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Ferros & aços I-60: Tratamentos térmicos Página 1 de 4

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Ferros & aços I-60: Tratamentos térmicos

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Austêmpera |
Carburização e descarburização |

Austêmpera   (Topo pág | Fim pág)

É uma outra alternativa para a têmpera e revenido convencionais. A Figura 01 abaixo


exibe uma curva aproximada de um resfriamento típico.

A peça aquecida é resfriada até uma temperatura pouco acima do início da formação de
martensita (Mi). O meio de resfriamento é normalmente um banho de sais fundidos, por
exemplo, uma mistura de nitrato de sódio e de potássio. A peça é mantida nessa
temperatura (em geral, entre 300 e 400ºC) pelo tempo suficiente para transformar toda a
austenita em bainita e, em seguida, resfriada ao ar.

Em razão da temperatura constante na fase de transformação, esse tratamento é


classificado de isotérmico.

Notam-se as diferenças básicas em relação à têmpera convencional: transformação em


bainita no lugar da martensita e ausência do revenido.

Fig 01

Algumas vantagens da austêmpera:

• ausência da etapa de revenido.


• características de deformação e tendência a trincas melhores que as da martêmpera.
• para durezas semelhantes, resistências ao impacto maiores que as obtidas com têmpera
convencional ou com martêmpera.

Entretanto, o método apresenta algumas limitações. As seções devem ser resfriadas de


forma a evitar formação de perlita. Na prática, isso limita a espessura das seções a valores
na faixa de 5 a 6 mm para aços-carbono. Alguns aços-liga permitem seções maiores, mas
o tempo da transformação torna-se excessivamente longo.

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Carburização e descarburização   (Topo pág | Fim pág)

Difusão é um processo físico-químico, pelo qual átomos de uma substância penetram na


estrutura de outra. Aqui se considera o caso específico do par ferro e carbono. Ferro é o
elemento número 26 da tabela periódica, enquanto o carbono é o número 6. Isso significa
que o átomo do carbono é menor que o do ferro e, portanto, é natural que, no processo de
difusão, os átomos de carbono ocupem espaços vazios nas estrutura formada pelos
átomos de ferro.

Supõe-se uma experiência conforme esquema na parte inferior da Figura 01 (b):

Uma barra de ferro puro tem uma extremidade em contato com uma porção de carvão
(fonte de carbono). As demais superfícies da barra são consideradas em meio neutro, sem
qualquer interação com o ferro.

Os resultados demonstram que a difusão do carbono no ferro é altamente dependente da


temperatura. Sob temperatura ambiente, ela não ocorre ou é tão pequena que pode ser
considerada nula.

Fig 01

Com aumento da temperatura, há o correspondente incremento da energia cinética dos


átomos, significando vibrações mais intensas que aumentam a probabilidade de saltos dos
átomos de carbono na estrutura do ferro.

Supõe-se agora que o conjunto carvão / ferro é aquecido a 950ºC. Em (a) da Figura 01, é
dada uma parte do diagrama de equilíbrio ferro / carbono visto em página anterior. Nessa
temperatura, só pode haver solução de carbono em ferro γ (austenita) e o máximo teor de
carbono que ela pode conter é aproximadamente 1,3% (interseção com a linha Acm).

Numa camada de espessura infinitesimal na superfície em contato com o carvão, pode-se


dizer que a concentração de carbono é o máximo (1,3%) que pode existir na temperatura
do conjunto (950ºC). E o teor de carbono diminui com a profundidade, pois os átomos de
carbono encontram cada vez mais obstáculos para a penetração.

A difusão é também dependente do tempo. Quanto maior o tempo de contato, maiores


serão as concentrações ao longo do comprimento da barra. As três curvas do gráfico da
Figura 01 (b) referem-se a tempos diferentes, com aumento na direção indicada. Esse é o
princípio da cementação, isto é, o enriquecimento carbono na superfície para aumento, via
têmpera, da sua dureza. Outras informações sobre cementação podem ser vistas nas
próximas páginas.

O aumento do teor de carbono devido à difusão também pode ser denominado, de forma
mais genérica, carburização. O inverso também pode ocorrer: um aço pode ter seu teor de
carbono diminuído, ou seja, sofrer uma descarburização.

Em (a) da Figura 02, supõe-se uma barra de aço com 0,90% de carbono aquecida a
950ºC.

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Fig 02

Considera-se que uma extremidade da barra está em contato com o ar e as demais


superfícies estão em meio neutro, sem interação com o aço. A alta temperatura favorece a
reação do oxigênio do ar com o carbono do aço para formar dióxido de carbono. De forma
similar ao anterior, a intensidade do processo aumenta com o tempo e curvas típicas das
variações de teores ao longo da barra são dadas em (b) da mesma figura.

A descarburização de aços nas altas temperaturas necessárias aos tratamentos térmicos é


um aspecto importante a considerar (a conseqüência prática é, logicamente, a formação
de uma camada superficial de menor dureza). Muitas vezes a prevenção é necessária,
com uso, por exemplo, de fornos de atmosfera controlada ou aquecimento em banho de
sal fundido.

Outro fato indesejável que pode ocorrer no aquecimento de aços é a formação de uma
camada de óxido devido à reação do ferro com substâncias presentes na atmosfera:

Com oxigênio: 2Fe + O2 → 2FeO.


Com dióxido de carbono: Fe + CO2 → FeO + CO.
Com vapor d'água: Fe + H2O → FeO + H2.

Considera-se agora o processo de carburização conforme (b) da Figura 01 anterior. À


primeira vista pode parecer que o carbono sólido do carvão se difunde no ferro. Mas isso
não é rigorosamente verdadeiro. Na realidade, o carbono é fornecido pelo gás monóxido
de carbono formado pela reação (queima) do carvão com o oxigênio do ar. Pode-se dizer
que, na prática, a queima do carvão produz monóxido e dióxido de carbono conforme
seguinte reação:

3 C + 2 O2 → CO2 + 2 CO.

A mistura de monóxido com dióxido de carbono interage com o carbono do aço na forma
de uma reação reversível podendo aumentar ou diminuir o teor de carbono do mesmo.

Carburizar: 2 CO → CO2 + Caço.
Descarburizar: CO2 + Caço → 2 CO.

O sentido da reação depende das concentrações de cada parte (CO e CO2) em relação ao
total da mistura.

Fig 03

Desde que são dois componentes, considera-se apenas o percentual de CO2. A


reversibilidade da reação anterior permite concluir que deve existir um valor de
concentração de CO2 tal que ocorre um equilíbrio termodinâmico, isto é, não há perda nem

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ganho de carbono no aço. E, naturalmente, esse valor depende da composição do aço e


da temperatura. A Figura 03 dá a variação temperatura x concentração de CO2 para aços-
carbono com 0,20%C, 0,60%C e 0,95%C.

Seja, por exemplo, um aço com 0,95% de C. A 1000ºC, uma concentração de


aproximadamente 0,07% CO2 não produz ganho nem perda de carbono, ou seja, é uma
atmosfera neutra para o aço nessa temperatura. Se o teor de CO2 é menor, há então uma
atmosfera que aumenta o teor de carbono da superfície (cementação).

Fornos práticos podem usar o chamado gás endotérmico para controlar o nível de CO2 e,
portanto, produzir atmosferas neutras ou com capacidade de cementação. É obtido, por
exemplo, pela queima do metano em um conversor catalítico. O resultado é cerca de 20%
de mistura CO + CO2, além de 40% de H2 e 40% de N2. O teor de CO2 é controlado pela
relação ar / combustível na entrada do conversor. O hidrogênio tem a capacidade de
aumentar a taxa de transferência de carbono na cementação. Mas o risco associado
(explosão) é evidente.

Em antigos processos que usavam carvão para aquecimento, a relação CO2 /CO era
ajustada na prática pela vazão de ar insuflado. Vazões elevadas produziam temperaturas
altas e também elevadas relações CO2 /CO, que resultavam em descarburização e
oxidação. Vazões menores reduziam temperaturas, mas proporcionavam relações
menores de CO2 /CO para o enriquecimento superficial de carbono (cementação) das
peças de aço.

Topo | Última revisão ou atualização: Set/2009

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