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Os Ibeji retratados na cultura Yorubá faz alusão a dois irmãos:

Taiwó 🡪 Aquele que veio ao mundo primeiro para saber como


era e contar tudo ao segundo.
Kehinde 🡪 Aquele que chegou depois ao mundo, porém
considerado o mais velho.
Cada gêmeo é representado por uma Escultura talhada
detalhadamente com simbologias de Ibejí, todos os objetos de
Ibejí são consagrados ritualisticamente no intuito de reverencia-
los e atrair a ‘Benéfice’ aos seus cultuadores e entorno.
Os Ibeji são os gêmeos sagrados, a palavra Ibeji ou Erin Ibeji (as
estátuas reais) é composta por duas palavras, "Ibi" e "eji". "Ibi"
significa nascer e "eji" significa dois, ao lidar com a ciência
sagrada do Ibeji, equiparar-se à compreensão de gêmeos, os
gêmeos representam as polaridades complementares e opostas.

No sistema iorubá quando os gêmeos nascem, recebem os nomes


Kehinde e Taiwo. 

Taiwo é o nome do primeiro nascido e Kehinde é o


nascido, Kehinde significa o que vem depois, Taiwo significa
aquele que foi o primeiro a tocar a Terra. Taiwo é na verdade uma
versão abreviada de "aiye wo", a palavra "aiye" significa o mundo
ou os costumes especificamente a superfície terrestre.

 Então, "aiye wo" significa literalmente aquele que tem o primeiro


gosto do mundo, Kehinde envia Taiwo para o mundo para
garantir que tudo esteja bem antes que Kehinde venha, quando o
primeiro filho sai, chora, esse choro entrega uma mensagem
espiritual que retorna a Kehinde para informar as condições da
terra e como aclimatar-se à terra. 

Se o relatório voltar que não é bom aqui, então nenhum dos


gêmeos pode decidir não continuar em frente, ou Kehinde pode
não aparecer e haverá um nascimento imóvel, Kehinde é
considerado o mais velho dos dois, embora Taiwo chegue
primeiro, por quê? Porque Kehinde dá ordem a Taiwo. Kehinde
dá a Taiwo a ordem de sair. 

Então, Kehinde é uma autoridade sobre o primeiro bebê, Kehinde


também é conhecido como ‘Kehinde omo egbon’,essa frase
significa que a criança que veio por último se torna a pessoa mais
velha.

O wérè Ibeji são as estátuas que são feitas para eles, essas estátuas
representam as almas do Ibeji, eles representam o aspecto carnal
de uma pessoa e do espírito simultaneamente, cada gêmeo
mantém esse aspecto da alma.

Porque o Ibeji compartilha uma alma, uma metade divide a


personalidade ou espírito e a outra assume a mortalidade física do
outro, mas você não sabe qual tem qual, então, se alguma coisa
acontece com um dos gêmeos, uma estátua é construída e é
mantida e amada como uma criança física que estava lá
anteriormente. 

O equilíbrio deve ser mantido para a criança que ainda está


presente.
 

Mensalmente estas deidades são cultuadas juntamente e em


paralelo, também interligada a alguns cultos como os de : Xango,
Oxum, Logun Edé, Oyá, Abíkús.
No culto a Ibejí dedicamos alguns animais sagrados como:
1. Pèpéiyé
2. Etú
3. Kukúrú adié
4. Edun oròòkun (Kolobo Real -Micos)
Edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação
dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando
na floresta e resgatados por suas mães.

Para se cultuar Ibejí primeiramente trazemos os mesmos através


de ritos sagrados e consagratórios.
Já em posse dos ‘Wéré’ (Bonecos de madeira talhados) dê início
ao Rito de ‘Balué’ que consiste em:
Ao dirigir-se ao rio e ao rito entoe durante todo o tempo: “Apoló
nuxê nuxê, iyá omí odò eró mí”
A beira de um rio, acomodar os dois Ibejis em pé lado a lado,
acomodar em suas cabeças a metade superior de cabacinhas,
como se fossem chapéus.
Essa forma com a cabaça é feita devido os Ibejis serem abikús,
por isso nada será feito direto em suas cabeças, mas sim em cima
de metades de cabaças.
Dê início, quebre em suas testas na direção da cabacinha um ovo
de pata em cada, na sequencia passe, a metade da outra cabacinha
neles e deposite a frente de ambos, passe então um pedaço de
murim, passe em cada um 1 vela quebre e ponha cada em suas
respectivas cabacinhas, 1 quiabo, 1 moeda, 1 ekó, ensaboe-os com
bucha e sabão da costa, e tudo isso acima depois vai colocando ao
arredores da cabaça ou dentro se der.
Faça incisões de norteamento sobre as cabaças ( † ) no tôpo, na
nuca, lado direito, esquerdo e frente.
Passe canjica neles e deposite também nas cabacinhas.
Comece então o banho das aguas sagradas: Agbò, Agbejebó,
Wají, Ossun, Efun, Omitòrò, Omieró e Aluwá.
No banho sagrado acima entoe:
“Omí gèlè gèlè omí l’ayó omi gèlè gèlè igbeji ntò”

Ao término do banho, enrole-os em um único pano branco


virgem, não deixe cair as cabaças, e os reporte para o quarto onde
serão consagrados e sacralizados.
Sobre uma ení nagô arrume muitas folhas de Sapotí, Pitanga,
Baunilha, Imburana, 1 folha de osibatá para cada um, e espalhe
muitos atíns das favas de imburana e baunilha, bejerekun e aridã.
Acomode os Ibejis em seu único vasilhame de Najé oval que
estará sobre a folha de osibatá, com 1 moeda em frente a cada 1,
se forem para Logun Edé a moeda será dourada, de Oyá de cobre,
de Xango de cobre, Oxum dourada.
1 par de apitos, 1 par de muringuinhas,1 par de colobôs para
depositar os okutazinhos miniatura que colheu no rio, 1 par de
ajês, 1 par de búzios, 1 par de ides na cor do santo, 2 favas de
aridã miniatura, 2 favas de alibés, muito bejerekun espalhado no
assentamento e um jogo de caxixis duplos (miniaturas em barro,
brinquedinhos, vasilhinhas, pratinhos, bules, canequinhas...
Todos os apetrechos acima foram lavados previamente para o
devido assentamento em seus najés.

Durante todo o procedimento de acomodar os apetrechos louve:


“Ibejí ró laò”
Uma vez tudo arrumado e acomodado, dê início a arrumação da
cabeça dos Igbjís para poder dar de comer...
Faça uma mistura de wají, fradinho cozido temperado com
camarão cebola e dendê bem amassados e molde sobre a cabaça
do ori de cada um, alafie os obis de cada, os orobos de cada, e
prossiga com os sacrifícios iniciais...
O primeiro bicho que Ibeji come é o patinho filhote, sendo um
macho e outro femea, em seguida, os pintinhos, as etúzinhas,
ajapazinhos, e quando se tem condições os miquinhos.
Os animais são individuais de cada um, embora comam dentro do
mesmo vasilhame, afinal são gêmeos...
Entoe e cantiga de dar de comer a Ibejí para o devido sacrifício e
a louvação do Ibejí deve soar como susto todo o tempo…
'O eyn k'oeyn k'oeyn ò'
Eles ficarão por 24hs neste ejé, temperados com epô, oyn,oti de
moscatel, açúcar mascavo, iyó, aluwá e omitorô.
1 comida seca para cada um que poderá ser amendoim descascado
refogado com fradinho cozido e camarão seco, cebola e dendê,
ekós de leite de coco doce, cubos de cana doce, polenta doce de
coco e erva doce, caruru de língua de vaca, quindins, suspiros,
balas de coco, frutas diversas.
Após 24hs lavar os Ibejís com omieró de língua de vaca, oripepe,
akoko, sapoti, gin, wají, após lavados perfume-os com alfazema,
pinte seus oris de wají pastoso, decore os com colares de coral e
segui, a femea com coral grosso e o macho com seguís azuis
grossos, brinco na femea, ides nos dois.
Orin Ibejí

1. Oníbejì bá òna re
Oníbejì ba lówó
Èjìré jo nìlé wa
Èjìré ayò gbé nilé 
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2. Épò nbè
Ewá nbè ò
Épò nbè
Ewá nbè ò
A iyámí ojá oyè
A iyá mí ojá latí ibejí
Épò nbè
Ewá nbè ò
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3. F’ará ibeji fá f’ara ibeji fa


Fa fa fa
F’ara ibejí fá!

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4. Ibejí k’ejí
Òmó Olá oní biyí
A kí l’òwó m’atí Ibejí
Oh Taiwò!
Oh Kehindè!
Ilè àsé olá mí
Osí òrún olá
Mi síní gbá olá
Mí òwó osi gbá mí
Gbogbo òrún onitíjú
Ibejí k’emí àsé òò!
5. Igbá alarè ò
Alarè mojubá
Mojubá mojubá
Bí omòdè igbá jubá
Igbá ásàn
Ibejí mojubarè
Igbá olá
Ibejí mojubarè

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6. Bejí Bejí’irè
Bejí Bejí’lá
Bejí Bejí’òwò
Ibá òmó irè!