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I n: Ht•vi;,ta ll ist(II"Íu ele la c tlncuc ion.
\,.f \li \111. E<ii l'io ncs Uu ivt·o·si.J,ul ele Sulnmanco, I 995.

C t•tuúcuw, t:St',\ ÇO E :suoJt::'r tvJOADE


., arquitetur(l cumu programa
Antonio Viiíao Fl'llgO c Agust ín Escolnno

CURRÍCULO, ESPAÇO
'lhodu~·litt
A ljiwlo Vcil(n-N elo
E SUBJETIVIDADE
flcvi~tiu du t ,·,.~uçãu:
a arquitetura como programa
Tomu ;; 'llult•ll du Silvrt

Rc pt·uduçoi,•s futugrúfit.:ns
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Pt'Ojelo gráfico, <'" I"' ,. ~;nt-nciu olt· pn><hH;íio


Rodrigo fll11rtiul. o
ANTONIO VINAO FRACO
H cvi~-tiu
dl' pmvu:-
Puu/o llwuilt ou E AGUSTÍN E SCOLAN O

Tradu ção :
Alfredo Ve iga-Ne to
Catalogação na fonte tio Ot•pnt·trlllll'tHo Ntii'Íonul do Liw·o

v 766c
Viüuo F'rago, Antonio, I'.H:I. DEDALUS - Acervo - FE
Currículo, L>Spasu t• totlltjc tividi.telt•J u an ruitcllln\ t'UlliO
programa I Amnuio Vi iwu Ft'llj;n ,. Aj;u•tln F:~l'ulnno: [tmtful;'i"
Alfredo Veigu-Nelo] . -2. •·di~iou- 11iudc.Juowir<o: DI'&A,2001.
] 52 p.; 16x23 e m .

ISBN 85-7490- 10.5-9


111!11111 2 a e di ção

I . Educação - Aspectc•• ~uciu is. 2. Usn <lu CSJ)il{:ll (Educn~•io).


3. Currículos. 1. Escoluno, Agustfot. 11. Trtulo.

r~~;;·, ~
CDD-370.19

DP&A
ed i t o ra
Do ESPAÇO ESCOLAR E DA
ESCOLA COMO LUG-4iR:
PROPOSTAS E QUESTÕESu
ANTONIO VINAO FRACO
Mtl\ llfiii.HLbem onde está o Instituto?- exclarrwu surpreso.
( 'n,J, ,.,.:: 1111' cmwenço mais de que vocês srio os homens mais
/t•lt. ,., ,ti (1'/rf/.

JJo r quê?- perguntou meu pai.


- Porque zmuz, das maiores desgraças que podem afligir o
lwmetn é saber praticarnente orule está e para que serve o Instit-uto.
Sabes a ma do Matadouro?
Q ualquer atividade humana p•·ceiso de um espaço
- E não haveria de saber, se a percorri urna ceruena de vezes! e de um tempo determinados. Assim acontece t:om o e ns ina r
- Pois nessa rua verás um edifício majestoso, branco, com o e o aprender, com a educação. Resu lta d isso que a edu cação
número 13, e que tem, urna entrada régia. Na fachada e com letras possui uma dimensão espacial e que, tambétn, o espaço seja,
salientes e douradas lerás um.a inscrição que diz: Instituto Geral e j unto com o tempo, um elemen to bú~ieo, constituti vo, da
Técnico de Percebilla. atividade educativa.
-]á sei a que edifício te referes. Mais de um.a vez m.e fixei A ocupação do espaço, sua ui ili:wção, supõe sua
nele; mas sem levantar os olhos para ler essa inscrição de que falas. constituição como lugar. O "salto qualitati vo" q ue leva do espaço
Eu supunha que era um cinema ou um teatro ordinário, porque ao lugar é, pois, uma constmção. O csp:1ço se projeta ou se
sempre encontrei ali uma multidão de rapazes, pasteleiros efruteiros imagina; o lugar se constrói. Constrói-se "a pmti.r do fl uir da
que gritavam loucamente.
vida" e a partir do espaço como suporte; o espaço, p01tanto, está
Memórias do bacharel Aiscrim (1924). sempre disponível e disposto para converter-se em lugru~ pru-a
ser conslluído 14 • O problema, o primeiro problema, se coloca
quando se carece de espaço ou de tempo. Há muitas maneiras
Vamos construir zuna escola emforma de pentágono. É para
que aprendam o que é a democracia. de impedir ou de proibir; mesmo sem fazê-lo de forma expressa.
Basta que se ocupem todos os espaços c todos os tempos. Um
A casa de chá do luar de agosto. (frugmenlo do discurso do
projeto totalilál·io seria aquele em que os indivíduos, isolados ou
coronel das forças de ocupação norte-americanas aos vizinhos da
em gmpo, não dispusessem de espaços ou de tempos. De espaços
aldeia de Touhril<i, na ilha de Okinawa.)
aos quais lh es dessem sentido fazendo deles um I ugu r.

ALBA, Fernández. Sobre la naturaleza que I'OJIStruye la arquitectura (gconw lríu dcl
1'1

rccucrdo y proyecto del lu gar). Madri d: Real Academia de Bcllas Ari('S ele Snn
Fe rnando, 1984, pp. 14-15.

60 61
i\ N' l Of\1 111 VI NJ\11 F n,\l:o li O I " I' lt,t l I ·: ~C tll .,\11 L 11 I 1·::>1. 01,11 I liMO 1.11:1111 : I'IIUI'II ST 1'\ I• IJ I lo~ I til' ~

Se ria aqtJ c..: lc em qu e alguém ocupa Lodos os cspu ços 0 11 t CIII - Siio rnui tas é.I S influê ncias e e ntrecruzam e nt os (;ntn· o
pm>possíveis , aquele no qual nüo res te ru nc111 res quíc ios 11 e m c•11puc.,·o c o te mpo. Mas ao m e nos e m 1-elação ao passado, não
intervalos. c·upt uutos a d uração em s i mesma; podemos medi-la, segmentá-
la, rnas carecemos de me móriH acerca da duração. O que
A escola pois, enquanto instituição, ocupa um esp aço
recordamos são espaços que le va m de ntro de si, comprimido,
c um lugru: Um espaço projetado ou não para ta l uso, mas dado,
lllll' le mpo. Nesse sentido, a noção do lc rupo, da duração, nos
que está ali , e um lugar por ser um espaço ocupado c util izado.
eltega através da recordação de espaços di versos ou de fixações
Por isso, sua análise e compreensão, a partir dessa perspecli va,
dife rentes de um mesmo esp aço. De es paços mate riai s,
requerem algumas considerações prévias sobre as relações enLTe
visualizáveis. O conhecimento de s i mesmo, a his tória ínterim;
o espaço e a ativid'a de humana, a escola como lu gar e a
a memória, em suma, é um depósito de imagens. De imagens
djmensão espacial dos estabelecimentos docentes.
de espaços que, para nós, foram , alguma vez e durante a lgum
te mpo, lugares. Lugares nos quais algo de nôs ali ficou e f!ue,
ESPAÇO E LUGAR: A DIMENSÃO ESPACIAL pmtanto, nos pertencem; que são, portanto, nossa hi stória .
DA ATIVIDADE HUMANA "
E ssa tomada de posse do espaço vivido é um ele me nto >I y·,f "
Acreditamos, às vezes, que nos conhecemos no tempo, determinante na corúorrnação da persona lidade e mentalidade • ~
quando na realidade só se conhece uma série de fixações dos indivíduos e dos grupos.ÍÉ.o r isso, o espaço "não é um .:.J
em espaços da estabilidade do set; de um ser que não meio objetivo dado de uma vez por todas, mas uma realidade
quer acabar, que no próprio passado vai em busca do psicológica vivg 16 • Em certo sen tido, o espaço objetivo- para
tempo perdido, que quer 'suspender' o vôo do te mpo. Em denominá-lo de alguma maneira - não existe. E se existe,
seus mil alvéolos, o espaço conserva tempo comprimido. não conta - salvo corno possibilidade e como limite . O qu e
O espaço serve para isso (... ) . conta é o território, uma noção subjetiva ou caso se prefira,
... A memória não regi stra a duração concreta ... É pelo objetivo- subjetiva - de índol e individual ou grupal e de
espaço, é no espaço que encon tramos esses belos fósseis extensão variável. Urna extensão que vai desde os limites
ele du ração concretados por longos tempos ... Localizar físicos do próprio corpo- ou de determinadas partes do mesmo
uma recordação no te mpo é s ó uma preocupação elo - até o espaço mental dos projetos, ali até onde chega o
biógrafo e corresponde uni came nte a uma espécie ele pensamento que prenuncia a ação e o deslocarne nto 17 •
história externa, uma his tória para uso externo, para
comunicar aos outros ... Para o conhecimento d a 16
MESMlN, GcOL"ges. L'enfant, t'arquitecture etl'espace. Toumai: Castennan, 1973, p. 16.
17
in timielaele é mais premente a local ização de nossa BALLLY, Antoine S. La percepcion dcl cspacio urbano. Conceptos. métodos de cswdio y
sua ntilización cn la investigación urbanística. Madrid: lns lilulo de Es tudios d··
intimidade nos espaços do que a determinação das datas 15 . AdnúnisLración Local,l979, pp. 109-110. Precisamente, porque o espaço é umu rca lil illd J•
psicológica viva é que são possíveis a psicologia ambienial e o estudo dus f Liu tl'IJí\Õ•t •H
emocionais e ;Úeli vas do ambiente (CORRALlZA, J.A. La expressión dcl ftmftÍI'IIIt•.
15
BACI-IELARD, Gaslon. La poética delespacio. México: Foudo de Cullur!l Económica, Percepción y signifteado cotlStruiclo. Madrid: Tecnos, 1987, onde além de uttlU btwi-IIJ"'~Í\,'ii• •
2• ed ., 1975, pp. 38-40. e síntese teórica, avalia-se, dessa perspectiva, o campus univers itá rio de Caulnhlut WII).

62 63
t' n I U I._ I \f • l l , f\11 I 1\\1,\1 as llrl ,- , "1'1 1, 11 1' "11 lllo'\11 I. 111 - l·.~ t.lll ,t\ I IIMII l. llC \H : l'lllll"II '< TI ~ l til I 11111

O lenit6rio c o lu gar süo, poi s, duas re<did udcs AI<~ " '
d isso, o espaço corno território e lugar ittlrudllt.,
ir Hii vidtmis e grupalmen tc cons truídas. Siio, 1<1nto num quanto 111 1" p.dm ra!' de 13achelarcl , a d iaJ ética do interno e do externo

no otrlro caso, urna cons lrução sot: ial. l{ t"sult a di sso que o aqu ilo q ue(> a escola e aquilo q ue fica fora dela , por exemplo,
t ·s ptl <_"O jamais é neutro: em vez d isso. e le carrega, em s ua •· l.unhl-m c ru relação à sala de aula c a outros espaços escolares
C'onfi g ttração como terriló1·io e lugar, s ig nos, símbolos e , o fedwdo e o aberto - estruturas cortantes ou h erméticas
ve-s tígios da condição e das relações sociai s de c e ntre aq ueles ft'('ttl c a estruturas de transiçüo ou poros ns- e o peque no c o
q uv o habitam. O espaço comunica; mostra, a quem sabe l er, gru 11 dc - a escola/lar frente ;) C!:i<'O in/ quartel 19 • A essas
o em prego que o ser humano faz dele mesmo. Um emprego dicotom ias, se poderia agregar mais out nt - o curvo e o reUlíneo
q ue varia e m cada c ultura; que é um produto c ultural que afe ta, como se verá, não apenas a estéti ca e a p ercepção
es pecífico, q ue diz respeito não só às relações interpessoais elo espaço por seus usuários, como também as dife re ntes
- d istâncias, te rri tório pessoal, con tatos , comun ic aç ão, (•oncepções qu e se tenham sobre as fun ções ou tare fas básicas
conflitos de poder -, mas também à liturgia e ri tos sociais, à a satisfazer por meio de uma ou outra ordenaçüo esrac:ia l. Poder-
s imbologia das disposições dos obj e tos e dos corpos se-ia, a inda, acrescentar wna tríad e não menos irnporlaul c- o
local ização e pos turas-, à sua hierarq uia e relações 18 . próprio, o alh eio, o comum -que ma nléllluuw es tre ita conexão
Todas essas questões podem ser referidas ao âmbito da com a di s tribu ição, a posse, os usos e as relações qu e os
escola como lugar, à s ua configuração a rquitetônica e à membros da instituição escolm· mantêm entre si e com os objetos
ordenação espacial de pessoas e objetos, d e usos e funções que q ue n ela se enc?ntram. É à luz dessas dicotomias e dessa Lríade
têm lugar em tal âmbito. Mas também já indicam alguns dos q ue se deve ler as páginas que seguem.
aspectos que fazem da escola um espaço pecu lim· e relevante.
Em especial quando se tem em conta que nela se permanece Á ESC OLA COMO LUGAR
durante aqueles anos em que se forn wttt as estruturas mentais
básicas das crianças, adolescentes e jovens . Es truturas mentais "O es l udo é uma re união d e P rofe ssores e d e
conformadas por um espaço que, como Lodos, socializa e educa, Escol ares, que se reali za em algu m lugat; pela von tade, e
mas que, diferentemente de outros, s itua c ordena com essa com a inten ção de aprender os saberes", dizia a Segunda
finalidade especffica a tudo e a todos quantos nele se encontram. Partida da Le i I do titulo XXXF0 • A noção d e lugar, a
localização num espaço determjnado configurado para tal fim ,
18
O texto clássico sobre isso, que criou o tem1o pro~ernia pnm se referir ao estudo dessa já é, nessa d efini ção de meaJos do século X III, um dos
dimensão social do espaço, conlinua sendo La dinu•tui6n oculUl, d e Eclward T. Hal l elementos mais c aracterísticos da instituição esco la r.
(Méxi co: Fonclo de Cultu ra Econ6mica. 1972). Como c·mnplemcnlo, pode-se ver, por
exemplo, o livro ele 13nilly, ci tado na nota anterior c m; tlu Hobcrt Somrner, Espacio y
19
comportamiento individual. Madrid: l nslitu lo de Es tudins dr: Adrnini slmci6n Loca l, BACIIELJ\HI), Cnslon. La poétic(L clcl cspacio, op.cil., p. 31.
20
1974, e Dominique Picm·d, Del código al deseo. El cucrpo err ln relación social. Buenos Esta cituçiin c vulrn posterior d o tílulu XXX I du Segunda Part ic.la fora11 1 t"lllmftl aK
Aires: Paid6s, 1986. Quanto às peculiaridades do couOito territorial e elos combates da edição de /,os c6digos espanoles concordados y anotados, Madrid: lru pr •·nttt lu
rituais em Junção d o :.cxo, rccorncnelo \Valter J. Ong, La luclw por la vida. Contestación, Puhlicidac.l, 1818. t. 11 , p. 555. ainda que te nham sid o comparadas •·on1 u •·•Ire;''" ,J,.
sexualidadycollcie11cia. Madrid: Aguilar, l 982, em especial pp. 41-108. Salam:mca, Anc.lr(•a Porlonarijs, 1565.

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n 1" .,,_,,,, t li'"'' • ''"'•'' '"' '''n'IÇU ~~~I:III.An r nA IUWOI..I r. oMo 1.1 c:1n: I'U t ii'U ~' I l 'i· l:-r,l(l[!ll lll

~la :-. qtt<' tipo de lugu r é esse'? Qu e •·ara<:lc rís ticns d<'fi nc11t a h) O ensi no baseado em preceptores e a domidlio,
um luga r? lt possível uma Lipo logia hi stóri ca q ue
l 't·woln •·oulO tunt u pa ru os níve is elementares ou médios , quanto para os
cli· c·onta du d iversidade que ocu lt a tal termo'?
21
un ivt•rs itiíri os ou de qualquer out.ra matéria 22 •

E111 relação a essa ques tão, 1"\ pe lo du asIII C II OS c) As propostas de abrir a escola para a vida, àq ui lo
pn~ p•·•·tivas possíveis. Uma vai do nomad is111ü c da iti11crância q 111~ acontece e está fora, não para q ue se entre nela, senão
otc~ à fixação e à estabilidade . A outra, da au sência de espe- para fazer dela uma escola, pam leva r a cabo a atividade
<' Ífi C'idade própria até a sua delimitação e esta be lecimento. t•d ucativa fora do recinto especifi camente des tinado a tal fim,
"em meio à realidade aberta, vru·iadu c in esgotáve1" 23 •
Ali, onde se aprende e se ensina, sempre é um lugru;
eria-se um lugru: Mas tal l ugar pode variar no tempo pru11 os d) A dum realidade dos mestres itinerantes nas wnas
a lunos e para o professor. O primeiro não é usual, salvo para nJrais de população dispersa, deslocando-se seja por temporadas
períodos temporais dilatados, para o t1H·ismo educa tivo ou em de um lugar.24 para outro, seja pelas casas das ::tldc ins 25•
c ircunstâncias excepcionais . Ou porq ue se cons idere m A tipologia anteri01; não exaustiva, permite outras
deslocamentos os que se produzem, dentro de um complexo classificações segu ndo o e leme nt o de re fe rência. Se a
educativo mais amplo, entre vários edifícios escolares mais ou mobilidade do mestre tem luga1; por exemplo, em todos os casos
menos próximos - como já é habitual no ensino universitário. acima descti tos, o mesmo não acontece com a mobilidade do
O segundo - o professor ou mestre itinerante- não foi algo tão aluno. Por ouLI·o lado, o lugar educativo pode ser; em alguns
excepcional. A escola peripatética não precisa de um lugar casos, o Jar d esse a luno (c aqu i o modelo baseado em
específico. Em outras palavras, nela os lugares variam em preceptores coincidll-ia - pru·adoxos elo deslino - com o do
função dos objetivos, usuários e matérias. Não que qualquer
lugar seja válido, mas que ht1 espaços - o lm; a ágora, as ruas, 22
Quando se menciona esse modc.lo, qtlll$C scmpn: Vl'll l i\ uu·utc o mcnlor, n aia e o precep-
o jardim , a natureza, o museu, a fábrica - que num determin ado tor. Mas há tnmbém oulms possibilidades como, por t'\t'lllplo. os professores particulares,
tal como relata u Condessa de Campo Alegre, em Mi ninr;:) su munCÚJ (1906-1917) (Re,•ista
mo mento são mai s adequados do que outros ou que são de Occidcntc, Madrid, 1956) - profcs~u••cs de dm•çn Onmcnca e de alfabetização c
aconselhados como l ugares de ensino a fim de, q uase sempre, pmfessorcs de inglês e esp1mhol- ou, como cun1c nlu Cnlorit·I Maura y Gam02o, e1n Recu.erdo.~
abrir ao exterior a instituição escolru: Nesse ponto, então, se de rnivida (Madrid: Aguilru; s.d.): dcoutuhrodc 18%ulr junho de 1901 cursou livremente,
em sua casa, a carreira de Oireilo comum s6 profco;sor, o ratcdrático c, depois, MinislrO de
deveria distinguir pelo menos quatro modalidades: lnstruç.ão Pública, Elías Tom1o. Não teve, pois de frcqiknlar, segundo suas pr6prias pala' ras,
"as indecentes re uniões nem as desorguni~.odus :i~"d us de nula do antigo Noviciado da
a) A escola per ip alé ti ca d e P ro tágoras e se us Compan hiu, onde então esta va instnluda u l:t•culdadt• du Direito da Central" Úlp. 29-30).
discípulos fren te, por exemplo, à Academia de Platão ou o !.o Ginerdc los Ríos, Francisco. "EI edilicio de lu <·scuc lu", in Obras completas.l\Iadricl:
Espasa-Calpc, 1927, l. XVl, p. 148.
Liceu ar istotélico. ~· Esse é o caso referido por Luis Bello em sru Viaje por lns cscuela.s ele Esp{Ui.a. (1\lmlritl:
Compaiiía Ibe ro-ame ricana de Publicacioncs, 1929. I.IV, pp. 362-364) em relllçi'in uos
"cnsiiladorcs" ou "mestres rurais" que e ncontra em seu caminho de Buza a Guadix.
25
21 Não são comuns, entre n6s, os estudos da escola enquanto l ugar. Não obstante, Juan Martíncz Orti:c chama de "meslrc de aldeia" a q uem até 1894 percorria,
ternos bons exemplos (TRlLLA, Jaume. Ensayos sobre ht c.1cuela. El cspacio social y ensinando as primeiras le lrns, as casas de Las Pedrizas, uma aldeia de Corral-B.ubio,
material de la cscu.ela. Barcelona: Lac rlcs, 1985) que niio ti veram continuação. na província de Albaeete (Una viM.. lnfnncir.~, y j uverttl.l.(l. Albacelc: 1952, p. 28).

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A unií lis t· hi stóricu o u at ua l of'e re<.:c U ll lil ;1111 pl n
pc·lo... lnc ·n tH11ltlt t.11dos, dt• 1110 d o lcmpond 011 niío, c:o111o csco lu diwrs idmle de modalidades. As fotografias que, à guisa dt·
n nwhln· t11 m l 1 t•d ifkios clarament e d est inados u outra ilu ~->t ração , se in cluem, por exem plo, emA educa.ção no mundo
fi uni idudv (' fun~i:io - museus, fábrica s, cm;us come rc iais, atual, d e .J olm Vaizey, atestam essa d ivcrs idade,27 e o irônico
~rMica s - ou espaços não edificados . E, nessc últ i1110 caso, contcn tário de um comparati sta da educação p ri mária, escrito
poderíamos distingui!; inclusive, enlre espaços urbanos - ruas, 1' 111 1902 no cartão posta] d iri gido a uma senhorita d e Palma
pn1ças, jardins- e não urbanos- montes, vales, rios, praias. d u Mallorca (Figura 1) não é se nuo ttnl rc Oexo d a quela
E, den tro dos urbanos, por sua vez, entre o ensino itinerante di ve rsidade. Mas tal aná li se mos lra la ruhém uma clara
- w11 Lrajeto pela cidade-, o ensino ocasional - no modo que lc ndência à a tribuição de um espaço d ct( 'J'Ill i nudo como lugar
se imagina que fariam os sofistas, hoje aqui e am anl1ã ali, para o ensino. Um lugar estável c fi xo. 'là l tend ência foi
~
sem um lugar fixo, mas com várias possibilidades recorrentes re forçada no tempo, por uma outra , paru lr la: aq uda que
num espaço delimi tado como a ágora ou a rua principal da concebe a escola não apenas como um cs pa~o de te rminado e
pólis- ou o ensino estável ao a1· livre, tal como acontecia nas rotulad o enquanto tal, como ainda um cspa~n de natureza
ruas e pórticos do fórum da R oma antiga 26 • própria. Em outras pal avras, a inslilui çfto escolar c o e nsino
só merecem esse nome qu ando se .loc·nliw u1 ou se rea lizam
num lugar es pecifico. E , com isso, q11 cro d izer num lugar
espec ificamente pensado, desenhado, C'ons lruído e utiIizado
ú nica e exclusiva me nte para esse l'i rn . O re verso dessa
tendência à e s pe c i f ici dad e c i ns l i tu c ion a li zaçã o, à
identificação como tal espaço específico, seriam, na expressão
d e J aume Trilla, as diferen tes propost as e tentat ivas de
" negaçao - da esco1a como 1ugar, .-' 11 11 roposlas e tentatlvas .

de s de a "cidade educativa" d e Ed ga r Fau r e até a


desescol arização de I van lllich , que só são pensáveis- ou t1·o
paradoxo- fren te à sólida reaEdade de umbas as tendências :
à q ue leva ao sedentarismo e à que postula a especificidade
institucional da escola como luga r.

2<. Panlmais detalhes, ver· o urtigo de Lcón Esrclmn c Ramón López Marlín, "E~cuc •l a
Fig ura 1. y espacio: tesl imonios y Iex tos", in: llut6ria de la Erlucaci6n. Sala manca: n" 12-13,
1993-4, pp. 75-96.
Cartão postal. 27
YAJZEY, John. La educaci6n en elmu11do m:uwl. Madrid: Gu adarmtna. 1967.
211 TR1LLA, Jaumc. Ensayo sobre la escuela. Op.cil., pp. 35-52.

68 69
1\ NTIIN III VI N I\11 1-'ll i\ 1.11 11 I '1 1' \1, 11 1·: ~1 ' 111 i\ 11 I• 1),1 I•'!U II,,\ I liMO 1111,\ 11 : 1'11111'11 " 1'11'1 l•j 1,11 i 1 : ~ 1 f11 ; ~

E111 tudo I 'I II·•O , t Hsus lc nd ê ncius não deve m ser c·urll' ": m~ im a , o consel ho munic ipa l, c abai xo, porto t 'O III
c·onftllll licl:ll'\, J\ nwoln mworudu nu m espaço, a escola estáve l, putlu, o~ quartos escuros e úmidos, a escola c o calabou c;o·111 •
111111 i111p lic·n11 114'111 i111plic.:u sempre - muito menos do que agma E uHsim descreve Dolores Ibarruri em sua au tobiografia, uo
11111 lu ~ur c·sp<·<'i ficamenle construído para tal fim. Bem ao n·c·onlur, com imagens du·etas, claras, sua escola de cri anças
c·o1111 11 1in, u hahi t ual tem sido recorrer a edifícios e locais não pc·quenas, em Gallarta: de baixo da escola, na sobreloja, diz
Pl'th:tdos na sua origem como escola mas que, por diferentes t ' Ia, ac I1ava-se o " cam'1" ou " ca' rccrc cIo povoa do " , e alraves
'
111/II H' iras, se desLi navam Lotai ou parcialmente ao ensino. "das velhas e corroídas tábuas", que se rviam de chão para
uns e de teto para outros, viam "os home ns que a justiça
Parece razoável crer que essa modalidade - a dos
cncerrava"31 •
e hamados locai s ha bilitados ou prov is ionai s na fase de
apücação da lei geral de educação de 1970- só se refere ao No entanto, não é apenas no âmbito elo e nsino prinnhio
ensino primário. Desde que, em meados do século XIX, as onde se pode constatar essa realidade. Como mostre i num
estatísticas escolares incluem informação sobre os locais onde Lrabalho anterim; a gênese e o estabelecimento dos Institut os
se situam às escolas, é conhecida e quantificável essa situação. de ensino de segundo grau e das Escolas Normais só foi possível,
O aluguel de locais para escolas impli cou, até recentemente, na Espanha do segundo terço do século XIX, graças à u tiIizaçiío
um elevado custo para os cofres de alguns municípios. Assim, com Lal fim de um bom número de edifícios - conventos, em
é conhecido o texto das alas da assembléia de inspetores do quase sua totalidade - procedentes da desa morti zação
e nsino prim ário, convocada e m 1910 pelo ministro de eclesiástica iniciada em 1836, ou de universidades e colégios
Inshução P ública, o Conde de Romanones, incluído em suas extintos, algw1s dos quais, por sua vez, tinham sido erguidos
memórias . Segundo essas atas, " ma is de dez mil escolas"- sobre antigos colégios ou ed ifícios dos jesuítas, após s ua
de um total aproximado de 25.000 - se e ncontravam em locais expulsão em 1767. Dado que durante o século XIX só se
alugados. Mui tos d eles, anexos ou adj acentes a espaços construíram três Institutos, a partir de nova planta -Vitória,
destinados a ou tros usos públi cos, ta is como cárceres, Bilbao e Pamplona - e que se Leria de esperar a li República
hospitais, cemitérios, matadouros, quadras, salões de baile para qu e se observasse um a ume nto no número desses
ou cafés, cuja proximidade os inspe tores co nsideravam estabelecimentos, não é incorreto afirmar-se que a maior parte-1
inadequada 29 • Se a escola- o loca l escolar- era um assunto dos Institutos e Escolas Normais funcionara m, até épocas
municipal, não deve parecer es tranho que se situasse junto a recentes, em edifícios de arqui tetura conventual e religiosa.
outros locais destinados a outras ta refas ou te mas d e Não em edifícios expressamente construídos para tal fim 32 •
competência municipal. Os cárceres entre elas. Assim relata
Luis Bello, no início de sua Viagem pelas escolas da Espanha, 00 BELLO, Vi<zje por las escudas de EspaiÍa. Madrid: El Magistcrio Espaiiul, 1926, 1.
I, pp. 20-21.
quando visita a primeira escola, sua escola, "a seis léguas da
:liIDARRURI, Dolorcs. El único camino. Edicioncs cn lcnguns csiJ<ljcms, Mo.s(:ou: 1 1X~I . pl1!.!.
32
VINAO FRACO, A. Política y educaciótt cttlos orígencs de la Espatitt Clmtcmf >mnm•fl.
29
Conde Romanones. Notas de w n(! vida. Modrid: Re nocimienlo, s.d., t. ll, pp. Examen especial ele sus relaciones en la enscii.anza secwularia. Mnth·id: Si11l11 XX I,
88-90. 1982, pp. 421-427.

70 71
1\~TnNtll \'l f<l \0 t·n \4,11 Jl n I "1 4'14, 0 4•;SI 111,1\U 4, 11'1 11 ~ 1 : 111. 1 1,4HHI l.lt.IU: l'll ll l 'tlS'I ,I 'i I· I,H I 'i 'IÍll : ~

A ••t il iza,tw ele 11111 t•clilkio nu lu<'a l d t~t inado, ou j un to a um de seus lados, onde uma in scri~ão 11os
l'l ll1111do
ttao, t' l t l prindpio, ao t•nsino n:ío deve <·onl'undir-sc, tampou co, tc·c·orda que esteve localizada a conhecida escola catedraJícia
<'O tll o ~-;rn11 dt· d<'pendência ou inde p(' ndência do mes mo em dt· 11tcs mo nome. Basta, também, contemplar algumas plantas
relas;üo aos demai s. Existe, sem ch'tv ida, 11111:1 clara relação que mostrem as diversas possibilidades existentes, para avaliar
ent rc a construção específica, própria, c a independência a significativa iliferença enu·e a escola municipal que ocupava
espac ia l. Se um edifíc io escolar deve ::;cr ide ntificado uma dependência residual no ed ifício da câmara municipal
arquitetonicamente como tal é, em pa1·te, porque a institu ição ou fora dele, e aquelas que, corno ac.;ontcc.:Íél em alguns dos
escolar a dquire um a a utonomia e m relação a o u tras proj etos de prefeitmas e escolas construídas na França, du-
instituições ou poderes, em relação às quais antes guardava rante a Terceira Repúbli ca, ambas as esco las, a de meninos e
uma estreita dependência. E vice-versa. Repilo, porém, ajnda J a de meninas, sobressaíam em ambos os lados, em altura e
que essa seja a tendência ou evolução geral, historicamente extensão, em comparação com a sede da acl rnini st ra ção mu-
se pode assinala1·, também, exemp los de edifícios escolares nicipal que era mais baixa e fi cava no cent ro '13 •
construídos p ara se rem dedi cados a essa finalid ade e
A aceitação da necessidade de um espaço e de um
localizados como anexos ou dependências de outros mais eilifício próprios, especialmente esco lhidos c consu·uídos para
amplos, nos quais se integram. ser uma escola, fo i historicamente o rcsuJtaclo da confl uência
Feita essa observação, convém ressallru; no entan to, de diversas forças ou tendências. Algu mas mais amplas, ele
o interesse que oferece a geografia histórica da localização caráter social, como a especialização ou segmentação das
da escola como lugar e a análise da s ua evolução desde a diversas tarefas ou funções sociais e a au tonomia das mesmas,
dependência do templo - Egito, Suméria, escolas catedralícias umas em relação às demais. E outras mais específi cas em
e pamquiais - ,o ginásio- época e tllundo helenísticos-, o relação ao âmbi to educati vo, como a profissionalização do
paláci? - escolas palatinas- ou os pod eres locais - escolas Lmbalho docen te. Da mesma maneira que para ser professor
municipais-, por exemplo, até a independência em relação ou mestTe não servia qualquer pessoa, tampouco qualquer
a qualquer outro edifício ou poder; à localização autônoma, edifício ou local servia para ser uma escola. O eilifício esco-
sep arada, isolada num espaço específico e próprio. Além lar devia ser configurado de um modo definido e próprio,
d isso, essa análise requer observar a relação enti·e lugares e independ ente de qualqu er outro, em um espaço também
edifícios. Importa, por exemplo, saber se a escola se achava adequado para tal fim. Isso implicava seu isolamento ou
integrada fisicamente no edifício da instituição que a acolhja, separação. Também sua identificação aTqu itetônica enquant o
ou se era destinado para ela um local anexo ou um edifício tal. Alguns signos próprios. E, no fundo, recolocar as relações
próximo. A visualização - plantas, est<mlpas, fotografias - en tre o interno e o externo, aquilo que se s ituava foru .
permite também avaliar o caráter dessa relação. Basla situar-
se frente à catedral de ChartTes, onipotente, bela, e compru·á- 33 Lire, écrire e/ comptcr: 2000 ans d'alphabéti~ation, JNRP, 1\lu~•~•· Nnltw u .l do·
la com o minúsculo edifício, ao mesmo tempo próximo e anexo, I'E:ducatiou, Hou e n, 1981 , p. 58, no qual se apresentam o plunh da lm·luul.o olu
prefeitura c das escolas d e meninos c me ninas d e Vicuv icq, datado dt• I!!fiO.

72 73
-·• _____ ..,.,. "' ..., ' """'"'f' 1 •" t' I U ' • ' " "' " ' • I 1\\II ' U i't I , \ ,"! I• 1)1 ~ f l l' l 'JI J ~
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O t·dil'ít·in l'S<'olur dcslat·a vtHH', assi u1 , fre 11 tc aos d cmtti s,
c•onn·ht'u c qu e constituem o entorno da criança desde a suu
1-mhrt'lud() frente a outros edi fícios púhli<·os, c ivis ou rel igiosos.
111uis tenra idade"35 • Assim, todo educad01~ se quiser sê-lo,
E des tacava-se també m em relação ut·usa, um lugar com o
te111 de ser arquiteto. De fato, e le sempre o é, tanto se ele
qual a escola guardará sempre uma relação arnbivalente, ele
decide modifix: r o espaço escolar, quanto se o deixa tal e
aproximação e de resistência. Nenhuma c itaçãn rcOctc melhor
qual está dado.~ço não é neutro. Sempre educ~ Resulta
tnl rel ação do que aquele e m que Ped ro Chi('o, na segunda
daí o interesse pela análise conju nta de a mbos os aspec tos -
dí-t'ada do século XX, reclamava esse caráter autônomo e
o espaço e a educação -, a fim de se considerar s uas
próprio, inclusive para a decoração da escola:
implicações recíprocas .
... a decoração da escola deve ter um caTáter definido e
próprio. Não é igual à ornamentação de um teatro, de um Para anali sar a dimensão es pa cia l dos ce ntros
templo, de uma estação de trem, de um café ou de wna docentes , nada parece :nais adequado, se u w1ú lise se pre tende
sala de conferências ou de concertos: cada lugar exige total, do que seguir o exemplo das bonequinhas russas que
sempre sua decoração diferente e adequada. escondem simultaneamente, dentro de s i, oulm simi la r mas
Assim, a escola infantil , ainda que deva ter sempre um de ta manho menor. Em primeiro lugn •; se dcvcrú considerar
certo aspecto de lat; um cetto calor do lat; exige igualmente sua localização ou adequação em 1-ela~iio a outros espaços e
sua disposição, sua pcrsonalidade, e tem de fato, ou deve lugares; depois, o local ou o território ocupado c a distribuição,
te1; um tipo novo e diferente de ornamentação, chamado no mesmo, das zonas edificadas c não edifi cadas e, assim,
de ornamentação esco la r, ... , com um caráter seguir progressivamente, desde essas últimas até a sala de
incotúuncllvel, pois a escola tem, também na vida, seu aula, passando pelo edifício em seu conj un to e sua distribuição
nítido temperamento diferencial.:11 interna em diversos espaços e usos . Além disso, entre um
espaço e outro será necessário considcrur as áreas de transição
A DI MENSÃO ESP ACIAL DOS I!:STA 8 ELECI I\-1ENTOS -pórticos, corredores, áreas de espera. Esse será o esquema
DE ENSINO E A D IMENSÃ O E D UCATI VA que seguirei nos parágrafos segu intes, deixando de lado esse
DO I!:S PAÇO ESCOLAR úl timo reduto definido pelo mobiliário e, especialmente, o
banco, a mesa, a cadeira ou a caJ·teira. Mas an tes ~reci so­
Enquanto lugar s ituado. num espaço, a escola possui
analisar a projeção espacial do estabelecimento de ensino e
uma determinada dimensão espac ial. Ela pode ser analisada
as relações com o seu entorno; isso é, sua área de captação e
a partir dessa perspectiva. Mas também por isso, ao mesmo
influ ên ~í a, aquela de terminada pelas caracterís ti cas e
tempo, o espaço escolar educa, possu i uma dimensão
procedência geográfica e, portanto, social, de seus alunos . .J
educativa. "O arquite to é ilm edu cador", disse Mesmin.

35
J•C HICO, Pedro Decoración escolar. Madrid: Publicacioncs de la Revista de MESMIN, Geor-ges. L'enfant, l'architecture et l'espace, op. cil., pp. 17 e 105.
Pedagogia, 2· ed. revista, 1928, p. 11 .

74 75
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,--------~-------~-- ..•,,I Ottt t t • - t t l't ~···· - ' tt - t \ t t f ----~~-~----
1111 r~ I'\ÇII I 'IC. HI \11 r IH m1rn 1 \ Nl \10 l i r.\íl: 1'11111'11'1'1 \ ~ I 1.11 I flll l

A t ·xlc'II HIIO dt•HHH lÍI'l'll el e ntpl u~iio depcndc do Jlívcl lln iv(•rHidud c de Vall ndolid , entre 1837 c 1886, qtl c o lcvn 11
t 'dlll'ali vo t•li po d t• t' II!-.Íno - ntáxi tllttt tns ct·ntros u n i vcrsi tá r iol), quali fi car ('SSa última, em tais anos, de universi dade loca l t '
tliÍnÍllluaul:-; de educação infanti l - , elo meio fís ico, da
<T ilii'OH regional, " la Universidacl de Ca~tilla la Vicja". 3''
rede viúria ou de comunicações, do pres tígio d"' escola e da
- Aqu e le qu e rea li ze i a<" e rcu d a pro cedênc ia
idade, sexo e nível socioeconô mi co dos alunos:t6 • São
geográfi ca, segundo o loca l d<· nasc imento, dos al unos
j uslamenle lanlo essa variedade de possibi.lidadcs, quanto sua
graduados do Seminári o de São F'ulgêneio de MCt rcia, entre
evolução no tempo, para cada estabelecimento de ensino, e suas
1792 e 1807. Esse estudo mostrava a imporlflncia de fatores
relações com as características, organização e funcio namento
específicos- a extensão territorial do bis pado -, assim como
do mesmo, que realçam o valor de estudos lais como:
d e outros usuais - a prox imi da d e c colllpc li ção ela
- O efetuado por W. E. Mardsen, sobre a localidade Univers id ade de Orihuela - ou ele ín dole IH'ssoal - a
inglesa de Bootle, nos fins da década de 1890, que reflete os proced ênc ia nOttenha de algum bispo. Não d e 111e nor
efeitos, nesse ponto, das diferen tes políticas de admissão, importância foi observar como, depois de uma série de
seguidas pelas duas escolas do Conselho Escolar e as três processos inquisitoriais sobre diversos professores c a lu nos,
paroquiais ou voluntá1·ias que ex istiam nessa localidad e e numa fase de claro recuo ideológico e acadêmico, a área dll
naquela época, assim como das mudanças na rede viária ou captação do Semjnário reduziu-se drasticamente nos úl timos
do maior ou menor prestígio social de cada uma delas. 37 anos do período analisado, em comparação com os primeiros. lU
- No âmbito uni vers itár io, por exemplo, os de A escola é espaço e lugm: Algo físico, material, mas
R ichard L. Kagan, sobre a origem geográfica dos estudantes tam b é m uma co ns tru çã o cu lt ural qu e gera " flu xos
das universidades de Castilla, nos séculos XVI e XVII, crue energéticos". A idéia da escola como construção cultural é
mostra o caráter local e regional da grande maioria delas, também expressa por AgusLín Escolano no outro capítulo deste
com exceção das universidades de Alca lá, Valladolid e livro. A idéia complementar segu ndo a qual a escola, enquanto
Salamanca38 ; e Federico Sanz Diaz, sobre os licenciados pela luga1· construído, é simultaneamente matéria organizada e
energia que flui, que se decompõe e se recompõe, é t,~ma
adaptação da idéia exposta por Femández-Galiano ele uma
3ú Como indicou W. E. Mardsen, "a área mais ctu upucla espacialmente, fisicameute
plana e densamente povoada, o grupo de idade mais jovem, a escola de prestigio maneira mais geral em relação à arquitetura." 1 Com isso quero
mais baixo e o disLrito com melhor dotação escolar" oferecem a menor área de captação dizer, ma is uma vez, que lE. espaço educa.l E que isso Lcm
("Aproximacions interdiscipünars 11 lu histeria de 1\·d ucución urbana a Angla!erra",
Fulllnformatiu, Sociclol d'Hist(n·ia de l'Educaci6 dcls Pu'isos de U engua CataJano, lugar de d iferentes maneiras e implica várias questões.
:::
n• 7-8, 1988-90, pp. 5-19.
:n lb., pp. 14-15. :tJ SANZ DlA7., fcciCJico El alu.nlTUUÚ> de la Universid<Ld de l'alla.dolid cn c1 sigla X IX ( JIH 7
J8 KAGAN , Ri chard L. Uniuersidad y sociedad en la l!:spGii.l' moderna. Mad rid : Tecnos, 1886), Secreiiii'indo de Publietteiones de la Unive.r11idad de VaUadolid, l97H. Pl'· I I!i 1:11.
1981, pp. 223-226 e 246-257. Sobre essa mesma questão, em relação à Universidade '
10
VINAO fRACO, A. " EI Colegio-Seminario de San F'u lgcnci n: ll u.,IIIH i1111,
de AI calá, ver o mais recente e rigoroso artigo de Benoít Pclleslrandi "The University Liberalismo c lnquisici6n", Areru, n• 6, 1986, pp. I B-48.
of Alcalá de Henares from 1568 Lo 16J 8: Studenls ond Graduares", History oJUniver- "F'ERNÁN OEZ·GALIA NO, Luis. Elfuego y la memoria. Sobre '~~"'luitf'l t,,, .1 ''lll't#fo.
sitics, n• IX, 1990, pp. 119-165. Madrid: Ali anzu, 1991, pp. 2'~-29.

76 77
i\ N'I'IINiil Vl fi,lll V UI\1.11 11 1 '1 1'\1,11 I•'! tll1\l! 11 ll 1\ l,\1.01.\! II MII t.i C:A ii: l 1 1101'il q T\~ I' QITIT•rrn t·~

Ânl c·M de · ttw is 11ada, com o ltun bC:m indica Agostín de• fun do, <'O IIl rda~·ão à <·u radcriwção da esco la como ('f>(lll<:o
E!-.('oluno, 11 111 d c·nuc.,·lw do espaço, s ua confi guração como I ugru~ c: 11 inh'mçiio enlre as di mensões es pac ial e educa t iv~1 dt•
<' O I I~I ilu í 11111 c·lc· tt H'IltO sign if ica t ivo do cu rrícu l o - uuthm; os elementos.
índ c •pt·tu l c· ttl ~" ll lt' lll t• de que aqueles que o habitam estejam, ou
Diante de que tipo de espaço ou lugar estamos? Corno
11nu, c·un:-.c·ic·nt cs d isso. Tal ord enação supõe, como se ver á,
q w tlifi cá-lo?
t ll llll 1lc•l<·nni nudu d is tribuição e designação, c nlrc vá rias ou tras
puHHfvc is, d e fu nções e us os de algu n s espaços ta mbém Uma determinada leitura d o l•cw ea ult - sobretudo em
d c lc rm ínados. Há ord en ações do espaço, configurações do Vigiar e Punir - car acteriza a escola, lim itada a u m espaço
mesmo, adequadas ou in ad equadas, segundo o modelo de fec h ado, junto a outras institu i ~õcs d isc ip l in a res, de
organ ização ed uca ti va, método de e nsino ou clima institucional dom inação e de con trole, tais como quartéis, hos pi ta is ou
que 's e pretenda adotar. Inclus ive segundo a imagem que se cárcer es. Se u model o prévi o ser ia m os co nven t o s"·~.
queira oferecer: daí a importância dos folhetos e materiais de Independentemente da sua maior ou menor adeq uaçJo 11 <'a ela
propagan da dos centros docentes com fotografias selecionad as. caso concreto- é óbvio, por exemplo, que nos internai o~ uu ta
caracterização d esse tipo seria ma is adequada -, ess a
Alé m d isso, todo espaço é um lugar p erceb id o. A
con cepção de espaço escolat; por s i só, é insuficie nte. 'll.1l
percepção é u m processo c ultural. Por isso, não percebemos
concep ção esquece as diferentes funções que esse espaço
esp aços, senão lugares, isso é, espaços elaborados, construídos.
desempenha ou deve desemp e nha!: O próprio Foucault e m
E s p aços com s ign ifi cados e representações de esp aços.
"O olho do pod er", numa entrevis ta real izada p or J ean-Pier re
Representações de espaço que se vis ua lizam ou contemp lam,
Barou , já fa lava d a trip la fu nção prod utiva, simbólica e
que se rememoram ou recordam, mas que sempre levam consigo
d isciplinru:· do lrabal ho45 • Essa tríplice função pode tam bé m
uma inter pretação determinada. Uma inte rpre tação que é o
ser atribuída ao espaço escola r, acrescen tando-se, ainda, a
resultado não apenas d a disposição ma terial de tais espaços,
fu nção de vigilância ou controle. O proble ma surge q uand o
como também de s ua dimensão s imbólica. Nada é mel hor do
que falar, nesse caso, no valor didático d o símbolo, um asp ecto
representam, neste séc ulo, as concepções "solar" e "ígnea" da arquitetura, Le
a mais da di me nsão educativa do espaço 42 • Corbusier o Fmnk Uoyd Wrigbt- Luis f<·rnflndez-Caliano, Elfuego y la memoria ... ,
op. cit., pp. 44-49 -, foram educados, na infâ ncia, segundo os métodos de F'rõebel.
Nos parágrafos segu in tes, ana li sarei essa dimensão Sobre essa inOuência em Le Corbusier, ver ns observações de Marc Solitaire, " La
educativa, segu indo o es qu ema já r eferi do 43 • M as maternelle de Lc Corbusier etle jardin d'cnfants de Jeanneret", em Lejeune enfant rt
l'architeele. /,es lieu.x de la petite enfance. Paris: 5) ros/Altcrnative, 1991, pp. 75-79,
estabelecerei, a n tes, minha p osição sobre uma questão básica, e, em relação a Wrigbt, o sugestivo art igo de Purificación Lahoz Abad, "EI mC.Iodu
frocbeliano de espacio-escuela. Su introducci6n en Espana", in 1/istoria ril' /11
Tomo essa expreJOOsiio do lítulo de um livro de F'cdcrico C6me~ Rodríguez de Castro
42
Educaci6tl, n• 10, 1991, pp.107-133, cuja leitura constitui um complemcnl.opt•f'l•·,lol
(El valor didáctico del s!mbolo. Madrid: Min.isterio de Etlucnoi6n y Ciencia, Dirccción dos trabalhos incluídos nesse volume.
Gene.ral de Enseíianza Media y Profesional, 1970). "-1 Uma caracterização recente desse tipo seria, por exemplo, a efetuada por Miclw.llluuillf.,
43
Uma questão não levada em consideração neste trabalho é o possível influência de em L'école, hisr.oire d'une u.topie? XVII e-débrtJ. XXe si.Ccle. Marscille: Rivages, p. 1.!),
45 FOUCAULT, 1\Uchel. " El ojo del poder". In: BENTHAM, Jeremias, é'L JIOnúpti('o,
um detem1inado sistema ou método pedagógico no pensamento e na obra de um
determinado arquiteto. É paradoxal, por exemplo, que os dois arquitetos que melhor Madrid: La Piqueta, 1979, pp. 9 -26.

78 79
\ 'I'I'Ur. l ll \ 1111 111 I' 11\1.11 ll fll ~ l'l l, lll. ~ t.O I •.\It I· 11\I•: S(.OI.\ (.11 ~1 0 1.11:\lt: I'Hili'IJ ~ 'I I 'i I 1,1111 ~ 101 ~

Ht' di ~ q11" l lt'lll Hc·n1pn· l~Xi~ t c 111ml cottcordônc ia c utre ta is c·ulol'adus em seus limi Lcs, ou de out.ra maneira legal. A <.:~wolu
l'llll <_"ÓI's. ()llc 'c~ possívd que ocorram - c que, d e fato, ocorrem l'w ria , assim, uru espaço cl emaJ·cado, mais ou menos poroso,
<·Oillmdi<;Õc·s c·11Ln• dus . Entre a funçüo produt ivo-educativa 110 qual a anál ise d e sua construção, enquanto l ugm; só é

011 d e ens ino e a função di sc i plin cu~ por exemplo; ou en tre possível a partir da cons ideração hi stórica daquelas camadas
a mbas c a fw1ção de vigilânc ia e controle. Ass im , enquanto ou e lementos envol ventes que o configuram e definem.
essa úlLima exige transparência e vis ibi I id ad e, a s duas
anteriores lendem a dividir e segmentar os tempos, as matérias
A LOCALIZAÇÃO : URUA NI SMO E E DUCAÇÃO
ou conteúdos, as pessoas e os espaços. O espaço escohu· torna-
se, assim, no seu desenvolvimento in terno, um espaço Para a escola dependente ou uncxn, a loca lização não
segmentado no qual o ocullamento e o aprisionamento lutam constituía um problema. Situava-se d e11Lro ou junto ao edifício
co m a vi si bi l idade, a ab e rtura e a tran s parênc ia. A -templo, ginásio, palácio, conselh o mtiiiÍ <' ipa l - q11 c abr igava
racionalização burocrática- divisão do tempo e do trabalho a instituição a serviço da qual a escola e m c ri ada. O máx imo
escolares - e a gestão racional do espaço coletivo e indi- a que se chegava era aconselhar, como f'azi<J a scgunrlu Prutida
vidual fazem da escola um lugar em que adquirem importância (título XX-XI, segunda lei), que a vi b 0 11d í' se cs tobelecesse
especial a localização e a posição, o deslocamento e o encontro um Estudo Geral fosse "de bom at~ e de be las sa ídas", a fim
dos corpos, assim como o ritual e o simbólico. Numa instituição de que os professores e os escolares vi vcsscn1 sãos e pudessem
segme nta d a, parcelad a, a vi gilânci a e o control e - a "folgar e receber prazer à ta rd e, quando se levantassem
coordenação - só são possíveis mediante a comunicação, a cansados elo estudo". Além d isso, d e vi~ ser " bem abastecida
existência de órgãos colegiados, a vis ibilidade espacial, os de pão, d e vinho e de bons a lojamentos" onde se pudesse
elementos simbólicos unifi cadores ou a r itualização das " morar e passar o tempo sc1u gnancIc sacn 'f'I C I.O " . A s
princi pais at ividades que acon tecem nel a. universidades estabeleciam-se, em geral, em ed ifícios centrais
Quanto à sua ordenação interna, a escola é, então, e não distantes das catedrais e das igrejas. As dimensões d as
u m espaço segmentado e demarcado. Penso que esse último cidades e vilas asseguravam uma hospedagem próxima.
adjetivo reflete, também, de um modo mais adequado , a A localização, enquan to probl ema a ser resolvido,
realidade do espaço escolar em sua relação com outros lugares surge com a confluência dos falos: llllt deles, já referido, seria
e espaços. A escola é um espaço ocupado, demarcado a necessi dade d e que a institui ção escolar se localizasse em
[acatado] 46, d ando -se a esse termo o primeiro significado um edifício próprio, construído com tal fim; o outro, seria o
que o Diccionario de la Real Academia de la Lengua Espaiíola crescimento d as c idades e as tenta tivas de regulá-lo mediante
atribui ao verbo "acatar": reservar o uso e o aproveitamento o planejamento urbanístico.
d e um terreno, manifestando essa 1·eserva por meio de cotas
Por isso, a inda se cos tuma ci ta1; como precedente, os
1
" 'ICJmOessa expressão, adaptando-a, do l[Lulo do livro coordenado por Horac,io Capei, pm·ágrafos de Luis Vives no De las disciplinas (1948), em
/,1),; espt.~,cio.~ acotados. Geografia y dominación social (Barcelona: PPU, 1990). que ele advoga em favor de um lugar salubre " com abundância

80 8]
AN'I'IINIII VI N \li 1"11 lt .ll 11 0 l'._ fl,\(.'0 P ~lifiLI\It P liA 1\S f~ lll.ll r:mltl 11 11~ ;\ 11 : l'ltfl l'fiMTII~ F l)l>r...-rtl lé!l

d•· 11linwttloMHmtcl:ívt·is", "afuslnclo de toda conco rrência", Em primei ro lugar; a higiene: um local clcvudo, Hl't·o,
111as ttiin é'ttl l 11~11 r de:ipovoudo, " longe du corte c da vizinhança lw111 urcjado e com sol conslitu i o ideal. O que se deve cv ilat·
I tll ll li té ' l'l's ll to~u s " , (os
(c I ca mtn
. I10s pu)
'I L'JCOS c " S 'Jltos
. s1io, pois, os lugares úmidos, sombrios e não arejados (terrenos
fronlci ri~:os" • O fato é que se terá de esperar o século XIX
17
pantanosos, ruas estreitas). Mas a higiene é lanto física quanto
para que se encontrem referências, na Espanha - nos manuais moral. A relação dos lugares de proximidade perniciosa constitui,
de pedagogia ou em escritos sobre questões educati vas- às por isso, todo um repe1tório onde se mistul'am moralidade e
condições que devia reun ir o espaço reservado para nele saúde: tabernas, cemitérios, hospitais, quartéis, depósitos de
localizar uma escola. Uma das primeü·as referências, senão a esterco, casas de espetáculos, cloacas, prisões, praças de tomos,
primeira, seria aquela efetuada por Montesino no Curso de casas de jogo, bordéis etc. J unto ti higiene moral e física,
Educación que ministrou no Seminário Central ou Escola preocupavam também a segurança das eriunças- o trânsito de
Normal de Professores de Mad1·id, de 1839 até 1849. Na sua carruagens -e, como diziam as Notas .mim• t·mL'ilmcción escolar,
opinião, a escola devia estar situada num lugar tão retirado e publicadas pelo Museu Pedagógico Nacionul, a " missão social
tranqüilo quanto permitissem as circunstâncias, sem distar e educadora" da escola e seu "atrativo".
muito da cidade<IS. Mas é sobretudo com a publicação da Conforme as cidades cresc iam c o 111odolo orgunizati vo
fnstrucción técnico-higiénica relativa a la construcción de da escola seriada ia se ampli ando c se co nsol ida nd o,
escuelas, de 28 de abril de 1905, que essa questão, assim estabeleceram-se, junto com os an teriores, ou tros critérios
como as 1·elativas ao ed ifício c ao campo escolares, receberá compl e me ntares que impl icavam, ~1s vezes, solu ções
1
uma maior atenção em tais tcx tos49. Os dois critérios básicos contraditórias. Assim, por exemplo, enq uanto que a l nstrucción
que condicionam a eleição da local ização serão, em todos os
autores, de ordem higiênica c moral. Somente em algumas
ocasiões, mais tarde e nem sempre, acrescentam-se outros, o in.strucciones para Ia fundación y dirección de cscuela.s primarW.s, elementales r
superiores. Madrid: 1842, 2• ed., pp. 29-30; CARDERERA, Mariano. Princípios de
como o deslocamento dos alunos, a própria tarefa educativa educaci6n r méto<ks de en.seiinza. Madrid: 1877, 5l cd., p. 301; AVENOANO, Joaquín
e as dimensões do estabelecimento de cns ino 50• de e CARDERERA, Mariano. Curso e/ementa[ de p~dagogla. Madrid: Hernando,1885,
5" ed., p. 263; SANTOS, José Maria. Curso completo de pelÚlgogía. Madrid: Hernando,
1880, 3• ed., p. l89; CANDEAL, J. Colecci6n ele disertaciones ptlÚlg6gica.s de utililÚlcl
47
VIVES, L.ús. "De las disciplinas". fn Obra.s Completas. Madrid: Aguilar 1948, pp. para los profesores de todas las ramas y para cuantos han de ocuparse de la educaci6n
550-552. lle la infancia. Madrid: 1884, 2• ed., pp. 338-339 (esse autor recorre também a critérios
18
' MONTESINO, Pahlo. Curso de erlucaci6n. Métodos de cnsc1irJnza y pedagogía. Madrid: estéticos); MÁRQUEZ, Francisco BaUesteros. Pedagog(a, Educaci6n y didáctica
Centro de Publicaciones, Ministerio de Eclucnción y Cicncin, 1988, p. 173. Edição, pedag6gica. Málaga: 1909, 5" ed., 537-538; FERNÁNDEZ, Manuel e FERNÁNDEZ-
estudo preliminar e notas de Anastasio Murlínrz Novnrro. NAVAMUEL, Ciencia de la Educacwn. Terceraparte. Madrid: Orgunizaci6n didúctiC'u
9
• O fato de que se tivesse de esperar, nn Espnnha, até 1905, pa r·a que se y pcdagógicu, 1912, 4" ed., pp. 36-38; GARCÍA, Pedro de Alcántara. Compe11dio dr
regulamentassem essas questões explica o menor interesse, com exceções, que os pedagogía te6rico-práctica. Madrid: Perlado, Páez y CompaMa, 1913, 5• cd., pp.iJ.CJó.
tratados de pedagogia do século Xrx mo~t.rnm sob re das. Não se deve esquecer, por 497. Foram consultadas, também, a citada ilr.strucci6n léCIIico-higiénica de J')()5 e nK
exemplo, que na França e na Bélgica já existiam, desde] 850 c 1852, respccli vamente, "Notas sobre construcción escolar publicadas por cl Musco Pcdng6gi1·o Ntwin tcul''.
regulamentações específicas sobre a localização c a con~ t ruçúo dos edifícios escolares. incluída como apêndice em Ministerio de Inslrucción Pública y BeiJas Artc·11: J'lt""'-'
w Essa afinnativa c a síntese que a seguir se faz se baseiam nos seglÚJlles textos: modelos de cswelm graduadas con presupuestos rcducidos. Madrid: 1912, Pl•· !ill úll.
F'IGUEROLA, Laureano. Manual completo de eii.SCiianza simultánea, mzÍlua y mixta,

82 83
Jlu I ~ 1 '1 1, 11 1. ~ 1 ' 111 111 I 11\ I ~111 1 \ I IIMII 1111, \11 : I'IIOI' Wn'l ~ I l,l ll 'lhfll
\ 1\1 11 1'1 111 \'l i\ \H F li \4 ,11

lt ·r·nit•o ltiJ.!,it~11im tlt· I 005 m·wrsc llwva a localizaç;ão "em IO<'a I.rzuc;ao
- t Ius escoas
I " n os IJarrTos
. pcrr'f'
en.c:o:'l " , ta111 I wr11
'
pl('no I'I IIIIJio", ui nda quo disso res ulte ulgum ufastw ncnto do udvert ia que caso se optasse pa ra que não estivessem " muito
<·t· rr tro do po voado, por ca usa das supostas van lu ge ns do dis tante d as resid ênc ias el as crianças", se escolhessem
ex<' r<'Íeio fís ico c da pureza do ar; c as Notas sobre construcción " luga res p róximos a praças, jard ins ou ruas largas e
escolar elo Museu Pedagógico Naciona l prd'cria111 c.:o locar a espaçosas". A favor da localização r1os arredores da população
escola " nos arredores da população", havia aqu eles- J ulián -escolas ao ar line - combinavam-se três fatores: o educativo
López y Candeal, Mariano Carderera ou Franci.sco Balles teros -distanciamento em relação ao lwrulho, umbiente propício
- que se inclinavam , aplicando o cri tério da comod idade, ao estudo, fácil acesso à Natureza - , o higifonico c o econômico
pelos terrenos centrais dos povoados 51• O primeiro p ropunha, - menor preço dos terrenos. Contra tu I lo<' ui iza ção, os
inclusive, nos locais com mais de um estabelecimento de problemas de transporte ou deslocalllcrtlo I' 11 uüo-integração
ensino, s ua divisão em distritos - um para cada escola - , ao meio urbano. Como se pode ver, um dil ernu que afeta va, e
situando cada uma delas no centro dos mesmos. Esta proposta, afeta, qualquer tipo de estabelec imento docent e c que está
condicionada na sua resolução pela opção que se fizera no também por detrás dos debates que, por sua vez, s urgiram em
dilema entre edifícios escolares de grandes ou de peq uenas torno das vantagens e desvantagens dos t OIIIfÚ univers itários,
2
d im ensões, não fazia mai s do qu e seguir, no âmbito localizados em áreas distantes e demarcadus para tal fim.!\
pedagógi co, um a cla ra tend ência ao pla nejame nto e A origem ou precedente imediato dessa relação en-
ordenação urbana, promovida com diferentes propósitos e a tre planejamento urban o e edu cação já se encon tra nas
partir de diferentes origens, nas quais os estabelecimentos primeiras tentativas de levar para a pr~1Li ca, em lermos
de ensino apareciam não como espaços residuais em relação concretos, os projetos mais ou menos utópicos de reforma
à sua produção social, mas como es paços demarcados e social ou de criação de uma nova soe icdade. Assim, por
regulados quanto à sua localização, extensão e destinação exemplo, na Figura 2, pode-se apreciar a localização da creche
fu tura a um ou outro tipo de ensino. Essa é uma tendência e do conjunto escolar com teatro, prevista e levada a cabo no
em que tal questão- a da localização da escola-, não passava "familistério" cont1·uído para seus operários por um in dus-
de um aspecto de um plano Ul·banístico determinado, a ser trial de Guisa - J uan Bautista Godín -, sob inspiração do
considerado junto com outros espaços de uso público. Por "falanstério" de Fourier, na França, no Segundo Império
isso, a Ordem Real de 31 de março de 1923 - elaborada pelo (1851-1870). Como indicou Leonardo Benévolo, de quem
recém-criado Escritório Técnico para a Construção de
Escolas, que es tabelecia novas instruções higiênicas c
S2 Sobre essa quc:.lão, e m sua perspectiva lúslÓ•~ca geral e em relação a um caso couen:lll.
pedagógicas - ainda que mantivesse o critério favorável à ver o bom estudo ele Josefi na Córnez Mcndoza e outros, Ghettos universitarios. E/ i'tllllf/11.\
de Ut UtLivcrsid.ittl AuUÍtWIIUL de Madrid. Macltid: Ediciones de la Univct'S itlac l i\uli~,,;,,."'
de Madrid, 1987. Além disso, para a análise de oulro caso concreto, indico a' p.ÍI'.I""~
s• J ulián López y Candeal , Colecci6n de disertaciones pedagógicas..., op. c il., pp. 339-
que redigirei sobre a localiza~iio do campus da Uni versidade de 1\lúrciu, em J un11 ~' "'" ' .11
340, Mariano Carderern. Princípios de Erlucación y métodos de enseiianza, op. c it.,
(di1:), Libro blancu sobre la Universidad de Murcia,Seci'IJlan ndn n(~ Puhli r•:lf'i"n•·• ,. lw•llluln
f).301 e Francisco Balleslcros Márq uez, Pedagogía. Educación y didácticapedag6gica,
de Ciencias de la ü lucación, Universidud de Mu rcia, 1979, pp. 171 - IB!l.
op. ci l., p.538.

85
84
n n , ,n, ,,, ' '" ''' r tc\ t; tt 11 11 1 ~ 1 '\I, III "( .UI , ~It h 11\ 1>. ... (. (11. .\ (. IIM \1 1,( 1, \It: l' lt U I'Ol- 1\' t t,lll ~ lll l 'l

proc·(·cl•· I'HHI I rd i·n'\nl'ia, lai ~ 111odclos de ordenação urbana 11111urbanis mo preocupado exc:l us ivnmente com a rede viiíri n,
c·on:-.titu fu u•a nniÍil'Sl' da c idade li beral, ao deslocar o acento os tra ns portes, o planej a me nt o dos q ual'le irões e com o
55
do lil wrclack ind iv idual para a organização cole ti va: em suas 111clhoramento das condições ha bitacionais fa milinres . Um
pulnvms, " nusccm do protesto contra as cond ições inaceitáveis urbanismo em parte semel hant e a esse, e em parte difere nte,
du c idade existente e Lra tam de romper, peJa prime ira vez, muito diferente, seria aq ue le ele l.!.:l j iauro Madrid, obra do
seus vín c ulo s r ecorrendo à a ná lis e c à prog ra mação destacado jornalis ta e políti co progress is ta, vinc ulado à
r acional"53 • O mesmo au tor nos oferec e outros pla nos de Instuição Livre de Ensino, Angd F<'rniíndcz de los Ríos,
povoados operários (Saltaire, 1851) ou modelos de desenhos publicada só um ano depois, em l 86W>~•. Sl·u urbanismo, como
urbanos - o de um tra tado de urbanismo francês de 1928 - o de lldefonso Cerdá e A:rluro Soriu , pn·o<·u pava -se com os
em que se delimitam a localização e os espaços dos centros aspectos acima comenta dos . Mas possuía, <'Omo apontou
de e n si no p rimário e secundár io, no prime iro c aso, e Bonet Con ea, um duplo cará ter so(' iul t ' glohol qu e uão se
unjversitário, no segundo54• observa na obra de Cerdá57• Um s inul d<•ssü <'nnít cr seri a,
e ntre outros aspectos, a atenção quP CSS(' jornal ista dá, e m
se u proje Lo de reforma, aos locais e cdifk ios destinados para
fins associativos, culturais, científi cos c ed ucac ionais, em
espec ial às salas de conferências e bibli olccus populares e às
58
escolas infantis, primárias, profiss iona is c de adultos • Um
oulro sinal dessa ordenação urbana rac ional seria a proposta,
que é feita no mesmo lin o, de rcmode laçõo da di vis ão
pa roquial c estabelec ime nto, nas pa róqu ias remanescentes ,
r de diversos serviços públicos, entre os quais inclui as escolas
.nkJ I Figura 2.
Pl ano geral do "famiJ is-
d e e ns ino elementar e es colas para ad ultos e salas de
conferências 59 •
té rio" de Guisa.

M CERDA, lldefonso. Teoría general de la urba.ni.zación y aplicación de sru principias


Nem toda a ordenação urbana, no entanto, implicava y dircctriccs a lo rcfornwyensanchedc Barcelona. Mad rid: 1867, 2 t. (edi ci6n facsírnil e,
essa perspectiva. A leitura, por exemplo, da Teoria general de lnsliluto de Esl udios fiscales, Madrid: 1968, 3 v.).
56 FERNÁ NDEZ DE LOS RIOS, Angel. El f uturo Madrid, paseos mentales pnr ltr
la urbanización, do engenheim de estradas lldefonso Cerdá, capital de Esp01i a, tal cual es y tal cual debe dejarla transfonnada la reoo/rl(·i611.
e de sua aplicação a Barcelona, p ublicada em 1867, revela Madri d: 1.868 (Prlici6n facsími l, Los Libros de la Fro ntcra , Barcelona, 1975).
ST CORREA, An lonio Bonet. "Angel Fernández de los Ríos hombre de la gt'llt'rm·i(ul

rlel68" , in Angel F'e rnández de los Rios, Elfuturo Madrid, 19 75, op. (·il., Jlll· \ 11 1
53
BENÉVOLO, Leonardo. Diseiío de la ciudad-5. El arte y la ciudad contemporánea. fVC (refcréncias nas pp.XLIV-XLVlll).
México: Gustavo Cili, 1978 , pp. 29-34. $8F'ERNÁNDEZ DE LOS RÍOS, Angel. EljuJruo Madrid, op. cil., pp. 99- IIXl, 1:1.1 ,. '.!li
54 Ib., pp. 46 e 52, respeclivamente.
·~ l b., pp. 73-85.

86 87
Un 1 ~ 1'\111 1. ~ 1 ' 111 , \11 1 111 1 ~~ III.A coMo llli.AII: I'IIIH'Ii ~ 1 \ ~ 1 IJI II :M'I fii ~M
\ \IH/\100 \ 1'<\11 J ' ll\1.11

EDIFÍl:IOS E C AMPO S E S COLA IC ES OU A


A idc ·ia de • " i111por", ll tt•di unle o plunej mncnto Luhmo,
DIALÉTI CA DO AUE HTO E DO FEUIAHO
l ir u il : t çoc ·~ . 1 .. propr it·dacle individua l" - Cllll'(' elas, a dclenninação
"c·wupll'ln dt· lodns ns zonas ou d islril os q ue 11 c idade de va ter" e,
Jiigum 3.
porla ulo, dos "espaços livres" c da dcs linação dos edifícios Pla no parci al do po lí-
"segundo a zona em que se e ncontre m" - uiucla se des tacava, em go n o mineiro "Array-
1928, corno uma das característi cas de toda "cidade linear" 00 • E uncs" de Linarcs. O grupo
escolar - um edifício pat·a
na publicidade e propaganda que se fazia da Cidade Li near
men in os e outro para
madrilenha, em 1911, entre as vantagens e serviços d isponíveis me ninas - s itu a- se n a
inchúa-se até um título especial sobre as escolas , dois deles pa rle supe r·io r cenlra l
criados pela Sociedad de Cultura à qual pertencia a maioria de (Ro dolfo Gar eía Pablos,
"Necessidad de establece r
seus vizinhos6 1• O pla neja mento d a localização dos edifícios una doctrin n de urba nis-
escolares s eria conseqüência, no século XX, tanto da introdução mo escola r ", M.in islet·io
da escola seti ada62 , como da política de construções escolares 63, d e E ducación y Giencia,
Dil·e cci ó n Gen e r a l d e
e, nas últimas décadas, das concentrações ou criação das comru-cas
E n sefian za Prim a ria,
escolares e da legislação wh aníslica, aspecto em relação ao qual Construcciones escolares.
a Figura 3 oferece um exemplo de plano parcial levado a efeito a Madrid: 1960, p.l60).
partir de instâncias oficiais na Espanha, nos anos c inqüenta61.
... se a escola precisa de uma grande extensão de terreno é
porque não consta apenas da sala de aula, mas porque
t.o La reintegraci61t al campo y la ciulú.ul lineal. Informo· pro•st·ntado po1· la Compaiiío deve Le1· um campo a nexo. Não apenas um jardim ou um
Madrileiia de Urllanización. fu ndadora y coustruf't nra tio· In Ciudad Lincal madril ciia, horto, elemento interessantíssimo, seja para ensinar certas
a la i•Úommción púlllicn abierta por la Ju nta de Ht·lnlt:gra<·i6n ai Campo de Barcelona.
Madrid: 1918, pp.lS-5 1.
coisas, seja para educar a fanlas.i a; nem mesmo um pátio,
11
' Datas acerca ele la Ciudad Lineal. Madrid: 191 I, pp. 2 1-22. tanque de ar conompido e imóvel... . O campo escolar é, ao
101
Esse seria o caso, por r~cmplo. da l\lúrcia 110 iníf'in do M-<·ulo. com suas quatro escolas mesmo tempo, tudo isso, mas infi nitamente mais do que
localizadas quase no centro de cadu um dos Indo" No11c, Sul, Leste c Üt::.lc da cidade.
c,oVc1; a título de exemplo, o "Pla general de dis1rilmci6 d\·difi cis escolars" aprovado
tudo isso. Por mais que se reduzam as condições de uma
em 1917 pelo "Ayunlamien to" de Bnrcelona c descrito t'll l i\juntament de Barcelona, escola, por modestas que sejam suas exigências, jamais
Les comtruccions escolars ele Barcelona. Barcclonn: 19:.! I, 2• ccl., pp.171-l83, com o deve renunciar a esse eleme nto, tão importante, pelo menos,
plano anexo.
como a própria sala de aula, e cuja necessidade é, ao mesmo
M Sobre ta l legis lação, suas lacunas c sua oplicaçüo imperfeita, durante a t'thirna

década dos anos 70, justamente nos anos de descnvoh imt•nto da lei gero) de educação, tempo, higiênica e pedagógica 65 •
remeto , a parl ir de uma perspectiva geral, a Antonio Vi.iao, "EI planea mi ento
urbanístico-docente: un anáJjsis de sus necesidades y problemas", in Revista de n:alidade, ver RodoUo García-Pablos, " Neccsidad de cstablecer una doc trimo do1
Educación , n" 264, 1980, pp. 69-80, c, como um caso parndigmálico, a J uan Rosa urbanismo escolar", em Ministrio de Edu cación Nacional, Oirecci6u Cc ncl'lll do·
Gál vez, Urbanismo y ecluooción. El proceso ele implanutci6n de la Educación General Enseiianza Primaria, Comtru.ccionesescolares, l\'l adrid: 1%2, pp.l53-170. i\ rca lid:u lo·,
Básica. e" Alcamarilla (19 70-1985). Tesis doctoral, Fucultnd de Filosofíll, Psicologfa infelizmente, guardaria muito pouca relação com o que esse artigo propunlw.
y Ciencias de la Educución, Murcia, 1991. Quanto ao perfodo imediolnmente anle- c.s GJNER DE LOS RÍOS, Francisco " Campos escolares". l n: Obras COIII{IIf'lm, t. X11,
rior, c a parti r de uma perspectil'n legal ou rnais de proposta do qu e de análise da Mndrid: Espasa Calpe, 1933, 2• cd., pp. 193-236.

89
88
" " 111 11111 f 1"1\11 I' W\loll · ----
l h i i ,N I',\1, 11 l tS I, III ,i\ 11 I· ll 1\ hSI ,III"' I.OMO L111 :1111: I'IIIII'OS'I'il ~ I I.JII I:!I'Ifll :"

I':HHt' p : 1tu~ rn f o dt· Gi nt·r dl· l o~


Kíos, publicado Ctll tlloclt· lm; urquitclôn iros qu e respondiam tan lo u id f.in tl••
I HH-1·, j un to <'O lll o11trm; de Cossío nu das No1as sobre 1111
t' llt't' t'I'UII ICnlo ou clausura qu a nl o à idé ia de so l id t·z t·
comiiiiC'f'ttÍu t•scol(lr do Musc u 1\ .: clugóg i('O Na cional , de ostentação.
L9 1 I , d l'V(~ se r co mpreendido c·ou1o llllli:l lcntaliva de
No jogo ou r elação entre zonas edificadas c ni"io
aproxi ma r-se, na prática, do ideal qu<' pa ra esses dois
ed ificadas, eram q uase sempre as pri meiras, sobretudo a
pedagogos representava a frase de Rous!>cau que o próprio
fachada e o edi fício princ ipais, as qut· d<·l<' rm inavam a
Cossío citava: "A melhor escola é a sombra de uma árvore"67 •
disposição do co_njunto. Francisco Ballesle ros, po r exemplo,
A melhor escola eslava ao ar livre, na Natureza, não eni.J:e
aconselhava situar o edifício "à entrada do <·an1po escola r,
as paredes de um edifício. Aceita, entretanto, a necessidade
mas separado da rua ou lugar de LJ·ânsito, por uuw zona que
desse último, o ca mpo escolar significava a presença da
se pode destinar ao jardim ou ao horto"69• Ele lrntava, uss im,
Natureza na instituição docente. Não apenas se deveria sair
de evitar ru ídos, perigos e distrações. Em outras p<lla vras ,
para ela, para o exteri01; como , ainda, incorporá-la. O campo
não encerrar mas, sim, isolar. Essa concepção e dese nho,
escolar, junto com o muse u e os objetos e os dados tmzidos
que h oj e se a ceita como usual para todo tip o d"
de fora, recolhidos em visitas e excursões, materializava tal
estabelecimentos docentes, não foi, todavia, habitua l 11 0
incorporação.
passado . Em geral , a arquitet ura escolar com b in ou u
Essa posição, que se observa também, por exemplo, clausura ou encenamento com a acentuada ostentação de
na pedagogia froe beliana dos jardins-de-infância68 , implicava um ed ifício sólido cujas paredes constituíam a fronte ira com
a revalorização dos espaços não ed ificados e a necessidade o exterior ou que se achava separado desse exterior por uma
de prever sua distribuição segu ndo funções e usos: educação zona mais ou menos ampla do campo escolar e um muro ou
física, jogos, práticas de jardinagem c agricultura, cüversão gracle que assinalava os limites do espaço reservado. Vejamos
ou recreio, zonas de transição, prot eção c acesso - puxados algu mas possibilidades:
- ou pátios cobertos-, assim como sua ordenação ou disposição
a) Grande edifício no meio urbano, com a fachada
em relação ao edifício principal, o exterior e outras zonas
rente à rua, como os colégios Rollin e Clermon l - em 1849,
edificadas. Mas, até então, isso não havia sido habi tual, nem
Liceu Louis-le-Grand, de Paris - (Figuras 4 e 5): pátios
o seria daí para dian te. Em geral, por razões econômjcas ou
internos fechados e invisíveis a partir do ex terior, como
por escassez de espaços disponíveis, mas também por razões
claustros; fac hadas imponentes, maj estosas, sólidas, estrutura
de controle e vigilância ou razões decorrentes do recurso a
simétrica com grandes alas retilíneas. Ou, em nosso país, as
Escolas Pias de Zaragoza, Mataró e San Fernando de Mad rid ,
M COSSÍO, Manuel B. El maestro, la escucla y clmMcria.l de cnse,íanza, Madrid: La ou o Colégio Salesiano de Utrera (Figuras 6, 7, 8 e 9).
Leclura, s.d., (cmúerênciu dada em 1905, Clll Bilbuo), pp. 30-31.
67
lb., p. 28.
68
ABAD, Pu riJicación Lahoz. El modelojroebeli{J,no de cspacio-escuela. Su introducción ~·~ MA HQUEZ, Francisco Ballesteros. Pedagogía. Educaci611 y didát·t irfl lu·tltt/{11~ 1/tl .
en. Espana, op. cil. op. c it., p. 534.

90 91
Jlo I ~ 1 ' 11, 11 I ~ I:UL\11 I, 11 1\ 1.1\C ' lll ,,\ LUMII 1.1 )1!;\ 11 : 1'11111'11 11 1'11 ~ I oil I ~ 1 fo 1 :11
\ N lll l'd ll Vl l'l ,\11 1' 11 \ I. U

h ) l < d.t~« · •o~'~ l lllllhí- mmuj es losos c só lidos, separados


do c\ lc·• io1' po•· 11111 1111 1ro ou grade c um maior ou me nos
t 'h llll \ o de· lc·•n·nu: Col égio Jesuíta de la F léche (na França),
u Univc·r:.iducle de De usto, o Co légio de Jcsus- Ma1·ia de
Fig ura 5.
So n Ccrvás io, as Esco las P ias de Sa rriú, o Colégio de Colegio Clennont em 1849.
Nuestra Senora de la Bonanova dos Hermonos dus Escolas L ice u Louis-le-G t' a nd
Cristãs de Barcelona ou o Instituto ele Segundo Grau de (Pari s) . LiLografia d e
BenoisL que t'eprcseola seu
Valladolid, construído e ntre 1903 e 1907 (Figu ras 10, 11, estado ao •·edor de 1860
12, 13, 14 e 15). (AJexjs Léaud e Emile Glay,
L'Éco le Prima irc en
c) Edifícios com a fachada rente à rua, com dimensões France. La Cité França isc.
e de arquite tura mais modestas, mas acessíveis a partir de Pat·is: 1934, T. I , p . 105).
uma rua perpendicular que permite que sejam totalmente
visíveis: as Escolas Pias de Moya, com sua igrej a anexa- ou
anexas à igreja - (Figura 16).
d) Edifícios acessíveis a partir de um pátio interno
ao qual se tem acesso alravés de uma zona de transição -
nesse caso, um puxado - que marca os limites com o exte-
rior: Institu to de Segundo Grau de Bi lbao (Figura 17). Fig ura 6.
E scu elas P ías
d e Za t·a goza.
Cartão pos tal
Fig LLra 4. (cerca de 194·0).
Colegio Rollin (Paris).

Figura 7.
E scuelas Pías d e Mataró.
(R amón Sala s Oliver os,
Matar61 L'Etuenyament.
Malaró:Caixa d 'E stalvis i
Mont de P ietat de Matar ó,
1964).

92 93
1\ N'l'TINTfi VII"' AII l"lUI!U 1111 1 '. ~ 1 '.\1,: 11 ~1'1:111 .1111 ~. 11 '\ t ~l : lll , l\ IIIMII 1.111,1\ ll l I 'IIIII'II ~ I JI ~ r l'l ' r~ llll'~

Figura 11 .
Universidad Jesuita d e
Figura 8. De usto. Cartão P ostal
Escuelas P ías de San (cer ca de 1900).
Fen 1ando de Madrid.
Cartão PostaL

Fig ura 9. Figura 12.


Colegio Colegio de Jesíls-
Salesiano de Mar ía d e Sa n
Nuestra Seiiora Gervasio (Bar-
d el Carmen de celona). Cartão
Utrera. Folheto Postal.
de propaganda,
S. A.

'' ....Ut 1 .. ~.,.1 J,, ,. ... ,., .. J·'· ··- rJ"·' ••ll'"'

Figura 10.
Co legio J es u ita d e la
Feche. Fragmento de um
Figura 13.
desenho colodd o d e 1695
Es cu el a s Pías de
(Aiexis Léaud e Emile
Sa rriá (Barcelona).
Glay, L'É cole Primaire en
Cartão Postal.
France, op. cit., p.l02).

94 95
"" '' H'lin \' 11\ ,., Fu 1r;o ll u 1:~ 1'\1. 11 1.1\t: nl IH I 11 ,\ I 'i t: rii .A I ft~lli 1 111.111: I'ICIII'IIi'l l \11 I til I 1 1111 ;"

Fig ura J.l.


Colegio de· N uo·:. t•·a Seiiora
de la B o n a no va de los
Figura 17.
Hcnnanos d e Las Escuclas
In s titu to de Ensin o
c r istia n a s (B at·celo na ).
Secu n dát·io de Bilbao.
Cat·tão Postal.
Ca r tão postal.

e) Ed ifícios nos quais alguma de suas fachadas podr·


dar diretamente ao exterior, mas aos qua is se tem :.t<'WiHO
através de uma ampla zona ajardinada e que, além di s~:;o,
dispõem, de ambos os lados, de caminhos estreitos e laterais
Figura 15. que acolhem e fazem dar voltas àquele que tenta entrar em
Instituto
de Segunda
tais edifícios: Grupo Escolar Pere Vila i Codina, de Bar·celona
Euseõ anza d e (Figura 18).
V a ll a do l i d .
Cartão Pos ta l
Nesse jogo de relações entre o interno c o externo, o
(cet·ca d e 1904). fechado e o aberto, dois seriam, em síntese, os mod elos
simplificados: Um, em forma de U, no qua l predomina a
fach ada, o sentido do espetáculo e a ostentação. Busca
impressionar aquele que o contempla e oculta o seu interi01:
Um interi or no qual se penetra sem transição, diretamente a
partir do exterior. Outro, em forma deU invertido, antítese el o
anteri or, ao qual se chega através de um páti o ou jard im <·
que ao mesmo tempo acolhe e protege o visitante, recebendo-o
lfl entre s uas duas asas como se fossem braços.
')''I
r O d uplo j ogo dialético de nl ro-fora c a hn t ' "'n
;\
Figura 16. fechamenlo não termina aí. Acha-se sempre JH'('H<' IIIt · tt:t
h'
Escolas Pias d e Moya. L_8rquitetura e na vida escolares. Por exemplo, nu n·l :r1.;:tu t 'll
Cartão postal .
tre os diferentes espaços ed ifi cados. Como c·otHT ill t r•, ' "'
96 97
\ N 111/'oiO VIN ,\ll Fll \l,ll ll n I ~ 1 '11.0 I SI.O I , \11 I' 11\ t·: ~C. III I IIIMII 111. •\ 11 : l'lltil'll:l l I ' I 1,11 11:8'1iH1ll

lltc'HIIIn i« ' 111 po, dil~ · l t' ll t ' Í t l r o s


t•dilú·im; desl inados ao e ns ino pt·r•·c·hid m; <:on sC'ie nt e ou ineonscie nlemen tc no lllt' 'iiiH I.
pd t':--t •oltal ,. 111111 11 Í1 io t·ra - jú no Hé<'u lo X IX - c continua I), . lodus essas questões, de ixan· i de lado as duas pri ll wi t .tt-~
Ht' ltdo 11111:1 q 1wHiuo IH II ICa fác il de rcsolvcr711 • Mas também se e truta rci, não em detalhe mas conjuntame nte, as outms
IHHit· ub ... t·l var, por exemplo, ntl di spm;içi'io dos diferentes lrês 72 •
l'~p~~~·~~~ de um mesmo edifício- questão qtl(' 1ralo no parágrafo
Um dos textos que serve de epígrafe a este cap ítulo
~q.;ui nt c. De um ou de outro modo, a exislên<'ia ou não de
procede de um fi lme: A casa de chá do luor de agosto. Tra ta-
zonas de transição - áreas com pórticos, pátios cobertos,
se, pois, de uma ficção. Mas se trata ele tt rtw ficção que
corredores ao ar livre - ma1·ca a d iferença entre alguns
poderia ler sido realidade. Se não é certa, está hem pensada:
desenhos rígidos ou bruscos e outros, flexíveis e suaves. A
nada melhor para que as crianças e moradon·s de um
sala de visitas - da qual as Figuras 19, 20 e 21 oferecem
povoado de uma pequena ilha do Pacífico rccordm;s<'m c
diversas modalidades-, como zona de transição, constituía o
apre ndessem o que era a democrac ia que a escola a S<'r
nexo com o exteri or. Por isso, nos fo lhe tos e álbuns de
construída ti vesse a form a pentagonal. Espec.ialme ntc se cru
fotografias, ocupava sempre o primeiro lu gar, depois da
o exérci to elos Estados Unidos que ia se e ncarregar de sun
fachada ou da entrada principal. Como dizia Joaquín Belda,
cons trução. A idéia pode parecer um tanto tosca; ma s já
em relação ao colégio de jesuítas de Orihuela, em que havia
não parece tan to assim quando, numa revista de arquile lura
cursado o bacharelado,
de 1941, o arquiteto do jardim-de-infância da Sagrada
O salão de vis itas era para nós, os colegiais, o lugar mais Família de Tenerife (Figu ra 22) escrevia, em relação a esse
simpático da casa: ele era, para o al uno, o meio de se ed ifício, o seguinte:
colocar em comunicação com a família e com a ma, e não
descíamos uma vez a ele, nos dias marcados para visitas,
que não fosse para receber uma alegria ou passar um 72
Quanto aos dois primeiros aspectos, sobretudo com relação ao d ebate acerca da
momen to de folga71 • capacidade e dimensões ideais dos estabelecimentos docentes, indico uo leilor as
páginas 42 a 46, entre outras, de meu livro lnnouación pedagógica y racionalidad
Quanto ao edifício, por fim , vo.l rias são as questões a citntifica. !.a cscuela graduc.da pública en Espaiia (1 898- 1936). Madrid: Aka.l, 1990.
anali sar: a acomodação aos terrenos, suas dimensões, o Não é demais lembrar, todavia, q ue os edifícios escolares são edifícios construídos
por adultos para, em muitos casos, crianças ou adolescenlcs. Se alguém já passou
desenho ou forma básica, o c usto e os materiais a empregar e pela experiêuciu lle voltar, depois de muitos anos, à escola ou ao co légio em que
os elementos simból icos e referen ciais incorporados ou estudou, ou u cmw onde passou a sua infância, lerá a sensação- um tonto opressiHI
-de que tudu cstú mais reduzido e eslreito elo que se r-ecor'tlava. Ao contrário, ulgué ru
pode inraginor a sensação de perda, te mor ou solidão que, numa criança, podt·u•
;o Giner de los Rros oplava, em 1884, pela l ocu l iza~iio d e f'ada unidade escolar em pr-oduzir os edifícios de grandes dimensões, os longos corredores ou os uh os lt'lo~ . l'iH
pavilhões sepru·ados - quando perm itia a cx tcnsiio ti o tc r-rc•no- e, qua1rto aos locais precison1 e ntc Cl!SO u sensação de que se lançou mão no filme De tal paio wltWtllo ,
para as crianças peq uenas, recon hecia a necessidade de "seu isolamento e urna dus 111ulhorcs pel1culas de S1an Úlllrel e Olive r Hurdy. Nela, umhos, vo·stidw; d o•
independência", mas também de sua comunicnçiio fácil r:om os demais (GINER DE meninos, tiniram do se locomover numa casa com um mobiliário c objetos do• d iiiH'II-''"'"
LOS RÍOS, Francisco. "Gm pos escolares". In: Obras completcLS. Madrid: Espasa Calpe, d escomunais. Cerünucntc uma casa construída e mobi liada corn tnl I "Of'll~ ol u -:r,
I 9:~3. t.Xll, pp.l53-l54). assim se pôde mostrar ao cspeclador como dois adultos oram r·c duz idu. •·rn ltlnllllllu•
11
BELDA, Joaq uín. Las bodas ele oro de mi colcgio. Madrid : l lispa nia , 1923, p. 52. al6 se assemelharem u ('J'ianças. median te o simples re(:u n;u de a~rnu·r11ur u ~ ' lou11 '''·"' •
das depcndêuciu!:l c dos oLjctos que os rodcavrun.

98 99
' \ I ~ 111 ~ 111 \ 1 ~ 1\ll I' 11 11.11 1111 I ~ 1'11 11 I ~l'OI. \lt I' 11 1 I~ MC III. \ LIIAIII 1.1 1.111: 1' 11 11 1 ' \1 ~ 1 , ,. . ,,,-,., ........

"Sulu •••i,.lll 11u cTi tlro a c·n pc lu, a <· uju pluntu de <.;nez du 11 lr iqii iclndc daqucln reulicl ude c daq uele â mbito. l l11111
lat i11:1 c·oe ec ·H pwul•· n c·\lc·ri or com u uw nave, des tacada do ~e ·u l i d ad<· e um âmbito- nesse c·aso, o re ligioso-católi('o I.
n ·:-. to l.teeln Jl"' Mllll ullll nt quanto pela ani mada compl icação q ue dc•v ia ser o eixo e imp regnar toda a vida escolar. Em
de· -.11.1 •c il le ewlu, c·uenh inada com a toeTt' c·m sentido barroco, i:-.~o o q ue se queria in dicar e era i~:-.o o que se devia perceber
q ew c'w lll .ehl:l c·wt t a alegre simp lic idack do n•s to. " 73 c· combinar, al ém d isso, com a H t•\ i ~0nC' i as func ionais 7~t.
A intportância d o religioso-ca tóli co clc!';laca-se no Como exp1·essou Ma nuel R evt te ll n, 1'111 n·lação ao edi fíc io
d nw11l1o adotad o. A localização da capela no ccnl ro ta mbé m es tilistic a m en te e clético da \Je 1ÍVt·r:-. idncl e d e De us to,
pode ser vis ta e m outro ed ifício escolar da época: o Ins tituto cons truído entre 1883 c 1888,
dt • ensino méd io de Lorca, com dois braços simé tricos q ue Nas formas arquiletôniC'ns ,. dt·c ·muiÍIIIH... adivinha-se
pa rtem do espaço cen lral, e m forma de cruz latina, que ocupa fac ilme nte um conteúdo t•:-.pll i Iuni c· pt·clagtígi co. ti: um
a capela - até o final dos anos 70 con ver tida em anfiteatro e edifício monumental c func·ionlll, "'i111hol ic·o t· pmgmático,
salão de atos. A localização axi al da capela , a planta em crue transpira mensagem a, 1111 ttll'!'l llto lt·tnpo, pl·t·rni tc
c ruz l a tin a e o m aior ta ma nho d a nave central ou d o desenvolver comodamc nl t· 11:-1 f't uH;•wHdo vi cln d iúria. Suu
campanário e d a igreja são el ementos que também se pode magnificência parece rc n.·rir 11 pu jn •• ~·n du Co111panl tia,
que volla de pois das pe nw~t: i <.,·o(· t-~ 1 ''.
en contrar em alguns colégios d e orde ns ou congregações
religiosas, cons lruídos nos anos fi na is d o século XIX e nas
primeiras décadas do século XX, j unto com o recurso d e ~
...
páli os cla ustrais e formas n eogóti cas ou arquitetônicas d e ....,... 71 As oficinas dos centros ele formação proli~~iu1111l 1 u •111111.1111 uft•H•<·cr uma situação
e m parte semelha nt e e e m parte diferc1111'. !'11111 1111111111'111111 l(·mbra, imita, um
edifícios rel igiosos que produziam, no seu ínterim; efe itos dete rminado desenho fabril , mas em gera l i<<' ~ 111111111 •••11 '''lmços não visíveis do
tão curiosos como o que se vê na Figura 23. Tal estilo e exte rior ou como apêndices do edifício pri1wipal mult• M' lll 'ltam as salas de aula. A
fo rmas eram, ao m esmo te mpo, re fer ê n c ia e símbolo. percepção d os e lementos proeminen tes, pe los . .!1111"' • I""'''
s t·r d..tcclada q uando se
pede a eles que desenhem seu colégio, ou wpuln 'I"''
t 'llll~idc · •·tun mais importante
R eferênci a, por mimese , a uma real id ad e e â mbito não ne le. Num trabalho realizado no cm'So d e l 9HCt· I'J11 7, 1'"'' 11111 uluuo de q uinto semestre
escolares; e símbolo, por represen té.lçiío, da proe minê nc ia e de Pcdagogía, dtt Universidade de Mú rc;ia . .l u1111 ~ l utlflll'z·Cnrrillo, sobre o edifício
do co légio das Eseolas Pias d e Albacete. rc<·<JI'It'll "'' 11•·1-l•' pmccdimento: os e lemen tos
relig iosos- campanário, igreja, capela, crut'dho c·c"1111navuru aparece r com mais
73
REGALADO, José Enriq ue l\larrero. "Jardín Infan til de la Sagrada Familia cn assiduidade c se destacavam, por seu Ullntt11ltu , 1111~ d•·M·nltos realizados por muitos
Tenerife". ln: Reuista Nacional de Arquitectura, a.l, n' 2, 19 1] , s.p. Essa situação axial dos alunos ele educação geral básica.
ou destacada das capelas, produto lípico de uma menlalidmlc• religiosa de índole pttblica, -;s GONZÁLEZ. Manue l Rcvuelta S. J. La Compwift• tlt· k'ús t•llla Espaiia conlemporánea.
externa, de ostentação e imposição, contrasta com aqul'la qn(• t'Sievc em voga {'m muitos Tomo 11: ExpansiótHn tiempos recios (1884- 190ó). S;,l Tt·rmc, Mesajero y Univcrsiclnd
colégios e instituições, depois do Concílio VatiCMtO TI. À nova mentalidade re ligiosa Pontificia Co111illus, 1991, p. 412. Tanto ncs~l' 'I"""'"
110 primeiro tomo, publicado em
intimista e privada. correspomliam lugares quase s inti lan:s u outros por sua aparência 1984, pod~-sc •·ucontmr refe rências mais <•n 1111'1111~ 1·xtcnsas às características, 1\0
externa, sóbrios c de decoração simples ou a ustera. Nfio menos significativa seria a estilo e ao dcscultu dos edifícios adaptad os m• c·u11s1rufdos com fi nalidades doce111es,
decisão da comissão criada e ut 1869 para escolhe r os projc·tos de escolas a serem pela Compa11hiu de .Jesus. Vejurnos um cxc111p lo {tonu1 I, p. 836), em relação ao cd iflcio
construídas, em favor daqueles em q.ue a biblioteca se c:o nslilufa no eixo ou centro do do colégio de Churuarun, construido c nlrc 1882 ,. 1886 c hoje clesapru·ecido: di spun ha-
edifício - veja-se, na seção de documentação e informaçiio du revista História de la se em fonnu de I I, com dois longos pavilhões pnralclos, unidos no centro pc ln rn1wlu.
Edw;ación. Salamanca: n• l 2-13, 1993-1, a compilação d e I ex tos sobre construções c Um estudo da urqui tctum e espaços escolan•s de· luis colégios, assim como os df• ou Iras
edifícios escolares no período democrático {1868-1874). ordens ou congn::gações religiosas, eslá uinda pam ser feito.

100 LO)
I FACULDADE fi F ~=n• :r M':ÃO -II~D1
•\ i'i 1111'\111 V 1 N~ 11 Pu \l,n 11 111 ~ 1'\lll l ~íiiol ,\111· 11\ 1· ~ 1111 . 1 IIIM II II II.\ 11 ! 1'1101'11 ~ 1\ 1 I I!II I :!! HI H~

Fig ura 21.


Real Colegio de San An-
Fig uru 18. tonio Abad de Madrid -
esco lá pios -. S alão de
E:.t·ola " Pere VJ.la i Codina" (Bat·celona). E m Ajwllamenl de Barcelona, Les visitas. Folheto de propa-
t·m•struccions escolars de Barcelona, 2• ed., Barcelona, 1921, pp. 192-193. ga ntla (191 4).

Figura 19.
Colégio Marista de
Figura 22.
Nues tra Seõora
J nrdin Infantil
dei Pilar (Madrid).
de la Sagrada
Sala de recepção.
Fam ilia em
Folheto de propa-
Tencrife (1941).
ganda (1914).

Fil{um 20.
Colegio Marista de Nuestra
Fig w ·a 23.
ScíuH·a dei Pilar (Madrid ).
Colegio Mal'i sta de
Ves tíb ulos particulares.
Nuesln Seiíora del
Fo lheto de propaga nda
Pilat· (Madt·id ). La-
(1914).
vabos. Cartão P ostal.

l 02 103
--~---- e •tf • r _.. ,_, , '' ..,..., '''""r ''"' ,,,...,, ,,. ..., ' 1'"''' ' ·"''" " • ,-,.. ,, .•
,~, , ,.,. . ,..,.....- nrrw-.-p-.,.,.~
\ ~ 111 N 111 \' IN \I) F li \ 1.11

d c· \l ' tll llll Hl' t' IIIOIIt lll ll'll l n i~ 011 p rd <·n siosos. l bdavin , t ' tll 1' 1.\ I ,
J\ f llf ltitl llc,• ao clo!5 pri111 ci ros gnq)os esco lares 011 Bnllc·slt·ros Sá iuz coulimwvwu que ixando-se "do~
t• t·ddlt ' llll'l
c·:·wo l n ~-< " ' ' 111 111 11 "~, 111 1 t·:~ paul w das primeiras décudus do século - c mu .tto caros " ,
I grancIes p roporçoc~s
K ll lllllo~os, (e n~tt :-. III Ut
\ \ , ~t · t d ltllll ,..., 11 pa rt ir de pressu postos C' cond ições muito mlaptudos " às necessidades do e ns ino":
di lt •H•III •·"· (,)tll lllto ao estilo, passou-s <' u111ito rap idam ente
Assim, enquanto a educaçi:io lllt wl fund a-se no con lalo
f Ic· 1111 1 ll tnclc·I'II ÍSII IO inicial - algo ma is <·out p:wto do que aquele
da criança com o mei o nalmal . os c·difíc: ios escolares
qut · p11·dmninava, por exemplo, nas escolas c·ons truídas em
encerram-na num grande palácio St'lll r·onHanicação com
H ~tl\ ..l u s, onde se recorria mais ao ferro do CJII<' ;-,ped ra e ao
o exlerior; quando o ensino Len1 conto ÍIIHirumcnl o mais
tijolo - ao neoclassicismo, ao regionalismo eclético e , já nos poderoso a atividade manual, nos grupos c•::wolan·s só se
·~'
unos 3 0 , ao racionalis mo 76• As compos ições e orname nt ação constroem os locais precisos para as aulas l'llt qt tt' :-.~·deve
neogóticas ou neomudéjar, uma reminiscê ncia do século XIX, f realizar um trabalho in lelectualista; quando lndn 11 ohru
foram excepcionais e isoladas . A razão disso é óbvia. E m educativa Lern de se basear na colaboração da c'l·wolrt e
primeiro l ugru; estava o preço do solo e as l imi tações que da família, as construções mais recentes c arc<'<'llt de
impu nha m os terrenos que se p od ia adquirir. Depois, as salões amplos onde possam se reunir os pais dos alutwsi''.
qu estões tributárias o u orça mentárias e m r el ação às
necessidades existen tes 77 • E, em terceiro l uga1~ a convicção, Fosse porque d a necessidade se fizesse vi rtude, f'o ss"
reiteradamen te repeti d a, d e q ue os edifíc ios escolares por "profundos motivos educacionais", o fato é que ambos os
d e veriam ser econôm icos e s impl es, modestos, sóli dos e inspetores aconselhavam q u e a cri ança se d esenvol vesse
elegantes mas sem luxos, ostentações ou adornos inúteis 78 • "num ambiente de austeridad e" que nela não despertasse
Que, isso s im, não se deveria poupar os fu ndos para cumprir um "sentimento de orgulho ou vaidade", nem estabelecesse
prescrições hi gi ên icas e ped agóg ic as , ou as exigên cias
técnicas quanto à s olidez e à dunihi lidude, mas que não
78 Assim é indicado, por exemplo, nas Notas sobre construcciótt escolar, elaboradas
pelo Museu Pedagógico Nacional, e m ] 9 11, no ln/of'Tm que a Subcomissão de Ensino
76
Sobre essu evolução, ver, a partir de urna pl'rspo '<'l ivu ge ra l, o capítulo sohrc redigiu em 1902, pa111 n Pre.feituro de Madrid - c itado por Manuel Fernándcz e
arquitetura de Curtos Satubri cio c Ri vera-Echegaray, Í1wlufdo em Ca rlos Sambricio, Fernánduz Nuvnntuel, Ciencias de la Eclucación, op. cit., I. UI, pp. 50-56 (referência
Francisco Portela e F'edcrico Torralba, 1/istoria dei om· IILwánico. VI . El siglo XX, na p. 52) - uo Regulamento do concurso de projetos de edifícios escolares, elaborado
Madrid: Alhambra, 1980, pp.l-47. Quanto à arqui11·1ura escolar, o trabalho de em 1910, pdn Comissão <I e Refomu1, Tesouro e Obras extraordinárias da Prefeitura
Purificaci6n Lahoz, "Los modelos escolares de la (lfi('i 1111 tc'=wica para la construcci6n de Barcclu11n (Prefeitura de Barcelona, Lcs construccions escolars de Barcelona , op.
de esc uelas", na revista llist6ria de la Educación. Snlllnwncu: n•l2-13, 1993-4·, r>p. Cü., pp. I :.IH- 111. I , r·cfcrência na p.l38) e em Rufin o Blanco y Sánchc7., Organ i.zo t•i6u
121-148. A referência a Bmxclas deriva da memória dt· uma cxposiçüo sobre edifícios escolar. Prim(·m parte. 1\'l adrid: Hcrnando, 1927, p. 24.
escolares modernistas construídos nessa cidade, no in fe-io do século XX, que a autora 7') BALLESTEHOS, Antonio e SÁlNZ, Fcmnndo "Organi7.ación escolar", Publicaciom•l

leve oportunidade de visitar há muitos anos. de la RevLçw rh• Prtlagogía. Madrid: 1934, p. 38. O livro de Leopoldo Casero Sútll'ht·t,
77
"SoJjcila-se ao Arquiteto Municipal que façf• o:!lSo p•·ojelo de man eira muito La Escueln lll.t CÍIHwl en Barcelona. El problema de las constmcciones est·nltlli'' .
econômica, para que possn se1v ir paro construir edifícios em diferen tes pon tos du Barcelona: 1 921~, t'Onslitui, por exemplo, uma cluru críti ca à ntontuncntnlioltodt• ,.
cidade" dizia a Prefei tu ra de Valladolid n seu arquitl'lo municipal, ao cncomendur- elevado custo dos primeiros ecliffcios escolares co ns Lruídos pela Prl'f•·•tn11o <lo
lhe, em 1926, urn mode lo de edifício escolar (Citado por María An tonia Virgili Barcelona, em rclaçiio ils necessidades exi stentes e ao plano de con~tmçii•·~ •·~· "I"" •
Blanquct, Dcsarrollo urbanístico yarquitet6nico tk Jlallarlolid (1 851-1936). Valladolid: aprovado pela refuritla Prcfui tura, em 19 17.
Ayuntamirleto de Valladolid, 1979, p. 277).

105
104
\ N IOI I\'111 VINAO .,~ 11\1 . 11 ---~---- ll lll~l'lfü l'~ rOI.Ait fi' IH l•; sr: lll , \ t;CIMU 1 111,\11 ! l 'lltlf· t~ ~ t''!! " IJ'1 ~··~~----------------,

"t llll ('O IIIIwil • • '1nl1 '11lo C'll ln · o 111c io familiar c o escolm·", 1•:111 p1 t11wirn ltr;.;w; pvla s ua própri a ex is tência 011 Ítll'\ll•ll'lr.-·lil
('1 111'1 · o 1'\ 11 '11111 1: n inll·riorll0 . l•:s~w úlLima advertênc ia referia- 1.:111 ~-> 1' 1-; IIIICin lu ga r, por s ua loca lização no ed ifício ,. '\ 1111
~o.c · , oi" lllllll 'lllf•, """ nwolas primiÍrias p(1hlicas e aos meninos prm.itnidude ou afastamento em relação a ou tros espa ços .~ ~ ~~..
c· : 11'\ IIII'IIIIIII H du ~-t C" lusses popu lares q11c u e las acudiam. A 11 disposição geral revela a ordc 111 do conjunto, algo que 11

rul vt'll1 111t' lll 11n1crior poderia referir-se u gC' nc ralidude d os di s tribuição parcelada não permit e ve r.
rtl 1u toH,. ul11nas. Mas, nesse ponlo, ma is n ·ali s ta c pnít ico era
Quan to à r ef eri d a di spos i ~·Jo , parece claro o
u q1w Mariano Cardedera h avia dito, muitos anos antes:
predomínio geral do retilíneo sobre o n:'do11do 011 curvilíneo,
Na escola tudo deve ser modesto. Só nos povoados ricos assim como dos re tângulos e quadrados solm• os círc ulos,
e nos es tabel ecimentos partic ulares, pagos esp irai s ou elipses82 • Uma primeira razão pam isso, ta mbé m
espontaneamente pelas famílias e sem custo algum para óbvia, é q ue tais disposições, as adotadas, f'avor<:l'<'lll a
as verbas pú!Jlicas, pode-se exagerar as comodidades c a visibilidade e , portanto, o controle e a vigilânc ia. Silo 111ais
ornamentação81•
lineares, majs ordenadas ou claras. No entanto, é cu rioso que
quando, nos princípios do século XX, na Es panha de bat ialll-
DISPOSIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO INTERNA DO S se as características arquitetônicas dos edifíc ios d as novus
EDIFÍCIOS ESCOLARES escol as seriadas, fosse defendido - por alguns d os que
promoviam essa modalidade de organização escolar - , como
Com a passagem da escola/sala d e aula para a escola/ se sabe, o sis te ma panópti co ou radi al pmposto por Benlham,
colégio, a disposição e distribu ição int erna dos espaços nos um século anles, para as constmções p risiona is e amplamente
ed ifícios escolares lorna- se uma ques tão cada vez mais utili zado para tais fins 83 • A m tunda central, com superfícies
importante. Reflete não apenas que fun ções ou atividades envidraçadas nas paredes, permitia ver o que acontecia no
são consideradas relevantes até o ponto de que se deva corredor central e nas entradas e saídas das salas de aula.
reser var, a elas, um l ugar próprio, como, a inda, o papel Como dizia Franc isco Ballesleros, que também se inclinava a
desempenhado por cada uma delas c SitaS relações entre si, favor dessa di sposição, a " orde m radial ou panóptico"
incluindo e ntre esses lugares, certament e, as salas d e aula.
Além disso, disposição e djs tri buição (·omplemenlam-se. Essa 82
Pmticunw nlt· a Lolulidade dos desenhos que constam em Pasquale Carbonara, Eclifici
per l'i.Ytmzione. Scuole materne, elementari, medie universitarie. Milano: Antonio
última permite reconhecer, na realidade ou a parlir de um
Villardi, IIJ'I·7, oferece um predomíni o Lotai das linhas retas. Sobre os difc t'l·ntc:l
pla no, o valor ou papel atribuído, por exemplo, aos espaços Lipos de di;~posiçõcs, o partir de dois modelos gerais -o linear e o conccntmdo 1111
d e encontro, a moradia do mestre ou profcsso1; o gabi nete da compacl(l - t• Mtus \'!lriações, ver Luis Vásquez de Castro, "Tipos de escuelas y C8('ttc·las
tipo", cu Mini;,lcrio de Educación y Gencia, Oirccción General de Eubt·iinttt.t
di1·eção, o ginásio, a sal a dos alunos ou os banhe iros . Primaria, Cmwmcciones escolares, op. cil., pp. 219-229. Trata-se du melhor ,. ''""''
cornplcru sfnleSt! que cu con heço sobre o assunto.
83
Sobre essa 41tl'Siiio, indico o meu trabalho lnMvación pedagógica ) rmw•~td1dml
cienlí}tea ... , op. cil., pp. 31-32 e 139, em que apresento a proJ>OSI:t d11 ··dtfíttu ui• ui ,
*~ BALLESfEROS. A. e SÁINZ, F: Organi.:ación escolar, op. cil., p. 40.
efetuada por Rurino Blnueo, e a internuJdjária, que ele mesmo UJllt'M'ttla, 1111 qual u
"1 CARDEDERA, M. Princípios de educaci611 y métodos de enseiianzn, op. cit., p. 300. semicírculo ou rotunrlu t·culrnl é subsliluido por uma saiu de ttttl a tt·lllllil"lat,

106 107
A N IIIN III VINAII , .. 11<\f!fl t•n ,...,.l.,,~j U "' f';tn .~••-.nu - • r •··-· ---~-----~---------------------.

I h11 11"l" 'l'lu inl~ · n1wd iií rio <·nlrc a disposição ou ordem J\ dÍI-IIIII )IIÍ\110 Íllll ' I'I HI du:-. I 'H IJII\'IIS 1 11"111-- l'llllll,i lf' '• 11'1!111 ' 1
gl'rnl •· 11 d i"llllu~tt:au de· <·uda espaço e aliv idade específica é a l llllil :11 1111 i~1 · ~cl'll l t• pc n 11 ili', por :-.1111 wz, un:Í Iist ·s c·s1wt·li 1111 ' ,1,

c~i ~ 1t· n1 111 d1 • 1111111 1111 v1írias planlas c, nesse úll imo caso, a •·:ula u1 11 dos mesmos. Co1110 telldt ·twia~ I!,I'I'UÍs podt· :-.•· t11d11 111
disltlhlltt,'hu dus tlilcrcnles ati vidades cn lt'<' elas. À.s vezes, a 11 fragu1<.:ntação e a difcrencia c.;nll 1111 1 I'HIHl(,,:o pnl'll <·:td ll

p111 111 de · IH /A N '" funcionajs óbvias - as sa la."! d<' au la de crianças nlividade -, o incremento dos cspll<;ll" ,., jl!,idns t' a t·n·s<·t·llll'
1'' '11'11'11111'1 cos lumam localizar-se no Lérrco - c oulras , de regulamentação e normalização du wqtlllf'ltll" c· dn~ l·difh·ios
• ·urtsi dc · ru~:ões interiorizadas acerca do carálerde lu is alividades. escol ares em torno de alguns tipo!->, I' I il c·• iu... ,. 111ÍHI1rl oH
U111 t•xcmplo, entre outros possíveis, seria o do colégio das Escolas estabelecidos. Analisar esse processo, em :-.1111n ol111 ;no, upl ÍC'nc.;iio
PiHI:i de Albacete, cujo edifício foi construído em 1919 e ampliado e limitações, distinguindo entre a teoria peclnt,61!,il'n, 11 lq .vrl id:uh·
em 195790• Na planla baixa (Figura 26), situam-se os serviços e a realidade, é um trabalho a ser realizado. 'li~tul w lll pu t~ ·c ·t·
administrativos e de direção, o ginásio, a sala de reuniões e as necessária uma tipologia, em cada época e luga•, do.., '"'u l,·los
salas de aula da pré-escola e psicomotricidade. No primeiro propostos, dos aprovados e dos efetivamente consln1ídu~-~,
91
""'"'"I
andar acham-se a maioria das salas de aula, a biblioteca e os como de suas modificações e usos posteriores
laboratórios. E, no segundo anda1; a residência da comunidade
religiosa, a capela, uma sala para atividades religiosas, um antigo ~1·7i·~
dormitório de internos e três salas de aula. Essa última seria a 1:~~.IJ ~~lJt~~r. :f
h; I
zona mais tranqüila, a menos freqüenlada e, por sua vez, a mais t'"tll
taot• ch "•·Jnil,
l
(lf"l" t:w~ dt •·~~•~" V•w·l

isolada do solo. E isso num duplo sentido: físico e mental.

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Esquema de un f'LI\NO para Escuela Graduada.
por el orden panóptlc:o

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f••lo·n....... ,• ..,.
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struction s st·oluir es en
Stússc: C.:l• nt•V!': 1917, p. 20).
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Figura24.
Plano arqui tetônico p roposto para u_ma
esco la graduada, segun do a lógica 90 1ànlo essa como outras referências a esse coli!gio proccdelll tio lraloalhu do· ) 11111>

;;;~.- , ~ 1:,. 'I~r·r -,. ·; panóptica, p or Fra n cisco Ballester os Martíne~-Carrillo, unleriom1cntc citado.

~:~:: ... ~~1 f1 JIJ J tJ I Má rquez, Pedagogia, Educación y ~ 1 Em relação à Espt111 ha, o urligo de Purilicación Lnhoz Abad, eitado tuolt'll•>""' uh ,
Didáctica, op. cit., p. 548. moslra os possiloilidadcs desse tipo de csludos. Alé m tlisl'4n, ""b"· :1 l""flll 'uil"

110 111
/\ N1'fl~l u Vi "'l,\11 l' ll\t;n ll 11 I 111 \t.il 1 '1 1 11 1 111 I 11\ 1·" 1 11 1 I! liMII li 1, 111 t• tl!il'll I \~ Í · !lll l;" l ill i

l J_
r~~o __ Fig u.ra 27.
Plano arq u itetô ni co
(planta baixa) el e um
'~ ~~·.bI projeto de g ntpo escolar
\ para 2000 alunos

·:1n
·_It t-i
r---1
;.--, (Socied a d Cen c •·al d e
Edificaci6n Urba na, S.
A., Plan gen eral de
ins t ru cción /Híblica,
Va lc11cia: Mcm.oria , S. L.,

'----..1. -
lJ DD
I...-...-j

_TI tl~j_--:I :=-1~:-_


Figura 26.
Pla no arquü etônico do solar
c planta bai.xa d o colégio das
S. I ., S. A. Pc t·o 1932).

Escolas Pias d e Albacete.

desvalorização, por dificuldades financeiras, dos mt)(lt>ltr.-tip() Jtmmtc o periodo inicial


de aplicação da lei geral de educação, de 1971 nté 1975, indico o meu trabalho "La
educación general básica entre la reaHdad y el mito" i11 Ut·uisttt ele Educacwn, númem
extra sobre " Lu Lcy General de Educación veinte uiin.~t d~e~pués", 1992, pp. 47-71. Para
a Fhmça, ver os u·abalhos de Bcm arcl l bulier ("t.:rudtill·t·ltlll' scolai rc au XIXe siecle: De
l'ull<lge des rnodélcs por l'édifications eles écoles pri ntu!n•t-;") f' Christine Granier e Jean-
Fig uro 21l.
Ciaude 1\farquis ("Un enquêle en cours: la maison d'&.-.olc nu XIXc siecle"), incluídos em
llistoire de l'EducaLwn, n.l7, 1982, pp. l-29 e 3 1-4(>, n-~pcc·tivarnentc. Em relação a
Pot1ugal, o Hvm Mrútos OJWS ele escolas, v.l, J• parti'. f,'d[/icios para o ensino uifanJil. e Projeto J c !-;•·upo escolar com paviJhóes, em Tava nnes. PJano ela pln 11111
prim.á.rio até 1941, ed itado pela Direçiio-Geral dos Equ ip:u n• ·utos Educalivosdo Ministério Lai;xa (Hcn r y Bnucl in, Le.~ no Ltvelle.s constrn ctions .~co la. i rc.~ t•rt S 11 i.~~~~~.
de Educação e C ui tura, em 1985. Em re lação à Inglatcm1, ver os lj vros de Mal com Seabom, op. cit., p. 27).
The English Sclwol: !ts Archileaure and Organi.zalwn, 1370-1870. London: Routledge &
Kegan Paul, 1971 e Malcom Seabom e Roy Lowe, Tl~e English ScJUXJI: lts Architecúll'e
and Organizatwn, 1870-1970. London: Routledge & Kegan Paul, 1977.

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Ih 111 1\ 111 "'"lO FU ,\1 ;0
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~)11 1 111lu 11 11111d isc: e~ pt·d fi ca da gú lll:sc, e volução, HI'I'Vic.; oH lldtiiÍIIi HI1'111 i vos. À
c inclcpc·tll li• llt ' ill
au1ono111 ia

lcll':d i·" ".'"" ! •·u•w •t• ·•tHIin1s e I ipologi<~ de cflpaços cspccíricos, prol'c·ruw rn l - tanlo 111uior ttua nlo 111ai s e le vado o 11í vc•l
fure·• upt'll ll!l lllllll hrc ·vc referê nc ia, :t 1í111lo d! ~ !~Xc 111 pl o , a três c·d1H'11l ivo - corresponde urna dirç c~iio afastada, d istHII c iudu .
clc · l nt~. o f•,ul,i lld l' da direção, os esp tH,:OH d1· enc·ontro e das ()11!' está ali, próxima, porém distu11h·. O su ficie nte para tliio
t<nluil •!.· 1111la - não à sua distribui çfto i11 11·rnn do espaço, in terferir diretamente na sala de aulu ond e· HC' trabalha.
cp 1nt<1uu que tratarei no parágrafo seguiute , II IH H s im à Outras vezes, dentro dessa lot·ll l i1.11<,:Íio vi s ual -
•·wupurLirnentação, conexão ou relações entre c lns. próxima à porta de entrada e saída, mas niio 110 Indo - ndolnm-
a) A localização do gabinete da direção ref.l ctc a se soluções que realçam, entre as demais f"'' t.;ocHdn di r{·çiío,
evolução seguida na concepção dessa figura e de suas fun ções; [ as funções de co_n ~-o!e e vígilânci~. També111 uq 11 i 111 IH ~.. rve
em outras palavras, a relação que de um modo geral existe =ele exemplo o colegw âas Escolas Pias de Albac:ctc- : o ~-;n l1 111dc ;
\ entre a estrutura de papéis e a estrutura ou disposição espacial do diretor, diretamente acessível desde o corredc11; Hi1111 H H·
"T""- da escola. Assim, o posic ionamento da direção num lugar justame nte na interseção dos dois longos conedorcs 011 c·ixo:-:
P' central, a pru.tir do qual se pudesse vigiar os professores, como princ ipais de circulação do centro (FigLua 26). Basla d•qo~11 r
se propunha nas primeiras escolas seriadas, conespondia a e sai r do mesmo e se pode ve1~ num instante, tudo aqui lo flll {;
I' uma visão do diretor que conservava com os professores o ne les acontece.
~
mesmo tipo de relação que o professor tinha antes, no sistema b) A fragmentação de professores e alunos em cursm;
mútuo, com os monitores e, no sistema simultâneo ou misto, ou grau s realça o papel e significado dos lugares comuns ou
- com os professores auxiliares; só qu e, no novo modelo, isso de e ncontro. E, entre eles, da galeria ou do vestíbulo junto à
não se dava na mesma sala de aula, mas em sal as cliferentes.92 entrada. Tanto Rufino Blanco quanto Ballesteros e Sáinz, entre
Se o diretO!~ além disso, devia entrar c inle1·vir nas aulas, oulTos au tores, indicam a necessidade de um lugar que sirva
nada melhor que estivesse num luga r prúxi mo a elas. Uma de sa la de espera, distribuição e reunião 93 • Mas seu sentido,
vez substituída essa concepção ini c ia l por outra, na qual o simbologia c uso variam de um a outro autor. Assim, para
diretor se via, entre outras funções, C OIIIO o representante da Angel LI orca, diretor do grupo escolar "Cervantes", de
escola na comunidade extema e o responsável pelos serviços Madrid , esse era o espaço comum prévio à separação. Da í
gerais administrativos e pedagógicos, a sala ou gabinete da sua imporiLincia:
diração tenderá a se localizai; com o passar do tempo, no
Ao e ntrar~ .. as crianças se reuniram na galeria do té rreo
lugar em que hoj e é habitual: próximo à entrada do edifício,
COtll os professores, e ali permaneceram durante oi ro 011
à direita ou à esquerda, com uma pequ ena ante-sala a fim de
d ez 111i nulos trocando impressões. Com isso, se qu<>riu
protegê-la ou separá-la, que impede o acesso direto desde o
corredor ou vestíbulo, e não muito d istante da secretaria e
93
Rufino Blanco y Sá nc hez, Organizaci6n escolar. Primera parte, op. <; il. , p. !.!11, 'I'" '
,~ FRACO, A. Vinao. lnrwvaciónpedag6gica y raciorwlitla.d. científica ... , op. cit., pp. se limita a transcre ve r o Cillt: é dito sobre o ass unlo e m Ltslwccionus lée ni f·o lt if.111'1111 ~~ ~
22-23 e 62-76. de 1905, c Antonio Ba llcsteros e Fe ruundo Sáinz, Organizac ir\n cso ·o l ~to , " " ' ,.,, , 1'"'111

11 4 115
 N' IIINIII Vi NMI Fn ,11:o l lrl r~ l'{ (l\ T'1H'1Tr:-~ll r 11\TlfOI.\ LIIMII 1111:\11 : I'IHII'tl~'l i\11 I Hll • llit il

lmlu11111 lu.. , 1111 rtlt'dida do po!:>síw l, u ('OIIversar em voz ve·11lut 11 lollllll' pc ·rmi le· 1111 clif'icu lta llll ltl ou outra orga 111'1111;11u
' ' " " " · 11 l111.1 ' 1 purl c de gra ndes grupos sem q ue se illlc'll lll. Ei~'> aí, 11111:1 v<·~ 11111is, a diull-:1iC'l\ do limi te e d a froll lt· rru,
l11e uuuHIII,."'c'lll, u respe itar os rttÓVl' is e as pla ntas e a do a l)('rto t' do fec hado, do poroso c· do c·ompacto, do q ue cslll
•w lllllc'rttnuuidude: desaparecem mHW~rtlt'lll aç;<ks; ali está dentro c do que está fora. A soluçlio tmcli,·io na l é conhecida: u
••• •twuln. 'lodos os meninos e os p1of• ·:-~:o~clle ':o~, 1 1 ~ mc·ninas e s a la de aula é um c ompartime nto c 111 gc·m l rt'langular, fechado,
ule· 1111 vis itanles, quando exjsLcna, <·o n :-~ 1 i1111'111 11 1·Rc·ola9-1• 110 qual a únic a a bertura permiliclu no olhnr exterior e por
Outras era m , contudo, as funções atrihuídm; 11 esse razões d e vi g ilância, ilumina ç ão 011 l ti ~ ic·rll' - é o visor
l'kl"'' " por J ulián Lópe z y Candeal na escola/sala d e a ula: e nvidraçado na porta ou o jane lão cxterior'11 '.

A escola deve ser um verdadeiro templo no qua l entram ~ag!.:..:m~e::.;n~t=


ação organizaliva e a ml llllllllltHI elo profes-
as crianças com o mesmo resp ei to com que os fi é is sor favorecera m o i sola~ento. E de um modo l11u 11 1lt ·ll~u que
observa m na casa d o Se nhor; e de ixar iam e les de s e impu seram não apenas, c omo se viu , ;h 11-r• lal rvas ele
consti tuir a tão vantajosa idéia de sala de a ula, desde o configurar um c ontrolador central onipresente, cn11ro l 111ulH~111
mome nto em q ue se lhes permitisse ali e ntrar sem nenhum - sal vo a títuJo expe1imental ou de inovação - •h ll'lllali v11s d(•
preâmbulo e em ... confusa desordem ... ; por isso é preciso
romper com tal isola mento, c riando esp aços abe rt os c flnt vc•is
que, antes de chegar à Escola ou sala de aula, haja uma
qu e p e rmitam fo rm ar gr upos d e dife r e ntes ltun orllios,
ante-sala onde se re únam as crianças, onde tirem suas
heterogêneos, móveis e não dispostos sempre de nrordo c·o11t o
capas, gorros e demai s acessórios indumentárias, e onde
se efetue a revisla de limpeza, ele. ; a fim de que, ao passar tradic ional modelo de ensino frontal. Essa idé ia pw p il'iotl
desse local à Escola, faç am-no com a ma ior ordem e desenhos d e salas de aula com formas qua dra das, l~t · ,a~nll llÍ~'>
compos tura, formando-se seruprc a idé ia de que não ou a rredonda das, sem estrado, um mobiliá ri o IPvc· (' • •· c·a11 1n~
pode m adentrar de qualque r ruun(•iru, senão sempre com ou a lvéolos quais pequenas p eças anexas c sc·purac.:cwt- llli'\vc·i:;
o maior respeito, no sanlwhio du <'iênciu'J". - biombos , portas de c orrer, etc.- que fa c iIilwn : 1 d i:-.pos ic;fro dn

c) Como dispor das salas de w rlu e m seu conjunto?


Que relação ou conexão pode ou de ve haver entre elas? Re - %Um dilt·nul M'rtw llmnle- por razões nem sem pre id .~ nl it·as ,.,. 'hfo,.ol ' '"" ,,, """llilllu.-
ou as lalriuu.;.. Marinuo Carderem recomendava colo:wur "••n1 o'111l11 ''·"'"'''"' 11111n p1•1ln
sponder a essas pe rguntas condic iona, de imed iato, a disposição
que se fcdw por ~ti rncsma, sem fechadum pordenh'l t•nuluolu"' 111111 • · ui""'"· u l1rutlt·
do espaço interior da sala d e a ula e a dis tribuição das pessoas que, de fom. bl' t 'll\t'IJ;UCm a~.a e os pés de qut•ent·,l;~ do•eile u" l/'"'" lfll"' tf,. ,.,,,. ontÍII
e dos objetos no rriesmo. Uma relação ab011a e flexível não'eJ y miuxlos d1· 1'1/.ll'tillll:.n. op. cit., pp. 302-303): pur 111e1ru lutlu, 1111~ J•l 1 tluola~ 1\lttll• '"lm·
C011Strucci611 I'M~tltu, tln Museu Pedagógico Nacinrml. ,,. tlrt11r tfllt' ·•u eo ·~llt 'elu ,) thwurltult·
igual a outra fechada o u rígida. A decisão de conjunto que ~ pessoal e a m·•·•·..,~itlndc de cultivar essa idéia I' t'h 't' ~l 'lllHIIPe lln na •·renuc:••" c'\IAIIIIIIIflll'
"cada dept·ndt~ewin" t-e uchasse " isolada das dt·e uor i~ pur lnlucp ws :alt o~" c· llws~t· ''sun
porta inteim, \f UI' tln c·r:í ser fechada por dc nl m". E1<~11 dilt•tt·uçll al•· t • rilfl rio~ t'lllrl' dois
textos, o primcim de utcados do século XIX l' u l<l'j.llllll lu "'' 11)11 , pud t· ~>l'l' iult' l'fll'l'lndn
como uma wnos lt~ t <I n t•vol ução a partir lk 11111 t•rlrfoeín l'tllllenlntlnr· puru nu I ro, ntais
LORCA, Angel. El grupo escolar Ceroantes. Madrül ( 1933 a 1934). Madrid: 1934,
!)I
liberal, mas tumbée u pode indicar n diftw1u du iMin " " iul irui tlatlt: nu privucidadc,
p. 11 (reunido, parcialmen te, em Escuelas de Espana. mnr.to, 1935, pp. 123-128 -
também observada IHI coufigumção ou rlibtrr lmet;ÜII dus t·~p.ll;o, em:, ruvrad ias farnj liares.
op. cit.)
RYBCZYNSKI, Witold. La casa. 1/i.storitt de u11n itlca. ~l mlrid: Ncrea, 1989.
~ J ulián López y Candeal, Coleccwn de disertaciones pedag6gicas... , op. ciL, pp. 344-345.

116 117
i\ N I IINIU \'t N \11 l 'tti\f!O lltt I ~ I'MII I ~ 1111 \11 I• 11\ I ~1 111 I I ,IIMII 11 1,\11 1 1 11 111'11 ~ 1 1.--lf fl

eonj11 nlulunlupu111 fllml~alluJ individwd IJIIIlltiO para o grande


;;nqtu , 1'" 11''~ 1lldu por todu u garnu de poss ibil idades
i"" '' " ~~'d 11Í1iu" (lo'1~111'11s :29, 30, :31 , 3:2, :~:~, :34 c 35). Apenas
1111111 \ 1'/ l'ltl 1111 "~11 hisl6ria cchwati va Lt·nlou -~t · <'Ombinar uma
ptnpu'1 111 clt· 111ovução escolar desse tipo co111 novos desenhos
utqtult·lúni,·os. As Orientaciones Pedagógic(/s , rtprnvndns pela
'~'~ ..
Otdt 'lll Minis terial de 2 de dezembro de 1970, pr<'viam a
lollllus;ão de tais agmpamentos fl exíveis, heterogêneos c de Figura29.
1111nanho variável. E mais: esse era o seu modelo de organização Tipos de salas de aula
u suais nos E s tados :
do ensino97 • A resposta arquitetônica a tal proposta fo i a Ordem
Unidos, n a Alemanha e
Ministerial de 4 de fevereiro de 1971, a qual estabelecia o na Sufça (F. Navarro
programa de necessidad es para a construção de colégios de Borrás, " P r obl emas
educação geral básica. Esse programa abandonava, como ai·quilectónicos de un .-,l,h-.Ah

p la.n de construcciones
modalidade única, a estrutura da sala de aula com um grupo
escolat·es ", em l\'I iuis-
homogêneo di sposto em fi las c file imsfrente ao professor com terio de Educación y
-~u estr ado, mesa e quadro-d e -g iz. Tornava possível a 1 Cienc ia, Di,· ecc ió o
Gen eral d e Ensenanza
divers ificação de espaços fl exíveis para grupos não estáticos
Primaria, Construc-
de diferentes tamanhos. Sucess ivas c imediatas ordens-' ciones escolares, op.
ministeriais, aprovadas em 1973 c 197!1, acabaram com tal cit., p. 46).
possibilidade, por razões sobretudo finan ce iras98• Mas a
realidade havia se encruTegado de pôr as c·oisas em seus lugares. i '
Ali onde se conslmíram edifícios de acordo com tal programa, t
...... () .
l FRACO, A. Vinao. "La educaci6n gencrol básico entre lo realidod y el mito" in
'Jll
se continuou fazendo um uso tradi<·ic111al dos espaços Revista de Edu.cación, número extra sobro " La Lcy General de Educación vcintc aiiOl>
constmídos ou, decorrente elas repeLidas queixas sobre a não- después", 1992, pp. 47-71. Nada reflete melhor o espírito e os ideais dessa época t.•
sobro esse lema, assim como a defasagem em roluçíio ao que aconteceu depois, que 11
func ionalidade do desenho, fcc lturnm-se os espaços de leitura dos artigO!> da monografia sobre conslruçõc,;, escolares, da Revista de Educaci6n ,
comunicação ou abertura. Apenas no fl111 hito da educação pré- n~ 233-234, de 1974, em especial os de Muna 'Icrcsa Unzurnmzaga e Arturo de lu
Ordcn, e dos dois livros editados pelo mesmo Minislcrio de Educación y Ciencia, o do·
escolar e sob o chamado "método dos recantos" ou outros - Jean Ader, La escuela de opcione.s mzí.úiplt'.f. Sus incidencias sobre la.s CO/IStrucrinllt•s
similares, manti veram-se experiências desse tipo. escolares, Sevicio de Publicaciones del Minislerio de Ed ucación y Ciencia, M:Hincl,
1977, e Estudios sobre construcciones escolares. Servicio de Puhlicaciones dcl Miu isto •eeu
de Educaci6n y Ciencia, Madrid, 1978, que incluiu a tradução ele dois livms nlitudo;~
91
Sobre o processo de clnboraçiío das Orientacium:s l't'dag6gica.s, de 1970, ver o que pela O.C.D.E., em 1975: La construction scol<tirc et l'inrwvation tlans l'ciiSeigllt'lllt'lll , oi,•
escreveu um destacado prolugouislu clo llllóSillO, Arluru de la Orclen Ho-t: " lnnovaci6n Eric Pearso11, e L'école et la construction itulustrialisée, de Guy Odclie. A cst:tolleu do·t~~""
pedagógica en la Reforma ed uca tiva de 1970". lt1: BERRJO, JuJio Ruiz (ed.), La três livros para serem traduzidos e editados não foi e-csultado do acaso, uut8 ·~·n, .,., ""
educación en la Espaiia contemporánea. Cuestiotu!s hist6rica.s. Madrid: Ediciones S. tendências de detemill1ados grupos de altos funcionários e arqui tetos do MiuÍRit•••" oi,
M. y Sociedad Espaiiola de Pcdagogía, 1985, pp. 279-288. Educaci6n y Ciencia, naqueles anos.

] 18 119
1\ l'j 1111'1111 VI~~·) 1"11111! 11 1111 I 11'11 11 1; ~ 1111 \11 I li\ I ~1.1 11 ,1\ t : ll~lll 1.111.111 : l' ll lll'll ~ J'\ K li llll l l. 'ifll

0 E S PA ~: o DA SALA UE i\11 1.\


OIJ AS RELA ÇÕ ES EN'I'ICE
OS 1\IÍ<:TODOS P EDAGÓG ICOS
E A Ul ~WO S I ÇÃ O ES PAC IA L
õ
D AS .... I•:SS O AS 1<: OO S OBJ ETO S
C.I:J
I'Jt ~~ ~ ......?._, rn Numa enh·evista rea liw cla t'lll I C)H2 c·om An tonio
r~b ô::J rn
0 0 r:E3 (1·7:·! f'l:l,~d éi:l
L:LJ Fernández Alba, pela revista Cu(l(/t•mo., dt• fJt·rlu~ogía, esse
arquiteto indi c ava com o "gc·ralnwnll' 11111 m odel o
[} êb CêJ éiJ ~ arquitetôni co configura umêl pt·du goHin" ,. •·on1o, lu111 bém,
[} ÓZJ l:.s,,;.l ,;:-., o. , rn Fig~tra 30.
"os conteúdos pedagógicos ... Silo o s q u e d üo ttllla q 1utl idade
~ • G Sa la J e a ula conhecida, n a
ao espaço".99 As p áginas anl criotc ·H l'onf'i nna111 , S ( ' l ll d(Jvidu,
Holanda, como " Lipo Gr on..inga"
(E Na varro Bol'l'ás, " Problemas
a rqui -Leclónicos de un plan de
ambas afirmativas. Mas é no El111 l,i1o d11 su la de au la, o 11úcleo \u
por excel ência d a ativida<i <' i11 Hin al iv11, on d e u un úl isc
co nsln teciones eseola r·es", op.
histórica mostra essa relação VII I I'(' o d iHpos i9üo no es paço,
l'il ., p. 44).
das pessoas e objetos que n e lu e~:-~ 1 f10, ,. o s is lerna ou método
d e e nsino segu ido.

Figura 32.
G rupo escola •· " P dn-
cipe d e Ast urias", de
Madt·id. Vis la de uma

_
-......... ...................
...............w....
sa la ( Min is te r·io de
I ns lr ucción P ública y
Dellas At·tcs, La e nse-
ti.atua primaria e n
Figura31. Madrid, 1924, Mad t·id,
Salas de aula de forma pen- 1925).
tagonal (E NavaiTOBon-ás,
" Problemas a r q u ilcct ó-
nicos d e un plan de cons-
Lru cciones escolar es", op.
'l'J FERNÁNDEZ ALBA, A. " Enll·cvisla. 1..~1 111iscrio d c l cspncio escolar". In: Cruulemos
ciL., p. 43). de Pcdagogf.a, n• 86, 1982, pp. 21-24.

120 12 1
A IVI'III\ I tl V tl\ ,\11 Ftli\CO
Oo t::> I'\ Çn t· ~111 1 . "' ~. 11' • ' I:OLA t:OM\1 t.uc:,,u : t' IIOI'Ib1 ' . 1 111.1 . , .. , .

A Jolulu de au la pode ser tumbém analisuda , t' lll Hllll


p<·rspee t i va es pa c ia l o a rqt ti tetôni ca, do ponto de vi s tu
lt igiên ico- pcdagógi co. A ê nfase colocada - segund o UH
of'asiões e os lugares - ( '111 U!-.fH'<·Jn-; tais como a aeração, a
iluminação, a insolação ou u < ·a lda~lto, por exemplo, be m
<"Omo as mudanças de critf. rio c·111 H · l : u~: "' ao <'Ont raste entre
u teoria, a legalidade e a realidade• 011 11 tc ·btt.,· uo dc• tudo isso
Fig ura 33. com o discurso médico e ps iC'opC'cln gogic·o, pt'•lporc·iotuHn
Colégio de .J esús-Ma l'ia tle material suficiente ao histori:u lor 11K1• Nvstt· 1111111gmlo. ele·ixnrei
San Gervasio. Sala rle aula.
de lado essas questões e me c·c 'lltmn ·i IH'H:-o: t:-. t~· l uc;cw .., ,. nc •:-.sa
Cartão postal.
interação e ntre a disposição das pt•ssous c· ohjt'lu-. snhn·
todo o mobiliário - na sa iu dt' 111du, t ' a lll<' iodolol-\in •· os
processos educativos. Tampcuwo pri'I<'JHio pt~Hsar t'lll lt'ViMIII
todas as organizações do es pn~o c·d11<·ut ivo q Ut' <"x ist ir:111 1. N,·111

Figura 34.
Proposta de dis-
tri buição do es-
I·. mesmo as principais. Limit a r IIIP-c·i a 111os t rur a d if11:-.nn,
influências e variações do IIHHit· lo dc· c·ns ino uuít uo '' "' :-.1111
aplicação à educação pré-esC"olur na primeira me tade· elo
paço de uma sala século XIX. Com isso, e co111 v:í rias a lusões u ulgumm; dus
d e aula de cr:ianças rupturas do modelo de ens ino :-. iund tiltH·o, pretendo mos trar
pequenas, segundo
quais são os dilemas que estão por tnís das propostas c práticas
o " méto do dos
r ecantos". de p la nej amento e o rd c na ~üo elo ('S pu ço escola r por
antonomásia, isso é, daquilo q ue acontece em sala de aula .
Quando, há vários anos, vi pclu prime iru ve:t as gravun.ts do
Manual para los maestros de las eswelas de párvulos , de Pa b Io
Montesino, que representam o loca l ou sala de au la de La i:-.
escolas (Figura 36), duas perguntas me vieram à IIH'IIt c:.

IOO Q rli!!f ' III'NO mr dico-higienjsta so!Jrc 11 >;U )II de au)a C O ('l)iffnirt I'S (' (lil ll' I '~I IÍ f11111
dt·~IW lrnlmlluo. A lhulo de exemplo c rcfc rílncia geral, itulic·t• 11 ~ c •rottf l' t ru~ ''" •
t 'HtHutti t·uç"•·~ tln lf'H't·iru seção do Congrcso Espaiiol de 1/igi•·m· /·'11 "'' " 1 1!1111 1 f1111 1

1•11 :1, 1'1' !UI'i :I!! I , ,., como um el:!ludo conct't" lo, aq~tt·le " '"'"'"'" I" J,, In · I" 1. '"
Figura 35.
nudn·u • ·• """ .J,. llnll'!'lotta, em rrlaçiio il~ t•st•ola~ no•·i•ut.n• .lu 1111 ... 1. 1 I' 11111 d1
Exempl o d e di spo si ção
1111 1 Jl""'" .J,, '• ~l u III)V t~ nÍl'II-Stut Í IIÍI iu, ieiC'IIIItln ' ' "' " ''/"'' 1 ' " " ,.,,·.J" ,, • tf .., .I
flexível d o esp aço escola •·. ll•lllr'/"'"' ll1111 1luoou 111!!0 , 1'1'• :l!i ~~~~ . uoult • ,.,. pudt· ui'"'' '" oo ·- ,.,, ,,..,, ,;!ilf'l•
] antu, n . IO, 1967, p.53. ~ ~~~~~~ 011 11~ I 10 I pl11 1111 I I lllllf 'llhod to~ .J1 u J/'1 111111~ 1lt•I11 M
1\ Niiii'< IH \ li\1 111 1•' 11,\1!0
II H I ~ 1 1 \I,H I ~1111 ill I 111 Ult:OI ,il CIIMII 1111 , 1\ ll t 1'1101'11 ~ 1 \ ~ ll (!l ll.fi i Í II ~

Seria lt ll ltiluul ,upu•l,t ~: da , c·u1 s uu épotu - o livro fo.i publicado


t i ii 11 1111IIIIV III II 118 n .: fc·rf.nc ias in g Jc:,; a s fj lli ' tH \
riH 'S IIIII S
em 111-10 1111 t·lt ' lmlava upeuas d e urna proposta teórica?
•' uc•uuti'IIVIIII I i ' ll1 Montt's inn c uli se· menc ionava unw viug•·11•
Nc·-1'-~• ' ull urut •'""'" · c•o11ao paJ·cciu muis provável, de onde havia
11 I .c nulrn ;, f'c·ita por Cochiu c 1n I H:l7, c·us tcado por u111<'olltlt• i
Hidu luruu du , qu a l <•ra seu modelo e que• influ ê 11 c ias ou
de• tH!nhorus presidido pe la Murq lll' ~ ll de: Pas toreL, Gnrll o
c·l• •ltv adudc · ~t ·al havia lido? Quando, ulp;u111 l CIIl J>O depois,
ul1jt'1ivo d e visita1· as escolas c: " irrl'n11t twlaouls" c·x is tc ules, , .
..Jwguu il~ aninhas mãos o Manual des saltes <i'osilr:, de Jean-
c•ri nr um estabelecimento s inailur •'111 l'ru1.-..
1~t 'lll l'\- Mnri e Cochin, em sua terceira edição ele J845, porém
puhlicuclo em 1833 101 , pude ver, não sem alguma s urpresa,
que a sala de aula mostrada nas gravuras que Lambém
acompanhavam o texto (Figuras 37 e 38) - sala de a ula
adotada também em oulJ·os estabelecimentos desse tipo, como
as escolas materiais das Filhas de Caridade de São Vicente
de Paula (Figura 39) 102- guardava certas semelhanças com
aquela proposta por Monlesino . A surp1·esa derivava do fato Figura36.
d e que tal antecedente - Coc hi n havi a aberto seu Sala de aula segundo o
estabelecimento docente para c rianças pequenas em 1828, Manual para las
escuelas de párvulos, de
em Paris - não combinava, em princípio, com a conhecida Pahlo M:ontesino (1840).
influência da pedagogia e edu caçüo inglesas em Montesino,
uma influência que proc edia d(' :-; ua s leituras e do
conhecimento de ambas, durant e Stll c·xíl io na Inglaterra,
desde 1823 até 1834. Além di sso, t(IIUIIdo, no primeiro
capítulo de seu Manual, Montesino trata da " origem" das
escolas de crianças pequenas, todü:-; a~ s uas referências
~ .
(Owen, Lorde Brougham, Buchanan, Wi ldors pin) são inglesas.
Cochin nem sequer é citado. A leitura da " Notice sur M.
r t
Cochin" que precede ao seu Manual c do apêndice sobre a Figura 37.
Sa la de au lu
origem histórica das salas de asilo n1 e d eu a pista: ali se segundo oMnmwl
des salles d 'o.~ilf•
101 deJ.-D.-M. Coehiu
Em 1834, seria proclamado pela Academia francesa "o melhor livro do ano" -
BUISSON, E (dir.). Nouveau elictionnaire ele péelagogie et, d'instructionprimaire. P.:uis: (1833). Exea·cíciu11
Hachelle, 1911, p. 288. Em s ua primeira edição, de 1833, seu lÍLulo era Manual des nas anl uib au -
fondat eurs et elirecteurs eles saltes el'asile. cadas.
102
Nuevo manual de las clases maJ.errw.les, llamada.s .wlas de asilo, para uso ele las
Hijas ele la Caridacl de San Vicente de Paul. Madrid: Lmprenla de Tejado, 1858.

124 125
'' " 'n NIII Vi\'IH I" IIAC:o

Sq~ 111111 l o c ·~ t 11 p is ta, d iri gi- me ao lt\ 111 '1 11lt11


Wlltlt • 1 ·~ 1•1n , puhl ic-ndo 1'111 I<JH:l por Pltillip Me Calll l c' Jo'm11tti t~
A. Youn g 1111 . Ali pude ve r, <·f·l·tivu men lc, qu e o " lud:u••;"
Jtlmto riu" proposlo eo1110 11111 jo ~o infnn l i I c cl csn i lo 1111
jllllllc'Íra grav ura do Manual de· ~ l oni• ·H ÍII o, figu rava l wllht~ lll
1111 gruvura do livro sobn• Wil cl c·t"' l'" ' ~~~~~ ~ l'l 'fll"l'Sí'llla va a
/Jrygate l njànt School ele G l a~gmv. Nuc·nl lll llu, lwnlt uma das
Figura 311.
Sala de aul o 1H:guncl11 C) duas salas de aula reproduhidon 1to rd nidu li vtu /I r-\ ele· Bri~to l
Manuel des salles d'a..sile c a Wallhamstow " infanl sd 1(1oiH" parc·c·ia tllanl• ·• ' lll ulq twr
d e J.-D.-M. Cochin (183:3). relação com os modelos de Cw·h in e· Mo1111 ·si 1111; •·•·a 111111111111 ~ ~~ ,
Exercícios de escrita.
duas ampl as salas- mai s c·:-. ttc ·i tu 11 (dt ill ut , 11111.., 11. 1o •w
pareciam nem em sua dispo:-.i, no nt'lll t'lll l'l lla o r~a"''' "·''"''~
de ambos os autores.
Ti ve de esperar qut· ll llii i'C 'c'I'Hl-11' , ('l ll 1989, o liv111 d, ·
PL.L~

-- ......,.. -~ l
David Hamilton, Towards a 'l'llt'IJt) f{Sclwolingw\ p:11 11 v•·1
como as representações da~ ~11 1 11.., de· mda uli d escr i ta ~ , que·
..
:II
pl"Ocediam de cada um dos li vro:-. d1· Wi ldcrspin e Stow o
primeiro publicado em 1811.0 l' o Ht'p,undo, em 1836 10·'
,.._~'N~ '"
vinham a coincidiJ; ainda c·on1 mnis <·xal idão do que as do

~ij8 8\\lil
I o~~; oOI.·I:!\~~~~
'i o
~ .. ~---- I'
'' . ) • t
Manual de Cochin , con1 <IH n·1u·oduzidus no Manu.al de
Monlesino (Figuras 40 e 4 1). Co111o umhos os livros - o d"
Figura39. o \::. - Wilderspin e o de Stow - repmduzimn , por sua vez, salas de

~ ~ ~ ~~··:h ~~
Proje to a.·qui- I
tetôn.ico d e sala
ma ter nal, ra··a I t
~;m2r llt· =-·~
200 menin os 103
MCCANN, Phillip e YOUNG, frmu·is A. Srtrllm·ll flihlerspin and the lnfant Sclwol
(Nuevo manual
Movement, London: Croom Helm, 1982.
d e las clases ~ k
.- · - ~
*- \.' i I 101
HAMil~TON, Dovid. Towarc/J a 1'lt1'or1 tif.'ir hrxJiiug. London: The Falmer Pr~·,,,
maternales
llamadas salas
de asilo. Madrid,
1858).
. . .·~M~Jr~~r;
. 1989. Dois urligos desse livro -"ÜrÍIJt'tlt"l< dt· In, lénninos 'clase' y 'curriculurn"' t·
"De la iuslrut·ciún simullánea y c l nnl'irnit·ulo de lu clasc cn el aula" - forurn
traduzidos c publicados nos números 21)5 e 2%, rcspcclivaruenle, da Re11Ísta. rir•
Educaci6n, ambos ded icados, de ruudo "'"''"gráfico, à t.isl6ria do currículo. Dus
dois artigos, o segundo inclui as gruvw·n~ tlus livros de Wilderspin e Tow, que fi gum rn
neste capflulo.
105
Samuel Wilderspin, A System for rlw Ed~tcation of the Young. London: ll ncl,.,nrl.
1840, y David Tow, The Trair1Ú1g System. Glasgow: 1\fcPhun, 1836 c Londou: U.)~lllnll:..
1850, 8• cd. Ampliada.
126 127
J\~ lltNio l Vti\ \11 FH AI.O

aula de· " 11 d r u a l t~ dmol .. " prc ·t ·\ i ~l<' nl cs, ded uzi que essa c ru <J
fo nk fll lf'.ll ll tl clu,. twulc•loHpropoRios c a pl icad o~ na Fra nça c
1111 1-:"''""""'ll•·.
Oti lm t; ns mais ca racler ís t ic·os d a o rgn u izução
pt·•bw•f.!.tt•u c· t•spacial desse tipo de sa l<~s de uu la c·ra m clois. l•'i!o( IH'IJ. 40.

( • JIIIIIH'II O deles era a reserva, numa mesma sa la , ele um Snln J e a ul a de uma " in-
fnlll sch oo l" (S amue l
c ·~ puc; o pura o ensino mútuo- as carteiras com suu d ispw.;içiio
Wilder spin, A system for
c·ua uma ou d uas filas paral elas - e de outro espaço pu ru o the education of t he
c·nsino simultâneo - as arqui bancadas situadas ao fu ndo. Esse young. Lond on, Hodson,
1840).
s istema ou método colocava em prá tica, então, o ensino mútuo
com seus monitores, porq ue assim , ao dirigir-se às classes
populares ou pobres, podia escolarizar um elevado número
de meni nos e meni nas num loca l amplo, a custos baixos 107•
Mas incorporava, na mesma sala de aula e simultaneam ente,
o método de ensino simultâneo praticado pe los Irmãos das
Escolas Cristãs, na França 1011 • E o in corporava, alé m disso,
reforçando-o, graças, como assin a lo11 Fréde ri c Oajez, "ao i"ig 11 rn. 4 I .
Saiu d t· u ul u .J ,.
efeito panóptico do anfiteatro" 109 •
um a " in fa n l
sd10ol" ( Da vitl
106 O de Cochin foi levado a cabo num cstubc k cintl'ltlu dut •t•ull· c•(lfll duas salas de St.ow, 'l'lr.f• I.Nritr-
aula de ensino primário e uma sala de asilo paril trinnçn~ ele· 2 n 6 unos de idade, e o iug .~ystcnr , Ml'
de Monlesino, na escola para crianças pequenas tlt· Vnru, t•riuda em 1838 (ver o Phun, G lasgo w,
plano das duas salas de a ula com s uas arqu iharll'111ln~. no Archivo Ge ne ral dcl 1836).
Mi nislerio d e Educación y Ciencia de Alcalú de I lt·tum 'M, mnço 6.242, Jardines de la
!Júancia, como anexo à informação efetuada sobre t'"~~~~ o'Ht·nln8, crn 1851 , por Frrur -
cisco Mcrino Ballesleros, ambos p ublicados porCnmu·u Smwhidriún Blru1co, " Fuenles
y documentos para la hsiloria de la Edu cación ln faulll", 1/istoria de la Educaci6n, p.38). Desse mesmo autor, ver " Gcnêsc clo· l.o '''" .,,lt,.,otimr scolrúre de la pelite cnfant·•·
rl"lO, 1991, pp. 330-343. aux XIXê sit-clc". In: Les Dossicrs de 1'11'1/,, "'""' , 11• !l, 1984, pp. 31-37. Quun111 li
107 Por isso, não é estranho que o Barão de Gérando ~t-nl on ioll'lufc.lo um ca píl ul.o sobre as
suo lese do cl ou llwamento sobr·e us s11l n~ ,J,, n~i ln 1111 Fmnça. não le nho notíciu~ dt·
salas de asilo enlrc as "insliluições relalivas à ed uem;iiu dns JXlbres", e m seu li vro De que lenha sid o publicada. A regulamt•nllu;no lt•~,:ul clcssll tipo d e ce ntros podl' s.·r
la brenfaisanceprwlique (Bruxelles: 1839, L.l, pp. 244-25<J).junln aos orfanatos, hospícios, enconlrada em Jea n-Noel Luc, La pctifl• t'llfimc·e a l'école, XTX-XXe siecles. Pari.,;
casas paru c rianças ahru1donadas e escolas elemenl:u1'" ,. profissionais para os pobres. Económica, 1982, e sua difusão alé 11!:17 un obro do 13arão de G<!mndo, DI' In
108 Sobre as d.ifercnles concepções da expressão "e11si nC1 sir11ullâneo" e s ua iJ1Lrodu ção e
bienfaisan.ce pnbliqne, op. c it., pp. 2<hS-:l!iO: 1'111 1837, na França funcicJIIuvam :1211
difusão na Grã-Bretanha, durnnle o século XLX, ver o já t•ilndo artigo de David Hamihou, salas rle asilo que acolhiam 28.080 niuttO,:III!, uma cifru nada d esp1•czívcl caso "' '
De la instru.cción sinuúuínea y el nacirnrenlo lk la clase e11 c/ mda (nota 91). compare com as 192 escolas paru <·riant;ll~ pequenas (109 públicas c 83 pnvatla!i)
1
~~'' Fréderic Dajez, " Une Lechnologie éducative de In pctile enfance: lc ruélhodc eles que ex is tiam na Espanha, e m 1855, t ' bt ' "''tem em conta que a primeiro tl chu. "
salles d'asile (1827-1860)", in Historio: lnfantire . n• l, 1984, pp. 35-44 (citado nu escola de Virio, em Madrid -seria lTiutln t'lll 1838.

128 129
AN I IINIII V I !'I \11 1•' 11!\1.11 ll i 1 I ·• l' \1, 11 j ~~ 111 Ali I, 11\ I.MC III.i\ 111M11 I 111,1\11 1' 111 11'11 ' I \" L iJII I • ll'll •

O "''f.1111du 11uc;o c·ra


1
minuc· imw regulaç ão das
11
1111"' •·•wulu.., dt· eri UII(.,'II"- Jl'''l"''"""" d l' Mn w. i\'l dl, ·l, •·"111\'11
a i ivi cl u d• ·>~ ,. 11111\ 11111'11111"' que c·onvcrlia c ada grupo de mc n inos 11
•' IIII''' 'J•,uuclu o tcr111o <'IIIITt'lo: IIH't'IIIÚsnw. :1 Não :-.•· llil l ll\'11 .
c· 1111'1111 111-., • 11111 "'' 'lllllllllilor à frente, c111 di!)C'ipli nados pelotões 1111 f'II III IIIO, de Ulll a IIIIÍ<JII ÍIIII '1111 ' i111i tava OU Sll hHtillll ll 11111
'I"'' 1111111nl1111\ ll lllllll ouvir determinadas onl<-ns de c·omando, tuor vivo - o robô ou autÔ11 111Io, o •'lll'l lllll prog rnmndo - , 11111s tJ, .
1111 t~ nln d• •• hii.\I '(I S 110, muxoxos, esta los co111 os dt'dos, p<dmas lllllll e ngre nagem in tcgn1d11 JHII oi'J"Ios ,. svn·R vivos q1 w
1111 IIMHolllul'i. 1\ fim de evitar a imobilidade·, C'ada c:xcrdc io i111ita va m as máquinas . M:íq11 i1111MI ' II J "~"~ uw· nll'l\ 111olon:s ero111
d• ·v111 11'1' uma duração muito limitada, de tu l nwnc ira que a os p rofe ss ores c· Hl ' ll s ujud u•II• ·M, lw111 c·o u1o o::;
d• ·c·o111posição d e cada movimento e m uma succ!;súo de m o nitores.Tra l aV<I -~ t · d:t qu ilc. cpll' l •i•Jilllll dt ~ /, ~ ;II II IIIIII I'IIII IIICIII
unid ades simples a reali zar, a cada ordem, reduzia111 "o " uma organiza~iio llla<Juina l do l novi u H· I • Inot g{i_I_II I~U:·, , .II I qu• ·
111ovimento a uma sucessão rápida de c urtas seqüências de o orgân ico ... irnita ou Clllu la o mcc.:âuicu", 111 11111 1""''' ' ... ~"
imobilidade" e a uma ginástica natural q ue suprimia as d e " meca111zaçao . - d os I1 áh.ttos I1uman os " , cI11 " , 11 I11 "' " 111 I" ,.
"vacilações e tempos mortos"UJ . Essa mobilidade e esses de redução "dos homens a máquinas", semell uullt· :1,.. de• oul m4
exercícios satisfaz ia m as necess id a des da cri a nça e a operações de engenharia social - construção d m; p11'111111 de14,
distraíam. Com esse método, dizia o Barão Gérando, " a criança galerias romanas, falange macedôni ca -, a nl c r iu lc ·~ i1 n n
se submeterá sem se dar conta ; sení suj e itada sem sentir-se da física mecânica e do maq uinismo. 115 Trata-se d <· 11111 1'I"'
forçada" 11 2 • de operações que, levadas a uma escala ma is a u1pl n ' '
Em síntese, esse método{' snu c·orrclativa organização escala da educação das classes trabalhadoras e popu l u~e · s ,
das pessoas e obj etos na sala de a ul a niio era senão um na prime ira fase da industrialização -, consLituíu1 11 1111 11 1
dispositivo mecânico, com toda u pn TiHiio de um relógio, te nt a tiva de i ntrodu zir ord e m e p rev isão, ce rt eza t•
aplicado a seres vivos num espaço f'vd ludo o reduzi do. Por raciona lidade, regulação e un iformidade, numa s ilu aç-ií o
isso, quando Marie Pape-Carpanticr, c·111 sc'll c·onhecido livro social e m que os elementos de controle da a ntiga ordcn1
sobre as escolas maternais, publicado 1'111 1848 , incluía em social havia m sido minados e tornava-se necessári o c riur
suas páginas fi nais o " Mecanismo 011 di stribu ição do tempo
113 CA RPANTI ER, María. Ensetianza prártica de las escuelas de páruulos. o priuwms
leccumes de los nitios, cona/gunas cancioues y juegos pa.rasu recreo. Madrid: l lcrnundu.
110 A expressão "chasco.s" é a utilizada (p.l2) no antes t•i t.u~• Nun10 I'TKlilUal de las clases 1860, JIP· 2 16-224. Este li vro. publicuclo na França, em 1848. em, co1n11 tli1.iu "
T1Ullemales de las llija.s de La Carúúul de San VtCCnte de Hwl. 1·~-.sc segundo Lraço acha-se Nouvca11 di clionairc de Buisson (op. cil., p.l491), um verdadeiro Manual dt· ,nlns cl••
mais acenluado no método das salas de asilo do que no:, 111Í'Io<los das "irúanl scbools" e asilo. Qunnlo n Eugénie Mill et, niio 6 d(•muis lembrar que ela viajou l nmlu~ ,, 11
escolas para crianç-as pequenas de Monlesino. Outro as pN·Io diferenciador é que nas l ngla lcrm, e m 1827, a fim de estudur o sislcma das " infant sch ools", 11 ''"'1\" dn
salas d e ,.silo e ram professoras aquelas que se en carregavu111 dus truefas, enquanlo que, referido com iJ ê de senhoras c por s ugcstíio d e Cochin, que na s ua volln puhli•·uu 11111
como se sabe, Montesino fU'Opu nha que quem estivesse i\ fr~·nlc de tais escolas fossem folh e to com o título O bse1vatio ns s w· lc syslc me d es écoles d 'Aiglc lc rre l11 I"""
professores ajudados por pi'Ofessoras ou algttma mu lher clu p1'i'ipria famílin. p1·emi?:•·c c nfuncc é lablies en f 1·nncc suu~ lc nom des salles d'as ilc, 1'11 ri11, 111:,11!, 1•
111 Fréderic Dajez, Une technologie éducative de la petile cnfrmce: le méthode deJ saltes que, e m 1830, c ln foi nomeada inspctnru gcru l das salas de asilo.
114
d'asile (1827.1860), op. ci t. , pp. 40-41. A expressão "ginásti ca natural" é do Barão F'ERNÁN DEZ - GALIANO, Luis. é'ljitego y la menwria ... , op. c·il., 1'1'· l :lll ltd
de Géran do, De la bienfai.sance publique, op. cit., p. 255. (cilado n a p.l42).
112 BarJo d e Gémndo, De la bienfai.san.ce pubüqu.e, op. c it., p. 255. 115
MUMFORD, Lewis. Técnica y civilización. Madrid: Alianzn. 1971. 1'1'· ~~~ ~.7

130 I :l i
1111 l''fl' \1' 11 rr, ~r lll IH r IH ~~~l' nl \ I' fi MO ll fl~ \11 1 1' 11111'0~ 1'.\lfTIHT l Tnr,l

oullllt' 11m"''· llnl tl• ·•·wn·111 o~ apt·los do Burão de• Cémndo, 111111u elo IIH'Iodo s imult íi llt'O (c·o111 pequenos resíduo ... "" 11uli·
c· l11111u-. •Htllu~t u•lumuulun·s Hcwiais da primei ra rncludc do 'uhwl, •·ncln vc ·;,mai ~ npoiudo twlus tendências d a pai dnl o~i u
Ht'l'llln \I\ . Jllllll 'I'~~' Ht' est<•ll(lossc a escolarizaçüo - um ,. elo 111ovinwn1o dn ('!Wola 11ovu), quanto do mú tuo, ago111
.t.·t• •""'"'"lu tqn• cl•· esco lari~a~úo- da primc!ÍI'<I i111'íi11eia e •·ntcndido conto um Lraha l11o <.:oopnul ivo em pequenos grupos .
qtt• • '"' lulll llt~IW obrigatória a ed ucuçiío, por c·lc· d 111111ildu de Até aqu i, tudo se n·f'c•1i11 t iO'i I'IIHinos pré-escolar e
" pupulue " ,cla~ classes trabalhadoras. Uma nova ordt'll l c·stuva elemenlat.: No ensino secu11dií rio ,. llnl llll ve·rhilário, continuou
- -
• ·. rw~ e ~ rr1do c· uma nova escola se fazia necessária.

O problema era que a mecanização dos prol'essos


vigendo, em geral, o modt· lo de · tlld n/-.: dn, ' '""' S ('U estrado,
como um púlpito, de onde o prol t'l'li-IOr tll ÍIIIHit tiVII 11 doutrina,
•·•hwativos, mesmo sendo, conforme referi , algo diferente aos e seus bancos ou carteiras nli11 1111das c· e•llfilc·iraclas numa
autômatos qu e ens inam ou ins trução progra mada, disposição fixa, muitas vezc·~ 111c · rrlc 'hii HI fi,os 110 d1:lo. Numa
compartilhava, com essa última, uma concepção cibernética dis posição desse tipo, pode· "'c' 111111li ~a r 111'\ llt:ll wims de
do ser humano e, em conseqüência, um mesmo efeito: o pergwllar e de se dirigir ao~ nlu11n.., ou clr d i ~oo t 1 ih111 lo-. t ' situá-
método, se fosse seguido corretamente, deveria ser eficaz e los na sala de aula117 • Mas ~oo c · ti,., c· cH itll u1t·111o, l nr uhc~ ut , ;,
produzir resultados por s i mesmo, graças ao seu mecanismo persistência ou emergêncin de · ollllllt-~ diHpos if,:oc·s t·s p:winis
ou natureza c não à habilidade ou qualidades de quem o em disc iplin as específicas, l ~t l uuulc ll in1-1, ~m l n~oo pní li t·11s ou
aplicava ou daqueles aos quais ele fosse aplicado. Além disso, seminários em pequenos t; IIIJICI I'\, ou lllt 'to lllll uo n ·t·un;o,
interpunha os auxiliares e os monitores entre o professor e o sobretudo com a massificaçao "''" •·t-li ltll iu, 11 ~: ti a Clll form a
alu no. Os alertas soh rc u necess idade de uma atenção indi- de anfiteat.:ro.
vidual e a suhsLitttic.;ilo progress iva, na s<.;gundn 111clad e do
século XIX- na Espnn lw , ao l o11 ~0 elo H(oc·r tlo XX -, du aula/
1989, pp. 381-'1. 17, e Pierre Lesnge, " l:oIHI Ijlllllllllll Ollllllo,.l", <'111 Cniii<HI Mialorct
sala pela aula/co légio, <' Oill 11 c·oll•wqiic·lll <· di stribui ção dos e Jean Viu! (dir.), llistoire mondiale tlt• J',.,/,,. ,,,,,, I /J.• /11/.o 11 / 1) 15, Puris: PUF,
alunos em cursos ou salas dt' nula ho1110~C·rwas c a redução 1981 , pp. 241-250. A relação direta pu•fo ·•11 ulo uou 1111 llltloHI" Nl llllllllinNI foi lmnb(.m,
80 que ludo ind iCI\1 Uma daS principUi h IH/111 I 111 l101 111 olu ..lioi lllljlllllllllÇiiO rrenle 00
do número de alunos por sn la, Irull~oofornwnclo os auxiliares sistema moniloria l ou de ensino 1111ÍI111o 111• ( ,., ' 111 ol111o11ol•• 11 ~''1\ll ll cla metade do
em professores, dc lc nninarurn , c·JIIrc· out ras razões, o século XIX. Ao menos, assim st~ do•d111 ol•1 11H l ~<oll o" do· llo•li'llt' Knlarhali, " Lcs
desapru·ecimento do método de (' ns i11o 111o11iLorial ou mútuo blllimentsscolaircsde l'enseignerneulllllllllllll'l'll Ct ilt•t· (1/l:lll IIJ:l1J)". In: llisLOricité
de l'enfancl' et de lajeunesse. Alhenc~ : !'>o·• 1111111111 Co•nf.ta l l\ In Jo'lllli'SS<', 1986, pp.
na educação elementar e, de JXtssuw·ru, na educação de 175-181. Esse breve artigo proporciona 11tl11o 11111o;n11 1'''1111elo· ouh·ro·;,.,t· ;,uhrf' a cvolu~üo
crianças pequenas, 116 assim como u 111 iI ização preferencial da arquitclllra escolar na Grécia. Su:o" c 11l11o ou, olo • uuo 'llll~ Kllll l'urrt'ln;,, rnns niio
distingue sufi cientemente enlre tel\lm• 1111 pooopll•la'l elo• lllllllllnis 1111 Irnl nrlos ck
pedagogia c textos legais sobre con~llllt,i íu de ool1tlc 111• o·~o ·ul!u,. .., 11 poum· iro do;,
111' Sobre as razões do Gx ito e do fracasso do ensino ml'11uo, iudico Stefan Hopmunn, "EJ quais - um Dcci'I:IO Real de 17 de umiu do ' I 11111 Iou o•laluunol11 pm lllllc' lll\l' llhc-iro.
movimiento de enseiianza mútua y el desanollo clu lull(llllil1 i;;lrución cuni cula1~ enfoque 117 Assim eu fiz, por exemplo, em relaçli11 ilij ul11 1 11o~ •li"' , 111'1-\111'11111 ult'~ n~< Nnlus olt·aula tl<os

comparado". In: Revisla de Eclucacwll, 11" 295, 199 1, pp. 291-316. Quanl o us bases Inslilulos de bacharclndo, m~S primcim~ oItio111 l11• d.. ,.r., 11lu )\X , 1'111 " i':>~( HOt• ius uu~Scul inos,
psicopedagógicas e organizacionais desse sistema de ensino, ver os Lrabalh ns de David espacios fcmcninos. El acceso de In 111111'' ' ui lo,u lullo'111loo". In: Mujl'l ) !'dumci6n en
Hogan, "The Market Rcvolution anel Disciplinury Power: Joseph Lancuster anel the Espaiia, 1868-1975, VI Coloquio dt• llo.. looo wolo• In Eduo·m·U111, ll<'p1111nnwulo de T<.-oría c
Psychology of the Early Clussroom Syslem". ln: flistory ofEducaJ.ion Quanerly, n• 29-3. Historia de Ja Ed ucaci6n de la Univt·n.ul.ool elo· Stu1twgo, S.1111iul\n, II)<X), pp. 567-577.

132 I :l :1
A i<~' IONIO "' " ' " I/ II AC.O

tl1 111 111 ~111", 1'0111 11 IIO VII S fl iMpllHtc;llc'O, 1111111 lltll
11'11'1 111, li
No t ' l l '4 11 111 p1·iu uí ri o t• 110 de c r iH IIÇas peq uenas , a
muh lli u1111 (/1 / IHw (l•'i/!.uras :J:!, .'J.'J (' :J5), q ttc · 1'111 c'l' ilillli
ru pl ll c'a dn uu ulc•lu clt· t 'X p licação si mul tun<'a e da cl ispos ição
III 'I&Hiéic·'l t•ol tlf'UVH II I prolll(' lllôl :-. IJIII II H IO uti lizadas de• lltlldu
lcnllc u•• ''"' ~~111 1 I'Í d t·sclc os fin s do século XIX c inícios
<'11 1
ll nd i.. inlltd (l•'igura 1/.2), nu~ dc·Htillu t.;fin dl' cada ati-. 1dud1
du \ \ . '11111 11 dilmHU) da carteira ind ividual , a necess idad e
lu'e,..ica - ex pressão verba l, t'\.1'11'>4"41111 t•orporul , CX Jll't ·:.~t l • '
du ul •••u. .l u 111di vidual -que impli ca va ou o d es locamen to
urt íst ica, natureza, dramali~"t.; t to 11 11111 l u ~a r 011 t•spH(\O
dn'i ulu1111Mpa ra a mesa do professor ou o dcs loca nle ll lo desse
t•specífico, rus tribui nd O-B(' OH 11 111 1111"' dc • lllodo Silllldtft llt 'O
I''" l'll lrt' as carteiras- e a organização d e a tiv id adt·s e m
en tre eles (Figura 34). 119
p•·qut·llos gru pos, sem falar nas tendências mais recen tes
t·o mo as j á referida s so b re a intro d ução de e s paço s
adaptáveis e a ruptura da idéia de sala de aula como espaço
fech ado (Figul'a 35). Para Pauline Kergomard, por exemplo,
d o " as1'1 o-armaz é m a' esc o1a ma te rna 1" me d.1ava " u m
mundo" 118• Por isso, c de acordo com o Decreto d e 2 d e
agosto de 1881 e a Ins trução d e 12 de julho de 1882, que IM]
estabeleciam o novo regi me c sis tc 111 a das escolas maternais,
ela propunha uma di s trib uiçiio do l<' mpo mui to d iferente
d as propostas de Eugénie Mill c t ('d e· Papa-Car pantier an-
tes citadas, assim como a gradu ~u.;iio 1' fl l duas sa las d e a ula
de pequenos e maiores e uma no va uq~uuiza ç ão do espaço
da sal a . Ao mesmo tempo, sub mc t ia :'1 •·rít ic·u a "d isciplina
militar" e "artificiosa" das sal as de as ilo c " o mecanjsrno e
o ensino coleti vo", em nome d a ini (' iutiva individual d a
criança, d a s ua espontanei da d e t· do respeito à sua Fig um42.
person alidade intelectual e moral. St• ria esse um p rograma
Gr upo eseola r "Cer vanLcs" , d e· 1\t ud r icl. Visw de uma sala J c aul u
ou sistema- o das escolas ma ternais pa ra a escol arização
(Minislcc·io tle l nstru cción Ptthlic·a y Bc·lb1s Ac·lc·s. Lnensetianzaprinwrio
dos meninos e das menin as das d a~:H:s p op ulares ou enMadritl, 1924. Madr·id : 1925).
trabalhadoras? Não responder ia ao d t~sej o, em parte já
realidad e, de estender a educação p ré-escol ar a ou tros
grupos e classes soc ia is? Por outro lado, a configuração da .y
sala d~ aula em f unção do trabalh o c 111 grupos reduzidos
119 Ver, por exemplo, uma reccnl c ,. <·l:cc·u c·xplic-n(;:Ío desse método <: Rf'CC tucol.ilicto '"

118
especffico em Esperanza Seco, /f:d11f'111'ilm ir!fillltif: di.se1io curricular d t• aula. ~l u dte d
KERGOMARD, Pauline. La eclucaci6tl maternal en la escuela . Madrid: Daniel
Cincel, 1990.
Jorro, 1906, 2 v., I. I , p. 290 (1• edi ção francesa de 1886).

l :l5
134
M>nnNifí VIN \ll FilA 1.11 llto I ·1',\o;oo l:tlt'ill \11 I I>\ I ~11 11 ,. 1 IIIMII 111,111 1'11111'11 I IM 1: 1tllt:Mit'111.

Alc·111 d1 • tuclu ~ ·~~-~~~ HC: rit· dt· op!)Õt•s t' poS!; ib ilidadcs, lunw· de • l'u1'i", 110 C' lllltpo <·o nl ( lll 11111a detu ll111du dt •tH•••:hu
t')o. IIÍ n 11"'"11Hn que , 1'111 rt·lo<;iio a outros espaços c luga res, d•· 1111111 vi vt· ndu 011 lllll lls au t' i-t·o lu. Das p:11 t•dc ·'i dnt~
prop•w111 hm~t; uÍ H t • l'111d -Lévy e Mari on Scgaud, em s ua \ ""' il~tdo l'!, c·orn •don·s ,. tklltai :-; pt·c.;us pcnd c111 t <qwlt ''~•
lllltndeu,lhl 11 l11thwpolog ie de l 'espact-. Ambas as autoras quncl ro~-. ,. ot 1 tro~ ohjdm< c·o111 11'11111" lti)o,tóri cos e gcogrúfi<· o~-~,
11111111111 • nlllupe dt·>.Lo uma frase de Ccorv,t·s Pn<T <·m l·:speces t' llissicos, mitológicos c· n·li ~ llt t< o ~ (l't' li-OIIn gcns, cena :-.,
d ·,.,/"'' ,., : "()uuudo num quarto dada se lll tH ia de lu ~n r n c·ama, c·shoços cronológicos, lllliiHI)o., npl11 1 11, nt ·~< no vcrso). Al é111
I""''' .,,.cl ezer que se muda de quarto ou que é que mteda'?'' 120 . disso, a casa pos~11i 11111 "j.;ah iut·ll· dt; ' '"'luclu..," I'Ont uma
~ luel 1 11 a cama é apenas um a mud ança no qu arto , e las biblioteca, uma c·o l t'~· ao de IIIIIH • ra is <' 01111 "" cw .. u" "l'uriosas"
pc·1gu nlam, ou é mudar de quruto? E ainda mais: qu e é um e um jardi nzinlto anexo de plunlas u:-.11111"1, N' '"'" l IIIIIIIHiio-
quart o? Mudar o lugar de um quarto é uma mudança na casa escola, a Baronesa preparava, a cada dia, iIi111'1'111111., d idul iC" os
ou é mudru·de casa? E que é uma casa? Mudar uma praça de - pam usar a terminologia atual- segundo 1111111 dl'l, ·r ~tlll llll l ll
lugar é uma mudança na cidade ou mudar de cidade? E mais ordcn1 cx pos itiva 122•
uma vez: que é uma cidade? 12 YMudu r de lugar os objetos e O que surpreende na leitura dessas pági1111S Ht' :wl111,
os usuários de uma sala de auÍã é apenas uma mudança na contudo, no final, quando se descrevem os jardins, tll ts j111 di IIH
sala de aula ou nos coloca dian te de 0111 ra sala de aul~l udar com céspedes, caminhos e árvores. De acordo cor11 o goslo
a disposição dos espaços num edifíc·io ou recinto escolar é
estético da época, a Baronesa confessa seu desagrado <' 111
uma mudança no edifício ou no reei nlo 011 implica que nos relação aos jardins abruptos, com desníve.is. Ela prefere u
encontramos diante de um edificío 011 rt'(' Ínto diferentes? Em
simplicidade neoclássica, regular, horizontal e diáfana. Porém,
tal caso, que é uma sala de aula, que(> 1111111 escola, que é o
eis aqui que, ao aplainar os terrenos, decidiu conservar "três
espaço escolar? O continente ou o conl<'tídn, os limites físicos pequenos montes ... , não para o prazer dos olhos, mas para
ou o lugar construído?
que por elas subam meus filhos , porque sinto que esse tipo
de exercício os diverte e os fortifica", ou seja, para a s ua
'
A (;IJISA DE RESPO STA educação física 123 •
Numa ordem rac iona l di s posta com uma
As primeiras páginas das Cortas sobre la educación,
finalidade estética, outra ordem fun cional-também, por s ua
da Condessa de Genlis- a carta IX, 11n qual a Baronesa de
vez, racional- impõe uma configuração diferente do espaço.
Almane conta à Viscondessa de Limours o plano de educação
A educaç·iio ilustrada, metódi ca, leva denlro de s i, qual um
de seus filhos na quinta na qual ela lwviu decidido ir viver,

122 GENLIS, Cnnckssa de. Adela y Teodoro, o cartas sobre la cducnciô11. Macio i•.l:
120
PEREC, Ceorges. Especes d 'espaces. Caliléc, s.l., 1992, p.36 (1• ed. 1974). lmprenln Real, 1792, 2• ecl. Aumentada c corrigido, L. I, pp. 35-42 (o l ~ edi!,'liO fru•u·t•l'll
121
PAUL-LÉVY, F. e SECAUD, 1\1. Anthropologie ele !'espace. Paris: Ce nlre Ceorges é de 1782).
Porupidou, Centre de Création lnduslriclle, 1983, p. 19. 123
lb., p. 4·2.

136 137
o\ 1'11111'1 111 \ ' 11'1111 1' 1111 .11
1111 L ~ l'\1,11 J·;~ t : ll l ,i\ 11 h lli\ 1\ Sf: OI,!\ C:OMH l ,tll, \111 1'1101 '11111~ 1C IJ [II IM I (\11~

germe, I' IIIII ' IIII ' Uelllti, IIMJII ' I ' IOH O jogo, a c ·du <:n~ftO fí~ i<;a i11 1c·1io tc ·H , 1111 abrir 011 f<'c lw r, ao dis por de 1111111 1111 ••ur rn
qtt<· rouqw111 11 lllljlllll'lttl'll ordc·11ada elo ju 1·diu1 ll<·ocláss ico c lllllllc 'i lll 1 1 ~ se paraç;õcs c os lim ites, a s tnmHic_'nt'h c· " "
a lu·•·•11 o•• nll1o,. c•, ' 11111 c·lt·s, u llll'lll c e o c·orpo, à se nsi bil idade t'lilllltll it·Hçõt·s, as pessoas e os ohj<'los, estamos mod ift t·t ll lclo
ro111.111111 u n un ' '"1111(,'0 natura l c scl vagc111, não rt>gulado. 11 llllltu·e:w do lu ~·· Es tamos mudando nüo apenas os litt llll "·•,
ltc ·'-llllllr espaços específi cos - luga res c·on:-<11'11 ídos- ns pessoas ou os objetos, mas LtHnh(ou• o próprio lug:.u: Pw
pu1a 11"1 1111 vidades de ensino e aprendizuge111 c· sua di ~ l ribuição .tsso, e, necessarw "' . detxar
. esses " pcqut· llo:. IIIOIIIt 'S" aos q mns.
,. cuclc · nu~úo interna não são senão uma facelll a ntaiH dessa se referia a Baron esa de AJmane, a hri t' o ' '"IHI"'O t•:;c-o lar c
··nlropia negativa (n egenlropia) que é a ed ucação.Aquilo que construí-lo como lugar de um modo ta l q111' 111111 1c•:.lrinj a n
M' q uer transmitir; ensinar ou apreender tem de estar mais ou diversidade de usos ou s uH a daptação 11 t•i • c'llll ..,líi n<'iuH
me nos delimitado , demarcado, mas também ordenado c diferentes. Isso significa fazer do mestre 011 p1nlc·:-.•H11 11111
seq üenciado. O mes mo acon tece co111 o contexto ordenado e arquiteto, isso é, um ped agogo c, da cducaçüo, 11111 lu w·•·sr;o
construído para ensinar e apreende1: Sua d isposição, funções de configLLração d e espaços . De espaços pessoa is t' :-.twiu 1 ~, c :
e usos não são de ixados ao acaso. Isso s uporia reforçar a d e lugares. Ao fim e ao cabo, o espaço- assi m como 11 t·ruq~ill ,
tendência geral e crescente em dircçüo à máxim a entropia e, enquanto energia - não se ('ria nem se des trói, apc'IIIIH rw
com ela, o horror ao vazio, a in segura nça c a incerteza. O tran sforma~ questão final é se se lransfor~a em un1 cspac;o
imprevis ível, aleatório e instável d<'s i,,< ·;Hium o provável, frio, mecânico ou em um espaço quente e viv.Q.:}Em um cspa<.;o
seguro ou previsível. Por isso, o ser lniiiiWIO prepara e d ispõe, dominado p ela necessidade de orde m implacável e pelo ponto
·1 ordena e organiza . O problema se colo(·u cpw11do Iais precisão de vis ta fixo, ou em um espaço q uc, lendo em conla o aleatório
~
e regularidade, n ormalização e ra<.;ionn lizu<;ão, realizam-se e o ponto de vista móvel, sej a antes possibilidade que limite.
.,. m ed i ante di sp o si tivos e e n grcnag<· n s mec ânicas o u Em um espaço, em suma, para a educação, um âmbito que
organizações maquinais de seres vivo:-.. ()~tundo se esquece não per tence ao mundo da mecânica, mas ao mundo d a
que se opera n ão com materiais inorgilnit·os, mas sim com biol~gia, ao mundo dos seres vivos.

--ser es h umanos. Então , cu ri osamc nlt' , u a lta efi cáci a do


mecanismo planejado revela-se allattu•nll' ineficaz. O lugar
con struído torna-se um sistema fcd lnclo, não flexível nem
adaptável, no q ual as necessidades de apropriação territorial
do ser humano e de configUl'ação de t•~; paços pessoais 'e
alheios, comuns e compartilh ados, lomam-se invi_áveis. Ao
estruturar ou modifical· a relação Clllrc o in terno e o externo
em 1·elação ao meio escolar - as fronl e irus, o que se situa
d entro e 0 que se situa fora -, ou seu Cl'ipaço intemo- entre
as diversas zonas edificadas e não edifi eaclas, entre os esp aços

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