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ao fim do qual prestavam exame perante a fisicatura

LEGISLAÇÃO DO SUS e se aprovado, o candidato recebia a “carta de


EBSERH 2019/2020 habilitação”, e estava apto a instalar sua própria
Prof. Demétrio Dantas botica. (SALLES, 1971).

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ORGANIZAÇÃO DO Em 1808, Dom João VI fundou na Bahia o Colégio


SISTEMA DE SAÚDE NO BRASIL E A CONSTRUÇÃO Médico - Cirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade
DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS). de Salvador. No mês de novembro do mesmo ano foi
criada a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro, anexa ao
1500 ATÉ PRIMEIRO REINADO real Hospital Militar.

Um país colonizado, basicamente por degredados e INÍCIO DA REPÚBLICA 1889 ATÉ 1930 - QUADRO
aventureiros desde o descobrimento até a instalação POLÍTICO
do império, não dispunha de nenhum modelo de
atenção à saúde da população e nem mesmo o Com a Proclamação da República, estabeleceu-se
interesse, por parte do governo colonizador uma forma de organização Jurídica-Política típica do
(Portugal) , em criá-lo. Deste modo, a atenção à saúde estado capitalista. No entanto, essa nova forma de
limitava-se aos próprios recursos da terra (plantas, organização do aparelho estatal assegurou apenas as
ervas) e, àqueles que, por conhecimentos empíricos condições formais da representação burguesa
(curandeiros), desenvolviam as suas habilidades na clássica, especialmente a adoção do voto direto pelo
arte de curar. A vinda da família real ao Brasil criou a sufrágio universal. A tradição de controle político
necessidade da organização de uma estrutura pelos grandes proprietários (o coronelismo) impôs
sanitária mínima, capaz de dar suporte ao poder que ainda normas de exercício do poder que
se instalava na cidade do Rio de Janeiro. Até 1850 as representavam os interesses capitalistas
atividades de saúde pública estavam limitadas ao dominantemente agrários. Apenas a eleição do
seguinte: Presidente da República pelo voto direto, de quatro
em quatro ano, produziu lutas efetivas em que se
1 - Delegação das atribuições sanitárias as juntas condensavam os conflitos no interior do sistema. Os
municipais; 2 - Controle de navios e saúde dos portos; programas partidários nunca chegaram a se
configurar numa perspectiva de âmbito nacional. De
Verifica-se que o interesse primordial estava limitado fato, das dezenove organizações políticas que
ao estabelecimento de um controle sanitário mínimo atuaram até o movimento de 1930, nenhuma
da capital do império, tendência que se alongou por excedeu a disciplina imposta pela defesa de
quase um século. interesses regionais, embora pudessem compor,
eventualmente, alianças que dominaram as práticas
O tipo de organização política do império era de um políticas até aquela data.
regime de governo unitário e centralizador, e que era
incapaz de dar continuidade e eficiência na QUADRO SANITÁRIO
transmissão e execução a distância das
determinações emanadas dos comandos centrais. A Naturalmente, a falta de um modelo sanitário para o
carência de profissionais médicos no Brasil Colônia e país, deixavam as cidades brasileiras a mercê das
no Brasil Império era enorme, para se ter uma idéia, epidemias. No início desse século, a cidade do Rio de
no Rio de Janeiro, em 1789, só existiam quatro Janeiro apresentava um quadro sanitário caótico
médicos exercendo a profissão (SALLES, 1971). Em caracterizado pela presença de diversas doenças
outros estados brasileiros eram mesmo inexistentes. graves que acometiam à população, como a varíola, a
A inexistência de uma assistência médica estruturada, malária, a febre amarela, e posteriormente a peste, o
fez com que proliferassem pelo país os Boticários que acabou gerando sérias consequências tanto para
(farmacêuticos). Aos boticários cabiam a saúde coletiva quanto para outros setores como o do
manipulação das fórmulas prescritas pelos médicos, comércio exterior , visto que os navios estrangeiros
mas a verdade é que eles próprios tomavam a não mais queriam atracar no porto do Rio de Janeiro
iniciativa de indicá-los, fato comuníssimo até hoje. em função da situação sanitária existente na
Não dispondo de um aprendizado acadêmico, o cidade.Rodrigues Alves, então presidente do Brasil,
processo de habilitação na função consistia tão nomeou Oswaldo Cruz, como Diretor do
somente em acompanhar um serviço de uma botica Departamento Federal de Saúde Pública, que se
já estabelecida durante um certo período de tempo,

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propôs a erradicar a epidemia de febre-amarela na então ligado ao Ministério da Justiça e introduziu a
cidade do Rio de Janeiro. propaganda e a educação sanitária na técnica
rotineira de ação, inovando o modelo companhista de
Foi criado um verdadeiro exército de 1.500 pessoas Oswaldo Cruz que era puramente fiscal e policial
que passaram a exercer atividades de desinfecção no .Criaram-se orgãos especializados na luta contra a
combate ao mosquito, vetor da febre-amarela. A falta tuberculose, a lepra e as doenças venéreas. A
de esclarecimentos e as arbitrariedades cometidas assistência hospitalar, infantil e a higiene industrial se
pelos “guardas-sanitários”.causam revolta na destacaram como problemas individualizados.
população. Expandiram-se as atividades de saneamento para
outros estados, além do Rio de Janeiro e criou-se a
Este modelo de intervenção ficou conhecido como Escola de Enfermagem Anna Nery.
campanhista, e foi concebido dentro de uma visão
militar em que os fins justificam os meios, e no qual o Enquanto a sociedade brasileira esteve dominada por
uso da força e da autoridade eram considerados os uma economia agro-exportadora, acentada na
instrumentos preferenciais de ação. A população, monocultura cafeeira, o que se exigia do sistema de
com receio das medidas de desinfecção, trabalho saúde era, sobretudo, uma política de saneamento
realizado pelo serviço sanitário municipal, revolta-se destinado aos espaços de circulação das mercadorias
tanto que, certa vez, o próprio presidente Rodrigues exportáveis e a erradicação ou controle das doenças
Alves chama Oswaldo Cruz ao Palácio do Catete, que poderiam prejudicar a exportação. Por esta
pedindo-lhe para, apesar de acreditar no acerto da razão, desde o final do século passado até o início dos
estratégia do sanitarista, não continuar queimando anos 60, predominou o modelo do
os colchões e as roupas dos doentes. A onda de sanitarismocampanhista(MENDES, 1992).
insatisfação se agrava com outra medida de Oswaldo
Cruz, a Lei Federal nº 1261, de 31 de outubro de 1904, Gradativamente, com o controle das epidemias nas
que instituiu a vacinação anti-varíola obrigatória para grandes cidades brasileiras o modelo campanhista
todo o território nacional. Surge, então, um grande deslocou a sua ação para o campo e para o combate
movimento popular de revolta que ficou conhecido das denominadas endemias rurais, dado ser a
na história como a revolta da vacina. Apesar das agricultura a atividade hegemônica da economia da
arbitrariedades e dos abusos cometidos, o modelo época. Este modelo de atuação foi amplamente
campanhista obteve importantes vitórias no controle utilizado pela Sucamno combate a diversas endemias
das doenças epidêmicas, conseguindo inclusive (Chagas, Esquistossomose, e outras) , sendo esta
erradicar a febre amarela da cidade do Rio de Janeiro, posteriormente incorporada à Fundação Nacional de
o que fortaleceu o modelo proposto e o tornou Saúde.
hegemônico como proposta de intervenção na área
da saúde coletiva saúde durante décadas. O NASCIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

Neste período Oswaldo Cruz procurou organizar a No início do século a economia brasileira era
diretoria geral de saúde pública, criando uma seção basicamente agroexportadora, assentada na
demográfica, um laboratório bacteriológico, um monocultura do café. A acumulação capitalista
serviço de engenharia sanitária e de profilaxia da advinda do comércio exterior tornou possível o início
febre-amarela, a inspetoria de isolamento e do processo de industrialização no país, que se deu
desinfecção, e o instituto soroterápico federal, principalmente no eixo Rio-São Paulo. Tal processo
posteriormente transformado no Instituto Oswaldo foi acompanhado de uma urbanização crescente, e da
Cruz. utilização de imigrantes, especialmente europeus
(italianos, portugueses), como mão-de-obra nas
Na reforma promovida por Oswaldo Cruz foram indústrias, visto que os mesmos já possuíam grande
incorporados como elementos das ações de saúde: - experiência neste setor, que já era muito
o registro demográfico, possibilitando conhecer a desenvolvido na Europa .
composição e os fatos vitais de importância da
população; - a introdução do laboratório como Os operários na época não tinham quaisquer
auxiliar do diagnóstico etiológico; - a fabricação garantias trabalhistas, tais como: férias, jornada de
organizada de produtos profiláticos para uso em trabalho definida, pensão ou aposentadoria. Os
massa. imigrantes , especialmente os italianos( anarquistas),
Em 1920, Carlos Chagas, sucessor de Oswaldo Cruz, traziam consigo a história do movimento operário na
reestruturou o Departamento Nacional de Saúde, Europa e dos direitos trabalhistas que já tinham sido

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conquistados pelos trabalhadores europeus, e desta consumidores dos serviços das mesmas. (OLIVEIRA &
forma procuraram mobilizar e organizar a classe TEIXEIRA, 1989).
operária no Brasil na luta pela conquistas dos seus
direitos. Em função das péssimas condições de A esse respeito , dizem SILVA e MAHAR apud
trabalho existentes e da falta de garantias de direitos OLIVEIRA & TEIXEIRA (1989) : "A lei Eloy Chaves não
trabalhistas, o movimento operário organizou e previa o que se pode chamar, com propriedade
realizou duas greves gerais no país ,uma em 1917 e contribuição da união. Havia, isto sim, uma
outra em 1919. Através destes movimentos os participação no custeio, dos usuários das estradas de
operários começaram a conquistar alguns direitos ferro, provenientes de um aumento das tarifas,
sociais. decretado para cobrir as despesas das Caixas. A
extensão progressiva desse sistema, abrangendo
Assim que, em 24 de janeiro de 1923, foi aprovado cada vez maior número de usuários de serviços, com
pelo Congresso Nacional a Lei Eloi Chaves, marco a criação de novas Caixas e Institutos , veio afinal
inicial da previdência social no Brasil. Através desta fazer o ônus recair sobre o público em geral e assim,
lei foram instituídas as Caixas de Aposentadoria e a se constituir efetivamente em contribuição da
Pensão (CAPh’s). A propósito desta lei devem ser União. O mecanismo de contribuição tríplice ( em
feitas as seguintes considerações: partes iguais) refere-se à contribuição pelos
a lei deveria ser aplicada somente ao operariado empregados, empregadores e União foi
urbano. Para que fosse aprovado no Congresso obrigatoriamente instituído pela Constituição Federal
Nacional, dominado na sua maioria pela oligarquia de 1934 (alínea h, § 1o , art. 21)." No sistema das
rural foi imposta a condição de que este benefício não Caixas estabelecido pela lei Eloy Chaves, as próprias
seria estendido aos trabalhadores rurais. Fato que na empresas deveriam recolher mensalmente o
história da previdência do Brasil perdurou até a conjunto das contribuições das três fontes de receita,
década de 60, quando foi criado o FUNRURAL. e depositar diretamente na conta bancária da sua
CAP. (OLIVEIRA & TEIXEIRA, 1989). Além das
Outra particularidade refere-se ao fato de que as aposentadorias e pensões , os fundos proviam os
caixas deveriam ser organizadas por empresas e não serviços funerários, médicos, conforme explicitado
por categorias profissionais. A criação de uma CAP no artigo da Lei Eloy Chaves:
também não era automática, dependia do poder de 1 - socorros médicos em caso de doença em sua
mobilização e organização dos trabalhadores de pessoa ou pessoa de sua família , que habite sob o
determinada empresa para reivindicar a sua criação. mesmo teto e sob a mesma economia;
A primeira CAP criada foi a dos ferroviários, o que 2 - medicamentos obtidos por preço especial
pode ser explicado pela importância que este setor determinado pelo Conselho de Administração;
desempenhava na economia do país naquela época e 3 - aposentadoria ;
pela capacidade de mobilização que a categoria dos 4 – pensão para seus herdeiros em caso de morte
ferroviários possuía. Segundo POSSAS (1981) : E ainda, no artigo 27, obrigava as CAPs a arcar com a
“tratando-se de um sistema por empresa, restrito ao assistência aos acidentados no trabalho.
âmbito das grandes empresas privadas e públicas, as
CAP's possuíam administração própria para os seus A criação das CAP’s deve ser entendida, assim, no
fundos, formada por um conselho composto de contexto das reivindicações operárias no início do
representantes dos empregados e empregadores." A século, como resposta do empresariado e do estado
comissão que administrava a CAP era composta por a crescente importância da questão social.
três representantes da empresa , um dos quais
assumindo a presidência do comissão, e de dois Em 1930, o sistema já abrangia 47 caixas, com
representantes dos empregados, eleitos diretamente 142.464 segurados ativos, 8.006 aposentados, e
a cada três anos. O regime de representação direta 7.013 pensionistas.
das partes interessadas, com a participação de
representantes de empregados e empregadores, A CRISE DOS ANOS 30
permaneceu até a criação do INPS (1967), quando
foram afastados do processo administrativo.(POSSAS, A representatividade dos partidos obedecia a uma
1981) . O Estado não participava propriamente do hierarquia coerente com o peso dos setores
custeio das Caixas, que de acordo com o determinado oligárquicos que os integravam. A política dos
pelo artigo 3o da lei Eloy Chaves, eram mantidas por governadores foi a forma para qual se reorganizou a
: empregados das empresas ( 3% dos respectivos divisão do poder entre os segmentos da classe
vencimentos); empresas ( 1% da renda bruta); e dominante durante este período.

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A maior parte das inversões no setor industrial foi
Entre 1922 a 1930, sucederam-se crises econômicas e feita na região centro-sul (São Paulo, Rio de Janeiro,
políticas em que se conjugaram fatores de ordem Belo Horizonte) reforçando ainda mais a importância
interna e externa, e que tiveram como efeito a econômica e financeira desta área na dinâmica das
diminuição do poder das oligarquias agrárias. Em transformações da infra-estrutura nacional, isto
particular, atuaram no Brasil as crises internacionais agravou desequilíbrios regionais, especialmente o
de 1922 a 1929, tornando mais agudas as caso do nordeste, com grandes êxodos rurais, e a
contradições e instalações contra a política dos proliferação das favelas nestes grandes centros.
governadores.
A crescente massa assalariada urbana passa a se
O QUADRO POLÍTICO constituir no ponto de sustentação política do novo
governo de Getúlio Vargas, através de um regime
A crise de 1929 imobilizou temporariamente o setor corporativista. São promulgadas as leis trabalhistas,
agrário-exportador, redefinindo a organização do que procuram estabelecer um contrato capital-
estado, que vai imprimir novos caminhos a vida trabalho, garantindo direitos sociais ao trabalhador.
nacional. Assim é que a crise do café, a ação dos Ao mesmo tempo cria-se a estrutura sindical do
setores agrários e urbanos vão propor um novo estado. Estas ações transparecem como dádivas do
padrão de uso do poder no Brasil. governo e do estado, e não como conquista dos
trabalhadores. O fundamento dessas ações era
Em 1930, comandada por Getúlio Vargas é instalada manter o movimento trabalhista contido dentro das
a revolução, que rompe com a política do café com forças do estado.
leite, entre São Paulo e Minas Gerais, que
sucessivamente elegiam o Presidente da República. A PREVIDÊNCIA SOCIAL NO ESTADO NOVO
Vitorioso o movimento, foram efetuadas mudanças
na estrutura do estado. Estas objetivavam promover No que tange a previdência social, a política do estado
a expansão do sistema econômico estabelecendo-se, pretendeu estender a todas as categorias do
paralelamente, uma nova legislação que ordenasse a operariado urbano organizado os benefícios da
efetivação dessas mudanças. Foram criados o previdência.
“Ministério do Trabalho”, o da “Indústria e
Comércio”, o “Ministério da Educação e Saúde” e Desta forma, as antigas CAP’s são substituídas pelos
juntas de arbitramento trabalhista. INSTITUTOS DE APOSENTADORIA E PENSÕES (IAP)
.Nestes institutos os trabalhadores eram organizados
Em 1934, com a nova constituição, o estado e o setor por categoria profissional (marítimos, comerciários,
industrial através dele, instituiu uma política social de bancários) e não por empresa. Em 1933, foi criado o
massas que na constituição se configura no capítulo primeiro Instituto de Aposentadoria e Pensões : o
sobre a ordem econômica e social. dos Marítimos (IAPM). Seu decreto de constituição
definia , no artigo 46, os benefícios assegurados aos
A implantação do estado novo representava o acordo associados:
entre a grande propriedade agrária e a burguesia a) aposentadoria;
industrial historicamente frágil. Coube ao Estado b) pensão em caso de morte. para os membros de
Novo acentuar e dirigir o processo de expansão do suas famílias ou para os beneficiários, na forma do
capitalismo no campo, de maneira a impedir que nele art. 55 :
ocorressem alterações radicais na estrutura da c) assistência médica e hospitalar , com internação
grande propriedade agrária. Em 1937 é promulgada até trinta dias;
nova constituição que reforça o centralismo e a d) socorros farmacêuticos, mediante indenização pelo
autoridade presidencial (ditadura). preço do custo acrescido das despesas de
administração .
O trabalhismo oficial e as suas práticas foram
reforçadas a partir de 1940 com a imposição de um § 2 - O custeio dos socorros mencionados na alínea c
sindicato único e pela exigência do pagamento de não deverá exceder à importância correspondente ao
uma contribuição sindical. Em 1939 regulamenta-se a total de 8% , da receita anual do Instituto, apurada no
justiça do trabalho e em 1943 é homologada a exercício anterior, sujeita a respectiva verba à
aprovação do Conselho Nacional do Trabalho.
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Os IAP’s foram criados de acordo com a capacidade
de organização, mobilização e importância da

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categoria profissional em questão. Assim, em 1933 foi - Em 1930, foi criado o Ministério da Educação e
criado o primeiro instituto, o de Aposentadoria e Saúde Pública, com desintegração das atividades do
Pensões dos Marítimos (IAPM), em 1934 o dos Departamento Nacional de Saúde Pública (vinculado
Comerciários (IAPC) e dos Bancários (IAPB), em 1936 ao Ministério da Justiça), e a pulverização de ações de
o dos Industriários (IAPI),e em 1938 o dos Estivadores saúde a outro diversos setores como: fiscalização de
e Transportadores de Cargas (IAPETEL). Segundo NICZ produtos de origem animal que passa para o
(1982), além de servir como importante mecanismo Ministério da Agricultura (1934); higiene e segurança
de controle social, os IAP’s tinham, até meados da do trabalho (1942) que vincula-se ao Ministério do
década de 50, papel fundamental no Trabalho. - Em 1941, instituiu-se a reforma Barros
desenvolvimento econômico deste período, como Barreto, em que se destacam as seguintes ações:
“instrumento de captação de poupança forçada”, instituição de órgãos normativos e supletivos
através de seu regime de capitalização. Ainda, destinados a orientar a assistência sanitária e
segundo NICZ (1982), as seguidas crises financeiras hospitalar;criação de órgãos executivos de ação
dos IAP’s, e mesmo o surgimento de outros direta contra as endemias mais importantes (malária,
mecanismos captadores de investimentos febre amarela, peste); fortalecimento do Instituto
(principalmente externos), fazem com que Oswaldo Cruz, como referência nacional;
progressivamente a previdência social. descentralização das atividades normativas e
executivas por 8 regiões sanitárias; destaque aos
Passe a ter importância muito maior como programas de abastecimento de água e construção
instrumento de ação político-eleitoreira nos governos de esgotos, no âmbito da saúde pública; atenção aos
populistas de 1950-64, especialmente pela sua problemas das doenças degenerativas e mentais com
vinculação clara ao Partido Trabalhista Brasileiro a criação de serviços especializados de âmbito
(PTB), e a fase áurea de “peleguismo sindical”. Até o nacional (Instituto Nacional do Câncer).
final dos anos 50, a assistência médica previdenciária
não era importante. Os técnicos do setor a A escassez de recursos financeiros associado a
consideram secundária no sistema previdenciário pulverização destes recursos e de pessoal entre
brasileiro, e os segurados não faziam dela parte diversos órgãos e setores, aos conflitos de jurisdição
importante de suas reivindicações. e gestão, e superposição de funções e atividades,
fizeram com que a maioria das ações de saúde pública
Em 1949 foi criado o Serviço de Assistência Médica no estado novo se reduzissem a meros aspectos
Domiciliar e de Urgência (SAMDU) mantido por todos normativos, sem efetivação no campo prático de
os institutos e as caixas ainda remanescentes. É a soluções para os grandes problemas sanitários
partir principalmente da segunda metade da década existentes no país naquela época.
de 50, com o maior desenvolvimento industrial, com Em 1953 foi criado o Ministério da Saúde, o que na
a conseqüente aceleração da urbanização, e o verdade limitou-se a um mero desmembramento do
assalariamento de parcelas crescente da população, antigo Ministério da Saúde e Educação sem que isto
que ocorre maior pressão pela assistência médica significasse uma nova postura do governo e uma
via institutos, e viabiliza-se o crescimento de um efetiva preocupação em atender aos importantes
complexo médico hospitalar para prestar problemas de saúde pública de sua competência. Em
atendimento aos previdenciários, em que se 1956, foi criado o Departamento Nacional de
privilegiam abertamente a contratação de serviços Endemias Rurais (DNERU), incorporando os antigos
de terceiros. serviços nacionais de febre amarela, malária, peste.

Segundo NICZ (1982), em 1949, as despesas com


assistência médica representaram apenas 7,3% do A LEI ORGÂNICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL E O
total geral das despesas da previdência social. Em PROCESSO DE UNIFICAÇÃO DOS IAPS
1960 já sobem para 19,3%, e em 1966 já atingem
24,7% do total geral das despesas, confirmando a O processo de unificação dos IAPs já vinha sendo
importância crescente da assistência médica gestado desde de 1941 e sofreu em todo este período
previdenciária. grandes resistências, pelas radicais transformações
que implicava. Após longa tramitação, a Lei Orgânica
SAÚDE PÚBLICA NO PERÍODO DE 30 A 60 de Previdência Social só foi finalmente sancionada em
1960, acompanhada de intenso debate político a nível
Na era do estado novo poucas foram as investidas no legislativo em que os representantes das classes
setor da saúde pública, destacando-se: trabalhadoras se recusavam à unificação , uma vez

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que isto representava o abandono de muitos direitos
conquistados, além de se constituírem os IAPs Criaram-se atos institucionais, principalmente o de nº
naquela epóca em importantes feudos políticos e 5 de 1968, que limitavam as liberdades individuais e
eleitorais. Finalmente em 1960 foi promulgada a lei constitucionais. O êxito da atuação do executivo
3.807, denominada Lei Orgânica da Previdência justificava-se na área econômica, com o chamado
Social, que veio estabelecer a unificação do regime milagre brasileiro, movido a capital estrangeiro. O
geral da previdência social, destinado a abranger longo programa ideológico do movimento foi
todos os trabalhadores sujeitos ao regime da CLT, acionado com a retirada dos estudantes,
excluídos os trabalhadores rurais, os empregados especialmente os de nível universitário, de qualquer
domésticos e naturalmente os servidores públicos e autonomia representativa e mantendo-os afastados
de autarquias e que tivessem regimes próprios de de uma participação ativa nas transformações
previdência. Os trabalhadores rurais só viriam a ser políticas. Posteriormente, o processo prosseguiria
incorporados ao sistema 3 anos mais tarde, quando pelo afastamento de professores, a partir de 1969,
foi promulgada a lei 4.214 de 2/3/63 que instituiu o pela repressão brutal as manifestações estudantis,
Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural articuladas ou não a organizações políticas
(FUNRURAL). A lei previa uma contribuição tríplice clandestinas. O enquadramento ideológico
com a participação do empregado , empregador e a completou-se pelo esvaziamento dos estudos sociais,
União. O governo federal nunca cumpriu a sua parte, negando-se reconhecimento a profissão de sociólogo
o que evidentemente comprometeu seriamente a e pela instauração de novas disciplinas como a
estabilidade do sistema (POSSAS, 1981). Educação ,Moral e Cívica e OSPB, e, no âmbito
superior, Estudo de Problemas Brasileiros, todas de
O processo de unificação só avança com movimento filiação historicamente fascista missionária. O regime
revolucionário de 1964, que neste mesmo ano militar que se instala a partir de 1964, de caráter
promove uma intervenção generalizada em todos os ditatorial e repressivo, procura utilizar-se de forças
IAPs, sendo os conselhos administrativos policiais e do exército e dos atos de exceção para se
substituídos por juntas interventoras nomeadas impor.
pelo governo revolucionário. A unificação vai se
consolidar em 1967. AÇÕES DO REGIME MILITAR NA PREVIDÊNCIA
SOCIAL
O MOVIMENTO DE 64 E SUAS CONSEQUÊNCIAS
A repressão militar seria incapaz de sozinha justificar
O movimento de 64 contava com suportes políticos por um longo tempo um governo ditatorial. Diante,
extremamente fortes. A maioria da burguesia deste quadro, o regime instituído procura atuar
defendia a internacionalização da economia e das através da formulação de algumas políticas sociais na
finanças brasileiras, ampliando o processo que era busca de uma legitimação do governo perante a
ainda obstaculizado , segundo os capitalistas ,pela população. Um outro aspecto importante do regime
proposta populista de fortalecimento das empresas militar, diz respeito a utilização da tecnoburocracia.
estatais e de economia mista do governo João Em consequência da repressão e do
Goulart. desmantelamento de todas as organizações da
população civil, não podendo contar com a voz e não
Havia ainda uma preocupação crescente em relação querendo a participação organizada da sociedade
à proliferação do comunismo e do socialismo no civil, o regime militar ocupou-se de criar uma
mundo, especialmente na América Latina, e que tecnocracia, constituída de profissionais civis
punha em risco os interesses e a hegemonia do retirados do seio da sociedade, e colocados sob a
capitalismo, especialmente do americano nesta tutela do estado, para repensar sob os dogmas e
região, era o período da chamada guerra fria. postulados do novo regime militar, a nova estrutura e
organização dos serviços do estado, os
Diante destes fatos as forças armadas brasileiras tecnoburocracistas. Pessoas que realmente
articularam e executaram um golpe de estado em 31 acreditavam estar fazendo o melhor, repensando a
de março de 1964, e instalaram um regime militar, sociedade brasileira de acordo com dados e
com o aval dos Estados Unidos. Um processo que se pressupostos teóricos, colocando como exemplo
repetiu na maioria dos países da América Latina , abstrato a participação da sociedade. Assim, que
configurando um ciclo de ditaduras militares em toda dentro do objetivo de buscar apoio e sustentação
a região.Houve o fortalecimento do executivo e o social, o governo se utiliza do sistema previdenciário.
esvaziamento do legislativo. Visto que os IAP’s eram limitados a determinadas

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categorias profissionais mais mobilizadas e Desta forma, foram estabelecidos convênios e
organizadas política e economicamente, o governo contratos com a maioria dos médicos e hospitais
militar procura garantir para todos os trabalhadores existentes no país, pagando-se pelos serviços
urbanos e os seus dependentes os benefícios da produzidos (pro-labore), o que propiciou a estes
previdência social. grupos se capitalizarem, provocando um efeito
cascata com o aumento no consumo de
O processo de unificação previsto em 1960 se efetiva medicamentos e de equipamentos médico-
em 2 de janeiro de 1967, com a implantação do hospitalares, formando um complexo sistema
Instituto Nacional de Previdência social (INPS), médico-industrial.
reunindo os seis Institutos de Aposentadorias e
Pensões, o Serviço de Assistência Médica e Este sistema foi se tornando cada vez mais complexo
Domiciliar de Urgência (SAMDU) e a tanto do ponto de vista administrativo quanto
Superintendência dos Serviços de Reabilitação da financeiro dentro da estrutura do INPS, que acabou
Previdência Social. O Instituto Nacional de levando a criação de uma estrutura própria
Previdência Social (INPS), produto da fusão dos IAP’s, administrativa, o Instituto Nacional de Assistência
sofre a forte influência dos técnicos oriundos do Médica da Previdência Social (INAMPS) em 1978.
maior deles, o IAPI. Estes técnicos, que passam a
história conhecidos como “os cardeais do IAPI”, de Em 1974 o sistema previdenciário saiu da área do
tendências absolutamente privatizantes criam as Ministério do Trabalho, para se consolidar como um
condições institucionais necessárias ao ministério próprio, o Ministério da Previdência e
desenvolvimento do “complexo médico-industrial”, Assistência Social. Juntamente com este Ministério
característica marcante deste período (NICZ, 1982). foi criado o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento
Social (FAS). A criação deste fundo proporcionou a
A criação do INPS propiciou a unificação dos remodelação e ampliação dos hospitais da rede
diferentes benefícios ao nível do IAP’s. Na medida em privada, através de empréstimos com juros
que todo o trabalhador urbano com carteira assinada subsidiados. A existência de recursos para
era automaticamente contribuinte e beneficiário do investimento e a criação de um mercado cativo de
novo sistema, foi grande o volume de recursos atenção médica para os prestadores privados levou
financeiros capitalizados. O fato do aumento da base a um crescimento próximo de 500% no número de
de contribuição, aliado ao fato do crescimento leitos hospitalares privados no período 69/84, de tal
econômico da década de 70 (o chamado milagre forma que subiram de 74.543 em 69 para 348.255
econômico), do pequeno percentual de em 84.
aposentadorias e pensões em relação ao total de
contribuintes, fez com que o sistema acumulasse um Algumas categorias profissionais somente na década
grande volume de recursos financeiros. de 70 é que 16conseguiram se tronar beneficiários do
sistema previdenciário, como os trabalhadores rurais
Ao unificar o sistema previdenciário, o governo com a criação do PRORURAL em 1971, financiado
militar se viu na obrigação de incorporar os benefícios pelo FUNRURAL, e os empregados domésticos e os
já instituídos fora das aposentadorias e pensões. Um autônomos em 1972.
destes era a do assistência médica, que já era
oferecido pelos vários IAPs , sendo que alguns destes AÇÕES DE SAÚDE PÚBLICA NO REGIME MILITAR
já possuíam serviços e hospitais próprios. No campo da organização da saúde pública no Brasil
foram desenvolvidas as seguintes ações no período
No entanto, ao aumentar substancialmente o militar: - Promulgação do Decreto Lei 200 (1967) ,
número de contribuintes e consequentemente de estabelecendo as competências do Ministério da
beneficiários, era impossível ao sistema médico Saúde: formulação e coordenação da política
previdenciário existente atender a toda essa nacional de saúde; responsabilidade pelas atividades
população. Diante deste fato, o governo militar médicas ambulatoriais e ações preventivas em geral;
tinha que decidir onde alocar os recursos públicos controle de drogas e medicamentos e alimentos;
para atender a necessidade de ampliação do pesquisa médico-sanitário;
sistema, tendo ao final optado por direcioná-los - Em 1970 criou-se a SUCAM (Superintendência de
para a iniciativa privada, com o objetivo de coopitar Campanhas da Saúde Pública) com a atribuição de
o apoio de setores importantes e influentes dentro executar as atividades de erradicação e controle de
da sociedade e da economia. endemias, sucedendo o Departamento Nacional de

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Endemias Rurais (DENERU) e a campanha de A população com baixos salários, contidos pela
erradicação da malária. política econômica e pela repressão, passou a
- Em 1975 foi instituído no papel o Sistema Nacional conviver com o desemprego e as suas graves
de Saúde, que estabelecia de forma sistemática o consequências sociais, como aumento da
campo de ação na área de saúde, dos setores públicos marginalidade, das favelas, da mortalidade infantil. O
e privados, para o desenvolvimento das atividades de modelo de saúde previdenciário começa a mostrar as
promoção, proteção e recuperação da saúde. O suas mazelas:
documento reconhece e oficializa a dicotomia da
questão da saúde, afirmando que a medicina Por ter priorizado a medicina curativa, o modelo
curativa seria de competência do Ministério da proposto foi incapaz de solucionar os principais
Previdência, e a medicina preventiva de problemas de saúde coletiva, como as endemias, as
responsabilidade do Ministério da Saúde. epidemias, e os indicadores de saúde (mortalidade
infantil, por exemplo); -aumentos constantes dos
No entanto, o governo federal destinou poucos custos da medicina curativa, centrada na atenção
recursos ao Ministério da Saúde, que dessa forma foi médica-hospitalar de complexidade crescente; -
incapaz de desenvolver as ações de saúde pública diminuição do crescimento econômico com a
propostas, o que significou na prática uma clara respectiva repercussão na arrecadação do sistema
opção pela medicina curativa, que era mais cara e que previdenciário reduzindo as suas receitas;
no entanto, contava com recursos garantidos através incapacidade do sistema em atender a uma
da contribuição dos trabalhadores para o INPS. população cada vez maior de marginalizados, que
sem carteira assinada e contribuição previdenciária,
Concluindo podemos afirmar que o Ministério da se viam excluídos do sistema; desvios de verba do
Saúde tornou-se muito mais um órgão burocrato- sistema previdenciário para cobrir despesas de
normativo do que um órgão executivo de política de outros setores e para realização de obras por parte do
saúde. Tendo como referência as recomendações governo federal; - o não repasse pela união de
internacionais e a necessidade de expandir cobertura, recursos do tesouro nacional para o sistema
em 1976 inicia-se o Programa de Interiorização das previdenciário, visto ser esse tripartide (empregador,
Ações de Saúde e Saneamento (PIASS). Concebido na empregado, e união).
secretaria de planejamento da presidência da
república, o PIASS se configura como o primeiro Devido à escassez de recursos para a sua
programa de medicina simplificada do nível Federal e manutenção, ao aumento dos custos operacionais, e
vai permitir a entrada de técnicos provenientes do ao descrédito social em resolver a agenda da saúde,
“movimento sanitário” no interior do aparelho de o modelo proposto entrou em crise. Na tentativa de
estado. O programa é estendido a todo o território conter custos e combater fraudes o governo criou em
nacional, o que resultou numa grande expansão da 1981 o Conselho Consultivo de Administração da
rede ambulatorial pública. Saúde Previdenciária (CONASP) ligado ao INAMPS.

1975 - A CRISE O CONASP passa a absorver em postos de


importância alguns técnicos ligados ao movimento
O modelo econômico implantado pela ditadura sanitário, o que dá início a ruptura, por dentro, da
militar entra em crise. Primeiro, porque o capitalismo dominância dos anéis burocráticos previdenciários. O
a nível internacional entra num período também de plano inicia-se pela fiscalização mais rigorosa da
crise. Segundo, porque em função da diminuição do prestação de contas dos prestadores de serviços
fluxo de capital estrangeiro para mover a economia credenciados, combatendo-se as fraudes.
nacional, o país diminuiu o ritmo de crescimento que
em períodos áureos chegou a 10% do PIB, tornando o O plano propõe a reversão gradual do modelo
crescimento econômico não mais sustentável. A idéia médico-assistencial através do aumento da
do que era preciso fazer crescer o bolo (a economia) produtividade do sistema, da melhoria da qualidade
para depois redistribuí-lo para a população não se da atenção, da equalização dos serviços prestados as
confirma no plano social. Os pobres ficaram mais populações urbanas e rurais, da eliminação da
pobres e os ricos mais ricos, sendo o país um dos que capacidade ociosa do setor público, da
apresentam um dos maiores índices de concentração hierarquização, da criação do domicílio sanitário, da
de renda a nível mundial. montagem de um sistema de auditoria médico-
assistencial e da revisão dos mecanismos de
financiamento do FAS.

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É preciso fazer um pequeno corte nesta seqüência
O CONASP encontrou oposição da Federação para entender como o modelo médico neo-liberal
Brasileira de Hospitais e de medicina de grupo, que procurou se articular neste momento da crise.
viam nesta tentativa a perda da sua hegemonia O setor médico privado que se beneficiou do modelo
dentro do sistema e a perda do seu status. Para se médico-privativista durante quinze anos a partir de
mencionar a forma desses grupos atuarem, basta 64, tendo recebido neste período vultuosos recursos
citar que eles opuseram e conseguiram derrotar do setor público e financiamentos subsidiados,
dentro do governo com a ajuda de parlamentares um cresceu, desenvolveu e “engordou”.
dos projetos mais interessantes de modelo sanitário,
que foi o PREV-SAÚDE, que depois de seguidas A partir do momento em que o setor público entrou
distorções acabou por ser arquivado. No entanto, em crise, o setor liberal começou a perceber que não
isto, não impediu que o CONASP implantasse e mais poderia se manter e se nutrir daquele e passou
apoiasse projetos pilotos de novos modelos a formular novas alternativas para sua estruturação.
assistenciais, destacando o PIASS no nordeste. Direcionou o seu modelo de atenção médica para
parcelas da população, classe média e categorias de
Devido ao agravamento da crise financeira o sistema assalariados, procurando através da poupança desses
redescobre quinze anos depois a existência do setor setores sociais organizar uma nova base estrutural.
público de saúde, e a necessidade de se investir nesse
setor, que trabalhava com um custo menor e Deste modo foi concebido um subsistema de
atendendo a uma grande parcela da população ATENÇÃO MÉDICO-SUPLETIVA composta de 5
carente de assistência. Em 1983 foi criado a AIS modalidades assistenciais: medicina de grupo,
(Ações Integradas de Saúde), um projeto cooperativas médicas, auto-gestão, seguro-saúde e
interministerial (Previdência-Saúde-Educação), plano de administração. Com pequenas diferenças
visando um novo modelo assistencial que entre si, estas modalidades se baseiam em
incorporava o setor público, procurando integrar contribuições mensais dos beneficiários (poupança)
ações curativas-preventivas e educativas ao mesmo em contrapartida pela prestação de determinados
tempo. Assim, a Previdência passa a comprar e pagar serviços. Estes serviços e benefícios eram pré-
serviços prestados por estados, municípios, hospitais determinados, com prazos de carências, além de
filantrópicos, públicos e universitários. Este período determinadas exclusões, por exemplo a não
coincidiu com o movimento de transição cobertura do tratamento de doenças infecciosas.
democrática, com eleição direta para governadores e
vitória esmagadora de oposição em quase 21 todos O subsistema de atenção médica-supletiva cresce
os estados nas primeiras eleições democráticas deste vertiginosamente. Na década de 80, de tal modo que
período (1982). no ano de 1989 chega a cobrir 31.140.000 brasileiros,
correspondentes a 22% da população total, e
O FIM DO REGIME MILITAR apresentando um volume de faturamento de US$
2.423.500.000,00 (MENDES, 1992). Este sistema
O movimento das DIRETAS JÁ (1985) e a eleição de baseia-se num universalismo excludente,
Tancredo Neves marcaram o fim do regime militar, beneficiando e fornecendo atenção médica somente
gerando diversos movimentos sociais inclusive na para aquela parcela da população que tem condições
área de saúde, que culminaram com a criação das financeiras de arcar com o sistema, não beneficiando
associações dos secretários de saúde estaduais a população como um todo e sem a perocupação de
(CONASS) ou municipais (CONASEMS),e com a grande investir em saúde preventiva e na mudança de
mobilização nacional por ocasião da realização da VIII indicadores de saúde.
Conferência Nacional de Saúde (Congresso
Nacional,1986), a qual lançou as bases da reforma Enquanto, isto, ao subsistema público compete
sanitária e do SUDS (Sistema Único Descentralizado atender a grande maioria da população em torno de
de Saúde). 120.000.000 de brasileiros (!990), com os minguados
recursos dos governos federal, estadual e municipal.
Estes fatos ocorreram concomitanmente com a Em 1990 o Governo edita as Leis 8.080 e 8.142,
eleição da Assembléia Nacional Constituinte em 1986 conhecidas como Leis Orgânicas da Saúde,
e a promulgação da nova Constituição em 1988. regulamentando o SUS, criado pela Constituição de
1988.

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O NASCIMENTO DO SUS essenciais: os níveis de saúde da população
A constituinte de 1988 no capítulo VIII da Ordem expressam a organização social e econômica do país”.
social e na secção II referente à Saúde define no artigo
196 que: “A saúde é direito de todos e dever do O SUS é concebido como o conjunto de ações e
estado, garantindo mediante políticas sociais e serviços de saúde, prestados por orgãos e instituições
econômicas que visem a redução do risco de doença públicas federais, estaduais e municipais, da
e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário administração direta e indireta e das fundações
às ações e serviços para sua promoção, proteção e mantidas pelo Poder Público. A iniciativa privada
recuperação”. poderá participar do SUS em caráter complementar.

O SUS é definido pelo artigo 198 do seguinte modo: Os objetivos e as atribuições do SUS foram assim
“As ações e serviços públicos de saúde integram uma definidas:
rede regionalizada e hierarquizada, e constituem um
sistema único, organizado de acordo com as seguintes  identificação e divulgação dos fatores
diretrizes: condicionantes e determinantes da saúde;
I. Descentralização, com direção única em cada esfera  formular as políticas de saúde;
de governo;  fornecer assistência às pessoas por
II. Atendimento integral, com prioridade para as intermédio de ações de promoção, proteção e
atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços recuperação da saúde, com a realização integrada
assistenciais; das ações assistenciais e das atividades preventivas
III. Participação da comunidade  executar as ações de vigilância sanitária e
epidemiológica ;
Parágrafo único - o sistema único de saúde será  executar ações visando a saúde do
financiado, com recursos do orçamento da trabalhador;
seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito  participar na formulação da política e na
Federal e dos Municípios, além de outras fontes”. execução de ações de saneamento básico;
 participar da formulação da política de
O texto constitucional demonstra claramente que a recursos humanos para a saúde;
concepção do SUS estava baseado na formulação de  realizar atividades de vigilância nutricional e
um modelo de saúde voltado para as necessidades da de orientação alimentar;
população, procurando resgatar o compromisso do  participar das ações direcionadas ao meio
estado para com o bem-estar social, especialmente ambiente;
no que refere a saúde coletiva, consolidando-o como
 formular políticas referentes a
um dos direitos da CIDADANIA. Esta visão refletia o
medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, e
momento político porque passava a sociedade
outros insumos de interesse para a saúde e a
brasileira, recém saída de uma ditadura militar onde
participação na sua produção;
a cidadania nunca foi um princípio de governo.
 controle e fiscalização de serviços , produtos e
Embalada pelo movimento da diretas já , a sociedade
substâncias de interesse para a saúde;
procurava garantir na nova constituição os direitos e
 fiscalização e a inspeção de alimentos , água
os valores da democracia e da cidadania.
e bebidas para consumo humano;
 participação no controle e fiscalização de
Apesar do SUS ter sido definido pela Constituição de
produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
1988, ele somente foi regulamentado em 19 de
setembro de 1990 através da Lei 8.080.Esta lei define  incremento do desenvolvimento científico e
o modelo operacional do SUS, propondo a sua forma tecnológico na área da saúde;
de organização e de funcionamento. Algumas destas  formulação e execução da política de sangue
concepções serão expostas a seguir. e de seus derivados:

Primeiramente a saúde passa a ser definida de um Pela abrangência dos objetivos propostos e pela
forma mais abrangente: “A saúde tem como fatores existência de desequilíbrios socio-econômicos
determinantes e condicionantes, entre outros, a regioniais, a implantação do SUS não tem sido
alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio uniforme em todos os estados e municípios
ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o brasileiros, pois para que isto ocorra é necessário
transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços uma grande disponibilidade de recursos financeiros,

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de pessoal qualificado e de um efetiva política a nível § 2º A proposta de orçamento da seguridade
federal, estadual e municipal para viabilizar o sistema. social será elaborada de forma integrada pelos órgãos
responsáveis pela saúde, previdência social e
O SUS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL assistência social, tendo em vista as metas e
prioridades estabelecidas na lei de diretrizes
CAPÍTULO II orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de
DA SEGURIDADE SOCIAL seus recursos.
SEÇÃO I § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema
DISPOSIÇÕES GERAIS da seguridade social, como estabelecido em lei, não
Art. 194. A seguridade social compreende um poderá contratar com o Poder Público nem dele
conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas
direitos relativos à saúde, à previdência e à a garantir a manutenção ou expansão da seguridade
assistência social. social, obedecido o disposto no art. 154, I.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos § 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade
termos da lei, organizar a seguridade social, com base social poderá ser criado, majorado ou estendido sem
nos seguintes objetivos: a correspondente fonte de custeio total.
I - universalidade da cobertura e do atendimento; § 6º As contribuições sociais de que trata este
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e artigo só poderão ser exigidas após decorridos
serviços às populações urbanas e rurais; noventa dias da data da publicação da lei que as
III - seletividade e distributividade na prestação houver instituído ou modificado, não se lhes
dos benefícios e serviços; aplicando o disposto no art. 150, III, "b".
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios; § 7º São isentas de contribuição para a
V - eqüidade na forma de participação no custeio; seguridade social as entidades beneficentes de
VI - diversidade da base de financiamento; assistência social que atendam às exigências
VII - caráter democrático e descentralizado da estabelecidas em lei.
administração, mediante gestão quadripartite, com § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o
participação dos trabalhadores, dos empregadores, arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como
dos aposentados e do Governo nos órgãos os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades
colegiados. em regime de economia familiar, sem empregados
Art. 195. A seguridade social será financiada por permanentes, contribuirão para a seguridade social
toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos mediante a aplicação de uma alíquota sobre o
termos da lei, mediante recursos provenientes dos resultado da comercialização da produção e farão jus
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito aos benefícios nos termos da lei.
Federal e dos Municípios, e das seguintes § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I
contribuições sociais: do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases
I - do empregador, da empresa e da entidade a de cálculo diferenciadas, em razão da atividade
ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: econômica, da utilização intensiva de mão-deobra, do
a) a folha de salários e demais rendimentos do porte da empresa ou da condição estrutural do
trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à mercado de trabalho.
pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem § 10. A lei definirá os critérios de transferência de
vínculo empregatício; recursos para o sistema único de saúde e ações de
b) a receita ou o faturamento; assistência social da União para os Estados, o Distrito
c) o lucro; Federal e os Municípios, e dos Estados para os
II - do trabalhador e dos demais segurados da Municípios, observada a respectiva contrapartida de
previdência social, não incidindo contribuição sobre recursos.
aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral § 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia
de previdência social de que trata o art. 201; das contribuições sociais de que tratam os incisos I, a,
III - sobre a receita de concursos de prognósticos. e II deste artigo, para débitos em montante superior
IV - do importador de bens ou serviços do ao fixado em lei complementar.
exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. § 12. A lei definirá os setores de atividade
§ 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e econômica para os quais as contribuições incidentes
dos Municípios destinadas à seguridade social na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-
constarão dos respectivos orçamentos, não cumulativas.
integrando o orçamento da União.

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§ 13. Aplica-se o disposto no § 12 inclusive na objetivando a progressiva redução das disparidades
hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da regionais;
contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela III – as normas de fiscalização, avaliação e controle
incidente sobre a receita ou o faturamento. das despesas com saúde nas esferas federal,
SEÇÃO II estadual, distrital e municipal;
DA SAÚDE IV – as normas de cálculo do montante a ser aplicado
Art. 196- A saúde é direito de todos e dever do pela União.
Estado, garantido mediante políticas sociais e § 4º - Os gestores locais do sistema único de saúde
econômicas que visem à redução do risco de doença poderão admitir agentes comunitários de saúde e
e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário agentes de combate às endemias por meio de
às ações e serviços para sua promoção, proteção e processo seletivo público, de acordo com a natureza
recuperação. e complexidade de suas atribuições e requisitos
Art. 197- São de relevância pública as ações e serviços específicos para sua atuação.
de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos § 5º - Lei federal disporá sobre o regime jurídico e a
termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização regulamentação das atividades de agente
e controle, devendo sua execução ser feita comunitário de saúde e agente de combate às
diretamente ou através de terceiros e, também, por endemias.
pessoa física ou jurídica de direito privado § 6º - Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41
.Art. 198- As ações e serviços públicos de saúde e no § 4º do art. 169 da Constituição Federal, o
integram uma rede regionalizada e hierarquizada e servidor que exerça funções equivalentes às de
constituem um sistema único, organizado de acordo agente comunitário de saúde ou de agente de
com as seguintes diretrizes: combate às endemias poderá perder o cargo em caso
I - Descentralização, com direção única em cada de descumprimento dos requisitos específicos,
esfera de governo; fixados em lei, para o seu exercício.
II - Atendimento integral, com prioridade para as
atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços Art. 199- A assistência à saúde é livre à iniciativa
assistenciais; privada.
III - Participação da comunidade. § 1º - As instituições privadas poderão participar de
§ 1ºO sistema único de saúde será financiado, nos forma complementar do sistema único de saúde,
termos do art. 195, com recursos do orçamento da segundo diretrizes deste, mediante contrato de
seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito direito público ou convênio, tendo preferência as
Federal e dos Municípios, além de outras fontes; entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
§ 2º - A União, os Estados, o Distrito Federal e os § 2º - É vedada a destinação de recursos públicos para
Municípios aplicarão, anualmente, em ações e auxílios ou subvenções às instituições privadas com
serviços públicos de saúde recursos mínimos fins lucrativos.
derivados da aplicação de percentuais calculados § 3º - É vedada a participação direta ou indireta de
sobre: empresas ou capitais estrangeiros na assistência à
I – No caso da União, na forma definida nos termos da saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.
lei complementar prevista no § 3º; § 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos
II – No caso dos Estados e do Distrito Federal, o que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e
produto da arrecadação dos impostos a que se refere substâncias humanas para fins de transplante,
o art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e pesquisa e tratamento, bem como a coleta,
159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas processamento e transfusão de sangue e seus
que forem transferidas aos respectivos Municípios. derivados, sendo vedado todo tipo de
III – No caso dos Municípios e do Distrito Federal, o comercialização.
produto da arrecadação dos impostos a que se refere Comentário:
o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e A vedação de comercialização é entendida como uma
159, inciso I, alínea b e § 3º. proibição de comercialização feita ao coletor, mas
§ 3º - Lei complementar, que será reavaliada pelo não abrange o doador. Segundo se entende, este
menos a cada cinco anos, estabelecerá: pode comercializar seus órgãos, numa construção
I – os percentuais de que trata o § 2º; doutrinária que trabalha com a tese da livre decisão
II – os critérios de rateio dos recursos da União sobre o próprio corpo.
vinculados à saúde destinados aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios, e dos Estados Art. 200- Ao sistema único de saúde compete, além
destinados a seus respectivos Municípios, de outras atribuições, nos termos da lei:

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I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos
substâncias de interesse para a saúde e participar da bens e serviços essenciais.
produção de medicamentos, equipamentos, Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as
imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; ações que, por força do disposto no artigo anterior,
II - executar as ações de vigilância sanitária e se destinam a garantir às pessoas e à coletividade
epidemiológica, bem como as de saúde do condições de bem-estar físico, mental e social.
trabalhador. TÍTULO II
III - ordenar a formação de recursos humanos na área DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
de saúde; DISPOSIÇÃO PRELIMINAR
IV - participar da formulação da política e da execução Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde,
das ações de saneamento básico; prestados por órgãos e instituições públicas federais,
V - incrementar em sua área de atuação o estaduais e municipais, da Administração direta e
desenvolvimento científico e tecnológico; indireta e das fundações mantidas pelo Poder
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido Público, constitui o Sistema Único de Saúde (SUS).
o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas § 1º Estão incluídas no disposto neste artigo as
e águas para consumo humano; instituições públicas federais, estaduais e municipais
VII - participar do controle e fiscalização da produção, de controle de qualidade, pesquisa e produção de
transporte, guarda e utilização de substâncias e insumos, medicamentos, inclusive de sangue e
produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; hemoderivados, e de equipamentos para saúde.
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele § 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema
compreendido o do trabalho. Único de Saúde (SUS), em caráter complementar.
CAPÍTULO I
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990. Dos Objetivos e Atribuições
Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde SUS:
e recuperação da saúde, a organização e o I - a identificação e divulgação dos fatores
funcionamento dos serviços correspondentes e dá condicionantes e determinantes da saúde;
outras providências. II - a formulação de política de saúde destinada a
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que promover, nos campos econômico e social, a
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei;
seguinte lei: III - a assistência às pessoas por intermédio de ações
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR de promoção, proteção e recuperação da saúde, com
Art. 1º Esta lei regula, em todo o território nacional, a realização integrada das ações assistenciais e das
as ações e serviços de saúde, executados isolada ou atividades preventivas.
conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do
por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou Sistema Único de Saúde (SUS):
privado. I - a execução de ações:
TÍTULO I a) de vigilância sanitária;
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS b) de vigilância epidemiológica;
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser c) de saúde do trabalhador; e
humano, devendo o Estado prover as condições d) de assistência terapêutica integral, inclusive
indispensáveis ao seu pleno exercício. farmacêutica;
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste II - a participação na formulação da política e na
na formulação e execução de políticas econômicas e execução de ações de saneamento básico;
sociais que visem à redução de riscos de doenças e de III - a ordenação da formação de recursos humanos
outros agravos e no estabelecimento de condições na área de saúde;
que assegurem acesso universal e igualitário às ações IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar;
e aos serviços para a sua promoção, proteção e V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele
recuperação. compreendido o do trabalho;
§ 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da VI - a formulação da política de medicamentos,
família, das empresas e da sociedade. equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de
Art. 3o Os níveis de saúde expressam a organização interesse para a saúde e a participação na sua
social e econômica do País, tendo a saúde como produção;
determinantes e condicionantes, entre outros, a VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos
alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio e substâncias de interesse para a saúde;
ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a

13
VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água e V - informação ao trabalhador e à sua respectiva
bebidas para consumo humano; entidade sindical e às empresas sobre os riscos de
IX - a participação no controle e na fiscalização da acidentes de trabalho, doença profissional e do
produção, transporte, guarda e utilização de trabalho, bem como os resultados de fiscalizações,
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e avaliações ambientais e exames de saúde, de
radioativos; admissão, periódicos e de demissão, respeitados os
X - o incremento, em sua área de atuação, do preceitos da ética profissional;
desenvolvimento científico e tecnológico; VI - participação na normatização, fiscalização e
XI - a formulação e execução da política de sangue e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas
seus derivados. instituições e empresas públicas e privadas;
§ 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças
de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir originadas no processo de trabalho, tendo na sua
riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários elaboração a colaboração das entidades sindicais; e
decorrentes do meio ambiente, da produção e VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de
circulação de bens e da prestação de serviços de requerer ao órgão competente a interdição de
interesse da saúde, abrangendo: máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente de
I - o controle de bens de consumo que, direta ou trabalho, quando houver exposição a risco iminente
indiretamente, se relacionem com a saúde, para a vida ou saúde dos trabalhadores.
compreendidas todas as etapas e processos, da
produção ao consumo; e CAPÍTULO II
II - o controle da prestação de serviços que se Dos Princípios e Diretrizes
relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os
§ 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um serviços privados contratados ou conveniados que
conjunto de ações que proporcionam o integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são
conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas
mudança nos fatores determinantes e condicionantes no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo
de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de ainda aos seguintes princípios:
recomendar e adotar as medidas de prevenção e I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em
controle das doenças ou agravos. todos os níveis de assistência;
§ 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins II - integralidade de assistência, entendida como
desta lei, um conjunto de atividades que se destina, conjunto articulado e contínuo das ações e serviços
através das ações de vigilância epidemiológica e preventivos e curativos, individuais e coletivos,
vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde exigidos para cada caso em todos os níveis de
dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e complexidade do sistema;
reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos III - preservação da autonomia das pessoas na defesa
aos riscos e agravos advindos das condições de de sua integridade física e moral;
trabalho, abrangendo: IV - igualdade da assistência à saúde, sem
I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;
trabalho ou portador de doença profissional e do V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre
trabalho; sua saúde;
II - participação, no âmbito de competência do VI - divulgação de informações quanto ao potencial
Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário;
pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos VII - utilização da epidemiologia para o
potenciais à saúde existentes no processo de estabelecimento de prioridades, a alocação de
trabalho; recursos e a orientação programática;
III - participação, no âmbito de competência do VIII - participação da comunidade;
Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, IX - descentralização político-administrativa, com
fiscalização e controle das condições de produção, direção única em cada esfera de governo:
extração, armazenamento, transporte, distribuição e a) ênfase na descentralização dos serviços para os
manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas municípios;
e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do b) regionalização e hierarquização da rede de serviços
trabalhador; de saúde;
IV - avaliação do impacto que as tecnologias X - integração em nível executivo das ações de saúde,
provocam à saúde; meio ambiente e saneamento básico;

14
XI - conjugação dos recursos financeiros, Art. 13. A articulação das políticas e programas, a
tecnológicos, materiais e humanos da União, dos cargo das comissões intersetoriais, abrangerá, em
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na especial, as seguintes atividades:
prestação de serviços de assistência à saúde da I - alimentação e nutrição;
população; II - saneamento e meio ambiente;
XII - capacidade de resolução dos serviços em todos III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia;
os níveis de assistência; e IV - recursos humanos;
XIII - organização dos serviços públicos de modo a V - ciência e tecnologia; e
evitar duplicidade de meios para fins idênticos. VI - saúde do trabalhador.
XIV – organização de atendimento público específico Art. 14. Deverão ser criadas Comissões Permanentes
e especializado para mulheres e vítimas de violência de integração entre os serviços de saúde e as
doméstica em geral, que garanta, entre outros, instituições de ensino profissional e superior.
atendimento, acompanhamento psicológico e Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá por
cirurgias plásticas reparadoras, em conformidade finalidade propor prioridades, métodos e estratégias
com a Lei nº 12.845, de 1º de agosto de para a formação e educação continuada dos recursos
2013. (Redação dada pela Lei nº 13.427, de 2017) humanos do Sistema Único de Saúde (SUS), na esfera
CAPÍTULO III correspondente, assim como em relação à pesquisa e
Da Organização, da Direção e da Gestão à cooperação técnica entre essas instituições.
Art. 8º As ações e serviços de saúde, executados pelo Art. 14-A. As Comissões Intergestores Bipartite e
Sistema Único de Saúde (SUS), seja diretamente ou Tripartite são reconhecidas como foros de
mediante participação complementar da iniciativa negociação e pactuação entre gestores, quanto aos
privada, serão organizados de forma regionalizada e aspectos operacionais do Sistema Único de Saúde
hierarquizada em níveis de complexidade crescente. (SUS). (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011).
Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde (SUS) é Parágrafo único. A atuação das Comissões
única, de acordo com o inciso I do art. 198 da Intergestores Bipartite e Tripartite terá por
Constituição Federal, sendo exercida em cada esfera objetivo: (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011).
de governo pelos seguintes órgãos: I - decidir sobre os aspectos operacionais, financeiros
I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde; e administrativos da gestão compartilhada do SUS,
II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela em conformidade com a definição da política
respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente; consubstanciada em planos de saúde, aprovados
e pelos conselhos de saúde; (Incluído pela Lei nº
III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva 12.466, de 2011).
Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. II - definir diretrizes, de âmbito nacional, regional e
Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios intermunicipal, a respeito da organização das redes
para desenvolver em conjunto as ações e os serviços de ações e serviços de saúde, principalmente no
de saúde que lhes correspondam. tocante à sua governança institucional e à integração
§ 1º Aplica-se aos consórcios administrativos das ações e serviços dos entes federados; (Incluído
intermunicipais o princípio da direção única, e os pela Lei nº 12.466, de 2011).
respectivos atos constitutivos disporão sobre sua III - fixar diretrizes sobre as regiões de saúde, distrito
observância. sanitário, integração de territórios, referência e
§ 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde contrarreferência e demais aspectos vinculados à
(SUS), poderá organizar-se em distritos de forma a integração das ações e serviços de saúde entre os
integrar e articular recursos, técnicas e práticas entes federados. (Incluído pela Lei nº 12.466, de
voltadas para a cobertura total das ações de saúde. 2011).
Art. 11. (Vetado). Art. 14-B. O Conselho Nacional de Secretários de
Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias
âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional Municipais de Saúde (Conasems) são reconhecidos
de Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos como entidades representativas dos entes estaduais
competentes e por entidades representativas da e municipais para tratar de matérias referentes à
sociedade civil. saúde e declarados de utilidade pública e de
Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão a relevante função social, na forma do
finalidade de articular políticas e programas de regulamento. (Incluído pela Lei nº 12.466, de
interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas 2011).
não compreendidas no âmbito do Sistema Único de § 1o O Conass e o Conasems receberão recursos do
Saúde (SUS). orçamento geral da União por meio do Fundo

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Nacional de Saúde, para auxiliar no custeio de suas esfera administrativa correspondente poderá
despesas institucionais, podendo ainda celebrar requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais
convênios com a União. (Incluído pela Lei nº como de jurídicas, sendo-lhes assegurada justa
12.466, de 2011). indenização;
§ 2o Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue,
(Cosems) são reconhecidos como entidades que Componentes e Derivados;
representam os entes municipais, no âmbito XV - propor a celebração de convênios, acordos e
estadual, para tratar de matérias referentes à saúde, protocolos internacionais relativos à saúde,
desde que vinculados institucionalmente ao saneamento e meio ambiente;
Conasems, na forma que dispuserem seus XVI - elaborar normas técnico-científicas de
estatutos. (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). promoção, proteção e recuperação da saúde;
CAPÍTULO IV XVII - promover articulação com os órgãos de
Da Competência e das Atribuições fiscalização do exercício profissional e outras
Seção I entidades representativas da sociedade civil para a
Das Atribuições Comuns definição e controle dos padrões éticos para
Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os pesquisa, ações e serviços de saúde;
Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, XVIII - promover a articulação da política e dos planos
as seguintes atribuições: de saúde;
I - definição das instâncias e mecanismos de controle, XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde;
avaliação e de fiscalização das ações e serviços de XX - definir as instâncias e mecanismos de controle e
saúde; fiscalização inerentes ao poder de polícia sanitária;
II - administração dos recursos orçamentários e XXI - fomentar, coordenar e executar programas e
financeiros destinados, em cada ano, à saúde; projetos estratégicos e de atendimento emergencial.
III - acompanhamento, avaliação e divulgação do nível Seção II
de saúde da população e das condições ambientais; Da Competência
IV - organização e coordenação do sistema de Art. 16. A direção nacional do Sistema Único da Saúde
informação de saúde; (SUS) compete:
V - elaboração de normas técnicas e estabelecimento I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação
de padrões de qualidade e parâmetros de custos que e nutrição;
caracterizam a assistência à saúde; II - participar na formulação e na implementação das
VI - elaboração de normas técnicas e estabelecimento políticas:
de padrões de qualidade para promoção da saúde do a) de controle das agressões ao meio ambiente;
trabalhador; b) de saneamento básico; e
VII - participação de formulação da política e da c) relativas às condições e aos ambientes de trabalho;
execução das ações de saneamento básico e III - definir e coordenar os sistemas:
colaboração na proteção e recuperação do meio a) de redes integradas de assistência de alta
ambiente; complexidade;
VIII - elaboração e atualização periódica do plano de b) de rede de laboratórios de saúde pública;
saúde; c) de vigilância epidemiológica; e
IX - participação na formulação e na execução da d) vigilância sanitária;
política de formação e desenvolvimento de recursos IV - participar da definição de normas e mecanismos
humanos para a saúde; de controle, com órgão afins, de agravo sobre o meio
X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema ambiente ou dele decorrentes, que tenham
Único de Saúde (SUS), de conformidade com o plano repercussão na saúde humana;
de saúde; V - participar da definição de normas, critérios e
XI - elaboração de normas para regular as atividades padrões para o controle das condições e dos
de serviços privados de saúde, tendo em vista a sua ambientes de trabalho e coordenar a política de
relevância pública; saúde do trabalhador;
XII - realização de operações externas de natureza VI - coordenar e participar na execução das ações de
financeira de interesse da saúde, autorizadas pelo vigilância epidemiológica;
Senado Federal; VII - estabelecer normas e executar a vigilância
XIII - para atendimento de necessidades coletivas, sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo
urgentes e transitórias, decorrentes de situações de a execução ser complementada pelos Estados,
perigo iminente, de calamidade pública ou de Distrito Federal e Municípios;
irrupção de epidemias, a autoridade competente da

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VIII - estabelecer critérios, parâmetros e métodos IV - coordenar e, em caráter complementar, executar
para o controle da qualidade sanitária de produtos, ações e serviços:
substâncias e serviços de consumo e uso humano; a) de vigilância epidemiológica;
IX - promover articulação com os órgãos educacionais b) de vigilância sanitária;
e de fiscalização do exercício profissional, bem como c) de alimentação e nutrição; e
com entidades representativas de formação de d) de saúde do trabalhador;
recursos humanos na área de saúde; V - participar, junto com os órgãos afins, do controle
X - formular, avaliar, elaborar normas e participar na dos agravos do meio ambiente que tenham
execução da política nacional e produção de insumos repercussão na saúde humana;
e equipamentos para a saúde, em articulação com os VI - participar da formulação da política e da execução
demais órgãos governamentais; de ações de saneamento básico;
XI - identificar os serviços estaduais e municipais de VII - participar das ações de controle e avaliação das
referência nacional para o estabelecimento de condições e dos ambientes de trabalho;
padrões técnicos de assistência à saúde; VIII - em caráter suplementar, formular, executar,
XII - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e acompanhar e avaliar a política de insumos e
substâncias de interesse para a saúde; equipamentos para a saúde;
XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos IX - identificar estabelecimentos hospitalares de
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o referência e gerir sistemas públicos de alta
aperfeiçoamento da sua atuação institucional; complexidade, de referência estadual e regional;
XIV - elaborar normas para regular as relações entre X - coordenar a rede estadual de laboratórios de
o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados saúde pública e hemocentros, e gerir as unidades que
contratados de assistência à saúde; permaneçam em sua organização administrativa;
XV - promover a descentralização para as Unidades XI - estabelecer normas, em caráter suplementar,
Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações para o controle e avaliação das ações e serviços de
de saúde, respectivamente, de abrangência estadual saúde;
e municipal; XII - formular normas e estabelecer padrões, em
XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o caráter suplementar, de procedimentos de controle
Sistema Nacional de Sangue, Componentes e de qualidade para produtos e substâncias de
Derivados; consumo humano;
XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações e os XIII - colaborar com a União na execução da vigilância
serviços de saúde, respeitadas as competências sanitária de portos, aeroportos e fronteiras;
estaduais e municipais; XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação
XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional dos indicadores de morbidade e mortalidade no
no âmbito do SUS, em cooperação técnica com os âmbito da unidade federada.
Estados, Municípios e Distrito Federal; Art. 18. À direção municipal do Sistema de Saúde
XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e (SUS) compete:
coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os
todo o Território Nacional em cooperação técnica serviços de saúde e gerir e executar os serviços
com os Estados, Municípios e Distrito públicos de saúde;
Federal. (Vide Decreto nº 1.651, de 1995) II - participar do planejamento, programação e
Parágrafo único. A União poderá executar ações de organização da rede regionalizada e hierarquizada do
vigilância epidemiológica e sanitária em Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com
circunstâncias especiais, como na ocorrência de sua direção estadual;
agravos inusitados à saúde, que possam escapar do III - participar da execução, controle e avaliação das
controle da direção estadual do Sistema Único de ações referentes às condições e aos ambientes de
Saúde (SUS) ou que representem risco de trabalho;
disseminação nacional. IV - executar serviços:
Art. 17. À direção estadual do Sistema Único de Saúde a) de vigilância epidemiológica;
(SUS) compete: b) vigilância sanitária;
I - promover a descentralização para os Municípios c) de alimentação e nutrição;
dos serviços e das ações de saúde; d) de saneamento básico; e
II - acompanhar, controlar e avaliar as redes e) de saúde do trabalhador;
hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); V - dar execução, no âmbito municipal, à política de
III - prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios insumos e equipamentos para a saúde;
e executar supletivamente ações e serviços de saúde;

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VI - colaborar na fiscalização das agressões ao meio e integração institucional. (Incluído pela Lei nº
ambiente que tenham repercussão sobre a saúde 9.836, de 1999)
humana e atuar, junto aos órgãos municipais, Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena
estaduais e federais competentes, para controlá-las; deverá ser, como o SUS, descentralizado,
VII - formar consórcios administrativos hierarquizado e regionalizado. (Incluído pela Lei nº
intermunicipais; 9.836, de 1999)
VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e § 1o O Subsistema de que trata o caput deste artigo
hemocentros; terá como base os Distritos Sanitários Especiais
IX - colaborar com a União e os Estados na execução Indígenas. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
da vigilância sanitária de portos, aeroportos e § 2o O SUS servirá de retaguarda e referência ao
fronteiras; Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, devendo,
X - observado o disposto no art. 26 desta Lei, celebrar para isso, ocorrer adaptações na estrutura e
contratos e convênios com entidades prestadoras de organização do SUS nas regiões onde residem as
serviços privados de saúde, bem como controlar e populações indígenas, para propiciar essa integração
avaliar sua execução; e o atendimento necessário em todos os níveis, sem
XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos discriminações. (Incluído pela Lei nº 9.836, de
serviços privados de saúde; 1999)
XII - normatizar complementarmente as ações e § 3o As populações indígenas devem ter acesso
serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação. garantido ao SUS, em âmbito local, regional e de
Art. 19. Ao Distrito Federal competem as atribuições centros especializados, de acordo com suas
reservadas aos Estados e aos Municípios. necessidades, compreendendo a atenção primária,
CAPÍTULO V secundária e terciária à saúde. (Incluído pela Lei
Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena nº 9.836, de 1999)
(Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a
Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados para participar dos organismos colegiados de formulação,
o atendimento das populações indígenas, em todo o acompanhamento e avaliação das políticas de saúde,
território nacional, coletiva ou individualmente, tais como o Conselho Nacional de Saúde e os
obedecerão ao disposto nesta Lei. (Incluído pela Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde, quando
Lei nº 9.836, de 1999) for o caso. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
Art. 19-B. É instituído um Subsistema de Atenção à CAPÍTULO VI
Saúde Indígena, componente do Sistema Único de DO SUBSISTEMA DE ATENDIMENTO E INTERNAÇÃO
Saúde – SUS, criado e definido por esta Lei, e pela Lei DOMICILIAR
no 8.142, de 28 de dezembro de 1990, com o qual (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)
funcionará em perfeita integração. (Incluído pela Art. 19-I. São estabelecidos, no âmbito do Sistema
Lei nº 9.836, de 1999) Único de Saúde, o atendimento domiciliar e a
Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos internação domiciliar. (Incluído pela Lei nº 10.424,
próprios, financiar o Subsistema de Atenção à Saúde de 2002)
Indígena. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) § 1o Na modalidade de assistência de atendimento e
Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação do internação domiciliares incluem-se, principalmente,
Subsistema instituído por esta Lei com os órgãos os procedimentos médicos, de enfermagem,
responsáveis pela Política Indígena do fisioterapêuticos, psicológicos e de assistência social,
País. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) entre outros necessários ao cuidado integral dos
Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras instituições pacientes em seu domicílio. (Incluído pela Lei nº
governamentais e não-governamentais poderão 10.424, de 2002)
atuar complementarmente no custeio e execução das § 2o O atendimento e a internação domiciliares serão
ações. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) realizados por equipes multidisciplinares que atuarão
Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em nos níveis da medicina preventiva, terapêutica e
consideração a realidade local e as especificidades da reabilitadora. (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)
cultura dos povos indígenas e o modelo a ser adotado § 3o O atendimento e a internação domiciliares só
para a atenção à saúde indígena, que se deve pautar poderão ser realizados por indicação médica, com
por uma abordagem diferenciada e global, expressa concordância do paciente e de sua
contemplando os aspectos de assistência à saúde, família. (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)
saneamento básico, nutrição, habitação, meio CAPÍTULO VII
ambiente, demarcação de terras, educação sanitária DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DURANTE
O TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS-PARTO

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IMEDIATO gestores do SUS. (Incluído pela Lei nº 12.401, de
(Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) 2011)
Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de Art. 19-O. Os protocolos clínicos e as diretrizes
Saúde - SUS, da rede própria ou conveniada, ficam terapêuticas deverão estabelecer os medicamentos
obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, ou produtos necessários nas diferentes fases
de 1 (um) acompanhante durante todo o período de evolutivas da doença ou do agravo à saúde de que
trabalho de parto, parto e pós-parto tratam, bem como aqueles indicados em casos de
imediato. (Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) perda de eficácia e de surgimento de intolerância ou
§ 1o O acompanhante de que trata o caput deste reação adversa relevante, provocadas pelo
artigo será indicado pela parturiente. (Incluído medicamento, produto ou procedimento de primeira
pela Lei nº 11.108, de 2005) escolha. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
§ 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno exercício Parágrafo único. Em qualquer caso, os medicamentos
dos direitos de que trata este artigo constarão do ou produtos de que trata o caput deste artigo serão
regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão aqueles avaliados quanto à sua eficácia, segurança,
competente do Poder Executivo. (Incluído pela efetividade e custo-efetividade para as diferentes
Lei nº 11.108, de 2005) fases evolutivas da doença ou do agravo à saúde de
§ 3o Ficam os hospitais de todo o País obrigados a que trata o protocolo. (Incluído pela Lei nº 12.401,
manter, em local visível de suas dependências, aviso de 2011)
informando sobre o direito estabelecido Art. 19-P. Na falta de protocolo clínico ou de diretriz
no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº terapêutica, a dispensação será
12.895, de 2013) realizada: (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
Art. 19-L. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.108, I - com base nas relações de medicamentos
de 2005) instituídas pelo gestor federal do SUS, observadas as
CAPÍTULO VIII competências estabelecidas nesta Lei, e a
(Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) responsabilidade pelo fornecimento será pactuada
DA ASSISTÊNCIA TERAPÊUTICA E DA INCORPORAÇÃO na Comissão Intergestores Tripartite; (Incluído
DE TECNOLOGIA EM SAÚDE” pela Lei nº 12.401, de 2011)
Art. 19-M. A assistência terapêutica integral a que se II - no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de
refere a alínea d do inciso I do art. 6o consiste forma suplementar, com base nas relações de
em: (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) medicamentos instituídas pelos gestores estaduais
I - dispensação de medicamentos e produtos de do SUS, e a responsabilidade pelo fornecimento será
interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em pactuada na Comissão Intergestores
conformidade com as diretrizes terapêuticas Bipartite; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
definidas em protocolo clínico para a doença ou o III - no âmbito de cada Município, de forma
agravo à saúde a ser tratado ou, na falta do protocolo, suplementar, com base nas relações de
em conformidade com o disposto no art. 19- medicamentos instituídas pelos gestores municipais
P; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) do SUS, e a responsabilidade pelo fornecimento será
II - oferta de procedimentos terapêuticos, em regime pactuada no Conselho Municipal de
domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes de Saúde. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
tabelas elaboradas pelo gestor federal do Sistema Art. 19-Q. A incorporação, a exclusão ou a alteração
Único de Saúde - SUS, realizados no território pelo SUS de novos medicamentos, produtos e
nacional por serviço próprio, conveniado ou procedimentos, bem como a constituição ou a
contratado. alteração de protocolo clínico ou de diretriz
Art. 19-N. Para os efeitos do disposto no art. 19-M, terapêutica, são atribuições do Ministério da Saúde,
são adotadas as seguintes definições: assessorado pela Comissão Nacional de Incorporação
I - produtos de interesse para a saúde: órteses, de Tecnologias no SUS. (Incluído pela Lei nº
próteses, bolsas coletoras e equipamentos médicos; 12.401, de 2011)
II - protocolo clínico e diretriz terapêutica: § 1o A Comissão Nacional de Incorporação de
documento que estabelece critérios para o Tecnologias no SUS, cuja composição e regimento são
diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; o definidos em regulamento, contará com a
tratamento preconizado, com os medicamentos e participação de 1 (um) representante indicado pelo
demais produtos apropriados, quando couber; as Conselho Nacional de Saúde e de 1 (um)
posologias recomendadas; os mecanismos de representante, especialista na área, indicado pelo
controle clínico; e o acompanhamento e a verificação Conselho Federal de Medicina. (Incluído pela Lei
dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos nº 12.401, de 2011)

19
§ 2o O relatório da Comissão Nacional de II - a dispensação, o pagamento, o ressarcimento ou
Incorporação de Tecnologias no SUS levará em o reembolso de medicamento e produto, nacional ou
consideração, necessariamente: (Incluído pela Lei importado, sem registro na Anvisa.”
nº 12.401, de 2011) Art. 19-U. A responsabilidade financeira pelo
I - as evidências científicas sobre a eficácia, a acurácia, fornecimento de medicamentos, produtos de
a efetividade e a segurança do medicamento, interesse para a saúde ou procedimentos de que trata
produto ou procedimento objeto do processo, este Capítulo será pactuada na Comissão
acatadas pelo órgão competente para o registro ou a Intergestores Tripartite. (Incluído pela Lei nº
autorização de uso; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 12.401, de 2011)
2011) TÍTULO III
II - a avaliação econômica comparativa dos benefícios DOS SERVIÇOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÙDE
e dos custos em relação às tecnologias já CAPÍTULO I
incorporadas, inclusive no que se refere aos Do Funcionamento
atendimentos domiciliar, ambulatorial ou hospitalar, Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde
quando cabível. (Incluído pela Lei nº 12.401, de caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria,
2011) de profissionais liberais, legalmente habilitados, e de
Art. 19-R. A incorporação, a exclusão e a alteração a pessoas jurídicas de direito privado na promoção,
que se refere o art. 19-Q serão efetuadas mediante a proteção e recuperação da saúde.
instauração de processo administrativo, a ser Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa
concluído em prazo não superior a 180 (cento e privada.
oitenta) dias, contado da data em que foi protocolado Art. 22. Na prestação de serviços privados de
o pedido, admitida a sua prorrogação por 90 assistência à saúde, serão observados os princípios
(noventa) dias corridos, quando as circunstâncias éticos e as normas expedidas pelo órgão de direção
exigirem. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto às condições
o
§ 1 O processo de que trata o caput deste artigo para seu funcionamento.
observará, no que couber, o disposto na Lei no 9.784, Art. 23. É permitida a participação direta ou indireta,
de 29 de janeiro de 1999, e as seguintes inclusive controle, de empresas ou de capital
determinações especiais: (Incluído pela Lei nº estrangeiro na assistência à saúde nos seguintes
12.401, de 2011) casos: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015)
I - apresentação pelo interessado dos documentos e, I - doações de organismos internacionais vinculados à
se cabível, das amostras de produtos, na forma do Organização das Nações Unidas, de entidades de
regulamento, com informações necessárias para o cooperação técnica e de financiamento e
atendimento do disposto no § 2o do art. 19- empréstimos; (Incluído pela Lei nº 13.097, de
Q; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) 2015)
II - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) II - pessoas jurídicas destinadas a instalar,
III - realização de consulta pública que inclua a operacionalizar ou explorar: (Incluído pela Lei nº
divulgação do parecer emitido pela Comissão 13.097, de 2015)
Nacional de Incorporação de Tecnologias no a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital
SUS; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) especializado, policlínica, clínica geral e clínica
IV - realização de audiência pública, antes da tomada especializada; e (Incluído pela Lei nº 13.097, de
de decisão, se a relevância da matéria justificar o 2015)
evento. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) b) ações e pesquisas de planejamento
§ 2o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.401, de familiar; (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
2011) III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade
Art. 19-S. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.401, lucrativa, por empresas, para atendimento de seus
de 2011) empregados e dependentes, sem qualquer ônus para
Art. 19-T. São vedados, em todas as esferas de gestão a seguridade social; e (Incluído pela Lei nº 13.097,
do SUS: (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) de 2015)
I - o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de IV - demais casos previstos em legislação
medicamento, produto e procedimento clínico ou específica. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
cirúrgico experimental, ou de uso não autorizado pela CAPÍTULO II
Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Da Participação Complementar
ANVISA; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem
insuficientes para garantir a cobertura assistencial à
população de uma determinada área, o Sistema

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Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços § 1° Os servidores que legalmente acumulam dois
ofertados pela iniciativa privada. cargos ou empregos poderão exercer suas atividades
Parágrafo único. A participação complementar dos em mais de um estabelecimento do Sistema Único de
serviços privados será formalizada mediante contrato Saúde (SUS).
ou convênio, observadas, a respeito, as normas de § 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se
direito público. também aos servidores em regime de tempo integral,
Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades com exceção dos ocupantes de cargos ou função de
filantrópicas e as sem fins lucrativos terão preferência chefia, direção ou assessoramento.
para participar do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 29. (Vetado).
Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de Art. 30. As especializações na forma de treinamento
serviços e os parâmetros de cobertura assistencial em serviço sob supervisão serão regulamentadas por
serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema Comissão Nacional, instituída de acordo com o art. 12
Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho desta Lei, garantida a participação das entidades
Nacional de Saúde. profissionais correspondentes.
§ 1° Na fixação dos critérios, valores, formas de TÍTULO V
reajuste e de pagamento da remuneração aludida DO FINANCIAMENTO
neste artigo, a direção nacional do Sistema Único de CAPÍTULO I
Saúde (SUS) deverá fundamentar seu ato em Dos Recursos
demonstrativo econômico-financeiro que garanta a Art. 31. O orçamento da seguridade social destinará
efetiva qualidade de execução dos serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com a
contratados. receita estimada, os recursos necessários à realização
§ 2° Os serviços contratados submeter-se-ão às de suas finalidades, previstos em proposta elaborada
normas técnicas e administrativas e aos princípios e pela sua direção nacional, com a participação dos
diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), mantido órgãos da Previdência Social e da Assistência Social,
o equilíbrio econômico e financeiro do contrato. tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas
§ 3° (Vetado). na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
§ 4° Aos proprietários, administradores e dirigentes Art. 32. São considerados de outras fontes os recursos
de entidades ou serviços contratados é vedado provenientes de:
exercer cargo de chefia ou função de confiança no I - (Vetado)
Sistema Único de Saúde (SUS). II - Serviços que possam ser prestados sem prejuízo
TÍTULO IV da assistência à saúde;
DOS RECURSOS HUMANOS III - ajuda, contribuições, doações e donativos;
Art. 27. A política de recursos humanos na área da IV - alienações patrimoniais e rendimentos de capital;
saúde será formalizada e executada, V - taxas, multas, emolumentos e preços públicos
articuladamente, pelas diferentes esferas de arrecadados no âmbito do Sistema Único de Saúde
governo, em cumprimento dos seguintes objetivos: (SUS); e
I - organização de um sistema de formação de VI - rendas eventuais, inclusive comerciais e
recursos humanos em todos os níveis de ensino, industriais.
inclusive de pós-graduação, além da elaboração de § 1° Ao Sistema Único de Saúde (SUS) caberá metade
programas de permanente aperfeiçoamento de da receita de que trata o inciso I deste artigo, apurada
pessoal; mensalmente, a qual será destinada à recuperação de
II - (Vetado) viciados.
III - (Vetado) § 2° As receitas geradas no âmbito do Sistema Único
IV - valorização da dedicação exclusiva aos serviços do de Saúde (SUS) serão creditadas diretamente em
Sistema Único de Saúde (SUS). contas especiais, movimentadas pela sua direção, na
Parágrafo único. Os serviços públicos que integram o esfera de poder onde forem arrecadadas.
Sistema Único de Saúde (SUS) constituem campo de § 3º As ações de saneamento que venham a ser
prática para ensino e pesquisa, mediante normas executadas supletivamente pelo Sistema Único de
específicas, elaboradas conjuntamente com o Saúde (SUS), serão financiadas por recursos tarifários
sistema educacional. específicos e outros da União, Estados, Distrito
Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção e Federal, Municípios e, em particular, do Sistema
assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Financeiro da Habitação (SFH).
Saúde (SUS), só poderão ser exercidas em regime de § 4º (Vetado).
tempo integral. § 5º As atividades de pesquisa e desenvolvimento
científico e tecnológico em saúde serão co-

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financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pelas ponderados por outros indicadores de crescimento
universidades e pelo orçamento fiscal, além de populacional, em especial o número de eleitores
recursos de instituições de fomento e financiamento registrados.
ou de origem externa e receita própria das § 6º O disposto no parágrafo anterior não prejudica a
instituições executoras. atuação dos órgãos de controle interno e externo e
§ 6º (Vetado). nem a aplicação de penalidades previstas em lei, em
CAPÍTULO II caso de irregularidades verificadas na gestão dos
Da Gestão Financeira recursos transferidos.
Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de CAPÍTULO III
Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em Do Planejamento e do Orçamento
cada esfera de sua atuação, e movimentados sob Art. 36. O processo de planejamento e orçamento do
fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde. Sistema Único de Saúde (SUS) será ascendente, do
§ 1º Na esfera federal, os recursos financeiros, nível local até o federal, ouvidos seus órgãos
originários do Orçamento da Seguridade Social, de deliberativos, compatibilizando-se as necessidades
outros Orçamentos da União, além de outras fontes, da política de saúde com a disponibilidade de
serão administrados pelo Ministério da Saúde, recursos em planos de saúde dos Municípios, dos
através do Fundo Nacional de Saúde. Estados, do Distrito Federal e da União.
§ 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através de § 1º Os planos de saúde serão a base das atividades e
seu sistema de auditoria, a conformidade à programações de cada nível de direção do Sistema
programação aprovada da aplicação dos recursos Único de Saúde (SUS), e seu financiamento será
repassados a Estados e Municípios. Constatada a previsto na respectiva proposta orçamentária.
malversação, desvio ou não aplicação dos recursos, § 2º É vedada a transferência de recursos para o
caberá ao Ministério da Saúde aplicar as medidas financiamento de ações não previstas nos planos de
previstas em lei. saúde, exceto em situações emergenciais ou de
Art. 34. As autoridades responsáveis pela distribuição calamidade pública, na área de saúde.
da receita efetivamente arrecadada transferirão Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá
automaticamente ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), as diretrizes a serem observadas na elaboração dos
observado o critério do parágrafo único deste artigo, planos de saúde, em função das características
os recursos financeiros correspondentes às dotações epidemiológicas e da organização dos serviços em
consignadas no Orçamento da Seguridade Social, a cada jurisdição administrativa.
projetos e atividades a serem executados no âmbito Art. 38. Não será permitida a destinação de
do Sistema Único de Saúde (SUS). subvenções e auxílios a instituições prestadoras de
Parágrafo único. Na distribuição dos recursos serviços de saúde com finalidade lucrativa.
financeiros da Seguridade Social será observada a DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
mesma proporção da despesa prevista de cada área, Art. 39. (Vetado).
no Orçamento da Seguridade Social. § 1º (Vetado).
Art. 35. Para o estabelecimento de valores a serem § 2º (Vetado).
transferidos a Estados, Distrito Federal e Municípios, § 3º (Vetado).
será utilizada a combinação dos seguintes critérios, § 4º (Vetado).
segundo análise técnica de programas e projetos: § 5º A cessão de uso dos imóveis de propriedade do
I - perfil demográfico da região; Inamps para órgãos integrantes do Sistema Único de
II - perfil epidemiológico da população a ser coberta; Saúde (SUS) será feita de modo a preservá-los como
III - características quantitativas e qualitativas da rede patrimônio da Seguridade Social.
de saúde na área; § 6º Os imóveis de que trata o parágrafo anterior
IV - desempenho técnico, econômico e financeiro no serão inventariados com todos os seus acessórios,
período anterior; equipamentos e outros bens móveis e ficarão
V - níveis de participação do setor saúde nos disponíveis para utilização pelo órgão de direção
orçamentos estaduais e municipais; municipal do Sistema Único de Saúde - SUS ou,
VI - previsão do plano qüinqüenal de investimentos eventualmente, pelo estadual, em cuja circunscrição
da rede; administrativa se encontrem, mediante simples
VII - ressarcimento do atendimento a serviços termo de recebimento.
prestados para outras esferas de governo. § 7º (Vetado).
§ 2º Nos casos de Estados e Municípios sujeitos a § 8º O acesso aos serviços de informática e bases de
notório processo de migração, os critérios dados, mantidos pelo Ministério da Saúde e pelo
demográficos mencionados nesta lei serão Ministério do Trabalho e da Previdência Social, será

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assegurado às Secretarias Estaduais e Municipais de ficarão rescindidos à proporção que seu objeto for
Saúde ou órgãos congêneres, como suporte ao sendo absorvido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
processo de gestão, de forma a permitir a gerencia Art. 51. (Vetado).
informatizada das contas e a disseminação de Art. 52. Sem prejuízo de outras sanções cabíveis,
estatísticas sanitárias e epidemiológicas médico- constitui crime de emprego irregular de verbas ou
hospitalares. rendas públicas (Código Penal, art. 315) a utilização
Art. 40. (Vetado) de recursos financeiros do Sistema Único de Saúde
Art. 41. As ações desenvolvidas pela Fundação das (SUS) em finalidades diversas das previstas nesta lei.
Pioneiras Sociais e pelo Instituto Nacional do Câncer, Art. 53. (Vetado).
supervisionadas pela direção nacional do Sistema Art. 53-A. Na qualidade de ações e serviços de saúde,
Único de Saúde (SUS), permanecerão como as atividades de apoio à assistência à saúde são
referencial de prestação de serviços, formação de aquelas desenvolvidas pelos laboratórios de genética
recursos humanos e para transferência de tecnologia. humana, produção e fornecimento de medicamentos
Art. 42. (Vetado). e produtos para saúde, laboratórios de analises
Art. 43. A gratuidade das ações e serviços de saúde clínicas, anatomia patológica e de diagnóstico por
fica preservada nos serviços públicos contratados, imagem e são livres à participação direta ou indireta
ressalvando-se as cláusulas dos contratos ou de empresas ou de capitais
convênios estabelecidos com as entidades privadas. estrangeiros. (Incluído pela Lei nº 13.097, de
Art. 44. (Vetado). 2015)
Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais Art. 54. Esta lei entra em vigor na data de sua
universitários e de ensino integram-se ao Sistema publicação.
Único de Saúde (SUS), mediante convênio, Art. 55. São revogadas a Lei nº. 2.312, de 3 de
preservada a sua autonomia administrativa, em setembro de 1954, a Lei nº. 6.229, de 17 de julho de
relação ao patrimônio, aos recursos humanos e 1975, e demais disposições em contrário.
financeiros, ensino, pesquisa e extensão nos limites Brasília, 19 de setembro de 1990; 169º da
conferidos pelas instituições a que estejam Independência e 102º da República.
vinculados. FERNANDO COLLOR
§ 1º Os serviços de saúde de sistemas estaduais e Alceni Guerra
municipais de previdência social deverão integrar-se
à direção correspondente do Sistema Único de Saúde LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990.
(SUS), conforme seu âmbito de atuação, bem como
quaisquer outros órgãos e serviços de saúde. Dispõe sobre a participação
§ 2º Em tempo de paz e havendo interesse recíproco, da comunidade na gestão do
os serviços de saúde das Forças Armadas poderão Sistema Único de Saúde
integrar-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), (SUS} e sobre as
conforme se dispuser em convênio que, para esse transferências
fim, for firmado. intergovernamentais de
Art. 46. o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecerá recursos financeiros na área
mecanismos de incentivos à participação do setor da saúde e dá outras
privado no investimento em ciência e tecnologia e providências.
estimulará a transferência de tecnologia das O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o
universidades e institutos de pesquisa aos serviços de Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
saúde nos Estados, Distrito Federal e Municípios, e às lei:
empresas nacionais. Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que
Art. 47. O Ministério da Saúde, em articulação com os trata a Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990,
níveis estaduais e municipais do Sistema Único de contará, em cada esfera de governo, sem prejuízo das
Saúde (SUS), organizará, no prazo de dois anos, um funções do Poder Legislativo, com as seguintes
sistema nacional de informações em saúde, integrado instâncias colegiadas:
em todo o território nacional, abrangendo questões I - a Conferência de Saúde; e
epidemiológicas e de prestação de serviços. II - o Conselho de Saúde.
Art. 48. (Vetado). § 1° A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada
Art. 49. (Vetado). quatro anos com a representação dos vários
Art. 50. Os convênios entre a União, os Estados e os segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e
Municípios, celebrados para implantação dos propor as diretrizes para a formulação da política de
Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde, saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo

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Poder Executivo ou, extraordinariamente, por esta ou remanejando, entre si, parcelas de recursos previstos
pelo Conselho de Saúde. no inciso IV do art. 2° desta lei.
§ 2° O Conselho de Saúde, em caráter permanente Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata
e deliberativo, órgão colegiado composto por o art. 3° desta lei, os Municípios, os Estados e o
representantes do governo, prestadores de serviço, Distrito Federal deverão contar com:
profissionais de saúde e usuários, atua na formulação I - Fundo de Saúde;
de estratégias e no controle da execução da política II - Conselho de Saúde, com composição paritária
de saúde na instância correspondente, inclusive nos de acordo com o Decreto n° 99.438, de 7 de agosto
aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões de 1990;
serão homologadas pelo chefe do poder legalmente III - plano de saúde;
constituído em cada esfera do governo. IV - relatórios de gestão que permitam o controle
§ 3° O Conselho Nacional de Secretários de Saúde de que trata o § 4° do art. 33 da Lei n° 8.080, de 19 de
(Conass) e o Conselho Nacional de Secretários setembro de 1990;
Municipais de Saúde (Conasems) terão representação V - contrapartida de recursos para a saúde no
no Conselho Nacional de Saúde. respectivo orçamento;
§ 4° A representação dos usuários nos Conselhos VI - Comissão de elaboração do Plano de Carreira,
de Saúde e Conferências será paritária em relação ao Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de dois anos
conjunto dos demais segmentos. para sua implantação.
§ 5° As Conferências de Saúde e os Conselhos de Parágrafo único. O não atendimento pelos
Saúde terão sua organização e normas de Municípios, ou pelos Estados, ou pelo Distrito
funcionamento definidas em regimento próprio, Federal, dos requisitos estabelecidos neste artigo,
aprovadas pelo respectivo conselho. implicará em que os recursos concernentes sejam
Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde administrados, respectivamente, pelos Estados ou
(FNS) serão alocados como: pela União.
I - despesas de custeio e de capital do Ministério Art. 5° É o Ministério da Saúde, mediante portaria
da Saúde, seus órgãos e entidades, da administração do Ministro de Estado, autorizado a estabelecer
direta e indireta; condições para aplicação desta lei.
II - investimentos previstos em lei orçamentária, Art. 6° Esta lei entra em vigor na data de sua
de iniciativa do Poder Legislativo e aprovados pelo publicação.
Congresso Nacional; Art. 7° Revogam-se as disposições em contrário.
III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal
do Ministério da Saúde; DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011.
IV - cobertura das ações e serviços de saúde a
serem implementados pelos Municípios, Estados e Regulamenta a Lei no 8.080, de 19 de setembro de
Distrito Federal. 1990, para dispor sobre a organização do Sistema
Parágrafo único. Os recursos referidos no inciso Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a
IV deste artigo destinar-se-ão a investimentos na rede assistência à saúde e a articulação interfederativa, e
de serviços, à cobertura assistencial ambulatorial e dá outras providências.
hospitalar e às demais ações de saúde. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição
Art. 3° Os recursos referidos no inciso IV do art. que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e
2° desta lei serão repassados de forma regular e tendo em vista o disposto na Lei no 8.080, 19 de
automática para os Municípios, Estados e Distrito setembro de 1990,
Federal, de acordo com os critérios previstos no art. DECRETA:
35 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990. CAPÍTULO I
§ 1° Enquanto não for regulamentada a aplicação DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
dos critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19 Art. 1o Este Decreto regulamenta a Lei no 8.080, de
de setembro de 1990, será utilizado, para o repasse 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a
de recursos, exclusivamente o critério estabelecido organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o
no § 1° do mesmo artigo. (Vide Lei nº 8.080, de 1990) planejamento da saúde, a assistência à saúde e a
§ 2° Os recursos referidos neste artigo serão articulação interfederativa.
destinados, pelo menos setenta por cento, aos Art. 2o Para efeito deste Decreto, considera-se:
Municípios, afetando-se o restante aos Estados. I - Região de Saúde - espaço geográfico contínuo
§ 3° Os Municípios poderão estabelecer consórcio constituído por agrupamentos de Municípios
para execução de ações e serviços de saúde, limítrofes, delimitado a partir de identidades
culturais, econômicas e sociais e de redes de

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comunicação e infraestrutura de transportes Art. 4o As Regiões de Saúde serão instituídas pelo
compartilhados, com a finalidade de integrar a Estado, em articulação com os Municípios,
organização, o planejamento e a execução de ações e respeitadas as diretrizes gerais pactuadas na
serviços de saúde; Comissão Intergestores Tripartite - CIT a que se refere
II - Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde - o inciso I do art. 30.
acordo de colaboração firmado entre entes § 1o Poderão ser instituídas Regiões de Saúde
federativos com a finalidade de organizar e integrar interestaduais, compostas por Municípios limítrofes,
as ações e serviços de saúde na rede regionalizada e por ato conjunto dos respectivos Estados em
hierarquizada, com definição de responsabilidades, articulação com os Municípios.
indicadores e metas de saúde, critérios de avaliação § 2o A instituição de Regiões de Saúde situadas em
de desempenho, recursos financeiros que serão áreas de fronteira com outros países deverá respeitar
disponibilizados, forma de controle e fiscalização de as normas que regem as relações internacionais.
sua execução e demais elementos necessários à Art. 5o Para ser instituída, a Região de Saúde deve
implementação integrada das ações e serviços de conter, no mínimo, ações e serviços de:
saúde; I - atenção primária;
III - Portas de Entrada - serviços de atendimento II - urgência e emergência;
inicial à saúde do usuário no SUS; III - atenção psicossocial;
IV - Comissões Intergestores - instâncias de pactuação IV - atenção ambulatorial especializada e hospitalar;
consensual entre os entes federativos para definição e
das regras da gestão compartilhada do SUS; V - vigilância em saúde.
V - Mapa da Saúde - descrição geográfica da Parágrafo único. A instituição das Regiões de Saúde
distribuição de recursos humanos e de ações e observará cronograma pactuado nas Comissões
serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa Intergestores.
privada, considerando-se a capacidade instalada Art. 6o As Regiões de Saúde serão referência para as
existente, os investimentos e o desempenho aferido transferências de recursos entre os entes federativos.
a partir dos indicadores de saúde do sistema; Art. 7o As Redes de Atenção à Saúde estarão
VI - Rede de Atenção à Saúde - conjunto de ações e compreendidas no âmbito de uma Região de Saúde,
serviços de saúde articulados em níveis de ou de várias delas, em consonância com diretrizes
complexidade crescente, com a finalidade de garantir pactuadas nas Comissões Intergestores.
a integralidade da assistência à saúde; Parágrafo único. Os entes federativos definirão os
VII - Serviços Especiais de Acesso Aberto - serviços de seguintes elementos em relação às Regiões de Saúde:
saúde específicos para o atendimento da pessoa que, I - seus limites geográficos;
em razão de agravo ou de situação laboral, necessita II - população usuária das ações e serviços;
de atendimento especial; e III - rol de ações e serviços que serão ofertados; e
VIII - Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica - IV - respectivas responsabilidades, critérios de
documento que estabelece: critérios para o acessibilidade e escala para conformação dos
diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; o serviços.
tratamento preconizado, com os medicamentos e Seção II
demais produtos apropriados, quando couber; as Da Hierarquização
posologias recomendadas; os mecanismos de Art. 8o O acesso universal, igualitário e ordenado às
controle clínico; e o acompanhamento e a verificação ações e serviços de saúde se inicia pelas Portas de
dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos Entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e
gestores do SUS. hierarquizada, de acordo com a complexidade do
serviço.
CAPÍTULO II Art. 9o São Portas de Entrada às ações e aos serviços
DA ORGANIZAÇÃO DO SUS de saúde nas Redes de Atenção à Saúde os serviços:
Art. 3o O SUS é constituído pela conjugação das I - de atenção primária;
ações e serviços de promoção, proteção e II - de atenção de urgência e emergência;
recuperação da saúde executados pelos entes III - de atenção psicossocial; e
federativos, de forma direta ou indireta, mediante a IV - especiais de acesso aberto.
participação complementar da iniciativa privada, Parágrafo único. Mediante justificativa técnica e de
sendo organizado de forma regionalizada e acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores,
hierarquizada. os entes federativos poderão criar novas Portas de
Seção I Entrada às ações e serviços de saúde, considerando
Das Regiões de Saúde as características da Região de Saúde.

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Art. 10. Os serviços de atenção hospitalar e os serão resultado do planejamento integrado dos entes
ambulatoriais especializados, entre outros de maior federativos, e deverão conter metas de saúde.
complexidade e densidade tecnológica, serão § 3o O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as
referenciados pelas Portas de Entrada de que trata o diretrizes a serem observadas na elaboração dos
art. 9o. planos de saúde, de acordo com as características
Art. 11. O acesso universal e igualitário às ações e aos epidemiológicas e da organização de serviços nos
serviços de saúde será ordenado pela atenção entes federativos e nas Regiões de Saúde.
primária e deve ser fundado na avaliação da Art. 16. No planejamento devem ser considerados os
gravidade do risco individual e coletivo e no critério serviços e as ações prestados pela iniciativa privada,
cronológico, observadas as especificidades previstas de forma complementar ou não ao SUS, os quais
para pessoas com proteção especial, conforme deverão compor os Mapas da Saúde regional,
legislação vigente. estadual e nacional.
Parágrafo único. A população indígena contará com Art. 17. O Mapa da Saúde será utilizado na
regramentos diferenciados de acesso, compatíveis identificação das necessidades de saúde e orientará o
com suas especificidades e com a necessidade de planejamento integrado dos entes federativos,
assistência integral à sua saúde, de acordo com contribuindo para o estabelecimento de metas de
disposições do Ministério da Saúde. saúde.
Art. 12. Ao usuário será assegurada a continuidade Art. 18. O planejamento da saúde em âmbito
do cuidado em saúde, em todas as suas modalidades, estadual deve ser realizado de maneira regionalizada,
nos serviços, hospitais e em outras unidades a partir das necessidades dos Municípios,
integrantes da rede de atenção da respectiva região. considerando o estabelecimento de metas de saúde.
Parágrafo único. As Comissões Intergestores Art. 19. Compete à Comissão Intergestores Bipartite
pactuarão as regras de continuidade do acesso às - CIB de que trata o inciso II do art. 30 pactuar as
ações e aos serviços de saúde na respectiva área de etapas do processo e os prazos do planejamento
atuação. municipal em consonância com os planejamentos
Art. 13. Para assegurar ao usuário o acesso universal, estadual e nacional.
igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde do CAPÍTULO IV
SUS, caberá aos entes federativos, além de outras DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE
atribuições que venham a ser pactuadas pelas Art. 20. A integralidade da assistência à saúde se
Comissões Intergestores: inicia e se completa na Rede de Atenção à Saúde,
I - garantir a transparência, a integralidade e a mediante referenciamento do usuário na rede
equidade no acesso às ações e aos serviços de saúde; regional e interestadual, conforme pactuado nas
II - orientar e ordenar os fluxos das ações e dos Comissões Intergestores.
serviços de saúde; Seção I
III - monitorar o acesso às ações e aos serviços de Da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde -
saúde; e RENASES
IV - ofertar regionalmente as ações e os serviços de Art. 21. A Relação Nacional de Ações e Serviços de
saúde. Saúde - RENASES compreende todas as ações e
Art. 14. O Ministério da Saúde disporá sobre critérios, serviços que o SUS oferece ao usuário para
diretrizes, procedimentos e demais medidas que atendimento da integralidade da assistência à saúde.
auxiliem os entes federativos no cumprimento das Art. 22. O Ministério da Saúde disporá sobre a
atribuições previstas no art. 13. RENASES em âmbito nacional, observadas as
CAPÍTULO III diretrizes pactuadas pela CIT.
DO PLANEJAMENTO DA SAÚDE Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da
Art. 15. O processo de planejamento da saúde será Saúde consolidará e publicará as atualizações da
ascendente e integrado, do nível local até o federal, RENASES.
ouvidos os respectivos Conselhos de Saúde, Art. 23. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
compatibilizando-se as necessidades das políticas de Municípios pactuarão nas respectivas Comissões
saúde com a disponibilidade de recursos financeiros. Intergestores as suas responsabilidades em relação
§ 1o O planejamento da saúde é obrigatório para os ao rol de ações e serviços constantes da RENASES.
entes públicos e será indutor de políticas para a Art. 24. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
iniciativa privada. poderão adotar relações específicas e
§ 2o A compatibilização de que trata o caput será complementares de ações e serviços de saúde, em
efetuada no âmbito dos planos de saúde, os quais consonância com a RENASES, respeitadas as
responsabilidades dos entes pelo seu financiamento,

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de acordo com o pactuado nas Comissões Seção I
Intergestores. Das Comissões Intergestores
Seção II Art. 30. As Comissões Intergestores pactuarão a
Da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - organização e o funcionamento das ações e serviços
RENAME de saúde integrados em redes de atenção à saúde,
Art. 25. A Relação Nacional de Medicamentos sendo:
Essenciais - RENAME compreende a seleção e a I - a CIT, no âmbito da União, vinculada ao Ministério
padronização de medicamentos indicados para da Saúde para efeitos administrativos e operacionais;
atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do II - a CIB, no âmbito do Estado, vinculada à Secretaria
SUS. Estadual de Saúde para efeitos administrativos e
Parágrafo único. A RENAME será acompanhada do operacionais; e
Formulário Terapêutico Nacional - FTN que subsidiará III - a Comissão Intergestores Regional - CIR, no
a prescrição, a dispensação e o uso dos seus âmbito regional, vinculada à Secretaria Estadual de
medicamentos. Saúde para efeitos administrativos e operacionais,
Art. 26. O Ministério da Saúde é o órgão competente devendo observar as diretrizes da CIB.
para dispor sobre a RENAME e os Protocolos Clínicos Art. 31. Nas Comissões Intergestores, os gestores
e Diretrizes Terapêuticas em âmbito nacional, públicos de saúde poderão ser representados pelo
observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS,
Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de
Saúde consolidará e publicará as atualizações da Saúde - CONASEMS e pelo Conselho Estadual de
RENAME, do respectivo FTN e dos Protocolos Clínicos Secretarias Municipais de Saúde - COSEMS.
e Diretrizes Terapêuticas. Art. 32. As Comissões Intergestores pactuarão:
Art. 27. O Estado, o Distrito Federal e o Município I - aspectos operacionais, financeiros e
poderão adotar relações específicas e administrativos da gestão compartilhada do SUS, de
complementares de medicamentos, em consonância acordo com a definição da política de saúde dos entes
com a RENAME, respeitadas as responsabilidades dos federativos, consubstanciada nos seus planos de
entes pelo financiamento de medicamentos, de saúde, aprovados pelos respectivos conselhos de
acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores. saúde;
Art. 28. O acesso universal e igualitário à assistência II - diretrizes gerais sobre Regiões de Saúde,
farmacêutica pressupõe, cumulativamente: integração de limites geográficos, referência e
I - estar o usuário assistido por ações e serviços de contrarreferência e demais aspectos vinculados à
saúde do SUS; integração das ações e serviços de saúde entre os
II - ter o medicamento sido prescrito por profissional entes federativos;
de saúde, no exercício regular de suas funções no III - diretrizes de âmbito nacional, estadual, regional e
SUS; interestadual, a respeito da organização das redes de
III - estar a prescrição em conformidade com a atenção à saúde, principalmente no tocante à gestão
RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes institucional e à integração das ações e serviços dos
Terapêuticas ou com a relação específica entes federativos;
complementar estadual, distrital ou municipal de IV - responsabilidades dos entes federativos na Rede
medicamentos; e de Atenção à Saúde, de acordo com o seu porte
IV - ter a dispensação ocorrido em unidades indicadas demográfico e seu desenvolvimento econômico-
pela direção do SUS. financeiro, estabelecendo as responsabilidades
§ 1o Os entes federativos poderão ampliar o acesso individuais e as solidárias; e
do usuário à assistência farmacêutica, desde que V - referências das regiões intraestaduais e
questões de saúde pública o justifiquem. interestaduais de atenção à saúde para o
§ 2o O Ministério da Saúde poderá estabelecer regras atendimento da integralidade da assistência.
diferenciadas de acesso a medicamentos de caráter Parágrafo único. Serão de competência exclusiva da
especializado. CIT a pactuação:
Art. 29. A RENAME e a relação específica I - das diretrizes gerais para a composição da
complementar estadual, distrital ou municipal de RENASES;
medicamentos somente poderão conter produtos II - dos critérios para o planejamento integrado das
com registro na Agência Nacional de Vigilância ações e serviços de saúde da Região de Saúde, em
Sanitária - ANVISA. razão do compartilhamento da gestão; e
CAPÍTULO V III - das diretrizes nacionais, do financiamento e das
DA ARTICULAÇÃO INTERFEDERATIVA questões operacionais das Regiões de Saúde situadas

27
em fronteiras com outros países, respeitadas, em IV - indicadores e metas de saúde;
todos os casos, as normas que regem as relações V - estratégias para a melhoria das ações e serviços de
internacionais. saúde;
Seção II VI - critérios de avaliação dos resultados e forma de
Do Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde monitoramento permanente;
Art. 33. O acordo de colaboração entre os entes VII - adequação das ações e dos serviços dos entes
federativos para a organização da rede federativos em relação às atualizações realizadas na
interfederativa de atenção à saúde será firmado por RENASES;
meio de Contrato Organizativo da Ação Pública da VIII - investimentos na rede de serviços e as
Saúde. respectivas responsabilidades; e
Art. 34. O objeto do Contrato Organizativo de Ação IX - recursos financeiros que serão disponibilizados
Pública da Saúde é a organização e a integração das por cada um dos partícipes para sua execução.
ações e dos serviços de saúde, sob a responsabilidade Parágrafo único. O Ministério da Saúde poderá
dos entes federativos em uma Região de Saúde, com instituir formas de incentivo ao cumprimento das
a finalidade de garantir a integralidade da assistência metas de saúde e à melhoria das ações e serviços de
aos usuários. saúde.
Parágrafo único. O Contrato Organizativo de Ação Art. 37. O Contrato Organizativo de Ação Pública de
Pública da Saúde resultará da integração dos planos Saúde observará as seguintes diretrizes básicas para
de saúde dos entes federativos na Rede de Atenção à fins de garantia da gestão participativa:
Saúde, tendo como fundamento as pactuações I - estabelecimento de estratégias que incorporem a
estabelecidas pela CIT. avaliação do usuário das ações e dos serviços, como
Art. 35. O Contrato Organizativo de Ação Pública da ferramenta de sua melhoria;
Saúde definirá as responsabilidades individuais e II - apuração permanente das necessidades e
solidárias dos entes federativos com relação às ações interesses do usuário; e
e serviços de saúde, os indicadores e as metas de III - publicidade dos direitos e deveres do usuário na
saúde, os critérios de avaliação de desempenho, os saúde em todas as unidades de saúde do SUS,
recursos financeiros que serão disponibilizados, a inclusive nas unidades privadas que dele participem
forma de controle e fiscalização da sua execução e de forma complementar.
demais elementos necessários à implementação Art. 38. A humanização do atendimento do usuário
integrada das ações e serviços de saúde. será fator determinante para o estabelecimento das
§ 1o O Ministério da Saúde definirá indicadores metas de saúde previstas no Contrato Organizativo
nacionais de garantia de acesso às ações e aos de Ação Pública de Saúde.
serviços de saúde no âmbito do SUS, a partir de Art. 39. As normas de elaboração e fluxos do
diretrizes estabelecidas pelo Plano Nacional de Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde
Saúde. serão pactuados pelo CIT, cabendo à Secretaria de
§ 2o O desempenho aferido a partir dos indicadores Saúde Estadual coordenar a sua implementação.
nacionais de garantia de acesso servirá como Art. 40. O Sistema Nacional de Auditoria e Avaliação
parâmetro para avaliação do desempenho da do SUS, por meio de serviço especializado, fará o
prestação das ações e dos serviços definidos no controle e a fiscalização do Contrato Organizativo de
Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde em Ação Pública da Saúde.
todas as Regiões de Saúde, considerando-se as § 1o O Relatório de Gestão a que se refere o inciso IV
especificidades municipais, regionais e estaduais. do art. 4o da Lei no 8.142, de 28 de dezembro de
Art. 36. O Contrato Organizativo da Ação Pública de 1990, conterá seção específica relativa aos
Saúde conterá as seguintes disposições essenciais: compromissos assumidos no âmbito do Contrato
I - identificação das necessidades de saúde locais e Organizativo de Ação Pública de Saúde.
regionais; § 2o O disposto neste artigo será implementado em
II - oferta de ações e serviços de vigilância em saúde, conformidade com as demais formas de controle e
promoção, proteção e recuperação da saúde em fiscalização previstas em Lei.
âmbito regional e inter-regional; Art. 41. Aos partícipes caberá monitorar e avaliar a
III - responsabilidades assumidas pelos entes execução do Contrato Organizativo de Ação Pública
federativos perante a população no processo de de Saúde, em relação ao cumprimento das metas
regionalização, as quais serão estabelecidas de forma estabelecidas, ao seu desempenho e à aplicação dos
individualizada, de acordo com o perfil, a organização recursos disponibilizados.
e a capacidade de prestação das ações e dos serviços Parágrafo único. Os partícipes incluirão dados sobre
de cada ente federativo da Região de Saúde; o Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde no

28
sistema de informações em saúde organizado pelo âmbito nacional e as reiteradas demandas dos
Ministério da Saúde e os encaminhará ao respectivo Conselhos Estaduais e Municipais referentes às
Conselho de Saúde para monitoramento. propostas de composição, organização e
CAPÍTULO VI funcionamento, conforme o § 5o inciso II art. 1o da
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990;
Art. 42. Sem prejuízo das outras providências legais, Considerando a ampla discussão da Resolução
o Ministério da Saúde informará aos órgãos de do CNS no 333/92 realizada nos espaços de Controle
controle interno e externo: Social, entre os quais se destacam as Plenárias de
I - o descumprimento injustificado de Conselhos de Saúde;
responsabilidades na prestação de ações e serviços Considerando os objetivos de consolidar,
de saúde e de outras obrigações previstas neste fortalecer, ampliar e acelerar o processo de Controle
Decreto; Social do SUS, por intermédio dos Conselhos
II - a não apresentação do Relatório de Gestão a que Nacional, Estaduais, Municipais, das Conferências de
se refere o inciso IV do art. 4º da Lei no 8.142, de Saúde e Plenárias de Conselhos de Saúde;
1990; Considerando que os Conselhos de Saúde,
III - a não aplicação, malversação ou desvio de consagrados pela efetiva participação da sociedade
recursos financeiros; e civil organizada, representam polos de qualificação
IV - outros atos de natureza ilícita de que tiver de cidadãos para o Controle Social nas esferas da ação
conhecimento. do Estado; e
Art. 43. A primeira RENASES é a somatória de todas Considerando o que disciplina a Lei
as ações e serviços de saúde que na data da Complementar no 141, de 13 de janeiro de 2012, e o
publicação deste Decreto são ofertados pelo SUS à Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, que
população, por meio dos entes federados, de forma regulamentam a Lei Orgânica da Saúde, resolve:
direta ou indireta. Aprovar as seguintes diretrizes para instituição,
Art. 44. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá reformulação, reestruturação e funcionamento dos
as diretrizes de que trata o § 3o do art. 15 no prazo Conselhos de Saúde:
de cento e oitenta dias a partir da publicação deste
Decreto. DA DEFINIÇÃO DE CONSELHO DE SAÚDE
Art. 45. Este Decreto entra em vigor na data de sua
publicação. Primeira Diretriz:
Brasília, 28 de junho de 2011; 190o da Independência O Conselho de Saúde é uma instância
e 123o da República. colegiada, deliberativa e permanente do Sistema
DILMA ROUSSEFF Único de Saúde (SUS) em cada esfera de Governo,
Alexandre Rocha Santos Padilha integrante da estrutura organizacional do Ministério
da Saúde, da Secretaria de Saúde dos Estados, do
RESOLUÇÃO Nº 453, DE 10 DE MAIO DE 2012 Distrito Federal e dos Municípios, com composição,
organização e competência fixadas na Lei no
O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em 8.142/90. O processo bem-sucedido de
sua Ducentésima Trigésima Terceira Reunião descentralização da saúde promoveu o surgimento
Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de maio de 2012, de Conselhos Regionais, Conselhos Locais, Conselhos
no uso de suas competências regimentais e Distritais de Saúde, incluindo os Conselhos dos
atribuições conferidas pela Lei no 8.080, de 19 de Distritos Sanitários Especiais Indígenas, sob a
setembro de 1990, e pela Lei no 8.142, de 28 de coordenação dos Conselhos de Saúde da esfera
dezembro de 1990, e pelo Decreto no 5.839, de 11 de correspondente. Assim, os Conselhos de Saúde são
julho de 2006, e espaços instituídos de participação da comunidade
Considerando os debates ocorridos nos nas políticas públicas e na administração da saúde.
Conselhos de Saúde, nas três esferas de Governo, na Parágrafo único. Como Subsistema da
X Plenária Nacional de Conselhos de Saúde, nas Seguridade Social, o Conselho de Saúde atua na
Plenárias Regionais e Estaduais de Conselhos de formulação e proposição de estratégias e no controle
Saúde, nas 9a, 10a e 11a Conferências Nacionais de da execução das Políticas de Saúde, inclusive nos seus
Saúde, e nas Conferências Estaduais, do Distrito aspectos econômicos e financeiros.
Federal e Municipais de Saúde; DA INSTITUIÇÃO E REFORMULAÇÃO DOS
Considerando a experiência acumulada do CONSELHOS DE SAÚDE
Controle Social da Saúde à necessidade de Segunda Diretriz: a instituição dos Conselhos
aprimoramento do Controle Social da Saúde no de Saúde é estabelecida por lei federal, estadual, do

29
Distrito Federal e municipal, obedecida a Lei no c)entidades indígenas;
8.142/90. d)movimentos sociais e populares, organizados
Parágrafo único. Na instituição e reformulação (movimento negro, LGBT...);
dos Conselhos de Saúde o Poder Executivo, e)movimentos organizados de mulheres, em
respeitando os princípios da democracia, deverá saúde;
acolher as demandas da população aprovadas nas f)entidades de aposentados e pensionistas;
Conferências de Saúde, e em consonância com a g)entidades congregadas de sindicatos,
legislação. centrais sindicais, confederações e federações de
A ORGANIZAÇÃO DOS CONSELHOS DE SAÚDE trabalhadores urbanos e rurais;
Terceira Diretriz: a participação da sociedade h)entidades de defesa do consumidor;
organizada, garantida na legislação, torna os i)organizações de moradores;
Conselhos de Saúde uma instância privilegiada na j)entidades ambientalistas;
proposição, discussão, acompanhamento, k)organizações religiosas;
deliberação, avaliação e fiscalização da l)trabalhadores da área de saúde: associações,
implementação da Política de Saúde, inclusive nos confederações, conselhos de profissões
seus aspectos econômicos e financeiros. A legislação regulamentadas, federações e sindicatos,
estabelece, ainda, a composição paritária de usuários obedecendo as instâncias federativas;
em relação ao conjunto dos demais segmentos m)comunidade científica;
representados. O Conselho de Saúde será composto n)entidades públicas, de hospitais
por representantes de entidades, instituições e universitários e hospitais campo de estágio, de
movimentos representativos de usuários, de pesquisa e desenvolvimento;
entidades representativas de trabalhadores da área o)entidades patronais;
da saúde, do governo e de entidades representativas p)entidades dos prestadores de serviço de
de prestadores de serviços de saúde, sendo o seu saúde; e
presidente eleito entre os membros do Conselho, em q)governo.
reunião plenária. Nos Municípios onde não existem IV - As entidades, movimentos e instituições
entidades, instituições e movimentos organizados em eleitas no Conselho de Saúde terão os conselheiros
número suficiente para compor o Conselho, a eleição indicados, por escrito, conforme processos
da representação será realizada em plenária no estabelecidos pelas respectivas entidades,
Município, promovida pelo Conselho Municipal de movimentos e instituições e de acordo com a sua
maneira ampla e democrática. organização, com a recomendação de que ocorra
I - O número de conselheiros será definido renovação de seus representantes.
pelos Conselhos de Saúde e constituído em lei. V - Recomenda-se que, a cada eleição, os
II - Mantendo o que propôs as Resoluções nos segmentos de representações de usuários,
33/92 e 333/03 do CNS e consoante com as trabalhadores e prestadores de serviços, ao seu
Recomendações da 10a e 11a Conferências Nacionais critério, promovam a renovação de, no mínimo, 30%
de Saúde, as vagas deverão ser distribuídas da de suas entidades representativas.
seguinte forma: VI - A representação nos segmentos deve ser
a)50% de entidades e movimentos distinta e autônoma em relação aos demais
representativos de usuários; segmentos que compõem o Conselho, por isso, um
b)25% de entidades representativas dos profissional com cargo de direção ou de confiança na
trabalhadores da área de saúde; gestão do SUS, ou como prestador de serviços de
c)25% de representação de governo e saúde não pode ser representante dos(as)
prestadores de serviços privados conveniados, ou Usuários(as) ou de Trabalhadores(as).
sem fins lucrativos. VII - A ocupação de funções na área da saúde
III - A participação de órgãos, entidades e que interfiram na autonomia representativa do
movimentos sociais terá como critério a Conselheiro(a) deve ser avaliada como possível
representatividade, a abrangência e a impedimento da representação de Usuário(a) e
complementaridade do conjunto da sociedade, no Trabalhador( a), e, a juízo da entidade, indicativo de
âmbito de atuação do Conselho de Saúde. De acordo substituição do Conselheiro( a).
com as especificidades locais, aplicando o princípio da VIII - A participação dos membros eleitos do
paridade, serão contempladas, dentre outras, as Poder Legislativo, representação do Poder Judiciário
seguintes representações: e do Ministério Público, como conselheiros, não é
a)associações de pessoas com patologias; permitida nos Conselhos de Saúde.
b)associações de pessoas com deficiências;

30
IX - Quando não houver Conselho de Saúde intersetoriais e grupos de trabalho de conselheiros
constituído ou em atividade no Município, caberá ao para ações transitórias.As comissões poderão contar
Conselho Estadual de Saúde assumir, junto ao com integrantes não conselheiros;
executivo municipal, a convocação e realização da VII - o Conselho de Saúde constituirá uma Mesa
Conferência Municipal de Saúde, que terá como um Diretora eleita em Plenário, respeitando a paridade
de seus objetivos a estruturação e composição do expressa nesta Resolução;
Conselho Municipal. O mesmo será atribuído ao VIII - as decisões do Conselho de Saúde serão
Conselho Nacional de Saúde, quando não houver adotadas mediante quórum mínimo (metade mais
Conselho um) dos seus integrantes, ressalvados os casos
Estadual de Saúde constituído ou em funcionamento. regimentais nos quais se exija quórum especial, ou
X - As funções, como membro do Conselho de maioria qualificada de votos;
Saúde, não serão remuneradas, considerando-se o a) entende-se por maioria simples o número
seu exercício de relevância pública e, portanto, inteiro imediatamente superior à metade dos
garante a dispensa do trabalho sem prejuízo para o membros presentes;
conselheiro. Para fins de justificativa junto aos b) entende-se por maioria absoluta o número
órgãos, entidades competentes e instituições, o inteiro imediatamente superior à metade de
Conselho de Saúde emitirá declaração de membros do Conselho;
participação de seus membros durante o período das c) entende-se por maioria qualificada 2/3 (dois
reuniões, representações, capacitações e outras terços) do total de membros do Conselho;
atividades específicas. IX - qualquer alteração na organização dos
XI - O conselheiro, no exercício de sua função, Conselhos de Saúde preservará o que está garantido
responde pelos seus atos conforme legislação em lei e deve ser proposta pelo próprio Conselho e
vigente. votada em reunião plenária, com quórum qualificado,
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS para depois ser alterada em seu Regimento Interno e
CONSELHOS DE SAÚDE homologada pelo gestor da esfera correspondente;
Quarta Diretriz: as três esferas de Governo X - a cada três meses, deverá constar dos itens
garantirão autonomia administrativa para o pleno da pauta o pronunciamento do gestor, das
funcionamento do Conselho de Saúde, dotação respectivas esferas de governo, para que faça a
orçamentária, autonomia financeira e organização da prestação de contas, em relatório detalhado, sobre
secretaria-executiva com a necessária infraestrutura andamento do plano de saúde, agenda da saúde
e apoio técnico: pactuada, relatório de gestão, dados sobre o
I - cabe ao Conselho de Saúde deliberar em montante e a forma de aplicação dos recursos, as
relação à sua estrutura administrativa e o quadro de auditorias iniciadas e concluídas no período, bem
pessoal; como a produção e a oferta de serviços na rede
II - o Conselho de Saúde contará com uma assistencial própria, contratada ou conveniada, de
secretaria-executiva coordenada por pessoa acordo com o art. 12 da Lei no 8.689/93 e com a Lei
preparada para a função, para o suporte técnico e Complementar no 141/2012;
administrativo, subordinada ao Plenário do Conselho XI - os Conselhos de Saúde, com a devida
de Saúde, que definirá sua estrutura e dimensão; justificativa, buscarão auditorias externas e
III - o Conselho de Saúde decide sobre o seu independentes sobre as contas e atividades do Gestor
orçamento; do SUS; e
IV - o Plenário do Conselho de Saúde se reunirá, XII - o Pleno do Conselho de Saúde deverá
no mínimo, a cada mês e, extraordinariamente, manifestar-se por meio de resoluções,
quando necessário, e terá como base o seu recomendações, moções e outros atos deliberativos.
Regimento Interno. A pauta e o material de apoio às Quinta Diretriz:
reuniões devem ser encaminhados aos conselheiros As resoluções serão obrigatoriamente
com antecedência mínima de 10 (dez) dias; homologadas pelo chefe do poder constituído em
V - as reuniões plenárias dos Conselhos de cada esfera de governo, em um prazo de 30 (trinta)
Saúde são abertas ao público e deverão acontecer em dias, dando-se-lhes publicidade oficial. Decorrido o
espaços e horários que possibilitem a participação da prazo mencionado e não sendo homologada a
sociedade; resolução e nem enviada justificativa pelo gestor ao
VI - o Conselho de Saúde exerce suas Conselho de Saúde com proposta de alteração ou
atribuições mediante o funcionamento do Plenário, rejeição a ser apreciada na reunião seguinte, as
que, além das comissões intersetoriais, estabelecidas entidades que integram o Conselho de Saúde podem
na Lei no 8.080/90, instalará outras comissões buscar a validação das resoluções, recorrendo à

31
justiça e ao Ministério Público, quando necessário. XII - avaliar e deliberar sobre contratos,
Quinta Diretriz: aos Conselhos de Saúde Nacional, consórcios e convênios, conforme as diretrizes dos
Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, que têm Planos de Saúde Nacional, Estaduais, do Distrito
competências definidas nas leis federais, bem como Federal e Municipais;
em indicações advindas das Conferências de Saúde, XIII - acompanhar e controlar a atuação do
compete: setor privado credenciado mediante contrato ou
I - fortalecer a participação e o Controle Social convênio na área de saúde;
no SUS, mobilizar e articular a sociedade de forma XIV - aprovar a proposta orçamentária anual da
permanente na defesa dos princípios constitucionais saúde, tendo em vista as metas e prioridades
que fundamentam o SUS; estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias,
II - elaborar o Regimento Interno do Conselho observado o princípio do processo de planejamento e
e outras normas de funcionamento; orçamento ascendentes, conforme legislação
III - discutir, elaborar e aprovar propostas de vigente;
operacionalização das diretrizes aprovadas pelas XV - propor critérios para programação e
Conferências de Saúde; execução financeira e orçamentária dos Fundos de
IV - atuar na formulação e no controle da Saúde e acompanhar a movimentação e destino dos
execução da política de saúde, incluindo os seus recursos;
aspectos econômicos e financeiros, e propor XVI - fiscalizar e controlar gastos e deliberar
estratégias para a sua aplicação aos setores público e sobre critérios de movimentação de recursos da
privado; Saúde, incluindo o Fundo de Saúde e os recursos
V - definir diretrizes para elaboração dos planos transferidos e próprios do Município, Estado, Distrito
de saúde e deliberar sobre o seu conteúdo, conforme Federal e da União, com base no que a lei disciplina;
as diversas situações epidemiológicas e a capacidade XVII - analisar, discutir e aprovar o relatório de
organizacional dos serviços; gestão, com a prestação de contas e informações
VI - anualmente deliberar sobre a aprovação ou financeiras, repassadas em tempo hábil aos
não do relatório de gestão; conselheiros, e garantia do devido assessoramento;
VII - estabelecer estratégias e procedimentos XVIII - fiscalizar e acompanhar o
de acompanhamento da gestão do SUS, articulando- desenvolvimento das ações e dos serviços de saúde e
se com os demais colegiados, a exemplo dos de encaminhar denúncias aos respectivos órgãos de
seguridade social, meio ambiente, justiça, educação, controle interno e externo, conforme legislação
trabalho, agricultura, idosos, criança e adolescente e vigente;
outros; XIX - examinar propostas e denúncias de
VIII - proceder à revisão periódica dos planos indícios de irregularidades, responder no seu âmbito
de saúde; a consultas sobre assuntos pertinentes às ações e aos
IX - deliberar sobre os programas de saúde e serviços de saúde, bem como apreciar recursos a
aprovar projetos a serem encaminhados ao Poder respeito de deliberações do Conselho nas suas
Legislativo, propor a adoção de critérios definidores respectivas instâncias;
de qualidade e resolutividade, atualizando-os face ao XX - estabelecer a periodicidade de convocação
processo de incorporação dos avanços científicos e e organizar as Conferências de Saúde, propor sua
tecnológicos na área da Saúde; convocação ordinária ou extraordinária e estruturar a
X - a cada quadrimestre deverá constar dos comissão organizadora, submeter o respectivo
itens da pauta o pronunciamento do gestor, das regimento e programa ao Pleno do Conselho de
respectivas esferas de governo, para que faça a Saúde correspondente, convocar a sociedade para a
prestação de contas, em relatório detalhado, sobre participação nas pré-conferências e conferências de
andamento do plano de saúde, agenda da saúde saúde;
pactuada, relatório de gestão, dados sobre o XXI - estimular articulação e intercâmbio entre
montante e a forma de aplicação dos recursos, as os Conselhos de Saúde, entidades, movimentos
auditorias iniciadas e concluídas no período, bem populares, instituições públicas e privadas para a
como a produção e a oferta de serviços na rede promoção da Saúde;
assistencial própria, contratada ou conveniada, de XXII - estimular, apoiar e promover estudos e
acordo com a Lei Complementar no 141/2012. pesquisas sobre assuntos e temas na área de saúde
XI - avaliar, explicitando os critérios utilizados, pertinente ao desenvolvimento do Sistema Único de
a organização e o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS);
Saúde do SUS; XXIII - acompanhar o processo de
desenvolvimento e incorporação científica e

32
tecnológica, observados os padrões éticos problemas de saúde endêmicos, na monitorização de
compatíveis com o desenvolvimento sociocultural do progressos e metas pré-estabelecidos e na promoção
País; da equidade e da qualidade dos serviços.
XXIV - estabelecer ações de informação,
educação e comunicação em saúde, divulgar as Os Sistemas de Informação em Saúde podem ser
funções e competências do Conselho de Saúde, seus desenvolvidos para uso macro-economico, utilizados
trabalhos e decisões nos meios de comunicação, em Ministérios, Secretarias de Estado ou Prefeituras
incluindo informações sobre as agendas, datas e local / Câmaras Municipais (neste caso condensando
das reuniões e dos eventos; informações de outros subsistemas ou redes locais),
XXV - deliberar, elaborar, apoiar e promover a ou para uso micro-economico (clínicas, hospitais,
educação permanente para o controle social, de redes empresariais).
acordo com as Diretrizes e a Política Nacional de
Educação Permanente para o Controle Social do SUS; Podem conter informações clínicas e não clínicas, ou
XXVI - incrementar e aperfeiçoar o administrativas.
relacionamento sistemático com os poderes
constituídos, Ministério Público, Judiciário e A Organização Mundial de Saúde (OMS) define
Legislativo, meios de comunicação, bem como Sistema de Informação em Saúde (SIS) como um
setores relevantes não representados nos conselhos; mecanismo de coleta, processamento, análise e
XXVII - acompanhar a aplicação das normas transmissão da informação necessária para se
sobre ética em pesquisas aprovadas pelo CNS; planejar, organizar, operar e avaliar os serviços de
XXVIII - deliberar, encaminhar e avaliar a saúde.
Política de Gestão do Trabalho e Educação para a Funções:
Saúde no SUS;
XXIX - acompanhar a implementação das  Respaldar a operação diária e a gestão da
propostas constantes do relatório das plenárias dos atenção à saúde;
Conselhos de Saúde; e  Conhecer e monitorar o estado de saúde da
XXX - atualizar periodicamente as informações população e as condições sócio-ambientais;
sobre o Conselho de Saúde no Sistema de  Facilitar o planejamento, a supervisão e o
Acompanhamento dos Conselhos de controle e avaliação de ações e serviços;
Saúde (SIACS).  Subsidiar os processos decisórios nos
Fica revogada a Resolução do CNS no 333, de 4 diversos níveis de decisão e ação;
de novembro de 2003.  Apoiar a produção e utilização de serviços de
saúde;
Sistema de informação em saúde  Disponibilizar informações para as atividades
de diagnóstico e tratamento;
Os Sistemas de Informação em Saúde, são sistemas  Monitorar e avaliar as intervenções,
que reúnem, guardam, processam e facultam a resultados e impactos;
informação a uma organização de saúde, informação  Subsidiar educação e a promoção da saúde;
que deve ser útil e estar acessível àqueles que dela  Apoiar as atividades de pesquisa e produção
necessitam. Um sistema de informação é, pois, uma de conhecimentos.
combinação de procedimentos, informação, pessoas,
tecnologias e vários outros recursos. Note-se que um
sistema de informação pode envolver, ou não, a
utilização de tecnologia informática, por isso não se
deve confundir sistema de informação com um
sistema informático.

Os Sistemas de Informação em Saúde devem incluir


todos os dados necessários aos profissionais de saúde
e utilizadores dos sistemas, com o objetivo de
desenvolverem e protegerem a saúde das
populações. Segundo a Organização Mundial de
Saúde, o investimento nestes sistemas de informação
possui vários benefícios, como ao nível do auxilio aos
tomadores de decisão, no controle e detecção de

33
As ações e serviços públicos de saúde integram uma
rede regionalizada e hierarquizada e constituem um
sistema único, organizado de acordo com as seguintes
diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada
esfera de governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as
atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços
assistenciais;
III - participação da comunidade.

Dois anos depois, duas leis trouxeram conteúdos


importantes sobre essa participação, ao abordarem
aspectos relacionados ao Conselho Nacional de
Saúde. Foram elas a Lei nº 8.080, de 1990, conhecida
como Lei Orgânica da Saúde, e a Lei nº 8.142 do
mesmo ano. Veja o que dizem cada uma delas!

Principais considerações sobre a Lei!


1- Regulamenta o § 3º do art. 198 da Constituição
Federal para dispor sobre os valores mínimos a serem
aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito
Federal e Municípios em ações e serviços públicos de
saúde;
2- Estabelece os critérios de rateio dos recursos de
transferências para a saúde e as normas de
fiscalização, avaliação e controle das despesas com
saúde nas três (três) esferas de governo.

São atribuições exclusivas do Conselho Nacional de


Saúde:
• Deliberar sobre a metodologia pactuada na CIT para
definição dos montantes a serem transferidos pelo
Ministério da Saúde para Estados, Distrito Federal e
Municípios para custeio das ações e serviços de
saúde.
• Deliberar sobre as normas do SUS pactuadas na
Comissão Intergestores Tripartite (CIT).
• Deliberar sobre o modelo padronizado do Relatório
Anual de Gestão (RAG) da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios e do modelo simplificado desse
relatório para os municípios com menos de 50 mil
habitantes.

A Lei nº 8.142/90, no segundo parágrafo, estabelece


que:
O Conselho de Saúde, em caráter permanente e
deliberativo, órgão colegiado composto por
Controle Social no SUS representantes do governo, prestadores de serviço,
profissionais de saúde e usuários, atua na formulação
de estratégias e no controle da execução da política
A Constituição de 1988 determinou, no artigo 198,
de saúde na instância correspondente, inclusive nos
que a sociedade participasse da gestão do sistema de
aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões
saúde.

34
serão homologadas pelo chefe do poder legalmente QUESTÕES
constituído em cada esfera do governo
1. Qual dos itens a seguir NÃO faz parte do Sistema
A Lei nº 8.080/90, por sua vez, determina que: de Informação em Saúde de Base Nacional?
Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de (A) SINASC – Sistema de Informação sobre Nascidos
âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional Vivos.
de Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos (B) SISVA – Sistema de Vigilância Ambiental.
competentes e por entidades representativas da (C) SIAB – Sistema de Informação da Atenção Básica.
sociedade civil. (D) SINAN – Sistema de Informação de Agravos de
Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão a Notificação.
finalidade de articular políticas e programas de (E) SIS EAPV – Sistema de Informação sobre Eventos
interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas Adversos Pós-vacinais.
não compreendidas no âmbito do Sistema Único de
Saúde (SUS). 2. O que é o Conselho de Saúde?
(A) É o órgão colegiado, deliberativo e permanente do
Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de Sistema Único de Saúde (SUS) em cada esfera de
serviços e os parâmetros de cobertura assistencial governo.
serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema (B) É o conselho que determina a seleção e a
Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho padronização de medicamentos indicados para
Nacional de Saúde. atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do
Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de SUS.
Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em (C) O conselho de saúde determina o conjunto de
cada esfera de sua atuação, e movimentados sob ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e
fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde. instituições públicas federais, estaduais e municipais.
Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá (D) O conselho de saúde viabiliza as ações e serviços
as diretrizes a serem observadas na elaboração dos de saúde voltados para o atendimento das
planos de saúde, em função das características populações indígenas, em todo o território nacional,
epidemiológicas e da organização dos serviços em coletiva ou individualmente.
cada jurisdição administrativa. (E) É o conjunto de sistemas nacionais de informação
de interesse para a saúde, gerenciado por órgãos do
A partir de então, a atuação da sociedade no sistema Governo Federal.
de saúde ganhou uma nova dimensão. A participação
social foi ampliada, democratizada e passou a ser 3. O acesso aos relatórios do Sistema de Informação
qualificada por “controle social”. Controle da sobre Mortalidade é importante para a o Sistema
sociedade sobre a política de saúde. Com isso, a lógica Nacional de Vigilância Epidemiológica porque
tradicional do controle social exercido (A) contém informações sobre as características de
exclusivamente pelos governos era invertida. A pessoa, tempo e lugar, condições de óbito,
sociedade começou, efetivamente, a participar da assistência prestada ao paciente, causas básicas e
gestão do sistema de saúde. A população, por meio associadas.
dos Conselhos de Saúde, passou a exercer o controle (B) permite que esses relatórios sejam distribuídos
social, participando do planejamento das políticas nacionalmente pelo Ministério da Saúde.
públicas, fiscalizando as ações do governo, (C) servem como fonte de dados para conhecimento
verificando o cumprimento das leis relacionadas ao da situação de saúde. O SIM contribui para obter
SUS e analisando as aplicações financeiras realizadas informação sobre a mortalidade infantil.
pelo município ou pelo estado no gerenciamento da (D) permite o registro e o processamento dos dados
saúde. sobre mortalidade em todo o território nacional,
Desde 1990, municípios e estados passaram a fornecendo informações para a análise do perfil de
constituir os seus próprios Conselhos de Saúde. Hoje, morbidade e contribuindo, dessa forma, para a
no Brasil, além do Conselho Nacional de Saúde (CNS), tomada de decisões em níveis municipal, estadual e
com sede em Brasília, existem vinte e seis conselhos federal.
estaduais de saúde, um conselho do Distrito Federal, (E) permite realizar o acompanhamento e a avaliação
mais de cinco mil conselhos municipais, trinta e da cobertura vacinal e a relação com a mortalidade,
quatro conselhos distritais sanitários indígenas, entre tanto no município como no Estado e no País.
outros.

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4. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu de (C) O Conselho de Saúde é órgão colegiado composto
forma relevante uma seção sobre a saúde. Qual das por representantes do governo, prestadores de
alternativas a seguir faz parte dessa seção? serviço, profissionais de saúde e usuários e atua na
(A) A ordem social tem como base o primado do formulação de estratégicas e no controle de execução
trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça da política de saúde na instância correspondente,
sociais. inclusive nos aspectos econômicos e financeiros,
(B) A União, os Estados, o Distrito Federal e os cujas decisões serão homologadas pelo chefe do
Municípios organizarão em regime de colaboração poder legalmente constituído em cada esfera do
seus sistemas de saúde. governo.
(C) A saúde, direito de todos e dever do Estado e da (D) Para os municípios receberem os recursos do
família, será promovida e incentivada com a Fundo Nacional de Saúde, não é necessário que o
colaboração da sociedade, visando ao pleno município crie um Conselho de Saúde.
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o (E) Os recursos do Fundo Nacional de Saúde serão
exercício da cidadania e sua qualificação para o alocados como investimentos previstos no Plano
trabalho. Quinquenal do Ministério da Saúde e deverão ser
(D) São de relevância pública as ações e serviços de repassados de forma regular e automática aos
saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos municípios.
da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e
controle, devendo sua execução ser feita diretamente 7. Assinale a alternativa correta.
ou através de terceiros e, também, por pessoa física (A) O dever do Estado de garantir a saúde consiste na
ou jurídica de direito privado. formulação e execução de políticas econômicas e
(E) Os programas suplementares de alimentação e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de
assistência a saúde serão financiados com recursos outros agravos e no estabelecimento de condições
provenientes de contribuições sociais e outros que assegurem acesso preferencial aos mais pobres
recursos orçamentários. às ações e aos serviços para a sua promoção,
proteção e recuperação.
5. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, (B) O dever do Estado de prover as condições
organizar a seguridade social. Qual item NÃO se indispensáveis ao pleno exercício do direito à saúde
enquadra nessa competência? exclui o das pessoas, da família, das empresas e da
(A) Uniformidade e equivalência dos benefícios e sociedade.
serviços às populações urbanas e rurais. (C) Os níveis de saúde expressam a organização social
(B) Equidade na forma de participação no custeio. e econômica do País, tendo a saúde como
(C) Habilitação e reabilitação das pessoas portadoras determinantes e condicionantes, entre outros, a
de deficiência e a promoção de sua integração à vida alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio
comunitária. ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a
(D) Caráter democrático e descentralizado da atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos
administração, mediante gestão quadripartite, com bens e serviços essenciais.
participação dos trabalhadores, dos empregadores, (D) As fundações mantidas pelo Poder Público e a
dos aposentados e do Governo nos órgãos Administração Pública Indireta não fazem parte do
colegiados. Sistema Único de Saúde.
(E) Universalidade da cobertura e do atendimento. (E) A iniciativa privada deverá participar do Sistema
Único de Saúde, em caráter complementar.
6. Assinale a alternativa correta.
(A) O Sistema Único de Saúde contará em cada esfera 8. Sobre a Seguridade Social, assinale a alternativa
de governo, sem prejuízo das funções do Poder correta.
Legislativo, com as instâncias colegiadas da (A) A seguridade social compreende um conjunto de
Conferência de Saúde e do Conselho de Saúde. ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
(B) A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada dois sociedade, destinadas a assegurar os direitos
anos com representação dos vários segmentos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
sociais, para avaliar a situação e propor as diretrizes (B) Compete ao Poder Público, nos termos da lei,
para a formulação da política de saúde nos níveis organizar a seguridade social, com base,
correspondentes, convocadas pelo Poder Executivo exclusivamente, na seletividade e distributividade na
ou, extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho prestação dos benefícios e serviços.
de Saúde. (C) A seguridade social tem como objetivo dar
cobertura preferencial aos mais pobres.

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(D) A seguridade social será financiada por toda a por cento) da receita corrente líquida do respectivo
sociedade, incidindo contribuição sobre exercício financeiro.
aposentadoria. (D) As ações e serviços públicos de saúde não
(E) Não haverá incidência de contribuição social sobre contarão com a participação da comunidade.
a receita de concursos de prognósticos. (E) A assistência à saúde é exclusiva do Poder Público.

9. Quanto aos serviços privados de assistência à 12. Quanto à seguridade social, assinale a alternativa
saúde, assinale a alternativa correta. correta.
(A) Na prestação de serviços privados de assistência à (A) As instituições privadas poderão participar de
saúde, não serão observadas as normas expedidas forma subsidiária do Sistema Único de Saúde.
pelo órgão de direção do Sistema Único de Saúde (B) É permitida a destinação de recursos públicos para
quanto às condições para seu funcionamento. auxiliar as instituições privadas com fins lucrativos.
(B) Não é permitida, em nenhuma hipótese, a (C) É vedada a participação direta ou indireta de
participação direta de capital estrangeiro na empresas ou capitais estrangeiros na assistência à
assistência à saúde. saúde do País, salvo nos casos previstos em lei.
(C) O Sistema Único de Saúde deverá sempre prover (D) Não compete ao Sistema Único de Saúde ordenar
cobertura assistencial à população, não podendo a formação de recursos humanos na área de saúde.
recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada. (E) Ao Sistema Único de Saúde, compete colaborar na
(D) Os critérios e valores para a remuneração de proteção do meio ambiente, exceto o meio ambiente
serviços e os parâmetros de cobertura assistencial do trabalho.
serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema
Único de Saúde, aprovados no Conselho Nacional de 13. No âmbito da União, o Sistema Único de Saúde
Saúde. (SUS) é dirigido
(E) Os administradores de entidades contratadas pelo (A) pelo Ministério da Saúde.
Sistema Único de Saúde (SUS) podem exercer cargo (B) pela Secretaria Federal de Saúde.
de chefia no SUS. (C) pela Secretaria Municipal de Saúde.
(D) pela Secretaria Estadual de Saúde ou órgão
10. Assinale a alternativa correta. equivalente.
(A) Constitui, o Sistema Único de Saúde, o conjunto (E) pelos Hospitais Particulares com convênio com o
de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e SUS.
instituições públicas federais, estaduais e municipais,
da Administração direta e indireta e das fundações 14. Com base na Constituição Federal Brasileira de 05
mantidas pelo Poder Público. de outubro de 1998, sobre a Saúde, assinale a
(B) A iniciativa privada poderá participar do Sistema alternativa INCORRETA.
Único de Saúde, em caráter concorrente com a (A) A saúde é direito de todos e dever do Estado,
iniciativa pública. garantido mediante políticas sociais e econômicas
(C) Não estão incluídas no Sistema Único de Saúde as que visem à redução do risco de doença e de outros
instituições públicas de controle de qualidade, agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
pesquisa e produção de insumos, medicamentos, serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
inclusive de sangue e hemoderivados, e de (B) São de relevância pública as ações e serviços de
equipamentos para saúde. saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos
(D) Não são objetivos do Sistema Único de Saúde da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e
(SUS) as atividades preventivas. controle, devendo sua execução ser feita diretamente
(E) O desenvolvimento de políticas econômicas não ou através de terceiros e, também, por pessoa física
tem relação com os objetivos do SUS. ou jurídica de direito privado.
(C) O sistema único de saúde será financiado, nos
11. Quanto à seguridade social, assinale a alternativa termos do art. 195, com recursos do orçamento da
correta. seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito
(A) A saúde é direito de todos e dever do Estado, Federal e dos Municípios, além de outras fontes.
garantido mediante políticas sociais e econômicas, (D) A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
com acesso preferencial aos mais pobres. (E) É permitida e incentivada a destinação de recursos
(B) As ações e serviços públicos de saúde integram públicos para auxílios ou subvenções às instituições
uma rede centralizada e constitui um sistema único. privadas com fins lucrativos.
(C) A União aplicará anualmente, em ações e serviços
públicos de saúde, valor não inferior a 15% (quinze

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15. Os serviços privados de assistência à saúde (C) dos planos de saúde.
caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, (D) do Estado.
de profissionais liberais, legalmente habilitados, e de (E) das empresas.
pessoas jurídicas de direito privado na promoção,
proteção e recuperação da saúde. Sobre os serviços 19. De acordo com o que dispõe a Constituição
privados de assistência à saúde, é correto afirmar que Federal, assinale a alternativa correta.
(A) a assistência à saúde é proibida à iniciativa (A) A previdência social compreende um conjunto
privada. integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos
(B) na prestação de serviços privados de assistência à e da sociedade, destinado a assegurar os direitos
saúde serão observados os princípios éticos e as relativos à saúde, à seguridade, à educação e à
normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema assistência social.
Único de Saúde (SUS) quanto às condições para seu (B) A seguridade social compreende um conjunto
funcionamento. integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos
(C) não é permitida a participação de capital e da sociedade, destinado a assegurar os direitos
estrangeiro na assistência à saúde. relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
(D) em qualquer caso é obrigatória a autorização do (C) A previdência social compreende um conjunto
órgão de direção nacional do Sistema Único de Saúde integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos
(SUS). e da sociedade, destinado a assegurar os direitos
(E) são proibidas as doações de organismos relativos à saúde e à educação.
internacionais vinculados à Organização das Nações (D) A Saúde compreende um conjunto integrado de
Unidas, de entidades de cooperação técnica e de ações de iniciativa dos Poderes Públicos, destinado a
financiamento e empréstimos. assegurar os direitos relativos à seguridade, à
previdência e à assistência social.
16. No âmbito dos municípios, o Sistema Único de (E) A previdência social compreende um conjunto
Saúde (SUS) é dirigido integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos,
(A) pelo Ministério da Saúde. destinado a assegurar os direitos relativos à saúde, à
(B) pela Secretaria Federal de Saúde. educação e à assistência social.
(C) pela Secretaria Municipal de Saúde.
(D) pela Secretaria Estadual de Saúde ou órgão 20. De acordo com o que dispõe a Lei 8.142/90, a
equivalente. Conferência de Saúde
(E) pelos Hospitais Particulares com convênio com o (A) tem caráter permanente e deliberativo, é órgão
SUS. colegiado composto por representantes do governo,
prestadores de serviço, profissionais de saúde e
17. Acerca da Ordem Social, de acordo com a usuários, atua na formulação de estratégias e no
Constituição Federal brasileira, de 05 de outubro de controle da execução da política de saúde na
1988, é correto afirmar que instância correspondente, inclusive nos aspectos
(A) a seguridade social compreende um conjunto econômicos e financeiros, cujas decisões serão
integrado de ações de iniciativa exclusiva dos Poderes homologadas pelo chefe do poder legalmente
Públicos. constituído em cada esfera do governo.
(B) a seguridade social será financiada por toda a (B) tem caráter provisório e meramente consultivo, é
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da órgão colegiado composto por representantes do
lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos governo, prestadores de serviço, profissionais de
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e
Municípios e de contribuições sociais. no controle da execução da política de saúde na
(C) a saúde é direito de todos e dever de cada instância correspondente, exceto nos aspectos
cidadão. econômicos e financeiros, cujas decisões serão
(D) não são de relevância pública as ações e serviços homologadas pelo chefe do poder legalmente
de saúde. constituído em cada esfera do governo.
(E) a assistência à saúde é exclusiva do Poder Público. (C) reunir-se-á a cada quatro anos com a
representação dos vários segmentos sociais, para
18. A Constituição Federal brasileira, de 05 de avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para
outubro de 1988, declara que a saúde é direito de a formulação da política de saúde nos níveis
todos e dever correspondentes.
(A) do particular. (D) tem caráter provisório e reunir-se-á a cada ano
(B) da escola. com a representação dos vários segmentos sociais,

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para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes (D) colegiada; presente em cada esfera de governo;
para a formulação da política de saúde nos níveis reunir-se-á a cada quatro anos com a representação
correspondentes. dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação
(E) tem caráter permanente e deliberativo, é órgão de saúde e propor as diretrizes para a formulação da
colegiado e reunir-se-á a cada quatro anos para a política de saúde nos níveis correspondentes.
formulação de estratégias e o controle da execução (E) presente apenas em âmbito estadual e federal;
da política de saúde na instância correspondente, reunir-se-á a cada quatro anos com a representação
inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação
cujas decisões serão homologadas pelo chefe do de saúde e propor as diretrizes para a formulação da
poder legalmente constituído em cada esfera do política de saúde nos níveis correspondentes.
governo.
23. De acordo com o que expressa a Lei 8.142/90, os
21. De acordo com as disposições da Constituição recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) alocados
Federal, no que se refere à Saúde, assinale a como cobertura das ações e serviços de saúde a
alternativa correta. serem implementados pelos Municípios, Estados e
(A) A assistência à saúde é privativa da União e sem Distrito Federal serão
fins lucrativos, motivo pelo qual é vedada qualquer (A) destinados, pelo menos sessenta por cento, aos
participação da iniciativa privada, exceto por Municípios, afetando-se o restante aos Estados.
instituições sem fins lucrativos. (B) destinados, pelo menos sessenta por cento, aos
(B) As instituições privadas poderão participar de Estados, afetando-se o restante aos Municípios.
forma complementar do Sistema Único de Saúde, (C) destinados, pelo menos setenta por cento, aos
segundo diretrizes deste, somente mediante contrato Municípios, afetando-se o restante aos Estados.
de direito privado, após procedimento de licitação na (D) destinados, pelo menos setenta por cento, aos
modalidade concorrência. Estados, afetando-se o restante aos Municípios.
(C) É vedada a destinação de recursos públicos para (E) divididos igualitariamente.
auxílios ou subvenções às instituições privadas com
fins lucrativos. 24. O princípio constitucional da seguridade social
(D) É possível e sempre admitida a participação direta cuja aplicação se dá no momento da elaboração da
ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na lei, cabendo ao legislador analisar a realidade social e
assistência à saúde no País. estabelecer as situações geradoras das necessidades
(E) O Poder Público, por meio de Lei Complementar, que a seguridade deve cobrir, bem como escolher o
regulamenta as condições e os requisitos que universo dos que mais necessitam de proteção,
facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias denomina-se
humanas para fins de transplante, pesquisa e (A) universalidade da cobertura e do atendimento.
tratamento, bem como estabelece as regras que (B) seletividade e distributividade na prestação dos
permitem sua comercialização. benefícios e serviços.
(C) equidade na forma de participação no custeio.
22. De acordo com o que dispõe a Lei 8.142/90, a (D) uniformidade e equivalência dos benefícios e
Conferência de Saúde é uma instância serviços às populações urbanas e rurais.
(A) singular; presente apenas no âmbito municipal; (E) irredutibilidade do valor dos benefícios.
reunir-se-á a cada dois anos com a representação dos
vários segmentos sociais, para avaliar a situação de 25. De acordo com a Lei 8.142/1990, assinale a
saúde e propor as diretrizes para a formulação da alternativa INCORRETA.
política de saúde. (A) Os recursos do Fundo Nacional de Saúde serão
(B) colegiada; presente apenas no âmbito municipal; alocados, dentre outros, como cobertura das ações e
reunir-se-á a cada dois anos com a representação dos serviços de saúde a serem implementados pelos
vários segmentos sociais, para avaliar a situação de Municípios, Estados e Distrito Federal.
saúde e propor as diretrizes para a formulação da (B) Os recursos do Fundo Nacional de Saúde para
política de saúde. cobertura das ações e serviços de saúde serão
(C) singular; presente apenas no âmbito federal; repassados de forma regular e automática para os
reunir-se-á a cada dois anos com a representação dos Municípios, Estados e Distrito Federal.
vários segmentos sociais, para avaliar a situação de (C) Os recursos do Fundo Nacional de Saúde para
saúde e propor as diretrizes para a formulação da cobertura das ações e serviços de saúde serão
política de saúde. destinados, cinquenta por cento aos Municípios e
cinquenta por cento aos Estados.

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(D) Os Municípios poderão estabelecer consórcio Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS), é correto
para execução de ações e serviços de saúde, afirmar:
remanejando, entre si, parcelas de recursos do Fundo a) o SIH processa as informações geradas na área
Nacional de Saúde para cobertura das ações e hospitalar e, no caso dos hospitais privados, também
serviços de saúde. na área ambulatorial, possibilitando o
(E) O não atendimento pelos Municípios, ou pelos gerenciamento, o acompanhamento do teto
Estados, ou pelo Distrito Federal, dos requisitos para financeiro, a produção de serviços de saúde e o
recebimento dos recursos do Fundo Nacional de pagamento aos prestadores de serviço.
Saúde, implicará em que os recursos concernentes b) a Autorização de Internação Hospitalar (AIH) é
sejam administrados, respectivamente, pelos Estados instrumento do SIH e também o documento que
ou pela União. determina a emissão do laudo médico.
c) o SIH, diante da exigência de rigor no
26. A Constituição Federal ao prever que as processamento das informações, é um sistema cuja
contribuições sociais do empregador, da empresa e obtenção, processamento e divulgação das
da entidade a ela equiparada na forma da lei, poderão informações estão centralizados no âmbito do
ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em Ministério da Saúde.
razão da atividade econômica, da utilização intensiva d) no âmbito do SIH, o processamento das
de mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição informações obtidas com as Autorizações de
estrutural do mercado de trabalho, está aplicando o Internação Hospitalar (AIH) é realizado pelos estados,
princípio da pelo Distrito Federal e pelos municípios plenos.
(A) equidade na forma de participação no custeio. e) o SIH tem como uma de suas funcionalidades o
(B) universalidade da cobertura e do atendimento. controle de distribuição das declarações de
(C) seletividade e distributividade na prestação dos nascimento em âmbito municipal, estadual, regional
benefícios e serviços. e federal.
(D) irredutibilidade do valor dos benefícios.
(E) diversidade da base de financiamento.

27. Analise as assertivas e assinale a alternativa que


aponta as corretas. Para receberem os recursos do
Fundo Nacional de Saúde para cobertura das ações e
serviços de saúde, os Municípios, os Estados e o
Distrito Federal deverão contar com:
I. Fundo de Saúde e plano de saúde.
II. Conselho de Saúde, com composição paritária.
III. Contrapartida de recursos para a saúde no
respectivo orçamento.
IV. Comissão de elaboração do Plano de Carreira,
Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de um ano
para sua implantação.
(A) Apenas I, III e IV.
(B) Apenas I, II e III.
(C) Apenas I e II.
(D) Apenas I e IV.
(E) I, II, III e IV.

28. (ESAF, MPOG - Analista Técnico de Políticas


Sociais - Saúde/2012) No Brasil, compõem o Sistema
de Informação em Saúde (SIS), o Sistema de
Informação Sobre Mortalidade (SIM), Sistema de
Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema
de Informação de Agravos de Notificação (SINAN),
Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-
SUS), o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS
(SIA-SUS) e o Sistema de Informações da Atenção
Básica (SIAB), entre outros. Sobre o Sistema de

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