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– Soryu

- Raisa

– Gislaine Vagliengo

– Arih Brandão, Juliana Michele, Cinthia


Uchoa, Wivi, Naaty Cavendish, Ritiele Vieira, Eica Janaine, Mel
Schiewe, Joy Loretano

– Luisinha Almeida e Lola

Luisinha Almeida e Lola


Não importa o que minha prima diga; não sou a rainha
das relações impossíveis. Quero dizer, só porque meu último
namorado tentou me matar e me deixou uma pequena cicatriz
no pescoço, então me obrigou a me mudar para o outro lado
do país e mudar legalmente meu nome para Reese Randall para
escapar dele, não significa que...

Oh, a quem estou enganando? Para uma estudante de


primeiro ano na universidade, tenho que ter o pior histórico de
relacionamentos.

Não é de se estranhar que o amor seja a última coisa em


minha mente quando Mason Lowe entra em minha vida. Mas a
química entre nós é como um bam! Nossa conexão desafia a
lógica. E ele é tão malditamente sexy. Estar perto dele me faz
sentir mais viva do que nunca me senti antes. Gosto inclusive
de brigar com ele. Poderia ser minha alma gêmea.... Exceto por
um pequeno problema.

É um gigolô.

Deus, sim que sei como escolhê-los.


Mason Lowe arrumava o cortador de
grama de sua mãe para poder cortar a grama do jardim
quando a senhora Garrison veio cobrar o aluguel.

— Ei — Seu chamado agudo e nasal chiou contra seus


ouvidos, antes que ela batesse na cerca que separava seu
jardim do dele. As dobradiças de metal fizeram um chiado
quando a grade se abriu — Há alguém em casa?

— Só eu. — Ele apertou os olhos para o clarão do meio-


dia enquanto levantava o olhar. Com uma chave inglesa
sustentada firmemente em sua mão, passou o dorso de sua
mão pela testa para secar o suor que gotejava.

— OH! Mason. — Pressionando uma mão em seu decote


exposto, a locadora de sua mãe tropeçava com seus saltos
ridiculamente altos e piscava com seus longos cílios postiços
— Não tinha te visto.

Com a esperança de que talvez, se visse que estava


muito ocupado, a mulher de quarenta e tantos anos
entenderia a indireta e o deixaria sozinho, permaneceu
agachado atrás do cortador, onde tinha estado afiando a
lâmina.

—Precisa de alguma coisa?


— Um... — Mordeu seu lábio e puxou seu cabelo com
uma mão para mantê-lo afastado de seu pescoço enquanto
usava a outra mão para abanar-se. Os brilhos de seu esmalte
de unhas vermelho brilhavam com a luz do sol.

Inspecionava-o com atrevimento, seu olhar ambicioso o


consumia. Enojado por sua inspeção, ele se retorcia em seu
interior, com vontade de alcançar sua camiseta que tinha
tirado fazia meia hora e jogado a um lado.

Dando uma olhada ao redor do jardim como se estivesse


à caça de um criminoso que acabava de roubar um banco, ela
perguntou:

— Onde está sua mãe?

Voltando a atenção para sua tarefa, Mason usou a chave


para girar a lâmina em seu lugar.

— Levou minha irmã para outra consulta com o médico


— mentiu, seus músculos se pressionaram quando apertou
os dentes.

Sua mamãe e Sarah estavam no supermercado, mas


lembrar da condição de sua irmã à senhora Garrison poderia
dar a sua família um pouco de simpatia e comprar tempo
extra para reunir mais dinheiro, porque estava certo de que
sua mamãe atrasou o aluguel outra vez.

— Umm. E como está a pobre e doce menina? —


Murmurou a senhora Garrison distraidamente, sua atenção
estava em suas mãos enquanto ele trabalhava.
Ante a suspeita de que não lhe importava
absolutamente o bem-estar de Sarah, afastou as mechas
escuras de seus olhos e lhe lançou um olhar.

— Ainda tem paralisia cerebral. — Girou um pouco mais


forte do que tinha feito antes, prendendo o parafuso.

— Vá, vá. — A locadora se inclinou mais perto —


Certamente você cresceu muito bem. Olhe esses músculos
que tem. — Sua sombra passou em frente dele justamente
antes que pusesse uma mão em seu ombro e suas largas
unhas se afundassem em sua pele escorregadia.

Surpreso pelo contato cambaleou para trás, tentando


afastar sua mão.

Ela soltou um rouco sorriso divertido.

— Não precisa ficar tão nervoso, querido. — Suas unhas


afrouxaram seu agarre, só para percorrer um centímetro de
seu peito com uma descarada carícia de apreciação — Não
mordo. — Contradizendo suas palavras, esboçou um sorriso
com seus dentes brancos e perfeitos graças a sua dentista.
Parecia como se quisesse pegar um pedaço de sua carne
crua.

Mason engoliu com força. O brilho de seu olhar o havia


deixado frio por toda parte, inclusive com o calor de trinta e
sete graus. Como uma pantera quando detecta sua presa, ela
queria equilibrar-se. Sobre ele.
Não tinha que ser experiente no sexo — e não o era —
para saber o que ela queria.

Provavelmente o tinha visto de sua janela no segundo


andar, usando nada mais que seus shorts rasgados, e se
emperiquitou com a única intenção de vir jogar.

Sentia-se um pouco enjoado. Não porque queria


assegurar sua virgindade. Não o fazia. De fato, se alguma
oportunidade tivesse aparecido antes, a teria perdido faz
anos.

Nem sequer era porque ela fosse feia. A mulher poderia


ter um falso bronzeado, peitos falsos e um pouco de cirurgia
plástica no rosto, sem dúvida nos lábios e sobrancelhas, mas
não era uma monstruosidade por nenhum lance da
imaginação. Tinha grandes seios, um traseiro apertado e
umas pernas longas bem torneadas, bem, sim, pareciam bem
nesses shorts jeans curtos e apertados.

E não era porque fosse casada, porque tampouco o


estava. Não estava certo de por que todo mundo a chamava
senhora Garrison. Tinha certeza de que nunca tinha havido
um senhor Garrison no quadro.

Não, tudo tinha a ver com sua idade. As mulheres mais


velhas simplesmente não faziam seu tipo, e seus dígitos
multiplicavam os seus por dois. Pelo menos.
A senhora Robinson — er, Garrison – devia estar
pensando o mesmo sobre a coisa dos números porque
arqueou uma sobrancelha com interesse e perguntou:

— Quantos anos tem agora, Mason?

— Dezoito. — Olhou para outro lado, amaldiçoando-se,


inclusive quando admitiu a verdade. Maldito seja, por que
não tinha mentido sobre isso também? Dezessete de repente
parecia muito mais... Seguro.

Mas tinha a suspeita de que ela já sabia exatamente


quantos anos tinha.

Um sorriso predador se estendeu em seus lábios


pintados com um ar de triunfo zombador, como se tivesse
assumido que já o tinha apanhado em sua teia.

— Então.... Já é um adulto.

Mason fez um som afogado. Mas que merda. Na verdade,


não tinha pensado que tivesse o descaramento de vir e dizer
isso em voz alta.

Ela riu com voz rouca.

—Vejo que te surpreendi.

Negou com a cabeça, negando mais o momento que em


realidade dizendo não. Ela sorriu com aprovação como se
estivesse orgulhosa dele por sua resposta.
— Sua mãe me deve mais de três mil dólares. Sabia
disso, Mason?

Ele olhou fixamente ao cortador de grama velho e


decadente, e tentou não perder a consciência.

— Não. Não sabia.

Cristo, era um montão de dinheiro.

Como se estivesse sentindo sua dor e lhe oferecendo um


pouco de conforto, a senhora Garrison se agachou a seu lado
e pôs sua mão em seu joelho nu. Olhou-a, pensando que
talvez visse um pouco de compaixão em seu olhar.
Possivelmente daria a eles um par de meses para tentar
juntar os três mil dólares.

Exceto, que o calculador brilho de seus olhos com suas


calejadas, profundidades cor avelã, não parecia muito
simpático. Sua palma se moveu em sua perna, deslizando—
se até a metade de sua coxa, e ele quase pulou para fora de
seus shorts.

Droga, o que planejava, dar um showzinho aqui mesmo


no meio do jardim de sua mãe, ou o que? Enquanto uma
parte de seu cérebro gritava, o pequeno menino em suas
calças se animava pela atenção, decidindo que seus magros
dedos se sentiam bastante bem subindo por sua perna e se
sentiria ainda melhor se os punha em sua inflamada cabeça.

Um pulso elétrico saltou em seu sistema. Queria


empurrá-la longe e fulmina-la com o olhar por fazer isto a ele,
por fazer com que seu corpo reagisse contra sua vontade.
Mas não podia afastá-la, não podia dizer que fosse embora,
não podia sequer dar a ela um olhar mordaz. Sua mãe devia
mais de três mil dólares a ela.

Quantos malditos meses de salário era isso?

O pânico se estabeleceu profundamente em suas veias.


Precisava desviar isto antes que fosse diretamente aonde
temia que já estivesse indo.

— Tenho certeza que minha mamãe tem o dinheiro –


tentou —. Ell-ela e Sarah devem estar em casa em uma hora
ou duas. Poderá pagar a senhora então.

— De verdade? — A senhora Garrison se alegrou —


Então temos uma hora ou duas para fazer o que quisermos?

Mason não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer.


Queria correr, mas tinha um mau pressentimento, essas
unhas podiam enterrar-se em sua perna e fazê-lo migalhas se
tentasse.

Sentia-se encurralado.

Ela se inclinou mais perto, o calor da palma de sua mão


abrasando sua coxa. Um aroma de coco flutuava sobre ele.

— Não sou estúpida, sabe. Sua mãe não tem essa


quantidade de dinheiro. E não me pagará nada quando
chegar em casa de sua consulta com o médico. Mas estaria
disposta a reduzir o que me deve, digamos que, pela metade
se estivesse disposto a fazer um trato comigo.

Santa mãe de Deus.

A senhora Garrison acabava de pedir a ele que fizesse


sexo com ela.

Por mil e quinhentos dólares.

Ele nem sequer sabia seu primeiro nome.

— Sabe o que estou te pedindo, certo, Mason?

Pondo um pouco de distância, fechou os olhos e


assentiu.

— Bem. — Soava satisfeita e asquerosamente petulante


– Então sua resposta seria...?

Incapaz de expressar a negativa com sua voz sacudiu a


cabeça vigorosamente.

Quando não respondeu, um silêncio tenso se encontrou


com seus ouvidos. Sua curiosidade tomou o melhor dele, e
abriu os olhos.

Ela o olhou com uma expressão ardilosa, como se


conhecesse uma pequena parte microscópica dele que queria
dizer sim. Mas seriamente, que menino de dezoito anos
queria dizer não a fazer sexo, inclusive se significasse fazer
com alguém mais velho?
— Essa é sua resposta final? — Perguntou, parecendo
divertida.

Ele estragou tudo abrindo a boca.

— Sim! Estou completamente certo. Não vou fazer sexo


com você. Eu não... — Afastou o olhar — Nem sequer saberia
o que fazer.

Por que foi que confessou isso, não tinha ideia. Mas
esperava por Deus ter assustado ela, porque nenhuma
mulher queria que um virgem torpe a fodesse, tinha que estar
fora de juízo.

Em vez de afastar a mão dele com repugnância, seus


dedos se apertaram sobre sua perna. Seus olhos cor avelã se
ampliaram, e lambeu os lábios.

— OH, querido – suspirou – Acaba de me deixar úmida.

Mason piscou.

— Que?

— Não se preocupe se esta é sua primeira vez, querido.


Poderia te ensinar tudo o que precisa saber. E mais. Seria
uma honra treinar a um jovem macho como você para que
aprenda minhas... Preferências. — Seus dedos começaram a
deslizar-se mais acima de sua perna.

Agarrou-a por seu pulso antes que alcançasse a prega


de seus shorts porque sabia que ela não se deteria ali. Não se
deteria até que tivesse um pouco. Seu pênis palpitava,
sabendo que isto era o mais perto que uma mulher tinha
chegado a tocá-lo. Estúpido pênis.

Apertando os dentes, aumentou seu aperto sobre ela


para advertir que se retirasse. Mas diabos, ela começou a
respirar com mais força como se seu toque a tivesse excitado
ainda mais.

Com os olhos vidrados em um tom febril, soltou um


forte suspiro.

— Maldito seja, tem mãos tão fortes. Está duro por mim
neste momento, não é?

Zangado com ela tanto como com seu corpo traiçoeiro,


afastou sua mão e ficou de pé, virando-se rapidamente para
que não pudesse ver a protuberância em seus shorts.

— Você tem que ir – disse. Tem que ter sido o momento


mais surrealista, vergonhoso e incômodo de sua vida, de pé
petrificado no jardim traseiro de sua mãe em frente a um
cortador de grama velho, trabalhando duro e discutindo sexo
por dinheiro com a locadora —. Disse a você que não.

— Está bem. — Deixou escapar um bufo de indignação


enquanto ficava de pé. O calor de seu olhar queimava na
parte traseira de seu pescoço —. Diga a sua mãe que tem que
me pagar até o final da semana, caso contrário, receberá uma
notificação de despejo.

Mason se virou olhando para ela boquiaberto.


Não faria isso.

OH, santo Inferno, faria isso.

Fingiu admirar suas unhas, alisando-se na frente dele


como se estivesse orgulhosa de si mesma por ser melhor que
ele. Então, com um gesto alegre, disse:

— Até mais tarde. — E se virou em seus saltos,


cantarolando uma melodia borbulhante em voz baixa. Seus
quadris se balançavam de forma descarada, enquanto
caminhava para a cerca.

Mason a olhou com a boca aberta, enjoado e morto de


medo. Nunca os tinha ameaçado de despejo. Mas por outro
lado, nunca tampouco tinha pedido a ele para terem relações
sexuais.

Sua mãe já tinha dois trabalhos em tempo integral, e o


dinheiro que economizava era para comprar uma cadeira de
rodas motorizada para Sarah.

Mason apertou os dentes, sentindo-se o pior filho e o


pior irmão que existia.

Estava trabalhando meio período em um lavador de


carros depois da escola, mas nem sequer isso tinha sido
suficiente para ajudar sua mamãe a pagar as contas. Se
pudesse ajudar a sua família de algum jeito, deveria agarrar
qualquer oportunidade que tivesse para isso e fazer o melhor
possível.
Inclusive com a locadora.

Fechando os olhos contra uma onda de enjoo pelo que


estava a ponto de fazer, Mason disse com voz áspera.

— Espere. – Meio que esperando que ela não o


escutasse.

Mas sua mão se congelou no fecho da cerca.


Lentamente, virou sobre seus saltos.

— Sim?

Odiou a forma em que seus olhos piscaram com triunfo.


Odiava ela, e ponto.

Abriu a boca um par de vezes antes de falar.

— Me deixe.... Deixe-me me limpar primeiro.

Começou a rir e sacudiu a cabeça.

— OH, querido, não se atreva. Antes que esta tarde


termine, eu planejo lamber cada centímetro de suor desse
tenso e brilhante corpo jovem.

Quase vomitou seu almoço.

Deve ter sentido que ele estava a um segundo de


VOLTAR atrás, porque dobrou seu dedo indicador, fazendo a
ele gestos para frente.

— Me siga, bonito.

Quando se virou e abriu a cerca, ele a seguiu.


Três horas depois, voltou para casa sendo uma pessoa
completamente diferente. E a senhora Garrison tinha
perdoado todos os meses de aluguel atrasado com a condição
de que retornasse cada vez que o chamasse de novo.
Dois anos, tres meses e doze dias mais tarde....
Bem, talvez estivesse a ponto de começar a babar um
pouquinho quando minha prima golpeou meu cotovelo com o
seu, afastando minha atenção da festa de homem do outro
lado do pátio que eu poderia ter estado possivelmente — quer
dizer, totalmente — despindo com o olhar.

— Menina, nem sequer pense nisso. Não poderia pagar


por isso mesmo que esvaziasse todo o dinheiro de seu
porquinho.

Pisquei, limpei garganta, e murmurei:

— Sinto muito, o que?

— Disse: Não. De maneira nenhuma. Não pode pagar


por isso.

Enrugando o nariz, continuei olhando para ele, porque,


bom, sério, como poderia deixar de fazê-lo? Era o exemplo
perfeito da palavra sexy. Na verdade, assim o chamaria a
partir de agora: Sexy.

— O que? Está, como, à venda ou algo assim? — Ri


dissimuladamente ante minha própria brincadeira.
Eva deu um tapinha em meu joelho em um gesto que
denotava compaixão.

— Sim. De fato, sim, está.

Meu sorriso caiu.

— Que?

Sentadas nos banquinhos do lado de fora do edifício


principal do centro formativo superior Waterford County, Eva
e eu bebíamos nossa dose matutina de café e açúcar,
discutindo sobre quem usava os sapatos mais lindos, quando
sexy cruzou minha linha de visão no canto de meu olho.
Olhei para ele diretamente para conseguir uma melhor
imagem e, sim... Sapatos? O que eram os sapatos?

Mas, sério. Era extremamente bonito. Com a correia de


sua bolsa de mensageiro atravessando diagonalmente seu
peito, estava encostado em uma das muitas estátuas de
animais recobertas de bronze enquanto falava com um grupo
de caras.

Usando um par de jeans e uma simples camiseta, não


deveria se sobressair entre a turma. Mas sobressaía. OH, sim
que se sobressaía. Seu escuro e ondulado cabelo me
chamava... Reese, Reese! Passe seus dedos pela minha
selvagem, preciosa e incontrolada juba. Fazia isso. Sério.

Talvez não fosse uma visão detalhada e íntima dele.


Quero dizer, nem sequer podia analisar seus atributos faciais
daqui — e um rosto chamativo era o que geralmente atraía
minha atenção. Mas nada disso parecia importar, porque
tinha este pressentimento de que seu sorriso era totalmente
rompedor de corações.

Rompia meu coração a cada segundo.

Havia algo a respeito de sua aura que gritava


sensualidade, confiança, calor. Irradiava dele em ondas
quando relaxou em uma cômoda e masculina posição,
deixando que seu braço pendurasse ao redor da estátua de
um garanhão. O cara era uma peça de arte, e mais atraente
que o pedaço de metal que atualmente suportava seu peso.

Não podia afastar meus olhos dele.

— Só me diga que não persegue e esfaqueia suas ex-


namoradas.

— Não — assegurou-me Eva —. Nem sequer tem ex-


namorada. Porque é um gigolô.

OH, sim, disse isso. Em voz alta. No meio de um campus


repleto. Como se fosse algo que dizia todo dia.

Afastei bruscamente o olhar de sexy para olhar


boquiaberto, para minha prima, que, seguramente, às vezes
dizia coisas loucas. Mas, sério, esta era sua pior mentira.

— Me desculpe?

Eva sorriu.

— Vende seu corpo por sexo.


Como se precisasse a definição de gigolô. Olá.

— De que demônios está falando?

— Estou falando de Mason Lowe, o cara que continua


perseguindo sexualmente com os olhos. — Moveu a cabeça
na direção do Sexy, que ainda se encontrava inclinado contra
a corcoveada estátua de cavalo —. Não pode parar de olhar
para ele, sei. Estou de acordo: é estupendo. Teve duas aulas
comigo no colégio, e compartilhamos uma aula de
matemática de quatro horas em meu segundo ano, assim
sim, babei por ele uma ou duas vezes. Mas confie em mim,
querida, não está disponível. Porque é um maldito gigolô.

Quando não fiz nada mais que piscar porque, Uhmm, o


que se supunha que respondesse, Eva acrescentou
insistentemente.

— Estou falando sério!

— Quer dizer, figurativamente, certo?

— Quis dizer exatamente o que disse; literalmente.

Arqueei uma sobrancelha.

— E....sabe disto porquê...?

— Não sei. Só... sei. Todos sabem. Exceto a polícia,


óbvio. Caso contrário, ele estaria em uma cela por
prostituição ilegal ou algo assim. Todos sabem que trabalha
no Country Clube como algum tipo de disfarce para os
encontros com suas clientes, que são algumas das mais ricas
e quentes mulheres da cidade que pagam a ele uma grande
quantidade de dinheiro para que as agrade.... De qualquer
forma que queiram. Estou certa de que algumas das amigas
de mamãe já o tiveram.

Minha boca caiu aberta. Escrutinei a pôr todo um


minuto antes de soltar uma gargalhada e golpear seu ombro.

— OH, Meu Deus. É tão mentirosa. Jesus, E, acreditei


por um minuto.

— O que? — Eva conseguiu parecer insultada — Juro


Por Deus que não estou mentindo. Quer perguntar a ele? —
Enlaçou seu braço ao meu e tentou se levantar me puxando
com ela.

Uhmm, sim. Isso não ia acontecer. Explodiria


internamente em uma overdose de hormônios se me
aproximasse muito do Sexy agora mesmo. Era como me
aproximar muito do sol; provavelmente me queimaria com
um de seus mortíferos raios carregados de testosterona. E
não usava suficiente protetor solar para esse tipo de ação.

Arrastei nossos traseiros para baixo de novo.

— O que acha que está fazendo? Não pode simplesmente


se aproximar de alguém e perguntar se é um gigolô. — Jesus!

Eva respondeu com seu típico movimento. Encolheu os


ombros e jogou seu cabelo por cima de seu ombro.
— Por que não? Duvido que minta sobre isso.
Definitivamente não parece ser um segredo.

Joguei a cabeça para trás e soltei uma gargalhada. Mas,


uau. Às vezes Eva era simplesmente muito. As coisas que
podia imaginar eram, bom.... Eram extravagantes. Eu gostava
disso sobre ela, mesmo quando me envergonhava o bastante.
Tristemente, eu não era tão extrovertida como minha alegre
colega. Era muito mais propensa a me ruborizar
horrivelmente que a fazer coisas extrovertidas. Quero dizer,
não era tímida, mas não era parecida com Eva Mercer.

Como se sentisse meu rubor nesse segundo, Sexy — ou


como Eva o tinha chamado, Mason Lowe — olhou em nossa
direção e fez contato visual. Comigo.

Parei de rir. Parei de sorrir. Também poderia ter parado


de respirar. Meu Deus, o cara definitivamente sabia como
olhar intensamente.

— Senhor, tenha piedade — murmurou Eva junto a


mim.

Não respondi — não poderia ter feito nem que quisesse.


Estava muito ocupada sendo eletrocutada por dentro. As
pontas de meus dedos coçavam e se enrolavam como se um
fio invisível carregado cineticamente me amarrasse ao cara a
quarenta e cinco metros de distância, que parecia nos unir só
com seu olhar.
Sim, a química corrente entre nós era exatamente assim
de tão poderosa.

Não estou exagerando.... Bem, talvez um pouco. Mas


não muito.

Rompeu a conexão para mudar sua atenção para Eva.


Ofeguei pela liberação como se alguém tivesse arrancado uma
lasquinha de meu coração.

Não é como se pudesse dizer com exatidão, mas poderia


jurar que seus olhos se estreitaram quando se centrou em
minha prima. Deu-me outro rápido olhar, o qual
repentinamente parecia cheio de acusação, e se virou
rapidamente para o grupo, nos ignorando totalmente.

Nenhum olhar tinha me agitado tão profundamente


antes.

Soltando uma instável respiração, pus uma mão contra


meu selvagem coração. Se tivesse morrido e alguém tivesse
utilizado um desfibrilador para me trazer de volta à vida, não
acredito que teria me sentido mais impactada do que agora.
— Uau.

— Sim — murmurou Eva, soando quase igualmente


afetada — Acredito que preciso de um cigarro.

Virei-me para ela e pisquei. —Você não fuma.

Revirou os olhos.
— Juro, às vezes não entendo como somos parentes.
Não quis dizer literalmente, ReeRee. Deus.

Minha cognição racional ainda estava muito frita para


que pensasse apropriadamente, assim murmurei um.

— OH. – E encolhi os ombros — Bom, minhas sapatilhas


de bailarina ainda ganham de suas sandálias.

— Segue sonhando – soprou — As sandálias estão na


moda. — E com isso, voltou a olhar para meu homem.

— Que seja — murmurei com um petulante bufo,


lutando contra a louca urgência de puxar seu cabelo e gritar
que tinha visto ele primeiro, ou pelo menos lembrar a ela que
tinha namorado — Relaxe. Só estava olhando. Não é como se
quisesse me casar e ir morar com ele. Não estou pronta para
uma relação.

— Que seja — respondeu, mas em um tom muito mais


desagradável que o normal —. Eu disse que é inalcançável.

Maldita seja, o que demônios tinha colocado em seu


cereal? E por que continuava olhando para ele? Sério, me
incomodava, porque nesse momento não pude evitar olhar
para ele. Duas garotas olhando e falando efusivamente do
mesmo cara era patético.

OH, demônios, não importava se queria monopolizar


todas as olhadas luxuriosas para si mesmo. De todas as
formas, sentia-me muito intimidada para olhar de novo.
Quero dizer, e se olhasse para mim de novo? Não estava
segura se poderia suportar esse tipo de emoção duas vezes
em um dia.

Acreditava que ninguém tinha sofrido uma overdose por


um olhar luxurioso antes, mas com o Sexy perto, tinha o mau
pressentimento de que provavelmente tinha sido a primeira.

Assim centrei minha atenção em meu horário de aulas


que baixei no celular cinco segundos antes que estivesse
intensamente consciente da existência de Mason Lowe.
Bebendo o resto de meu café, procurei o número da sala de
minha primeira aula. O calor e o vapor da bebida queimaram
minha garganta, mas recebi a dor. Manteve-me distraída de
você sabe quem.

Ofegando silenciosamente para aliviar meu inflamado


esôfago, pisquei para afastar as lágrimas.

— Então... – demorou um pouco antes que pudesse


acrescentar — Disse que tinha literatura comigo, certo?

— Certo — respondeu Eva. Por sua resposta


sussurrada, supunha que ainda estava ocupada olhando
para ele.

— Bom, começa em... Três minutos. Talvez devêssemos


entrar. — Nesse ponto, qualquer coisa que conseguisse movê-
la e que afastasse o olhar do meu cara funcionaria, inclusive
chegar cedo à literatura.
Localizando uma lixeira próxima, apontei e lancei meu
copo vazio, atirando perfeitamente graças a três anos na
equipe de basquete no colégio.

— Bem, vamos — anunciei, pegando minha mochila e


me aprontando para me levantar.

Mas Eva se moveu, aproximando seu corpo até que nós


estávamos quadril contra quadril.

— Espere. — Sua voz era baixa e séria enquanto sua


mão aterrissava em minha perna, me segurando — Está
vindo por este caminho.

Soltando uma tremente respiração, levantei o olhar.


Tinha abandonado sua estátua de cavalo e caminhava pela
calçada para a entrada principal da universidade. O problema
era que o banquinho no qual estávamos Eva e eu ficava no
mesmo caminho. Ia caminhar exatamente do nosso lado.

Nada mais que três metros nos separavam.

Querido Senhor no céu, por favor, me resgate. Poderia


sobreviver a tal proximidade? Honestamente, não sabia. Meu
peito se movia rapidamente ante o repentinamente instável
ritmo de minha respiração.

— Olhe isto — sussurrou Eva em meu ouvido.

Olhei para ela, esperando algum tipo de indicação para


que me dissesse o que fazer. Mas não parecia nem um pouco
consciente de meu iminente ataque de pânico. A garota
parecia malditamente travessa.

Agarrei seu pulso.

— OH, Deus. O que vai fazer?

Eva logo mostrou seu infame sorriso de gato Cheshire


enquanto colocava seu olhar no Sexy. — Bom dia, Mason —
gritou.

Com cada músculo em meu corpo esticando-se, enterrei


as unhas profundamente em seu pulso, advertindo a ela que
se calasse. Mas sua saudação já tinha chamado sua atenção.

Ele deu uma olhada, seu olhar indiferente. Elevando o


queixo dessa forma que os caras faziam para saudar com sua
cabeça, balançou a cabeça.

— O que foi?

Derreti-me, e um sonhador gemido escapou de minha


boca. Mas, uau, tinha uma voz absorvente que combinava
com seu corpo absorvente. Era profunda, mas delicada e
muito pecaminosa para pertencer a alguém tão bonito. Fez-
me querer fechar os olhos, e só.... Derreter-me.

— Hoje parece bem — disse-lhe Eva, seu tom cheio de


ardis femininos e um nem um pouco dissimulado convite.
Inclinando seu rosto o suficiente para que a luz do sol
iluminasse sua impecável aparência, deixou que sua formosa
juba loira caísse sobre seu ombro para mover seu
considerável seio. Não poderia ter sido mais óbvia nem se
tivesse dito em voz alta — O que diz de matarmos as aulas
hoje de manhã e invés disso fazermos algo.... Divertido?

Mason Lowe bufou seu interesse ao mesmo tempo em


que eu ofegava.

— E! – Realmente teria que te lembrar de que tem um


namorado, não?

Diante de minha sussurrada repreensão, Sexy deslocou


sua atenção para mim e repentinamente seu olhar já não era
indiferente. Seu intenso olhar me queimou, e sim, ia precisar
de todo um balde de Aloe Vera para aliviar a deliciosa coceira
que deixaria.

De novo, nossa imediata conexão me manteve presa.


Seu ardente olhar me reteve como se cada órgão em meu
corpo pesasse um milhão de quilogramas. Não podia fazer
nada além de olhar para ele boquiaberta. Como um golpe no
plexo solar, me deixou ofegante. Respirei profundamente,
tentando conseguir oxigênio.

Parecia inclusive melhor a três metros que a quarenta e


cinco metros de distância. Se separar do grupo nem sequer
tinha diminuído seu encanto.

E esse rosto. Jurava que os anjos criariam a seu redor e


começariam a cantar harmoniosamente adorações a esse
glorioso rosto. Nariz reto, testa proeminente, mandíbula
definida, queixo com covinha. Tinha cada traço alfa que um
cara possivelmente poderia possuir. Inclusive suas
sobrancelhas eram grossas e robustas. Simplesmente
perfeito.

Quando afastou bruscamente o olhar, me senti triste e


abandonada. Olhei ele caminhar junto a nós e dirigir—se
diretamente à porta da frente. Logo o vi desaparecer no
interior. Lambendo meus sedentos lábios, virei—me para
minha prima, aturdida.

— Bem — escutei dizer a minha própria voz, o tom débil


em meus ouvidos—. Talvez pudesse acreditar que as
mulheres pagam a ele por sexo.

— Diabos, sim — soltou Eva—. Se tivesse o dinheiro,


definitivamente faria com ele.

Parecia muito dedicada em sua declaração, assim


golpeei seu joelho com o meu, aterrorizada.

— E o Alec?

Deu-me um olhar em branco.

— Que? Quem?

Arqueei uma sobrancelha.

— Seu namorado.

— OH. — Piscando, pareceu recuperar o sentido. Com


um irado encolhimento de ombros, se levantou e pôs a alça
de sua bolsa com um fluido e elegante movimento que só
uma supermodelo poderia ter — Mason não é nada mais que
um sonho. Como disse, nunca poderíamos nos permitir isso.

Algo na forma em que disse isso me fez acreditar que na


verdade já tinha tentado. Isso me preocupou, mas não
perguntei. Os meninos eram o último com o que queria me
prender. E gigolô ou não, sexy tinha um pôster que dizia
"desastre" em sua testa. Eva obviamente o tinha reivindicado.

Por uma vez em minha vida, ignorei minha curiosidade.


Silenciosamente, caminhei com Eva para as portas da frente
do centro formativo superior Waterford County, para minha
nova vida como Reese Alison Randall.
Um ano atrás, tinha grandes planos
de entrar para a universidade local em minha cidade natal.
Tinha um genial e impressionante programa médico, e tinha
sonhado me tornar uma viróloga, uma dessas geeks1
surpreendentemente geniais que se vê no NCIS ou algum tipo
de programa televisivo, que está sempre estudando bactérias
sob um microscópio e resolvendo o crime do dia.

De todos os modos, a cerca de quatro meses atrás, meus


planos desse perfeito futuro tinham mudado drasticamente.

Culpa de meu ex-namorado perseguidor psicopata.


Quero dizer, claro, tinha um pouco de culpa por ser um
pouco aberta e dizer a todos para qual universidade queria ir
e o que queria ser. Ele saberia exatamente onde me buscar, o
que significava que não podia ir ali.

E sim, se tivesse rejeitado Jeremy de uma vez nesse dia


fatídico de meu primeiro ano de colégio quando me convidou
para sair, nunca teríamos saído, nunca teria ficado obcecado,
e eu teria sido capaz de evitar tudo isto. Claro.

1
é um sinônimo para nerd, e ambas são uma gíria muito usada para caracterizar pessoas com
um jeito peculiar, que exercem diversas atividades intelectuais e que geralmente têm muita
afinidade com tecnologia, eletrônica, jogos eletrônicos ou de tabuleiro e etc.
Mas, além disso, ele era a única razão pela qual tinha
perdido meu grande sonho.

Graças a ele, aqui estava, escondida do outro lado do


país, frequentando uma pobre universidade comunitária sem
nome, em uma cidade pequena e vivendo sobre a garagem de
meus tios. Falando sobre a zona mais pestilenta. Minha vida
nos últimos meses não tinha sido como tinha imaginado que
seria meu primeiro ano de universidade.

Mas realmente, ninguém tinha tentado me matar aqui,


assim, suponho que não podia choramingar e me queixar
muito.

A festa da lástima terminou.

Depois de literatura britânica com Eva, tinha uma hora


livre antes que minha aula de cálculo começasse. Passei esse
tempo na livraria. Como tinha sido contratada ali como
estudante assistente, ainda precisava falar com meu novo
supervisor sobre o horário. Assim que o fizemos, e estive feliz
de saber que podia fazer todo meu trabalho durante o dia
entre as aulas. Deixei minha reunião improvisada com dez
minutos restantes para encontrar minha sala de matemática.

Encontrei ela em cinco minutos. Uff!

Meu professor de cálculo se lançou direto sobre os


números e equações logo que revisou o plano de estudos. Era
apaixonado sobre seus números e também as equações, o
que me lembrava muito meu papai, e me deixou um pouco
nostálgica. Mas o Dr. Kolarick nos manteve por quase cinco
minutos mais, o que meu papai, que é consciente do tempo,
nunca faria. Quando nos deixou ir, a seguinte turma se
reunia no corredor e estava pronta para entrar.

Corri, tentando me apressar para sair do meu lugar e


chegar a ciências humanas. Mas assim que me levantei e dei
dois passos no corredor entre as fileiras, uma das alças que
pendurava de minha mochila ficou presa em uma cadeira
próxima e virou a mochila, derramando todas as minhas
coisas no chão.

Horrorizada, agachei-me e agarrei freneticamente meus


cadernos, textos, canetas e pedaços soltos de papel com
ganchos de ferro embaraçosos neles. Descuidadamente
colocando as coisas em minha mochila, estava tão ocupada
vendo o que fazia que não dei atenção para aonde ia. Quando
fiquei de pé, não vi o cara vindo pelo corredor para encontrar
um lugar para a próxima aula.

Quer dizer, não o notei até que me choquei contra ele,


forçando minha mochila contra um estômago firme e forte.

Ele grunhiu de dor, e gritei pela surpresa.

Eu gostaria de dizer que geralmente sou mais graciosa.


Mas não sou a melhor mentirosa do mundo, assim sim,
confesso; sou uma total desajeitada.

Perdendo o controle de minha mochila, caiu tudo no


chão. De novo.
Nota mental: Fechar o zíper de minha maldita mochila
da próxima vez.

— OH, Meu deus. Sinto muito — disse, caindo


instantaneamente sobre meus joelhos — não te vi. Sinto
muito...

Olhei para cima e esqueci o que ia dizer.

A quarenta e cinco metros, tinha me roubado o fôlego. A


três metros, tinha estado pronta para ter seus bebês. A
menos de um passo nos separando nesse estreito corredor
entre as carteiras, me encontrava ali, sobre meus joelhos
diante dele.

Preciso dizer mais?

— Merda — sussurrei.

Que demônios fazia aqui? Não se supunha que estivesse


aqui. Certo, talvez sim. Não sabia qual era seu horário de
aulas. Mas certamente não se supunha que estivesse
tropeçando com ele.... Ou me sentando sobre meus joelhos
frente a ele com minha cara a escassos centímetros do seu...

Bom Deus, que mortificante.

Sexy me olhou, com cara de surpresa como eu.

— O... Sinto... Desculpa — deixei sair as palavras


rapidamente e cegamente alcancei minhas coisas,
inadvertidamente me aproximando de sua virilha enquanto
agarrava um punhado de papéis soltos.
Ele cambaleou para trás, tirando dois de meus livros de
texto que tinham aterrissado em seu pé.

Está bem? Mordi o lábio enquanto levantei o olhar,


esperando que visse como me sentia mal. Mas olhar para ele
era sempre uma grande distração. Estava tão sem fôlego, que
provavelmente soava como uma operadora do um e
novecentos quando disse:

—Lamento por isso.

Tinha o aspecto de um salva-vidas com sua compleição


magra, mas com a parte superior mais ampla e músculos
definidos cobertos por uma pele dourada deliciosamente
bronzeada. Seu rosto era sua característica mais atrativa.
Seu incrível bronzeado fazia com que o branco de seus olhos
e seus dentes perfeitos se destacasse. Também atraía mais a
atenção para seu lábio inferior, a covinha em seu queixo por
baixo, e o intenso cinza de seus olhos acima. Insiram um
suspiro de sonho aqui, porque sua cor estanho brilhante
recordava a um céu nublado antes de uma chuva suave.

— Estou bem. – Me deu um sorriso tenso. Um sorriso do


tipo "se afaste de mim porque cheira mal".

OH Deus. Nojo de mim.

Finalmente ele estendeu as mãos e recolheu os livros


que estavam deitados a seus pés. Quando me deu isso,
murmurei
— Obrigado. — Estava determinada a não gritar na
presença do formoso gigolô ao qual causava repulsa.

Sem querer — sim, sem querer, céus! — Minha mão


roçou a sua enquanto pegava meus livros. Faíscas de
eletricidade dispararam por meu braço. Ofeguei e me joguei
para trás rapidamente, surpresa — literal e figurativamente
— pela corrente que crepitava entre nós. Quase me fez jogar
meus livros de novo.

Precisando saber se ele também havia sentido isso,


levantei o olhar e afastei o cabelo do meu rosto, só para
descobrir o quanto ele se via tenso e incômodo. Seu rosto se
escureceu para um vermelho apagado como se estivesse
prendendo o fôlego para evitar me cheirar. Cada instinto
feminino em mim queria esticar a mão e tocar as rugas em
sua testa que apareciam enquanto franzia o cenho.

Devo. Acalmar. O sexy.

Mas falando sério, por que franzia o cenho?


Honestamente fedia tanto assim? Ou simplesmente não
gostava de fazer faíscas comigo?

Ambas as opções fediam.

Então soube. Talvez ele não tivesse sentido as faíscas.


Talvez pensasse que a maneira em que afastei minha mão de
seu toque magnético foi áspera. Certamente pareceria
descortês já que ele não tinha ideia do que acontecia na
minha cabeça, que, uau, realmente não tinha ideia, certo?
Ups.

Abri a boca para me desculpar, mas girou em seus


calcanhares e deslizou na cadeira mais próxima, me evitando
ao mesmo tempo em que me dava um caminho aberto para a
saída — assim podia deixa-lo em paz.

Pisquei, decidindo que ele era ainda mais rude que eu.
Poderia ter me dado um tapinha de desculpa no braço ou um
simples "está bem", não o teria matado? Lamentava muito ter
me chocado contra ele.

— Idiota — murmurei logo que saí da sala e escapei.

Está bem, está bem, suponho que podia dar a ele o


benefício da dúvida. Todos os sexys mereciam uma segunda
oportunidade, certo? Então... Ele poderia não ser um idiota.
Eu tinha sido a que se chocou com ele e jogou um montão de
livros a seus pés, e ele na verdade tinha sido o suficiente
amável para se agachar e pega-los para mim. E só porque um
cara não era bom em toda a coisa da comunicação e diga "te
desculpo" ou que obviamente não podia sorrir, não o fazia
automaticamente um idiota.

Mas doía considerar a possibilidade de que


simplesmente não gostava de mim. Pensar nele como um
idiota assentava meu ego de forma mais agradável.

Assim sim. Era um idiota.

Levantei a gola de minha camisa e a cheirei. Cheirando


nada mais que aroma de detergente, um toque de minha
loção Sweet Pea2, e desodorante de Brisa Fresca, franzi o
cenho. Não importava.

Definitivamente era um idiota.

Por sorte, o resto de meu dia esteve livre de derrames.


Não vi o Sexy, o idiota, de novo. E ninguém tentou me
esfaquear até a morte.

Diria que isso é progresso.

O clima esquentou consideravelmente desde que deixei


meu apartamento sobre a garagem essa manhã. Mas, uau, a
Florida era quente e abafadiça em agosto ou o que? Estava
tão tentada a prender meu cabelo em um rabo-de-cavalo para
pegar um pouco da brisa que meus dedos de fato doíam pela
vontade de começar a pegar mechas soltas.

Exceto pelo fato que a cicatriz em minha nuca seguia


muito fresca — só quatro meses. Cada vez que via seu reflexo
em meu espelho de mão, a ferida se via escura e feia. Assim
que os rabos de cavalo estavam completamente fora de
discussão. Se muitas pessoas a vissem e fizessem perguntas,
poderiam descobrir uma de minhas mentiras, e descobririam
a verdade. Isso não podia acontecer. Nunca. Assim continuei
ocultando-a cada dia usando meu cabelo solto.

Eram quase quatro da tarde quando voltei para casa.

A tia Mads e o tio Shaw tinham sido assombrosos ao me


deixar ficar aqui. Tinha ficado preocupada, de que todo

2
Ervilha doce
mundo me afastaria como se fosse uma praga pela suja
ameaça de morte de Jeremy abatendo-se sobre minha
cabeça. Eu era perigosa estando perto. Mas os Mercer tinham
me recebido quando mais precisava. Além disso, não tinha
que pagar aluguel, recibo da água, de eletricidade, ou
calefação e o ar. A vida — nesse sentido — era bastante
espetacular.

Minha mochila pesava sobre meu ombro enquanto subia


pelas escadas do lado de fora da garagem de meus tios.
Quando cheguei ao patamar superior, tive que virar a alça da
mochila para poder encontrar a chave de meu apartamento
que tinha guardado no bolso dianteiro.

Encontrando-a exatamente onde a tinha guardado esta


manhã, tirei o chaveiro, entrecerrando os olhos quando a
área bronze brilhava com a luz do dia, me cegando
momentaneamente até que a meti na fechadura e abri a
porta.

Logo que entrei, fiquei congelada.

O jornal que havia trazido no fim de semana para


procurar um par de trabalhos de meio período, já não estava
na mesinha de centro, dobrado ordenadamente onde o tinha
deixado esta manhã. As páginas estavam abertas e
pulverizadas sobre o chão enquanto que uma página
pendurava na metade da mesa.

Alguém tinha estado em meu apartamento.


O medo me paralisou em perfeitas ondas surrealistas.
Tinha treinado para isto, treinei todo o verão com Eva e a tia
Mads em uma turma de defesa pessoal. E em nenhum de
meus cursos, o treinador havia dito que ficasse congelada
como uma estúpida enquanto a ameaça de perigo crescia.

Finalmente, sacudi a cabeça, negando—o. Não podia ter


me encontrado. Ainda não. Fui para o outro lado do país com
nenhuma ideia de com quem ou onde estava.

Certo?

Tentei sair do apartamento; disse a mim mesma que


corresse. Mas minhas sapatilhas brilhantes de balé não se
moviam. Só fiquei ali, muito assustada para me mover, ou
gritar, ou inclusive pensar.

Então a janela do ar condicionado se ligou. A repentina


explosão de ar frio fez com que o último pedaço do jornal se
elevasse para fora da mesa e voasse pelo cômodo até que
flutuasse para baixo, adicionando-se a atual desordem no
chão.

Um soluço de alívio gritou de meus pulmões enquanto


cobria a boca e desvanecia contra o marco da porta.

Não era um intruso. Tinha sido só o estúpido ar


condicionado. E, é obvio, o ar não tinha estado ligado esta
manhã quando saí — não tinha estado o suficientemente
quente para liga-lo — assim não poderia saber que o jornal
voaria para o chão.
Menos mal.

Mas, falando sério, falando do coração da cidade.

Débil pelo repentino aumento do sangue por minhas


veias e logo a repentina liberação, cambaleei dentro do
apartamento. Depois de fechar de repente a porta, fechei com
a chave e com o ferrolho. Então caí no sofá como um
completo desastre.

Fiquei ali por dez segundos, tentando lutar contra a


overdose de adrenalina em meu sistema. Mas sentia olhos me
olhando em cada canto, assim pulei e decidi que não me
machucaria fazer uma rápida revisão pelo apartamento para
me assegurar de que ninguém rondava.

Depois do que tinha sobrevivido, era inteligente


permanecer paranoica.

O susto do jornal me deixou nervosa. Tentar fazer a


tarefa era impossível, assim passei algum tempo escrevendo
em meu jornal e assinando meu novo nome em uma folha.

Mamãe tinha me dado instruções de fazer isto como um


intento de me ajudar a me acostumar a isso. – Quando me
casei, usava meu nome de solteira mais que nunca nesses
primeiros cinco anos. Não foi até que comecei a escrevê-lo
todo o tempo que finalmente me acostumei.

Bom, não tinha me casado como ela com o fim de obter


um nome novo, e não tinha cinco anos para me acostumar a
ser Reese Randall. Já que o tinha mudado legalmente para
escapar de um ex-namorado psicótico perseguidor, precisava
acomodar minhas coisas quase imediatamente.

Enchi duas páginas e tentei perto de cinquenta estilos


de assinaturas diferentes. Tinha acabado de decidir que
podia ter muitíssimo mais diversão assinando o R de Reese
que a aborrecida e velha T que tinha sido antes, quando meu
celular tocou.

O número que aparecia na tela não estava gravado em


minha lista de contatos. Imediatamente fiquei cautelosa. Mas
no sábado me inscrevi para alguns trabalhos, assim —
mantendo minha voz baixa e difícil de distinguir — respondi
com a esperança de que fosse alguém me contatando para
um trabalho.

E você sabe, era assim!

Meu trabalho como estudante na livraria da


universidade só cobria dez horas por semana. Isso era apenas
dinheiro para o café. Com minha mamãe e papai pagando a
prestação e seguro do meu carro, além de me enviar um
subsídio mensal de gasolina, estava bem aqui. Era a comida e
todo o resto pelo qual tinha que me preocupar. E
honestamente, depois de minha primeira aventura no
supermercado com este verão, me sentia escandalizada por
quanto custava a comida. Nunca ia voltar a me queixar de
que minha mamãe nunca tivesse comprado minha marca de
cereal favorita e meu suco de laranja. As marcas estavam
totalmente supervalorizadas. Exceto quando se tratava de
roupa. Ou sapatos. Ou bacon.

Ok, ok, amava todas minhas marcas. Por que, OH, por
que tinham que ser tão fedorentamente caras?

Para dizer o mínimo, um trabalho de dez horas por


semana com um salário mínimo não parecia que fosse cobrir
minhas preferências luxuosas, especialmente uma louca
emergência de compras ou uma viagem ao estilista, os quais
Eva e eu fizemos a semana passada. Ouça, não podia fazer
nada se minha prima era uma garota rica e malcriada que
precisava desprender-se de seu efetivo frequentemente ou
poderia adoecer fisicamente, e sentia a necessidade de me
arrastar com ela a cada loja e shopping que patrocinava.

Tinha que ser a boa amiga de apoio e ir com ela, não?

Bom, fui com ela de todos os modos.

Então sim, estava animada ao escutar Dawn Arnosta.


Uma mãe solteira com uma filha de doze anos, que tinha um
trabalho de tempo integral em uma fábrica de vidro. Mas
também trabalhava cada segunda-feira, quarta-feira e sexta-
feira como garçonete em um café durante toda a noite. Como
sua última babá foi para Gainesville para frequentar à
Universidade da Florida, deixou uma grande vaga.... Para
mim, esperava.

Tive algumas boas vibrações da senhora Arnosta, e sei


que a impressionei com meus créditos.
— Sei fazer RCP3 e tenho treinamento de primeiros
socorros, além disso, estava acostumada a cuidar de um
menino com necessidades especiais que tinha autismo
quando ia ao colégio. Também trabalhei como salva-vidas na
piscina de minha cidade natal durante um verão, assim se
tiver piscina, poderia cuidar disso totalmente.

OH, como poderia cuidar disso.

Por favor, por favor, tenha uma piscina.

Não tinha piscina, mas estava bem, porque disse:

— Bom, certamente parece mais qualificada que outras


candidatas que tivemos. Pode começar na quarta-feira?

Meu coração pulsava com força e feliz em meu peito.


Fazendo um punho minha mão, pronunciei a palavra: Yes!
Enquanto que em voz alta, fiquei muito mais profissional.

— Claro. Sempre que precisar.

E assim tive dois trabalhos para o semestre. Estava


muito emocionada a respeito.... Até que cheguei na casa dos
Arnosta.

3
RCP – Reanimação cárdio - pulmonar
Apareci trinta e cinco minutos mais
cedo na quarta-feira. Dawn, como a senhora Arnosta insistiu
que a chamasse, me pediu que chegasse uma hora antes do
normal porque precisava me dar instruções antes de ir. Não
estava segura de quantas instruções precisava para uma
criança de doze anos, mas ia averiguar isso.

Morava a menos de dez minutos dos Mercer, o que


ajudaria bastante durante o inverno no caso de que o clima
ficasse ruim e as condições das ruas fossem...

Espera. O que estava dizendo? Isto era Florida. Já não


estava no meio oeste. Um inverno desagradável aqui era
provavelmente estar a quatro graus com uma ligeira brisa.

De acordo, então risque essa última parte.

O curto trajeto me... ajudaria a economizar um montão


de dinheiro em gasolina. Sim.

A vizinhança era linda, com essa grama estendida e


enorme, e formosas casas alinhadas e amplas, ruas bem
pavimentadas. Comecei a me emocionar, pensando que
relaxaria nos sofás extragrandes de couro e assistiria shows a
noite em televisões de grandes telas enquanto comia pipocas
gourmet depois que meu tutelado fosse dormir. Mas então
estacionei em frente na direção correta, e minhas esperanças
se destroçaram. Kaput. De repente lembrei que Dawn era
uma mãe solteira que devia ter um segundo emprego para
manter a sua família. Sem sofás extragrandes de couro para
ela. Ou para mim.

Sua casa era obviamente propriedade do vizinho da


direita porque o estilo da arquitetura mais os esquemas de
cores azul e branca de ambas as casas, encaixavam. Deduzi
que sua casa devia ser uma antiga casa de hóspedes que o
proprietário tinha colocado para alugar.

Colocando em meu ombro a alça da minha Prada em


oferta, olhei para meu automóvel e fui penosamente até a
porta da frente. O senhor proprietário da direita era um idiota
total. Sua própria casa estava recentemente pintada,
enquanto que o revestimento desgastado de sua casa de
hóspedes começou a se cortar em algumas zonas, e a grama
mostrava manchas marrons de erva morta.

Dava um salto sobre um profundo abismo gigante que


podia considerar uma pequena greta na calçada, quando a
porta da frente se abriu. Uma mulher de trinta e oito anos, se
meu radar interno de detecção de idade lia corretamente,
olhou para mim. Era magra e tinha o cabelo escuro levantado
em um alegre rabo-de-cavalo.

Sei, sei. Meu próprio cabelo se sentia ciumento para


fazer o mesmo. Algum dia, jurei, voltaria a prender meu
cabelo.
Apesar dos prendedores infantis, seus olhos pareciam
cansados e estavam duplamente cheios de fadiga, enquanto
que seus ombros se encurvavam como se carregassem o peso
do mundo. Mas tinha um sorriso amigável, assim
instantaneamente me agradou e me senti mal por ela em
partes iguais.

Via-se sempre tão cansada e desgastada.

— Reese? —Perguntou.

Assenti e fiz minha própria hipótese.

— Senhora Arnosta?

— OH, só Dawn. — Escutar seu sobrenome a fez sorrir


com uma expressão doída, mas entrou e abriu mais a porta
para me deixar entrar.

Seu sobrenome devia incomodar ou talvez trouxessem


lembranças de um marido. Esta era a segunda vez que me
pedia para usar seu nome... Um pouco forçado.

— Certo. – Me encolhi — Sinto muito. — Definitivamente


não cometeria este engano de novo.

Com um assentimento de desculpa, graciosamente me


fez entrar na casa. Por alguma razão, instantaneamente
farejei doença. Aspirei profundamente, lembrando de um de
meus amigos de infância que tinha um irmão pequeno com
leucemia. Sempre havia uma essência estéril de medicina no
ar quando o visitava. O mesmo ramo farmacêutico pendurava
na entrada frontal da casa de Dawn, dizendo que quem
vivesse aqui não era cem por cento saudável.

Olhando para ela, revisei um pouco, me perguntando se


estava bem. Tinha câncer? Isso definitivamente contava para
o cansado olhar puído dela.

— Sarah voltou — disse me dando quase um olhar de


culpa antes de me indicar que seguisse enquanto caminhava
por um corredor comprido, estreito e escuro.

Quando nos aproximamos do quarto mal iluminado no


final, escutei uma voz dizendo:

— Ouça, sei que queria ir nesta festa do pijama a qual


suas amigas de classe não te convidaram, mas não se
preocupe certo. Tenho certeza que não está perdendo nada
divertido, quero dizer, que tipo de...

— Mason! — Interrompeu Dawn ao falante, soando


surpreendida enquanto entrava na cozinha bem na minha
frente —. Aí está. Não me dei conta de que ainda estava em
casa. Mas já que está aqui, a nova babá chegou, e eu gostaria
que a conhecesse.

Ao escutar esse nome, cambaleei e tropecei com meu


próprio pé antes de me chocar contra a parede, golpeando um
porta-retratos de um Mason jovem.

Sim, um Mason jovem como o sexy do Waterford


Country Community College, Mason Lowe.
Fiquei boquiaberta ante o rosto na fotografia, além
disso, ahh, era lindo mesmo com apenas dois dentes frontais,
e de repente, não queria entrar na cozinha. Pensando rápido,
tentei bolar um plano para não sair do corredor. Mas
honestamente, não tinha como evitar, a menos que quisesse
abandonar este trabalho de babá por completo. O que seria
totalmente irresponsável e impróprio de mim.

— Reese? — Perguntou Dawn, sua voz cheia de


consternação enquanto aparecia no corredor aberto —. Está
bem?

Não, na verdade não. Mas assenti e entrei na sala,


puxando minha blusa enquanto entrava, com a esperança de
não parecer como uma idiota total. Mas quando meu olhar se
encontrou com um par de familiares olhos cinzas,
experimentei um caso ruim de vômito verbal.

— Estou bem, só sou a rainha da estupidez. — E uma


idiota total.

— Reese — disse Dawn de novo, desta vez com diversão


em seus olhos—. Este é meu filho, Mason. Trabalha na
maioria das noites no Country Clube, então talvez o veja ou
não, indo e vindo quando for que esteja aqui. Mason, esta é
Reese Randall.

Mason me olhou boquiaberto, com a expressão mais


horrorizada que acredito ter visto alguma vez. Um segundo
depois, agitou a cabeça e limpou a garganta antes de desviar
o olhar e murmurar distraidamente:
— Olá.

— O-olá — grasnei.

Mas que demônios? Sexy era o filho de Dawn Arnosta?


Isso não era possível. Não tinham o mesmo sobrenome.

Ainda assim sabia que isto era uma grande e incômoda


coincidência, senti-me enganada.

Com ele arrumado em seu uniforme de trabalho, uma


polo azul pálido com um logotipo oval do Waterford County
Country Clube sobre seu peito esquerdo e calças cáqui para
combinar, de repente lembrei que Eva tinha dito que ele era
um gigolô.

Santa merda, não tinha mentido sobre o assunto do


Country Clube; e se não mentiu sobre...

Meus olhos ficaram maiores. E os seus se estreitaram


enquanto olhava para o outro lado, seus lábios se
pressionaram juntos como se pudesse ler minha mente.

—... Mason acabou de começar as aulas na universidade


da comunidade este semestre — dizia-me Dawn — Eu....
Acredito que talvez já se viram por aí no campus.

— Você jogou uma bolsa cheia de livros em meu pé


antes da aula de cálculo na segunda-feira – Me lembrou
secamente.
— Certo — concordei lentamente antes de deixar
escapar uma pequena risada culposa —. Era você, não é?
Sim, sinto muito... Outra vez.

Seu olhar era ligeiramente hostil, me dizendo que não o


impressionei nem um pouco. Mas ainda tinha um impulso
poderoso.

Cada vez que ele olhou para Eva nesse primeiro dia de
aulas, era como se estivesse olhando direto através dela.
Comigo, era completamente o contrário.

Me viu. Simplesmente não aprovava o que via, por


alguma razão desconhecida.

— OH, então vocês já se conheciam. — Dawn parecia


gostar de escutar isto — Isso é genial.

Dei a ele um olhar horrorizado para fazer que soubesse


que estava louca. Mason e eu certamente não tínhamos nos
"conhecido" antes. Mas ela estava muito ocupada mostrando
algo que ele bloqueava com seu corpo como algum tipo de
papai urso.

— Suponho que isso nos poupa uma apresentação.


Reese, ela é Sarah. — Pegando o braço de Mason, Dawn
arrastou seu resistente corpo a um lado para revelar uma
pequena menina sentada em uma cadeira de rodas atrás
dele.
Sim, disse cadeira de rodas. Sarah, a menina de doze
anos a que se supunha que iria cuidar, sentada em uma
cadeira de rodas.

Por essa não esperava.

Tentando não me mostrar perturbada, juntei minhas


mãos e dei à menina um sorriso enorme que esticou meus
lábios em proporções inesperadas.

— Olá, Sarah. Estou muito feliz de te conhecer — disse


tranquilamente quando por dentro, gritava: OH Por Deus, OH
Por Deus. Por que Dawn não mencionou isto na entrevista
telefônica?

Como resposta, Sarah agitou suas mãos e cabeça,


membros e pescoço lutando incontrolavelmente enquanto seu
torso ficava débil e frouxo. Um lento, e ilegível som, como
uma vaca doente por drogas, soou de sua garganta.

Não estava muito segura, mas acredito que disse:

— Olá.

Assustei-me.

Como demônios, acreditava que eu atenderia as


necessidades especiais de uma menina em uma cadeira de
rodas? Não estava treinada para isso. Artie, um menino
autista que cuidei uma ou duas vezes faz dois anos, tinha
tido um caso tão leve que algumas vezes esquecia totalmente
que era diferente. Mas não haveria maneira de esquecer isso
com Sarah. Bem, primeiro não sabia que tinha... Bom, o que
seja que tenha.

— Sarah, ela é Reese. — Dawn estava abaixada a seu


lado e pôs sua mão amavelmente no ombro da menina —. Vai
ficar com você durante a tarde agora que Ashley se foi.

Sorri alentadoramente para Sarah, esperando que


entendesse que eu era uma boa garota, esperando que
entendesse algo.

Sarah gemeu outro som inarticulado que não me deu


muita esperança de um grande espaço para respirar.

Demônios. Por que Dawn tinha escondido este segredo?

Mason bufou. Não me pergunte como sabia, mas senti


uma brisa de irritação me atacando vindo de sua direção,
assim olhei para ele. Olhava-me com muita irritação
reprimida e recuei. Mas o significado de seu olhar era claro.
Se fizesse algo para machucar a sua irmã mais nova, eu me
arrependeria.

Fiquei tentada a levantar os polegares como sinal de


mensagem recebida, mas me contive. Momento ruim e tudo
isso.

— Sarah tem PC — disse Dawn.

— OH. — Assenti como se soubesse do que se tratava e


inconscientemente me virei para olhar Mason com um gesto
de questionamento nas sobrancelhas.
— É a abreviatura para paralisia cerebral — disse, sua
voz muito perto de ser uma provocação, me convidando a sair
correndo e gritando da casa.

Exceto que eu não era exatamente do tipo de correr e


gritar.

Outra vez, assenti como se entendesse totalmente e não


tivesse problema com isso. Entretanto, que demônios era
paralisia cerebral? Escutei o termo muitas vezes, mas não
tinha ideia do que significava.

— É uma desordem muscular — respondeu Dawn ante


minha pergunta não falada —. Sarah nasceu prematura, e
isso afetou a parte motriz de seu cérebro, afetando os
músculos de todo seu corpo, desde suas extremidades a seu
tronco, inclusive sua língua e os músculos oculares. Precisa
de um grande esforço para simplesmente falar, ou mastigar,
inclusive piscar.

Ohhh. É bom saber disso. Mas pobre Sarah. Esse estilo


de vida deve ser um pé no saco. Olhei para ela com um
sorriso compassivo, que pareceu dar a seu irmão um pouco
de fúria.

— Preciso ir — falou de repente, como se não pudesse


conseguir ficar na mesma casa que eu mais um segundo
sequer.

Agachando-se um pouco para beijar a bochecha de


Sarah — e OH Deus, como ficam bem essas calças no traseiro
dele — à perfeição, disse — Se cuide menina. — antes de se
levantar e agarrar seus cachos cor cobre, que tinham a
mesma forma que os seus. Logo olhou para sua mãe e deu
um adeus com a mão.

Quando se virou para mim, porque tinha que fazer já


que me encontrava no corredor da entrada, seus olhos eram
tempestuosos e cheios de precaução silenciosa. Nem sequer
assentiu enquanto me roçava para passar antes de
desaparecer no corredor. Um segundo depois, escutei a porta
da frente se abrir e fechar. E tinha ido.

Senti-me confusa depois que ele saiu, mas sua mãe não
pareceu notar nada estranho.

— Então este é o bloco de notas de Sarah – disse a mim.


Forcei-me a prestar atenção, sem perder nenhuma
informação vital — Se tiver problemas entendendo algo que
diz, pode mostrar uma imagem para se comunicar. E
igualmente, ela pode fazer o mesmo com intenção de te
responder.

Assenti, absorvendo tudo o que pude.

— Suas compras já foram feitas. Sua comida está


preparada e guardada no refrigerador. É só retira-la. Nós a
mantemos no armário. — Dawn se deteve para abrir a porta
de um gabinete próximo para poder mostrar do que falava —
E só dar na boca dela. Provavelmente tentará te falar, dizendo
que deixe ela fazer isso sozinha, mas acredite, é menos
desastroso se você mesma fizer. Garanta que coma em meia
hora. Seu lanche é às 20:30 toda noite.

Outro assentimento. Entendia o suficiente? Ainda estava


muito surpresa, senti como se estivesse esquecendo de mais
coisas do que gravando. Meia hora não parecia suficiente
para aprender a cuidar da filha de Dawn.

Mas ela parecia pensar que eu faria isso muito bem


enquanto me mostrava a cadeira de banho para Sarah na
banheira e me explicava a rotina da menina.

— Lavar seus dentes é importante. Mas estivemos tendo


problemas usando a escova dental. Está acostumada a deixar
que Mason o faça. Mas recentemente, nem sequer pode fazer
que abra a boca. Simplesmente não gosta das cerdas. Assim
use um cotonete de algodão e coloque um pouco de pasta de
dente, se precisar. Só faça o melhor que puder, e cuidado
com esta mordedora. — Com um sorriso, deu um golpezinho
na mandíbula de Sarah —. Pode morder.

OH, que bom. Esperava pelo resto da tarde e mais. Não.

Andamos pela casa, Dawn falando rapidamente


enquanto empurrava a cadeira de rodas na frente dela, me
fazendo esquecer cada vez mais o que já havia dito. À medida
que entramos na porta da frente, Dawn parou Sarah na
frente da televisão em silêncio e sorriu.

— OH e se tiver uma convulsão — acrescentou enquanto


colocava seu avental do café e pegava sua bolsa da mesinha
de centro — não tente detê-la, porque não poderá. Só garanta
que ela não se machuque e espere. Chame o 911 se mudar de
cor ou se tiver mais de uma convulsão.

Com isso, beijou a bochecha de Sarah.

— Se cuide, gatinha. Estarei em casa quando acordar de


manhã.

E saiu.

Deu-me pânico. As convulsões não deveriam estar em


um comentário de despedida, decidi. As convulsões eram
aterradoras. E sérias. Acabavam de me deixar sozinha com
uma criança com PC e não tinha ideia de como sequer falar
com alguém que tinha convulsões.

Virei-me lentamente da porta, rezando a cada segundo


para que ela não desse um ataque.

— Então... — Minha voz tremeu enquanto juntava as


mãos. Tinha medo de me aproximar dela, e não tinha idéia do
por que. Não cheirava mau nem nada. Sabia que não era
contagioso. Eu só era.... Ignorante.

Mas estendi os braços tanto como pude sem me


aproximar muito e assinalei uma imagem no bloco de
anotações.

— Quer ver televisão? — Perguntei em voz baixa e lenta.

Sarah tirou o bloco de seu colo com uma mão agitando-


se, supus que fez isso de propósito. Logo murmurou a
palavra "não", e apesar de todo o movimento de sua cabeça,
poderia dizer que me pôs os olhos em branco.

Sim, fez isso. Pôs seus malditos olhos em branco.

A menina pensava que eu era incompetente. E isso era


inaceitável. Eu era uma das pessoas menos incompetentes
que conhecia.

Mas realmente, essa coisa do movimento dos olhos


exatamente como um movimento de rebelião me acalmou
mais que qualquer outra coisa desde que cheguei à casa dos
Arnosta. Era o comportamento de uma pré-adolescente. E,
entendia o comportamento compreensível.

Apertando os olhos, sorri. O jogo começa mucosa.

— Então... escutei você e seu irmão falando que todas


suas amigas estão em uma festa do pijama esta noite —
comecei cruzando os braços sobre meu peito em uma forma
de "ah toma isso" — E não convidaram você.

Deixou sair um grunhido, me dizendo que caminhava


sobre campo perigoso por falar sobre esse tema tão sensível.

Fiz um som de simpatia com a língua e me sentei na


cadeira frente à sua cadeira de rodas para que pudéssemos
estar à mesma altura.

— Isso é muito ruim, você sabe. Aposto que estão se


divertindo muito agora, se maquiando e penteando umas às
outras, talvez estejam fazendo uma fogueira no quintal e
comendo biscoitos enquanto contam histórias de fantasmas.
– Me estremeci pelo efeito, acreditando nisso de verdade.

Mas logo ocorreu a coisa mais aterradora. Tristes e


grandes lágrimas brilharam nos olhos de Sarah. Quando
piscou para afastá-las, minha garganta secou.

Agora eu tinha uma cara de idiota total.

Aqui estava, tentava demonstrar que não era uma babá


patética e fácil de convencer, e minha cuidada tinha sofrido
de um, juro Por Deus, coração quebrado. Envergonhada de
mim mesma por ser tão cruel, me calei e limpei a garganta.

Tinha que consertar isto. Agora.

E de repente, como se o deus dos gênios tivesse me


visitado, tive uma ideia. Sabia que tinha momentos
ocasionais e estranhos de brilhantismo, claro, mas este
merecia um prêmio.

— Sim, isso é muito ruim — repeti com o mesmo tom


falso-compassivo que tinha usado — Porque essas garotas
não vão ter tanta diversão como nós teremos esta noite. —
Logo deixei sair um som entusiasta e fiquei de pé—.
Comecemos com a festa.

Sarah me olhou com um gesto de confusão em seu


rosto.

Suspirei e virei os olhos.


— Vamos nos pentear e nos maquiar. Juro a você, eu
tenho um kit inteiro de cosméticos na minha bolsa. Não
precisamos de um montão de garotas tolas para nos divertir.
Podemos fazer isso sozinhas.

Antes que ela pudesse vetar a ideia, corri para pegar


minha bolsa que deixei no chão em frente à porta e retornei à
cadeira a seu lado, tirando tudo o que tinha e colocando na
mesinha de centro.

— Sente-se aqui — ordenei como se já não estivesse


sentada—. E vou te deixar muito bonita.

Isso também foi o que aconteceu. Tagarelei e a maquiei


enquanto ela escutava.

— O segredo para se maquiar — murmurei dez minutos


depois, colocando a boca da forma em que queria a sua
enquanto aplicava brilho em seus lábios —, é parecer como
se não estivesse usando nada. Quero dizer, para ser honesta,
se não for a um clube, muita maquiagem durante o dia é de
mau gosto.

— Então... por que... usar...

Já que uma pergunta grande representava para ela um


grande esforço, esperei, interrompendo.

— Por que usar maquiagem?

Quando assentiu, me fazendo saber que era exatamente


o que causava curiosidade a ela, sorri.
— OH, Sarah, Sarah, Sarah. Tenho tanto que ensinar a
você, meu pequeno gafanhoto. Veja, a beleza é tudo ao olho
do espectador. Algumas pessoas acreditarão que é adorável
sem importar quanto se arrume. Outros pensarão que é
horrível. Não importa quem seja. Só é uma coisa da vida.
Assim, honestamente, a única opinião que realmente importa
é a tua própria. E quero dizer.... Enquanto se sinta bonita,
será. Quando gasta um tempo especial para se arrumar de
manhã, é mais fácil se sentir assim. Levante seu queixo para
mim, poderia, preciosa?

Estava muito segura de que meu exaustivo discurso da


vida e a beleza escandalizaria à mamãe de Sarah. Mas...
Dawn não estava aqui, então o deixei sair enquanto agarrava
seu queixo para mantê-la tão estável como fosse possível
quando tentasse mover-se, mas quase não consegui.

Quando divertidamente apertei seu nariz, soltou uma


risadinha rouca, parecendo um gemido.

Acredito que eu adorei sua risada.

— Aí — murmurei, levantando seu rosto para a direita e


para a esquerda enquanto examinava cada centímetro em
busca de erros. Surpreendentemente, não encontrei nenhum
—. É simplesmente linda, querida.

E de verdade era. Havia um certo brilho em suas


perfeitamente formadas bochechas. Podia ver o quanto era
parecida com Mason. Ambos tinham olhos cinza e
sobrancelhas café. Nele, as sobrancelhas café pareciam sexy.
Nela, queria ter pegado minha pinça de depilar e começado a
tirar alguns pelos, mas mesmo assim davam a ela certa
característica de encanto. Via-se incrível.

— Sempre sinto vontade de dançar enquanto me maquio


só por diversão — disse a ela — Sente vontade de dançar?

Assentiu e sorri.

— Bom, então o que estamos esperando, pequenina?


Vamos mexer o esqueleto.

Agarrando sua cadeira de rodas, levei-a pelo corredor de


volta para a cozinha, a qual tinha um grande espaço aberto
no centro.

Coloquei um pouco de Flo Rida em meu iPhone, coloquei


no volume máximo, e tivemos um "Good Feeling". Nos
agarrando pelas mãos, demos voltas pelo linóleo, dançando
do nosso jeito.

— Só... Mason... dança... comigo — confessou uns


minutos mais tarde quando me deixei cair a seu lado em uma
cadeira de cozinha, exausta depois de nosso treinamento.

Algo quente e tenso correu através de mim ante sua


menção.

— É sério? Isso é bom. — Agarrei uma bolacha do centro


da mesa, tentando soar indiferente a respeito, quando em
realidade queria dizer ooh e ahh e deixar escapar o muito que
aumentava meu amor por ele nesse mesmo segundo —.
Parece um bom irmão.

— É o melhor. — Também agarrou uma bolacha e


começou a mastigar.

Fiquei imóvel, sem saber se as bolachas estavam


permitidas. Quero dizer, se seu jantar tinha que ser batido, a
comida sólida devia ser tabu. Certo?

Mas sorriu para mim quando comeu tudo. Assim, sorri


de volta.

E a vida era boa.

A partir daí nossa noite melhorou. Encontrei uma


lanterna e coloquei um copo vermelho sobre ela antes de
deixa-la no meio do piso da sala de estar, minha muito
segura interpretação de uma fogueira. Usando as bonecas de
Sarah como pessoas, organizei nossa pequena festa em um
círculo ao redor da pseudo-fogueira. Logo, ajudei Sarah a
sentar-se em sua cadeira e apoiei suas costas contra o sofá
com suficientes travesseiros de cada lado para evitar que se
virasse.

Comemos o jantar aí, ela segurou nossa taça, é obvio,


sem derramar nada; e contei a ela a história do fantasma do
braço de ouro. Amava cada segundo e para falar a verdade,
discutiu comigo quando insisti que era a hora do banho. Mas
acabou ajudando e mostrando a localização das coisas
quando precisei saber onde estavam o sabonete e o xampu.
No momento em que a levei para a cama, ambas
estávamos esgotadas. Adormeceu quase imediatamente e
fiquei com ela por um minuto, impressionada por uma
menina tão maravilhosa e doce. Na verdade, queria abraça-la
e dar um beijo de boa noite, e só tínhamos nós conhecido por
um par de horas. Quando disse "gosto de você" em meu
ouvido justamente antes de dormir, quase comecei a chorar.

Acredito que também gosto de você; é simplesmente


muito preciosa para não fazê-lo.

Com cuidado afastei o cabelo de seu rosto, dei um beijo


em sua testa e a deixei dormindo tranquilamente.

Acomodei-me no sofá e fechei os olhos para recuperar o


fôlego. E assim como Sarah, dormi quase imediatamente,
esgotada por toda a energia que tinha posto no treinamento
de minha nova amiga. Mas algo me sobressaltou, um sonho
confuso aonde Jeremy me prendia à porta de meu quarto de
criança e abria sua navalha com uma careta malvada.

— Disse a você que tentar se desfazer de mim seria um


grande engano.

Uma tênue luz brilhava do corredor, me dando uma


perspectiva sombria e penumbrosa da sala de estar dos
Arnosta. Não tinha ideia de que hora era, mas senti que era
tarde. Aturdida e desorientada, dei a volta e bocejei. Comecei
a me sentar quando escutei um ruído na parte traseira da
casa.
Um golpe e logo uma madeira sendo arranhada, alertou-
me.

Isso não soava bem.

Entrei em pânico porque tinha deixado minha bolsa na


cozinha quando Sarah e eu tínhamos dançado mais cedo, e a
cozinha estava muito perto de onde se originou o som. Meu
spray de pimenta, a arma de eletrochoque e telefone celular
estavam aí.

Demônios, sim. Era proprietária de uma arma de


eletrochoque. Meu psicopata ex-namorado perseguidor tinha
tentado me matar fazia quatro meses.

O que era pior, de repente não podia lembrar nada do


que aprendi no treinamento de defesa pessoal.

OH, Deus. Como se supõe que proteja Sarah?

Sarah! Espera, e se tinha conseguido de algum jeito sair


da cama, e tinha voltado, ferida?

Tinha que saber o que era esse som. Mas, Senhor, não
estava segura se tinha a coragem para averiguá-lo.

Para estar no lado seguro, agarrei uma das bonecas que


tínhamos usado para nosso acampamento que continuava
sentada no piso com suas costas apoiada contra o centro de
treinamento. Logo, aproximei-me do corredor, assustada até
a morte.
Pensando primeiro que a segurança de Sarah era a
única coisa que me dava a força que precisava para avançar,
já que se Jeremy tinha me encontrado e seguido até aqui, não
havia forma que o deixasse estar em qualquer parte perto
dessa doce e inocente menina.

Parei na porta parcialmente fechada de seu quarto,


prendendo a respiração, meio que esperando que estivesse
dentro e a salvo, e meio esperando que não, porque se não
era ela quem fazia esse ruído, então quem demônios era?

Dei uma cotovelada à porta para que terminasse de


abrir e apareci na escuridão. A luz do abajur conectada à
parede revelou perfeitamente um vulto do tamanho de Sarah
na cama. Em seguida, mudou de posição, fazendo que o
colchão e os lençóis se movessem ligeiramente.

Certo, então ela continuava aqui. Então, quem mais


estava na casa conosco? Se Dawn, ou inclusive Mason,
estivessem em casa, não me teriam despertado e dito que
podia ir?

Algo se moveu de novo no banheiro de trás, ao final do


corredor, que Dawn me disse que não usasse porque o
chuveiro não funcionava bem. Soou como uma gaveta sendo
aberta e fechada. Alguém procurava drogas ou uma arma
para usá-la contra mim?
Afastando tudo, agarrei a boneca mais forte em minhas
mãos e a segurei como um taco de beisebol, preparada para
fazer um home run 4se fosse necessário.

Assim como a porta do quarto de Sarah, a do banheiro


também estava meia aberta. Tive que me arrastar mais perto
do que queria a fim de dar uma olhada. Quando por fim
cheguei perto o suficiente para ver o lavabo, fiquei como uma
pedra. Hermione Granger poderia ter me apontado uma
varinha e gritado: Estupefato, e não teria conseguido melhor
resultado. Só podia estar aí parada assombrada, chocada e
boquiaberta. Todo o medo desapareceu para ser substituído
por fascinação instantânea.

Com suas costas para mim, um empapado Mason Lowe


não vestia nada mais que uma toalha enquanto se inclinava
sobre o vaso sanitário e segurava seu quadril como se a pia
fosse a única coisa que o mantinha em pé.

Pude ver seu rosto ligeiramente inclinado à perfeição no


espelho de cima. Tinha apertado os olhos com força e uma
expressão contrita contorceu seus traços enquanto gravavam
rugas de cansaço que sulcavam sua pele ao redor de sua
boca e olhos.

Ofeguei quando vi as marcas de arranhões em suas


costas nuas, exatamente debaixo das omoplatas onde um par

4
No beisebol, home run (denotado HR) é uma rebatida na qual o rebatedor é capaz
de circular todas as bases, terminando na casa base e anotando uma corrida (junto
com uma corrida anotada por cada corredor que já estava em base), com
nenhum erro cometido pelo time defensivo na jogada que resultou no batedor-
corredor avançando bases extras.
de unhas femininas poderiam agarrá-lo se tivesse tido uma
mulher estendida debaixo dele muito recentemente.

Abrindo os olhos, levantou o olhar e me viu no espelho.


— Merda!

Enquanto Mason amaldiçoava por sua óbvia surpresa e


se cambaleava. Chiei de minha própria surpresa e saltei para
trás, assustada porque tinha sido apanhada comendo-o com
os olhos. Olhamo-nos boquiabertos, com grandes olhos
através da entrada aberta do banheiro.

Sei, sei. Encontrava-se nu debaixo dessa pequena


toalha. Por favor, Deus, não me recorde disso. O que uma
dama deve fazer nesta situação teria sido, me deixe repetir,
teria sido, instantaneamente olhar para outro lado,
desculpar-se por intrometer-se enquanto ele tomava banho, e
fugir com vergonha mortificada tão rápido quanto minhas
pernas pudessem me levar. Dava-me conta disso
completamente.

Mas a sério. Encontrava-se nu debaixo dessa pequena


toalha. Olá. Completamente vestido, Mason Lowe era
incrivelmente delicioso. Mas sem camisa, era simplesmente
indescritível. Já que sou tão benevolente, entretanto,
certamente tentarei descrevê-lo com o melhor de minhas
habilidades, embora seja bastante difícil.
A toalha branca envolta ao redor de sua cintura estava
frouxa, deslizou-se justo o suficiente para pendurar abaixo,
mostrando seu abdômen plano e tonificado. Um ligeiro
punhado de pelo escuro cresceu ao redor de seu umbigo
fundo, desaparecendo debaixo da toalha, me fazendo lamber
meus lábios e ronronar, ou, melhor dizendo, me fazia querer
lamber esses perfeitos abdominais e esse sedutor caminho
feliz.

E preparem-se para isto, damas: Tinha uma tatuagem.


Sei. Quase me deu uma combustão espontânea justo neste
momento. Estendendo-se através do volumoso músculo de
seu quadril esquerdo, havia uma tatuagem, Deus Santo.
Dizia uma, talvez duas, palavras no que parecia ser uma
dessas letras impossíveis de ler. E se encontrava, de algum
jeito, obscurecida pelo começo dessa irritante toalha.

Incapaz de evita-lo, veja, tratava-se de conter-se com


esse meio nu e tatuado Mason Lowe em frente de si, curvei a
cabeça para um lado e me inclinei para frente, entrecerrando
os olhos em um esforço para ler.

O desmancha-prazeres agarrou um punhado da toalha,


rodeando-a ao redor de seus quadris e levantando a cintura o
suficiente para ocultar sua tatuagem completamente.
Agarrando a porta com sua outra mão como se fosse batê-la
em minha cara, exigiu:

— Que diabos você está fazendo aqui?


Olhei para o seu rosto, e que Deus tenha misericórdia,
de repente me dava conta que me esqueci da metade superior
dele. Sim, tampouco posso acreditar que quase me perdi de
me alegrar os olhos.

Com seu cabelo molhado, seus cachos grossos viam-se


escuros, quase negros, e enrolados, inclusive mais ao redor
de suas orelhas e pescoço. Gotas de água caíam do arbusto
de cabelo, salpicando a um lado de seu rosto e pescoço. Mais
gotas caiam através de seu peito, algumas tendo o bom
julgamento de aferrar-se possessivamente a seus bíceps e
peitorais. Não é que as culpe. Se eu fosse uma gota de água e
tivesse a sorte de aterrissar em Mason Lowe, também me
aferraria em seus músculos.

Ainda tinha esse rosto forte que adorava, mas suas


maçãs do rosto e a covinha em seu queixo se viam bem
pronunciados no fluorescente brilho da luz do banheiro,
enquanto que seus olhos tomavam uma tonalidade prateada
de sonho.

Uma muito aborrecida tonalidade prateada de sonho.

Carrancudo para mim, levantou suas grossas


sobrancelhas como se dissesse:

— E então? — O que me recordou que ainda não tinha


respondido à sua pergunta.

Ups.

— Es-Estou de babá. — Óbvio.


Mas se via tão condenador, como se pensasse que eu de
propósito tinha me escondido em sua casa e tivesse
procurado em cada banheiro só para vê-lo de toalha e tratar
de ler sua tatuagem. Fez que me aborrecesse.

Também lhe franzi o cenho, me pondo na defensiva.

— Que demônios estava fazendo, tomando banho com a


porta completamente aberta enquanto estou cuidando da
menina? — Pus as mãos em meus quadris e arqueei minhas
sobrancelhas.

Sim, responde essa, amigo.

— Não sabia que estava aqui – espetou — E o trinco não


funciona. Fechei da melhor maneira que pude, mas ainda
assim se abre quando o exaustor do ventilador está ligado.

OH. Mmm, talvez seja que isso que Dawn havia me dito:
o trinco da porta, não o banheiro, estava quebrado. Engano
meu.

Mas isso não desculpava sua atitude mal-humorada.

Tratei, de verdade, de manter meu olhar acima de seu


pescoço, mas isso era como deixar cair alguém de cima de
um arranha-céu de cem andares e lhes dizer que não
baixassem o olhar.

Também baixei o olhar. E sim, ainda seguia sendo sexy


da cabeça aos pés.

Limpou a garganta indignado como dizendo:


— Importa-se?

Apanhada. Com brutalidade, levantei o olhar outra vez.

— Minha mãe não chegou em casa ainda? — Perguntou


quando finalmente tinha minha atenção em seu rosto.

Quando o fez, soou como se fosse minha culpa que


ainda não tivesse chegado, soprei um suspiro impaciente.

— Aparentemente não.

Mas de verdade, que tragédia. Que um cara com seu


nível de gostosura fosse um caipira grosseirão, era como
tropeçar em uma quente tira de bacon perfeitamente frita só
para vira-la de lado e se dar conta que estada mofada. Não é
nada bom.

— Cochilei no sofá depois de pôr Sarah na cama e nada


me acordou. Não acha que eu teria acordado se ela tivesse
chegado em casa?

— Então deve estar trabalhando em tempo extra para


alguém. — Fechou os olhos e silenciosamente sibilou algo,
mas como nunca tinha sido boa lendo os lábios, assim não
tive ideia do que disse. Finalmente, suspirou como se
abandonasse uma batalha mental que tinha consigo mesmo,
passou uma mão através de seu grosso e molhado cabelo
escuro — Bom, não sabia que estava aqui, ok? — Disse, não
pela primeira vez, mas ao menos esta vez soava defensivo em
vez de ofendido.
Era um progresso mínimo se perguntasse. Agora.... Se
tivesse tido controle em suas linhas, teria que haver-se
desculpado profusamente por me espetar a estas alturas.

— E eu tampouco sabia que você estava aqui, pensei


que um ladrão tinha forçado a entrada.

O olhar incrédulo que me enviou me dizia que não


acreditava em mim.

— Pensou que alguém tinha forçado a entrada.... Para


usar o chuveiro?

— Não escutei a água correndo. Céus. — E agora soava


tão na defensiva como ele. Mas na verdade — Só escutei
portas, ou gavetas, ou algo se abrindo e fechando. Não sabia
o que estava acontecendo.

Olhou para a boneca em minha mão que ainda


empunhava como uma arma.

— Bom, perfeito. Suponho que agora deveria me sentir


muito melhor, sabendo que Sarah está a salvo em suas mãos.
Se alguém invadir a casa, pode empunhar sua boneca aí e
brincar de chá de bonecas com eles até morrer.

OH, não, não o fez.

Em vez de tirar meu spray de pimenta da segurança em


minha bolsa, franzi o cenho.

—Ouça! Farei você saber que a cabeça de plástico desta


boneca é bastante dura. Confie em mim. Sua irmã me bateu
na cabeça com isso há pouco tempo. — Afundei os dedos em
meu cabelo e imediatamente encontrei a sensível galo que ela
tinha deixado. Com uma careta de dor, adicionei: — É só você
esperar. Depois de que acabem com todas as proibições de
armas, as seguintes a serem ilegais serão estas coisas.

Sacudi a boneca para dar mais ênfase. Seu corpo flácido


passava de um lado para o outro em uma patética intenção
de intimidação.

Mason nem sequer sorriu um pouco com minha


brincadeira. Observando-me esfregar um lado de minha
cabeça, piscou, vendo-se horrorizado. –

—Ela Bateu em você??

— OH, não de propósito, não. Não é nada. — Deixei cair


minha mão do meu cabelo — Não é grande coisa. Estávamos
nos divertindo. Ela estava animada. Seus braços começaram
a sacudir sem controle. — Quer dizer, como não o fariam
quando eu tinha estado choramingando: "Devolva meu braço
de ouro?" — Mas tudo está bem. Não se preocupe com isso.

Estudou-me por um momento mais. Não podia ler


nenhum pensamento discernível de sua expressão cautelosa.
Então sacudiu a cabeça como se limpasse seus pensamentos
e voltou sua atenção longe de mim.

— Suponho que deveria lhe pagar. Minha mãe disse oito


dólares por hora, verdade?
Continuava segurando a toalha em seu lugar enquanto
se agachava e levantava as calças cáqui atiradas no chão.
Mas enquanto se movia, a toalha se deslizou de suas costas,
e juro que pude lhe jogar uma olhada no início de seu
traseiro.

OH, como poderia ficar viciada no seu cofrinho,


especialmente quando esses dois firmes e bronzeados globos
abraçavam esse bendito cofrinho, moldando tão
perfeitamente à parte posterior de sua toalha. Eram como
montículos gêmeos de êxtase.

Sem notar que eu devorava o final de seu traseiro,


colocou uma mão no bolso de suas calças até que levantou
com um grosso maço de notas. Retrocedi um passo a
tropeções, boquiaberta com as notas que me entregava.
Querido Deus, de verdade não queria saber onde tinha
conseguido esse dinheiro.

Se fosse verdade ou não, os rumores de Eva me


deixavam inquieta.

—Umm... —Entrei em pânico— N-não se preocupe por


isso. Me entendo com a Dawn depois.

Inclinou a cabeça para um lado enquanto me olhava,


dissecando-me em pedaços com seu penetrante olhar.

—Confie em mim. –Acenou com as notas na mão. –


Você será paga exatamente com estas notas aqui. De verdade
se importa se lhe dou isso agora ou se as dou a minha mãe,
que provavelmente não se lembrará de lhe dar isso até a
próxima semana.... Ou depois?

Fiquei parada, ainda sem querer tocar no seu suposto


dinheiro sujo. Mas realmente eu tinha ganhado este dinheiro
esta noite. Não estaria surpresa se fosse indicada ao “hall da
fama” das babás depois da forma que tinha mimado Sarah,
excluindo os primeiros minutos da tarde, é claro.

Mesmo assim, era um pouco triste me dar conta que ele


tinha este tipo de responsabilidade por sua própria irmã.
Minha irmã mais velha certamente nunca se preocupou em
pagar minhas babás. Perguntava-me o tipo de peso que tinha
sido empurrado nos ombros de Mason Lowe tão cedo em sua
vida.

Seus olhos se entrecerraram com desafio, me desafiando


a rechaçar sua oferta enquanto tirava outra vez duas notas
de vinte e me entregava.

—Bom... quando o põe dessa maneira... —Tratei de soar


indiferente, mas sabia que ele podia dizer o não—casual que
me sentia por tomar seu dinheiro.

Um pouco mal do estômago, senti esta necessidade


irreprimível de girar em meus saltos e fugir. Mas lentamente,
estendi a mão e recebi as notas de seus dedos, me
assegurando de não tocar sua cálida pele no processo.

—Obrigado.
Quando um aroma surpreendentemente feminino
apanhou meus sentidos depois que me entregou o dinheiro,
franzi o nariz. Levantei as de vinte nas minhas narinas e,
inalei profundamente.

As sobrancelhas do Mason se afundaram enquanto me


enviava um perplexo franzir de sobrancelhas.

Corei.

—Sinto muito. É que... cheiram A..... É esse... como


Chanel Nº5?

Enquanto seu rosto empalidecia, soube imediatamente.


Tudo o que Eva havia dito sobre ele era absolutamente
verdade. Mulheres ricas lhe pagavam por sexo. Minha pele
arrepiou com o conhecimento, me dando conta exatamente
que tipo de coisas que tinha feito para ganhar este dinheiro.

Sua mandíbula se esticou.

—Não saberia te dizer– cerrou entre seus dentes—. Não


pergunto.

Queria atirar as contaminadas e ilegalmente ganhas


notas. Mas santo Deus. Encontrava-me parada na entrada
do esfumaçado banheiro, admirando um gigolô de verdade,
que estava molhado, nu e coberto com nada mais que uma
toalha de banho. Isto é o que estará em uma carta de natal
que escreverei a todas as minhas amigas.
Toda a situação deve ter me afetado muito mais do que
me tinha dado conta, porque sem planejar o que ia dizer,
soltei abruptamente.

— Então o que é que você pergunta?

Deu de ombros e me estudou com algum tipo de


insolência zombeteira.

—Não muito. Minhas clientes não são exatamente do


tipo tímido. Dizem-me o que querem e normalmente não
deixam espaço para perguntas.

Fiquei de boca aberta.

OH. Meu. Deus.

—OH, uau. Então você está admitindo que é um... um...

Endireitou-se, recuando ligeiramente.

—O que? Você não ouviu as fofocas? Tão próxima como


parecia que estava com Eva Mercer no campus no outro dia,
presumi que a estas alturas ela já havia dito cada detalhe
sujo sobre mim.

Balbuciei e me ruborizei muito.

—Eu.... Sim.... Quero dizer, ela me contou algumas


fofocas loucas, mas.... Não tenho certeza se podia acreditar
em alguma coisa.

Não o confirmou nem negou. Só me observou, esperando


meu seguinte movimento.
Imaginava que a gente tinha duas respostas distintas
com ele: Ou se afastavam tanto quanto fosse possível ou se
aproximavam mais em um esforço de verificar quão bom era
em seu trabalho.

Não tinha nenhuma.

—Sua mamãe sabe? —Perguntei, sem poder me mover.

Dawn parecia muito boa e de moral, para permitir que


seu filho fizesse uma coisa dessas.

Desviou o olhar, e uma vez mais captei um vislumbre do


arrependimento que tinha visto em seu rosto quando
primeiramente o vi no banheiro.

—Tenho a sensação de que ela suspeita.

Opa. Isto era grande. Isto era muito grande.

—Isto é só... –Balancei a cabeça, sem saber o que


dizer— Sim.

Pobre Dawn. Parecia ser tão boa. Se eu fosse ela e


suspeitasse que meu filho de vinte anos estivesse vendendo
seu corpo por sexo, eu haveria... Bom, não estava bem certa
do que teria feito. Era óbvio que eles poderiam usar mais
dinheiro, mas isto parecia um pouco extremo.

Observei-o com um olhar inquisitivo.

—Não se importa que ela saiba?


—Não, faz-me sentir todo aquecido e emocionado por
dentro — retrucou com um olhar furioso — Jesus. Como você
acha que eu me sinto por ela saber?

Muito bem, então.

Abri a boca para me desculpar, mas ele balançou a


cabeça.

—Não. Não mais. A seção de perguntas e respostas


desta tarde já acabou. Você já tem seu dinheiro por seus
serviços, e estou em casa para ficar com a Sarah. Pode ir.

—Eu... —me dando conta que já era suficiente, assenti –


De acordo.

Abaixando a cabeça, me virei, mal parei para pegar


minhas coisas me apressei em sair de sua casa.
Na manhã seguinte, sentia-me como uma merda
enquanto me esgueirava pelo campus, carregando meu café
da manhã que tinha comprado ao longo do caminho.
Derrubando-me em minha solidão, alegrei-me de que não
voltaria a ver Eva em nenhuma de minhas aulas de hoje,
porque provavelmente eu estaria como uma cadela mal-
humorada com ela.

A noite anterior ainda me incomodava. Como pude ter


sido tão grosseira e intrometida com o Mason? Não podia
acreditar que eu tinha lhe perguntado essas coisas
impertinentes sobre seu secreto estilo de vida.

Quer dizer, eu sabia que eu tinha um lado bisbilhoteiro


e geralmente ia a extremos para saciar minha curiosidade,
mas eu tinha sido tão incrivelmente insensível.

Tinha a esperança de que não voltaria a vê-lo todas as


noites que tivesse que ser babá. Isso poderia ficar estranho
muito rápido.

E por outro lado: Como podia um cara incrivelmente


quente ser tão completamente inapropriado, viver uma vida
tão devassa... E agir de maneira tão hostil?
Nada mais fazia sentido.

Caminhando e passando as estátuas de bronze em


frente do edifício principal do campus, tratava de pensar em
uma maneira de superar tudo isto quando vi o Sexy sentado
em um dos bancos ao longo dos caminhos da calçada. Com
uma perna cruzada sobre a outra e o tornozelo descansando
sobre o joelho oposto, tinha um livro aberto de texto sobre
seu colo. Escrevia loucamente um bloco de notas, parando
em todos os poucos segundos para consultar o livro.

Reagi imediatamente, parando de repente. Deus, ele


parecia bem. De perto, de longe, não importava. O menino
não tinha um lado ruim.

É um gigolô, Reese, recordou-me minha consciência.


Isso significa que está fora dos limites. Fora dos limites.

Mas também era um gigolô que me odiava, e um gigolô


cujo lado bom precisava ser esquecido para eu seguir adiante
se quisesse que meus serviços de babá avançassem sem
problemas. E ele era muito bonito.

Mudando meu percurso, voltei e me aproximei de seu


caminho com audácia. Não me viu até que parei justamente
na sua frente e lhe disse:

— Aqui. —Em uma tentativa de oferta de paz, lancei-lhe


o copo fumegante e um pequeno saco de papel marrom que
estava levando comigo.
Levantou o olhar, afastou o cabelo dos olhos com seu
lápis, e piscou a meus presentes antes de voltar seu olhar
confuso para mim.

—Este é meu pedido de desculpas —expliquei-lhe – por


ser uma grosseira e intrometida ontem à noite. Eu.... Sinto
muito. Quero dizer, o que faz com sua vida não é da minha
conta, e não deveria ter sido intrometida. Por favor, acredite
em mim quando digo que nunca quis ofendê-lo.

Quando não respondeu e não alcançou meu café da


manhã, movi-me nervosamente. Bem, talvez as coisas entre
nós pudessem ficar mais incômodas.

Isto foi tão inútil.

Uma teimosia me mordeu e de repente eu me negava a


renunciar ao meu pedido de desculpas. Deixei o copo e o saco
perto dele no banco com um baque surdo.

—Há um donut no saquinho e um expresso de chocolate


branco no copo – expliquei-lhe – Não.... Não tinha certeza do
que você gostaria. Assim... Espero que você aproveite.

Bem. Satisfeita comigo mesma por fazer soar como


tivesse comprado o café da manhã para ele, mostrei-lhe um
grande sorriso. Quando não retribuiu, a minha cara caiu.

—Está bem, então. – Limpei minha garganta— Tenha


um bom dia.
Dei meia volta, e o idiota não me chamou. Assim
caminhei antes que ele pudesse responder.

OH, quem eu queria enganar? Tinha dado a ele muito


tempo para responder. Houve uma boa pausa de uns cinco
segundos de silêncio desconfortável depois de cada frase que
eu havia dito. E ele não tinha me agraciado com uma só
palavra de sua formosa voz. Bastardo.

Sentia-me irracionalmente ferida. Mas, olá. Ele não iria


me perdoar por qualquer coisa. As pessoas verdadeiramente
arrependidas deviam ser perdoadas. É óbvio.

Partindo mais rápido com cada baforada de crescente


ira, virei à direita para o centro de enfermagem, um edifício
menor, de forma ovalada, junto à sala principal, onde minha
primeira aula do dia ocorreria. Ao invés de entrar, entretanto,
fiz uma pausa e me detive antes de dar uma olhada de novo
para onde Mason estava sentado.

Ficou olhando meu café da manhã como se pudesse ser


perigoso. Justamente quando tinha me convencido de que ia
ficar de pé e se afastar sem tocar no copo ou no saquinho,
estendeu uma mão prudente e cautelosamente pegou o café
com leite. Segurou-o mais um segundo, simplesmente
estudando a marca no copo antes de levá-lo a sua boca e
tomou um gole tímido, parando rapidamente de beber.

Franzindo o cenho para o copo, ele lambeu os lábios.


Minha respiração parou em meu peito enquanto eu esperava.
Logo voltou a beber, um gole mais longo desta vez, inclinando
a parte inferior até que sua garganta se movesse com cada
gole.

Um agradável zumbido de calor me atravessou, como se


no lugar do meu expresso, estivesse bebendo um pedaço de
mim.

No movimento seguinte, bebeu com abandono, drenando


o conteúdo. Com um olhar muito menos intimidante e muito
mais acessível agora, pôs o copo de lado, estalou os lábios
enquanto abria o saquinho para tirar o donut. Mordeu um
delicioso bocado da massa frita e mastigou com uma
bochecha cheia antes de voltar sua atenção para sua tarefa.
Quando pôs sua caneta na página, o pé que tinha cruzado se
balançava de um modo alegre.

Mmmm. Pelo menos parecia satisfeito pelo meu


presente.... Inclusive se não podia incomodar-se em me
agradecer-me em voz alta e na minha frente.

Estranhamente satisfeita por sua reação, dei meia volta


e caminhei para minha aula, incapaz de deixar de sorrir.

Eu não tinha levado nem trinta segundos na terça-feira


para decidir que meu curso de Virologia Geral ia ser horrível.
Depois da segunda rodada desta manhã, quase considerei
trocar minha especialidade por completo.

Mas pelo menos não estava sozinha com minhas


frustrações. Logo que terminou a aula, as reclamações
começaram ao meu redor.

—Temos que começar um grupo de estudos – anunciou


Ethan para a sala em geral, o rapaz que se sentou a meu lado
desde o primeiro dia.

Definitivamente para mim viria bem um pouco de ação,


assim levantei a mão.

—OH! Contem comigo.

—Comigo também – falaram um par de pessoas mais.

E assim, tínhamos um grupo de estudos organizado


para as tardes de terça-feira, depois de meu turno na
biblioteca. Minha agenda estaria cheia por dias. Se não
tomasse cuidado, poderia parecer que logo iria ter uma vida.

Emocionava-me que as coisas estivessem funcionando


melhor do que eu esperava na Waterford. Fui à cafeteria ao
lado, morta de fome já que tinha dado meu café da manhã
para o cara-de-idiota-bastardo-ingrato, que era ainda mais
lindo do que qualquer homem deveria ser.

Depois de comprar uma grande quantidade de salada


para viagem, encontrei uma mesa deserta no lado de fora e
me acomodei. Acabava de abrir a tampa de plástico do meu
almoço, minha boca cheia de água por alguma grande alface
verde, quando uma sombra caiu sobre minha comida, me
pondo em alerta.

—O que... – Olhei para cima, quase esperando ver o


sorriso lascivo de Jeremy, mas fiquei sem fôlego quando em
seu lugar encontrei Mason Lowe, parado junto a minha mesa
com sua bolsa de carteiro pendurada em diagonal sobre seu
peito.

—Como chamava a bebida que me deu esta manhã?

—Um... – Pisquei incapaz de deixar de olhá-lo de pé a


quase um metro de distância – Uh, era um.... Um expresso
moca de chocolate branco. Por quê?

Caramba, espero não lhe haver dado uma diarreia. Isso


poderia ficar feio.

Mas ele fez um zumbido agradável na parte de traz de


sua garganta.

—Mmm. Não estava mau. Obrigado.

Obrigado?

Fiquei atônita. A forma apreciativa que ele falava soava


tão genuína, tão.... Tão sexy que todo meu corpo
correspondeu.

—Bom... – Limpei minha garganta. Responde, Reese.


Maldição lhe diga algo já— Sim. –Levantei a mão como se
fosse acenar "de nada" — E.... e agradeço a você, já sabe, por
me perdoar pela forma como agi ontem à noite.

Bom, ele não havia dito: "Está perdoada pela forma


como agiu ontem à noite", mas interpretei sua presença como
tal.

Soltei um suspiro de alívio.

— Pensei que você me odiasse totalmente.

Sim, sim, eu disse isso em voz alta. Sou uma idiota.


Pode colocar em meu epitáfio já. Embora, honestamente, não
foi minha intenção dizê-lo, mas foi como um tipo de projétil
que saiu de minha boca.

Mason me franziu seus olhos. Senti seu olhar todo o


caminho até a ponta de meus dedos dos pés. Deixou meu
peito apertado e minha cabeça atordoada. Não podia
adivinhar o que estava pensando, mas não importava que
pensamentos fluíssem em seu cérebro —bons ou maus –
eram definitivamente intensos.

Finalmente, desviou o olhar e lambeu os lábios.

—Não. Eu não.... Eu não te odeio.

Sua voz era baixa e séria, e caramba, também poderia


haver dito "Eu te amo" pela forma em que me afetou. De
repente respirar me pareceu impossível.

Abri a boca, mas as palavras não saiam, provavelmente


era algo bom, porque estou bastante segura de que algo que
houvesse dito nesse instante poderia me deixar eternamente
mortificada.

Moveu seus pés como se estivesse indo embora. Mas


enrugou suas sobrancelhas, abrigando pensamentos em
conflito, antes de passar uma mão pelo cabelo. Nunca em
minha vida tinha querido tanto ser uma mão como queria ser
sua mão direita.

—Então, conversei com Sarah esta manhã. – Suas


palavras saíram rapidamente e brincou com a alça de sua
bolsa de uma maneira nervosa.

—OH, Deus – gemi, apertando os olhos e agarrando


minha cabeça, me sentindo eternamente envergonhada de
todos os modos— Ela lhe contou sobre a maquiagem, não é?
Oh... Maldição. Dawn está chateada? Vai me dispensar? Eu
juro, tirei cada centímetro dela antes que fosse para a cama.
Inclusive...

—Não. Sim. —Murmurou algo entre dentes e apertou


um punho em sua testa como se estivesse envergonhado de
como o perturbei com minha queixa.

O calor me inundou. Senti-me exageradamente


lisonjeada de que tivesse conseguido confundi-lo, e que se
sentisse envergonhado por ter sido confundido na minha
frente.

—Sim — disse finalmente, endireitando-se e falando


com precisão – Sarah me contou sobre a maquiagem.
Contou-me sobre tudo o que fizeram ontem à noite. E não,
mamãe não vai dispensá-la. Provavelmente vai lhe dar um
abraço de urso na próxima vez que ver você. Sarah brilhava
absolutamente esta manhã. Eu.... Honestamente nunca a
tinha visto tão feliz. Assim que o que pensa que fez para me
incomodar ontem à noite depois do meu banho se apagou por
dez vezes por tudo o que fez por minha irmã.

Fiquei boquiaberta quando o vi me olhar com uma


sinceridade que me rasgou o peito e fez com que meu amor
por ele se expandisse a um retorcido e completo desastre.

Depois de limpar minha garganta, endireitei minhas


costas e tratei de me acalmar. Resista ao bonito gigolô, Reese.
Resista!

—E não pôde me dizer isso esta manhã por que...? –


Arqueei uma sobrancelha, muito orgulhosa de mim mesma
por me manter firme contra sua transbordante sensualidade.

Mas então foi quando aconteceu.

Seu rosto se iluminou e sorriu.

Ele sorriu.

Era o primeiro sorriso verdadeiro que já tinha o visto


dar. E era todo para mim. Destroçou um par de minhas
terminações nervosas. Definitivamente me senti
superaquecida. Inclusive poderia estar cheirado a fumaça.
Com um encolher de ombros despreocupado,
respondeu:

—Você estava me dando comida... e pedia desculpas. Se


houvesse dito algo, então, é possível que você tivesse me
tomado o Donut.

Tinha razão. Eu teria feito. Os donuts eram muito


importantes para mim. A menos que tivesse dado esse doce
sorriso esta manhã. Neste caso, provavelmente eu teria
sentado em seu colo e dado de comer a maldita rosquinha.

Mas ri e sacudi a cabeça, porque tinha que lutar contra


minha atração.

Lutar contra ele!

—Você é um cara. – Disse-o como se fosse um insulto,


mas sorriu de novo, como se o tivesse felicitado.

Sério, íamos ter que fazer algo com esse sorriso. Era
muito poderoso.

Revirei os olhos e deixei escapar um grande suspiro.


Quando me dava conta de que seguia ali de pé, me olhando,
levantei uma sobrancelha.

—Assim, vai se sentar ou não?

Seu sorriso caiu.

— Não se importa?
Importar-me? Sentar-me ao lado do cara mais lindo do
planeta? Ele, obviamente precisava me conhecer melhor.

A surpresa em sua voz fez minha garganta ficar seca. Se


parecia tão aturdido por que uma garota lhe pedia para se
sentar junto a ela, então deve ser uma ocorrência rara. Seu
estado de gigolô o fazia em grande parte um marginalizado?

Precisando manter as coisas casuais antes de pôr os


olhos lacrimejantes, levantei a mão com simpatia até minha
nuca e fingi massagear meus músculos tensos.

— Me incomoda este torcicolo que está me dando de me


fazer olhar para cima – disse-lhe, surpreendida quando meus
dedos roçaram sobre minha cicatriz.

Merda, eu tinha me esquecido por completo da minha


cicatriz. Eu nunca me esqueci da minha cicatriz. Deixando
cair a mão, sacudi a cabeça para me assegurar de que meu
cabelo caiu para trás sobre a área, ocultando toda a carne
vermelha e enrugada.

—Sente-se já.

Examinando meu rosto como se esperasse que me


retratasse de meu convite, Mason lentamente passou a
correia de sua bolsa de carteiro ao redor de sua cabeça.
Então ainda mais devagar, sentou-se no assento junto a mim,
deixando dois pés de espaço entre nós e dando as costas à
mesa com os pés firmemente no chão – provavelmente para
uma escapada rápida. Deixou a bolsa com cuidado no banco
entre nós, usando-a como uma espécie de escudo. Seus
ombros pareciam tão rígidos e juraria que segurava o fôlego.

Sorri-lhe, sentindo a necessidade de incomodá-lo.

—Confortável?

Lançou-me um breve olhar antes que seus ombros


caíssem visivelmente uma fração, para me acalmar.

Voltando a atenção ao meu almoço, tratei de iniciar uma


conversação casual.

— Por certo, acho que sua mãe brincou comigo.

Mason se encolheu.

— Sei. Sinto muito por isso. Disse-lhe que tem que dizer
para as pessoas a respeito da condição de Sarah cada vez que
as entrevista. Mas insiste que lhe custa cinco vezes mais
encontrar uma babá disposta quando o faz.

Sim, Dawn deveria ter me falado sobre Sarah na


entrevista. Mas então, suponho que também tinha um ponto.
Suponho que tomava significativamente mais tempo quando
era aberta e honesta. Envergonhava-me admiti-lo, mas se
tivesse sabido sobre a coisa da PC antes de ter conseguido o
trabalho, o teria recusado totalmente.

— Não vejo como me permite ver Sarah absolutamente.


– Disse-lhe – Não é que me queixe, porque sua irmã é
absolutamente muito doce, mas.... Não necessita que um
médico profissional capacitado a assista ou algo assim?
—Não. – Encolheu os ombros e fez uma careta, como se
nunca tivesse considerado este cenário — Cuido dela o tempo
todo, e não tenho nenhuma formação médica. Não é que
tenha que lhe dar alguma prescrição ou tratamento quando a
vir. Todas as outras babás que chegam de acordo, são
enfermeiras aposentadas, já recebem seu dinheiro de
aposentadoria dos programas do governo, enquanto que seu
trabalho é extra-oficial já que só trabalham meio período cada
um par de noites. Mamãe e eu lhe pagaremos em dinheiro.

—OH. – Sentei-me de novo e minha testa se enrugou


pelos pensamentos. Quando olhei para Mason, olhava-me
com um escrutínio ilegível que me fez querer afofar meu
cabelo e agarrar um espelho para conferir meu rosto. Que
demônios é o que ele via quando me olhava dessa maneira?

Precisando preencher o silêncio entre nós, respirei


rápido e apartei o cabelo de minha cara.

— Já sabe, assustei-me um pouco quando vi sua tábua


de imagens. Pensei que ela não podia falar nada.

Não ia admitir que não foi a única coisa que me


assustou ontem à noite, mas me senti mais honesta ao
confessar uma delas.

Mason soltou um som de incredulidade.

— A tábua de imagens? Mamãe não lhe mostrou isso,


verdade? Deus, Sarah não utilizou essa coisa estúpida em
mais de um ano e só é necessário em situações extremas
quando está muito excitada ou angustiada para falar
corretamente. —Retumbou um som frustrado — Eu juro,
amo a minha mãe até a morte, mas às vezes a mulher é
muito super-protetora. Ela pode tratar Sarah como se ainda
tivesse dois anos.

Sorri, porque ontem à noite tinha tido a mesma ideia.

— Sim, me dei conta de que o tabuleiro era


desnecessário em torno de um ponto oito segundos depois
que a sua mãe se foi quando toquei a imagem da televisão e
Sarah revirou os olhos para mim.

Mason riu entre dentes e Oh, meu Deus, o som era


incrível.

— Sarah é assim.

Assenti, esperando um momento para falar assim podia


recuperar o fôlego.

— E o liquidificador para o jantar...

—Também desnecessário. – Mason sacudiu a cabeça


com desgosto.

Suspirei.

— Bom, isso espero. Quando tomou uma bolacha da


mesa, quase me dá um ataque ao coração tratando de
recordar os passos do RCP em caso de que se engasgasse. –
me inclinando perto, confessei-lhe: — Na verdade, depois de
ver isso, fiz alguns marshmelows em nossa fogueira de mais
tarde.

Inclinou-se também, entoando uma voz baixa e íntima.

—Eu Sei. Ela me contou.

Certo. Tinha-me esquecido de que ele já havia dito que


Sarah lhe contou tudo.

Deus, como cheirava bem.

Contendo o fôlego para não ceder à tentação de me


inclinar mais perto para inalar baforadas abundantes de seu
aroma, endireitei-me e me voltei para meu almoço.

— É uma garota muito doce.

Sarah. Sarah era nossa única razão para a


comunicação. Não esqueça isso, Reese.

—É. – Concordou Mason afavelmente enquanto me


observava abrir meu pacote e literalmente devorava minha
salada.

Suspirei.

— É uma vergonha que não foi convidada a festa do


pijama.

—Oh, não tem que me convencer disso. Eu sei. – Logo


fez outra pergunta – Sempre come comida de coelho?
—Mm? – Dei uma olhada para minha salada, e logo lhe
enviei um olhar estranho — Você comeu o meu café da
manhã. O que você acha?

Seus olhos brilhavam com uma vitória que me


confundiu até que me assinalou com um dedo acusador.

— Aha. Eu sabia que tinha me dado o seu café da


manhã.

Merda. Apanhada. Odiava quando abria minha grande


boca e me delatava.

— O que seja –grunhi de mau humor — Aposto que não


sabia.

— Oh, eu sabia. – Levantou uma sobrancelha, e oh meu


Deus, ele parecia muito bem fazendo isso. Não é justo — Você
acredita que uma bebida comprada para um homem seria um
expresso moca de chocolate branco? Sério?

Funguei.

— Ouça, pensei que você havia dito que gostou.

— Gostei sim. Entretanto era muito doce. Como doce


feminino. – Seu sorriso se fez mais sedutor enquanto
acrescentava — Deve ser seu dia de sorte. Acontece que eu
gosto de doce extra.

Santa Guacamole. Isso teria um duplo sentido? Juro


que tinha um duplo sentido. Alguém segure minha calcinha
para mim porque Mason Lowe estava fodidamente me
paquerando, com duplo sentido.

Sacudindo a cabeça, murmurei:

— Você é tão...

Sorriu.

— Encantador? Bonito? Intrigante?

Os três, mas jamais admitiria para ele. Parecia ter um


ego o suficientemente grande. Franzi o cenho.

— Ia dizer confuso.

—Ah. – Assentiu de uma maneira ardilosa — Vamos


deixar como intrigante.

—Na verdade, acredito que isso merece sua própria


classificação.

—Está bem. Como queira. — Deu de ombros como se


não fizesse diferença para ele, me lançando um olhar
presunçoso e brilhante.

OH, agora era excessivamente apaziguador para fazer


que a pequena mulher se sinta melhor. Grr. Cada vez que ele
respirava me irritava. Ou talvez fosse só eu que me irritava,
porque tanto como queria que minhas emoções se
mantivessem firmes contra ele, estava muito e absolutamente
encantada de estar sentada junto a ele, falar com ele, respirar
seu bonito, encantador e intrigante aroma.
Homem, estava defeituosa. Mas não me importava.
Almoçava com Mason Lowe. Sim!

Rodando os olhos para ocultar a festa de emoção dentro de


mim, endireitei-me.

— Eu gosto.

Quando recolhi meus tomates da parte superior de


minha salada e os empilhei em um guardanapo ao lado, o
olhar de Mason passou sobre eles como uma espécie de
míssil teleguiado.

—Você não vai comer isso?

Soava escandalizado de que estivesse sentada a seu


lado.

Enruguei o nariz.

— O que? Meus tomates? Ugh!

Negou com a cabeça.

— Como você pode não gostar de tomates?

—Não sei. Não é nada pessoal contra eles. Tenho certeza


que são muito agradáveis em um círculo social, e que estão
bem no molho de tomate e espaguetes e essas coisas. É só
que não os quero na minha salada.

Seguiu olhando-os com nostalgia como se fossem


bacon.... Ou chocolate.... Ou tortinhas de bacon e chocolate.
Bom, isso soava desagradável, mas sabe aonde ia com isso,
verdade?

—Assim... você os quer? — Ofereci.

Ele deslizou o guardanapo com tomates sobre a mesa


antes que pudesse terminar completamente a pergunta.
Depois de ajustar sua bolsa sobre a mesa, passou uma perna
sobre o banco até que se sentou escarranchado, frente a
mim.

—Obrigado — disse, com a voz afogada enquanto metia


um pedaço de tomate na boca e falava enquanto mastigava —
Mmmm. Estes são perfeitos. Agradáveis e suculentos.

Suponho que o menino gostava dos tomates. E havia


dito suculento? Sempre devia dizer palavras como suculento,
só para atiçar a imaginação de uma garota para todo tipo de
pensamentos travessos. Não é que eu deveria estar tendo
maus pensamentos por um gigolô. É obvio que não.

—Tem sal? – Perguntou, interrompendo meus


pensamentos travessos enquanto lambia seus dedos.

Sal? Como era o sal travesso? Embora chupar os


dedos... OH, sim, isso era travesso.

—Uh... – Olhou para mim ao redor e agarrou o pacote do


condimento de meu guardanapo e um garfo de plástico.

Quando vi um frasco em miniatura de sal e pimenta à


esquerda, iluminei-me. E ouça, de repente me chamou a
atenção como poderia salpicar o sal em seu peito nu e logo
lamber seus peitorais esculpidos ou seu umbigo, ou sua
misteriosa tatuagem.

Limpando minha garganta, passei-lhe o pacote de sal.

— Está com sorte. Eu tenho aqui. —Atirei-o, tratando de


não chorar a perda de todas as coisas que poderia fazer com
o sal.

Sexy me impressionou quando apanhou o pacote em


sua mão.

—Obrigado. Outra vez.

Vi-o polvilhar os tomates.

—O que? – Perguntou quando apanhou meu olhar,


totalmente sem pensar no sal — Você não põe sal em seus
tomates?

Ao que parece, não lhe poria sal em nada.

— Já que nem sequer como tomates, não. Eu só.... Sinto


muito. – Ruborizei-me, tratando de esquecer como se via
naquela toalha ontem à noite — Parece que hoje tenho um
ligeiro problema de olhar fixo.

Seus olhos brilhavam enquanto mastigava.

— Dava-me conta. — Entretanto, não pareceu se


importar. Parecia divertido por meu problema de olhares.
Enruguei o nariz para fazer uma careta, minha maneira
dissimulada de lhe mostrar que não me afetava seu encanto
lúdico.

Mas se limitou a sorrir.

— Não só come comida de coelho, juro que deve ser um.

Fiz uma pausa de mastigar.

—Como é?

—É a segunda vez que enruga seu nariz. Movimento de


coelho.

Oh, merda. Deu-se conta do meu único péssimo hábito.


Sim, só tenho um. Silêncio.

Espera! Deu-se conta do meu hábito de enrugar o nariz


e contou o número de vezes que o tinha feito? Isso era....
Uau. Este era o sinal de um homem interessado.

Mas de maneira nenhuma poderia Mason Lowe estar


interessado em mim. Era um maldito gigolô. Os gigolôs não
se incomodam com insignificantes, que enrugam narizes e
pouco interessantes garotas universitárias.

Ou sim?

Senti-me como se estivesse sendo arrastada para algo


maior do que eu podia controlar, assim afastei o olhar de
Mason, me recordando da vida que nos rodeava. Não éramos
as únicas duas pessoas que ficam no planeta, sentados nesta
mesa, discutindo hábitos de enrugar o nariz. Longe deste
momento, ele fazia coisas que eu nunca poderia aceitar.
Precisava me afastar de qualquer tipo que vivia um estilo de
vida tão intolerável.

Jeremy me tinha ensinado essa lição, e eu nunca a


esqueceria.

Quando olhei para longe, vi passar uma de minhas


professoras, levando a maleta como se fosse a caminho de
uma aula. Necessitando uma distração do menino cativante
que comia comigo, levantei a mão e saudei.

Grande erro.
—Olá, Dra. Janison —chamei
enquanto fazia gesto com a mão — Bom dia. Esses são uns
sapatos matadores.

A Dra. Janison era minha professora favorita na


Waterford, e não só porque conhecia bem um maldito Jimmy
Choo quando o via. Também eu adorava seu estilo de ensino.
Sabia como fazer com que uma Introdução a literatura
britânica fosse interessante quando eu não era uma fã no
mínimo desse período em particular.

Deu-me uma piscada vaga.

—Bom dia — disse nessa forma educada e distante que


me dizia que não sabia que eu era uma de suas alunas.
Então olhou seus sapatos — E obrigado.

Abri a boca para explicar a qual de sua disciplina


assistia quando olhou para Mason e imediatamente
empalideceu.

Empalideceu passando por todas as cores, deu um


passo atrás, como se estivesse a ponto de empreender voo em
seus Jimmys quatro polegadas.
—Senhor Lowe —quase sussurrou, soando assustada
enquanto o olhava boquiaberta com os olhos muito abertos.

Ele não fez contato visual, só murmurou:

— Dra. Janison.

Ao me dar conta de que a professora provavelmente


tinha ouvido o rumor de sua reputação —e não o aprovava—
senti-me de repente protetora.

Ora, só porque ele era gigolô não significava que tivesse


a peste.

Pus a mão no braço que tinha apoiado no tampo da


mesa. Só queria banir algumas de suas preocupações, lhe
assegurar que não estava doente. Mas quando o olhar da
Dra. Janison correu para onde meus dedos crepitavam contra
sua pele, não pareceu tranquilizar-se. Parecia ainda mais
perturbada quando nos olhou.

Sem estar segura de como acabar com todo o


desconforto flutuando a nosso redor, forcei-me a pôr um
sorriso maior.

—Encontrei um par do Jimmy Choos arrasadores,


similar a uns que levou uma vez, em cor prata, e os queria
tanto. Mas inclusive as réplicas custavam mais do que podia
me permitir.

Se o par que levava era original, então a mulher levava


facilmente oitocentos dólares.
Mas em lugar de revelar o segredo comigo sobre se eram
imitações ou não, enviou-me uma espécie de sorriso de
cumplicidade.

—Tenho gostos caros.

Quando seu olhar revoou de volta para Mason, todos os


músculos de seu braço sob minha mão se esticaram.

—Nossa reunião para falar de seu horário das aulas


nesta quinta-feira segue em pé, senhor Lowe? —Olhou-me
fixamente, como se esperasse que se ele desse uma resposta
negativa seria minha culpa.

Compreendendo, de repente me esqueci de como


respirar. Oh, meu deus. A Dra. Janison? E Mason? De
maneira nenhuma.

Sua voz não era nervosa ou tensa quando respondeu:

— É obvio.

Mas poderia ter jurado que o disse com os dentes


apertados, e ainda se negava a olhá-la.

Deu-lhe um só movimento de cabeça.

—Bem. —Juro que parecia aliviada por sua resposta.


Com um último olhar para mim, murmurou— Estou ansiosa
em vê-lo depois. —Deu-me as costas enquanto saía com seus
sapatos matadores, que de repente senti a necessidade de lhe
arrancar.
Voltei-me para Mason.

—Não tem nenhuma aula com ela, não é verdade?

Abriu a mandíbula enquanto apertava os dentes.

—Não.

Fechei minha boca aberta.

—Oh.

Uivando em voz baixa algo que não pude captar, golpeou


com força a bolsa de mensageiro contra a mesa.

—Isto foi um engano. Nunca devia ter sentado a seu


lado.

Meu coração deu um pulo em meu peito.

—Bom, muito obrigado. —Forcei minha voz para que


soasse ofendida em lugar de doída, quando, honestamente,
era um montão de ambos— Também tive um tempo péssimo
por falar com você.

Cara imbecil.

—Não... —Fechou os olhos e apertou os punhos antes


de voltar a sentar-se— Reese, não quis dizer isso. Eu juro.

—Então, o que exatamente quis dizer? Já que soou


bastante desagradável de qualquer ângulo que escutei.

Suas pestanas se abriram antes de me atravessar com


um de seus intensos olhares paralisante.
—Você não entende? —Olhou ao redor do pátio—.
Acabo de te condenar. Ao falar com você em público, ao me
sentar com você nesta mesa... —Moveu o braço assinalando
ao nosso redor— Aqui todo mundo pensa que tivemos sexo.

Aspirei uma gargalhada.

—Oh, o que seja. Tenho sérias dúvidas sobre isso.


Apenas te toquei no braço. As pessoas não acreditarão... —
Mas minhas palavras se desvaneceram enquanto jogava uma
olhada ao redor. Todo mundo dava olhadas especulativas em
nossa direção e falando detrás de suas mãos. Afundei-me em
meu assento, me sentindo imediatamente condenada ao
ostracismo— Ou talvez sim.

Santos tomates salgados, Batman. Ele deve ter uma


poderosa reputação pesada se simplesmente me sentar ao
seu lado faz de mim automaticamente uma puta.

—Assim... uh, a Dra. Janison é uma de suas, um,


clientes?

Ele bufou, mas não respondeu.

Gemi e fechei os olhos.

—Uau. Isto de algum jeito vai fazer que minha próxima


aula, de introdução à literatura britânica seja incômoda.

—Espera. —Agarrou meu braço, e juro que senti seu


toque explodir nas pontas de meus dedos dos pés. Talvez não
fosse tão desatinado pensar que tinha uma forte reputação—
Está dizendo que tem aula com ela? Com a Dra. Janison? —
Quando assenti, fechou os olhos um instante— Merda.

Bom, isso não soava bem.

—O que? O que significa isso?

—Olhe —suspirou, soando incrivelmente cansado— Se


te fizer passar por um mau momento, ou se suspendê-la
ou.... Algo me avise. Vou falar com ela.

—Espera, espera, espera. Por que.... Por que iria me


suspender simplesmente por me sentar a seu lado em um
banco em público? —E colocar minha mão em seu braço
como se fôssemos namorados, e..... Oh, merda. Mas espera—
Isso não tem sentido. Inclusive se tivéssemos.... Já sabe, sexo
ou o que seja, não tem motivos para sentir ciúmes. Não sabe
que possivelmente não seja sua única... Cliente?

—Claro que sabe. Mas é obvio que você não é uma


cliente. Poderia sentir-se desprezada se acreditar que te dava
um... —Apartou o olhar e fez um gesto com a mão— Já sabe,
um brinde.

—Uau. Vale. Mas uau. Esta é a conversa mais estranha


que eu já tive uau. Um brinde?

Mason me lançou um olhar duro, como se pensasse que


não levava situação o suficientemente a sério.

—Sabe o que quero dizer.


Soltei uma gargalhada, porque está bem, sim, toda esta
conversa parecia incrivelmente ridícula.

—Então é só convencê-la de que paguei; que também


sou, já sabe, uma cliente, igual a ela.

Piscou.

—O que? Não quer que lhe diga que não estamos


brincando? Ruborizei-me forte, limpei a garganta e desviei o
olhar.

—Ou isso. Isso.... Quero dizer, claro, a verdade


provavelmente seria melhor. Sim. Vamos seguir com a
verdade.

Mason negou com a cabeça, olhando entretido e


frustrado em partes iguais.

—Exceto que ela não vai acreditar. Ela sabe que você
não pode ser uma cliente.

—Ei! Por que não poderia ser uma cliente?

Era muito jovem? Não tinha classe suficiente? Não era


seu tipo?

Apertou os lábios como se estivesse tratando de não


sorrir. Mas seus olhos se iluminaram com diversão. —Reese,
acaba de admitir que não tem como pagar pelo mesmo tipo de
sapatos que ela. Não há nenhuma maneira de que você
pudesse me pagar.
Oh, agora soava como Eva, minha prima.

Não queria que soubesse, mas ele me ofendeu.

—É sério? – Arqueei uma sobrancelha e pus minhas


mãos nos quadris—Quanto você custa, Sr. Ego?

Aproximando-se, sussurrou uma quantia em meu


ouvido. Minha boca se abriu.

—Bom, sim. Não poderia me permitir isso. Mas... uau,


eu não sei. —Agitei minha mão— Você não tem um plano de
pagamento ou algo assim? Preços reduzidos para a baixa
renda?

Balbuciou através de uma risada surpreendida.

—Não, não ofereço planos de pagamento. Fala a sério?


Jogo da maneira cara, ou não jogo absolutamente. Não faço
isto por minha saúde, você sabe.

—Então por que...?

—Porque ser um cidadão honrado moralmente e decente


não evita os avisos de despejo imediato – retrucou— Não faz
chegar para a minha irmã uma nova cadeira de rodas, e não
põe comida na mesa de minha mãe, ou evita que a
companhia elétrica nos corte a luz no dia mais caloroso do
ano. E é certo que não consegue que eu me inscreva na
universidade este semestre. Isto é tudo pelo dinheiro. Só pelo
dinheiro. Entende?
—Sim — disse em voz baixa. Então lhe ofereci um
sorriso— Na verdade, esta sua explicação faz com que você
pareça como uma espécie de nobre, sabe, caindo ante a
espada da depravação absoluta para salvar a sua família.

Provavelmente seria um bom filme para sábado à tarde.

Estava lá. Eu esperava que soasse bastante frívolo,


como se não me importasse o que fazia com sua vida.

Mas Mason me olhou piscando.

—Você está.... Louca.

—Só as quintas-feiras. —Enruguei o nariz já que


contava as vezes que o fazia.

Sorriu... A contragosto, acredito, mas bem, ao menos


tinha conseguido aliviar um pouco a tensão do momento.

Fazendo estalar um tomate com sal entre seus lábios


perfeitos, mastigou com vigor.... Até que fui e lhe perguntei:

— Então, você não dá amostras grátis? Alguma vez? —


Aquilo soou tão estranho para mim. Pensaria que um gigolô
seria um completo mulherengo, inclusive fora de seu horário.

Mas sua mandíbula se endureceu quando deixou de


mastigar e me disse:

— Está.... Pedindo uma? —Queria bater minha cabeça


na parede.
Merda, não tinha tido a intenção de fazer com que
minha pergunta soasse tão esperançosa.

—O que? Não! —Então para dar ênfase, fiz um som de


incredulidade— Deus, não.

Olhou-me boquiaberto, dizendo que não acreditava em


mim.

Corei e desviei o olhar.

—Não... —Tinha na ponta da língua que dormir com ele


quebraria meu coração. Mas admitindo que não poderia
acabar bem, repeti— Não! —Para que fique claro— Não sou
assim. Tenho que estar, já sabe, comprometida, numa
relação monogâmica, e..... Apaixonada, e essas coisas, antes
de.... Dormir com alguém.

Aproximou-se e colocou um cotovelo na mesa para me


estudar até que me retorci por dentro e me perguntou em voz
baixa.

— Alguma vez você já se apaixonou?

Minha boca se abriu.

—Está perguntando se sou virgem? Porque não sou....

Levantando a mão, agitou-a brandamente para evitar


que soltasse um montão de palavras embaraçosas.

—Isso não é o que estou perguntando.


—Oh. –Limpei minha garganta e desviei o olhar. Mais
consciente de mim mesma do que nunca tinha estado, mordi
meu o lábio e fiz uma careta de dor— Bom... não... —Sacudi
a cabeça. Sua pergunta era muito complicada para responder
com um simples sim ou não— Não estou certa do que era, se
era estúpida ou muito jovem para saber sobre o amor, mas
definitivamente não era amor. E não vou voltar a cometer o
mesmo erro de não saber a diferença.

Seus lábios se inclinaram em um sorriso, quase como se


estivesse orgulhoso de mim.

—Bom.

Huh? Não estava segura de que parte ele aprovava, mas


o brilho de admiração em seus olhos me lançou um toque
quente. Voltei rapidamente ao assunto dele de novo e porque
tinha que me manter afastada.

—Se é de conhecimento comum o que você realmente é,


por que você nunca foi preso antes?

—Não é de conhecimento comum. É um rumor comum.


—Olhou-me como se quisesse dizer algo mais sobre o tema,
mas suspirou em seu lugar — Você não vai esquecer, não é
verdade?

—Não, não é todo dia que me encontro com um gigolô.

Ele se engasgou com um tomate quando disse em voz


alta gigolô, porque minhas cordas vocais poderiam ter subido
um tom veementemente, mas continuei. Mais discretamente,
é obvio.

—Pode me culpar por ser curiosa? Tenho um milhão de


perguntas. —Levantei uma mão, recordando como ficou tenso
ontem à noite, quando tinha sido intrometida— Mas só se
você ficar bem em respondê-las.

Olhou-me um momento mais antes de sacudir a cabeça.

—Você leu uma grande quantidade de Mistérios de


Nancy Drew quando era criança, não?

Enruguei o nariz.

—Não. Nunca li. Harry Potter é mais o meu estilo, e sim,


sua curiosidade também lhe colocou em muitos problemas.
Como você deve saber.

—Não — murmurou, olhando quase arrependido—


Nunca li Harry Potter.

Ofegante, pus minha mão sobre meu coração e o olhei


como se fosse um extraterrestre.

—Está brincando comigo? Mas.... Todo mundo leu Harry


Potter.

Encolheu os ombros e nem sequer teve a decência de


parecer envergonhado ou culpado.

—Eu não.
—Mas..., mas... São tão... incríveis. Não se preocupe —
imediatamente me tranquilizei, estendendo a mão para lhe
acariciar o braço— tenho todos os livros da série em meu
apartamento. A próxima vez que for cuidar de Sarah, vou
levar o primeiro livro para que tire suas próprias conclusões.

Os músculos debaixo de meus dedos se crisparam como


se meu contato lhe queimasse. Dava-me conta de sua
expressão enquanto olhava minha mão ainda apoiada em seu
antebraço. Queria afastar meus dedos porque parecia
paralisado por nossa conexão, mas não podia me mover. Ele
parecia tão.... Tentado.

Eu gostei muito.

Lentamente, deslizou seu braço debaixo de meu aperto,


brandamente, cortando nosso contato.

—Não dou amostras grátis —disse com voz rouca—


Nunca.

Uau. Bem, então. Isso veio de um nada.

De verdade acreditou que me aproximei dele por uma


amostra grátis?

Por Deus, eu tinha feito isso?

—Mas eu não estava... —Carrancuda, voltei-me para


meu almoço— O que seja. —Então, com a mesma rapidez, a
síndrome do Harry Potter me golpeou outra vez. Rangendo
uma parte, perguntei-lhe— Entretanto, como faz com sua
vida pessoal? Como tem encontros e....? —Interrompi-me
quando riu—O que é tão engraçado? – Eu totalmente odiava
me perder numa piada.

Arqueou as sobrancelhas.

—Encontros? Vida pessoal? Fala a sério? As únicas


garotas que tenho ao meu redor estão dispostas a pagar ou
procuram serviços prestados gratuitos, o que me irrita.

—Mas...

—E todas as garotas com relações monogâmicas se


mantêm afastadas de mim, por razões óbvias.

Fiz uma careta.

—Isso não pode ser verdade. Estou segura de que tem


um montão de...

—Reese — interrompeu-me, levantando a mão—


sinceramente, sairia com... Uma pessoa com minha atividade
profissional?

Engoli a seco. Nem de brincadeira, não o faria. –Boa


pergunta.

—Sim. —Deixou escapar um comprido e solitário


suspiro— Exatamente.

—Bom isso é muito triste —decidi finalmente— Não


pode sair ou namorar, bem.... Se divertir, ou inclusive se
apaixonar só porque tomou medidas drásticas para salvar a
sua família?

Sim, sentia-me mal por um gigolô. Processem-me.

Sacudiu a cabeça como se estivesse perplexo por minha


simpatia.

—Tinha dezoito anos quando caí nesta. Naquela época,


era muito jovem e estúpido para pensar em como isso ia
afetar meu futuro. —Encolheu—se de ombros—. Aí o tem.
Agora estou preso.

—Não. Não pode estar preso. Sem dúvida, há algo mais


que poderia fazer para ganhar dinheiro. Algo legal e.... e....

—Moral — supôs.

—Sim, e moral. e...

Ele riu e tocou minha bochecha brevemente.

—É linda, Reese. Alegre. Otimista. Divertida. Mas


completamente crédula. —Agarrando sua bolsa, ficou de pé
bruscamente, me fazendo saber que tinha terminado de
falar—Obrigado por fazer com que minha irmã sorria. E
obrigado pelos tomates. Vejo você por aí.

Enquanto o observava partir, queria lhe chamar e fazer


com que voltasse. Parecia tão solitário disse que estava preso.
A dor em seus olhos tinha gritado pedindo ajuda. Ela gritava
por um amigo.
E sempre me viria bem um novo amigo. Mas teria que
ser muito cuidadosa. Porque isso é tudo o que ele poderia ser.
—Nunca adivinhará o rumor que
escutei ontem.

A voz de Eva surpreendeu-me ontem de manhã, antes


de literatura inglesa, quando se deslizava no assento junto ao
meu. Descarregava canções em meu telefone, com as que
Sarah e eu poderíamos dançar.

—O que? —Perguntei, voltando minha atenção à tela de


quatro polegadas para comprar um pouco de música do
Black EyedPeas.

—Escutei que minha prima favorita na terra foi vista


ontem almoçando com o belo e misterioso gigolô do
Waterford.

—Mm? Oh, sim, ele, oh, esqueci de te dizer. —Baixei o


telefone— Esse trabalho temporário de babá que obtive, que
comecei na quarta-feira, é sua irmã, Sarah. Tem paralisia
cerebral. Sabia?

—A respeito De sua irmã? Sim, ouvi-o. —Eva fez um


som na parte posterior de sua garganta enquanto agitava a
mão. Como isso tem algo que ver com que esteja sentada e só
no meio do campus com seu irmão.... Ontem?
—Bom, suponho que sou uma grande babá. —Atirei
meu cabelo sobre meu ombro enquanto lhe dirigi um sorriso
satisfeito, me pavoneando por minha genialidade. A senhorita
Sarah contou a ele sobre sua noite comigo, e ele queria....
Não sei, me agradecer, suponho, por ser tão amável com ela.

A boca de Eva abriu como se não acreditasse em uma


desculpa tão pobre.

—Sério? Isso é tudo o que ele disse durante a


conversação de quarenta e cinco minutos?

Uau, nossos espiões de intrigas contaram o tempo?


Estranho. E de verdade falamos durante quarenta e cinco
minutos? De maneira nenhuma. Não sentiu tanto tempo. Mas
ao mesmo tempo, tampouco se sentiu nem perto do
suficiente.

—Bom... —franzi o cenho— em sua maioria, sim. Depois


de falar de Sarah, passamos a um par de outros assuntos,
mas...

—Que outros assuntos? Como seu trabalho?

Rodei os olhos. Meu Deus, às vezes podia ser mais


curiosa que eu. —Bom... Mais ou menos. Isso esteve na lista.
Mas falamos de todo tipo de...

—Oh, Meu Deus, então admitiu o que é.

—Disse que o faria.


—Mas..., mas tudo o que ouvi sobre ele era só.... Um
rumor. Isto é em realidade.... Um fato. —Sua boca se abriu
enquanto sussurrava— Santa merda, é um gigolô.

Nesse momento, nossa professora entrou na sala de


aula. Uma mulher bem vestida, a Dra. Janison vestia ternos
de saia, imaginando que alguma executiva na alta costura
poderia usar. Era uma lástima que devia odiá-la agora,
ensinava muito bem e sabia como usar um conjunto
impressionante.

Mas pensar nela, em qualquer lugar perto do Mason,


fez-me sentir todo o coração quebrado e deprimido. E um
pouco vingativo.

Incapaz de evitá-lo, eu a segui com os olhos e inclinei-


me para o corredor para sussurrar: E adivinha quem é um de
seus clientes.

Com a boca aberta, Eva virou-se se para olhar a nossa


professora pôs a sua pasta sobre a mesa e fez clique para
abri-la.

—De nenhuma maldita maneira.

Um sussurro de culpa roía minha consciência. Mason


não agiu como um grande segredo, mas de repente senti—me
envergonhado por espalhar fofocas sobre ele, embora fosse
verdade e eu estava contando a minha família e confidente
pessoal favorita.

Ainda.
—Mas não escutou isso —acrescentei rapidamente.
Tanto a professora como Mason se encontrariam em um
mundo de problemas se alguém filtrasse sua associação.

—Oh, diabos, sim, escutei-o —sussurrou Eva, incapaz


de tirar o olhar da Dra. Janison. Gostaria de saber qual a
posição que ela gosta.

Sério?

—Não acaba de dizer isso.

—O que seja. Diga-me na minha cara que você não está


com um pouco de ciúmes dela agora. Quero dizer, o homem
almoçou contigo ontem. Mason Lowe simplesmente não...
interage com as mulheres em público. Acredito que tem mais
direito sobre ele agora que qualquer garota. –Virou-se para
mim. Deveria ser a mais ciumenta de todas nós.

—Eu... não —insisti com muita ênfase. Mas tinha mais


direito sobre ele que qualquer outra garota? Quero dizer, não.
Não odeio a Jessica por ter ao Justin, verdade?

Como poderia alguém odiar a outra mulher por ter a um


homem que se achava totalmente fora de seu alcance?

Eva enrugou o rosto pela confusão.

—Jessica e Justin?

Dava um grito afogado. Como podia não saber quem


eram Jessica e Justin?
—Justin Timberlake — esclareci-lhe com uma expressão
de "está-me tirando o sarro"— Jessica Biel. Um dos casais
mais quentes de Hollywood.

Agora, via-se muito desconcertada.

—Você gosta de Justin Timberlake?

—Olá. —O olhar que lhe enviei disse: Sim! É óbvio. Fez


"Sexy Back".

Oh, e agora que pensava nisso, essa seria uma boa


canção para dançar com Sarah.

—Bom, o que seja — murmurou. A meu lado enquanto


procurava "Sexy Back", quando "Let's Get It Started"
terminou de descarregar— Você pode negar o ciúme tudo que
você quer. No entanto, não acho que a Dr. Janison será tão
indulgente.

Levantei a cabeça. —O que quer dizer?

—Carinho, vai te reprovar por jogar com seu


brinquedo... sem ter que pagar por ele.

Juro-o, às vezes, Mason e ela soavam muito parecidos.


Abri a boca para lhe dizer que nossa professora era uma
profissional, que não me reprovaria só porque almocei com
seu gigolô.

Mas a Dra. Janison interrompeu, começando a aula.


—Bom-dia. Hoje, começaremos a estudar um novo
autor. Acredito que todos terão um retrocesso do Chaucer...

Interrompeu-se a meia palavra quando seu olhar


apanhou o meu onde permanecia sentada, perto da parte
direita da sala a metade do caminho pelo corredor. O
reconhecimento iluminou seu olhar e o rosto perdeu toda cor.
Logo, seus olhos se estreitaram ameaçadoramente. Quando
todo mundo virou para me olhar, encolhi-me em meu
assento.

—Está tão reprovada — sussurrou entre dentes.

Oh, Deus. Assim era.

—Vamos perfurar nossos narizes este fim de semana.

Eu parei de comer o meu almoço para embasbacar com


E.

—O que disse?

Permanecia tão absorta em meus pensamentos, me


perguntando se deveria transferir minha aula de literatura,
que não prestava atenção a seu falatório. Mas juro que
acabava de escutar algo na linha de...

—Você, eu, aros no nariz. Este fim de semana.


Sentou-se junto a mim no banco da mesa, decidindo
que seria meu lugar de almoço para o resto do semestre.
Minha lembrança de estar aqui com Mason no dia anterior
cimentou essa decisão, inclusive se me sentar com ele me
faria reprovar na minha aula de inglês. Era como se a
houvéssemos batizado como nossa.

Em realidade, sentia como uma traição sentar aqui com


Eva em lugar dele.

Mas suspeitava que hoje se manteve perto, com a


esperança de que me concedesse outra “entrevista com o
gigolô” como ela o chamava.

—Não vou perfurar meu nariz. Está louca?

—Mas ficaria tão lindo. —Roubou uma de minhas


batatas e decididamente declarou— Ontem vi o Alec olhar a
uma garota que levava um. Assim, sim. Obteremos.

Eu bufei.

— Se você quer ir fazer buracos em lugares estranhos


em seu corpo apenas para impressionar ao seu noivo voyeur,
vá em frente. Mas não vou contigo.

Simplesmente me deu um sorriso frio, encolhendo-se de


ombros.

—Já veremos. Oh, por certo, mamãe e papai vão no


início da próxima sexta-feira para passar o fim de semana do
Dia do Trabalho em nossa casa de praia. Não voltarão até a
noite da segunda-feira. Estou pensando em... Festa em
minha casa na sexta-feira.

—Casa na praia? Não tinha ideia de que tinham uma.


Oh, Meu Deus, por que não vai com eles?

Eva bocejou enquanto abria sua agenda rosa e negro


listrado com uma caneta. —Um.... Porque não tenho dez
anos. Quão penoso seria passar o fim de semana do Dia do
Trabalho com os pais? Sério, ReeRee. Tenho muito que te
ensinar.

Se meus pais tivessem uma casa na praia, estaria ali


cada fim de semana. Eu não me importo o quão doloroso
pode ser para passar tempo com eles. Mas era Eva de quem
falávamos. Assim me encolhi de ombros.

—Bom, não posso fazer qualquer coisa na sexta-feira.


Tenho que tomar conta.

Eva franziu o cenho.

—Quem? A irmã atrasada do gigolô?

Dei-lhe um olhar assassino.

—Seu nome é Sarah. E sim, estou falando da irmã com


necessidades especiais do Mason. Não volte a chamá-la de
atrasada nessa forma depreciativa.

Rodando os olhos, cedeu.


—Está bem, está bem. Que tal no sábado? Está de babá
de algum estranho então?

Ignorei o golpe contra minha amiga apertando os dentes


e molhando uma de minhas batatas em um recipiente de
queijo para nachos.

—Quão grande é a festa da que falamos?

Sempre desde o Jeremy, evitava grandes reuniões cheias


de muitos estranhos.

Mas Eva se iluminou.

—Épica. —Então olhou para um grupo de meninos que


passavam por nossa mesa— Olá, meninos. Festa em minha
casa no sábado do fim de semana do Dia do Trabalho. Estão
dentro?

Sorriram e lhe deram uma boa olhada.

—Uma festa da Eva Mercer? Oh, estamos dentro.

—Genial. Então nos vemos. —Virou para mim, olhando


com ar satisfeito.

Soltei uma baforada de irritação.

—Então, acredito que vamos ter uma festa. E agora sei


por que minha mãe se preocupava tanto de que chegasse a
ser uma má influência.
—Oh, vamos, não o chamemos uma má influência. —
Passou um braço por cima de meu ombro e sorriu. — Chame-
o, trazer um pouco de cor a sua vida.

Atrás de nós, alguém soprou.

—Só você o chamaria assim, Mercer.

O fôlego saiu de repente de meus pulmões enquanto o


dono dessa voz passou ao redor da mesa para sentar-se
frente a nós.

Mason.

Maldita seja, via-se bem hoje, todo fresco e agradável,


com uma camiseta cinza de pescoço V, que fez que seus olhos
se vissem mais claros do habitual. Sorriu-me e rapidamente
estudou o que comia.

—Oh, batatas fritas com queijo e pimentões. Boa eleição.


Melhor que a comida de coelho de ontem. —Roubou uma de
meu prato, metendo-a na boca.

—Bom, olhe quem veio visitar a Senhorita Tola –


respondi, ocultando minha intensa reação de excitação ante
sua presença— Alguma vez come sua própria comida? Ou só
obtém um perverso prazer ao comer a minha?

—Isso é algo que só eu sei e você terá que averiguar. —


Enviou-me um sorriso cheio de promessa e significado oculto.
Caí em um mini transe, vendo sua boca apertar-se e mover-
se enquanto mastigava. Então, meu enfoque caiu para sua
garganta bronzeada enquanto tragava.

Sério. Comer uma batata frita com queijo não deveria


ver-se tão pecaminoso.

—Umm. Podemos lhe ajudar? Mason? —Perguntou Eva


diretamente, lançando adagas com o olhar.

Enviou-lhe um sorriso tenso.

—Não. Só como meu almoço.

—Meu almoço — disse justo antes de que tirasse um


sanduiche envolto em plástico de sua bolsa. Agitou-o
ironicamente, fazendo saber que trouxe sua própria comida.

Franzi o cenho de novo porque, em realidade, odiava ser


vencida.

Ao vê-lo desembrulhar sua comida e tomar um bocado,


Eva murmurou:

— De verdade tem que comer aqui? Conosco?

—Eva! —Disse sem fôlego. Qual era seu problema? Mais


cedo em literatura britânica, atuou como se estar em sua
presença fosse uma bomba. Agora, era só... uma cadela.

—Jesus, Mercer —Mason franziu o cenho enquanto


tragava o sanduiche — não sou contagioso.

—Está seguro disso? Quer dizer, quem sabe que tipo de


desagradável enfermidade de doença sexual...?
—Bem, bem, bem — interrompi, levantando as mãos e
agitando o gesto universal de bandeira branca. — Estou
sentindo um distúrbio na Força entre vocês. Existe algum
tipo de história que eu não estou ciente? —Então fiquei sem
fôlego— Oh, meu Deus. Deitaram-se. Não é assim?

Eva deixou escapar um som grave e escreveu algo em


sua agenda com a suficiente energia para fazer que a bolinha
do final de sua caneta, agitasse-se energicamente.

Mason me olhou simplesmente maravilhado enquanto


negava com a cabeça.

—Uau, sua curiosidade não tem nenhum filtro, verdade?

Franzi o cenho de novo porque evitava deliberadamente


minha pergunta. Jogando uma olhada a minha prima, disse:

— E?

—Não é nada — murmurou, de repente muito


interessada em dar volta a página e comprovar as datas
futuras.

Rodando os olhos, virei-me para fazer frente à Mason


com um olhar mordaz.

— O que? —Disse pondo uma expressão muito inocente.


Lançou um olhar inquisitivo a Eva antes de centrar-se em
mim— Disse que não era nada.

Abri a boca, mas Eva deve ter trocado de opinião.


—Nada? —Disse com voz ofendida. Fechando de um
golpe sua agenda, entreabriu os olhos— Está bem, está bem.
—Finalmente me deu sua atenção— Uma noite em uma festa
de um ano atrás, bebi muito e acabei me atirando sobre ele.
—Seu olhar perfurou Mason com fragmentos de ódio—. E me
rechaçou. De pronto.

Franzi o cenho, confundida. Umm.... Não era esse tipo


de coisas o que se supunha que um tipo faria quando lhe
lançava uma garota ébria?

—E ela passou a me chamar de filho da puta


pretensioso por isso —acrescentou Mason, olhando a Eva.

— Bem, você é — ela murmurou.

— ...não tinha direito a atuar de maneira hipócrita


porque não sou mais que uma puta de alto preço com uma
cara bonita, que vai terminar com sobrepeso, quebrado e
quando só tiver quarenta. —Sua mandíbula se apertou— Não
é assim como o expressou?

Dei um grito afogado e olhei a minha prima com um


olhar incrédulo.

—Chamou-o de puta?

Encolheu-se de ombros.

—É uma puta.

—Assim isso é o que me acontece por ser um cavalheiro


e não me aproveitar da torpe e arrastada garota bêbada. —
Vendo-se zangado e bastante ferido, Mason se inclinou sobre
a mesa e pegou o meu copo, como se ele precisasse de
conforto. Mas depois de tomar um longo gole através da
palha, fez uma careta e se afastou. —O que é isto?

Enruguei o nariz e empurrei meu cabelo da cara. Minha


bebida não tinha sabor ruim.

—É uma bebida diet.

Bem, talvez gosto ruim.

Sentou-se de novo frente a mim, vendo-se enganado.

—Assim... Come batatas fritas com queijo carregada de


gordura, calorias e carboidratos. E logo uma bebida dietética?
—Riu divertido— É uma garota.

Eu joguei meu cabelo de novo e nivelei com um sorriso


falso.

—Talvez pedisse uma bebida de sabor desagradável


porque sabia que trataria de roubá-la. Isto poderia ter sido a
única maneira de proteger o que é meu.

—Ahh —disse com um sorriso — isso não vai funcionar


comigo. Sempre vou roubar qualquer alimento ou bebida que
tenha. — Agitou os cílios. O movimento feminino deveria
parecer ridículo nele. O qual, bem, um pouco o fez. Mas
também se viu sexy e masculino de algum jeito — adula-me
que tomasse o tempo para pensar em mim.
—Oh, morda-me —gritou Eva. Se vocês dois terminaram
de se foder com os olhos, eu gostaria de ir vomitar agora.

Eu dei-lhe uma careta, com a promessa de um bom


estrangulamento. Inclusive, abri minha boca para dizer-lhe,
em termos inequívocos, que Mason e eu não paquerávamos.

Mas não lhe fez caso e me disse:

— Cuidará de Sarah esta noite?

Lhe daria vários pratos de brownies por ser capaz de


ignorar o comentário grosseiro de Eva. Mas a tensão ao redor
de sua boca me disse que suas palavras lhe afetaram.

Seguindo seu exemplo, decidi ignorá-la.

— Acredito que vou lhe dar uma manicura-pedicura e


lhe pintar as unhas de mãos e pés com uma cor
impressionante.

Assentiu enquanto envolveu seu sanduiche, deslizando-


o de novo em sua bolsa de mensageiro;

— Você vai adorar. Vemo-nos na casa. —Golpeou a


mesa.

Frente a mim enquanto permanecia de pé;

— E não se esqueça desse livro que prometeu me


emprestar.

—Isso é. —Respirei duramente, entusiasmada de que o


recordasse—. Sim, está bem. Não o esquecerei.
—Bom. —Com um sorriso quente e agradável, roubou
mais uma de minhas batatas— E para que conste, eu gosto
de tola. —Logo, afastou-se sem sequer olhar a Eva.

Minhas bochechas ardiam. Ingênua ou não, eu adorava


saber que gostava tal qual era.

Não me dava conta de quando Eva virou para mim com


um arco espectador em suas sobrancelhas, até que
perguntou:

— Que livro?

Joguei com minhas batatas fritas sem comer.

—Harry Potter. Disse que nunca tinha lido a série. Pode


acreditar? Assim ofereci lhe emprestar o meu.

—Sério? Harry Potter?

Soava tão cética que suspirei.

—Não, falávamos de um livro de Kama Sutra. Sim!


Harry Potter. Por que isso é tão difícil de acreditar?

Eva deu de ombros.

—Simplesmente não posso ver Mason Lowe lendo Harry


Potter. Não posso vê-lo lendo nada. —Então fez uma cara, me
fazendo saber que lhe ocorreu algo— Exceto, talvez, o Kama
Sutra.

Empurrei as batatas fritas e virei para ela com o cenho


franzido.
—Sabe, ele não é tão mau. Uma vez que lhe fala de
verdade, simplesmente é um menino.

Só um cara, que fazia meu corpo quente, meu pulso se


acelerar, e minha garganta secar. Um cara que era divertido
para conversar, entender minhas piadas e gostou do meu
gosto na comida. Um menino que me fazia esquecer de que
era receosa com as pessoas do sexo oposto. Sim, só um
menino.

—Não entendo por que fala dele a suas costas como se


fosse uma espécie de Deus, mas de frente, trata-o como um
lixo.

—Oh, carinho. —Os rasgos de Eva se encheram de


simpatia enquanto agarrava minhas mãos— Pobre iludida.
Vou ter que te explicar a pirâmide social, verdade? Mason
Lowe cem por cento é um gigolô. Caras como ele são
divertidos para fazer intrigas. Eles são divertidos para
paquerar quando não há ninguém por perto e tenho certeza
que eles são divertidos quando você contrata seus serviços.
Mas não se sente com eles em público e não fale com eles
como se fossem apenas um menino. Devido a que não é
assim. —Suspirou e me deu uns tapinhas na mão. Sabia que
hoje devia manter uma estreita vigilância extra em você.
Porque olhe o que aconteceu. Deve farejar, tratando de
arruinar sua reputação, e....

Afastei minhas mãos das suas e cambaleei sobre meus


pés, tratando de não escutar outra palavra.
—Se ele for tão más notícias, então, por que tentou que
te desse um brinde?

Eva avermelhou enquanto seus olhos se estreitaram


com desprezo.

—Está bem, um, encontrava-me bêbada e ainda me


sinto absolutamente humilhada pelo que fiz. E dois, na
verdade, poderia ter lidado com isso sem me envolver
também. Você provavelmente vai se apaixonar por um pedaço
de merda submundo mesmo se ele nunca dormir com você. E
isso é completamente inaceitável, ReeRee. Um prostituto não
pertence em qualquer lugar perto de você. Você é muito doce
e inocente.

Fiquei boquiaberta com repugnância absoluta.

—Oh, meu Deus, Eva. Vou ignorar a forma em que


acaba de me insultar, porque acredito que diz essas coisas
por uma boa razão. Mas não vou sentar aqui e te escutar
insultar assim ao Mason. —Parei e recolhi minhas coisas—
Ele pode ter tomado uma... má decisão de carreira, mas isso
não significa...

—Meu Deus, está te apaixonando por ele, não é assim?


—Deslizou-se através dos bancos para mim, com os olhos
suplicantes— Não o faça, carinho. Você só vai se machucar.
Você vai passar novamente pelo que Jeremy...

—O que seja —murmurei enquanto pendurava a


mochila em meu ombro e me apartei. — Eu estou fora daqui.
Arrastei-me todo o caminho para a minha próxima aula.
Eva se equivocava; Mason nunca seria outro Jeremy. Em
primeiro lugar, nunca teria um encontro com Mason. Sabia
que se encontrava fora dos limites. Não é que ele não fosse
digno, só que era incapaz de ser fiel, devido a seu trabalho e
tudo. Sabia que podia ter um amor com ele, mas nunca
esperaria mais. Sabia. E em segundo lugar: Mason não deu
sinais de ser um inseto estranho do controle, não na maneira
em que Jeremy as exalava como o dióxido de carbono. Sem
dúvida, não era o tipo "golpeia noivas".

Mas fiquei de mau humor pelo resto do dia, porque Eva


comentou uma coisa que me alterou completamente. Apesar
de saber que nunca sairia com Mason, pensei que ainda
poderia me fazer mal, porque sabia com segurança de que me
apaixonava por ele a um nível que não podia parar.

Seria capaz de me fazer mal de uma maneira que


Jeremy nunca pôde. Poderia haver dito a meu primeiro
namorado que o amei quando ele esperava que o dissesse,
mas nunca lhe dava meu coração. Entretanto, havia algo em
Mason que me dizia que podia dar-lhe. Muito facilmente.
Quando fui ser babá na noite de sexta-feira, e na
segunda-feira, não consegui ver Mason em nenhum dia,
depois disso. Ele já tinha ido para seu trabalho no "clube de
campo" quando cheguei. E as duas noites, Dawn chegou do
trabalho antes dele, o que significava que tinha ficado
acordado até tarde com uma cliente... Sem dúvida.

O pensamento me fazia arder com..... Não sei. Muitas


emoções. Raiva, ciúmes, tristeza, depressão. Eu era uma
confusão emaranhada e queimando por dentro.

E sua mãe se esqueceu de me pagar — sim, as duas


noites. Mas Mason já tinha me advertido que ela era um
pouco esquecida na hora de pagar suas dívidas.

O único ponto positivo dessas noites tinha sido poder


passar um tempo com a garota mais doce com paralisia
cerebral da face do planeta. Eu rapidamente me apaixonei
por Sarah e seu sorriso.

Depois de segunda-feira eu pintei-lhe as unhas das


mãos e dos pés de paixão roxa, e decorei com um pouco de
strass de plástico, o maior e mais brilhante sorriso iluminou
seu rosto. Fiquei tentada a puxá-la para dar-lhe um grande
abraço de urso e beijar todo o seu rosto adorável.

Eu a coloquei para dormir lendo o primeiro capítulo do


Harry Potter, o qual tinha trazido para Mason. Logo me
arrastei até a cozinha dos Arnosta e tratei de colocar meus
deveres em dia. Concentrei-me fazendo a atribuição de
humanidades antes que Dawn aparecesse uns vinte minutos
antes de meia-noite.

Chateada porque eu ainda não tinha tido um vislumbre


de Mason, e ainda mais chateada de saber o porquê, fui para
casa e chequei meu apartamento para garantir que nada
parecia perturbado. Quando eu caí na minha cama, esqueci-
me de ajustar o alarme.

Assim é obvio, dormi até tarde na terça-feira.

Sem tempo para arrumar o cabelo ou me maquiar


depois de uma ducha rápida, saí correndo pela porta,
pensando que teria que comprar o café da manhã no campus.
Mas, ao contrário. Recordando minha falta de recursos
durante um par de dias mais, voltei a entrar correndo no
apartamento e peguei uma banana em minha fruteira
raramente usada colocada no balcão da cozinha.

Cheguei ao campus dez minutos antes de começar


minha aula, o que me fez apertar os dentes e me perguntar
se, depois de tudo, teria tido tempo para me arrumar.
Minha mesa de sempre, onde tinha comido pela
primeira vez com Mason, encontrava-se ocupada. Ocupada!
Sei, ia ter que escrever meu nome nela. Deixei-me cair ante
uma árvore próxima e parei sobre a grama ao sol. Tirando a
banana de minha bolsa, enruguei o nariz ante as manchas
marrons devido ao seu aspecto e decidi que estava muito
cansada para comer, de qualquer maneira. Assim fechei os
olhos e esperei até que fosse o momento propício para
arrastar meu traseiro para à classe.

Tratava de me impulsionar para me levantar quando


uma sombra bloqueou a luz do sol. Senti alguém de pé sobre
mim um segundo antes que a voz que amava e odiava ao
mesmo tempo — porque me fazia querer coisas que não podia
ter, disse

— Pergunte.

Abri os olhos para ver Mason. Estava perfeito como


sempre. Levando calças frouxas e desalinhadas, e uma
ajustada camiseta de quadros escura, sorriu-me,
sustentando suas mãos detrás de suas costas.

— O que? – Resmunguei sonolenta.

— Por que estamos sentados na grama esta manhã?

— Estamos? — Quando nós tínhamos convertido em um


nós?

Deus amava como ele nos dizia.


Maldição! Nunca seria um nós.

A vida era tão malditamente injusta.

Agitei uma mão de forma preguiçosa em direção a


minha mesa.

— Se não se deu conta, nossa mesa já está ocupada.

Ele olhou por cima e logo me olhou de novo.

— De verdade? Mm realmente, não tinha me dado conta.

Eu levantei a cabeça da minha mochila, que usava como


travesseiro fedorento e irregularmente duro e estiquei o
pescoço, tanto quanto o meu corpo me permitia sem exercer
mais energia do que o estritamente necessário. Quando eu vi
que a nossa mesa estava, de fato, vazia de novo, eu gemi e
deixei minha cabeça cair para trás com um estrondo.

— Bom, estava ocupada quando cheguei, por isso optei


por este lindo pedaço de grama fresca. E nem sequer pense
em me fazer levantar para me mover. Estou muito... — fiz
uma pausa para bocejar — cansada.

— Ah — disse com um assentimento de compreensão. —


Já vejo. — Não se sentou a meu lado, mas sim permaneceu
de pé com as mãos detrás de suas costas. Quando se
balançou sobre seus talões, olhei-o fixamente, me
perguntando que diabo trazia entre as mãos.

— Assim que te vi aqui, descansando na grama, —


disse-me finalmente, — me perguntei "o que está mal nesta
imagem?" Além do fato de que estava visivelmente deprimida
no chão.

— Oh, Deus. — Minha mão foi imediatamente ao meu


cabelo. Ele tinha secado em um emaranhado. Meu cabelo
parecia uma merda, sei. E não levava maquiagem. — Está
bem, dormi. Não tive tempo para me arrumar, e....

— Não é isso — disse, sacudindo a cabeça e sorrindo.


Seu olhar foi ao meu cabelo antes de percorrer meu rosto. —
Em realidade, nem sequer tinha me dado conta. Entretanto,
hoje parece mais natural. Vê-se bem.

Senhor tive que ignorar o quão quente me fez sentir esse


elogio.

Forçando a minha mente a passá-lo, elevei uma perna,


lhe mostrando meu calçado.

— É porque levo sandálias em lugar de bailarinas?

Sim, sim. Eva me tinha convertido ao lado escuro. Mas


meus pés podiam respirar muito mais facilmente com as
sandálias. Podia mostrar minhas próprias unhas pintadas e
brilhantes — além de um novo anel de pé que acabava de
comprar e, além disso, eram adoráveis, sexys e práticas, tudo
envolto em um molho de tiras que faziam que meus
tornozelos se vissem incríveis. Não tinha sido capaz de
resistir a comprar.

Mason olhou minhas novas sandálias.


— Uh.... Não. Perdão.

Deixei que meu pé voltasse a cair a terra.

— Está bem, rendo-me. — Quando simplesmente me


sorriu, rodei os olhos e fingi um interesse seriamente
patético. — Por que se deu conta de que faltava algo em mim
esta manhã, Mason?

— Me alegro de que o pergunte, Reese, porque me dava


conta de que não tem seu café com leite habitual.

Gemi e murmurei:

— Obrigada. Por lembrar-se da minha falta de cafeína


acima de tudo — bufei mesquinhamente. — Mas ouça, eu
estava cansada; não pude evitar. Meu cofrinho está um pouco
seco neste momento. — Malditas sandálias de tiras que
estavam com cinquenta por cento de desconto. — Então, eu
vou ter que adiar meus prazeres de expresso um tempo até
que...

— Mamãe não te pagou de novo, verdade?

Encolhi-me. Merda. Não tinha querido dizer dessa


maneira. Este não era seu problema, mas sabia que ele o
faria dele.

Quando me neguei a responder, deu um grande suspiro.

— Não tenho todo o dinheiro em efetivo comigo para


cobrir o que te deve, mas me assegurarei de que te pague. De
acordo?
— Está bem... — comecei, mas negou com a cabeça para
me sossegar.

— Entretanto, ainda é uma pena que não possa ter seu


café com leite diário.

Deixei cair à cara de novo em minha mochila.

— Sim.

— Mas olhe pelo lado bom.

Lado bom? Havia um lado bom nisto? Elevei uma


sobrancelha, esperando que me iluminasse sobre este
imprevisto lado bom.

Mason piscou para mim e tirou as mãos detrás das


costas, segurando dois copos de isopor, um em cada mão.

— Você já fez amizade com o Sr. Money Bags que pode


pagá-los.

Minha boca se abriu de par em par.

— Comprou-me um café com leite?

Comprou-me um café com leite?

Derreti-me, minhas emoções suavizando-se até ser esta


enorme e pegajosa bola de adoração. Queria rir e chorar e lhe
abraçar até que decidisse que ter um namorado que se
deitava com dezenas de mulheres por dinheiro em realidade
não era um grande problema.
Está bem, ainda era um assunto muito grande para que
o passasse por cima. Mas uau. Mason tinha comprado para
mim um café com leite quando estava mais baixa de
recursos.

Quão doce podia ser um menino?

— Não te emocione muito — advertiu como se pudesse


ler minha mente. — Tenho um motivo por trás disso.

Sentei-me imediatamente, já não mais cansada


absolutamente. Era como se a cafeína da bebida que ele
sustentava de algum modo já tivesse disparado diretamente
por minha corrente sanguínea.

— Está bem. — Levantei as mãos e as movi com


impaciência. — Pode ficar com meu primogênito. Agora me
dê.

Mason riu e me deu um dos copos.

— Não tinha dado conta de que pede o especial com as


raspas de chocolate em cima. — Suspirou como se
refrescasse quando se sentou na erva a meu lado ao estilo
índio – Encontrava-me no meio do caminho para o campus
antes de me dar conta de que faltavam e tive que voltar outra
vez.

Havia retornado para me conseguir raspas de chocolate?

Oh. Deus. Meu.


Era oficial. Mason Lowe era perfeito. Bom, além de toda
a parte de gigolô. Mas sim, além disso, ninguém mais poderia
comparar-se.

Tomei meu primeiro sorvo. Quando gemi, arqueou uma


sobrancelha com diversão.

—Você gostaria de estar a sós?

Aproximei meu café com leite de forma protetora.

— Sim. Você pode nos dar quinze ou vinte minutos, no


máximo? Tenho a sensação de que as coisas estão a ponto de
ficar muito obscenas neste lugar.

Riu outra vez enquanto eu tomava outro gole e os dedos


de meus pés se curvaram enquanto tragava.

Seu olhar caloroso e afetuoso sobre mim, além da dose


foto instantânea de cafeína por meu sistema, trouxe-me para
a vida de um modo que não podia sequer descrever. Mas me
sentia de repente muito viva.

Sorri de novo sem uma onça de meu humor mal-


humorado e infantil e minhas queixas interiores à vista. —
Obrigada, Mason. Tinha medo de que teria que comer esta
casca de banana. — Fazendo uma careta azeda, sustentei-a
em alto para lhe mostrar o amadurecido que se pôs. Mas a
ideia revolveu o estômago. Por alguma razão, incomodava-me
a comida sã como primeira coisa na manhã.

Assinalou, parecendo escandalizado.


— Então... não vai comer isso?

Vi para onde se dirigia isto e rodei os olhos.

— Quer? — Ofereci, e me arrebatou a banana


imediatamente.

— Obrigado.

Bebi enquanto ele cortava a banana e arrancava um


terço dela, colocando toda a parte dentro de sua boca. Ainda
se via muito formoso enquanto mastigava, inclusive com o
volume da fruta em sua bochecha.

Afastei o olhar e belisquei uma parte de plástico da


tampa do meu copo.

— Recebeu seu livro? Sinto muito, esqueci-me disso na


sexta-feira e não o trouxe outra vez até ontem à noite. — Não
queria pensar em por que não tinha estado ali para aceitá-lo
ele mesmo, mas o fiz de qualquer forma.

Assentiu enquanto tomava um pequeno gole para


engolir a banana.

— Sim. Sarah se assegurou com certeza de que estivesse


em minhas mãos na primeira hora da manhã. Às cinco da
manhã.

Fiz uma careta. Ai. Tinha chegado mais tarde em casa


que eu e se levantou antes que eu abrisse os olhos. Se
alguém tinha uma razão para estar cansado hoje, era ele.
Mas parecia muito contente enquanto acrescentava.
— E me mostrou suas vinte unhas recém-pintadas. Bom
trabalho, babá.

— Vá, obrigada — disse com uma reverência não tão


humilde; bom na medida em que pude me inclinar estando
sentada no chão.

— Em realidade, Sarah é a razão pela qual preciso falar


contigo.

— Certo. — Esvaziei meu copo e franzi o cenho. Já tinha


terminado meu café com leite? Que chateio. Centrei-me nele.
O motivo. Já recordo.

— Certo — repetiu com um assentimento — É que ouvi


um rumor de um passarinho de que tem uma... Pulseira de
pingente.

Franzi o cenho, completamente confundida por este tipo


de perguntas.

— Umm... sim.

— Posso vê-la em algum momento? Sarah esteve falando


um montão sobre isso. Assim pensei em comprar uma para
seu aniversário no próximo mês.

Pus-me atenta.

— Seu aniversário é o mês que vem?

— Sim. Ele vai ser o grande 13. — Sem esperar para


levantar minha mão e mostrar-lhe o pulso, Mason viu minha
pulseira e assumiu a responsabilidade em suas próprias
mãos, envolvendo delicadamente com os dedos quentes ao
redor do meu antebraço e levantando para examinar a peça
de joalheria que adornava a base da minha mão. — Mamãe e
eu vamos fazer um aniversário no dia vinte, se você quiser
vir.

— Demônios, sim, quero ir. E lhe comprarei um


pingente que vem com a pulseira como meu presente para
ela. Vai convidar algum de seus amigos da escola?

O bom humor do Mason se azedou imediatamente.


Lançou-me um olhar duro. — Sarah não tem nenhum amigo
da escola.

— Por Deus, sinto muito. — Elevei uma mão para


acalmar seu cenho franzido. Suponho que deveria ter
expressado isso de forma diferente. O que queria dizer era:
vai convidar a algum de seus companheiros?

A escura fúria em sua cara disse "infernos, não".

— Porque deveria? Eles nunca a convidam para


nenhuma de suas estúpidas festas.

— Eu sei, eu sei. — Dei-lhe um suspiro de piedade.


Mas... isso é o ensino médio. É um tempo muito revelador
para ela. Ela está começando a ver como o mundo funciona e
está percebendo o quanto ela não enjoa ter amigos. Só acho
que se houvesse alguma maneira de arranjar alguém da sua
idade seria bom para ela, mesmo durante uma festa de
aniversário por uma hora, pelo menos eu deveria tentar
ajudá-los a adaptar-se a seus pares sociais. Quero dizer, ela
vai fazer treze. Essa idade é o momento mais difícil, eu juro.

Mason deixou escapar um suspiro, parecendo


resistente, mas admitiu.

— Sem dúvida. Eu odiava o ensino médio. Nada bom


vem da adolescência.

— Oh, não sei nada disso. — Com jeito de brincadeira


bati meu ombro contra o seu. — Aprende onde crescem as
espinhas mais dolorosas.

Com uma careta, fez um bigode com seu dedo indicador.

— Justo aqui, debaixo do nariz.

— Sei claro – ri — A dor mais dolorosa de todas.

— Meus olhos sempre lacrimavam quando tentava


espreme-las.

— Uhhmm. — Imitei um som de "está em problemas" —


Supõe—se que não tinha que espremer as espinhas. Mason
mau.

Sua boca se abriu aos poucos enquanto me lançava um


atento olhar de incredulidade.

— Como pode não as espremer?

Cedendo, assenti e confessei.


— Está bem. Também tinha que espremer sempre.

Quando compartilhamos outro sorriso, fui me sentindo


muito fascinada com a vista de seus perfeitos rasgos. Franzi o
cenho.

— Não posso te imaginar com acne.

Mason rodou os olhos.

— Confie em mim. Tive minha parte justa de crateras.

— Bom, agora sua pele é perfeita. — Lancei lhe um


repentino olhar de sobrancelhas arqueadas de suspeita —.
Você esfolia verdade?

Engasgou-se com o gole que tomava. Depois de tossir e


limpar uma gota de café com leite da covinha de seu queixo
informou-me secamente

— Sim, apanhou-me. Ponho essa merda verde sobre


minha cara e pepinos sobre meus olhos cada noite.

— Ei, não mexa com pepinos. Isso funciona de verdade.

— Espera. Faz isso? — Tinha-lhe surpreendido outra


vez.

— O que? Sou uma garota, verdade? É como uma


obrigação provar as máscaras verdes de beleza ao menos uma
vez na vida de uma mulher. É parte da Lei Feminina ou algo
assim. — E ouça, aí havia algo mais que podia fazer com
Sarah.
Depois de me estudar como se acabasse de conhecer
uma nova pessoa, perguntou:

— Come os pepinos quando acaba?

Só Mason, o aspirador de comida, perguntaria isso.

Fiz uma careta.

— Que asco. De maneira nenhuma. O que acontece se


um muco de olho cai sobre eles?

Mason jogou a cabeça para trás e riu, lançando uma


estrondosa gargalhada. Esteve rindo muito esta manhã. Eu,
como que, adorava totalmente.

Sacudindo a cabeça, dedicou-me um olhar cheio de


diversão.

— Acredito que esta é a primeira vez que discuto sobre


espinhas e mucos com uma garota.

Também era a primeira vez que eu discutia tais coisas


com um menino. Sentindo-me de repente estranha perto dele
porque suas palavras de algum modo me recordaram que
meu cabelo era um desastre e minha cara estava nua,
abracei meu copo vazio com ambas as mãos e olhei em torno
do campus... Só para franzir o cenho.

— Vá. De repente, tudo parece estranhamente quieto?

Mason checou seu pulso.


— Merda! — Endireitou-se com uma sacudida —
Chegarei tarde a classe.

— Oh, Meu Deus, que horas são?

— Já se passaram 15 minutos do horário. — Ficou de pé


de um salto com sua bolsa de mensageiro já pendurada em
seu ombro.

— 15 Minutos? De maneira nenhuma! — Como tinha


me distraído tanto?

Briguei por minha própria bolsa, e Mason agarrou meu


cotovelo, me ajudando a levantar, inclusive enganchando-a
por mim.

— Aqui tem.

— Obrigada.

Mantive meu passo enquanto nos precipitávamos para a


entrada da escola.

Quando estendeu a mão diante de mim para me abrir a


porta, seus dedos embalaram brandamente a parte baixa de
minhas costas. A sensação de sua mão ali enviou faíscas
ascendentes por minha coluna vertebral e explodiu na base
de meu crânio como foguetes até que experimentei uma
vibração por todo meu corpo.

Ignorando a reação, comecei a girar para minha classe


de literatura quando me golpeou — em realidade tinha
virologia hoje... no outro edifício.
Merda. Comecei a dar a volta outra vez e me dê conta de
que Mason ia para a esquerda. Demo-nos conta no mesmo
momento em que tivemos que nos separar.

Deteve-se e abriu a boca. Olhos cinza escancearam meu


rosto.

Mais que curiosa por saber o que queria dizer, congelei


em minhas sandálias e contive a respiração.

— Bom... Adeus. — Fez uma careta, me fazendo


suspeitar que tivesse vontade dizer mais que isso.

Dediquei-lhe um pequeno sorriso.

— Sim. Adeus.

Assentiu e foi para a esquerda. Fiquei olhando um


momento antes de sair correndo do edifício principal e me
lançar para o departamento de enfermaria.

Mas todo o dia eu me perguntava o que realmente


queria me dizer.
O resto da semana foi um sonho feito realidade. Mason
aparecia em minha mesa de almoço todos os dias. E era o
único. Sem Eva, nem as ciumentas professoras clientes.
Apenas ele e eu.

Na sexta-feira, nós caímos em uma rotina. Eu sei que


soa perfeitamente inteligente, mas nós trabalhamos juntos
em casa, normalmente cálculo como ambos estavam na
mesma classe, os mesmos professores, horários diferentes.
Poderíamos trocar ideias e dicas úteis.

A melhor parte foi que eu era mais inteligente e


trabalhava mais rápido. Não é que esteja presumindo. Está
bem, estou totalmente presumindo. Mas se sentia muito
assombroso ser melhor em algo que ele.

— Você já terminou a pergunta três? — Perguntou


aproximadamente a cinco minutos de nossa comida... Depois
de que limpou as tiras de frango que consegui da cafeteria.

Soprei.

— É obvio que terminei a pergunta três.


Levantou uma mão antes que pudesse soltar algo
sarcástico.

— Espera, Essa pergunta é uma pegadinha. É obvio que


já terminou a pergunta três.

Ahhh, também me conhecia.

— Quer dizer, corrijo minha pergunta, "o que fez para


conseguir uma resposta na pergunta três?" Sigo chegando a
sessenta e quatro sobre zero. Mas isso parece MA...

— E estaria equivocado — digo-lhe, fazendo um


animado som de programa de jogos —. Agora tem que admitir
que não seja mais preparado que o quinto ano.

Franziu-me o cenho.

— Eu gostaria de ver um estudante de quinto provar o


cálculo de universidade.

— Mmm. Arrumado que um estudante de quinto


responderia a número três como onze sobre quatro.

Mason pôs a caneta no alto do caderno cheio de


equações.

— Que diabos fez para ter onze sobre quatro?

Com um sorriso, inclinei-me e assinalei cada x e uma


limitação.

Agarrou a caneta para corroborá-lo e rabiscou números


intensamente, trabalhando a equação da forma que sugeri.
—Diabos.

Murmurou quando chegou aos onze sobre quatro.

—. Por que o professor não me explicou isso desta


maneira? Deste modo é fácil.

Dei um longo suspiro.

— Dificilmente explicam algo de forma fácil.


Simplesmente seus cérebros não funcionam iguais ao de uma
pessoa normal, por isso é mais difícil para eles traduzir as
equações em termos singelos. Meu pai é professor de
matemática em um instituto, por isso sei.

Mason pareceu surpreso quando me olhou.

— Sério? Isso é genial. Imagino que não deveria estar


surpreso de que se saia tão bem com números. Deve correr
pelos genes.

Encolhi-me de ombros, modesta por meu lado nerd.

— Mm. — Colocando uma mecha de cabelo detrás da


orelha quando uma brisa o apanhou e o enviou revoando em
minha cara, perguntei — O que herdou de seu pai? — Logo
que perguntei, recordei que Dawn era uma mãe solteira.
Envergonhando-me, levantei uma mão — Sinto muito. Não
era minha intenção me impor. Esqueci por completo que sua
mãe é....

Mason levantou uma mão.


— Não. Está bem. Meu pai morreu quando eu tinha
quatro anos, assim não recordo muito sobre ele. Só sei que
esteve no exército.

Coloquei a mão sobre o peito.

— Sinto muito. Foi assassinado no Meio Oriente?

Enviou-me um contundente olhar que parecia grunhir


justo tinha que perguntar isso, não é? Mason suspirou. —
Não. Nunca foi a combate. Uma noite se embebedou e
assassinou uma família de quatro integrantes, além de si
mesmo, em um acidente por conduzir bêbado.

Minha boca se abriu. Ups.

— Oh, meu Deus. Isso é.... Horrível.

— Sim, mais ou menos. E nesta pequena cidade de uma


comunidade, todos sabem como morreu, assim nem sequer
posso inventar alguma morte de herói para ele.

Mastiguei o extremo do lápis enquanto olhava o livro de


cálculo frente a mim.

—Então.... Posso te perguntar sobre o pai de Sarah?

Seus olhos entrecerrados me disseram que não deveria


perguntar tampouco por esse homem, mas me respondeu:

— Butch Arnosta. Esse perdedor fugiu depois que


descobrimos a condição da Sarah. Mamãe o conheceu
quando eu tinha sete anos. Tiveram um romance rápido,
ficou grávida, casaram-se e se foi de novo tão rápido quando
o doutor disse as palavras paralisia cerebral. Depois disso,
acredito que desistiu por completo dos homens. Em realidade
nunca saiu de novo.

Fiz um som empático na parte traseira de minha


garganta.

— Bom, não a culpo de nada. Sonha como se tivesse um


mal histórico com os homens igual a mim.

Mason me lançou um olhar incrédulo.

— Como pode ter um mal histórico? Só tem o que,


dezoito?

Farejei.

— Dezoito e meio.

Sorriu ante minha brincadeira. Eu adorava como


sempre sabia quando tentava me fazer graciosa, inclusive
quando era uma má piada brega.

— Peço-lhe perdão, anciã. — Estendeu a mão, como


me pedindo algo. — Permita-me ver sua palma, Senhorita
Dezoito e meio. Darei uma olhada em sua linha do amor e te
direi que tão mal é seu histórico.

Enruguei minha fronte, desconfiando.

— Pode ler as palmas?


— Não, só quero sustentar sua mão. — Sua voz era tão
séria, que não podia notar se me paquerava ou não. Então
rodou os olhos e sacudiu os dedos com impaciência. Dê-me.

Não tinha nada a perder, assim estendi a mão.

Ele tomou meu pulso e virou-me suavemente os dedos:

— Vamos ver aqui — murmurou, em um pensamento


profundo. Levou minha mão mais perto de sua cara para
inspecionar justo antes que soprasse na pele.

Seu quente e estimulante fôlego fez que cada cabelo de


meu corpo ficasse de ponta. Santa maldita vaga. Sem dúvida
sabia como excitar.

— O que está fazendo? — Ofeguei. Além de me acender


por completo em meio de um campus da Universidade.

— Mm? — Levantou o olhar, parecendo inocente — Oh,


só soprava a sujeira de minha bola de cristal. Obviamente
aconteceu um tempo desde que tiveste um bom leitor de
palmas.

Sentiam-se mais como jogos preliminares para mim.


Mas... O que seja. Definitivamente não ia lhe dizer que
deixasse de me soprar.

— É tão idiota — disse com um bufo para ocultar as


emoções que sentia.

— Ouça, não insulte ao adivinho enquanto trabalha.


Poderia predizer algo... desagradável.
Não podia imaginar nada pior que minha anterior
relação, assim... Trazê-lo.

Mas lhe disse

— Oh, sinto muito, adivinho.

Me inclinando o suficiente para cheirar sua essência


limpa e masculina, e também fingi estudar minha palma.

— Então, como se vê minha vida amorosa?

Voltou à atenção a minha mão e a estudou durante um


momento antes de deslizar o dedo indicador ao longo de uma
marca enrugada. Enviou um delicioso tremor por minhas
costas.

—Vê-se bem. Diz que terá uma larga e feliz vida


amorosa. Logo conhecerá sua alma gêmea e ao sair da
universidade, casará. Os dois irão se mudar para — piscou e
inclinou-se mais perto, fazendo que uma quebra de onda
deliciosa, de abundante cabelo de carvalho se derramasse por
sua fronte — Rhode Island, onde cada um fará ao menos
oitenta anos, terão cinco filhos, e vão comprar um cão
chamado... Hundley.

Levantei uma sobrancelha.

— O que é isso? Hundley? Como o cão salsicha em "O


Curioso George"?

— Sim. Diz isso justo aqui.


Golpeou-me a mão como se isso devesse me convencer
por completo.

Sacudi-a com lentidão, emocionada por este lado


brincalhão dele.

— Então, qual é o nome de minha alma gêmea?

Mason franziu o cenho.

— Como diabos é suposto ler o nome de um cara em um


par de linhas de sua mão?

Grunhi lhe em resposta.

— Mas sabe qual vai ser o nome de meu cão?

— Não. — Um malvado sorriso iluminou seu rosto —.


Disse-te que não leio as palmas.

— Oh, Meu Deus. — Empurrei-lhe pelo ombro — É


ridículo.

Não pareceu lhe importar que por pouco o empurrasse


fora do banco; encontrava-se muito ocupado soltando uma
risada.

— Ridículo né? — Dobrando os dedos para fazer de


minha mão uma bola em um punho, passou o polegar por
meus nódulos — Posicionaremos isso debaixo de encantador.

— Ridículo definitivamente não vai debaixo de


encantador.
Não respondeu; estava muito ocupado estudando meu
dedo do meio que se curvou em um divertido ângulo.

— O que aconteceu? –Serpenteou um pouco, fazendo-o


jazer reto.

— Mm? OH, quebrei-o enquanto jogava basquete no


instituto.

Elevou a vista.

— Jogava basquete?

Assenti, tentando ignorar a forma em que seu polegar


seguia movendo-se sobre minha de repente sensível pele.

— Durante três anos.

— Por que não durante quatro?

Encolhendo de ombros para cobrir o tremor de aflição


que me passava quando recordava um particular momento
horrível, murmurei distraidamente:

— Eu, hum.... Quebrei o braço justo antes da


temporada de meu último ano. Não podia jogar.

Seu olhar se elevou por meu braço e justo a meu


cotovelo como se soubesse exatamente onde se destroçou o
osso.

— Como quebrou o braço?


Apartando o olhar, observei a um grupo de meninos
brincando pelo jardim das estátuas de bronze, subindo à
parte traseira do semental, fingindo montá-lo.

— Caí pelas escadas. — Justo depois de que Jeremy me


empurrasse para elas.

Mason me estudou como se pudesse ler a horrível


lembrança de minha mente. Então sorriu.

— Bom, suponho que é bastante propensa aos


acidentes. Os dedos de meus pés seguem ressentidos por
esses livros que deixou cair sobre eles.

— Ouça. — Quase meia ofendida, tentei tirar minha mão


de seu alcance, mas a apertou com mais força para poder
beijar meu destroçado dedo do meio.

Sim, sim, sei. Pôs a boca em uma parte de meu corpo.


Estou surpreendida de que ainda esteja o suficiente
consciente para falar disso.

Examinando meu dedo, apartou os lábios.

— Não teria te tomado pelo tipo de atleta. Não se move


como uma esportista.

Levantei uma sobrancelha.

— Então, como me movo?

Encolheu-se de ombros antes de me lançar um sorriso.


— Bem, quando você não está tropeçando em todo o
lugar, move-se como uma garota. — Amontoou os rasgos de
sua cara como se pensasse profundamente antes de
acrescentar. — Talvez como uma líder de torcida.

Fiz uma careta.

— Não acredito pervertido. Todas as líderes de torcida de


meu instituto eram umas zorras sujas e vingativas. Saí só
com uma pessoa na secundária, muito obrigado.

Jeremy ameaçou a qualquer outro menino que se


aproximava de uns seis metros de mim depois que terminei
com ele.

— Oh, Oh! Assim sai a verdade. — Mason me lançou um


sorriso de superioridade de "tenho-te" — Agora diga senhorita
Randall, como tem esses estranhos históricos quando só teve
um namorado?

Endireitei as costas.

— Às vezes é mais a qualidade que a quantidade o que


conta.

Seus olhos se obscureceram com sentimento.

— Assim é má, né? — Seus rasgos se suavizaram como


se quisessem me consolar, o qual, bom, não me importaria.
De verdade — O que fez? Colocou-te chifres?
Tratei de apartar sua mão de novo. Sem sorte. Mas não
o tentei com muita força. Não queria soltá-lo, e me
emocionava que inicialmente se negasse.

— Entre outras coisas. — Mantive a voz ligeira, tentando


lhe subtrair importância.

A cara de Mason se obscureceu.

— O que outras coisas?

Graças a Deus fui salva de responder, porque minha


mente ficou em branco, tentado tramar uma boa mentira.

— Vejo que estão saindo — disse uma voz enquanto um


trio de garotas passava nossa mesa a uns seis metros de
distância — Sustenta sua mão. Disse-lhes que não podia ser
um gigolô.

Mason afastou sua mão da minha e correu rapidamente


para pôr algum espaço entre nós. A forma em que bloqueou
sua expressão, como uma casa fechando as janelas, enviou
uma rajada de fúria através de mim. Queria mutilar a quem é
que o feriu com suas fofocas cruéis.

Olhei às garotas passando.

— Sabe que podemos te escutar.

As três abruptamente nos olharam e com a mesma


rapidez apartaram o olhar de novo.
Apressando-se em um trote ligeiro, foram-se depressa
até que só retornava o eco de suas risadas.

— Não as escute — disse a Mason — São... ignorantes.

— Não importa. — Sacudiu a cabeça enquanto fechava


de repente o livro de cálculo e o metia na mochila. Dando-me
um sorriso tenso, ficou de pé. — Tenha um bom fim de
semana de dia do Trabalho, está bem?

Antes que pudesse responder, girou-se e se afastou com


os ombros rígidos e as mãos feitas um punho aos lados.

Suspirei.

A depressão me golpeou com força quando recordei que


em realidade ia ser o fim de semana do Dia do Trabalho.

Dawn saiu na sexta-feira de seu trabalho de noite, e o


café onde trabalhava estaria fechado na segunda-feira, assim
até a seguinte quarta-feira, não iria à casa dos Arnosta. E já
que a universidade fechava por causa do dia de festa, nem
sequer teria uma boa razão para ver Mason terça-feira.

De maneira estranha, já sentia falta dele.


Concederia isto a minha prima: A garota sabia como dar
uma festa.

Enquanto observava as atividades e o tamborilar da


música ao meu redor, minha fossa nasal ardia pelo diamante
encravado em meu nariz. Sim, Eva finalmente tinha me
persuadido.

Ouça, não sou perfeita.

Minha debilidade tinha começado assim que vi o lindo


aro de prata que ela havia colocado. Depois me olhou e disse:
“Jeremy odiaria te ver com um anel no nariz”, e minha
resistência se afundou como o Titanic. Deus proíba que faça
algo que ele gostasse.

No entanto, preocupada com quantos mucos se


entupiriam nele cada vez que espirrasse, tinha escolhido uma
pedra em vez de um anel. A vermelhidão e inchaço tinham
cessado e não sangrei como Eva, ninguém poderia dizer que
eu tinha um piercing de recente.

Jogando uma olhada pelo salão da tia Mads e do tio


Shaw, vi Alec levantar uma dose de tequila com seus dentes
no canudo de Eva e tomar sem tocá-lo. Ela se animou
enquanto que um pouco de álcool gotejava por seu queixo.
Mas lambeu logo que ele deixou cair o copo em suas mãos.

Neguei inclusive quando meus lábios se arquearam com


diversão. Meninos loucos.

Tinha estado preocupada por ela quando o conheci.


Parecia tão rico, mimado e pretensioso como Eva. Dois iguais,
neste aspecto, normalmente não se atraem. Imaginei que não
duraria uma semana, cada um deles esperando que o outro o
mimasse tanto como fizeram seus pais.

Mas levavam juntos quase três meses e pareciam seguir


contentes.

De pé com as costas encostada à parede para poder ver


tudo sem perder nada, sentia-me como se estivesse
fiscalizando em lugar de me unir à diversão. Desde maio,
entretanto, tinha estado um pouco receosa a me juntar com
um grupo de totais desconhecidos.

Acabava de tomar um gole de meu copo vermelho de


plástico quando alguém se aproximou por um lado.

— Olá, parece solitária estando aqui de pé sozinha.


Ocorreu-me que poderia te fazer companhia.

— Oh! — Quase derramei a cerveja espumosa em minha


camisa quando saltei. Limpando meu queixo e me sentindo
como uma idiota, girei para o desconhecido. — Não tinha te
visto.
Sorriu, seus dentes suficientemente perfeitos para me
dizer que em algum momento usou aparelhos.

— Perdão. Suponho que meu treinamento secreto de


ninja esteja dando seus frutos depois de tudo. — Sorriu, mas
não pude conseguir rir. Estendeu-me a mão. — Sou Ty.

— Reese. — Sacudi a mão dele, retirando-a


imediatamente.

Juro que não tinha planejado nenhum sinal de paquera.


Mas ele seguia contra a parede a meu lado como se o
houvesse convidado e tomou um gole da garrafa que
segurava. Inspecionando a multidão comigo, perguntou

— Então, conhece Eva ou só ficou sabendo da festa?

— Conheço Eva. — Girei-me para vê-lo em lugar de todo


mundo, já que ele parecia a ameaça maior — É minha prima.

— Mm. — Deixou de olhar às pessoas para me observar.


— Nunca te mencionou.

Encolhi de ombros. Eva e eu poderíamos ter crescido a


meio país de distância, mas em todas as férias nossa família
se juntava; sempre tínhamos sido inseparáveis. O Facebook
nos ajudou a nos manter unidas. Mas não tinha nem ideia de
porque este estranho pensou que ela deveria ter falado de
mim.

Seus olhos marrons escuros eram diretos e me diziam


que ele apreciava o que via. Não estava segura do que pensar
disso. Quero dizer, não era feio. Não era um gigolô gostoso,
mas também não era repulsivo. Simplesmente tinha sido
totalmente sincera com ele quando lhe disse que não
procurava uma relação.

Se minha história com Jeremy me ensinou algo, era ser


muito cuidadosa com qualquer um que desse os sinais que
Ty dava. Ele procurava ter sexo esta noite, o que me punha
nervosa. Na realidade, ultimamente todos os meninos, exceto
Mason, punham-me nervosa. De acordo, definitivamente
também tinha um ataque de nervos perto de Mason, mas de
um tipo totalmente diferente. Com Ty, seguia me
perguntando quão zangado ficaria se uma garota não o
beijasse da maneira correta? Quanto tempo depois de que se
tornasse sério até que proibisse a noite de garotas? Quantas
armas teria?

Talvez pensamentos desse tipo não cruzassem minha


mente quando estava com o Mason porque havia um
elemento de segurança entre os dois. Ele estava proibido.
Logo, estava segura de não experimentar qualquer dos
horrores de uma relação com ele. Podíamos ser nós mesmos
sem reservas.

— É sempre tão tranquila? — Perguntou Ty, parecendo


divertido pela intensidade em que o olhava.

Corei e apertei minha mão.

—Você me pegou. Acabei de me distrair.


Ele riu e seus olhos brilhavam com fome.

— Sim, você fez.

Uf. Limpei a garganta e fiz uma careta de dor, desejando


que ele não pensasse que procurava um. Necessitando uma
mudança de tema, abri a boca para perguntar se ele também
frequentava o Waterford quando Eva apareceu em nossa
frente. Graças a Deus.

— Ty! Você veio-o. — Abraçou-o e depois chocou sua


bochecha com a dele em um beijo imaginário.

Enquanto se retirava, Ty a inspecionou da cabeça aos


pés, ainda sujeitando suas mãos.

— Eva. Está tão formosa como sempre. Novo aro no


nariz. É sexy.

— Obrigada. — Gentilmente cortando seu contato com


ele, Eva continuou sorrindo com seu sorriso de anfitriã
enquanto enganchou o braço no meu. — ReeRee e eu fizemos
isso hoje. Agora, se me desculpar, preciso pedir emprestada
esta senhorita.

Ele assentiu e seus olhos ferviam de calor mal reprimido


enquanto me olhava.

—Só se a trouxer de volta quando tiver terminado com


ela.

Eva riu e nos apartou para me levar através da multidão


à cozinha. Ia lhe agradecer por me salvar quando murmurou
— Não em sua vida, amigo.

— E! —Sussurrei, olhando para trás para me assegurar


de que não a tinha ouvido — O que é isso?

— Oh, Reese, querida. Deve ter um sério fetichismo


pelos meninos maus. Juro que você é a rainha das relações
impossíveis.

— Não sou — murmurei de mau humor e liberei meu


cotovelo. Sempre encontrava a forma de me fazer sentir
insegura no departamento das relações.

— Só... mantenha-se afastada do Ty, de acordo? Confie


em mim.

Não tinha planejado estar perto dele, mas caí no alerta


do tom sério de Eva e a apartei a um lado do corredor.

— Por quê? Apontou uma faca para sua última noiva?

Rodou os olhos.

— Não

. — É um gigolô? — Não pude evitar perguntar.

— Não, mas...

— Então já tem dois pontos a seu favor. — Por que o


defendia, não tinha nem ideia. Acredito que simplesmente
queria discutir com Eva porque ela me irritou. Ela acreditava
que eu não tinha a cabeça sobre meus ombros quando se
trata de meninos, simplesmente porque tinha estado tão
terrivelmente equivocada com Jeremy?

Demônios, todos os que me conheciam pensavam que


era uma completa idiota?

Fui à cozinha para preencher o copo e me pôr


ligeiramente bêbada, mas Eva me girou para enfrentá-la.

— Estive saindo com ele três meses o ano passado —


explicou com um suspiro.

Oh.

Enruguei o nariz.

— Que saco. — Sair com um dos ex de Eva tinha que


ser tão mau como sair com um dos ex-namorados de minha
irmã. — Por que não mencionou isso? Inclusive lhe disse que
somos parentes.

— Bem-vinda a Ty Lasher — disse Eva — Não tem um


osso moral em seu corpo. O filho de puta me enganou, duas
vezes, em três meses que estivemos juntos.

— Sim. Obrigada pela advertência. —Não ia voltar a


falar com esse idiota — Mas, espera. Se vocês dois tiverem
tão mal passado, por que está em uma de suas festas? — E
por que ela tinha sido tão cordial ao lhe saudar?

— Porque todo aquele que é alguém vem a minhas


festas. Elas são incríveis, neném.
— Infelizmente, tem razão — disse uma voz, fazendo que
tremesse minha coluna vertebral, enquanto alguém parava
no corredor detrás de mim. — Mercer sabe como dar um
inferno de festa.

— Mason —disse Eva entre dentes, seus olhos


estreitando-se — Que surpresa. Raramente te vejo nestas. E
tampouco recordo de ter te convidado.

Pensei que era uma observação estranha. Eva


provavelmente não tinha convidado à maioria das pessoas
daqui.

— Não — concordou Mason. Quando me atrevi a girar,


vi que seu sorriso zombador era tão forte como o de minha
prima — Mas seu namorado o fez.

Os lábios da Eva se apertaram.

— Vou ter umas poucas palavras com o Alec sobre isso.


Acreditem.

— Está bem, espere. — Ajustei minha postura para


poder ver ambos, Eva e Mason. Levantei as mãos e as sacudi
— Não a entendo. Mason não se aproveitou de você quando
estava bêbada e não o quer aqui. Entretanto, Ty te enganou
duas vezes e acaba de abraça-lo em sinal de boas-vindas. Não
tem sentido.

Eva piscou como se não entendesse minha confusão.


— ReeRee, Ty é o filho de um juiz. Esta... Pessoa não é
nada mais que seu santo prostituto.

— Um prostituto que te afastou — burlou-se Mason —


Doeu tanto no orgulho?

Ela o olhou.

— É um presunçoso...

— Filho da puta — terminou ele por ela, sua voz


agradável — Sim, recordo-o.

— Não pertence aqui. — Apertou as mãos em punhos,


os malditos vibrando com fúria — Como te atreve a aparecer
em minha festa? É um zé ninguém de nenhuma parte que...

— Ouça! — Saltei diante dele, me enfrentando a minha


prima – Acalme-se. você convidou todo mundo. Deixa de ser
uma esnobe presunçosa. Quero que Mason fique. É divertido
para ser sincera.

Ela ficou olhando com dureza, como se procurasse algo


antes de olhar por cima de meu ombro. Entrecerrando os
olhos, agarrou-me pelo braço. Mantendo um olhar de censura
nele, falou-me em voz baixa ao ouvido.

— Lembra o que te disse, ReeRee. Não o faça. — Então


se estrelou contra nós, chocando-se com o ombro de Mason
enquanto partia.

Fiquei detrás dela, confusa como sempre com a ardente


necessidade de desculpá-la.
— Que não faça o que? — Perguntou Mason detrás de
mim.

Virei-me para olhá-lo e me cortou a respiração. Deus,


era muito tarde; tinha passado por cima totalmente da
advertência de Eva. Mas Mason Lowe definitivamente tinha
algo que ver com minhas emoções.

— Acredito que ela está com medo de que siga seus


passos e deixe eu me lançar sobre você como ela fez.

— Pensa assim? — Seus olhos percorreram meu rosto —


Bom, a verdade é que tende a atuar como sua pequena
seguidora.

Dei um grito afogado, horrorizada e doída de que visse


isso em mim.

— Não acredito.

Seus olhos brilhavam com diversão antes que tocasse a


ponta de meu nariz.

— Novo aro para o nariz — disse, assinalando seu


ponto.

Cobri a barra de diamante com minha mão, escondendo


a evidência.

— De acordo, mas não a sigo pelo precipício sempre.


— Não — concordou amigavelmente. — Mas me alegro
que o fizesse esta vez. Esse aro te faz parecer incrivelmente....
Quente.

Soou surpreso.

Surpreendeu-me que o pensasse. Esclarecendo a


garganta, apartei o olhar, sabendo que deveria responder,
mas simplesmente não podia.

Mason deixou escapar um suspiro.

— Sabia que estaria aqui esta noite.

Retrocedendo, fiquei boquiaberta.

— Você...você está aqui por mim?

Moveu-se, apartando o olhar brevemente, parecendo


incomodo antes de voltar-se e de repente me deu algo que
nem sequer sabia que sustentava.

— Tome. Queria te devolver isto.

Fiquei olhando para meu livro do Harry Potter em


choque. Franzindo o cenho, agarrei-o lentamente. Depois de
deslizá-lo o de sua mão, levantei o olhar.

— O que? Quer dizer que o terminou? Já?

Assentiu e se ruborizou.

— Sarah...ela ficou me incomodando para que o lesse.


Acredito que perdi um par de atribuições dos deveres porque
tínhamos que lê-lo em cada momento livre que tinha. —
Tomou uma profunda respiração, levantando os ombros —
Assim... Qual é o nome do segundo? A Câmara Secreta, ou
algo assim?

Resmunguei e olhei para o livro em minhas mãos, ainda


atordoada que ele tivesse realmente lido. Definitivamente
acabava por ser cheio de surpresas. — É A Câmara Secreta.
Corrigiu meu dedo enquanto eu passava pela parte de trás da
Pedra Filosofal. Quando eu olhei, eu fiz com desconfiança. —
Realmente, realmente você já leu?

— Sim! — Parecia nervoso e um pouco envergonhado —


Prefere me fazer perguntas sobre ele, ou quer me dar já o
seguinte livro?

Minha boca caiu aberta.

— Quer ler o seguinte? — Um sorriso apareceu em meus


lábios — Você gostou, não?

Negou.

— Sarah quer saber o que acontece depois.

—Mas você também — zombei e me inclinei mais perto.


— Admita-o. Você gostou.

Enviou-me uma careta de advertência.

— Nem queira pensar em dizer para alguém que te disse


isso.
— Gostou! — Alardeei, levantando as mãos ao ar, uma
cheia de álcool, a outra cheia de Harry Potter —. Sabia!
Sabia! Sabia! Disse-lhe isso.

— Vejo que é um desses amáveis, e humildes tipos de


fãs — disse secamente, embora seus lábios tremessem com
diversão.

— Isto é incrível — continuei ignorando-o totalmente—.


Criei um fã clube do Harry Potter. Sabe, se isto seguir assim,
J.K vai ter que me dar uma parte de seus benefícios. Não crê?

— Acredito que te está passando, Randall.

Por um segundo, pisquei, me perguntando por que


diabos me tinha chamado de Randall antes que
compreendesse. Oh, certo. Meu novo sobrenome.

Reese Randall, Reese Randall. Não o esqueça.

— O que seja. — Revirei os olhos enquanto sorria. —


Isto segue sendo alucinante. Posso pegar o segundo livro se o
quiser de verdade.

Franziu o cenho.

— Leva seus livros do Harry Potter a suas festas


universitárias?

Levantei o volume que acabava de me dar e o sacudi em


sua cara.

— O que? Você também.


Riu.

— Anda, tem como objetivo ser a melhor recrutadora do


ano.

— Sabe. — Sorri e golpeei a covinha em seu queixo


brincando com a borda do livro. — Mas sério, meu
apartamento está em cima da garagem, que está a vinte
passos dessa porta de atrás, assim... Posso consegui-lo em
dois minutos no máximo.

Mason olhou à porta atrás. Depois para mim,


estreitando os olhos, com suspeita.

— Fica em cima da garagem dos Mercer?

— Sim, e sei o que está pensando, mas confie em mim.


O lugar está genial. Honestamente é como um mini-
apartamento com uma pequena cozinha, quarto, banheiro e
salão. E a intimidade é.... incrível. — Tive que cantar a
palavra incrível — Eva está muito ciumenta. Não tinha nem
ideia da joia que havia em sua propriedade até que me
mudei. Juro, provavelmente me jogaria e se mudaria para lá
se não fosse porque seu armário é o dobro do tamanho de
lá...

— Mm. — Parecia completamente confundido — Dava-


me conta que Eva e você eram próximas, mas não tinha nem
ideia de que seus pais a deixassem se mudar.
— Oh! Sinto muito, suponho que não te deu conta de
que Eva é minha prima. Sua mãe, tia Mads, é a irmã mais
nova de minha mãe.

Mason empalideceu.

— Sim — cuspiu a palavra — Não sabia isso.

— Está bem, sério. — Grunhi repentinamente sóbria —


Há algo mais nessa coisa entre você e Eva. Do que está me
deixando saber?

— Não – negou — Não, eu só... não. Nada


absolutamente. Só me preocupava de que o problema entre
ela e eu te incomodasse. Quero dizer, não vai deixar de falar
comigo agora em lealdade a sua prima, não?

Arqueei uma sobrancelha com suspeita.

— Se não parei até agora por ela, tampouco vou parar


agora.

Seus ombros relaxaram.

— De acordo, bem. É só que... sei que ela não me


considera ninguém... Tipo. Seria uma pena se saltasse desse
precipício com ela.

Eva poderia ter me persuadido de ir com sandálias.


Poderia me haver falado de embutir um diamante em meu
nariz. Mas ninguém podia me convencer de não ser amiga de
Mason Lowe, exceto possivelmente Mason Lowe.
Suspirei.

— Pode ser que ame a minha prima em pedaços e leve


uma moda louca com ela, mas confie em mim, sei como ser
eu mesma. Se alguma vez me voltar tão condescendente como
Eva Mercer, me dispare, por favor, de acordo?

A expressão de Mason era um pouco rígida, como se não


me acreditasse. Mas assentiu.

— Está bem.

Sorri.

— Genial. Agora que resolvemos isso, espera aqui.


Estarei de volta rapidinho com seu próximo livro.
Tinha a intenção de me ir ao meu apartamento e voltar
para Mason com o livro, mas quando olhei para trás e o vi me
seguindo pela porta traseira e na cálida noite, traguei.

— O... Poderia só, você sabe, vir comigo — corrigi,


bastante certa de que não aceitaria

Mason. A sós comigo em meu apartamento. Os dois


juntos com minha respiração toda fora de controle e com a
advertência que Eva me fez dando voltas em meu cérebro:
Não o faça, não o faça.

Soltei um bufado.

— Não vai me deixar ali sozinho com outras cinquenta


Eva Mercer espreitando. Poderiam abusar de mim antes que
retornasse.

Pus os olhos em branco.

— OH, Meu deus. Um pouco dramático? — Mas, em


realidade, não estava tão segura de que estivesse brincando.

Acaso todas as garotas bêbadas se jogavam para ele?


Está bem, essa era uma pergunta estúpida. Se neste
momento eu estivesse bêbada e todas minhas inibições idas à
terra do álcool, estaria me jogando para ele.

— Bom, simplesmente não espere que pule na sua


frente como uma espécie de escudo humano se algumas
fêmeas excitadas vierem voando das sombras para te
emboscar por um deleite.

Riu entre dentes quando começamos a subir os degraus


para meu apartamento.

— Então me assegurarei de que te atire diante de mim


contra sua vontade.

— Muito inteligente espertinho. — Fiz uma pausa para


procurar minhas chaves na escuridão.

Para ser completamente honesta, sentia-me um pouco


contente de tê-lo comigo. Não havia nenhuma luz noturna
fora da porta de entrada de meu loft, e estar de pé, sozinha
na escuridão durante uma festa de Eva, não soava atrativo. O
que aconteceria se um bêbado tipo Jeremy tropeçasse comigo
e tratava de ficar brincalhão?

Mason estava tranquilo, enquanto eu procurava provas


e desfrutava da sensação sólida e protetora de sua presença.

— Aqui vamos. — Encontrando a chave certa, abri a


porta e entrei.
Não tinha pensado em limpar a casa antes de sair para
a festa. Minha casa não era um desastre em si, mas parecia
como se houvesse gente vivendo ali. Meu livro de literatura
britânica estava pendurado aberto sobre a mesa de café. Sim,
seguia a classe da Dra. Janison e passava. Uma manta jazia
enrugada sobre o sofá. Havia um punhado de pratos
empilhados na pia, e ainda tinha que lavar o copo vazio de
leite que tinha tomado esta manhã para o café da manhã.

Mason parecia avaliar tudo enquanto caminhava lentamente


ao redor da sala de estar e a cozinha.

Assentindo, murmurou:

— Sim, tenho que dizer que tinha razão. Isto é bastante


impressionante. Poderia viver aqui sem nenhum problema. —
Aproximou-se da mesa em frente da janela e enganchou uma
maçã de minha cesta de frutas.

Neguei com a cabeça.

— Simplesmente não pode resistir, não é assim?

Seus olhos brilharam com diversão enquanto afundava


os dentes na polpa da maçã.

— O que? Resistir ao fruto proibido? Diabos, não. —


Então me piscou um olho enquanto mastigava — O que
pensa a respeito das maçãs, então?

Soltei um bufado e pus os olhos em branco.


— Acredito que seu trocadilho é brega e patético. — E
completamente adorável.

Riu e deu outra grande dentada.

— Então, onde está esse livro?

— Em meu quarto. — Abraçando o livro da série em


meu peito, deixei-o comendo e corri a meu pequeno quarto.
Acendendo a luz, atirei A Pedra Filosofal em minha cama por
fazer e me ajoelhei frente à pequena estante colocada sob
minha janela. Encontrando o livro número dois quase
imediatamente, tirei-o e me levantei. Girando para retornar
rapidamente para Mason, encontrei-o na porta, sem deixar de
mastigar lentamente enquanto me olhava.

— OH! — Gritei e patinei até me deter — Aí está.

O calor cobriu meu corpo como brotoeja. De repente


senti a presença de minha cama de tamanho completo a só
um metro de distância, como se se tratasse de um ser vivo,
respirando ar quente em minha nuca para me recordar sua
existência. Tomei meu cabelo na mão só para soltá-lo de
novo.

Mas a sensação se manteve. Acredito que por quanto


tempo Mason estivesse em minha habitação, seria
hiperconsciente de qualquer superfície plaina disponível.

— Você... quero dizer... — Traguei saliva e aspirei —


Pode levar toda a série agora, se quiser. Assim não terá que
esperar entre cada livro até que possa conseguir o seguinte.
— Não me importa esperar. — Seu olhar era direto e
significativo — De fato, eu gosto da antecipação.

Ainda falando de livros?

Não podia respirar, não podia pensar.

Como se estivesse completamente alheio a minha


crescente excitação, Mason se voltou para minha penteadeira
e examinou todos meus objetos pessoais. Sentia-me exposta,
provavelmente mais exposta que se tivesse estado de pé nua
diante dele. Sorriu brandamente enquanto baixava sua maçã
meio comida e recolhia minha loção favorita.

Os joelhos me voltaram gelatina quando abriu a tampa e


cheirou profundamente, só pude observar enquanto me
olhava.

— Você usava está na sexta-feira.

Não havia maneira no mundo em que minhas cordas


vocais pudessem funcionar. Simplesmente assenti.

Girou a etiqueta e leu em voz alta.

— Erva doce. — Quando seu sorriso se alargou, pensei


que me ia deprimir da overdose de hormônios — Tão
apropriado.

Pouco a pouco, estendi a mão e a tirei da sua, porque


observá-lo segurar meu creme me fazia pensar coisas
travessas, malvadas, maravilhosas.
— Pensava em conseguir uma para Sarah. Você acha
que ela gostará desta fragrância?

Mason franziu o cenho e sacudiu a cabeça.

— Não te atreva. Este é seu aroma. Seria muito estranho


cheirá-lo em minha irmã menor.

Depois de colocar a loção de novo na cômoda, afastei o


cabelo do meu rosto.

— Suponho que poderia conseguir melão, então. Ou


baunilha...

Agarrou minha mão quando a levantei a meu cabelo


outra vez.

— Se ter o cabelo no rosto te incomoda tanto, por que


nunca o prende?

Surpreendida e agradada, fiquei boquiaberta para ele.

— Sabe que nunca prendo o cabelo?

Suas fossas nasais se alargaram quando se inclinou


para cheirar a fragrância de minha pele.

— Sei que sempre o está afastando de seus olhos.

Meu corpo ficou em uma espécie de atordoamento pela


impressão. Sensorialmente sobrecarregada, apressei-me a
pensar corretamente.
— Não sei — disse com um ligeiro encolhimento de
ombros — Não.... Vocês meninos não preferem o cabelo
comprido e solto?

Mason agarrou uma mecha de meu cabelo e o deslizou


através de seus dedos.

— Não posso falar por outros meninos, mas, sim,


suponho que sim, eu gosto de comprido e solto. — Olhou-me
com uma expressão de decepção — Assim... Isto é para atrair
a um homem, então? Algum em particular?

Ruborizei-me e escondi meu rosto.

— Não, não necessariamente. Eu só... pessoalmente


acredito que fico melhor assim.

Levantou outra mecha de cabelo que tinha permanecido


no outro ombro. Com as duas mãos em cada lado de meu
rosto, quase parecia como se estivesse sustentando um par
de rédeas, a ponto de me frear.

— Isto significa que terá apanhado seu menino quando


aparecer no campus um dia com o cabelo em um rabo-de-
cavalo?

Lancei lhe um olhar estranho.

— Bom, então vou ter que manter sua atenção, assim...


Provavelmente não.

Mason reuniu meu cabelo detrás de minha cabeça como


se preparasse para pô-lo em um rabo-de-cavalo. Uma vez que
o teve todo em uma só mão, passou um par de nódulos pelo
lado de minha mandíbula exposta.

— Não acredito que alguma vez tenha que preocupar-se


em como seu cabelo se vê com o fim de atrair um menino.
Tem muitos outros atributos sedutores para mantê-los
interessados.

Meus lábios se separaram e meu corpo inteiro palpitava.

— Mason? — Disse lentamente, minha voz tímida — O


que está fazendo?

— Algo que provavelmente não deveria. — Sua voz soava


rouca e tenra enquanto afundava seu rosto e pressionava sua
testa contra a minha.

Comecei a tremer. Não sei se foi por causa da


antecipação, a absoluta excitação, temor ou medo absoluto.

— Se... Se não deve, então... não o faça.

Um gemido gutural, como um puma ferido arrancou de


sua laringe.

— É mais fácil dizê-lo que fazê-lo. — Com os dedos


deslizando por meu cabelo, curvou sua mão em minha nuca,
insistindo a levantar o meu rosto, provavelmente para me
posicionar para um beijo. Logo sussurrou meu nome.

Deus, a forma dolorida e rouca em que o disse foi como


uma carícia sedosa a cada nervo erógeno de meu corpo.
— Acredito que... acredito que seria melhor parar. —
Minha voz tremia tanto como meus membros.

Mas inclusive enquanto falava, meus hormônios


clamavam para que continuasse.

— Está bem. — Disse, mas seu fôlego continuou


pulsando contra meus lábios e sua testa se manteve próxima
à minha.

Acredito que dois centímetros separavam nossas bocas.


Poderia espirrar e acidentalmente esmagar meus lábios
contra os seus. Maldita seja, por que meu novo aro do nariz
não me fazia espirrar?

Mas de maneira nenhuma ia ser eu a que a propósito


cruzasse a linha que parecia estar desenhada nesses dois
centímetros. Cruzá-la mudaria tudo. Inclinou a cabeça,
mantendo nossas testas unidas e se moveu a um lado, mas
manteve esses dois seguros centímetros entre nós.

Sabia que ele queria fechá-los tanto quanto eu. Mas a


barreira invisível devia ter sido mais forte que nossas ânsias.
Temíamos o que traria a mudança.

Sua palma seguia em meu pescoço e quando seu toque


se deslizou sobre minha cicatriz, franziu o cenho e se deteve.
Seus olhos me interrogaram antes que me desse a volta e
recolhesse o cabelo para examinar o desagradável corte.
Sentindo-me nua enquanto uma ligeira brisa passava por
minha nuca, fechei os olhos e apertei os dedos em torno do
livro que sustentava.

— Viu... por isso nunca prendo o cabelo.

Seus dedos eram suaves ao tocar a área intumescida.

— Isto parece profundo. O que aconteceu?

Lambi os lábios.

— Cortaram-me.

— Eu percebi. O que te cortou?

— Uma faca.

Por Deus. Já lhe havia dito muito. Se perguntasse algo


mais, não estava segura do que diria. Minha mentira original
era dizer às pessoas que tinha sido em um pequeno acidente
de carro. O que se supunha que ia dizer-lhe agora?

Um impulso borbulhou dentro de mim. Em realidade


queria contar a Mason toda a história. Tudo. Mas quanto
menos pessoas conhecessem a verdade, melhor. E não
importava o muito que ele me afetasse, racionalmente sabia
que não o conhecia o suficiente para lhe confiar um segredo
assim.

— Uma faca – repetiu — Cortou-te a propósito?

— Possivelmente. — Definitivamente. E se eu não tivesse


girado para me afastar de Jeremy o mais rápido que pude
esta cicatriz não teria estado em minha nuca. Teria estado no
pescoço, e provavelmente hoje não estaria aqui.

Estremeci, tratando de não recordar essa noite, tratando


de não reviver o medo.

Como se sentisse o pânico que arranhava seu caminho


até minha garganta, Mason se inclinou para diante e
pressionou seus lábios na cicatriz.

Gemi e fechei os olhos, mordendo o lábio para evitar que


meu queixo tremesse. Se começasse a chorar agora, isso seria
tudo. Perderia tudo.

— Se não dá amostras grátis – disse, me preparando


para dizer o que tinha que dizer, para que isto não avançasse
mais à frente — Vai me cobrar por isso?

— Não. — Beijou o lugar de novo e seus lábios se


detiveram aí. Escutei-o aspirar enquanto cheirava meu
cabelo. Enviou uma onda de choque por minhas costas e
contraiu os músculos de meu ventre. Queria que isto
durasse. Queria que me girasse e me desse um beijo de
verdade.

— Não será boca a boca, assim... Sem custo algum.

Voltei-me para ele, me odiando inclusive antes de


continuar.

— Assim se me beijasse, por exemplo, nos peitos, seria


grátis já que não é de boca a boca?
Seu olhar se endureceu.

— Não, isso é parte do jogo prévio, está fora dos limites.

— E o que tem feito não é jogo prévio? — Sabia que era


cruel, mas também sabia que a maneira mais rápida de
conseguir que se retirasse era lhe recordar sua profissão. E
tinha que retirar-se porque estava bastante segura de que eu
não podia.

— Isso era um amigo reconfortando a uma amiga. —


Seus olhos brilhavam com ira enquanto apertava os dentes.

— Vejo. — Com um assentimento, perguntei-lhe —


Assim não estava a ponto de me beijar na boca justo antes
que descobrisse minha cicatriz?

— Jesus — arremeteu, deslizando as mãos por seu


cabelo e dando um grande passo para trás — Sim, está bem.
Quase te beijei. Mas não o fiz. Engano evitado. Não aconteceu
nada. Estamos bem.

— Estamos? — Perguntei. Olhou-me fixamente, com a


boca ligeiramente aberta. Sua expressão parecia ferida.

— O que está dizendo, Reese?

Fechei os olhos e gemi.

— Não sei. Não importa. Não podemos nos beijar nunca


ou qualquer outra coisa porque te deita com mulheres por
dinheiro. Fim da história.
Rugiu, um som de frustração total.

— Por que sempre tem que me lembrar isso? Acredite-


me, não o esqueci.

— Não estou lembrando isso a você — espetei, piscando


para olhar—. Estou me lembrando isso.

Deus, era uma idiota. Não posso acreditar que fiquei ali
e quase confessei que lhe queria como algo mais que um
amigo, e o único que me detinha era seu... Trabalho.

O entendimento apareceu em seus olhos. Brilharam com


interesse e alegria. Deu um passo para mim.

Receosa, dei um salto para trás.

— Só somos amigos, Mason.

Deteve-se em seco, com confusão formando


redemoinhos em seu olhar. Logo fechou os olhos.

— Assim seja. — Quando os abriu, o desejo se foi.


Estendeu a mão, tirou o livro que tinha esquecido que ainda
sustentava em meus braços e o agitou uma vez — Obrigado
por me emprestar isto... Amiga.

Jogando o cabelo a um lado, inclinou a cabeça para


poder inclinar-se e beijar minha cicatriz por uma última vez
com um breve, mas um beijo quente. Uma vez que se
endireitou, não disse nada e apenas me sustentou o olhar
antes de dar a volta e sair de meu apartamento.
Esperei até que ouvi a porta fechar-se antes de retornar
a minha sala de estar para fechar com chave e pôr o fecho.
Então me derrubei no sofá e afundei a cara em minhas mãos.

Em que demônios tinha me metido?


Tinha quatorze anos, mal era uma
estudante de primeiro ano na escola secundária quando
Jeremy Walden se aproximou para me convidar para um
encontro. Era um estudante de terceiro ano, muito mais
experiente e avançado que eu. Também era popular, bonito e
vinha de uma família rica. Estar com ele era emocionante e
seguro, minha parte vaidosa podia admitir que eu gostei do
que fez para minha imagem ser sua namorada.

Por um ano mais ou menos, as coisas seguiram seu


curso, não perfeitas, mas bem. Devido a ele era um pouco
mais velho e tinha sido quem me envolveu em seu grupo de
pessoas, naturalmente começamos nossa relação com ele
sendo o mais dominante, a figura controladora. E isso não me
incomodou.

Por um tempo.

Está bem, incomodava-me. Mas a princípio não fiz nada


a respeito.

Quando começou seu terceiro ano e seu papai começou


a pressioná-lo mais a respeito de escolher a universidade
perfeita, seu lado não tão maravilhoso se definiu mais.
Sempre teve uma veia cruel. Podia intimidar com o melhor
disso. Mas quando a intimidação se voltou para mim, não me
impressionou.

Os golpes ocasionais que me deu antes e as contusões


que me deixou por me agarrar muito forte chegaram a ser
não tão ocasionais. Era vergonhoso pensar que poderia ser
uma dessas mulheres maltratadas que aguentavam essa
classe de merda. Convenci-me de que esses pequenos atos de
violência menor aqui e lá não eram nada do outro mundo.
Em realidade nunca me machucou.

Mas mesmo assim me marcou.

Quando amadureci e desenvolvi minha personalidade,


começamos a discutir mais. Não gostava que me valesse por
mim mesma, e eu não gostava que me maltratasse e me
dissesse cada pequena coisa que queria que fizesse. A parte
mais triste foi que sua violência não fez que nos
separássemos a primeira vez. Um de seus amigos me disse
que viu Jeremy beijando uma das putas animadoras.

É obvio, confrontei-o e depois de lhe dizer algo malicioso


e sarcástico, sim, imagina isso? Deu a volta com sua mão
estendida. Deu-me na bochecha e terminou me quebrando a
mandíbula.

Terminei com ele enquanto me levava ao hospital.

Depois de nossa separação, meus amigos, que ele


afastou durante o tempo que saímos, foram maravilhosos e
retornaram para mim, cuidando do meu ego ferido para que
voltasse a estar sã.

Mas Jeremy retornou soluçando, literalmente. Caiu de


joelhos diante de mim, abraçando minhas pernas e rogando
que voltasse com ele. De algum jeito, me convenceu de que
todo o assunto de minha mandíbula quebrada tinha sido um
completo acidente. Não me golpeou tão forte de propósito; só
estive de pé muito perto quando deu a volta. E também
insistiu em que seu amigo mentiu sobre a outra garota.

Que estupidez de minha parte, acreditei-lhe.

Depois de dois meses de estar separados, retornamos.

Por um tempo, tomou cuidado de não ser muito


controlador e tratei de não fazer coisas por minha conta mais
do ele podia suportar. Mas... uma pessoa não pode evitar ser
quem é. Necessitava meu próprio espaço; ele precisava
fiscalizar cada pequena coisa que fazia. Rompi com ele outra
vez durante meu terceiro ano de secundaria.

Fui muito amistosa a respeito. De verdade. Pedi-lhe que


se sentasse e mantive minha voz tranquila quando lhe disse
que éramos duas pessoas totalmente diferentes e que
simplesmente não encaixávamos juntos. Acredito que a parte
que não gostou foi quando lhe disse, o mais cuidadosamente
possível, que precisava procurar ajuda psicológica para
ajudá-lo a lutar com seus problemas de controle de ira.
Sim, deu-me uma surra tremenda. O pior dano o fez em
meu braço, o qual se rompeu com um rangido bonito e
doloroso depois de que me empurrou por um lance das
escadas. Ia muito bem à direção de converter-se em um
surrador de mulheres.

Ao final, aprendi minha lição. Sabia muito bem que não


podia lhe permitir que se aproximasse de mim. Meus pais
ameaçaram interpondo uma ordem de restrição em seu
contrário, mas seu pai, advogado, interveio dizendo que ainda
não precisávamos tomar nenhuma medida legal. Assegurou-
nos que Jeremy se manteria afastado. Para ele, seu filho era
impecável e perfeito, e tinha sido minha culpa que seu filho
perfeito houvesse sentido a necessidade de atuar dessa
maneira.

Devido a tudo ser tão desconcertante para mim, para


minha família e a sua também, nossos pais trataram de
manter a situação discreta. Sempre e quando rompesse meu
contato com Jeremy, não me importava. Só o queria fora da
minha vida.

Mas Jeremy não aceitou essa ideia completamente.


Depois de estar comigo por dois anos e meio, afeiçoou-se. Ele
pensava que me amava. Por isso, em sua mente, lutava por
mim.

Para mim, converteu-se em um ex-namorado


perseguidor e louco psicopata que irrompia em minha
habitação quando não me encontrava em casa e me deixava
cartas, poemas e presentes, desesperado por me ter de volta.

Foi muito cuidadoso em permanecer afastado de mim


fisicamente. Mas me perseguia em qualquer outro nível
possível, rondando constantemente fora da escola cada vez
que saía da classe, encontrando maneiras de postar coisas
em minha página do Facebook, me enviando mensagens de
texto, correios eletrônicos, deixando vídeos asquerosos em
meu celular de como se tinha dado prazer a si mesmo já que
não me tinha.

Ignorei-o em sua maior parte, às vezes gritava lhe


dizendo que me deixasse em paz, mas nada funcionava. Não
se deteria.

Com o tempo, seu controle se rompeu. Uma noite


quando meus pais saíram para jantar e fiquei sozinha,
penetrou em minha casa para me fazer uma visita. Trouxe
uma navalha, a qual nesse momento parecia mais um facão
dobradiço.

Depois de me imobilizar na porta de meu quarto, disse-


me em termos inequívocos que se não podia me ter, ia
assegurar-se de que ninguém mais pudesse. Então,
pressionou o fio em minha garganta.

Nunca estive tão assustada como nesse momento,


sabendo que era totalmente capaz de me matar e me dando
conta que planejou fazê-lo. Bloqueei alguns desses momentos
nas curvas mais escuras e frias de minha mente. Não
acredito que alguma vez recordarei por completo tudo o que
aconteceu. Mas me lembro de como frio, pálido e suarento
estava seu rosto quando se aproximou até que nossas frontes
se tocaram.

Nunca ninguém vai te amar da forma em que eu o faço,


Reese Pieces*. E se não me deixará te ter agora, me
assegurarei de que estejamos juntos para toda a eternidade.

Não tive ideia se planejou uma morte/suicídio ou o que.


Mas não quis averiguá-lo. Tampouco tive muito claro como o
fiz, mas de algum jeito uma de minhas mãos lutou detrás de
mim até que encontrei o trinco. Justo quando começou a
pressionar a faca em minha carne, abri a porta e me afastei.

Fez-me um corte profundo no lado posterior esquerdo. E


se não tivesse levado meu cabelo recolhido em um acréscimo,
provavelmente teria alcançado minha esplêndida cabeleira
cor castanha.

Que minha mãe contraísse uma intoxicação alimentar


no restaurante me salvou a vida. Meu pai se apressou para
chegar em casa cedo. Entraram pela porta de atrás e me
encontraram gritando e me precipitando para eles com meu
ex-namorado perseguidor psicopata logo detrás de mim, sua
faca ensanguentada levantada e preparada para afundar-se
de novo.

E aqui foi onde tive que fazer uma pausa, e me recordar


que estava bem. Estava bem. Tudo isso tinha terminado.
Uf!

Bom, virtualmente tudo. O pai rico de Jeremy pagou a


fiança e o tirou do cárcere na mesma noite que cometeu seu
crime, por isso não passou bastante tempo atrás das grades,
assim troquei meu nome e fugi para o outro lado do país. Mas
meus pais confiavam que seria declarado culpado no
julgamento. Se seu pai, finalmente, deixasse de encontrar
maneiras de atrasar o caso. E então, iria para a prisão por
muito, muito tempo. Nem sequer importaria se inteirasse de
meu novo nome quando atestasse em seu contrário, porque
depois de tudo, estaria encerrado definitivamente.

Então, tudo estaria bem. Poderia voltar a usar meu


nome de nascimento. E tudo teria terminado.

Se eu não tivesse uma única, certo, chamaremos única,


personalidade, o tempo que passei com Jeremy poderia ter
me deixado desequilibrada e um desastre assustador. Ainda
sinto medo em alguns momentos. Ainda experimento algo
dessa docilidade total que tratou de me colocar no cérebro,
embora poucas vezes, graças a Deus. Tornei-me um pouco
mais crítica em torno de pessoas novas.

Meus pais tentaram me convencer de ver um terapeuta,


mas acredito que dirigi tudo bem. Lutei com isso. Sobrevivi e
de fato sentia como se estivesse florescendo aqui no
Waterford. Ainda sentia saudades de Ellamore. Sempre seria
meu lar.
Mas estive fazendo bem. E os almoços que
compartilhava com Mason no campus todos os dias eram
uma grande parte disso. Tinha uma maneira de me fazer
sentir normal e entusiasmada, tudo ao mesmo tempo.
Aceitou-me pelo que era e parecia gostar de minha
personalidade única.

Apanhou-me.

Por isso, apesar dos três anos de inferno que vivi sob o
polegar de Jeremy Walden, as duas semanas seguintes à
festa de Eva foram os dias mais miseráveis de minha vida.

Depois de nosso quase beijo, Mason de repente


desapareceu do radar, me evitando por completo. Já não me
procurava no almoço, apesar de me assegurar sentar sempre
em nossa mesa. Nas noites que cuidava de Sarah, ia antes
que me apresentasse em sua casa e não retornava até que
fosse.

Tratei de não perguntar o que fazia cada noite que


trabalhava até tarde, qual mulher lhe servia, o muito que o
fazia tocá-la ou por que seguia vivendo esse estilo de vida
estúpido e maldito. Mas me voltava louca pensar nisso.

As coisas mudaram entre nós. Nossa amizade se fez


pedacinhos. E ele também sabia, do contrário não teria se
mantido afastado.

Tentava-me muito entrar em seu quarto e deixar uma


carta em sua cama, só para lhe dizer o muito que sentia
saudades e como ainda podia ser sua amiga, podíamos deixar
atrás esse quase beijo estúpido. Queria estudar com ele no
almoço de novo, observá-lo roubar um pedaço de algo que
comia brincar sobre algo que estivéssemos discutindo, e só...
ter sua companhia.

Mas lhe deixar uma nota se pareceria muito com o estilo


de Jeremy. Assim, nem sequer uma vez abri a porta de seu
quarto, nem sequer para jogar uma olhada.

E em troca, uma parte de minha alma doía diariamente.


Uma parte de mim sentia que faltava algo. Necessitava de
Mason de volta em minha vida.
Suponho que tinha que acontecer com o tempo, mas
mesmo assim não estava preparada quando aconteceu...

Treze dias depois da festa da Eva do Dia do Trabalho —


também conhecida como a noite em que Mason Lowe quase
me beijou na boca e, posteriormente, me abandonou — Sarah
teve seu primeiro ataque. Bom, seu primeiro ataque perto de
mim, de qualquer modo.

Sim, entrei em pânico totalmente.

Um segundo ajudava a minha pequena amiga na


banheira, fazendo-a rir com as piadas mais bregas de toc-toc
do planeta. Ao seguinte dava inclinações bruscas em sua
cadeira de banho, todo seu corpo convulsionando. Foi um
milagre que agarrasse seu escorregadio e úmido torso antes
que tivesse uma séria queda de cara.

— Sarah? – Gritei — OH, Deus. O que acontece? O que


acontece querida?

Não podia me responder. Tinha que sujeitá-la com força


para que não se sacudisse até escapar de entre meus braços.
Levou-me um pouco de esforço me dar conta do que
acontecia. Mas não me tranquilizou absolutamente uma vez
que o fiz.

Um ataque.

Mas, OH, merda. Um maldito ataque.

Minha mente ficou em branco. Não podia recordar


nenhuma só coisa do que me disse Dawn a respeito das
convulsões, exceto não havia nada que fazer para detê-las.
OH, e que tinha que me assegurar de que não ferisse a si
mesma em meio de uma.

Já que o banho parecia muito reduzido e malditamente


perigoso de repente, meio a carreguei, meio a arrastei até o
corredor.

Deixando seu corpo retorcido sobre o tapete, ajoelhei a


seu lado e acariciei seu ombro uma vez antes de me
precipitar ao banheiro para agarrar todas as toalhas que
pude ver.

Depois de cobri-la, dei um passo para trás e estalei em


lágrimas. Mordendo os nódulos para conter meus soluços,
lancei-me para o vestíbulo e entrei na cozinha para revolver
minha bolsa em busca de meu telefone.

Arranquei a lista de contatos de emergência da geladeira


a seguinte respiração.
Tinha-me afastado dela durante só três segundos, mas
me sentia como se tivesse passado muito tempo quando
voltei, caindo de joelhos a seu lado.

Quase esperando ver espuma saindo de sua boca como


se estivesse raivosa, separei mechas de cabelo úmido de seu
rosto e agarrei o telefone com minha mão livre.

Dawn não respondeu seu telefone depois de quatro


toques — e juro que esses foram os quatro fodidos toques
mais compridos de minha vida. Acredito que tive perto de três
mini ataques do coração entre cada um.

Não pude suportar esperar por um quinto, assim


desliguei e procurei o seguinte número em linha na lista de
contatos. O número de celular de Mason. Meus dedos
tremiam tanto e meu cérebro estava tão sobrecarregado de
medo, que sabia que tinham que estar golpeando os números
incorretos, mas segui dando golpes até que uma chamada
ecoou em meu ouvido.

Limpei o excesso de lágrimas de minhas bochechas e


escutei o silêncio ecoando depois do primeiro toque. Podia
contar cada batimento do coração enquanto golpeava contra
meu peito. Deus, se ele estivesse com uma cliente agora
mesmo, ia mata-lo.

Justo quando começou o segundo toque, respondeu e


juro que sua voz nunca tinha soado tão maravilhosa.
— Mason, preciso de você, não sei o que fazer. —
Apressei as palavras, fazendo uma larga frase sem respiração
e sem sentido — Sarah está tendo um ataque e não sei o que
fazer. Não deixa de tremer, e Dawn não responde seu
telefone. Estou tão assustada. Não sei o que fazer.

Tinha mencionado já que não sabia o que fazer?

Mason não respondeu imediatamente. Depois de uma


pausa dolorosamente larga, disse:

— Reese?

OH, Meu deus! Não havia tempo para apresentações.

—Sim! — Gritei de um modo frustrado, do tipo "ponha já


ao dia" — Quem demônios acredita que é? Escutou-me?
Disse que sua irmã está tendo um ataque.

— Sim, está bem. Escutei. Acredito. Só... Primeiro de


tudo, se acalme.

Se acalme? Se acalme? Estava louco? Este não era


momento para acalmar-se.

— Não pode ajuda-la se está enlouquecendo.

Merda. Seu tom de voz firme e sereno ultrapassou pouco


a pouco o pânico e de algum modo encontrou a única seção
racional de meu cérebro. Deixei sair uma respiração tão
acalmada como pude.
— Tirou-a de sua cadeira de rodas? – Perguntou — Está
tombada?

Assenti.

— Sim. Estamos no chão do corredor. Dava-lhe um


banho quando...

— Bem — cortou, obviamente sem necessitar detalhes


—. Mantenha-a ali e simplesmente fique com ela. Fale com
ela. Deixe-lhe saber que não está sozinha. Estarei em casa
em um minuto.

— Chamo uma ambulância?

— Está ficando azul ou trocando a qualquer cor?

— Não.

— Então, ainda não. Isto é bastante típico, mas saberei


mais quando chegar.

— Está bem. Está bem. — Apertei o telefone com


gratidão — Tenha pressa.

— Terei.

Desligou antes que pudesse lhe dar obrigado. E de


verdade, realmente, queria lhe dar obrigado por estar ali e
responder minha chamada.

Mas... mais tarde.


Lançando meu telefone a um lado, arrastei-me até
Sarah e sustentei sua mão, acariciando o dorso de seus
nódulos, por onde seu pulso curvado e retorcido parecia
envolver-se ao redor de meus dedos, pedindo ajuda.

— Está bem, querida – acalentei —. Está bem. Reese


está aqui. E Mason está vindo. —Sorvendo pelo nariz, nem
sequer fiz uma careta quando golpeei a zona tenra ao redor
do anel de meu nariz quando passei o dorso da mão para me
limpar o rosto.

Por alguma razão, recordei algo que ouvi uma vez a


respeito das pessoas epiléticas e de como tem que te
assegurar que não se traguem a língua durante seu ataque.
Tratei de olhar dentro da boca de Sarah, mas sua mandíbula
se achava fechada com força. Não parecia estar afogando-se,
assim rezei para que não engolisse nada que não se
supusesse que tinha que ser engolido. Um rastro de baba se
filtrava pela esquina de seus lábios apertados. Limpei-a, pois
nenhuma garota gostaria de ser apanhada babando,
especialmente se os paramédicos que poderiam precisar vir
para salvá-la fossem sexys como o inferno.

Logo, uma respiração mais tarde, ficou imóvel e


catatônica.

— Sarah?

Não respondeu. Seus olhos seguiam abertos, mas


olhavam fixamente sem ver. Meu medo se elevou todo a um
novo nível. Busquei-lhe o pulso e quando o encontrei,
comecei a chorar, inclusive, mais forte. O alívio era mais do
que podia dirigir.

— OH, Deus. OH, Deus. OH, Deus. Por favor, tem que
estar bem, amiguinha.

Não sabia se a inconsciência era comum depois de um


ataque, mas não queria chamar Mason outra vez; queria-o
concentrado na estrada, assim podia conduzir tão rápido
como fosse possível para chegar aqui.

Já que Sarah já não dava inclinações bruscas, corri ao


banheiro e recolhi seu pijama. Se fosse eu, não quereria que
todo mundo me visse em meu traje de nascimento enquanto
estava fora de combate.

Com ela úmida e inconsciente, levou-me três vezes mais


do normal vesti-la. Meus torpes dedos, que não deixavam de
tremer, não ajudaram. E era impossível ver claramente
através de todas as lágrimas que seguiam caindo e
esfumavam minha visão.

Acabava de vestir sua camiseta por cima de sua cabeça


quando se abriu a porta principal.

— Reese?

Limpei o nariz com uma mão tremente e sorvi pelo nariz.

— Estamos aqui.

Mason apareceu no corredor.


— Acabo de lhe pôr seu pijama — expliquei sem
necessidade, enquanto estirava a camiseta de Sarah sobre
seu torso — Deprimiu-se. Não sabia se isso era normal.

Ajoelhou-se a nosso lado e pressionou dois dedos em


sua garganta.

— Às vezes. Quanto tempo esteve assim?

— Umm. — Neguei com a cabeça — Uns poucos


minutos. Três. Quatro. — Olhei-o. Levava o uniforme de
valete do Clube de Campo — Chegou rápido.

Seu olhar se elevou.

— Soava bastante afetada.

Ainda estava bastante afetada.

— Quanto... quanto tempo estará assim?

— Não muito mais. Assim tem que manter a calma, está


bem? Se te vir desesperada, também vai incomodar-se. Não
necessitamos nada que provoque outro episódio. — Seu olhar
era firme, mas determinado — Acredita que pode fazer isso?

Não, absolutamente. Queria continuar chorando, me


curvar em uma bola em posição fetal e chamar a minha mãe,
enquanto bebia chocolate quente e acariciava meu cobertor
de infância.
Em troca assenti e deixei de retorcer as mãos para
limpar toda a umidade de minhas bochechas. Se ajudasse a
minha amiguinha, faria o que tivesse que fazer.

Os olhos de Mason se suavizaram. Com voz baixa e


tranquilizadora, disse:

— Bom. Provavelmente necessitará uma bebida quando


despertar.

— Está bem. — Comecei a me levantar — Conseguirei


um pouco de água.

Mas agarrou meu pulso, delicadamente. Quando me


detive para olhá-lo, surpreendi-me pela preocupação em seu
olhar — como se estivesse preocupado por mim.

— Eu trouxe a água. — depois de insistir que me


sentasse de novo para voltar ao lado de Sarah, ficou de pé e
foi a passos largos para o vestíbulo.

As pestanas de Sarah bateram as asas justo quando ele


retornava.

— Olá — murmurou Mason enquanto se reunia conosco


no chão — Bem-vinda de volta, pequena. Tiveste um pequeno
desmaio, mas agora está bem.

Ajudou-a incorporar-se e apoiou as costas contra seu


peito enquanto sustentava um copo de água ante sua boca e
o inclinava só o suficiente para que lhe desse um gole.
Lambendo os lábios hidratados, Sarah olhou a seu
redor, aturdida. Quando me viu, estendeu a mão.

Tomou tudo o que tinha para não estalar em lágrimas


outra vez. Tomando seus dedos, aproximei-me até que meus
joelhos golpearam os de Mason.

— Suponho que minhas piadas de toc-toc não eram tão


divertidas, não?

Sorriu e disse:

— Toc-toc. — Em sua preciosa voz gutural.

— Quem está aí? — Respondi, lhe dando um apertão em


seus dedos.

— Boo — respondeu.

Juntos, Mason e eu dissemos:

— Boo, quem?

Sarah pensou que isto era hilariante e começou a


cacarejar rindo. Encontrava-se tão ocupada rindo que nem
sequer pôde terminar a piada e nos perguntar por que
chorávamos.

Cada músculo de meu corpo se esticou assustado de


que ao rir provocasse outro ataque.

Mas Mason riu com ela enquanto a levantava em seus


braços.
— Vamos te levar para cama, pequena. Estamos
perdendo algo do valioso tempo da história do Harry Potter.

— Bom, não podemos permitir isso. — Segui-os à


habitação de Sarah e separei as mantas para que Mason a
colocasse sobre o colchão. Depois da primeira noite que lhe
entreguei o livro, não tinha lido nada mais da série com
Sarah porque parecia uma violação do tempo especial de
Mason e ela. Mas esta noite, sentei-me no lado oposto dela,
como ele, enquanto ele abria a Câmara Secreta e começava o
capítulo sete.

Seu ataque a deixou esgotada porque dormiu antes de


inteirar-se de que Draco era o novo apanhador da Sonserina.
Nem sequer nos desejou boa noite ou nos mandou abraços e
beijos como fazia normalmente. Suas pestanas simplesmente
se fecharam com um bater as asas e já respirava
pesadamente.

A profunda e acalentadora voz de Mason ficou em


silêncio quando a olhou. Logo me olhou do outro lado da
cama. Meu queixo tremeu. As lágrimas encheram meus
olhos. A vontade de me jogar em seus braços e chorar fez que
meus membros se sentissem rígidos e doloridos.

Lentamente, fechou o livro. Depois de deixá-lo na


mesinha de noite, beijou a testa de Sarah e deslizou fora do
colchão. Entretive-me um momento mais com ela, me
assegurando de que as mantas estivessem seguras e
apertadas antes de pressionar meus lábios contra sua suave
e doce bochecha.

— Boa noite, amiguinha. Te amo muito.

Mason me esperava no corredor.

— Está bem? — Perguntou logo que fechei a porta de


Sarah detrás de mim e girei para olhá-lo.

Soprei e limpei os olhos antes de me abraçar a mim


mesma.

— Não sou eu a que acaba de ter um ataque.

Negou com a cabeça.

— Não se preocupe por ela. Vai ficar bem. — Tomando


minha mão, começou a me guiar pelo corredor para descer
até a cozinha — Vamos. Vamos te conseguir uma bebida.

Mas resisti.

— Tenho que limpar o banheiro. Acredito que ainda há


água na banheira e toalhas por toda parte... — Graças a
Deus, já havíamos lavado o sabão do cabelo de Sarah antes
que seu ataque começasse.

— Tampouco se preocupe por isso. Limparei o banheiro


mais tarde. Só... venha e sente-se um segundo. Parece que
precisa descansar seus pés.

Um descanso soava tentador, preferivelmente um nas


Bahamas, enquanto eu estava tombada em uma toalha de
praia, olhando um incrível pôr do sol sobre o oceano
enquanto um Mason sem camisa me servia uma pina colada
com uma pequena sombrinha e um espeto de frutas.

Pisquei para ele para me dar conta de que me tinha feito


entrar na cozinha pouco iluminada. Em vez de um colorido
entardecer, vi uma pilha de pratos na pia. Definitivamente,
Mason não estava sem camiseta – grrr — e o copo que me
trouxe se achava cheio de monótona e aborrecida água
gelada.

Sentindo-me velha de repente, olhei o copo sem tomá-lo.


Não poderia beber agora mesmo nem que um homem armado
mascarado sustentasse uma pistola contra minha têmpora e
me dissesse que tragasse ou morreria.

Meu olhar procurou o de Mason com desespero. Ainda


me sentia aterrorizada pelo bem-estar de Sarah.

— Está seguro de que vai estar bem?

Olhou-me antes de negar com a cabeça. Logo seus


lábios se inclinaram em um suave sorriso e a pele ao redor de
seus olhos se enrugou com diversão.

— Sabe, seus olhos se veem muito grandes e azuis


quando estiveste chorando.

Minha boca se abriu.

— Como pode pensar em olhos em um momento como


este? Sua irmã acaba...
— Shh. — depois De deixar o copo de água na mesa,
Mason tomou minha mão e me puxou para os meus pés —
Vem aqui.

Arrastou-me para ele e me enterrei em seu peito,


agarrando sua camiseta com força enquanto fechava minhas
mãos em punhos. Enterrando o rosto em seu ombro e
procurando consolo, abracei-lhe como se fosse questão de
vida ou morte. Meus olhos se aguaram um pouco mais
quando meu dolorido nariz golpeou contra sua clavícula, mas
não me importou. Isto era o céu. Ele me esfregou as costas e
pressionou sua bochecha contra minha têmpora, me dando
exatamente o que necessitava.

— Vai estar bem — assegurou-me pela segunda vez —


Está bem.

— Como sabe? — Elevei o olhar e vi as manchas azuis e


amarelas em sua íris prateada. Eram deliciosas, como o
reflexo da beleza interior brilhando através de uma magnífica
vidraça.

Seus lábios se torceram.

— Bom. Tenho uma teoria. Se amar alguém o suficiente,


pode fazê-lo invencível. Se seus sentimentos por eles são
muito fortes, funcionam como um escudo mágico,
protegendo—os de todo dano e dor.

Sorvi pelo nariz.


— Como o escudo protetor que a mãe do Harry usou
para salvar sua vida do Voldemort? Seu amor o protegeu.

Mason riu e beijou meu nariz.

— Sim. Exatamente assim.

— Eu gosto dessa teoria. — Baixei a cabeça para


descansar minha bochecha contra seu ombro — Desejaria
que fosse verdade.

Lábios acariciaram minha têmpora enquanto Mason


deixava escapar um suspiro estremecido.

— Sim. Eu também. — Sua voz era rouca pela emoção


enquanto seus braços se estreitavam ao redor de mim,
formando uma concha protetora como se quisesse me
proteger do dano e a dor.

Fechei os olhos, absorvendo o reconfortante calor que


emanava dele. Ficamos de pé na cozinha de sua mãe, sempre
abraçados. Fui me sentindo sonolenta e lânguida. Sentia—me
tão drenada que poderia inclusive haver dormido.

— Muito obrigado por voltar para casa — disse


arrastando as palavras contra seu peito, inclusive mais
sedada por seu aroma embriagador. Emitia algum tipo de
almíscar limpo que me fez respirar mais profundamente,
caindo ainda mais em um estado tranquilizador.

— Por que não o faria? — Acariciou meu cabelo, justo


como estava acostumada a fazer minha mãe para me pôr a
dormir depois que tinha tido um pesadelo quando era
pequena.

Deus, tratava de me deixar inconsciente, não?

OH, bom. Isso estava bem. Deixar-lhe-ia totalmente.

— Não sei – murmurei —. Me... Preocupava que


estivesse ocupado. Com uma mulher.

Como se tivesse jogado um balde de água gelada sobre


nós, minha pergunta rompeu o feitiço.

Mason se esticou e deixou cair sua mão de meu cabelo.

— Não. — Sua voz se voltou dura. Abrupta — Não saio


de trabalhar do clube até depois das onze. Seguia ali.

— OH. — Elevei meu rosto, mas seus olhos me evitaram


— Bom, obrigado de qualquer maneira. Não sei o que teria
feito se não me tivesse tranquilizado.

Deu um passo atrás. E cada lugar que tinha estado


pressionando contra mim — me esquentando — voltou—se
frio e despojado por sua repentina ausência.

— Dirigiu-o bem — disse, embora inclusive soasse frio


— Encontrou um lugar seguro para ela e conseguiu ajuda.
Não há muito mais que fazer quando está tendo um episódio.

Estudei a lateral de seu rosto. Nem sequer podia me


olhar desde que tirei o tema de seu trabalho.
Doente e cansada de ser evitada desta maneira, durante
os passados treze dias, quase os mais miseráveis de minha
vida, disse:

— Senti sua falta.

Sei que soava patética. Qualquer mulher que admitisse


isso ante um homem que tinha estado evitando-a, também
poderia arrancar o coração do peito e dar-lhe suplicando:
"Toma, por favor, pisoteia-o e rasga-o em pedacinhos
pequenos por mim, fará? Obrigado".

Mas não pude evitá-lo. As palavras simplesmente


saíram. Tinha sentido sua falta. Muito. Não era saudável
sentir saudades a alguém do modo em que eu sentia
saudades dele.

Lançou-me um rápido olhar, franzindo as sobrancelhas


como se meu comentário lhe confundisse.

— Não fui a nenhuma parte. — Mas não me enganava.


Vi a culpabilidade e a tristeza em seus olhos tormentosos
antes que desse a volta.

— Sabe o que quero dizer — murmurei, cruzando os


braços sobre meu peito porque me sentia muito exposta —
Pensei que fossemos amigos.

Deu-se a volta.

— Somos. — Esta vez sua confusão era genuína.


— OH, de verdade? — Inclinei o quadril e elevei uma
sobrancelha — Bom, os amigos não se evitam. Você esteve
me evitando. A propósito. Ainda me sento exatamente na
mesma mesa cada dia para o almoço. E seguimos recebendo
tarefas de cálculo.

— Sei — interrompeu com um torturado gesto de dor


enquanto deixava escapar um suspiro — Sei. Eu
simplesmente... — Fechando os olhos, inclinou a cabeça e se
apertou a ponta do nariz antes de elevar o olhar outra vez —
Aproximamo-nos um pouco mais essa noite. Ainda quero ser
seu amigo, Reese. Serei seu amigo. Só... necessito um pouco
de tempo e espaço para controlar meus... meus instintos de
menino brincalhão.

Ele pensava que nós tínhamos aproximado muito?

Minha curiosidade me matava por saber exatamente de


que maneira pensava que nós tínhamos nos aproximado. O
comentário sobre os instintos de menino brincalhão — o qual
eu adorei, por certo; ia ter que roubar essa frase logo — fez-
me pensar que talvez só pensava em sexo. Mas a
profundidade dos sentimentos em seu olhar me disse que era
mais que isso. Falava de algo muito mais profundo que uma
pequena interação física.

Pergunta-me se o menino acabava de confessar que se


apaixonou por mim.

Meu coração deu um tombo de felicidade, quase


atravessando minha caixa torácica.
Precisando me aproximar dele, só um pouco, dei um
passo para diante, me aproximando tanto a ele que estou
segura de que podia sentir minha respiração em sua cara.

Cambaleou-se para trás até que suas costas se


chocaram contra a parede. E quando segui me aproximando,
exalou, todo seu corpo em tensão. Finalmente me detive com
apenas um centímetro de espaço entre nós. Esse familiar
centímetro sempre nos mantinha separados.

— Jesus — ofegou.

— Assim pensou que nos aproximamos muito, né?

Seu olhar pousou em minha boca, e parecia


completamente incapaz de afastar o olhar. Com um
assentimento distraído, murmurou:

— Sim.

— Já vejo. — Obriguei-me a olhar seu queixo, já que


parecia a coisa menos provável para me excitar, inclusive
apesar de que a covinha que tinha era totalmente excitante —
E ainda não teve tempo ou espaço suficiente para controlar
esses molestos impulsos?

Tragou saliva. Encontrava-me tão perto que podia ouvir


como o movimento descia por sua garganta.

— Não... o suficiente... ainda. — Maldição, soava sexy


quando estava sem fôlego.

Fiz um som de compreensão.


— Caramba, sinto escutar isso. — Inclusive embora não
o sentia absolutamente. Eu adorava saber que lhe excitava.
Dava umas batidinhas em sua covinha de forma brincalhona
—. Assegure-te de fazer-me saber quando se foram. Está
bem? Estou pronta para recuperar o meu amigo.

Estendeu a mão e agarrou o bordo da mesa da cozinha


como se precisasse aferrar-se a algo para não me alcançar.
Sacudindo a cabeça, deixou escapar um suspiro. .

— É tão má. Se eu não gostasse tanto, tomaria agora


mesmo.

Doce Bebê Jesus. Falando a respeito de converter


minhas calcinhas em purê.

A euforia que surgiu através de minhas veias era irreal.


A primeira vez que vi Mason Lowe, ele tinha sido como esta
mítica e totalmente inacessível besta que provavelmente nem
sequer era digna de olhar. Estar parada tão perto dele, de em
realidade acendê-lo, era tão irreal e assombroso que queria
dançar, gritar e rir com alegria.

— De verdade? – Disse — Como?

O calor brilhou em sua expressão.

— Provavelmente duro e rápido contra esta parede.

— Mmm. — Mordi o lábio, tratando de não reagir. Mas


olhei a parede detrás dele, imaginando-o, vividamente — Isso
parece... divertido. — E latido, de verdade o parecia.
Mas ele era meu amigo, e provavelmente o tinha
torturado o suficiente por uma noite. Arrumei-me isso para
lhe sorrir amigavelmente.

— Suponho que já que somos amigos e não vai me


tomar, darei esse tempo e espaço que necessita.

Retrocedi um passo, e então uns mais, me retirando até


que o ar em seus pulmões vaiou enquanto deixava cair seus
ombros.

Sacudindo a cabeça, murmurou:

— Má, má, má.

Enquanto apoiava sua bunda contra um lado da


bancada, vendo-se esgotado, encolhi-me de ombros.

— De verdade me teria dado um brinde justo agora?

Levantou a vista, seus olhos revoando.

— Só dava a palavra.

Maldito calor.

Meu sorriso se ampliou, amando o poder que


empunhava. O fato de que podia fazer com que o tenaz
Mason Lowe rompesse uma de suas sagradas regras e desse
a uma garota um brinde.

—Genial — admiti. Pegando minha bolsa da mesa,


recordei que tinha deixado meu telefone no piso do vestíbulo
—. Meu telefone — disse-lhe antes de desaparecer por um
segundo. Quando retornei, escapuliu-se da mesa e estava
sentado em uma cadeira com os cotovelos apoiados na
superfície da mesa e seu rosto embalado em suas mãos
trementes.

Guardando meu telefone, disse:

— Suponho que te verei por aí.

Quando pendurei à correia de minha bolsa sobre meu


ombro, levantou seu olhar cansado.

— A sério vai sair daqui depois que te confessei minha


alma, tão fresca como um pepino, sem fazer o mesmo
absolutamente?

— O que? — Enviei-lhe um olhar em branco. Então


rodei os olhos e estirei a mão para ondear seu assombroso
cabelo — Mason Lowe, se não sabe a esta altura o atraída
que estou por ti, está malditamente cego.

Olhou-me fixamente um momento antes de murmurar:

— Aí está. Era tão difícil de admitir?

Mostrei-lhe a língua e comecei a ir para a porta.

— Boa noite, Sexy.

— Boa noite, Reese. — Escutei sua resposta muito mais


suave enquanto me deslizava dentro da noite cálida.

Fiquei parada com minhas costas contra a porta


fechada e minha mão pressionada contra meu coração por
um minuto completo. Merda, tinha tomado toda a força de
vontade que possuía atuar indiferente e ir com minha cabeça
em alto. Ainda desejava retornar dentro e conseguir esse
brinde "duro e rápido contra a parede". Eu adoraria tomar
algo que pudesse conseguir de Mason, assim poderia passar
mais tempo com ele.

Tremendo até a medula, finalmente cambaleei até meu


automóvel. Normalmente, estava mais alerta quando me
encontrava sozinha fora na noite. Mas me sentia tão
preocupada com Sarah e ainda completamente alucinada
pela admissão de Mason, que não vi a mulher até que falou.

— Noite agradável, não é certo?

Gritei e deixei cair minha bolsa.

Uma mulher de meia idade deu um passo das sombras


do pátio do vizinho e caminhou a pernadas para mim,
enquanto os saltos de seus sapatos ressonavam contra a rua.

— Sinto-o por isso, querida. Não queria te surpreender.

— Está bem. — Agachei-me e me movi rapidamente por


minha bolsa, esperando que não caísse nenhuma das coisas,
porque não havia maneira de encontrar na escuridão — É
que você... — soltei uma risada nervosa —.... Deu-me um
susto de morte. Não passa nada.

Também riu, mas sua risada era rouca e divertida, não


no mínimo como a minha.
Levantou um cigarro a seus lábios, o resplendor
vermelho da bituca brilhando enquanto inalava.

— Parece um pouco preocupada.

— OH. — Amaldiçoei para mim mesma. Se não


colocasse atenção ao que me rodeava, poderia cair em um
montão de problemas. Precisava ser mais cuidadosa. Se
Jeremy alguma vez me encontrasse...

Bom, não queria pensar nesse cenário.

— Sim — disse à mulher — Assim é. — Ou ela poderia


notar que preocupada era um grande eufemismo. O que seja
— Foi uma... Noite selvagem.

— Mmm. —Tomou outra inalação. Não podia ver muito


de seu aspecto através da escuridão, mas podia senti—la me
observando como se tivesse uma visão noturna e pudesse
dissecar cada detalhe.

Assim era exatamente como parecia, de qualquer


maneira: uma dissecação.

— É uma amiga do Mason? — Perguntou finalmente.

— O que? — Nervosa por sua pergunta, sacudi a cabeça


— Não. Quer dizer... — Ruborizei-me e sacudi a mão, sem
estar segura do que responder — Suponho. — Já não sabia
onde estávamos — Sou a babá de Sarah — expliquei.

— Ah. — Sua voz conhecedora disse a resposta de tudo


— A substituta da Ashley.
Já que recordava a Dawn falar de Ashley como a babá
anterior das tardes de Sarah, assenti.

— Correto. É você a vizinha da senhora Arnosta?

Trocando meu peso de um pé a outro, arrumei-me isso


para lhe sorrir forçadamente, embora estivesse segura de que
não podia ver na escuridão. Não queria ficar parada aqui fora
toda a noite, falando com ela, mas ela não tinha pressa em
me deixar ir.

— Sou Patrícia Garrison – disse — A locadora de Dawn e


Mason.

— OH. — Irritou-me a maneira em que totalmente


deixou Sarah fora da equação. Quero dizer, sério. Por que
mencionar Mason e esquecer a sua irmã?

Muito grosseira?

— É uma estudante? — Perguntou a senhora Garrison,


averiguando muito profundamente para meu gosto. Assenti,
sem querer incomodar à mulher que era proprietária da casa
de Dawn, Sarah e Mason.

— Sim. Estudo no Waterford.

— Com Mason — adicionou.

Vá, certamente gostava de trazê-lo para colação. Isso era


um pouco... arrepiante.
— Umm... suponho – evadi — Entretanto, não temos
nenhuma aula juntos.

— Já vejo.

Não tinha ideia do que viu. Toda a conversação ia muito


mais à frente do alcance de meu entendimento, assim me
aproximei mais ao lado da porta do condutor e encontrei as
chaves de meu automóvel.

— Bom, foi um prazer conhecê-la. — Despedi com a mão


e sorri outra vez.

— Igualmente, Reese. Tenha uma linda noite.

Não me dei conta até a metade do caminho à casa que


tinha me chamado de Reese e nunca lhe disse meu nome.
Passou outra semana. As coisas entre Mason e eu ainda
se mantinham distantes. Ainda se negava a sentar-se comigo
no almoço, mas de certa forma seguíamos sendo amigos.
Depois de nossa conversa na noite do ataque de Sara, nossa
relação se transformou em uma de amigos que paqueram.

Na terça-feira, o vi cruzar o pátio enquanto comia um


hambúrguer e batatas fritas —estou segura de que teria
roubado ambos se tivesse estado o suficientemente perto — e
tudo se iluminou dentro de mim. Endireitei-me e o saudei
com a mão. Quando me devolveu a saudação, dei uns
tapinhas no assento ao lado e o incentivei com o polegar para
acima. Ele sorriu, mas negou com a cabeça e seguiu
caminhando.

Deixei-me cair novamente na terra da melancolia.

Um segundo depois, meu telefone soou com uma


mensagem de texto.

Ainda necessito de um pouco de espaço para me acalmar.


Gemendo, escrevi em resposta: Esses impulsos de
menino chato e brincalhão começam a me zangar. Veja, eu
disse que ia roubar essa frase.

Bem poderia desaparecer mais rapidamente se você


deixasse de ser tão.... Você.

Isso foi o suficiente. Estava louca com este garoto.


Poderia ter dito que deixasse de chupar os lábios, ou de
mexer no cabelo, ou usar roupa reveladora ou, simplesmente,
deixar de ser tão quente. Mas foi atrás de minha
personalidade. Como se supõe que uma garota resista a isso?

Bastante contente para não se tornar brincalhona, pus


meu telefone em modo vídeo e pressionei gravar quando vi
minha própria cara refletida na tela.

— Preferiria que eu fosse Eva? — Perguntei-lhe ao


telefone em voz alta. Fazendo a melhor imitação que pude de
minha prima — Bom dia, Mason. Se hoje estiver tudo bem, o
que diz se saltamos as aulas e fazermos algo... Divertido? —
Então brinquei com o pescoço da blusa e deixei que a câmara
me visse desfazer um botão antes que a enfocasse em minha
cara outra vez e lhe piscasse um olho.

Um minuto depois de lhe enviar que tirasse esse menino


mau, respondeu com: Necessito de mais decote, por favor.

A parte do "por favor" fez-me atirar a cabeça para trás e


deixar escapar a risada. Escrevi: Pervertido. E logo depois que
pressionei enviar, um texto chegou em resposta.
Olhe, sua risada é exatamente o que me mantém
afastado, mulher. Só quero beijar esses lábios e guardar esse
som todo para mim.

Meu fôlego sufocou na garganta. De repente, a


quantidade que me disse que cobrava de seus clientes
parecia uma miséria. Se falasse assim quando se encontrava
nas nomeações, não é de se estranhar que ele tivesse um
negócio tão lucrativo. Maldito seja.

Minha garganta se sentia um pouco constrangida e me


era difícil respirar porque eu me sentia cheia de emoção.
Tomou um momento para me dar conta de que estava sendo
ridícula.

Levantei o rosto e olhei ao redor, surpreendida ao saber


que se encontrava perto.

Está me seguindo?

Estou sentado no banco junto à estátua da águia. Pensei


que tinha me visto.

Quando o olhei, levantou a mão. Colocando os olhos,


escrevi-lhe uma mensagem nova. Mason, é um tolo, entre e se
sente ao meu lado já.

De onde me achava sentada, vi-o sacudir a cabeça.


Ainda não. Tenho que ir para a aula de todos os modos.

Enquanto ele recolhia sua bolsa e ficava de pé, cheirei.


Tinha almoçado com ele suficientes vezes para saber que não
tinha aula por outra meia hora. Mas se queria seguir se
esquivando... Antes que vá, só uma coisa. Sei que eu provoquei
MUITO de seus "impulsos", mas me alegro de que me dissesse
a respeito deles, assim te entendo. Obrigado por isso.

Quase na entrada do edifício principal se deteve e tirou


seu telefone do bolso. Observei suas costas e a forma em que
sua cabeça escura se inclinou para ler o que escrevi. Quando
terminou, voltou-se para me olhar.

Devolvi-lhe o olhar, esperando. Entretanto girou,


afastando-se e entrou na universidade. Um assovio
decepcionado de ar escapou de meus pulmões. Deus, era tão
patética, devastada por um maldito gigolô e flertando com ele
sem piedade.

Quero dizer, quanto mais proibido poderia ser um


menino? Podia dizer a mim mesma um milhão de vezes que
só queria ser sua amiga, mas isso seria uma mentira... um
milhão de vezes.

Trinta segundos depois, soou meu telefone e me


assustou o feliz que me fez.

Agora estamos colocando a sério?

Suspirei e brinquei distraidamente com o anel em meu


nariz, porque ainda não me acostumei que estivesse ali, e
escrevi em resposta: Aparentemente.
Precisava superar este menino e seguir adiante. Mas
logo escreveu: Nesse caso, obrigado por seguir sendo minha
amiga, embora queira saltar em seus ossos.

Diversão e ternura crepitaram dentro de mim. Acredito


que uma parte de minha personalidade começava a
contagiar-se. Podia ser doce, encantador, gracioso e de certa
forma bruto, tudo no mesmo fôlego.

Um homem conforme meu coração.

O sentimento é mútuo, já sabe, senti-me obrigada a lhe


dizer. As garotas também têm impulsos.

Ele não teria trabalho se elas não os tivessem.

Um segundo depois, soou meu telefone. Provavelmente


não deveria ter dito isso. Agora terei que me afastar por mais
tempo.

Com o cenho franzido, respondi-lhe: Ouça, posso


controlar MEUS impulsos, muito obrigado.

Contigo, não estou tão seguro de que possa controlar


meus. Está se tornando duro resistir a ti.

Não pude evitar, tinha que brincar: Não diga duro.


Acaba de enviar minha mente direto à terra da garota suja.

. Agora, quem é o pervertido?

Aceitarei esse reconhecimento. Quer escutar meu discurso


de agradecimento?
Não há tempo. De verdade tenho que ir. Paquerarei
contigo mais tarde. Mensagens matam.

Sinceramente deve ter tido que estar em algum lugar,


porque nunca me respondeu. Nossa conversação me deixou
com uma estranha mescla de estados de ânimo pelo resto do
dia. Cada vez que me lembrava de algo que escreveu, sorria e
me sentia alegre. Algumas vezes, até tirei meu telefone para
voltar a ler algumas de suas mensagens. "Só quero beijar
esses lábios e guardar esse som todo para mim" foi meu
favorito absoluto.

Eu também queria guarda-lo todo para mim. Não era


justo que um grupo de desconhecidas que não o conheciam,
chegassem a estar com ele de uma forma que eu nunca o
faria. E... Então me lembrei de novo por que só podíamos
paquerar mediante mensagens de textos e minhas emoções
se desabaram. Queria que estivesse sentado no banco frente
a mim na mesa do almoço e me roubasse um pouco de minha
comida.

Queria recuperar Mason.

Na quinta-feira pela tarde, fazia um pouco do trabalho


de casa no pátio enquanto esperava por meu turno para
marcar cartão na biblioteca. A Dra. Janison, quem ainda me
reprovaria, atribuiu-me à classe de Contos de Canterbury de
Chaucer.... Em inglês intermediário.

Sim, sei. Inglês intermediário.

Tentava decifrar o conto da mulher de Bath enquanto


me sentava à luz do sol do meio-dia, absorvendo alguns raios
quentes da Florida, quando cheguei à linha "Apesar de que se
defendeu como pôde, arrebatou-lhe a virgindade pela força."

Huh? Bem, virtualmente cada linha do poema épico me


deixou com um grande "Huh?" E este não era diferente.
Levantando o dicionário versátil que comprei a semana
passada, encontrei a linha correspondente.

Quando me dei conta de que a linha queria dizer algo


como: "Ele tomou sua virgindade pela força", retrocedi
surpreendida. Que diabos nos fazia ler a Dra. Janison? Um
cavalheiro heroico violando a uma virgem não era minha ideia
de literatura clássica.

Mas captou minha atenção com um pouco mais de


firmeza. Encontrava-me ocupada decifrando e lendo a
respeito de como a rainha Guinevere convenceu a seu doce
marido, Arthur, de deixar o castigo do violador para ela —
sim, você pode, garota ; pendure esse bastardo pelas bolas —
quando um tumulto na grama me chamou a atenção.

Um grupo de meninos tinha estado jogando todo o


tempo que estive sentada em minha mesa, tentando saltar de
uma estátua de bronze para a próxima. Mas até agora
ninguém tinha tido êxito fazendo isso desde o touro bufando
com um anel no nariz para a grande águia que espalhava
suas asas. Pelos aplausos que se elevaram, imaginei que
tinham um novo campeão.

Quando olhei para cima, Mason, entre todos, situava-se


no topo das costas da águia, com os braços estendidos quase
tão amplo quanto abanando as asas debaixo dele, gritando
seu triunfo. Revirei os olhos, mas tive que sorrir. Como se
sentisse meu olhar nele, voltou-se em direção a nossa mesa e
me deu o sinal de polegar para cima. O devolvi,
parabenizando-o e me lançou um beijo antes que um grupo
de meninos o tomasse pelas pernas e começasse a levá-lo por
toda parte em uma espécie de desfile maluca da vitória.

Aparentemente, a parte masculina do mundo pensava


que não poderia fazer nada errado...

Rindo brandamente, olhei a tela de meu celular para ver


a hora. Ao me dar conta de que tinha que ir trabalhar, fechei
o Chaucer e guardei minha tarefa.

Depois de marcar minha entrada, falei um minuto com o


bibliotecário chefe e seus dois ajudantes, que eram o único
pessoal de tempo integral na biblioteca. Logo comecei a ler os
números pedidos.

Eu sei, foi muuuuuito emocionante, mas hoje queria um


pouco de paz e tranquilidade, assim não me importava com a
tarefa tediosa. Eu fui até uma pequena seção sobre os
escritórios onde apenas livros de referência eram mantidos.
Ninguém nunca, nunca vinha aqui, então eu sabia que não
seria incomodada. Curiosamente, no entanto, eu estava no
meio da primeira prateleira quando ouvi passos. Alguém
sentou em um dos três móveis agrupados pelas escadas e
minha curiosidade levou a melhor sobre mim. Eu olhei
através das prateleiras de livros, só para ver Mason.

Mason?

A pressão se construiu detrás de minha caixa torácica.


A antecipação e a esperança. Sabia que estava aqui? Veio
para ver-me? Isso significava que seguíamos sendo amigos —
amigos que de verdade falavam cara a cara?

Parecia que ele não tinha idéia de que eu estava perto


dele, esticado em um sofá verde abacate. Depois de apoiar a
cabeça sobre o braço de uma das extremidades, cruzou os
tornozelos e os colocou na outra extremidade. Abriu o
exemplar de A Câmara Secreta que lhe emprestei e começou
a ler. Virou uma página a cada minuto ou assim e parecia ter
passado três quartos, me fazendo pensar que lia de verdade.

Tinha estado explorando as prateleiras que se


localizavam de costas a ele, mas eu me empolguei pela
tentação e voltei a ler as outras prateleiras atrás de mim,
assim tudo o que teria que fazer para vê-lo era me girar um
centímetro para dar uma olhada pelo topo da fila de livros.

Entre todas minhas leituras e olhadas, encontrei-me


com um caos total nos números pedidos. Uma estante inteira
se encontrava desordenada. Tirei todos os livros da borda e
os empilhei no chão. Começava a voltar a pô-los na ordem
correta quando em voz baixa e privada escutei:

— Olá, Mason!

Agachada no chão, olhei por uma brecha aberta e vi a


Dra. Janison de pé sobre ele.

Meu coração se afundou em meu estômago. OH, puta


merda. Tinha vindo aqui para encontrar-se com uma cliente?

Mason se ergueu e deixou o livro aberto em seu colo.


Parecia surpreso ao vê-la. Graças a Deus. Isso me deu um
pouco de esperança de que ele não tivesse planejado este
pequeno encontro.

— Não deveria falar comigo — murmurou, olhando


significativamente para as escadas.

— Não se preocupe — respondeu a Dra. Janison, do


mesmo modo em voz baixa — Ninguém vem aqui. Não nos
surpreenderão juntos. — Aproximando-se, ela observou seu
colo — O que está lendo?

Sem esperar resposta, aproximou-se, tomou a beira do


livro e o inclinou para diante o suficiente para ver a capa.

Um sorriso divertido iluminou seu rosto.

—Eu aprovo — murmurou, em um ronrono rouco —


Tenho uma preferência por literatura inglesa.
Mason a olhou cautelosamente. — Não... não posso
programar uma reunião contigo para... falar das classes de
novo — disse em voz tão baixa, que ela teve que esforçar-se
para ouvi-lo — Abandonei aqueles cursos, e troquei minha
especialidade por completo.

Por um segundo, não estava segura se a Dra. Janison


ouviu bem, ou se tinha decifrado seu código corretamente.
Diabos, provavelmente não decifrei seu código corretamente.

Mas depois de estudá-lo por mais de longos cinco


segundos, a professora esboçou um sorriso lento de
cumplicidade.

— Então, novamente você vai aumentar os preços?

Minha boca se abriu. O que?

Mason pareceu se assombrar de forma semelhante.

— O que?

A Dra. Janison riu.

—Lembro-me que fez algo assim o ano passado. Deixou


de fazer nomeações por uns poucos meses, disse a todos que
tinha terminado. Mas resulta que acabou necessitando de
mais... incentivos. — Aproximou-se mais — Não se preocupe.
Pagarei o que cobrar.

Eu só podia ver um lado de seu rosto, mas a parte que


eu vi estava cheia de raiva em brasa. Ou era a humilhação?
— Isto não é sobre dinheiro. Eu parei. — Ela aparentou
confusão por um segundo antes que seu rosto se
esclarecesse. Assentiu sabiamente e murmurou — Ah, isso é
pela garota?

Tampei a boca com as duas mãos. Garota? Que garota?


Tinha uma garota?

OH, Meu deus. Era eu a garota?

Tinha que ser. Quem mais poderia ser a garota? Era a


única garota que publicamente tinha se associado com ele e a
única garota a qual a Dra. Janison tinha visto sentada ao
lado dele.

— Está tudo bem. É jovem e curioso. Não me importa se


jogar a uma relação por um tempo. Sempre e quando
retornar aonde pertence quando tiver terminado. — Estendeu
a mão para lhe tocar o cabelo, mas ele desviou a cabeça de
seus dedos. Ela deixou cair a mão, mas não se via nem um
pouco dissuadida — Só me faça saber quando tiver terminado
com ela. E então... eu vou pagar o preço que você pedir. —
Ela piscou um olho — Sei que é bom nisso.

Tirou um cartão de visita de seu bolso e lentamente


inclinou-se para colocá-lo na espinha dorsal das páginas
abertas, como um marcador.

Eca. Agora eu ia ter que pulverizar cada página com um


desinfetante para tirar os piolhos de cadela após Mason me
devolver.
Como se atreveu a pôr seu cartão de visita em meu
livro? Eu estava quente, zangada, triste, afligida e um pouco
doente de ciúmes e repulsa. Inclusive aumentou minha
irritação com Mason por levar esse tipo de vida, onde
aconteciam situações como esta.

A professora lhe atirou um beijo e logo se virou e saiu.

Logo que se foi, Mason lançou um olhar culpado em


minha direção.

A respiração ficou presa na minha garganta. OH, Deus.


Não podia respirar. Ele sabia que eu estava aqui, o que
significava que só eu poderia ser a garota.

Tinha vindo até aqui para estar perto de mim. Havia dito
a uma de suas clientes que terminou com as nomeações.
Havia uma garota envolvida. Em minha cabeça, repetia-se
uma e outra vez: Santa merda, já não é um gigolô.

Um calor vertiginoso passou por mim, mas então eu bati


mentalmente em meu rosto.

O que estava errado comigo? Acabava de ver outra


mulher solicitando-o para sexo — que planejava pagar
qualquer preço — E me senti doente de pensar que ele
poderia querer começar um relacionamento comigo?

Devo ter perdido minha maldita prudência.


Eu não acho que ele me viu olhando para ele. Eu ainda
estava ajoelhada no chão, perto da prateleira de baixo, mas
tirei minha cara da brecha só para estar segura.

Quando tive que — sim, eu tive — olhar de novo, tirava


o cartão de visita da Dra. Janison de meu livro com a ponta
dos dedos polegares e indicador. Pegou com cuidado como se
estivesse contaminado e jogou em uma lata de lixo próxima.

Um enorme sorriso se estendeu amplamente em meus


lábios.

Quem se importava que praga tinha me infectado por


querer estar com um gigolô — ou, possivelmente, um ex-
gigolô. Acabava de rejeitar uma cliente.

Por mim!

Bem, possivelmente por mim. Mas a parte do


"possivelmente" fez toda a diferença. Sentia-me muito
emocionada. Eufórica.

Voltando a trabalhar com muito melhor estado de


ânimo, repassei os livros desacomodados e os organizei com
bastante dinamismo. Não conseguia deixar de sorrir. Poderia
inclusive ter começado a cantarolar uma melodia alegre para
mim.

Senti-me jovial até que ouvi outra voz feminina dizer o


nome do Mason. Jesus Cristo, eram como as baratas saindo
da toca para rodeá-lo.
Mas esta voz era muito familiar.

— Bem, olhe quem está no momento em uma biblioteca,


em realidade lendo. Ou é simplesmente uma fachada para
conhecer alguma cadela quente?

Levantei o olhar e olhei através da brecha nos livros, a


tempo para ver Eva tirando meu livro das mãos de Mason.
Suspirei, sei que é sacrilégio pôr ao Harry Potter no chão
simplesmente obsceno. Então, minha querida e doce prima
foi e tomou seu lugar, deixando-se cair em seu colo.
Envolvendo os braços ao redor de seu pescoço, acrescentou:

— Acabo de ver a Dra. Janison aqui. Não é ela uma de


suas habituais?

Minha boca caiu aberta. Que demônios estava fazendo?

— Eva, saia de mim. — Agarrando-lhe os pulsos, o que,


aparentemente, tinha super-preso ao redor, ele se esforçou
para desvendar seus braços.

Ainda em seu colo, ela simplesmente sorriu.

— Portanto, vocês fizeram aqui, ou só programavam seu


próximo compromisso...? Pessoalmente, acredito seria quente
fazer em algum lugar público. Como uma biblioteca. Salvo
que teríamos que ser muito silenciosos.

Desistindo de tentar tirar os braços de seu pescoço


— Porque não tinha nenhuma sorte absolutamente —
Mason levantou as mãos em sinal de rendição. — Sério, tem
que sair de cima de mim. Agora.

— Sério — repetiu ela, zombando do seu sorriso ao tirar


um braço ao redor dele, unicamente para passar seu dedo
novamente livre no centro de seu peito — tem que relaxar.

Senti frio por toda parte, e pela primeira vez em minha


vida, desejava fazer um dano intenso no corpo a minha
prima, como quebrar esse dedo que seguia usando para tocá-
lo.

— Então, agora não estou bêbada — disse com um


sorriso — Já não tem que ser um cavalheiro. Ainda quer me
rejeitar?

— Sim. — Soltou um grunhido — Não me vou deitar


contigo, Mercer. Nunca.

Sua expressão brincalhona se escureceu. Com o olho


brilhando de indignação, ela vaiou:

— Por quê? Porque não sou uma de suas professoras?


Por que não te posso dar um A automático por cada orgasmo
bem recebido?

OH, sim, disse isso completamente.

— Em realidade, há várias razões. E nenhuma delas tem


a ver com isso. Primeiro, você tem namorado, e é um de meus
bons amigos. Pra não mencionar que, não quero ter sexo
contigo, além disso, sua prima é....

Eva o interrompeu antes que pudesse ouvir o que ia


dizer sobre mim.

— Não se atreva a mencionar Reese. Passou por muito e


não necessita que outro idiota perdedor a machuque.
Portanto mantenha-se afastado. Entendeu?

Mason piscou, parecendo assustado. Então seu rosto se


escureceu pela fúria.

— Quem lhe fez mal? Como?

Eva não respondeu. Em troca, sorriu.

— Ela não é para jogar. Se quiser jogar, terá que te


conformar comigo.

Pôs os olhos.

—Vou deixar passar.

— OH, estou segura de que poderia te fazer trocar de


opinião.

Alcançou entre suas pernas, e ele reagiu imediatamente,


ficando de pé e jogando-a de seu colo ao chão em um fluxo
furioso.

— Não volte a me tocar.


Não estava segura se queria defender Mason ou salvar a
minha prima, porque ele parecia bastante incomodado para
machucá-la. Mas voei de meu esconderijo.

— Eva! — gritei sussurrei—. Que demônios está


fazendo? Isso é uma agressão sexual.

Em vez de desculpar-se com absoluta vergonha, voltou-


se indignada. Erguendo-se do chão, em um acesso de raiva,
fez uma careta e franziu o cenho:

— Tanto faz. Ele é um prostituto, ReeRee. Ele não é


nada.

O peito de Mason se inchou ao conter o fôlego. Seus


olhos luziam frágeis pela emoção, mas acredito que havia
mais dor que irá em suas profundidades.

— É um ser humano! — Eu bati — Tem os mesmos


direitos que você ou eu de não ser assediado cada vez que ele
se vira. E como se atreve a fazer isto ao Alec. Você estava
seriamente indo engana-lo?

Minha prima limpou o pó de seu traseiro com um bufo.

— Está cega se não poder ver que acabo de fazer isto por
ti.

— Por mim? — Minha boca se abriu — Então acredito


que estou totalmente cega. Como fez isto por mim?

— Não é bom para ti. Tratava de mantê-lo longe de ti.


Suspirei.

— Acredite ou não, não tem que se preocupar. Mason e


eu somos só amigos.

Soltou um grunhido.

— Sim, claro. Continue dizendo isso a si mesma,


carinho. Talvez algum dia nossa avó morta, Dixon, acreditará
— dirigindo a Mason um olhar abrasador, disse entre dentes
— Você sabe melhor que eu que baba por ela. — Logo partiu.

Nem ele nem eu nos movemos até que desapareceu. Por


fim, voltou-se para mim, a preocupação cobrindo seus olhos.

— Sinto muito.

Neguei com a cabeça, fazendo uma careta.

— Por quê? — Era eu que tinha que me desculpar por


minha prima imbecil.

Levantou as mãos, com uma expressão de


incredulidade.

— Porque acabo de atirar a sua prima ao chão.

Se tivesse sido ele, o teria chutado enquanto se


encontrava ali.

— Não tem que te desculpar por isso. Surpreendeu-me


que não a tirasse de seu colo antes.

Ainda parecia como se quisesse pedir perdão.


Não pude evitar, senti-me mal por ele. Aproximando-me,
abracei-o com força.

— Nunca tive a intenção de trazer a raiva de Eva sobre


ti.

Sacudiu-se em meus braços pela surpresa.

— Não o fez. Fiz isso sozinho.

Eu recuei, horrorizada.

— Só porque você teve uma noção equivocada quando


tinha dezoito anos, pensando que tinha que fazer algo
drástico e desnecessário para salvar a sua família, não
significa que merece ser tratado com tal degradação
constante por cada mulher que cruze em seu caminho.

Bateu-me o muito que eu inclusive o desumanizei as


primeiras vezes que o vi, me voltando poética sobre seus
olhares surpreendentes. Não me tinha preocupado em nada
por sua personalidade. Por ele.

Queria lhe pedir perdão por não ser melhor que minha
prima ou, minha professora. Mas a forma intensa com a que
me olhava me deu uma breve pausa.

Ele ergueu a mão direita e tirou um punhado de cabelo de


minha cara.

— Você não é como qualquer pessoa já que tenha


conhecido. De onde você veio, Reese Randall?
Não merecia essa expressão de assombro que me dava.
Queria lhe dizer que em realidade não era Reese Randall.
Queria lhe dizer tudo. Mas este momento se tratava dele,
assim me apeguei à verdade que podia lhe dar.

— Ellamore, de Illinois.

Seu sorriso era divertido e cheio de adoração. Meu peito


se encheu com um eco dessa similar emoção uma fração de
segundo antes de me empurrar em seus braços e me abraçar
outra vez.

Colocando o nariz em meu cabelo, achou a cicatriz em


minha nuca. Depois de pressionar os lábios contra a pele
enrugada, sussurrou:

— Obrigado por ser minha amiga. Mas Mercer tinha


razão. Sei muito bem que estou louco por ti. Você nunca
deveria ter que lidar com toda minha merda.

Um segundo mais tarde, respirou e se afastou antes de


agachar-se para recolher o livro de Harry Potter. Uma vez que
reuniu suas coisas, olhou-me;

— Te vejo por aí. — O que na linguagem de Mason


queria dizer que ia me evitar de novo.

Fiquei nesse mesmo lugar por muito tempo, logo depois


que desapareceu pelas escadas. Muitas coisas me deixaram
nervosa. O comportamento de Eva, o que disse a ele, a
admissão de Mason para a Dra. Janison de que não ia aceitar
a nenhuma cliente, e toda essa conversa sobre a garota.
A situação tinha me superado. Mas eu não me importei.
Eu estava errada.
Esse fim de semana começou
agradavelmente chato. Rechacei um convite de Eva para ir de
clube em clube com ela e sua tripulação, e não só porque
ainda estava irritada pela sua cena na biblioteca, mas sim
porque não tinha vontade de sair de meu ninho. Queria um
pouco de solidão pacífica.

Depois que Eva me disse que eu era uma desmancha-


prazeres e pendurar em mim, encolhi os ombros, me enrolei
em meu sofá com algumas tarefas e pipocas, e comecei uma
maratona de meus filmes favoritos.

Quando meu celular tocou um pouco antes das onze,


começava a ficar sonolenta. Imaginei que era Eva de novo, me
chamando bêbada, me pedindo que vestisse minha bunda,
fora e me unisse a ela. Assim fui com preguiça alcançar o
telefone.

No entanto, ao ver “Casa” no identificador de chamadas,


de repente queria gritar. Quase ataquei o telefone,
desesperada para ouvir a voz de minha mamãe. Sei. De fato,
sentia saudades de meus pais. E a minha chata irmã mais
velha. A nosso gato, Doodles. OH, e meu quarto.

Sentia saudades muito, muitíssimo.


Sentia-me muito mais que nostálgica.

— Olá, mamãe — respondi com frieza, tratando de não


soar muito ansiosa de escutar sua voz — Não se preocupe.
Estou bem. A escola está bem. E não, Eva ainda não me
levou para o lado escuro. — Toquei meu anel no nariz,
decidindo não mencioná-lo ainda. Teria que medir seu estado
de ânimo em primeiro lugar.

— Carinho. —A voz de minha mãe me chegou ao ouvido,


e era como se estivesse sentada na mesa da cozinha de novo,
bebendo chocolate quente com um montão de marshmallows
enquanto jogávamos cartas e falávamos de nosso dia — Não
quero te alarmar, mas...

O cabelo em minha nuca se arrepiou imediatamente.

Mas, não, não, não. Não estava alarmada.

Estava totalmente assustada.

— O que? — Exigi.

Ela suspirou. Não deve ter havido nenhuma maneira


para que ela amortecesse o golpe, porque foi direta e disse:

— O pai de Jeremy encontrou uma maneira de


conseguir que o caso fosse abandonado. Ele não irá a
julgamento.

— OH, Meu deus. — Minha visão enfraqueceu. Se já não


tivesse estado acampada no sofá, já teria caído no chão —
OH, Meu deus. – Será que isso significava que ia ficar presa
como Reese Randall para o resto de minha vida, sempre
vigiando por cima do ombro, sem me sentir segura ou
estabelecida, sempre perseguida por um louco maníaco
sedento de sangue? — Quando?

— Na quinta-feira, mas escuta.... Esta não é uma razão


para se preocupar. Não quero que...

— Quinta-feira? — Quase gritei — Quinta-feira? Mas...


— OH, Meu deus. Por que não ligou para me dizer isto na
quinta-feira? — Ele foi acusado de tentativa de homicídio.
Como podem simplesmente deixar esse tipo de caso?

— Carinho, seu pai é um advogado muito bom, e....

— OH, Deus — gemi, me sentindo enjoada. Tinha que


encontrar um menino rico, malcriado e filho de um advogado
para tê-lo como um ex-namorado perseguidor psicopata, não
é?

Ótimo. Definitivamente sabia como escolhê-los.

—.... Entraram rapidamente esta noite, mas...

— Espera, o que? Sinto muito, mamãe. Distraí-me.


Onde entraram esta noite?

— Em nossa casa, mas...

Ergui-me sobre meus pés.

— O QUE!

— Agora, isto não significa necessariamente que foi ele.


— É obvio que era ele. Mãe! — Acorda, mulher — Quem
mais poderia ser?

— Está bem, está bem. — A voz de mamãe era um


pouco tranquila e apaziguada para meu gosto — Tem razão.
Há uma boa possibilidade de que fosse ele. Entretanto, não
levaram nada. Só um par de papéis no escritório que estava...
bagunçado.

— Está me procurando — disse em voz baixa,


olhando ao redor da sala como se pudesse encontra-lo à
espreita em um dos cantos. Encontrava-se livre e esclarecido
de todas as acusações legais, por isso agora me buscava. Por
vingança.

— Não vai te encontrar — assegurou-me — Não temos


nada na casa que conecte você a Reese Randall. A única
forma em que possivelmente poderia te encontrar agora é por
seu número de seguro social, e juro que temos todos os
documentos com a informação guardada em uma caixa de
depósito de segurança no banco. Só para ter certeza,
entretanto, papai amanhã vai trocar seu número de celular.
Vamos ligar para Shaw e Mads e deixá-los saber qual é o
novo número. De acordo?

Quando não respondi suficientemente rápido — meu


cérebro estava muito ocupado dando voltas com pensamentos
— mamãe repetiu meu nome.

— Reese?
— Está bem – eu disse, sacudindo a cabeça, não muito
segura do que aceitava.

Mas pareceu tranquiliza-la. — Vê — havia um sorriso


em sua voz — tudo está bem. Não vamos deixar que se
aproxime de ti. Agora está a salvo.

Um longo suspiro de alivio deixou meus pulmões. Tinha


saído de casa para me manter o mais segura possível. Mas
agora que o perigo invadia casas para me encontrar, senti-me
como se tivesse deixado o único lugar no qual poderia estar
protegida.

Encontrava-me a quase 1500 quilômetros de casa.


Sozinha.

— Te amo, Teresa — murmurou mamãe em meu ouvido.

Quando fechei os olhos com força, uma só lágrima se


deslizou por minha bochecha.

Todo mundo sempre tinha me chamado de Reese, desde


que era um bebê e a minha irmã mais velha que não tinha
conseguido pronunciar Teresa. Mas me sentia bem em
escutar meu nome de nascimento em voz alta. Tinha passado
muito tempo, e começava a esquecer quem eu era realmente.

— Eu também te amo, mamãe.

Depois de desligar, fiz uma turnê completa de todo o


apartamento, acendendo todas as luzes e verificando cada
janela e armário. Debaixo da cama. Atrás da cortina do
chuveiro. Logo voltei para a sala de estar, já não estava mais
sonolenta.

Olhando sem ver a tela da televisão, saltei a cada


rangido e gemido que escutava ecoar através de meu pequeno
apartamento. Fiquei tentada a chamar Eva e lhe exigir que
voltasse para casa para estar comigo. Mas provavelmente
estava tão bêbada, que traria sua turma de festa com ela.
Certamente, não queria que uma horda de estranhos
rondasse pelo meu sótão.

Quando alguém bateu na minha porta, gritei. O


travesseiro que tinha estado agarrado a meu peito saiu
voando.

Saí do sofá e corri para longe da porta, em vez de ir pra


lá. Agarrando minha bolsa, joguei os conteúdos na mesa e
procurei entre meu pó compacto e minha carteira antes de
encontrar meu spray e arma de eletrochoque.

— Quem é? — Perguntei enquanto me arrastava para a


porta, com ambas as mãos cheias de armas de garota.

— É Mason.

O que?

Sem acreditar na voz masculina abafada, no mínimo –


porque viria Mason me ver às onze da noite do sábado? —
Apareci através das persianas fechadas e fiquei boquiaberta
ao ver o Sexy de pé fora da porta de meu apartamento.
Que demônios?

Feliz de ver alguém que não era Jeremy, e ainda mais


encantada de que esse "alguém" terminou sendo Mason,
deixei cair o spray e a arma de eletrochoque a meus pés e me
pus mãos à obra, abrindo as três fechaduras que mantinham
minha porta fechada contra os intrusos.

No momento em que a abri, estava disposta a me jogar


em seus braços e abraça-lo por estar aqui. Sentia-me tão
aliviada de não ter que sofrer o resto da noite sozinha.

— Mason — ofeguei.

Quando levantou a cara, vi imediatamente que algo


estava errado. Seus olhos rodaram com tormento.

— Podemos falar? – Ele rangeu — É que.... Tenho que


falar... com alguém.

Afastando o cabelo de minha cara, encontrei um pedaço


de pipoca preso na minha trança e o tirei.

— Um... bem. Claro. Entra.

Comecei a abrir a porta um pouco mais, mas isso


pareceu intimidá-lo. Ele deslizou um passo atrás e levantou a
mão.

— Se este for um mau momento, posso ir.

Revirei os olhos.
— Mason, sério. Entra agora! — Em realidade eu não
gostava da ideia de deixar minha porta aberta.

Mas o senhor Gigolô ficou tímido. Ficou enraizado no


patamar da escada, me mandando um olhar assustado.

Com um murmúrio de frustração, agarrei-o pelo braço e


o meti em meu apartamento. Enquanto eu trancava a porta,
ele passeava pela sala. Eu me virei e o vi passando as mãos
pelo cabelo e suspirou. Repetidamente. Estava tão distraído
que nem sequer se deu conta quando recolhi minha arma de
choque e o spray do chão e discretamente os guardava de
novo.

Depois caminhou por um minuto sem me reconhecer,


me sentei no braço da cadeira e cruzei as mãos no meu colo.

— Então... O que aconteceu?

Ele se jogou no sofá, deixando cair a cabeça para trás


contra o encosto. Depois de deixar escapar um gemido baixo,
ele admitiu:

— Eu quase fui preso esta noite.

OH, merda.

Deslizei-me fora do braço da cadeira e sentei a seu lado.


Nossos joelhos quase se tocavam então me inclinei para
frente e peguei minha bebida da mesa de café, utilizando-a
como uma má imitação de uma barreira.
Minhas mãos começaram a tremer. Para disfarçar os
tremores, tomei um gole, mas imediatamente me dei conta do
grande erro. A carbonatação na minha bebida me fez querer
expulsar todo o conteúdo do meu estômago.

Mas que droga, droga, droga. Eu tinha estado tão segura


do que disse à Dra. Janison que não aceitava mais clientes.
Pensei que ia deixar esse estilo de vida pela garota, por mim.
Pensei que toda nossa paquera por mensagens de texto e o
quase beijo significava que estávamos nos aproximando.

Assim, como poderia quase ter sido preso? A advertência


de Eva o levou ao lado negro?

Deus, era uma idiota.

E não ia chorar por isso. Não. Negava-me.

— Você... quer dizer pela polícia? — Finalmente


encontrei a força suficiente em minha laringe para perguntar.

— Não. — Moveu a cabeça para trás e para frente, sem


deixar de olhar o teto — Por um marido.

— Santa... – Eu deixei cair a bebida que segurava, e foi


um milagre que meu colo a apanhasse em posição vertical.
Agarrei-a de novo em minhas mãos — OH, Meu deus,
também está dormindo com mulheres casadas?

Eu tive que cobrir minha boca como se fosse empurrar


manualmente a bile para as profundezas do meu estômago.
Ele me deu um olhar angustiado e começou a sacudir o
joelho.

— A maioria das mulheres que me contratam são


casadas.

Traguei saliva e quase me engasguei na miséria, a dor e


a decepção acumulando-se em meu esôfago.

— OH. — Estava muito ocupada me concentrando em


não gritar para dizer muito mais.

Entretanto, minha falta de resposta pareceu irritá-lo.

— Jesus, por que acha que se aproximam de mim? A


maioria é rica e donas de casa entediadas, elas gastam todo o
dinheiro que seus maridos lhes dão com homens mais jovens.

Ficou de pé e começou a caminhar de novo, puxando


um punhado de seu cabelo até que se arrepiaram em ângulos
estranhos. O triste era que, tão irritante e disperso como
estava, ainda estava muito sexy. E ainda queria abraçá-lo até
que a sua dor desaparecesse.

Ele chutou a porta ao passar por ela. Em seguida, ele


congelou e ficou boquiaberto por um momento, certificando-
se de que ele não tinha danificado antes de fazer uma careta
para mim.

— Sinto muito.
Dei de ombros e lhe fiz gestos para que continuasse.
Podia chutar tudo o que quisesse sempre e quando não
deixasse um furo ou um buraco.

— Ei, pelo menos não me chutou.

Esse comentário pareceu choca-lo.

— Por que iria te chutar?

— Não sei. — De repente desconfortável, tomei um gole


grande. Desta vez, a cafeína se instalou em meu estômago em
lugar de incomodá-lo. Ainda olhava para mim, então acenei
minha mão em um gesto inútil — Às vezes as pessoas sentem
a necessidade de fazer mal a outras pessoas em uma maneira
de mostrar seu poder. E obviamente neste momento está se
sentindo impotente, sem o controle de sua própria vida, por
isso...

Veio ao meu lado e se sentou junto a mim antes que


pudesse terminar minha explicação.

—Nunca te chutaria Reese. Por que você acha...? —


Negou com a cabeça, e logo inclinou seu rosto e fechou os
olhos — Não deveria ter vindo.

— Não. — Aproximei-me e agarrei seu joelho — Está


bem. Sério. Quero dizer, se precisa tirar algo de seu peito,
então.... Deixa-o sair. Não é como se pudesse falar sobre isto
com qualquer um. E somos amigos, assim...
Ele olhou para cima e me estudou, suplicando com o
olhar algum tipo de liberação.

Mas enquanto me olhava, seus traços derrubaram.

—Você sabia que nunca tive relação sexual só pelo


prazer de fazê-lo, só para ter um pouco de diversão recreativa
com uma mulher de minha escolha? Sempre, sempre recebo
propostas e me pagam. Nunca pude decidir quando nem
onde, nem como, nem com quem. Nunca...

— Então tenha sexo recreativo – eu disse, franzindo o


cenho, porque não podia ver por que isto me incomodava
tanto. Não para ele de todos os modos. A ideia de que tenha
sexo recreativo — sem que eu me envolvesse — era
incrivelmente irritante para mim. Claro. Mas não falávamos
de mim. Isto era sobre ele — Nada te impede de dar...
Brindes.

Mason se inclinou para trás como se tivesse lhe


esbofeteado.

— Isso não seria justo com a garota. Não seria justo


para mim. Não seria justo para ninguém.

OH.

Mm.

Então ele era um gigolô com regras legais. Maldito seja


outra coisa que tinha que admirar nele. Em realidade, mais
que admirar.
Com uma explosão de clareza, eu percebi que não era
um prostituto em tudo. De fato, se ele nunca tivesse entrado
neste estilo de vida, aposto que seria do tipo que se
comprometesse, o homem de uma só mulher que nunca se
afastaria ou ficaria em uma relação menos de dois anos.

Seria o namorado perfeito.

Era um milagre que não tivesse se ligado a uma garota


antes...

— Espera. — Neguei com a cabeça quando outro


pensamento me golpeou — Inclusive sua primeira vez foi...

Fez uma careta de desgosto.

— Minha locadora. Ofereceu reduzir o aluguel atrasado


que lhes devíamos se.... Cedesse. Ameaçou me expulsar se
não aceitasse. Ela é a que me fez nomeações para me
encontrar com outras mulheres, e conseguiu que me
contratassem no Country Clube.

Meus olhos poderiam ter saído de suas órbitas.

— Você quer dizer à senhora Garrison? Assim ela é


como seu cafetão?

Deixou escapar um rugido.

— Cafetão? Sim, suponho que possa chama-la assim.


Ela.... Ei, como sabe seu nome?
Dei de ombros. – Ela me disse isso. Encontrei-a
fumando fora quando fui à sua casa uma noite depois de
fazer de babá.

— Maldita seja. — E começou a caminhar. Sério, o


menino me deixava enjoada — Disse que te deixasse em paz.

— Sim? — Bem, isso foi alarmante — Quando você fez


isso? E por que discutia com a proprietária sobre mim?

— Porque ela te viu entrar e sair e você é.... – Ele jogou


a mão para mim como se eu fosse ser capaz de terminar a
frase.

Não podia. Endireitando-me, pressionei a mão em meu


peito, já ofendida.

— Sou o que?

— Você é linda... — murmurou, dando a volta —


Assim, naturalmente, pensa que você e eu...

— Sim. — Assenti e agitei a mão — Entendi essa parte.

Mason esfregou o rosto, gemendo.

— Deus, às vezes odeio isto. De vez em quando, só quero


deixar tudo.

Meu coração pulou uma batida. A esperança surgiu. —


Então, deixe de fazê-lo. Deixe-o agora mesmo.

Apertou os dentes e franziu o cenho.


— Não posso!

Neguei com a cabeça.

— Por que não?

— É que... — Fez uma careta — Não vou fazer isto para


sempre. Tenho um plano. Assim que eu me formar, vou
conseguir um grande trabalho. Então vou pôr a mamãe e
Sarah em uma casa, uma de sua propriedade, não outro
aluguel. E vou encontrar minha própria casa. Vou ser livre.

Assenti enquanto escutava. Era triste escutar como se


sentia preso em sua vida atual e responsável pela sua mãe e
sua irmã.

— Por que Dawn não pode comprar sua própria casa


agora? E por que não pode se mudar, se isso é o que quer?

Ele piscou chocado.

— Está louca? Não se pode confiar em mamãe com as


finanças. Antes de entrar, esqueceu-se de pagar... quase
tudo. É uma grande mãe, não me interprete mal. Daria
minha vida por ela, mas ela não pode fazer orçamento de
nada. Às vezes, esquece-se de pagar a fatura da luz, e as
luzes se foram enquanto jantávamos ou tomávamos banho.
Às vezes...

— Espera. — Agitei as mãos para detê-lo — Sinto muito,


mas acredito que simplesmente não entendo como terminar a
universidade vai ensinar a sua mãe a financiar e a se cuidar
sem você.

Olhou-me como se não pudesse compreender minha


preocupação.

— Inclusive se construir um ninho o suficientemente


grande para que ela e Sarah se estabeleçam na vida, ainda
poderia esquecer-se de pagar os serviços públicos depois que
você se fosse.

O brilho de Mason era de irritação.

— Está dizendo que nunca vou ser capaz de morar


sozinho?

— Não, quero dizer que tem que olhar de um ângulo


diferente. Parece que Dawn precisa aprender um pouco de
organização. — E deixar de acumular tanta responsabilidade
sobre os ombros de seu filho.

— Está começando a entrar em razão – argumentou —


Trabalhei com ela durante os últimos dois anos. E cada par
de meses, paga as contas sem minha ajuda.

— Bom, então lá vai. Talvez agora ela pudesse fazer tudo


por conta própria. E assim, você não precisaria fazer algo
drástico para salvar sua família. Elas vão ficar bem. Não tem
que seguir violando a lei ou seu próprio código moral e
continuar fazendo algo que obviamente odeia só para ganhar
mais dinheiro.
— Tenho um plano — repetiu, com a mandíbula
obstinadamente dura, me dizendo que nada o faria desviar.

Revirei os olhos e murmurei:

— Sim. Um plano estúpido. — Minha voz poderia ter


sido um pouco presunçosa, mas não me importei. Seu plano
estúpido evitava que saltasse sobre seus ossos neste mesmo
segundo. Afastava-me de estar com a única pessoa que me
viu e gostou do que viu.

Como se entendesse que sua teimosia me incomodava,


sentou-se a meu lado.

— Sinto muito, Reese. Não era minha intenção despejar


sobre ti todos meus problemas. Eu... – Engoliu em seco. O
olhar que me enviou dizia muito no departamento das
desculpas, mas as palavras que disse soaram mais como —
Tem algo para beber?

Soltei uma forte gargalhada. Sim, uma bebida forte


soava perfeito agora mesmo.

— Claro. Espere. — Empurrei-me sobre meus pés e o


deixei no sofá. Necessitava um pouco de espaço dele de todos
os modos antes que o esbofeteasse bobamente.

Na cozinha, abri o armário de parede e cheguei na ponta


dos pés para alcançar a única garrafa de álcool que estava no
local. Depois de encher um copo de vinho com gelo, me servi
uma bebida saudável e levei os dois copos e a garrafa para o
sofá.
— Tenho.

O alívio cruzou seu rosto.

— Obrigado. — Tomou toda a bebida de um gole, só


para sentar-se ereto e quase cuspir enquanto tossia e
balbuciou — Deus. — Fez uma careta e arranhou a superfície
da língua contra a parte inferior de seus dentes superiores,
limpando o sabor que ficava — O que era isso? Tequila?

Fiquei atordoada por ele não conhecer sua bebida, fiquei


boquiaberta.

— Não. Era gin. — Como podia alguém não reconhecer o


sabor ou o cheiro de gin?

— Horrível. Tem gosto de desinfetante.

Umm... Sim. Dah.

Soltou uma risada repentina.

—Me referi a água quando pedi uma bebida, você sabe.

— Ups. — Dei de ombros.

Ele também deu de ombros.

— OH, bom. Isto também servirá. — Estendeu a mão e


tomou a garrafa para servir outro gole. Simplesmente se
estremeceu com desgosto com seu próximo gole — Droga,
isso é desagradável. — Lançou-me um olhar com a
sobrancelha arqueada — Não tinha lhe tomado por uma
bebedora de gin.
— Não sou. Estava no armário quando me mudei. Deve
ser de meus tios.

Bufou, servindo-se de mais.

— Uma boa maneira de atrair sua sobrinha menor de


idade e estudante universitária a permanecer sóbria. —
Assobiando entre dentes depois do gole número três, me
olhou nos olhos um pouco encharcados.

Sorri porque sua reação foi tão malditamente linda.

— Me deixe adivinhar. Não é um grande bebedor.

Mason negou com a cabeça antes de tomar uma


respiração profunda e revigorante tomando seu gole número
quatro. Um corante verde tocou suas bochechas, mas engoliu
em seco novamente e engoliu tudo apenas para piscar com os
dentes cerrados.

— Bom novato. Se continuar tomando a essa velocidade,


vai estar mais doente que um cão.

Olhou-me, considerando-o.

— Mas vou estar bêbado?

— OH, sim.

— Bom. — Tomou o número cinco sem pestanejar.

Tinha que admitir que me impressionou um pouco. O


rapaz era um aprendiz rápido. Isso ou a bebida já tinha
entorpecido o seu paladar.
Dois goles depois, interceptei o gole número oito, tirando
a garrafa de sua mão antes que pudesse beber.

— Confie em mim, querido. Isso é o suficiente.

Piscou, cambaleando um pouco.

— Está segura? Não me sinto...

— OH, você vai sentir, assim que o álcool atingir sua


corrente sanguínea.

— Bom.

Quando assentiu, confiando em minha palavra


implicitamente, tive que perguntar:

— Agora, me recorde por que nos embebedamos? Por


quase ser apanhado ou porque eu disse que seu plano é
estúpido?

— Não é estúpido. — Franziu o cenho antes de


acrescentar — E não estou me embebedando — cravou-se um
dedo no esterno — por causa do que aconteceu agora a
pouco. Você vai ficar sóbria para cuidar de mim.

— Sim? — Isto era novo para mim. Quando levantei as


sobrancelhas, lhe fazendo saber que provavelmente deveria
repensar na sua última afirmação para que soasse um pouco
mais como uma súplica e muito menos exigente, ele
simplesmente me enviou um sorriso bobo doce.
— Vamos, Reese. Por favor. Só quero esquecer que esta
tarde passou. Esquecer o que sou, quem sou.... Quem...

Suas palavras pararam quando sua atenção se desviou


à imagem congelada em minha tela de televisão.

— Ei, que filme é esse? — Achando minha tigela de


pipocas, tirou-a da mesa de café, colocou-a em seu colo e
começou a comer. Logo subiu os pés sobre minha mesa de
café.

Sim, acredito que o álcool começava a fazer efeito.

Suspirando, eu caí derrotada, no sofá ao lado dele. Ao


parecer, esta noite veríamos filmes, enquanto eu cuidava de
sua bunda linda e bêbada.

Homem, que me açoita.

Uma parte de mim se deu conta de que tinha que ser a


idiota mais estúpida por permitir que ficasse. Quase dava a
bem-vinda a um coração quebrado. Mas outra parte de mim
me disse que o fazia pela segurança. Assustei-me ao saber
que Jeremy me perseguia ativamente. Inclusive um bêbado
na casa me fazia sentir melhor.

Mas secretamente, sentia-me encantada de que tivesse


vindo a mim — e ninguém mais — para embebedar-se e dizer
seus sentimentos pessoais mais íntimos. De fato, me senti
honrada por cuidá-lo.
— Pode ser que você goste deste filme – eu disse,
aliviada pela mudança de conversa — Começava uma
maratona do Harry Potter quando chamou a minha porta.

Animou-se.

— Sério? Harry Potter?

— Sim. Estou na metade do primeiro, mas posso


começar de novo, se quiser.

— Sim. Isso soa muito bom. Eu não vi os filmes.

Tomando o controle remoto, sacudi a cabeça.

— Isso é uma loucura. Não posso acreditar que não


tenha visto os filmes nem lido os livros. É como ser....
antiamericano, ou algo assim.

Deu-me um olhar confuso.

— Como posso ser antiamericano? Pensei que fossem


escritos por uma autora britânica.

Suspirei. Recordava isso, não?

— Bom, então, é anti... terráqueo.

Riu e atirou uma pipoca no ar na intenção de apanhá-lo


com a boca. Mas a perdeu totalmente e o pedaço de pipoca
bateu em seu nariz. Então também tive que rir.

— Já se sente enjoado?
Não fui para cama até quase as duas da manhã. Depois
de roubar um par a mais de goles de gin, Mason se deprimiu
na metade do segundo filme e já que eu estava morta de
cansaço, apaguei tudo. Tirei-lhe os sapatos, pus seus pés no
sofá e encontrei uma manta extra para cobri-lo. Então
apaguei as luzes e tropecei para meu quarto.

Não vou mentir. Vi-o dormir durante uns dez minutos


antes de me levantar da poltrona. Ele parecia tão tranquilo e
adorável todo acomodado com a cabeça sobre seu ombro.
Tentada a tirar uma mecha escura de seu cabelo que lhe caía
sobre o olho, finalmente me obriguei a retroceder.

Limpei e vesti meu pijama antes de me arrastar debaixo


dos lençóis, completamente exausta e, entretanto, muito
consciente de sua presença ainda em meu apartamento.

Alegre de que outra pessoa estivesse perto depois de


saber sobre Jeremy, fui capaz de dormir com bastante
facilidade. Acordei despertando bruscamente porque alguém
levantou as mantas e se meteu na cama comigo.

Sentei-me imediatamente.
—O que você está fazendo?

Meu grito indignado fez com que Mason se queixasse.

—O sofá é muito pequeno. Não posso dormir lá.

Mordi meu lábio inferior enquanto ele se deitava a meu


lado e não se moveu. Logo que houve suficiente luz no quarto
pude ver seu perfil. E que perfil tinha. Mas, na realidade, não
podia dormir na minha cama comigo.

Podia?

Não! Não, Reese, não. Jogue sua bunda sexy de gigolô.


Agora!

—Quer que te leve para casa? – Perguntei, mordendo


meu lábio e incapaz de fazer uma coisa tão blasfema como
jogar Mason Lowe de minha cama.

Mas ele já estava meio dormindo de novo.

—Mmm?

—Bom, está bem – soprei, e levantei o lençol – Acredito


que dormirei no sofá, então.

Já que tinha um quarto pequeno, tinha posto a cama


contra a parede e meu lado dava à parede. Assim tive que
subir em cima dele para escapar. Ou talvez devesse dizer que
tratei de subir por cima dele. Seu braço me agarrou pela
cintura e me ancorou de novo à cama para que caísse em
meu lado, de costas para ele.
—Não vá – disse arrastando as palavras.

Sua voz estava tão cheia de súplica que fiquei imóvel,


indecisa.

Este era território perigoso.

Detrás de mim, Mason se aproximou e me abraçou por


trás, ficando de conchinha.

OH, Meu deus, ficar de conchinha era tão romântico e


tenro.

—Você se sente bem – rosnou com uma voz rouca e


sexy, cheia de sono.

Quando ele suspirou, isso foi tudo. Kaput. Atirei a


toalha oficialmente: não ia a nenhum lugar.

Deixei escapar um suspiro de renúncia e me relaxei


contra ele. Em troca, cantarolou sua gratidão.

—Só não diga que eu não avisei. – Tentei mantê-lo


platônico – Às vezes tenho pesadelos e grito ou gemo
enquanto me contorço. Poderia te acordar ou acidentalmente
te deixar com um olho roxo.

Os músculos do braço envolto a mim ao redor se


esticaram.

— Tem terrores noturnos? Como pesadelos?

Fechei os olhos.
— Sim.

Aproximou-se mais protetoramente.

—Por quê?

—OH... essa é história para outro dia.

Acariciando meu quadril para me tranquilizar,


sussurrou:

—Não se preocupe, Reese. Estarei aqui para te manter a


salvo, sem me importar que monstro invada seus sonhos.

Suas palavras eram tão doces que meus olhos se


embaçaram.

Passou seus dedos quentes por meu ombro como se


quisesse me consolar, fez uma pausa.

—Merda. Está nua?

—O que? Não. – Seu toque de repente se parecia como


uma marca quente em minha pele nua — Uso uma camiseta
e calções.

Ela usava!

Mas ele já tinha descoberto isto por si mesmo quando


seu polegar encontrou a alça fina e a palma da outra mão
agarrou a barra de minha camiseta e a subiu para alisar
minha barriga.

—Posso acender a luz?


Eu endureci.

—Por quê?

—Assim posso vê-la. – Seu polegar traçou a alça de


minha camiseta suavemente, deslizando-o pela parte de atrás
de meu ombro — Tenho tanta vontade de te ver.

—Melhor não – disse-lhe, com a garganta apertada com


o impulso de murmurar: “Foda-se, leve-me agora!"

Tinha passado mais de um ano desde que tinha tido


relações sexuais. Até este mesmo momento, tinha jurado que
não estava perdendo nada. Jeremy, foi minha primeira e
única fonte de experiência sobre o assunto, não tinha sido
precisamente famoso por sua natureza generosa. Eu não
tinha muito boas lembranças.

Mas Mason, com apenas roçar meu abdômen me tinha


totalmente reconsiderando.

Apoiou seu rosto em minha cabeça, inalando


profundamente.

—Maldita seja, Reese. Tenho um plano.

Seu toque se tornou desesperado e quente. Agarrando


meu quadril, ajustou-me contra ele. Quando meu traseiro
apertou em sua ereção através de toda nossa roupa, agarrei
um punhado de travesseiros por cima de minha cabeça e dei
um suspiro profundo.
—Não se esfregue, Reese. Faça o que faça, não se
esfregue.

Ele suspirou e escorregou a mão no cós do meu short


para baixo — oh, tão baixo no meu abdômen, como para
guiar os meus movimentos.

Oh,Deus.Oh,Deus. Será que ele...?

Santo inferno. Sua palma se deslizou entre minhas


pernas, pressionando contra mim através da minha calcinha.
Minha respiração era rápida e superficial. Ofegava, tentando
me controlar, mas a sensação de formigamento em meus
seios e a dor que com dedos me acariciava afastando minha
concentração.

—Mason – eu engasguei.

—Não podemos fazer isto – disse, com a voz cheia de


necessidade enquanto usava o tecido de minha roupa interior
para roçar um ponto sensível e me fazer gritar —Tenho um
plano. Não entende?

Quando se inclinou para tomar a pele de meu ombro com


os dentes e empurrar seus quadris contra minha bunda,
apertei os olhos e os fechei.

— Sim, eu... Entendo. Entendo que não sou parte de seu


plano.

Um soluço abafado rompeu dele. Por um microssegundo,


agarrou-me tão forte como se fosse lançar seu estúpido plano
e a foder-me sem sentido. A forma em que se agarrou a mim
me fez sentir como uma tábua de salvação para sua alma
torturada. E a pressão dos seus dedos para tirar aos meus
olhos como mísseis. Eu estava tão fodidamente perto.

Em seguida ele deixou escapar um suspiro reprimido.

—Eu te respeito – cerrou as palavras. – Eu te admiro e te


adoro e te respeito, Reese Randall. Eu não vou fazer isso.

E assim, seu corpo se afrouxou e sua mão saiu do cós de


meu short.

Prendi a respiração enquanto seu nariz se enterrava em


meu cabelo antes que seus lábios encontrassem minha
cicatriz. Beijou-a suavemente.

— Boa noite, amiga – sussurrou antes que ficasse de


costas para mim.

Irritada pela forma em que tinha jogado com meus


hormônios, deixei escapar um suspiro alto.

Maldição!

Mason Lowe poderia ser um cavalheiro puro quando se


tratava de não tomar vantagem quando havia álcool
envolvido, mas também era uma provocação de cabelo sujo e
miserável. Pulsava, pulsava fisicamente pela liberação.

Respirando profundamente atrás de mim, me dizendo


que dormiu. Fiquei tentada a lhe dar uma cotovelada na
coluna vertebral e levantar sua bunda bêbada, lhe exigindo
algum tipo de compensação pela tortura a que acabava de me
submeter.

Mas também o admirava, adorava e respeitava. E


compreendia que ele sentia o mesmo. Além disso, teria me
arrependido pela manhã porque, vamos, esta noite quase
tinha sido pego por um marido. Não era o tipo de cara com o
qual uma garota poderia começar algo.

Com lágrimas nos olhos, com confusão, tristeza,


depressão e um montão de frustração sexual, enterrei a
bochecha úmida em meu travesseiro e amaldiçoei quando
meu piercing do nariz ficou preso no tecido. Juntando forte
minhas coxas para aliviar um pouco a dor entre minhas
pernas, esperei que chegasse a manhã. Não tentei passar por
cima dele novamente para escapar, porque infelizmente,
apesar de toda a dor que eu estava, não havia nenhum outro
lugar no qual queria estar, a não ser com ele.
Despertei na manhã seguinte comodamente envolta em
uma bola de calor humano e não muito mais. Já que se tinha
convertido em um hábito me assegurar de que o aro de meu
nariz não se afrouxasse durante a noite, acariciei minha fossa
nasal para encontrar tudo em ordem, e logo deixei que minha
mão se assentasse no antebraço de Mason que descansava
sobre meu quadril. Sua pele se sentia tão agradável que dei
um pequeno suspiro de prazer, arrastando meus dedos para
cima e para baixo do seu braço. Então abri os olhos e pisquei
para a parede, a somente uns dois centímetros de minha
cara.

Comodamente, o senhor Lowe tinha monopolizado


grande parte da cama em que quase me imobilizou. Tinha-me
contra a prancha de gesso, e todas as mantas estavam
envoltas ao redor dele. Provavelmente tivesse tido frio se não
fosse pelo fato de que ele se emprestava como minha manta
pessoal. Uma manta pessoal quente.

Inundando-me na experiência de despertar na cama


com ele, fiquei ali por mais tempo de que deveria.
Apesar de tudo, estar tombada e enredada com ele era
incrível. Poderia ter ficado aqui todo o dia, mas minha bexiga
não estava tão impressionada por seu tenro calor ou seu
aroma embriagador. A coisa egoísta exigia atenção. Logo.
Gemendo quando desenrolei seu braço de ao redor de minha
cintura, arrastei a meu companheiro de cama envolto em
uma manta e corri ao banheiro.

Como já estava ali, segui adiante e me dei uma ducha,


logo me dei conta muito tarde de que tinha me esquecido de
trazer roupa limpa comigo para me trocar. Quando escapuli
pela porta aberta, esperava que estivesse levantado e alerta.
Mas seguia morto para o mundo e mumificado entre meus
lençóis. Saltei pelo chão até meu armário e escolhi um traje
super-rápido.

Mason nem sequer se moveu.

Quando me assaltou um toque travesso de inspiração,


não pude me deter. Vi o vulto de barriga para baixo na cama,
o topo de sua cabeça voltada para mim, enquanto deixava
cair atoalha ao chão. E o filho de puta ainda não tinha nem
ideia de que tipo de espetáculo tinha ante ele.

OH, bom. Provavelmente foi melhor que não despertasse


— e ups — me apanhasse me trocando. Éramos só amigos.

Parecia como se pudesse tomar um cochilo durante


outro milênio mais ou menos, assim escrevi uma nota
rapidamente — em caso de que algo terrível acontecesse e
abrisse os olhos enquanto eu não estava — e lhe disse que ia
sair para conseguir um pouco de café da manhã.

Quando voltei, seu jipe seguia estacionado no caminho,


mas meu apartamento estava tranquilo. Arrastei-me até meu
quarto, quase preocupada de que tivesse ressuscitado e
tivesse ido de todos os modos. O dia tinha melhorado
consideravelmente e o sol entrava pelas persianas fechadas
para pulverizar minha cama, pondo em relevo uma obra de
arte.

Mason tinha rodado sobre suas costas em minha


ausência. Os lençóis se deslocaram até a parte inferior de sua
caixa torácica. E santo capuchino e expresso moca de
chocolate branco, estava sem camisa!

Sim, esteve sem camiseta durante toda a noite


enquanto eu estava tombada a seu lado... E não tinha tido
nenhuma pista.

Uau!

Só... uau.

Olhei-o em toda sua glória —em minha cama, sem


camisa. Por Deus! — E estava além da tentação de pegar meu
celular para tirar umas poucas (dúzias) de fotos para as
guardar para sempre.

Mas... Ele poderia não apreciar isso.


Maldita seja, às vezes ser amiga de um total bombom
podia feder.

Não se podia fazer fotos deles quase nus enquanto


estavam deprimidos em sua cama sem sua permissão, sem
conseguir um caso grave de culpabilidade.

Entretanto, não me impediu de olhar. Assim olhei e


olhei.

E olhei.

Então, como um raio do Harry Potter, me ocorreu uma


ideia. O que aconteceria se não estivesse só sem camiseta
debaixo desse lençol? E se estivesse completamente nu?

OH, isto tinha que sabê-lo!

Posto que se encontrava morto para o mundo e parecia


ter um sono muito profundo, lancei a uma missão de coleta
de feitos. Curiosidade puramente acadêmica é obvio.

Depois de deixar os dois copos que sustentava em


minha penteadeira, agarrei a borda dos lençóis que lhe
cobriam e os movi muito, muito lentamente por seu liso,
estreito e bronzeado torso. Minha atenção se lançou entre a
cara e o peito, captando cada centímetro dos sexys peitorais
esculpidos que ia expondo.

Quando cheguei aos inícios de sua tatuagem, animei-


me, esquecendo o mistério das calças por um segundo.

Talvez hoje pudesse ler o que dizia.


Puxei um pouco mais insistentemente do lençol e
descobri ao mesmo tempo em que ele ainda levava sua roupa
interior, mas sem calças, e que sua tatuagem dizia: “me
obrigue”.

Engoli em seco.

Depois de ontem à noite, essa palavra tomava muito


sentido. Pude vê-lo sentindo-se apanhado e rebelde, vivendo
uma vida em que as mulheres lhe diziam exatamente o que
fazer para agradá-las e pensando que esta era sua única
forma de lhes mostrar o dedo médio.

Queria libertar-se e viver sua própria vida. Queria o


controle sobre si mesmo.

De repente compreendi por que sempre me havia


sentido conectada a ele. Éramos almas semelhantes às que
nos tinham feito sentirmo-nos reprimidas. Depois de anos de
que Jeremy me dissesse como levar meu cabelo, que tipo de
roupa comprar, que tipo de comida comer, eu tinha adotado a
mesma atitude rebelde de "me obrigue".

O triste era que Mason ainda vivia sob sua supressão, e


ele tinha a intenção libertar-se; simplesmente não o faria.
Não deixaria de fazer o que fazia até que soubesse sem lugar
a dúvidas que sua mãe e sua irmã estavam bem. Mas, OH,
Mason, pobre iludido. Já lhe obrigaram.

Sua tatuagem também me recordou que me comportava


como qualquer outra mulher, tratando-o como um objeto
sexual por lhe jogar uma olhada roubada. As lágrimas ardiam
em meus olhos. Estava a ponto de cobri-lo de novo, de lhe
devolver sua dignidade, mas no último segundo estendi a
mão e toquei a tinta seca incrustada em sua pele, pedindo
desculpas silenciosamente por minha parte nisto.

Conteve a respiração com o meu toque e rodou sobre


seu estômago para mim, aonde fez uma careta e enterrou a
cara em meu travesseiro.

Não, agora que o mencionava, não tinha intenção de


lavar a capa desse travesseiro nunca mais. Objeto sexual ou
não, ainda era Mason e eu gostaria de saborear cada pequeno
aroma que deixou em minha cama.

Recuando até a porta, limpei meu rosto e levantei os


dois copos como se tivesse ido para o quarto nesse momento.
– Vamos, Belo Adormecido. – Por meu tom de voz feliz, nunca
imaginaria que acabava de estar à beira de começar a chorar.

Um segundo mais tarde, Mason tirou a cabeça do


travesseiro.

— Que demônios? – Sua voz era rouca e confusa


enquanto olhava ao redor até que me viu. Com os olhos
muito abertos, ficou sem fôlego — Reese?

—Bom dia – chiei, e tomei um despreocupado sorvo do


meu copo – Fui e comprei algo para tomar o café da manhã.
Há rosquinhas na sala. – Quando me olhou, rolei os olhos –
Sei, sei, "Reese, é tão incrível e maravilhosa. Obrigado por
pensar em mim. Não tinha por que." Mas em realidade não
há problema. O que seja por meu amigo. Assim... de nada.

Piscou e passou a língua pelos lábios, batendo—os


juntos um par de vezes, provavelmente para umedecer a boca
seca. Ao olhar lentamente ao redor do quarto, fez uma careta
quando chegou à janela e a luz do sol da manhã o cegou,
aposto que estava fazendo maravilhas com sua ressaca.

—Este é o seu quarto.

Abri a boca para soltar algo sarcástico e malicioso, mas


parecia como se estivesse sentindo dor, assim encontrei
piedade e tomei outro gole.

—Sim.

Assentiu e dirigiu seus olhos injetados de sangue em


minha direção.

— O que estou fazendo em sua cama?

Encolhi os ombros. – Disse que o sofá era muito


pequeno.

Ele estreitou os olhos como se estivesse tentando


lembrar-se de dizer tal coisa. Centrando-se em mim outra
vez, seu rosto empalideceu quando me perguntou:

— Então, nós fizemos...?

Esta vez não pude me conter. Tinha que torturá-lo um


pouco.
Ouçam, não julguem.

—Sério Mason? – Eu engasguei com indignação fingida –


Como pôde esquecer a noite mágica que compartilhamos? –
Apertei meu copo contra meu coração como se sentisse uma
dor sincera – Foi.... Lindo.

Ele afogou um som de negação.

— OH, Deus, não. O que fizemos.

—Ouça! – Voltei para cima meu dedo médio, o que foi


toda uma façanha, já que ambas as mãos estavam cheias —
Ao menos poderia fingir que a ideia de dormir comigo não te
repugna por completo. Agh. Pensei que ao menos te
interessava um pouco. Quero dizer, o que acontece com seus
estúpidos impulsos de cara com tesão e esse dom que te
disse que tens de dizer a palavra?

—Eu... Deus, Resse. Sinto muito. Não quis dizer isso. É


que... Merda. Isto não era algo que eu gostaria de esquecer. –
Tragou saliva e passou uma mão pelo sexy cabelo
despenteado, parecendo um pouco verde – Umm.... Ao menos
foi bom para você?

Comecei a rir, me afogando com o último gole que tinha


tomado e logo evitando cuspir através do quarto.

—Uau, não lembra nada de nada, verdade?

Fez uma careta e a devastação total ruborizou suas


bochechas.
— Não, nada.

—Bom, relaxa, Casanova. Não aconteceu nada.

Em todo caso, pareceu ainda mais decepcionado.

— Não aconteceu nada?

—Não.

Não parecia nada convencido.

— Está dizendo que vim aqui, meti-me na cama contigo


e não me aproximei de ti absolutamente? Por que me parece
impossível de acreditar?

Provavelmente porque assim era, assim, desta vez, tive


que mentir. Encolhi os ombros.

— Você estava em colapso. Simplesmente chegou aos


tropeções ao meu quarto, você aconchegou-se ao meu lado e
desmaiou. OH! E então monopolizou três quartos do colchão
e todos os lençóis. Que é algo no que precisa trabalhar de
verdade, amigo, porque se pensa em te casar algum dia,
nenhuma mulher vai aguentar.

Seus lábios se curvaram com diversão.

— Terei-o em mente. – Estudou-me um segundo mais,


parecendo como se tivesse que dizer algo mais. Mas em troca,
tragou saliva e se levantou — Banheiro?

Assinalei.
— Aí mesmo.

—Obrigado. – Estava fora da cama e cruzando o quarto


em um instante, me dando de presente uma olhada imprecisa
dele em nada mais que cueca boxer escura.

OH, as dificuldades de ter um sexy pedaço de carne


bronzeado como amigo próximo.

Embora não tivesse me importado de dar outra olhada


dele nessa cômoda e apertada cueca boxer, saí do meu quarto
para lhe dar um pouco de privacidade, já que era um pouco
estranho escutá-lo urinar através da porta do banheiro.

Deixando seu leite em minha penteadeira, retirei-me


para a sala de estar para passar o momento em frente da
televisão, até que vi sua camisa e seu jeans enrugados em
uma pilha na parte superior da manta com a qual lhe havia
coberto na noite anterior. Depois de recolhê-los do chão e
tomar uma boa e profunda baforada de Mason, o aroma
ainda persistente neles, levei-os para o meu quarto. Acabava
de atirá-los sobre minha cama quando ouvi o banheiro, assim
me apressei a voltar a sair.

Desta vez fechei a porta do meu quarto antes de voltar


para o sofá. Acabava de dobrar a manta e colocá—la sobre o
respaldo do sofá quando chamaram a minha porta. Por
alguma razão me recordou a chamada telefónica de minha
mãe ontem à noite.

E se fosse Jeremy? E se já me tinha encontrado?


Merda, tinha me lembrado de fechar a porta depois de
voltar com o meu leite? Tinha estado tão preocupada e
ansiosa por ver se Mason continuava aqui, que me esqueci
por completo da ameaça acrescentada de perigo.

A maçaneta da porta girou, me dizendo que


definitivamente não estava trancada.

Assustei-me e joguei uma olhada ao meu redor,


procurando freneticamente uma arma.

OH, Deus, se Jeremy encontrasse Mason aqui, mataria-


o.

Vendo o meu café, que tinha posto na mesa de café, eu


peguei, pronta para lançar a infusão fervendo na cara de meu
psicopata ex-namorado perseguidor. Mas Eva começou a
balbuciar assim que irrompeu no interior.

—Reese! Temos que falar. Agora mesmo.

Fiquei olhando boquiaberta para a minha prima,


alarmada pelo perto que tinha estado de queimá-la.

Como pude ter esquecido de fechar a porta?

Fixou-se em minha expressão congelada e me enviou


um olhar divertido.

— O que?

—Pensei que era.... Me esqueceu...


Antes que pudesse cuspir uma frase compreensível, a
porta do meu quarto se abriu e Mason saiu ainda no processo
de meter a camisa pela cabeça.

— Roubei um pouco de Ibuprofeno – disse quando


apareceu a cabeça pelo pescoço.

Quando nos viu a Eva e a mim admirando-o, deteve-se


em seco. Seu olhar se congelou em minha prima antes que se
voltasse para mim com uma leve careta de desculpa.

Esclareci-me garganta.

— Umm... Está bem. Estou segura de que a ressaca


está... – lancei um rápido olhar para Eva, que estreitava os
olhos ameaçadoramente – ...te matando.

Abriu a boca e parecia como se quisesse dizer algo


importante, mas o que saiu foi.

— Sabe onde estão meus sapatos?

Neguei com a cabeça e balbuciei enquanto me punha em


ação. – Seus... seus sapatos? Umm... sim, tirei-os depois que
desmaiou e os deixei aos pés do sofá.

Deixando meu leite, ajoelhei-me sobre minhas mãos e


joelhos para procurar debaixo dos móveis.

—Aqui estão.

Quando me levantei, Mason tinha uma expressão


particularmente tensa no rosto. Seu sorriso era tenso quando
os tirou de minha mão e se apressou a colocar os pés dentro
deles.

—Obrigado. – Ignorou deliberadamente Eva, e se


centrou em mim — Lhe vejo as duas, não?

Eu fiz uma careta.

— Às duas?

Seus olhos se alargaram.

—A festa de aniversário de Sarah é hoje. Você vem, não


é?

—OH, sim! – Eu bati em minha testa — Tinha me


esquecido por completo. Mas, sim, eu estarei lá. É obvio.

Ele deu de ombros.

— Você tem um presente para ela, certo? Esteve


perguntando toda a semana que tipo de presente tem para
ela. E disse que o teria.

—É obvio que tenho alguma coisa. – Com um sorriso


diabólico, pus uma mão no quadril — E eu odeio lhe dizer
isso, amigo, mas meu presente é tão grande que vai acabar
com o seu presente.

Pela primeira vez desde que despertou esta manhã,


dedicou-me um sorriso sincero.
— Vamos ver. – Seu olhar estava fixo no copo deixado
sobre a mesa de café — Você disse que tinha um desses para
mim, certo? E mencionou comida.

Revirei os olhos. Não importava como estranha ou


incômoda era a situação, sempre podia contar com que
Mason comesse.

— Seu café está na minha penteadeira, em meu quarto.


E os donuts estão sobre a mesa.

Seu sorriso cresceu e seus olhos aqueceram.

— Você é a melhor.

Desaparecendo muito brevemente para que Eva não


dissesse nada, exceto: "OH, não, você não", ele voltou,
bebericando de boa vontade de seu copo para levar. Depois
de apropriar-se de um donut da caixa da mesa, plantou um
breve beijo em minha bochecha.

— Obrigado. Por tudo.

Enquanto minha bochecha formigava aonde ele tinha


apertado seus lábios, Mason se voltou para a porta, mas
parou quando Eva cruzou os braços sobre seu peito e olhou
para ele, recusando-se a desviar-se da saída.

Levantando uma sobrancelha, soltou um brusco.

—Com licença.
—OH, isso não vai acontecer. Não depois do que fez a
minha prima

—Eva, deixa-o em paz. Não sabe do que fala. – Quando


ela me cortou com um olhar incrédulo, murmurei — Não
aconteceu nada. Ele dormiu no sofá.

Não havia nenhuma razão para mencionar que não ficou


lá.

—Sabe o que? – Ela surtou — Não importa se os dois


ficaram acordados toda a noite, sentados em extremos
opostos da sala lendo a bíblia juntos. Alec viu seu Jipe
estacionado fora de seu apartamento quando me trouxe para
casa ontem à noite. Você sabe que irá contar para todos.

Suspirei.

— Na verdade, não importa a quem Alec diga. Não vou


deixar de ser amiga do Mason só porque algumas pessoas
ignorantes e estúpidas agora pensam que sou uma prostituta
barata.

—Wow. – Interrompeu Mason e se virou para Eva,


olhando-a assustado — As pessoas estão realmente dizendo
isso dela?

—Ele é meu amigo — arremeti — E ontem à noite


precisava de um amigo. Não é fácil para ele, você sabe.

—OH. Não, tem razão, ReeRee. Não posso imaginar quão


horrível deve ser sua vida. Quer dizer, as mulheres ricas e
ostentosas vão até ele, colocando notas de cem dólares em
suas calças diariamente. Sim, isso parece... horrível.

— Você não sabe de nada. Com as faturas médicas e


postos de trabalho de merda de sua mãe.

—Olhe, já ouvi a respeito de sua vida em casa. Conheço


toda a história de sua triste e deprimente infância. Mas
também sei que muitas pessoas estão tendo dificuldades.
Muitas pessoas passam por quase tanta merda — se não
mais — e não estão vendendo seu corpo por dinheiro.

—Você está com ciúmes — murmurei, dando a volta.

—Ciúmes? – Pôs-se a rir com uma gargalhada


surpreendida — Do que?

Balançando para trás, apontei para Mason e gritei;

— Pelo fato de que ele não queria ter nada que ver
contigo, só se virar e se tornar meu amigo.

—Amigo? — Eva soltou uma risada áspera — Ele não


quer ser seu amigo.

— Na verdade... – começou Mason, mas Eva o cortou.

—E a única razão pela qual eu fui para ele naquele dia


na biblioteca era porque sabia que você olhava. Queria te
mostrar o pouco que se podia confiar nele.

Deixei escapar um bufo muito pouco feminino.

— Pena que seu gesto atencioso explodiu em sua cara.


Como se tivesse perdido a esperança de ganhar
qualquer argumento contra mim, Eva se voltou para Mason.

— Você – ela zombou — fique longe de Reese. Está tão


fora de sua liga que não está nem em condições de lamber
seus sapatos. De fato, se chegar perto dela de novo, irei
diretamente à delegacia para dizer-lhes o que você é.

O rosto de Mason empalideceu. Seus olhos já estavam


injetados de sangue, mas pareceram ficar mais úmidos
enquanto me olhava impotente.

—Já chega! — Indo para frente, dei um empurrão a Eva


no ombro, empurrando-a com muita força para se afastar da
porta.

Então agarrei o antebraço de Mason.

—Não faça conta. Não vai dizer nada à polícia.

—Não... – começou ele, mas nesta manhã, não tive sorte


em conseguir uma palavra coerente para dizer.

Falei diretamente com ele enquanto abria a porta de


meu apartamento.

— Você e eu somos amigos, e vamos seguir sendo


amigos. – Desculpando-o silenciosamente, dei um passo atrás
para deixá-lo ir quando olhei nos olhos dele e murmurei — Te
vejo às duas.

Quando me devolveu o olhar, tive que conter o impulso


de abraçá-lo. Ele estava devastado.
Incapaz de evitá-lo me aproximei, coloquei-me nas
pontas dos pés e dei-lhe um rápido beijo na bochecha, já que
agora parecíamos ser amigos dos que beijam bochechas. Ele
virou o rosto o suficiente para fazer a nossa pele se esfregar
um segundo a mais do que o necessário, fazendo o calor e o
afeto rugirem através de mim.

Nenhum dos dois falou enquanto dava um passo para


trás. Olhamos um para o outro por um momento, depois
balançou a cabeça e saiu do apartamento.

Depois de fechar a porta atrás dele, virei-me para Eva


lentamente, disposta a fazer o que fosse necessário para
proteger Mason.

— Eu juro por Deus, que se você fizer algo para


machucá-lo...

Eva começou a chorar.

— Oh, cale a boca. Eu não vou machucar seu precioso


gigolô. Jesus. – Enterrando a cara entre suas mãos, sentou—
se em meu sofá e começou a balançar-se para trás e para a
frente – Quer dizer, estou preocupada com você e queria
avisá-la para ficar longe dele. Mas eu disse bobagem. Eu só
não quero que você se machuque, ReeRee. Ainda há
esperança para você.

Um pouco confusa pelas lágrimas, porque Eva nunca foi


chorona, caminhei lentamente, sem saber o que pensar de
sua explosão de caráter muito dramático.
Com dedos vacilantes, estendi a mão e toquei-lhe o
cabelo.

— Eva?

Ela olhou para cima. Acho que não tinha lavado a


maquiagem ainda, porque enormes rastros negros de
delineador de olhos se deslizavam por seu rosto.

— Estraguei tudo – soluçou – Estraguei muito bem. E


não quero que te aconteça o mesmo. Tome cuidado com ele.
Prometa-me isso.

Sentando-me ao lado dela, puxei-a em meus braços.

— Como você estragou tudo? Do que você está falando?

Merda, se ela confessasse que tinha tido relações


sexuais com Mason, ia perder a compostura.

—Eu estava... – Ela fez uma pausa para sorver e limpar


as lágrimas — Depois de ver seu Jipe aqui ontem à noite, ia
falar com você e te avisar sobre isso de qualquer maneira,
esta manhã. Mas ia esperar até depois de que ele se fosse.
Então... Então eu acordei e olhei no meu armário de remédios
uma aspirina, quando vi meus tampões e percebi... Oh, Deus.

Ela escondeu o rosto no meu ombro e chorou


novamente. Eu acariciava seu cabelo longe de seu rosto e
suavemente perguntei.

— O que percebeu?
—Eu tenho um atraso.

Meus dedos congelaram em seus cabelos dourado.

— O que?

Tão rapidamente, perguntei-lhe:

— De quem? – Por favor, Deus, não do Mason — Do


Alec?

Levantou-se para olhar para mim.

— Sim, do Alec! Não sou uma puta tão grande. Deus.

Graças ao Senhor.

Cobri minha boca.

— OH, Meu deus, Eva. Você tem certeza? A tia Mads


sabe? Está...?

—É claro que eu não tenho certeza! Eu te disse, eu só vi


a minha caixa de tampões, eu percebi de que tenho um
atraso e eu fiquei com medo. Vim correndo em linha reta para
você e me esqueci do gigolô até que ele saiu se exibindo de
seu quarto. Desculpe-me eu o ataquei de novo, ok? Eu sei
que você ainda está com raiva depois da última vez, e jurei
que iria ignorar completamente daqui para frente, por isso,
me perdoe. Mas então eu vi e achei… mais fácil atacar que
confessar.
—Está bem, está bem. – Levantei minhas mãos para
deter suas divagações – Só... mantenha a calma e pense no
Chris e Liam.

—Está bem – repetiu Eva – Está bem. – Ofegou um par


de vezes como se já estivesse preparada para entrar em
trabalho de parto. Quando uma expressão de choque
iluminou seu rosto, endireitou-se e me olhou boquiaberta —
Ouça, isso funciona de forma eficaz.

Com um sorriso, ela puxou o meu cabelo. – Eu sei,


certo.

Nenhuma mulher heterossexual no planeta poderia


entrar em pânico com uma imagem mental da combinação
dos irmãos Hemsworth.

Nós rimos juntas, e eu sabia que tudo ficaria bem.

—Acho que a primeira coisa que temos que fazer – disse


quando chegou o momento de levar a sério mais uma vez — é
descobrir de uma maneira ou de outra. Portanto, vamos à
farmácia comprar um teste, mamãe.

O rosto da Eva empalideceu e cobriu o ventre com


ambas as mãos.

— OH, Deus. Não me chame assim. Não estou pronta


para isso.
Bem, vou ser tia. Ou será prima em segundo grau?

Oh, quem estava preocupado em como funciona essa


relação; Eva estava grávida, de qualquer maneira em que
olhasse. O mundo estava acabando.

Passei o resto da manhã e a maior parte da tarde com


ela, acalmando seus nervos em frangalhos. Eu consegui fazê-
la rir algumas vezes, mas principalmente eu dei-lhe lenço
após lenço. Falamos sobre seu futuro, sobre o que ela queria
fazer com sua situação e como ela iria dizer aos seus pais e
ao Alec.

Acredito que estava mais preocupada em contar ao Alec


que à tia Mads e ao tio Shaw.

— Não é o adequado, ReeRee. Posso te dizer nestes


momentos que ele e eu não vamos durar, Alec nem uma vez
olhou para mim da maneira que Mason olha para você, e
vocês dois aparentemente são só amigos.

Endireitei os ombros.
— Como me olha Mason?

Eva balançou a cabeça e suspirou com cansaço.

— Se você não sabe, certamente não vou dizer a você.


Eu ainda acho que deve ficar longe, você tem menos futuro
com ele do que eu tenho com o Alec. Jesus, mas Alec vai ficar
feito uma fúria quando ouvir isto.

Estava muito ocupada pensando em Mason para


responder. Mas, como diabos ele me olhava?

— Merda! — Saltei do meu sofá, recordando a última vez


que ele tinha olhado para mim, antes de fechar a porta na
cara — A festa da Sarah. Tinha esquecido totalmente.
Começou faz cinco minutos. Sinto muito, E eu tenho que
ir.

Corri para o meu quarto e agarrei meu presente. Eva


lutava por levantar-se, olhando-me em pânico, então eu voltei
à para a sala de estar.

— Mas...

Levantei uma mão.

— Chris e Liam. Chris e Liam — Lembrei-lhe — vai dar


tudo certo. Eu estarei de volta em umas poucas horas e
poderemos continuar de onde paramos. Tudo certo?

Eva mordeu o lábio, mas assentiu.

— Não se esqueça de mim.


— Nunca. – Fiquei feliz que a nossa relação foi um
pouco restaurada desde a tarde que a apanhei flertando com
Mason na biblioteca. Dei-lhe um abraço impulsivo e rápido —
Eu te amo, Eva tudo vai ficar bem, confie em mim. — Então
eu saí pela porta.

Demônios, como eu poderia me esquecer de Sarah?


Tinha que ser a pior babá do mundo.

Cinco minutos depois, estacionei meu carro


descuidadamente em frente da casa Arnosta. A adrenalina
rugiu através de minhas veias. Cheguei à festa de aniversário
rapidamente.

— Lamento tanto chegar tarde. — Sem fôlego, passei


pela porta principal sem chamar — Perdi a noção do tempo
enquanto escrevia um artigo para a escola. Eu sei... – Eu
parei de sorrir e posar para um tipo de posição animada,
porque a tensão no ar quase me afogou logo que entrei — Sou
uma nerd total nisso.

Então eu me virei para as três meninas que não


reconheci. Revoavam em manada no lado oposto do quarto de
Sarah.

— Olá, eu sou Reese – eu disse, ficando à frente para


apertar suas mãos — Sou a babá da Sarah à noite.

Brittany, Leann e Sorcha se apresentaram, me dando


uns sorrisos esticados e lançando olhares desconfortáveis a
Mason e Sarah, que estavam apinhados no sofá de dois
lugares.

— Bom, é um prazer conhece-las meninas. Tenho a


certeza que vamos nos divertir. Sarah é sempre a alma da
festa. O que me lembra, eu tenho que dar à aniversariante
um enorme abraço, agora mesmo.

Saltei para Sarah e me inclinei para envolvê-la em meus


braços antes de agitar seu presente na frente dela, deixando-
a ouvir o chacoalhar dos elementos dentro.

— Acho que você vai amá-lo. — Coloquei-o entre o


montão de presentes na mesa de café.

Sarah parecia absolutamente miserável, jurando que


lágrimas se reuniam em seus olhos e fiquei impressionada
com a ira que exalava de Mason. Ele não parava de olhar
fixamente as companheiras de aula de Sarah.

Esfreguei as minhas mãos.

— Então.... Onde está Dawn?

Mason dirigiu sua carranca para mim. Através da


mandíbula apertada, disse entre dentes:

— Está na cozinha, ordenando a comida.

— Ótimo. — Ignorando seu desagradável mau humor,


forcei um enorme sorriso — Estou morrendo de fome, vamos
ajuda-la. —Tomando seu braço no meu, arrastei-o para os
seus pés e dei uns tapinhas no ombro de Sarah quando
passei — Estaremos de volta logo, amiga.

Assim que eu tinha Mason no corredor, eu sussurrei:

— O que diabos eu perdi?

— Brilhante ideia de convidar as suas companheiras de


classe – murmurou — estiveram ignorando-a todo o tempo e
nem sequer estão no mesmo lado da sala que ela.

Revirei os olhos.

— Bom, o que você espera se você se abateu sobre ela


como um cão de guarda cheio de raiva? Juro, você estava
espumando pela boca enquanto olhava para aquelas pobres
meninas. Estou surpresa que ainda não tenham saído
correndo e gritando da casa.

— Pobres meninas, minha bunda. Convidamos a todas


as pirralhas de sua classe e só se apresentaram três, as que
abertamente confessaram que estavam aqui porque seus pais
as obrigaram a vir. Sarah está miserável.

Nossa conversação se deteve abruptamente quando


entramos na cozinha para encontrar Dawn correndo
freneticamente, tomando um sorvete do congelador e
colocando-o em um recipiente sem ponche.

— Olá, Dawn – cumprimentei — você parece um pouco


sobrecarregada. Por que não está com o resto dos
convidados? Mason e eu podemos lidar com isto.
— OH, Reese, você é uma santa. Obrigada. — Dawn
deu-me um exausto, mas aliviado sorriso, algo que seu filho
ainda tinha que fazer — Estive lutando durante toda a
manhã para ter esta festa pronta, será bom para meus pés
descansar um pouco.

Quando ela deixou a cozinha, Mason murmurou —


Obrigado por me oferecer como voluntário.

— O que? — Perguntei-lhe, surpreendida por sua


amargura... para mim. Quero dizer, olá, eu acabava de entrar
pela maldita porta — O que eu fiz?

— Onde você estava?

— Eu te disse, estava em casa, escrevendo um trabalho.


— Sim, sim, isso era uma total mentira. Tinha terminado
esse artigo ontem à noite antes que minha mãe ligasse. Mas
não podia lhe dizer sobre Eva. Ela nem sequer havia dito a
Alec ou aos seus pais.

Encontrei o ponche em uma jarra na geladeira, eu o


levei para despejar na terrina enquanto mexia.

— Em realidade é um tema interessante para minha


classe de literatura britânica. Tivemos que ler Chaucer em
inglês medieval, que fedia a traseiro de macaco, e em seguida
traduzi-lo para o inglês atual. Mas deixe-me dizer que os
Contos de Canterbury não são apenas contos de fadas doces
e inocentes. Quer dizer, ainda estou com raiva porque o
estuprador terminou em um feliz para sempre, mas...
— Não me interessa seu artigo, está bem. — Mason
ergueu as mãos no ar — Minha irmã está prestes a chorar.
Eu queria que este fosse o melhor aniversário de sua vida...,
mas ela o odeia.

Fiquei de boca aberta.

— Oh, meu Deus. É o teu período do mês ou o que? Eu


disse que estava arrependida. Honestamente, perdi a noção
do tempo. E vai ser a melhor festa de aniversário de sempre.
Eu juro. Apenas temos que passar a primeira fase de
desconforto e tudo ficará bem. Confie em mim.

Passando suas mãos através de seu cabelo, Mason me


viu começar a cortar o bolo. Já que não tinha nenhum
desenho genial, ou inclusive um lema incrível como "Feliz
aniversário, Sarah", assumi que era seguro cortá-lo.

— Sinto muito — cedeu, imediatamente, agarrando a


parte posterior da cadeira da cozinha e inclinando-se para
frente para deixar escapar um suspiro — É que... depois
desse assunto com a Eva esta manhã, não tinha a certeza se
você viria. Então você se atrasou e eu pensei...

— Ei. — Parei depois de afundar a faca em uma camada


dura de glacê. Mantendo minha voz suave, deixei a faca a um
lado e peguei a mão dele, forçando-o a olhar para mim — Não
se preocupe com Eva, certo? Não irá à polícia. Eu juro, você
não precisa se preocupar com isso.
Seus olhos estavam ligeiramente injetados de sangue de
sua noite de gin. Penetravam-me significativamente enquanto
apertava meus dedos.

— Essa não era a parte que me preocupava.

Eu fiz uma careta, tentando lembrar o que aconteceu e


percebi que devia referir-se ao que Eva disse que não era bom
o suficientemente para mim.

Eu soltei a mão para bater em seu ombro.

— Oh, de qualquer maneira. Você sabe que não pode se


livrar de mim assim tão fácil. Eu vou ser aquela amiga chata
que nunca te deixa sozinho.

Seus ombros se relaxaram quando me observou voltar a


cortar o bolo. Mas seus olhos permaneceram assombrados.

— Promete?

Eu sorri e dei-lhe uma piscadela.

— Eu juro pela minha vida.

Bufou da minha piada, mas manteve a tensão em seus


ombros. Por um microssegundo, de qualquer maneira. Então,
ele fez um gesto envergonhado.

— Isso não é tudo, mamãe convidou a nossa


proprietária à festa. E ela disse que sim.

— OH, isso é ótimo – comecei a recolher o primeiro


pedaço fatiado para deslizá-lo em um prato. Então eu
entendi. Eu olhei para ele — Espera, é a mesma proprietária
que foi sua primeira...

Parei enquanto me encarava com um olhar ameaçador.

— Tudo bem – eu terminei lentamente — Bom.... Isto vai


ser divertido.

Eu não podia esperar para conhecer a caseira assalta


berços, que o desflorou. Sim, claro.

Mason voltou-se para percorrer a cozinha, da mesma


forma que ontem à noite tinha percorrido minha sala de
estar. Inclusive passou suas mãos através de seu cabelo,
fazendo-o todo sexy e despenteado. Eu não queria que a
assalta berços o visse parecendo sexy e despenteado.

— Eu odeio quando ela vem aqui — vociferou em voz


baixa — Ela sempre consegue encontrar uma forma de me
encurralar em algum lugar e falar. Me dá arrepios.

Agarrando o braço quando ele passou, eu parei meu


trabalho de cortar em fatias para colocar o seu cabelo no
lugar. Ainda estava muito sexy para meu conforto, mas seus
cabelos já não tinham esse estilo de "acabei de sair da cama".
De pé passivamente diante de mim, permitiu-me acariciá-lo
enquanto seus olhos percorriam meu rosto.

— Quer que te proteja da má anciã assalta berços? —


Perguntei com simpatia.
Deixou cair sua cabeça e se inclinou para mim como se
quisesse descansar o rosto no meu ombro.

— Sim.

— Feito. — Sorri e lambi a faca de glacê.

Ele olhou para cima e seus lábios se curvaram com


diversão.

— Tem um pouco de algo. — Dando um passo mais


perto, estendeu a mão com suavidade e esfregou o polegar
lentamente, oh, meu Deus, tão dolorosamente,
deliciosamente lento, no canto do meu lábio. Quando ele
retirou a mão, havia um pingo de glacê rosado em seu dedo.

Sentindo-me um pouco ofegante e atordoada, movi


rapidamente a minha língua para onde ainda podia sentir um
eco de seu toque. Fiquei tentada a levantar um dedo cheio de
mais glacê direto de cima do bolo e intencionalmente espalhá-
lo sobre toda minha boca desse modo ele tinha que me tocar
de novo. Mas eu era uma boa menina. Inalando um suspiro
trêmulo, observei-o levar o polegar a sua boca e lamber o
glacê.

Querido Deus.

Meu sutiã de repente sentia-se formigar ao redor das


minhas muito-sensíveis partes femininas, e minhas calcinhas
já não eram tão confortáveis. Eu nunca tinha estado tanto, e
totalmente excitada, por simplesmente olhar para um cara,
uma lambida mais de glacê e teria gritado uma grande
liberação.

Mas Mason Lowe lançava alguns feromônios poderosos.


Meu corpo absorveu-os e pedia por mais.

Como se soubesse que causava com que todos os meus


hormônios choramingassem e se contorcessem, seus olhos se
iluminaram e avançou para mim. Trinta centímetros de
espaço entre nós se converteram em quinze. Logo em sete.

Perigo. Perigo. Will Robinson, gritou meu coração,


batendo contra o meu peito como se estivesse a bater na
porta da minha cabeça para chamar minha atenção e me
devolver a razão.

Contendo a respiração, voltei-me e agarrei a lata de


frutos secos variados para abrir a tampa.

— Você sabe, eu poderia ter estado guardando esse


glacê para depois.

Ele riu com a voz tensa.

— Mas você me conhece. Se tiveres comida, eu estou


obrigado a roubá-la.

— Certo. — Rasguei o selo de qualidade dos frutos secos


antes de lhe oferecer alguns.

— Vê, você sim me conhece bem. — Com um sorriso


sexy, agarrou um punhado.
Seus dedos permaneceram no frasco, então franzi o
cenho.

— Não pegue todas. Os convidados poderiam querer


algumas

Seu sorriso caiu.

— É melhor que essas convidadas comecem a tratar a


minha irmã adequadamente, ou podem beijar minha bunda.

Não é justo. Se alguém ia conseguir a honra de tocar


seu perfeito e apertado traseiro, deveria ser eu, não um
montão de esticadas adolescentes que incomodavam a sua
irmã. Sério.

— Não se preocupe — disse-lhe com uma piscada —


Tenho um plano para as pequenas meninas. Todas estarão
comendo na palma da mão de Sarah antes do final do dia.

Mason sacudiu a cabeça.

— Você sorriu um pouco malevolamente neste momento.


Não sei se fico impressionado ou amedrontado.

— Impressionado – eu respondi enquanto segui meus


dedos graciosamente sobre a barba áspera de sua bochecha
— Sempre impressionado.

Ele sorriu e aproximou-se, parecendo drogado pelo meu


toque.

— Normalmente eu sou.
Sua reação me fez coisas más. Coisas que eu adorava,
mas que não podia pensar neste momento. O importante era
que tudo tinha acalmado com sucesso todos seus nervos
acabados. Demônios, sou boa ou não?

Mas com Mason tranquilo, era hora de salvar a minha


amiga.
— Trouxemos a comida. — Alegrei-
me quando entrei na sala de estar na frente de Mason com os
braços cheios de pratos de bolo, gelado e frutos secos. Servi
primeiro Sarah, coloquei o seu no móvel do televisor junto à
cadeira e com uma mão lhe pus o garfo de plástico na sua –
Coma, céu. Assegurei-me de que tivesse mais glacê para
você... – Engoli em seco — Oh, meu Deus, não cantamos os
parabéns nem lhe deixamos soprar as velas.

— Sarah não gosta muito das velas — respondeu Mason


dando um prato a sua mãe e logo outro a Leann —
Geralmente, saltamos essa parte.

— OH. Bom, ainda podemos cantar, certo? — Já que


Dawn luzia tão relaxada em sua poltrona reclinável e seus
pés golpeavam fazendo uma canção, comecei a cantar quando
passei os últimos aperitivos a Sorcha e a Brittany.

Felizmente, Mason, sua mãe e as três convidadas


cantaram comigo. Depois, comecei a aplaudir e todos me
imitaram.

— Agora podemos voltar com as bebidas — eu disse.

Mason tropeçou quando o agarrei pelo braço e o arrastei


junto a mim.
— Vê? — Disse-lhe uma vez que chegamos ao corredor
— Isso não foi tão mau.

Ele riu.

— Provavelmente porque você não deu a oportunidade a


ninguém de falar.

Não apreciei sua piada, assim que lhe piquei as costelas


com meu dedo indicador.

— Só me olhe, amigo. Você está a ponto de ver o milagre


que é Reese.

— Está bem. — Soltou outra gargalhada — Confio em ti.


Mas mamãe não tem que se sentar com as meninas e afastar-
se de Sarah.

— Provavelmente tenta fazer com que se sintam mais


confortáveis. — Ao entrar na cozinha, entreguei quatro copos
de ponche já servidos.

Franzindo o cenho enquanto fazia malabarismo com os


copos nos braços, murmurou:

— Bom, isso não ajuda para que Sarah se sinta mais


confortável.

— Ouça. – Eu poderia dizer a Mason para se acalmar e


imaginar Chris e Liam. Mas infelizmente, não acredito que
colaborassem com ele. Talvez os meninos não fossem tão
divertidos — Eu tenho um plano.
No mesmo instante, lembrei-me de quando ele me disse
essa mesma frase ontem à noite, pouco antes de seus
dedos.... Eu estremeci e balancei a cabeça, recusando-me a
pensar nesse momento. Não era o momento certo.

Depois de verificar que todos tinham o que


necessitavam, Mason e eu nos servimos com um pouco de
tudo e nos juntamos ao grupo, nos sentando juntos no único
móvel que ficava disponível na sala de estar, que era o sofá de
dois lugares. Parecia uma brincadeira, ter que me sentar
junto a ele como se fôssemos um casal.

Quando as três convidadas quase terminavam seu bolo,


disse a Sarah:

— Por que não abre seus presentes enquanto comemos?

— Essa é uma boa ideia. — Dawn se levantou do


repousa-pés para recolher um dos presentes que estava na
mesa de café e o passou a sua filha.

— Bem pensado — murmurou mordazmente Mason


depois de inclinar-se a meu ouvido, me fazendo cócegas na
pele sensível do pescoço com seu quente fôlego —. Apressar a
tortura para que terminemos com isto logo que possível.

Eu gostei muito que se aproximasse tanto. Eu até gostei


do cheiro de noz torrada em seu hálito. Precisando de espaço
antes de perder o controle e me envergonhar na frente dele,
dei-lhe uma cotovelada e sussurrei

— Comporte-se.
Ele bufou, mas voltou para o seu lado do sofá, de
repente levando uma mordida de bolo à boca.

Sarah mergulhou com alegria no momento de


desembrulhar presentes. Suas companheiras de classe
perambulavam perto enquanto abria o primeiro presente.
Parecia tão emocionada que quase caiu da cadeira de rodas
quando viu o novo e brilhante bracelete da parte de Mason.

— Obrigado. Obrigado, Mason, obrigado — disse muitas


vezes, com um grande sorriso permanente.

Demorou alguns minutos para que Dawn lhe colocasse o


bracelete em torno do pulso, entretanto Brittany, Leann e
Sorcha estavam surpresas quando correram em direção a
Sarah para examinar a elegante peça de joalheria.

— É muito bonita — murmurou Sorcha, com a inveja


brilhando em seus olhos — Sempre quis um bracelete com
pingentes.

Sorri para Mason e lhe dei uns tapinhas no joelho, lhe


fazendo saber que fez um bom trabalho ao comprar o
bracelete. Ele olhou para mim e ruborizou quase
timidamente.

Senti-me honrada de que Sarah quisesse abrir meu


presente no final. Em realidade lhe comprei dois e os envolvi
em caixas separadas e logo as voltei em uma só. Sarah
parecia feliz em ter que desembrulhar mais, uma vez que
terminou com a primeira camada.
— Você comprou dois presentes? — Vaiou-me Mason ao
ouvido em tom acusador.

Com um sorriso triunfante, sacudi meu cabelo.

— É obvio.

Ele estreitou os olhos.

— Aduladora.

— Supere-o. — Bati-lhe no joelho com o meu e pisquei-


lhe um olho.

Dawn provavelmente pensou que eu era o diabo quando


ajudou Sarah a abrir o primeiro.

— É... Oh, Deus. — Lançou-me um olhar rápido e


murmurou — Um estojo de maquiagem.

Pude ver em sua cara, que de maneira nenhuma


deixaria que Sarah o usasse fora de casa, mas possivelmente
de todos os modos poderia nos deixar brincar quando eu
cuidasse dela, que por mim, seria em uns trinta segundos.

A nota musical para seu bracelete era para recordar a


Sarah a primeira noite em que dançamos juntas, e ao que
parece Dawn gostou mais. Mas pelos olhos de Sarah, acredito
que ficou com a maquiagem. Seu rosto brilhava de felicidade
e agradecimento quando me olhou.

Sua mãe ajudou-lhe a guardar tudo e eu voltei minha


atenção ao menino sentado ao meu lado.
— Fazemos uma boa equipe ou o quê?

Levantei a mão em um punho para golpear o seu.


Dando-lhe um sorriso brilhante, concordou. Quase chocámos
nossos dedos quando a porta da frente se abriu.

— Incrível! Ouvi dizer que hoje havia uma festa de


aniversário.

Uma enorme caixa, envolta em papel do Mickey Mouse,


encheu a entrada antes de revelar a senhora Garrison.

Meu sorriso alegre teve uma morte trágica.

Esta foi a primeira vez em que a via à luz do dia.


Esperava algo totalmente diferente, talvez couro, pele
enrugada, muita maquiagem aplicada demasiado ostensiva e
um cinto apertado com estampado de leopardo. Mas esta
mulher tinha estilo. Era distinguida. Suas calças capri e
blusa eram elegantes, conservadoras e apropriadas para a
sua idade. E, Meu Deus, tinha uma bolsa marca Burberry
pendurada no ombro, a mesma pela qual tinha estado
babando na internet.

Agora sim a odiava.

A perna que Mason tinha contra a minha ficou tensa.


Eu queria segurar-lhe a mão e lhe dar um apertão de apoio,
mas fui surpreendida pelo estranho que entrou atrás da
senhora Garrison.

Aproximando-me, sussurrei:
— Quem é?

— Não tenho ideia. — Mason sacudiu ligeiramente a


cabeça, com o olhar confuso sobre o homem.

Mas a senhora Garrison saciou rapidamente a nossa


curiosidade. Depois de acomodar a caixa no chão em frente a
Sarah, apresentou-o.

— Quero que conheçam meu noivo, Ted. Ted, ela é


Dawn...

Quando o apresentou à mãe de Mason, olhei-o


rapidamente.

Eu jurei que não faria mal se ele parecesse estar com


ciúmes de qualquer forma com o novo homem da caseira.
Mas Por Deus, não estava ciumento...

De modo nenhum. A verdade é que só parecia muito


surpreso ao observar boquiaberto o noivo da senhora
Garrison. Quando se voltou para mim, vi alívio e emoção nos
seus olhos.

—Graças a Deus – ele murmurou as palavras até mesmo


com um sorriso eliminando-lhe o rosto.

Apertei-lhe a perna e sorri.

— Suponho que não vai precisar dos meus serviços de


proteção.
— E ela é Reese — aclamou a senhora Garrison,
interrompendo o nosso momento — Não tinha ideia que você
estaria aqui hoje. Olá, novamente.

— Olá, senhora Garrison — disse sorrindo-lhe


brilhantemente.

Maldita seja, era uma boa atriz, mas realmente, não era
tão difícil fingir a felicidade de vê-la quando me sentia
emocionada de que já não voltaria a jogar com Mason.

Tinha um noivo. Genial!

Logo depois da reação de Sarah ante os presentes de


Mason e dos meus, abrir o da senhora Garrison foi
decepcionante. Mas gentilmente lhe deu o obrigado quando
Dawn lhe tirou um enorme urso de pelúcia da caixa para que
o visse.

A senhora Garrison olhou para Dawn e enrugou a cara.

— O que disse?

Estreitando os olhos, inclinei-me para frente.

— Disse obrigado.

A caseira enviou-me um olhar rápido e glacial, e podia


jurar que nessa breve olhada, quis tirar-me os olhos. Mas
depois seus lábios franziram em um tenso e gracioso sorriso.

— OH.
Não se incomodou em olhar Sarah de novo. Dando-me
as costas, cruzou seu braço com o de Ted e iniciou uma
conversa com Dawn.

Sarah jogou o urso para o lado e olhou ansiosamente


para a maquiagem, por isso tomei isso como meu sinal.
Saltando do sofá, aproximei-me da cadeira de rodas.

—Então, Brittany, Leann e Sorcha — chamei-as —.


Querem me ajudar a maquiar a Sarah? Acho que tenho a
combinação perfeita de cor para ela.

Maquiagem e meninas de treze anos de idade sempre se


deram bem, por isso suas três colegas de classe aceitaram e
me rodearam. Com a sua ajuda e a de Sarah, maquiei-a o
suficiente. Até as suas amigas olhavam espantadas o
resultado.

— Uau. Você é tão bonita — murmurou Leann,


parecendo surpreendida pela beleza de Sarah.

Feliz pelo elogio, Sarah quis que maquiasse as suas três


colegas. Quando ninguém se opôs, embelezei o rosto das três
adolescentes. Fiscalizando o que ocorria ouvi o que disseram
sobre o que seria melhor a quem.

Só quando terminei de aplicar delineador em Sorcha,


levantei o espelho para que se observasse. Sorriu, satisfeita, e
me agradeceu. Então ela viu algo no chão junto a mim e
gritou

— Ah! Uma aranha!


Para não ficar atrás, na presença de uma criatura de
oito patas, tive que gritar mais forte.

— Onde? Onde? — Quando a vi, saltei para o sofá para


escapar e meu grito aumentou — OH, Meu deus, é enorme.
Mason!

Fiz um espetáculo junto às colegas de Sarah que


gritaram e saltaram para o sofá comigo para afastarem-se da
aranha.

— Que alguém salve a Sarah! — Gritei, tão petrificada


para salvar a alguém que não fosse eu.

Graças a Deus, Sorcha puxou a cadeira de Sarah


pondo-a salvo junto a nós, a aranha nos lançou um olhar de
soslaio, era óbvio que nos queria como jantar.

— Que diabos? — Mason se separou da caseira, que em


algum momento roubou o espaço vazio no sofá e se sentou a
seu lado. Raios, acho que esqueci as minhas funções como
protetora. Atravessou a habitação para nos resgatar — O que
está acontecendo?

Nós quatro no sofá apontamos, e Sarah tratou de fazê-lo


com seus braços hiperativa mente.

— OH. — Mason se endireitou, olhando com alivio para


o animal — É só uma aranha lobo.

Só uma aranha lobo? Minha boca se abriu. Falava a


sério?
— Não te perguntei de que tipo é – gritei — Mate-a!

Pôs-se a rir. Sim, o filho de puta riu como se a aranha


assassina fosse uma espécie de brincadeira. Não tinha nem
ideia do perigo que corria sua vida por rir de mim.
Honestamente, alguma vez alguém ficou com medo o
suficiente para gritar e cometer um assassinato ao mesmo
tempo porque alguém pensou que seu medo era engraçado?
Bom, eu saltava do trampolim mais alto e nadava em todo
um tanque desse tipo de loucura.

Uma risada mais, e o senhor Lowe poderia ir escolhendo


as flores que queria em sua tumba.

— É inofensiva – assegurou — Por Deus, Reese. Pensei


que fosse mais valente que isto.

— Não quando se trata de grandes e peludos monstros


de oito patas. Essa coisa é maior que eu.

Revirou os olhos.

— Não, não é.

Agora negava com a cabeça e ria entre dentes por minha


fobia. Me encontrava a nada de me equilibrar sobre ele para
saber qual era a piada em meu medo quando a aranha se
moveu.

Gritei e quase tombei Brittany quando afastei o mais


que pude da ponta.

— OH, Meu Deus! Ela se move. Mate-a, mate-a, mate-a.


Definitivamente sabia como dirigir uma comoção porque
as garotas junto a Sarah começaram a gritar com Mason para
que exterminasse a aranha.

Ele me lançou um olhar irritado que dizia: Olhe o que


começou.

Não me importava. A aranha ainda vivia e isso não era


bom.

— Como é que eu vou matá-la? — Perguntou, nos


olhando com exasperação.

Com minha histeria crescendo em proporções titânicas,


gritei:

— Com seu maldito pé, idiota. Você tem um gigante


para matar essa coisa.

— Não é tão grande. — Franziu o cenho, claramente


ofendido.

— Não me interessa, só esmague a essa coisa antes que


escape.

E dessa maneira começou o coro de vozes que foi


subindo de volume com rapidez.

—Esmague-a, esmague-a, esmague-a.

Mason pôs-se a rir. Sacudiu a cabeça resignado e


esmagou a besta.
— Conseguiste? Matou-a? — Agarrei o braço de Leann,
provavelmente lhe cortando a circulação quando contive a
respiração.

Mason levantou o pé e me mostrou a grande mancha


negra no tapete.

— Assunto resolvido — informou com orgulho.

Gritei de alegria.

— OH, Meu deus, obrigado. — A sério não planejei me


lançar contra ele, mas em um segundo parei no sofá, muito
aliviada para pensar corretamente, e ao seguinte me lancei no
ar, abraçando a meu melhor amigo gigolô.

Apenas me apanhou, deixou escapar um grunhido de


surpresa ao deixá-lo sem fôlego. Tropeçamos para trás uns
quantos passos antes de encontrar o equilíbrio e sujeitou um
braço ao redor de minha cintura me estreitando contra ele.
Agradecida, abracei-o com força e enterrei meu rosto naquele
cantinho aconchegante na base de seu pescoço.

Ele era sólido, real e quente, e, além disso, cheirava


incrível. Logo que o abracei, dei-me conta da quantidade de
problemas nos quais eu sozinha me coloquei. Eu gostava de
estar pressionada contra ele. Muito. Não queria soltá-lo. Mas
estávamos parados em uma sala cheia de gente, uma das
quais era sua mãe e a outra uma mulher que lhe pagou para
que tivessem sexo.

Desconfortável.
Eu limpei a minha garganta e me afastei o suficiente
para lhe sorrir, pensando rápido para manter a situação
divertida em lugar de totalmente desconfortável.

— Mason Lowe —suspirei em voz sonhadora,


dramatizando a propósito minhas palavras enquanto
vibravam os meus cílios como uma atriz de segunda — você é
meu herói.

Revirou os olhos e soltou uma gargalhada. Colocando


uma mão na minha testa, afastou-me.

— E você uma parva.

Dei de ombros e por sorte não tive que responder,


porque todas as garotas que gritaram comigo no sofá,
pularam atrás de mim para também poderem abraçar sua
cintura e elogiá-lo por salvá-las da besta.

Depois que aceitou seus elogios, voltou-se para Sarah e


se inclinou para abraçá-la.

—Você também... é.... meu... herói — disse-lhe com sua


voz vacilante.

Parecia que ele começaria a chorar. Cavando sua


bochecha, sorriu-lhe e murmurou.

— Para você. Sempre.

Maldita seja. Agora eu queria chorar.


Mas realmente, tinha que ser tão absolutamente doce
quando se tratava de sua irmã?

Inconscientemente, senti que isto era mais que uma


mera paixão. Já estava na metade do caminho de me
apaixonar por este homem.

Depois de todo o drama da aranha, Sarah queria


dançar. Tudo foi sua ideia, eu juro.

Com a permissão de Dawn, pus em meu telefone o dueto


LMFAO e reproduzi a canção "Sexy and I KnowIt" pelos
pequenos alto-falantes. As garotas amaram como eu dava
voltas à cadeira de rodas de Sarah e a fazia girar pelo piso da
cozinha. Todas queriam ter algum turno para fazê-lo.

Mason nos seguiu até à cozinha e parou junto à entrada


para assistir. Embora ele cruzasse os braços sobre o peito da
mesma maneira que tinha feito antes que eu chegasse a festa
de aniversário, agora pelo menos parecia relaxado, como se se
divertisse.

Quando apanhei seu olhar, enruguei o nariz. Ele me


devolveu um sorriso e revirou os olhos.

Escapulindo, golpeei meu quadril com Sorcha, ela com


Brittany, Leann e logo ela voltou para Sarah.

— Mason — chamou Sarah — sua vez. — Moveu a mão.


Não negava nada a sua irmã pequena, nada, por isso se
afastou da parede e caminhou em nossa direção. Quando
começaram a "dançar" me separei da cena para que não se
concorresse muito. Apoiei as costas contra a moldura da
porta que Mason utilizou quando senti uma presença a meu
lado. Voltei para ver a senhora Garrison sem seu noivo.

Vá, ele e Dawn seguiam falando sobre plantas na sala?


Uma vez que ela e Ted começaram a falar, caíram em uma
acalorada discussão sobre as plantas perenes.

— Olá de novo — disse-lhe, tentando parecendo feliz


quando só queria escapar da mulher que converteu Mason
em um prostituto. Bom, está bem, não me importaria
primeiro de lhe cortar o cabelo, lhe roubar a bolsa e logo
escapar, mas.... Vocês entendem, não?

— Olá, Reese — murmurou com um assentimento real


para mim antes de voltar sua atenção para Mason.

Estremeci com nojo quando vi um brilho de predador na


expressão, como se pensasse que era sua proprietária.

Uma fissura de medo passou por minha coluna


vertebral. Quando apresentou o Ted, convenci-me tanto de
que se afastaria de Mason. Mas pela forma em que o olhava
agora, sabia que não era assim.

— Lindo... o aro em seu nariz — disse, com os olhos


ainda nele.

Limpei a garganta e segui o jogo.


— Obrigado. Minha prima me convenceu de que fizesse
isso. — Totalmente irritada de que não tirasse seus olhos de
Mason, acrescentei — Sabe, tem o nariz perfeito para fazer
um também.

Finalmente, me olhou de esguelha e riu.

— OH, querida. Sou muito velha para conseguir algo


assim.

Acredito que tratava de me reduzir e fazer que me


sentisse imatura, mas... não caí em suas táticas de
intimidação tão facilmente. Além disso, eu adorava e abracei
a minha imaturidade.

Inclinei a cabeça e lhe dei um sorriso inocente.

— Sério? — Soando intrigada, joguei com um fio de meu


cabelo que era muito mais jovem e são que o seu, o qual era
muito esponjoso, velho e cheio de pontas abertas. Bom, bem.
Não lhe notei nada de esponjoso ou pontas abertas, mas
totalmente o merecia — Não parece do tipo ao qual uma coisa
tão pequena como a idade a incomode.

Lancei um olhar para Mason, fazendo óbvio meu


comentário. Quando me voltei para ela, ficou imóvel e seu
rosto empalideceu. Um músculo de sua mandíbula tremeu e
seus olhos se estreitaram, endurecendo o olhar.

Ooh, à cadela não gostava que soubesse seu pequeno


segredo.
Um ponto para Reese, a aspirante. Oh, sim.

— Hmm. — Deu a volta, retornando pelo corredor para a


sala, onde se encontravam o resto dos adultos maiores.

Acabando a dança e beijando a bochecha de Sarah,


Mason caminhou para mim.

— Não sei o que você lhe disse para assustá-la — disse-


me — mas acredito que te amo por isso. — Seus olhos
brilharam como uma lata quente quando me sorriu. Então foi
dançar com Leann.

Fiquei atrás dele, muito afetada para responder. Sabia


que brincava. Mas essas palavras vindas dele soavam tão
malditamente incríveis. Que me provocaram um
formigamento que começou nas pontas dos dedos do pé até a
cabeça.

Ainda sorria como uma idiota apaixonada quando suas


calças soaram.

Soltou Leann para tirar o celular do bolso. Quando leu o


nome na tela, lançou-me um olhar incômodo. Antes de
afastar-se rapidamente, murmurando:

— Me desculpem — e correu até ao banheiro para


responder.

Ácido formou redemoinhos em minhas veias. Só podia


haver uma razão pela qual não gostaria que qualquer um
escutasse sua conversação.
Falava com uma cliente.

Tratei de que não me importar, mas honestamente, não


pude.

O que ele disse à Dra. Janison na biblioteca na quinta—


feira seguro que foi uma mentira, porque não deixou de
programar clientes absolutamente. Preparava uma reunião
com uma justo agora. E ontem à noite quase foi apanhado
por um marido.

Uma angústia avassaladora encheu meu peito. Minha


garganta ficou seca e meus olhos lacrimejaram.

Porque estava fazendo isto para mim mesma, deixando


que a esperança crescesse como ervas daninha ao meu redor
e asfixiasse todo meu senso comum, não sabia. Nunca
poderia ser nada mais que uma amiga para Mason Lowe.

Como já começava a escurecer, e tinha me assustado


com a chamada de minha mãe na noite anterior, tomei como
meu sinal de saída. Queria estar em casa antes que caísse o
sol, com todas minhas portas e janelas fechadas e minha
arma de eletrochoque nas duas mãos.

Por outro lado, Eva ainda podia estar me esperando.


Precisava de mim. Mason, obviamente, não.

Não esperei que ele terminasse a chamada. Abracei e


beijei Sarah como despedida, fiz um gesto amistoso de
despedida para suas amigas e me deslizei pela porta traseira,
correndo para o meu carro antes de que alguém pudesse me
parar.
Odiava os deveres. Sempre tinha
odiado.

Antes que eu começasse o jardim de infância, minha


irmã mais velha, Becca, tinha dito que meu professor me
daria deveres se pensasse que eu fosse burra. E, é obvio, no
final de meu primeiro dia de escola, minha professora, a
senhorita Zeigler, tinha juntado suas mãos alegremente e
dito:

— Como tarefa, quero que todos vocês vão para casa e


pratiquem escrever a letra A.

Rapidamente mordi meu lábio inferior e comecei a


chorar, pensando que eu era totalmente estúpida.

Com o transcorrer dos anos, superei lentamente minha


apreensão pelas tarefas e não voltei a chorar por outra tarefa
em classe. Mas a vontade de chorar, como eu fazia no jardim
de infância, borbulhou na superfície na seguinte terça—feira
pela manhã, quando meu professor de virologia geral
alegremente entregou oito páginas de perguntas de
investigação e logo anunciou que revisaríamos as respostas
quando nos víssemos na próxima aula.
Isso me dava quarenta e oito horas para procurar e
encontrar cinquenta respostas que não eram de maneira
nenhuma fáceis ou simples.

Essa noite, eu tinha dois livros de texto abertos e três


folhetos sobre a mesa diante de mim. Ao meu redor, a
biblioteca da universidade se mantinha bastante tranquila,
entretanto, cada roce de uma cadeira, movimento de papéis
ou a tosse de alguém me distraía.

Um cara se encontrava sentado a meu lado, esfregando


tranquilamente a ponta de seu sapato para cima e pra baixo
pela minha perna, piorando as coisas. Queria dizer ao
Bradley que parasse, mas ele era parte do meu grupo de
estudo das terças-feiras à noite, embora não estivesse muito
segura de por que ele era membro. Não parecia muito
interessado em todo o conceito de fazer a tarefa. Imaginei que
devia ter se unido com a esperança de conseguir as respostas
das perguntas.

Até o momento, eu estava no plano de "Estou tratando


de te ignorar". Mas, por desgraça, ele não captava a indireta.

Em frente a nós, Ethan Riker se debruçava sobre seu


próprio livro de texto, enquanto olhava através de suas lentes
grossas e calculava o que parecia ser um problema
particularmente difícil. Franzi o cenho enquanto olhava e me
dava conta que só tinha três perguntas terminadas.

Aghhh! Isso não era aceitável.


Apertando os dentes com irritação, de forma
competitiva, concentrei-me uma vez mais em minha folha de
trabalho e de repente desejei que Mason se especializasse em
virologia. Ele nunca tentou jogar o pezinho comigo quando
estudamos juntos, embora dele o ato teria sido bem recebido,
e ele sempre trabalhava mais rápido que eu.

Mas não, Mason trabalhava para se especializar em


engenharia elétrica. Que desmancha-prazeres.

Além disso, ainda o evitava. Mais ou menos. Bom, não


totalmente. Mas não o encontrei domingo à noite na festa da
Sarah porque ele se mantinha afastado de mim.

Quase saltei de minha cadeira quando senti um


asqueroso dedo do pé sobre minha panturrilha. Que nojo! Se
Bradley esfregasse seu pé nojento com cogumelos sobre mim,
ele ia estar tão morto.

Quando movi minha cadeira para me afastar um par de


centímetros, ele não entendeu a indireta.

— Reese? — Sussurrou.

Não me atrevia a lhe incentivar que me incomodasse,


assim nem sequer levantei a vista quando murmurei:

— Hmm? — No máximo tom distraído que pude fingir.

— Poderia me ajudar a encontrar qual é o animal que é


afetado pela enfermidade de prião, a coceira lombar?
Quase gemi. Isso era parte da primeira pergunta na
folha. Bom Deus Todo capitalista. Bradley tinha que se
apressar se quisesse terminar esta noite. E realmente
precisava tirar seus pés sujos de mim antes que lhe desse
uma patada.

Sério.

Parecendo ter misericórdia de mim, Ethan olhou para


cima.

— São as ovelhas. Diz o livro-texto aqui, na página treze.

— OH — murmurou Bradley sem entusiasmo —


Obrigado. — Enviou um olhar não tão agradecido a Ethan.
Enquanto anotava a resposta, olhei pela da mesa. Queria dar
a Ethan um sorriso discreto de "Obrigado por conseguir que
ele deixasse minha perna", mas já tinha o nariz enterrado de
novo na folha de trabalho.

E, maldita seja, agora tinha quatro perguntas


terminadas. Bradley levantou o rosto, voltou-se para mim e
abriu a boca como se fosse pedir ajuda com a segunda
pergunta. Meus dentes se apertaram. Ao bordo de perder
completamente a calma, enviei-lhe um olhar maligno de "não
te atreva" antes que Bradley pudesse falar — ou inclusive
tentar, e me fizesse explodir e lhe dizer que mantivesse seus
dedos longe de mim, uma voz se escutou pelo
intercomunicador — A biblioteca fechará em vinte minutos.

Ah... salva pelo fechamento da biblioteca.


Ao lado de Ethan, Debby fechou de repente seu livro. —
Graças a Deus. Estou saindo daqui. Não consigo responder
outra pergunta sobre a estúpida tarefa esta noite.

Chase, que estava sentado entre Debby e Bradley,


seguiu seu exemplo.

— Quem diabos se importa com as classificações dos


vírus de qualquer forma?

Bradley olhou com os olhos muito abertos enquanto


Debby e Chase começavam a empacotar suas coisas. Era
muito óbvio que não queriam ficar os últimos vinte minutos.
E como eu já tinha cansado de seus esforços repulsivos com
as massagens em minhas pernas, sem dúvida queria fugir
com outros.

— Bom, devo me preparar para o trabalho — disse.

Como os três desertaram simultaneamente, levantei o


olhar para Ethan, que me olhava espectador.

— Também vai? — Perguntei.

Negou com a cabeça.

— Não. Não posso. Esta é a única noite em que tenho


tempo para estudar. Devo terminar esta coisa.

Deixei escapar um suspiro de alívio.

— Bom. — Genial. Ethan era o único membro do grupo


com o que eu gostava de estudar.... Embora fizesse o trabalho
mais rápido que eu — É também a única noite que tenho
livre.

Estudou-me com um leve sorriso antes de sacudir a


cabeça e olhar a sua tarefa. — Uh.... Encontrou a resposta do
número oito? Tive que saltá-la porque não pude encontrar
nada.

Fez-me graça que necessitasse minha ajuda, e


comprovei meu trabalho.

— OH, isso estava na folha de trabalho que o professor


Chin distribuiu na classe da quinta-feira passada.

Ethan murmurou algo baixo, irritado. Apoiando o braço


sobre a mesa, enterrou a cara no oco de seu cotovelo com um
gemido derrotado.

— Sabia que tinha que ir para classe essa manhã, mas


estava tão cansado depois de trabalhar até tarde que sequer
tive força para desligar o alarme do relógio.

Agarrei minha cópia da folha e a passei por cima da


mesa.

— Pode usar a minha.

Houve uma pausa antes que ele levantasse a cara, me


enviasse um olhar perplexo e logo puxasse lentamente a folha
de minha mão.

— Obrigado. — Um segundo depois, perguntou —


Importa-se se fizer uma cópia disto?
— Hmm? — Olhei para cima e notei, ele parecia tão
estudioso e.... delicioso, sentado ali, me olhando.

Ethan tinha o cabelo castanho claro com reflexos loiros


naturais. Não devia ser um grande defensor de ir ao barbeiro,
porque sua barba geralmente se via bastante grande. E os
óculos o faziam parecer sexy, como um jovem professor.

Pisquei, surpreendida. Caramba. Ethan não parecia


ruim. Que estranho. Reconhecia quando um cara era
atraente no segundo em que o conhecia. Mas desde que
Mason Lowe entrou em minha esfera, meu medidor de
homens quentes não funcionava mais. Era como se não
existisse outro homem.

— Umm... — Use seu cérebro, Reese — Hum... sim —


disse entre dentes, franzindo a testa como se permitisse que
ele rompesse minha concentração na tarefa. Escondi minha
cara e fingi ler uma passagem de um dos dois enormes
volumes frente de mim.

— Sim, você se importa? – Perguntou — Ou sim, posso


fazer uma cópia?

— Hum? — Levantei a vista e fiz um ligeiro movimento


com a cabeça. — Por que me incomodaria que fizesse uma
cópia?

Tardiamente, notei o brilho divertido em seus olhos,


uma fração de segundos antes que começasse a sorrir. O
magnetismo de seu sorriso não alcançou os níveis — fora de
série — dos de Mason, mas era bastante bonito.

— Têm notas pessoais nas margens – disse — Algumas


pessoas se importam.

Olhei-o um momento mais antes de dizer:

— Não me incomoda.

Seu sorriso se esquentou, melhorando em um par de


pontos na escala Richter a forma como eu o via.

— Bom... Obrigado.

Vi-o se afastar, considerando as possibilidades aí, e por


incrível que parecesse, não me impressionavam
completamente.

— Hmm. — Era bom saber. Talvez ainda existisse vida


para mim depois de ter sido completamente arruinada por
um ex-namorado psicótico perseguidor e logo depois ter me
curvado completamente a um gigoló não redimido.

Quando Ethan retornou, pôs minha folha de trabalho ao


lado de meus livros.

— Aqui está o original.

— Obrigado. Já viu a número dezenove?

— Me dê um segundo. — Deixou-se cair em sua cadeira


e consultou sua folha de trabalho — Sim, lembro-me de ter
lido a respeito disso. — Transformando do modo
"companheiro sexy" e voltando para modo "insosso sócio de
estudo", folheou um de seus numerosos livros de texto —
Aqui. — Citando uma passagem em voz alta, disse — As
enfermidades humanas que se acreditam causadas por priões
são...

Enquanto falava, movi minha cadeira para me sentar a


seu lado. Balbuciou enquanto lia me jogando uma olhada.
Logo sorriu, com suas bochechas ruborizadas, e seguiu até
que citou todo o parágrafo.

— Aí está – murmurei — Obrigado.

— Não há problema. — Esclareceu garganta e se


concentrou em seu trabalho.

— Ah ouça, que tipo de classificação de Baltimore pôs


para o Parvoviridae?

— Coloquei-o no grupo dois.

Analisei sua resposta e segui olhando a pergunta antes


de enrugar o nariz.

— Mas Parvoviridae5 não é um vírus com dobro de


cadeia?

Olhando a pergunta, Ethan a leu de novo.

— OH, infernos — murmurou. Começou a apagar o que


tinha escrito – Boa sacada.

5
A família Parvoviridae abrange os menores vírus conhecidos e alguns dos mais resistentes
ao ambiente.
Sorri me sentindo um pouco petulante por ter corrigido
o brilhante Ethan Riker.

— Está bem. — Acomodei meu cabelo da minha


maneira, "sim, eu sou foda”. — Coloco-o no grupo um então?

— Sim – murmurou — Teria que ir aí, não te parece? É


um vírus DNA e não é de transcrição inversa, assim...

— É do grupo um — anunciei.

— Posso ter sua atenção, por favor? — Anunciou uma


voz dos alto-falantes da biblioteca — A biblioteca fechará
dentro de cinco minutos.

Gemendo decepcionado, Ethan olhou sua tarefa.

— Não vou conseguir terminar esta tarefa antes que


fechem.

Eu engoli saliva.

— Eu tampouco. — OH, que decepção.

Tenho que terminar a tarefa esta noite ou não poderei


fazê-la.

— Ouça, até que hora está aberto o centro de


estudantes?

Ethan olhou seu relógio.

— Fechou faz uma hora.

Revirei os olhos.
— Espetacular.

O estômago de Ethan grunhiu como se estivesse de


acordo, o que me recordou que não tinha comido bem.

Como não queria pensar na comida porque as


prateleiras da minha cozinha estavam bastante vazias,
bocejei e me estirei, com a esperança de manter a repentina
sensação de fome a raia.

— Já comeu? — Perguntou Ethan, voltando à questão


de qualquer jeito.

Poderia tê-lo estrangulado. Obrigado, amigo. Vê e me


recorde que só tenho uma última caixa de arroz e macarrão
com queijo. Teria que durar até a próxima mesada de meus
pais ou pagamento de algum de meus trabalhos.

Neguei com a cabeça.

— Bom, morro de fome. — Fechou seu livro — Se não


lhe importar dois companheiros de quarto que provavelmente
estarão jogando Invasão Zumbi com um som tão alto quanto
os alto-falantes permitam, podemos ir ao meu dormitório,
onde podemos continuar esta merda e sem ninguém nos
expulsar por fechar. Dessa maneira, podemos pedir uma
pizza ou algo assim. Eu convido. Tenho que comer antes que
desmaie.

Vi-o com receio, me perguntando se havia algum tipo de


motivo oculto detrás de seu convite. Mas quando me olhou,
não se parecia um louco maníaco por sexo que queria atrair à
primeira garota que confiasse em sua conversa. Parecia um
menino universitário cansado e faminto que só queria
terminar sua tarefa e ir dormir.

Ao me dar conta de que se tratava de Ethan — não


Jeremy — com quem falava, neguei com a cabeça livre de
preocupações.

— Poderia comer. Mas vamos ao meu apartamento. Não


tenho companheiros de piso viciados em zumbis que possam
se meter conosco.

Parecia surpreso pelo convite, mas apressando-se


torpemente aceitou. Quando seu rosto se avermelhou,
finalmente algo me chocou, caramba, acredito que o menino
poderia ter um mini amor comigo.

Virou-se repentinamente incômodo.

— Uh, quer que eu te siga até sua casa, então?

— Isso seria genial.

Tenho que admitir que tinha um motivo oculto. Não


queria ir ao dormitório de Ethan agora, quando estava
escuro, e ter que ir embora mais tarde, quando já estivesse
tarde da noite e estivesse com medo de sair. Além disso, eu
gostava da ideia de ter alguém mais por aí quando chegasse
em casa. Eva tinha estado muito em minha casa
ultimamente, me deixando mal-acostumada. Ela estava
lutando com seus próprios problemas — ainda não tinha
contado a seus pais sobre o bebê porque Alec se afastou
totalmente quando contou para ele — somente sua presença
tinha ajudado a manter a raia meu terror ao Jeremy.

Quando Ethan me seguiu até minha casa e entrou em


meu apartamento, estava estranhamente tranquila.

— É um lugar estupendo. — Foi mais ou menos tudo o


que disse depois que me seguiu para dentro.

— Funciona para mim. — Atirei minha mochila sobre a


mesa de café e procurei meu celular — Há algum lugar
específico que quer pedir a pizza?

Negou com a cabeça enquanto caminhava com


curiosidade ao redor da sala.

—Qualquer lugar está bom. Quero de pepperoni.

Disquei o número do meu lugar favorito e realizei nosso


pedido. Para o momento em que pendurei, ele tinha
caminhado para a geladeira e olhava à única foto fixada com
um ímã.

— Quem é?

Sorri com carinho à foto instantânea de Sarah sentada


em sua cadeira de rodas, levantando um polegar para cima
para a câmera.

— Essa é a pequena menina que cuido. Seu nome é


Sarah, e é tão querida.

Ethan assentiu.
— O que está errado com ela?

Franzi o cenho e quis estalar: "Não há nenhum


problema com ela. É perfeita em todos os sentidos", mas
sabia o que queria dizer.

— Tem paralisia cerebral. Em certo modo me assustei


um pouco quando a vi pela primeira vez — confessei-lhe —
Mas uma vez que se passam cinco minutos com ela, não se
vê mais a cadeira de rodas. É.... ela é um raio de sol.

— Parece ser muito especial.

— Sim. Oh! Talvez conheça seu irmão. Também vai ao


Waterford. Mason Lowe? — Não sei por que tive que dizer seu
nome em voz alta. Simplesmente saiu.

Ethan espetou com alerta.

— Mason Lowe? Sim, sei quem é Mason. É seu irmão?

Assenti.

— Sim. Ele também pode te dizer quão maravilhosa é


Sarah.

— Eu... eu vi você e o Mason juntos pelo campus um


par de vezes.

Encolhi-me de ombros, tratando de não reagir ante o


olhar curioso.

— Claro. Somos amigos por causa dela.


— Amigos — repetiu e ficando avermelhado, desviou o
olhar — Pensei que.... Sinto muito. Sempre assumi que vocês
dois fossem um... casal.

Neguei com a cabeça, embora meu pescoço se sentia


débil e minhas bochechas repentinamente quentes.

— Não, não, só somos amigos...

Infelizmente.

— Bom, isso é um alívio. Eu tinha ouvido falar... quero


dizer. — Mordeu o lábio inferior —. Ouvi alguns rumores
bastante loucos dele.

Não era o que todos haviam feito? Queria gritar, chorar


e atirar coisas em nome do Mason. E também em meu nome.

Mas me obriguei a demonstrar indiferença. Com um


sorriso e revirando os olhos, disse:

— Me deixe adivinhar. Já ouviu que é um gigoló que


trabalha no Country Clube como atração organizando
reuniões com suas clientes ricas e velhas.

Ethan ficou vermelho beterraba.

— Uh, sim. Algo assim... — Levantou as sobrancelhas


por cima de seus óculos — Não é verdade, então?

— Umm... — Fiz uma cara estranha — Não estaria na


prisão agora se estivesse praticando prostituição tão
abertamente?
Encolhendo-se de ombros, disse:

— Suponho. Mas isso não me importa. Só estou aliviado


de que não está saindo contigo.

— Por quê? — Perguntei, imediatamente alarmada —


Que mais ouviu falar dele?

— Nada. É que... — Tomou um comprido suspiro —


Sempre quis te perguntar se quer sair comigo.

Minha boca se abriu.

— Sério? — Caramba, o tímido Ethan Riker poderia não


ser tão tímido depois de tudo.

Assentiu timidamente e olhou para o outro lado.

— Então, o que diz? – Pressionou — Esta sexta-feira?


Quer, não sei, fazer algo comigo?

Comecei a sacudir a cabeça e rechaçá-lo. Mas então me


detive e recordei como me senti machucada no domingo,
quando Mason teve essa chamada telefónica e se meteu no
banheiro para falar em privado com sua cliente. Recordei o
quanto me machucou quando o escutei falar sobre como
quase tinha sido pego por um marido. Lembrei-me de todas
as razões pelas quais nunca poderíamos estar juntos.

Mason sem dúvida, não agia como um monge só porque


queria estar comigo por que eu deveria agir como uma monja
só porque ele era a única pessoa com quem queria estar?
Não tinha nenhuma razão para lhe ser fiel. Certamente,
não éramos namorados. Nunca poderíamos ser um casal.
Éramos apenas amigos.

E tinha que seguir adiante com minha vida. Se


conseguia superar o que tinha passado com o Jeremy só para
me decepcionar com Mason, ia terminar de novo no ponto de
partida.

De jeito nenhum.

Mas ainda estava insegura.

— Tenho que cuidar de Sarah todas as sextas-feiras —


disse com uma careta de dor.

Quando os ombros de Ethan caíram e uma aparência


esmagada cruzou seu rosto, senti-me mau. Não queria fazê-
lo, mas me apressei a acrescentar:

— Que tal no sábado?

Imediatamente se iluminou.

—No sábado seria genial. Te pego às sete?


Meu estômago se revirou pelo resto da semana. Acredito
que estava cheio de um muito azedo remorso. E talvez um
pouco de culpa também, embora isso não tivesse o menor
sentido. Não estava ligada com ninguém; não deveria ter
sentido nenhum remorso em dizer ao Ethan que sairia com
ele. Mas o fazia.

Nunca deveria ter dito que sim. Não estava de bom


humor para encontros; bem, não de humor para sair com
qualquer pessoa, exceto uma. E essa pessoa não era Ethan
Riker.

Mas essa pessoa estava completamente proibida e devia


seguir adiante. Quero dizer, se sua visita do sábado a noite,
quando me falou de suas aventuras com mulheres casadas e
detalhes de seu estúpido plano — que totalmente não me
envolvia —, não tinha me convencido de que tinha parado,
pois a noite da quarta-feira certamente o fez.

Cheguei ao meu trabalho de babá para descobrir que ele


já tinha saído para o seu trabalho “normal” mas um maço
cheio de dinheiro estava preso à geladeira com um ímã. Meu
nome e as palavras $ babá jaziam rabiscadas na frente com
sua forte letra. De algum jeito, sabia exatamente quanto
Dawn me devia.

E então, a fixa caiu.

Seu sentido de responsabilidade para sua família era


tudo para ele. Tudo. Não lhe importava se suas obrigações o
faziam fazer coisas que faziam que se sentisse preso ou sujo
até que odiasse uma parte de si mesmo. Não ia deixar de
cuidar de Dawn e Sarah da única forma que sabia. Tinha
vendido sua alma para assegurar que cada conta que sua
mãe se esquecia de pagar fosse atendida, inclusive a fatura
da fodida babá.

Uma parte de mim o odiava por isso, já que era eu quem


foi enganada por seu inquebrável compromisso altruísta.
Mas, outra parte de mim o admirava e respeitava por seu
amor e sacrifício por sua mãe e irmã. O fazia porque se
preocupava muito com elas, e adorava a forma em que amava
às pessoas mais próximas a ele. Era doloroso ser um membro
desse círculo exclusivo.

Quase ignorei o dinheiro. Sua origem me deixou doente.


Além disso, ele o necessitava para coisas importantes, sem
dúvida não algumas das coisas corriqueiras para as que eu
estava acostumada a utilizá-lo, como esses lindos brincos que
tinha pedido em linha que coincidiam totalmente com meu
aro no nariz. E não me importava se ninguém me pagava um
centavo a mais por passar o tempo com Sarah. Mas o tomei
de todos os modos, porque sabia que ia fazer que Mason se
sentisse inclusive mais barato e mais sujo se não o fizesse.

Iria doá-lo a alguma obra de caridade, ou talvez ao


fundo do bebê que tinha o mau pressentimento que Eva ia
necessitar.

E prometi que eu e Mason seriamos só amigos daqui


para a frente. Sem mais textos com flerte, não mais
pensamentos proibidos —certo, isso era impossível de fazer,
mas pelo menos tentaria e por desgraça, não almoçaríamos
mais juntos. Não precisava de mim tentando-o a se afastar de
seus objetivos de manter sua família.

Apeguei-me a este plano até que Mason apareceu em


minha mesa durante minha hora de almoço na sexta-feira e
deixou cair sua bolsa no banco em frente a mim.

— Olá. — Fez uma pausa para tomar uma respiração


profunda antes de acrescentar — Doce P — com um grande
sorriso conhecedor.

Maldito seja. Meus planos de me manter afastada e


respeitar suas decisões fracassaram por completo.

Mas não pude evitá-lo. Começava a me retrair depois de


não chegar a vê-lo muito fim de semana passado — literal e
figurativamente — nada de Mason em cinco dias e eu só me
sentia... Mal. Além disso, ele tinha vindo até mim. Assim,
inclusive enquanto me dizia que devia afastar-me dele, meu
pulso se acelerou com alegria quando se sentou.
Fingindo um ataque ao coração, golpeei minha mão
sobre meu peito e ofeguei.

— O que é isto? Está sentando-se comigo.... Em


público? Os impulsos de menino brincalhão diminuíram?
Perdi meu atrativo sedutor completamente? Diga-me que não
é isso.

Riu e rolou os olhos.

— Não. Não diminuíram. Simplesmente cheguei à


conclusão de que vamos ter que aceitar que os impulsos
provavelmente serão uma faceta permanente de nossa relação
daqui em diante. E se disser que pode controlar os teus,
então vou tratar de controlar os meus.

Enruguei o nariz.

— Que generoso de sua parte.

Uma risada plena e gutural retumbou em seu peito.

— Isso e que não posso te ver enrugando o nariz do


outro lado do pátio. Não tem ideia do quanto senti falta disso.

Seu lado lindo e brincalhão chegou para mim como


nenhuma outra coisa. Precisando controlar meus próprios
impulsos, suspirei e voltei para minha tarefa que estava
tentando fazer antes que aparecesse.

— Sim, sim. Acredito que simplesmente está mal em


cálculo e precisa da minha ajuda.
Sem negá-lo, encolheu-se de ombros.

—Já que o menciona... — Tirou o livro de cálculo de sua


bolsa e o abriu na página onde sua tarefa estava pela metade.
Enquanto procurava um lápis, perguntou — Com o que me
alimentará hoje?

Seu sorriso era tão fresco e vivo, que provocou que um


sopro de vida voltasse dentro de mim, algo que havia
murchado nos últimos dias sem uma dose dele.

Ainda não podia acreditar que Mason estivesse aqui, do


outro lado da mesa frente a mim, sendo meu amigo de novo.
Sem dizer um comentário sarcástico, deslizei o que ficava do
meu minipacote de batatas fritas sobre a mesa para ele, já
que tinha terminado tudo o que eu ia comer, e provavelmente
lhe tivesse devotado um de meus mais apreciados lattes neste
momento porque estava tão emocionada de que estivesse
aqui.

Assentiu em sinal de aprovação e pegou meu pacote de


batatas.

— Nachos com queijo. Bom. — Enquanto tirava um


punhado, olhou-me — Terminando o trabalho de inglês?

Levantei as sobrancelhas.

— OH, então hoje se interessa por meu trabalho de


inglês, né?

Seus ombros se afundaram. —


Reese. Vamos. Desculpa ter dito isso na festa. Não
estava de bom humor. — Ficou com a mão sobre o coração e
me enviou uma panela de desculpa sincera — Me interesso
por tudo o que faz.

Reclamei para cobrir o gemido pelas emoções que me


derretiam.

— Valeu, já é suficiente. As loucuras por aqui estão se


tornando muito profundas para caminhar por elas.

— O que? — Teve o descaramento de parecer ofendido —


Eu falo sério.

Revirei os olhos.

— O que seja. Assim, me deixe adivinhar. Sua caseira


ainda pensa que você e eu estamos no trem fazendo bebês
juntos, não?

Com um suspiro, sacudiu-se o pó do nacho com queijo


dos dedos.

— Mais ou menos.

— Caramba — como se me envergonhasse da senhora


Garrison por sua opinião preconceituosa — Por que é tão
difícil para as pessoas acreditarem que somos só amigos?

Mason me estudou um momento, sua expressão


penetrante e indistinguível, antes de encolher os ombros sem
responder. Percebi que não queria falar do tema.
— Falou mal de mim quando te encurralou no
aniversário de Sarah, não é?

— Sim. — Desta vez, sua tática de distração foi abrir


sua bolsa e tirar minha cópia do Prisioneiro de Azkaban, que
tinha deixado com Sarah fazia uma semana.

Estalando os dedos, gritei:

— Sabia! Típico, mesquinho e ciumento movimento. O


que disse? Disse que tenho um grande traseiro, verdade?

Rodando os olhos, Mason amorteceu sua resposta com a


boca cheia.

— Não disse que tem um grande traseiro. Confie em


mim, seu traseiro é.... Perfeito.

Engoli a saliva. Logo, voltei a engoli-la. Não sei por que


seus elogios sempre me pegavam de surpresa. Deu-me um
montão deles. Entretanto, nunca estava preparada para o
impacto que provocavam suas aduladoras palavras.

Não estando muito segura de como responder, agitei minha


mão e segui falando da senhora Garrison, porque me senti
mesquinha e ciumenta.

— Então, falou sobre mim?

— Nada que valha a pena repetir. — Não me olhou nos


olhos enquanto inclinava o fundo do saco de batatas até
assegurar-se de que tinha comido até a última migalha —
Não se preocupe com isso.
Minha boca se abriu.

— OH, agora tem que me dizer.

Que diabos havia dito essa malvada assalta berços?


Sabia que não era perfeita por qualquer trama da
imaginação. Mas não podia pensar em nenhuma das partes
de meu corpo que fosse tão anormal para que Mason pudesse
revelar seu insulto.

Enviou—me um olhar de advertência, me pedindo que o


deixasse passar.

Certo, não ia acontecer.

— Vamos – pressionei — só me diga. Serei sua melhor


amiga. — Pisquei para ele.

Ele revirou os olhos.

— Já é minha melhor amiga.

Era? Endireitei-me, alarmada, adulada e extremamente


emocionada. Caramba.... Outro elogio inesperado. Floresci
com deleite.

— Bom... obrigado. Mas, como meu novo melhor amigo,


agora está obrigado a me dizer o que disse.

— Reese — queixou-se.

Meu alarme aumentou.

— OH, meu deus. Foi tão ruim?


— Nem sequer era verdade. Assim... Só deixa para lá.
Por favor.

OH, demônios, não.

— Se não é verdade, então, por que não pode dizer...

— Está bem. Disse que gosta de chamar toda atenção.


Certo? Disse que roubava o protagonismo de Sarah em seu
próprio aniversário, o que não...

— OH, meu deus. Eu fiz isso? — Pus a mão sobre meu


peito, onde tinha começado uma dor aguda.

Não podia acreditar nessa bruxa. Tinha quebrado


totalmente o código número um da garota ciumenta. Quando
insulta a outra mulher, vá atrás da sua aparência... não de
sua personalidade. Deus, que asqueroso golpe baixo.

Entretanto, suas táticas sujas definitivamente tinham


surtido efeito. Sentia-me muito mal.

Bem jogado, imunda caseira alcoviteira, bem jogado.

Mas simplesmente tinha agido dessa maneira na festa


para ajudar a aliviar o desconforto. Queria mostrar às outras
garotas como doce, adorável e divertida era Sarah. Estava
tentando direcionar toda atenção para ela e não roubar-lhe.
Enruguei o nariz.

— Bom... Posso ser um pouco egoísta.


— Não! — Interrompeu Mason enfaticamente— Eu te
disse, isso não era verdade.

— Mas...

— Me escute. — Inclinou-se parcialmente sobre a mesa


para me olhar diretamente aos olhos — Antes que aparecesse
no domingo, minha irmã estava absolutamente miserável. Na
manhã seguinte, disse que foi o melhor aniversário que tinha
tido. E isso foi graças a você, entende? Você fez com que as
outras garotas interagissem com ela. E agora, aquela alta,
Sorcha, inclusive vai voltar no sábado pela tarde para passar
o dia com Sarah.

— Sério? — Alegrei-me, emocionada por saber isso —


Isso é genial. OH! Gostei da Sorcha. — E agora, totalmente a
amava.

Mason sacudiu a cabeça e me deu um leve sorriso. — É


a pessoa menos egoísta que conheço.

Enruguei o nariz.

— Bom... Posso ser um pouco egoísta.

De acordo, muito egoísta. Céus. Criticou muito mais?

Não parecia muito convencido.

— Não vejo assim. Esse dia na biblioteca... com a Dra.


Janison e Eva.

Fazendo uma careta, recordei.


— Cada mulher me trata dessa maneira, Reese. Não sou
uma pessoa para elas. Só sou.... Um bom momento ou algo
ruim que terá que evitar a todo custo. E então, você chegou
... me abraçou. É a primeira pessoa que me vê, ao Mason,
não o sexo à venda. E esse tipo de compaixão não vem de
uma pessoa egoísta, absolutamente.

— Eu... — Minhas pestanas batiam como as asas de um


colibri, afastando qualquer possível lágrima —. Bom,
obrigado. Mas você é uma pessoa, e....

Levantou um dedo para me calar. — Não estamos falando de


mim. Falamos de ti. E você é.... é.... — Fez uma pausa para
sacudir a cabeça.

— Eu sou....? — Insisti não muito segura se queria


saber aonde ia, mas minha curiosidade estava muito atiçada
para não pressionar por mais.

— É estranha... E, entretanto, convencional. Inocente,


mas mundana. Reservada, mas extrovertida. Sincera, mas
precavida. Moderna, mas também prática. E infantil
enquanto ainda consegue ser amadurecida. É como.... É uma
perfeita contradição.

Engoli saliva, boquiaberta e sem poder dizer uma só


palavra. Para conseguir esse tipo de explicação, teve que
pensar nisso. Saber que Mason pensou tanto em mim me
deixou completamente sem fôlego.
Ficou olhando um momento como se quisesse dizer algo
mais, algo provavelmente o suficientemente significativo para
cair sentada, mas limpou a garganta e baixou a vista. Ao ver
o livro em sua mão, passou-o sobre a mesa para mim.

— Enfim.... Tome. Acredito que posso dizer oficialmente


que sou viciado em Harry Potter. Sarah e eu não podíamos
esperar para pedir emprestado O Cálice de Fogo. Compramos
nossa própria cópia e o começamos ontem.

Limpei a garganta, tratando de me pôr ao dia com o giro


de cento e oitenta graus que acabava de tomar nossa
conversa.

— Caramba. — Enxuguei minhas bochechas para me


assegurar de que estavam secas – e estavam, obrigado,
Deus— antes de recuperar O Prisioneiro do Azkaban —. Você
e Sarah estão indo rápido com a série. Estou impressionada.

— Essa cena em que volta no tempo foi genial. Não


podia deixar de lê-la.

Sorrindo, apertei a capa dura contra meu peito.

— Sempre foi uma das minhas favoritas, também.


Especialmente quando salvaram ao Hipogrifo.

— Terminei lendo-o duas vezes. Uma vez quando o li


adiantado, e logo depois de novo quando Sarah queria que
lesse para ela. — Seus olhos se esquentaram enquanto sorria
— O que me recorda...
Meio que ficou de pé para poder deslizar a mão no bolso
dianteiro de seu jeans e tirar algo. Dobrando os dedos ao
redor do que tinha recuperado, sorriu com esperteza
suficiente para me fazer suspeitar enquanto voltava a sentar.

Inclinei-me ligeiramente.

— O que tem aí?

Seus lábios se estenderam mais amplamente.

— Algo para você. Pedi a um menino que conheço que


está em uma classe de elaboração avançada de metal para
fazê-lo.

Totalmente não esperando isso, endireitei-me.

— O que fez?

Estendeu a mão e a abriu.

— Sei que é bastante tosco, mas pensei que poderia


encaixar em seu bracelete.

Um pequeno pingente de prata piscou para mim na luz


do sol. Minha boca ficou aberta. Seu amigo tinha feito à mão
de algum jeito o logotipo do Harry Potter, fazendo as iniciais
H.P. com o raio no P e tudo. Para mim, não era tosco. Era
absolutamente perfeito.

— OH, meu deus. — Tirei-o de seus dedos com gentil


reverencia — Isto é incrível, Mason.
— Quase arruinou a surpresa no domingo quando me
chamou durante a festa de aniversário de Sarah querendo
falar comigo. Esperava que já estivesse pronto até lá.

Levantei o olhar, surpreendida ao me inteirar que a chamada


tinha sido sobre uma surpresa para mim.... Não para
programar um encontro com uma cliente. E aqui, esse tinha
sido um dos maiores fatores decisivos que tinha para dizer a
Ethan que...

Neguei, sem querer pensar nisso agora. Mason tinha


encomendado um presente que foi feito especialmente para
mim.

— Também tinha feito um para Sarah. O seu foi na


realidade o protótipo. Assim, penso que pode conter alguns
enganos mais.

— Que enganos? — Sacudi a cabeça enquanto usava o


pequeno gancho que tinha sido feito para prendê-lo a meu
bracelete — É perfeito. — Levantei minha mão para poder ver
todos os pingentes pendurados. O HP era de longe meu
favorito. Levantei o olhar com um grande sorriso tolo e meu
coração cheio de afeto — Obrigado.

Abriu a boca para responder quando alguém se sentou


no banco junto a mim. Não esperava Eva hoje, mas quando
girei, pensei que fosse ela.

A cara de Ethan me pegou totalmente despreparada.


Sorriu.
— Olá.

Balbuciei:

— Umm. Olá... Ethan. — Um rubor me golpeou tão forte


que podia sentir que se estendia das raízes de meu cabelo
para meu pescoço —. Eu.... Eu não estou acostumada a te
ver numa sexta-feira.

Riu entre dentes.

— Sei. Mas te vi por aqui e pensei em dar um oi. — Logo


olhou ao outro lado da mesa — Olá, Mason. — Dando um
gesto amistoso, parecia nada mais que agradável e cortês.

Entretanto, Mason reagiu como se lhe tivesse tirado o


dedo.

— Riker — espetou com voz tensa, retirando-se um


pouco em seu assento para enviar um olhar suspicaz com os
olhos entrecerrados de ida e volta entre nós.

— OH! Já se conhecem? — Soltei abruptamente,


querendo manter as coisas mais aptas como Mason
obviamente não queria que fossem — Magnífico. Isso me
salva de fazer as apresentações, porque obviamente....
Esqueci-me de fazer as apresentações. — Soltei a minha
brincadeira sem graça, revelando meu nervosismo.

Ethan sorriu como um cavalheiro, mas Mason me olhou


como se tivesse perdido a cabeça. Meu sorriso sofreu uma
rápida e dolorosa morte.
— Verá, estou muito ansioso por manhã à noite —
continuou Ethan — e me esqueci de perguntar: Há algum
lugar em especial aonde queira ir?

— Umm... — Mordi o lábio, tentando desesperadamente


ignorar a forma com que Mason girou a cabeça para me
olhar, boquiaberto. Mas, por que de repente me sentia....
Horrível?

— Não – grasnei — Não consigo pensar em nada. Só...


onde queira está bem. Ainda não estou muito familiarizada
com Waterford.

— Fabuloso. — O sorriso de Ethan era lento e satisfeito.


Tenho um par de lugares em mente. — Olhou seu relógio de
pulso e deixou escapar um suspiro impaciente — Tenho que
ir para a aula. Vemo-nos amanhã.

Ficou de pé tão rápido como se sentou. Logo, inclinou-se


para mim e me estampou um beijo na bochecha antes
inclusive de que me desse conta de que o tinha planejado.

— Vá! — Espetei e me apartei, apesar de que já tivesse


se retirado.

Fez uma pausa para cerrar os olhos inquisitivamente.


Ruborizei-me e abri a boca para me desculpar. Mas, as ondas
de ira que chegavam através da parte da mesa onde estava
Mason me fizeram parar. Com um sorriso tenso, disse:

— Vemo-nos amanhã.
Assentiu, lançou um olhar para Mason e se foi.

Olhei fixamente atrás dele, mordendo meu lábio e muito


assustada para respirar. Talvez, se não mencionasse nada,
Mason não fosse me perguntar. Mas quando me arrisquei a
olhar em sua direção, soube imediatamente que ele
perguntaria. Muito bem.

— Vai sair com ele? Amanhã?


OH, Deus. OH, Deus. O que deveria dizer?

Minha mente estava em branco, assim tive que dizer a


verdade.

— Umm... sim?

A resposta saiu como pergunta e eu queria golpear-me.


Por que estava tão calma, de repente?

Provavelmente porque o corpo de Mason parecia


estranhamente quieto. Quero dizer, não é que pelo geral fosse
inquieto, mas nada nele parecia mover-se, nem sequer seus
duros olhos cinza, que luziam aborrecidos me olhando como
se o tivesse traído.

Estranhamente, senti-me como se o tivesse traído. Sua


mandíbula se esticou ao baixar o olhar sem ver seu livro de
cálculo aberto.

— Por que não me disse isso?

— Eu... – Vacilei. — Bom, para começar, não tinha lhe


visto desde domingo. Logo... esqueci-me por completo, até
que se apresentou faz um momento, e... — Encolhi os
ombros. — E agora, já sabe.

— Quando? — Exigiu Mason.

Franzi o cenho.

— Quando o quê?

— Quando lhe convidou para sair?

— Oh. Um.... Na noite de terça-feira. Por quê?

Os olhos do Mason se estreitaram.

— Pensei que tinha grupo de estudo nas terças-feiras à


noite.

Surpreendeu-me que, na realidade, se lembrasse de


meu horário.

— Tenho, quero dizer, tive. Está em meu grupo de


estudo. — Quando Mason estremeceu como se lhe doesse
fisicamente saber que tinha algo em comum com Ethan, mas
não com ele, apressei-me, esperando que minha explicação
de algum jeito o tranquilizasse — Quando a biblioteca fechou,
não tínhamos terminado nosso trabalho, assim voltamos para
meu apartamento e trabalhamos.

— Fez o quê? — Trovejou Mason, olhando como se


quisesse saltar de seu banco e perseguir Ethan para lhe
arrancar um par de dentes.... Com suas mãos.

— Ouça, o que lhe passa? — Exigi.


— Oh, não sei — disse com ironia. — Talvez seja este
impulso irresistível que eu tenho de quebrar a cara de Ethan
Riker.

Minha boca se abriu.

— Desculpe?

— Já me ouviu — amaldiçoou de novo.

— Mason, — sussurrei, olhando ao redor para ver se


alguém nos olhava — Que demônios? Não é como se tivesse
que ser babá de Sarah essa noite.

— Não se trata de Sarah. Você sabe.

Claro que sabia. Mas pensava que seguíamos na


negação, paquerando e mantendo toda a mentira de só
amigos. Não tinha nem ideia que, de repente, queria trazê-lo
a superfície.

Traguei a saliva e tentei controlar meus nervos, tinha


um mau pressentimento de que esta conversa ia me
destroçar.

— Você disse que éramos só amigos. — Minha voz saiu


rouca, enquanto estudava suas feições tensas. — Isso eu
acredito.

— Somos. – Ele desviou o olhar e fechou os olhos. —


Maldita seja, somos, mas a única razão para que sejamos só
amigos é porque não há nenhuma possibilidade de que
possamos ser algo mais.
— Você quer...? — Meus pulmões se contraíram.
Assustei-me e entendi como devia sentir—se Sarah todo o
tempo sem ter controle de seus músculos, nem sequer dos
respiratórios. Não podia respirar e isso me assustou — De
verdade... você quer mais? — Sussurrei com voz tremula.

As emoções que emanavam de seu rosto o faziam ter um


aspecto lamentável que tinha visto na noite em que o apanhei
em uma toalha de banho.

— Você não quer? — Sussurrou-me. Logo soltou uma


risada áspera e desviou o olhar — Ou é só atração sexual
para você?

Meu peito doía. Ainda não podia tomar uma boa puxada
de ar.

— Sabe que não é assim.

— Então por que está tão confusa a respeito de que eu


perca o controle?

— Não sei. — Fiz uma careta. — Porque é mais fácil me


fingir de desentendida? — E porque deixou muito claro que
elegia seu trabalho sobre mim. Tinha todo o direito de sair
com quem eu quisesse.... Se me sentisse dessa maneira ou
não.

— Bom, não o é. Não se faça de boba. — Quando


colocou o livro de cálculo em sua mochila e começou a
recolher suas coisas, entrei em pânico.
— Mason? O que está fazendo? Aonde você vai?

— Estou indo embora. O que acha que estou fazendo?

E tão rápido como entrei em pânico, este se dissolveu


em um saco cheio de indignação. Golpeando minha mão
sobre a folha de cálculo, por terminar, que se achava sobre a
mesa, tirei-a de seu alcance quando foi recolher. Quando me
olhou lhe franzi o cenho. — Assim se não pode ter-me, então
não me permite sair com mais ninguém? Meu deus, Mason.
Você se dá conta de quanto idiota soa neste momento?

— Sim, maldita seja.

A admissão chegou tão livremente de seus lábios que


pisquei, surpreendida por ouvi-lo confirmar.

Com seu peito agitado, deu-me um olhar torturado,


entristecendo seu rosto de novo.

—Eu dei-me conta, perfeitamente, de como sonho. E


estou tratando de parar, Reese. — Sua voz se quebrou —
Estou tratando. Jesus, por que acredita que estou indo? Se
ficar, só direi algo pior.

Acredito que sua agonia superou a minha. Meus olhos


se encheram de lágrimas. Quando as afastei, ofeguei em um
som de miséria.

— Cristo, não chore.

Provavelmente deveria lhe haver advertido que uma vez


que começava a chorar, não pararia até que todas saíssem.
— O que quer que eu faça? – Chorei. — Quer que o
chame? Que lhe diga que não?

Não tinha ideia o que passou com meu poder feminino.


O cara que não podia ter, atuava como um idiota, porque eu
ia passar um pouco de tempo com outro homem. Deveria
estar amaldiçoando-o, subindo pelas paredes por sua atitude
imbecil. Mas estava sentada, chorando e suplicando saber o
que podia fazer para fazê-lo feliz.

Homem, eu estava esgotada.

Seu rosto se contraiu e ficou com um vermelho furioso,


como se fosse começar a chorar junto comigo. Mas então
suas feições se apagaram e sacudiu a cabeça grosseiramente.

— Não. Não cancele. Quero que seja feliz. Desculpe ter


me comportado como uma rainha do drama, Certo? Quero
que se divirta com..... Quem quiser. Simplesmente se divirta e
seja feliz. Siga sendo você.

Mais lágrimas encheram meus olhos. Amaldiçoando


entre dentes, virtualmente saltou sobre a mesa para me tirar
sua tarefa da mão. Amassando-a em seu punho e metendo-a
na bolsa.

— Tenho que ir, — murmurou, deslizando a palma de


suas mãos através de seus olhos antes de ir-se correndo
como se os cães do inferno o perseguissem.

Enquanto o observava afastar-se a pernadas, dava-me


conta do muito que lhe tinha feito mal ao aceitar ir a um
encontro com Ethan. Essa não tinha sido minha intenção
absolutamente. Só queria me salvar de ser machucada.
Queria obrigar a Reese Randall a seguir adiante com sua
vida. Mas vê-lo sentir dor me rasgou por dentro.

Estava apaixonada por ele.

Querido deus.

Apaixonei-me por um gigolô.

Era uma loucura, estava plenamente consciente disso.


Mas era Mason. Meu assassino de aranhas, que comia os
restos da minha comida. Meu companheiro, fã de Harry
Potter. Era minha alma gêmea. Era fácil ver além do gigolô,
quando me encontrava com ele.

E assim fácil, decidi me levantar e lutar por ele.

Apesar de que, na realidade não correu, moveu-se


rápido quando saiu. Perseguindo-o, entrei no edifício
principal, só para não o localizar em nenhuma parte do átrio
principal de teto de cristal. Olhei à esquerda, para um
corredor, sem sorte. Quando olhei para outro lado, vi suas
costas e fui lhe pisando nos calcanhares.

— Mason!

Escutou-me e se deteve, mas não se virou.

— Não posso acreditar que se afaste de mim dessa


maneira — comecei a dizer tão logo estive a três metros de
distância — Ainda não havia terminado de falar quando deu
a volta, surpreso. Dei um grito afogado quando me agarrou
pelo braço, seu agarre era quente e firme, mas não doloroso.
Girando-me para uma porta próxima, encurralou-me em uma
sala de aula vazia e fechou a porta para me fixar contra ela. O
fôlego saiu de meus pulmões, enquanto seu corpo se
pressionava contra o meu. Parecia... Oh, Meu deus.... Muito
bem. Quente, protetor, musculoso, masculino. Minhas
vísceras choravam pela beleza disto.

Com um gemido torturado, golpeou ligeiramente sua


testa à porta e nossas bochechas se roçaram. Logo inclinou o
rosto e apoiou o queixo na parte superior de meu ombro.

— Esteve em seu apartamento toda a noite? Dormiu em


seu sofá? Tocou-lhe? Beijou-a? — Outro som escapou de sua
boca, uma espécie de soluço e maldição. Apoiado em um lado
de meu pescoço, moveu os dedos ligeiramente até que
encontrou minha cicatriz — Contou-lhe o segredo que há por
trás desta?

— Não, Mason, para. — Matava-me ouvir sua miséria,


quando embalei sua bochecha, apartou sua testa da porta
para me olhar.

Todo seu corpo estremeceu, e sabia que era por


arrependimento.

— Deus, Reese, estou tratando de estar bem com isto.


Estou tratando de não estalar. E sei que estou falhando. Mas,
maldita seja...
Seu polegar riscou a curva da minha maçã do rosto até
que limpou um pouco de umidade de minha recente festa de
soluços.

Um olhar de assombro total e tristeza cruzou seu rosto.

Logo sacudiu a cabeça e apertou os dentes.

— Isto é uma merda. Ele pode lhe convidar para sair,


leva-la para jantar e tratar de lhe roubar um beijo de boa
noite. Pode chegar tão longe como você o permita. E nem
sequer posso competir. — Sorriu, embora seus olhos
seguissem cheios de agonia — Acredito que me apaixonei por
você, no momento em que a escutei rir no pátio do campus.
Quando a olhei, soube. Foi algo diferente, algo incrível. Sabia
desde a primeira vez que a vi que nada voltaria a ser igual.
Você foi.... Uma mudança total no jogo. Inclusive quando me
dava conta de que se sentava com Eva e poderia ser como ela,
não me importou. Queria saber tudo sobre você.

Neguei com a cabeça, muito surpresa para pensar com


claridade.

— E eu que pensava que me odiasse desde a primeira


vez.

Negou com a cabeça.

— Nunca a odiei. Só me assustou muito, assim tentei


mantê-la longe. Assustava—me chegar a conhecê-la porque a
queria tanto. Pensei que certamente não poderia ser tão boa
como a tinha imaginado em minha cabeça. Salvo que cada
vez que me dava à volta, estava ali e terminava sendo melhor
do que poderia imaginar. — Seu sorriso desapareceu —
quanto mais a conhecia, mais sabia que devia me afastar. Só
posso lhe ferir. Mas nunca poderia estar muito tempo longe
de você.

Como se já não pudesse permanecer longe, aproximou-


se mais, seu fôlego acariciando meus lábios. Quando seus
olhos se fecharam, sabia que ia beijar-me. Queria-o mais que
a minha próxima comida, mas tinha que estar segura sobre
uma coisa, primeiro.

— Ainda é um gigolô?

Ficou gelado, logo tomou ar e se afastou para me olhar,


me rogando que não fosse ali.

— Sempre serei um gigolô, Reese.

Meu peito paralisou.

—Não, – neguei. — Não, não acredito, pode parar, pode


fazê-lo.

— Ainda não entendeu? — Afastou-se um pouco mais


até que já não nos tocávamos — Não importa se deixo ou não.
Este estigma, esta maldição, nunca desaparecerá. Dentro de
oitenta anos, as pessoas lerão meu obituário e dirão: Mason
Lowe? Não era o gigolô? Deus. — Apertou os olhos e agarrou
o seu cabelo no punho. — Inclusive rima. Provavelmente
farão um poema e me converterei no prostituto imortal.
Começou a afastar-se, mas lhe agarrei por braço.

— Mason, não me importa sua reputação, eu não gosto


de seu passado, mas, tampouco, me preocupo com ele. Tudo
o que me importa é o agora. Assim, agora mesmo.... Segue
tendo relações sexuais com outras mulheres?

Deixou cair a mão de sua cabeça e me observou. Tinha o


mais estranho pensamento que se debatia sobre se devia
mentir ou não. Então fez uma careta e afastou o olhar.

— Bom, acredito que sim, lhe importa a minha


reputação. Ethan Riker é um branco antigo e quis ir a um
encontro com ele, ou não?

Isso não era justo. Apertei os dentes.

— Mason.

Quando tentei tocá-lo, levantou o braço como tentando


proteger-se de mim. — Não. Está bem. De acordo, não sou o
tipo de menino que se leva a casa para apresentá-lo aos seus
pais. Entendo isso.

— Não, não o entende. — Grunhindo minhas


frustrações, cerrei os dentes — Só se cale por um segundo.

Deixei escapar um suspiro perseguido e massageei


minhas têmporas doloridas. Discutíamos dois pontos
totalmente diferentes e isso me confundia. Queria lhe dizer
que estaria orgulhosa de apresentar-lhe aos meus pais, mas
primeiro queria saber se era de verdade que estava livre de
certo estilo de vida.

Depois de lhe arquear as sobrancelhas, lhe advertindo


em silêncio que não se saísse do tema outra vez, tomei ar e
esperei.

— Na biblioteca, nesse dia, — disse tratando com um


tato diferente — disse a Dra. Janison que não programasse
mais clientes.

Seu rosto empalideceu, fazendo que seus olhos


brilhassem como prata polida.

— Jesus, tem orelhas de elefante? Não era para você


escutar isso.

— Bom, eu escutei. E isso me fez pensar.... Pensei


que.... Estava saindo. Mas logo.... Veio ao meu apartamento e
disse que um marido quase lhe apanha e então não estava
segura de nada.

Mason fechou os olhos e inclinou a cabeça.

— Menti sobre o marido. Não sei.... Não tive uma cliente


desde...

— Desde quando?

Negou.

— Não importa.
— Sim, sim importa. — Quando me olhou
penetrantemente, grunhi com o idiota obstinado — Então por
que me mentiu sobre o marido? O que aconteceu realmente?

Fez uma careta.

— Nada. Dispensei uma mulher persistente que queria


meus serviços e se voltou desagradável, isso é tudo. Ela me
chamou... — Enrugou sua cara em uma careta — Chamou-
me de alguns nomes. Nada que não tivesse escutado, mas me
deixou pensando e queria.... Queria... Só precisava vê-la.
Precisava estar perto de alguém que não pensava isso de
mim.

Quando me olhou, lágrimas enchiam meus olhos.

— Oh, Mason, – sussurrei — por que não me disse a


verdade?

Deu outro passo atrás, pondo mais espaço entre nós.

— Porque se lhe houvesse dito a verdade e tivesse


sabido que tinha parado de me vender por dinheiro, tinha
medo de que me deixasse fazer as coisas que morria por lhe
fazer.

Apoiei a mão em minhas têmporas doloridas.

— Bem, vamos ver se o entendo. Você deixou a....


‘Prática’ porque me queria e logo deu a volta e mentiu a
respeito, me fazendo pensar que ainda o fazia para me
manter afastada.
Tragou saliva.

— Talvez.

Maldito seja! Não ia dar uma resposta direta?

Olhei-o com um cenho franzido.

— Isso não tem sentido. Se você parou, poderia me


haver tido, então, por que mentiu para me afastar?

— Não parei para poder tê-la. Sei que nunca poderei tê-
la.

Franzi o cenho.

— O quê? Por que alguma vez não poderá ter—me?

— Porque não, — balbuciou, me olhando com


incredulidade, como se nunca tivesse pensado que lhe faria
uma pergunta tão ridícula.

— Acabamos de passar por isso. Nunca poderia merece-


la. É muito boa para mim. Está fora de meu alcance. É...
Reese Randall.

— Equivoca-se. Não o sou. — Em realidade não era


Reese Randall, e certamente não estava fora de seu alcance
— Tudo o que tem que fazer é estirar sua mão, Mason. —
Pressionando minha palma contra meu peito, sussurrei —
Estou bem aqui.

Negou com a cabeça.


— Não posso, estou corrompido.

— Não. — Para evitar minha condenação, afastei-me da


porta, indo para ele. Com os braços estendidos para abraça-
lo e acalmar sua alma ferida.

Mas se esquivou de minha intenção de abraçá-lo e se


lançou em fuga. Abrindo a porta se deteve e se voltou o
suficiente para dirigir-se a mim, mas sem me olhar.

— Pensei que ao menos poderíamos ser amigos. Mas


não podemos. Não sentarei mais ao seu lado no almoço. Não
farei nada mais com você. Espero que aproveite o seu
encontro.

Quando saiu da sala de aula vazia, deixou a porta


aberta.

Sua partida aniquilou-me. E me deixem lhes dizer, a


miséria e a angústia não me sentavam bem.
O resto do dia passou como um
flash. Logo depois de minha discussão — ou o que fosse —
com Mason, dirigi para casa e não fui para as minhas aulas
da tarde. Eva tampouco. Ela e Alec tinham terminado, e
quando viu meu automóvel estacionado na entrada, foi ao
meu apartamento chorar em meu ombro.

Acredito que consolá-la era a única coisa que evitava


que eu mesmo me lançasse a soluçar. Sentia como se tivesse
perdido Mason para sempre.

Deus, possivelmente o tinha perdido.

Quando Eva se aconchegou em meu sofá para tirar um


cochilo, liguei para Ethan e cancelei nossos planos, já sabia
que isso só fracassaria, inclusive, antes que começasse.

Não pareceu muito surpreso, embora sim, tivesse a


graça de parecer decepcionado.

— Lowe não tomou muito bem a notícia, certo?

Não me ocorria uma razão pela qual devia mentir assim,


sacudi a cabeça.

— Não, não o fez.


Logo depois de um momento de silêncio, Ethan disse:

— Sabe, não tem que me rejeitar só porque ele... – Ele


deve ter se dado conta que estava a ponto de dizer algo que
me ofenderia muito, já que se deteve abruptamente, com
suas palavras desvanecendo-se em uma risada triste. —
Certo. Boa sorte com ele, então.

Boa sorte. Sim, necessitava mais que sorte para


recuperar Mason. Necessitava de um maldito milagre. Ou
possivelmente um bastão de metal para golpeá-lo e fazê-lo
repensar. Ou, possivelmente, precisava fazer-me repensar a
mim mesmo, porque, demônio, não sabia qual dos dois
estava sendo mais estúpido neste momento.

O único bom de tudo isto, era que tinha o coração muito


quebrado pelo Mason, para me preocupar com minha
paranoia com o Jeremy. Ainda fechava com chave todas as
minhas portas e revisava a minha bolsa para verificar meu
spray e arma de eletrochoque, mas ao menos meu medo se
instalou de volta ao nível que estava antes da fatídica
chamada de mamãe.

Droga, a chamada foi no sábado passado? Tinham


acontecido muitas coisas nos últimos seis dias. Muitas
pessoas tinham sido machucadas.

Para evitar a dor, decidi seguir adiante e realizar minha


rotina normal, com a esperança de que a regularidade de
minhas ações estabelecesse algum estado maravilhoso de
inconsciência.
No horário de babá, cheguei à casa de Dawn, abrindo a
porta da frente e entrando sem tocar. A televisão soava com
as notícias da tarde em um volume baixo.

Pensei em gritar alguma saudação, mas decidi caminhar


silenciosamente e surpreender Sarah. Gostava da atenção
das pessoas quando saltavam frente a ela, gritando:

— Bu!

Tinha o pressentimento de que minha amiguinha era do


tipo que adoraria filmes de sangue, punhaladas e terror, mas
ainda não estava pronta para pensar nisso, principalmente
porque, definitivamente, não era meu tipo de filmes. Dê-me
uma comédia romântica em qualquer momento. Ou Harry
Potter, isso era o mais escuro que tolerava.

Enquanto caminhava pelo estreito corredor para a


cozinha, fui até o quarto de Sarah e imediatamente notei que
o outro lado do corredor, a porta do quarto de Mason,
encontrava-se aberta.

Ele nunca deixava sua porta aberta. E, além disso,


escutavam-se vozes vindas de dentro.

Detive-me. Não estava em casa, certo? Maldição. Não


tinha prestado atenção quando estacionei, em ver se seu Jipe
estava na entrada ou não. Não estava muito segura de poder
enfrentá-lo neste momento sem me quebrar em lágrimas.
Mas tinha curiosidade de ver como era o seu quarto.
Aproximei-me, pisando devagar para que o chiado na metade
do corredor, não alertasse a ninguém de minha presença.

Dentro, as luzes se encontravam apagadas, mas soube


que ele — ou alguém — encontrava-se ali, quando escutei o
chiado da cama.

A conversa cessou, para logo começar outra vez. A voz


soava vagamente familiar, inclusive para o muito baixo que se
escutava. Examinei a parede azul escuro, antes de olhar
completamente para dentro, surpreendida de que não fosse
do tipo desordenado. Não tinha muitas fotografias na parede,
tampouco o piso desordenado e cheio de coisas. Não o
chamaria completamente vazio, mas definitivamente não era
um acumulador de lixo.

Logo vi sua cama, coberta por um edredom,


ordenadamente colocado, posto sobre o colchão. Mason
estava sentado na borda, com os pés apoiados ao piso
enquanto focava toda a sua atenção no celular que
sustentava sobre suas pernas. Via um vídeo onde uma
imagem imprecisa se movia ao redor da pequena tela.

—...que eu seja Eva. – O autofalante do telefone chiou


com minha voz, — Bom dia, Mason. Hoje está bem. O que diz
se nós pularmos as aulas e fizermos algo... divertido?

Minha boca se abriu de repente ao ver um sorriso


desdobrar-se por seu rosto. Esfregou seu dedo sobre a tela do
celular, tocando à versão em vídeo de mim.
Oh, meu Deus. Ainda não tinha apagado esse estúpido e
impulsivo vídeo?

Oh, meu Deus, ao dobro. Olhava-o outra vez?

Pus a mão sobre minha boca, já que meu sorriso se fazia


cada vez maior, me consumindo. Meus olhos se encheram de
lágrimas.

Amava-me.

Se isto não demonstrava que me amava, nada o faria.

Mason Lowe me amava.

Sentindo minha presença, levantou a cabeça. Quando


me viu, seus olhos se arregalaram. Lançou seu telefone sobre
a cama e se levantou.

— Reese! O que está fazendo aqui?

Encontrava-se vestido para ir ao trabalho, seus


mocassins marrons adornavam seus pés e sua camisa azul
claro, colocada dentro de suas calças vincadas. Tive que
retirar o olhar, já que vê-lo só me fazia sentir dor e angústia
depressiva.

— É sexta-feira, — disse sem vida e sacudi a cabeça,


confusa. — Sempre cuido de Sarah as sextas-feiras.

— Mas... — Baixou o olhar até seu relógio. — Merda.


Chegarei tarde.
Olhei-o correr no quarto para pegar seu telefone e a
carteira. Quando girou para a porta, para me encontrar ali
bloqueando seu passo e sem me mover, deteve-se, olhando
apanhado em pânico.

— Acreditei que você gostaria de saber que cancelei meu


encontro.

Tomou meu cotovelo, com o olhar cheio de calor.

— O quê? Disse-lhe isso, não tinha que fazer isso. Por


que você cancelou? Ele fez algo? Você está bem?

— Estou bem. Só.... Não posso sair com ele.

— Você... — Mason se aproximou de mim ainda mais,


mais em meu espaço pessoal, com seu aroma limpo e doce
invadindo meus sentidos. — Por quê?

Girei meu rosto a um lado e sacudi meu cotovelo de seu


agarre.

— Agora quem é o tolo?

— Jesus, – ele girou, puxando seu cabelo. —Eu sabia


que não devia ter dito nada. Juro-o. Por Deus, sinto muito.
Eu agi como um idiota ciumento, você merece um encontro e
ser feliz... E viver sua vida como quer vive-la.

Seu amor por mim saía de cada um de seus poros. Podia


me dar conta de que o matava dizer isto, mas honestamente
pensava que o melhor era deixar-me ir.
Nesse momento, soube. Faria o que fosse para tê-lo
comigo.

— Bom, obrigado, Mason. — Disse, lhe dando de


presente um brilhante sorriso. — Estou muito contente de ter
sua aprovação sobre viver minha vida como queira, já que
decidi fazer justo isso.

Tentei me afastar, mas ele tomou meu braço, parecendo


muito suspeito.

— Por que tenho o pressentimento de que há um motivo


oculto atrás dessa declaração?

— Não sei. – Disse. — Talvez seja paranoico. — Quando


abriu a boca, esclareci minha garganta e deslizei minha mão
por meu estômago, acredito que ao ver Eva fazer isso
cinquenta vezes ao dia, me pegou. — Onde está Sarah?

— Estou... aqui.

Minha pequena amiga salvou-me de suportar mais


perguntas ao rodar sua cadeira para a porta do quarto de
Mason.

Sem olhar para o seu irmão, corri e passei o resto de


meu tempo com ela antes que ele se fosse ao trabalho. Não
poderia me interrogar mais.

Embora ele parecesse chateado ao sair pela porta. Seus


olhos me seguiram com a promessa de vingança. Eu não
estava muito certa do que foi que fez minha calcinha ficar
acesa. Ele não havia ameaçado, ou intimidado de alguma
forma. Ele tinha ido embora, e parecia querer fazê—lo. Eu
mesmo cancelei meu encontro por ele. E, no entanto, parecia
mais perturbado do que nunca.

Ah, Mason Lowe seria um osso duro de roer.

Depois que ele saiu, minha tarde continuou com Sarah.


Ela foi para a cama meia hora mais tarde do que o habitual, o
que foi bom, porque hoje à noite gostaria que ela ficasse
acordada comigo; precisava de sua companhia. Com ela
dormindo, deixei o quarto de ombros caídos.

Eu estava sozinha, tudo que eu conseguia pensar era


em Mason. E se ele nunca pensasse que era bom o suficiente
para mim? Inferno, por que pensava que não era bom o
suficiente? Eu não era nada especial. Talvez fosse
completamente alheio aos meus hábitos estranhos, minhas
queixas e comentários impulsivos? Um homem que podia ver
além de tudo isso e ainda aproveitar o que ele viu em mim....
Bem merecido, eu merecia.

Eu me arrastei até a cozinha para pegar um copo de


água, sem esperar ver alguém sentado à mesa. Então,
quando eu o vi, pulei e esbarrei na porta. No início, pensei
que fosse Jeremy. Tinha sido tão estúpida e descuidada no
dia de hoje; finalmente havia me encontrado.

Mas então eu me concentrei em seu rosto e uau, ele não


parecia nada com o perseguidor psicopata do meu ex—
namorado.
Eu coloquei a mão em meu coração e encostei-me à
parede, sentindo alívio.

— Oh, meu Deus. Mason. O que você está fazendo em


casa tão cedo?

Ele olhou para cima da cadeira que ele estava enrolado e


me deu um olhar de pura derrota.

— O destino me odeia.

— Como?

Uma risada amarga ecoou em seu peito.

— Fui mandado para casa mais cedo e estou suspenso


por uma semana.

Oh, merda. O Country Club tinha descoberto o passado


dele? Eu deslizei na parede.

— O que aconteceu?

Ele bufou e revirou os olhos.

— Foi do caralho, eu estava distraído e acertei um carro


estacionado ao tentar estacionar o outro. Eu amassei ambos
os carros. — Ele baixou a cabeça contra a toalha da mesa e
soltou um suspiro. — Acho que a única razão pela qual o
meu patrão não me demitiu, é porque normalmente eu sou
um bom funcionário.

Sabendo que eu tinha que ser a razão por trás de sua


suspensão, engoli um bocado de culpa e estendi a mão para
esfregar suas costas, parando no último minuto. Cruzando os
braços em volta da minha cintura, eu sussurrei:

— Eu sinto muito.

— Por quê? — Quando ele olhou para cima, parecia


confuso.

Eu acenei com a mão.

— Você sabe, por causar uma distração.

— Você não fez. Eu... — Ele empurrou sua cadeira para


trás e levantou-se, com os olhos cheios de preocupação. —
Minha suspensão não tem nada a ver com você. — Ele veio
até mim e meu coração pulsava ao longo do meu corpo. — Foi
tudo culpa minha. Você.... Você não tem culpa de nada. Você
é a parte boa de tudo isso. — Dois passos depois, ele estava
bem na minha frente, de uma forma agradável,
esmagadoramente, que me manteve presa na emoção de
respirar. Mas era tão, sim, esmagador, eu me mexi de volta,
apenas para encontrar-me presa entre seu corpo e a parede,
a mesma parede contra a qual queria me tomar duro e
rápido.

— Você é o sol quente brilhando quando tudo é escuro,


— ele continuou levantando os braços para apoiar ambos os
lados do meu rosto. — Um sorriso e um abraço em meio à
desaprovação. Você é.... — Fazendo caretas, ele pressionou
sua testa contra a minha. — Você é tudo.
Uma única lágrima correu pelo meu rosto. Meu sorriso
tremeu com o esforço.

— Eu também o amo.

Mason abafou um som e, em seguida, balançou a


cabeça.

— Você... não. Você não deve.

Toquei seu rosto.

— Mas eu amo.

Fechando os olhos, murmurou alguma coisa, pouco


antes de selar nossas bocas. Quando nossos lábios se
tocaram, ambos fizemos um som. Se separou o suficiente
para olhar-me. E, em seguida, voltou para mais.

Era tudo o que eu sempre tinha sonhado e muito mais.


Quando seus lábios se moviam insistentes, passei meus
braços em torno dele e levantei meu rosto para mais. Pegando
minha cintura, nos fundimos, enquanto sua língua acariciava
o céu da boca, antes de se defrontar com a minha.

Minhas pernas voaram ao redor de sua cintura, e


pegando a minha bunda, me levantou mais.

Estávamos inclinados para um lado, movendo uma


fileira de chaves penduradas na porta, até que um par caiu.
Ele tropeçou contra os armários, inclinei-me sobre o balcão e
aprofundou nosso beijo em movimentos longos e
esmagadores que me deixou implorando por mais. Seu corpo
bateu contra o meu ainda mais, quando ele segurou meu
rosto. Então ele levou a mão do meu pescoço para minhas
costas.

Mesmo em cima da minha roupa, ele sabia como me


fazer reagir ao massagear meus seios. Deixei escapar um
gemido cheio de necessidade e surpresa, joguei a cabeça para
trás, batendo contra o armário atrás de mim.

— Merda, — engasgou, separando os lábios do meus.


Esfregando minha cabeça para mim, sussurrou: — Não
podemos fazer isso.

Mas, ainda assim, ele enterrou seu rosto contra o meu


ombro, ofegando. Agarrei-me a ele sem vergonha, apoiando
meu próprio pescoço contra o seu. Esfregando as suas
costas, sussurrei:

— Se esta será a única chance que eu vou ter de toca-lo,


você poderia esperar pelo menos um minuto antes de
recuperar os sentidos?

Ele suspirou.

— Tudo certo.

Inferno, meus poderes de persuasão me surpreenderam.

Eu levantei meu rosto para Mason, ele fez o mesmo e


continuou a me beijar de novo. Eu amei sentir os meus dedos
sob o queixo. Eu amei que sua mão deslizando para baixo, a
parte de trás da minha camisa e acariciou minha espinha. Eu
amei tudo.

— 'Tudo bem, devemos parar agora. — Ele tentou


novamente sem sucesso, mas desta vez os seus lábios se
agarraram a minha boca, seus dedos ficaram fascinados com
cada montanha das minhas vértebras. – Reese, nós devemos
parar. Eu preciso parar antes que seja tarde demais.

— Por quê? — Eu segui um caminho em seu pescoço


com meus lábios.

Ele resmungou e agarrou minha cintura, enviando um


emocionante choque ao longo de minhas terminações
nervosas. Então sua boca estava na minha garganta e me
puxou por cima da borda da bancada para unir ainda mais
os nossos corpos.

Quando o calor de sua ereção me bateu entre o seu


jeans e meus shorts, nós dois puxamos o ar de repente.

— Droga. — Ele se afastou de mim, eliminando qualquer


contato antes de sair, colocando poucos metros de espaço
entre nós.

Meu corpo não tinha qualquer força, por isso eu me


arrastei até a parede para ficar em pé. Eu ainda podia sentir
isso em todos os lugares. Mason passou a mão sobre o rosto,
antes de descansar os antebraços contra a outra parede e
inclinar seu rosto.
— Você percebe o que você está fazendo para comigo,
Reese? — Sua voz foi quebrada quando ele bateu a testa
contra a parede. — Obrigando-me a escolher esse caminho...

— Desculpe? — Levantei minhas mãos, mais que


insultada. — Eu não o obriguei a escolher nada. Você já me
ouviu pedir para tomar qualquer tipo de decisão? Eu entendo
completamente por que você faz isso. Mas você não tem que
escolher.

Mason fechou os olhos e bufou irritado.

— Só que eu fiz. Tenho rejeitado todas as ofertas que


tenho recebido ultimamente, porque a única pessoa que eu
quero é você.

Escutando-o admitir abertamente, acendeu minhas


esperanças como a casa de Griswold para o Natal.

— D-desde quando?

A excitação nadou em seus olhos, ele sacudiu a cabeça e


olhou para mim.

— Desde a noite em que quase me beijou em seu


apartamento, durante a festa de Eva.

Engoli em seco, dominada pela felicidade.

Então era oficial. Não era um gigolô. Ele tinha desistido.


Por mim.

Eu me afastei da parede, mas ele gritou:


— Mas pode ser que não dure. — Como se lançasse
algum tipo de campo magnético para me manter longe.

Embora raramente, funcionasse. Eu parei.

— O que você quer dizer?

Um pesar decorou seu rosto.

— Um ano atrás, eu tentei sair. Eu as rejeitei quatro


meses seguidos. Mas isso mudou a forma como as pessoas
me tratavam. Em seguida, comecei a acumular dívidas. Não
tanto como antes. Mas eu preocupei-me, me fez temer que
nossa vida voltasse novamente a despencar. Então, um dia
veio uma cliente e me ofereceu o dobro do dinheiro para
evitar que a rejeitasse. Então.... Eu concordei. E todas as
outras começaram a pagar o mesmo. Antes que eu
percebesse, eu já estava dentro de novo. Ele olhou para mim
e balançou a cabeça. Eu queria dizer que jamais voltaria a
fazer o mesmo, mas eu já fiz isso antes.

Eu balancei minha cabeça, querendo negar toda a


situação, ou talvez simplesmente encontrava—me tão segura
que ele não iria voltar.

Mason olhou para mim, parecendo exausto e chateado


quando você moveu o joelho.

—Nunca deveria ter lhe contado como me sentia.


Quando eu soube que ele iria levá-la para sair, eu deveria
apenas apertar os dentes e manter a boca fechada. Pelo
menos ainda seríamos amigos.
Encolhi os ombros ligeiramente.

— Mas, então, nós nunca deveríamos ter nos beijado.

Seu olhar se levantou e sorriu muito.

— Sim. – Só que agora parecia mais deprimido do que


nunca.

Afastei-me da parede e fui até ele, abrindo os braços e


abraçando-o. Ele exalou e enrolou-me, enterrando o rosto no
meu cabelo.

— Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci. Eu


amo a sua coragem, seus pensamentos loucos sobre a vida, a
sua nobre alma.

—E eu o amo, ponto, — eu disse.

Ele deveria saber que eu não iria tolerar qualquer recusa


de sua parte, uma vez que nem mesmo tentou ir embora
quando eu deslizei minha boca sobre a dele.
Tudo se transformou em um abraço
e beijo suave, não podia dizer onde um terminava e outro
começava. Mason enfiou as mãos nos meus cabelos e
segurou minha cabeça firme como os lábios adorando minha
boca. Depois que mudei meu rosto o suficiente para alinhar
melhor os nossos lábios eu gemi, deixando escapar um som
necessitado. Sua boca não era exigente, mas implorava, e não
podia suportar deixar de implorar. Então abri meus lábios e
aprofundou com tempo.

Eu não conseguia parar de beijá-lo. Nossas bocas foram


dadas a dança íntima de conhecer, aprender cada rachadura,
canto escondido e sensível. Um abraço molhado escalado
para o outro, até que ambos tivemos que tomar um fôlego. E,
no entanto, nós nos abraçamos, nossas bochechas estavam
pressionadas firmemente enquanto nossas mãos
escorregaram nas roupas, até que encontraram o seu
caminho abaixo delas.

Seu peito era suave e quente sob meus dedos tão


tensos. Eu precisava conhecer todos os músculos e os
pecados que ele tinha. Capturando a parte inferior de sua
camisa, levantei-a. Ele levantou os braços para ajudar, e um
segundo depois, ele estava sem camisa.
Eu respirei, apenas observando-o. — Você é tão...
Bonito.

Ele estendeu a mão e me puxou em direção a ele.

—Não tanto quanto você.

Meus dedos tornaram-se viciados ao toque. Foi tão bom.

Mason apertou a boca em minhas pálpebras fechadas,


minha bochecha, testa e queixo. Quando ele começou no meu
pescoço, suas mãos deslizavam em torno da base da minha
espinha. Pressionando minhas palmas das mãos contra a sua
carne quente, cai, mergulhando por trás do cós da calça.

Ele suspirou e segurou meu rosto com a palma da mão.


Sua outra mão se moveu para o interior da minha camisa e
sob o meu sutiã. Arqueando contra ele, ...

Um som em seu bolso dianteiro me assustou. Tirei os


dedos de suas calças me apoiando.

A mandíbula de Mason apertou. Ele fechou os olhos e


amaldiçoou em voz baixa. Lentamente, ele tirou a mão da
minha camisa. Seu olhar veio para o meu rosto ao se
certificar de que a parte de trás de seus dedos passasse pela
minha barriga antes de eu sair. Só então puxou o telefone
fora do seu bolso. Quando ele olhou para a tela, o rosto
empalideceu.
Então eu sabia que estava acabado. Seja qual fosse à
farsa de um relacionamento que tinha começado tinha sido
quebrada. Porque ele tinha uma cliente na linha.

Olhando para mim, Mason puxou o telefone próximo ao


ouvido. Nenhuma resposta, mas a pessoa sabia que ele
estava na linha porque eu ouvi uma voz feminina dizendo
algo silencioso. Um segundo depois, ele se virou para a janela
mais próxima e fechou as cortinas, quase puxando-as da
parede com sua pressa.

—Tudo o que você quiser — sussurrou e desligou antes


de jogar o telefone no balcão como se estivesse contaminado.
Maldição. —Chutou a parede e a mão foi pelo cabelo.

Eu não disse nada. Eu não queria ouvir a verdade em


voz alta, embora eu já soubesse.

—Temos um espião — disse com sua voz baixa e uma


raiva que me surpreendeu.

Quando ele olhou para as cortinas fechadas da janela,


eu notei.

Oh, Deus.

Eu coloquei minha mão sobre a minha boca.

—A Sra. Garrison?

Ele acenou com a cabeça.


—Aparentemente, ela não gostou de ver a gente se
beijando.

Removendo os dedos de meus lábios, apertou em um


punho.

—Então talvez ela não devesse ter olhado.

Mason inclinou-se e pegou sua camisa.

—Eu tenho que ir. Eu tenho uma chamada da cadela


real. —Quando puxou a camisa sobre a cabeça, fez com que
seu cabelo ficasse mais desgrenhado, com o olhar sexy ainda
mais atraente, eu me encolhi.

Era difícil acreditar que tive as minhas mãos sobre


aquele cabelo. E agora ele ia deixar outra mulher colocar as
mãos sobre ele.

Balançando a cabeça, eu me recusei a deixar o momento


acontecer.

— Você tem que ir lá, certo?

— Eu tenho que fazer isso, Reese. Ela é proprietária


desta casa. Ela é dona de minha mãe, Sarah e eu. Eu tenho
que fazer o que ela quer.

Bem, não era difícil de adivinhar. Os sinos me


alertaram.

—Ela pode ser a dona da casa, mas não de você ou de


sua família. Não há necessidade de ir.
—Eu só vou ver o que ela quer. É isso aí. — Quando eu
olhei para ele, sua expressão tornou-se vulnerável e insegura.
— Você vai estar aqui quando eu voltar?

Minha boca se abriu.

— Você está louco? Claro que não, eu não vou estar


aqui! Você sabe o que ela quer Mason. Ela quer você nu em
sua cama. Se ela quisesse alguma coisa, ela teria dito ao
telefone, ou melhor, ainda, não teria interrompido o nosso
beijo.

A partir do olhar teimoso no rosto, eu sabia que não o


tinha convencido a ficar.

—Eu só vou ficar fora alguns minutos. Eu não vou nem


entrar em sua casa.

Eu me afastei.

— Ok. Tanto faz. Vá lá. Foda-se. Eu não me importo. Eu


estou fora daqui.

Peguei minha bolsa na mesa e me dirigi para a porta dos


fundos.

—Reese. — Ele correu atrás de mim e passou os braços


em volta de mim por trás. O peito dele estava tão quente e tão
Mason, eu quase derreti no local. — Não vá assim. Por favor,
não vai assim. Eu prometo que não vou dormir com ela. Não
importa o que ela tente fazer para me convencer. Eu só vou
dizer-lhe para me deixar em paz.
Balançando a cabeça, ri soltando um som de descrença.

— E também você poderia ter dito a ela por telefone para


deixá-lo em paz.

Seus braços se apertaram ao meu redor.

— Reese. Por favor.

Fechei os olhos e busquei a última gota de força de


vontade que eu tinha dentro de mim.

— Talvez você não tenha me cobrado uma taxa, mas um


beijo é um preço alto demais para mim. Eu não estou pronta
para isso. Agora me deixe ir.

Ele soluçou, deixando escapar um som abafado contra a


minha volta, mas afrouxou seus braços. Eu me contorci,
liberando o resto de sua detenção e cambaleei até a porta,
fora de casa. Eu não olhei para trás uma vez sequer. Eu sei,
eu mesmo fiquei surpresa com a minha força de vontade.
Quando cheguei ao volante do meu carro, liguei o motor e
não olhei para casa. Simplesmente coloquei o carro em
marcha e afastei do meio-fio.

Eu percorri uma meia quadra da rua antes de minhas


mãos começassem a tremer. Cerrando os dentes, travei e
disse todos os nomes ruins que tinha lido nos livros. Então
eu desliguei o motor e abri a porta e cambaleei na noite
quente. Corri todo o caminho de volta para sua casa, com
meu peito agitado, incapaz de ficar longe.
Ei, nunca disse ser uma pessoa sábia e racional.

Sim, ok, isso provavelmente foi o top da minha lista


impulsiva. Lá foi a cereja no topo do meu bolo estúpido.

Eu era uma idiota, estúpida, estúpida. Eu sei!

Mas eu tinha que ver se ele realmente estava indo ficar


com ela. Eu só tinha que ver.

Mantendo-me perto das sombras, entrei em seu quintal.


Quase vomitei quando vi a porta dos fundos aberta.

A figura em forma de Mason correu para a porta que


separava seu quintal do seu.

Eu não podia acreditar. Ele estava indo para ela. Depois


de tudo o que tinha me confessado...

— Pode fazer esta pequena conversa rápida? — Mason


agarrou. — Minha irmã está em casa sozinha.

Eu fui na ponta dos pés até a porta, ficando fora da


vista.

— Bem, parece que você está pronto para sair, ela


balbuciou com a voz mal de Patrícia Garrison. — Então não
se preocupe. Duvido que nos leve um longo tempo.

—Não vai acontecer. — A voz de Mason foi dura e


implacável. — E lembre-se de nunca espiar de novo. Suas
atitudes rudes e repugnantes ultrapassaram todos os limites.
—Eu pensei que você disse que a pequena enfermeira
era sua amiga.

— E eu pensei que eu lhe disse que não era o seu


negócio. Essa parte ainda é verdade.

—Não há razão para ser insolente, Mason.

—Jesus, por que você se importa se eu tenho uma


namorada ou não? Então, o que tem se eu fizer sexo com
todas as mulheres da Flórida? Você que me enviou para as
outras mulheres primeiro.

— Mas, querido, o sexo não é o problema. Tudo teria


sido perfeitamente bem se você tivesse apenas ido em frente e
fodido. O problema é que você se apaixonou por ela. Porque
uma vez que você cair, você tem que ser monogâmico ou algo
assim. Eu sei que você vai. E, a julgar pela maneira como
você olha você já caiu. Mas eu não posso permitir isso. Eu
não posso deixar alguma animadora de torcida tonta,
provoque caos nas minhas atividades extracurriculares. Eu
não terminei com você.

— Bem, eu assumi que sim. Você trouxe o seu


namorado para a festa de Sarah e você exibiu-o na frente da
minha mãe, zombando dela por não ter o seu próprio homem.
Eu não preciso de mais nada.

—Mason, Mason, Mason, pobre criança iludida. Você


não poderia estar mais longe da verdade. Ted é querido,
homem doce. Rico, charmoso, bonito. Na verdade, eu adoro
namorar com ele.

—Então você não deve enganá-lo.

— Mas, querido, eu não vou ser capaz de evitá-lo. Não é


como se eu o quisesse no quarto. Não é como eu o treinei.
Preciso de você mais do que você pensa.

— Bem, isso é muito ruim, porque eu nunca vou tocar


em você de novo. Nós não temos atrasado o aluguel em mais
de um ano.

— Bem... considerando como é a inflação e a economia,


eu tenho medo que tenha que aumentar o aluguel.

—Eu não me importo. Vamos pagar. Seja o que for. E se


ficar muito alto, teremos de nos mudar. Você não tem
nenhum poder sobre mim.

Das sombras, eu apertei minha mão e soquei no ar,


encorajando-o em silêncio.

— Vai Lowe! Continue!

— Sério? — A Sra. Garrison riu divertida. E se eu


chamar um policial que eu conheço para falar sobre
escândalo de prostituição ilegal no clube de campo?

A risada de Mason era baixa e dura.

— Vá em frente, Patrícia. Eu não me importo. De


qualquer forma desde que eu parei de aceitar clientes.
Ninguém vai me prender por especulação, eu terminei,
ninguém pode me pegar em flagrante.

— Bem, você acha que tem tudo planejado, certo?

— Pela primeira vez, sim. Agora, quando é que vai entrar


na sua cabeça que acabou? Eu nunca vou fazer sexo com
você de novo. Não há nada que você possa dizer ou fazer para
voltar a entrar em sua casa.

—Lamento ouvir isso. Realmente. Porque eu estava a


ponto de dizer que sei o segredo de sua namorada.

— Dizer o que?

Minha pele esfriou enquanto eu caminhava até a porta,


olhando através das rachaduras, vendo Mason ficar rígido
quando enfrentou a porta entreaberta, sem querer
bloqueando minha visão.

Parecia desconfiado e cauteloso quando perguntou: — O


que diabos você está falando?

— Nada, realmente. Quer dizer, eu tenho certeza que ela


contou—lhe tudo sobre Teresa Margaret Nolan, certo?

—Oh, meu Deus. —Coloquei as mãos sobre minha boca


para abafar o meu choque.

Ela sabia.

Como, em nome de Deus ela sabia?

— Quem? — Mason perguntou, parecendo confuso.


Fechei os olhos e balancei a cabeça. Isso não poderia
acontecer. Ele não poderia descobrir a verdade por causa
disso.

—Oh, Mason. – A Sra. Garrison estalou, soando


perversamente encantada. — Ela não disse o seu nome real?
Eu me preocupo. Parece que não há confiança suficiente e
honestidade na sua relação monogâmica doce, se a menina
nem sequer lhe disse que mudou legalmente seu nome para
Alison Randall há alguns meses. Quero dizer, não que eu a
culpe. Se meu ex-namorado tentasse me matar e prometesse
terminar o trabalho da próxima vez que me visse, assim, eu
fugiria do país e mudaria o meu nome.

— Não — disse Mason, sua voz tremenda de incerteza.

Lágrimas encheram meus cílios. Eu as limpei


desesperadamente e meu coração se partiu porque ele
descobriu a verdade desta maneira. Eu deveria dizer.

— Você acha que eu estou inventado? — Ela riu. — Ele


a cortou. Com uma faca. Sua vida esteve em perigo, ela
esteve no hospital por mais de uma semana. Tenho certeza
que você já viu a cicatriz. Acho que está em algum lugar em
seu pescoço.

O silêncio de Mason me matou. Um segundo depois,


disse com voz rouca:

— Oh, Deus! O que aconteceu?

A Sra. Garrison faz um som agradável.


—Deixe-me dizer-lhe que a sua menina tem ótimo gosto
para homens. Foi desagradável. Um negócio desagradável de
fato. Eu acho que eles eram namorados na escola, e estava
tudo bem com eles até que ele começou a ser um pouco
controlador para o seu gosto. A primeira vez que tentou
terminar, em seu segundo ano, deslocou-lhe a mandíbula. Na
segunda vez, durante seu último ano, ele quebrou o braço
depois de empurrá-la nas escadas.

Mais lágrimas corriam pelo meu rosto. Mas como em


nome de Deus, essa mulher sabia tanto sobre mim? Onde ela
tinha tomado essa informação?

—Foi quando ela finalmente decidiu que já era o


suficiente. Mas ainda assim ele se recusou a aceitar um não
como resposta. Perseguida e assediada por meses depois que
ela o deixou até que ele invadiu a casa de seus pais para
matá-la. E quase consegue.

—Jesus! — Disse Mason asperamente.

— A Senhorita Teresa perdeu a formatura do ensino


médio, porque estava no hospital. E seu namorado
impertinente em liberdade sob fiança quase que
imediatamente. Assim, ela deixou a cidade com um novo
nome. E desde que o caso foi arquivado contra ele, Jeremy
Walden foi completamente perdoado. Ele começou a
pesquisar. A casa dos pais dela foi invadida na semana
passada. Vou lhe dar três chances de descobrir quem fez
isso.
A voz de Mason hesitou quando lhe perguntou:

— Ele achou alguma coisa?

A senhora sussurrou:

— É difícil dizer, mas vou dizer que esse cara vai fazer
de tudo para reconquistar Reese.

Ouvir o nome de Jeremy sempre me adoecia. Eu agarrei


meu estômago e fechei os olhos, obrigando-me a respirar pela
boca até que a náusea diminuiu.

—Só acho, Mason, que, se ele estava prestes a matá-la


quando ele estava apaixonado por ela e queria reacender seu
relacionamento, pense no que ele vai fazer neste momento,
agora que ele quer vingança. Não seria horrível se alguém
acidentalmente falasse o seu paradeiro? — Eu cambaleei e
teria caído se não me segurasse no trinco da porta.

—Você faria! — Mason disse.

—Claro que não, querido. — O tom insultado Sra.


Garrison soou falso.

Escavei minhas unhas na alça de metal, querendo


alcançá-la e prejudica-la fisicamente.

—Eu nunca faria nada para incomodá-lo. Não quando


você vai me dar o que eu quero. — Seu tom mudou a grave
persuadindo um momento. — Certo?

— Não! — Eu gritei, andando através do seu quintal.


— Reese? —Mason virou-se e agarrou meu cotovelo.
Aproximando-se, colocou os braços em volta de mim. —
Cristo. O que você está fazendo aqui?

Agarrei-me a ele, com minhas lágrimas embebendo sua


camisa.

—Você mesmo disse. Minha curiosidade não tem filtro.


Eu tinha de saber se iria com ela.

— Droga — ele murmurou, enquanto suas mãos se


tornaram suaves e me segurou contra ele, acariciando meu
cabelo. — Quanto você já ouviu falar?

— Tudo. E você não pode dormir com ela. Eu disse que


não. Isso deve ser suficiente. Está chantageando. O que ela
está fazendo é..... É uma loucura. É uma violação à você da
forma mais pessoal, privada e vil. Eu me recuso a ficar aqui e
deixar você fazer isso tudo por minha culpa.

Ele não respondeu apenas me manteve em torno dele


enquanto eu estava tremendo e chorando contra ele. Quando
ele pegou meu rosto o suficiente para olhar nos meus olhos,
um sentimento ruim subiu por minha espinha.

Ele parecia... Resignado.

— É verdade?

Outra lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu deveria ter


dito tudo. Mas eu não podia mentir. Nunca mais.
—Sim. — Eu senti mais lágrimas caírem. — Sinto muito.
Eu sinto muito. Eu deveria ter dito antes, mas...

—Shh. Tudo certo. Tudo está bem. Ele beijou minha


testa. Em seguida, os dedos perseguiram uma lágrima no
meu queixo antes de tocar o meu pescoço para tocar a minha
cicatriz. Um soluço escapou de minha garganta. — Eu juro
Reese. Eu nunca vou deixá-lo te encontrar. Não irá te
machucar novamente.

Então ele tirou a mão e deu um passo para trás. A


tristeza e a dor em seus olhos me disseram adeus. Para
sempre.

—Mason. — Eu chamei.

Ele virou-se e caminhou até a porta dos fundos da Sra.


Garrison. Ela descansou a meio corpo vestido contra a
moldura da porta, e quando ele passou por ela, ele bateu no
ombro, deixando-a fora de equilíbrio, antes de desaparecer
dentro.

—Bem a tempo –a Sra. Garrison ronronou quando ela se


endireitou. — Eu amo quando ele se irrita.... Todo agressivo
selvagem e muito indomável. Há algo tão sensual com esse
menino quando sua paixão é desencadeada. — Ela
estremeceu e soltou um suspiro sonhador. Obrigado. —Assim
também se virou e fechou a porta.

Eu fiquei ali, olhando para a casa dela e tremendo da


cabeça aos pés.
Vibrando com indignação, queria explodir. Eu queria
gritar. Eu queria correr e arrastá-lo para longe daquela má,
má mulher.

Mas ele havia tomado sua decisão.

Ele havia escolhido ela.

E ele tinha feito por mim.


Capítulo 25

Eu deveria ter ido. Eu deveria ter ido


para casa, enrolar-me na minha cama e chorar o resto da
noite.

Mas eu não podia.

Entrei na casa de Mason, uma sensação de dormência


para no meu núcleo, entrei pela porta dos fundos. Esbarrei
em uma cadeira perto da mesa da cozinha, o meu corpo
começou a soluçar, tremendo incontrolavelmente enquanto
eu agarrava meus braços como se minha vida dependesse
disso.

Juro! Um pedaço da minha alma deixou meu peito


porque eu chorei tanto, que eu me sentia fisicamente ferida
no meio do esterno, o que tornava impossível respirar
corretamente.

Meus olhos estavam inchados, o nariz escorrendo como uma


peneira e hiper-ventilava tanto a ponto de ficar tonta quando
a porta se abriu e Mason entrou cansado.

Eu não tinha ideia de quanto tempo tinha passado. Não


parecia muito. Além disso, parecia uma eternidade.
Eu levantei meu rosto. Quando ele me viu, parou ao
lado da porta. A expressão em seus olhos era frívola, como se
quisesse ser executado.

Eu me levantei da minha cadeira, ainda me segurando.

— Você.... Você fez?

Culpa e devastação escorria dele.

— Reese? O que... O que você está fazendo aqui?

— S-Sarah. — Minha voz estava vazia, meus membros


estavam pesados e minha mente estava turva. — Sarah
estava sozinha em casa.

Mas nós dois sabíamos que não era por isso que vim
para aqui.

Ele balançou a cabeça, como se a negar a minha


presença.

— Mas seu carro não está lá fora.

—Eu estacionei a poucas quadras e caminhei. Você


realmente fez?

— Cristo. — Ele colocou as mãos no rosto e um gemido


de agonia saiu dele.

Eu tropecei para frente, tinha necessidade de abraçá-lo,


precisava dele para me segurar.

Ele evitou meus olhos, recusando-se a olhar para mim.


— Não faça isso. Eu não estou limpo.

Oh, Deus. Ele o fez. Caminhei em sua direção.

Ele ergueu as mãos e sussurrou:

— Pare! Jesus, Reese. Esta é a razão pela qual devemos


ser apenas amigos. É por isso que... Droga! — Ele tocou meu
rosto e olhou para os meus olhos lacrimejantes inchados e o
meu nariz vermelho. Em seguida, colocou a palma da sua
mão contra o peito agitado como se ele pudesse acalmar a
minha respiração irregular com seu toque. — Olha o que eu
fiz. Isto é exatamente o que eu queria evitar. Eu nunca quis
te magoar. Eu daria tudo para poupá-la disso.

Eu peguei dois punhados de sua camisa e apertei.

— Então me deixe ajudá-lo.

Ele balançou a cabeça.

— Como? Ele parecia quebrado e desanimado.

Nós compartilhávamos a dor mútua. E a única maneira


que eu poderia pensar em ajudar-me e ajudá-lo era dar o que
ele mais precisava. Respirando fundo, limpei minhas
bochechas molhadas.

— Você quer ser limpo?

Ele olhou para m

im, com os olhos cheios de esperança, mas


sobrecarregado. — Sim.
— Então eu vou limpar.

Quando ele estendeu a mão, entrelaçamos nossos dedos.


Levei-o para o banheiro e ele me seguiu sem resistir.

Ele parou depois de entrar e ficou ali, olhando para o


nada, parecendo quase em coma. Fechei a porta atrás de nós,
prendendo-a com um arame que tinha reunido na cômoda
sob o botão, mantendo-a fechada.

— Que ótima ideia — Mason disse atrás de mim, a sua


voz grogue. — Por que eu nunca pensei em fazer isso?

Virei-me para ele dando um sorriso suave.

— Porque você precisa de mim por perto para mostrar-lhe


o caminho certo.

Ele estremeceu.

— Eu deveria ter escutado. Eu não deveria ter ido lá. Eu


não deveria...

—Shh. —Tomei a bainha de sua camisa e puxei para


cima. — Não há mais arrependimentos. O que está feito está
feito e não vamos pensar nisso novamente.

Ele levantou os braços para me ajudar a tirar a sua


camisa, mas ele perguntou:

— O que você está fazendo?

—Vou dar-lhe um banho. Eu disse que estava indo para


limpar e....
As palavras sufocaram na minha garganta quando vi o
chupão vermelho brilhante em cima de seu peito.

Vendo minha reação, ele franziu a testa.

— O quê? — Quando ele olhou para baixo e viu a marca,


colocou a mão sobre ela, cobrindo-a.

Seu rosto se contraiu e engasgou. Eu vi o pedido de


desculpas em sua expressão. Depois veio o medo e repulsa.

Ganhou a repulsa. Ele se afastou de mim, caiu de


joelhos e bateu no assento do vaso sanitário. Enquanto
vomitava, eu me virei e cobri minha boca. Caíram mais
lágrimas. Com as mãos trêmulas, peguei um copo na pia e
enchi-o com água.

Quando ele terminou, eu estava sentada no chão, ao seu


lado, pronta e esperando com um copo de água e uma escova
de dente com pasta.

—Obrigado. — Primeiro tomou água, enxaguou a sua


boca e cuspiu. Depois de algumas rodadas disso, ele começou
a esfregar os dentes com força. E enquanto isso manteve o
braço sobre o peito, escondendo a marca que ela tinha
deixado.

— Eu vou aquecer a água — me ofereci, empurrando


meus pés e me sentindo robótica durante o trabalho.
— Você realmente vai ficar aqui enquanto tomo banho?
— Ele não soava como se quisesse que eu saísse, só parecia
perplexo com a ideia.

— Eu disse que ia te limpar. — A verdade era que não


pensava que poderia ficar longe dele agora.

Abrindo a porta para o chuveiro, abri a água, não


importando as gotas caindo em meus braços e começando a
molhar a minha camisa. Eu segurei meus dedos sob a água
até ela ter a temperatura certa para Mason.

Atrás de mim, levantou-se e deixou o copo e escova de


dente. Quando a calça caiu no chão, eu pulei.

No mês passado, eu teria dado uma olhada. Inferno,


antes de hoje, teria olhado. Mas agora eu não queria porque
ele sentia repulsa pelo fato de que ele teve seu pênis em outra
mulher, há poucos minutos atrás.

Eu simplesmente não podia violar a sua privacidade. Ele


havia sido violado o suficiente para uma noite.

Quando olhei para trás, meu olhar caiu sobre o seu


rosto.

— Acho que posso deixar você fazer essa parte sozinho.

Seus olhos pareciam prata com a luz ambiente


fluorescente. Eles se concentraram em mim, procurando o
meu rosto. Com um aceno de cabeça em silêncio, ele passou
por mim e se trancou no chuveiro. O vidro era opaco, assim
eu só podia ver um borrão dele através da porta.

Deixei-o momentaneamente para procurar e encontrar


em seu quarto roupas limpas para ele usar, joguei seu
uniforme do Country Club na lavanderia e voltei para o
banheiro cheio de vapor, onde a porta estava parcialmente
aberta. Eu coloquei o papel para trás e fechei a tampa do
vaso para sentar e esperar.

Eu juro que ele se ensaboou umas três vezes. Mas


pareceu-me bem. Tudo o que ele tinha que fazer para se
sentir limpo novamente, estava bem.

Quando desligou a água, eu estava lá com uma toalha.

Ele pareceu surpreso quando abriu a porta e me viu.


Com agradecimentos mais calmos e humildes, pegou a toalha
e secou antes de envolver em torno de sua cintura.

Sentei-me no vaso sanitário e coloquei meus joelhos no


meu peito, passando os braços em torno deles.

Sentia-me como se eu fosse a única que fez isso com ele,


como se parte de mim tivesse derrubado a parte mais básica
dele e deixou o resto abusado e maltratado.

— Eu me sinto inútil e barato, e... E eu usei.

Ele acenou com a cabeça uma vez e deslizou suas


boxers debaixo da toalha.

— Sim, o que praticamente cobre o que você fez.


Eu não pude ajudá-lo, eu comecei a chorar de novo.
Lágrimas rolaram de meus olhos e correu pelo seu rosto
mesmo antes de perceber.

— E você concorda com isso?

Ele cobriu o rosto com a mão, sussurrou:

— Reese— um som abafado saiu do seu rosto...

—Não se atreva a pedir desculpas. Eu fiz isso. É minha


culpa que você passou por isso esta noite.

Suas pestanas se abriram.

— Não faça. Deus, não. Você não fez. Não foi culpa sua.

Soltando sua toalha, ajoelhou-se diante de mim. Contra


a minha vontade, eu vi o seu peito só para ver que ele tinha
substituído o chupão por um grande vergão vermelho, onde
ele tentou apagar.

— Sinto muito. — Ele correu para sua camisa.

Uma vez que ele pegou e vestiu dois punhados do tecido


no chão e se inclinou em direção a mim.

Deixou-me confortável e colocou os braços em volta de


mim, me segurando no colo no chão do banheiro.

— 'Tudo bem — ainda resmungando. — Eu juro Reese.


Não foi tão ruim. Nem sequer terminei. Assim que ela
terminou, eu...
— Eu não quero detalhes – gritei horrorizada.

Mas eu odiava a Sra. Garrison. Não só tinha manipulado


fazer o que ela queria, ela teve sua cabeça, jogou com o seu
corpo e impediu a única recompensa que ele poderia ter
chegado hoje à noite.

Eu sei isso era um pensamento terrível. Mas eu me senti


péssima.

— Sinto muito. — Seu rosto ficou pálido. Quando ele


tentou ficar longe, eu chorei mais alto e revirei os dedos em
sua camisa de algodão macio para abraça—lo mais apertado.
Respirando pesadamente, eu me agarrei a ele, incapaz de
parar de gritar.

— Você vai ficar bem. Ele beijou e acariciou meus


cabelos emaranhados, fios molhados.

Deixei escapar uma risada incrédula.

— Tudo certo? Estou tão longe de estar bem agora. Não


me lembro como se sente bem.

Ele pressionou seu rosto contra o meu pescoço.

— Eu não posso te dizer o quanto estou triste. Eu não


posso.... Eu não posso.... Por que diabos você ficou? Você não
deveria ter ficado para ver isso.

—Eu não sei. Eu não podia sair. —Eu o abracei mais


apertado. Não me faça ir.
—Nunca. — Ele traçou os nós dos dedos na minha
bochecha. — Diga-me o que fazer. Eu farei. Eu juro. Apenas
me diga como melhorar isso.

—Já está feito. — Descansando sobre ele, derrotada e


sem poder. A única coisa que restava a fazer era ajustar-me e
aceitar. Desde que eu não tinha uma opção sem perdê-lo
completamente, fechei os olhos e me pressionei contra ele.

Eu tinha o compromisso de mantê-lo quieto, mas, aqui


estávamos, e ele era o único impedindo-me de cair aos
pedaços. A ironia não foi perdida por mim.

Ele colocou seu rosto no meu cabelo e soluçou.

— Eu pensei que eu te amava o suficiente para protegê-


la dos meus sentimentos — confessou ele, com a voz
entrecortada e rouca. — Eu pensei que poderia poupar-lhe a
dor. Porra, eu tinha tanta certeza de que eu poderia falar na
sua cara e terminá-lo para o bem. Eu fui estúpido e
arrogante. E por isso você saiu ferida.

— Não — Passei a mão pelo seu braço. — Protegeu-me.


Você a impediu de ter contato com Jeremy. Você me salvou.

Ele chorou novamente e beijou o meu cabelo.

— Venha. — Segurando-me forte, levantou-se e me tirou


do banheiro para o quarto dele. Deitou-me no meio do
colchão e puxou o lençol e cobertor debaixo de mim antes de
me cobrir. Depois de um rápido beijo na minha testa, enrolou
ao meu lado.
Olhamos um para o outro, um ao lado do outro no
colchão sem nos tocarmos. Ele não tinha ligado a lâmpada,
mas conseguia ver seu rosto claramente pela luz brilhante do
corredor.

—Nem sempre foi assim “tão mau”, ele murmurou.


Quando eu comecei, era algo grande. Quero dizer, mulheres
bonitas, ricas e elegantes que me prestavam atenção,
colocando notas de cem dólares em minhas roupas. Eu tinha
que deitar-me três ou quatro vezes por semana. Isso me deu
uma confiança que nunca tive. Mas eu envelheci muito
rapidamente e quando me dei conta de que essas mulheres
não me respeitavam, não era nem mesmo uma pessoa para
elas, já era tarde demais. Eu já tinha essa reputação, já me
tinha pelo pulso e eu me sentia preso.

Estendeu a mão com um sorriso suave, colocou uma


mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.

— Mas eu não posso me arrepender. Se eu não tivesse


aceitado a oferta naquela tarde, não teria começado a minha
clientela no clube de campo. Nunca teria feito dinheiro
suficiente para sentir que eu pudesse estudar. E eu nunca
teria te conhecido.

Eu solucei e limpei meu rosto.

— Eu não acho que vale a pena.

Ele riu suavemente, sua expressão indulgente.


— Acredite em mim. Você vale muito. — Com um beijo
no meu nariz, suspirou. — Ok, eu derramei a minha alma.
Sua vez.

Não sabia que dizer. Minha alma estava vazia de


histórias.

Os dedos de Mason traçaram suavemente a cicatriz no


meu pescoço.

— O que você me diz sobre isso?

Com um arrepio, eu fechei os olhos.

— Ela falou quase tudo. Não há muito mais a dizer.

—Eu quero ouvir de qualquer maneira. Eu quero ouvir


de você.

Então eu disse, e então me aproximei dele.

—Eu farei qualquer coisa para mantê-lo longe de você.

—Eu sei. —Isso é o que eu mais temia.

Eu descansei minha bochecha em seu peito, grata por


estar com ele e duplamente grata que eu não tinha sido
estúpida para deixar Jeremy me maltratado por tanto tempo.
Adormeci em seus braços.

Dawn nos acordou quando chegou em casa, em voz alta


e ofegante quando viu a babá na cama com seu filho.

Mason e nos eu levantamos quando acordamos.


Ele disse:

— Mãe — segurando uma mão sobre o coração, só para


cair de volta contra os travesseiros e fechou os olhos. – Jesus,
quase me deu um ataque cardíaco.

— Sinto muito — ela murmurou, lançando lasers para


mim. — Não esperava encontrá-lo na cama... Com Reese.

A testa de Mason enrugou em descrença.

— Ainda que você me veja toda noite?

— Sim! Eu sou sua mãe, certo? Agora, você vai explicar


o que você faz na cama com a babá ou não?

—Oh. — Sentou-se e olhou para mim. — Puxa mamãe,


nada aconteceu. Olhe. Ainda temos roupas.

Dawn levantou uma sobrancelha, obviamente não ficou


impressionado. Andei um pouco mais perto de Mason. Ele
achou a minha mão sob o lençol e pressionou.

— Sarah teve uma convulsão... Ele explicou, e Reese


ficou louca. Ela tentou chamar você primeiro, mas eu não sei
talvez ela discou o número errado. De qualquer forma, ela
não pôde falar com você, então me ligou. Depois de colocá-la
para dormir, Reese entrou em colapso e começou a chorar.
Eu não sabia o que fazer para ajudá-la. Como eu ia deitar
sem fazer nada. Então nós adormecemos depois, e é aí que
estamos agora.
Sua mãe olhou para ele por um momento antes de olhar
para mim.

— Sarah teve uma convulsão? Ela está bem?

— 'Tudo bem — Mason disse. — Parecia lúcida e alerta


quando terminou. Lemos juntos alguns Harry Potter antes de
irem para a cama.

Dawn assentiu e esfregou a testa.

—Tudo certo. Obrigado por estar aqui, Reese. —Ela me


viu e franziu a testa com preocupação. — Coitada, você ainda
está em estado de choque. Seus olhos estão vermelhos e
inchados.

Eu olhei para baixo, sem saber como mentir, assim


como Mason fez. Ele colocou o braço em volta do meu ombro
e me puxou contra seu lado.

— Vou levá-la para casa. Sua amiga ligou e pediu para


pegar o carro, então você precisa de alguém para dirigir.

Surpresa por seu raciocínio rápido, eu levantei meu


rosto. Meu cérebro parecia frito e cozido demais. Mas ele foi
tão convincente que eu quase corri acreditando. Ele mesmo
convenceu sua mãe a sair de seu quarto antes de sair da
cama, de modo que ela não soube que ele só estava usando
boxer sob os lençóis.

— Eu não posso acreditar que você mentiu — disse


através de meus dentes, assim que ela saiu.
Ele fez uma careta, me dizendo para manter a voz baixa.

—Eu não menti. Sarah teve uma convulsão e, em


seguida, te acalmei. Só não esta noite.

Eu bufei e revirei os olhos, mas acabei sorrindo. Ele


sorriu e pegou a minha mão, beijando meus dedos. Por um
breve momento, tudo parecia quase normal.

Dawn puxou uma jarra de chá gelado do refrigerador


quando passamos da cozinha para a porta dos fundos.
Impressionada com o seu comportamento cada dia como se
nada de anormal tivesse acontecido na noite passada, eu
queria odiá-la por fazer Mason sacrificar—se nos últimos dois
anos. Mas eu parei. Se procurasse falhas em todo o mundo,
encontraria cem por cento do tempo e sempre me
decepcionaria. Eu não queria ficar desapontada com esta
mulher. Ela tinha gerado duas das minhas pessoas favoritas
no mundo. Era sua mãe.

Em vez de olhar para ela, eu me aproximei e dei-lhe um


abraço impulsivo.

— Eu só quero que você saiba que você tem filhos


fantásticos.

Ela olhou-me surpresa no início, mas depois relaxou e


me abraçou.

—Tenho-os, certo? E eu sei que eles também gostam


muito de você.
Quando nos despedimos, Mason estava lá para pegar
minha mão.

—Vou voltar na parte da manhã, ele disse a Dawn antes


tomar de surpresa pela porta dos fundos.

— Mason! Oh, meu Deus! Eu não acredito que você


disse isso.

— O quê? —Quando eu olhei, olhou—me confuso. —


Achei que você não queria mentir.

— Então, eu acho que ele pretendia ficar a noite toda


comigo. Meu coração apertou com alívio, porque eu não
queria ficar longe dele.

— Mas agora vai pensar que teremos sexo a noite toda.

Ele deu de ombros.

— Bem.... Um homem pode sonhar certo?


Quando chegamos no meu apartamento, Mason pegou a
minha mão enquanto me levava para porta.

Depois de acariciar meu cabelo da maneira mais


amorosa, encontrava-me de pé justo na entrada enquanto ele
revisava todo o piso superior, assegurando-se de que nenhum
ex-namorado perseguidor psicopata rondava por aí. Guardei
a doçura de suas ações.

Quando retornou e voltou a pegar minha mão para me


levar ao quarto, segui-o em um prazer vertiginoso.

Despimo-nos por si só, frente ao outro, até ficar com a


roupa de baixo. Seus olhos se esquentaram quando tirei
minha camiseta sobre minha cabeça e meus peitos
empurraram contra as taças do meu sutiã. Sabia que ele
estava excitado, já que revelou um volume impressionante em
sua boxer quando deslizou suas calças pelas pernas. Mas em
vez de me alcançar, deu a volta e deslizou para baixo os
lençóis de minha cama.

— Depois de você. — Seu olhar estava cheio de cuidado


e devoção. — Prometo que esta noite não irei monopolizar o
colchão e as cobertas.
Fiz uma pausa antes de me deitar, tão aliviada quanto
decepcionada de que não tentasse nada comigo. Merecíamos
um pouco de conexão física. Precisava estar perto e
compartilhar meu corpo com ele da maneira mais íntima e
emocional possível.

Mas mais tarde. Esta noite não.

O sexo não era o que ele mais precisava de mim neste


momento. E tampouco era o que eu mais precisava dele. No
momento, aos dois serviria bem um pouco de consolo
emocional.

Assim em lugar do sexo, o que se seguiu foi o mais doce


e também as horas mais platônicas de minha vida. Mason
conseguiu converter a depressão absoluta que tinha
começado a sentir no pátio de sua vizinha em uma felicidade
sem reservas.

Envolveu-me em seus braços e se aconchegou comigo,


falando de coisas corriqueiras como Harry Potter, cafés, a
universidade, as aranhas, e nosso futuro. Desenhávamos nas
mãos do outro com os dedos e adivinhávamos que imagens
tínhamos feito. Tratamos de ter uma guerra de polegares sob
os lençóis.... Com nossos dedos. Logo permanecemos
deitados em um silêncio tranquilo, tirados da mão e
escutando nossas respirações lentas até que ambos caímos
em um esquecimento sem sonhos.

Tive um sono encantador e ininterrupto. Quando


despertei, não sentia como se tivesse passado toda a noite
chorando sem cessar até que meus olhos quase se fecharam
pelo inchaço. Sentia-me revitalizada e cálida enquanto me
aconchegava com minha alma gêmea, que cumpriu sua
promessa e não monopolizou o colchão nem as cobertas.

Virando para ele, o vi dormindo junto a mim. Era como


presenciar um milagre. Era perfeito. Por dentro e por fora.

Como se sentisse meu olhar moveu-se, tomando uma


respiração profunda antes de girar a cabeça para mim e
agitar seus cílios grossos até abrir os olhos. Um sorriso
cansado apareceu em seu rosto, e a verdade é que nem
sequer posso descrever o que sentia ao saber que se
destinava a mim.

— Olá, docinho — disse com voz rouca.

Se antes não estava excitada, certamente estava agora.


Sua voz matutina, recém-acordado, o deixava todo sexy e lhe
adicionava a quantidade perfeita de rouquidão.

— Olá, delícia — respondi meus dedos com vontade de


alcançá-lo e só... acariciá-lo. Cedendo à tentação, perguntei—
lhe:

— Posso te tocar?

Seus olhos se fecharam, apoiando seus cílios na parte


superior de suas bochechas curtidas e esculpidas, enquanto
seu sorriso se ampliava.

— Não tem que perguntar.


Estendi a mão imediatamente, mas me detive a
centímetros de tocá-lo. Deve ter percebido minha dúvida
porque voltou a abrir os olhos.

— O que aconteceu?

Engoli a saliva, completamente aflita.

— Não sei por onde começar.

O olhar de Mason se esquentou. Envolveu seus dedos


fortes e quentes ao redor de meus pulsos e virou a palma
para frente, me levando aonde queria que minha mão o
seguisse. Quando a pôs no centro do peito, justo sobre seu
coração e pressionou minha pele sobre a sua foi como se
marcasse minha alma à sua. Pisquei para conter as lágrimas
de alegrias.

— Comece aqui. Nunca ninguém me tocou aqui.

Esfreguei um círculo no peito sobre seu coração. Pulsou


forte e firme sob meus dedos, assim que me inclinei e pus
meus lábios no lugar precioso, selando o momento com um
beijo.

Recordando certo chupão de ontem à noite, olhei outra


vez sem pensar, só para descobrir que todos os rastros da
senhora Garrison desapareceram por completo. Seu peito
sem marca brilhava, esculpido e magnífico. E todo meu para
tocá-lo como desejava.
Sem poder deixar de sorrir, levantei o olhar e mordi o
lábio antes de dar o passo.

— Palavra — eu disse

Suas atraentes sobrancelhas baixaram com confusão.

— O que?

Ri entre dentes.

— Pensei que disse que quando eu estivesse pronta só


diria a palavra. Então... palavra. Ou deveria dizer "a palavra"?

Mason respirou fundo e, de repente viu-se


desconcertado.

— Reese...

Começou a levantar-se, mas lhe dei um empurrãozinho


para que voltasse para seu lugar. Já que minha mão ainda
cobria seu coração, não foi muito esforço aplicar um pouco de
pressão e derrubá-lo de novo sobre o colchão.

— Está bem, Mason — assegurei-lhe.

— Amo você, e quero te mostrar o quanto. Quero que


tenha essa diversão recreativa que nunca teve. Quero te
agradar e te mimar como ninguém fez. — Ou nunca fará — E
quero apagar todas suas regras e restrições até que se sinta
livre para fazer o que quiser comigo.

— Seus olhos se obscureceram com sentimento.


Levantando a mão, tomou meu rosto brandamente.
— Deus, não te mereço.

— E, no entanto, tem-me de todos os modos. — Sorri e


segui tocando-o, explorando para a satisfação de meu
coração, começando em seu rosto com a áspera mandíbula
sem barbear e abrindo caminho.

— Portanto, está prestes a ganhar seu primeiro brinde,


Sr. Lowe, o incrível gigolô. — Zombando, deslizei a ponta do
nariz pelo seu pescoço — Gostaria de fazer uma pausa e dizer
algo para comemorar a ocasião?

Sua expressão brilhava com o calor enquanto deitava


passivamente debaixo de mim, observando todos meus
movimentos.

— AH, mas este não vai ser meu primeiro brinde.

— O que? — Meu estômago caiu aos pés — Mas me


disse...

— Shhhhhh — interrompeu—me pondo um dedo sobre


meus lábios antes que pudesse me sentar em posição
vertical. Deu-me um beijo tranquilizador na testa, no rosto.
Depois em minha mandíbula... Mmm. Meu pescoço

— Não vai ser um brinde. Tenho a intenção de te fazer


pagar. Muito.

— AH, eu vou pagar, então? — Retrocedi para lhe


permitir ver—me levantar as sobrancelhas. Mas a pressão de
seus lábios contra minha clavícula fez com que todo meu
corpo se estremecesse com fome. Sentindo que na realidade
poderia gostar para onde se dirigia isto, lambi meus lábios.

— Vou receber o desconto de namorada, certo?

Mason se limitou a mover a cabeça, a diversão refletida


em seu sorriso.

— Não. Mas vai me dever mais do que ninguém nunca


me deveu.

—Sério? Hmm. Quanto isto vai me custar?

Copiando minha mania, enrugou o nariz.

— Só seu corpo. Seu coração. E toda sua alma.

Deixei escapar um suspiro de felicidade e passei os


dedos por seu cabelo.

— Mas já lhe dei isso.

Seu sorriso era lento e devastador.

— Bom, então é uma primeira vez. Uma mulher pré-


paga.

Ri.

— Nesse caso, baby, encoste. Não terminei de investigar


minha compra.

Deu-me um amplo sorriso.

— Precisa revisar meus dentes?


Levantei uma sobrancelha.

— Não era esse o lugar que tinha em mente.

— Minha axila? — Quando levantou seu braço, inclinei


a cabeça para trás e soltei uma gargalhada.

— Abaixe seu braço, idiota. — Abaixei por ele,


escondendo suas axilas peludas. — Talvez eu falasse de sua
tatuagem.

Risquei meus dedos sobre a palavra "Me obrigue", com


receio de que estivesse tocando-o de verdade, que me
deixasse estar perto. Sua pele se arrepiou em seu abdômen
enquanto corria meu dedo por cada letra.

Seu sorriso despareceu quando olhou sua tinta.

— Sentia-me zangado e desafiado depois da primeira vez


que deixei de aceitar clientes.

— Já imaginava.

Inclinei-me para frente e beijei a palavra tatuada. Os


músculos de seu estômago se esticaram sob meus lábios e
sua mão acariciando meu cabelo me disse que gostava muito
da atenção.

Depois de ficar obcecada com seu umbigo, desci por seu


corpo, passando diretamente a seus pés.

Sentou-se, apoiando seu peso sobre os cotovelos para


poder ver-me. Uma careta divertida iluminou seus olhos.
— Ouça, se esqueceu de um lugar.

Calei-o.

— Não se preocupe. Vou chegar a seus ouvidos, juro.

Negou com a cabeça.

— Não me referia a isso.

Jogando uma olhada à protuberância em sua roupa


íntima e vendo uma marca úmida estender-se sobre o tecido,
fiquei branca por um momento, superada pela necessidade
de subir em seu colo e montá-lo nesse mesmo segundo. Já
quase podia senti-lo deslizar-se dentro de mim.

Mas não queria fazer nada que lhe fizesse recordar


algo... desagradável. Indecisa, encontrei seu olhar.

— Eu... pensei que talvez você... preocupa-me que várias


clientes excessivamente entusiasmadas poderiam ter te
tocado mais do que queria, assim não quis... incomodar.
Quero dizer, se eu tivesse te pagando muito dinheiro por isso,
também exigiria um pouco de tempo para brincar com essa
parte específica do corpo. Não queria...

Jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada.

— Reese. Jesus, é muito linda. Não me importam elas.


Só sei que quero que você me toque. Quero suas mãos sobre
mim. Bem aqui.
Quando deslizou seus dedos sobre o lugar exato que
discutíamos, fiquei sem fôlego, me esquecendo de tudo sobre
quem tinha o tocado antes de mim. Mas Santos Gigolôs
Tatuados, ver o Mason tocar-se era fodidamente sexy.

— Meu Deus, Sr. Lowe — sussurrei, tratando de


controlar meu pulso acelerado, para me manter muito, muito
quieta. — Acredito que isso foi a coisa mais sexy que já vi em
minha vida.

— Então ainda não viu nada. — Com um piscar de


olhos, envolveu os dedos ao redor de si mesmo através do
tecido de sua roupa íntima. Enquanto tirava lentamente,
minha mandíbula pulsava pela forma em que minha boca
juntava água.

— Desejo-te tanto neste momento, Reese, que só pensar


em me deslizar dentro de você me... — Fechou os olhos e todo
seu corpo se estremeceu enquanto gemia.

Acredito que poderia ter tido um mini orgasmo. Sério.


Um terremoto de consciência me iluminou tão forte e rápido,
que fiquei sem fôlego pela surpresa.

— Bom, não podemos permitir isso. — Antes que me


desse conta do que estava a ponto de fazer, agarrei sua roupa
íntima e a deslizei por suas pernas, deslocando a sua mão de
seu membro, o que foi uma maldita lástima. Mas o que o
liberou, nu e exposto, deixou-me completamente atônita.
— Santa Maria, mãe de Deus. Este é sem dúvida o
maior que já vi em minha vida.

Os olhos de Mason se estreitaram enquanto seu rosto se


ruborizava por completo.

— Quantos viu?

— Incluindo você? Dois. — Ignorando a pergunta


suspeita em seu olhar, voltei minha atenção a seu pênis.
Aproximando-me com cuidado, murmurei: — Olá, garotão.
Sem mordidas ok?

Mason riu e gemeu ao mesmo tempo.

— Maldita seja, Reese. Seu senso de humor vai me


deixar louco antes que acabe o dia.

— O que? — Perguntei-lhe inocentemente e


sinceramente confundida.

— Só toque-o uma vez. — Suplicou com os dentes


apertados.

Por Deus, está bem. Não tinha por que ser impaciente e
mal-humorado a respeito. Estendi a mão e acariciei com dois
dedos, como se saudasse timidamente a um animal vivo e
raivoso.

O suor escorria na testa de Mason. Via-se torturado,


mas parecia amar cada segundo de seu sofrimento.
— É muito engraçada. Sabe que isso não é o que quero
dizer sobre tocar. Não é um maldito cachorro.

— Um, não. Eu diria que isto é mais para o tamanho de


um touro.

Soltou uma risada afogada. Por mais que eu quisesse


fugir, mesmo assim me divertia. Eu adorava. Nunca tinha
sido tão divertido ver um cara nu diante de mim. Eu gostava
de me divertir com Mason.

— Agora, por que estou fazendo todo esse jogo? —Fiz


beicinho, sentei-me e coloquei minhas mãos em meus
quadris. — Ainda não inspecionou nenhum pedacinho de
mim. Você não gosta do que vê?

— Eu adoro tudo o que vejo. — Seus olhos estavam


vidrados pela instabilidade enquanto agarrava freneticamente
os lençóis debaixo dele. Preocupava-me que pudesse ter ido
um pouco longe demais. Uma pequena brincadeira suja era
bom, mas impulsionar ao homem a um homicídio hormonal
não.

Sua testa brilhava como se tivesse febre.

— Mas se eu te tocar agora, não vou ser capaz de parar.


Queria me assegurar de que você tivesse seu tempo antes que
eu começasse.

—Vá. — Dei-lhe uns tapinhas em sua barriga, a apenas


três centímetros da cabeça de seu exuberante pênis. —
Pensando primeiro em mim. Isso é tão doce. Obrigada.
— Sim, sou um maldito santo. Agora, quer, por favor,
tocar meu pau antes que a maldita coisa exploda?

— Oh, está bem. — Deixei escapar um suspiro de


resignação, como se ceder a suas vontades fosse um
incomodo. Então me inclinei e toquei seu membro, com
minha língua, lambendo-o da base até a ponta com uma
carícia úmida e quente.

Gritou meu nome e nos jogou em um par de centímetros


fora da cama.

— O que eu fiz de errado? — Falei, me voltando para


sentar para poder perfurá-lo com um olhar profundo.

Ofegando, olhou—me com uma aparência selvagem.

— N... nada. Isso foi.... Isso foi... perfeito.

A expressão atordoada em seu rosto me fez me parar.

— Nunca fizeram isso em você?

— Não, — disse com voz tensa.

— Sério? Levantei uma sobrancelha. — E quanto às


mulheres do Waterford?

Negou com a cabeça, sem deixar de mostrar—se


completamente afligido.

— O sexo oral em mim é mais a respeito de meu prazer,


e nenhuma delas se preocupava com meu prazer assim... Oh!
... Deus.
Inclinou suas costas fora da cama outra vez quando o
tomei dentro de minha boca tanto como podia. Envolvendo os
dedos ao redor do resto da base, chupei com força, tomando
cuidado para não mordê-lo. Então deixei que minha língua
vagasse, explorava cada pedacinho, cada veia. Logo o levei até
o fundo de minha garganta.

— Reese...... — Sua voz soava alta e afogada. — Oh, Meu


Deus. aggghhhhh...

Acredito que na realidade vi seus olhos rolarem para


trás da cabeça... Merda. Sim, dava-lhe uma maldita boa
mamada, se me permite dizer. Sabia que se encontrava no
limite, quando soltou os dois lençóis que tinha envolvido em
seus dedos e se levantou.

— Não posso esperar mais. Necessito.... Preciso te tocar.


Agora.

Encostou minhas costas, e ficou em cima de mim tão


rápido que me deixou sem fôlego.

O beijo que seguiu foi tão quente, que derreteu minhas


calcinhas. Literalmente. Bom, está bem, acredito que as
arrancou. Mas de qualquer maneira, depois de terminar de
nos beijar, encontrava-me completamente nua, ele tinha uma
camisinha, e as coisas ficaram verdadeiramente quentes
neste apartamento. Todo meu corpo vibrava com o calor e a
umidade, ardendo de necessidade.
Mason agarrou meu quadril e colocou minha perna ao
redor de sua cintura. Segui seu exemplo e o envolvi com a
outra, apoiando os pés juntos na base de suas costas.

Descendo as mãos para baixo nas minhas coxas,


agarrou minha bunda e levantou-me o suficiente para alinhar
nossos corpos. Meu coração estava batendo com antecipação,
os meus mamilos endurecendo e apertando os nervos em
minhas coxas.

Quando mergulhou um dedo para me encontrar


molhada, nós dois gememos. Colocou outro dedo. Acariciou-
me até que me arqueei e ofeguei debaixo dele. Sua boca fez
coisas pecaminosas em meus seios. Queria que não parasse.

Depois de que tirou seus dedos, substituiu-os com algo


muito maior que empurrou em minha entrada e minha visão
ficou turva. Oh, Deus. Estávamos fazendo isto. E o fazíamos
agora mesmo. Mantive meu corpo tenso pela ansiedade
quando sua ponta pressionou um pouco mais profundo.

A única outra pessoa com a que tive relações sexuais foi


com Jeremy, e tinha sido tão controlador e dominante, que
não estava completamente segura de qual era o procedimento
normal. E se Mason queria que avançasse ou fosse mais
devagar, ou...?

Como se sentisse minha insegurança repentina, Mason


levantou o olhar, com o rosto avermelhado.

— Reese? Você quer mesmo?


Isso foi tudo. Sua preocupação por mim derrubou todos
meus medos sobre como agir. Necessitava deste homem
agora, de todas as formas possíveis.

Balancei a cabeça imediatamente.

— Sim. Sim. Por favor.

Pôs sua testa contra a minha e se empurrou para frente,


me preenchendo plenamente.

Oh.

Deus.

Respirei fundo, surpreendida já que não esperava tanto


e tão rápido. Oh, Deus. Era muito, muito. Não hesitou nem
uma vez. Não caberia todo dentro de mim, assim que lhe dei
um tapa nas costas com um pânico incontrolável.

— Pare! Espere, espere, espere.

Imediatamente parou e moveu os ombros para trás me


olhando.

— O que aconteceu? Eu te machuquei? Está bem?


Pensei que havia dito...

Começou a sair, mas fechei minhas pernas ao redor dele


com mais força para deter qualquer movimento que tentasse
fazer.

Calei-o, necessitando do silêncio para poder esclarecer


minha mente.
— Estou bem. Estou bem. — Minha mente parecia uma
confusão. Sentia-me tão esticada e completa. Parecia estar
em todas as partes. Meus pensamentos estavam um caos,
dispersos e desorganizados.

Era muita aflição.

— Só... Preciso de um momento. Não esperava que fosse


tão.... É tão grande. Maior que... — Olhei seu rosto
preocupado e desesperado em cima de mim, e mais uma vez,
isso foi tudo o que precisei. Senti-me mais faminta.

— Mmm......

Meu corpo quente ajustou-se e o aceitou. Na realidade


desfrutava da forma em que encaixávamos perfeitamente. De
fato, desejava mais e queria voltar a sentir esse delicioso
estiramento interior, queria senti-lo roçar-se contra minha
parede de nervos dentro de mim, e queria fazê-lo
malditamente agora.

Arqueei-me debaixo dele, ardendo por mais.

— Mexa-se, mexa-se, mexa-se. — Ofeguei.

Mason parecia indeciso e um pouco assustado.

— Mas acaba de me dizer para parar.

Agarrei dois punhados de seu cabelo grosso e ondulado


e os apertei com força.
— Bom, agora preciso que se mova. Oh, Deus. Por favor,
ande depressa. Sinto-me tão... Estou tão... Jesus, o que está
fazendo?

Mantendo o olhar suspeito em mim, enquanto seu rosto


se avermelhava cada vez mais e suas pupilas se dilatavam,
saiu só para imediatamente meter-se dentro. E oh meu Deus!
A forma que encaixávamos era perfeita e alucinante como na
primeira vez. Arqueei-me debaixo dele, gemendo meu êxtase
com um baixo gemido.

— Mais.......

Mason pôs uma mão sobre o travesseiro à altura de


minha cabeça, me olhando enquanto bombeava
constantemente meu corpo.

— Me confunde como ninguém, Teresa Nolan, Reese


Randall, ou quem diabos for. — Sua voz era crua e sem
fôlego. — Mas mesmo assim não posso ter suficiente de você.

Fazia-me sentir tão feliz que conhecesse todos meus


nomes e cada parte de mim. Não havia segredos entre nós. Só
ele e eu, e isto.

Afundou-se com mais força dentro de mim, movendo-se


só o suficiente para deslizar-se mais profundo. Logo ajeitou
minhas pernas, me dizendo que isso o faria sentir maior
dentro de mim e Santa merda, era verdade. Então flexionou
seu pênis impecavelmente, chegando a um ponto que quase
me fez virar os olhos. Maldito seja, com certeza sabia o que
estava fazendo.

Movi a cabeça de um lado ao outro, lutando contra a


pressão que exercia dentro de mim.

Sentia-me tão bem, tão bem que travei meus dentes. Por
que travava meus dentes? Por que diabos tremia todo o meu
corpo? Parecia que quanto mais firme apertasse meus
músculos a seu redor, mais gostoso ficava. E quanto mais se
expandiam, mais apertava com força.

— Cristo — gritou Mason. Apertou os dentes e seu


pescoço se esticou. – Não faça coisas assim quando já estou
no limite. Você também vai chegar lá, Reese. E vai se sentir
tão... malditamente... bem. Mas não quero que termine ainda.

Eu tampouco. Mas quanto mais rápido se movia, melhor


se sentia. E quanto melhor se sentia, mais rápido iria
terminar.

— Oh, foda-se. — Levei meus dedos para seu traseiro


firme e me movi com ele, incentivando-o a acelerar o ritmo. —
Podemos ter sexo longo e interminavelmente lento mais tarde.

Grunhiu de novo, soou mais como um gemido.

— Você promete?

Concordei.

— Sim. Sim. Neste momento, só me faça chegar lá. Por


favor.
— Estou fazendo. — Seus quadris golpeavam contra os
meus.... Maldição.

Era a primeira vez que realmente saboreava a delícia


carnal deste ato. Apreciei cada sensação pervertida vibrando
em meu corpo. Abraçando seus quadris firmemente entre
minhas coxas quando entrou e saiu várias vezes, atirei a
cabeça para trás e me arqueei com ele.

E, apesar do quão quente e suado estava, senti uma


conexão que se tratava de algo muito mais profundo do que o
físico. A corrente elétrica que teve entre nós desde o primeiro
momento em que o vi no campus da universidade se acendeu
dentro de mim.

O olhar de Mason era chocado e surpreso enquanto nos


olhava. Mas também deve ter percebido o vínculo, porque
levantou a vista e encontrou meu olhar. Com uma espécie de
sorriso torto, afundou seus dedos em meu cabelo e sustentou
meu rosto como se estivesse preparando para lançar-se do
topo.

— Eu adoro isto – disse.

— Eu te amo. Você é tão bonita.

Agarrei-lhe firme.

— Eu também te amo.

E isso foi tudo. Por um segundo, pareceu derrotado.


Logo esmagou sua boca na minha, enterrou-se
profundamente, e me enviou em espiral sobre o penhasco.
Todo meu sistema se sentia como um para-raios, absorvendo
o impacto de nossa união. Mason gemeu e me seguiu no
esquecimento. Até esse momento, não me dava conta de que
nunca tinha tido um orgasmo autêntico, porque o que
aconteceu com meu corpo possuiu todos os nervos dentro de
mim e me impactou de dentro para fora. Uma intensidade
que me dava um pouco de medo. Gritei e o sustentei com
força, cravando meias luas em suas costas com minhas
unhas.

— Oh, Deus. Oh, Deus. Oh, Deus.

— Jesus, Reese. — Arqueou-se e caiu enquanto seu


membro pulsava.

Cravei meus calcanhares na base de suas costas até que


passou o terremoto, tornado, furacão e o tsunami de
sensações. E mesmo assim, senti que tremia até a medula.

— Oh... Deus... meu... — disse—lhe uma vez mais, com


minha voz fraca e esgotada.

Desabou seu peso sobre mim, o que eu adorava. Mason


riu em meu rosto e beijou—me na mandíbula, logo em minha
garganta, minha clavícula.

— Obrigado, — disse. — Sempre me perguntei como se


sente ao fazer amor.

Virei o rosto para o lado e vi seus olhos cinzentos


refletidos através das janelas do seu belo coração. Ao me dar
conta de que também era a primeira vez que tinha feito amor,
meus olhos lacrimejaram um pouco. Raspando seu rosto
onde a barba recém-crescida fazia cócegas em minha palma,
murmurei:

— É um milhão de vezes melhor que o sexo asqueroso


com as velhas sem sentimentos envolvidos, verdade?

Roçou meu ouvido com o nariz.

— Cinquenta milhões de vezes melhor.

Não é que tivesse que vencê-lo, mas tinha que replicar.

— Um trilhão de vezes.

— Um infinito, respondeu.

Envolvendo os braços e pernas ao redor dele, enterrei


meu rosto em seu pescoço.

— Um infinito por dois.

Com isso, praticamente desmaiei debaixo dele, caindo


em um estupor profundo e tranquilo.
Acordamos mais tarde com meu
telefone anunciando uma mensagem de texto. Mason virou
um braço e o agarrou do criado mudo.

Era de Eva.

Seu jipe está no caminho da entrada outra vez. Espero


que esse gigolô te trate melhor que nunca.

Este ex-gigolô está me tratando melhor que nunca,


respondi-lhe e entreguei o telefone de volta para que o
voltasse a pôr no criado mudo.

— Que foi isso? — Perguntou com voz sexy sonolenta.

— Nada. — Aconcheguei-me em seu lado e passei


minhas unhas brandamente sobre seu peito. — Só respondi a
Eva.

Meu telefone soou de novo. Comecei a me inclinar sobre


ele para pega-lo, mas Mason apanhou minha cintura, me
detendo.

— Não se atreva a parar de me tocar assim. Eu o


pegarei.
Suspirando com satisfação, acariciei lhe um pouco mais
baixo. Gemeu com aprovação enquanto abria minha
mensagem.

— Disse que é uma cadela de sorte.

Sorri, acariciando algo pequeno que, sob meus dedos,


cresceu em algo grande.

— Bom, sim. Sim, eu sou.

Amaldiçoou e enganchou um braço ao redor de minha


cintura me atirando em cima dele. Desta vez me sentei sobre
seu colo e fiz um pouco de exercício cardiovascular. Mason
era o suficientemente amável para me mostrar como
funcionava a posição que vaqueira fazia para trás. Bendita
seja sua alma.

Depois da segunda rodada, adormecemos outra vez.


Quando despertamos de novo, a comida se converteu em algo
um pouco mais importante. Sabia que não tinha muito em
meus armários, mas fomos investigar a cozinha de qualquer
forma.

Logo que o mandei ficar sentado à mesa, corri para


verificar toda a comida para o café da manhã que eu tinha.

Sentado, tomou um gole do suco de laranja que tinha


conseguido e suspirou, refrescado, enquanto seu olhar seguia
cada movimento que fazia.
— Eu finalmente sei por que um cara gosta quando sua
garota está vestindo apenas uma camiseta.

— Por quê? — Perguntei-lhe e rebolei fazendo com que


camiseta subisse mais acima de minha coxa. — Fácil acesso?

— Bom isso também. — Com seus olhos brilhando com


interesse sensual, observou—me abrindo a geladeira e
tirando um par de latas. — Mas acredito que é mais parecido
com marcar seu território. Ele sabe o quanto ela é sua
quando ela usa suas coisas.

Fiz uma pausa e levantei uma sobrancelha não—


impressionada.

— Marcar seu território? — Deus, realmente ele era um


homem, não? — Assim... Sou como um pneu de carro que
sente a necessidade de urinar?

Seu sorriso era de lobo.

— Fazer xixi em você não é exatamente o que tenho em


mente.

Enruguei o nariz e mostrei a língua.

Riu e dobrou seu dedo, chamando para que me


aproximasse.

Incapaz de negar-lhe aproximei-me.


— Então, aqui estão suas opções para o café da manhã.
Pus um frasco de geleia de morango na mesa, ao lado da
cesta de pão e a caixa de cereais que já tinha tirado.

Não olhou a comida. Seu olhar vagou sobre a pele nua


em minhas coxas, onde terminava sua camiseta.

— Sei exatamente o que quero para o café da manhã.

Bufei.

— Meu Deus. Deixe que um homem sacuda seu mundo


duas vezes e torna-se um brincalhão pervertido.

— Ouça, eu era um brincalhão pervertido antes. —


Deslizando suas mãos para agarrar meus quadris, balançou-
me em seu colo onde me sentei sobre sua ereção
pressionando contra sua boxer.

— E não tem nem ideia quão difícil foi para mim, ocultar
todos os pensamentos quentes e pervertidos que tinha cada
vez que te encontrava perto.

Lambendo meus lábios, inclinei a cabeça para trás,


deixando que meu cabelo caísse por minhas costas, enquanto
me movia contra sua ereção.

— Oh, acredite em mim. Faço uma boa ideia do quão


difícil foi.

Riu e me beijou na garganta. Com um suspiro, passei


minhas mãos através de seu cabelo e me deixei levar
languidamente sob as carícias de sua perita boca. Abriu
caminho para baixo até que se encontrou com a base da
minha camiseta. Com um murmúrio irritado, agarrou-a e a
tirou por cima de minha cabeça, jogando-a de lado.

— Oh, amigo, — falou ao ver meu sutiã, — Esta coisa


tem que sair.

Com três movimentos precisos, desabotoou meu sutiã e


também o jogou do outro lado do quarto. Seu olhar se
iluminou com aprovação.

— Agora, isto é o que eu mais gosto.

Eu ri.

— É tão... maldito seja.

Sua boca se agarrou ao meu mamilo e me esqueci do


que ia dizer.

Mason Lowe era um amante incrível. Tocou-me com


tanta reverência, as pontas de seus dedos eram ligeiras e
curiosas quando circulavam por minha coluna vertebral,
enquanto que sua boca era atrevida e ardilosa, sua língua era
generosa e firme, enrugada com uma precisão mortal.

Sem avisar, agarrou-me pela cintura com as duas mãos


e me levantou em seu colo para me pôr à beira da mesa.
Ficou de pé enquanto me apressava para que deitasse. Logo
se inclinou sobre mim para dar um pouco de atenção a meu
outro seio.
Fechando os olhos, já que estava sendo muito selvagem,
louca e assombrosa, estendi as mãos e agarrei a beira da
mesa para me apoiar.

Mantendo minhas pernas no limite, Mason se colocou


entre minhas coxas e se esfregou contra mim enquanto
começou a beijar seu caminho de volta à garganta.

— Você responde bem ao meu corpo. Fica incrível.


Cheira bem.

Suspirei. Seu toque fez minhas impressionantes


habilidades de comunicação ir embora, por isso toda a
resposta que consegui dar foi:

— Vo-você também.

Sorrindo, levantou seu rosto para pressionar um beijo


suave na ponta de meu nariz. Logo olhou nos meus olhos.

— Eu adoro estar com você, Reese. — Olhou para meu


corpo nu na maior parte e deixou escapar um suspiro. — Eu
adoro fazer isto com você. Eu te Amo.... Te amo e ponto.

Engoli em seco, afogada pela emoção, não estava


acostumada a ouvir isso.

Removendo o cabelo escuro de sua testa e de seus olhos,


franzi o cenho suavemente.

— Diz isso como se fosse à última chance que tem para


falar comigo, como se tivesse medo de desaparecer a qualquer
momento.
Seu sorriso tremeu.

— Você não?

— Não. — Neguei com a cabeça. — Não vou a lugar


algum. Isto é real, Mason. Eu sou real, você é real, e isto está
acontecendo de verdade.

Inclinando-se, abraçou-me e afundou o rosto em meu


pescoço.

— Parece um sonho que vou acordar a qualquer


momento e você terá ido embora. Não quero despertar disto.

— Você não vai. Prometo. — Não sabia o que mais eu


podia dizer para tranquiliza-lo, assim simplesmente acariciei
seu cabelo e o deixei descansar sobre mim. Quando enrolei as
pernas ao redor de sua cintura e apoiei os pés na base de sua
coluna, ele cantarolou em sinal de aprovação.

Inesperadamente, disse:

— Ouça, pensei que não comia fruta para o café da


manhã. — Levantou-se o suficiente para agarrar minha geleia
de morango e me olhar com as sobrancelhas arqueadas como
quem diz "poderia me explicar"?

— Mas isso é geleia. — Argumentei. — Algo cheio de


açúcar não conta.

Mason abriu a tampa.


– E isso é verdade? — Colocou o dedo mindinho
completamente na geleia e o meteu na boca. Fechou os olhos
e suspirou profundamente.

— Sim, isto é bastante doce. Mas acredito que o sabor


seria mais doce...em você

À medida que seus olhos se abriram lentamente, a


intenção em seu olhar fez que meu corpo queimasse com todo
tipo de hormônios anormais, já que não podia ser normal que
uma garota ficasse a mil por um simples comentário.

— Não. — Completamente horrorizada pelo que sugeria,


minha boca se abriu enquanto ele colocava a mão de novo no
pote de geleia.

— Isto pode ser um pouco pegajoso. — Seu sorriso


parecia perversamente satisfeito.

— Mason... — Adverti-lhe com uma voz melosa, apesar


de que meu corpo esquentava em todos os lugares, e os
profundos músculos em minha barriga se contraíram e se
prepararam para outro orgasmo estremecedor.

Lubrificou um de meus mamilos e fiquei sem fôlego com


o frio. Mas quase imediatamente, inclinou-se e esquentou a
zona com um golpe de sua língua. Minhas costas se
arquearam fora da mesa, e tive que agarrar a beira com
ambas às mãos.
— Incrível. — Gemeu enquanto lambia a última parte da
geleia em mim. — Mas sei onde isto terá um sabor ainda
melhor.

Quando me tirou as calcinhas, quase caí da mesa.

— Mason, Oh, Meu Deus. Não pode. — Poderia?

Merda. Pode.

Agarrou-me o quadril logo que me sentei.

— Shhhhh — murmurou contra minha boca só antes


que me desse um comprido e macio beijo. Seus lábios tinham
o poder de matar as células do meu cérebro, isso me fez não
resistir depois de tudo.

Relaxei minhas costas quando me apressou para me


deitar de novo. Então abri as coxas quando as empurrou para
separá-las.

Endireitou-se com indiferença e ficou me olhando toda


estendida como se fosse sua festa pessoal.

No entanto, ele não tinha nenhuma pressa para começar


sua “refeição”. Com um sorriso lento e sensual, observou-me
enquanto agarrava seu copo de suco. Estiquei-me, pensando
que o derramaria sobre mim e também o lamberia. Mas só
tomou um comprido gole, com a garganta trabalhando
enquanto engolia.
Seus olhos não me deixaram quando finalmente baixou
o copo, suspirou, e lambeu uma gota de laranja de seu lábio
inferior.

— Meu Deus... — ofeguei, incapaz de afastar o olhar.

Seu olhar saiu de meus olhos para olhar por cima de


meu corpo, o qual o esperava completamente exposto.
Examinou-me como se estivesse mentalmente planejando
tudo o que fazer comigo. Eu já estava à metade do caminho
para o êxtase, quando agarrou o frasco de geleia de novo.

Quando se ajoelhou entre minhas pernas e me


lambuzou com o morango açucarado, arqueei-me e me
retorci, batendo minha cabeça. Logo me aproximei com força
contra sua boca quando lambeu uma gota de geleia
descontrolada. Ele não parou por aí. Ah, não.

Tirando outro dedo completo, começou tudo de novo, me


fazendo retroceder. Desta vez, ele puxou a boca e os dedos
antes que pudesse gozar.

Substituiu sua língua por algo tão delicioso, empurrou


dentro de mim. Minhas costas se inclinaram sobre a mesa
enquanto minhas coxas o abraçaram com força. Ele se
endireitou e enfiou os braços sob meus joelhos e olhou para
mim.

— Jesus — gemeu seus olhos desfocando-se, — você é


tão...
— Bonita? — Lancei a hipótese sem fôlego. — Incrível?
Divertida? — Não pude chegar a uma quarta sugestão porque
acabei gritando com um orgasmo.

— Sim — sussurrou Mason. Os músculos de seu


estômago se esticaram enquanto empurrava mais uma vez e
se estremeceu dentro de mim. — Sim.

Olhando para o teto, pasma, grudenta e satisfeita,


perguntava-me se uma das clientes de Mason tinha lhe
ensinado como podia ser tão incrível a geleia de morango.

Pensei que não importava onde tinha aprendido um


truque tão genial. Sentia-me tão bem e não deveria ficar
incomodada. Mas fiquei. Meu coração sentia—se carbonizado
e em carne viva.

A quantas mulheres ele tinha dado esse tratamento?


Quanto dinheiro tinha lhe rendido isso? Foi especial o que
nós fizemos?

Odiava o quanto isso me corroía. O que tinha acontecido


antes de me conhecer não era significativo ao que
construíamos aqui e agora. Mas me sentia tão incrivelmente
ciumenta de todas as demais mulheres que alguma vez o
havia tocado ou queriam tocá-lo. Ou olhá-lo.

Sentou-se a mesa junto a mim com manchas de cor rosa


nos cantos de sua boca enquanto sorria orgulhoso. Sentia-me
agradecida por meus tios não serem gastadores, tinham que
comprar o melhor de tudo, por isso não provocamos a quebra
da robusta mesa com nossos pesos. Estávamos seguros, e
Mason se via-se tão feliz e contente que eu tinha vontade de
chorar. Por que tenho que ter pensamentos tristes quando ele
parecia tão contente e satisfeito?

— Sempre quis fazer algo assim, — disse, soando como


um menino pequeno que finalmente tinham-lhe permitido
conduzir um carro.

Um alívio imediato me consumiu. Oh, graças a Deus.


Ele não tinha compartilhado esta intimidade com outra
mulher.

Virei-me para ele e lancei os braços ao redor de seu


pescoço. Aconchegou-se junto a mim com um som de
aprovação e me devolveu o abraço.

Depois de beija-lo suavemente a boca, disse-lhe:

— Sabe? Temos que fazer o café da manhã juntos mais


frequentemente.

Seus olhos brilhavam.

— Estou totalmente de acordo.

No dia seguinte, fizemos juntos o café da manhã. Mason


ficou todo o sábado. Sim, deixei sua mãe saber que não
estaria em casa.

Já que tinha sido suspenso de seu trabalho e não


autorizaram aproximar-se do Country Clube durante uma
semana, ficou em meu apartamento, e ficamos inseparáveis
pelo resto da tarde relaxada. Tomando emprestado meu livro
de cálculo, fez sua tarefa de matemática enquanto eu
trabalhava em virologia. E deixe eu te dizer, nossas sessões
de estudo, nus, foram surpreendentes. Sentei-me em uma
das extremidades do sofá e ele sentou-se do outro enquanto
chutávamos ao ar e nos deixamos descansar nos corpos um
do outro.... Até que desta vez, meu calcanhar deslizou um
pouquinho. Deslizou-se por cima de seus genitais e os
pressionou um pouco mais forte do que devia. Quando senti
um pouco de inchaço debaixo do peito do meu pé, bom... os
dedos de meus pés se sentiram obrigados a investir mais
fundo. Depois disso, não estudamos muito. Entretanto,
aprendemos a maioria dos lugares sensíveis de cada um.

Mas como todas as luas de mel chegam a seu fim, a


nossa também chegou. No domingo pela manhã, Mason me
acordou com uma massagem de corpo completo. Depois de
massagear cada centímetro de meu corpo até que virei
montão de gelatina, ficou de um modo pervertido. E tenho
que admitir que, eu gostei muito de seus modos pervertidos.

Beijando-me enquanto ia à deriva em uma neblina de


semiconsciência e felicidade pós-sexo, disse:

— Vamos fazer um trato. Se me prometer que não sairá


daqui e ficará como está até que volte, vou sair correndo e
comprar café.

Gemi de prazer.

— Feito.
Saiu da cama, parecendo muito excitado para meu
gosto. Uma vez que colocou a roupa, assobiava vaias

— Roupas Ruins — ele sorriu e se inclinou para me dar


um beijo de despedida.

Tinha certeza que ele queria um beijo rápido de


despedida, mas... não pude evitar. Afundei os dedos em seu
cabelo, porque agora podia tocar-lhe, aah! E abri a boca,
meus dentes mordendo seu lábio inferior.

Gemendo, Mason se arrastou de volta à cama e me


prendeu sob a manta. Seus olhos brilharam quando parou de
me beijar para sorrir.

— Então você quer me provocar, né?

Demoramos vinte minutos fazendo brincadeiras até que


finalmente saiu da cama outra vez.

— Não se mova — advertiu uma última vez antes de


desaparecer do meu quarto.

Passos, o barulho das chaves e o fechamento da porta


marcaram sua saída.

Suspirei me sentindo um pouco perdida sem sua


presença.

Foi triste, de verdade. Não tinha ideia que uma garota


pudesse chegar a ser tão viciada, completamente, e tão
rapidamente. Com Jeremy...
Oh, por que continuo comparando? Não havia
comparação. Sempre tinha estado um pouco receosa do
Jeremy, no fundo, como se minha alma reconhecesse que não
era bom. Mas de qualquer maneira, ou Mason tinha
enganado completamente a minha alma, ou era meu homem.
Definitivamente, votei pela opção número dois.

Sentindo-me excitada e agradavelmente dolorida em


todos os lugares certos, estirei-me languidamente sob os
lençóis quando um assobio veio do criado mudo.

Fiz uma careta, porque meu celular não tinha esse tipo
de som de campainha. Com um rápido olhar à esquerda,
descobri que Mason tinha deixado seu celular. Preocupada
que pudesse ser Dawn tentando falar com ele, olhei quem
era.

Quando vi que a pessoa que chamava era a caseira, me


gelou o sangue. Senti-me culpada por abri e ler sua
mensagem privada. Mas, nahh, não estava totalmente
arrependida de fazer.

— Tenho o número do Jeremy Walden registrado em


meu telefone. Preciso que venha as dez esta noite para
impedir que o chame.

Com um suspiro, derrubei o telefone de Mason.

Essa puta!

Deveria saber que o havia seguido tentando me utilizar


como isca para chantageá-lo até que dormisse com ela. Quero
dizer, por que ninguém no mundo suspeitava de sua
maldade, essa caseira rouba berços?

Uma raiva quente ardia dentro de mim. Como se


atrevia? Como se atrevia a feri-lo com isso?

Conhecia Mason. E cada visita que fez em sua casa lhe


fez mal. Despiu uma parte dele e o transformou em alguém
que desprezava.

Bom, essa merda acabou. Ninguém faria mal a meu


homem e sairia limpo. Mason não era o brinquedo de
nenhuma mulher. Não por mais tempo.

Tampouco era o único que podia sacrificar-se para


proteger às pessoas que amava.

Então, foi mais ou menos quando perdi completamente


a cabeça. Ocorreu-me um plano e não podia me desfazer dele.
Seria arriscado, pondo em perigo minha própria segurança.
Seria algo ilegal, mas diabos, sempre quis saber como é ir
contra a lei.

Possivelmente o plano poderia me ferrar, mas para


liberar Mason dessa mulher para sempre, tinha que tentar. E
não tive nem um pingo de arrependimento da maneira em
que o fiz em minha mente.

Pondo em movimento o primeiro passo da Operação


“Salvar Mason”, enviei uma resposta e escrevi: “vou estar lá.”
Depois de "Mason" ter enviado a resposta, apaguei as
mensagens dela e minha resposta de seu telefone.

No momento em que Mason retornou com as duas mãos


cheias de café, tinha me vestido e ido para a sala, ignorando
seu pedido de ficar onde estava. Depois desse texto, não tinha
sido capaz de relaxar ou de permanecer nua nem um
segundo a mais.

Ele sabia que algo estava errado assim que me viu. Seu
rosto parecia cheio de preocupação.

— O que aconteceu?

Não queria mentir, mas de qualquer maneira, não podia


dizer a verdade, ou teria parado meus planos antes que os
começasse.

Decidi a ir com a tática que ele tinha usado em Dawn.

— Uma de suas clientes te enviou uma mensagem de


texto. Acabei lendo. Então a apaguei.

Viu a verdade total.

Ficou olhando um momento antes de vir para mim.

— Bem. Fico feliz que tenha apagado. — Sentando-se a


meu lado, pôs os cafés na mesa de café antes de virar-se e
agarrar minhas mãos.
— Mas eu não gosto da expressão em seu rosto, Reese.
Fale-me.

Neguei com a cabeça, sem saber o que dizer. Estava


ainda muito inquieta pela mensagem e pelos planos que tinha
feito. Muito inquieta por tudo.

Lambendo meus lábios, falei.

— C-om que frequência te mandam mensagens como


essas?

Fez uma careta e baixou o olhar para nossos dedos


entrelaçados.

— Vai levar um tempo para que divulguem as palavras


"terminei".

Assenti.

— E quanto tempo necessita depois para convencer a


todas suas clientes de que desta vez fala sério?

Não sei de onde vieram estas palavras, ou por que usei


um tom tão contundente ao pronunciá-las. Não queria brigar
com Mason. Só queria abraça-lo e dizer que eu adoraria
protegê-lo para sempre.

Mas a ideia de que receberia mensagens de texto em seu


celular durante dias e semanas, possivelmente meses, de
mulheres querendo sexo, incomodavam-me. Assim as
palavras seguiam jogando-se de minha boca.
— Até quando vão continuar deixando seus cartões de
visita e pedir que avise-as logo que as coisas entre nós fiquem
um pouco difíceis? Quero dizer, até que ponto terei que
cuidar com o que digo? Porque a primeira vez que te
incomodar, poderá retroceder...

— Já chega — falou bruscamente e me puxou para me


dar um forte abraço. — Não vou te enganar Reese. Nunca vou
fazer isso. Já fizeram isso comigo. Faz dois anos. Eu não
gostei. Não vou voltar. Só quero você. — Um tremor me agitou
e ecoou em mim. — Não termine comigo já. Só aconteceu um
dia. Não é suficiente, nem de longe é suficiente. Por favor, não
desista de nós.

— Não farei. — Estalando em lágrimas, solucei. — Sinto


muito. Não sei por que continuo dizendo estas coisas. —
Merda, por que sentia-me tão emocional? Não estava nem
sequer perto de meu momento emotivo do mês. Mas me
sentei em seu colo e me aconcheguei.

— Só quero você também, Mason. Não quero terminar.


Não quero te perder de jeito nenhum.

— Shhhhhhhhhh. — Abraçou-me e beijou meu cabelo,


me balançando brandamente. — Não me vai me perder, Ok?

Balançou-se comigo, me deixando chorar. Quando


terminei, limpou as lágrimas de meu rosto e me beijou o
nariz, marcando o piercing de diamante com seus lábios.
— Sei que deve ser muito difícil, quase impossível para
qualquer mulher lutar por um namorado que tem uma
história como à minha, — admitiu, — especialmente sendo
uma história muito recente para mim. E não é justo te pedir
que o faça. Mas necessito que o faça. Se alguém pode superar
o que fui, essa é você. É tão forte. É tão incrível. Você é...
tudo.

Vê, não é de admirar que estivesse tão obcecada por este


cara?

Levantei o rosto de seu pescoço e encontrei com seu


olhar preocupado.

—Irei superar — assegurei com a máxima confiança.

Não me importava quão difícil seria, só sabia que iria


superar seus antecedentes. Porque só o fato de lhe perder
para sempre — era insuportável.

Concordou e me beijou, mas não notei nada de paixão.


Este beijo era desesperado e interessado, precisava da
segurança de que não iria deixá-lo. Devolvendo-lhe o beijo,
pus meu coração nele, e isso pareceu acalmá-lo.

Abraçamo-nos no sofá durante muito tempo, mas o


resto do dia senti uma distância entre nós. Sabia que era a
tensão de minha parte, preocupação sobre o que ocorreria de
noite e suspeitava que lhe preocupasse sentir minha falta

Em uma tentativa de aliviar um pouco o desconforto,


sugeri-lhe que terminássemos nossa maratona de filmes do
Harry Potter. Vimos três filmes antes que chegasse à noite.
Foi então quando me estirei, fingi um bocejo e joguei —
educadamente, é obvio — lhe dizendo que precisava ir para
casa antes do amanhecer e antes que Dawn me etiquetasse
como Corruptora de Filhos do Ano.

Falando a sério, precisava que fosse para que pudesse


me preparar para a segunda fase da Operação “Salvar
Mason”.

Parecia um cachorro chutado enquanto o acompanhava


até a porta, mas não me pediu para ficar. Homem incrível
acho que não queria parecer cansado ou algo desse tipo. Pus
um pouco de impulso extra em meu beijo de despedida,
tentando convencê-lo do quanto o amava.

Mas toda a angústia detrás do olhar que me enviou antes de


descer pelas escadas e aproximar—se de seu jipe, tinha me
golpeado no peito e me deu vontade de lhe confessar tudo.
Olhava da porta aberta de meu apartamento de cobertura
enquanto entrava no carro e desaparecia pela rua.

Logo deixei escapar um suspiro, coloquei minhas roupas


de garota grande, e comecei a trabalhar.
Vesti-me de preto. Lembrei-me que
havia tinha deixado meu carro estacionado todo o fim de
semana na rua da casa de Mason, caminhei para o meu
destino e cheguei sem atraso.

Pensei que a porta que separava o quintal do Mason


com o da senhora Garrison estaria aberta para fazer a sua
entrada as dez em ponto. E tinha razão. Meu coração pulsava
com força enquanto me aproximei de sua grama bem cortada
e sua porta traseira, que também tinha deixado aberta para
ele.

Meio assustada em minha mente, e, também


emocionada pois esse era o momento — pensava que era
louca por fazer isto, tranquilizei-me quando a porta traseira
se fechou atrás de mim, esperando que me não tivesse ouvido
entrar.

Soava uma música de algum lugar no segundo piso.


Parei, escutando a melodia de jazz abafada, podia ouvir por
cima de minha própria respiração. Não podia acreditar que
estava dentro do antro do diabo. O ar era quente e pegajoso, e
fez-me sentir um pouco sufocada em minha roupa escura.
Com minha mente lenta, olhei ao redor, sem estar
segura por onde começar minha busca.

Vamos, Reese, pense. Se fosse o computador de uma


papa anjo brincalhona de meia idade que gosta de chantagear
seu vizinho para ter relações sexuais com ele, em que lugar o
esconderia?

Minha primeira tentativa seria o dormitório, obviamente,


mas ela provavelmente estava ali justo agora, preparando-se
para Mason.

Engasguei-me com o pensamento.

Ele não estaria fazendo isso novamente.

Motivada pela ideia, dei um passo adiante e olhei com


cautela através da soleira da porta de uma lavanderia e em
uma cozinha fracamente iluminada. Quase desmaiei quando
vi um laptop colocado em seu balcão.

De maneira nenhuma. Não podia ter tanta sorte.

Oh, bem. Como dizem, em cavalo dado não se olha, os


dentes.

Corri à cozinha e sentei-me em um banquinho frente a


seu DELL.

Depois de estralar meus dedos e rodar meus ombros


como se fosse estralar meu pescoço, contive minha respiração
e levantei a tampa.
Não soou nenhum alarme. Nenhuma barra de metal
cintilou para mim ao redor. Nada se abriu nenhuma
armadilha escondida no chão me deixou cair em seu
calabouço. Encontrava-me no computador da bruxa. E a
bruxa idiota nem sequer tinha posto uma senha. Ponto para
mim.

Olhei sem ver a tela um bom minuto, escutando em


alerta à espera dos passos da certa senhora Garrison que
chegaria e me assassinaria. Mas o primeiro piso da casa
permaneceu em silêncio.

Finalmente, exalando um suspiro me concentrei no


passo três da operação “Salvar Mason”.

Ao fazer cliquei no ícone de correio eletrônico, rodei os


olhos quando me enviou diretamente a sua caixa de entrada.
Jesus, a mulher não protegia nada com senha? Fiquei um
pouco mais paranoica desde que ela mesma era tão sombria.

Dei de ombros outra vez. Sua perda. Meu ganho.

Redigindo um novo e-mail, no "Para" teclei o correio do


Jeremy: j_walden@ymail.net.

Na linha de assunto, escrevi: Em busca de Teresa


Nolan? E no corpo da mensagem, escrevi meu novo nome e
endereço. Estava informando a cidade e estado quando
escutei o som de saltos nas escadas.

Minhas veias se sacudiram com uma onda de


adrenalina.
Mas, sério. Isto era muito impressionante. Não poderia
ter programado melhor sua chegada se lhe tivesse mandado
um itinerário.

Terminava o CEP quando ela entrou na cozinha, levando


uma taça de vinho vazia e usando uma sensual camisola
verde e preta. A qual Mason nunca voltaria a vê-la usando.

Ela parou quando me viu, quase tropeçou. Foi cômico,


assim sorri abertamente quando saudei com a mão da
maneira mais amável possível.

— Olá, linda camisola. Vitória Secret´s equivoco-me?

Então ri enquanto deliberadamente pressionei o botão


enviar justo em frente a ela.

— Que demônios está fazendo? — Irrompeu para frente


tirando seu laptop de minhas mãos e girando-o para ver o
que tinha feito.

— Oh, só pensei em vir fazer você saber que Mason não


poderá vir esta noite. Dando de ombros e rodando os olhos
com culpa, confessei: — Interceptei o texto que lhe enviou
esta manhã. — Enrugando o nariz, enviei-lhe uma desculpa
me encolhendo. — Sinto muito, mas ele não viu.

— O que... — A senhora Garrison estava muito ocupada


olhando fixamente sua tela e confusa demais para me
escutar. — O que fez em meu computador?
— Enviei um e-mail ao Jeremy. Informando onde eu
estava e o meu novo nome. Quero dizer, não era essa a
ameaça se Mason não continuasse lhe servindo? — Desta vez
cravei uma expressão de surpresa como uma profissional. —
Meu Deus, não estava brincando, né?

A senhora Garrison clicou em seu histórico de envio e


sua boca caiu aberta enquanto lia a mensagem que acabara
de enviar.

— O que... o que...? — Sacudiu a cabeça, sem saber o


que dizer. — Ok, tenho que saber — disse de uma maneira
convencional quando sua cara ficou vermelha com a confusão
e ira.

— Esses sapatos são autênticos do Christian Louboutin


ou uma imitação barata? Porque sempre quis ser proprietária
de um autêntico salto Louboutin. E ficaria verde de inveja se
soubesse que você é proprietária de um par. São muito
incômodos? Não é que a comodidade importe, quando os pés
estão envoltos em um par de...

— Está louca? Por que.... Por que lhe diria onde está?
Deveria estar morrendo de medo deste psicopata.

— Oh, acredite em mim, estou. Mas, louca? — Eu bufei


e agitei uma mão indiferente. — Que termo tão subjetivo.
Quero dizer, o que uma pessoa poderia considerar totalmente
normal.... Como, não sei.... Obrigar a seu jovem e resistente
vizinho a ter sexo com ela em várias ocasiões.... Outra pessoa
poderia pensar que é totalmente repugnante. Assim, do seu
ponto de vista, sim, provavelmente estou muito louca agora,
sacrificando minha própria segurança para salvar ao homem
que amo de ser chantageado por uma velha doente, vingativa
e solteirona.

A mandíbula da senhora Garrison se esticou.

— É perturbada e louca.

Pretendi pensar sobre isso por um momento.

— Mmmmm, possivelmente. Meus pais estão tratando


de me enviar a um terapeuta. Pela parte louca, não a
perturbada. E acredito que posso ver de onde vem. Quero
dizer, ser cravada em uma parede com uma faca na garganta
por alguém que pensei que me amava, fez uma confusão em
minha cabeça por um tempo. Mas, sabe o que? Estou
contente de ter enviado o e-mail... ops. —Tampei-me a boca e
ri. — Quero dizer, fico feliz que você tenha enviado o e-mail e
informado onde eu estava. Estava seriamente cansada de
sempre ter medo, de estar sempre olhando por cima do
ombro e esperá-lo escondido em cada sombra. Deixei escapar
um suspiro renovado. — Fico feliz de que isto esteja quase
terminando. E ouça, se ele me matar neste momento, você
teria culpa por lhe dizer onde estava.

Vibrando com fúria, a senhora Garrison gritou:

— Fora de minha casa.

Estreitei os olhos.
— Com muito prazer. — Sacudindo meu cabelo, levantei
do banco do bar. — Ah, mas uma coisa. — Levantei a mão e
dei uma bofetada tão forte quanto pude, jogando seu rosto
para o lado com a força de meu golpe. — Nunca mais volte a
tocar no Mason. Ou eu juro por Deus, serei ainda mais
psicopata.

Ela endireitou seu rosto, logo abaixo do nariz com a mão


trêmula. Quando ficou com sangre em seus dedos, fiquei
boquiaberta. Santas Palmas trementes, Batman, tinha-lhe
tirado sangue.

Genial.

— Espero que Walden a mate lentamente — grunhiu,


seus olhos cor avelã brilhando intensamente com ódio.

Sorri amavelmente.

— Se o fizer me assegurarei de voltar como um espírito


barulhento só para caçá-la brutalmente. — Tomando
distância, saí de sua casa.

A senhora Garrison tinha me decepcionado um pouco.


Deixou-me ir sem lutar. Mmm. Covarde. Tinha estado um
pouco excitada por lhe chutar a bunda cheia de pena.

Oh, bom, assim era a vida. C'est la vie6. Talvez pudesse


golpear à próxima mulher que tentasse fazer mal a meu
homem.

6
C'est lavie: é a vida em francês
Voltei para casa me sentindo verdadeiramente poderosa
pela primeira vez em muito tempo. Todas essas mulheres
tinham tirado um pedaço de Mason e o tinham feito sentir-se
barato e usado. Jeremy me tinha tirado o mesmo.

Lutar e tomar o controle de novo fazia me sentir bem.


Sentia-me genial.

Senti-me como se de alguma forma tivesse que


comemorar. Estava com sorte, um Jipe familiar estava
estacionado na minha garagem, quando parei no meio-fio . Vi
o sexy proprietário do dito Jipe sentado no degrau mais alto
frente a meu apartamento, me esperando, sorri.

Colocando meu automóvel atrás do dele, desliguei o


motor e saltei do assento do motorista, cheia de sorrisos.

— Mason! Gritei, enquanto corria rapidamente. — O que


faz aqui? — Me joguei em seu colo e envolvi os braços ao
redor dele. — Oh, Meu Deus. Não tem ideia de quão feliz
estou de te ver

Beijei-o antes que pudesse responder, tomando o


controle de sua boca, da mesma maneira que acabava de
tomar o controle da senhora Garrison. Mostrei-lhes quem era
o chefe. Oh, sim, eu fiz.

Ao Mason não parecia lhe importar enquanto me


beijava, empurrando sua língua de boa vontade e
entrelaçando-se com a minha. Então, me agarrando pelo
traseiro, me levantou.
Veja, eu disse que ele tinha alguns músculos
impressionantes. Sem romper o beijo, dirigiu-nos para
minha porta.

— Não pude ficar longe. — Tentou explicar sem fôlego


entre beijos. — Não podia deixar as coisas como estavam.
Jesus, onde demônios esteve?

— Explicarei logo.

— Mmmmmm. — Parecia estar bem com isso e fechou a


porta atrás de nós logo que conseguimos entrar.

Agarramo-nos um ao outro. Justo ali contra a porta de


meu apartamento.

Acredito que precisava liberar um pouco da adrenalina


que ainda zumbia em meu sistema depois de minha primeira
e única temporada de invasão de moradia tanto como ele
precisava da garantia de que eu não estava assustada pela
mensagem que tinha lido antes.

— Wow — falei, logo que minha língua me permitiu dizer


palavras inteligíveis de novo. — Não tinha ideia de que
infringir a lei poderia deixar uma garota tão loucamente
excitada. — Fui escorregando pela superfície da porta até que
me sentei no tapete de “bem-vindo”, gratamente surpresa por
quão incrível resultou à noite.

Mason se deixou cair a meu lado.

— Quero saber o que quer dizer com isso?


Sorri. E lhe contei tudo.

Sua boca se abriu.

— Fez o que? Mas, você.... Ela.... Como pôde lhe enviar


sua nova identidade? Está louca?

Soava um pouco demais parecia a sua Senhoria, assim


franzi o cenho. Então, lembra-se que tinha enviado esse e-
mail, não?

— Sim, me lembro. Seria melhor revisar a caixa de


entrada dessa nova conta que criei esta manhã.

Arrastei-me até minha bolsa que tinha caído ao lado do


tapete de “bem-vindo” e procurei no interior até que encontrei
meu celular.

— Criei-a com o nome do Jeremy Walden. Preciso


comprovar se tem alguma mensagem nova. Quando cliquei
em minha caixa de entrada, pisquei para Mason. — Sim há
uma mensagem.

Virei à tela para mostrar o e-mail de Patrícia Garrison.

Abriu a boca antes de me dar um olhar espantado.

— Enganou-a.

Joguei meu cabelo e me exibi.

—Sim. Agora, como responderia Jeremy a esta carta?


Tocando meu queixo, eu meditei. Se fosse um ex-namorado
perseguidor psicopata, o que diria?
Mason se uniu para fazer parte do plano.

— Obrigado! – Disse.

— Perfeito. — Beijei-lhe o rosto e me distraí um pouco,


precisando beijar seu nariz e logo sua boca. Antes que
perdesse totalmente meu objetivo, virei-me, mordi o lábio e
comecei a escrever.

— Obrigado. Te devo uma.

— Pronto. — Apertei enviar e olhei para cima. — Isso é


algo que ele diria. Vou excluir a conta mais tarde, para me
certificar de que não responda.

Mason parecia assustado.

— Isto foi perigoso, Reese. Não posso acreditar que se


arriscou tanto só para me liberar dela.

— Ei. — Tomando seu rosto em minhas mãos, admiti—


Arriscaria mil vezes para te ajudar no que for preciso.

Pressionou sua testa contra a minha.

— Ainda não te mereço.

— Mas estou aqui — brinquei, inclinando meu rosto


para poder raspar meus cílios em seu rosto como um beijo
borboleta.

— O que fará agora comigo?


Aproximando-me mais, apertei meu corpo contra o seu e
afastei o cabelo do meu rosto.

— Suponho que terei que te amar com cada fôlego que


tenho.