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CAPITULO VII ANALISE DOS RISCOS QUANTO A SEGURANGA PATRIMONIAL Gerenciamento de Riscos Industriais Fundag4o Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura - Escritério de Direitos Autorais - Certificado de Registro ou Averbacao n° 123.087, Livro 190, Folha 202 (Analises de Property Loss Control, Andlises de Risco, Seguranca Industri Controle Patrimonial), inspecdes de Riscos Industriais, Inspecées de Seguranca Eng. Antonio Fernando Navarro Rio de Janeiro, outubro de 1996 Vil. Analise dos riscos quanto a seguranca patrimonial ‘Seguranca Patrimonial 6 a parte da Seguranga que trata das ages relacionadas 20 Patriménio das empresas, especialmente no que concerne ao controle e a protegéio de suas instalagSes, oquipamentos, bens @ pessoas. A Seguranca Patrimonial deve ser entendida como uma matéria de abrangéncia geral, voltada para todos os aspactos da SEGURANCA. com vistas a se prevenir perdas, S40 intimeros os casos de empresas que tiveram sérios problemas porque a Seguranca Patrimonial foi descuidada. Casos de Incendiarismo so hoje estudados como aces criminosas. Antigamente, quando o incéndio ocoria € nao se podia atribuir a sua origem a um problema especifico, como causado por um dano elétrico, enquadrava-o como gerado por causas diversas. Hoje sabe-se que 0 Incendiarismo é relevante, seja ele intencional ou ndo. Como foco importante das atengdes temos o furto de tecnologia e de bens produzidos. Existem também aspectos relacionados a invas&o tecnol6gica. Enfim, uma empresa produtiva, que esté situada em um conteyto de concorréncia comercial, ou destaca-se entre empresas concorrentes, esta sempre sujeite a ser afetada por perdas ou danos de origem na inseguranga patrimonial. Neste capitulo iremos abordar aspectos relativos 4 Seguranca Patrimonial. Esses assuntos dizem respeito @ quest6es que envolvem a seguranca das edificagbes € stalagdes, &@ segurenca das pessoas envolvidas no proceso, da seguranca ou de integridade dos documentos, e enfim, de aspectos gerais de seguranga que n&o os relativos a inc&ndios ou a operagdes Fabris. Desde 0 advento da Revolucao Industrial e em decorréncia da macica implantacao de empreendimentos industriais, com centenas e milhares de operérios, muitos tem sido os fiscos relacionados & Seguranga Patrimonial a que uma empresa constantemente esta sujeita. Grupamos esses riscos da seguinte forma: ‘& riscos decorrentes da propria atividade industrial; S40 considerados como tiscos decorrentes da atividade industrial aqueles que podem ser dafinidos como conseqiientes dessa atividade Por exemplo, os riscos que poder-se-40 ter em uma induistria abrangerao: poluigéo industrial; quebra de méquinas ou quebra de equipamentos; incéndio; explosao de aparelhos ou de substancias; roubo ou de furto de bens; furto de tecnologia: desabamento, etc. Para o risco de maior incidéncia, que é 0 de incéndio ¢ que também tem conduzido as maiores perdas, ja fornecemos varios exemplos e informacSes nos capitulos anteriores de como se prevenir a respeito dele, de como identificd-lo e quais as medidas preventivas que deverdo ser empregadas. Para os outros riscos, muitas vezes no mensuraveis, € que passaremos a nos dedicar daqui por diante. © riscos decorrentes da atividade humana. Os riscos decorrentes da atividade humana so aqueles nos quais ha patticipac3o direta ou indireta de seres humanos. A bem pouco tempo atras, duas grandes montadoras de veiculos européias passaram a discutir na justiga 0 roubo de tecnologia, ou vazamento de informagdes, alegadamente promovida por um alto executivo que havia se demitido de uma delas. O caso tomou vuito, culminando com a demissao desse executive pela outra montadora que o havia contratado, sem que tenha sido provado coisa alguma contra ele. Haviam coincidéncias muito grandes em alguns projetos, segundo informacées prestadas pela imprensa. Intimeros outros casos costumam ocorrer envolvendo industrias quimicas, de biotecnologia, de informatica, e outras onde o desenvolvimento e @ maturaco de um projeto pode levar anos, nas quais os possiveis ganhos financeiros so altissimos. Alguns desses riscos so os seguintes: roubo; seqiiestros; assaitos; sabotagens; vazamentos de tecnologias. Pela complexidade das estruturas administrativas das empresas, as vezes ocorre uma superposicao de atividades envolvendo as areas de seguranga, com grandes dispéndios de tempo, recursos, e principalmente, redundando na mé execugao dos servigos. Criam-se aquelas zonas de sombra, onde uma area pensa que a outra esta cuidando, e vice-versa. “AH! pensei que isso era com voce, por isso é que nao providenciei nada’.” Imaginei que isso era com voce". Ninguém fez nada por que nao sabiamos que era para fazer’. No presente capitulo iremos abordar 2 Seguranga Patrimonial sob a dtica da protecdo do patrmonio da empresa, contra danos eventualmente provocados por ou com a Participago humana, sejam esses intencionais ou n&o. Os conceitos que iremos expressar @ seguir so fruto de consideragdes propries, desenvolvidas e aprimoradas através de inimeros trabalhos realizados. Aigumas propostas so meramente elucidativas, néo Podendo caracterizar-se como normativas ou impositivas. Em outras circunstancas, para a execugao das medidas preconizadas a empresa teria gastos adicionais elevados. E l6gico que, se 0 risco é elevado a empresa tem que investir para que possa reduzilo. Se, 20 contrario, © risco 6 de menor importancia, cabem apenas medidas de superviséo © controle. VIL4 Introdugao a Seguranga Patrimonial Periodicamente, novos conceitos © termos técnicos séo divulgados, alguns modificando radicalmente a noc4o que antes se tinha a respeito deles. Pelas caracteristicas de serem passageiros, criados para certas situagSes, pode-se considerd-los como modismos. Assim vem ocorrendo com o significado da expresso Seguranca Patrimonial Hole esse termo conforme o querem divulgar, representa a area ou segmento da Seguranga Industrial ao qual esta afeto 0 patrimdnio da empresa. Sob o seu manto protetor esté 0 controle de agées de roubo, tumultos, greves, seqtiestros, agées politicas e incendiariemos. Quando se pensa em Seguranga Pattimonial, associa-se quase que de imediato, 0 nome com o da area onde existem vigilantes, guardas e brigadas de incéndio. Porém, por julgermos que esse conceito néo expressa corretamente as atividades desenvolvidas pelo setor, tentaremos elucidé-lo melhor. figura @ seguir posiciona a Seguranca industrial no topo de uma arvore que abrange: Seguranga do Trabalho; Seguranca Patrimoniai; Seguranca das Instalacées; ‘Seguranca dos Processos; ‘Seguranca contra Incéndio. ‘SEGURANGA INDUSTRIAL SEGURANGA SEGURANGA DAS INSTALACOES SEGURANGA DO TRABALHO SEGURANGA SEGURANGA CONTRA. DOS INCENDIO PROCESSOS A Seguranca Patrimonial, como uma das atividades ou area da Seguranga Industrial, © por fim, uma das ferramentas adotadas no Gerenciamento de Riscos, tem algumas de suas atribuig6es interagindo com as de outras areas afins. Como por exemplo, a intera¢éo com a area da Seguranga de Processos pode dar-se com 0 controle do vazamento de informagées ou do roubo de tecnologia; com a Seguranga contra Incéndio, no desenvolvimento de pianos conjuntos de desocupagao de éreas; com a Seguranga do Trabalho, na anélise dos ambientos de trabalho com vistas a ovitar situagdes anormais; com a Seguranga das Instalacées, no estudo da vulnerabilidade dessas. Apesar de todas essas superposigbes de tarefas, cabe ao Gerente de Riscos da empresa administrar esses interfaces, de forma que os desperdicios de tempo e de recursos sejam evitados, bem como nao sejam criadas areas de vacuo de controle ou de gerenciamento. Quais so as atividades desenvolvidas pela Seguranga Patrimonial? No ambito industrial, as atividades desenvolvidas s4o as seguintes: > controle de entrada e saida de pessoal e de maternal; > controle de areas internas e externas; > controle das instalagées e edificacdes; > controle sobre as situagdes de emergéncia VIl.1.a, Controle de pessoal e material A finalidade maior do controle de entrada e saida de pessoal ¢ de material ¢ a de evitar e mesmo impedir que estranhos tenham acesso as instalacdes industriais, como também de fiscalizar essas movimentacdes com vistas a n&o existéncia de prejuizos de quaisquer natureza. Os riscos mais comuns podem ser: roubo; sabotagem; colocagao de artefatos explosivos, etc. Por razSes de desenvolvimento dos servigos a serem executados as atividades desmembram-se em: = controle de terceiros; = controle de funcionarios; = controle sobre a movimentagao de pessoal Vil.1.b. Controle de terceiros © controle de acesso de terceiros faz-se por meio de fiscalizagao e identificago de pessoal convidado ou a servico, com vistas a prevengo de situagdes anormais Em grandes edificagdes, onde 2 Seguranga Patrimonial é insipiente, € comum um funcionario estar trabelhando em sua mesa ¢ de repente aproximar-se dele um vendedor de jdias, de cams de pectlio, de doces © comidas, de video-locadoras, etc. Se essa entrada é faciltada para essas atividades, tambem o pode ser para: atear um incéndio criminoso; colocar uma bomba: roubar um equipamento ou um documento valioso; seqtiestrar alguém; provocar agées de sabotagens, etc. Um grande hotel, situado em importante capital do pais, teve que fixar molduras de madeira em suas tapecarias, porque essas desapareciam das paredes to logo eram colocadas, furtadas por héspedes. Esté certo que mandar um héspede abrir a sua bagagem para se examinar 0 contetido por suspeita de ele haver furtado algo n&o é bom Para @ imagem do estabelecimento, Assim, antes que se chegue a essa situacdo, deve-se tomar conta do patriménio que pode vir a ser levado como “brinde’” Importante banco teve varias maquinas elétricas de datilogrefia de Litima geragéo furtadas por pessoas que se faziam passar por funcionarios de empresas de manutengao. ‘Os segurancas da portaria nada fizeram porque a empresa era uma antiga prestadora de servigos e retirava varias maquinas por semana para reparos. Grande empresa com elevado niimero de computadores, teve a surpresa de verificar que 0s gabinetes dos micros que no estavam sendo utiizados com freqiiéncia, ‘encontravam-se completamente vazios, sem as placas, furtadas por funcionarios com a conivéncia de funcionarios da manutenco. Grande banco comercial que usualmente tinha uma de suas agéncias assaltadas, detectou que funcionarios seus com a funco de caixas de uma dessas agéncias, fetiravam dinheiro das gavetas de numerario e os colocavam entre duas lixeiras superpostas junto a seus pés. Se naquele dia a agéncia fosse assaltada, o funcionario informaya que também tinha sido roubado daquela quantia que antes ele mesmo havia tetirado do caixa. Em um outro banco, o proprio vigilante ao final do expediente assaltou a agéncia em que trabalhava, Varias s&o as formas e os meios de fiscalizagdo e de identificacao. Entretanto, todas tém em comum a necessidade de enquadramento das dreas de acordo com 0 grau de seguranca exigido pela empresa. Para cada um desses enquadramentos 0 controle a ser exercido sera maior ou nao VIIL.2. identificagaéo de pessoal de servico De um modo geral, 0 pessoal de servico em uma empresa faz parte do quadro funcional de uma firma contratada. Enquadram-se nessa categoria as seguintes atividades, mais comuns: =» fomecimento de alimentagdo; = manuteng&o de maquinas e equipamentos; => vigilancia: = instalagao de maquinas e equipamentos; => reformas e pequenas obras de construcao clvil; = servigos de jardinagem: = pinturas e reparos diversos; = pavimentagdo e arruamento; = desenvolvimento de softwares; = servigos de tesouraria e compensagéio bancaria; = servicos de vistoria e inspecdes para seguradoras; = servigos de decoracéo, etc. Em funcao das caracteristicas e da duragéo dos servigos executados hé sempre @ possibilidade de existiem funcionérios circulando pelo interior des edificagées. Séo pessoas alheias a0 quadro funcional da empresa contratante com outras caracteristicas funcionais, com diferentes formas de controle @ de treinamento, e enfim tantas outras peculiaridades divergentes que as tornam potencialmente perigosas. Fazendo parte do quadro funcional dessas empresas podem estar ex-funcionérios que foram demitides por razBes varias e que guardam alguma magoa de seu ex-empregador. A rotina para © controle e identificagéo do pessoal contratado pode variar de empresa para empresa, mas 0 que normalmente € feito tem a seguinte sistematica: = Apés a assinatura do contrato de prestacao de servicos a contratada deve remeter para a contratante a relacdo nominal das pessoas destacadas para 0 trabalho, bem como os dados e informacées identificadoras de cada funcionario, devendo-se ter em mente que © objetivo dessas informacbes € o da rastreabilidade dos dados, = Deve-se evitar contratar empresas que possuam em seus quadros ex-funciondrios que foram demitidos sem qualquer raz4o aparente; = Chegando ao local de servigo 0 funcionario contratado passa por uma tiagem no setor de vigilancia, a qual se inicia com: entrega da carteira de trabalho; carteira de identidade ou qualquer outro tipo de documento. Somente apés isso recebe um documento de identificagdo provisério para ingrasso nas instalagées. Esse sistema de identficaggo @ controle ¢ 0 mais simples e o mais adotado, Porém, apresenta uma série de desvantagens, dentre as quais citamos: a) Nao € verificada a autenticidade dos documentos fornecidos pelos empregados A principal razZo talvez seja a do desconhecimento das rotinas necessérias. Invoca-se muito a credibilidade ca empresa contratada, ou entéo a falta de tempo disponivel, como justificativa para a nao execuco de um trabalho de maior profundidade. ‘Também menciona-se que o nivel de seguranga exigido pela empresa no compensa todo esse trabalho. Os dados mais importantes a serem observados nos documentos fomecidos pelos funcionérios so 0s seguintes: ®violabilidade da plestificagao do documento (um documento violado necesita de um Check up mais rigoroso); * fotografia constante do documento (muitas pessoas, por desconhecerem a sistematica dos 6rg4os oficiais de identificagao, nao renovam seus documentos de identidade a cada 10 anos. Nesse meio tempo, adquirem ceracteristicas que antes no possuiam, Por quando do retrato originel, como por exemplo, a perda de cabelos, cicatrizes por acidentes, etc.); ‘> comparacdo de assinaturas (esse ¢ um item muito dificil de ser analisado, ja que existem pessoas que assinam cada hora de uma maneira diferente. Entretanto, o talhe da letra sempre se eproxima. Conhecimentos de grafotécnica podem auxiliar bastante nessa tarefa); yerificacdo do prazo de validade do documento de identificacdo. Varia de acordo com 0 6rg&o expedidor, no ultrapassando o prazo maximo de 10 anos. A fixagéo desses prazos decorre do fato das mudangas que se operam no individuo classificado (documentos com prazo de validade superior a 10 anos nao deveriam ser aceitos); > comparagao das imoressées digitais. b) Auséncia de confronta¢ao de dados do funcionério visitante Pelas mesmas raz6es anteriores nao se costumam analisar 2s caracteristicas fisicas dos funcionarios, a tomada de suas impress6es digitais e @ anotagao de dados antropométricos. Esses dados, que devem ser coletados em intervalos de tempo nunca superiores a dois anos permitem a geragdo do banco de informagSes necessario por quando de eventuais comparagées, em momentos que exjam essa andlise. Assim, recomendamos a obten¢ao de dados como: idade; cor da pele; estatura; peso marcas e cicatrzes; cor dos cabelos e dos olhos, etc. Independentemente da aplicagéo das medidas preconizadas anteriormente, nao se verifica junto aos drgdos oficiais @ existéncia de fatos desabonadores de conduta dos funcionarios contratados. Mais uma vez cabe ao responsével pelo setor de Seguranga Patrimonial tomar as decisdes melhor aplicadas, calcadas nos seguintes parametros: | = Vulto da empresa; Il = Caracteristicas da produgdo; I= Niimero de funcionarios; 'V__ - Grau de seguranca exigido. Quando o servigo contretado € de menor importéncia, ou relevancia para a seguranca, como por exemplo, jardinagem, pintura de fachadas, pavimentagdo extema, obras civis externas, manutencao de edificagdes e instalagbes @ outras atividades correlatas, 0 controle ndo precisa ser 1&0 rigido. Nesses casos, pode-se analisar simplesmente os documentos, com a confrontagao da impresséo digital e da essinatura. A tabela apresentada 2 seguir ilustra melhor a relac&o que existe entre o grau de seguranca exigido, classificado em trés itens, as ocupagées principals desenvolvidas nas instalagdes, de acordo com o grau de seguranca e, finalmente, as exigéncias minimas feitas quanto & seguranga do local. E conveniente frisar que todas as medidas implantadas ‘em uma empresa para a sua seguranca, destinam-se a prevencao de perdas, e a redugao dos custos, como ja comentado. Graus de ‘Seguranca ‘Ocupagées Principals Exigéncias quanto 4 Seguranca Patrimonial * Forecimento de documentos de Identificagao pelo empregado. + Preparagao de ficha de identidade conforme Modelo 1 + Usilizagao de crachs Hospitais (excluindo centros cirirgicos), escolas, igrejas, escritérios, oficinas de manutenco, unidades de apoio, areas externas de unidades fabiis, etc 4- Pequeno + Forecimento de documentos de Identificagao pelo empregaddo. 2- Médio Almoxarifados, depdsitos (excluindo de | « produtos perigosos), unidades de rodupéo, areas intemas de unidades fabri, etc. Obtengdo de dados antropométricos Confrontagéo de assinaturas impressces diatais. Preparagéo de ficha de identidade conforme Modelo 2. + Utlizagéo de cracha. Ceniros de processamento de dados unidades de procassamento; centrais de geracdo de energie; guarda de documentos, numerario, obras de arto laboratorios de pesquisa; deposttos de Produtos —perigosos; centros de pesquisa; depésitos de produtos explosives, casas de forga; casa de caldeires; centros de controle ‘operacional; etc g + Fomecimento de documentos de identiticacao pelo empregado. + Obtengéo de dados antropométrices. * Confrontacio de —dados dos. documentos de identificagdo. + Pesquisa junto aos érgics policais. + Preparagao de ficha de identificacéo conforme Modelo 3, Usilizagdo de craché 3- Grande Em algumas atividades € necessério que 0s funcionarios contratados movimentem- se por outras areas da empresa, que nao necessariamente aquelas onde efetivamente trabalham, ou onde estao sendo realizados os servicos para os quais foi contratado. Para 0 vigilante, 2 nao ser que existam meios de Identificacdo imediatos, fica dificil saber o que aquele funcionario esta fazendo em local diferente do estipulado na sue ocupag&o ou contrato. VIL.3. Ingresso de pessoal em 4reas nao controladas Na tentativa de implementar-se medidas de seguranga que evitem ou impegam que 98 funcionérios de empresas contratadas tenham livre transito a todas as areas da indistria, so definidos critérios que faciitam a identficacéo das pessoas. Tal medida objetiva permitir 0 acompanhamento dos funcionarios enquanto estiverem executando suas atividades. Sempre que possivel o sistema de identificacdo possibiltaré o reconhecimento das pessoas 4 disténcia, por intermédio de crachés, uniformes, capacetes, ou quaisquer outros meios. Varios s&0 0s processos ou formas de Identificacdo, ou mesmo de restricdo a areas. Um dos mais empregados ¢ 0 do cracha com cores diferenciadas por atividade, A identificagéo pode ser com selos préprios, coloridos, com validade somente para um momento, uma tarde, por exemplo. As cores que podem ser adotadas sdo as seguintes: © Branco - pessoal visitante ou a servico; © Azul - ingresso em areas com grau de seguranga pequenc; ® Vermetho - ingresso em éreas de seguranga médio; ® Preto —_- ingresso em dreas com grau de seguranga grande. Considera-se como area no restrita aquela que por razdes de seguranga ou da propria atividade no apresente riscos @ empresa. Excluem-se dessas areas as seguintes atividades, dentre outras: = processamento e fabricago; = estocagem de matéria-prima e de produtos acabados; = laboratérios e centros de pesquisa; = centros de processamento de dados, tratamento de informag6es ou fitoteca; = guarda de numerério e de documentos; = casas de forga, subestagées elétricas, casas de caldeiras; = centros de comando e painéis de controle. Incluem-se como areas nao restritas, com grau de seguranca pequeno = ambientes externos as edificagoes; = corredores de circulagdo enclausurados; = vestidtios e sanitérios; = escritérios (somente as areas para atendimento ao publico). Para o controle de pessoal em areas no restritas recomenda-se a adocao da Ficha de Identificagao - Modelo 1 ¢ o Cartéo de Identificagéo Modelo 1. VIL.4, Ingresso de pessoal em 4reas controladas As areas restritas ou controladas so aquelas nas quais 0 ingresso de pessoal estranho a atividade é permitido, desde que ocorra qualquer uma das seguintes situacées: A visita acompannada; A treinamento; 7 supervisao a distancia A restrigéo de acesso @ determinadas areas pode se dar nao somente pelo temor de sabotagens, espionagens industriais, ou qualquer outro fator similar, mas também por representa risco a satide, ou 2 vida de terceiros. Nesses critérios podem ser consideradas como areas restritas: > processamenio e fabricago de bens e produtos; > ostocagom de matérias-primas © de produtos acabados, inclusive as areas de tancagem; laboratorios, centros de pesquisa, centros de ensaics e testes; centros de informagdo, centros de processamento de dados, locais de guarda de fitas discos magnéticos; > almoxarifados ¢ arquivos; > centros de controle operacional > oficinas eletromecanicas; casas de forga, caldeiras, centrais de ar condicionado, centrais de compressores; > reas circundantes de equipamentos com partes méveis, etc. Generalizando-se, toda a érea industrial ¢ sempre restrita, salvo poucas excecdes. A restrigao 20 ingresso as areas pode ser devida 2. + particularidades dos processos; tipos de equipamentos em operagao; matérias-primas; produtos intermediarios e produtos finais; salubridade do melo ambiente; riscos de explosdes, etc. Uma caldeiraria de pequeno porte pode no apresentar areas restritas. Porém, uma caldeiraria pesada sempre as possui Em se tratando de servigos executados em areas restritas, 0 recomendavel é que 0 cadastro do visitante ou pessoal a servigo seja o mais severo quanto mais restrita for a area. VILS. Identificagao de pessoal visitante A caracteristica do visitante para fins de fiscalizagéo e controle ¢ a mais ampla possivel, isso porque considera-se como visitante 0 continuo que vem trazer uma correspondéncia até 0 cliente que vem assinar um contrato importante para a empresa. ‘Todos tem em comum uma certa particulandade, que @ a da sua estada limitar-se 2 um curto espago de tempo na empresa. A identificagao de visitantes é a mais simples e discreta possivel. O que & feito é 0 recebimento de documento de identidade © 0 fomnecimento de um cartéo de identificacao. Eventualmente, de acordo com 0 tempo disponivel, tipo de visita € 0 local visitado, & preenchida uma ficha simplificada de identificagéo, ou so feitas anotagdes em um livro registro, no qual deverd constar: nome da pessoas visitada; motivo da visita: inicio e término da visita ntimero do documento de identidade. Ha empresas que filmam o visitante, gravando uma imagem de seu rosio, na ‘mesma tela em que ha uma ficha de identificagdo. As informagées ficam armazenadas em um disco ético durante determinadc tempo, findo o qual s4éo apagadas. Em outras empresas & tirada uma copia do documento de identificagao e do craché fomecido, ou do selo que devera ser fixado a lapela, Independentemente do visitante conhecer as instalagdes, em riscos com grau de seguranca ou grande devera estar sempre acompanhado, seja por um vigilante, seja Pela propria pessoa visitada, Em areas de maior seguranca, ou de seguranga maxima, as visitas devem ser limitadas ao maximo e deve ser feita uma pesquisa permanente de todas as pessoas isitadas e da freqiéncia de visitas. VIL6. Fiscalizagao de terceiros A fiscalizagao do interior da area industrial deve ser sempre feita de forma coercitiva, visto que indmeros séo os riscos afetando as prdprias instalagdes @ magquinismos, bem como a satide ou a vida das pessoas. sucesso dos programas de fiscalizag&o a serem adotados iré depender em muito, das diretrizes tragadas pela alte geréncia da empresa, como também da valorizagéo atribuida ao setor de vigilancia Em se tratando do controle de tercelros, 0 projeto devera ser encaminhado sob a 6tica de ser ostensivo & ao mesmo tempo discreto. a) Fiscalizagio ostensiva A fiscalizagao € dita ostensiva quando se faz presente em todos os locais da empresa com a presenca do vigilante. Os objelivos do trabalho sao 0 do controle efetivo e a prevengdo dos riscos através da intimidacdo. Dizam os estudiosos do comportamento humano que uma parcela das pessoas é traida pelo olhar. No trabalho de fiscalizagdo ostensiva empregam-se: + cameras; + rondas permanentes; + vigilantes fixos; + guaritas Considera-se como fiscalizagdo ostensiva 0 emprego de cémeras de circuito intemo de TV, postadas ostensivamente. Esse é um dos métodos que exerce uma influéncia bem acentuada sobre as pessoas, j4 que esté implicito que o controlador do equipamento esta imune a ameagas e ha gravaco do que esta sendo filmado, para posterior reprodugao. Muitos assaltos a bancos e a supermercados foram desvendados com o auxilio dessas cameras. Tumultos em estadios foram investigedos com o auxilio da reprodugao de fitas de videos amadores e de videos de televisées. A divulgaco pelos jomais e TVs do desbaratamento de quadrithas, presas por terem sido identificadas por cameras de circuito interno faz com que o emprego do equipamento seja mais realcado, b) Fiscalizagao discreta A caracteristica basica a adotar-se quanto a fiscalizacao discreta depende em muito do tipo de empresa que se esta fiscalizando A vigilancia ou fiscalizacao é dita discreta, quando é| percebida por todos, sem entretanto ser ostensi A idéia de que a pessoa pode estar sendo fiscalizada 6 sempre um fator inibidor de atos ou fatos danosos, Normalmente a atividade € exercida a distancia sob a forma de supervisao. Os processos desenvolvidos podem ser os seguintes: + vigilantes postados @ dist&ncia, em pontos estratégicos; ‘+ cameras ocultas ou semi-ocultas; * sistemas eletronicos especiais (células fotoelétricas, fios sensores, placas eletrénicas, etc.). Em fung&o do grau de seguranga adotado para o local podem ser combinados processos ou equipamentos distintos. Por exemplo, em uma linha de produce em areas de alto risco empregam-se vigilantes em pontos estratégicos e cameras semi-ocultas Poderao ser adotados mais de dois processos, como em uma fabrica de j6ias, com Vigilantes, cAmeras e sistemas eletrénicos especiais. importante frisar que © vigilante necessita estar fardado, para a fiscalizacao ostensiva. Na fiscalizagdo discreta nao ha essa necessidade. Esse tipo de fiscalizagao néo ¢ utilizado somente no controle de processos, como poderia vir @ ser evidenciado, mas também em reunio de pessoas influentes (presidentes de empresas, politicos, celebridades, etc.), em exposi¢ao publica de joias, objetos de arte, manuscritos valiosos, etc, VIL.7. Controle de acesso de funcionarios Existem varias maneiras de se exercer 0 controle e a fiscalizago sobre os funciondrios de uma empresa, com vistas a se prevenir situaces anormais. A primeira delas e a mais usual, 6 @ do funcionério ao chegar ao servicgo ser obrigado a portar o craché de identificagdo funcional Normalmente, a plaqueta de identificaco é fornecida por quando da contratacao do funcionario pela empresa, servindo como identificagéo funcional. O modelo mais comumente empregado € o constante da figura a seguir. Nota: 0 funcionério obriga-se a portar ‘este documento de identificagao ‘enquanto estiver a servico na empresa cTPs Identidade Validade’ Admissao Grupo sangiiineo Selo de restricao de area ‘Assinatura do Funcionario Esse tipo de identificacdo possibilita que o funcionério execute o seu servico sem precisar ser interrompido pelos vigilantes. Ainda assim, com esse sistema ocorrem varias deficiéncias. Uma delas é o de que o Unico controle de permanéncia desse na empresa ser © cartéo de ponto, de eficiéncia duvidosa jé que pode vir a ser manuseado por outras pessoas para encobrir faltas. Em uma empresa de grande porte com centenas de funciondrios entrando ou saindo praticamente no mesmo horério, talvez esse seja o Unico modo, ou pelo menos o mais simplificado de se exercer algum tipo de controle, mesmo que precariamente. Em decorréncia do grau de seguranca exigido pela instalacdo, pode-se recomendar outra forma de controle, como por exemplo a do funcionério entregar a carteira funcional e receber 0 cartéo de identificago eo ingressar na empresa. Na saida do expediente faria. exatamente o inverso, No cracha fomecido, além da fotogrefia devera constar: nome; fungao; niimero de identificagao; validade do documento; carteira profissional; carteira ce identidade; data de admisso; grupo sangaineo; selo de restrigao de areas. © selo de restricgo de areas contém um codigo de cores através do qual o funcionario tem acesso a determinadas areas. Existem outras formas de identificagéo de funcionérios mais modemas, como os crachas com tarjas magnéticas, onde em cada local por onde o funcionario transita, abrindo ou fechando portas fica registrado 0 tempo em que por passou e 0 periodo de permanéncia. Esse mesmo craché com tarja serve como ponto. Outra forma de identificagdo ¢ através de cédigos de barra, Todos esse processos de identificacdo visam exclusivamente, controlar os passos dos funcionarios contratados ou dos visitantes em areas de acesso restiito da empresa. Com a evolucéo dos sistemas de informatica, jé hé controles que antigamente so se viam ‘em filmes como o reconhecimento do fundo do olho ou da impressao digital. Infelizmente so sistemas caros, onde 0 seu emprego somente é compensado se houver um grande fisco para a empresa. A seguir, apresentamos modelos de fichas de identificagSo de pessoal. © Modelo 1, mais simplificado, destina-se a atividades de pequeno grau de seguranca. O Modelo 2, mais complexo, destina-se a atividades com grau médio de seguranca. A diferanca basica entre eles 6 a do maior volume de informagées disponibilizadas 2 empresa icha Modelo 1 Informag6es Gerais Ficha de identificacéo Ficha Modelo 2 Empresa Ficha de identificagao | Fichan® de Pessoal Contratado Informagées Gerais Estado Civil Grupo Sangijineo Polegar Direito Assinatura VIL8. Entrada e saida de materiais Pode-se classificar, para fins de execugao de tarefas, os seguintes materiais ¢ bens a empresa, com movimentago em seu interior: © matérias-primas; + produtos acabados; + materiais civersos; + pegas de reposicgo; + equipamentos/componentes em substituigao ou instalagao. a) Controle de entrada e saida de matéria-prima O controle de entrada e saida de matérias-primas € normalmente feito através da conferéncia de notas fiscais @ de guias de compra e venda de mercadorias. ‘A carga sob a forma de granel sOlido, liquido ou gasoso, acondicionada em caixarias, sacarias, tonéis, garrafas, etc., ¢ inspecionada extemamente com o objetivo de verificar-se; disposic&o, violabilidade, danos aparentes, contaminagdes, rompimentos de embalagens, eic., 2 seguir 6 encaminhada ao local de sua guarda ou consumo. Se for para guarda, provavelmente sera o almoxarifado. Se for para consumo com certeza seré a area de producéo. O controle para o recebimento © expedicéo de matérias-primas deve ser executado pelo setor de vigilancia patrimonial. Dentre as tarefas necessarias destacam-se: = conferéncia do meio de transporte; = verificagao da documentacao de acompanhamento da carga, = conferéncia visual da carga; = anotago de irregularidades ou ressalvas; = encaminhamento do veiculo ao local de descarga; => acompanhamento da descarga; = encaminhamento do veiculo @ saida da empresa Na conferéncia visual devem ser verificados itens como os destacados a seguir: | disposigéo da carga no veiculo; ‘A formas de acondicionemento; A protegSes adotadas contra intempéries; ‘A danos materiais aparentes; contaminagéo por dgua de chuva ou outros produtos; ‘A rompimento de embalagem; ‘7’ identificacdo de material transportado, existéncia de ficha de informacées, caso se trate de produtos perigosos. No acompanhamento do veiculo toda e qualquer anormalidade encontrada deveré ser Imediatamente notificada a transportadora. A seguranga ndo deve manusear produtos ou abrir embalagens lacradas, excetuando-se casos de embalagens violadas ou danificadas, sobre as quais pairem qualquer duvida b) Controle de saida de produtos acabados Cabe 20 setor de Seguranga Patrimonial checar a entrada do veiculo e seu condutor e ajudantes na entrada do mesmo no interior das instalagdes fabris, verificar a guia de liberacdo na saida da carga, Quando se tratar de produtos que possam ameacar ou por em risco a integridade das instalages ou das pessoas envolvidas na operag4o, tais como. produtos téxicos, explosivos, inflamaveis, corrosivos, etc., 0 setor deve acompanhar o embarque da carga e a retirada da mesma até os limites do terreno da empresa. Para produtos perigosos a érea de seguranca deve analisar adequadamente as formas de transporte, a luz das determinag6es do DNER ¢) Controle do fluxo de materiais diversos © roubo de materiais praticados por funcionarios ou por pessoal contratado pode vir a ser elevado, dependendo do tipo de bem processado e dos produtos fabricados. Em fébricas de confecgdes de roupas intimas femininas ha sempre muito desvio de peas. Entretanto, n&o existe s6 a retirada do material fabricado, como também dos préprios prodiutos existentes no local de trabalho, como por exemplo: * materiais ce limpeza (saa, esponjas, etc); * materiais de escritério (blocos de papel, borrachas, lapis e canetas, apontadores grampeadores, furadores, pastas, elc.); * equipamentos de uso diverso (maquinas calculadoras, estabilizadores, cafeteiras, garrafas térmicas, ete.); © café e agticar, lampadas, ferramentas e pegas de pequeno porte; cinzeiros, porta-lapis, e outros objetos mais. Além desses materiais tem sido bastante comum o roubo de esguichos de mangueiras de hidrantes e volantes de valvulas, posteriormente vendidos 2 peso no ferro velho mais proximo. Quase sempre 0 produto do roubo é de pequeno valor. Porém, se somados uns com os outros, assume maior importancia para a empresa. A prética mais usual é a da prevencdo da aco através de uma fiscalizacao constante. A fiscalizac&o pode ser dividida em duas etapas a saber: + tevista de funcionérios; + verificag&o dos ambientes de trabalho ao término do expediente. A revista pode ser feita individualmente, em cabinas, muito adotada em fabricas de confecodes, além da abertura de volumes e bolsas transportadas. Se o numero de funcionarios for grande a revista pode ser aleatéria ou néo. O tempo médio despendido Para uma revista mais minuciosa, incluindo a dos volumes transportados pelo funcionario Pode variar de 1 2 3 minutos por pessoa, desde a sua entrada no setor até a sua liberagao. Esse dado € um parametro indicador do numero de vigilantes a serem contratados, somente para essa atividade. Particularmente, achamos constrangedora a revista em cabinas, podendo estar sujeita a problemas judiciais, principalmente se mulheres forem revistadas. Outro ponto também discutido é que algumas empresas utllizam-se somente de vigilantes homens, que abusam quando a revistada € uma mulher. A empresa tem que avaliar corretamente se vale a pena investir nesse tipo de agao, comparando 0 risco da perda da imagem e das provaveis acdes legais com as pardas efetivamente manifestadas. O que costuma-se ‘denominar como roubo ou perda, néo passa muitas vezes de uma apropriacéo por parte dos funcionarios. N4o S40 poucos os que carregam em suas bolsas canetas ou blocos da ‘empresa em que trabalham. Outros tém em casa grampeadores, cinzeiros e até furadores de papel da empresa. Algumas pessoas t8m prazer de levar para casa um objeto de alguém. Um famoso hotel do nordeste passou a contabilizar os furtos de cinzeiros de seus apartamentos pelos hospedes, passando a gravar no fundo desses a seguinte mensagem: furtado do hotel Os héspedes deveriam ficar surpresos com a mensagem. Os cinzeiros de argila além de serem uma pega do mobilidtio do apartamento passaram a ser peges promocionais do hotel. setor de vigilancia deve recomendar aos funcionarios nao entrem na empresa portando embrulhos. Outra pratica que também deve ser evitada € 0 uso de bolsas, sacolas e mochilas. Nesses situacdes pode-se recorrer a uma revista na entrada © a outa na saida, ou simplesmente disponibilizar-so um local para guarda de pacotes ¢ embruihos, como fazem muitos supermercados. Todas as situagSes aqui descritas dever ser avaliadas caso a caso pelo Gerente de Riscos da empresa, nao s6 em fungo ao grau de seguranca exigido pela instituigao ‘como também por problemas de imagem da propria empresa. Medidas relativamente simples costumam produzir bons resultados, como o simples controle de material por parte da secretéria, em um escritorio, j4 passa a ser um fator inibidor dos furtos. VII.9. Controle de areas externas Compreendem éreas extemas para fins de controle por parte dos vigilante = corredores de circulagao extemos; = Areas livres ao redor das edificagées: = teas programadas para expanses; = edificagSes de pequeno porte e no destinadas ao setor fabril, como: sanitarios, guaritas, refeiterios, etc, O controle dessas areas deve ser sempre feito por rondas fixas © por vigilantes postados em locais estratégicos. Durante 0 horério de expediente 0 servigo assume as Seguintes caracteristicas: @ inspego periédica em todas as 4reas, em periodo nunca superior a duas horas; @ verificagao do estado em que se encontram as portas, janslas, grades, sistemas de fechamento (cadeados, fechaduras, ferrolhos), sensores eletrénicos, etc. Além desses itens, em decorréncia do horario de realizagdo de vigiéncie durante 0 expediente ou fora desse hd sempre pequenas modificagées na rotina dos servigos, tais como: VIL9.1. Controle de areas durante 0 horario de expediente As principais tarefes a serem executadas com 0 objetivo do controle de éreas séo as seguintas: a) controle por rondas movels, em intervalo de tempo nunca superior a duas horas, b) verificago do sistema de fechamento das aberturas; ©) Check up dos dispositivos eletrénicos de preveng&o contra a entrada de estranhos; d) controle do pessoal visitante a servico Durante a execugao dessas tarefas os vigilantes nao necessitam andar armados, Podendo usar sistema de radiocomunicac&o. © niimero minimo de vigilantes para a execucdo dessas tarefas pode ser dimensionado da seguinte forma: = um vigilante para cada 8.000 m” de superficie de terreno, até 80.000 m’, ® um vigilante para cada 5.000 m? ou fragéo, excedente a 80.000 m’ de terreno, incluindo- se aqui as areas construidas contidas no interior do terreno. VIL9.2. Controle de areas fora do horério de expediente Fora do horario de expediente, a rotina de inspecao ja deixa de ser afetada pelo burburinho dos funcionérios falando, das maquines operando, etc. A rotina a ser seguida a seguinte: a) controle de area executado por ronda mével, em intervalo de tempo nunca superior a uma hora; b) vigilancia feita por homens armados; ‘¢) verificagao de sistemas de fechamento das aberturas; d) Check up dos dispositivos eletrénicos de vigilancia ) Check up do sistema de iluminagao ambiental. Ndo é recomendada a existencia de superficies com nivel de iluminamento inferior a 190 LUX. Durante a execugSo dessas tarafas os vigilantes, por questées de racionalidade dos servigos devem se comunicar com 0 responsdvel pela equipe de vigilancia através de radiccomunicadores, em intervalos de tempo nunca superiores a 15 minutos entre cada chamada, transmitindo uma senha para siluagdes normais e outa para situagdes anormais. A noite, o numero de vigilantes deve ser sempre maior do que durante o dia, em cerca de 50%. VII.10. Dimensionamento da equipe efetiva para o controle de areas externas Tomando-se como exemplo uma empresa com as caracteristicas a seguir indicadas, dimensionaremos uma equipe minima de vigiléncia, a saber: => superficie do terreno 118.000 m? = area total construida 46.000 m* = 118s tumos de trabaino _: 0600/1400 - 1400/2200 - 2200/0600 Nota: E importante que os tunos de trabalho da equipe de vigilancia no coincidam com as jornadas de trabalho da empresa. + Dimensionamento da equipe minima’ 000 m? 0 vigilantes 8 vigilantes 18 vigilantes 118.000 m? - 80.000 m* 80.000 m? : 8.000 m? 38,000 m? : §.000 m* Total de vigilantes Com a existéncia de trés tumos, e 0 da noite devendo conter 50% a mais de pessoas, tem-se: 1+ 1+ 1,5=3,5 -. 18: 3,5=6 vigilantes. A distribuig&o dos funcionarios nos turnos sera a seguinte: 4° Turno 6 vigilantes; 2°Tumo —_: 6 vigilantes; 3° Turno 9 vigilantes. Partindo-se da premissa de que do total da equipe no maximo 50% poderdo estar ‘em postos fixos, temos: i°Tumo —_:3 vigilantes em ronda + 3 vigilantes em postos; 2°Turno 3 vigilantes em ronda + 3 vigilantes em postos; 3°Tumo —_: § vigilantes em ronda + 4 vigilantes em postos. Este numero nao inclui 0 pessoal de reserva, necessario para cobrir eventuals faltas ou férias, e nem ao descanso remunerade, jé que por se tratar de equipe que trabalha em rodizio tero direito a pelo menos 1 domingo de folga no més. ‘Apés cada tumo de servico deve ser feito um relatorio pelo chefe da equipe, contendo todas as anormalidades e fatos ocornidos em seu tumo. VIL11. Vigilancia de areas internas ‘A maior ou menor complexidade atribuida a atividade de vigilanc fundamentalmente: depende, = das obstrugées a visdo do vigilante: = da possibllidade de refugios; = da luminosidade intema; = do tipo de operagdo executada; = da densidade populacional, = dos equipamentos existentes; = do arranjo adotado na arrumagdo interna; = da quantidade de portas e janelas; = da existéncia de corredores limpos e desobstruidos; = da arrumacéo das mercadorias, etc. Por essas raz6es a vigiléncia em éreas internas ¢ sempre mais dificil de ser feita, ‘além de exigir um maior conhacimento técnico por parte dos vigilantes, os quais devem ser capazes de detectar e identificar falhas, além de situacdes anormais em equipamentos e instalag6es e de integrar-se perfeitamente ao proprio ambiente. vigilante néio deve expor-se nos corredores da empresa portando ostensivamente uma arma, ou exibindo os seus musculos, deve sim, portar-se como um funciondrio da ‘empresa treinado para cetectar situagdes anormais ou inibir agdes predatorias contra o patrimOnio da empresa. Nas areas interas a vigilancia deve ser executada da seguinte forma: VIl.11.1. Vigilancia durante o hordrio de expediente Durante 0 horério de expediente varios 40 os problemas normaimente encontrados pelos vigilantes, dentre os quais destacam-se: maior aglomeracao de pessoas; trabalho continuo de ecuipamentos e maquinismos. Uma rotina ce trabalho sugerida nessas situagSes € a seguinte: a) vigilancia executada por rondas méveis; b) verificagao do sistema de fechamento das aberturas; c) inspegao visual dos equipamentos de deteccao e combate a inc&ndios; d) inspegdo dos corredores ¢ circulagées de pessoal e material de forma a evitar obstrugdes que dificultem a evacuacéo das dreas; '®) verificacdo de situagées anormais nos equipamentos e instalacdes (falta de dispositivos de proteco dos circuitos, vazamentos, Superaquecimentos, produgao anormal e todo um conjunto de observag6es jé feitas nos capitulos anteriores), f) verificagéo das placas de sinalizagao, controls e avisos (por intermédio das placas consegue-se obter a informagao necessaria ao comando dos equipamentos. A titulo de curiosidade lembramos que ainda existem pessoas que sentem prazer em danificar avisos € advertencias operacionais ou retirar as placas indicativas para guardar como ‘souveniers); @) acompanhamento dos servigos dos operérios, notadamente os das empresas contratadas, objetivando inibi-los quanto a iniciativa de agdes predatirias; h) promover © Check up dos dispositivos eletrénicos de seguranca e vigilancia; i) promover 0 Check up dos sistemas de iluminagao, pincipaimente os de emergéncia, analisando-se as luminatias, projetores, dutos, tomadas, baterias, etc. E importante que a vigilncia seja executada por homens desarmados em rondas com intervaios de tempo nunca superiores a 3 horas. VIL11.2. Vigilancia fora do hordrio de expediente Apés as jomnadas de trabalho a rotina a ser adotada pelos vigilantes sofre uma brusca transformagao, em virtude da menor movimentacao de pessoal, da paralisacao dos equipamentos, etc.. A metodologia de trabalho sugerida é a seguinte: a) vigilancia feita por homens armados e com sisteme radiocomunicador, b) verificagao @ testes dos sistemas de fechamento das aberturas © passagens entre os varios locais da empresa; ¢)_inspegao visual dos equipamentos de deteo¢o © combate a incéndios: d) inspegao de todos os corredores e passagens, ndo se permifindo obstrugées, mesmo que provisérias; ©) verificagdo das condigdes de manutengo de todos os painéis de aviso e sinalizadores; f)_verificaco de situacdes anormais nos equipamentos e instalacdes; 9) Check up nos quadros e painéis de controle elétrico, veriticando-se as condighes de anormalidade; h) rondas em intervalos de tempo nunca superiores a ume hora: i) Check up dos dispositivos eletrénicos de seguranga; J) Check up do sistema de iluminagao de emergéncia; k) verificagao dos depositos de liquidos e gases, principalmente os contend produtos perigosos (inflamdveis, explosives, corrosivos), visando-se detectar situagées anormais, principalmente vazamentos. Durante a execugéo de suas tarefas os vigilantes devem comunicar-se com o responsdvel pela equipe através de radiocomunicadores em intervaios de tempo nunca superiores 2 30 minutos, transmitindo uma senha para situages normais e outra para as anormais. ‘Apés @ passagem do servigo o vigilante deve apresentar relatério contendo anormalidades encontradas © providéncias tomadas para sand-las. A noite, 0 numero de vigilantes deveré ser sempre superior ao existente durante o dia, em cerca de 50%. ViL12. Dimensionamento da equipe efetiva de vigilantes para controle de areas internas Por questées de simplificagao de raciocinio, partiremos do mesmo exemplo anterior, ou seja: ‘superficie do terreno 118.000 mm | rea total construida: 46.000 m” | tumos de trabalho 3 tumos Influenciam bastante no dimensionamento da equipe de vigilancia os seguintes dades: = a area construida corresponde a area de uma sO edificacdo ou de varias edificacdes? = a area total construida esta distribuida em um sé pavimento ou em varios pavimentos? © as construgées possuem uma densidade de equipamentos, maquinismos ou instalagées pequena, média ou grande (considera-se densidade, neste caso, a quantidade de bens disposta em uma determinada area ocupada)? Imaginemos agora que apés respondidas as perguntas formuladas obtivemos © seguinte resultado: = tratam-se de varias construgées, quase todas isoladas uma das outras (conceito de isolamento ja definido em capitulo anterior), sendo a maior delas com 8.000 m* de area construida = excetuando-se a maior construeéo, todas as demais possuem mais de um pavimento; = em todas as edificagSes, os espacos ocupados por maquinismos néo superam a 40% da érea ttl total de cada edificac&o; No dimensionamento de Equipes de Vigilancia a anélise individualizada dos elementos questionados antertormente ndo conduz a resultados préticos, visto que s40 Yarias as hipéteses que se desdobram dessas simples perguntas. Por exemplo, os pavimentos a que nos referimos podem ser meros mezaninos, reper: are aimee a area total 8 andar. Assim sendo, a area total vistoriada pode car menor Go gue. esperado. Outro ponio a ser considerado que exten equipamentos em linha de produgao continue que ocupam quase que todo um pavimento, como méquinas engarrafadoras de bebidas, laminadores de sidertrgicas, extrusoras em inddstrias de materiais plasticos, etc., onde o trabalho de inspec&o pelo vigilante fica mais facil. Para melhor compreenséo de nossa metodologia adotaremos indices combinedos, como propostos a seguir: rea consiruide distribuida em uma unica edificagao - fator 1,0; rea construide distribuida por varias edificagdes - fator 0,7 Com 0 fator determinado verifica-se na tabela a seguit qual a area maxima construida, admitida para cada vigilante em efetivo servigo, e a partir dai inicia-se o dimensionamento da equipe de vigiiancia patrimonial que iré operar na empresa, E importante ressaltar que os niimeros obtidos so aproximados, como se vera adiante, Uma das simplificacées empregadas € a obtenco do total de vigiantes por quantidade de turnos, agravando em 50% 0 efetivo do tuo da noite. Contudo, para os fins ‘a que nos propomos a simplificagdo é plenamente valida: ‘Qde de pavimentos Densidade Pequena Médi Grande ‘até 1 pavimento 6.000 mr 4.500 m 3.000 m mais de 1 pavimento 5.000 m7 3.000 m 1.500 m™ O conceito de densidade empregado no quadro acima é 0 seguinte: @ aquela onde a area ocupada pelos equipamentos, maquinismos ou instalagdes podera estar compreendida entre 0% a 20% da area til da edificago, area essa avaliada pela projecdo das dimensées extemas dos equipamentos no solo (conceito de layout descrito em capitulo anterior). Um equipamento pode ser muito grande, com o formato de uma torre. Porém, a sua projegdo sobre 0 solo ser pequena. O que vale é a projecéo dos contornos do equipamento sobre o solo; Densidade pequena € aquela em que a soma das areas projetadas pelos Densidade média_ | equipamentos, maquinismos ¢ instalagSes, no piso das edificagdes, esta situada entre 21% a 40% da area titil da mesma; aquela na qual o somatorio das areas projetadas pelos Densidade alta equipamentos, instalagdes e maquinismos sobre o piso das edificagdes é superior a 40% da area tt total do précio. Em nosso exemplo, temos: — area total construida —_: 46.000 m* — densidade de ocupacéo: média = ade de pavimentos mais de 1 pavimento > quantidade de prédios —_- mais de 1 prédio (fator 0,7) Com esses dados entra-se na tabela apresentada anteriormente obtém-se 3.000 3.000 m? x 0,7= 2.100 m? p/e/vigilante 46.000 m? : 2.100 m* = 22 vigilantes Como os vigilantes acham-se distribuidos em trés turnos, 0 turno da noite deve ter 50% mais pessoas que os demais tumos, o resultado a que se chega 6 o seguinte: 1° tumo = (a) vigilantes + 2° tumo (a) vigilantes + 3° turn total = 3,5 (a) (2 + 50%) vigilantes 1° = 22 vigilantes 22 vigilantes 33 vigilantes 3° Este ntimero no inciui o pessoal de reserva, para suprir eventuais faltas ao servico e escalas de férias. A cada jomade de trabalho devera ser elaborado pela chefia do tuo, um relatério contendo todas as situages de anormalidade @ os fatos ocorridos no periodo. Para empresas com elevado grau de seguranca, no tumo da noite dave ser preparado um ratato das principais comunicagSes feitas pelos vigilantes em ronda, com o hordrio em que esas ocorreram. Esse relato pode ser em meio eletrénico ou magnético. A seguir, apresentamos um modelo simplificado de Relatério de Ocoréncia por Tumo de Vigilancia. Hora/Comunicagses Relatorio de Ocorréncia por turno de vigilancia Equipe: Componentes da Equipe: Ocorréncias/Local/Hora: Localidata assinatura da Chefia da Equipe VII.13. Controle das instalacées e edificacées Em qualquer empresa, 0 controle sobre as condigées de funcionamento e de manutengao das instalagdes e edificagdes deve ser sempre exercido pelos funcionarios da area industrial No tocante & Seguranga Patrimonial o controle sobre o patriménio fisico deve ser executado pela equipe de vigilantes. Néo queremos dizer com isso que os vigilantes passem a cuidar da manuteneao @ muito menos preocupar-se com a operaco dos bens, Porque Isso no seria nada ldgico. O que queremos dizer é que o vigilante durante o seu trabalho de VIGILANCIA iré encontrar situacSes anormais, como por exempio, um painel elétrico aberto, um tanque vazando, uma vélvula de um duto de vapor com problemas, um motor ligado sem motivo aparente, e outras coisas mais. O seu conhecimento tecnico acerca do qual ja nos referimos anteriormente deve ser tal que consiga saber ou identificar ‘© que esta ocorrendo e comunicar de imediato a area afim, para que essa possa tomar as providéncias cabiveis. Nem sempre isso fica muito claro, Porém em determinadas horas, a Unica pessoa que esta circulando por entre os equipamentos é o vigilante. Cabe ao setor de vigilancia patrimoniel fiscalizar os bens evitando que os mesmos venham a ser atingidos por agdes danosas. Assim, durante suas rondas qualquer situacao de anormalidade deve ser comunicada de imediato. O objetivo dos servigos desenvolvides pelo setor 6 tao simplesmente o de fiscalizar éreas. Excepoionalmente um vigilante pode fechar a porta de um painel que tenha sido inadvertidamente mantida aberta ou fechar uma vélvula que esteja vazando. E Iégico que isso no ceve se constituir em rotina, ja que todos esses servicos podem e devem ser feitos pelos funcionarios que operam os equipamentos. Um exemplo muito comum € 0 que ‘corre em escritérios. Ao final do expediente o funcionério desliga o computador, porém esquece-se de desligar a impressora ou o monitor. VIL13.1. Controle sobre instalagoes As instalagdes normalmente encontradas em indiistrias séo as seguintes: ® agua potavel e Agua industrial; ® instalagdes de uz e forca; @ instalagdes de esgoto sanitério e industrial; @ tedes de ar comprimido; @ tedes de gases industriais (oxigénio, acetilono, hidrogénio, gas carbénico, etc.); @ linhas de dleos combustiveis e inflamavei @ linnas de vapor, @ linhas de vacuo, etc. Cada uma dessas instalagdes possui caractoristicas diferentes @ formas de controle diferenciadas. As situagdes de anormalidades que usualmente so detectadas em uma inspecdo visual so: vazamentos; amassamentos; flexes das redes de dutos pela auséncia de suportes; perda de envoltérios térmicos; rompimentos; falta de equipamentos (conexées, registros, valvulas, etc.); ligag6es elétricas aparentes, sem qualquer tipo de isolamento; falhas do aterramento elétrico dos equipamentos; vazamentos em redes de gases, auséncia de protegao nos circuitos elétricos, do tipo: disjuntores e fusiveis. Em particular, ressalta-se as instalagées elétricas, como um dos itens mais vulnerdveis quase sempre motivo de dor de cabeca para os vigilantes. So nessas instalagSes que ocorrem acidentes com uma freqtiéncia bastante superior as das demais instalagdes. Dos componentes de uma instalacao elétrica os que apresentam mais problemas sao os disiuntores. Algumas vezes, por sobrecarga eléirica da instalagéo costuma-se substituir os disjuntores por: moedas, arames, palhas de ago, fios de cobre, Papel laminado de magos de cigarros, etc., situagdes essas ja bastante comentadas em capitulos proprios e que poem em risco toda a empresa. O vigilante deverd ter 0 bom senso para entender o que é uma situagao anormal e acionar de imediato o setor responsavel, para as providéncias cabiveis. VIL13.2. Controle sobre edificacées Do mesmo modo que no item referente ao controle das instalagdes 0 controle sobre as edificag6es, a cargo do setor de seguranca patrimonial, @ apenas o visual, tendo por meta evitar ages predatorias contra 0 patrimonio da empresa. Considera-se como fazendo parte das edificagdes nao s6 a propria construcéo como tudo a elas incorporedo. Os principais aspectos que devem ser observados so os seguintes: ® pisos: ® paredes internas e externas; ® estruturas da construgao (colunas, vigas, lajes); aberturas internas e externas; ® dispositivos de isolamento contra o fogo (portas corta-fogo, paredes corts-fogo sistemas de sprinklers cut off); ® ptotecdo contra a entrada de estranhos; ® condigdes do telhado e dos travejamentos. As anommalidades encontradas devem ser comunicadas imediatamente e anotadas em relatorio diario, elaborado apés cada turno de trabalho, VII.14. Controle de situagées de emergéncia Constituem situagdes de emergéncia aquelas que pela sua existéncia e gravidade podem por em risco a saiide ou @ vida de terceiros e mesmo de funcionérios, além de expor seriamente os bens da empresa, Sao exemplos de situagdes de emergéncia: @ existencia de artefatos explosivos; © ocorréncias de incéndios; 6 acidentes pessoais, incluindo crimes; @acidentes envolvendo as instalagdes © dificagées, do tipo: oxplosSes de equipamentos, acidentes elétricos, rompimentos de tubulacSes, desabamentos, vazamentos de efiuentes, etc.; © inundagao e alagamento; © seqiiestros; 6 sabotagens; © roubos e assaltos; © contaminacao ambiental; @ iiscos de desabamento ou de desmoronamento; © vazamentos de gases combustiveis, @ vazamentos de produtos téxicos, inflamaveis ou corrosivos. A equipe de Seguranga Patrimonial deve estar preparada para prestar apoio a cade uma dessas sittiagdes. O seu envolvimento nunca é direto, excetuando-se nos casos de: artefatos explosivos; sequestros; sabotagens; roubos e correlatas. Afora esses, sua Participagao restringe-se ao isolamento e controle das areas afetadas a evacuagao dos locas. Eventualmente o setor tem uma participac4o mais direta. Como exempio citamos 0 fato de uma grande instituicéo bancéria, onde em uma de suas egéncias houve fella de gue no final do expediente de sexta-feire. Na manhé de sabado 0 fornecimento normalizou-se. Entretanto, um funcionario da agéncia havia esquecido uma tomeira da pia na copa totalmente aberta. Com o restabelecimento do suprimento de agua essa comacou a transbordar da pia inundando 0 chao. A equipe de vigiléncia patrimonial em uma ronda, detectou o problema e encontrou a solucao de imediato. Nao houve prejuizos materiais elevados. Ocorre que nem todos os problemas referem-se a um simples fechamento de uma tomeira de copa. \Vejamos algumas situagées, imaginando que ocorram durante o expediente noimal, momento esse o mais critico quanto a seguranga das pessoas, jé que ha movimentac&o de funciondrios, de terceiros, de prestadores de servigos, de fornecedores, tudo isso com a empresa em plena atividade. PExisténcia de artefatos explosivos A colocagéo de bombas visando 4 intimidaco, obtencao de vantagens financeiras ou a sabotagem, cria sempre uma situagéo de panico bastante prejudicial e de dificil controle. Os artefatos expiosivos so formados por uma substancia explosiva, sdlida (granulada ou no), ou pastosa, com um elemento detonador (mecanico, elétrica, eletrénico, ou manual) A aparéncia as vezes simples dos artefatos explosivos nao deve servir como elemento comparador de seu poder de destruigao. As providéncias a serem tomadas pelo setor de seguranga patimonial so as seguintes: ® verficar a exata localizagéo do artefato e as caracteristicas visuais do mesmo, procurando fazer com que ninguém o toque ou mova de posic4o; @ aviser & Policia Civil e a Militar, e eventualmente ao Exército; ® ctiar um cordao de isolamento ao redor da area, formando uma regio de seguranga em volta do artefato com um minimo de 30 metros; @ providenciar a desocupacao do local encaminhando as pessoas para um local seguro, até que novas ordens venham a ser dadas; o artefato somente deve ser manuseado pelos especialistas militares, 0s quais poderéo ‘optar por sua remogo ou pelo desmonte no préprio local; @ antes da area vir a ser liberada devera ser feita uma completa varredura, com vistas a detectar-se qualquer outra anormalidade; @ apés a liberagao da area pelos militares 0 setor de seguranga devera encaminhar os funcionarios 4s suas atividades normais; @ acompanhar posteriormente 0 desenvolvimento dos servigos no local, principalmente quanto ao comportamento dos funcionarios. > Ocorrencia de incendios Ocorrendo um incéndio ou um principio de incéndio, varies so as medides que deverdo ser tomadas de imediato, a saber: ‘© identificacao do local e do tipo de fogo bem como do tipo de material envolvido na combustao; © aviso a Brigada de Incéndio propria, ou a guamic¢ao do Corpo de Bombeiros Militar mais proxima; providenciar a imediata evacuago do local, criando um cordéo de isolamento ao redor da area atingida; ® apoiar o deslocamento dos equipamentos de combate onde serdo utilizados; ® apoiar a brigada de incéndio no combate ao fogo, preocupando-se em empregar as mangueiras de incéndio para isolar 0 fogo enquanto que os funcionarios que compdem a brigada cuidarao do combate efetivo do fogo; © retirar os matenais e equipamentos valiosos situados proximos ao fogo, se houver possibilidade; manter os funcionarios que foram deslocados de seus locais de trabalno em ambiente de tranqiilidade e conforto, fazendo com que nao haja possibilidade deles virem a ser atingidos pelo fogo ou pelo calor das chamas; ‘® providenciar um tratamento especial &s pessoas portadoras de deficiéncias fisicas ¢ aos idosos; @liberar de imediato todos os visitantes e terceitos que n&o precisem estar comprometidos com 0 reinicio das atividades, ands o rescaido do incéndio \eéndios para préximo da area Caberé ao chefe da brigada 2 responsabilidade pela avaliacao das condigdes do fogo e das possibilidades do mesmo vir a se alastrar a outros locais e com isso avisar ou n&o & guami¢&o do Corpo de Bombeiros. A evacuac&o do local de incéndio pode ser empreendida contando-se com o auxilio do Grupo de Apoio existente na empresa treinado para essas ocasiées. © encaminhamento do pessoal evacuado sera feito para um local seguro quer quanto @ incidéncia de radiagées de calor incidente quer quanto a possibilidade de intoxicagao por fumagas e gases toxicos, bem como afastado dos centros de atividades € das rotas de deslocamento de pessoal, material e viaturas. O isolamento da area afetada pelo fogo pode ser conseguido formando-se cordées de isolamento. E muito importante que a drea destinada ao combate ao fogo fique livre de pessoas estranhas que ndo estejam em missao de extingao do incéndio, Durante 0 isolamento ndo deve ser permitide o ingresso de pessoas que desajem reaver 0s seus objetos pessoais. Isso somente devera ocorrer apos a liberacao da area ‘Apés © rescaldo a area atingida deve ser mantida isolada para fins de pericia técnica e apuragao das causas do incéndio. Nao se deve esquecer que a Seguradora contratada| pela empresa deve ter imediata ciéncia do ocorrido, ‘cabendo a ela, manifestar-se por escrito (formalmente), a respeito do reinicio das atividades do setor. Em principio, o combate ao incndio deve ser feito pela propria brigada da empresa Porém, como os funcionarios do setor de seguranca patrimonial so obrigados a ter conhecimento de combate a incéndios e treinamento adequado, poderéo ajudar nesse combate. Contudo, sugerimos que a equipe de seguranga atue apenas como apoio 4 brigada > Acidentes Pessoais, inciuindo crime Os acidentes pessoais sem gravidade, ocorrides em indlistrias, séo os meis ‘comuns, consistindo de luxagSes, intoxicagées loves, arranhaduras @ esfoladuras, picadas, de insetos ou animais daninhos, especiaimente vetores, fraturas de membros, @ outros. Todavia, néo se descarta a possibilidade de ocorrerem acidentes mais sérios, do tipo, queimaduras, lesdes miiltiplas, fratures multiplas, intoxicagdes pneuménicas graves, e até mesmo ébitos. Vimos anteriormente que um grande nlmero de produtos @ substancias empregadas em industrias geram sérios problemas a satide das pessoas. Os contatos com esses produtos podem se dar acidentalmente ou como conseqléncia de um ato de sabotagem. Outra hipétese ¢ de que 2 pessoa que provoca um acidente pode muitas vezes 0 estar fezendo para prejudicar determinado colega ou até mesmo a chefia. Um momento critico se dé por ocasiéo de époce de demissées coletivas. O que fazer nessas situagées? Em principio a responsabilidade pelo atendimento ao acidentado € exclusivamente do Servigo Especializado em Seguranca, Higiene e Medicina do Trabalho. Caso nao o haja mas a industria possua um ambulatério médico o atendimento ainda sera do pessoal do ambulatério. Dificilmente surgira 0 momento em que os vigilantes terao que prestar atendimento a acidentes pessoais. Porem, 0 exigido da equipe de vigiléncia é o isolamento da area onde 0 acidentado se encontra e a garantia de sua pronta remogao para um local de atendimento mais adequado, sob a superviséo de um médico ou de um enfermeiro, ( setor de vigilancia deve ter sempre a mao uma relagao de hospitais, clinicas, ambulatérios © médicos, de acordo com as respectivas especialidades, e os telefones para contato imediato. ideal é que essas empresas que porventura venham a ser contatadas em uma situagao dessas, sejam previamente visitadas pela equipe que tera oportunidade de avaliar methor 0s servigos oferecidos. Dessa forma dificiimente uma pessoa intoxicada por um gas sera levada a um pronto socorro que trate de fraturas. Apés a remogdo do acidentado © em conjunto com o setor especifico, deverao ser apuradas as causas do acidente, sobretudo em investigagSes ou suspeitas de casos de sabotagem ou crimes. O resultado da apuracao deve constar do Livro de Ocorréncias e da Ficha do Funcionario. A ocorréncia de dbito, seja ou n&o por crime, ¢ sempre mais trabalhosa, haja vista que a policia deve ser notificada de imediato, no podendo ser desfeito o local até a liberacdo final pela Policia >Vazamentos de efluentes e contaminaco ambiental Efluentes.séo todos os rejeitos ou despejos resultantes de um processamento, Podem ser sélidos, liquidos ou gesosos. Os efiuentes podem ter origem no proprio processamento ou no esgotamento sanitario de um banheiro, Independentemente de sua origem os efluentes antes de serem langados no meio exterior sofrem um proceso de depuragdo € tratamento. Esses processos de tratamento variam de acordo com o tipo de material a ser tratado. Alguns desses sistemas sao: lavadores de gases; filtros de manga; ciclones; precipitadores; decantadores; aeradores; gradeamento; floculadores, ete, Eventualmente, por uma falha no processo no sistema de tratamento ou fungéio de uma condig&o ambiental adversa ha possibilidade dos efluentes virem a vazar para fora de seus naturais contenedores, contaminando o meio ambiente. De vez em quando surgem noticias nos jomais a respeito de indvistrias que poluiram determinado rio ou cidade, com grandes prejuizos financeiros, com graves danos 4 imagem da empresa, seja essa culpaca ou nao. Cabe ao 6rgo de seguranca patrimonial, ap6s ser cientificado do vazamento, como Orgao de apoio verificar a extensdo dos danos e as areas atingidas. E muito comum surgirem reclamagées de pessoas que n&o foram atingidas e nem tiveram seus bens atingidos, porém moram em uma regido afetada pelo vazamento. Ha sempre uma tendéncia das pessoas de tirarem proveito de situacées envolvendo empresas de grande porte. Ai é que esta uma das reas que 0 setor de seguranca patrimonial poderé atuar. A érea de seguranga dara apoio as ages envolvendo riscos ao patriménio da empresa, Para cada uma das situagSes que se apresentam havera sempre uma solugdo. Ocorre entretanto, que as solugdes nunca devem ser “tiradas do bolso do colete”, ou surjam de ditima hora. Sempre existiré um planejamento amplo e sério, abrangendo todas as situagées imagindveis de riscos envolvendo a seguranca patrimonial. VIL.15. Cuidados especiais adotados na Seguranga Patrimonial © setor ou drea de seguranca patrimonial das empresas, além das rotinas de trabalho apresentadas anteriormente, devera enfocar os seguintes pontos: iluminag&o ambiental externa; condigées de limpeza das areas; controle do fiuxo de documentos; andlise dos pontos criticos de seguranga; situagSes emergenciais. ‘VII.15.1. lluminagao ambiental externa A iluminagdo de ambientes é um dos tripés onde se apcia o servigo de vigilancia de reas. Quando bem projetada, além de possibilitar uma visibiidade piena toma-se um elemento inibidor de agies predatérias comuns. Todos nés sabemos que um dos modos mais simples de afastar ladrées & acender as luzes. Pelo menos € 0 que aprendemos desde criangas. Normalmente quando o setor de Seguranca Patrimonial 6 criado pela empresa essa jd esté em plena atividade. Isso significa que o setor ndo teve qualquer participagao, nem ‘como assistente e muito menos como executor dos projetos de seguranga. Assim sendo, so comuns as revisdes dos projetos e as modificagdes de instalagdes com vistas 2 adequa-las a parametros mais seguros. Como se nao bastasse esse fato, a continua evolucdo da area obriga 2 continuas adaptagdes A experiéncia tem nos demonstrado que o gerenciamento de projetos voltados para @ seguranga tem como foco principal o atendimento & premissa basica imposta da continua avaliagdo da relacao “custos versus beneficios”. Infelizmente muito se deixa fazer premido pelos custos. A iluminacéo de ambientes é um desses problemas mais comuns, principaimente de areas externas, isso se deve ao fato dos projetistas preocuparem-se com 2 valorizagéo dos aspectos arquiteténicos das fachadas e outros, esquecendo-se da seguranga, a qual, por sua vez, preocupa-se com a existéncia de sombras @ penumbras em areas vulneraveis, com a mudanga de cor dos objetos em funcao da iluminacao incidente e outros fatores mais. Por essa raz4o, cabe 2o setor consertar aqui, retificar ali, acrescentar acola, de maneira a adaptar as condigdes existentes as reais necessidades da empresa. Um dos aspectos que requerem todas as atencdes 0 do efeito da incidéncia de luzes coloridas sobre os objetos. Pera que no haja o mimetismo convém saber-se que um objeto vermelho, ao receber uma luz branca, absorve os raios luminosos de todas as cores & excegdo dos raios vermelhos, refletidos pela superficie do objeto. O que nés vemos ¢ a luz vermelha refletida pelo objeto. O mesmo objeto ao ser iluminado por uma luz amarela, transforma-se visuaimente em objeto laranja. Caso seja atingido pela luz violeta passara a ter a aparéncia de um objeto verde. \Vérias so as tabelas de cores empregadas em luminotécnica. Porém, uma das mais completas, atribuida ao Dr. Eng? J.O.Kraehenbuehl (Electric llumination), é reproduzida parcialmente a seguir: ‘Cor do objeto Cor da luz Incidente ‘verme!no Taranja ‘amare verde ‘azul negro ‘Vem. esouro | Tar excure | amar. escuro | verde eseuro | azul escuro ‘raneo, Yyermelho Taranja: ‘amarelo verde azul cinze Yen. sob, Taranja sob. | amarelo sob__| verde sob] azul sob. vermalRa ‘vermalho escariate Taran marrar purpura asc Taran. ‘vemelho Taranje: ‘amareld larania_| amvarelo verde | cinza escuro amarelo vem. laranja | emer. laren | amarelo ‘amarelo verde | cirza verse: verde caro. Yen. sob. negro verde | amareio verde | verde verde azul verde escure | negro cinzs ‘amarelo verde | verde verde azul azul claro. Violeta ezuicnza | amareiosop. | verdeazul | azul azul eooure) purpura, parpura, onze, ‘verde-azul__| azul Violeta negro vern__| vermeino cenza’ ‘azul azul Vou. rosa ‘vermelho ‘vermelno ‘verde negro | ezul sob, Em um projeto de iluminago ambiental adequado deve-se considerar 0 aspecto da aparente mudanca de cor dos objetos de acordo com a luz incidente e também os seguintes pontos, * auséncia de ofuscamento direto devido a refiextio de superficies polidas causadas por fontes de luz excessivamente intensas, posicionadas no campo visual do operador do eguipamento. O campo visual maximo do observador a ser considerado em projeto 6 de 420° no sentido vertical e 160° no sentido horizontal; % iluminago projetada de modo que sejam empregadas cores claras, como forma de aumentar-se o nivel de iluminamento ambiental; > iluminagao projetada de modo a ser suficientemente difusa, dirigida e distribuida para evitar sombras acentuadas e contrastes nocivos; ®> acessérios empregados na iluminagao simples, seguros, com alto rendimento e de facil conservacao; nivel minimo de iluminamento no plano normal de trabalho de 100 LUX; ® sistema de iluminaco com elevado rendimento, conciliando-se 0 tipo de iluminagao com 0 ambiente a ser iluminado; >> correlacdo do nivel de ilurinamento mi 10 necessério e a vida util das lampadas. Algumas lampadas @ venda s&o mais eficientes do que outras. Outras iluminam bem mais. Algumas chegam a ser mais econdmices. Existem aquelas que duram mais. Varios so os fatores que devem ser levados em consideragao na hora de se escolher uma lampada, principalmente se essa vier a iluminar érees criticas para e seguranca patrimonial, ou entgo areas de trabalho onde a atividade desenvolvida possua elevado Potencial de causar acidentes de trabalho. A titulo de ilustragdo, apresenta-se o rendimento de algumas lampadas e suas potencias: As lémpadas incandescentes so as que menos quantidade de luz produzem, comparativamente @ energia consumida. Uma lampada de 100 watts produz um maximo de 2.300 kimens, para uma vida util variavel de 500 @ 1.000 horas. As lampadas fluorescentes possuem um bom rendimento luminoso e uma vida Util maior do que as lampadas incandescentes, da ordem de 10.000 a 20.000 horas. Uma lampada de 40 watts produz, aproximadamente, 3.500 limens. —+ Um terceiro grupamento de lampadas é conhacido como lampadas de descarga de alta intensidade - HID - compreendendo lampadas de vapor de merciirio, halog&nio metalico € vapor de socio de alta ou baixa pressao. —> Uma lémpada de vapor de merctirio de 40 watts produz cerca de 5.000 lumens, para uma vida util da ordem de 20.000 horas.

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