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Estados eletrônicos em sólidos – Gás de Fermi

Aproximações Adiabáticas
1. Elétrons formam um gás ideal clássico (P. Drude, 1900)
• Não interagentes
• A rede de íons é desprezada
2. Aproximação de elétron livre (aproximação de Sommerfeld, 1926-27)
• Introduz a ideia de Férmions para elétrons
3. Teoria de Bloch (1928-33)
• O potencial da rede de íons. Bandas de energia
4. Teoria do líquido de Fermi (Landau)

The classical period (1900-28) was dominated by the model of P. Drude (1863-1906) and H.A. Lorentz (1853-1928), in which a metal was
supposed to contain an ideal classical gas of conduction electrons, governed by kinetic theory. Although the failures and contradictions of the
model were strikingly apparent by the time of the First World War, few useful new concepts were added until 1926, when Wolfgang Pauli's
application of Fermi-Dirac statistics to metals opened up the semiclassical period. In the following year and a half, Sommerfeld and others in his
circle, by further application of the new statistics within the framework of the classical Drude-Lorentz theory, were able to resolve most of that
theory's outstanding difficulties. But it was not until Bloch's 1928 paper on the quantum mechanics of electrons in a crystal lattice4 that the full
machinery of quantum mechanics, developed in 1925 to 1926, was brought to bear on solids, thus spearheading the creation in the next five years
of the modern quantum theory of metals.
Propriedades de condutores: Modelo de Drude

Campo elétrico aplicado

Na presença de uma campo elétrico externo 𝐸 o movimento do elétron, em média pode ser descrito partindo das seguintes ideias:
1. Seja t o tempo entre dois espalhamentos consecutivos, 1/t é a taxa de espalhamento.
2. Isto significa que a probabilidade de ocorrer espalhamento em um intervalo de tempo dt é dt/t.
3. A probabilidade de não ocorrer espalhamento é (1- dt/t).

4. Seja 𝑝Ԧ 𝑡 o momento médio do elétron no instante t, então sob efeito do campo 𝐸, surge uma força 𝑓Ԧ 𝑡 = −𝑒𝐸(𝑡)
𝑝Ԧ Ԧ
𝑡+𝛿𝑡 −𝑝(𝑡) 𝑑𝑓 Ԧ
5. 𝑓Ԧ 𝑡 + 𝛿𝑡 = 𝛿𝑡
e 𝑓Ԧ 𝑡 + 𝛿𝑡 ≅ 𝑓Ԧ 𝑡 + 𝑑𝑡 𝛿𝑡, observando que em 𝛿𝑡 não ocorre espalhamento.

Problemas para lista.


1. Usando os argumentos acima, mostre que a equação de movimento do elétron é dada por:
𝑑𝑝Ԧ 𝑝Ԧ 𝑡
= −𝑒𝐸 𝑡 − . Esta é a aproximação do tempo de relaxação.
𝑑𝑡 𝜏

2. O tempo de colisão 𝜏 tem várias origens, tais como tempo de colisão entre elétrons (𝜏𝑒𝑒 ), tempo de colisão elétron-fônon (𝜏𝑒𝑓 ),
1 1 1
tempo de colisão entre elétron-impurezas (𝜏𝑒𝑖 ). O que você considera mais correto: (i) 𝜏 = 𝜏𝑒𝑒 + 𝜏𝑒𝑓 + 𝜏𝑒𝑖 , ou (ii) 𝜏 = 𝜏 + 𝜏 +
𝑒𝑒 𝑒𝑓
1
? É razoável supor que as fontes de espalhamento são independentes?
𝜏𝑒𝑖
𝑑𝑝Ԧ 𝑝Ԧ 𝑡
Solução da equação de movimento = −𝑒𝐸 𝑡 − (1)
𝑑𝑡 𝜏

Trajetória do
𝑒 −𝑡Τ𝜏
(i) Campo elétrico nulo (𝐸 = 0). A solução da equação (1) é: 𝑝Ԧ 𝑡 = 𝑝Ԧ0 elétron
• Relaxa com a constante de tempo 𝜏
• A solução estacionária (após o transiente): 𝑝Ԧ 𝑡 =0.
• O movimento é aleatório e termaliza com uma velocidade média que depende de T.
𝑣𝑟𝑚𝑠 = 𝑣 2 = 3𝑘𝐵 𝑇Τ𝑚 ≅ 1.2 × 105 𝑚Τ𝑠 (à temperatura ambiente).
Ruído térmico (ruído Johnson/Nyquist)

(ii) Com campo aplicado (𝐸 ≠ 0). A solução da equação (1) é: 𝑝Ԧ 𝑡 = 𝑝Ԧ0 𝑒 −𝑡Τ𝜏 − 𝑒𝜏𝐸 (2).

Problemas para lista.


𝑝Ԧ 𝑡
1. Determine a solução da equação de movimento: 𝑝Ԧሶ + 𝜏 = −𝑒𝐸. Mostre que para 𝑡 ≫ 𝜏 o elétron adquire uma velocidade
constante 𝑣Ԧ𝑑 = − (𝑒𝜏𝐸)Τ𝑚. Interprete esta velocidade.
2. Mostre que a densidade de corrente elétrica no condutor pode ser escrita como 𝐽Ԧ = −𝑛𝑒𝑣Ԧ𝑑 . Confira as unidades para cada
grandeza.
3. Mostre que a condutividade do gás clássico de elétrons é 𝜎 = 𝑛𝑒 2 𝜏Τ𝑚.
4. A equação 𝐽Ԧ = 𝜎𝐸 é a lei de Ohm. Mostre que para uma barra linear (1D) de comprimento 𝑙, seção transversal 𝐴 e com uma ddp
𝑉 aplicada entre as extremidades, a equação 𝐽Ԧ = 𝜎𝐸 pode ser escrita como 𝑉 = 𝑅𝐼, onde 𝑅 = 𝑙Τ𝜎𝐴.
Separação entre elétrons (ou raio da esfera cujo volume é 1 elétron) 𝑟𝑆 =
3 1Τ3
4𝜋𝑛

Estimativas

(1) Velocidade rms à RT. 𝑣𝑟𝑚𝑠 = 3𝑘𝐵 𝑇Τ𝑚 ≅ 1.2 × 105 𝑚Τ𝑠.
(2) Tempo de colisão 𝑛 ≈ 1022 − 1023 𝑐𝑚−3 resulta em 𝜏 ≈ 1 − 10 𝑓𝑠! (1 fs
= 10-15s). τ = 𝑙Τ𝑣~ 10−10 Τ105 ~10−15 𝑠 .

(3) Velocidade de deriva. 𝑣Ԧ𝑑 = − 𝑒𝜏𝐸 Τ𝑚 = (0.2 − 2) × 10−4 𝑚/𝑠. Usei E


= 1.0 V/m.
Usando 𝐽 = 𝑛𝑒𝑣𝑑 ∴ 𝑣𝑑 = 𝐼 Τ𝑛𝐴𝑒 ≅ 6 × 10−5 𝑚/𝑠.
Usei I = 1.0 A, n=1023/m3 e A = 1.0 mm2.
(4) Livre caminho médio. 𝑙 = 𝑣𝑟𝑚𝑠 𝜏 ≅ 0.1 − 1.0 𝑛𝑚.
Falhas do modelo de Drude

1. Capacidade térmica eletrônica


3
Como é um gás clássico, 𝐶𝑉 = 𝐶𝑒𝑙 = 2 𝑛𝑘𝐵 (independe da temperatura).
Experimentalmente 𝐶𝑉 = 𝛾𝑇 + 𝐴𝑇 3 .
O 2º termo é devido fônons (teoria de Debye) e o 1º termo é devido elétrons.
A teoria de Drude erra em não prever a dependência com T e o valor medido à temperatura ambiente é << Cel (Drude).

Capacidade térmica do Co em baixas


temperaturas Gráfico de CV/T versus T2 para Cu

• A é a curva experimental. • A interseção dá o g


• B é a contribuição eletrônica gT • Dados (W.S. Corak et al., Phys.
• C é a componente de Debye AT3 Rev. 98, 1699 (1955).)
• Dados (Duyckaerts, Physica 6, 817 (1939).)
𝜅
Condutividade térmica e a lei de Wiedemann-Franz (1853) 𝐿 = 𝜎𝑇 ≈ 2.5 × 10−8 𝑊Ω𝐾 −2 , (obtido de: 𝜋 2 𝑘𝐵2 Τ3 𝑒 2 )
• Condutividade térmica 𝐽Ԧ𝑞 = −𝜅𝛻𝑇, (𝐽Ԧ𝑞 é o fluxo de calor (energia/s-área) e 𝜅 é a condutividade térmica, em 𝑊 Τ𝑚 ∙ 𝐾).
• Condutividade elétrica clássica: 𝜎 = 𝑛𝑒 2 𝜏Τ𝑚
1
• Condutividade térmica clássica (teoria cinética dos gases): 𝜅𝑐𝑙𝑎𝑠 = 3 𝑣 2 𝜏𝐶𝑒𝑙 .
1 3 3
• Substituindo as expressões 𝑚 𝑣 2 = 𝑘𝐵 𝑇 e 𝐶𝑒𝑙 = 𝑛𝑘𝐵 , encontramos:
2 2 2

𝜅 2
3 𝑘𝐵
𝐿= = ≈ 1.1 × 10−8 𝑊Ω𝐾 −2 .
𝜎𝑇 2 𝑒2
𝜅 2
𝜋2 𝑘𝐵 𝑘2
A expressão usando mecânica quântica é 𝜎𝑇 = ~3 𝑒𝐵2 . Erro por apenas 1/2.
3 𝑒2
• Apesar do sucesso aparente, resulta da relação entre grandezas com erros grosseiros: Cel e 𝜅𝑐𝑙𝑎𝑠 . Ambas as grandezas clássica estão muito erradas.

O modelo de Drude não explica este comportamento!

z
Efeito Hall
𝑗Ԧ ∥ 𝑥;
ො ∆𝑉 ∥ 𝑦;
ො 𝐵 ∥ 𝑧Ƹ x
Na presença de campos 𝐸 e 𝐵 a equação de movimento de um elétron é
𝑑𝑣Ԧ 𝑒 𝑒 𝑣Ԧ y
= − 𝐸 − 𝑣Ԧ × 𝐵 −
𝑑𝑡 𝑚 𝑚 𝜏
𝑑𝑣
No estado estacionário ( 𝑑𝑡 = 0)

𝑒𝜏
𝑣𝑥 = − 𝑚 𝐸𝑥 − 𝜔𝑐 𝜏𝑣𝑦 (1)

𝑒𝜏
𝑣𝑦 = − 𝐸 + 𝜔𝑐 𝜏𝑣𝑥 (2)
𝑚 𝑦
Onde 𝜔𝑐 = 𝑒𝐵 Τ𝑚 (frequência angular de cíclotron).
Se impusermos a condição 𝑣𝑦 = 0 (corrente nula na direção y), temos:
𝐸𝑦
= −𝜔𝑐 𝜏. (3)
𝐸𝑥
Escrevendo 𝐽𝑥 = −𝑛𝑒𝑣𝑥 , a resistência Hall é
𝐸𝑦 1
𝑅𝐻 ≡ 𝐽 𝐵
= − 𝑛𝑒 (4)
𝑥

O modelo de Drude prevê que RH é independente de B e t. No entanto os resultado experimentais contrariam estas previsões.

• Valores de RH observados e calculados em


Para Al unidades de 10-11 m3/C.
• Os valores calculados supõem j elétrons
livres/átomo.
• O coeficiente Hall pode ser > 0
• O efeito Hall é explicado quanticamente
Sólidos podem ser classificados de acordo com suas propriedades elétricas como condutores, semicondutores and isolantes.
• Cristais de Van derWaals: isolantes
• Cristais iônicos: maioria isolantes
• Cristais covalentes: isolantes e semicondutores
• Metais: condutores

De todas as propriedades físicas de sólidos, a condutividade elétrica à temperature ambiente, tem a maior faixa de variação de valores, variando
sobre 25 ordens de grandeza.

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