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Introdução a teoria das

distribuições
Análise Funcional
Universidade Federal do Acre (UFAC)
218 pag.

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INICIAÇÃO À TEORIA DAS DISTRIBUIÇÕES
E AOS ESPAÇOS DE SOBOLEV

VOLUME I

Marcelo Moreira Cavalcanti


e
Valéria Neves D. Cavalcanti

2000

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PREFÁCIO

Sob o nome de “Iniciação à Teoria das Distribuições e aos Espaços de Sobolev”


encontram-se alguns resultados básicos sobre a Teoria das Distribuições, Espaços de
Sobolev e Teoremas de Traço.
A motivação de escrever este texto surgiu quando cursávamos o Doutorado na
UFRJ, sob a orientação dos professores Manuel Milla Miranda e Luiz Adauto Medeiros,
aos quais somos eternamente gratos pela nossa formação.
Este texto não pretende, evidentemente, comparar-se aos clássicos R.A. Adams
[1], H. Brézis [3] ou J.L. Lions e J.E. Magenes [10], dentre outros; mas abordar de
maneira mais detalhada alguns resultados neles contidos.
Para uma boa leitura deste manuscrito são necessários, por parte do leitor, co-
nhecimento prévio dos espaços vetoriais topológicos, bem como da Teoria de Medida e
Integração. Além disso, supõe-se, evidentemente, que o leitor esteja familiarizado com
os conceitos e resultados fundamentais da Análise no Rn e Geometria Diferencial.
Esperamos que este material auxilie àqueles que ingressam na área de Equações
Diferenciais, ou ainda, àqueles que por ela se interessem. Este é o propósito deste texto.
Gostarı́amos de agradecer aos nossos alunos, da primeira turma de Mestrado em
Matemática da Universidade Estadual de Maringá (1999), pela leitura de parte deste
texto e correção de alguns erros nele encontrados. Deixamos aqui registrado que é
de nossa inteira responsabilidade todo e qualquer erro encontrado neste manuscrito e,
agradecemos, antecipadamente, toda e qualquer manifestação de correção do mesmo.
Gostarı́amos, ainda, de agradecer ao querido Mestre Alvércio Moreira Gomes
pelo seu incentivo constante e pelo seu grande exemplo de vida.
Finalmente, gostarı́amos de agradecer ao amigo Wilson Góes pelo excelente tra-
balho de digitação e estética.

Maringá, 05 de setembro de 2000

Os Autores
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ÍNDICE

Capı́tulo 0 - Resultados Básicos sobre Distribuições

0.1 - Espaço de Funções Testes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1


0.2 - Distribuições sobre Ω . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
0.3 - Suporte de Distribuições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
0.4 - Um repasso à Transformada de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
0.5 - O espaço de Schwartz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
0.6 - Distribuições Temperadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62

Capı́tulo 1 - Propriedades Elementares dos Espaços de Sobolev

1.1 - Geometria dos Espaços de Sobolev . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68


1.2 - O Espaço W0m,p (Ω) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
−m,q
1.3 - O Espaço W (Ω) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
1.4 - Reflexividade nos Espaços de Sobolev . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
1.5 - Aproximações por Funções Regulares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

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Capı́tulo 2 - Imersões de Espaços de Sobolev

2.1 - Desigualdades Notáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116


2.2 - Teoremas de Imersão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133

Capı́tulo 3 - Propriedades do Prolongamento

3.1 - Prolongamento: Caso Ω = Rn+ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168


3.2 - Prolongamento: Caso Ω aberto limitado bem regular . . . . . . . . . . . 180
3.3 - Resultados de Imersão e Compacidade para W m,p (Ω) . . . . . . . . . . 197

Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213

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CAPÍTULO 0

RESULTADOS BÁSICOS SOBRE DISTRIBUIÇÕES

0.1 Espaço de Funções Testes

Denotaremos por x = (x1 , x2 , . . . , xn ) os pontos do Rn , por K o corpo dos

números reais ou complexos, por α = (α1 , α2 , . . . , αn ) as n-uplas de números inteiros


não negativos e escreveremos |α| = α1 +α2 +· · ·+αn e α! = α1 !α2 ! . . . αn ! . Denotaremos

por
∂ |α|
Dα =
∂xα
1
1
∂xα αn
2 . . . ∂xn
2

o operador derivação.

No caso 0 = (0, 0, . . . , 0), o operador D0 estará representando o operador identi-


dade. Diremos que α ≤ β, α = (α1 , α2 , . . . , αn ) e β = (β1 , β2 , . . . , βn ), se αi ≤ βi para

i = 1, 2, . . . , n. Se u e v são funções numéricas com um número suficiente de derivadas,

temos a fórmula de Leibniz:

X α!
Dα (uv) = (Dβ u)(Dα−β v).
β!(α − β)!
β≤α

Seja Ω um aberto do Rn . Denotaremos por Lp (Ω), 1 ≤ p ≤ +∞, o espaço

de Banach das (classes de) funções definidas em Ω com valores em K, tais que |u|p é
integrável no sentido de Lebesgue em Ω, com norma

µZ ¶ p1
p
||u||Lp (Ω) = |u(x)| dx , para 1 ≤ p < +∞

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e essencialmente limitadas em Ω, Ω com a medida de Lebesgue, com norma

||u||L∞ (Ω) = supess |u(x)|, para p = +∞.


x∈Ω

No caso p = 2, L2 (Ω) é um espaço de Hilbert. Denotaremos por (· , ·) e | · |, o


produto interno e a norma, respectivamente, deste espaço. Assim,

Z
(u, v) = u(x) v(x) dx, u, v ∈ L2 (Ω)

e |u|2 = (u, v). Denotaremos por Lploc (Ω), 1 ≤ p < +∞, o espaço das (classes de)

funções u: Ω → K tais que |u|p é integrável no sentido de Lebesgue sobre cada compacto

K de Ω. Seja (uν ) uma sucesão em Lploc (Ω) e u ∈ Lploc (Ω). Diremos que

uν → u em Lploc (Ω)

se para cada compacto K de Ω tem-se:

µZ ¶ p1
p
pK (uν − u) = |uν (x) − u(x)| dx → 0.
K

Mostra-se que Lploc (Ω) é um espaço de Fréchet, isto é, um espaço localmente

convexo completo que é metrizável. Notemos que Lploc (Ω) ֒→ L1loc (Ω) onde ֒→ denota

que a identidade é uma injeção contı́ua. No que segue nestas notas, ֒→ estará sempre
denotando que a identidade é uma injeção contı́nua.

Seja u: Ω → K contı́nua. O suporte de u, o qual será denotado por supp(u),


é definido como o fecho em Ω do conjunto {x ∈ Ω; u(x) 6= 0}. Se este conjunto for

um compacto do Rn então dizemos que u possui suporte compacto. Denotaremos por

C0∞ (Ω) o conjunto das funções ϕ: Ω → K que são infinitamente diferenciáveis em Ω e


que têm suporte compacto, sendo que este suporte depende de ϕ. Dotaremos o espaço

C0∞ (Ω) da topologia limite indutivo L e denotaremos por D(Ω) o espaço topológico
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(C0∞ (Ω), L). Desta forma, se (ϕν ) é uma sucessão de funções pertencentes a D(Ω) e

ϕ ∈ D(Ω) então prova-se que

(1) ϕν → ϕ em D(Ω)

se e somente se existe um subconjunto compacto K de Ω tal que:

(i) supp(ϕν ) ⊂ K, ∀ ν e supp(ϕ) ⊂ K;

(ii) ∀ α ∈ Nn , Dα ϕν → Dα ϕ uniformemente sobre K.

O espaço D(Ω) é denominado o espaço das funções testes em Ω. Mostraremos,


a seguir que esta classe de funções é bastante significativa. Para isto consideremos o

seguinte:

Lema: Seja θ: R → R definida por:



 exp(−x−2 ), x > 0
θ(x) =
 0, x≤0

Então θ é uma função C ∞ (R).

Demonstração: Se x 6= 0 nada temos a provar. Quando x → 0 e x < 0 então todas


as derivadas são nulas. Agora, quando x → 0 e x > 0 as derivadas constituem uma

combinação linear finita de termos da forma x−n exp(−x−2 ), n inteiro positivo maior

ou igual a zero. Uma simples aplicação da Regra de L’Hospital mostra-nos que esses
termos tendem para zero quando x → 0 pela direita. ¤

Podemos usar o lema acima para construir exemplos de funções testes.

Exemplo 1: Consideremos a função:



 exp(1/x2 − 1) se |x| < 1
θ(x) =

0 se |x| ≥ 1
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Uma simples aplicação do lema precedente mostra-nos que θ ∈ C0∞ (R). Nesse

caso, supp(θ) = [−1, 1].


Mais geralmente, podemos definir:

 exp(1/||x||2 − 1) se ||x|| < 1
θ(x) =

0 se ||x|| ≥ 1

P
n
onde ||x||2 = |xi |2 , x = (x1 , . . . , xn ) ∈ Rn . Então θ ∈ C0∞ (Rn ) com supp(θ) =
i=1

{x ∈ Rn ; ||x|| ≤ 1} = B1 (0).

Exemplo 2: Seja ρ: Rn → R definida como acima. Ponhamos:

µZ ¶−1
C= ρ(x) dx
Rn

e definamos a seqüência de funções:

ρν (x) = C ν n ρ(νx)

ou seja,

 C ν n exp(1/||νx||2 − 1), se ||x|| < 1/ν
ρν (x) =

0, se ||x|| ≥ 1/ν

Notemos que para cada ν, ρν ∈ C0∞ (Rn ) e supp(ρν ) = B1/ν (0). Daı́ vem que:
Z Z
ρν (x) dx = C ν n exp(1/||νx||2 − 1) dx.
Rn B1/ν (0)

Considerando-se a mudança de variáveis ξ = νx resulta que:


Z Z
ρν (x) dx = C ν n exp(1/||νx||2 − 1) dx
Rn B1/ν (0)

Z µZ ¶−1 Z
n 1 2
= C ν exp(1/||ξ|| − 1) n dξ = ρ(x) dx ρ(ξ) dξ = 1
B1 (0) ν Rn Rn
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ou seja,
Z
ρν (x) dx = 1, ∀ ν ∈ N.
Rn

Então, as funções ρν , à medida que ν cresce, têm suportes cada vez menores,

mas preservam o volume contido sob o gráfico. Quando ν → +∞ essas funções estão
concentradas na origem.

Denominamos sucessão regularizante à toda sucesão (ρν )ν∈N de funções tais que:

Z
ρν ∈ C0∞ (Rn ), supp(ρν ) ⊂ B1/ν (0), ρν (x) dx = 1 e ρν ≥ 0.
Rn

Seja u ∈ Lp (Ω). Definimos o suporte de u, o qual denotamos ainda por supp(u),

como o conjunto obtido pela interseção de todos os subconjuntos fechados em Ω fora


dos quais u se anula quase sempre. Notemos que se u ∈ C(Ω) ∩ Lp (Ω) então as noções

de suporte definidas para funções contı́nuas em Ω e para funções de Lp (Ω) coincidem.

Sejam f ∈ L1 (Rn ) e g ∈ Lp (Rn ) com 1 ≤ p ≤ +∞. Definimos a convolução de f

por g por:
Z
(f ∗ g)(x) = f (x − y) g(y) dy.
Rn

Então, (f ∗ g) ∈ Lp (Rn ) e além disso, ||f ∗ g||Lp ≤ ||f ||L1 ||g||Lp . Contudo,

sendo f ∈ C0 (Rn ) e g ∈ L1loc (Rn ) temos (f ∗ g) ∈ C(Rn ). Mais além, se f ∈ C0k (Rn )

(k natural) e g ∈ L1loc (Rn ) então (f ∗ g) ∈ C k (Rn ) e vale a fórmula de derivação:

Dk (f ∗ g) = (Dk f ) ∗ g.

Pode-se provar sem dificuldades que se f e g são funções para as quais a con-
volução está bem definida então:

supp(f ∗ g) ⊂ supp(f ) + supp(g).


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Segue-se daı́ que se f e g tiverem suportes compactos também o terá f ∗ g.

Proposição 1: Sejam K um compacto não vazio e F um subconjunto fechado do Rn ,

tais que K ∩ F = ∅. Então existe ψ ∈ C0∞ (Rn ) tal que ψ = 1 em K, ψ = 0 em F e


0 ≤ ψ(x) ≤ 1, ∀ x ∈ Rn .

1
Demonstração: Seja ε = d(K, F ) > 0 e consideremos os seguintes conjuntos:
4

K0 = {x ∈ Rn , d(x, K) ≤ ε}

F0 = {x ∈ Rn , d(x, K) ≥ 2 ε}

K1 = {x ∈ Rn , d(x, K) ≤ 2 ε}

K2 = {x ∈ Rn , d(x, K) ≤ 3 ε}

Temos que K0 é compacto, F0 é fechado e K0 ∩ F0 = ∅. Logo, a função

d(x, F0 )
v(x) = , x ∈ Rn
d(x, F0 ) + d(x, K0 )

é contı́nua, com as seguintes propriedades:

(i) 0 ≤ v(x) ≤ 1

(ii) v(x) = 1 se x ∈ K0 e v(x) = 0 se x ∈ F0

Além disso, se x ∈ Rn é tal que v(x) 6= 0 então x ∈


/ F0 (já que v(x) = 0 se e só

se x ∈ F0 ). Portanto,

{x ∈ Rn , v(x) 6= 0} ⊂ Rn \F0

e por conseguinte

{x ∈ Rn , v(x) 6= 0} ⊂ Rn \F0

i.é.

supp(v) ⊂ K1 .
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R
Seja θ ∈ C0∞ (Rn ) tal que θ(x) ≥ 0, supp(θ) = Bε (0) e Rn
θ(x) dx = 1. Po-

nhamos:

ψ = θ ∗ v.

Então ψ ∈ C0∞ (Rn ) já que θ e v possuem suportes compactos. Temos também
que ψ satisfaz a seguinte propriedade:

supp(ψ) ⊂ supp(θ) + supp(v) = Bε (0) + supp(v) ⊂ Bε (0) + K1 ⊂ K2 ⊂ Rn \F.

Segue-se daı́ que se x ∈ F então x ∈


/ supp(ψ) e por conseguinte ψ(x) = 0. Então:

ψ = 0 em F.

Além disso, se x ∈ K e ||y|| ≤ ε, então (x − y) ∈ K0 já que x + (−y) ∈ K + Bε (0) = K0 .

Logo, v(x − y) = 1 e

Z Z
ψ(x) = (θ ∗ v)(x) = θ(y)v(x − y) dy = θ(y) dy = 1.
||y||≤ε ||y||≤ε

Conseqüentemente,

ψ = 1 em K.

R
Finalmente, como ψ(x) = ||y||≤ε
θ(x)v(x − y) dy e pelo fato de 0 ≤ v(ξ) ≤ 1

tem-se:
Z Z
0 ≤ ψ(x) = θ(y)v(x − y) dy ≤ θ(y) dy = 1
||u||≤ε ||y||≤ε

i.é, 0 ≤ ψ(x) ≤ 1. Isto encerra a prova. ¤

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No que segue (ρν ) representará uma sucessão regularizante.

Proposição 2: Seja f ∈ C(Rn ). Então, ρν ∗f → f uniformemente sobre todo compacto

do Rn .

Demonstração: Sejam ε > 0 e K um compacto do Rn . Provaremos que ρν ∗ f → f


uniformemente sobre K. Com efeito, devemos exibir ν0 ∈ N (que só dependa de ε e de

K) tal que para todo ν ≥ ν0 tenhamos |(ρν ∗ f )(x) − f (x)| < ε, seja qual for x ∈ K.

Tomemos x ∈ K genérico. Então:


¯Z ¯
¯ ¯
¯
|(ρν ∗ f )(x) − f (x)| = ¯ ρν (x − y)f (y) dy − f (x)¯¯
Rn
¯Z Z ¯
¯ ¯
= ¯¯ ρν (x − y)f (y) dy − f (x)ρν (y) dy ¯¯
Rn R n

¯Z ¯
¯ ¯
= ¯¯ [f (x − y) − f (x)] ρν (y) dy ¯¯
R n

Z
≤ |f (x − y) − f (x)| ρν (y) dy.
B1/ν (0)

Observemos que a idéia, agora, é usar a continuidade uniforme da função f


em K de modo a majorarmos a integral por ε para um “ν ” suficientemente grande.

Contudo, apesar de x pertencer a K, não temos a garantia que x − y pertença a K para

y ∈ B1/ν (0). Ponhamos então

K1 = K − B1 (0).

Assim, K1 é um compacto e à medida que y varia na bola B1/ν (0) ⊂ B1 (0) tem-

se x − y pertencente ao compacto K1 . Então, face a continuidade uniforme da f , para o

ε > 0 dado, existe δ(ε) > 0 tal que ∀ z1 , z2 ∈ K1 com ||z1 −z2 || < δ ⇒ |f (z1 )−f (z2 )| < ε.
Em particular, para os pontos x e x − y temos:

Se ||x − (x − y)|| = ||y|| < δ ⇒ |f (x − y) − f (x)| < ε.


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Ora, como y ∈ B1/ν (0) então ||y|| < 1/ν. Consideremos, então, ν0 ∈ N com

ν0 > 1/δ. Logo, para todo ν ≥ ν0 temos 1/ν ≤ 1/ν0 o que implica ||y|| < 1/ν < δ.

Portanto
|f (x − y) − f (x)| < ε

e, conseqüentemente,

Z Z
|(ρν ∗ f )(x) − f (x)| ≤ |f (x − y) − f (x)| ρν (y) dy < ε ρν (y) dy = ε
B1/ν (0) B1/ν (0)

para todo ν ≥ ν0 seja qual for x ∈ K. Isto encerra a prova. ¤

Proposição 3: Seja f ∈ L1loc (Ω) tal que

Z
f (x)ϕ(x) dx = 0, ∀ ϕ ∈ C0 (Ω).

Então f = 0 em quase toda parte.

Demonstração: Primeiramente provaremos a veracidade do teorema para funções per-


tencentes a L1 (Ω) com Ω limitado. Seja então f ∈ L1 (Ω), onde Ω é um subconjunto
R
aberto e limitado do Rn tal que Ω f (x)ϕ(x) = 0, ∀ ϕ ∈ C0 (Ω). Sabe-se da teoria de

integração que C0 (Ω) é denso em L1 (Ω). Então, dado ε > 0 ∃ f1 ∈ C0 (Ω) tal que

||f − f1 ||L1 (Ω) < ε.

Logo, para todo u ∈ C0 (Ω) temos:


¯Z ¯ ¯Z ¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ f1 (x)u(x) dx¯ = ¯ (f1 (x) − f (x) + f (x))u(x) dx¯
¯ ¯ ¯ ¯
Ω Ω
Z ¯Z ¯
¯ ¯
≤ ¯
|f1 (x) − f (x)| |u(x)| dx + ¯ f (x)u(x) dx¯¯
Ω Ω

≤ ||u||L∞ (Ω) ||f1 − f ||L1 (Ω) ≤ ε||u||L∞ (Ω) .


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R
Note-se que na expressão integral acima Ω
f u = 0, por hipótese. Assim:

¯Z ¯
¯ ¯
(1) ¯ f1 (x)u(x) dx¯ ≤ ε ||u||L∞ (Ω) , ∀ u ∈ C0 (Ω).
¯ ¯

Ponhamos

K1 = {x ∈ Ω, f1 (x) ≥ ε} e K2 = {x ∈ Ω, f1 (x) ≤ −ε}.

Como K1 e K2 são compactos disjuntos temos a existência de funções (cf. Proposição

1)
u0,1 : Ω → R e u0,2 : Ω → R

contı́nuas e de suporte compact em Ω e tais que:

u0,1 (x) = 1, ∀ x ∈ K1 ; u0,1 (x) = 0, ∀ x ∈ K2 e 0 ≤ u0,1 ≤ 1 em Ω

u0,2 (x) = 1, ∀ x ∈ K2 ; u0,2 (x) = 0, ∀ x ∈ K1 e 0 ≤ u0,2 ≤ 1 em Ω

Pondo-se u0 = u0,1 − u0,2 , obtemos:

u0 = 1 em K1 e u0 = −1 em K2 .

Além disso, u0 é claramente contı́nua. Então, se K = K1 ∪ K2 resulta que:


Z Z Z
||f1 ||L1 (Ω) = |f1 (x)| dx = |f1 (x)| dx + |f1 (x)| dx
Ω K Ω\K
Z Z
= u0 (x)f1 (x) dx + |f1 (x)| dx
K Ω\K
Z
≤ u0 (x)f1 (x) dx + ε med(Ω\K)
K

posto que |f1 (x)| < ε em Ω\K. Por outro lado, como Ω = K ∪ (Ω\K), temos que:

¯Z ¯ ¯Z ¯ ¯¯Z ¯
¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ u0 (x)f1 (x) dx¯ ≤ ¯ u0 (x)f1 (x) dx¯ + ¯¯ ¯
u0 (x)f1 (x) dx¯ .
¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯
K Ω Ω\K

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Logo:

¯Z ¯ ¯¯Z ¯
¯
¯ ¯ ¯ ¯
||f1 ||L1 (Ω) ≤ ¯¯ u0 (x)f1 (x) dx¯¯ + ¯ u0 (x)f1 (x) dx¯ + ε med(Ω\K)
Ω ¯ Ω\K ¯

e de (1) segue que:


¯Z ¯
¯ ¯
¯ ¯
||f1 ||L1 (Ω) ≤ ε ||u0 ||L∞ (Ω) + ¯ u0 (x)f1 (x) dx¯ + ε med(Ω\K)
¯ Ω\K ¯
Z
≤ ε ||u0 ||L∞ (Ω) + ε |u0 (x)| dx + ε med(Ω\K)
Ω\K

≤ ε + 2ε med(Ω\K) ≤ ε + 2ε med(Ω)

pois |f1 (x)| ≤ ε em Ω\K e |u0 (x)| ≤ 1.

Desta forma:

||f ||L1 (Ω) ≤ ||f − f1 + f1 ||L1 (Ω) ≤ ||f − f1 ||L1 (Ω) + ||f1 ||L1 (Ω)

≤ ε + ε + 2ε med(Ω) = 2ε(1 + med(Ω)).

Pela arbitrariedade de ε > 0 conclui-se que f = 0 q.s. em Ω.

Consideremos, agora, o caso geral. Sejam f ∈ L1loc (Ω) e Ω ⊂ Rn , aberto genérico.


Para cada ν ∈ N, ponhamos:

Ων = {x ∈ Ω | d(x, Rn \Ω) > 1/ν e ||x|| < ν}.

Observemos que Ων é aberto. De fato, seja x0 ∈ Ων . Então, d(x0 , Rn \Ω) = d0 >


1/ν e ||x0 || < ν. Ponhamos:

0 < r < min{ν − ||x0 ||, d0 − 1/ν}.

Então:

(2) Br (x0 ) ⊂ Ων .
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Com efeito, se x1 ∈ Br (x0 ) temos que ||x1 − x0 || < r e portanto,

||x1 || < r + ||x0 || < ν.

Além disso, d(x1 , y) ≥ d(x0 , y) − d(x1 , x0 ), ∀ y ∈ Rn \Ω e portanto,

d(x1 , Rn \Ω) ≥ d0 − r > 1/ν.

Concluı́mos, então, que x1 ∈ Ων e por conseguinte temos provado (2). Isto prova

que Ων é aberto. Temos também que Ων é limitado para todo ν ∈ N, pois Ων ⊂ Bν (0).

Mais além, temos também que:


[
(3) Ω= Ων .
ν∈N

De fato, tome x ∈ Ω. Então, como {x} é compacto e Rn \Ω é fechado segue-


se que d(x, Rn \Ω) > 0. Consideremos, então, ν0 ∈ N suficientemente grande tal que
S
0 < 1/ν0 < d(x, Rn \Ω) e também que ||x|| < ν0 . Então, x ∈ Ων0 e portanto x ∈ Ων .
ν∈N
S
Reciprocamente, como Ων ⊂ Ω, ∀ ν segue-se que Ων ⊂ Ω. Isto prova (3).
ν∈N

Finalmente, sendo o fecho de Ων um compacto contido em Ω então, como


f ∈ L1loc (Ω), podemos aplicar o raciocı́nio anterior para Ων e f |Ων de modo a concluir

que f = 0 q.s. em Ω. ¤

Na demonstração da proposição acima usamos o fato da função f ser real. Porém

o resultado permanece válido para funções complexas pois, nesse caso, f = f1 + i f2 ,


R R
onde f1 e f2 são reais e assim Ω f u dx = 0 implica que Ω fj u dx = 0, j = 1, 2. Usando

a proposição acima concluı́mos que fi = 0 q.s. em Ω, i = 1, 2. Portanto f = 0 q.s. em

Ω.

Proposição 4 (de Du Bois Raymond): Sejam u ∈ L1loc (Ω) tal que


Z
u(x)ϕ(x) dx = 0, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω)

12

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então u = 0 quase sempre em Ω.

Demonstração: Sejam u ∈ L1loc (Ω) e ψ ∈ C0 (Ω) e consideremos (ρν ) uma sucessão

regularizante. De acordo com a Proposição 2 temos:

(4) ψ̃ν = ψ̃ ∗ ρν → ψ̃ (onde ψ̃ é a extensão de ψ nula fora de Ω)

uniformemente sobre todo compacto de Rn . Além disso, denotando-se por K o supp(ψ),


temos para ν ≥ ν0 que:

(5) supp(ψ̃ν ) ⊂ supp(ψ) + supp(ρν ) ⊂ K + B1\ν (0) ⊂ Ω.

Com efeito, seja x ∈ K + B1\ν (0). Então x = z + y para algum z ∈ K e

y ∈ B1\ν (0). Como K é um compacto contido em Ω, ∃ r > 0 tal que Br (z) ⊂ Ω.

Consideremos, então, ν0 > 1/r. Temos, para todo ν ≥ ν0 que:

||x − z|| = ||y|| ≤ 1/ν < r, i.é, x ∈ Br (z) ⊂ Ω

o que prova (5). Pondo-se:

K1 = K + B1\ν0 (0)

então,

(6) supp(ψ̃ν ) ⊂ K + B1\ν (0) ⊂ K1 e supp(ψ) = K ⊂ K1 .

Logo para todo ν ≥ ν0 resulta que:


Z Z
(7) u ψ̃ν dx → u ψ dx
Ω Ω

pois
Z Z
|u(ψ̃ν − ψ)| dx = |u| |ψ̃ν − ψ)| dx
Ω K1
µ ¶Z
≤ max |ψ̃ν (x) − ψ(x)| |u| dx
x∈K1 K1
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onde a última expressão tende para zero em virtude de (4). Ora, de (6) temos que a

sucessão ψ̃ν pertence a C0∞ (Ω). Logo, por hipótese vem que:
Z
u ψ̃ν dx = 0

e de (7) resulta que:


Z
u ψ dx = 0, ∀ ψ ∈ C0 (Ω).

Segue-se da proposição (3) que u = 0 q.s. em Ω. Isto encerra a prova. ¤

Proposição 5: O espaço C0 (Ω) é denso em Lp (Ω) para 1 ≤ p < +∞.

Demonstração: Conforme já sabemos da teoria de integração C0 (Ω) é denso em L1 (Ω).

Suponhamos então que 1 < p < +∞. Para demonstrarmos que C0 (Ω) é denso em Lp (Ω)
R
é suficiente comprovar se h ∈ Lp′ (Ω) e verifica Ω hu = 0 para todo u ∈ C0 (Ω) então

h = 0. Com efeito, temos que h ∈ L1loc (Ω) pois sendo K um compacto do Rn contido
em Ω temos:
Z
||h||L1 (K) = |hχK | dx ≤ ||h||Lp′ med(K)1/p < +∞.

Desta forma, podemos aplicar a Proposição 3 para concluir que h = 0 q.s. em

Ω. ¤
De maneira análoga temos o seguinte resultado:

Proposição 6: C0∞ (Ω) é denso em Lp (Ω).

Demonstração: Basta proceder de maneira análoga à Proposição 5, usando, nesse


caso, a Proposição 4. ¤

Proposição 7: Seja f ∈ Lp (Rn ) com 1 ≤ p < +∞. Então:

ρν ∗ f → f em Lp (Rn ).
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Demonstração: Inicialmente observemos que para cada ν ∈ N, ρν ∗ f ∈ C ∞ (Rn ).

Consideremos, então, ε > 0 e f ∈ Lp (Rn ). De acordo com a Proposição 5 existe


f1 ∈ C0 (Rn ) tal que:

(8) ||f − f1 ||Lp (Rn ) < ε/4.

Por outro lado, de acordo com a Proposição 2 temos que

ρν ∗ f1 → f1

uniformemente sobre todo compacto do Rn . Mas, para cada ν:

supp(ρν ∗ f1 ) ⊂ supp(ρν ) + supp(f1 ) ⊂ B1 (0) + supp(f1 ) ⊂ K

onde K é um compacto fixo do Rn . Assim, em particular,

ρν ∗ f1 → f1

uniformemente em K, o que implica que:

(9) ||ρν ∗ f1 − f1 ||Lp (Rn ) → 0 quando ν → +∞

ε
pois dado µ ¶1/p > 0 ∃ ν0 ∈ N tal que para ν ≥ ν0 temos:
2 med(K)

Z
||ρν ∗ f1 − f1 ||pLp (Rn ) = |(ρν ∗ f1 )(x) − f1 (x)|p dx
Rn
Z Z
ε p
= |(ρν ∗ f1 )(x) − f1 (x)| dx < χK dx = ε/2.
K 2 med(K) Rn
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Logo:

||ρν ∗ f − f ||Lp (Rn )

≤ ||ρν ∗ f − ρν ∗ f1 ||Lp (Rn ) + ||ρν ∗ f1 − f1 ||Lp (Rn ) + ||f1 − f ||Lp (Rn )

(10) = ||ρν ∗ (f − f1 )||Lp (Rn ) + ||ρν ∗ f1 − f1 ||Lp (Rn ) + ||f1 − f ||Lp (Rn )

≤ ||ρν ||L1 (Rn ) ||f − f1 ||Lp (Rn ) + ||ρν ∗ f1 − f1 ||Lp (Rn ) + ||f1 − f ||Lp (Rn )

≤ 2||f − f1 ||Lp (Rn ) + ||ρν ∗ f1 − f1 ||Lp (Rn ) .

Assim, de (8), (9) e (10) resulta para ν suficientemente grande que:

||ρν ∗ f − f ||Lp (Rn ) < ε/2 + ε/2 = ε

o que prova o desejado. ¤

0.2 Distribuições sobre Ω

Define-se como distribuição sobre Ω, onde Ω é um subconjunto aberto do Rn


à toda forma linear T sobre D(Ω) que é contı́nua no sentido da convergência sobre

D(Ω), dada em (1). Isto significa que para toda sucessão (ϕν )ν∈N de D(Ω), convergente

para zero no sentido dado em (1), então a sucessão (hT, ϕν i)ν∈N converge para zero em

K (K = R ou K = C).
Denotaremos por D′ (Ω) o espaço vetorial de todas as distribuições. Seja (Tν )

uma sucessão em D′ (Ω) e T ∈ D′ (Ω). Diremos que Tν → T em D′ (Ω) se

(11) hTν , ϕi → hT, ϕi, ∀ ϕ ∈ D(Ω).

Muniremos o espaço D′ (Ω) com a topologia fraca dada justamente pela con-
vergência em (11).

Temos os seguintes exemplos de distribuições:


16

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(1) Seja u ∈ L1loc (Ω). Então Tu definida por

Z
hTu , ϕi = u(x)ϕ(x) dx, ϕ ∈ D(Ω)

é uma distribuição sobre Ω. Com efeito, seja (ϕν ) ⊂ D(Ω) tal que ϕν → 0 em D(Ω).
Segue-se daı́ que existe K compacto de Ω tal que:

(12) supp(ϕν ) ⊂ K e Dα ϕν → 0 uniformemente em K, ∀ α ∈ Nn .

Mas:
Z
|hTu , ϕν i| ≤ |u(x)ϕν (x)| dx

µ ¶Z
≤ max |ϕν (x)| |u(x)| dx.
x∈K K

De (12) resulta que a expressão acima tende para zero quando ν → +∞. Isto

prova que (hT, ϕν i)ν∈N converge para zero em K.

Segue-se do exemplo acima que a aplicação:

T : L1loc (Ω) → D′ (Ω)


(13)
u 7→ Tu

onde:
Z
hTu , ϕi = u(x)ϕ(x) dx, ϕ ∈ D(Ω)

está bem definida além de ser claramente linear. Mais além, a aplicação em (13) é

injetiva. Com efeito, se u e v são funções de L1loc (Ω) tais que Tu = Tν , então, pelo

Lema de Du Bois-Raymond (cf. Proposição 4) segue-se que u = v por quase toda parte
em Ω. Por esta razão, identifica-se u com a distribuição Tu por ela definida e diz-se “a

distribuição u ” ao invés da distribuição Tu .


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Consideremos, agora, uν , u ∈ L1loc (Ω) tal que

(14) uν → u em L1loc (Ω).

Então, usando a identificação acima temos para toda ϕ ∈ D(Ω) que,

Z µ ¶Z
|huν − u, ϕi| ≤ |uν (x) − u(x)| |ϕ(x)| dx ≤ max |ϕ(x)| |uν (x) − u(x)|
Ω x∈K K

onde K = supp(ϕ). Contudo, de (14) temos que a expressão à direita da desigualdade

acima tende para zero. Temos provado então que:

(15) uν → u em L1loc (Ω) ⇒ uν → u em D′ (Ω).

A implicação dada em (15) nos mostra que a aplicação dada em (13) é contı́nua.

Assim do exposto acima podemos escrever,

L1loc (Ω) ֒→ D′ (Ω)

onde ֒→ designa a imersão contı́nua de um espaço no outro.

É oportuno observar que existem distribuições não definidas por funções local-

mente somáveis, como pode ser visto no exemplo que segue.

(2) Seja x0 ∈ Ω. Então δx0 definido por:

hδx0 , ϕi = ϕ(x0 ), ϕ ∈ D(Ω)

é uma distribuição sobre Ω denominada delta de Dirac. Quando x0 = 0, escreve-se δ0 .


Provaremos, a seguir, que a distribuição δx0 não é definida por uma função localmente

integrável, isto é, não existe uma função u ∈ L1loc (Ω) tal que:

Z
(16) u(x)ϕ(x) dx = ϕ(x0 ), ∀ ϕ ∈ D(Ω).

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De fato, se existisse uma tal aplicação u, então, considerando-se a aplicação

ψ ∈ D(Ω) definida por:

ψ(x) = ξ(x)||x − x0 ||2 , ξ ∈ D(Ω)

de (16) vem que:

Z
u(x)ξ(x)||x − x0 ||2 dx = ξ(x0 )||x0 − x0 || = 0, ∀ ξ ∈ D(Ω).

Pelo Lema de Du Bois-Raymond tem-se ||x−x0 ||2 u(x) = 0 q.s. em Ω, mostrando


que u(x) = 0 q.s. em Ω. De (16) resulta que ϕ(x0 ) = 0, ∀ ϕ ∈ D(Ω) o que é um absurdo!

Veremos a seguir, que existem sucessões de funções localmente somáveis que


convergem para uma distribuição T em D′ (Ω), mas o limite T não pode ser definido por

uma função localmente somável. De fato, consideremos a sucessão regularizante (ρν )ν∈N

definida no exemplo 2 do Capı́tulo 0. Evidentemente ρν ∈ L1loc (Rn ). Provaremos que:

(17) lim hρν , ϕi = ϕ(0), ∀ ϕ ∈ D(Rn ).


ν→+∞

Com efeito, temos


¯Z ¯ ¯Z Z ¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ρν (x)ϕ(x) dx − ϕ(0)¯¯ = ¯¯ ρν (x)ϕ(x) dx − ρν (x)ϕ(0) dx¯¯
¯
Rn Rn Rn
Z Z
≤ ρν (x) |ϕ(x) − ϕ(0)| dx = ρν (x) |ϕ(x) − ϕ(0)| dx
Rn ||x||≤1/ν

porque
Z
ρν (x) dx = 1.
Rn

Por outro lado, pela continuidade uniforme de ϕ dado ε > 0 ∃ δ > 0 tal que se
1
||x|| < δ então |ϕ(x) − ϕ(0)| < ε. Considerando-se ν0 ∈ N tal que ν0 ≥ , então, para
δ
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todo ν ≥ ν0 tem-se B1/ν (0) ⊂ Bδ (0) e conseqüentemente |ϕ(x) − ϕ(0)| < ε para todo

||x|| ≤ 1/ν (note que x ∈ B1/ν (0) ⊂ B1/ν0 (0)). Logo:

¯Z ¯ Z
¯ ¯
¯ ρν (x)ϕ(x) dx − ϕ(0)¯¯ ≤ ρν (x) |ϕ(x) − ϕ(0)| dx ≤ ε
¯ n
R ||x||≤1/ν

para todo ν ≥ ν0 o que prova (17). Em outras palavras:

lim hρν , ϕi = hδ0 , ϕi, ∀ ϕ ∈ D(Rn )


ν→+∞

o que prova que ρν → δ0 em D′ (Rn ).

Veremos, a seguir, outros exemplos de distribuições cujas verificações deixamos

ao encargo do leitor.

(3) Seja Γ uma curva fechada contida em Ω, de classe C 1 por exemplo. Então:

Z
hδΓ , ϕi = ϕ(x) dΓ
Γ

define uma distribuição sobre Ω.

(4) Seja v(x) = 1/x, x 6= 0. Então:

Z
ϕ
hVP(1/x), ϕi = lim dx
ε→0 |x|>ε x

define uma distribuição sobre Ω denominada Valor Principal de 1/x.

Considere uma distribuição T sobre Ω e α ∈ Nn . A derivada de ordem α de T é


definida por:

(18) hDα T, ϕi = (−1)|α| hT, Dα ϕi, ∀ ϕ ∈ D(Ω).


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Provaremos a seguir que Dα T ∈ D′ (Ω). Com efeito, seja (ϕν ) ⊂ D(Ω) tal que

ϕν → 0 em D(Ω). Então, existe K compacto do Rn tal que:

supp(ϕν ) ⊂ K e Dα ϕν → 0 uniformemente em K, ∀ α ∈ Nn .

Segue-se daı́ que Dβ ϕν → 0 em D(Ω) pois supp(Dβ ϕν ) ⊂ supp(ϕν ) ⊂ K e


Dβ ϕν → 0 uniformemente em K. Além disso, sendo T ∈ D′ (Ω) temos que:

hT, Dα ϕν i → 0 em K.

Desta forma:

|hDα T, ϕν i| = |hT, Dα ϕν i| → 0

o que prova o desejado.

Assim, uma distribuição T ∈ D′ (Ω) possui derivadas de todas as ordens no


sentido das distribuições. Observemos, também, que a aplicação

Dα : D′ (Ω) → D′ (Ω)
(19)
T 7→ Dα T

é linear e contı́nua no sentido da convergência definida em D′ (Ω). Com efeito, a lineari-


dade é óbvia; provemos a continuidade. Suponhamos que Tν → T em D′ (Ω). Então:

hTν , ϕi → hT, ϕi, para toda ϕ ∈ D(Ω).

Logo, para toda ψ ∈ D(Ω) segue-se da convergência acima que:

ν→+∞
hDα Tν , ψi = (−1)|α| hTν , Dα ψi −→ (−1)|α| hT, Dα ψi = hDα T, ψi

ou seja, Dα Tν → Dα T em D′ (Ω) o que prova a continuidade da aplicação dada em

(19). Veremos a seguir, algumas propriedades interessantes da derivação no sentido das


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distribuições. Consideremos α ∈ Nn tal que |α| = 2 e T ∈ D′ (Ω). Temos, ∀ ϕ ∈ D(Ω)
¿ À ¿ À ¿ À
∂2T ∂T ∂ϕ ∂2ϕ
,ϕ =− , = T,
∂xi ∂xj ∂xi ∂xj ∂xi ∂xj
¿ À ¿ À ¿ 2 À
∂2ϕ ∂T ∂ϕ ∂ T
= T, =− , = ,ϕ
∂xj ∂xi ∂xj ∂xi ∂xj ∂xi

resultando que:

∂2T ∂2T
(20) = ·
∂xi ∂xj ∂xj ∂xi

Seguindo-se o mesmo raciocı́nio, demonstra-se que para todo α, β ∈ Nn obtém-se:

(21) Dα+β T = Dα (Dβ T ) = Dβ (Dα T ) = Dβ+α T

para toda distribuição T .

Se u ∈ C k (Rn ) então, para cada |α| ≤ k, a derivada Dα u no sentido das dis-


tribuições é igual a derivada no sentido clássico, i.é,

(22) D α Tu = TD α u

para todo |α| ≤ k. de fato integrando-se por partes:


Z Z
α |α|
hTDα u , ϕi = D u(x)ϕ(x) dx = (−1) u(x)Dα ϕ(x) dx
Rn Rn

= (−1)|α| hTu , Dα ϕi = hDα Tu , ϕi

para toda ϕ ∈ D(Rn ).

Seja u ∈ L1loc (Rn ) e k ∈ N. Suponhamos que para cada |α| ≤ k, Dα u é local-

mente somável no Rn . Então para toda ϕ ∈ D(Rn ), tem-se:

(23) Dα (ϕ ∗ u) = ϕ ∗ Dα u.
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Com efeito, temos para toda ψ ∈ D(Rn ):
Z
α |α| α |α|
hD (ϕ ∗ u), ψi = (−1) hϕ ∗ u, D ψi = (−1) hϕ ∗ u)(x)Dα ψ(x) dx
Rn
Z Z Z Z
= (−1)|α| ϕ(ξ)u(x − ξ) dξ Dα ψ(x) dx = (−1)|α| u(x − ξ) Dα ψ(x) dx ϕ(ξ) dξ
Rn Rn Rn Rn
Z Z Z Z
= Dα u(x − ξ) ψ(x) dx ϕ(ξ) dξ = ϕ(ξ)Dα u(x − ξ) dξ ψ(x) dx
Rn Rn Rn Rn
Z
= (ϕ ∗ Dα u)(x)ψ(x) dx = hϕ ∗ Dα u, ψi.
Rn

Outro resultado que vale a pena mencionar é que a derivada de uma função
localmente somável em Ω, não é, em geral uma função localmente somável em Ω, como

mostra o exemplo que vem a seguir. Tal fato motivará a definição de uma classe signi-

ficativa de espaços de Banach de funções, conhecidos sob a denominação de espaços de

Sobolev, tendo estas notas como um dos objetivos fazer um estudo introdutório destes

espaços.

Exemplo: Seja u a função de Heaviside definida em R do seguinte modo:



 1 se x>0
u(x) =
 0 se x<0

Ela é localmente integrável em R, mas a sua derivada u′ no sentido das dis-

tribuições não é localmente integrável. Com efeito, tem-se:

Z ∞
′ ′
hu , ϕi = −hu, ϕ i = − ϕ′ (x) dx = ϕ(0) = hδ0 , ϕi
0

para toda função ϕ ∈ D(R).


Seja T ∈ D′ (Ω) e ρ ∈ C ∞ (Ω). Definiremos o produto ρT do seguinte modo:

(24) hρT, ϕi = hT, ρϕi, ∀ ϕ ∈ D(Ω).


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Provaremos, a seguir, que ρT realmente define uma distribuição. Com efeito,

seja (ϕν ) ⊂ D(Ω) tal que ϕν → 0 em D(Ω). Mostremos que:

(25) hρT, ϕν i → 0.

Para isto, basta provarmos, de acordo com (24) que:

(26) hT, ρϕν i → 0.

De fato, notemos inicialmente que se ρ ∈ C ∞ (Ω) e ϕ ∈ C0∞ (Ω) então (ρϕ) ∈


C0∞ (Ω). Com efeito, é claro que ρϕ ∈ C ∞ (Ω). Além disso, como supp(ϕ) é um subcon-

junto compacto do Rn então pelo fato de:

supp(ρϕ) ⊂ supp(ρ) ∩ supp(ϕ) ⊂ supp(ϕ)

segue-se dos supp(ρϕ) é também um subconjunto compacto do Rn . Isto prova que as


dualidades acima estão bem definidas. Provemos então (26). Como ϕν → 0 em D(Ω)

então existe K, compacto do Rn , tal que:

supp ϕν ⊂ K

e
Dα ϕν → 0 uniformemente em K, ∀ α ∈ Nn .

Notemos que:

supp[Dα (ρϕν )] ⊂ supp(ρϕν ) ⊂ supp(ϕν ) ⊂ K.

Pela fórmula de Leibniz para funções resulta que

Dα (ρϕν ) → 0 uniformemente em K.

Logo, ρϕν → 0 em D(Ω) e por conseguinte hT, ρϕν i → 0, o que prova (26).
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Se α ∈ Nn , ρ ∈ C ∞ (Ω) e T ∈ D′ (Ω) vale a fórmula de Leibniz:

X α!
(27) Dα (ρT ) = Dβ ρ Dα−β T.
β!(α − β)!
β≤α

Verificaremos esta fórmula no caso α = ei = (0, . . . , 1, . . . , 0). Para toda


ϕ ∈ D(Ω) tem-se:
¿ À ¿ À ¿ À ¿ À
∂ ∂ϕ ∂ϕ ∂ ∂ρ
(ρT ), ϕ = − ρT, = − T, ρ = T, − (ρϕ) + ϕ
∂xi ∂xi ∂xi ∂xi ∂xi
¿ À ¿ À ¿ À ¿ À
∂ ∂ρ ∂T ∂ρ
= T, − (ρϕ) + T, ϕ = , ρϕ + T, ϕ
∂xi ∂xi ∂xi ∂xi
¿ À ¿ À ¿ À
∂T ∂ρ ∂T ∂ρ
= ρ ,ϕ + T, ϕ = ρ + T, ϕ
∂xi ∂xi ∂xi ∂xi

ou seja,

∂ ∂T ∂ρ
(28) (ρT ) = ρ + T.
∂xi ∂xi ∂xi

Deixaremos ao encargo do leitor a prova de (27). (Obs.: use indução sobre |α|).

0.3 Suporte de Distribuições

Começaremos esta seção recordando os conceitos de cobertura localmente finita


e de partição localmente finita da unidade. Seja Ω um subconjunto aberto do Rn . Uma

cobertura {Ωi }i∈I de Ω é dita localmente finita se para cada x ∈ Ω existe uma vizinhança

Vx de x que intersepta apenas um número finito de Ωi ’s.


Dizemos que uma cobertura {Wλ }λ∈Λ é mais fina que uma cobertura {Ωi }i∈I ,

ambas coberturas de Ω, se para cada λ ∈ Λ existe um i ∈ I tal que Wλ ⊂ Ωi . Enuncia-


remos, a seguir, alguns resultados clássicos sobre os espaços métricos separáveis.

Lema 1: Se {Ωi }i∈I é uma cobertura aberta de um aberto Ω do Rn , então existe uma
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cobertura aberta {Wλ }λ∈Λ de Ω, localmente finita e formada por conjuntos relativa-

mente compactos, tal que {Wλ }λ∈Λ é mais fina que {Ωi }i∈I .
Para uma demonstração ver apêndice do 2o¯ volume. ¤

Lema 2: Seja Ω um subconjunto aberto do Rn e {σi }i∈A uma cobertura aberta de Ω.

Então, existe uma famı́lia de {αi }i∈A de funções infinitamente diferenciáveis em Ω tais
que:

(i) supp(αi ) ⊂ σi .

(ii) 0 ≤ αi ≤ 1, para todo i ∈ A.


P
(iii) αi = 1 em Ω.
i∈A

Para uma demonstração ver apêndice do 2o¯ volume. ¤


As funções αi acima constituem o que denominamos de partição C ∞ da unidade

subordinada à cobertura {σi }i∈A .

Sejam Ω0 e Ω subconjuntos abertos do Rn tais que Ω0 ⊂ Ω. Para cada função

ϕ ∈ D(Ω0 ) consideremos

 ϕ(x) se x ∈ Ω0
ϕ̃(x) =
0 se x ∈ Ω\Ω0

Tem-se ϕ̃ ∈ D(Ω) e ainda mais:

(29) Dα ϕ̃ = (Dα ϕ)∼ , ∀ α ∈ Nn .

Segue-se de (29) que:

(30) Se ϕν → 0 em D(Ω0 ) então ϕ̃ν → 0 em D(Ω).

Como uma conseqüência de (30) se T ∈ D′ (Ω) então T |Ω0 definida em D(Ω0 )

por:

(31) hT |Ω0 , ϕi = hT, ϕ̃i, ∀ ϕ ∈ D(Ω0 )


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é uma distribuição sobre Ω0 denominada a restrição de T a Ω0 . Com efeito, seja

(ϕν ) ⊂ D(Ω0 ) tal que ϕν → 0 em D(Ω0 ). Então de (30) vem que ϕ̃ν → 0 em D(Ω) e
conseqüentemente:

hT |Ω0 , ϕν i = hT, ϕ̃ν i → 0

o que prova que T |Ω0 ∈ D′ (Ω0 ). Agora, de (29) temos também que:

(32) Dα (T |Ω0 ) = (Dα T )|Ω0 , ∀ α ∈ Nn .

Com efeito, dada ϕ ∈ D(Ω0 ) temos:

­ ® ­ ® ­ ®
Dα (T |Ω0 ), ϕ = (−1)|α| T |Ω0 , Dα ϕ = (−1)|α| T, (Dα ϕ)∼
­ ® ­ ® ­ ®
= (−1)|α| T, Dα ϕ̃ = Dα T, ϕ̃ = (Dα T )|Ω0 , ϕ

o que prova (32).

Dizemos que uma distribuição T ∈ D′ (Ω) se anula em um aberto Ω0 ⊂ Ω se:

(33) hT |Ω0 , ϕi = 0, ∀ ϕ ∈ D(Ω0 )

ou dito de outro modo se:

hT, ϕ̃i = 0, ∀ ϕ ∈ D(Ω0 )

ou ainda se:

hT, ϕi = 0, ∀ ϕ ∈ D(Ω) tal que supp(ϕ) ⊂ Ω0 .

Convém observar que se uma distribuição Tf provém de uma função f ∈ L1loc (Ω)

então se anular em um aberto de Ω0 como distribuição coincide com a noção de se


anular em Ω0 como (classe de equivalência de) função. De fato, Tf se anula em Ω0 se e
R
somente se Ω f (x)ϕ(x) dx = 0, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω) tal que supp(ϕ) ⊂ Ω0 . Pelo Lema de Du
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Bois-Raymond esta última asserção acontece se e somente se f (x) = 0 por quase toda

parte de Ω0 .

Proposição 1: Seja T ∈ D′ (Ω). A reunião de todos os abertos onde T se anula é um


aberto UT onde T se anula.

Demonstração: Sejam {Ωi }i∈I a coleção de abertos onde T se anula e consideremos

[
UT = Ωi .
i∈I

É claro que UT é aberto posto que é a união arbitrária de abertos. De acordo

com o Lema 1 existe um recobrimento {Wλ }λ∈Λ aberto, localmente finito de UT , o qual

é mais fino do que {Ωi }i∈I . Afirmamos que T se anula em Wλ para todo λ ∈ Λ. Com

efeito, seja ϕ ∈ C0∞ (Wλ ) tal que supp(ϕ) ⊂ Wλ . Ora, como Wλ ⊂ Ωi para algum i ∈ I,
segue-se que supp(ϕ) ⊂ Ωi e como T se anula em Ωi resulta que hT, ϕi = 0, o que prova

o desejado.

Por outro lado, seja ϕ ∈ C0∞ (UT ). De acordo com o Lema 2 existe uma famı́lia
de funções infinitamente diferenciáveis em UT , {ψλ }λ∈Λ que constitui uma partição C ∞

da unidade subordinada à cobertura {Wλ }λ∈Λ , ou seja:

(34) supp(ψλ ) ⊂ Wλ

(35) 0 ≤ ψλ ≤ 1
X
(36) ψλ = 1 em UT .
λ∈Λ

Pondo-se para cada λ ∈ Λ:

ϕλ = ϕ ψλ

vem que:

(37) ϕλ ∈ C0∞ (Wλ ).


28

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Além disso de (37) vem que:

X X
(38) ϕ(x) = (ϕψλ )(x) = ϕλ (x), ∀ x ∈ UT .
λ∈Λ λ∈Λ

Desde que o supp(ϕ) é um compacto contido em UT segue-se que o mesmo

intersecciona apenas um número finito de Wλ ’s. Com efeito, como a famı́lia é localmente
finita então cada vizinhança Vx , x ∈ UT intersecciona apenas um número finito de Wλ ’s.

Agora, pela compacidade do supp(ϕ) existe um número finito de vizinhanças Wλ ’s que

cobrem o supp(ϕ). Em particular, como cada uma dessas vizinhanças intersecciona


apenas um número finito de vizinhanças Wλ ’s o resultado segue. Portanto o somatório

em (38) contém apenas um número finito de λ’s. De fato, sejam Wλi , . . . , Wλ2 , . . . , Wλn

as vizinhanças que interseccionam o supp(ϕ). Então:

supp(ϕ) ∩ Wλ 6= ∅, ∀ λ ∈ {λ1 , . . . , λn }

supp(ϕ) ∩ Wλ = ∅, ∀λ ∈
/ {λ1 , . . . , λn }.

Conseqüentemente, como supp(ϕλ ) ⊂ Wλ resulta que:

(39) supp(ϕ) ∩ supp(ϕλ ) = ∅, ∀λ ∈


/ {λ1 , . . . , λn }.

Assim, se x ∈ UT tal que ϕ(x) 6= 0 então x ∈ supp(ϕ). Logo de (39) resulta que:

x∈
/ supp(ϕλ ), ∀λ ∈
/ {λ1 , . . . , λn }

o que implica:

ϕλ (x) = 0, ∀λ ∈
/ {λ1 , . . . , λn }.

Portanto:

n
X n
X
(40) ϕ(x) = (ϕψλi )(x) = ϕλi (x), ∀x ∈ UT tal que ϕ(x) 6= 0.
i=1 i=1
29

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Agora, se x ∈ UT é tal que ϕ(x) = 0 então ϕλ (x) = (ϕψλ )(x) = 0, ∀ λ e da

mesma forma é válida ainda a representação em (40). De qualquer forma é válida a


fórmula (40) seja qual for o x ∈ UT . Assim,

¿ X n À Xn
hT, ϕi = T, ϕλi = hT, ϕλi i
i=1 i=1

e pelo fato de T se anular em Wλi então hT, ϕλi i = 0 para todo i = 1, . . . , n e por
conseguinte hT, ϕi = 0 o que encerra a prova. ¤

A Proposição 1 nos mostra que existe um aberto máximo UT onde T se anula.


Isto nos motiva a definir:

Definição 1: O suporte de uma distribuição T ∈ D′ (Ω) é o complementar com relação

a Ω do maior aberto para o qual a distribuição se anula, ou seja,

supp(T ) = Ω\UT .

Seja f ∈ C(Ω) e denotemos por supp(Tf ) o suporte da distribuição Tf associada

a f , ou seja, da distribuição definida por:

Z
(41) hTf , ϕi = f (x)ϕ(x) dx, ∀ ϕ ∈ D(Ω).

Provaremos que:

(42) x ∈ UTf ⇒ f (x) = 0.

De fato, suponhamos, por absurdo que ∃ x0 ∈ UTf tal que f (x0 ) 6= 0. Sem perda

da generalidade suponhamos que f (x0 ) > 0. Sendo f contı́nua, existirá uma vizinhança

Vx0 de x0 , que podemos supor estritamente contida em UTf , tal que


30

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f (x) > 0, ∀ x ∈ Vx0 . Consideremos, agora, K um subconjunto compacto contido em

Vx0 e seja ϕ0 ∈ D(Ω) tal que supp(ϕ0 ) ⊂ UTf , ϕ0 = 1 em K, ϕ0 = 0 em Ω\Vx0 e


0 ≤ ϕ0 ≤ 1, cuja existência vem garantida pela Proposição 1 da seção 1. Daı́ vem que:
Z
hTf , ϕ0 i = f (x)ϕ0 (x) dx > 0.

Mas isto é um absurdo pois hTf , ϕi = 0, ∀ ϕ ∈ D(Ω) com supp(ϕ) ⊂ UTf . Isto

prova a afirmação em (42).

Exemplo 1: Se f ∈ C(Ω) e Tf é a distribuição correspondente então:

(43) supp(Tf ) = supp(f ).

De fato, seja UTf o maior aberto para o qual Tf se anula e consideremos x ∈ UTf .

De (42) vem que f (x) = 0. Então:

UTf ⊂ {x ∈ Ω | f (x) = 0}

e por conseguinte

{x ∈ Ω | f (x) 6= 0} ⊂ Ω\UTf .

De onde, tomando-se o fecho em Ω resulta que:

(44) supp(f ) ⊂ supp(Tf ).

Reciprocamente, pondo-se


Ω0 = Ω\{x ∈ Ω | f (x) 6= 0}

então Ω0 é um aberto contido em Ω. Provaremos, a seguir, que Tf se anula em Ω0 .

Com efeito, seja ϕ ∈ D(Ω) tal que supp(ϕ) ⊂ Ω0 . Temos:

Z Z
(45) hTf , ϕi = f (x)ϕ(x) dx = f (x)ϕ(x) dx.
Ω Ω0
31

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Contudo, se x ∈ Ω0 então x ∈ Ω e x ∈
/ {x ∈ Ω | f (x) 6= 0} . Conseqüentemente,
f (x) = 0 e de (45) resulta que hTf , ϕi = 0, ou seja, Tf se anula em Ω0 . Sendo Ω0 um

conjunto aberto contido em Ω e pelo fato de UTf ser o maior aberto para o qual Tf se

anula resulta que Ω0 ⊂ UTf . Segue-se daı́ que:


Ω\UTf ⊂ {x ∈ Ω | f (x) 6= 0}

i.é,

(46) supp(Tf ) ⊂ supp(f ).

De (44) e (46) concluı́mos o desejado em (43).

Proposição 2: Seja T ∈ D′ (Ω). Um ponto x ∈ Ω pertence ao supp(T ) se e somente se


para toda vizinhaça V de x existe ϕ ∈ D(Ω) com supp(ϕ) ⊂ V e hT, ϕi =
6 0.

Demonstração: Seja T ∈ D′ (Ω) e {Vα }α a coleção de todos os abertos de Ω que T se


S
anula. Ponhamos UT = Vα . Então supp(T ) = Ω\UT . Suponhamos inicialmente que
α

x ∈ supp(T ) e por absurdo, que ∃ V0 vizinhança de x, que sem perda da generalidade


podemos supor aberta, tal que ∀ ϕ ∈ D(Ω) com supp(ϕ) ⊂ V0 tenhamos hT, ϕi = 0.
S
Ora, como x ∈ supp(T ), x ∈
/ Vα . Logo, x não pertence a nenhum dos abertos para o
α

qual T se anula. Mas isto é uma contradição pois x ∈ V0 e T se anula em V0 .

Reciprocamente suponhamos que para toda vizinhança V de x existe ϕ ∈ D(Ω)


com supp(ϕ) ⊂ V e hT, ϕi 6= 0 e por absurdo, suponhamos que x ∈ / supp(T ). Logo,
S
x ∈ UT = Vα , união de todos os abertos tais que T se anula. Assim, x ∈ Vα
α

para algum α e portanto para essa vizinhança temos que hT, ϕi = 0, ∀ ϕ ∈ D(Ω) com

supp(ϕ) ⊂ Vα , mas isso contradiz a hipótese! ¤

Exemplo 2: Seja δ0 a medida de Dirac, dada no Exemplo 2 da seção 2, i.é,

hδ0 , ϕi = ϕ(0), ∀ ϕ ∈ D(Ω).


32

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Temos:

(47) supp(δ0 ) = {0}.

De fato, provaremos inicialmente que 0 ∈ supp(δ0 ). Para isso seja V uma vizi-
nhança da origem. De acordo com a Proposição 2 devemos exibir uma função ϕ ∈ D(Ω)

tal que supp(ϕ) ⊂ V e além disso, ϕ(0) 6= 0. Com efeito, sendo V uma vizinhança

da origem ∃ ε > 0 tal que a bola aberta Bε (0) ⊂ V . Basta, portanto, considerarmos
ϕ ∈ D(Ω) tal que:

½ ¾ ½ ¾
1 2ε
ϕ = 1 em x ∈ Ω; ||x|| ≤ ε e ϕ = 0 em x ∈ Ω; ≤ ||x|| ≤ ε .
3 3

Evidentemente, supp(ϕ) ⊂ V e claramente ϕ(0) 6= 0. Logo:

(48) {0} ⊂ supp(δ0 ).

Reciprocamente, provaremos que δ0 se anula no aberto Ω\{0}. De fato, seja


ϕ ∈ D(Ω), com supp(ϕ) ⊂ Ω\{0}. Então, {0} ⊂ Ω\ supp(ϕ) e portanto 0 ∈
/ supp(ϕ).

Logo, ϕ(0) = 0, ou seja, hδ0 , ϕi = 0. Temos provado então que δ0 se anula no aberto

Ω\{0}. Logo:
Ω\{0} ⊂ Uδ0

onde Uδ0 é o maior aberto para o qual δ0 se anula. Conseqüentemente:

(49) supp(δ0 ) = Ω\Uδ0 ⊂ {0}.

As inclusões dadas em (48) e (49) provam o desejado em (47).

Propriedades do Suporte de uma Distribuição

(1a¯ ) supp(S + T ) ⊂ supp(S) ∪ supp(T )


33

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(2a¯ ) supp(λT ) = supp(T ), λ 6= 0.

(3a¯ ) supp(αT ) ⊂ supp(α) ∩ supp(T ).

Demonstração: (1a¯ ) Basta provarmos que:

(50) (Ω\ supp(T )) ∩ (Ω\ supp(S)) ⊂ Ω\ supp(T + S)

ou equivalentemente que:

(51) UT ∩ US ⊂ UT +S

onde UT , US e UT +S são, respectivamente, os maiores abertos para os quais T , S e

T + S se anulam. Com efeito, seja ϕ ∈ D(Ω) tal que supp(ϕ) ⊂ UT ∩ US . Então, pelo
fato de supp(ϕ) ⊂ UT e supp(ϕ) ⊂ US vem que:

hT + S, ϕi = hT, ϕi + hS, ϕi = 0.

Assim, T + S se anula no aberto UT ∩ US . Como UT +S é o maior aberto para o

qual T + S se anula segue-se que UT ∩ US ⊂ UT +S o que prova (51) e conseqüentemente


a primeira das afirmações.

(2a¯ ) Notemos inicialmente que:

(52) hλT, ϕi = hT, λϕi, ϕ ∈ D(Ω)

é uma distribuição para λ 6= 0. Isto decorre do fato de supp(ϕ) = supp(λϕ). Sejam


UT e UλT , respectivamente, os maiores abertos para os quais T e λT se anulam. Seja

ϕ ∈ D(Ω) tal que supp(ϕ) ⊂ UT . Temos que (λϕ) ∈ D(Ω) e supp(λϕ) ⊂ UT . Donde:

hλT, ϕi = hT, λϕi = 0.

Logo λT se anula no aberto UT . Portanto:

(53) UT ⊂ UλT .
34

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Reciprocamente, seja ϕ ∈ D(Ω) tal que supp(ϕ) ⊂ UλT . Temos:

1 1
hT, ϕi = hT, λϕi = hλT, ϕi = 0.
λ λ

Desta forma, T se anula em UλT e conseqüentemente:

(54) UλT ⊂ UT .

As relações em (53) e (54) provam a segunda das afirmações.

(3a¯ ) Provaremos a relação equivalente:

(55) (Ω\ supp(α)) ∪ (Ω\ supp(T )) ⊂ (Ω\ supp(αT )).

De fato, no que segue usaremos a Proposição 2:

Se x ∈ (Ω\ supp(α)) então existe Vx vizinhança de x tal que α(y) = 0, ∀ y ∈ V .


Se ϕ ∈ D(Ω) é tal que supp(ϕ) ⊂ Vx então αϕ é identicamente nula. Portanto:

hαT, ϕi = hT, αϕi = 0

o que implica que x ∈ (Ω\ supp(αT )).


Se x ∈ (Ω\ supp(T )), então existe Wx vizinhança de x tal que se ϕ ∈ D(Ω) e

supp(ϕ) ⊂ Wx implica hT, ϕi = 0. Mas, como supp(αϕ) ⊂ supp(ϕ) vem que:

hαT, ϕi = hT, αϕi = 0

∀ ϕ ∈ D(Ω) e supp(ϕ) ⊂ Wx . Logo, x ∈ (Ω\ supp(αT )). Isto prova a (3a¯ ) afirmação.

0.4 Um Repasso à Transformada de Fourier

A Transformada de Fourier juntamente com o produto de convoluções fornece-nos

um poderoso e útil instrumento no estudo das equações diferenciais parciais. Primeira-


35

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mente definiremos a transformada de Fourier para funções de L1 (Rn ) e estenderemos

este conceito para a classe das distribuições.

Definição 1: Seja f ∈ L1 (Rn ). A transformada de Fourier de f , denotada por fˆ, é

uma função definida sobre o Rn pela fórmula:


Z

(56) fˆ(ξ) = e−2πihx,ξi f (x) dx, i= −1
Rn

P
n
onde hx, ξi = xi ξi é o produto interno usual em Rn .
i=1

Como f ∈ L1 (Rn ), é imediato ver que fˆ(ξ) dada em (56) está bem definida para

todo ξ ∈ Rn . Com efeito, temos:


¯Z ¯ Z
¯ ¯
|fˆ(ξ)| ≤ ¯¯ −2πihx,ξi
e f (x) dx¯¯ ≤ |f (x)| dx = ||f ||L1 (Rn )
Rn Rn

o que prova a afirmação.

Proposição 1: A função fˆ é uniformemente contı́nua.

Demonstração: Seja ε > 0. Como f ∈ L1 (Rn ) então

Z Z
lim |f (x)| dx = |f (x)| dx.
ν→∞ ||x||≤ν Rn

Portanto, existe ν0 ∈ N tal que ∀ ν ≥ ν0 tem-se:


Z
|f (x)| dx < ε/4.
Rn \Bν (0)

Consideremos, então, R > ν0 . Tem-se; em virtude da desigualdade acima que


Z
(57) |f (x)| dx < ε/4.
Rn \BR (0)
36

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Seja η > 0 escolhido de modo que:

Z
(58) 4πRη |f (x)| dx < ε.
BR (0)

Agora, seja h ∈ Rn tal que ||h|| < η. Então, para todo y ∈ Rn tem-se:

|fˆ(y + h) − fˆ(y)| =
¯Z Z ¯
¯ ¯
= ¯¯ e −2πihx,y+hi
f (x) dx − −2πihx,yi
e f (x) dx¯¯
Rn Rn
¯Z ¯
¯ ¡ ¢ ¯
= ¯¯ e−2πihx,y+hi
−e −2πihx,yi
f (x) dx¯¯
Rn
¯Z ¯
¯ ¡ −2πihx,hi ¢ ¯
= ¯¯ e −2πihx,yi
e − 1 f (x) dx¯¯
Rn
Z
≤ |e−2πihx,hi − 1| |f (x)| dx.
Rn

Mas:

|e−2πihx,hi − 1| = | cos(2πhx, hi) − i sen(2πhx, hi) − 1|

= | cos2 (πhx, hi) − sen2 (πhx, hi) − i2 sen(πhx, hi)cos(πhx, hi) − 1|

= | − 2 sen2 (πhx, hi) − i2 sen(πhx, hi) cos(πhx, hi)|


p
= 2 sen4 πhx, hi + sen2 πhx, hi cos2 πhx, hi

= 2| sen(πhx, hi)|.

Logo:

Z
|fˆ((y + h) − fˆ(y)| ≤ 2| sen(πhx, hi)| |f (x)| dx
Rn
(59) Z Z
≤2 |f (x)| dx + 2π |hx, hi| |f (x)| dx
Rn \BR (0) BR (0)
37

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e de (57), (58) e (59) concluı́mos que:

|fˆ(y + h) − fˆ(y)| < ε/2 + ε/2 = ε

o que prova o desejado. ¤

Proposição 2: Seja f ∈ L1 (Rn ) e h ∈ Rn . Então:

(i) (τd
h f )(ξ) = e
−2πihh,ξi ˆ
f (ξ)
¡ \
(ii) τh (fˆ)(ξ) = e2πihh,·i ) f (·)(ξ)

(iii) Se λ > 0 e g(x) = f (x/λ) para x ∈ Rn então

ĝ(ξ) = λn fˆ(λξ)

(iv) Se f, g ∈ L1 (Rn ) então:

f[
∗ g = fˆ ĝ.

Demonstração:
(i)
Z
(τd
h f )(ξ) = e−2πihx,ξi (τh f )(x) dx
Rn
Z Z
−2πihx,ξi
= e f (x − h) dx = e−2πihy+h,ξi f (y) dy
Rn Rn

= e−2πihh,ξi fˆ(ξ)

(ii)
Z
τh (fˆ)(ξ) = fˆ(ξ − h) = e−2πihx,ξ−hi f (x) dx
Rn
Z
= e−2πihx,ξi e2πihx,hi f (x) dx
Rn

¡ \ ¢
= e2πihh,·i f (·) (ξ)
38

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(iii)
Z
ĝ(ξ) = e−2πihx,ξi g(x) dx
Rn
Z Z
−2πihx,ξi n
= e f (x/λ) dx = λ e−2πihλy,ξi f (y) dy
Rn Rn

= λn fˆ(λξ)

(iv) Como ||f ∗ g||L1 ≤ ||f ||L1 ||g||L1 ∀ f, g ∈ L1 , então f ∗ g ∈ L1 (Rn ) e portanto a

transformada de Fourier de f ∗ g está bem definida. Segue-se daı́ e por Fubini que:
Z
(f[
∗ g)(ξ) = e−2πihx,ξi (f ∗ g)(x) dx
Rn
Z µZ ¶
−2πihx,ξi
= e f (x − y)g(y) dy dx
Rn Rn
Z µZ ¶
−2πihx,ξi
= g(y) e f (x − y) dx dy
Rn Rn
Z µZ ¶
−2πihy,ξi −2πihx−y,ξi
= e g(y) e f (x − y) dx dy
Rn Rn
Z Z
−2πihy,ξi
= e g(y) dy e−2πihz,ξi f (z) dz
Rn Rn

= fˆ(ξ)ĝ(ξ). ¤

Na próxima seção veremos outras propriedades da Transformada de Fourier, que

envolvem o operador derivação Dα . Concluiremos esta seção computando a transfor-


mada de Fourier de uma função standard.

Exemplo: Provaremos que:

¡ \2¢ 2
(60) e−π||x|| (ξ) = e−π||ξ||

2
ou seja, a função x 7→ e−π||x|| é a transformada de Fourier dela própria. É claro que
39

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2
e−π||·|| ∈ L1 (Rn ). Notemos que para x = (x1 , . . . , xn ) temos:

n
Y
2 2
e−π||x|| = e−πxj .
i=1

Conseqüentemente, basta provarmos a fórmula em (60) para o caso n = 1, já que


2
o caso geral se reduzirá a este. Com efeito, pondo-se ϕ(x) = e−πx , então:

Z Z
−πx2 −2πixξ −πξ 2 2
ϕ̂(ξ) = e dx = e e−π(x+iξ) dx.
R R

Portanto, é suficiente mostrarmos que a integral à direita da igualdade acima é


igual a 1. Para ξ = 0 essa integral é denominada integral de Gauss e o cálculo abaixo
mostra-nos que ela é de fato igual a 1. De fato,

µZ ¶2 µ Z ¶µ Z ¶
−πx2 −πx2 −πy 2
e dx = e dx e dy
R R R
µ Z ∞ ¶µ Z ∞ ¶
−πx2 −πy 2
= 2 e dx 2 e dy
0 0
Z ∞ Z ∞
2
+y 2 )
=4 e−π(x dxdy
0 0

Z π/2 Z s
2
= 4 lim e−πr r dr dθ
s→∞ 0 0
· ¸
1 ¡ −πs2
¢
= 2π lim −e + 1 = 1.
s→∞ 2π

2
Por outro lado, como a função complexa z 7→ e−πz é analı́tica, temos face ao Teo-
rema de Cauchy que a integral ao redor do retângulo com vértices −a, a,

a + iξ e −a + iξ é zero (vide figura abaixo).


40

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y

−a + ξi a + ξi

✲ x
−a 0 a

Agora, as integrais sobre os dois lados verticais tendem para zero


quando
a → +∞. De fato, pondo-se α(y) = a + iy, 0 ≤ y ≤ ξ como sendo
uma parametrização do segmento de (a, 0) até (a + iξ, 0) temos:

a+iξ
¯Z ¯ ¯Z ξ ¯
−πz 2
¯ ¯ ¯ ′
¯
¯
¯ e dz ¯¯ = ¯¯ ϕ(α(y))α (y) dy ¯¯
a 0
¯ Z ξ ¯ ¯ Z ξ ¯
¯ −π(a+iy) 2 ¯ ¯ −π(a 2 −y 2 ) −2πiay ¯
= ¯¯i e dy ¯¯ = ¯¯i e e dy ¯¯
0 0
−πa2
≤ c(ξ)e .

41

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Segue-se daı́ que para cada ξ ∈ R fixo, tem-se:

Z a+iξ
2
(61) lim e−πz dz = 0
a→∞ a

posto que
2
lim e−πa = 0.
a→∞

De maneira análoga tem-se também:

Z −a
2
(62) lim e−πz dz = 0.
a→∞ −a+iξ

Contudo, como:
Z Z Z Z Z
0= = + + +
Γ Γ1 Γ2 Γ3 Γ4

resulta de (61) e (62) que:


Z Z
− =
Γ1 Γ3

i.é:
Z a+iξ Z a
−πz 2 2
lim e dz = lim e−πx dx
a→∞ −a+iξ a→∞ −a

ou seja,
Z
2
e−π(x+iξ) dx = 1
R

o que prova o desejado.

0.5 O Espaço de SCHWARTZ

O espaço de Schwartz é um subespaço de L1 (Rn ) que é invariante sob a trans-

formada de Fourier. Ele consiste de funções C ∞ , que juntamente com todas as suas
42

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derivadas, decrescem rapidamente no infinito, i.é, decrescem para zero no infinito mais

rapidamente que qualquer potência de ||x||−1 . Mais precisamente:

Definição 1: O Espaço de Schwartz ou espaço das funções rapidamente decrescentes,


que denotamos por S, é o subespaço vetorial formado pelas funções ϕ ∈ C ∞ (Rn ) tais

que:

(63) lim ||x||k Dα ϕ(x) = 0


||x||→∞

quaisquer que sejam k ∈ N e α ∈ Nn .

O exemplo clássico de função de decrescimento rápido no infinito vem dado pela


2
função e−||x|| .

Como um outro exemplo de função de decrescimento rápido no infinito temos

as funções testes, ou seja, C0∞ (Rn ) ⊂ S. Com efeito, seja ϕ ∈ C0∞ (Rn ); então existe
um compacto K ⊂ Rn tal que supp(ϕ) ⊂ K. Consideremos, então, ρ > 0 tal que

K ⊂ Bρ (0). Logo, dados ε > 0, k ∈ N e α ∈ Nn tem-se para todo x ∈ Rn tal que

||x|| > ρ que:

||x||k |Dα ϕ(x)| = 0 < ε

isto é, ϕ ∈ S.

Proposição 1: Uma função ϕ ∈ C ∞ (Rn ) pertence a S se e somente se ||x||k Dα ϕ(x) é

limitada em Rn quaisquer que sejam k ∈ N e α ∈ Nn .

Demonstração: Suponhamos inicialmente que ϕ ∈ S e consideremos k ∈ N e α ∈ Nn


genéricos. Logo, de acordo com (63) dado ε = 1 existe ρ > 0 tal que ∀ x ∈ Rn

com ||x|| > ρ tem-se ||x||k |Dα ϕ(x)| < 1. Pondo-se N = max {||x||k |Dα ϕ(x)|} e
x∈Bρ (0)

M = max{N, 1} tem-se ||x||k |Dα ϕ(x)| ≤ M , ∀ x ∈ Rn .


43

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Reciprocamente suponhamos que ||x||k Dα ϕ(x) é limitada em Rn quaisquer que

sejam k ∈ N e α ∈ Nn . Provaremos que ||x||k Dα ϕ(x) → 0 quando ||x|| → ∞. Com


efeito, como ||x||k |Dα ϕ(x)| é limitada ∀ k ∈ N e ∀ α ∈ Nn então ||x||k+1 |Dα ϕ(x)|

também o é e portanto existe ck+1,α > 0 tal que:

−ck+1,α ≤ ||x||k+1 Dα ϕ(x) ≤ ck+1,α

então:
−ck+1,α ck+1,α
≤ ||x||k Dα ϕ(x) ≤ , x 6= 0
||x|| ||x||

o que prova que lim ||x||k Dα ϕ(x) = 0 como querı́amos demonstrar. ¤


||x||→∞

Notemos que dados α ∈ Nn e x ∈ Rn tem-se:

(64) |xα | ≤ ||x|||α| , onde xα = xα αn


1 . . . xn .
1

De fato, sendo α = (α1 , . . . , αn ) ∈ Nn tem-se


¯ ¯ ¡ 2 ¢α1 /2 ¡ ¢αn /2
|xα | = ¯xα αn ¯
1 . . . xn
1
= x1 . . . x2n
µX
n ¶α1 /2 µX
n ¶αn /2
≤ x2i ... x2i
i=1 i=1

µX
n ¶(α1 +···+αn )/2
= x2i = ||x|||α|
i=1

o que prova (64). Segue-se daı́ que se ϕ ∈ S e α, β ∈ Nn então:

|xα Dβ ϕ(x)| ≤ ||x|||α| |Dβ ϕ(x)|

e conseqüentemente de (63) vem que:

(65) lim (xα Dβ ϕ(x)) = 0.


||x||→∞

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Por outro lado, dados k ∈ N, β ∈ Nn e ϕ ∈ S temos, para todo x ∈ Rn com

|xi | ≥ 1 que:
µX
n ¶k/2 n µY
½X n ¶¾k/2
k β
||x|| |D ϕ(x)| = x2i β
|D ϕ(x)| ≤ x2j |Dβ ϕ(x)|
i=1 i=1 j=1

µ Yn ¶k/2
2
= n xi |Dβ ϕ(x)| = nk/2 (x21 . . . x2n )k/2 |Dβ ϕ(x)|
i=1

= nk/2 |xα | |Dβ ϕ(x)|

onde α = (k, . . . , k). Supondo-se que (65) ocorra, então desta última desigualdade

obtemos:

lim ||x||k |Dβ ϕ(x)| = 0


||x||→∞

e conseqüentemente:

ϕ∈S⇔ lim (xα Dβ ϕ(x)) = 0, ∀ α, β ∈ Nn .


||x||→∞

Observação: Segue da fórmula de Leibniz que o produto de funções de S pertence a

S.

Proposição 2: Se ϕ ∈ S; então xq ϕ ∈ S para qualquer q ∈ Nn .

Demonstração: Sejam k ∈ N e p ∈ N. Então, face à fórmula de Leibniz:

X µp¶
k p q k
(66) ||x|| D (x ϕ(x)) = ||x|| Dα (xq )Dp−α (ϕ(x)).
α
α≤p

Note-se que alguns termos do somatório poderão ser nulos, dependendo, é claro,
de p e q. Por outro lado, temos:
∂ |α|
(67) Dα (xq ) = q
αn (x ) =
∂xα11 . . . ∂xn

= [q1 . . . (q1 − α1+1 )][q2 . . . (q2 − α2+1 )] . . . [qn . . . (qn − αn+1 )]xq11 −α1 xq22 −α2 . . . xqnn −αn .
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Assim, segue-se de (67) que o segundo membro de (66) pode ser majorado por:
X
(68) Cα ||x||k |xq−α Dp−α ϕ(x)|.
α≤p
q−α≥0

Como ϕ ∈ S, cada termo de (68) tende para zero quando ||x|| → +∞ e con-
seqüentemente:
||x||k Dp (xq ϕ(x)) → 0 quando ||x|| → +∞

o que prova que xq ϕ ∈ S. ¤

Do exposto acima temos os seguintes resultados:

Corolário 1: Considerando que P (x) representa um polinômio com coeficientes cons-


P
tantes, isto é, P (x) = aα xα , e que P (D) representa um polinômio diferencial com
|α|≤n
P
coeficientes constantes, ou seja, P (D) = bβ Dβ , temos que as seguintes afirmações
|β|≤m

são equivalentes:

(a) ϕ ∈ S.

(b) P (D)[P (x)ϕ(x)] é limitado em Rn , ∀ P (x) e ∀ P (D).


(c) P (x)P (D)(ϕ(x)) é limitado em Rn , ∀ P (x) e ∀ P (D).

Corolário 2: Se ϕ ∈ S e P (x) e P (D) são polinômios acima considerados então:

P (x)P (D)(ϕ(x)) e P (D)[P (x)ϕ(x)]

pertencem a S.

Em particular, se ϕ ∈ S então Dα ϕ ∈ S para todo α ∈ Nn .


Introduziremos em S uma topologia localmente convexa dando a seguinte famı́lia
enumerável de seminormas:

(69) pm,k (ϕ) = sup sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)|


|α|≤m x∈Rn

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onde m e k são inteiros não negativos. A existência do supremo em (69) é garantida pelo

fato de que a condição em (63) implica que a função (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| é limitada em
Rn . Observemos que, na verdade, poderı́amos definir tais seminormas para qualquer

polinômio P (x). A escolha do polinômio particular (1 + ||x||2 )k foi feita apenas por
questões técnicas.

Decorre da definição da topologia de S que uma sucesão (ϕν ) de elementos de

S converge para zero se e somente se pm,k (ϕν ) → 0, ∀ m, k ≥ 0. Isto equivale a dizer

que quaisquer que sejam k ∈ N e α ∈ Nn tem-se que (1 + ||x||2 )k |Dα ϕν (x)| → 0


uniformemente em Rn quando ν → +∞. Em verdade pode-se constatar facilmente que

as seguintes condições são equivalentes:

(a) ϕν → 0 em S.

(b) Quaisquer que sejam P (x) eP (D), P (x)P (D)(ϕν (x)) → 0 uniformemente em

Rn .

(c) Quaisquer que sejam P (x) e P (D), P (D)[P (x)ϕν (x)] → 0 uniformemente em

Rn .

Com a topologia dada em (69) temos que S é um e.v.t. localmente convexo e

metrizável posto que a famı́lia de seminormas que define a topologia de S é enumerável.

Mais além, prova-se que S é completo. Desta forma S é um espaço de Fréchet.

Proposição 3: S ⊂ L1 (Rn ) e a inclusão é contı́nua.

Demonstração: Seja ϕ ∈ S. Então, ∀ k ∈ N tem-se:

(70) max |ϕ(x)(1 + ||x||2 )k | < +∞.


x∈Rn

Agora, para k > n/2, é sabido que (1 + ||x||2 )−k ∈ L1 (Rn ). Isto pode ser facil-

mente constatado através de uma mudança de variáveis; use por exemplo coordenadas
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polares. Então de (70) vem que:

Z Z
|ϕ(x)| dx = |ϕ(x)| (1 + ||x||2 )k (1 + ||x||2 )−k dx
Rn Rn
(71) µ ¶Z
2 k
≤ max |ϕ(x) (1 + ||x|| ) | (1 + ||x||2 )−k dx < +∞.
x∈Rn Rn

Desta forma, ϕ ∈ L1 (Rn ). Além disso, pondo-se:

Z
Ck = (1 + ||x||2 )−k dx
Rn

resulta de (71) que:

µ ¶
2 k
||ϕ||L1 (Rn ) ≤ Ck maxn |ϕ(x) (1 + ||x|| ) | .
x∈R

Resulta daı́ que se (ϕν ) ⊂ S e ϕν → 0 em S então ||ϕν ||L1 (Rn ) → 0 o que prova

a continuidade da inclusão. ¤

Observação: A prova acima pode ser modificada para mostrar que para todo p tal que

1 ≤ p ≤ +∞,

(72) S ֒→ Lp (Rn ).

Em particular, para 1 ≤ p < +∞, resulta que S é denso em Lp (Rn ) em virtude


da densidade de D(Rn ) em Lp (Rn ) (cf. Proposição 6 da seção 0.1) e do fato que:

D(Rn ) ⊂ S.

Temos também o seguinte resultado:

Proposição 4: C0∞ (Rn ) é denso em S.

Demonstração: Seja ϕ ∈ S e consideremos ψ ∈ C0∞ (Rn ) tal que ψ(x) = 1 se


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||x|| ≤ 1, ψ(x) = 0 se ||x|| ≥ 2 e 0 ≤ ψ(x) ≤ 1, ∀ x ∈ Rn , cuja existência é garan-

tida de acordo com a Proposição 1 da primeira seção. Para cada ν ∈ N definamos:


µ ¶
x
(73) ψν (x) = ψ .
ν

Agora, de posse da seqüência em (73) ponhamos:

(74) ϕν (x) = (ψν ϕ)(x).

Então, ϕν ∈ C0∞ (Rn ) pois (ψν ϕ) ∈ C ∞ (Rn ) e além disso,

supp(ψν ϕ) ⊂ supp(ψν ) ∩ supp(ϕ) ⊂ supp(ψν ).

Resulta ainda da desigualdade acima que:

(75) supp(ϕν ) ⊂ B2ν (0).

Provaremos a seguir que a seqüência dada em (74) converge para a função ϕ em


S. Com efeito, em verdade provaremos que:

(76) max sup (1 + ||x||2 )k |Dα (ψν ϕ)(x) − Dα (ϕ)(x)| → 0 quando ν → +∞


|α|≤m x∈Rn

∀ m, k ∈ N. Consideremos, então, m, k ∈ N e α ∈ Nn tal que |α| ≤ m. Temos pela

fórmula de Leibniz:

(1 + ||x||2 )k |Dα (ψ ϕ)(x) − Dα (ϕ)(x)| =


ν
¯ ¯
¯³ X ´ ¯
¯ α! ¯
= (1 + ||x||2 )k ¯ (Dα ϕ(x))(ψν )(x) + (Dβ (ψν )(x))(Dα−β ϕ(x)) − Dα ϕ(x)¯
¯ 0<β≤α
β!(α − β)! ¯
¯ ¯
¯¡ ¢ X ¯
¯ α! ¯
= (1 + ||x||2 )k ¯ Dα ϕ(x))(ψν )(x) − Dα ϕ(x) + (Dβ (ψν )(x))(Dα−β ϕ(x))¯
¯ β!(α − β)! ¯
0<β≤α
X α!
≤ (1 + ||x||2 )k |(Dα ϕ(x))ψν (x) − Dα ϕ(x)| + (1 + ||x||2 )k |(Dβ ψν (x))(Dα−β ϕ(x))|
β!(α − β)!
0<β≤α
X ¯ ³ ´ ¯
α! ¯ 1 x ¯
= (1 + ||x||2 )k |D α ϕ(x)| |ψν (x) − 1)| + (1 + ||x||2 )k ¯ |β| Dβ ψ (Dα−β ϕ(x))¯
β!(α − β)! ν ν
0<β≤α
X ¯ ³ ´¯
1 ¯ β x ¯.
≤ (1 + ||x||2 )k |D α ϕ(x)| |ψν (x) − 1)| + 2m (1 + ||x||2 )k |Dα−β ϕ(x)| ¯ D ψ ¯
ν |β| ν
0<β≤α

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Segue-se daı́ que:

sup (1 + ||x||2 )k |Dα (ψν ϕ)(x) − Dα ϕ(x)|


x∈Rn

≤ sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| |ψν (x) − 1)| +


(77) x∈Rn
¯ µ ¶¯
X ¯ α−β ¯ 1 ¯ β x ¯¯
+ sup 2 (1 + ||x|| ) ¯D
m
ϕ(x)¯ |β| ¯¯D ψ
2 k
.
x∈Rn ν ν ¯
0<β≤α

Entretanto:

(78) sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| |ψν (x) − 1)| = sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| |ψν (x) − 1)|
x∈Rn ||x||≥ν

em virtude do fato que ψν (x) = 1 para ||x|| < ν, para todo ν ∈ N.

Seja, então, ε > 0 dado. Como ϕ ∈ S existe ν0,1 ∈ N tal que ∀ x ∈ Rn com
||x|| > ν0,1 tem-se:

(1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| < ε/2, ∀ α ∈ Nn tal que |α| ≤ m.

Então de (78) resulta que:

sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| |ψν (x) − 1)|


x∈Rn

(79) = sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| |ψν (x) − 1)|


||x||≥ν0

≤ 2 sup (1 + ||x||2 )k |Dα ϕ(x)| < ε/2, ∀ α ∈ Nn tal que |α| ≤ m.


||x||≥ν0

Por outro lado, notemos que:


¯ µ ¶¯
X 1 ¯¯ β x ¯¯
m 2 k α−β
sup 2 (1 + ||x|| ) |D ϕ(x)| |β| ¯D ψ
x∈Rn ν ν ¯
0<β≤α

¯ µ ¶¯
X 1 ¯ β x ¯¯
(80) ≤2 m 2 k
sup (1 + ||x|| ) |D α−β
ϕ(x)| ¯¯D ψ
ν |β| x∈Rn ν ¯
0<β≤α

X ¯ µ ¶¯
1 ¯ β x ¯¯
≤ 2m 2 k
sup (1 + ||x|| ) |D α−β
ϕ(x)| ¯¯D ψ .
ν x∈Rn ν ¯
0<β≤α
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Como ϕ ∈ S, o somatório acima, em virtude de ser finito, pode ser majorado por

uma constante ∃ C(m, k) > 0 independente de α ∈ Nn tal que |α| ≤ m. Portanto, de


(80) podemos escrever:

X ¯ µ ¶¯
m 2 k α−β 1 ¯¯ β x ¯¯ 1
sup 2 (1 + ||x|| ) |D ϕ(x)| |β| ¯D ψ ≤ C 2m .
x∈Rn ν ν ¯ ν
0<β≤α

1
Assim, para o ε > 0 dado ∃ ν0,2 ∈ N tal que ∀ ν ≥ ν0,2 tem-se C 2m < ε/2 e
ν
desta forma,

¯ µ ¶¯
X 1 ¯¯ β x ¯¯
m 2 k α−β
(81) sup 2 (1 + ||x|| ) |D ϕ(x)| |β| ¯D ψ < ε/2.
x∈Rn ν ν ¯
0<β≤α

Logo, de (77), (79) e (81), ∀ ν ≥ ν0 = max{ν0,1 , ν0,2 } concluı́mos que:

sup (1 + ||x||2 )k |Dα (ψν ϕ)(x) − Dα ϕ(x)| ≤ ε/2 + ε/2 = ε


x∈Rn

o que conclui a prova. ¤

A utilidade do espaço de Schwartz S tem origem no seu comportamento similar

com respeito a transformada de Fourier, conforme veremos a seguir (Proposição 7).

Proposição 5: Seja ϕ ∈ S. Então ϕ̂ ∈ C ∞ (Rn ).

Demonstração: Temos:

Z
ϕ̂(ξ) = e−2πihx,ξi ϕ(x) dx.
Rn

O nosso intuito é derivar sob o sinal de integração a expressão integral acima.

Notemos inicialmente que para todo j = 1, 2, . . . , n:

∂ ¡ −2πihx,ξi ¢
e ϕ(x) = −2πi xj e−2πihx,ξi ϕ(x).
∂ξj
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Mas:

¯ ¯
¯ ∂ ¡ −2πihx,ξi ¢¯ ¯ ¯
(82) ¯ e ϕ(x) ¯ ≤ ¯ − 2πi xj e−2πihx,ξi ϕ(x)¯ ≤ 2π|xj | |ϕ(x)|.
¯ ∂ξj ¯

Agora, como xj ϕ(x) ∈ S (cf. Proposição 2) e pelo fato de S ⊂ L1 (Rn ) (cf.


Proposição 3) resulta de (82) face o teorema da convergência dominada de Lebesgue

que:
∂ ¡ −2πihx,ξi ¢
e ϕ(x) = −2πi xj e−2πihx,ξi ϕ(x) ∈ L1 (Rn )
∂ξj

além disso:
Z
∂ ϕ̂(ξ)
= −2πi xj e−2πihx,ξi ϕ(x) dx
∂ξj Rn

ou seja:

∂ ϕ̂(ξ) ¡ ¢
(83) = −2πi x\
j ϕ(x) (ξ).
∂ξj

De um modo geral dado α ∈ Nn , α = (α1 , . . . , αn ) temos:

¡ ¢ ∂ |α| ¡ −2πihx,ξi ¢
Dξα e−2πihx,ξi ϕ(x) = α1 α2 αn e ϕ(x)
∂ξ1 ∂ξ2 . . . ∂ξn

= (−2πi)α1 xα
1 (−2πi)
1 α2 α2
x2 . . . (−2πi)αn xα n −2πihx,ξi
n e ϕ(x)

= (−2πi)|α| xα e−2πihx,ξi ϕ(x).

Contudo:
¯ ¡ ¢¯¯
¯ α −2πihx,ξi
¯Dξ e ϕ(x) ¯ ≤ (2π)|α| |xα ϕ(x)|.

De modo análogo, concluı́mos, pelo teorema de Lebesgue que:

¡ ¢
Dξα e−2πihx,ξi ϕ(x) = (−2πi)|α| xα e−2πihx,ξi ϕ(x) ∈ L1 (Rn )
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e além disso:
¡ ¢
(84) Dξα (ϕ̂(ξ)) = (−2πi)|α| x\
α ϕ(x) (ξ).

Como (xα ϕ) ∈ S ⊂ L1 (Rn ) então, resulta da Proposição 1 da seção 4 que


¡ ¢
x\
α ϕ(x) é uniformemente contı́nua. Segue-se de (84) que D α (ϕ̂) é contı́nua para todo
ξ

α ∈ Nn . Portanto ϕ̂ ∈ C ∞ (Rn ) o que prova a proposição. ¤

Proposição 6: Seja ϕ ∈ S. Então


¡ ¢
(i) [
D x ϕ (ξ) = (2πiξ) ϕ̂(ξ), ∀ α ∈ N .
α α n

(−2πi)|α| ¡ β \ ¢
(ii) ξ β Dξα (ϕ̂(ξ)) = |β|
Dx (xα ϕ(x)) (ξ), ∀ α, β ∈ Nn .
(2πi)
(iii) lim ϕ̂(ξ) = 0.
||ξ||→∞

Demonstração: (i) Provaremos inicialmente que:

µd¶
∂ϕ
(85) 2πiξj ϕ̂(ξ) = (ξ).
∂xj

Com efeito, temos:

µ c ¶ Z Z
∂ϕ ∂ϕ(x) ∂ϕ(x)
(86) (ξ) = e−2πihx,ξi dx = lim e−2πihx,ξi dx.
∂xj Rn ∂xj R→+∞ B (0)
R
∂xj

Da fórmula de Gauss resulta que:


Z
∂ϕ(x)
e−2πihx,ξi dx
BR (0) ∂xj
(87) Z Z
−2πihx,ξi
= 2πiξj e ϕ(x) dx| + e−2πihx,ξi ϕ(x) νj (x) dsR .
BR (0) ||x||=R

Contudo, ∀ x ∈ ∂BR (0):


¿ À
x 1 1
νj (x) = hν(x), ej i = , ej = hx, ej i = xj .
||x|| ||x|| R
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Donde:
¯Z ¯ ¯ Z ¯
¯ ¯ ¯1 ¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ e−2πihx,ξi ϕ(x) νj (x) dsR ¯ = ¯ e−2πihx,ξi ϕ(x) xj dsR ¯ ≤
¯ ||x||=R ¯ ¯ R ||x||=R ¯
Z Z
1 1
≤ |xj | |ϕ(x)| dsR = |xj | (i + ||x||2 )−k (1 + ||x||2 )k |ϕ(x)| dsR .
R ||x||=R R ||x||=R

Como ϕ ∈ S ∃ Mk > 0 tal que:

(1 + ||x||2 )k |ϕ(x)| ≤ Mk , ∀ x ∈ Rn .

Logo:

¯Z ¯
¯ ¯ M Z
¯ −2πihx,ξi ¯ k
¯ e ϕ(x) νj (x) dsR ¯ ≤ |xj | (1 + ||x||2 )−k dsR =
¯ ||x||=R ¯ R ||x||=R
(88)
Z
Mk Rn
= |yj | ds1
(1 + R2 )k ||y||=1

onde k é um natural genérico. Mas esta última integral tende para zero quando R → ∞,
desde que k seja escolhido suficientemente grande. Combinando (87) e (88) obtemos:
Z Z
−2πihx,ξi ∂ϕ(x)
lim e dx = lim 2πiξj e−2πihx,ξi ϕ(x) dx
R→+∞ BR (0) ∂xj R→+∞ BR (0)

= 2πiξj ϕ̂(ξ)

o que prova (85).

De um modo geral se α = (α1 , . . . , αn ) ∈ Nn então:

¡ ¢
D[α
x ϕ (ξ) = (2πiξ1 )
α1
(2πiξ2 )α2 . . . (2πiξn )αn ϕ̂(ξ) = (2πiξ)α ϕ̂(ξ)

o que prova o item (i).

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(ii) Sejam α, β ∈ Nn . De (i) e do fato que xα ϕ ∈ S vem que:

¡ β\ ¢
(89) Dx (xα ϕ(x)) (ξ) = (2πiξ)β (x\
α ϕ(x))(ξ).

Agora de (84) obtemos:

¡ ¢ 1
(90) x\
α ϕ(x) (ξ) = Dα (ϕ̂(ξ)).
(−2πi)|α| ξ

Desta forma, de (89) e (90) resulta que:

(−2πi)|α| ¡ β \ ¢
ξ β Dξα (ϕ̂(ξ)) = |β|
Dx (xα ϕ(x)) (ξ)
(2πi)

o que conclui o item (ii).

(iii) De (i) temos:

µd ¶
∂2ϕ
(91) (ξ) = (2πiξj )2 ϕ̂(ξ).
∂x2

Por outro lado, se k ∈ N é tal que k > n/2, temos:


¯µ ¶ ¯¯ Z ¯ ¯
¯ ∂d2ϕ ¯ ∂2ϕ ¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ (ξ)¯ ≤ (1 + ||x||2 )k ¯ 2 ¯ (1 + ||x||2 )−k dx
¯ ∂x2j ¯ R n ¯ ∂x j¯

µ ¯ ¯
¯ ∂2ϕ ¯ ¶ Z
¯ ¯
≤ maxn (1 + ||x||2 )k ¯ 2 ¯ (1 + ||x||2 )−k dx < +∞
x∈R ¯ ∂xj ¯ R n

ou seja,

µd ¶
∂2ϕ
(92) é limitada.
∂x2j

Logo, de (91) resulta que

(93) (2πiξj )2 ϕ̂(ξ) é limitada.


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Segue-se daı́ que:

(94) lim ϕ̂(ξ) = 0.


||ξ||→∞

Com efeito, de (93) temos a existência de uma constante C > 0 tal que:

(95) −C ≤ ||ξ||2 ϕ̂(ξ) ≤ C, ∀ ξ ∈ Rn .

Contudo de (95) vem que:

C C
− ≤ ϕ̂(ξ) ≤
||ξ||2 ||ξ||2

o que prova (94) e conclui a proposição. ¤

Proposição 7: Seja ϕ ∈ S. Então ϕ̂ ∈ S e a aplicação ϕ ∈ η 7→ ϕ̂ ∈ S é linear e

contı́nua.

Demonstração: Seja ϕ ∈ S. Como S ⊂ L1 (Rn ) a transformada de Fourier está

definida. De acordo com a Proposição 5 temos que ϕ̂ ∈ C ∞ (Rn ). Mais além, para todo
α, β ∈ Nn temos, de acordo com a Proposição 6 (ii) que:

(−2πi)|α| ¡ β \ ¢
(96) ξ β Dξα (ϕ̂(ξ)) = |β|
Dx (xα ϕ(x)) (ξ).
2πi

Contudo, pelo fato de Dxβ (xα ϕ(x)) ∈ S, uma vez que (xα ϕ(x)) ∈ S, resulta da
Proposição 6 (iii) que:

¡ β\ ¢
(97) lim Dx (xα ϕ(x)) (ξ) = 0.
||ξ||→∞

Assim, de (96) e (97) concluı́mos que:

lim ξ β Dξα (ϕ̂(ξ)) = 0


||ξ||→∞

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o que prova que ϕ̂ ∈ S. Assim, a aplicação ϕ ∈ S 7→ S está bem definida além de ser

claramente linear. Provaremos a seguir, a continuidade da mesma. De fato, novamente


de (96) podems escrever que: ∀ k > n/2:
Z
¯ β α ¯ ¡ \ ¢
¯ξ Dξ (ϕ̂(ξ))¯ ≤ C (1 + ||x||2 )k Dxβ (xα ϕ(x)) (1 + ||x||2 )−k dx
Rn
Z
¡ ¡ \ ¢¢
≤ maxn (1 + ||x||2 )k Dxβ (xα ϕ(x)) (1 + ||x||2 )−k dx.
x∈R Rn

Portanto:
¯ ¯ ¡ ¡ \ ¢¢
maxn ¯ξ β Dξα (ϕ̂(ξ))¯ ≤ C ′ maxn (1 + ||x||2 )k Dxβ (xα ϕ(x))
ξ∈R x∈R

o que mostra que se ϕν → 0 em S então ϕ̂ν → 0 em S, provando a continuidade da


transformada de Fourier como um operador linear de S. ¤

A seguir, provaremos que a transformada de Fourier ϕ ∈ S 7→ ϕ̂ ∈ S é uma

aplicação inversı́vel. Primeiramente provaremos a:

Proposição 8 (Relação Fraca de Parseval). Sejam f, g ∈ S. Então:


Z Z
(98) fˆ(ξ)g(ξ) dξ = f (x)ĝ(x) dx.
Rn Rn

Demonstração: Com efeito, pelo teorema de Fubini obtemos:


Z Z Z
ˆ
f (ξ)g(ξ) dξ = g(ξ) e−2πihx,ξi f (x) dx dξ
Rn Rn Rn
Z Z
= f (x) e−2πihx,ξi g(ξ) dξ dx
Rn Rn
Z
= f (x)ĝ(x) dx. ¤
Rn

Proposição 9 (Fórmula de inversão de Fourier). Seja g ∈ S. Então:


Z
(99) g(x) = e2πihx,ξi ĝ(ξ) dξ.
Rn
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Demonstração: Seja ϕ ∈ S arbitrária e consideremos λ > 0. Definamos:

f (x) = ϕ(x/λ).

Então f ∈ S e conforme Proposição 2 (iii), temos:

fˆ(ξ) = λn ϕ̂(λξ).

Aplicando a relação fraca de Parseval dada em (98) a f e g obtemos:

Z Z
g(ξ) λn ϕ̂(λξ) dξ = ĝ(x) ϕ(x/λ) dx.
Rn Rn

Fazendo-se uma mudança de variável no lado esquerdo da igualdade acima vem

que:
Z Z
g(ξ/λ)ϕ̂(ξ) dξ = ĝ(x) ϕ(x/λ) dx.
Rn Rn

Contudo:

lim g(ξ/λ)ϕ̂(ξ) = g(0)ϕ̂(ξ) e lim ĝ(x)ϕ(x/λ) = ĝ(x)ϕ(0).


λ→∞ λ→∞

Agora, como ϕ̂, ĝ ∈ S ⊂ L1 (Rn ) e f e g são limitadas, podemos aplicar o teorema


da convergência dominada de Lebesgue obter:

Z Z
g(0) ϕ̂(ξ) dξ = ϕ(0) ĝ(x) dx.
Rn Rn

2
Considerando-se, em particular, ϕ(x) = e−π||x|| , cuja transformada de Fourier é
2
ϕ̂(ξ) = e−π||ξ|| (conforme o exemplo da seção 0.4) resulta da igualdade acima que:

Z Z
−π||ξ||2
g(0) e dξ = ĝ(x) dx.
Rn Rn
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Mas:
Z
2
e−π||ξ|| dξ = 1.
Rn

Donde:
Z
g(0) = ĝ(η) dη
Rn

o que prova a relação (99) no ponto x = 0. Para qualquer outro x basta aplicar este

resultado a g substituindo-a por τ−x g e usando-se a relação (i) da Proposição 2 da seção


04. Isto encerra a prova. ¤

Proposição 10: A transformada de Fourier é um isomorfismo topológico de S em S.

Demonstração: Consideremos a aplicação:

Z
(100) F(f )(ξ) = e2πihx,ξi f (x) dx; f ∈ S.
Rn

Notemos que:
F(f )(ξ) = F(f )(−ξ)

onde Ff é a transformada de Fourier fˆ de f . Repetindo-se os mesmos argumentos usa-

dos anteriormente, com as devidas adequações prova-se que F: S → S é uma aplicação

contı́nua. Então, as aplicações:

F: S → S e F: S → S
ϕ 7→ ϕ̂ ϕ 7→ ϕ̆

onde ϕ̆ está definida como em (100) são contı́nuas e pela Proposição 9 temos:

(101) F ◦ F = F ◦ F = IdS .

Resulta de (101) que F é uma bijeção. Com efeito, F é sobrejetiva pois dado

ϕ ∈ S ∃ ϕ ∈ S tal que F Fϕ = ϕ, F é injetiva já que Fϕ = 0 implica que ϕ = F Fϕ = 0.


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Logo, F é um isomorfismo vetorial topológico. Mais além resulta de (101) que F = F −1 .

Isto prova o resultado. ¤

Proposição 11 (Relação Forte de Parseval). Sejam f, g ∈ S. Então:

Z Z
f ḡ = fˆ ĝ.
¯
Rn Rn

Demonstração: Como ḡ ∈ S, temos, pelo fato de F: S → S; ϕ 7→ ϕ̂ ser bijetiva, a

existência de uma função h ∈ S tal que ĥ = ḡ. Então por (98):

Z Z Z
(102) f ḡ = f ĥ = fˆ h.
Rn Rn Rn

Agora, pela fórmula de inversão de Fourier, (cf. Proposição 9)

Z Z
(103) h(x) = 2πihx,ξi
e ḡ(ξ) dξ = ¯
e−2πihx,ξi g(ξ) dξ = ĝ(x).
Rn Rn

Deata forma, de (102) e (103) segue o resultado desejado. ¤

Corolário 1: Seja f ∈ S. Então:

||f ||L2 (Rn ) = ||fˆ||L2 (Rn ) .

Demonstração: Imediata. Basta aplicar a proposição precedente com f = g. ¤

Esse corolário leva-nos à primeira extensão da transformada de Fourier a uma


classe mais ampla de funções.

Teorema 1 (Plancherel). Existe uma única bijeção isométrica

P: L2 (Rn ) → L2 (Rn )
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tal que

P(f ) = fˆ, para toda f ∈ S.

Demonstração: Sendo F: S → S linear e contı́nua e S denso em L2 (Rn ) podemos

estender F, por continuidade, a uma única aplicação linear e contı́nua

P: L2 (Rn ) → L2 (Rn )

tal que P(f ) = fˆ, para toda f ∈ S. Em verdade, P é definido como segue: dado

f ∈ L2 (Rn ), então como S é denso em L2 (Rn ) existe (fk ) ⊂ S tal que fk → f em

L2 (Rn ). Pomos então:

Pf = lim fˆk .
k→∞

Segue-se do Corolário 1 que:

||Pf || = lim ||fˆk || = lim ||fk || = ||f ||


k→∞ k→∞

o que prova que P é uma isometria, e portanto injetiva. Resta-nos provar que P é
sobrejetiva. Com efeito, seja h ∈ L2 (Rn ). Pela densidade de S em L2 (Rn ) existe

(ϕk ) ⊂ S tal que

(104) ϕk → h em L2 (Rn ).

Ora, para cada k ∈ N, ∃! ψk ∈ S tal que ψ̂k = ϕk . Sendo ϕk convergente é de

Cauchy em L2 (Rn ) o mesmo acontecendo para ψ̂k . Contudo, como:

||ψ̂k − ψ̂k || = ||ψk − ψk ||

resulta que (ψk )k é uma seqüência de Cauchy em L2 (Rn ). Logo, ∃ g ∈ L2 (Rn ) tal que:

ψk → g em L2 (Rn ).
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Donde:

Pψk = ψ̂k → Pg em L2 (Rn )

ou seja,

(105) ϕk → Pg em L2 (Rn ).

De (104) e (105) pela unicidade do limite resulta que Pg = h o que prova a

sobrejetividade da aplicação e encerra o teorema. ¤

0.6 Distribuições Temperadas

Definição 1: Um funcional linear T definido e contı́nuo sobre S é denominado uma


distribuição temperada (ou lentamente crescente). A totalidade das distribuições tem-

peradas, ou seja, o espaço vetorial dos funcionais lineares e contı́nuos sobre S é de-

notado por S ′ . Desta forma, S ′ é um e.v.t. localmente convexo para o qual estamos
considerando a topologia dual forte.

Pela Proposição 4 da seção anterior temos que C0∞ (Rn ) é denso em S. Segue-se

daı́ que S ′ é identificado com um subespaço de D′ (Rn ).

Exemplo 1: Qualquer função f ∈ Lp (Rn ), 1 ≤ p ≤ +∞ define uma distribuição

temperada. Com efeito, basta considerarmos o seguinte funcional definido em S por:

Z
(106) hTf , ϕi = f (x)ϕ(x) dx, ∀ ϕ ∈ S.
Rn

1 1
Se 1 < p < +∞ seja p′ tal que + = 1. Então, para k > n/2p′ , (1+||x||2 )−k ∈
p p′
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Lp′ (Rn ). Logo, por Hölder
Z
|hTf , ϕi| ≤ (1 + ||x||2 )k |ϕ(x)| |f (x)| (1 + ||x||2 )−k dx
Rn
µ ¶
≤ sup |(1 + ||x|| ) ϕ(x)| ||f ||Lp (Rn ) ||(1 + ||x||2 )−k ||Lp′ (Rn ) .
2 k
x∈Rn

Segue-se da desigualdade acima que se (ϕν ) ⊂ S e ϕν → 0 em S então

hTf , ϕν i → 0

o que prova que Tf ∈ S ′ . Além disso, a aplicação f ∈ Lp (Rn ) 7→ Tf ∈ S ′ é contı́nua

(estamos munindo S ′ da topologia fraco *).

Se p = 1, então, de (106) obtemos

|hTf , ϕi| ≤ ||ϕ||L∞ (Rn ) ||f ||L1 (Rn )

e se p = ∞ e k > n/2,

µ ¶
|hTf , ϕi| ≤ sup |(1 + ||x|| ) ϕ(x)| ||f ||L∞ (Rn ) ||(1 + ||x||2 )−k ||L1 (Rn )
2 k
x∈Rn

e de maneira análoga temos o mesmo resultado. Do exposto resulta que:

(107) Lp (Rn ) ֒→ S ′ .

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Exemplo 2: Se f é uma função mensurável e limitada sobre o Rn então a aplicação:

Z
hTf , ϕi = f (x)ϕ(x) dx, ∀ϕ ∈ S
Rn

é temperada. Com efeito, como no exemplo anterior se k > n/2, temos:

µ ¶Z
2 k
|hTf , ϕi| ≤ C sup |(1 + ||x|| ) ϕ(x)| (1 + ||x||2 )−k
x∈Rn Rn

o que prova o desejado.

Definição 2: Definiremos, agora, por transposição, a transformada de Fourier de uma

distribuição temperada. Seja T ∈ S ′ . Definimos a transformada de Fourier Tb de T por:

(108) hTb, ϕi = hT, ϕ̂i, ∀ ϕ ∈ S.

Como a aplicação ϕ ∈ S 7→ ϕ̂ ∈ S é contı́nua segue-se que Tb ∈ S ′ . Mais além,


como,

F: S → S

ϕ 7→ ϕ̂

é um isomorfismo vetorial topológico, resulta que sua transposta,

F ∗: S ′ → S ′

T 7→ F ∗ (T ) = Tb

é uma aplicação linear injetiva e contı́nua, como é bem sabido.

Definição 3: De maneira análoga à Definição 2 definimos a transformada de Fourier

inversa, ou seja, dado T ∈ S ′ , definimos a transformada de Fourier inversa T̆ de T por:

(109) hT̆ , ϕi = hT, ϕ̆i, ∀ϕ ∈ S


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onde ϕ̆ é transformada de Fourier inversa de ϕ. Analogamente, pelo fato da aplicação

ϕ ∈ S 7→ ϕ̆ ∈ S ser contı́nua, resulta que T̆ ∈ S ′ . Mais além, temos também que sua

transposta:

F : S′ → S′

T 7→ F (T ) = T̆

é linear, injetiva e contı́nua. Notemos que para T, S ∈ S ′ e ∀ ϕ, ψ ∈ S:



ˆ = hT, ϕi
hF (F ∗ (T )), ϕi = hF ∗ (T ), ϕ̆i = hT, ϕ̆i

e
∗ ∗ ˆ
hF ∗ (F (S)), ψi = hF (S), ψ̂i = hS, ψ̆i = hS, ψi

ou seja,
˘ ˆ
T̂ = T e T̆ = T.

As relações acima mostram que a aplicação F ∗ : S ′ → S ′ ; T 7→ F ∗ (T ) = Tb é a


∗ ∗
inversa da aplicação F : S ′ → S ′ ; T 7→ F (T ) = T̆ . Temos provado então que F ∗ é um

isomorfismo vetorial topológico.


Convém notar que pelo fato de S ⊂ L1 (Rn ) ⊂ S ′ então, a priori, parece existir

duas definições da transformada de Fourier sobre S; uma proveniente do L1 (Rn ) e a


outra de S ′ . Contudo, se ϕ ∈ S, então, para todo ψ ∈ S, temos de (106), (108) e pela

relação fraca de Parseval:


Z Z
cϕ , ψi = hTϕ , ψ̂i =
hT ϕψ̂ = ϕ̂ψ = hTϕ̂ , ψi.
Rn Rn

cϕ = Tϕ̂ , o que mostra que ambas as definições da transformada de


Portanto T

Fourier coincidem sobre S.

Exemplo 3: Provaremos que:

(110) δ̂0 = 1.

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Com efeito, em primeiro lugar, como supp(δ0 ) = {0}, então δ0 é uma distribuição
¡ ¢′
de suporte compacto, i.é, δ0 ∈ C ∞ (Rn ) ⊂ S ′ . Agora, para todo ϕ ∈ S, temos:

Z
hδ̂0 , ϕi = hδ0 , ϕ̂i = ϕ̂(0) = ϕ(x) dx = h1, ϕi.
Rn

Exemplo 4: Analogamente temos:

δ̆0 = 1.

Segue-se dos exemplos anteriores que:

1̆ = δ0 e 1̂ = δ0 .

Proposição 1: Seja T ∈ S ′ e consideremos α ∈ Nn . Então:

(i) Dα Tb = (−2πi)|α| (xd


αT )

(ii) [
(D b.
α T ) = (2πi)|α| ξ α T

Demonstração: (i) Seja ϕ ∈ S. Então, pela Proposição 6 da seção 05 resulta que:

h(xd
α T ), ϕi = hxα T, ϕ̂i = hT, xα ϕ̂i

1 [ 1
= |α|
hT, (D α ϕ)i = hTb, Dα ϕi
(2πi) (2πi)|α|

o que prova o item (i).

(ii) Análoga ao item (i). ¤

Concluiremos esta seção discutindo outra questão de consistência. Como S ⊂


L2 (R2 ) ⊂ S ′ , existem duas definições de transformada de Fourier sobre o L2 (Rn );

uma proveniente de S ′ e outra do operador P definido pelo Teorema de Plancherel.


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Mostremos que são iguais. Consideraremos em S ′ a topologia fraco *. Provaremos

inicialmente que:

(iii) Tν → T em S′ então Tbν → Tb em S ′.

Com efeito, para toda φ ∈ S temos:

hTbν , φi = hTν , φ̂i → hT, φ̂i = hTb, φi

o que prova (iii). Seja, agora, f ∈ L2 (Rn ). Pela densidade de S em L2 (Rn ) ∃ (fk ) ⊂ S

tal que fk → f em L2 (Rn ). Mas,

S ֒→ L2 (Rn ) ֒→ S ′ .

Logo, fk → f em S ′ e por (iii) resulta que fˆk → fˆ em S ′ . Por outro lado, como

P(fk ) → P(f ) em L2 (Rn ) temos que P(fk ) → P(f ) em S ′ . Contudo, como fk ∈ S,

então, como já vimos anteriormente, P(fk ) = fˆk e pela unicidade do limite da topologia

fraco * segue que P(f ) = fˆ o que prova o desejado.

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CAPÍTULO 1

PROPRIEDADES ELEMENTARES DOS ESPAÇOS DE SOBOLEV

Serão estudadas neste capı́tulo propriedades elementares da geometria dos espaços

de Sobolev e alguns resultados simples de dualidade.

1.1 Geometria dos Espaços de Sobolev

Seja Ω um aberto do Rn , 1 ≤ p < +∞ e m ∈ N. Se u ∈ Lp (Ω) é sabido

que u possui derivadas de todas as ordens no sentido das distribuições, mas não é
verdade, em geral, que Dα u seja uma distribuição definida por uma função de Lp (Ω).

Quando Dα u é definida por uma função de Lp (Ω), define-se um novo espaço denominado

espaço de Sobolev. Representa-se por W m,p (Ω) o espaço vetorial de todas as funções u
pertencentes a Lp (Ω), tais que para todo |α| ≤ m, Dα u pertence à Lp (Ω), sendo Dα u

a derivada no sentido ds distribuições. Para cada u ∈ W m,p (Ω) definimos a norma de u

pondo:
X Z
||u||pm,p = |Dα u|p dx.
|α|≤m Ω

Não é difı́cil verificar que a função || · ||m,p é uma norma em W m,p (Ω) (a dificul-
dade está na desigualdade triangular, onde lançamos mão da desigualdade de Clarkson).
¡ ¢
O espaço normado W m,p (Ω), || · ||m,p é denominado espaço de Sobolev.

Observação: Representa-se W m,2 (Ω) = H m (Ω) devido a estrutura hilbertiana de tais


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espaços, cf. proposição abaixo.

Proposição 1: O espaço de Sobolev W m,p (Ω) é um espaço de Banach.

Demonstração: Seja huν i uma sucessão de Cauchy em W m,p (Ω). Provaremos que uν

converge para uma função u ∈ W m,p (Ω). Com efeito, temos:

X Z
||uν − uµ ||pm,p = |Dα uν − Dα uµ |p dx → 0, ν, µ → +∞.
|α|≤m Ω

Ora, sendo ||Dα u||Lp (Ω) ≤ ||u||m,p para todo u ∈ W m,p (Ω) e |α| ≤ m, segue-se

que (Dα uν ) é uma seqüência de Cauchy do espaço de Banach Lp (Ω). Logo, para cada

|α| ≤ m ∃ uα ∈ Lp (Ω) tal que:

D α uν → uα em Lp (Ω).

Em particular, quando α = (0, 0, . . . , 0) temos:

uν → u em Lp (Ω).

Para provarmos a proposição é suficiente mostrarmos que Dα u = uα . Com

efeito, das convergências anteriores obtemos:

D α uν → uα em D′ (Ω)

D α uν → D α u em D′ (Ω)

e face a unicidade do limite em D′ (Ω) concluı́mos o desejado. ¤

Corolário 1: Os espaços H m (Ω) são espaços de Hilbert. ¤

Neste caso particular a estrutura de produto interno vem dada por

X
(u, v)H m (Ω) = (Dα u, Dα v)L2 (Ω) .
|α|≤m

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1.2 O Espaço W0m,p (Ω)

É sabido que C0∞ (Ω) é denso em Lp (Ω), mas não é verdade que C0∞ (Ω) é denso

em W m,p (Ω) para m ≥ 1, como veremos posteriormente. Motivado por esta razão

define-se o espaço Wom,p (Ω) como sendo o fecho de C0∞ (Ω) em W m,p (Ω), i.é,

W m,p (Ω)
C0∞ (Ω) = W0m,p (Ω).

Proposição 2: Seja u ∈ W0m,p (Ω) e ũ a extensão de u zero fora de Ω. Tem-se:

a) ũ ∈ W m,p (Rn ).

b) g
Dα ũ = (D α u) para todo |α| ≤ m.

c) ||u||W m,p (Ω) = ||ũ||W m,p (Rn ) .

Demonstração: Dada uma função ϕ ∈ D(Ω), tem-se ϕ̃ ∈ D(Rn ) ⊂ W m,p (Rn ) e as


condições (a), (b) e (c) são claramente satisfeitas. Segue-se daı́ que a aplicação

σ: D(Ω) → W m,p (Rn )

ϕ 7→ ϕ̃

é uma isometria linear de espaços normados e pode ser estendida por continuidade a

uma isometria linear σ̃: W0m,p (Ω) → W m,p (Rn ) definida do seguinte modo:

Se u ∈ W0m,p (Ω) então, face a densidade de D(Ω) em W0m,p (Ω), ∃ (ϕν ) ⊂ D(Ω)
tal que ϕν → u em W m,p (Ω). Definimos, então:

σ̃u = lim σ(ϕν ) = lim ϕ̃ν em W m,p (Rn ).


ν→∞ ν→∞

Provaremos que σ̃u = ũ. Com efeito, como ϕν → u em W m,p (Ω) e pelo fato de σ̃

ser contı́nua segue que σ̃(ϕν ) → σ̃(u) em W m,p (Rn ), ou seja, ϕ̃ν → σ̃(u) em W m,p (Rn ).
Segue-se daı́ que ϕ̃ν → σ̃(u) em Lp (Rn ). Além disso, pelo fato de ϕν → u em W m,p (Ω)

temos também que ϕν → u em Lp (Ω) e conseqüentemente ϕ̃ν → ũ em Lp (Rn ). Pela


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unicidade do limite em Lp (Rn ) obtemos σ̃(u) = ũ; donde se conclui que ũ ∈ W m,p (Rn )

o que prova o item (a).


Para provarmos o item (b) notemos que pelo fato de ϕ̃ν → σ̃(u) = ũ em

^
W m,p (Rn ) então Dα ϕ̃ν → Dα ũ em Lp (Rn ) ∀ |α| ≤ m. i.é, (D α ϕ ) → D α ũ em Lp (Rn ).
ν

Por outro lado como ϕν → u em W m,p (Ω) então Dα ϕν → Dα u em Lp (Ω) e con-

^
seqüentemente (D g
α ϕ ) → (D
ν
α u) em Lp (Rn , ∀ |α| ≤ m. De novo pela unicidade do

g
limite em Lp (Rn ) vem que (D α u) = D α ũ, o que prova o item (b).

Finalmente, das convergências ϕν → u em W m,p (Rn ) e da igualdade ||ϕν ||W m,p (Ω)

||ϕ̃ν ||W m,p (Rn ) , obtemos ||u||W m,p (Ω) = ||ũ||W m,p (Rn ) , já que:

| ||u||W m,p (Ω) − ||ũ||W m,p (Rn ) |

= | ||u||W m,p (Ω) − ||ϕν ||W m,p (Ω) + ||ϕν ||W m,p (Ω) − ||ũ||W m,p (Rn ) |

≤ | ||u||W m,p (Ω) − ||ϕν ||W m,p (Ω) | + | ||ϕ̃ν ||W m,p (Rn ) − ||ũ||W m,p (Rn ) |.

Isto prova o item (c) e encerra a demonstração da proposição. ¤

Exemplo: Consideremos as funções abaixo:


 x + 1, se x ∈] − 1, 0[
u(x) = e v(x) = 1 − x se x ∈] − 1, 1[.
 x + 1, se x ∈ [0, 1[

Calculando-se suas derivadas primeiras no sentido das distribuições obtemos, no

primeiro caso, ∀ ϕ ∈ D(−1, 1):


Z 1 µZ 0 Z 1 ¶
­ d ® ′ ′ ′
u, ϕ = − u(x)ϕ (x) dx = − (x + 1)ϕ (x) dx + (−x + 1)ϕ (x) dx
dx −1 −1 0

µ Z 0 Z 1 ¶
¯0 ¯
¯
= − (x + 1)ϕ(x) −1 − ϕ(x) dx + (−x + 1)ϕ(x)¯10 + ϕ(x) dx
−1 0

Z 0 Z 1
= −ϕ(0) + ϕ(x) dx + ϕ(0) − ϕ(x) dx = hw, ϕi
−1 0
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onde w é a função definida por:


 1, se x ∈] − 1, 0[
w(x) =
 −1, se x ∈]0, 1[

e no segundo caso:
Z 1 Z 1 Z 1
­ d ® ′ ′ 1
u, ϕ = − v(x)ϕ (x) dx = (x − 1)ϕ (x) dx = (x − 1)ϕ(x)|−1 − ϕ(x) dx
dx −1 −1 −1

Z 1
= −2ϕ(−1) − ϕ(x) dx = h−1, ϕi (pois ϕ(−1) = 0).
−1

Desta forma, u ∈ W01,2 (−1, 1) (conforme veremos posteriormente) e portanto


ũ ∈ W 1,2 (R), v ∈ W 1,2 (−1, 1) mas no entanto ṽ ∈
/ W 1,2 (R) pois dado ϕ ∈ D(Ω) temos:

Z 1
­ d ®
ṽ, ϕ = 2ϕ(−1) − ϕ(x) dx = h2δ−1 − 1, ϕi
dx −1

onde δ−1 é o delta de Dirac no ponto −1.

De acordo com o exemplo acima e com a Proposição 2, se Ω é um subconjunto

aberto do Rn , pode acontecer que W0m,p (Ω) seja diferente de W m,p (Ω).

Proposição 3: Se W0m,p (Ω) = W m,p (Ω), o complementar de Ω no Rn possui medida


de Lebesgue nula.

Demonstração: Sejam U uma vizinhança limitada tal que U ∩ Ω 6= ∅ e θ ∈ D(Rn )

tal que θ = 1 em U ∩ Ω. Considerando u(x) = 1, ∀ x ∈ Ω, então v = θu ∈ W m,p (Ω) =


g
W0m,p (Ω). Logo, ṽ ∈ W m,p (Rn ) e Di ṽ = (Di v) (1, 2, . . . , n). Contudo:


 Di v em Ω
g
(D i v) =
0 em Rn \Ω
72

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g
e como Di v = 0 em (Ω ∩ U ) então (D i v) = 0 em U e conseqüentemente Di ṽ = 0 em U .

Segue-se daı́ que ṽ = C (const.) q.s. em U . Pelo fato de ṽ(x) = 1 em Ω ∩ U segue-se que
C = 1 e conseqüentemente ṽ = 1 q.s. em U . Logo, o conjunto A = {x ∈ U | ṽ(x) 6= 1}

é de medida nula e como ṽ = 0 em (Rn \Ω) ∩ U ⊂ A vem que (Rn \Ω) ∩ U também tem
medida nula. Por outro lado, notemos que:

µ +∞
[ ¶ +∞
[
n n
¡ n ¢
R \Ω = (R \Ω) ∩ B(0, ν) = (R \Ω) ∩ B(0, ν)
ν=1 ν=1

o que implica que:

+∞
X
n
¡ ¢
med (R \Ω) ≤ med (Rn \Ω) ∩ B(0, ν)
ν=1

donde se conclui que med (Rn \Ω) = 0. ¤

Teorema 1: D(Rn ) é denso no W m,p (Rn ).

Demonstração: A idéia da demonstração é aproximar os elementos de W m,p (Rn ) por


elementos do mesmo espaço mas com suporte compacto. A etapa seguinte é aproximar

os elementos de W m,p (Rn ) com suporte compacto por funções testes em Rn .

1a¯ Etapa: Truncamento

Seja u ∈ W m,p (Rn ) e consideremos ϕ ∈ D(Rn ) tal que 0 ≤ ϕ(x) ≤ 1 ∀ x ∈ Rn e


além disso,

 1 em B(0, 1)
ϕ(x) =

0 em Rn \B(0, 2)

¡x¢
Definamos, agora, para todo ν ∈ N, ν 6= 0, a sucessão de funções ϕν (x) = ϕ .
ν
Assim, (ϕν ) é uma seqüência de funções testes tal que:
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(a) ϕν = 1 sobre B(0, ν), supp(ϕν ) ⊂ B(0, 2ν) e 0 ≤ ϕν ≤ 1,
1 ¡x¢
(b) Para todo β ∈ Nn temos Dβ ϕν (x) = Dβ ϕ .
ν |β| ν
Afirmamos que a seqüência (ϕν u) → u em W m,p (Rn ). Com efeito, seja α ∈ Nn

tal que |α| ≤ m. Da fórmula de Leibniz podemos escrever que:

X X β6=0
α! α!
Dα (ϕν u) = (Dα−β u)(Dβ ϕν ) = (Dα u)(ϕν )+ (Dα−β u)(Dβ ϕν ).
(α − β)! (α − β)!
β≤α β≤α

Provaremos inicialmente que (Dα u)(ϕν ) → Dα u em Lp (Rn ). De fato, do item

(a) acima concluı́mos que (Dα u(x))(ϕν (x)) → (Dα u(x)) q.s. em Rn . Além disso, como:

|Dα u(x)ϕν (x) − Dα u(x)|p = |Dα u(x)(ϕν (x) − 1)|p ≤ |Dα u(x)|p

segue-se do teorema da convergência dominada de Lebesgue que

(Dα u)(ϕν ) → Dα u em Lp (Rn ).

β6P
=0 α!
A seguir, provaremos que (Dα−β u)(Dβ ϕν ) → 0 em Lp (Rn ), concluindo-
β≤α (α − β)!

se assim, a afirmação feita no inı́cio da demonstração. Com efeito, do item (b) acima
obtemos:
Z Z
α−β β p 1
|(D u(x))(D ϕν (x)| dx ≤ cβ |(Dα−β u(x))|p dx → 0
Rn ν |β| Rn

ou seja,

(Dα−β u)(Dβ ϕν ) → 0 em Lp (Rn ), ∀ α ≤ α, β 6= 0.

Conseqüentemente:

ρ6=0
X α!
(Dα−β u)(Dβ ϕν ) → 0 em Lp (Rn )
(α − β)!
β≤α
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o que prova a afirmação. Além disso, a sucessão (ϕν u) possui suporte compacto contido

na bola B(0, 2ν) o que encerra a 1a¯ parte da demonstração.

2a¯ Etapa: Regularização

Suponha, agora, que u ∈ W m,p (Rn ) seja tal que o seu suporte seja compacto. Se
(ρν ) é uma sucessão regularizante no Rn segue-se que (ρν ∗ u) é uma sucessão de funções

testes no Rn . Além disso, par todo |α| ≤ m, tem-se:

Dα (ρν ∗ u) = ρν ∗ Dα u

como também é verdade que ρν ∗ v → v em Lp (Rn ) para toda v ∈ Lp (Rn ) (conforme

Proposição 7 da seção 01). Desta forma, temos que

Dα (ρν ∗ u) = ρν ∗ Dα u → Dα u em Lp (Rn ),

ficando provado que

ρν ∗ u → u em W m,p (Rn ). ¤

Nota: Segue-se do teorema anterior que W0m,p (Rn ) = W m,p (Rn ).

Proposição 4: Se u ∈ W m,p (Ω) e possui suporte compacto contido em Ω então


u ∈ W0m,p (Ω).

Demonstração: Provaremos que existe uma sucessão (uν ) de funções testes em Ω tal

que uν → u em W m,p (Ω). Com efeito, sendo o supp(u) um subconjunto compacto

em Ω e Rn \Ω um subconjunto fechado, segue-se que r = d(supp(u), Rn \Ω) > 0. Seja


ρ ∈ D(Rn ) tal que ρ = 1 em uma vizinhança do supp(u) e tal que supp(ρ) ⊂ Ω.

Para toda ϕ ∈ D(Rn ), tem-se (ρϕ)|Ω é uma função teste em Ω já que supp(ρϕ) ⊂
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supp(ρ) ∩ supp(ϕ) ⊂ supp(ρ). Logo, se |α| ≤ m tem-se:
Z Z
α |α| α |α| α |α|
hD ũ, ϕi = (−1) hũ, D ϕi = (−1) ũ D ϕ dx = (−1) u Dα ϕ dx
Rn supp(u)
Z
|α|
= (−1) u Dα (ϕρ) dx = (−1)|α| hu, Dα ((ϕρ)|Ω )i = hDα u, (ϕρ|Ω )i
supp(u)

e como supp(Dα u) ⊂ supp(u) ainda podemos escrever a igualdade acima como:


Z
Dα u(ϕρ) dx
supp(u)

e pelo fato de ρ(x) = 1 em supp(u) vem que


Z Z Z
α
D u(ϕρ) dx = α
D u ϕ dx = g
(D α u)ϕ dx
supp(u) supp(u) Rn

g
ou seja, hDα ũ, ϕi = h(D g
α u), ϕi o que implica que D α ũ = (D α u) provando que ũ ∈

W m,p (Rn ).

Tem-se também supp(ũ) = supp(u), que é um compacto do Rn e portanto sendo

ρν uma sucessão regularizante (ρν ∗ ũ) é uma sucessão de funções testes no Rn que
converge para ũ em W m,p (Rn ), já que:

Dα (ρν ∗ ũ) = ρν ∗ (Dα ũ) → Dα ũ em Lp (Rn ).

Por outro lado afirmamos que dada v ∈ W m,p (Rn ) então (Dα v)|Ω = Dα (v|Ω ).

Com efeito, ∀ ψ ∈ D(Ω):


Z Z Z
α α α |α|
h(D v)|Ω , ψi = (D v)ψ dx = (D v)ψ̃ dx = (−1) v Dα ψ̃ dx
Ω Rn Rn
Z Z
= (−1) |α| α
v D ψ̃ dx = (−1) |α| ]
v(D α ψ) dx
Rn Rn
Z
|α|
= (−1) v(Dα ψ) dx = (−1)|α| hv|Ω , (Dα ψ)i

= hDα (v|Ω ), ψi.


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Pondo-se uν = (ρν ∗ ũ)|Ω então pelo que foi visto acima,

Dα (uν ) = Dα [(ρν ∗ ũ)|Ω ] = [Dα (ρν ∗ ũ)]|Ω

e
(Dα ũ)|Ω = Dα (ũ|Ω ) = Dα u.

Como Dα (ρν ∗ ũ) → Dα ũ em Lp (Rn ) então [Dα (ρν ∗ ũ)]|Ω → (Dα ũ)|Ω em Lp (Ω)

e por conseguinte Dα (uν ) → Dα u em Lp (Ω), ou seja, uν → u em W m,p (Ω). Para fi-


nalizar a demonstração da proposição resta-nos provar que o supp(uν ) é um subconjunto
2
compacto de Ω. De fato, para ν > temos:
r

¡ 1¢ © rª
supp(ρν ∗ ũ) ⊂ supp(u) + B 0, ⊂ x ∈ Rn /d(x, supp(u)) ≤ ⊂ Ω.
ν 2

¡ 1¢ ¡ 1¢
Com efeito, se x ∈ supp(u)+B 0, então x = η+ζ, η ∈ supp(u) e ζ ∈ B 0, .
ν ν
Logo:

1 r
d(x, supp(u)) = inf{d(x, y); y ∈ supp(u)} ≤ d(η, x) = ||η − x|| = ||ζ|| < <
ν 2

o que prova a segunda inclusão acima, já que as outras são conhecidas.
2
Logo, para ν > o supp(ρν ∗ ũ) = supp[(ρν ∗ ũ)|Ω ] é um compacto contido em
r
Ω. Este argumento significa que a sucessão (uν )ν≥2/r é uma sucessão de funções testes

em Ω convergentes para u em W m,p (Ω), isto é, u ∈ W0m,p (Ω). ¤

1.3 O Espaço W −m,q (Ω)

1 1
Suponha 1 ≤ p < +∞ e q > 1 tal que + = 1. Representa-se por W −m,q (Ω) o
p q
dual topológico de W0m,p (Ω). O dual topológico de H0m (Ω) representa-se por H −m (Ω).
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Seja T ∈ W −m,q (Ω) e (ϕν ) uma sucessão de funções testes tal que ϕν → 0 em

D(Ω). Resulta que ϕν → 0 em W0m,p (Ω). Com efeito, sabemos que ∃ um compacto K
contido em Ω tal que supp(ϕν ) ⊂ K, ∀ ν. Além disso, (Dα ϕν ) → 0 uniformemente em

K. Logo:
X Z X Z
||ϕν ||pW m,p (Ω) = α p
|D ϕν (x)| dx = |Dα ϕν (x)|p dx
0
|α|≤m Ω |α|≤m K

X
≤ med(K) sup |Dα ϕν (x)|p → 0.
x∈K
|α|≤m

Logo, hT, ϕν iW −m,q ,W m,p → 0 em K (K = R ou C) o que nos permite concluir que


0

a restrição de T a D(Ω) é uma distribuição. Consideremos, agora, a aplicação linear:


σ: W −m,p (Ω) → D′ (Ω)

T 7→ σ(T ) = T |D(Ω) .

Afirmamos que σ é uma aplicação injetiva pois se T |D(Ω) = S|D(Ω) então dada

u ∈ W0m,p (Ω) existe (ψν ) ⊂ D(Ω) tal que ψν → u em W0m,p (Ω) e pelo fato de hT, ψν i =

hS, ψν i tem-se que hT, ui = hS, ui o que implica que T = S. Portanto σ é injetiva o que

nos permite identificar W −m,q (Ω) a um subespaço vetorial de D′ (Ω). Este fato explica
o porque de trabalharmos com o dual de W0m,p (Ω) e não com o dual de W m,p (Ω), ou

seja, usamos fortemente o fato de D(Ω) ser denso em W0m,p (Ω). Além disso, a imersão

de W −m,q (Ω) ֒→ D′ (Ω) é contı́nua. Com efeito, seja (Tν ) ⊂ W −m,q (Ω) tal que Tν → 0
em W −m,q (Ω), i.é, a seqüência numérica

|hTν , ui|
||Tν ||W −m,q (Ω) = sup , u 6= 0
u∈W0m,p (Ω) ||u||

tende para zero. Segue-se daı́ que hTν , uiW −m,q ,W m,p → 0 para todo u ∈ W0m,p (Ω). Em
0

particular temos hTν , ϕiD′ (Ω),D(Ω) → 0 para toda ϕ ∈ D(Ω) o que prova a continuidade

da imersão.

Exemplo: No que segue consideraremos Ω um subconjunto aberto e limitado do Rn .


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R ∂v
Seja v ∈ W 1,q (Ω) e tal que Ω
dx = 1. Basta considerarmos, por exemplo,
∂x1
v(x) = (med(Ω))−1 x1 . Definamos, então, para todo u ∈ W 1,p (Ω):
Z Z
∂u ∂v
hT, ui = v dx, hS, ui = − u dx.
Ω ∂x1 Ω ∂x1

Notemos que T, S ∈ (W 1,p (Ω))′ . De fato:


Z ¯ ¯ ° °
¯ ∂u ¯ ° ∂u °
|hT, ui| ≤ ¯
|v| ¯ ¯ °
dx ≤ ||v||Lq (Ω) ° ° ≤ ||v||Lq (Ω) ||u||W 1,p (Ω)
Ω ∂x1 ¯ ∂x1 °Lp (Ω)
Z ¯ ¯ ° ° ° °
¯ ∂v ¯ ° ∂v ° ° ∂v °
|hS, ui| ≤ ¯ ¯ ° ° ° °
¯ ∂x1 ¯ |u| dx ≤ ° ∂x1 ° ||u||Lp (Ω) ≤°
∂x1 °
||u||W 1,p (Ω) ,
Ω Lq (Ω) Lq (Ω)

o que prova o desejado.

Além disso, T 6= S pois se considerarmos, em particular, u(x) = 1 em Ω então:

hT, ui = 0 e hS, ui = −1.

Contudo, dada ϕ ∈ D(Ω) temos:


Z Z
∂ϕ ∂v
hT, ϕi = v dx = − ϕ dx = hS, ϕi, i.é., T = S em D′ (Ω),
Ω ∂x1 Ω ∂x1

o que mostra que a aplicação (W 1,p (Ω)) ֒→ D′ (Ω) não é injetiva.

Quando diz-se que uma distribuição T pertence a W −m,q (Ω), isto significa ser T

definida em D(Ω) e ser estendida como um funcional linear contı́nuo ao espaço W0m,p (Ω)
e esta extensão continua a ser representada por T . O resultado que segue caracteriza

distribuições de W −m,q (Ω). Antes, porém, provaremos um resultado preliminar que nos

será útil posteriormente.

Lema 1: Seja k um inteiro positivo e E = (Lp (Ω))k normado por:

k
X
||w||pE = ||wν ||pLp (Ω)
ν=1
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para todo w = (w1 , w2 , . . . , wk ) ∈ E. Um funcional linear definido em E é contı́nuo se

e somente se existem f1 , f2 , . . . , fk ∈ Lq (Ω), dual de Lp (Ω) tal que

k Z
X
hf, wiE ′ ,E = fν (x)wν (x) dx
ν=1 Ω

para todo w ∈ E.

Demonstração: Seja f ∈ E ′ e consideremos fj : Lp (Ω) → K definido para todo

u ∈ Lp (Ω) como:

hfj , ui = hf, (0, . . . , u, . . . , 0)iE ′ ,E onde o elemento u aparece na j-ésima posição.

fj é contı́nuo em Lp (Ω) posto que:

|hfj , ui| = |hf, (0, . . . , u, . . . , 0)i| ≤ ||f ||E ′ ||(0, . . . , u, . . . , 0)||E = ||f ||E ′ ||u||Lp (Ω) .

Assim, para cada j = 1, 2, . . . , k, fj ∈ (Lp (Ω))′ = Lq (Ω). Além disso:

hf, wiE ′ ,E = hf, (w1 , 0, . . . , 0)i + hf, (0, w2 , 0, . . . , 0)i + · · · + hf, (0, 0, . . . , 0, wk )i

k
X k Z
X
= hfν , wν i = fν (x)wν (x) dx.
ν=1 ν=1 Ω

k R
P
Reciprocamente, seja hf, wi = Ω
fν (x)wν (x) dx. Então, por Hölder e
ν=1

∀w ∈ E

k Z
X k
X
|hf, wi| ≤ |fν (x)| |wν (x)| dx ≤ ||fν ||Lq (Ω) ||wν ||Lp (Ω)
ν=1 Ω ν=1

k
X µ ¶
≤ ||fν ||Lq (Ω) ||w||E ≤ k max ||fν ||Lq (Ω) ||w||E . ¤
1≤ν≤K
ν=1
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Teorema 2: Seja T uma distribuição sobre Ω. Então T ∈ W −m,q (Ω) se e somente se
existem funções gα ∈ Lq (Ω), |α| ≤ m, tais que
X
T = Dα gα .
|α|≤m

Demonstração: Suponha T definida pelo somatório acima. Então, para toda ϕ ∈ D(Ω)
temos:
­ X ® X X
hT, ϕi = Dα gα , ϕ = hDα gα , ϕi = (−1)|α| hgα , Dα ϕi
|α|≤m |α|≤m |α|≤m

X Z
|α|
= (−1) gα Dα ϕ dx.
|α|≤m Ω

Logo:
X Z X
|hT, ϕi| ≤ |gα | |Dα ϕ| dx ≤ ||gα ||Lq (Ω) ||Dα ϕ||Lp (Ω)
|α|≤m Ω |α|≤m

µ X ¶ q1 µ X ¶ p1
≤ ||gα |qLq (Ω) ||D α
ϕ||pLp (Ω)
|α|≤m |α|≤m

µ X ¶ q1
= ||gα ||qLq (Ω) ||ϕ||W m,p (Ω) .
|α|≤m

Sendo D(Ω) denso em W0m,p (Ω), a última desigualdade diz ser possı́vel estender

T , por continuidade, ao espaço W0m,q (Ω) e portanto, T ∈ W −m,q (Ω).

Reciprocamente, seja T ∈ W −m,q (Ω) ∈ k o número de ı́ndices α ∈ Nn tais que


|α| ≤ m. Os elementos u de E = (Lp (Ω))k que são k-uplas serão representados por

(uα )|α| , uα ∈ Lp (Ω). Notemos que a aplicação:

σ: W0m,p (Ω) → E

u 7→ σ(u) = (Dα u)|α|≤m


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é uma isometria linear. Com efeito, a linearidade é óbvia. Agora, dada u ∈ W0m,p (Ω)

temos:

µ X Z ¶ p1 µ X ¶ p1
||u||W m,p (Ω) = α
|D u| dx p
= ||D α
u||pLp (Ω) = ||σ(u)||E
|α|≤m Ω |α|≤m

o que prova ser σ uma isometria. Segue-se daı́ que E0 = σ(W0m,p (Ω)) é um subespaço
fechado de E. Seja f0 o funcional linear definido em E0 por:

hf0 , (Dα u)|α|≤m i = hT, ui; ∀ u ∈ W0m,p (Ω)

isto é, f0 = T ◦σ −1 , é um funcional linear contı́nuo (conforme ilustra o esquema abaixo):

σ
W0m,p (Ω) −→ E0

T ↓ ւ f0 = T ◦ σ −1

Pelo Teorema de Hahn-Banach, f0 possui uma extensão linear e contı́nua ao

espaço E, que representaremos por f . Pelo Lema 1 existem (gα′ )|α|≤m , gα′ ∈ Lq (Ω) tais

que:
X Z
hf, (wα )|α| i = gα′ (x)wα (x) dx
|α|≤m Ω

para todo (wα )|α| ∈ E. Logo, ∀ u ∈ W0m,p (Ω), temos:

X Z
α
hT, ui = hf0 , (D u)|α|≤m i = gα′ (x)Dα u(x) dx.
|α|≤m Ω

Em particular, para toda ϕ ∈ D(Ω) obtemos:

X Z ­ X ®
hT, ϕi = gα′ (x)Dα ϕ(x) dx = Dα (−1)|α| gα′ , ϕ .
|α|≤m Ω |α|≤m

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P
Tomando-se gα = (−1)|α| gα′ a última igualdade nos diz que T = Dα gα .
|α|≤m

Exemplo: Consideremos a aplicação



 1, se x ∈ [0, 1[
u(x) =
 0, se x ∈ ] − 1, 0[

Evidentemente u ∈ L2 (−1, 1). Contudo, ∀ ϕ ∈ D(−1, 1):


Z 1
′ ′
hu , ϕi = −hu, ϕ i = − ϕ′ (x) dx = −ϕ(1) + ϕ(0) = ϕ(0) = hδ0 , ϕi
0

o que implica que δ0 ∈ W −1,2 (−1, 1) = H −1 (−1, 1) já que δ0 = u′ .

Observação: O mesmo argumento usado na demonstração do Teorema 2, mostra que


se T ∈ (W m,p (Ω))′ , existem funções gα ∈ Lq (Ω), dual de Lp (Ω), |α| ≤ m, tais que:
X Z
hT, ui = gα′ (x)Dα u(x) dx
|α|≤m Ω

para toda u ∈ W m,p (Ω).

1.4 Reflexividade nos espaços de Sobolev

Para provarmos que os espaços W m,p (Ω) são reflexivos, 1 < p < +∞, lembremos

de dois fatos: o primeiro é que os Lp (Ω), 1 < p < +∞ são reflexivos e o segundo é o
teorema de Eberlein-Smullian que afirma que um espaço de Banach E é reflexivo se e

somente se toda sucessão limitada de vetores de E possui uma subsucessão fracamente

convergente.

Teorema 3: Se 1 < p < +∞ então W m,p (Ω) é um espaço de Banach reflexivo.

Demonstração: Seja (uν ) uma sucessão limitada de vetores de W m,p (Ω). Então,
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(Dα uν ) é limitada em Lp (Ω) ∀ |α| ≤ m. Em particular, (uν ) é limitada em Lp (Ω) o que

implica que existe uma subseqüência (u′ν ) de (uν ) tal que u′ν → u(0,...,0) = u fraco em
¡ ∂u′ν ¢
Lp (Ω). Também e, em particular, é limitada em Lp (Ω) o que implica que existe
∂x1
∂u′′ν
uma subsucessão (u′′ν ) de (u′ν ) tal que → u(1,...,0) fraco em Lp (Ω). Por sucessivas
∂x1
aplicações deste argumento encontra-se uma subsucessão (vν ) de (uν ) e uma função
uα ∈ Lp (Ω) tal que Dα vν → uα fraco em Lp (Ω) para todo |α| ≤ m. Em particular,

vν → u(0,...,0) = u fraco em Lp (Ω) já que (vν ) ⊂ (u′ν ). Segue-se daı́ que Dα vν → Dα u

em D′ (Ω). Temos também que Dα vν → uα em D′ (Ω) o que nos leva a concluir, face

a unicidade do limite em D′ (Ω), que Dα u = uα ∀ |α| ≤ m e conseqüentemente que


u ∈ W m,p (Ω).

Para finalizar a demonstração necessitamos provar que (vν ) converge fraco para
u em W m,p (Ω). Com efeito, seja T ∈ (W m,p (Ω))′ . De acordo com a última observação
P R ′
existem gα ∈ Lq (Ω) tais que hT, wi = g (x)Dα w(x) dx ∀ w ∈ W m,p (Ω). Logo:
Ω α
|α|≤m

X Z X Z
hT, vν i = gα′ (x)Dα vν (x) dx → gα′ (x)Dα u(x) dx = hT, ui
|α|≤m Ω |α|≤m Ω

uma vez que Dα vν → uα = Dα u fraco em Lp (Ω). Assim fica provado que vν → u fraco

em W m,p (Ω) o que encerra a demonstração. ¤

1.5 Aproximações por Funções Regulares

Nesta seção apresentaremos um resultado forte de densidade, devido a Friedrichs

e algumas de suas conseqüências. Antes, porém, necessitamos de um resultado que


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enunciaremos sob a forma de:

Lema 1: Sejam ρ ∈ L1 (Rn ) e v ∈ W 1,p (Rn ), 1 ≤ p ≤ +∞. Então:

∂ ∂v
ρ ∗ v ∈ W 1,p (Rn ) e (ρ ∗ v) = ρ ∗ ; i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi

Demonstração: Inicialmente, notemos que em função de ρ ∈ L1 (Rn ) e v ∈ W 1,p (Rn )

ficam bem definidas as convoluções

∂v
ρ∗v e ρ∗ , i = 1, 2, . . . , n
∂xi

∂v
com ρ ∗ v, ρ ∗ ∈ Lp (Rn ).
∂xi
Suponhamos que ρ tenha suporte compacto e consideremos ψ ∈ D(Rn ). Então,

para todo i ∈ {1, 2, . . . , n} temos, por Fubini, que:


Z
­ ∂ ® ­ ∂ψ ® ∂ψ
(ρ ∗ v), ψ = − ρ ∗ v, =− (ρ ∗ v)(x) (x) dx
∂xi ∂xi Rn ∂xi
Z µZ ¶ Z Z
∂ψ ∂ψ
=− ρ(x − y)v(y) dy (x) dx = − ρ(x − y)v(y) (x) dydx
Rn Rn ∂xi Rn Rn ∂xi
Z µZ ¶ Z µZ ¶
∂ψ ∂ψ
=− ρ(x − y) (x) dx v(y) dy = − ρ̃(x − y) (x) dx v(y) dy
Rn Rn ∂xi Rn Rn ∂xi
Z
¡ ∂ψ ¢
=− ρ̃ ∗ (y)v(y) dy
Rn ∂xi

onde ρ̃(x) = ρ(−x). Assim:


Z
­ ∂ ® ¡ ∂ψ ¢
(1) (ρ ∗ v), ψ = − ρ̃ ∗ (y)v(y) dy.
∂xi Rn ∂xi

Por outro lado, como ρ̃ ∈ L1 (Rn ) e ψ ∈ D(Rn ) resulta que:

∂ ∂ψ
(2) ρ̃ ∗ ψ ∈ C ∞ (Rn ) e (ρ̃ ∗ ψ) = ρ̃ ∗ ·
∂xi ∂xi
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Mais além, temos que:

supp(ρ̃ ∗ ψ) ⊂ supp(ρ̃) + supp(ψ)

onde supp(ρ̃) e supp(ψ) são compactos do Rn . Conseqüentemente, temos também que


supp(ρ̃ ∗ ψ) é um compacto do Rn . Donde:

(3) ρ̃ ∗ ψ ∈ C0∞ (Rn ).

De (1), (2) e (3) e do fato que v ∈ W 1,p (Rn ) obtemos, por Fubini:
Z Z
­ ∂ ® ¡∂ψ ∂
(ρ ∗ v), ψ = − ρ̃ ∗ )(y)v(y) dy = − (ρ̃ ∗ ψ)(y)v(y) dy
∂xi Rn ∂xi Rn ∂xi
Z Z µZ ¶
∂v ∂v
= (ρ̃ ∗ ψ)(y) (y) dy = ρ̃(x − y)ψ(x) dx (y) dy
Rn ∂xi Rn Rn ∂xi
Z µZ ¶ Z µZ ¶
∂v ∂v
= ρ̃(x − y) (y) dy ψ(x) dx = ρ(x − y) (y) dy ψ(x) dx
Rn Rn ∂xi Rn Rn ∂xi
Z
¡ ∂v ¢ ­ ∂v ®
= ρ∗ (x)ψ(x) dx = ρ ∗ ,ψ
Rn ∂xi ∂xi

ou seja,

­ ∂ ® ­ ∂v ®
(4) (ρ ∗ v), ψ = ρ ∗ , ψ , ∀ ψ ∈ D(Rn ) e ∀ i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi

Resulta de (4) que:

∂ ∂v
(5) (ρ ∗ v) = ρ ∗ ∈ Lp (Rn ), ∀ i = 1, 2, . . . , n
∂xi ∂xi

e portanto:

(6) ρ ∗ v ∈ W 1,p (Rn ).


86

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Suponhamos, agora, que ρ não tenha suporte compacto. Como C00 (Rn ) é denso

em L1 (Rn ), existe uma seqüência (ρν )ν∈N ⊂ C00 (Rn ) tal que:

(7) ρν → ρ em L1 (Rn ).

Pelo primeiro caso, temos que:

∂ ∂v
(8) ρν ∗ v ∈ W 1,p (Rn ) e (ρν ∗ v) = ρv ∗ ∈ Lp (Rn ), ∀ i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi

Mas:
Z
||ρν ∗ v − ρ ∗ v||pLp (Rn ) = |(ρν ∗ v)(x) − (ρ ∗ v)(x)|p dx
Rn
Z
= |[(ρν − ρ) ∗ v](x)|p dx ≤ ||ρν − ρ||pL1 (Rn ) ||v||pLp (Rn )
Rn

i.é,

(9) ||ρν ∗ v − ρ ∗ v||Lp (Rn ) ≤ ||ρν − ρ||L1 (Rn ) ||v||Lp (Rn ) .

De modo análogo:

° ° ° °
° ° ° ∂v °
(10) °ρν ∗ ∂v − ρ ∗ ∂v ° ≤ ||ρν − ρ||L1 (Rn ) ° ° .
° ∂xi ∂xi °Lp (Rn ) ° ∂xi °
Lp (Rn )

De (7), (8), (9) e (10) obtemos:

∂ ∂v
(ρ ∗ v) = ρ ∗ ∈ Lp (Rn ), ∀ i = 1, 2, . . . , n
∂xi ∂xi

o que nos leva a concluir que:

ρ ∗ v ∈ W 1,p (Rn )
87

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conforme querı́amos demonstrar. ¤

Teorema 1 (Friedrichs). Sejam Ω ⊂ Rn aberto genérico e u ∈ W 1,p (Ω) com

1 ≤ p < +∞. Então, existe uma seqüência (uν ) de C0∞ (Rn ) tal que:

uν |Ω → u em Lp (Ω)

∇uν |ω → ∇u|ω em [Lp (ω)]n , ∀ ω ⊂⊂ Ω.

(Observamos que a notação ω ⊂⊂ Ω significa que ω é um aberto tal que ω̄ ⊂ Ω


e ω̄ é compacto).

Demonstração: Seja u ∈ W 1,p (Ω). Definamos:


 u(x) se x∈Ω
ũ(x) =
0 se x ∈ Rn \Ω

Observemos que ũ ∈ Lp (Rn ) mas não temos a garantia que ũ ∈ W 1,p (Rn ).

Consideremos, então, (ρν )ν∈N uma seqüência regularizante, isto é,

Z
n
ρν ≥ 0 sobre o R , ρν ∈ C0∞ (Rn ), supp(ρν ) ⊂ B ν1 (0) e ρν (x)dx = 1, ∀ ν.
Rn

Ponhamos:

(11) vν (x) = (ρν ∗ ũ)(x), x ∈ Rn e ν ∈ N.

Sabemos que:

(12) vν → ũ em Lp (Rn ).

Provaremos que:

(13) ∇uν |ω → ∇u|ω em [Lp (ω)]n para todo ω ⊂⊂ Ω.


88

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Com efeito, fixemos ω ⊂⊂ Ω e consideremos α ∈ C0∞ (Ω) tal que α = 1 em uma

vizinhança ω ′ de ω, tal que ω ⊂⊂ ω ′ ⊂⊂ Ω. Notemos que:

αu ∈ W 1,p (Ω)

e além disso que:

supp(αu) é um compacto de Ω.

Donde:

(14) αu ∈ W01,p (Ω).

Resulta de (14) que:


 (αu)(x), x∈Ω
f =
(αu)
 0, x ∈ Rn \Ω

pertence a W 1,p (Ω) e mais ainda:

µ ¶
∂ ¡ ¢ ^

(15) f =
(αu) (αu) , ∀ i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi

Afirmamos que:

(16) Para ν suficientemente grande ρν ∗ (αu)


f = ρν ∗ ũ sobre ω.

De fato, notemos que:

ρν ∗ (αu)
f = ρν ∗ ũ sobre ω ⇔ ρν ∗ (αu)
f − ρν ∗ ũ = 0

(17) sobre ω ⇔ ρν ∗ [(αu)


f − ũ] = 0

f − ũ]) ⊂ Rn \ω.
sobre ω ⇔ supp(ρν ∗ [(αu)
89

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Temos:

(18) supp(ρν ∗ [(αu)


f − ũ]) ⊂ supp(ρν ) + supp[(αu)
f − ũ]) = supp(ρν ) + supp[(α̃ − 1)ũ].

Contudo:

(19) supp(ρν ) ⊂ B ν1 (0) e supp[(α̃ − 1)ũ] ⊂ (α̃ − 1) ∩ supp(ũ) ⊂ supp(α̃ − 1).

Como:


 0 se x ∈ ω′



(α̃ − 1)(x) = α(x) − 1 se x ∈ Ω\ω ′




 −1 se Rn \Ω

então:

(20) supp(α̃ − 1) ⊂ Rn \ω ′ .

De (18), (19) e (20) concluı́mos que:

f ũ]) ⊂ supp(ρν )+supp[(α̃−1)ũ] ⊂ B ν1 (0)+supp(α̃−1) ⊂ B ν1 (0)+Rn \ω ′


supp(ρν ∗[(αu)−

ou seja,

(21) f − ũ]) ⊂ B ν1 (0) + Rn \ω ′ ,


supp(ρν ∗ [(αu) ∀ ν ∈ N.

Consideremos:

δ = d(ω̄, Rn \ω ′ ) = d(ω, Rn \ω ′ ) = inf{|x − y|; x ∈ ω e y ∈ Rn \ω ′ } > 0.

Afirmamos que:

2
(22) B ν1 (0) + Rn \ω ′ ⊂ Rn \ω, ∀ν ≥ ·
δ
90

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2
Suponhamos, por absurdo, que existe ν ∗ ≥ tal que B 1∗ (0) + Rn \ω ′ não está
δ ν

contido em Rn \ω.

Resulta daı́ que existirão z ∈ B 1 (0) e y ∈ Rn \ω ′ tais que z + y ∈


/ Rn \ω, ou seja,
ν∗

z + y ∈ ω.

Então existirá x ∈ ω tal que x = z + y, o que implica que:

1 δ
|x − y| = |z| < ∗
≤ <δ
ν 2

o que é uma contradição pois x ∈ ω, y ∈ Rn \ω ′ e portanto:

δ ≤ |x − y|

o que prova a afirmação em (22). Daı́ e de (21) chegamos a:

(23) f − ũ]) ⊂ Rn \ω para ν suficientemente grande.


supp(ρν ∗ [(αu)

De (17) e (23) temos provado o desejado em (16). Resulta daı́ e do Lema 1 que

existe ν0 ∈ N tal que:

f ∈ W 1,p (Rn ),
ρν ∗ (αu) ∀ ν > ν0

como também que:

µ ¶
∂ ¡ ¢ ∂ ∂u^∂α
ρν ∗ (αu)
f = ρn u ∗ f = ρν ∗ α
(αu) + u , ∀ ν ≥ ν0 , ∀ i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi ∂xi ∂xi

Consequentemente:

µ ¶
∂ ¡ ¢ ∂u^∂α
ρν ∗ (αu)
f → α + u em Lp (Rn ), ∀ i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi ∂xi
91

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Em particular:

∂ ¡ ¢ ∂u
ρν ∗ (αu)
f → em Lp (ω), ∀ i = 1, 2, . . . , n
∂xi ∂xi

e graças a (16) temos:

∂ ¡ ¢ ∂u
ρν ∗ ũ → em Lp (ω), ∀ i = 1, 2, . . . , n
∂xi ∂xi

e de (11) podemos reescrever:

∂vν ∂u
→ em Lp (ω), ∀ i = 1, 2, . . . , n
∂xi ∂xi

o que prova (13).

Seja ξ ∈ D(Rn ) tal que 0 ≤ ξ ≤ 1 em Rn , ξ(x) = 1 se ||x|| ≤ 1 e ξ(x) = 0 se

||x|| ≥ 2. Definimos para cada ν ∈ N:

¡x¢
ξν (x) = ξ
ν

como também:

(24) uν (x) = ξν (x)vν (x)(∗) , x ∈ Rn , ν ∈ N.

Observemos que:

uν ∈ D(Rn ), ∀ ν ∈ N.

Provaremos que:

(25) uν |Ω → u em Lp (Ω).

(*) é o truncamento usual


92

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De fato:

||uν − ũ||Lp (Rn ) ≤ ||ξν vν − ξν ũ||Lp (Rn ) + ||ξν ũ − ũ||Lp (Rn )


(26)
≤ sup |ξ(x)| ||vν − ũ||Lp (Rn ) + ||ξν ũ − ũ||Lp (Rn ) .
x∈Rn

Mas em virtude do Teorema da Convergência Dominada,

(27) ξν ũ → ũ em Lp (Rn ).

Logo, de (12), (26) e (27) segue o desejado em (25). Resta-nos provar que:

(28) ∇uν |ω → ∇u|ω em [Lp (ω)]n .

Com efeito, temos:

∂uν ∂ξν ∂vν


= vν + ξν , ∀ i = 1, 2, . . . , n.
∂xi ∂xi ∂xi

Donde:
° °
° ∂uν ∂u °
° − °
° ∂xi ∂xi °Lp (ω)
° ° ° °
° ∂ξν ° ° ∂u ∂vν °
(29) ≤° v °
° ∂xi ° p + °
° ∂xi − ξ °
∂xi °Lp (ω)
ν ν
L (ω)
° ° ° µ ¶° ° °
° ∂ξν ° ° ∂u ∂vν ° ° ∂u ∂u °
≤° v °
° ∂xi ° p + °ξν
° − ° + ° ξ − ° .
∂xi °Lp (ω) ° ∂xi ∂xi °Lp (ω)
ν ν
L (Ω) ∂xi

Em virtude do Teorema da Convergência Dominada:


° °
° ∂u ∂u °
(30) ° ξ − ° → 0.
° ∂xi ν
∂xi °Lp (ω)

Temos
° µ ¶° ° °
° ° ° ∂u ∂vν °
°ξν ∂u − ∂vν ° °
≤ sup |ξ(x)| ° − °
° ∂xi ∂xi °Lp (ω) x∈Rn ∂xi ∂xi °Lp (ω)
93

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o que implica, em virtude de (13) que:
° µ ¶°
° °
(31) °ξν ∂u − ∂vν ° → 0.
° ∂xi ∂xi °Lp (ω)

Finalmente, notemos que:


° ° Z ¯ ¯ Z ¯ ¯
° ∂ξν °p ¯ ∂ξν ¯p 1 ¯ ∂ξ ¯p
° ° ¯ ¯ p ¯ ¯ p
° ∂xi vν ° p = ¯ ∂xi ¯ |vν | dx = ν p ¯ ∂xi ¯ |vν | dx
L (ω) ω ω

¯ ¯ Z
1 ¯ ∂ξ ¯p C
≤ p sup ¯¯ ¯ |vν |p dx ≤ p ||ρν ||pL1 (Rn ) ||ũ||pLp (Rn )
ν x∈Rn ∂xi ¯ Rn ν

o que nos leva a:


° °
° ∂ξν °p
(32) ° ° → 0.
° ∂xi vν ° p
L (ω)

De (29), (30) e (32) concluı́mos que:

∂uν ∂u
→ em Lp (ω), ∀ i = 1, . . . , n
∂xi ∂xi

o que prova (28) e encerra a demonstração. ¤

Proposição 1 (Caracterização de W 1,p (Ω)). Sejam Ω ⊂ Rn um aberto genérico e

consideremos u ∈ Lp (Ω) com 1 < p ≤ +∞. As seguintes propriedades são equivalentes:

(i) u ∈ W 1,p (Ω)


(ii) Existe uma constante C > 0 tal que:
¯Z ¯
¯ ¯
¯ u ∂ϕ dx¯ ≤ C ||ϕ||Lp′ (Ω) ; ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω), ∀ i = 1, . . . , n.
¯ ∂xi ¯

(ii) Existe uma constante C > 0 tal que para todo aberto ω ⊂⊂ Ω e todo

h ∈ Rn com |h| < dist(ω, Rn \Ω) tem-se:

||τh u − u||Lp (ω) ≤ C|h|.

Além disso, se pode tomar C = ||∇u||Lp (Ω) em (ii) e (iii).


94

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Demonstração: (i) ⇒ (ii)

Sejam u ∈ W 1,p(Ω) e ϕ ∈ C0∞ (Ω). Então, para cada ∀ i = 1, . . . , n:

Z Z
∂ϕ ­ ∂ϕ ® ­ ∂u ® ∂u
u dx = u, =− ,ϕ = − ϕ dx
Ω ∂xi ∂xi ∂xi Ω ∂xi

e portanto, por Hölder:


¯Z ¯ Z ¯ ¯ ° °
¯ ∂ϕ ¯ ¯ ∂u ¯ ° ∂u °
¯ u dx¯ ≤ ¯ ¯ |ϕ| dx ≤ ° ° ||ϕ||Lp′ (Ω) .
¯ ∂xi ¯ ¯ ¯ ° ∂xi ° p
Ω Ω ∂xi L (Ω)

(ii) → (i)

Seja u ∈ Lp (Ω). Definamos:

Tu : C0∞ (Ω) → R
(33) Z
∂ϕ
ϕ 7→ hTu , ϕi = u dx.
Ω ∂xi

Por hipótese, ∃ C > 0 tal que:


¯Z ¯
¯ dϕ ¯
¯
|hTu , ϕi| = ¯ u dx¯¯ ≤ C ||ϕ||Lp′ (Ω) , ∀ i = 1, . . . , n.
Ω ∂xi

Resulta da desigualdade acima que:

(34) Tu ∈ (Lp′ (Ω))′

e portanto podemos estender a aplicação dada em (33) a uma única aplicação linear e

contı́nua:

(35) Teu : Lp′ (Ω) → R

tal que:

Z
∂ϕ
(36) hTeu , ϕi = u dx, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω).
Ω ∂xi
95

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Por outro lado, de (35) e em face ao teorema de Representação de Riesz existe

g ∈ Lp (Ω) tal que:

Z
(37) hTeu , vi = gv dx, ∀ v ∈ Lp′ (Ω).

De (36) e (37) temos, em particular que:

Z Z
∂ϕ
u dx = gϕ dx, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω)
Ω ∂xi Ω

ou seja,
­ ∂u ®
− , ϕ = hg, ϕi.
∂xi

Conseqüentemente:

u ∈ W 1,p (Ω)

Antes de prosseguirmos com a demonstração, observamos que quando p = 1

permanecem válidas as implicações:

(i) ⇒ (ii) ⇔ (iii)

(i) ⇒ (iii)

Temos dois casos a considerar:

(a) 1 ≤ p < +∞.

Sejam u ∈ Lp (Ω) verificando o item (ii) e ω ⊂⊂ Ω. Então pela equivalência

(i) ⇔ (ii) temos que u ∈ W 1,p (Ω). Consideremos x ∈ ω, ϕ ∈ C0∞ (Rn ) e h ∈ Rn

tal que |h| < dist(ω̄, Rn \Ω) = d. Observemos que com |h| nestas condições temos
x + th ∈ Ω; ∀ t ∈ [0, 1]. Com efeito, inicialmente notemos que:

(38) Bd (x) ⊂ Ω
96

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pois, caso contrário, existiria y0 ∈ Bd (x) e y0 ∈
/ Ω. Ora, por um lado temos:

(39) ||y0 − x|| < d

e por outro lado, do fato que d = dist(ω, Rn \Ω) resulta que:

(40) d ≤ ||y0 − x||

pois x ∈ ω e y0 ∈
/ Ω. Mas de (39) e (40) temos um absurdo!, o que prova a afirmação

em (38).

Consideremos, agora, z ∈ Bt|h| (x), t ∈ (0, 1]. Então:

||z − x|| < t|h| ≤ |h| < d

o que implica que z ∈ Bd (x) e de (38) vem então que z ∈ Ω, i.é,

Bt|h| (x) ⊂ Ω

o que prova que x + th ∈ Ω, ∀ t ∈ [0, 1]. Do exposto podemos definir:

λ: [0, 1] → Ω
(41)
t 7→ λ(t) = x + th

v: [0, 1] → R
(42)
t 7→ v(t) = (ϕ ◦ λ)(t) = ϕ(x + th).

Temos

Xn
′ ′ ′ ∂ϕ
(43) v (t) = ϕ (λ(t)) · λ (t) = (x + th) hi = h∇ϕ(x + th), hi.
i=1
∂xi
97

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Mas:

Z 1
τh ϕ(x) − ϕ(x) = ϕ(x + h) − ϕ(x) = v(1) − v(0) = v ′ (t) dt
0

e de (43) resulta então que:

Z 1
τh ϕ(x) − ϕ(x) = h∇ϕ(x + th), hi dt
0

e por Schwarz obtemos:

Z 1
|τh ϕ(x) − ϕ(x)| ≤ |∇ϕ(x + th)| |h| dt
0

o que implica que:

µZ 1 ¶p
p p
|τh ϕ(x) − ϕ(x)| ≤ |h| |∇ϕ(x + th)| dt
0

que por Hölder é menor ou igual a:

µZ 1 ¶ p′ µ Z 1 ¶
p
p p
|h| 1 dt |∇ϕ(x + th)| dt
0 0

ou seja,

Z 1
p p
(44) |τh ϕ(x) − ϕ(x)| ≤ |h| |∇ϕ(x + th)|p dt, ∀ x ∈ ω.
0

Integrando-se a desigualdade acima em ω obtemos:

Z Z Z 1
p p
|τh ϕ(x) − ϕ(x)| dx ≤ |h| |∇ϕ(x + th)|p dt dx
ω ω 0
(45)
Z 1 Z Z 1 Z
p p p
= |h| |∇ϕ(x + th)| dxdt = |h| |∇ϕ(y)|p dydt.
0 ω 0 ω+th
98

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Fixando |h| < d então, em verdade e conforme visto anteriormente,

x + th ∈ Ω, ∀ t ∈ [0, 1] e ∀ x ∈ ω̄.

Portanto:
ω̄ + th ⊂ Ω; ∀ t ∈ [0, 1].

Como ω̄ + th é um compacto contido em Ω temos que:

dist(ω̄ + th, Rn \Ω) > 0

e desta forma existe ω ′ ⊂⊂ Ω tal que:

(46) ω̄ + th ⊂ ω ′ , ∀ t ∈ [0, 1].

Logo, de (45) e (46) resulta que:

Z Z 1 Z Z
p p p p
|τh ϕ(x) − ϕ(x)| ≤ |h| |∇ϕ(y)| dydt ≤ |h| |∇ϕ(y)|p dydt
ω 0 ω+th ω′

i.é,

||τh ϕ − ϕ||pLp (ω) ≤ |h|p ||∇ϕ||pLp (ω′ ) .

Donde:

(47) ||τh ϕ − ϕ||Lp (ω) ≤ |h|p ||∇ϕ||Lp (ω′ ) , ∀ ϕ ∈ C0∞ (Rn ).

Por outro lado, como u ∈ W 1,p (Ω) existe (ϕν ) ⊂ C0∞ (Rn ) tal que:

(48) ϕν |ν → u em Lp (Ω)

(49) ∇ϕν |ω′ → ∇u|ω′ em [Lp (ω ′ )]n .


99

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Resulta de (47) em particular para cada ν ∈ N que:

(50) ||τh ϕν − ϕν ||Lp (ω) ≤ |h|p ||∇ϕν ||Lp (ω′ )

Afirmamos que:

(51) ||∇ϕν ||Lp (ω′ ) → ||∇u||Lp (ω′ ) .

Com efeito, temos:


Z
||∇ϕν − ∇u||pLp (ω′ ) = ||∇(ϕν − u)||pLp (ω′ ) = |∇(ϕν − u|p dx
ω′

Z n µ
·X ¶2 ¸ p2 Z X n µ ¶ 2p
∂ ∂ 2
= (ϕν − u) dx ≤ c(p) (ϕν − u) dx
ω′ i=1
∂xi ω ′ i=1 ∂xi

n Z ¯ ¯p n ° °p
X ¯ ∂ ¯ X ° ∂ϕν ∂u °
¯ ¯ ° °
= c(p) ¯ ∂xi (ϕν − u)¯ dx = c(p) ° ∂xi − ∂xi ° p ′
i=1 ω ′
i=1 L (ω )

= c(p) ||∇ϕν − ∇u||p[Lp (ω′ )]n

i.é,

(52) ||∇ϕν − ∇||pLp (ω′ ) ≤ c′ (p) ||∇ϕν − ∇u||p[Lp (ω′ ))]n .

Assim, de (49) e (52) fica provado (51). Provaremos a seguir que:

(53) τh ϕν → τh u em Lp (ω).

Com efeito, temos:

||τh ϕν − τh u||pLp (ω)


Z Z
p
= |ϕν (x + h) − u(x + h)| dx = |ϕν (y) − u(y)|p dy
ω ω+h
Z
≤ |ϕν (y) − u(y)|p dy.

100

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De (48) e da desigualdade acima fica provado (53). Conseqüentemente, de (50),

(51) e (53) resulta que:

(54) ||τh u − u||Lp (ω) ≤ |h| ||∇u||Lp (ω′ ) .

Agora, como

||∇u||Lp (ω′ ) ≤ ||∇u||Lp (Ω)

obtemos de (54):

(55) ||τh u − u||Lp (ω) ≤ |h| ||∇u||Lp (Ω) .

(b) p = +∞

Consideremos (pν )ν∈N com 1 ≤ p < +∞ tal que pν → +∞. Notemos que para
todo subconjunto B aberto e limitado de Ω temos:

∂u
u , ∈ Lp (B); 1 ≤ p < +∞; i = 1, 2, . . . , n.
∂xi

Resulta daı́ e de (54) que:

(56) ||τh u − u||Lpν (ω) ≤ |h| ||∇u||Lpν (ω′ ) .

Tomando-se o limite em (56) vem que:

||τh u − u||L∞ (ω) ≤ |h| ||∇u||L∞ (Ω) .

(iii) ⇒ (ii)

Seja ϕ ∈ C0∞ (Ω) e consideremos um aberto de Ω tal que

(57) supp(ϕ) ⊂ ω ⊂⊂ Ω.
101

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Seja h ∈ Rn com |h| < dist(ω, Rn \Ω). Em virtude de (57) podemos escrever:

Z Z
(τh u − u)ϕ dx = (τh u − u)ϕ dx.
Ω ω

Da igualdade acima, por Hölder e por hipótese vem que:

¯Z ¯
¯ ¯
(58) ¯ (τh u − u)ϕ dx¯ ≤ ||τh u − u||Lp (ω) ||ϕ||Lp′ (ω) ≤ C |h| ||ϕ||Lp′ (ω) .
¯ ¯

Por outro lado, temos:

Z Z
(τh u − u)ϕ dx = (u(x + h) − u(x))ϕ(x) dx
Ω Ω
Z Z
= u(x + h)ϕ(x) dx − u(x)ϕ(x) dx
Ω Ω
(59) Z Z
= u(x + h)ϕ(x) dx − u(x)ϕ(x) dx
ω Ω
Z Z
= u(y)ϕ(y − h) dy − u(y)ϕ(y) dy.
ω+h Ω

Contudo, notemos que se y ∈


/ ω+h então y−h ∈
/ ω e por conseguinte ϕ(y−h) = 0.

Logo:

Z Z
(60) u(y)ϕ(y − h) dy = u(y)ϕ(y − h) dy
ω+h Ω

e de (59) e (60) obtemos:

Z Z
(61) (τh u − u)ϕ dx = u(y)ϕ(y − h) dy.
Ω Ω

De (58) e (61) vem então que:

¯Z µ ¶ ¯
¯ ¯
¯ u(y) ϕ(y − h) − ϕ(y) dy ¯ ≤ C ||ϕ|| p′
¯ ¯ L (Ω) .
Ω |h|
102

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Tomando-se, em particular, h = tei resulta que:
¯Z µ ¶ ¯
¯ ¯
(62) ¯ u(y) ϕ(y − tei ) − ϕ(y) dy ¯ ≤ C ||ϕ|| p′
¯ ¯ L (Ω) .
Ω |t|

Mas:
µ ¶
ϕ(y − tei ) − ϕ(y) ∂ϕ(y)
(63) u(y) → u(y) quando t → 0 q.s. em Ω.
|t| ∂xi

Agora, fixados z, y ∈ Ω genéricos temos, em virtude do teorema do Valor Médio


a existência de ξ ∈ [z, y], tal que:

|ϕ(z) − ϕ(y)| = |ϕ′ (ξ)| |z − y| ≤ M |z − y|

onde M = max |ϕ′ (x)|. Resulta da desigualdade acima e em particular que:


x∈ω̄

|ϕ(y − tei ) − ϕ(y)|


≤M
|t|

o que implica que:

|ϕ(y − tei ) − ϕ(y)|


(64) |u(y)| ≤ M |u(y)|; q.s. em Ω.
|t|

Logo, de (62), (63) e (64) temos, em virtude do Teorema da Convergência Do-

minada que:
¯Z ¯
¯ ¯
¯ u(y) ∂ϕ(y) ¯ ≤ C ||ϕ|| p′
¯ ∂xi ¯ L (Ω)

o que encerra a prova. ¤

Proposição 2 (Derivação de um Produto). Seja Ω ⊂ Rn aberto e consideremos

u, v ∈ W 1,p (Ω) ∩ L∞ (Ω) com 1 ≤ p ≤ +∞. Então, uv ∈ W 1,p (Ω) ∩ L∞ (Ω) e

∂ ∂u ∂v
(uv) = v+u , ∀ i = 1, . . . , n.
∂xi ∂xi ∂xi
103

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Demonstração:

(i) 1 ≤ p < +∞

Sejam u, v ∈ W 1,p (Ω) ∩ L∞ (Ω). Então:

(65) uv ∈ Lp (Ω)

pois:

|(uv)(x)|p = |u(x)|p |v(x)|p ≤ C |v(x)|p , ∀ x ∈ Ω.

Pelo Teorema de Friedrichs existem (ϕν ), (ψν ) ∈ C0∞ (Rn ) tais que:

(66) ϕν → u e ψν → v em Lp (Ω)

(67) ∇ϕν → ∇u e ∇ψν → ∇v em [Lp (ω)]n , ∀ ω ⊂⊂ Ω.

Seja ϕ ∈ C0∞ (Ω) e ω ⊂⊂ Ω tal que supp(ϕ) ⊂ ω. Temos:

Z µ ¶ Z Z
∂ϕν ∂ψν ∂ ∂ϕ
ψν + ϕν ϕ dx = (ϕν ψν )ϕ = − (ϕν ψν ) dx.
Ω ∂xi ∂xi Ω ∂xi Ω ∂xi

Donde:

Z µ ¶ Z
∂ϕν ∂ψν ∂ϕ
(68) ψν + ϕν ϕ dx = − (ϕν ψν ) dx.
ω ∂xi ∂xi Ω ∂xi

Por outro lado, das convergências em (66) podemos escrever que:

ϕν ψν → uv em Lp (Ω)

e portanto:

Z Z
∂ϕ ∂ϕ
(69) − (ϕν ψν ) dx → − (uv) dx.
Ω ∂xi Ω ∂xi
104

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Por outro lado, das convergências em (67) resulta que:

∂ϕν ∂u ∂ψν ∂v
→ e → em Lp (ω).
∂xi ∂xi ∂xi ∂xi

Resulta das convergências acima e do fato que:

∂u ∂v
v, u ∈ Lp (Ω)
∂xi ∂xi
que:

∂ϕν ∂ψν ∂u ∂v
(70) ψν + ϕν → v+u em Lp (ω).
∂xi ∂xi ∂xi ∂xi

De (70) obtemos:
Z µ ¶ Z µ ¶
∂ϕν ∂ψν ∂u ∂v
ψν + ϕν ϕ dx → v+u ϕ dx
ω ∂xi ∂xi ω ∂xi ∂xi

e em virtude de (68) a convergência acima pode ser reescrita como:


Z Z µ ¶
∂ϕ ∂u ∂v
(71) − (ϕν ψν ) dx → v+u ϕ dx.
Ω ∂xi Ω ∂xi ∂xi

De (69) e (71) concluı́mos, face a unicidade do limite que:


Z Z µ ¶
∂ϕ ∂u ∂v
− (uv) dx = v+u ϕ dx, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω).
ω ∂xi Ω ∂xi ∂xi

Daı́ resulta que:

­ ∂ ® ∂u ∂v ®
(uv), ϕ = h v+u ,ϕ
∂xi ∂xi ∂xi

o que implica que:

∂ ∂u ∂v
(72) (uv) = v+u em D′ (Ω).
∂xi ∂xi ∂xi

∂u ∂v ∂
Como v+u ∈ Lp (Ω) então de (72) vem que (uv) ∈ Lp (Ω), ou seja,
∂xi ∂xi ∂xi
uv ∈ W 1,p (Ω). Isto encerra o item (i).
105

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(ii) p = +∞.

Sejam u, v ∈ W 1,+∞ (Ω) ∩ L∞ (Ω) = W 1,+∞ (Ω). Então:

∂u ∂v
u, v, , ∈ L∞ (Ω); ∀ i = 1, . . . , n
∂xi ∂xi

o que nos leva a

∂u ∂v
(73) v+u ∈ L∞ (Ω).
∂xi ∂xi

Afirmamos que:

∂ ∂u ∂v
(74) (uv) = v+u ·
∂xi ∂xi ∂xi

De fato, seja ϕ ∈ D(Ω) e consideremos ω ⊂⊂ Ω tal que supp(ϕ) ⊂ ω. Então:

∂u ∂v
u, v, , ∈ L∞ (ω); ∀ 1 ≤ p ≤ +∞, ∀ i = 1, . . . , n.
∂xi ∂xi

Pelo caso (i):

∂ ∂u ∂v
uv ∈ W 1,p (ω) e (uv) = v+u em Lp (ω).
∂xi ∂xi ∂xi

Daı́ vem que:


Z µ ¶ Z µ ¶
­ ∂u ∂v ® ∂u ∂v ∂u ∂v
v+u ,ϕ = v+u ϕ dx = v+u ϕ dx
∂xi ∂xi Ω ∂xi ∂xi ω ∂xi ∂xi
Z Z
∂ ∂ ­ ∂ ®
= (uv)ϕ dx = (uv)ϕ dx = (uv), ϕ
ω ∂xi Ω ∂xi ∂xi

o que prova o desejado em (74) e encerra a prova. ¤

106

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Proposição 3 (Derivação de uma Composição): Seja Ω ⊂ Rn aberto e consideremos

G ∈ C 1 (R) tal que G(0) = 0 e além disso |G′ (s)| ≤ M ; ∀ s ∈ R. Se u ∈ W 1,p (Ω) então:

∂ ∂u
G ◦ u ∈ W 1,p (Ω) e (G ◦ u) = (G′ ◦ u) ·
∂xi ∂xi

Demonstração: Temos:

Z s
G(s) = G′ (ξ) dξ, ∀ s ∈ R pois G(0) = 0.
0

Então:

|G(s)| ≤ M |s|, ∀s ∈ R

e daı́ vem que:


|G ◦ u| ≤ M |u|

o que implica que:

(75) G ◦ u ∈ Lp (Ω).

Também
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ′ ¯ ¯ ∂u ¯
¯(G ◦ u) ∂u ¯ ≤ M ¯ ¯
¯ ∂xi ¯ ¯ ∂xi ¯

e portanto:

∂u
(76) (G′ ◦ u) ∈ Lp (Ω).
∂xi

Afirmamos que:

Z Z
∂ϕ ∂u
(77) (G ◦ u) dx = − (G′ ◦ u) ϕ dx, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω).
Ω ∂xi Ω ∂xi

Temos dois casos a considerar:


107

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(i) 1≤p+∞

Pelo teorema de Friedrichs ∃ (uν ) tal que:

(78) uν → u em Lp (Ω)

(79) ∇uν → ∇u em [Lp (ω)]n , ∀ ω ⊂⊂ Ω.

Temos, para cada ν ∈ N:


Z Z Z
∂ϕ ∂ ∂uν
(80) (G ◦ uν ) dx = (G ◦ uν )ϕ dx = − (G′ ◦ uν ) ϕ dx.
Ω ∂xi Ω ∂xi Ω ∂xi

Sendo ω ⊂⊂ Ω tal que supp(ϕ) ⊂ ω de (80) obtemos:


Z Z
∂ϕ ∂uν
(81) (G ◦ uν ) dx = − (G′ ◦ uν ) ϕ dx.
Ω ∂xi ω ∂xi

Como G′ é limitada então G é Lipschitziana com constante M > 0 e daı́ vem

que:

(82) |G ◦ uν (x) − G ◦ u(x)| ≤ M |uν (x) − u(x)|.

Da desigualdade em (82) e da convergência em (78) obtemos:

(83) G ◦ uν → G ◦ u em Lp (Ω).

Por outro lado:


¯ ¯
¯ ′ ∂u ν ∂u ¯
¯(G ◦ uν )(x) ′
(x) − (G ◦ u)(x) (x)¯¯
¯ ∂xi ∂xi
¯ ¯
¯ ′ ∂uν ∂u ¯
¯
≤ ¯(G ◦ uν )(x) ′
(xx) − (G ◦ uν )(x) (x)¯¯
∂xi ∂xi
¯ ¯
¯ ′ ∂u ∂u ¯
¯
+ ¯(G ◦ uν )(x) ′
(x) − (G ◦ u)(x) (x)¯¯
∂xi ∂xi
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ∂uν ∂u ¯ ¯ ∂u ¯
≤ |(G ◦ uν )(x)| ¯¯

(x) − (x)¯¯ + |(G ◦ uν )(x) − (G ◦ u)(x)| ¯¯
′ ′
(x)¯¯
∂xi ∂xi ∂xi
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ∂uν ∂u ¯ ¯ ∂u ¯
≤M¯ ¯ (x) − ¯ ′ ′
(x)¯ + |(G ◦ uν )(x) − (G ◦ u)(x)| ¯ ¯ (x)¯¯ .
∂xi ∂xi ∂xi
108

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Donde:

Z ¯ ¯p
¯ ′ ¯
(84) ¯(G ◦ uν )(x) ∂uν (x) − (G′ ◦ u)(x) ∂u (x)¯ dx
¯ ∂xi ∂xi ¯
ω

½Z ¯ ¯p Z ¯ ¯p ¾
¯ ∂uν ∂u ¯ ¯ ∂u ¯
≤ C(p) ¯ (x) − ¯
(x)¯ dx + |(G′ ◦ uν )(x) − (G′ ◦ u)(x)|p ¯ (x)¯ dx .
¯ ¯ ∂xi ¯
ω ∂xi ∂xi Ω

Contudo, de (79) temos que:

Z ¯ ¯p
¯ ∂uν ∂u ¯
(85) ¯ (x) − (x) ¯ dx → 0.
¯ ¯
ω ∂xi ∂xi

Como de (78) obtemos

¯ ¯p
¯ ∂u ¯
′ ′¯
|(G ◦ uν )(x) − (G ◦ u)(x)| ¯ (x)¯¯ → 0 q.s. em Ω
p
∂xi

e além disso,

¯ ¯p ¯ ¯p
¯ ∂u ¯ ¯ ∂u ¯
′ ′¯
|(G ◦ uν )(x) − (G ◦ u)(x)| ¯ (x)¯¯ ≤ 2p M p
p ¯ (x)¯ q.s. em Ω
∂xi ¯ ∂xi ¯

resulta, em virtude do Teorema da Convergência Dominada que:

Z ¯ ¯p
¯ ∂u ¯
(86) |(G ◦ uν )(x) − (G ◦ u)(x)| ¯¯
′ ′
(x)¯¯ dx → 0.
p
Ω ∂xi

Assim, de (84), (85) e (86) concluı́mos que:

∂uν ∂u
(87) G′ ◦ u ν → (G′ ◦ u) em Lp (w).
∂xi ∂xi

Conseqüentemente de (81), (83) e (87) resulta que

Z Z
∂ϕ ∂u
(88) (G ◦ u) dx = − (G′ ◦ u) ϕ dx
Ω ∂xi ω ∂xi
109

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ou seja,
­ ∂ ® ­ ∂u ®
(G ◦ u), ϕ = (G′ ◦ u) ,ϕ , ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω)
∂xi ∂xi

i.é,

∂ ∂u
(89) (G ◦ u) = (G′ ◦ u) ∈ Lp (Ω)
∂xi ∂xi

o que prova juntamente com (75) que:

(90) G ◦ u ∈ W 1,p (Ω).

(ii) p = +∞

Seja ϕ ∈ D(Ω) e considere ω ⊂⊂ Ω tal que supp(ϕ) ⊂ ω. Então como ω̄ é

compacto e u ∈ W 1,∞ (Ω) temos que u ∈ W 1,p (ω) para todo 1 ≤ p ≤ +∞ e portanto a

relação dada em (89) é válida, i.é,

∂ ∂u
(G ◦ u) = (G′ ◦ u) ∈ Lp (ω), para todo 1 ≤ p ≤ +∞.
∂xi ∂xi

Logo:

Z Z
∂ ∂u
(G ◦ u)ϕ dx = (G′ ◦ u) ϕ dx, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω)
ω ∂xi ω ∂xi

ou melhor:
Z Z
∂ ∂u
(G ◦ u)ϕ dx = (G′ ◦ u) ϕ dx, ∀ ϕ ∈ C0∞ (Ω).
Ω ∂xi Ω ∂xi

Desta última expressão concluı́mos que:

∂ ∂u
(G ◦ u) = (G′ ◦ u) em D′ (Ω).
∂xi ∂xi
110

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Agora como:

|G ◦ u| ≤ M |u|

e
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ′ ∂u ¯ ¯ ∂u ¯
¯(G ◦ u) ¯≤M¯ ¯
¯ ∂xi ¯ ¯ ∂xi ¯

∂u
então (G ◦ u) e (G′ ◦ u) ∈ L∞ (Ω) e portanto G ◦ u ∈ W 1,∞ (Ω) o que encerra a
∂xi
prova. ¤

Proposição 4 (Fórmula de Mudança de Variáveis). Sejam Ω e Ω′ dois abertos de Rn


e consideremos H: Ω′ → Ω uma aplicação bijetiva, x = H(y), tal que:

H ∈ [C 1 (Ω′ )]n , H −1 ∈ [C 1 (Ω)]n , Jac H ∈ [L∞ (Ω′ )]n×n , Jac H −1 ∈ [L∞ (Ω)]n×n .

Se u ∈ W 1,p (Ω), então u ◦ H ∈ W 1,p (Ω′ ) e além disso:

X ∂u n
∂ ∂Hi
(u ◦ H)(y) = (H(y)) (y), j = 1, 2, . . . , n.
∂yj j=1
∂xi ∂y j

Demonstração:

(i) 1 ≤ p < +∞
Pelo teorema de Friedrichs ∃ (uν ) ⊂ C0∞ (Rn ) tal que:

(91) uν → u em Lp (Ω)

(92) ∇uν → ∇u em [Lp (ω)]n , ∀ ω ⊂⊂ Ω.

Seja ψ ∈ D(Ω′ ) e consideremos ω ′ ⊂⊂ Ω tal que supp(ψ) ⊂ ω ′ . Notemos que,

para cada ν ∈ N, uν ◦ H ∈ C 1 (Ω′ ). Pelo teorema de Gauss, vem que:


Z Z
∂ψ ∂
(uν ◦ H) (y) dy = − (uν ◦ H)ψ(y) dy
ω′ ∂yj ω′ ∂yj
(93) n Z
X ∂uν ∂Hi
=− (H(y)) (y)ψ(y) dy, ∀ j = 1, 2, . . . , n.
i=1 ω′ ∂xi ∂yj
111

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Afirmamos que:

(94) uν ◦ H → u ◦ H em Lp (Ω′ ).

Primeiramente mostraremos que:

(95) (uν ◦ H) é de Cauchy em Lp (Ω′ ).

Com efeito, temos:

Z
|(uν ◦ H)(y) − (uµ ◦ H)(y)|p dy
Ω′
Z
= |(uν ◦ H)(y) − (uµ ◦ H)(y)|p dy
H −1 (Ω)
(96) Z
= |uν (x) − uµ (x)|p |Jac H −1 (x)| dx

Z
−1
≤ |Jac H ||[L∞ (Ω)]n×n |uν (x) − uµ (x)|p dx.

De (91) vem que a última desigualdade em (96) converge para zero quando
ν, µ → +∞ o que prova a afirmação em (95). Resulta daı́ a existência de χ ∈ Lp (Ω′ )

tal que:

(97) uν ◦ H → χ em Lp (Ω′ ).

Temos ainda a existência de uma subseqüência de (uν ) que ainda denotaremos


pelo mesmo nome tal que:

(98) uν (x) → u(x) q.s. em Ω.

Ponhamos:

D = {x ∈ Ω; (uν (x)) não converge para u(x)}.


112

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Logo, med(D) = 0. Como H −1 ∈ [C 1 (Ω)]n então D′ = H −1 (D) tem medida

nula. Daı́ e de (98) resulta que:

(99) uν (H(y)) → u(H(y)) em Ω′ \D′

ou seja,

(100) uν (H(y)) → u(H(y)) para q.t. y ∈ Ω′ .

Por outro lado, de (97) podemos extrair uma subseqüência de (uν ) tal que:

(101) uν (H(y)) → χ(y) q.s. em Ω′

e daı́ vem que existe E ′ ⊂ Ω′ com med(E) = 0 e tal que:

(102) uν (H(y)) → χ(y) em Ω′ \E ′ .

Se y ∈ (Ω′ \D′ ) ∩ (Ω′ \E ′ ) = Ω′ \(D′ ∩ E ′ ) temos de (94) e (97) que:

uν (H(y)) → u(H(y)) e uν (H(y)) → χ(y)

e portanto:

u(H(y)) = χ(y), ∀ y ∈ Ω′ \(D′ ∩ E ′ ).

Como (D′ ∩ E ′ ) tem medida nula segue que u ◦ H = χ q.s. em Ω′ e de (97)

resulta o desejado em (94). Provaremos a seguir que:

µ ¶ µ ¶
∂uν ∂H ∂u ∂Hi
(103) ◦H → ◦H em Lp (ω ′ ).
∂xi ∂yj ∂xi ∂yj
113

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Seja ω = H(ω ′ ). Logo, ω ⊂⊂ Ω. Temos:

Z ¯ ¯p
¯ ∂uν ∂Hi ∂uµ ∂Hi ¯¯
¯ (H(y)) (y) − (H(y)) (y)¯ dy
¯
ω ′ ∂xi ∂yj ∂xi ∂yj
° ° Z ¯ ¯p
° ∂Hi °p ¯ ∂uν ∂u µ ¯
≤° °
° ∂yj ° ∞ ′
¯
¯ (H(y)) − (H(y))¯¯ dy
L (Ω ) H −1 (ω) ∂xi ∂xi
(104) ° ° Z ¯ ¯p
° ∂Hi °p ¯ ∂uν ∂u µ ¯
=° °
° ∂yj ° ∞ ′
¯
¯ ∂xi (x) − (x)¯ |Jac H −1 (x)| dx
¯
L (Ω ) ω ∂xi
° ° Z ¯ ¯p
° ∂Hi °p ¯ ∂uν ∂uµ ¯
°
≤° ° ||Jac H −1
|| ¯ (x) − (x)¯ dx.
∂yj °L∞ (Ω′ ) ¯ ¯
[L∞ (Ω)]n×n
ω ∂xi ∂xi

Agora de (92) resulta que a última expressão em (104) converge para zero, o que
implica que:
µ ¶
¡ ∂uν ¢ ∂Hi
(105) ◦H é de Cauchy em Lp (ω ′ ).
∂xi ∂yj ν∈N

Procedendo de maneira análoga ao que fizemos anteriormente vem que:


µ ¶ µ ¶
∂uν ∂Hi ∂u ∂Hi
(106) ◦H → ◦H em Lp (ω ′ ).
∂xi ∂yj ∂xi ∂yj

De (93), (94) e (106) obtemos:

Z Xn Z
∂ψ ∂u ∂Hi
(u ◦ H) (y) dy = − (H(y)) (y) ψ(y) dy
ω′ ∂yj i=1 ω ′ ∂xi ∂y j

ou seja,
Z Xn Z
∂ψ ∂u ∂Hi
(u ◦ H) (y) dy = − (H(y)) (y) ψ(y) dy
Ω′ ∂yj i=1 Ω
′ ∂xi ∂yj

para todo ψ ∈ C0∞ (Ω′ ) e para todo j = 1, 2, . . . , n. Logo:

X n µ ¶
∂ ∂u ∂Hi
(u ◦ H) = ◦H ∈ Lp (Ω′ )
∂yj i=1
∂xi ∂yj
114

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o que nos leva a:

u ◦ H ∈ W 1,p (Ω′ ).

(ii) p = +∞

Seja ψ ∈ D(Ω′ ) e ω ′ ⊂⊂ Ω′ tal que supp(ψ) ⊂ ω ′ e consideremos ω = H(ω ′ ).

Então ω ⊂⊂ Ω. Sendo ω relativamente compacto segue que se u ∈ W 1,∞ (Ω) então


u ∈ W 1,p (ω), ∀ p ≥ 1. Pelo item (i) resulta que:

X ∂u n
1,p ∂ ∂hi
u◦H ∈W (ω) e (u ◦ H)(y) = (H(y)) (y) em Lp (ω ′ )
∂yj i=1
∂xi ∂yj

ou ainda,
Z Xn Z
∂ψ ∂u ∂Hi
u(H(y)) (y) dy = − (H(y)) (y) ψ(y) dy
ω′ ∂yj i=1 ω
′ ∂xi ∂yj

o que implica que:


Z Xn Z
∂ψ ∂u ∂Hi
(107) u(H(y)) (y) dy = − (H(y)) (y) ψ(y) dy.
Ω′ ∂yj i=1 Ω
′ ∂xi ∂yj

Agora como:

u ◦ H ∈ L∞ (Ω′ )

e
n µ
X ¶
∂u ∂Hi
◦H ∈ L∞ (Ω′ ),
i=1
∂xi ∂yj

de (107) resulta que:

X n µ ¶
∂ ∂u ∂Hi
(u ◦ H) = ◦H ∈ L∞ (Ω′ )
∂yj i=1
∂xi ∂yj

o que implica que:


u ◦ H ∈ W 1,∞ (Ω).

e encerra a prova. ¤
115

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CAPÍTULO 2

IMERSÕES DE ESPAÇOS DE SOBOLEV

Os resultados de imersão dos espaços de Sobolev são de extrema importância no

estudo das equações diferenciais parciais. Estes resultados, cujas demonstrações serão o
objetivo deste capı́tulo, nos dizem que quando m é suficientemente grande as funções de

W m,p (Rn ) podem ser identificadas com funções que têm derivadas genuı́nas, e quando m

é pequeno, o espaço W m,p (Rn ) pode ser imerso continuamente em certo espaço Lq (Rn ).
O primeiro resultado nos diz que as soluções das equações diferenciais que são regulares
nos espaços de Sobolev, ou seja, que estão em W m,p (Rn ) com m suficientemente grande,

vão ter derivadas genuı́nas, isto é, vão ser soluções clássicas da equação diferencial
parcial considerada. O segundo resultado nos permite obter estimativas a priori das
soluções aproximadas das equações diferenciais parciais, a partir das quais obteremos
um limite u das soluções aproximadas. Este limite u será o candidato natural para ser
uma solução da equação diferencial parcial considerada.

2.1 Desigualdades Notáveis

Se n ≥ 2, ν = 1, 2, . . . , n representa-se por pν a projeção de Rn em Rn−1 dada

por pν (x) = (x1 , x2 , . . . , xν−1 , xν+1 . . . . , xn ) para todo x = (x1 , x2 , . . . , xn ) ∈ Rn .

Representando-se os pontos do Rn+1 por (x, t) onde x ∈ Rn e t ∈ R temos que


116

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as projeções do Rn+1 em Rn são dadas por:

σν (x, t) = (pν (x), t); ν = 1, 2, . . . , n.

σn+1 (x, t) = x.

Lema 1: Se n ≥ 2 e u1 , u2 , . . . , un ∈ Ln−1 (Rn−1 ), então:


Q
n
(a) u= (uν ◦ pν ) ∈ L1 (Rn )
ν=1

Q
n
(b) ||u||L1 (Rn ) ≤ ||uν ||Ln−1 (Rn−1 ) .
ν=1

Demonstração: A demonstração será feita usando indução em n.

Observemos inicialmente que para cada ν = 1, . . . , n a composição (uν ◦ pν ) tem


sentido, uma vez que:
pν u
Rn −→ Rn−1 −→
ν
K.

Em particular, quando n = 2, temos:

(uν ◦ pν )(x1 , x2 ) = uν (pν (x1 , x2 )), ν = 1, 2

donde resulta que:


2
Y 2
Y
u(x1 , x2 ) = (uν ◦ pν )(x1 , x2 ) = uν (pν (x1 , x2 ))
ν=1 ν=1

= u1 (p1 (x1 , x2 )) u2 (p2 (x1 , x2 )) = u1 (x2 ) u2 (x1 ), ∀ (x1 , x2 ) ∈ R2 .

Como u1 , u2 ∈ L1 (R2 ) então, face ao Teorema de Tonelli u ∈ L1 (R2 ) e pelo

Teorema de Fubini vem que:

Z Z Z µZ ¶µ Z ¶
u(x1 , x2 ) dx = u1 (x2 )u2 (x1 ) dx1 dx2 = u1 (x2 ) dx2 u2 (x1 ) dx1
R2 R R R R

ou seja:

||u||L1 (R2 ) = ||u1 ||L1 (R) ||u2 ||L1 (R)


117

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o que prova as asserções (a) e (b) para o caso n = 2. Suponha então que (a) e (b) sejam

verdadeiras para n ≥ 2 e provemos para (n + 1).


Com efeito, sejam w1 , w2 , . . . , wn , wn+1 ∈ Ln (Rn ). Provaremos que:

n+1
Y n+1
Y
1 n
w= wν ◦ σν ∈ L (R ) e ||w||L1 (Rn+1 ) ≤ ||wν ||Ln (Rn ) .
ν=1 ν=1

De fato, temos ∀ (x, t) ∈ Rn+1 ; x ∈ Rn e t ∈ R:

·Y
n ¸ ·Y
n ¸
w(x, t) = (wν (σν (x, t)) wn+1 (σn+1 (x, t)) = (wν (pν (x, t)) wn+1 (x).
ν=1 ν=1

Agora, para cada t ∈ R e ν = 1, . . . , n, fixados, consideremos a aplicação:

uν,t : Rn−1 → K
n
y 7→ |wν (y, t)| n−1 .

Ora, pelo fato de wν pertencer a Ln (Rn ) segue-se imediatamente do teorema de

Fubini que a integral iterada


Z
|wν (y, t)|n dy < +∞
Rn−1

e portanto:

uν,t ∈ Ln−1 (Rn ).

Pondo-se ∀ x ∈ Rn :

n
Y n
Y n
ut (x) = uν,t (pν (x)) = |wν (pν (x), t)| n−1
ν=1 ν=1

então, de acordo com a hipótese indutiva ut ∈ L1 (Rn ) e além disso

n
Y
(1) ||ut ||L1 (Rn ) ≤ ||uν,t ||Ln−1 (Rn−1 ) .
ν=1
118

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Observando-se que:
µ ¶
n−1 n−1 n
w(x, t) = ut (x) n wn+1 (x), ut (x) n ∈ L n−1 (Rn );

n−1 1
wn+1 ∈ Ln (Rn ) e + = 1;
n n

então de acordo com Hölder, temos que, para t ∈ R fixado w(x, t) ∈ L1 (Rn ) e além

disso, de acordo com (1)


Z Z
n−1
|w(y, t)| dx = ut (x) n |wn+1 | dy
Rn Rn

µZ ¶ n−1 µZ ¶ n1
¡ n−1 ¢ n n
n
≤ ut (x) n n−1 dx |wn+1 (x)| dx
Rn Rn

µZ ¶ n−1
n
(2) ≤ |ut (x)| dx ||wn+1 ||Ln (Rn )
Rn

n−1
= kut kL1n(Rn ) ||wn+1 ||Ln (Rn )
µY
n ¶
n−1
= kuν,t k n
Ln−1 (Rn−1 ) ||wn+1 ||Ln (Rn ) .
ν=1

Obtém-se também:
Z Z
¡ n ¢n−1
||uν,t ||n−1
Ln−1 (Rn−1 ) = |wν (y, t)| n−1 dy = |wν (y, t)|n dy.
Rn−1 Rn−1

Pondo-se:
n−1
θν (t) = kuν,t kLn−1
n
(Rn )

então:
Z
¡ ¢n
θν (t) = ||uν,t ||n−1
Ln−1 (Rn−1 ) = |wν (y, t)|n dy.
Rn−1

Segue-se do teorema de Fubini que


Z Z Z
¡ ¢n
θν (t) dt = |wν (y, t)|n dy dt < +∞
R R Rn−1
119

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uma vez que wν ∈ Ln (Rn ), ou seja,

(3) θν ∈ Ln (R) e ||θν ||Ln (R) = ||wν ||Ln (Rn ) .

1 1 1
Como θν ∈ Ln (R), ν = 1, 2, . . . , n e pelo fato de + + · · · + = 1 (n parcelas)
n n n
µ ¶
Q
n
vem por Hölder que θν ∈ L1 (R) e além disso:
ν=1

Z Y
n µY
n ¶
(4) θν (t) dt ≤ ||θν ||Ln (R) .
R ν=1 ν=1

Logo, de (2) e (4) obtemos:

Z Z µY
n ¶
|w(x, t)| dxdt ≤ ||θν ||Ln (R) ||wn+1 ||Ln (Rn )
R Rn ν=1

que por (3) é igual a:


n
Y
||wν ||Ln (Rn ) .
ν=1

Desta forma, por Tonelli, w ∈ L1 (Rn+1 ) e por Fubini:

Z n
Y
|w(x, t)| dxdt ≤ ||wν ||Ln (Rn ) . ¤
Rn+1 ν=1

(n − 1)p n(p − 1)
Lema 2: Dado 1 ≤ p < n, considere c0 = e s = · Então
n−p n−p
∀ ϕ ∈ C0∞ (Rn ), existem u1 , u2 , . . . , un pertencentes a Ln−1 (Rn−1 ), que dependem de

ϕ, tais que:

Z
n−1
(a) kuν kLn−1 (Rn−1 ) ≤ c0 |ϕ(x)|s |Dν ϕ(x)| dx; ν = 1, 2, . . . , n.
Rn
120

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p
(b) |ϕ(x)| n−p ≤ |uν (pν (x))|; para x ∈ Rn .

Demonstração: Provaremos que as funções:


p
u1 (x2 , x3 , . . . , xn ) = sup |ϕ(x1 , x2 , . . . , xn )| n−p
x1 ∈R

p
u2 (x1 , x3 , . . . , xn ) = sup |ϕ(x1 , x2 , . . . , xn )| n−p
x2 ∈R

..
.
p
un (x1 , x2 , . . . , xn−1 ) = sup |ϕ(x1 , x2 , . . . , xn )| n−p
xn ∈R

são as desejadas.
Sem perda da generalidade, conforme veremos no decorrer da demonstração,

basta considerarmos ν = 1, i.é, basta provarmos para u1 já que para as outras o
raciocı́nio é análogo. De fato; pondo-se x1 = t e (x2 , x3 , . . . , xn ) = y então:
p
u1 (y) = sup |ϕ(t, y)| n−p .
t∈R

Como ϕ ∈ C0∞ (Ω) existe R > 0 tal que supp(ϕ) ⊂ BR (0). Desta forma, ∃ M > 0
tal que |ϕ(t, y)| ≤ M ; ∀ (t, y) ∈ BR (0) e |ϕ(t, y)| = 0; ∀ (t, y) ∈
/ BR (0). Segue-se daı́

que ∃ M1 > 0 tal que:


p
|ϕ(t, y)| n−p ≤ M1 ; ∀ (t, y) ∈ Rn

e portanto, para cada y ∈ Rn−1 :


p
u1 (y) = sup |ϕ(t, y)| n−p < +∞.
t∈R

Além disso,
Z Z µ ¶n−1
p
n−1
u1 (y) dy = sup |ϕ(t, y)| n−p
dy
Rn−1 Rn−1 t∈R

Z µ ¶n−1
p
= sup |ϕ(t, y)| n−p
dy < +∞.
n−1
BR (0) t∈R

121

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Assim, u1 ∈ Ln−1 (Rn−1 ). Mais ainda, se x ∈ Rn então x = (y, t) para algum

y ∈ Rn−1 e t ∈ Rn . Logo:
p p
|ϕ(x)| n−p ≤ sup |ϕ(ξ, y)| n−p = u1 (y) = u1 (p1 (x))
ξ∈R

o que prova o item (b).

Provaremos, agora, que u1 também satisfaz a condição (a). Com efeito, primeira-

mente observamos que:


c0 = s + 1.


Agora, pondo-se D1 = então ∀ x ∈ Rn tal que ϕ(x) 6= 0, tem-se:
∂x1
¡ ¢ c0 c0 ¡ ¢ c02−2
D1 |ϕ|c0 = D1 ϕϕ̄ 2 = ϕϕ̄ (D1 ϕϕ̄ + ϕD1 ϕ̄)
2
c0 c0
= |ϕ|c0 −2 (D1 ϕϕ̄ + ϕD1 ϕ̄) = |ϕ|c0 −2 Re(D1 ϕϕ̄ + ϕD1 ϕ̄)
2 2
c0 ¡ ¢ c0
= |ϕ|c0 −2 Re(D1 ϕϕ̄) + Re(ϕD1 ϕ̄) = |ϕ|c0 −2 2 Re(ϕD1 ϕ̄)
2 2

≤ c0 |ϕ|c0 −2 |ϕ| |D1 ϕ̄| = c0 |ϕ|c0 −1 |D1 ϕ| = c0 |ϕ|s |D1 ϕ|.

Contudo, pelo fato de ϕ ser uma função teste o conjunto:

C = {x ∈ supp(ϕ); ϕ(x) = 0}

tem medida nula. Desta forma, a função |ϕ| é derivável excetuando-se possivelmente os
pontos de C, ou seja quase sempre. Assim, fora desses pontos, i.é, em (Rn \C), vale a

desigualdade:

D1 |ϕ|c0 ≤ c0 |ϕ|s |D1 ϕ|

e portanto:
Z t Z t
c0 c0
|ϕ(t, y)| = lim D1 (ϕ(ξ, y)| dξ = D1 |ϕ(ξ, y)|c0 dξ
b→−∞ b −∞
Z
≤ c0 |ϕ(ξ, y)|s |D1 ϕ(ξ, y)| dξ
R
122

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ou seja,
µ ¶n−1 Z
p
|ϕ(t, y| n−p
≤ c0 |ϕ(ξ, y)|s |D1 ϕ(ξ, y)| dξ.
R

Donde:
µ Z ¶ n−1
1
p
s
|ϕ(t, y| n−p
≤ c0 |ϕ(ξ, y)| |D1 ϕ(ξ, y)| dξ
R

o que implica:
Z
n−1
|u1 (y)| ≤ c0 |ϕ(ξ, y)|s |D1 ϕ(ξ, y)| dξ.
R

Portanto:
Z Z Z
n−1
|u1 (y)| dy ≤ c0 |ϕ(ξ, y)|s |D1 ϕ(ξ, y)| dξ
Rn−1 Rn−1 R

o que prova o item (a) e encerra a demonstração. ¤

Proposição 3 (Desigualdade de Sobolev). Seja p um número real tal que 1 ≤ p < n.


Então, para toda ϕ ∈ C0∞ (Rn ) tem-se:

n
1 (n − 1)p X
||ϕ||Lq (Rn ) ≤ ||Dν ϕ||Lp (Rn )
n n − p i=1

onde q é dado por:


1 1 1
= − ·
q p n

Demonstração: Suponhamos inicialmente que p = 1 e seja ϕ ∈ C0∞ (Rn ). Neste caso:

1 1 n−1
=1− = ·
q n n

Logo:

µZ ¶ nq µZ ¶n−1
n
(5) ||ϕ||nLq (Rn ) = q
|ϕ(x)| dx = |ϕ(x)| n−1
dx .
R Rn
123

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Pelo Lema 2(ii) e sendo s = 0 e c0 = 1, existem u1 , u2 , . . . , un ∈ Ln−1 (Rn−1 ) tais

que:

Z
n−1
(6) kuν kLn−1 (Rn−1 ) ≤ |Dν ϕ(x)| dx; ν = 1, 2, . . . , n.
Rn

1
(7) |ϕ(x)| n−1 ≤ |uν (pν (x))|; para x ∈ Rn , ν = 1, 2, . . . , n.

Segue-se de (7) que:

n
Y
n
|ϕ(x)| n−1 ≤ |uν (pν (x))|; para x ∈ Rn
ν=1

Q
n
e pelo Lema 1 tem-se uν ◦ pν ∈ L1 (Rn ) e além disso,
ν=1

Z Z n
Y n
Y
n
|ϕ(x)| n−1
dx ≤ |uν (pν (x))| dx ≤ ||uν ||Ln−1 (Rn−1 ) .
Rn Rn ν=1 ν=1

Logo:

µZ ¶n−1 µZ n
Y ¶n−1 n
Y
n
|ϕ(x)| n−1
dx ≤ |uν (pν (x))| dx ≤ ||uν ||n−1
Ln−1 (Rn−1 )
Rn Rn ν=1 ν=1

e de acordo com (5) e (6) vem que:

n
Y n Z
Y
||ϕ||nLq (Rn ) ≤ ||uν ||n−1
Ln−1 (Rn−1 ) ≤ |Dν ϕ(x)| dx.
ν=1 ν=1 Rn

Donde:

µY
n ¶ n1
(8) ||ϕ||Lq (Rn ) ≤ ||Dν ϕ||L1 (Rn ) .
ν=1
124

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Usando o fato que

µY
n ¶ n1 n
1X
ai ≤ ai , ai > 0
ν=1
n i=1

resulta então de (8) que:

n
1X
||ϕ||Lq (Rn ) ≤ ||Dν ϕ||L1 (Rn )
n i=1

que é a desigualdade que desejávamos obter para p = 1.


Passemos, agora, ao caso geral. Consideremos, então 1 < p < n. Temos:

1 n−p np
= ⇔ q=
q np n−p

µZ ¶n−1 µZ ¶n−1
np
(n−1)q q
(9) ||ϕ||Lq (Rn ) = |ϕ| dx = |ϕ| n−p
.
Rn Rn

De acordo com o Lema 2, existem u1 , u2 , . . . , un ∈ Ln−1 (Rn−1 ) tais que:

Z
n−1
(10) kuν kLn−1 (Rn−1 ) ≤ c0 |ϕ(x)|s |Dν ϕ(x)| dx; ν = 1, 2, . . . , n.
Rn

p
(11) |ϕ(x)| n−p ≤ |uν (pν (x))|; para x ∈ Rn , ν = 1, 2, . . . , n.

Segue-se de (11) que:

n
Y
np
|ϕ(x)| m−p
≤ |uν (pν (x))|
ν=1

e de acordo com o Lema 1, obtemos:

Z Z n
Y n
Y
np
|ϕ(x)| n−p
dx ≤ |uν (pν (x))| dx ≤ ||uν ||Ln−1 (Rn−1 ) .
Rn Rn ν=1 ν=1
125

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Logo, da desigualdade acima podemos escrever:

µZ ¶n−1 n
Y
np
|ϕ(x)| n−p
dx ≤ ||uν ||n−1
Ln−1 (Rn−1 )
Rn ν=1

e de (9) e (10) temos que:

µZ ¶n−1 n Z
Y
np
(n−1)q
(12) kϕkLq (Rn ) = |ϕ(x)| n−p
dx ≤ cn0 |ϕ(x)|s |Dν ϕ(x)| dx.
Rn ν=1 Rn

1 1
Por outro lado, se p′ é tal que + ′ = 1 então por Hölder obtemos:
p p

Z µZ ¶ 1′ µ Z ¶ p1
p
s sp′ p
|ϕ(x) |Dν ϕ(x)| dx ≤ |ϕ(x)| dx |Dν ϕ(x)| dx .
Rn Rn Rn

n(p − 1) 1
Mas, sendo p 6= 1 e lembrando que s = e p′ = temos:
n−p p−1

n(p − 1) 1 np
sp′ = = = q.
n−p p−1 n−p

Logo:

Z µZ ¶ 1′ µ Z ¶ p1
p
s q p
|ϕ(x)| |Dν ϕ(x)| dx ≤ |ϕ(x)| dx |Dν ϕ(x)| dx
Rn Rn Rn
(13)
q

= kϕkLp q (Rn ) ||Dν ϕ||Lp (Rn ) .

Temos então de (12) e (13):

qn n
Y
(n−1)q
kϕkLq (Rn ) ≤ cn0 kϕk p′
Lq (Rn ) ||Dν ϕ||Lp (Rn )
ν=1
126

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ou seja,

n
Y
(n−1)q− nq
(14) kϕkLq (Rn ) p′
≤ cn0 ||Dν ϕ||Lp (Rn ) .
ν=1

Contudo:

nq nq ¡ 1¢ nq
(n − 1)q − ′
= nq − q − ′
= nq 1 − ′
−q = −q
p p p p
n ¡ np ¢ np n
= − = (n − p) = n
p n−p n−p n−p

e de (14) vem que:

µY
n ¶ n1 n
1 X
||ϕ||Lq (Rn ) ≤ c0 ||Dν ϕ||Lp (Rn ) ≤ c0 ||Dν ϕ||Lp (Rn ) ¤
ν=1
n ν=1

Nota: Convém notar que na demonstração da desigualdade de Sobolev não precisávamos


supor ϕ ∈ C0∞ (Rn ) uma vez que ϕ ∈ C01 (Rn ) era suficiente para prová-la, já que

tı́nhamos envolvidas na prova as derivadas parciais primeiras de ϕ.

Proposição 4: Para toda ϕ ∈ C01 (Rn ) e ρ ≥ 1 tem-se:

n
ρ−1 1X
kϕk ρn ≤ kϕk (ρ−1)n + ||Dν ϕ||Ln (Rn ) .
L n−1 (Rn ) ρ L n−1 (Rn ) n ν=1

Demonstração: De acordo com a nota acima e com a desigualdade em (8) temos para

toda u ∈ C01 (Rn ) que:

µY
n ¶ n1
(15) kϕk n
L n−1 (Rn )
≤ ||Dν ϕ||L1 (Rn ) .
ν=1
127

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Consideremos, então, ϕ ∈ C01 (Rn ), ρ ≥ 1 e ψ: R → R definida por:

ψ(s) = |s|ρ−1 s.

Afirmamos que (ψ ◦ ϕ) ∈ C01 (Rn ). Com efeito, temos ∀ x ∈ Rn :

ψ(ϕ(x)) = |ϕ(x)|ρ−1 ϕ(x).

Contudo, como:

 ρ
s ; se s≥0
ψ(s) =
 (−1)ρ−1 sρ ; se s<0

então:
 ρ−1
ρs ; se s≥0
ψ ′ (s) =

(−1)ρ−1 ρ sρ−1 = ρ(−s)ρ−1 ; se s<0

ou seja:

ψ ′ (s) = ρ |s|ρ−1 .

Logo:

(16) Dν (ψ ◦ ϕ) = ψ ′ (ϕ(x)) (Dν ϕ)(x) = ρ |ϕ(x)|ρ−1 (Dν ϕ)(x).

Como a função à direita da última igualdade acima é contı́nua, para todo


ν = 1, . . . , n segue-se que ψ◦ϕ ∈ C 1 (Rn ). Além disso, pelo fato do supp(ψ◦ϕ) ⊂ supp(ϕ)

temos então que supp(ψ ◦ ϕ) é compacto, o que prova a afirmação.

Portanto, ψ ◦ ϕ satisfaz a desigualdade em (15), ou seja:

µY
n ¶ n1 n
Y 1
kψ ◦ ϕk n
L n−1 (Rn )
≤ ||Dν (ψ ◦ ϕ)||L1 (Rn ) = ||Dν (ψ ◦ ϕ)||Ln1 (Rn )
ν=1 ν=1
128

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e de (16) podemos escrever:

n
Y ° ρ−1 °1
(17) kψ ◦ ϕk n =ρ °|ϕ| (Dν ϕ)°Ln1 (Rn ) .
L n−1 (Rn )
ν=1

Notemos que Dν ϕ ∈ Lp (Rn ) para todo p ≥ 1, assim como |ϕ|ρ−1 ∈ Lp′ (Rn ) onde
1 1
+ ′ = 1. Logo, de acordo com a desigualdade de Hölder:
p p
Z
° ρ−1 °
°|ϕ| °
(Dν ϕ) L1 (Rn ) = | |ϕ(x)|ρ−1 (Dν ϕ(x)| dx
Rn

µZ ¶ 1′ µ Z ¶ p1
p
(ρ−1)p′ p
≤ |ϕ(x)| dx |Dν ϕ(x)| dx
Rn Rn

(ρ−1)
= kϕkL(ρ−1)p′ (Rn ) ||Dν ϕ||Lp (Rn ) .

n
Em particular, se p = n e portanto p′ = resulta que:
n−1
° °
° ρ−1) ° (ρ−1)
°|ϕ| (Dν ϕ)° ≤ kϕk (ρ−1)n ||Dν ϕ||Lp (Rn )
L1 (Rn ) L n−1 (Rn )

e de (17) obtemos:

n µ
Y ¶ n1
(ρ−1)
(18) kψ ◦ ϕkL n−1
n
(Rn )
=ρ kϕk (ρ−1)n ||Dν ϕ||Lp (Rn ) .
ν=1 L n−1 (Rn )

Por outro lado, vemos ainda que:

µZ ¶ n−1
n
n
kψ ◦ ϕkL n−1
n
(Rn )
= |ψ(ϕ(x))| n−1
dx
Rn

µZ ¶ n−1
¯ ¯ n n
(19) = ¯ |ϕ(x)|ρ−1 ϕ(x)¯ n−1 dx
Rn

µZ ¶ n−1
n
ρn
ρ
= |ϕ(x)| n−1
dx = kϕk ρn .
Rn L n−1 (Rn )
129

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Assim, de (18) e (19) chegamos a:

n µ
Y ¶ n1
ρ (ρ−1)
kϕk ρn ≤ρ kϕk (ρ−1)n ||Dν ϕ||Ln (Rn ) .
L n−1 (Rn ) L n−1 (Rn )
ν=1

ou equivalentemente:

n
Y 1
ρ (ρ−1)
kϕk ρn ≤ ρ kϕk (ρ−1)n kDν ϕkLnn (Rn )
L n−1 (Rn ) L n−1 (Rn ) ν=1

ou ainda usando-se o fato que a média geométrica é menor ou igual que a média

aritmética, temos:

Xn
ρ ρ (ρ−1)
kϕk ρn ≤ kϕk (ρ−1)n kDν ϕkLn (Rn ) .
L n−1 (Rn ) n L n−1 (Rn ) ν=1

Donde:

µX
n ¶ ρ1
ρ
(ρ−1)
ρ
¡ ρ ¢ ρ1
kϕk ρn ≤ kϕk (ρ−1)n kDν ϕkLn (Rn ) .
L n−1 (Rn ) L n−1 (Rn ) n ν=1

ap b q 1
Finalmente, pela desigualdade de Young, mais precisamente ab ≤ + , +
p q p
1 ρ
= 1, a, b ≥ 0, com p = e q = ρ resulta que:
q ρ−1

n
ρ ρ−1 1 ρX
kρk ρn ≤ kϕk (ρ−1)n + ||Dν ϕ||Ln (Rn )
L n−1 (Rn ) ρ L n−1 (Rn ) ρ n ν=1

o que prova o desejado. ¤

Proposição 5 (Desigualdade de Interpolação). Seja Ω ⊂ (Rn ) e consideremos 1 ≤ p ≤

q ≤ +∞. Se u ∈ Lp (Ω) ∩ Lq (Ω) então u ∈ Lr (Ω); ∀ r ∈ [p, q] e tem-se a desigualdade

de interpolação:

||u||Lr (Ω) ≤ ||u||θLp (Ω) ||u||1−θ


Lq (Ω)
130

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1 1 1
onde = θ + (1 − θ) e 0 ≤ θ ≤ 1.
r p q

Demonstração: Sejam p, q ∈ R tais que 1 ≤ p ≤ q ≤ +∞ e considere r ∈ [p, q]. Se

p = q então a proposição é trivial. Consideremos, então, 1 ≤ p < q ≤ +∞. Se r = p

ou r = q basta considerarmos θ = 1 ou θ = 0, respectivamente e o resultado segue


diretamente. Logo, basta considerarmos o caso em que 1 ≤ p < r < q ≤ +∞, que

subdividiremos em dois outros casos:

1o¯ caso: 1 ≤ p < r < q < +∞.


1 ¤1 1£
Como p < r < q então ∈ , e pela convexidade desse intervalo existe
r q p
1 1 1
θ ∈]0, 1[ tal que = θ +(1−θ) · Provaremos que u ∈ Lr (Ω). Com efeito, observemos
r p q
que:

|u|r = |u|θr+(1−θ)r = |u|θr |u|(1−θ)r .

Contudo:

¡ ¢ θr
p ¡ (1−θ)r ¢ (1−θ)r
q
|u|θr = |u|p ∈ L1 (Ω) e |u| = |u|q ∈ L1 (Ω).

Logo:
¡ θr ¢ p ¡ (1−θ)r ¢ q
|u| ∈ L θr (Ω) e |u| ∈ L (1−θ)r (Ω)

e uma vez que

µ ¶
1 1 θr (1 − θ)r θ (1 − θ) 1
+ = + =r + =r =1
p/θr q/(1 − θ)r p q p q r

temos por Hölder que:

|u|p = |u|θr |u|(1−θ)r ∈ L1 (Ω)


131

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e além disso:
Z µZ ¶ θr µZ ¶ (1−θ)r
r
¡ θr ¢ θr
p p ¡ (1−θ)r
¢ (1−θ)r
q q
|u| dx ≤ |u| dx |u| dx
Ω Ω Ω

µZ ¶ θr
p
µZ ¶ (1−θ)r
q
p q
= |u| dx |u| dx
Ω Ω

θr (1−θ)r
= kukLp (Ω) kukLq (Ω) .

Logo:
µZ ¶ r1
r θ (1−θ)
|u| dx ≤ kukLp (Ω) kukLq (Ω) .

2o¯ caso: 1 ≤ p < r e q = +∞.


1 ¤ 1£
Neste caso, ∈ 0, e de novo pela convexidade do intervalo em questão existe
r p
1 1
θ ∈ [0, 1[ tal que = θ + (1 − θ)0, i.é, p = rθ.
r p
Temos:

|u|p = |u|θr+(1−θ)r = |u|θr |u|(1−θ)r = |u|p |u|(1−θ)r

e pelo fato de u pertencer a L∞ (Ω) temos:

|u(x)| ≤ ||u||L∞ (Ω) = inf{c > 0; |u(x)| ≤ 0, q.s. em Ω}.

Logo:
(1−θ)r
|u|r ≤ ||u||L∞ (Ω) |u|p .

Como a função à direita da desigualdade acima é integrável (uma vez que

u ∈ Lp (Ω)) e como |u|r é mensurável vem que u ∈ Lr (Ω). Além disso:

µZ ¶ r1 µZ ¶1/r
r (1−θ) p
|u| dx ≤ ||u||L∞ (Ω) |u| dx
Ω Ω
132

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ou seja:
p
(1−θ) (1−θ)
||u||Lr (Ω) ≤ ||u||L∞ (Ω) ||u||Lr p (Ω) = ||u||L∞ (Ω) ||u||θLp (Ω)

o que prova o segundo caso e encerra a demonstração. ¤

Corolário 1: Sejam Ω um subconjunto aberto do Rn e 1 ≤ p ≤ q ≤ +∞. Então:

Lp (Ω) ∩ Lq (Ω) ֒→ Lr (Ω); ∀ r ∈ [p, q].

Demonstração: A inclusão é conseqüência imediata da Proposição 5. Provemos então

que a imersão é contı́nua. Com efeito, de acordo com a desigualdade de interpolação,

||u||Lr (Ω) ≤ ||u||θLp (Ω) ||u||1−θ


Lq (Ω) ; ∀ u ∈ Lp (Ω) ∩ Lq (Ω).

Segue-se daı́ de acordo com a desigualdade de Young que:

||u||Lr (Ω) ≤ θ||u||Lp (Ω) +(1−θ)||u||Lq (Ω) ≤ ||u||Lp (Ω) +||u||Lq (Ω) = ||u||Lp (Ω)∩Lq (Ω) . ¤

Corolário 2: Sejam X um espaço vetorial normado, 1 ≤ p ≤ q ≤ +∞. Se X ֒→ Lp (Ω)


e X ֒→ Lq (Ω) então X ֒→ Lr (Ω); ∀ r ∈ [p, q].

Demonstração: Evidentemente X ⊂ Lp (Ω) ∩ Lq (Ω) e além disso,

||u||Lp (Ω)∩Lq (Ω) = ||u||Lp (Ω) + ||u||Lq (Ω) ≤ c1 ||u||X + c2 ||u||X ≤ c3 ||u||X ; ∀ u ∈ X.

Logo, X ֒→ Lp (Ω) ∩ Lq (Ω). Como pelo Corolário 1, Lp (Ω) ∩ Lq (Ω) ֒→ Lr (Ω),

segue-se pela transitividade que X ֒→ Lr (Ω), ∀ r ∈ [r, q]. ¤

2.2 Teoremas de Imersão

Nesta seção apresentaremos alguns teoremas de imersão devido à Sobolev. To-

davia, antes disso, introduziremos algumas definições e resultados que necessitaremos


133

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posteriormente.

Definição 1: Seja k ∈ N. Denotaremos por Cbk (Rn ) o espaço vetorial constituı́do de

todas as funções u: Rn → K, de classe C k (Rn ), limitadas e com derivadas parciais até


ordem k também limitadas. Em outras palavras:

Cbk (Rn ) = {u: Rn → K; u ∈ C k (Rn ) e Dα u é limitada, ∀ α ∈ Nn , |α| ≤ k}.

Verifica-se facilmente que a aplicação de Cbk (Rn ) em R:

u 7→ max sup |Dα u(x)|


|α|≤k x∈Rn

define uma norma em Cbk (Rn ) e além disso, Cbk (Rn ) munido da norma:

||u||C k (Rn ) = max sup |Dα u(x)|


b |α|≤k x∈Rn

é um espaço de Banach.

Definição 2: Sejam k ∈ N e 0 < λ ≤ 1. Representaremos por C k,λ (Rn ) o espaço


vetorial de todas as funções u ∈ Cbk (Rn ) para as quais existe uma constante L > 0 (que

depende de u) tal que:

|Dα u(x) − Dα u(y)| ≤ L||x − y||λ ; ∀ x, y ∈ Rn e ∀ α ∈ Nn , |α| ≤ k. (∗)

Conforme podemos ver, C k,λ (Rn ) é um subespaço de Cbk (Rn ). Agora, se

u ∈ C k,λ (Rn ) temos então que:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ L; ∀ x, y ∈ Rn com x 6= y e ∀ α ∈ Nn , |α| ≤ k
||x − y||λ
(∗) D α u satisfaz a condição de Hölder com expoente λ.
134

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e portanto:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


(1’) max sup < +∞.
|α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y

Reciprocamente se u ∈ Cbk (Rn ) e satisfaz (1) então:

|Dα u(x) − Dα u(y)| |Dα u(x) − Dα u(y)|


sup ≤ max sup < +∞.
x,y∈Rn
||x − y||λ |α|≤k
x,y∈R n ||x − y||λ

x6=y x6=y

∀ α ∈ Nn , |α| ≤ k. Conseqüentemente:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ L; ∀ x, y ∈ Rn com x 6= y e ∀ α ∈ Nn , |α| ≤ k
||x − y||λ

donde concluı́mos que:

(2’) |Dα u(x) − Dα u(y)| ≤ L||x − y||λ ; ∀ x, y ∈ Rn e ∀ α ∈ Nn , |α| ≤ k

já que se x = y desigualdade acima é trivial.

Logo, de (1’) e (2’) e da Definição 2 temos equivalentemente que:


½ ¾
k,λ |Dα u(x) − Dα u(y)|
C (R ) = u ∈ Cbk (Rn ); max
n
sup < +∞ .
|α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y

Conforme no caso de Cbk (Rn ) verifica-se também que a aplicação de C k,λ (Rn ) em

R:
|Dα u(x) − Dα u(y)|
u 7→ ||u||C k (Rn ) + max sup
b |α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y

define uma norma em C k,λ (Rn ) e o espaço C k,λ (Rn ) munido da norma:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


||u||C k,λ (Rn ) = ||u||C k (Rn ) + max sup
b |α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y
135

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é um espaço de Banach.

Do exposto acima, vemos diretamente que:

(3’) ||u||C k (Rn ) ≤ ||u||C k,λ (Rn ) ; ∀ u ∈ C k,λ (Rn )


b

ou seja,

C k,λ (Rn ) ֒→ Cbk (Rn ).

Proposição 1: C k,λ (Rn ) ֒→ C k,σ (Rn ); ∀ 0 < σ < λ ≤ 1.

Demonstração: Seja u ∈ C k,λ (Rn ). Temos dois casos a considerar:

(i) ||x − y|| ≤ 1, x 6= y.


1 1
Neste caso, ||x − y||σ ≥ ||x − y||λ , donde, < e portanto:
||x − y||σ ||x − y||α

|Dα u(x) − Dα u(y)| |Dα u(x) − Dα u(y)| |Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ ≤ max sup
||x − y||σ ||x − y||λ |α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y

|Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ ||u||C k (Rn ) + max sup = ||u||C k,λ (Rn ) .
b |α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y

(ii) ||x − y|| > 1, x 6= y.


1
Agora, 1 < ||x − y||σ o que implica que < 1. Logo:
||x − y||σ

|Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ |Dα u(x) − Dα u(y)| ≤ |Dα u(x)| + |Dα u(y)| ≤
||x − y||σ

≤ max sup |Dα u(x)| + max sup |Dα u(x)| ≤ 2||u||C k (Rn )
|α|≤k x∈Rn |α|≤k x∈Rn b

136

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e de (3’) obtemos:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ 2||u||C k,λ (Rn ) .
||x − y||σ

Desta forma, de (i) e (ii) resulta que:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


≤ 2||u||C k,λ (Rn ) , ∀ x, y ∈ Rn , x 6= y
||x − y||σ

e conseqüentemente:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


max sup ≤ 2||u||C k,λ (Rn ) .
|α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||σ
x6=y

Segue-se daı́ que u ∈ C k,σ (Rn ) e além disso:

||u||C k,σ (Rn ) ≤ 3||u||C k,λ (Rn ) . ¤

No que segue desta seção p representará um número real na condição

1 ≤ p < +∞. Além disso, faremos a hipóese adicional de que n é um número na-
tural tal que n ≥ 2. O caso n = 1 será estudado posteriormente.

Teorema 1 (Imersão de Sobolev). Seja m ∈ N, tal que mp < n. Então W m,p (Rn ) ֒→

Lq (Rn ) onde q é dado por

1 1 m
(1) = = ·
q p n

Demonstração: Se m = 0 nada se tem a provar. Seja então m = 1 e consideremos

u ∈ W 1,p (Rn ). De acordo com o Teorema 1 do Capı́tulo 1, seção 1.2, temos que D(Rn ) é
137

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denso em W 1,p (Rn ). Logo, existe (ϕµ ) ⊂ D(Rn ) tal que ϕµ → u em W 1,p (Rn ). Segue-se

daı́ que

(2) ϕµ → u em Lp (Rn ) e Dν ϕµ → Dν u em Lp (Rn ) quando µ → +∞ ν = 1, 2, . . . , n.

Como 1 ≤ p < n, pela desigualdade de Sobolev (Proposição 3, Capı́tulo 2, seção

2.1) obtemos:

n
1 (n − 1)p X
(3) ||ϕµ − ϕσ ||Lq (Rn ) ≤ ||Dν ϕµ − Dν ϕσ ||Lp (Rn )
n n − p ν=1

onde:
1 1 1
= − ·
q p n

Sendo (Dν ϕµ ) uma seqüência de Cauchy em Lp (Rn ), posto que é convergente


segue-se que (ϕµ ) é de Cauchy em Lq (Rn ) e portanto existe v ∈ Lq (Rn ) tal que:

(4) ϕµ → v em Lq (Rn ).

Passando as convergências (2) e (1) ao espaço D′ (Rn ) obtemos que v = u e (ϕν )


também converge para u em Lq (Rn ). Isto prova que

W 1,p (Rn ) ⊂ Lq (Rn ).

Provaremos, a seguir, que a imersão entre os espaços acima é contı́nua. Com

efeito, novamente da desigualdade de Sobolev (cf. em (3)) obtemos:

n
1 (n − 1)p X
||ϕµ ||Lq (Rn ) ≤ ||Dν ϕµ ||Lp (Rn )
n n − p ν=1

e na situação limite resulta que:

n
1 (n − 1)p X
(5) ||u||Lq (Rn ) ≤ ||Dν u||Lp (Rn ) .
n n − p ν=1
138

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Todavia, pelo fato de:

||Dν u||Lp (Rn ) ≤ ||u||W 1,p (Rn )

resulta de (5) que:


1 (n − 1)p
||u||Lq (Rn ) ≤ n ||u||W 1,p (Rn )
n n−p

o que prova o teorema no caso m = 1.

Suponhamos, agora, que o teorema seja válido para m, ou seja:

1 1 m
(6) Se mp < n então W m,p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ) onde = − ·
q p n

Provaremos a validade do mesmo para (m + 1), ou seja:



Se (m + 1)p < n então W m+1,p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ) onde q ∗ é dado por

1 1 m+1
= − ·
q∗ p n

De fato:

µ ¶
1 1 m 1 1 m 1
(7) ∗
= − − = − − ·
q p n n p n n

1 1 m
Pondo-se = − afirmamos que 1 ≤ q < n. Com efeito, temos:
q p n

1 1 m n − mp
= − =
q p n pn

e como por hipótese mp + p < n então n − mp > p e da identidade acima obtemos:

1 p 1
> =
q pn n
139

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1
ou seja, q < n. Por outro lado, como p ≥ 1 então ≤ 1 e portanto:
p

1 1 m
= − ≤1
q p n

donde se conclui que q ≥ 1; o que prova a afirmação.


Estamos, pois, dentro das hipóteses em que m = 1, já que do exposto acima e de

(7) resulta que:


1 1 1
1 ≤ q < n; = − ·
q∗ q n

Logo:

(8) W 1,q (Rn ) ֒→ Lq (Rn ).

Consideremos, então, u ∈ W m+1,p (Rn ). Então:

(9) u, D1 u, . . . , Dn u ∈ W m,p (Rn )

e por (6) também pertencem a Lq (Rn ), donde se conclui que u ∈ W 1,q (Rn ). Por (8)

segue então que u ∈ Lq (Rn ), o que prova a inclusão:

W m+1,p (Rn ) ⊂ Lq (Rn ).

Mostraremos, a seguir, que a imersão é contı́nua. De fato, temos de (8) para

u ∈ W m+1,p (Rn ):

· n
X ¸ q1
(10) ||u||Lq∗ (Rn ) ≤ c1 ||u||W 1,q (Rn ) = c1 ||u||qLq (Rn ) + ||Dν u||Lq (Rn ) .
ν=1

Contudo, por (6), (9) e pelo fato de W m+1,p (Rn ) ֒→ W m,p (Rn ) temos:
||u||qLq (Rn ) ≤ c2 ||u||qW m,p (Rn ) ≤ c2 ||u||qW m+1,p (Rn )
X
(11) ||Dν u||qLq (Rn ) ≤ c2 ||Dν u||qW m,p (Rn ) ≤ c2 ||Dα (Dν u)||Lp (Rn )
|α|≤m

X
≤ c2 ||(Dα u)||Lp (Rn ) = c2 ||u||qW m+1,q (Rn ) .
|α|≤m+1

140

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Das desigualdades de (10) e (11) segue que a imersão de W m+1,p (Rn ) em Lq (Rn )

é contı́nua, como querı́amos demonstrar. ¤

np
Corolário 1: Se mp < n e p ≤ q ≤ então W m,p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ).
n − mp

np
Demonstração: Ponhamos q0 = · Ora, temos mp < n por hipótese. Além
n − mp
disso:
1 n − mp 1 m
= = − ·
q0 mp p n

Segue-se do Teorema 1 que:

(12) W m,p (Rn ) ֒→ Lq0 (Rn ).

Consideremos, então, u ∈ W m,p (Rn ). Logo, u ∈ Lp (Rn ) e por (12) temos


também que u ∈ Lq0 (Rn ), ou seja, u ∈ Lp (Rn ) ∩ Lq0 (Rn ). Agora, de acordo com o

Corolário 1 do Capı́tulo 2, seção 2.1, temos:

(13) Lp (Rn ) ∩ Lq0 (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀ q ∈ [p, q0 ]

o que prova a inclusão:

W m,p (Rn ) ⊂ Lq (Rn ); ∀ q ∈ [p, q0 ].

Provaremos, a seguir, que tal inclusão é contı́nua. Com efeito, temos de acordo
com (13):
¡ ¢
||u||Lq (Rn ) ≤ c1 ||u||Lp (Rn )∩Lq0 (Rn ) = c1 ||u||Lp (Rn ) + ||u||Lq0 (Rn )
¡ ¢
≤ c1 ||u||W m,p (Rn ) + ||u||Lq0 (Rn )

e de acordo com (12) resulta que:

¡ ¢
||u||Lq (Rn ) ≤ c1 ||u||W m,p (Rn ) + c2 ||u||W m,p (Rn ) ≤ c||u||W m,p (Rn ) . ¤
141

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Corolário 2: Seja k ∈ N tal que kp < n. Então:

W m+k,p (Rn ) ֒→ W m,qk (Rn ); ∀m ∈ N

onde qk é dado por:


1 1 k
= − ·
qk p n

k 1 1 k
Demonstração: Como kp < n então < o que implica que − > 0. De acordo
n p p n
com o Teorema 1, temos:

(14) W k,p (Rn ) ֒→ Lqk (Rn ).

Consideremos, então, u ∈ W m+k,p (Rn ). Então (Dα u) ∈ W k,p (Rn ),


∀ α ∈ Nn , |α| ≤ m e por (14) vem que (Dα u) ∈ Lqk (Rn ), ∀ α ∈ Nn , |α| ≤ m, ou seja,

u ∈ W m,qk (Rn ). Temos provada a inclusão W m+k,p (Rn ) ⊂ W m,qk (Rn ). Provaremos, a

seguir, a continuidade da mesma. Com efeito:

µ X Z ¶ q1 µ X ¶ q1
k k
α qk α qk
(15) ||u||W m,qk (Rn ) = |D u| dx = ||D u||Lq (Rn ) .
k
|α|≤m Ω |α|≤m

Contudo, por (14) temos que:

||Dα u||qLkqk (Rn ) ≤ c1 ||Dα u||qWk k,p (Rn ) ; ∀ |α| ≤ m.

Entretanto,

X X
||Dα u||pW k,p (Rn ) = ||Dβ Dα u||pLp (Rn ) ≤ ||Dγ u||pLp (Rn ) = ||u||pW m+k,p (Rn )
|β|≤k |γ|≤k+m

142

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e portanto:

(16) ||Dα u||qLkqk (Rn ) ≤ c1 ||u||qWk m+k,p (Rn ) ; ∀ |α| ≤ m.

Assim, de (15) e (16) resulta que:


µ X ¶ q1 µ ¶ q1
k k
||u||W m,qk (Rn ) = ||D α
u||qLkqk (Rn ) qk qk
≤ c2 ||u||W m+k,p (Rn ) =
|α|≤m

= c2 ||u||W m+k,p (Rn ) . ¤

Teorema 2: Seja m ∈ N tal que mp = n. Então:

W m,p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ), ∀ q ∈ [p, +∞[ .

Demonstração: A demonstração será feita usando indução em m. Provaremos inicial-

mente para o caso m = 1. Neste caso, p = n e devemos mostrar que:

W 1,n (Rn ) ֒→ Lq (Rn ), ∀ q ∈ [n, +∞[ .

Com efeito, seja u ∈ W 1,n (Rn ). Então, pela densidade de D(Rn ) em W 1,n (Rn )

existe uma seqüência (ϕµ ) ⊂ D(Rn ) tal que ϕµ → u em W 1,n (Rn ) quando µ → +∞.
Segue-se daı́ que:

ϕµ → u em Ln (Rn ) e Dν (ϕµ ) → Dν u em Ln (Rn );


(17)
ν = 1, 2, . . . , n quando µ → +∞.

Por outro lado, de acordo com a Proposição 4, Capı́tulo 2, seção 2.1, temos para

todo ϕ ∈ C01 (Rn ) e ∀ ρ ≥ 1 que:

n
ρ−1 1X
(18) kϕk | ρn ≤ kϕk (ρ−1)n + ||Dν ϕ||Ln (Rn ) .
L n−1 (Rn ) ρ L n−1 (Rn ) n ν=1
143

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Em particular, tomando-se (ϕµ − ϕσ ) no lugar de ϕ e considerando-se ρ = n na

expressão em (18), obtemos:

n
n−1 1X
kϕµ − ϕσ k n2 ≤ ||ϕµ − ϕσ ||Ln (Rn ) + ||Dν (ϕµ − ϕσ )||Ln (Rn )
L n−1 (Rn ) n n ν=1

n2
e das convergências em (17) resulta que (ϕµ ) é uma seqüência de Cauchy em L n−1 (Rn ).
n2
Logo, existe v ∈ L n−1 (Rn ) tal que:

n2
(19) ϕµ → v em L n−1 (Rn ) quando µ → +∞.

Passando-se às convergências em (17) e (19) para D′ (Rn ) concluı́mos, face a

unicidade do limite que u = v e portanto temos provado que:

n2
W 1,n (Rn ) ⊂ L n−1 (Rn ).

Além disso, temos também que,

n2
(20) ϕµ → u em L n−1 (Rn ) quando µ → +∞.

Provaremos, a seguir, que a inclusão acima é contı́nua. De fato, fazendo-se


ϕ = ϕµ e ρ = n em (18) temos, na situação limite, graças as convergências dadas em

(17) e (20) que:


n
n−1 1X
kuk n2 ≤ ||u||Ln (Rn ) + ||Dν u||Ln (Rn )
L n−1 (Rn ) n n ν=1

µ n
X ¶
≤ c1 ||u||Ln (Rn ) + ||Dν u||Ln (Rn )
ν=1

µ n
X ¶ n1
n
≤ c2 ||u||Ln (Rn ) + ||Dν u||Ln (Rn )
ν=1

= c2 ||u||W 1,n (Rn )


144

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ou seja:

(21) kuk n2 ≤ c2 ||u||W 1,n (Rn ) .


L n−1 (Rn )

Temos então:
n2
W 1,n (Rn ) ֒→ L n−1 (Rn )

e pelo fato de:


W 1,n (Rn ) ֒→ Ln (Rn )

resulta, de acordo com o Corolário 2, Capı́tulo 2, seção 2.1, que:

£ n2 ¤
(22) W 1,n (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀ q ∈ n, .
n−1

Agora, retornando-se a (18) com (ϕµ − ϕσ ) no lugar de ϕ e ρ = n + 1, obtemos:

n
n 1X
kϕµ − ϕν k (n+1)n ≤ kϕµ − ϕσ k n2 + ||Dν (ϕµ − ϕσ )||Ln (Rn ) .
L n−1 (Rn ) n+1 L n−1 (Rn ) n ν=1

Contudo, de (22) temos:

kϕµ − ϕσ k n2 ≤ c||ϕµ − ϕσ ||W 1,n (Rn )


L n−1 (Rn )

e desta forma:

n
n n 1X
kϕµ − ϕσ k (n+1)n ≤c ||ϕµ − ϕσ ||W 1,n (R ) + ||Dν (ϕµ − ϕσ )||Ln (Rn ) → 0
L n−1 (Rn ) n+1 n ν=1

quando µ, σ → +∞.
(n+1)n (n+1)n
Logo, (ϕµ ) é de Cauchy em L n−1 (Rn ) e por conseguinte existe w ∈ L n−1 (Rn )
tal que:

(n+1)n
(23) ϕµ → w em L n−1 (Rn ).
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Passando das convergências em (17) e em (23) para D′ (Rn ) concluı́mos que

u = w. Logo,
(n+1)n
W 1,n (Rn ) ⊂ L n−1 (Rn ).

Provaremos, a seguir, que tal conclusão é contı́nua. De fato, fazendo-se ϕ = ϕµ


e ρ = n + 1 em (18) e considerando-se o limite quando µ → +∞, obtemos, graças as
convergências em (17), (20) e (23) que:
n
n 1X
kuk (n+1)n ≤ kuk n2 + ||Dν u||Ln (Rn )
L n−1 (Rn ) n+1 L n−1 (Rn ) n ν=1

n
n 1X
≤ c1 ||u||W 1,n (Rn ) + ||Dν u||Ln (Rn )
n+1 n ν=1

n 1
≤ c1 ||u||W 1,n (Rn ) + n ||u||W 1,n (Rn )
n+1 n

≤ c2 ||u||W 1,n (Rn ) .

Logo:

(n+1)n
(24) W 1,n (Rn ) ֒→ L n−1 (Rn )

e de novo pelo fato de:

W 1,n (Rn ) ֒→ Ln (Rn )

vem que:

£ (n + 1)n ¤
(25) W 1,n (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀ q ∈ n, .
(n − 1)

Desta forma, considerando que dado q ∈ [n, +∞[ existe k ∈ N tal que n ≤ q ≤
(n + k)n
, repetimos os mesmos argumentos anteriores para ρ = n, ρ = n + 1, . . . , ρ =
(n − 1)
n + k e concluı́mos que:

£ (n + k)n ¤
W 1,n (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀ q ∈ n, .
(n − 1)
146

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Conseqüentemente:

W 1,n (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀ q ∈ [n, +∞)

o que prova o teorema no caso em que m = 1.

Suponhamos, agora, que o teorema seja válido para m, ou seja:

£n ¢
(26) Se mp = n então W m,p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀q ∈ , +∞ .
m

Provaremos para (m + 1), i.é, devemos provar que:

£ n ¢
Se (m + 1)p = n então W (m+1),p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀q ∈ , +∞ .
(m + 1)

De fato, notemos inicialmente que:

m+1 1 m 1 1 1 1 1
(m + 1)p = n ⇔ = ⇔ + = ⇔ = − ·
n p n n p n/m p n

Além disso, como n ≥ 2 e m ≥ 1 temos:

1 1 1
= − > 0 ⇔ p < n.
n/m p n

Estamos, pois, dentro das hipóteses do Corolário 2, Capı́tulo 2, seção 2.2, e

portanto:

n n
(27) W (m+1), m+1 (Rn ) ֒→ W m, m (Rn ).

Da hipótese de indução temos:

n £n ¤
(28) W m, m (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀q ∈ , +∞ .
m

De (27) e (28) resulta que:

n £n ¢
(29) W (m+1), m+1 (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀q ∈ , +∞ .
m
147

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£ n ¢
Contudo, necessitamos provar que a imersão se dá para todo q ∈ , +∞ .
(m + 1)
Logo, resta-nos provar que:

n £ n n¤
(30) W (m+1), m+1 (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀q ∈ , .
m+1 m

n
Com efeito, da imersão em (29) em particular para q = e do fato que
m

n n
W (m+1), m+1 (Rn ) ֒→ L m+1 (Rn )

resulta a afirmação em (30) de acordo com o Corolário 2, Capı́tulo 2, seção 2.1.


Finalmente, de (29) e (30) concluı́mos que:

£ n ¢
W (m+1),p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ); ∀q ∈ , +∞
(m + 1)

conforme querı́amos demonstrar. ¤

p
Lema 1: Seja λ0 = m − > 0, Ur um paralelepı́pedo do Rn de lados paralelos aos
q
eixos coordenados e cada lado de comprimento r e x0 ∈ Ur . Então, ∀ ϕ ∈ D(Rn ) tem-se:

¯ Z ¯ µ n ° ° ¶
¯ 1 ¯ 1 λ X ° ∂ϕ °
¯ϕ(x0 ) − ϕ(z) dz ¯¯ ≤ r ° °
¯ r n Ur λ ° ∂xi ° q n
i=1 L (R )

onde:
1 1 m−1
(i) λ = λ0 e = − , se λ0 < 1.
q p n
n
(ii) 0 < λ < 1, q= se λ0 = 1.
1−λ

Demonstração: Sejam ϕ ∈ D(Rn ) e z ∈ Ur . Definamos:

u: [0, 1] → K

t 7→ u(t) = ϕ((1 − t)x0 + tz)


148

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ou seja, u é a restrição de ϕ ao segmento [x0 , z] ⊂ Ur , ou seja, u = ϕ ◦ γ, onde

γ[0, 1] → Ur ; γ(t) = (1 − t)x0 + tz. Temos:

Z 1 Z 1

ϕ(z) − ϕ(z0 ) = u(1) − u(0) = u (t) dt = ϕ′ (γ(t))γ ′ (t) dt
0 0
(31) Z n
1X
∂ϕ
= ((1 − t)x0 + tz)(zi − x0i ) dt
0 i=1
∂xi

onde z = (z1 , . . . , zn ) e x0 = (x01 , . . . , x0n ).


R
Por outro lado, notando-se que Ur dz = med(Ur ) = rn então:

Z
1
(32) ϕ(x0 ) = n ϕ(x0 ) dz.
r Ur

Assim, de (31) e (32) podemos escrever:


¯ Z ¯ Z
¯1 ¯ 1
¯ ¯
ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯ ≤ n |ϕ(z) − ϕ(x0 )| dx
¯ rn r Ur
Ur

Z ¯Z ¯
1 ¯ 1X n
∂ϕ ¯
¯ ¯
≤ n ¯ ((1 − t)x0 + tz)(zi − z0i )dt¯ dz
r Ur ¯ 0 ∂x i ¯
i=1

e por Fubini e pela desigualdade triangular resulta que a última expressão acima ainda

é menor que:

Z 1 Z n ¯
X
¯
1 ¯ ∂ϕ ¯
¯ ((1 − t)x + tz)¯ |(zi − x0i )| dzdt.
rn ¯ ∂xi 0 ¯
0 Ur i=1

Sendo o quadrado Ur de lados paralelos aos eixos coordenados, temos |(zi −x0i )| ≤

r; ∀ i = 1, . . . , n. Logo:
¯ Z ¯
¯1 ¯
¯ ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯¯ ≤
¯ rn
Ur
(33) Z 1 Z n ¯
X
¯
1 ¯ ∂ϕ ¯
≤ ¯ ((1 − t)x + tz) ¯ dzdt.
rn−1 ¯ ∂xi 0 ¯
0 Ur i=1

149

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Consideremos, na expressão à direita da desigualdade acima, a seguinte mudança

de variávei:

h: Ur → Rn

z 7→ h(z) = (1 − t)x0 + tz = y

cujo jacobiano é igual a tn . Assim:

Z ¯ ¯ Z µ¯ ¯ ¶
¯ ∂ϕ ¯ ¯ ∂ϕ ¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ (y)¯ dy = ¯ ∂xi ¯ ◦ h (z) |Jac h| dz.
h(Ur ) ∂xi Ur

Mais precisamente:

Z ¯ ¯ Z ¯ ¯
¯ ∂ϕ ¯ ¯ ∂ϕ ¯
¯ ¯ n ¯ ¯
¯ ∂xi (y)¯ dy = t ¯ ∂xi ((1 − t)x0 + tz)¯ dz.
(1−t)x0 +tUr Ur

Logo, da igualdade acima resulta que:

Z ¯ ¯ Z ¯ ¯
¯ ∂ϕ ¯ ¯ ∂ϕ ¯
¯ ((1 − t)x0 + tz)¯¯ dz = t −n ¯ ¯
¯ ¯ ∂xi (y)¯ dy
Ur ∂xi (1−t)x0 +tUr

Z ¯ ¯
¯ ∂ϕ ¯
(34) =t −n ¯ (y)¯¯ χ(1−t)x0 +tUr (u) dy
¯
Rn ∂xi

µZ ¯ ¯β ¶ β1 µ Z ¶ 1′
¯ ∂ϕ ¯ β
≤t −n ¯ (y)¯¯ dy χ(1−t)x0 +Ur (y) dy
¯
Rn ∂xi Rn

1 1
onde β e β ′ são reais maiores ou iguais a um e tais que + ′ = 1.
β β
Contudo, para cada t ∈ [0, 1] fixado, notemos que (1 − t)x0 + tUr representa um

cubo cujos lados têm comprimento (tr). Assim:

Z
χ(1−t)x0 +tUr (y) dy = med[(1 − t)x0 + tUr ] = (tr)n
Rn
150

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e de (34) chegamos a:

Z ¯ ¯ µZ ¯ ¯β ¶ β1
¯ ∂ϕ ¯ ¯ ∂ϕ ¯ ¡ ¢1
¯ ¯ −n ¯ (y)¯¯ dy (tr)n β′
¯ ∂xi ((1 − t)x0 + tz)¯ dz ≤ t ¯
Ur Rn ∂xi
(35)
µ ¶ µZ ¯ ¯β ¶ β1
−n+ βn′ n ¯ ∂ϕ ¯
= t r β′ ¯ (y)¯ dy .
¯ ¯
Rn ∂xi

Entretanto, como:

µ ¶
n 1 n
−n + ′ = −n 1 − ′ = −
β β β

então temos de (35) que:

Z ¯ ¯ ° °
¯ ∂ϕ ¯ −n n ° ∂ϕ °
¯ ¯ ° °
(36) ¯ ∂xi ((1 − t)x0 + tz)¯ dz ≤ t
β r β′
° ∂xi ° β n .
Ur L (R )

Retornando-se a (33) obtemos de (36) que:

¯ Z ¯ n °
µX ° ¶µ Z 1 ¶
¯1 ¯ 1−n+ n ° ∂ϕ ° −n
¯ ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯¯ ≤ r β ′ ° ° tβ dt
¯ rn ° ∂xi °
Ur i=1 Lβ (Rn ) 0
(37)
µXn ° ° ¶µ Z 1 ¶
1− n
° ∂ϕ ° −n
=r β ° ° t β dt .
° ∂xi ° β n
i=1 L (R ) 0

Caso (i):
1 1 m−1 n
Sejam λ = λ0 ; = − e λ0 = m − < 1.
q p n p
Temos dois subcasos a considerar:

(i.1) m = 1.
n
Neste caso, q = p e λ0 = 1 − < 1.
p
151

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n n
Escolhamos β = p. Logo 1 − = 1 − = λ0 . Assim, de (37) obtemos:
p β

¯ Z ¯ µXn ° ° ¶µ Z 1 ¶
¯1 ¯ ° ∂ϕ ° −n
¯ ¯
ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯ ≤ r λ0 ° ° t p dt .
¯ rn ° ∂xi ° p n
Ur i=1 L (R ) 0

n n
Note-se que > 1 ⇔ − < −1. Logo:
p p

Z n ¯1 ¯1
1
−n t− p +1 ¯¯ tλ0 ¯¯ 1
tp dt = n ¯ = ¯ = .
0 −p + 1 0 λ0 0 λ0

Assim:

¯ Z ¯ µ n ° ° ¶
¯1 ¯ rλ0 X ° ∂ϕ °
¯ ¯
ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯ ≤ ° ° .
¯ rn λ0 i=1 ° ∂xi °Lp (Rn )
Ur

(i.2) m≥2
n np
Temos λ0 = m − < 1; q= ·
p n − (m − 1)p
Escolhamos β = q. Logo:

n n − (n − 1)p n n n
− = (−n) = − + (m − 1) ⇒ 1 − = − + m = λ0 .
β np p β p

n n n
Note-se que − + m = λ0 < 1 ⇒ − = − + m − 1 < 0. Assim:
p β p

Z n ¯1 ¯1
1
−n t− β +1 ¯¯ tλ0 ¯¯ 1
tβ dt = n = = .
0 − β + 1 ¯0 λ0 ¯0 λ0

e portanto:
¯ Z ¯ µ n ° ° ¶
¯1 ¯ rλ0 X ° ∂ϕ °
¯ ¯
ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯ ≤ ° ° .
¯ rn λ0 i=1 ° ∂xi °Lq (Rn )
Ur

152

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Nota: Convém observar que se considerássemos λ = 1 no caso (i) então:

mp − n 1
= 1 ⇔ mp − n = p ⇔ n − (m − 1)p = 0 ⇔ =0
p q

£ ¡ ∂ϕ ¢¤
e portanto q = +∞. Perderı́amos pois em generalidade uma vez que L+∞ supp ⊂
∂xi
£ ¡ ∂ϕ ¢¤
Lq supp e o resultado obtido seria para um conjunto menor.
∂xi

Caso (ii)
n
Temos 0 < λ < 1, q= ; λ0 = 1.
1−λ
n n 1−λ
Escolhamos β = q = · Então, − = (−n) = −1 + λ o que implica
1−λ β n
n
que 1 − = λ. Notemos que:
β

n
− = −1 + λ < 0.
β

Logo:
Z n ¯1 ¯1
1
−n t− β +1 ¯¯ tλ ¯¯ 1
t β dt = n ¯ = ¯ = .
0 −β + 1 0 λ 0 λ

Conseqüentemente:

¯ Z ¯ µ n ° ° ¶
¯1 ¯ rλ X ° ∂ϕ °
¯ ¯
ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯ ≤ ° ° .
¯ rn λ i=1 ° ∂xi °Lq (Rn )
Ur

Nota: Convém observar que se tivéssemos suposto λ0 < 1 no caso (ii) então,

pelo fato de 0 < λ < λ0 < 1 terı́amos:


¡ n¢ p − mp + n
− λ > −λ0 ⇔ 1 − λ > 1 − λ0 ⇔ 1 − λ > 1 − m − ⇔ 1−λ> ⇔
p p

1−λ p − mp + n 1 n − p(m − 1) 1 1 (m − 1) 1 1
⇔ > ⇔ > ⇔ > − ⇔ >
n np q np q p n q q0
153

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1 1 1 (m − 1)
onde > = − · Perderı́amos, novamente em generalidade já que
q q0 p n
£ ¡ ∂ϕ ¢¤ £ ¡ ∂ϕ ¢¤
Lq0 supp ⊂ Lq supp e o resultado obtido seria para um conjunto menor.
∂xi ∂xi
¤

Corolário 3: Sob as hipóteses do lema precedente tem-se:

¯ Z ¯
¯ ¯
¯ϕ(x0 ) − 1 ϕ(z) dz ¯ ≤ c rλ ||ϕ|| m,p n
¯ rn Ur ¯ W (R )

onde c > 0 é uma constante independente de ϕ, r e x0 e

(i) λ = λ0 se λ0 < 1.

(ii) 0 < λ < 1 se λ0 = 1.

Demonstração: Caso (i).

Seja λ0 < 1. De acordo com o lema anterior:

¯ Z ¯ µ n ° ° ¶
¯1 ¯ r λ0 X ° ∂ϕ °
(38) ¯ ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯¯ ≤ ° °
¯ rn λ0 i=1 ° ∂xi °Lq (Rn )
Ur

onde:
1 1 m−1 n
= − e λ0 = m − < 1.
q p n p

Como λ0 < 1 por hipótese, então:

n n
m− <1 ⇔ m−1< ⇔ (m − 1)p < n.
p p

Estamos, pois, dentro das hipóteses do teorema de imersão de Sobolev (Teorema

1, Capı́tulo 2, seção 2.2). Logo:

W (m−1),p (Rn ) ֒→ Lq (Rn ).


154

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Em particular:
° ° ° ° ° µ ¶°
° ∂ϕ ° ° ∂ϕ ° X ° α ∂ϕ °
° ° ° ° °D °
° ∂xi ° q n ≤ c1 ° ∂xi ° m−1,p n = c1 ° ∂xi °
≤ c2 ||ϕ||W m,p (Rn ) .
L (R ) W (R ) |α|≤m−1 Lp (Rn )

Desta forma, obtemos de (38) que:

¯ Z ¯
¯1 ¯ crλ0
¯ ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯¯ ≤ ||ϕ||W m,p (Rn ) .
¯ rn λ0
Ur

Caso (ii)

Seja λ0 = 1. De acordo com o lema anterior temos:

¯ Z ¯ µ n ° ° ¶
¯1 ¯ rλ X ° ∂ϕ °
(39) ¯ ¯
ϕ(z) dz − ϕ(x0 )¯ ≤ ° °
¯ rn λ i=1 ° ∂xi °Lq (Rn )
Ur

n
para 0 < λ < 1, q = · Mas:
1−λ

n n
λ0 = m − =1 ⇔ m−1= ⇔ (m − 1)p = n.
p p

Estamos, assim, dentro das hipóteses do Teorema 2, Capı́tulo 2, seção 2.2. Con-

seqüentemente:

(40) W (m−1),p (Rn ) ֒→ Ls (Rn ); ∀ s ∈ [p, +∞[ .

Notemos que:

n
m=1+ > 1 o que implica que m ≥ 2 posto que m é um natural.
p

Segue-se daı́ que:

2 − m ≤ 0 < λ ⇔ m − 2 > −λ ⇔ m − 1 > 1 − λ ⇔ (m − 1)p > p(1 − λ)

n
⇔ n > p(1 − λ) ⇔ > p ⇔ q > p ⇔ q ∈ [p, +∞[
1−λ
155

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e de (40) resulta, em particular que:

W (m−1),p (Rn ) ֒→ Lq (Rn )

e portanto ∃ c1 > 0 tal que:

° ° ° °
° ∂ϕ ° ° ∂ϕ °
° ° ° °
° ∂xi ° q n ≤ c1 ° ∂xi ° (m−1),p n ≤ c2 ||ϕ||W m,p (Rn ) .
L (R ) W (R )

Logo de (39) chegamos a:

¯ Z ¯
¯1 ¯ rλ
¯ ϕ(x0 ) dz − ϕ(x0 )¯¯ ≤ c ||ϕ||W m,p (Rn ) . ¤
¯ rn λ
Ur

n
Teorema 3: Seja m ∈ N tal que mp > n e k ∈ N tal que k < m − ≤ k + 1. Então:
p

W m,p (Rn ) ֒→ C k,λ (Rn )

onde
n n
(i) 0<λ≤m−k− se m − k − < 1.
p p
n
(ii) 0 < λ < 1 se m − k − = 1.
p

n
Demonstração: Seja λ0 = m − k − e consideremos x, y ∈ Rn , x 6= y e Ur pa-
p
ralelepı́pedo nas condições do Corolário 3 com r = ||x − y|| contendo os pontos x, y.
De acordo com a hipótese, temos que 0 < λ0 < 1, tendo sentido pois falarmos

em C k,λ (Rn ) para todo 0 < λ ≤ λ0 . Assim, de acordo com o Corolário 3 temos

∀ ψ ∈ D(Rn ):

¯ Z ¯
¯ 1 ¯
(41) ¯ψ(x0 ) − ψ(z) dz ¯ ≤ c rλ ||ψ|| m,p n ; ∀ x0 ∈ Ur
¯ rn Ur ¯ W (R )

156

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onde c > 0 é uma constante independente de ψ, r, x0 e

(a) λ = λ0 se λ0 < 1.

(b) 0 < λ < 1 se λ0 = 1.

Sejam ϕ ∈ D(Rn ) e α ∈ Nn , |α| ≤ k. Então de (41) em particular para ψ = Dα ϕ


obtemos:
¯ Z ¯ ¯ Z ¯
¯ α 1 ¯ ¯1 ¯
α α ¯
|D ϕ(x) − D ϕ(y)| ≤ ¯D ϕ(x) − n α ¯ ¯
D ϕ(z) dz ¯ + ¯ n D ϕ(z) dz − D ϕ(y)¯¯
α α
r Ur r Ur

≤ 2c||x − y||λ ||Dα ϕ||W m−k,p (Rn ) ≤ c1 ||x − y||λ ||ϕ||W m,p (Rn )

ou seja

(42) |Dα ϕ(x) − Dα ϕ(y)| ≤ c1 ||x − y||λ ||ϕ||W m,p (Rn ) ; ∀ x, y ∈ Rn .

Consideremos, agora, u ∈ W m,p (Rn ). Então existe (ϕν ) ⊂ D(Rn ) tal que

(43) ϕν → u em W m,p (Rn )

da qual podemos extrair uma subseqüência que ainda denotaremos pela mesma notação
tal que:

(44) Dα ϕν → Dα u q.s. em Rn |α| ≤ k.

Seja K um compacto de Rn , d = diam(K). Então, para cada α ∈ Nn , |α| ≤ m


existe x0 ∈ K tal que

(45) |Dα ϕ(x0 )| = min |Dα ϕ(x)|.


x∈K

Mas:

Z
α p
|D ϕ(x0 )| med(K) ≤ |Dα ϕ(x)|p dx ≤ ||ϕ||pW m,p (Rn )
K
157

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o que implica

¡ ¢−1/p
(46) |Dα ϕ(x0 )| ≤ med(K) ||ϕ||W m,p (Rn ) .

Logo, para todo x ∈ K de (42) e (46) resulta que

|Dα ϕ(x)| ≤ |Dα ϕ(x) − Dα ϕ(x0 )| + |Dα ϕ(x0 )|

(47) ¡ ¢
≤ c1 dλ + (med(K))−1/p ||ϕ||W m,p (Rn ) .
| {z }
c(K)

De (47) vem então que

(48) |Dα ϕν (x) − Dα ϕµ (x)| ≤ c(K)||ϕν − ϕµ ||W m,p (Rn ) ; ∀ x ∈ K.

Logo, (Dα ϕν (y)) é de Cauchy uniforme sobre K e desta forma,

(49) Dα ϕν (y) → vα (y) quando ν → +∞

uniformemente sobre compactos de Rn , donde se conclui que vα ∈ C(Rn ),

∀ |α| ≤ k. Das relações em (44) e (49) temos que vα (y) = (Dα u(y), ∀ y ∈ (Rn \C)

(onde C é o conjunto de medida nula para o qual a convergência em (44) não ocorre) e
∀ |α| ≤ k. Desta forma, podemos identificar cada Dα u com uma função contı́nua vα e

após tal identificação temos Dα u ∈ C(Rn ), ∀ |α| ≤ k, ou equivalentemente u ∈ C k (Rn ).

Provaremos, a seguir, que a desigualdade em (42) com u no lugar de ϕ se dá para


todo x, y ∈ Rn . De fato: Sejam x, y ∈ Rn . Se x, y não pertencem ao conjunto C,

nada temos a provar. Agora, se x, y ∈ C, como (Rn \C) é denso em Rn então existirão

(xν ), (yν ) ⊂ (Rn \C) e tais que:

xν → x e yν → y.

Então de (42) em particular para (xν ) e (yν ) temos:

|Dα u(xν ) − Dα u(yν )| ≤ c1 ||xν − yν ||λ ||u||W m,p (Rn ) , ∀ |α| ≤ k


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e pela continuidade das aplicações (Dα u) temos, na situação limite:

(50) |Dα u(x) − Dα u(y)| ≤ c1 ||x − y||λ ||u||W m,p (Rn ) .

Desta forma, da relação em (50) chegamos a:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


(51) max sup ≤ c1 ||u||W m,p (Rn ) .
|α|≤k
x,y∈Rn
||x − y||λ
x6=y

Resta-nos provar que u ∈ Cbk (Rn ), ou seja, que (Dα u) é limitada para todo

α ∈ Nn , |α| ≤ k. De fato:
Seja x ∈ Rn e Ur paralelepı́pedo nas condições do Corolário 3 e r = 1. Então

∀ ψ ∈ D(Rn ), temos:

¯ Z ¯ ¯Z ¯ ¯Z ¯
¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯
¯
|ψ(x)| ≤ ¯ψ(x) − ψ(z) dz ¯¯ + ¯¯ ψ(z) dz ¯ ≤ c1 ||ψ||W m−k,p (Rn ) + ¯¯
¯ ψ(z) dz ¯¯ .
Ur Ur Ur

Todavia:

¯Z ¯ µZ ¶ 1′ µ Z ¶ p1
¯ ¯ p
¯ ψ(z) dz ¯¯ ≤ dz p
|ψ(z)| dz ≤ |ψ||Lp (Rn ) .
¯
Ur Ur Ur

Logo:

|ψ(x)| ≤ ||ψ||W m−k,p (Rn ) + ||ψ||Lp (Rn ) ≤ c2 ||ψ||W m−k,p (Rn ) .

Em particular, para as (ϕν ) de (43) vem que:

|Dα ϕν (x)| ≤ c2 ||Dα ϕν ||W m−k,p (Rn ) ≤ C||ϕν ||W m,p (Rn )

e na situação limite temos:

|Dα u(x)| ≤ C||u||W m,p (Rn ) ; ∀ |α| ≤ k


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o que prova que u ∈ Cb1 (Rn ). Além disso, desta última relação obtemos:

||u||C k (Rn ) = max sup |Dα u(x)| ≤ C||u||W m,p (Rn )


b |α|≤k
x,y∈Rn
x6=y

e juntamente com (51), somando-se membro a membro concluı́mos que u ∈ C k,λ e

||u||C k,λ (Rn ) ≤ K ||u||W m,p (Rn )

ou seja,

W m,p (Rn ) ֒→ C k,λ (Rn )

onde:

(a) λ = λ0 se λ0 < 1.

(b) 0 < λ < 1 se λ0 = 1.

Resta-nos ainda provar uma parte do item (a), ou seja, se λ0 < 1 e 0 < λ < λ0

então a imersão também se verifica. Com efeito, esta afirmativa decorre imediatamente
da Proposição 1, Capı́tulo 2, seção 2.2 que nos diz que

C k,λ0 (Rn ) ֒→ C k,λ (Rn ) ; ∀ 0 < λ < λ0 ≤ 1

o que encerra a demonstração do teorema. ¤

Passaremos a estudar, a partir de agora o caso em que n = 1. Consideremos,


então, o seguinte:

Teorema 4: Seja m ≥ 1. Então:


1
(i) W m,p (R) ֒→ C m−1,λ (R); 0 < λ ≤ 1 − , 1 < p < +∞
p

(ii) W m,1 (R) ֒→ Cbm−1 (R)


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(iii) W m,+∞ (R) ֒→ C m−1,1 (R)

Demonstração: Sejam x, y ∈ R, y > x e ϕ ∈ D(R). Temos:

Z y
ϕ(y) − ϕ(x) = ϕ′ (z) dz.
x

Logo:

Z y Z

(52) |ϕ(y) − ϕ(x)| ≤ |ϕ (z)| dz = |ϕ′ (z)| χ]x,y[ (z) dz.
x R

Consideremos, agora, x ∈ R e I um intervalo finito da reta com x ∈ I é med(I) =


r > 0. Então:
¯ Z ¯ ¯ Z ¯
¯ ¯ ¯ ¯
¯ϕ(x) − 1 ϕ(z) dz ¯ = ¯ 1 (ϕ(x) − ϕ(z)) dz ¯
¯ r I ¯ ¯ r I ¯
Z Z
1 1
≤ |ϕ(x) − ϕ(z)| dz = |ϕ(x) − ϕ(z)| χI dz.
r I r R

Logo:

¯ Z ¯ Z
¯ ¯
(53) ¯ϕ(x) − 1 ϕ(z) dz ¯ ≤ 1 |ϕ(x) − ϕ(z)| χI dz.
¯ r I ¯ r
R

Caso (i) 1 < p < +∞


De (52) e da desigualdade de Hölder podemos escrever que:

µZ ¶ p1 µ Z ¶ 1′
p 1
′ p
|ϕ(y) − ϕ(x)| ≤ |ϕ (z)| dz χ]x,y[ (z) dz = |x − y| p′ ||ϕ′ ||Lp (R)
R R

1 1
onde + ′ = 1. Logo:
p p

1
(54) |ϕ(y) − ϕ(x)| ≤ |x − y| p′ ||ϕ′ ||Lp (R) ; ∀ x, y ∈ R; y > x.
161

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Seja x ∈ R e consideremos I intervalo contendo o ponto x e tal que med(I) = 1.

Então:
¯ Z ¯ ¯Z ¯
¯ ¯ ¯ ¯
|ϕ(x)| ≤ ¯¯ϕ(x) − ϕ(z) dz ¯¯ + ¯¯ ϕ(z) dz ¯¯
I I

e de (53) resulta que:

Z ¯Z ¯
¯ ¯
|ϕ(x)| ≤ |ϕ(x) − ϕ(z)| χI dz + ¯¯ ϕ(z) dz ¯¯ .
I I

Aplicando-se Hölder na última integral à direita da igualdade concluı́mos:

Z µZ ¶ 1′ µ Z ¶ p1
p
p
|ϕ(x)| ≤ |ϕ(x) − ϕ(z)| χI dz + dz |ϕ(z)| dz
R I I

ou seja,

Z µZ ¶ p1
p
(55) |ϕ(x)| ≤ |ϕ(x) − ϕ(z)| χI dz + |ϕ(z)| dz
R I

Contudo, de (54), temos que:


Z Z
1
|ϕ(y) − ϕ(z)| χI dx ≤ |x − z| p′ ||ϕ′ ||Lp (R) χI dz
R R
Z
≤ ||ϕ′ ||Lp (R) χI dz = ||ϕ′ ||Lp (R)
R

1
uma vez que |x − z| p′ ≤ 1 e x, z ∈ I.
Logo, retornando-se a (55) concluı́mos que:

(56) |ϕ(x)| ≤ ||ϕ||Lp (R) + ||ϕ′ ||Lp (R) .

Consideremos, então, u ∈ W m,p (R). Logo, existe (ϕν ) ⊂ D(R) tal que:

(57) ϕν → u em W m,p (R)


162

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(58) Dj ϕν → Dj u q.s. em R.

Segue-se de (54) em particular para as (Dj ϕν ) que:

1 1
|Dj ϕν (y) − Dj ϕν (x)| ≤ |x − y| p′ ||Dj+1 ϕν ||Lp (R) ≤ |x − y|1− p ||ϕν ||W m,p (R)

0 ≤ j ≤ m − 1. Raciocinando-se de maneira análoga ao Teorema 3 desta seção con-

cluı́mos que u pode ser identificada a uma função de classe C m−1 (R) e além disso:

1
(59) |Dj u(x) − Dj u(y)| ≤ |x − y|1− p ||u||W m,p (R) ; ∀ x, y ∈ R.

Provaremos, a seguir, que (Dj u) é limitada para todo j = 0, 1, . . . , m − 1.


Com efeito, da relação em (56) em particular para as (Dj ϕν ) obtemos:

|Dj ϕν (x)| ≤ ||Dj ϕν ||Lp (R) + ||Dj+1 ϕν ||Lp (R) ; j = 0, 1, . . . , m − 1.

Na situação limite (após identificação) vem que:

|Dj u(x)| ≤ ||Dj u||Lp (R) + ||Dj+1 u||Lp (R) ≤ 2||u||W m,p (R) ; j = 0, 1, . . . , m − 1.

Assim, u ∈ Cbm−1 (R) e além disso:

(60) ||u||C m−1 (R) = max sup |Dj u(x)| ≤ 2||u||W m,p (R) .
b 0≤j≤m−1 x∈R

Retornando-se à (59), temos também que:

|Dj u(x) − Dj u(y)|


(61) max sup 1 ≤ 2||u||W m,p (R) .
0≤j≤m−1
x,y∈R ||x − y||1− p
x6=y

1
Logo, das relações em (60) e (61) resulta que u ∈ C m−1,1− p (R) e,

kuk m−1,1− 1
p
≤ 3||u||W m,p (R)
C (R)
163

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ou seja,
1
W m,p (R) ֒→ C m−1,1− p (R).

Para finalizar a demonstração deste item resta-nos provar que:

1
W m,p (R) ֒→ C m−1,λ (R); 0<λ≤1− ·
p

Com efeito, tal resultado segue diretamente da Proposição 1, Capı́tulo 1, seção

2.2, que nos diz que:

1 1
C m−1,1− p (R) ֒→ C m−1,λ (R); para todo 0 < λ ≤ 1 − ≤1
p

e pela transitividade temos o desejado.

Caso (ii) p=1

De (52) vem que:

Z Z

(62) |ϕ(y) − ϕ(x)| ≤ |ϕ (z)| χ]x,y[ (z) dz ≤ |ϕ′ (z)| dz = ||ϕ′ ||Lp (R) , ∀ x, y ∈ R.
R R

Seja x ∈ R e I um intervalo tal que x ∈ I e med(I) = 1. Então de (53) obtemos:

¯ Z ¯ Z
¯ 1 ¯ 1
¯ϕ(x) − ϕ(z) dz ¯¯ ≤ |ϕ(x) − ϕ(z)| χI dz
¯ r I r R

e de (62) podemos escrever

¯ Z ¯
¯ ¯
(63) ¯ϕ(x) − 1 ϕ(z) dz ¯ ≤ ||ϕ′ || p med(I) = ||ϕ′ ||Lp (R) .
¯ r I ¯ L (R)

Logo, de (63) resulta que:

¯ Z ¯ Z
¯ ¯
(64) |ϕ(x)| ≤ ¯ϕ(x) − ϕ(z) dz ¯¯ + |ϕ(z)| dz ≤ ||ϕ||L1 (R) + ||ϕ′ ||L1 (R) .
¯
I I
164

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Seja (ϕν ) nas condições de (57) e (58). Então de (64) com (Dj ϕν ) no lugar de ϕ

obtemos, na situação limite:

(65) |Dj u(x)| ≤ ||Dj u||L1 (R) + ||Dj+1 u||L1 (R) ≤ 2||u||W m,1 (R)

quase sempre em R para todo j = 0, 1, . . . , m − 1.


Em particular:

|Dj ϕν (x) − Dj ϕµ (x)| ≤ 2||ϕν − ϕµ ||W m,1 (R) → 0 quando ν, µ → +∞

quase sempre em R para todo j = 0, 1, . . . , m − 1.

Desta forma, (Dj ϕν (x)) é uma seqüência de Cauchy uniforme e portanto converge
para uma função vj (x), contı́nua, tal que vj (x) = Dj u(x) quase sempre em R; isto, para

todo j = 1, 2, . . . , m − 1. Assim, Dj u depois de uma modificação eventual em um

conjunto de medida nula converte-se numa função contı́nua. Disto e de (65) segue que

u ∈ Cbm−1 (R) e além disso:

kukC m−1 (R) = max sup |Dj u(x)| ≤ 2||u||W m,1 (R)
b 0≤j≤m−1 x∈R

ou seja,

W m,1 (R) ֒→ Cbm−1 (R)

o que prova o item (ii).

Caso (iii) p = +∞

Dado u ∈ W m,+∞ (R) então uj ∈ W 1,+∞ (R) para todo j = 0, 1, . . . , m − 1. Por

outro lado, sabemos que se v ∈ W 1,+∞ (R) então v possui um representante contı́nuo.
Além disso, para tal representante vale a relação:

Z y
(66) v(x) − v(y) = v ′ (t) dt.
x
165

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Identificando-se (uj ) ao seu representante contı́nuo, tem-se imediatamente que

(uj ) ∈ C 0 (R); (∗) ∀ j = 0, 1, . . . , m − 1, i.é, u ∈ Cbm−1 (R). Portanto, segue-se da relação

(66) que
Z y
j j
u (x) − u (y) = uj+1 (t) dt; j = 0, 1, . . . , m − 1, ∀ x, y ∈ R.
x

Donde:
Z y Z y
j j j+1
(67) |u (x) − u (y)| = |u (t)| dt ≤ |uj+1 (t)| χ]x,y[ (t) dt ≤ ||u||L∞ (R) |x − y|
x x

e conseqüentemente:

|uj (x) − uj (y)|


(68) ≤ ||uj+1 ||L+∞ (R) , ∀ j = 0, 1, . . . , m − 1; ∀ x, y ∈ R, x 6= y.
|x − y|

Logo:
|uj (x) − uj (y)|
max sup ≤ ||uj+1 ||L+∞ (R)
0≤j≤m−1
x,y∈R |x − y|
x6=y

donde se conclui que u ∈ C m−1 (R). Resta-nos provar que a imersão é contı́nua. Com

efeito, seja x ∈ R e I um intervalo contendo x e tal que med(I) = 1. Então para todo

j = 0, 1, . . . , m − 1 tem-se:
¯ Z ¯ ¯Z ¯
¯ j ¯ ¯ ¯
|u (x)| = ¯¯u (x) − u (z) dz ¯¯ + ¯¯ u (z) dz ¯¯
j j j
I I
¯Z ¯ Z
¯ ¯
¯
≤ ¯ [u (x) − u (z)] dz ¯¯ + |uj (z)| dz
j j
I I
Z Z
j j
≤ |u (x) − u (z)| dz + |uj (z)| dz
I I

(∗) Evidentemente temos que uj é limitada. Com efeito, seja v o representante contı́nuo de
j
uj . Se x é ponto de coincidência das duas funções nada temos a provar. Agora se x é ponto onde elas
diferem q.s. então ∃ (xn ) tal que uj (xn ) é limitada e xn → x. Portanto vj (xn ) → vj (x) o que prova a
limitação de uj .
166

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que é por (67) ainda menor ou igual a:
Z
||uj+1 ||L∞ (R) |x − z| dz + ||uj ||L∞ (R) med(I)
I

≤ ||uj+1 ||L∞ (R) + ||uj ||L∞ (R) ≤ c1 ||u||W m,∞ (R) .

Desta forma:

(69) |uj (x)| ≤ c1 ||u||W m,∞ (R) ; ∀ j = 0, 1, . . . , m − 1; ∀ x ∈ R.

Portanto de (68) e (69) obtemos:

|uj (x) − uj (y)|


||u||C m−1 (R) = max sup |uj (x)| + max sup
0≤j≤m−1 x∈R 0≤j≤m−1
x,y∈R |x − y|
x6=y

m−1
X
≤ c1 ||u||W m,∞ (R) + ||uj+1 ||L+∞ (R) ≤ c||u||W m,∞ (R)
j=0

o que prova a continuidade da imersão. ¤

167

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CAPÍTULO 3

PROPRIEDADES DO PROLONGAMENTO

3.1 Prolongamento: Caso Ω = Rn+ .

Muitos problemas da Fı́sica, Mecânica e Técnica, são descritos por equações dife-

renciais parciais que se verificam em domı́nios limitados. Para estes tipos de problemas

precisamos ter resultados de imersão para W m,p (Ω), Ω limitado. Estes serão obtidos
com a introdução de um operador de prolongamento contı́nuo que permite prolongar

funções de W m,p (Ω) a W m,p (Rn ). Neste último espaço usamos os resultados de imersão

da seção anterior, depois restringimos as funções a Ω, e assim obtemos os resultados

desejados. Na resolução de equações diferenciais parciais não lineares que se verificam

em domı́nios limitados precisamos ter resultados de compacidade, ou seja, resultados que

nos permitam passar de convergências fracas num espaço de Sobolev em convergências

fortes em outro espaço de Sobolev de ordem menor; estes são conseguidos pelo teorema

de Rellich-Kondrachov que será apresentado na úlima seção deste capı́tulo.

Estamos interessados nos resultados de prolongamento para Ω = Rn+


= {(x1 , . . . , xn ) ∈ Rn ; xn > 0} e Ω limitado “bem regular”. O conceito de “bem

regular” será definido posteriormente, ainda neste parágrafo. Daremos em detalhes os

resultados de prolongamento para Ω = Rn+ e depois por cartas locais obteremos os


resultados de prolongamento para Ω limitado bem regular.

Definição: Representa-se por D(Ω) o conjunto formado pelas restrição a Ω de todas as


168

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funções testes em Rn , i.é:

© ª
D(Ω) = ϕΩ ; ϕ ∈ D(Rn ) .

No que segue se x = (x1 , . . . , xn−1 , xn ) ∈ Rn e x′ = (x1 , . . . , xn−1 ) ∈ Rn−1


representaremos x por (x′ , xn ).

Proposição 1: D(Rn+ ) é denso em W m,p (Rn+ ).

Demonstração: A demonstração consiste de duas etapas:

1a¯ Etapa: Truncamento

Esta etapa consiste em aproximar uma função de W m,p (Rn+ ) por funções do

mesmo espaço com suporte limitado. Seja então u ∈ W m,p (Rn+ ); então por truncamento
tal como se fez no Teorema 1, Capı́tulo 1 (seção 2), podemos aproximar u em W m,p (Rn+ )

por funções de suporte limitado. Com efeito, seja θ ∈ D(Rn ) tal que θ = 1 na bola
¡x¢
B1 (0) e θ = 0 fora da bola B2 (0). Consideremos θk (x) = θ , k um número natural,
k
e definamos uk (x) = θk (x) u(x), x ∈ Rn+ . Então, repetindo os mesmos argumentos do

Teorema 1 acima mencionado, obtemos que

uk → u em W m,p (Rn+ ).

Convém observar que

supp(uk ) ⊂ {x ∈ Rn ; xn > 0, ||x|| ≤ 2k} = Bk

onde Bk é um conjunto fechado em Rn+ mas que não é fechado em Rn .

2a¯ Etapa
Nesta etapa aproximaremos funções de W m,p (Rn+ ) com suporte limitado por

restrições de funções de W m,p (Rn ) ao Rn+ . De fato, seja u ∈ W m,p (Rn+ ) com suporte
169

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limitado. Nosso objetivo é demonstrar a existência de funções wν ∈ W m,p (Rn ) tais que
¯
wν ¯Rn → u em W m,p (Rn+ ).
+

Com efeito, seja K0 um compacto de Rn−1 e M > 0 tal que supp(u) ⊂ K0 ×[0, M ]

e consideremos Ων , ν ∈ N, o aberto de Rn :

½ ¾
n 1
Ων = x ∈ R ; xn > − ·
ν

Para cada ν ∈ N consideremos ψν ∈ D(Rn ) tal que ψν = 1 em K0 × [0, M ] e

além disso supp(ψν ) ⊂ Ω2ν .

Consideremos as funções:

¡ 1¢
uν (x′ , xn ) = u x′ , xn + , ∀ x = (x′ , xn ) ∈ Ων
ν

vν (x) = ψν (x)uν (x), ∀ x = (x′ , xn ) ∈ Ων

wν (x) = ṽν (x)

onde ṽν denota o prolongamento de vν pondo-se zero fora de Ων . Temos as seguintes


propriedades:
¡ 1¢
i) Dα uν (x) = (Dα u) x′ , xn + quase sempre em Ων , para todo |α| ≤ m.
ν
¡ 1¢
De fato, seja ϕ ∈ D(Ων ) e consideremos ξ(x) = ϕ x′ , xn − para x ∈ Rn+ , então
ν
ξ ∈ D(Rn+ ). Com efeito, notemos que ξ = ϕ ◦ φ onde φ: Rn+ → Ων é a translação definida
¡ 1¢ ¡ 1¢
por φ(x) = x′ , xn − cuja inversa é φ−1 : Ων → Rn+ definida por φ−1 (x) = x′ , xn + .
ν ν
Não é difı́cil provar que supp(ξ) = φ−1 (supp(ϕ)) o que mostra que o supp(ξ) é um

compacto contido em Rn+ já que φ−1 é contı́nua e o supp(ϕ) é um compacto contido em
170

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Ων . Além disso:
Z
α |α|
¡ 1¢
hD uν , ϕi = (−1) u x′ , xn + (Dα ϕ)(x′ , xn ) dx′ dxn
Ων ν
Z
¡ 1¢ ¡ 1¢ ′
= fazendo yn = xn + = (−1)|α| u(x′ , yn )(Dα ϕ) x′ , yn − dx dyn
ν Rn
+
ν
Z
|α|
= (−1) u(x′ , xn )(Dα ξ)x′ , yn ) dx′ dyn
Rn
+

Z Z
α
¡ 1¢
= D u(x)ξ(x) dx = (Dα u) x′ , xn + ϕ(x) dx
Rn
+
Ων ν

o que prova a afirmação feita em (i).

¯
(ii) uν ¯Rn → u em W m,p (Rn+ )
+

Devemos mostrar que

X Z
lim |(Dα uν )(x) − (Dα u)(x)|p dx = 0.
ν→+∞ Rn
|α|≤m +

Com efeito, da parte (i) decorre que

¡ ¯ ¢ ¯ ¡ 1¢
Dα uν ¯Rn = (Dα uν )¯Rn = (Dα u) x′ , xn + ; ∀ (x′ , xn ) ∈ Ων
+ + ν

e portanto é suficiente provarmos que

¯ ¯p
X Z ¯ α ¡ ′ ¢ ¯
lim ¯(D u) x , xn + 1 (x) − (Dα u)(x)¯ dx = 0.
ν→+∞ ¯ ν ¯
|α|≤m Rn
+

Pondo-se Dα u = w temos:

Z ¯ ¯p Z ¯ ¯p
¯ ¡ ′ ¢ ¯ ¯ ¡ ′ ¢ ¯
¯w x , xn + 1 (x) − w(x)¯ dx ≤ ¯w̃ x , xn + 1 (x) − w̃(x)¯ dx.
¯ ν ¯ ¯ ν ¯
Rn
+
Rn

171

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¡ 1¢ ¡ 1¢
Sendo kν = = 0′ ,
0, 0, . . . , 0, então (τkν w̃)(x) = w̃(x + kν )
ν ν
£ ¡ 1 ¢¤ ¡ 1¢
= w̃ (x′ , xn ) + 0, = w̃ x′ , xn + (x). Logo:
ν ν
Z ¯ ¯p
¯ ¡ ′ 1 ¢ ¯
¯w̃ x , xn + (x) − w̃(x)¯ dx = kτkν w̃ − x̃kp p n → 0
¯ ν ¯ L (R )
Rn

já que a translação y 7→ τy v de Rn em Lp (Rn ) é contı́nua ∀ v ∈ Lp (Rn ). Isto prova a

afirmação feita em (ii).

¯
(iii) wν ∈ W m,p (Rn ) e lim wν ¯Rn = u em W m,p (Rn+ )
ν→+∞ +

De fato, temos:

¡ 1¢ ¡ 1¢
(a) supp(uν ) = supp(τkν ũ) = 0, 0, . . . , 0, − + supp(u) ⊂ 0, 0, . . . , 0, −
ν ν
£ 1 1¤
+ K × [0, M ] = K × − , M −
ν ν

© 1¢ ¤ 1 £
(b) supp(ψν ) ⊂ Ω2ν = (x′ , xn ); xn > − = Rn−1 × − , +∞
2ν 2ν
Portanto, de (a) e (b) decorre que:

¤ 1 1¤
supp(vν ) ⊂ supp(uν ) ∩ supp(ψν ) = K × − ,M − ⊂ Ων
2ν ν

o que prova que supp(vν ) é um compacto de Ων . Segue-se daı́ que vν ∈ W0m,p (Ων )

conforme Proposição 4 do Capı́tulo 1 (seção 2). Conseqüentemente podemos estender


vν à todo o Rn e além disso, wν = ṽν ∈ W m,p (Rn ) conforme Proposição 2 do Capı́tulo 1

(seção 1).
¯ ¯ ¯
Temos ainda que: wν ¯Rn = vν ¯Rn = uν ¯Rn .
+ + +

De fato, a primeira igualdade é trivial. Provemos a segunda. Como supp(vν ) ⊂


£ 1 1¤ ¡ ¯ ¢
K× − ,M − temos ainda, para ν suficientemente grande, que supp vν ¯Rn ⊂
2ν ν +

K × [0, M ]. Contudo, como ψ = 1 em K × [0, M ] então vν = uν em K × [0, M ].


172

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Agora, se x ∈ Rn+ \(K × [0, M ]) temos que vν (x) = 0. Provaremos também que
£ 1 1¤
uν (x) = 0. Com efeito, vimos que supp(uν ) ⊂ K × − , M − o que implica, para
ν ν
¡ ¯ ¢ £ 1¤
ν suficientemente grande, que supp uν ¯Rn ⊂ K × 0, M − ⊂ K × [0, M ]. Segue-se
+ ν
daı́ que uν (x) = 0 como querı́amos demonstrar. Isto prova a igualdade acima e da parte
¯
(ii) vem que lim wν ¯Rn = u em W m,p (Rn+ ) o que prova o item (iii).
ν→+∞ +

Finalmente sejam u ∈ W m,p (Rn+ ) e ε > 0 dado. Da primeira etapa resulta a

existência de u1 ∈ W m,p (Rn+ ) tal que u1 tem suporte limitado e além disso,

ε
||u − u1 ||W m,p (Rn ) < ·
+ 3

Da segunda etapa, obtém-se a existência de u2 ∈ W m,p (Rn ) tal que,

° ¯ ° ε
° ¯ °
°u2 Rn − u1 ° < ·
+ W m,p (Rn
+
) 3

Sendo D(Rn ) denso em W m,p (Rn ), existe ϕ ∈ D(Rn ) tal que,

ε
||ϕ − u2 ||W m,p (Rn ) < ·
3

¯
Considerando ζ = ϕ¯Rn temos ζ ∈ D(Rn+ ) e:
+

||u − ζ||W m,p (Rn ) ≤ ||u − u1 ||W m,p (Rn ) + ||u2 − u1 ||W m,p (Rn ) + ||u2 − ζ||W m,p (Rn )
+ + + +

ε ε ε ε ε
≤ + + ||ϕ − u2 ||W m,p (Rn ) < + + = ε. ¤
3 3 3 3 3

Definição: Um operador P : W m,p (Ω) → W m,p (Rn ) é denominado um operador de

(m − p)-prolongamento relativo a Ω se P é linear e contı́nuo e P u = u quase sempre em


173

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Ω, para todo u ∈ W m,p (Ω). Quando existir um tal operador P , diz-se que o aberto Ω

possui a propriedade do (m − p)-prolongamento.

Proposição 2: O semi-espaço Rn+ possui a propriedade do m-prolongamento para todo


m ≥ 1 e p ≥ 1.

Demonstração: Seja ϕ ∈ D(Rn+ ) e definamos a seguinte função:




 ϕ(x′ , xn ), xn ≥ 0


(P ϕ)(x′ , xn ) = m
X

 cν ϕ(x′ , −νxn ), xn < 0


ν=1

onde cν são constantes a determinar.

Seja α = (α′ , k) ∈ Nn onde α′ ∈ Nn−1 , k ∈ N e |α| ≤ m. Temos três casos a


considerar:

(i) α = (α′ , 0)

Afirmamos que Dα (P ϕ) = P (Dα ϕ), ∀ (x′ , xn ); xn 6= 0. Com efeito, temos:


 α

 (D ϕ)(x′ , xn ), xn > 0


Dα (P ϕ)(x′ , xn ) = m
X

 cν Dα [ϕ(x′ , −νxn )], xn < 0


ν=1

Entretanto, ϕ(x′ , −νxn ) = (ϕ ◦ φν )(x′ , xn ) onde ψν : Rn− → Rn+ é definida por


∂ ∂ϕ ′
φν (x′ , xn ) = (x′ , −νxn ). Como (ϕ ◦ ψν )(x′ , xn ) = (x , −νxn ) ∀ i = 1, 2,
∂xi ∂xi
. . . , n − 1 obtemos:
m
X m
X
α ′
cν D [ϕ(x , −νxn )] = cν (Dα ϕ)(x′ , −νxn )
ν=1 ν=1

o que prova o desejado.

(ii) α = (0, k)
174

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∂k ∂
Neste caso Dα (P ϕ) = k
(P ϕ). Pondo-se Dn = temos ∀(x′ , xn ); xn 6= 0:
∂xn ∂xn

 k ′

 (Dn ϕ)(x , xn ), xn > 0


Dα (P ϕ)(x′ , xn ) = Dnk (P ϕ)(x′ , xn ) = Xm



 cν Dnk [ϕ(x′ , −νxn )], xn < 0.
ν=1

∂ ∂ϕ ′
Notemos que se xn < 0, (ϕ ◦ φν )(x′ , xn ) = (−ν) (x , −νxn ) o que im-
∂xn ∂xn
plica que
m
X m
X
cν Dnk [ϕ(x′ , −νxn )] = cν (−ν)k (Dnk ϕ)(x′ , −νxn )
ν=1 ν=1

e portanto

 k

 (Dn ϕ)(x′ , xn ), xn > 0


Dα (P ϕ)(x′ , xn ) = Dnk (P ϕ)(x′ , xn ) = m
X



 cν (−ν)k (Dnk ϕ)(x′ , −νxn ), xn < 0.
ν=1

De um modo geral seja α = (α′ , k) ∈ Nn onde α′ ∈ Nn−1 , k ∈ N e |α′ | + k ≤ m.


′ ′
Neste caso, se xn < 0, Dα (P (ϕ) = Dnk Dα (P ϕ) = Dnk P (Dα ϕ). Assim:

Dα (P ϕ)(x′ , xn ) =
 α

 (D ϕ(x′ , xn ), xn > 0


= m
X m
X

 c (−ν) k
(D k α′
D ϕ)(x′
, −νx ) = cν (−ν)k (Dα ϕ)(x′ , −νxn ), xn < 0.

 ν n n
ν=1 ν=1

Notemos que a função Dα (P ϕ) é contı́nua em Rn exceto eventualmente nos

pontos (x′ , 0), x′ ∈ Rn−1 , ou seja, Dα (P ϕ) é contı́nua quase sempre em Rn posto que o
conjunto {(x′ , 0), x′ ∈ Rn−1 } tem medida nula em Rn . Desta forma, para garantirmos a

continuidade de (P ϕ) assim como de suas derivadas até a ordem m − 1, já que queremos
175

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que (P ϕ) pertença a W m,p (Rn ), faremos algumas imposições sobre as constantes cν .

Tal preocupação se baseia no fato de que se uma função dá um “salto”, mesmo que
finito, sua derivada no sentido das distribuições não pertencerá a Lp (Rn ) posto que

obtemos um delta de Dirac.


Seja então (x′ , xµn ) → (x′ , 0) quando µ → +∞, com xµn > 0. Temos:

Dα (P ϕ)(x′ , xµn ) = (Dα ϕ)(x′ , xµn ) → (Dα ϕ)(x′ , 0).

Consideremos, agora, (x′ , xµn ) → (x′ , 0) quando µ → +∞, com xµn < 0. Temos:

m
X m
X
α ′
D (P ϕ)(x , xµn ) = k α
cν (−ν) (D ϕ)(x ′
, −νxµn ) → cν (−ν)k (Dα ϕ)(x′ , 0).
ν=1 ν=1

Gostarı́amos que:

m
X
cν (−ν)k (Dα ϕ)(x′ , 0) = Dα (P ϕ)(x′ , 0) = (Dα ϕ)(x′ , 0)
ν=1

o que nos leva a escolher as constantes cν de modo que:

m
X
cν (−ν)k = 1, ∀ k = 0, 1, . . . , m − 1.
ν=1

A existência de tais constantes fica assegurada pela existência de solução do seguinte

sistema:
 1 1 ... 1   
 
c1 1
 (−1) (−2) ... (−m)
  c2  1
 .. .. ..   .  = .
..
 .   ..   .. 
. . .
(−1)m−1 (−2)m−1 ... (−m)m−1 cm 1

pois o determinante da matriz acima é diferente de zero (convém observar que o deter-
minante acima é o determinante de Wandermonde).

Sendo assim, seja α = (α′ , k) ∈ Nn onde α′ ∈ Nn−1 , k ∈ N e |α| ≤ m. Então:


176

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(i) Se k 6= m temos que Dα (P ϕ) é contı́nua e com suporte compacto no Rn .

(ii) Se k = m (e portanto α′ = 0) temos que Dα (P ϕ) é contı́nua q.s. e com suporte


compacto no Rn .

Provaremos, a seguir que Dα (P ϕ) ∈ Lp (Rn ). Com efeito, inicialmente provaremos que:


(1) T ∂u = Tu , ∀ u ∈ C 1 (Rn+ ) ∩ C 1 (Rn− ) ∩ C00 (Rn )
∂xn ∂xn

onde a primeira derivada é clássica e a segunda distribucional.

De fato, para ϕ ∈ D(Rn ) temos:


¿ À Z Z Z
∂u ∂u ∂u
T ∂u , ϕ = ϕ dx = ϕ dx + ϕ dx
∂xn
Rn ∂xn Rn
+
∂xn Rn

∂xn
Z Z +∞ Z Z 0
∂u ∂u
= ϕ dxn dx′ + ϕ dxn dx′
Rn−1 0 ∂xn Rn−1 −∞ ∂xn
Z · Z +∞ ¸
′ ′ ∂ϕ
= − ϕ(x , 0)u(x , 0) − u dxn dx′
Rn−1 0 ∂xn
Z · Z 0 ¸
′ ′ ∂ϕ
+ ϕ(x , 0)u(x , 0) − u dxn dx′
Rn−1 −∞ ∂xn
Z Z +∞ Z Z 0
∂ϕ ∂ϕ
=− u dxn dx′ − u dxn dx′
Rn−1 0 ∂xn Rn−1 −∞ ∂xn
Z
∂ϕ ­ ∂ϕ ® ­ ∂ ®
=− u dxn dx′ = − Tu , = Tu , ϕ
Rn ∂xn ∂xn ∂xn


o que prova a afirmação feita em (1). Resulta daı́ e do fato que Tu = T ∂u
∂xn ∂xn

distribucionalmente que a derivada clássica e a distribucional coincidem.

Desta forma, ∀ α = (α′ , k), k 6= m as derivadas clássicas Dα (P ϕ) são contı́nuas e


portanto Dα−1 (P ϕ) ∈ C01 (Rn ) (note-se que Dα (P ϕ) tem suporte compacto), o que im-

plica que as derivadas clássicas coincidem com as derivadas no sentido das distribuições.
∂m
Logo, Dα (P ϕ) ∈ Lp (Rn ). Agora, se α = (0, k) isto é, Dα (P ϕ) = (P ϕ), então
∂xm
n
177

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∂m ∂ m−1 1 n
∂xm
(P ϕ) é contı́nua q.s. e m−1 (P ϕ) ∈ C0 (R ). Assim, de acordo com (1) temos
n ∂xn
∂m
que (P ϕ) ∈ Lp (Rn ) no sentido das distribuições.
∂xm
n

Mostraremos, agora, que o operador P que é claramente linear é também contı́nuo.

Com efeito, temos:

Z Z Z
α p α p
|D (P ϕ)| dx = |D (P ϕ)| dx + |Dα (P ϕ)|p dx
Rn Rn
+
Rn

Z Z
α p
= |D ϕ| dx + |Dα (P ϕ)|p dx
Rn
+
Rn

(2) Z Z ¯m ¯p
¯X ¯
¯ ¯
= |Dα ϕ|p dx + ¯ cν (−ν)k (Dα ϕ)(x′ , −νxn )¯ dx
Rn Rn ¯ ¯
+ − ν=1

Z Z Z ¯m ¯p
0 ¯X ¯
¯ ¯
= |Dα ϕ|p dx + ¯ cν (−ν)k (Dα ϕ)(x′ , −νxn )¯ dx′ dxn .
Rn −∞ Rn−1 ¯ ¯
+ ν=1

Fazendo-se uma mudança de variável na última integral, a saber, zn = −νxn ,


obtemos:

Z Z ¯m ¯p
0 ¯X ¯
¯ k α ′ ¯ ′
¯ cν (−ν) (D ϕ)(x , −νxn ¯ dx dxn
)
−∞ Rn−1 ¯ ¯
ν=1
(3) ¯m ¯p
Z +∞ Z ¯X ¯
¯ ¯ 1
= ¯ k α ′
cν (−ν) (D ϕ)(x , zn )¯ dx′ dzn .
0 Rn−1 ¯ν=1 ¯ ν

Usando também o fato que:

¯ ¯p
¯Xm ¯ m
X
¯ ¯ p p p
¯ ui (x)¯ ≤ m max(|ui (x)| ) ≤ m |ui (x)|p
¯ ¯
ν=1 ν=1
178

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resulta de (3) que:

Z Z ¯ ¯p
+∞ ¯Xm ¯ 1
¯ ¯
¯ cν (−ν)k (Dα ϕ)(x′ , zn )¯ dx′ dzn
0 Rn−1 ¯ν=1 ¯ ν

Z +∞ Z m
X
(4) ≤m p
cpν |(−ν)|kp−1 |(Dα ϕ)(x′ , zn )|p dx′ dzn
0 Rn−1 ν=1

Z +∞ Z
≤ c1 |(Dα ϕ)(x′ , zn )|p dx′ dzn ; ∀ |α| ≤ m.
0 Rn−1

Logo de (2) e (4) obtemos:

Z Z Z Z
α p α p α p
|D (P ϕ)| dx ≤ |D ϕ| dx + c1 |D ϕ| dx ≤ c2 |Dα ϕ|p dx.
Rn Rn
+
Rn
+
Rn
+

Donde:

||P ϕ||W m,p (Rn ) ≤ c||ϕ||W m,p (Rn ) ; ∀ ϕ ∈ D(Rn+ ).


+

Como D(Rn+ ) é denso em W m,p (Rn+ ) podemos estender P continuamente à

W m,p (Rn+ ) ou seja, existe um único operador Pe: W m,p (Rn+ ) → W m,p (Rn ) linear e

contı́nuo tal que Pe|D(Rn ) = P . Resta-nos provar que (Peu)(x) = u(x) para quase todo
+

x ∈ Rn+ .

Com efeito, seja u ∈ W m,p (Rn+ ). Pela densidade de D(Rn+ ) em W m,p (Rn+ ) existe

(ϕν ) ⊂ D(Rn+ ) tal que ϕν → u em W m,p (Rn+ ) quando ν → +∞. Por outro lado, como

Pe: W m,p (Rn+ ) → W m,p (Rn ) é contı́nuo, segue que Peϕν → Peu em W m,p (Rn ) e pelo fato

de Peϕν |Rn = ϕν , temos que ϕν → Peu|Rn em W m,p (Rn+ ). Pela unicidade do limite vem
+ +

que Peu|Rn = u em W m,p (Rn+ ) e sendo assim, (Peu)(x) = u(x) para quase todo x ∈ Rn+ .
+

¤
179

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3.2 Prolongamento: Caso Ω limitado bem regular

Diremos que o aberto Ω é bem regular se sua fronteira Γ é uma variedade de

classe C ∞ de dimensão n − 1, Ω estando localmente do mesmo lado de Γ. Não são bem


regulares os seguintes abertos:

Ω1 = {(x, y) ∈ R2 ; x2 + y 2 < r2 }\{(0, 0)}, r > 0,

Ω2 = {(x, y) ∈ R2 ; x2 + y 2 < r2 }\{(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x < r e y = 0}

No primeiro exemplo Ω é o disco aberto menos o centro (0, 0) e no segundo

exemplo Ω é o disco aberto menos o raio. Claramente Rn+ é um aberto bem regular.

Seja Ω bem regular, Q o retângulo aberto:

Q = {y ∈ Rn ; 0 < yi < 1, i = 1, 2, . . . , n − 1, −1 < yn < 1}

Q+ e Q− os quadrados abertos:

Q+ = Q ∩ {yn > 0}, Q− = Q ∩ {yn < 0}

e Σ a hiperfície:
Σ = Q ∩ {yn = 0}.

Consideremos x um ponto de Γ; então existem uma vizinhança aberta limitada

em Ux em Rn de x, e uma aplicação ϕx : Ux → Q tal que:


(1) ϕx é uma bijeção de Ux sobre Q.

(2) ϕx e ϕ−1
x possuem derivadas parciais contı́nuas de todas as ordens.

(3) ϕx (Ux ∩ Ω) = Q+ , ϕx (Ux ∩ Rn \Ω) = Q− , ϕx (Ux ∩ Γ) = Σ.

As duas primeiras condições acima expressam que a aplicação ϕx : Ux → Q é


um difeomorfismo de classe C ∞ . Além disso, temos também a seguinte condição de

compatibilidade:
180

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(4) Sejam (U1 , ϕ1 ) e (U2 , ϕ2 ) satisfazendo as condições (1) a (3) e tais que U1 ∩U2 6= ∅.

Então existe um homeomorfismo diferenciável J12 de ϕ1 (U1 ∩ U2 ) sobre ϕ2 (U1 ∩ U2 ),


com jacobiano positivo, tal que ϕ2 (x) = J12 (ϕ1 (x)), ∀ x ∈ U1 ∩ U2 .

Graficamente terı́amos:

p
Sup

As condições acima são uma conseqüência direta da definição de bem regular


© ª
para Ω. Seja Ω bem regular; diremos que a famı́lia (Ui , ϕi ) i∈Ξ é um “sistema de
S
cartas locais” para sua fronteira Γ se Γ ⊂ Ui ; para todo i ∈ Ξ, o par (Ui , ϕi ) satisfaz
i∈Ξ

as condições (1) a (3) acima e, além disso, se Ui ∩ Uj 6= ∅ então os pares (Ui , ϕi ) e

(Uj , ϕj ) satisfazem a condição de compatibilidade dada em (4).

No que segue consideraremos Ω um conjunto aberto limitado bem regular. Nosso

próximo objetivo será mostrar que Ω possui a propriedade do (m − p) prolongamento.


Isto será feito usando o método de cartas locais. Antes, porém, faremos algumas con-

siderações e provaremos alguns resultados que serão cruciais para demonstrarmos o


181

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desejado.

Notemos que sendo Ω um conjunto limitado, sua fronteira Γ é um compacto de


© ª
Rn e, por conseguinte, existirá um sistema finito de cartas locais (Ui , ϕi ) 1≤i≤k para

a fronteira Γ de Ω. De posse destas cartas locais, construı́mos uma partição C ∞ da


S
k
unidade subordinada à cobertura aberta (Ui ) ∪ Ω do aberto Ui ∪ Ω que contém Ω.
i=1

Denotaremos por θ0 , . . . , θ1 , . . . , θk as funções desta partição. Sendo assim, temos:

θi ∈ C0∞ (Rn ), ∀ i = 0, 1, . . . , k

supp(θ0 ) ⊂ Ω, supp(θo ) ⊂ Ui , ∀ i = 1, . . . , k

(5) 0 ≤ θi ≤ 1, ∀ i = 0, 1, . . . , k

k
X
θ(x) = 1, ∀ x ∈ Ω.
i=0

Seja u uma função definida em Ω. Representaremos por S(u) a aderência no Rn

do conjunto {x ∈ Ω; u(x) 6= 0}. Observemos que:

(6) supp(u) ⊂ S(u).

Com efeito, lembremos que supp(u) = Ω\O onde O é o maior aberto contido em

Ω para o qual u se anula q.s. Assim, para provarmos (5) basta provarmos que:

(7) (Rn \S(u)) ∩ Ω ⊂ O.

Seja, então, x ∈ (Rn \S(u)) ∩ Ω. Então x ∈ Ω e x ∈


/ {x ∈ Ω; u(x) 6= 0}. Logo,
∃ r > 0 tal que:

Br (x) ∩ {x ∈ Ω; u(x) 6= 0} = ∅

o que implica que u(y) = 0, ∀ y ∈ Br (x). Em particular, (Br (x) ∩ Ω) é um aberto para
o qual u se anula o que nos leva a concluir que (Br (x) ∩ Ω) ⊂ O e por conseguinte que

x ∈ O, o que prova (7).


182

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P
k
Consideremos u ∈ W m,p (Ω). Então u = uθ0 + uθi . De posse do sistema
i=1

cartas locais acima definido, ponhamos, para cada i = 1, . . . , k:

wi : Ω → K

x 7→ wi (x) = u(x)θi (x).

Evidentemente wi ∈ W m,p (Ω) pois:

X X
||Dα (uθi )||Lp (Ω) ≤ C ||Dα u||Lp (Ω) .
|α|≤m |α|≤m

Notemos que:

(8) S(wi ) = S(uθi ) ⊂ S(u) ∩ S(θi ) = S(u) ∩ supp(θi ) ⊂ Ω ∩ Ui

o que prova ser S(wi ) um compacto do Rn contido em Ui . Logo, d(S(wi ), Rn \Ui ) > 0,

e conseqüentemente S(wi ) não intercepta ∂Ui , onde ∂Ui = fronteira de Ui . Por muito

mais forte razão (conforme (6)) supp(wi ) também não intercepta ∂Ui .

Definamos, agora, para cada i = 1, . . . , k a seguinte aplicação:

vi : Q+ → K

y 7→ vi (y) = wi (ϕ−1
i (y)).

Afirmamos que:

(9) S(vi ) = ϕi (S(wi )).

De fato, seja y ∈ S(vi ). Então ∃ (yν ) ⊂ Q tal que yν → y e vi (yν ) 6= 0. Contudo,


existe x ∈ Ui tal que y = ϕi (x). Afirmamos que x ∈ S(wi ). Com efeito, temos:

xν = ϕ−1 −1 −1
i (yν ) → ϕi (y) = x, xν ∈ Ui e além disso, wi (xν ) = wi (ϕi (yν )) = vi (yν ) 6= 0.
183

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Logo, y ∈ ϕ(S(wi )). Reciprocamente, seja y ∈ ϕi (S(wi )). Então, y = ϕi (x),

para algum x ∈ S(wi ). Logo, existe uma seqüência (xν ) ⊂ Ui tal que xν → x com
wi (xν ) 6= 0. Assim:

yν = ϕi (xν ) → ϕi (x) = y, yν ∈ Q e além disso, vi (yν ) = wi (ϕ−1


i (yν )) = wi (xν ) 6= 0.

Portanto, y ∈ S(vi ) o que prova (9). Ora, sendo ϕi : Ui → Q uma função contı́nua
e S(wi ) um compacto contido em Ui (cf. (8)) segue-se de (9) que S(vi ) é um compacto

contido em Q. Logo, d(S(vi ), Rn \Q) > 0 o que mostra que S(vi ) não intercepta ∂Q,

onde ∂Q é a fronteira de Q.

Lema 1: Seja u ∈ W m,p (Ω) e vi e wi nas condições anteriores. Então; vi ∈ W m,p (Q+ ) ;

∃ C(Ui , ϕi , θi ) > 0 tal que:

||vi ||W m,p (Q+ ) ≤ C(Ui , ϕi , θi ) ||wi ||W m,p (U + )


i

onde Ui+ = Ui ∩ Ω. Além disso, ṽi ∈ W m,p (Rn+ ) onde ṽi é a extensão em Rn+ pondo-se

zero fora de Q+ .
184

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Demonstração: Ponhamos

A(x) = | det(Jϕi (x))|; x ∈ Ui


¡ ¢
onde Jϕi (x) é a matriz jacobiana do difeomorfismo ϕi : Ui → Q. Evidentemente
¡ ¢
A(x) > 0, uma vez que ϕ′ (x) é um isomorfismo, ∀ x ∈ Ui . Temos:
Z Z Z
p p
|vi (y)| dy = |vi (ϕi (x))| A(x) dx = |wi (x)|p A(x) dx
Q+ Ui+ Ui+
(10) Z µ ¶Z
p
= |wi (x)| A(x) dx ≤ max |A(x)| |wi (x)|p dx.
supp(wi ) x∈supp(θi ) Ui+

Por outro lado, pondo-se:

ϕ−1
i (y) = (β1 (y), . . . , βn (y)) = (x1 , . . . , xn )

temos:
X ∂wi n
∂vi ∂ ∂βk
(y) = (wi ◦ ϕ−1
i )(y) = (ϕ−1
i (y)) (y).
∂yj ∂yj ∂yk ∂yj
k=1

Da mesma forma:
Z ¯ ¯p Z X n ¯ ¯p ¯ ¯p
¯ ∂vi ¯ ¯ ∂wi −1 ¯ ¯ ∂βk ¯
¯ (y)¯ dy ≤ C(p) ¯ (ϕ (y))¯ ¯ (y)¯ dy
¯ ¯ ¯ ∂yk i ¯ ¯ ∂yj ¯
Q+ ∂yj Q+ k=1

n Z ¯ ¯p ¯ ¯p
X ¯ ∂wi ¯ ¯ ∂βk ¯
(11) = C(p) ¯ (y)¯¯ ¯ ¯
¯ ¯ ∂yj (ϕi (x))¯ A(x) dx
k=1 Ui+ ∂yk

µ ¶µ ¯ ¯p ¶ X
n Z ¯ ¯p
¯ ∂βk ¯ ¯ ∂wi ¯
≤ C(p) max |A(x) max max ¯¯ (ϕi (x))¯¯ ¯
¯ (x)¯¯ dx.
x∈supp(Ri ) k x∈supp(θi ) ∂yj Ui+ ∂yk
k=1

Analogamente:
µ ¶ n
X µ ¶
∂ 2 vi ∂ ∂vi ∂ ∂wi −1 ∂βk
(y) = (y) = (ϕ (y)) (y) =
∂yr ∂yj ∂yr ∂yj ∂yr ∂yk i ∂yj
k=1
(12)
n ½
X µ ¾
∂ ∂wi −1 ¢ ∂βk ∂wi −1 ∂ 2 βk
= (ϕ (y)) (y) + (ϕ (y)) (y) .
∂yr ∂yj i ∂yj ∂yk i ∂yr ∂yj
k=1
185

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Contudo:

µ n
∂ ∂wi −1 ¢ X ∂ 2 wi ∂βq
(ϕi (y)) = (ϕ−1
i (y)) (y)
∂yr ∂yj q=1
∂yq ∂yk ∂yr

e de (12) vem que:

X n µX
n ¶
∂ 2 vi ∂ 2 wi ∂βq ∂βk
(y) = (ϕ−1
i (y)) (y) (y)
∂yr ∂yj q=1
∂yq ∂yk ∂yr ∂yj
k=1

n
X ∂wi ∂ 2 βk
+ (ϕ−1
i (y)) (y).
∂yk ∂yr ∂yj
k=1

Por um procedimento análogo à parte acima, obtemos:

Z ¯ 2 ¯p X° °
¯ ∂ vi ¯ ° ∂ 2 wi °2
¯ (y)¯¯ dy ≤ C(Ui , ϕi , θi ) ° °
¯
+ ∂yr ∂yj
° ∂xq ∂xk ° p
Q q,k L (Ui+ )

° °
X ° ∂wi °p
+ C(Ui , ϕi , θi ) ° ° .
° ∂xk ° p
k L (Ui+ )

Repetindo os mesmos argumentos obtemos desigualdades do mesmo tipo para as

outras derivadas parciais de vi . Resta-nos provar que ṽi ∈ W m,p (Rn+ ). De fato:

Seja ρ ∈ C0∞ (Rn ) tal que supp(ρ) ⊂ Q e ρ = 1 em uma vizinhança do S(vi ) e

consideremos ϕ ∈ D(Rn+ ). Então:

supp(ϕρ) ⊂ supp(ϕ) ∩ supp(ρ) ⊂ Q ∩ Rn+ = Q+ .

]
Contudo, é bom observar que (D α v ) ∈ Lp (Rn ) uma vez que D α v ∈ Lp (Q+ ).
i + i

]
Assim, se provarmos que (D α v ) = D α ṽ
i i segue-se o desejado. Com efeito,
186

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∀ ϕ ∈ D(Rn+ ), temos:
Z
α |α| α |α|
hD ṽi , ϕi = (−1) hṽi , D ϕi = (−1) ṽi Dα ϕ dx
Rn
+

Z Z
|α| α |α|
= (−1) vi D ϕ dx = (−1) vi Dα (ϕρ) dx
Q+ Q+

= (−1)|α| hvi , Dα (ϕρ)|Q+ i = hDα vi , ϕρi


Z Z
α
= D vi ϕρ dx = Dα vi ϕ dx
Q+ Q+
Z
= ]
(D i
]
α v ) ϕ dx = h(D α v ), ϕi.
i
Rn
+

]
Portanto, Dα ṽi = (D α v ) o que implica que ṽ ∈ W m,p (Rn ) conforme querı́amos
i i +

demonstrar. ¤

Lema 2: Seja W o espaço das funções g ∈ W m,p (Q+ ) tais que todas elas se anulam em

uma vizinhança fixa O de ∂Q+ \Σ. Definamos:

hi (x) = g(ϕi (x)); x ∈ Ui+ .

Então, hi ∈ W m,p (Ui+ ) e existe uma constante C(O, ϕi ) > 0, independente de

g ∈ W tal que:
||hi ||W m,p (U + ) ≤ C(O, ϕi ) ||g||W m,p (Q+ ) .
i

Além disso, h̃i ∈ W m,p (Ω), onde h̃i é a extensão de h nula em Ω\Ui+ .

Demonstração: Seja B(y) = | det Jϕ−1i (y)|. Então, B(y) > 0, ∀ y ∈ Q posto que
¡ −1 ′ ¢
(ϕi ) (y) é um isomorfismo. Analogamente ao que fizemos no item anterior temos:
Z Z Z
p −1 p
|hi (x)| dx = |hi (ϕi (y))| B(y) dy = |g(y)|p B(y) dy
Ui+ Q+ supp(g)

µ ¶Z
≤ sup B(y) |g(y)|p dy.
y∈Q+ \O Q+

187

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Se procedermos como no lema anterior, obtemos uma constante C(O, ϕi ) > 0,

independente de g ∈ ∈ W tal que:

||hi ||W m,p (U + ) ≤ C(O, ϕi ) ||g||W m,p (Q+ ) .


i

Para provarmos que h̃i ∈ W m,p (Ω) basta considerarmos, conforme no lema an-
terior, uma aplicação ρ ∈ C0∞ (Rn ) tal que ρ = 1 em uma vizinhança do S(hi ). Assim,

se ϕ ∈ D(Ω) obtemos de maneira análoga:

^
hDα h̃i , ϕi = h(D α h ), ϕi
i

o que prova o desejado. ¤

Nota: Se em lugar de Q+ considerarmos Q e fixarmos uma vizinhança O de ∂Q obte-


mos, de forma análoga o seguinte resultado:

Corolário 1: Nas condições anteriores hi ∈ W m,p (Ui ) e existe uma constante

C(O, ϕi ) > 0, independente de g ∈ W tal que:

||hi ||W m,p (Ui ) ≤ C(O, ϕi ) ||g||W m,p (Q) .

Teorema 1: Seja Ω aberto limitado bem regular. Então D(Ω) é denso em W m,p (Ω).

Demonstração: Seja u ∈ W m,p (Ω). Então, por cartas locais podemos escrever:

k
X
u = uθ0 + uθi .
i=1

Ponhamos, como antes:

wi = uθi e vi = wi ◦ ϕ−1
i .
188

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Como supp(θ0 ) ⊂ Ω então:

supp(w0 ) = supp(uθ0 ) ⊂ supp(u) ∩ supp(θ0 ) ⊂ supp(θ0 ) ⊂ Ω

e conseqüentemente temos que w0 ∈ W0m,p (Ω).


Consideremos para i = 1, 2, . . . , k:

 vi em Q+
ṽi =

0 em Rn+ \Q+ .

De acordo com o Lema 1, ṽi ∈ W m,p (Rn+ ). Logo, existem (ψi,ν ) ⊂ D(Rn+ ) e

(ηi,ν ) ⊂ D(Rn ) tal que ηi,ν |Rn = ψi,ν :


+

(13) ψi,ν → ṽi em W m,p (Rn+ ) quando ν → +∞.

Consideremos, agora, ρ ∈ C0∞ (Rn ) tal que supp(ρ) ⊂ Q e ρ = 1 em uma vizi-


nhança do S(vi ). Logo:

(14) ρψi,ν → ρṽi em W m,p (Rn+ ) quando ν → +∞.

Com efeito, temos de acordo com a fórmula de Leibniz que:


¯ ¯p
¯ µ ¶ ¯
¯X α ¯
|D (ρψi,ν − ρṽi )| = ¯¯
α p β
(D ρ)(D α−β
(ψi,ν − ṽi ))¯¯
¯β≤α β ¯

X µα¶
≤ C(p) |Dβ ρ|p |Dα−β (ψi,ν − ṽi )|p .
β
β≤α

Logo, para todo α ∈ Nn ; |α| ≤ m, e de acordo com a convergência em (13)

obtemos:
Z XZ
α p m
|D (ρψi,ν − ρṽi )| dx ≤ 2 C(p) |Dβ ρ|p |Dα−β (ψi,ν − ṽi )|p dx
Rn
+ β≤α Rn
+

µ ¶XZ
β p
≤ C(p, m) max sup |D ρ(x)| |Dα−β (ψi,ν − ṽi )|p dx → 0
|β|≤m x∈Rn Rn
β≤α +

189

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quando ν → +∞, o que prova a afirmação em (14). Segue-se imediatamente de (14)

que:

(15) (ρψi,ν )|Q+ → (ṽi )|Q+ em W m,p (Q+ ).

Contudo, para todo ν ∈ N temos:

supp(ρψi,ν ) ⊂ supp(ρ) ⊂ Q

o que implica que, para cada ν ∈ N, o supp(ρψν ) é um compacto contido em Q. Além

disso, como supp(ρψi,ν ) ⊂ supp(ρ) então, qualquer que seja ν, temos a existência de

uma vizinhança V de ∂Q tal que supp(ρ) ∩ V = ∅ e portanto:

supp(ρψi,ν ) ∩ V = ∅

∀ ν ∈ N. Pondo-se:

gi,ν (y) = vi (y) − (ρψi,ν )(y); y ∈ Q+

temos ainda que ∀ ν ∈ N:

supp(gi,ν ) ⊂ supp(vi ) ∪ supp(ρψi,ν ) ⊂ S(vi ) ∪ supp(ρ) ⊂ Q

o que implica que supp(gi,ν ) é, para todo ν, um subconjunto compacto contido em Q e,
pelos mesmos argumentos expostos anteriormente, temos a existência de uma vizinhança

O de ∂Q tal que, ∀ ν ∈ N, todas as (gi,ν ) se anulam nesta vizinhança. Pondo-se para

cada ν:

ξi,ν (x) = (ρηi,ν )(ϕi (x)), x ∈ Ui

temos de acordo com o Lema 2 que, para todo x ∈ Ui+ :

hi,ν (x) = gi,ν (ϕi (x)) = vi (ϕi (x)) − (ρψiν )(ϕi (x)) = wi (x) − ξi,ν (x)
190

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é para cada ν, uma função pertencente a W m,p (Ui+ ). Além disso, ∃ C(ϕi , O) > 0 tal

que:
||hi,ν ||W m,p (U + ) ≤ C(O, ϕi ) ||gi,ν ||W m,p (Q+ )
i

ou equivalentemente que:

||wi − ξi,ν ||W m,p (U + ) ≤ C(O, ϕi ) ||vi − ρψi,ν ||W m,p (Q+ ) .
i

Segue-se da desigualdade acima e da convergência em (15) que:

(16) ξi,ν |U + → wi em W m,p (Ui+ ).


i

Contudo, temos ainda do Lema 2 que (w^


i − ξi,ν ) ∈ W
m,p
(Ω), onde (w^
i − ξi,ν )

representa a extensão de (wi − ξi,ν ) nula em Ω\Ui+ . Assim, pelo fato de:

||(w^
i − ξi,ν )||W m,p (Ω) = ||wi − ξi,ν ||W m,p (U + )
i

resulta da convergência em (16) que:

¡ ¢
(17) ξ^
i,ν |U + → wi em W m,p (Ω)
i

onde a extensão acima é em relação a Ω.

Convém observar que pelo fato de:

supp(ξi,ν ) = ϕ−1
i [supp(ρηi,ν )]

e uma vez que supp(ρηi,ν ) é um compacto do Rn contido em Q então o supp(ξi,ν ) é


um compacto do Rn contido em Ui e portanto ξi,ν pode ser estendida zero fora de Ui .

Conseqüentemente ξ˜i,ν ∈ D(Rn ), isto para todo i = 1, 2, . . . , k.

Por outro lado, como w0 ∈ W0m,p (Ω) então, ∃ (ξ0,ν ) ⊂ D(Ω) tal que:

(18) ξ0,ν → w0 em W m,p (Ω).


191

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Denotando-se por ξ˜0,ν a extensão de ξ0,ν nula fora de Ω e pondo-se:

ξν = ξ˜0,ν + ξ˜1,ν + · · · + ξ˜k,ν

P
k
então, evidentemetne ξν ∈ D(Rn ) e do fato que u = uθ0 + uθi e além disso face as
i=1
¡ ¢
convergências em (17), (18) e do fato que ξ˜i,ν |Ω = ξ^
i,ν |U + resulta que:
i

||u − ξν ||W m,p (Ω) ≤


° ° ° ° ° °
° ° ° ° ° °
≤ °w0 − ξ˜0,ν |Ω ° + °w1 − ξ˜1,ν |Ω ° + · · · + °wk − ξ˜k,ν |Ω ° →0
W m,p (Ω) W m,p (Ω) W m,p (Ω)

quando ν → +∞ o que encerra a prova do teorema. ¤

Teorema 2: Seja Ω um subconjunto aberto limitado bem regular do Rn . Então Ω tem


a propriedade do (m − p) prolongamento com relação à todo m ≥ 1 e p ≥ 1.

Demonstração: Seja ϕ ∈ D(Ω). Então existe ψ ∈ C0∞ (Rn ) tal que ψ|Ω = ϕ.
Para cada i = 1, 2, . . . , k, ponhamos:

ξi (y) = (ψθi )(ϕ−1


i (y)), y ∈ Q.

Como,
supp(ψθi ) ⊂ supp(θi ) ⊂ Ui

resulta que o supp(ψθi ) é um compacto contido em Ui .

Agora, pelo fato de:

ϕi [supp(ψθi )] = supp(ξi )

e ϕi é por sua vez um difeomorfismo vem que o supp(ξi ) é um compacto contido em Q.

Desta forma, denotando-se por ξ˜i a extensão de ξi pondo-se zero fora de Q concluı́mos

que ξ˜i ∈ C0∞ (Rn ) e conseqüentemente:

ξ˜i |Rn ∈ D(Rn+ ).


+

192

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Por outro lado, sabemos (cf. Proposição 2, seção 3.1) que o Rn+ possui a pro-

priedade do (m − p)-prolongamento. Mais precisamente, existe um operador linear e


contı́nuo:

(19) P : W m,p (Rn+ ) → W m,p (Rn )

tal que (P v)|Rn = v, ∀ v ∈ W m,p (Rn+ ).


+

Em particular, para cada i = 1, 2, . . . , k temos:

¡ ¢ ° ¡ ¢°
° ˜ °
(20) P ξ˜i |Rn = ξ˜i e °P ξi |Rn ° ≤ C||ξ˜i ||W m,p (Rn )
+ + W m,p (Rn ) +

onde C > 0 é uma constante que independe de i.


Definamos, para cada i = 1, 2, . . . , k:

¡ ¢
(21) Pi (ϕθi )(x) = P ξ˜i |Rn (ϕi u)(x), x ∈ Ui
+

(22) P0 (ϕθ0 )(x) = (ϕθ0 )(x), x ∈ Ω.

Considerando-se o operador dado em (19) como sendo aquele obtido na Propo-

sição 2 da seção 3.1 e obervando-se que ξ˜i possui suporte compacto contido em Q,
¡ ¢
afirmamos que P ξ˜i |Rn também possui suporte compacto contido em Q. Com efeito,
+

da Proposição 2 da seção 3.1, tı́nhamos:

 ¯

 ξ˜i ¯Rn (x′ , xn ) se xn ≥ 0

 +
¡ ¯ ¢ 
P ξ˜i ¯Rn (x′ , xn ) = k
+ 
 X


 cν ξ˜i |Rn (x′ , −νxn ) se xn < 0
+
ν=1

Ponhamos:

K = supp(ξ˜i ).
193

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+
Denotando-se por K + a restrição à Q e por K − o conjunto obtido por reflexão

de K + em relação ao Rn−1 temos para xn < 0:

µX
k ¶ k
[ ¡ ¢
supp cν ξ˜i |Rn (x′ , −νxn ) = ˜ n (x′ , −νxn ) ⊂ K + .
supp ξ| R
+ +
ν=1 ν=1

Donde:
¡ ¢
supp P (ξ˜i |Rn ) ⊂ K + ∪ K − ⊂ Q
+

o que prova a afirmação. Resulta daı́ e do fato que:

£ ¤
S(Pi (ϕθi )) = ϕ−1
i S(p(ξ˜i |Rn )) ,
+

que S(Pi (ϕθi )) é um conjunto compacto do Rn contido em Ui .


¡ ¢
Agora, como P ξ˜i |Rn ∈ W m,p (Q) vem de (21) que Pi (ϕθi ) ∈ W m,p (Ui ) e do
+

exposto acima podemos estender Pi (ϕθi ) pondo-se zero fora de Ui , à uma aplicação

Pei (ϕθi ) ∈ W m,p (Rn ). Temos que:


° ° ° ¡ ¢°
°e ° ° ˜ °
°Pi (ϕθi )° = kPi (ϕθi )kW m,p (Ui ) ≤ C(O, ϕi ) °P ξi |Rn °
wm,p (Rn ) + W m,p (Q)
° ¡ ¢°
° °
= C(O, ϕi ) °P ξ˜i |Rn ° ≤ C ′ (O, ϕi ) ||ξ˜i ||W m,p (Rn )
+ W m,p (Rn ) +

= C ′ (O, ϕi ) ||ξi ||W m,p (Q+ )

e do Lema 1 a última expressão ainda é menor que:

C(O, Ui , ϕi , θi ) ||ϕθi ||W m,p (U + )


i

ou seja:

° °
°e °
(23) °Pi (ϕθi )° ≤ C(O, Ui , ϕi , θi ) ||ϕθi ||W m,p (U + ) .
W m,p (Rn ) i

194

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Pondo-se Pe0 (ϕθ0 ) extensão de P0 (ϕθ0 ) pondo-se zero fora de Ω definimos:

(24) P ∗ ϕ = Pe0 (ϕθ0 ) + Pe1 (ϕθ1 ) + · · · + Pek (ϕθk ), ϕ ∈ D(Ω).

Evidentemente P ∗ ϕ ∈ W m,p (Rn ). Além disso de (23) obtemos:

° °
° °
||P ∗ ϕ||W m,p (Rn ) = °Pe0 (ϕθ0 )°
W m,p (Rn )
° ° ° ¯
° ° ° ¯
+ °Pe1 (ϕθ1 )° + · · · + °Pek (ϕθk )¯
W m,p (Rn ) W m,p (Rn )
(25)
≤ ||ϕθ0 ||W m,p (Ω) + C1 ||ϕθ1 ||W m,p (U + ) + · · · + C1 ||ϕθk ||W m,p (U + )
i i

© ª
≤ C2 ||ϕθ0 ||W m,p (Ω) + ||ϕθ1 ||W m,p (Ω) + · · · + ||ϕθk ||W m,p (Ω) .

Contudo, para cada i = 1, 2, . . . , k e ∀ |α| ≤ m, temos:

X µα¶ X
α
|D (ϕθi )| ≤ |(Dα−β ϕ)(Dβ θi )| ≤ C3 |Dα−β ϕ| |Dβ θi |.
β
β≤α β≤α

Logo:

Z XZ Z
α p α−β p β p
(26) |D (ϕθi )| = C4 |D ϕ| |D θi | dx ≤ C5 (θi ) |Dα−β ϕ|p dx
Ω β≤α Ω Ω

e de (25) e (26) resulta que:

© ª
||P ∗ ϕ||W m,p (Rn ) ≤ C6 ||ϕ||W m,p (Ω) + ||ϕ||W m,p (Ω) + · · · + ||ϕ||W m,p (Ω)

ou seja:

||P ∗ ϕ||W m,p (Rn ) ≤ C ||ϕ||W m,p (Ω) .

Desta forma fica definida uma aplicação linear e contı́nua:

P ∗ : D(Ω) → W m,p (Rn )

ϕ 7→ P ∗ ϕ
195

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que por densidade podemos estender a uma aplicação linear e contı́nua:

(27) Pe∗ : W m,p (Ω) → W m,p (Rn ).

Resta-nos provar que:

(28) Pe∗ u|Ω = u q.s. em Ω, ∀ u ∈ W m,p (Ω).

Logo, ∃(ην ) ⊂ D(Ω) tal que

(29) ην → u em W m,p (Ω)

o que implica que:

(30) Pe∗ ην → Pe∗ u em W m,p (Rn ).

Contudo, de (24) resulta que:

Pe∗ ην = P ∗ ην = Pe0 (ην θ0 ) + Pe1 (ην θ1 ) + · · · + Pek (ην θk ).

S
k
Seja x ∈ Ω. Como Ω, U1 , . . . , Uk é uma cobertura de Ω resulta que x ∈ Ω ∪ .
j=1

Sendo assim,
k
X
Pe∗ ην (x) = Pe0 (ην θ0 )(x) + Pej (ην θj )(x)
j=1

e de (20), (21) e (22) podemos escrever:

k
X k
X
£ ¤
Pe∗ ην (x) = (ην θ0 )(x) + (ην θj )(x) = ην θ0 (x) + θj (x) = ην (x)
j=1 j=1

para todo x ∈ Ω, i.é,

(31) Pe∗ ην |Ω = ην .
196

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De (30) temos que:

(32) Pe∗ ην |Ω → Pe∗ u|Ω em W m,p (Ω).

De (29) e (31) e da unicidade do limite em W m,p (Ω) concluı́mos que:

Pe∗ u|Ω = u em W m,p (Ω)

o que prova o desejado em (28) e conclui a demonstração. ¤

3.3 Resultados de Imersões e Compacidade para W m,p (Ω)

Temos o seguinte resultado de imersão:

Teorema 1: Seja Ω um aberto limitado bem regular do Rn ou do Rn+ . Para n ≥ 2


temos:
1 1 m
(a) Se mp < n então W m,p (Ω) ֒→ Lq (Ω) onde = − ·
q p n
(b) Se mp = n então W m,p (Ω) ֒→ Lq (Ω) ∀ q ∈ [p, +∞[ .
n
(c) Se mp > n e k ∈ N tal que k < m − ≤ k + 1 então W m,p (Ω) ֒→ C k,λ (Ω)
p
onde:
n n
(c.i) 0<λ<m−k− se m − k − < 1.
p p
n
(c.ii) 0 < λ < 1 se m − k − = 1.
p

Demonstração: Provaremos apenas o item (a) já que os demais têm um procedimento

análogo. Seja u ∈ W m,p (Ω) e P : W m,p (Ω) → W m,p (Rn ) operador de prolongamento.
Então P u ∈ W m,p (Rn ) e pelos resultados de imersão obtidos no Capı́tulo 2 resulta que:

||u||Lq (Ω) = ||P u||Lq (Ω) ≤ ||P u||Lq (Rn ) ≤ C1 ||P u||W m,p (Rn ) ≤ C2 ||u||W m,p (Ω)
197

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o que prova o desejado. ¤

Teorema 2: Seja I aberto limitado de R. Então:

e 1
(a) W m,p (I) ֒→ C m−1,λ (I); 0<λ≤1− ; 1 < p < +∞
p

(b) e
W m,1 (I) ֒→ Cbm−1 (I)

(c) e
W m,+∞ (I) ֒→ C m−1,1 (I)

Demonstração: Decorre do Teorema 4 do Capı́tulo 2 seção 2.1 usando-se um raciocı́nio

análogo ao empregado no teorema anterior. ¤

O próximo passo é demonstrar um teorema de compacidade devido a Rellich-

Kondrachov. Contudo, no decorrer da prova, necessitaremos do teorema de Fréchet-


Kolmogorov cuja prova pode ser encontrada em Brézis (Análise Funcional). Tal resul-
tado é o seguinte:

Lema 1. (Fréchet-Kolmogorov): Sejam Ω ⊂ Rn um conjunto aberto e consideremos F

um subconjunto limitado de Lp (Ω) com 1 ≤ p < +∞. Suponhamos que:

(1) ∀ ε > 0, ∃ ω ⊂⊂ Ω tal que ||f ||Lp (Ω\ω) < ε; ∀ f ∈ F

(2) ∀ ε > 0, ∀ ω ⊂⊂ Ω ∃ δ > 0, δ < dist(ω, Rn \Ω) tal que ||τh f − f ||Lp (Ω\ω) < ε

∀ h ∈ Rn com |h| < δ e ∀ f ∈ F.

Então F é relativamente compacto em Lp (Ω). ¤

Teorema 3 (Rellich-Kondrachov): Seja Ω um subconjunto aberto limitado e bem re-


gular do Rn , n ≥ 2. Então as seguintes imersões são compactas:
c np
(i) W 1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω); 1 ≤ q < se p < n.
n−p
198

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c
(ii) W 1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω); 1 ≤ q < +∞ se p = n.
c
(iii) W 1,p (Ω) ֒→ C 0 (Ω); se p > n.

Demonstração: (i) Seja F um conjunto limitado em W 1,p (Ω). De acordo com o

teorema de imersão de Sobolev (cf. Teorema 1 desta seção) temos:

∗ 1 1 1
W 1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω) onde = − ·
q∗ p n

Contudo, pelo fato de Ω ser limitado, temos:


Lq (Ω) ֒→ Lq (Ω), ∀ q ∈ [1, q ∗ ].

Logo:

(3) W 1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω), ∀ q ∈ [1, q ∗ ].

Desta forma, como F é limitado em W 1,p (Ω) resulta da imersão acima que F é

limitado em Lq (Ω), ∀ q ∈ [1, q ∗ ]. Provaremos a seguir que F é relativamente compacto


em Lq (Ω), ∀ q ∈ [1, q ∗ [ usando o critério dado no Lema 1. Provaremos inicialmente o

item (i) do lema. Com efeito, sejam ε > 0, 1 ≤ q < q ∗ e u ∈ F. Ora pelo fato de

0 ≤ q < q ∗ vem que q = λ · 0 + (1 − λ)q ∗ onde 0 < λ < 1. Pondo-se:

1 1
ρ= e ρ′ =
1−λ λ

resulta que:
1 1 1 1
q= ′
· 0 + · q∗ e ′
+ = 1.
ρ ρ ρ ρ

Sendo ω ⊂⊂ Ω então da relação acima e por Hölder obtemos:


Z µZ ¶ ρ1 µ Z ¶ 1′
¡ ¢ ρ ′ ρ
|u|q dx ≤ |u|q dx 1ρ dx
Ω\ω Ω\ω Ω\ω

µZ ¶ qq∗
£ ¤1 q∗
= med(Ω\ω) ρ′ |u| dx
Ω\ω
199

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i.é,

µZ ¶ q1
q
¡ ¢ 1
(4) |u| dx ≤ med(Ω\ω) ρ′ q ||u||Lq∗ (Ω) .
Ω\ω

Por outro lado seja (Kν )ν∈N uma sucessão de compactos de Ω tais que:

+∞
[
Kν ⊂ Kν+1 e Ω= Kν .
ν=1

Em virtude das propriedades acima obtemos:

med(Ω) = lim med(Kν ).


ν→+∞

Logo, para o ε > 0 dado ∃ ν0 ∈ N tal que:

1 ρ′ q
(5) med(Ω\Kν ) = med(Ω) − med(Kν ) < ε , ∀ ν ≥ ν0
C

onde C > 0 é tal que:

||u||Lq∗ (Ω) ≤ C, ∀ u ∈ F.

Assim, elegendo-se por exemplo:


ω = K ν0

de (4) e (5) segue-se que:

||u||Lq (Ω\ω) < ε, ∀u ∈ F

o que prova o desejado.

Provaremos, a seguir, o item (2). Para isto, sejam ε > 0, u ∈ F,

1 ≤ q < q ∗ , ω ⊂⊂ Ω e consideremos h ∈ Rn com |h| < dist(ω, Rn \Ω). Observemos


200

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que com |h| nestas condições temos que (x + h) ∈ Ω seja qual for o x ∈ ω. Resulta daı́,

de (3) e da desigualdade de interpolação (cf. Proposição 5 da seção 2.1) que:

(6) ||τh u − u||Lq (ω) ≤ ||τh u − u||θL1 (ω) ||τh − u||1−θ


Lq∗ (ω)

1 1 1 ¤ 1 £
onde 0 < θ < 1 e é tal que = θ · 1 + (1 − θ) ∗ (note-se que ∈ ∗ , 1 ). Contudo,
q q q q
de acordo com o item (iii) da Proposição 1 da seção 1.5 tem-se:

(7) ||τh u − u||L1 (ω) ≤ |h| ||∇u||L1 (Ω) .

Agora, como:

Z Z
q∗ q∗ ∗ q∗
(8) kτh ukLq∗ (ω) = |u(x + h)| dx = |u(y)|q dy ≤ kukLq∗ (Ω)
ω ω+h

então de (6), (7) e (8) obtemos:

¡ ¢θ ¡ ¢1−θ
(9) kτh u − ukLq (ω) ≤ |h| k∇ukL1 (Ω) 2 kukLq∗ (Ω) .

Notemos que:

Z µXn ¯ ¯ ¶1 Z X n ¯ ¯
¯ ∂u ¯2 2 ¯ ∂u ¯
||∇u||L1 (Ω) ¯ ¯ dx ≤ C1 ¯ ¯
= ¯ ∂xi ¯ ¯ ∂xi ¯ dx ≤ C1 ||u||W 1,1 (Ω) .
Ω i=1 Ω i=1

Da desigualdade acima e do fato que W 1,p (Ω) ֒→ W 1,1 (Ω) resulta que:

(10) ||∇u||L1 (Ω) ≤ C2 ||u||W 1,p (Ω)

e de (9) e (10) obtemos

¡ ¢θ ¡ ¢1−θ
||τh u − u||Lq (ω) ≤ |h|θ C2 ||u||W 1,p (Ω) 2 ||u||Lq∗ (Ω) .
201

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Como u ∈ F e F é limitado em W 1,p (Ω), da desigualdade acima e de (3) obtemos

a existência de uma constante C > 0 tal que:

(11) ||τh u − u||Lq (ω) ≤ C |h|θ ; ∀ u ∈ F.

Para uma escolha suficientemente pequena de |h| conclui-se de (11) que:

||τh u − u||Lq (ω) < ε

o que prova o item (i).

(ii) Seja F um subconjunto limitado de W 1,p (Ω). De acordo com o Teorema 1

desta seção temos:

W 1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω); ∀ q ∈ [p, +∞).

Entretanto, pelo fato de Ω ser limitado resulta que:

Lq (Ω) ֒→ Lr (Ω); ∀ r ∈ [1, q]; ∀ q ∈ [1, +∞)

o que implica que:

W 1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω), ∀ q ∈ [1, +∞).

Como F é limitado em W 1,p (Ω) resulta da imersão acima que F é limitado em


Lq (Ω), ∀ q ∈ [1, +∞). Agora, para provarmos que F é relativamente compacto para

todo q ∈ [1, +∞) basta escolher q ∗ ∈ [1, +∞) de modo que 1 ≤ q ≤ q ∗ e proceder como

no caso (i).
n
(iii) Seja F um conjunto limitado em W 1,q (Ω). Como p > n então 0 < 1 − <1
p
e de acordo com o Teorema 1 desta seção:

W 1,p (Ω) ֒→ C 0,λ (Ω)


202

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n
onde 0 < λ < 1 − · Logo, F é limitado em C 0,λ (Ω) ou seja ∃ C > 0 tal que:
p

|u(x) − u(y)|
(12) sup |u(x)| + sup ≤ C, ∀ u ∈ F.
x∈Ω
||x − y||λ
x,y∈Ω
x6=y

Provaremos, a seguir, que F é relativamente compacto em C 0 (Ω). Com efeito,


face ao teorema de Arzelá-Ascoli, basta provarmos que F é equicontı́nuo, uma vez que
¡ ε ¢ λ1
é limitado em C 0 (Ω). Consideremos, então, ε > 0 dado. Logo, existe δ = > 0 tal
C
que para todo x, y ∈ Ω com ||x − y|| < δ tem-se de (12) que:

ε
|u(x) − u(y)| ≤ C ||x − y||λ ≤ C · δ λ = C · =ε
C

isto seja qual for o u pertencente a F, o que prova a equicontinuidade de F e encerra a

demonstração do teorema. ¤

Corolário 1: Seja Ω um subconjunto aberto limitado bem regular do Rn , n ≥ 2. Então

as seguintes imersões são compactas:


c np
(i) W m+1,p (Ω) ֒→ W m,q (Ω); 1≤q< se p < n.
n−p
c
(ii) W m+1,p (Ω) ֒→ W m,q (Ω); 1 ≤ q < +∞ se p = n.
c
(iii) W k+1,p (Ω) ֒→ C m (Ω); se p > n.

Demonstração: (i) Seja (uν ) uma seqüência limitada de W m+1,p (Ω). Provaremos

que existe uma subseqüência desta que converge forte em W m,q (Ω). Com efeito, como

(uν ) é uma seqüência limitada de W m+1,p (Ω) então (Dα uν ) é limitada em W 1,p (Ω) para
todo α ∈ Nn com |α| ≤ m. De acordo com o Teorema 3.1(i) temos que (Dα uν ) possui

uma subseqüência que ainda denotaremos pelo mesmo sı́mbolo, tal que:

np
D α uν → D α u em Lq (Ω); 1≤q< , α ∈ Nn com |α| ≤ m
n−p
203

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já que p < n por hipótese. Logo:

np
uν → u em W m,q (Ω); 1≤q<
n−p

o que prova o desejado.


(ii) Prova análoga ao item (i).

(iii) Seja (uν ) uma seqüência limitada de W m+1,p (Ω). Então (Dα uν ) é limitada

em W 1,p (Ω) para todo α ∈ Nn com |α| ≤ m. De acordo com o Teorema 3.1(iii) temos
que (Dα uν ) possui uma subseqüência, que ainda denotaremos pelo mesmo sı́mbolo tal

que:
D α uν → D α u em C 0 (Ω), ∀ α ∈ Nn com |α| ≤ m.

Assim:

uν → u em C m (Ω)

o que encerra a prova. ¤

Corolário 2: Seja Ω um aberto limitado bem regular do Rn , n ≥ 2. A seguinte imersão

é compacta:
c
W m+1,p (Ω) ֒→ W m,p (Ω); 1 ≤ p < +∞.

Demonstração: Seja p ∈ [1, +∞). Procederemos por indução em m.

Se m = 0 afirmamos que a imersão é verdadeira, i.é, provaremos que:

c
W 1,p (Ω) ֒→ Lp (Ω).

De fato, temos três casos a considerar:

(i) p < n
Neste caso (n − p) > 0 e daı́ vem que:

np
−p2 < 0 ⇔ pn − p2 < pn ⇔ p(n − p) < pn ⇔ p < ·
n−p
204

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Logo:
np
1 ≤ p < q∗ =
n−p

c
e de acordo com o Teorema 3(i) resulta que W 1,p (Ω) ֒→ Lp (Ω).

(ii) p = n
c
Novamente pelo Teorema 3(ii) temos diretamente que W 1,p (Ω) ֒→ Lp (Ω).

(iii) p > n
c
Finalmente, pelo item (iii) do mesmo teorema temos que W 1,p (Ω) ֒→ C 0 (Ω) e
c c
pelo fato de C 0 (Ω) ֒→ Lp (Ω) vem que W 1,p (Ω) ֒→ Lp (Ω) o que prova a veracidade do

teorema no caso m = 0. Suporemos verdadeiro que:

c
W m+1,p (Ω) ֒→ W m,p (Ω)

e provaremos que:
c
W m+2,p (Ω) ֒→ W m+1,p (Ω).

Com efeito, seja (uν ) uma seqüência limitada em W m+2,p (Ω). Então, pelo fato

que W m+2.p (Ω) ֒→ Lp (Ω) resulta que (uν ) é limitada em W m+1,p (Ω) e desta forma
existirá uma subseqüência desta, que ainda denotaremos pelo mesmo sı́mbolo tal que

uν → u em W m,p (Ω).

µ ¶
∂uν
Também, é limitada em W m+1,p (Ω) para todo i = 1, 2, . . . , n. Pela
∂xi
µ ¶
∂uν
hipótese indutiva tem uma subseqüência, que continuamos denotando pelo
∂xi
mesmo sı́mbolo tal que:
∂uν ∂u
→ em W m,p (Ω).
∂xi ∂xi
205

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Logo:

uν → u em W m+1,p (Ω)

o que conclui a prova. ¤

Corolário 3: Seja Ω um aberto limitado em Rn sem nenhuma restrição em sua fronteira.

Então a seguinte imersão é compacta:

c
W0m+1,p (Ω) ֒→ W0m,p (Ω).

Demonstração: Seja O uma bola aberta do Rn contendo Ω. Consideremos a dia-


gramação:

ext. Id. rest.


W0m+1,p (Ω) −→ W m+1,p (O) −→ W m,p (O) −→ W m,p (Ω)

u 7→ ũ 7→ ũ 7→ u

onde ũ é a extensão de u a O pondo-se zero fora de Ω, ext. é a aplicação extensão, rest.


é a aplicação restrição e Id. é a identidade. Notemos que extensão é uma isometria, a

restrição é uma aplicação contı́nua e de acordo com o Corolário 2 a identidade é uma

aplicação compacta, já que a bola é um aberto limitado bem regular. Resulta daı́ que

a composição de tais aplicações é compacta e por conseguinte W0m+1,p (Ω) está imerso
compactamente em W m,p (Ω). ¤

Teorema 4: Seja Ω um aberto limitado bem regular do Rn , n ≥ 2. Então as seguintes

imersões são compactas:


c np
(i) W m,p (Ω) ֒→ Lq (Ω); 1≤q< se mp < n.
n − mp
c
(ii) W m,p (Ω) ֒→ Lq (Ω); 1 ≤ q < +∞ se mp = n.
206

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c n
(iii) W m,p (Ω) ֒→ C k (Ω); se mp > n, onde k < m − ≤ k + 1, k ∈ N.
p

Demonstração: (i) Observemos inicialmente que para m = 1 o teorema é satisfeito


de acordo com o Teorema 3(i) desta seção. Consideremos, então, m ≥ 2. Pondo-se:

np
q ∗∗ =
n − mp

temos:
1 1 m 1 (m − 1) 1
∗∗
= − = − − ·
q p n p n n

Pondo-se:

1 1 (m − 1) n − (m − 1)p
(10) ∗
= − =
q p n np

então:
1 1 1 n − q∗
= − = ·
q ∗∗ q∗ n nq ∗

Do fato que mp < n, por hipótese, resulta que:

np np
(m−1)p < n−p ⇔ −(m−1)p > −n+p ⇔ n−(m−1)p > p ⇔ < =n
n − (m − 1)p p

ou seja, de (10):

q ∗ < n.

Logo, de acordo com o Teorema 3(i) obtemos:

∗ c nq ∗
(11) W 1,q (Ω), ֒→ Lq (Ω); 1≤q< = q ∗∗ se mp < n.
n − q∗

Por outro lado, de (10) e em virtude do teorema de imersão de Sobolev (Teore-

ma 1 desta seção) obtemos:



W m−1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω)
207

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o que implica que


(12) W m,p (Ω) ֒→ W 1,q (Ω).

Assim, de (11) e (12) resulta que:

c nq ∗
W m,p (Ω), ֒→ Lq (Ω); 1≤q< ∗
= q ∗∗
n−q

o que prova o item (i).

(ii) Procederemos por indução em m.

Para m = 1 a asserção é válida conforme Teorema 3(ii). Suponhamos que


c
W m,p (Ω), ֒→ Lq (Ω); 1 ≤ q < +∞ se mp = n. Provaremos que:

c
W m+1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω); 1 ≤ q < +∞ se (m + 1)p = n.

De fato, como (m + 1)p = n por hipótese, então:

m+1 1 1 1 m
= ⇒ = −
n p n p n

e portanto, pelo teorema de imersão de Sobolev (cf. Teorema 1 desta seção) temos:

W m,p (Ω) ֒→ Ln (Ω) (note-se que mp < n pois (m + 1)p = n)

e por conseguinte:

(13) W m+1,p (Ω) ֒→ W 1,n (Ω).

Contudo, pela hipótese indutiva, temos:

c
(14) W 1,n (Ω) ֒→ Lq (Ω), 1 ≤ q < +∞.
208

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Conseqüentemente de (13) e (14) resulta que:

c
W m+1,p (Ω) ֒→ Lq (Ω), 1 ≤ q < +∞

o que prova o item (ii).

(iii) Temos:

n n
k <m− ≤ k + 1 ⇔ 0 < m − k − ≤ 1.
p p

n
Pondo-se λ0 = m − k − então do Teorema 1 vem que:
p

W m,p (Ω) ֒→ C k,λ (Ω); 0 < λ ≤ λ0 se λ0 < 1


(15)
W m,p (Ω) ֒→ C k,λ (Ω); 0 < λ < 1 se λ0 = 1

Provaremos, a seguir, que a imersão de C k,λ (Ω) em C k (Ω) é compacta. De fato,

se F é subconjunto limitado de C k,λ (Ω), ∃ C > 0 tal que:

|Dα u(x) − Dα u(y)|


max sup |Dα u(x)| + max sup ≤ C, ∀ u ∈ F.
|α|≤k| x∈Ω |α|≤K ||x − y||λ
x,y∈Ω
x6=y

Segue-se daı́ que:

|Dα u(x) − Dα u(y)| ≤ C ||x − y||λ , ∀ x, y ∈ Ω, ∀ u ∈ F e ∀ |α| ≤ k.

Resulta da desigualdade acima que F é equicontı́nuo em C k (Ω). Como F é

limitado em C k (Ω) uma vez que C k,λ (Ω) ֒→ C k (Ω) resulta, face ao teorema de Arzelá-

Ascoli que F é relativamente compacto em C k (Ω) o que prova que:

c
(16) C k,λ (Ω) ֒→ C k (Ω).
209

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c
Segue-se de (15) e (16) que W m,p (Ω) ֒→ C k (Ω) conforme querı́amos demonstrar.

Teorema 5: Seja I um aberto limitado de R. As seguintes imersões são compactas:


c
(i) e
W 1,p (I) ֒→ C(I), 1 < p ≤ +∞.
c
(ii) W 1,1 (Ω) ֒→ Lq (I), 1 ≤ q < +∞.

Demonstração: (i) Seja F um conjunto limitado de W 1,p (I). De acordo com o

Teorema 2 itens (a) e (c) temos:

e e 1
W 1,p (I) ֒→ C 0,λ (I) e W 1,+∞ (I) ֒→ C 0,1 (I), 1≤λ≤1− ·
p

e assim como é limitado em C 0,1 (I).


Logo, F é limitado em C 0,λ (I) e Assim, existem

constantes C1 e C2 positivas tais que:

|u(x) − u(y)| |u(x) − u(y)|


sup |u(x)| + sup λ
≤ C1 e sup |u(x)| + sup ≤ C2 ∀ u ∈ F
x∈I x,y∈I ||x − y|| x∈I x,y∈I ||x − y||λ
x6=y x6=y

e assim como é equicontı́nuo em C(I).


Logo, F é limitado em C(I) e Portanto

e o que prova o item (i).


segue-se do teorema de Arcelá que F é equilimitado em C(I),

(ii) Seja F um conjunto limitado de W 1,1 (I). De acordo com o Teorema 2(b)

temos:
e
W 1,1 (I) ֒→ Cb0 (I).

e ֒→ Lq (I). Desta forma, F é limitado em Lq (I)


Sendo I limitado então Cb0 (I)

para todo 1 ≤ q < +∞. Provaremos que F é relativamente compacto em Lq (I). Com
efeito, utilizaremos o lema de Fréchet-Kolmogorov mencionado no inı́cio desta seção.

Provaremos o primeiro dos itens:


210

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(i) Seja ε > 0 dado e consideremos ω ⊂⊂ I. Então ∀ u ∈ F temos:

Z µ ¶
||u|||Lq (I\ω) = q
|u| dx ≤ sup |u(x)| q
med(I\ω) ≤ ||u||q 0 med(I\ω).
Cb (Ie)
I\ω x∈Ie

Logo:
£ ¤1
||u||Lq (I\ω) ≤ med(I\ω) q ||u||C 0 (Ie) .
b

Contudo, para o ε > 0 dado existe (cf. demonstração do teorema de Rellich-

Kondrachov (i)) ω ⊂⊂ I tal que:

£ ¤1 ε
med(I\ω) q <
C

onde C é uma constante positiva tal que:

||u|||C 0 (Ie) ≤ C, ∀u ∈ F
b

o que prova o primeiro dos itens. Provaremos a seguir o segundo item.

(2) Sejam ε > 0, u ∈ F, ω ⊂⊂ I e |h| < dist(ω, R\I). De acordo com o item (iii)
da Proposição 1 da seção 1.5, tem-se:

(17) ||τh u − u||L1 (Ω) ≤ |h| ||u′ ||L1 (I) ≤ |h| ||u||W 1,1 (I) ≤ C |h|.

Mas se 1 ≤ q < +∞ obtemos:


Z
|u(x + h) − u(x)|q dx
ω
Z
= |u(x + h) − u(x)|q−1 |u(x + h) − u(x)| dx
ω
(18) µ ¶q−1 Z
≤ 2 sup |u(x)| |u(x + h) − u(x)| dx
x∈Ie ω

µ ¶q−1
= 2||u||C 0 (Ie) ||τh u − u||L1 (ω) .
b

211

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Logo, de (17) e (18) resulta que:

µZ ¶ q1
q
¡ ¢q−1 1
|u(x + h) − u(x)| dx ≤ 2C C |h| q < ε
ω

para uma escolha suficientemente pequena de |h|. Isto conclui a prova. ¤

212

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BIBLIOGRAFIA

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[2] J.A. Aubin - Approximation of Elliptic Boundary Value Problems, Wiley Inter-

science, N.Y., 1972.

[3] H. Brézis - Analyse Fonctionelle (Théorie et Applications), Masson, Paris, 1973.

[4] M.P. do Carmo - Differential Geometry of Curves and Surfaces, Prentice-Hall,

N.J., USA, 1976.


[5] R. Dautray and J.L. Lions - Mathematical Analysis and Numerical Methods for

Science and Technology, v.3, Springer-Verlag, 1983.

[6] P. Grisvard - Elliptic Problems in Nonsmooth Domains, Pitman Publishing

Limited, London, 1985.


[7] S. Kesavan - Topics in Functional Analysis and Applications, Willey Easten

Limited, New Delhi, 1990.

[8] J.L. Lions - Problèmes aux Limites dans les Équations aux Dérivées Partielles,

Les Presses de l’Université de Montreal, Montreal, 1965.

[9] J.L. Lions - Équations aux Dérivées Partielles et Calcul des Variations (Cours
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[15] K. Yosida - Functional Analysis, Springer Verlag, 1965.

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