maior número de pessoas possível e tem sua resolução apresentada por Nossa Senhora: a entrega total
de si para que se cumpra a vontade de Deus.

Todo o plano da queda de cada ser humano e da humanidade encontra oposição numa ação de caridade
de cada um de nós, que é aumentada e aperfeiçoada pela graça divina.

Entregamos tudo conscientes de que nessa batalha, estamos a combater espiritualmente e depois
externamente. Temos uma forma desejada por Jesus para atingir a santidade e para ajudar na
conversão de muitas almas, a Total Consagração. Que é uma renúncia a Satanás, uma confirmação das
promessas do batismo e uma caridade real e perpétua pela salvação das almas.
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EIS OS ESCRAVOS DO SENHOR

“Não existe devoção a Deus sem amor à Santíssima Virgem.”


São Francisco de Sales, doutor da Igreja.

INTRODUÇÃO
“Todos aqueles que se empenham em divulgar as glórias da Virgem Santíssima, têm o Céu assegurado.”
São Bernardo de Claraval
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A Total Consagração a Jesus por Maria é uma prática muito antiga na história da Igreja e São Luís de
Montfort, que foi ordenado em 1700, utilizou a Total Consagração em suas missões, incentivando que
os fiéis se preparassem e praticassem exercícios de piedade por 30 dias e depois, ao término dos
trabalhos, ocorria uma romaria e os fiéis reafirmavam as promessas batismais, beijavam o evangelho e
professavam uma oração feita pelo próprio São Luís, que hoje chamamos de fórmula da Total
Consagração à Santíssima Virgem Maria.

Num rompante para deixar tal método, tão eficaz para a salvação das almas, São Luís escreve o Tratado
da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria.

Esse livro, no entanto, como revelado ao santo, foi escondido por 130 anos por santanás, devido ao ódio
que este possuí da Santíssima Virgem Maria. No entanto, nenhuma das regiões em que o santo fez sua
missões e utilizou esse método pereceu perante a Revolução Francesa e serviu ainda de refúgio para os
membros do clero perseguidos, além de formar um exército em defesa da monarquia na França e da
Santa Igreja. Diante disso não nos é tão estranho notar que diversas vezes pela história da Igreja esta
consagração gerou santos nos momentos mais caóticos da Igreja e do mundo prontos para defender os
valores cristãos e a Santa Tradição da Madre Igreja.

Descobriu-se ainda, algum tempo depois, que o título original do Tratado era:

"Preparação para Reino do Senhor Jesus"

Portanto, o objetivo final da Total Consagração é preparar as almas para o reinado do Divino Jesus.

Assim, a Devoção Mariana nos é dada como auxílio para viver conforme mais agrada a Deus,
preparando-nos para a vinda do Senhor e seu Reinado, estabelecendo este reinado em antecipação na
nossa vida.

No entanto, uma Verdadeira Devoção Mariana possui princípios:

1- Cristo como fim último

2- Nós pertencemos a Jesus e Maria como escravos

3- Temos que nos livrar do que há de maligno em nós

4- É sinal de humildade ter um intermediário para se dirigir ao Rei

5- É difícil manter as graças que recebemos de Deus

A Devoção Mariana, em suma, nos leva a Jesus, nos incentiva a buscar uma verdadeira conversão e nos
afastar do pecado, confirma em nós a decisão de que pertencemos ao Salvador, nos incentiva a
humildade e nos ajuda a manter e fecundar as graças que recebemos.

Quanto ao segundo tópico, de fato, nós devemos ser e somos escravos e não servos de Deus, os servos
trabalham visando uma paga, os escravos, no entanto, estão completamente nas mãos do seu senhor,
não esperam nenhuma paga. Existem, no entanto, três tipos de escravidão: a natural, a forçada e a
voluntária. Todas as criaturas são escravas do Criador pela escravidão natural, pois Ele é o Criador e nós
as criaturas. Os demônios e réprobos, os condenados, são escravos da Vontade Divina forçosamente,
pois que O odeiam, mas até mesmo eles se submetem a sentença do Juízo Divino. E, finalmente, os
santos e justos que oferecem a Deus uma escravidão voluntária, um abandono a Vontade do Criador
que tanto nos ama.
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Diante disso, não seria mais inteligente usar da razão e da vontade e se entregar complemente e
voluntariamente ao poderio do Senhor, que é tão bondoso e compassivo?

O poder pertence ao Senhor e sua vontade é suprema e quem melhor que a cheia de Graça para nos
ensinar e conduzir na obediência a essa Soberana Vontade?

Por isso a Total Consagração também é chamada de escravidão de amor, pois nos colocamos
completamente nas mãos do Amor, por amor, imitando, com isso, o próprio Senhor.

A Soberana Senhora inicia então um trabalho profundo nas almas que o Supremo Senhor Jesus coloca
em sua tutela.

Essa Bela Senhora mata em nós o velho Adão, esfola nossas imperfeições, limpa as imundícies do
pecado e tudo que há de impuro em nós e, por fim, nos prepara conforme o gosto do Adorado Jesus,
aumentando assim em nós os desejos de santidade, de conversão e nos aproximando dos sacramentos
e da oração.

Isso, no entanto, depende da verdadeira doação de cada alma, pois que, existem almas que tudo
entregam, mas desejam depois tomar tudo dessa Amada Princesa que somente deseja nos preparar a
contento.

Que você não seja assim, que peça a Ela que mate em ti o velho Adão, que lhe esfole, que lhe limpe e
lhe prepare custe o que custar.

Pois ao nos entregarmos oferecemos tudo o que somos e até mesmo o valor de nossas boas obras
passadas, presentes e futuras para que sejam empregadas para a Maior Glória de Deus.

Mas então que será? Se nada temos?

Não se tem nada e se tem tudo! A Mãe Virginal prepara essas almas vestindo-lhes os trajes limpos e
preciosos do Divino Primogênito. Adorna-os com as suas próprias boas obras. Perfuma-os com o odor de
suas vestes. E lhes alcança a dupla benção do Pai Celestial: a fertilidade da terra (a Providência em tudo
que precisam) e o orvalho do Céu (as graças celestiais que lhes são necessárias para a salvação e
santificação).

O que esperas?

Para se consagrar é preciso:

- Ler e estudar o Tratado da Verdadeira Devoção de São Luís de Montfort (buscar formação e
esclarecimentos e para tal poderás usar este singelo ensaio),

-fazer os 30 dias de exercícios espirituais,

-realizar uma confissão geral e no dia da consagração deve-se: assistir a Santa Missa e recitar a fórmula
da Total Consagração. Todos esses passos são obrigatórios e somente os realizando é que a
consagração se faz, portanto, mesmo lendo o material ou até mesmo o Tratado sem fazer todos os
passos não lhe torna consagrado por esse método.

Não é obrigatório a presença do sacerdote do dia da consagração e pode ser feito em frente a imagem
da Santíssima Virgem, na Igreja ou em casa, de preferencia em uma data mariana.
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Quem pode se consagrar?

Todo batizado que deseja auxílio para cumprir o caminho de santidade que todo cristão deve trilhar.

Quem não pode se consagrar?

Todo aquele que esta em pecado mortal: todos os que vivem maritalmente sem serem casados, que
vivem namoros incastos, vida sexual desregrada, homossexuais que não vivem a castidade que é a via
apontada pela Santa Igreja, participantes de seitas como espiritismo, ocultismo, umbanda, feitiçaria e
etc..., maçonaria, adeptos, apoiadores ou integrantes de partidos comunistas/socialistas, feministas,
abortistas ou que defendam a ideologia de gênero, assim como qualquer outra contrariedade a
natureza humana que possa surgir com o passar do tempo, aqueles que fazem uso de métodos
contraceptivos negando o dom da vida (incluindo anticoncepcionais, exceto em caso de doença grave e
que não foi encontrado outro tratamento depois de muito esforço).

Ou seja, tudo o que afasta a alma da Santíssima Eucarística afasta também da Total Consagração. Isso
ocorre, pois, a intenção da devoção mariana é preparar os corações para o Reino do Divino Jesus,
assim, essas almas devem se manter sempre em constante lapidação e limpeza para receber o Divino
Jesus e seu reinado em seus corações e em suas vidas na Santíssima Eucaristia. Portanto, a Devoção
Mariana tem a intenção de preparar para o Amado Jesus almas que sejam sacrários vivos da Eucaristia,
o Prisioneiro do Amor que se deixa encerrar no sacrário, nosso exemplo nessa jornada como escravos
do amor. Esse é o motivo pelo qual São Luís de Montfort nos deixa ao final do Tratado como devemos
receber a Jesus Eucarístico. Jesus virá a nós no tempo marcado, mas vêm a nós em toda Comunhão e,
portanto, Jesus Eucarístico é o fim primeiro da Total Consagração e o Reinado do Senhor Jesus o fim
último dessa preparação por Maria.

O que é pecado mortal?

O pecado mortal é cometido quando se possui pleno consentimento, pleno entendimento e a matéria é
grave. É preciso o cumprimento dos três pontos para ser mortal.

“Um dos principais remédios contra o demônio é recorrer à Virgem Maria.” São João D’Ávila, doutor da
Igreja.

QUEM É A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA


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REFERENTE AO CAPÍTULO 1

“Jamais li que algum Santo não tivesse sido devoto especial da Santíssima Virgem Maria.” São
Boaventura, doutor da Igreja.

O centro de todo Tratado é:

“Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo e é também por Ela que
deve reinar no mundo.”

Ou seja:

“Para que venha o Vosso Reino, ó Jesus. Venha o Reino de Maria”.

Portanto nesse capítulo encontramos a respostas para as seguintes perguntas:

Qual o papel de Maria na Encarnação e no Plano da Salvação?

Onde seria o Reino de Maria?

Para entendermos melhor devemos partir da vinda do Senhor, ou seja, o objetivo final do
reino de Maria.

"Ainda que a data da volta de Cristo seja indefinida, foram-nos dados a conhecer os sinais que a
precederão. São eles: a pregação do Evangelho em todo o mundo, a conversão do povo judeu,
penalidades e tribulações da Igreja, a aparição do Anticristo, e o caos da criação.” M. Schmaus,
Dogmática. VII Los Novíssimos, Rialp, Madrid 1961.

Ou seja, devemos entender que a volta do Senhor é precedida desses acontecimentos. Como
já vimos, no capítulo anterior A Grande Batalha e em Escatologia, temos praticamente todos
os acontecimentos em andamento avançado.

O que nos leva a urgência da necessidade de se conhecer Maria e seu papel no Plano da
Salvação.

O Tratado da Verdadeira Devoção a Ss. Virgem, foi escrito primeiramente com o título de
Preparação para o Reino de Jesus, ou seja, nele temos formações e revelações sobre Maria
Santíssima nesses últimos tempos.

Como também vimos anteriormente, Nossa Senhora mesma explicou sua função (e a de todos
os outros) nessa Grande Batalha:

“O Senhor revestiu-Me com a sua Luz e o Espírito Santo com o seu divino poder; assim apareço como
um grande sinal no céu, como a Mulher vestida de sol, porque tenho a missão de subtrair a
humanidade do domínio do enorme dragão vermelho e reconduzi-la toda à perfeita glorificação da
Santíssima Trindade.” (Mensagens de Nossa Senhora aos Sacerdotes, Seus filhos prediletos, através do Pe. Stefano Gobbi
(1973-1997). Imprimatur do: Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de Guayaquil; Arcebispo Metropolitano de Pescara –
Penne, D. Francesco Cuccarese, Cardeal Ignace Moussa Daoud, Patriarca emérito de Antioquia dos Sírios, e Perfeito da
Congregação para as Igrejas Orientais. Dongo (Itália), 13 de Junho de 1989, Aniversario da 2ª aparição em Fátima)
46

Assim, conhecendo um pouco da dinâmica real da Batalha podemos nos concentrar a


conhecer a Santa Virgem.

Humildade

São Luís ao iniciar sua fala sobre a Santa Mãe de Deus começa pelo seu maior atributo, a
humildade.

Todas as outras virtudes e graças em Maria Santíssima são originadas em sua humildade.

Relembrando

O que é Virtude?

“Uma virtude é uma atitude interior, um hábito positivo, uma paixão por servir o bem.” (CIC
1803, 1833)

O que é a virtude da Humildade?

“Como diz Isidoro, humilde se chama quem está por assim dizer inclinado para o chão, isto é,
preso às coisas ínfimas. O que pode dar–se de dois modos. – Primeiro, por um princípio
extrínseco, por exemplo, quando somos rebaixados por outrem. E, então, a humildade é uma
pena. – De outro modo, por um princípio intrínseco. E isto pode dar–se, às vezes, em bom
sentido; por exemplo, quando, considerando os nossos defeitos, colocamo–nos, conforme a
nossa condição, em situação ínfima; assim, Abraão disse ao Senhor: Falarei ao Senhor, ainda
que eu seja cinza e pó. E, neste sentido, a humildade constitui uma virtude. Mas, outras vezes,
pode ser em mau sentido, por exemplo, quando, alguém não compreendendo a sua honra,
compara–se aos brutos irracionais e se faz semelhante a eles.

Como dissemos, a humildade, enquanto virtude, implica, por sua natureza, um louvável
abatimento para o que é ínfimo. Ora, isto às vezes se dá ficticiamente, ou quando se
manifesta só por sinais exteriores. E esta é a falsa humildade, da qual Agostinho diz, que é uma
grande soberba, porque busca na verdade as excelências da glória. Mas, outras vezes, esse
abatimento se radica no íntimo da alma. E então a humildade é propriamente considerada
uma virtude, pois, a virtude não consiste em manifestações exteriores, mas, e principalmente,
na eleição interna da mente.” (São Tomás de Aquino, Summa Teólogia, Questão 161, Art. 1| Se
a humildade é uma virtude).

Ao relatar a humildade da Santa Virgem, o santo diz que Ela é a Alma Mater, Mãe Escondida.
Ela própria pedia para ser escondida e Deus tinha prazer em escondê-la e preservar.

Assim mesmo tendo poder dado pelo Pai, sabedoria dada pelo Filho e sendo a esposa do
Espírito Santo, Ela permaneceu escondida e guardada. Numa intercessão que devasta os
planos do inferno.
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Obra Prima
Ao falar sobre Ela o Santo usa o termo “Santuário da Trindade” e ainda como Santo Agostinho
“Cidade de Deus”. (TVD 6 e 7).

Grandes coisas fez Deus nessa criatura. Nessa criatura especial e imensamente amada por
Deus.

A força da verdade a todos obriga chamá-la “bem-aventurada”. (TVD 8)

“Toda a terra esta cheia de sua glória” (TVD 9)

Devemos compreender a extensão dessa fala, que nos orienta sobre o papel de Medianeira,
dispensadora de graças que a Santíssima Virgem possuí.

Antes do nascimento da Santíssima Virgem, não existia para todos essa torrente de graças,
porque não havia ainda esse desejado aqueduto: Maria foi dada ao mundo – continua ele – a
fim de que por seu intermédio, como por um canal, até nós corresse sem cessar a torrente
das graças divinas (São Bernardo in São Afonso de Ligório, Glórias de Maria).

A glória de Maria é ser o canal de graça, formado por Deus. Ela espalha as graças pelo mundo
inteiro, é a Nossa Senhora das Graças. Dessa forma ela espalha a sua glória, que é ser
medianeira, por todo o mundo.

Relembrando:

O que é Graça?

“A graça consiste em ser olhado por Deus e ser tocado pelo seu amor” (Para Emérito Bento
XVI).

“Por graça entende-se a dedicação livre e amorosa de Deus a nós, a Sua Bondade em ajudar-
nos, a força vital que d’Ele vem. Pela cruz e pela ressurreição, Deus dedica-se totalmente a
nós, comunicando-Se a nós na graça. A graça é tudo o que Deus nos concede, sem que
minimamente mereçamos.” (CIC 1996-1998, 2005, 2021| YouCat 338)

“Deus nunca oferece menos que a si mesmo” (Santo Agostinho)

O que faz a graça em nós?

“A graça de Deus insere-nos na vida interior do Deus Trino, na permuta de amor entre Pai,
Filho e Espírito Santo. Capacita-nos para viver no amor de Deus, a atuar a partir desse amor”
(YouCat 339).

... “a graça não força. O amor de Deus quer o nosso livre consentimento.” (YouCat 340)

Recebemos a graça como?


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No Batismo recebemos a Graça Santificante, que faz de nós filhos de Deus e herdeiros do Céu.
A Graça Santificante nos permite ter uma inclinação interior para a prática do bem, essa
inclinação é uma Graça Habitual. Dessa forma muitas vezes encontramos essas definições
unidas.

A Graça Atual é um dom sobrenatural, que ilumina a inteligência e fortalece a vontade para
que possamos defender e aumentar a Graça Santificante (Habitual), afastando o mal.

Para receber a Graça Atual, ou seja, o dom sobrenatural, temos a Graça Sacramental, que nos
permite receber as graças atuais para alcançar o fim próprio de cada Sacramento. (YouCat,
339)

Existe ainda a Graça Sobrenatural que é a que excede o entendimento, uma ação sobrenatural
em meio ao natural, ela é a matriz de todas as outras graças, todas dela provêm e dela fazem
parte. Ela que faz participar da vida divina, todas as vezes que São Luís diz graça se refere a
essa ação.

Existem graus de glória (ou de santidade ou de perfeição)?

“Deus Nosso Senhor, generosamente, concedeu a Adão, nosso primeiro pai, a vida
sobrenatural.

Que significa isso?

Significa que, além da vida física e da vida intelectual, Deus, bondosamente, concedeu ao
homem uma participação na própria vida divina. É o que se chama vida sobrenatural ou da
graça.

Assim como a luz penetra no ar sem se tornar elemento constituinte dele, assim como o fogo
penetra no ferro em brasa --que continua, entretanto, simplesmente ferro -- assim também,
pela graça santificante, Deus penetrou na alma de Adão, fazendo-o participamte de sua vida
divina.

O ferro em brasa continua ferro, mas adquire duas qualidades da natureza do fogo: é capaz de
iluminar e de queimar.

Assim também o homem, ao ser batizado, recebe Deus em sua alma. Deus passa a viver na
alma humana, permitindo-lhe fazer ações junto com Deus, adquirindo assim méritos infinitos.

Ser santo é ter participação na vida divina, porque Deus habita na alma pela graça
santificante.

Nossa Senhora, sendo a mais perfeita de todas as criaturas, tem uma glória superior a
qualquer ser humano ou angélico.” (Monfortanos)
49

Assim a participação de Maria Santíssima na vida divina é muito grande, como podemos ver
pelo seu grau de glória, ela foi muito amada e muito amou. E hoje dispensa sobre nós graças
sem cessar.

Portanto, entendemos a razão que levou o Santo a dizer que Maria não foi amada, louvada e
servida com deveria.

O termo amada, devemos pela razão de ser Ela quem é, a Mãe de Deus e Nossa Porta do Céu,
por onde nos vem as graças.

No entanto, devemos nos aprofundar no termo louvada e servida.

Louvor a Maria
Em Lc 1, 39-45, podemos ver a chegada de Maria Puríssima a casa de santa Isabel, Ela saúda
sua prima e imediatamente o menino, João Batista, pula no ventre de sua mãe e Isabel se
enche do Espírito Santo. E Isabel exclama: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito és fruto
do teu ventre, donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor”.

Baseado na Verdade que: “Toda sagrada escritura é inspirada por Deus” (II Timóteo, 3)

Assim que o Espírito Santo encheu Isabel, ela louvou Maria Santíssima. Ela, Isabel, foi inspirada
pelo próprio Deus. O Santo Espírito nos ensina a louvar a Santa Virgem, dizer que Ela é bendita
e que temos uma grande honra em tê-la conosco.

Ela é bendita, pois foi escolhida para ser Mãe de Deus, ninguém foi mais exaltada por Deus do
que Ela. Para ser Mãe de Deus, é preciso que ela fosse Imaculada, livre de todo pecado, livre
do pecado original, ela foi salva por antecipação. Maria é Imaculada livre do pecado original,
virgem de corpo e de alma. Uma criatura muito, muito, muito acima de qualquer outra.

Realmente Ela ainda não foi louvada como é da Vontade de Deus, de geração em geração.

Servir a Maria
Maria, Rainha do Céu
“Transbordam palavras sublimes do meu coração. Ao rei dedico o meu canto. Minha língua é como o
estilo de um ágil escriba.

Sois belo, o mais belo dos filhos dos homens. Expande-se a graça em vossos lábios, pelo que Deus vos
cumulou de bênçãos eternas.

Cingi-vos com vossa espada, ó herói; ela é vosso ornamento e esplendor.

Erguei-vos vitorioso em defesa da verdade e da justiça. Que vossa mão se assinale por feitos gloriosos.

Aguçadas são as vossas flechas; a vós se submetem os povos; os inimigos do rei perdem o ânimo.
50

Vosso trono, ó Deus, é eterno, de eqüidade é vosso cetro real.

Amais a justiça e detestais o mal, pelo que o Senhor, vosso Deus, vos ungiu com óleo de alegria,
preferindo-vos aos vossos iguais.

Exalam vossas vestes perfume de mirra, aloés e incenso; do palácio de marfim os sons das liras vos
deleitam.

Filhas de reis formam vosso cortejo; posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir.”

Sl 44/45

Podemos ver claramente uma relação desse salmo com Apocalipse 19, o rei como o cavaleiro
branco que possuí uma espada que dominará todas as nações e Apocalipse 12, a rainha ornada
de ouro de Ofir e a uma mulher vestida de sol, com a lua sob os pé e na cabeça uma coroa de
doze estrela, vemos uma rainha no céu, com a lua, que significa o mundo, sob os pés, uma
rainha, portanto do céu e da terra.

Se o rei do salmo é Jesus, quem seria a rainha? Jesus não se casou. No entanto, vemos um
costume entre os reis hebreus:

“Salomão sentou-se no trono de Davi, seu pai, e seu reino foi solidamente estabelecido.

Adonias, filho de Hagit, foi ter com Betsabé, mãe de Salomão. Ela disse-lhe: Vens como amigo?

Sim, disse ele, preciso falar-te. Fala.

Ele continuou: Sabes que o reino era meu, e que todo o Israel me considerava como o seu futuro rei. Mas
o trono foi transferido a outro, passando para o meu irmão, porque o Senhor lho deu.

Tenho a esse respeito um pedido a fazer-te; não mo recuses. Fala.

Pede ao rei Salomão, que nada te recusa, que me dê Abisag, a sunamita, por mulher.

Está bem, respondeu Betsabé, falarei por ti ao rei.

Betsabé foi, pois, ter com o rei para falar-lhe em favor de Adonias. O rei levantou-se para ir-lhe ao
encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para a sua
mãe, e ela sentou-se à sua direita:

Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; não mo recuses. Pede, minha mãe, respondeu o rei,
porque nada te recusarei.”

1 Reis 2, 12-20

“No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Asa tornou-se rei de Judá, e reinou quarenta e um anos em
Jerusalém.

Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.

Asa fez o que é reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.
51

Expulsou da terra as prostitutas (sagradas) e acabou com todos os ídolos que seus pais tinham feito.

Além disso, destituiu da dignidade de rainha sua própria mãe Maaca, por ter procedido mal.”

1 Reis, 9-13

A rainha é sempre a mãe do rei, na linhagem de Davi.

No salmo 44/45 a rainha esta ao lado do rei.

“Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe
fazer uma súplica.

Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu
Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda.

Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber?”

Mt 20, 20

“Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de
queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a
fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.”
Lc 2, 34-35

Ela bebeu com Jesus do cálice da dor e está ao seu lado no céu, todos os sinais estão na Bíblia.

Ela “é o mais sublime milagre da natureza, da graça e da glória... Ela é a digna Mãe de Deus”.
(TVD 12)

Ao iniciar propriamente o capítulo 1, São Luís o intitula como a “Necessidade da Devoção a


Maria” e inicia sua explicação descrevendo que Deus quis precisar Dela na Encarnação.
Prossegue dizendo que Deus não muda Seu proceder, logo Ela será necessária sempre no
plano da salvação que ainda não terminou.

Para então melhor explicar a relação de Maria com a Trindade, ele se põe a detalhar a relação
da Santa Virgem com cada pessoa da Santíssima Trindade.

Maria e o Pai

Ele diz que Maria mereceu receber Jesus, por mais que os profetas e patriarcas suspirassem o
Messias, Ela O recebeu, pois encontrou graça diante de Deus, pela força de suas orações e a
grandeza de suas virtudes. O mundo não era digno de receber Jesus diretamente e por isso Ele
veio por Maria, a única que era digna.

Ela recebeu fecundidade das mãos do Pai para gestar Jesus e os membros do Seu Corpo
Místico.
52

Maria e o Filho

Maria é para o novo Adão, Jesus, um Paraíso, nela Ele se escondeu, se aprisionou, fez Dela
um Sacrário.

E por fim Ela estava presente para consentir, pela segunda vez com a Vontade de Deus, que o
seu Filho fosse imolado.

Jesus se submeteu a Santa Virgem, por 30 anos e nisso deu mais glória a Deus.

Relembrando:

Jesus veio para nos reconciliar com Deus, para pagar o preço dos nossos pecados, para nos
libertar da escravidão de satanás.

Essa escravidão nasceu de um ato de desobediência de Eva, que por sua vez nasceu no ato de
desobediência de Lúcifer. E ambas as desobediências vieram da soberba.

Portanto, Jesus que veio para ser o novo Adão e Maria a nova Eva, vivem em mais alto grau a
humildade, contrária a soberba. Ou seja, a remissão de nossos pecados alcançou seu ápice na
crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus mas começou desde o nascimento do Salvador.

E Maria estava com ele todo o tempo para oferecê-Lo à humanidade, oferecer o fruto bendito
do Teu ventre, assim como Eva ofereceu o fruto à Adão e assim à toda humanidade.

Eva cooperou com a queda, Maria – a nova Eva – cooperou com a redenção, assim Ela é por
natureza, por graça e por glória Co-Redentora.

Quando nos submetemos a Maria, agradamos a Deus, pois seguimos, imitamos o fez Jesus em
sua vida. Nos tornamos, então realmente cristãos que quer dizer imitadores de Cristo, outro
Cristo.

Ao finalizar o Santo aponta os milagres realizados por Maria (TVD, 19), interessante notar que
neste ponto, se explica as duas formas que Maria dispensa graças sobre nós. Jesus usou Maria
como canal da graça, ao fazer descer o Espírito Santo sobre Santa Isabel e São João Batista, o
santo chama a isso ordem da graça, usando o termo para se referir a graça sobrenatural, que
desce sobre nós e não podemos explicar. O segundo milagre, ocorre na ordem natural, o das
Bodas de Caná, o santo aponta como ordem natural, pois Maria é a mãe de Jesus na natureza
e tem sobre ele a autoridade desse posto, sem que ele perca com isso sua Majestade.

Maria e o Espírito Santo

A explicação se inicia com uma questão profunda, o Espírito Santo possuí a fecundidade, no
entanto, quis precisar da Santa Virgem para transformar essa fecundidade em ato, ou seja,
numa pessoa, Jesus.

Por isso fez dela sua esposa.


53

“Com Ela” – fez Dela sua esposa

“nela” – Ela é o Sacrário do Novo Adão, a Nova Arca da Aliança

“D’ela” – saiu toda matéria, carne e sangue, que formaram Jesus. O sangue de Jesus é o
sangue de Maria, a carne de Jesus é a carne de Maria.

Mãe de Deus e nossa Mãe. Assim quer servir-se D’ela o Espírito Santo para formar os
predestinados, os membros do corpo místico de Cristo.

“Mistério de graça, escondido mesmo aos cristãos mais sábios e mais espirituais” (TVD,21).

Quanto mais encontrar Maria, mais formará Jesus na alma e a alma em Jesus.

1 – formará Jesus NA alma: fará dela sua morada

2 – e a alma EM Jesus: fará dela outro Cristo

Dessa forma ele termina o raciocínio que visa explicar a necessidade da Devoção, que em
resumo é baseado na verdade que este foi o caminho, Maria Puríssima, que Deus escolheu e
Ele não muda seu proceder.

Após estes esclarecimentos o santo prossegue agora dizendo as Obras Primas que a
Santíssima Trindade operou em Maria.

Assim ele inicia o segundo princípio que Deus quer servir-se de Maria para a salvação das
almas.

Para isso ele volta a dizer que as atitudes explicadas anteriormente demonstram o proceder da
Santíssima Trindade e que Deus não muda seu proceder, para então endossar sua afirmação
ele prossegue relatando as maravilhas que a Trindade operou na Santíssima Virgem, dessa
forma visando explicar a extensão imensurável do poder concedido a Santíssima Virgem sobre
as almas.

Ele novamente diz o que cada pessoa da Santíssima Trindade fez em Maria (TVD, 23 ss):

O Pai: encerrou todas as graças em Maria. Colocou nela tudo que possuí de mais precioso,
incluindo seu filho e também a nós, por quem dedica seu amor gratuito, Ela é o “Tesouro do
Senhor”, o Tesouro do Rei do Universo.

O Filho: Ele entregou a Ela seus Méritos infinitos e suas admiráveis virtudes, pois Ela é o
Tesouro do rei. Fez Dela sua Tesoureira, seu canal misterioso. Ela é o Tesouro e a Tesoureira.
Ela guarda tudo de mais precioso para o Pai e para o Filho e dispensa as graças, os méritos de
Jesus e suas virtudes, aos membros do Corpo Místico.

É a Medianeira das Graças.

Nesse ponto, vamos fazer um pequeno lembrete de como funciona o Céu. Pelas visões dos
Santos e pela Bíblia, como já vimos, podemos nos lembrar de que o Céu é regido por uma
monarquia, existe um Rei e seus súditos, e uma Rainha.
54

Pois bem, para que você entenda melhor vou usar o exemplo de uma época que a humanidade
viveu, antes de termos a sociedade atual, tínhamos um sistema bem diferente em relação às
tarefas de homem e mulher, que começou a se alterar com o surgimento da burguesia. Ou
seja, na Idade Média, tudo era muito diferente. Existia o Rei, vassalos do rei, os senhores
feudais. Cada homem desempenhava seu oficio em sua casa, todos trabalhavam de alguma
forma “em casa” e a mulher normalmente cuidava da casa e isso incluía a gestão da casa, da
administração da casa, ela era a tesoureira da casa e ao mesmo tempo o tesouro casa.

Um reflexo do que acontece no Céu, por isso, talvez se faça tantos mitos e alterações dessa
época da humanidade.

Aqui tudo mudou, mas no Céu não muda, Deus não muda seu proceder. A Rainha é a
Tesoureira da Casa do Pai que tem muitas moradas.

O Espírito Santo: comunicou seus dons inefáveis e fez dela a dispensadora Deles. Nenhum
Dom é concedido sem que passe por Ela.

Assim Ela foi honrada, por que se humilhou toda a vida.

A partir do ponto 27 São Luís inicia a explicação de dois pontos que confirmam e reforçam os
anteriores.

Ele inicia dizendo que a graça é aperfeiçoa a natureza e a glória aperfeiçoa a graça.

Houve uma graça sobrenatural, que excede o entendimento, um milagre, Deus se fez carne,
numa mulher, se tornou Filho gerado pela criatura que criou. A graça sobrenatural aperfeiçoa
a natureza de ser filho. Um filho já é naturalmente inclinado a proteger e amar e muito sua
mãe, no caso de Jesus a graça sobrenatural fez essa atitude natural ser aperfeiçoada, Ele
amava muito, muito mais que um filho muito dedicado ama sua mãe.

E a glória aperfeiçoa a graça. Se Ele pela ação da graça sobrenatural, amava muito, muito,
muito acima de um filho dedicado sua mãe, na glória, ou seja, no Céu isso é ainda mais
aperfeiçoado e portanto nesse momento Jesus ama imensamente Sua Santa Mãe. Ele será
para sempre Filho de Maria.

O santo orienta para que não vejamos nessa dependência de Jesus um ultraje a Sua
Majestade, Maria é dileta, pois faz tudo segundo a Vontade de Deus.

Nota 1: Revelação de Jesus a Santa Brígida, Livro 1

“Eu sou a Rainha dos Céus. Estás preocupada sobre como tens que louvar-me. Tenha a certeza de que todo o louvor
a meu Filho é louvor a mim. E aqueles que o desonram, desonram a mim, pois meu amor para com Ele e o Dele para
comigo é tão ardente como se nós dois fossemos um só coração. Tanto me honrou a mim, que era um vaso de
argila, que me elevou acima de todos os anjos. Por isso tu me hás de louvar assim: ”Bendito sejas, Senhor Deus,
Criador de todas as coisas, que te dignaste descer ao ventre da Virgem Maria. Bendito sejas Senhor Deus que
quiseste habitar nas entranhas da Virgem Maria, sem ser um fardo para Ela e te dignaste receber sua carne
imaculada sem pecado.

Bendito sejas, Senhor Deus, que vieste à Virgem, dando-lhe gozo a sua alma e a todos os seus membros e que, com
o gozo de todos os membros de seu corpo sem pecado, Dela nasceste. Bendito sejas, Senhor Deus, que depois de
tua ascensão alegraste a Virgem Maria com frequentes consolações e com tua consolação a visitaste. Bendito sejas,
55

Senhor Deus, que elevaste o corpo e a alma da Virgem Maria, tua Mãe, aos Céus e a honraste situando-a junto de
tua divindade, sobre todos os anjos. Tem misericórdia de mim, Senhor, por seus rogos e intercessão”.

“A Mãe apareceu dizendo ao Filho: “És o Rei da Glória, Filho meu, és o Senhor de todos os senhores, criaste o Céu e
a Terra e tudo o que existe neles. Sejam cumpridos todos os teus desejos, faça-se toda tua vontade!” O Filho
respondeu: “Há um antigo provérbio que diz: ‘O que se aprende na juventude se preserva até a velhice’. Mãe,
desde tua juventude aprendeste a seguir minha vontade e a submeter todos os seus desejos a mim. Disseste
corretamente: ‘Faça-se tua vontade! ’ És como ouro precioso que se estende e esmaga sobre a dura bigorna,
porque foste golpeada por todo tipo de tribulação e sofreste em minha Paixão mais que todos os demais. Quando,
pela intensidade de minha dor na cruz meu coração se partiu, isto feriu teu coração como afiadíssimo espinho.
Terias desejado ser cortada em duas se fosse essa minha vontade. Mesmo se tivesses tido a capacidade de opor-se
a minha paixão e suplicado que me fosse permitido viver, não terias querido obter isto, de nenhuma maneira, se
não fosse de acordo com minha vontade. Por essa razão, fizeste bem ao dizer: ‘Faça-se tua vontade!’”

São Luís prossegue a partir do ponto 30 mostrando que a devoção a Santa Virgem é o que
distingue os predestinados dos réprobos, ou seja, quem pertence ao exército do cavaleiro
branco e quem pertence ao exército da besta (Ap. 19).

Para esclarecer esse ponto ele inicia uma correlação com Jacó e Esaú, os gêmeos, filhos de
Isaac e Rebeca.

Os predestinados são como Jacó que teve ao seu lado o auxílio de sua mãe e mesmo não
sendo assim tão perfeito, alcançou a herança paterna e a benção do pai, com a ajuda da mãe.

Já Esaú, que era o mais velho, tinha “direito a benção paterna” já que a benção era dada ao
primogênito, não contou com a ajuda da mãe e ainda trocou sua herança material por um
prato de lentilhas (por coisas passageiras).

Assim ele confirma dizendo que os predestinados estão sobre a proteção e guarda da Santa
Virgem (Ap 12), assim como Jacó foi guardado por Rebeca, e terão sua herança e sua benção.

Isaac era pai de ambos, Jacó e Esaú. Mas somente Jacó amava mais a mãe e era por ela amado
e por isso se firmava em seu auxilio junto ao pai. Assim também Deus é pai de predestinados e
réprobos, mas os predestinados são os que amam e são amados pela Mãe de Jesus e nossa, e
Dela recebem seu auxilio junto a Deus.

Ela gerou a Cabeça e dela também deve vir os Membros do Corpo Místico de Cristo.

A formação dos grandes santos, diz o santo, estão a Ela reservados. E ela fará, unida ao Espírito
Santo, grandes coisas. A união da alma a Santa Virgem, que é fecunda, atraí o Espírito Santo
que encontra e meio de fazer em ato grandes obras na alma.

Depois de explicar a necessidade da Devoção para a salvação da alma, pois o Espírito Santo se
aproxima da alma e faz nela grandes coisas e a santifica, o santo demonstra as consequências
que esse papel da Santa Virgem no plano da salvação, desde a Encarnação até a santificação
das almas, repercute.

Para isso ele inicia no ponto 37 a primeira consequência, Maria é Rainha dos Corações. Vimos
anteriormente o título de Rainha do Céu e da Terra, agora vemos outro Rainha dos Corações.
56

Como vimos os predestinados estão sobre a proteção e guarda da Santíssima Virgem e Ela
recebeu poder sobre as almas desses eleitos, ou seja, sobre seus corações.

No ponto 38, vemos toda a graça do Triunfo do Imaculado Coração de Maria. Jesus é Rei por
natureza, Ele é Filho de Deus, e por conquista, pagou o preço por cada um de nós e por isso
seu reino é principalmente no coração. Assim também é com a Santíssima Virgem, Ela é Rainha
por graça sobrenatural que a Trindade Santíssima quis Nela operar, mas principalmente seu
reinado é nos corações, na alma. Onde ela reina com Jesus.

Isso faz a Devoção a Santíssima Virgem superior a outras Devoções (TVD, 39).

“Maria estava cheia de graça ao ser saudada pelo Arcanjo São Gabriel” (TVD, 44)

Nota 2: Revelações de Nosso Senhor e Nossa Senhora a Santa Brígida

“Sou a Rainha do Céu. Ama meu Filho, porque ele é o honestíssimo e quando tens a Ele, tens tudo o que é honesto.
Ele é o mais desejável e quando tens a Ele tens tudo o que é desejável. Ama-o também porque Ele é virtuosíssimo e
quando o tens, tens todas as virtudes. Vou te contar como foi maravilhoso seu amor pelo meu corpo e minha alma
e quanta honra deu ao meu nome. Ele, meu filho, me amou antes que eu o amasse, pois é meu Criador. Ele uniu
meu pai e a minha mãe em um matrimonio tão casto que não se pode encontrar nenhum casal mais casto.

Nunca desejaram unir-se exceto de acordo com a Lei, só para terem descendência. Quando o anjo lhes anunciou
que teriam uma Virgem pela qual chegaria a salvação do mundo, antes desejariam morrer do que unir-se em um
amor carnal, pois a luxuria estava extinta neles. Asseguro-te que, pela caridade divina e devido à mensagem do
anjo, eles se uniram na carne, não por concupiscência, mas contra sua vontade e por amor a Deus. Dessa forma,
minha carne foi gerada de suas sementes e através do amor divino.

Quando meu corpo se formou, Deus enviou nele a alma criada a partir da sua divindade. A alma foi imediatamente
santificada junto com o corpo e os anjos a vigiavam e custodiavam dia e noite. É impossível expressar-te que
grandíssimo gozo sentiu minha mãe quando minha alma santificada se uniu ao meu corpo. Depois, quando o curso
da minha vida se cumpriu, meu Filho primeiro elevou minha alma, por ter sido a dona do corpo, a um lugar mais
eminente que os demais, perto da glória de sua divindade, e depois meu corpo, da forma que nenhum outro corpo
de criatura esteja tão perto de Deus como o meu.

Veja quanto meu Filho amou a minha alma e meu corpo! Existem pessoas, entretanto, que maliciosamente negam
que eu tenha sido assunta em corpo e alma, e existem outras que simplesmente não tem maior conhecimento. Mas
a verdade disso é certa: Fui elevada até a Gloria de Deus em corpo e alma! Escuta agora o muito que meu Filho
honrou meu nome! Meu nome é Maria, como diz o evangelho.”

“Sou a Rainha do Céu, a Mãe de Deus. Eu te disse que devias levar um broche sobre teu peito. Agora te mostrarei
com mais detalhes como, desde o principio, quando eu primeiro ouvi e entendi que Deus existia, sempre e com
temor estive zelosa sobre minha salvação na observância de seus mandamentos.

Quando aprendi mais plenamente que o mesmo Deus era meu Criador e o Juiz de todas minhas ações, cheguei a
amá-Lo profundamente e estive constantemente alerta e atenta para não ofendê-Lo por palavra ou por obra.

Quando soube que Ele havia dado sua Lei e mandamentos a seu povo e fez milagres através deles, fiz a firme
resolução em minha alma de não amar nada mais a não ser Ele, e as coisas mundanas se tornaram muito amargas
para mim. Então, sabendo que o mesmo Deus redimiria o mundo e nasceria de uma Virgem, eu estava tão movida
de amor por Ele que não pensava em nada mais a não ser em Deus, nem queria nada fora Dele. Separei-me, no
possível, da conversação e presença de parentes e amigos, e dei aos necessitados tudo o que havia chegado a ter,
ficando somente com um moderado vestuário e alimentação.
57

Nada me agradava a não ser Deus. Sempre esperei em meu coração viver até o momento de seu nascimento, e
talvez, aspirar a ser uma indigna servidora da Mãe de Deus. Também fiz em meu coração o voto de preservar minha
virgindade, se isso fosse aceitável a Ele, e de não possuir nada no mundo. Mas se Deus quisesse outra coisa, meu
desejo era que se cumprisse em mim seu desejo e não o meu, porque acreditei que Ele era capaz de tudo e que Ele
só queria o melhor para mim. Por Ele, submeti-lhe toda a minha vontade.

Quando chegou o tempo estabelecido para a apresentação das virgens no templo do Senhor, estive presente com
elas graças à religiosa obediência de meus pais.

Pensei comigo, que nada era impossível para Deus e que, como Ele sabia que eu não desejava nem queria mais que
a Ele, Ele poderia preservar minha virgindade, se isto lhe agradasse, e se não, que se fizesse sua vontade.

Depois de ter escutado todos os mandamentos no templo, voltei a casa ainda ardendo mais que nunca por Deus,
sendo inflamada com novos fogos e desejos de amor a cada dia. Por isso, me separei ainda mais de tudo e estive só
noite e dia, com grande temor de que minha boca falasse e meus ouvidos ouvissem algo contra Deus, ou de que
meus olhos olhassem algo em que me deleitasse; em meu silencio senti também temor e ansiedade por estar
calando sobre algo que deveria falar.

Com essas perturbações em meu coração, e a sós comigo mesma, encomendei todas as minhas esperanças a Deus.
Naquele momento veio ao meu pensamento considerar o grande poder de Deus; como os anjos e todas as criaturas
o servem; e como sua glória é indescritível e eterna.

Enquanto me perguntava tudo isso, tive três visões maravilhosas: Vi uma estrela, mas não como as que brilham no
Céu. Vi uma luz, mas não como a que ilumina o mundo. Percebi um aroma, mas não de ervas nem de nada disso,
mas indescritivelmente suave, que me plenificou tanto que senti como se saltasse de gozo. Nesse momento, ouvi
uma voz, mas não de fala humana.

Tive muito medo quando a ouvi e me perguntei se seria uma ilusão. Então, apareceu diante de mim um anjo de
Deus de uma belíssima forma humana, mas não revestida de carne, e me disse: “Ave, cheia de graça...”

Particular Perfeição da Vida (TVD, 45)

Essa plenitude cresceu a cada dia e Ela agora é Tesoureira das graças do céu e as dispensa
àqueles que lhe apraz para os tornar santos. Nela recebemos o alimento de ciência e
conhecimento e as águas da vida.

Últimos Tempos

Ela é a Cidade de Deus. E é em volta dela que os homens andarão para procurar alimento de
justiça.

Apóstolos dos Últimos Tempos

Quem são? (TVD 47, 56, 57, 58)

Devotos da Santa Virgem.

“Esclarecidos pela Luz que Dela vem, pelo seu leite, conduzidas pelo seu espírito, sustentadas
pelo seu braço, guardadas sobre a sua proteção, de modo que haverão de combater com uma
das mãos e edificar com a outra.” (TVD 47)

Todo caminho espiritual percorrem com Maria Santíssima, recebem dela os ensinamentos
(luz), são formados na alma e no corpo por Ela (leite), recebem dela orientação para onde ir,
58

como proceder e se comportar (conduzidas pelo seu espírito), quando fraquejam são por ela
sustentados (braço) e protegidos.

São “ministros do Senhor”, interessante São Luís usar esse termo, pois, são usadas na tradição
para os padres e também para uma ordem angélica chamada Dominações, basicamente são
responsáveis por dar instrução.

São “flechas agudas nas mãos Poderosas de Maria”, vão aonde Ela quer e derrotam os
inimigos de Deus.

São “filhos de Levi”, a tribo de Levi possuía somente Deus por herança, eram os sacerdotes do
povo, consagrados.

E o surgimento deles próprios é um sinal dos fins dos tempos.


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PRINCÍPIOS DESTA DEVOÇÃO


REFERENTE AO CAPÍTULO 2

“Sois devoto de Nossa Senhora? Ouvi pois e consolai-vos. Vivereis bem, morrereis melhor,
salvar-vos-eis.” São Leonardo de Porto Maurício

O Capítulo 2 trata dos princípios fundamentais dessa Devoção:

1. Jesus é o fim último da Devoção a Santíssima Virgem,


2. Pertencemos a Jesus e a Maria na qualidade de escravos,
3. Devemos esvaziar-nos do que há de mal em nós,
4. Temos necessidade de um mediador, junto ao mediador mesmo que é Jesus,
5. É nos muito difícil conservar as graças e os tesouros recebidos de Deus.

Jesus é o fim último de toda devoção


Tudo que existe fora de Jesus é extravio, mentira, iniquidade, inutilidade, morte e condenação.

Se esta devoção nos afastasse de Jesus deveríamos repeli-la, mas na verdade ela nos aproxima,
“para o amar ternamente e servir com fidelidade” (TVD 62).

Jesus e Maria são intimamente unidos.

O Santo ainda nos diz que não a como ter verdadeira devoção por Jesus sem o ter por Maria.

“Não julgue receber a misericórdia de Deus aquele que ofende a Sua Santa Mãe!” (TVD 66)

Pertencemos a Jesus e a Maria na qualidade de escravos

Antes do Batismo pertencemos ao diabo, ao recebermos o sacramento nos tornamos escravos


de Jesus. Assim devemos trabalhar e morrer por esse Homem Deus.

E Jesus realmente quer receber de nós algum fruto e esse fruto são nossas boas obras.

Dessa forma devemos servir não como quem irá receber uma recompensa mas como escravos
de amor.

A escravidão é uma forma, um estado de dependência completa.

Todos somos escravos de Deus. No entanto, existem três espécies de escravidão:

Natural – somos criaturas e Ele o Criador, todas as criaturas se submetem ao Criador por esta
espécie de escravidão.

Forçada – nessa espécie estão os demônios e os réprobos, que devem obedecer a Deus
mesmo não querendo.
60

Voluntária – nessa categoria estão os justos e santos, que querem se submeter


voluntariamente.

A espécie de submissão que mais agrada a Deus é a voluntária, pois, escolhemos servir a Deus
usando o nosso livre arbitro, pois Ele que já a muito havia nos escolhido.

Após essa explicação, o santo prossegue realizando uma distinção entre servo e escravo.
Basicamente o servo escolhe o que faz, pode ir embora quando quiser e recebe uma paga
pelos serviços. Já o escravo depende completamente das escolhas, da proteção, do sustento e
das orientações do seu senhor, que tem sobre ele poder de vida e de morte.

Nesse sentido devemos ser escravos de Jesus e não servos.

O santo também explica que no contexto Bíblico a palavra “servo” quer dizer realmente
escravo, total submissão e dependência, pois naquela época não existiam servos nos termos
que atualmente entendemos.

Se realizarmos uma pesquisa veremos que o termo usado no grego é doulos, que quer dizer
“total submissão”. Esse termo é usado por São Paulo e São Pedro, que se auto denominam
escravos do Senhor.

Para concluir São Luís diz que assim como o Rei possuí escravos, estes são também escravos da
Rainha, e aqueles que Dela são escravos, Dele também o são.

Jesus e Maria possuem o mesmo coração e a mesma Vontade.

Devemos esvaziar-nos do que há de mal em nós

São Luís realiza uma pequena série de pontos sobre o despojar-se de si mesmo:

1. “conhecer bem seu fundo mal” (TVD 79)

“Os pecados atuais que cometemos, quer mortais, quer veniais, embora tenham sido
perdoados, aumentaram-nos a concupiscência, a fraqueza, a inconstância e a corrupção,
deixando maus vestígios na nossa alma”

2. Despojar-se de nós mesmo – morrer todos os dias. Para isso devemos “renunciar às
operações das potências da alma”.

Quais são as potências da alma?

Vontade e Inteligência.

Deus enriqueceu nossa alma com a Vontade para que cumpramos a ordem do Criador com
liberdade. E com Inteligência para conhecer, amar e adorar a Deus.

No entanto, após o pecado original essas potências se alteraram gerando uma vontade
egocêntrica e uma inteligência que embora ignorante é também soberba e autossuficiente.
61

Sem que nos despojemos da vontade e da inteligência contaminamos todas as nossas boas
obras com a corrupção que as adoeceu.

3. “é preciso escolher, dentre as Devoções, aquela que mais nos leva a esta morte para
nós próprios”.
“nem tudo que é praticado por todos é o melhor”
“Existem segredos na ordem da graça que facilitam o caminho espiritual, gerando
progresso em pouco tempo”.
“Este é o caminho: Despojar-se de si mesmo – encher-se de Deus – tornar-se perfeito”

Portanto, São Luís diz que existem devoções que são verdadeiros segredos de graça, pois
facilitam o caminho espiritual, que é o caminho do despojamento.

Por isso ele diz que é preciso escolher dentre as diversas devoções a que nos faz trilhar esse
caminho evangélico, tão contrário à nossa natureza deturpada como vimos no ponto 1 e 2.

Temos necessidade de um mediador, junto ao mediador, que é Jesus


1. É falta de humildade se aproximar da Majestade Divina sem nenhuma intercessão.

Isso não ocorre nem mesmo entre os monarcas humanos, ou mesmo um presidente, muito
menos deveria ocorrer na hierarquia celeste.

2. “Precisamos dum mediador junto ao mediador” como nos ensina São Bernardo.
3. Ela é tão poderosa que nunca foi ignorada.

Maria Puríssima é mediadora de intercessão, junto a Jesus nosso Senhor, que é o mediador da
Salvação. A Santíssima Virgem é a Onipotência Suplicante, pois que nunca lhe é recusado
nada.

É-nos muito difícil conservar as graças e os tesouros recebidos de Deus

Sobre as graças e os tesouros que recebemos e não conseguimos conservar, São Luís nos relata
as três razões para tal e respectivamente nos oferece a solução:

1. Temos um tesouro em vasos frágeis – Ela é o auxílio dos fracos,


2. Porque os demônios nos rondam – Ela é o terror dos demônios,
3. É difícil se preservar na justiça e na firmeza nesse mundo – Ela é a sempre fiel.

Resumo:

- Devemos escolher uma devoção que nos leva a Jesus,

- Que nos permite entregarmo-nos como escravos voluntariamente,

- Que nos auxilie a nos despojar-nos de nós mesmos,

- Que nos ofereça um medidor junto ao mediador,


62

- E que nos ajude a conservar as graças que recebemos, combatendo a nós mesmo, os demônios e o
mundo.

DEVOÇÕES MARIANAS COMUNS


REFERENTE AO CAPÍTULO 3
63

“A morte de um filho de Maria Santíssima é o salto de uma criança nos braços de sua Mãe.”
Santa Madalena Sofia Barat

Revisão

O capítulo 2 trata dos fundamentos da Verdadeira Devoção:

1- Jesus Cristo é o fim último da Verdadeira Devoção,


2- Pertencemos a Jesus e Maria na qualidade de escravos,
3- Devemos esvaziar-nos do que há de mal em nós,
4- Temos necessidade de um mediador, junto ao mediador mesmo que é Jesus,
5- É-nos muito difícil conservar as graças e os tesouros recebidos de Deus.

São Luís termina dizendo que existem segredos na ordem da graça que facilitam o caminho espiritual.

O caminho espiritual é: despojar-se de si mesmo - encher-se de Deus – ser perfeito.

Ao iniciar o capítulo 3 o santo esclarece o nível em que a Devoção a Santíssima Virgem se


encontra dentre as outras devoções, ele diz que a devoção a Nossa Senhora e a Santa
Comunhão são ouro e prata entre as devoções.

Ou seja, a devoção a Nossa Senhora é superior e se une a devoção a Santa Comunhão.

Para então esclarecer o que é verdadeiramente a devoção a Santíssima Virgem, ele inicia
fazendo um relato das falsas devoções e depois descreve como é a Verdadeira Devoção.

Falsas Devoções Característica da Verdadeira Devoção


Críticos: são devotos, mas acham algumas
atitudes exageradas, questionam os milagres,
os louvores, dizem que são abusos. Terna: a alma recorre a Santíssima Virgem
Escrupulosos: temem desonrar o Filho com simplicidade, confiança e ternura.
honrando a Mãe.
Exteriores: falta espírito interior, focam na Santa: leva a alma a evitar o pecado e a
exterioridade, apreciam somente o que imitar as virtudes de Maria, ou seja, praticar
existe de sensível na devoção, criticam as as virtudes.
almas de oração que vivem a devoção
interior e a modéstia exterior que Constante: opõe-se ao mundo (com suas
acompanha sempre a verdadeira devoção. modas), a carne (as paixões, defeitos, etc.) e
Presunçosos: amigos do mundo que ao demônio (as tentações). A alma não é
escondem suas paixões, não se esforçam volúvel, melancólica escrupulosa e nem
para se corrigir, até fazem todas as práticas receosa. Vive da fé e não dos sentimentos.
exteriores, mas não se livram dos pequenos
pecados. Desinteressada: inspira a alma a não buscar a
Inconstantes: mudam de hora em hora. si mesma, mas só a Deus em sua Santa Mãe.
Hipócritas: se passam de bonzinhos para Serve a Ele nos desgostos e nas doçuras.
encobrir seus pecados.
Interesseiros: desejam graças (milagres). *a verdadeira devoção possuí todas essas
características, não são tipos de devotos.
Algumas observações sobre as falsas devoções:
64

Primeiro: O santo ao falar sobre os devotos presunçosos diz que é um abuso usar a devoção
para esconder suas pequenas faltas, pecados e maus hábitos. Diz que essa é a devoção mais
santa e sólida depois do Santíssimo Sacramento, essa atitude é um sacrilégio.

Nesse ponto vale lembrar que São João da Cruz, diz que em dado momento do caminho
espiritual é preciso lutar não mais contra os pecados mortais, mas contra os veniais e depois
contra as pequenas más inclinações, maus hábitos, fraquezas, que em si não são pecados
mortais mais enfraquecem a alma e a debilita para caminhar de virtude em virtude.

A devoção presunçosa é justamente a negação de se dedicar a corrigir essas más inclinações,


esses maus hábitos, usando a devoção para esconder suas paixões.

Note que ele não disse pecados, disse paixões, ou seja, doenças espirituais, suscetibilidade da
alma, fraquezas. “Pequenos pecados” que podem abrir espaço para os pecados graves e/ ou
mortais.

A fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma


sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo (Filipenses 2, 15).

Segundo: Já os devotos hipócritas escondem, literalmente, seus erros e pecados com a


devoção. São realmente lobos em pele de cordeiro.

Terceiro: sobre os inconstantes é bom lembrar que a alma humana é em si inconstante, por
isso, um dos louvores a Deus é que Ele é O Constante, pois essa é uma característica que só
podemos adquirir unidos a Ele. Humanamente somos sempre inconstantes e somente com a
fé que transcende o que se passa em nossa alma é que podemos desejar a Constância que vem
de Deus.

Práticas Comuns

As práticas comuns da devoção a Santíssima Virgem são:

Interiores Exteriores
• Culto de hiperdulia (honrá-La acima • Confrarias,
de todos os santos), • Publicar louvores,
• Meditar suas virtudes, • Honra-La com esmolas, jejuns,
• Contemplar suas grandezas, mortificações,
• Dirigir atos de amor e • Trazer suas insígnias,
reconhecimento, • Rezar com modéstia, atenção e
• Invocá-La, devoção o Rosário,
• Oferecer e unir-se a Ela, • Cantar e fazer com que se cante
• Fazer as ações para agrada-La, músicas em sua honra,
• Começar, continuar e terminar todas • Genuflexões ao amanhecer e
as ações por Ela, n’Ela, com Ela e para entardecer em sua honra,
Ela. • Enfeitar seus altares,
• Fazer procissões, colocar imagens em
igrejas, casas e portas,
• Consagrar-se de forma especial e
solene a Ela.
65

Essas práticas podem santificar se feitas:

• Com boa e reta intenção de agradar a Deus,


• Atenção (sem distrações voluntárias),
• Devoção (sem precipitação),
• Modéstia e compostura do corpo.

Ou seja, todas essas são práticas comuns que se feitas devotamente, com atenção e modéstia
santificam.

No entanto, ele termina o capítulo dizendo que existe uma prática perfeita, que exige mais
sacrifícios da alma, que a esvazia mais de si mesma, que a conserva mais na graça, une-a a
Jesus e é mais gloriosa para Deus, mais santificante para a alma e mais útil ao próximo. Ou
seja, ele ainda não esta a falar da Perfeita Devoção Mariana, esta dizendo como deveria ser
uma devoção mariana comum.

Prática Perfeita da Devoção à Santíssima Virgem


REFERENTE AO CAPÍTULO 4

“Tudo quanto pudermos dizer em louvor de Maria Santíssima é pouco em relação ao que
merece por sua dignidade de Mãe de Deus.” Santo Agostinho, doutor da Igreja
66

São Luís termina o capítulo terceiro dizendo que existe uma prática perfeita da devoção a
Santíssima Virgem.

E ele inicia o capítulo 4 dizendo que a prática perfeita é aquela que: nos consagra, nos une e
nos conforma a Jesus.

Nossa Senhora é a que mais se conformou a Jesus, portanto a devoção mais perfeita é a
Devoção a Santa Mãe de Deus.

Nesse ponto ele começa a abordar a consagração total e perfeita de si mesmo.

Na Consagração Total se entrega:

- corpo (sentidos e membros, ou seja, seu corpo pertence a Santíssima Virgem, então deverão
se adornar, portar e expressar como Lha agradar)

- alma (potências da alma: vontade e inteligência)

- bens exteriores (os presentes e os futuros, deverão ser tratados com honestidade, diligência
e visando a maior glória de Deus)

- bens interiores (méritos, virtudes e boas obras)

Tudo no passado, no presente e no futuro.

Na ordem da natureza, da graça e da glória.

Ou seja, tudo o que fizermos enquanto ainda em vida (natureza), os dons que possamos
receber da Providência (graça), as orações que possam nos fazer depois de falecidos ou ainda
as boas obras que possamos fazer as pessoas com o legado que deixarmos seja ele material,
moral, intelectual (glória), tudo pertence a Santíssima Virgem para ser empregado visando a
maior glória de Deus.

Nossas boas obras possuem um valor na ordem da graça. Esse valor é atribuído de acordo com
o AMOR empregado na realização da mesma.

Toda boa obra possuí, em si, duas categorias de valores: Transferível e Intransferível.
67

O valor Intransferível é o que chamamos de valor meritório, ou seja, é atribuído por


merecimento. Esse valor não pode ser transferido pois é com ele que alcançamos a entrada no
Céu e que se transformará em grau de glória.

Os valores Transferíveis são os valores Impetratório e Indulgêncial. O primeiro é empregado


para alcançar uma graça para você ou alguma pessoa viva e o segunda para pagar as PENAS
suas ou de uma alma do Purgatório.

CULPA e PENA

Quando pecamos passamos a carregar, por decisão própria, a culpa e a pena por aquele
pecado.

A culpa é apagada no Sacramento da Confissão, ou seja, a culpa é apagada com o coração


contrito que se apresenta diante do vigário e expressa uma atitude honesta pelos tempos em
que estava no entorpecimento da consciência.

No entanto, resta-nos a Pena, ou seja, o que deve pago a Justiça Divina. Essa Pena é paga no
Purgatório.

Jesus diz a Santa Faustina que as almas do Purgatório Lhe são muito queridas, pois estão a
pagar os últimos centis a Sua Justiça.

Mas existe uma forma de apagar a pena ainda em vida: com Indulgências. Que podem ser
parciais ou plenárias, com as devidas disposições (confissão, comunhão e oração pelo Santo
Padre o Papa).

Portanto, entregamos tudo. Mas qual seria o uso que a Santíssima Virgem faz de cada um
desses valores:
68

Damo-nos por nós mesmos, voluntariamente e com conhecimento de causa.

São Luís diz que se trata de uma Renovação dos votos batismais somado a uma entrega
completa de si mesmo.

Lembra ainda que a melhor forma de redimir os desregramentos dos cristãos é lembrar-lhes as
promessas batismais.

Após esse ponto São Luís responde a três objeções, ainda muito comuns, entre nós:

Uma nova Devoção?

São Luís diz que não, que muitos padres já antes falaram dessa devoção.

Se tudo damos ficamos impossibilitados de socorrer nossos parentes e amigos?

Ele responde em duas etapas essa questão:

1- O santo inicia com “não é de crer” e responde com uma pergunta, como poderia
nossos amigos e parentes se prejudicar porque nos consagramos inteiramente a
Jesus?

Esse pensamento é uma afronta a bondade e misericórdia de Jesus e Maria.


69

2- Não somos impedidos de rezar pelas pessoas mas quem resolve onde empregará os
méritos da oração é a Santíssima Virgem.

Nós rezamos com a confiança dos que tudo entregaram.

Essas almas ficariam mais tempo no Purgatório?

Como pode quem tudo entregou ser castigado? Esse é o teor da resposta do santo, ou
seja, entregamos tudo pelas almas e para a Maior Glória de Deus, entregamos o tesouro
que realmente importa nessa vida, como poderia Deus deixar nossa alma sem auxílio?
70

Os 8 Motivos para abraçar esta Devoção


REFERENTE AO CAPÍTULO 5

“Deus que criou todas as coisas, fez-se a si mesmo por meio de Maria Santíssima.” Santo Anselmo,
doutor da Igreja.

1- Nos consagrar ao serviço de Deus

- não existe ofício mais elevado,

- todo o ouro da terra é insuficiente para pagar aquele que tudo entrega,

Nem mesmo as maiores congregações isto é solicitado: a entrega total dos bens interiores.

2- Nos faz imitar a Santíssima Trindade e praticar a humildade

Imitando a Santíssima Trindade

- Jesus se encerrou no seio da Santíssima Virgem Maria

- A Santíssima Trindade usou Dela na Encarnação e para a santificação e salvação das almas.

Praticar a Humildade

- Deus se aproxima de quem se humilha por saber que é indigno de se aproximar de Deus.

3- Assistência Materna da Santíssima Virgem Maria

A - Ela não se deixa vencer em amor e generosidade

ELA SE DOA a quem se doou a Ela --- nos dá graça, nos adorna com seus méritos, apoia com
seu poder, ilumina e abrasa os nossos corações, comunica-nos as suas virtudes.

EFEITO dessa ação em nossas almas:

- aumenta o desprezo de si mesmo e confiança na Santíssima Virgem Maria.

- a alma se aproxima do Senhor sem temor servil, ornada dos méritos da Santíssima Virgem
Maria.

B- Ela purifica as nossas boas obras:

1 – purifica do amor próprio e do apego as criaturas,

2- adorna a alma com os seus méritos e virtudes,


71

3- Ela apresenta tudo que recebe a Jesus fielmente,

4 – Ela faz com que Jesus aceita (e Ele aceita por ser algo entregue pela mãos imaculadas de
Sua Mãe).

4 – Se fielmente praticada faz com que os valores das nossas boas obras sejam
utilizados para a Maior Glória de Deus.

Coloca os interesses divinos acima dos nosso interesses.

5- União com Nosso Senhor

A Devoção à Soberana Senhora é:

- caminho fácil: Jesus abriu esse caminho. É um caminho sem obstáculo. Quem adentra nele
caminha mais suave e tranquilamente. Pois, ao o compararmos aos outros caminhos que
passam por noites escuras e muitas cruzes, este caminho é ameno, não que seja isento de
noites escuras e cruzes (afinal somos cristãos), mas contamos com o poder auxiliador e
protetor da Santa Mãe de Deus para chegarmos até nosso Soberano Senhor.

- caminho curto: nele ninguém se perde, nele se avança com prontidão, em submissão e
dependência a Maria se cresce mais que em anos de independência.

- caminho perfeito: Ela é a mais perfeita e pura das criaturas, portanto, o mais perfeito e puro
dos caminhos.

- caminho seguro: caminho seguro para alcançar a perfeição.

Ela nos conduz seguramente a Jesus como Jesus nos conduz seguramente ao Pai.

O santo volta a falar: que a presença de Maria atraí o Espírito Santo para a alma, onde Maria
esta não está o espírito maligno, toda alma conduzida pelo Espírito Santo tem uma grande
devoção por Maria. Quem lhe é fiel não cai em heresia ou em ilusões.

6. A liberdade dos filhos de Deus. Jesus recompensa os cativos amorosos:

- tira da alma os escrúpulos e o temor servil,

- dilata o coração com uma santa confiança,

-inspira-lhe amor terno e filial.

7. Bens que Dela receberá nosso próximo


72

- o valor impetratório e indulgêncial (ou satisfatório) das nossas boas obras, que leva a
salvação dos irmãos (pois, doar os méritos é uma obra de caridade espiritual).

Assim mesmo com práticas ordinárias, cada alma em seu estado vocacional, terá livrado
muitas almas do Purgatório e convertido muitos pecadores, se viver esta devoção com o
espírito de entrega que ela suscita.

8. Ela é o meio para perseverarmos nas virtudes e sermos fiéis.

- perseveramos nas virtudes pois Ela está a guardar e cuidar do valor meritório de nossas boas
obras, nesse valor se encontra as virtudes, as quais ela suscita, cuida e preserva.

- e nos torna fiéis, pois Ela é a fiel e nos reverte essa graça.
73

5 favores da Santíssima Virgem aos seus fiéis escravos


REFERENTE AO CAPÍTULO 6

“Vosso nome, ó Mãe de Deus, está cheio de graças e de bênçãos divinas.” São Metódio

Figura Bíblica da Devoção à Santíssima Virgem Maria

Isaac e Rebeca

Esaú Jacó

Esaú - homem Jacó - homem interior


terreno - simboliza os - simboliza Jesus e os
repróbos predestinados

Esaú Jacó
- voltado para o terreno - voltado para o interior
- vivia fora de casa - vivia em casa com a mãe
- não era inclinado a agradar a mãe - saia somente para agradar a mãe
- primogênito - mais novo
- inclinado à gula
74

Favores de Maria a seus escravos


Que grande alegria! Em troca da entrega do pouco que somos podemos ser cumulados de
favores, que balança de sublime é o Coração de Jesus e Maria!

1 – Ela os ama

a. Ela dispõe de todas as coisas para livrar seus escravos de todos os males e os cumular de
bens. Espreita as ocasiões favoráveis para os enriquecer e engrandecer.
b. Dá bons conselhos, diretamente ou pelos anjos, que A obedecem. Inspirando-os a imitar
Jesus.
c. Quando damos nossa alma e corpo, assim como Jacó deu a Rebeca dois cabritos, Ela
sacrifica “o homem velho”, “o velho Adão”. Esfola-os retirando o amor próprio, as
inclinações da natureza e o apego as criaturas. Purifica-os das manchas e impurezas
causada pelos pecados e maus hábitos. Prepara-os para que sejam apresentados a Deus
da forma que mais O agrada.
d. Ela nos prepara: revestindo-nos com as vestes de Jesus, que contêm um perfume que
agrada a Deus Pai. Envolve as mãos e o pescoço do escravo com suas próprias boas
obras. Ela nos adorna ainda com Seus próprios méritos e virtudes.
e. Por fim o escravo recebe a dupla benção de Deus Pai, que reconhece na alma Seu Filho e
da Mãe de Deus, então estende a sua Mão Poderosa e:

-dispensa uma dupla benção do: a benção do “orvalho do Céu” – benção espiritual, graça
divina, semente da glória - e a benção da “fertilidade na terra” - o pão cotidiano de cada dia e
a ação da Providência em tudo o que necessitarem.

-os faz senhores dos réprobos, mesmo que isso só ocorra na glória.

-o Senhor estende sua benção aos que os abençoam e amaldiçoa quem os amaldiçoa.

2- Ela tudo provê para o corpo e para alma


Dispensa uma porção do pão da vida e do cálice das virgens aos seus filhos e escravos, para
alimenta-los e sustenta-los espiritualmente e materialmente.

3 – Ela os guia
Conduz segundo a Vontade de Seu Filho.

4 – Ela defende e protege contra os inimigos


Essa boa Mãe envia batalhões de anjos em socorro de um dos seus escravos.
75

5 – Intercessão
A sua intercessão maternal nos une a Jesus intimamente no coração de Maria, que é o jardim
do Senhor, o Paraíso do Novo Adão.

Os 7 Efeitos da Perfeita Devoção na alma


REFERENTE AO CAPÍTULO 7

No capítulo sétimo encontramos uma lista animadora sobre os efeitos da Total Consagração em nós, o
santo nos diz:

1- o conhecimento e o desprezo de si mesmo

A – ocorre ao reconhecer o fundo mau que existe em nós e que é consequência do pecado
original,

B- nasce nos corações a humildade gerada pela verdade de que precisamos de Deus e de sua
graça.

2- a participação na fé de Maria

Embora Ela não precise de fé no Céu, Deus concedeu que Ela a guardasse para distribuir à
Igreja Militante (TVD 214).

3- a graça do Puro Amor – sem escrúpulos e sem temor servil

Se a alma cair e O ofender deve pedir perdão imediatamente (TVD 215) e deve se dispor a
crescer na repulsa ao pecado.

4- grande confiança em Deus e em Maria

A tem como medianeira, pois que lhe entregou tudo.

5- a comunicação da alma e do espírito de Maria: para honrar e glorificar o Senhor (TDV 217).

Nota 1:

Por vezes ocorre que a alma é descrita com distinta do espírito. Assim, São Paulo ora para que nosso “ser inteiro, o espírito, a alma
e o corpo", seja guardado irrepreensível na Vinda do Senhor. A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade.
76

“Espírito" significa que o homem está ordenado desde a sua criação para o seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser
elevada gratuitamente à comunhão com Deus. (CIC 367)

6- a transformação das almas em Maria à imagem de Jesus Cristo

Maria é a árvore da vida que a seu tempo dará seu fruto que é Jesus, unidos a Ela teremos
nossas almas moldada a Jesus.

7- a Maior Glória de Jesus Cristo

A alma que se entrega dará em um só mês mais glória a Deus que em muitos anos assegura
São Luís de Monstfort.

A- pois participa das intenções de Maria, renunciando assim as próprias intenções pelas da
Soberana Senhora.

B- não age por si mesmo, mas em Jesus e Maria.

C- por ser Maria que oferece nossas obras essas assumem mais beleza e brilho aos olhos de
Jesus.

D- nós pensamos em Maria e Ela por nós pensa em Deus.

“Quando dizemos Maria, Ela diz Deus”.


77

Práticas Exteriores e Interiores


REFERENTE AO CAPÍTULO 8

“Não estarei seguro da minha salvação, enquanto não estiver seguro da minha devoção à
Virgem Maria.” São João Berchmans

As práticas exteriores ditas pelo santo nesse livro precioso, nos mostra as práticas especificas desta
devoção, assim, tudo o que o santo disse nos primeiros capítulos se referia a práticas gerais e comuns da
devoção à Santíssima Virgem e agora, portanto, nos orientas as práticas específicas da perfeita devoção,
ou seja, as práticas que a diferenciam das devoções gerais.

A prática fundamental é INTERIOR, no entanto, também diz no ponto 226, que não venha ninguém
“meter aqui o nariz”, como diz o santo, dizendo que tudo consiste no interior denegrindo as práticas
exteriores. Assim caro leitor o santo já nos oferece, novamente, respostas para perguntas, dúvidas e
inclinação à atitudes laxas tão comuns atualmente.

O que é expresso acaba por se fixar interiormente, de modo que, assim como uma criança, devemos
aprender muitas vezes externamente e a medida que crescemos aquilo como que se infunde em nós,
tornando-se parte de nós mesmos, assim é com muitas coisas e com a Verdadeira Devoção também.

Portanto, a verdadeira devoção une as duas práticas: interior e exterior.

Nosso querido santo inicia propositalmente pelas Práticas Exteriores:

1. Exercícios Espirituais (12 dias preparatórios, 1 semana para o conhecimento de si mesmo, 1


semana para conhecimento da Santíssima Virgem Maria, 1 semana para o conhecimento de
Jesus – o santo conta 1 semana como sendo 6 dias, logo o tempo original dos exercícios sempre
foi 30 dias, vide original em francês no mesmo ponto).
2. Coroinha da Santíssima Virgem Maria (todos os dias, sem a isso se obrigar).
3. Cadeia - é “muito louvável, muito glorioso e útil”, como diz o santo - por três motivos:
a. Para se lembrar das promessas do Santo Batismo,
b. Para mostrar que não nos envergonhamos de ser escravos de Jesus,
c. Servem de garantia e preservação contra as cadeias do pecado e do demônio, pois não se
pode servir a dois senhores.
4. Devoção ao dia de 25 de Março, dia da Encarnação do Verbo, o mistério mais oculto, elevado e
menos conhecido.
5. Terão muita devoção pelo Rosário e a Ave Maria (é uma determinação o que somado ao pedido
da Santíssima Senhora em Fátima se torna a prática que devemos dar maior atenção),
6. Dirão muitas vezes o Magnificat (também é dito como uma determinação),
7. Desprezo do mundo (despojar-se de si mesmo – encher-se de Deus – ser perfeito).

Quanto as Práticas Interiores o santo nos orienta os passos para uma vivência profunda desta
devoção e buscando dar os passos se realiza os atos exteriores com facilidade e ainda tem-se nos atos
exteriores um lembrete e alimento para as práticas interiores.

“Para os que desejam ser perfeitos”, assim o santo evidencia que a perfeição na vivência da consagração
está na prática dessas disposições interiores:

Fazer tudo:
78

POR Maria: lhe obedecer, fazer passar tudo pelas mãos Dela. Para isso:

1- renunciar a suas próprias luzes, o seu próprio espírito e vontade antes de fazer qualquer coisa.
2- entregar-se a Maria para ser conduzido por Ela
3- renovar em tempos em tempos esta entrega durante as tarefas ou depois que terminá-las.

COM Maria: consiste em imitá-la, fazer tudo como Ela faria e sobrenaturalizar toda a vida com essa
prática.

EM Maria: renunciar nosso modo de ver pelo Dela, Ela em nós faz tudo.

PARA Maria: tudo oferecer à Ela e empreender grandes coisas por essa Bela Senhora.

Esta Devoção, no entanto, possuí graus, ou seja, não basta se consagrar é preciso avançar nessa

Devoção para chegar a praticar de forma perfeita as orientações sobre as práticas interiores e
exteriores:

“Quem dará o primeiro passo e quem avançará?” , pergunta o santo.

Os graus que devemos buscar subir apesar de nós mesmos são:

1º Grau: entregar- se como escravo a Santíssima Virgem Maria, ou seja, fazer a Total Consagração como
orienta São Montfort, veja portanto, que fazer a consagração é a soleira da porta desta via pura e amável.

2º Grau: viver com Maria em espirito de imitação, ou seja, considera-la em tudo, se perguntar
constantemente como Ela faria, se portaria, se comportaria, escolheria.

3º Grau: depois de se entregar à Ela e buscar imita-La é preciso esconder-se em Seu Dulcíssimo Coração
a ponto de não possuir mais vontade própria. Nesse grau não somente buscamos imita-La, mas fazer
morrer em nós tudo o que é oposto a Ela, afinal ao tentar imita-la vemos em nós tudo o que é oposto à
Ela, nos abrimos assim a uma jornada de mortificação contra o velho Adão.

4º grau: neste grau por fim, a Soberana Senhora poderá nos usar como instrumento hábil para a maior
glória a Deus.

“Quem dará o primeiro passo e quem avançará?”.

O caminho parece íngreme mas o segredo está em não se apoiar em si mesmo, nada podemos sozinhos,
um consagrado vive da Graça, tudo o que fazemos é passar a aumentar a nossa fé a cada dia na Graça
de Deus que tudo opera, se tudo entregamos e estamos dispostos a seguir rumo a cumprir a Vontade de
Deus seremos capazes de em nome de Deus vencer apesar de nós mesmos e oferecer nossa parcela
para cumprimento da Vontade Divina no mundo.

Devemos pedir para que Ela: mate o velho Adão, esfole nossas imperfeições, limpe as manchas que o
pecado deixou em nós e nos prepare para o Nosso Senhor Jesus. Nisso consiste a prática da Total
Consagração.
79

PRONUNCIAMENTOS PAPAIS

1- Clemente VIII (1592-1605) – Confere grande indulgência a Confraria dos Escravos, estabelecida
nos conventos religiosos do Hospital de Caridade, no Bairro São Germano, em Paris, assim como
aos que trazem consigo e recitam a Coroinha de Nossa Senhora;

2- Gregório XV (1621-1623) – Confere indulgências aos Escravos de Nossa Senhora;

3- Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultado sobre as práticas exteriores da
Santa Escravidão de Amor, especiamente sobre o uso das correntes, aprovou de modo elogioso tão
louvável fervor, escrevendo a Bula ‘’Cum sicut accepimus’’(de 20 de julho de 1631), onde concede
grande número de indulgências aos escravos de Maria;

4- Alexandre VII (1655-1667) – Expediu um bula, a 23 de junho de 1658, na qual, por motivo da
organização da “Sociedade da Escravidão’’ em Marselha, no Convento dos Padres Agostinianos de
Provença, acrescenta muitas outras consideráveis indulgências àquelas já concedidas po Urbano
VIII aos escravos da Santíssima Virgem;

5- Pio IX (1846-1878) – É sob seu pontificado que, a 12 de maio de 1853, se promulga em Roma o
decreto que declara que os escritos do Padre Luís Maria Grignion de Montfort eram isentos de
todo erro que pudesse obstar-lhe a beatificação;

6- Leão XIII (1878-1904) – Beatificou o Padre de Montfort e morreu renovando sua Total
Consagração a nossa Senhora e invocando o nome do então Beato Luís Maria de Montfort;

7- São Pio X (1904-1914) – Tinha uma singular estima à Total Consagração, e especialmente ao
Tratado da Verdadeira Devoção. Quando pensou em compor a encíclica comemorativa do Jubileu
da Imaculada Conceição, disse ter lido muitas vezes o Tratado escrito por Montfort. Releu-o tantas
vezes, que chegou a reproduzir o pensamento, e não raro, as expressões utilizadas pelo santo
missionário. Ao responder ao pedido do Procurador Geral dos Padres Monfortinos para que
abençoasse seu apostolado de difusão da Total Consagração à Santíssima Virgem, o Santo Papa
disse: ‘’Acendendo ao vosso pedido, recomendamos vivamente o Tratado da Verdadeira Devoção
à Santíssima Virgem, tão admiravelmente escrito belo Beato de Montfort; e a quantos lerem este
Tratado concedemos, de todo coração, a benção apostólica’’. Sob o pontificado deste grande Papa
a Santa Escravidão foi definitivamente organizada em associação, tanto para os sacerdotes, como
para os fiéis. A Arquiconfraria de Nossa Senhora, cujo fim é a prática da Santa Escravidão foi ereta
canonicamente pelo Papa São Pio X a 28 de abril de 1913. São Pio X foi o primeiro a se inscrever na
confraria dos padres escravos de Nossa Senhora, seu nome figura como o primeiro da lista. Essa
oportunidade o inspirou a escrever a Encíclica Ad diem illum.

8- Bento XV (1914-1922) – Em carta a família Monfortana escreveu: ‘’O Tratado da Verdadeira


Devoção é um livro pequeno em tamanho, mas de uma grande autoridade e de uma grande
unção. Possa ele espalhar-se mais e mais, e avivar o espírito cristão em um grande número de
almas.’’;

9- Pio XII (1939-1958) – Canonizou São Luís de Montfort em 1947 e tinha uma grande relíquia
desse santo em sua capela particular;

10- João Paulo II (1978-2005) – Fez sua Total Consagração quando ainda era seminarista. Foi um
grande devoto de São Luís g. de Montfort a quem chamava de mestre da vida espiritual. Foi um dos
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maiores apóstolos da Santa Escravidão Mariana em nossos tempos, ao ponto de fazer da Total
Consagração o lema de seu pontificado. Seu ‘’Totus tuus’’, correu o mundo e deu testemunho de
sua grande estima a esta grande espiritualidade. Escreveu a família Monfortana dizendo que ‘’não
se deve deixar escondida’’ esta consagração. Ainda o mesmo Papa: “Houve tempo em que, de
certa forma, pus em dúvida o culto a Maria, temendo que minha devoção a Maria pusesse em risco
a supremacia do culto a Cristo. Foi então que me veio em ajuda o livro de São Luís Grignion de
Montfort, o ‘Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem’. Nele encontrei resposta às
minhas perplexidades: sim, Maria nos aproxima de Cristo, nos conduz a Ele.Também de lá extraí o
[meu lema] ‘TOTUS TUUS’ (Sou todo vosso)” (4

11- Bento XVI (2005-2013) – Durante seu pontificado foi convocado o ano sacerdotal (2009-2010)
em cujo encerramento foi distribuído para todos os sacerdotes presentes na Praça da Basílica de
São Pedro, uma cópia do “Segredo de Maria’’, uma espécie de resumo do Tratado da Verdadeira
Devoção, escrito também por São Luís de Montfort.

1) PÉREZ, SJ, Nazario. Introducción. In: SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Obras. Madrid:
BAC, 1954, p.429).

(2) Idem, ibidem.

(3) SÃO JOÃO PAULO II, Redemptoris Mater, n.48.

(4) SÃO JOÃO PAULO II, “Dom e Mistério”, São Paulo, Ed. Paulinas, 1997, 2ª Edição, p.38.

“Que o meu amor por Maria Santíssima seja igual ao amor de Seu Filho Jesus por Ela.”

São Vicente Palloti


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