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Uma coisa é certa: a matéria de Política Internacional é a mais dinâmica do CACD.

Se você deixar de
acompanhar as notícias por alguns meses, sua nota na Primeira Fase será comprometida em algum grau.

Muitos candidatos deixam de pontuar bem na prova de Política Internacional porque têm obsessão pelos
poucos itens esdrúxulos que a banca insiste em colocar na prova todos os anos.

Deixe-me explicar melhor.

A prova de Política Internacional é composta de 3 partes fundamentais:

1) Política Externa Brasileira a partir de 1945:


 Aqui vemos as políticas engendradas logo após a fundação da Organização das Nações Unidas
(1945);
 PEI (Política Externa Independente);
 Política externa dos governos militares;
 Política externa pós-redemocratização.

2) Atualidades sobre o Brasil em relação ao resto do mundo:


 Conferências internacionais;
 Posição brasileira nas organizações internacionais;
 Tratados bilaterais e multilaterais;
 Comércio bilateral e multilateral.

3) Atualidades relativas a outros países:


 Tratados dos quais o Brasil não faz parte;
 Relação entre Estados, mesmo fora da esfera de influência brasileira;
 Questões aleatórias.

Todos os anos há longas discussões na internet acerca de um ou dois itens que foram pontos fora da
curva.

Candidatos se martirizam porque erraram itens sobre algum acordo obscuro firmado ou alguma
conferência de menor relevância. Normalmente são eventos que nem mesmo contavam com a presença
do Brasil.

Você precisa lembrar que:  há determinadas questões da prova que foram feitas para não serem
respondidas. Falarei sobre isso mais tarde em um artigo sobre estratégias para passar nas provas do Cespe.

Você somente deve se preocupar com aquilo que pode controlar! O fato de a banca decidir cobrar itens
virtualmente impossíveis não afeta sua nota objetivamente, pois os itens também são difíceis para os
demais candidatos.
Com isso em mente, fica a pergunta:
Quais são os itens sob o meu controle no dia da prova?
Praticamente 90% da prova de Política Internacional está absolutamente sob seu controle.

Essa parte significativa das questões está dividida em dois tipos:

1) Atualidades que aparecem na mídia nacional, internacional e no site do


Ministério das Relações Exteriores:
Para conseguir esses pontos basta que você leia o noticiário todos os dias. O ideal é usar um serviço que
selecione as notícias mais importantes diariamente, você pode acessar a Plataforma de Estudo de
Atualidades aqui do site.

 
A banca tende a cobrar atualidades dos 12 meses anteriores à prova.

2) Questões relativas à bibliografia fixa do CACD:


Basta ler a bibliografia recomendada, que, apesar de não ser das mais curtas, está longe de competir com
a gigantesca bibliografia de História do Brasil.

Vamos aos livros obrigatórios:

POLÍTICA INTERNACIONAL

Livro Autor O que ler Observações


Esse livro é tão importante que está presente tanto na bibliografia de História do Brasil
quanto nesta de Política Internacional.
O fato de a obra ser mencionada duas vezes é proposital. Nenhum candidato sério
realiza as provas do CACD sem ler História das Relações Internacionais do Brasil
menos de duas vezes.
A relevância das informações ali contidas transcende o simples mecanismo de certo e
errado da prova objetiva. Esse livro te proporciona uma visão panorâmica daquilo que
História das Relações Internacionais
1 Doratioto e Vidigal Tudo um dos historiadores mais relevantes para a sua prova, Francisco Doratioto, pensa.
do Brasil
Trata-se de uma aula sobre o posicionamento que você deve adotar tanto na Primeira
quanto na Terceira Fase do certame.
O livro, apesar de bastante curto, está repleto de dados que são cobrados ano após ano
no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática.
Não cometa o erro de ler tudo subitamente como se fosse uma obrigação. Leia-o
algumas vezes, pacientemente, e mantenha-o por perto para consulta durante toda a sua
preparação.
2 História da Política Exterior do Cervo e Bueno Tudo Mais um livro que também consta na bibliografia de História do Brasil.
Brasil (5. ed.) Essa já foi a obra mais relevante de Política Externa Brasileira, mas com o tempo e a
natural evolução do entendimento da banca, passou a ser parcialmente substituída pelo
História das Relações Internacionais do Brasil, de autoria do professor Doratioto.
Apesar de sua importância ter diminuído relativamente, o livro ainda contém dados
cruciais para que o candidato compreenda em detalhes o envolvimento do Brasil em
uma miríade de eventos da política internacional.
A leitura é densa, por vezes cansativa, mas importantíssima para que você tenha a
certeza de que não deixou nenhuma informação fundamental para trás.
Embora seja fundamental que você leia o livro por completo pelo menos uma vez, ele é
mais útil como material de consulta.
O livro debate o primeiro item do edital da disciplina de Política Internacional. Eu só o
recomendaria para aqueles que não são formados em Relações Internacionais, pois o
conteúdo é bastante superficial.
As provas mais antigas eram facilmente respondidas com uma breve leitura dessa obra,
mas o nível de dificuldade do CACD segue uma constante escalada. Embora ainda seja
possível alcançar um ótimo resultado com esse material, recomendo que você faça
Teoria das Relações Internacionais, Pontes Nogueira e muitos exercícios uma vez que a banca é bastante criativa ao frasear os itens.
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Correntes e Debates Messari Para aqueles que nunca assistiram a uma aula sequer de relações internacionais, as
teorias podem soar extremamente parecidas, por isso é tão importante resolver questões
de anos anteriores.
É válido mencionar que, para o candidato esforçado, esses são os pontos mais fáceis da
prova de Política Internacional. Aqui você tem controle total da situação, basta estudar,
pois os elaboradores dos itens não têm tanto espaço de manobra quanto nas questões
sobre atualidades.
Ótimo livro para revisar o conteúdo visto até aqui.
A obra tem apenas 100 páginas e pode ser lida rapidamente. Os capítulos são fluidos e
ao final de cada um deles há uma tabela cronológica que facilita bastante a organização
mental dos eventos mais importantes da política externa brasileira adotada em cada
Relações Internacionais do Brasil Paulo Fagundes período.
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(De Vargas a Lula) (3. ed. ver. ampl.) Vizentini Como o título descreve, está em análise o período de Vargas a Lula, mas todos sabem
que a banca evita ao máximo discutir assuntos da política interna contemporânea.
Portanto, o CACD não costuma avançar muito além de Collor.
Isso não quer dizer que você não precise ler o livro até o final. Não há quaisquer
restrições dos avaliadores em relação à política externa brasileira de qualquer período.
5 Relações Internacionais do Brasil Altemani e Lessa Somente depois de anos de estudo descobri que essa era uma das leituras consideradas
(Temas e Agendas – Volume 1) (org.) obrigatórias para o CACD. Ao reavaliar minhas provas antigas percebi que errei
inúmeros itens simplesmente por não ter lido esse livro.
Essa não é minha leitura favorita (o livro está repleto de dados: datas, tratados,
protocolos…), mas preciso admitir que quase tudo ali é importante para que você se
torne um candidato forte.
Um dos erros que cometi foi não ter dado a devida atenção a esse livro mesmo depois
de tomar conhecimento do quão relevante ele é para o CACD. Todo mundo passa por
isso: há muita coisa para ler e às vezes somos forçados a postergar algumas leituras. Eu
adiei essa e me arrependi.
Não cometa o mesmo erro, leia esse livro assim que puder, pois ele aparecerá, de uma
forma ou de outra, na sua prova.
Como se já não bastasse um livro com muitas informações para memorizar, você
também precisa ler o volume 2 também.
Os dois volumes somam 850 páginas de uma leitura relativamente difícil, uma vez que
não se pode simplesmente passar por cima dos dados ali apresentados. É preciso
Relações Internacionais do Brasil Altemani e Lessa processar todas aquelas informações lentamente.
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(Temas e Agendas – Volume 2) (org.) Por esse motivo deixo a dica:
Comece a ler esses livros o quanto antes! Consumir e, principalmente, sedimentar os
dados de obras tão longas exige tempo. Recomendo que você faça essas leituras
intercaladamente com outros textos menos complexos. Comece hoje e avance aos
poucos, sem forçar demais.
7 A Projeção Internacional do Brasil Paulo Vizentini Mais um livro curto que funciona como revisão.
(1930-2012)
Quando estamos perto do final da maratona de estudos, os textos parecem ficar cada
vez mais cansativos, afinal não há nada de novo. Lemos apenas descrições dos mesmos
eventos, mas com palavras diferentes.

Embora pareça contraproducente investir tempo em leituras de revisão, acredito que o


benefício é bem maior que o custo.

Como você já percebeu pelas bibliografias das outras disciplinas, os conteúdos têm
proporções titânicas, portanto é preciso ter o máximo de contato possível com os
eventos mencionados nos livros. Seu aproveitamento sempre é maior quando seu
campo de referência é expandido.

Por exemplo: o candidato que leu sobre a Política Externa Independente em dois livros
diferentes, contanto que esses livros sejam compatíveis com o CACD, certamente tem
vantagem sobre aquele que viu o assunto em apenas uma obra, mesmo que este tenha
lido a mesma obra diversas vezes.

Resumindo: leia o mesmo assunto em fontes diferentes, isso vai auxiliar


consideravelmente na absorção da matéria.

Essa é a parte mutável da prova. Os assuntos aqui discutidos se transformam, literalmente, em questão de
dias. Por isso é tão importante que você se mantenha atualizado em relação aos principais eventos que
acontecem ao redor do mundo. Para ser mais específico, vou listar os itens aos quais você deve prestar
mais atenção:
 Noticiário diário;
 Conflitos armados;
 Conferências;
 Viagens de representantes do governo brasileiro ao exterior, principalmente do Presidente da República e do
Ministro das Relações Exteriores;
 Acordos entre o Brasil e outras nações;
 Acordos acerca de assuntos fundamentais, como o Meio Ambiente, mesmo que o Brasil não faça parte.

Acompanhar o noticiário diariamente pode parecer uma tarefa simples, mas não se engane. É facílimo
ignorar esse tipo de leitura por alguns dias e perder o controle sobre o que está acontecendo. As notícias
acumulam-se velozmente. Lembre-se de que:
apenas três dias de displicência do candidato resultam em algumas dezenas de artigos a serem lidos.
Por isso eu recomendo a Plataforma de Estudo de Atualidades. Ali as notícias são organizadas em
categorias e você não precisa ler uma palavra sequer além daquilo que é absolutamente necessário. Para
facilitar ainda mais sua vida, também é possível acessar as notícias em forma de resumo, assim você pode
tirar o atraso da matéria em apenas alguns minutos.

Caso decida ler as notícias sem o auxílio de uma plataforma específica, fique bastante atento para não se
perder em textos irrelevantes. Mesmo que você tenha agudo interesse por tudo o que acontece no
Camboja, por exemplo, saiba que isso, provavelmente, não estará na sua prova.

Além disso, muito cuidado para não ler textos que nada tem a ver com o CACD! Eu me lembro vividamente
de entrar no site da The Economist todos os dias e passar horas lendo sobre as novas maravilhas da
tecnologia em vez de dedicar-me aos textos relacionados à América Latina, por exemplo.
Buenos Aires, Argentina

Dentre as fontes mais úteis para a prova de Política Internacional e para as disciplinas de idiomas estão:

 Folha de São Paulo;


 Estadão;
 The Economist;
 Foreign Affairs;
 Le Monde;
 Clarín.
Outro aspecto de suma importância é o acompanhamento da página do Ministério das Relações
Exteriores, particularmente das notas à imprensa. Na realidade, as informações estão espalhadas por todo
o site. Ler as páginas mais relevantes com a frequência necessária é uma tarefa frustrante. Esse é mais um
motivo para que você se registre na Plataforma de Estudo de Atualidades, pois ela contém uma área
específica para os candidatos do CACD na qual tudo é organizado da maneira mais lógica possível.
Se você quiser saber mais sobre como estudar atualidades, leia esse post.

Conclusão:

Como você percebeu, há diversas maneiras de se perder durante o estudo da disciplina de Política
Internacional, mas se você seguir as dicas desse guia, estará em condição notavelmente mais favorável que
a de seus concorrentes.

Lembre-se de ler apenas o necessário e de manter a regularidade no acompanhamento dos principais


noticiários. Você vai perceber que, quando o esforço é empregado ao longo do ano inteiro, de maneira
contínua, atingir uma nota alta na prova é algo perfeitamente factível.

Caso você tenha alguma dúvida ou sugestão, deixe um comentário aqui embaixo.

Bons estudos!
BLOG O BARÃO

Professor Paulo Velasco

Em Política Internacional, diferentemente de outras disciplinas para o CACD, não existe um manual de referência. Isso em função,
sobretudo, do perfil da prova, que foca muito em temas contemporâneos da realidade internacional e deixa obsoleto, em pouco tempo, qualquer
livro candidato a manual. Apesar dessa característica singular, é possível apontar dois livros fundamentais na preparação para a prova de Política
Internacional: o super conhecido História da política exterior do Brasil, de Amado Cervo e Clodoaldo Bueno, e Relações Internacionais do
Brasil: temas e agendas, de Antonio Carlos Lessa e Henrique Alternai de Oliveira.

O primeiro dá uma base importante no conhecimento da evolução histórica e conceitual da política externa brasileira e o segundo
(dividido em dois volumes) traz análises fundamentais das relações bilaterais do país e da sua atuação em distintos espaços e agendas
multilaterais, embora já esteja defasado por não sofrer nenhuma revisão ou atualização há muitos anos. Para compensar essa rápida obsolescência
dos livros de Política Internacional, recomenda-se fortemente a leitura de periódicos especializados, sobretudo aqueles que contam com a
contribuição de diplomatas brasileiros e permitem um acompanhamento dos permanentes ajustes e novidades ocorridos na esfera internacional e
na atuação diplomática do Brasil, com destaque para a Cadernos de Política Exterior, publicação do Instituto de Pesquisa de Relações
Internacionais da Fundação Alexandre de Gusmão (IPRI – FUNAG).