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CÔMPUTO DA HORA NOTURNA - DURAÇÃO DO TRABALHO NOTURNO –


JORNADA NOTURNA REDUZIDA – HORÁRIO MISTO

PROJETO DE LEI nº 4.796-B, de 1990 – Em 1988, eu mesmo redigi um projeto de


lei, entreguei ao Dep. Lysâneas Maciel. O mais importante que mostrei é que, a
noite deveria ser considerada como de fato a noite é de verdade, sem ficção, ou
seja, entre 19h e 6h da manhã e a hora deveria ser computada como de 45
minutos, porque assim, uma jornada de 8 horas daria conta exata (8 x 45min =
360min = 6h) e acabava com a ficção dos 52min 30seg da ultrapassada hora
noturna de 1943 (CLT). Naturalmente haveria de se alterar o art. 73§1º e §2º bem
como o art. 381§2º e art. 404 da CLT. Assim, numa jornada de 8 horas (de 45
minutos) entre 19h e 6h teríamos uma duração de 6 horas. A redação final do
projeto de lei nº 4.796-B, de 1990, foi aprovada na Sala das Sessões em
14/12/1990 na Câmara dos Deputados e deveria ser encaminhado ao Senado, mas
a partir daí não soube de mais nada.

O art. 73 da CLT (1943) É UMA LEGISLAÇÃO OBSOLETA.

A organização dos horários mistos em turnos fixos no período noturno, permite ao


empregador, ultrapassar de maneira sutil, as verdadeiras proporções idealizadas
no contexto legal, diga-se obsoleto – Artigo 73 da CLT – instituído em 1943.

HORÁRIO NOTURNO: a "ficção legal" (CLT, art. 73, §1º) é de difícil entendimento
para um simples operário; este é o “fator-chave” que sempre favorece aos
empregadores, que continuam extrapolando as verdadeiras fronteiras da jornada
noturna.

Tudo porque, diante dos misteriosos “30 segundos” da imaginária duração da hora
noturna, o simples empregado fica perplexo, não entende nada. Assim, torna-se
parte vencida na suposta proteção do trabalho noturno, que acaba por não proteger
coisa alguma, conforme se vê na fórmula de cálculo de determinado horário misto
(22h às 07h) descrito ao final deste trabalho, o qual deveria ter uma remuneração
extraordinária de mais de 2 horas (05h às 07h), mas não tinha coisa alguma.

Da minha parte, nos idos de 1980, após alguns anos de esforço, consegui atingir a
fase de entendimento do segredo da coisa, que podemos chamar de “ficção legal”.
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Em princípio, a intenção do legislador, era de considerar um horário (22h/5h)


reduzido na sua duração, mas com remuneração normal de 8 horas.

Descobri, então o segredo da conta: “a duração das 7 horas do horário de 22h às


05h, multiplicada pela quantidade dos 60 minutos da hora, resulta em 420 minutos,
os quais divididos pela remuneração normal de 8 horas apresentam como
resultado a remuneração da hora aos 52min 30seg”. Esta é a ideia original sobre o
cômputo, ou seja, sobre a conta da “remuneração” no período contínuo de 22h às
05h.

HORÁRIO MISTO – A duração (jornada) de trabalho normal (8 horas) é de fácil


entendimento, mas o problema está na fixação dos horários mistos, onde
predomina o entendimento empresarial, da duração da hora como sendo de 52,5
minutos; coisa absurda, isto não existe, porque o artigo 73 da CLT não trata de
duração da hora.

Trata-se de computar (contar; calcular) a “remuneração” de 1 hora a cada 52min


30seg do período noturno, de tal forma que ao fim dessas 7 horas contínuas (22h
às 05h) tenhamos a remuneração normal das 8 horas (52,5min x 8h = 420min).

A explicação do problema da “hora noturna” está na combinação dos dois primeiros


parágrafos do art. 73 da CLT. Veja-se que o parágrafo §1º está diretamente
subordinado ao “caput” do artigo, que trata de "remuneração" e não trata de
duração do trabalho (noturno).

Por sua vez, o §2º refere-se a um período contínuo (22h às 05h), o qual não pode
ser descontinuado, pois se assim for, perde a sua qualidade de “remuneração”.
Para permitir a ligação correta entre os dois parágrafos (§1º e §2º) do Art. 73 da
CLT, aquele período contínuo (22h às 05h), não pode ser descontinuado, sob pena
de ser manipulado, e a prova disso é que com qualquer número impar de horas
noturnas a conta dos “30 segundos” não fecha.

Na Grécia Antiga, Aristóteles estabeleceu as Leis da Lógica onde uma delas é: A é


A (...). No Brasil, na duração do trabalho normal, a lei refere-se a hora. Portanto,
hora é hora (60 minutos). Consequentemente 52min 30seg não é hora, e muito
menos unidade de duração do trabalho, porque só podemos medir duração do
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trabalho humano em segundos no campo das competições esportivas. Aqui não se


trata disso. 

HORÁRIOS MISTOS – já vimos que o art. 73 da CLT não estabeleceu outra hora
(noturna) com duração de 52min 30seg porque isto não existe; repetimos.
Acontece que na duração normal, após 4 horas de trabalho, a lei estabelece um
intervalo para repouso ou alimentação. Mas, se a “remuneração” de que trata o art.
73 da CLT for interrompida, pelo intervalo legal, a conta dos “30 segundos” no
período de 22h às 05h não fecha, conforme veremos adiante.

Consideramos então, uma suposta jornada do trabalho noturno fixada pelo


empregador, que estabeleceu um horário misto. Ele organizou cuidadosamente as
“horas noturnas” em quantidade par, porque sabe que, com qualquer número de
horas noturnas em quantidade ímpar (1 ou 3 ou 5 ou 7), a conta não fecha.

Esta minha afirmação pode ser conferida. Por exemplo, numa jornada de 8
(oito) horas, iniciando-se o primeiro turno de trabalho no horário (16:00h
até 20:00h) podemos contar 4 (quatro) horas “diurnas” de trabalho. A
seguir, poderia haver um intervalo de 1 (uma) hora (20:00h às 21:00h).
Depois, mais 1 hora de trabalho, em hora essa “ainda diurna” de (21:00h
às 22:00h). Até aqui temos 5 (cinco) horas de trabalho.

Portanto, para completarmos a jornada, faltariam ainda 3 horas de


trabalho. Acontece que a conta de 3 (três) horas noturnas (3h x 52,5min =
157,5min) não fecha, porque medir duração do trabalho humano em
segundos, só mesmo no campo das competições esportivas e aqui não se
trata disso.

Podemos conferir as contas; vemos então, que seriam necessárias mais 3


horas de trabalho noturno (52,5 x 3 = 157,5) minutos para completar a
jornada normal. Na realidade estes 157,5 minutos resultam em 2 horas +
37 minutos + 30 segundos. Eu pergunto então, como poderemos
computar o trabalho de um motorista ao volante de um ônibus em
movimento, nos últimos 30 segundos que restam para completar sua
jornada, conforme o cálculo acima? Impossível! Não há como computar
essa duração do trabalho dos últimos 30 segundos!
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Portanto, justifica-se a “remuneração” no período noturno de forma


contínua no período de 22h às 05h, seja qual for, total ou parcial.
Exatamente porque, se não podemos computar duração de 30 segundos
de trabalho, a remuneração deve ser contínua no horário de 22h às 05h -
de um extremo ao outro - do período noturno, para fecharmos a conta em
números exatos de remuneração, pois é disto que trata o Art. 73 da CLT.
Portanto, fora disso, o que vemos é uma oportunidade para imposições
aleatórias da parte do empregador.

No meu caso, em 1975, quando eu era operador dos computadores de grande


porte do tipo IBM antigos, a minha jornada era de 8 horas de trabalho, entre “horas
noturnas” e horas diurnas. Havia um intervalo de 1h 45minutos, porque este era o
intervalo padrão da Empresa, durante qualquer expediente, diurno ou noturno.

Os gerentes da empresa, faziam então o cálculo de horas noturnas sempre em


número par, porque já vimos ser impossível explicar, por exemplo, a duração de 3
ou 5 horas noturnas de 52min 30seg de trabalho. Mas, com 6 horas noturnas de
52,5 minutos, a conta fecha certinho e assim, o empregado fica inerte, diante da
sua situação de desigualdade.

Devemos observar os termos do Art. 73 § 1º da CLT. Ora, se computar é contar,


computamos (contamos) 8 horas, naquele período de 7 horas (22h às 05h) – este é
o espírito da lei; fora disso é artifício de cálculo do empregador.

Eu conheci o eminente mestre do Direito do Trabalho, Dr. Arnaldo


Sussekind, e foi ele quem me disse que a jornada deve ser reduzida,
limitada a sete horas, conforme também está escrito num de seus livros:
“que a hora noturna seja computada como de 52 minutos e 30 segundos
(art. 73, § 1º), com o que reduz a sete horas (art. 73, § 2º), o limite da
jornada normal do trabalho noturno, com remuneração correspondente a
oito horas”. Só faltou dizer que a regra era uma Regra de Três Simples,
como veremos adiante.

PRIMEIRA SITUAÇÃO – A Regra de Três explica: O eminente mestre, Dr.


Arnaldo Sussekind, membro permanente da OIT, era então Ministro do Trabalho
em 1943, no Governo Getúlio Vargas, quando trabalhou na redação do art. 73 da
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CLT. Pelos seus dizeres acima, eu descobri que “hora de 52min 30seg” era
resultante de uma regra de três simples e assim a conta fecha com exatidão, como
podemos ver adiante.

A Regra de Três Simples principal assim se explica:


– De 22h às 05h temos 420 minutos com remuneração normal de 8 horas.
– Pergunta-se: quantos “x” minutos para termos a remuneração de 1 hora?
– Resposta: x = (420 x 1) / 8 = 52min 30seg

A Regra de Três Simples também se aplica ao exemplo do horário misto:


– De 22:00h às 05:00h temos 420 minutos com remuneração de 8 horas.
– De 23:45h às 05:00h temos (315 minutos) com remuneração de “x” horas?
– Resposta: x = (315 x 8) / 420 = 6 (seis) horas de remuneração.

Assim, no exemplo de HORÁRIO MISTO acima, computamos a remuneração de 6


horas no período de 23:45h às 05:00h; e para completarmos a remuneração
normal das 8 horas temos o período de 05:00h às 07:00h que terá a remuneração
de mais 2 horas.

Este é um exemplo correto de cálculo de um horário misto (23:45h às


07:00h), porque segue a metodologia. Tal horário de trabalho perfaz o
total de 07:15h minutos em toda a sua extensão contados da hora de
entrada (23:45h) até a hora de saída (07:00h), com remuneração normal
de 8 (oito) horas.

E esta seria a forma correta de cálculo, num exemplo de horário misto.


Entretanto, se o empregador não quer ou não pode limitar a jornada
noturna, conforme previsto na lei (22h às 05h), deve compor seu horário
misto, com intervalo legal, desde que haja a “remuneração” inteira da
hora noturna, que deve ser – contínua de 22h às 05h – complementada
das horas extras excedentes.

SEGUNDA SITUAÇÃO - COEFICIENTE: Também podemos calcular a


“remuneração” no período noturno, pelo coeficiente encontrado naquela mesma
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regra de três simples. Podemos encontrar exatamente o mesmo resultado acima,


através do coeficiente que indica que 60 minutos de duração à noite (22h/05h) vale
um pouco mais, ou seja, cada hora (22h/05h) vale 1,1428571429... em relação à
hora normal, para os efeitos de remuneração.
APURAÇÃO DO COEFICIENTE PELA MESMA REGRA DE TRÊS SIMPLES
DURAÇÃO REMUNERAÇÃO RESULTADO
52,5 min 1 x = (60x 1) / 52,5 =1,1428571429 =
Coeficiente
60 min x
Conclusão: 1 hora à noite (22h às 05h) vale um pouco mais 1,1428571429 horas.
Em resumo, 7 horas noturnas (x) 1,1428571429 valem 8 horas de remuneração.

QUARTA SITUAÇÃO – HORÁRIO MISTO FIXADO PELO EMPREGADOR: em


1975, aconteceu que a minha jornada era de oito horas, fixada pela Empresa,
desmembrada em horas de 60min e horas de 52,5 minutos, ou seja, algo do tipo
de uma soma de unidades heterogêneas (horas de 60min + horas de 52,5min.)
Muito tempo depois, demonstrei, conforme adiante, que a premissa da empresa
era falsa, mas o lado mais forte impõe suas posições e fica por isso mesmo.

Conforme demonstrado, não podemos computar “duração” da hora noturna,


porque temos que seguir o critério da “remuneração” no período noturno, de forma
contínua, seja ele qual for, no todo ou em parte. Acontece que o empregador pode
usar de um artifício de cálculo de horário e isso aconteceu comigo, onde a
Empresa fixou um horário misto.

Computavam no período noturno” de 22:00h às 05:00h não mais a remuneração,


mas a “duração” da hora a cada 52,5 minutos com a inserção de um intervalo de
1h 45min para esticar o horário até às 7 horas da manhã, com o que deixavam de
pagar corretamente a remuneração. Havia aquele suposto intervalo para repouso
ou alimentação, na madrugada, com a cidade dormindo e tudo fechado.

Os gerentes da empresa usavam dessa sutileza; faziam a soma de quantidades


heterogêneas (hora + hora noturna) e assim esticavam o nosso horário de trabalho
noturno, inserindo um suposto intervalo de 1h 45min, durante a madrugada. Tal
“intervalo” tinha que ser gozado (muito gozado mesmo), dentro do próprio CPD,
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onde não havia, no andar, nenhuma outra sala aberta, separada para repouso ou
alimentação; todas as demais salas do andar eram trancadas com chave à noite.

Dentre outras máquinas, havia duas impressoras IBM 3211 de impacto e uma
gigante à Laser. Mas, o que merece destaque, além das leitoras de cartões, eram
as 3 impressoras de impacto IBM 1403, nas quais, junto às mesmas, foram
registradas três fontes de ruído de 96 decibéis em cada uma, conforme o relatório
de caráter “Confidencial” do tempo da Ditadura Militar, ou seja, o ruído era muito
maior. Eram máquinas enormes, a CPU era um armário de aço de 2m de altura
por meio metro de largura, afora isso havia leitora de cartões, discos panelas
girando, com barulho ensurdecedor de máquinas pesadas do tamanho de uma
geladeira.

O ar condicionado ficava em torno de 15 a 17 graus centígrados, havia no piso um


fundo falso, com ventilação de baixo para cima e de cima para baixo. Em resumo,
era como gozar aquele suposto intervalo, dentro de uma casa de máquinas de um
navio da segunda guerra mundial, conforme ironizava um dos nossos colegas de
trabalho.

Labutei naquele ambiente comprovadamente insalubre, conforme consta no meu


Recurso ao CRPS – Brasília, contra o INSS, pelo qual ganhei aposentadoria
especial com 37 anos de serviço, mas, por causa do INSS, fui prejudicado;
poderia ter aposentado com 30 anos de serviço, por conta do “Ruído de
Impressoras de Impacto”, matéria também publicada na Revista CIPA
(Caderno Informativo de Prevenção de Acidentes), ANO XVI-190-1995 – São
Paulo – SP.

Voltando ao trabalho noturno, em torno do ano de 1980, eu procurei o Dr. Arnaldo


Sussekind, membro permanente da OIT, ele que fora Ministro do Trabalho de
Getúlio Vargas. Eu sabia que foi ele quem escreveu o artigo 73 da CLT sobre o
Trabalho Noturno. Também procurei o Dr. Délio Maranhão, professor da FGV e
Ministro aposentado do TST, ambos autores de livros do Direito do Trabalho.

A minha ideia era de contratá-los, em conjunto, naturalmente sob a égide do


Sindicato, para não haver o risco de represálias. Eles fariam o parecer, o
conteúdo, para embasar a petição inicial ao TRT, dariam o suporte necessário
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para a proposição e andamento da ação judicial, em nome do grupo de


operadores, tudo através do Sindicato, cobrando as diferenças do período de 1975
a 1980 e a consequente redução na jornada, pelo suporte e conhecimento técnico
dos dois mestres do Direito do Trabalho.

Mas, os meus colegas do período noturno, simplesmente rejeitaram a ideia. Não


me deram nenhum apoio, com exceção de um dos operadores, através do qual,
consegui uma certa vitória (sem pagamento retroativo), pela redução de alguns
poucos minutos naquele horário misto (22h às 07h), depois de muita insistência,
através do próprio Sindicato, que redigiu carta à Empresa, por nós escrita.

A “FÓRMULA” DO CÁLCULO DO HORÁRIO MISTO ADOTADA PELOS


GERENTES DA EMPRESA DE 1975 a 1988 ERA DE UMA SUTILEZA
IMPRESSIONANTE.

De 22:00h até 01:30h = 210min (210 / 52,5) = 4 (QUATRO) "horas noturnas"

De 01:30h até 03:15h = intervalo legal de 01h 45min (art. 71 da CLT)

De 03:15h até 05:00h = 105min (105 / 52,5) = 2 (DUAS) "horas noturnas"

De 05:00h até 07:00h = 2 (DUAS) horas diurnas

Escritos pelo mesmo autor:


TRABALHO NOTURNO DIMINUI A EXPECTATIVA DE VIDA DO
TRABALHADOR
Fonte: Revista CIPA –- Caderno Informativo de Prevenção de Acidentes, ANO
XII-143-1991 – São Paulo – SP. Autor: Jorge Tavares Soares

RUÍDO DE IMPRESSORAS DE IMPACTO


Fonte: Revista CIPA - Caderno Informativo de Prevenção de Acidentes – ANO
XVI-190-1995 – São Paulo – SP. Autor: Jorge Tavares Soares

Ambos, também na internet em SCRIBD - com os mesmos títulos.