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A unção da humildade

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É curioso como muitos milagreiros se valem de supostas operações divinas para se vangloriarem. Fazem
questão de terem todos holofotes voltados para si. E os anúncios de suas reuniões são mais ou menos
assim: “Grande noite de milagres com o pastor Fulano de Tal. A cidade será abalada pela unção desse
homem de Deus”.

Uma unção que, se existisse, deveria ser derramada com abundância sobre todos os pregadores e cantores é a
da humildade! Ah, se ela existisse! Mas, mesmo que ela não seja mencionada no texto sagrado, os verdadeiros
ungidos devem se humilhar debaixo da potente mão do Senhor (1Pd 5.6).

Não há sinal, prodígio ou maravilha que consigam encobrir a soberba — um dos mais repulsivos pecados
contra Deus. Por isso, a Palavra do Senhor nos alerta, a fim de que não caiamos no mesmo erro de
Satanás: “não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo”, 1Tm
3.6 (ARA). Por mais extraordinárias que sejam as obras de famosos milagreiros, eles estão longe do
Senhor (Sl 138.6 e Mt 7.23).

Jesus nunca fez propaganda de milagres. Enquanto muitos afirmam: “Eu fui chamado para pregar milagres”, o
Mestre e os apóstolos pregavam o Evangelho, e os sinais os seguiam. Além disso, toda a glória era dada a Deus
(At 4.5-12 e 14.9-18). E mais: não há registro de extração de sapos, cobras, ossos, pedras etc. do corpo das
pessoas. Isso é uma das muitas manifestações estranhas desse período que antecede o Arrebatamento da Igreja
(Mt 24.24), as quais se intensificarão na Grande Tribulação (Ap 13).

Há muitas novidades nessa última hora, acerca da qual disse Jesus: “Acautelai-vos...”, Mt 7.15. Se você
acha que estou exagerando, leia o contexto dessa passagem e observe que o Senhor mencionou
“profetas”, “homens com autoridade sobre demônios” e “operadores de muitas maravilhas” que não
entrarão no Reino dos céus (v22)!

João Batista é um exemplo para todos nós como pregador do Evangelho; manteve-se humilde em todo o tempo
em que desempenhou o seu ministério (Jo 3.30). Jesus, inclusive, o considerou o maior profeta entre os nascidos
de mulher (Mt 11.11). No entanto, quantos sinais ele realizou? Eis a resposta: “Na verdade, João não fez sinal
algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade”, Jo 10.41.

Não devemos ser incrédulos, mas cautelosos (Gl 1.8 e 2Co 11.3-4). Deus prevê em sua Palavra que os
falsos profetas milagreiros agiriam no meio do seu povo (Dt 13.1). No contexto desta passagem, o Senhor
diz que não devemos dar ouvidos aos enganadores — mesmo que eles façam sinais e prodígios —, como
prova de que o amamos (v2-4). Quem ama ao Senhor de verdade guarda a sua Palavra, haja o que houver
(Jo 14.23).

Aprendamos a fugir dos extremos. Não sejamos incrédulos quanto às operações divinas. Deus cura e faz milagres
em nossos dias, sim! Creiamos nisso de todo o nosso coração. Entretanto, é tolice revoltar-se contra os homens
de Deus que Ele tem levantado para combater os modismos, tachando-os de incrédulos ou “caçadores de
heresias”.
O Espírito Santo é dado àqueles que obedecem a Deus (At 5.32), e não àqueles que agem por conta
própria, desrespeitando a decência e a ordem, características marcantes de um culto genuinamente
pentecostal (1Co 14.40). Sinais e prodígios acontecem, mas para a glória de Deus, de acordo com a sua
Palavra e em decorrência da pregação do Evangelho (Mc 16.20 e At 14.3).

Que, nesses tempos trabalhosos, sejamos guiados pela Palavra do Senhor (Sl 119.105) e tenhamos
discernimento (1Jo 4.1), fazendo valer o que afirmou o apóstolo João: “E vós tendes a unção do Santo e sabeis
tudo”, 1Jo 2.20.

Ciro Sanches Zibordi - http://cirozibordi.blogspot.com