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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL

DA 03ª VARA DO TRABALHO DE BELO HORIZONTE-MG.

PROCESSO Nº: 0010045-21.2018.5.03.0003


AUTOR: ALEXSANDER DAS DORES ANDRADE
RÉU: CONSTRUTORA BRASILEIRA DE ENGENHARIA LTDA

MM. JUIZ(A),
a Reclamada - CONSTRUTORA BRASILEIRA DE
ENGENHARIA LTDA, já qualificada, vem, por seus advogados, nos
autos do processo epigrafado apresentar sua DEFESA, contestando
in totum todos os pedidos vestibulares, pelas razões de fato e de
direito, para o que passa a expor e, a final, requerer:

I - DAS ALEGAÇÕES DO RECLAMANTE:

Alega o Reclamante, em síntese, que foi admitido pela


Reclamada em 02.03.2015, para laborar como ELETRICISTA LIDER I,
quando percebia a remuneração de R$2.099,72, laborando, de segunda
à sexta-feira, das 07:00 às 17:00 horas, com intervalo de 01:00 hora para
refeição e descanso. Demitido sem justa causa em 12.07.2017. Aduz
ainda que, sempre era acusado de furto, pelo seu Supervisor Márcio
José, perante “todos”, sob a alegação de que quando solicitava
materiais para uso próprio e não para o trabalho, o mesmo roubava, os
eletrodos revestido, disco de corte e disco de desbate, bem como, foi
acusado pelo Engenheiro Leonardo Neves, de que não tomava conta dos
veículos como deveria. Finaliza suas alegações, requerendo a
condenação da Reclamada à indenização pelos danos morais,
supostamente sofridos, no valor de R$15.000,00, bem como ao
pagamento de 10% dos honorários de sucumbência, atribuindo à causa o
importe de R$16.500,00.

No entanto, não podem prosperar as vazias e


infundadas alegações, eis que divorciadas das razões fáticas e
jurídicas, requerendo, desde já, sejam julgados improcedentes os
pedidos vestibulares, POR ABSOLUTA FALTA DE AMPARO
LEGAL. Senão vejamos:

II – DO PACTO LABORAL, JORNADA DE


TRABALHO E DISPENSA

O Reclamante foi admitido pela Reclamada em


02.03.2015, para laborar como Eletricista I, percebendo como última
remuneração a importância de R$2.099,72. Laborava de segunda à
quinta-feira, das 07:00 às 17:00 horas, com intervalo de 01:00 hora
para refeição e descanso, e às sextas-feiras, das 07:00 às 16:00
horas, também, com o intervalo de 01:00 hora, para refeição e
descanso. Demitido sem justa causa em de segunda à sexta-feira,
das 07:00 às 17:00 horas, com intervalo de 01:00 hora para refeição e
descanso, ocasião em que recebeu todas as parcelas a que faz jus.
Ao contrário, o reclamante sempre foi um excelente
colaborador não existindo nenhuma pecha sobre sua conduta técnica
ou de caráter.

A Reclamada nega de forma veemente qualquer fato


esposado na peça vestibular.

III – DA INÉPCIA DA INICIAL

O Reclamante não informou a data que teria ocorrido o


suposto malsinado evento, não informa na frente de quais pessoas teria
ocorrido a acusação de furto e nem mesmo informa a dinâmica do
suposto evento, NÃO POSSIBILITANDO O EXERCÍCIO DE DEFESA
PELA RECLAMADA.

Tanto é verdade que a Reclamada se limita a fazer a


negativa geral dos fatos, apenas por cautela, pois, repete-se, não tem
nenhum conhecimento por reclamação, em relação ao reclamante que
se enseja a condenação em danos morais.

Ademais, qualquer conduta antijurídica, pressuposto


básico para qualquer condenação em danos morais, é punida
severamente pela Reclamada, nos termos da legislação, independente
do cargo que ocupa seus colaboradores.

O ambiente de trabalho da Reclamada sempre foi


saudável, mesmo porque o trabalho é realizado em equipes de mais de
10 (dez) pessoas, sendo impossível realizá-lo sem existência da plena
harmonia.
Tem se, pois, que a inicial é totalmente inepta, requerendo,
desde já, seja julgado e extinto o processo, sem conhecimento do
mérito.

IV - DO ALEGADO DANO MORAL

Excelência, conforme será demonstrado no decorrer da


instrução processual, nenhuma razão assiste ao Reclamante. Vejamos:

A Reclamada nunca cometeu nenhuma conduta


antijurídica, capaz de ensejar a pretendida condenação. Pelo que, fica
expressamente, impugnado o pedido e a importância pretendida pelo
Reclamante, a título de danos morais.

Certamente o Reclamante busca o enriquecimento


sem causa, até mesmo porque o Reclamante exercia a função de
Ajudante de Eletricista I, trabalhando pouco mais de um ano na
empresa, sempre tratado, pelos seus colegas de trabalho e seus
superiores hierárquicos, com todo o respeito merecido, ao Autor e
a todos os empregados da empresa.

Excelência, não houve qualquer acusação quer seja de


furto, quer seja de desmazelo com os veículos, enfim, nunca houve
nenhuma acusação que caracterizasse conduta antijurídica, por parte da
Reclamada que se enseja a condenação em indenização por danos
morais.

Em casos como o alegado, a Reclamada teria demitido


o Autor, por justa causa, pois, não é crível manter um empregado
dentro de suas dependências, roubando a olho nu, sem tomar as
providências necessárias, que qualquer empregador deve e tem
que proceder. O PRÓPRIO RECLAMANTE CONFIRMA QUE MOTIVO
DO FIM DO PACTO LABORAL FOI IMOTIVADO.

Ademais, pretender a indenização por danos morais,


requer a prova dos fatos alegados, pois, pedir indenização e imaginar
valores exorbitantes, utilizando-se de verdadeiro ato de má-fé, como
forma de enriquecer-se ilicitamente pode até ser uma tarefa fácil, mas,
isto, quando cabalmente comprovado, o que não é o caso em tela.

São somente falácias. Não há datas das supostas


ocorrências em seu pleito, não há informação precisa de quais seriam
os supostos materiais solicitados à Reclamada, não se sabe se o Autor
foi supostamente, como alegado, acusado por furto ou roubo. O que se
pode verificar é uma necessidade profunda de iniciar o ano, com
dinheiro no bolso, buscando de forma absurda, prejudicar a
Reclamada, pois propôs a temerária aventura judicial, 06 meses
após seu acerto rescisório, diga-se, verbas pagas a tempo e a
modo, REQUERENDO, POIS, DESDE JÁ, SEJA JULGADO
IMPROCEDENTE OS PEDIDOS VESTIBULARES, BEM COMO
APLICADO AO RECLAMANTE AS MAIS SEVERAS PENAS DE
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ, CONDENANDO-O AO PAGAMENTO DE
CUSTAS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. É O QUE REQUER.

Desta forma, não existindo conduta antijurídica a ensejar o


pagamento de qualquer tipo de indenização, não há que se falar em
reparação, haja vista jamais ter existido os supostos danos morais ora
pleiteados.

Se não for este o entendimento de V. Exa., requer, por


cautela, seja o valor fixado em quantia módica, evitando-se, assim, o
enriquecimento sem causa.
V- CONCLUSÃO

Pelo exposto, passa a contestar especificamente, os


pedidos da peça vestibular, que certamente serão julgados
improcedentes, ISTO SE FOR ULTRAPASSADA A PRELIMINAR
ARGUÍDA. Senão vejamos:

A) Indenização por Danos Morais .....................R$ 15.000,00 – INDEVIDO


POR FALTA DE SUPORTE LEGAL, NÃO HOUVE QUALQUER
CONDUTA ANTIJURÍDICA, ENSEJADORA DA CONDENAÇÃO AOS
DANOS MORAIS; REQUER QUE NA INVIÁVEL HIPÓTESE DE NÃO
SER ESTE O ENTENDIMENTO DE V. EXA., O QUE NÃO CRÊ A
RECLAMADA, QUE O QUATUM DEBEATUR SEJA FIXADO,,
CONSIDERANDO O POUCO TEMPO DE TRABALHO E A
REMUNERAÇAÕ DO RECLAMANTE, EVITANDO-SE O
ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA.

B) Pagamento honorários sucumbenciais.....R$ 1.500,00 – NÃO TENDO


HAVIDO O DANO, NÃO HÁ SE FALAR EM HONORÁRIOS
SUCUMBENCIAIS, O ACESSÓRIO ACOMPANHA O PRINCIPAL;
INDEVIDO, POR ABSOLUTA FALTA DE AMPARO LEGAL;

Requer provar o alegado por todos os meios de prova


em direito admitidas, especialmente o depoimento pessoal do
Reclamante, sob pena de confesso.

Nestes termos,
pede e espera
deferimento.

Belo Horizonte, 20 de fevereiro de 2018.

Vander Martins de Carvalho – Adv.


OAB/MG nº 50.510

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