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bmc-switzerland.

com/urs
EDITORIAL

“O BTT TEM O
CONDÃO DE NOS
CONECTAR COM O
MEIO AMBIENTE”

UM NOVO
SOPRO
Convenhamos, o vírus destruiu uma boa parte do tecido económico do
nosso país, deitou por terra o crescimento que algumas empresas esta-
vam a sentir e colocou novamente o desemprego em taxas que não atin-
gíamos há mais de meia dúzia de anos. Mas trouxe outro lado, menos
visível, menos palpável, mas – atrevo-me a dizer – mais alegre. Aqueles
que já recomeçaram a pedalar, como nós, voltaram a sentir aquela ale-
gria inigualável de estar em contato com a natureza. O BTT tem o con-
dão de nos conectar com o meio ambiente e se dúvidas houvesse sobre
o efeito retemperador a nível físico e psicológico, isso ficou mais que
provado logo nas primeiras voltas pós-Covid. Ao fazermos BTT em plena
natureza, o nosso organismo produz endorfinas, mais conhecidas como
as hormonas da felicidade, ajudando a aliviar o stress. Muitos aproveita-
ram para pedalar mais do que nunca, somando quilómetros, boa forma
física e, em suma, mais saúde. JÁ NAS
BANCAS!
Há também novos praticantes que chegaram à modalidade e isso nota- Já está à venda (também em
se na procura de bicicletas nas lojas físicas e nas lojas online. Aliás, mui- iOS e Android na Motorpress
Iberica Store), a edição nº5 da
tas lojas estão com tanto trabalho, que algumas até chegaram a recusar tão aguardada revista Ciclis-
clientes por falta de mão de obra ou por não conseguir entregar a bici- mo a fundo. Para além de um
cleta arranjada dentro de um espaço temporal aceitável. Por outro lado, poster de Nairo Quintana, esta
temos o reverso da medalha, com as marcas a adiar o lançamento de edição inclui duas entrevistas
exclusivas (Joni Brandão e
novidades e com reduções drásticas em Marketing. Avizinha-se um tem- Enric Mas), bem como vá-
po de alguma incerteza a todos os níveis, até porque os próprios eventos rios testes, comparativos,
que estavam agendados aguardam orientações da Direção Geral de Saú- apresentações de novidades,
de; as coleções de 2021 de algumas marcas poderão sofrer atrasos e to- mecânica, treino, nutrição e
saúde. Se já tiver esgotado no
do o canal de distribuição tem sido afetado de uma forma inédita. Há um teu ponto de venda habitual,
provérbio que diz “o tempo cura tudo”, mas esperamos que não demore envia um e-mail para
muito… Corremos o risco de não morrer da doença, mas sim da cura! internet@mpib.es

Carlos Pinto
Diretor BIKE Portugal
cpinto.bikemagazine@gmail.com
3>
mountainbikes.pt
SUMÁRIO

34 40 46 52
14 24
2 É MELHOR
QUE 1
SUPERCALIBER
ALL NEW!!
A muitos poderá
parecer igual, mas
a KTM Scarp é
SUPER 2020
O slogan da
Mondraker para
este ano reflete-se
2ª GERAÇÃO
A Canyon lançou
a sua segunda
geração de ebikes,
QUE CLEATS
USAS?
Um artigo que te
ajudará a saber tudo
Já testámos um realmente nova. nesta Superfoxy. com a NeuronON e sobre os cleats.
A RockShox re- dos segredos mais SpectralON.
lançou a SID, não bem guardados do

58
com uma, mas sim mundo, a novíssima
com duas versões, Trek Supercaliber.
100 e 120 mm.

#13
FUTURO

34
O futuro é agora.

24 Analisamos as trans-
missões eletrónicas à
venda em Portugal.

66
ROLOS E APPS
Como transformar o
aborrecido em algo

52 divertido.

MAIS:
MASTERBIKE: 74
MINITESTES: 78
PERSONAL
TRAINER: 82
MEDICINA: 88
MECÂNICA: 90

46 66 APRES. DIVERGE: 94

40
14
94
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BIKE EM VERSÃO
DIGITAL?
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e acede à BIKE digital.

Este mês A outra


na capa capa…
RockShox SID. Diverge. Esti-
Uma suspensão vemos na apre-
que marcou uma sentação oficial
época e que re- da renovada
gressa em 2020 Diverge, a bici-
com novos ar- cleta de gravel da
gumentos e um Specialized, que
peso espetacular, inclui versões
ao nível do seu para todas as
comportamento. carteiras.
Foto: César Cabrera Foto: Specialized

Contacto BIKE: 96 312 80 19


>Contacto
4>
mountainbikes.pt bikeportugal@mpib.es
PE A
VOLUÇÃO
FOX FACTORY 2021
BEM-VINDOS À REVOLUÇÃO

Revolução mais do que evolução.


Porque não só mudámos os autocolantes,
criámos três cores Heritage Limited Edition e
engordámos a 36 convertendo-a numa 38.
Detrás destes números encontrarás as
Distribuidor oficial para:
Espanha, Portugal e Andorra suspensões mais evoluídas do mercado.
NOTICIÁRIO

CANNONDALE RENOVA SCALPEL PARA 2021

PASSO DE
GIGANTE
Com um sistema de amortecimento inovador, uma geometria agressi-
va e uma leveza elevada, a Cannondale pretende elevar a Scalpel a um
novo patamar. Mantém-se como uma das bicicletas de suspensão to-
tal mais leves no mercado e adota um novo sistema de amortecimento
FlexPivot Four Bar. Assim, as zonas flexíveis de fibra de carbono atuam
como um eixo de ligação Horst Link, sem o peso adicional ou a flexão
de parafusos e rolamentos. O sistema de transmissão “AI” da Cannon-
dale proporciona folga para pneus grandes de 2.4”, enquanto mantém
as escoras curtas para tração e agilidade. A geometria progressiva
da Scalpel evoluiu ainda mais, tendo agora um ângulo da direção 1,5 de direção ainda mais. Traz pneus com mais volume e um espigão te-
graus mais relaxado e o ângulo do selim é um grau mais elevado em lescópico. Também é novidade o novo sistema STASH da Cannondale.
comparação com a versão anterior. Isto, em combinação com o offset Montado no tubo inferior, debaixo do suporte para o bidon, o kit STASH
extralongo da Lefty, cria a versão mais recente da geometria OutFront tem tudo o que é necessário para reparações rápidas nos trilhos, in-
da Cannondale, que proporciona mais estabilidade e confiança quando cluindo uma ferramenta da Fabric 8 em 1 em miniatura numa bol-
os trilhos técnicos surgem. Foi criada também a versão Scalpel SE que sa de acesso rápido, um kit tubeless da Dynaplug e espaço para uma
passa a ter 120 mm de curso (frente e traseira) suavizando o ângulo botija de CO2 ou uma minibomba. [+INFO] www.cannondale.com

SCOTT SPARK RC WORLD CUP


A ESCOLHA
DE NINO
Como o mercado do retalho na área
das bicicletas esteve parado um
pouco por todo o mundo devido ao
coronavírus, a Scott anunciou que
iria adiar a apresentação da coleção
2021 até setembro. O objetivo é que
não comece um período louco de
descontos quando a economia reto-
mar. Por enquanto já pudemos con-
hecer a espetacular Spark RC World
Cup, uma edição especial de Nino
Schurter com a qual o suíço enfrenta-
rá as provas da Taça do Mundo quan-
do estas regressarem. RockShox,
SRAM, DT Swiss e Maxxis equipam
esta bicicleta única.
[+INFO] www.scott-sports.com

NOVO SITE DA SRAM


AXS ONLINE
A SRAM criou um novo site www.axs.sram.com que
no fundo é um complemento à app AXS para telemóvel
e tem o objetivo de simplificar o uso da informação ofe-
recida pelos dispositivos AXS, bem como a sua configu-
ração. O site serve para qualquer tipo de dispositivo que
processe dados – incluindo os potenciómetros, sensores
de pressão de pneus, e os componentes de transmissões
eletrónicas. Entre outros, também recolhe dados da vol-
ta de bicicleta que efetuámos e que tenham sido recolhi-
dos por ciclo-computadores Garmin e brevemente tam-
bém será compatível com os dispositivos Wahoo.
6>
mountainbikes.pt
NOVIDADES
CANYON NEURON AL BONTRAGER
UPGRADES Há dois novos capacetes que incorporam a tecnologia
WaveCel, que a Trek e a Bontrager apresentaram no

A TER EM CONTA
ano passado com grande sucesso, e estão disponí-
veis a um preço significativamente mais baixo do que
A atualização mais inovadora reside no novo quadro, tendo o antigo amortecedor verti- outros modelos na gama. O Rally WaveCel (149,99€)
cal sido substituído por um horizontal. Continua a ter 130 mm de curso traseiro, mas a possui um sistema de retenção com botão rotativo
nova versão da Neuron contempla o Triple Phase Kinematics da Canyon, implementado Boa, pala ajustável, cobertura traseira mais envolven-
numa ampla gama de bicicletas de suspensão total da marca. O sistema oferece uma te e espaçadores LockDown que facilitam a regulação
resposta excecional no início do curso, grande estabilidade na zona intermédia e uma das fitas do capacete. Por sua vez, o Starvos WaveCel
(109,99€) tem o sistema de retenção Headmaster
subida progressiva para obter uma melhor sensação no final do curso. O resultado é
ajustável com apenas uma mão e separadores Lock-
uma bicicleta que fornece níveis de conforto soberbos, máxima eficiência e um desem-
Down. A Bontrager também apresentou a nova versão
penho incrível para uma bicicleta do seu preço. Graças à geometria otimizada para ro- do sapato Triple X, o topo de gama para BTT. Dispo-
das de 29” nos quadros maiores, a Neuron AL trepa e desce com uma estabilidade fora nível em vermelho, este modelo inclui um molde In-
do comum. E oferece a mesma sensação e desempenho nos tamanhos 2XS, XS e S pe- Form Pro que garante uma otimização ergonómica
la escolha de rodas de 27,5” (650B), o que significa que os utilizadores mais pequenos sendo a sola 100% em carbono OCLV (leve e rígida)
conseguem a mesma agilidade e manuseamento no trilho. A nova Neuron AL também para a máxima transferência de potência. O revesti-
está disponível para os mais jovens através do modelo Neuron AL Young Hero, uma mento GnarGuard é impermeável e tem uma elevada
bicicleta de suspensão total desenhada para crianças que meçam até 1,40 m de altura. duração. Quanto ao aperto, os Triple X possuem dois
Este modelo custa 1.499€. A Neuron AL 6.0 e a WMN 6.0 custam 1.799€, enquanto botões BOA, para um ajuste preciso. O material da co-
a 7.0 e a WMN 7.0 sobem para os 2.199€. [+INFO] canyon.com/pt-pt/ bertura em TPU é leve e perfurado e no geral o design
é assimétrico, para um ajuste e conforto mais seguro.
[+INFO] www.trekbikes.com

VOTAÇÃO BIKE DO ANO 2020


SPECIALIZED
DOMINA
A Specialized voltou a ganhar a maior parte
das categorias em disputa na votação dos por-
tugueses referente à BIKE DO ANO 2020. Esta
votação organizada pelas revistas líderes no
nosso país (BIKE, Ciclismo a fundo e eBIKE)
teve mais de 4.000 votos e a Specialized gan-
hou na categoria BTT do Ano com a Specia-
lized S-Works Epic AXS. Para além disso, a
marca californiana também ganhou a cate-
goria eBike do Ano com a Turbo Levo Expert
FSR e a categoria Acessório do Ano, com o
capacete S-Works Prevail 2 Angi. Por sua vez,
na categoria Compra Ideal, a Trek X-Caliber 9
foi a grande vencedora, segundo os votos dos
portugueses. Consulta todas as restantes ca-
tegorias em www.mountainbikes.pt.
HOTNEW
NE S
WS

FOX 38

HÁ NOVAS
TECNOLOGIAS, FOX 36
MODELOS
FORAM
MELHORADOS
E FOI
APRESENTADA
A NOVA 38

FOX 2021

MAIS SUAVES
QUE NUNCA
A FOX acabou de apresentar as suas pri- fluidez do óleo. O resultado é uma lubrificação agora tanto as suspensões como os amorte-
meiras grandes novidades para 2021, melhorada, menos fricção e mais suavidade. cedores terão somente 8 clics para as 4 regu-
as (atualizadas) suspensões 36, 38 e 40 lações: recuperação e compressão em alta e
bem como os amortecedores Float X2 e PURGADORES baixa velocidade.
DHX2. Há grandes novidades técnicas foca- São no fundo uns botões de pressão que per-
das no desenvolvimento da máxima suavida- mitem igualar a pressão interna da suspensão EDIÇÃO LIMITADA
de e rendimento, bem como uma suspensão com a do meio ambiente. Além disso, os pur- A chegada da 36 e da 40 ao mercado, há 15
completamente nova, a 38, que chegou para gadores melhoram o rendimento da câmara anos, perfilou o Enduro e o Downhill que con-
redefinir as regras no mundo do Enduro. de ar EVOL que agora trabalha de forma mais hecemos atualmente. Para celebrar aquele
eficiente e isolada, sem a interferência de va- marco, a Fox lançou edições limitadas das
NOVAS TECNOLOGIAS riações de pressão entre a barra e a baínha. suas suspensões 36, 38 e 40 de 2021.
NOVA PONTE
O chassis das suspensões 36, 38 e 40 é novo. GRIP2 SUPER ENDURO
Uma das mudanças mais patentes é a ponte, Para 2021, a Fox melhorou o seu sistema NOVA FOX 38
que é mais baixa e robusta e está agora numa hidráulico topo de gama GRIP2, ampliando A nova Fox 38 foi desenhada especificamente
posição mais frontal para deixar espaço para e simplificando o alcance de ajuste. Mantém para Enduro de longo curso, para suportar a
o tubo de direção em compressões elevadas. os ajustes independentes de compressão agressividade da modalidade, e para tal conta
Esta modificação foi necessária devido à utili- e recuperação em alta e baixa velocidade, com tecnologias próprias como as barras de
zação cada vez mais habitual de suspensões mas acrescenta a compressão de alta e a 38 mm de diâmetro, o tubo de direção elíptico,
com as pernas mais perto do quadro. sua válvula patenteada VVC (que já estava que a dota de uma rigidez geral superior à 36,
presente no circuito de recuperação de alta para além de novas soluções desenhadas pe-
EIXO FLUTUANTE velocidade). A VVC (Variable Valve Control) la Fox para reduzir a fricção. Estará disponível
Nem todos os eixos medem exatamente os 110 oferece uma capacidade de regulação manual em 160-180 mm de curso e para rodas 27,5”
mm de largura que deveriam. Esse desalinha- até agora impossível de realizar sem passar e 29”. É 31% mais rígida lateralmente e cerca
mento provoca um aumento de fricção entre por um serviço técnico, pois permite modifi- de 17% frontalmente, sendo 38% mais sólida
as barras e as pernas, pois não trabalham per- car a resistência dos “shims”, umas anilhas a nível torsional do que a 36.
feitamente em linha. O seu novo eixo da 36 e da do piston de compressão de alta velocidade, >Novo tubo de direção elíptico.
38 flutua sobre um casquilho móvel que adap- diretamente a partir do comando superior. >Novas baínhas-ponte, com purgadores,
ta a largura entre as ponteiras da suspensão e Dito de outra maneira, no GRIP2 atual a pas- canais de lubrificação e eixo flutuante.
do cubo, assim as barras trabalham em linha. sagem do óleo foi modificada, atravessando >Sistemas de compressão GRIP2,
o conjunto de anilhas, mas no novo GRIP2 de FIT4 ou GRIP.
CANAIS INTERNOS DE LUBRIFICAÇÃO 2021, atua diretamente sobre a resistência >Curso de 160-180 mm.
A Fox abriu canais amplos entre os casquil- que o bloco de anilhas oferece à passagem >Versões Factory, Performance Elite
hos de fricção e as baínhas, facilitando a pas- do óleo. A esta alteração somam-se outras e eBIKE.
sagem do óleo para a parte superior em cada novidades, como a redução do número de >Peso desde 2.180g.
compressão. Ou seja, os casquilhos conti- clics necessários para regular, tal como >Preço: 1249€-1559€.
nuam a abraçar estreitamente e sem folga as acontece nos amortecedores, e a partir de
barras, mas por trás há espaços livres para a
8>
mountainbikes.pt
ESPIGÃO FOX
TRANSFER

Com ainda mais


suavidade. Amplos
canais entre os
casquilhos de
fricção e as bainhas
suavizam o curso
das barras.

Eixo flutuante
patenteado pela Fox.

FOX 40

FOX 34

FOX X2

ATUALIZAÇÕES >Versões
Versões Factory. recebe uma nova válvula VVC no circuito de
FOX 34 >Peso
Peso a partir de 2.816 g. recuperação de alta velocidade (HSR) e um
Esta suspensão para Trail mantém o chassis da >Preço: 2.199€. novo elastómero MCU de topo de compressão
versão atual, mas melhorou o seu rendimento e para controlar melhor o final de curso.
capacidade de resposta com a introdução do sis- FOX Float DPX2 >Novo chassis.
tema hidráulico GRIP2. O novo GRIP2 conta com O amortecedor híbrido para Trail, que com- >Novo sistema hidráulico, com válvula HSR
a nova válvula VVC, que melhora o rácio de ajus- bina a qualidade em termos de performance >Novo piston de alto fluxo de óleo.
te da compressão. e a ajustabilidade do X2 com a leveza e sim- >Novo sistema de ajuste de pré-carga,
>Sistemas de compressão GRIP2, FIT4, plicidade do DPS. As válvulas foram redesen- que evita que a mola se solte.
Live Valve ou GRIP. hadas, para maior sensibilidade de resposta. >Piston com acabamento de ultrabaixa fricção.
>Curso 120-140 mm. Além disso, o sistema passa a ter 10 clics >Tamanho do depósito extra reduzido, para
>Versões Factory, Performance Elite, de regulação da compressão para um ajuste ser compatível com mais quadros.
Performance e e-bike. mais preciso. >Preço: 819€-859€ (mola vendida à parte).
>Peso 1.770g. >Opção de comando remoto.
>Preço: 969€-1.169€. >Botão de ajuste da compressão com 3 FOX Transfer
posições. Possibilita um ajuste minucioso, MAIS COMPACTO E LEVE
FOX 36 através de 10 clics. MANUTENÇÃO MAIS SIMPLES
O modelo standard de Enduro ou Trail agres- >Preço: 749€. Graças à nova fixação do selim e ao novo cor-
sivo, com mais regulações e suavidade de po, a redução do comprimento total quando
funcionamento. FOX Float X2 está na sua extensão máxima chega a ser
>Novas baínhas, purgadores, canais de O Float X2 é totalmente novo, tanto na sua de 48 mm na versão com 100 mm de curso.
lubrificação e eixo flutuante. estrutura interna como externa. Introduz a O seu peso também foi reduzido cerca de 25
>Sistemas de compressão GRIP2, FIT4, válvula VVC no circuito de recuperação de alta gramas. Outra das melhorias substanciais re-
Live Valve ou GRIP. velocidade (HSR) e um novo elastómero MCU side no seu novo corpo, que agora permite ser
>Curso 150-160 mm. de compressão. desmontado sem ferramentas específicas, pa-
>Versões Factory, Performance Elite e e-bike. >Novo chassis. ra uma manutenção simples.
>Peso a partir de 1.965 g. >Novo sistema hidráulico, com válvula VVC. >Novo comando 1x mais leve
>Preço: 1.369€-1.429€. >Novo piston de alto fluxo de óleo. >Nova fixação do selim
>Bloqueio mais firme do que a versão >Fácil manutenção básica
FOX 40 anterior. >Disponível unicamente com versão de ca-
Totalmente redesenhada para 2021, o novo >Piston com acabamento de ultrabaixa blagem interna
GRIP2 facilita o ajuste para enfrentar qualquer fricção. >Diâmetros 30,9 mm e 31,6 mm
competição de Downhill. >Tamanho do depósito extra reduzido, >Cursos: 100, 125, 150 e 175 mm
>Novas baínhas, purgadores, canais de para ser compatível com mais quadros. >Disponível com acabamento Factory
lubrificação e eixo flutuante de 20 mm. >Preço: 849€-879€. (Kashima) e Performance Elite.
>Sistemas de compressão GRIP2 ou GRIP. >Preço: 439€ - 509€.
>Curso 203 mm. FOX DHX2
O rei do Downhill e também do Super Enduro [MAIS INFORMAÇÕES] www.bicimax.com
9>
mountainbikes.pt
L
DIARIOMENSUA

O GRUPO
DEORE PASSA
AGORA A ESTAR
DISPONÍVEL
EM 10, 11 E 12
VELOCIDADES

DEORE JUNTA-SE ÀS 12V

SHIMANO ENTRA
COM TUDO
O grupo Deore passa agora a estar dis- FC-M9130-1 (1x12) para funcionar com MT410 em 142mm ou 148mm com eixos
ponível em versões de 10, 11 e 12 velo- uma linha mais larga de 56,5mm, o que passantes ou o cubo MT401 para 135mm ou
cidades. No caso das 12v tem a denomi- permite suportar a montagem de pneus 141mm de blocagem. Todos os cubos têm
nação M6100. Simultaneamente, a marca mais largos (com um Q-factor de 171 opções para 28, 32 e 36 furos.
japonesa colocou à disposição um novo mm, o que garante mais estabilidade). O
grupo Deore de 11 velocidades (o M5100) FC-M9130-1 é um cranque Hollowtech II, PINÇAS DE TRAVÃO
e um de 10 velocidades, o M4100. A ga- superleve com tecnologia Dynamic Chain FLAT-MOUNT XTR, DEORE XT E SLX
ma M6100 tem o mesmo ADN dos grupos Engagement+ para um excelente encaixe e Haverá também três pares de pinças de tra-
XTR, Deore XT e SLX, sendo os seus com- retenção da corrente. vão Flat-Mount de 2 pistões para utilização
ponentes totalmente compatíveis com os Um novo pedaleiro duplo de 12 velocidades em cross-country. Esta nova introdução teve
restantes grupos, e isso permite combinar (2x12) estará também disponível. Este pe- em consideração os mais recentes designs
diferentes componentes e escolher a mon- daleiro está ao nível da gama Deore, sendo de quadros. A sua potência de travagem é
tagem de acordo com as nossas necessida- de montagem direta (FC-MT610-2/B2) e equivalente aos travões post-mount para XC
des. As versões de 10 e 11 velocidades do chega ao mercado com 36-26D sendo com- nas versões XTR (BR-M9110), Deore XT (BR-
novo grupo Deore destacam-se por apre- patível com cubos de 142 mm ou 148 mm M8110) e SLX (BR-M7110). Podem utilizar
sentar algumas das tecnologias utilizadas com dimensões de cranque em 170 mm ou pastilhas de resina ou metal com ou sem dis-
nos topos de gama, como a comutação HG 175 mm. sipador. As versões para o XTR são compatí-
Hyperglide, o sistema de libertação de mu- veis com discos de 140 e 160 mm, enquanto
danças 2 Way Release, o desviador trasei- CUBOS E RODAS que as versões Deore XT e SLX podem fun-
ro com Shadow RD + e os manípulos com À semelhança da gama de pedaleiros Shi- cionar com discos até 180 mm.
o sistema de apoio I-Spec EV, para maior mano para 12 velocidades, a gama de cubos
e rodas para este segmento também foi am- NOVOS MODELOS DE BATERIAS
versatilidade. No nosso site especificamos A Shimano introduziu três novas baterias na
todos os detalhes técnicos de cada compo- pliada. Surgiu um conjunto de rodas Micros-
pline tubeless em alumínio (WH-MT601) ao gama STEPS, incluindo versões internas e
nente e as versões existentes. Além disso, externas com 630Wh, o que permite obter
a Shimano apresentou novos pedaleiros, nível da gama Deore com opções em 29” e
27,5” em 100/142mm ou 110/148mm (peso uma maior capacidade e eventualmente pas-
cubos, rodas e pinças de travão. De forma seios mais longos. Mesmo depois de 1000
a obter a melhor linha de corrente com a do conjunto das rodas 29” /148mm: 2230g).
Ficam também disponíveis dois novos cu- cargas completas as novas baterias conti-
montagem de cubos de 157 mm O.L.D, a nuam a reter 60% da sua capacidade.
Shimano introduziu um novo cranque XTR bos Microspline na entrada de gama. O cubo

10>
mountainbikes.pt
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NOVO CICLO-COMPUTADOR COM VISOR


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Há três novas
baterias. Estas
novas versões
têm 630 wh de
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1› EQUIPAMENTO RAPHA
WMN CANYON.
Este é um dos equipamentos mais coloridos e
elegantes do ciclismo profissional, trazendo-
nos as cores e a qualidade dos tecidos utiliza-
dos pela equipa Rapha WMN Canyon. Ambos
são da mais alta gama da Rapha, os calções
têm um acolchoado específico para mulheres,
sendo fabricados com tecidos compressivos
para melhorar o desempenho muscular. O
jersey persegue os mesmos objetivos, com
um corte muito apertado e leve, tecidos lisos
na frente e máxima respirabilidade nas costas,
para melhorar o desempenho aerodinâmico. O
preço destas peças de vestuário é de 222,95
euros e 174,95 euros, respetivamente.
[+INFO] www.canyon.com

2› MANGUITOS
E MEIAS
SPECIALIZED STRIPES.
Uma forma fácil de adicionar algum estilo ao
nosso equipamento de Verão são estes aces-
sórios da Specialized. As meias são feitas de
tecido Termocool, um conjunto de fibras que
promovem a termorregulação, tanto pela me-
lhoria da respirabilidade em condições exte-
riores como pela redução do impacto térmico
quando a temperatura cai. O corte é alto, tem
18 cm de comprimento, e as meias são fabri-
cadas em 3 tamanhos e 4 desenhos colori-
dos, ao preço de 14,90 euros. Os manguitos
são feitos de lã da Lombardia e têm silicone
na parte superior para não perderem a sua
posição ao longo de várias horas a pedalar.
Estão disponíveis em 6 tamanhos e com um
euros.
preço de 29,90 euros
[+INFO] Specialized Iberia,
www.specialized.com

3› MENDIZ X10.5.
Para começar a sentir o encanto daqueles do-
mingos com um dorsal no guiador numa mara-
tona, não há necessidade de pagar demasiado
por uma bicicleta. Esta X10, da marca espanho-
la Mendiz, tem um quadro com uma geometria
ideal para alcançar um bom desempenho nes-
tas aventuras. Monta também um grupo SRAM
NX Eagle de 12 velocidades e uma suspensão
a ar SR Suntour com bloqueio remoto no guia-
dor. Está disponível em quatro cores e quatro
tamanhos, e o seu preço é de 879 euros.
[+INFO] www.bicismendiz.com

12>
mountainbikes.pt
Uma nova BIKE, todos os dias em:
www.mountainbikes.pt

TUDO SOBRE O MUNDO DO BTT

Nos quiosques de dois em dois meses


Todos os dias em mountainbikes.pt
ROCKSHOX SID, SID SL E SIDLUXE 2021

MAKE SID
GREAT
AGAIN!
A SUSPENSÃO QUE NASCEU PARA REVOLUCIONAR O SEGMENTO XC,
COM UM DESIGN QUE DEU PRIORIDADE À LEVEZA EXTREMA, FOI
RENOVADA PARA 2021 COM O OBJETIVO DE REIVINDICAR UM TRONO

S
QUE TEM ESTADO ENTREGUE À FOX. E VEM COM UMA VERSÃO
DE 120 MM E UM AMORTECEDOR MUITO ELEGANTE, O SIDLUXE.
E EXISTE UMA COR AS- SID e SID SL foram totalmente redesenhados,
SOCIADA AO XC DE retirando peso em todas as partes dispensáveis.
COMPETIÇÃO HÁ DÉCA- Assim, todo o chassis foi trabalhado como se
DAS,
D AS, É O AZUL DA SID, A SUSPENSÃO fosse uma escultura de Miguel Ângelo, escul-
QUE APOSTA NA LEVEZA DESDE O SEU pindo alguns cantos como a união entre a pon-
LANÇAMENTO. Nos últimos anos, talvez o as-
LANÇAMENTO te e as bainhas, ou as ponteiras, também mui-
peto do peso tenha sido posto em segundo plano, to trabalhadas e com o perfil alargado para se
por isso a Fox aproveitou e entrou em força atra- poder usar as tampas Torque Caps nos cubos,
vés da sua gama 32 Step Cast revolucionando o casos estes o permitam.
mercado com números imbatíveis... até hoje. E is- No caso da SID SL, encontramos alguns rebaixa-
to não acontece só na nova versão SL de 100 mm, mentos extra na área da ponte, e, além disso,
mas também na nova SID com 120 mm de curso a distância entre as bainhas foi reduzida em al-
e no amortecedor SIDLuxe, guns centímetros, o que
uma família que se destaca
peso.
pelo seu peso
PESANDO 1.326 levou a marca a recorrer a
recortes em forma de de-

ATÉ AO MÍNIMO
A
G, A SID SL grau na face interna (exa-

POSICIONA-SE
tamente o mesmo que a
(Passa para a página 19)

DETALHE
D Fox fez com o seu concei-
N te deixes enganar pe-
Não
las aparências. Embora COMO LÍDER to Step Cast). As bainhas
são de 32 mm, tal como
possa parecer igual ao mo-
delo de 2020 em vigor no
EM TERMOS DE no modelo corrente. O seu
curso é de 100 mm. No
catálogo, os novos modelos LEVEZA caso do modelo SID mais
Alejandro Cubino
FOTOS AÇÃO:
César Cabrera
Héctor Ruiz

ESTÚDIO:
TEXTO:

FOTOS

14>
mountainbikes.pt
O baixo peso é uma
das características
da nova gama, mas
também a elevada
rigidez. A versão
da SID com 120 mm,
tem bainhas de 35
mm e é um prodígio
na relação peso-
desempenho.

15>
mountainbikes.pt
1

1> Bainhas de 35 mm, como se a atualização e


fosse uma suspensão de Endu- melhorar o seu
ro. A rigidez torsional do novo desempenho. O
modelo da SID de 120 mm é cartucho da versão
muito superior ao esperado de SID de 35 mm, no en-
uma suspensão com o seu peso tanto, não é compatível
(pouco mais de 1.500 g). com todos os outros mo-
delos RockShox de 35mm.
2> A tampa superior do cartu-
cho é um exemplo do trabalho 3> O trabalho nas ponteiras
de aligeiramento que foi feito. para as tornar mais leves é
Este cartucho Charger Race Day requintado, não há um único
de 32 mm é compatível com milímetro ao acaso. É colocada
todos os modelos SID e Reba de apenas à venda com offset de
100 -120 mm desde 2014, se os 44 mm, e apenas em 29 pole-
quiseres aligeirar, e podes fazer gadas. São as medidas mais

16>
mountainbikes.pt
4

6
difundidas entre os 6> A parte de trás da pon-
fabricantes de bicicletas te mostra todo o trabalho de
atualmente. engenharia por detrás deste
modelo. Através de dois peque-
4> Todas as SID com bloqueio nos parafusos allen, podemos
remoto de série incluem a ver- instalar na SID de 120 mm um
são rápida e fácil de bloqueio guarda-lamas que inclui de
rotativo. série.
5> O amortecedor tem um 7> O controlo de recuperação
desempenho otimizado para as é a simplicidade materializa-
bicicletas de XC e Super XC/Trail da. Uma chave allen amovível,
leves, com uma boa plataforma montada sobre o botão interno
de pedal, mas muito suave. do hidráulico. Podemos extraí-la
Podes mudar a progressividade para regular o rebound, que não
através de Tokens. tem um botão externo.
7
17>
mountainbikes.pt
Comparação entre
o cartucho Charger
anterior, acima, e
o novo Charger Race
Day, abaixo. Quase
100g de diferença.

Os cartuchos
Charger usam o óleo
Maxima Plush, que
oferece os melhores
valores de estabilidade
térmica e antifricção de
acordo com os testes. Retentores
SKF, para
a máxima
suavidade
possível.

SUPERLIGHT
INTEGRATED DESIGN,
UM NOME À ALTURA
DO QUE LHE É EXIGIDO
18>
18>
mountainbikes.pt
(Vem da página 14)

robusto, o curso é de 120 mm e, além nio, trabalhado ao milímetro, cujo nível de O CARTUCHO
de dispensar essas concavidades nas
pernas, destaca-se sobretudo porque o
desempenho e leveza é difícil de igualar
com o carbono neste momento. RACE DAY É O
diâmetro das bainhas cresceu para os 35
mm, a mesma medida utilizada na Pike, DIA DE COMPETIÇÃO MAIS LEVE ATÉ
para trail ou no modelo de Enduro Lyrik. Para além da estrutura e visibilidade, o AGORA CRIADO
Esse aumento no tamanho do chassis
permite um aumento notável na rigidez,
novo cartucho, agora rebatizado Charger
Race Day, também foi afinado e reduzido PELA MARCA
e é uma medida destinada a criar uma
suspensão perfeita para usar nas bicicle-
em tamanho para se tornar no cartucho
mais leve que a RockShox alguma vez
DO COLORADO
tas de Super-XC ou Trail mais leves, cada conseguiu. Com a sua dimensão reduzi-
vez mais populares e frequentes nos dias da, há também menos óleo, conseguindo
que correm. Em ambas as SID, o conjun- uma redução global do peso entre 90 e
to do tubo da direção e da coroa também 100g, de 186g para 96g na SID SL e 88g
foi aligeirado ao máximo (de forma dife- na SID. Uma das características deste car-
rente, mais leve na SL), com menos ma- tucho de duas posições (aberto/fechado)
terial e com mais estrias e cavidades. Até com controlo de compressão e recupe-
deixaram de lado a produção em fibra de ração é que bloqueia por completo, sen-
carbono, como era habitual para a versão tindo-se muito duro e sem acusar essa
World Cup e Ultimate Carbon. A razão não pequena fuga de óleo quando o compri-
é outra senão a grande quantidade de tra-
balho por detrás da construção em alumí-

19>
mountainbikes.pt
SIDLUXE
O NOVO AMORTECEDOR AZUL
Para acompanhar as suspensões, foi também lançado o novo SI-
DLuxe, um amortecedor em que este meticuloso fabrico é par-
tilhado, sempre com o objetivo de manter o peso o mais baixo
possível. Mais uma vez, confiaram no torno de CNC para pro-
duzir o corpo, no qual também tentaram manter o diâmetro o
mais pequeno possível, uma vez que foi concebido para as bici-
cletas de XC. O seu comportamento é semelhante ao da suspen-
são, com uma boa plataforma de pedalada, mas muito suave no
seu funcionamento, sem se afundar demasiado. O minimalismo
em tudo isto é tal que até lhe falta um botão de rebound. Em vez
disso, encontramos um pequeno parafuso com uma cabeça allen
que pode ser manipulado com uma chave. Esta chave pode ser
encontrada no controlo de rebound da suspensão (em qualquer
uma das SID), que também dispensa o botão de recuperação e,
em vez disso, tem uma chave allen amovível.
O peso do amortecedor é de 227 g.
Será fabricado com os dois tipos de fixação existentes no mer-
cado, tradicional ou Trunnion, e com cursos de 50 mm ou
mais. Além disso, tal como as suspensões, existem duas ver-
sões mais económicas, a Ultimate e a Select, sendo esta últi-
ma mais pesada. Por agora, estes amortecedores só estarão
disponíveis nas montagens standard das marcas, pelo que
ainda não podemos divulgar preços para venda em loja.

As micro-ranhuras
no alumínio são a
prova de que o CNC
foi utilizado como
forma de aligeirar a
estrutura.

POSSUI VÁRIAS
mimos muito fortemente, exatamente o Select, que tem a mesma estrutura da Ul- MODIFICAÇÕES
que os amortecedores de XC exigem. Am- timate (chassis e coluna de direção), mas
bos os SID estão equipados com câmaras o cartucho de óleo é o atual Charger RL INTERNAS, PARA
Debon Air em que algumas características (que monta o Select + de 2020) e não es- MELHORAR
estruturais foram modificadas para adap-
tar o seu comportamento a um cenário XC
tará disponível na versão azul. O seu peso
é ligeiramente superior, com 1468 g (me-
AINDA MAIS O
mais típico, com a suspensão a não afun- nos 21 g do que o atual modelo topo de FUNCIONAMENTO
dar tanto e tirando melhor partido da sua gama). Os preços são de 869 e 949 euros DO SISTEMA
absorção nos grandes impactos.
O sag recomendado é de cerca de 15-20%.
com lockout para a SID SL Ultimate e 649
ou 729 euros com lockout para o modelo
HIDRÁULICO
Na nossa unidade de teste da SID de 120 SID SL Select.
mm regulámos para os 15-20% e notá-
mos que o compromisso que alcança em
termos de sensibilidade/ suavidade nos
No caso da SID Ultimate 120, o peso decla-
rado pela RockShox é de 1537g, embora na
RESUMINDO
» A RockShox lutou mais uma
primeiros centímetros e firmeza no curso nossa unidade de teste este valor seja ain- vez pela sua posição de sus-
intermédio é muito elevado, caracterís- da menor. Na nossa balança o peso mar-
ticas perfeitas para um XC onde a veloci- cado foi de 1504 g com o tubo de direção pensão mais leve entre as
dade e a absorção são as características cortado a 16 cm, a aranha de direção e grandes marcas.
mais procuradas. o aperto Maxle Little (37 g). A versão SID » Duas versões, de 100 e 120
Select também está à venda, mais uma vez mm, totalmente diferentes na
NA BALANÇA com um cartucho diferente, com o Charger
O peso da RockShox SID SL, na sua versão RL, e um peso de 1.671 g. Os preços são sua estrutura, com bainhas de
Ultimate, estabelece uma referência, pe- de 979 e 1.059 euros com bloqueio remoto 32 e 35 mm.
sando 1.326g, um valor que fica abaixo da no caso da SID Ultimate, e 759 e 839 euros, » Nova por dentro e por fora, com
sua grande rival laranja, a Fox 32 SC, em respetivamente, no caso da SID Select. To-
um cartucho que otimiza o com-
cerca de 60 a 80g. dos os modelos SID já estão disponíveis
Existe uma versão mais barata, a SID SL desde o final de março. portamento em competição.
20>
mountainbikes.pt
Tem duas
posições:
aberta ou
fechada.
Bloqueada, é
quase tão sólida
como uma pedra.

21>
mountainbikes.pt
1998
1999
“SUPERLIGHT INTEGRATED DESIGN”
O nome por detrás da sigla “SID” deixou
claras as suas intenções desde o primei-
2002. Carbono. Coincidindo com a do habitual curso de 80 e 100 mm, estava
disponível uma versão de 120 mm (ape-
aquisição da marca pelo Grupo SRAM, a
ro dia, “Superlight Integrated Design”. nas na versão de 26”). O sistema Dual
SID deu um novo passo tecnológico com
Este modelo foi inicialmente apresentado Air continuava a ser utilizado e chegava
a chegada do carbono. A ponte era fei-
em 1997 como a irmã das Judy, que era a o famoso cartucho RCT3, com o controlo
ta deste material, não tão comum nessa
referência da RockShox nessa altura, e o hidráulico de bloqueio XLoc.
altura entre os componentes e também
seu lançamento derrubou algumas ba-
rreiras no que diz respeito ao peso. Uma
na maioria das estruturas. As peças me-
tálicas eram reforçadas com magnésio e
2013. 27,5”. Anos confusos no mer-
história que é retomada na nova versão cado. O diâmetro de 27,5” começava a
as bainhas de alumínio eram fornecidas
de 2021. Estes são alguns dos momentos espalhar-se entre as marcas em respos-
pelo famoso fabricante Easton.
“SID” mais notáveis nos seus mais de 22 ta aos primeiros modelos 29”, que eram
anos de história.
2003. Prata. As bainhas receberam
um pouco desajeitados e demasiado
grandes. A RockShox lançou a sua pri-
1998. Primeira SID. Tinha 63 mm de um revestimento prateado para reduzir
o atrito. A versão de carbono passou a
meira SID para rodas com este diâmetro.
curso e um peso recorde graças à utili- Os tubos de direção retos de 1 1/8” e os
chamar-se World Cup (com um peso de
zação de um sistema inteiramente pneu- cónicos tinham de coexistir no catálogo,
1230 g), nome que ainda hoje é utilizado
mático, dispensando os elastómeros, co- assim como as tradicionais ponteiras de
nos modelos topo de gama.
mo era habitual na maioria das suspen- aperto rápido de 9 mm e o eixo passante
sões na altura. Uma das inovações tec-
nológicas alojadas no seu interior foi o
2005. Pop Loc. Chegou o controlo re-
de 15 mm.

sistema Dual Air, que também permitiu


moto Pop Loc, que mais tarde seria utili-
zado em outros modelos RockShox, como
2014. Agora em negro. O reves-
ajustar a câmara secundária (negativa) timento preto anodizado nas bainhas
a Reba. A nova característica possibilitava
para personalizar o tato, um sistema que entrou em cena, o mesmo utilizado nos
ajustar a compressão da suspensão com
acompanhou este modelo durante gran- modelos atuais. A câmara Dual Air des-
um comando à distância. Tinham ainda
de parte da sua vida. As bainhas eram de apareceu, para evitar os desajustes oca-
63/80 mm de curso e o sistema Dual Air.
28 mm e 1.180 g era o peso que atingia, sionais dos utilizadores, e foi introduzido
obviamente um recorde, em 26”. Foi a
mais leve de todas as SID.
2008. Renovação. Estávamos no 10º o Solo Air, um sistema de câmara dupla
autoajustável.
aniversário da SID, pelo que a RockShox

1999. Dupla platina. Para além dos


aproveitou a oportunidade para fazer
uma revisão profunda, especialmente do
2016. Ressurgimento. Após alguns
dois modelos XC e SL do catálogo, cujos anos em que a sua irmã RS1 invertida
seu chassis, que foi reforçado para mi-
cursos eram opcionais (63 e 80 mm), foi foi a protagonista, a SID começou a re-
nimizar a falta de rigidez. Passava agora
produzido um novo modelo: o Sid XL, com cuperar terreno porque esta suspensão
a utilizar bainhas de 32 mm e as pernas
a intenção de fabricar as bicicletas de peculiar (e cara) começou a perder popu-
receberam os reforços Power Bulges na
Freeride mais leves da época. A suspensão laridade em resultado do seu maior peso
área dos retentores, herdando a tecnolo-
pesava cerca de 1.700 g. O seu curso foi ou da necessidade de montar um cubo es-
gia dos modelos Lyrik e Totem de Endu-
aumentado para 80 e 100 mm. No mes- pecífico. Graças a algumas modificações
ro/ Freeride. Além disso, os modelos WC
mo ano nasceu também o amortecedor e à utilização do magnésio, o peso da SID
passaram a incorporar também carbono
traseiro SID, que tinha uma câmara de foi reduzido em cerca de 100 g, pesando
no interior das pernas, combinado com
ar dupla. Michael Rasmussen tornou-se nessa altura 1360 g na versão World Cup.
magnésio. Os cursos cresceram, com
Campeão do Mundo na Suécia com a SID. A marca introduziu também as Torque
opções de 80 e 100 mm. Consequente-
Caps, tampas de cubo específicas que au-
2000. Reforçada. Os dois anos de ex-
mente, o peso aumentou para 1.440 g.
mentavam a área de contacto e a rigidez.
periência com esta suspensão começaram
a dar origem aos primeiros desenvolvi-
2010. Magnésio. Esta foi a era doura- Começaram a utilizar o cartucho Charger,
que permitia ajustar a compressão em
da deste material, que começou a fazer o
mentos. O cartucho HydraAir foi intro- modo aberto e com o circuito de recupe-
seu caminho como protagonista em mui-
duzido e o vedamento foi reforçado com ração Rapid Recovery, dando um toque
tos componentes. A SID não escapou a es-
os selantes XXX, tornando desnecessário mais suave e preciso. A Fox lançou a 32
ta tendência e recebeu um chassis 100%
o fole opcional, que até então era monta- Step Cast.
feito com este material. Na versão world
do. O peso do topo da gama, a SID SL, atin-
giu nessa altura os 1300 g. Foi criada uma
Cup, a fibra de carbono era utilizada na
coroa e no tubo. Pesava 1.400 g.
2019. Mais sensível. A marca apre-
edição especial “SIDney” para comemorar sentou tecnologias já utilizadas nos mo-
os Jogos Olímpicos (ganhos por Miguel
Martínez, com uma destas SID), com uma
2012: 29”. Um nicho pequeno, as 29” delos de Enduro e Trail, como a câmara
Debon Air e o pistão Charger 2. A leitura
começavam a tornar o seu caminho im-
produção limitada a 500 unidades. José do terreno passou a ser muito melhor. Foi
parável e chegava o momento de reagir.
Hermida ganhou o Campeonato do Mun- criado o controlo Twist Lock, o mesmo que
A RockShox estava finalmente a camin-
do Sub23 de Serra Nevada também com testámos na nova versão de 2021. O peso da
ho com a sua tão esperada versão deste
uma RockShox SID. World Cup era de 1537 g e existiam opções
diâmetro de roda, a World Cup XX, com
de 100 e 120 mm, dependendo da versão.
um peso anunciado de 1.560 g. Para além
22>
mountainbikes.pt
2000 2003

2005
2002 Michael
Rasmussen

2008
deu à SID o seu
2020. Ultimate. O topo de gama é agora cha-

1999
primeiro Mundial.
mado de Ultimate Carbon, com a ponte e o tubo
da direção feitos deste material. Mais uma vez,
tem a cor azul SID das origens e a estética geral é

2000
mais agressiva.

2010
2012
Sempre ligado ao
sucesso, Hermida
ganhou a sua Taça
do Mundo Sub-23
com a SID na Serra
Nevada em 2000.

2014

2016 A chegada da
Fox 32 Step
Cast obrigou a
RockShox a ser
mais competitiva
com a SID.
2019
23>
mountainbikes.pt
A Supercaliber é
uma bicicleta de
suspensão total
apesar de não o
aparentar. E isso
nota-se quando
aplicamos potência
nos pedais, tendo
uma secção traseira
muito reativa e rígida.

24>
mountainbikes.pt
TREK SUPERCALIBER 9.9 XX1 PROJECT ONE

ALERTA
SPOILER!
A SUPERCALIBER REÚNE O MELHOR DE DOIS MUNDOS: É UMA BICICLETA DE XC
RÍGIDA E UMA SUSPENSÃO TOTAL DE ALTA PERFORMANCE. TUDO NELA RESPIRA ALTA

O
COMPETIÇÃO. E É DE TAL FORMA PIONEIRA QUE INAUGURA UMA NOVA ERA NO XC,
EM QUE O CURSO REDUZIDO NA TRASEIRA PASSOU A SER O NOVO STANDARD.
S RESPONSÁVEIS DE MAR- NOVA CATEGORIA?
KETING FIZERAM O SEU ME- Se há um aspeto que foi especulado desde o primei-
LHOR PARA ENVIAR UMA ro momento em que os rumores começaram a surgir
MENSAGEM MUITO CLARA: A SUPERCALIBER foi o curso traseiro da bicicleta, especialmente con-
É UMA BICICLETA DE COMPETIÇÃO PURA, siderando que a até então topo de gama em XC na
CRIADA PARA ARRASAR OS CIRCUITOS DA Trek, a Top Fuel, estava a migrar para cerca de 120
TAÇA DO MUNDO E PARA TODOS AQUELES mm. O curso da Supercaliber torna-a única no mun-
QUE PROCURAM DAR O SEU MELHOR NOS do. É evidente que o quadro é completamente novo e
TRILHOS. Passou meses a percorrer os circuitos da que a pedra basilar do seu conceito se encontra em
Taça do Mundo, escondida com um pedaço de neopre- torno do sistema de amortecimento (e não tanto no
ne a tapar o sistema de amorteci- próprio amortecedor) e na traseira,
mento traseiro. No fundo, estava a
tapar um segredo tecnológico des-
UMA dispensando os tradicionais pontos
de articulação ABP e qualquer tipo
BICICLETA
tinado a revolucionar o segmento do de escora articulada. São inovações

tratava há bastante tempo (estive-SEM


XC, apesar de já sabermos do que se estruturais destinadas a proporcio-
nar a esta bicicleta uma performan-
mos na apresentação da Top Fuel no
Verão de 2019 e vimos os primeiros
PRECEDENTES ce sem precedentes e 100% focada
no rendimento, e não tanto no peso,
protótipos, mas a marca pediu-nos NO XC. para surpresa de alguns (e deceção,

PURO ALTO
para não divulgar as informações é preciso dizê-lo) de outros que es-
nessa altura). Agora, finalmente, já a peravam números astronómicos. O
pudemos testar finalmente e em re-
RENDIMENTO
gime de exclusividade esta bicicleta.
quadro pesa 1.950 g com amorte-
cedor e todo o hardware (parafusos,

100mm 60mm 29” XC 9,760 10.699


Alejandro Cubino
Héctor Ruiz

FOTOS:
TEXTO:

25>
mountainbikes.pt
ponteiras...), um valor muito bom, mas gia de um amortecedor DPS de duas po-
ao nível de outros quadros mais com- sições da Fox. Esta barra é aparafusada
plexos e com mais curso. Na verdade, é à estrutura em ambas as extremidades e
semelhante ao peso da Top Fuel anuncia- é fixa, enquanto o deslizador é ligado ao
da no catálogo de 2019 e até com mais sistema hidráulico por
alguns gramas do que alguns concorren- um parafuso passante e
tes diretos. Atingir um peso recorde tam- move-se através de uma
bém não tem sido o principal objetivo da ranhura, pelo que o úni- pois são muito finas e achatadas na zona onde têm de fle-
Trek, dando prioridade a outros aspetos co movimento possível é tir. Um dos aspetos algo controversos do braço oscilante
como a fiabilidade e a rigidez. De facto, a longitudinal. Não há nen- é a orientação dos cabos, que são guiados pelo exterior
rigidez é um dos aspetos que faz sobres- huma torção ou flexão (em plena era dos cabos internos), seguindo pela parte
sair a Supercaliber. que possa comprometer superior do pedaleiro, deixando-o um pouco exposto, su-
Neste aspeto, a Trek aprendeu a lição o núcleo do amortece- ficientemente longe do pneu em condições normais - não
que as antigas STPs lhe ensinaram, ou dor. O movimento que tanto num dia de lama - e de uma forma pouco discreta.
seja, aquelas bicicletas “Softail” dos anos este deslizador faz, que
2000 (partilhadas com Gary Fisher, co- seria o verdadeiro cur- FULL FADE
mo aquela com que Paola Pezzo ganhou so do amortecedor, é A Supercaliber que vês nestas páginas é um modelo Pro-
a medalha de ouro olímpica em Sydney de 50 mm, uma relação ject One que a Trek Iberia criou para a ocasião, com uma
em 2000) em que o amortecedor, cujo de quase 1:1 que prevê decoração chamada Full Fade, que se reflete tanto na sua
curso era de 35 mm, funcionava entre as o que vamos encontrar: exclusividade e elegância (não conseguimos encontrar
escoras e sem qualquer tipo de reforço, um sistema muito li- ninguém que não gostasse dela), como no preço. Mais de
colocando toda a torção no seu sistema near e direto com pouco 10.600 euros, um valor ao alcance de muito poucos e que
telescópico. O resultado foi o que se pode movimento na curva de implica uma montagem topo de gama, com carbono em
imaginar, com problemas muito frequen- variação do seu compor- toda a sua extensão, suspensão Fox 32 SC Factory e gru-
tes no amortecedor SID que montava, tamento. Os restantes po XX1 Eagle. O peso final é apenas 9.760 g, em taman-
como fugas de ar e óleo... Na Superca- 10 mm são conseguidos ho M/L e sem pedais, um peso a condizer com o preço e
liber, o amortecedor é novamente uma através da curvatura das equipamento. A título de curiosidade, o modelo 9.9 (sem
parte estrutural do quadro, mais con- escoras, que são visi- personalização cromática) tem um preço 200 euros infe-
cretamente a estrutura que o envolve, velmente flectidas para rior, contando com a montagem de um grupo eletrónico
chamada IsoStrut. Trata-se de uma barra conseguir este curso su- XX1 Eagle AXS. Cabe ao leitor/comprador decidir o que va-
sobre a qual se desloca um deslizador plementar. A estrutura é le mais a pena. A exclusividade está associada a um custo
(ele próprio é a ligação entre as escoras) uma obra de engenharia adicional considerável. De facto, jogando com o Project
e à frente da qual está alojada a tecnolo- nas escoras superiores, One podemos selecionar trabalhos de pintura ainda mais

MUITO FLEXÍVEIS
TRASEIRA SEM PONTOS DE A Trek fabrica três braços oscilantes ligeiramente diferentes
para as diferentes medidas de quadro (das 6 em que é fabrica-
ARTICULAÇÃO do), todos eles com características e comprimento de escoras
Uma das características que sobressai na Supercaliber são
semelhantes (430 mm).
as suas escoras, com as quais a Trek entra finalmente no
mundo dos “Flex Stays”, ou “Pivotless Seatstays” como lhes
chamaram, deixando para trás o conceito ABP e também os
links de ligação. Simplicidade ao máximo, mas relativa, uma
vez que para criar este sistema foi necessário testar uma multi-
plicidade de protótipos e desenhos.
O resultado são escoras que, desde a sua posição totalmente es-
tendida até à posição totalmente comprimida, atingem um grau
de curvatura muito amplo, algo que é muito marcante na vida
real. 10 mm de curvatura assistem os 60 mm totais do sistema, o
que nos dá uma ideia do trabalho que a Trek teve para encontrar
a melhor forma de colocar as camadas de carbono e a sua orien-
tação de forma a não comprometer a rigidez lateral e de torção.
A curvatura atingida
pelas escoras é
responsável por 10 mm
do total de 60 mm de
curso da Supercaliber.

26>
mountainbikes.pt
MAIS “FULLY” QUE RÍGIDA
E POR UM MOTIVO: É UMA
SUSPENSÃO TOTAL, MAS
COM UM CURSO REDUZIDO.

27>
mountainbikes.pt
O melhor. A suspensão Selim BONTRAGER
total com melhor desem- MONTROSE PRO de
penho que conhecemos.
138 mm de largura.
Minimalismo. Detalhes
do quadro. Opcionalmente, está
disponível em 128 e BONTRAGER XXX: guiador com
A melhorar. O 148 mm. 35 mm de diâmetro. Uma medida
Project-One é caro. típica do DH e do Enduro que
Peso do quadro também tem a sua presença
superior ao esperado. entre as “Superlight”.
Cabos exteriores.

Prato SRAM EAGLE


com 34 dentes em
todos os modelos
e tamanhos. Se
precisares de menos,
talvez esta não seja a
bicicleta para ti. A TREK abandonou o avanço da
suspensão de 51 mm, que a marca e
GARY FISHER estabeleceram como
referência para as 29”. Agora usa um
avanço de 44 mm nas ponteiras.

1> Todos os tamanhos são de roda 29 e Para além disso, vem com espigões
podem transportar dois bidons. O espaço sem recuo, por isso ficamos aprumados
para o segundo bidon não é muito folgado, em relação ao pedaleiro, uma posição
por isso não há muita margem para tirar ideal para atacar subidas inclinadas.
e pôr. Neste espaço só podemos levar um
de 500ml e não um grande. Para além dis- 4> As Kovee XXX são um luxo. Têm uma
so, uma grade de bidon de entrada lateral largura interna de 29mm e pesam 1290g
é quase obrigatória. o par. Os cubos, com a chancela DT Swiss,
são os 240s, perfazendo um preço do con-
2> O deslizador move-se ao longo do junto de quase 2250 euros.
IsoStrut mediante casquilhos de fricção e
retentores. Evita lavar esta zona com mui- 5> A direção KnockBlock chega pela pri-
ta pressão de água se queres preservar meira vez ao XC, logicamente, tendo em
o mecanismo. As versões montadas com conta que a menor altura do guiador faz
suspensões RockShox não têm, obvia- com que seja mais fácil os comandos bate-
mente, o revestimento Kashima no veio do rem no quadro.
amortecedor. Não se trata de uma opção 6> A coluna de direção é curta, com
para poupar no preço, mas para bater cer- 90mm em todos os tamanhos até ao L e
to com a cor negra da RockShox, que pa- com 105 mm no XL e 120mm no XXL.
trocina a equipa da Trek. Também não vais
ver logótipos da Fox nestas versões, ape- 7> A Trek despediu-se da articulação ABP,
sar de os interiores serem desta marca. pelo menos nesta abordagem ao XC. A
pinça de travão fixa-se diretamente sobre
3> O tubo de selim tem um ângulo de 74º, a escora e o cabo, tal como o do travão,
bastante próximo da vertical, o que não é de passagem exterior, o que pode não
obriga a adiantar o selim como às vezes agradar a todos. Tinha de haver alguma
era preciso fazer na anterior Top Fuel. coisa para melhorar numa futura versão…

28>
mountainbikes.pt
A PARTIR
DE 4.499€.
E TEMOS
TAMBÉM A
OPÇÃO DE
COMPRAR O
QUADRO SOLTO
POR 3.799€
complexos e instalar um espigão te-
lescópico AXS Reverb, e assim atingir
preços não muito distantes dos 13.000
euros. O preço inicial da Supercaliber é
de 4.499 euros (a versão 9.7), um mo-
delo com a mesma estrutura que este
modelo topo de gama, mas sem um
bloqueio remoto no amortecedor.

PERFORMANCE COUNTRY
Não é uma bicicleta a meio caminho
entre uma rígida e uma suspensão to-
tal, é uma pura suspensão total. Esque-
ce a palavra “Softail”, porque neste tipo
de bicicleta o triângulo traseiro é como
o de um triângulo rígido, mas com uma
2 3 mini-suspensão, um amortecedor ou

4 5

6
7

29>
mountainbikes.pt
simplesmente uma flexão muito alta do
triângulo, no qual não existem juntas ou
outros elementos típicos de uma suspen-
Entre o IsoStrut são total. A Supercaliber, na qual a Trek
e o deslizador usou a expressão “Half Tail” tem um único
foram colocados ponto pivô no pedaleiro, o que o torna li-
casquilhos de teralmente um “monopivô não articulado”,
fricção e vedantes. ou seja, é uma suspensão total. A nossa
O veio tem um
diâmetro de 36 mm. expectativa mais sincera é que esperáva-
mos encontrar um comportamento com
menos amortecimento, acreditando que
seria um sistema que só funcionaria em
impactos de grande calibre. Mas não foi is-
so que se passou.
A sensibilidade inicial do sistema é re-
duzida, mas existe, pelo que conseguimos
apercebermo-nos como funciona com as
ondulações do terreno, raízes, buracos,
pedras... pode logicamente perceber-se
que a roda se move menos porque há me-
nos oscilação, mas move-se e absorve. E
o melhor vem a seguir: esta sensibilida-
de reduzida é responsável por sentirmos
que cada pedalada faz a bicicleta avançar
sem demoras, sem perder força. Afinal de
contas, se estás a pensar na Supercaliber
como a tua futura bicicleta, presumimos

EM DETALHE que estás à procura de algo como isto. Na


verdade, ao contrário de muitas das bici-
cletas de última geração que têm siste-
ISOSTRUT> Este sistema é assim chamado porque o amortece- mas bastante ativos e câmaras de grande
dor faz parte da estrutura do quadro. Há nada mais nada menos do volume nos seus amortecedores, o que
que quatro anos que a Trek tem vindo a trabalhar em estreita cola- nos obriga a recorrer ao bloqueio se es-
boração com os especialistas da Fox no seu desenvolvimento. O tubo tivermos à procura dessa reatividade ins-
Fox Kashima, com um diâmetro de 36 mm (o mesmo que as suspen- tantânea do eixo traseiro quando subimos
a serra, isso não acontece nesta bicicleta.
sões de Enduro), não é móvel, pelo que o mecanismo interno - alojado Na Supercaliber, asseguramos-te que a
na parte frontal do tubo - não sofre qualquer carga adicional. sua utilização é quase restrita a subidas

Mais controlo
MEDIDOR DE SAG
Considerando que o curso do IsoStrut e, portanto, do amor-
tecedor, é muito pequeno e representa a quase totalidade do
curso, 50 do total de 60 mm (83%), ter uma pré-compressão
muito bem calculada (sag) é crucial para obter o melhor des-
empenho possível.
É por isso que com a bicicleta encontramos um cartão (tem real-
mente as dimensões de um cartão de crédito, por isso podes levá-
lo sempre contigo) que nos diz o âmbito de sag que temos. O valor
mínimo é de 22%, pouco mais de 13 mm do curso. Abaixo, estaría-
mos a desperdiçar as opções deste sistema e teríamos um com-
portamento mais semelhante a um quadro rígido ou Softail. O
sag máximo é de 28% (quase 17 mm), dos quais é conveniente não
abusar para não se fazer o curso todo facilmente - recordemos que
se trata de um sistema bastante linear - e não convém pedalarmos
com o amortecer muito em baixo, perdendo parte da sua eficácia.
Recomendamos que se comece com um valor de 25%, e depen-
dendo da sua firmeza, vamos variando a pressão. Uma caracte-
rística deste sistema é que funciona com muito pouca pressão.
Eu peso 68 kg e rolei com pressões de cerca de 120 a 135 psi. Co-
mo recomendação, se tens intenções de maximizar a absorção
do IsoStrut, considera a instalação de mais espaçadores de vo-
lume dentro do amortecedor para torná-lo ligeiramente mais
progressivo, uma vez que o curso se esgota facilmente, embora
o final de curso seja quase impercetível devido à flexão das esco-
ras. Assim, evitaremos precisamente o abuso das escoras ao usar
todo o curso do amortecedor.
30>>
mountainbikes.pt
C: Comprimento das escoras. D: Comprimento do tubo de
{ A: Comprimento entre eixos. B: Altura do eixo pedaleiro.

selim (centro ao topo). E: Comprimento do tubo superior

direção. H: Testa da direção. I: Reach. J: Stack. Todos os


(horizontal virtual). F: Ângulo de selim. G: Ângulo de
TREK SUPERCALIBER 9.9 PROJECT ONE
I
[QUADRO] Fibra de carbono OCLV. [AMORTECEDOR] Trek IsoStrut com hidráulico Fox Factory DPS. Curso 60 mm. GEOMETRIA
A: 1.120 H
[SUSPENSÃO] Fox Factory 32 Step Cast. Curso 100 mm. [PEDALEIRO] SRAM XX1 Eagle DUB. 34d. [DESVIADOR] B: 320 F E G

SRAM XX1 Eagle. 12 v. [MANETE MUDANÇAS] SRAM XX1 Eagle. [CASSETE] SRAM XX1 XG-1299 Eagle, 10-50. C: 430

comprimentos em mm }
[CORRENTE] SRAM XX1 Eagle. [TRAVÕES] SRAM Level Ultimate. 160/160 mm. [DIREÇÃO] Trek Knock Block. Tapered. D: 445 D J
E: 610
[AVANÇO] Bontrager Kovee Pro, 35 mm. 90 mm. [GUIADOR] Bontrager Kovee XXX, 35 mm. [PUNHOS] ESI Grips F: 74º
Chunky. [SELIM] Bontrager Montrose Carbon. 138 mm. [ESPIGÃO DE SELIM] Bontrager XXX. 31,6x400 mm. [RODAS] G: 69º
H: 90 C A
Bontrager Kovee XXX 30. [PNEUS] Bontrager XR1 Team Issue. 29x2.20”. [PESO] 9,760 kg (tamanho M/L, sem pedais). I: 440
B
[TAMANHOS] S, M, M/L, L, XL e XXL. [PREÇO] 10.699€. [+INFO] Trek Iberia. www.trekbikes.com J: 594

DESDE
A GAMA SUPERCALIBER ATÉ
5
MODELOS
4.499€
SUPERCALBER 9.8 (5.999€), SUPERCALBER 9.9 (9.499€),
SUPERCALBER 9.9 XTR (9.499€), 10.499€
SUPERCALBER 9.7 9.9 AXS

ESPERÁVAMOS ENCONTRAR
UM QUADRO EXCESSIVAMENTE
RÍGIDO, MAS A BICICLETA
ABSORVE SUFICIENTEMENTE
BEM E TEM UMA BOA TRAÇÃO.
31>
mountainbikes.pt
32>
mountainbikes.pt
e pouco mais. Houve dias em que apenas principalmente roladores e não oferecem so à frente, sem ser excessivamente lon-
utilizámos o bloqueio algumas vezes nas muita margem de erro, e dependendo do ga ou curta (a nossa unidade de teste traz
subidas, nada mais. Ao andar com esta terreno é preciso escolher bem as linhas. um avanço de 90 mm, mas o standard é
bicicleta em estradões com a traseira blo- Na segunda metade do nosso teste alterei 70 mm neste tamanho M/L, uma mu-
queada, por vezes sente-se um pequeno o sag para 28% e foi possível observar co- dança muito boa na nossa opinião), mas
movimento, mas longe de se revelar em mo essa relutância inicial em comprimir- em comparação com a sua antecessora, o
perdas de energia. Nessas ocasiões, a se diminuiu. Assim, os pequenos ressal- menor grau de ângulo de direção (69º na
Supercaliber aproxima-se mais de uma tos passaram a ser um pouco mais sua- Supercaliber) é percetível no controlo da
“softail” do que de uma suspensão total ves, comportando-se melhor em descida. bike, especialmente na agilidade em te-
com mais curso. O departamento de In- Tudo dentro do esperado, embora seja rreno vertical e nas mudanças de direção.
vestigação e Desenvolvimento de suspen- novamente surpreendente que o compor- O pedaleiro também é mais baixo, o que
sões da Trek calculou que o intervalo de tamento neste caso seja tão próximo do em plena descida, apesar de ter menos
sag recomendado é entre 22 e 28%. Nos de uma bicicleta com 90-100 mm de cur- curso, dá um pouco mais de equilíbrio.
primeiros dias abusei dos 22, e, claro, foi so. Em termos de torção lateral e flexão, Nas subidas técnicas chegámos a bater
necessário ajustar o valor esporadica- o sistema IsoStrut, apesar do seu mini- com os pedais onde pensávamos que iría-
mente, sobretudo em circuitos de XC rá- malismo, consegue controlar muito bem mos rolar sem problemas. A geometria
pidos. Notei um pouco a dureza quando a as forças e a bicicleta denota ser muito da Supercaliber traz pequenos ganhos
traseira entrou em contato com os obstá- rígida na traseira, algo que notamos nas marginais que são realmente percetíveis,
culos do terreno, como se tivesse aumen- acelerações após as curvas ou ao impor especialmente quando subimos a “deitar
tado a pressão do amortecedor cerca de um ritmo forte para ultrapassar uma in- ácido lático pelos olhos”.
10-20 psi acima do normal, mas uma vez clinação muito dura.
que o amortecedor começou a comprimir, E ainda não falei de geometria. A Proca- DIZ-ME A VERDADE
a absorção foi a adequada. É fácil ganhar liber, a topo de gama rígida da Trek, tam- O comportamento da Supercaliber é 100%
confiança nesta Supercaliber e sentir que bém está ao nível de uma bicicleta “mo- orientado para a competição, como assi-
os 60 mm de curso não nos limitam em derna”. No que diz respeito à Top Fuel da nalei no início, mais ativo que o esperado,
descidas técnicas. Existem outros fato- penúltima geração (até 2019), uma bici- com melhor tração em áreas acidenta-
res, como os pneus Bontrager XR1, que cleta com a qual é inevitável fazer a com- das, e sem perder nenhuma performance
tornam a bicicleta um pouco mais limi- paração, existem algumas semelhanças. a rolar. Se procuras uma suspensão total
tada. Gostámos deles em geral, mas são A posição é muito semelhante, com o pe- confortável e muito absorvente, com a
sensação de ter mais curso, como cos-
tumamos dizer, é melhor apontar para
RESUMINDO outras bicicletas, com a Top Fuel como a
melhor opção.
» Uma bicicleta que revoluciona
o mercado, ao questionar se Mas se és um daqueles riders que nor-
100 mm eram indispensáveis malmente regulam a pressão das sus-
no XC. O resultado são 60 mm pensões um pouco acima do recomenda-
de amortecimento traseiro e do para sentir o terreno como ele é, sem
uma abordagem óbvia focada “adoçantes”, e para evitar movimentos
indesejados, esta bike pode ser para ti.
no desempenho.
Se tendes a abusar do bloqueio nas su-
» Possui tecnologia exclusiva, o bidas porque não gostas de desperdiçar
IsoStrut, mas confia no siste- um único watt e se nas conversas com os
ma DPS da Fox como “cérebro”, teus colegas abundam tópicos como tes-
tes de limiar, zonas, segmentos, KOMs,
garantindo alta qualidade e
pulsação de recuperação, séries, corridas
bom desempenho. e descanso ativo, então ouso dizer que
» Rápida como poucas, com mais esta bicicleta tem muito a oferecer como
absorção do que esperávamos. uma das tuas opções ideais.
É muito rígida e reativa.

É A BICICLETA DE
SUSPENSÃO TOTAL
IDEAL PARA AQUELES
QUE AINDA RESISTEM
A ABANDONAR A
SUA RÍGIDA
33>
33>
mountainbikes.pt
KTM SCARP MT MASTER

TURBO-TRAIL
A FRONTEIRA ENTRE O TRAIL E O XC É MAIS UMA VEZ ESBATIDA COM ESTA APOSTA ESPECIAL
DA KTM. NA PRÁTICA, UTILIZA A LEVEZA DO SEU QUADRO, MAS AUMENTA O CURSO DAS
SUSPENSÕES, PROPORCIONANDO CONFORTO E CAPACIDADES EXTRA NAS DESCIDAS.

A S BICICLETAS DE
XC ATRAVESSAM
UM MOMENTO DE
CRISE DE IDENTIDADE, TENTAN-
DO SER CAPAZES DE ACOMPAN-
HAR AS BICICLETAS DE TRAIL
sua gama de utilização. Aliás, a KTM confia
tanto neste modelo que eclipsou a exis-
tência de qualquer outro modelo de Trail
no catálogo, passando desta Scarp MT de
115/120 mm diretamente para a Prowler
de 150 mm, ou seja, a sua bicicleta de All
Isto foi possível graças à fixação Trunnion
e uma das principais vantagens que ofere-
ce é precisamente esta: um maior leque de
medidas e possibilidades para os fabrican-
tes. O quadro não foi modificado em nen-
hum aspeto. Além disso, é feito a 100%
COM MAIS CURSO. Tecnologias como Mountain e Enduro ligeiro. com o carbono Premium da marca, da
o Boost nos eixos, suspensões mais le- mais alta qualidade, que, aliás, está agora
ves e eficientes ou evoluções geométricas PELE DE CORDEIRO presente em todos os modelos de carbo-
tornaram possível que uma bicicleta de Uma bicicleta de Trail que habita num no da gama Scarp e Scarp MT, combinado
XC “simples” se torne numa plataforma quadro de XC puro. É assim que podemos com as escoras em alumínio nas versões
muito mais polivalente, confortável e di- definir esta Scarp MT. Com o objetivo de mais económicas. Esta estrutura de car-
vertida sem perder o seu objetivo original: aumentar o curso em 20 mm face à ver- bono Premium tem um peso típico de uma
eficiência e velocidade de são “pura” Scarp, a KTM bicicleta do Campeonato do Mundo, com
pedalada. E é exatamente A SCARP introduziu um amortece- 1560 g declarados pela KTM (tamanho M,
aqui que encontramos esta
versão da KTM Scarp, dife- APROXIMA- dor com o mesmo compri-
mento total (190 mm), mas
sem amortecedor), um dos pesos mais
leves do mercado. Uma das chaves pa-
rente do modelo que já tes-
tamos anteriormente, uma SE DO com um curso diferente,
aumentando-o de 37,5 mm
ra alcançar um valor tão competitivo tem
sido o sistema de suspensão SSL, não só
bicicleta ultrarrápida para
Cross Country e Maratonas.
TRAIL, MAS para 45 mm. São 7,5 mm
de diferença que, quando
porque não tem rolamentos entre as esco-
ras superiores e inferiores (o que é muito
Aparentemente, é muito COM UM o braço oscilante é ativado, comum atualmente), mas também por-
semelhante, mas tem mo-
dificações que alargam a QUADRO se transformam em mais
20 mm de curso.
que foi concebido de tal forma que as es-
coras empurram o amortecedor e o link
DE APENAS
1560G

120mm 115 29” XCM-Trail 12,04 4.849


e Pedro Pires
Héctor Ruiz
TEXTO:

FOTOS:
Alejandro Cubino

34>
mountainbikes.pt
O aumento do
curso é a grande
diferença entre
esta MT e a Scarp
convencional.

35>
mountainbikes.pt
1 2

3 4
praticamente numa linha reta que alivia o
minúsculo link da torção lateral e permite
que seja aligeirado ao máximo, daí as suas
dimensões reduzidas.

50%-50%
Em termos de montagem, a KTM dife-
renciou um pouco este modelo da versão
standard da Scarp, em sintonia com os re-
cursos frequentemente encontrados nas
bicicletas Super-XC. O guiador tem mais 2
cm de largura, passa de 720 para 740 mm,
o que é mais do que suficiente para quem
procura uma bicicleta XC, mas é um pouco
estreito para quem quer uma bicicleta de
Trail, mesmo que mais leve. Monta o espi-
gão de selim telescópico Fox Transfer e um
prato mais pequeno, agora com 32 dentes
em vez de 34. Outro componente crucial,
como são os pneus, também muda, pas-
sando de um Rekon e Rekon Race para os
Ardent Race desta MT Master, um modelo
um pouco mais versátil e não tão especia-
lizado em terrenos compactos, mas não
suficientemente agressivo se procurarmos
um carácter mais Trail na bicicleta, sendo
sobretudo pneus rápidos e rolantes. Pa-

1> Uma das chaves de muitas opções de instalação da grade sua manete de travão de dois 4> Os comandos remotos dos
bicicletas de XC modernas é po- de suporte. pontos destaca-se pela grande espigões telescópicos e de
derem transportar dois bidons rigidez que transmite. bloqueio do amortecedor nem
de água nas nossas voltas. É 2> Os travões Shimano XT con- sempre são fáceis de integrar. A
algo que os anteriores modelos tinuam a ser uma boa escolha 3> O eixo principal do braço solução da KTM foi utilizar um
Scarp já permitiam fazer, em- para quem procura uma boa oscilante coincide com a linha manípulo da Pro, em vez do Fox
bora os novos consigam ainda potência, fiabilidade e travagem de corrente de pratos pequenos original que normalmente vem
mais espaço para isso, mesmo segura, travando bem mesmo ou médios, como um 30-32. A com o espigão hidráulico Trans-
em tamanhos pequenos e com com um disco dianteiro de eficiência da pedalada é assim fer. O resultado é muito compac-
bidons volumosos. O tubo prin- 160 mm, embora um disco de superior à de um prato grande, to, embora se tenha de treinar o
cipal possui quatro parafusos 180 mm para uma bicicleta com maior tendência para inte- polegar para evitar erros.
para uma maior variedade de deste conceito fosse o ideal. A ragir com o amortecedor.

36>
mountainbikes.pt
50% DE O guiador KTM TEAM FLAT 2X permite

MONTAGEM
duas alturas diferentes, dependendo da Os punhos KTM TEAM SILICONE são
orientação quando instalado. A altura de espessura fina, mas confortáveis.

TRAIL E 50%
pode ser baixada em meio centímetro Contudo, a fixação não é perfeita.
se o guiador ficar alto para o teu gosto.

DE XC, COM A
CINEMÁTICA
DA SUSPENSÃO
SENSÍVEL E
PROGRESSIVA.
O PESO TOTAL É
MUITO CONTIDO.
OS MAXXIS ARDENT RACE
têm uma aderência limitada,
que está mais próxima do bom
comportamento a rolar do que de
uma utilização agressiva.

O melhor. Sensação de
comportamento rápido.
Leveza. Relação qualida-
de-preço.

A melhorar. Pneu
dianteiro pouco
agressivo. Disco
frontal de 160 mm.
Punhos.

DESDE
A GAMA SCARP MT ATÉ
5
MODELOS
3.099€
SCARP MT GLORY (3.499€),
SCARP MT MASTER (4.849€), 7.199€
SCARP MT ELITE MT PRIME (6.099€), MT PRESTIGE

KTM SCARP MT MASTER


I
[QUADRO] Fibra de carbono Premium. [AMORTECEDOR] Fox Float DPS Performance Elite. Curso 115 mm. GEOMETRIA
A: 1.174 H
[SUSPENSÃO] Fox 34 Float SC 29” Performance. [PEDALEIRO] Shimano XT. [DESVIADOR] Shimano XT. 12v. B: 334 F E G

[MANETE MUDANÇAS] Shimano XT. [CASSETE] Shimano XT. 10-51. [CORRENTE] Shimano XT. [TRAVÕES] Shimano C: 435
D
XT. [DIREÇÃO] KTM Team Drop-in. [AVANÇO] KTM Team MTB 7º. 70 mm. [GUIADOR] KTM Team Flat Sx. 740 mm. D: 450
E: 623 J
[PUNHOS] KTM Team Silicone. [SELIM] Eergon SM10 Sport Men. [ESPIGÃO DE SELIM] Fox Transfer Performance. F: 74º
125 mm. [RODAS] KTM Comp Trail 29 CL TLR. [PNEUS] Maxxis Ardent Race 3CMaxxTerra EXO-TR. 29x2.25” [PESO] G: 67,5º
H: 115 C A
12,040 (tamanho 19”, sem pedais). [TAMANHOS] 15”, 17”, 19” e 21”. [PREÇO] 4.849€. I: 448
B
[+INFO] Castanheira & Castanheira, www.ktm-bike.pt J: 612

{ A: Comprimento entre eixos. B: Altura do eixo pedaleiro. C: Comprimento das escoras. D:


37>
mountainbikes.pt Comprimento do tubo de selim (centro ao topo). E: Comprimento do tubo superior (horizontal
virtual). F: Ângulo de selim. G: Ângulo de direção. H: Testa da direção. I: Reach. J: Stack. Todos os
comprimentos em mm }
EM DETALHE
SISTEMA SSL> A forma como as
A fixação Trunnion
do amortecedor escoras empurram o pequeno link
permite receber um do amortecedor quase não se des-
amortecedor com um
curso mais longo. via de uma linha reta perfeita. O
curso do amortecedor permanece
alinhado com o movimento das es-
coras ao longo de quase todo o cur-
so (115 mm).

Isto permitiu simplificar bastante,


tanto o link (que pode ser mais le-
ve e mais minimalista) como a ex-
tremidade traseira, uma vez que as
escoras necessitam apenas de um
pequeno grau de flexão, tão pouco
que mesmo as versões com a tra-
seira de alumínio podem permiti-
la sem qualquer problema. Nestas
versões, a junta entre as escoras
superiores e inferiores também é
eliminada, poupando alguns gra-
mas em peso.

ra além disso, monta discos de 160 mm portanto nas subidas em estradão, reco-
em ambas as rodas, uma medida muito rremos ao bloqueio sempre que o terreno
centrada na competição e que, da mes- o permite. A segunda parte do percurso
ma forma, está um pouco longe das ne- é mais progressiva, pelo que temos es-
cessidades do Trail. Os travões têm uma se maior apoio necessário para enfrentar
boa potência, uns Shimano XT “normais” trilhos mais técnicos. Com o aumento do
(ou seja, não os de duplo pistão, mais curso do amortecedor, a geometria da
potentes). Em resumo, a marca KTM não estrutura é respeitada a 100%, e as dife-
se afastou muito da montagem origi- renças geométricas em relação à Scarp
nal do XC e tem sido um pouco tímida na de 95 mm são devidas à utilização de
promoção do seu lado mais “gravity”. De uma suspensão com um curso mais lon-
facto, o peso total é ligeiramente superior go (120 mm), pelo que também não são
a 12 kg, alguns gramas a menos do que excessivamente notadas. No entanto, o
as bicicletas de características e preço se- ponto de partida de 68,5º na direção pas-
melhantes, o que, de facto, parece ainda sa a 67,5º, valor que, juntamente com o
menos em andamento. resto da geometria lançada, torna a KTM
uma bicicleta de XC-Maratonas bastante
MAS HÁ MAIS... estável e controlável em descidas. Na ver-
Se com a Scarp testada numa edição an- dade, gostaríamos de ter visto até onde a
terior já destacámos por um lado o seu
conforto - com base no tipo de bicicleta
Scarp MT pode ir com uma configuração
ainda mais agressiva, com guiador mais RESUMINDO
que é - e o seu bom comportamento em largo e pneus mais recortados e robustos, » A KTM desenvolveu um qua-
descida, com este modelo Scarp MT po- especialmente tendo em conta que é este dro de XC muito leve, com um
des imaginar que estas duas característi- modelo que deve defender a designação curso extra, sendo mais con-
cas são ampliadas de uma forma notável. “Trail” dentro do catálogo. O que não po- fortável e ligeiramente me-
Os primeiros centímetros do curso são demos negar é que a KTM criou uma bici- lhor a descer do que a Scarp
muito sensíveis e um pouco vivos, por is- cleta que, logo ao sair da caixa, se adapta de 95mm.
so a leitura que faz do terreno é perfeita perfeitamente ao uso que a maioria dos
se procuramos conforto para enfrentar fãs portugueses procuram: uma bicicle- » A montagem oscila entre o
provas de XCM com menos castigo para ta de XC leve e rápida, mas confortável e XC e o Trail, mas inclina a ba-
o corpo. Neste primeiro momento de cur- fácil de manobrar e que não nos trai nas lança mais para o primeiro,
so, o amortecedor não transmite a mes- descidas, nas provas longas e numa utili- maximizando as sensações de
ma eficiência de pedalada que a sua irmã zação recreativa, onde pode oferecer um
de XC puro devido a essa “doçura” inicial, grande nível de felicidade.
velocidade e de condução.
38>
mountainbikes.pt
A MARATONA
É O AMBIENTE
QUE MELHOR
SE ADAPTA ÀS
RAÍZES XC DESTA
BICICLETA, TAL
COMO O SEU
MAIOR CONFORTO
39>
mountainbikes.pt
40>
mountainbikes.pt
MONDRAKER SUPERFOXY CARBON RR

SEM LIMITES
É UMA BICICLETA DE DOWNHILL? OU SERÁ UMA DE ENDURO? É UMA SUPERFOXY!
UMA BICICLETA DE SUPER ENDURO.

i MAGINA QUE POR UM MOMEN-


TO TE PODES COLOCAR AOS
COMANDOS DA MOTA DE MARC
MARQUEZ OU AO VOLANTE DO MINI
DE CARLOS SAINZ. Sentirás a mesma
sensação quando andares na Mondraker Su-
SUPERENDURO
Já sabemos que no Enduro somos todos um
pouco como os pescadores, que geralmente
exageram sempre o tamanho do peixe que
apanharam. Gostamos de usar a suspensão
total com mais curso, o capacete integral com
perfoxy RR pela primeira vez… Parece uma MIPS, ou com o duplo MIPS ainda melhor, co-
bofetada no rosto pois parece que os nossos brir-nos com proteções para intimidar as ro-
sentidos ficam mais apurados e evidenciam chas dos trilhos, ou vestir o dorsal de uma co-
que estamos na presença de uma bicicleta rrida regional como se tivéssemos ganho um
de competição. Para onde quer que olhemos, EWS. Mas cuidado, mesmo que a Superfoxy
tudo é calculado ao milímetro para oferecer o chame a atenção, se não chegares ao nível
máximo desempenho num ambiente de máxi- que ela precisa, ela vai ultrapassar-te. Tal co-
ma exigência. mo nós fizemos. É uma bicicleta que só os 10
melhores enduristas nacionais e internacio-
É UMA FOXY? nais saberão como le-
Não. A Superfoxy segue a lin- PERFEITA PARA var ao limite. É longa
ha da Foxy, uma das bicicle-
tas de Enduro mais equilibra- OS RIDERS e agressiva, voa co-
mo poucas (por vezes
das e versáteis do mercado,
mas aumenta o seu desem-
QUE TÊM UM parece que não rola
de todo) e tem uma
penho para aqueles que pro- ESTILO DE suspensão de alta ca-

CONDUÇÃO MAIS
curam um comportamento pacidade e totalmente
mais agressivo e radical. multi-ajustável. Vai
AGRESSIVO levar-te por secções
de pedra do tamanho

170mm 160 29” Enduro 14,32 8.499


Alejandro Cubino
Iván Mateos

FOTOS:
TEXTO:

41>
mountainbikes.pt
2

1 5
2

3 4
de melões com uma facilidade espantosa.
A Superfoxy vai arrancar-te aquele sorri-
so nervoso, enquanto percebes que não
entendes o que acabou de acontecer, mas
gostaste. É para andar no limite, naqueles
momentos em que um mero mortal não
pode cometer nenhum deslize. A Superfoxy
é uma arma para vencer as corridas de En-
duro, mas se muitos de nós a usarem, não
vão conseguir tirar todo o partido dela.

ESPÍRITO MONDRAKER
Agora que tens uma ideia de como é peda-
lar na Superfoxy, nós dizemos-te porquê.
Esta bicicleta parte de uma estrutura 100%
em fibra de carbono, incluindo o link princi-
pal (com o inferior em alumínio) que, apesar
de utilizar o melhor carbono da marca, o
Stealth Air (mais processado internamen-
te para melhorar a compactação e reduzir
o peso) não é excessivamente leve, porque
o braço oscilante foi reforçado para supor-
tar o insuportável. Ao mesmo tempo, a ci-
nemática foi completamente alterada em
relação à Foxy, tornando-a mais progressi-
va do início ao fim para receber amortece-
dores mais suaves e mais lineares, como o

1> Não vais precisar, mas hardware oblíquo que cria uma cm, mas pode ser aumentado rebound e compressão em alta
se preferires uma bike mais fixação mais sólida e segura. para 450 mm. A outra Super- e baixa velocidade, progressi-
compacta e um pouco mais O guiador em fibra de carbono foxy R não tem esta opção co- vidade com espaçadores... uma
manejável podes verticalizar tem 35 mm de diâmetro, com mo padrão, mas o kit de ajuste suspensão concebida apenas
o ângulo de direção para 66º, uma melhor absorção, o que pode ser adquirido separada- para a competição.
mudando os copos em que a reduz a fadiga do antebraço ao mente por 15,40 euros.
direção está inserida para as do mesmo tempo que melhora o 5> O mesmo se aplica ao
kit +1º. controlo. 4> 170 mm de curso “ilimitado” amortecedor Fox DHX2. Os
para esta Fox 36. Apenas os mesmos 4 ajustes (compressão
2> Os novos avanços FG re- 3> O comprimento das escoras mais “profissionais” poderão e rebound em alta e baixa ve-
ceberam uma área de contacto pode ser aumentado em 1 cm. extrair todo o seu sumo, com locidade) e pré-carga de mola,
do guiador mais larga e um Como padrão é fixado em 440 as suas múltiplas regulações: com duas posições.

42>
mountainbikes.pt
Fixação superior do
amortecedor TRUNNION, com
rolamentos selados, para uma
ação mais suave.

O melhor.
Comportamento a descer.
Todos os pivôs giram sobre Suspensão e geometria
rolamentos ENDURO MAX, ajustáveis.
com eixos expansores.
A melhorar.
Espigão com pouco
curso.

Eixo da roda
traseira
SUPERBOOST
de 157x12 mm.

DESDE
A GAMA SUPERFOXY ATÉ
2
MODELOS
6.299€ CARBON R (6.299€), CARBON RR (8,499€) 8.499€
CARBON R CARBON RR

MONDRAKER SUPERFOXY CARBON RR


I
[QUADRO] Stealth Air Carbon. 160 mm de curso. [AMORTECEDOR] Fox DHX2 2Pos. [SUSPENSÃO] Fox 36 Float GEOMETRIA
A: 1.220 H
GRIP2 Factory. 170 mm de curso. [PEDALEIRO] RaceFace Next R Carbon. 32d. 170 mm. [DESVIADOR] Shimano B: 357 E
G
F
XTR. [MANETE MUDANÇAS] Shimano XTR. [CASSETE] Shimano XTR. 10-51d. 12vel. [CORRENTE] Shimano XTR. C: 440/450
[TRAVÕES] SRAM Code RSC. Discos [DIREÇÃO] Onoff Titan. [AVANÇO] Onoff Kripton FG30. 30 mm. [GUIADOR] D: 420 D J
E: 626
Onoff Kripton Carbon 35x780mm. [PUNHOS] Onoff Desert. [SELIM] SDG Fly MTN. Titânio. [ESPIGÃO DE SELIM] F: 75,5º
Fox Transfer Factory. 125 mm de curso. [RODAS] DT Swiss EX1501 Spline One/ cubos DT Swiss 240. [PNEUS] G: 65º
H: 100 C A
Maxxis Minion DHF 29x2.5 / DHR II 29x2.4. Tubeless Ready, 3C MAXX TERRA, EXO. [PESO] 14,325 kg (tamanho M, I: 470
B
sem pedais). [TAMANHOS] S, M, L, XL. [PREÇO] 8.499€. [+INFO] Blue Factory Team. www.mondraker.com J: 614

{ A: Comprimento entre eixos. B: Altura do eixo pedaleiro. C: Comprimento de escoras. D:


43>
mountainbikes.pt Comprimento do tubo de selim (centro ao topo). E: Comprimento do tubo superior (horizontal
virtual). F: Ângulo de selim. G: Ângulo de direção. H: Testa da direção. I: Reach. J: Stack. Todos os
comprimentos em mm }
RESUMINDO
Larga o travão e as » Uma Super Enduro com uma
rochas desaparecerão grande capacidade de abso-
debaixo da Superfoxy. rção e que rola com muita
confiança e muito rápido nos
piores cenários.
» Suspensão e geometria total-
mente ajustáveis.

Fox DHX2 ou o X2 da Superfoxy R. A curva


anti-squat é também ligeiramente diferen-
te, e por isso sente-se mais devoradora do
que a Foxy, e voa mais nas zonas aciden-
tadas, mas também se move mais com a
pedalada, algo que podemos atenuar rapi-
damente com o botão de controlo de com-
pressão do amortecedor.

A GEOMETRIA É A CHAVE
O conceito de geometria Forward Geome-
try da Mondraker encontrou o seu par per-
feito nas suspensões dianteiras de offset
curto. A frente faz parte de um conjunto
de dimensões que estabelecem a respos-
ta da bicicleta. No caso da Superfoxy, o
avanço da suspensão (passa de 51 para
44 mm) aumenta o “trail” ou a sensação
de equilíbrio na direção. Ao tornar-se mais
lenta, permite um ângulo de direção mais
acentuado, 65º nesta Superfoxy, reduzindo
assim o “trail” e devolvendo à bicicleta a
agilidade de direção necessária. Ao mes-
mo tempo, a direção mais inclinada me-

O CONCEITO
DE GEOMETRIA
FORWARD GEOMETRY
DA MONDRAKER
ENCONTROU O SEU
PAR PERFEITO
NAS SUSPENSÕES
DIANTEIRAS DE
OFFSET CURTO
44>
mountainbikes.pt
lhora a segurança em secções íngremes,
EM DETALHE
corrigeindo a distância encurtada entre o
“front center” (linha do pedaleiro ao eixo
dianteiro) causada pela redução do curso
da suspensão devido à compressão. Es-
tas são uma série de mudanças difíceis
de explicar, que devem ser vistas como
um todo e com as quais poucas marcas
lidam como a Mondraker. Além disso, as
escoras são ajustáveis em 1 cm, o que
nos permite alongá-las para carregar mais
peso na frente, no caso de apreciarmos o
deslize da roda dianteira em curva, ou se Estrias
absorventes.
simplesmente procurarmos uma estabili- A Superfoxy rola
dade brutal a altas velocidades. silenciosamente
pelos trilhos.
O resultado? Uma grande estabilidade e
segurança nas secções técnicas e com- SILÊNCIO!> O sistema de suspensão ZERO mantém a corrente sem-
plicadas a alta velocidade e um compor- pre esticada (embora em outros modelos da Mondraker o efeito se-
tamento mais divertido, com a sensação ja mais pronunciado), reduzindo a maior parte do ruído causado pela
de poderes atacar mais forte nas curvas e
corrente, mas foi adicionado um protetor de borracha específico.
com mais confiança e aderência no pneu
da frente. Tem um comportamento típico
de uma bicicleta para Super Enduro que
te vai fazer pensar que és o super-herói
das corridas.

AJUSTES CORRETOS
GUIA DE AJUSTE RÁPIDO
Não entres em pânico com as várias configurações oferecidas
tanto pela suspensão como pelo amortecedor. A Mondraker ofe-
rece algumas tabelas de ajuste inicial de acordo com o peso do ri-
der, com os cliques recomendados em compressão de alta veloci-
dade (HSC), compressão de baixa velocidade (LSC), rebound a alta
velocidade (HSR) e rebound a baixa velocidade (LSR). Estes quatro
parâmetros são ajustáveis tanto na Fox 36 Grip2 como no amorte-
cedor Fox DHX2.
COMPRESSÃO. Esta é a resistência hidráulica a ser comprimida.
Quando falamos de baixa velocidade (LSC) referimo-nos a uma pla-
taforma que modera os movimentos de baixa velocidade, como os
que provocamos ao pedalar, devido a pequenas irregularidades no
terreno, em curva ou na travagem. Os restantes impactos (abrup-
tos, súbitos ou de salto) são os de alta velocidade e são controlados
BIKE 2020
com a regulação HSC, por exemplo, fechando-o para evitar esgotar
o curso.
REBOUND. Trata-se da recuperação da extensão ou da posição ini-
cial, face ao mesmo tipo de impacto acima descrito. O rebound a
baixa velocidade (LSR) melhora a resposta a pequenos impactos ou,
ao fechá-lo, permite moderar as oscilações da pedalada (fechando Progressividade.
A linha quase
também o LSC). O HSR evita recuperações descontroladas em com- reta mostra uma
Rear shock: FOX DHX2 Factory Kashima
pressões profundas e facilita também a manutenção do curso em progressão contínua
application: Size S: 350 lbs Size M: 400 lbs Size L: 450 lbs Size XL: 500 lbs
impactos fortes consecutivos. que é perfeitamente
adequada a um
amortecedor de mola.
SAG RECOMMENDED SETTING*

RIDER WEIGHT SPRING RATE CLIC(S) CLOSED FROM FULL OPEN

LSC lbs / kg lbs HSC LSC HSR LSR


1-2 120 / 54 350 1 2 1 2
3-4 140 / 64 350 2-3 3-4 2-3 3-4
5-6 160 / 73 400 3-4 4-5 3-4 4-5
7-8 180 / 82 450 4-5 5-6 4-5 5-6
9 - 10 200 / 91 450 5-6 6-7 5-6 6-7
11 - 12 220 / 100 500 6-7 7-8 6-7 7-8
13 - 14 240 / 109 500 7-8 8-9 7-8 8-9

*Settings based on Super Enduro application and 30 - 35% recommended sag

45>
mountainbikes.pt
HOTNEW
NE S
WS

APRESENTAÇÃO CANYON
SPECTRAL:ON + NEURON:ON
VALLROMANES (BARCELONA), ESPANHA

EM LUME
BRANDO
NÃO É A MESMA COISA AQUECER UM PRATO PRÉ-COZINHADO NO MICRO-ONDAS OU
COZINHÁ-LO LENTAMENTE NUM CALDEIRÃO DE BARRO…
A CANYON SABE DISSO, E É POR ISSO QUE, AO SEU PRÓPRIO RITMO, “COZINHA”
BICICLETAS “DELICIOSAS” QUANDO CHEGAM À MESA.

H Á CERCA DE UM ANO
TESTÁMOS A PRIMEI-
RA EBIKE DE BTT NA HISTÓRIA DA
CANYON, A SPECTRAL:ON. Era uma
É composta por nada mais, nada menos que
21 partes, que são montadas no novo qua-
dro, que também é misto. O triângulo fron-
e-bike um pouco ultrapassada, com um tal é feito de uma peça de fibra de carbono e
conceito de bateria não integrada para uma aloja a bateria Shimano de 504Wh dentro do
A nova troca rápida e fácil da bateria no caso de tubo diagonal. E por que razão não é maior?
Spectral:ON deixou transportares uma sobresselente na mo- Falaremos sobre isso mais tarde. O braço os-
os moradores locais chila. No entanto, para além deste aspeto, cilante é feito de alumínio, o que proporciona
alucinados... o comportamento da bicicleta surpreen- uma maior durabilidade face aos impactos a
Carregador integrado deu-nos. Duas temporadas depois assisti- que a traseira da bicicleta está mais exposta.
USB-C junto ao botão de mos à apresentação da nova Spectral:ON, No total, o peso do quadro, juntamente com a
r
alimentação, para carrega uma versão melhorada em quase todos os junção do conjunto avanço e guiador de fibra
telemóveis, GPS, luzes...
aspetos, que mantém o conceito “misto” do de carbono numa só peça, e outras melhorias,
original, mas é mais leve e mais eficiente consegue uma redução de peso superior a 1
do que nunca. kg, passando dos anteriores 22,7 kg para os
atuais 21,6 kg (peso declarado do topo de ga-
SABOR MISTO ma). Todos os modelos Spectral:ONs são as-
A Spectral mantém a sua fusão de rodas de sistidos por motores Shimano E8000, trans-
29/27,5”, uma combinação que está cada
29/27,5 missões Shimano e travões Shimano de 4 pis-
vez mais na moda, mesmo fora das elétri- tões. Haverá 3 versões, todas com o mesmo
cas, e tem 150 mm de curso em ambas as quadro de carbono e alumínio e preços entre
suspensões. A estrutura foi redesenhada de 4.599 e 6.999 euros. O modelo mais básico
raiz, desde os parafusos dos pivots até aos está também disponível numa versão femini-
próprios links de ligação. na, com pontos de contacto adaptados.
46>
mountainbikes.pt
TEXTO:
Iván Mateos

FOTOS:
Markus Greber/
Pol A. Foguet

47>
mountainbikes.pt
EX
CL
US
IV
O
1 2

1> Integração elegante do motor Shimano. Por cima dele, com toda a lógica, a entrada
de carga em posição vertical, de modo que a própria força da gravidade dificulte a en-
trada de humidade ou sujidade nos contactos. 2-3-4> O kit de avanço e guiador em car-
3
bono da Canyon CF:ON integra a fixação do visor, não o visor em si (será 2021 o ano do
update?). O cabo da unidade de comando percorre o interior do guiador e é esteticamen- 4
te agradável. 5> O selim SD:ON foi especialmente concebido pela Canyon para e-bikes,
oferecendo um melhor apoio na zona traseira em subidas íngremes. 6> Queres remo-
ver a bateria? Com uma chave Allen de 4 mm, fá-lo-ás em 15 segundos. 7> O engenhoso
aperto Quixle do Canyon: esconde-se dentro de uma câmara. Podes extraí-lo para fazer
mais alavanca na rotação.

>CANYON
SPECTRAL:ON CF 9.0:
É o topo de gama, mon-
tado com transmissão
Shimano XTR de 12 Triângulo dianteiro em fibra de
velocidades, e sus- carbono, traseiro em alumínio.
pensões da gama Fox
Factory. O seu preço de
venda é de 6.999 euros. Amortecedor FOX
DPX2 Factory,
com alavanca Suspensão FOX 36
de controlo da Grip Factory, com
Pneu traseiro MAXXIS plataforma. O
MINION DHR II 27,5X2,60” 150 mm de curso.
curso traseiro é
EXO. As rodas são de 150 mm.
REYNOLDS TR E CARBON.

EX Pneu dianteiro MAXXIS

CL
MINION DHF 29X2.50”
EXO. Ambos os aros

US
têm uma largura
interna de 30 mm.

IV
O 48>
mountainbikes.pt
5
6

MAIS E MELHOR
A geometria tem sido um dos pontos-
chave na nova conceção da Spectral:ON e
os engenheiros quiseram manter as suas
qualidades a descer e aumentar a capaci-
dade “escaladora”. Para tal, aumentaram
as escoras em 5 mm, para os 435 mm, e o
ângulo do selim foi aproximado da vertical
em 0,7° (74,5°). Com estas alterações, mí-
nimas mas muito visíveis, é pos-
sível colocar mais peso na roda TRASEIRA
da frente, que mantém contacto MUITO
com o solo mesmo nas subidas ABSORVENTE,
mais íngremes. Também se ganha
aderência na roda dianteira, uma
COM O SEU
vez que o pneu é pressionado con- SISTEMA
tra o chão de forma mais natural. TRIPLE PHASE
Para melhorar o desempenho em AFINADO
descida, o ângulo de direção foi li- PELO PRÓPRIO
geiramente relaxado, apenas 0,3°,
de 66,8° para 66,5°. Mantém o al- FABIEN BAREL
cance de 445 mm no tamanho M,
ou seja, o comprimento horizontal desde
o pedaleiro até à direção (determina basi-
camente o comprimento de um quadro),
pelo que mantém uma suspensão com um
avanço (offset) de 51 mm. As bicicletas de
Enduro que ultimamente estão a ser apre-
sentadas combinam um maior alcance e
um menor offset, procurando uma melhor
resposta nas descidas técnicas e verticais,
embora percam alguma capacidade de
gestão e eficiência nas subidas, versatili-
dade que a Canyon não quis perder na sua
bicicleta de Trail-Enduro mais polivalente.
Este modelo da Canyon perdeu o sistema
49>
mountainbikes.pt
Geo Adjust que lhe dava a capacidade de trepar as rampas quase impossíveis que
alterar a geometria entre duas posições - encontrámos nos percursos de teste con-
uma para subir e outra para as descidas - segue manter a direção muito composta.
através da alteração da fixação frontal do
amortecedor. E PORQUÊ 500WH?
Por diferentes razões. A primeira, segun-
EQUILIBRADA do a marca, é a melhor relação autono-
A nova Spectral:ON excede as expecta- mia/peso face às atuais de 625Wh, o que
tivas do modelo anterior. Conseguimos faz com que a Spectral:ON seja mais leve,
pô-la à prova nos caminhos da região de dinâmica e ágil. Por outro lado, 500Wh é
El Maresme, até que a bateria se esgotou a capacidade máxima que oferece a Shi-
literalmente, e ficámos a querer mais, o mano, e a Canyon queria contar com uma
que é uma boa indicação do seu comporta- bateria de qualidade, e mais importante,
mento. Com um centro de gravidade muito com um serviço técnico global capaz de
baixo, a suavidade da sua suspensão, onde dar resposta aos clientes em qualquer
se destaca uma traseira muito absorvente parte do mundo.
(com o seu sistema Triple Phase “afi-
afi-
nado” pelo próprio Fabien Barel), e os
nado
Sensor oculto, poderosos travões de 4 pistões, o no-
na ponteira do
quadro, procurando vo modelo da Spectral:ON denota ser
uma estética limpa. muito estável e seguro. Além disso, o
novo quadro de carbono retira a im-
previsibilidade das reações, perdendo
a sensação de dureza das e-bikes de
alumínio. Tornou-se mais controlável,
com uma posição bem centrada, e a

O sag é
fundamental
para o desempenho
da suspensão, tanto
em e-bikes como em
bicicletas “normais”.

MAIS LEVE, MANTÉM


AS SUAS QUALIDADES
A DESCER, MAS
MELHORA A
CAPACIDADE
EX EM SUBIDA

CL
US
IV
O 50>
mountainbikes.pt

z
Atual e integrada! Cockpit
em alumínio.
NOVA CANYON NEURON:ON Mas tal como na
Spectral:ON, com
Juntamente com o modelo Spectral:ON, foi também cablagem elétrica
apresentada a Neuron:ON, modelo de Trail que foi atua- interna através
lizado para receber a bateria integrada. A estrutura é do guiador.
também nova, redesenhada de raiz para criar espaço no
tubo diagonal para a bateria Shimano 504Wh, embora o
material utilizado na estrutura seja o alumínio 6061. Uma
das alterações estéticas mais evidentes é o tubo horizontal
totalmente reto, perdendo a curva que o modelo anterior
tinha quando se une ao tubo vertical.
Mantém os 130 mm de curso em ambas as rodas, para uma
utilização ampla e diversificada. A cinemática da suspen-
são é adaptada ao tamanho, para obter o mesmo desem-
penho ou qualidade da suspensão, independentemente da
altura do rider. As rodas são de 29”, exceto para os taman-
hos S e XS, que são de 27,5”. Em termos de eficiência da
suspensão, o valor de anti-squat é de cerca de 100%, para
máxima eficiência e utilização de energia, enquanto, por
comparação, na Spectral:ON é de cerca de 60%, devido à
sua abordagem de suspensão mais absorvente e vocaciona-
da para as descidas.
Quanto à alteração mais importante, a integração total da
unidade motriz Shimano E8000 e da sua bateria Shimano
504Wh envolve também modificações estruturais que afe-
tam o comportamento da bicicleta: o centro de gravidade é
rebaixado e o triângulo traseiro tornou-se mais rígido.
A bateria pode ser recarregada a partir de uma entrada la-
teral de carregamento, localizada no lado esquerdo do mo-
tor, mas também pode ser removida utilizando a clássica
chave anti-roubo, para que possa ser carregada separada-
mente da bicicleta.
O novo guiador Canyon permite a orientação interna da Chave.
A bateria só pode
cablagem elétrica, desde o botão de controlo de assistência ser removida
até ao monitor, tornando o posto de condução mais intuiti- com a chave
vo e com uma estética mais apelativa. específica.

Esta é a Neuron:ON 9.0:


4.499€. Existem duas
outras versões: Neuron:ON
8.0 (3.999 euros), 7.0 e a
versão feminina 7.0 WMN
(3.699 euros), todas em
duas cores diferentes.

51>
mountainbikes.pt
Pequenos, seguros
e permitem caminhar
facilmente.
Os primeiros SPD na
história, criados pela
Shimano há 30 anos,
revolucionaram a
forma de pedalar.

52>
mountainbikes.pt
TENS
SISTEMAS DE CLEATS PARA BTT

PODER DE
ENCAIXE
POSSO USAR OS MEUS CLEATS SHIMANO NUNS PEDAIS BONTRAGER?
OS ENCAIXES TIME SÃO COMPATÍVEIS COM OS CRANK BROTHERS? O
MUNDO DOS ENCAIXES NÃO É TÃO COMPLEXO COMO PARECE, E NESTE
ARTIGO EXPLICAMOS TODOS OS DETALHES.

N O INÍCIO EXISTIAM AS GRA-


DES, AS CORREIAS E... FI-
NALMENTE OS ENCAIXES.
Atualmente o nosso calçado e os pedais trabalham em
conjunto e quanto mais unidos se mantêm, mais efi-
ciente é a sua transferência de energia. A marca italiana
Cinelli foi a pioneira, tendo lançado o seu modelo M71
nos anos 70, um pedal com sistema de engate ao sapa-
to (com um encaixe específico), mas com libertação
manual, uma vez que tinha de se apertar uma alavanca
com a mão para abrir o sistema, o que limitou enorme-
mente o seu uso (era utilizado, sobretudo, em pista).
FOTO ABERTURA:
Gonzalo Manera

Arquivo BIKE
Héctor Ruiz

FOTOS:
TEXTO:

53>
mountainbikes.pt
u o primeiro pedal verdadeiramente
Só nos anos 80 é que a Look lanço botas de esqui e com encaixes de 3 parafusos.
automático da histó ria, inspirado nas mo de
ano, o qual revolucionou a história do ciclis
Nos anos 90 surgiu o conceito da Shim Pedaling Dynamics).
montanha e de estra da, o SPD (Shim ano

»SPD
O SPD, da Shimano (Shimano Pedaling Dyna-
mics), é o sistema mais difundido no mundo do
BTT. Em 1990, a Shimano concebeu um design
em que o encaixe estava “escondido” entre os
tacos da sola do sapato, permitindo caminhar
com facilidade e abrir um novo mundo de possi-
bilidades no BTT. É por isso que é considerada a
referência e é também a mais copiada no mer-
cado. Além da Shimano, podemos encontrar o
sistema SPD em muitas marcas de pedais como
a Ritchey, Exustar, Bontrager, Wellgo, várias
marcas “genéricas” e até a última versão dos
pedais Look.
À partida, todos os pedais com sistema SPD são
compatíveis entre si quando encaixam no sapato,
embora a nossa experiência tenha mostrado que
em muitas ocasiões a mistura de encaixes e pe- Shimano XT M8120 atuais.
dais de diferentes marcas resulta numa pior per-
formance - com um encaixe mais desajeitado ou
libertações acidentais, dependendo das marcas
que combinamos -, pelo que é aconselhável usar
sempre a mesma marca de pedal e de encaixe. SHIMANO M995
Embora possa parecer óbvio, os encaixes SPD só 20º aniversário.
são compatíveis com pedais do tipo SPD.
Uma das vantagens dos encaixes SPD é que
são normalmente feitos de aço, prolongando
a sua vida útil, especialmente se costumas
caminhar com eles. Uma das desvantagens tra-
dicionalmente associadas ao sistema SPD e aos
pedais Shimano é a dificuldade de utilização em
condições de lama, onde outras marcas são su-
periores, embora este seja um aspeto em que a
marca japonesa melhorou significativamente nas SHIMANO M505, um
últimas gerações de pedais. clássico em termos de
relação qualidade-preço.
54>
mountainbikes.pt
»ATAC
A marca francesa Time ofereceu pela primeira está em vigor há alguns anos - foram real-
vez uma alternativa à nova invenção da Shima- mente uns Time rotulados pela Mavic e com
no, e assim nasceu, nos anos 90, o seu siste- poucas variações - até que a empresa famosa
ma de encaixe ATAC (Auto Tension Adjustment pelas suas rodas ter cessado a sua comer-
Concept). Desde o princípio, destacaram-se cialização no final da última década, embora
não só porque era um sistema aparentemente ainda seja possível comprá-los em muitas
mais simples - não tinham parafusos para lojas físicas e online. O sistema ATAC não é
ajustar a tensão da mola dado o seu mecanis- compatível com outros encaixes e, embora
mo de “auto-tensão” - e até se podia dizer que outras marcas possam ter uma certa seme-
eram elegantes, mas também porque a forma lhança, são absolutamente incompatíveis.
como a mola estava encaixada fazia com que Outra das suas vantagens é que ao montar-
fosse mais fácil de limpar quando o encaixe mos os encaixes, modificamos o ângulo do
estava colocado. seu desbloqueio conforme os coloquemos no
sapato direito ou esquerdo, para os adaptar
Isto fez deles uma opção de referência para
às diferentes necessidades. São feitos num
aqueles que costumavam andar em condições
tipo de alumínio diferente, pelo que tendem a
de lama, como é o caso do ciclocrosse e agora
desgastar-se antes dos SPD.
também do Gravel, uma virtude que ainda hoje
é válida em todos os seus pedais. A nível mundial têm sido a segunda opção
mais difundida, principalmente devido à sua
Já passaram quase três décadas e este con-
história, embora a sua popularidade em al-
tinua a ser um sistema exclusivo da Time e
guns mercados não seja tão elevada, também
mais ninguém o faz, exceto uma pequena
devido ao nulo investimento em campanhas
marca, a MKS, que lançou um sistema com-
de publicidade. Um dos seus rivais mais for-
patível com o ATAC durante alguns anos. A
tes é a marca Crank Brothers.
marca francesa Mavic lançou uma gama de
pedais em 2014 com este sistema ATAC que Durante algunos anos, a Mavic colocou
à venda os seus próprios pedais ATAC.

A evolução. Foi assim que a Shimano mostrou os 25 anos de vida do SPD. Este ano o sistema faz 30 anos.

O sistema inventado pela Shimano é o mais copiado do mundo por outras marcas de componentes.

XPÉDO RITCHEY EXUSTAR BONTRAGER

55>
mountainbikes.pt
»CRANK BROTHERS
A origem desta marca americana é muito seu funcionamento é que parece ser muito
curiosa, pois saltou para a ribalta nos EUA em mais “pegajoso” do que outras marcas, que
1997, após o fabrico de uns desmontas para têm os seus defensores e detratores. Tradi-
pneus inspirados nos utilizados na indústria cionalmente, o seu encaixe também sofre um
automóvel, os Speed Lever. Mas foram os pouco mais de desgaste do que o dos SPD,
seus pedais Egg Beater que abriram a porta uma vez que é feito de latão de alta resistên- Sendo os mais
à fama internacional em 2001, um sistema cia em vez de aço. Estes pedais só admitem minimalistas
do mercado
com algumas semelhanças com o ATAC, mas os seus encaixes específicos. conquistaram
mais minimalista e com quatro lados de en- rapidamente
caixe em vez de dois, o que, à priori, facilitou seguidores em
todos os cantos
o momento de encaixar o sapato (o que não do planeta.
é bem o caso, devido à sua pequena dimen-
são). Eram tão minimalistas que também não
tinham qualquer regulação de tensão, o que
ainda hoje não mudou (a marca francesa, no
entanto, começou a utilizar a regulação de
tensão). A Crank Brothers concentrou-se num
acabamento e design muito atrativos e num
peso muito baixo, devido ao tamanho muito
pequeno destes pedais (que se assemelham
a batedores de ovos, daí o nome), o que rapi-
damente os tornou muito populares entre os
atletas profissionais e os fãs da competição.
A capacidade de libertar a lama é uma das
características do sistema desta marca, e os
seus encaixes (com novas versões em 2020)
também permitem diferentes graus de liber-
tação, dependendo da forma como os monta-
mos, mas neste caso, virando-os 180 graus
sobre si mesmos. Uma das peculiaridades do

»LOOK
A marca que inventou o pedal automático,
e com a qual Bernard Hinault venceu o Tour
apenas um ano depois, é uma referência na
estrada e um dos sistemas de pedais mais
utilizados. Contra todas as probabilidades, a
sua história no BTT tem sido uma constante
tentativa e erro até há alguns anos. Embora
nos anos 90 tenham criado o Moab e o Moab
II para enfrentar a Shimano com um sistema O Quartz não conseguiu
de encaixe muito semelhante, só em 2007 se igualar em popularidade
tornaram uma grande marca no BTT com o os seus grandes rivais.
lançamento do seu modelo Quartz.
compatíveis com os Quartz anteriores. Des-
E fizeram-no com semelhanças com os ATAC tacaram-se pelos seus pedais minimalistas e
dos seus compatriotas da altura, embora fos- pela sua grande superfície de apoio e, sobre-
sem totalmente incompatíveis entre si. Tinha tudo, pela sua boa libertação da lama, em-
as mesmas virtudes e inconvenientes que este bora os seus pontos fortes nunca se tenham
último e era um sistema fiável e simples, além traduzido no sucesso esperado. O facto de A segunda tentativa da Look
permaneceu no mercado durante alguns anos,
de ter modelos muito elitistas feitos de carbo- incluírem vários calços para serem instalados até se render aos argumentos do SPD.
no e titânio e pesos muito baixos, mas a marca junto ao encaixe até se conseguir o melhor
nunca ganhou muita popularidade, lá está, engate, dependendo do calçado, foi um fator
por falta de comunicação e investimento em que não jogou a seu favor.
publicidade, algo que os seus rivais fazem. Por
E isto leva-nos até 2018, quando a marca
esta razão, em 2012 a marca experimentou
decidiu fazer uma nova viragem de 180º no
uma fórmula diferente, lançando os modelos
seu percurso, com um argumento difícil de
S-Track, completamente novos e com um
refutar “se o pedal que triunfa no mercado é o
sistema de encaixe ligeiramente modificado
SPD da Shimano, façamos um pedal SPD”. E
com a junção de pequenos elastómeros para
assim iniciaram uma nova etapa com pedais
amortecer o contacto entre o encaixe e o pedal
muito semelhantes aos da referência japone-
sem ruídos. A solução definitiva da Look foi assemelhar-se
sa, compatíveis com o sistema nipónico e que à Shimano, produzindo o seu próprio SPD
Além disso, estes novos S-Track não eram são os que encontramos hoje nas lojas.
56>
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»SPEEDPLA
SPEEDPLAY
O pensamento por detrás desta marca é o
oposto dos outros fabricantes, literalmente,
de tal forma que esta marca é a alternativa
por excelência em relação ao resto dos pedais.
Tanto nos seus modelos de estrada originais,
os Speedplay X, nascidos em 1991, como nos
Frog, para BTT, lançados um ano mais tarde,
o mecanismo de encaixe e libertação está alo-
jado no encaixe e não no pedal, o que permite
simplificar muito o design e o peso do corpo
do pedal, enquanto o encaixe no sapato é mui-
to mais sofisticado do que um convencional.
As vantagens deste sistema, ainda em vigor
e no catálogo, é que permite regular com
precisão o grau de flutuação do encaixe, razão
pela qual são os pedais idolatrados e os mais Com os SZYR a
populares entre os ciclistas profissionais e Speedplay expande-se a
um público mais vasto.
triatletas, uma vez que podem ser ajustados
de forma a que o pé fique completamente fixo
ao pedal. A sua desvantagem é que os seus
encaixes são maiores (nem sempre cabem
bem em todos os sapatos), mais sensíveis aos
danos quando se tem de andar e o seu preço,
quando se trata de os substituir, é mais ele-
vado. Estas desvantagens fizeram, como na Únicos, os Frog têm sido uma das
opções favoritas dos amantes da
Look, com que não tenham gozado de tanta eficácia da pedalada.
popularidade junto do grande público de BTT.
Por isso, a marca lançou os seus pedais SZYR
em 2016, um novo design que tirou ideias do
Frog e dos restantes sistemas mais tradicio-
nais como o SPD ou ATAC, com muito melhor
desempenho na lama.
O sistema de molas está alojado no pedal e
tem um encaixe muito peculiar, mas mais
próximo do convencional do que antes (quase
semelhante em tamanho a um SPD), permi-
tindo uma rotação personalizável até 10º. Os
pedais Speedplay são, como podes imaginar,
apenas compatíveis com os seus encaixes e
o engraçado desta marca americana é que os
diferentes tipos de pedal e encaixe, desde as
suas origens, ainda coexistem no seu catá-
logo, do modelo primogénito X até ao SZYR,
passando pelo Frog.

»HT
Esta marca taiwanesa, muito na moda nos últi-
mos anos no mundo do Enduro e DH e popula-
rizada por muitas das figuras do Enduro World
Series, tem um sistema de encaixe próprio,
no qual realmente nada de novo foi inventado.
Reuniram o melhor de outros sistemas como
o SPD, ATAC e Crankbrothers e acrescentaram
isso tudo ao seu próprio sistema de encaixe,
procurando as virtudes de cada um deles como
o toque firme e seco de Shimano ou a capaci-
dade de libertar a lama dos Crankbrothers, para
além de terem muito em conta o aspeto esté-
tico. A nível estrutural, o sistema é semelhante
ao SPD, mas não é compatível com este ou
qualquer outro conceito.
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TRANSMISSÕES ELETRÓNICAS E NÃO SÓ...

IDEIAS
BRILHANTES
CADA VEZ QUE SURGE UMA IDEIA REVOLUCIONÁRIA, ELA MUDA O PARADIGMA
INSTALADO. JÁ VIMOS ESTE CENÁRIO MUITAS VEZES NO SETOR DAS BICICLETAS, COM
A CHEGADA DAS SUSPENSÕES, DOS PEDAIS AUTOMÁTICOS, DOS TRAVÕES DE DISCO...
E AGORA NINGUÉM CONSEGUE “VIVER” SEM NENHUMA DELAS. ACONTECEU ALGO
SEMELHANTE COM AS TRANSMISSÕES ELETRÓNICAS, MAS TEMOS DE SER CLAROS
QUANTO A UMA COISA: ELAS VIERAM PARA FICAR.
TEXTO:
Iván Mateos
FOTOS:
Arquivo BIKE

58>
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59>
mountainbikes.pt
A RELAÇÃO ENTRE
A ELETRÓNICA E O
BTT É MUITO AN-
TIGA, EMBORA TENHAMOS TENDÊNCIA
PARA PENSAR QUE SE TRATA DE ALGO
RECENTE. A sua utilização remonta há mais
de 25 anos, mas é claro que, nessa altura,
até à chegada do Shimano Dura Ace Di2, mais
de uma década depois, em 2009.
A tecnologia de comunicação por cabo e-Tu-
be da Shimano Di2 provou o seu desempen-
ho nas corridas de estrada e foi finalmente
introduzida no BTT em 2014, através do Shi-
mano XTR Di2. O Deore XT, o Ultegra para a
XX1 Eagle AXS, que trouxe a tecnologia de
conectividade AXS. Esta tecnologia permite
a comunicação com outros dispositivos, da
marca ou não, lançando um olhar claro so-
bre o futuro.

PORQUE É QUE A SHIMANO


nem a eletrónica nem as baterias estavam estrada, o GRX e o Alfine urbano também es- UTILIZA CABOS E A SRAM NÃO?
suficientemente evoluídas para se conseguir tão atualmente a beneficiar desta tecnologia, Os japoneses argumentam que existe uma
uma continuidade fiável da sua utilização no embora nos grupos de montanha não ten- maior velocidade de transmissão de dados
mercado. Em 1992, a marca francesa Mavic ham sofrido grandes desenvolvimentos nos através de cabos em comparação com os
desenvolveu um desviador controlado eletri- últimos 6 anos. No entanto, os grupos mecâ- meios aéreos, o que resulta em comandos
camente, que as equipas profissionais de es- nicos foram atualizados para 12 velocidades, mais rápidos e mudanças mais diretas. Além
trada ONCE e RMO testaram durante a Volta o que nos dá a sensação de que o grande disso, a possibilidade de instalar uma única
a França: o Zap Mavic System. O ZMS tinha avanço da Shimano está prestes a chegar: a bateria comum para alimentar todos os ele-
uma unidade de controlo oculta, juntamente apresentação dos novos grupos de 12 veloci- mentos: mudança, controlo, visualização... .
com as baterias, dentro do guiador, ligada por dades Di2. Neste momento, estão
cabo aos dois botões de pressão e ao desvia- satisfeitos com 11 carretos, mas
dor traseiro. Curiosamente, o desviador não com as opções de prato duplo, que
se movia com os pequenos motores elétricos oferecem uma gama mais ampla
como os atuais, mas aproveitava a rotação de mudanças.
da roldana superior para induzir movimentos Entretanto, a SRAM, o arqui-inimi-
laterais através da cassete: se não houvesse go da Shimano, instalou um siste-
movimento, não mudava. Em 1998, o Mavic ma de comunicação sem fios. Em
ZMS foi transformado no Mektronic, já com 2016 introduziram o SRAM Red
comunicação sem fios. Isto foi há mais de eTap, três anos mais tarde lança-
20 anos! O sistema não prosperou e, devido ram o Force eTap para estrada,
a vários problemas, foi retirado do mercado, quase ao mesmo tempo que o

A Mavic foi a verdadeira pioneira na


exploração
de grupos eletrónicos, com o seu ZMS
para
estrada, lançado em 1992.

OS GRUPOS
ELETRÓNICOS
SUPERARAM
TODAS AS
EXPETATIVAS DE
FUNCIONAMENTO
NUM AMBIENTE
DE BTT

60>
mountainbikes.pt
»SHIMANO XTR Di2 (série M9050)
O Shimano XTR Di2 chegou ao mercado em [COMBINAÇÕES] 1x11, 2x11 e 3x11. [Pratos] 1x: 30,
2015. Está disponível nas versões de 1x11,
Shimano XTR Di2
32, 34d e 36d. 2x: 24-34d, 26-36d e 28-38d. 3x: 22-30-
2x11 e 3x11 e os desviadores traseiro e dian- 40d. [CASSETE] 1x, 2x e 3x: 11-40d. [CONETIVIDADE] COMPONENTE PESO PREÇO
teiro são acionados por motores elétricos e-Tube, por cabo.
Desviador
alimentados por uma única bateria alojada RD-M9050 287 g 580€
dentro ou fora do quadro. Todos os elemen- escolher a mudança apropriada para uma pro-
tos são conectados com cablagem eTube e gressão mais natural, chamada Rhythm Step. Manípulo
SW-M9050R 67 g 212€
têm um display que informa de todos os da- É totalmente personalizável, adaptando a re-
dos (mudanças, modo de comutação sincro- lação de alteração às nossas preferências ou Bateria interna 51 g 105€
nizada, bateria...) e no qual podemos ajustar tipo de uso. Existem dois tamanhos de desvia- BTDN110A1
os parâmetros. Esta tecnologia Synchro Shift dor traseiro, um com caixa longa ou SGS para Display
é precisamente uma das suas grandes virtu- configurações de pedaleiro duplo ou triplo, e 30 g 110€
SC-M9051
des: é uma espécie de mudança “inteligente” outro com caixa média ou GS para grupos de
Cablagem
que permite dispensar o botão do desviador monoprato, mas devemos sempre respeitar kit e-Tube 35 g 300€
dianteiro e utilizar apenas o botão de mudança o âmbito de cassete de 11 velocidades, com
dos carretos. A unidade de controlo comanda um carreto máxima de 40 dentes. A cassete é TOTAL 470 1.307€
(configuração 1x11) gramas
a mudança automática do prato dianteiro para compatível com cepos do tipo HG.

O XTR sempre foi o


rei das transmissões
e a porta de entrada
para as novas
tecnologias dos grupos
da marca.

O melhor. Velocidade de comutação.


Amplitude de mudanças.

O pior. Cablagem, instalação laboriosa.

61>
mountainbikes.pt
»SHIMANO Deore XT Di2 (série M8050)
Como disse Nikola Tesla, “a eletricidade ex- [COMBINAÇÕES] 1x11 e 2x11. [Pratos] 1x: 30, 32 e 34d.
pande-se da forma mais natural que pode 2x: 24-34d, 26-36d e 28-38d. [CASSETE] 1x: 11-40d, 11- Shimano XT Di2
encontrar”. E o que era mais natural e espe- 42-d e 11-46d. 2x: 11-40d e 11-42d. [CONETIVIDADE]
Cabos.
COMPONENTE PESO PREÇO
rado era que a tecnologia Di2 desse o salto
para o Deore XT. Em 2016 chegou o novo gru- bicicletas elétricas equipadas com motor Shi- Desviador 310 g 289€
RD-M8050GS
po, com as mesmas qualidades do XTR Di2, e mano: pode ser alimentado diretamente pela
a adição da comunicação Bluetooth (também bateria principal e o botão esquerdo pode ser Manípulo
94 g 101€
disponível para o XTR através da junção de configurado para mudar os modos de assis- SW-M8050R
um componente), o que permite fazer ajus- tência de pedalada. Enquanto o XTR Di2 tem Bateria interna 51 g 150€
tes ao Synchro Shift, updates nas funções dos dois desviadores traseiros em dois tamanhos BTDN110A1
botões dos comandos Firebolt e controlo de diferentes, o Deore XT Di2 partilha um único Display
outras funções diretamente do nosso smar- modelo para as suas duas combinações, 1x11 31 g 127€
SC-MT800C
tphone, tablet ou computador. Além disso, o e 1x12, com uma limitação de 42 dentes no
sistema de gestão de dados sem fios D-Fly carreto maior numa configuração de duplo Cablagem
kit e-Tube 35 g 300€
fornece informações sobre o estado da bate- prato. A versão monoprato pode acomodar
ria ou a mudança selecionada noutros dispo- um carreto até 46 dentes. Tanto o XTR Di2 co- TOTAL 521
967€
sitivos, tais como computadores de bordo. A mo Deore XT Di2 são compatíveis com peda- (configuração 1x11) gramas
bateria, comum ao Deore XT Di2 e XTR Di2, leiros XTR 8 (M9000) e Deore XT (M8000) Di2
estima um alcance de até 1.000 km em con- de 11 velocidades, bem como as suas casse- O melhor. Ligação à bateria de e-bikes com motor
dições favoráveis. O Di2 é compatível com as tes e correntes. Shimano. Componentes menos caros que o XTR.

O pior. Mudanças limitadas na configuração 1x.

MAIS
ECONÓMICO E
COM O MESMO
DESEMPENHO
QUE O XTR

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mountainbikes.pt
»SRAM XX1 Eagle AXS
Em 2019 veio a revolução, a primeira trans- é uma das grandes mais valias do grupo, a in-
missão de sempre para BTT com um funcio- tercomunicação entre componentes graças à SRAM XX1 Eagle AXS
namento eletrónico e wifi, o SRAM XX1 Eagle comunicação AXS. Atualmente, só o espigão
AXS. A conectividade é wireless, encriptada e a transmissão comunicam entre si, mas a COMPONENTE PESO PREÇO
e desenvolvida pela SRAM, e os sistemas porta está aberta a futuros controlos de sus- Desviador 354 g 750€
ANT+ e Bluetooth são duas outras opções de pensão ou modos de assistência em ebikes. RD-XX-1E-A1
conectividade no AXS, que também tem uma Bateria
[COMBINAÇÕES] 1x11, 2x11 e 3x11. [PRATOS] 30, 32, 26 g 55€
interessante aplicação para personalizar o do desviador
34, 36 e 38D. [CASSETE] 10-50d. [CONETIVIDADE] WiFi.
seu funcionamento.
Manípulo 82 g 200€
O controlador é o cérebro de tudo, quem dá O melhor. Facilidade
EC-AXS-SRAM-A1
as ordens. É alimentado por uma pilha pe- de instalação. Sem fios!
TOTAL 462
quena (a clássica CR2032) com uma vida útil 1.005€
(configuração 1x12) gramas
aproximada de 2 anos. Tem um botão prin- O pior. Custo do desviador. Sem bateria.
cipal, que pode ser montado em cima ou em
baixo, e à frente tem outro chamado Secret
Sprint, para poderes comutar com o dedo
indicador sem mudar a posição da mão no
guiador. Os seus botões são configuráveis a
partir da aplicação, e podes mesmo ativar o
espigão de selim telescópico RockShox. Esta

O GRUPO SEM
FIOS AXS IRÁ
RECEBER NOVOS
COMPONENTES
NO FUTURO

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mountainbikes.pt
MUDANÇAS SEMI-AUTOMÁTICAS
SHIMANO SYNCHRO SHIFT
Esta é a marca registada dos grupos Shimano Di2, uma
qualidade que os torna únicos. Embora o 1x esteja em vo-
ga, muitos betetistas ainda preferem um duplo conjunto de
pratos e as mudanças mais curtas que estes proporcionam.
Esta função desloca automaticamente o desviador diantei-
ro em sincronia com o desviador traseiro, procurando mu-
danças consecutivas. Os 3 modos de funcionamento podem
ser acedidos através da App e-Tube (ou a partir do monitor).
>M: Manual. Mudamos o prato quando queremos. Devemos
ter o manípulo esquerdo instalado.
>S1 E S2: Estes são predefinidos para que quando um de-
terminado carreto é engrenado, uma mudança de carreto e
prato ocorra automaticamente, o que mantém uma relação
de mudanças escalonada. Tanto o S1 como o S2 são total-
mente configuráveis, ou seja, podemos ajustar o momento
da mudança do prato, no carreto que melhor se adapta às
nossas necessidades ou gostos. Por exemplo, podemos pro-
gramar dois cenários diferentes, um em S1 e outro em S2:
um adaptado à alta montanha, de forma a que o prato pe- SUSPENSÕES?> Se tiveres uma bicicleta com suspensões FOX iRD
queno “entre” primeiro, e outro adaptado à utilização em ou iCTD podes personalizar a ação do botão de controlo, escolhendo
plano, onde será dada prioridade ao prato grande do peda- entre três modos de funcionamento para cada um deles: aberto,
trail ou plataforma, e fechado. A partir de agora, a aplicação e-Tube
leiro. A utilização destas opções de Synchro Shift S1 ou S2
não é compatível com as atuais suspensões FOX Live Valve, embora
dá-nos uma vantagem adicional: prescindir do manípulo tenhamos de estar atentos à sua evolução nas próximas temporadas.
do desviador dianteiro, uma vez que toda a transmissão é
controlada a partir do manípulo direito.

EXEMPLO DE AJUSTE COM PEDALEIRA DUPLA 34-24> Em modo Synchro Shiſt, as opções S1 e S2 são pré-definidas como padrão, de modo que, ao passar no
prato grande, ao atingir o carreto de 40 dentes a corrente descerá automaticamente para o prato pequeno e um carreto atrás. No diagrama, podes vê-lo na seta azul
ascendente. Rolando no prato pequeno (setas verdes) e baixando os carretos para ganhar velocidade, na configuração S1 o salto automático ocorre após a colocação
do carreto de 27 dentes, elevando a corrente para o prato grande. Na opção S2, a mudança é alongada um pouco mais, fazendo o salto após o carreto de 24 dentes. O
tempo de deslocamento automático em S1 e S2 é personalizável.
64>
mountainbikes.pt
CONEXÃO MÚLTIPLA
ECOSSISTEMA AXS
A tecnologia de comunicação AXS forma to-
do um “ecossistema” de componentes que
comunicam entre si, como definido pela pró-
pria SRAM, e a forma como se relacionam é
gerida a partir da aplicação AXS, disponível
para iOS e Android. Uma vez descarregada pa-
ra o nosso smartphone, permite-nos criar um
perfil para cada uma das bicicletas em que te-
mos um sistema eletrónico AXS (por exemplo,
se tivermos uma bicicleta de estrada com RED
eTap AXS, ou uma Enduro com apenas o espi-
gão RockShox Reverb ASX, ou uma bicicleta
de XC com o XX1 AXS), a fim de configurar ou
gerir os diferentes componentes. Permite per-
sonalizar a forma como os botões do contro-
lo de mudança atuam, tal como a direção em
que pretendes premir o botão para levantar ou
baixar carretos, se pretendes uma pressão lon-
ga para mudar 2, 3 ou todos eles até ao início
ou fim. Também regula o que cada botão faz,
ou com qual deles queremos subir carretos e
com qual deles queremos baixar. No caso de
contarmos com um espigão telescópio Reverb
AXS, podemos fazê-lo funcionar a partir do
seu próprio comando do lado esquerdo, ou, se
tivermos instalado uma transmissão XX1, po- O smartphone
demos fazê-lo funcionar a partir do comando tornou-se
direito, usando um botão. Isto permite passar um acessório
imprescindível na
sem o manípulo esquerdo, poupando peso e mochila quando se anda
complicações. Podemos também verificar a de bicicleta. Não só
partir da aplicação o nível de carga das bate- para segurança ou para
seguir tracks GPS, mas
rias, atualizar o firmware e até controlar os in- também para configurar
tervalos de manutenção ou revisão. a bicicleta, verificar
as baterias... e isto é
A transmissão XX1 Eagle AXS oferece conecti- apenas o começo.
vidade Ant+,o que permite a sua ligação com
ciclo computadores ou GPS, para mostrar no
ecrã destes dispositivos a mudança seleciona-
da, quantas vezes se meteu mudanças durante
a volta ou a duração da bateria do desviador.

COM QUAL SE AVANÇA MAIS?


MUDANÇAS PARA TUDO montanhas talvez vás precisar de um prato duplo, contudo
É óbvio que o Shimano XTR Di2 na versão de cranque tri- se rolas sobretudo na planície, será suficiente um sistema 1x
plo é capaz de cobrir uma gama mais ampla de velocida- com uma pedaleira grande. O avanço por pedalada é calcu-
des, mas não é totalmente descabido calcular o avanço em lado multiplicando o perímetro da roda da bicicleta pelo nú-
metros para cada rotação dos pedais, nas mudanças máxi- mero de dentes do prato selecionado, e dividido pelo núme-
mas e mínimas de cada grupo, para se ter uma ideia de qual ro de dentes do carreto escolhido. Tomamos como referên-
o âmbito que se adequa às nossas necessidades. Porque nas cia uma roda de 29x2,25” com um perímetro de 2330 mm.

MUDANÇA SHIMANO XTR Di2 SHIMANO DEORE XT Di2 SRAM XX1


EAGLE AXS

1x11 2x11 3x11 1x11 2x11 1x12


(prato 32d. (pratos 24-34d. (pratos 22-30-40d. (prato 32d. (pratos 24-34d. (prato 32d.
Cassete 11-40d) Cassete 11-40d) Cassete 11-40d) Cassete 11-46d) Cassete 11-42d) Cassete 10-50d)

Mudança mais pesada /


32x11d / 6,78 m 34x11d / 7,20 m 40x11d / 8,47 m 32x11 / 6,77 m 24x11d / 5.08 m 32x10d / 7,45 m
avanço

Mudança mais leve /


32x40d /1,86 m 24x40d / 1,40 m 22x40d / 1,28 m 32x46 / 1,62 m 34x42d / 1,89 m 32x50d / 1,49 m
avanço

65>
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mountainbikes.pt
7 APPS PARA TREINAR COM O ROLO

TREINA
COMO UM
CAMPEÃO
NESTE ARTIGO ANALISAMOS APLICAÇÕES DE TREINO PARA FAZER COM QUE O TEU TEMPO

J
NO ROLO DEIXE DE SER UM ABORRECIMENTO PARA SE TORNAR NUMA SESSÃO DIVERTIDA.
E QUEM AVISA TEU AMIGO É: O PICANÇO COM OS TEUS AMIGOS ESTÁ ASSEGURADO.

Á SABEMOS QUE mido coronavírus, fez com que as suas vendas


PEDALAR EM CA- se multiplicassem em tempo recorde ao ponto
SA OU NUMA BICI- de ficar sem stock em qualquer loja online, in-
CLETA ESTÁTICA NÃO É PROPRIAMENTE dependentemente do tipo, marca, preço ou ca-
DIVERTIDO, ESTÁ LONGE DE SER UM VER- racterísticas... Como podemos impedir que o
DADEIRO PERCURSO DE BICICLETA NO rolo ganhe a nossa confiança para voltarmos a
MEIO DA MONTANHA (OU ESTRADA) E É pedalar nele vezes sem conta? Embora existam
FÁCIL PERDER A MOTIVAÇÃO, MESMO QUE muitas dicas que poderíamos seguir, a princi-
QUEIRAS SEGUIR UM PLANO DE TREINO pal e mais básica é seguir um plano de treino
ESPECÍFICO. E se nem sequer temos sessões específico. Neste artigo vamos focar-nos nas
de treino planeadas, mais cedo ou mais tarde o aplicações mais populares atualmente, que nos
rolo vai acabar a apanhar pó a um canto da tua irão ajudar a bater alguns dos nossos recordes
casa. Mas é o grande aliado de muitos ciclistas pessoais, para nos divertirmos com os amigos e
para poderem treinar durante muitas épocas do colegas e mesmo com alguns rostos familiares
ano, principalmente no Outono-Inverno. Além por esse mundo fora.
disso, o confinamento a que nos condenou o te-
Héctor Ruiz
TEXTO:

FOTOS:
Arquivo BIKE

67>
mountainbikes.pt
4
GB
MEMÓRIA
RAM

Destaca-se por. Aspeto social muito trabalhado, com uma [+INFO] www.zwift.com

»ZWIFT jogabilidade muito marcada, ao estilo dos jogos de vídeo e muita


capacidade de motivação.

É a aplicação da moda; tenho a certeza de que já viste muitos ciclistas profissionais e ciclistas
famosos nas redes sociais a “jogar” com esta aplicação, e dizemos jogar porque é a coisa mais
parecida com um videojogo que podemos encontrar em termos de interface de utilizador
e também noutros aspetos que tornam a sua utilização mais divertida. Na verdade, no Zwift co-
meçamos com um avatar com o qual pedalaremos com ciclistas de todo o mundo, e fazemo-lo
no mundo virtual que eles criaram para esse fim. Todos os ambientes em que pedalamos são
criados em 3D, tanto a ilha virtual de Watopia, o mundo imaginário em que estão a operar desde
o início e que está sempre disponível, como as recriações de circuitos mundiais como os Cam-
peonatos Mundiais de Richmond e Innsbruck, Nova Iorque e Londres. Além disso, pouco a pouco
foram acrescentadas novas opções para o BTT e para o Gravel, pelo que já não estamos limita-
dos à estrada. Podemos passear por estas paisagens sem objetivos específicos, para fazer su-
bidas ou passear pela planície. Também podemos juntar-nos a um grupo e pedalar com eles. A
Zwift fez um esforço para conceber a sua lógica de modo a tornar o tempo que gastamos na apli-
cação o mais animado possível, por isso têm várias classificações (montanha, sprints...), power
ups com capacidades temporárias (como a famosa estrela dos videojogos Super Mario) e até
bicicletas e equipamentos que podemos desbloquear com as nossas conquistas. Parece vician-
te? Como se tudo isto não bastasse, para animar o picanço também tem corridas virtuais como
campeonatos e ligas, algumas delas com a presença de desportistas profissionais patrocinados
com quem podemos pedalar, e os eventos onde é feito um convite para participar, deixando claro
o nível que vamos encontrar. Se queremos deixar de lado este mundo dos jogos de vídeo, a Zwift
também se propõe seguir planos de formação para conseguires determinados objetivos, tais co-
mo a resistência, o VO2 ou o FTP.
DO QUE É QUE NECESSITO?
Precisas de um computador ou de um tablet. Além disso, se quisermos ter mais controlo sobre
o que acontece, também podemos utilizar o nosso Smartphone com a aplicação instalada como
controlo remoto e receber notificações sobre eventos. Os requisitos de hardware e software não
são demasiado exigentes, embora sejam típicos de equipamentos mais ou menos atuais. Preci-
sas do Windows 7/Mac, OS 10.10 e pelo menos 4GB de RAM para o computador, e do An-
droid 7.0/iOS 9.0 para o Tablet e Smartphone. A parte material é mais complexa, mas oferece-
nos várias opções. O ideal é ter um rolo interativo, de modo a reproduzir fielmente tudo o que
acontece no ecrã, até a resistência do próprio rolo. Para além de refletir a inclinação se formos
na roda de outro ciclista, esta opção permite também recriar as sessões de treino por objetivos
muito mais precisos. Como estes rolos são muito caros, a maioria de nós tem um mais sim-
ples, sem interatividade. Neste caso, precisamos de um sensor de velocidade ANT+ ou Bluetooth
Smart, para comunicar os nossos dados de pedalada com a app. O medidor de potência e um
monitor do ritmo cardíaco também são bem-vindos.
O preço é de 15 euros por mês de assinatura, sem opções de pagamento anual.

68>
mountainbikes.pt
6
GB
MEMÓRIA
RAM

Destaca-se por. Capacidade de simular o ciclismo [+INFO] www.bkool.com


»BKOOL real em todos os aspetos, incluindo o treino.

Esta plataforma online, de origem espanhola, revolucionou há anos o segmento do treino em


rolos graças às novas opções de interatividade que oferecia, ultrapassando de forma muito rápi-
da e convincente as marcas líderes do mercado. Para além de terem desenvolvido um software
completo e muito complexo, que não deixou de evoluir ano após ano, foram eles próprios enca-
rregados de desenvolver a parte física, com o seu próprio rolo interativo, embora no final do ano
passado tenham cessado a sua produção para mais tarde a retomarem sob a marca Zycle, com
um aspeto renovado. A parte do software, que vamos abordar aqui e que é compatível não só
com os seus rolos, mas com qualquer rolo interativo, é talvez a realidade virtual mais avançada
do mercado em termos de ciclismo indoor. O grande argumento que faz brilhar esta platafor-
ma é a sua capacidade de simular caminhos e percursos reais, e quando dizemos reais, não
estamos a exagerar, uma vez que podemos carregar percursos já existentes, com a informação
como a diferença de desnível, altitude e duração. O nosso rolo interativo reflete perfeitamente
estas mudanças no terreno. Em termos de jogabilidade, baseia-se na “gamificação”, ou seja, tem
lugar num ambiente de jogo de vídeo em que as rotas e subidas reais são reproduzidas pela pró-
pria plataforma. As imagens são bastante elaboradas, para além de nos permitir também a vi-
sualização do mapa com a nossa localização e a de outros ciclistas em tempo real. Mas o que
faz do Bkool o número 1 em realismo é o facto de nos permitir ver os percursos num cenário
vídeo real, que já foi gravado anteriormente, mas no qual rolamos à velocidade a que estamos a
pedalar, de acordo com os watts que estamos a gerar a cada momento. Praticamente todos os
cenários que são propostos são desenvolvidos para a estrada, por isso se usarmos a bicicleta
de montanha no nosso rolo, talvez seja menos realista (como a grande maioria). Mas se tiveres
um mínimo de interesse na cultura do ciclismo certamente serás capaz de simular as subidas
aos cumes míticos das grandes voltas ou das clássicas de primavera. Além de as poderes ver em
vídeo, isto tornará as tuas voltas no rolo muito interessantes. Dá-nos também a possibilidade de
participar em eventos, algo em que tem evoluído muito nos últimos anos em resposta ao impul-
so do seu grande rival Zwift.
DO QUE É QUE NECESSITO?
A primeira coisa de que necessitas para desfrutar de tudo o que a Bkool oferece é um rolo in-
teligente (interativo), o que torna os rolos mais básicos incompatíveis com esta experiência. Se
temos um destes, não importa se não é da própria marca Bkool ou Zycle, pois é compatível com
uma lista muito vasta de marcas conhecidas. Em termos de requisitos, é bastante semelhante ao
Zwift, funcionando a partir do Windows 7 e Mac OS X 10.9, embora recomendemos Windows
10 e Mac 10.13, e Android 5.0 em diante (ideal 8.0). Para podermos carregar rotas 3D de
mais de 50 km em computador e 45 km em Tablet/Smarthpone precisamos de uma RAM de
mais de 6Gb no primeiro caso e de mais de 3Gb no segundo. O Bkool pode ser utilizado gra-
tuitamente, embora as possibilidades sejam muito reduzidas, com um limite de 12 rotas ao vivo
e com visualização apenas em 2D. A assinatura Premium, com acesso ilimitado a todas as suas
possibilidades, custa 9,99 euros por mês ou 96 euros por ano.

69>
mountainbikes.pt
2
GB
MEMÓRIA
RAM

Destaca-se por. Grande ferramenta de [+INFO] www.tacx.com

»TACX TRAINING treino se o teu rolo interativo for da Tacx.

Este é um dos primeiros ambientes virtuais concebidos para tornar o treino em casa mais agra-
dável, embora esta “antiguidade” tenha por vezes jogado contra ele ao ser ultrapassado pela con-
corrência, tornando-se obsoleto. Nos últimos anos, contudo, evoluiu e melhorou para oferecer
uma experiência muito mais realista e divertida, não só em termos de gráficos e interface, mas
também em termos das possibilidades de percorrer rotas através de ficheiros GPS (um passo
lógico tendo em conta que o Tacx foi adquirido pela Garmin) e a qualidade dos mapas 3D em
que podemos visualizar o nosso treino e percursos. Tal como a Bkool, a Tacx Training tem uma
infinidade de cenários de vídeo para tornar o tempo gasto no rolo o mais próximo possível de um
treino real, com uma biblioteca de 150 gravações em muitos dos percursos de ciclismo mais
famosos do mundo e clássicos da estrada. Outro aspeto ao qual têm aplicado muitos recursos,
mais do que ao aspeto social (concursos, desafios, interações com outros utilizadores) é o da
criação de treinos estruturados. Quer seja por potência, FTP ou valores de frequência cardíaca,
temos muitas possibilidades quando se trata de criar as nossas sessões e visualizá-las em qual-
quer ecrã (especialmente no telemóvel ou no Tablet).

DO QUE É QUE NECESSITO?


Esta plataforma foi concebida especificamente para os rolos inteligentes da marca Tacx, não sen-
do, por conseguinte, inicialmente compatível com outras marcas. Por isso, é necessário um rolo
interativo da marca. A nível de software é um pouco mais limitado, compatível com Windows e
iOS, mas a partir do Windows 10 e Mac OS 10.1, não é compatível com versões anteriores.
Ao nível dos requisitos de memória é mais permissivo, com 2 Gb já funciona, embora recomen-
de 4 Gb. A aplicação para tablets e Smartphone requer a versão 11 ou posterior do iOS. O Tacx
oferece dois tipos de assinatura, a Premium, com acesso a tudo exceto vídeos HD, com preço
de 9,99 euros/mês ou 99,99 euros/ano, e a Premium HD, com o mesmo preço que a anterior
mas com acesso a vídeos HD, com preço de 13,99 euros/mês ou 139,99 euros/ano.

70>
mountainbikes.pt
4
GB
MEMÓRIA
RAM

Destaca-se por. Ferramenta profissional


com centenas de treinos e sessões baseadas
nos nossos objetivos, sem interatividade a
nível de ambientes virtuais.

»TRAINERROAD [+INFO] www.trainerroad.com

Esta é uma das aplicações mais focadas no mundo da formação profissional. Não é tão divertida
como as outras, pois não gira em torno de um mundo virtual ou com gravações que nos ajudam
a fazer o tempo passar mais depressa, mas concentra-se na representação gráfica de todos os
detalhes de uma sessão de treino. O seu sucesso baseia-se no facto de armazenar um grande
número de sessões intervaladas nas quais especificamos os objetivos que atingimos ao nível da
melhoria do desempenho e que podemos seguir com base nos nossos critérios em função do
que pretendemos treinar em cada sessão ou com base em planos estruturados para chegar em
perfeita forma à data marcada a vermelho no calendário. Permite-nos também entrar nas nossas
próprias sessões e calendários. O TrainerRoad funciona em função da potência, pelo que é
essencial o medidor de potência, embora a configuração mínima contemple a opção de apenas
pulsação + velocidade/cadência, fazendo depois uma estimativa da potência (não muito adequa-
da se procuramos precisão). Este é um investimento que os fãs da leitura de gráficos e análise de
dados (teste FTP, TSS, IF, estado de recuperação...) irão apreciar.
Foi concebido principalmente para o treino indoor, embora também tenha sido tornado perfei-
tamente compatível para o treino fora de casa. Para este efeito, a aplicação tem conectividade
com os dispositivos Garmin e Wahoo, onde podemos ativar um ecrã que mostra as sessões com
toda a informação relevante. A nível visual não tem nada a ver com o resto, uma vez que não es-
tá concebido como um interface em que interagimos como um videojogo ou mapa. Apenas nos
mostra os blocos de treino a um nível gráfico com toda a informação relevante (principal-
mente a potência alvo de cada sessão) e uma série de avisos acústicos para indicar o início/fim
de cada intervalo. Não é tão divertido, pelo que requer uma grande motivação e especificação na
formação. Para manter a tua atenção ao máximo, incluíram gravações áudio do treinador virtual
(em inglês) que te encorajam. As sessões de formação estão ligadas à conta do YouTube, onde
estão constantemente a ser carregados novos treinos e que podemos ligar ao nosso treino para
manter ainda mais a motivação.

DO QUE É QUE NECESSITO?


Um rolo inteligente é o ideal, embora possamos sobreviver com um rolo tradicional com ajuste
manual. Para tirar o máximo partido das suas possibilidades e dados, é essencial a utilização de
um medidor de potência, embora no pior dos casos, com o pulsómetro e um sensor de velocida-
de/cadência com ANT+/Bluetooth o programa faça uma estimativa da potência. A nível informá-
tico não é muito exigente, funciona no Windows 8 (com Windows 7 também, instalando uma
versão anterior) e requer apenas 512 Mb de memória. No Mac exige a versão OS 10.11
e nos tablets e smartphones funciona com Android 5.0 e iOS 8.0. O preço da assinatura é de
$19,95 (cerca de 18,40 euros) por mês, e de $189 por ano (cerca de 174,40 euros).

71>
mountainbikes.pt
2
GB
Destaca-se por. É um pouco mais complexa de
compreender, mas oferece uma abordagem alternativa
MEMÓRIA ao treino clássico e aspetos mais profundos, tais como o
RAM treino mental.

»THE
THE SUFFERFEST [+INFO] www.thesufferfest.com

É uma plataforma muito semelhante à anterior, embora complemente o


seu repertório de treino e sessões com outros aspetos não tão relacio-
nados com as próprias sessões de ciclismo, mas também muito bené-
ficos em termos de performance. Entre eles podemos destacar alguns
vídeos mensais de yoga (20 vídeos) para fortalecer o core, trabalhar o
relaxamento, a flexibilidade ou fortalecer os nossos músculos em caso
de lesão. Propõe também sessões de treino para trabalhar aspetos da
psicologia que por vezes são esquecidos (como a preguiça, a procura de
oportunidades, a fé em si próprio...) através de áudios e exercícios, para
que o cérebro também funcione. Contudo, a sua proposta é, tal como no
TrainerRoad, muito centrada na representação gráfica das sessões e
intervalos e está muito menos preocupada com o aspeto recreativo
e a “gamificação”. O Sufferest também se baseia numa série de treinos
pré-carregados com um repertório muito amplo, embora baseado numa
abordagem a que chamaram “4DP” (Four Dimensional Power) em que
se combinam quatro valores de desempenho: potência aeróbica máxi-
ma, potência neuromuscular, limiar funcional e limiar anaeróbico.
Através do teste, oferece-nos um esquema do tipo de ciclista que somos,
avaliando a nossa potência máxima em períodos de 5’, 1’, 5’ e 20’ de tem-
po. De acordo com os nossos pontos fortes e fracos, propõe uma série de
objetivos. Alguns dos seus treinos incluem vídeos e banda sonora para
que as sessões pareçam mais breves. Tem também os seus eventos co-
mo percursos do Tour e Gran Fondo.

DO QUE É QUE NECESSITO?


O medidor de potência é essencial e os rolos inteligentes são os mais con-
venientes. Requer Windows 10 e Mac OS 10.10, com 2 Gb de memória.
Além disso, se quisermos utilizar os vídeos teremos de os guardar, com
um espaço necessário de 40 Gb. Para telemóvel/tablet precisa do iOS 11
ou posterior. Ainda não está disponível para o Android, embora este-
jam a trabalhar nessa versão. O preço da assinatura é de $14,99 por mês
(13,80 euros) ou $129 por ano (118,90 euros).

Destaca-se por. Dá-nos a oportunidade de conhecer


um número infinito de rotas reais em qualquer parte do
mundo, sendo simples de utilizar e sem requisitos muito
exigentes.

»KINOMAP TRAINER [+INFO] www.kinomap.com

O grande argumento desta aplicação são os mais de 50.000 km de percur-


sos registados em vídeo. É uma das apps mais recentes e cuja operação é
mais dedicada àqueles que atribuem um papel mais importante a ver ima-
gens reais das estradas através das quais estão a treinar virtualmente do
que aos valores do treino em si. É por isso que é relativamente mais fácil e
foi concebida quase exclusivamente para rolos inteligentes, mas os rolos
tradicionais também são bem-vindos, desde que tenhamos um sensor de
velocidade/cadência com conectividade ANT+ ou Bluetooth Smart. Depois
de nos ligarmos e começarmos a pedalar, o cenário que selecionámos co-
meça a mover-se, e até 10 “jogadores” podem participar ao mesmo tem-
po, com a respetiva representação gráfica num mapa da localização de
cada um. O picanço está garantido nestes casos. Como se baseia prin-
cipalmente em vídeos e o seu repertório é constantemente atualizado,
uma vez que os próprios utilizadores carregam parte das gravações e da-
dos reais, uma das suas vantagens é que encontramos uma grande varie-
dade de rotas de Gravel e BTT (principalmente estradões), o que dificulta a
repetição e o cansaço.
DO QUE É QUE NECESSITO?
1
GB
Atualmente, o Kinomap só está disponível para dispositivos móveis
(Smartphone e Tablet), não para PC. Estes requerem o Android 5.0 e
MEMÓRIA posteriores, iOS 10 e posteriores e um mínimo de 1Gb de memória para
RAM
funcionar sem problemas. Podemos ligar-nos ao Kinomap gratuitamen-
te, embora, como seria de esperar, o acesso às suas funções seja muito
limitado. Só podemos ver uma pequena parte de alguns dos seus vídeos.
O preço da assinatura com acesso a tudo é de 9,99 euros por mês, ou
79,99 euros por ano (o mais barato) e até oferecem uma opção de assi-
natura vitalícia pagando 229 euros.
72>
mountainbikes.pt
512
MB
MEMÓRIA
RAM

»ROUVY Destaca-se por. Compatibilidade com


equipamentos mais antigos e menos potentes. [+INFO] www.rouvy.com

De origem checa, esta é uma opção mais recente e menos popular, es-
pecialmente no nosso mercado, onde as plataformas Bkool ou Zwift são
mais frequentes, e também pelo facto de o website da Rouvy não ser em
português e isso torna mais complicado chegar ao público (um aspeto
que partilha com a maioria). Inclui as mesmas funções das plataformas
Bkool ou Tacx, incluindo vídeos HD em várias partes do mundo, eventos
programados - de facto a empresa está muito focada em competições
“eRacing” com um rolo - e a possibilidade de criar sessões de treino de
acordo com objetivos específicos ou o facto de poderes carregar percur-
sos GPS (formato GPX) para que o rolo inteligente reproduza as condições
do terreno. Também se baseia num cenário 3D como um videojogo, e co-
mo tal, inclui a opção de selecionar um ciclista fantasma para ten-
tar seguir e ultrapassar, de forma a manter a competitividade e a mo-
tivação. Uma das vantagens do Rouvy é que, tal como o Zwift, podemos
utilizá-lo com um rolo tradicional não interativo, embora neste caso não
tenhamos a mesma experiência de realidade virtual.
DO QUE É QUE NECESSITO?
De um rolo, claro, interativo ou tradicional (sem conectividade). No
caso de utilizarmos um destes últimos, vamos precisar de um sen-
sor de velocidade e cadência para nos ligarmos ao computador via
ANT+ ou Bluetooth Smart. Para o utilizar, é uma das plataformas
mais leves e menos restritivas, basta um sistema operativo Windows
7 ou mais recente, ou um Mac OS 10.12 ou posterior (na fase Beta),
e uma memória de pelo menos 512 Mb. Para Smartphone é necessá-
rio pelo menos Android 4.3 ou iOS 7. É compatível com a Apple TV.
O preço da assinatura é de 10 euros por mês, com a possibilidade de
um pacote familiar em que dois membros da família podem ter o seu
próprio perfil pelo mesmo preço (partilhando a mesma conta).

73>
mountainbikes.pt
MASTERBIKE

CONSELHOS PARA CURVAR COMO UM CAMPEÃO

QUANDO A
COISA DÁ
PARA O TORTO…

Q
SE OS ELEMENTOS QUE SE INTERPÕEM ENTRE DUAS RETAS TE INQUIETAM,
SEGUE OS NOSSOS CONSELHOS PARA QUE PASSEM A SER MOTIVO DE DIVERSÃO.
É SÓ PÔR ALGUNS CONSELHOS EM PRÁTICA. TOMA NOTA PARA A COISA NÃO
DAR PARA O TORTO.

UANDO SE APRENDE A
ANDAR DE BICICLETA, Juanma Montero
QUASE TODAS AS QUEDAS e Pedro Pires
SÃO POR CULPA DAS CURVAS. OU NÃO SE VIRA O SU-
TEXTO:

FICIENTE E CAI-SE PARA UM LADO OU AS RODAS RES-


VALAM E CAIS PARA O OUTRO. OUTRO Depois há as típicas quedas
provocadas pelo bloqueio do travão em que não se devia ter toca-
do, também muito clássicas, ou por não distribuir o peso da forma
correta, mas desta vez é altura de falar de curvas... mais uma vez!
Fomos para os trilhos e analisámos diferentes situações, para ver FOTOS:
se podemos aprender alguma coisa com cada uma delas. Gonzalo Manera

1>CURVA AMPLA E RÁPIDA


São normalmente abundantes em todos os percursos, por isso dominá-las,
como são as mais básicas, é muito importante. Tem isto em mente:
1> Permanece sentado. É uma forma de poupar energia e a forma mais fácil de manter o
teu peso equilibrado na bicicleta.
2> Move o teu corpo para a frente para evitar que a roda dianteira escorregue. Faz isto
colocando o tronco mais plano.
3> Dobra os cotovelos e deixa o teu peso recair sobre o selim.
4> Coloca o pé do exterior da curva para baixo ou à mesma altura que o outro pé, com o
pedaleiro na posição horizontal.
5> Olha sempre em frente, em direção à saída da curva, para antecipar quaisquer
obstáculos que te possam fazer modificar a trajetória em movimento.

5 4
74>
mountainbikes.pt
>Em descida
e com relevê
O relevê é uma espécie de pequeno
presente da natureza ou do constru-
tor do trilho que nos permitirá virar
muito mais rápido e sem o risco de as
rodas escorregarem.
>Ao percorrer os teus trilhos favoritos, fica
atento às possíveis estruturas naturais,
que sobressaem mais que o pequeno apoio
como o mostrado na sequência 3, que podes
utilizar para virar com mais segurança.
>O principal erro que normalmente se comete
numa curva com este apoio é passar muito
devagar, fazendo com que as rodas deslizem
para dentro da curva e tu caias para fora.
Outro erro comum é não inclinar de todo a
bicicleta, por medo de não conseguir virar.
A questão é tentar, sabendo que se pode ir
mais depressa do que o senso comum pro-
vavelmente ditaria, uma vez que a curvatura
do “obstáculo” nos segura.

2>CURVA COM APOIO DO TERRENO


Uma das técnicas chave que os profissionais usam para se moverem rapidamente em terrenos difíceis é ler cada lomba
e usar qualquer pequeno apoio como suporte para os ajudar a virar com mais segurança. Muitas curvas têm estas for-
mas naturalmente, devido à erosão do terreno.
1>A primeira coisa a fazer é observar a área para localizar a 3>Realizar estes gestos na sequência correta é fundamental:
protuberância que nos permite apoiar-nos nela. Se for em terreno primeiro inclina o corpo para a curva, depois vira, e logo a seguir
conhecido saberás onde está, se não, terás de improvisar. É algo bloqueia a roda traseira, que desliza lateralmente para o apoio,
que se aprende com a experiência. pois esta está inclinada.
2>Vai diretamente para a área de apoio e movimenta o teu peso para 4>Considera a roda da frente como o eixo de viragem.
a frente, para que a roda traseira possa mover-se lateralmente
mais facilmente e a roda dianteira não escorregue.

3 2 1
75>
mountainbikes.pt
MASTERBIKE

3>CURVA FECHADA E LENTA


Típica das trialeiras onde a velocidade não ajuda a manter o equilíbrio, pois não há inércia.
Aqui os joelhos entram em ação para manter os pés nos pedais.

5 4
1>Ao contrário das curvas rápidas, neste tipo de curva lenta estaremos de pé. 2>Os cotovelos e os joelhos deverão estar semi-flectidos o tempo
todo. Os desequilíbrios são compensados por pequenos movimentos laterais dos joelhos. 3>A posição corporal não é avançada como nas

4>CURVA FECHADA EM SUBIDA


Aqui o problema geralmente é a menor inércia que acontece em subida.
E quando a curva é fechada pode complicar a linha ideal.

>Pedala continuamente, com o corpo em


baixo e sentado, para fornecer tração à
roda traseira.
>O movimento chave é aquele que é feito
com o teu peso no selim e implica, com
um golpe de pedal forte e sem nunca tirar
a traseira do selim, levantares a roda
dianteira.
>Levantar a dianteira uma vez iniciada a
curva torna mais fácil o movimento de
rotação. É uma técnica avançada que se
pode praticar em qualquer subida, criando
uma curva no chão com cones ou pedras.
4

5>CURVA FECHADA E EM DESCIDA


Cada curva é um mundo: o seu ângulo, a superfície, os obstáculos na própria curva, a inclinação... mas há uma série de
orientações gerais que podem ser aplicadas a praticamente todas as mudanças de direção e que podemos rever nesta sequência.

1 2 3
76>
mountainbikes.pt
QUANDO SURGEM COMPLICAÇÕES… Se a tua linha não tiver sido a correta ou a rotação
estiver realmente muito fechada, tens de aplicar uma técnica avançada para poder desenhar a curva,
movendo a roda traseira lateralmente através do ar, para ajustar a trajetória. Inclina-te ligeiramente
para o lado para o qual queres mover a roda traseira e, em seguida, tranca o travão dianteiro e salta
sobre os pedais com todo o teu peso apoiado no guiador, como se fosses fazer uma “égua”. Depois de
teres carregado previamente o peso para um lado, a roda traseira move-se na direção desejada.

3 2 1
curvas rápidas, pois não há risco de derrapagem da roda dianteira. 4>Faz pequenos avanços com meias pedaladas para manteres melhor o
equilíbrio. 5>Mantém sempre o teu peso perto do centro de gravidade.

3 2 1
1>Antes de chegares à curva, olha vários metros à frente para detetar possíveis obstáculos.
2>Acentua a flexão dos cotovelos para manter a parte dianteira estável.
3>Inclina a bicicleta e o corpo em paralelo para compensar a força centrífuga, evitando assim que te desvies da curva.
4>Na parte mais apertada da curva, baixa um pouco mais o corpo, para ganhar estabilidade, aproximando o centro de gravidade do solo.
5>Ao sair da curva volta a levantar o tronco na posição neutra de pedalada.

4 5
77>
mountainbikes.pt
TEXTO:
Héctor Ruiz/
Sergio Lorenzo/
Emilio Arenas
FOTOS:
Alejandro Cubino

Detalhe do ponto
de fixação do cabo,
que aciona o sistema.
Os acabamentos
são bons, com
detalhes práticos
para o utilizador
no momento da
montagem
e ajuste.

9
NOTA

O melhor.
Possibilidade de
ajustar o cabo,
operação fácil.

A melhorar. O peso seria


o único ponto a verificar.

ESPIGÃO TELESCÓPICO
ONOFF PIJA
>>Quando penso naquilo de que o espigão de técnica onde precisamos de alguma mobilida-
selim telescópico ideal precisaria, surgem os de, e queremos o selim alguns centímetros mais
conceitos de um curso generoso, funcionamento abaixo, ou quando emprestamos a bicicleta a um
suave independentemente das condições meteo- amigo com pernas mais curtas. Quanto à questão
rológicas, muito pouca folga, nenhuma paragem da folga, esta é quase nula e, ao longo de todo o Possibilidade de
abrupta na extensão, um acionamento confor- teste, que foi longo, permaneceu assim. O On Off personalização,
variando o curso de
tável e um baixo peso. O OnOff Pija tem tudo Pija é construído em alumínio 7075, um material forma simples.
isso (exceto o peso reduzido) e algumas outras nobre entre as ligas de alumínio disponíveis.
características que o tornam bastante especial, O controlo mecânico permite duas posições de
como a mudança de posição do cabo, o que lhe instalação, adaptando-se a diferentes manetes
permite adaptar-se a quadros em que o espigão de travão e pode ser instalado com um SRAM
do selim não pode ser completamente inserido, Machmaker. O aspeto é muito cuidado, desde
devido a um tubo de selim curto ou ao taman- a caixa até pormenores importantes como as
ho reduzido. O espigão testado tem 150 mm de marcas para o ângulo do selim e a régua para a
curso, que pode ser reduzido até 120 mm em altura, o que nos permite ajustar este compo-
secções de 5 mm de uma forma muito simples. nente na perfeição se mudarmos a altura ma-
Basta baixar o selim até à altura desejada, des- nualmente. No caso de pretendermos um retor-
atarraxar o aperto à mão e rodar a peça interior no do espigão a uma velocidade superior ou in-
para alterar o curso. ferior, a pressão interna do ar pode ser regulada.
Os 150 mm de curso proporcionam um espaço Em suma, é um espigão telescópico com muito
muito amplo para se manobrar a bicicleta com bom desempenho, muito bons detalhes e robus-
facilidade, embora exista uma versão com 170 to. O peso escapa um pouco à competição, mas
mm e até 200 mm de curso para os mais altos. se não estás à procura de algo leve, toma nota
É operado a partir de um manípulo de aciona- deste modelo.
mento mecânico com bons acabamentos, que
move o cabo de aço pela parte inferior do espigão
do selim, onde o mecanismo hidráulico interno FICHA TÉCNICA
é operado. O segredo do bom funcionamento do [CARACTERÍSTICAS] Medidas: 31,6mm, 150 mm,
controlo é um rolamento interno que lhe confere 170 mm, 200 mm e 125 mm. Existe também uma
versão de 27,2 mm, e com 125 mm de curso, mas
suavidade e precisão. A operação é muito sua-
sem possibilidade de o modificar. [PESO] Sem cabo,
ve, sem paragem de extensão, e o espigão não 551g, com comando, 584g, com comando e fixação de
deu qualquer problema durante o teste. Mesmo guiador, 595g, com tudo 665g. [PREÇO] 279,95€ para a
abaixo de 0ºC a operação foi exatamente a mes- versão testada, e 31,6 mm com 170 mm e 200 mm de
ma. Como um bom espigão de selim hidráulico curso. 249,95€ em 31,6 mm e 125 mm, e 199,95€ em
27,2 mm e 125 mm. Comando: 39,95€.
podemos posicionar o selim a qualquer altura
[+ INFO] www.teambike.es XC /
MARATONAS PASSEIOS TRAIL / ALL
MOUNTAIN ENDURO DOWNHILL
que quisermos, como por exemplo numa subida
78>
mountainbikes.pt
O melhor. Intuitivo.
Fácil de usar.
Navegação. Rápido
a captar o sinal GPS.
Capacidade de seguir
um track até ao ponto
mais próximo.

8,5
A melhorar. Dificuldade
de acesso aos botões
inferiores. É preciso tempo
NOTA para ligar. Falta botão de
retrocesso nos menus.

Botão para iniciar e pausar


a atividade em andamento,
para parar o treino temos de

CICLOCOMPUTADOR GPS carregar neste botão e escolher


no ecrã entre apagar ou guardar.

BRYTON RIDER 860 E


>>A Bryton cresceu bastante no último ano, Tanto na navegação como no registo dos dados smartphone, ligação WLAN, Bluetooth e alterar
tornando-se uma das marcas de referência no da nossa atividade, o Rider 860 utiliza 5 siste- o sinal GPS. Na parte inferior podemos ver os
mundo dos ciclocomputadores com GPS. É ca- mas de sinais de satélite (GPS, Glonass, BDS, sensores com os quais o dispositivo está liga-
da vez mais comum ver os seus produtos em Galileo e QZSS) que podem ser alterados a partir do por ANT+ ou Bluetooth, tais como a banda
bicicletas de todo o tipo, tanto de utilizadores do ecrã inicial, proporcionando uma cobertura do monitor do ritmo cardíaco ou os sistemas de
anónimos como de profissionais como To- muito precisa e fazendo com que o sinal apareça mudanças eletrónicas, entre outros.
mi Misser ou a equipa BH Templo Cafés UCC, realmente rápido para iniciarmos o nosso treino
O Bryton Rider 860 sincroniza-se sem fios com
entre outros. Recentemente apresentado, o sem demoras.
a renovada aplicação Bryton Active para guar-
Bryton Rider 860 é a grande novidade da mar-
A duração da bateria pode chegar às 16 horas e dar as nossas atividades ou planear os nossos
ca taiwanesa para este ano, uma vez que é o
o carregamento pode ser feito com uma bateria treinos, ou diretamente do Wifi para compatibi-
primeiro a incluir a função de navegação offline
externa. Tem ecrã táctil, mesmo com luvas, a lidade automática com Strava, Training Peaks
e é o único aparelho da Bryton com ecrã táctil
cores e de grandes dimensões (2,8 “) para ver e outras redes sociais. A Bryton oferece-nos
e a cores. A navegação é o ponto forte do no-
claramente e apenas num relance os 12 cam- duas opções ao adquirir o novo Rider 860 de-
vo Bryton Rider 860, pois permite descarregar
pos que nos permite colocar em cada um dos pendendo dos acessórios incluídos, ambas têm
e atualizar mapas gratuitamente a partir do
seus 11 ecrãs possíveis e que são mudados suportes de guiador e avanço, mas o 860 T ao
próprio dispositivo graças à ligação sem fios
deslizando com o dedo, podendo ser persona- contrário do 860 E, também vem com o sensor
(WLAN) e também podemos incluir ou remover
lizados durante a atividade e a partir do próprio de cadência, velocidade e banda de frequência
dados, bem como personalizar a visualização
aparelho. Tem três botões, um do lado esquer- cardíaca a um custo adicional de 70 euros em
dos mapas. Com o Rider 860, a Bryton quis
do para ligar e desligar o dispositivo e também relação à versão 860 E.
melhorar a experiência do utilizador ao nave-
para o bloquear e desbloquear e evitar que seja
gar com este dispositivo e tornou mais intui-
ativado involuntariamente, e dois na parte in-
tiva a utilização offline graças aos mapas OSM
ferior que mal sobressaem do aparelho e difi-
offline (OpenStreetMaps). Inclui características
cultam o acesso com as luvas. O da esquerda
como regressar ao ponto de partida ou a casa
tem como função marcar as voltas, muito útil FICHA TÉCNICA
utilizando o mesmo percurso ou com a opção
para quando treinamos séries, e o da direita [CARACTERÍSTICAS] Ecrã táctil a cores de 2,8”.
de alterar o percurso de regresso, encontrar
serve para iniciar e parar a atividade. Sentimos Navegação offline. 3 botões. Autonomia até 16 horas.
uma rua ou um local, seguir um percurso desde Ligação ANT+, Bluetooth, ESS e WLAN. 5 sistemas
falta do botão de retrocesso entre os menus ou
o início ou partir do local onde estamos até ao de satélite. Até 12 dados personalizáveis por ecrã.
quando já parámos a atividade. Para voltarmos
ponto mais próximo do percurso planeado. [DIMENSÕES] 100 x 58 x 24 mm. [INCLUI] Suporte do
ao menu inicial temos de deslizar o dedo para guiador, suporte de alimentação, cabo de segurança,
Quando estamos a navegar podemos ampliar baixo do ecrã para apresentar o menu superior cabo carregador e manual do utilizador. [OPÇÕES]Rider
a visualização até 1 metro para o tornar muito e premir o botão de início para regressar ao 860 T com cadência, frequência cardíaca e sensor de
mais detalhado e mostra-nos as direções curva menu principal. Além do botão Start, neste me- velocidade por 369,95 euros. [PESO] 128 g. [PREÇO]
299,95€. [+ INFO] CicleOn, www.bryton.es
a curva, a distância para a mudança de direção nu também encontramos a opção de alterar os
seguinte e para o destino, os dados sobre o nos- campos de dados dos ecrãs, o botão Off, mudar
so treino e o perfil no caso de estarmos a seguir de bicicleta, o ajuste do brilho do ecrã, podendo XC / PASSEIOS TRAIL / ALL ENDURO DOWNHILL
um track GPS. também ativar ou desligar as notificações do MARATONAS MOUNTAIN

79>
mountainbikes.pt
MINITESTES

9
NOTA

O melhor. Conforto. Transpiração. Secagem rápida.

A melhorar. Sem elástico nas mangas.

CONJUNTO
ALPINESTARS
ALPS 4.0 Y BUNNY HOP
>>Se
Se és também um fã dos desportos motoriza- Estas fibras também têm propriedades antibac-
dos, certamente a marca Alpinestars é uma vel- terianas, o que é bom naqueles dias em que co-
ha conhecida tua. Desde o Motocross, o Enduro, locamos as nossas roupas numa mala ou saco
o MotoGP, os Rallys, Nascar ou Fórmula 1, não sem as secar, porque não temos escolha, e aca-
há modalidade que não conheça a dedicação e a bam quase sempre “empestadas” com mau odor.
qualidade das suas peças e proteções. No mun- O único inconveniente que podemos encontrar
do do ciclismo também, estando mais focada na é que esta peça não foi especificamente conce-
vertente “Gravity”, como o Downhill e o Enduro. bida para ser utilizada com uma mochila como
Neste artigo mostramos as novidades deste fa- outras camisolas da marca, que têm reforços de
bricante, que nos permitem passar um dia intei- tecido dos ombros para o contacto com as alças.
ro a pedalar com muito conforto e com caracte- Também não têm uma ventilação específica para
rísticas de topo, como seria de esperar de uma mochilas nas costas.
marca deste gabarito.
FICHA TÉCNICA
JERSEY ALPS 4.0 JERSEY [CARACTERÍSTICAS] Tecido elástico misto de
Este jersey tem um corte mais solto e largo, polietileno com propriedades antibacterianas. [OPÇÕES]
embora o diâmetro das mangas tenha sido re- 4 cores e 5 tamanhos (S-XXL). [PREÇO] 54,95€.
duzido para que fiquem mais próximas do corpo [+ INFO] CDC Sport, www.cdc-sport. com e
e tenhamos a sensação de pedalar mais leves e www.alpinestars.com

sem movimentos indesejados. As mangas não


possuem elásticos, bem bandas de silicone, algo
XC /
MARATONAS PASSEIOS TRAIL / ALL
MOUNTAIN ENDURO DOWNHILL
que algumas pessoas podem estranhar. O tecido
em praticamente todo o vestuário destaca-se CALÇAS BUNNY HOP
por ser leve e muito respirável, sendo uma peça Estas calças partilham certas características com
perfeita para o tempo de transição que começa o jersey, tais como elasticidade e leveza. De fac-
a predominar nestas datas, com contrastes en- to, o tecido que é utilizado numa grande parte dos
tre o calor e as temperaturas mais frescas. Este seus painéis tem a mesma propriedade elástica
jersey combina perfeitamente com uma camiso- em quatro direções, pelo que se pode notar desde
la interior. Absorve muito bem a humidade cor- as primeiras pedaladas como se adapta perfeita-
poral e expulsa-a rapidamente, sem acumular mente aos nossos movimentos. A espessura do
áreas ensopadas. O tecido, à base de fibras de tecido é reduzida, pensando na boa transpiração
polietileno, é também muito macio ao toque, ca- e conforto para pedalar durante horas, sendo
racterística derivada da sua grande elasticidade, bastante leve, mas resistente o suficiente para re-
sendo extensível em 4 direções. sistir à abrasão causada por silvas, por exemplo.

80>
mountainbikes.pt
8,5
NOTA

9
NOTA

O melhor. Sensação direta de


aderência. Reforços práticos.

A melhorar. Um pouco quentes.

O melhor. Adaptação. Conforto a pedalar. Bem


ventiladas.

A melhorar. Sem bolsos laterais.


Sem calções interiores.

Possui perfurações a laser no interior das pernas malha em áreas estratégicas, como o peito do lidade, o que as torna impróprias para os dias mais
para melhorar esta ventilação interna. Tem bol- pé, para melhorar a temperatura interior. São quentes do Verão. Por esta razão este par é perfei-
sos muito grandes sobre as coxas, tão grandes fabricadas com tecido Meryl Skinlife, fibras com tamente compatível com uma utilização em Enduro
que não são muito práticos para manter as coisas e XC. Todos os dedos têm um tecido condutor para
micropartículas de prata que se destacam pe-
dentro deles enquanto pedalamos, porque se mo- que o Smartphone e os ecrãs tácteis do GPS pos-
las suas características hipoalergénicas que as
vem muito e fazem as calças moverem-se tam- sam ser utilizados sem problemas.
tornam ideais para peles sensíveis, para além
bém muito nas pernas, exceto se for algo que não de reduzirem os odores, uma vez que possuem FICHA TÉCNICA
pesa nada como uma embalagem de gel vazia. propriedades antibacterianas. O calcanhar é re- [CARACTERÍSTICAS] Tecido principal de poliéster. Com
No entanto, são muito práticos para usar quando forçado e acolchoado para maior conforto. Estão inserções elásticas nos dedos e no pulso. [OPÇÕES] 3
não estamos a pedalar, para guardar as nossas disponíveis apenas com um tornozelo de 22 cm cores e 3 tamanhos (S, M e L). [PREÇO] 15,95€.
luvas, óculos ou kit de ferramentas quando temos de comprimento, sem qualquer outra opção.
de parar... Não tem os bolsos laterais típicos pa- XC /
MARATONAS PASSEIOS TRAIL / ALL
MOUNTAIN ENDURO DOWNHILL
ra as mãos. O ajuste da cintura é feito através de FICHA TÉCNICA
dois fechos de velcro com uma grande margem [CARACTERÍSTICAS] Fabricadas em tecido Meryl
de ajuste. Mesmo que sejam um pouco grandes, Skinlife com propriedades antibacterianas. [OPÇÕES] 3
conseguiram evitar que se movam pela cintura. O cores e 3 tamanhos (S, M e L). [PREÇO] 15,95€.
exterior tem um tratamento hidrófugo, para que
os pequenos salpicos fiquem de fora, mas estas
XC /
MARATONAS PASSEIOS TRAIL / ALL
MOUNTAIN ENDURO DOWNHILL
calças não são muito eficazes em caso de chuva,
embora este não seja o seu objetivo. Não incluem
LUVAS ASPEN PLUS
9
calções com almofadado no interior.
Esta é uma versão ligeiramente mais simples do
FICHA TÉCNICA que as suas famosas irmãs Aspen Pro, e as inse-
rções de gel EVA são dispensadas, tornando-as NOTA
[CARACTERÍSTICAS] Tecido com múltiplos painéis de
umas luvas com uma sensação mais direta no pun-
poliéster e nylon, elástico em 4 direções. Tratamento
hidrófugo. [OPÇÕES] disponíveis em 6 cores e 7
ho e com melhor respirabilidade em dias quentes.
tamanhos (28-40). [PREÇO] 84,95. A sua construção é muito semelhante à de outro
modelo da marca, as Aspen Pro Lite, mas no caso
das Plus, têm maior reforço de camadas na palma
XC /
MARATONAS PASSEIOS TRAIL / ALL
MOUNTAIN ENDURO DOWNHILL
da mão, que resistem melhor ao uso intensivo,
se tivermos tendência para fazer descidas muito
MEIAS DROP SOCKS longas onde temos de nos agarrar firmemente ao
guiador. As laterais dos dedos e a parte inferior do O melhor. Qualidade do tecido.
No ciclismo, as meias deixaram há muito de ser
uma peça “simples”, e estas Drop Socks são um pulso têm inserções elásticas, o que as torna muito A melhorar. Apenas uma medida de tornozelo.
sinal disso mesmo. Têm uma construção em confortáveis. O tecido principal da parte superior dá
prioridade à resistência em detrimento da respirabi-
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PERSONAL
TRAINER

TREINO POR POTÊNCIA: ANÁLISE DE UM TESTE ALTERNATIVO

TENS 5
MINUTOS?
N
NO TREINO COM MEDIÇÃO DE POTÊNCIA USA-SE NORMALMENTE UM TESTE DE 20
MINUTOS PARA CALCULAR O FTP DO CICLISTA, UM DADO MUITO IMPORTANTE PARA
CONHECER A EVOLUÇÃO DO DESEMPENHO. NO ENTANTO, HÁ UM TESTE MAIS CURTO QUE
NOS PERMITE CALCULAR O FTP COM UMA PRECISÃO QUE PODE SER SUFICIENTE, CASO
NÃO POSSAMOS OU NÃO QUEIRAMOS FAZER UM TESTE MAIS DEMORADO.

realizar um teste máximo de 20 minutos O FTP É O


MELHOR
e multiplicar a potência média por 0,95
para calcular o FTP, entendendo que fazer
O TREINO DE POTÊNCIA NO CI-
CLISMO, O LIMIAR DE POTÊNCIA
um teste mais longo requer um esforço e
motivação demasiado intensos para po- DADO PARA
FUNCIONAL (FTP) É AMPLAMEN-
TE UTILIZADO COMO REFERÊNCIA
der fazê-lo a cada 6 ou 8 semanas para
avaliar a forma de um ciclista. O facto é
PREVER
PARA O DESEMPENHO, BEM COMO que o conceito de FTP, ou o próprio limiar, O NOSSO
PARA A DEFINIÇÃO DAS ZONAS
DE TREINO HABITUAIS. Este termo,
é e será sempre um conceito complexo e
difícil de calcular e deve ser o mais simpli- RENDIMENTO
FTP (Functional Threshold Power) foi cria-
do pelos autores Coggan e Allen no seu
ficado possível. Sabe-se que alguns trei-
nadores comentam que o fator 0,95 é de-
NAS PROVAS
famoso livro “Training and Racing with a masiado exigente e que inflaciona o que
Powermeter”. A origem do termo baseia- seria o conceito de FTP. Este será sempre
se na literatura existente sobre o melhor um tema aberto a debate. Neste estudo,
indicador de desempenho para um ciclis- utilizámos este fator de correção para cal-
ta em geral, a potência que ele é capaz de cular o que seria o FTP.
manter num estado mais ou menos es- Uma das principais limitações deste tipo
tável de lactato. Estes são os dados que de teste é a motivação, uma vez que a do-
melhor preveem a forma de um ciclista se de sofrimento que este tipo de esforço
numa competição do tipo XCO ou XCM. implica é elevada e, portanto, é fácil que
O FTP seria a potência máxima que um o resultado seja bastante afetado pela
ciclista é capaz de produzir durante um motivação nesse dia. Este fator é ainda
esforço de longa duração: entre aproxi- mais decisivo nos ciclistas que competem
madamente 40 e 60 minutos, dependendo frequentemente, uma vez que é complica-
da metodologia e da literatura consultada. do para eles treinar e submeter-se, mais
Como é bem sabido, a proposta de Cog- uma vez, a uma dose de esforço elevada,
gan para obter este “número mágico” é a um teste máximo de 20 minutos.
www.ciclismoyrendimiento.com
Yago Alcalde
TEXTO:

FOTOS:
Xavier Briel/
Justin Coomber/
Cape Epic

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PERSONAL
TRAINER

A IDEIA INICIAL em encontrar a motivação para sofrer foram realizados em estradas com decli-
Como treinadores que somos, temos durante tanto tempo. Isto não significa ves mais ou menos constantes, sem zo-
vindo a recolher dados de potência dos que não haja outros que o possam fazer nas planas ou descidas. Todos os testes
ciclistas que treinamos há muitos anos. com muita frequência. foram analisados com o TrainingPeaks
Entre outras coisas, os nossos atletas para verificar se foram testes aparente-
realizam regularmente testes de 20 mi- 2>Capacidade de sofrimento. Tem mais mente máximos e se foram corretamente
nutos e 5 minutos, a fim de avaliar de influência num teste longo do que num executados em termos de constância nos
forma prática se o treino gera ou não me- teste curto. Em 20 minutos, temos de ritmos e dinâmica da frequência cardíaca,
lhorias nos valores de potência. Como é sofrer durante muito tempo e há ciclis- sempre com uma tendência ascendente.
lógico, temos vindo a observar que a co- tas que são mais capazes de sofrer do As características dos ciclistas incluídos
rrelação entre potência em 20 minutos e que outros. no estudo são bastante heterogéneas,
em 5 minutos é muito elevada, uma vez uma vez que foram incluídos alguns pro-
que, no fim de contas, se trata de ava- 3>Estado de fadiga. Fazer um teste de fissionais, bem como ciclistas de nível
liar a capacidade aeróbica de um ciclista. 20 minutos requer uma certa dose de médio (FTP a 3,5w/kg). Os dados podem
Contudo, precisávamos de uma análise frescura para ter resultados fiáveis. ser consultados no quadro. Os partici-
mais aprofundada dos dados para calcu- pantes têm entre 20 e 40 anos de idade e
lar se a correlação entre os dois testes 4>Terreno adequado. Em muitos casos todos tinham experiência no treino de po-
era suficientemente elevada para encon- não é fácil encontrar uma subida perto tência, bem como na execução deste tipo
trar um fator de correção que pudesse de casa suficientemente longa para fazer de testes. Esta circunstância é bastante
ser utilizado para descobrir a potência o teste. importante, uma vez que, nas primeiras
em 20 minutos e, portanto, a do FTP a vezes em que este tipo de esforço é feito,
partir de um teste de 5 minutos. Foi o ELABORAÇÃO DO ESTUDO é frequente não se saber regular bem a
que fizemos neste estudo. O estudo foi realizado utilizando dados intensidade do esforço.
de 30 ciclistas que realizaram dois testes
LIMITAÇÕES DO TESTE de 5 e 20 minutos, respetivamente, com Uma vez obtidos os dados, o FTP de cada
DE 20 MINUTOS uma diferença de tempo entre eles de ciclista foi calculado multiplicando a po-
A ideia original deste estudo surge da difi- não mais de 4 semanas. As provas foram tência obtida no ensaio de 20 minutos por
culdade de realizar bons testes de 20 mi- realizadas por cada atleta no seu local 0,95. Em seguida, foi calculada a percen-
nutos, pelas seguintes razões: habitual de treino e num determinado nú- tagem de perda de potência entre o teste
mero de condições climáticas favoráveis FTP e o teste de 5 minutos para cada ci-
1>Motivação. Há uma elevada percen- (sem temperaturas extremas, sem chuva, clista, dividindo a potência FTP pela po-
tagem de ciclistas que têm dificuldade sem vento excessivo, etc.). Os ensaios tência em 5 minutos.

HÁ CICLISTAS
QUE TÊM
DIFICULDADE
EM ENCONTRAR
MOTIVAÇÃO
PARA FAZER
UM TESTE DE
20 MINUTOS

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ANÁLISE DOS DADOS Ciclista Peso P5 P20 FTP FTP/kg %
Como é possível ver nesta tabela, 95% 1 76 304 264 251 3,3 82,5%
da potência no teste de 20 minutos re-
presenta 79,8% da potência de 5 minutos 2 77 431 374 355 4,6 82,4%
como valor médio para os 30 ciclistas. Por 3 66 446 387 368 5,6 82,4%
outras palavras, poderíamos dizer que a
4 64 407 349 332 5,2 81,5%
multiplicação da potência em 5 minutos
por 0,798 nos daria uma estimativa do 5 61 336 288 274 4,5 81,4%
FTP de um ciclista. Em termos práticos, 6 65 371 317 301 4,6 81,2%
vamos utilizar 0,8. Como se pode ver na
tabela, o desvio-padrão é pequeno, o que 7 61 378 322 306 5,0 80,9%
indica que os dados estão muito pouco 8 79 400 340 323 4,1 80,8%
dispersos, ou seja, a amostra é bastan-
te homogénea, o que confere à proposta 9 68 374 317 301 4,4 80,5%
de estudo um elevado grau de fiabilidade. 10 56 393 333 316 5,6 80,5%
Queremos com isto dizer que, ao aplicar
11 69 334 282 268 3,9 80,2%
este fator de correção de 0,8, não comete-
remos um grande erro. Outra forma esta- 12 71 339 286 272 3,8 80,1%
tística de comparar duas séries de dados é 13 63 380 320 304 4,8 80,0%
ver a correlação entre elas, ou seja, anali-
sar se os valores de uma variável (P5) se 14 74,6 392 329 313 4,2 79,7%
alteram sistematicamente em relação aos 15 69 320 268 255 3,7 79,6%
valores de outra (P20). Neste caso, a co-
rrelação é muito elevada: 0,989. Esta es- 16 74 342 286 272 3,7 79,4%
treita relação entre ambos (os testes) está 17 84 335 280 266 3,2 79,4%
representada no gráfico.
18 78,3 324 270 257 3,3 79,2%
Embora vejamos esta relação linear clara
entre os dois testes, não devemos ignorar 19 75 317 264 251 3,3 79,1%
que existem certas diferenças na relação 20 64,5 412 343 326 5,1 79,1%
entre os ciclistas. De facto, os dados do
quadro 1 são ordenados de acordo com a 21 88 468 389 370 4,2 79,0%
percentagem de perda de potência entre 22 72,3 373 310 295 4,1 79,0%
23 68,5 420 349 332 4,8 78,9%
24 64 337 280 266 4,2 78,9%
25 68 340 282 268 3,9 78,8%
26 64,5 361 299 284 4,4 78,7%
27 63,2 400 331 314 5,0 78,6%
28 75 369 303 288 3,8 78,0%
29 67 481 394 374 5,6 77,8%
30 64,5 349 283 269 4,2 77,0%

Media 79,8%

Desvio padrão 0,014

Correlação P5 com P20 0,989

400

350

300

250
250 300 350 400 450 500

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PERSONAL
TRAINER

o teste de 5 minutos e o teste de 20 minutos.


Pode-se dizer que os ciclistas no topo são os
menos explosivos, uma vez que, em propo-
rção, há menos diferença entre o seu P5 e o
seu P20. E, inversamente, os que estão no
fundo da tabela são mais explosivos ou têm
menos resistência em esforços mais longos.

APLICAÇÕES PRÁTICAS
Como se pode ver, a distribuição dos dados
tem pouca dispersão, uma vez que o desvio
padrão é pequeno. Isto significa que, se apli-
carmos o fator de correção de 0,8, a dimensão
do erro será baixa. Vejamos um exemplo com
o ciclista número 30, que apresenta os dados
mais desviados da média. Ele é o ciclista mais
explosivo da amostra, uma vez que a sua po-
tência em 20 minutos é 77% da sua potência
em 5 minutos, ou seja, há muita diferença en-
tre os testes. Multiplicando o seu P5 (349w)
por 0,8, obter-se-ia um FTP assumido de
278w, apenas 10w acima do seu FTP, calcula-
do multiplicando o seu P20 por 0,95.

Agora vamos ver o que acontece com o ciclis-


ta menos explosivo da amostra, o número um.
Ele é o menos explosivo porque há muito pouca
diferença entre o seu P5 e o seu P20. Se mul-
tiplicarmos o seu P5 (304w) por 0,8, obtém-se
um FTP assumido de 241w, ou seja, menos 9w
que o seu FTP calculado com base em 95% da
sua potência em 20 minutos. Como acabámos
de ver, a nossa proposta de calcular o FTP a
partir de um teste de 5 minutos só falhou em
10w com os ciclistas mais afastados da mé-
dia. Por esta razão, poderíamos dizer que o
teste de 5 minutos pode ser válido para esti-
mar o FTP de um ciclista, quando partimos do
princípio de que pode haver uma margem de
erro que raramente excederá 10w. Tal como
explicado na introdução e do ponto de vista do
treinador, é mais fácil pedir a um ciclista um
esforço máximo de 5 minutos do que um de
20 ou mais minutos. Uma vez feito este teste,
uma proposta de trabalho para calcular melhor
o FTP e classificar o nosso ciclista em termos
de ser mais ou menos explosivo poderia ser a
seguinte: assim que tivermos os dados de P5,
calcularemos o seu suposto FTP multiplicando
esse valor por 0,8 e proporemos um treino que
consiste em fazer um esforço de 30 minutos a
essa intensidade. Se conseguir
completá-lo sem se sentir muito
cansado, podemos calcular que O TESTE DE
o seu FTP será de 5-10w acima
do valor previamente calculado e
5 MINUTOS
saberemos que é um ciclista com
um perfil fisiológico não muito
DEMONSTROU
explosivo. Se, por outro lado, o SER VÁLIDO COMO
ciclista não conseguir completar
30 minutos na potência proposta ALTERNATIVA
ou se conseguir fazê-lo com uma
sensação de esforço máximo,
DE CÁLCULO
saberemos que o seu FTP estará
5-10w abaixo do valor proposto e que estamos
a lidar com um ciclista bastante explosivo. A
identificação destas características fisiológicas,
mais ou menos explosivas/mais ou menos re-
sistentes, podem servir aos treinadores para
planear melhor o objetivo das nossas sessões
de treino.
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CONCLUSÕES FINAIS teste pode ser válido para calcular o
1>Como vimos, o teste de 5 minutos FTP de um ciclista, será sempre muito
pode ser uma alternativa bastante vá- mais objetivo e real continuar a fazer o tes-
lida para: te tradicional de 20 ou 30 minutos, espe- é necessário realizar este tipo de teste
A.Avaliar a capacidade aeróbica dos ciclis- cialmente em ciclistas que têm motivação para conhecer o seu FTP.
tas, uma vez que tem uma correlação para este tipo de ensaio. O facto é que,
muito elevada com o teste dos 20’. segundo a nossa experiência, existe uma 5>Embora o FTP seja o parâmetro que
B.Estimar com alguma precisão o FTP, grande variabilidade psicológica entre os melhor prevê o desempenho de um ci-
multiplicando a potência obtida por 0,8. ciclistas quando se trata da palavra “teste”. clista, como já referimos, também é ver-
Embora seja um fator muito motivador pa- dade que não devemos esquecer outros in-
2>Em relação ao teste convencional ra uns, para outros é uma espécie de peso dicadores de desempenho que podem tor-
de 20 minutos, o teste de 5 minutos sobre os seus ombros e não são capazes nar um ciclista mais rápido sem produzir
tem algumas vantagens: de o fazer em condições. É função do trei- mais potência num teste de 20 minutos.
A.É menos exigente psicológica nador procurar o momento exato e a mo- Estamos a falar de eficiência (capacidade
e fisicamente. tivação para obter dados de desempenho de gastar menos), força, peso corporal,
B.É mais simples de realizar em termos fiáveis sobre este tipo de atletas que não aerodinâmica, estimulação e técnica. Estes
de disponibilidade (ter uma estrada se sentem atraídos pela palavra “teste”. são outros fatores que também entram em
válida para a realização do ensaio, jogo quando se analisa o desempenho glo-
por exemplo). 4>Não podemos esquecer que, como bal de um ciclista.
C.Pode ser uma forma fácil de ter o fator motivacional neste tipo de es-
uma referência inicial sobre o forço é muito importante, nos ciclistas 6>Em estudos futuros, seria interes-
nível de um ciclista. que competem frequentemente ou que sante avaliar a correlação entre o tes-
D.Se compararmos os valores de P5 com os são muito competitivos quando treinam te de 5 minutos e o teste de um minu-
de P20, podemos identificar se os nossos com outros colegas, normalmente con- to, tal como fizemos neste estudo com o
ciclistas devem concentrar mais o seu seguiremos melhores valores de desem- teste de 20 minutos.
treino na explosividade ou na resistência. penho analisando este tipo de esforço do
que realizando os testes aqui propostos.
3>Embora
Embora tenhamos visto que este Isto significa que com alguns ciclistas não

O sofrimento pode ter


muitas faces, mas é
uma parte substancial do
desempenho desportivo
e é um fator que deve ser
tido em conta nos testes.

87>
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MEDICINA
&SAÚDE
TEXTO:
Yago Alcalde
www.ciclismoyrendimiento.com

>Por último, basta lembrar que quando estamos a subir, a lei da gra-
SUBIDAS DO INFERNO vidade é a principal força a ser ultrapassada e, portanto, o peso do
Olá. Estou a escrever-vos porque estou a ter dificuldade em conjunto da bicicleta e ciclista está diretamente relacionado com a difi-
ultrapassar as subidas inclinadas com que por vezes me culdade de pedalar com fluidez quando a inclinação é muito acentuada.
deparo nas minhas voltas. Enquanto nas subidas planas e Com isto queremos dizer que a redução do peso é uma forma muito
longas não tenho problemas em acompanhar o grupo, as eficaz de subir melhor as rampas íngremes.
subidas curtas com mais declive são impossíveis para mim
e acabo por ir a pé quando os meus companheiros estão a
subir. Como poderia melhorar?
Alexandre G., via e-mail

Caro Alexandre, muito obrigado pela tua pergunta. A verdade é que o


teu problema pode ser causado por várias razões. Vamos analisá-las e
ver se conseguimos encontrar a chave:

>Falha na escolha das mudanças. Neste tipo de rampas, um bom


conselho é escalá-las de “menos para mais”, especialmente para che-
gar ao topo com força. Para isso, uma boa ideia é começar com uma
mudança bastante fácil, ou seja, que nos permita pedalar a baixa in-
tensidade. Neste sentido, a ideia principal é entrar na zona mais íngre-
me com a mudança certa e não ter de mudar no meio, pois este gesto
tende a ser bastante desestabilizador. Em suma, a ideia é antecipar o
carreto certo antes de enfrentar a parte mais complicada da subida.

>Falha técnica. Por vezes, é simplesmente uma questão de técnica.


Para o melhorar, o mais recomendável é fazer um treino específico
em subidas íngremes, ou seja, procurar 2 ou 3 rampas que normal-
mente não conseguimos subir ou que nos custam muito e repeti-las
várias vezes para as vencer. Nestas situações, colocar o peso do corpo
na parte mais frontal da bicicleta ajuda a estabilizar a roda dianteira e
assim conseguir uma boa linha. Para além disso, obtém-se uma pe-
dalada mais potente e uma cadência melhor. É igualmente importante
dobrar os braços para melhorar o controlo da bicicleta.

>Má gestão da energia. Se for uma rampa longa, vacilar no final po-
de ser simplesmente uma questão de fadiga. Se a sensação é de que
se falha porque se fica sem forças, é preciso aprender a abrandar no
início e poupar forças para o esforço final. Isto é o que se chama “a
arte de abrandar”. >Quando uma subida é íngreme, a nossa técnica, o nosso domínio da utili-
zação das mudanças e a nossa gestão energética são postos à prova.

VO2 MAX» DORES E PROBLEMAS FREQUENTES NO BTT


Quando a bicicleta não está devidamente dormentes, recuar o encaixe pode ser uma masiado baixo, guiador demasiado alto ou
ajustada, é comum que o ciclista sofra uma grande ajuda, bem como utilizar palmilhas existência de alguma dismetria, ou seja,
série de desconfortos e dores. A seguir que não pressionem a área do metatarso. ter uma perna mais comprida que a outra.
apresentamos os problemas mais comuns, Curiosamente, a zona lombar é muito mais
analisamos as suas causas e propomos 3> Mãos dormentes. Um problema muito problemática para os ciclistas de BTT do que
possíveis soluções. comum nos ciclistas. Principalmente por- para os ciclistas de estrada, o que nos dá a
que a ergonomia do guiador de BTT não seguinte informação: a zona lombar sofre
1> Pés dormentes. A causa é normal- é perfeita, uma vez que coloca muita ten- mais quando a posição é mais direita.
mente um encaixe demasiado adiantado ou são no pulso. A principal razão para este
calçado demasiado estreito (ou demasiado problema é que as mãos estão a carregar 5> Dormência ou dor perineal. Na
apertado). Soluções: se tivermos a certeza demasiado peso por diferentes razões: maioria das vezes, o selim é demasiado
de que o sapato não é demasiado estreito guiador demasiado baixo ou demasiado estreito ou a altura demasiado alta. Tam-
e se não o apertarmos demasiado, certa- alto em relação ao selim, selim demasiado bém é possível que a inclinação não seja
mente que uma posição posterior do en- adiantado e/ou distância demasiado curta adequada. Em geral, recomendamos que
caixe ajudará a resolver o problema. Se o entre o selim e o guiador. A solução é reti- inclines sempre o selim ligeiramente pa-
problema persistir, o ideal é visitar um mé- rar o peso do guiador, o que pode ser feito ra baixo para tirar a pressão da frente. Do
dico especializado em medicina desportiva movendo o selim para trás, levantando o mesmo modo, recomendamos normal-
para ver se as palmilhas específicas po- guiador ou alongando o avanço. Aqui cada mente a utilização dos novos selins que
dem resolver o problema. Convém advertir caso é muito particular. Outras soluções apareceram no mercado, caracterizados
que o desconforto dos pés nem sempre é que ajudam são a utilização de luvas com por serem um pouco mais curtos que os
fácil de resolver… gel na área de apoio, bem como a utili- tradicionais (23-25cm vs 27-28cm).
zação de punhos ergonómicos.
2> Dor no pé. Outro problema muito co- 6> Dor na face anterior do joelho. Este
mum nos ciclistas é a dor na área do apoio do 4> Dor lombar. As causas são múltiplas, desconforto surge normalmente quando
pedal (metatarso). Como acontece com os pés mas as mais frequentes são 3: selim de- o selim está demasiado baixo ou quando o

88>
mountainbikes.pt
JOELHOS
TENS UMA PERGUNTA PARA NOS FAZER? ENVIA-A PARA bikeportugal@mpib.es COM O ASSUNTO “SAÚDE”

JOELHOS DORIDOS
Bom dia. Queria ver se me podem ajudar a resolver um pro-
blema que tenho quando ando de bicicleta: os meus joelhos
doem e estou um pouco desesperado, pois tenho medo de
me magoar se continuar a andar assim. A dor começa a
chegar aos poucos e fica na zona mais à frente do joelho. O
que posso fazer? Obrigado.
Joõ Esteves, via e-mail

Olá, João. A primeira pergunta que te faríamos seria: já realizaste um


estudo biomecânico? Se ainda não o fizeste, é a primeira coisa que de-
ves fazer, tanto tu como qualquer ciclista que queira pedalar na melhor
posição possível precisamente para evitar este tipo de problemas. Pelo
que dizes, o teu selim está muito baixo, provavelmente. A nossa expe-
riência em análise biomecânica mostrou que 90% do desconforto ante-
rior do joelho se deve simplesmente ao facto de o selim estar dema-
siado baixo e, por isso, sem extensão das pernas durante a pedalada.
Além disso, a flexão do joelho (quando o pedal está no topo) é exces-
siva. De facto, pedalar é uma atividade física recomendada quando se
tem qualquer tipo de lesão no joelho e, portanto, não faz muito sentido
que um ciclista tenha desconforto no joelho. Usar o selim demasiado
baixo é talvez o erro mais comum cometido por betetistas que pedalam
há pouco tempo. Para a segurança nas descidas, tendem a andar dema-
siado em baixo e, por vezes, isso tem estas consequências. Para além
do desconforto do joelho, andar com o selim demasiado baixo também
impede o ciclista de desenvolver toda a potência que as suas pernas po-
dem gerar, ou seja, a força perde-se. Se o selim estiver muito baixo, a
sensação de fadiga nos quadríceps aumenta consideravelmente. Quan-
do a altura está correta, devemos sentir um cansaço generalizado, nun-
ca isolado nos quadríceps.
A nossa recomendação é que se levante o selim 5 milímetros até que se
note que o desconforto desaparece, para além de se ter uma boa sen-
sação de pedalada. Embora uma altura incorreta do selim seja o principal
gerador de desconforto do joelho, não é supérfluo verificar se o alinha-
mento dos encaixes está correto. Para isso, basta verificar visualmen-
te se a direção do encaixe coincide aproximadamente com a do sapato.
Deves sentir que a posição do calcanhar quando pedalas é o mais natu-
ral possível, ou seja, o calcanhar não é forçado para o lado do pedaleiro te ou mais para trás em função da posição do metatarso em relação ao
ou para o exterior. Do mesmo modo, os encaixes devem ser posiciona- eixo do pedal. Em geral, os encaixes que estão mais à frente tendem a
dos em termos de regulação longitudinal, ou seja, mais para a fren- causar mais desconforto ao joelho do que os que estão mais atrás.

encaixe está demasiado avançado. Recuar 10> Dor na parte de trás do joelho. Es-
o encaixe, bem como subir o selim é geral- ta dor acontece geralmente quando o selim
mente a solução. está demasiado alto. Recomenda-se que
baixes 5mm de cada vez até que a dor des-
7> Dor no lado exterior do joelho. Na apareça.
maior parte das vezes, o selim está dema-
siado alto. Acontece também quando o en- 11> Dor nos gémeos. O mais provável é
caixe está mal posicionado e nos obriga a que o encaixe esteja demasiado à frente ou
pedalar com o calcanhar para fora. que o selim esteja demasiado alto.

8> Dor no lado interior do joelho. A ori-


gem deste desconforto é mais complexa de
identificar, mas é frequente quando o selim
está demasiado baixo ou o calcanhar está
demasiado afastado do cranque. É também
frequente em ciclistas muito pronadores.

9> Dor nos trapézios. Este problema é


comum quando o guiador está demasiado
próximo e/ou demasiado alto em relação
ao selim, fazendo com que os ombros en-
colham. A solução é, normalmente, baixar
o guiador para que os ombros fiquem re-
laxados e o pescoço não fique encolhido
entre eles.

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mountainbikes.pt
MECÂNICA

ALTURA E POSIÇÃO DO SELIM

AJUSTE
MILIMÉTRICO
TAL COMO A ESCOLHA DO TAMANHO DO QUADRO, A ALTURA CORRECTA DO SELIM É
UMA DAS QUESTÕES MAIS FREQUENTEMENTE COLOCADAS À REDACÇÃO DA BIKE.
ESCLARECEMOS TODAS AS DÚVIDAS PARA UM AJUSTE RÁPIDO QUE EVITE DESCONFORTO
AO PEDALAR E ATÉ LESÕES AO FAZÊ-LO NUMA POSIÇÃO INCORRETA.

PASSO 1> É essencial conhecer o com- PASSO 2> Abre o aperto. Lembra-te de usar massa an- PASSO 3> A altura é medida desde o centro do pe-
primento das pernas para posicionar o tiderrapante para evitar o aperto excessivo do espigão do daleiro até ao centro do selim.
selim. selim.

PASSO 7> A posição neutra é horizontal, PASSO 8> O selim oferece um âmbito de ajuste horizontal. PASSO 9> Verifica se as definições iniciais estão
embora possa variar de acordo com o Não exceder os limites de modo a não danificar os carris. corretas. A perna não deve ficar completamente
gosto pessoal. esticada.
90>
mountainbikes.pt
»FERRAMENTAS 1
Para ajustar adequadamente o selim, são poucas as ferra-
mentas necessárias. 1 Nível. Também pode ser utilizado
um telemóvel com uma aplicação (App) que faça a função
de nível. 2 Chaves Allen. De vários tamanhos para mo- 2
ver o selim. 3 e 4 Chave dinamométrica. Não é essen-
cial, mas, para salvaguardar os carris e o espigão, é melhor
apertar os parafusos com o torque adequado. 5 Fita mé-
3 5
trica. Para colocar o selim à altura exata.

pass
Paentrarssnumoestudoabiomecânico,
»Sem o…
que é feito de carbono, utiliza massa especial anti- o resultado. Encontra um ponto de apoio, en-
fundamental para encontrar o ajuste perfeito derrapante e respeita a tensão a que o para- caixa os pedais e coloca o cranque no ponto
para a tua bicicleta, vamos definir algumas fuso deve ser apertado. [3] Posiciona o selim mais baixo: a perna deve estar ligeiramente
orientações simples e rápidas para encon- na altura calculada, medindo desde o centro dobrada. [10] Se correu bem, a tua anca deve
trar facilmente a posição correta do selim, do pedaleiro até ao ponto mais alto do centro permanecer estável e horizontal ao pedalar,
tanto em termos de altura como de ângulo. do selim. [4] Alinha o selim com a bicicleta, já que os pedais atingem o ponto mais baixo.
[1] Para ajustar a altura vamos basear-nos olhando de trás. [5] Verifica a inclinação, de- Se estiveres a pedalar demasiado alto, a tua
no comprimento da nossa perna ou virilha. ves colocá-lo paralelamente ao solo. Se não anca inclinar-se-á de um lado para o outro
Mede-se sem sapatos, de costas contra a pa- tens um nível, descarrega uma aplicação para para ajudar a perna a atingir o ponto mais
rede, encostando um livro ou algo que sirva o telemóvel. [6] Corrige a posição do selim baixo do pedal. [11] Verifica novamente a al-
de ângulo (a 90º) sobre o períneo e ao mesmo utilizando os parafusos de fixação do espigão tura. É comum que a medição da altura mude
tempo sobre a parede. Deixamos uma marca do selim. Neste caso, soltando um e apertan- ligeiramente com as alterações de inclinação
na parede ou medimos desde a frente até ao do o outro alternadamente permite variar a e recuo. [12] Aperta os parafusos que man-
chão. Esta medida, em centímetros, é a me- inclinação. [7] A curva ascendente aumenta têm o selim na sua posição final. Verifica o
dida da nossa perna. Temos de multiplicá-la a pressão sobre a área perineal; para baixo, torque de aperto das braçadeiras do selim.
por 0,885 para obter a altura do selim, que sobrecarrega as mãos e os antebraços. [8] Como calcular a altura aproximada:
mediremos mais tarde do centro do pedaleiro Respeita os limites de ajuste horizontal do Medida da perna (cm) x 0,885 = altura do
para o centro da base do selim. [2] Desaperta selim, caso contrário, os carris poderão par- selim (cm)
a braçadeira do selim. Aproveita para limpar tir-se. Coloca-os numa posição centrada para Exemplo: 80 cm de perna x 0,885 = 70,8 cm
e lubrificar o espigão do selim e, se este for começar. [9] Monta-te na bicicleta e verifica de altura de selim.

PASSO 4> O alinhamento é muito importante, PASSO 5> Se não tens um nível de carpinteiro, podes des- PASSO 6> As fixações com duplo parafuso
para evitar a descompensação ou o desconforto. carregar qualquer aplicação que faça de nível. permitem o ajuste milimétrico da inclinação.
Alejandro Cubino
FOTOS:
Iván Mateos
TEXTO:

PASSO 10> A “oscilação” da anca quando peda- PASSO 11> Faz sempre medições no centro do selim, PASSO 12> Reaperta a braçadeira do selim
las indica claramente um selim demasiado alto. seguindo a linha do espigão do selim. Verifica após cada com firmeza para fixar o selim, sem exceder
reajuste. a tensão recomendada.
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CONSULTÓRIO
TENS UMA PERGUNTA PARA NOS FAZER? TEXTO:
ENVIA-A PARA bikeportugal@mpib.es, INDICANDO NO ASSUNTO “CONSULTÓRIO” Iván M./ Pedro Pires

O QUE É UM QUEBRA-CORRENTE?
No dia dos namorados recebi uma multiferramenta equipada com um que-
bra-corrente, mas não sei bem como é utilizado nem para que serve.
Sandra Matos, via e-mail
Olá Sandra. Basicamente é uma ferra-
menta que te permitirá continuar a pe-
dalar no caso de a corrente partir. É
constituído por um pistão roscado que
empurra o pino do elo da corrente. Isto
permite voltar a juntar os elos da corren-
te em caso de quebra de um elo no meio
do percurso. Tudo o que temos de fazer é
encaixar a corrente no quebra-corrente (é
muito intuitivo) e remover o elo danifica-
do, retirando o pino que o une ao resto da
corrente. Depois, ou ligamos a corrente
com um elo amovível adequado para a corrente, ou com um pino de fecho, também espe-
cífico. Se não tiveres nenhum dos dois, podes fechar temporariamente a corrente com um
dos seus próprios pinos. Para tal, não se deve retirá-lo completamente do elo, para poder
encaixar no elo oposto e para poder fechá-lo, reintroduzindo-o de novo.

BIDON COM BACTÉRIAS


Após algumas semanas sem o usar, encontrei o bidon
com o seu interior completamente sujo. Tenho de o tro-
car ou há uma maneira de o limpar?
David Alves, via e-mail

Olá David. Convém deixar sempre o bidon aberto, para que a água re-
sidual no seu interior se evapore. Se tiveres utilizado um produto nu-
tricional misturado com água, é melhor lavá-lo bem, e depois deixar
secar. Se as bactérias já colonizaram o interior, é preciso acabar com
elas, primeiro esfregando o interior e depois preparando uma solução
de 1 colher de sopa de lixívia para cada 1/2 litro de água quente. Deixa
atuar durante cinco minutos e enxagua bem. Algumas manchas podem
não desaparecer, mas pelo menos o interior do bidon ficará pratica-
mente esterilizado.

Com velocidade e
técnica o bunny

SUPER
vai permitir-te saltar
longas distâncias.

B I KE R›
KITTEN-HOP
Uma vez cruzei-me com um gato e ambos quase tivemos um
acidente (felizmente eu consegui evitá-lo). Para situações co-
mo esta, gostaria de aprender a saltar. Até já vi alguns pro-
fissionais a fazê-lo, levantando a bicicleta muito alto. Como é
que se faz?
Mónica D., via Messenger

A técnica - designada bunny-hop - consiste em levantar inicial-


mente a roda dianteira e depois a roda traseira. Lembra-te de
que não se trata de puxar com os pés e as mãos para cima simul-
taneamente, mas sim de - primeiro - levantar a roda dianteira
com o guiador e, com uma rotação dos pulsos para a frente en-
quanto alivias o peso dos pés, transferir esta elevação para a bi- 1 De pé sobre os pedais, pé dominante na frente.
cicleta inteira. A forma básica de evitar um obstáculo é simples- 2 Agarra firmemente no guiador, puxa com força no sentido vertical.
mente puxar o guiador para cima e ao mesmo tempo encolher as 3 Encolhe os joelhos enquanto puxas o guiador.
pernas ao saltar, para levantar as duas rodas do chão ao mesmo 4 Puxa o guiador na direção do peito.
tempo. Se o fizeres simultaneamente, poderás sobrevoar o obs- 5 Coloca-te em pé sobre os pedais.
táculo a uma altura mínima. Se for uma vala ou uma saliência 6 Dobra os joelhos como se quisesses agachar-te.
muito pequena, isso irá ajudar-te. 7 Empurra o guiador para a frente à medida que os encolhes.

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mountainbikes.pt
BICICLETA NO INTERIOR
A minha pergunta tem a ver com a forma como guar-
damos as nossas bicicletas: o único sítio onde cabe
dentro de casa é na sala, muito perto de um radiador
(a cerca de 40 cm de distância), e sempre que a tenho
lá no Inverno pergunto-me se será má ideia ter um
amortecedor, caixa de velocidades, espigão telescópi-
co, etc., perto de uma fonte de calor, será mau?
APLICADOR?
Gostaria de saber para que serve o aplicador da di-
Roberto M., via Whatsap reção. Vem incluído numa mala de ferramentas que
mandei vir na internet e não sei como é que se utiliza.
Em princípio, enquanto não houver contato direto, não deverá Fernando J. Pinto, via e-mail
haver qualquer problema. Os radiadores (se funcionarem com O aplicador é uma ferramenta que se utiliza para inserir a aranha
água) operam a uma temperatura de 70-80º, e a poucos centí- de direção dentro do tubo da suspensão ou forqueta e possibilita
metros de distância, a temperatura não é tão alta. Além disso, que essa aranha fique situada na localização adequada. A aranha
no caso do amortecedor, já tentaste tocar nele após uma lon- de direção tem umas patilhas de aço que ficam presas dentro do
ga descida cheia de buracos onde não parou de funcionar? Fica tubo e cuja resistência precisamos de vencer utilizando essa ferra-
muito quente, quase a queimar, por isso todos os seus elemen- menta. Enroscando a aranha na extremidade do aplicador conse-
tos estão preparados para resistir a esta temperatura. De qual- guimos guiá-la de forma correta, usando um martelo. Esta ferra-
quer maneira, para manter a bicicleta afastada de qualquer fonte menta acelera o processo, pois demora apenas alguns segundos.
de calor, podes optar por um suporte elevado. Existem diferen- Nota que se a aranha não ficar alinhada, quando fores colocar o
tes mecanismos no mercado que permitem suspender a bicicleta parafuso da tampa do avanço, este pode ficar torto.
no teto, utilizando um sistema de roldanas, e esta opção tam-
bém melhora a utilização do espaço.

CADEIRA PARA CRIANÇA


EM QUADRO DE CARBONO
Fui pai recentemente e queria comprar uma bicicleta
para pedalar com o meu filho, mas algumas pessoas
dizem que numa bicicleta de carbono não é aconsel-
hável colocar uma cadeirinha porque enfraquece as
fibras de carbono, o que aconselham?
David Luís, Lisboa

Praticamente nenhum quadro de fibra de carbono tem roscas para


instalar um suporte traseiro. Nem sequer para-lamas. Além disso,
a maioria, ou praticamente todos, têm um limite de peso máximo,
referindo-se ao peso do ciclista mais equipamento completo, e ge-
ralmente variando entre 120-130 kg. Por isso, o nosso conselho é
optar por um quadro de alumínio adequado para cicloturismo para
suportar o peso extra de uma cadeira de criança.
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mountainbikes.pt
TEXTO:
HOTN

Rodrigo Baltazar
NE

FOTOS:
Specialized
EW
WS
S

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mountainbikes.pt
EX
CL
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O

O guiador
sobreelevado
não esconde o intuito
desta bicicleta de
Gravel: proporcionar
uma posição mais
APRESENTAÇÃO SPECIALIZED DIVERGE cómoda, com um
ângulo de direção
GIRONA, ESPANHA mais relaxado.

MELHORIAS
SUBSTANCIAIS
O SEGMENTO DE GRAVEL TEM TIDO UM CRESCIMENTO BRUTAL NOS ESTADOS UNIDOS, E
COMEÇA A SER LEVADO A SÉRIO POR TODA A EUROPA. EM PORTUGAL, JÁ TEM ADEPTOS E
OS NÚMEROS NÃO PARAM DE CRESCER. PARA ESTE SEGMENTO ESPECÍFICO, A SPECIALIZED
APRESENTOU A SUA MAIS RECENTE VERSÃO DA DIVERGE E NÓS ESTIVEMOS LÁ, EM MAIS
UM EXCLUSIVO NACIONAL.

G IRONA É CADA VEZ


MAIS UM DOS MAIO-
RES NÚCLEOS DE CICLISMO A NÍVEL
MUNDIAL COM EXCELENTES CON-
perder a sensação ágil no asfalto. Numa
bicicleta de 56 cm, aumentaram o reach
(alcance) em 13 mm. Ao mesmo tempo, a
testa do quadro está mais relaxada e a for-
DIÇÕES PARA PEDALAR - EM ES- queta tem um deslocamento de 5 mm. O
TRADA E FORA DELA -. Por isso mes- facto de o tubo horizontal e o reach serem
mo, inúmeros atletas e equipas estão ali mais longos, permite-nos usar avanços
baseados. Foi por isso que a Specialized mais curtos e ao mesmo tempo manter um
escolheu esta cidade catalã para o lança- comprimento desejado do cockpit.
mento mundial da novíssima Diverge, a No geral, o avanço mais curto compensa o
sua bicicleta de gravel. Estiveram presen- efeito mais lento da direção quando usamos
tes o ex-cilclista do WorldTour Laurens pneus maiores tornando o controlo mui- milímetros, o que torna a bicicleta mais
Ten Dam, agora “convertido” ao gravel. to mais vivo no geral. Espaço para uso de manobrável e com mais poder de acele-
pneus mais largos não falta com esta nova ração. A escoras inferiores também foram
A Specialized lançou a Diverge em 2015 e, forqueta que permite usar pneus até 47 mm totalmente redesenhadas e, tal como os
durante este período, já se tornou uma re- em roda 700c e 2.1’’ em 650b. Já que fala- engenheiros afirmaram, “queríamos ter
ferência no mundo do gravel. Logo quando mos em pneus largos, podemos também muito espaço, mas não queríamos reco-
foi lançada sobressaiu o sistema de sus- deixar aqui a dica de que não é aconselhável rrer a escoras demasiado longas ou com
pensão dianteira Future Shock, baseado usar pneus com menos de 28 mm. design pesado”. A solução foi criar uma
numa mola, idêntica à usada na Roubaix, As atualizações da geometria também liga de carbono que tem sensivelmente
que substituiu as antigas inserções Zertz passam pela distância entre eixos, que é 15 centímetros, sólida, muito fina e super-
fornecendo uma absorção progressiva significativamente mais longa (38 milíme- resistente entre o pneu e as cremalheiras
dos impactos. O sistema Future Shock tros) para dar mais estabilidade. A altu- que aumenta 3 a 5 milímetros de espaço.
regressou à Diverge em alguns mode- ra do eixo pedaleiro da antiga versão era A Specialized garantiu, em todos os mo-
los de 2021, mas agora com um upgrade bastante baixa. Se, por um lado, é bom delos Diverge de carbono e alumínio, pe-
“roubado” à sua familiar Roubaix - o Fu- em termos de estabilidade, por outro, é lo menos 6 milímetros de espaço entre o
ture Shock 2.0 -, e agora com a estreia da uma desvantagem quando pedalamos em quadro e os pneus, ou seja, podem levar
tecnologia Swat. Mas já lá vamos…. estrada de terra e, em particular, com ro- até 700Cx47 ou 650bx2.1’’.
das 650b. Com a alteração do eixo peda- Mesmo sendo uma bicicleta de gravel,
QUADRO E GEOMETRIA leiro para 80 milímetros, a nova Diverge é esta Diverge possui subtis formas aero-
A geometria da Diverge foi projetada para mais ágil e o risco de haver toques inde- dinâmicas na forqueta e nas escoras. Após
tornar a bicicleta mais capaz e dar ao ci- sejados com os pedais é menor. As esco- ter sido testado no Win Tunnel, o quadro
clista mais confiança fora da estrada, sem ras superiores estão rebaixadas, têm 425 demonstrou ser mais aerodinâmico que
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mountainbikes.pt
GA MA
Existem 6 modelos em carbono. A S-Works (carbono FACT 11r) vem equipada com
o anterior, mesmo com o tubo horizontal
SWAT mais largo. Sram Red Etap AXS, rodas Roval Terra CL em carbono com os pneus Pathfinder Pro
Todos os modelos têm eixo pedaleiro 700c x38 2Bliss Ready, sistema Future Shock 2.0, espigão de selim telescópico - ape-
BSA de 68 milímetros e o espigão de se- nas neste modelo - e o selim é o S-Works Power. A Diverge Pro traz o mesmo equipa-
lim é de 27,2 mm. O eixo traseiro passan- mento, com exceção do espigão de selim e do selim que é o Power Pro. Na Expert a
te é um 142x12 e à frente mede 100x12. transmissão é a Shimano GRX Di2 com 1 cremalheira, os pneus Pathfinder Pro 700c
Os travões são flat Mount com a forqueta x38 2Bliss Ready vêm de série com as rodas DT Swiss G540. O avanço Specialized Pro
projetada a partir de discos 160/180, em e o guiador Adventure Gear Hover completam o cockpit com o Future Shock 2.0. A
vez dos comuns 140/160 milímetros. Ca- Diverge Comp vem com a transmissão GRX mecânica de duas cremalheiras, as ro-
das são as mesmas DT Swiss G540 tal como os pneus Pathfinder Pro 38, Future Shock
da quadro tem diferentes e específicas
2.0, guiador Adventure Gear Hover e o avanço Comp vem com suporte integrado para
camadas de carbono para cada tamanho.
GPS. Estes modelos são em carbono FACT 9r e têm todos tecnologia SWAT. Os dois mo-
O tubo horizontal e a escora inferior com
delos que completam a lista de bicicletas com quadro em carbono são a Sport, montada
proteções em borracha foram projetados também com as G540 da DT Swiss e pneus Pathfinder Sport, Future Shock 1.5, guiador
para a bicicleta ficar protegida das pedras Specialized Hover e avanço Comp com suporte para GPS integrado e a completar o equi-
e silenciosa quando a corrente bate no pamento o grupo Shimano GRX RX810 mecânico. Igual montagem para a Diverge Base
quadro. Se quisermos partir numa aventu- com o grupo Sram Apex. O FACT 8r é o carbono usado nestas duas bicicletas. Os restan-
ra e viajar esta bicicleta está cheia de pon- tes modelos são em alumínio E5 Premium e a forqueta é em carbono FACT. O modelo
tos de fixação para malas, alforges, bolsas Base E5 montado em Shimano Claris de 8 velocidades e pinças de travão Tektro, traz
e guarda-lamas. rodas Axis Elite Disc Tubeless Ready com pneus Specialized RoadSport de 35 mm,
Damos também uma nota muito positi- avanço 3D Specialized, guiador Shallow Drop e selim Body Geometry Bridge. A Elite
va para o peso abaixo dos 1000 gramas E5 Diverge vem com os periféricos iguais, mas a transmissão é Shimano GRX RX400
do quadro e podemos dizer que estará no de 10 velocidades. A Diverge Comp E5 traz um cockpit com a tecnologia Future Shock
top5 entre os disponíveis no mercado. 1.5, guiador Gear Hover e avanço Future Comp com suporte para GPS. Toda a transmis-
são é Shimano GRX, exceto o pedaleiro Praxis. Os pneus Pathfinder Sport calçam as
Axis Elite Disc. Por fim, temos os modelos Comp E5 EVO e Expert E5 EVO que em quase
tudo são iguais. Consulta o site www.specialized.com para conheceres os preços. Há so-
A DIVERGE É luções para todo o tipo de gostos e carteiras.
MUITO FÁCIL DE
MANOBRAR

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SWAT> Esta é uma, das várias, tecno-
logias que a nova Diverge recebeu de
outros modelos da marca. Basicamente
é um compartimento situado na zona do
porta bidon do tubo horizontal que per-
mite armazenar ferramentas e tudo aqui-
lo que a nossa imaginação quiser. Foram
também desenhadas duas bolsas SWAT
para caber dentro do compartimento. Na
bolsa maior conseguimos guardar uma
câmara de ar, desmontas e o CO2, en-
quanto na mais pequena podemos guar-
dar uma multi-ferramenta ou chaves. A 2
Specialized também criou um novo ca-
saco impermeável SWAT, que depois de 3
devidamente embrulhado, se transforma
numa bolsa e cabe na perfeição no tubo 2
do quadro. À primeira vista pode até nem
parecer muito útil, mas quanto a nós é
uma mais valia e sempre nos liberta de le-
var mais coisas nos bolsos do jersey. 1
1> Espigão de selim telescópico no modelo S-Works. 2> Liberdade total e espaço é o que
não falta para o uso de todo o tipo de pneus. 3> O manípulo que controla o espigão do se-
lim está situado no lado esquerdo do guiador, junto à manete.

>SPECIALIZED DI-
VERGE: Existem vários
modelos com monta-
gens e preços que se
adaptam a diferentes
tipos de utilizadores.

O sistema Future Shock 2.0


está presente em alguns
modelos da nova geração. E é
facilmente regulável.
A forqueta foi deslocada
5 mm. No cômputo geral,
É possível usar pneus com a distância entre eixos
no máximo700x47 ou é também maior, para
27,5”x2.1. Espaço não falta... estabilidade acrescida.

A nova Diverge passou a


adotar uma altura de eixo
pedaleiro maior, para evitar
toques indesejados.

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mountainbikes.pt
FUTURE SHOCK> Outra novidade para este novo modelo da Specialized é o up-
grade, em alguns modelos, do sistema Future Shock. Se a versão anterior vinha ape-
nas com o sistema 1.5, para 2021 a Diverge vem em alguns modelos com o 2.0, já usa-
do no modelo criado para as clássicas de empedrado, a Roubaix. O Future Shock 2.0 é
o sistema mais avançado, muito simples e leve, que não é mais do que um sistema de
mola de compressão e amortecimento de recuperação posicionado na parte frontal da
bicicleta, acima da testa do quadro, proporcionando um grande controle e conforto em
todos os terrenos. Esta localização é fundamental pois os movimentos verticais da sus-
pensão fazem com que a bicicleta não perca rigidez e tração e, ao mesmo tempo, poupa
o ciclista dos impactos. Ambos os sistemas têm 20 mm de curso, mas a grande vanta-
gem do Future Shock 2.0 é ser regulável através de um manípulo giratório, tornando a
suspensão mais ou menos rígida. Na nossa opinião, achamos que podía ter apenas três
pontos de ajuste em vez dos 10. O Future Shock 2.0 pode ser encontrado nos modelos S-
Works, Pro, Expert e Comp Carbon. Os modelos Comp E5, Sport e Base Carbon vêm com
o Future Shock 1.5. Os dois modelos de entrada E5 e o Elite E5 não trazem Future Shock.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
DIVERGE E5 EXPERT EVO
Temos de confessar que um dos momentos mais esperados nos
lançamentos é quando saímos para pedalar e podemos experimen-
tar e sentir as bicicletas. Mais ainda quando se está em Girona, um
paraíso do ciclismo. O modelo que usámos foi o Expert com transmis-
são GRX Di2. Esta nova Diverge sobe de forma eficaz e apenas senti-
mos a frente levantar quando fica excessivamente inclinado. Acele-
ra agilmente e é muito polivalente na terra e no asfalto. A energia é
transmitida com eficiência e conseguimos manter a velocidade. Isso,
sem dúvida, foi ajudado pela combinação das rodas DT Swiss G540 e
os pneus Pathfinder 700C x 38 muito eficazes em todos os terrenos.
Quando saímos do asfalto e entramos nos estradões de terra é quan-
do a Diverge mostra as suas verdadeiras credenciais “off-road”. Aqui
sentimos realmente que podemos acelerar e torna-se fácil de contro-
lar e manobrar mostrando grande estabilidade, até em singletracks. À
medida que o terreno se torna mais exigente, irregular e com pedras
ou raízes é quando conseguimos levar a Diverge ao limite. Se quiser-
mos ter uma condução mais agressiva esta Specialized não mostra
fraquezas e nunca sentimos falta de agilidade. A descer a alta veloci-
dade sentimos muita segurança e controlo - especialmente quando
usámos os generosos pneus Tracer de 47 milímetros, tudo fica mais
suave. A falta de ruídos, mesmo em terrenos mais agressivos, é im-
pressionante e o espigão de selim mostrou grande flexibilidade. A
nova Diverge convence com um excelente nível de conforto, quando
pedalámos com os pneus Pathfinder Pro de 38 milímetros, e com os
Rhombus ainda mais. O Future Shock 2.0 é excelente e fácil de manu-
sear. Se há bicicletas que nos dão um enorme prazer em andar e nos
fazem gostar mais de uma marca, esta é sem dúvida uma delas.

Ao usar pneus
mais largos,
podemos abusar
em termos de
velocidade.

EX
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E S TA B I C I C L E TA M U D A T U D O

TURBO LEVO SL
17,35 kg . Condução super ágil. O dobro da tua potência de pedalada.
A sabedoria convencional diz que isso é impossível
– bicicletas elétricas não podem ser divertidas.
Felizmente, a Turbo Levo SL não quer saber da sabedoria convencional.
O Poder de Pedalar por Mais Trilhos.

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