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FAVENI

CURSO: ARTETERAPIA (PÓS-GRADUAÇÃO)


COMPONENTE CURRICULAR: ARTTERAPIA E SAÚDE MENTAL - PSICOPATOLOGIA
PSICOSSOMÁTICA

AULA 1
2 ARTETERAPIA: A ARTE COMO INSTRUMENTO NO TRABALHO DO PSICÓLOGO.
- “Arteterapia é uma área de atuação profissional que utiliza recursos artísticos com
finalidade terapêutica (CARVALHO, 1995, apud REIS, 2014, p. 144) (P.03);
- “Na definição da Associação Brasileira de Arteterapia, é um modo de trabalhar
utilizando a linguagem artística como base da comunicação cliente profissional. Sua
essência é a criação estética e a elaboração artística em prol da saúde” (P.03);
- “Tendo em vista a formação do profissional e o público com o qual trabalha, a
arteterapia encontra diferentes aplicações: na avaliação, prevenção, tratamento e
reabilitação voltados para a saúde, como instrumento pedagógico na educação e como
meio para o desenvolvimento (inter) pessoal através da criatividade em contextos
grupais” (P.03);
- “Desse modo, o campo de atuação da arteterapia tem se ampliado, abrangendo
além do contexto clínico também o educacional, o comunitário e o organizacional. No
entanto, o desenvolvimento da arteterapia como área específica de trabalho deu-se na
Psicologia, ligado primordialmente à questão da saúde mental” (P.03-04);
- “a atividade criadora como um instrumento e a arte como um caminho de
transformação subjetiva; (p.04)
2.1 - Pressupostos fundamentais na Arteterapia
- “Embora possa ser desenvolvida a partir de diferentes referenciais teóricos, a
arteterapia se define em todos eles por um ponto em comum: o uso da arte como
meio à expressão da subjetividade” (P. 5);
- “[...] Como atividade terapêutica, o que aqui se pretende não é propriamente fazer
arte, mas sim, exercitar a criatividade, proporcionar que no fazer criativo se produzam
outros modos de objetivação e de subjetivação” (P.05);
- “Uma característica comum às terapias com arte é que, por meio da vivência
expressiva, o sujeito pode dar-se conta do que de fato sente e, durante esse processo,
pode verdadeiramente fazer algo que assim o represente e a ele faça sentido
(ANDRADE, 2000, apud REIS, 2014, p. 148)” (P.05);
- Para OSTROWER, criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo, é
tanto estruturar quanto comunicar-se, é integrar significados e é transmiti-los (2004,
apud REIS, 2014, p. 149) (P.06);
- “[...] E aqui compreendo arte como um processo de formatividade, ideia
desenvolvida pelo filósofo italiano LUIGI PAREYSON (1918-1991), que definiu a
atividade artística como um formar, cujo resultado é um ser, uma forma inteiramente
nova, pois a arte é um tal fazer que, enquanto faz, inventa o por fazer e o modo de
fazer (1984, apud REIS, 2014, p. 149)” (P.06);
- “Na perspectiva histórico-cultural em Psicologia, a atividade criadora é compreendida
como um processo no qual o sujeito reorganiza diversos elementos de sua experiência,
combinando-os de modo diferenciado e, com isso, produzindo o novo (VYGOTSKI,
1990, apud REIS, 2014, p. 149) (P.06);
- “Nessa atividade, ele parte do que está dado, do que é conhecido, reconfigurando-o
em uma nova forma a partir da imaginação, o que culmina na objetivação do produto
da imaginação, a qual, ao materializar-se na realidade, traz consigo uma nova força,
que se distingue por seu poder transformador frente à realidade da qual partiu
(ZANELLA, DA ROS, REIS, & FRANÇA, 2003, apud REIS, 2014, p. 149” (P.06-07);
- “VYGOSTKI, na obra Psicologia da Arte (escrita entre 1924 e 1926 apud REIS, 2014, p.
149), salienta a função transformadora dessa atividade, que extrai da vida o seu
material, produzindo algo acima desse material, pois a arte está para a vida como o
vinho para a uva (1998, apud REIS, 2014, p. 149). Embora esse não seja um autor de
referência na arteterapia, a ideia de que o fazer criativo é transformador perpassa esse
campo” (P.07);
- Na visão de CIORNAI, o propósito fundamental da arteterapia é resgatar a
criatividade na vida, ou seja, contribuir para que o sujeito aprenda a lidar
criativamente com os limites que a vida lhe impõe (1995, apud REIS, 2014, p. 149),
transformandose assim em artista da própria vida (P.07);
- “[...] no trabalho do psicólogo mediado pelo fazer artístico, destaco como princípios
fundamentais a concepção da arte como atividade expressiva e criativa: não se trata
apenas da expressão da subjetividade, da objetivação de emoções, sentimentos e
pensamentos em uma forma artística (desenho, pintura, modelagem, etc.), mas
especialmente da sua transmutação pela arte, da sua reconfiguração em novas formas
e em outros sentidos, em um processo no qual, ao criar na arte, o sujeito se recria na
vida”. (p.07);
2.2 Arteterapia psicanalítica
- Margaret Naumburg foi a pioneira no trabalho com arteterapia em um viés
psicanalítico, desenvolvendo a arteterapia de orientação dinâmica. Sua aproximação
inicial com a arte, entretanto, deu-se na área da educação, juntamente à irmã Florence
Cane, que era artista e professora de arte (por muitos anos trabalharam juntas na
Walden School, fundada por Naumburg) e, enquanto Florence desenvolveu métodos
de ensino para liberar a expressão artística, tornando-se pioneira na arte-educação
Margaret se baseou em suas conquistas para fazer da arte um instrumento terapêutico
(ANDRADE, 2000, apud REIS, 2014, p. 150)” (P.07-08);
- “Na visão de Naumburg, a expressão artística é como um espelho, que reflete
diversas informações, estabelecendo uma ponte no diálogo entre consciente e
inconsciente (ANDRADE, 1995, apud REIS, 2014, p. 150)”;
- “Baseada na concepção freudiana do determinismo do inconsciente, cujos
pensamentos e sentimentos se expressariam mais em imagens do que palavras, como
comprovado por Freud na teoria dos sonhos, Naumburg considera que a atividade
pictórica favorece a projeção de conteúdos inconscientes, favorecendo, por uma via
simbólica, a comunicação entre paciente e terapeuta” (P.08);
- “Naumburg trouxe como princípio básico da arteterapia psicanalítica o
reconhecimento de que todo indivíduo, independentemente de possuir ou não um
treinamento artístico, tem a capacidade de projetar seus conflitos interiores em
formas visuais [...] “ (P.08);
- “Nessa abordagem, a interpretação da expressão artística acontece sempre na
relação transferencial, na qual o sujeito é incentivado pelo terapeuta a descobrir por si
mesmo o significado de suas produções, estimulando-se o uso da livre associação, a
fim de que ele expresse em palavras os sentimentos e os pensamentos projetados nas
imagens pictóricas” (P.08);
- [...] “Segundo NAUMBURG, a arteterapia pode auxiliar na redução do tratamento e
na diminuição da transferência negativa, pois as imagens objetivadas atuam então
como uma comunicação simbólica imediata que sobrepuja as dificuldades inerentes na
linguagem verbal (1991, apud REIS, 2014, p. 150)” (P.08);
- “Na arteterapia psicanalítica, outro ponto fundamental é a concepção da arte como
uma forma de sublimação, tal como postulado por Freud. A sublimação designa o
processo no qual as pulsões são desviadas de seu objetivo original, de ordem sexual, e
utilizadas em atividades culturais, tais como a criação artística ou a investigação
intelectual, visando objetos socialmente valorizados (LAPLANCHE & PONTALIS, 1998,
apud REIS, 2014, p. 150)” (P.08-09);
- A ideia de sublimação, aceita por Naumburg, é mais representativa no trabalho de
arteterapia de Edith Krammer, artista, professora de arte e psicanalista nascida em
Viena, Áustria, em 1916, e que emigrou para Nova York em 1938. A visão de Krammer
diferencia-se da de Naumburg, porque ela não praticava a interpretação, dando
prioridade ao processo de fazer arte sem a necessidade de verbalização (ANDRADE,
1995, apud REIS, 2014, p. 150)” (P.09);
- “A ênfase de Krammer estava no valor terapêutico do processo criativo e do fazer
artístico em si mesmo, que propõe a arte como terapia, em vez de uma psicoterapia
que utiliza a arte como ferramenta (CIORNAI, 2004, apud REIS, 2014, p. 150)” (P.09);
Arte como terapia (Krammer) x ferramenta da psicoterapia
- “O fundamento de seu trabalho está no reconhecimento do papel da arte como
sublimação, entendendo-se por sublimação a transformação dos impulsos antissociais,
agressivos e sexuais em um ato socialmente produtivo, de modo que o prazer
produzido pelo resultado desse ato social substitui, pelo menos em parte, o prazer que
a gratificação original teria proporcionado (ANDRADE, 1995, p.45), (p.09);
- “Na visão de Krammer, a criação artística é em si mesma terapêutica, porque
contribui para o equilíbrio psíquico e o fortalecimento do ego, mediante a resolução
do conflito entre forças contrárias (id x superego), que encontram, via sublimação,
uma possibilidade de síntese na atividade criadora”. (p.09);
-“ Ela definia o artista como alguém que aprendeu a resolver, mediante a criação
artística, os conflitos estabelecidos pela oposição entre as demandas dos impulsos e as
demandas do superego (KRAMMER, 1982, apud REIS, 2014, p. 150)”, (p. 09)
- “[...] Nessa perspectiva, compreende-se que, na arte, se torna possível a expressão de
desejos, impulsos, sentimentos e pensamentos que, muitas vezes, são inaceitáveis
socialmente, sendo mais saudável encontrarem uma via de escape na arte do que
serem recalcados, retornando na forma de sintomas”, (p.09);
- “[...] Assim, para Krammer, o papel do arteterapeuta, que deveria possuir também
aptidões de artista e professor, era tornar disponível às pessoas esse valioso recurso: O
poder da arte de contribuir para o desenvolvimento de uma organização psíquica
capaz de funcionar sob pressão sem fragmentar-se ou recorrer a medidas defensivas
nefastas (KRAMMER, 1971 como citado em CIORNAI, 2004, apud REIS, 2014, p. 151)”,
(p.09);
2.3 Arteterapia junguiana
- “A arteterapia junguiana desenvolve-se no Brasil tendo como principais referências o
próprio Jung e o trabalho de Nise da Silveira. Nessa perspectiva, a função da atividade
artística é mediar a produção de símbolos do inconsciente” (p.10);
- “[...] Para Jung, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma
coisa além do seu significado manifesto e imediato (1977, apud REIS, 2014, p. 151),
sendo que esse outro sentido remete ao inconsciente. Contudo, enquanto para Freud
o inconsciente é formado por conteúdos reprimidos, relativos à história pessoal do
indivíduo, Jung concebe, além do inconsciente pessoal, a existência do inconsciente
coletivo, formado pelos instintos e pelos arquétipos [...]”, (p.10);
- [...] “O autor o chama de coletivo, pois ele não é constituído de conteúdos
individuais, mas de conteúdos que são universais e aparecem regularmente (2001,
p.355, apud REIS, 2014, p. 151);
- “Outra diferença é que, para Jung, além de memórias de um passado longínquo,
também pensamentos inteiramente novos e ideias criadoras podem surgir do
inconsciente (1977, p.38 apud REIS, 2014, p. 151), já que lhe é inerente uma função
criadora, que se manifesta nas imagens dos sonhos, das fantasias, nos mitos e na
expressão plástica” (p.10);
- “[...] Conforme salienta Silveira, tais produtos da função imaginativa do inconsciente
são autorretratos do que está acontecendo no espaço interno da psique, sem
quaisquer disfarces ou véus (2001, apud REIS, 2014, p. 151), sendo uma característica
própria da energia psíquica transformar-se em imagem”, (p.10);
- [...] Em decorrência disso, a abordagem junguiana em arteterapia não é baseada na
interpretação das imagens como representações veladas do inconsciente, cujo sentido
viria a posteriori, dependendo da verbalização do paciente. Ao contrário, Silveira
coloca que o importante ao indivíduo é dar forma, mesmo rudimentar, ao inexprimível
pela palavra: imagens carregadas de energia, desejos e impulsos (2001, apud REIS,
2014, p. 151), nas quais a libido poderá ser apreendida viva, e não esfiapada pelo
repuxamento das tentativas de interpretação racionais (2001, p.86, apud REIS, 2014, p.
151)”, (p.11);
- Acerca da origem dessas imagens do inconsciente, que encontram uma via de
expressão no fazer artístico em arteterapia, a Psicologia analítica distingue dois tipos,
conforme descreve Silveira: a) imagens que representam emoções e experiências
vivenciadas pelo indivíduo, originando-se do inconsciente pessoal e b) imagens
arquetípicas, originadas do inconsciente coletivo, que são de caráter impessoal,
configurando-se a partir de disposições inatas, que formam a estrutura básica e as
camadas mais profundas da psique” [...] (p.11);
- “[...] Segundo a autora, as imagens arquetípicas configuram vivências primordiais da
humanidade, semelhantes nos seus traços fundamentais (2001, p.86, apud REIS, 2014,
p. 151), exprimindo, de diferentes modos em função da época e do lugar, os mesmos
afetos e ideias básicos do ser humano”, (p.11);
- “Talvez o maior exemplo de imagens arquetípicas seja os mitos, cujo estudo por Jung
foi de suma importância para o desenvolvimento da própria noção de arquétipo, a
partir da sua constatação de que os mitos encerram temas bem definidos que
reaparecem sempre e por toda a parte (2001, p.352, apud REIS, 2014, p. 152)”, (p.11);
- “Os símbolos são verdadeiros transformadores de energia psíquica, daí sua
importância na arteterapia; conforme Silveira, Jung compara os símbolos a dínamos
que transformam uma modalidade de energia psíquica em outra (2001, apud REIS,
2014, p. 152)” (p.11);
- [...] Assim, os símbolos expressos na arte não são vistos como simples projeção de
conteúdos inconscientes, mas como mecanismos à sua transformação qualitativa,
contribuindo para o equilíbrio psíquico. Nessa perspectiva, entende-se que, ao
externalizar no papel o drama interior vivido de modo desordenado, o indivíduo não só
dá forma a suas emoções, mas através disso despotencializa figuras ameaçadoras
(SILVEIRA, 2001, p.18, apud REIS, 2014, p. 152)”, (p.11);
- “[...] Tal como postulado por Jung, a individuação designa o processo no qual um ser
se torna realmente uma unidade, uma totalidade, pela integração consciente de seus
vários aspectos inconscientes, manifestando a sua unicidade: trata-se da realização de
seu si mesmo, no que tem de mais pessoal (2001, apud REIS, 2014, p. 152);
- “O processo de individuação é o crescimento psíquico, o constante desenvolvimento
da personalidade, no qual cada pessoa deve encontrar seu modo único de se realizar
(VON FRANZ, 1977, apud REIS, 2014, p. 152). Na arteterapia junguiana, o psicólogo
acompanha a pessoa em seu caminho para a auto realização, dialogando e procurando
facilitar essa jornada através da arte” (p. 12)
- “Uma técnica muito utilizada na arteterapia junguiana é o desenho ou a pintura de
mandalas. O termo mandala vem do sânscrito e significa círculo mágico, e designa
figuras geométricas formadas a partir do centro de um círculo ou de um quadrado,
configurando um espaço sagrado (RAFFAELLI, 2009, p.47, apud REIS, 2014, p. 153)”,
(p.12);
-“[...] Na teoria junguiana, a mandala é um símbolo do self, isto é, do si-mesmo,
representando ao mesmo tempo o centro e a totalidade psíquica (JUNG, 2001, apud
REIS, 2014, p. 153)”, (p.12-13);

- “[...] Em seu livro autobiográfico, Memórias, Sonhos e Reflexões, Jung relata a


importância das mandalas em sua própria vida profissional e pessoal:
Só quando comecei a pintar as mandalas vi que o caminho que seria necessário
percorrer e cada passo que deveria dar, tudo convergia para um dado ponto, o do
centro. Compreendi sempre mais claramente que a mandala exprime o centro e que é
a expressão de todos os caminhos: é o caminho que conduz ao centro, à individuação
(2001, p.174, apud REIS, 2014, p. 153)” (p.13)
- As mandalas podem auxiliar a restabelecer o equilíbrio interior perdido (VON FRANZ,
1977, p. 212, apud REIS, 2014, p. 153), uma vez que desenhá-las contribui para a (re)
orientação da energia psíquica em torno do centro ou self (circumambulação)” [...];
- “Ao trabalharmos com arteterapia na perspectiva junguiana, devemos evitar o uso da
interpretação, por isso, a melhor forma de fazer a leitura de uma mandala é pedindo à
própria pessoa para entrar em contato com o que desenhou, procurando perceber e
integrar os sentidos presentes naquela imagem” (p.13);
2.4 Arteterapia gestáltica
- “A abordagem gestáltica em arteterapia foi desenvolvida por Janie Rhyne, que
sistematizou-a no livro The Gestalt Art Experience, escrito em 1973 e publicado no
Brasil com o título Arte e Gestalt: Padrões que Convergem (RHYNE, 2000)” [...], (p.13)
- [...] Sendo a Psicologia da Gestalt originalmente uma teoria da percepção, esse é um
conceito central na arteterapia gestáltica, na qual a vivência artística tem como
finalidade ampliar a percepção do sujeito sobre si mesmo”, (p.13);
- “Gestalt é uma palavra alemã que significa forma, uma configuração, o modo
particular de organização particular das partes individuais que entram em sua
composição (PERLS, 1988, p.19)”, (p.14)
-[...] Rhyne utiliza o termo para se referir à percepção de uma configuração total, por
exemplo, a pessoa perceber sua personalidade como um todo, cujas diversas partes
formam, em seu conjunto, a realidade daquilo que ela é, lembrando que o todo é mais
do que a simples soma de suas partes” [...];
- “[...] Nessa abordagem, a função terapêutica do fazer artístico é a aquisição de
insights sobre como percebemos, nas formas criadas, tanto o mundo como a nós
mesmos”, (p.14);
- [...] Trata-se de um processo em que a arte promove awareness, termo chave na
Gestalt-terapia, para o qual não há uma tradução exata em português, mas cujo
sentido seria dar-se conta ou aperceber-se do que se passa consigo no momento
vivido, levando a um ganho de consciência [...], (p.14);
- “A experiência gestáltica de arte, então, é o seu eu pessoal complexo fazendo formas
de arte, envolvendo-se com as formas que você está criando como fenômenos,
observando o que você faz, e, possivelmente, espera, percebendo por meio de suas
produções gráficas não apenas como você é agora, mas também modos alternativos
que estão disponíveis para que você possa se tornar a pessoa que gostaria de ser
(RHYNE,2000, apud REIS, 2014, p. 154)”, (P.14);
“Dessa forma, a vivência de criar arte promove a descoberta de sentimentos e de
qualidades pessoais, auxiliando no desenvolvimento do potencial único de cada um,
que no produto criado (desenho, pintura, escultura, poesia, etc.) pode reconhecerse,
ou seja, pode ver-se e também rever-se, vendo-se de uma nova forma ao visualizar
possibilidades até então ignoradas” (P.14);
- [...] “Rhyne entende a atividade artística como um modo consciente de integração
entre fantasia e realidade, que se encontram de maneira construtiva na obra criada”
(P.14);
- [...] “Esta constitui, então, uma ponte entre as realidades interna e externa, pela qual
se expressariam mensagens enviadas pela pessoa para si própria”, (P.14);
- Uma categoria central na arteterapia gestáltica é a vivência, que significa experienciar
um evento, estando pessoal e emocionalmente envolvido nesse acontecimento, ou
seja, é estar aqui-e-agora, como protagonista e observador do acontecimento em
curso. Nesse sentido, a vivência de arte em Gestalt é um meio para o contato do
sujeito consigo mesmo, definindo-se no conjunto formado por:
a) fazer formas artísticas;
b) estar emocionalmente envolvido nas formas que estão sendo criadas como um
evento pessoal;
c) observar o que está sendo feito, e
d) perceber através das produções realizadas não somente como a pessoa está neste
momento, mas também maneiras alternativas possíveis para desenvolver-se seguindo
modelos mais desejados por ela mesma (ANDRADE, 2000, p.131, apud REIS, 2014, p.
154) (P.14-15);
- [...] Ciornai coloca que o papel do arteterapeuta gestáltico é acompanhar e guiar a
busca do cliente, utilizando os processos artísticos para intensificar o contato do
sujeito consigo mesmo, com os outros e com o mundo, de modo que a arte seja para
ele uma fonte no aprendizado de si mesmo. E aprendendo uma nova forma de se
expressar dentro de uma atividade artística, o sujeito poderá encontrar também novos
caminhos em sua vida (CIORNAI, 1995, apud REIS, 2014, p. 155)” (P.15-16);
2.5 Uma concepção estética do humano

Concepções das atividades artísticas:

Psicanálise – projeção do inconsciente

Analítica – expressão do self

Gestalt – Contato no auto percepção

“[...] O produto da criação artística é sempre um espelho que reflete e refrata de modo mais
ou menos distorcido aquele que o criou, pois nele ganham forma seus desejos, emoções,
sentimentos e ideias” [...] (p.17)

“[...]Se A arte cura? como questionado no título do livro organizado por Carvalho, creio que
essa cura não possa ser pensada desvinculada da função criadora que qualquer atividade
artística deveria ter, quando apropriada como instrumento pela Psicologia.
Independentemente do contexto específico de atuação do psicólogo, entendo que ele tenha
um compromisso ético no sentido de contribuir para que os sujeitos se reconheçam como
criadores, não só como atores sociais mas também como autores que podem participar
criativamente na sociedade de que são parte” [...]. (p.17)

3 A ARTE NO CONTEXTO DA SAÚDE MENTAL: RELATO DE UMA INOVAÇÃO

Estudo de caso do grupo Arte&Amizade do CAPS Geral SER III/ UFC.

“[...] dois dos objetivos da arteterapia: proporcionar o aumento da consciência e o


autoconhecimento (COQUEIRO, 2010 apud PEREIRA, et al, 2010 p.10)’ [...];

4 ARTETERAPIA COM IDOSOS

“Fazer e vivenciar a arte promove relaxamento, redução do nível da ansiedade,


inquietude, impaciência e angústia - que é normal no indivíduo idoso. É uma
oportunidade de ser escutado, de receber atenção, que em muitos casos é o que
muitos idosos precisam. É também uma forma de lazer, onde o idoso preenche o
tempo de forma prazerosa. Recuperam a sua autoestima, pois são capazes de pintar,
desenhar, modelar”. (p.22)

5 ARTE COMO TERAPIA


-“Ao voltarmos no passado longínquo da história da humanidade, para os primeiros
registros de expressão artística, veremos que o homem sempre estabeleceu um
diálogo entre conteúdos internos e externos através de produções simbólicas, pinturas
rupestres, modelagem no barro, desenhos (p.22)”;
-“[...] A arte para o homem pré-histórico teria um sentido mágico, se referia ao mundo
invisível dos espíritos. Talvez o temor, ou uma forma de controle da natureza fez o
homem construir utensílios, moradias... A arte foi associada à forma e função, o
trabalho do homem como construção de sua própria cultura” (p.22-23);
- “[...] No mundo árabe, em hospitais destinados somente a loucos, por volta do século
XII, eram utilizadas manifestações artísticas como dança música, narrativas de contos e
espetáculos como forma de cura da alma (FOUCAULT, 1978, apud PEREIRA, et al, 2010
p.10)” (p.23);
-“Desde o século XVIII alguns artistas iam aos asilos e faziam desenhos de observação
dos loucos. Em vários destes desenhos há cenas representando o cotidiano dos
internos, em que estes desenhavam nas paredes das celas (BARBOSA, 1998, apud
PEREIRA, et al, 2010. p.10). Percebe-se que estes alienados buscavam formas de
expressão mesmo antes de haverem propostas terapêuticas neste sentido” (p.23);
-“Pode-se entender que, uma condição fundamental para a criação construtiva em
arte é estabelecer uma reflexão de sentido, talvez um centro interior avaliador. Então
a criação construtiva tornar-se-á terapêutica” [...], (p.23);
-“Na teoria Junguiana, a arte propicia o encontro com materiais expressivos e
adequados para a criação que está presente na imaginação do indivíduo. E este
universo é traduzido em símbolos que retratam estruturas psíquicas internas do
inconsciente pessoal e coletivo. Na arteterapia, através da linha Junguiana, o
surgimento dos símbolos abre caminho para o trabalho do arteterapeuta
(VALLADARES, 2003, apud PEREIRA, et al, 2010, p.11) ” [...], (p.23);
-“[...] Através da psicologia analítica, pode-se entender que o artista é um indivíduo
que transita permeando consciente-inconsciente. Então os artistas trazem à tona sua
produção inconsciente através da sua arte”[...] (p.23-24);
-“[...] Segundo Jung “A neurose não cria arte. Ela é não criativa e inimiga da vida. Ela é
o fracasso e a não realização” (JUNG, 2001 p. 337, apud PEREIRA, et al, 2010, p.11).
Desta afirmação pode-se deduzir o papel purgativo da arte na neurose.
“[...] A expressão da emoção e da sensação através da arte é a própria expressão do
inconsciente, pois ao produzir o indivíduo pode estabelecer uma linguagem com o
meio. Através da produção artística poderá haver uma reinvenção do cotidiano e a
aproximação do indivíduo doente ao mundo social (VALLADARES, A. C. A. (Org.) 2004,
apud PEREIRA, et al, p.11)” (p.24);
- “Os símbolos, presentes nas criações plásticas, poderão estar presentes também nos
sonhos destes pacientes. A interpretação destes símbolos facilitará a compreensão dos
conflitos deste indivíduo por parte do arteterapeuta. O uso terapêutico da arte está no
fato de ser uma expressão simbólica da psique. Portanto, os símbolos são uma forma
de acessar o inconsciente e funciona como uma ponte para o consciente (JUNG, 1987,
apud PEREIRA, et al, p.12)” (p.25);
-“[...] A arte é uma agente de cura quando permite que o indivíduo reencontre os seus
símbolos. Para CIORNAI (2004, apud PEREIRA, et al, p.12),
-“ [...] A arteterapia facilita a pessoa a encontrar seu eu, o fazer artístico não é pra
ocupar o tempo e sim promover crescimento pessoal, daí a diferença da terapia
ocupacional” (p.25-26).
- “[...] Para esta autora a arte pode ser terapêutica no momento que possibilita uma
fonte de reflexão para a pessoa que a cria. A autora deixa evidente que a arte é uma
necessidade humana, a capacidade de criar é inata, quando crescemos
automaticamente vamos reprimindo a criação livre como fazem as crianças, retomar
este processo é redescobrir a si próprio”, (p.26);
- “A arteterapia auxilia neste processo, oferecendo inúmeros materiais para que o
indivíduo sinta-se livre na escolha daquele que mais lhe for apropriado. Isso atende a
sua singularidade, funciona como ferramenta para despertar e ativar a criatividade e,
também, para desbloquear e transmitir à consciência instruções e informações
oriundas do inconsciente. Essas informações normalmente são ignoradas, contidas e
disfarçadas, encobertas e principalmente ocultas. Na psique humana, e, as
informações colaboram para o desenvolvimento de toda a dinâmica intrapsíquica, ao
serem transportadas à consciência por meio do processo arteterapêutico
(VALLADARES, 2001, apud PEREIRA, et al, 2010, p.14)”, (p.26);
-“A arteterapia pode promover o ser humano como um todo, aspectos psíquicos e
sociais, respeitando as suas individualidades e os ajudando a restabelecer relações”,
(p.27);
‘”O eixo central é a interação organismo-meio e essa interação acontece através de
dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio” (p.27);
6 CONCEITUALIZAÇÃO
-“A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que integra diversas especialidades
da medicina e da psicologia para estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos
sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas” (p.28);
-[...] A palavra psicossomática, na visão dos profissionais de saúde que compreendem
o ser humano de forma integral, não pode ser compreendida como um adjetivo para
alguns tipos de sintomas, pois tanto a medicina quanto a psicologia estão percebendo
que não existe separação ideal entre mente, corpo, alma e espírito” (p.28);
-“[...] Então, psicossomática é um termo que pode ser empregado para qualquer tipo
de sintoma, seja ele físico, emocional, psíquico, espiritual, profissional, relacional,
comportamental, social ou familiar”, (p.28);
- “Segundo EKSTERMAN (1992, apud LOPES 2012), a Medicina Psicossomática é um
estudo das relações mente-corpo com ênfase na explicação psicológica dos sintomas
corporais” (p.28);
- “[...] O termo também pode ser compreendido, tal como descreve MELLO FILHO
(1992, apud LOPES 2012), como uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as
práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo,
uma prática, a prática de uma medicina integral” (p.28);
-“A psicossomática é a ciência que estuda as doenças orgânicas com descarga no
corpo, isto é, uma lesão de órgão ou sistema provocado por alguma disfunção do
sistema nervoso”. (p.29);
-“Na psicossomática, pensa-se a realidade na sua unidade, considerando os aspetos
biológicos e psicológicos. Interessa-se pelos aspetos de interação causa/efeito, a
pessoa como um todo na sua perspectiva biológica e relacional, isto é, pensar a
realidade na sua totalidade: a entidade biológica e a entidade psicológica”. (p.29);
-“De acordo com HOLMES (1997, apud LOPES 2012) há uma diferença entre os
transtornos somatoformes e transtornos psicossomáticos: nos dois tipos de
transtornos as causas são psicológicas, e os sintomas são físicos”. (p.29);
-“[...] A distinção entre eles é que nos distúrbios somatoformes não há lesão física (ex.,
um indivíduo reclama de dor no estômago e na verdade não há nada fisicamente
errado com o órgão), enquanto com os distúrbios psicossomáticos, há lesão física (ex.,
úlceras envolvem lesões no revestimento do estômago) (MOURA, 2008, apud LOPES
2012)”. (p.29);
7 BREVE HISTÓRICO
- “Segundo MOURA (2008, apud LOPES 2012) o termo “psicossomático” foi utilizado
pela primeira vez em 1818 por Heinroth, psiquiatra alemão, ao fazer referência a
insônia e a influência das paixões na tuberculose, epilepsia e cancro. No século
seguinte as descobertas de Freud permitiram uma melhor compreensão desses
fenômenos. Em 1922 Deutsch reintroduziu esse termo em Viena”. (p.30);
-“Antes da psicanálise, entendia-se que as doenças eram causadas por agentes
externos. Havia, é claro, muitas iniciativas em tentar compreender a relação corpo e
mente. O próprio surgimento do termo psicossomática em 1828 por Johann Heinroth
testemunha isto. Ele postula que paixões sexuais são importantes para a manifestação
de doenças como tuberculose, epilepsia e câncer, ressaltando a importância dos
aspectos físicos e psíquicos integrados nos processos de adoecer (VOLICH, 2000, p. 43,
apud LOPES 2012)”. (p.30);
-“A expressão doença psicossomática foi utilizada inicialmente para referir-se apenas a
certas doenças como a úlcera péptica, asma brônquica, hipertensão arterial e colite
ulcerativa onde as correlações psicofísicas eram muito nítidas posteriormente foi-se
percebendo que tal concepção é potencialmente válida para todas as doenças (MELLO
FILHO, 2005, apud LOPES 2012)”. (p.30);
-“Segundo CARDOSO (2005, apud LOPES 2012), a história da psicossomática poderia
ser dividida em duas grandes correntes: de um lado, as correntes inspiradas nas
teorias psicanalíticas e com base no conceito de doença psicossomática; de outro lado,
a inspiração biológica, alicerçada no conceito de stress”. (p.30);
-“ Já MELLO FILHO (1992, apud LOPES 2012), considera três fases distintas na evolução
da Psicossomática: a inicial ou psicanalítica, em que foi estudada, entre outros
assuntos, a origem inconsciente das doenças e o fenômeno de regressão; a intermédia
ou behaviorista, na qual houve uma tentativa para enquadrar os estudos feitos em
humanos e animais nas ciências exatas; e a atual ou multidisciplinar, em que é dada
importância às influências sociais e se considera a Psicossomática como atividade de
interação e integração de dados de diferentes áreas do saber”. (p.31);
-“Segundo CARDOSO (1995, apud LOPES 2012), no fim do século XIX o campo da
psicossomática veio a estender por dois grandes ramos de investigação. O primeiro
ramo da história da psicossomática se refere à Escola Americana, representada por
Franz Alexander e Dunbar, cuja via de investigação tem como ponto de partida o
modelo médico, onde estes procuram correlacionar determinados tipos de
personalidades com doenças orgânicas específicas. As contribuições da Escola
Psicossomática Americana, especificamente Alexander e Dunbar, e as de Cannon e
Selye foram fundamentais para a consolidação do movimento psicossomático, assim
como para a influência sobre uma medicina integral e humanista. ” (p. 31);
-“ O segundo grande ramo das investigações psicossomáticas foi formado pelos
integrantes da chamada Escola Psicossomática de Paris, composta entre outros por
Pierre Marty, de M’Uzan, David e Fain, tentaram elaborar uma teoria da economia
psicossomática atribuindo uma grande parte da etiologia a um determinismo
multifatorial com forte participação biológica. Para eles, falar de “doenças
psicossomáticas” é um equívoco, preferindo chamar de “pacientes psicossomáticos”
àquela cuja manifestação sintomática preponderante aparece no plano orgânico e
não no psíquico. A falta de recurso psíquico para a elaboração dos conflitos decorreria
a sua característica preponderantemente “psicossomática” e o consequente
desequilíbrio psicossomático com a ocorrência de desorganizações orgânicas
progressivas (CARVALHO, apud LOPES 2012).” (p.31);
8 PSICANÁLISE E A PSICOSSOMÁTICA
-‘A psicanálise não só deu origem a psicossomática e criou as bases para a terapia
psicossomática, mas permanece sendo também para esta uma referência permanente
e essencial. Embora a Psicossomática e Psicanálise estejam estreitamente ligadas, as
duas ciências não se confundem (PRIMO, 2011, apud LOPES, 2012)”. (p.32);
-“ As indagações sobre as relações entre o psíquico e o somático percorrem toda a
obra de Freud. Os primeiros trabalhos sobre a histeria permitiram-lhe reconhecer a
influência do funcionamento psíquico nos sintomas somáticos, onde se evidencia a
relação entre histeria e sexualidade, apresentando-se também a noção de conversão,
através da qual o conflito psíquico seria transposto para a soma, carregando o sintoma
de significado simbólico. Freud partiu daqui para construir uma teoria metapsicológica
em que o corpo recebeu progressivamente lugar de destaque, podendo ser
simultaneamente fonte da pulsão e agente da sua satisfação (GANHÃO, 2009, apud
LOPES 2012)”. (p.32)
-“De acordo com CARDOSO (1995, apud LOPES 2012), o maior legado de Freud para as
investigações psicossomáticas se deve ao conceito de conversão individual. Esse termo
conversão foi utilizado por Freud para explicar a transposição de um conflito psíquico
na tentativa de resolvê-lo em termos de sintomas somáticos, motores ou sensitivos.’”.
(p.32);
-“Com a introdução do conceito de Inconsciente, Freud pôs em causa definitivamente
a dicotomia clássica corpo-alma, revelando uma nova leitura das relações entre soma e
psique”. (p.33);
- “[...] Como afirma Lionço (2008, apud LOPES 2012): “o inconsciente seria uma espécie
de lugar de passagem, processo no qual se tornaria impossível distinguir o corporal do
psíquico, que estariam articulados numa espécie de curto-circuito”.
- “Segundo EKSTERMAN (1992, apud LOPES 2012), “quando o id se transforma em ego
é o ponto central da intersecção da Psicanálise com a Psicossomática”. Nas palavras do
autor: “se pudéssemos dissecar todos os componentes comprometidos na
transformação do id em ego, teríamos provavelmente respondido aos enigmas que
subsistem entre a mente e o corpo’”. (p.33);
- [...] “Freud afirmou que a atividade corporal origina o id e este, por sua vez,
diferencia uma camada mais superficial – o ego –, quando em contato com o mundo
exterior”. (p.33);
- “Passados mais de cem anos do surgimento da psicanálise, atualmente há um campo
de conhecimento denominado hoje como psicossomática psicanalítica do qual
compartilham diversos autores e posicionamentos, em que há um acordo em se
considerar uma multiplicidade de causas para o adoecer relacionados com conflitos
inconscientes (MELLO, 2009, apud LOPES 2012)”. (p.33);
9 ARTETERAPIA NO NOVO PARADIGMA DE ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL
-“A Reforma Psiquiátrica no Brasil e no mundo trouxe e traz mudanças na percepção e
intervenção dos profissionais da saúde em relação à doença e ao doente mental. A
Reforma tem como base a reabilitação psicossocial da pessoa com sofrimento mental,
propondo práticas mais humanizadas que visam à reintegração desse indivíduo à
sociedade” [...]. (p.34)
“ O livro "Arteterapia: no novo paradigma de atenção em saúde mental", organizado
por Ana Cláudia Afonso Valladares, (2004) tem a finalidade de mostrar ao leitor a
importância da arteterapia e de outras técnicas expressivas para a reabilitação
psicossocial da pessoa com sofrimento mental” [...] (p.34);
10 HISTÓRIA DA ARTETERAPIA
-“[...] segundo CIORNAI (2004, apud MENDONÇA, 2013, p.6), o uso terapêutico das
artes remonta às civilizações mais antigas. Contudo, só em meados do século XX a
Arteterapia se apresentou com um corpo próprio de conhecimento e atuação,
determinada pela crise da modernidade, em meio às mudanças que marcaram essa
época”. (p.38-39);
-“ De acordo com CIORNAI (2004, apud MENDONÇA, 2013, p.6), Margareth Naumburg
– artista plástica, educadora e psicóloga americana – foi quem primeiro interessou‐se
pelo elo entre o trabalho desenvolvido na sua escola, onde utilizava‐se o método
Montessori e o campo da psiquiatria e da psicoterapia. Naumburg, apesar de não ter
sido a primeira a empregar o termo arteterapia, ficou conhecida como “mãe” da
técnica por ter sido a primeira a diferenciá‐la claramente como um campo específico,
estabelecendo os fundamentos teóricos sólidos para seu desenvolvimento”. (p.39);
“[...] Muitos foram seus seguidores, culminando na fundação da Associação Americana
de Arteterapia (AATA) em 1969” (p.39);
- “De acordo com ACHTERBERG (2000, apud MENDONÇA, 2013, p.6), na década de
1980, a arteterapia chega ao Brasil por Selma Ciornai, psicoterapeuta gestáltica com
formação em Arteterapia em Israel e nos Estados Unidos, que a apresentou a São
Paulo, criando o primeiro curso de Arteterapia do país, no Instituto Sedes Sapientiae”.
(p.39);
- “A Associação Brasileira de Arteterapia (2009) define essa técnica como um estilo de
trabalhar empregando a linguagem artística como alicerce da comunicação cliente
profissional”. (p.39);
“De acordo com Ferraz (1988, apud MENDONÇA, 2013, p.7), dois psiquiatras se
destacaram por suas contribuições na fundamentação teórica da arteterapia no Brasil:
Osório César, em 1923, e Nise da Silveira, em 1946. Osório César trabalhou com arte
no hospital do Juquery, em São Paulo, sob a influência da Psicanálise.” [...]. (p.39);
- “TOMMASI (2005, apud MENDONÇA, 2013, p.7) destaca que Osório Cesar trabalhou
por 40 anos no Complexo Hospitalar de Juquery. Em seu artigo intitulado A arte
primitiva dos alienados (1925), apresentou informações sobre a arte dos doentes
mentais. Osório Cesar adquiriu grande conhecimento por meio da observação, sem
caráter científico, dos pacientes trabalhando de forma espontânea” [...]. (p.39);
- “[...] A produção artística dos pacientes incitou Osório Cesar a fundar a Escola Livre
de Artes na década de 50, que tinha como desígnio expor habilidades plásticas e
musicais. A Escola Livre de Artes funcionou por 20 anos. Durante este período foram
realizadas várias exposições, que acenderam polêmicas em torno dessa nova técnica
terapêutica”. (p.40);
- “Em 2001, segundo TOMMASI (2005, apud MENDONÇA, 2013, p.7), movida pela
pesquisa de doutorado, Sonia Maria Bufarah Tomasi ofereceu à Dra. Maria Tereza
Giardini Freire, diretora do complexo Hospitalar de Junqueira, uma proposta de
montar um ateliê de arteterapia, para atender pacientes graves. O material produzido
no ateliê, em 2 anos de trabalho, foi analisado por Sonia Maria que verificou que a
participação dos pacientes nas oficinas do ateliê lhes proporcionou que expressassem
conteúdos de intensa relação com as experiências pessoais de vida de cada um. Assim,
a pesquisa comprovou a hipótese de que as afinidades entre saúde mental e arte
podem cooperar para a melhoria dos serviços de saúde e para o incremento de
tratamento mais humano aos doentes mentais”. (p.40);
-“ Outra figura que se destacou por sua contribuição no desenvolvimento da
arteterapia no Brasil foi Nise da Silveira. Segundo SILVEIRA (1981), ela desenvolveu um
trabalho no Centro Psiquiátrico Dom Pedro II, no Rio de Janeiro sob a influência
junguiana, procurando compreender as imagens produzidas pelos pacientes”. (p.40);
- “De acordo com SILVEIRA (1981, apud MENDONÇA, 2013, p.8), em 1952 foi criado o
Museu do Inconsciente, na cidade do Rio de Janeiro, por Dra. Nise, que reuniu
trabalhos realizados pelos pacientes do Centro Psiquiátrico Dom Pedro II. O Museu do
Inconsciente é considerado um acervo de grande estima nacional e internacional”.
(p.41);
- “Em 1981, de acordo com TOMASI (2005, apud MENDONÇA, 2013, p.8), Dra. Nise
escreveu o livro “Imagens do Inconsciente”, expondo sua metodologia de trabalho, a
sua análise, o respeito e cuidado com o ser humano, reconhecendo que a doença e o
doente mental estão arraigados no contexto social, cultural e econômico”. (p.41);

PESQUISAR: arquétipos junguianos, sublimação

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