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Crítica | Ergo Proxy, O Existencialismo Filosófico Em

Forma De Anime

Filosofia, existencialismo, razão e o vazio fazem de Ergo Proxy um dos animes mais
interessantes da última década.
O texto é elaborado para quem já viu o anime, então se não assistiu – ele já tem 12
anos. Suma daqui!
Ergo Proxy é tão superior que já quebra as pessoas pela sua abertura. Coisa que até hoje
poucos animes fizeram. Apenas veja:

Mas de volta ao anime, Ergo Proxy, ou conhecido no Japão como algo semelhante a “Erugo
Purakushī” é uma obra que estreou no canal Japonês “WOWOW” em 25 de Fevereiro de
2006, sendo dirigido por Shikou Murase (Gangsta, Witch Hunter Robin…) e com roteiro de Dai
Sato (Freedom, Eureka Seven…) produzido pelo estúdio Manglobe (Deadman Wonderland,
Gangsta…). A obra cheia de elementos góticos, psicológicos e Cyber Punk, foi inicialmente
muito bem recebida, apesar que após se revelar de fato, acabou sendo bastante contestada
tanto no Japão, quanto fora. Porém apesar de não ter conquistado todos os corações,
conseguiu boa reputação, e posteriormente em julho de 2008 a Geneon Entertainment e a
Funimation Entertainment até mesmo trouxeram oficialmente o DVD da obra para ser
comercializada na América do Norte, dando sinal de que a obra era lucrativa o suficiente para
ganhar investimento, mesmo fazendo mais de dois anos do lançamento original. De 2006 até
2007 também foi lançado um mangá com o nome de “Ergo Proxy: Centzon Hitchers and
Undertaker” inspirado no universo da obra, o mangá bastante curto encerrou com apenas 2
volumes, totalizando 10 capítulos.
Ele foi feito em um estilo de animação novo para sua época, a mistura de 2D com uma
modelagem computadorizada em 3D chama atenção a distancia, assim como a protagonista
feminina, Re=L, que para quem não notou foi inspirada em Amy Lee, que na época estava
fazendo um tremendo sucesso. Além da parte gráfica ousada, o anime vem trazendo um
enredo complexo, confuso e profundo. De fato o público alvo da obra é Seinen, ou seja, um
público mais velho e definido na vida, mas o que você precisa saber é que para entender
completamente a obra você vai precisar de muito conhecimento filosófico extra…
…e nos apresenta a um terrível futuro distópico onde um apocalipse ambiental finalmente
ocorreu, e o que resta no mundo são algumas “cúpulas” onde a vida humana pode existir sem
problemas. A história se inicia em um dessas cúpulas conhecida como “Romdo” um lugar
onde quase tudo é artificial, e a vida humana quase beira a perfeição. Em Romdo seres
humanos são gerados através de úteros artificiais, e cada pessoa já nasce com sua “raison
d’être” ou literalmente “Razão de ser”. Liderada por Donov Mayer, avô da protagonista da
história, a população de Romdo quase não tem vontade própria, e vivem baseados em
ordens, e em sua própria razão de ser. Cada humano nesse futuro anda acompanhado por
um Autoreiv (Android) que os auxilia em seus afazeres cotidianos. Tais Androids tem uma
inteligência artificial tão profunda, que podem até mesmo compreender dilemas humanos e os
auxiliar a encontrar respostas, mas apesar disso eles não tem de fato uma existência. O
enredo começa a correr de fato quando um vírus nomeado Cogito começa a infectar os
Autoreiv, e faz com que eles comecem a agir por vontade própria, e isso muitas vezes acaba
em assassinatos e desastres.
Ergo Proxy carrega logo em seu enredo inicial algo extremamente incomodo! Vamos pensar
sobre o enredo? Cada humano nasce com uma Razão de Ser “de fábrica”, isso já vai contra o
que acreditava Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês do século XIX considerado
pai do existencialismo, que sustentava a ideia de que “indivíduo é o único responsável em dar
significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada”. Bom, o que há de tão
ruim em ir contra as palavras de um filósofo antigo não é mesmo? Basta assistir Ergo Proxy, e
é fácil entender como ir contra esse caminho natural pode acabar sendo ruim…
O Vírus Cogito, que chega para arrasar com a complexa sociedade, nada mais é que a
consciência, que infecta os Androids, lhes concedendo uma alma, fato esse que é revelado
não só através do enredo, como também na ending da obra de nome “Paranoid Android” que
durante a música conta a história de um Android consciente, inclusive o Vírus Cogito leva um
nome que nos sugere tal fato. Cogito, vindo da famosa frase em latim de René Descartes:
“Cogito, ergo sum” ou “Penso, logo existo”. Questionar a própria razão de existir, leva os
Androids a descontrole, fúria, e enfim a cometer atos antes impossíveis para eles em Ergo
Proxy.  

E cá entre nós, os filósofos do “Existencialismo” eram bastante dramáticos com a questão


da existência, resumindo o pensamento de muitos posso adicionar que vários deles
encontraram a conclusão de que se caso Deus não existisse, não haveria motivo para existir,
logo o suicídio ou a admissão de uma vida miserável e desgraçada são as únicas opções,
logo a fé é necessária para uma vida esperançosa. Indo nesse caminho, Ergo Proxy nos
apresenta a criaturas humanoides que quando ganham o direito de existir, preferem matar
seus donos, ou cometerem suicídio, afinal eles diferentes dos humanos não tem a razão de
existir, logo é melhor a morte, já que não são humanos com fé e um pós morte esperado por
todos.
Dividindo protagonismo com Re=L temos Vincent Law, um estrangeiro que logo de inicio
aparenta ser diferente de qualquer outro humano, afinal ele parece não ter uma razão de ser.
E de fato não tem mesmo… Do lado de fora do domo apenas poucas pessoas doentes e
miseráveis vivem. O céu coberto por nuvens negras impede o sol de aparecer, a terra
devastada, o vento que corre livre sobre a superfície vazia, a escuridão e a solidão. A morte
parece estar livre sobre a terra, e não permite que nem mesmo as mais asquerosas criaturas
sobrevivam. Por que precisaríamos de um herói? Não precisamos… Vincent nem precisa se
incomodar em tentar ser um…
Quantas vezes não quis ser protagonista de um enredo pós apocalíptico? Combater Zombies,
Titans, Kabanes, seja o que for, existe um inimigo, que tornou a terra impossível de ser
habitada, e você, o herói, tem como objetivo reaver a terra para os seus, matar o vilão, e
pegar a mocinha(o). A “razão de ser” de um protagonista é vencer o antagonista e demonstrar
que o bem sempre vence. Lutar contra o que está errado, e tornar certo. Abrir espaço para
que todos sejam diferentes ou semelhantes, possam viver em paz. Agora, eu levanto o
questionamento: Qual é a razão de ser de um protagonista sem antagonista? Qual a
batalha de um herói que não tem como vencer? Esse é o cenário proposto em Ergo Proxy.
Um mundo onde quem causou a destruição foram humanos, humanos esses que já morreram
há várias gerações. O mundo está deserto, a vida abandonou a terra, existem inimigos, mas
não um motivo para lutar contra eles. Arriscar a vida para conseguir um pedaço de pão? Lutar
por um amontoado de metal retorcido para usar como teto? Não existem milagres, não
existem soluções. Todo o apocalipse popular da cultura pop é baseado em liberdade, um
mundo sem regras, e com objetivos bem definidos que se cumpridos levam a sobrevivência
da espécie e a exaltação de um herói. Em contrapartida, Ergo proxy tem como cenário um
último instante de sobrevivência de uma espécie, onde sobreviver é bem mais doloroso que
morrer. Por um longo espaço do enredo, o protagonista luta sem motivo, vive sem razão, isso
faz o enredo parecer bagunçado, mas a verdade é que ele é apenas triste, vazio e
realístico.
Em Romdo quem reina é Donov Mayer, um homem velho e debilitado, com ideais bastante
questionáveis, e que se faz existir através de quatro estátuas baseadas em algumas das obra
de Michelangelo, e que são nomeadas em homenagem a quatro grandes filósofos: Derrida,
Lacan, Husserl e Berkeley. Tal homem tem como ambição dominar a tecnologia há muito
deixada por ancestrais humanos, para agirem como deuses sobre a terra, chamados Proxy.
Em todo o caos do enredo, encontramos o nosso protagonista Vincent Law, se descobrindo
ser o “Mensageiro da Morte”, aquele que vem para marcar o fim de algo, nesse caso
aparentemente o fim da existência humana, fato que mais tarde vem a se desenrolar com o
verdadeiro fim de Romdo, mas o prevalecimento da raça humana. Em cenário de fundo, o
anime nos revela a verdadeira função dos proxy, que foram deixados para preservar cada
domo, mas quando suas missões terminassem, certamente morreriam, sem nenhum tipo de
recompensa ou motivo, tal função descontrolou a maior parte deles, e por um tempo
perturbou até mesmo Vincent Law, que busca uma razão de ser. Um protagonista
desmotivado, e que se descobre como vilão.
Ergo Proxy é complexo, filosófico, e tem em seu enredo alguns sub temas bem incomuns em
animes como o Biopunk e o apocalipse ambiental. Mas o que considero a maior
particularidade dessa obra é a “falta de motivo“, a “falta de objetivo” para os personagens,
que são movidos pela busca da razão de ser. Re=L é o tempo todo movida por sua razão de
ser, que é questionar. Ela questiona tudo, e busca resposta para qualquer acontecimento.
Não é preciso ser grande, e interessante para causar atenção nela, afinal o mundo está
destruído, nada de realmente importante existe mais, a própria sobrevivência é um esforço
quase desnecessário, viver se tornou uma tortura, mas para esse personagem, o
conhecimento ainda vale a pena o esforço, contrastando com grande parte do elenco, que se
demonstra apenas viver por medo da morte. Vincent Law como afirmei acima, é um herói sem
vilão, e quando é carregado por Re=L a buscar a verdade, acaba se deparando com uma
realidade, onde ele mesmo é o vilão que ele mesmo busca. No fim, não tem a quem culpar…
Já tive a oportunidade de ler comentários de pessoas que afirmam que Ergo Proxy não é
interessante, e nesse texto do inicio ao fim eu preferi provar ao contrário; é interessante até
demais. Um futuro pós apocalíptico onde há solução é uma fantasia tão egocêntrica, que
chega a ser infantil. Muitos desejam viver uma situação semelhante, e depositam essa
vontade em obras que seguem esse ritmo egocêntrico de destruir o mundo, para um herói
salvar e reconstruir, para no fim ser como era antes. Após os Titans morrerem, os Zumbis
perecerem, e os Kabanes desaparecerem, o mundo enfim volta a ser normal, sem existência
do sobrenatural, aventuras ou heróis. Após o vilão morrer, um herói é desnecessário, e perde
a sua “raison d’être“, após a guerra soldados se tornam indesejados, são tratados como
desequilibrados e afastados da sociedade. Em Ergo Proxy, para começo de conversa nunca
foi necessário um herói, e no fim ninguém acabou se tornando o grande vilão, o enredo
apenas iniciou, passou, e aconteceu; sem deixar para trás grandes culpados ou heróis, uma
obra singular e bastante interessante de observar.

http://quintacapa.com.br/critica-ergo-proxy-o-existencialismo-filosofico-em-forma-de-anime/
Ergo Proxy: Mistério, suspense e
muita filosofia.
Existem os mais diversos tipos de animes aqueles que possuem com objetivo apenas nos divertir,
nos relaxar e aquelas que buscam nos fazer refletir. Ergo Proxy é um deste animes que possibilitam
uma grande reflexão.

Ergo Proxy é um anime original lançado em 2006 possuindo 23 episódios, sendo uma produção do
falecido estúdio Manglobe (Michiko to Hatchin, Gangsta, Samurai Champlo) com direção
de Murase Shuukou (Genocidal Organ, Witch Hunter Robin) tendo Satou Dai como principal
roteirista e com Onda Naoyuki como responsável pelo design dos personagens e Ike
Yoshihiro como compositor da trilha sonora da série.

Sinopse: Num futuro distante, a humanidade conseguiu sobreviver, mas apenas em cidades


isoladas dentro de domos, utilizando amplamente de clonagem e servos robóticos chamados
AutoReivs. A história começar apresentando a cidade de Romdo que é estritamente controlada por
uma administração dedicada a preservar seu modo de vida “utópico”. Mas o vírus Cogito está
fazendo com que as AutoReives se tornem independentes e está levando a procurar escapar da
cidade. Re-l Mayer, neta do governante da cidade está trabalha com investigadores de casos
relacionados ao vírus, e acaba por descobrir que existe alguma ligação  entre o despertar dos
AutoReivs com algo chamado Proxy. Na tentativa de aprender mais, Re-l se depara com um
segredo que a administração está tentando desesperadamente esconder.

Ergo Proxy claramente é uma obra dos gêneros mistério e suspense, sendo que ela consegue
trabalhar de forma satisfatória estes elementos, revelando aos poucos pistas sobre a verdade de seu
mundo, mas sem entregar as respostas diretamente aos seus espectadores. Mas Ergo Proxy não é
uma simples obra de mistério e suspense, mesmo tendo estes elementos com uma grande
importância em sua narrativa. O grande objetivo da obra é levantar e trabalhar questões filosóficas e
psicológicas, mas como qualquer obra do tipo não espere resposta às perguntas feitas nela, isso é
totalmente com você. Ao longo da jornada dos protagonistas Rei-l Mayer, Vincent Law e da
AutoReivs infectada com o vírus Cogito, Pino, são iniciadas diversas discussões como:  “Qual o
papel de cada um na sociedade?”, “O que distingue um humano de uma maquina?” etc, mas é fácil
nota que o principal tema da série é a discutida pergunta “Qual o sentido da vida?” e  a pergunta
diretamente derivada á anterior “ O que fazer caso eu perca o que dava sentido á minha vida?”

Falando um pouco sobre os personagens basicamente todos eles são interessantes e trabalhados de
forma bem satisfatória, mas destaco a Pino, que ao longo da série vai passando por uma sutil
evolução por conta do vírus Cogito, clara referencia frase em latim cogito ergo sum do filosofo
René Descartes “penso, logo existo”.

Possivelmente por ser passar em um mundo arrasado por problemas climáticos, possivelmente os
efeitos de uma grande poluição a série possui num paleta de cores bastante sombrias, algo que
mesmo sendo compreensível não consegui apreciar ao longo de toda série. Outro ponto que me
incomodou na série foi o quanto ela se arrastou em certos momentos de sua narrativa. Como é de
ser espera deste tipo de série ela não exige muito de sua animação na maior parte do tempo, mas ao
menos quando é necessário cenas de maior movimentação Ergo Proxy consegue se sair bem. A
série possui uma ótima trilha sonora, que consegue passar muito bem as emoções para cada cena,
mas destaco como usaram bem o silencio ao longo da série, ajudando a criar o clima contemplativo
que a série propõe.

Ergo Proxy cumpre bem sua proposta, conseguindo nos fazer refletir, apenas me incomodou o ritmo em
alguns momentos, sendo que acredito que talvez a série funcionasse melhor ao menos comigo se fosse
menor.

https://999animemanga.wordpress.com/2018/05/05/ergo-proxy-misterio-suspense-e-muita-filosofia/

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