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Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

PJe - Processo Judicial Eletrônico

31/07/2020

Número: 0701308-94.2019.8.07.0001
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 10ª Vara Cível de Brasília
Última distribuição : 24/01/2019
Valor da causa: R$ 10.000,00
Assuntos: Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Advogados
RODRIGO BRESLER ANTONELLO (AUTOR)
Francisco de Assis Braga Filho (ADVOGADO)
MOVIDA RENT A CAR (RÉU)
THAIS DE CUNTO SARTO (ADVOGADO)
LEONARDO SULZER PARADA (ADVOGADO)
TIAGO AUED (ADVOGADO)

Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
30360837 18/03/2019 0 - Contestação Contestação
11:06
AO JUÍZO DA 10ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE BRASÍLIA/DF.

Processo nº 0701308-94.2019.8.07.0001

Requerente: RODRIGO BRESLER ANTONELLO

Requerido: MOVIDA LOCAÇÃO DE VEÍCULOS S/A

MOVIDA LOCAÇÃO DE VEÍCULOS S/A, pessoa jurídica de

direito privado, inscrita no CNPJ/MF nº 07.976.147/0001-60, com sede na Rua

Otavio Tarquino de Souza, nº 23, CEP: 04613-000 Campo Belo, São Paulo/SP,

por seu advogado que esta subscreve, nos autos da presente AÇÃO

DECLARATÓRIA DE NEGATIVA DE DÉBITO C/C REPARAÇÃO POR

DANOS MORAIS, COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, que lhe move

RODRIGO BRESLER ANTONELLO, vem, respeitosamente, à presença de

Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 335 e seguintes do Código de Processo

Civil, apresentar sua CONTESTAÇÃO pelos motivos de fato e de direito que

passam a expor.

1. BREVE SÍNTESE DA INICIAL.

Trata-se de Ação Declaratória de Negativa de Débito c/c Reparação

por Danos Morais, com Pedido de Tutela De Urgência proposta em face de

Movida Locação de Veículos S/A.

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Número do documento: 19031811065377100000029065168


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Narra o Autor que, ao tentar realizar um empréstimo bancário, foi

surpreendido ao descobrir que seu nome fora negativado junto ao Sersa, por

uma dívida, no valor de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), vencida em

30/12/2016.

Afirma que nunca contratou com a Ré, sendo, portanto, indevida a

cobrança e a negativação.

Por todo o exposto, requer: (i) a antecipação de tutela para que seu

nome seja imediatamente excluido do cadastro de inadimplentes; (ii) a inversão

do ônus da prova; (iii) a condenação da Requerida ao pagamento de

indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00; (iv) a declaração de

inexistência de débitos; (v) a condenação da Ré ao pagamento de honorários

advocatícios e custas processuais.

Deu-se a causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

2. DO DIREITO.

No mérito, a presente Ação não merece prosperar em absoluto,

conforme restará claramente demonstrado, pelas razões de direito que passa a

expor.

2.1. DA REALIDADE DOS FATOS

a) DA AUSÊNCIA DE FRAUDE NA CONTRATAÇÃO –

CONTRATOS FIRMADOS PELO AUTOR

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Narra o Autor que teve seu nome negativado indevidamente, em

virtude da cobrança de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), referente a

fatura n.º 145712801, com vencimento em 30/12/2016.

Afirma nunca ter contratado com a Requerida, não reconhecendo a

dívida exigida, sendo a cobrança completamente indevida e abusiva.

No entanto, as alegações do Autor não condizem com a realidade,

como será adiante demonstrado. Evidente que o Autor tenta se eximir de dívida

devida, alterando a verdade dos fatos, para induzir Vossa Excelência ao erro.

Os documentos anexos demonstram, inequivocamente, que o

Requerente contratou com a Requerida por diversas vezes ao longo dos anos,

firmando 8 contratos de locação.

O Requerente firmou com a Requerida os seguintes contratos de

locação:

1) Contrato n.º 1563826 de 19/11/2015 a 21/11/2015;

2) Contrato n.º 1579210 de 21/11/2015 a 24/11/2015;

3) Contrato n.º 1588151 de 24/11/2015 a 10/12/2015;

4) Contrato n.º 1663454 de 10/12/2015 a 12/01/2016;

5) Contrato n.º 1837947 de 12/01/2016 a 21/01/2016;

6) Contrato n.º 1876567 de 21/01/2016 a 16/02/2016;

7) Contrato n.º 1998258 de 16/02/2016 a 14/08/2016;

8) Contrato n.º 2854773 de 14/08/2016 a 22/11/2016;

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O Requerente alega nunca ter contratado com a Requerida, no

entanto, tal alegação é inverídica!

Assim que tomou ciência da alegação do Autor de que nunca havia

contratado com a Requerida, razão pela qual a cobrança e inscrição seriam

indevidas, a Requerida realizou sindicância interna para averiguar se o alegado

procedia. Constatou, porém, que o Autor havia sim contratado pessoalmente,

sendo, portanto, legal e legítima a cobrança realizada.

Todos os contratos de locação foram devidamente assinados e as

assinaturas neles apostas são as mesmas e correspondem a assinatura constante

na procuração do presente feito e da CNH apresentada pelo Autor, senão

vejamos:

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Não bastasse as assinaturas serem as mesmas, há foto do Requerente

no balcão da Requerida:

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E a foto tirada no balcão de loja da Requerida não deixa dúvidas de

que se trata da mesma pessoa da CNH apresentada pelo Autor e das fotos de

seu perfil do Facebook:

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Para dirmir qualquer dúvida que ainda pudesse existir quanto a

existência da alegada fraude na contratação, o endereço informado pelo Autor é

o mesmo que consta nas bases de dados do Serasa e Sistemas TH:

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Além de todos os fatos já apresentados, que não deixam dúvidas de

que foi o Autor quem contratou com a Requerida, todas as locações estão em

nome da empresa Republika Produções e Eventos Ltda ME, bloqueada pela

Movida por fraude, cuja sócia é a mãe do contratante, constando o nome do

Autor como contato comercial:

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Quando o Autor questionou o débito objeto da presente ação,

alegando nunca ter contratado com a Movida, a Requerida realizou sindicância

interna para apurar a ocorrência de possível fraude, constatando todos os fatos

acima narrados, concluindo que fora sim o Requerente que com ela contratara,

razão pela qual era legítima, legal e devida a cobrança realizada:

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Diante de todo o exposto, não restam dúvidas de que o Requerente

altera a verdade dos fatos, sendo uma inverdade total e completa a alegação

de que nunca contratou com a Requerida.

Não há dúvidas de que o Requerente já contratou com a Requerida,

não havendo que se falar em fraude na contratação, razão pela qual é fictícia a

alegação do Autor de que nunca contratou com a Requerida, não passando a

presente ação de uma forma de enriquecer-se ilicitamente às custas da Ré.

b) DA VALIDADE DA COBRANÇA – AVARIAS SOFRIDAS

DURANTE O PERÍODO DE LOCAÇÃO

Como se vê dos contratos de locação anexos, o Autor firmou diversos

contratos de locação de veículos com a Ré ao longo dos anos. Dentre uma

dessas locações, o contrato n.º 1998258 foi migrado para o contrato 2854773,

através do qual o Requerente locou o veículo HB20, Placa PWN-6975, de

12/11/2016 a 22/11/2016:

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Cabe ressaltar que logo após o fim do último período do contrato n.º

1998258 começa o contrato n.º 2854773.

A locação foi devidamente paga, mas o veículo sofreu avarias

enquanto estava na posse do Autor, sendo gerado Termo Aditivo para

cobrança desses valores (Doc. 2):

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Conforme Orçamentos anexos, o valor total do conserto das avarias

ao veículo foi de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) (Doc. 3), tendo sido

esse o valor cobrado do Autor:

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O veículo do Requerente foi entregue completamente sem avarias,

tendo o Requerente assinado contrato declarando que recebeu o bem em

perfeitas condições de uso e conservação.

No momento da devolução do veículo, porém, foram constatadas

diversas avarias, como atestam as fotos anexas (Doc. 4), cujo reparo foi orçado

em R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais):

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O valor do reparo foi repassado ao cliente e, como este não efetuou o

seu pagamento, seu nome foi inscrito no cadastro de inadimplentes.

Como o Requerente era inquestionavelmente e incontestavelmente

responsável pelas avarias constatadas no veículo, somente lhe foi cobrado o

valor desse conserto.

Desta forma, houve a cobrança apenas das avarias constatadas

durante o período de locação do Requerente, não havendo que se falar em

cobrança indevida.

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Enquanto está na posse do veículo é do locatário a responsabilidade

integral por ele. Justamente por isso, para auxiliar os locatários, a Requerida

faculta a contratação de proteção.

Proteções nada mais são do que acordos realizados entre as partes,

pelo qual a locadora mediante o recebimento de uma taxa diária, assume a

responsabilidade pelo pagamento dos valores que excedam os valores da

coparticipação, desde que cumpridos os requisitos do contrato, conforme

Termos e Condições Gerais de Locação (doc. 2):

As proteções, portanto, são uma liberalidade da Locadora que

limitam a responsabilidade dos locatários em casos de eventos adversos,

conforme as condições estabelecidas no contrato.

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Diz-se que limitam a responsabilidade dos locatários, pois, o

locatário é integralmente responsável pelo veículo locado a partir do início do

contrato de locação até o seu efetivo término, sendo que quaisquer

danos/sinistros causados ao veículo na vigência do contrato sejam eles de

responsabilidade direta ou indireta, serão cobrados do locatário, observado os

limites e condições de responsabilidade correspondentes ao tipo de

PROTEÇÃO contratada pelo locatário no momento da abertura do contrato de

locação, conforme cláusula 3ª do Contrato (doc. 1) assinado pela Requerente:

Cláusula 3ª – O LOCATÁRIO, USUÁRIO, CONDUTOR ADICIONAL e o

RESPONSÁVEL FINANCEIRO assumem integral responsabilidade pelo

Veículo desde a sua retirada até sua devolução, bem como assumem a

responsabilidade por todas as infrações cometidas e despesas decorrentes

da apreensão do veículo, inclusive em caso de prorrogação ou renovação

mensal, ainda que sem assinatura atribuída à mesma numeração de

Contrato de Locação, bem como assume a pontuação decorrente daquelas,

nos termos do artigo 4º e seus parágrafos da Resolução 404/12 do

CONTRAN e da Cláusula 11.3 dos Termos e Condições Gerais de Locação

de Veículos. Por meio desta, o LOCATÁRIO, USUÁRIO, CONDUTOR

ADICIONAL e o RESPONSÁVEL FINANCEIRO autorizam,

expressamente, a LOCADORA a efetuar a cobrança das multas através de

débito em cartão de crédito, já com o repasse do desconto de 20%

concedido pelo órgão de trânsito, acrescidas de 20% a título de custo

administrativo. A notificação de multa será enviada ao LOCATÁRIO por e-

mail ou carta.

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Nesse mesmo contrato assinado pelo Requerente, consta em sua

cláusula 1ª, que o Locatário declara sua ciência e anuência com os Termos e

Condições Gerais de Locação:

Cláusula 1ª - O LOCATÁRIO, USUÁRIO, CONDUTOR ADICIONAL,

RESPONSÁVEL FINANCEIRO e a LOCADORA declaram que tomaram

conhecimento prévio e anuíram aos Termos e Condições Gerais de Locação

de Veículos, registrado sob o n.º º Oficial de Registro de Títulos e

Documentos de Mogi das Cruzes/SP (“Termo”), cujo exemplar se encontra

disponível em nossas lojas ou no site movida.com.br.

Na Cláusula 8 dos Termos e Condições Gerais da Locação (doc. 12), a

Locadora faculta ao Locatário a contratação de alguns tipos de proteção, tendo

o Autor optado pela Proteção Básica:

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Assim, com a proteção básica, o locatário está isento do pagamento

de obrigação de indenizar a locadora por qualquer evento adverso, desde que

arque com o valor da coparticipação.

Mesmo com a contratação de proteção, quando as avarias sofridas

são de pequena monta e o valor do conserto é inferior ao da coparticipação, é

cobrado do cliente apenas o valor do conserto, por lhe ser mais vantajoso.

Desta forma, como o valor da coparticipação prevista era de R$

2.000,00 (dois mil reais) e o veículo locado sofreu avarias de pequena monta,

cujo conserto ficou em valor inferior, foi cobrado do Requerente apenas o valor

do conserto desses detalhes.

Independentemente de quem tenha sido o causador das avarias, é do

locatário a responsabilidade por todas as avarias sofridas pelo veículo enquanto

estava em sua posse.

Sendo do locatário a integral responsabilidade pelo veículo durante o

período de locação, é integralmente sua a responsabilidade pelo pagamento de

todas as avarias causadas.

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Sendo do Locatário a responsabilidade pelo veículo durante o

período de locação, é sua a responsabilidade pelo pagamento de todos os

valores decorrentes da locação. Desta forma, o não pagamento de qualquer

desses valores implica em inadimplência, que faculta a Requerida a inclusão do

nome do locatário nos cadastros de inadimplentes, conforme cláusula 11.1.2 e

Código Civil:

Assim, a Requerida efetuou cobrança referente ao valor do conserto

das avarias, tão somente porque o Autor danificou o veículo enquanto estava

em sua posse. Agiu, portanto, apenas exercitando seu direito de cobrança, em

claro exercício regular de direito, o que não constitui ato ilícito:

Art. 188. CC - Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito

reconhecido;

Não procede a alegação de que o Autor foi cobrado indevidamente,

eis que o pagamento de conserto é devido. Foi, portanto, legítima e justa a

cobrança questionada, razão pela qual não merece prosperar a presente ação.

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O Autor alega que nunca contratou com a Requerida e que, por isso,

a cobrança seria indevida. Entretanto, como se vê dos contratos e demais

documentos anexados a essa peça de defesa, todos os documentos foram

devidamente assinados e a assinatura neles é igual a do documento de

identidade e da procuração apresentados pelo Autor.

Conforme explanado no tópico anterior tal alegação não procede, eis

que todos os contratos foram devidamente assinados pelo Requerente e que

este compareceu, pessoalmente, à loja da Movida para contratação, sendo

inquestionavelmente responsável pelos valores cobrados.

Não há dúvidas, portanto, de que o Autor contratou com a

requerida, o veículo foi avariado e, em razão dessas avarias lhe foi cobrado o

valor do conserto que, como não foi pago, gerou a inscrição do nome do Autor

nos cadastros de inadimplentes, não havendo que se falar em conduta abusiva.

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O que se verifica é que estamos adentrando em uma era perigosa, já

que a consideração de que mera inscrição nos cadastros de inadimplentes gera

o dever de indenizar, vem fazendo com que, cada vez mais pessoas, não

busquem resolver as situações extrajudicialmente, não informando pagamentos

e simplesmente optando por entrar com ação, visando “dinheiro fácil”.

Pode-se inferir das considerações aduzidas acima, que o Autor

propôs a presente demanda com o único fim de enriquecer-se as custas da Ré,

pois a cobrança foi devida e não lhe ocasionou nenhum dano de cunho moral.

Por todo o exposto, o pagamento do conserto de avarias ocorridas

duante a locação é responsabilidade do Requerente e como não efetuou o seu

pagamento, foi devida a inscrição no Serasa, conforme previsto no contrato,

razão pela qual não merece prosperar a presente ação.

3.2. DA VALIDADE DO CONTRATO, DA BOA FÉ

CONTRATUAL E DO PRINCÍPIO PACTA SUNT SERVANDA.

A priori a boa fé tem aplicação aos contratos, desde a fase preliminar,

passando pela fase de execução ou contratual, propriamente dita, até a fase pós-

contratual. Ou seja, exige-se das partes a conduta de probidade em todas as

fases pelas quais passa o contrato.

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Ao exprimir a boa-fé no cumprimento do contrato, deve-se lembrar

de que as partes têm que cumprir o pactuado, bem como sujeitarem-se aos seus

efeitos. O princípio do Pacta Sunt Servanda ainda existe, mas, mitigado pelo

principio da boa fé objetiva, que impede que o credor possa exigir mais do que

o consentido pela equidade.

Ora Excelência, a Requerida cumpriu com todas as suas obrigações e

não é justo que a parte autora aja de forma totalmente adversa, apenas porque

não lhe é conveniente arcar com as suas obrigações contratuais.

Dispõe o citado artigo 422 do Código Civil, in verbis: “Os contratantes

são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua

execução, os princípios de probidade e boa fé.”

Decorrente da ideia clássica de autonomia da vontade, a força

obrigatória dos contratos preconiza que tem força de lei o estipulado pelas

partes na avença, obrigando os contratantes ao cumprimento do conteúdo

completo do negócio jurídico.

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.

AÇÃO ORDINÁRIA. PRINCÍPIO DA FORÇA OBRIGATÓRIA DOS

CONTRATOS (PACTA SUNT SERVANDA). INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE.

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AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SUPOSTA

ILEGALIDADE OU VÍCIO DE VONTADE. AGRAVO DE INSTRUMENTO

IMPROVIDO. – Uma vez convencionados os direitos e obrigações, ficam as

partes ligadas pelo vínculo da vontade que as uniu. Este é o princípio da

Força Obrigatória dos Contratos - também denominado Pacta Sunt

Servanda - segundo o qual, estipulado validamente seu conteúdo e

definidos os direitos e obrigações de cada parte, as respectivas cláusulas

têm força obrigatória para os contratantes. – Inexistindo nulidades,

ilegalidades ou vicio de vontade patentes, as cláusulas impugnadas

remanescem válidas, não sendo razoável que a agravante se furte ao

cumprimento das obrigações assumidas contratualmente simplesmente

porque atravessa suposta dificuldade financeira. - Dos elementos de prova

carreados aos autos, não há como se extrair seguramente ilegalidade ou

vícios de vontade patentes. Portanto, não havendo indícios mais seguros a

atestar algo nessa linha, ao menos até o presente momento da marcha

processual, impõe-se a observância do princípio da força obrigatória dos

contratos, pois os negócios jurídicos, à falta de motivo justo, são firmados

para serem efetivamente cumpridos. - Agravo de instrumento a que se

nega provimento. (TRF-3 - AI: 00201026220164030000 SP, Relator:

DESEMBARGADOR FEDERAL WILSON ZAUHY, Data de Julgamento:

22/08/2017, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1

DATA:31/08/2017).

O contrato foi livremente firmado entre as partes, estando o


Requerente ciente de todas as cláusulas, não podendo alegar nulidade tão
somente porque não cumpriu com o ali previsto.

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Mesmo que hipoteticamente, de fato, se tratasse de caso de

falsificação de assinatura, o que não ocorreu no caso em comento, mesmo

assim, a Requerida não teria cometido qualquer ilicitude e não teria o dever de

indenizar, eis que seria impossível constatar tal falsificação, já que as

assinaturas apostas aos contratos são idênticas as assinaturas dos documentos

do Autor, sendo impossível a constatação da suposta fraude alegada pelo Autor

execto por perito grafotêcnico.

Sendo assim, não restam dúvidas de que a boa-fé deverá estar

presente, exigida que seja recíproca entre as partes e que ambas cumpram com

suas obrigações. Portanto, descabido é o pleito de nulidade de cláusula

contratual, vez que o contrato foi pactuado de forma livre e lícita, e,

consequentemente, a cobrança foi realizada de forma legal.

3.3. DO DEVER DE INFORMAÇÃO PELO FORNECEDOR.

É sabido que entre os direitos básicos do consumidor previstos no

CDC, inclui-se a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e

serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição,

qualidade e preço, bem como os riscos que possam apresentar.

O dever de informação na fase pré-contratual do fornecedor para

com o consumidor é prestar-lhe informações preventivamente sobre o conteúdo

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do contrato, dando ênfase, em especial, às cláusulas limitativas do seu direito,

devendo as informações contidas em um contrato ser concisas e claras,

facilitando o entendimento do consumidor.

Pois bem. A Requerida agiu vinculada aos princípios da boa-fé e da

transparência, pois as informações quanto aos requisitos e exigências para

vigência da proteção constavam, expressamente, nos Termos e Condições

Gerais de Locação de Veículos, ao qual o autor anuiu, sendo que, todas as

informações permitem o fácil entendimento dos consumidores.

Os Termos e Condições Gerais de Locação de Veículos estavam

disponíveis no estabelecimento e no endereço eletrônico (www.movida.com.br)

da ré MOVIDA.

Não assiste razão ao Requerente em sua pretensão, de modo que

ciente das cláusulas presentes no contrato no momento da assinatura do

instrumento, não podendo alegar ausência no dever de informação no intuito

de se eximir de sua responsabilidade como pagamento do valor pactuado.

Neste sentido:

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INDENIZATÓRIA. CONSUMIDOR. CONTRATO DE LOCAÇÃO DE

VEÍCULO. FURTO. CLÁUSULA QUE ESTABELECE COPARTICIPAÇÃO

PELO LOCATÁRIO. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. LEGALIDADE DA

COBRANÇA. REDUÇÃO DO VALOR. DANO MORAL NÃO

CONFIGURADO. RECURSO PROVIDO EM PARTE. (Recurso Cível Nº

71004372942, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator:

Cleber Augusto Tonial, Julgado em 26/06/2014).

Restou demonstrado que a Requerida desempenhou seu dever de

informação, até para objetivar uma maior segurança para ela e para os próprios

consumidores.

3.4. DO ÔNUS DA PROVA – AUSÊNCIA DOS REQUISITOS

PARA INVERSÃO.

Sobre a questão probatória, vale dizer que o ônus da prova incumbe

a quem alega. A regra da distribuição do ônus da prova determina que, em

todos os casos e independentemente da natureza do direito material, o autor se

empenhe em comprovar o fato constitutivo de seu direito, isto é, que os fatos

que lhe aproveitam ocorreram devidamente como alegado, e que o réu se

empenhe em provar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito

alegado pelo autor, nos termos do art. 373, I, do CPC:

Artigo 373 - O ônus da prova incumbe:

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I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;

II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo

do direito do autor. [...]

A intenção do legislador processual com a instituição de tal regra é a

de permitir que as provas sejam produzidas pelas partes de modo a não

ocasionar iniquidades. Assim, vê-se que a aplicação de regras de distribuição do

ônus da prova que desconsiderem as características das partes e do direito,

impedindo a efetiva produção probatória e o contraditório será

inconstitucional.

Pois bem. No caso sub judice, o Requerente pleiteia a inversão do

ônus da prova. Entretanto, há certos requisitos para que seja possível a inversão

do ônus da prova. Em primeiro lugar, é inequívoco que a inversão somente

teria lugar nas relações jurídicas relativas a consumo de bens e/ou serviços. Em

segundo lugar, deve ser decorrente de uma alegação dotada de

verossimilhança, além de se dar diante da hipossuficiência do consumidor,

sendo incompatível em situações em que tal hipossuficiência seja

manifestamente inexistente, o que ocorre no presente caso.

Ora, Excelência, a presunção legal de vulnerabilidade do consumidor

enquanto elemento legitimador do microssistema consumerista, levando à

inversão do ônus probatório, pode ocasionar injustiças no caso concreto,

impossibilitando o exercício do direito à prova e ocasionando prejuízo ao

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contraditório efetivo e o acesso à justiça. Pretender que toda e qualquer prova

seja trazida pelo fornecedor é deturpar o instituto.

O que se vê dos fatos trazidos pelo Requerente é que alega não

reconhercer as dívidas. Assim, competia ao Autor comprovar algum fato que o

eximisse de sua obrigação contratual, entretanto, não o fez.

Como demonstram todos os documentos anexados a esta defesa, o

Requerente contratou com a Reuqerida por diversas vezes, não havendo que se

falar em fraude na contratação como levianamente alegado na inicial.

Ademais, repita-se: não há prova de que a ré teria agido de forma

ilícita, causando danos ao Requerente. A Requerida agiu em estrito

cumprimento às cláusulas do contrato celebrado entre as partes.

Portanto, o Requerente se desvencilhou do ônus de provar os fatos

constitutivos de seu direito, quanto a pretensa cobrança indevida, sendo

indevida a declaração de nulidade de cláusula contratual, razão pela qual os

pedidos deduzidos na inicial devem ser julgados totalmente improcedentes.

Conforme preceituam os artigos 371 e 375 da Lei nº 13.105/15, as

provas constantes nos autos devem ser apreciadas com as regras de experiência

comum e nos autos não há provas que justificam os fatos apresentados.

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Portanto, requer-se a IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS, pois o

Requerente não provou qual era seu ônus, conforme artigo 373, I, da Lei nº

13.105/15 e Princípio de Congruência/Correlação; bem como que seja

considerada LÍCITA a cobrança realizada.

3.5. DA AUSÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR PELA

AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL.

Além da precariedade da prova carreada à inicial pelo Autor, em

relação a suposta cobrança indevida, tem-se que não devem ser acolhidos, como

se passa a demonstrar.

Primeiramente, há que se perquirir se os elementos para a

responsabilidade civil estão presentes no caso em tela, quais sejam: ato ilícito,

dano e nexo causal.

O ordenamento vigente dispõe no art. 186 do Código Civil que

“aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito

e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.

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Não há nenhum resquício de ilicitude capaz de impor

responsabilidade a Requerida.

Pelo contrário, a Ré toma todas as precauções cabíveis ao caso para

que sua frota seja locada de forma lídima e escorreita, bem como que seus

funcionários sejam devidamente treinados e habilitados para atender os

clientes. Impossível se classificar sua conduta como ilícita, muito menos sujeitá-

la à responsabilização civil.

Demais disso, o Autor não demonstra em sua exordial a ilicitude

praticada pela Ré. Tampouco lhe atribui conduta culposa, e nem poderia, pois

nenhum de seus funcionários ou prepostos incorreu em negligência,

imprudência ou imperícia. Inexistindo esses elementos, não há se falar em

responsabilização civil.

Nesse sentido, vejamos o entendimento jurisprudencial:

APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E

MATERIAIS. RESPONSABILIDADE CIVIL NÃO COMPROVADA. 1. Para

a configuração da responsabilidade civil, exige-se a presença de três

requisitos, quais sejam: (a) ato ilícito; (b) dano; e (c) nexo causal entre o ato

ilícito e o dano. 2. Ausente qualquer um de tais requisitos, inexiste o dever

de indenizar. (TJ-MG - AC: 10456070514645001 MG, Relator: Wagner

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Wilson, Data de Julgamento: 08/07/2013, Câmaras Cíveis / 16ª CÂMARA

CÍVEL, Data de Publicação: 19/07/2013)

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA.

SUPOSTA FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MECÂNICA EM

VEÍCULO AUTOMOTOR. ÔNUS DA PROVA. INTELIGÊNCIA DO

ARTIGO 333, I DO CPC. INEXISTÊNCIA DE NEXO CAUSAL ENTRE A

CONDUTA E O DANO. RESPONSABILIDADE CIVIL NÃO

COMPROVADA. DEVER DE INDENIZAR NÃO CONFIGURADO. 1. Caso

em que o demandante alegou que o conserto do carburador de seu veículo,

realizado pela ré, acabou por danificar o motor. Inexistência de prova no

sentido de que os danos no motor ocorreram pela queda de um parafuso.

Veículo automotor que conta com mais de trinta anos de uso. 2. Notas

fiscais carreadas aos autos com divergência de datas. Nota fiscal emitida

pela ré em 01/10/2013, enquanto os serviços para restauração do motor

foram prestados em data anterior, em 28/06/2013. 3. Não tendo a parte ré

praticado qualquer conduta ilícita, resta afastado o dever de indenizar.

SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. (Recurso Cível Nº

71004889630, Quarta Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator:

Mirtes Blum, Julgado em 17/10/2014).(TJ-RS - Recurso Cível: 71004889630

RS, Relator: Mirtes Blum, Data de Julgamento: 17/10/2014, Quarta Turma

Recursal Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 22/10/2014).

O que se vê da inicial, é que o Autor alega ter experimentado danos

por suposta cobrança indevida, contudo, restou evidenciado que a cobrança é

legítima, não sendo o Requerente capaz de comprovar qualquer ato ilícito por

parte da MOVIDA, que agiu pautada nos termos do contrato.

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O Autor não comprova minimamente suas próprias alegações. Falta

à ação a demonstração do nexo causal, fator imprescindível para o surgimento

da responsabilidade civil pretendida. Não há dados suficientes para imputar à

ré qualquer culpa ou responsabilidade, devendo ser julgado improcedente o

pedido indenizatório, o que desde logo se requer.

Demais disso, resta EVIDENTE que a cobrança que foi

efetivamente lançada pela Requerida é lícita e devida, e corresponde ao

pagamento de conserto das avarias sofridas pelo veículo.

Com efeito, não merece prosperar o pedido do Requerente, já que a

Requerida NÃO PRATICOU NENHUM ATO ILÍCITO QUE JUSTIFIQUE A

REPARAÇÃO DE QUAISQUER DANOS!

Trata-se simplesmente de seu exercício regular do direito, com o

devido amparo legal e contratual. O Autor firmou contrato de locação com a

Requerida, avariou o veículo locado e é, consequentemente, responsável pelo

pagamento do conserto dessas avarias.

Somente aqueles que cometem ato ilícito estão sujeitos à reparação

dos danos, nos termos do art. 927 do Código Civil:

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Art. 927 – Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem,

fica obrigado a repará-lo.

Nesta linha, a Requerida nada mais fez do que exercer a legitima

defesa de seu direito, não cometendo nenhum tipo de ato ilícito, assim como

prevê o nosso Código Civil, em seu art. 188, inciso I, vejamos:

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito

reconhecido;

Assim, no caso em exame, não há nenhum ato ilícito que possa ser

imputado à MOVIDA, vez que esta procedeu com a cobrança do que era

devido pelo Autor, não havendo que se falar em qualquer ação ou omissão

contrária ao Direito por parte da Ré MOVIDA, que agiu em total conformidade

com Cláusulas Contratuais, as quais o Autor teve pleno acesso e conhecimento,

devendo os pedidos do Requerente serem julgados totalmente improcedentes.

É o Requerente que altera a verdade dos fatos, buscando o

recebimento de vantagem indevida, ao alegar nunca ter contratado com a

Requerida!

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Ora, se o veículo foi danificado enquanto estava na posse do Autor, é

sua a responsabilidade pelo pagamento do conserto, bem como é sua a

responsabilidade por multa rec eebida na posse de veículo locado não havendo

que se falar em cobrança indevida.

Portanto, em razão da ausência dos pressupostos da

responsabilidade civil no caso em exame, o que esvazia qualquer

possibilidade de pretensão indenizatória, não há dever reparatório, devendo

a presente ação ser julgada TOTALMENTE IMPROCEDENTE!

3.6. DA AUSÊNCIA DE DANO MORAL

Em que pese a inexistência de dever de reparação, para fins de

argumentação é sempre prudente tecer algumas breves considerações com

relação à alegação de dano moral no caso concreto.

Da leitura da exordial, percebe-se que atualmente rumamos a uma

era perigosa no tocante as relações humanas. Não se discute o valor do instituto

do dano moral, mas sim, a vulgarização da qual tem sido vítima, se fazendo

aplicável a exatamente todo e qualquer dissabor que venhamos a experimentar,

o que não pode prosperar.

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À luz disso, verifica-se que a cobrança que foi efetivamente lançada

pela Requerida é lícita e devida, e corresponde ao conserto das avarias do

veículo, de forma que não há que se falar em cobrança indevida, e ainda menos

em indenização por danos morais.

Ora, é inconcebível permitir que prospere a pretensão do Requerente

de ser indenizado por suposto dano moral, que, busca astuciosamente

locupletar-se pugnando por indenização, uma vez que não há nos autos prova

de que teve sua moral ofendida, os documentos juntados em nada coadunam

nesse sentido.

No caso em comento, não só as incrições foram devidas, pois

provenientes de dívidas legais e comprovadas, não tendo ocorrido nenhum

dano, sendo impossível a condenação da Requerida ao pagamento de

indenização por danos morais.

Nesse sentido, é o entendimento do Egrégio Tribunal de Justiça do

Estado de Goiás, senão vejamos:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. INTERRUPÇÃO DOS DESCONTOS NO

BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE

QUITAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INADIMPLEMENTO

CONTRATUAL. NEGATIVAÇÃO DO NOME DA AUTORA. EXERCÍCIO

REGULAR DO DIREITO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. I - A

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inversão do ônus probatório prevista no Código de Defesa do Consumidor

(art. 6º, VIII, do CDC) não tem o condão de afastar a parte autora do dever

de produção de prova minimamente condizente com o direito vindicado,

notadamente quando as alegações não se mostram verossímeis, tampouco

há dificuldade na produção desses elementos. II - As informações emitidas

pelo INSS demonstram que os descontos no beneficio previdenciário da

autora cessaram antes da quitação dos empréstimos realizados pela

recorrente. Ao contrário do alegado pela apelante, percebe-se claramente

que os descontos não estão sendo efetuados mensalmente, não sendo crível

que a apelante não tenha percebido que em seu provento já não constavam

as deduções dos empréstimos. Diante da interrupção dos descontos,

caberia a recorrente comprovar o adimplemento contratual, fato que não

ocorreu. Importante ressaltar que tal prova não se mostra impossível ou de

difícil produção pela requerente, já que poderia trazer aos autos

documentos que comprovasse a quitação ou o desconto regular em sua

renda mensal. III - Restando comprovada a inadimplência da apelante, a

inscrição de seu nome nos cadastros de proteção ao crédito decorre de

exercício regular de direito do banco credor, em vista do débito existente,

evidenciando a inocorrência de ato ilícito a ensejar indenização por danos

morais. APELAÇÃO CONHECIDA E DESPROVIDA. (TJGO, Apelação

(CPC) 0350520-22.2015.8.09.0103, Rel. LUIZ EDUARDO DE SOUSA,

Minaçu - 1ª Vara Cível, julgado em 31/03/2017, DJe de 31/03/2017)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA DECLARATÓRIA DE

NULIDADE DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.

NEGATIVAÇÃO INDEVIDA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO.

ÔNUS DO AUTOR. ART. 333, I, CPC. AUSÊNCIA. RELAÇÃO

CONTRATUAL EXISTENTE. IMPROCEDÊNCIA DO PLEITO. 1.

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Consoante dispõe o inciso I do artigo 333 do Código de Processo Civil de

1973 vigente à época da sentença, compete a parte autora o ônus da prova

do fato constitutivo do seu direito e, não o fazendo, a improcedência do

pleito é medida que se impõe. 2. Não há outra alternativa senão manter a

improcedência da demanda, nos exatos termos declinados no juízo de

origem, porquanto ausente substrato probatório robusto e convincente no

sentido de que o débito apontado na exordial, além da restrição perante o

Serasa, é fruto de fraude ou contratação indevida. Apelo conhecido e

desprovido. Sentença mantida. (TJGO, APELACAO CIVEL 424245-

30.2012.8.09.0174, Rel. DES. ITAMAR DE LIMA, 3A CAMARA CIVEL,

julgado em 29/08/2016, DJe 2111 de 15/09/2016)

A respeito, emerge a lição de Mazeaudet Mazeaud (Traité, vol. 2,

pág. 623) a que AGUIAR DIAS dá inteiro prestígio in “RESPONSABILIDADE

CIVIL EM DEBATE, pág. 159, 1ª ed., Forense, in verbis:

“O prejudicado deve, na ação, provar o dano podendo deixar para a

liquidação a fixação de seu quantum. Não basta, porém, que o Autor

mostre que o fato que se queixa seja capaz de produzir o dano. É preciso

que prove o dano concreto, assim entendida a realidade e não a simples

potencialidade do dano que experimentou, embora possa relegar para

liquidação a avaliação de seu montante”.

Segundo WLADIMIR VALLER:

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“A certeza do dano se refere à sua existência, ou seja, à efetividade do

dano, que deve ser real e efetivo, não meramente conjectural ou

hipotético.” (in “A Reparação do Dano moral no Direito Brasileiro”, 2a ed.).

Tal entendimento encontra-se já sedimentado no Egrégio Tribunal de

Alçada de Minas Gerais, merecendo destaque o seguinte aresto:

“Tendo em vista a indispensável e iniludível conjugação dos pressupostos

do dever de indenizar: a) ato ilícito; b) dano, lesão ou prejuízo; e c) relação

de causalidade entre a violação e o prejuízo, entendo que cabe ao

prejudicado a prova do dano e que nos presentes autos não restou

demonstrado o prejuízo decorrente da atuação culposa do apelante”

(Apelação Cível 226.874-4 – Belo Horizonte – 26.11.96)

É certo que a Constituição Federal assegura o direito à reparação por

danos morais. Entretanto, incumbe ao Poder Judiciário coibir os abusos e a

torpeza, a razão das palavras do Eminente Desembargador ALVES BRAGA, do

Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo:

“Na verdade, a Constituição da República no seu devaneio liberalista,

animada por idéias exóticas generalizou a reparação do dano moral,

traduzida no ‘pretiumdoloris’. Hoje os pretórios estão entulhados de ações

onde tudo tem seu preço, em busca do ganho fácil travestido de reparação

do dano moral.” (RT 704/107).

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Atente-se que, mesmo que se entenda que há de fato

responsabilidade da Ré pelos supostos danos alegados pelo Autor, o que só se

admite para fins de argumentação, ainda assim não há que se falar em

existência de dano moral.

Em nenhum momento comprovou-se a culpabilidade desta

Requerida pelos fatos em comento, nem tampouco que o Requerente tenha

sofrido qualquer tipo de dano moral decorrente daqueles.

Nenhuma demonstração de abalo ou mácula às suas imagens ou

reputação perante terceiros foi realizada, as quais, realmente, decorressem da

prática ou da omissão de algum ato por parte da ré MOVIDA, que sempre agiu

com cautela e eficiência.

Sabe-se que a indenização por danos morais serve para reparar o

dano sofrido, sem, contudo, gerar enriquecimento ilícito ao recebedor e, ainda,

deve ater-se a reparar o desgaste e aflição vivenciada no momento do dano.

A indenização por danos morais tem caráter reparatório, mas no caso

dos autos não há o que reparar, posto que não houve violação ao direito de

personalidade, ofensa a honra ou foi o Autor exposto a situação vexatória e

humilhante.

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Assim, com o devido respeito, deferir a indenização por danos

morais que está sendo pleiteada seria o mesmo que prestigiar uma fonte de

enriquecimento sem causa ao Requerente.

A cobrança era devida, não foi paga e, por isso, o Autor teve seu

nome inscrito nos cadastros de inadimplentes. Assim que a dívida foi paga, seu

nome foi excluido de tais cadastros, não tendo ocorrido nenhum dano de ordem

moral.

Patente que a finalidade do Requerente é o enriquecimento sem

causa, o que é vedado pelo Art. 884 do Código Civil, alimentando a assustadora

fábrica das indenizações que vem crescendo dia a dia, procedimento com o qual

jamais poderá compactuar a justiça.

Ora, não basta somente alegar ter suportado qualquer dano para ter

direito a receber indenização a título de danos morais. É imperioso demonstrar,

de forma inquestionável e segura, em que consiste a lesão.

Isso, obviamente, não foi observado na hipótese dos autos.

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Pela simples leitura do termo inicial, já se constata que não há, in

casu, a existência de nenhum dano passível de reparação.

Todavia, caso este não seja o entendimento deste MM. Juízo, o que,

definitivamente não se espera, ainda assim o Autor não fará jus à pretensão

indenizatória, haja vista que mero dissabor, se realmente tivesse ocorrido, não

acarretaria em dano moral.

Como é cediço, e ainda nesta hipótese, mero incômodo não possui

intensidade suficiente a gerar dano moral, razão pela qual o presente pleito

deve ser cuidadosamente apreciado, a fim de evitar que os mais triviais

aborrecimentos da vida se constituam em fonte de enriquecimento sem causa, a

ensejar a banalização do instituto em tela.

Tal como mencionado, a única consequência plausível do ocorrido,

se realmente tivesse acontecido da forma narrada pelo Autor, seria a vivência

de uma pequena chateação, de mero incômodo que não pode nem deve ser

objeto de indenização.

O dano moral é decorrente de sofrimento, sensações de angústia e de

outros sentimentos tortuosos que, por sua desmedida intensidade, são capazes

de tirar o ser humano do seu equilíbrio psicológico. É pacífico em doutrina e

jurisprudência que não resta configurado dano moral em decorrência de mero

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incômodo. O instituto do dano moral não se presta a tutelar trivialidades da

vida cotidiana, mas, sim, aquelas hipóteses em que, em virtude de um ato

propositadamente injusto, tenha sido infligido profundo sofrimento a uma

pessoa – o que não ocorreu na presente hipótese.

Entender de maneira diversa o tão relevante instituto do dano moral

é condená-lo à mais completa banalidade, permitindo que pessoas sem o menor

direito se tornem beneficiárias de indenizações despropositadas.

Excelência, os check lists anexados aos autos não deixam dúvidas de

que o veículo sofreu avarias enquanto estava na posse do Autor, que não

existiam antes. Assim, não há dúvidas de que é do Autor a responsabilidade

pelo pagamento desse conserto.

Destarte, no máximo, estamos diante de um mero dissabor, mas,

nunca, de uma ofensa capaz de gerar o dever de indenizar. Sobre o tema, Rui

Stoco leciona:

“Mas não basta a afirmação da vítima de ter sido atingida moralmente, seja

no plano objetivo como no subjetivo, ou seja, em sua honra, imagem, bom

nome, tradição, personalidade, sentimento interno, humilhação, emoção,

angústia, dor, pânico, medo e outros. Impõe-se que se possa extrair do fato

efetivamente ocorrido o seu resultado, com a ocorrência de um dos

fenômenos acima exemplificados. De sorte que o mero incômodo, o enfado

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e desconforto de algumas circunstâncias que o homem médio tem de

suportar em razão do cotidiano não servem para a concessão de

indenizações, ainda que o ofendido seja alguém em que a suscetibilidade

aflore com facilidade(...)”. In Tratado de Responsabilidade Civil, 5ª ed.,

Revista dos Tribunais, p. 1381.

Vejamos algumas orientações jurisprudenciais, que se apresentam

uma série de acórdãos, que adotam idênticas interpretações:

“CIVIL. DANO MORAL. NÃO OCORRÊNCIA. O mero dissabor não pode

ser alçado ao patamar do dano moral, mas somente aquela agressão que

exacerba a naturalidade dos fatos da vida, causando fundadas aflições ou

angústias no espírito de quem ela se dirige. Recurso parcialmente

conhecido e, nessa parte, provido”. (RESP 215666/RJ – DJ DATA 29/10/2001

– (Rel.) Ministro CESAR ASFOR ROCHA – QUARTA TURMA)” (grifo

nosso)

“EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - APELAÇÃO - REVISÃO DE

CONTRATO BANCÁRIO - EMPRÉSTIMO CONSIGNADO - CDC -

APLICAÇÃO - INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - NÃO

CABIMENTO - MERO DISSABOR COTIDIANO - RECURSO NÃO

PROVIDO. - O CDC é aplicável aos contratos bancários, conforme

pacificado na súmula 297 do STJ, se houver relação de consumo e no que

couber. - Inexistindo violação ao direito da personalidade do autor, mostra

se impossível a condenação das rés no pagamento de indenização por

danos morais. - O mero dissabor cotidiano não enseja dano moral. -

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Recurso não provido.” (TJMG - Apelação Cível 1.0153.13.011236-7/001,

Relator(a): Des.(a) Márcia De Paoli Balbino, 17ª CÂMARA CÍVEL,

julgamento em 05/03/2015, publicação da súmula em 17/03/2015)” (grifo

nosso)

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR

DANOS MORAIS. PRODUTO NOVO COM DEFEITO. ABALO À HONRA

SUBJETIVA. MERO DISSABOR. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO.

A situação enfrentada pelo apelante não é capaz de produzir sentimento de

dor ou tristeza profunda, com ofensa à honra e ou à dignidade, não sendo

passível, portanto, de compensação moral.” (TJMG - Apelação Cível

1.0145.13.041808-3/001, Relator(a): Des.(a) Mota e Silva, 18ª CÂMARA

CÍVEL, julgamento em 10/03/2015, publicação da súmula em 16/03/2015)

(grifo nosso)

“DIREITO CIVIL E CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL. “UP

GRADE” EM CONTRATO. COBRANÇA INDEVIDA. DANO MORAL. 1 –

Na forma do art. 46 da Lei 9.099/1995, a ementa serve de acórdão. Recurso

próprio, regular e tempestivo 2 – Alteração unilateral do objeto do contrato.

Cobrança indevida. A necessidade de “up grade” em contrato de locação

de veículos por indisponibilidade do modelo inicialmente locado deve

ocorrer sem ônus para o consumidor. Demonstrado que o autor alugou o

veículo originalmente por U$ 915,80 dólares (Id. 286165) e que a alteração

contratual se deu por culpa exclusiva da prestadora dos serviços, devida é

a repetição do valor cobrado a maior (Id. 286171), qual seja $ 1.794,98

dólares (R$ 5.223,39), incluindo outros serviços adicionais em decorrência

da modificação do contrato, bem como dos encargos decorrentes da

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variação da cotação da moeda e tributos incidentes na fatura do cartão

relativo a essa despesa no exterior (R$ 840,69). Recurso a que se dá

provimento para condenar a ré ao pagamento da diferença (R$ 1.581,58). 3

– Pagamento indevido. Devolução na forma simples. Não sendo o caso de

pagamento indevido, mas de cobrança resultante de alteração do objeto do

contrato de locação inicialmente ajustado, cabível apenas o ressarcimento

do valor desembolsado em excesso, sem a dobra. 4 – Responsabilidade

civil. Dano moral. O reconhecimento da responsabilidade civil por danos

morais pressupõe a prática de ilícito. Sem demonstração de ilegalidade

não se acolhe pedido de indenização por danos morais (art. 186 do

Código Civil). A alteração do objeto do contrato de locação veículo que

resultou em cobrança adicional, por si só, não tem aptidão de atingir os

direitos de personalidade e ensejar o dever de reparação por dano moral.

5 – Recurso conhecido e provido em parte. Sem custas processuais e sem

honorários advocatícios. (RECURSO INOMINADO 0707358-

33.2015.8.07.0016 - SEGUNDA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS

ESPECIAIS DO DISTRITO FEDERAL - Juiz AISTON HENRIQUE DE

SOUSA).” (grifo nosso)

3.7. DA INDÚSTRIA DO DANO MORAL.

É crescente o número de ações cobrando indenizações por danos

morais, o que levou à criação do termo “indústria do dano moral”. Se é verdade

que por um lado isso é fruto de maior conscientização das pessoas, não é menos

verdade que, por outro lado, em numerosos casos, é clara a intenção de obter

enriquecimento sem causa.

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Não se pode aceitar que as infundadas alegações do Requerente se

transformem em fonte certa de indenização por “danos morais”, sob pena de

enriquecimento ilícito.

O Requerente causou as avarias, gerando um gasto e um prejuízo

para a Requerida, não sendo justo que a empresa não possa cobrar o valor do

conserto do veículo.

O Autor altera a verdade dos fatos ao alegar nunca ter contratado

com a Requerida em claro intuito de enriquecer-se indevidamente, o que não

pode ser aceito.

O Poder Judiciário já vem dando mostra, ultimamente, que se por

um lado está atento aos abusos, de outro não permite que se aproveitem das

circunstâncias para auferir lucro.

Em palestra proferida na EMERJ, o Magistrado LUIZ ROLDÃO DE

FREITAS GOMES assim se manifestou:

“A Constituição hoje vincula a reparação do dano moral, sobretudo e

basicamente, à ofensa aos direitos da personalidade, ao direito à honra, ao

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nome, à imagem, à intimidade. A reparação do dano moral caminha par e

passo com a consagração, o reconhecimento efetivo e a tutela desses

direitos. Sua previsão constitucional trouxe, sem dúvida, a grande

vantagem de permitir a reparação da ofensa a bens que, por sua natureza,

estavam privados de qualquer ressarcimento. Deste modo, tornou mais

efetiva a tutela desses bens, cernes de direitos assegurados

constitucionalmente. Mas, um certo encantamento com a matéria tem

levado, na prática, a certo exagero na consideração do que sejam o dano

moral e a ofensa aos próprios direitos da personalidade. Qualquer

restrição, por menor que seja, que a pessoa sinta, qualquer limitação de

ordem psicológica, tende a ser valorizada com um agravo a manifestação

da personalidade...”

Está claro, portanto, que os fatos narrados na petição inicial não

geram dano moral.

Contudo, caso esse MM. Juízo assim não entenda e condene a

Requerida a indenizar supostos danos morais suportados pelo Requerente,

deverá este MM. Juízo fixar eventual indenização levando em consideração a

extensão mínima do dano suportado (art. 944 do Código Civil), aplicando-se,

principalmente, os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

3.8. PRINCIPIO DA EVENTUALIDADE - DA QUANTIFICAÇÃO

DOS DANOS MORIAS ALEGADOS.

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Sob o manto do princípio da eventualidade, na absurda e improvável

hipótese de se superar as questões tratadas acima, superação esta considerada

apenas em obediência ao princípio da concentração da defesa, passa-se a

examinar o pleito concernente ao valor da indenização por danos morais.

Data máxima vênia, o pedido exordial de condenação da "MOVIDA"

no pagamento de indenização por danos morais - não tem o menor respaldo,

seja na doutrina ou jurisprudência.

Portanto, se alguma indenização for devida, tal obrigação deverá ser

fixada como forma de se coibir uma tentativa de enriquecimento ilícito,

devendo ser minorado o valor pleiteado.

Aliás, o parágrafo único do artigo 944, do Código Civil,

contemplando a hipótese de uma enorme indenização a ser paga, confere ao

Juiz o poder de agir equitativamente e de assim reduzir a indenização, quando

houver inescusável desproporção entre o montante desta e o grau de culpa do

responsável.

Mais do que em qualquer outro tipo de indenização, a reparação do

dano moral há de ser imposta a partir do fundamento mesmo da

responsabilidade civil, que não visa a criar fonte injustificada de lucros e

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vantagens sem causa. Exige-se, por isso mesmo, muita prudência e cautela da

parte dos Juízes no trato desse delicado tema.

O valor pretendido pelo Requerente é completamente desarrazoado.

A imagem e a honra do Requerente, repita-se, em momento algum

restaram abaladas, prejudicadas ou denegridas com qualquer atitude desta

Requerida, mesmo se aceitássemos, em mero exercício intelectual, os fatos

narrados e não provados.

Não houve cobrança indevida! Consequentemente, não há que se

falar em indenização em razão dessa cobrança.

3.9. DA SÚMULA STJ 362.

A imagem e a honra do Requerente, repita-se, em momento algum

restaram abaladas, prejudicadas ou denegridas com qualquer atitude da

Requerida, mesmo se aceitássemos, em mero exercício intelectual, aos fatos

narrados e não provados.

Em relação à correção monetária, impende ressaltar que o Superior

Tribunal de Justiça, inclusive por súmula, consolidou o entendimento de que

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nos casos de fixação de dano moral, a correção monetária incide tão somente a

partir do arbitramento do valor pelo Juízo, in verbis:

“Súmula STJ 362: A correção monetária do valor da indenização do dano

moral incide desde a data do arbitramento.”

É que, na condenação por danos morais, é levado em consideração o

valor no momento de sua fixação e, assim, a incidência de correção em

momento anterior acarretaria um bis in idem, o que é inadmissível em nosso

ordenamento jurídico. Assim, a correção monetária, caso haja condenação, deve

incidir apenas da data da fixação do valor.

E, com relação aos juros de mora, devem eles incidir sobre o

quantum indenizatório também a partir da data que o valor for definitivamente

fixado. Isso porque, como a indenização por danos morais possui caráter

compensatório, não há como o devedor conhecer o valor da obrigação antes que

ela seja definitivamente arbitrada.

Com efeito, até o arbitramento em definitivo da quantia, que, nesse

momento se torna líquida e certa, não há mora, que justificaria a aplicação dos

juros e nem desembolso prévio que justifique a incidência de juros da

indenização.

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Ora, Excelência, outro não poderia ser o entendimento

jurisprudencial, pois até a prolação da sentença não existirá indenização a ser

paga, razão pela qual não há como incidir juros de mora, ante a ausência de

mora.

Portanto, caso o Nobre Julgador entenda pelo cabimento do pedido

de danos morais, o que se admite apenas em função do princípio da

eventualidade, requer incidam os juros de mora e a correção monetária apenas

a partir da fixação do valor da condenação.

4. DA LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ

O Requerente provocou o Judiciário pleiteando direito inexistente

distorcendo a realidade dos fatos para angariar vantagens de forma ilícita.

Todos têm direito de Ação, a garantia constitucional onde qualquer pessoa, seja

ela natural ou ficta (jurídica) que, ao sentir-se ameaçada ou tiver lesado direito

seu, pode e deve recorrer ao Poder Judiciário para dele obter a cessação dessa

ameaça ou a restituição ao status quo ante e, se impossível esta hipótese, que lhe

seja prestada uma tutela jurisdicional garantindo-lhe a reparação quanto ao

prejuízo suportado.

Ocorre que algumas pessoas abusam desta garantia constitucional de

forma a extrapolar seus pressupostos e atingir regras legais de conduta de

forma a contraria-las, pois, o litigante se reveste de uma garantia legal, mas seu

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objetivo é a prática de ação ilícita, como um lobo travestido de cordeiro.

Quando a demanda é utilizada como via para adquirir objetivos desleais ao

Direito o litigante deve ser punido por sua má fé.

Nosso ordenamento jurídico condena este tipo de ação nos artigos 79

e 80 do CPC, conforme transcrito abaixo:

Art. 79.CPC. Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como autor,
réu ou interveniente.

Art. 80.CPC. Considera-se litigante de má-fé aquele que:

I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;

II - alterar a verdade dos fatos;

III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;

V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;

VI - provocar incidente manifestamente infundado;

VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

O Requerente alterou a verdade dos fatos e quer utilizar do processo

como via para atingir objetivo ilegal que é o locupletamento ilícito às custas da

Requerida e do Judiciário, o que não pode ser admitido. O Poder Judiciário não

é a casa da mãe Joana e deve ser respeitado como ente garantidor de direitos e

não uma casa lotérica.

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O Requerente contratou com a Requerida, avariou o veículo e, se

acha no direito de pleitear indenização em virtude da correta inscrição de seu

nome nos cadastros de inadimplentes.

Por ter o Requerente alegado nunca ter contratado com a Requerida,

quando, na verdade, firmou 8 contratos de locação ao longo dos anos, visando o

recebimento de vantagem indevida, o Autor é litigante de má fé.

Como forma de punição ao litigante de má fé, o CPC prevê a multa

do art. 81, onde esta deverá ser superior a um por cento e inferior a dez por

cento do valor corrigido da causa com a finalidade de indenizar a parte

contrária pelos prejuízos que esta sofreu, a arcar com os honorários advocatícios

e com todas as despesas que efetuou.

Ressalta-se que, conforme o § 2º do art. 81do CPC, quando o valor da

causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada em até 10 (dez)

vezes o valor do salário-mínimo.

Desta forma, requer que o Requerente seja condenado por litigância

de má fé e lhe seja aplicada a multa prevista no artigo 81 do Código de Processo

Civil.

5. DO PEDIDO CONTRAPOSTO

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Autorizam os artigos 3º e 31 da Lei 9.099/95, a parte formular pedido

contraposto quando fundado nos mesmos fatos que constituem o objeto da

controvérsia, o que justamente ocorre no caso.

Durante o período de locação do Autor, o veículo fora avariado,

sendo necessário conserto no valor de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais).

Como esse conserto não foi pago, o nome do Autor foi inscrito nos

cadastros de inadimplentes.

Não há que se olvidar, tampouco alegar ignorância ao Contrato de

Locação firmado entre as partes, pois estabelece em sua Cláusula 3ª: “O

LOCATÁRIO, USUÁRIO, CONDUTOR ADICIONAL e o RESPONSÁVEL

FINANCEIRO assumem integral responsabilidade pelo Veículo desde a sua

retirada até sua devolução, bem como assumem a responsabilidade por todas as

infrações cometidas e despesas decorrentes da apreensão do veículo, inclusive

em caso de prorrogação ou renovação mensal, ainda que sem assinatura

atribuída à mesma numeração de Contrato de Locação, bem como assume a

pontuação decorrente daquelas, nos termos do artigo 4º e seus parágrafos da

Resolução 404/12 do CONTRAN e da Cláusula 11.3 dos Termos e Condições

Gerais de Locação de Veículos. Por meio desta, o LOCATÁRIO, USUÁRIO,

CONDUTOR ADICIONAL e o RESPONSÁVEL FINANCEIRO autorizam,

expressamente, a LOCADORA a efetuar a cobrança das multas através de

débito em cartão de crédito, já com o repasse do desconto de 20% concedido

pelo órgão de trânsito, acrescidas de 20% a título de custo administrativo. A

notificação de multa será enviada ao LOCATÁRIO por e-mail ou carta.”

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O Autor se encontra, portanto, inadimplente em relação ao conserto

do veículo.

Assim, o Requerente é devedor da quantia de R$ 1.500,00 (um mil e

quinhentos reais) referente ao conserto do veículo.

Isto posto, requer, em sede de pedido contraposto, a condenação do

Requerente ao pagamento de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais),

devidamente atualizado e acrescido de juros de mora.

6. DOS PEDIDOS.

Diante de todo o exposto, é a presente defesa para requerer a Vossa

Excelência que:

a) Sejam julgados TOTALMENTE IMPROCEDENTES os pedidos

constantes na exordial, para indeferir o pedido de declaração de inexistência

de débito e indenização por danos morais, eis que, restou inequivocamente

demonstrado que o Autor contratou com a Requerida, tendo avariado o

veículo durante um dos períodos de locação;

b) SUBSIDIARIAMENTE, apenas atendendo ao Princípio da

Eventualidade, caso este Nobre Julgador entenda pela existência de dano moral,

que a indenização atinente seja estabelecida levando em consideração a

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extensão mínima do eventual dano suportado (art. 944 do Código Civil),

aplicando-se, principalmente, os princípios da razoabilidade e

proporcionalidade, e ainda, que os juros de mora e a correção monetária

incidam apenas a partir da fixação do valor da condenação, conforme súmula

362 do STJ;

c) Seja negado o pedido de inversão do ônus da prova, isto porque,

para o deferimento de tal benefício, não basta que a ação seja regulada pelo

Código de Defesa do Consumidor, mas, também, que esteja comprovada a

hipossuficiência autoral na obtenção de provas, o que não há comprovação

neste caso, e sobretudo verossimilhança;

d) Requer a condenação do Requerente por litigância de má-fé, nos

termos dos artigos 80 e 81 do Código de Processo Civil, ao alterar a verdade dos

fatos, omitindo ter batido o veículo;

e) Seja julgado PROCEDENTE o PEDIDO CONTRAPOSTO,

condenando-se o Requerente ao pagamento da quantia de R$ 1.500,00 (um mil e

quinhentos reais) a título de cobrança pelo conserto do veículo, referente ao

contrato de locação nº 2854773, conforme documentos comprobatórios anexos,

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nos termos dos artigos 3º, e 31 ambos da Lei 9.099/95, valor a ser acrescido de

juros e correção monetária;

f) Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em Direito

admitidos, principalmente por documentos juntados e por juntar, depoimentos

testemunhais, prova pericial grafotécnica, se necessária, e pelas demais que se

fizerem necessárias para a emersão da verdade, conforme estatui o art. 435 da

Lei 13.105/15;

g) Finalmente, com referência às futuras publicações, requer que

sejam as mesmas expedidas e publicadas em nome do procurador, Dr. TIAGO

AUED inscrito na OAB/GO 31.654-A, com endereço da Rua 05, nº 691, Quadra

C, Lote 16-E, Sala 1013, Edifício The Prime Tamandaré Office, Setor Oeste, CEP:

74.115-060, tiago@auedsulzerparada.com.br, Goiânia/GO, sob pena de nulidade

dos atos processuais, na forma do art. 10 c/c art. 106, I, ambos do Novo Código

de Processo Civil.

Goiânia, 11 de março de 2019.

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