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Seringueira

ver ramos laterais a uma altura superior formação de copa a uma altura mais
a 1,0 m, podar os mais baixos e deixar alta, por exemplo, 2,5 m, repetir o es- REFERENCIAS
os dois outros fluxos de ramos laterais tágio 4 novamente (Estágio 5a).
sem podar (Estágio 4a). Se houver ra- Convém observar que, se o objetivo
ALCÃNTARA, E.N. & SOUZA, l.F. Herbici-
mos laterais 'e a haste principal apresen- é iniciar a sangria precoce pelo processo das recomendados para as principais
tar menos de três fluxos, podar os ramos de punctura, é conveniente iniciar o pro- culturas do estado de Minas Gerais.
laterais mais baixos quando estes apre- cedimento da poda tardia dos ramos la- Inf. Agropec. EPAMIG, Belo Horizonte,
sentarem quatro lançamentos maduros terais somente a partir de uma altura su-
ª-(87): 55-80,1982.
GONÇALVES, P. de S.; PAIVA, J.R.; RO-
(Estágio 4b).. ' Se a planta não apresentar perior a 1,0 m, pois estudos anatõmicos DRIGUES, F.M. & SOUZA, R.F. Prepa-
formação de copa natural a partir de de casca têm revelado que defeitos con- ro e utilização do "Toco Alto Avançado"
2,20 m, fazer a indução pelo método seqüentes da eliminação de ramos late- na recuperação de plantios de seringueira.
EMBRAPA!CNPSD, 1983. Manaus, 10 p.
de dobramen to das folhas e cobertura rais com idade de seis meses são recupe- (Comunicado técnico, 27).
do broto apical (Estágio c e d). rados após cinco anos. Por essa razão, é
LEONG, W. and YOON, P.K. Effect of low
recomendado um balanço entre o retar- and controlled pronning on growth and
ESTÁGIO 5 damento da poda para o crescimento' da yeld of Hevea brasiliensis. In: RUBBER
Plantas com fluxos foliares entre planta e o tempo de recuperação dos de- RESEARCH INSTITUTE OF MALAY-
SlA, Kuala Lumpur, 1983. Planters Con-
nove-dez meses, proceder de modo se-o feitos causados pelo retardamento da re- ference. Kuala Lumpur, 1983. p. 262-
melhante ao estágio 4. Se for desejada a ferida poda. 85. I.'.

.,0-
.Adubação de seringueira
Nairam Félix de Barros 1/
Vera Maria Carvalho Alves li

A seringueira (Hevea spp) é nativa da região Amazônica, cujos solos po-


AVALIAÇÃO
dem, de modo geral, ser considerados de baixa fertilidade, pelos critérios de in-
terpretação normalmente utilizados. Assim, a evolução e o estabelecimento de DA NECESSIDADE
populações naturais naquela região se devem, provavelmente, a mecanismos de DE .,DUBAÇ~O
competição que incluem uma habilidade de absorção e utilização de nutrientes
/
minerais relativamente elevados.
O interesse pela adubação da seringueira no Brasil era pequeno até há al- A utilização de um ou mais méto-
gum tempo em razão da exploração do látex se limitar às populações naturais ou dos para avaliar a necessidade de aduba-
plantio 'em áreas recém-desmatadas, onde, normalmente, o nivel de nutrientes ção depende do estágio de desenvolvi-
minerais no solo é relativamente elevado, em virtude de restos orgânicos deixa- mento do seringal. Por exemplo, na fase
dos ou queima de nutrientes. inicial, antes da implantação do po-
O zoneamento do estado de Minas Gerais, estabelecendo as regiões de voamento, a análise do solo é o único
'escape' para o plantio da seringueira, mostra que os solos são predominantemen- método que pode ser adotado. O em-
te de baixtssimo nivel de fertilidade, como é o caso daqueles de cerrado ou prego deste método requer a existência
outros longamente utilizados nas atividades agricolas. Por isso, com base na ex- de valores de níveis críticos dos elemen-
periência conseguida em outras regiões como o norte do pais e sul da Bahia,
tos no solo para fins de interpretação
pode-se antecipar que, em Minas Gerais, a adubação será uma prática indispensá-
dos resultados obtidos na análise. Atual-
vel para assegurar o estabelecimento do seringal, antecipação da primeira sangria
e aumento da produtividade. mente, em Minas Gerais, adotam-se os
Para adotar um programa operacional de adubação de seringueira, há ne- critérios da Comissão de Fertilidade do
cessidade de estabelecimento de critérios que permitam responder onde, quando, Solo em Minas Gerais (I 978), que discri-
quanto e como adubar. Outra pergunta de bastante interesse é: que retorno eco- minam entre as diferentes culturas, sen-
nômico pode ser esperado com a adubação? do que para algumas, como o eucalipto,
Hoje, em Minas Gerais e no Brasil, não se podem responder essas pergun- eles não se aplicam (Barros et ai 1982).
tas com segurança. Este é um dos grandes desafios atuais para a pesquisa em Uma vez executado o plantio no vi-
solos, sem considerar outros complicadores como a interação clone x saio. veiro ou no campo, podem. ser utilizados
Pretende-se neste trabalho, com base na experiência obtida por pesquisa- como critérios de avaliação a análise fo-
dores de outras regiões e paises e no conhecimento adquirido pelos autores com
liar e os sintomas visuais de deficiência
a cultura da seringueira e outras comparáveis, apresentar informações sobre os as-
pectos nutricionais da seringueira e da fertilidade do solo para o seu cultivo.
mineral. o emprego da análise foliar re-
quer, também, a existência de valores de

],,/ Eng'? Agr'?, Ph.D. - Prof. Titular/UFV - 36,570 - Viçosa-MG


~/ Eng'? Agr'?, M.S. - Pesquisadora EMBRAPA/EPAMIG - Caixa Postal 216 - 36.570 - Viçosa~MG

Informe Agropecuário, Belo Horizonte, !!(121) janeiro de 1985 29


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níveis críticos dos elementos nas folhas, ca para a seringueira. Contudo, com ba- gem das folhas. Grandes variações nos
enquanto que para os sintomas visuais é se nas informações existentes em outras teores dos elementos da folha de uma
de grande importância a confecção de regiões e naquelas adotadas neste Estado planta podem ser observadas em função
uma chave de interpretação das deficiên- para culturas de porte comparável, suge- da posição da folha no ramo, do grau de
cias. Estes métodos podem ser adotados rem-se os seguintes limites abaixo dos maturidade, época do ano etc. Assim,
isoladamente para alguns elementos ou quais há grande probabilidade de respos- para uma maior confiabilidade dos resul-
conjuntamente com a análise de solo. ta da seringueira na fase jovem à aduba- tados de análise foliar, há de estabelecer,
ção: através de estudos específicos, o método
ANÁLISE de amostragem de folhas. No Brasil, aín-
- Fósforo disponível (extrator
QUIMICA DO SOW da não se dispõe de informações espe-
Mehlich - 1) - solo com textura argilo-
cíficas quanto aos níveis e métodos
sa - 8 ppm; solo com textura média e
o sucesso da utilização da análise arenosa - 15 ppm
de amostragem de folhas de seringueira.
química do solo dependerá não-somente Atualmente, só para efeito de referên-
- Potássio disponível (extrato r
da existência de uma' tabela adequada Mehlích-I) - 45 ppm cia, têm sido adotadas as orientações
para a interpretação dos resultados, mas - Cálcio + Magnésio trocáveis (ex- fornecidas pelo Rubber Research Insti-
também de uma amostragem representa- tute of Malaya.
trator KCL 1~) - 1,5 meg/lOO cc de
tiva dos solos da àrea em questão. Onde Para a amostragem das folhas, as
solo.
o solo é heterogêneo,' há necessidade de plantas devem ser agrupadas quanto à
- Alumínio trocável (extrato r
proceder-se a uma estratificação da área uniformidade do solo, ao tipo de adu-
KCL 1~) - 1,0 meg/lOO cc de solo.
e, em seguida, retira-se uma amostra bação efetuada, à idade da planta, ao
Deve-se chamar a atenção para dois
composta para cada estrato. A camada tipo de clone etc. Em plantas jovens
aspectos referentes a estes valores. O
de solo, da qual a amostra é retirada, devem ser coletadas folhas expostas
primeiro refere-se ao teor de Ca + Mg
deve ser aquela que o sistema radicular à luz e em plantas adultas, folhas som-
trocáveis aparentemente muito mais im-
da seringueira explorará. Por isso, reco- breadas. Em ambos os casos, as amos-
portante que o teor total e a relação
menda-se a amostragem das camadas de tras deverão incluir as três primeiras fo-
Ca: Mg. Os dados de pesquisa existen-
0-20 em e de 20-40 em de profundida- lhas basais, além dos pecíolos do penúl-
tes sugerem que a seringueira cresce me-
de. timo verticílío.
lhor quando esta relação é mais estreita,
Um provável complicado r na inter- Os valores do Quadro 1 servem co-
ou seja, provavelmente 2: l.
pretação dos resultados da análise quí- mo referência para comparação de resul-
O segundo aspecto é quanto ao ní- tados de análises foliares de seringueira
mica do solo é a possível variação na vel de alumínio trocável. A maioria das
exigência nutricional da seringueira em e são também oriundos da Malásia.
culturas de porte arbóreo é pouco sensí-
relação a sua idade. Para outras espécies vel a este elemento, sendo importante o
arbóreas, como por exemplo o eucalip- teor total de Ca + Mg, que deve estar SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA
to, a exigência de fósforo na fase de mu- acima de determinado valor para satisfa- Os sintomas de deficiências minerais
das é bem superior àquela de' plantas zer as exigências nutricionais da planta. nas plantas apresentam-se em decorrên-
mais velhas (Novais et al 1982). Por Para as condições do sul da Bahia, San- cia de alterações fisiológicas verificadas
outro lado, a exigência de potássio, cál- tana et al (1974) recomendam a calagem quando um ou mais elementos essenciais
cio e magnésio pelas mudas é bem infe- para a redução do teor de alumínio tro- encontram-se em baixas concentrações
rior àquelas de outras culturas de ciclo na planta. Muitas vezes, esses sintomas
cável, quando a saturação do complexo
curto (Barros et ai 1982). Assim, é pos- só aparecem depois que o crescimento
de troca por este elemento é superior
sível que fatos semelhantes sejam tam- da planta já foi reduzido de modo aceno
a 50%.
bém observados para as mudas de serin- tuado, principalmente se o sintoma do
De acordo com os dados obtidos
gueira, particularmente no que se refere elemento em questão não for facilmente
por Haag et al (1982), a quantidade de
ao fósforo, em razão de o crescimento do perceptível.
macronutrientes absorvidos pela serin-
sistema radicular das plantas ser muito
gueira aumenta muito a partir do segun- Nos seringais jovens existentes em
intensivo nesta fase.
do ano de plantio. Isto coincide com o Minas Gerais, as deficiências minerais.
Das tabelas, atualmente existentes maior acúmulo de matéria seca. Daí a mais freqüentes têm sido:
no Brasil, para a interpretação de análise necessidade de readubação da seringuei-
do solo para seringueira, a utilizada no região de cerrado: zinco e boro
ra com o avançar da idade.
norte do país (Bueno et al s.d.) sugere de maneira generalizada e de ni-
níveis de fertilidade superiores àqueles ANÁLISE FOLIAR trogênio e magnésio, se uma boa
adotados para o sul da Bahia (Santana Para a utilização deste método é . adubação não é feita;
et al 1974). Os valores apresentados por necessário também o estabelecimento região do Vale do Rio Doce: nas
Cardoso (1984) são mais próximos des- prévio de níveis que indiquem que o encostas e topos de morro po-
tes últimos. Em Minas Gerais, ainda não estado nutricional da planta é satisfató- dem-se observar deficiências de
se dispõe de informações de pesquisa rio ou não. Uma das grandes limitações zinco, nitrogênio e magnésio, mas
para elaboração de uma tabela específi- para o uso do método reside na amostra- de maneira não generalizada;

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de uma solução com 0,6% de sulfato de


QUADRO I - Níveis Críticos de Alguns Elementos em Folhas de Seringueira zinco e 0,3% de ácido bórico, via foliar.
Nível de Insuficiência (%) Nível de Suficiência (%) Uma outra alternativa para a aduba-
Elemento
ção de viveiros para mudas de raiz nua
Folhas Expostas Folhas F olhas Expostas Folhas no cerrado é a substituição do fosfato
à Luz Sombreadas à Luz Sombreadas
de rocha por termofosfato de magnésio.
Nitrogênio 3,20 3,30 3,60 3,70 Com isto pode-se provavelmente elimi-
Fósforo 0,19 0,21 0,25 0,27 nar a aplicação de sulfato de mangésio.e
Potássio 1,00 1,30 1,40 1,50 reduzir a quantidade de superfosfato
Magnésio 0,23 0,25 - 0,28 simples.
Na região do Vale do Rio Doce e
Fonte: Rubber Research Institute of Malaya (1963).
Zona da Mata, os viveiros são sempre lo-
calizados em baixadas cujos solos pos-
Zona da Mata: semelhante à re- a adubação deverá ser feita em toda a suem, de modo geral, elevados teores de
gião do Rio Doce. O principal sua área útil. cálcio, magnésio e potássio. Aqui, a
elemento limitante do crescimen- Na região de cerrado, os solos atual- adubação deve estar voltada para o
to de seringais jovens é o fósforo, mente utilizados para o cultivo da serin- suprimento de fósforo e nitrogênio e,
mas sua deficiência não tem sido gueira apresentam, de modo geral, eventualmente, boro e zinco. Sugere-se,
detectada, devido à boa adubação baixíssimos teores de bases e de fósforo neste caso, a aplicação de 150 g de su-
que normalmente é feita para es- disponível. Além disso, a capacidade de perfosfato simples por metro linear de
te elemento. troca de cations é baixa e a capacidade sulco. A recomendação de nitrogênio
de fixação de fósforo é alta. Assim, seria a mesma adotada para os solos de
Os sintomas visuais de deficiências
minerais foram descritos em vários tra- obviamente, a estratégia para a boa nu- cerrado. Eventuais aparecimentos de
balhos, ressaltando-se contudo aquele trição das mudas consiste em adotar téc- sintomas de deficiência de magnésio,
desenvolvido por Shorrocks (1964). nicas de adubação que resultem na ele- boro e zinco poderiam ser corrigidos,
Chaves para a identificação de deficiên- vação dos teores daqueles elementos por conforme sugerido anteriormente.
cias minerais em seringais foram prepa- um período mais longo de tempo. Para
isso, sugere-se que, na área a ser utiliza- ADUBAÇÃO DE MUDAS
radas por Shorrocks (1964) e Reis et al
da para o viveiro, se faça inicialmente EM SACOLAS PLÁSTICAS
(1982), e com base nelas elaborou-se
a que é apresentada no Quadro 2. uma fosfatagem, aplicando-se a lanço
O substrato normalmente utilizado
cerca de 2,0 t de fosfato de rocha. Em
para o enchimento das sacolas plásticas
seguida, o fosfato deve ser incorporado,
consiste de solo argiloso, para fornecer
por gradagem, à camada correspondente
ADUBAÇÃO DE VIVEIRO boa proteção ao sistema radicular du-
aos 25 em superiores do solo. Esta fos-
rante o transporte e plantio das mudas
fatagem fornecerá parte das necessida-
no campo. Na região do Rio Doce e Zo-
des de fósforo e cálcio das plantas e re-
na da Mata, se o solo para tal finalidade
O procedimento para a adubação da duzirá um possível efeito prejudicial do
é retirado em encostas mais elevadas,
seringueira no viveiro depende do tipo alumínio trocável. Na época do trans-
sua fertilidade tende de média para bai-
de muda produzida, isto é, se de raiz plantio das plântulas para o sulco, apli-
xa. Se por outro lado, ele for coletado
nua ou em sacola plástica. A tendência car 80 g de superfosfato simples, 8 g de
em baixada, os teores de elementos ba-
em Minas Gerais é a produção de mudas cloreto de potássio, 30 g de sulfato de
ses deverão ser suficientes para o rendi-
em recipientes, em razão da ocorrência magnésio e 5 g de FTE por metro linear, mento normal das plantas.
de estação seca relativamente prolonga- misturando bem os fertilizantes com o Tanto para a região de cerrado
da nas regiões onde o plantio da serin- solo. Decorridos de 1,5 a 2 meses após quanto para a região do Rio Doce e Zo-
gueira se encontra em expansão. Nestas o transplantio, aplicar em cobertura 25
na da Mata, recomenda-se misturar, a
regiões, a utilização de mudas de raiz g de sulfato de amônio por metro linear
cada kg de solo antes do enchimento das
nua resulta em uma mortalidade consi- de sulco. No 49 mês repetir a mesma
sacolas, 5 g de superfosfato simples.
derável, se durante ou imediatamente dosagem de sulfato de amônio e aplicar Para aquela região, recomendam-se,
após o plantio no campo ocorre vera- mais 10 g de cloreto de potássio por ainda, misturar com o solo 0,3 g de FTE,
nico. metro. Repetir a aplicação de sulfato de 0,15 de cloreto de potássio e 0,15 de
amônio, na mesma dosagem, no 69 e 89
sulfato de magnésio por' kg de solo.
ADUBAÇÃO DE meses (Quadro 3).
Dois meses após o transplantio ou ger-
MUDA DE RAIZ NUA Eventualmente podem aparecer, minação (se a semeadura for feita direta-
posteriormente, sintomas de deficiência mente na sacola), adicionar 20 mg de
Se este é o método de produção de de magnésio e de boro e zinco. Neste sulfato de amônio para cada kg de solo
mudas, o substrato de crescimento des- caso sugere-se a aplicação de mais 20 g existente na sacola. Esta dosagem deve
tas é o próprio solo do viveiro. Por isso, de sulfato de magnésio em cobertura e ser repetida no 49 .69 e 8q mês. No 49

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mês repetir a aplicação de clareto de po-


tássio e sulfato de magnésio. Se, por
ventura, aparecerem posteriormente sin-
tomas de deficiências de boro e zinco,
aplicar, par via foliar, solução contendo
0,6% de sulfato de zinco e 0,3% de áci-
do bórico.
Para a região do Rio Doce e Zona
da Mata, sugere-se analisar quimicamen-
te uma amostra de solo a ser utilizada
como substrato para a produção de
mudas. Se os teores de potássio e de
cálcio + magnésio forem próximos a
45 ppm e 1,5 meg/100 cc de solo, res-
pectivamente, a mesma adubação reco-
mendada para a área de cerrado pode ser
adotada. Esta sugestão está sumarizada
no Quadro 4.

ADUBAÇÃO NA
FASE DE FORMAÇÃO
DO SERINGAL

A análise da literatura sobre a adu-


bação da seringueira mostra que muitas
vezes a resposta à aplicação de fertilizan-
tes tem sido inconsistente, particular-
mente para alguns nutrientes como o ni-
trogênio e o potássio. Tais fatos não po-
dem ser tomados como definítivos e le-
vam à conclusão de que a técnica de adu-
bação é desnecessária para a seringueira.
Esta planta sendo típica da região tropi-
cal tem sido, na maioria das vezes, culti-
vada em áreas recém-desmatadas. Nes-
tas condições, o resíduo de material ve-
getal deixado sobre o solo contribui
com quantidades consideráveis de nu-
trientes para o próximo cultivo. Esta
pode ser uma das razões para a falta de
resposta da seringueira à aplicação de al-
guns elementos. O consórcio de legumí-
nosa com seringueira pode ser outra
razão para a falta de resposta principal-
mente à adubação nitrogenada.
Em Minas Gerais, as terras destina-
das ao plantio de seringueira, de modo
geral, são naturalmente de baixa fertili-
dade, como é o caso da região de cer-
rado, ou já têm sido longamente utili-
zadas para a agricultura e pecuária, com
conseqüente redução da fertilidatle.
Nessas condições, pode-se esperar res-
posta acentuada da seringueira à aduba
ção. Esta técnica deverá concorrer não-
somente para o rápido estabelecimento
do seringal, mas também antecipar o es-

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.-quando mais informações estiverem dis-


poníveis.

REGIÃO DO CERRADO

Na região de cerrado, normalmente


há durante o período de inverno um dé-
ficit hídrico moderado, o que reduzirá
o crescimento da seringueira. Na região
do Rio Doce e Zona da Mata, depen-
dendo do local, há também um período
seco bem definido. Assim, a aplicação
de fertilizantes deve coincidir com os
períodos quando há umidade suficiente
no solo para que ocorram a dissolução,
o transporte do elemento e sua conse-
qüente absorção pela planta.
Os solos de cerrado, conforme men-
cionado anteriormente, são de um modo
geral ácidos e pobres em bases e fósforo
tágio de sangria. Outro benefício da quase que exclusivamente a fósforo. disponível. .
adubação, ressaltado por Shorrocks Entretanto, Gues (1967) recomenda que o A seringueira, aparentemente, é
(1964), é a melhoria da renovação da em todos os programas de fertilização pouco sensível a teores relativamente
casca após a primeira sangria, o qu~ po- sejam incluídos nitrogênio, fósforo, po- elevados de alumínio' trocável. Assim,
derá ser benéfico na sangria seguinte.
o
tássio e magnésio. O fósforo é impor- mesmo em solos de cerrado, a calagem
Ademais, uma boa adubação na fase de tante no estímulo ao desenvolvimento como corretivo da acidez do solo seria
estabelecimento do seringal provavel- do sistema radicular, enquanto que o ni- desnecessária. Ela poderia ser recomen-
mente reduzirá ou dispensará a aplica- trogênio suporta a formação da copa. dada para solos com teores de cálcio e
ção de fertilizantes na fase de sangria. A proposição de um programa de magnésio muito baixos com o objetivo
No sul da Bahia, em vários experi- adubação da seringueira para Minas Ge- de suprir as necessidades nutricionais da
mentos conduzidos (Reis et aI 1984 a, rais deve levar em conta as caracterís- planta a estes elementos. Contudo,
b; Reis & Rosand (s.d) e Reis et al s.d.) ticas climáticas, edáficas e topográficas outros materiais poderão ser utilizados
obtiveram-se respostas de seringueira de cada região e as variações clonais, tais como o fosfato de rocha ou termo-
Informe Agropecuário, Belo Horizonte,!! (21) janeiro de 1985 33
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fosfato magnesiano que, além de forne- ção excessiva de magnésio. não possui um sistema radicular eficien-
cerem elementos, acrescentam outros O restante do potássio deve ser apli- te para absorção de nutrientes e reduz-
como o fósforo. cado, no primeiro ano de plantio, em se a possibilidade de danos fisiológicos
duas parcelas; a primeira de 20 g de elo- causados pelo excesso de sais junto ao
ADUBAÇÃO FOSFATADA reto de potássio, em cobertura em torno sistema radicular. No primeiro ano, re-
do caule da planta, dois meses após o comendam-se aplicar, em cobertura,
Na região de cerrado o emprego de plantio e a segunda, de 25 g, no início 220 g de sulfato de amônio divididos em
fosfato de rocha seria muito interessan- do primeiro período chuvoso após o três porções respectivamente, 60, 80 e
te (Braga 1983), principalmente quando plantio. 80 g, aos dois meses após o plantio e o
se pretende plantar alguma leguminosa Para o segundo ano, com base na restante nos meses chuvosos do primeiro
de cobertura. Com base em resultados recomendação de Reis et aI (1982), a ano.
obtidos de planta arbórea como o euca- quantidade de potássio poderia ser do- Para os anos seguintes, ainda com
lipto (Rezende et al 1982) poder-se-ia brada e aplicada nas mesmas épocas, base na recomendação de Reis et al
recomendar a aplicação a lanço, seguida conforme sugerido para o primeiro ano. (1982), a dose anual de nitrogêriio deve
da incorporação até a profundidades de Do terceiro ao quinto ano, a dose a ser ser dobrada e aplicada no início e meio
25 em, de 1,5 t/ha de fosfato natural, na aplicada corresponderia ao dobro da uti- do período chuvoso. Esta adubação
época de preparo do solo. Se não se pla- lizada no segundo ano. O técnico de pode ser reduzida e talvez eliminada, se
neja o plantio de leguminosa de cober- campo deve estar atento às possíveis de- nas entrelinhas da seringueira plantar-
tura ou outra cultura qualquer nas en- ficiências de magnésio causadas por um se uma leguminosa de cobertura.
trelinhas da seringueira, o fosfato natu- eventual excesso de potássio. Neste ca- Um problema que pode ocorrer na
ral poderia então ser aplicado numa fai- so, as aplicações deste elemento devem fase jovem do seringal, em decorrência
xa de 2 m de largura, plantando-se a fi- ser interrompidas, adicionando-se em do excesso de nitrogênio, é o tombamen-
leira de seringueira no centro desta fai- contraparte sulfato de magnésio. to e quebra das hastes (há um desbalan-
xa. Além do fosfato de rocha é indis- ço entre a copa e o tronco). Neste caso,
pensável a aplicação na cova de plantio ADUBAÇÃO MAGNESIANA deve-se paralisar a adubação nitroge-
de uma fonte mais solúvel de fósforo, A adubação com calcário dolomíti- nada.
para que se obtenha um crescimento co, à base de 200 kg/ha, na faixa de plan-
mais rápido da seringueira. Como fonte tio em áreas onde a aplicação basal de
solúvel de fósforo pode-se utilizar o su- ADUBAÇÃO COM
fosfato não é feita, deve ser suficiente MICRONUTRIENTES
perfosfato simples, que inclui também o para suprir as necessidades iniciais da
enxofre, ou termofosfato magnesiano, o planta. Entretanto, onde for possível, Na região de cerrado, o zinco e o
magnésio, ou até mesmo parte de um e o emprego de termofosfato magnesiano boro são os principais micronutrientes
de outro. A quantidade do fosfato deve (contém cerca de 90% de MgO) é prefe- a limitar o crescimento. A deficiência·
ser suficiente para suprir cerca de 60 g rível. Outra alternativa é a adição de destes elementos tende a ser mais severa
de P2 Os por cova. Um excesso de fos- 35 a 40 g de sulfato de magnésio na na época da seca, a não ser o caso de
fato solúvel não é desejável pois isso cova de plantio. Neste caso, a aplica- certos clones, particularmente exigentes
pode induzir à deficiência de certos mi- ção de magnésio deve ser repetida no quanto a um ou outro nutriente.
cronutrientes, principalmente, zinco, O suprimento de micronutrientes
segundo ou quarto ano ou quando surgir
que é um dos elementos problemáticos o sintoma de deficiência, à base de 70 g tem sido feito pela aplicação de 20 g de
para a seringueira em solo de cerrado. de sulfato de magnésio por planta, apli- FTE por cova na época do plantio. Tem-
Outras fontes de fósforo, como fos- cado a lanço ao redor do tronco e na se observado contudo que os sintomas
fatos parcialmente acidulados, têm sur- projeção da copa. de deficiência de zinco aparecem com o
gido no mercado e podem, às vezes, ser O excesso de magnésio, principal avanço da idade das plantas. Por isso,
utilizadas com vantagem. mente em seringais próximo à época de recomendam-se aplicar, nas mesmas épo-
sangria, pode causar a pré-coagulação cas da adubação nitrogenada ou potássi-
ADUBAÇÃO POTÁSSICA do látex, reduzindo pois a produção. ca, 8 g de sulfato de zinco e 5 g de bó-
Este problema pode ser contornado pela rax por planta. O sulfato de zinco deve
Em alguns solos de cerrado o teor ser colocado em pequenos sulcos laterais
aplicação de potássio.
de potássio é muito baixo e sua aplica- para facilitar a sua absorção pelas raízes.
ção deve ser parcelada para evitar danos
à planta (efeito salino) e perdas por lixi- ADUBAÇÃO NITROGENADA
viação. Assim, parte do potássio (15 g A aplicação de nitrogênio em plan- REGIAO DO
de cloreto de potássio) deve ser aplicado tios de seringais deve ser realizada ape- VALE DO RIO DOCE E
na cova de plantio. Em alguns solos .nas a partir do segundo mês após o plan- ZONA DA MATA
mesmo que o teor de potássio seja sufi- tio e a quantidade total a ser aplicada
ciente para o crescimento da seringueira, anualmente deve ser parcelada. Com is-
a aplicação de adubo potássico pode ser to evita-se a perda do elemento por lixi- Nestas áreas, a grande dificuldade
recomendável para reprimir uma absor- viação, visto que a muda quando jovem de operacionalização de um programa
34 Informe Agropecuário, Belo Horizonteç ll (121) janeiro de 1985
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de adubação decorre, muitas vezes, da mento apareçam. Neste caso, recomen- nutricional e adubação da seringueira.
topografia muito acentuada. Isto, de .da-se aplicar 30 g de sulfato de magné- Manaus, 1983. 20 p. (mimeogr.) .
certa forma, é compensado pelo fato de sio em cobertura ao redor do tronco da BUENO, N.; BERNIZ, J.M.I. ~ VIÉGAS, 1.
I.M. Amostragem de solo e de folha pa-
a fertilidade dos solos ser um pouco me- planta. ra análise e recomendação de. adubação
lhor do que a do cerrado. Nas áreas de baixada não deve haver em seringueira. Manaus, EMBRAPA/
necessidade de aplicação de magnésio CNPSe. s.d. 13 p. (Comunicado técni-
co,18).
ADUBAÇÃO FOSFATADA mesmo quando a fonte de fósforo não
for o termofosfato. Nas encostas e to- CARDOSO, A. Fertilidade do solo; XIII cur-
Nas áreas de baixadas dessas regiões, so de especialização em heveicultura. Be-
pos de morro podem-se aplicar à cova lém, SUDHEVEA/FCAP, 1984.
a adubação de plantios jovens pode qua-
de plantio 30 g de sulfato de magnésio. COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO
se se restringir às adubações fosfatadas
e nitrogenadas. As características dos DO ESTADO DE MINAS GERAIS, La-
vras, MG. Recomendações para o uso
solos de baixada não favorecem a utili- ADUBAÇÃO COM de corretivos e fertilizantes em Minas Ge-
zação de fontes pouco solúveis de fósfo- MICRONUTRIENTES raia. (3~ aproximação). Belo Horizonte,
ro como os fosfatos de rocha. Uma al- EPAMIG, 1978. 80 p.
Adicionar na cova de plantio 10 g
ternativa que pode ser interessante é o GEUS, I.G. de. Fertilizes guide for tropical
de FTE. Se nos meses seguintes apare- and sub-tropical forming. Zurich, Cen-
termofosfato magnesiano, principalmen- cerem sintomas de deficiência de zinco, tre d'Etude de l'Azote, 1967. 727 p.
te, para onde a relação Ca:Mg é mais. pode-se fazer a correção por adubação HAAG, H.P.; DECHEN, A.R.; SARRUGE,
aberta. Nas baixadas, o adubo fosfatado foliar (solução 0,6% de sulfato de zinco) I.R.; GURRINI, I.A.; WEBER, H. &
poderia ser aplicado em covas mais arn- . TENÚRIO, Z. Nutrição mineral de se-
e no início do período chuvoso aplicar ringueira. Campinas, Fundação Cargill,
pIas, à base de 54 g de P2 Os por planta 5 g de sulfato de zinco em sulcos laterais, 1982. 102 p.
(ou seja, 300 g de superfosfato simples conforme mencionado anteriormente, NOVAIS, R.F.; BARROS, N.F.; NEVES, 1.
ou termofosfato). Para os anos seguin- C.L. & COUTO, C. Níveis críticos de
tes, poder-se-ia aplicar em sulcos late- fósforo para o eucalipto. iRev. Árvore,
.rais esta mesma quantidade de fertilizan- ADUBAÇÃO NA FASE ~: 29-37, 1982 .
te. Esta recomendação pode também DE SANGRIA REIS, E.L. & ROSAND, P.c. Efeito de fon-
tes fosfatadas no desenvolvimento da
ser adotada para as áreas mais declivosas seringueira no sul da Babia. Itabuna,
dessas regiões ou em topos mais estrei- CEPLAC/EMBRAPA, s.d. 10 p.
tos de morro. Nos topos mais amplos, Se o. seringal foi adequadamente REIS, E.L.; ROSAND, P.C. & SANTANA,
onde houver a possibilidade de mecani- adubado na fase de estabelecimento ou C.I.L. Indicações de adubaçio da serin-
formação é pouco provável que haja ne- gueira no sul da Bahia, Ilhéus, CEPLAC/
zação, pode-se adotar adubação fosfata- SUDHEVEA, 1982. 16 p.
da semelhante à sugerida para o cerrado. cessidade de adubação na fase de san-
REIS, E.L.; ROSAND, P.c. & SANTANA,
gria, pois a quantidade de elementos re- C.I.L. Resposta do clone Fx 3864 de se-
movida no látex é relativamente peque- ringueira a doses de fertilizantes no sul
ADUBAÇÃO NITROGENADA na (Geus 1967). Neste caso, deve-se da Babia. Itabuna, CEPLAC/EMBRAPA,
s.d. 11 p.
Adotar a mesma recomendação fei- proceder a análises de solo e de folhas
REIS, E.L.; SANTANA, C.J.L. & ROSAND,
ta para a área de cerrado. para avaliar que elementos e doses de P.c. Influência da calagem e adubação
adubo devem ser aplicados. Se a plan- na produção da seringueira no sul da Ba-
tação não foi adubada previamente, hia. Rev. Theobroma, 14 :33-44, 1984a.
ADUBAÇÃO POT ÁSSICA
Reis et ai (1982), recomendam, para so- REIS, E.L.; SOUZA, L.F.S. & MELLO, F.A.
Somente as partes declivosas e to- F. Influência da aplicação de nitrogênio,
los de fertilidade baixa, a seguinte adu-
fósforo e potássio sobre o desenvolvimen-
pos de morro da região do Vale do Rio bação por pé: 360g de sulfato de amô- to da seringueira (Hevea brasiliensis MueU
Doce e Zona da Mata podem' requerer nio, 168g de superfosfato triplo e 72g Arg) no sul da Bahia. Revista Theobro-
a aplicação de potássio. Nestes casos, ma, 14:45-52, 1984b.
de cio reto de potássio. Esta adubação é
no primeiro ano, o adubo poderia ser aplicada no final do período de seca e REZENDE,G.C.; BARROS,N.F.; MORAES,
aplicado em covas laterais em duas par- três meses após aplicam-se mais 250g T.S.A.; MENDES, C.I. & SUITER FI-
celas de 40 g de cloreto de potássio, sen- de sulfato de amônio. Isto se repete por LHOj W. Aplicação de fosfatos naturais
em plantios de Eucalyptus zranâis W.
do a primeira parcela dois meses após o três a quatro anos seguidos. Hill ex. Maiden. Rev. Árvore, 6 :74-83,
plantio juntamente com o nitrogênio. 1982. -
A segunda parcela seria aplicada antes

I
RUBBER RESEARCH INSTITUTE OF MA-
do início do período chuvoso. Para os REFERÊNCIAS LAYA, 21. Kuala Lumpur, 1962. Con-
anos seguintes, a adubação é repetida. ferenoe. Kuala Lumpur, 1963.
SANTANA, C.I.L.; ROSAND, P.c. & Ml-
BARROS, N.F.; NOVAIS, R.F.; NEVES, 1. RANDA, E.R. Requerimentos nutricio-
ADUBAÇÃO MAGNESIANA C.L. & GOMES, I.M. Interpretação de nais e indicações para a fertilização de se-
análises químicas do solo para o cresci- ringueira. Itabuna, CEPLAC, 1974. 22 p.
Quando o tennofosfato magnesiano
mento de Eucalyptus spp. Rev. Árvore,
for utilizado, podem-se dispensar apli- SHORROCKS, V.W. Mineral deficiencis in
~: 38-44, 1982.
hevea and associated cover plants. Kuala
cações adicionais de magnésio, a não ser BRAGA, I.M. Fontes naturais e artificiais Lumpur, Rubb Res. Inst. of Malaya ,
que os sintomas de deficiência do ele- aplicáveis' à seringueira. In: REUNIÃO 1964. 76 p.
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, !!(121) janeiro de 1985 35