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CEO Abandonado ©Copyright 2020 — C.J.

Yriel

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Está é uma obra de ficção qualquer semelhança, com nome,
pessoas, locais ou fatos será mera coincidência.

Revisão: Independente
Sumário
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Epílogo
Prólogo
Henrique
Era engraçado como sua vida poderia dar uma volta inesperada em
um piscar de olhos. Ontem eu era um dos CEO´s mais importantes de São
Paulo – da rede de empresas Amarílis, cosméticos em geral, que foi montada
há sete anos entre eu e mais três amigos – respeitado, competente e até
mesmo: temido.
Hoje quem temia o destino era somente eu. O medo estava
dominando o meu corpo, mas mesmo assim tentava não demonstrar, afinal,
sabia bem esconder minhas emoções. No entanto eu sentia que o homem
poderoso que existia em mim estava parecendo um cordeirinho assustado,
aguardando notícias de uma desconhecida, com quem saí poucas vezes; o
famoso sexo sem compromisso.
Sentei em uma das cadeiras de espera, mas a demora nunca foi
minha amiga, por isso, quando o nervosismo ultrapassou o aceitável, comecei
a bater minha perna, tentando acalmar-me. Olhei novamente para meu
relógio, e a cada olhada parecia que o ponteiro não havia se movimentado.
Sei que não deveria me preocupar, no entanto, receber uma ligação às
três da manhã de um hospital, falando que a sua ex-sexo sem compromisso
de sete meses atrás estava correndo risco de vida, a ponto de ter que fazer um
parto de emergência, e o único número para contato era o seu, não parecia
nada promissor.
Quando a enfermeira veio acompanhada do médico responsável pelo
caso de Alice, levantei-me. A expressão que eles me direcionaram não era
das melhores, por isso, tentei ser o mais sereno para o que vinha a seguir.
— Senhor Henrique, lamentamos informar, mas a paciente não
resistiu ao pré-eclâmpsia e veio a óbito, no entanto conseguimos salvar o
bebê. Ele ficará em observação, na UTI neonatal até que consiga respirar sem
ajuda de aparelhos e esteja com o peso ideal para um recém-nascido.
O médico falava e repetia várias informações, que era o seu dever me
passar, mas eu só conseguia pensar que Alice havia morrido e que havia um
bebê.
— E quem é o pai?
E foi com aquele questionamento que eu soube que minha vida tinha
mudado completamente.
Capítulo 1
Mariana
Só havia quatro meses que eu fazia parte dos colaboradores da
Amarílis Cosméticos em Geral, mas parecia bem mais que isso, afinal, eu
nunca poderia imaginar que trabalhar para o sr. Perfeitinho fosse tão difícil.
Quando vi a oportunidade sendo divulgada em um site de vagas de emprego
nunca passou pela minha cabeça que todas as secretárias dele não ficavam
mais de seis meses no emprego, que Henrique tinha uma mania de
perfeccionismo incontrolável e que era um petulante sem tamanho.
Neste exato momento estava pela quinta vez na copiadora da empresa
por uma folha ter saído torta. Pelo amor de Deus! Não dava nem para ver o
desalinhamento do papel, só se tivesse o olho de águia que aquele homem
tinha. E que olhos!
Mas isso não vem ao caso. O problema maior era ter que matar mais
uma árvore por ter que imprimir uma mesma coisa pela quinta vez. E no
momento o meu instinto assassino estava realmente querendo matar, mas não
a coitada da árvore e sim: Henrique Baleroni.
Assim que finalizei a impressão, tentei voltar a passos largos para o
seu escritório. Minha saia tubinho meio que prendia minhas passadas o que
estava me irritando sobremaneira, quanto mais tentava andar rápido, mais ela
fazia com que eu ficasse ainda mais lenta.
Ao chegar à sala de Henrique o encontrei como sempre: com o cenho
franzido demonstrando aquela expressão de homem malvado que eu só
conseguia enxergar nele. Os cabelos jogados para trás, o rosto limpo, sem um
fio de barba, o queixo quadrado retesado fazendo a expressão de homem de
negócio ser presente, e aquilo fazia com que ficasse perfeito. Merda!
Henrique era a perdição para qualquer uma, mas infelizmente tudo que ele
podia ter de bonito usava para afastar todas que se aproximavam dele.
Eu tinha a leve impressão de que só fazia isso, para evitar a sociedade
que adorava comentar sobre a sua vida, e também por não querer os abutres
ao seu redor. Não discordava dele, pois ninguém merecia ser lembrado só por
ter dinheiro, ou por ser dono de uma das redes Amarílis.
— Pronto, sr. Henrique. — Coloquei os papéis em cima de sua mesa e
fui retirando-me, pois já sabia que ele não era um homem de agradecer por
nada. Um verdadeiro embuste - como dizia Paula, minha amiga que dividia o
apê onde eu morava.
— Mariana, você está dispensada por hoje, terei que ir embora mais
cedo e como sei que todos os seus compromissos estão em dias, você está
liberada.
Parei abruptamente, pois não acreditava que ele estava falando sério.
Voltei-me em sua direção e questionei:
— Ainda faltam quatro horas para o expediente acabar. O senhor tem
certeza?
— Sim, pode ir. — Focou aqueles olhos em mim e um milagre
aconteceu, ele deu um leve sorriso para mim.
O mundo com toda certeza ia cair em São Paulo, aquele homem
nunca sorria. Algo estava muito errado. Muito mesmo!
— Tudo bem — respondi meio atônita e prossegui: — Bom final de
semana para o senhor.
— Igualmente.
Saí da sala de Henrique em choque, ainda não tinha acreditado que ele
havia sorrido para mim, e para completar me dispensado mais cedo. Só
poderia estar alucinando.
Eu tinha que avisar isso a Paula. Desliguei meu computador, peguei
meu casaco que estava no aparador que ficava ao lado da minha mesa, minha
bolsa e logo achei meu aparelho celular.
Acessei o WhatsApp e enviei a mensagem para minha amiga:

Mariana: Acredita que o sr. Perfeitinho sorriu para mim?

Paula: Isso é um milagre, está aí há quatro meses e já ganhou um


sorriso dele, daqui a pouco ele te pede em casamento.

Mariana: Larga de ser ridícula.

Paula: Vamos sair hoje?

Mariana: De jeito nenhum, vou ficar em casa fazendo o de sempre,


ler, assistir algo.

Paula: O Fernando perguntou por você, da última vez que apareci


sem a sua companhia.

Mariana: Eu não quero ficar com ele novamente. Foi um erro


aquele dia.

Paula: Já disse pra ele desencanar de você, mas o homem não me


escuta. Na verdade ainda tenho vontade de dar uns belos socos nele, por ter
feito aquilo com você, mas tô tentando abstrair.

Mariana: Deixe que fique se enganando, não dê moral para aquele


idiota. Vou demorar a chegar, pois ainda vou passar no mercado para
comprar algumas coisas que está em falta.

Paula: Tudo bem! Vou me arrumar, Leonardo já está aqui para


sairmos. Beijos!

​ orava com Paula – que conheci pela internet muitos anos antes – há
M
mais de quatro anos, quando resolvi deixar tudo para trás na minha cidade
natal e vim cursar minha faculdade de Administração de Empresas em São
Paulo, bom não era só isso. Meus pais haviam morrido em um acidente de
carro quando eu estava entrando na minha adolescência e eu só tinha duas
tias em Limeira – uma cidade no interior do estado – que queriam mandar em
mim por tudo, após a filha de uma delas desaparecer, parar ser mais exata,
elas queriam me vender como fizeram com minha prima, e esse foi o maior
motivo da minha fuga.
​Eu não podia negar que era muito bonita, ruiva, de olhos claros. Então
elas viram uma forma de ganhar dinheiro fácil, por isso, quando quiseram
que eu conhecesse um “amigo” delas que tentou abusar de mim, vim para a
capital.
​Peguei tudo que era meu e saí daquela casa infernal. A sorte é que eu
tinha acabado de completar dezoito anos, então, podia sumir sem que elas
tentassem colocar a polícia atrás de mim, obrigando-me a voltar para aquele
lugar asqueroso.
​Balancei minha cabeça tentando tirar as lembranças ruins da minha
mente, prometi a mim, anos atrás que eu nunca deixaria meu passado
prejudicar meu presente e nem meu futuro. Por isso, era sempre melhor
esquecer.
​E agora eu trabalhava na Amarílis, não era o meu sonho ser secretária,
mas era a opção que eu tinha quando o desemprego bateu à porta e eu possuía
zero experiência no mercado para conduzir uma empresa sozinha. No entanto
eu não era só uma secretária, era a secretária de Henrique Baleroni, um
homem poderoso e bastante conceituado tanto nacional quanto
internacionalmente.
​Eu poderia crescer ainda mais dentro da empresa, bastava o meu
chefe não me demitir antes da hora ou eu não matá-lo pelas provações que
fazia com que eu passasse.
​Saí do metrô e percebi que o clima que estava bom quando saí da sede
da Amarílis mudou completamente. São Paulo e seu problema de clima
instável. Apressei meus passos para chegar ao meu apartamento o quanto
antes, deixando para passar no mercado outro dia já que não estava com
nenhuma vontade de me molhar.
​Assim que consegui chegar à entrada do meu apê, o mundo
despencou, caindo horrorosamente. Graças que cheguei antes, eu tinha muita
facilidade para ficar doente e se tomasse uma chuva dessas com toda certeza
ficaria de cama e eu não poderia, em hipótese alguma, faltar ao meu emprego.
​Quando abri a porta percebi que Paula já havia saído com Leonardo –
seu namorado. Só esperava que Fernando não resolvesse aparecer por aqui
sabendo que estava sozinha. Ele era irmão de Leonardo, lindo, mas um idiota
completo. A única e última vez que saí com Paula para uma boate ele estava
lá, me conheceu e ficou louco por mim.
Deixei que o clima entre nós me levasse aos beijos, foi aí que
Fernando se ofereceu para me trazer em casa e eu permiti, mas quando tentou
forçar mais do que devia pedi para parar e aí começou tudo a dar errado. Ele
quis tentar ficar comigo à custa de tudo, a sorte foi Paula chegar e tirá-lo de
cima de mim.
​Isso já tinha uns dois meses, mas mesmo assim ele ainda ficava me
ligando e perguntando por mim. Fiquei simplesmente traumatizada mais uma
vez com os homens que surgiam em minha vida.
​ irei meu salto jogando-o em um canto do meu quarto, depois retirei
T
a roupa desconfortável do trabalho e o mais importante: o sutiã. Se existisse
um martírio na vida feminina era ter que usar esse troço todos os dias.
​Coloquei uma das minhas camisetas de banda preferida e fui preparar
algo para comer. Após finalizar minha macarronada, despejei queijo ralado
por cima e comi sentada no sofá assistindo a uma série qualquer que estava
passando no momento que me dediquei a TV.
​Era sexta-feira, todos estavam curtindo os seus famosos sextou, mas
eu não tinha a mínima vontade de sair de casa. Os meus melhores momentos
da vida eram os que eu podia ficar em paz, no aconchego do meu lar. Sem ter
que me socializar. Não era depressão nem nada, eu só gostava de ficar em
casa.
​Assim que terminei minha refeição, demorei um pouco mais
assistindo outro episódio que estava passando, após ele acabar, fui para a
cozinha e lavei tudo o que eu havia sujado, indo para o banho em seguida.
Quando finalizei minha higiene, vesti outra camiseta e uma calcinha,
deixando-me despencar sobre a cama. Eu estava cansada, podia ter saído
mais cedo, mas antes disso eu me desgastei demais, era muito estresse ter que
aguentar o humor instável do meu patrão. Só precisava de uma noite de sono
tranquila…
​Estava sonhando com um campo cheio de girassóis quando escutei
um toque insistente tentar me despertar. Eu não queria abrir meus olhos, de
verdade, queria ficar relaxada do jeitinho que eu estava.
Meu Deus! Por que a pessoa não parava de me ligar?
​Deixei meus olhos se abrirem lentamente, girei-me sobre a cama e
peguei o aparelho que estava no criado ao lado da cama. Constatei que eram
cinco e meia da manhã, e realmente isso me deixou com um ódio mortal.
Puta que pariu! A pessoa tinha me acordado de madrugada na minha folga.
Era muito sem educação mesmo.
​Quando fui tentar ver quem tinha ligado no meu telefone a essa hora,
o aparelho voltou a chamar e eu fiquei com mais ódio assim que li o nome no
visor. Ele sabia que não trabalhava nos finais de semana, por qual motivo
então estava me perturbando antes das seis?
​Eu não queria atender, pois sentia que ia ter que sair da minha cama
no frio que estava fazendo devido a forte chuva que caía lá fora desde ontem.
Mas fiquei preocupada, quando pela terceira vez, Henrique, meu adorável
chefe, chamou em meu telefone e foi somente por esse motivo que deslizei o
dedo no botão verde.
​— Alô? — Falei com a voz meio grogue pelo sono.
— Até que enfim. — Ouvi o timbre da sua voz grave do outro lado da
linha, aquele homem não dormia?
— Senhor Henrique, no que posso ajudar? — Não fiz questão de
deixar minha voz melhor.
— Desculpe atrapalhar seu sono Mariana, mas aconteceu um
imprevisto e eu preciso muito de uns documentos que estão na empresa, que
somente você poderá achá-los para mim. Eu te pago hora extra se você puder
ir à empresa e trazê-los aqui em minha casa. Pode chamar um táxi pelo cartão
da firma, não tem problema, pois essa chuva infernal não passa. — Foi
jogando tudo para cima de mim, como se eu estivesse em condições de
entender o que ele estava querendo me dizer, parecia que o homem nem
respirava ao falar. — Eu só preciso dos documentos da Albuquerque, é
urgente, você pode me ajudar?
Estava tudo acontecendo rápido demais:
Primeiro: Henrique havia sorrido pra mim no dia anterior;
Segundo: Ele estava pedindo ajuda.
Será realmente que o meu chefe que conheço há quatro meses não
tinha sido abduzido? Pois só isso explicaria tamanha estranheza.
— Tudo bem, irei o mais rápido que puder — prometi.
— Estou no aguardo.
E pelo visto o homem educado de segundos antes acabou de ir pelo
ralo, pois a resposta seria “obrigado” e não essa que me foi direcionada. No
entanto eu sabia que os documentos da Albuquerque, uma grande empresa
parceira da Amarílis, eram extremamente importantes e se ele estava
precisando deles, algum problema havia acontecido.
Por isso o mais rápido que pude corri para o banheiro para me
arrumar. Meia hora depois estava chamando o táxi pago pelo cartão da
empresa, como foi dito pelo sr. Perfeitinho.
E o meu querido patrão ia ter que aguentar minha cara de poucos
amigos por ter sido acordada tão cedo em um dia que não devia ser. Além de
eu estar completamente informal, com um jeans justo, um moletom devido ao
frio, tênis e um rabo de cavalo. Eu que não iria me enfiar em um tubinho, em
um sábado, de jeito nenhum.
Cheguei à empresa e até Marquinho – o segurança do final de semana
– estranhou por eu estar lá, no entanto depois de explicar a situação ele me
deixou subir. Cheguei à cobertura do prédio e corri para o escritório de
Henrique. Os documentos ficavam em um armário na sala conjugada a dele,
onde só ficavam arquivos importantes, fui em direção do armário “A” e logo
encontrei a pasta desejada.
Sai o mais rápido possível do prédio indo em direção a Vila Olímpia o
humilde bairro onde meu chefe tinha um pequeno apartamento que valia mais
do que até a minha próxima geração. O melhor de tudo é que eu nunca havia
ido lá, e quando cheguei à porta daquele condomínio, senti até vergonha de
entrar no local, do tanto que estava simples perto daquilo a minha frente.
Assim que me anunciei na portaria minha entrada foi liberada e me
informaram o local que eu devia ir, porém eu estava deslumbrada demais
com tudo o que estava vendo. Quando pesquisei sobre esse condomínio há
alguns meses não acreditei que ele poderia ser tudo aquilo. Eu estava
realmente impactada com a arquitetura que era inspirada nos mais luxuosos
resorts do mundo.
Só uma palavra passava por minha mente. Uau!
Subi no elevador que me levava para uma das coberturas das três
torres dispostas no local, por mais que eu estivesse em choque com tudo que
estava vendo, eu precisava levar o documento para meu chefe.
E assim que cheguei percebi que a porta estava aberta, caminhei
lentamente não querendo invadir seu espaço, quando passei pela soleira da
porta dei duas batidinhas leves, para anunciar minha entrada. Mas ninguém
respondeu.
Ouvi ao longe um choro de um bebê e estranhei, pois estava
parecendo que o choro vinha da cobertura de Henrique. E assim que ele
surgiu no andar de cima eu vi que não estava enganada. Havia um bebê na
casa de Henrique e para me deixar ainda mais embasbacada ele estava
tentando acalmar a criança, parecendo falhar miseravelmente.
Capítulo 2
Henrique
Há exatamente três meses eu conseguia ter algumas noites de sono
completas, afinal, Lucas em seus primeiros três meses foi um bebê que
chorou muito e teve noites inquietas de sono, mas com seis meses tudo estava
melhor. A sua pediatra sempre me informou que isso era normal. No entanto
nessa madrugada algo o incomodava, foi a partir das onze da noite que ele
começou a ficar enjoadinho e tudo piorou às três horas da manhã. As
mamadeiras, os banhos, e até mesmo os chás – que fiz para ele pensando ser
algum tipo de cólica – não adiantaram.
Quando descobri que seria pai, fiquei extremamente preocupado,
desesperado e sem saber qual rumo seguir. Afinal, eu não sabia o que era ser
pai, não tinha ideia de como segurar um bebê de forma correta. Sem contar a
desconfiança, por isso, morro de vergonha de assumir que no primeiro dia
que ele esteve no berçário fiz o teste de DNA e para meu total desespero deu
positivo. Então aí eu sabia que deveria assumir meu pequeno pacotinho de
gente.
E mesmo antes de eu ler o exame com o positivo bem grande, já
estava encantado por Lucas. Seus dedinhos pequenos em volta dos meus
eram a prova que eu precisava para saber que no lugar em meu peito que
achava que existia somente pedra, tinha um coração.
Agora vivíamos ele e eu nessa cobertura enorme para nós dois, mas
tudo ia conforme o combinado. A mídia não sabia do meu filho, e só quem eu
confiava tinha essa informação. Não queria que ele caísse na boca dos
tabloides, já que eu sabia o quanto a sociedade podia ser malvada,
principalmente as pessoas que queriam fazer o pior na minha vida.
Agora estava aqui tentando acalmá-lo, já que era perceptível que ele
estava sentindo alguma dor que eu não sabia o que era. E tudo desmoronou
quando eu soube por Joca – um dos meus sócios de uma das filiais da
Amarílis –, que nosso maior cliente estava querendo romper contrato. E eu
sabia que Albuquerque era responsabilidade minha. Sem saber o que fazer,
com um filho chorando, a babá de folga e perto de perder um cliente
importantíssimo, não tive escolha a não ser ligar para Mariana.
Só que não previ as consequências até estar a encarando do andar de
cima, com meu bebê nos braços e ela com sua expressão de curiosidade
gritante. Senti quando engoli em seco.
Nenhum de nós falou nada, pois acho que assim como eu ela também
estava chocada. Sabia que tinha errado em deixar a porta aberta, mas ela
também estava por entrar sem ser convidada. Tinha tudo calculado, quando
ela tocasse a campainha, eu deixaria Lucas no quarto dele e iria atendê-la. Só
que agora estava tudo arruinado e uma pessoa que eu não confiava
plenamente sabia do meu filho.
— Deixe os papéis em cima da mesa e pode ir, Mariana. — Eu sabia
que tinha soado grosso, mas não pude conter, o nervosismo estava me
tomando por completo.
Ela não respondeu nada, apenas assentiu e deixou os papéis em uma
mesinha de canto perto da escada. Vi quando girou as costas sem nem ao
menos me direcionar o olhar novamente. Só que antes de sair, parou
abruptamente e voltou em minha direção.
— O senhor precisa de ajuda? — questionou, levantando sua
sobrancelha.
— Não, está tudo bem — respondi de forma rude, mas por dentro eu
quase pedia misericórdia que alguém me ajudasse. Estava exausto e precisava
de ajuda, no entanto nunca daria meu braço a torcer.
— Não está — dizendo isso, ela sem pedir autorização, subiu as
escadas e quando menos imaginei já estava à minha frente.
Desde o dia que contratei Mariana, eu sabia que minha vida seria um
martírio, pois ela era tudo que eu admirava em uma mulher: extremamente
inteligente, não abaixava a cabeça para questionamentos. Tinha uma opinião
formada sobre tudo, educada, sabia ter soluções para qualquer problema, e
era linda, com uma expressão angelical, ruiva, e maldita seja, mas usava
umas roupas que a deixavam extremamente desejável.
No entanto nenhum tubinho que já a vi usando me deixou tão louco
nela, como aquela calça jeans, que eu podia imaginar que deixava sua bunda
extremamente redonda.
Balancei minha cabeça tentando tirar os pensamentos pecaminosos da
minha mente, pois a mulher tão pequena e petulante me encarava como se
soubesse exatamente o que fazer com Lucas para acalmá-lo. Quando Mariana
estendeu suas mãos e disse de forma meiga "me deixa tentar", não resisti e
entreguei meu filho a ela.
Eu estava sem camisa o que não passou despercebido por ela, que
olhou meu peitoral de cima a baixo, mas voltou sua atenção para Lucas.
— O senhor tem alguma ideia do que ele possa ter? — perguntou,
nem se importando de estar invadindo meu espaço.
— Não — respondi por fim, estava morto de cansado, então, a
máscara de durão podia ficar para depois. — Já dei de tudo, banho, medi a
temperatura, fiz chás pensando ser alguma dor na barriga, mas nada o acalma.
Fechei meus olhos, eu estava desmoronando, e não podia fazer isso na
frente dela, porém, estava fora do meu controle o meu desespero e cansaço.
— Como se chama? — indagou mais uma vez, sem nem olhar para
mim, e sim para o bebê que tinha toda sua atenção.
— Lucas — Já estava ferrado mesmo, então, que ela soubesse o nome
do meu filho.
Mariana estava com meu filho deitado em seus braços de forma
acolhedora, e ele até que se acalmou um pouco mais, só que ainda chorava.
— Vou colocar uma camisa — murmurei, enquanto ela encarava meu
menino parecendo que estava encantada pelo garotinho.
Fui ao meu quarto o mais rápido que pude, não queria deixa-lo mais
tempo que o necessário com uma desconhecida. Quando voltei Mariana
estava com uma de suas mãos sobre o ouvido de Lucas, enquanto a outra
ainda o segurava, e para me chocar ainda mais meu filho estava mais calmo,
muito mais calmo.
— O que você fez? — indaguei, já que eu estava há horas tentando
acalmá-lo e não conseguia.
— Nada de mais, só descobri que ele está com dor de ouvido.
E assim que ela me olhou eu soube que tinha deixado esse pequeno
fato passar. Fechei meus olhos e quase chorei em agradecimento. Só que eu
era Henrique Baleroni, nunca demonstrava fraqueza.
— Vou pegar o remédio para colocar no ouvido dele. — Mas acho
que a ruiva tinha outros planos. Já que jurei que ela iria me esperar onde
estava, só queme acompanhara até o quartinho de Lucas.
Não comentei nada, porque estava tentando ser grato para a garota
que me ajudou a descobrir sobre o que o meu filho sentia.
Assim que coloquei o remédio no ouvidinho de Lucas, ele deu uma
choradinha, mas alguns minutos passaram e ele logo se acalmou. Depois
disso Mariana o nanou um pouco, o que fez com que meu filho acabasse
pegando no sono. Parecia um milagre divino.
Ela o colocou no berço e voltou-se em minha direção com os olhos
encantadores ainda mais curiosos. Mas não queria revelar mais nada. Saí do
quarto sem dizer nada, e ouvi quando ela me seguiu.
Quando chegamos ao primeiro andar, olhei para ela e disse de uma
vez.
— Mariana, não quero que comente sobre Lucas com ninguém,
estamos entendidos?
A mulher pequena a minha frente engoliu em seco, mas assentiu sem
mais questionamentos, porém comentou em seguida:
— Acho que é minha deixa, então, até segunda, senhor Henrique.
— Até!
Minha secretária abaixou a cabeça e saiu da cobertura. Eu era um
grosso, sabia disso, mas estava morrendo de medo por ela ter descoberto tudo
o que eu queria esconder.
Agora não saberia como iria agir a respeito desse assunto. Tentei tirar
os pensamentos assustadores que rondavam minha mente. Acabei voltando
para o quarto de Lucas minutos depois, sentei-me na poltrona que ficava ao
lado do seu berço, começando a velar seu sono.
Aquele pequeno pedacinho de gente tinha entrado na minha vida de
uma forma totalmente estranha, mas desde que descobri que era o meu filho
de verdade, senti um sentimento enorme crescer no meu peito, o tal do amor
existia mesmo.
Foi uma escolha minha não contar a muitas pessoas de sua existência.
Queria proteger meu pequeno, que se tornara a parte mais importante da vida
para mim. Afinal, eu já havia sofrido alguns atentados por ter dinheiro
demais, ser conhecido demais, ter meu rosto estampado nos tabloides demais,
então, eu precisava manter meu filho fora dessa loucura.
Sabia que não daria conta de esconder esse segredo por muito tempo,
mas mesmo assim eu queria manter o máximo de sigilo possível.
Peguei meu celular que estava dentro do meu bolso mandando uma
mensagem para Joca, um dos acionistas da Amarílis, e por coincidência o
meu melhor amigo. Joca, Marco, Rob e eu havíamos nos conhecido na
faculdade há longos anos, e foi lá que decidimos montar nossa empresa. Isso
nos rendeu muita dor de cabeça, mas tanto dinheiro que eu quase me perdia
no valor total do meu patrimônio. Realmente cosméticos, era um dos maiores
investimentos do mundo.
E sempre temos a nossa cara metade – que brega – e Joca era uma
delas. Ele agora cuidava da filial dos Estados Unidos, pois disse que era
inadmissível ter uma empresa fora do país e ele não morar lá, os outros dois
fizeram o mesmo com nossas outras duas filiais e hoje Marco morava em
Londres e Rob no Coréia. Éramos uns filhos da puta sortudos, eu tinha que
admitir.

Henrique: Acorda infeliz.

Joca: Já estou acordado, alguém tem que trabalhar nessa merda.

Henrique: Até parece que ninguém trabalha, imbecil.

Joca: Já está com o contrato?

Com Joca era oito ou oitenta, ele podia até brincar, mas enquanto não
soubesse que eu tinha resolvido o problema com Albuquerque ele não se
acalmaria.

Henrique: Sim, vou ver o que dá para fazer.

Joca: Dê seu jeito, não podemos perder o Albuquerque.

Henrique: Eu sei.

Parei por um momento pensando se tocaria no assunto que estava me


matando, por fim, decidi pedir um conselho?

Henrique: Lembra-se da minha secretária?


Joca: A que você disse ser bonita pra um caralho?

Henrique: Exatamente.

Joca: Então…

Henrique: Ela que veio aqui trazer o contrato do Albuquerque para


mim, e merda! Viu o Lucas, Joca.

Joca: Puta que pariu, e aí?

Henrique: E aí que ele estava com dor de ouvido e ela me ajudou a


cuidar dele, até que ele dormiu, mas porra… agora tô pensando mil e uma
besteiras sobre ela ter descoberto do meu filho.

Joca: Eu já disse pra você parar com essa maluquice, não é todo
mundo que vai sair falando do seu bebê, Henrique.

Henrique: Sei bem, mas tenho medo, você sabe.

Joca: Larga de ser cagão, na segunda a chame em sua sala e diga


pra não falar nada do bebê. Tenho certeza que ela nem vai achar estranho.

Henrique: Já disse agora. E sei que tem razão... enfim, vou dar uma
olhada no contrato do Albuquerque e tentar salvar nosso cliente.

Joca: Faça isso.

Depois de me afastar do celular, desci para pegar os papéis, mas


voltei para o quarto para ficar perto de Lucas, caso ele acordasse ainda com
dor. Entre uma olhada e outra, eu sabia o que fazer para Albuquerque não
desistir da Amarílis. Por isso, mandei uma mensagem diretamente para o seu
telefone, para marcarmos uma reunião.
Depois de tudo resolvido relaxei na poltrona e deixei que a exaustão
que estava sobre meus ombros me levasse para um cochilo. Eu voltaria a
falar do meu filho na segunda com Mariana e tudo ficaria bem.
Capítulo 3
​Mariana
​ stava sem acreditar no que tinha descoberto, enquanto a chuva ainda
E
caía forte do lado de fora do carro. Meus pensamentos gritavam que Henrique
Baleroni era pai. Ele não havia afirmado nada, mas eu percebi como olhava
para o garotinho, tinha amor refletido naqueles olhos que eu admirava. Quem
poderia imaginar que aquele homem, grosso, sem coração pudesse ser pai?
​Porra! Meu chefe era pai, e ninguém deveria saber disso, pois nunca vi
falando em lugar algum sobre. Engoli em seco com o pensamento, se ele
queria manter a criança em sigilo, eu acabara de descobrir seu segredo e isso
não estava me cheirando nada bem.
​Cheguei em casa e estava em completo silêncio, provavelmente Paula
ainda estava dormindo. Caminhei para o meu quarto e me joguei na cama
ainda tentando entender o que vivenciei algumas horas antes. Tudo bem! Era
um filho, normal… várias pessoas tem filhos, mas porra! Era Henrique! O sr.
Perfeitinho… era quase impossível pensar tal ato com ele.
​Em algum momento dos meus pensamentos caí no sono, e só acordei ao
ouvir alguns sons do lado de fora. Provavelmente Paula estava faxinando
nosso apê, afinal, esse final de semana era o dela de arrumar a casa. Levantei
espreguiçando-me, tinha dormido do jeito que me joguei na cama e isso não
foi bom, já que me fez acordar do meu cochilo com um torcicolo do caralho.
​Saí do quarto e vi Leonardo jogado no sofá assistindo TV, e Paula estava
terminando de colocar o lixo para fora.
​— Você saiu? — questionou assim que me viu.
​— Sim, tive que levar alguns documentos para Henrique.
​— Nossa, nem na sua folga esse homem te deixa em paz — comentou,
enquanto lavava as mãos na pia da cozinha.
​Encostei-me na bancada que dividia o cômodo da sala, e fiquei olhando
minha amiga; pensando se contava ou não para ela sobre o que tinha
descoberto. Olhei para trás localizando Leonardo, e resolvi deixar o assunto
para lá. Não era da minha conta o filho de Henrique, muito menos da conta
de Paula.
​Depois de preparar um sanduíche natural para mim, voltei para o quarto.
Odiava ficar no mesmo ambiente que Paula e Leonardo, eles não se
importavam com quem estava ao redor deles, e sempre que se beijavam quase
faziam sexo explícito.
​Mexi um pouco no meu notebook, verificando minhas redes sociais, e
logo desisti e voltei a tirar um cochilo. O que se resumiu no meu final de
semana todo. Na segunda de manhã estava de pé. O dia havia amanhecido
novamente com fortes chuvas. Por isso, optei por um terninho preto
composto de uma calça para não congelar no ar-condicionado da empresa.
​Aproveite para calçar um scarpin que amava. Saí um pouco mais cedo de
casa, pois resolvi pegar um táxi. Não queria ir para a Amarílis de metrô na
chuva que estava caindo. Cheguei à sede da empresa mais cedo que o
habitual e Joana a nossa recepcionista do térreo nem havia chegado ainda.
​Cumprimentei os seguranças e subi para o último andar. Mal saí do
elevador e estranhei, pois a porta da sala de Henrique estava aberta, e ele
nunca… nunca mesmo, havia chegado antes de mim na empresa em todos
esses quatro meses que trabalhava aqui.
​Coloquei minha bolsa no lugar de sempre, e resolvi ver se ele precisava
de alguma coisa. Caminhei até a sua porta e o vi sentado em sua cadeira de
costume, olhando algum documento que eu não conseguia identificar qual
era. Dei duas batidinhas na porta e Henrique direcionou seus olhos em minha
direção.
​— Bom dia, senhor Henrique, está precisando de algo? — questionei,
assim que percebi que era minha deixa para falar.
​— Sim, preciso falar com você. Entre e feche a porta.
​Engoli em seco com sua ordem, porém, fiz o que me mandou. Fechei a
porta e me encaminhei para perto da mesa, sentando-me em seguida na
cadeira de frente para ele.
​Henrique suspirou uma vez e focou seus olhos dentro dos meus.
​— Você contou para alguém sobre Lucas? — perguntou sem esperar
muito.
​— Não, senhor!
​— Tem certeza?
​— Sim, senhor!
​— Se esse assunto for espalhado na mídia, Mariana, eu não terei outra
escolha a não ser te demitir, estamos entendidos? — Meu Deus! Se eu
perdesse o emprego estava completamente ferrada.
​— Sim, senhor. Eu não disse e nem direi a ninguém. Prometo! — tentei
passar o máximo de sinceridade com minhas palavras, pois queria que ele
percebesse que comigo seu segredo estava seguro.
​— Não quero te demitir, pois você se mostrou ser mais competente do
que todas as outras secretárias que passaram pela Amarílis. — Por essa eu
não esperava, afinal, eu o xingava mentalmente quase todos os dias e ele me
achava uma boa secretária.
​Ganhei na loteria e não sabia.
​— Quero continuar mostrando minha competência, sr. Henrique. Juro que
não vou contar para ninguém, sobre o Lucas — novamente tentei soar
verdadeira. Já que era a mais pura realidade eu não tinha motivos para contar
para ninguém sobre o que havia acontecido, ou o que eu sabia.
​— Que bom que estamos entendidos, então, Mariana — E novamente
Henrique abriu um leve sorriso em minha direção, igual na última sexta e eu
fiquei chocada com aquilo.
​Tinha até medo da mudança do seu comportamento, vai que era só para
me fazer acreditar que não iria me demitir e acabaria me demitindo.
​Mas após nos falarmos o dia passou tranquilamente até que chegou a
reunião com Albuquerque, no entanto acho que Henrique já estava preparado
para convencer o senhor gorducho que havia entrado na sala de reunião. Já
que após duas horas de conversa e mais conversa, ele conseguiu fazer o
homem manter o contrato com a Amarílis.
​Logo que ele foi embora, Henrique comemorou sua vitória. E eu tinha
que concordar com ele, pois era um cliente importante demais para que nós o
perdêssemos.
​Quando o meu horário chegou, bati novamente na porta de Henrique, e
ele estava de saída também.
​— Estou indo sr. Henrique, precisa de mais alguma coisa? — questionei,
só por educação, pois sabia que ele não precisaria mais.
​— Não Mariana, pode ir.
​Assenti uma vez, saí da sala pegando minha bolsa em seguida e me
encaminhando para o elevador, enquanto ele não chegava fiquei mexendo no
meu celular. Senti quando o sr. Perfeitinho parou ao meu lado, levantei a
cabeça e a pose de homem malvado estava em toda sua expressão, corpo e
provavelmente mente. Só que Henrique não me enganava mais.
​Depois que o vi desesperado pelo filho eu sabia que era só para deixar as
pessoas afastadas dele. Ele realmente era um ser humano e não o robô que
pensei que seria. Entramos sem trocar nenhuma palavra no elevador; apertei o
botão do térreo, enquanto ele apertou o do subsolo.
​E descemos ouvindo só a música ambiente que tocava dentro da caixa de
metal. Quando cheguei ao meu destino murmurei:
​— Boa noite! — Mas antes de sair ouvi Henrique dizer.
​— Vai voltar de metrô pra casa, Mariana? — questionou e eu me voltei
para ele.
​— Sim, senhor. De manhã vim de táxi para evitar tomar essa chuva que
não quer parar de cair, mas não dá pra ficar tendo essas mordomias toda hora.
​Ia sair do elevador novamente, quando Henrique me chocou mais uma
vez aquele dia.
​— Quer uma carona? — Voltei meus olhos para os seus e ele não estava
brincando, o sr. Perfeitinho estava mesmo me oferecendo uma carona.
​— Eu moro um pouco longe da casa do senhor — tentei recusar.
​— Não tem problema, vamos.
​E eu fui, quando menos percebi já estava no banco do carona – que era de
couro – do carro extremamente confortável de Henrique. Ele perguntou meu
endereço e eu passei, observando quando ele colocou no GPS. Puta que
pariu! Eu estava ganhando uma carona do meu chefe. Isso era muito inédito.
​Pegamos um engarrafamento, tanto pela chuva, tanto pelo horário de
pico. Mas fomos jogando conversa fora e o tempo até que passou rápido.
​— Mora tem muito tempo aqui em São Paulo, Mariana? — Henrique me
perguntou em algum momento do nosso caminho.
​— Quase cinco anos — respondi de forma econômica, pois não gostava
de falar muito sobre a minha vida pessoal.
​— Mora com seus pais? — E era exatamente esse assunto que eu evitava,
pois, se tinha uma coisa que eu era na vida, era ser chorona. Toda vez que o
assunto “pais” vinha pra jogo eu desabava.
​— Não, meus pais morreram há bastante tempo — tentei responder sem
deixar que ele percebesse minha voz embargada.
​— Sinto muito.
​Depois disso nos calamos até que chegamos ao meu destino. Antes de eu
sair agradeci pela carona, mas Henrique segurou meu braço evitando que eu
saísse. Ele estava me chocando muito naquele dia.
​— Desculpa, ter perguntado sobre seus pais, vi que te magoei — pediu,
olhando em meus olhos.
​— Tá tudo bem — tentei amenizar a situação, já que eu não queria me
fazer de coitada. — Obrigada pela carona.
​— Então, até amanhã.
​Saí do seu carro e corri para entrar no meu prédio. A chuva estava
realmente forte. Quando estava segura debaixo do teto da recepção olhei para
trás, mas Henrique já havia partido.
​Voltei a caminhar e entrei no elevador indo para meu apartamento. Meu
chefe tinha realmente me dado uma carona, eu ainda não estava acreditando.
Abri a porta do apartamento, mas logo o sorrisinho besta que havia se
instalado nos meus lábios morreu, pois, Fernando estava sentado no sofá da
minha sala.
​Quando me viu ele sorriu, e eu sabia que se não tivesse mais ninguém em
casa, talvez eu estivesse muito ferrada.
​— O que você está fazendo aqui? — questionei, quase gritando.
​— Quero conversar com você — ele disse de forma quase carinhosa, a
carinha de cachorro abandonado dele não me enganava em nada.
​— Cadê a Paula? — questionei, pois não era possível que ela havia me
deixado sozinha com aquele louco.
​— Deu uma saída, disse que eu podia esperar aqui. — Mentira! Eu podia
ver que ele estava mentindo.
​— Não temos nada para conversar. — Fui andando para trás tentando
fugir daquele abusador.
​— Eu quero conversar com você — Fernando mal terminou de falar e
avançou em minha direção segurando meu braço com força. — E eu vou
conversar.
​Puxou-me para dentro totalmente do apartamento e fechou a porta. E foi
aí que o pânico se instalou no meu corpo. Estava sozinha com um cara que já
tinha tentado abusar de mim. Que merda de vida era essa que eu fugia de
duas aproveitadoras e caía anos depois na frente de um homem abusivo?
Quando Fernando me olhou, eu sabia que estava literalmente ferrada.
Capítulo 4
​Henrique
​ e tinha uma coisa que odiava em toda a minha vida era atrasos, e
S
Mariana sabia disso. Por isso, quando cheguei à Amarílis e encontrei sua
mesa vazia eu sabia que algo não estava certo.
​Ela sempre chegara antes de mim, então, eu podia sim estar achando
tudo muito estranho. E para piorar tinha uma reunião sem falta muito
importante com um fornecedor, precisava de sua ajuda, e ela simplesmente
sumiu.
​Liguei em seu celular uma, duas, três e mais várias vezes, e nada…
​Eu tinha relevado por ela ter descoberto sobre Lucas, já que vi
verdade em seus olhos quando disse que não contaria a ninguém sobre ele.
Acreditei, e isso era raro, eu não confiava em muitas pessoas. Só que esse
motivo não dava o direito de ela faltar ao serviço sem nem ao menos explicar
o que havia acontecido.
​Tentei mais algumas vezes falar com Mariana, mas não deu em nada.
Então fui para a reunião. Ocorreu tudo bem, como sempre, e o dia passou em
passos lentos. Quase me esqueci de alguns compromissos que estavam na
minha agenda, mas consegui sobreviver sem a maldita secretária que eu
achava linda. No entanto isso não vinha ao caso, eu teria que ter uma
conversa séria com ela, por sua falta de compromisso.
​Quando estava quase indo embora, para chegar à minha casa e matar a
saudade que estava do meu filho, meu celular vibrou. Peguei-o e vi ser uma
mensagem no WhastApp, assim que abri o aplicativo confirmei ser de
Mariana. Eu não queria ler, mas queria ver qual era sua desculpa.

​ esculpa, senhor Henrique, por não ter comparecido hoje.


D
Amanheci indisposta e não consegui avisá-lo antes, pois estava no
hospital e sem celular. Sinto muito! Amanhã estarei aí sem falta.

​ e eu recebesse essa mensagem há uns oito meses atrás eu não daria


S
moral, não me importaria, já que eu não costumava ligar para ninguém que
não fosse eu. Só que desde que Lucas entrara em minha vida eu havia
mudado. Tinha começado a ter empatia pelas pessoas, compaixão, e tudo o
que um ser humano devia ter pelo outro.
​Por isso, me senti mal por ter julgado Mariana o dia todo. Decidi que
daria mais uma chance a ela, amanhã veria seu estado e resolveríamos as
pendências.
​Cheguei em casa, e dispensei Clara – a babá de Lucas –, para curtir
meu filho sozinho. Hoje ele estava mais alegre que o normal, tudo que eu
falava o fazia abrir um sorrisinho.
​— Conta para o papai como foi seu dia. — Eu jurava que ele
responderia, já que Lucas era tão esperto que nem parecia uma criança de seis
meses/quase sete.
​Ele já estava conseguindo se sentar sozinho, e enquanto estava em
meu colo segurando meus dedos, olhava para mim com os olhos tão azuis
quanto os meus. Era um pedaço de gente que eu amava.
​Soltou uma das minhas mãos e levou a sua boca chupando os
dedinhos, eu continuei o encarando, amava demais esse moleque. Puta que
pariu! Eu realmente era um pai muito babão.
​Depois de passar mais tempo com ele, dar banho e alimentá-lo, Lucas
dormiu, e eu fui tomar um banho relaxante. Estava precisando, pois o dia foi
estressante. Depois me joguei na cama e só acordei quando o despertador
tocou avisando que já era hora de levantar para ir para o trabalho.
A babá já havia chegado, então, quando desci as escadas apressado;
dei um beijo na cabecinha do meu filho que já estava acordado e parti para a
empresa. Subi até o último andar com a minha pose de homem de negócios,
assim que saí para o corredor cumprimentei alguns empresários que passaram
por mim, e fui caminhando até minha sala.
De longe vi a mesa de Mariana e lá estava ela, sentada em sua cadeira,
fazendo alguma coisa que deveria ser importante, pois estava extremamente
concentrada no computador, porém, algo estava diferente. Ela estava com o
cabelo um pouco jogado na frente do rosto, e o brilho que irradiava do seu
corpo tinha sumido.
​Aproximei-me de sua mesa, e assim que a mulher percebeu minha
presença tirou os olhos do computador e me olhou. Como se fosse uma cena
de terror assim que vi sua bochecha com um roxo e sua boca com um corte –
que a maquiagem não tinha conseguido esconder –, me assustei.
​— O que aconteceu? — questionei, sem me importar com o bom dia,
de todos os dias.
​Vi quando seus olhos se encheram de lágrimas e ela não deu conta de
se conter e desabou. Começou com um choro sofrido, que tocou a merda do
meu coração. Eu podia ser um idiota, mas quando uma mulher chorava em
minha frente era quase minha ruína.
​Antes que alguém a visse daquela maneira, me aproximei dela estendi
minha mão, dizendo em seguida:
​— Vamos para minha sala pra você me explicar o que aconteceu.
​Mariana assentiu e aceitou minha mão. Assim que entramos fechei a
porta, e esperei ao lado dela, que não havia se movido muito para dentro da
sala, só o suficiente para que eu fechasse a porta.
​Deixei minha maleta no chão e questionei:
​— O que aconteceu Mariana?
​Ainda de cabeça baixa ela começou a responder:
​— Não sei se estou pronta para contar sr. Henrique, só quero pedir
desculpas pela minha falta de ontem... — com a voz embargada pelas
lágrimas, fora falando coisas que não eram importantes no momento. Por
isso, comentei:
— Não é disso que estou falando, Mariana. O que aconteceu com
você?
Pensei que ela iria ficar calada e não me revelar nada, mas depois de
alguns minutos em silêncio ela começou.
— Há pouco tempo conheci o irmão do namorado da minha amiga
que dividi o apartamento comigo, só que na primeira vez que saímos ele
quase me estuprou então, eu o evitei desde então. Mas fui burra por não ter
denunciado contra ele. No dia que o senhor me deu a carona, ele esperou
minha amiga sair do apartamento para aparecer lá. O porteiro deixou que ele
subisse, porque, já o tinha visto em nossa casa outras vezes e quando eu
cheguei, ele queria conversar, só que a conversa dele foi me bater e falar que
eu ia ser dele. — Mariana desabou de novo em um choro profundo, e sem me
importar com toda a merda da ética, puxei-a para meus braços e deixei que
chorasse. Foda-se eu não dava conta de ouvir aquilo e ficar quieto sem fazer
nada.
​Que merda de mundo vivíamos, onde mulheres não podiam viver em
paz, sem serem perseguidas? Sem que homens não achassem que podiam
mandar nelas, homens que não sabiam aceitar a porra de um não. A cada dia
que passava eu tinha mais nojo das pessoas. Antigamente quando eu ainda
era um idiota eu soube desde sempre respeitar uma mulher. Não entendia o
motivo desses imbecis não saberem entender uma recusa.
​Quando ela se acalmou mais, perguntei:
​— E você foi à polícia?
​— Sim, senhor — respondeu se afastando. — Fiz corpo de delito e
tudo. Agora tenho uma restrição contra ele, já que ele fugiu, e eu estou
morrendo de medo de ele tentar novamente fazer algo pior comigo…
​— Ei, não pense nisso. — Levei uma de minhas mãos ao seu rosto.
Enxugando algumas de suas lágrimas que escorriam por suas bochechas..
​Mariana voltou seus olhos para os meus, e puta que pariu! Ela devia
parar de me olhar assim, pois eu estava tentando ser um cara legal, mas
quando ela direcionava seus olhos daquela forma alguma coisa dentro de
mim gritava para que eu cuidasse dela. Eles imploravam por proteção, e eu
não sabia se era por causa de ser extremamente protetor com Lucas, porém,
estava tentado a colocar Mariana em minha lista de proteção também, que se
resumia somente a pessoas que eu tinha um grande apreço.
​— Desculpa ter faltado ontem, sr. Henrique, eu juro que compenso…
— Ela tentou novamente voltar ao assunto que não me importava mais.
​— Esqueça essa falta — cortei sua fala tentando abrir um sorriso
gentil para ela.
​Eu não era tão idiota ao ponto de não entender que uma pessoa havia
acabado de sofrer violência doméstica.
​— Obrigada — Abaixou o rosto evitando olhar em meus olhos.
Enquanto ela não me encarava, eu a observava. A pele de Mariana
sempre foi linda, mas agora estava marcada por manchas que a deixariam
triste por muito tempo.
​Por isso, sem pensar muito, só tomando uma atitude impulsiva, eu
disse:
​— Vamos almoçar juntos, tudo bem?
​Ela levantou sua cabeça em um rompante, me encarando em seguida,
com a boca levemente aberta em um “o”, sem entender muito bem. Eu
também estava sem entender o que estava acontecendo, então não a julgava.
​— Não precisa sentir pena de mim, sr. Henrique — disse, tentando
mudar de assunto.
​— Não é pena, só quero almoçar com minha secretária, algum
problema? — questionei, alçando uma de minhas sobrancelhas.
​— Não, senhor!
​— Então, meio-dia, vamos almoçar.
​Ela não disse nada, mas abriu um leve sorriso e assentiu. Mariana se
despediu e voltou para sua mesa. E mesmo que eu quisesse esquecer o que
ela tinha passado, não dava conta.
​Estava sentindo um instinto assassino apossar do meu corpo. E porra!
Eu não tinha nada com ela, só que meu lado protetor era mais dominante que
qualquer outra coisa. Então que ninguém tentasse machucá-la novamente,
pois teria que se ver comigo.

∞∞∞

​Mariana
Ainda doía lembrar-me de tudo que havia acontecido, as imagens
passavam como um looping por minha mente. Fernando me jogando no chão,
os tapas, chutes, socos... balancei minha cabeça para tentar tirar os
pensamentos que me perturbavam. Ainda bem que Paula chegou para me
ajudar…
E falando nela, a cada meia hora me enviava uma mensagem
questionando como eu estava. E eu sempre respondia que estava bem. Mas
no fundo todos sabiam que eu estava tentando me manter forte na frente das
pessoas, e por dentro estava estilhaçada. Leonardo me pediu milhares de
desculpas, o que não mudava nada o que seu irmão havia feito.
​Fernando havia sumido do mapa, nem os pais deles sabiam onde ele
estava, e eu estava desesperada.
​Só que nada me preparou para o meu desespero na frente do meu
chefe, e que ele me convidaria para almoçar. O que estava acontecendo com
aquele homem? Ele era um grosso, extremamente chato, insuportável, lindo,
perfeito, alto, tudo de bom com aquele cabelo jogado para trás. Balancei
novamente a cabeça quando comecei a me perder nos pensamentos.
​Chega Mariana!
Tudo bem, que agora eu sabia que ele tinha coração e que cuidava de
um pequeno bebê, mas isso não mudava os quatro meses de inferno que
passei naquela empresa. Estava tudo estranho demais.
​Peguei meu celular e vi que tinha mais uma mensagem de Paula
perguntando como eu estava. Respondi pela milésima vez que estava bem, e
contei para ela do meu almoço com o chefe.
​ la pirou, obviamente, me fazendo rir. E logo depois voltei ao
E
trabalho, as horas passaram rápido demais e só percebi que a hora do almoço
havia chegado quando Henrique parou em frente a minha mesa e disse:
​— Pronta para o almoço? — Sobressaltei-me, e olhei para ele que
sorriu. — Não queria te assustar.
​— Estava concentrada, só vou pegar minha bolsa. — Levantei-me da
cadeira, e fui até a mesinha que ficava a bolsa em questão, assim que peguei
voltei-me em sua direção.
​Fomos caminhando em silêncio para o elevador, entramos e descemos
para o subsolo. Depois que já estávamos no carro, indo em direção a algum
lugar que eu não sabia qual era, questionei:
​— Para onde estamos indo? — Olhei em sua direção enquanto ele
abria outro sorriso.
​— Para o meu restaurante preferido. — Henrique aproveitou para
ligar o som, e continuou comentando: — Que tem umas massas
espetaculares.
​Não consegui conter uma gargalhada de sua expressão feliz. Ele
parecia uma criança quando provava doce pela primeira vez.
​— Quando provar o sabor da comida de lá, nunca mais irá rir de mim
— comentou de forma brincalhona.
​Realmente estava querendo saber o que havia acontecido com o meu
chefe, será que ele havia sido abduzido por um extraterrestre?
​Estacionamos em frente a um restaurante italiano, que era bem
intimista e eu já amei a arquitetura pelo lado de fora, sabia muito bem que
assim que entrasse me renderia aquele ambiente.
​Ficava um pouco afastado da empresa, mas nem me importei já estava
ansiosa para provar da comida.
​— Não é nada de muito luxo, mas eu amo esse lugar, então espero
que goste. — Meu chefe comentou assim que saímos e nos encaminhamos
para entrar.
​— Tenho certeza que vou adorar — respondi. Se tinha uma coisa que
amava na vida era comida.
​Nós nos sentamos em uma mesa mais afastada da entrada, e logo um
garçom trouxe o cardápio, ele se retirou enquanto escolhíamos. Vi que tinha
várias variedades de massas, mas um espaguete à carbonara chamou minha
atenção de imediato. Fizemos nossos pedidos, e depois o garçom saiu nos
deixando sozinhos novamente.
​E como eu tinha a língua maior que minha boca deixei escapar:
​— Por que o senhor me convidou para almoçar?
​Henrique estava lendo uma mensagem em seu celular, mas ele logo
deixou o aparelho de lado e me respondeu:
​— Achei que você precisava de algo para alegrar seu dia, então, uma
comida italiana seria excelente.
​— Estou estranhando o senhor — comentei, porém não era uma
mentira.
​— Eu sei que sou um insuportável Mariana, mas eu tenho coração.
Chateia-me muito ver uma mulher como você machucada por causa de um
imbecil que não sabe ouvir um não. Então, só me deixa ser legal um dia.
​— Como preferir. — Abri um sorriso, e ele retribuiu.
​Aquele homem já era lindo demais para sorrir daquela maneira, mas
ele ficava extremamente perfeito fazendo tal coisa. Então, mesmo que eu não
soubesse o motivo, jurei para mim mesma que faria o sr. Perfeitinho sorrir
mais vezes.
Capítulo 5
​Mariana
​ avia se passado uma semana desde que tudo aconteceu, eu ia e vinha do
H
trabalho com medo de na próxima esquina Fernando estar me esperando.
Claro, que estava com uma medida protetiva contra ele, mas isso não mudava
nada. Estava cansada de ver nos telejornais o quanto um homem louco por
uma mulher podia ser perigoso.
​Eram vários casos de feminicídios que muita gente ainda achava
normal. Só as mulheres entendiam o medo que era sair na rua, e talvez nunca
mais voltar para casa. Assim que pisei na calçada da empresa deixei que a
respiração que estava presa dentro do meu corpo saísse com mais
tranquilidade.
Passei pelas portas de vidro, e fiz meu cumprimento de todo dia para
os funcionários daquele andar. Caminhei para o elevador, e assim que as
portas se abriram dei de cara com Henrique. Ele estava de cabeça baixa e sua
expressão não estava nada boa. No entanto tentei ser gentil.
— Bom dia, sr. Henrique.
— Bom dia, Mariana — respondeu de forma polida, o que me deixou
com o cenho franzido.
Ele estava sendo legal nos últimos dias, então, a mudança de humor
repentinamente me deixou intrigada. Saímos do elevador e Henrique foi para
sua sala, bateu a porta de madeira e nem falou mais nada naquela manhã.
Mandei alguns e-mails atualizando sua agenda, o que foi respondido com um
simples “obrigado”. Havia acontecido algo, e eu até queria ajudar, mas aquele
homem quando começava a manhã daquela forma era bem difícil mudar o
humor com o passar das horas.
Quando deu a hora do meu almoço desci e fui ao restaurante que
ficava a duas quadras da empresa; Joana costumava ir comigo, mas hoje ela
tinha um compromisso e não pode me acompanhar, então, fui sozinha.
Não estava me sentindo muito bem, pois estava com um
pressentimento ruim desde a hora que acordei. Estava me sentindo observada,
e eu sabia que isso podia ser coisa da minha cabeça, porém, não queria mais
ficar a mercê sozinha. Então, terminei meu almoço e voltei para a empresa,
olhando para trás a cada cinco minutos até que entrei novamente na Amarílis.
Realmente estava começando a ficar neurótica. Deu a minha hora de
voltar para o trabalho, por isso, levantei-me da poltrona – que ficava em um
pátio para o descanso dos funcionários – me encaminhei para o elevador e
subi até o último andar. Quando fui me aproximando da minha mesa
constatei que Henrique não havia ido almoçar, afinal, os gritos que vinham da
sua sala se faziam presentes quase no andar todo.
Alguma coisa estava errada e eu não sabia o que era, desde que não
fosse culpa minha tudo estava sob controle. Alguns longos minutos se
passaram – desde a hora que voltei do almoço – para os gritos cessarem. Mas
até preferia que eles continuassem, já que assim que encerrou a ligação que
estava Henrique berrou de dentro da sala:
— Mariana, venha aqui.
E eu como a boa funcionária que era fui sem pestanejar, no entanto
por dentro estava gritando para que eu não tivesse feito nada errado. Abri a
porta grande de madeira, e olhei para dentro. Henrique estava sentado em sua
poltrona, com a cabeça baixa, e por seus ombros em movimento eu podia ver
que respirava forte de mais.
— Sim, senhor — murmurei, assim que fechei a porta atrás de mim.
O homem à minha frente levantou a cabeça, os olhos estavam um
pouco vermelhos, e eu não sabia se era de um choro que estava tentando
conter ou se era de ódio.
— Cancele todos os meus compromissos de hoje, preciso ir embora.
— Sim, senhor — respondi da melhor forma e ia saindo da sala, mas
antes de chegar à porta me voltei para Henrique. — Aconteceu alguma coisa?
Ele ainda estava me observando, então, eu vi tudo; quando ele franziu
o cenho, engoliu em seco e soltou suas palavras cortantes:
— Acho que não é da sua conta, não é mesmo, Mariana?!
Senti a humilhação bater em cheio no meu rosto, no entanto não
deixei que isso me fizesse abaixar a cabeça. Assenti da forma que pude e saí
da sala. Henrique tinha voltado a ser o mesmo ignorante de sempre. Fui para
minha mesa e liguei para as secretárias de alguns empresários para desmarcar
as reuniões que a merda do tal sr. Perfeitinho teria hoje.
Quando estava na última ligação ele saiu da sua sala, direcionou seu
olhar para mim, e eu fiz questão de desviar o meu e voltar a falar com a
pessoa do outro lado da linha. Ele foi em direção ao elevador, o que agradeci
mentalmente, não estava com vontade nenhuma de encarar seu estresse. Fazia
uns cinco minutos que eu havia desligado o telefone, quando o vi vindo em
minha direção. Provavelmente havia esquecido algo.
— Sinto muito — disse, ao parar em frente a minha mesa.
Olhei para ele tentando decifrar o que estava acontecendo, já que ele
pedir desculpas era raro. Percebi que o homem estava esperando que eu
falasse alguma coisa, então logo respondi.
— Tudo bem, sr. Henrique. De todo modo o senhor tinha razão, eu
não tenho que me intrometer em nada.
Abaixei minha cabeça, e não lhe direcionei meu olhar, não queria me
meter no meio de nada que viesse dele, mas pelo visto além de ter vindo
pedir desculpas, ele estava pronto para se abrir.
— É sobre o Lucas, Mariana. — Henrique respirou fundo, e mesmo
que eu estivesse morrendo de medo de encará-lo, olhei em seus olhos… tão
azuis... tão sofridos. — Descobri que ele tem uma avó maluca, que quer
tomar a guarda dele de mim.
Engoli em seco, sem saber o que dizer. Mas eu não queria saber o que
tinha acontecido? Agora estava tendo uma resposta e o que iria fazer: ficar
parada parecendo uma tonta?
— No que posso ajudar o senhor? — questionei, pois eu não sabia o
que fazer, porém se ele me desse uma luz.
— Eu nem sei como me ajudar, Mariana. — Foi aí que vi o homem à
minha frente desabar.
Uma lágrima escorreu por seus olhos, e puta que pariu… Henrique, o
gelo em pessoa estava chorando na minha frente. Isso era demais para mim.
Demais para o meu coração mole aguentar.
— O senhor sabe, sim. — Levantei-me da minha cadeira, rodeando a
mesa, logo o abraçando. Foda-se a etiqueta, o respeito do espaço pessoal.
Aquele homem parecia destruído, então eu tinha que fazer alguma coisa, e
um abraço talvez ajudasse naquele momento.
— O senhor é o homem mais forte que conheci, vai conseguir tirar
mais essa etapa de letra. — Eu mal sabia o motivo de estar tentando levantar
a moral dele, mas o sr. Perfeitinho parecia amar demais aquele garotinho.
Então, entendia seu sofrimento.
— Mas e se ela tomar meu filho, Mariana?
Afastei-me dele, e encarei seus olhos… Puta que pariu! Aquele
homem estava parecendo uma criança abandonada, sozinha no mundo. Acho
que ele nunca fora preparado para o que estava acontecendo. Provavelmente
nunca perdera uma batalha.
— O senhor é o pai, não tem como isso acontecer. — Tentei amenizar
a situação.
— Como você pode ter tanta certeza? Eu não sou o melhor homem do
mundo, então, eu posso, sim, perder o meu filho.
— Ninguém é perfeito. — Afastei-me completamente dele, já que
estava ficando constrangedor demais as minhas mãos em volta da sua cintura.
— Mas também não pode ficar cheio de pessimismo.
— Eu não sei o que fazer.
— Por que essa mulher apareceria logo agora? — indaguei, já que eu
não sabia nada da vida dele, além de ter um filho, claro.
— Não tenho a mínima ideia, ela disse que nunca soube da gravidez
da filha, mas como assim? Os médicos devem ter avisado para ela quando ela
faleceu.
A revelação me pegou desprevenida, pois senti quando abri minha
boca e arregalei meus olhos. Então a mãe de Lucas havia morrido. Meu
Deus!
— Sinto muito — murmurei, já que não sabia como agir com aquela
informação.
— Tudo bem — Henrique passou a mão pelos cabelos, e continuou:
— Você poderia me acompanhar? Acho que estou precisando desabafar, e
aqui não é o melhor lugar.
O homem todo poderoso, coração de gelo, estava me chamando para
ir embora com ele para ouvi-lo? De onde saiu toda essa confiança em mim?
Porém, como eu era somente uma funcionária cumprindo a minha função de
ajudá-lo, assenti.
Depois disso partimos para casa de Henrique. Aquele lugar
maravilhoso, que eu ainda ficava encantada com sua arquitetura e design.
Novamente fiquei observando aos arredores, esquecendo completamente que
dessa vez estava acompanhada.
— Pelo jeito você está fascinada com meu condomínio — Henrique
comentou, assim que nos aproximamos do elevador.
— Fascinada é pouco, estou apaixonada por esse condomínio desde a
primeira vez que vim aqui.
Eu ouvi algo que para mim era como um presente divino, o som da
risada de Henrique. Eu tinha feito o sr. Perfeitinho sorrir, mais vezes do que o
possível nos últimos dias. Não estava acreditando. Parecia realmente que eu
estava em um sonho sem fim.
Entramos dentro da cobertura do homem todo poderoso, que era tão linda
quanto todo o condomínio. Logo vimos uma mulher de cabelos negros, muito
bonita segurando Lucas. Assim que ela nos viu abriu um sorriso grandioso.
— O senhor chegou cedo — comentou, enquanto eu via Henrique
tirar seu blazer do terno, passar álcool em gel nas mãos e pegar o filho em
seguida.
— Resolvi vir dar atenção para esse pequeno. — Sorriu para o filho,
dando um beijinho em sua testa. Meu Deus! Devia ser proibida essa cena em
toda a minha existência.
Que homem era aquele? Eu estava completamente abismada com o seu
carinho por Lucas.
A babá olhou para mim, e sorriu ainda mais, retribuí da melhor forma
que pude e logo Henrique a liberou e ela foi embora.
— Mariana, sente-se. Pode ficar a vontade. Você deseja alguma
coisa? — perguntou, assim que me sentei meio desconfortável no sofá que
era extremamente confortável, mais confortável que minha cama.
— Não, senhor. Estou bem!
— Eu não tenho empregada doméstica, pois quase não sujo nada
então, uma diarista vem aqui de quinze em quinze dias, por isso, se quiser
algo, você vai ter que lidar com meus pequenos dotes culinários.
— Só de o senhor ter alguns dotes culinários eu já fico surpreendida
— brinquei, enquanto ele se sentou no outro sofá com o bebê no colo.
— Só porque sou homem? — perguntou, balançando os bracinhos do
filho.
— Não quis ofender, mas é que o senhor é tão mandão, coração de
gelo, então… — Quando percebi já havia o chamado de coração de gelo,
olhei para ele que me encarava com um sorrisinho indecente nos lábios.
— Bom saber que sou coração de gelo.
— Desculpa, eu…
— Estou brincando, Mariana. — Sorriu ainda mais com meu
desespero.
— Tenho medo do senhor. — Resolvi deixar claro, pois estava
desesperada.
— Pelo o amor de Deus, eu não sou um monstro como você faz
parecer.
— Eu sei, mas tenho motivos suficientes para te achar um pouco
bravo demais. — Tive que sorrir, já que o clima estava tranquilo.
— Eu já dei motivos para você pensar isso de mim? — Ele me olhou
com o cenho franzido, enquanto questionou.
— Muitos. — Continuei sorrindo.
— Não acredito que sou um monstro desses.
— Não um monstro, só um homem muito frio. — Falei sem medo
novamente, já que era para ser verdadeira, eu iria ser. — Só que isso não vem
ao caso, sei que o senhor quer desabafar, então, o momento é agora.
Foi aí que ele começou a me contar tudo que passou desde o
nascimento de Lucas, e até mesmo antes que isso. Querendo ou não, entendi
o motivo de aquele homem ser tão frio, calculista, bravo, e nada perfeitinho.
Capítulo 6
Henrique

Eu senti que estava na hora de me abrir com alguém. Mariana parecia


à pessoa ideal, que tentou me apoiar mesmo sem saber de toda a história. Por
isso, estava me deixando exposto para ela.
— Eu era novo quando decidimos montar a Amarílis, não
acreditávamos que ela faria tanto sucesso, mas eu sofri dois atentados antes
de Lucas aparecer na minha vida. — Resolvi revelar, pois muitas pessoas não
sabiam. — O primeiro foi um avião que eu estava que fizeram sabotagem e
ele acabou caindo, mas por sorte todos que estavam na aeronave
sobreviveram. O segundo tentaram me sequestrar, mas por sorte saí ileso.
Nunca entendi o motivo de ser perseguido dessa maneira. Hoje em dia eu
tenho seguranças, não deixo em evidência, mas sempre tenho um grupo deles
na empresa, e outros que me seguem para onde vou.
Pelo o olhar de Mariana era perceptível que ela nunca havia reparado
em tal coisa, e isso era bom, pois dava para eu entender que o pessoal
contratado para cuidar da minha segurança estava fazendo o seu papel bem
feito.
— Eu nunca imaginei que o senhor já tinha passado por isso —
comentou, ainda me olhando enquanto eu a encarava.
Eu era um imbecil? Talvez! Por que a mulher estava toda solícita para
me ajudar e eu só imaginava qual seria o gosto dos seus lábios, que estavam
me fazendo ficar cheio de desejo a cada segundo que olhava em sua direção.
Balancei minha cabeça, desviei meu olhar para meu filho. Eu amava aquele
pequeno pacotinho, que agora dormia em meus braços. Como ainda não
queria me afastar dele, deixei que dormisse mais um pouco em meus braços,
no entanto o aconcheguei melhor no meu colo.
— Por isso, o senhor não quer que ninguém saiba sobre o Lucas? —
questionou com sua voz doce, já que fiquei calado por tempo suficiente.
— Exatamente, nunca consegui descobrir quem tentou fazer essas
coisas comigo. Então, fico imaginando que se souberem do meu filho irão me
atacar onde doerá mais.
— Sinto muito, por estar passando por toda essa turbulência em sua
vida. Primeiro ter que mantê-lo escondido, depois essa avó maluca que
aparece do nada.
Assenti por um tempo, eu também sentia, mas tinha que me manter
forte.
— Pode ficar tranquila, eu acho que dou conta de lidar com essas
coisas.
— Ninguém merece sofrer sozinho, Henrique.
Olhei aquela mulher sentada do lado oposto que o meu, e não
acreditava que ela estivesse falando aquilo. E não me passou despercebido
quando me tratou com normalidade sem aquela formalidade que me matava,
mas que eu era obrigado aguentar já que era o chefe. No entanto gostei de
ouvir Mariana sendo mais aberta comigo.
— Só que eu acho que fui destinado a passar por essas coisas sozinho.
É igual Lucas que caiu de paraquedas na minha vida. A mãe dele era só um
caso de algumas noites, que acabou me deixando ele de presente. Por isso,
fico extremamente com medo de perdê-lo. Eu já tive uma vida que nenhum
juiz permitiria que criasse meu filho.
— Só que o senhor mudou, pelo visto não é o mesmo de antigamente.
É isso que importa.
Assenti mais uma vez, sem me prestar a falar nada mais. Depois disso
conversamos mais um pouco e eu fui colocar Lucas em seu berço. Quando
voltei para a sala, encontrei Mariana admirando a vista da janela. Eu tinha
que admitir que amava meu condomínio, ele era lindo mesmo.
— Aqui é muito maravilhoso — Mariana comentou assim que
percebeu que eu estava ao seu lado.
— Obrigado! — falei olhando para ela, que ainda encarava a vista. —
Eu amo essa vista.
Sorriu, assentindo, nem percebendo que a vista que eu estava
admirando e me referindo era ela. Para pessoas de fora e até mesmo para os
mais próximos que eu nunca me abria, podia parecer que eu tinha um desejo
repentino por Mariana, mas não era. Quando entrevistei pessoalmente a
mulher ao meu lado meses atrás, fiquei encantado com ela. Ela tinha várias
qualidades, e mesmo sem conhecê-la quando a entrevistei percebi que era:
inteligente, confiante, dedicada, e a beleza vinha para agregar tudo aquilo.
E com os dias passando minha vontade de conhecê-la ainda mais foi
aumentando, no entanto mantive minha postura. Não podia querer tanto
minha secretária. Só que quando fiquei sabendo que sofreu violência
doméstica, eu queria acabar com o homem que ousou tocá-la de maneira tão
desrespeitosa. E foi aí que percebi que eu estava cada vez mais encantado por
ela. Então, qualquer coisa que fizessem para ofendê-la me afetaria.
— E você, Mariana, o que tem para me contar? — Vi quando ela
engoliu em seco, mas por fim respondeu.
— Não tenho nada de emocionante para falar. — Tentou desviar
minha atenção.
— Não sei o motivo, mas não acredito que não tenha nada de
emocionante em sua vida. — Tentei fazer com que se abrisse, se eu que era
um poço de silêncio tinha contado um pouco da minha vida para ela; acho
que merecia um voto de confiança.
A mulher linda que estava ao meu lado direcionou seu olhar para
mim. Pude ver quando ela abriu seus lábios levemente para responder, mas os
fechou. Então decidi que talvez estivesse invadindo demais o seu espaço, por
isso, disse:
— Tudo bem, não precisa me dizer nada. Pelo jeito, é algo que mexe
com você.
— Sim, é algo que ainda mexe muito comigo. Ainda mais que passei
por alguns traumas há poucos dias.
Assenti e tentei sorrir para que visse que estava tudo bem em não me
contar.
Ainda me sentia com pleno ódio, por lembrar o que ela já havia
passado. Eu esperava nunca encontrar o cara que fez tamanha barbaridade
com ela, se não ele seria massacrado.
Vi quando Mariana se afastou da janela, e verificou as horas no
relógio que estava em seu pulso. Ela franziu seu cenho, e voltou àqueles
olhos maravilhosos para os meus.
— Sr. Henrique, se importaria se eu fosse embora? — questionou.
Voltando para a formalidade, logo agora que pensei que estávamos
caminhando para um lugar mais íntimo.
Com sua indagação eu me atentei percebendo que tínhamos nos
perdido no tempo. Já estava quase escurecendo, o céu já começava a ficar
laranja pelo sol que estava quase sumindo, dando a vez para a lua que logo
apareceria. Concordei por um momento, no entanto eu não queria que ela
voltasse de transporte público. Já que estava muito longe de sua casa.
— Não me importo desde que vá de táxi. — Vi o momento que ela
tentou relutar, mas eu voltei a dizer. — Eu irei pagar.
— Não posso permitir.
— Você não tem que permitir nada, só vai acatar.
Ela olhou para mim com uma sobrancelha erguida e com puro desdém
destinado a mim.
— Já passou um pouco do meu horário, então o senhor não é mais o
meu patrão — brincou, abrindo um sorriso que me deixou ainda mais perdido
na beleza daquela mulher.
— Mesmo assim você vai aceitar o táxi, garota. — Semicerrei os
olhos ao finalizar a frase.
Talvez eu tivesse percebendo coisas que não eram reais, mas o clima
havia mudado. Tinha certeza que Mariana também sentiu, já que ela também
encarou meus olhos com um brilho diferente.
— Não quero dar trabalho para o senhor — comentou, mas parecia
que estava falando só para não cairmos em um silêncio sepulcral. Já que
estava começando a ficar constrangedor nos encararmos de tal maneira.
— Não é nenhum trabalho, se Lucas não tivesse dormindo eu fazia
questão de te levar — revelei, pois era a maior verdade. Estava louco para
passar mais algum tempo com aquela mulher.
Que merda de desejo era aquele que me deixava completamente
paralisado ao olhar para Mariana? Que me fazia querer passar o máximo de
tempo possível com ela? Porra! Eu queria aquela mulher.
Quando ela engoliu em seco, percebi que havia me aproximado
demais do seu corpo. Tinha invadido seu espaço pessoal. E provavelmente
era um caminho sem volta, eu havia ultrapassado a linha de patrão e
empregada.
Olhei em seus olhos e tudo nela gritava para que eu fizesse o que
pretendia, foi aí que mandei a razão para o espaço. Coloquei uma das minhas
mãos em sua cintura. Puxando-a de encontro para meu corpo. Perdi-me em
admirá-la. Mariana levou uma de suas mãos ao meu rosto, passou seus dedos
por minha barba por fazer, e aquilo foi minha ruína.
Coloquei minha mão livre atrás de sua nuca e puxei sua cabeça
grudando nossos lábios em um rompante, parecia errado demais fazer aquilo.
Era uma decisão precipitada, mas eu deixaria para me preocupar com isso
depois, porque no momento eu só queria beijar Mariana e foi o que fiz.
Seus lábios pareciam um doce importado em uma noite de inverno,
deliciosos, saborosos, maravilhosos, talvez a perfeição estivesse naquele
momento. Mariana liberou acesso para que minha língua avançasse para
dentro de sua boca e nós começamos a trocar um beijo ávido, desejoso,
quente, desesperado.
Havia algum tempo que não saía com nenhuma mulher, então eu
sentia falta desse contato. O beijo começou a esquentar ainda mais, até que
segurei seu quadril, puxei-a para cima, ela entrelaçou suas pernas em minha
cintura, e eu procurei a parede mais próxima.
Com o contato ainda mais íntimo o beijo aumentou a velocidade, eu
não saberia dizer qual boca era minha e qual a de Mariana, já que estávamos
conectados de uma maneira tão violenta. Dei uma leve mordida no lábio
inferior da mulher que estava em meus braços o que a fez soltar um gemido
que me deixou louco de tesão.
Afastei-me dela e encarei seus olhos. Eles pegavam fogo, o azul
parecia brilhar tanto que a qualquer momento ele explodiria de prazer. No
entanto quando fui beijá-la novamente seu telefone tocou fazendo o momento
ser quebrado por completo. A minha secretária enroscada em mim, piscou
uma, duas, três vezes até que percebeu como estava.
Meu membro roçava no meio das suas pernas, o que me deixava duro
a cada segundo mais. As bochechas de Mariana ruborizaram, e ela desviou
seu olhar dos meus, afastei-me do seu corpo, observando quando caminhou
até sua bolsa, pegou o aparelho e atendeu em seguida.
— Estou bem, tive que vir na casa do sr. Henrique.
Depois de vários uhum´s, ela falou que estava bem e que já estava
indo. Depois desligou o celular e voltou seus olhos envergonhados para mim.
— Preciso ir — sussurrou.
— Tudo bem, mas antes me escuta Mariana.
— Sim! — Quase não conseguiu pronunciar a palavra.
— Não precisa se envergonhar pelo que aconteceu, tudo bem? Foi
culpa minha, não vai se repetir, prometo.
— Obrigada… é… só não quero ser demitida.
Que diabos aquela mulher pensava que eu era?
— E não vai ser mesmo, você é a secretária mais competente que tive
nesses últimos anos. Não queria ter atravessado essa barreira com você.
Perdoa-me. — Fui sincero, porque eu realmente não queria deixar que
Mariana pensasse que eu queria me aproveitar dela e depois a demitiria.
— Não precisa me pedir perdão, sr. Henrique. — Desviou os olhos
dos meus, e foi indo em direção a porta sem ao menos me dar a chance de
falar algo.
No entanto não me fiz de rogado, fui atrás dela e antes que entrasse no
elevador segurei seu braço. Ela me olhou assustada e eu mais rápido que
pude a soltei, não queria pressioná-la a nada.
— Mariana, mesmo assim eu vou chamar um táxi. Não quero você
andando sozinha com um maluco atrás de você.
— Mas…
— Sem, mas.
Peguei meu telefone e acionei o táxi pelo aplicativo, após Mariana me
passar seu endereço. Passamos os minutos seguintes em silêncio. Ela evitava
olhar em minha direção, enquanto eu a observava sem pudor. Tinha
realmente atravessado uma barreira muito complicada com ela. Só esperava
que pudéssemos superar.
Mas porra! Eu desejei demais aquele beijo e não me arrependia. Se
pudesse a pegaria de novo em meus braços e grudaria nossas bocas. Só que
não podia, se não seria capaz de Mariana nunca mais aparecer na empresa.
Assim que o carro chegou, comentei:
— Pronto, ele está lá embaixo te esperando. — Ela ia descer pelo
elevador sozinha, mas fiz questão de acompanhá-la até a calçada. Lucas
estava dormindo, então eu sabia que ele não iria acordar por agora.
Assim que chegamos minha secretária se virou para mim e disse:
— Obrigada, até amanhã sr. Henrique.
— Por nada!
Quando já estava dentro do carro ela me encarou pelo vidro, e
ficamos nos olhando até o carro se afastar levando-a para casa. Voltei para
meu apartamento e o único pensamento que passava por minha mente era: eu
tinha ferrado tudo, mas repetiria mil vezes o mesmo ato, só para beijar aquela
boca de novo.
Realmente estava lascado.
Capítulo 7
Mariana

Ainda sentia meu coração acelerado. Estava quase chegando em casa,


já haviam se passado vários minutos, mas mesmo assim as batidas não
ficavam calmas. O que tinha acontecido? Não acreditava que Henrique
realmente tinha me beijado. Meu Deus!
Assim que o táxi estacionou na frente do meu prédio, desci mal me
despedindo do motorista, estava realmente sem saber como agir depois de
tudo. Caminhei lentamente sem conseguir raciocinar muito bem.
Cumprimentei o porteiro do prédio, mas de resto eu não sabia dizer como
cheguei ao meu apartamento. Nem como abri a porta e muito menos como
cheguei ao meu quarto.
Tinha certeza que Paula já havia chegado do seu serviço, mas também
não dei a mínima atenção. Eu só queria ficar no meu quarto pensando em
tudo que aconteceu, sentei-me na cama meio bestificada. O sr. Perfeitinho,
que estava se mostrando não ser tão perfeito assim – já que a vida dele
parecia tão desalinhada quanto a minha –, havia me beijado. Puta que pariu!
O meu chefe, lindo, poderoso, sedutor, um osso duro de roer em
muitas ocasiões, tinha me beijado. Eu estava em choque.
Ouvi uma batida na porta do meu quarto, no entanto, nem respondi se
podia ou não entrar, porém, mesmo assim eu vi quando ela foi aberta e minha
amiga colocou o rosto para dentro do cômodo.
— Aconteceu algo? — questionou, olhando em minha direção.
Ainda fiquei calada por um bom tempo só olhando para minha amiga.
Ela era tão bonita, mais alta do que eu, com seus cabelos castanhos que ela
teimava em alisá-los, sendo que os cachos que possuía eram tão lindos. Sua
expressão de amiga leal sempre esteve presente. Então resolvi responder a
ela.
— O Henrique me beijou. — Foi assim que joguei as palavras ao
vento. Sem preparar o terreno, sem nem me importar com as consequências.
— O QUÊ? — Paula gritou ao mesmo tempo em que se colocou
completamente dentro do quarto.
Agachou-se a minha frente, enquanto eu continuei sentada na cama.
Encarei seus olhos e ela indagou novamente.
— Como assim te beijou?
— Então… — Olhei para ela, porque era meio óbvio um beijo.
— Você tem que denunciá-lo por assédio. — Continuei olhando para
Paula, ela só podia estar pirando. — Ele não podia fazer isso, só pode estar
aproveitando de você, onde já se viu…
— Paula larga de ser pirada. Não foi nada de abuso, ele…
— Claro que foi eu vou denunciá-lo...
— PAULA — gritei, sem esperá-la terminar. Quando ela me olhou eu
continuei: — Não é nada disso, e eu gostei.
Minha amiga me encarou como se tivesse descoberto um mundo
diferente. Os olhos dela se arregalaram mais a cada segundo, até que abriu
um sorrisinho, e soltou em seguida:
— Você gostou? E foi bom assim, pra ficar com essa carinha de moça
apaixonada?
— Não tem nada de paixão, mas foi bom sim. Muito bom. — Sorri ao
terminar de dizer. Droga! Estava admitindo que havia gostado do beijo e esse
provavelmente seria o caminho errado a seguir.
— Você acha que vai acontecer de novo? — Minha amiga
questionou.
— Não, claro que não. Eu nem sei o motivo de ter acontecido hoje.
— Bom, então, vamos tentar esquecer, pois já criei diversas
expectativas.
— Então pare de criá-las, se não vou começar alimentar coisas que
não existem.
Depois de ela assentir, e me dar um abraço saiu do quarto deixando-
me sozinha novamente. Preferi depois disso tomar um banho para tentar
esquecer o que acontecera. Mas mesmo assim, já haviam se passado horas
que eu estava deitada na cama, olhando para o teto, e só lembrava-me
daquele homem me beijando. Seus olhos encarando os meus, seus lábios
devorando os meus.
Puta que pariu! Como seria difícil trabalhar com Henrique depois de
ter acontecido tudo o que aconteceu hoje. Não sei quando peguei no sono,
mas acordei com o despertador tocando anunciando que estava na hora de me
arrumar para mais um dia de trabalho.
Eu fiz a minha rotina de todo santo dia: banho, colocar um terninho,
salto, partir para o metrô e logo chegar à Amarílis. Quando vi a fachada da
empresa meu coração como no dia anterior começou a acelerar, mas eu
precisa enfrentar o meu futuro, já que não tinha opção.
Cumprimentei Joana assim que passei pela porta da empresa, logo
subi para o último andar. Quando cheguei próxima a minha mesa percebi que
a porta de Henrique estava fechada. Então respirei profundamente, já que se
ela estava assim ele ainda não devia ter chegado.
Dava tempo de preparar novamente meu coração idiota que não
parava de ficar acelerado. Estava organizando alguns papéis em minha mesa,
ainda em pé, de costas para o elevador quando ouvi sua voz cumprimentando
alguma pessoa que estava passando por ali.
​Seus passos se aproximaram, e por um momento fiquei como uma
estátua sem saber como reagir. Fechei meus olhos aproveitando que estava de
costas para Henrique, e respirei fundo durante alguns segundos. Não estava
nada preparada!
​— Bom dia, Mariana! — Sua voz grossa, com aquele timbre que
endoidecia qualquer uma ressoou pelo ambiente.
​Merda! Eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo
comigo, até há alguns dias eu achava Henrique um imbecil. Agora eu não
sabia nem como agir em sua frente, ainda mais depois do que aconteceu
ontem.
​— Bom… — Limpei minha garganta e voltei a dizer: — Bom dia, sr.
Henrique!
​Com isso abri meus olhos e virei-me em sua direção para encará-lo.
Ele estava sério, nada como o homem que vi ontem, que até abriu alguns
sorrisinhos muito galanteadores para mim. Ou até mesmo o homem que me
seduziu por completo. Henrique estava muito… Henrique. Ele estava com
uma expressão que me lembrava muito o meu início aqui na empresa.
​Mais uma vez. Merda! Era só o que faltava ele voltar a ser o idiota de
sempre. Estava bom demais para ser verdade. Mas agora ele seria o melhor
idiota que beijei na vida.
​— Tenho uma videoconferência com meus sócios às três da tarde.
Então preciso de quatro gráficos prontos com o material que te mandei por e-
mail. Seja rápida.
​Depois disso, Henrique foi para sua sala e bateu a porta quando
entrou. Ele realmente tinha voltado ser aquele homem grosso que eu não
queria mais conviver. No entanto não tinha como impedir. O sr. Perfeitinho
gostava de me irritar, e eu precisava do emprego, então, faria o que ele
mandasse.
​Passei a manhã toda focada em fazer os gráficos, que não eram nada
fáceis. Sem contar que pelo que havia percebido se eu fosse almoçar eu não
conseguiria entregá-los a tempo. Por isso resolvi pular essa hora também,
para continuar sendo uma ótima profissional.
​O pior de tudo era que não havia jantado na noite passada, não havia
tomado café da manhã e agora muito menos almoçado. Esperava que meu
estômago se contivesse até que desse a hora da minha pausa para o café da
tarde.
​Henrique saiu para o seu almoço, quando faltava menos de duas horas
para a reunião e eu continuei na minha luta com os gráficos. Assim que ele
retornou eu tinha conseguido terminar todos os quatro. Enviei para seu e-mail
para aprovação e alguns minutos depois, ele interfonou pedindo para que eu
fosse a sua sala.
​Caminhei os poucos metros pedindo mentalmente que não tivesse
alterações, já que eu tinha dado o meu melhor.
​— Me chamou, sr. Henrique? — perguntei assim que entrei em sua
sala.
​— Mariana, refaça o gráfico dois, pois ele ficou extremamente
confuso. Se fosse para fazer de qualquer jeito eu tinha pedido a outra pessoa.
​Engoli em seco, enquanto ele me encarava com aqueles olhos azuis
que por um momento eu estava querendo arrancá-los com os meus próprios
dedos.
​— Claro, sr. Henrique. — respondi de forma calma, mas na minha
mente eu o estava torturando.
​Voltei rapidamente para minha mesa. Faltava menos de meia hora
para a videoconferência, mas mesmo assim aquele embuste tinha me
mandado refazer a merda do gráfico que estava ótimo. Senti minha visão
ficar um pouco turva, no entanto, nem dei moral. Eu precisava terminar o que
foi me ordenado.
​Assim que finalizei enviei para Henrique, o que fez ele interfonar
novamente e me pedir para ir a sua sala. Respirei pelo menos umas quatro
vezes, antes de me prestar a levantar da cadeira. Já que eu sentia que ele ia
pedir mais uma alteração, faltando cinco minutos para sua reunião começar.
​— Sim, senhor. — Foi o que disse ao abrir a porta.
​— Está ótimo, Mariana. Agora preciso de um café. Vou fazer a
reunião daqui da minha sala mesmo, então, me traga o café o mais rápido
possível.
​Me senti humilhada como nunca havia me sentido naquela empresa.
Henrique nunca havia me pedido para lhe trazer café, já que essa não era
minha função, mas parecia que eu havia feito algo muito grave para que ele
se tornasse ainda pior do que era comigo. Senti meus olhos se encherem de
lágrimas, no entanto, não deixei que nenhuma caísse.
​Assenti sem responder nada, enquanto ele me encarava parecendo que
estava se sentindo vingado. Mas pelo quê? Ele que havia me beijado, eu não
havia feito nada para que ele fizesse aquilo comigo. Saí de sua sala sentindo
cada vez mais meu nível de estresse aumentar.
​Fui até a copa do nosso andar, e preparei a merda do café que aquele
homem queria tanto. A vontade que dava era de cuspir no líquido preto, mas
ficaria tão clichê quanto nos romances que eu costumava a ver e a ler. Por
isso tentei caminhar com a cabeça erguida até sua sala.
​Senti quando novamente uma leve tontura me abateu, e meu estômago
doeu de fome. Sabia que tinha errado em ficar sem o almoço, só que eu não
queria atrasar com meu trabalho, então, quis colocar isso em primeiro lugar.
Não devia, nem Henrique, muito menos a Amarílis merecia que eu sentisse
fome por eles.
​Bati em sua porta e quando recebi a autorização, eu entrei. A
videoconferência já havia começado. Pela televisão que ficava do lado oposto
da mesa de Henrique, pude ver seus outros três sócios, eu não os conhecia
muito bem, mas pelo pouco que já tinha os visto sabia que eles eram tão
lindos quanto à peste que se dizia meu patrão. Eu só pedia que eles fossem
menos escroto que o homem sentado em sua poltrona, já que se as secretárias
deles sofressem como eu, coitadas.
​Deixei a bandeja com a garrafa de café e a xícara para ele disposta
sobre a sua mesa. Meu chefe desviou sua atenção por um segundo dos seus
sócios para me encarar, assim que perdi o equilíbrio e segurei na madeira de
sua mesa, respirando mais fundo do que eu queria.
​— Você está bem, Mariana? — Respondi ao seu questionamento
somente com um leve aceno, já que se eu fizesse mais que isso algo de muito
vergonhoso podia acontecer.
​Olhei para ele uma vez, e vi preocupação em seus olhos. A sala que
estava repleta de conversas quando entrei tinha ficado em um completo
silêncio, e isso quase fez com que minhas bochechas corassem de vergonha.
Mas enquanto encarava Henrique, vi tudo ficando preto, e perdi a noção dos
sentidos, a última coisa que ouvi antes de cair foi a voz apavorada do sr.
Perfeitinho.
​— Mas que merda!
Capítulo 8
​Henrique
​ evantei-me o mais apressado que pude da minha poltrona. Foi tudo
L
muito rápido, eu vi quando Mariana apoiou sua mão na mesa, mas não
imaginava que ela iria cair no chão desmaiada. Os rapazes que estavam
presenciando tudo que havia acontecido se espantaram, só que foi Joca que
questionou, assim que parei ao lado do corpo de Mariana, levantando em
seguida sua cabeça e apoiando-a em meus braços.
​— Ela está bem, Henrique?
​— Não sei, está respirando normalmente, mas está desacordada.
​Olhei para o seu rosto que estava pálido e me senti o pior homem do
mundo por tê-la tratado tão mal mais cedo. Eu tinha percebido que ela não
esperava a minha atitude escrota, no entanto, estava sem saber como agir, já
que eu tinha cometido um grande erro ao beijá-la.
​Não havia contado a nenhum dos meus sócios sobre o ocorrido do dia
anterior, muito menos para Joca que era meu melhor amigo. Só que acho que
minhas atitudes falaram mais do que minha boca.
​Peguei Mariana em meus braços, e me encaminhei com ela para o
sofá que ficava um pouco mais afastado de onde estávamos. Depositei-a com
todo o cuidado que podia, colocando a mão sobre seu rosto. Voltei-me em
direção aos homens que me observavam como se fossem águias, e antes que
falassem qualquer coisa eu disse:
​— Vamos ter que deixar a reunião para depois, preciso ajudar minha
secretária.
​— Não sabia que você passou a se interessar pela saúde dos seus
funcionários. —
Marco comentou com um sorrisinho que eu estava com muita vontade de
arrancar de sua cara.
​— Até mais. — Não dei mais munições para eles, já que eu sabia que
depois teria
que enfrentá-los.
​Precisávamos resolver alguns problemas que havia acontecido na
filial de Londres, mas no momento isso não era importante, pois a minha
preocupação estava totalmente voltada para a mulher deitada no sofá do meu
escritório.
​Voltei a me aproximar de Mariana, porém, antes de me agachar ao
seu lado. Liguei para o ambulatório que havia dentro da empresa, e pedi para
que o Clínico Geral que estava presente viesse até a minha sala.
​Assim que finalizei, voltei a encarar a mulher que estava deitada no
sofá. Parecia que ela sabia que eu estava fazendo isso. Já que começou a
despertar. Abriu seus olhos levemente, e eles se focalizaram diretamente em
mim.
​Tentei sorrir de forma acolhedora, só que Mariana ao perceber o que
estava acontecendo se sentou rapidamente. O que pareceu ter a deixado
totalmente tonta novamente.
​— Fique calma, você desmaiou e eu já chamei o médico para dar uma
olhada em você.
​— Não preciso de médico — sussurrou, completamente sem
convicção.
​— Precisa sim. — Ela voltou a olhar nos meus olhos, afinal, ainda me
encontrava na mesma posição: abaixado perto de onde estava.
​No entanto logo saí dessa posição, assim que ouvi as batidas na porta.
Fui até ela e a abri para o Dr. Paulo, e logo expliquei tudo que havia
acontecido. Ele examinou Mariana mesmo contra sua vontade, começando a
fazer perguntas em seguida:
​— Você sentiu tonturas somente hoje?
​— Sim!
​— Se alimentou bem durante o dia?
​— Não! — Suas palavras foram quase inaudíveis.
​— Qual foi sua última refeição?
​Enquanto o médico a questionava eu a observava, e já estava a ponto
de gritar com ela para saber o motivo de não estar se alimentando bem.
Porém nada me preparou para a sua resposta a seguir:
​— Ontem, na hora do almoço.
​Senti meu sangue ferver e quase sacudi seus braços para tentar fazê-la
entender que isso estava completamente errado. Mas me mantive sob controle
somente a encarando enquanto o médico fazia seu trabalho.
​Depois de receitar uma vitamina para ela, e de pedir para que se
alimentasse melhor Dr. Paulo se retirou da minha sala. Assim que a porta se
fechou voltei meus olhos para Mariana que continuava sentada e com a
cabeça baixa.
​— Que merda de ideia foi essa, Mariana?
​Ela voltou a me olhar e parecia extremamente envergonhada. Eu
queria muito ficar com raiva daquela mulher, porque, talvez assim eu a
esquecesse. Mas não! Não conseguia tirá-la da porra da minha mente, e
terminei de estragar tudo quando a beijei, agora eu queria mais. Merda!
​— Acabei esquecendo-me de comer sr. Henrique — respondeu, mas
dava para ver que estava mentindo.
​— Mas isso está errado, será que você não entende que precisa se
cuidar melhor?
​Vi quando fechou seus olhos, respirou fundo uma vez e logo soltou a
bomba que ela provavelmente estava guardando há bastante tempo:
​— Não teve como eu almoçar, estava presa fazendo seus gráficos
extremamente difíceis, então, não tinha como me alimentar bem. E ontem por
causa de tudo que aconteceu eu não consegui jantar, só pensando naquele
maldito beijo. Então por favor, não me cobre isso também, estou tentando ser
uma funcionária exemplar, mas é muita coisa para absorver em tão pouco
tempo.
​Mariana se levantou do sofá, enquanto eu ainda processava suas
palavras em minha mente. Ela ficou parada alguns segundos me encarando,
mas não expressei nenhuma reação, então, começou a se encaminhar para a
porta. Passou ao meu lado sem olhar em minha direção e enquanto eu
escutava seu salto bater no piso da minha sala saí do meu modo petrificado e
voltei meu olhar para ela.
​A mulher já estava perto demais da porta do escritório, por isso tomei
a iniciativa e quando ela encostou-se à maçaneta, eu me aproximei por trás do
seu corpo e segurei a porta para mantê-la fechada.
​Estava extremamente próximo da mulher que estava mexendo demais
comigo. Segurei a porta para impedi-la de sair, enquanto sentia o cheiro de
mel reverberar dos seus cabelos.
​— Sei que sou um idiota, e não estou sabendo agir depois daquele
beijo. Desculpa-me, mas você não podia deixar que eu te prejudicasse tanto.
​Levei a minha mão livre para a cintura de Mariana, o que a fez soltar
uma leve lufada de ar. Encostei seu corpo ao meu e senti que estava tão certo
aquele toque que eu nunca iria querer parar de sentir. Levei meus lábios a sua
orelha e sussurrei, observando os pelos de seus braços se arrepiarem.
​— Eu não quero te fazer mal, mas não estou conseguindo me manter
afastado. Ajuda-me, o que eu faço?
​ Talvez se manter afastado é o que nos faz mal. — Declarou, me

pegando totalmente de surpresa.
​— Então eu vou me aproximar o máximo que puder agora. Quero te
conhecer Mariana. — Girei seu corpo em minha direção e encarei seus olhos,
tão lindos, tão azuis, tão perfeitos. — Mas agora vou te levar para comer
alguma coisa.
​Ela sorriu gentilmente e comentou:
​— Mas e a sua reunião?
​— Foda-se a minha reunião.
​— O senhor…
​— A partir de hoje nada de senhor — comentei, enquanto colocava
meu indicador sobre seus lábios.
​— Vou tentar me lembrar disso.
​Saímos da empresa e fomos ao mesmo restaurante da outra vez. Eu
não via lugar melhor para se começar tudo de novo. Após ela comer bastante
massa, estava pronto para começar a conversar com ela, mas depois que a vi
olhar para fora e franzir o cenho sabia que algo estava errado.
​— Senhor… Quer dizer, Henrique, não queria abusar da sua
hospitalidade. Mas você poderia me levar para casa? — Era perceptível o
medo em sua voz, por isso, pedi a conta e só quando estávamos bem
afastados do restaurante é que ela comentou o que havia acontecido.
​— Eu tenho quase certeza, que vi o Fernando o cara que me agrediu
aquela vez. Não sei se é por ter acontecido aquilo comigo mais cedo, e eu
estar um pouco confusa, mas sabe... eu tenho certeza.
​Senti meu sangue ferver, apertei meus dedos no volante sentindo até
meus dedos estalarem. Eu queria encontrar aquele desgraçado. Queria muito!
​— Acredito em você, e também acho que deveria ter me contado
enquanto estávamos lá. Aquele idiota teria que ser ver comigo.
​— Vamos esquecer isso. — Pediu, quase chorando.
​Assenti uma vez sem concordar muito, pois era verdade. Se eu
encontrasse o monstro que teve a capacidade de encostar o dedo nela, ele
teria que me encarar, e eu estava disposto a acabar com ele. Eu iria descontar
todo o ódio que ainda sentia daquele dia nesse homem, com toda a força que
eu pudesse.
​Assim que estacionei na frente do prédio de Mariana, ela se virou para
mim. Meio relutante em falar algo que estava em sua mente, mas enquanto eu
levantava uma sobrancelha para questioná-la, ela disse:
​ Sei que estou abusando, mas você não quer subir? Ainda está cedo,

então…
​Era uma atitude impensada, mas estava gostando de tomá-las com
Mariana.
​— Vou subir.
​— Sério? — Ela arregalou seus olhos ao indagar.
​— Sim! — respondi da melhor forma, o que a fez abrir um sorriso.
​Saímos do carro, entramos no prédio e enquanto subíamos para o
apartamento de Mariana eu quase sorri. Ela parecia nervosa demais.
​— Se eu soubesse que você ficaria tão nervosa não aceitaria o convite
— comentei,
para curtir com ela.
​— Não é isso, é só que… Ah! É isso sim, você é meu chefe e
realmente estamos ultrapassando todas essas barreiras. Não sei onde estamos
nos metendo.
​— Espero que não seja crime, pois se for, estou disposto a pagar todas
as consequências — falei sério, enquanto ainda a olhava de soslaio.
​Mariana abriu um sorriso radiante, mas continuou olhando para
frente, o que deixava nítido que ela estava como eu; sem saber agir com essa
mudança abrupta em nossa vida.
​Saímos do elevador e logo a mulher estava abrindo a porta do seu
apartamento e me convidando para entrar. Era completamente diferente do
meu, tinha cores alegres, um cheirinho de casa feliz. Realmente parecia um
lar. Minha cobertura só era o lugar para que eu dormisse, então, não tinha o
aconchego que toda casa deveria ter.
​— Não é tão chique como o seu, mas é o que podemos ter. —
Mariana murmurou, ao fechar a porta.
​Voltei-me em sua direção a tempo de vê-la tirando os saltos e
deixando-os em um canto. Ela era bem baixinha e sem os seus sapatos altos
ficava ainda mais. Logo ela me olhou e eu respondi:
​— Te garanto que é mil vezes melhor que o meu.
​Mariana colocou sua bolsa no aparador ao lado da porta, e meio sem
graça questionou:
​— Você aceita alguma coisa?
​Eu aceitaria um beijo, mas não quis comentar, achei que o momento
não era apropriado. Porém um pensamento passou por minha mente: será que
seria pecado beijar a boca dela mais uma vez? Mesmo sabendo que ela estava
passando mal horas atrás? Que merda! Eu estava louco em Mariana. Como
poderia evita-la?
​— Não — respondi, encarando seus olhos. Observei também quando
ela engoliu em
seco.
​— Ok, então — tentou sorrir, ao comentar.
​— Você está melhor? — indaguei, pois precisava saber. Afinal a
vontade maluca de
agarrá-la estava mais forte do que eu podia controlar.
​— Sim, nem estou tonta mais.
​— Que bom!
​Foi aí que me aproximei de seu corpo a passos largos, segurei seu
rosto e declarei:
​— Preciso fazer isso.
​Logo grudei nossos lábios mais uma vez. Mas a forma insana que
começamos a retribuir o beijo estava além do normal. Peguei Mariana em
meus braços, para que o seu tamanho não nos atrapalhasse. Encostei-a na
parede, e comecei a devorar ainda com mais vontade sua boca.
​Porra! Beijar aquela mulher tinha que entrar para a história, já que era
perfeito demais. Eu só esperava que esse meu envolvimento com ela não me
levasse a caminhos obscuros. Mas no momento o que importava era
continuar beijando-a, apreciando seu corpo com minhas mãos, e venerando
aquela mulher por completo.
Capítulo 9
Mariana
​ u estava imprensada na parede, enquanto Henrique devorava meus
E
lábios. Ele chupava, mordiscava, me deixava doida. Quando seus lábios
desceram para meu pescoço senti uma corrente elétrica me atingir por inteiro,
fazendo com que meu corpo todo se arrepiasse.
​Suas mãos apertaram minha cintura e uma vontade incontrolável de
mexer meu quadril cresceu dentro de mim. Como estava com as pernas
enlaçadas na cintura de Henrique não foi difícil sentir sua ereção. E isso foi
ainda mais um motivo para que eu fizesse o movimento lentamente. Assim
que me mexi sentindo minha calcinha ficar ainda mais molhada, Henrique
soltou um leve gemido, e mordeu meu pescoço onde sua boca ainda estava.
​— Assim você me deixa maluco, garota — sussurrou, em meu
ouvido.
​— Eu estou maluca. — comentei, quase ronronando. Realmente
estava fora de mim.
​Não conhecia muito dos desejos carnais do corpo, mas eu tinha
certeza que o que eu sentia era puro e cristalino tesão. Estava completamente
louca pelo meu chefe, aquele homem que estava me deixando doida em tão
pouco tempo.
​Diferente de quando Fernando tentou me forçar a fazer sexo com ele,
agora eu sentia que eu queria. Parecia que com Henrique era completamente
diferente, ele nem tinha dado a entender se ia continuar com algo mais, mas
eu queria muito que ele continuasse.
​— Não quero perder o controle com você, Mariana. Mas tá difícil.
Para de roçar no meu pau assim. — Eu nem havia percebido que recomeçara
a me mover em seu quadril.
​— Desculpa — murmurei, tentando me controlar. Eu nunca havia tido
um orgasmo decente, claro que já tinha me tocado e tudo mais, mas nunca foi
tão avassalador quanto falavam que podia ser, por isso, estava querendo
provar aquilo com Henrique.
​— Não tenho que te desculpar de nada, minha linda. Eu só não quero
parecer um aproveitador. — Meu chefe afastou-se do meu pescoço e encarou
meus olhos.
​— Nunca pensei que você estava se aproveitando de mim —
confessei, afinal, eu não pensara mesmo que ele pudesse fazer tal coisa
comigo.
​Henrique continuou me observando com seu olhar repleto de luxúria,
prazer, fogo… sim, eu via fogo em seus olhos azuis, e isso me fez sentir
vontade de voltar a atacar aquele homem. Com essa vontade maluca, não me
fiz de rogada, simplesmente grudei minha mão em sua nuca e puxei sua
cabeça para que seus lábios se encontrassem com os meus.
​E novamente aquela sensação de calor constante recomeçou.
Henrique me apertou ainda mais em seus braços, e sinceramente não ia
resistir. Mas o maldito se afastou novamente dos meus lábios e eu quase
gritei para que não fizesse aquilo. No entanto ele me surpreendeu ao
questionar:
​— Onde fica o seu quarto?
​Fiquei meio atônita com seu questionamento por um tempo, mas logo
entendi o que ele queria, então eu disse:
​— Segunda porta a direita.
​O sr. Perfeitinho e totalmente quente, me segurou em seus braços e
foi caminhando comigo até meu quarto. Assim que entramos, ele fechou a
porta, e com uma mão me segurou ainda em sua cintura, e com a outra passou
a chave na porta.
​Logo se encaminhou para minha cama e me deitou lentamente nela.
Eu não sabia o que iria acontecer, mas a julgar pelo seu olhar eu suspeitava
que iríamos fazer amor, se é que seria possível fazer amor com duas pessoas
que só tinham atração uma pela outra.
​— Eu não vou transar com você, então, pode tirar esse olharzinho do
seu rosto. — Ele acabou com todas as minhas esperanças de perder a
virgindade. Só que Henrique ainda não havia terminado: — Vou te dar o
melhor orgasmo que puder com a minha boca, mas não quero consumar o ato
realmente desse jeito, com você nervosa e ansiosa demais. Só que estou
vendo pelo seu olhar que está necessitando de um orgasmo, então eu lhe
darei.
​Henrique ainda me olhara por um tempo, provavelmente esperando
que eu negasse o que estava propondo, mas eu nunca faria isso. Nunca
negaria algo que estava louca para receber. Assenti para ele que me deu um
sorrisinho de canto que quase me fez gozar ali mesmo.
​Suas mãos começaram a passar por minha cintura, até chegar ao botão
da minha calça, logo ele desabotoou a peça e foi colocando sua mão por
dentro da roupa, até que chegou em minha intimidade. Eu estava
completamente molhada, e seu dedo escorreu fácil por minha pele. Logo seu
indicador foi parar em minha entrada e ele começou a colocá-lo lentamente
dentro de mim. Estava bom, delicioso, mas logo ele atingiu um ponto que
doeu e eu infelizmente tive que parar nosso momento com um gemido de dor.
​O sr. Perfeitinho parou abruptamente o que estava fazendo. Retirou
sua mão de mim, e com o olhar meio perdido me questionou:
​— Você é virgem, Mariana? — Senti a vergonha apossar do meu
corpo. Minhas bochechas esquentaram e acabei levando as minhas mãos ao
meu rosto.
​Não queria que ele me visse tão ruborizada. Só que Henrique tratou
de tirá-las do meu rosto e começou a dizer:
​— Não sinta vergonha, minha linda. É só que você estava tão fogosa
que não podia imaginar que era virgem. Isso me prova ainda mais que tenho
que ir com calma.
​Droga! Ele não podia falar comigo daquela forma se não quisesse que
eu começasse a sonhar acordada e em qualquer lugar com ele. Henrique
estava me deixando sem estruturas.
​Ainda olhando dentro dos meus olhos, ele começou a retirar minha
calça lentamente, nunca desviando o olhar do meu. Estava embriagada por
aquele homem, louca por ele. Quando fiquei somente de calcinha, meu chefe
começou a desabotoar minha blusa delicadamente.
​Estava me sentindo tão segura com ele. Não tinha medo como das
outras vezes, não ficava desesperada por ele olhar meu corpo. Eu realmente
sentia que estava em boas mãos.
​Arrancou a peça de roupa do meu corpo e a lingerie ficou exposta. Só
assim que Henrique desviou os olhos dos meus e começou a devorar meu
corpo com seus olhos. Suas mãos delicadamente passaram por minha barriga,
e minha pele toda se arrepiou por sentir aquele toque.
​— Você é linda Mariana.
​— Você também é. — Henrique sorriu de lado mais uma vez, ele saiu
de cima do meu corpo, ficando em pé ao lado da cama.
​Começou a retirar sua gravata, enquanto observava meu corpo. E
aquele olhar estava me matando, me deixando louca por ele, ansiosa pelo que
me prometera. Eu queria o melhor orgasmo da minha vida. Eu queria
Henrique, o meu sr. Perfeitinho.
​Depois retirou seu blazer e não se importou de jogá-lo no chão. Ele
dobrou as mangas de sua camisa até o cotovelo e voltou a se aproximar de
mim. Logo montou em meu corpo novamente, segurou minhas mãos acima
da minha cabeça e grudou seus lábios nos meus.
​Um beijo totalmente diferente dos que ele havia me dado, esse tinha
mais fogo envolvido. Mais desejo, mais loucura... porra! Eu estava morta de
tesão só com um beijo, não era possível. Os lábios de Henrique foram
descendo até chegar ao meu sutiã, uma de suas mãos foram até a alça da peça
e abaixaram-na. Quando meus seios estavam expostos, ele os admirou, depois
sem esperar mais sua boca começou a sugar meus mamilos, com força,
desespero… caralho!
Henrique acabaria comigo, isso já era certo.
​Enquanto sugava meu mamilo de forma calorosa, sua mão que não
segurava meus braços, foram novamente parar em minha vagina. Com isso
começou a me acariciar, e eu não consegui me manter quieta. De forma
vigorosa, comecei a movimentar meu quadril com seu toque.
​Quando eu já estava molhada o suficiente Henrique parou de sugar
meus mamilos e disse:
​— Agora eu vou te provar Mariana, e prometo que você nunca irá se
esquecer desse momento.
​Ele foi descendo sua boca por minha barriga, fazendo com que eu
sentisse um choque delicioso percorrer meu corpo. Assim que Henrique
chegou a minha calcinha ele a retirou delicadamente com suas mãos, mas foi
somente aí que ficou a delicadeza, pois logo abriu minhas pernas de forma
rude, e sem mais delongas abocanhou minha intimidade.
​Soltei um gemido alto demais, no entanto era impossível se controlar
com aquele homem chupando meu clitóris daquela maneira, às vezes
mordiscando a parte mais necessitada que havia em meu corpo.
​Sua língua brincou da forma que queria comigo e até os dedos de
Henrique entraram na brincadeira, enquanto eu ficava mais e mais molhada,
ele penetrava seu indicador dentro da minha entrada vagarosamente. Já não
sentia desconforto do tanto que estava lubrificada. E mesmo assim ele não
parava de me chupar, de me deixar maluca.
​Me peguei gritando em meu quarto como uma louca. Os vizinhos
talvez comentariam sobre a perturbação, mas eu não me importava, eu queria
mais daquilo que o meu sr. Perfeitinho estava me dando.
​Alucinada levei minhas mãos que estavam livres desde o momento
que ele começou a me chupar, aos seus cabelos e pressioná-lo ainda mais
entre minhas pernas. Eu estava maluca, louca de desejo, perdida no meu
momento. Gritei mais e mais, esfregando-me em seu rosto, eu sentia os pelos
da sua barba que havia crescido um pouco me fazer cócegas gostosas.
​E quando eu pensei que não daria conta de mais nada senti a melhor
sensação do mundo, gozei enlouquecida na boca de Henrique, enquanto ele
me sugava por completo. Ele não diminuiu em nenhum momento o seu ritmo
e eu acabei gozado de novo. Até que implorei:
​— Henrique, por favor, para eu não dou conta mais. Henrique… —
Gritei a última parte, pois ele continuou e mais uma vez senti meu orgasmo
ser liberado.
​O homem levantou sua cabeça de entre o meio das minhas pernas,
enquanto eu ainda dava alguns espasmos pelo que tínhamos feito. O olhar de
prazer que ele me direcionava me deixou ainda mais mole.
​Parecia que ele estava tão satisfeito quanto eu, mesmo que eu não
tivesse feito nada para agradá-lo. Engoli em seco, sem acreditar que era
possível gozar tantas vezes em tão pouco tempo. Ainda ofegante continuei
olhando para ele, pois aquele homem não podia ser real.
​— Tudo bem? — questionou, ainda em cima de mim.
​— Não… Não estou nada bem, você acabou comigo.
​E Henrique não conseguiu segurar uma gargalhada que me deixou
ainda mais encantada por ele. Sem conseguir resistir, me coloquei de joelhos
e fiquei cara a cara com meu chefe, olhei dentro dos seus olhos e só pude
dizer:
​— Obrigada.
​Sem esperar qualquer reação daquele homem, colei nossos lábios de
novo, para recomeçarmos mais um beijo alucinante. Eu podia ser considerada
uma louca, mas agora eu tinha motivos suficientes para cometer loucuras.
Mesmo que eu não soubesse como seria nosso futuro de uma coisa eu podia
ter certeza: estava pronta para me entregar ao meu sr. Perfeitinho.
Capítulo 10
​Henrique
​ nalisei mais um documento que estava pendente, e assim que
A
verifiquei estar tudo certo, assinei no local indicado. Antes de pedir para
Mariana enviar o documento para o setor responsável respirei um pouco.
Estava difícil me controlar quando ela estava por perto.
​Ainda mais hoje, que a maldita resolveu me aparecer com um vestido
roxo, que a deixava totalmente sexy. Ele não era nada vulgar, mas parecia
que tudo que aquela mulher usava me deixava desestabilizado.
​Estávamos nos conhecendo a cada dia mais, já havia se passado três
semanas que resolvemos começar algo que nem eu sabia o que era, mas que
estava gostando de fazer. Às vezes Mariana ia a minha casa, e Lucas mesmo
com pouca idade já havia se apaixonado pela mulher. Adorava dormir em
seus braços, gargalhava quando ela começava a falar com uma voz estranha e
completamente fofa para ele.
​Sinceramente eu acho que o meu tal coração de gelo realmente estava
começando a derreter. Liguei para ela e assim que atendeu, pedi para vir até a
minha sala. A porta se abriu e aquela perfeição em forma de mulher entrou,
com um sorrisinho faceiro em seus lábios.
​Eu tinha sido um idiota com ela, mas já não conseguia falar nem um
tom mais alto do que era apropriado.
​— Me chamou, senhor? — perguntou com um tom de ironia que fez
com que eu levantasse da minha poltrona, me aproximando dela rapidamente.
​— Chamei, senhorita. — respondi, perto demais do seu rosto,
sentindo sua respiração encostar-se à minha face.
​— O que o senhor deseja? — voltou a questionar, e teve a cara de pau
de morder o lábio, enquanto encarava meus olhos.
​— Você — sussurrei deixando a minha voz o mais sexy possível.
​Mariana até tentou manter o contato visual, mas ela era tímida
demais, e logo desviou seus olhos para baixo e suas bochechas coraram. Não
resisti e levei dois dedos ao seu queixo fazendo com que sua atenção voltasse
completamente para mim.
​— Minha garota tímida — murmurei, enquanto me aproximava o
suficiente para encostar meus lábios nos seus.
​ u queria que fosse somente algo calmo, e leve. No entanto com
E
Mariana as coisas estavam se tornando complicadas, não conseguia me
controlar, e ela parecia ansiar por contato tanto quanto eu.
​Assim que nosso beijo se aprofundou, grudei minhas mãos em sua
cintura, apertando-a ainda mais ao meu corpo. Minha mão desceu lentamente
para sua bunda, aproveitei para apertar com força sua carne fazendo a minha
secretária gemer em meus lábios.
​Ainda não havíamos feito sexo, e a cada beijo ficava mais difícil me
controlar, já que Mariana parecia ser tudo o que eu precisava. No entanto
estava tentando ao máximo ser um cavalheiro. Ela era virgem, meiga,
delicada, eu precisava ir com calma e não ser um idiota como as pessoas que
já haviam passado por sua vida.
​Mordi seu lábio e quando fui descer minha boca por seu pescoço, meu
celular tocou. Atrapalhando o nosso momento. Afastei-me dela e olhei em
seus olhos sentindo uma vontade incontrolável de deixar aquela merda para
lá. Mas assim que vi ser meu advogado eu sabia que não podia ignorar.
​— Continuamos mais tarde — comentei despretensiosamente.
​— Sim, senhor. — Sorriu para mim.
​— Ah, antes que eu me esqueça. Leve esses documentos para o
Roberto. — Peguei os papéis e entreguei em suas mãos.
​— Tá bom.
​Assim que Mariana saiu retornei a ligação de Amadeu, meu advogado
de longa data, quando ele atendeu eu sabia que alguma merda estava
acontecendo.
​— Henrique o que não queríamos aconteceu. — Sua voz não me
deixava nenhuma dúvida que minha vida começaria a ir para caminhos
duvidosos.
​— O quê? — questionei, quase sem forças.
​— Magnólia, entrou na justiça pela guarda de Lucas e eu recebi o
aviso hoje que semana que vem, após o feriado, já teremos uma audiência.
​Ao escutar suas palavras fiquei meio inerte, sem saber o que ele
estava querendo dizer. Não podia ser possível. A mulher que se dizia ser mãe
de Alice havia mesmo cumprido o que me prometera há algumas semanas.
Ela queria meu filho, o meu mundo, a única pessoa que tinha inteiramente
minha atenção.
​Andei-me lentamente até minha poltrona e sentei-me sem acreditar no
que estava ouvindo. Nem me lembro se me despedi de Amadeu, só percebi
que havia levado as minhas mãos ao meu rosto desesperado.
​Senti o ar faltar aos meus pulmões, eu já estava sentindo que perderia
meu filho. Fiquei desesperado a ponto de não conseguir fazer mais nada a
não ser pensar que queria Lucas em meus braços o mais rápido possível. E
não era somente por essa mulher maluca querer o que era meu, o meu filho.
Era que também logo isso cairia na boca da mídia e todos descobririam do
meu bebê.
​Levantei-me da minha cadeira desnorteado. Ainda bem que me
lembrei de pegar meu celular e minhas chaves, logo saí da minha sala, no
caminho para o elevador encontrei Mariana que me direcionou um sorriso
contagioso, mas que não me faria sentir melhor tão cedo.
​Passei por ela sem dar atenção alguma, eu precisava do meu filho,
urgentemente em meus braços. Eu sentia que iria perdê-lo, Mariana ainda
disse:
​— Henrique tudo bem? — Não consegui parar para respondê-la.
Queria meu menino.
​Eu nunca pensei que seria pai um dia, mas desde que descobri sobre
Lucas meu mundo mudou. Ele se transformou, ganhei um sentido para viver.
Sem ele eu não seria ninguém. Sem meu bebê eu só seria a casca de um
homem.
​Cheguei ao estacionamento, entrei em meu carro e parti quase acima
da velocidade permitida para trafegar dentro da cidade. Assim que cheguei a
meu condomínio saltei do carro e o mais rápido que pude subi para meu
andar. Abri a porta do apartamento com um desespero gritante, mal dei
atenção para a Clara à babá de Lucas.
​Meu filho estava no carrinho, então eu mal esperei que ele me olhasse
para pegá-lo em meus braços e abraçá-lo. Aproximei-me do sofá e sentei-me
com ele no meu colo. Lucas me direcionou um sorriso banguela, que eu não
consegui corresponder. Ele era meu pequeno pacotinho de felicidade, não
podia perdê-lo.
​Fiquei brincando com ele por um tempo, até que dispensei Clara. Meu
celular tocou por diversas vezes, mas não me importava. Nada no momento
era mais importante do que meu filho. Horas e horas se passaram, enquanto
eu ainda olhava para Lucas.
​Ele havia dormido segurando meu dedo e com outra mão na
mamadeira que eu tinha dado a ele há pouco tempo. Subi as escadas tentando
não pensar em mais nada e assim que coloquei Lucas em seu berço ouvi a
campainha tocar.
​Poucas pessoas tinham entrada liberada na minha casa, por isso,
estranhei. Desci o mais rápido que pude para que não acordasse meu filho.
Assim que abri a porta meu mundo parou mais um pouco. Mariana estava na
minha porta, com a minha maleta em sua mão e com uma expressão
preocupada.
​E sim, ela era uma das pessoas que eu havia liberado a entrada. Já que
vinha visitando minha casa diversas vezes.
​— O que aconteceu, Henrique? — questionou.
​Abaixei minha cabeça, e sem responder liberei sua entrada me
afastando da porta. Ela colocou a maleta em uma mesinha de canto que fica
mais próxima e se virou para me encarar. Eu não conseguia olhar muito bem
em sua direção, pois estava envergonhado, estava parecendo um covarde que
não sabe lidar com situações complicadas.
Ela se aproximou de mim e como fiz mais cedo com ela, levantou
meu queixo com seus dedos e me perguntou novamente:
— O que aconteceu?
Não conseguiria esconder nada de Mariana, eu já confiava demais
nela para isso, e agora mais calmo eu até conseguiria conversar com ela.
— Querem tirar meu filho de mim, Mariana. — Foi difícil tirar as
palavras da minha boca, mas consegui proferi-las.
— Como assim?
Peguei sua mão e fiz com que caminhasse até a sala, depois de sentar-
me com ela ao meu lado no sofá, comecei a contar tudo o que havia
acontecido. E o motivo de ter a ignorado mais cedo. Enquanto relatava não
consegui mais uma vez conter meu choro na frente daquela mulher. Estava
mostrando todas as minhas fraquezas para ela, e se quisesse me destruir
poderia usar tudo contra mim.
Só que não importava nenhuma das ressalvas que tentava fazer para
barrar minhas confissões para ela, pois eu sentia que podia confiar nela.
Tomando mais uma das suas atitudes repentinas a minha doce Mariana me
abraçou e murmurou:
— Não fica assim, vamos conseguir passar por essa, o que posso fazer
para te ajudar?
Afastei-me dela e olhei fundo em seus olhos. Talvez eu devesse tê-la
ao meu lado, pois parecia que ela era o porto seguro que eu nunca tive.
— Eu não sei, mas se você me apoiar eu posso descobrir.
— Só não foge de novo, eu sempre vou te apoiar, mas você tem que
me dar liberdade para isso.
— Vou dar. — Coloquei minha mão de um lado do seu rosto, o que
fez com que ela fechasse seus olhos e apreciasse o contato.
Com Mariana ainda de olhos fechados me aproximei-me dela e roubei
um beijo leve de seus lábios. Sem aprofundar nada, somente um contato para
eu me sentir vivo novamente. Assim que me afastei resolvi dizer tudo que
estava entalado na minha garganta.
— Obrigado por não desistir de mim, Mariana. Eu sou um homem
difícil, que custa confiar nas pessoas, que sempre está com um humor
péssimo. E mesmo assim você está aqui, depois de semanas, me aturando,
tentando me fazer entender que sua mão está estendida pra mim. Desculpa
por ser assim, eu não estou acostumado com esse tipo de afeto.
— Henrique, tudo bem. Cada um tem seu jeito, e como você disse
você é mesmo um turrão, coração de gelo…
— Eu não disse isso. — Sorri, quando a cortei.
— Fica quieto. — Ela também retribuiu o sorriso. — Não importa o
que você seja, eu conheci o verdadeiro Henrique que tem atrás dessa casca de
durão, então, vai ser difícil você me afastar agora.
— Que bom, então. Não quero que se afaste.
— Quer que eu faça algo para você comer? Sei que seus dotes
culinários não são tão impressionantes como você tentou me passar àquela
primeira vez que vim aqui. — Mariana curtiu, enquanto me perguntava.
Ela tinha razão eu havia tentado me gabar, mas a única coisa que
sabia fazer era uma macarronada, e que da vez que tentei surpreendê-la,
acabei queimando o macarrão. Eu era horrível mesmo.
— Quero, mas vou te pedir uma coisa em troca pode ser?
— Se eu puder atender ao seu pedido.
Ficou esperando que eu dissesse, e eu tomei a coragem para jogar as
palavras:
— Passa a noite, aqui, comigo?
Vi quando ela engoliu em seco, respirou fundo, e jurei que ela iria
recusar. Mariana ainda era uma menina que tinha medo de muitas coisas, e
vários dos seus medos ela não havia me contado, então, acho que esse passo
ela iria demorar a dar. Só que como em todas as outras vezes, ela me
surpreendeu ao dizer:
— Sim!
Capítulo 11
Mariana
Sim, eu havia aceitado a proposta de Henrique. Eu iria passar uma
noite todinha com ele, na sua casa. Desde o dia que tivemos uma trégua em
nossa “guerra” começamos a nos dar extremamente bem. Fora o fato de
Henrique ter me dado os melhores beijos que alguém poderia.
Além de tudo eu já estava sentindo necessidade de realmente passar
essa noite com ele. Não sabia o que tinha acontecido, mas o homem que
estava entrando na cozinha, com seu filho nos braços, tinha mexido com algo
dentro de mim, e eu estava adorando conhecê-lo, sem máscaras, sem
segredos, sem mentiras. Henrique era uma caixinha de surpresas quando se
abria com alguém.
Eu havia acabado de finalizar a travessa de frango com molho
cremoso de champignon, quando ele murmurou:
— Olha filho, quem fez o jantar de hoje.
O bebê que já demonstrava me adorar sorriu, quando me olhou. Lucas
estendeu seus bracinhos em minha direção e eu mais que depressa retirei o
avental que usava e lavei minhas mãos, para pegar aquele gorducho em meu
colo.
— Oi coisinha fofa — cumprimentei, toda amorosa. Aquela criança já
havia ganhado meu coração de formas inimagináveis.
Lucas por outro lado levou uma de suas mãozinhas ao meu rosto, e
murmurou algo que não dava para entender, já que ele ainda não havia
pronunciado mais do que seus “dududada”. No entanto eu sabia que aquelas
palavrinhas não identificadas era uma forma de me cumprimentar. Fiquei
fazendo careta para ele, para que sorrisse para mim e quando olhei para
Henrique o vi me olhando de forma intensa.
— Que foi? — questionei, pois morria de medo de fazer algo errado
quando estava com Lucas.
— Nada, é só que ele te adora. — Henrique respondeu.
— Ah! Eu amo esse garotinho — respondi, despretensiosamente.
Enquanto ainda brincava com Lucas, ouvi meu celular tocando na
sala. Deixei Henrique para trás, pois ele ficou de arrumar a mesa para
jantarmos, e fui até minha bolsa onde o aparelho estava.
Lucas ainda estava em meus braços, o segurei com uma mão,
enquanto pegava o aparelho com a outra. Atendi, logo voltando a segurá-lo
com as duas mãos e apoiando o celular no ouvido.
— Alô?
— Como assim passar a noite na casa de Henrique? — Paula
questionou do outro lado. Pelo seu tom de voz, eu podia ver que estava brava,
eu só não entendi o motivo.
— Decidi dormir por aqui.
— Eu acho que esse homem está abusando de você, Mariana. —
Novamente aquele assunto veio à tona.
— Paula, por favor, não estou cometendo crime algum. Ele e eu
estamos nos conhecendo, então, me deixa viver um pouco.
— Você é muito ingênua, quando ele partir seu coração eu quero ver
o que vai fazer. Pois tenho certeza que a primeira coisa que o tal sr.
Perfeitinho fará ao acontecer isso é te demitir.
Eu amava Paula, ela foi quem me deu força para fugir daquela família
de monstros que eu tinha. Daquelas duas mulheres que só quiseram vender
meu corpo. Mas em alguns momentos ela passava dos limites. Sempre falava
para eu curtir minha vida, sair, perder a virgindade, porém, quando eu decidia
levar minha vida de uma forma totalmente diferente, ela começava a julgar o
que eu estava disposta a fazer.
Estava realmente insegura, pois pensei que ela apoiaria meu
envolvimento com Henrique, já que sempre me mandou cair de cabeça nas
coisas.
— Vamos esperar acontecer, então… eu não quero acabar algo só por
ele ser meu chefe — sussurrei, pois não queria que Henrique escutasse o teor
da conversa.
— Ok! Eu não falo mais nada sobre esse seu envolvimento com o seu
chefe.
— Obrigada — agradeci, mesmo sabendo que não precisa.
— Até amanhã! Se é que você vai voltar para casa.
Dizendo isso ela simplesmente desligou o telefone na minha cara.
Sério que ela faria isso? Ficaria com raiva de mim só por eu querer dar uma
chance para o destino e tentar ser feliz com meu chefe?
Coloquei o aparelho de volta na bolsa e olhei para Lucas, que chupava
uma de suas mãozinhas, enquanto olhava para mim. Ele tinha os olhos iguais
ao de Henrique. Sinceramente aquele garotinho seria no futuro a perdição
para as garotas. E era o filho do homem que eu estava querendo conhecer por
completo.
O garotinho que estava correndo risco de ir morar com uma avó que
nunca se interessara por ele. Balancei minha cabeça para que aqueles
pensamentos conflitantes não entrassem em conflitos na minha mente. Não
queria imaginar se Henrique perdesse a guarda de Lucas, acho que aquele
homem seria destruído.
Novamente tentei me desvencilhar dos pensamentos. Voltei para a
sala de jantar e Henrique já havia colocado a cadeira de Lucas perto da mesa,
além de ter posto toda ela para nós.
— Nossa, que homem rápido. — Brinquei, enquanto colocava Lucas
em sua cadeirinha de alimentação e o prendia com o cinto próprio, depois
abaixei o compartimento para colocar o seu pratinho com comida.
Henrique havia me explicado como preparar sua comida, e eu tinha
feito com total amor. Sem contar que ele também havia me explicado que
gostava de dar um pouco de independência a Lucas o deixando comer
sozinho, mesmo que isso o lambuzasse por inteiro.
Enquanto o observava levar a mãozinha a algumas verduras cozidas,
senti quando duas mãos abraçaram minha cintura. Ficamos por um tempo
olhando aquele garotinho até que Henrique sussurrou no meu ouvido.
— Obrigada por me dar essa chance.
Senti um quentinho apossar do meu coração, e querendo ou não, abri
um sorriso. Ele não tinha que agradecer, afinal, eu também estava gostando
de tudo o que estava acontecendo.
— Eu que tenho que agradecer, parece que estou vivendo em um
mundo paralelo nesses últimos dias com você. Realmente estou encantada.
Depois de conversarmos um pouco mais, nos sentamos à mesa, e
começamos a comer em silêncio. Hora ou outro olhava para Lucas para ver se
ele estava comendo direitinho e tudo estava sob controle.
— Você cozinha muito bem. — Em um determinado momento
Henrique comentou.
— Obrigada, mas não é nada demais.
— Eu acho que é sim.
Assim que terminamos de comer, Henrique pegou Lucas em seus
braços e o levou para o banheiro para dar banho nele. Eu fiquei observando
tudo afastada, enquanto aquele homem todo poderoso se rendia ao seu
trabalho de pai. Caralho! Ele realmente era um pai perfeito, e claro que não
era mais que sua obrigação, mas era tão difícil encontrar um homem com a
idade de Henrique que se importasse de cuidar de um pequeno bebê com
tanto amor quanto ele.
Ele preparou a banheira para o bebê e logo começou a banhá-lo.
Enquanto fazia o seu grande trabalho que não era só dar banho no bebê, mas
também de roubar meu coração a cada segundo para ele com suas atitudes,
Henrique conversava com Lucas.
— O papai estava morrendo de saudade. Hoje foi um dia totalmente
estranho, mas o que importa é que estamos juntos. Não é mesmo, meu
garotão? — Lucas sorria para o pai na medida que ele ia falando.
Assim que terminou de dar banho no bebê, ele o secou com toda a
calma do mundo e vestiu um pijaminha do rei leão no garotinho. Sentei-me
em uma poltrona que ficava mais afastada continuando a observar em
silêncio aquele homem. Depois ele pegou um livro infantil que ficava na
estante perto do berço de Lucas. Sentou-se na poltrona com o menino em seu
colo e começou a ler o livro.
Fiquei tão feliz ao observar aquela cena que não consegui retirar meus
olhos dos dois. Enquanto Henrique balançava uma perna e lia para a criança,
uma sonolência foi o abatendo, até que ele dormiu nos braços do pai. E talvez
aquela fosse a imagem mais linda que eu já tenha visto na vida.
Assim que o meu sr. Perfeitinho colocou Lucas para dormir, virou-se
para mim, me pegando no flagra por estar o observando com tanta
veemência. Estava encantada, claro, que eu já havia visto a forma carinhosa
que ele tratava o filho, mas nunca tinha visto como ele se empenhava para
estar presente na vida da criança.
Henrique era um ótimo pai.
— O que foi? — questionou, quando percebeu que eu não falaria
nada.
— Nada.
Mesmo que ele tivesse franzido o cenho deixou para lá. Se aproximou
de mim e estendeu a mão.
— Vamos?
— Para onde? — quis saber.
— Curtir nossa noite.
Abri um sorriso com sua fala, eu realmente estava encantada com
aquele homem. Ele sabia falar as coisas certas nos momentos mais oportunos.
Peguei sua mão e saímos do quarto de Lucas, andamos em silêncio, eu estava
ansiosa pelo que iria acontecer. No entanto tentava manter a calma, não
queria parecer a virgem que nunca sabia de nada, que morria de medo de
tudo.
Descemos as escadas e com isso fomos para o lado exterior da
cobertura de Henrique. A parte de fora era ainda mais linda, tinha uma
piscina grande demais para tão poucas pessoas que moravam naquela casa,
uma área para churrasco, mas totalmente refinada, várias espreguiçadeiras e
luzes que reluziam a beleza daquele lugar.
Henrique puxou-me para uma das espreguiçadeiras que estava mais
próxima e nos deitamos juntos. Fiquei olhando para as estrelas, e ele afagou
meu cabelo. Minha mão repousava sobre seu peito, enquanto minha cabeça
estava deitada em seu braço.
— Estou gostando de passar meus momentos com você Mariana. —
Abri um sorriso discreto com sua declaração.
— Também estou. Está sendo a experiência mais incrível que já tive.
Com a minha declaração ele ergueu meu queixo para encarar o fundo
dos meus olhos. E isso foi o que precisava para que um clima diferente
começasse entre a gente. Meus olhos repousaram em seus lábios, e os seus
fizeram o mesmo caminho.
Lentamente Henrique foi se aproximando de mim, até que nossa boca
se tocou. O beijo começou devagar, lento, calmo, sem pressa. Tínhamos a
noite toda e se deixasse até a vida toda para nos saborearmos. Sua língua
invadiu minha boca, e a minha começou a dançar no ritmo que ele nos
propôs.
Houve aquela mordidinha de leve em meus lábios, que fez uma
chama crescer dentro de mim. Enquanto o beijo ainda ocorria de forma lenta,
levantei um pouco a barra do vestido que usava, para passar minha perna por
cima de Henrique.
A posição me favoreceu mais para continuarmos nos beijando. Tudo
que havia começado lento começou a acelerar, e logo me vi gemendo quando
meu sr. Perfeitinho aumentou a velocidade do nosso beijo. Onde seus lábios
já me devoravam com fome, com vontade, com desejo e necessidade.
Uma de suas mãos desceu por minhas costas, chegando em minha
bunda, elas passaram por aquela região até que Henrique apertou com força,
fazendo com que minha calcinha molhasse. Eu estava ficando molhada com
frequência quando se tratava dos beijos de Henrique.
Não pude evitar quando comecei a desabotoar sua camisa, pois queria
sentir aquele peito nu em minhas mãos. E quando Henrique entendeu o que
eu queria me ajudou a tirar a peça, e eu pude encostar minhas mãos em seu
peito. Olhei em seus olhos enquanto acariciava seus gominhos do abdômen.
Aquele homem podia ser menos bonito, talvez assim ele parasse de mexer
tanto comigo.
Sentei-me em seu colo aproveitando a posição que estava. O que fez
meu vestido terminar de se levantar até minha cintura. Henrique direcionou
seus olhos para as partes expostas e deu um sorrisinho leve comentando em
seguida:
— Não quero te forçar a nada, minha garota.
— Não estou sendo forçada, eu quero o mesmo que você.
Foi o que eu disse, antes de Henrique declarar, com a voz mais rouca
que eu já podia ter ouvido sair da sua boca.
— Você vai ser minha por completo esta noite Mariana. Eu vou te dar
a sua primeira vez repleta de prazer, e fazer você gozar o máximo que puder.
Está preparada?
— Acho que nunca estive tão pronta em toda a minha vida.
Capítulo 12
Henrique
Ela ainda estava na mesma posição, sentada sobre mim, com seu olhar
ansioso pronta para o que eu iria fazer com ela. Eu havia relutado muito em
me envolver de vez com Mariana, mas cada vez parecia mais difícil, pois ela
era perfeita demais.
Mesmo depois de tê-la evitado, veio a minha casa, e me tratou com
carinho. Me deu forças para continuar caminhando por esse momento difícil.
Nessas semanas que estávamos juntos eu havia comentado com Joca
que tinha me deixado levar pelo desejo. E ele só me disse para não foder com
nada da Amarílis, de resto eu poderia comer todas as funcionárias que eu
quisesse.
No entanto o problema era esse, tinha completa convicção de que
Mariana não era só uma foda. Ela estava constantemente em minha vida,
olhava para o meu filho de forma tão doce que derretia meu coração de gelo,
me escutava como nenhuma pessoa me escutou, e estava completamente
disposta a me ajudar com os problemas da avó de Lucas.
No entanto tentei desligar todos os meus pensamentos, pois no
momento a única coisa que importava era aquela mulher que estava
completamente desejosa em meu colo. Ela me olhava e eu só queria arrancar
aquelas peças que separavam seu corpo do meu, mas sabia que teria que ir
com calma. Mariana era virgem e eu não podia ser bruto com ela.
​Passei uma das minhas mãos por sua bochecha o que fez seus olhos se
fecharem. Afaguei por um tempo seu rosto até que desci minha mão por seu
pescoço, até que cheguei ao decote discreto que o vestido deixava em seu
corpo.
​Seus olhos se abriram, assim que avancei minha mão por dentro da roupa,
para chegar ao seu sutiã, afaguei de leve aquela parte que eu sabia que já
mexia com ela. Seu mamilo estava intumescido o que me fez abrir um
sorrisinho. Tirei minha mão do seu seio, o que fez um suspiro sair pela boca
de Mariana.
​Ela continuava em meu colo, por isso me sentei ficando frente a frente. A
mulher mal havia recebido meus toques e já estava com as bochechas
coradas. Era uma linda.
​— Você é muito meiga, Mariana.
​— Não sei se isso é bom ou ruim.
​— É ótimo, minha doce Mariana.
​Levei minhas mãos a suas costas abrindo o zíper do seu vestido. Após
abrir a peça, desci suas alças por seus ombros e sua lingerie da mesma cor do
vestido ficou à mostra. O que contrastava com sua pele branca.
​Desci o vestido até que ele liberasse os braços de Mariana, ela ficou com
o vestido na cintura por estar sentada em meu colo, mas eu nem precisava
que ele saísse para fazer o que eu precisava. Eu mal pude me conter, por isso,
levei meus lábios ao seu mamilo por cima do sutiã, pois estava com vontade
de provar aquela parte.
​Mariana gemeu, enquanto eu sugava seus mamilos, dando atenção
necessária para cada um em diversos momentos. Quando a mulher começou a
rebolar no meu colo eu sabia que ela já estava louca de tesão. Por isso,
agradecendo muito por ter força o suficiente, peguei sua cintura com um
braço, e troquei nossas posições na espreguiçadeira.
​Agora ela estava na posição que eu queria para lhe dar seu primeiro
orgasmo da noite. Minhas mãos começaram a passar por seu corpo, iniciando
nas pernas que estavam abertas para que eu ficasse entre elas. Fui subindo
calmamente minhas mãos, até que chegaram à barra da sua calcinha.
​Olhei para Mariana que esperava cada vez mais ansiosa por qual seria
meu próximo passo. Afastei sua calcinha para o lado e vi novamente a sua
parte que me deixava maluco. Ela estava completamente molhada, e eu me
senti satisfeito por deixá-la daquela forma somente com beijos.
​Passei meu dedo por sua carne, sentindo sua maciez. A minha doce
Mariana deu uma leve contorcida enquanto meu dedo brincava com seus
lábios vaginais. Massageei seu clitóris por um momento deixando ela mais
molhada e ouvindo sair da sua boca um gemido que me deixou duro
imediatamente.
​Aproveitei que a cada movimento que fazia ela ficava mais molhada, para
ir acostumando-a. Coloquei um dedo dentro dela calmamente, enquanto uma
pequena careta surgia em seu rosto. Eu tinha que prepará-la para me receber.
​— Henri… — Ela tentou dizer meu nome, mas eu não dei chance já que
enquanto estocava meu dedo da forma mais gentil dentro dela, aproximei
minha boca da sua, para beijar aqueles lábios que me conquistaram.
​Comecei a aumentar minha velocidade e Mariana gemia em minha boca
cada vez mais. Soltava murmúrios ininteligíveis. Com a mesma mão que eu
penetrava meu dedo dentro dela, comecei também a friccionar seu clitóris.
​Desci minha boca por seu pescoço chupando a carne daquela parte do seu
corpo. Logo desci minha boca mais e mais, até que cheguei novamente aos
seus seios, mas dessa vez com a minha mão livre afastei seu sutiã e suguei
sua carne diretamente com minha boca.
​Senti quando Mariana começou a rebolar em meu dedo, com isso eu já
sabia que podia penetrá-la com mais um. Quando acrescentei o outro, ela
parou com seus movimentos, mas eu não parei de acariciá-la. Eu queria que
ela gozasse nos meus dedos, queria sentir seu orgasmo sendo libertado.
​E só depois eu a penetraria com meu membro.
​— Henrique… — ronronou como uma gatinha manhosa, enquanto eu
aumentei a velocidade dos meus movimentos.
​Estávamos na parte externa da minha casa, com a lua e as estrelas sendo
nossas testemunhas. Talvez se algum vizinho de cobertura saísse para suas
sacadas, nos pegariam no flagra, mas eu não me importava. O importante é
que aquela mulher seria minha hoje, sem desculpas, ela seria totalmente
minha.
​— Henrique… eu…
​Percebi que Mariana estava querendo falar, mas que eu a estava
impedindo com a loucura das minhas investidas.
​— Pode falar — sussurrei, enquanto parei com os movimentos, mas meus
dedos continuaram a preenchê-la.
​— Quero… — Suas bochechas coraram, mas ela continuou: — Quero te
sentir também, deixa eu te sentir.
​Entendi o que ela estava querendo dizer, por isso, sem escapatória tirei
meus dedos de dentro dela. Levantei-me da espreguiçadeira estendi a mão
para ela, que a pegou e se levantou também. O vestido caiu aos seus pés, mas
a maldita lingerie ainda tapava seu corpo lindo.
​Estávamos frente a frente, mas Mariana preferiu tirar os saltos para depois
se aproximar de mim. Ela sabia o que eu queria, parecia que ela já sabia me
ler por completo. Chegou próxima o bastante, para levar suas mãos até o
botão da minha calça e abri-la, depois desceu o zíper, abaixou minhas calças
me deixando somente de boxer.
​Seu olhar recaiu para meu membro que ficou ainda maior por estar duro
ao extremo. Engolindo em seco, levou suas mãos para meu volume, e o
apertou por cima da cueca. Seus olhos voltaram para os meus e porra! Ela
podia ser ingênua, virgem, mas aquele olhar era de uma mulher pronta para
me seduzir.
​Quando Mariana massageou a parte que mais ansiava por ela, tive que
fechar meus olhos. Realmente já havia muito tempo que eu não saía com
ninguém. E sentir aquele toque me fazia parecer um garoto de quinze anos
louco para ter sua primeira foda.
​— Você sabe que tenho poucas experiências… — Mariana começou a
dizer, mas o mais rápido que pude coloquei um de meus dedos sobre seus
lábios.
​— Não tenha medo, eu vou te guiar. — Foi o que eu disse, antes de
encostar seu corpo ao meu. Apertei com força sua cintura, enquanto olhava
para ela como se fosse a peça mais importante do meu jogo de xadrez.
​— Eu não tenho medo de você, Henrique. Só não quero ser uma
decepção.
​— Mari, para com isso. Não tem como existir a palavra decepção e você
no mesmo lugar.
​Seu olhar de contentamento foi o que eu precisava, para colar nossas
bocas novamente. Estava louco por aquela mulher, por seus beijos, por seu
corpo pequeno perto do meu. Por tudo, porra! Mariana era perfeita para mim.
​Não conseguindo me controlar mais, antes que nosso beijo terminasse a
peguei em meu colo e caminhei decidido para meu quarto. Só que ela não
deixou por isso mesmo.
​— Sou uma donzela sendo carregada pelo sr. Perfeitinho. — Olhei para
ela sem entender muito bem o que estava querendo dizer com sr. Perfeitinho.
Já que ela pareceu estar muito convicta do apelido.
​Mas ao perceber que seus olhos – que me fascinavam – se arregalaram
um pouco, e suas bochechas coraram, preferi deixar por isso mesmo. Estava
pronto para levá-la a cama e não queria que nada me atrapalhasse.
​Chegamos ao quarto, e eu cuidadosamente depositei Mariana no colchão.
Ela era tão pequena que minha cama parecia muito grande para ela. Seus
cabelos ruivos fizeram contraste em meus lençóis pretos. Aquilo era a visão
do paraíso.
​— Pensei em fazer essa primeira vez diferente, mas não estava mais
conseguindo me conter, Mariana. Estou hipnotizado por você, fascinado…
Porra! Morto de tesão!
​Revelei sem pudor algum, só observando suas bochechas corarem mais, e
ela abrir um sorrisinho que quase me fez voar para cima dela. Um sorrisinho
safado que me deixou ainda mais pirado por ela.
​ ubi na cama e fiquei por cima de Mariana. E não havia mais nada a
S
dizer, só tinha desejo, vontade de beijá-la, tesão, tudo misturado. Trocamos
beijos, mordidas, suas unhas passaram por minhas costas me arranhando.
Assim comecei a descer meus beijos pelo seu corpo, antes parei e tirei seu
sutiã deixando seus seios à mostra.
​Eram belos, com seus mamilos rosados, e cabiam perfeitamente em
minhas mãos. Massageie um pouco, até que resolvi voltar a descer meus
beijos por sua barriga. Cheguei em sua calcinha e simplesmente a tirei com
ferocidade.
​Queria provar aquela mulher, sentir seu gosto em meus lábios. Por isso,
assim que tive passagem, chupei sua vagina, com força, com vontade.
Mariana levou suas mãos a minha cabeça, gemendo e murmurando coisas
ininteligíveis. Voltei a penetrá-la com mais um dedo, dois, três… até que ela
gozou, gritando, se esfregando em todo o meu rosto como da última vez que
fizemos sexo oral em seu quarto.
Adorava a forma que ela se libertava com seus orgasmos
ensandecidos. Assim que me afastei, olhei em seus olhos e sabia que estava
pronta. Levantei-me da minha cama, indo até o recipiente que eu guardava os
preservativos.
Assim que voltei tirei a boxer, e percebi Mariana encarar meu
membro. Era um momento muito íntimo trocado por nós dois. Ela estava toda
entregue a mim, deitada em minha cama, com seu corpo cheio de curvas
perfeitas, seus cabelos espalhados de uma maneira que me enlouquecia.
Parecia perfeito demais.
— Você é lindo! — disse sem nenhum pingo de vergonha.
Olhei dentro dos seus olhos e respondi:
— Você que é linda.
Coloquei o preservativo, e voltei a subir na cama e ficar sobre a
mulher que estava me deixando maluco de desejo. Meu membro pulsava,
quase gritava para que eu me enterrasse dentro dela.
Abri suas pernas delicadamente, e fui me guiando até estar em sua
entrada. Olhei em seus olhos e a ansiedade que sempre via estava lá.
— Posso continuar? — perguntei, estava com medo de machucá-la.
— Por favor — implorou.
Então fiz o que estava sonhando, encarando seus olhos, comecei a
colocar meu membro dentro de Mariana. Ela chegou a fechar seus olhos com
força quando ultrapassei sua barreira, mas eu pedi:
— Me olha, eu quero que me olhe, enquanto fazemos sexo Mariana.
— E aquele mundo azul me encarou.
Comecei a me movimentar lentamente e a cada segundo que passava
ela se entregava mais aos movimentos, sentia menos dor. Aquilo era o
paraíso, ela era tão apertada. Quando comecei a estocar com força, ela gritou
com vontade. Pediu por mais, ela estava tão enlouquecida quanto eu.
Fui me movimentando cada vez mais rápido, sentindo sua carne
molhada me apertar. Abruptamente sentei-me na cama, trazendo-a junto
comigo, a mulher ficou com suas pernas entrelaçadas nas minhas costas,
enquanto eu a ajudava cavalgar em meu membro.
— Olha para nossos corpos se encontrando Mariana. — Ela ainda me
encarava e demonstrava o quanto estava sentindo prazer em tudo aquilo.
Era maravilhoso, ver sua boca aberta, deixando lufadas de ar saírem
toda vez que eu estocava com mais força e ia ainda mais fundo dentro dela.
Suas bochechas coradas, seus cabelos desgrenhados. Aquela mulher era a
visão do paraíso de qualquer um. E um desejo enorme foi crescendo dentro
de mim, eu só não sabia explicar o que era.
Assim que ela abaixou seu olhar para onde nossos corpos se
encontravam, aumentei o ritmo das minhas estocadas, indo fundo dentro dela,
me deixando tomar por prazer. Comecei a gemer louco por estar sentindo
tamanho prazer, e Mariana para me alegrar simplesmente gozou com um
grito de liberação olhando dentro dos meus olhos. E eu não pude me conter e
gozei soltando um urro animalesco, estava perdido na minha libertação.
Quando nossos olhos voltaram a se focarem, pois ainda estávamos
tontos do orgasmo alucinante que tínhamos tido. Eu soube olhando para
aquela mulher… que ela era completamente minha.
Capítulo 13
​Mariana
​Sensação de plenitude, completa, desejada, linda, maravilhosa. Era assim
que me sentia ao lembrar-me do que tinha vivido minutos atrás. Henrique
estava deitado, comigo sobre seus peitos, enquanto afagava meus cabelos.
​Ainda estava ofegante por tudo que tínhamos feito. Era inesquecível, ele
havia me tratado com tanto carinho e ao mesmo tempo sido tão bruto, me
deixando repleta de prazer. Nunca havia almejado uma primeira vez dos
sonhos, mas essa com toda certeza deveria estar entre uma das melhores de
qualquer mulher. Henrique realmente sabia o que fazia.
​Ele beijou minha testa por um momento, e eu só pude abrir um leve
sorriso. Henrique tinha se tornado realmente meu sr. Perfeitinho. Antes o
chamava pelo menos mentalmente assim, por se achar o ser perfeito, mas por
não ser.
​Só que depois de tudo que vivemos nesses últimos dias eu só podia dizer
que ele era o homem perfeito que sempre procurei, mas não encontrava. Não
que eu fosse a pessoa mais velha da vida, mas depois de tantas desilusões a
gente começa a desistir, até encontrar o cara certo.
​— Eu te machuquei de alguma forma Mariana?
​Levantei minha cabeça do seu peito para olhá-lo. Ele realmente estava
falando sério? Se ele soubesse que havia me dado um sexo incrível, e olha
que eu nem entendia muito bem, mas por relatos se o homem te fizesse gozar,
você já devia agradecer. E Henrique só não me fez gozar uma, mas sim três
vezes nesta noite. Sem contar que me tratou com carinho e com uma dose de
sensualismo necessário para esses momentos.
— Não, você me fez sentir completa. Nem imaginava que precisava
tanto de sexo até fazer com você. — Coloquei minha mão direita em seu
rosto e afaguei. Uma leve barba estava crescendo depois de as últimas vezes
ele deixar o rosto completamente limpo sem um fio de cabelo sequer.
— Pretendo te dar muito mais disso, se você permitir. — Henrique
comentou, com um sorrisinho safado em seu rosto.
Mal ele sabia que a cada segundo que passava eu ficava mais
encantada por ele. Que meu coração bobo já sentia uma palpitação diferente
quando o via. Que o desejava por perto em todos os instantes. Caralho! Como
eu não permitiria que ele me desse tudo o que quisesse?
— Eu permito tudo. — Abri um sorriso assim que comentei.
Henrique olhou para mim como se estivesse pensando em algo, então,
achei melhor deixar que ele falasse quando achasse o tempo certo. E não
demorou para que dissesse.
— Semana que vem temos um feriado e a minha audiência será
depois dele. Sabe me dizer se minha agenda está muito cheia para segunda?
Não sabia que podíamos levar trabalho para nossa vida pessoal, mas
eu não o deixaria sem resposta. Por isso pensei em tudo o que tinha marcado
e percebi que não havia nada de importante, já que o feriado era na terça e
muitas pessoas gostavam de viajar. No entanto outra coisa que não me passou
despercebida era que sua audiência sobre a guarda de Lucas fosse também
após o feriado.
— Não tem nada marcado na segunda-feira para falar a verdade —
respondi, voltando-me a deitar sobre o seu peito.
— Você toparia sair comigo bem cedo amanhã para irmos para um
lugar? — Com isso não consegui continuar deitada em seu peito.
Levantei-me e até sentei-me na cama o encarando. Ainda estava nua,
então, assim que meus seios ficaram à mostra Henrique os encarou por um
momento. Eu até senti vergonha, mas não quis tapá-los, pelo jeito ele gostava
de vê-los.
— Como assim? Que lugar? Sozinhos? — questionei demais, mas é
que eu tinha ficado curiosa.
— Não seria bem sozinhos, eu levaria o Lucas, mas queria passar esse
tempo com vocês sem problemas com Amarílis. Só tentando ter um pouco de
paz, e esquecer que terei uma audiência com uma mulher que nunca vi.
A carinha que Henrique fez quase me desmanchou, ele estava
realmente devastado por ter que enfrentar uma batalha que parecia não estar
pronto para ela.
— Para onde seria? — perguntei, para tentar descobrir, já que eu
também não poderia sair aceitando tudo normalmente sem questionar.
— Para uma casa de campo que tenho no interior, queria muito passar
alguns dias lá. Por favor, vem comigo e com o Lucas?
A carinha de pedinte de Henrique era o que me conquistava cada dia
mais. Estava ficando mais do que encantada por aquele homem. Estava me
apaixonando por ele, e isso era um fato que ainda não sabia se tinha coragem
de revelar.
— E ficaríamos lá até terça?
— Isso. — Henrique respondeu, abrindo um de seus sorrisos que me
deixavam zonza.
Eu queria loucura, queria mudanças, queria felicidade e com aquele
homem ao meu lado estava me sentindo feliz. Então tinha que seguir minhas
vontades, por isso, respondi:
— Sim, mil vezes sim.
— Minha garota. — Ele levou uma de suas mãos a minha bochecha e
começou afagá-la. Henrique tinha essa pequena mania desde que começamos
a ter nosso caso que ainda não sabia como nomear.
Fechei meus olhos, sentindo seu toque. Era muito bom sentir seus
dedos tocando minha pele, aquele carinho que dizia muitas coisas, mais do
que suas palavras.
Voltei a abrir meus olhos e olhei no fundo dos seus. Meu sr.
Perfeitinho era lindo, e carinhoso. Ao pensar no seu apelido, lembrei-me de
ter dito em voz alta para ele, enquanto vínhamos para o quarto. Como eu era
idiota.
Fui tirada dos meus devaneios, quando a mão de Henrique foi
descendo até chegar a um dos meus seios. Ele usou dois dedos para apertar
com força meu mamilo, o que fez com que um gemido escapasse dos meus
lábios.
Henrique saiu da sua posição e se aproximou de mim, sua outra mão
foi parar entre minhas pernas e um de seus dedos começou a brincar com
meu clitóris. Aquilo me deixava louca.
Enquanto fazia círculos para me estimular, eu fui ficando molhada.
Sua outra mão brincava com meu mamilo e era uma sensação muito louca,
boa, prazerosa. Ah! Eu estava maluca por aquele homem.
Fui descendo meus olhos por seu corpo e seu membro já estava duro
novamente. Ao ver aquela cena senti uma vontade maluca de pegá-lo em
minha mão. Senti-lo nos meus dedos, passar meus dedos por suas veias
pulsantes.
Lambi meus lábios ao apreciar aquela visão, e sem resistir levei
minha mão ao seu pau. Podia ser estranho, mas senti ainda mais desejo por
tocá-lo. Henrique fechou os olhos por um momento, quando comecei a fazer
um movimento lento com minha mão.
Mas a vontade de chupá-lo estava acabando comigo. Por isso mesmo
sem saber o que ele queria, eu simplesmente me afastei de suas mãos e
aproximei minha boca do seu membro.
Olhei em seus olhos antes de completar o ato, e neles eu só via fogo, o
puro desejo cru. Ainda olhando em seus olhos lambi toda sua circunferência,
e Henrique abriu a boca em um “o” silencioso, só deixando o ar sair por seus
lábios.
Sem esperar mais, o abocanhei, no entanto não consegui ir muito
fundo, já que era inexperiente. Mas chupei seu pau como se fosse a última
coisa que eu faria no mundo, ao passar os minutos fui aumentando meu
ritmo, e Henrique levou suas mãos aos meus cabelos para fazer ainda mais
pressão.
Seus quadris mexiam com a velocidade das minhas chupadas e aquilo
estava fazendo um tesão subir por meu corpo. Nem parecia que eu era virgem
a algumas poucas horas, do tanto que estava louca por aquele homem me
foder novamente.
Eu queria chupar mais, até que ele se libertasse dentro da minha boca,
mas Henrique puxou meus cabelos afastando-me do seu membro.
— Espera minha garota — murmurou, com a voz sexy.
Levantou-se da cama pegando novamente um preservativo e
colocando. Depois sem pedir permissão, ainda em pé, puxou minhas pernas
deixando-me na beirada da cama. Henrique se posicionou entre minhas
pernas, e colocou seu membro dentro de mim novamente. Ainda senti um
leve choque, mas nada que me impedisse de sentir o tamanho do desejo que
estava sentindo.
Menos carinhoso do que da primeira vez Henrique, estocou fundo
dentro de mim. Fazendo com que um grito escapasse da minha boca. Mais
uma, duas, três… Até que perdi a conta e só conseguia sentir o prazer que
aquele momento estava me proporcionando.
Ele segura minha coxas com força, e aquilo estava me deixando com
mais tesão. Parece que a brutalidade fazia com que eu ficasse mais louca. Eu
só conseguia gritar e sentir mais prazer ao ser estocada. Henrique me olhava
com um desejo enigmático, e também como se eu fosse algo muito
importante para ele.
Logo uma de suas mãos que segurava uma das minhas pernas, foi
parar no meu clitóris e aquilo foi minha ruína, gozei ensandecida, com puro
desejo. E o meu sr. Perfeitinho não demorou muito para se libertar.
Ele caiu em cima do meu corpo, e ficamos os dois ofegantes, como
horas atrás. Sinceramente eu queria aquilo todas as vezes que fossem
possíveis. Era muito perfeito, mas eu queria só se fosse com Henrique, com
mais ninguém. Parecia que ele havia me enfeitiçado e agora não sabia mais
como esquecê-lo.
Quando ele levantou sua cabeça de cima de mim e olhou meus olhos
com completa adoração, eu sabia que era dele.
— Acho que precisamos banhar. — Ele estava certo, nossos corpos
estavam repletos de suor.
— Concordo — respondi, mas ainda estava meio atônita.
Meu sr. Perfeitinho beijou meus lábios levemente, levantou-se da
cama, caminhou até uma porta e entrou em um cômodo que provavelmente
era o banheiro. Ouvi alguma coisa ser ligada e logo ele estava de volta.
Com todo aquele corpo para ser admirado, o tanquinho perfeito, as
coxas grossas e torneadas, os músculos dos braços para encantar qualquer
uma. Porra! Acho que estava fascinada demais.
Enquanto ainda o observava, ele se aproximou e me pegou em seus
braços, até que brinquei:
— Daqui a pouco vou querer que me carregue para todos os lugares.
— Seria uma honra te levar em meus braços para qualquer lugar. —
Aquilo era maldade, ele sempre falava com uma voz que me causava arrepios
em lugares inimagináveis. E o olhar intenso direcionado a mim, era até
constrangedor.
— Você joga pesado, Henrique.
— Não fiz nada demais, garota linda.
Chegamos à banheira e ele me depositou na água morna como se eu
fosse uma simples pluminha. Depois jogou mais um pouco de sais de banho
que deixou o ambiente com um cheiro de jasmim. Assim ele pediu passagem
para que sentasse atrás das minhas costas.
Ficamos um tempo em silêncio, só apreciando a água morna e
reconfortante. Logo Henrique começou a me lavar em uma intimidade que
tínhamos conquistado em algum momento daquela noite, mas eu não sabia
dizer em qual parte foi.
Tinha passado algum tempo, a água já estava esfriando quando ele
sussurrou:
— Precisamos passar na sua casa amanhã para pegarmos algumas
roupas para você passar o feriado comigo.
— Tudo bem!
Estava ansiosa para esses dias que iria passar com ele, sem ninguém
para nos atrapalhar. Só vivendo o nosso momento em paz, com o bebê mais
lindo do mundo, que eu só não chamava de meu, pois achava cedo demais.
No entanto já me sentia quase a mãe de Lucas, era como se uma conexão
com aquele garoto tivesse crescido dentro de mim, e agora ninguém
conseguisse separar.
Encostei minha cabeça no peito de Henrique, só pensando que minha
vida ainda estava uma bagunça, mas pelo visto o sr. Perfeitinho estaria nela
para me alegrar um pouco. Para me fazer sentir especial nesse mundo
maluco.
Uma sonolência foi batendo, meus olhos foram ficando pesados, e eu
nem me lembro de como fui parar na cama. Mas sentia os braços de Henrique
ao redor de mim, então sabia que estava segura a noite toda com o homem
que estava se tornando tudo na minha vida.
Capítulo 14
Mariana
Acordei sentindo beijos sendo espalhados por meu rosto, depois a
boca de Henrique desceu para um mamilo e o chupou, com isso abri meus
olhos lentamente e o olhei.
— Eu vou ser acordada assim todos os dias? — questionei, para o
homem que estava com os cabelos desgrenhados.
— Se for do seu desejo posso acordar te chupando também, te dando
o melhor orgasmo das suas manhãs. — respondeu, como se aquilo fosse
normal para ele.
Mas para mim era totalmente novo e só de escutá-lo fiquei com um
pouco de tesão.
— Não faz essa carinha de safada, Mariana. Que eu cumpro o que
acabei de falar.
— E se eu quisesse que você cumprisse?
Senti minhas bochechas corarem no mesmo instante que minha
pergunta saiu dos meus lábios. Mas Henrique não se fez de rogado, ele
elevou uma sobrancelha em minha direção e não permitiu que eu falasse mais
nada.
Simplesmente abriu minhas pernas e começou a me chupar.
Realmente ele estava disposto a fazer da minha vida a mais cheia de
orgasmos possíveis. Pois sua língua trabalhou perfeitamente no ponto que
mais necessitava.
Depois de minutos me dando mais uma chupada magnífica, gozei na
sua boca, não muito diferente das últimas vezes, gritando, enlouquecida,
forçando mais sua cabeça entre minhas pernas. Porra! Acho que estava
viciada em sexo e nem sabia.
Fomos tomar um banho novamente, pois precisávamos sair. Dessa
vez não teve nada de banheira, mas foi a melhor chuveirada que já tomei:
com Henrique ensaboando meu corpo, beijando minhas costas e ganhando o
título de melhor homem da minha vida.
Antes de terminar nosso banho, ouvimos a babá eletrônica
anunciando que Lucas havia acordado. Henrique, então, saiu o mais rápido
que pode do banheiro, mas antes disse:
— Fique à vontade. Vou lá preparar a mamadeira dele, pois ele fica
uma fera quando acorda.
— Tudo bem! — Foi a única coisa que disse, observando enquanto o
via sair do banheiro vestindo um roupão.
Abri um sorriso enorme. Não estava acreditando em como as coisas
estavam acontecendo. Mas elas pareciam tão certas, que eu nem dava conta
de imaginar minha vida agora sem ter começado esse envolvimento com
Henrique.
Saí do banheiro e percebi que meu vestido não estava em nenhum
lugar, e aí me lembrei da noite passada. Já sabia onde encontraria a peça,
voltei para o banheiro e peguei um dos roupões que estava no local. Passei
pelo quarto de Lucas e vi Henrique dando a mamadeira a ele.
Não quis incomodar, por isso, desci as escadas em busca do meu
vestido. Assim que passei em frente à porta de entrada ela se abriu, fazendo
com que eu parasse abruptamente. Olhei para o lugar e uma senhora que
aparentava uns sessenta anos, adentrou o apartamento como se aquilo fosse
normal. Ao me ver ela levantou uma sobrancelha, e eu engoli em seco.
Só pela cor dos seus olhos eu sabia de quem se tratava, dona Lílian
Baleroni. Engoli mais uma vez em seco ao constatar que era a mãe de
Henrique que estava à minha frente. Depois do choque ela franziu seu cenho
e olhando para mim de cima a baixo.
— Bom dia! — Cumprimentei, estava morrendo de medo de ser
julgada como uma conquista barata de Henrique.
— Bom dia! — A senhora respondeu, mas não ficou por isso mesmo.
— Quem é você?
E foi aí que eu não soube responder, já que eu era… um nada para
estar naquela casa. Era uma secretária que estava transando com o chefe. Puta
que pariu! O que eu ia dizer para a mulher que me olhava de forma
avaliadora? Senti até minha visão ficar turvar, mas como o destino estava a
meu favor ouvi a voz que estava mexendo comigo nos últimos tempos, dizer
do início das escadas.
— Minha namorada, dona Lílian. — Eu só não esperava ouvir aquilo,
por isso, tive que me voltar para Henrique.
Que estava descendo as escadas com Lucas, como se fosse a coisa
mais normal do mundo. Como se fizéssemos aquilo todos os dias. Mas espera
aí, ele tinha falado namorada?
Seus olhos se chocaram com os meus e o sentimento que vi neles,
faria com que eu concordasse com tudo que ele dissesse.
— Namorada? — Lílian fez a pergunta que eu estava querendo fazer,
mas não podia.
— Isso mesmo que a senhora ouviu. Estou namorando Mariana há
algumas semanas.
A mulher que até poucos segundos me avaliava e tentava entender o
que eu podia estar fazendo ali, voltou a me olhar, mas tudo havia mudado em
sua expressão. Ela abriu um sorriso e veio se aproximando de mim.
— Ah, querida! Muito prazer. Sou a mãe desse ingrato que não fala
nada para mim. — Estendeu sua mão em minha direção e sorriu.
O mais rápido que pude retribuí o gesto. Segurando a mão macia da
senhora que parecia até ser simpática depois de uma primeira impressão
assustadora.
— Sou Mariana… é... a namorada! — Disse, mentindo para a
senhora.
Eu não era namorada, sabia que aquilo tinha sido inventado para não
ter que explicar a fundo quem eu era.
— Ela é linda Henrique. Estou encantada — comentou, enquanto
voltava para o filho.
Mas assim que percebeu que Lucas estava no mesmo ambiente que o
nosso sua atenção foi toda para o menino. Ela o pegou no colo e começou a
conversar com o neto. Pelo que eu podia ver era uma boa avó, e o pequeno
até soltou algumas gargalhadas com algumas besteiras que ela estava falando.
Henrique se aproximou de mim, segurou minha cintura, deu uma leve
piscadinha que me deixou corada e logo sussurrou:
— Acho que veio buscar sua roupa, não é mesmo? — Assenti sem
responder nada. — Então se você quiser ir buscá-la, pois suas bochechas
estão explodindo em tonalidade rosa misturada com vermelho.
​Saí da sala rapidamente, peguei o vestido e a lingerie o mais rápido que
pude. Fiz o mesmo caminho, mas dona Lílian ainda conversava
animadamente com Lucas. Nem dei atenção para Henrique e subi para seu
quarto.
​Vesti minha roupa e ajeitei meus cabelos, voltando para a sala para não
parecer uma arrogante metida a besta. Antes de me fazer presente ouvi um
pouco da conversa de Lílian com Henrique.
​— Amadeu me contou que a tal avó que você nem sabia da existência
marcou uma audiência. A vontade que tenho de pegar essa mulher e esfregar
a cara dela em algum lugar.
​— Mamãe, não fala isso perto do Lucas. — Henrique a repreendeu.
​— Desculpe-me, filho, mas estou revoltada.
​— Eu também tô, mas não quero deixar isso prejudicar minha vida com
meu filho.
​Pelo tom de voz do meu sr. Perfeitinho era perceptível que ele estava um
caco. Mas não deixaria isso ficar tão claro para todos.
​— Vai dar tudo certo, querido.
​— Mas e se eu perder meu filho, mamãe. Eu não sei viver sem esse
garoto, ele é a parte mais importante da minha vida, uma das…
​Fiquei atenta, pois eu não sabia que ele tinha tanto amor por outras
pessoas.
​— Mariana se encaixa em uma das partes? — Lílian questionou com um
sorrisinho na voz.
​— Eu pensava até um tempo atrás que não, mas essa garota mexe
comigo, mamãe.
​Henrique parecia se abrir muito com a mãe dele, e porra! Eu estava me
tornando uma parte importante da sua vida?
​— Ela é a secretária que você sempre comentara comigo?
​Não ouvi o que ele respondeu, mas a única secretária que existia era eu.
Estava ficando tudo muito confuso. Henrique me desejava dessa forma para
falar de mim para outras pessoas?
​— Bom querido, passei para ver como você estava. Espero que tudo dê
certo, eu irei à audiência, não te deixarei sozinho. Mas como você disse que
tem planos para levar Mariana e Lucas para a casa de campo, não vou te
atrapalhar. Manda um beijo para a garota e você se cuida.
​Não conseguia encarar nenhum dos dois, após ouvir suas conversas, por
isso, achei por bem voltar para o quarto de Henrique e me manter sentada na
cama. Passei longos minutos pensando nas coisas que havia ouvido, será
mesmo que Henrique estava gostando de mim?
​Ele entrou no quarto e me olhou, acho que percebeu minha expressão,
então, sussurrou:
​— Sei que ouviu o que disse, vi sua sombra na escada. — Abaixei meu
rosto com sua declaração. — Garoto linda, estou gostando de você. Não
posso afirmar que é amor, mas você é especial, então, por favor, desfaça essa
expressão de que está sendo enganada.
​Levantei meus olhos para ele. Lucas estava em seus braços, mas mesmo
assim ele se aproximou de mim. Colocou o garotinho – que vestia um
macacão azul da mesma cor dos olhos – na cama, pegou minhas mãos em
seguida e disse:
​— Sei que não sou um homem muito legal, às vezes cometo algumas
atitudes idiotas. Mas essas últimas semanas com você foram mágicas. Estou
gostando de você, por isso, disse que você era minha namorada para minha
mãe, pois é isso que quero que se torne. — Meu coração começou a disparar
com sua declaração. — E sim, eu já te achava maravilhosa antes mesmo de te
dar o primeiro beijo, eu só te implicava ao máximo que podia, pois você
brava era a melhor coisa que eu via no meu dia. Mas agora a Mariana toda
doce também me conquistou.
​Abri um sorriso gigante para ele, pois aquele homem também estava me
conquistando. Soltei uma de suas mãos e levei ao seu rosto.
​— Nós somos um casal? — tentei saber.
​— Acho que a partir do momento que eu coloquei na minha cabeça que
quero cuidar de você sempre, então, acho que sim. Somos um casal. —
Henrique olhou para Lucas que estava soltando seus gritinhos fofos e
continuou: — Mariana você aceita ser minha namorada, e fazer parte da
minha vida maluca, que tem esse bebê gordinho?
​Abri um sorriso enorme assim que ele tirou sua atenção do filho e se
voltou para mim. Eu já estava começando a não me imaginar mais sem
aqueles dois, eles estavam cada vez mais constantes em minha vida, então eu
só tinha uma resposta.
​— Sim, aceito ser sua namorada, sr. Perfeitinho e esse bebê gordinho é
tudo na minha vida. — E dessa vez resolvi revelar o apelido.
​Henrique levou a mão ao meu rosto e me deu um leve beijo, sem
aprofundar muito, pois estávamos em um momento que tudo remetia a sexo.
E Lucas estava aqui, então precisávamos nos conter. Quando ele se afastou
questionou:
​— Você vai me dizer o motivo de me chamar de sr. Perfeitinho?
​Senti minhas bochechas esquentarem, mas logo assenti.
​— Antes era uma forma de te ofender, pois você se achava perfeito
demais. Mas depois que te conheci, você se tornou o meu sr. Perfeitinho. O
melhor pai que já vi, o único homem que entrou na minha vida e me tratou
com respeito. Sei que isso são coisas essenciais pra vida, mas é tão raro achar
isso no mundo que não podia te chamar de outra forma a não ser assim.
​— Então você tinha um apelido para atacar o chefe? — Alçou uma
sobrancelha ao questionar.
​— Fazer o que se você era um péssimo chefe.
​— Mariana! — repreendeu.
​— Eu não tenho culpa, sempre fui uma ótima funcionária, seu chato.
​Dei um selinho em seus lábios, não conseguindo tirar o sorriso do meu
rosto. Um sentimento havia tomado meu coração e ele era simplesmente
terno. Eu estava feliz depois de tantos anos, podia gritar para o mundo que
estava novamente sentindo meu peito cheio de vida, aquele homem tinha
feito isso. Henrique era o ser perfeito que entrara em minha vida.
Capítulo 15
​Henrique
​ stávamos quase chegando à casa de campo, depois de quase quatro
E
horas de viagem de carro. Uma música tocava baixinho no som, Lucas
dormia e Mariana permanecia calada. Desde a hora que passamos em seu
apartamento para que ela pegasse algumas roupas, seu humor havia mudado.
​Ela havia entrado toda sorridente e saído com uma expressão triste do seu
prédio. Não sabia o que havia acontecido, e até havia questionado diversas
vezes pelo nosso caminho. Mas ela havia dito que não era nada. Logo
começou a conversar com Lucas no banco de trás e me ignorou pela viagem
toda.
​Agora que faltava uns quinze minutos para chegarmos a casa eu já não
estava dando conta de me manter em silêncio. Por isso novamente questionei:
​— O que aconteceu? — Continuei prestando atenção na pista, não podia
perder a atenção com duas vidas que eram importantes para mim.
​— Já disse que não foi nada — murmurou, com um humor que estava
pior que o meu quando estava irritado.
​— Mariana, posso ser um idiota muitas vezes e nem te conhecer direito,
mas sei muito bem que você não é assim. Então alguma coisa aconteceu.
​Ela ficou novamente em silêncio por bastante tempo, até que depois de
um longo suspiro. Começou a dizer e sua voz ficou um pouco embargada.
​— Paula acha que você está se aproveitando de mim, e jogou isso tudo na
minha cara quando fui pegar as minhas roupas. Ela disse que por eu ser
ingênua você está me fazendo acreditar que gosta de mim. Mas eu não
acredito que você esteja abusando de mim, Henrique. Não é mesmo?
​Seu questionamento foi finalizado com ela começando a chorar, e foi no
mesmo momento que chegamos à casa de campo. Embiquei o carro para a
entrada, e antes mesmo de apertar o botão do controle remoto para abrir o
portão, eu me virei para ela, pois agora podia falar olhando em seus olhos.
​Desatei meu cinto e fiz o mesmo com ela, Lucas ainda estava dormindo,
então estava tudo tranquilo por enquanto. Puxei Mariana para meu colo e ela
até me ajudou a fazer o ato, já que era meio complicado fazer aquilo em um
carro. Assim que ela se sentou segurei seu rosto que estava banhado de
lágrimas e fiz com que encarasse meus olhos.
​ Primeiro de tudo, não quero saber de você nunca mais derramar uma

lágrimas por minha causa. Eu não mereço que você chore por nada. Está
entendendo? — questionei, enquanto ela assentiu. — Segundo, eu não estou
me aproveitando de você. Nem preciso fazer isso, nunca me envolveria com
alguém por puro capricho, e muito menos iria querer passar um feriado
inteiro ao seu lado se fosse só abuso da minha parte. Mariana eu preciso que
você entenda, que desde que entrou na minha sala para fazer a entrevista de
emprego, eu me encantei por você. Conviver com sua presença durante todos
aqueles meses tendo que vestir a máscara de Henrique idiota foi muito difícil.
Agora que consegui ter seu consentimento para tentarmos algo, não quero
que pense que estou com você somente para usá-la. Você se esqueceu de tudo
que te disse mais cedo?
​Ela negou com a cabeça, e eu não pude fazer outra coisa a não ser grudar
nossos lábios. Passei minha mão por seus cabelos e só não aprofundei o beijo
o máximo que pude, pois Lucas estava no carro. Assim que ela se afastou
sorriu timidamente.
​— Desculpa ter me deixado levar pelos pensamentos da minha amiga. —
Pediu, segurando meu rosto entre as suas mãos.
​— Tudo bem, só não quero que você se sinta diminuída por isso. Estamos
entendidos?
​— Sim!
​— Eu nunca usaria uma pessoa como você. Na verdade eu já tive no
passado uma vida muito canalha, de ter várias mulheres, mas existem dois
Henriques um do passado antes de Lucas e um Henrique completamente
diferente depois de Lucas. Meu filho me mudou, e algumas pessoas podem
até duvidar disso, mas você foi a primeira pessoa que me envolvi depois dele
ter entrado na minha vida. Como eu te disse, não queria que ele corresse
nenhum risco, então, a forma que achei foi não me envolver com ninguém.
​— Eu acredito Henrique, posso ver a verdade em seus olhos.
​— Então vamos deixar todo o resto da nossa vida aqui fora, e assim que
entramos por esse portão vamos viver os melhores dias das nossas vidas. O
que acha?
​— Acho que você têm as melhores ideias que alguém poderia ter.
​Depois de mais um selinho Mariana voltou para o banco e eu finalmente
abri o portão. Mais atrás vi o carro dos seguranças que sempre ficavam em
minha cola. Eles quase nunca se faziam ser vistos, mas como demorei mais
que o normal para entrar, acabaram tendo que se mostrar. Mariana nem
percebeu quando o carro entrou atrás da gente, ela estava focada no que via a
sua frente.
​Eu não podia negar que era tudo lindo demais. A casa em um estilo
vitoriano, algo que herdei do meu pai. O lago um pouco mais distante
chamava atenção, e o jardim que era perfeito para um piquenique também
não era de se jogar fora. Tudo aquilo era lindo e tinha cheiro de paz.
​— Nossa, que lugar maravilhoso!
​Mariana saiu do carro totalmente encantada com a visão que estava a sua
frente. Vi quando a porta da casa foi aberta e Maria Rita saiu de lá toda
sorridente. Havia bastante tempo que eu não visitava aqui, então, ela devia
sentir falta de se socializar.
​Saí do carro e minha governanta veio toda sorridente em minha direção.
​— Quanto tempo, meu menino. — Ela me abraçou completamente
contente, após se afastar olhou para Mariana cheia de curiosidade. — E quem
é essa?
​— Maria Rita, lhe apresento minha namorada Mariana.
​A minha mulher olhou para mim com os olhos repletos de carinho e
depois sorriu para a mulher e a abraçou. Enquanto elas conversavam, abri a
porta de trás do carro e peguei Lucas que já havia aberto seus olhinhos e
olhava para todos os lados.
​— Chegamos garotão.
​Quando Maria Rita o viu, veio em nossa direção, e o pegou dos meus
braços. Ela era apaixonada por Lucas, então, já sabia que ele seria muito
mimado esses dias.
​— Oi, meu príncipe. Quanto tempo… — Foi falando enquanto o levava
para dentro.
​E Lucas amava ser mimado, por isso, foi rindo enquanto a mulher foi
conversando com ele. Peguei as malas que estavam no carro e sorri para
Mariana que ainda parecia bestificada com tudo que via.
​— Acho que estou meio encantada com esse lugar.
​— Aqui é maravilhoso mesmo.
​Ela veio em minha direção e pegou a mala de Lucas para me ajudar a
carregar. Caminhamos lentamente até a casa e quando entramos Mariana
abriu sua boca vendo toda a decoração e arquitetura do lugar.
​— Henrique, parece que caí em um filme de época e você é o príncipe.
​— Então espero que tenha um “felizes para sempre” nessa história.
​Ela se voltou para mim, com um sorriso gigantesco em seus lábios, nem
parecia que estava chorando há alguns minutos.
​— Tenho certeza que terá.
​Depois disso fomos para o quarto onde iríamos ficar, e tudo remetia a um
século que não tivemos acesso. Realmente a casa era quase uma relíquia, o
que me agradava ainda mais. Passamos o dia comigo apresentando o lugar
para Mariana, enquanto Maria Rita e os outros empregados se encantavam
com Lucas.
​Os seguranças andavam pelo lugar, mas nunca eram inconvenientes.
Mariana estava ao meu lado com a mão grudada na minha e eu falava para
ela que meu pai havia comprado essa casa muito antes de eu pensar que seria
dono da Amarílis. Em seu testamento a casa foi deixada para mim, já que eu
amava demais, só que com o tempo parei de visitar o lugar, e vinha poucas
vezes aqui.
— Não sei se teria coragem de não visitar esse lugar sempre que eu
pudesse. Olha pra isso tudo Henrique, é maravilhoso. Parece que não tem fim
esse lugar.
E realmente era enorme, eram muitos hectares de uma beleza quase
esquecida por todos da minha família.
— Eu sei, mas o meu lado workaholic quase me impede de viver.
— Vou fazer você melhorar esse lado seu. — Ela comentou, enquanto
chegamos em uma parte mais afastada do jardim. Onde havia uma fonte e
alguns banquinhos para se sentar.
Sentei ao lado de Mariana e fiquei observando o pôr do sol. Era uma
visão linda. A mulher ao meu lado deitou sua cabeça em meu ombro, e talvez
aquele fosse um retrato que faria parte da decoração da casa que estava um
pouco afastada. Mas não quis estragar o momento com uma fotografia.
— Quero que saiba que não vou deixar os comentários de Paula
estragar isso que estamos tendo. — Mariana declarou.
— Ainda bem, pois estou disposto a me jogar de cabeça nessa
relação. — Apertei mais o braço que estava em volta do seu corpo.
Ela se voltou para mim, e eu não pude deixar de olhar para os seus
lábios. Eles eram tentadores demais, ainda mais com o clima romântico que
aquele lugar deixava no ambiente.
Por isso sem pensar muito toquei meus lábios nos dela, e comecei
todo aquele processo de sedução. Minha língua passou por seus lábios,
pedindo passagem para avançar para dentro de sua boca. Assim que foi
permitido, encostei minha língua na de Mariana e um beijo sensual começou
a se desenrolar.
Suas mãos vieram parar em meu pescoço, e as minhas desceram para
sua cintura. Logo sem aguentar muito, a puxei posicionando ela sentada em
meu colo, com as pernas uma de cada lado. O vestido soltinho que usava
subiu até seu quadril, deixando suas coxas livres para que minhas mãos
pudessem acariciá-las.
De um beijo romântico tudo começou a esquentar. Principalmente
quando Mariana começou aumentar a velocidade das nossas línguas,
transformando o beijo em afoito, desesperado, necessitado.
Minhas mãos chegaram a barra da sua calcinha, e eu não pude evitar
de afastar a peça para o lado e começar acariciá-la com meus dedos. Mariana
gemeu de prazer o que me tirou a sanidade. Deixei de me importar se alguém
poderia nos ver, e acabei levando a outra mão à alça do seu vestido abaixando
e deixando um de seus seios à mostra.
Com isso afastei-me da sua boca levando meus lábios ao seu mamilo
rosado, delicioso, suculento e meu. Mariana era toda minha e eu não tinha
mais dúvidas disso. Ela começou a rebolar em meu colo o que me deixava
completamente desestabilizado.
Suas mãos foram parar no botão da bermuda que eu estava usando e
logo ela conseguiu libertar meu pau que pulsava de vontade de sentir seu
toque. Ela começou a acariciá-lo o que me deixava ainda mais maluco por
aquela mulher. Já que ela podia ser inexperiente, mas não se envergonhava de
sanar seu desejo e o meu em nenhum momento.
Quando ela tirou minha mão de sua intimidade eu sabia onde ela
queria chegar, Mariana estava tomada pelo desejo, pelo tesão, pela loucura do
momento. Ela ficou de joelhos e vagarosamente foi colocando meu membro
dentro de sua vagina. Enquanto ela fazia esse movimento, meus olhos não
desgrudavam dos dela. Aquilo me deixava maluco, completamente rendido
por aquela mulher.
Assim que fiquei completamente dentro dela, comecei a estocar
alucinadamente, eu precisava daquilo, não podia ter calma. Eu queria ser
bruto e Mariana parecia querer aquilo tanto quanto eu. Pois além das minhas
estocadas ela também começou a cavalgar em meu pau tão rápido quanto eu
entrava dentro dela. Aquilo era maravilhoso, nós tínhamos o pôr do sol como
nosso amante, e o som dos pássaros que diminuíam a cada segundo como
cúmplices daquele momento mágico.
Estoquei, estoquei e estoquei dentro dela. Sentindo o quanto ela era
apertada, nossa pele na pele. Aquilo me deixava com o nível de tesão mais
alto. Levei minha boca ao seu mamilo, enquanto metia fundo dentro da sua
intimidade. Mordi sem dó e Mariana soltou um grito prazeroso. Uma das
minhas mãos foi parar em sua bunda e eu apertei um lado da sua nádega.
Aquilo era incrível.
— Mais, vai mais fundo Henrique, por favor. — Mariana gemia no
meu ouvido e eu aumentei ainda mais minha velocidade.
Quando ela gozou com um urro enlouquecedor, eu me deixei levar e
me liberei dentro dela. A mulher desabou em cima do meu corpo e me
abraçou forte, eu também fiz o mesmo abraçando sua cintura, ainda sentindo
meu membro pulsar dentro dela, liberando todo meu orgasmo em seu núcleo
delicioso.
Era prazer demais, tesão demais, gostoso demais. Mariana era perfeita
para mim. E foi só quando ela voltou a olhar em meus olhos assustada que eu
me lembrei de que não tínhamos usado camisinha.
Capítulo 16
Mariana
​Eram os dias mais mágicos que eu poderia ter. Depois do nosso primeiro
dia que foi tenso, afinal ousamos a transar sem camisinha, no entanto, eu
tomava remédio, então imaginávamos que nada poderia acontecer. De resto
estava sendo maravilhoso.
​Henrique me tratava como se eu fosse uma princesa, e eu até me sentia
como uma. Ele me levava café na cama todos os dias, fizemos piqueniques
com Lucas. Andamos de pedalinho no lago da propriedade e realmente tudo
estava lindo, perfeito, quase uma dádiva que eu não queria que acabasse.
​Infelizmente era nossa última noite aqui. Estava observando Henrique
colocar Lucas para dormir, enquanto ele cantava uma música de ninar que eu
não ouvia desde que meus pais resolveram me deixar para a morte.
​Eu estava segurando uma caneca de leite morno com canela que
Terezinha – a cozinheira da casa –, preparara para mim. Enquanto ainda via o
homem que tinha conseguido ganhar meu coração em tão poucos dias.
Amanhã voltaríamos para a realidade e eu não queria.
​Já que Henrique teria sua audiência dali a dois dias, e eu não sabia o que
fazer com a questão de Paula. Que resolveu pegar no meu pé por causa do
meu namorado. Ainda parecia irreal que Henrique fosse meu namorado de
verdade.
​Há algum tempo eu queria matá-lo com requintes de crueldade, e agora
não imaginava viver sem ele em minha vida. Como o destino adorava pregar
peças na gente. Henrique colocou Lucas no berço, que já havia dormido, e
depois de cobri-lo com sua mantinha voltou-se em minha direção.
​— Vamos namorada? — Estendeu a mão para mim que aceitei de bom
grado.
​— Sim!
​Caminhamos para fora do quarto de Lucas e fomos para o nosso.
Havíamos combinado de assistir algum filme antes de dormirmos. Por isso
quando deitei na cama, depositando a caneca com o leite na mesinha que
ficava ao lado, Henrique, pegou o controle da TV e abriu o canal de
streaming, optamos por uma comédia romântica já que eu odiava terror e
Henrique odiava drama.
Morremos de rir do casal, e quando o filme terminou fizemos amor
como em todas as noites. Olho no olho, cada uma de nossas mãos apreciando
nossos corpos. Realmente eu estava completamente entregue a Henrique, e
ele a mim.
Fomos embora no outro dia felizes como antes, pedi para Henrique
me deixar na minha casa, pois mesmo que ele tivesse insistido que queria que
eu fosse para casa dele, eu preferi viver com os pés no chão. Já estava
completamente rendida a ele, não queria voar demais e depois cair para me
machucar.
Despedi-me de Henrique com um beijo falando que amanhã o via na
empresa, depois de falar tchau para Lucas saí do carro e entrei no meu prédio,
fui para meu apartamento. Assim que entrei Paula estava no sofá assistindo
TV, estranhei por Leonardo não estar presente, pois não tinha um dia que ele
não aparecia aqui.
— Oi, amiga! — cumprimentei, tentando esquecer tudo o que ela me
falou o último dia que estive aqui.
— Oi, como foi a viagem? — Ela até tentou ser gentil e abriu um
sorriso.
— Ótima! Você precisava ver a casa do Henrique. Nossa, é incrível!
— comentei, sorrindo, enquanto caminhava para o meu quarto para colocar a
mala no chão. Assim que voltei para a sala com o celular na mão procurando
algumas fotos para mostrar para Paula, ela disse:
— Não deixa o dinheiro dele te comprar. — Meu sorriso morreu.
— Meu Deus! Paula, qual o problema? Eu me fodo para o dinheiro do
Henrique. Estou cagando para isso. — Perdi totalmente a noção das palavras.
— Ele realmente é um cara incrível. Será que eu posso tentar ser feliz sem
que você fique me repreendendo a cada vez que eu falar dele para você?
Ela me olhou nos olhos e eu podia ver um pouco de culpa, mas não
dei moral. Saí da sala indo para meu quarto, fechei a porta e me joguei na
cama. Se ela queria me tratar como uma idiota, então, era melhor me manter
afastada.
Estava vendo as fotos que tirei, quando a porta se abriu e eu já sabia
que ela era, mas não dei atenção. Tinha me decepcionado muito nesses
últimos dias com minha amiga, então, eu que não ficaria como uma idiota
correndo atrás de sua atenção.
— Desculpa, estou sendo uma idiota com você. — Paula pediu,
enquanto sentou na beirada da cama.
— Está mesmo, eu não posso comentar nada com você que já recebo
alguma resposta nada boa.
— Eu sei, só é meu estresse que está alto demais. — Com o seu
comentário pude perceber que tinha alguma coisa errada com ela.
Sentei-me na minha cama e a olhei, que estava brincando com seus
dedos, como se estivesse bem, mas não estava. Nada estava, pois Paula não
era de chorar, e as lágrimas que começaram a escorrer por seu rosto me
provaram isso.
— Ei, o que aconteceu? — Me aproximei, e abracei seus braços
trazendo sua cabeça para meu ombro.
— Tudo o que não devia, amiga. — Chorou mais um pouco até que
revelou: — Estou grávida, por isso, estou com esse humor horroroso. Fui
uma péssima amiga, cheia de julgamentos com você. Não deixa que tudo que
eu te falei estrague o que você tem com Henrique, tudo bem?
Levantou sua cabeça do meu ombro, e mesmo com seus olhos cheios
de lágrimas eu não pude deixar de sorrir e concordar com o que disse. Depois
que ela se acalmou mais, levantei-me da cama e disse:
— Paula, quero que você saiba que não precisa ficar triste pela
gravidez. Ter um filho é lindo. — ela assentiu, mas disse em seguida:
— Eu não queria filho agora, não tenho a melhor condição do mundo
para ter um filho, Leonardo tem muito mais condição, mas nem sei se ele
quer um final comigo. Por isso que fico com mais medo.
— Mas você contou para ele? — indaguei, e ela negou, soltei um
suspiro, mas murmurei: – Se ele não quiser, nós damos conta de cuidar do
seu bebê, não precisamos desesperar por não saber o que Leonardo vai fazer
daqui a uma semana, ou nove meses.
— O que seria da minha vida sem você? — Minha amiga questionou,
pegando minhas mãos e abrindo um sorriso.
— Talvez seria menos conturbada.
— Isso é uma verdade.
Depois de planejarmos fazer um ultrassom em breve, pois ela ainda
não tivera coragem de fazer, fomos para a sala comer brigadeiro e assistir
série. Em certo momento Paula pegou o controle da TV e colocou pause.
— Me conta como você está se sentindo com seu envolvimento com
seu chefe, prometo nunca mais te julgar.
Ela se voltou para minha direção no sofá e esperou com a expressão
cheia de expectativa.
— Acho que estou apaixonada, ele faz com que eu me sinta muito
bem, feliz, cheia de vida, com vontade de fazer loucuras que nunca cometi.
Henrique é perfeito, Paula.
— Bom, eu não acho que você esteja apaixonada, eu tenho completa
convicção disso, só por esse brilho em seu olhar eu posso perceber. Espero
que vocês sejam felizes, de verdade. Pelo jeito que você fala ele também não
passou por uma vida nada fácil.
— Não mesmo, mas tenho certeza que passaremos por essa batalha.
— Que batalha?
Percebi que estava na hora de revelar a minha amiga tudo o que eu
não havia contado a ela, principalmente sobre Lucas. Eu sabia que Henrique
não queria que muitas pessoas soubessem do seu filho, mas eu precisava
desabafar, pois estava com medo da audiência de amanhã.
Revelei tudo para Paula que me observou com atenção, ela não me
julgara como pensei que julgaria. E até me deu apoio em ir com Henrique na
audiência para não deixá-lo sozinho nesse momento.
— Que coisa maluca, essa avó surgir do nada, depois de meses e
exigir a guarda do filho. Já viu ela? — Paula questionou, e eu neguei.
Não sabia quem era a mulher, mas só por fazer o que estava fazendo
com meu sr. Perfeitinho, não deveria ser uma mulher do bem.
Passei a noite quase toda em claro, e no outro dia coloquei meu
melhor terninho, pois eu iria acompanhar Henrique na tal audiência. Cheguei
à Amarílis, e a porta da sala de Henrique já estava aberta. Deixei minha bolsa
em cima da mesa e fui entrando em sua sala.
Ao chegar lá o encontrei sentado em uma cadeira de cabeça baixa,
sem perceber que eu estava presente. Fui caminhando em sua direção, logo
depositando minha mão em seu ombro. Ele olhou para mim de uma forma
totalmente desolada, Henrique estava com medo e isso me dizia que por
dentro ele estava em frangalhos.
— Meu amor, vai dar tudo certo. Ninguém vai tirar seu filho de você.
— Eu nunca o havia tratado com um nome mais romântico, mas esse
momento pedia isso. Ele precisava ouvir coisas para acalmá-lo.
— Obrigado! — Foi o que disse, puxando-me para sentar em seu
colo. Em um primeiro momento fiquei com medo, pois a porta da sua sala
estava aberta, mas se alguém falasse alguma coisa, eu os mandaria ir à merda.
— Por nada, meu sr. Perfeitinho. — comentei, enquanto entrelaçava
minhas mãos em seu pescoço.
— Não tenho nada de perfeito.
— Você pode pensar isso, mas a minha opinião é a que importa —
brinquei, enquanto depositava um selinho em seus lábios.
— Se você está dizendo. — Me deu outro selinho ao terminar de
falar.
— Eu vou com você na audiência. — Declarei.
— Mais uma vez obrigado, é muito importante para mim.
Trabalhamos um pouco, mas ficamos meio aéreos a maioria do
tempo. Logo o advogado de Henrique ligou para ele, e foi comunicado a mim
que estávamos saindo. Chegamos ao local que seria a audiência.
Encontramos a mãe de Henrique, e o advogado do meu sr. Perfeitinho falou
que se quiséssemos podíamos acompanhá-lo na sala só não podíamos falar
nada e nem revelar o segredo de justiça.
E eu mais que depressa falei que entraria, dona Lílian não quis, pois
ela disse que faria um escândalo caso a tal avó de Lucas fizesse alguma
gracinha contra Henrique. Fomos caminhando de mãos dadas até a sala. O
advogado abriu a porta, e entramos no ambiente.
A mulher ainda não havia entrado, eu fui convidada há ficar um
pouco mais afastada de Henrique, e fiz isso. Estava respondendo uma
mensagem de Paula quando a porta foi aberta novamente e eu levei meus
olhos até as pessoas que entraram.
Um homem muito bem vestido entrou na sala, e eu imaginei ser o
advogado da mulher que queria a guarda de Lucas, e logo ela se fez presente.
Em toda sua pose de mulher superior, cabelos platinados e longos, a pele
puxada um pouco com várias plásticas que deveria ter feito com o decorrer
que a idade ia avançando, mas o pior não era isso.
Aquela mulher que me olhou e abriu um sorriso, era a mesma que
destruiu meu passado. A mulher que queria tirar o filho do meu namorado era
um dos meus piores pesadelos.
Capítulo 17
Henrique
A mulher sentou-se do lado oposto ao meu na mesa, meus olhos se
voltaram mais uma vez para Mariana e ela parecia em choque. Seus olhos
estavam marejados e por um momento eu pensei que ela estava em choque.
Era nítido que estava trêmula, e eu quase me levantei de onde estava para
perguntar o que acontecera.
Ela estava bem até que a tal avó do meu filho entrou na sala, e agora
ela não conseguia tirar os olhos de Magnólia. E a senhora, loira e com
expressão de ganhadora ainda lhe direcionou um sorriso totalmente diabólico.
Que merda estava acontecendo?
— Bom senhores, vamos começar.
O juiz começou e realmente eu não estava prestando muita atenção,
até que fui questionado:
— O senhor sabia que o menor tinha parentes pela parte materna?
— Não senhor, há mais de oito meses que meu filho vive comigo, e
eu só fiquei sabendo recentemente que ele tinha uma avó. Quando o hospital
me ligou para falar que Alice estava entrando em trabalho de parto – o que
levou a sua morte –, eu nem imaginei algo assim, pois era seu contato de
confiança segundo os médicos. E Lucas ficou no hospital por mais cinco dias
e ninguém apareceu para visitá-lo, então, pensei que era só ele e eu no
mundo, se soubesse que ele tinha uma avó permitiria tranquilamente que ela
tivesse convivido com ele.
Olhei para a mulher que não parecia nenhum pouco abalada com a
minha fala. Ela parecia na verdade não perder a pose de ganhadora.
— E o que a senhora deseja marcando uma audiência para tentar ter a
guarda do seu neto, sendo que o pai está inteiramente bem fisicamente e pelo
que podemos ver mentalmente.
— Ele não tem condições de criar a criança bem, um homem que só
pensa em trabalho e nem tem uma figura materna para dar exemplo para o
menino. — Não dei conta de me controlar ao ver aquela mulher se referir ao
meu filho como se ele fosse um mero objeto.
— O menino tem nome e é Lucas, não fale dele como se não fosse
nada. Meu filho é a parte mais importante da minha vida e não é como se
você soubesse como eu sou, pois nunca parou para observar como eu o crio.
Amadeu colocou a mão em meu braço para me acalmar, mas eu não
queria calma, queria era destruir aquela mulher. Acabar com ela só por pensar
em tirar o meu filho de mim. Principalmente por ela me parecer uma má
pessoa, uma que queria estragar minha felicidade.
— Eu não confio nessa mulher, senhor. — Virei-me em direção ao
juiz e disse sem pensar, não estava com coerência.
E Amadeu interviu ao meu favor explicando alguns fatos que não
dava para discordar, como: o motivo de ela aparecer somente agora, de querer
saber do neto mais de oito meses depois de ter nascido. O homem que iria dar
o veredito sobre tudo somente assentia.
Fui começando a me desesperar, pois achava que a tal Magnólia
queria me desestabilizar perante o juiz e tinha quase certeza que ela estava
conseguindo. Olhei para Mariana para tentar pedir uma ajuda nem que fosse
em forma de olhar, e ela continuava do mesmo jeito de antes, mas agora pelo
menos seus olhos iam de mim até a mulher. Que volta e meia encarava em
sua direção, alguma coisa estava muito errada ali, eu só não sabia dizer o
motivo real.
Enquanto a mulher continuava a falar quando chamada, e eu fazia o
mesmo processo, durou horas até que Magnólia resolveu apelar para o choro.
— Eu sei que não procurei antes, pois eu não sabia que tinha um neto.
Perdi minha filha e estava sofrendo o meu luto, então, só estou pedindo a
guarda do meu neto para ter uma lembrança boa da minha Alice. — Ela ainda
colocou a mão em seu peito enquanto a outra enxugava o olho com um lenço
que seu advogado havia estendido a ela.
Era uma encenação perfeita, não tinha como não perceber aquilo. Não
era possível que o juiz não via aquilo. Olhei para ele que havia soltado um
murmúrio incompreensível, mas logo voltou a dizer:
— Bom, devido às circunstâncias…
Só que nada me preparou para o que aconteceu, do nada Mariana se
colocou em pé abruptamente, chamando atenção de todos. Lágrimas
escorriam por seu rosto e aquelas não eram de encenação.
— Juiz, o senhor não pode dar a guarda do Lucas para essa mulher.
Ela não é uma pessoa confiável. Alice fugiu da casa dela quanto eu ainda era
uma adolescente, porque ela obrigava a filha a se prostituir. — Mariana olhou
para mim e sussurrou: — Desculpa, se eu soubesse antes Henrique. —
Voltou sua atenção para o juiz: — Ela e a irmã tentaram me vender para um
homem para conseguirem dinheiro. Ela não pode ter a guarda do filho de
Henrique, sendo que ele cuida perfeitamente dele.
O juiz olhava sem entender para Mariana até que perguntou:
— Mas quem é você senhorita?
— Sou a sobrinha dessa mulher que recebeu a minha guarda quando
meus pais morreram, ela e a irmã iam me vender.
Olhei para Mariana sem acreditar naquilo, não podia ser possível que
ela havia passado por aquilo também. Como podia ser possível que essa
garota tivesse um passado tão escuro. Voltei meus olhos para Magnólia com
ódio, acho que ela não esperava essa reação de Mariana, já que se levantou e
esbravejou:
— Eu nunca vi essa garota na minha vida, pelo que sei ela tem um
relacionamento com Henrique, devem estar querendo me desestabilizar para
ficar sem a guarda do meu neto.
— Eu não estou mentindo — sussurrou.
— Como você se chama? — O Juiz questionou.
— Mariana Martins. — Voltou a chorar, mas antes de se entregar ao
choro por completo continuou: — Eu era filha do irmão dela, Carlos Martins,
por favor, eu não estou mentindo.
Eu por outro lado não dei conta de encarar aquela cena mais.
Levantei-me da minha cadeira e fui até a minha mulher. Aproximei seu corpo
do meu, e enquanto apoiava sua cabeça em meu peito murmurei:
— Não fica assim, meu amor. Está tudo bem!
— Senhores, acho que estamos um pouco exaltados. Irei remarcar
essa audiência para daqui a quinze dias e enquanto isso a guarda do menor
continua com o pai. Como sempre esteve. E a senhorita Martins será
testemunha na próxima audiência, pois será aberto um inquérito contra a
senhora Magnólia Martins.
Comecei a me mover para fora daquele ambiente com Mariana
abraçada ao meu corpo. Ela estava muito abalada, minha mãe assim que nos
viu, veio em nossa direção, mas antes mesmo que ela se aproximasse a tal
Magnólia passou por nós e disse:
— Acabarei com você Mariana, eu sei de todos os seus pontos fracos.
— Você está ameaçando-a? — esbravejei.
— Se você está dizendo isso.
E saiu com o nariz empinado como se tivesse ganho uma batalha.
Mariana continuou abraçada ao meu corpo, enquanto, mamãe questionou:
— O que essa mulher estava falando filho, e por que Mariana está
assim?
E a minha mulher não falava nada, só me abraçava mais e continuava
chorando.
— Mamãe não entendi muito bem, mas Magnólia é tia de Mariana.
Depois fomos embora, Mariana permaneceu calada, e mesmo que
minha mãe tentasse descobrir a história direito não conseguiu. Minha ruiva
não queria falar nada. Achei por bem ir para meu apartamento, chegando lá
dispensei Clara, para ficar com Lucas e Mariana.
A minha garota estava com meu filho no colo, brincando com seus
dedinhos, enquanto se acalmava mais. Ela parecia extremamente abalada,
mas ao menos Lucas parecia lhe distrair um pouco de tudo que havia
acontecido. Eu sentia como se minha vida tivesse em uma montanha russa,
cheia de altos e baixos, curvas perigosas e eu não tinha nenhum controle do
que estava acontecendo.
Mariana evitou falar por um tempo enorme. Ela preparou a
mamadeira de Lucas, deu para ele, e até cantou uma música de ninar para que
meu filho dormisse. Assim que o colocou no berço se voltou para a porta e
me pegou observando-a. Por um momento ela me olhou, já que eu tinha
desabotoado alguns botões da camisa, tirado meu sapato e o blazer do terno,
além da gravata estar em algum lugar que eu não me lembro de ter deixado.
— Vamos conversar — declarei, estendendo a mão para que ela
pegasse.
Assim que o fez saímos do quarto e caminhamos para o meu.
Entramos e Mariana caminhou até a janela para observar o ambiente de fora.
Sentei-me no colchão e esperei que começasse.
— Estava com doze anos quando meus pais morreram, em um
acidente de carro. Eu tinha duas tias em Limeira à cidade que morei até meus
dezoito anos, e fiquei com elas, e tinha minha prima Alice que era mais velha
que eu uns três anos. Quando completou um ano que eu morava com essas
tias: Magnólia e Marieta, Alice resolveu fugir e sumiu do mapa. Eu a
entendia muito bem, pois quando tive a primeira oportunidade também fugi.
Essas tias sempre quiseram dinheiro fácil e pra isso, elas faziam com que
Alice — filha de Magnólia se prostituísse para elas ficarem nadando em
dinheiro. Depois disso, elas miraram em mim, quando completei dezoito anos
elas quiseram vender minha virgindade a um idiota, asqueroso, e foi quando
eu tomei a atitude de sumir daquela casa. — Ela parou por um momento e
voltou-se em minha direção com os olhos banhados de lágrimas.
Levantei-me da cama e fui até Mariana, abraçando a pequena mulher
com meus braços. Era isso então, o destino fez com que eu me envolvesse
com duas mulheres da mesma família, uma morreu me deixando o meu
pacotinho de gente, a outra estava aqui ao meu lado pegando meu coração
totalmente para ela.
— Eu não sabia que você pudesse conhecer Alice, Henrique, eu juro
que não fiz nada de caso pensado…
— Não estou imaginando nada disso, eu só não quero deixar aquela
mulher pegar meu filho, ainda mais por saber por tudo que vocês passaram. E
ainda quero te proteger dessa mulher, não permitirei que ela lhe faça mal
algum, você é importante pra mim.
Ela colocou a mão sobre meu rosto, e me deu um leve beijo nos
lábios, para depois declarar algo que podia ser a luz no final do túnel que eu
precisava.
— Talvez eu possa te ajudar com isso, pois eu sempre tive uma carta
na manga, caso elas resolvessem aparecer um dia para me atormentar.
Mesmo ainda com os olhos marejados, Mariana conseguiu abrir um
sorriso e eu senti que talvez eu conseguisse ter a guarda do meu filho sem me
preocupar muito. Acho que realmente a mulher a minha frente estava
destinada a me salvar, e se eu quisesse já poderia revelar que estava
completamente apaixonado por ela, mas achei por bem esperar um momento
menos conturbado.
— Então vamos acabar com essas mulheres para você ter paz. — Foi
o que eu disse. Estava pronto para entrar em uma guerra contra todos que
quisessem machucar meu filho e minha Mariana.
Capítulo 18
Mariana
Eu passei os últimos três dias na casa de Henrique, ele estava abalado,
eu também estava abalada pela revelação de tudo que acontecera. Mas isso
era compreensível o pior tinha acontecido, a revelação de que meu namorado
tinha um filho estava em todos os telejornais e isso acabou mais um pouco
com meu sr. Perfeitinho. Ele morria de medo de que algo pudesse acontecer
com Lucas por causa dessa revelação, já que no passado sofrera alguns
atentados.
Hoje por outro lado eu decidi que não iria ao apartamento de
Henrique, precisa ir a minha casa, pegar a maldita prova que eu tinha contra
aquela família que deveria ter me ajudado no passado, mas que destruira
minha vida. E eu não iria permitir que também destruíssem a vida de
Henrique. Eu não deixaria que tirassem Lucas dele.
Bati na sua porta, e assim que ele permitiu minha entrada eu caminhei
em sua direção. Ele estava abalado não podia negar, mas ao menos tentava
levar a vida adiante.
— Vai ficar até mais tarde, meu amor? — Coloquei a mão em seu
ombro, enquanto ele ainda continuava sentado em sua poltrona.
— Não, eu só estava aqui pensando em tudo e me perdi no tempo.
— Eu vou para minha casa hoje, tentar viver um pouco de
normalidade e também pegar a gravação, já que amanhã vamos encontrar
Amadeu para mostrar a ele.
Henrique afastou sua cadeira e levantou-se, olhando profundamente
em meus olhos. Aproximou-se de mim, e enlaçando minha cintura comentou:
— Queria que passasse a noite comigo, por favor, não me deixa
sozinho nesse momento Mari. Eu preciso de você. Fica lá em casa esses dias,
eu te imploro.
Fechei meus olhos por um momento, ele estava certo, não podia
abandoná-lo logo agora. Voltei a encará-lo e murmurei:
— Tudo bem, mas preciso passar em casa, me leva?
— Para onde você quiser ir.
Saímos da empresa juntos, e já estava ocorrendo alguns boatos sobre
nós dois, mas realmente parei de me importar. Tínhamos tantos problemas
pela frente, para que a fofoca alheia fosse importante. Que achassem que eu
estava com Henrique por causa de dinheiro, eu não ligava, ele sabia que não
era isso, então, era a única coisa que valia.
Chegamos a meu apartamento e Henrique resolveu subir para me
ajudar a pegar algumas mudas de roupas. Entrei e Paula ainda não havia
chegado. Uma pena já que eu queria apresentá-los de uma forma melhor.
Minha amiga finalmente havia contato para Leonardo sobre o bebê e ele
amou a notícia de uma maneira que tinha finalmente se mudado para cá.
Fomos para meu quarto, e eu abri meu armário para pegar alguns
terninhos, e algumas roupas para usar em casa. Enquanto abria uma gaveta
para pegar algumas lingeries, Henrique ficou ao meu lado observando
atentamente. Olhei para ele fazendo uma expressão de desentendida, e ele
abriu um sorrisinho sacana.
Ele me imprensou contra a gaveta, e suas mãos passaram por meu
corpo. Chegou aos meus seios por cima da camisa que usava e os apertou.
Seu suspiro em meu ouvido foi um ponto para que eu pudesse ficar molhada.
— Eu te desejo tanto, que chega me assustar.
— Não é muito diferente do que eu sinto.
Sua mão desceu até o botão da minha calça e o abriu. Ainda estava de
costas para ele, mas suas mãos invadiram minha calça com precisão. Quando
menos pensei ele já estava estimulando meu clitóris. Aquilo era o paraíso.
Sabia que estávamos passando por momentos turbulentos, mas a gente
precisava extravasar de alguma forma.
A língua de Henrique passou por meu pescoço, parando no lóbulo da
minha orelha. E ele novamente penetrou seu dedo dentro de mim, fazendo
com que um leve gemido escapasse da minha boca.
Sua mão saiu abruptamente de dentro de mim, e Henrique me virou
para ele, afastou-se um pouco e ordenou em seguida:
— Tire sua roupa. — Eu poderia falar que ele estava muito mandão,
mas fiz de bom grado. Já que eu adorava brincar com ele.
Comecei pela camisa, desabotoei vagarosamente cada botão olhando
em seus olhos. Quando ela estava no chão, comecei a fazer o mesmo com a
calça, ficando somente de lingerie.
Meu sr. Perfeitinho observou todo meu corpo por alguns minutos, até
que começou a desatar sua gravata, logo deixou que caísse no chão, o blazer
teve o mesmo fim, e a camisa também. Aquele homem só de calça social
também ficava uma delícia. Ele voltou a se aproximar de mim e colocou as
mãos em minha cintura, impulsionou-me para cima fazendo com que eu
entrelaçasse minhas pernas em volta do seu corpo.
Levou-me para a parede que ficava ao lado do meu armário, e
encarando meus olhos Henrique declarou:
— Eu preciso de você, não só por eu te desejar demais, mas também
por simplesmente você ser a única que consegue fazer minha mente ficar um
pouco melhor depois de tudo que vem acontecendo. Eu tô me apaixonando
por você Mariana e não tem como negar, você é meu porto seguro.
Coloquei minhas mãos em seu rosto, passando meus dedos por sua
barba que a cada dia crescia mais. Eu sentia meu coração disparado com sua
declaração, porque realmente também havia os mesmo sentimentos tomando
posse de mim. Eu sabia que Henrique também era meu porto seguro.
— Você se tornou tudo pra mim — confessei.
Henrique não esperou mais, começou beijando meus lábios com
fome, parecia que aquilo ali era o que ele necessitava no momento. Devorar
minha boca parecia ser a salvação de tudo. Enquanto me beijava foi descendo
as alças do meu sutiã e logo o retirou do meu corpo colocando em algum
lugar que eu não percebi, já que a única coisa que importava era a boca de
Henrique me devorando.
Ele começou a desabotoar o botão de sua calça, enquanto eu segurava
em seu pescoço e tinha o apoio da parede para não cair. Ouvi o barulho da
peça encostando-se ao chão, Henrique, também abaixou sua boxer e logo
afastou minha calcinha para o lado.
Sem muitas delongas me penetrou com força, me fazendo soltar um
leve gemido pelo avanço repentino. Assim que começou a se movimentar eu
fui ficando lubrificada, e ele colocou sua cabeça em meu pescoço para me
penetrar com mais veemência. No quarto só podia ser ouvido o sons de
nossas bocas e o entrar e sair dos nossos corpos se amando.
— Caralho… — Henrique esbravejou, quando me afastou da parede e
me deitou na ponta do colchão deixando minhas pernas no ar, apoiadas em
seu pescoço. Ele se enterrou com mais precisão dentro de mim, com força,
com vontade, com desejo.
Abaixou sua cabeça e sugou meu mamilo com tanta força, quanto às
estocadas que me oferecia. Seu vai e vem estava tão forte que a cama
começou a bater na parede e eu só podia gritar para extravasar meu prazer.
Um que tomava todo o meu corpo e que só Henrique sabia me oferecer.
Levei minhas unhas até suas costas e o arranhei, mas logo ele segurou
minhas mãos acima da minha cabeça e entrou com mais força. O homem
realmente estava me fodendo com todos os sentidos da palavra.
Contraí-me em volta dele e logo a minha libertação veio, meu
orgasmo ensandecido, meu corpo todo ficou trêmulo e Henrique veio
segundos depois se liberando totalmente dentro de mim. Ele deixou seu corpo
cair em cima do meu, e sussurrou em meu ouvido com a voz ainda mais sexy:
— Você é minha, toda minha, meu amor.
— E você é meu. — Consegui responder depois de um tempo.

∞∞∞

Henrique
Eu ainda observava enquanto Mariana colocava suas roupas em uma
mala de rodinhas. Estava levando muitas roupas, e a vontade que dava era de
falar para ela que já devia se mudar para minha casa, mas eu sentia que não
aceitaria. Ainda estava anestesiado pelo sexo que fizemos há alguns minutos.
A minha mulher era uma delícia irresistível.
Assim que fechou a mala, foi para um compartimento do armário, que
havia tipo um esconderijo e pegou um pendrive. Voltou-se para mim, e
olhando em meus olhos murmurou:
— Aqui está a prova que fará com que aquelas mulheres não nos
perturbem mais.
Ela ainda não havia me falado o que era, mas disse que tinha certeza
que com aquilo juiz nenhum no mundo tirava Lucas de mim, além de ela
também ter sua vingança. Dependendo do conteúdo que estava no pendrive
Amadeu disse que as tias de Mariana poderiam até serem presas depois de ter
relatado o que acontecia no lugar onde morava.
— Você só tem essa cópia? — questionei, eu realmente não confiava
somente em um arquivo.
Quando ela assentiu eu voltei meus olhos para o seu notebook. Eu
podia estar parecendo um neurótico, mas peguei o objeto e liguei. Mariana se
sentou ao meu lado sem pestanejar. Eu por outro lado, abri todas as pastas de
nuvem que tinha em minhas contas de e-mail e copiei o arquivo para ela.
— Pronto sr. Perfeitinho? — Ela brincou, enquanto sorria.
— Eu sou precavido, só isso.
— Muito precavido. — Aproximou-se de mim e beijou levemente
meus lábios. — Vamos? Clara já deve estar dobrando suas horas extras.
— Isso eu concordo.
Saímos do quarto de Mariana ao mesmo tempo que a porta do seu
apartamento foi aberta e sua amiga entrara com um homem que eu imaginava
ser o tal Leonardo.
— Ah, meu Deus! Que surpresa maravilhosa. — Paula gritou e correu
em direção a Mariana.
Ela parecia realmente feliz em ver minha namorada, e depois de
questioná-la onde estava indo com aquela mala, e de Mariana responder ela
se voltou para mim.
— É um prazer em conhecê-lo depois de tanto tempo Henrique. —
Estendeu a mão em minha direção.
— O prazer é todo meu. — respondi, da melhor forma que pude.
Eu sabia de toda sua relutância em meu relacionamento com Mariana,
mas ela só parecia ser uma amiga preocupada, e eu admirava isso. Já que
quem se importasse com a minha mulher tinha meu total respeito.
Fui apresentado ao tal Leonardo e conversamos por mais alguns
minutos, até que realmente fomos embora para meu apartamento. Ao
chegarmos dispensei Clara e paguei um táxi para que não fosse embora tão
tarde da noite devido a minha demora.
Quando me despedi da babá, voltei-me para a sala e novamente pude
presenciar uma imagem que sempre mexeria comigo, minha mulher e meu
filho sorrindo um para o outro. Eu realmente estava apaixonado e fiquei feliz
de revelar isso para Mariana, pois não dava mais para esconder.
Ela voltou sua atenção para mim sorridente, e eu sabia que só com
aquilo eu já tinha juntado forças suficientes para encarar todo mal que estava
por vir dali pra frente.
Capítulo 19
Mariana
Passei vários dos meus dias curtindo Henrique e Lucas, mas também
trabalhando. Sua mãe veio algumas vezes nos visitar e dona Lílian era muito
engraçada, contava várias piadas e ainda adora passar vergonha em Henrique
sobre assuntos do seu passado.
Eu fui apresentada aos seus sócios oficialmente como sua namorada, e
todos ficaram espantados, mas João Carlos – ou Joca para os íntimos –, foi o
único a dizer que já sabia que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde.
Eu também mostrei a gravação que tinha para Amadeu e ele ficou
extremamente confiante que aquilo seria uma prova que ajudaria demais. E
infelizmente o dia da maldita audiência chegou. Ainda não conseguia
entender como o destino era sacana de colocar logo quem eu queria evitar no
meu caminho.
Estava sentada mais afastada de Henrique, pois eu seria uma
testemunha. Magnólia me olhava com ódio e até mesmo Marieta estava
presente. Então se a minha vingança fosse se consagrar elas estariam juntas e
eu veria elas caírem.
— Bom, vamos começar… — O juiz iniciou, e logo foi relembrando
o caso para os presentes.
De uma audiência para guarda de uma criança, aquilo havia se
tornado quase um julgamento, afinal, até onde eu sabia Magnólia foi
impedida de sair do país e até mesmo do estado por causa da minha pequena
cena da última vez.
Ela me olhava uma vez ou outra com ódio estampado em sua face, e
Marieta que foi a primeira vez que revi, não parecia muito diferente. Eu
imaginava que elas me odiavam, estraguei todo o plano delas de ganhar
dinheiro com a venda da minha virgindade.
Só ficava pensando que se elas sabiam do meu paradeiro porque não
tinham feito nada antes? E só resolveram fazer agora? A história estava mal
contada e eu não conseguia juntar os pontos, mas a verdade viria à tona como
sempre aconteceria. Igual nesse momento que eu desmascararia as duas com
minha gravação.
Quando me foi solicitado eu comecei a falar:
— Eu estava entrando na minha adolescência quando me mudei para
a casa delas, meus pais haviam morrido em um acidente de carro, e as únicas
parentes vivas eram elas. Eu pensei que ao menos não estaria desamparada
por que elas eram minha família, mesmo que não tivéssemos contato,
Magnólia e Marieta eram minhas tias. Quando cheguei me encantei, pois
Magnólia era mãe da minha prima Alice, que era um amor de pessoa, no
entanto ela sempre dava um jeito de me encontrar sozinha e me alertar para
tomar cuidado. Eu nunca entendi o motivo até que descobri o que elas
obrigavam Alice a fazer para ganharem dinheiro. Ela era menor de idade na
época, e mesmo assim não importava para elas. Só o que importava era o
dinheiro.
E continuei relatando até que olhei para Magnólia e revelei:
— Teve um dia que ouvi alguns gritos, eu estava dormindo, e ainda
não sabia o que minhas tias faziam. Eu desci sorrateiramente pelas escadas e
encontrei Alice. Ela estava amarrada, nua, com as pernas e os braços abertos.
Magnólia e Marieta estavam sentadas em um sofá até que um homem
chegou, ele pagou um valor para elas e as mesmas falaram que ele podia
fazer o que quisesse. Estupraram minha prima na minha frente, sem saberem
que eu estava lá. Um tempo depois ela fugiu e eu nunca mais soube dela, até
algumas semanas atrás quando Magnólia quis a guarda de Lucas. Foi aí que
descobri que minha prima era a mãe falecida do filho do meu namorado.
As perguntas continuaram até que chegou à parte de provas, e o vídeo
que fiz naquela noite, onde Alice fora estuprada – eu tinha uma câmera
presente do meu pai na época e ela me ajudou muito. Eu agradeci por eles
terem passado o vídeo sem som, pois ainda me lembrava dos gritos da minha
prima como se tudo estivesse acontecendo agora.
No final quando eu fui liberada, não consegui ficar no mesmo
ambiente para saber qual era a sentença que as mulheres receberiam. Elas me
olhavam com ódio e não queria lembrar um passado que tentei tanto evitar.
Por isso achei por bem ficar esperando que Henrique me encontrasse do lado
de fora da sala.
Peguei um copo descartável que ficava disposto e tomei um gole de
água, estava sentindo minha boca seca. Precisava me acalmar. Senti meu
celular vibrar, mas não dei atenção para ele. No entanto o número insistente
continuou a chamar, até que fui vencida e atendi a chamada.
— Alô! — Era um número restrito, mas devido à insistência resolvi
atender.
Por um momento tudo ficou em silêncio até que ouvi um choro de
uma criança do outro lado da linha. Mas não sabia reconhecer de quem
poderia ser.
— Olá, vadia! — Só que a voz que me cumprimentara eu sabia muito
bem de quem era.
O homem que me atormentou por meses, que eu sentia que estava me
seguindo. Fernando realmente não havia desistido de mim, mesmo com
aquela merda de medida protetora falha.
— Não vai me cumprimentar?
Eu não conseguia dizer nada, mas ele parecia estar pronto para dizer
tudo.
— Então, a cobertura do seu patrãozinho é bem aconchegante não é
mesmo?
Foi nesse momento que eu comecei a sentir meu coração que já estava
disparado quase sair do meu corpo. O que aquele maluco estava querendo
dizer?
— Esse bebezinho é uma gracinha, não é mesmo?
— O que você está querendo seu maluco? — Gritei, e até algumas
pessoas que estavam no tribunal me olharam, mas eu não importava.
Já que aquele maluco parecia estar falando de Lucas e eu escutava um
bebê chorar ao fundo.
— Fale baixo comigo, vadia. E venha para a cobertura do seu chefe,
já que você gosta de dinheiro é aqui que vamos nos encontrar.
Ele desligou o telefone e eu sabia que no fim, eu ter conseguido
libertar um dos meus demônios dentro da sala de julgamento, não fazia com
que eu destruísse todos os que rondavam minha vida.
Pensei em mandar uma mensagem para Henrique, mas não poderia
tirá-lo da audiência, a guarda de Lucas ainda corria risco. Pois aquelas
mulheres tinham conseguido colocar meu namorado na boca da assistência
social.
Chamei o primeiro táxi que vi e entrei. Meu coração parecia estar
dilacerado, as lágrimas escorriam por meu rosto, eu só esperava que ele não
fizesse nada com meu bebê, pois no fundo eu me sentia a mãe de Lucas.
Aquele garotinho era tudo para mim, se aquele doido quisesse ele que me
matasse, mas deixasse meu bebê em paz.
∞∞∞

Henrique
Ele era meu, todo meu, foi extremamente gratificante ver as mulheres
que fizeram tanto mal a Mariana saírem algemadas da sala de julgamento. A
tal Marieta até tentara fugir depois da prova, mas foi barrada por dois
policiais, parecia até cena de filme. Mas o sorrisinho que vi no rosto de
Magnólia, fez com que um frio apossasse do meu corpo.
Minha mãe tinha ficado presente na sala e estava a ponto de soltar
fogos por Lucas ter ficado comigo, e as mulheres ainda serem presas. Agora
elas passariam por um julgamento pelos crimes que cometeram. E isso já
bastava para mim.
Saí da sala com minha mãe abraçando minha cintura, e eu estava
pronto para anunciar para a minha mulher que tínhamos conseguido, mas não
a encontrei.
Olhei para todos os lados e não vi nada. Um dos homens que cuidava
da minha segurança se aproximou de mim, assim que viu que eu já havia
saído da sala.
— Senhor, precisamos conversar.
Assim que ele falou aquelas palavras eu sabia que não podia ser nada
bom. Afastei-me da minha mãe e deixei que o sorriso que estava em meus
lábios desaparecesse.
— O que aconteceu?
— Tínhamos um traidor em nosso meio, senhor.
— Como assim?
— Roberto um dos seguranças que fazia o cuidado do seu filho, era
um traidor, e permitiu que um homem entrasse em seu apartamento hoje.
Achamos que é o mesmo que vinha perseguindo aa sua namorada.
Senti meu mundo começar a ruir, meu filho estava em perigo, e eu
estava longe dele. Eu sabia que não podia ficar tão feliz como estava, pois
sempre algo poderia acontecer. Olhei para os lados desnorteado e não
conseguia enxergar Mariana em lugar algum. Segundo Márcio que estava a
minha frente, ele tinha convicção de quem estava no meu apartamento era o
ex da minha namorada. Não!
— Cadê a Mariana?
— Ela saiu há pouco tempo com um táxi senhor, um carro com
nossos homens está em sua cola e pelo caminho que tomou está indo para o
apartamento do senhor.
— Maldito! — Passei a mão por meus cabelos. — Precisamos ir para
lá, Márcio. Agora!
— Sim, senhor!
Voltei para minha mãe desesperado, mas sem perder tempo, eu disse:
— Mamãe, preciso que a senhora vá para casa, tenho que resolver um
problema.
— O que aconteceu, querido?
— Mamãe só vai e depois eu te digo — pedi, com os olhos
marejados.
Ela não era boba, sabia que algo havia acontecido, mas se me
conhecia bem, ela também tinha ciência que eu não falaria nada, enquanto
não resolvesse o problema.
— Tudo bem, querido. Só tenha cuidado.
Mal esperei ela terminar de falar, e saí do tribunal com meus homens.
Primeiro: eu tinha um traidor que colocou a vida do meu filho em risco;
segundo: a minha mulher e meu filho estavam correndo risco; terceiro: eu ia
matar o homem que um dia pensou em colocar a mão em Mariana.
Partimos para o meu apartamento, e quando chegamos eu agradeci
por não ter nenhum jornalista para presenciar algo de muito ruim que pudesse
acontecer. Desci do carro sendo acompanhado de perto por meus homens.
Antes de subir nós fomos para uma sala reservada que ficava no
subsolo do condomínio. O homem que havia me traído estava sentado em
uma cadeira, com as mãos algemadas.
— Como ousou? — foi o que questionei. Ele olhou fundo nos meus
olhos e parecia até um pouco culpado por tudo que aconteceu, mas mesmo
assim ele tinha colocado as duas pessoas que eu amava em risco.
— Eu precisava de dinheiro, foi uma forma que vi de ganhar mais,
desculpa não pensei nas consequências.
Sem pensar muito soquei o homem, eu realmente perdia o controle
quando se tratava dos amores da minha vida.
— Estou indo para o meu apartamento Márcio.
— Senhor, temos que agir com cautela, pelo que sabemos Lucas e
Mariana está com um homem armado dentro do apartamento.
— EU NÃO QUERO SABER, QUERO ESTAR DENTRO
DAQUELE APARTAMENTO NOS PRÓXIMOS CINCO MINUTOS. —
Berrei, pois era só isso que ainda estava me dando força para continuar de pé.
— Claro senhor. Vamos colocar um colete a prova de balas no
senhor, mas eu preferia que ficasse e nós fôssemos retirar sua mulher e seu
filho de lá.
— Isso não está em acordo. Ande logo.
Foi a única coisa que disse antes de ir até outro homem e pedir uma
arma. A única coisa que estava clara era que eu ia matar o tal Fernando. Isso
sem dúvida era a única verdade que aconteceria naquele dia.
Capítulo 20
Mariana
Meu coração batia muito forte por ter que ir encarar meu outro
pesadelo. O elevador parou no andar de Henrique e eu queria correr, mas era
o meu bebê que estava com aquele maluco. Meu namorado havia me dado à
chave de sua casa há alguns dias, mas nem foi necessário, pois a porta estava
aberta.
Parei na porta e respirei algumas vezes, antes de dar o primeiro passo
para entrar. Em todo caminho que fiz até aqui eu tentei imaginar como
Fernando havia conseguido ter acesso à casa de Henrique. Mas eu não
conseguia chegar à conclusão alguma.
Olhei para os lados e o silêncio sepulcral que caía sobre o lugar, me
deixou com ainda mais medo. Não havia nem sinal de Fernando, mas algo
chamou minha atenção na sala.
E mesmo com medo eu fui caminhando lentamente para o lugar.
Primeiro vi o sapato branco jogado e depois o corpo da mulher caído no chão.
Clara tinha um machucado na cabeça e eu fiquei morrendo de medo de ela
estar morta. Abaixei-me perto dela e coloquei dois dedos em seu pescoço,
constatando que só estava desmaiada.
Quase que por um momento eu respirei aliviada, mas ainda tinha um
monstro para enfrentar. Tirei meu salto e fiquei descalça, estava querendo
saber onde aquele homem tinha colocado meu bebê. No entanto assim que
me virei para caminhar por mais cômodos da casa Fernando estava lá
segurando Lucas.
O menino dormia, e ainda bem que ele não estava presenciando
aquilo. O homem tinha uma arma apontada para o garotinho que eu já
considerava meu filho, e o aperto no meu peito foi tanto que eu comecei a
chorar instantaneamente.
— Oi, vadia!
Fernando não parecia nada com o cara bonito que eu havia encontrado
há algum tempo. Ele estava mais para aqueles assassinos contratados para
exterminar quem entrasse no seu caminho.
— Me dê o Lucas, Fernando. E fuja enquanto é tempo. Suma do país.
Sei que têm condições para isso.
— Você acha que vai ser fácil assim? Primeiro eu vou te ter e depois
vamos embora com esse bebezinho. As velhas que estão na audiência estão
confiantes que ficarão com essa criança para poder vendê-la ao mercado
negro.
Senti a respiração que já estava um pouco travada, parar de vez. O
que ele queria dizer com aquilo?
— Como?
— Isso mesmo, suas tias ficaram sabendo do nosso pequeno
desentendimento, já que elas me disseram que desde que você fugiu elas
seguem seus passos. E resolveram me fazer uma proposta, elas querem esse
pequeno para vendê-lo. Aceitei a proposta, então, você será minha e ele delas.
Então era isso, aquelas monstruosas, queriam o meu menino para usá-
lo de objeto. E elas sabiam que eu tinha conexão com Henrique, e resolveram
tomar alguma atitude quando resolvi me aproximar do meu sr. Perfeitinho.
Meu Deus! Eu tinha feito todo àquele mal para Henrique. Era um fato
incontestável.
Provavelmente se eu nunca tivesse ido trabalhar na Amarílis, elas
nunca tivessem descoberto sobre Henrique, e não teriam ligado os pontos que
Lucas era o filho de Alice. Ou eu poderia estar completamente errada e elas
já sabiam, e eu fui só uma carta na manga para poderem usar-me como
moeda de troca para um lunático.
Porém tinha quase certeza, que elas não imaginavam que eu tinha
uma prova daquele dia. Onde peguei minha prima sendo estuprada. Havia
uma convicção dentro de mim que gritava que elas não sairiam tão bem como
pensavam.
— Por favor, me dê o Lucas. Deixa-me colocá-lo em um lugar
seguro…
— CALE A BOCA. — Seu grito fez com que meu pequeno acordasse
e começasse a chorar desesperadamente.
Fernando olhou para a criança com puro ódio e eu fiquei morrendo de
medo de ele fazer alguma coisa com meu bebê. Lucas me olhou e estendeu as
mãozinhas em minha direção como ele sempre fazia, e eu até tentei pegá-lo
de Fernando, mas ele o afastou de mim.
Senti as lágrimas descendo por meu rosto, e não conseguia ver aquele
pequeno anjinho nos braços daquele monstro.
— Eu vou te matar criança, cala a boca. — Começou apontar a arma
para Lucas e eu não resisti.
— Por favor, eu faço o que você quiser, mas me dê ele. — implorei
com as mãos juntas como se estivesse orando.
As lágrimas escorriam por meu rosto e minha visão ficou turva devido
a leve camada de água que elas estavam me proporcionando. Ele por fim
estendeu o bebê em minha direção e eu o peguei rapidamente.
Lucas abraçou meu pescoço tão forte que eu sabia que aquilo ali era a
forma de ele demonstrar que confiava em mim.
— Tô aqui meu bem, a mamãe tá aqui. — Não importava que eu não
fosse realmente sua mãe, eu sentia um laço tão grande me ligar naquele
garotinho, que eu não tinha dúvidas que daria minha vida para salvá-lo.
Enquanto o aninhava em meus braços, meu pequeno foi se acalmando
e parou de chorar. Fernando olhava para mim, com a arma apontada em nossa
direção e um olhar assassino.
— Me deixa colocá-lo em seu berço, para ele ficar bem. —
Murmurei, e o homem negou.
— Claro que não, nós vamos sair daqui, e você vai embora comigo e
o bebê vai para as duas velhas.
Eu não sabia qual era o resultado da audiência, mas ele falava com
tanta convicção que as minhas tias iam ficar com Lucas, que eu tinha quase
certeza que mesmo se não conseguissem a guarda elas dariam um jeito de
sequestrá-lo.
Sabia que eu não podia sair daquele apartamento, pois se eu fizesse
isso Henrique nunca mais veria o filho, e eu seria uma mulher morta. Então
tudo aconteceu rápido demais. Eu assenti e comecei a andar em direção a
porta que estava aberta, dei uma olhada de leve por cima do ombro e percebi
que Fernando tinha abaixado à arma.
As escadas não ficavam muito longe e se eu corresse para o quarto de
Lucas, rápido o suficiente eu conseguiria me trancar lá dentro. Foi por isso
que fechei os olhos, respirei fundo umas três vezes e saí correndo. Subindo os
degraus imediatamente.
— Vagabunda. — Fernando gritou.
E eu não parei, ele deu um tiro, mas que não me acertou. Corri com
Lucas agitado em meus braços, começando a chorar, entrei no quarto.
Empurrei a porta com uma mão e consegui dar duas trancas nela. Eu sabia
que aquilo não seguraria o homem, por isso, caminhei para o berço e deixei
Lucas chorando lá.
Comecei a empurrar a cômoda que ficava perto da porta, mas a sorte
não estava ao meu favor, já que eu não estava nem na metade do caminho
quando Fernando arrombou a porta. O seu olhar vermelho de ódio e com toda
certeza de algo ilícito me deixou ainda mais amedrontada.
— Você é uma putinha. — Ele se aproximou de mim, batendo a mão
em meu rosto imediatamente, logo me vi meio zonza e caí no chão.
Senti quando bati a cabeça no piso, Fernando não se fez de rogado.
Ele sentou seu corpo em cima do meu, e desferiu um murro em meu nariz.
— Você é muito má, Mariana. Eu só queria você, mas não, você
preferiu um homem mais rico que eu. Agora você vai pagar aqui na frente
dessa criança. E depois antes de te matar eu vou matá-lo para você ver.
Apontou para Lucas e eu tentei falar algo, mas mais uma vez ele
socou meu rosto, agora pegando na bochecha. Senti o gosto de sangue tomar
minha boca, mas aquilo não era importante. Meu bebê era.
Fernando deixou a arma em uma das mãos, enquanto com a outra
rasgou minha blusa. Eu sabia muito bem o que ele faria e tentei lutar, mas o
homem simplesmente bateu minha cabeça no chão o que me deixou
completamente sem reação.
Ainda sentia as coisas, mas não conseguia mais discernir de certo ou
errado. Sabia que suas mãos estavam nos meus seios, sentia vontade de
vomitar só por ele estar me tocando. E outro tapa veio.
Até que ouvi um som ensurdecedor e o homem que estava por cima
de mim, caiu, com seu peso todo sobre meu corpo. Logo o afastaram e eu não
sabia quem era, mas conhecia o toque, então podia deixar a escuridão me
levar. Lucas estaria a salvo.

∞∞∞

Henrique
A cena nunca sairia da minha mente. O homem em cima da minha
mulher tocando seus seios. Tentando estuprá-la na frente do meu filho que
chorava copiosamente, eu podia ver minha mulher totalmente inerte, com o
rosto sangrando, por isso nem pensei. Quando o filho da puta percebeu o que
estava acontecendo até tentou atirar, mas eu fui mais rápido e desferi o
disparo bem no meio da sua cabeça.
Ele nunca mais faria mal às pessoas que eu amava. Nunca mais!
Márcio o mais rápido que pode, retirou a arma da minha mão e limpou
minhas digitais. Fazendo com que as suas ficassem na arma. Eu sabia o que
ele estava fazendo. Ele tinha permissão para matar quando minha vida
corresse risco, e seria muito mais fácil resolver esse problema do que se as
provas estivessem evidentes e recaísse sobre mim.
Não teria remorso de ter matado aquele homem, mas também não
queria novamente ter que correr o risco de perder a guarda do meu filho.
Ainda com Mariana em meus braços desacordada, olhei para o garotinho que
estava no berço. Ele chorava, então eu não tive escolha a não ser, pegar
minha mulher, deitá-la no sofá do quarto do meu filho, e logo pegar meu
pequeno para tirá-lo daquele ambiente.
O que não me surpreendeu foi minha mãe aparecer alguns minutos
depois com o olhar preocupado. Ela e Amadeu estavam lado a lado, e eu
tinha a leve impressão que aqueles dois tinham um caso, mas nunca
resolveram assumir.
— Filho me dê o Lucas, não sei o que aconteceu, e nem quero. Mas
vou tirá-lo daqui.
Meu filho estava totalmente assustado, chorando sem parar, mas
minha mãe estava certa. Ele não podia ficar naquele ambiente. Beijei sua
cabecinha, e entreguei meu pequeno pacotinho, para uma das poucas
mulheres que eu confiava e ela o levou. Amadeu resolveu permanecer ao meu
lado para poder explicar à polícia o que havia ocorrido, e eu voltei para a
mulher que eu amava.
Ela ainda estava desacordada e esperava que a ambulância que Márcio
havia chamado chegasse logo. Pois estava com medo de algo acontecer com
ela, e também porque Clara que estava no andar debaixo desmaiada precisava
de socorro.
Depois disso eu tive que dar um pequeno depoimento e teria que
comparecer na delegacia para esclarecer ainda mais os fatos. Porém deixei
que isso fosse da minha importância depois, agora Mariana estava sendo
levada ao hospital e eu ficaria ao seu lado. Sempre ficaria, ela era tudo para
mim.
Capítulo 21
Mariana
Eu ouvia o bipe de uma máquina e com isso eu já sabia onde estava.
Abri meus olhos lentamente e as luzes claras daquele lugar me tomaram em
cheio. Olhei por um momento para vários pontos, mas logo meus olhos
recaíram sobre o homem que estava dormindo com a boca levemente aberta
na poltrona que ficava do lado oposto onde minha cama estava.
Ele parecia cansado, mas se eu estava aqui e ele ali, eu sabia que
talvez as coisas com Lucas estivessem bem. Parecendo saber que eu havia
acordado, Henrique abriu seus olhos e me encarou, assim que me viu ele
levantou da sua poltrona e veio caminhando em minha direção.
— Meu amor, você acordou. Como está se sentindo? — Colocou uma
de suas mãos em meu rosto e a outra segurou minha mão levemente.
— Um pouco dolorida. — Minha voz saiu meio rouca, mas
provavelmente foi pelo tempo que passei desacordada.
— Fiquei desesperado, você não acordava, passou dois dias assim.
— Dois dias? — questionei meio assustada.
— Sim, o médico disse que era normal, mas para mim foram os piores
dias da minha vida.
— Como está Lucas? — Estava quase morrendo por dentro por não
vê-lo em nenhum lugar.
— Está bem, está passando com minha mãe esses dias. — Henrique
respondeu.
— E a Clara?
— Ela teve uma leve concussão, mas também está bem, já até recebeu
alta.
— Graças a Deus.
Henrique soltou um suspiro, e do nada começou um choro
desesperado. Ele puxou uma cadeira que estava no quarto e sentou ao meu
lado. Apoiou sua cabeça na mão que ele segurava e chorou, chorou e chorou.
Aquilo me assustou sobremaneira, pois se tudo estava bem, por que ele
chorava?
Passei minha mão livre por seu cabelo, e queria saber o que tinha
acontecido, mas deixei que ele tirasse aquele desespero do seu coração. Pois
ele parecia precisar desabafar, e chorar era bom nesses momentos. Depois de
um tempo meu homem levantou sua cabeça, com o rosto banhado em
lágrimas e disse:
— Mariana eu pensei que ia perder você e meu filho, eu não
conseguiria viver nesse mundo sem vocês. Ele é meu bebê e você a mulher
que me fez enxergar que o mundo têm cores, têm cheiros e sabores. Que nada
é tão ruim quanto parece. Eu fiquei tão preocupado ao ver você desacordada.
— Ei, meu amor, não fica assim. Agora tudo vai ficar bem. —
Coloquei minha mão em seu rosto para que ele entendesse que tudo estaria
realmente bem.
— Vai e eu quero que você saiba de uma coisa.
— Pode falar.
— Eu te amo, Mariana. Eu nunca pensei que diria isso a uma mulher,
mas eu te amo completamente, perdidamente, loucamente. Eu te amo!
Sua revelação me pegou de surpresa, e meu sorriso se abriu, fazendo
com que eu sentisse dores no rosto, provavelmente pelos socos que havia
levado, mas nada importava. O sr. Perfeitinho tinha aberto seu coração para
mim. Aberto completamente!
— Eu também te amo, meu homem que deixou seu coração de gelo
ser aquecido. Eu te amo, e amo seu filho como se fosse meu, eu tentei
defendê-lo ao máximo, por que no fundo eu sentia que ele era meu filho
também. Eu aceito todos os seus pacotes, pois o amor é isso.
— E eu sinto que você é a mãe daquele gorducho.
Os dias passaram e eu recebi alta. Henrique me levou para minha
casa, pois ele não queria que eu ficasse em seu apartamento onde ocorreram
tantas lembranças ruins. Não que em minha casa não tivesse ocorrido, mas
ele disse que lá ao menos eu quase não fui morta.
Ele estava passando os últimos dias na casa de sua mãe. O que achei
até bom, para que ele não ficasse sozinho. Amei saber que minhas tias
haviam sido presas e que logo seriam julgadas pelos crimes que cometeram.
Passei mais de vinte dias em casa, até que decidi que estava pronta
para voltar a trabalhar, mesmo que Henrique tivesse me falado algumas
noites atrás que eu não precisava me preocupar com isso. Que tudo que eu
precisasse ele me daria.
Até parecia que eu ia ficar me aproveitando dele dessa forma.
— Tem certeza? — Paula questionou assim que me viu saindo do
quarto.
Henrique não sabia que eu apareceria hoje na Amarílis, eu queria
surpreendê-lo.
— Absoluta. — Dei uma rodadinha. — Como estou?
— Linda como sempre, com esse cabelo e olho de dar inveja em
qualquer uma.
— Até parece.
Aproximei da minha amiga e coloquei minha mão sobre sua barriga,
que já estava com um pequeno volume. E eu estava feliz que estávamos bem.
Saí de casa, mas preferindo ir de táxi, pois ainda não estava preparada
para voltar aos metrôs depois de tudo que passei. Meu rosto ainda tinha
alguns resquícios do que aconteceu comigo dias atrás, mas a maquiagem
conseguia esconder bem.
Pisei na porta da Amarílis pronta para enfrentar mais um leão. Ou
dois, pois talvez Henrique se transformasse em um assim que me visse.
Cumprimentei Joana que estava em sua mesa, e ela ficou extremamente feliz
com meu retorno. Fui para o último andar da empresa e assim que as portas
do elevador se abriram eu sabia que tudo tinha voltado a sua normalidade.
Aproximei da minha mesa e fiquei feliz de ver que ela estava como eu
havia deixado, coloquei minha bolsa na madeira. Depois, dei duas batidinhas
na porta do meu chefe e ouvi um “pode entrar”, abri a porta e aqueles olhos
se focaram inteiramente em mim.
Ele deixou a caneta que segurava em cima da mesa, e encostou-se à
cadeira afastando-a um pouco para trás. Continuou me observando, enquanto
eu fechava a porta e me encaminhava para perto dele.
— Bom dia, senhor! — cumprimentei, abrindo um leve sorriso.
— Você sempre me desobedece não é mesmo? — Seu
questionamento, com a voz rouca quase me fez desmaiar ali mesmo de tanto
desejo.
Nós não fazíamos nada quase há um mês, e eu já me sentia como uma
viciada em Henrique, então, quando ele me direcionou aquela voz, com os
olhos semicerrados, quase entrei em combustão.
— O senhor tem que entender que esse é meu trabalho.
— Mas era uma ordem, Mariana.
Dei a volta na mesa, e me aproximei da sua poltrona. Subi um pouco
da saia que usava e sentei em seu colo com minhas pernas entrelaçadas em
sua cintura. Segurei sua gravata, mordendo meu lábio por um momento.
— Mas ordens foram feitas para serem quebradas, não é? — sussurrei
em seu ouvido, mordendo o lóbulo da sua orelha.
— Igual à de não faça sexo no trabalho? — Henrique perguntou
levando suas mãos a minha cintura e apertando os dois lados.
— Essa principalmente. Ainda mais que fui acostumada a acordar
todos os dias sendo fodida por meu namorado, e agora que ele ainda não
arrumou um lugar para morar, eu tenho que ficar acordando sem ele.
Talvez fosse o tesão, mas eu estava me sentindo muito ousada, ousada
até demais para o meu gosto. Senti o membro de Henrique enrijecer, e ele se
contraiu um pouco dentro da sua calça.
— Porra, Mariana. Você vai me deixar maluco assim. Não quero
ultrapassar essa barreira enquanto você não estiver totalmente bem do trauma
passado.
— Eu tô bem, Henrique, eu quero você.
Sussurrei voltando a encarar seus olhos, eu queria ele isso era um
fato, mas ele morria de medo de eu estar traumatizada com tudo que
aconteceu. Porra! Eu só queria transar com meu namorado.
Ele já tinha resolvido todos os problemas daquele dia. O seu agente de
segurança que matou Fernando, ao menos foram isso que alegaram, e tudo
tinha ficado bem. Legítima defesa e ponto, todo mundo feliz. Clara já até
havia voltado a trabalhar para Henrique na casa de dona Lílian.
E eu queria transar. Voltar à normalidade com meu namorado, que
todos os dias ia embora da minha casa, sem querer passar a noite comigo.
Senti quando Henrique perdeu a batalha e terminou de subir minha
saia, sua mão foi parar no meio das minhas pernas, afastou minha calcinha
para o lado e começou a massagear meu clitóris. Era aquilo que eu queria.
— Você é uma mulher muito ousada, Mariana.
Comecei a me movimentar na medida em que seus dedos trabalhavam
no meio das minhas pernas. Gemi baixinho para que ninguém que estivesse
do lado de fora nos ouvisse. E sua boca parou no meu pescoço o chupando
com mais força. Senti quando o membro de Henrique ficou mais duro.
Levei minhas mãos ao botão da sua calça libertando seu pênis para
que eu pudesse acariciá-lo. Meu sr. Perfeitinho fechou os olhos quando
comecei a massageá-lo e não parou um segundo sequer de massagear meu
clitóris, e até penetrou um dedo dentro de mim. Não resisti tirei suas mãos do
meu interior e me sentei sobre seu membro, o colocando todo dentro de mim.
Era saudade o que eu sentia, por isso comecei a cavalgar em seu colo,
louca de desejo. Beijei seus lábios com força e Henrique correspondeu da
mesma maneira. Nossos gemidos se tornaram altos o suficiente para quem
passasse pelo corredor da presidência ouvisse o que estávamos fazendo, mas
mais nada importava só eu ser fodida por aquele homem.
Quando gozamos juntos, ainda ficamos ofegantes por um longo
período de tempo. Henrique olhou nos meus olhos, e abriu um sorriso sacana
em seus lábios.
— Agora vou querer isso sempre.
— Seu desejo é uma ordem, chefe.
Voltei a beijá-lo, um beijo completamente apaixonado. Afinal nós nos
amávamos e era realmente isso que importava.
Quando nos ajeitamos em nossas roupas, eu até pensei em sair da sala
de Henrique e começar os trabalhos, mas ele me puxou e eu voltei para seus
braços. Parados no meio da sala ele perguntou.
— Sei que é recente nosso relacionamento, mas às vezes coisas
malucas e inesperadas são as melhores.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer que eu já comprei uma casa nova, em outro
condomínio que tem até jardim para o Lucas brincar. Então você seria muito
bem vinda para morar comigo, e viver ao meu lado e do meu filho. Ele
também é seu, eu sou seu. Nós te amamos, então, eu preciso que você viva
comigo. Você aceita? E depois a gente pode ver sobre nos casarmos.
Henrique ainda precisa melhorar muito para fazer pedidos, mas eu
não podia culpá-lo. Isso não fazia parte da sua rotina até pouco tempo, e
ninguém podia ser inteiramente perfeito, mesmo que ele fosse meu sr.
Perfeitinho. Talvez eu pudesse estar cometendo uma loucura mesmo, mas era
o que eu queria fazer no momento.
— Sim, aceito.
E foi ali, a partir daquele dia que a minha real felicidade começou. Eu
acabava de aceitar literalmente a ser a mãe de uma criança que eu já sentia
ser minha e iria morar com o homem que eu amava. Nada podia ser tão
perfeito quanto isso.
Epílogo
Henrique
Era algo íntimo, já que nunca gostei de expor minha vida, e Mariana
também era uma pessoa reservada. Só podia ser minha esposa perfeita.
Havíamos acabado de trocar nossos votos e todos os nossos convidados
batiam palmas.
Eles se resumiam aos meus sócios, minha mãe e Amadeu – que
haviam resolvido assumir seu relacionamento –, a babá do meu filho, Paula,
Leonardo e o filho deles que era um garotão extremamente sorridente, Joana,
e meu pequeno Lucas.
Dois anos haviam se passado desde que tudo aconteceu na minha
antiga casa, nós tínhamos conseguido sobreviver a tudo, as tias de Mariana
foram condenadas e era isso que importava. Hoje celebramos nosso
casamento no jardim do novo lugar que tinha escolhido morar com a mulher
mais doce e única que conheci.
— Fico muito feliz de ver que esse coração de pedra conseguiu seu
par. Eu te adoro Mariana. — Joca talvez estivesse um pouco bêbado, mas era
bom ver aquilo.
Há muitos anos eu não via os meus sócios pessoalmente, por estarem
atarefados demais com as outras filiais da Amarílis. Mas meu casamento era
algo que os obrigaram a sair de seus casulos.
— Também te adoro, Joca. — Minha mulher respondeu ao meu lado.
Mariana estava sorridente demais, parecendo como se aquilo fosse a
maior felicidade do mundo para ela.
— Eu também fico feliz de ver essa união. — Marco comentou e Rob
só murmurou:
— Vocês estão extremamente maricas.
E nós caímos na gargalhada. Ele era o que menos gostava de
relacionamento, o único que não transava mais de uma vez com uma mulher,
completamente contra casamentos. Lembrava-me de uma época que eu até
tentei ser assim, mas não consegui depois que conheci a mulher certa. E eu
tinha certeza que aqueles três à minha frente iriam conhecer as mulheres que
destruiriam o que eles chamavam de vida perfeita e se apaixonariam
perdidamente e aí sim descobririam o que era perfeição.
Lucas veio correndo em nossa direção, e assim que chegou perto de
nós ele estendeu suas mãozinhas para Mariana e ela prontamente o pegou.
Seu vestido branco era leve, e nada escandaloso, liso, sem detalhes, que caía
perfeitamente em seu corpo. Meu terno era claro como o do meu filho, e ele
parecia ainda mais um homenzinho de negócios quando se vestia daquela
forma.
— Mamãe, quelo comê bolo. — Suas palavras fofas fizeram com que
nós sorríssemos para ele.
— Acabamos de nos casar, primeiro vem o almoço, depois o bolo, a
mamãe já havia lhe dito isso.
— Tá bão… — Fez bico, mas em seguida beijou o rosto da mãe, e
logo desceu de seu colo, para voltar a correr pelo quintal.
Olhei para Mariana que o observava com os olhos brilhando. Ela era a
mãe perfeita para meu filho e isso só me enchia ainda mais de felicidade.
Mariana voltou seus olhos para mim, e sorriu ainda mais.
— Te amo, senhor Perfeitinho — sussurrou para que só eu ouvisse.
— Te amo, senhora Perfeitinha — Toda vez que eu a chamava
daquela forma, ela gargalhava o que não foi diferente no momento.
Eu não podia mentir, ela que era a perfeição em minha vida, então,
não existia apelido melhor para Mariana. A mulher da minha vida, que me
fez sair da solidão que me encontrava. Teve uma época que pensei que era
abandonado pelo destino, mas depois percebi que ele só estava traçando meu
caminho para deixar a melhor mulher do mundo na minha vida.

Fim