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DIREITO INTERNACIONAL

Direito Internacional é a matéria mais fácil do CACD.

A frase acima não é uma opinião, é um fato.

Você pode até duvidar do que eu estou dizendo, pode tentar argumentar, mas neste post eu vou provar,
objetivamente, que Direito Internacional é, sim, a disciplina mais fácil.

Dentre os principais motivos da minha afirmação estão:

 A matéria é a mais curta entre todas as disciplinas;


 A bibliografia é amplamente conhecida;
 Os itens da prova são retirados de maneira literal das leis;
 A banca é absolutamente previsível;
 As questões dessa disciplina do CACD não são mais difíceis que aquelas encontradas em outras provas de
concursos menores.

Vou expandir esses tópicos e você vai entender o que eu quero dizer:

A matéria é a mais curta entre todas as disciplinas:


Qualquer candidato ao CACD sabe que cada disciplina vem acompanhada de bibliografias relativamente
grandes, algumas delas, gigantescas. Em História do Brasil, por exemplo, a leitura mínima recomendada é
composta de 13 livros. Veja a bibliografia de História do Brasil. No mesmo padrão há a bibliografia de
Política Internacional e a bibliografia de História Mundial.

O fato de as leituras de Direito Internacional serem bem mais curtas dá ensejo a comportamentos
diferentes a depender do candidato.
Aqueles que são proativos e realmente desejam vencer o CACD aproveitam a oportunidade para realizar as
leituras recomendadas múltiplas vezes, assim tornam-se especialistas naquela parte específica do Direito
Internacional e conseguem todos os pontos da prova.

Há também o candidato displicente que, ao ler que a prova de Direito Internacional é a mais fácil, vai
procrastinar até o último mês antes do certame e vai tentar ler todo o conteúdo em alguns dias. Esse
candidato não vai ser aprovado.

Atenção! Quando eu digo que a matéria de Direito Internacional é curta, estou comparando-a com as
demais disciplinas no CACD, não estou afirmando que você será aprovado depois de ler apenas 100
páginas de conteúdo. De qualquer modo, essa é a matéria que, ao ser bem estudada, permite ao
candidato dizer: “tenho certeza que farei boa prova”.
Você é um candidato proativo?
Apesar de não te conhecer, partirei do princípio que você se encaixa no grupo dos candidatos proativos,
que irão seguir as dicas desse guia e que representarão o Brasil pelo mundo na função de diplomata.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que as matérias de Direito têm uma peculiaridade: elas não
estão completamente contidas em livros. Embora seja importantíssimo ler as obras que explicam aspectos
doutrinários e sanam as dúvidas mais comuns, todo estudante de Direito sabe que a leitura da “letra fria”
da lei é insubstituível.

Preste muita atenção a isso, porque essa frase vai afetar diretamente o seu rendimento na prova:
É impossível acertar todos os itens da prova sem ler o texto original das leis.

Se você puder reter apenas uma frase de todo esse post, que seja a frase acima.

Eu digo isso com propriedade porque já deixei de ganhar muitos pontos por falta de disciplina nesse
aspecto. É verdade que ninguém gosta de ler leis. Não há narrativa, não há contexto, não há introdução,
não há meio e, pior ainda, parece não ter fim.
Seus avaliadores sabem disso!

Eles estão plenamente cientes que a maioria dos candidatos vai ignorar as frases inseridas naqueles
infindáveis textos de acordos e decretos e é justamente por isso que essas são fontes ideais para a
formulação de itens.

Há dois motivos principais para a utilização desse tipo de questão na prova:


1.Os candidatos não leem as leis;
2.A banca se protege contra eventuais recursos quando a questão é retirada ipsis litteris de algum texto oficial.

Talvez você não saiba disso, mas há enorme pressão sobre os membros da banca para que não cometam
erros. Imagine se um certame como o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) é elaborado
com erros em 15 itens. A credibilidade da banca seria afetada brutalmente.

Por essa razão, o elaborador dos itens sente-se muito mais seguro ao retirar frases inteiras das leis
mencionadas no edital. Então, quando os candidatos impetram recursos, a banca pode simplesmente
dizer: “o item está correto, pois a grafia é idêntica àquela contida na lei”.

A bibliografia é amplamente conhecida:

É verdade que vários livros podem ser utilizados como base para o estudo de Direito Internacional, mas o
CACD tem preferência por determinados autores e isso é observável em provas de anos anteriores.
Para a sua sorte, a bibliografia mais utilizada é curta, simples e agradável.

Recomendo que os candidatos evitem utilizar livros diferentes porque muitos conceitos de Direito
Internacional ainda não foram devidamente estabelecidos, portanto há uma miríade de divergências
doutrinárias.

A maneira mais segura de estudar a disciplina é focar nas leituras que estão de acordo com as inclinações
dos membros avaliadores da banca.

A banca é absolutamente previsível:


Todos os anos a prova de Política Internacional vem acompanhada de alguns itens esdrúxulos, daqueles
que devem ser deixados em branco. Eu discuto um pouco sobre isso nesse post sobre como começar a
estudar para o CACD. Mas isso não acontece na prova de Direito Internacional. Aqui nós sabemos
perfeitamente que haverá algumas afirmações básicas sobre os principais conceitos da disciplina seguidos
de uma série de recortes das leis indicadas no edital.

Você não vai encontrar questões eivadas de subjetividade, algo relativamente comum em outras matérias.
Por isso afirmo que a pontuação está completamente nas mãos do candidato. Para aqueles que fazem as
leituras rigorosamente, as questões de Direito Internacional funcionam como um momento de descanso
em meio ao estressante CACD.
As questões dessa disciplina do CACD não são mais difíceis que aquelas
encontradas em outras provas de concursos menores:
Poder utilizar questões de outras provas do Cespe como material de preparação é um privilégio.

Sabemos que nenhum outro concurso tem o mesmo nível de dificuldade do CACD em disciplinas como
História do Brasil, História Mundial, Política Internacional, Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Geografia.

Isso significa que os únicos itens que o candidato pode utilizar como base de estudo são aqueles contidos
em provas anteriores do CACD. Essa característica é particularmente negativa porque não há questões o
suficiente para que o candidato possa praticar o quanto deveria.

É possível exaurir os todos os itens de provas anteriores em alguns dias de estudo. Depois disso, o
candidato é forçado a estudar os mesmos itens novamente. Inicialmente não há problemas, mas depois da
quarta ou quinta revisão, as respostas são completamente memorizadas e os itens perdem grande parte
de sua utilidade.
A prova de Direito Internacional não tem essa limitação. Há, literalmente, mais de mil itens do Cespe
espalhados por diversas provas que têm o mesmo nível de dificuldade do CACD. Para aqueles que estão
dispostos a empregar o esforço necessário, as coletâneas de exercícios, que mencionarei na bibliografia,
são a garantia de notas altíssimas.

Vamos à bibliografia:

Livro Autor O que ler Observações


1 Direito Internacional Público – Curso Francisco Rezek Principal livro de Direito Internacional para o CACD.
Elementar (16. ed.) O autor é Francisco Rezek, Ministro das Relações Exteriores de 1990 a 1992 e juiz da
Corte Internacional de Justiça (CIJ) de 1997 a 2006. Normalmente evito mencionar
dados dos autores com vistas a economizar seu tempo, mas aqui vale a exceção.
Devido ao fato de que indicarei pouquíssimas obras, quero que você perceba os
motivos pelos quais a banca está inclinada a acompanhar os posicionamentos do
Rezek. Ele trabalhou em pelo menos dois dos cargos mais importantes que um
profissional do Direito poderia almejar.
Agora que você já sabe que pode confiar no conteúdo do professor Rezek, preciso fazer
uma ressalva. Há apenas um ponto no qual a opinião da banca diverge da dele. Anote
isso.
Literalmente, pegue um pedaço de papel e anote:
“Rezek defende que o indivíduo NÃO é sujeito de Direito Internacional. ”
A banca NÃO concorda com isso. Para o Cespe e, consequentemente, para o CACD, o
indivíduo é, SIM, sujeito de Direito Internacional.
Para os demais tópicos do edital, esse livro contém informações sólidas.
Ao terminar a obra por inteiro, você pode ter a sensação de não dominar
completamente o assunto. Talvez você tente resolver alguns itens das provas anteriores
e encontre dificuldades. Não se desespere. Isso é completamente normal.
Embora esse livro tenha a capacidade de prover uma base sólida para seus estudos, ele
está muito longe de exaurir o edital. Eu já mencionei isso várias vezes aqui. Você
precisa ler integralmente as leis se quiser alcançar bons resultados.
Não deixe seus estudos apara amanhã. Comece agora. Você encontra o livro do Rezek
aqui: Direito Internacional Público – Curso Elementar
A estratégia que eu recomendo é a seguinte, lei a obra do Rezek e estude as leis
individualmente ao longo de toda sua preparação. Caso surjam dúvidas muito
específicas, o livro de exercícios mencionado abaixo será capaz de saná-las.
2 1001 Questões Comentadas de Igor Rodrigues e Antes de tudo, preciso que você preste atenção a dois aspectos cruciais:
Direito Internacional Público Camila Vicenci
(CESPE) (3. ED.)
Você precisa comprar a versão da obra que contém questões do CESPE. Não cometa o
erro de estudar por meio de livros que englobem itens de outras bancas. O CACD é
dolorosamente específico e você deve desenvolver suas bases de acordo com o que
essa banca pensa. Resolver exercícios de outras organizadoras certamente impactará
seu aprendizado de maneira negativa. Muita atenção na hora de comprar o livro.
Esses livros de 1001 questões são atualizados com certa regularidade. Sempre compre
a versão mais recente, pois as respostas são confiáveis e refletem as naturais mudanças
interpretativas do CESPE ao longo dos anos. Às vezes há grande diferença de preço
entre uma edição e outra, mas lembre-se que agora não é hora de economizar. Versões
atualizadas valem cada centavo a mais.
Qual é o nível de dificuldade das questões?
Ao abrir o livro você perceberá que o nível de dificuldade é precisamente o mesmo
daquele do CACD. Essa é uma oportunidade incomparável para emular centenas de
provas do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática. Responda todas as questões
e faça marcações bem claras nos comentários para que você possa retornar para relê-los
dias mais tarde e, principalmente, na semana antes do certame.
Não faça essa leitura com pressa. Tome o tempo que for necessário para analisar cada
palavra de cada item como se você estivesse no dia da prova. Esse é o verdadeiro
segredo para melhorar seu rendimento.
Evite responder centenas de itens de uma vez sem consultar os comentários, inclusive
aqueles relacionados aos itens que você acertou! A maioria dos candidatos não, lê nem
mesmo superficialmente, os comentários acerca dos itens que acertaram.
Você sabe por que essa é uma estratégia tola?
Nós acertamos uma pletora de itens sem querer! E isso acaba reforçando conceitos
errados do nosso aprendizado, particularmente no CACD, no qual os itens são
compostos por muitas afirmativas.
Deixe-me prover um exemplo simplista, porém suficiente para explicar meu ponto de
vista. Supondo haja o seguinte item na prova:
“ O princípio pacta sunt servanda, segundo o qual o que foi pactuado deve ser
cumprido, externaliza um modelo de norma fundada no consentimento criativo, ou
seja, um conjunto de regras das quais a comunidade internacional não pode prescindir.

Algum candidato que não conheça o Direito pode achar que “pacta sunt servanda” não
significa “o que foi pactuado deve ser cumprido” e acabar marcando o item como
errado.
Logo em seguida o candidato olha o gabarito e percebe que o item está realmente
errado. Qual a lição que ele aprendeu? Ora, “pacta sunt servanda” realmente significa
outra coisa.
Esse candidato acabou de plantar uma informação errada na própria cabeça.
Se ele tivesse o cuidado de ler a resposta comentada, perceberia que o erro não está ali,
afinal, “pacta sunt servanda” realmente significa que “o que foi pactuado deve ser
cumprido”. O que está errado é confundir consentimento criativo com consentimento
perceptivo.
Lembre-se de ler cada um dos comentários de cada uma das questões. Você vai se
surpreender com a quantidade de inferências errôneas que fazemos quando aprendemos
um assunto novo como Direito Internacional.
3 Direito Internacional Público e Paulo Henrique Essa é a leitura mais completa da bibliografia, entretanto não recomento que você leia
Privado (10. ED.) Portela o livro por completo, pois ele é enorme e você não tem tempo para isso.

Feita essa ressalva, esse material é uma ótima referência para dúvidas mais específicas.
Por vezes somos capazes de resolver itens mesmo sem dominar os conceitos por
completo. Essa não é uma estratégia de estudo inteligente porque a banca costuma
explorar justamente essas fragilidades do aprendizado. Faça tudo aquilo que puder para
eliminar dúvidas, por menores que sejam, enquanto você tem tempo.

Defendo que o conhecimento parcial é mais perigoso no CACD do que o


desconhecimento absoluto. Quando encontramos um item sobre algo que nunca
ouvimos falar, tendemos a deixá-lo em branco, assim não perdemos pontos. Mas
quando temos conhecimento parcial, ficamos extremamente tentados a responder. É aí
que os erros tolos acontecem.
Deixe o livro do professor Portela sempre ao alcance e consulte-o com moderação.
Havia uma versão mais barata dele na Amazon, mas não sei se ainda está disponível,
confira: Direito Internacional Público e Privado
Essa obra, apesar de não ser essencial, acelera imensamente os estudos do candidato ao
CACD.
Em resumo, trata-se de uma coletânea de tratados internacionais que devem ser
estudados minuciosamente. Todos esses textos podem ser encontrados espalhados pela
internet, mas ao comprar o livro você terá acesso à matéria em ordem temática e
cronológica.
Ainda há dois livros disponíveis na Amazon: Coletânea de Direito Internacional , corre
lá que ainda dá tempo de comprar.
Um dos erros que cometi durante minha preparação foi procrastinar a leitura das leis.
Não basta apenas encontrá-las, mas é preciso imprimi-las e encaderná-las também. No
fim das contas, eu desenvolvi o péssimo hábito de ler tais textos apenas parcialmente.
Meu material tornou-se entrópico, perdi-me completamente e paguei o preço na hora
da prova.
Por isso recomendo que você faça esse pequeno investimento no livro. A leitura deve
ser gradual, pois é necessário consultar o material durante toda a preparação. Vale a
Coletânea de Direito Internacional pena gastar um pouco para ter essa comodidade.
4
(12. ed.) 10 Textos Obrigatórios de Direito Internacional:
Constituição Federal;
Estatuto do Estrangeiro;
Carta da ONU (1945);
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948);
Estatuto da Corte Internacional de Justiça;
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969);
Convenção de Viena Sobre os Direitos dos Tratados (1969);
Estatuto de Roma (1998);
Estatuto Internacional do Direito do Mar;
Declaração de Viena (1993).
Há muitos outros. Acima demonstro o quão trabalhoso é procurar tudo na internet,
organizar tantas páginas de maneira coesa, formatar os textos e imprimi-los. Não jogue
seu tempo fora, ele é o seu bem mais valioso.
Conclusão:

Direito Internacional compõe o rol das disciplinas que agregam menos pontos na Primeira Fase do CACD,
entretanto, esses pontos são necessários para que você consiga a tão sonhada aprovação. Atualmente,
devido à concorrência monumental, é virtualmente impossível passar pela primeira fase do certame sem
dominar alguma das matérias.

Não se deixe enganar pela quantidade diminuta de questões dessa disciplina, há uma fila enorme de
candidatos que não conseguiram ser aprovados por conta de 1, 2 ou 3 itens.

Pela última vez faço essa observação: Direito Internacional é o tipo de matéria na qual o investimento em horas
de estudo garante pontos. Não há subjetividade nos itens. Quem estuda com afinco consegue gabaritar a
prova sem maiores dificuldades.
Se você quiser saber mais sobre a prova do CACD ou sobre os principais professores do mercado, visite
este link: como começar a estudar para o CACD.