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Orientação Autopsíquica e Alopsíquica

Orientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual temos consciência


plena, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos.

É indubitável que a orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e


do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se
concomitantemente a orientação. A orientação mobiliza, em sua execução, fatores
que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas
operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquica, através da


entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a
noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal,
revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade,
profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação
Autopsíquica.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e


ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção,
da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?
area=ES/VerDicionario&idZDicionario=482

Alterações da Orientação
Orientação é um estado no qual temos consciência de nossa vida, da
situação real em que nos encontramos.
| Psicopatologia |

Foi particularmente após as reflexões de Husserl  e Heidegger que se passou a reconhecer a


distinção entre os duas estruturas temporais, o tempo subjetivo e o tempo objetivo, correspondentes
respectivamente ao tempo do eu e ao tempo do mundo. O primeiro equivale ao tempo interior ou
verdadeiro, ou o tempo imanente das vivências, no dizer de Husserl e, o segundo, é o tempo
cósmico ou cronométrico, o tempo da física, divisível e mensurável por meio de instrumentos.

Em sua análise da consciência do tempo, Husserl assinala que toda vivência real possui uma
duração e se insere em um contínuo infinito, num horizonte de tempo inerente à corrente de
vivências, e que se apresenta como forma de conexão das vivências entre si, na ordem temporal
que inclui o antes, o agora, o depois, o simultâneo, o sucessivo, etc. Mais que isso, a consciência do
tempo é um elemento unificador das vivências, em sua multiplicidade.

Para Husserl, o tempo imanente é algo desvinculado da realidade material e do tempo cósmico. Ele
existe como um fluxo permanente, através do qual se integram e se escoam os momentos concretos
que o constituem o passado, o presente e o futuro. Dessa forma, o tempo imanente é identificando
com a constituição subjetiva da consciência, uma consciência interna do tempo que possibilita a
síntese da existência (transcendental sucessão fenomenológica), isto é, a síntese unificadora e
identificadora da consciência das vivências. Aquilo que na filosofia se chama tempo imanente,
interior ou verdadeiro, em psicopatologia vamos chamar de vivência do tempo ou vivência temporal.
Segundo Jaspers o espaço e o tempo representam as qualidades essenciais na estrutura das
vivências, tanto nas vivências normais como nas patológicas . Seria impossível a representação de
qualquer vivência humana emancipada do espaço e/ou do tempo. Embora nas vivências interiores,
principalmente naquelas destituídas de objeto (reflexão, sentimentos, etc), possa se abandonar a
espacialidade, o tempo, porém, permanece sempre presente.

Segundo Jaspers ainda, o espaço e o tempo só seriam qualitativamente reais para nós quando


ocupados por alguma coisa. Quando vazios, o espaço e o tempo possuiriam um traço comum de
natureza quantitativa em termos de dimensões, continuidade ou infinitude e, ao serem preenchidos,
se tornariam qualitativos. Assim sendo, como espaço e tempo só existem para a pessoa quando
realmente preenchidos, surge o problema sobre o que se deve considerar, exatamente, como
espaço e como tempo.

Ao estudar os problemas relacionados com a vivência do tempo, Jaspers aponta três considerações
preliminares:

1. O saber sobre o tempo  - Refere-se ao tempo objetivo e ao rendimento na avaliação correta ou


falsa dos períodos de tempo e, além disso, à apreensão pessoal correta ou falsa da essência do
tempo.
2. A Vivência do tempo - A vivência subjetiva do tempo não é uma avaliação particular do tempo,
senão uma consciência total do tempo, para a qual o modo de avaliar o tempo pode ser apenas
uma característica entre as demais.
3. Tratar o tempo - O homem deve tratar a situação básica da temporalidade da mesma maneira
como se comporta para com o tempo na espera, no amadurecimento da decisão, a seguir na
consciência biográfica total de seu passado e de toda a sua vida.

A Relatividade Têmporo-Espacial
Alterações das vivências do tempo e do espaço podem ser observadas em estados patológicos
definidos e sempre que estiver prejudicada a relação entre o eu e o mundo. Recentemente, as
categorias tempo e espaço passaram a ser melhor estudadas do ponto de vista psicológico e
sociológico. Esses estudos conceituaram, principalmente, a noção de espaço pessoal e de tempo
vivido.

Há dias muito agradáveis que nos deixam a impressão de terem transcorrido muito rápido, enquanto
a mesma quantidade de tempo passada numa internação hospitalar pode alterar profundamente o
sentido de duração. Também o tempo de expectativa de algum acontecimento bom sempre se nos
parece excessivamente longo.

Também a espacialidade não se percebe simplesmente pela relação de proximidade ou de longitude


físicas. Da primeira vez que percorremos um determinado trajeto, este nos parece sempre mais
longo que das próximas vezes ou mais longo que o trajeto de volta. A mesma distância de um dado
percurso nos parecera maior ou menor, conforme, estejamos empenhados percorrê-la com mais
urgência ou mais despreocupadamente.

Os estudos sobre a consciência do tempo e do espaço, tiveram repercussões consideráveis na


psicopatologia, onde possibilitaram a sistematização de suas alterações nas neuroses e psicoses.
Dentre essas alterações destacamos, inicialmente, aquelas que concernem à dissociação ou
dissincronia entre o tempo do ser e o tempo do mundo, alterações sobre a duração do tempo vivido,
que ora se dilata, ora se comprime, lentificando ou acelerando o nosso devir subjetivo.

Nos estados depressivos e obsessivos, observamos mais uma lentificação, um retardamento ou


inibição do acontecer temporal, ao contrario do que ocorre em certas crises de ansiedade, bem
como nos casos de uso abusivo de drogas entorpecentes, do acido lisérgico ou substâncias afins.

Em esquizofrênicos podemos observar diversos tipos de alterações das vivências temporais,


inclusive quanto à duração do vivido e incluindo o fenômeno chamado de dupla cronologia, a
sensação verdadeira ao lado da sensação de falsa cronologia. Também ocorre, na esquizofrenia e
nos estados de euforia do transtorno do humor, a perda da continuidade da consciência do tempo
onde o paciente carece da noção de um curso temporal, motivo pelo qual o tempo lhe parece vazio,
como se fosse constituído de uma sucessão de presentes desarticulados.
Em relação às alterações das vivências espaciais, as mais importantes são as que dizem respeito
ao espaço natural orientado e ao espaço humoral. Quanto às primeiras, alterações do espaço
natural orientado, são todas aquelas que implicam na quebra da relação do corpo com o seu
ambiente imediato. Aqui se incluem as modificações de tamanho e forma, com que são percebidos
os objetos no espaço visual, tais como as chamadas macropsias, micropsias, dismorfopsias,
dismegalopsias. São fenômenos que podem ocorrer nos delírios toxi-infecciosos, nas psicoses
esquizofrênicas, nas epilepsias (auras, estados crepusculares) e também nas intoxicações
exógenas. Há uma tendência a interpretar como alterações das vivências do espaço natural também
as agnosias ou falsos reconhecimentos, estudados nas alterações da percepção.

As alterações do espaço humoral, mais acima chamado de espaço intuitivo, podem ter algumas
relações compreensíveis com certas fobias, e com conteúdos simbólicos, como é o caso, por
exemplo, da vertigem das alturas, medo de ficar em recintos fechados, atravessar praças, etc. A
vivência do espaço como realidade ameaçadora nos fóbicos traduz um estado afetivo ante o
percebido. Vivência análoga pode ser sentida pelo esquizofrênico.

A Orientação
Orientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual temos consciência plena, em cada
momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos. É indubitável que a orientação
depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez
perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação. A orientação mobiliza, em
sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de
certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquicas, através da entrevista


com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando
fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama,
que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência
lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A


orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo
processamento psíquico dos acontecimentos.

O estado global do psiquismo do paciente pode ser avaliado a partir de sua orientação alopsíquica e
autopsíquica. A noção de espaço, de tempo, da própria personalidade e de suas relações com o
ambiente, apesar de se constituir numa condição mental elementar, representa a síntese de vários
atributos psíquicos isolados. Portanto, a orientação global da pessoa não representa uma função
psíquica isolada, mas o reflexo de outras funções, como é o caso da sensopercepção, da atenção,
da memória, dos conceitos, do juízo e do raciocínio.
Patologia
Examinar a orientação, tanto a auto quanto a alopsíquica, estamos avaliando as noções do paciente
sobre si mesmo, sobre seu estado atual e sobre suas relações com o restante do ambiente. Tendo
em vista a complexidade funcional da orientação, como vimos acima, os quadros onde esta se
encontra alterada da orientação não devem ser considerados como sintomas autônomos, senão
como conseqüência de vários fatores psicopatológicos.

Na desorientação autopsíquica total, o indivíduo não sabe quem é. Normalmente esse


desconhecimento da própria identidade se verifica nas amnésias totais traumáticas, nos estados de
acentuada obnubilação da consciência ou na evolução extremas dos processos demenciais. Bem
mais freqüente é a chamada falsa orientação autopsíquica. É a que acomete os enfermos delirantes,
quando se auto atribuem uma nova identidade ou quando assimilam a personalidade de figuras
fantasiosas de seus delírios.

Nos esquizofrênicos pode ocorrer ainda uma dupla orientação, isto é, uma orientação verdadeira ao
lado de uma falsa. É o caso, por exemplo, do paciente que responde encontrar-se numa igreja,
escola ou prisão, porque se delira acreditando incumbido de alta missão moral ou educativa, ou
porque se supõe prisioneiro, seqüestrado, vítima da polícia, de associações secretas, de
organizações políticas internacionais mas, ao mesmo tempo ou logo a seguir, mostra saber que se
acha no hospital e que está diante do médico.
Os distúrbios da orientação podem manifestar-se de modo global ou atingir, preferentemente,
apenas uma das facetas da orientação. É, por exemplo, o que acontece no delirium tremens, onde
se observa conservada a orientação autopsíquica, junto com a mais completa desorientação
alopsíquica (no tempo, no espaço e nas relações do enfermo com o ambiente). Em geral, nos
doentes mentais, verifica-se que, em primeiro lugar, há perda da orientação no tempo, depois no
espaço e, por último, em relação à própria pessoa.

Também pode ocorrer desorientação têmporo-espacial completa diante de extremo desinteres-se,


como acontece em esquizofrênicos, ou dependente de insuficiente apreensão e fixação de
estímulos sensoriais por desatenção e desinteresse nos depressivos mais graves (estupor
depressivo). Pode ainda ocorrer ofuscação geral da consciência, logo, desorientação global, nos
estados crepusculares epilépticos e histéricos, ou nas síndromes confusionais das psicoses tóxicas
e infecciosas agudas.

Examinar a orientação, embora seja relativamente simples e acessível, pode ser considerada como
a investigação da essência estrutural da consciência. Portanto, para bem avaliar suas perturbações,
não basta nos limitarmos às perguntinhas costumeiras da rotina hospitalar mas sim, nos dedicarmos
à uma entrevista mais completa, demorada e minuciosa.

Desde Kraepelin se consideram a multiplicidade de fatores na orientação da pessoa e se distinguem


3 tipos de desorientação, segundo a mesma estivessem na dependência de alterações da
percepção, portanto, decorrente de alterações da vida instintivo-afetiva, alterações da memória,
ligada ao bloqueio dos processos mnêmicos e, finalmente, conseqüente a alterações na formação
dos juízos da realidade. A primeira pode ser chamada de desorientação apática, a segunda de
desorientação mnêmica e a terceira de desorientação delirante ou amencial, conforme veremos
adiante.

Desorientação Apática
Como vimos acima, a Desorientação Apática depende de alterações da percepção, ou seja, de
alterações decorrentes da vida instintivo-afetiva. Embora o paciente esteja lúcido e perceba com
clareza sensorial o que se passa no ambiente à sua volta, existe enorme falta de interesse,
expressiva inibição psíquica e insuficiente energia psíquica para a elaboração da representação e
do raciocínio. O paciente percebe todas as particularidades do ambiente mas não tem capacidade
para integrar essas informação e formar um juízo sobre a própria situação. A Desorientação
Apática ocorre nos estados de profunda e grave depressão.

Desorientação Amnéstica
As perturbações da memória, que se acompanham de deficiência ou incapacidade de fixação
resultam numa desorientação no tempo e no espaço denominada de Desorientação Amnéstica.
Caracteriza-se pela incapacidade que o enfermo demonstra para fixar os acontecimentos e,
conseqüentemente, para orientar-se no tempo, no espaço e em suas relações com as pessoas do
ambiente.

Desorientação Amencial e Desorientação Delirante


Tanto os casos de obnubilação da consciência quanto os estados delirantes se acompanham de
dificuldades da compreensão e, por conseqüência, de alterações da síntese perceptiva. As
alucinações e a impressão das percepções, observadas nesses casos, influem também no
aparecimento da Desorientação Amencial. Fala-se em Desorientação Amencial para aquela que se
observa no delirium tremens e nas psicoses orgânicas, onde se verificam alucinações e transtornos
da compreensão que dificultam a orientação.

Nas psicoses esquizofrênicas falamos em Desorientação Delirante, onde, apesar da completa


lucidez da consciência, observa-se um tipo de desorientação resultado da adulteração da situação
no tempo e no espaço. Nesses casos, é muito freqüente observar também uma dupla orientação, a
delirante ao lado da orientação normal, como dissemos acima. De sorte que os pacientes possam
estar orientados no tempo e no espaço mas, por outro lado, podem acreditam que se encontram
numa prisão ou no inferno.

Desdobramento da Personalidade
Hoje em dia os casos de Desdobramento da Personalidade são considerados como dependentes de
auto-sugestão, tratando-se em geral de pessoas histriônicas (histéricas), mas, de qualquer forma, há
uma evidente desorientação autopsíquica onde o paciente, desdobrando-se em outra personalidade,
perde a orientação da original.

Despersonalização
O fenômeno conhecido como Despersonalização pode ser observado em alguns casos de reações
afetivas muito intensas, em casos de acessos febris toxi-infecciosos e em certas intoxicações
exógenas. Trata-se de um estado mental particular, de natureza paroxística, de rápida ou longa
duração, caracterizado por um inexplicável sentimento de estranheza. Essa sensação de estranheza
é inicialmente relacionado com o meio exterior e se estende, progressivamente, até a própria
personalidade.

Nessa situação o paciente assiste inerte ao desenrolar de sua vida psíquica, como se aquilo não
estivesse relacionado com sua pessoa. Concomitantemente ele conserva um incrível estado de
apatia.

Estados Patológicos
Alterações da Consciência
Em todos os casos que se acompanham de delírio oniróide, bem como nos casos onde há
estreitamento da consciência, como por exemplo nos Estados Crepusculares, se observa
desorientação alopsíquica e, freqüentemente, desorientação autopsíquica. O grau de desorientação
desses pacientes varia de acordo com a intensidade do transtorno da consciência. De modo geral, o
paciente está desorientado no tempo e no espaço e desconhece por completo o lugar e as pessoas
que se encontram em sua presença.

Nessas alterações da consciência seguidas de desorientação a pessoa não tem capacidade para
identificar os objetos que lhe apresentamos ou erra quando tenta identificá-los. Normalmente ele
não sabe dizer sua idade, a data, mês e ano, confunde as diferentes períodos do dia e não se
recorda do que fez no dia anterior. Há confusão entre os planos da realidade objetiva e o mundo
subjetivo.

Delirium tremens
No Delirium Tremens, o paciente apresenta uma falsa orientação em relação ao tempo e ao espaço,
mas normalmente se mantém bem orientado quanto à própria pessoa. Apesar do delirante tremens
ser altamente sugestionável a respeito da situação, local onde se encontra, de objetos imaginários,
de linhas, animais, etc., não é possível sugestioná-lo quanto a sua identidade. A desorientação
alopsíquica, no delirium tremens, é uma conseqüência de falsas percepções, de alucinações e
vivências oníricas ligadas à obnubilação a consciência, o que determina a fabulação delirante.

Sindrome de Korsakov e Psicoses orgânicas


Na Síndrome de Korsakov, como no Delirium Tremens, a orientação alopsíquica se acha
profundamente alterada e a orientação autopsíquica está conservada. Em decorrência dos
distúrbios da memória, existe também uma desorientação amnéstica, especialmente cronológica no
tempo, embora os pacientes conservem relativa orientação no meio em que se encontrem.

Nas Psicoses Orgânicas os pacientes vão perdendo progressivamente a orientação alopsíquica. No


início da doença, principalmente nos quadros aterosclerótidos, ocorre desorientação apenas durante
a noite e por breves espaços de tempo. Mais tarde eles se desorientam também durante o dia.

À medida que a demência se vai se agravando, há perda completa da orientação no tempo e no


espaço, chegando, nos casos mais graves a perda também da orientação autopsíquica. É neste
ponto que falamos em desorientação amnéstica, caracterizada pela incapacidade do doente de
saber a data de sua internação, o dia, o mês e o ano em que se encontra. Portanto, a chamada
desorientação amnéstica é própria dos dementes senis, nos quais resulta de alteração profunda de
fixação, de perturbações da compreensão e do raciocínio.

Esquizofrenia
Nos esquizofrênicos catatônicos, a orientação no tempo, no espaço e em suas relações com as
pessoas do ambiente está muito prejudicada, havendo inclusive, severa alteração da memória, da
atenção e completa falta de interesse pelas ocorrências do mundo exterior. Foi nos catatônicos
que Kraepelin observou a chamada desorientação apática, descrevendo-a como um estado especial
em que o paciente está impossibilitado de perceber a significação do que vê e ouve, permanecendo
durante semanas inteiras sem manifestar nenhuma preocupação sobre o lugar onde se encontra e
quais são as pessoas que o cercam, ou há quanto tempo se acha internado no hospital.

Os esquizofrênicos hebefrênicos costumam demonstrar certa desorientação em relação ao pessoal


à sua volta e ao meio hospitalar, porém, podem estar melhor orientados no tempo e no espaço. Já
os esquizofrênicos paranóides costumam ter boa orientação no tempo e no espaço, mas estão
desorientados em relação à própria situação. Em alguns casos, observa-se a chamada dupla
orientação, comentada acima, percebendo uma orientação de caráter delirante ao lado da
orientação correta. De qualquer forma, todos os tipos de esquizofrenia são acompanhados de
prejuízo na consciência da própria situação de morbidade.

Transtornos do Humor
Os pacientes afetivos costumam manter sempre uma boa orientação auto e alopsíquica, muito
embora, em alguns casos de episódios de euforia possa haver fuga de idéias de natureza
confusional e desorientação quanto a própria situação ou quanto à morbidez. É comum esses
pacientes maníacos se acharem muito bem e sadios, não conseguindo explicar os motivos da
internação. A orientação em geral, entretanto, não se mostra alterada.

A pessoa psiquicamente normal deve, além de identificar-se, ter noção de sua situação a qualquer
momento, deve saber perfeitamente onde se encontra, o dia, o mês e o ano atuais e qual a sua
situação em relação ao ambiente. A consciência humana deve ser plena e absolutamente lúcida
para que se estabeleçam ligações eficientes entre o momento presente e o passado,
estabelecendo-se a noção exata do tempo ou da época em que nos encontramos.

para referir:
Ballone GJ - Alterações da Orientação in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br,
revisto em 2005

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=203

Algo sobre o Espaço e o Tempo


Em Heidegger, a noção do tempo adquire significado ontológico, sob o nome de temporalidade, o
fundamento último do existir; se existe-se, existe-se durante algum tempo. O tempo é aqui o sentido
mesmo da vida, algo inerente a ser-no-mundo. Cumpre recordar, todavia, que, na concepção
de Heidegger, a existência humana é sempre um ser com outros, é sempre uma coexistência.
Portanto, há uma tendência humana a reunir os objetos do mundo e a aproximá-los do ser,
mediante um outro fundamento existencial - a espacialidade. Para Heidegger, o mundo é uma
construção subjetiva que abrange, inclusive, o ser-à-mão, isto é, os instrumentos que me servem e
de que me sirvo, vale dizer, os instrumentos que me são úteis - entes e coisas manejáveis pelo ser,
enquanto tais. Claro está que um instrumento útil nunca se apresenta isolado, ele o faz sempre
como parte de um conjunto de outros instrumentos uteis. O ser-à-mão localizável no espaço integra
todo o imenso complexo do servir-para, como por exemplo, uma cadeira que serve para sentar, um
martelo que serve para bater, um professor que serve para ensinar, um jornalista que serve para
escrever ... e assim por diante) .

Para Heidegger a noção global de espacialidade compreende todas as formas e tipos de espaço


que se conhecem, desde o espaço euclidiano da Geometria, de três dimensões, até o espaço dito
homogêneo, da Física de Newton, passando pelo chamado espaço natural de orientação, que é o
espaço das esferas sensoriais (visual, acústica, táctil) e graças às quais o indivíduo se orienta em
seu ambiente imediato e indo, finalmente, ao espaço presenciado, aquele em que o indivíduo está
presente e se movimenta, digamos, ao dançar, livre de compromissos direcionais e situativos e ao
espaço histórico, vinculado a certas características da terra natal e da morada do indivíduo, além do
denominado espaço humoral de Binswanger.

Para Jaspers haveriam três condições espaciais; o espaço natural de orientação,  o espaço


intuitivo e o espaço ideal. Primeiramente, é necessário distinguir o espaço natural de orientação tal
como é percebido pela pessoa, de acordo com a orientação atual a partir do centro do próprio corpo
em sua estrutura qualitativa, ou seja, direita e esquerda, em cima e embaixo, perto e distante. Esse
espaço é apreendido através dos movimentos, pelas impressões táteis, ou pelo olhar e nos oferece
a verdadeira noção de posição do nosso corpo no espaço. Em segundo lugar, o espaço intuitivo do
mundo tridimensional em que nos movimentamos, no qual levo comigo constantemente meu espaço
natural de orientação Trata-se do espaço que recebe uma conotação afetiva, além de natural. Mais
adiante identificamos esse espaço intuitivo com o espaço chamado humoral. Em terceiro lugar, o
conhecimento do espaço ideal, relativo à matemática dos espaços não euclidianos, que são objetos
não intuitivos de uma construção ideal, ou seja, um espaço existente mais no mundo das idéias.

Algumas vezes falamos também em espaço pessoal, querendo referir uma área cujos limites,
embora não sejam definidos de maneira muito precisa, pressentimos subjetivamente sua existência
(é quase o mesmo conceito de espaço intuitivo ou humoral). Ninguém aceita de bom grado a
invasão do seu espaço pessoal mas, no que se refere à sua delimitação, existem influências de
natureza social, cultural e relacionadas com o próprio temperamento da pessoa.

Não está tão errado alguém dizer fulano é muito espaçoso, sugerindo com isso uma certa
comodidade e exigência de autonomia. Culturalmente, alguns povos necessitam espaços pessoais
maiores que outros, como é o caso, por exemplo, dos povos germânicos em relação aos latinos. O
espaço pessoal costuma ser estabelecido a partir de interações pessoais ou, algumas vezes, da
distância entre pessoas. Existem regras muito rígidas, apesar de não claramente definidas, com
referência à distância inter-pessoal, algumas vezes relacionadas intimamente com as classes
sociais ou culturais.

Em várias situações do cotidiano pessoas de diferentes classes sociais ou culturais podem coabitar
um mesmo recinto (espaço) geográfico, como uma casa ou uma sala, sem contudo estarem
próximas pessoalmente. Nessas situações demasiadamente comuns, apesar de todos participarem
do mesmo ambiente, do mesmo espaço, as distâncias sociais não são esquecidas. Nestes casos a
distância individual está bastante afastada do espaço pessoal. A violação da distância individual
representa a violação das leis sociais e, conseqüentemente, constitui a invasão do espaço pessoal
ou a intrusão nas fronteiras do eu individual.
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Síndromes Cognitivas
Ricardo Schmitt, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem uma página
sobre Síndromes Cognitivas, antigamente denominadas Síndromes Cerebrais Orgâncias onde
aparecem as alterações da orientação. Veja um trecho:

"As Síndromes Cognitivas  eram conhecidas anteriormente (e ainda são p/ alguns clínicos) como
síndrome cerebral orgânica, uma vez que é possível se estabelecer causas bem definidas p/ os
seus sinais e sintomas (ex. demência por traumatismo crânio-encefálico - TCE, delirium por
encefalopatia hepática e etc...). O objetivo dessa nomenclatura era fazer um contraponto aos
transtornos psiquiátricos como esquizofrenia e depressão, cujas bases orgânicas não eram bem
conhecidas há alguns anos. Atualmente, no entanto, não há mais razão para se duvidar das causas
orgânicas e modificações estruturais nas doenças psiquiátricas, ficando portanto essa diferenciação
(divisão corpo-mente) inadequada.

Síndromes Cognitivas são anormalidades psicológicas e/ou comportamentais, transitórias ou


permanentes, cuja principal manifestação é um comprometimento importante na cognição. Há
prejuízo principalmente em seis áreas:  Consciência, Atenção, Sensopercepção, Orientação,
Memória e Inteligência. Reações emocionais como vergonha, humor deprimido, ansiedade e
irritabilidade também podem estar  presentes." Veja tudo

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Orientação

Carlos Eduardo Sandrini De Castro, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, tem uma
página sobre Funções Psíquicas bastante didática onde explica as questões da orientação em
psicopatologia. Veja um trecho:

"Complexo de funções psíquicas em virtudes das quais temos consciência, em cada momento de
nossa vida, da situação real em que nos encontramos", ou seja, é a capacidade de situar-se em
relação a si e ao mundo no tempo e no espaço. É bastante complexo e exige a inter-relação entre
vários dados psíquicos. A orientação requer atividades mentais como tendências instintivas,
percepção, memória, atenção e inteligência. Alterações nestas atividades mentais podem levar à
graus variados de desorientação.
Orientação autopsíquica: relativa ao próprio indivíduo, ou seja, à capacidade de fornecer dados de
sua identificação, saber quem é, seu nome, idade, nacionalidade, profissão, estado civil, etc.

Orientação alopsíquica: relacionada ao tempo e espaço, ou seja, à capacidade de estabelecer


informações corretas acerca do lugar onde se encontra, tempo em que vive, dia da semana, do
mês, etc.

As desordens destes dois estados são chamadas de desorientação autopsíquica e alopsíquica,


respectivamente. Essas alterações dependem estritamente do tipo de perturbações das funções
psíquicas a que se acham subordinadas a orientação no tempo, no espaço e sobre si próprio. Em
geral, a desorientação ocorre de modo gradual, inicialmente em relação ao tempo, depois ao
espaço e a ultima a ser alterada é a autopsíquica. Os tipos de desorientação distinguem-se ainda
em três outras formas:

Desorientação apática: decorrente de alterações da vida instinto-afetiva. Paciente está lúcido e


percebe com clareza e nitidez o que se passa no mundo exterior, porém há falta de interesse,
inibição psíquica ou insuficiente energia psíquica para a elaboração das percepções e raciocínio. O
enfermo percebe o ambiente porém não forma um juízo sobre a sua própria situação. Ocorre com
frequência em esquizofrênicos crônicos e em quadros depressivos.

Desorientação amnésica: relativa ao bloqueio dos processos mnêmicos. Incapacidade do doente


em fixar acontecimentos (memória) e consequentemente, incapacidade de orientar-se no tempo,
espaço em relações com outras pessoas. Pode ocorrer em pacientes com quadros demenciais.

Desorientação delirante: produzida por perturbações do juízo de realidade, devido à presença de


falsos conteúdos (ou conteúdos anormais) no campo da consciência. Pode ocorrer em pacientes
que estão psicóticos: na esquizofrenia, na mania e depressão psicótica. Os esquizofrênicos com
desorientação delirante geralmente apresentam, também, dupla orientação.

Dupla orientação: permanência simultânea da orientação verdadeira ao lado de uma falsa, ou seja,
o mundo real sincrônico ao mundo psicótico, como ocorre em esquizofrênicos. Por exemplo, um
paciente orientado em tempo e lugar que acredita estar no inferno ou em uma prisão.

Desorientação com turvação da consciência: aqui a pessoa encontra-se desorientada pois está com
comprometimento do nível de consciência. Ocorre no delirium, seja no causado devido ao álcool
(tremens) ou por doenças físicas e/ou medicamentos.

Desorientação oligofrênica: A pessoa está com alteração do nível de orientação pois este não
possui inteligência para correlacionar ambientes, pessoas, dias, etc. Pode ocorrer no retardo
mental.

No Exame Psíquico é importante: Observar desorientação no tempo, pelo correto conhecimento do


dia, mês, época do ano, dia da semana e ano. Observar se o paciente tem noção do tempo
decorrido no hospital ou entre eventos recentes. Quanto ao espaço, perguntar sobre o lugar (nome
do hospital, andar, cidade, endereço). Quanto à pessoa, perguntar sobre dados pessoais (nome,
idade, data de nascimento), bem como sobre familiares." Veja tudo