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AULA 1

FERRAMENTAS BIM EM
GESTÃO DE PROJETOS

Prof. Norimar Ferraro


CONVERSA INICIAL

No mundo dos negócios, as mudanças ocorrem cada vez mais rápido.


Para caminhar para trás, basta ficar parado. (Carlos Hilsdorf)

Quando novas tecnologias surgem em nossas vidas, necessitamos de


tempo para entender sua real importância e necessidade. Na verdade, a
velocidade de inovação e transformação tecnológica em nossos dias ultrapassa
nossa capacidade de entendê-las e utilizá-las de imediato. Tratando-se de
arquitetura e construção, as inovações tecnológicas foram acompanhadas de
igual transformação na metodologia de projeto e suas ferramentas de
desenvolvimento.
Os profissionais dessas áreas, sejam eles arquitetos, técnicos ou
engenheiros, necessitam de constante atualização de seus conhecimentos, para
que possam acompanhar o ritmo das exigências na construção civil. Além dos
construtores e a indústria da construção civil, também proprietários, investidores,
órgãos públicos e instituições financeiras estão atentas às transformações e
incorporam as novas tecnologias aos seus processos de trabalho, inovação e
planejamento.
Dessa forma, nesse curso, pretende-se trazer uma visão geral da
tecnologia Building Information Modelling (BIM) na área de projetos, destacando
sua importância no cenário nacional e no planejamento das empresas.
Iniciaremos esta aula contextualizando a evolução tecnológica da informação no
decorrer dos tempos, no âmbito da construção. Entenderemos o processo BIM e
seus benefícios, bem como sua implementação nas empresas e o que podemos
esperar no futuro.
Assim, em caráter introdutório, analisaremos a evolução tecnológica da
informação em projeto e construção.

TEMA 1 – A INFORMAÇÃO NA CONSTRUÇÃO NO DECORRER DOS TEMPOS

A construção sempre foi uma atividade coletiva, desde o início da atividade


humana. Mesmo nas mais antigas construções que se tem registro, como os
“dolmens”, datados entre o V e o III milênio a.C., havia a necessidade de se
determinar alguma informação. Como suas dimensões, por exemplo, para que ela
pudesse ser utilizada para sua finalidade de monumento em homenagem aos

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mortos. Um chefe de tribo passaria a informação do tamanho das pedras a outros,
que seriam incumbidos de encontrá-las e transportá-las.

Créditos: Dege Photo/Shutterstock.

As construções da antiguidade, feitas pelos egípcios, babilônicos, entre


outros, indicavam uma grande organização de trabalho, com participação de
inúmeros trabalhadores. A diferença para os dias de hoje é que os arquitetos ou
construtores participavam da construção nesses locais, lá permanecendo e, por
isso, quase se eliminava a necessidade de documentação da informação. Assim,
não haveria necessidade de que a informação tivesse que ser registrada e lida em
outro local. Sobre os métodos utilizados para as construções antigas, a utilização
de maquetes em escala era muito comum.
O mais antigo registro de informação em desenho de uma construção é a
planta do Monastério de Saint Gallen, na Suíça, que consta no verso de um
manuscrito. O documento é datado entre 820 e 830 d.C.
Porém, o conceito de projeto surgiu apenas com o Renascimento, após a
Idade Média. Nesse período, a perspectiva linear é sistematizada e propagada por
meio do trabalho de Filipo Brunelleschi (1377-1446).
Foram necessários mais de 350 anos, desde então, para que a geometria
descritiva fosse desenvolvida por Gaspard Monge (1746-1818). Ela serve de base
para todo o desenho técnico utilizado na construção, tanto no desenho a mão,
como em CAD (desenho auxiliado por computador). Por meio dela foi possível a
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criação de seções, cortes, elevações, bem como a intersecção de sólidos e
planos, cálculos de áreas e volumes, muito utilizados nos programas gráficos
tridimensionais.

Créditos: CC-PD/Adolf Leonard Van Gendt.

A partir da Revolução Industrial, com a divisão do trabalho, o desenho


técnico possibilitaria que a informação do projeto fosse registrada, trabalhada e
produzida ou construída em outros locais. O aperfeiçoamento das técnicas
industriais, aliado ao desenvolvimento do desenho técnico, proporcionou a
expansão da sociedade capitalista, como hoje é conhecida.
A normatização sistematizou a linguagem do desenho técnico, presente até
os dias atuais, e o desenho em papel, por meio de instrumentos, como régua T,
escalímetros, esquadros, compassos, lápis e tinta nanquim, foi predominante até
a década dos anos 80.

TEMA 2 – A MUDANÇA ADVINDA DO SURGIMENTO DO COMPUTER AIDED


DESIGN (C.A.D).

Na década de 1960, o Sketchpad, desenvolvido por Ivan Sutherland em um


laboratório do MIT, foi o primeiro sistema gráfico que possibilitava o desenho por
computador. Ele era feito em um computador de apenas 320Kb de memória,

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diretamente em sua tela, por meio de uma lightpen, uma espécie de caneta
digitalizadora. A armazenagem do arquivo do desenho era feita em uma fita
magnética de 8mb de capacidade. Com o surgimento dos computadores pessoais
no fim da década de 70, e o advento da computação gráfica, uma série de
programas (softwares) gráficos tiveram seu início de desenvolvimento.

Figura 1 – Ivan Sutherland usando Sketchpad, em 1962

Créditos: Massachusetts Institute Of Technology

Entre eles, os sistemas de CAD (Computer Aided Design), mais conhecido


no Brasil como “desenho auxiliado por computador”. Como o próprio termo
sugere, o desenho, antes realizado a mão, passaria a ser feito por meio do
computador. Era possível, pelo movimento e cliques do mouse, realizar na tela do
computador linhas e formas. O papel seria substituído por um monitor similar às
televisões da época. Impressoras e plotadoras (plotters) foram desenvolvidas para
a geração de desenhos impressos.

Créditos: Masini/Shutterstock.

Um mundo novo surgiria, cheio de atrativos: a grande vantagem seria a


alteração dos desenhos. Tarefas como apagar linhas não seriam mais um
problema, a precisão do desenho quase absoluta, e não haveria mais apenas um
desenho original, mas a reprodução infinita. A escala do desenho seria a real,
possibilitando-se gerar, com base nele, outros desenhos em escalas variadas.
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Na tarefa da representação tridimensional da arquitetura, os programas 3D
facilitaram enormemente o trabalho de arquitetos e engenheiros. O processo
manual de gerar perspectivas só possibilitava um único ângulo de visão. Com
auxílio do computador, era possível gerar não só ilimitadas vistas de uma
edificação, mas também percursos ou animações do modelo.
No entanto, aquele mundo promissor requeria muito desenvolvimento. A
velocidade dos processadores principais e gráficos era muito lenta e não
possibilitava uma produtividade ideal. O desenho a mão era ainda vantajoso
nesse aspecto. Os monitores possuíam telas muito pequenas e só poderia ser
visualizada uma parte do desenho devido às baixas resoluções.
Além disso, o custo de aquisição de computadores e programas gráficos
era elevado. Os programas necessitavam ser desenvolvidos ano a ano para
atender às necessidades dos usuários, e isso gerava um custo extra às empresas
e profissionais. Nanquim e papel ainda eram mais baratos.
Aliado aos fatores desvantajosos citados, os profissionais se mostraram,
no início, relutantes em aceitar a nova tecnologia. Não era uma transição simples
para o computador, compreendia uma mudança de metodologia de trabalho. Se
talvez a parte mecânica do desenhar traria vantagens, a parte criativa ainda se
mostrava incipiente. Uma década foi necessária para essa adaptação e para os
sistemas CAD passarem a ser a regra ao invés da exceção.

TEMA 3 – CAD VERSUS BIM

Apesar de toda a evolução ocorrida, os sistemas CAD ainda se limitavam


à tarefa de substituição do modelo de desenho a mão pelo computador, e quase
que exclusivamente à tarefa de projetar. O desenho sempre foi uma mera
representação gráfica e simbólica dos elementos construtivos. Por exemplo, duas
linhas paralelas, com espessuras de 0,7 mm., representam uma parede em planta
na escala de 1:50. As normas de desenho estabeleceram essa convenção e a
compreensão da edificação é estabelecida no cérebro das pessoas. Mesmo um
modelo tridimensional por computador, apesar de todo o realismo que possa
demonstrar, ainda é uma representação do objeto a ser construído, porém,
contém informações limitadas. Tarefas como especificar, analisar e quantificar
eram somente feitas pelo usuário, assim como as alterações e atualizações dos
desenhos.

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A primeira alusão a um conceito que pudesse trazer a informação da
construção a um modelo foi feita por Charles Eastman, na década de 1970. Ele
utiliza o termo Building Description System em seu trabalho, descrevendo um
modelo tridimensional (protótipo), que conteria não apenas informações
geométricas de um objeto a ser construído, mas também materiais etc. Eastman
critica o desenho tradicional, considerando-o ineficiente, e teria redundância de
representação, quando necessária em diversas escalas.
O conceito do BIM surge gradativamente nos EUA e no bloco soviético,
onde despontaram dois grandes programadores chamados Leonid Raiz e Gábor
Bojár, respectivamente cofundador e fundador do Revit e Archicad, os programas
BIM mais conhecidos hoje em dia.
Iremos abordar o conceito BIM com mais propriedade posteriormente.
Nesse momento, para entendermos a diferença básica entre sistemas CAD e
sistemas BIM, convém ressaltar que não se trata de uma simples evolução de um
software de desenho auxiliado por computador. Refere-se, sobretudo, a uma
profunda mudança de paradigma na forma de se projetar e construir edificações,
por meio da modelagem de um protótipo, um modelo virtual, da própria edificação.
Com base nesse modelo, pode-se, então, planejar, extrair e manipular qualquer
informação referente não só ao projeto, como também à construção e à
manutenção da edificação.
Os sistemas CAD se fundamentam na produção de desenhos, em que as
informações do projeto são coletadas e reunidas em documentos a serem
impressos e distribuídos. Durante o processo projetual, outros profissionais, como
projetistas de estrutura e projetos complementares, podem realizar seu trabalho.
Entretanto, isso requer um intenso fluxo de documentos e atenção para que as
informações corretas cheguem a todos os projetistas. Cada profissional trabalha
de modo separado, produzindo seus próprios desenhos, muitas vezes em
softwares diversos. A cada alteração durante o processo de projeto é necessário
se redesenhar ou alterar os desenhos elaborados, exigindo assim uma
atualização em todos os desenhos gerados, de forma manual. A modelagem
tridimensional é, com frequência, elaborada em softwares diferentes dos sistemas
CAD, muitas vezes não específicos para a área de arquitetura e construção. Para
cada alteração de projeto, também é necessária uma nova remodelagem do
modelo tridimensional.

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Figura 2 – Representação do processo de projeto em sistemas CAD

Nos sistemas BIM, como citado anteriormente, durante o processo de


projeto, elabora-se um modelo virtual da edificação, no qual as informações
referentes à edificação estão contidas em elementos geométricos tridimensionais
definidos. Esses elementos não são meras representações de desenho, porém
são entendidos pelos softwares como protótipos dos elementos construtivos.
Dessa forma, pode-se não apenas coletar informações, mas manipulá-las,
de modo a gerar-se bancos de dados, avaliações e simulações do objeto real
construído. O modelo virtual pode ser compartilhado e elaborado
simultaneamente pelos projetistas e profissionais envolvidos. Nesse caso, as
alterações de projeto são automaticamente atualizadas e intercambiadas entre
todos. Sobretudo, as interferências entre elementos construtivos são detectadas
durante o processo e, com isso, há redução de incompatibilidades. Mesmo
havendo a necessidade de os profissionais trabalharem em softwares diversos, o
conceito de interoperabilidade, que veremos em breve, permite que as
informações sejam lidas e igualmente compreendidas entre os sistemas.
Diferentemente dos sistemas CAD, o modelo tridimensional nos sistemas
BIM é atualizado a cada alteração feita, de modo automático, não havendo a

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necessidade de remodelagem. Durante a fase de projeto, talvez a grande
vantagem em termos de produtividade é a correção automática dos desenhos
bidimensionais gerados. Enquanto nos sistemas CAD cada alteração do projeto
significava verificar e corrigir individualmente cada desenho de representação, nos
sistemas BIM cada modificação no protótipo altera instantaneamente as
representações bidimensionais.

Figura 3 – Representação do processo de projeto em sistemas BIM

TEMA 4 – A PARAMETRIZAÇÃO

Um conceito de fundamental importância nos sistemas BIM é a


parametrização, que nos sistemas CAD era praticamente ausente. Como citado,
o modelo virtual realizado nos sistemas BIM é inteligente, não apenas uma
representação gráfica bi ou tridimensional de uma edificação. Isso significa que
os elementos que compõem o modelo tridimensional possuem determinadas
informações, que permitem que o sistema as manipulem e integrem de forma a
criar relações e dependências.
Por exemplo, um elemento tridimensional que representa uma parede
estará indexado a um nível inferior e superior de um pavimento. A cada alteração
nos níveis desses pavimentos, a parede irá se adaptar às novas medidas. Uma
janela, por exemplo, só poderá ser inserida em uma parede, como na realidade.

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A parede representa um hospedeiro de janelas, que, por sua vez, não se permite
inserir em outros elementos construtivos ou ficar “no ar”. Assim, os elementos
construtivos são paramétricos e interconectados espacialmente.
Tais parâmetros são as informações referentes a cada elemento
construtivo ou objetos presentes em uma edificação. Esses parâmetros podem
ser manipuláveis em termos de dimensões e materiais, entre outros. Podem
também, conter informações técnicas desses materiais, como cor, propriedades
físico-mecânicas, custo, ou outras que sejam desejáveis. Os parâmetros de
dimensão podem ser manipuláveis por meio de regras ou fórmulas, de modo a
criar alternativas de representação geométrica ou mesmo de criar determinadas
restrições. Utilizando-se o exemplo da esquadria de janela, tal elemento pode
conter uma série de regras, de modo a se alterar suas dimensões em um mesmo
elemento, criar novas divisões, alturas diferenciadas de peitoril. Esse mesmo
objeto tridimensional poderá também conter informações dos materiais de
esquadria e vidro. O próprio material vidro poderá também ter informações de cor,
tipo, coeficiente de transmissão de luz e térmica.

Figura 4 – Um elemento paramétrico de janela só pode ser inserido em um


elemento paramétrico denominado parede (hospedeiro)

Permite-se, dessa maneira, que os modelos tridimensionais possam ser


avaliados e manipulados sob diferentes aspectos. As propriedades do vidro
citadas permitirão uma análise e simulação de iluminação interna e consumo de
energia da edificação, por exemplo. O dimensionamento da estrutura no modelo
BIM e as especificações de seu material permitirão a análise de seus esforços.

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Segundo Chuck Eastmam e Rafael Sacks, no livro BIM Handbook: “Em um
projeto paramétrico (...) o projetista primeiro define a Classe ou Família do
elemento com geometria tanto fixa quanto paramétrica e uma série de regras para
controlar os parâmetros e relações pelas quais um elemento é criado” (Eastman;
Sacks, 2011). A parametrização é que permite que os elementos construtivos do
modelo, ao serem alterados, possa atualizar automaticamente todos os desenhos
gerados. Isso é uma grande diferença em relação ao CAD e 3D tradicional, em
que todos os elementos e desenhos devam ser alterados manualmente.
De forma complementar, os elementos construtivos que compõem o
modelo virtual da edificação não se referem apenas àqueles que definem o espaço
arquitetônico, como paredes, pisos, forros, entre outros. Objetos referentes à parte
hidráulica e elétrica, por exemplo, como luminárias, vasos sanitários, pias, metais
etc. são fornecidos como biblioteca de objetos pela indústria. A Philips fornece
para baixar (download) em seu site uma ampla linha de luminárias em diversos
formatos BIM. A DECA também disponibiliza sua linha de produtos para banheiros
e cozinhas em BIM.

Figura 5 – Print da página do site da empresa Phillips, com produtos para fazer
download de luminárias em formato BIM

Créditos: Phillips, S.d. Disponível em: <http://www.lighting.philips.com/main/support/support/revit-


library#page=1>. Acesso em: 6 jul. 2019.

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TEMA 5 – AS MUDANÇAS TECNOLÓGICAS FUTURAS

A aceleração do crescimento em tecnologia subiu de maneira


impressionante após a virada do milênio. Enquanto levou-se quase seiscentos
anos desde a criação da imprensa até a invenção do microprocessador, nas duas
últimas décadas não se pode quantificar o aparecimento de novas tecnologias
decorrentes das invenções relativas à informática. Ela proporcionou um avanço
considerável, principalmente nas áreas que envolvem a telefonia celular e a
internet. Na área de arquitetura, engenharia e construção, essas tecnologias
também geraram infinitas possibilidades de combinação e de mudança de
paradigma de projeto e trabalho. Iremos relacionar, a seguir, algumas dessas
tecnologias e seus impactos.
Uma tecnologia que já está sendo utilizada em inúmeros programas
(softwares) BIM é a modelagem algorítmica e paramétrica. A modelagem
algorítmica utiliza-se de linguagens de computador integradas aos programas
BIM, de tal forma a possibilitar programação de parâmetros que possam ser mais
facilmente manipulados e se obter inúmeras opções de modelo, sem a
necessidade de se remodelar. Enquanto os modelos BIM atuais são estáticos, ou
seja, o usuário cria o modelo virtual e remodela para se criar opções, no modelo
algorítmico, por meio da interação de diversos elementos construtivos, por
exemplo, paredes, vigas e coberturas, ao se alterar algum parâmetro numérico,
todos esses elementos irão se adaptar, gerando novas opções em tempo real.

Figura 6 – Imagem de scripts Dynamo, do programa Revit da empresa Autodesk.


A alteração de parâmetros na programação atualiza em tempo real os elementos
construtivos

Créditos: Autodesk, S.d.


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A fabricação assistida por computador também já é uma realidade. A
tecnologia BIM proporciona a geração de modelos virtuais, porém, para que se
possa construir ainda é necessário, em boa parte dos casos, gerar-se uma
documentação de projetos impressa para sua construção. A mudança que
ocorrerá é que, por meio dos sistemas BIM, os dados gerados podem passar
diretamente aos computadores das máquinas industriais e serem construídos,
sem a necessidade de documentos impressos. Por exemplo, para se construir
uma série de vigas de madeira, em que cada uma delas tivesse uma forma única,
seria necessário desenhar e imprimir cada uma delas separadamente. Nos
sistemas com fabricação assistida por computador, as vigas seriam “esculpidas”
individualmente somente com a informação dos dados, reduzindo-se assim o
volume de documentação necessária.
Outro conceito que irá ser otimizado é a interoperabilidade. Enquanto nos
estágios atuais a interoperabilidade atua somente entre os diversos programas
BIM, no futuro teremos a integração entre softwares de diversas naturezas. Como
exemplo, poderemos utilizar programas com maior capacidade de modelagem de
formas, que serão capazes de exportar seus dados para sistemas BIM como
elementos construtivos, ao invés de simples formas geométricas. Também será
possível importar dados de planilhas, como as do Excel, de maneira mais
eficiente, de modo a ser possível a manipulação desses dados dentro dos
sistemas BIM.
Talvez uma das tecnologias mais poderosas sendo desenvolvidas
atualmente seria a inteligência artificial (IA). A IA utiliza a capacidade de
processamento dos computadores em tarefas mecânicas e mentais dos
processos, em atividades complexas para o ser humano. Dessa forma, é possível
“aliviar” a tarefa projetual, deixando para o computador elaborar múltiplas
alternativas de acordo com determinadas regras. Ou mesmo criar layouts
complexos de determinadas edificações, com o auxílio da IA, enfatizando-se que
os resultados dos processos executados pela IA são praticamente instantâneos,
o que, comumente, levariam dias ou mesmo semanas para serem produzidos por
um escritório. A crítica nessa questão seria que os resultados não seriam
intuitivos, mas sim automatizados. Porém, determinadas programações permitem
ao usuário decidir e variar suas soluções e alternativas, de acordo com seu
julgamento. Cabe destacar os projetos Fractal (Disponível em:
<https://www.autodesk.com/autodesk-university/class/FormIt-Project-Fractal-

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Future-Making-Things-Here-2017>. Acesso em: 6 jul. 2019) e Dreamcatcher
(Disponível em: <https://www.autodeskresearch.com/projects/dreamcatcher>.
Acesso em: 6 jul. 2019) da Autodesk, que estão sendo desenvolvidos nesse
sentido.
Saiba mais
Assista ao Projeto Fractal da Autodesk, demostrando o uso da inteligência
artificial para executar múltiplas alternativas de fachada de um edifício, geradas
com poucos cliques do mouse.
CONNECTING Insight: Autodesk's Project Fractal creates a building shell &
façade. Autodesk, 2016. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=CN3-EMKiuJE>. Acesso em: 6 jul. 2019.
Outro uso importante da IA nas empresas de arquitetura e construção seria
a execução de tarefas rotineiras no desenvolvimento dos projetos.
Exemplificando, desenhos executivos de alguns espaços, como banheiros e
cozinhas, que normalmente seriam elaborados por algum arquiteto ou estagiário,
por meio da programação Dynamo poderiam ser feitas pelo próprio software, do
dia para a noite, representando uma economia considerável de tempo e dinheiro.
Os profissionais seriam liberados, assim sendo, para tarefas mais criativas dentro
do escritório.
A realidade mista (RM) também estará presente em diversas tarefas
relativas à arquitetura e construção. A RM vai além da realidade aumentada – RA,
que permite que o usuário veja a realidade com a sobreposição de objetos virtuais,
mas também possibilita a manipulação desses objetos. Na arquitetura e
engenharia, esse uso é de extrema importância na verificação de
incompatibilidades do projeto. Como exemplo, em uma obra seria possível
visualizar as instalações hidráulico-mecânicas no canteiro antes de serem
executadas, e assim verificar interferências e mesmo resolver as questões no
local.
A internet das coisas (IoT) possibilitará também uma grande interação
entre os escritórios e o canteiro de obras. A IoT nada mais é que a
interconectividade por meio da internet, de aparelhos inteligentes (smart devices),
que possuem sensores e softwares, de modo a trocar e coletar dados e
informações entre si, mesmo sem a interferência humana. Por meio da IoT seria
possível integrar softwares BIM diretamente com robôs no canteiro de obras, que
estariam executando o projeto em tempo real. Outro uso da IoT, aliada a aparelhos

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de escanerização 3D, permitiria o registro por imagens das instalações elétricas e
hidráulicas de uma obra, por exemplo, e que seriam transmitidas diretamente ao
escritório, que as visualizariam com o auxílio de óculos de realidade virtual.
Pode-se perceber que os caminhos futuros são múltiplos e as possíveis
realidades já começam a se tornar uma realidade. As mudanças ocorrem no
sentido de se otimizar a tarefa humana nos projetos e construções, bem como
possibilitar um maior controle e redução de problemas e custos na área da
construção civil. Assim, cabe a você se movimentar no sentido da evolução
tecnológica e compreensão de novas metodologias de trabalho. Lembre-se
sempre: “Para se caminhar para trás, basta ficar parado...”.

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REFERÊNCIAS

CAMPOS NETTO, C. Autodesk revit architecture 2016 conceitos e


aplicações. São Paulo: Érica, 2016.

EASTMAN, C.; SACKS, R. A guide to building information modeling for


owners, managers, engineers and contractors. Hoboken, N. J.; John Wiley And
Sons Inc., 2011.

IMPLEMENTAÇÃO BIM – Partes 1 A 5: implementação do BIM para construtoras


e incorporadoras. Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Brasília:
2016.

MANZIONE, L. Proposição de uma estrutura conceitual de gestão de


processo de projeto colaborativo com o uso de BIM. Tese de Doutorado.
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

THE FUTURE of BIM will not be BIM — and it's coming faster than you think.
Autodesk University, 2016. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=xq6ykyauu-o>. Acesso em: 5 jul. 2019.

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