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Laboratorio Nacional de Engenharia Civil Drenagem em Infra-Estruturas I de Transportes e Hidraulica de Pontes | Carlos Matias Ramos Indice Introdugao Nogées de hidrologia 2.1 Consideragdes gerais 2.2 Bacia hidrogréfica 2.3 Precipitagao 2.4 Tempo de concentragao 2.5 Relagao precipitagao - escoamento 2.5.1 Consideracdes preliminares 2.5.2 Capacidade maxima de retengao. Nimero de escoamento 2.6 Periodo de retorno a adoptar no dimensionamento das obras 2.6.1 Consideragdes preliminares 26.2 Critérios empiricos 2.7 Caudais de ponta de cheia 2.7.1 Consideragoes preliminares 2.7.2 Alteragdes do escoamento superficial em resultado das urbanizagdes 2.7.3. Formulas empiricas 2.7.4 Drenagem longitudinal. Caudal de dimensionamento 2.8 Hidrogramas de cheia 2.8.1 Consideracées preliminares 2.8.2. Hidrograma unitério Referéncias bibliograficas Drenagem transversal 3.1 Consideragées gerais 3.2 Escoamento nas PH 3.2.1 Consideragées preliminares 3.2.2 Tipos de escoamento 3.3 Escoamento com superficie livre. Regime permanente 3.3.1. Energia em relagao a um plano horizontal de referéncia 3.3.2 Formulas de regime uniforme 3.3.3. Regimes critico, rapido e lento 3.4 Dimensionamento hidraulico vit | 3.4.1 Escoamento com controlo a montante. Condutas rectilineas 3.4.2 Escoamento com controlo a jusante. Condutas rectilineas 3.4.3 Perdas de carga localizadas. Singularidades 3.4.4 Escoamento com galgamento do pavimento 3.4.5 Velocidade a saida dos aquedutos 3.5 Utilizago de abacos no dimensionamento hidrdulico 3 6 Procedimento proposto pelo U. S. Bureau of Public Roads 3.7 Didmetros e inclinagdes a adoptar 3.8 Condutas. Especificacdes 3.8.1 “Cutoff” 3.8.2 Colocacdo de mais do que uma conduta numa PH 3.8.3 Compactagao do aterro 3.9 Condutas. Disposig6es construtivas 3.9.1 Abertura e enchimento das valas 3.9.2 Assentamento e recobrimento dos tubos 3.10 Durabilidade 3.11 Seguranga em passagens hidraulicas 3.12. Escoamento a jusante das passagens hidraulicas. Estabilidade face a acgao erosiva do escoamento Referéncias bibliograficas Drenagem longitudinal 4.1 Caracterizagao geral 4.2 Caudal de dimensionamento 4.3. Canais, valas e valetas 43.1 Consideragées gerais 43.2 Capacidade de vazao 4.3.3 Escoamento em trechos com curvas em planta 4.4 Estabilidade de canais e valetas 4.4.1 Caracteristicas gerais 4.4.2. Critério baseado na velocidade critica de arrastamento 44,3. Critério baseado nas tensoes criticas 4.4.4 — Protecg6es dos taludes e do rasto dos canais e valetas 4.4.5 Manutengéo 66 68 74 7 78 81 86 87 89 89 89 90 90 90 90 91 92 92 95 99 99 103 103 103 105, 107 108 108 109 m1 113 115 4.5 _Drenagem de tabuleiros de pontes e de estradas ou arruamentos com lancis 4.5.1 Escoamento junto aos lancis 4.5.2 Dispositivos de captagao de agua 4.5.3 Dimensionamento hidraulico de sumidouros 4.5.4 Dimensionamento de sarjetas 4.5.5 Dimensionamento de caleiras com rasgo superior continuo e com colector incorporado 4.6 Tubos de queda 4.7 Condutas 4.8 Consideragées sobre os dispositivos de drenagem 4.9 Hidroplanagem Referéncias bibliograficas Drenagem subterranea 5.1 Consideragées gerais 5.2 Drenos longitudinais 5.3. Drenos transversais 5.4 Bases drenantes 5.5 A drenagem na estabilizacao de taludes. Camadas drenantes 5.6 Concepgao e manutencao Referéncias bibliograficas Estruturas de dissipacao de energia 6.1 Introdugao 6.1.1 Consideracoes gerais 6.1.2 Erosdes a jusante de condutas 6.2 O ressalto hidraulico 6.2.1 Caracteristicas gerais 6.2.2 Tipos de ressalto 6.2.3 Condig6es para a formacao do ressalto 6.3 Bacias de dissipacao por ressalto 63.1 Emcanais 116 116 17 118 122 122 123 125 127 127 130 133 133 134 136 137 137 141 142 145 145 145 147 149 149 150 151 151 151 63.2 Ajusante de condutas 6 4 Estruturas de queda 6.5 Canais com macrorrugosidade 6.5.1 Macrorrugosidades de blocos 6.5.2 Macrorrugosidade de travessas 6.6 Estruturas de dissipacao de impacto 6.7 Bacia em pogo 6.8 Estruturas com degraus 6.9 Bacia de dissipacéo em enrocamento 6.9.1 Consideragées preliminares 6.9.2 Procedimento de célculo 6.10 Solugdes em gabides 6.11 Protecgao com enrocamento 6.11.1 Consideragdes preliminares 6.11.2 Calculo dos diametros dos blocos 6.11.3 Gradagdo do diametro e espessura do tapete 6.11.4 Caracteristicas gerais dos materiais 6.11.5 Causas mais frequentes de rotura dos tapetes de enrocamento 6.11.6 Colocagéo do enrocamento Referéncias bibliograficas Hidrdulica de pontes 7.1 Consideragées gerais 7 Aspectos hidraulicos a ter em conta no projecto de pontes 7.3 Cheia de projecto. Caudal de dimensionamento 7.4 Curva de vazao natural. Calculo do nivel maximo de cheia 7.4.1 Consideragées preliminares 7.4.2 Métodos para calcular a curva de vazao 7.4.3 Formula de Manning 7.5 Folga 7.6 Erosdes. Causas mais frequen 7.7 Erosées generalizadas 193 193 194 196 198 198 199 199 202 203 205 7.8 Eros6es localizadas junto a pilares 7.8.1 Consideragées gerais 7.8.2 Estrutura do escoamento 7.8.3 Avaliagéo da profundidade maxima de erosao 7.8.4 _ Pilares de grandes dimensées 7.8.5 Pilares com geometrias complexas 7.9 Erosdes junto aos encontros de pontes 7.8.1. Erosao generalizada na zona estrangulada 7.9.2. Eros6es localizadas junto a encontros de pontes 7.10 Protecgao contra as erosées 7.10.1 Solugées mais adoptadas 7.10.2. Solucao com tapetes de enrocamento 7.11, Sobreelevagées da superficie livre 7.12 Forgas induzidas pela accéo do escoamento 7.13 Outras acgdes Referéncias bibliograficas Anexo 1 Anexo 2 207 207 210 212 215 216 219 219 223 227 227 229 234 236 237 238 243 247 XI ln Introdugao | Introdugao ‘A agua constitui o principal factor de desordem e degradagao das infra-estruturas rodovidrias e ferrovidrias. Efectivamente, a andlise das causas mais frequentes de deterioragées e rupturas destas infra-estruturas permite concluir que as causas de natureza hidraulica se apresentam entre as que conduzem a situagées mais gravosas. Nesta perspectiva, um dos aspectos fundamentais a ter em conta na concepcao, dimensionamento, construgao, operacao e manutengao de vias de comunicacao, incluindo vias urbanas, é a necessidade de garantir um sistema adequado e Permanentemente operacional de drenagem de aguas pluviais e de aguas subterraneas. © sistema de drenagem tem como objectivos principais a répida remogo da Agua caida directamente sobre a plataforma e evitar 0 acesso as infra- -estruturas de transporte da 4gua gerada na bacia hidrogréfica e, em particular, nas zonas adjacentes as vias. Este sistema é indispensavel nao s6 para garantir um adequado comportamento das obras que definem as infra-estruturas de transportes em condigdes adversas de pluviosidade, mas também para assegurar adequadas condigées de seguranca da circulagao de veiculos. De entre as causas mais frequentes de deterioracdo destas infra-estruturas em resultado da accao da agua salientam-se, pela sua importancia, as associadas a: * deficiente concepgao das obras de drenagem transversal e longitudinal, incluindo insuficiente capacidade de vazéo; + deficiente avaliacao dos caudais da cheia de projecto; + concepgao inadequada das obras de drenagem subterranea; + deficiente posicionamento das obras de drenagem transversal tendo em conta as condigdes de escoamento das linhas de égua na situagao anterior a implantagao das infra-estruturas de transporte; + erosdes e deslizamentos nos taludes de escavagao e de aterro por deficiente concepgao dos sistemas de drenagem; * erosées junto as fundacées dos pilares das pontes e dos respectivos encontros; * erosdes generalizadas dos leitos dos rio: * sobreelevages inadequadas da superficie livre do escoamento face as caracteristicas de ocupacao do vale a montante da via; * folgas insuficientes. Salienta-se ainda, no caso das infra-estruturas rodovidrias, que a deficiente drenagem das dguas superficiais pode conduzir a redugao da capacidade de aderéncia das viaturas (hidroplanagem) e perda de visibilidade resultante dos salpicos e do “spray” libertado pelas outras viaturas em circulacdo. A infiltracéo das Aguas nas camadas do pavimento provoca a reducao da capacidade de carga do conjunto aterro-pavimento. No caso das infra-estruturas ferrovidrias, a deficiente drenagem da plataforma, para além de afectar as condigGes de circulagao em resultado de inundagao da via, pode conduzir a “contaminacao” do balastro por sedimentos transportados pela agua e, consequentemente, a redugao da capacidade de resposta as acgoes transmitidas pela circulagdo das composicoes Para além destes aspectos, na concepcao dos sistemas de drenagem, ha que ter em conta a necessidade de evitar a contaminacao dos solos, aquiferos e linhas de agua das zonas envolventes as vias de comunicacao, porque as dguas de escorréncia nas estradas transportam poluentes. As aguas de escorréncia nunca devem ser langadas directamente sobre o meio ambiente nas 4reas adjacentes as vias de comunicagao quando vs locais de rejeicdo dessas 4guas se localizam em zonas himidas com valor ambiental, na proximidade de: aquiferos em exploragao ou com risco de serem contaminados; albufeiras; pocos; captacées; cursos de gua utilizados para abastecimento as populagées, indiistria e agricultura, Este aspecto deve ser analisado na fase de projecto de sistemas de drenagem, considerando os efeitos associados 4s eventuais contaminagées provocadas na fase de construcdo e, posteriormente, durante a exploracdo da via, em resultado da circulagdo normal dos veiculos e de derrames acidentais, devendo ser estabelecidas medidas de minimizacao dos impactes negativos sobre os solos e sobre os recursos hidricos, bem como sobre os habitats das zonas potencialmente afectaveis. Estas medidas passam, na fase de projecto, por uma anélise cuidada e sistemética do meio envolvente as vias de comunicagao por forma a ajustar, tanto quanto possivel, o tragado da via a condicionamentos de natureza ambiental, pela execucéo de obras de drenagem que impecam a infiltragao das aguas de escorréncia e pela introdugao de sistemas de tratamento de efluentes, Esta publicacéo foi organizada para proporcionar aos projectistas e construtores das vias de comunicago, bem como aos responsaveis pelo licenciamento e pela ‘operagao e manutengao destas infra-estruturas, um melhor conhecimento sobre as causas mais frequentes da sua deterioracao e fornecer informagao técnica que permita uma melhor apreensao dos diversos aspectos a ter em conta ¢, consequentemente, uma melhor preparagéo na resolugao dos problemas | relacionados com o planeamento, dimensionamento hidréulico ¢ manutengao das obras tendo em vista o controlo da acgao directa das Aguas das chuvas e do escoamento gerado nas bacias hidrograficas, Esta publicagao, baseada nos textos de apoio a docéncia da disciplina Projecto de Drenagem em Infra-estruturas de Transportes, do Mestrado de Transportes do IST, é constituida por sete capitulos. As matérias referentes ao controlo, incluindo tratamento, das aguas de escorréncia nas estradas nao constituem objecto desta publicacao. No Capitulo 2 sao apresentadas algumas consideragées sobre aspectos de natureza hidrolégica, sendo o desenvolvimento deste capitulo ajustado a natureza das obras de drenagem de aguas superficiais, Os métodos apresentados para estimagao dos caudais de ponta de cheia e dos hidrogramas de cheia baseiam- -se em hipéteses e simplificages que sao validas apenas em pequenas bacias hidrogréficas. Os Capitulos 3, 4 e 5 séo dedicados a concepgao, projecto e construgao de obras. de drenagem, sendo apresentados critérios de dimensionamento de sistemas de drenagem de aguas superficiais e subterraneas, assim como alguns aspectos a ter em conta durante a exploragdo/manutengao das vias de comunicagao. No Capitulo 6 séo apresentadas diversas soluc6es de estruturas de dissipagao de energia consideradas adequadas para serem adoptadas a jusante de canais ou condutas de sistemas de drenagem, quando as condiges de escoamento a saida destas obras forem susceptiveis de induzir erosdes a jusante que ponham em causa a sua estabilidade ou das zonas adjacentes. O dimensionamento hidréulico destas estruturas é apresentado de maneira a permitir ao projectista no s6 a definigao das suas dimensdes, mas também a determinacao das accoes actuantes sobre as suas fronteiras sdlidas e a definicdo das obras de proteccao contra eros6es a jusante e nas zonas adjacentes. O Capitulo 7 tem por objectivo apresentar, de forma necessariamente sumaria, os diferentes aspectos de natureza hidraulica a ter em conta no dimensionamento de pontes, dedicando especial atencao ao proceso erosivo junto as fundagées dos pilares e dos encontros, e as medidas de proteccdo contra as erosées localizadas e generalizadas. Sao referidos em anexo a este capitulo alguns aspectos de natureza hidrdulica que devem ser considerados nas inspeccdes de pontes, na perspectiva de avaliagao da possi idade de ocorréncia de erosdes. 2 Nogoes de hidrologia Nog6es de hidrologia 2.1 Con: Ahidrologia é frequentemente definida como a ciéncia que analisa as propriedades fisicas, a ocorréncia e os movimentos da Agua na atmosfera e na crosta terrestre (aguas superficiais e subterréneas). Trata-se, portanto, de um ramo da ciéncia que envolve, entre outros, a meteorologia, a oceanografia e a hidrogeologia. leragdes ger: Para o projectista de sistemas de drenagem em projectos de vias de comunicagao © problema que se coloca é o do conhecimento da precipitagéo que cai directamente sobre a plataforma e das caracteristicas do escoamento afluente as obras, tanto na fase de construgéo como na de operagao/exploragao, numa perspectiva de avaliagdo dos caudais de dimensionamento. ‘A complexidade do processo da formacao do escoamento tem conduzido ao desenvolvimento, ao longo de muitas décadas, de varias teorias altamente sofisticadas com vista a sua avaliagao. Para ultrapassar as dificuldades inerentes a esta complexidade, varios autores apresentam formulagées de base empirica, De acordo com CHOW et a/. (1988), os factores que condicionam o escoamento podem ser separados em dois grupos: os climaticos e os fisiograficos. No Quadro 2.1 apresentam-se, de forma resumida, os dois grupos e os factores condicionantes. A natureza do problema conduz a abordagens que dependem da dimensao da bacia hidrografica dominada pelas obras que se pretende dimensionar e do risco associado a cada uma dessas obras. Nos casos mais frequentes em drenagem de vias de comunicagao, as obras atravessam geralmente pequenos cursos de agua acerca dos quais a informacao baseada em medigdes de caudais é quase sempre inexistente. Desta forma assumem particular importancia os métodos de célculo dos hidrogramas de cheia especificos para pequenas bacias hidrograficas. S80 métodos de facil aplicagao, exigindo uma pequena quantidade de dados, que tém por pressuposto hipéteses e simplificagdes vélidas apenas para pequenas bacias hidrograficas (i.e. com areas inferiores a cerca de 25 km’). Trata-se de métodos em que o rigor nao é muito elevado, sendo, no entanto, suficiente, desde que acompanhados na sua aplicagdo por um julgamento cuidado dos valores a adoptar. - 10| Quadro 2.1 Factores condicionantes do escoamento (adaptado de Chow et a/., 1988) his) (a ‘Modalidade (chuva, neve, granizo,orvall neblina ou geada), distribuigao no tempo € no Precipitagao ‘espaco, frequéncia de ocorré dominante das tempestades, precipitagao precedente e humidade do solo. direcga0 Cr Ternperatura, vento, pressdo atmostérica, Banc natureza e superficie de evaporacéo. speicekarle Temperatura, radiagao solar, vento, humidade | pias do ar e do solo e tipo de vegetacao. Geométricas: forma, tamanho, declive, corientagéo e elevagao. Caractosticas da bacia Fiscas:coberturae utiizagéo do soo, po do solo, infitragéo, permeabilidade, topografia ¢ capacidade de formar toalhas subterraneas. ert Capacidade de escoamento: dimensdo e forma da secgSo transversal, declive, rugosidade, caracteristicas da rede hidrogréfica & ‘comprimento do curso de gua. Capacidade de armazenamento. Caracteristicas dos cursos de agua Para as maiores bacias hidrogréficas é indispensavel a realizagao de uma analise completa que considere de forma mais rigorosa todos os fenémenos complexos que ocorrem durante a geragéo de uma cheia, Neste texto, dada a sua natureza e objectivos, s4o apenas apresentados métodos de calculo que permitem determinar os hietogramas de projecto eos hidrogramas de cheia de projecto de pequenas bacias hidrogréficas. Optou-se, para a determinagéo dos hidrogramas, pele utilizagao do método do ‘Soil Conservation Service dos EVA. Em complemento e para as situagées em que apenas soja necesssf0 0 céleulo do caudal de ponta de cheia de dimensionamento, so apresentadas algumas | formulagdes empiricas ou semi-empiricas desenvolvidas Por diversos autores & que tém vindo a ser adoptadas em Portugal. 2.2 Bacia hidrografica A bacia hidrogréfica de uma dada sec¢éo 6 a area drenante, definida topograficamente por um curso de 4gua ou por um sistema interligado de cursos de agua tal que todos os caudais gerados sejam descarregados nessa seccao. Para 0 célculo dos caudais de ponta de cheia de dimensionamento sao relevantes as caracteristicas fisiogréficas e de ocupagao do solo: geometria, sistema de drenagem, relevo, geologia, solos, vegetacdo e grau de urbanizacao. A area de drenagem (area da bacia hidrografica) é a érea plana (em projecgdo horizontal) limitada pelas linhas de separagao de aguas (linhas de separacao topografica). £ normalmente obtida por planimetria em mapas com escalas da ordem de 1:25000. O relevo de uma bacia hidrografica é geralmente caracterizado por: curvas hipsométricas, altitude média, altura média, inclinagdo média do leito, declividade dos terrenos, comprimento da linha de 4gua principal, etc. Refere-se, pela sua corrente utilizagao em formulas empiricas ou semi-empiricas, a inclinagao média, expressa pelo quociente da diferenca total entre as cotas da seccao do ponto mais alto e da secgao de projecto e a extensio horizontal do curso de agua entre essas secgdes (comprimento da linha de Agua). A consideragao do revestimento vegetal de uma bacia hidrogréfica e do seu tipo de utilizagao tem também importancia na andlise dos fenémenos hidrolégicos, em consequéncia da sua influéncia no escoamento superficial e na infiltracdo. A presenga de bosques e florestas, ao eliminar 0 choque directo das gotas de chuva com a superficie do solo e ao modificar as préprias caracteristicas do solo, favorece a infiltragao e reduz a velocidade do escoamento superficial. A menor ou maior velocidade deste escoamento resulta das caracteristicas do solo. Em LENCASTRE e FRANCO (2003) encontram-se as definicdes dos diversos pardmetros e dos diversos factores que influenciam 0 desenvolvimento das cheias, 2.3 Precipitagao Aaltura de precipitagao, p, ¢ definida como a espessura, medida na vertical, de uma lmina de agua que se acumularia sobre a projeccao horizontal da superficie atingida, se toda a precipitagao ai ficasse retida (LENCASTRE e FRANCO). E normalmente expressa em mm", e corresponde a diviso do volume de precipitacdo pela area da regiao atingida. (1) Timm = 1 iim? = 10 000 Vha = 10 m'sha = 1.000 m/km®,