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Titulo: Equivalência radiobiológica entre LDR e PDR em carcinoma do cervix Código:

Comparou-se a equivalência dos tratamentos a nível de controlo tumoral e efeitos secundários quando se substitui a
baixa taxa de dose (LDR) por taxa de dose pulsada (PDR) numa instituição hospitalar. A LDR usa taxas de dose
entre 0,4 e 2Gy/h de forma contínua enquanto a PDR, com irradiação por pulsos utilizando uma fonte de média ou
alta taxa de dose num regime de hiperfraccionamento, pretende simular a LDR em termos de efeitos.
Métodos: Para a análise dessa equivalência, foi usado o Modelo Linear Quadrático (MLQ), adaptado para a LDR e
para a PDR em função dos mecanismos radiobiológicos que neles actuam. Desses mecanismos salienta-se a
reparação dos danos sub-letais por ser aquele que mais influencia a probabilidade de ocorrer um efeito.
A partir da dose física total de um tratamento com LDR (20Gy em 24h), procurou-se estudar a dose total PDR
equivalente para três casos distintos: (1) dose por pulso igual à taxa de dose, (2) com variação da dose por pulso e
(3) do tempo de pulso. Na ultima fase procurou-se aplicar esta equivalência a pratica clínica através da recolha de
dados de tratamentos em doentes com estadio IIB com ambas as técnicas e do cálculo da dose equivalente em
fracções de 2 Gy/fracção (EQD2) de todo o tratamento (RTE+BT).
Discussão dos resultados: No âmbito da comparação entre a LDR (20Gy em 24h) e a PDR, mantendo o mesmo
tempo total de tratamento, verifica-se que a dose equivalente com PDR apesar de pouco significativa é maior para
o tumor do que para os OAR (19,92Gy vs 19,86Gy), o que indica que existe uma perda terapêutica.
Para o mesmo fraccionamento de LDR, a dose por pulso máxima que se poderia utilizar é 0,823Gy e mantém-se a
mesma dose total. Assim sendo, com uma taxa de dose de 0,7Gy/pulso (usada no instituto), e possível obter um
ganho terapêutico se corrigida a prescrição de 20Gy para 20,65Gy.
A influência da actividade da fonte não é significativa: a correcção da dose física entre um pulso de 3 e de 60
minutos, é inferior a 1%. Os testes de comparação dos resultados da LDR (N=26) e da PDR (N=22), mostram que
não existe relação estatística entre estas duas técnicas, isto é, as técnicas apresentam resultados diferentes. Em
média a EQD2 total com PDR é inferior para todas as estruturas em análise (tumor, recto e bexiga). Foram
incluídos neste trabalho todos os doentes que efectuaram tratamento com a técnica PDR até ao fecho do estudo.
Para excluir a hipótese da diferença provir da RTE, compararam-se as EQD2 desta técnica para os dois grupos,
concluindo-se que a causa desta diferença deve-se apenas a BT.
Conclusão: Uma vez que a PDR, utilizada actualmente, usa uma taxa de dose consideravelmente inferior a usada
com LDR, verifica-se uma diminuição da EQD2 total para o tumor e para os OAR, o que leva a uma diminuição
das sequelas tardias e do controlo tumoral. Para que esta perda terapêutica não ocorra é necessária uma correcção
da dose total, é proposto um aumento entre 6% e 13% à dose prescrita com PDR calculado para os valores médios
da LDR obtidos neste estudo (21.11Gy em 22.81h). Numa fase de inicial da implementação da correcção linear,
sugere-se o cálculo da EQD2 total do tratamento para confirmar que o tratamento realizado é o desejado.
Resumo de (por favor assinale 1): Comunicação Livre Poster
(CAMPO OBRIGATÓRIO – assinale apenas uma categoria):
Mama Cabeça e Pescoço Pulmão Cuidados Paliativos e Psicológicos
Ginecologia SNC Digestivo Física
Urologia Dermatologia Hematologia Outros
Nome do Autor: José Guilherme Couto
Nome dos Co-Autores: Isabel Bravo, Rui Pirraco
Instituição: IPO-Porto Telf.:

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