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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

CENTRO DE TECNOLOGIA – DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÀO EM ENGENHARIA URBANA

DANIELA KUNZ

RESUMO DO LIVRO

PLANEJAMENTO URBANO & ZONING: FLEXIBILIDADE DO MODELO DE


ZONING PARA A COMPETITIVIDADE DAS CIDADES

MARINGÁ
2020
PLANEJAMENTO URBANO & ZONING: FLEXIBILIDADE DO MODELO DE
ZONING PARA A COMPETITIVIDADE DAS CIDADES

DANTAS, Maria G. A. Planejamento Urbano & Zoning: flexibilidade do modelo de


zoning para a competitividade das cidades. João Pessoa: UFPB, 2003. 255 p.

Resultante de uma tese de doutorado dividida em quatro partes, esta obra consta
de uma análise de zoning e dos regulamentos construtivos usados como ferramenta de
implantação do planejamento do urbanismo moderno do mundo.
Neste primeiro livro, correspondente ao capitulo inicial da tese, a autora critica o
modelo de controle urbanístico que vem sendo adotado pela maioria das grandes
cidades brasileiras, concluindo que este seria mais prejudicial que benéfico, e procura
alternativas para o mesmo Dantas também examina a aplicação dos controles
urbanísticos a partir da perspectiva de quem está sujeito a eles, ou seja, os construtores e
empreendedores, e não dos seus instituidores, que seriam os urbanistas e o poder
público.
No que tange à estrutura da obra, esta é dividida em nove capítulos e conclusão.
No primeiro capítulo, a autora nos apresenta o surgimento da ciência de planejamento
das cidades que ocorre em 1910 batizada de Urbanismo e também nos mostra como os
conceitos do Urbanismo Moderno foram gerados e difundidos através da Carta de
Atenas de 1933, elaborada durante o IV Congresso Internacional de Arquitetura
Moderna, realizada na cidade de Atenas. Por conseguinte, faz alguns questionamentos
sobre qual modelo de urbanismo era utilizado antes do modelo de zoning ser difundido
no mundo e posteriormente nos responde essas perguntas, apresentando diferentes
modelos de urbanismos no decorrer dos séculos, em diferentes cidades espalhadas pelo
mundo.
A Revolução Industrial em 1760 passa a ser discutida no Capítulo 2, onde
grandes transformações econômicas e sociais acontecem e o modo de vida da população
se transforma. Temos um grande crescimento demográfico nas cidades e essas passam a
ter problemas que antes não existiam. Ainda neste capítulo, Dantas nos apresenta seis
linhas de pensamento que surgiram com o objetivo de resolver os problemas decorrentes
da urbanização desenfreada: As ideias dos tratadistas, as ideias dos utopistas, as ideias
dos especialistas urbanos e funcionários do governo, as ideias dos higienistas, as ideias
de Marx e Engels e as ideias pragmáticas do urbanismo moderno.
No Capítulo 3, vemos como o zoning foi estabelecido através da Carta de
Atenas, consagrando as ideias da corrente urbanista do pensamento funcionalista e
estabelecendo uma divisão da cidade em zonas separadas por atividades: habitar,
trabalhar, circular e recrear, com o objetivo de proteger o uso residencial da presença
nociva dos demais usos. Várias cidades ao redor do mundo passaram então a consolidar
suas legislações e planos com base nas ideias do zoning. O Capítulo 4 em contrapartida,
crítica o zoning e como esse modelo acabou restringindo a construção de equipamentos
de comércio e serviços em áreas necessárias para a cidade, incluindo escolas e hospitais,
fazendo com que a escassez de terrenos tornasse esses empreendimentos muito mais
caros.
Além do conceito de zoning, o Urbanismo Modernista impôs o conceito de
prédios separados uns dos outros para “evitar a tuberculose” e permitir que o verde
penetrasse na cidade, o que resultou no estabelecimento dos regulamentos construtivos.
Esses regulamentos são fortemente criticados pela autora nos Capítulos 5, 6 e 7, onde a
mesma cita que não há nenhum motivo que justifique a adoção de regulamentos
construtivos como recuos, taxas de ocupação, coeficiente de aproveitamento e gabaritos
de altura, que muitas vezes inviabilizam a construção dentro do lote, provocando a falta
de comodidade da construção e/ou mal aproveitamento do espaço urbano. Esses fatores
fragmentam a cidade, desperdiçam recursos públicos e privados e inviabilizam a
implantação de infraestruturas, prejudicando a qualidade de vida ao invés de melhorá-la.
No penúltimo capítulo, o livro nos mostra como profissionais em todo o mundo
vem criticando esse modelo de urbanismo e apresenta algumas alternativas ao zoning
tradicional, como o space zoning, criado nos Estados Unidos, um novo modelo de
zoneamento extremamente efetivo na permanente proteção de grandes áreas abertas que
não sacrifica terras aproveitáveis do empreendedor.
O último capítulo foge do tema apresentado até então e nos exibe duas fases
posteriores a Carta de Atenas, designadas de “período de pleno emprego” e “período do
desemprego”. O primeiro de 1949 a 1973, caracterizado por um grande
desenvolvimento industrial no país com a implantação de uma poderosa indústria
automobilística onde a nação passou por uma fase de grande otimismo e confiança nas
potencialidades do país. E o segundo período, a partir de 1974, onde o modelo de
desenvolvimento econômico do país passa a enfrentar dificuldades com a volta da
inflação, causando um grande problema vivido atualmente, o desemprego.
Por fim, a autora finaliza sua obra, reunindo uma série de críticas sobre o
modelo urbanístico apresentado, o zoning, e apresenta um conjunto de opiniões que
apontam novas maneiras de exercer um controle urbanístico.