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Titulo: Cancro da mama em mulheres idosas- tolerância à radioterapia Código:

Introdução: Cerca de 50% dos cancros da mama ocorrem em mulheres com 65 anos ou mais de idade e espera-se
que ambas, a inciência e a prevalência do cancro da mama em mulheres idosas aumente no futuro.
A idade implica uma redução no tempo médio de vida e da tolerância aos tratamentos o que deve ser tomado em
consideração nas doentes idosas com cancro da mama. Daí que, as mulheres idosas sejam por vezes sub-tratadas e
estejam sub-representadas em ensaios clínicos.
Objectivo: Análise da sobrevivência, controle locorregional e da toxicidade num grupo de doentes com cancro de
mama com idade igual ou superior a 65 anos tratadas de acordo com o estádio inicial. O objectivo deste estudo foi
analisar a experiência de uma única instituição no cancro da mama em mulheres idosas propostas para radioterapia
(RT).
Material / Métodos: Este é um estudo retrospectivo observacional de doentes idosas (65 anos ou mais) com
cancro da mama tratadas entre janeiro / 2005 e maio / 2006.
Resultados: Este estudo incluiu 46 doentes com cancro da mama, estádios 0-IIIC. Houve uma perda de follow-up
de 8,7%. A idade média foi de 72 anos (65-84). Oitenta e nove por cento das doentes apresentavam pelo menos
duas co-morbidades. A maioria dos tumores eram invasivos (93,5%) sendo o tipo histológico mais comum o
carcinoma ductal invasivo (67,4%). Trinta e nove por cento dos cancros foram detectados imagiologicamente, com
quase 70% sendo sintomáticos ao diagnóstico. O estádio tumoral mais comum foi o IA (39,9%), seguido dos
estádios IIA e IIB (15,2% cada). Gânglios axilares foram positivos em 36,9%. Setenta e três por cento eram
receptores de estrogênio (ER) positivos e apenas 6,5% foram triplos negativos. Todas, excepto uma (por
contraindicação cardiopulmonar) receberam RT adjuvante. A maioria (50%) fez RT adjuvante (dose total 50-52
Gy, com técnica de isocentro) e hormonoterapia. 67,4% foram inicialmente submetidas a cirurgia conservadora e
19,6% a mastectomia com apenas uma doente tendo necessidade de mastectomia após tumorectomia inicial.
Dezesseis doentes (34,8%) foram também submetidas a quimioterapia (TAC, CMF ou FEC).
Resposta completa foi obtida em 91,3% dos doentes. Vinte e oito por cento das mulheres recidivaram com
sobrevivência global de 119 meses e uma sobrevivência média livre de progressão da doença, obtida pelo método
de Kaplan Meyer, de 75,7 meses (IC 95%: 70-81). Seis doentes morreram por progressão da doença. Metástases à
distância foram observadas em 5 (10,9%) mulheres e 3 (6,5%) doentes desenvolveram um segundo tumor primário.
Com um tempo de seguimento médio de 56 meses (8-135 meses), 78,3% das doentes diagnosticadas com cancro da
mama ainda estão vivas. Sete doentes (15,2%) tiveram recorrência local e o controlo da recidiva local foi de quase
85%. Durante a RT, toxicidade cutânea de grau I foi observada em 36 (78,3%) doentes, com apenas 3 (6,5%)
doentes sendo classificados como grau 3 de acordo com as tabelas da RTOG.
Conclusão: Há uma escassez de dados clínicos sobre o tratamento de RT em doentes idosos. A RT foi bem
tolerada em todas as doentes. De acordo com estes resultados, a RT não deve ser omitida, em função da idade.

Resumo de (por favor assinale 1): Comunicação Livre Poster


(CAMPO OBRIGATÓRIO – assinale apenas uma categoria):
Mama Cabeça e Pescoço Pulmão Cuidados Paliativos e Psicológicos
Ginecologia SNC Digestivo Física
Urologia Dermatologia Hematologia Outros
Nome do Autor: Daniela Fonte
Nome dos Co-Autores: Andreia Costa, Gabriela Pinto
Instituição: Hospital de São João,E.P.E Telf.: 962685454