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INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL, I. P.

UFCD IMPOSTOS SOBRE O


0577 PATRIMÓNIO
ufcd 0577 – Impostos sobre o património

1. Imposto municipal sobre imóveis (IMI)

Conceito: o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) é um imposto municipal que reverte a
favor dos municípios e que incide sobre o valor patrimonial tributário dos prédios (rústicos,
urbanos ou mistos) situados em território Português. (Artº 1º CIMI)

Entrou em vigor em 2003 e sofreu alterações em 2017 com a criação do imposto adicional
ao IMI.

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1.1. Incidência

Incidência Pessoal (Artº 8º CIMI)

É titular passivo deste imposto quem for proprietário, usufrutuário ou superficiário de um


prédio em 31 de dezembro do ano a que o mesmo respeitar. No caso das heranças indivisas,
o IMI é devido pela herança indivisa representada pelo cabeça de casal.

Incidência Real (Artº 1º CIMI)

O imposto municipal sobre imóveis (IMI) incide sobre o valor patrimonial tributário dos
prédios rústicos e urbanos situados no território português, constituindo receita dos
municípios onde os mesmos se localizam.

Conceito de prédio

Para efeitos do Código do IMI (CIMI), prédio é toda a fração de território, abrangendo as
águas, plantações, edifícios e construções de qualquer natureza nela incorporados ou
assentes, com carácter de permanência, e, em circunstâncias normais, tenha valor
económico, bem como as águas, plantações, edifícios ou construções, nas circunstâncias
anteriores, dotados de autonomia económica em relação ao terreno onde se encontrem
implantados, embora situados numa fração de território que constitua parte integrante de
um património diverso ou não tenha natureza patrimonial.

Presume-se que os edifícios ou construções têm carácter de permanência quando estiverem


assentes no mesmo local por um período superior a um ano.

Cada fração autónoma, no regime de propriedade horizontal, é havida como constituindo um


prédio.

Os prédios podem ser urbanos, rústicos ou mistos.

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Prédios urbanos

São todos aqueles que não devam ser classificados como rústicos.

Sempre que um prédio tenha partes rústica e urbana é classificado, na íntegra, de acordo
com a parte principal.

Se nenhuma das partes puder ser classificada como principal, o prédio é havido como misto.

Os prédios urbanos dividem-se em:

o Habitacionais;

o Comerciais, industriais ou para serviços;

o Terrenos para construção;

o Outros.

Os prédios urbanos presumem-se concluídos ou modificados na mais antiga das seguintes


datas:

o Concessão da licença camarária, quando exigível;

o Apresentação da declaração para inscrição na matriz com indicação da data de


conclusão das obras;

o Utilização, desde que a título não precário;

o Quando se tornar possível a sua normal utilização para os fins a que se destina.

Prédios rústicos

São prédios rústicos os terrenos situados fora de um aglomerado urbano que não sejam de
classificar como terrenos para construção, desde que:

a. Estejam afetos ou, na falta de concreta afetação, tenham como destino normal
uma utilização geradora de rendimentos agrícolas, tais como são considerados
para efeitos do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS);

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b. Não tendo a afetação indicada na alínea anterior, não se encontrem


construídos ou disponham apenas de edifícios ou construções de carácter
acessório, sem autonomia económica e de reduzido valor.

São também prédios rústicos os terrenos situados dentro de um aglomerado urbano, desde
que, por força de disposição legalmente aprovada, não possam ter utilização geradora de
quaisquer rendimentos ou só possam ter utilização geradora de rendimentos agrícolas e
estejam a ter, de facto, esta afetação.

São ainda prédios rústicos os edifícios e construções diretamente afetos à produção de


rendimentos agrícolas bem como as águas e plantações.

Prédios mistos

São aqueles em que nem a parte rústica nem a urbana pode ser classificada como principal.

Este conceito só existe para efeitos fiscais.

1.2. Isenções

A regra é o de que as isenções que tenham sido concedidas ou reconhecidas no âmbito da


extinta Contribuição Autárquica mantêm-se nos mesmos termos, reportadas ao IMI.

Entidades públicas isentas

Estão isentos de IMI o Estado, as Regiões Autónomas e qualquer dos seus serviços,
estabelecimentos e organismos, compreendendo os institutos públicos, que não tenham
carácter empresarial, bem como as autarquias locais e as suas associações e federações de
municípios de direito público.

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Outras entidades permanentemente isentas

o Os prédios classificados como monumentos nacionais ou imóveis classificados como


de interesse público ou municipal.

o Os prédios destinados a representações diplomáticas e consulares.

o As instituições de segurança social e de solidariedade social

o Partidos políticos.

o Associações religiosas.

Outras isenções de IMI

Prédios urbanos destinados a habitação própria permanente


A isenção é aplicável por um período de 3 anos, a prédios urbanos cujo valor patrimonial
tributário não exceda € 125.000, detidos por sujeitos passivos cujo rendimento coletável,
para efeitos de IRS, no ano anterior ao da aquisição, não haja excedido € 153.300.

No caso de habitação própria a isenção só pode ser reconhecida duas vezes ao mesmo sujeito
passivo ou agregado familiar.

Regime de salvaguarda de prédios urbanos


A coleta do IMI dos prédios urbanos que constituam habitação própria e permanente do
sujeito passivo, não pode exceder, a cada ano, a coleta do IMI do ano anterior, adicionado
do maior dos seguintes valores: € 75 ou um terço da diferença entre o IMI resultante do VPT
fixado na avaliação atual e o que resultaria da avaliação anterior.

Este regime não é aplicável quando se verifique uma alteração do sujeito passivo do IMI no
ano a que respeita o imposto, exceto nas transmissões gratuitas de que forem beneficiários
o cônjuge, descendentes e ascendentes.

Ainda o aumento do IMI não é aplicável a sujeitos que cumpram as condições legais para a
isenção de IMI e tenham mais de 65 anos.

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Prédios de sujeitos passivos com dependentes a cargo


Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem fixar uma redução da
taxa de IMI ao prédio urbano destinado a habitação própria e permanente do sujeito passivo
ou do seu agregado familiar, de acordo com a seguinte tabela:

Número de dependentes a cargo Dedução fixa (em €)


1 20
2 40
3 ou mais 70

Prédios de reduzido valor patrimonial de sujeitos passivos de baixos rendimentos


A isenção é aplicável a sujeitos passivos ou ao seu agregado familiar, cujo rendimento bruto
(IRS), no ano anterior ao da aquisição, não seja superior a 2,3 vezes o valor anual do IAS e
o valor patrimonial tributário global da totalidade dos prédios rústicos e urbanos pertencentes
ao agregado familiar não exceda 10 vezes o valor anual do IAS. Esta isenção aplica-se
igualmente aos prédios cedidos por cooperativas de habitação e construção ou associações
de moradores aos seus membros.

Prédios urbanos objeto de reabilitação urbana


A isenção aplica-se a prédios urbanos objeto de reabilitação urbanística, inseridos em áreas
de reabilitação urbana ou construídos há mais de 30 anos, pelo período de 3 anos, extensível
por um período de 5 anos, a contar do ano, inclusive, da emissão da respetiva licença
camarária ou da conclusão da reabilitação, que se encontrem afetos a arrendamento para
habitação permanente ou a habitação própria e permanente.

Prédios urbanos da espécie outros destinados à produção de energia a partir de


fontes renováveis
Beneficiam de uma redução de 50% da taxa de IMI os prédios urbanos da espécie outros –
aqueles quando o edifício ou construção não seja de classificar na espécie comerciais,

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industriais ou para serviços - que sejam exclusivamente afetos à produção de energia a partir
de fontes renováveis.

Outros benefícios com caráter ambiental atribuídos a imóveis


Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem fixar uma redução até
15% da taxa de IMI, a aplicar aos prédios urbanos com eficiência energética.

Incentivos fiscais à atividade silvícola

A isenção é aplicável a prédios rústicos que correspondam a áreas florestais abrangidas por
zona de intervenção florestal, e os prédios rústicos destinados à exploração florestal
submetidos a plano de gestão florestal.

Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI)

As empresas que efetuem investimentos considerados relevantes podem beneficiar de


isenção ou redução de IMI, por um período até 10 anos, relativamente aos prédios que sejam
sua propriedade e que constituam aplicações relevantes.

Prédios urbanos construídos, ampliados, melhorados ou adquiridos a título


oneroso, destinados a habitação

A isenção de IMI é automática para os prédios urbanos adquiridos a título oneroso. Nos
restantes casos, esta isenção fica sujeita ao reconhecimento pelo chefe do serviço de
finanças.

Lojas com história

As lojas com história, reconhecidas pelos Municípios como estabelecimentos de interesse


histórico, cultural ou social e que integrem o inventário nacional, estão isentas de IMI a partir
do ano em que estas situações se verifiquem.

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1.3. Determinação do valor tributário

O valor patrimonial tributário é, em princípio determinado de acordo com as regras do Código


do Imposto Municipal sobre Imóveis para as diferentes espécies de prédios.

Prédios urbanos

Na determinação do valor patrimonial tributário dos prédios, o sistema fiscal português


adotou, desde 2003, o valor de mercado como referência fundamental. Considera que é o
valor de mercado que melhor reflete o valor de riqueza dos bens imóveis.

Anteriormente o valor patrimonial tributário era determinado de acordo com o rendimento


anual que o prédio produzia. Entendia-se, no sistema antigo, que o valor patrimonial de um
imóvel correspondia, em termos gerais, ao valor das rendas que ele gerava durante um
período de 15 anos.

O atual sistema de avaliação de imóveis assenta num conjunto de seis coeficientes de


avaliação que são idênticos aos que revelam na atividade económica para a formação dos
preços dos bens imóveis urbanos, tentando o assim o legislador aproximado o valor
patrimonial tributário do valor de mercado dos imóveis urbanos.

Para calcular o IMI que cada proprietário tem de pagar por deter um imóvel, multiplica-se o
valor que as Finanças atribuem ao imóvel (valor patrimonial tributário ou VPT) pela taxa de
IMI do município em que o imóvel está situado. Eis a fórmula para calcular o IMI:

IMI a pagar = VPT x taxa do município

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O que é o VPT e como se calcula?

O VPT é o valor que as Finanças atribuem ao seu imóvel e é calculado com base nos
parâmetros constantes do artigo 38.º do Código do IMI. O VPT do imóvel é obtido através
da seguinte forma:

Valor patrimonial tributário (VPT) = Vc x A x Ca x Cl x Cq x Cv

Em que:
VPT = valor patrimonial tributário
Vc = valor base dos prédios edificados
A = área bruta de construção mais a área excedente à área de implantação
Ca = coeficiente de afetação
Cl = coeficiente de localização
Cq = coeficiente de qualidade e conforto
Cv = coeficiente de vetustez

Consultar o VPT na caderneta predial

Os valores atribuídos a cada parâmetro da fórmula de cálculo do VPT podem ser consultados
na caderneta predial do imóvel:

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O valor base dos prédios edificados (Vc) corresponde ao custo médio de construção por
metro quadrado, adicionado do valor do metro quadrado do terreno de implantação fixado
em 25% daquele custo.

O custo médio de construção compreende os encargos diretos e indiretos suportados na


construção do edifício, designadamente os relativos a materiais, mão-de-obra,
equipamentos, administração, energia, comunicações e outros consumíveis.

A Portaria n.º 419/2015 fixa o custo médio de construção por metro quadrado, (Vc), em
482,40, a vigorar no ano de 2016.

A área bruta de construção do edifício ou da fração e a área excedente à de implantação (A)


resultam da seguinte expressão:

× × ×
A = Aa Ab Ac Ad

em que:

Aa = área bruta privativa


Ab = áreas brutas dependentes
Ac = área do terreno livre até ao limite de duas vezes a área de implantação
Ad = área do terreno livre que excede o limite de duas vezes a área de implantação

A área bruta privativa (Aa) é a superfície total, medida pelo perímetro exterior e eixos das
paredes ou outros elementos separadores do edifício ou da fração, inclui varandas privativas,
caves e sótãos privativos com utilização idêntica à do edifício ou da fração a que se aplica o
coeficiente 1.

As áreas brutas dependentes (Ab) são as áreas cobertas de uso exclusivo, ainda que
constituam partes comuns, mesmo que situadas no exterior do edifício ou fração,
considerando-se para esse efeito locais acessórios, garagens e parqueamentos,

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arrecadações, instalações para animais, sótãos ou caves acessíveis, desde que não
integrados na área bruta privativa, e ainda outros locais privativos de função distinta das
anteriores, a que se aplica o coeficiente 0,30.

A área do terreno livre do edifício ou da fração ou da sua quota-parte resulta da diferença


entre a área total do terreno e a área de implantação da construção ou construções e integra
jardins, parques, campos de jogos, piscinas, quintais e outros logradouros, aplicando-se-lhe,
até ao limite de duas vezes a área de implantação (Ac), o coeficiente de 0,025, e na área
excedente ao limite de duas vezes a área de implantação (Ad) o de 0,005.

Prédios rústicos

O valor patrimonial tributário corresponde ao produto do rendimento fundiário pelo fator 20.

Este rendimento determina-se por avaliação de base cadastral, com base nos elementos
fornecidos pelo Instituto Geográfico Português e por avaliação de base não cadastral nos
municípios onde não vigore o cadastro predial ou geométrico.

Nos prédios com valor patrimonial não superior a €. 1.210, o valor patrimonial é fixado por
despacho do chefe de finanças.

Taxas

Imóveis Taxa (%)


Prédios urbanos 0,3 a 0,45
Prédios rústicos 0,8
Prédios detidos por entidades em paraísos fiscais
(exceto pessoas singulares) 7,5

O IMI é pago anualmente e varia consoante a área de localização da casa, sendo que o
montante do mesmo incide sobre o valor patrimonial do imóvel. Conforme mencionado no

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nº 1 do artigo 112º do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI), a taxa aplicada
é de 0,8% para prédios rústicos e para prédios urbanos pode situar-se entre os 0,3% e os
0,45%. Pode saber qual é a taxa aplicada ao município onde se localiza a sua habitação
através do site do Portal das Finanças.

Agravamento do IMI 2020

Em 2020 o IMI é agravado com o objetivo de contrariar a escassez de oferta para habitação.
Esta penalização, que já abrangia os prédios devolutos há mais de dois anos, passa a aplicar-
se também a prédios em ruínas e a terrenos em construção com aptidão para uso
habitacional, quando localizados em zonas de pressão urbanística.

A presente informação consta no nº 1 do artigo 112º-B da Proposta de Lei n.º 5/XIV aprovada
para o Orçamento do Estado 2020 que procede à alteração do Código do IMI.

O agravamento mantém-se e corresponde a seis vezes a taxa aplicada em prédios urbanos,


que atualmente se situa entre 0,3% e 0,45%. O imposto é ainda agravado em mais 10% por
cada ano subsequente até um máximo de 12 vezes a taxa atual, estipulado por lei, conforme
consta nas alíneas a) e b) do nº 1 do artigo 112º-B do CIMI.

No entanto, a medida que retirava a isenção deste imposto a monumentos nacionais e


edifícios de interesse público ou municipal foi chumbada, pelo que esta isenção de IMI vai
continuar em 2020.

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Qual o prazo de pagamento?

Este ano também vai poder fazer o pagamento do IMI em prestações, caso o valor do mesmo
seja superior a 100 euros.

Conforme consta no nº 1 do artigo 120º do Código do IMI, os prazos para efetuar o


pagamento do IMI 2020 são os seguintes:

 Até 100 euros: prestação única, paga em maio;


 Mais de 100 euros e menos de 500 euros: duas prestações, pagas em maio e
novembro;
 A partir de 500 euros: três prestações, pagas em maio, agosto e novembro.

No entanto, não é obrigatório pagar o IMI em prestações se este for superior a 100 euros.
Se preferir, pode pagar o valor total de uma só vez.

Tome atenção:
Segundo consta no artigo 121º do CIMI, o atraso no pagamento do IMI implica o
pagamento de juros de mora, pelo que é de extrema importância lembrar-se de o pagar
dentro do prazo definido por lei. Está ainda sujeito ao pagamento de uma multa, uma vez
que a falta ou atraso de declarações fiscais é considerada uma infração fiscal, segundo consta
no artigo 116º do Regime Geral das Infrações Tributárias.

Pagar o IMI é simples

Para fazer o pagamento do IMI 2020, basta que se dirija a uma repartição das Finanças, ao
balcão dos CTT mais próximo ou a uma instituição financeira que tenha protocolo com a
Autoridade Tributária.

Poderá também realizar o pagamento através de um Multibanco ou mesmo a partir de casa,


acedendo ao seu banco através da Internet via homebanking.

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Taxa em vigor, pesquisar no portal das finanças:

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