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Português é a disciplina mais importante do CACD.

Ao longo da história do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, português sempre foi a matéria
mais cobrada. Dentre os argumentos que comprovam esse maior peso estão:

 Historicamente a prova de língua portuguesa contém mais itens que as demais na Primeira Fase, embora isso
tenha mudado em 2017;
 Essa é a única matéria com uma fase inteira do concurso dedicada a ela, a Segunda Fase;
 Na Terceira Fase, com exceção das questões de língua inglesa, todas as outras devem ser respondidas por meio
de redações em português.

Deixe-me expandir cada um desses itens:

A prova de português sempre teve mais itens que as demais disciplinas:


Desde que o CACD se tornou esse ultracompetitivo certame, o CESPE não escondeu o objetivo de
selecionar os candidatos mais competentes em Gramática e Interpretação de Textos em língua
portuguesa. Como você pode ver nessa tabela abaixo, retirada do edital do CACD de 2016, a disciplina
conta com 14 questões que englobam 4 itens cada. Isso significa que o candidato deveria responder a 56
assertivas.
Tabela de questões do CACD

Aqueles que já prestaram o CACD ao menos uma vez sabem que os textos da prova são impossivelmente
longos além de serem compostos em linguagem diferente daquela com a qual estamos acostumados. Os
textos são, majoritariamente, literários e fogem bastante daquilo que os demais concursos tendem a
cobrar.

No CACD não há espaço para simples textos jornalísticos. A banca parte do princípio que todos ali são
capazes de interpretar esses textos sem qualquer dificuldade. Por essa razão, o CESPE eleva o nível dos
excertos e separa leitores habituais daqueles que realmente conhecem o idioma pátrio.

Qual é o problema desse estilo de prova?


O tempo.

Basta perguntar para qualquer pessoa que estude para o CACD e você escutará a mesma afirmativa: “Não
há tempo o suficiente para responder as questões de português da Primeira Fase”.

Essa reclamação tem assombrado o CESPE há anos. Todos achavam injusto o fato de terem de ler a prova
desesperadamente sem nem mesmo ter a oportunidade de demonstrar o conhecimento que adquiriram
ao longo de um ano inteiro de estudos.

Em uma rara demonstração de bom senso, o CESPE mudou sua política, ouviu os candidatos e decidiu
alterar consideravelmente a estrutura do certame.

Assim, no ano de 2017, os candidatos ao CACD tiveram a surpresa de receber uma prova muito mais
equilibrada, na qual era finalmente possível ler os textos sem pressa. Abaixo está a nova tabela de
distribuição de questões:
Nova tebela de questões do CACD

Não se engane com a diminuição na quantidade de questões. Essa foi uma mera correção de rumos da
banca. Os itens continuam difíceis, principalmente os de interpretação de texto, e os candidatos que não
se dedicarem muito à leitura enfrentarão sérias dificuldades no dia da prova.
Língua portuguesa é a única disciplina com uma fase inteira do
concurso dedicada inteiramente a ela:
Ora, isso é mais que suficiente para comprovar que português é, de fato, a matéria mais importante.

Durante a Segunda Fase a banca separa os candidatos competentes, que têm nível de conhecimento
notável acerca de todas as disciplinas, daqueles que se preparam exclusivamente para o Concurso de
Admissão à Carreira Diplomática (CACD).

Suas habilidades dissertativas serão colocadas à prova durante essa parte do concurso. A banca tem
critérios extremamente peculiares e, caso você não tenha feito um curso especificamente para esse
certame, provavelmente sofrerá penalizações por termos, expressões e estruturas frasais que são
perfeitamente aceitáveis em concursos menos rígidos.

Você deve estar se perguntando:


O quê? Perderei pontos sem cometer erros de português?

De certa forma, sim. A banca é particularmente severa ao avaliar redações de Segunda Fase. O critério que
mais atrapalha e assusta os candidatos é a não aceitação de termos conotativos.

Por exemplo, a frase: “As mentiras do senador vieram à tona”.


Pronto. Aquele que escreveu essa oração seria penalizado, pois “vir à tona” é uma expressão conotativa.

Embora essas expressões sejam perfeitamente aceitas nas redações de Terceira Fase (que engloba as
demais matérias), os critérios de correção da Segunda Fase (língua portuguesa) são bastante diferentes.
Se você quiser saber mais sobre como se preparar para a Segunda Fase do CACD e sobre a prova de
maneira geral, visite este link: como começar a estudar para o CACD.

As questões de Terceira Fase, dissertativas, devem ser escritas em português:


É verdade que os corretores da Terceira Fase são bem mais permissivos em relação à gramática, afinal,
nessa etapa do certame, é o seu conhecimento acerca das demais matérias que será avaliado.

Apesar disso, as estruturas das suas orações e o vocabulário nelas utilizado devem refletir a habilidade de
alguém que está pronto para tornar-se diplomata.

Isso não é preciosismo, não é capricho da banca, pois quanto mais domínio da gramática você tiver e
quanto mais extenso for seu vocabulário, maior será a sua capacidade de expressão escrita.

Basta que você leia os Guias de Estudo dos candidatos aprovados em anos anteriores para perceber que,
literalmente, todos os aprovados são mestres na arte de escrever.

Para finalizar, eu preciso que você entenda a importância disciplina língua portuguesa, porque, para
aqueles que não têm notável habilidade na escrita, o CACD é inviável.

Vamos à bibliografia!

PORTUGUÊS
Livro Autor O que ler Observações
Esse é o principal material de consulta de língua portuguesa dos candidatos ao CACD.
Todos nós estudamos português na escola e somos expostos a uma gama de exercícios
gramaticais ao longo vida. Obviamente, cada candidato ao CACD tem seu próprio
nível de competência em língua portuguesa, mas é certo que nenhum deles precisa
estudar o idioma do zero, como estrangeiros fariam.
Sabendo disso, o mais provável é que você tenha, no máximo, lacunas no aprendizado.
Talvez alguma dificuldade em afirmar se determinado verbo é intransitivo. Alguma
Moderna Gramática Portuguesa incerteza acerca da classificação das orações subordinadas. Tudo isso pode ser
1 (nova edição revista e ampliada pelo Evanildo Bechara resolvido com esse livro.
autor) Assim como todas as gramáticas, esse não é o tipo de leitura que se faça integralmente.
A maneira correta de usar esse manual é responder a questões de provas anteriores e,
quando encontrar alguma dificuldade, recorrer ao capítulo específico sobre aquele
assunto e estudá-lo com vistas a compreendê-lo inteiramente.
Embora outras gramáticas possam ser utilizadas, sabemos que as provas do CESPE são
compatíveis com a obra de Evanildo Bechara. Além disso, todos os anos candidatos
obtêm bons resultados ao redigirem seus recursos utilizando esse livro como base
argumentativa. Você pode encontrá-lo aqui: Moderna Gramática Portuguesa
2 Português (CESPE) Questões Claudia Kozlowski O melhor livro de exercícios para o CESPE disponível no mercado.
Comentadas e Organizadas por
Assunto
Eu comprei, literalmente, todos os livros de questões de língua portuguesa com
gabarito comentado direcionados ao CESPE. Esse aqui supera os outros em
virtualmente todos os aspectos.

As vantagens desse livro em relação aos demais são:

Comentários claros e objetivos;


Escalada no nível de dificuldade dos itens;
Coerência.
Vou explicar cada um dos itens:

Comentários claros e objetivos:


Infelizmente, em alguns livros que contêm questões comentadas, os autores parecem
ter pressa em terminar a hercúlea tarefa de escrever algumas linhas sobre cada um dos
itens. Então, eles optam por fazer comentários genéricos que não ajudam realmente o
leitor.

Como essas questões estão inseridas em meio a outras centenas, os livros, mesmo com
qualidade duvidosa, acabam publicados e o consumidor é quem paga a conta.

Ao adquirir a obra de Claudia Kozlowski, você terá certeza que cada um dos
comentários será pertinente. Ao final de suas sessões de estudo, você terá aprendido
algo novo e se sentirá ainda mais confiante para encarar o CACD.
Escalada no nível de dificuldade dos itens:
A autora optou pela abordagem de itens de todos os níveis de dificuldade e ela deixa
isso bem claro nos comentários.
Honestamente, essa é a única obra que fornece ao candidato algumas das ferramentas
necessárias ao CACD. É certo que a resolução dessas questões está aquém daquilo que
você precisa para gabaritar o certame, mas em comparação aos demais produtos no
mercado de questões comentadas, esse aqui te leva mais longe.
A maioria dos outros livros contém questões muito parecidas. Trata-se do mesmo
material regurgitado por diferentes autores. Por essa razão não recomendo a compra de
outros livros de exercício mesmo depois que você já tenha terminado esse.
Coerência:
Esse aspecto é importantíssimo.
Você sabe o que é pior que um livro que não te ensina nada?
Um livro que te ensina tudo errado.
Saiba que há muitos deles por aí, particularmente esses baseados em questões
comentadas.
Devido ao fato de esses livros serem imensamente populares, aquelas pessoas que
sabem um pouquinho mais sobre a língua portuguesa sentem-se habilitadas para
desenvolver obras nesse formato.
A única dificuldade em relação a essa obra é que, em época de prova, ele desaparece
das prateleiras. Comprei o meu na Amazon. Vou colocar um link aqui, mas não sei se o
livro ainda está disponível: Português Cespe – Questões comentadas e organizadas por
assunto
3 Leituras Brasileiras Mariza Veloso e Você sabe o que é Condoreirismo?
Se você não tiver formação em língua portuguesa e for uma pessoa normal,
provavelmente não saiba. Por isso esse livro é tão importante.
Embora o CACD não contenha itens especificamente sobre literatura, é comum que as
escolas literárias sejam mencionadas e utilizadas como referência. É realmente possível
que você consiga interpretar os textos corretamente mesmo sem ter lido uma página
sequer sobre romantismo ou ter chegado ao final de alguma obra de Machado de Assis,
mas, conhecer esses assuntos, mesmo superficialmente, ajuda muito.
Sempre tive ótimo rendimento nas questões de língua portuguesa do CACD, mas
Angélica Madeira admito que saía da prova com certa insegurança acerca de itens que demandavam um
pouco mais de erudição.
Se você não tinha muita paciência para as aulas de literatura no ensino médio e não
conhece muito sobre os autores e movimentos nacionais, recomendo enfaticamente que
você leia esse livro.
Trata-se de uma leitura rápida e altamente informativa. Caso você queira aprofundar
ainda mais seus conhecimentos, há um ótimo professor que leciona essa matéria
esplendorosamente, ele se chama Ivo Yonamine. Você pode aprender um pouco mais
sobre ele nesse post aqui: como começar a estudar para o CACD.
Essa é a obra básica para a preparação de Segunda Fase. Ela contém todas as diretrizes
para a redação de textos que estejam em conformidade com os requisitos do CESPE.
O livro é enorme. São 500 páginas preenchidas com letras diminutas. Embora os
exemplos oferecidos pelo autor sejam bastante úteis, acho contraproducente ler tudo,
mesmo que você o faça superficialmente.
Assim como a gramática de autoria de Evanildo Bechara, esse é um material de
consulta. Não é razoável estudá-lo à exaustão analisando cada palavra.
4 Comunicação em Prosa Moderna Na maioria das disciplinas, a contratação de um professor acelera consideravelmente o
aprendizado do candidato, mas as coisas são um pouco diferentes quando falamos
sobre a Segunda Fase do CACD. Aqui, a presença do professor é mais que
recomendável, ela é obrigatória. Não é possível redigir redações que sigam exatamente
as regras da banca quando não se sabe que regras são essas.
Se você quiser ler mais acerca do mercado de ensino do CACD, neste link eu discuto
sobre os melhores cursos preparatórios e professores: como começar a estudar para o
CACD.
Conclusão:
As provas de português são complexas, os textos são extensos e repletos de palavras pouco usuais.
Diferentemente de disciplinas nas quais o conhecimento factual é suficiente, na Segunda Fase do CACD é
necessário o desenvolvimento de certa maturidade intelectual para que o candidato se sobressaia.

Quando estudar, lembre-se dessas dicas:

 Resolva o máximo possível de exercícios, lembrando-se sempre de priorizar aqueles


presentes em provas anteriores do CACD. Clique aqui para buscar exemplos;
 Acostume-se com textos literários, pois eles irão compor a maior parte da sua prova;
 Contrate um professor de redação que conheça a Segunda Fase do CACD
profundamente;
 Aprenda a escrever rápido e com letra legível. A Segunda Fase é virtualmente uma
corrida;
 Escreva todos os dias.
BLOG O BARÃO
Professora Isabel Vega

Olá, meninas e meninos!

Não consegui escolher um livro só e ficar em dois já foi difícil.


Indico o Vários escritos, do Antonio Candido, e Leituras brasileiras, de Mariza Veloso e Angélica Madeira. Os dois tratam de
Literatura brasileira, mas com enfoques diferenciados.
O primeiro prioriza autores, como Machado de Assis, Drummond e Guimarães Rosa, entre outros. Com o estilo claro e envolvente de
Candido, os ensaios são lidos de modo bem prazeroso, acrescentando muitas informações acerca dos estilos pessoais, de época e das obras.
O segundo traz, como eixo transversal, o tema da identidade brasileira, abordando as obras de pensadores que contribuíram muitíssimo
para essa discussão, como Mário de Andrade, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda.
As duas leituras são importantíssimas e interessantíssimas para o CACD.