Você está na página 1de 4

Hermenêutica

Recursos de Retóricos.

Introdução:
Vamos estudar os vários recursos retóricos empregados pelos autores sagrados na
composição dos textos da Bíblia, como meios de expressar seus pensamentos e
idéias.

As Figuras de Linguagem:
Tratam-se de recursos retóricos que se utilizam de símbolos (objetos, fatos,
linguagem etc.) como meio de tornar eficiente a comunicação de uma determinada
idéia.

1. Metáfora: Forma de linguagem em que, por analogia, dois objetos ou


fatos trazem em si a mesmas propriedades. Exemplo: Quando Jesus
se compara com a videira (João 15.1) está comunicando que, por
analogia, possui as mesmas propriedades da planta. É próprio da
videira (tronco) servir aos galhos com a seiva vitalizante para que
produzam frutos. Semelhantemente, os crentes, como os galhos,
possuem a propriedade de frutificar com a força da seiva que vem da
videira. Neste caso, nós os crentes somos os ramos.
Existem outros casos desta forma de linguagem em que Jesus se
coloca nesta condição de analogia.
2. Metonímia: Recurso que consiste no emprego de um objeto por
palavra que designa outro objeto que com ao primeiro uma relação de
causa e efeito. Por exemplo: trabalho e resultado, recipiente e
conteúdo, lugar e produto, matéria e objeto, autor e obra etc. Quando
Jesus afirma que Pedro não teria parte com ele se não lhe permitisse
lavar-lhes os pés estava se referindo à purificação da alma. No verso
“O sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo o pecado” (1ªJoão
1.7) o autor não está se referindo à substancia do sangue, mas à morte
expiatória realizada na cruz. Na ocasião do encontro de Jesus com a
mulher Samaritana, Jesus afirma que se ela bebe-se da água que ele
Hermenêutica

lhe desse, a mulher nunca mais teria sede. Ele estava falando não de
água, mas da vida eterna.
3. Sinédoque: É a substituição da parte pelo todo ou vice-versa, do plural
pelo singular, do gênero pela espécie etc. Usando esta figura de
linguagem, Paulo escrevendo aos Coríntios, fala da ceia do Senhor
com seguintes termos: “Todas as vezes que... beberdes este cálice”
querendo afirmar, “do conteúdo do Cálice”.
4. Prosopopéia: É a atribuição de feitos e ações de pessoas a coisas
inanimadas. Paulo nos oferece outro exemplo: ao perguntar “onde está
ó morte, seu aguilhão”, parece que está falando com uma pessoa.
Outro bom exemplo nos é dado pelo salmista: “o amor e a felicidade se
encontrarão; a justiça e a paz se beijarão. A fidelidade brotará da terra,
e a justiça dos céus”. Sua intenção era exaltar a gloria do reino
messiânico.
5. Hipérbole: É o exagero, seja tanto no engrandecimento ou diminuição
na descrição de uma alguma coisa. (Deuteronômios 1.28, João 21,25).

As Alegorias:
São exposições de idéias ou pensamentos, transmitidos geralmente por meio de
estórias. Muitas vezes são constituídas de uma seqüência de metáforas que
possuem um significado nas palavras e outro nos sentidos.

1. A Parábola: É a narrativa de um fato possível (porém fictício) com o propósito


de ilustrar uma verdade importante. A Bíblia está repleta de parábolas e este
recurso foi amplamente usado por Jesus em seus discursos, entre os quais
mencionamos o que se encontra em Lucas 18.1-7. Para se interpretar uma
parábola, o mais importante é encontrar o seu propósito. Em segundo lugar
devem-se considerar os aspectos essenciais deixando de lado os por
menores. Ninguem deve, com base em Lucas 11.5-8, insistir em acordar uma
família para pedir pães. Finalmente deve-se entender que as parábolas foram
dadas para demonstrar uma doutrina e não para criá-la.
2. Fábula: É a personificação de coisas e animais com o escopo de ilustrar um
fato ou uma circunstancia. Um exemplo de fabula encontra-se em 2º Reis
Hermenêutica

14.9. Está foi a maneira que Jeoás, rei de Israel encontrou para humilhar seu
oponente, rei de Judá comparando-o a um frágil espinheiro enquanto ele se
comparou com o cedro. Com a expressão “um animal do Líbano pisoteou o
espinheiro” Jeoás predisse a ruína de Amazias, rei de Judá.
3. Hebraísmo: São expressões idiomáticas que representam, de maneira
específica e com singularidade, a maneira dos judeus se comunicarem.
Ocorrem abundantemente em todas as passagens das Escrituras. Está forma
de comunicação está ligada diretamente as características culturais dos
judeus, não sendo, senão mediante estudo, perceptível ao leitor comum.
 Os que indicam posse: “Moabe é minha bacia de lavar: sobre
Edom lançarei o meu sapato, sobre a Filistia jubilarei”. (“Lançar os
sapatos”, na linguagem hebraica comunica o ato de apossar ou
dominar algo”).
 Os que indicam contraste: Os hebreus costumavam empregar está
forma para evidenciar uma realidade através da exposição de seu
oposto. São apresentados geralmente na forma de dísticos (estrofes
com dois versos) como nos seguintes casos:
“O choro pode durar uma noite,
Mas, a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5)

“O filho sábio alegra a seu pai,


Mas o homem insensato despreza a sua mãe” (Provérbios 15.20)

“O ódio incita a contenda,


Mas o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10.12)

Amei a Jacó e Aborreci a Esaú” (Romanos 9.13)


Este tipo de Hebraísmo também é denominado de “paralelismo
antitético” e o propósito é sempre destacar o bem e a virtude. Uma
demonstração desta prática por Jesus se encontra nesta declaração:
“Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher,
e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não
pode ser meu discípulo”
Hermenêutica

Em outras palavras: “Quem vier a mim deve me amar mais do que aos
seus”.
4. Tipologia:
Derivado do grego typos (modelo), tipologia é o estudo da relação entre
objetos e fatos do Antigo Testamento (os tipos), considerados representações
de eventos futuros, e as verdades reveladas no Novo Testamento (os
antítipos). Diferentemente dos recursos retóricos, entendemos que os tipos
são componentes específicos da revelação intencionalmente utilizada por
Deus para comunicar, no Antigo Testamento, verdades que facilitariam a
compreensão do Evangelho no Novo Testamento, cumprindo assim, um
papel profético.
O que a tipologia sugere é que fatos e personagens do A.T. anteciparam os
fatos do N.T. Isto significa por exemplo que:
 O Dilúvio é um tipo de batismo simbolizando a morte do pecador como
a morte de Cristo e a identificação do crente com ela.
 A arca de Noé também é um tipo da igreja e do próprio Cristo onde
encontramos salvação.
 Melquisedeque, a quem Abraão deu o dizimo recebendo dele o pão e
vinho, é um tipo de Cristo que ofereceu seu pão (corpo) e seu vinho
(sangue).
 O cordeirinho que foi sacrificado em lugar de Isaque é um tipo de
Cristo que foi sacrificado em nosso lugar.
É bom lembrar sempre: que os tipos não estão na Bíblia para criar doutrinas, mas
sim, para confirmá-las.