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Caso prático n.

º 2:

Em 11 de Dezembro de 1998, Jacques, de nacionalidade francesa e residente


no Porto, celebrou em Lisboa um contrato individual de trabalho com a CONSTRÓI
BEM, S.A., com sede estatutária nas Ilhas Caimão (apesar do conselho de
administração e a assembleia geral se reunirem em Lisboa). Em virtude do referido
contrato, obrigou-se o primeiro, mediante retribuição, a prestar a sua actividade
profissional à segunda, como engenheiro-civil na obra que a CONSTRÓI BEM, S.A. está
a executar na Arábia Saudita.

O contrato, assinado e escrito por ambas as partes, foi sujeito ao direito da


Arábia Saudita. Em 22 de Junho de 1999, a administração da CONSTRÓI BEM, S.A.
comunicou a Jacques, que dispensava os seus serviços a partir do dia 30 do mesmo
mês, não tendo sido, para o efeito, elaborado processo disciplinar ou invocado justa
causa, nos termos da legislação laboral portuguesa.

Inconformado, Jacques propõe uma acção em Portugal, em que pede a


condenação daquela sociedade no pagamento da importância correspondente ao
valor das retribuições que o trabalhador deixou de auferir desde a data do
despedimento até à data do pagamento e a sua reintegração com base na ilicitude do
despedimento. Invocou para o efeito o Código do Trabalho português que considera
aplicável em virtude do art. 6.º, n.º 2 da Convenção de Roma sobre a lei aplicável às
obrigações contratuais.

Na contestação, a CONSTRÓI BEM, S.A. alegou ser o direito da Arábia Saudita


aplicável ao caso por força do art. 3.º da Convenção de Roma, ou, caso assim não se
entenda, por força do art. 6.º, n.º 2, último parágrafo, visto ser com aquele país que o
contrato tem a conexão mais estreita.

Contrapõe o autor, que as normas do direito da Arábia Saudita, que permitem


o despedimento sem justa causa, lesam o princípio fundamental da segurança no
emprego e o princípio da proibição dos despedimentos sem justa causa, princípios
estruturantes do direito laboral português, consagrados no art. 53.º da CRP, sendo de
afastar a sua aplicação no caso em questão.

Admitindo que:

1. À face do direito em vigor na Arábia Saudita é lícito o despedimento sem justa


causa.

2. Segundo o Código do Trabalho português, o despedimento sem justa causa é ilícito.

3. Os tribunais portugueses são internacionalmente competentes para julgar a causa.

Diga, discutindo os argumentos aduzidos pelas partes, se a pretensão de Jacques deve


ser julgada procedente. E se o contrato tivesse sido celebrado em 2 de Fevereiro de 2010?